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Numero do processo: 13204.000150/2005-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO.
O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte.
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 50 /2 00 5- 91 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS no regime não cumulativo, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 17/12/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. Conforme se depreende do Parecer SAORT e do Relatório de Diligência acostado ao processo nº 13204.000015/200546, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes nos créditos apurados pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 264/2003 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes nos valores dos créditos a descontar referente ao ativo imobilizado (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03), em razão de o contribuinte ter feito a opção em setembro de 2005 e ter retroagido os cálculos ao mês de maio de 2004; (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal); d) No mês de janeiro de 2005 foi retificado o saldo de crédito presumido disponível para desconto relativo ao estoque de abertura; (item 5 do Relatório de diligência Fiscal); Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 13 3 e) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo do contribuinte, sendo os valores da memória de cálculo ajustados pela fiscalização de acordo com o percentual de rateio relativo aos mercados interno e externo (40% e 60%, respectivamente); (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); f) Em março de 2005 houve retificação das bases de cálculo informadas no DACON em decorrência de lançamentos constantes da conta 420200, retificados pela fiscalização conforme balancetes disponibilizados pelo contribuinte; (item 7 do Relatório de Diligência Fiscal) g) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de variações monetárias ativas (receitas financeiras) não oferecidas à tributação. Não há direito ao crédito quanto às perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras que não são decorrentes de empréstimos ou financiamentos obtidos de pessoas jurídicas e nem se enquadrarem nas hipóteses legais de dedução da base de cálculo (art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03); (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); i) Foi corrigido erro nos DACON transmitidos, pois o contribuinte não informou ou informou incorretamente valores objeto de compensação em Decomp, referente a alguns meses do ano de 2005, gerando saldos de créditos indevidos de um mês para o mês seguinte. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é ilegal incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois além das receitas financeiras não comporem o faturamento, a previsão legal contida no art. 3º, V, da Lei nº 10.637/02 é no sentido da sua dedução; b) a pretensão fiscal tem lastro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que foi declarado inconstitucional pelo STF; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) quanto aos créditos tomados sobre as aquisições para o ativo imobilizado, alegou que com o advento do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, passou a existir o direito de apurar o crédito relativo à aquisição de máquinas, equipamentos e bens afins de acordo com o valor de aquisição dos mesmos, no prazo máximo de quatro anos; f) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Finalmente, quanto à apropriação de créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, ficou decidido que o contribuinte, tendo exercido a opção por tomar o crédito sobre o custo de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 aquisição em setembro de 2005, não poderia ter adotado base de cálculo com efeito retroativo ao mês de maio de 2004. O pedido de perícia foi rejeitado em face da DRJ ter considerado a providência desnecessária. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 05/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012. Em relação à matéria argüida na impugnação e enfrentada pela DRJ, alegou em síntese o seguinte: a) ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição e a ilegalidade da glosa efetuada quanto aos serviço de remoção de rejeitos industriais e do material refratário, em face do conceito de insumo que deve nortear a aplicação da legislação das contribuições nãocumulativas; b) em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2004 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; c) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; d) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. As demais alegações contidas no recurso voluntário não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou não foram objeto de impugnação por parte da recorrente. Requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 14 5 Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições (inclusão das receitas financeiras provenientes de variações cambiais), quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários e quanto à glosa do crédito tomado sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado. As questões levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou que não foram objeto da manifestação de inconformidade não serão tratadas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, a fiscalização consignou no item 8 do relatório de diligência o seguinte: “(...) 8 No que concerne aos lançamentos a débito das contas de receita 410102 (Alumínio Brasileiro S/A.ALBRAS) e 410107 (Cia. Vale do Rio Doce CVRD), meses de janeiro à março, bem como, na conta 421111001, meses de abril à dezembro, em atendimento ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), o contribuinte informou que referese a ajustes de preços decorrentes da venda de produtos no mercado interno, em face de sua fixação em moeda estrangeira e/ou desvios de características físico/químicas. Verificado pela fiscalização os termos do contrato de fornecimento de Alumina, celebrado com a empresa ALBRAS (em anexo), observase que tais ajustes tem a natureza de descontos condicionais (despesas financeiras), em função da variação (decréscimo) da taxa do dólar ocorrida entre a data da emissão da Nota Fiscal de Venda e o recebimento do preço pactuado (cláusulas 12.3 e 12.4). Ainda que acordado entre as partes a emissão de documento complementar posterior à entrega dos bens, tal convenção não descaracteriza a natureza de variação monetária. Nestas situações, impõese a tributação do ganho (receita financeira), não dando direito a créditos as perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas, tão pouco se enquadram como parcelas não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS, de que tratam o art. 1º , § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verbis: (...) omissis... Desta forma, os lançamentos identificados no Livro Razão (cópias em anexo) sob os históricos ajuste de preço/alumina/venda e acerto faturamento, bem como, os correspondentes tributos/contribuições ICMS/PIS/COFINS (ajuste/acerto), utilizados pelo contribuinte como parcelas redutoras das vendas no mercado interno, foram adicionados à BC por ele informada nos DACON's transmitidos à RFB (planilha em anexo). (...)” Em relação a este item da recomposição das bases de cálculo da contribuição devida, o contribuinte se limitou a invocar no recurso voluntário a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte se limitou a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 15 7 basicamente receitas financeiras decorrentes de contratos cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, no caso concreto, tanto a discussão sobre a constitucionalidade da tributação das receitas financeiras, quanto a questão do momento do reconhecimento contábil dessas receitas são irrelevantes, uma vez que para o ano calendário de 2005 a alíquota do PIS e da Cofins sobre as receitas em questão foi reduzida a zero pelos Decretos nº 5.164, de 30 de junho de 2004 e pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005. Portanto, a adoção do entendimento contido no Acórdão 340301.503 quanto ao momento do reconhecimento contábil da receita financeira proveniente da flutuação do preço da moeda estrangeira não resultará em nenhum efeito prático sobre este processo. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 16 9 alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto que não integre o custo de produção. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito junto com a lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas apenas sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Quanto ao ajuste nos créditos tomados sobre a despesa de depreciação com base na opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, o único óbice oposto pela fiscalização foi o exercício da opção por parte do contribuinte no mês de setembro de 2005 com efeito retroativo a abril de 2004. No item 4 do Termo de Diligência, anexo ao processo 13204.000015/2005 46, a fiscalização consignou o seguinte: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 17 11 “(...) 4 No mês de setembro de 2005, a base de cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado [PIS (FICHA 06 / LINHA 10); COFINS(FICHA 12 / LINHA 10)] foi informada pelo contribuinte nos valores de R$ 24.862.400,49 (mercado interno) e R$ 38.887.344,36 (mercado externo), perfazendo um total de R$ 63.749.744,85. A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo (em anexo) revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 anos, adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. Tendo exercido a opção no mês de setembro de 2005, a base de cálculo (R$ 63.749.744,85) utilizada pelo contribuinte (planilha em anexo) reflete efeitos retroativos ao mês de maio/2004, resultado do somatório de 1/48 das aquisições efetivadas entre os meses de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 66.778.984,50), diminuídos os valores dos créditos informados nos DACON's referentes aos meses de agosto à dezembro/2004 (R$ 359.286,67), janeiro à março/2005 (R$ 1.001.232,73), abril/2005 (R$ 333.744,24), maio/2005 (R$ 333.744,24), junho/2005 (R$ 333.744,24), julho/2005 (R$ 333.744,24) e agosto/2005 (R$ 333.743,24). Tal procedimento vai de encontro ao previsto nas normas legais que regem a matéria, senão vejase: "Lei nº 10.833/03 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VImáquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (...) § 14 Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular crédito de que trata o inciso III do § 1 a deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com a regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n s 10.865, de 2004)" (grifos nossos) "Instrução Normativa SRF ns 457/04 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nQ 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei na 4.506. de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º. para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado: Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º9 devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: II de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; (...) § 2° Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens nele referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Art. 7º Considerase efetuada a opção de que tratam os §§ 2º dos arts. 1º e 3º, de forma irretratável, com o recolhimento das contribuições apuradas na forma neles previstas" (grifos nossos) Com efeito, a melhor exegese que se extrai dos textos legais retrocitados é a de que a opção exercida tem caráter irretratável, com efeitos ex nunc. Tratandose de bens parcialmente depreciados, a regulamentação dispõe que as alíquotas a serem aplicadas (1,65% e 7,6%) deverão recair sobre 1/48 do valor residual. Aplicarseá idêntica interpretação ante à inexistência de depreciação, quando da opção, qual seja, cálculo dos créditos com base em 1/48 do valor de aquisição do bem. Ressalta se que, em qualquer caso, o aspecto temporal deverá ser observado, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 4.506/64, o qual condiciona o reconhecimento da depreciação a partir da época em que o bem é posto em serviço ou em condições de operar. Deste modo, considerandose que o contribuinte, na apuração das contribuições PIS/COFINS referente ao mês de setembro/2005, adotou por opção a sistemática prevista no art. 1º , § 2º , inciso I da IN SRF nº 457/04, refezse a base de cálculo (BC) dos créditos atinentes aos meses de setembro à dezembro de 2005, com base na memória de cálculo por ele disponibilizada, a saber: possibilidade de desconto dos créditos em 4 anos, a partir do mês de setembro (opção), tomandose o custo de aquisição acumulado de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 516.382.102,56), diminuído dos valores já descontados pelo sujeito passivo ( R$ 3.029.239,60 ) e rateandose o saldo em 48 meses (R$ 10.694.851,31). Adicionandose 1/48 da aquisição de setembro/2005 (R$ 457.004,90), resulta em uma BC mensal de R$ 11.151.856.21 (planilha em anexo). (...)” Verificase, assim, que a fiscalização não questionou nem o direito à opção e tampouco o direito à depreciação em quatro anos. Apenas questionou o critério retroativo que o contribuinte imprimiu quando da opção pela forma de cálculo do crédito com base no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/2003. Contra o critério adotado pela fiscalização, o contribuinte argumento com a Lei nº 11.196/2005 que previu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras. A alegação é improcedente, pois se o contribuinte entende que tinha direito à depreciação acelerada de um ano deveria ter optado por esse regime e não pela depreciação em quatro anos. A fiscalização apenas corrigiu o cálculo da opção efetuada pelo próprio contribuinte em depreciar os bens em quatro anos (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000150/200591 Acórdão n.