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Numero do processo: 12897.000483/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 83 /2 00 9- 21 Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.346 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional em face da decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 230202.939, sessão de 22 de janeiro de 2014, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte. "devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN" Na origem, tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.234.4453) lavrado com fulcro no art. 32, IV, § 3 e § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 225, IV, e § 4, o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, no montante de R$ 372.170,40. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), o crédito lançado tem origem no pagamento das seguintes prestações em beneficio dos seus segurados, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias, e sem a correta declaração em GFIP: Valores relacionados na Folha de pagamento da empresa; Valores relativos a Conciliações Trabalhistas; Vale Transporte em desacordo com a legislação; Valores pagos a contribuintes individuais (sócios e prestadores de serviço). Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão 2401002.453 e nº 920202.086, considerados aptos para embasar a divergência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, entendo, que o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.347 3 Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.348 4 sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.349 5 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.350 6 obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.351 7 § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.352 8 Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.353 9 atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.354 10 Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.355 11 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Ressaltese que o Processo 12897.000480/200997 não se encontra em grau de recurso, conforme nota de sistema. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 2355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000313/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA
De acordo com a Súmula CARF n 5 são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e na parte conhecida negado
Numero da decisão: 3301-004.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e, na parte conhecida, negar provimento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA De acordo com a Súmula CARF n 5 são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e na parte conhecida negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e, na parte conhecida, negar provimento. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 03 13 /2 00 8- 52 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 158 2 Participaram da sessão de julgamento os José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 142 a 148) interposto pelo Contribuinte, em 21 de julho de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1668.506 (fls. 132 a 137), de 21 de maio de 2015, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou, por unanimidade de votos, não conhecer da Impugnação mantendo o crédito tributário lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de processo administrativo fiscal no qual restou constituído, pela Autoridade Aduaneira, nos termos do art. 142 do CTN (Código Tributário Nacional), crédito tributário, pelo lançamento (Autos de Infração), relativo ao não recolhimento, em tempo legal, de tributos na importação das mercadorias constantes das Declarações de Importação (DI) na autuação relacionadas. O contribuinte em epígrafe impetrou mandado de segurança preventivo com pedido de liminar junto à 19ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2007.38.00.0282539, buscando provimento que suspendesse a exigibilidade das contribuições COFINSImportação e PISImportação no desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas. A liminar foi deferida parcialmente para determinar à autoridade impetrada que se abstivesse de incluir na base de calculo da COFINSImportação e do PIS Importação o valor do ICMS e das próprias contribuições da Lei n° 10.865/2004 nas importações realizadas pela impetrante, de forma a não constituir óbice ao desembaraço pretendido. Em 08/02/2008 foi proferida sentença de 1° Grau concedendo a segurança pleiteada. Foram efetuados os recolhimentos das contribuições com os valores calculados conforme a base de cálculo determinada na decisão liminar. Para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, prevenindose a decadência, supondose a hipótese de que a decisão judicial definitiva viesse a ser desfavorável ao contribuinte, foram lavrados os presentes Autos de Infração. Cientificado dos Autos de Infração por via postal em 04/08/2008 (vide “AR” à fl. 72), o ora impugnante protocolizou Impugnação em 03/09/2008 (fls. 75 a 82, e anexos, do processo eletrônico). Nela, apresenta fundamentação acerca da matéria discutida na ação mandamental, além de sustentar o incabimento dos juros de mora. Requer seja declarada a insubsistência dos Autos de Infração, em face de estar à época tramitando processo judicial. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 159 3 É o breve relato do que, na essência, afigurase, na ótica deste Relator, de relevo. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformado o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1668.506, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, importa renúncia às instâncias administrativas, qualquer que seja a modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (CARF, Súmula nº 1, Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. (Súmula nº 5, Portaria CARF nº 52, de 2010). Impugnação Não Conhecida O Contribuinte em seu Recurso Voluntário requer em preliminar a inexigibilidade do crédito tributário, tendo em vista que a exigibilidade se encontra suspensa em razão de liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0282539, quanto a inclusão ou não na base de cálculo do PISImportação e COFINSImportação dos valores do ICMS e das próprias Contribuições. No mérito requer a inexigibilidade dos juros de mora. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário em sede de preliminar, cabe observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 160 4 renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho da decisão (fls. 134 a 136): Da Unicidade da Jurisdição – Concomitância entre as esferas judicial e administrativa O princípio da Unicidade de Jurisdição está insculpido no inciso XXXV do artigo 5o da Constituição da República de 1988, que assevera: "a lei não excluirá do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Tal comando constitucional é claro quanto ao seu objetivo, voltado a garantir a todos o acesso ao Judiciário para proteção de seus direitos de forma irrestrita. Na esfera administrativa, no campo do Direito Tributário, existe o processo administrativo fiscal, que é o instrumento para pacificação de conflitos entre o fisco e o contribuinte. O processo administrativo fiscal pode não ser a decisão definitiva da lide, em virtude, justamente, do disposto no acima referenciado inciso XXXV do artigo 5o da Constituição, podendo o contribuinte, antes de uma decisão administrativa, ou mesmo depois dela, buscar a discussão da matéria tributária na esfera judicial. A atitude do contribuinte, de buscar o Poder Judiciário para a resolução de uma lide, cujo objeto está sendo discutido em um processo administrativo fiscal, tem como decorrência lógica o abortamento da instância administrativa e faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria na esfera administrativa, isto porque a prerrogativa exclusiva da função jurisdicional de dirimir definitivamente os conflitos de interesse, enseja que a decisão judicial prevaleça sobre a administrativa. Desta forma, qualquer decisão administrativa contrária à decisão judicial não seria válida, mas nula, tendose em vista o disposto no dispositivo constitucional acima citado. Com o fito de uniformizar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, os procedimentos a serem adotados na hipótese de sobreposição de instâncias, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação fixou, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT n.o 03, de 14/02/1996, a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.o 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n.o 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a orientação da Súmula n.o 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado por meio da Portaria CARF n.o 52, de 2010, encerra: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 161 5 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição da República, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Relevante destacar que a decadência do crédito tributário deve ser prevenida, pela constituição ex officio do crédito (ou seja, pelo lançamento de ofício a cargo da autoridade administrativa), em quaisquer das hipóteses em que ocorra a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inclusive na de depósito do montante integral. Distinção necessária que se deve realizar entre decadência e suspensão do crédito tributário. Ou seja, se é suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por qualquer meio legalmente previsto, antes do lançamento, o prazo decadencial não tem a contagem suspensa, tampouco interrompida. Daí o porquê mister se faz sua preventiva constituição. Desnecessário dizer que, enquanto vigente a causa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, este, tendo sido regularmente constituído para prevenir a decadência, não deve ser exigido do contribuinte. Esse é o entendimento no presente voto, de que há concomitância da esfera administrativa com a esfera judicial, e com a devida aplicação da Súmula CARF nº1, negase provimento à preliminar. Quanto ao mérito o Contribuinte requer a inexigibilidade dos juros de mora, visto que no seu entendimento tal cobrança é indevida pelo fato do crédito tributário estar com a exigibilidade suspensa decorrente do Mandado de Segurança acima citado. Sobre a questão dos juros de mora citase trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls. 136 e 137): Dos Juros de Mora Cabe ainda trazer à colação o teor da Súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Portaria no 52, de 21/12/2010, do seguinte teor: “Súmula no 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Como se verifica da referida Súmula, os juros de mora não são devidos no caso de haver depósito do montante integral. No entanto, no caso dos presentes autos, a suspensão da exigibilidade decorre unicamente de decisão judicial (liminar em Mandado de Segurança), não tendo havido depósito. Dessa forma, relevante destacar, na ocorrência da hipótese de a decisão judicial definitiva ser desfavorável ao contribuinte, ora impugnante, o crédito tributário deverá ser cobrado com juros de mora. Obviamente que enquanto suspenso o crédito tributário principal, suspensos também permanecem os juros. E, se extinto aquele, extintos também serão os juros de mora. Outro aspecto urge ainda ser esclarecido: o que descabe no caso dos autos é a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 162 6 multa de mora ou a multa de ofício, que aliás sequer foram lançadas, e que não se confundem com os juros de mora, devidos e legalmente previstos para a espécie. Eis, a propósito, o teor do art. 63, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001). (grifos ora acrescidos). Por todo o exposto, voto por não conhecer da Impugnação e manter o crédito tributário constituído nos presentes Autos de Infração, em sua integralidade, que permanecem com a exigibilidade suspensa até a final e definitiva decisão judicial, o que deve ser verificado pelo competente setor da Receita Federal do Brasil. Com esses argumentos e com a aplicação da Súmula CARF nº 5, negase provimento quanto ao mérito. Portanto, tendo em vista a legislação aplicável e os autos do processo, voto no sentido de conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e na parte conhecida negar provimento ao recurso no que tange aos juros de mora. Valcir Gassen Relator Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.004138/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PERÍCIAS. REQUERIMENTO EM RECURSO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE.
As diligências e perícias requeridas pelo recorrente devem obedecer aos requisitos estatuídos no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, como justificativa para o procedimento, formulação de quesitos e indicação de perito próprio, sem os quais considera-se não formulado o pleito, conforme previsão do parágrafo primeiro do mesmo dispositivo.
PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que exige demonstração da ocorrência dessas situações, não bastando meras alegações.
MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As alegações de inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes não podem ser apreciadas em sede contenciosa administrativa, por expressa vedação do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal - RICARF (Portaria MF nº 343/2015), entendimento sedimentado no verbete da Súmula CARF nº 2.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PESSOAS JURÍDICAS DECLARADAS INAPTAS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. PRESUNÇÃO BASOLUTA. AQUISIÇÕES DE BOA-FÉ. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL.
O art. 82 da Lei nº 9.430/96 incorpora presunção relativa de hipótese de inidoneidade de documentos fiscais, ao dispor que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvado direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços que comprovem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a eles cabendo a produção da prova inequívoca dessa situação jurídica.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. PRÁTICA DE CRIMES. ART. 137 DO CTN. DOLO. CONCURSO. DEMONSTRAÇÃO.
A atribuição de responsabilidade tributária pessoal pelo art. 137 do Código Tributário Nacional exige a prova que o sujeito passivo tenha praticado crime ou contravenção, ou, ainda, infrações em que o dolo do agente seja específico, não se enquadrado em qualquer das hipóteses legais a simples outorga de procuração com amplos poderes, cabendo a responsabilização àquele que efetivamente praticou as infrações, no caso, o mandatário, salvo se comprovado o concurso ou conluio entre os envolvidos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa e por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluí-lo do pólo passivo. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à manutenção do lançamento em face da empresa.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PERÍCIAS. REQUERIMENTO EM RECURSO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. As diligências e perícias requeridas pelo recorrente devem obedecer aos requisitos estatuídos no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, como justificativa para o procedimento, formulação de quesitos e indicação de perito próprio, sem os quais considerase não formulado o pleito, conforme previsão do parágrafo primeiro do mesmo dispositivo. PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazêlo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que exige demonstração da ocorrência dessas situações, não bastando meras alegações. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As alegações de inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes não podem ser apreciadas em sede contenciosa administrativa, por expressa vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal RICARF (Portaria MF nº 343/2015), entendimento sedimentado no verbete da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 41 38 /2 01 0- 59Fl. 528DF CARF MF 2 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PESSOAS JURÍDICAS DECLARADAS INAPTAS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. PRESUNÇÃO BASOLUTA. AQUISIÇÕES DE BOAFÉ. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. O art. 82 da Lei nº 9.430/96 incorpora presunção relativa de hipótese de inidoneidade de documentos fiscais, ao dispor que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvado direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços que comprovem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a eles cabendo a produção da prova inequívoca dessa situação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. PRÁTICA DE CRIMES. ART. 137 DO CTN. DOLO. CONCURSO. DEMONSTRAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária pessoal pelo art. 137 do Código Tributário Nacional exige a prova que o sujeito passivo tenha praticado crime ou contravenção, ou, ainda, infrações em que o dolo do agente seja específico, não se enquadrado em qualquer das hipóteses legais a simples outorga de procuração com amplos poderes, cabendo a responsabilização àquele que efetivamente praticou as infrações, no caso, o mandatário, salvo se comprovado o concurso ou conluio entre os envolvidos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa e por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluílo do pólo passivo. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à manutenção do lançamento em face da empresa. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 11 3 Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Albergam estes autos lançamento de multa proporcional ao valor da mercadoria, referente aos anoscalendários 2005/2007, devido à utilização de notas fiscais inidôneas. Por bem refletir o contexto fático da autuação, adoto o relatório da decisão de primeiro grau administrativo: “Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, doravante denominada Tropicália, relativa aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário no valor total de (omissis), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 9/15 para exigir multa regulamentar proporcional ao valor da mercadoria, em virtude da utilização e emissão de grande monta de notas fiscais que não correspondem a efetivas movimentações de mercadorias, nos termos do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), art. 490, II. O relatório da fiscalização de fls. 16/27 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando que em auditorias anteriores foram constatadas infrações tributárias com reflexos na autuada e assim, a partir dos elementos e conclusões fiscais levantados, foram consideradas as infrações tributárias relativas ao IPI. Destacou as constatações da auditoria fiscal dos tributos fazendários na empresa Trieste Comércio de Artefatos de Couros Ltda. (doravante denominada Trieste), segundo a qual se concluiu que houve a formação de uma cadeia sonegatória construída com o fito de evadir tributos. Ressaltou que o trabalho é decorrente do apurado no processo administrativo nº 13855.003495/201008, no qual foi apurado um forte e completo esquema de compra, venda e utilização de notas fiscais inidôneas, com a participação de pessoas físicas e jurídicas ‘laranjas’, pessoas jurídicas de fato inexistentes e movimentação financeira em contas de terceiros, sempre à margem da legalidade e sem qualquer pagamento ou mesmo reconhecimento de obrigação pelo pagamento de tributos. Naquela fiscalização, constatouse que a Trieste, gerida pelo sócio Rubens Cintra, utilizavase de notas fiscais relativas a supostas aquisições de grande monta de couro com o intuito de dar um ar de legalidade a entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em notas fiscais de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente, e que, para tanto, Fl. 530DF CARF MF 4 operava em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra. Destacou que entre um dos maiores beneficiários se encontra a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste, mas que, intimada a comprovar os pagamentos dessas aquisições, sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem, e que, além disso, a Tropicália se utilizava de inúmeras empresas satélites, todas comprovadamente sob sua administração, que se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, por meio de terceiros ‘laranjas’. Observou que tanto a Tropicália quanto suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, por meio de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra. Concluiu que a Trieste é na verdade um braço operacional da Tropicália, que se utiliza daquela como empresa de aluguel para ‘criar’ créditos tributários passíveis de ressarcimento e, como nem a Trieste ou seus sócios possuem patrimônio passível de garantir eventuais cobranças de dívidas tributárias, esta declara seus débitos para dar um ar de legalidade, mas não paga nada. Ressaltou que, para simular pagamentos de supostas aquisições de couro da Trieste pela Tropicália, ambas realizam operações de descontos de títulos junto a terceiros da seguinte forma: a Trieste cede a terceiros (desconto de títulos) o direito creditório do couro supostamente adquirido pela Tropicália; entretanto, o controle do pagamento dos títulos é feito pela própria Trieste, bem assim o efetivo pagamento, mediante repasse desta para a Tropicália ou mesmo efetuando o pagamento diretamente. Ressaltou que o regramento do art. 490, II, do RIPI/2002, não restringe sua aplicabilidade somente aos contribuintes do IPI, haja vista não se tratar de uma imputação correspondente a crédito tributário, mas sim de multa por utilização de documentação falsa e inidônea. Foram considerados responsáveis pessoais por infrações os senhores Vera Lúcia de Paula Cintra, Manoel Justino de Paula e José Justino de Paula, com a lavratura dos termos de responsabilização de fls. 2/7. Houve, ainda, lavratura de representação fiscal para fins penais.” Devidamente intimados os sujeitos passivos arrolados, apenas o contribuinte e o responsável Manoel Justino de Paula apresentaram impugnação, com idêntico teor, onde protestaram, preliminarmente, pela suspensão do processo administrativo, tendo em conta que a presente autuação estaria ancorada em procedimentos fiscais anteriores, ainda em discussão administrativa, bem assim, a própria declaração de inaptidão da pessoa jurídica Trieste Com. Couros Ltda. penderia de decisão administrativa. No mérito, sustentaram que Trieste é apenas um dos fornecedores da autuada; que desconhecem as operações comerciais deste fornecedor; que houve comprovação de pagamento das duplicatas emitidas por Trieste, com entrega de toda a documentação à fiscalização; que os fatos narrados na autuação não condizem com a realidade; que em outro processo administrativo (13855.004137/201012), a autoridade fiscal reconheceu a existência das operações, o que se apresentaria contraditório; que essas divergências levariam a autuação ao descrédito; que inexistiu operação financeira entre a recorrente e Trieste que não estivesse amparada em documentação idônea; que não há documento nos autos que justifique a infração; que a operação de repasse de valores entre Trieste/autuada para quitação das duplicatas descontadas em empresas de fomento mercantil Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 12 5 (factoring) é fantasiosa; que a narrativa fiscal é deturpada e ilógica; que não há prova que o recorrente seria controlador da Trieste; que a recorrente é empresa lícita (sic); que a multa é confiscatória; foi requerido que a coresponsabilidade fosse imputada integralmente a Vera Lúcia de Paula Cintra, administradora da pessoa jurídica recorrente. Ao final pugnaram pela improcedência da autuação, juntada posterior de documentos e realização de perícia. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “MULTA REGULAMENTAR. Infligese multa igual ao valor comercial da mercadoria, ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, aos que utilizarem nota fiscal que não corresponda à entrada efetiva de produto nela descrito, no estabelecimento adquirente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. PERÍCIA. REQUISITOS Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei.” Em recurso voluntário o contribuinte alegou que o processo deveria ser suspenso até o encerramento do contencioso em relação à declaração de nulidade da pessoa jurídica Trieste; que a decisão recorrida seria nula por cerceamento de defesa, ao indeferir a prova pericial; e, que a juntada extemporânea de documentos se devia ao fato de estar em poder da fiscalização da RFB, coligindoa nessa oportunidade recursal. No mérito, com certa variação, reprisou a fundamentação da impugnação. Foram anexados aos autos cópias de boletos bancários e duplicatas emitidas por Trieste, com o intuito de comprovar o pagamento das respectivas aquisições. A 3ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, através do Acórdão 3403003.348, de 16/10/2014, anulou a decisão de primeira instância, por deixar de apreciar a contestação atinente à responsabilidade tributária solidária. Em novo julgado, A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento: “MULTA REGULAMENTAR. Fl. 532DF CARF MF 6 Infligese multa igual ao valor comercial da mercadoria, ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, aos que utilizarem nota fiscal que não corresponda à entrada efetiva de produto nela descrito, no estabelecimento adquirente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE. SÓCIO. Imputase responsabilidade ao sócio de empresa que concorre para a prática de condutas conceituadas como crime. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais.” Em novo recurso voluntário o contribuinte pugnou pela conversão do julgamento em diligência “para realização de perícia no que tange a equalização entrada de matériaprima x volume de produção”, ao passo que uma das acusações fiscais consistia na inexistência de operações entre Trieste/Tropicália (recorrente), sendo que o recorrente é fabricante de calçados e Trieste, seu maior fornecedor de matériaprima. Argumentou que a declaração de inidoneidade de Trieste pende de julgamento, devendo o presente processo ser suspenso; discordou que o processo esteja apto a ser julgado; que desconhecia as irregularidades cometidas pela Trieste; que fazia o beneficiamento do couro adquirido do fornecedor Trieste; que as operações de aquisição existiram de fato; que a perícia requerida era imprescindível; que a retroatividade dos efeitos da declaração de inaptidão não poderia prosperar, dado seu efeito ex nunc; que uma das provas da realização das operações seria a perícia requerida; que os pagamentos foram efetivamente realizados; que a cessão de títulos e as operações de factoring são rotineiras e legais; e, que a multa aplicada foi abusiva e confiscatória, devendo ser limitada a 100% (cem por cento) do tributo devido na operação. O responsável Manoel Justino de Paula asseverou que não exerceu qualquer atividade gerencial na empresa, não sendo possível mantêlo no pólo passivo da autuação sob alegação de conivência com a infração, pelo fato de haver outorgado procuração com amplos poderes a terceira pessoa, não restando evidenciado o dolo necessário à imputação, como fizera a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Concernente ao requerimento de sobrestamento deste processo, devido à ausência de definitividade sobre a declaração de inaptidão da pessoa jurídica Trieste Comércio Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 13 7 de Artefatos de Couros Ltda., PA 13855.003495/201008, é fato que a DRF Franca/SP expediu o ADE nº 55/2010, reproduzido no corpo do relatório fiscal, onde declarou BAIXADA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica em questão, por inexistência de fato, por não dispor de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, declarando inidôneas todas as notas fiscais por ela emitidas a partir de 01/01/2005, resguardados os direitos dos adquirentes de boafé, em conformidade com a IN RFB 1.005/2005, cuja eficácia da declaração de inidoneidade, segundo o ato administrativo de cassação, iniciarseia a partir da publicação do ADE, ocorrida no DOU de 01/12/2010. Assim, a declaração de inaptidão deflagra, sim, efeitos retrospectivos (ex tunc), desde a data de publicação do respectivo ato declaratório executivo, nos termos dos arts. 80 a 82 da Lei nº 9.430/96, o que já se verificou, não havendo razão para reconhecimento de qualquer questão prejudicial a influir no regular iter desse processo administrativo. Outrossim, se ainda pende apreciação recursal nos autos do processo 13855.003495/201008, como aduz o recorrente, sua interposição se respaldaria na garantia do art. 30, § 3º da IN RFB 1.005/2010, que, todavia, é despido de efeito suspensivo, ex vi do art. 61 da Lei nº 9.784/99, de sorte que indigitada declaração de inaptidão espraia normalmente seus efeitos, até que se reverta pelo restabelecimento da inscrição baixada, cuja validade se retoma a partir do ADE respectivo, esta sim, sem eficácia retroativa. Demais disso, o sobrestamento de processo administrativo é medida excepcional, que exige clara demonstração do prejuízo à continuidade do procedimento e prova cabal do contexto fático exposto, não sendo suficiente a tal finalidade a singela alegação de possibilidade de prolação de decisões contraditórias ou mesmo a própria pendência de apreciação de pedido de restabelecimento de inscrição de CNPJ baixado, que sequer foi documentado. Respeitante ao pedido de perícia formulado, correto o posicionamento da decisão reclamada, haja vista que, nos termos expressos do art. 16, IV, § 1º do Decreto nº 70.235/72, a realização de perícias, a requerimento do sujeito passivo, exige a justificação, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e a indicação do perito próprio, com a qualificação profissional, nome e endereço, sob pena de, não atendido esses requisitos, reputálo não formulado. No caso vertente, como argumento de nulidade, o recorrente apenas proclama a necessidade genérica de realização de diligência para averiguação do que denominou “equalização entrada de matériaprima x volume de produção”, a fim de certificar as aquisições da matériaprima couro, uma vez que foi desconsiderada a realização dessas “operações físicas”. Entretanto, tenho que o peticionante partiu de uma premissa equivocada, porquanto não houve acusação, por parte da autoridade autuante, de falta de recebimento do couro empregado na fabricação de calçados, mas sim que tais aquisições eram provenientes da pessoa jurídica Trieste Comércio Artefatos de Couros Ltda., o que se mostrou inverídico, como se destaca das seguintes passagens do relatório de autuação: “A empresa Trieste, gerida pelo seu sócio Rubens Cintra, utilizavase de NF's de emissão da J.G. Com. Couros Ltda, Yuri Comércio De Couros Ltda, Vaz Comércio de Couro Ltda e Comércio de Couros São José relativas a supostas Fl. 534DF CARF MF 8 aquisições de grande monta de couro junto a essas empresas com o intuito de dar um ar de legalidade à entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em NF de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente. Para tanto, operava amparada em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra. Em relação aos créditos tributários, um dos maiores beneficiários era/é a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste. Sobre a questão, intimada a comprovar os pagamentos das supostas aquisições de couros da Trieste, a empresa Tropicália sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem. Além disso, também se utilizava de inúmeras empresas satélites (Vera Lúcia de Paula Cintra ME, Lilian Cristina de Lima Franca ME e Maria Lúcia de Paula Cintra Franca ME), todas comprovadamente sob sua administração, as quais se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, através de terceiros laranjas. Observase que tanto a Tropicália quanto as suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, através de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra. Em outras palavras, Trieste e Tropicália agiam/agem em conluio e sempre, é claro, utilizandose do artifício da interposição fraudulenta de terceiros de forma a ocultar suas efetivas relações e reais intenções. A Trieste, empresa desprovida de qualquer tipo de patrimônio, é na verdade um braço operacional da empresa Tropicália, a qual se utiliza da dessa como empresa de aluguel para ‘criar’ créditos tributários passíveis de ressarcimento. Como a Trieste nem seu sócio possuem patrimônio passíveis de garantir eventuais cobranças de dívidas tributárias, a empresa declara seus débitos, para dar um ar de legalidade, mas não paga nada. Por outro lado, garante a geração de créditos nas empresas que registram NF provenientes dessa. Necessário esclarecer que esses créditos somente são possíveis quando as compras (ou supostas) são feitas de pessoas jurídicas. Daí a necessidade, para viabilizar a fruição de créditos na cadeia comercial subseqüente, da ‘intermediação’ da PJ Trieste no negócio, a qual, quando compra couro, o faz, provavelmente, através dos ditos ‘marreteiros/catadores’, pessoas físicas que recolhem couro de diversos lugares e vendem em grande quantidade uma carga fechada. Como a Tropicália, fabricante de sapatos, não teria direito ao crédito de tributos se efetuasse Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 14 9 a compra diretamente dos marreteiros, criase a figura fictícia de uma PJ intermediária no negócio como forma de gerar o crédito para o REAL adquirente da mercadoria, no caso a Tropicália. As notas fiscais ideologicamente falsas emitidas em nome das empresas fantasmas supostas fornecedoras de couro da Trieste servem para simular uma origem legal do.couro adquirido, haja vista o fato dos ditos marreteiros não fornecerem NF de venda da mercadoria.” (grifado) Da leitura desses excertos é possível inferir que não há acusação de inexistência de recebimento de couros, mas sim que essas aquisições não teriam se realizado através da Trieste, porém, de “marreteiros/catadores” através de um, cognominado pela fiscalização, “esquema fraudulento” de interposição de pessoas jurídicas de fachada. Desse modo, mostrase dispensável a realização da perícia requerida, ainda que suplantado o óbice erigido anteriormente, para aferição da regularidade do binômio “aquisições x produção”, apresentandose como necessária, isso sim, a prova admitida pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, ao regular os efeitos jurídicos das relações comerciais havidas com pessoas jurídicas declaradas inaptas. Nesses autos, como relatado, a celeuma gira em torno da possibilidade de admissão, para fins fiscais, da apropriação de créditos pelas supostas aquisições de matéria prima, especificamente couro, da pessoa jurídica Trieste Comércio Artefatos de Couros Ltda, cuja inscrição no CNPJ foi declarada inapta no bojo do PA 13855.003495/201008, onde a DRF Franca/SP expediu o ADE nº 55/2010, com declaração de baixa correspondente e inidoneidade de todos os documentos fiscais, inclusive notas fiscais, por ela emitidas a partir de 01/01/2005, cuja publicação ocorreu em 01/12/2010. Segundo mencionado art. 82, além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvando o seu parágrafo único o direito dos adquirentes de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, ou seja, os adquirentes de boafé. De se notar que o dispositivo em comento encerra presunção relativa, ou seja, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, não produzem efeito fiscal algum os documentos por ela emitidos em favor de terceiros, daí decorrendo a inversão do onus probandi, cumprindo ao adquirente, mediante prova inequívoca do seu direito, a demonstração da efetivação do pagamento e do recebimento da mercadoria, ou, por outras palavras, que desconhecia as irregularidades praticadas pelo seu fornecedor. Pois bem, a pretensa “boafé”, a meu sentir, deve ser rechaçada de plano, haja vista que a exercente da administração geral da pessoa jurídica autuada (efls. 35/36), mandatária de plenos poderes, ora recorrente (Tropicália), Vera Lúcia de Paula Cintra, era cônjuge, do sóciogerente da pessoa jurídica Trieste, não havendo como admitir, ante os laços conjugais, que não houvesse conhecimento das irregularidades perpetradas por aqueloutra, mesmo porque aludida administradora, sequer pertencia ao quadro social do contribuinte. Fl. 536DF CARF MF 10 Além disso, como comprovado nos autos, exercia a administração de outras pessoas jurídicas, também mediante procuração, que, segundo a fiscalização, participavam da estrutura empresarial montada para burlar o erário. No entanto, para evitar alegações de julgamento baseado em meras ilações, prossigo a análise dos elementos coligidos pelo recorrente, como prova de suas alegações. Consoante art. 16, III, § 4º do já citado Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser produzida na impugnação, exceção feita às hipóteses taxativamente arroladas, dentre elas, em que pretende se respaldar o contribuinte, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Sustentou o recorrente, nesse ponto, ainda no recurso primevo, que a impossibilidade de produção do acervo documental se deveu à sua indisponibilidade, eis que se encontrava em poder da fiscalização. Nada obstante, a alegação não veio acompanhada de qualquer suporte probatório dessa situação jurídica, como determina o art. 16, § 4º, “a” do Decreto nº 70.235/72, fincado apenas na assertiva do recorrente, valendo mencionar em contrário que, segundo o Termo de Encerramento (efls. 30 e 161) da ação fiscal, todos os livros e documentos utilizados no procedimento foram devolvidos, no estado em que recebidos. Outrossim, cabe registrar o fato que o contribuinte foi intimado em duas oportunidades (efls. 73 e 89) a apresentar a prova do pagamento pelas aquisições de couro e não o fez, restringindose a apresentar Livro Razão, LALUR e notas fiscais de entradas (efl. 77) e informar que “todos os comprovantes encontramse devidamente encaminhados junto ao termo de fiscalização”, sem juntar a prova da entrega respectiva. Assim, entendo que não restou adequadamente demonstrada a impossibilidade de colação da prova documental no momento processual oportuno, consubstanciadose a preclusão consumativa de sua apresentação a posteriori, como pretendeu o recorrente, motivo pelo qual entendo que não deve ser considerado o material anexado ao primeiro recurso voluntário apresentado. Todavia, ainda que ultrapassado esse obstáculo, como concessão dialética, não tomo como cabalmente comprovada a existência de pagamentos pela aquisição de couro, uma vez que, utilizandose a Trieste de desconto de títulos junto a empresas de fomento mercantil (factorings), praticamente todas as supostas liquidações pela recorrente, em que pese a emissão de boletos bancários, foram realizadas fora do sistema bancário, não possuindo autenticação mecânica alguma, mas tãosomente, aposição de “recibos”, manuscritos ou por carimbos, sem identificação de signatário. Tocante à legitimidade das operações de factoring, entendo que é tema estranho e tangencial à autuação, pois a investigação perpassa a prova da realização do pagamento e não da regularidade de operações financeiras realizadas por Trieste. Por conveniente, assevero que, diversamente do que afirma o contribuinte em recurso, a maior parte dos boletos que contém autenticação mecânica referese a período anterior ou posterior àquele autuado nesse processo (01/200506/2007), motivo pelo qual, à luz do contexto fático da autuação, à mingua de robustos elementos de prova a profligar a imputação fiscal e pelas considerações até aqui tecidas, entendo acertado o lançamento, tendo em conta que o recorrente não se desvencilhou de seu ônus probatório em face da presunção de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelo fornecedor Trieste. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 15 11 Quanto ao caráter abusivo e confiscatório da penalidade imposta, é remansoso neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a exegese segundo a qual não compete aos julgadores administrativos formar juízo axiológico sobre a justiça da norma tributária, tampouco se manifestar sobre aspectos de sua constitucionalidade, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), devidamente consolidada na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Nessa toada, a multa aplicada está devidamente escorada no art. 83, II da Lei nº 4.502/64, verbis: “Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide Decreto Lei nº 326, de 1967) (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, notafiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) § 1º No caso do inciso I, a pena não prejudica a que fôr aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e no caso do inciso II, é independente da que fôr cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do impôsto, em razão da utilização da nota, não podendo, em qualquer dos casos, o mínimo da multa aplicada ser inferior ao grau máximo da pena prevista no artigo seguinte para a classe de capital do infrator.” (destacado) Concernente à atribuição de responsabilidade tributária a Manoel Justino de Paula, invoca a autoridade fiscal a tal propósito as disposições do art. 137, do Código Tributário Nacional, c/c os arts. 1º, 2º e 11 da Lei nº 8.137/90. O recorrente, por sua vez, defende o não exercício de poderes de mando e gestão, inexistindo elemento volitivo necessário à configuração de causa a atrair a responsabilização tributária pessoal, in casu, o dolo. Nos termos do art. 137 do CTN, é pessoal a responsabilidade do agente, quanto às infrações conceituadas por lei como crimes, consistindo a infração, nesse processo, em omitir informação, prestar declaração falsa ou empregar outra fraude para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, qualificando essa conduta como crime contra a ordem tributária, cujo alcance se estende àqueles que, de qualquer modo, concorreram para a prática delitiva. O Superior Tribunal de Justiça é uníssono quanto à necessidade de prova do cumprimento dos requisitos arrolados no dispositivo legal específico para atribuição de responsabilidade tributária pessoal (e.g. REsp 1.669.441/PE e 1.658.548/PE). Fl. 538DF CARF MF 12 A autoridade fiscal imputa a esse sujeito passivo a outorga de procuração, com amplos poderes, à “sócia oculta” (Vera Lúcia de Paula Cintra) da pessoa jurídica Tropicália, autuada, objetivando a obtenção de vantagens tributárias indevidas, pela utilização de documentos contábeis e fiscais inidôneos. Entretanto, a conduta de Manoel Justino de Paula se limitou, como dito, à outorga de poderes à mandatária, não havendo qualquer prova do consilium fraudis (o conluio) ou mesmo da prática de outros atos lesivos ao patrimônio da entidade ou do Estado. Os ilícitos tributários foram perpetrados pela mandatária, única administradora da pessoa jurídica. O mandato foi conferido por instrumento público, com amplos poderes para a administração geral da pessoa jurídica e, como não poderia deixar de ser, não se estende à práticas de atos contrários à lei, de modo que a imputação da responsabilidade se ressentiu de prova do concurso do sujeito passivo para a prática infracional catalogada, não bastando a isso a mera outorga de poderes, mediante procuração. Os demais sujeitos passivos, pessoas físicas, não apresentaram recurso, razão pela qual, em relação a eles, a responsabilidade pelo crédito tributário é incontroversa. Em face de todo o acima exposto, voto por i) negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e ii) por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluílo do pólo passivo. Robson José Bayerl Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728696/2013-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. OMISSÃO. RENDIMENTOS. GLOSA. DEPENDENTE.
1. Alegações de erro de terceiros no preenchimento da declaração não eximem o contribuinte de suas responsabilidades tributárias.
