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Numero do processo: 10650.902459/2011-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 59 /2 01 1- 18 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.944, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 9303003.953 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.001674/2003-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-00.995
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antonio Zomer
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Recurso no!! Recorrente Recorrida 10980.001674/2003-40 127.724 IRMÃOS MADALOSSO LTDA. DRJ em Curitiba - PR MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL,;.: Brasília-DF. em :> l_b_1 Zá)[7 /fij~ICl'f ..étlu.za l'dka U)t Secretária da Segunda Camar a Ine_MF I FI. RESOLUÇÃO No!!202-00.995 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IRMÃOS MADALOSSO LTDA: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos terrnqs do voto do Relator. Sala d~ SessÕ~29 de março de 2006. i Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kel1y Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Processo n.!!. Recurso n.!!. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10980.001674i2003-40 127.724 MINISTÉRIO DA FAZE~DA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM_OgRIGIN~ Brasília-DF. em_S_I.2--Il2:- du4~{~'fUji Secreláfls da Segunda Câmara ~Ld Recorrente IRMÃOS MADALOSSO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição de valores pagos ao PIS com base na Medida Provisória n.!!.1.212/95, convertida na Lei n2 9.715/98, sob o argumento de que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 desta última, inexistiu fato gerador da contribuição para o período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998. O pleito foi formulado em 17 de fevereiro de 2003 e refere-se aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. A autoridade fiscal indeferiu o pedido, por entender que o direito de a contribuinte pleitear a restituição já estava prescrito antes do protocolo da petição, nos termos do art. 168 do CTN e no Ato Declaratório SRF n2 096/99. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o prazo qüinqüenal de prescrição deve ser contado a partir da homologação do lançamento, o que pode representar o prazo de até dez anos para pleitear restituição. Por fim, requer que a restituição seja acrescida de juros calculados pela taxa Selic. A 3!!Turma de J~lgamento da DRJ em Curitiba -PR manteve o indeferimento, em Acórdão sintetizado na seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUiÇÃO PARA O PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Solicitação Indeferida ". No recurso voluntário, a empresa reedita seus argumentos de defesa. É o relatório. j, / ...... __ 1 ) 2 Processo n~ Recurso n~ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes . 10980.001674/2003-40 127.724 TÉRIO DA FAZENDA ~elg~~~oConselho de Contribuintes CONFERE CO~ O ~RI~~~~ Brasília-DF. em~/ 'o é1JAtkhru)i Secretaria da Segunda Camara /,.ee'ill IFI. dele conheço. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que '& J Em face do que restou estabelecido pelos Membros desta Câmara, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem, para que, conclusivamente, pronuncie-se sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de PIS, exclusivamente em relação aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, levando-se em consideração o que determina o art. 6~, parágrafo único, da LC n~ 7/70 (faturamento do sexto mês anterior), informando o valor dos alegados créditos a restituir/compensar. Em seguida, após oferecer à recorrente o direito de emitir pronunciamento acerca do resultado da diligência, providenciar o retomo dos autos a esta Câmara. ões, em 29 de março de 2006. 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 11516.720394/2014-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste nulidade da decisão de primeira instância no tocante a pedido de diligência não acatado, quando as razões para tanto estão devidamente fundamentadas no respectivo acórdão.
MATÉRIA TIDA POR NÃO IMPUGNADA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A consideração equivocada de que determinada matéria não foi impugnada consubstancia-se em motivo apto a ensejar a nulidade de primeiro grau, por implicar em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as demais nulidades suscitadas, declarar a nulidade da decisão de primeira instância nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade da decisão de primeira instância no tocante a pedido de diligência não acatado, quando as razões para tanto estão devidamente fundamentadas no respectivo acórdão. MATÉRIA TIDA POR NÃO IMPUGNADA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A consideração equivocada de que determinada matéria não foi impugnada consubstancia-se em motivo apto a ensejar a nulidade de primeiro grau, por implicar em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FAP. VERBAS REMUNERATÓRIAS. Recorrente MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade da decisão de primeira instância no tocante a pedido de diligência não acatado, quando as razões para tanto estão devidamente fundamentadas no respectivo acórdão. MATÉRIA TIDA POR NÃO IMPUGNADA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A consideração equivocada de que determinada matéria não foi impugnada consubstanciase em motivo apto a ensejar a nulidade de primeiro grau, por implicar em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 03 94 /2 01 4- 36 Fl. 23241DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as demais nulidades suscitadas, declarar a nulidade da decisão de primeira instância nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 23242DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.720394/201436 Acórdão n.º 2402005.517 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou procedentes os lançamentos DEBCAD 51.046.3855 e 51.046.3843. Os termos da autuação, fls. 22620/22680 e respectivo Relatório Fiscal às fls. 22681/22707, foram assim sintetizados pela decisão contestada: 1. DEBCAD nº 51.046.3835 – tratase de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais parte patronal e RAT, previstas nos incisos I, II e III, art. 22 da Lei 8.212/91. Para cada fato gerador das contribuições previdenciárias foi criado um código de levantamento, conforme a seguir descritos: a) Cód. Levantamento "01 DIF CONTR RAT FAP DECL A MENOR" Foram apuradas as diferença de alíquota RAT sobre os pagamentos realizados aos segurados empregados e contribuintes individuais (servidores de cargo em comissão, contratados por prazo determinado e agentes políticos), contribuição esta prevista no inciso II, art. 22 da Lei 8.212/91. A autoridade fiscal esclarece que o Município fiscalizado transmitiu suas GFIP´s com as remunerações que reconheceu serem devidas aos seus servidores de cargo em comissão, aos seus contratados por prazo determinado e aos seus agentes políticos. Diz, ainda, que declarouse ser preponderantemente de “administração pública em geral – código 84.116/00”, atividade em relação à qual a contribuição previdenciária do inciso II, do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 deve ser calculada com a aplicação da alíquota de 2% no período fiscalizado. Observa que o Município declarou deter o direito de ajustar a sua alíquota RAT de 2%, para o cálculo da referida contribuição, por um índice FAP de apenas 0,5000, inferior, portanto, aos que lhe foram fixados pelo Ministério da Previdência Social (fixados em 1,4354 e em 1,4794 para sua aplicação respectivamente nas competências dos anos de 2011 e de 2012). Todavia, frisa que não há nos sistemas informatizados da RFB nenhuma informação que remetesse à existência de um processo administrativo em que o contribuinte fiscalizado estivesse pleiteando ou tivesse obtido o direito à redução dos índices FAP. Tampouco foi apresentado justificativa que explicasse esta diferença entre os índices FAP que lhe foram originalmente atribuído. b) Cód. Levantamento "02 CONTRS EMPRESA S GRAT MÉDICOS" Foram apuradas as contribuições previdenciárias parte patronal e RAT, previstas nos incisos I e II, art. 22 da Lei 8.212/91, incidentes sobre pagamentos a título de gratificações, realizados aos médicos e dentistas contratados temporariamente. Fl. 23243DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 A fiscalização relata que o Município omitiu das GFIP´s diversas rubricas relacionadas à gratificação de produtividade e à de exercício da especialidade em medicina de família, que instituiu para seus médicos e odontólogos, através das Leis n° 54/2011 e 56/2012, muito embora tenha informado tais créditos nas folhas de pagamento dos segurados do RGPS, relativamente ao período de 02 a 12/2012. Destaca que tratamento diverso foi dispensado pelo fiscalizado aos valores pagos a título destas gratificações para seus médicos e odontólogos abrangidos pelo regime previdenciário próprio disponibilizado aos servidores municipais estatutários, situação em que estas parcelas remuneratórias integraram os montantes sobre os quais foram calculadas as contribuições para o fundo "São José Previdência". c) Cód. Levantamento "03 CONTRS EMPRESA S AUX ALIMENTAC" Foram lançadas as contribuições previdenciárias parte patronal e RAT, previstas nos incisos I e II, art. 22 da Lei 8.212/91, incidentes sobre pagamentos a títulos de ajuda de custo alimentação em pecúnia. A autoridade lançadora observa que o Município fiscalizado disponibilizou, por todo o período de verificação da auditoria, a vários de seus servidores sem cargo efetivo – segurados, portanto, do Regime Geral de Previdência Social, na categoria "empregado" – ajuda alimentação em pecúnia, hipótese em que deveria ter sido declarada em GFIP como base de cálculo das contribuições previdenciárias. d) Cód. Levantamento "04 CONTRS EMPRES S JOVEM APRENDIZ" Foram lançadas as contribuições previdenciárias parte patronal e RAT, previstas nos incisos I e II, art. 22 da Lei 8.212/91, incidentes sobre pagamentos realizados ao jovem aprendiz. A autoridade fiscal esclarece que o Ente estatal fiscalizado instituiu um programa denominado de "PROJETO JOVEM APRENDIZ", vinculado à sua Secretaria da Ação Social, destinado a integrar estudantes de baixa renda ao seu quadro geral de colaboradores para a execução de serviços diversos de apoio à administração pública municipal. E que referidos colaboradores não possuíam cargo público, não estando, portanto, abrangidos pelo regime previdenciário próprio disponibilizado pelo Município de São José SC. Destaca que os colaboradores levados a trabalhar nesta condição não foram tratados como segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS, já que seus nomes e demais dados de identificação não figuraram em nenhuma das guias GFIP elaboradas p e) Cód. Levantamento "05 CONTR EMPRESA S PAG A AUTÔNOMOS" Foi lançada a contribuição patronal previdenciária, prevista no inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas mensalmente aos segurados da categoria "contribuinte individual" do RGPS. A fiscalização relata que foram identificados na contabilidade do contribuinte inúmeros registros indicando o empenho de recursos públicos com despesas referentes à remuneração de serviços tomados junto a profissionais autônomos. Diz que a lista destes colaboradores do Poder Público Municipal incluiu trabalhadores de vários ramos, sendo que para uma expressiva quantidade de registros contábeis, referentes à obrigação de pagar profissionais desta espécie, o Ente estatal fiscalizado não comprovou ter cumprido as obrigações de fazer incidir e de recolher, em relação a este passivo, a contribuição acima mencionada. Fl. 23244DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.720394/201436 Acórdão n.º 2402005.517 S2C4T2 Fl. 109 5 f) Cód. Levantamento "06 DIF CONTR EMPRESA S NF UNIMED" Foi lançada a contribuição patronal previdenciária, prevista no inciso IV, art. 22 da Lei 8.212/91, incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pela UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, entre 01/2011 e 12/2012, em decorrência dos serviços prestados por trabalhadores cooperados intermediados por cooperativas de trabalho (serviços médicos, hospitalares e ambulatoriais), com base no Contrato de Prestação de Serviços de Assistência à Saúde n°001/2009. Relata que plano de saúde contratado teve por características ser coletivo, para pagamento por valor predeterminado na forma de mensalidade por usuário cadastrado pelo contratante junto à cooperativa contratada, assegurando atendimento amplo em consultórios, clínicas e hospitais, com o valor real e total dos serviços prestados pelos cooperados ou pelas demais pessoas físicas ou jurídicas envolvidas no sistema de prestação de serviços contratado não discriminado nas faturas emitidas. Em função destas peculiaridades, pelo disposto na regulamentação contida na alínea "a", do inciso I, do artigo 219 da Instrução Normativa RFB n°971/2009, deveria ter sido considerado como base de cálculo dos valores devidos, a título da contribuição previdenciária do inciso IV, do art. 22 da lei n° 8.212/1991, sobre todas as faturas emitidas em decorrência do Contrato de Prestação de Serviços de Assistência à Saúde n°001/2009, pelo menos 30% do valor bruto de cobrança registrado nestes documentos. Destaca que Ente fiscalizado figura sozinho como efetivo contratante das referidas prestações e sujeitase, como tal, a todas as responsabilidades contratuais tipicamente reservadas aos tomadores de serviços de planos de saúde. Tal conclusão é corroborada pelos registros contábeis da municipalidade, para os anos de 2011 e 2012, entre os quais se observa que a quitação das cobranças pelos serviços prestados com base no Contrato de Prestação de Serviços de Assistência à Saúde n°001/2009 foi sempre assumida diretamente e na integralidade pela mesma, e não por seus colaboradores ou pelos demais usuários destes serviços. 2. DEBCAD nº 51.046.3843 – Tratase de contribuição previdenciária do segurado “empregado” incidente sobre a remuneração de empregados e contribuinte individual, prevista nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91. a) Cód. Levantamento "07 CONTR SEGURADO S AUX ALIMENTAC" Foi lançada a contribuição previdenciária do segurado, prevista no art. 22 da Lei 8.212/91, incidente sobre os pagamentos a títulos de ajuda de custo alimentação em pecúnia. A descrição dos fatos encontrase no tópico 1 – item “c” acima. b) Cód. Levantamento "04 - CONTRS SEGUR S JOVEM APRENDIZ" Foi lançada a contribuição previdenciária do segurado, prevista no art. 22 da Lei 8.212/91, incidente sobre os pagamentos realizados ao projeto jovem aprendiz. A descrição dos fatos encontrase no tópico 1 – item “d” acima. c) Cód. Levantamento "09 - CONTR SEGURAD S PG A AUTÔNOMOS" Foi lançada a contribuição previdenciária do segurado, prevista no art. 21 da Lei 8.212/91, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas mensalmente a segurados da categoria "contribuinte individual" do RGPS. A descrição dos fatos encontrase no tópico 1 – item “e” acima. Fl. 23245DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 O aresto contestado assim sumarizou as razões da impugnação de fls. 22712/22762: 1. DOS CRÉDITOS CONCERNENTES ÀS DIFERENÇAS DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP, DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS ANOS DE 2011 e 2012. Nesse tópico, a Municipalidade apresentou toda a legislação pertinente à contribuição ao SAT/RAT com fito de demonstrar o erro na aplicação dos índices de FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP, do "RAT" e/ou "GILRAT". Por conveniência, colacionase trechos da peça impugnatória, conforme segue: Na realidade, o setor administrativo do impugnante cometeu um equívoco ao preencher as GFIP´s, pois a sua atividade econômica preponderante, seja para efeito trabalhista, seja para efeito previdenciário, é o ensino (infantil préescola, fundamental e médio) e a educação superior. O equívoco no autoenquadramento é justificável porque o Município de São José possui como regime jurídico único o estatutário, consoante previsão daLei Municipal n° 2.761, de 10/04/1995, que dispõe sobre o Estatuto do Magistério Público Municipal de São José, da Lei Municipal n° 2.248, de 20/03/1991, que dispõe sobre Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Municipais de São José, e da Lei Municipal n° 2.188, de 21/08/1990, que Institui o Regime Jurídico para os Servidores Civis da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Município de São José, estabelece diretrizes gerais para sua implantação e dá outras providências. A existência de servidores municipais nas categorias de "empregados públicos", de contratados em cargo em comissão, de contratados por prazo determinado e de agentes políticos são uma exceção à regra do regime estatutário e à aplicação do regime próprio de previdência social. No entanto, após a fiscalização federal ter esquadrinhado a folha de pessoal e a contabilidade do Município de São José era inevitável que essa auditoria constatasse essa verdade e efetuasse o devido enquadramento do Município de São José para fins de recolhimento da contribuição para o RAT, mas não o fez! O impugnante não pode ser enquadrado como praticante, preponderantemente, da atividade econômica "administração pública em geral" porque a preponderância dos segurados do Regime Geral da Previdência Social do Município de São José está na Secretaria Municipal de Educação (servidores comissionados e os trabalhadores contratados por prazo determinado para atender a necessidade temporária de serviço na área da educação infantil préescola, ensino fundamental e médio GNAE 85121/00, 85139/00 e 85201/00, respectivamente) e na Fundação Municipal Educacional de São José (servidores comissionados e professores celetistas de educação superior CNAE 85317/00) Segue colacionando jurisprudência no sentido de que as prefeituras municipais, cujas atividades sejam predominantemente burocráticas, têm um grau de risco leve. Por fim, requer que as aludidas diferenças no recolhimento da contribuição patronal previdenciária sejam revistas e excluídas dos referidos Autos de Infração. 2. DOS CRÉDITOS CONCERNENTES ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDÊNCIAS PATRONAIS PREVISTAS NOS INCISOS I E II DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991 (competências de 02 a 12/2012), REFERENTE AOS VALORES CREDITADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTO, A MÉDICOS E DENTISTAS CONTRATADOS TEMPORARIAMENTE, A TÍTULO DE GRATIFICAÇÕES INSTITUÍDAS ATRAVÉS DAS LEIS MUNICIPAIS DE SÃO JOSÉ N° 054/2011 e 56/2012. Fl. 23246DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.720394/201436 Acórdão n.º 2402005.517 S2C4T2 Fl. 110 7 Messe tópico, esclarece que "os montantes devidos a título da contribuição do inciso II do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 (demonstrados na Coluna Cda planilha) foram calculados levandose em conta o ajuste da alíquota do tributo — alíquota de 2%, conforme fixado no Anexo V do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 para os contribuintes enquadrados na atividade econômica preponderante de código CNAE 84.116/00, relativa à administração pública em geral – pelo Fator Acidentadode Prevenção FAP de 1,4794 publicado pelo Ministério da Previdência Social para aplicação pelo Município de São José SC no ano de 2012". Adverte que as aludidas diferenças no recolhimento das contribuições patronais previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212./1991, em relação às competências de 02 a 12/2012, pela omissão dos recolhimentos incidentes sobre os valores pagos em folha de pagamento, a médicos e dentistas contratados temporariamente, a título de gratificações, instituídas através das Leis Municipais de São José n° 054/2011 e 056/2012, devem ser revistas e excluídas, sob pena de excesso de exação. 3 - DOS CRÉDITOS CONCERNENTES ÀS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PREVIDENCIÁRIAS E A CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO "EMPREGADO", PREVISTAS NO ART. 20 E NOS INCISOS I E II DO ART. 22 DA LEI N° 8.212/1991 A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. Diz que a exigência quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas aos servidores públicos municipais de São José/SC, a título de auxílioalimentação, devese ao fato de a fiscalização federal entender que a "empresa" não está incluída em nenhum programa de alimentação, aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Todavia, esclarece que tratase de servidores públicos municipais, não sendo viável aplicarse a legislação referente às empresas privadas. Salienta que há, para tais servidores, regime próprio que, expressamente, determina que a verba relativa ao auxílioalimentação não é considerada remuneratória. 4 DOS CRÉDITOS CONCERNENTES ÀS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PREVIDENCIÁRIAS PREVISTAS NOS INCISOS I E II DO ART. 22 DA LEI 8.212/1991 E À CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SEGURADO "EMPREGADO" PREVISTA NO ART. 20 DA MESMA LEI (competências de 01 a 12/2011 e 02 a 12/2012), REFERENTE AOS VALORES PAGOS PARA OS PARTICIPANTES DO "PROJETO JOVEM APRENDIZ". Adverte que o Município de São José tem uma política educacional e social complementar àquela adotada pelos demais entes da federação, inclusive, por meio de subvenções sociais para pessoas jurídicas e físicas. Fala que a Secretaria Municipal de Educação tem fornecido, gratuitamente, para os alunos da rede municipal mochilas, cadernos, tênis, uniformes, etc., assim como a Secretaria Municipal de Ação Social tem programas de assistência para famílias em situações de vulnerabilidade social, inclusive, para adolescentes que frequentam a rede municipal de ensino, e nem por isso esses benefícios podem ser enquadrados como "salário in natura" para efeitos previdenciários. Defende que o benefício previsto na Lei Municipal n° 4.126, de 16/04/2004, que prevê a concessão de bolsas de estudo aos adolescentes em risco social da rede municipal de ensino, tem natureza de subvenção social. Fl. 23247DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Aduz que a fiscalização tributária federal utilizase de infundadas presunções, porquanto não há nos autos indicação acerca de como se deu a formação da sua convicção para enquadrar os beneficiários do "Projeto Jovem Aprendiz" como supostos "empregados". Sustenta que a fiscalização agiu, de forma temerária e ilegal, por mera presunção. Negligenciou a efetiva verificação in loco da situação fática daqueles jovens beneficiários, restringindose a supor, presumir que, em vez da relação exclusivamente assistencial, existiria vínculo empregatício. 5 DOS CRÉDITOS CONCERNENTES À CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO INCISO III DO ART. 22 DA LEI N° 8.212/1991 E À CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SEGURADO "CONTRIBUINTE INDIVIDUAL" PREVISTA NO ART. 21 DA MESMA LEI, REFERENTE AOS VALORES PAGOS, NAS COMPETÊNCIAS DE 01 A 12/2011 E DOS MESES 01, 02, 04, 05, 06, 07, 08 E 10/2012, A PRESTADORES DE SERVIÇOS AUTÔNOMOS. Nesse item, narra todo o procedimento fiscal para identificar os profissionais autônomos e os respectivos pagamentos. Com relação aos valores pagos aos membros do Conselho Municipal de Contribuintes, regulado pelo art. 165 e seguintes da Lei Complementar Municipal n°021, de 20 de dezembro de 2005 (Código Tributário Municipal), esclarece que os mesmos são designados para exercerem um "múnus" publico a frente à Receita Municipal e não possuem qualquer vinculação empregatícia com este órgão. Salienta que para apurar se o exercício da ocupação do membro do Conselho Municipal de Contribuintes sujeitará à incidência da contribuição previdenciária, devese perscrutar a natureza jurídica dessa atividade e da contraprestação pecuniária dela decorrente.Cita doutrina. Destaca, inclusive, que o ofício de membro do Conselho Municipal de Contribuintes não se coaduna com nenhuma das três formas de servidores estatais mencionadas no art. 37 da Constituição da República. Não é cargo público, pois o membro do Conselho que não seja servidor municipal efetivo não se subordina ao regime estatutário, próprio dessa categoria de agente. Também não é emprego, pois não há vínculo trabalhista entre o integrante desse tipo de colegiado e a Administração Pública. Muito menos é função, pois não é privativa de titular de cargo efetivo, nem se trata de encargo de direção, chefia ou assessoramento. Resume dizendo que o membro do Conselho Municipal de Contribuintes, em regra, não é um servidor estatal, assim compreendido como aquele que entretém com o Estado e suas entidades da Administração indireta, relação de trabalho de natureza profissional e caráter não eventual sob vínculo de dependência. Defende que o integrante do Conselho Municipal de Contribuintes não recebe remuneração, mas sim "jetom", ou seja, uma verba de caráter eminentemente indenizatório, porquanto visa a compensar o deslocamento e o tempo despendido ao efetivo comparecimento às reuniões do órgão. Assevera, inclusive, que não deve incidir contribuição previdenciária sobre o “jeton” percebido por William Ramos Moreira, Procurador Municipal, porquanto vinculado ao Regime Próprio de Previdência Social. Reforça a tese de que não cabe a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos realizados aos Conselheiros, a titulo de gratificação, porque estes não possuem vinculação empregatícia com o Município. Fl. 23248DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.720394/201436 Acórdão n.º 2402005.517 S2C4T2 Fl. 111 9 Contesta, ainda, o fato de ter sido aplicado a alíquota de 11% sobre todos os valores dos serviços prestados, enquadrandoos como contribuinte individual, portanto, fora do limite da tabela. No tocante aos créditos concernentes à contribuição patronal prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 sobre o valor das faturas emitidas pela Unimed Grande Florianópolis entre 01/2011 e 12/2012 em decorrência dos serviços prestados com base no contrato de prestação de serviços de assistência à saúde nº 001/2009, defende: a imprescindibilidade de lei complementar para instituir novas bases de cálculo distintas das previstas no texto constitucional; a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo da contribuição previdenciárias, e ausência de ilegitimidade passiva do município. Ao final demanda a redução da multa moratória [sic] de 75% para o patamar máximo de 20%, face ao seu caráter confiscatório. A exigência foi mantida integralmente pela DRJ/FNS (fls. 23142/23177), a qual entendeu, também, não terem sido impugnados os créditos concernentes às diferenças do Fator Acidentário de Prevenção FAP e às contribuições patronal e do segurado referentes aos valores pagos aos demais prestadores de serviços autônomos. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/7/2015, pleiteando seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, dado o indeferimento do pedido de diligência, e por ter considerado não impugnadas matérias por ela contestadas. No mérito, repisa os argumentos da impugnação, pleiteando, ao final, sejam acatadas as preliminares arguidas, e, no mérito, o cancelamento dos débitos fiscais, bem como a redução da multa e cientificação dos procuradores dos atos administrativos praticados no processo. É o relatório. Fl. 23249DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares. Registrese, de início, que os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão cientificadas ao sujeito passivo, não a seus procuradores, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 343/15). Portanto, não prospera o requerimento efetuado pelo recorrente, em sentido diverso. O contribuinte aduz ter havido nulidade na decisão a quo dado não ter sido acatado seu pleito de produção de prova, cerceandolhe o direito de defesa. Sem razão, pois o indeferimento do pedido de diligência foi devidamente fundamentado pelo aresto contestado, o qual inclusive abriu tópico específico de número "7", fls. 23176/23177 para tanto em sua fundamentação, atendendo os preceitos contidos nos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72. Eventual inconformidade quanto aos termos desse posicionamento é matéria atinente a mérito, e não a nulidade, devendo ser como tal analisada. E, ainda que não conste no dispositivo do acórdão, a conclusão daquela instância sobre o tema está inserida na sua ementa, não havendo prejuízo ao autuado daí decorrente. Noutro giro, o contribuinte suscita a nulidade da recorrida, por ter considerado não impugnadas determinadas matérias. Nessa seara, verificase que os créditos concernentes às contribuições patronal e do segurado relativos aos valores pagos aos demais prestadores de serviços autônomos foram tidos pelo aresto de primeiro grau como matéria não impugnada. De fato, o recorrente trouxe à baila mera manifestação genérica, e sem qualquer suporte fático ou jurídico, de que está a recorrer desses créditos. Sequer uma linha verte como fundamento específico no que diz respeito a essa questão. Seus argumentos (fls. 27/32 da impugnação) cingiramse a abordar o caso dos membros do conselho municipal de contribuintes e das supostas diferenças relativas à alíquota de 11% argumentos esses enfrentados pela decisão em tela passando ao largo dos valores pagos aos outros prestadores de serviços apontados pela fiscalização. Destarte, não se verifica prejuízo a justificar a decretação de nulidade, mas sim alegações de caráter basicamente protelatório, que devem ser rejeitadas, mantendose incólume o entendimento da DRJ/FNS sobre o assunto. A situação é diversa no tocante à alegação de nulidade da decisão de primeira instancia por haver, indevidamente, considerados não impugnados os créditos pertinentes às diferenças do Fator Acidentário de Prevenção FAP. Fl. 23250DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.720394/201436 Acórdão n.º 2402005.517 S2C4T2 Fl. 112 11 Ainda que um primeiro exame da impugnação, em suas fls. 3/16, possa levar à conclusão de que não foram trazidos argumentos recursais hábeis a instaurar contencioso sobre o tema, leitura mais atenta revela que o recorrente apresentou fundamento para sua irresignação, assim se manifestando às fls. 22721 e 22727, respectivamente: Por conseguinte, as contribuições previdenciárias patronais do Município de São José de todo o período fiscalizado devem ser calculadas com a aplicação da alíquota de 1% no período fiscalizado, conforme definido no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Consequentemente, os índices FAP aplicados pela fiscalização federal (de 1,4354 para o ano de 2011 e de 1,4794 para o ano de 2012) também estão incorretos porque o Município de São José foi enquadrado em Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE equivocada. (...) Por tudo isso, o Município de São José não pode concordar com os Autos de Infração que imputaram diferenças no recolhimento da contribuição patronal previdenciária, durante todo o período fiscalizado, em decorrência de uma errônea aplicação dos índices de FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP, do "RAT" e/ou "GILRAT". (grifei) Concordese ou não com as razões de mérito apresentadas, a realidade é que há manifestação explícita e fundamentada de discordância quanto às diferenças de FAP objeto de autuação, instaurando controvérsia a esse respeito a qual não foi enfrentada pela decisão de primeira instância. Portanto, constatase na espécie cerceamento de defesa nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sendo que a análise da matéria singularmente por este Colegiado traduzirseia em ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição, inviabilizando a possibilidade de seu reexame por superior instância administrativa, ao menos no que tange aos seus contornos fáticos. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, afastando as postulações de nulidade levantadas, decretar a nulidade da decisão de primeiro grau por ausência de enfrentamento da impugnação relativa às diferenças de Fator Acidentário de Prevenção FAP constatadas pela fiscalização, devendo os autos retornar aquela instância para seu exame. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 23251DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11080.732528/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
PIS E COFINS. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTO. INCIDÊNCIA.