º 3403002.042 S3C4T3 Fl. 18 13 Ademais, a alegação do contribuinte veio desacompanhada de provas no sentido de que os bens em relação aos quais a fiscalização fez a correção da apropriação da despesa de depreciação, se enquadravam nos Decretos nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720442/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 04 42 /2 00 9- 22 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 77 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte, supra qualificado, no qual pretende se utilizar de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, tendo por base o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. A DRF Juazeiro do Norte/Ce emitiu Despacho Decisório, fls. 11/20, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologando a compensação. Dentre os fundamentos do referido despacho decisório, destacamse os seguintes trechos: (...) Destarte, o contribuinte não efetua qualquer recolhimento de PIS e COFINS com relação às receitas provenientes das mercadorias em relação as quais pretendem creditar. Ora, o creditamento, nos casos em que na saída das mercadorias incide alíquota zero, traduzse em isenção, para a qual seria necessária disposição de lei expressa e específica nesse sentido como determina o art. 176 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ora, permitir que se credite pela aquisição das mercadorias sujeitas ao regime de alíquotas diferenciadas concentradas (e por isso mesmo tributadas à alíquota zero por ocasião da percepção da receita de venda), equivale a permitir que se recupere todo o montante recolhido pelo fabricante a título das contribuições em tela, desonerando completamente a circulação econômica daquelas mercadorias. Desta forma o regime de alíquotas diferenciadas concentradas transformarseia em uma desoneração total da cadeia de produção e circulação dos produtos e mercadorias por ele abrangidos. (...) Cientificado do despacho em 14/09/2009, fls. 21, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 14/10/2009, fls. 22/32, contrapondose ao despacho decisório, com base nos argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, destaca que até 31 julho do ano de 2004, os produtos sujeitos a tributação monofásica ficaram excluídos do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS, previsto nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 permanecendo, dessa forma, sob a tributação estabelecida na Lei n° 9.718/98. Posteriormente, com o advento da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, cujos efeitos se iniciaram a partir de 10 de agosto de 2004, as vendas dos produtos ora sob enfoque foram inseridas no rol das receitas das atividades sujeitas ao regime da não cumulatividade para cálculo do PIS e da COFINS. Desse modo, em virtude da lógica tributacional da novel sistemática, restou evidenciado que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo tem direito a "constituir créditos" de PIS e da COFINS às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre determinados custos e despesas vinculados a atividade operacional das pessoas jurídicas vinculadas ao regime da nãocumulatividade, inclusive bens adquiridos para revenda, desde que anteriormente submetidos à incidência das contribuições mencionadas, por ocasião das saídas promovidas pelo fornecedor. Alega que, até então havia expressa vedação a apuração dos créditos sobre os bens para a revenda, nos termos do art. 30,1, b, da Lei 10.833. Todavia, se por um lado, nessa época, negavase a possibilidade de crédito sobre os bens de tributação monofásica que eram adquiridos para revenda, por outro, em virtude da sistemática da nãocumulatividade, era permitido, assim como ainda o é, o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados a venda desses produtos, tal como, por exemplo, a energia elétrica, encargos com a locação de prédios e equipamentos. Nesse particular, afirma que a Refeita Federal do Brasil já se pronunciou sobre o tema, consoante a solução de consulta da DISIT SRRF10aRF (ementa transcrita pela defesa). Com efeito, a partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, entende que o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também ao regime monofásico, onde se concentra a tributação numa fase e se reduz a zero a tributação das saídas das demais fases. Ressalta que o aludido dispositivo da Lei n° 11.033/2004, não fez qualquer menção nem tampouco restringiu a possibilidade de manutenção dos créditos apenas em relação a determinados produtos ou atividades, sendo assim considerada como norma geral para o sistema, possibilitando a utilização dos créditos em quaisquer situações, desde que os mesmos estejam vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS. Destarte, com base no artigo mencionado, firma o entendimento da total possibilidade do creditamento sobre aquisições de veículos novos, autopeças, pneus novos e câmarasdear de borracha. Tanto é assim que, no sentido de regulamentar a utilização de tais créditos, foi editada a Lei 11.116/2005. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 78 5 Frente ao exposto, no entender da impugnante, com o advento da Medida Provisória n° 206/2004, posteriormente convertida na Lei n.° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante nos artigos 3o , I, b, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, fato esse que possibilita a apuração de credito por parte dos contribuintes tributados sob a sistemática do monofásico. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve o entendimento dos professores Sacha Calmon Navarro Coelho e Helenilson Cunha Pontes. Em seguida, transcreve soluções de consulta da Receita Federal, que entende serem favoráveis a sua tese. Alega, ainda, que em 03.01.2008 foi editada a Medida Provisória n° 413/2008, que proibiu expressamente o aproveitamento, por distribuidores e varejistas de produtos sujeitos à tributação monofásica de créditos relativos às suas aquisições de bens para revenda a partir de 10 de maio de 2008, acrescentando os §§ 14 e 22 aos arts. 30 da lei 10.637/02 e art. 30 da lei 10.833/03. Desse modo, entende que o Governo Federal ao vedar expressamente o creditamento a partir de 01/05/2008, tacitamente, admitiu a sua existência no período anterior compreendido entre 09/08/2004 e 30/04/2008. Por outro lado, antes da vigência dos supramencionados dispositivos da Medida Provisória, o próprio Governo Federal adiou o termo inicial de vigência, que somente passariam a vigorar "a partir do 10° dia do mês subseqüente ao dia da publicação do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecendo os termos, condições e prazos de que trata o art. 13”. Entretanto, em 23/06/2008, no momento da conversão da referida MP 413/08 em Lei, o Congresso Nacional não convalidou a vedação do crédito oriundo das aquisições sujeitas a tributação monofásica, haja vista que a Lei de conversão da 11.727/2008 nada versa sobre a matéria, suprimindo, dessa forma, os dispositivos da MP 413 vedavam o crédito. Desse modo, tendo em vista que os arts. 14 e 15 da Medida Provisória 413/2008 jamais entraram em vigor, conclui que não há outra conclusão a não ser a de que o direito ao crédito proveniente das aquisições dos produtos sujeitos ao regime monofásico nunca foi extinto do ordenamento jurídico. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITOS. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 A receita bruta decorrente das vendas de gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e álcool auferida por comerciante varejista está sujeita à incidência da Cofins à alíquota zero, estando expressamente vedada a apuração de créditos da contribuição em relação à aquisição desses produtos. Observada essa vedação, não há impedimento à manutenção de outros créditos vinculados a essas vendas, autorizados pela legislação para a atividade comercial, admitida sua compensação ou ressarcimento nos casos previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 55 a 66, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 79 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Pis/Pasep NãoCumulativo, fls. 02/04, referente ao 1º Trimestre de 2008, no valor de R$ 54.075,70. Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2o, 5oA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2o .............................................................. § 1o ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 80 9 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 81 11 tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 82 13 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 14 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720442/200922 Acórdão n.º 3801001.389 S3TE01 Fl. 83 15 não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 35346.000176/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1995 a 30/11/1998
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.207
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150,§4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:57:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:57:44Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:57:44Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:57:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:57:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:57:44Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:57:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:57:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:57:44Z; created: 2009-09-09T16:57:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-09T16:57:44Z; pdf:charsPerPage: 833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:57:44Z | Conteúdo => S2-C3T1 Q9 1° (7 Fl. 593 tt,r;:(1?:tktit MINISTÉRIO DA FAZENDA iipLIC,',Hiev:" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -4t5),,,_ SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35346.000176/2006-39 Recurso n° 148.609 Voluntário Acórdão n° 2301-00.207 — 3' Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2009 Matéria Cessão de Mão de Obra: Retenção. Empresas em Geral Recorrente SERVIÇO DE APRENDIZEGEM RURAL SENAR SR/SC Recorrida DRP/FLORIÁNÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1995 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ()ti) Processo n°35346.000176/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.207 Fl. 594 ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, ° do TN. • 1 i ott fif LI E' 4Y VIEIRA GOMES -side te i I GIM , : ii • 'NA AO 4' elatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Gelson Guilherme Werleng, OAB/SC n° 19.926. 2 Processo n° 353445.000176/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.207 Fl. 595 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cujo objeto da notificação são as contribuições devidas pela Recorrente na condição de responsável solidária com o Sindicato Rural de Campo Erê, correspondente a serviços executados sobre cessão de mão de obra, nos quais não foram comprovados os devidos recolhimentos das contribuições previdenciárias dos segurados. O período do débito abrange as competências de fevereiro de 1995 a novembro de 1998. Os documentos examinados para o levantamento de débito foram: livros diários e razão, e, NFLD n°35.125.636-9 de 29/12/2000. Fazem parte do crédito previdenciário levantado, as contribuições devidas pelo SENAR na condição de responsável solidário, destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, segurados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (até 06/97), ao financiamento dos beneficio concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho — RAT (a partir de 07/1997) e as destinadas a outras Entidades (Terceiros). - A Recorrente foi cientificada da lavratura da NFLD em 06/07/2005 (fis.54), apresentou defesa (fis.55/86) e a DN julgou o lançamento procedente em parte (fis.132/146), retificando o crédito previdenciário de acordo com o DADA de fis.123/130. Em 10/01/2006 a Recorrente foi cientificada do teor da DN, e, inconformada, apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Ilegitimidade passiva; Falta de ação prévia contra o contribuinte principal; Decadência; A 2' Cal converteu o julgamento em diligência para que o Recorrido juntasse aos autos a NFLD n° 35.125.636-9 ou sua cópia integral, bem como fizesse os esclarecimentos elencados no acórdão. A Recorrente apresentou sua manifestação sobre os documentos e esclarecimentos do Recorrido. É o relatório. 3 Processo n°35346.000176/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.207 Fl. 596 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias II e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo &mo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, f 4°, 173 e 174 do CM. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91. por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao I ° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sabre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa 4 . . Processo e 35346.000176/2006-39 52-OU Acórdão o.° 2301-00.207 E. 597 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em leL (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei rez 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... e Art. 24 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 5 V O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,! do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento em 08/07/2005, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto do lançamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR i,PROVIMENTO ao ". curso interposto. • . . das Se ; , em 05 de maio de 2009 i . 1 n vn AI! by. 4 A . • Tffelatora - 5 Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.001547/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA.
Mantêm-se a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por falta de ciência do segundo MPF, nos termos do voto do redator designado. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor da preliminar de nulidade do auto de infração.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator designado.
EDITADO EM: 04/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DO NORDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantêmse a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por falta de ciência do segundo MPF, nos termos do voto do redator designado. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor da preliminar de nulidade do auto de infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 15 47 /2 01 0- 01 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator designado. EDITADO EM: 04/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração decorrente de lançamento de IPI em função de utilização de valores contabilizados como “006 – outros créditos”, cuja pertinência e origem não teriam sido devidamente comprovadas à fiscalização. O relatório produzido pela decisão recorrida assim delimitou a matéria: Na descrição dos fatos, fl. 77, o autuante relata que apurou a seguinte infração: CRED́ITOS INDEVIDOS DEMAIS CASOS. Glosa de créditos de IPI, conforme termo de verificação fiscal nº 0001, anexado a este auto. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 70 a 74, consta que a ação fiscal inicialmente desenvolvida de acordo com o MPF 0510400.2010.00147, emitido pelo Delegado da DRF/Camaçari, para verificação fiscais relativos ao IPI. Devido a mudança de domicílio fiscal do contribuinte durante a fiscalização de Camaçari para Osasco em São Paulo a COFIS emitiu a Ordem de Serviço n° 041/2010, permitindo a abertura do MPF 08.1.13.002010 004351. Sendo assim, este Auto de Infração foi lavrado pela delegacia de Camaçari, ficando o controle do crédito tributário sob a responsabilidade da DRF de Osasco. Consta ainda, entre outras, as seguinte informações: em 26/0312010, foram solicitados os livros de registro de IPI e de entradas, e as contas do livro razão (IPI sobre compras; compra de matériaprima; compra de componentes; crédito de PIS; crédito de Cofins e fornecedores Fama Comercial Ltda), referentes ao anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O termo de diligencia fiscal, fls. 02/03, foi assinado pela Sra. Valdirene Pinto Lima, contadora e procuradora da empresa naquela data, fl. 04; em 27/03/2010, foi lavrado o termo de constatação fiscal nº 0001, fl. 09, para registrar que a empresa não foi localizada no endereço cadastral informado à Receita, estando em Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13502.001547/201001 Acórdão n.