2. A comprovação do preenchimento dos requisitos legais para fruição de dedução de despesas de dependentes é ônus do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.058
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 57 1 56 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.728696/201363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.058 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria IRPF SALÁRIO E DEPENDENTE Recorrente MANOEL MOREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. OMISSÃO. RENDIMENTOS. GLOSA. DEPENDENTE. 1. Alegações de erro de terceiros no preenchimento da declaração não eximem o contribuinte de suas responsabilidades tributárias. 2. A comprovação do preenchimento dos requisitos legais para fruição de dedução de despesas de dependentes é ônus do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 86 96 /2 01 3- 63 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 58 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 13): Rubrica Valor em reais Imposto 1.523,25 Multa de ofício 1.142,43 Juros de mora 134,80 Total à época 2.800,48 A fiscalização identificou omissão de rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 6.266,44, conforme declaração de imposto de renda retido na fonte (Dirf) informada pela fonte pagadora Araújo Abreu Engenharia (fl. 14). No mais houve glosa de dedução com dependente no valor de R$ 1.889,64, por falta de comprovação da condição de universitária de filha maior de idade até 24 anos. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 04/07/2013 (fl. 18/19) e protocolou sua peça no dia 17/07/2013 (fls. 2/19), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss): a contadora cometeu um erro no preenchimento da Dirpf 2012/2011; pensa que ela perdeu o comprovante de rendimentos porque ele teve que solicitar outro que foi emitido em 02/05/2013; não foi sua culpa, uma vez que não sabe fazer declaração de imposto de renda e que, portanto, não é justo que ele seja penalizado por um erro cometido por outra pessoa, mesmo que tenha sido por vontade própria; que a dedução indevida com dependente também foi um erro da contadora por não ter informado na Dirpf que sua filha Thais Emanuela Moreira da Silva era universitária já que tinha completado 22 anos de idade; como ela era bolsista da Unicap, não foi necessário informar valor de mensalidade nas declarações, porém ela cursava Ciências Contábeis e formouse em 2011.2; todavia, foi à Unicap solicitar um documento que comprovasse que ela no ano de 2011 era aluna daquela instituição, mas não conseguiu, porque a Unicap só fornece esse documento a própria Thais, mesmo sendo pai não foi possível conseguir o documento; 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 59 3 como a Thais mora com a mãe e se mudaram de domicílio, não foi possível entrar em contato com ela nem mesmo por telefone para conseguir o documento; está enviando alguns comprovantes de pagamentos de plano de saúde de Thais como prova de que ela continuava sendo minha dependente mesmo depois de 2011; tais comprovantes foram a única forma que encontrou de comprovar que não teve nenhuma participação nos erros encontrados na sua declaração; antes de julho de 2011, Thais era assistida pelo seu plano de saúde Sistel; se tivesse condições financeira pagaria este débito sem nenhum problema; como hoje está fora do mercado de trabalho e com problemas de saúde e além disso tem 5 pessoas que dependem do que recebe do Inss, se torna muito complicado para ele financeiramente ter que assumir um compromisso dessa natureza; portanto, solicita a quem de competência for que faça uma análise cariosamente levando em consideração tudo o que foi narrado neste documento e que seja desconsiderado os erros cometidos na declaração de imposto de renda em análise. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: identidade do contribuinte (fl. 5); comprovante de rendimentos (fl. 6); informe de pagamento de plano de saúde (fl. 7 e ss); cópia da notificação de lançamento (fl. 9 e ss); Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) analisou que: a entrega da Dirpf é obrigação prevista em lei, não podendo o contribuinte dela fazer constar as informações exigidas pelo Fisco e posteriormente, durante ou após uma ação fiscal, simplesmente afirmar que houve um equívoco no preenchimento de sua declaração de rendimentos; a responsabilidade do contribuinte pela entrega da declaração bem como pela veracidade das informações nela contidas é pessoal e intransferível, não podendo a autoridade lançadora relevar falhas porventura ocorridas em função do desempenho profissional incorreto de pessoa por ele encarregada de preenchêla ou mesmo em função de interpretação equivocada da legislação tributária vigente; de acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 60 4 quanto a dependente, o contribuinte não trouxe nenhum documento que comprove sua afirmativa; de acordo com os arts. 15 e 16, III, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72, cabe ao interessado instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, assim como mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e as provas documentais que possuir; de acordo com o art. 797 do Decreto 3.000/99, os contribuintes devem manter em boa guarda e ordem todos os documentos que se refiram aos rendimentos e deduções por eles declarados; o impugnante atevese ao campo das meras alegações sem provas, razão pela qual a infração foi mantida; o contribuinte menciona problemas pessoais e financeiros que o impediriam de quitar o débito, contudo, uma vez positivada a norma é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou; assim, o tratamento dispensado ao contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade julgadora, cuja atividade é vinculada e obrigatória (art. 142, parágrafo único do CTN). Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 08/08/2016 (fl. 40/54) e protocolou sua peça no dia 30/08/2016 (fl. 43/54), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 43 e ss): não houve omissão de rendimentos, mas sim erro da contadora; entregou os comprovantes de rendimentos à contadora; não houve dedução indevida de dependente; no processo em referência foi anexada cópia da certidão de nascimento de Thais comprovando que ela é de fato sua filha. E que na época ela era universitária da Universidade Católica de Pernambuco; o comprovante de que sua filha era universitária na época não foi enviado tendo em vista os motivos narrados no processo em referência, mas a Receita Federal pode solicitar a Unicap o comprovante de que Thais era universitária daquela instituição; não tenho a mínima condição de pagar o débito e se tivesse já teria pago; 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 61 5 anexa comprovante de aposentadoria que recebe do Inss e comprovante do medicamento que usa diariamente tendo em vista crises de convulsões que estou tendo, inclusive com internação; Termos em que pede deferimento. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: receita médica (fl. 44); extrato de pagamentos do Inss (fl. 45); intimação do acórdão de impugnação (fl. 46); demonstrativo de débito (fl. 47); acórdão de impugnação (fl. 48 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 43) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito A responsabilidade legal pelo preenchimento da declaração de imposto de renda é do contribuinte ainda que este delegue o ato a terceiros, por isso, alegações de que o erro foi da contadora não podem ser juridicamente aceitas para eximir o contribuinte de suas responsabilidades tributárias. O comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte à fl. 6 comprova que o lançamento está correto haja vista que dele consta o total de rendimentos tributáveis no valor de R$ 34.279,79, mesmo valor que consta do lançamento à fl. 14, na coluna rendimento recebido. Ainda de acordo com o lançamento, o contribuinte só declarou R$ 28.013,35, caracterizandose assim uma omissão de R$ 6.266,44. Dessa forma, verificase que o próprio contribuinte comprovou a existência de omissão de rendimentos, demonstrando assim a correção do lançamento. No mais, para se beneficiar da dedução de despesas com dependente é preciso que o contribuinte preencha os requisitos para tal. No caso em tela, a glosa de dedução foi motivada pela não comprovação da condição de universitária da dependente (fl. 15). Quanto a este ponto o contribuinte apenas alega que a sua filha era universitária, mas não traz aos autos nenhuma prova disso. Juridicamente não é possível aceitar alegações sem provas e, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 62 6 considerando que tratase de dedução que beneficiaria o contribuinte, o ônus da prova é do sujeito passivo, ou seja, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, comprovar o preenchimento dos requisitos legais que lhe dão direito ao benefício. Os comprovantes de pagamento de plano de saúde da dependente não comprovam que ela era universitária ao tempo do fato gerador e este foi o ponto que deu origem ao lançamento, portanto tais documentos são alheios ao caso em questão. O contribuinte também alega que anexou cópia da certidão de nascimento de Thais comprovando que ela é de fato sua filha. Este documento, contudo, não consta do processo. No entanto, mesmo que este documento constasse dos autos ele seria inócuo, pois não está em questão aqui se a dependente é filha ou não do recorrente, mas sim se ela era universitária ao tempo do fato gerador da obrigação tributária e a comprovação deste ponto o contribuinte não apresentou. As condições de saúde, pessoais e financeiras alegadas pelo contribuinte, ainda que possam ser passíveis de comiseração, não têm reflexos jurídicos para fins de extinção do crédito tributário, contudo, há previsão legal de parcelamento que pode ser utilizado pelo recorrente, caso queira. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.904790/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.270
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 0/ 20 11 -3 5 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.022, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004530/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE RESIDENTE NO EXTERIOR DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO.
Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente.
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Está correta a identificação do sujeito passivo quando não fica provado nos autos que o procurador deu conhecimento ao adquirente de que o alienante do bem imóvel é residente ou domiciliado no exterior. Artigo 721, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
APURAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Tributa-se, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel.
Numero da decisão: 2401-005.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE RESIDENTE NO EXTERIOR DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Está correta a identificação do sujeito passivo quando não fica provado nos autos que o procurador deu conhecimento ao adquirente de que o alienante do bem imóvel é residente ou domiciliado no exterior. Artigo 721, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 45 30 /2 00 5- 13 Fl. 200DF CARF MF 2 IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. APURAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributase, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 4/7, acompanhado do demonstrativo de fl. 3 e do Relatório Fiscal de fls. 10/16, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2000, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 108.103,09, composto da seguinte forma: R$ 41.832,33 relativo ao Imposto; R$ 34.896,52 de Juros de mora (calculados até 31/05/2005); e R$ 31.374,24 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 8), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte da autuada, cujo fato gerador ocorreu em 30/06/2000. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 10/16), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “[...] De acordo como o contrato particular de folhas 16 e 17, datado de 12/06/2000, a senhora Femanda Amália Farias Rocha, CPF 371.099.44034, representada por Margarita Castellano Farias, CPF 387.085.82068, ajustou vender à empresa Melnick Construções e Incorporações LTDA, CNPJ 94.615.671/000100, a casa de alvenaria localizada na rua Olavo Nunes, n.° 435, em Porto Alegre, matrícula 89.026, do Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Zona de Porto Alegre. O valor da venda foi de R$ 470.000,00, sendo R$ 42.000,00 pagos no ato e R$ 428.000,00 quando da outorga da escritura pública. Conforme cláusula terceira desse contrato, a escritura pública seria outorgada a quem a compromissária indicasse. Conforme documento de folhas 18 a 20, a escritura pública de compra e venda foi lavrada em 19/06/2000, tendo como compradores várias pessoas físicas. O valor do negócio foi de RS 470.000,00, valor que teria sido pago até a data de lavratura do referido documento. De acordo com os extratos de folhas 24 a 26, a senhora Fernanda Amália é residente no exterior, tendo alterado seu endereço com a apresentação da declaração de imposto de renda do exercício 1998 (folha 25) Assim, a alienação do imóvel, ocorrida no mês de junho de 2000, deve ser analisada como sendo uma operação de venda de bens por residente no exterior. Fl. 202DF CARF MF 4 Pelo disposto no art. 721 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99, compete ao procurador do residente ou domiciliado no exterior a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, salvo quando for dado ao adquirente do bem ou direito o conhecimento de que o proprietário é residente no exterior. Verificandose os documentos que serviram de base para a alienação do imóvel situado na rua Olavo Nunes, n.° 435, tanto no contrato particular quanto na escritura pública de compra e venda a senhora Fernanda Amália é apresentada como residindo no próprio imóvel a ser alienado (folhas 16 e 18). [...] Conforme cópia da matricula 89.026, do Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Zona de Porto Alegre (folhas 21 a 23), o imóvel situado na rua Olavo Nunes, n.° 435, foi adquirido pela senhora Fernanda Amália por herança de Carmo Campos Farias, com sentença de partilha datada de 25/03/1992 e formal de partilha lavrado em 16/04/1992. O valor da transação foi de Cr$ 165.239,00. O imóvel transmitido foi gravado com cláusula de incomunicabilidade. De acordo com o extrato de folha 45, o processo de inventário do senhor Carmo Campos Farias, n.° 1287056905, foi proposto em 11/08/1987, com homologação da partilha em 27/03/1992. [...] 4) Embora regularmente intimada, a procuradora da senhora Fernanda Amália não se desincumbiu de seu ônus de demonstrar qual era o valor de mercado do referido imóvel, constante na declaração do espólio do ano calendário 1991. Quando do registro do formal de partilha na matrícula n.° 89.026, do Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Zona de Porto Alegre, correspondente a casa na rua Olavo Nunes, n.° 435, constou como valor da operação Cr$ 165.239,00, que é o valor de avaliação do imóvel em abril de 1989, e que, obviamente, não é o seu valor de mercado em 31/12/1991. Com o objetivo de obter o valor de mercado desse imóvel em 31/12/1991, e, posteriormente, sua atualização pela variação da UFIR entre janeiro de 1992 e dezembro de 1995, esta fiscalização tomou o valor de avaliação desse bem pela Fazenda Estadual, em abril de 1989, e o atualizou nos termos do art. 7° da IN/SRF 84/2001: 165.239,00/ 1,0319 = R$ 160.130,82 Logo, o ganho de capital apurado na venda do imóvel, em junho de 2000, foi de R$ 309.869,18. Nos temos do art. 21, inciso I, da IN/SRF 84/2001, considerase data de aquisição do imóvel a data de abertura da sucessão, ou seja, em Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 4 5 1987. Conforme disposto no art. 26 dessa mesma instrução normativa, cabe uma redução de 10% sobre o ganho de capital. Assim sendo, o valor do ganho de capital tributável é de R$ 278.882,26. Tendo em vista a apuração do ganho de capital e a falta de recolhimento do imposto incidente (folhas 81 e 82), foi efetuado o lançamento do mesmo por auto de infração, juntamente com os acréscimos moratórios e a multa de 75 % prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96.” Devidamente cientificada, a Interessada apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 104/142), alegando, resumidamente, o que segue: I PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA O sujeito passivo da obrigação tributária principal, nos termos do art. 121 do CTN, é a pessoa, natural ou jurídica, obrigada ao cumprimento de pagar tributo ou penalidade pecuniária ao sujeito ativo (art. 119, do CTN) da obrigação devida, sendo esta a pessoa jurídica de direito público titular da competência de exigir o seu cumprimento. Referese também ao disposto no artigo 45 do Código Tributário Nacional, e reproduz os artigos 685, inciso I, alínea “b” e 717 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Cita jurisprudência administrativa e doutrina sobre a matéria em questão. Conclui que os ganhos de capital na alienação de bens e direitos auferidos por pessoa física ou jurídica residente no exterior estão sujeitos ao imposto de renda na fonte, conforme o art. 685, inciso I, alínea “b” do RIR/99, e que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda é da fonte pagadora, isto é, do adquirente do bem, nos termos do art. 685, inciso I, alínea “b” do RIR/99. Aduz também ao disposto no art. 685, parágrafo 2° e no art. 721 do RIR/99. Observa ainda que em relação aos termos da correspondência da adquirente do imóvel, datada de 19.05.2005, enviada à administração fazendária tem o intuito de desviar a responsabilidade tributária que a lei atribui à fonte pagadora. Afirma que o endereço que constou no Compromisso de Compra e Venda do imóvel da compromissária vendedora – Fernanda Amália, como sendo o da Rua Engenheiro Olavo Nunes n° 435, justamente àquele do imóvel objeto da alienação, configurase como vício de consentimento não substancial do negócio jurídico, pois tratase de erro acidental do contrato assinado pela impugnante, por representação da compromitente. Reafirma que a empresa Melnick tinha pleno conhecimento de que a compromitente vendedora residia no exterior. II DECADÊNCIA Discorre no sentido de que entre a data da constituição do crédito tributário (dia 250620005, mediante a ciência da impugnante quanto ao Auto de Infração), e o fato gerador da correspondente obrigação tributária decorreram mais de cinco anos, e, dessa forma, Fl. 204DF CARF MF 6 decaiu a administração fazendária de seu direito a constituição deste crédito tributário, conforme a legislação que rege a matéria. Informa que nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel situado à Rua Engenheiro Olavo Nunes n. 435, Porto Alegre, RS (fl. 18 a 20 dos autos), verificase que sua alienação ocorreu no dia 19.06.2000, nesta data se concretizando o fato gerador do imposto de renda de que trata o Auto de Infração que se contesta, se admitida, somente para fins de raciocínio, a ocorrência da obrigação tributária de pagar o imposto incidente sobre o eventual ganho de capital. O fato gerador do imposto de renda ora analisado, subordinase, nos termos da legislação tributária, à tributação sob a forma definitiva com sua tributação na fonte, considerada a residência e domicílio no exterior da alienante do imóvel (art. 18 da Lei n. 9.249/95, c/c com art. 117, §3º e art. 685, caput, §3°, do RIR/99), o que significa dizer que o fato gerador do imposto em tal hipótese é instantâneo (e não complexivo), ocorrendo na data da alienação do bem ou direito, isto é, dia 19.06.2000, não se sujeitando a espécie tributável (ganho de capital na alienação de bens e direitos de residentes no exterior) à uma apuração mensal do imposto que justifique o fato gerador ter ocorrido no dia 30.06.2000, tal como constou (fl. 04 dos autos) do Auto de Infração que se impugna. A legislação tributária aplicável é clara na hipótese analisada, disciplinando que o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior deve ser recolhido na data da alienação, por certo, não se podendo cogitar que dito fato gerador do imposto ocorra então em data diversa (v.g. 30.06.2000 conforme o Auto de Infração) do que o dia 19.06.2000, data da alienação do imóvel que pretende o ganho de capital tributar, a administração fazendária, tal como consta da Escritura Pública de Compra e Venda lavrada. Argumenta que no caso se aplica o disposto no artigo 150, § 4º do CTN e contesta o disposto no artigo 173, I, do mesmo diploma legal. Cita doutrina para corroborar a sua tese. Argumenta, também, “a impossibilidade de tributação do imóvel em 2000, face à ocorrência do fato gerador do ganho de capital ter se consumado no anobase 1992, em relação ao qual já decaiu a administração fazendária do seu direito de constituir o crédito tributário havido”. Discorre acerca da “improcedência do arbitramento do custo de aquisição do imóvel levado a efeito pela administração fazendária”, contestando a forma de apuração utilizada pela administração fazendária, e alega que a avaliação do imóvel realizada pela Fazenda Estadual, em abril de 1989, destinase à determinação da base de cálculo do imposto que incide sobre os bens transferidos em causa morte e doação, isto é o ITCD, identificando com o valor venal dos bens transmitidos, e não como o valor de mercado de bens, tal como exigido pela legislação do imposto de renda. Transcreve jurisprudência. III – Ao final, requer seja acolhida a preliminar relativa à sua ilegitimidade passiva, senão, subsidiariamente, no mérito, seja reconhecida a decadência argüida, ou, ainda, adotados os demais argumentos e fundamentos jurídicos esgrimidos, para que seja declarada a improcedência do Auto de Infração, com a consequente extinção do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1026.039 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 152/160, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 5 7 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Está correta a identificação do sujeito passivo quando não fica provado nos autos que o procurador deu conhecimento ao adquirente de que o alienante do bem imóvel é residente ou domiciliado no exterior. DECADÊNCIA. O direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado CTN 173, I. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. APURAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributase, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância em 23/07/2010, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 163. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 164/196), reiterando os mesmos argumentos acerca da sua ilegitimidade passiva. De mais, argumenta, resumidamente, o que segue: (i) Decadência – Defende a aplicabilidade do artigo 159, § 4º do CTN no presente caso. Discorre no sentido de que, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, “nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em 'verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade”. Destaca que o artigo 156, V, do Código Tributário Nacional disciplina a decadência como causa extintiva do crédito tributário. Fl. 206DF CARF MF 8 Reafirma que nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel (fl. 18 a 20 dos autos), verificase que sua alienação ocorreu no dia 19.06.2000, nesta data se concretizando o fato gerador do imposto de renda, ad argumentandum tantum, apenas para efeito de raciocínio, a ocorrência da obrigação tributária de pagar o imposto incidente sobre o eventual ganho de capital. Defende que no caso concreto, pois, nenhum lançamento formalizouse à época própria em relação ao suposto fato gerador de IRPF ocorrido em 19.06.2000, e não se poderia promovêlo, além do lapso previsto no §4°, do art. 150 do CTN, quando a Fazenda Pública não mais detém o poder de fazêlo. Discorre no sentido de que a única hipótese em que a lei admite contagem diversa do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, é quando ocorre os casos de dolo, fraude ou simulação. Nestas ocasiões, aplicase o disposto no artigo 173, I, do CTN. Cita jurisprudência a corroborar sua tese. Discorre que “Na linha da eventualidade, digase, o fato gerador em questão também não se subsume à regra de decadência segundo o art. 173, I, do CTN, a pretexto da falta de pagamento antecipado do tributo, eis que, a toda prova, na apuração do eventual ganho/perda de capital da alienação do imóvel em questão, mediante a atividade de apuração de imposto na operação, à epoca, a Recorrente apurou base de cálculo negativa para fins de tributação, tudo em conformidade com as declarações de rendimento da Sra. Fernanda Amália Farias Rocha entregues à administração fazendária. O custo de aquisição do imóvel alienado foi declarado (fl. 41 a 44 dos autos) por 1.113.596,46 UFIR, especificamente, nas declarações a partir do anocalendário de 1992, e após, do anocalendário de 1995 em diante (até o ano calendário de 1997) por um custo de aquisição, desprezados os centavos, de R$ 753.570,00. Dessa forma, inobstante possa a autoridade autuante não concordar com o custo de aquisição declarado para o imóvel, o mesmo foi reiteradamente consignado nas declarações de rendimentos da alienante, até o anocalendário que a vendedora do imóvel passou a residir no exterior, passando a estar dispensada da entrega de declaração de rendimentos, circunstância que comprova apuração de perda de capital na alienação do imóvel, ao menos, segundo a interpretação da Recorrente à época, jamais falta de pagamento de imposto por ganho de capital omitido!” E acrescenta: “Nesse cenário, considerando a perda de capital apurada na alienação do imóvel, por tal motivo, não houve preocupação da Recorrente quanto ao pagamento de imposto à época porque o custo de aquisição do imóvel foi superior ao valor de alienação, esse último de RS 470.000,00, de modo que a base de cálculo do imposto para fins de tributação foi NEGATIVA, ou seja, não se apurou ganho de capital passível de tributação, não podendo ser desconsiderada a atividade de apuração de base de cálculo negativa realizada pela Recorrente, para se tentar modificar a regra de decadência do caso concreto, no intuito de validar a constituição de crédito tributário cujo direito de lançamento já decaiu, ao menos, na melhor exegese da legislação tributária aplicável ã hipótese que se examina, sujeita à regra do art. 150, §4° do CTN”. Ao final, argumenta que quando da ciência do lançamento tributário, em 25.06.2005, tinha a administração fazendária decaído de seu deverpoder de constituição deste crédito tributário, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. (ii) Improcedência do custo de aquisição do imóvel – Requer seja declarada a improcedência do credito tributário constituído, importando a desconsideração dos valores estimados pela autoridade administrativa no arbitramento relativo ao custo de aquisição do imóvel da Rua Engenheiro Olavo Nunes n. 435, Porto Alegre, RS, para que seja considerado o Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 6 9 valor de mercado do bem, correspondente ao informado nas declarações de rendimento da Sra. Fernanda Amália Farias Rocha, desde o ano de 1992 ate' o de 1997, quando passou à condição de residente no exterior, sobretudo considerandose a presunção de veracidade do valor de mercado informado em tais declarações de rendimentos, eis que a autoridade fazendária não logrou demonstrar com eficácia o parâmetro avaliativo, tampouco apresentando laudo de avaliação do bem a valor de mercado em 31.12.1991, o que e' exigível face á inversão do ônus da prova que se impõe no caso concreto. Em linha subsidiária, entende que se ocorreu ganho tributável em relação ao imóvel situado na Rua Engenheiro Olavo Nunes n. 435, Porto Alegre, RS, este ocorreu então no anocalendário de 1992, quando na declaração de rendimentos do exercício de 1993, a Sra. Fernanda Amália Farias Rocha informou um patrimônio total, em valores, de 1.332.422,90 UFPR (fl. 86 dos autos), montante este que circunscrevia o valor deste imóvel, que correspondia a 1.113.596,46 UFIR, exatamente como informado na declaração de rendimentos do exercício de 1995, que é integrada pelo rol de bens que contém os valores dos bens da declarante, em UFIR, dos anos de 1993 e 1994 (fl. 41 dos autos). (iii) Dos pedidos – Ante o exposto nas razões recursais, a Recorrente requer a reforma do julgamento de primeiro grau, inicialmente, para que seja declarada a invalidade do lançamento tributário por ilegitimidade passiva, tudo para fins de extinção do crédito tributário constituído. Alternativamente, requer a reforma do julgamento de primeiro grau para efeito da correspondente extinção do credito tributário constituído no auto de infração, com o reconhecimento da decadência arguida quanto ao fato gerador de IRPF ocorrido em 19.06.2000 ou, ainda, adotados os demais argumentos e fundamentos jurídicos esgrimidos em seu favor. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF 10 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 23/07/2010 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 163, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/08/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Da preliminar de ilegitimidade passiva A Recorrente suscita preliminar de ilegitimidade passiva. Argumenta que o sujeito passivo da obrigação tributária principal, nos termos do art. 121 do CTN, é a pessoa, natural ou jurídica, obrigada ao cumprimento de pagar tributo ou penalidade pecuniária ao sujeito ativo (art. 119, do CTN) da obrigação devida, sendo esta a pessoa jurídica de direito público titular da competência de exigir o seu cumprimento. Conclui que os ganhos de capital na alienação de bens e direitos auferidos por pessoa física ou jurídica residente no exterior estão sujeitos ao imposto de renda na fonte, conforme o art. 685, inciso I, alínea “b” do RIR/99, e que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda é da fonte pagadora, isto é, do adquirente do bem, nos termos do art. 685, inciso I, alínea “b” do RIR/99. Aduz também ao disposto no art. 685, parágrafo 2° e no art. 721 do RIR/99. Observa ainda que em relação aos termos da correspondência da adquirente do imóvel, datada de 19.05.2005, enviada à administração fazendária tem o intuito de desviar a responsabilidade tributária que a lei atribui à fonte pagadora. Afirma que o endereço que constou no Compromisso de Compra e Venda do imóvel da compromissária vendedora – Fernanda Amália, como sendo o da Rua Engenheiro Olavo Nunes n° 435, justamente àquele do imóvel objeto da alienação, configurase como vício de consentimento não substancial do negócio jurídico, pois tratase de erro acidental do contrato assinado pela impugnante, por representação da compromitente. Reafirma que a empresa Melnick tinha pleno conhecimento de que a compromitente vendedora residia no exterior. Inicialmente, cumpre destacar que, a responsabilidade do procurador de residente ou domiciliado no exterior é estabelecida de acordo com o artigo 721, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. Confirase: “Art. 721. Compete ao procurador a retenção: I quando se tratar de aluguéis de imóveis pertencentes a residentes no exterior; II quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no exterior.” No caso dos autos, a alienação do imóvel à Rua Engenheiro Olavo Nunes n° 435, em Porto Alegre (RS), ocorreu em 19/06/2000, tendo como outorgantes vendedores, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 7 11 Fernanda Amália Farias Rocha e seu marido, Sr. Walbert Wagner de Azevedo Rocha, ambos residentes e domiciliados na Rua Engenheiro Olavo Nunes n° 435, Bela Vista, nesta Capital, representados por sua procuradora Margarita Castellano Farias e como outorgados compradores Gerson Isac Berlim e outras pessoas físicas, pelo preço total de R$ 470.000,00, conforme Escritura Pública de Compra e Venda lavrada no 5º Tabelionato de Porto Alegre (fls. 19/24). Destacase, por oportuno, que a referida escritura pública, e também no correspondente Registro de Imóveis da 1ª Zona Porto Alegre (fls. 25/229), bem como no Compromisso de Compra e Venda firmado com a empresa compromissária – Melnick Construções e Incorporações Ltda (fls. 17/18), constam como endereço dos outorgantes vendedores o próprio endereço do imóvel alienado situado em Porto Alegre (RS) ou como domiciliados “nesta Capital”. Assim, não se verifica qualquer intenção de esclarecer ou indicar como residindo e com domicílio no exterior. Isso suficiente não fora, o próprio instrumento de procuração outorgando à Recorrente, Fernanda Amália também informa o endereço na Rua Olavo Nunes, n.° 435, em Porto Alegre. De outra banda, descabe falar que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda é da fonte pagadora, isto é, do adquirente do bem. Isso porque, a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto sobre o ganho de capital, no caso do alienante residir no exterior, não estava prevista em lei até a edição da Medida Provisória nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.883/2003. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, nos autos do Processo nº 16327.003072/200236, rechaça a tese aventada pela Recorrente, conforme se extrai do voto condutor do Acórdão nº 10422.281, ora adotado como razões de decidir, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto, a seguir: “Anocalendário: 1999 Ementa: GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAÍS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO – Após a vigência da Lei nº 9.249, de 1995, e antes da Lei nº 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Recurso voluntário provido. Voto [...] De início, cumpre deixar assentado que a situação fática que enfrentamos neste processo é a de alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior (Fortblanc Serviços S/A), Fl. 210DF CARF MF 12 para adquirente residente no Brasil (Banco ABN AMRO REAL). A autoridade lançadora indicou o adquirente como sujeito passivo, na condição de responsável, com fundamento precisamente no fato de o alienante ser residente no exterior. Dito isso, passo ao exame da alegação preliminar de erro na identificação do sujeito passivo com base na alegação de que à época dos fatos o adquirente não era responsável pela retenção e pagamento do imposto. Sustenta a Recorrente, em síntese, que não há dispositivo de lei que atribua ao adquirente a responsabilidade pela retenção na fonte do imposto de renda sobre o ganho de capital no caso de o alienante ser residente no exterior. A autuação e a decisão de primeira instância, por sua vez, fundamentam a exigência no art. 685 do RIR/99, a seguir reproduzido: [...] Tanto a autoridade lançadora quanto a decisão de primeira instância anotam que o § 2°, ao mencionar o inciso II, quer se referir, na verdade, ao inciso I, "b", posto ser essa a única hipótese que daria sentido ao dispositivo; que, portanto, haveria um erro na redação do referido artigo, o qual, todavia, argumentam, não retiraria sua eficácia. A Recorrente, por sua vez, rejeita esse argumento e insiste em que não há base legal para a autuação, posto que não existia à época dos fatos, lei que previsse a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto. Feitas essas considerações iniciais, e sem prejuízo da discussão sobre a ocorrência, ou não, do referido erro na redação do § 2° do art. 685 do RIR/99, examinaremos em seguida o cerne do argumento da defesa no que se refere à alegação de ilegitimidade passiva por ausência de lei que estabeleça a responsabilidade do adquirente. É cediço, que a sujeição passiva tributária, ou mais especificamente, como neste caso, a responsabilidade tributária, deve ser expressamente prevista em lei. É o núcleo do principio da legalidade e é norma expressamente prevista no art. 121 do CTN, a saber: [...] Também é evidente e dispensa maiores comentários, que o Regulamento do Imposto de Renda, como norma complementar que é, destinada apenas a consolidar e sistematizar a legislação, não pode inovar o ordenamento jurídico tributário e, muito menos, criar obrigação, devendo observar a moldura da lei. Vale ressaltar que até a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia dispositivo de lei, em sentido estrito, que atribuísse, expressamente, a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior ou em qualquer outra situação. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 8 13 Nenhum dos dispositivos de lei referidos na fundamentação legal tem tal previsão. O que havia era a atribuição genérica da responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do Imposto de Renda no caso de remessa, pagamento, entrega, etc, de rendimentos a residente no exterior. Essa previsão está na legislação do Imposto de Renda no Brasil desde o Decreto n° 5.844, de 1943, saber: [...] Parece claro que é essa previsão genérica, aliás, mencionada expressamente com matriz legal dos artigos 682 e 685 do RIR/99, que dava fundamentos ao dispositivo do Regulamento que atribuía responsabilidade ao adquirente, na qualidade de fonte pagadora. Ocorre que o art. 18 da Lei n°9.249, de 1995, igualou o tratamento tributário do ganho de capital dos residentes no exterior ao dos residentes no Brasil, e que não prevê a hipótese de retenção na fonte, a saber: Lei n° 9.249, de 1995: Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Logo, a partir da Lei n° 9.249, de 1995, não mais havia a responsabilidade do adquirente, como fonte pagadora, de proceder à retenção do imposto na fonte sobre o ganho de capital auferido por residentes no exterior, pela simples razão de que não mais havia a previsão de incidência do imposto na fonte nesses casos. Somente com a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, é que se passou a ter previsão legal especifica de retenção do imposto na fonte, no caso de ganho de capital de não residentes, com responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do Imposto. É o que se extrai do art. 26 da referida Lei: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Fl. 212DF CARF MF 14 É esse, pelo menos, o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal, manifestado por meio dos seus atos normativos. Com efeito, a partir da edição da Lei n° 9.249, de 1995 e antes da Lei n° 10.833, de 2003, em nenhuma das Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal havia a previsão da responsabilidade do adquirente na hipótese sob exame, diferentemente do que veiculado nas Instruções Normativas editadas antes da lei n° 9.249, de 1995 e depois da Lei n° 10.833, de 2003. Vejamos as Instruções Normativas n°31/1996 (art. 41), n°48/1998 (art. 26), 73/1998 (art. 27), 84/2001 (art. 84) e 208/2002 (art. 27): [...] Por outro lado, como já mencionado, antes da vigência da Lei n° 9.249, de 1995 a Instrução Normativa SRF n° 39, de 1993 previa que a fonte pagadora, no caso, o adquirente, seria o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior, a saber: [...] Da mesma forma, após a edição da Lei n° 10.833, de 2003, como não poderia deixar de ser, os atos normativos da Secretaria da Receita Federal passaram a prever a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto. É o que e vê da Instrução Normativa SRF n° 407, de 2004, no seu art. 1°, verbis: [...] De todo o exposto, é forçoso concluir que, em relação ao período objeto do lançamento, o ano de 1999, não pesava sobre o adquirente, por absoluta falta de previsão legal, específica ou genérica, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, na hipótese de alienante residente no exterior ou qualquer outra situação.” (grifei) Na hipótese dos autos, a Recorrente foi autuada por não recolher o IRPF, cujo fato gerado ocorreu no ano de 2000; ano anterior da entrada em vigor da Lei nº 10.883/2003, que restabeleceu a responsabilidade do adquirente, como fonte pagadora, de retenção do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente no exterior. Assim, entendo que a ilegitimidade da Recorrente deve ser afastada, mantendose a decisão de primeira instância nesse ponto. 3. DO MÉRITO 3.1. Da decadência. A Recorrente defende que, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, “nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em 'verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 9 15 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade”. Destaca que o artigo 156, V, do Código Tributário Nacional disciplina a decadência como causa extintiva do crédito tributário. Reafirma que nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel (fl. 18 a 20 dos autos), verificase que sua alienação ocorreu no dia 19.06.2000, nesta data se concretizando o fato gerador do imposto de renda, ad argumentandum tantum, apenas para efeito de raciocínio, a ocorrência da obrigação tributária de pagar o imposto incidente sobre o eventual ganho de capital. Defende que no caso concreto, pois, nenhum lançamento formalizouse à época própria em relação ao suposto fato gerador de IRPF ocorrido em 19.06.2000, e não se poderia promovêlo, além do lapso previsto no §4°, do art. 150 do CTN, quando a Fazenda Pública não mais detém o poder de fazêlo. Discorre no sentido de que a única hipótese em que a lei admite contagem diversa do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, é quando ocorre os casos de dolo, fraude ou simulação. Nestas ocasiões, aplicase o disposto no artigo 173, I, do CTN. Cita jurisprudência a corroborar sua tese. Ao final, argumenta que quando da ciência do lançamento tributário, em 25.06.2005, tinha a administração fazendária decaído de seu deverpoder de constituição deste crédito tributário, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fl. 214DF CARF MF 16 Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 10 17 CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso presente, houve falta do pagamento na data prevista pela legislação de regência e de informações corretas por parte do contribuinte quanto aos fatos apurados pela fiscalização sobre os ganhos de capital relativos à alienação de bens imóveis, havendo, portanto, insuficiência de recolhimento, o que deu ensejo ao lançamento de ofício em questão. Assim, o termo inicial do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no mês de junho do anocalendário de 2000 teve início em 1º de janeiro de 2001, com termo final em 31/12/2005. Logo, como no caso dos autos o lançamento de ofício se deu em 23/06/2005, com a ciência da Recorrida em 25/06/2005 (fl. 89), não há que se falar em decadência, razão pela qual não merece reparo a decisão recorrida. 3.2. Do custo de aquisição. Quanto ao tema em comento, cumpre observar que o artigo 96 da Lei n.° 8.383/91 autorizou que os bens adquiridos até 31/12/1991 fossem avaliados a valor de mercado. Para todos os bens adquiridos a partir de 1° de janeiro de 1992, o custo de aquisição seria obtido pela conversão do valor de transmissão em UFIR, pelo valor dessa no mês de aquisição (art. 96, § 4°). Para efeitos de apuração do ganho de capital seria considerado custo de aquisição (art. 96, § 5°): Art. 96. No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. § 1° A diferença entre o valor de mercado referido neste artigo e o constante de declarações de exercícios anteriores será considerada rendimento isento. § 2° A apresentação da declaração de bens com estes avaliados em valores de mercado não exime os declarantes de manter e apresentar elementos que permitam a identificação de seus custos de aquisição. § 3° A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor informado, sempre que este não mereça fé, por notoriamente Fl. 216DF CARF MF 18 diferente do de mercado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória administrativa ou judicial. § 4° Todos e quaisquer bens e direitos adquiridos, a partir de 1° de janeiro de 1992, serão informados, nas declarações de bens de exercícios posteriores, pelos respectivos valores em Ufir, convertidos com base no valor desta no mês de aquisição. § 5° Na apuração de ganhos de capital na alienação dos bens e direitos de que trata este artigo será considerado custo de aquisição o valor em Ufir: a) constante da declaração relativa ao exercício financeiro de 1992, relativamente aos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1991; b) determinado na forma do parágrafo anterior, relativamente aos bens e direitos adquiridos a partir de 1° de janeiro de 1992. Posteriormente, a Instrução Normativa SRF nº 39/1993, vigente à época dos fatos, estabeleceu o que segue: Art. 14. No caso de imóvel e de outros bens e direitos adquiridos por doação, herança ou legado, considerase custo de aquisição: a) o valor atribuído para efeito do imposto de transmissão, no caso de doação; b) o valor da avaliação judicial ou o valor atribuído pelos herdeiros, quando todos forem capazes, desde que haja concordância da Fazenda Pública Estadual/Municipal, nos casos de herança ou legado. § 1º A data da conversão em UFIR é a do mês da transmissão, da avaliação judicial ou, quando os herdeiros atribuírem valor ao bem, a do mês em que o processo de inventário ou arrolamento tiver início. § 2º Nos casos de herança ou legado, as datas de que trata o parágrafo 1º, só prevalecem quando houver concordância da Fazenda Pública em relação aos valores atribuídos. Caso contrário, deve ser considerado o valor atribuído pela Fazenda Pública, convertido em UFIR pelo valor desta no mês da atribuição. § 3º Os bens e direitos havidos em decorrência da meação por morte ou separação do cônjuge, a partir de janeiro de 1992, cujo processo judicial tenha iniciado antes dessa data, terão como custo de aquisição, em UFIR, o valor de mercado constante da declaração do espólio ou do excônjuge, relativa ao exercício de 1992, anobase de 1991. § 4º Os bens e direitos havidos por herdeiros ou legatários, a partir de janeiro de 1992, decorrentes de herança ou legado, cujo processo tenha iniciado antes dessa data, terão como custo de aquisição, em UFIR, o valor de mercado constante da declaração de rendimentos do espólio, relativa ao exercício de 1992, anobase de 1991, ou o valor da avaliação judicial, se esta ocorrer a partir de 1º/01/92, o que for maior. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11080.004530/200513 Acórdão n.º 2401005.231 S2C4T1 Fl. 11 19 No caso dos autos, de acordo com os valores indicados no extrato da declaração do espólio de Carmo Campos Farias exercício 1992 (fl. 92), o total de seus bens, avaliados a valor de mercado em 31/12/1991, representava 2.283.522,59 UFIR. Em consonância com os valores constantes da Partilha Amigável e a correspondente proporcionalidade definida para Fernanda Amália Farias Rocha (fls. 65/85), homologado judicialmente (fl. 80), e considerado o valor de avaliação do bem pela Fazenda Estadual, em abril de 1989 (fl. 59), atualizado nos termos do art. 7° da Instrução Normativa SRF n° 84/2001, resultou no custo de aquisição de R$ 160.130,82. Ocorre que, o valor de alienação do dito imóvel foi de R$ 470.000,00. Dessa forma, apurouse um ganho de capital de R$ 309.869,18, ao qual foi aplicado a redução de 10% de acordo com os artigos 21, inciso I e 26 da IN SRF n°84/2001, determinando o efetivo ganho de capital de R$ 278.882,26. Com efeito, sobre o valor acima referido é devido o imposto de renda, à alíquota de 15%, o que representa a importância de R$ 41.832,33. Dessa forma, reputo como correto os cálculos utilizados pela fiscalização para a apuração do custo de aquisição, não havendo qualquer motivo de reforma do julgado a quo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da Recorrente para, REJEITAR as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720094/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Cancela-se o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por sociedade empresária declarada inapta quando constatado a comprovação de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. Demonstração realizada por meio de transferências bancárias e bilhetes de pesagem das mercadorias
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário desloca-se da regra do parágrafo 4º do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN.