As "bonificações recebidas da fábrica", a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", mesmo que os valores recebidos sejam vinculados a um veículo específico (chassi), consistem em receita passível de incidência das Contribuições (PIS e COFINS), pois não estão alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial.
A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços).
CRÉDITO. INSUMOS. PIS COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para cancelar a cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os descontos condicionais e incondicionais (item 2.2, "c" do TVF). Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 PIS E COFINS. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTO. INCIDÊNCIA. As "bonificações recebidas da fábrica", a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", mesmo que os valores recebidos sejam vinculados a um veículo específico (chassi), consistem em receita passível de incidência das Contribuições (PIS e COFINS), pois não estão alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). CRÉDITO. INSUMOS. PIS COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para cancelar a cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os descontos condicionais e incondicionais (item 2.2, "c" do TVF). Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTO. INCIDÊNCIA. As "bonificações recebidas da fábrica", a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", mesmo que os valores recebidos sejam vinculados a um veículo específico (chassi), consistem em receita passível de incidência das Contribuições (PIS e COFINS), pois não estão alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). CRÉDITO. INSUMOS. PIS COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 28 /2 01 2- 67 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para cancelar a cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os descontos condicionais e incondicionais (item 2.2, "c" do TVF). Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre/RS, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 522 e seguintes), relativos ao período de 2008 a 2010, incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão da DRJ: De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls.522/538), esta teve origem na análise de arquivos magnéticos contábeis e em planilhas eletrônicas com a discriminação das receitas tributáveis de Cofins e de PIS, todos fornecidos pela empresa, em contraponto com os valores por ela informados em Dacon e/ou que foram recolhidos/declarados. Como resultado da análise da documentação apresentada, além de valores declarados em Dacon que não constavam das DCTFs apresentadas e também não haviam sido recolhidos pela empresa, foram apuradas receitas que não haviam sido oferecidas à tributação, receitas que foram indevidamente consideradas sujeitas à alíquota zero, bem como foram encontrados valores de créditos da sistemática da não cumulatividade apurados indevidamente. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 718 3 A empresa foi intimada a apresentar Dacon para os meses de novembro e dezembro de 2008 e dezembro de 2009. Analisando os demonstrativos apresentados, constatou a Fiscalização que havia valores apurados de PIS e de Cofins cumulativos e não cumulativos no mês de dezembro de 2009 cujos recolhimentos não foram localizados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Intimada a apresentar os comprovantes de recolhimento, a empresa deixou de comproválos, solicitando a possibilidade de efetuar o recolhimento. Tendo em vista a falta de espontaneidade para tanto, os valores foram lançados de ofício. A Fiscalização apurou a existência de receitas que não foram oferecidas à tributação. Analisando os valores informados no Dacon e os demonstrativos apresentados pelo contribuinte (fls.166) foram encontradas divergências nas receitas decorrentes da comercialização de veículos usados, tributadas pela sistemática da cumulatividade. Esses valores foram lançados de ofício. Após ter sido reintimada a informar a natureza/origem dos valores recebidos a título de Comissões e Bonificações, contabilizadas em diversas contas., a empresa apresentou documento denominado “Política de Comercialização da MercedezBenz (variável)” referente aos meses de julho e agosto de 2012. Embora o período fiscalizado seja de 2008 a 2010, a Fiscalização entendeu que as premissas básicas seriam as mesmas. Verificouse assim que a conta Comissão Fadireto (3.1.9.01.09) continha valores recebidos da fábrica pelas vendas faturadas direto pelo fabricante ao consumidor final, atuando a autuada como intermediadora apenas. Neste caso, a Fiscalização concordou que os valores recebidos a esse título (comissões) se sujeitam à alíquota zero das contribuições em comento (inciso II, § 2º do art. 2º da Lei nº 10.485/2002). Entretanto, os demais bônus e comissões recebidos pela autuada da fábrica/montadora, nos termos do disposto na Política da Comercialização, são incentivos financeiros para incremento das vendas, sem nenhuma base legal para sua classificação como receitas sujeitas à alíquota zero de PIS e de Cofins, não se confundindo essas receitas com o valor de venda do veículo novo. Esses valores foram lançados de ofício, tributados pelo PIS e pela Cofins na sistemática da nãocumulatividade. Foram lançados ainda valores referentes à venda de autopeças cujas NCMs não estão albergadas pela Lei nº 10.485/2002, tributação monofásica – alíquota zero. Intimada a se manifestar sobre a tributação errônea, informou a autuada que houve erro no cadastro dessas autopeças. Fazem parte ainda do lançamento valores creditados diretamente pela empresa na conta custos com vendas e a débito das contas: Conta Corrente Fábrica, Fundo Retirada Aplicação Peças e Fundo Retirada Aplicação – Veículos. A empresa foi Fl. 719DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 intimada e reintimada a explicitar a origem desses valores, entretanto não conseguiu justificar a forma como foram contabilizados. Como se tratam de receitas que representam recursos usados em substituição à moeda corrente para pagamento de obrigações junto ao fornecedor (fábrica) estão sujeitas à tributação pelo PIS e a Cofins na modalidade não cumulativa. Ao verificar os créditos apurados pela empresa na sistemática da nãocumulatividade apurou a Fiscalização divergência entre os valores informados em Dacon e os constantes dos demonstrativos entregues pela empresa. Essas diferenças foram reconhecidas pela empresa (fls.26), quando essa questionou a possibilidade de compensar tais divergências via PER/DCOMP. Como esses valores foram identificados no curso da ação fiscal não havia espontaneidade para sua regularização por parte da empresa. As divergência encontradas constam de planilha elaborada pela Fiscalização (fls.530/533), onde aparecem diferenças positivas e negativas na verificação dos créditos de bens do ativo imobilizado, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de armazenagem e fretes nas operações de vendas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, outras operações, encargos de depreciação, bens adquiridos para revenda, despesas de energia elétrica e despesas de aluguéis de prédios. Além disso, foram analisadas de forma qualitativas as contas que geraram créditos das contribuições. Localizouse então várias despesas que não se enquadram nas disposições contidas nos arts 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 (uniformes, roupas e equipamentos de PSI, materiais de segurança, matérias de consumo, combustíveis). No caso dos combustíveis como são utilizados no transporte de clientes e na prestação de serviços de assistência técnica e não no processo produtivo da empresa também não foram aceitos. Foram glosados também valores referentes a serviços que não se enquadram no conceito de insumos, ou seja, despesas com motoboy, hospedagem, comunicação visual, alimentação, pedágio, serviços diversos, locação de empilhadeira, lavagem de veículos, guincho, transporte e remoções e pernoite. Também não foram aceitos créditos oriundos de aluguel de máquinas e equipamentos, tais como: caçamba para transporte de resíduos e varredeira de pisos, bem como valores despendidos com manutenção de equipamentos de limpeza, de empilhadeira e de lava a jato, entre outros. Discordando da autuação em tela, a autuada apresentou impugnação onde alega que as bonificações recebidas da fábrica são parte da composição do valor de compra do veículo, sendo que seriam utilizados como redutores do preço de venda para fins de comercialização do produto. Todos os valores recebidos estariam vinculados a um veículo específico (chassi). Afirma que as bonificações representam uma redução de custos para o fabricante dos veículos, que já calcula o preço incluindo os valores que pagará aos revendedores e assim já teriam incidido Fl. 720DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 719 5 as contribuições em comento sobre a 1ª etapa do ciclo de vendas. Nesse caso, tal receita estaria albergada pela alíquota zero nas demais etapas do ciclo produtivo comercial. Invoca o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 10.485/2002 que estabeleceu a incidência monofásica das contribuições para o PIS e para a Cofins na industrialização de máquinas e veículos. Acredita que estando a alíquota dessas contribuições reduzida a zero para as concessionárias e existindo vinculação dos valores recebidos ao chassi dos veículos não haveria dúvidas quanto à não tributação desses valores. Disserta sobre a incidência monofásica, discordando da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de revendas de autopeças. Na sua atividade econômica a incidência monofásica por expressa determinação legal afasta a tributação de suas receitas que estariam submetidas a alíquota zero. No que tange às glosas de créditos de PIS e de Cofins por não se enquadrarem no conceito de bens e serviços utilizados como insumos, nos termos do disposto no art. 2º da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, argumenta a autuada que para a atividade de revenda a legislação do PIS e da Cofins prevê o creditamento apenas em relação aos bens adquiridos nada dispondo sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre insumos. Assim, a questão seria a possibilidade de creditamento de insumos na operação de revenda de mercadorias. Defende a tese de que devem ser considerados todos os fatores necessários ao desempenho das atividades empresariais seja na produção seja na comercialização de bens. Dessa forma os gastos essenciais (necessários) para concretizar a comercialização dos bens seriam passíveis de creditamento. Entende que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004 não oferecem a melhor interpretação das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O critério mais adequado à tributação de receita seria o adotado pela legislação do imposto de renda. Insumos seriam todos os gastos ligados aos elementos produtivos, que proporcionariam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Assim, acredita que todos os insumos utilizados no processo que leva à consecução de seus objetivos sociais devem ser considerados como créditos na apuração do PIS e da Cofins. Requer que seja dado provimento à impugnação, anulando os autos de infração impugnados. Em julgamento datado de 20 de dezembro de 2012, a DRJ Porto Alegre/RS negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1041.983), nos termos da ementa a seguir colacionada: NÃO CUMULATIVIDADE. VEÍCULOS. VENDAS DIRETAS DO FABRICANTE AO CONSUMIDOR FINAL. BONIFICAÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Somente se sujeitam à incidência do PIS à alíquota zero os valores recebidos, na intermediação das vendas ou entrega dos veículos, pelos concessionários de que trata a Lei nº 6.729, de 1979, nas vendas diretas do fabricante ou importador ao consumidor final de veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. Não se subsumem ao conceito qualquer remuneração recebida em decorrência das vendas realizadas pelo próprio concessionário. NÃO CUMULATIVIDADE. VEÍCULOS. VENDAS PRÓPRIAS PELO CONCESSIONÁRIO. BONIFICAÇÃO POR OBJETIVO. NATUREZA. ALÍQUOTAS. Nas operações relativas às vendas próprias dos concessionários, as “bonificações por objetivo”, recebidas em face de cumprimento de metas estabelecidas pelo fabricante, não têm natureza de receitas financeiras, descabendo a incidência de alíquota zero. Não se tratando de receitas de venda e, portanto, não estando inclusas na tributação concentrada prevista no art. 1o c/c art. 2o, § 2o, da Lei nº 10.485, de 2002, incidem sobre tais “bonificações por objetivo” as alíquotas gerais da não cumulatividade do PIS. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. O termo insumo, por expressa previsão legal, obrigatoriamente deve estar ligado a uma etapa de produção, não podendo ser invocado nas operações de simples revenda de mercadorias ou produtos. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA – A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. VEÍCULOS. VENDAS DIRETAS DO FABRICANTE AO CONSUMIDOR FINAL. BONIFICAÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. Somente se sujeitam à incidência da Cofins à alíquota zero os valores recebidos, na intermediação das vendas ou entrega dos veículos, pelos concessionários de que trata a Lei nº 6.729, de 1979, nas vendas diretas do fabricante ou importador ao consumidor final de veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. Não se subsumem ao conceito qualquer remuneração recebida em decorrência das vendas realizadas pelo próprio concessionário. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 720 7 NÃO CUMULATIVIDADE. VEÍCULOS. VENDAS PRÓPRIAS PELO CONCESSIONÁRIO. BONIFICAÇÃO POR OBJETIVO. NATUREZA. ALÍQUOTAS. Nas operações relativas às vendas próprias dos concessionários, as “bonificações por objetivo”, recebidas em face de cumprimento de metas estabelecidas pelo fabricante, não têm natureza de receitas financeiras, descabendo a incidência de alíquota zero. Não se tratando de receitas de venda e, portanto, não estando inclusas na tributação concentrada prevista no art. 1o c/c art. 2o, § 2o, da Lei nº 10.485, de 2002, incidem sobre tais “bonificações por objetivo” as alíquotas gerais da não cumulatividade da Cofins. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. O termo insumo, por expressa previsão legal, obrigatoriamente deve estar ligado a uma etapa de produção, não podendo ser invocado nas operações de simples revenda de mercadorias ou produtos. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Diversos pontos que foram objeto do lançamento tributário ora sob apreço não foram contestados por parte da Recorrente no momento da apresentação de sua peça de impugnação, como evidencia o Acórdão recorrido: Na impugnação apresentada, a autuada não fez qualquer menção ao valores informados em Dacon que deixaram de ser declarados em DCTF e ou recolhidos no mês de dezembro de 2009. Ao ser intimada a apresentar os comprovantes de recolhimento (fls.24), solicitou permissão para efetuar o pagamento via DARF das diferenças, sendo informada pela Fiscalização que não gozava de espontaneidade para tanto. Não houve manifestação a respeito dessas diferenças na impugnação apresentada, tampouco existe no processo comprovação de seu recolhimento. A mesma situação se repete na verificação dos créditos das contribuições apurados pela sistemática da nãocumulatividade. No item 3.1 do Relatório Fiscal (fls.529/533), consta notícia de que a Fiscalização encontrou divergências entre os valores Fl. 723DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 informados em Dacon e aqueles que foram apresentados pelo contribuinte nos demonstrativos elaborados para a Fiscalização. Ao ser questionado a respeito, o próprio contribuinte reconheceu a existência dessas diferenças (fls. 26) e requisitou a possibilidade de compensálas via PER/DCOMP. Foram encontradas ainda divergências na apuração das receitas oriundas da venda de veículos usados (item 2.1 do relatório de Ação Fiscal – fls.523), as quais também não foram questionadas pela empresa em sua impugnação. (...) Também devem ser apartados para cobrança imediata, por não terem sido impugnados expressamente, os valores oriundos das diferenças encontradas entre o DACON e os Demonstrativos apresentados pelo contribuinte constantes do item 3.1 do Relatório de Ação Fiscal (fls.529/533), de acordo com o demonstrativo de fls.540. Inclusive, os valores correspondentes aos citados itens do auto de infração foram encaminhados para cobrança imediata, uma vez que se tornaram definitivos na esfera administrativa. Em seu recurso voluntário a Recorrente permanece silente sobre as cobranças consideras preclusas, que, portanto, nem mesmo fazem parte do presente julgamento de recurso voluntário. Contudo, irresignado quanto ao resultado do julgamento pela DRJ sobre a matéria que fora contestada, a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 689 a 704), repisando os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 15/01/2013, conforme AR de fls 687, apresentando Recurso Voluntário em 06/02/2013. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 1. MÉRITO 1.1 BONIFICAÇÕES O primeiro ponto objeto de controvérsia diz respeito a valores lançados pela Recorrente como despesas (crédito de uma conta de despesas – “custo com venda” e débito de contas representativas de direito junto à sua fornecedora, fábrica de automóveis). A Fl. 724DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 721 9 Fiscalização entendeu que tais valores são “incentivos financeiros para incremento de vendas”, que caracterizam receita devendo ser normalmente tributados pela sistemática da não cumulatividade. De outro lado, alega a Recorrente que os lançamentos correspondem a bonificações recebidas pela fábrica de veículos, sendo parte da composição do valor de compra dos veículos, de modo que tem natureza de redutores do preço de venda para fins de comercialização. Outrossim, alerta para o fato de que todos os valores recebidos são vinculados a um específico veículo (chassi). Cumpre então avaliar a natureza jurídica dos valores transacionados entre fabricante e concessionária (Recorrente). O Contrato em que as transações se baseiam encontrase em fls 150 a 161 do processo digital. Tratase de circular referente a “Política e comercialização” entre a fábrica e a concessionária de veículos comerciais, cuja nota introdutória explica o objetivo da ação da fábrica: “possibilitar melhores condições na comercialização dos nossos produtos e fazer frente ao quadro de forte concorrência e retração de mercado que estamos vivenciando, apresentamos abaixo as ações especiais para faturamento de veículos...”. Seguem então as propostas de “ação especial de equalização de custos de estoque” (item 4.1. atribuição de bônus de R$ 8.000,00 para cada unidade dos modelos x, y z, adquiridos até 30/06/2012 e presentes no estoque da rede – fls 158), “bônus de atacado” (item 4.1. “unidade x, y e z de veículos para estoque terão direito a um bônus de atacado de R$ 10.000 – fls 158), “preservação da bonificação para veículos” e “política de descontos” (item 6.1 percentual de desconto a ser aplicado sobre as NFF’s relativas às retiradas, baseadas no alcance do objetivo da meta do atacado fls 160). Paralelamente existem planos de financiamento, que, contudo, não foram imputados pela Fiscalização à Recorrente. A DRJ, ao analisar a documentação acostada aos autos conclui que “como se vêm a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional, fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazia à colação nesse processo. Os valores são entregues posteriormente, sem registro na nota fiscal de venda. Consequentemente, não se trata de bonificação, tampouco de desconto concedido incondicionalmente.” Em seguida a instância a quo entendeu que os valores se subsomem ao conceito de receita, concluindo pela necessidade de manter a autuação fiscal nesse ponto. Antes de adentrar na minúcia da discussão sobre serem tais montantes receitas tributáveis pela Contribuições sociais em apreço, ressalto que, como observou a DRJ, a Recorrente não poderia se valer da alíquota zero atribuída à Contribuição ao PIS e a COFINS das concessionárias estipulada no art. 1º c/c art. 2º, § 2º, da Lei n. 10.485, de 2002, pois não estamos neste caso diante de receita “nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos”. 1 Não há prova alguma nos autos que demonstre o contrário. Colaciono abaixo a legislação em comento: 1 É importante salientar que a Fiscalização reconheceu que a "rubrica 3.1.9.01.09 – comissão fadireto" se enquadra nas disposições do artigo 2º, §2º, inciso II da Lei n. 10.485/2002), sendo legítima a utilização da alíquota zero neste caso, razão pela qual não foi procedida qualquer autuação Fl. 725DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. [...] Art. 2o Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. § 1o Não serão objeto da exclusão prevista no caput os valores referidos nos incisos I e II do § 2o do art. 1o. § 2o Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 726DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 722 11 II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.189 Com efeito, a despeito da impossibilidade da Recorrente se valer da alíquota zero, é contestável a visão da DRJ de classificar os valores recebidos pela Recorrente da fábrica de veículos como receita não operacional passível de ser alcançada pela incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Isto porque tais valores classificamse juridicamente como descontos condicionais e descontos incondicionais, sendo que ambos devem ser afastados da hipótese de incidência das contribuições em questão por serem qualificados como parcelas redutoras de custos, como passo a explanar. Inicialmente, cumpre esclarecer que o fato de o desconto (bonificação) não constar na nota fiscal das mesmas mercadorias não deve ser tido como fator determinante para a verificação da existência de eventual desconto condicional ou incondicional nas operações entre os agentes da cadeia produtiva. Nesse sentido, é precisa a exposição da doutrina: Entendemos que a natureza da operação não pode estar relacionada com a documentação fiscal que lhe dá suporte, mas sim com a realidade dos fatos decorrente da operação realizada entre os contribuintes. Embora seja recomendável – para evitar questionamentos fiscais – que a bonificação em mercadorias seja feita na mesma nota fiscal correspondente à venda, a verdade é que, juridicamente, importa que se trata de efetivos desconto (bonificação). (...) O que não podemos admitir é a criação de requisitos não previstos em lei para a configuração de uma determinada situação jurídica, ignorandose a verdade dos fatos. A tributação deve incidir sobre os faots legalmente previstos, aqueles fatos tipificados na legislação tributária como suficientes para fazer desencadear a incidência tributária. (BERGAMINI, Adolpho et al. PIS e Cofins na teoria e na prática. São Paulo: MP Editora, 3ª ed., p. 249 250) Assim, muito embora os atos normativos infralegais exarados no âmbito federal façam menção à necessidade de que as parcelas redutoras de preço constem das respetivas notas ficais – como se verá pormenorizadamente mais adiante tratase de entendimento que não encontra respaldo em lei em sentido estrito, razão pela qual não deve amesquinhar o trabalho do intérprete sobre a incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins ora em discussão, diante das particularidades do caso concreto. Inclusive tal trabalho já foi feito em outras oportunidades por este Conselho, das quais destaco os Acórdãos 3401002.1172 e 3802 003.562. 3 2 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 12/04/2001 BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as Fl. 727DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Passando então ao tratamento contábil e jurídico dos descontos condicionais e incondicionais, o Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982, traz sua conceituação básica: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (grifouse) E a citada IN nº 51/78, dispõe: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Comentando os citados textos normativos, o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (Acórdão 3402003.142) articula com exatidão que: 18. Assim, segundo o referido parecer, a bonificação pode se dar de duas formas: (i) o vendedor entrega a quantidade de coisas adquiridas mediante a incidência de um preço menor ou (ii) o vendedor, pelo preço originalmente pactuado, entrega uma quantidade maior de bens, o que, em última análise, também influenciará no preço final, de modo a reduzilo. 19. Na primeira hipótese o preço é imediatamente afetado, enquanto que no segundo caso interferese, diretamente, na quantidade dos bens adquiridos e, indiretamente, no preço de tais bens. Já é possível perceber que em ambas hipóteses o que se alcança é uma redução do custo da mercadoria adquirida. notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/04/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 723 13 20. Percebese, pois, que bonificação é técnica genérica de redução de custo, técnica esta que, por sua vez, pode se subdividir em suas espécies: (i) descontos incondicionados e (ii) descontos condicionados. Observando a legislação ordinária federal (artigo 1º, §3º, inciso V, alínea "a" das Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003) e o mesmo Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982, a Receita Federal entende que tão somente as bonificações que caracterizam descontos incondicionais são passíveis de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, uma vez que inexiste o elemento da onerosidade apto a enquadrálos como receita. Entretanto, é preciso analisar do ponto de vista contábil o tratamento a ser dado a tais registros (bonificações, sejam elas descontos condicionais ou incondicionais). O Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, 4 que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seus itens 9, 10 e 11, que: “Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição.” (grifei) De pronto percebese que os descontos comerciais, abatimento e itens semelhantes são entendidos contabilmente como redução do custo do estoque. No mesmo sentido dispõe o Pronunciamento Técnico n. 30 estabelece que: Mensuração da receita 4 Objetivo “1. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil para os estoques. Uma questão fundamental na contabilização dos estoques é quanto ao valor do custo a ser reconhecido como um ativo e mantido nos registros até que as respectivas receitas sejam reconhecidas. Este Pronunciamento proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu subsequente reconhecimento como despesa em resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. Também proporciona orientação sobre o método e os critérios usados para atribuir custos aos estoques.” Fl. 729DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador. Observando tais elementos, bem como a jurisprudência deste Conselho a respeito das bonificações em mercadorias (Acórdãos 340300.393 e 340300.395) em meticuloso voto a respeito do tema (Acórdão n. 3402002.092), o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior chegou às seguintes conclusões: Conhecidas as regras contábeis vigentes no Brasil segundo os CPC nºs 16 e 30, de 2009 e Deliberações CVM nºs 575 e 597, de 05 de junho e 15 de Setembro de 2009, respectivamente, assim como as regras internacionais contábeis, às quais o Brasil está em convergência especialmente após a edição da Lei nº 11.638/07 (que promoveu significativas alterações na Lei nº 6.404/76 – LSA´s.), resta claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos, sendo que devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, na hipótese do desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor assim como não são custos pelo comprador. (...) Embora se tratem, os precedentes acima, de “bonificação em mercadorias”, penso que o regime jurídico das bonificações e a dos descontos comerciais são rigorosamente os mesmos, seja porque estão ambos tratados nos CPCs nºs. 16 e 30, aprovados pelas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, seja porque, independentemente disto, na essência o fato do vendedor oferecer vantagem ao comprador para incrementar as vendas, preenche o conceito de bonificação, conforme já reconhecido pela própria Administração Tributária, no já citado Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 e na IN SRF nº 51/78, os quais conceituam as bonificações e os descontos comerciais como vantagens ofertadas pelo vendedor ao comprador. (...) Assim, se a vantagem (bonificação ou desconto comercial) se der mediante a entrega de mercadoria (a.), em moeda para rebaixe/rebate de preço (b.) ou em desconto em duplicata a vencer (c.), trata se, na essência, de redução de custos de aquisição de produtos, que não revelam ingresso de recursos novos no caixa da entidade, e, como tal, nos termos da Lei Comercial, não preenchem o conceito de “receita”, mas antes servem à reduzir o custo de aquisição de seus estoques. (...) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 724 15 Portanto, tenho que não se trata de típicos contratos de prestação de serviços, mas sim de contratos atípicos, lícitos, livremente pactuados pelas partes e que devem ter seus efeitos preservados pelo ordenamento jurídico. O conteúdo econômico das avenças, por seu turno, revestese da natureza de “vantagens comerciais do vendedor ao comprador”, no interesse de incrementar a venda de ambas as partes, e se concretiza mediante abatimento de preços, o que, conforme já discorrido, importa em redução de custos dos produtos adquiridos pela Recorrente. Irretocável a decisão, que entendo deve ser aplicada ao presente caso, em que a Recorrente se valeu de descontos incondicionais5 e condicionais,6 em moeda para rebaixe/rebate de preço, como forma de redução de custos promovida pela fábrica que lhe fornece os veículos. Por conseguinte, tais montantes não configuram receita da pessoa jurídica a ser tributada pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Lembrese que Contribuição ao PIS e a COFINS, sob a modalidade de regime nãocumulativo (tal qual ocorre com a apuração efetuada pela Recorrente), têm por fato gerador o faturamento mensal, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, independentemente da denominação ou classificação contábil, conforme se depreende dos mencionados artigos 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Adicionalmente, traçando a delimitação de quem são os contribuintes dos referidos tributos, as leis acima apontadas dispõem, respectivamente: Lei nº 10.637/02: “Art. 4º O contribuinte da contribuição para o PIS/Pasep é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Lei nº 10.833/03: “Art. 5º O contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Tais disposições têm como fundamento de validade a norma de competência esculpida no artigo 195, inciso I, alínea “b” da Constituição,7 a qual prescreve que a Contribuição ao PIS e a COFINS incidirão sobre a receita ou o faturamento, que são, portanto, os fatos econômicos ou manifestações de riqueza tributáveis pelas contribuições em apreço. 5 Item 4.1. da Política de Comercialização, com atribuição de bônus de R$ 8.000,00 para cada unidade dos modelos x, y z, adquiridos até 30/06/2012 e presentes no estoque da rede – fls 158), e “bônus de atacado” (item 4.1. “unidade x, y e z de veículos para estoque terão direito a um bônus de atacado de R$ 10.000 – fls 158) 6 Item 6.1 percentual de desconto a ser aplicado sobre as NFF’s relativas às retiradas, baseadas no alcance do objetivo da meta do atacado fls 160. 7 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) b) a receita ou o faturamento;.” Fl. 731DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Vale destacar que os conceitos de receita e faturamento não podem ser livremente manipulados pelo legislador, devendo manter coerência com seu conteúdo semântico na ordem econômica, nos moldes do artigo 110 do Código Tributário Nacional (“CTN”). 8 Nesse sentido já se consolidou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, de 27 de novembro de 1998 (“Lei nº 9.718/98”) nos RE nº 357950/RS, RE nº 358273/RS e RE nº 346.084/PR. Retomando os dispositivos supracitados, pela sua simples leitura é possível verificar que a receita auferida pela pessoa jurídica compõe a hipótese de incidência de ambas as contribuições, sendo esta receita aquilo que efetivamente representa um acréscimo patrimonial em sua conta, decorrente do exercício da atividade econômica e que apresenta caráter de definitividade. Neste sentido, verificase a lição de José Antônio Minatel, em obra de ímpar importância sobre a matéria, ao tratar da natureza jurídica da receita: Auferir receita é conduta que evidencia e viabiliza a obtenção de ingresso, materializada pela entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial. 9 Mais adiante, especificamente sobre a obtenção de desconto, o autor coloca que: Se há desconto obtido na liquidação de obrigação é de bom alvitre ser adotada a técnica de classificálo como redutor do custo correspondente, não mais podendo ser tolerada a prática de catalogálo com o rótulo de ‘receita’ para neutralizar encargo anterior registrado a maior, por faltarlhe os predicados do ingresso, da contrapartida de atividade, da remuneração de direitos (...). Receita provém do ingresso pela venda e não da ausência de desembolso pela compra. 10 Assim, fica claro que somente os valores incorporados definitivamente ao patrimônio do contribuinte, decorrentes de efetuação de negócios jurídicos, representando ingressos e não simples redutor de custo, podem ser considerados como receitas. Por tudo quanto exposto, entendo que deve ser cancelado o lançamento tributário no que diz respeito à tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS sobre os descontos condicionais e incondicionais (item 2.2, “c” do TVF). 1.2. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA – NCM NÃO CONTEMPLADA 8 “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” 9 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 10 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, pp 229 e 245. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 725 17 A argumentação apresentada pela Recorrente acerca da aplicação da sistemática monofásica de tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente utilização de alíquota zero sobre suas receitas, no caso concreto foi bem enfrentada pelo acórdão recorrido, sendo irretocável a decisão nesse ponto. Dessarte, por questão de brevidade e eficiência, colaciono abaixo trecho do acórdão da DRJ sobre a matéria: Analisando os demonstrativos apresentados pela autuada, verificou também a Fiscalização que várias mercadorias adquiridas para revenda estavam enquadradas em códigos NCM não amparados pelo disposto na Lei nº 10.485/2002 (incidência monofásica). Intimada a manifestarse a respeito, a empresa informou (fls. 134) que havia erro no cadastro das autopeças. Na manifestação apresentada a empresa limitouse a defender a tributação monofásica das mercadorias adquiridas para revenda. Não trouxe ao processo qualquer documento/comprovante no sentido de Comprovar o enquadramento das referidas mercadoria, excluídas pela fiscalização, nas NCMs alcançadas pela Lei nº 10.485/2002. Em síntese, durante a fiscalização a Recorrente confessou ter adotado classificação fiscal incorreta sobre os bens, levando a uma tributação equivocada (com a redução de alíquota constante da Lei n. 10.485/2002), fato esse que foi tão somente objeto de contestação abstrata e, com a devida vênia, desconexa o real objeto da autuação (fls 526 dos TVF), sem qualquer prova sobre o direito pleiteado. Assim, adoto os citados dizeres como razões de decidir nesse julgamento, nos moldes do artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99, para não acolher a defesa da Recorrente nesse ponto. 1.3. CRÉDITOS DE INSUMO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002). De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Fl. 733DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”. Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”). 11 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou 11 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 726 19 de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. No presente caso, diferentemente do acima citado, não foi perpetrado pela Recorrente esforço probatório no que tange ao direito ao crédito pela aquisição de insumos. Tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário a Recorrente resume suas alegações à tese acima exposta sobre o conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, sem trazer em nenhuma linha qualquer evidência sobre a forma de utilização dos bens e serviços que foram objeto de glosa, dentro de seu contexto negocial e atividades praticadas. Tampouco quaisquer contratos, relação de clientes, documentos que comprovem a efetividade de seus objetos sociais, etc, foram trazidos aos autos. Pelo contrário. Conforme consta no Termos de Verificação Fiscal a autoridade lançadora foi zelosa em abrir a oportunidade para que a Recorrente se manifestasse sobre a utilização de todos os elementos que estavam sob avaliação, a fim de constatar sua pertinência ou não para fins de tomada dos créditos (fls 533, 535). A Recorrente, a seu turno, trouxe somente respostas às intimações pontuais e desacompanhadas de qualquer prova que pudesse ser objeto de análise por essa relatora, e que, portanto, não permitem aferir a adequação ao conceito de “custo de produção”, adotado por este colegiado para fins de autorização do crédito das contribuições. O mesmo se diga com relação às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos (fls 536). Ou seja, cabia à Recorrente o ônus da prova de fato extintivo, modificativo ou impeditivo de seu direito, conforme determina o artigo 373, inciso II do Novo Código de Processo Civil. Entretanto, a Recorrente não se desincumbiu desse ônus. 2. CONCLUSÃO Fl. 735DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar a cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os descontos condicionais e incondicionais (item 2.2, “c” do TVF). (Assinado com certificado digital) Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 736DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 727 21 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto da Ilustre Relatora, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência, que levou o colegiado a conclusão diversa quanto a exigência de Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referentes ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2010, sintetizado no recurso voluntário. Tendo suscitado a divergência, recebi a designação para redigir o presente voto vencedor com relação a cobrança da Contribuição ao PIS e para a COFINS sobre as Comissões e Bonificações de vendas (Custo de Vendas item 2.2, “c”, do Relatório de Ação Fiscal). Encontrase consignado no Relatório da fiscalização, que a ação fiscal desencadeouse a partir dos arquivos contábeis e de planilhas com valores apurados de receitas tributáveis para fins de PIS e da COFINS. Como resultado dessa análise, encontrou, além de valores declarados em DACON, mas não em DCTF ou recolhidos, RECEITAS que não foram oferecidas à tributação, consideradas, indevidamente, sujeitas à alíquota zero e valores de créditos na sistemática da nãocumulatividade apurados de forma indevida. Consta dos autos, que a Recorrente exerce dentre outras atividades, o comércio de veículos novos e usados; comércio de peças e acessórios para veículos; comércio de pneus; representação de veículos novos e usados, seus componentes: prestação de serviços de assistência técnica, consertos, reparos e afins. As receitas decorrentes dessas atividades para fins de tributação de PIS e da COFINS sujeitamse a regimes diferentes: cumulativo e nãocumulativo. Verificase que o litígio se concentra na determinação da natureza jurídico tributária dos recebimentos pela Recorrente, que alega terem sidos classificados como "bonificações recebidas da fábrica, utilizados como redutores de custo do veículo", descrito no item 2.2, do Relatório de Ação Fiscal (fls. 524/529). No curso do procedimento, a fiscalização solicitou à Recorrente (Termo de Intimação Fiscal nº 9, fls. 143/145), que fosse informado a natureza ou origem dos valores recebidos a título de "Comissões e Bonificações", consignado nas seguintes contas: 3.2.1.01.004 Bonificações Fab Localização, 3.2.1.01.005 Bonificações Fab Adicional, 3.1.9.01.06 Comissão Bonificações Fab e 3.1.9.01.09 Comissão Fadireto, informando qual era a base de cálculo e a que tipo de venda esses valores estavam relacionados, anexando contratos com as fábrica/montadoras. A Recorrente alega que se refere à política comercialização praticada para o ano de 2012 e que correspondem a bonificações recebidas pela fábrica de veículos, sendo parte da composição do valor de compra dos veículos, de modo que tem natureza de redutores do preço de venda para fins de comercialização. Outrossim, alerta para o fato de que todos os valores recebidos são vinculados a um específico veículo (chassi). Fl. 737DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Muito embora o período fiscalizado seja de 2008 a 2010, a fiscalização entendeu que as premissas básicas atuais são as mesmas dos períodos anteriores, apenas com valores/percentuais diferentes dos praticados outrora. No curso do procedimento, o Fisco verificou que a conta "Comissão Fadireto (3.1.9.01.09)", continha valores recebidos da fábrica pelas vendas faturadas diretamente pelo fabricante ao consumidor final, atuando a METROPOLITANA, como intermediadora apenas. Neste caso, há que se destacar que, ao analisar a documentação apresentada pela Recorrente, o Fisco reconheceu que a rubrica "3.1.9.01.09 – Comissão Fadireto", se enquadra no disposto no inciso II, § 2º do art. 2º da Lei nº 10.485/2002 e, portanto, tributadas à alíquota zero. Entretanto, as demais bonificações e comissões recebidos pela METROPOLITANA da Fábrica/Montadora, nos termos do disposto no documento circular "Política da Comercialização", entendeu que se tratam de incentivos financeiros para incremento das vendas, sem nenhuma base legal para sua classificação como receitas sujeitas à alíquota zero de PIS e de Cofins, não se confundindo essas receitas com o valor de venda do veículo novo. Com o intuito de esclarecer a real natureza desses valores escriturados, a fiscalização intimou (por diversas vezes) a METROPOLITANA (Termo de Reintimação Fiscal, fls. 163/165), a identificar a sistemática dos lançamentos realizados, informando de forma clara, precisa e minuciosa porque os esses valores são lançados a crédito de uma conta de despesa (Custo com Vendas) e a débito de contas representativas de direitos junto à Fábrica. "O prazo dado foi de 5 dias úteis que expirou em 28/09/2012, sem que fosse apresentado qualquer documento ou resposta a respeito". Em seu recurso, a Recorrente aduz da "impossibilidade de tributação nas contribuições de PIS e COFINS, nas bonificações recebidas da fábrica, visto que tais bonificações representam, uma redução de custos para a fabricante de veículos, a qual já calcula o preço destes incluindo no mesmo os valores que pagará aos revendedores e, portanto, já incidiram as referidas tributações de PIS e da COFINS na 1ª fase do ciclo de vendas". A fiscalização, no entanto, considerou que esses valores tratase de RECEITAS, uma vez que representam recursos usados em substituição à moeda corrente para pagamento de obrigações junto ao fornecedor (Fábrica de veículos) e sujeitas à contribuição para o PIS e COFINS que tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse mesmo sentido decidiu a decisão recorrida. Vejase trecho destacado: "(...) Fazem parte ainda do lançamento valores creditados diretamente pela empresa na conta custos com vendas e a débito das contas: Conta Corrente Fábrica, Fundo Retirada Aplicação Peças e Fundo Retirada Aplicação – Veículos. A empresa foi intimada e reintimada a explicitar a origem desses valores, entretanto não conseguiu justificar a forma como foram contabilizados. Como se tratam de receitas que representam recursos usados em substituição à moeda corrente para pagamento de obrigações junto ao fornecedor (fábrica) estão sujeitas à tributação pelo PIS e a Cofins na modalidade nãocumulativa". Pode ainda ser verificado na decisão DRJ, que ao analisar a documentação acostada aos autos concluise que "(...) como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional, fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazia à colação nesse processo. Os valores são entregues posteriormente, sem registro na nota fiscal Fl. 738DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 728 23 de venda. Consequentemente, não se trata de bonificação, tampouco de desconto concedido incondicionalmente.” Pois bem. Como pontuado pela Relatora, tais valores foram lançados na contabilidade da Recorrente como despesas, da seguinte forma: crédito de uma conta de despesas “custo com venda” e débito de contas representativas de direito junto à sua fornecedora, fábrica de automóveis (Mercedes Bens). Por sua vez a fiscalização entendeu que tais valores se enquadram como “incentivos financeiros para incremento de vendas”, representando recursos usados em substituição à moeda corrente para pagamento de obrigações junto ao fornecedor, o que caracteriza RECEITAS, devendo ser normalmente tributados pela sistemática da não cumulatividade, pelo PIS e pela COFINS e foram objeto de tributação. No caso, entendo que os valores se subsumem ao conceito de receita, concluindo pela necessidade de manter a autuação fiscal nesse ponto. É preciso ter em mente que a incidência das Contribuições do PIS e da COFINS, darseá independentemente da denominação ou classificação contábil, basta que reste caracterizado o auferimento de receita. Vejase o que estabelecia o art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, que tinha redação idêntica à do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 (destaques acrescidos): Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Neste contexto, é importante registrar o conceito de RECEITA. Salientase que com o advento da Lei nº 11.638/2007, o Brasil passou a adotar como padrão normativo contábil as normas internacionais conhecidas como International Financial Reporting Standarts IFRS, que estabeleceu uma nova norma global para receita de aplicação obrigatória para as sociedades anônimas de empresas de grande porte. Assim, "Receita é todo o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários". E, neste conceito enquadramse as "bonificações recebidas da fábrica" obtidos pela Recorrente, informado ser a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", mesmo considerandose que os valores recebidos a título de bonificação sejam vinculados a um veículo específico (chassi). Portanto, essa receita é passível de incidência das Contribuições (PIS e COFINS), pois não estão alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial. Da mesma forma, não se sustenta, a alegação que a operação comercial em análise se trata de mera técnica comercial empregada para incrementar as vendas, e que se consumaria, contabilmente, por lançamentos a crédito na rubrica custo dos produtos adquiridos para revenda, uma vez que se vislumbra que haveria outra forma de alcançar esse fim, sem que houvesse a necessidade de valerse os fornecedores da contrapartida materializada pela entrega à METROPOLITANA, de "bonificações" em moeda ou concessão de descontos comerciais. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Registrese que a Administração Tributária Federal já exarou seu entendimento quanto ao conceito de bonificação, o que fez através do Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, do qual se extrai: "Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (grifouse) Como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazida à colação nesse processo. Cumpre esclarecer que o fato de a bonificação não constar na nota fiscal das mesmas mercadorias é fator determinante para a verificação da existência de eventual desconto condicional ou incondicional nas operações entre os agentes da cadeia produtiva. No caso, os valores são entregues posteriormente, sem registro na nota fiscal de venda. Conseqüentemente, não se trata de desconto concedido incondicionalmente. Assim, as contribuições serão devidas sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). Além de conhecido o recurso deve ser desprovido, pois as bonificações em discussão sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, como decidiu recentemente este CARF no Acórdão 9303003.486, de 25/02/2016, proferido, nos autos do processo 16561.720069/201107: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativo. (...). Ou seja, a partir da instituição do regime não cumulativo, a incidência das contribuições litigiosas independe da discussão normalmente travada quando se discute as parcelas que se submeterão à incidência cumulativa. Posto isto, considerandose da leitura do documento Circular da "Política de Comercialização" (fls. 151/162), pode se concluir que os valores que a METROPOLITANA recebe da fábrica/montadora da MercedesBenz (variável), são efetivamente incentivos financeiros para o incremento de suas vendas, no entanto, sem nenhuma prova de que se tratam de receitas auferidas sujeitas á alíquota zero de PIS e da COFINS e que não se confundem com Fl. 740DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 3402003.254 S3C4T2 Fl. 729 25 o valor da venda do veículo novo em si, esse sim, sujeito na revendedora (METROPOLITANA) à alíquota zero, logo essas receitas são tributadas sim e na forma da nãocumulatividade uma vez que não se encontram excluídas da sistemática. Frente a esses conceitos, fica evidente que os valores em questão constituem receita. Mas, não receita de venda dos produtos, um vez que não integram o preço de venda e não são recebidos de seus clientes, mas sim de seu fornecedor. Portanto, resta claro que esses valores devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, estando correto o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Tendo em vista as considerações desenvolvidas no voto acima, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose integralmente a autuação fiscal em comento. É como voto. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726262/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial sobre o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia à instância administrativa. Súmula Carf n. 01.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da renúncia ao contencioso administrativo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
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CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial sobre o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia à instância administrativa. Súmula Carf n. 01. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da renúncia ao contencioso administrativo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 62 62 /2 01 3- 51 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Recurso voluntário interposto em 30/06/2015 que visa reverter o acórdão 16 61.302 21a. Turma da DRJ SPO, que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para o crédito tributário lançado no processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 05/06/2015. O lançamento decorreu do fato da contribuinte ter declarado os rendimentos recebidos do Comando do Exército e da Advocacia Geral da União como isentos por moléstia grave, no valor total de R$ 328.503,00. A recorrente alega que os valores recebidos são decorrentes da própria aposentadoria e de pensão do exército, e que o diagnóstico de neoplasia maligna data de 12/01/2005. Teria uma medida cautelar em antecipação de tutela de 18/11/2008 aonde ficara suspensa a exigibilidade do imposto de renda incidente sobre os proventos da autora a partir daquela data. Apesar de ter obtido êxito na ação, a mesma encontra sob análise no Tribunal Regional Federal, tendo em vista recurso interposto pela União. O laudo técnico apresentado contém informação de que "a doente pode ser considerada clinicamente curada após cinco anos sem evidência de câncer, ou seja, após Fevereiro de 2010". Contudo, o próprio perito informa que o conceito de cura clínica é operacional e relacionase ao risco diminuído de recidiva associado a não evidência de doença macroscópica. Anexou ao processo documentos referentes à ação judicial, na qual está especificado que a recorrente pleiteia a isenção do imposto de renda em relação à sua aposentadoria desde o diagnóstico da neoplasia maligna, em 12/01/2005, a sua pensão militar por morte recebida desde 07/2006. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 12448.726262/201351 Acórdão n.º 2401004.490 S2C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme os documentos acostados aos autos, a recorrente está litigando judicialmente sobre o crédito tributário deste processo. Enfatizo que o recurso voluntário tratou apenas dos proventos de aposentadoria e de pensão por morte que a contribuinte recebe. Desta forma, tendo em vista a concomitância dos processos, entendo que renunciou à instância administrativa. Nesse sentido a Súmula n.1 deste Conselho, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003758/2009-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se tem caracterizada a divergência, para fins de admissibilidade de recurso especial à CSRF quando os acórdãos comparados se debruçaram sobre situações fáticas distintas.