º 3302001.876 S3C3T2 Fl. 317 3 funcionamento no local, desde 2008, a empresa Cortiana Plásticos, CNPJ 06.879.526/000 110; em 14/04/2010, o Sr. Luiz Carlos Monacci (novo procurador da empresa, fl. 05) informou que a empresa tinha encerrado as atividades no estado da Bahia e estava em processo de transferência para São Paulo e solicitou prorrogação do prazo para entrega da documentação exigida. Em 07/06/2010, foram entregues parcialmente os livros fiscais de 2005 e 2006, fl. 08; em 04/06/2010, foi emitido novo termo (intimação nº 0001, fl. 10) solicitando atualização da situação cadastral; declaração de encerramento de atividades ou mudança de endereço; contrato social e livros ainda não entregues; em 14/06/2010, a contribuinte informou (fl. 11) que: mudou de endereço para Osasco São Paulo; solicitou baixa da inscrição estadual em 23/04/2009; a alteração de endereço consta da última alteração contratual registrada na JUCEB em 16/04/2010; e, mediante declaração escrita (fl.12), declarou que a empresa encerrou suas atividades industriais em julho de 2007 e comerciais em dezembro de 2008; com base nos dados do SINTEGRA e utilizando o sistema CONTAGIL da Receita, identificou que os valores declarados na DIPJ 1252039 e nas diversas DCTF emitidas diveroem substancialmente dos valores obtidos nos livros e notas fiscais; a diligência fiscal foi convertida em fiscalização através do MPF 0510400.2010.00147. Em 13/07/2010, foi emitido o termo de início de fiscalização solicitando os livros pendentes (ano calendário de 2007); contrato de aluguel da empresa na nova sede em Osasco e relação de bens. Nenhum dos itens solicitados foi atendido; em atendimento ao termo de reintimação fiscal nº 0002 (fl. 23), a contribuinte, em 03/08/2010 (fl. 25), afirma que a empresa agora tinha como atividade apenas administração de escritório em geral. Apresentou também o comprovante de inscrição e de situação cadastral do CNPJ já no endereço em Osasco (fi. 26). Os demais itens permaneceram pendentes, mas apresentou a contabilidade em meio magnético, não validado, para os exercícios já fiscalizados; a contribuinte não respondeu à intimação n° 0003 (fl. 34), onde foram solicitados esclarecimentos sobre as divergências apuradas entre IPI declarado/recolhido e o saldo a pagar exibidos em tabela anexa ao termo; contrato de aluguel ou escritura do imóvel da atual sede em Osasco e da antiga sede em Camaçari e os bens do ativo imobilizado informados na DIPJ de 2010; em resposta ao termo de reintimação n° 0004 (fl. 38), a contribuinte apresentou o livro de apuração de 2006 e 2007. Foram percebidos em ambos a existência, em todos os meses, de créditos no item "006outros créditos", sem maiores Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 explicaçõess; foram emitidas ainda as intimações n° 0005 (fl. 40) e nº 0006 (fl. 42) solicitando explicação sobre os créditos lançados no item "006outros créditos" e da conta do passivo 21110000390265000t43 FFAMA COMERCIAL LTDA, ligada diretamente com as divergências apresentadas entre os livros de IPI e Contabilidade em meio magnético; a fiscalização, expirado o prazo para fornecimento das explicações, glosou todos os créditos apresentados nos livros de registro de apuração de IPI, designados como "Outros Créditos", visto que os mesmo não foram comprovados, e lavrou o auto de infração constante do presente processo. Cientificada da exigência fiscal em 11/12/2010, conforme cópia do "AR", fl. 69, a autuada apresentou, em 11/0112011, impugnação às fls. 100 a 120, alegando, em síntese, que: não foi cientificada do início do procedimento fiscal determinado pelo MPF de fiscalização nº 08.1.13.002010 004351, emitido pela DRF em Osasco/SP, em total arrepio aos comandos constitucionais, legais e infralegais; a leitura do parágrafo único do artigo 4° Portaria nº 11.371/2007 revela que a ciência do MPF será feita eletronicamente, pela internet, por intermédio de um código de acesso fornecido no corpo do próprio MPF. No presente caso, a impugnante somente veio a ter conhecimento da existência do MPF fiscalização nº 08.1.13.002010004351, emitido pela DRF em Osasco/SP, por ocasião da ciência do auto de infração; é imperioso destacar que a impugnante não tinha conhecimento acerca da fundamentação e origem do auto de infração, e tampouco tinha conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.13.002010004351, cuja autenticidade sequer foi possível de ser confirmada; tudo isso porque o processo administrativo em questão teve início em 26 de março de 2010 (termo de diligência fiscal solicitação de documentos), decorrente do MPF nº 0510400.2010.000147 (fls. 02/03); as intimações subsequentes se deram com suporte no MPF n° 0510400.2010.00147 (fls. 21/22), tendo dado ciência à impugnante em l3/07/2010; o agente fiscal, sem cientificar o contribuinte do novo inicio do procedimento fiscal, em 09/12/2010, com amparo em novo MPF (nº 08.1.13.00201000435 I), lavrou a presente autuação, em absoluta violação ao contraditório e à ampla defesa, que permite ao averiguada ter conhecimento dos fatos que estão sob investigação; além da não ciência do novo MPF que deu suporte à autuação, em momento algum, teve sequer ciência de um possível encerramento do MPF de fiscalização n° 0510400.2010.00147, da DRF em Camaçari/Ba; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13502.001547/201001 Acórdão n.º 3302001.876 S3C3T2 Fl. 318 5 a violação ao procedimento estipulado em lei e no decreto que regulamenta o processo administrativo federal eiva de nulidade a autuação, nos exatos termos do disposto no art. 59 do Dec. nº 70.235/72; quando do início da efetiva fiscalização com a expedição do termo de intimação nº 0001, de 04/06/2010 (fl. 10), a impugnante já se encontrava estabelecida no município de Osasco (SP); os autos deveriam ter sido encaminhados logo no início da fiscalização para a DRFOsasco, unidade competente para a fiscalização, bem como que, após a instauração do MPF n° 08.1.13.002010004351, a DRFCamaçari tomouse incompetente para a lavratura do auto de infração, tornandoo nulo, na forma do art. 59, inciso I, do Dec. n° 70.235/72; de acordo com o disposto nos art. 11, inciso I, 12 e 14, inciso 11, da Portaria n° 11.37112007, o MPF nº 0510400.2010.00147, iniciado em 13/07/2010 (fls. 21/22), considerase extinto a partir do dia 13/11/2010. Portanto, todas as intimação realizadas a partir de sua extinção são consideradas sem efeito; ainda que se argumentasse que o prazo em questão foi alterado, melhor sorte não socorreria à fiscalização, pois não foi dada ciência ao contribuinte, nem mesmo foi substituído o auditor fiscal, a teor do parágrafo único do art. 15 da Portaria referida. Assim, resta incontroverso que o auto de infração ora combatido fundase em procedimento fiscalizatório irregular, devendo mesmo ser anulado; os chamados "Outros Créditos", conforme comprovam os respectivos documentos contábeis apresentados à fiscalização, são originários de (i) diversas contas de outros fornecedores (exercício de 2006); e (ii) operações realizadas com a sociedade FFAMA COMERCIAL LTDA (exercício de 2007); a fiscalização restringiuse à análise da conta da empresa FFAMA, a qual somente gerou créditos no exercicio de 2007. Contudo, o auto de infração foi lavrado em relação a todo o exercício de 2006 e 2007, como se não tivesse sido prestada qualquer informação em relação aos "Outros Créditos" de 2006; resta inequívoco que a fiscalização procedeu a uma análise superficial dos documentos acostados pela contribuinte, violando o princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário; o contribuinte comprovou a origem dos créditos utilizados na apuração do IPI devido nos exercícios de 2006 e 2007, entretanto, a fiscalização optou por glosar esses créditos sob a missiva de que não houve comprovação por documentos idôneos; é entendimento pacífico em nossos tribunais administrativos e do poder judiciário de que o comprador de boafé não pode ser responsabilizado pela inidoneidade (inadequação ou falsidade) Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 6 de notas fiscais emitidas pela empresa vendedora. Transcreve trecho de decisão do conselho de contribuintes e do STJ que tratam desse tema; faz jus aos créditos de IPI conforme lançado em sua contabilidade, pois, ainda que tenha adquirido tais créditos de terceiros por meio de documentação inidônea, a impugnante é adquirente de boafé; a multa imposta por conta do suposto não recolhimento do IPI, na ordem de 75% sobre o valor do débito possuem feições confiscatórias, estão constitucionalmente proibidas sob todos os aspectos, seja pelos dispositivos pertinentes ao direito de propriedade (art. 5°, inciso XXII) e ao regime econômico (art. 170, incisos II e IV), devendo a mesma ser reduzida a percentual não superior a 20% do valor do tributo apurado; a necessidade de diligências complementares reside no fato de que a fiscalização deixou de analisar os documento apresentados pela impugnante, em especial o livro razão de 2006, tendo sido lavrado o auto de infração sem qualquer embasamento fático e de direito; por fim, requer: (i) a nulidade do auto de infração, tendo em vista a ausência de cientificação do MPF n° 08.1.13.002010 004351, cerceamento do direito de defesa e a incompetência do Auditor Fiscal responsável pela autuação; (ii) improcedência da ação fiscal, dado que a glosa dos créditos lançados na DIPJ e livro registro de apuração de IPI foi indevida, especialmente em relação ao exercício de 2006; e (iii) caso não seja atendido os pedidos (i) e (ii) supra, a redução da multa de 75% por conta das feições confiscatórias por ela assumidas, devendo a mesma ser reduzida a percentual não superior a 20% do valor do tributo apurado. A par disto, a DRJ decidiu indeferir a impugnação apresentada em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades de auditoria fiscal, eventuais irregularidades em sua emissão e trâmite não acarretam a nulidade do lançamento. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantémse a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados. Impugnação Improcedente Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13502.001547/201001 Acórdão n.º 3302001.876 S3C3T2 Fl. 319 7 Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão proferida, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, onde são reprisados os argumentos lançados na sua Impugnação Fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se depreende do relatório acima transcrito, são três os temas a serem tratados no pressente processo, quais sejam: (i) irregularidades existentes no procedimento fiscalizatório, compreendendo neste item as questões relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) o cerceamento do direito de defesa da recorrente diante da não aceitação dos créditos lançados na contabilidade, por conta de declaração de idoneidade dos documentos fiscais; (ii) natureza confiscatória da multa lavrada. Neste contexto, passamos a analisar cada um dos itens acima listados começando pela existência das irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal. As normas procedimentos quanto a emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF, estavam reunidas na Portaria nº 11.371/07 que assim prescrevia: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Coordenador Especial de Vigilância e Repressão; IV Superintendente da Receita Federal do Brasil; V Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 8 Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI InspetorChefe das unidades constantes do Anexo IV. § 1º O CorregedorGeral, o CoordenadorGeral de Pesquisa e Investigação e o Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária, no âmbito de suas respectivas atribuições regimentais, poderão emitir MPFD. § 2º A autorização para a realização de procedimento de fiscalização na jurisdição de outra Região Fiscal, mediante utilização de mãodeobra subordinada ao Superintendente solicitante, darseá por intermédio de Ordem de Serviço, ou ato equivalente, expedida pelas autoridades de que tratam os incisos I a III do caput, conforme o caso, a partir de solicitação fundamentada. § 3º Na hipótese do § 2º, a Superintendência de jurisdição do sujeito passivo emitirá o MPFF, após a expedição da respectiva Ordem de Serviço, ou ato equivalente. § 4º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma Região Fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente, ao qual caberá a emissão do MPF. § 5º O disposto nos §§ 2º a 4º não exclui a competência das autoridades neles referidas para emissão de MPF por iniciativa própria, relativamente a procedimentos fiscais a serem realizados no âmbito de sua área de atuação. § 6º Os Delegados das Delegacias Especiais de Instituições Financeiras e da de Assuntos Internacionais poderão emitir MPFD para a realização de procedimentos de diligência junto a sujeitos passivos domiciliados nos limites geográficos de sua jurisdição.(Revogado pela Portaria RFB nº 547, de 9 de abril de 2010) § 7º Na impossibilidade de as autoridades de que tratam os incisos V e VI do caput efetuarem a emissão ou alteração de MPF, o Superintendente da respectiva região fiscal poderá fazê lo. Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13502.001547/201001 Acórdão n.º 3302001.876 S3C3T2 Fl. 320 9 passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. No presente caso foram emitidos contra a Recorrente dois Mandados de Procedimento Fiscal, o primeiro sob nº MPF 0510400.2010.00147, emitido pelo delegado da DRF de Camaçari, cuja ciência por parte do Recorrente ocorreu em 13/07/2010. Tendo em vista a mudança do domicilio fiscal da contribuinte para a Cidade de Osasco/SP, foi emitida a Ordem de Serviço nº 041/2010, autorizando a emissão do MPF nº 011300.2010.004351. Sobre este fato assim restou consignado na decisão recorrida: Consta do termo de verificação fiscal, fls. 70 a 74, que a ação fiscal inicialmente desenvolvida de acordo com o MPF 0510400.2010.00147, emitido pelo Delegado da DRF/Camaçari, para verificações fiscais relativos ao IPI, mas devido à mudança de domicllio fiscal da contribuinte, durante a fiscalização, de Camaçari para Osasco em São Paulo a COFIS emitiu a Ordem de Serviço nº 041/2010, permitindo a abertura do MPF 08.1.13.00 2010004351. Assim, o Auto de Infração foi lavrado pela delegacia de Camaçari, ficando o controle do crédito tributário sob a responsabilidade da DRF de Osasco. Neste ponto surge a principal contestação da Recorrente, uma vez que esta alega que da emissão deste segundo Mandado de Procedimento Fiscal ela não teria sido devidamente intimada. É de se destacar que o auto de infração lavrado está albergado pelo MPF nº MPF nº 011300.2010.004351, o segundo a ser emitido, e não consta do processo qualquer prova de que tenha sido dada ciência ao Recorrente de sua abertura. Sobre o tema, a decisão recorrida se limita a aduzir: Destacase, neste caso, que devido a mudança de endereço da contribuinte durante a fiscalização foi emitido pela DRF/Osasco/SP, com base na Ordem de Serviço nº 41/2010, o MPF nº 0811300.2010.004351 para dar continuidade à ação fiscal iniciada de acordo com o MPFF nº 050400.2010.00147 (emitido pela DRF de Camaçari), cujo código de acesso constava do termo de inicio de fiscalização, à fl 21, para consulta na internet, motivo pelo qual não vislumbro ter havido qualquer óbice ao conhecimento de seu conteúdo. A meu ver, resta inconteste no presente processo que, em relação ao segundo Mandado de Procedimento emitido, não houve a regular ciência do contribuinte, o que somente ocorreu com a intimação do Auto de Infração Lavrado, uma vez que foi neste momento que se veio a tomar conhecimento da existência do mesmo. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 10 Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, tenho convicção particular já externada em outros julgamentos realizados nesta turma, de que a atividade fiscal é vinculada a lei e também aos atos administrativos internos da Receita Federal, ai incluídos as Portarias, que, ao contrário do que se afirma, não são apenas instrumentos de controle interno. Estes instrumentos são ao mesmo tempo instrumentos de controle da administração e do contribuinte. Tanto que se exige a ciência do contribuinte quando de sua emissão e de suas prorrogações (ainda que digital). Também não posso aceitar a afirmativa de que isto não causa nulidade no processo administrativo, pois os atos praticados sem cumprimento dos requisitos exigidos por norma administrativa são efetuados por autoridade fiscal sem competência delegada e, por isso, são claramente nulos. Assim, diante da ausência de intimação do contribuinte do MPF nº 011300.2010.004351, entendo por nulo o auto de infração lavrado. Em relação ao mérito a discussão se restringe a glosa dos créditos lançados na conta “006outros créditos” que, segundo a fiscalização, não teriam sido comprovados. A glosa surgiu da análise dos lançamentos efetuados na conta 21110000390265000143FFAMA COMERCIAL, que poderiam estar relacionados a compra de créditos de IPI de terceiros. Diante da necessidade de comprovar a veracidade dos lançamentos efetuados, foi solicitada a Recorrente que apresentasse documentos fiscais capazes de corroborar os valores lançados em seus livros fiscais. Tais apelos não foram atendidos pela Recorrente, que se limitou a juntar copias de seus livros fiscais, sem contudo apresentar os documentos que os lastreavam. Não o fez na Impugnação e nem mesmo em seu Recurso. Sem ao mesmo algum indício de que tais documentos existem, não há como adotarse a tese e que houve omissão do trabalho fiscal e portanto cerceamento do direito de defesa, muito menos de que houve mitigação do principio da verdade material. Não são necessárias maiores tergiversações a respeito da obrigatoriedade de manutenção dos documentos fiscais que dão suporte aos lançamentos efetuados no livros contábeis dos contribuintes em geral, e, diante da ausência de prova, ou mesmo indícios da existência de tais documentos, entendo por correta a glosa efetuada. No tocante a ilegalidade e natureza confiscatória da multa aplicada, melhor sorte não socorre a Recorrente, uma vez que ao julgador administrativo é vedado afastar a aplicação de lei vigente por inconstitucionalidade ou ilegalidade. O CARF, inclusive, já sumulou tal matéria, como se vê: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destaco que as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória, senão vejamos: Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13502.001547/201001 Acórdão n.