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Tratando-se a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovando-se a absorção total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada.
DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIOS. RECONHECIMENTO NA ÉPOCA DO RECEBIMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de direitos de crédito sob a forma de precatórios constitui ganho patrimonial apenas quando de sua realização efetiva, não se devendo aplicar o cálculo pro rata tempore de possíveis ganhos que só se materializam com o recebimento do valor do precatório. O deságio obtido somente gera o ganho quando do recebimento, sendo simples expectativa de direito na sua aquisição.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. PROVIMENTO PARCIAL.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, quando não comprovada a operação ou a sua causa, excluindo-se do lançamento a parte reconhecida na decisão.
REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Constituindo-se o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração.
MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Incabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo não se enquadra nas hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes.
Numero da decisão: 1401-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, afastar as arguições de decadência e dar parcial provimento para manter o lançamento apenas em relação às despesas não comprovadas pela empresa AMARILDO GOBES DOS SANTOS - ME, CNPJ 06.998.724/0001-52 e afastar a multa qualificada. Por maioria de votos dar provimento ao afastamento da multa isolada nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarou-se impedida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Cancelase o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por sociedade empresária declarada inapta quando constatado a comprovação de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. Demonstração realizada por meio de transferências bancárias e bilhetes de pesagem das mercadorias DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário deslocase da regra do parágrafo 4º do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovandose a absorção total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIOS. RECONHECIMENTO NA ÉPOCA DO RECEBIMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de direitos de crédito sob a forma de precatórios constitui ganho patrimonial apenas quando de sua realização efetiva, não se devendo aplicar o cálculo pro rata tempore de possíveis ganhos que só se materializam com o recebimento do valor do precatório. O deságio obtido somente gera o ganho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 94 /2 01 4- 06 Fl. 12706DF CARF MF 2 quando do recebimento, sendo simples expectativa de direito na sua aquisição. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. PROVIMENTO PARCIAL. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, quando não comprovada a operação ou a sua causa, excluindose do lançamento a parte reconhecida na decisão. REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Constituindose o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Incabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo não se enquadra nas hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, afastar as arguições de decadência e dar parcial provimento para manter o lançamento apenas em relação às despesas não comprovadas pela empresa AMARILDO GOBES DOS SANTOS ME, CNPJ 06.998.724/000152 e afastar a multa qualificada. Por maioria de votos dar provimento ao afastamento da multa isolada nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Fl. 12707DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.707 3 Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarouse impedida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Relatório Tratase de Autos de Infração para exigir IRPJ, CSLL e IRRF, relativos aos anoscalendário 2009 e 2010 no valor total de R$ 32.225.777,88 com a multa de ofício de 75% e qualificada de 150%, dependendo da infração, conforme enquadramento legal constante nos autos, multa exigida isoladamente e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente, sendo: Fl. 12708DF CARF MF 4 Consta, em síntese, do Termo de Verificação de Infração de fls. 7.767 a 7.819: I Síntese Compulsando os livros, documentos e termos apresentados pela empresa no atual procedimento fiscal, bem como e tudo mais que serviu para embasamento da glosa do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, referente o 4º Trim/2009 ao 4º Trim/2010, restou apurado que a empresa registrou em sua escrituração fiscal e contábil, notas fiscais advindas de supostos fornecedores em situação irregular, que deram ensejo aos lançamentos de ofício do IRPJ e CSLL (glosa de custos) e de IRRF (pagamentos sem causa ou beneficiário não identificado, com reajustamento da base de cálculo; que restou apurado que o contribuinte deixou de informar na DIPJ do ano calendário de 2009 parte do AGIO obtido na aquisição de precatórios alimentícios; que deixou de considerar na base de calculo do IRPJ e da CSLL para apuração da estimativa mensal o valor total dos deságios auferidos nos meses de março/2009, abril/2009 e junho/2009, por conseguinte, susos rendimentos deram azo ao reajustamento da base de cálculo para o recolhimento do IRPJ/CSLL informado na ficha 11 da DIPJ do ano calendário de 2009. II Introdução Fl. 12709DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.708 5 que restou apurado que durante o 4º trim/2009 e do 1º ao 4º trim/2010, a empresa utilizouse de aquisições insumos e despesas incorridas para obter benefícios fiscais do PIS e da COFINS, nos termos das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. V Dos Custos Indedutíveis (supostas aquisições de matérias primas e materiais secundários junto a fornecedores em situação irregular) A fiscalizada teve glosas nos pedidos de ressarcimento do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, relativamente às aquisições de matérias primas e materiais secundários atinentes ao 4º trimestre de 2009, 1º trimestre de 2010, 2º trimestre de 2010, 3º trimestre de 2010 e 4º trimestre de 2010, conforme termo de verificação e conclusão fiscal lavrado por ocasião das referidas glosas, o qual embasa materialmente a presente ação fiscal. SIMENTAL COMERCIO DE COUROS LTDA (CNPJ 10.440.811/000167) Da análise do pedido de ressarcimento do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, referente ao período compreendido entre o quarto trimestre de 2009 e quarto trimestre de 2010, verificamos através do exame dos arquivos magnéticos da escrituração contábil; das notas fiscais, dos recibos de fretes e tickets de pesagens apresentadas pela Vitapelli Ltda, que a mesma efetuou supostas compras junto a empresa Simental Comércio de Couros Ltda, inscrito no CNPJ sob nº. 10.440.811/000167, sediada na zona rural do município de Campo Belo – MG, no período em análise, um total de R$ 294.759,00. Compulsando o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, restou apurado que a empresa está com a situação cadastral de inexistente de fato, desde 29/01/2008. O processo administrativo que culminou com a Declaração de Inexistência de fato é o de nº 15940.720032/201143, tendo o Ato Declaratório Administrativo – ADE nº32, sido publicado no Diário Oficial da União, de 25/07/2012. Não bastasse a situação cadastral retro delineada, restou apurado, outrossim, que o suposto fornecedor de couro não registrou qualquer movimentação financeira nos anos calendários de 2009 e 2010. Então, se de fato ocorreram pagamentos à pessoa jurídica fornecedora (Simental), tais valores foram creditados em conta bancária cujo titular, por óbvio, não é a suposta fornecedora. E mais, em pesquisas levadas a efeito junto ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, restou constatado que o contribuinte não declarou nenhum pagamento a transportadores autônomos, conquanto das notas fiscais e das planilhas apresentadas pela Vitapelli, tais trabalhadores aparecem contundentemente. REGINALDO DE CARVALHO SIQUEIRA–ME CNPJ 41.952.755/000173 Desta forma, considerando a incapacidade econômica do fornecedor apurada em diligência fiscal retro mencionada, aliado à situação cadastral junto à Fazenda Estadual Mineira (habilitado somente a partir de 01/06/2012); a constatação de que em várias notas os supostos serviços de fretes foram suportados pelo fornecedor, contudo, este não possui qualquer veículo em seu nome e não ter comprovado o pagamento de nenhum serviço de transporte (placas declinadas nas notas fiscais); e mais, conforme restou comprovado no quadro suso, que a declaração do imposto de renda pessoa jurídica do ano calendário de 2009,apresentada pelo suposto fornecedor é absurdamente inconsistente, mormente pela inserção da reserva de Fl. 12710DF CARF MF 6 capital no valor de R$ 475.000,00, da qual não se tem qualquer procedência, mas valeu tão somente para acobertar saldo credor de caixa e, por fim, ter o suposto fornecedor apurado prejuízos em todos os trimestres dos anoscalendário de 2009 a 2012, a ponto de os prejuízos acumulados no lapso temporal suso mencionado ultrapassar mais de cento e noventa vezes o capital social registrado, notase, com solar clareza, que as supostas operações comerciais entre a firma Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e a Vitapelli utilizadas como custo dos produtos fabricados, deverá ser objeto de glosa. AMARILDO GOBES DOS SANTOSME CNPJ 06.998.724/000152 Desta forma, considerando principalmente a situação do fornecedor junto à Fazenda Estadual Paulista e junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, aliado ao fato de que os supostos fretes do transporte das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário, não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomo, mormente carreteiro e tudo o mais que consta do processo administrativo 15940720136/2013 10, o qual também passa a instruir o processo objeto do presente termo, há que se glosar os custos, conforme apurado no quadro abaixo e na planilha minudenciada por operações. J A COMÉRCIO DE COUROS LTDA CNPJ 10.436.074/000129 Desta forma, considerando principalmente a situação do fornecedor junto à Fazenda Estadual fluminense, aliado ao fato de que os supostos fretes do transporte das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário, não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomo, mormente carreteiro, e, por fim, pela autuação sofrida pelo fisco Estadual Fluminense, recomendamos a glosa dos custos sobre o valor de R$ 370.703,00, conforme restou demonstrado na planilha ANEXO I, onde se tem discriminado todas as notas fiscais objeto do pleito do contribuinte. COMÉRCIO DE COURO VALE DO CAETÉ LTDACNPJ 39.680.152/0001 18 Desta forma, considerando as constatações declinadas pela Fazenda Estadual Fluminense aliado ao fato de que os supostos fretes do transporte das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário, não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomo, mormente carreteiro, e, por fim, pela movimentação não condizente com os créditos recebidos, recomendamos a glosa dos custos sobre o valor de R$ 1.116.041,50, conforme restou demonstrado na planilha ANEXO I, onde se tem discriminado todas as notas fiscais objeto do pleito do contribuinte. VALTER APARECIDO FABRISME–CNPJ 09.363.990/000105 Desta forma, considerando principalmente a situação do fornecedor junto à Fazenda Estadual Paulista, aliado ao fato de que os supostos fretes dos transportes das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário, não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomo, mormente carreteiro, recomendamos a glosa sobre o valor de R$ 24.832,00, conforme restou demonstrado na planilha ANEXO I, onde se tem discriminado todas as notas fiscais objeto do pleito do contribuinte. PIRES & COUTINHO DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA CNPJ 08.892.490/000190 Fl. 12711DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.709 7 Desta forma, considerando principalmente a situação do fornecedor junto à Fazenda Estadual Fluminense, aliado ao fato de que os supostos fretes do transporte das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário, não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomo, mormente carreteiro, recomendamos a glosa sobre o valor de R$ 750.735,00, conforme restou demonstrado na planilha ANEXO I, onde se tem discriminado todas as notas fiscais objeto do pleito do contribuinte. OSMAR GOBES DOS SANTOSME CNPJ 11.763.467/000100 Desta forma, considerando a situação do fornecedor junto à Fazenda Estadual Paulista, aliado ao fato de que os supostos fretes do transporte das mercadorias foram efetuados pelo fornecedor, não tendo este quaisquer veículos em nome da pessoa jurídica e, concomitantemente, do compulsar do sistema previdenciário não se apurar quaisquer registros de pagamentos a autônomos, mormente carreteiro, e tudo o mais que consta do processo administrativo de nº 15940720138/201317, o qual é parte probante do processo objeto do presente Termo, há que ser glosados os custos no valor de R$ 1.626.058,00, conforme restou demonstrado na planilha ANEXO I, no qual constam discriminadas todas as notas fiscais, as quais também serviram de embasamento material para o pleito do ressarcimento do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA. VI – Do IRFonte por pagamentos sem causa ou beneficiários não identificados As glosas de custos susos delineadas caracterizam pagamento sem causa, por conseguinte, há que se exigir Imposto de Renda Retido na Fonte (pagamentos sem causa ou beneficiário não identificado, com reajustamento da base de cálculo). VII Da Multa Isolada Antecipação mensal do IRPJ/CSLL Ante o exposto, s.m.j., há que ser reclamada a multa isolada, com a recomposição da base de cálculo do IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA e, de outra feita, no mesmo diapasão, há, também, que se proceder no que pertine à CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, levandose em conta a omissão de receita de deságio na aquisição de títulos públicos e a glosa dos custos de matéria prima e materiais secundários levados a efeito nos pedidos de ressarcimento do PIS e da COFINS, custos estes que também embasaram os balancetes/balanços de suspensão/redução para fins de apuração da estimativa mensal levada a efeito na FICHA 11 da DIPJ dos ANOS CALENDÁRIO de 2009 e 2010, consoante demonstrado em planilhas que fazem parte integrante do presente termo, nos moldes da legislação suso mencionada. È oportuno repisar: o contribuinte deixou de apresentar o Livro de Apuração do Lucro RealLALUR, não obstante intimado e reintimado para tanto. VIII – Da Omissão de Receitas decorrentes de Deságio na Aquisição de Direitos Creditórios O contribuinte não ofereceu a tributação do IMPOSTO DE RENDAPESSOA JURÍDICA e da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO parte das receitas relativas a aquisição de 209 (duzentos e nove) títulos de crédito, ocorridas no período de 03/2009 a 06/2009, ou seja, a diferença entre o valor de face dos títulos e o valor efetivamente pago. Compulsando a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, referente Fl. 12712DF CARF MF 8 ao anocalendário de 2009, extraise que o contribuinte somente ofereceu a tributação do IRPJ e da CSLL a base de cálculo de R$ 8.018.948,95. Assim sendo temos que a empresa deixou de informar na declaração do IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA do ano calendário de 2009, receita tributável no valor de R$ 15.721.497,48, mormente considerando que nos anos subsequentes o contribuinte apurou prejuízo fiscal. Portanto, o valor do deságio não tributado no anocalendário de 2009, também não integrou a base impositiva para recolhimento do IRPJ e da CSLL nos anos calendário subsequentes. IX – Da Multa de Ofício 1. Relativamente aos CUSTOS INDEDUTÍVEIS (SUPOSTAS AQUISIÇÕES DE MATERIAS PRIMAS E MATERIAIS SECUNDÁRIOS JUNTO A FORNECEDORES EM SITUAÇÃO IRREGULAR): Conforme restou apurado na ação fiscal, o fiscalizado se valeu de notas fiscais inidôneas para buscar ressarcimento do PIS e da COFINS, tendo, por conseguinte, efetuado pagamentos sem comprovação da operação ou causa, conforme demonstrado no presente termo. A ação do contribuinte, afora ter buscado ressarcimento de crédito indevido, também levou a efeito nas declarações do IRPJ, custos inexistentes, com isso apurouse lucro tributável menor que o efetivamente devido. Portanto, tendo em vista as práticas perpetradas pelo fiscalizado, conforme exaustivamente demonstrado neste termo, restou flagrantemente caracterizado o evidente prejuízo a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe: ... 2 Relativamente a OMISSÃO DE RECEITAS DECORRENTES DE DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS: A operação está lançada na escrituração contábil, inclusive as transações estão estribadas com escrituras públicas, tendo o contribuinte inobservado o momento da ocorrência do fato gerador. Por isso, o crédito tributário apurado por omissão de receitas decorrentes de deságio na aquisição de direitos creditórios, há que ser reclamado com multa de ofício não qualificada, ou seja, de 75% (setenta e cinco por cento). X – Das informações Complementares e da Conclusão Fiscal É oportuno destacar que, não obstante na declaração do IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA, referente o anocalendário de 2009 tenha sido apurado prejuízo fiscal, para a apuração do resultado na presente ação fiscal tomouse como ponto de partida o resultado positivo constante do DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS (SAPLI), no qual, no suso referido ano calendário, temse registrado o valor de R$ 1.850.655,47 como Lucro Real Após Compensações do Próprio Período Base. Outrossim, no caso do deságio obtido na aquisição de precatórios alimentícios mediante escritura pública, conforme delineado no tópico VIII do presente relatório, nos anos seguintes o contribuinte apurou prejuízos fiscais nas declarações do Imposto de RendaDIPJ. Por isso, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº2, de 1996, ítem 9, quando nos períodos de apuração subsequentes ao de início do postergação e até o término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e a contribuição social apurados no período de apuração inicial, acrescido dos respectivos consectários legais, tendo em vista que, nos termos da Fl. 12713DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.710 9 legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar os ganhos anteriormente auferidos. Relativamente ao período de apuração do tributo compreendido entre 01/01/2010 a 31/12/2010, procedeuse a compensação do prejuízo fiscal informado na DIPJ do precitado ano calendário, até o limite da base impositiva da infração apurada na presente ação fiscal, ou seja, R$ 8.713.948,70. Portanto, em princípio, restou prejuízo fiscal a compensar, referente ao anocalendário de 2010, no montante de R$ 3.728.665,17. Intimado em 10/12/2014, o contribuinte apresentou impugnação em 09/01/2015, na qual alega, em síntese, o seguinte: Preliminares: Do Mandado de Procedimento Fiscal que o MPFF nº 08.1.5.002010008100, emitido em 30/11/2010, para amparar os procedimentos de fiscalização, com o prazo máximo de 120 dias não comporta qualquer prorrogação, depois de esgotada a sua validade pelo decurso de prazo; que é nulo o lançamento efetuado sem a existência de MPF válido. Decadência do lançamento de IRRF como a ciência do auto de infração se deu em 10/12/2014, ocorreu a decadência dos fatos geradores ocorridos até 09/12/2009, tendo em vista o decurso de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. Mérito: Das glosas de compras discorda do entendimento da fiscalização de que o contribuinte deveria comprovar o vínculo entre os fornecedores e os terceiros, estes, beneficiários dos pagamentos, uma vez que as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor, nos termos do Código Civil. Fl. 12714DF CARF MF 10 Fl. 12715DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.711 11 Fl. 12716DF CARF MF 12 Fl. 12717DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.712 13 Fl. 12718DF CARF MF 14 Fl. 12719DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.713 15 Fl. 12720DF CARF MF 16 Fl. 