Numero da decisão: 9101-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator) e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se tem caracterizada a divergência, para fins de admissibilidade de recurso especial à CSRF quando os acórdãos comparados se debruçaram sobre situações fáticas distintas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator) e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se tem caracterizada a divergência, para fins de admissibilidade de recurso especial à CSRF quando os acórdãos comparados se debruçaram sobre situações fáticas distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator) e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 58 /2 00 9- 20 Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.606 2 Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida (destaques do original): Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 27.117.669,22, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, além de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sobre o mesmo período, no valor de R$ 9.762.360,83, acrescida de multa e juros de mora. A autuação originouse de fiscalização do Imposto de Renda, na qual foi apurada glosa parcial de despesas operacionais contabilizadas a título de propaganda, em montante que representa, no entendimento das autoridades lançadoras, mera liberalidade da pessoa jurídica, com a consequente falta de recolhimento dos tributos mencionados. Consta no Termo de Verificação Fiscal que a ação fiscal restringiuse ao seguinte objeto: despesas operacionais tituladas como de propaganda e publicidade, especificamente em relação à rubrica “propaganda e publicidade – contrato”, cujos dispêndios, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, beneficiaram a pessoa jurídica Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda., que tem como sócios as mesmas pessoas físicas sócias da empresa Conforto Empreendimentos e Participações S/A, controladora da Medley S/A Indústria Farmacêutica (atual Medley Indústria Farmacêutica Ltda., conforme indica a petição de fls. 1.664 do processo eletrônico). Os trabalhos fiscais na Medley S/A Indústria Farmacêutica tiveram início com a Diligência determinada no Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.12.002009004168. A diligência se fez necessária para apurar os fatos surgidos quando da fiscalização em andamento na pessoa jurídica Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda., empresa “veículo” utilizada pela Medley para canalizar recursos titulados como despesas de propaganda. No Termo de Verificação, lavrado em 04 de dezembro de 2009, a autoridade lançadora fez um relatório de todas as constatações apuradas durante o período em que a Recorrente foi fiscalizada, conforme segue: 1. A Medley S/A, até abril de 2009, era controlada pela tradicional família “Negrão”, por meio das empresas Conforto Empreendimentos e Participações S/A (CNPJ 05.366.087/0001 Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.607 3 39), Spring Participações e Empreendimentos S/A (CNPJ 03.156.894/000100) e GNF Empreendimentos e Participações S/A (CNPJ 07.622.842/000124). 2. As investidoras são controladas pelas seguintes pessoas físicas. a) Conforto Empreendimentos e Participações S/A (Conforto): Alexandre Funari Negrão (Presidente) e Roberto Ariani Mangabeira Albernaz (Diretor); b) Spring Participações e Empreendimentos S/A (Spring): Alexandre Funari Negrão (Presidente); Antônio Augusto Funari Negrão (Diretor); Adriana Funari Negrão Albernaz (Diretora); c) GNF Empreendimentos e Participações S/A (GNF): Antônio Augusto Funari Negrão (Presidente) e Alexandre Funari Negrão (Diretor); d) Alexandre Funari Negrão também é sócio, com o cargo de Presidente, da Litius Empreendimentos e Participações Ltda.; 3. Em abril de 2009, a Medley teve seu controle acionário adquirido pelo Grupo Transnacional SanofiAventis; 4. Lastreada em contratos particulares denominados de “Contrato de Prestação de Serviços de Marketing e Outras Avenças” ou “Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Marketing, Utilização de Imagem e Outras Avenças”, firmados com a empresa Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda. (Diffusion), a Medley canalizou recursos para a contratada, via depósitos bancários, a título de “adiantamentos a fornecedores”, nos anos de 2003 (R$ 5.970.000,00), 2004 (R$ 40.280.220,89), 2005 (R$ 32.979.950,00), 2006 (R$ 45.415.000,00) e 2007 (R$ 20.912.500,00), no total de R$ 145.557.670,89. (grifamos) 5. Alguns meses depois, a Diffusion emitia Notas Fiscais de Serviços em favor da Medley, que baixava os valores da conta “adiantamentos” contra a conta “Despesas de Propaganda”; (grifamos) 6. O saldo a faturar, passivo na Diffusion e ativo na Medley, foi assumido pela Conforto. Em dezembro de 2008, a Litius Empreendimentos e Participações Ltda. adquiriu da Conforto, em troca de assunção da dívida daquela para com a Medley, ações da Spring, que veio a ser incorporada pela Medley; 7. Vêse que vigorava excessiva liberalidade nos negócios jurídicos entre a Medley e a pessoa física de Alexandre Funari Negrão, seu controlador de fato, por meio das empresas de participação antes citadas e da “empresa veículo” Diffusion; (grifamos) 8. A liberalidade para com a Diffusion assume contornos patentes. No anocalendário de 2004, além dos gastos com patrocínio direto da Stock Car, a fiscalizada destinou recursos para a Diffusion na ordem de 62% das despesas de propaganda, 23% de todas as despesas operacionais do Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.608 4 período, ou 9,07% da Receita Bruta Total do período; (grifamos) 9. Era de se esperar, num quadro de normalidade e usualidade, que um fabricante de medicamentos apresentasse despesas mais elevadas com ações voltadas para os profissionais de saúde, por exemplo. Entretanto, em todos os anos analisados, os valores repassados à Diffusion (“empresa veículo” do patrocínio de corridas automobilísticas) superam, e muito, os valores de todas as demais rubricas, notadamente as que registram ações mais próprias no ramo de atividade da fiscalizada (quadro de fls. 301 a 304 do processo eletrônico); (grifamos) 10. É claro que não é tarefa da fiscalização questionar o direcionamento de dispêndios com ações de publicidade e propaganda para tal ou qual segmento. No caso de laboratórios, é até compreensível, usual e normal que haja aplicação de recursos em ações voltadas para cativar diretamente o consumidor, sem dúvida. Não se desconhece que, hoje, as empresas procuram fixar sua marca criando emoções no consumidor. Mas a aplicação dos recursos feita pela Diffusion, “empresa veículo” utilizada no patrocínio de corridas automobilísticas, mostra uma realidade bem diferente. (grifamos) 11. Em 09 de junho de 2009, com a finalidade de dar início à fiscalização determinada para a pessoa jurídica DIFFUSION PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA., motivada por inconsistências documentais relativas à compensação de imposto de renda na fonte, compareci à Rua Francisco Carlos Mazzoni, 330, na cidade de Santo Antônio de Posse, pequena cidade do interior de São Paulo, endereço que constava nos cadastros da Receita Federal do Brasil como sendo a sede da empresa. 12. Constatei que o endereço referido é uma antiga e pequena casa, com características de residência de padrão normal, sendo que o imóvel se encontrava fechado. Indagando morador das imediações, que não quis se identificar, apurei que o imóvel há tempos permanece fechado e que, periodicamente, comparecia lá uma pessoa para limpeza e recolhimento de correspondências. No curso da ação fiscal, a pessoa jurídica alterou se endereço para a Rua Odila Maia Rocha Brito, 527 — Conjunto 41 —Nova Campinas — CampinasSP. 13. Como havia elementos em posse da fiscalização que registravam que o principal cliente da DIFFUSION era a MEDLEY, foi então iniciada diligência nessa última, oportunidade em que obtive o endereço do contador da DIFFUSION, Sr. Haiton Simionato, na cidade de CampinasSP, iniciandose a fiscalização, com desdobramentos próprios que constam do Termo de Verificação Fiscal elaborado no encerramento dos trabalhos na DIFFUSION (partes do que se apurou e que tem implicações na MEDLEY serão relatados na sequência); 14. No desenrolar dos trabalhos na DIFFUSION (fiscalizada) e na MEDLEY (então diligenciada), podese apurar em detalhes Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.609 5 todo o funcionamento dos negócios jurídicos engendrados entre essas duas empresas. Com efeito, a DIFFUSION é, juridicamente, uma sociedade empresária limitada, cuja composição societária é a seguinte: ALEXANDRE FUNARI NEGRÃO = 90%; VERA SARNES NEGRÃO – esposa = 10%. 15. Reiterese que Alexandre Funari Negrão é conhecido no meio automobilístico esportivo como “Xandy Negrão”. Neste segmento teve, e ainda tem, significativa participação, notadamente na categoria Stock Car, em que se destacou como exímio piloto, e hoje ainda milita nesse meio esportivo, acompanhando a carreira do seu filho, conhecido como “Xandinho Negrão”. Como já relatado, Alexandre Funari Negrão é também sócio majoritário da pessoa jurídica Conforto Empreendimentos e Participações S/A, que detinha 51% do capital votante da MEDLEY. 16. Significativo para as conclusões da fiscalização da contribuinte é a destinação que a Diffusion deu aos recursos recebidos da Medley, inicialmente contabilizados como Adiantamento de Clientes e, depois, uma parte como receita de serviços prestados: fora as aplicações na atividade de fato (manutenção das equipes e todos os dispêndios necessários à participação nas competições automobilísticas), tributos e outras saídas de bancos, os recursos recebidos foram aplicados em empréstimos a Alexandre Negrão e lucros distribuídos ou antecipados a Alexandre Negrão, em 2004, 2005, 2006 e 2007, além de empréstimos para Conforto Empreendimentos, em 2006 e 2007; (grifamos) 17. Em média, as operações acima representaram, no período, 68,29% dos ingressos da empresa, conforme quadros de fls. 306 a 308 do processo eletrônico, o que demonstra o exagero no montante disponibilizado pela Medley para a Diffusion; (grifamos) 18. A Diffusion tributou seus resultados pelo lucro presumido (IRPJ e CSLL), mas distribuiu lucros ao sócio Alexandre Funari Negrão pela contabilidade; 19. A título de comparação, e para reforço das conclusões da fiscalização que se relatará nos itens finais do presente Termo, temse (Valores em R$): Total Faturado pela Diffusion à Medley R$ 99.435.783,72 Carga tributária total na Diffusion (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS): 11,33% R$ 11.266.074,30 Redução do resultado na Medley com os pagamentos à Diffusion R$ 99.435.783,72 Carga tributária reduzida na Medley (lucro real) 34% Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.610 6 R$ 33.808.166,46 Redução líquida na carga tributária R$ 22.542.092,17 18. Para tratar o patrocínio como propaganda, a Medley e a DIFFUSION assinaram, como já relatado, “Contrato de Prestação de Serviços de Marketing e Outras Avenças” ou “Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Marketing, Utilização de Imagem e Outras Avenças”. Para justificar os dispêndios com patrocínios esportivos, a MEDLEY apresentou à fiscalização os chamados “Relatórios de Visibilidade em Marketing Esportivo”, preparados pela empresa Informídia Pesquisas Esportivas Ltda., e que constituem o Anexo I ao presente Processo; 19. Apesar da ambiguidade dos contratos, como se verá, é notória a figura do patrocínio no caso presente. Todos os elementos estruturais do instituto estão presentes: o patrocinador, o patrocinado e a atividade desportiva como núcleo central da relação jurídica. A DIFFUSION funcionou, no caso, como mera “empresa veículo” para viabilizar o patrocínio de pilotos e atletas. Não é o fato de a contratada ser uma pessoa jurídica que o Patrocínio se transforma juridicamente em Propaganda face à divulgação da Marca e do Logotipo imposta pela contratante. (grifamos) 20. Com efeito, no Patrocínio os recursos empregados viabilizam a própria realização da atividade, sem os quais o desportista não poderia competir. Difere, portanto, na essência, da simples divulgação de marca em locais onde se realizam competições esportivas. 21. Os dispêndios, redutores da base de cálculo dos tributos, ocorreram nos anoscalendário de 2004 a 2007, época em que ainda não vigorava a Lei de Incentivo Fiscal a Projetos Desportivos e Paradesportivos. 22. Não obstante, não se pode negar que a marca Medley resultou exposta na mídia. Em suma, estamos diante de um contrato de patrocínio que embute propaganda, então podemos tentar separar as coisas, com critérios de razoabilidade que, no fundo, é o critério que norteia a regra geral de dedutibilidade de despesas operacionais. (grifamos) 23. Assim, aceitamos, como base para os pagamentos contratuais à DIFFUSION, mensuração do retorno do investimento em visibilidade (ROI) apresentada (Anexo I do Processo). (grifamos) 24. De todo modo, como se demonstrará a seguir, houve notória liberalidade nos repasses de recursos para a DIFFUSION, com a agravante de serem seus sócios, sócios das controladoras da MEDLEY. (grifamos) 25. Para 2004, o contrato de prestação de serviços, assinado pela Medley e pela Diffusion, é ambíguo, configurando um contrato Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.611 7 de patrocínio que embute propaganda (fls. 256 a 258). Ao mesmo tempo em que menciona publicidade, promete ressarcir despesas. E as despesas foram claramente de patrocínio de equipes de corridas automobilísticas (fl. 258). 26. Pelo contrato, seriam reembolsadas as despesas de R$ 9.882.429,11. A remuneração anual pelos serviços, se levarmos em conta o Relatório de Visibilidade em Marketing Esportivo do Ano de 2004 (fls. 1 a 151 do Anexo I), aplicandose a precificação integral, seria de R$ 3.170.044,54 x 30% = R$ 951.013,36. Portanto, teríamos que as despesas para a Medley seriam de R$ 10.883.442,47. Mas vamos considerar, ainda, que o faturamento de 2004 leva em conta o saldo a faturar do ano calendário de 2003, de R$ 5.970.000,00. Logo, a despesa teria sido de R$ 16.853.442,47, e não de R$ 35.920.971,12. (grifamos) 27. Repare que a diferença a maior, de R$ 19.117.528,65, é igual ao lucro embolsado pelo sócio pessoa física da Diffusion, sem tributação, pois o resultado na Medley teria sido reduzido no mesmo valor, no anocalendário de 2004; (grifamos) 28. Assim, para esse anocalendário de 2004, conforme acima demonstrado, consideramos que parte dos valores pagos pela Medley à Diffusion o foi por mera liberalidade, com a agravante de ser a liberalidade em favor, diretamente, via lucros sem tributação, do seu acionista controlador, indedutível, portanto, de R$ 19.117.528,65. (grifamos) 29. No anocalendário de 2005, a Medley e a Diffusion celebraram, na essência, um verdadeiro contrato de patrocínio, conforme consta na cláusula primeira. 30. A remuneração pactuada de forma fixa para os serviços prestados durante os doze meses do ano foi de R$ 2.620.000,00 mensais, sendo determinado que haveria retribuição em pecúnia pela publicidade, de forma diretamente proporcional aos resultados comerciais da publicidade, mediante apresentação de Relatório de Análise de Mídia Impressa e Relatório de Visibilidade em Marketing Esportivo. 31. As despesas contabilizadas pela Medley com a Diffusion totalizaram R$ 31.411.812,60, e o retorno de mídia, segundo o citado relatório, teria sido de R$ 12.245.177,06. Não houve fixação no contrato de percentual de remuneração sobre o retorno medido, nem há cláusula prevendo reembolso de despesas. (grifamos) 32. Assim, adotando o mesmo critério de razoabilidade e de não liberalidade na dedução de despesas operacionais, se considerarmos que o valor fixo engloba, também, além do serviço, o retorno de mídia em seu valor integral, mais as despesas da Diffusion, teria havido uma despesa a maior, por mera liberalidade da Medley, de R$ 19.166.635,54, pois não é crível que ela desembolsasse R$ 31.411.812,60 para obter um retorno de R$ 12.245.177,06; (grifamos) Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.612 8 33. Novamente o valor desembolsado a maior pela Medley corresponde ao lucro líquido contábil apurado pela DIFFUSION, cujo valor foi quase todo embolsado pelo seu sócio, controlador da Medley, conforme tabela de fls. 319 do processo eletrônico. (grifamos) 34. No ano de 2006, novamente a Medley e Diffusion voltaram a assinar um contrato ambíguo, mencionando, ao mesmo tempo, publicidade e ressarcimento de despesas (fls. 260 a 262). E essas despesas foram claramente de patrocínio de equipes de corridas automobilísticas. 35. Assim, considerando a remuneração devida à DIFFUSION (R$ 920.000,00 x 12 = R$ 11.040.000,00. Retorno de Publicidade (fls. 272 a 406 do Anexo I) R$ 11.100.574,36 x 25% = R$ 2.775.143,59, teríamos um montante devido de R$ 13.815.143,59 e não de R$ 18.500.000,00, como deduzido. (grifamos) 36. Novamente a diferença (R$ 4.684.856,41) se aproxima do valor distribuído ao sócio da DIFFUSION, sem tributação, conforme tabela de fls. 321 e 322 do processo eletrônico. (grifamos) 37. No ano de 2007 houve substancial redução no valor da remuneração antes pactuada, confirmando que os valores pagos nos anos anteriores estavam fora da normalidade. 38. Mesmo assim, se considerarmos a remuneração devida à Diffusion (R$ 500.000,00 x 12 = R$ 6.000.000,00) e um retorno de publicidade de R$ 1.738.690,01 (R$ 8.693.450,03 x 20%), teríamos um montante devido de R$ 7.738.690,01 e não de R$ 13.603.000,00, como deduzido. Teria havido, assim, um pagamento a maior de R$ 5.864.309,99, indedutível. (grifamos) Os valores acima apontados foram glosados pela autoridade lançadora, com base nas regras gerais de dedutibilidade das despesas operacionais, visto que considerados mera liberalidade da Recorrente. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, em 06 de janeiro de 2010, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Houve nulidade nas autuações, por ter sido indicada capitulação legal absolutamente inaplicável ao caso concreto e por não conter a motivação, não observando o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 5º da Lei nº 9.784, de 1999; 2. A fiscalização não indicou, na capitulação legal dos autos de infração, nenhum outro dispositivo legal que determine ou justifique a adição de parte dos pagamentos realizados à Diffusion, senão as próprias regras de dedutibilidade de despesas Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.613 9 operacionais, que são aplicáveis a quaisquer desembolsos das pessoas jurídicas contribuintes do IRPJ e CSLL; 3. A denominação dada às despesas glosadas (marketing, publicidade, patrocínio) não faz a menor diferença para fins da presente discussão, pois o fato concreto é que a requerente incorreu em despesas operacionais de propaganda com a contratação de empresas e atletas responsáveis pela divulgação da sua logomarca no meio esportivo, plenamente dedutíveis, conforme já foi admitido pelo próprio Conselho de Contribuintes; 4. O próprio art. 366 do RIR, de 1999, admite a dedutibilidade de quaisquer despesas de propaganda “pagas ou creditadas a quaisquer empresas”, contanto que inscritas no CNPJ e devidamente escrituradas pela fonte pagadora, como claramente é o caso das despesas dos autos; 5. Não assiste razão à afirmação de que tais despesas não seriam “normais” ou “usuais” ao negócio da empresa, por absoluto desconhecimento da fiscalização quanto ao funcionamento do mercado farmacêutico brasileiro; 6. Houve imprecisão no cálculo efetuado pela fiscalização, pois adotou como critério mensurar uma suposta diferença entre o valor da despesa deduzida e o quanto seria devido de acordo com os contratos de prestação de serviços e o retorno sobre o investimento (ROI) em visibilidade auferido pela requerente. Tal mensuração do retorno sobre o investimento, feito pela fiscalização, se baseou nos relatórios de visibilidade em marketing esportivo da Stockcar, elaborados pela empresa Informídia Pesquisas Esportivas, os quais mensuram o valor do espaço ocupado na mídia pelas marcas da requerente, especialmente a marca Medley; 7. O enquadramento legal indicado pela fiscalização não oferece fundamentos jurídicos para subsidiar a glosa das despesas em questão, para fins da base de cálculo da CSLL; 8. A base de cálculo do IRPJ é absolutamente distinta da base de cálculo da CSLL, não obstante ambas tenham como origem o lucro bruto em cada período de competência. Isto significa que os referidos critérios do art. 299 do RIR, de 1999, são relevantes para a apuração da base de cálculo do IRPJ, mas não podem ser utilizados para a apuração da base de cálculo da CSLL, por absoluta falta de previsão legal; 9. A multa de ofício aplicada deve ser reduzida a um percentual razoável, especialmente porque foi adquirida por novo controlador, que em nada pôde influir na decisão de contratar esta ou aquela empresa de publicidade; 10. Inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários; Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.614 10 11. Impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. Em sessão realizada no dia 25 de março de 2010, a 3ª Turma da Delegacia de Julgamento do Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Impugnação, rejeitou a preliminar de nulidade e manteve o crédito tributário exigido. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DESPESAS OPERACIONAIS. PROPAGANDA. São operacionais as despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, glosandose os dispêndios pagos ou incorridos por mera liberalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, consequentemente, a base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.615 11 O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento, em 11 de junho de 2010, e interpôs Recurso Voluntário, em 08 de julho de 2010, alegando, em síntese, que: 1. Houve nulidade das autuações, por infringência ao artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 e ao artigo 5º, § 1º, da Lei nº 9.784/99; 2. A fiscalização não indicou, na capitulação legal dos Autos de Infração, nenhum dispositivo legal que determine ou justifique a adição de parte dos pagamentos realizados à Diffusion, senão as próprias regras de dedutibilidade de despesas operacionais, que são aplicáveis a quaisquer desembolsos das pessoas jurídicas contribuintes do IRPJ e da CSLL; 3. A Fiscalização faz referência apenas aos artigos 249, inciso I (adição de valores indedutíveis ao lucro tributável), 251 e Parágrafo Único (escrituração legal), 299 (dedutibilidade de despesas operacionais) e 300 (dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros); 4. Duas conclusões são possíveis em face da capitulação legal descrita nos Autos de Infração, quais sejam: a) a Fiscalização pretendeu aplicar justamente a regra geral de dedutibilidade ao caso dos autos, e a glosa de parte dos pagamentos está fundada exclusivamente em uma alegação de suposta desnecessidade de parte dos desembolsos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, ou b) tratase de efetiva descaracterização dos contratos celebrados junto à Recorrente, de maneira a considerar o controlador indireto da Recorrente (ao tempo dos fatos) como o beneficiário efetivo de parte dos pagamentos cuja dedutibilidade foi glosada para fins do IRPJ e CSLL; 5. Se tratar da primeira hipótese, a Fiscalização equivocase ao considerar que as despesas de publicidade, incorridas pela Recorrente, não observam os requisitos de dedutibilidade previstos no RIR/99; 6. Se tratar da segunda hipótese, há nulidade dos Autos de Infração, ante a cobrança de valores manifestamente indevidos, Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.616 12 com base em capitulação legal equivocada, o que implica em violação direta aos incisos I e IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988 (estrita legalidade e vedação ao confisco) e desrespeito aos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142, 144, § 1º, 149, inciso IV, e 161 do CTN; 7. As hipóteses de nulidade não estão restritas ao disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, de maneira que a capitulação legal incorreta dos autos de infração é razão efetiva para a sua anulação; 8. Conforme o artigo 7º da Lei nº 9.294/96, as empresas do ramo farmacêutico somente estão autorizadas a divulgar seus produtos em publicações especializadas, e apenas quando as mesmas forem dirigidas direta e especificamente a profissionais e instituições de saúde, e nunca ao público em geral, que é o consumidor de fato; 9. A Recorrente atua no segmento de “genéricos”, um mercado no qual seus produtos podem ser substituídos por outros similares, de farmacêuticas internacionais ou de outras empresas que atuam no segmento de genéricos, com extrema facilidade; 10. Diversos dos seus competidores comercializam medicamentos “de marca”, com reputação consolidada no mercado, e a Recorrente está obrigada a utilizar a denominação do princípio ativo para identificar seus produtos, e não outros nomes com maior apelo publicitário ao público consumidor; 11. É costume aceito e incentivado pela ANVISA que os médicos indiquem medicamentos “de marca” e genéricos numa mesma receita; 12. A principal alternativa de marketing disponível para que a Recorrente torne seus produtos conhecidos junto ao público em geral é o investimento maciço em publicidade de sua própria logomarca (MEDLEY), que vem estampada nos rótulos e caixas dos medicamentos que produz, e que, associada à inquestionável qualidade dos seus produtos genéricos, acaba funcionando como mais um elemento diferenciador em face das diversas opções de medicamentos no mercado; 13. Nesse contexto, é admissível que as despesas de publicidade e propaganda destinadas à divulgação da marca institucional da Recorrente, com vistas ao incremento das vendas, constituam gastos efetivamente necessários, especialmente quando considerado que o aumento das vendas implica em expansão da participação de mercado, ampliação das unidades produtivas, criação de empregos, criação de valor aos sócios, e acréscimo das receitas tributárias recolhidas pela empresa; 14. Incorreu em despesas operacionais de propaganda com a contratação de outras empresas e atletas responsáveis pela divulgação da sua logomarca no meio esportivo, plenamente dedutíveis; Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.617 13 15. O entendimento adotado pela decisão recorrida, no sentido de a única publicidade imprescindível para as empresas do ramo farmacêutico ser aquela feita por meio de publicações especializadas, se mostra equivocado e revela desconhecimento do mercado farmacêutico brasileiro; 16. O artigo 366 do RIR/99 admite a dedutibilidade de quaisquer despesas com propaganda “pagas ou creditadas a quaisquer empresas”, contando que inscritas no CNPJ e devidamente escrituradas pela fonte pagadora, como é o caso das despesas dos autos; 17. As corridas automobilísticas são o principal, mas não o único meio de divulgação da marca MEDLEY ao público em geral, o que se traduz justamente na estratégia vencedora utilizada pela empresa para assumir a liderança no mercado em que atua; 18. Apesar de realizar propaganda em eventos especializados, conforme indica o Termo de Verificação Fiscal, esta não é a principal estratégia de divulgação da empresa, até porque um profissional da saúde presumivelmente não irá receitar ao seu paciente um “medicamento genérico Medley”, mas sim apenas indicar o princípio ativo do medicamento genérico na receita, em conjunto com o nome do remédio “de marca”, e deixar que o paciente decida qual prefere adquirir; 19. Os desembolsos questionados jamais poderiam ser considerados “mera liberalidade”, pois, ao contrário do que alegou a Fiscalização, e do que restou confirmado pela decisão recorrida, a divulgação da marca Medley ao público em geral é absolutamente indispensável à continuidade do negócio da Recorrente e, portanto, para a manutenção da fonte produtora de rendimentos da empresa; 20. Não assiste razão à afirmação de que tais despesas não seriam “normais” ou “usuais” ao negócio da empresa, pois praticamente todas as empresas deste ramo realizam atividades semelhantes de divulgação dos respectivos produtos, cada qual em seu nicho de especialidade; 21. As despesas glosadas pela Fiscalização atendem plenamente aos critérios legais para dedutibilidade; 22. A metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização é incorreta e inadequada para o caso concreto dos autos; 23. A premissa adotada pela Fiscalização, na sua metodologia de cálculo, está equivocada em ao menos dois aspectos, quais sejam: a) o retorno sobre investimento (ROI) não pode ser mensurado somente a partir dos relatórios de visibilidade em marketing esportivo; e b) tal medição considerou apenas o marketing esportivo realizado na Stockcar, quando deveria ter levado em conta todas as diversas outras modalidades esportivas também que proporcionaram a visibilidade da Recorrente; Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.618 14 24. O retorno sobre investimento (ROI) deve ser mensurado com base na variação das receitas da Recorrente nos anos em que foram feitos os investimentos em marketing esportivo, bem como nos anos seguintes, por se tratar de investimento que se prolonga no tempo, e não no quanto a empresa gastaria para ter sua marca divulgada através de investimento direto nos veículos de comunicação, em que sua marca foi indiretamente divulgada em razão do patrocínio prestado por ela a diversas modalidades esportivas; 25. Independentemente dos valores apurados pelos relatórios de visibilidade em marketing esportivo, é certo que o aumento das receitas foi influenciado pelos investimentos em propaganda e marketing, os quais, como constatado pela própria Fiscalização, eram prioritariamente realizados por meio da contratação da empresa Diffusion; 26. Mesmo que o critério adotado pela Fiscalização fosse válido para determinar o retorno sobre o investimento percebido pela Recorrente em decorrência do marketing esportivo realizado por meio da Diffusion, o que também se admite apenas a título de argumentação, não podem prevalecer os valores apurados pela exigência fiscal, já que não foram consideradas as outras modalidades em que se deu o marketing esportivo; 27. Em todas as modalidades em que foi realizado o marketing esportivo, houve divulgação da marca da Recorrente e, seguindo o critério adotado pela Fiscalização, deveriam ter sido computados tais gastos antes de se proceder a qualquer glosa de despesas, mostrandose incorreta a premissa adotada quando da lavratura da exigência fiscal ora recorrida; 28. Ao deixar de computar as outras modalidades esportivas na apuração do suposto retorno sobre o investimento, a Fiscalização acabou reduzindoo consideravelmente, impondo uma glosa de valores que, mesmo de acordo com os critérios por ela adotados, não se justifica; 29. Não se pode aceitar como razoável que a Fiscalização, sem desqualificar os contratos celebrados, aplique integralmente as disposições do contrato de prestação de serviços para o ano de 2004, simplesmente o ignore no ano de 2005 e, ainda, o aplique parcialmente nos anos de 2006 e 2007, para assim definir o montante das despesas que, em seu entender, deveria ser glosado em cada período de apuração; 30. No ano de 2005, a remuneração contratada pela Recorrente e a Diffusion foi fixa, sem qualquer parcela variável ou de reembolso de despesas, o que foi ignorado pela Fiscalização; 31. Como a visibilidade decorrente do marketing esportivo realizado por meio da Diffusion não atingiu a expectativa no ano de 2005, a Recorrente voltou a contratar uma remuneração variável para os anos subsequentes; Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.619 15 32. Já com relação aos anos de 2006 e 2007, a Fiscalização buscou justificar a glosa das despesas deduzidas pela Recorrente com base em critério contrário àquele por ela mesma adotado para o ano de 2004, pois deixou de computar o reembolso de despesas previsto contratualmente nos referidos anos, o que demonstra casuísmo na indicação dos montantes que seriam mais convenientes para embasar a tese criada no Termo de Verificação Fiscal; 33. Em 2004, a Fiscalização somou às remunerações previstas no contrato o reembolso das despesas, também contratualmente avençado, o que totalizou o montante de R$ 9.882.429,11; 34. Já para os anos de 2006 e 2007, a Fiscalização não considerou o reembolso, pois, se o tivesse feito, não teria como justificar a glosa realizada; 35. Se a Fiscalização tivesse adicionado o reembolso das despesas de 2006 (R$ 11.217.752,83) e de 2007 (R$ 9.707.419,39) no seu cálculo, outro não seria o resultado a não ser reconhecer a totalidade das despesas como passíveis de dedução; 36. Se, ao invés disso, fossem adequadamente adotados critérios uniformes a partir dos contratos de prestação de serviços celebrados e dos relatórios de visibilidade em marketing esportivo, sem se escolher a forma de aplicação dos contratos como mais conveniente à tese defendida pela Fiscalização, a conclusão seria pela improcedência da autuação; 37. Todas as despesas deduzidas pela Recorrente estão em consonância com os ditames da legislação federal, devendose cancelar a glosa dos valores deduzidos; 38. Apesar de diversas semelhanças, é notório que a base de cálculo do IRPJ (Lucro Real) é absolutamente distinta da base de cálculo da CSLL (lucro líquido), não obstante ambas tenham, como origem, o Lucro Bruto das pessoas jurídicas em cada período de competência (anofiscal); 39. Os referidos critérios do artigo 299 do RIR/99 são relevantes, única e exclusivamente, para a apuração da base de cálculo do IRPJ (Lucro Real), mas não podem ser utilizadas para a apuração da base de cálculo da CSLL (lucro líquido), por falta de previsão legal; 40. Ainda que a Fiscalização tenha tido por bem efetuar a glosa de determinadas despesas de publicidade com fundamento legal no artigo 299 do RIR/99, a mesma somente pode atingir a base do cálculo do IRPJ, e não a base de cálculo da CSLL; 41. Inaplicabilidade de multa de ofício de 75% e da taxa SELIC ao caso dos autos; 42. Impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.620 16 Anexou aos autos os relatórios de visibilidade em marketing realizados nas outras modalidades esportivas referentes aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Requereu a reforma da decisão recorrida e a improcedência dos lançamentos fiscais para determinar o seu cancelamento. Colacionou, ainda, doutrina e jurisprudências. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1201000.973, de 11 de março de 2014, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Transcrevo alguns excertos do voto vencedor (destaques do original): Com o devido respeito que merece o Relator, peço licença para divergir de seu entendimento no caso sob exame. Pois bem, em seu termo de verificação fiscal (fl. 236 e ss.), a autoridade tributária questionou a dedutibilidade das despesas com propaganda levadas a efeito pela fiscalizada, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, em especial aquelas decorrentes dos contratos celebrados com a empresa Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda. Constatou a autoridade tributária, em apertada síntese, o seguinte: [...]. Ao final do TVF, o auditor conclui o seguinte: [...]. Observase, no TVF, conforme síntese acima apresentada, que a autoridade tributária ora insinua que as despesas por ele glosadas são excessivas (liberalidade), ora parece afirmar que são indedutíveis (patrocínio) e ora que são desnecessárias. Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.621 17 Em sua conclusão ao TVF, entretanto, conforme visto acima, a autoridade fundamenta o ilícito no art. 299 do RIR/99, que cuida da necessidade das despesas com vistas à sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ. A mesma fundamentação legal é encontrada no corpo do auto de infração, in verbis (fl. 274): [...]. Esta Turma, por diversas vezes, se debruçou sobre a interpretação que deve ser emprestada ao art. 299 do RIR/99, concluindo que podem ser objeto de glosa as despesas desnecessárias (inusuais ou anormais), entendidas como aquelas que não tenham sido aplicadas pela empresa com vistas à obtenção de uma receita. As despesas com propaganda, via de regra, são necessárias (usuais e normais) às atividades das empresas em geral, e têm como finalidade a obtenção de receitas. Nesse sentido, dificilmente despesas com propaganda podem ser objeto de glosa em razão de sua suposta desnecessidade. No caso dos presentes autos, a errônea idéia de desnecessidade das despesas com propaganda pode ser facilmente demonstrada com a seguinte pergunta: se a empresa Diffusion não tivesse relação alguma com a contribuinte e seus sócios, será que a fiscalização ainda assim qualificaria essas despesas com propaganda como desnecessárias? A resposta é que a fiscalização dificilmente questionaria a necessidade das referidas despesas com propaganda acaso não houvesse qualquer vinculação entre a recorrente e a Diffusion. Então, a meu ver, no caso do presente processo, o que está em questão não é a necessidade das despesas com propaganda (pois, como visto acima, despesas com propaganda geralmente são necessárias, úteis e normais à obtenção de receitas), mas sim a existência de vinculação entre contratante e contratada, aliada ao fato de que o valor das despesas com propaganda é, aparentemente, superior ao de mercado, o que sugere ter havido distribuição disfarçada de lucros, nos termos dos a seguir transcritos arts. 464 e 466, ambos do RIR/99: [...]. Digo “aparentemente” porque a autoridade não aprofundou a fiscalização na direção da DDL. Em especial, não provou que os contratos de prestação de serviços de propaganda, celebrados entre a contribuinte e a Diffusion, se deram em favorecimento a esta empresa ligada. É certo, como bem apontado pelo Relator, que a autoridade fiscal transcreveu no item V do TVF os acima referidos arts. 464 e 466 do RIR/99. Mas o fez em conjunto com diversas outras normas sobre dedutibilidade de despesas, tais como os arts. 249, 299, 300, 304 e 366, todas também contidas no RIR/99. Ademais, excepcionada a transcrição dos arts. 464 e 466, nem no TVF Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.622 18 nem no auto de infração, a autoridade acusa expressamente a contribuinte de haver distribuído lucros disfarçadamente. A acusação, em verdade, é imprecisa. A imprecisão da acusação observada no item V do TVF decorre, a meu sentir, do equivocado entendimento do auditor, segundo o qual as normas do RIR/99 sobre dedutibilidade de despesas são, todas, “corolários” (fl. 250 do TVF) do art. 299 do RIR/99, que cuida da necessidade das despesas. Ocorre que tais normas veiculam razões distintas no que toca à dedutibilidade das despesas. Os arts. 299 e 300 prescrevem que somente são dedutíveis as despesas necessárias (conforme conceito antes referido). O art. 304 dispõe que são indedutíveis as despesas pagas a beneficiário não identificado ou quando não for provada a sua causa. Os arts. 464 e 466 alertam serem indedutíveis despesas pagas a pessoas ligadas, em condições de favorecimento. A confusão entre esses conceitos tornou imprecisa a acusação fiscal e, consequentemente, prejudicou o entendimento, pela contribuinte, da infração de que estava sendo acusada. Tanto é assim que, em sua defesa, a interessada expressamente faz menção à dubiedade da acusação e, em razão disso, procura se defender de duas acusações distintas, quais sejam: (i) a desnecessidade das despesas com propaganda, e; (ii) a descaracterização de parte das despesas com propaganda em despesas com patrocínio, indedutíveis à época. Não houve defesa da impugnante em relação à DDL, até porque não houve acusação fiscal expressa nesse sentido, a não ser pela menção aos arts. 464 e 466 do RIR/99, junto a outros dispositivos contidos no mesmo Regulamento. Por todo o exposto, entendo que a autoridade fiscal descreveu, no TVF e no auto de infração, ilícito tributário diverso do aparentemente praticado pela contribuinte, razão pela qual voto por dar provimento ao recurso voluntário. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que a Turma recorrida entendeu, em síntese, estar equivocada a qualificação jurídica da autuação, a qual pautouse na desnecessidade das despesas com propaganda, com fundamento no art. 299 do RIR/99; b) que o Colegiado a quo resolveu cancelar o lançamento por entender que, em se tratando de despesa dedutível em tese, não deve ser feito o lançamento com fundamento na desnecessidade da despesa (art. 299 do RIR/99), quando o pressuposto da ausência de normalidade e de usualidade for a vinculação entre contratante e contratada e a desproporção do valor despendido; c) que, no acórdão paradigma, à semelhança do que ocorreu no presente feito, a autuação pautouse na desnecessidade das despesas incorridas com pessoas ligadas, as quais Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.623 19 foram consideradas desproporcionais, tendo sido utilizado, como fundamento legal, o art. 299 do RIR/99; d) que, não obstante, a solução jurídica adotada diverge substancialmente da observada nos presentes autos; e) que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, diante da constatação de que o negócio jurídico entabulado com pessoa ligada não se realizaria em condições normais de mercado, manteve a autuação fundada na desnecessidade da despesa incorrida; f) que, em que pese tenha o contribuinte arguido a existência de regra legal específica, o Colegiado prolator do acórdão paradigma manteve o lançamento, realizado com fulcro no art. 299 do RIR/99; g) que, ademais, destaquese que o órgão julgador considerou ser irrelevante que o tipo de despesa analisada fosse, em tese, dedutível, esclarecendo que a análise da necessidade da despesa não deve se pautar simplesmente pela licitude do negócio – a qual deve ser tomada como pressuposto – devendose verificar a usualidade e a normalidade da operação questionada, cuja prova está a cargo do contribuinte; h) que patente, portanto, a divergência jurisprudencial; i) que o Colegiado a quo cancelou o lançamento fundado na desnecessidade de despesas, por crer que gastos incorridos com pessoas ligadas em valores desproporcionais – denotando que a operação se deu em benefício de terceiro –, não deve ser enquadrado no art. 299 do RIR/99; j) que, diversamente, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, examinando hipótese igualmente de lançamento fundado na desnecessidade de despesas realizadas com pessoas ligadas, que se mostraram desarrazoadas, manteve a autuação com espeque no art. 299 do RIR/99, salientando que “é ato estranho aos objetivos sociais da empresa produzir lucros para terceiros”; k) que, em síntese, temse que os acórdãos recorrido e paradigma, diante da mesma situação fática, qual seja, a constatação de que o negócio jurídico entabulado com pessoa ligada, e que deu origem à despesa, não se realizaria em condições normais de mercado, chegaram a conclusões jurídicas diversas, no que toca ao adequado tratamento jurídico a ser dado à questão; l) que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, diversamente da Turma a quo, considerou correta a realização de lançamento fundado na desnecessidade da despesa, que tem como base legal o art. 299 do RIR/99; m) que o Colegiado a quo cancelou o lançamento sob o argumento de que houve equívoco quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo; n) que tal decisão, entretanto, merece reforma, eis que o enquadramento jurídico realizado pela autoridade fiscal se revela irreparável; Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.624 20 o) que, primeiramente, vale lembrar que a glosa efetuada pela Fiscalização recaiu sobre despesas de propaganda contabilizadas pelo contribuinte e que, dessa forma, reduziram o lucro tributável; p) que, portanto, em sendo despesa, essa, para ser dedutível, deve atender aos requisitos legais da normalidade e usualidade, em respeito ao que dispõe o art. 47 da Lei nº 4.506/64 (arts. 299 e 249, I, do RIR/99); q) que a Fiscalização Tributária fundamenta a glosa da despesa com propaganda em face de sua desnecessidade para a empresa autuada, conforme acima alinhavado, eis que a autuada, por liberalidade, efetuou pagamento de valores substancialmente superiores aos de mercado a pessoa ligada; r) que, assim, não estando presentes os requisitos da normalidade e da usualidade, tratandose de despesas desnecessárias, não há que se permitir sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; s) que não se pode aceitar a recriminação, feita pela maioria dos membros do Colegiado a quo, à base legal adotada pelo Fisco, no presente lançamento; t) que, pelos motivos constantes do relatório fiscal, foram consideradas como desnecessárias as despesas com propaganda/publicidade; u) que, cabível, pois, é a tributação feita com base no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda; v) que, sem sombras de dúvidas, este tipo legal tributário subsumese perfeitamente aos fatos narrados, ou seja, a base legal do lançamento está consoante à infração apurada; x) que, conquanto o objeto da presente fiscalização possua características que se assemelham a do tipo tributário da “distribuição disfarçada de lucros”, isso em nada prejudica o caminho adotado pela Fiscalização; y) que o que importa é que não se sustenta, no caso, a argumentação do contribuinte, acolhida pelo acórdão recorrido, no sentido de que somente seria cabível a tributação por “distribuição disfarçada de lucros”; w) que a glosa de despesa, por não atender ao requisito legal da necessidade, é forma direta de tributação, dependendo apenas da prova da sua desnecessidade que, por sua vez, vinculase ao contexto dos fatos concretos e da legislação que envolve o gasto ou dispêndio, o que o torna indedutível; e z) que, diante do exposto, concluise ser irreparável a autuação fiscal, razão pela qual merece ser restabelecido o lançamento. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, com a seguinte motivação: Com efeito, a divergência está devidamente demonstrada. Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.625 21 Vêse que o acórdão recorrido cancelou o lançamento fundado na desnecessidade de despesas, por entender que os gastos incorridos com pessoas ligadas, em valores desproporcionais (despesas com propaganda), não deveriam ser enquadrados no art. 299 do RIR/99, mas sim nos artigos 464 e 466 do mesmo RIR/99, que tratam da Distribuição Disfarçada de Lucros. O acórdão paradigma, por outro lado, examinando hipótese semelhante de lançamento fundado na desnecessidade de despesas realizadas com pessoas ligadas, que se mostraram desarrazoadas, manteve a autuação com espeque no mesmo art. 299 do RIR/99, considerando que esse tipo de gasto poderia ser enquadrado como despesa desnecessária. Concluise, portanto, que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade (artigos nºs 67 e 68 do Anexo II do RICARF), devendose DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, preliminarmente, há evidente e inafastável ausência de similitude fática entre as decisões confrontadas; b) que, enquanto o acórdão recorrido não enfrentou o mérito da autuação, deixando de tecer quaisquer considerações acerca da natureza das despesas glosadas, para reconhecer, preliminarmente, a nulidade da autuação, o acórdão paradigma, indicado no recurso especial, analisou o conteúdo das despesas lá envolvidas, para concluir pela sua desnecessidade; c) que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de despesas de natureza flagrantemente distintas: enquanto, no caso concreto, cuidamse de despesas com propaganda e marketing, no acórdão paradigma se tratava de despesas com a emissão de debêntures, fenômenos impossíveis de equiparação sob qualquer perspectiva; d) que, para que restasse adequadamente comprovado o dissídio jurisprudencial, deveria a Fazenda Nacional ter indicado acórdão paradigma que afastasse a nulidade de autuação semelhante, contrariando os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido; e) que, muito embora a capitulação legal do auto de infração ora em debate indique apenas o art. 299 do RIR/99, não há, nas razões que integram o Termo de Verificação Fiscal, acusação direta e individualizada no sentido de se apontar a desnecessidade das despesas; f) que, em relação a quaisquer dos períodos objeto da autuação, não há nenhuma passagem do TVF em que a acusação de liberalidade esteja desvinculada da acusação de distribuição disfarçada de lucros; g) que não se trata de mera discussão quanto à capitulação legal adequada em hipóteses de vinculação entre contratante e contratada, mas, antes, cuidase de lançamento no qual a própria imprecisão da acusação fiscal inviabilizou a defesa do contribuinte; Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.626 22 h) que, ainda que se entenda que as conclusões jurídicas em torno da capitulação legal da infração sejam simetricamente opostas, as operações com debêntures não se confundem com distribuição disfarçada de lucros; e i) que, no mérito, a nulidade da autuação é manifesta, razão pela qual merece ser integralmente mantida pela CSRF, caso o recurso especial da Fazenda Nacional seja eventualmente admitido. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. Com relação à preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, arguida pela contraarrazoante, não a acolho, pelos motivos abaixo referenciados, na mesma sequência das objeções listadas: a) que, preliminarmente, há evidente e inafastável ausência de similitude fática entre as decisões confrontadas; No presente caso, não se está a discutir questão fática, mas questão jurídica, qual seja, a de ser cabível, ou não, o enquadramento legal no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), na hipótese de operações que envolvam pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas. b) que, enquanto o acórdão recorrido não enfrentou o mérito da autuação, deixando de tecer quaisquer considerações acerca da natureza das despesas glosadas, para reconhecer, preliminarmente, a nulidade da autuação, o acórdão paradigma, indicado no recurso especial, analisou o conteúdo das despesas lá envolvidas, para concluir pela sua desnecessidade; É justamente a circunstância de o acórdão recorrido ter reconhecido, preliminarmente, a nulidade da autuação, e de o acórdão paradigma não o ter feito, que tornam divergentes as decisões tomadas em ambos os casos, abrangendo uma mesma situação jurídica — operações que envolveram pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas. É este o ponto de divergência entre ambos os acórdãos. c) que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de despesas de natureza flagrantemente distintas: enquanto, no caso concreto, cuidamse de despesas com propaganda e marketing, no acórdão paradigma se tratava de despesas com a emissão de debêntures, fenômenos impossíveis de equiparação sob qualquer perspectiva; O fato de as despesas serem distintas, no acórdão recorrido e no paradigma, é irrelevante no presente caso, uma vez que — como já foi dito anteriormente — estáse diante Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.627 23 de questão de direito, qual seja, a de ser cabível, ou não, o enquadramento legal no art. 299 do RIR/1999, na hipótese de operações que envolvam pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas. Tanto as despesas com propaganda, quanto as despesas com remuneração de debêntures, são, nos dois casos, operações que envolveram pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas. O que se discute, neste processo, é a possibilidade de enquadramento dessa situação — operações que envolvam pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas — no art. 299 do RIR/1999, e não as especificidades de cada uma daquelas despesas. d) que, para que restasse adequadamente comprovado o dissídio jurisprudencial, deveria a Fazenda Nacional ter indicado acórdão paradigma que afastasse a nulidade de autuação semelhante, contrariando os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido; A contrariedade entre ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, é que o primeiro entendeu não ser admissível o enquadramento legal no art. 299 do RIR/1999, por se tratar, no caso, de operações que envolveram pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas, anulando, em consequência, o lançamento, enquanto o segundo, em sentido diametralmente oposto, entendeu ser admissível esse mesmo enquadramento, não procedendo, por conseguinte, à anulação do respectivo lançamento. e) que, muito embora a capitulação legal do auto de infração ora em debate indique apenas o art. 299 do RIR/99, não há, nas razões que integram o Termo de Verificação Fiscal, acusação direta e individualizada no sentido de se apontar a desnecessidade das despesas; A própria decisão recorrida reconhece expressamente que: “Em sua conclusão ao TVF, entretanto, conforme visto acima, a autoridade fundamenta o ilícito no art. 299 do RIR/99, que cuida da necessidade das despesas com vistas à sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ. A mesma fundamentação legal é encontrada no corpo do auto de infração”. f) que, em relação a quaisquer dos períodos objeto da autuação, não há nenhuma passagem do TVF em que a acusação de liberalidade esteja desvinculada da acusação de distribuição disfarçada de lucros; A circunstância de se afirmar, no TVF, que o objetivo dos excessivos repasses de numerário, a título de propaganda, era promover a transferência de valores a pessoa física ligada, não implica, necessariamente, que o lançamento devesse ser obrigatoriamente nominado como “distribuição disfarçada de lucros”. A fiscalização é livre para, no exercício do lançamento, adotar o critério jurídico que repute mais adequado a cada situação específica, sendolhe vedado, apenas, modificálo, em relação a um mesmo sujeito passivo, salvo quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução (art. 146 do CTN). g) que não se trata de mera discussão quanto à capitulação legal adequada em hipóteses de vinculação entre contratante e Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.628 24 contratada, mas, antes, cuidase de lançamento no qual a própria imprecisão da acusação fiscal inviabilizou a defesa do contribuinte; O lançamento foi considerado nulo por força de um suposto erro de direito, conforme constou da conclusão e da ementa da decisão recorrida, respectivamente: “Por todo o exposto, entendo que a autoridade fiscal descreveu no TVF e no auto de infração ilícito tributário diverso do aparentemente praticado pela contribuinte, razão pela qual voto por dar provimento ao recurso voluntário” e “Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo”. Outros comentários porventura externados na decisão recorrida — falta de aprofundamento da fiscalização na direção da DDL; falta de provas de favorecimento de empresa ligada; imprecisão ou dubiedade da acusação fiscal; confusão entre conceitos; prejuízo do entendimento, pela contribuinte, da infração de que estava sendo acusada; falta de defesa da impugnante em relação à DDL; falta de acusação expressa nesse sentido, etc. —, correspondem a simples obter dicta, insuscetíveis de serem considerados, no caso, como rationes decidendi, uma vez que, se acatados, implicariam, não a nulidade do lançamento por suposto erro de direito, mas a sua própria improcedência. h) que, ainda que se entenda que as conclusões jurídicas em torno da capitulação legal da infração sejam simetricamente opostas, as operações com debêntures não se confundem com distribuição disfarçada de lucros; Da mesma forma que as operações com debêntures não se confundem com distribuição disfarçada de lucros, também as operações com despesas de propaganda não devem ser baralhadas com distribuição disfarçada de lucros. Ou seja, embora ambas as operações envolvam pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas, nenhuma delas deve ser anulada tãosomente por se fundamentarem no art. 299 do RIR/1999, o que, por si só, denota a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente. Superada a preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, passo ao mérito. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese a ser cabível, ou não, o enquadramento legal no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), na hipótese de operações que envolvam pagamento ou crédito de importâncias, em condições de favorecimento, a pessoas ligadas. Desde que essas operações tenham resultado na assunção, total ou parcial, de despesas desnecessárias, por se mostrarem, estas, de montante elevado, substancialmente superiores aos preços de mercado, e destinadas, em sua maior parte, ao benefício de pessoas físicas ligadas, por meio de empréstimos e lucros distribuídos a estas — e não propriamente a despesas com propaganda —, entendo ser plenamente cabível, entre outros critérios jurídicos passíveis de adoção no exercício do lançamento, o da glosa dessas despesas, na forma do art. 299 do RIR/1999 (Termo de Verificação Fiscal, destaques do original): 16. Significativo para as conclusões da fiscalização da contribuinte é a destinação que a Diffusion deu aos recursos Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.629 25 recebidos da Medley, inicialmente contabilizados como Adiantamento de Clientes e, depois, uma parte como receita de serviços prestados: fora as aplicações na atividade de fato (manutenção das equipes e todos os dispêndios necessários à participação nas competições automobilísticas), tributos e outras saídas de bancos, os recursos recebidos foram aplicados em empréstimos a Alexandre Negrão e lucros distribuídos ou antecipados a Alexandre Negrão, em 2004, 2005, 2006 e 2007, além de empréstimos para Conforto Empreendimentos, em 2006 e 2007; (grifamos) [...]. 24. De todo modo, como se demonstrará a seguir, houve notória liberalidade nos repasses de recursos para a DIFFUSION, com a agravante de serem seus sócios, sócios das controladoras da MEDLEY. (grifamos) Por óbvio, não se pode ter como despesas de propaganda parcelas que não foram empregadas para esse fim, mas apenas repassadas, como empréstimos e participação nos lucros, a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao destinatário dos recursos recebidos àquele título. Vejase que o próprio dispositivo legal tido como aplicável ao presente caso pela decisão recorrida, o art. 464, inciso VI, c/c o art. 466 do RIR/1999 (efls. 2.532 e 2.533), resulta, justamente, na indedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas a pessoa ligada, que vierem a caracterizar condições de favorecimento (art. 467, inciso, V, do RIR/1999, grifei): Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): [...]; VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. [...]. Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.630 26 [...]. Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): [...]; V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. Ora, mas se é assim, por que a fiscalização não se fundamentou no art. 467, inciso V, do RIR/1999, em vez de apenas no art. 299 do mesmo Regulamento? A decisão recorrida também faz o seguinte questionamento, a esse mesmo respeito (efls. 2.532): “se a empresa Diffusion não tivesse relação alguma com a contribuinte e seus sócios, será que a fiscalização ainda assim qualificaria essas despesas com propaganda como desnecessárias?” Respondese às duas indagações no sentido de que a questão não é, apenas, a ligação existente entre as empresas e seus sócios, mas, principalmente, o fato de que recursos inicialmente canalizados para propaganda terem sido desviados para outros fins. Como já dito anteriormente, a fiscalização é livre para, no exercício do lançamento, adotar o critério jurídico que repute mais adequado a cada situação específica, sendolhe vedado, apenas, modificálo, em relação a um mesmo sujeito passivo, salvo quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução — art. 146 do CTN. De todo modo, se se considerar a edição da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e seu art. 10 — que estabeleceu que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior —, verificarseá que o tratamento fiscal, seja por glosa de despesas, seja por distribuição disfarçada de lucros, passou a ser o mesmo, sem qualquer distinção. Por decorrência, não há como se inquinar de errônea a qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo, adotada pela fiscalização. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que, superada a preliminar de nulidade do lançamento por erro de direito, o Colegiado a quo analise o mérito deste. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.631 27 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Ouso divergir do ilustre relator, para entender que o presente recurso não pode ser conhecido em virtude da ausência de similitude fática entre as situações analisadas pelo acórdão recorrido e paradigma. É que, tratando ambas as autuações de glosas de despesas com fundamento no art. 299 do RIR/99, que por sua vez exige, para que a despesa seja dedutível, da observância do requisito de necessidade (usualidade e normalidade), fazse necessário verificar se a despesa deduzida preenche ou não esses requisitos. Por conseguinte, ao contrário do que afirma o relator, autuações dessa natureza necessariamente pressupõe uma análise do caso concreto. E foi justamente a partir desta análise do caso concreto, que o relator do acórdão recorrido entendeu que as despesas com propaganda, via de regra, são necessárias, usuais e normais pois têm como finalidade a obtenção de receitas, daí porque afirmou: "dificilmente despesas co propagando podem ser objeto de glosa em razão de sua suposta desnecessidade". A partir desta constatação, concluiu que a glosa somente decorreu porque as pessoas envolvidas são pessoas jurídicas ligadas e, por essa razão, houve erro na subsunção do caso concreto à norma, haja vista que a hipótese melhor se assemelha a uma distribuição disfarça de lucros, nos termos do art. 464 e 466 do RIR/99, motivo pelo qual cancelou a exigência com fundamento em erro de direito, como se pode verificar da própria ementa do acórdão: LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo. Já o acórdão paradigma, analisando situação de glosa de despesas de pagamento de debêntures, manteve o lançamento com fulcro no art. 299 do RIR/99, com base na análise daquele caso, como demonstro a partir dos seguintes trechos do voto vencedor daquele acórdão, negritando algumas passagens, com o intuito de demonstrar que a decisão está associada ao caso analisado naqueles autos: Foi deliberada a emissão de 140.000 debêntures, no valor total de R$140.000.000,00 . A primeira emissão, em 04/06/98, no total de 66.801 debêntures, no valor de R$ 66.801.000,00, foi paga com os valores dos lucros que já estavam creditados em nome dos acionistas subscritores. A partir daí, as emissões foram trimestrais a partir de 31 de julho de 1998, e suas subscrições foram sempre pagas com os rendimentos das debêntures anteriormente emitidas, os quais também eram creditados nas Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.632 28 contas dos acionistas. Assim, a cada trimestre em que era creditada a remuneração das debêntures, eram emitidas e subscritas novas debêntures, integralizadas com os rendimentos das debêntures anteriores, creditados nas contas dos acionistas/debenturistas. Como resultado prático, ao final da emissão das 140.000 debêntures, a empresa trocaria um passivo de crédito de acionista por um passivo de crédito de debenturista. Além disso, a remuneração das debêntures (de 0,0005% de participação nos lucros), considerada despesa dedutivel, implicaria a redução da base tributável em 70%. Haveria, com isso, uma economia tributável 70% do IRPJ e de 70% da CSLL. Como se vê, cuidase um planejamento instrumentalizado mediante emissão de debêntures que, ao que parece, pelos recursos que estão chegando a este Conselho, tornouse freqüente. Advirtase, de início, que o ponto comum, de envolver emissão de debêntures, não implica identidade de soluções dos processos. Cada caso é um caso, e na apreciação dos seus efeitos fiscais hão que ser considerados os aspectos específicos a eles inerentes. ......................................................................................................... Como se vê, não obstante prevista em lei, não parece ser tão pacífico que a remuneração das debêntures sob forma exclusiva de participação no lucro seja normal. Embora, talvez, legal, não há evidências de que essa forma de remuneração seja usual. Temse, assim, que enquanto o acórdão recorrido calca sua decisão na análise das despesas com propaganda e publicidade, o paradigma mantém a autuação pelas peculiaridades da remuneração de debêntures, sobretudo pelo fato de essa remuneração representar 70% dos lucros da pessoa jurídica, como se pode verificar do seguinte trecho: A usualidade e normalidade da operação em questão não têm o atributo de notoriedade, a dispensar prova. Além de não estar demonstrado ser usual a emissão de debêntures remuneradas exclusivamente com participação nos lucros (aliás, conforme doutrina acima transcrita, nem mesmo é admissivel), é pouco crível que a empresa abrisse mão de 70% de seus lucros para remunerar terceiros debenturistas. Isso, definitivamente, não é usual. A não ser, é claro, que esses terceiros fossem os mesmos detentores do capital da empresa, quando, então, a empresa (melhor dizendo, os detentores do capital) não estariam abrindo mão de coisa alguma (como no presente caso, em que a emissão de debêntures foi para subscrição privada dos seus cinco acionistas). Adotando a forma jurídica de emissão de debêntures a serem integralizadas exclusivamente por seus acionistas e com os próprios lucros creditados nas respectivas contas correntes, os acionistas continuaram a Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 9101002.519 CSRFT1 Fl. 2.633 29 fazer jus aos lucros, que permanecem na empresa remunerados a uma taxa muito à TJLP e à Selic. O cerne da questão reside na caracterização da despesa como necessária (usual e normal). Ricardo Mariz de Oliveira, (in RT Inf. 241/242, de 1980) leciona que "a despesa é não necessária quando for decorrente de ato de liberalidade, não no sentido de espontaneidade, mas no sentido jurídico de ato de favor, estranho aos objetivos sociais". No caso, a remuneração das debêntures com até 70% dos lucros caracterizou ato de liberalidade. Embora seja próprio da companhia captar recursos para fazer frente às suas necessidades, mediante emissão de debêntures, não é razoável entender como dentro dos objetivos sociais da empresa o comprometimento de mais de 2/3 de seus lucros com essa finalidade. Por essa razão, entendo que não se pode dizer que os colegiados do recorrido e do paradigma se debruçaram sobre situações similares e adotaram interpretações divergentes. Portanto, o recurso especial não pode ser conhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000518/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL. PRELIMINARES. FALTA DE COMPETÊNCIA DA DEINF. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se de instituição financeira, a DEINF e a DEAIN detêm competência concorrente para a constituição de crédito tributário no regime de tributação em bases universais, - in casu, lançamento decorrente de glosa de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL -, consoante estabelecem as normas definidoras das competências das unidades fazendárias da RFB.
FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INSUFICIÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES APENAS DO SISTEMA SAPLI. OFENSA AO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Na fase de constituição do crédito tributário, tipicamente inquisitória, a autoridade fiscal possui autonomia, por força do artigo 142 do CTN, para realizar averiguações e coletar informações e documentos que julgar convenientes para comprovação do fato gerador da obrigação tributária, não estando obrigada a estabelecer o contraditório com o contribuinte ou intimá-lo a apresentar documentos. O direito ao exercício da ampla defesa é reservado, pelas normas processuais, para a fase seguinte, quando se instaura o litígio, podendo então o contribuinte, se quiser, apresentar a documentação que entender necessária à sua defesa.
Os relatórios do Sistema SAPLI registram os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL declarados pelo próprio contribuinte nas DIPJs, bem como os apurados, de oficio, nos procedimentos de fiscalização, sendo que nesta última hipótese o contribuinte é notificado. Eventuais insuficiências, portanto, constatadas nos saldos registrados no SAPLI e que podem servir de base para lançamentos fiscais são ou devem ser do conhecimento do contribuinte, descabendo, desta forma, a alegação de pretenso cerceamento de direito de defesa.
ERRO DO SISTEMA SAPLI. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Eventual erro no sistema SAPLI que produz efeito apenas sobre parte do lançamento, impõe o reconhecimento de nulidade dessa parte, não do lançamento in totum, pois que, na ordem jurídica vigente, a nulidade parcial de um ato não prejudica a parte válida, sempre que esta for separável, como na situação em exame.
RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE OUTROS PROCESSOS. NÃO IMPEDIMENTO. RETIFICAÇÃO. O fato de determinado lançamento fiscal com repercussão em fatos posteriores, in casu, sobre saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL -, estar pendente de decisão definitiva no âmbito administrativo, não obsta que a autoridade proceda aos lançamentos reflexos dos exercícios seguintes, por força do dever de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. A falta do lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos a esses fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazê-lo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente.
DECADÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DOS PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS A PARTIR DOS RESPECTIVOS ANOS-BASE. IMPOSSIBILIDADE. A preclusão do direito do Fisco de realizar a retificação de oficio de registros de fatos que produzem efeitos tributários futuros ocorre somente com a extinção do prazo decadencial de lançamento dos fatos que materializam esses efeitos, por força de expressa norma legal que obriga o contribuinte a conservar documentos para fazer prova da ocorrência dos fatos primeiros e de sua conformidade A. lei.
MÉRITO. GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. CABIMENTO. Constatada a realização de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL, - in casu, por não considerar efeitos de cisões parciais e de lançamentos de oficio de crédito tributário impõe-se como legitima a glosa dessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PENDÊNCIA DE LANÇAMENTO COM
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE PROVA. TRANSFERÊNCIA PARA O SUCESSOR. CABIMENTO. Não provada, por ocasião do lançamento reflexo, a vigência de medida judicial suspensiva da exigibilidade de lançamento do qual aquele decorre, não pode o contribuinte ser exonerado da multa de oficio exigível junto com o crédito reflexo, pois, na hipótese, inexiste razão para se estender o alcance do provimento judicial.
A multa de oficio, constituindo penalidade pecuniária sem atributo de pessoalidade, e, por este motivo, não implicando imposição de ônus à pessoa, do infrator, mas sim ao patrimônio, transfere-se ao sucessor junto com o patrimônio, sendo certo, ainda, que compõe o conceito de crédito tributário, o qual, segundo o artigo 129 do CTN, é de responsabilidade do sucessor.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
Endereçada a irresignação, não contra eventual desconformidade, em face da lei, de atos praticados pela autoridade lançadora, mas sim contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode a contestação ser apreciada pelas autoridades julgadoras administrativas, visto que, na ordem jurídica vigente, a estas autoridades cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos não detendo poderes para afastá-las por inconstitucionalidade ou invalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito o IRPJ aplicam-se a CSLL reflexa, no que cabíveis.