º 3302001.876 S3C3T2 Fl. 321 11 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, estando à multa prevista em lei vigente e eficaz, deve a mesma ser mantida. Por todo o exposto, vencido quanto a preliminar de nulidade, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator designado quanto ao MPF Divirjo do entendimento do Relator em relação ao MPF. O entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação não infringe a lei. É importante ressaltar que, em várias decisões, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Há que se considerar, ainda, que as prorrogações de MPF dispensam ciência, devendo apenas ser acompanhadas pela Internet. A situação encontrada nos presentes autos é semelhante, uma vez que a Interessada poderia acompanhar a emissão dos demais MPF pela Internet. Portanto, inexiste nulidade no procedimento em questão. À vista do exposto, voto por rejeitar a nulidade e por acompanhar o Relator em relação ao mérito (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES 12 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 25/04/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10980.902050/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/03/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Expirado o prazo de cinco anos da transmissão da declaração de compensação, opera-se a homologação tácita das compensações declaradas e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários compensados, independentemente do saldo de créditos do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 101 1 100 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902050/200694 Recurso nº s/n Voluntário Acórdão nº 330201.545 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2012 Matéria Cofins Declaração de Compensação Recorrente COPEL GERAÇÃO S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/03/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Expirado o prazo de cinco anos da transmissão da declaração de compensação, operase a homologação tácita das compensações declaradas e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários compensados, independentemente do saldo de créditos do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.902050/200694 Acórdão n.º 330201.545 S3C3T2 Fl. 102 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 73 a 77) apresentado em 05 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 0632.454, de 19 de junho de 2011, da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 67 a 70), cientificado em 04 de agosto de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 14 de março de 2003, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Sendo o direito creditório indicado em Dcomp insuficiente para quitar integralmente o correspondente débito, é correta a homologação parcial da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 29 de julho de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 2, emitido em 20 de julho de 2009 , segundo o qual o indébito alegado não existiria na integralidade, em função de parte do valor do Darf estar vinculado a débito declarado em DCTF. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo da Declaração de Compensação nº 18782.87532.290703.1.3.042151, relativa a alegado pagamento indevido/a maior de Cofins (código de receita 2172) do período de apuração fevereiro/2003, cujo recolhimento deuse em 14/03/2003, no valor de R$ 1.961.129,71, do qual a contribuinte informou a utilização de um crédito no valor original de R$ 42.390,64, para extinguir débito de Cofins (código de receita 2172) do período de apuração abril/2003, vencido em 15/05/2003, no valor de R$ 43.175,50. A DRF/Curitiba, por meio do despacho decisório de fl. 02, emitido em 20/07/2009, onde consta o seguinte: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelou se insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO parcialmente a compensação declarada.”, restando um valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2009, de Principal no montante de R$ 6.360,58, multa de R$ 1.272,11 e juros de R$ 5.590,31. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.902050/200694 Acórdão n.º 330201.545 S3C3T2 Fl. 103 3 Desse despacho houve ciência em 24/07/2009 (fl. 05), sendo que a interessada, por intermédio de procurador (mandato às fls. 30/34), apresentou, em 31/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 12/14, acompanhada dos documentos de fls. 15/65, a seguir sintetizada. Alega ter informado em DCTF que seu débito de Cofins relativo a abril/2003, foi de R$ 1.935.490,71, sendo que para sua extinção teria efetuado, em 15/05/2003, o recolhimento no montante de R$ 1.304.640,66, e para o restante (R$ 630.850,05) haveria indicação de quatro compensações. Fala que por essas Dcomp terem sido entregues em 29/07/2003, ocorreu o atraso das correspondentes compensações, sem que houvesse a inclusão dos ‘encargos moratórios’; comenta que para regularizar a quitação dos débitos constantes das citadas Dcomp, e antes da homologação da Dcomp em questão, em 05/09/2008, teria realizado “a proporcionalização dos débitos compensados, inclusive de outros PER/Dcomps não abordados pelo presente despacho decisório”, tendo enviado a Dcomp n.º 14217.41691.050908.1.3.040090, posteriormente retificada pela Dcomp 35365.21168.120509.1.076966, visando “quitar a parcela dos débitos iniciais que foram convertidas em encargos moratórios”. Faz, ainda, a seguinte observação: “entretanto, a Copel não realizou a retificação das PER/Dcomps para constar a proporcionalização nem das respectivas DCTFs.”. Ao final, requer, a compensação do débito constante da Dcomp n.º 14217.41691.050908.1.3.040090, retificada pela Dcomp 35365.21168.120509.1.7.046966, a fim de quitar os débitos de Cofins do período de apuração abril/2003, bem como a “baixa imediata das pendências acima relacionadas em razão das mesmas encontraremse com a exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN”, e a regularização de situação fiscal, no que diz respeito às pendências em questão, para que não configurem óbice à expedição de certidões de regularidade fiscal. À fl. 66, despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. No recurso, a Interessada alegou o seguinte haver tentado retificar a DCTF, mas o sistema não aceitou por conta da perda de prazo, e requereu a regularização de sua situação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.902050/200694 Acórdão n.º 330201.545 S3C3T2 Fl. 104 4 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que, no tocante à DCOMP n. 35365.21168.120509.1.7.046966, que se refere a indébito da CSLL, seu processamento deve obedecer ao regulado na legislação, devendo ter sua admissibilidade e homologação apreciadas em despacho próprio da autoridade fiscal. Portanto, não faz parte do presente processo. Quanto ao recurso, afora a questão expressamente nele discutida, passou despercebido que a declaração de compensação foi transmitida em 29 de julho de 2003 e que o despacho decisório somente foi emitido em julho de 2009, quase seis anos depois. Com isso, configurouse a homologação tácita das compensações declaradas, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei n. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n. 10.833, de 2003: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, decorrido o prazo, os débitos compensados foram extintos, nos termos do art. 156, VII, do Código Tributário Nacional. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer a homologação tácita das compensações. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10872.000540/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APRESENTAÇÃO DE GFIP´S COM INFORMAÇÕES INCORRETAS ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. LEGALIDADE. A apresentação de GFIP sem a correta informação acerca de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja violação ao disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela MP 449, de 03/12/2008, convertida n a Lei n° 11.941, de 27/05/2009.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE GFIP´S COM INFORMAÇÕES INCORRETAS ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. LEGALIDADE. A apresentação de GFIP sem a correta informação acerca de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja violação ao disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela MP 449, de 03/12/2008, convertida n a Lei n° 11.941, de 27/05/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente ESSENCE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE GFIP´S COM INFORMAÇÕES INCORRETAS ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. LEGALIDADE. A apresentação de GFIP sem a correta informação acerca de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja violação ao disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela MP 449, de 03/12/2008, convertida n a Lei n° 11.941, de 27/05/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 05 40 /2 01 0- 68 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000540/201068 Acórdão n.º 2402003.383 S2C4T2 Fl. 352 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ESSENCE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.269.2109, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP´s com incorreções. Consta do relatório fiscal que a recorrente apresentou recolhimento, em GPS, superior ao declarado em GflP, para os meses 01/2006 a 07/200, e que, apesar de intimada pelo TIF 06, em 29/07/2010, a esclarecer, por escrito, estas divergências a empresa não o fez. Ademais, no lançamento da multa, o fiscal ao analisar a questão da retroatividade benigna da Lei 11.941/09, entendeu por aplicar ao presente caso a multa de 75%. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 13/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 04/11/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 312/316), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que toda a documentação requerida fora devidamente apresentada, tendo sido devolvida pela SRFB no ato da sua entrega, todavia, sem a aposição de recibo, em razão da falta de especo físico na Receita Federal para a guarda de documentos, tendo sido surpreendido com a autuação; 2. que deve ser afastado o entendimento de preclusão administrativa aplicado pelo v. acórdão recorrido, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, bem como em respeito aos ditames da Lei 9.784/99; 3. que a Lei 11.457/07, em seu art. 24, dispõe que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, sob pena de serem acatadas como verdadeiras as alegações do contribuinte; 4. que é vedado ao fiscal exigir tributo sem lei prévia que o estabeleça, sob pena de violação do princípio da legalidade; 5. que há de ser privilegiado no presente caso o princípio da busca da verdade material, pois em havendo fatos demonstrados a posteriori, que justifiquem a anulação do lançamento, não há a configuração da coisa julgada administrativa; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000540/201068 Acórdão n.º 2402003.383 S2C4T2 Fl. 353 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Sobre a questão relativa a impossibilidade de adoção do procedimento da aferição indireta, tal questão já fora objeto de análise nos processos relativos ao lançamento das obrigações principais relacionados ao lançamento da presente multa, motivo pelo qual, em já tendo sido decidida, além de tal matéria ser alheia ao lançamento da multa objeto do presente Auto de Infração, deixo de analisálo neste julgamento, esclarecendo, que a conclusão nos demais processos foi a de que a adoção do procedimento estava devidamente autorizada. MÉRITO O recurso traz longa narrativa acerca da impossibilidade de aplicação do instituto da preclusão conforme determina o art. 17 do Decreto 70.235/72, devendo este Conselho afastar referido entendimento, especialmente, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e a possibilidade do conhecimento de alegações e teses de defesa ofertadas, ainda mesmo quando após o prazo de impugnação. Não discordo do recorrente quando sustenta que documentos e provas possam ser juntados aos autos em momento posterior a impugnação, merecendo ser conhecidos a depender se sua natureza, todavia, ao analisar os autos do presente processo, verifico que a preclusão foi aplicada pelo v. acórdão recorrido sob os seguintes aspectos (fls. 322) : Das Matérias não Impugnadas 15. Inicialmente, verificamos de plano que a defesa apresentada cingese apenas à argumentação relativa à nulidade devido à aferição indireta (questão já julgada acima) e à aplicação da taxa SELIC (que será julgada adiante). Assim, constatamos que não foram impugnados, especificamente, os levantamentos elencados no Relatório Fiscal, os fatos geradores, as alíquotas, as bases de cálculo, os valores das contribuições previdenciárias, o período, além do agravamento da multa de ofício. Ou seja, a preclusão aplicada foi exatamente aquela determinada no art. 17 do Decreto 70.235/72, tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar expressamente pontos importantes da exigência fiscal que lhe fora imputada. Ressaltese que tais pontos sequer foram combatidos ou veiculados no Recurso Voluntário que ora se aprecia. Ou mesmo sequer foram juntadas quaisquer provas na impugnação, que pudessem, ao menos indicar que naquela oportunidade fora expressamente contestada a exigência e imposição fiscal. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Desse modo, entendo por correta a conclusão do v. acórdão recorrido, esclarecendo, ainda, que não há qualquer ofensa a coisa julgada administrativa, tendo em vista que esta ainda não pode ser declarada, em razão de ainda não ter sido proferido julgamento final relativamente ao presente processo. Todas as demais argumentações constantes no recurso, visam fundamentar a impossibilidade de aplicação da preclusão, todavia, em face da clarividente ausência de impugnação específica da autuação aplicada em desfavor do contribuinte, nos pontos acima elencados, sobre os quais também deixou de ser suscitada qualquer ilegalidade em sede de recurso voluntário, as tenho por descabidas. Por fim, há que se considerar aquilo o que determinado pelas invações trazidas pela Lei 11.941/09, que acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000540/201068 Acórdão n.º 2402003.383 S2C4T2 Fl. 354 7 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A da Lei 8.212/91. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado.. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 14751.000725/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, §§ 1° E 3o, LEI Nº 8.212/91.