12721DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.714 17 Fl. 12722DF CARF MF 18 Fl. 12723DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.715 19 Fl. 12724DF CARF MF 20 Da boa fé da autuada que é entendimento do Conselho de Contribuintes que na apropriação de custos de produção acobertado por documentação fiscal considerada inidônea pela fiscalização, em se tratando de compras efetivamente comprovadas por contribuinte de boafé, descabe a glosa dos respectivos custos; que o ato declaratório que declara a idoneidade de documentos fiscais somente produz efeitos a partir de sua publicação; que tomou todos os cuidados prévios antes de contratar os fornecedores, tanto que junta aos autos cópias das telas do SINTEGRA, que comprovam a habilitação das empresas fornecedoras, bem como outros documentos que comprovam a regularidade da operação mercantil; que demonstrada a boafé da autuada, fica afastada a multa de 150 %; Do Princípio da Verdade Material que em momento algum a fiscalização realizou trabalhos de verificação de estoques, para fazer prova de que houve nota fiscal lançada sem a efetiva entrada de mercadorias, não manuseou os documentos contábeis, inventário e muito menos o processo produtivo. o que se verifica aqui é a autuação por mera presunção fiscal. Da Publicidade da Declaração de "Inapta" e "não habilitado" dos Fornecedores que a declaração de inaptidão e inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos fornecedores só foi disponibilizado para consulta pública no site da Receita Federal e no SINTEGRA, após a conclusão dos processos administrativos com a devida publicação. Até então, não era possível que qualquer contribuinte soubesse da inidoneidade dessas empresas; Da Multa Agravada Pela Qualificadora que não há que se aplicar a penalidade agravada por não ter havido fraude, conluio ou falsificação de documentos. O contribuinte realizou suas operações comerciais de forma absolutamente regular. Comprou, pagou, transportou, deu entrada no seu estoque e promoveu a transformação dos produtos; Da Concomitância da Multa Isolada e a de Ofício que não cabe a exigência concomitante de multa isolada já que está sendo exigida a multa de ofício através de Auto de Infração, sob o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo; IRRF Da aplicação do art. 61 da Lei 8.891/95 Fl. 12725DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.716 21 que não há possibilidade de lançar os valores glosados com custos/despesas indedutíveis e ao mesmo tempo como rendimento, com tributação de 35% na fonte, conforme jurisprudência do CARF; que todos os beneficiários estão perfeitamente identificados, inclusive com CPF, RG e CNPJ, além de demonstrado que tais pagamentos derivam de aquisição de matéria prima e material secundário (couros e lenha); Da Omissão de Receita Decorrentes de Deságio na Aquisição de Títulos e Direitos Creditórios que os precatórios não são títulos de crédito, já que não possuem poder executório e mesmo vencidos não podem se executados pelo seu credor; são meras expectativas de direito; que a aquisição de precatórios de terceiros não passa de mera expectativa de direito ou ganho patrimonial, mas isso não significa que houve acréscimo patrimonial, fato que só ocorrerá quando da sua realização; que a legislação permite que a receita (deságio) seja, prórata tempore, oferecida a tributação de IRPJ e CSLL, à medida de sua realização; que o contribuinte antecipou o reconhecimento da receita, já que poderia reconhecêla ao longo do prazo previsto para resgate dos precatórios; Do Pedido Requer a realização de perícia contábil a fim de se esclarecer os quesitos que relaciona; É o relatório. Da análise da impugnação e das razões da autuação a Delegacia de Julgamento emitiu a seguintes decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por sociedade empresária declarada inapta se inexistir efetiva demonstração de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário deslocase da regra do parágrafo 4º do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. Fl. 12726DF CARF MF 22 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. Constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do imposto sobre a base estimada, sem demonstrar que este não era devido, é cabível o lançamento da multa de ofício isolada. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIOS. EXPECTATIVA DE DIREITO. Como a compra de precatórios representa uma expectativa de direito, ou ganho patrimonial que por si só não é acréscimo patrimonial até sua realização, não há que se falar em receita ou disponibilidade financeira, ou mesmo jurídica, uma vez realizável a longo prazo, sem data prevista. O deságio obtido na aquisição de precatórios com vencimentos futuros somente se converte em receita mediante apropriações mensais prorata tempore, até a data fixada para seu resgate. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por sociedade empresária declarada inapta se inexistir efetiva demonstração de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. GLOSA. CUSTOS. CONCOMITÂNCIA. Uma vez que não há como alcançar o terceiro beneficiário do pagamento a legislação atribui ao pagador a responsabilidade pelo recolhimento, sob a forma de tributação exclusiva, do tributo respectivo. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, quando não comprovada a operação ou a sua causa, ressalvado o disposto em normas especiais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. Fl. 12727DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.717 23 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Constituindose o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se estiverem presentes elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão acima, a própria Delegacia de Julgamento recorreu de ofício em relação à exoneração do lançamento de omissão de receitas relativa aos deságios na aquisição de direitos de crédito. Intimado da decisão acima o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03 de julho de 2015, discorrendo os seguintes argumentos: PRELIMINAR APURAÇÃO INCORRETA DA MULTA ISOLADA: Em relação à aplicação da multa isolada o recorrente suscita sua irregularidade entendendo que deveria ter ocorrido a recomposição dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL a fim de que a multa fosse calculada de acordo com o valor efetivamente devido. Assim, entende nulo o referido lançamento. PRELIMINAR NECESSIDADE DE LIQUIDAÇÃO DO ACÓRDÃO PARA FAZER REFLETIR A REDUÇÃO DA PARTE EXONERADA: Pretende o recorrente que seja baixado em diligência o processo a fim de que seja realizada a liquidação dos valores devidos em face da redução realizada pela DRJ em seu julgamento. PRELIMINAR DO MPF: Repisa os argumentos da impugnação no sentido de ser nulo o procedimento fiscal em razão de o MPF ter extrapolado o prazo máximo de 120 dias para a sua conclusão. PRELIMINAR DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AOS FATOS OCORRIDOS ATÉ 09/12/2009: Suscita, neste ponto, em relação aos fatos geradores ocorridos Fl. 12728DF CARF MF 24 anteriormente a 09/12/2009, que seja reconhecida a incidência da decadência em relação ao lançamento de IRRF cujos fatos geradores tenham ocorrido até 09/12/2009, entende que não restou comprovada a existência de dolo, simulação ou fraude e, assim, deveria a decadência ser aplicada sob a regra do art. 150, § 4º, do CTN. MÉRITO 1 GLOSA DE CUSTOS: Centra sua contrariedade no fato de que não tinha obrigação legal de verificar a situação fiscal dos fornecedores e que suas compras são legítimas e, por tal razão, não poderia ter sofrido as glosas realizadas pela fiscalização. 1.1 Cessão de Créditos de Terceiros Fornecedores de Couro: O objeto da glosa neste caso foram as operações nas quais o pagamento foi realizado a terceiros por meio de cessão de créditos dos fornecedores. O recorrente alega que não há norma obrigando que esta cessão seja feita por escritura pública ou documento assinado em cartório. Além disso cita precedentes deste CARF. 1.2. Empresas cujas notas fiscais foram glosadas: Neste ponto o recorrente traz alegações similares às apresentadas na impugnação no sentido de que não pode ser responsabilizada pela irregularidade cadastral de seus fornecedores; que estando comprovado o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço estaria comprovada a operação e seria improcedente a glosa. As demais alegações prendemse à legislação relativa à declaração de inaptidão e inidoneidade das empresas fornecedoras. Por fim alega que a decisão da DRJ não realizou a análise pormenorizada de cada fornecedor e que não poderia decidir o caso de batelada. Repisa, por diversas vezes que estaria comprovado o recebimento da mercadoria e o pagamento do preço. Entende que a busca da verdade real deve suplantar as informações da secretaria da Fazenda acerca da inidoneidade das empresas. 1.3. Do recebimento da mercadoria e comprovação dos pagamentos: Alega que as planilhas de controle e apuração de estoques que foram apresentadas à fiscalização podem demonstrar perfeitamente o recebimento e saída das mercadorias. Que estas foram ignoradas pela fiscalização que limitouse a glosar as notas consideradas inidôneas, sem verificar os estoques. 1.4. Da boafé da Autuada: Reafirma o entendimento apresentado na impugnação de que o adquirente de boafé, comprovando o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço têm o direito ao crédito das mesmas. Alega que apresenta em seu favor as cópias dos depósitos bancários, os tickets de pesagem e os RPA do transporte. 1.5. Do Princípio da Verdade Material: Alega que a fiscalização nunca teve interesse em conhecer do processo produtivo da empresa, embora convidada para tanto. Entende que não foi realizada uma verdadeira busca à verdade, mas apenas uma autuação baseada em presunção. 1.6. Da Publicidade das Declarações de Inaptidão e de Não Habilitada: Entende e apresenta precendentes no sentido de que a ina´ptidão somente pode surtir efeitos contra terceiros após a publicação do ato o que, no presente caso, só ocorreu após a autuação e a realização da soperações com a recorrente. 1.7. Da Multa Qualificada: Entende inexistir a comprovação de dolo, fraude ou simulação, vez que restou comprovada efetivamente a realização das operações. Assim, não comprovada a intenção, não há como se manter a qualificação da multa. Fl. 12729DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.718 25 1.8. Da Concomitância da Multa Isolada com a MUlta de Ofício: Entende não ser possível a aplicação cumulativa das duas multas, por tratarse de bis in idem inaplicável no direito tributário. 1.9. IRRF Da Aplicação do art. 61, da Lei nº 8.891/95. Entende, neste ponto, que não é possível a realização da glosa das compras por causa da inidoneidade das notas fiscais e, ao mesmo tempo, aplicar a multa de IRRF por pagamento sem causa. Entende que a realização dos pagamentos decorre da compra de lenha e couros, não existindo o motivo de lavratura da multa de IRRF. 1.10 Da Omissão de Receita do Deságio na aquisição de créditos: Neste ponto apenas requer a manutenção da decisão da Delegacia de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O contribuinte apresentou impugnação que foi analisada pela Delegacia de Julgamento e resultou do reconhecimento da procedência parcial da impugnação e recurso de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ e apresentou recurso voluntário contra a mesma que chegou a esta CARF para análise. Verificamos, no entanto, e antes de qualquer análise, que constam do processo duas intimações realizadas à empresa dando ciência da decisão da DRJ e do prazo para a apresentação de recurso voluntário. 1a. Intimação: número 370/2005, fls. 12.546 Ciência 28/05/2015 (fls.12566) 2a. Intimação: número 382/2005, fls. 12.556 Ciência 03/06/2015 (fls. 12567) O recurso voluntário apenas foi apresentado em 03 de julho de 2015, ou seja, Se for considerada a intimação realizada em 28/05/2015 o recurso seria intempestivo. Mais ainda, as duas intimações foram encaminhadas ao endereço correto da pessoa jurídica e foram recebidas, inclusive, pela mesma pessoa, Sra. Beatriz A. Barros, identidade 52.777.2884. Consultando o processo não encontramos nas demais páginas após a decisão da DRJ e até o final nenhum despacho ou informação da delegacia de origem apresentando Fl. 12730DF CARF MF 26 explicações acerca do motivo pelo qual foram realizadas duas intimações à empresa e, mais ainda, qual delas deve ser considerada como efetiva para fins da contagem do prazo recursal. Pela nosso critério, existindo intimação válida (endereçada ao domicílio tributário da empresa e recebida regularmente com identificação do recebedor) o prazo recursal passaria a contar da primeira intimação (28/05/2015) e, assim, o decurso do prazo recursal de 30 (trinta) dias se esgotaria em 27/06/2015 (sábado) ficando postergado para o dia 29/06/2015. Assim, contandose da primeira intimação o recurso voluntário apresentado em 03 de julho de 2015 seria intempestivo na forma da Lei. Desta forma, restando caracterizada a intempestividade do recurso, não pode esta câmara prosseguir na análise do recurso. Assim, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. Discutidos em sessão estes fundamentos, foi trazido à discussão argumento do Conselheiro Daniel Ribeiro no sentido de que, existindo duas intimações idênticas encaminhadas para a empresa em dias diferentes, este fato trouxe razoável dúvida quanto a qual intimação estaria valendo para fins de contagem do prazo recursal. Discutido este encaminhamento quase todos os demais Conselheiros entenderam que este tipo e procedimento equivocado por parte da Delegacia de origem na medida em que provoca dúvidas quanto à exata data a ser considerada como realizada a intimação deve ser analisado em favor do recorrente, vez que o direito de defesa deve ser interpretado e garantido da forma mais ampla possível. Em assim sendo, e considerando o fato de que efetivamente, no mínimo, o procedimento da Delegacia de origem causou algum tipo de confusão quanto à definição do prazo recursal por parte da defesa, revejo o anterior entendimento acima apresentado, para considerar que o prazo de recurso, em razão da existência de duas intimações, deve ser contado a partir da data de entrega da segunda intimação. Desta forma considero tempestivo o recurso apresentado e, assim, passo a conhecêlo e analisálo. DO RECURSO DE OFÍCIO Inicialmente trataremos da parte da decisão na qual foi reconhecida a incorreção da autuação em relação ao tratamento dos deságios obtidos pela empresa na aquisição de precatórios de terceiros. A decisão da Delegacia de Julgamento considerou que tanto a autuação (calcada no reconhecimento imediato da receita dos deságios na data da aquisição dos créditos) quanto o procedimento da empresa (desenvolvida no reconhecimento dos créditos a partir da realização do pagamento dos precatórios aos antigos credores) estariam incorretas. Desenvolvendo escorreita análise a Delegacia de Julgamento demonstra que o valor dos deságios obtidos deve ser reconhecido pro rata tempore do decurso de prazo entre a data da aquisição do precatório e a data em fosse previsto o pagamento do mesmo. Assim, fazendo o reconhecimento em cada período de apuração, ao final, teria o reconhecimento integral do ganho relativo ao deságio. Este relator entende que, no particular, comungo de entendimento diverso do aplicado pela DRJ, no sentido de que o reconhecimento da ganho patrimonial neste caso Fl. 12731DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.719 27 somente deveria ocorrer quando do recebimento efetivo do precatório, o que importa destacar é o fato de que, efetivamente, não ocorre o ganho efetivo já na aquisição do título como pretendia a fiscalização, nem deve o ganho ser rateado, posto que não havendo o recebimento dos valores, não há como se considerar efetivamente recebido o ganho. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para excluir integralmente o valor relativo a este item da autuação. Quanto à análise do recurso voluntário, vejamos a seguir. PRELIMINAR APURAÇÃO INCORRETA DA MULTA ISOLADA. Com relação a esta preliminar o contribuinte entende que a multa isolada somente poderia ser lançada após a recomposição e ajustes dos valores devidos da estimativa mensal. Assim, seria nulo o lançamento nesta parte. Não há nulidade no procedimento. Os valores devidos por estimativa foram apurados pela empresa em suas declarações e nela estão tributados em definitivo. A autuação levada a efeito neste ponto cingese apenas aos valores devidos decorrentes das glosas e omissões constatadas, ou seja, os valores das multas relativas às estimativas não recolhidas decorre da apuração de receitas ou glosa de despesas apuradas, após a apuração normal dos resultados. Dado este fato não existem ajustes a realizar na apuração das estimativas, posto que os valores de deduções já foram integralmente utilizados pela empresa na apuração dos seus resultados. À luz do exposto, rejeito a presente preliminar. PRELIMINAR NECESSIDADE DE LIQUIDAÇÃO DO ACÓRDÃO PARA FAZER REFLETIR A REDUÇÃO DA PARTE EXONERADA: Pretende o recorrente que seja baixado em diligência o processo a fim de que seja realizada a liquidação dos valores devidos em face da redução realizada pela DRJ em seu julgamento. Apesar do assunto ter sido tratado pela empresa como preliminar, não trata de nulidade nem da autuação, nem da decisão. A liquidação da decisão, da forma pretendida pela empresa, somente pode ser realizada após a conclusão da análise administrativa do processo, sob pena de desperdício de trabalho, haja vista que a liquidação feita após a decisão da DRJ pode ser completamente informada após a análise dos recursos voluntários e de ofício ou mesmo o recurso especial. Por isso, incabível esta preliminar, posto não haver norma determinando que a liquidação deva ocorrer após a emissão de cada uma das decisões do processo. Assim, rejeito a preliminar. Fl. 12732DF CARF MF 28 PRELIMINAR DO ILEGALIDADE DO MPF: Repisa os argumentos da impugnação no sentido de ser nulo o procedimento fiscal em razão de o MPF ter extrapolado o prazo máximo de 120 dias para a sua conclusão. Com relação à alegada nulidade em função de o MPF em razão de o procedimento ter continuado após o término de sua validade, possíveis vícios na emissão do MPF não tem o condão de causar nulidade ao procedimento, haja vista que a emissão do MPF visa ao controle interno das atividades da administração. Eventuais incorreções em sua emissão não ensejam a nulidade do procedimento, visto não causarem prejuízo à defesa do contribuinte. Pelo contrário, no caso do contribuinte, em se considerando que a expiração do prazo de validade do MPF torna o contribuinte novamente espontâneo, poderia ter aproveitado o retorno à espontaneidade para regularizar pagamentos que acaso entendesse devidos. Mas somente essa expiração não pode ser ensejadora de nulidade do procedimento. Vejase, abaixo, precedente desta mesma câmara neste sentido. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção QUARTA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 1401001.783 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Depois de instaurado o procedimento de fiscalização a contribuinte não mais dispõe de espontaneidade para regularizar suas obrigações tributárias visando afastar a formalização da exigência e imposição da multa de ofício estabelecidas na legislação pertinente. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF. O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. A responsabilidade pessoal dos solidários não pode ser conhecida face das alegações apresentadas somente na fase recurso, respeito a impossibilidade de supressão de instancia, nos limites do que determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; e II) Por unanimidade, em não conhecer dos recurso dos responsáveis em parte Fl. 12733DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.720 29 (responsabilidade tributária, multas qualificada e agravada), por serem matérias preclusas. Na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos solidários e da empresa. (assinado digitalmente) ANTÔNIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. À vista do exposto, não existindo nulidades na autuação quanto a este item, rejeito a preliminar levantada. PRELIMINAR DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AOS FATOS OCORRIDOS ATÉ 09/12/2009. Suscita, neste ponto, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 09/12/2009, que seja reconhecida a incidência da decadência em relação ao lançamento de IRRF cujos fatos geradores tenham ocorrido até 09/12/2009, entende que não restou comprovada a existência de dolo, simulação ou fraude e, assim, deveria a decadência ser aplicada sob a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Constatando nesta análise que não foi demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação capaz de suportar a aplicação da multa qualificada, temos que a contagem do prazo decadencial deve obedecer à norma do art. 150, parágrafo 6º, do CTN, qual seja cinco anos contados da data do recolhimento da obrigação tributária a ele relativa. Neste ponto devemos apresentar os termos apresentados pela fiscalização quanto à realização dos pagamentos por estimativa. Cumpre esclarecer que o contribuinte não recolheu quaisquer valores a titulo de antecipação de IRPJ Estimativa, bem como também não o fez relativamente à CSLL. Assim não há falarse em lançamento por homologação, vez que nos meses de 01/2009, 03/2010 e 04/2010 houve apuração de IRPJ e CSLL, conforme costa dos balanço/balancete de redução/suspensão, contudo o contribuinte nada recolheu de antecipação para os precitados meses. Outrossim, nos demais meses dos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme deflui da ficha 11 da DIPJ, não se apurou valor a recolher a título de antecipação do IRPJ Estimativa. Ora constatandose não ter ocorrido nenhum pagamento, então a contagem do prazo decadencial transportase do art. 150, § 6º, para o art. 173, I, do CTN, qual seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguintes àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Fl. 12734DF CARF MF 30 Em sendo assim, não existindo o pagamento antecipado, os débitos por estimativa do ano de 2009, somente poderiam ter seu prazo inicial contado a partir de 01/01/2010, ou seja, o prazo da fazenda constituílos somente se encerraria em 31/12/2014. Por tais razões a decadência não atingiu os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos em 2009, devendo ser mantida a autuação em relação a todos os períodos informados como fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010. Assim, rejeito igualmente esta preliminar. MÉRITO 1 GLOSA DE CUSTOS. Centra sua contrariedade no fato de que não tinha obrigação legal de verificar a situação fiscal dos fornecedores e que suas compras são legítimas e, por tal razão, não poderia ter sofrido as glosas realizadas pela fiscalização. 1.1 Cessão de Créditos de Terceiros Fornecedores de Couro: O objeto da glosa neste caso foram as operações nas quais o pagamento foi realizado a terceiros por meio de cessão de créditos dos fornecedores. O recorrente alega que não há norma obrigando que esta cessão seja feita por escritura pública ou documento assinado em cartório. Além disso cita precedentes deste CARF. 1.2. Empresas cujas notas fiscais foram glosadas: Neste ponto o recorrente traz alegações similares às apresentadas na impugnação no sentido de que não pode ser responsabilizada pela irregularidade cadastral de seus fornecedores; que estando comprovado o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço estaria comprovada a operação e seria improcedente a glosa. As demais alegações prendemse à legislação relativa à declaração de inaptidão e inidoneidade das empresas fornecedoras. Por fim alega que a decisão da DRJ não realizou a análise pormenorizada de cada fornecedor e que não poderia decidir o caso de batelada. Repisa, por diversas vezes que estaria comprovado o recebimento da mercadoria e o pagamento do preço. Entende que a busca da verdade real deve suplantar as informações da secretaria da Fazenda acerca da inidoneidade das empresas. 1.3. Do recebimento da mercadoria e comprovação dos pagamentos: Alega que as planilhas de controle e apuração de estoques que foram apresentadas à fiscalização podem demonstrar perfeitamente o recebimento e saída das mercadorias. Que estas foram ignoradas pela fiscalização que limitouse a glosar as notas consideradas inidôneas, sem verificar os estoques. 1.4. Da boafé da Autuada: Reafirma o entendimento apresentado na impugnação de que o adquirente de boafé, comprovando o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço têm o direito ao crédito das mesmas. Alega que apresenta em seu favor as cópias dos depósitos bancários, os tickets de pesagem e os RPA do transporte. 1.5. Do Princípio da Verdade Material: Alega que a fiscalização nunca teve interesse em conhecer do processo produtivo da empresa, embora convidada para tanto. Entende que não foi realizada uma verdadeira busca à verdade, mas apenas uma autuação baseada em presunção. Fl. 12735DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.721 31 1.6. Da Publicidade das Declarações de Inaptidão e de Não Habilitada: Entende e apresenta precendentes no sentido de que a inaptidão somente pode surtir efeitos contra terceiros após a publicação do ato o que, no presente caso, só ocorreu após a autuação e a realização das operações com a recorrente. Todos os itens de recurso referemse, no fundo a uma única argumentação, qual seja, a de que independentemente de serem considerados ilegítimos os documentos fiscais de parte dos fornecedores da empresa, esta ilegalidade não poderia se transformar em glosa dos custos, vez que, comprovada a boafé da empresa e que estão devidamente registrados a entrega e o recebimento dos materiais e sua utilização na produção e, ainda, o pagamento destes, os custos devem ser mantidos, posto que à luz dos disposto no art. 82, da Lei nº 9.430/96, a comprovação da existência de fato destes teria o condão de superar a ilegitimidade dos documentos de compra. Verificamos a existência de outros processos, contra o mesmo contribuinte que tratam do mesmo problema. Pela nossa leitura, desde 2005 vêm ocorrendo este mesmo tipo de problema com os fornecedores desta empresa. Não é possível saberse se a empresa não procura zelar pela integridade do seu corpo de fornecedores ou se é prática neste mercado a existência de empresas irregulares que abrem e fecham segundo a conveniência de seus proprietários. Apesar desta dúvida, o que importa notar é a possibilidade de serem mantidos os custos glosados mediante a comprovação da existência de fato dos materiais, de sua entrega e de seu pagamento. Passamos a transcrever trechos do acórdão nº 1102001.075, da 1a Câmara, da 2a. Turma Ordinária da 1a. Seção do CARF, relatado pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o fisco, após análise das notas fiscais apresentadas, em conjunto com as pesquisas nos diversos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, constatou que parte das empresas fornecedoras se encontravam em situação irregular, tais como: empresas inexistentes de fato, empresas inativas, empresas não cadastradas na Secretaria da Fazenda do Estado, e omissas contumazes no cumprimento de obrigações acessórias, principalmente na entrega de DIPJ e DCTF, e, ainda, que a fiscalização empreendeu diligências em parte das empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato com proposta de inaptidão. Diante deste cenário, e do conjunto dos elementos coletados (e que aqui deverão ser analisados individualmente para cada empresa), concluiu o fisco que os documentos apresentados pela recorrente não foram suficientes para comprovar a efetiva aquisição e entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que as notas fiscais em questão seriam inidôneas. Também com relação ao pagamento por essas aquisições, observou o fisco que grande parte desses pagamentos haviam sido feitos a terceiros (pessoas físicas) que nenhuma relação teriam com os fornecedores indicados nas notas fiscais, em operações comerciais de cessão de créditos. A recorrente, por sua vez, argui que não compete a ela saber da condição de regularidade ou irregularidade de seus fornecedores, nem tampouco da relação existente entre os beneficiários do crédito e os fornecedores. Na condição de adquirente de boa fé, bastalhe comprovar o efetivo recebimento das mercadorias e o seu pagamento, ainda que a terceiros indicados pelo credor, para que reste Fl. 12736DF CARF MF 32 descaracterizada a glosa efetuada. E, neste sentido, defende que as cessões de crédito estão comprovadas nos autos e observaram os requisitos previstos no Código Civil, e que os elementos apresentados (planilhas de controle e apuração dos estoques, tickets de pesagem, consultas ao Sintegra, comprovantes de pagamento e recibos de pagamento a autônomos – RPA) comprovam o efetivo recebimento das mercadorias. Ademais, a inidoneidade das notas fiscais de aquisição foi presumida com base em indícios frágeis e insustentáveis, não tendo a fiscalização empreendido o necessário exame aprofundado para concluir, com absoluta segurança, quais daquelas notas efetivamente se prestariam ou não ao lançamento. Tanto a decisão recorrida quanto a recorrente citam, como amparo legal em favor dos seus argumentos, o art. 82 da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Ou seja, aos olhos do fisco: (i) as notas são inidôneas, e (ii) não houve a comprovação, por parte da fiscalizada, da efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens (situação esta que atrairia a aplicação da exceção prevista no parágrafo único do artigo acima transcrito). Já para a recorrente, a inidoneidade das notas não restou demonstrada, e, ainda que o tivesse sido, a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens foi comprovada, de sorte que inaplicável o disposto no caput. Quanto à questão de já estar pacificado no STJ, em acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG), a situação do adquirente de boa fé, nada há que se objetar. De fato, o STJ apenas ressaltou, no referido julgado, que a tãosomente declaração de inidoneidade das notas fiscais não opera efeitos ex tunc com relação ao adquirente de boa fé. No caso analisado pelo STJ, ficou evidente que não havia dúvidas quanto à efetiva realização do negócio jurídico, o que se pode facilmente comprovar pela leitura da ementa do acórdão proferido pelo STJ, que abaixo se transcreve: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada Fl. 12737DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.722 33 inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. Fl. 12738DF CARF MF 34 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.148.444MG, Relator Min. Luiz Fux, acórdão transitado em julgado 08062010) Quanto ao ônus da prova, é importante ressaltar que, enquanto a prova da inidoneidade da documentação incumbe ao fisco, por outro lado, a prova da efetiva aquisição da mercadoria é do contribuinte. Ainda que o referido julgado do STJ não tenha deixado isto claramente assente na ementa acima transcrita, é isto que se colhe da jurisprudência do STJ, consoante todas as transcrições feitas, no voto do relator, a outros julgados daquela Corte, dos quais transcrevo os excertos a seguir: (...) Todavia, para tanto, é necessário que o contribuinte demonstre, pelos registros contábeis, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou,incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. (EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008) A jurisprudência desta Turma é no sentido de que, para aproveitamento de crédito de ICMS relativo a notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco, é necessário que o contribuinte demonstre pelos registros contábeis que a operação comercial efetivamente se realizou, incumbindolhe, pois, o ônus da prova, não se podendo transferir ao Fisco tal encargo. Precedentes. (...) (REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007) (...) O disposto no art. 136 do CTN não dispensa o contribuinte, empresa compradora, da comprovação de que as notas fiscais declaradas inidôneas correspondem a negócio efetivamente realizado. (REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007) O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma. (REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999) Além disto, estas mesmas transcrições acima (da ementa e dos outros julgados do STJ) ressaltam a circunstância de que, nos casos em que o adquirente foi considerado de boafé, os documentos possuíam a “aparência de regularidade”, e, de fato, isto é intuitivo: para que se possa considerar que o adquirente tenha tido boafé, devese partir do pressuposto que ele tenha sido levado a acreditar que os documentos seriam regulares. Neste sentido, o entendimento do STJ a respeito da questão não discrepa do deste relator, conforme passo a expor. Antes de adentrar na análise de cada empresa individualmente, portanto, necessário fixar algumas premissas que irão pautar este voto: Fl. 12739DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.723 35 1) O art. 82 da Lei 9.430/96 estabelece que os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição tenha sido considerada ou declarada inapta não produzem efeitos tributários, e isto aplicase a todos os documentos emitidos após a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica; 2) O mesmo art. 82 expressamente ressalva as “demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação”, ou seja, não é somente mediante a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica, ou da inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos, que se abre a possibilidade de considerar um documento fiscal inidôneo. Contudo, o ônus da prova da sua inidoneidade é do fisco; 3) É do fisco também o ônus da prova de que o contribuinte, no caso de utilização de documentos inidôneos em data anterior à da publicação do respectivo Ato Declaratório, sabia ou deveria saber que tais documentos não seriam idôneos; 4) É ônus do contribuinte a prova da efetiva aquisição da mercadoria ou serviço lastreada em documento reputado inidôneo, para que se possa caracterizar a condição de adquirente de boa fé. Com relação às cessões de crédito, registrese que, a priori, é fato que o credor pode ceder seus créditos a quem melhor lhe aprouver, desde que efetue a comunicação ao devedor, que por sua vez poderia, nos termos do art. 286 do Código Civil, em tese, exercer o seu direito de oposição. Entretanto, não consta que o devedor tenha se oposto às cessões feitas, pelo contrário, está aqui reivindicando a legitimidade daquelas. Ademais, a lei não impõe forma específica para que se efetue a cessão de crédito, tendo a notificação da cessão de crédito a finalidade de informar à devedora a quem deve pagar, e para evitar que pague mal. Por outro lado, é certo que tal raciocínio, simples e direto, há de se aplicar às situações normais de operação comercial. Em casos em que se demonstre que a empresa está a manter relações comerciais com empresas inexistentes de fato, ou inaptas, a circunstância de ter havido a cessão dos respectivos créditos a terceiros pode vir a constituir mais um indício da irregularidade daquela operação. Indício este não determinante, quando isoladamente considerado — como de resto nenhum indício o é — para concluir pela inocorrência de fato da própria operação comercial antecedente. As circunstâncias específicas que cercam cada uma das alegadas cessões de crédito devem ser analisadas, portanto, de forma individualizada, para, em conjunto com os demais elementos, aferir o julgador se se está diante de uma regular cessão de crédito originado de efetiva operação de compra e venda, ou de apenas um artifício utilizado, em conjunto com as notas fiscais inidôneas, para justificar a saída de recursos da empresa para fins diversos. A propósito, em casos em que venha a ser comprovada a saída de recursos, mas não a operação comercial antecedente, a legislação impõe a tributação pelo imposto de renda na fonte, por pagamento sem causa. Fl. 12740DF CARF MF 36 Neste aspecto, não procedem os argumentos da recorrente de que estaria havendo uma indevida sobreposição da tributação do IRRF sobre a mesma base utilizada para o IRPJ e a CSLL, pois a exigência decorre expressamente da lei. De fato, cada tributo (IRPJ, CSLL, e IRRF) possui a sua própria base de cálculo, mas nada impede que uma mesma ocorrência dê ensejo à exigência de diversos tributos, tratandose de situação absolutamente normal, comumente denominada de “lançamentos reflexos ou decorrentes”. Em cada tributo, o valor daquela ocorrência irá compor a base de cálculo daquele tributo, na forma prescrita por lei. A dar guarida ao raciocínio da recorrente, nem mesmo a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL poderia ser feita. Tampouco procede o argumento de que todos os beneficiários estariam perfeitamente identificados, não podendo prevalecer uma simples declaração negativa de relação comercial em confronto com os comprovantes de pagamento. Isto porque a tributação pelo IRRF pode se dar por duas circunstâncias: por pagamento sem causa ou por pagamento a beneficiário não identificado. O fato de estar o beneficiário estar tão somente identificado não é suficiente para conferir uma causa ao pagamento efetuado. Quanto ao argumento de que as glosas, acaso procedentes, formariam uma reserva de lucro passível de distribuição isenta aos sócios, tratase de mero argumento retórico que desborda completamente do litígio aqui posto, que nada tem a ver com distribuição de lucros. Em conclusão, nos casos em que a glosa de custos venha a ser mantida, e que haja a comprovação da realização de pagamentos vinculados àqueles custos inexistentes, procede também a exigência do imposto de renda na fonte sobre os referidos pagamentos. Por fim, observo ainda que, na sessão de março de 2014, foi julgado por esta Turma o processo no 15940.000535/200984, desta mesma empresa, versando sobre idêntica matéria (glosa de custos relativas a supostas aquisições de couro), contudo, relativas ao ano calendário de 2005. Em que pese os anos serem distintos, entendo que, naqueles poucos casos, dentre os que a seguir serão analisados (6, de um total de 64), em que o fornecedor é o mesmo que um daqueles já analisados naquela ocasião, devemse manter, a princípio, as mesmas conclusões a que lá se chegou, a menos que seja suscitada, pelo fisco ou pela recorrente, alguma circunstância muito relevante e determinante para que se chegue a conclusão diversa. Neste processo, cujos excertos do acórdão foram transcritos, foi realizada uma análise em relação a cada fornecedor a fim de se aferir a possibilidade de manutenção ou não da glosa de 64 fornecedores, tendo sido cancelada a grande maioria por falta de argumentação da fiscalização quanto aos documentos que comprovariam o transporte, recebimento e o pagamento dos materiais. Assim, passaremos à análise dos fornecedores cujas notas foram consideradas inidôneas a fim de verificar a comprovação ou não das aquisições e a manutenção destas glosas. SIMENTAL COMERCIO DE COUROS LTDA (CNPJ 10.440.811/0001 67) fls. 7232/7324 Fl. 12741DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.724 37 A glosa das notas desta empresa decorreu da comprovação de sua inexistência de fato; De que esta empresa não realizou qualquer movimentação financeira em 2009 e 2010; Que não realizou o pagamento de nenhum valor relativo a frete nestes anos e que não teve qualquer registro de funcionários no período. Infelizmente, neste ponto, devo discordar das alegações da fiscalização. Entre os documentos acostados pela recorrente, já na fase de auditoria, encontramse notas fiscais, conhecimentos de transporte, Tickets de pesagem da transportadora, recibos de pagamento, cópias de cheque e comprovantes de transferência bancária. Constam também telas de consultas aos sistemas da RFB e da SEFAZ indicando a regularidade cadastral da empresa fornecedora. Mais ainda, verificamos, por exemplo, às fls. 7294, 7295 e 7317, comprovantes de transferência bancária dos valores em nome da Simental. Ora, neste ponto entendo assistir razão ao recorrente, haja vista que a fiscalização apesar de suas alegações, não contestou os documentos apresentados pela empresa. Ora se junto às notas consideradas inidôneas, existem os comprovantes de transportadoras, das pesagens de saída e entrada e dos pagamentos, entendo estar comprovada a existência das operações e, assim, insubsistente a glosa. Assim, entendo por cancelar a glosa de custos da empresa SIMENTAL. REGINALDO DE CARVALHO SIQUEIRA ME (CNPJ: 41.952.755/000173) fls. 5841/7230 Com relação a este fornecedor a