De conformidade com a legislação de regência, constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte, prestadora de serviços, de elaborar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP em conformidade com o respectivo Manual de Orientação.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do feito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.515
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Declarações de impedimento: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, §§ 1° E 3o, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com a legislação de regência, constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte, prestadora de serviços, de elaborar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP em conformidade com o respectivo Manual de Orientação. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do feito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Declarações de impedimento: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14751.000725/200702 Acórdão n.º 2401002.515 S2C4T1 Fl. 71 3 Relatório INORPEL INDÚSTRIA NORDESTINA DE PRODUTOS ELÉTRICOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão n° 1122.476/2008, às fls. 52/55, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa nos termos do artigo 32, inciso IV, e §§ 1o e 3°, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV, do RPS, por entregar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, mais precisamente deixando de elaborar referido documento distinto por estabelecimento e por obra de construção civil, em relação ao período de 01/1999 a 05/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 21/23, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/12/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.195,13 (Um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), com base no artigo 283, caput e parágrafo 3o, e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 60/67, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, elencando, ainda, as atividades desenvolvidads pela contribuinte, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que os documentos capazes de constatar os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram devidamente entregues ao fisco. Opõese à penalidade aplicada, aduzindo para tanto que as características das atividades desenvolvidas pela contribuinte, por essência itinerantes, afastam de plano a exigência fiscal, em face da impossibilidade de observância ao procedimento exigido pela legislação de regência, notadamente quanto ao registro das inúmeras obras realizadas em contas individualizadas. Em defesa de sua pretensão, elucida que os empregados da recorrente são utilizados para atender às demandas de várias contratantes, sem a prévia determinação de um local ou atividade fixa e específica, até mesmo pela própria natureza dos serviços que desempenham. Assevera que mesmo existindo erros na contabilização da contribuinte, a multa não pode prosperar, sobretudo por ser excessiva, uma vez que não houve falta intencional por parte da contribuinte, a qual nunca olvidou a fornecer todas as informações e documentos solicitados pelo fisco. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14751.000725/200702 Acórdão n.º 2401002.515 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo à análise das alegações recursais. Pretende a autuada a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que não deixou de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, tendo o fiscal autuante lavrado o Auto de Infração com base em meras presunções, em total afronta ao Ordenamento Jurídico pátrio, o qual obriga ao Fisco a comprovação dos fatos imputados aos administrados, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em defesa de seu pleito, elucida que os empregados da recorrente são utilizados para atender às demandas de várias contratantes, sem a prévia determinação de um local ou atividade fixa e específica, até mesmo pela própria natureza dos serviços que desempenham. Opõese, ainda, à penalidade aplicada, alegando que as características das atividades desenvolvidas pela contribuinte, por essência itinerantes, afastam de plano a pretensão fiscal, em face da impossibilidade do cumprimento do procedimento exigido pela legislação de regência, notadamente quanto ao registro das inúmeras obras realizadas em contas individualizadas. Assevera que mesmo existindo erros na contabilização da contribuinte, a multa não pode prosperar, mormente por ser excessiva, uma vez que não houve falta intencional por parte da contribuinte, a qual nunca olvidou a fornecer todas as informações e documentos solicitados pelo fisco. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter entregue a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, e §§ 1o e 3°, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV, do RPS, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada com arrimo no artigo 283, caput e parágrafo 3o, do Decreto nº 3.048/99, vigentes à época, nos seguintes termos: “ Lei n º 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV.” “ Decreto nº 3.048/99 RPS Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) [...] § 3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos).” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Como se observa, a autuação em epígrafe encontra sustentáculo no fato de a contribuinte ter entregue as Guias de Recolhimento doFundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP em desconformidade com as normas que regem a matéria, mais precisamente deixando de elaborar tal documento distinto por estabelecimento e por obra de construção civil, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal, não guardando qualquer relação com a eventual informação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias ou mesmo o recolhimento de aludidos tributos. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14751.000725/200702 Acórdão n.º 2401002.515 S2C4T1 Fl. 73 7 Em outras palavras, essas duas obrigações tributárias acessórias e principal são independentes e autônomas, quais sejam, proceder à elaboração de tais documentos distintamente por estabelecimento e para cada obra de construção civil, bem como informar os fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP, além de promover o pagamento do tributo devido, constando de dispositivos legais específicos, razão pela qual uma não suprime ou substitui a obrigação de observância de outra. Na esteira desse entendimento, o fato de a contribuinte eventualmente ter observado a obrigação de informar os fatos geradores em GFIP ou ter realizado os pagamentos dos tributos devidos, não tem o condão de macular a penalidade imposta nestes autos, decorrente de outra obrigação acessória, impondo seja mantida a exigência fiscal em sua integralidade. Aliás, a infração apurada no caso vertente sequer é controversa, uma vez que a própria contribuinte a reconhece. Em verdade, o seu grande argumento é que as características das atividades desenvolvidas pela empresa não permitem à observância da obrigação acessória objeto da presente autuação, entendimento que, igualmente, não tem o condão de rechaçar o lançamento fiscal. Ora, inobstante as pretensas nuances que permeiam as atividades autuada, não cabe ao agente lançador afastar a aplicação precisa da lei a critério próprio ou de terceiros, a partir das especificidades de cada contribuinte. Com efeito, constatando a ocorrência do fato gerador do tributo, incumbe à autoridade fiscal, privativamente, promover o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, consoante se infere do artigo 142 do CTN, in verbis: “Art.142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo Único A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Com mais especificidade, a legislação previdenciária corrobora aludida determinação legal. É o que se extrai dos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” Conforme se depreende dos dispositivos legais encimados, é dever legal da autoridade fazendária efetuar o lançamento, quando constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, sendo defeso deixar de fazêlo a pretexto das peculiaridades de cada contribuinte. A rigor, tivesse o fiscal autuante que levar em consideração as especificidades de cada contribuinte ao promover o lançamento, em detrimento dos preceitos legais que regulamentam a matéria, estaríamos diante de uma grande insegurança jurídica, eis que poderia fazer o que bem entender, para melhor ou para pior. Ora, a recorrente não é a única empresa prestadora de serviços especializados, existindo inúmeras destas, com as mesmas obrigatoriedades legais/tributárias, e que cumprem os ditames do artigo 32, inciso IV, §§ 1° e 3°, da Lei nº 8.212/91. Em face disso é que a atividade fiscal é vinculada às normas legais que disciplinam a matéria, as quais deverão ser seguidas precisamente, não podendo ser afastadas a partir de meras subjetividades suscitadas pela contribuinte. Mais a mais, o âmbito administrativo não é a esfera competente para analisar a maioria dos argumentos lançados pela contribuinte. Isto porquê, além do agente lançador ter a obrigação de observar os ditames legais, as autoridade julgadoras, igualmente, não podem afastálos de maneira a acobertar a pretensão individual de cada contribuinte. Destarte, o contribuinte é quem deverá se adequar às disposições legais as quais está obrigada a seguir/cumprir, e não o ordenamento jurídico se alinhavar a cada contribuinte, com base em suas eventuais peculiaridades, como pretende a recorrente. Assim, na hipótese de a autuada não concordar com as regras insertas nos dispositivos legais acima transcritos, seja em razão de sua natureza jurídica ou mesmo porque não tem condições de observálas, deverá buscar no Poder Judiciário a solução para sua demanda, tendo em vista que somente àquele Poder tem competência para afastar parcial ou totalmente as leis postas no ordenamento jurídico pátrio, as quais gozam de presunção de legalidade, sendo, por conseguinte, de observância obrigatória pelas autoridades administrativas, como muito bem sabe o nobre subscritor da peça recursal. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS, vigente à época. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14751.000725/200702 Acórdão n.º 2401002.515 S2C4T1 Fl. 74 9 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10680.722163/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxílio-educação, auxílio-alimentação in natura/tickets ou cartões, ao programa Jovem de Ouro pagos aos beneficiários até 14 anos e, quanto à multa aplicada por omissões e incorreções em GFIP, para redução de acordo com as exclusões da obrigação principal e para adequação do valor remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 21 63 /2 01 1- 50 Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxílio educação, auxílioalimentação in natura/tickets ou cartões, ao programa Jovem de Ouro pagos aos beneficiários até 14 anos e, quanto à multa aplicada por omissões e incorreções em GFIP, para redução de acordo com as exclusões da obrigação principal e para adequação do valor remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.656 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 28/04/2011 com base em remunerações indiretas, estagiários considerados empregados, folha de pagamento, ajuda de custo a servidores e gratificações. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AJUDA DE CUSTO / AUXÍLIO FINANCEIRO A SERVIDORES. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. BOLSA EDUCACIONAL DE ESTÁGIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO. BOLSA / REMUNERAÇÃO A TRABALHADOR MENOR. PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. A jurisprudência dos Tribunais Superiores não vincula à Administração, uma vez que não é fonte de Direito, em seu sentido estrito. A legislação previdenciária é regida pela Lei nº 8.212, de 1991, que tem, segundo a Constituição Federal, cunho nacional. O auxílio financeiro a servidores estudantes configurase em remuneração indireta quando o mesmo não é extensivo a todos os segurados. O levantamento Diferença de Acréscimos Legais tem a sua explicação nas próprias GPS’s recolhidas em atraso. A concessão de estágio em desacordo com a Lei implica na caracterização de emprego do educando com a parte concedente. Respeitaramse o princípio da capacidade contributiva e o princípio da legalidade quando as contribuições tiveram como fonte / origem as folhas de pagamento do contribuinte. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores de remuneração a trabalhador menor. Apenas as pessoas jurídicas inscritas no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador podem usufruir benefícios fiscais, dentre eles, o de não incidência de contribuições previdenciárias. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa preparar folhas de pagamento sem incluir a totalidade das Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS A SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa não arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados que lhe prestaram serviços. GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões e incorreções. ... Os fatos geradores lançados nos autos de infração de obrigação principal AI nº 37.328.4403 e 37.328.4411, não declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, foram constituídos dos seguintes Levantamentos: AC Ajuda de Custo a Servidores; DAL Diferença de Acréscimos Legais; ES Estagiários considerados empregados; FC Folha de Pagamento Complementar; FP Folha de Pagamento dos Servidores; JO FLP Programa Jovens de Ouro; PS Prestador de Serviço Pessoa Física; VA Vale Alimentação sem PAT; VC Cartão Carmax e Supercard. Para os autos de infração de obrigação acessória AI nº 37.328.4357, 37.328.4365, 37.328.4373 e 37.328.4390, além dos fatos geradores acima, verificouse o recolhimento de contribuições de segurados empregados, contribuintes individuais prestadores de serviços, transportadores autônomos e de cooperativas de transporte sem a declaração dos fatos geradores em GFIP. Na aplicação da multa, no caso de infrações relacionadas a incorreções em GFIP, foi observada a penalidade mais benéfica, nos termos da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), em razão das alterações na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 4 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.657 5 O relatório fiscal traz os fundamentos do lançamento: OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS: 01 – Os Autos de Infração –AI por descumprimento de obrigações principais dos quais este relatório é parte integrante, têm por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais não recolhidas aos cofres públicos, assim distribuídas: 1) AI 37.328.4403 contribuição da empresa, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre os seguintes fatos geradores: diferenças apuradas na folha de pagamento dos empregados; valores pagos a título de ajuda de custo para alguns servidores; sobre o valor do vale alimentação pago em desacordo com a legislação pertinente; sobre o valor do crédito disponibilizado aos servidores através de cartão magnético; sobre a folha de pagamento de estagiários contratados sem o cumprimento das normas legais e sobre a folha de pagamento dos jovens integrantes dos Programa Jovens de Ouro. Registra também a contribuição da empresa incidente sobre a remuneração de prestadores de serviço sem vínculo empregatício que são segurados obrigatórios da Previdência Social na condição de contribuintes individuais. 2) AI 37.328.4411 contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontada dos mesmos e calculada sobre as os mesmos fatos geradores acima descritos. 02 – Salientamos que os fatos geradores de contribuição previdenciária lançada nos Autos de Infração 37.328.4403 e 37.328.4411, não foram declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. ... 04 – No levantamento – Lev. AC – Ajuda de Custo a Servidores, lançamos como base de cálculo da contribuição o valor da ajuda de custo paga a algumas servidoras, como auxílio financeiro a estudantes. 05 – Esse auxílio foi instituído pela Lei Municipal nº 205/04, que altera a Lei nº 100/2002, conforme a seguir transcrevemos: “Art. 2º O art. 3º da Lei nº 100/02 passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 3º Será beneficiado o servidor, ocupante de cargo efetivo, que: I Estiver comprovadamente matriculado em Instituição de Ensino Superior, reconhecida pelo Ministério da Educação Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 particular ou pública, sendo que esta última deve estar localizada fora da sede do município de Ouro Preto; II receber, como remuneração, importância não superior a 03 (três) salários mínimos, vigentes à época da concessão do benefício, salvo acréscimos pecuniários decorrentes do exercício do cargo de Diretor de Escola, hipótese em que os valores acrescidos não serão computados para efeito de concessão do benefício previsto em Lei; III (...) IV freqüentar curso de graduação diretamente relacionado à área de educação, desde que inexista programa de qualificação de profissionais do qual o Município de Ouro Preto participe, hipótese em que não se concederá a ajuda de custo. (...) § 2º Não se concederá ajuda de custo ao servidor, ocupante de cargo efetivo, graduado em outro curso superior e, também, que não esteja matriculado em todas as disciplinas disponibilizadas no respectivo período letivo”. (...) “Art. 3º O art. 4º da Lei nº 100/02 passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 4º (...) § 1º O servidor, ocupante de cargo efetivo, beneficiário da ajuda de custo prevista nesta Lei, ficará obrigado, quando do encerramento da graduação, a permanecer vinculado ao serviço público, em exercício, pelo período correspondente ao daquele em que receber o benefício, mediante Termo de Compromisso assinado com a Administração Pública quando da concessão, que estabelecerá todos os direitos e obrigações das partes, inclusive penalidades para o descumprimento do previsto neste parágrafo”. (...) “Art. 4º O art. 5º da Lei nº 100/02 passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5º Não se concederá o benefício previsto nesta Lei aos servidores que após 05 (cinco) anos de efetivo exercício de função pública, contados a partir do requerimento da ajuda de custo, puderem gozar dos benefícios de aposentadoria”. (grifamos) ... 06 – Conforme se verifica acima, na instituição da ajuda de custo a estudantes pela Lei Municipal, foram estabelecidos critérios restritivos à sua concessão. Isso significa que essa ajuda não é estendida a “todos os servidores”. Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.658 7 07 Nesse ponto então, cabenos transcrever do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999, o inciso I do artigo 214, que define o salário de contribuição do empregado e o inciso XIX, do § 9º, do mesmo artigo, que define em que situação o valor relativo a plano educacional que vise educação básica e cursos de capacitação profissional não integra o salário de contribuição dos empregados: 08 Como vimos, a Lei Municipal que instituiu a ajuda de custo estabeleceu critérios restritivos à sua concessão e são estas restrições que lhe dão o caráter salarial definido no artigo do Regulamento da Previdência Social. ... 12– No Levantamento – Lev. ES – Estagiários considerados empregados, lançamos como base de cálculo o valor da folha de pagamento dos estagiários contratados e remunerados sem o cumprimento das determinações contidas na Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto nº. 87.497/82. No caso verificamos que não foi feita a contratação de seguro de vida para os estagiários contratados. ... 16 – No Levantamento – Lev. FC – Folha de Pagamento Complementar lançamos como base de cálculo o valor dessa folha de pagamento emitida pelo Município para correção de irregularidades identificadas na folha de pagamento normal dos servidores. 17 – Essa folha complementar foi apresentada em meio papel e transcrita para a planilha que juntamos como ANEXO II deste relatório fiscal. 18 – Salientamos que o que está sendo cobrada sobre a folha complementar é somente a diferença da contribuição apurada após a dedução dos recolhimentos feitos através das GPS (Guia de Recolhimento da Previdência Social) em cada competência. Nesse levantamento constam valores devidos apenas pela empresa para as competências, 06, 09 e 10/2006. 19 – Cumpre esclarecer que todas as GPS quitadas com o código de recolhimento 2402, próprio para Órgão do Poder Público foram consideradas no levantamento FC relativo à Folha de Pagamento Complementar, no levantamento relativo à folha de pagamento dos servidores (FP) e no levantamento (PS), relativo aos prestadores de serviços pessoas físicas, que descreveremos a seguir. Então o que está sendo cobrado em cada um desses levantamentos são diferenças entre o valor devido e o recolhido. As guias quitadas estão discriminadas no RDA –Relatório de Documentos Apresentados e no RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, juntados ao processo. Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 20 – No Levantamento – Lev. FP – Folha de Pagamento dos Servidores, lançamos como dito acima a diferença apurada entre o valor da contribuição devida e a efetivamente recolhida nos meses de janeiro a julho, setembro a novembro/2006, julho, agosto e dezembro/2007 e competência 13/2007 que se refere ao décimo terceiro salário desse exercício. 21– O valor total da folha de pagamento foi obtido através da identificação da maior base de cálculo definida na comparação entre a remuneração constante folha de pagamento apresentada em arquivo digital no formato MANAD (Manual de Arquivos Digitais) e a remuneração declarada na GFIP. 23 No Levantamento – Lev. JO – FLP Programa Jovens de Ouro lançamos como base de cálculo da contribuição o valor da folha de pagamento dos jovens inscritos no Programa Jovem de Ouro instituído pelo Município de Ouro Preto através da Lei Municipal 67/92. 24 – Através de um processo seletivo a Prefeitura contrata jovens com idade entre 16 e 18 anos colocandoos à disposição de empresas privadas e/ou órgãos públicos, para prestação de serviços em horário estabelecido e mediante controle de freqüência, garantindo aos mesmos a remuneração mensal através de uma bolsa. 25 – Analisando a prestação de serviços dos jovens inscritos nesse programa à luz da definição de empregado contida na Lei 8.212, de 24/07/1991, concluímos pela caracterização do vínculo empregatício desses com o Município de Ouro Preto. Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; 26 – O valor mensal da folha de pagamento desses jovens, constante do ANEXO IV deste relatório, foi obtido a partir da “Relação de Atendidos pelo Programa Jovens de Ouro” apresentada pelo Município, uma vez que toda a documentação referente a esses pagamentos encontrase em poder do Ministério Público. 27 – No cálculo da contribuição devida pelos segurados lançada no Auto de Infração – AI 37.328.4411 foi aplicada a alíquota mínima vigente à época. ... 28 – No Levantamento – Lev. PS – Prestador de Serviço Pessoa Física lançamos como base de cálculo o valor dos serviços prestados por pessoas físicas identificados através das Notas de Empenho pagas em cada competência. 29 – A alíquota aplicada sobre a base de cálculo é de 20% (vinte por cento). Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.659 9 30 – Aqui também, como no caso do levantamento FC (Folha Complementar) e FP (Folha de Pagamento), o que está sendo cobrado é a diferença apurada entre a contribuição devida e a recolhida pelo Município. Constam valores devidos apenas pela empresa para as competências março, junho, setembro e outubro/2006 e agosto/2007. 31 – No Levantamento – Lev. VA – Vale Alimentação sem PAT lançamos a contribuição devida sobre o valor do vale alimentação pago aos servidores, segurados empregados, sem que o Município de Ouro Preto seja inscrito no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. 32 – De acordo com o inciso III, do § 9º, do artigo 214 do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, não integra o salário de contribuição do empregado “a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. 33 – Entretanto a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não contempla os órgãos públicos de administração direta nos níveis federal, estadual e municipal, portanto, os valores pagos a título de alimentação, em cumprimento à Lei de Custeio e ao Regulamento da Previdência Social, integram o salário de contribuição dos servidores. 34 – Transcrevemos a seguir o artigo 1º da Lei nº 6.321/76, que dispõe sobre a dedução, do lucro tributável para fins de imposto de renda das pessoas jurídicas, do dobro das despesas realizadas em programa de alimentação do trabalhador e do item 33 da cartilha do PAT divulgada no “site” do Ministério de Trabalho e Emprego “Art 1º As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei”. “33 Os órgãos públicos da administração direta, nos níveis federal, estadual e municipal, podem participar do PAT? Os órgãos públicos sujeitos à legislação especial não são atingidos pela Lei nº 6.321/76. Portanto, não podem ser beneficiários do PAT.” 35 – Finalmente, pelos mesmos motivos acima, lançamos como salário de contribuição, no Levantamento – Lev. VC – Cartão Carmax e Supercard, o valor dos créditos disponibilizados aos servidores em cartões magnéticos através de empresas das contratadas para esse fim. 36 Verificamos que o valor dos créditos também se destina à compra de alimentos e ainda que não o fossem, valores devidos ou creditados aos empregados durante o mês, a qualquer título, Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ainda que em forma de utilidades, integram o salário de contribuição dos mesmos. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 03 – O Auto de Infração 37.328.4357 – Código de Fundamentação Legal 30 foi lavrado por deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei nº 8.212 de 24/07/1991, art. 32, inciso I, combinado com o art.225, inciso I do RPS Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 04 – Na ação fiscal apuramos que o Município de Ouro Preto não prepara a folha de pagamento dos segurados contribuintes individuais, pessoas físicas, contratadas para a prestação de serviços como palestrantes, árbitros em jogos, organização e apresentação em shows, fretes etc... A identificação desses segurados foi feita através das notas de empenho apresentadas na contabilidade. 05 – Na folha de pagamento dos servidores também não foi incluído o valor da ajuda de custo paga a algumas servidoras e na comparação feita entre a remuneração declarada na GFIP e na Folha de Pagamento verificase que muitos segurados constam de apenas um desses documentos. Isso significa que temos segurados constantes da GFIP e omissos da folha de pagamento e constantes da folha e omissos da GFIP. 06 – Pela Infração ocorrida está sendo aplicada a multa prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91, de 24/07/91, combinada com a alínea “a”, do inciso I, do art. 283, do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações, reajustada conforme previsto no art. 102 da Lei nº 8.212/91, combinado com o artigo 373 do RPS, no valor R$1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais, cinqüenta e sete centavos) 07 – O Auto de Infração 37.328.4365 – Código de Fundamentação Legal 59 foi lavrado por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados o que consiste em infração ao que dispõe a alínea "a", inc. I, art. 30, Lei n° 8.212, de 24.07.91, e alterações posteriores, e na Lei no 10.666, de 08.05.2003, art. 4°, “caput” e alínea “a” , inc. I do art. 216 do RPS, aprovado pelo Dec. 3.048, de 06.05.99. 08 – Constatamos que nada foi descontado dos segurados que receberam a ajuda de custo, nem sobre a remuneração dos estagiários irregularmente contratados e folha de pagamento dos jovens inscritos no Programa Jovem de Ouro. 09 Também nesse caso a multa está sendo aplicada em seu valor mínimo, conforme previsto no art.92 Lei 8.212/91 c/c a alínea “g” do inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999 e alterações, reajustada conforme prevista no Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.660 11 art.102 da Lei 8.212/91 c/c o 373 do RPS, no valor de R$ 1.523,57 (um mil quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos). 10 – Os Autos de Infração 37.328.4373 e 37.328.4390 foram lavrados tendo em vista o fato de que no decorrer da ação fiscal verificouse que na GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social) emitida pelo Município de Ouro Preto, relativa ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007, não foi incluído o valor correspondente ao fato gerador da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração da totalidade dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, nem o valor da contribuição devida na contratação de cooperativas de trabalho, no caso somente cooperativas de transporte. 11 A obrigatoriedade da entrega mensal da GFIP com os dados cadastrais da empresa, dos segurados remunerados e também com a descrição da base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária está determinada na Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, alterado pela MP n° 449, de 03/12/2009, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, combinado com art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 12 – A constatação das irregularidades foi feita por meio da análise dos documentos relativos ao setor de pessoal mencionados no item 3, acima, em comparação com a GFIP emitida para esse período e constante do Sistema de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. Nesse caso considerase a última GFIP entregue antes do início desse procedimento fiscal e com a classificação, ou status de “exportada”. 14 O que identificamos foi o seguinte: a) Conforme CCORGFIP o valor recolhido em GPS (Guia de Recolhimento da Previdência Social), foi sempre maior que o declarado na GFIP. Isto só confirma a omissão de dados e valores; b) Pelas folhas de “Dados e Valores Informados na GFIP” constatase que não foram declarados os valores do salário família e salário maternidade nas competências 01, 02, 05, 07 e 10/2006, 04, 05, 06 e 07/2007; c) Não foram declarados os valores pagos à totalidade dos transportadores autônomos e prestadores de serviços remunerados em todo o período arrolado. Houve sim a declaração de um, dois ou três prestadores de serviços dessas categorias. A maioria deles foi omitida. Nos ANEXOs VII e VIII deste relatório apresentamos a relação das Notas de Empenho liquidadas em nome dos transportadores autônomos e dos prestadores de serviços respectivamente; Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 d) Na remuneração dos servidores (segurados empregados) não foi incluído, e portanto declarado o valor da ajuda de custo recebida; e) O valor da folha de pagamento complementar deixou de ser declarado nas com competências 01, 03, 04, 05/2006, 10 e 12/2007; f) na comparação feita entre a remuneração declarada na GFIP e na Folha de Pagamento identificados muitos segurados constam da folha de pagamento e foram omitidos na GFIP. Esses segurados estão discriminados nas planilhas constantes do Anexo V, deste relatório, gerado em meio digital, considerando o grande número de folhas que a impressão dos mesmos demandaria. g) Não foi declarado em todo o período arrolado o valor da contribuição devida sobre os serviços prestados na contratação de cooperativas de trabalho, no caso somente cooperativas de transporte. Nos ANEXOs IX e X apresentamos a relação das Notas de Empenho liquidadas em nome da COOPERTRI – Cooperativa de Transportes da Região dos Inconfidentes e COOTROP – Cooperativa de Transportes de Ouro Preto. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: O MUNICÍPIO DE OURO PRETO PREFEITURA MUNICIPAL, em sua defesa, trata inicialmente do auto de infração de obrigação principal AI nº 37.328.4403 dizendo que a Ajuda de Custo a Servidores foi um incentivo concedido aos servidores em busca de se aperfeiçoarem a prestar serviço público de melhor qualidade, sendo, portanto, um auxílio para o trabalho e não pelo trabalho, o que afastaria a natureza salarial da verba. Em relação a esta ajuda, que é a título de auxílio financeiro a estudantes, argumenta, com fundamento em julgado do Superior Tribunal de Justiça, que as especificações para a concessão do benefício, concedido a todos os servidores, não descaracterizaria a sua generalidade, desde que os requisitos não fossem individuais. Desse modo, diz que a interpretação da Lei nº 8.212, de 1991, é no sentido de se evitar que se conceda o benefício direcionado a determinada pessoa como forma indireta de aumentarlhe a remuneração, mas que este não seria o caso dos autos. Ainda diz que os requisitos exigidos pela Lei Municipal nº 100, de 2002, são genéricos e abstratos, como compete à norma editada pelo Poder Legislativo, e, assim, os servidores, nas condições estipuladas pela Lei Municipal, fazem jus ao benefício como forma de indenizálos pelos gastos na sua educação. Conclui pela não inclusão do auxílio pago aos servidores estudantes ao salário de contribuição, uma vez que não teria havido ofensa à Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.661 13 No que tange ao Levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais, o impugnante alega cerceamento de defesa e ausência de fundamentação, vez que a ação fiscal teria deixado de determinar porque considerou aplicáveis as penalidades para o lançamento. Requer, com isso, a nulidade do auto de infração por falta de motivação, a qual deveria ter sido feita pela administração pública. Para o Levantamento ES Estagiários Considerados Empregados, alega que não pode prevalecer o entendimento fiscal por ausência de previsão legal que autorize a caracterização de emprego entre o discente participante do programa de estágio e o Município. Reportando ao artigo 3º da Lei 11.788, de 2008, comenta que a contratação de seguro de vida não é um dos requisitos arrolados no dispositivo como descaracterizador do estágio e configuração de emprego. Diz que as relações de estágio dos estudantes, durante o período analisado, eram regulamentadas pela Lei 6.497, de 1977, que não possui nenhum dispositivo a possibilitar a descaracterização de estágio para emprego, ressalvadas as hipóteses de fraude, que devem ser comprovadas pelo Ministério do Trabalho, conforme já decidido pelos Tribunais. O Judiciário, de acordo com o impugnante, impede que estagiários sejam considerados empregados por mero descumprimento de formalidades, o que também deveria ocorrer para o caso, porquanto a atividade daqueles era voltada à prática do conteúdo de seus cursos, bem assim o Município não presta serviços com intuito lucrativo, não tendo interesse em explorar a mãodeobra de estagiários ou algo semelhante. Citando julgado de Tribunal Superior, fala que a autoridade fiscal não tem competência para caracterizar uma relação de emprego, que seria da Justiça do Trabalho, órgão competente para apreciar tal matéria. Finaliza dizendo que a ausência de formalidade pode caracterizar infração administrativa, mas não transformar estagiários em servidores/empregados, e que, na hipótese, não foram comprovados os elementos materiais da relação de emprego, tornandose nulo o ato administrativo por falta de motivação. Quanto aos Levantamentos FC Folha de Pagamento Complementar, FP Folha de Pagamento dos Servidores e PS Prestador de Serviço Pessoa Física, o Município alega prejuízo à sua defesa considerando que a autoridade fiscal não explicitou devidamente o método utilizado. Neste tópico, o Município cita as conclusões constantes do Relatório Fiscal e comenta que as incongruências entre as Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 GFIP’s e as GPS’s podem até autorizar a aplicação de penalidades isoladas, mas nunca presumir que as contribuições não foram recolhidas. Diz ainda que, sendo os recolhimentos maiores que os valores declarados em GFIP’s, e até, em várias competências, maiores do que os valores apurados como devidos pela fiscalização, o Município possuiria crédito com a Seguridade Social e não o contrário. Fala que o procedimento da fiscalização descrito no Relatório peca por não discriminar ou disponibilizar suas fontes de informações, fato determinante na fixação dos valores supostamente devidos pelo Município, vez que existem várias folhas de pagamento emitidas por diferentes secretarias e órgãos públicos. Também, quanto ao acima, diz que a ele não pode ser imputado qualquer erro decorrente das incongruências entre os documentos no formato MANAD, provenientes de folhas de pagamento em planilha apresentadas à fiscalização, e as GFIP’s. E mais, havendo diferenças no preenchimento das folhas e das GFIP’s, deveria a autoridade fiscal diligenciar no sentido de determinar qual delas é a correta, não se justificando considerar que os recolhimentos deveriam ser feitos sobre a “maior” das bases encontradas sem qualquer investigação sobre a sua correção. Dessa feita, dizendo que era possível averiguar se as informações lançadas no auto de infração eram realmente corretas, até mesmo porque a escrita fiscal do impugnante é prestável e foi disponibilizada à autoridade fiscal, conclui que não se respeitaram os princípios da capacidade contributiva e da legalidade. Em outro tópico, Programa Jovens de Ouro, fala que a bolsa concedida pelo Município não é uma remuneração, porque o programa é destinado, segundo o artigo 3º da Lei Municipal 13, de 1997, a permitir que os alunos tenham recursos para frequentar os cursos e as práticas educativas, possibilitando maior chance de inserção profissional no futuro. Quanto ao Vale Alimentação Sem PAT e Cartão Carmax e Supercard, a matéria, que, de acordo com a defesa, se restringe à ausência de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, apresentaria incongruência entre o ato administrativo e a Lei Municipal 187, de 2006, a que está adstrito o Município e que deve prevalecer, já que esta Lei, segundo o Município, teria disciplinado que os valores recebidos a título de alimentação possuem caráter exclusivamente indenizatório. Traz jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ para firmar que a alimentação fornecida pelo empregador, indiferentemente da inscrição no referido programa, não possui natureza salarial. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.662 15 Argumenta ainda que não há como ser penalizada, pois, de acordo com a própria fiscalização, não seria possível a sua inscrição no programa. Por fim, quanto a esta matéria, transcreve trechos de decisão mais recente do STJ, bem assim lição do Ministro Fux de que a natureza do benefício inibe a incidência das contribuições sociais sobre os valores pagos a título de alimentação. Conclui que a fiscalização incorreu em afronta à jurisprudência do STJ e à legislação municipal de Ouro Preto, que atribuiu ao benefício alimentação caráter indenizatório de modo expresso impedindo que se incorpore aos salários dos servidores. Finalizando a impugnação, requer a improcedência do AI nº 37.328.4403, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, o julgamento conjunto dos autos de infração conexos, bem como que as futuras intimações sejam feitas em nome do procurador infraassinado no endereço constante da procuração em anexo. É o Relatório. Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.663 17 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.664 19 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, temos que para alguns levantamentos houve pagamento parcial e, portanto, é aplicável o artigo 150, §4° do CTN; para outros, a recorrente, não tendo reconhecida a parcela como remuneratória, não realizou qualquer pagamento, o que torna aplicável o artigo 173, I do CTN. Assim, devem ser excluídos do lançamento por terem sido alcançados pela decadência os valores referentes aos meses de 01/2006 a 03/2006 e relativos aos levantamentos: DAL Diferença de Acréscimos Legais; FC Folha de Pagamento Complementar; FP Folha de Pagamento dos Servidores; e PS – Prestador de Serviço Pessoa Física No mérito Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Ajuda de custo Tratase, na verdade, de auxílioeducação concedido pelo município aos seus servidores públicos através de lei que define genericamente os beneficiários. De acordo com a lei de concessão do benefício somente são beneficiários os servidores que percebam remuneração até 3 saláriosmínimos e após a conclusão do curso comprometese em permanecer na administração público por tempo mínimo correspondente ao período de gozo do benefício. Entendo que a relação estatutária apresenta diferenças relevantes para fins de cumprimento da parte final da alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Quando se trata de relação trabalhista, observadas as normas de proteção, existe liberdade às partes para estipularem seus direitos e obrigações. Cada contrato de trabalho é individual e nada impede que os benefícios não sejam iguais para todos os empregados de uma mesma empresa. Quando, de forma diversa, um benefício é concedido genericamente a todos, a depender da espécie de benefício é possível que o legislador tenha concedido algum incentivo para a sua concessão. É o caso do auxílioeducação, saúde, alimentação, transporte e outros. Quando o ente público não possui regime próprio de previdência social – RPPS, todos os seus servidores passam a contribuir, obrigatoriamente, para o regime geral de previdência social – RGPS; entretanto, isso não altera a natureza jurídica da relação de trabalho entre o ente público e seus servidores. Permanece sendo estatutária, os direitos e obrigações são definidos por lei e não por contrato. Quando a lei preserva sua característica de abstração e generalidade para a criação de algum direito ou benefício, entendo que fica atendida a regra na alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Observase que o benefício tem de fato a finalidade de aperfeiçoamento do serviço público. Constato algumas regras relevantes: são beneficiários apenas aqueles que não teriam condições de suportar os custos com sua própria instrução; aqueles que já possuem curso superior não têm acesso ao benefício; após a conclusão curso, a administração pública se beneficiará dos conhecimentos adquiridos pelo servidor por, no mínimo, o mesmo tempo de duração do curso; também estão impedidos os servidores que em razão da aposentadoria não possam retribuir à administração pública pelo investimento que recebeu. Por essa razão, entendo que o valor correspondente ao benefício deva ser excluído do lançamento. Diferenças de acréscimos legais Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.665 21 São valores relativos às parcelas reconhecidas pela recorrente com o pagamento da contribuição previdenciária, porém após o prazo legal, do que resultou a cobrança de acréscimos legais não incluídos nas guias de recolhimento. Mantenho a decisão recorrida. Estagiários A relação entre o estagiário e o tomador de seus serviços em muito se aproxima da relação de emprego. Todas os elementos estão presentes, em especial a subordinação jurídica. Acontece que o legislador, para incentivar as empresas e outras entidades a contratarem estagiários, cuidou de afastar a caracterização do vínculo de emprego, desde que atendidos certos requisitos. A fiscalização, com fundamento no artigo 4º da Lei nº 6.494/77, vigente até 24/09/2008 quando foi revogada pela Lei nº 11.788, de 25/09/2008, considerou que a falta de contratação de um seguro de vida em benefício dos estagiários tornariam a contribuição incidente sobre a bolsa de estágio em razão da alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91: Art. 28 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; ... O seguro contra acidentes pessoais exigido pela Lei nº 6.494/77 é requisito essencial para que o estagiário deixe de ser beneficiário do RGPS. Seria um mínimo de proteção para o estudante que se prepara para ingresso no mercado de trabalho. O mesmo dispositivo, ao afastar o vínculo de emprego, preocupase com a previdência do estagiário contra os infortúnios a que se sujeita no ambiente de trabalho: Lei nº 6.494/77: Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Com a Lei nº 11.788, de 25/09/2008 o estágio de estudantes recebeu novo regramento. A partir de então foram definidos explicitamente os requisitos necessários para a caracterização do estágio e, conseqüentemente, afastarse a relação de emprego. O seguro contra acidentes pessoais permaneceu obrigatório, podendo a obrigação ser assumida pela instituição de ensino interveniente: Lei nº 11.788/2008: Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1odo art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2odo mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7odesta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. ... Art. 9o As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações: ... IV – contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; ... Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino. Assim, mantenho a decisão recorrida. Folhas de pagamento e prestadores de serviços pessoas físicas As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.666 23 fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. Programa Jovens de Ouro O programa foi criado pela Lei Municipal de Ouro Preto/MG nº 93/1994: Art. 1º Fica criado o Programa Jovens de Ouro, com vistas à formação profissional e conseqüente inserção no mercado de trabalho de adolescentes do Município. Parágrafo único O Programa será desenvolvido nos moldes estabelecidos por esta lei, podendo dele participar adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos, aqui caracterizados como guardasmirins. Art. 2º O Programa será coordenado e articulado pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto, que estabelecerá, por decreto, entidade (s) para gerenciar administrativa e/ou financeiramente o(s) subprograma (s). Parágrafo único A(s) entidades (s) a que se refere este artigo será (ão) indicada (s) pelo Conselho Curador cria do pelo artigo 7º desta lei. A fiscalização, no entanto, entendeu que se caracterizou o vínculo empregatício: 23 No Levantamento – Lev. JO – FLP Programa Jovens de Ouro lançamos como base de cálculo da contribuição o valor da folha de pagamento dos jovens inscritos no Programa Jovem de Ouro instituído pelo Município de Ouro Preto através da Lei Municipal 67/92. Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 24 – Através de um processo seletivo a Prefeitura contrata jovens com idade entre 16 e 18 anos colocandoos à disposição de empresas privadas e/ou órgãos públicos, para prestação de serviços em horário estabelecido e mediante controle de freqüência, garantindo aos mesmos a remuneração mensal através de uma bolsa. De acordo com o artigo 3º da lei de criação do programa também são selecionados jovens de 12 a 14 anos de idade para cursos de profissionalização: Art.3º O Programa desenvolverá ações em duas vertentes, a saber: 1 Oferta de cursos profissionalizantes a guardas mirins de 12 (doze) a 14 (quatorze) anos. 2 Encaminhamento de guardasmirins de 14 (quatorze) a 18 (dezoito) anos para prestação de trabalho educativo em entidades públicas ou privadas. No anexo IV do relatório fiscal foi apresentada uma relação com os jovens do programa sem, no entanto, indicar qual das duas categorias do programa cada um pertence. Entendo que, de acordo com o artigo 28, §9º alínea “u” da Lei nº 8.212/91, não haveria incidência da contribuição previdenciária sobre a bolsa de aprendizagem dos jovens selecionados de acordo com o item 1 do artigo 3º, mas apenas os que tivessem idade superior a 14 anos: Art. 28 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; Auxílioalimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados pelo fato de que a recorrente sendo órgão público não lhe é possível a inscrição no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Acontece que, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.667 25 como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independentemente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, considerada a irrelevância da inscrição, o auxílioalimentação, desde que não oferecido em dinheiro, mas através de refeitórios, tickets ou outras modalidades previstas, não integra a remuneração. Por essa razão devem ser excluídos do lançamento os valores relativos ao benefício, desde que não tenham sido pagos em dinheiro. Cartão Carmax e Supercard Nesse levantamento, a fiscalização explica: 35 – Finalmente, pelos mesmos motivos acima, lançamos como salário de contribuição, no Levantamento – Lev. VC – Cartão Carmax e Supercard, o valor dos créditos disponibilizados aos servidores em cartões magnéticos através de empresas das contratadas para esse fim. 36 Verificamos que o valor dos créditos também se destina à compra de alimentos e ainda que não o fossem, valores devidos ou creditados aos empregados durante o mês, a qualquer título, ainda que em forma de utilidades, integram o salário de contribuição dos mesmos. Assim, uma vez que a fiscalização reconhece a possibilidade de uso dos cartões para aquisição de alimentos, os valores que se refiram a esse benefício devem ser tratados como auxílioalimentação para que sejam excluídos do lançamento. Quanto às demais destinações, de fato, tratase de remuneração indireta e deve integrar a base de incidência. Passase agora ao exame das autuações por descumprimento de obrigações acessórias. A recorrente não se insurgiu individualmente aos autos de infração, mas o fez em conjunto com a obrigação principal. É que os fatos são correlatos de forma que a conclusão acerca dos levantamentos que compõem os autos de infração de obrigações principais influencia o exame do descumprimento ou não das obrigações acessórias: O Auto de Infração 37.328.4357 – Código de Fundamentação Legal 30 foi lavrado por deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei nº 8.212 de 24/07/1991, art. 32, inciso I, combinado com o art.225, inciso I do RPS Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme relatório fiscal, foram identificadas na escrituração contábil pessoas físicas não incluídas nas folhas de pagamento e a recorrente não trouxe provas que descaracterizassem os fatos que lhe foram imputados: Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 04 – Na ação fiscal apuramos que o Município de Ouro Preto não prepara a folha de pagamento dos segurados contribuintes individuais, pessoas físicas, contratadas para a prestação de serviços como palestrantes, árbitros em jogos, organização e apresentação em shows, fretes etc... A identificação desses segurados foi feita através das notas de empenho apresentadas na contabilidade. O Auto de Infração 37.328.4365 – Código de Fundamentação Legal 59 foi lavrado por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados o que consiste em infração ao que dispõe a alínea "a", inc. I, art. 30, Lei n° 8.212, de 24.07.91, e alterações posteriores, e na Lei no 10.666, de 08.05.2003, art. 4°, “caput” e alínea “a” , inc. I do art. 216 do RPS, aprovado pelo Dec. 3.048, de 06.05.99. Conforme relatório fiscal, os estagiários forma caracterizados como segurados empregados e, por conseqüência, deveria a recorrente ter descontado da remuneração a parcela da contribuição a eles relativas e a recorrente não trouxe provas que descaracterizassem os fatos que lhe foram imputados: 08 – Constatamos que nada foi descontado dos segurados que receberam a ajuda de custo, nem sobre a remuneração dos estagiários irregularmente contratados e folha de pagamento dos jovens inscritos no Programa Jovem de Ouro. Multa aplicada por omissões e incorreções da GFIP Segue transcrição da decisão recorrida: Os Autos de Infração 37.328.4373 e 37.328.4390 foram lavrados tendo em vista o fato de que no decorrer da ação fiscal verificouse que na GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social) emitida pelo Município de Ouro Preto, relativa ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007, não foi incluído o valor correspondente ao fato gerador da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração da totalidade dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, nem o valor da contribuição devida na contratação de cooperativas de trabalho, no caso somente cooperativas de transporte. No entanto, é direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.668 27 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.669 29 pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.670 31 legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 32 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722163/201150 Acórdão n.º 2402003.484 S2C4T2 Fl. 3.671 33 Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, como conseqüência do exame e respectivas conclusões acerca dos autos de infração de obrigações principais, devem ser excluídas da autuação as parcelas da multa aplicada correspondentes aos levantamentos para os quais se concluiu pela não Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 34 incidência das contribuições previdenciárias. Quanto aos demais fatos geradores omitidos ou campos da declaração com incorreções, o recorrente não trouxe provas que descaracterizassem os fatos que lhe foram imputados; no entanto, deve ser aplicada à multa remanescente a retroatividade benéfica. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores relativos ao auxílioeducação, auxílioalimentação in natura/tickets ou cartões, ao programa Jovem de Ouro pagos aos beneficiários até 14 anos. Quanto à multa aplicada por omissões e incorreções em GFIP, para redução de acordo com as exclusões da obrigação principal e para adequação do valor remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10882.900080/2008-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2001
CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO.
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Os recolhimentos mensais de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações da contribuição a ser apurada com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário.
A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual, sistemática tomada por empréstimo pela CSLL.
Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente.