fiscalização entende que o mesmo não possui capacidade econômica para custear as compras de materiais que teriam sido vendidos à recorrente. Alega a inexistência de informações de pagamento de frete pela fornecedora e a inexistência de veículo em nome da mesma, além de análise da contabilidade da fornecedora para demonstrar a incapacidade econômica de sua operação. A recorrente alega que as possíveis irregularidades do fornecedor não podem se refletir naquele que adquire as mercadorias. Que houve a circulação das mercadorias e que à época das compras, conforme notas fiscais de aquisição, a situação era de regularidade dos fornecedores. Que também os documentos apresentados comprovam o recebimento das mercadorias e o pagamento das mesmas. Com relação a este fornecedor, novamente entendemos que faltou à fiscalização aprofundar a análise quanto à documentação apresentada pela empresa. Verificamos a existência dos mesmos documentos comprobatórios informados no item anterior, inclusive as consultas aos sistemas da RFB e SEFAZ indicando a regularidade fiscal do fornecedor. A fiscalização calca sua autuação no fato de a empresa não ser economicamente habilitada para realizar a quantidade destas operações, entretanto tal fato não pode causar a glosa dos custos da recorrente, quando se comprova, pelo menos à vista da documentação apresentada, que houve a venda, carregamento, transporte, descarregamento dos Fl. 12742DF CARF MF 38 materiais e pagamento do preço, inclusive com indicações de irregularidades nas mercadorias que provocaram descontos nos preços pactuados. Não resta outra opção senão concordar com os argumentos da recorrente no sentido de que, estando comprovadas as operações, descabe desconsiderar os custos com base em irregularidades financeiras da fornecedora. Sendo assim, voto por cancelar a glosa dos custos da fornecedora REGINALDO DE CARVALHO SIQUEIRA. AMARILDO GOBES DOS SANTOSME CNPJ 06.998.724/000152 fls. 309/3224 Com relação a este fornecedor a fiscalização aponta que a empresa encontra se inapta desde 2004, que não existe qualquer declaração apresentada pela mesma nem o pagamento de serviços de frete ou de pessoal para realizar a entrega do material. A recorrente apresenta as mesmas alegações anteriormente e acrescenta que não procede a inaptidão da fornecedora questionando o procedimento realizado pesa SEFAZ/SP. No presente caso, em contrário ao constatado nos precedentes, a empresa não apresentou as consultas ao cadastro da fornecedora na SEFAZ ou na RFB. Não existe nenhum comprovante de pesagem do material, nem comprovante de transferências bancárias nem dos cheques, apenas cópias do que pretensamente foi lançado na confecção do cheque. Ora, no presente caso não existe sequer a dúvida da inaptidão do fornecedor. Ao contrário, existe a certeza desta. Mais ainda, a falta de consultas aos cadastros, como apresentado nos outros casos significa que a empresa adquiriu mercadorias deste fornecedor (se é que as adquiriu) sabendo, de antemão, que o mesmo não possuía condições jurídicas de fazê lo. Acrescentese que a inexistência de comprovantes de pesagem ou alguma transferência bancária para o fornecedor demonstra que, juntamente com a inidoneidade dos documentos fiscais, não se consegue comprovar, com mínima segurança, que ocorreu a compraevenda das mercadorias deste fornecedor. À vista do exposto, entendo que dever ser mantida a glosa de custos em relação a este fornecedor. J A COMÉRCIO DE COUROS LTDA CNPJ 10.436.074/000129 fls. 3656/3753 A fiscalização baseia sua glosa em razão de a situação cadastral junto à SEFAZ/RJ estar em Impedimento desde abril/2009. Nunca realizou declaração com o pagamento de frete de qualquer espécie. A recorrente apresenta alegações semelhantes às apresentadas anteriormente nos casos anteriores. Inclusive em relação ao impedimento da SEFAZ/RJ. Fl. 12743DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.725 39 Nos documentos apresentados durante a fiscalização verificamos a existência dos extratos de consulta aos cadastros da RFB e da SEFAZ/RJ, pesagem de mercadorias, recebimento de algumas com defeitos e descontos subsequentes, transferências bancárias. Neste caso não conseguiu este relator entender a obtenção, em 2009, de consulta ao site da SEFAZ/RJ com a indicação de que a empresa estaria habilitada. Entretanto, constatando a existência de outras provas de que comprovam, pelo menos em princípio, a efetivação das compras, recebimento e pagamento dos materiais, entendo que, a despeito da inidoneidade das notas, restaram comprovadas as operações e assim, improcedente a glosa. Do exposto, entendo que deva ser cancelada a glosa deste contribuinte. COMÉRCIO DE COURO VALE DO CAETÉ LTDACNPJ 39.680.152/000118 fls. 3256/3639 De forma similar a outras glosas, em relação a este contribuinte a glosa foi realizada em razão de ação da SEFAZ que constatou a não localização do estabelecimento no endereço indicado; Que não houve informação de pagamento de prestadores de serviço de fretes pessoas físicas e que não houve informação de recebimento de valores por parte do fornecedor. A defesa do recorrente segue no mesmo sentido das anteriores. Assim, analisando a documentação acostada ao processo verificamos que existe a comprovação da entrega do material e de pagamento do preço ao fornecedor, inclusive com várias transferências bancárias para o fornecedor. Além disso foram apresentados diversas telas de consulta da situação fiscal da empresa na SEFAZ e RFB, constando a habilitação e regularidade da mesma. Não nos resta outra alternativa, diante da comprovação das operações realizadas, senão a de cancelar a glosa em relação a este fornecedor VALTER APARECIDO FABRISME–CNPJ 09.363.990/000105 fls. 7341/7348 Com relação a este contribuinte a glosa baseouse na não habilitação da empresa pela SEFAZ desde 2008. Ainda acrescentou a falta de informação de pagamento de prestadores de serviço. A defesa do recorrente segue no mesmo sentido das anteriores. Assim, analisando a documentação acostada ao processo verificamos que existe a comprovação da entrega do material e de pagamento do preço ao fornecedor, inclusive com várias transferências bancárias para o fornecedor. Neste caso, no entanto, não foram apresentados telas de consulta da situação fiscal da empresa na SEFAZ e RFB. No entanto, Fl. 12744DF CARF MF 40 constatado o recebimento do material e o pagamento do preço, há de se aplicar a hipótese do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96. Não nos resta outra alternativa, diante da comprovação das operações realizadas, senão a de cancelar a glosa em relação a este fornecedor PIRES & COUTINHO DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA CNPJ 08.892.490/000190 fls. 5568/5840 Novamente neste caso a glosa decorre da situação fiscal da empresa de não habilitado desde 2007 e da ausência de informações da DIPJ e de pagamento de terceirizados do transporte. A defesa do recorrente segue no mesmo sentido das anteriores. Assim, analisando a documentação acostada ao processo verificamos que existe a comprovação da entrega do material e de pagamento do preço ao fornecedor, inclusive com várias transferências bancárias para o fornecedor. Além disso foram apresentados diversas telas de consulta da situação fiscal da empresa na SEFAZ e RFB, constando a habilitação e regularidade da mesma. Não nos resta outra alternativa, diante da comprovação das operações realizadas, senão a de cancelar a glosa em relação a este fornecedor OSMAR GOBES DOS SANTOSME CNPJ 11.763.467/000100 fls. 3756/5562 No caso deste fornecedor a glosa decorre da inabilitação informada pela SEFAZ a partir de abril/2010 e da constatação de a empresa não possuir veículo e não ter apresentado informações acerca de pagamentos realizados a prestadores de serviço de frete. Além disso aponta que a empresa não possuía receitas para fazer jus ao montante de vendas realizado no período. A defesa do recorrente segue no mesmo sentido das anteriores. Assim, analisando a documentação acostada ao processo verificamos que existe a comprovação da entrega do material e de pagamento do preço ao fornecedor, inclusive com várias transferências bancárias para o fornecedor. Neste caso, no entanto, não foram apresentados telas de consulta da situação fiscal da empresa na SEFAZ e RFB. No entanto, constatado o recebimento do material e o pagamento do preço, há de se aplicar a hipótese do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96. Não nos resta outra alternativa, diante da comprovação das operações realizadas, senão a de cancelar a glosa em relação a este fornecedor Fl. 12745DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.726 41 Concluindo a análise do presente item, verificamos que, a despeito das alegações apresentadas pela fiscalização que baseou suas glosas na inidoneidade dos documentos ficais dos fornecedores da empresa ou da sua incapacidade econômica, ou da ausência de informações prestadas à RFB, há de se por em conformidade que o parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96 excepciona a inidoneidade da documentação em favor do adquirente nos casos em que se comprove o recebimento das mercadorias e o pagamento do respectivo preço. Constatase, assim, na maioria dos casos acima tratados que, mercê das irregularidades documentais das empresas fornecedoras, o que se demonstra é que em quase todos os casos se comprova a existência de pesagem, recebimento das mercadorias, pagamento do preço. Esta constatação é que deve ser considerada como fundamento para o cancelamento da glosa, vez que atendendo à norma précitada. Devemos destacar, no entanto, que à fiscalização caberia, diante da inidoneidade da documentação dos fornecedores e da apresentação de farta documentação por parte da empresa na comprovação da entrada do material e do pagamento do preço, aprofundar a análise para tentar descaracterizar os documentos apresentados como suporte às notas fiscais consideradas inidôneas. Não pode este Conselho restringir sua análise exclusivamente à regularidade cadastral das notas fiscais sem observar a situação de fato e sua possibilidade de comprovação com outros documentos, como é o caso. Assim, à fiscalização também deveria observar o encargo de atentar às outras formas de comprovação das operações que, mesmo baseadas em documentos inidôneos, pode ser considerada realizada pela norma que autoriza a comprovação por outros elementos de prova. Por todo o exposto entendo por dar parcial provimento à recorrente neste item para manter unicamente a glosa de custos do fornecedor AMARILDO GOBES DOS SANTOSME CNPJ 06.998.724/000152, e, em consequência, as infrações relativas aos lançamentos decorrentes de glosa de custos por comprovação inidônea e de IRRF relativo a pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 2. Da Multa Qualificada: Entende inexistir a comprovação de dolo, fraude ou simulação, vez que restou comprovada efetivamente a realização das operações. Assim, não comprovada a intenção, não há como se manter a qualificação da multa. Com relação à qualificação da multa com base na ocorrência de dolo fraude ou simulação, mercê da análise realizada no item acima, por meio da qual considero que apenas em um dos casos dos fornecedores deve ser mantida a glosa, juntamente com a inexistência de maior aprofundamento nas informações acerca da ocorrência do dolo, fraude ou simulação capaz de causar a qualificação da multa, entendo que não pode prosperar a qualificadora por não ter restado comprovada a ocorrência destes fatores. Olhando a documentação apresentada pela empresa já em sede de procedimento de fiscalização e verificando que está acompanhada de documentação comprobatória do transporte, pesagem e pagamento das mercadorias não nos parece ter Fl. 12746DF CARF MF 42 ocorrido a intenção dolosa de fraudar o fisco. Quando muito poderseia acusar a recorrente de não atentar para a regularidade de seus fornecedores, no entanto, tal fato não pode levar à qualificação da multa de ofício. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso para afastar a qualificação da multa. 3. Da Concomitância da Multa Isolada com a Multa de Ofício: Entende não ser possível a aplicação cumulativa das duas multas, por tratar se de bis in idem inaplicável no direito tributário. Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. Fl. 12747DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.727 43 A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da nonna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Fl. 12748DF CARF MF 44 Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebese que a multa de ofício excede o valor da multa isolada pelo não recolhimento da estimativa, absorvendoa integralmente. Desta forma entendo por negar provimento ao lançamento da multa isolada em razão desta ter sido integralmente abrangida pela multa de ofício. 4. IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.. Entende, neste ponto, que não é possível a realização da glosa das compras por causa da inidoneidade das notas fiscais e, ao mesmo tempo, aplicar a multa de IRRF por pagamento sem causa. Entende que a realização dos pagamentos decorre da compra de lenha e couros, não existindo o motivo de lavratura da multa de IRRF. Com relação ao lançamento de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, a acusação fiscal neste ponto prendese, unicamente ao fato de as notas fiscais objeto de análise terem sido glosadas. Não houve maiores considerações acerca do lançamento do IRRF além desta, a anão ser pela demonstração da forma de cálculo. Ora, após a análise empreendida no item relativo à glosa de custos, e levandose em consideração que grande parte dos itens objeto de glosa foram considerados improcedentes por este relator, restam caracterizadas as operações e, em consequência, justificadas as causas dos pagamentos realizados. Desta forma, seguindo a mesma linha de entendimento apresentada no item relativo à glosa de custos, havemos de considerar não comprovadas as operações e, em consequência, não justificadas as causas de pagamentos relativas às notas fiscais da empresa AMARILDO GOBES DOS SANTOSME CNPJ 06.998.724/000152, razão pela qual deve ser mantido o lançamento de IRRF unicamente em razão das notas fiscais glosadas deste fornecedor face a não ter sido comprovada a realização das operações a ele relativas. Fl. 12749DF CARF MF Processo nº 15940.720094/201406 Acórdão n.º 1401002.156 S1C4T1 Fl. 12.728 45 5. Da Omissão de Receita do Deságio na aquisição de créditos: Neste ponto apenas requer a manutenção da decisão da Delegacia de Julgamento. Este item já foi objeto de análise na parte do recurso de ofício, sendo improvido, razão pela qual não merece maiores considerações. Por todo o exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares aventadas, negar provimento ao recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter as glosas de custos para o IRPJ e CSLL, e o lançamento de IRRF apenas em relação ao fornecedor AMARILDO GOBES DOS SANTOSME CNPJ 06.998.724/000152, e cancelar a qualificação da multa de ofício e o lançamento da multa isolada. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 12750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.907594/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 75 94 /2 00 9- 92 Fl. 189DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.987, de 02/06/2011, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINACIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo presidente da 3ª Turma. Irresignada, insurgiuse contra o entendimento de que a DCTF retificadora é o documento hábil para comprovar oriundo do pagamento a maior. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180300.250. O exame de admissibilidade do recurso encontrase à fl. 179. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 181/185). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que, a despeito da retificação da DCTF, a Recorrente não logrou comprovar, mediante a entrega de documentação hábil, o crédito que pretendia compensar, o paradigma concluiu que, para a mesma situação (aqui, tratase de retificação de DIPJ), mas havendo a comprovação das retenções do imposto (origem do crédito lá reclamado), as compensações vinculadas deveriam ser homologadas. Vejam os seguintes parágrafos de cada qual: Acórdão recorrido: A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas documentais a comprovar as suas alegações. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13971.907594/200992 Acórdão n.º 9303006.261 CSRFT3 Fl. 189 3 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Acórdão paradigma: A nosso juízo, portanto, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Os acórdãos confrontados tratam de situações diversas: num caso, houve a comprovação do crédito mediante a análise de documentos colacionados aos autos pelo contribuinte; no outro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 191DF CARF MF 4 Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721881/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-005.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 81 /2 01 1- 73 Fl. 1625DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir vício de contradição existente no acórdão nº 3202003.607, de 20 de fevereiro de 2017. No referido recurso, a embargante alegou a existência de vício de contradição entre os fundamentos e dispositivo da decisão, uma vez que, no dispositivo do julgado, por unanimidade de votos foi restabelecido os créditos sobre “serviços de sangria”, enquanto que, no voto do vencedor do redator designado, a glosa dos créditos relativos aos referidos havia sido mantida. Para a embargante a contradição revelase evidente, porque: [...] enquanto o voto vencedor do julgado afasta a glosa dos créditos decorrentes dos “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”; a ementa do julgado dá provimento parcial ao julgado neste mesmo quesito, porém em maior extensão, afastando também a glosa referente aos “serviços de sangria”. Em seguida, a recorrente concluiu, in verbis: Desse modo, ou o “serviço de sangria” foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa. Por meio do despacho de admissibilidade de fls. 1620/1624, os embargos foram admitidos, sob o argumento de que fora comprovada a contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No mesmo despacho, este Conselheiro foi designado para proceder o saneamento do vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. O vício de contradição restou devidamente demonstrado nos presentes embargos. O simples cotejo entre os pertinentes excertos do voto vencedor e o dispositivo do acórdão confirma o asseverado, senão veja: Voto Vencedor: [...] Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302005.160 S3C3T2 Fl. 1.626 3 Dispositivo do Acórdão: [...] Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e “serviços de sangria”. (grifos não originais) Diante dessa constatação, a embargante indaga: “ou o ‘serviço de sangria’ foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime [sic] nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa.” Não foi uma coisa nem outra. De fato, o que ocorreu foi mera omissão, por parte de Conselheiro, que, durante os debates em Sessão, convenceuse que o “serviço de sangria” era insumo produção, porque aplicado no processo produtivo da recorrente, e concordou em acrescentar o citado serviço à relação dos seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga.” Porém, por lapso, o mencionado serviço não foi adicionado a citada relação de serviços do voto vencedor. Dessa forma, uma vez reconhecido o equívoco, propõese a seguinte correção para a conclusão do item “2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03)” do voto vencedor: Onde se lê: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Leiase: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves, Serviço de Carga e Descarga e Serviço de Sangria. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1627DF CARF MF 4 Fl. 1628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900317/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900317/201273 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.202 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 17 /2 01 2- 73 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.737. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 56DF CARF MF
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