Numero da decisão: 1103-000.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2001 CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações da contribuição a ser apurada com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual, sistemática tomada por empréstimo pela CSLL. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações da contribuição a ser apurada com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual, sistemática tomada por empréstimo pela CSLL. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900080/200836 Acórdão n.º 110300.678 S1C1T3 Fl. 148 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP que acolheu em parte a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito a título de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado no anocalendário de 2001 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 32727.63739.150704.1.3.031907 transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 15 de julho de 2004 visando extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurada em junho de 2004. Registrese que o crédito buscado na Dcomp referenciada fora indicado em 03 (três) outras sucessivas declarações de compensação veiculando extinção de débitos da COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de períodos posteriores a junho de 2004, cujas compensações foram igualmente declaradas não homologadas em vista da constatação de inexistência do direito creditório noticiado. Analisando a declaração de compensação inaugural concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP que seria improcedente o indébito fiscal nela indicado, na ordem de R$ 55.611,42, por não corresponder ao saldo negativo de R$ 87.477,62 informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que cometeu erro no preenchimento da DIPJ e que o saldo negativo correto é aquele indicado na declaração de compensação, o que seria verificável pelas importâncias de CSLL antecipadas via recolhimentos e retenções por fontes pagadoras relacionadas na ficha de composição do crédito citado na Dcomp. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900080/200836 Acórdão n.º 110300.678 S1C1T3 Fl. 149 3 Pugnou, também, pela nulidade do despacho decisório em vista da ausência de motivação da Receita Federal em desconsiderar os DARFs e a CSRF constantes de seus próprios controles internos. Ressaltou, ainda, que já promovera a retificação da DIPJ para lhe corrigir o erro e requereu, ao final, a improcedência do despacho decisório. Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e afastou a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito consignou, inicialmente, que em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, as divergências entre saldos negativos indicados na DIPJ e nos PER/DCOMP podem ser supridos pela instância administrativa julgadora de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação declarada. Assim, analisou as retenções na fonte e as estimativas noticiadas, parcelas que formam o saldo negativo do período, concluindo que a interessada não apresentou os informes de rendimentos e de retenções e que inexistem nos sistemas informatizados da Receita Federal afetos às Declarações do Imposto de Renda/Contribuição Social Retidos na Fonte (DIRFs) qualquer informação que liste a contribuinte como beneficiária. Em relação às estimativas mensais registrou a identificação de recolhimentos daquelas apuradas nos meses de junho e julho (parcialmente) e agosto a novembro (integralmente), as quais perfazem o montante de R$ 54.819,75. Passo seguinte compulsou as antecipações com o tributo apurado em 31 de dezembro e concluiu pela existência de saldo negativo na ordem de R$ 53.621,59, donde reconheceu o direito creditório nesse valor e homologou a compensação até este limite. Ciente do decisório em 01 de março de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30 seguinte no qual aduz que o próprio Acórdão recorrido reconhece a possibilidade de ter havido equívoco no preenchimento das DIRFs pelas fontes pagadoras ou mesmo omissão, porém, em nenhum momento menciona convidar tais fontes retentoras para melhores esclarecimentos e também não considerou a possibilidade da contribuinte fazer a comprovação através de suas escriturações. Portanto, a compensação realizada não poderia ser simplesmente indeferida, com a indicação de dispositivos genéricos. Pugna pela efetividade das retenções indicadas na declaração de compensação e ao final requer o provimento do recurso e a homologação da compensação, seguindose a extinção do crédito tributário. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900080/200836 Acórdão n.º 110300.678 S1C1T3 Fl. 150 4 Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. O litígio se prende à importância de R$ 1.989,82, fruto da diferença entre a somatória dos créditos utilizados nas declarações de compensação (R$ 55.611,41) e aquele reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 53.621,59). Não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando não exercida a regular opção pelo regime do lucro presumido, se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto ou contribuição correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade e que, a propósito, é de caráter irretratável (RIR/99, art. 232), a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Apurado o imposto e contribuição devidos no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, deles deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas regularmente adimplidas. Acaso a somatória de essas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto/contribuição a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ ou CSLL; inversamente, afigurase o saldo de imposto ou contribuição a pagar. Aflorada, então, a figura do saldo negativo, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês de janeiro subseqüente até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação. No caso dos autos a Requerente foi instada pela resposta dada à sua manifestação de inconformidade, ocasião em que se inaugurou o contraditório, a apresentar a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900080/200836 Acórdão n.º 110300.678 S1C1T3 Fl. 151 5 prova das retenções na fonte indicadas em sua declaração de compensação. Adveio o recurso voluntário e o mesmo não se fez acompanhado de qualquer elemento a respeito. Creio equivocado o entendimento da Recorrente no sentido de que a autoridade fiscal deveria “convidar” as fontes retentoras indicadas em sua declaração de compensação para apresentarem as cifras ditas retidas. Com efeito, tenho que recai sobre a contribuinte o ônus de comprovar o direito que alega possuir em face da Fazenda Nacional, regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, e sendo sua pretensão constitutiva, como efetivamente o é, descabe atribuir à Administração os requisitos aplicáveis no lançamento de crédito tributário. Por sua vez, o princípio da verdade material que governa o processo administrativo não vai a ponto de obrigar o Fisco na produção de provas a favor da Requerente, salvo aquelas que for do conhecimento da Administração e conste de seus registros e, no caso, essa diligência fora levada a efeito, consoante expressa assertiva da autoridade fiscal julgadora. Enfim, os comprovantes legais das apontadas retenções não foram apresentados pela interessada e a autoridade fiscal ainda assim diligenciou no banco de dados da Receita Federal, oportunidade em que aferiu a inexistência delas. Quanto à insinuação da defesa para que suas “escriturações” fossem levadas em conta, registro que a contribuinte nada carreou aos autos. Ora, sem adentrar no mérito do grau de eficácia desse elemento de prova fato é que a juntada só dependeu de sua vontade, de sorte que não o trazendo descabe invocar qualquer desprezo por parte da autoridade fazendária. Com tais razões, VOTO pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 41330.002979/86-66
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 1991
Ementa: ITR - A autoridade administrativa procede de ofício o lançamento, com os dados que dispuser. Inexigível, contudo, o agravamento, quando não comprovadas devidamente as circunstâncias de dolo ou má-fé.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-04.615
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro OSCAR LUÍS DE MORAIS.
Nome do relator: JEFERSON RIBEIRO SALAZAR
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O. U.2.. De 025,JJ4 / ' 2-C Yr' C Rubrica G( ,Ctám5,- • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. 0 41330-002.979/86-66 (nms) Sessão de 2-0..--4e—novembro de ACORDA() ... 2.4.-63.5 Recurso n.° 85. 037 Recorrente JOSÉ MAURÍCIO CIANCONI JÚNIOR Recorrid a INCRA - PORTO ALEGRE - RS ITR - A autoridade administrativa procede de ofício o lançamento, com os dados que dispuser. Inexigivel, contudo, o agravamento, quando não comprovadas devi damente as circunstâncias de dolo ou má-f. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ MAURÍCIO CIANCONI JÚNIOR. ACORDAM os Membros da Segunda câmara do Segundo Con- selho de Contribuintes,por unanimidade de votos, em dar provimen- to parcial ao recurso, para reduzir a multa nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o cninselheiro OSCAR LUÍS DE MORAIS. Sala d.s S s; - , em 2e novembro de 1991 ..0' AP HELVI 4 CO 'O BARC; O - PRESIDENTE V .4‘ JE W•n• : --11P'• .11' - • LATOR n JOSÉ .1' O P • ' DA LEMOS - PROCURADOR- REPRE SEN TANTE DA FAZENDA NACIONÀL- VISTA EM SESSÃO DE 1 3 0E71991 Participaram, ainda, do presente julamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, JOSÉ CABRAL GAROFANO, ANTONIO CARLOS DE MORAES,ACÃCIA DE LOURDES RODRIGUES e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. -2- " ''441e4N# MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N9 41330-002.979/86-66 Recurso N9: 85.037 Acordão N2: 202-04.615 Recorrente: JOSÉ MAURÍCIO CIANCONI JÚNIOR RELATÓRIO O Termo de Abertura do - -Trocesso-.- , Administrativo Fiscal. de fls. 02, deu início a este processo, ato contínuo acom panhado da Notificação INCRA/DR (11) C/F n.Q 104/86 às fls. 03,ten do como objeto a comprovação de dados do imóvel denominado Fazen- da São Jose, situada no Município de Cruz Alta, no Estado do Rio Grande do Sul, de propriedade do citado contribuinte, que apresen tou a documentação de fls. 17/34, composta de laudo técnico, cer- tidão: de Registro de Imóveis de Cruz Alta, fichas do criador e croquis do imóvel. O INCRA apreciou os dados e procedeu impugnação na área de reserva legal, área inaproveitável e no valor da terrarwa, culminando com a Notificação de Lançamento Complementar de fls. 105, referente ao ITR do exercício de 1985, no valor total da No- tificação de Cz$ 3.873,20. segue- O -3- Process n(2 41330-002.979/86-66 Acórdão nQ 202-04.615 • Não satisfeito e dentro do prazo legal, o mesmo a presentou sua impugnação às fls. 112/113, alegando em síntese que: - não sabe por quais razões recebeu a Notificação' /INCRA/DR (11) CF nO 104/186, juntamente com o Termo de Abertura • de Processo Administrativo Fiscal; - na aludida notificação, foi requerida a compro- vação de dados relativos ao ano civil anterior ou ao período de 01.06.84 a 01.07.85; - o dito imóvel sempre foi cadastrado nas épocas exigidas, não obstante isso e desconhecendó) os propósitos da Au- tarquia, atendeu no tempo oportuno o solicitado na notificação; - por dispor de dados atualizados, aproveitou a oportunidade para requerer atualização do Cadastro de sua proprie dade; • • - constatou- como apuradas pelo órgão, justamente as áreas por ele informadas com base no Laudo Técnico e na do- cumentação remetida. 1 ()- Ao final, requer anulação da "DP ex-offício",can- celamento do Lançamento Complementar, processamento da "DP" apre- sentada em 1986 e, por derradeiro, lhe seja assegurado igual pra- zo de 30 dias para aditar esta reclamação. segue- 6 3 sERvvzo iCo FErERAL Processo nQ 41330-002.979/86-66 Acórdão nQ 202-04.615 As fls. 122 a autoridade competente de primeira instãncia julgou procedente o feito fiscal com base no parecer de fls. 117/121. Inconformado com tal decisão, o notificado ora recorrente, às fls. 127/138, vem a este Colegiado dela recorrer, alegando em síntese que: Como preliminar de nulidade. - o suc±fitó despacho de fls. 122 não atende às disposições dos arts. 25, I, b e 31 do Decreto n(2 70.235/72. - a competência para julgar, em primeira instãn cia, e do Superintendente Regional do Incra do Rio Grande do Sul e não do Diretor do De- partamento de Cadastro daquele Instituto, as- sim e nula dé pleno direito; - não acatou os ditames do art. 31, faltando - lhe "Relatório Resumido do Processo" e Os • 'Fundamentos Legais"; No mérito. • - cumpriu as exigências que lhe foram feitas, alem de ter oferecido, para efeito de atuali- segue- 6L1 n -5-_ ses,,tr. P.,'..!CO FECEnAL Processo nQ 41330-002.979/86-66 Acórdão nQ 202-04.615 . atualização de dados, "PAC" e "DP" referentes aoano fiscal de 1985; - a autoridade lançadora desconsiderou os dados que lhes foram apresentados, valendo-se da "DP" relativa a 1982; . - ao proprietário rural é defeso, em qualquer época, apresentar nova DP lastreada em dados exatos e atualizados, na conformidade do § 5Q, do art. 46, da Lei nQ 4.504/64, portanto, o § 1Q do art. 147, do CTN, não alcança tal dispo sitivo legal; - o caso não se cogita de retificação decorrente de erro ou engano cometido pelo sujeito passi- vo; - os dados lançados na DP apresentada em 05.09.81, são exatos e corretos, como pelos demais documentos acostados; - repele a maldosa insinuação de dolo, fraude ou (grifo do origi simulação porque, para que se concretize qual nal) quer dessas figuras penais, quem alega primei- ramente comprova e prova sua ocorrência. segue- .:,.....,,. -6- SERViCZ PCJEJC.::: FErERAL Processo nQ 41330-002.979/86-66 Acórdão nQ 202-04.615 De todo o exposto espera sejam acolhidas as presen tes razões para lhe dar integral provimento e julgar procedente o lançamento complementar como de direito e justiça. É o relatório. segue-. ; -7-, saRvizz PC9, , C3 FECERAL Process n(2 41330-002.979/86-66 •Acôrdão n.Q 202-04.615 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JEFERSON RIBEIRO SALA ZAR O recorrente insurge-se contra o pagamento do ITR de1985, que lhe está sendo cobrado em dobro, com base no art.49 da Lei n(2 4.504764, com a nova redação dada pela Lei n(2 6.746/79. A autoridade administrativa procedeu ao lançamento complementar, com base na DP de 1982, em confronto com os dados a- presentados pelo contribuinte na conformidade dos arts. 147 e 149 III e VII do CTN, que dizem (verbis): "Art. 147 - O lançamento e efetuado com basena declaração do sujeito passivo ou de terceiro,quando um ou outro, na forma de legislação tributária,pres ta ã autoridade administrativa informaeaSes sobre ma- teria de fato,indispensáveis ã sua efetivação. Art. 149 - O lançamento e efetivado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguin tes casos: III - quando a pessoa legalmente obrigada, em- bora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, á pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente,a jui zo daquela autoridade; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo,frau de ou simulação." Pelo acima exposto, não acato a preliminar alegada, tendo em vista ser a autoridade singular competente para proceder tal decisão, na forma do art. 34, inciso II, "d", do Decreto 68.153/71. segue- 6~ -8- pucc ECAL Processo nQ 41330-002.979/86-66 AcOrdão nQ 202-04.615 • Quanto ao agravamento da exigência, pela cobrança em dobro dos tributos devidos, não procedeopois),/não estão carac terizadas e nem provadas nos autos tais infrações. Pelo que tomo conhecimento do recurso voluntário interposto a tempo, dando-lhe provimento parcial para exigir somente o imposto complementar, a taxa de cadastro, bem como a contribuição ao INCRA, sem o agrava mento datcobrança em dobro decorrente da alegação de dolo ou má fé. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 1991 4/ - /"- Jr.w.ON RI:— :o ALAZ,i' • • •
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