Numero da decisão: 1302-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de necessidade de sobrestamento do processo, de nulidade e de decadência; e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário; e ainda, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, acompanhou Rogério Aparecido Gil (Relator) pelas conclusões quanto ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Na fase de constituição do crédito tributário, tipicamente inquisitória, a autoridade fiscal possui autonomia, por força do artigo 142 do CTN, para realizar averiguações e coletar informações e documentos que julgar convenientes para comprovação do fato gerador da obrigação tributária, não estando obrigada a estabelecer o contraditório com o contribuinte ou intimá-lo a apresentar documentos. O direito ao exercício da ampla defesa é reservado, pelas normas processuais, para a fase seguinte, quando se instaura o litígio, podendo então o contribuinte, se quiser, apresentar a documentação que entender necessária à sua defesa. Os relatórios do Sistema SAPLI registram os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL declarados pelo próprio contribuinte nas DIPJs, bem como os apurados, de oficio, nos procedimentos de fiscalização, sendo que nesta última hipótese o contribuinte é notificado. Eventuais insuficiências, portanto, constatadas nos saldos registrados no SAPLI e que podem servir de base para lançamentos fiscais são ou devem ser do conhecimento do contribuinte, descabendo, desta forma, a alegação de pretenso cerceamento de direito de defesa. ERRO DO SISTEMA SAPLI. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Eventual erro no sistema SAPLI que produz efeito apenas sobre parte do lançamento, impõe o reconhecimento de nulidade dessa parte, não do lançamento in totum, pois que, na ordem jurídica vigente, a nulidade parcial de um ato não prejudica a parte válida, sempre que esta for separável, como na situação em exame. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE OUTROS PROCESSOS. NÃO IMPEDIMENTO. RETIFICAÇÃO. O fato de determinado lançamento fiscal com repercussão em fatos posteriores, in casu, sobre saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL -, estar pendente de decisão definitiva no âmbito administrativo, não obsta que a autoridade proceda aos lançamentos reflexos dos exercícios seguintes, por força do dever de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. A falta do lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos a esses fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazê-lo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. DECADÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DOS PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS A PARTIR DOS RESPECTIVOS ANOS-BASE. IMPOSSIBILIDADE. A preclusão do direito do Fisco de realizar a retificação de oficio de registros de fatos que produzem efeitos tributários futuros ocorre somente com a extinção do prazo decadencial de lançamento dos fatos que materializam esses efeitos, por força de expressa norma legal que obriga o contribuinte a conservar documentos para fazer prova da ocorrência dos fatos primeiros e de sua conformidade A. lei. MÉRITO. GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. CABIMENTO. Constatada a realização de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL, - in casu, por não considerar efeitos de cisões parciais e de lançamentos de oficio de crédito tributário impõe-se como legitima a glosa dessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PENDÊNCIA DE LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE PROVA. TRANSFERÊNCIA PARA O SUCESSOR. CABIMENTO. Não provada, por ocasião do lançamento reflexo, a vigência de medida judicial suspensiva da exigibilidade de lançamento do qual aquele decorre, não pode o contribuinte ser exonerado da multa de oficio exigível junto com o crédito reflexo, pois, na hipótese, inexiste razão para se estender o alcance do provimento judicial. A multa de oficio, constituindo penalidade pecuniária sem atributo de pessoalidade, e, por este motivo, não implicando imposição de ônus à pessoa, do infrator, mas sim ao patrimônio, transfere-se ao sucessor junto com o patrimônio, sendo certo, ainda, que compõe o conceito de crédito tributário, o qual, segundo o artigo 129 do CTN, é de responsabilidade do sucessor. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Endereçada a irresignação, não contra eventual desconformidade, em face da lei, de atos praticados pela autoridade lançadora, mas sim contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode a contestação ser apreciada pelas autoridades julgadoras administrativas, visto que, na ordem jurídica vigente, a estas autoridades cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos não detendo poderes para afastá-las por inconstitucionalidade ou invalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito o IRPJ aplicam-se a CSLL reflexa, no que cabíveis.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL. PRELIMINARES. FALTA DE COMPETÊNCIA DA DEINF. INOCORRÊNCIA. Tratandose de instituição financeira, a DEINF e a DEAIN detêm competência concorrente para a constituição de crédito tributário no regime de tributação em bases universais, in casu, lançamento decorrente de glosa de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL , consoante estabelecem as normas definidoras das competências das unidades fazendárias da RFB. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INSUFICIÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES APENAS DO SISTEMA SAPLI. OFENSA AO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na fase de constituição do crédito tributário, tipicamente inquisitória, a autoridade fiscal possui autonomia, por força do artigo 142 do CTN, para realizar averiguações e coletar informações e documentos que julgar convenientes para comprovação do fato gerador da obrigação tributária, não estando obrigada a estabelecer o contraditório com o contribuinte ou intimá lo a apresentar documentos. O direito ao exercício da ampla defesa é reservado, pelas normas processuais, para a fase seguinte, quando se instaura o litígio, podendo então o contribuinte, se quiser, apresentar a documentação que entender necessária à sua defesa. Os relatórios do Sistema SAPLI registram os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL declarados pelo próprio contribuinte nas DIPJs, bem como os apurados, de oficio, nos procedimentos de fiscalização, sendo que nesta última hipótese o contribuinte é notificado. Eventuais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 18 /2 00 8- 66 Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 3 2 insuficiências, portanto, constatadas nos saldos registrados no SAPLI e que podem servir de base para lançamentos fiscais são ou devem ser do conhecimento do contribuinte, descabendo, desta forma, a alegação de pretenso cerceamento de direito de defesa. ERRO DO SISTEMA SAPLI. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Eventual erro no sistema SAPLI que produz efeito apenas sobre parte do lançamento, impõe o reconhecimento de nulidade dessa parte, não do lançamento in totum, pois que, na ordem jurídica vigente, a nulidade parcial de um ato não prejudica a parte válida, sempre que esta for separável, como na situação em exame. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE OUTROS PROCESSOS. NÃO IMPEDIMENTO. RETIFICAÇÃO. O fato de determinado lançamento fiscal com repercussão em fatos posteriores, in casu, sobre saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL , estar pendente de decisão definitiva no âmbito administrativo, não obsta que a autoridade proceda aos lançamentos reflexos dos exercícios seguintes, por força do dever de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. A falta do lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos a esses fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazêlo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. DECADÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DOS PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS A PARTIR DOS RESPECTIVOS ANOSBASE. IMPOSSIBILIDADE. A preclusão do direito do Fisco de realizar a retificação de oficio de registros de fatos que produzem efeitos tributários futuros ocorre somente com a extinção do prazo decadencial de lançamento dos fatos que materializam esses efeitos, por força de expressa norma legal que obriga o contribuinte a conservar documentos para fazer prova da ocorrência dos fatos primeiros e de sua conformidade A. lei. MÉRITO. GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. CABIMENTO. Constatada a realização de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL, in casu, por não considerar efeitos de cisões parciais e de lançamentos de oficio de crédito tributário impõese como legitima a glosa dessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PENDÊNCIA DE LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE PROVA. TRANSFERÊNCIA PARA O SUCESSOR. CABIMENTO. Não provada, por ocasião do lançamento reflexo, a vigência de medida judicial suspensiva da exigibilidade de lançamento do qual aquele decorre, não pode o contribuinte ser exonerado da multa de oficio exigível junto com o crédito reflexo, pois, na hipótese, inexiste razão para se estender o alcance do provimento judicial. A multa de oficio, constituindo penalidade pecuniária sem atributo de pessoalidade, e, por este motivo, não implicando imposição de ônus à pessoa, do infrator, mas sim ao patrimônio, transferese ao sucessor junto com o patrimônio, sendo certo, ainda, que compõe o conceito de crédito tributário, o qual, segundo o artigo 129 do CTN, é de responsabilidade do sucessor. Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 4 3 TAXA SELIC. ILEGALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Endereçada a irresignação, não contra eventual desconformidade, em face da lei, de atos praticados pela autoridade lançadora, mas sim contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode a contestação ser apreciada pelas autoridades julgadoras administrativas, visto que, na ordem jurídica vigente, a estas autoridades cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos não detendo poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou invalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito o IRPJ aplicamse a CSLL reflexa, no que cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de necessidade de sobrestamento do processo, de nulidade e de decadência; e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário; e ainda, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, acompanhou Rogério Aparecido Gil (Relator) pelas conclusões quanto ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, do qual consta pedido de sobrestamento, inicialmente acolhido nos termos Resolução nº 1302000.295 desta 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, de 08/04/2014, em que se concluiu pela devolução dos autos à DRF para aguardar o desfecho do PAF nº 16561.000003/200893, o qual foi julgado em 09/04/2014, cujo acórdão foi juntado a este processo às fls. 2258/2276. Na fiscalização, entre outras matérias que serão analisadas à frente, a DRF havia concluído que, nos anos 2003 a 2006, a recorrente teria efetuado compensações indevidas de prejuízos fiscais e bases negativas, acumulados até 31/12/2002, pela empresa incorporada pela recorrente (Banco Mercantil de São Paulo BMSP). Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 5 4 As compensações foram consideradas indevidas e os valores foram glosados neste Proc. 16327.000518/200866, com base no entendimento de que tais prejuízos fiscais/bases negativas ainda estariam em discussão no Proc. 16561.000003/200893 (Delegacia Especial de Assuntos Internacionais DEAIN). O objeto da discussão residia nas exclusões efetuadas pela recorrente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relativas ao resultado positivo de equivalência patrimonial (variação cambial), decorrente de investimentos em empresas ligadas no exterior. A recorrente submeteu essa tese ao Tribunal Regional Federal de São Paulo, Mandado de Segurança, Proc. n° 2003.61.00.0038066, 24ª Vara Federal, cujo objeto centrou se na obtenção de sentença declaratória de ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 7ª, § 1º da IN RFB 213/2002, quanto à adição nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL dos resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas ou controladas no exterior. Até a presente, a recorrente obteve, em duplo grau de jurisdição, resultados que lhe favorecem, no sentido de que não há legalidade nas disposições do art. 7º, § 1º da IN RFB nº 213/2002. Isto é, devese "reconhecer que a contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedade estrangeira, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não deve ser computada na determinação do lucro real para efeito do IRPJ e CSLL". Sobre a situação do referido processo, verificamos no "site" do Tribunal Regional Federal de São Paulo Mandado de Segurança, Proc. n° 2003.61.00.0038066, 24ª Vara Federal que, em 30/09/2016, que foi negado provimento aos Embargos de Declaração opostos pela União Federal, face ao acórdão que havia negado provimento a sua Apelação. A tese da recorrente, julgada em seu favor em primeira instância, foi, portanto, ratificada em segundo grau. Aguardase o trânsito em julgado ou a interposição de recurso. Ainda em relação aos mesmos valores glosados neste Proc. 16327.000518/200866, também estavam em discussão (duplicidade) no referido Proc. 16327.002193/200775 (Delegacia Especial de Assuntos de Instituições Financeiras DEINF SP). A recorrente alegou, ainda (item 29 da Impugnação, fl. 65), que os valores glosados neste processo Proc. 16327.000518/200866, não se refeririam somente aos prejuízos fiscais e bases negativas discutidas no Proc. 16561.000003/200893 (DEAIN), relativos a 31/12/2002. Mas também, os valores referentes a 2000 e 2001, discutidos no Proc. 16561.0000089/200692, em relação ao entendimento da DEAIN de que não teria havido disponibilização de lucros auferidos no exterior pela recorrente, referentes aos resultados obtidos por sua filial sediada em Grand Cyaman. Processo findado. Em sequência, ainda na impugnação (item 31 da Impugnação, fl. 65), alegou que a Fiscalização teria glosado valores (R$6.552.358,99 de IRPJ e R$83.787.845,94 de CSLL), cuja origem não foi possível determinar. Apresenta quadros demonstrativos, anexos à impugnação. Assim, nesse contexto, evitandose descompasso entre o julgamento deste PAF 16327.000518/200866 e o PAF 16561.000003/200893, sobrestouse o julgamento destes autos (Resolução nº 132000.295, 2ª TO, 3ª C, 1ª S, fl. 1.316) até que se ultimassem os Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 6 5 recursos administrativos relativos ao PAF n. 16561.000003/200893, cujo provimento final deveria determinar a regularidade (ou não) do lançamento destes autos. À vista do julgamento definitivo do PAF n°16561.000003/200893 (provimento parcial ao Recurso Voluntário) os autos retornaram para julgamento do Recurso Voluntário. Juntouse a estes autos, cópia integral do PAF nº 16561.000003/200893. Em virtude da exoneração de crédito referente a erros verificados no sistema SAPLI, que alterou os valores tributáveis pelo IRPJ e CSLL, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em conformidade com as disposições do art. 34 do Dec. nº 70.235, de 06/03/1972 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997 e Portaria MF nº 375, de 10/12/2001, por força de recurso necessário. Na forma acima sintetizada, já estão encerrados os processos administrativos nos quais discutiuse questões que envolviam a apuração de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados pela recorrente em 2000, 2001 e 2002, cuja respectiva utilização se deu de 2003 a 2006, objeto destes autos. Os respectivos acórdãos da DRJ contemplam provimentos parciais e, especificamente, em relação ao PAF 16561.000003/200893, que ensejou a suspensão inicial deste processo, verificase que, acolheramse as alegações da recorrente, relativas aos períodos específicos em que, efetivamente, as suas controladas obtiveram resultados positivos, em função de variação cambial positiva (a tese quanto à legalidade e constitucionalidade das disposições do art. 7º, § 1º da IN RFB nº 213/2002 estava, e ainda está, em discussão perante o TRFSP). Em virtude da situação processual do referido mandado de segurança (com decisão favorável à recorrente em duplo grau de jurisdição), em 12/09/2016, a recorrente requereu que este processo fosse tirado de pauta. O pedido foi apreciado pelo Sr. Presidente desta 2a. Turma, Luiz Matosinho Machado que proferiu o seguinte despacho: De acordo com o despacho constante às fls. 2355 do processo em epígrafe, a discussão administrativa relativa ao processo nº 16561.000.003/200893 encontrase exaurida, estando os débitos nele exigidos suspensos por medida judicial interposta pela interessada. Assim, restou cumprida pela unidade de origem a determinação contida na Resolução nº 1302000.295. Assim, s.m.j., o processo incluído em pauta encontrase apto para julgamento, cabendo ao relator analisar se existe alguma repercussão da decisão judicial no processo em epígrafe e apresentar suas conclusões no julgamento para a apreciação do colegiado. Pelo exposto, indefiro o pedido de retirada de pauta. Cientifiquese a requerente. Demais matérias que envolvem o processo Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 7 6 À vista desse contexto específico, relativo à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, apurados pela recorrente, com base na tese de que seria ilegal e inconstitucional o art. 7º, § 1º da IN RFB nº 213/2002; e diante dos referidos julgamentos de processos administrativos correlacionados, passo a relatar as demais matérias que envolvem este PAF. Vejamse os seguintes pontos destacados por ocasião da resolução pela conversão do julgamento em diligência: Na origem foi efetuado lançamento de ofício de IRPJ (R$ 97.861.740,23) e CSLL (R$ 10.224.906,89) em virtude de glosa de prejuízos compensados indevidamente nos períodos de 2003 a 2006 (fls. 02/46). Em resumo, o AFRFB se convenceu da ocorrência dos seguintes fatos, consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 47/48): a) que a recorrente teria verificado inconsistências no sistema SAPLI, na compensação de prejuízos fiscais nos anos de 2003 a 2006; b) que a recorrente teve alterado seus prejuízos fiscais e saldos negativos no anobase de 2002, por conta do lançamento realizado no processo 16561.000003/200893, em julgamento; c) que mesmo que tal fato não tivesse ocorrido, não haveria saldo suficiente para as compensações; d) que o Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo foi incorporado, em 30/11/2006, conforme DIPJ apresentada pela contribuinte CNPJ: 74.552.142/000106 ALVORADA CARTÕES, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A. A recorrente foi cientificada do lançamento em 22/04/2008 (fls. 49). Em 21/05/2008 apresentou impugnação ao auto de infração, pugnando pela total improcedência da autuação fiscal (fls. 57/94). Diante dos argumentos apresentados pela recorrente, a DRJ entendeu prudente converter o julgamento em diligência para esclarecimento das seguintes circunstâncias (fls. 1220/1224): 12. Sendo assim, recomendo sejam os autos devolvidos à Divisão de Fiscalização DIFIS, da DEINF/SPO para que se manifeste sobre as seguintes questões: i) redução do saldo de R$ 131.739.235,69 a zero no 31/12/2000; ii) caso se comprove que o motivo foi o aproveitamento do beneficio do artigo 8°, MP 1991/99, informar a partir de quando o autuado passou a escriturar no ativo a base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores acumulada até 31/12/1998, como crédito compensável de CSLL; iii) valores dos saldos das bases de cálculo negativas para a CSLL de períodos anteriores, para o período de 30/09/2000 até 31/12/2006; Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 8 7 A solicitação acima foi encaminhada à COFIS, responsável pela manutenção do sistema SAPLI, para os esclarecimentos necessários (fls. 1225). Em seguida, foi lavrado relatório de diligência com as seguintes conclusões (fls. 1226/1243): Portanto, atendendo ao solicitado pela DRJSão Paulo: 1. A conversão de R$. 131.739.235,69 ocorrida em 31/12/2000 foi incorreta, conforme informado pela COFIS; 2. O contribuinte aproveitou o beneficio do art. 8° da MP 1991/99 a partir do anobase de 2000, porém a conversão, por determinação legal, ocorreu em 31/12/1998; e 3. Os saldos das bases de cálculo para a CSLL, de períodos anteriores, para o período de 30/09/2000 a 31/12/2006 estão descritas no quadro abaixo, em negrito, observandose que esse demonstrativo já está contemplando a exclusão das compensações efetuadas pelo contribuinte e glosadas no auto de infração objeto deste processo: 4. Apresentouse novo quadro abaixo sem considerar o auto de infração lavrado, ou seja, com as compensações de bases negativas efetuadas pelo contribuinte, a fim de facilitar a apreciação pela DRJSão Paulo, onde se verifica que se mantém a compensação indevida no período de 2005 e 2006: Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 9 8 Sobreveio o acórdão recorrido que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela recorrente, nos termos da seguinte ementa (fls. 958/980): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL. PRELIMINARES. FALTA DE COMPETÊNCIA DA DEINF. INOCORRÊNCIA. Tratandose de instituição financeira, a DEINF e a DEAIN detêm competência concorrente para a constituição de crédito tributário no regime de tributação em bases universais, in casu, lançamento decorrente de glosa de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL , consoante estabelecem as normas definidoras das competências das unidades fazendárias da RFB. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INSUFICIÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES APENAS DO SISTEMA SAPLI. OFENSA AO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na fase de constituição do crédito tributário, tipicamente inquisitória, a autoridade fiscal possui autonomia, por força do artigo 142 do CTN, para realizar averiguações e coletar informações e documentos que julgar convenientes para comprovação do fato gerador da obrigação tributária, não estando obrigada a estabelecer o contraditório com o contribuinte ou intimálo a apresentar documentos. O direito ao exercício da ampla defesa é reservado, pelas normas processuais, para a fase seguinte, quando se instaura o litígio, podendo então o contribuinte, se quiser, apresentar a documentação que entender necessária à sua defesa. Os relatórios do Sistema SAPLI registram os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL declarados pelo próprio contribuinte nas DIPJs, bem como os apurados, de oficio, nos procedimentos de fiscalização, sendo que nesta última hipótese o contribuinte é notificado. Eventuais insuficiências, portanto, constatadas nos saldos registrados no SAPLI e que podem servir de base para lançamentos fiscais são ou devem ser do conhecimento do contribuinte, descabendo, desta forma, a alegação de pretenso cerceamento de direito de defesa. ERRO DO SISTEMA SAPLI. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Eventual erro no sistema SAPLI que produz efeito apenas sobre parte do lançamento, impõe o reconhecimento de nulidade dessa parte, não do lançamento in totum, pois que, na ordem jurídica vigente, a Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 10 9 nulidade parcial de um ato não prejudica a parte válida, sempre que esta for separável, como na situação em exame. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE OUTROS PROCESSOS. NÃO IMPEDIMENTO. RETIFICAÇÃO. O fato de determinado lançamento fiscal com repercussão em fatos posteriores, in casu, sobre saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL , estar pendente de decisão definitiva no âmbito administrativo, não obsta que a autoridade proceda aos lançamentos reflexos dos exercícios seguintes, por força do dever de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. A falta do lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos a esses fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazêlo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. DECADÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE SALDOS DOS PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS A PARTIR DOS RESPECTIVOS ANOSBASE. IMPOSSIBILIDADE. A preclusão do direito do Fisco de realizar a retificação de oficio de registros de fatos que produzem efeitos tributários futuros ocorre somente com a extinção do prazo decadencial de lançamento dos fatos que materializam esses efeitos, por força de expressa norma legal que obriga o contribuinte a conservar documentos para fazer prova da ocorrência dos fatos primeiros e de sua conformidade A. lei. MÉRITO. GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. CABIMENTO. Constatada a realização de compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL, in casu, por não considerar efeitos de cisões parciais e de lançamentos de oficio de crédito tributário impõese como legitima a glosa dessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PENDÊNCIA DE LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE PROVA. TRANSFERÊNCIA PARA O SUCESSOR. CABIMENTO. Não provada, por ocasião do lançamento reflexo, a vigência de medida judicial suspensiva da exigibilidade de lançamento do qual aquele decorre, não pode o contribuinte ser exonerado da multa de oficio exigível junto com o crédito reflexo, pois, na hipótese, inexiste razão para se estender o alcance do provimento judicial. A multa de oficio, constituindo penalidade pecuniária sem atributo de pessoalidade, e, por este motivo, não implicando imposição de ônus à pessoa, do infrator, mas sim ao patrimônio, transferese ao sucessor junto com o patrimônio, sendo certo, ainda, que compõe o conceito de crédito tributário, o qual, segundo o artigo 129 do CTN, é de responsabilidade do sucessor. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 11 10 Endereçada a irresignação, não contra eventual desconformidade, em face da lei, de atos praticados pela autoridade lançadora, mas sim contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode a contestação ser apreciada pelas autoridades julgadoras administrativas, visto que, na ordem jurídica vigente, a estas autoridades cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos não detendo poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou invalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito o IRPJ aplicamse a CSLL reflexa, no que cabíveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi intimada do acórdão supra em 13/10/2009 (fls. 987). Em 11/11/2009 interpôs Recurso Voluntário, mediante as razões a seguir sintetizadas (fls. 988/1035): a) em preliminar, alegou nulidade do lançamento por incompetência da autoridade responsável pela lavratura do auto. Para a recorrente, nos termos do art. 170 do Regimento Interno da Receita Federal, a competência para efetuar o lançamento no caso concreto seria da Divisão de Tributação de Bases Universais de Assuntos Internacionais (DEAIN), e não da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (DEINF), como se deu nos autos; b) ainda em preliminar, sustentou a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o auto de infração não teria consignado descrição mínima dos fatos e valores com base nos quais teria sido efetuado o cálculo para o lançamento; c) no mérito, a decadência do direito de a fiscalização retificar os saldos negativos que foram objeto de glosa, apurados até 2002, tendo em vista que a recorrente somente foi intimada do auto de infração em 22/04/2008 (fls. 49); d) que as compensações realizadas pela recorrente tiveram por base planilhas e declarações de imposto de renda (DIPJ), portanto, a glosa efetuada pela fiscalização seria ilegal; e) que a multa de ofício no caso em questão não seria cabível, pois o débito tributário discutido nos autos n° 16561.0000003/200893 e n° 16561.000089/2006 92, glosados nestes autos, encontramse com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, III, do CTN; f) que a multa pretendida nos autos seria inexigível, tendo em vista que a recorrente é sucessora do BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO, responsável pela prática dos fatos geradores, não sendo possível cogitar da responsabilidade tributária por multas na sucessão empresarial; g) impossibilidade de exigência dos juros da SELIC e dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 12 11 É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL O recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso. Inicialmente, analiso se haveria a necessidade de se suspender este julgamento (Proc. 16327.000518/200866) para aguardar decisão definitiva no referido Mandado de Segurança que determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos objeto dos PAF 16561.000003/200893 e, indiretamente, dos PAFs 16561.000089/200692 e 16327.002193/200775. Verificase que, tais processos administrativos já foram encerrados, conforme cópias dos respectivos autos juntados a este processo (fls. 984/1026). Quando do julgamento da impugnação, nestes autos (16327.000518/2008 66), a DRJ manifestouse no sentido que não haveria prejuízo para a recorrente, em caso de julgamento deste processo, nos seguintes termos (fls. 973/974): 23. Quanto ao argumento de que, estando o presente processo, por decorrência, pendente do PAF 16561.000003/200893, como também dos PAFs 16561.000089/200692 e 16327.002193/200775, não poderia se dar a retificação de oficio antes dos seus encerramentos, há que se observar que, uma vez que a autoridade fiscal tenha apurado determinada infração fiscal que repercuta em fatos posteriores é impositivo que também proceda aos lançamentos correspondentes a esses fatos nos exercícios seguintes, sob pena de não estar exercendo seu dever de ofício de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. Isto porque o não lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos aos fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazêlo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. Caso o lançamento original seja tido como improcedente, não haverá desvantagem para o autuado, já que os prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas utilizados no lançamento original, são devolvidos para aproveitamento em compensações futuras. Os autos de infração em questão ainda ressalvaram que as glosas constituem se em consequências indiretas, no que se refere ao lançamento formalizado no auto de infração objeto do processo administrativo nr. 16561.000003/200893, cuja exigibilidade encontrase suspensa pelo provimento jurisdicional concedido nos autos do citado Mandado de Segurança, Proc. 2003.61.00.0038066. Dessa forma, diante do término dos referidos processos administrativos (PAF 16561.000003/200893, 16561.000089/200692 e 16327.002193/200775), com resultados parcialmente favoráveis para a recorrente; considerando que nos autos do referido mandado de segurança (que, em 30/09/2016, aguardava trânsito em julgado ou recurso especial da União Federal) discutese se deve ou não haver lançamento de IRPJ e CSLL sobre equivalência patrimonial resultante de variação cambial positiva, em empresas ligadas, no exterior; e considerando que, na hipótese de êxito da recorrente no referido mandado de segurança, os respectivos prejuízos fiscais e base negativa de CSLL estarão devidamente assegurados ao recorrente, entendo que não há prejuízo em se dar continuidade ao presente julgamento. Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 13 12 Além do que, preceitua a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, passo à apreciação das razões de recurso voluntário preliminares e de mérito, como segue. Preliminar de Nulidade No recurso voluntário, a recorrente apresenta preliminar de nulidade do auto por violação ao disposto nos artigos 113, § 1º e 142. ambos do CTN. Vejamos: 29. O fato de a DEAIN/SP não ter descrito com clareza a origem dos valores lançados, deixando, inclusive, de mencionar de onde foram extraídos os dados para a realização dos seus cálculos (11), acabou por transferir ao contribuinte o ônus da prova, em manifesta afronta ao disposto no artigo 113, § 1º e 142, do CTN. A preliminar em questão, todavia, não merece amparo. Vejamos: O recurso voluntário versa sobre a existência de erro na base de cálculo do tributo, cujo lançamento se deu única e exclusivamente para fins de prevenção de decadência. Esse erro teria se dado especificamente em relação ao resultado positivo (variação cambial) de equivalência patrimonial de investimentos da recorrente nas controladas coligadas BMSP Luxemburgo e Finasa Holding. Especificamente em relação à variação cambial da coligada BMSP Luxemburgo no ano calendário fiscalizado, consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 81): A Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo Esta controlada, embora não tenha sido declarada na DIPJ do ano calendário de 2001, estava sobre o controle do BMSP de acordo com o relatório anual de auditoria da Deloitte & Touche, em anexo. Ou seja. a autoridade fiscal baseouse expressamente no relatório de auditoria, cuja elaboração baseouse estritamente nas escritas fornecidas pela própria recorrente à auditoria contratada, motivo pelo qual não há nulidade na autuação fiscal. Ademais, compulsando os autos, verificase que não somente a apuração da variação cambial da coligada BMSP Luxemburgo baseouse no aludido relatório de auditoria, mas também das demais filiais mantidas pela recorrente no exterior. Outrossim, consta dos autos a expedição de três termos de intimação da recorrente para a apresentação de inúmeros outros documentos para o fim de subsidiar o lançamento de um tributo já questionado pela própria recorrente (fls. 06/12). Destarte, é plenamente válido o lançamento do crédito tributário que se baseou em documentos apresentados pela própria recorrente, na falta de outros elementos. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 14 13 O acórdão recorrido ainda consignou que, a parte do lançamento efetuado pela DEINF Exterior, em duplicidade com o lançamento da DEAIN, objeto do PAF 16561.000003/200893, foi considerada insubsistente, não por razão de incompetência da DEINF, mas sim por prevenção, em relação à DEAIN, tendo em vista que foi a DEAIN que dera início o procedimento fiscal. Dessa forma, o acórdão recorrido tão somente ratificou a decisão que acolheu os próprios fundamentos da recorrente no sentido de que a DEAIN era preventa. Não se verifica, da mesma forma, a alegada nulidade. Assim, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Mérito DECADÊNCIA No mérito, a recorrente alega decadência do direito de a fiscalização retificar os saldos negativos que foram objeto de glosa, apurados até 2002, tendo em vista que a recorrente somente foi intimada do auto de infração em 22/04/2008 (fls. 49). Alegou que teria operado a decadência dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas apurados nos anoscalendário de 1997 a 2002, que teriam embasado a lavratura do presente Auto de Infração, estando o IRPJ e a CSLL, como tributos de lançamento por homologação, sujeitos ao prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Assim, não procederiam os lançamentos efetuados em 2008 para exigir tributos sobre parcela de prejuízos e bases negativas compensadas indevidamente entre 2003 e 2006, mas cuja apuração ocorreu até 31/12/2002. A respeito, o acórdão recorrido destaca que há impropriedade nesse argumento da recorrente, tendo em vista que o instituto da decadência, no sentido próprio adotado na ordem legal tributária vigente, (artigos 156, inciso V, 173 e 150, § 4º, CTN), está relacionado com a constituição do crédito tributário, não com apuração de saldos de prejuízos fiscais ou de bases negativas de CSLL declaradas nas DIPJ's. Na mesma linha, a DRJ salienta que a decadência caracteriza a inaptidão de determinado fato gerador para manter ativa a obrigação tributária dele originado, impedindo a constituição do correspondente crédito tributário, além do prazo, decadencial, previsto na lei, ora fixado em cinco anos. Ainda, a decadência, na ordem tributária vigente, somente possui efeito negativo, de obstar a cobrança de crédito tributário por parte do Fisco relativo aos períodos decaídos. Não detém efeito positivo, quer para convalidar eventuais registros realizados em desconformidade com a lei, relativos a fatos geradores decaídos, quer para conferir direito ao contribuinte para, com base nesses registros irregulares, pleitear, em exercícios posteriores, não pagamento ou redução de tributo, ou até repetição de indébito. Ressaltese que, os registros irregulares de saldos de prejuízos fiscais ou de base negativas de cálculo da CSLL, efetuados pela recorrente no período de 97 a 2002, com reflexos nos anos seguintes, não foram convalidados pela decadência. Não há como acolher a tese da recorrente de que, com base em suas apurações de saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL, poderseia reduzir ou não recolher o IRPJ e a CSLL devidos no período de 2003 a 2006, pois não se verificam nos autos evidências no sentido de que suas apurações estariam corretas, sobretudo, no que diz respeito à referida tese de ilegalidade e inconstitucionalidade que ainda encontrase sub judice. Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 15 14 Desse modo, não há decadência e também não há como acolher as compensações realizadas pela recorrente, sob a alegação de que tiveram por base planilhas e declarações de imposto de renda (DIPJ). Ainda que assim não fosse, os lançamentos em questão são reflexo dos referidos processos administrativos já julgados e, caso houvesse decadência haveria de ser declara em tais processos de origem. DAS COMPENSAÇÕES Com relação à alegação de que as compensações realizadas de 2003 a 2006 estariam corretas e em conformidade com as informações constantes das DIPJs anexas (fls. 291 a 800), resumidas em quadros demonstrativos (fls. 73, 74, 264 a 273), a recorrente sustenta que dos R$229.748.219,14 de prejuízos fiscais compensados, do período de 2004 a 2006, a autoridade teria glosado injustificadamente R$210.311.791,67, acolhendo apenas o montante de R$19.436.427,47. As bases negativas compensadas no período de 2003 a 2006, de R$222.324.632,54, teriam sido integralmente glosadas pela autoridade. Observase que a DRJ verificou (Comparativo dos Registros dos Saldos de Prejuízos Fiscais Contribuinte e SAPLI, fl. 1.100) que a recorrente não deduziu as parcelas dos estoques de prejuízos fiscais consumidos nos lançamentos dos PAFs 16561.000003/200893 e 16327.002193/200775, além de não considerar os efeitos, nesses saldos, das cisões parciais ocorridas em 30/09/2000, 10/03/2004, 01/11/2005 e 01/06/2006. Na forma relatada, este processo foi sobrestado a pedido da recorrente para aguardar o desfecho do PAF n. 16561.000003/200893, sob a alegação de que o lançamento objeto do presente processo dependia daquele. Esta informação foi confirmada pelo Termo de Verificação Fiscal, que assim consigna acerca do nexo de prejudicialidade entre os processos administrativos fiscais (fls. 49): O contribuinte teve alterado seus prejuízos fiscais e saldos negativos no ano base de 2002, em virtude do lançamento efetivado no Proc. 16561.000003/200893, em julgamento. Quando do julgamento da impugnação, a DRJ manifestouse da seguinte forma acerca da dependência dos processos administrativos (fls. 973/974): 23. Quanto ao argumento de que, estando o presente processo, por decorrência, pendente do PAF 16561.000003/200893, como também dos PAFs 16561.000089/200692 e 16327.002193/200775, não poderia se dar a retificação de oficio antes dos seus encerramentos, há que se observar que, uma vez que a autoridade fiscal tenha apurado determinada infração fiscal que repercuta em fatos posteriores é impositivo que também proceda aos lançamentos correspondentes a esses fatos nos exercícios seguintes, sob pena de não estar exercendo seu dever de ofício de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. Isto porque o não lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos aos fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazêlo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. Caso o lançamento original seja tido como improcedente, não haverá desvantagem para o autuado, já que os prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas utilizados no lançamento original, são devolvidos para aproveitamento em compensações futuras. No referido PAF n. 16561.000003/200893 houve tão somente o lançamento do crédito tributário para evitar a decadência, tendo em vista que o contribuinte dispõe de medida cautelar concedida liminarmente, a qual determinou a suspensão da exigibilidade da exação objeto de lançamento, até final julgamento de mérito. Assim, verificouse que a controvérsia daqueles autos residia tão somente em questionamentos relativos à base de cálculo objeto de lançamento. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 16 15 O Recurso Voluntário interposto no referido PAF nº 16561.000003/200893 foi julgado por esta 2º Turma Ordinária, cujo Acórdão nº 1302001.354, de 09/04/2014 (fls. 2258/2276) apresenta a seguinte ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 EMBASAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA RECORRENTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. É procedente o lançamento tributário realizado com base em documentação apresentada pela própria recorrente, à mingua de outros elementos que poderiam ter sido fornecidos durante o procedimento de fiscalização. IRPJ. CSLL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. RESULTADOS POSITIVOS CORRESPONDEN TES AO VALOR DO INVESTIMENTO. O lançamento de IRPJ e CSLL sobre equivalência patrimonial resultante de variação cambial em coligadas/controladas no exterior deve incidir sobre o valor do investimento no ano calendário correspondente. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. INVESTIMENTOS DE COLIGADA. O lançamento de IRPJ e CSLL sobre o resultado positivo de variação cambial de empresa situada no país somente incide sobre a equivalência patrimonial da sociedade coligada/ controlada no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. No início do citado Acórdão nº 1302001.354, de 09/04/2014 (fls. 2258/2276), consignouse: Antes de iniciar o exame das razões do recurso voluntário, observase que a recorrente noticia a existência de ação judicial, mandado de segurança n° 2003.61.00.0038066, originário da 24a Vara Federal de São Paulo/SP, relacionada ao lançamento discutido nestes autos. Do contexto dos autos, verificase que na ação judicial discutese a inconstitucionalidade da adição nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL dos resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas ou controladas no exterior, com fundamento na IN n° 213/2002. Nestes autos de processo administrativo, em síntese, discutese apenas a forma de composição da base de cálculo do IRPJ e CSLL dos resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas ou Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 17 16 controladas no exterior, cujo lançamento se deu para fins de precaverse de decadência, já que a recorrente dispõe de medida liminar na ação noticiada, eximindoa da exação por hora. Assim, não se verifica a concomitância ou impedimento para o tribunal administrativo realizar o julgamento da matéria versada nos autos, conforme: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Retornandose às conclusões do referido PAF nº 16561.000003/200893, destacam se os seguintes termos: Finasa Holding Diante destas circunstâncias, resta dar provimento ao recurso voluntário, pois a fiscalização desconsiderou a elevação de seus investimentos na estrangeira Finasa Holding. Entretanto, ainda assim, o valor da variação cambial (base de cálculo do lançamento) da recorrente na coligada/controlada Finasa Holding, apurado pelo AFRFB quando da conversão dos autos em diligência (R$ 94.373.015,11), diverge do valor alegado pela recorrente no recurso voluntário (R$ 91.331.602,07), a despeito do valor inicialmente apurado (R$ 213.916.516,20). Investigando o contexto dos autos, não é possível identificar a origem do valor da variação cambial da coligada/controlada Finasa Holding, alegado pela recorrente (R$ 91.331.602,07). Ao contrário, o valor da variação cambial da coligada/controlada Finasa Holding, apontado pelo AFRFB (R$ 94.373.015,11), decorre da conversão de seu Patrimônio Líquido em dólar (constante no relatório de auditoria apresentado pela recorrente de fls. 44/62 e no balanço patrimonial apresentado nos autos n° 1632 7.002193/200775 de fls. 271) segundo a taxa de câmbio aplicada no período, conforme esclarecimentos do AFRFB no item "1" (fls. 926/930). Destarte, considerando o contexto dos autos, entendo pela procedência parcial do recurso voluntário, razão pela qual voto por determinar a correção da base de cálculo dos resultados positivos (variação cambial) de equivalência patrimonial de investimentos da recorrente na coligada Finasa Holding, adotandose a seguinte metodologia de apuração: (i) de 01/01/2002 a 25/03/2002: cálculo da equivalência patrimonial pela variação cambial sobre 30,5% do capital da Finasa Holding, proporcional ao investimento da recorrente; (ii) de 26/03/2002 a 30/12/2002: cálculo da equivalência patrimonial pela variação cambial sobre 100% do capital da Finasa Holding, proporcional ao investimento da recorrente. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 18 17 Sendo a recorrente, detentora de apenas 30,5% da coligada Finasa Holding até o 25/03/2002, devese considerar o resultado da equivalência patrimonial por variação patrimonial sobre o valor do seu investimento. Por consequência, da citada data até o dia 30/12/2002, legítimo é o lançamento sobre a equivalência patrimonial no valor de seu investimento aumentado, que passou a ser de 100% sobre a agora controlada Finasa Holding. Registrase que o valor correto a ser considerado como equivalência patrimonial decorrente da variação cambial da controlada Finasa Holding é aquele apontado pela fiscalização (R$ 94.373.015,11), que é apurado com base no patrimônio líquido da recorrente constante nos autos (fls. 44/62 e fls. 271). Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário da recorrente, nos termos e fundamentos ora delineados. Da controlada Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo Em relação à controlada Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo, destacamse as seguintes conclusões: No que diz respeito ao BMSP Internacional Luxemburgo, em síntese, a recorrente sustenta que não deveria ter sido objeto de tributação o resultado apurado pela equivalência patrimonial, pois deixou de deter participação acionária na companhia em 27/12/2001, tornando a têla novamente somente em 30/12/2002. Argumenta que (fl. 742): 56. Conforme mencionado no item IV.2.(i) acima, a partir do dia 27/12/2001 o Banco Mercantil de São Paulo S.A. [recorrente] deixou de participar no capital social total do BMSP Luxemburgo, pelo fato de ter integralizado as ações que detinha no capital desta empresa para a formação de parte do capital da sociedade FINASA (30,5%). Posteriormente, a participação do Banco Mercantil de São Paulo [recorrente] naquela sociedade passou a ser de 100%, em razão da aquisição da participação correspondente a 69,5%, junto a Souto Vidigal S.A. 57. Como resultado da incorporação da FINASA pela BMSP Luxemburgo em 31/12/2002, o Banco Mercantil de São Paulo S.A [recorrente] passou a participar novamente no capital social da BMSP Luxemburgo, já que as ações que detinha na FINASA foram "trocadas " por ações da BMSP Luxemburgo. Para a recorrente, a consequência disso é a de que não haveria que se falar no lançamento de crédito tributário no período, porquanto não teria experimentado qualquer impacto decorrente da equivalência patrimonial em razão da variação cambial, em relação à BMSP Luxemburgo, vejamos (fl. 744): 65. No entanto, conforme demonstrado nos itens acima, o Banco mercantil de São Paulo S.A. deixou de participar da BMSP Luxemburgo (empresa controlada) em 27/12/2001, motivo pelo qual essa empresa sequer foi declarada na DIPJ do ano 2001, voltando a participar nessa empresa somente em dezembro de 2002 em 100% face à incorporação da FINASA HOLDING. Portanto, no ano 2002, não há que se apurar variação cambial pela empresa, conforme equivocadamente apurado pela DEAIN/SP. Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 19 18 Quando da conversão dos autos em diligência para auferir a veracidade dessas informações, o AFRFB reconheceu a operação societária, conforme já pontuado, mas defende que não haveria reflexo na base de cálculo do lançamento, conforme argumentos que serão individualmente analisados adiante. Neste ponto, entendo que o recurso voluntário merece provimento. No lançamento objeto dos autos, o AFRFB considerou que a recorrente teria auferido resultados positivos de equivalência patrimonial decorrentes de variação cambial em investimentos junto à controlada Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo nos seguintes termos: 2.2 CAPITAL, RESERVAS E LUCROS A Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo Esta controlada, embora não tenha sido declarada na DIPJ do ano calendário de 2001, estava sobre o controle do BMSP, de acordo com o relatório anual de auditoria da Deloitte & Touche, em anexo. Seu Patrimônio Líquido à época era de: Capital US$ 40.000.000,00 Reservas US$ 29.434.103,34 Lucro US$ 6.671.605,49 Total US$ 76.105.708,83 Em Reais Taxa de 2,3204 = R$ 173.595.608,70 Em 2002 Capital US$ 40.000.000,00 Reservas US$ 35.438.548,28 Lucro US$ 5.532.200,14 Total US$ 80.970.748,42 Taxa de câmbio = 3,5333 Em reais R$ 286.093.945,30 PL de 2002: R$ 286.093.945,30 R$ 6.767.712,72 = R$ 279.326.232,60. Resultado Positivo da equivalência patrimonial de 20012002: R$279.326.232,60 R$176.595.686,70 = R$ 102.730.545,90 Porém, como pontuado pela recorrente, e verificado pelo AFRB quando da conversão do julgamento dos autos em diligência, a recorrente teria deixado de participar dessa sociedade em 27/12/2001, retomando sua participação em 30/12/2002. Resumidamente, segue relato cronológico dos fatos: Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 20 19 (i) 27/12/2001: Recorrente substitui 100% de ações na BMSP Luxemburgo por 30,5% de ações na Finasa Holding (Luxemburgo). Logo, a recorrente deixou de ter a participação na BMSP Luxemburgo para ser acionista na Finasa Holding. (ii) 25/03/2002: Recorrente adquire outros 69,5% da Finasa Holding junto à Souto Vidigal S/A. A recorrente passa, então, a deter 100% da Finasa Holding, controladora da BMSP Luxemburgo. (ii) 30/12/2002: A BMSP Luxemburgo incorpora a Finasa Holding. Logo, a recorrente, que detinha 100% da Finasa Holding, passa a deter novamente 100% do capital da BMSP Luxemburgo. Concluise, assim, que o investimento da recorrente em sociedade no exterior durante o período fiscalizado se deu na Finasa Holding S/A, e não na BMSP Luxemburgo, controlada pela primeira. Quanto à Finasa Holding, tanto a recorrente em seu recurso voluntário, quanto o AFRFB, ao prestar esclarecimentos acerca das alterações societárias noticiadas, convergem na metodologia de apuração da equivalência patrimonial, como examinado no item anterior. A recorrente passou a ser investidora da BMSP Luxemburgo em 30/12/2002. Portanto, somente a partir de então é que ela pode ser demandada ao pagamento de equivalência patrimonial decorrente de variação cambial no limite financeiro e temporal do investimento. Entendo que o AFRFB deveria ter verificado se, durante o período em que a Finasa foi controladora da BMSP Luxemburgo, foi utilizado o método de equivalência patrimonial entre essas empresas, conforme dispõe art. 1°, § 6°, da IN n° 213/01:Art. 1°[...] § 6° Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Entretanto, quando da conversão dos autos em diligência, o AFRFB limitou se a (i) sustentar que as operações societárias realizadas pela recorrente não refletiram no lançamento em discussão e a (ii) rebater os argumentos delineados no recurso voluntário, o que sequer foi objeto de solicitação quando da conversão do julgamento em diligência. Ora, é evidente que há reflexo no lançamento objeto de discussão nos autos. O lançamento levou em consideração a variação cambial apurada no relatório de auditoria realizado pela Deloitte & Touche na BMSP Luxemburgo (fls. 44/56), mas não levou em consideração que a recorrente não detinha participação societária nessa empresa até o dia 30/12/2002. Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 21 20 Significa dizer que a variação cambial auferida na BMSP Luxemburgo seria incluída na base de cálculo do lançamento em exame por duas vezes, sendo uma diretamente dela e outra por intermédio da Finasa Holding. O mesmo raciocínio proposto no item anterior, para a apuração da variação cambial do investimento da recorrente na Finasa Holding, deve ser aplicado à BMSP Luxemburgo. Ou seja, o resultado positivo da equivalência patrimonial decorrente da variação cambial deve tomar em consideração o valor do investimento no momento da ocorrência do fato gerador do tributo objeto de lançamento (31/12), subtraindose o valor inicial e a data do investimento. Esta fórmula de cálculo possui supedâneo no art. 388, do RIR/99: Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 22). O método adotado pelo AFRFB para tributar o resultado da variação cambial da BMSP Luxemburgo, em face da recorrente não deve prosperar, pois tal ato parece desconsiderar a personalidade jurídica da controlada Finasa Holding, sem, contudo, apresentar justificativa para tanto. Vale lembrar que o lançamento do crédito em exame tem supedâneo no art. 74, da MP 2.15835/2001, que dispõe: Lei nr. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. O regulamento mencionado na parte final do caput do artigo citado foi feito por meio da Instrução Normativa n° 213/01, que em seu art. 7°, § 1°, dispõe: Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 22 21 Art. 7° A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. §1° Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. É dizer, as disposições legais que regulamentam a autuação fiscal em exame autorizam a tributação do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, mas não o investimento dessa controlada em outra no país determinado. Do contrário, estaria a União exigindo o tributo em manifesta contrariedade ao preceito constitucional de que ninguém será compelido à recolher tributo sem que lei o estabeleça (art. 150, I, da Constituição da República). Vale dizer, não há dispositivo legal que autorize a tributação da forma como proposta pela autoridade de origem. Tanto é que a própria Delegacia Especial de Instituições Financeiras da Receita Federal do Brasil em São Paulo (DEINF/SP), ao realizar esse mesmo lançamento em face da sucessora da recorrente, a Alvorada Cartões, Créditos, Financiamentos e Investimentos S/A, que deu ensejo à instauração do PAF n° 16327.002193/200775 (fls. 141/689), levou em consideração que a recorrente não detinha participação societária na BMSP Luxemburgo. Neste caso, o AFRFB apresentou a seguinte consideração no relatório decorrente da diligência determinada por este Conselho: 2.8 Atentemos: no dia 27 de dezembro de 2001, cessou a participação da fiscalizada na BMSP Luxemburgo, então dessa maneira, e por causa disso, ela não foi declarada na DIPJ. Mas teve desempenho econômico forte durante todo o ano de 2001. Teve seus ativos avaliados em US$ 294.378.226,00 (página 43). Atentemos novamente: dia 27 de dezembro. A própria entidade fornece o Balanço Patrimonial em 31 de Dezembro de 2001 desenvolvido suas atividades, atividades estas sobejamente comprovadas por suas Demonstrações Financeiras. Óbvio que devamos considerar seus resultados em 2001, conforme informação oficial da mesma. 2.9 Diz ainda a D. defesa que a fiscalizada só voltou a participar novamente no capital social da controlada em 31 de dezembro de 2002. E mais, diz também que essa fiscalização não deveria ter considerado a variação Fl. 2380DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 23 22 cambial em 31 de dezembro de 2002, pois " pois esse foi o único movimento durante o ano de 2002." Ora, a fiscalizada não declarou a empresa em 2001, pois em 31 de dezembro ela não participava mais da controlada. Deixou de fazêlo em 27 e dezembro. Ou seja, no balancete de Dezembro, estão lá as informações até o dia 27. Agora, em 2002 mudou o enfoque. Diz que só voltou a participar da empresa em 30 de dezembro de 2002! Salienta que durante todo o ano não houve operações e, que, portanto, essa fiscalização não deveria considerar a variação cambial havida. Estes argumentos não possuem sustentação jurídica, e por isso não merecem credibilidade, com a devida vênia à autoridade fiscal de origem. Se o critério jurídico para o lançamento de IRPJ e CSLL fosse tão somente o fato de a recorrente deter participação societária em 31/12 do anocalendário, estar seia admitindo que a equivalência patrimonial resultado da variação cambial da Finasa Holding não poderia ser objeto de lançamento no anocalendário 2002, pois a recorrente teria deixado seus quadros societários antes dessa data, ou seja, em 30/12. Mas este raciocínio não norteia o recurso voluntário, tanto que como demonstrado no item anterior, a recorrente defende o lançamento do tributo no período, conforme enfrentado no item anterior. Importante pontuar também que os presentes autos têm como objeto a fiscalização do anocalendário 2002, de modo que não cabe aqui a discussão acerca do recolhimento ou não dos tributos devidos a título de equivalência patrimonial decorrente de variação cambial nos períodos anteriores, mormente em relação ao ano de 2001, como ponderado pela fiscalização. Em arremate, segundo observado pelo AFRFB nos esclarecimentos prestados quando da conversão dos autos em diligência: Concluindo: as palavras acima são cristalinas: dois pesos, duas medidas. Esta fiscalização considerou para efeito do auto de infração, os dados constantes nos demonstrativos já citados acima. Ou seja, será que a D. defesa considera que as próprias informações prestadas pela diretoria da entidade situada no paraíso fiscal de Luxemburgo não são válidas? Desta forma, consideramos que os cálculos da variação cambial desta controlada por nós realizados estão corretos e suas comprovações incontestáveis. Não se discute a veracidade das informações constantes no relatório de auditoria que serviram de base para a apuração do resultado da variação cambial no período. Por todo o exposto, é patente concluir que a inclusão do resultado da variação cambial apurado da BMSP Luxemburgo não pode ser incluída na base de cálculo do lançamento objeto dos autos, em face da recorrente, tendo em vista que ela somente passou a ser investidora nesta empresa em 30/12/2002. Em conclusão final, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto no referido PAF nº 16561.000003/200893, Acórdão nº 1302001.354, de 09/04/2014 (fls. 2258/2276). Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 24 23 Sendo assim, o resultado final do PAF nr. 16561.000003/200893, Acórdão nº 1302001.354, deve ser considerado neste processo. Isto é, na forma retro transcrita, esta 2a. Turma considerou corretos os seguintes valores de ganhos por equivalência patrimonial decorrentes de variação cambial: a) em relação à Finasa Holding: R$ 94.373.015,11 (neste item, deuse provimento parcial, pois a recorrente apurou, R$ 91.331.602,07); b) em relação à controlada Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo: concluiuse que a recorrente não detinha participação no referido período. Portanto, não há ganho de equivalência patrimonial (neste item, deuse provimento integral ao recurso voluntário). Nesse sentido, é de se dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, de modo a considerarse tais reflexos neste processo. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA E SUCESSÃO SOCIETÁRIA A recorrente alegou que a multa de ofício no caso em questão não seria cabível, em virtude do fato de que o débito tributário discutido nos autos n° 16561.0000003/200893 e n° 16561.000089/200692, glosados nestes autos, encontramse com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, III, do CTN. Arguiu, ainda, contra a aplicação da multa de ofício, que não caberia a exigência da multa de ofício por se tratar de hipótese de sucessão por incorporação, sendo que o artigo 132, do CTN, estabelece responsabilidade apenas sobre o tributo, que não inclui as multas pecuniárias, a teor do disposto no artigo 3º, do CTN. Não obstante os entendimentos a respeito, colacionados pela recorrente, cabe, neste caso, o raciocínio no sentido de que de que não há previsão legal que autorize a exoneração de ônus fiscais, que incluem as penalidades, em caso de mudanças societárias. Nessa linha, não há como afastar a responsabilidade do sucessor. No mesmo sentido, o Acórdão 20214565: RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporadora. Nesse contexto, não há como acolher o pedido de cancelamento da multa de ofício pelo fato de a recorrente ser sucessora do Banco Mercantil de São Paulo, responsável pela prática dos fatos geradores, conforme estabelece a Súmula CARF nº 47: "cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." De outro modo, é devido o cancelamento parcial da multa de ofício, proporcionalmente ao provimento parcial do recurso voluntário, na forma do item anterior, sobre as correções de valores relativos a ganhos por equivalência patrimonial, em decorrência de variação cambial (Finasa Holding e Banco Mercantil de São Paulo Internacional Luxemburgo). Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 25 24 IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DOS JUROS DA SELIC E DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A recorrente sustenta, ainda, a impossibilidade de exigência dos juros da SELIC e dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Alegou que a aplicação da Taxa Selic no cômputo dos créditos tributários constitui violação aos artigos 5º, inciso II, e 150, inciso I, da CF/88, porque não teria sido criada por lei e possui caráter remuneratório, não moratório, mostrandose especificamente ilegal quando aplicada sobre a multa de ofício. Vejase que a recorrente está questionando a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora (artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/96) A respeito, o acórdão recorrido consigna que. na ordem jurídica vigente a tais autoridades cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem deter poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Impende assinalar, ainda, que os juros moratórios consignados no presente lançamento estão incidindo sobre o tributo lançado (fls. 02, 11, 19 e 30) não sobre a multa de ofício, como afirma o autuado. Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, por estabelecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não há como acolher as razões da recorrente. Registrese, ainda, que as normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis. Assim, em consonância com o entendimento retro, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que diz respeito aos ganhos por equivalência patrimonial em decorrência de variação cambial positiva, bem como em relação o provimento parcial para cancelar proporcionalmente a multa de ofício, é de se dar provimento parcial ao recurso voluntário, também para proporcionalizar os juros de mora pela Taxa Selic, sobre a divergência entre o valor correto considerado (em relação à Finasa Holding: R$ 94.373.015,11) e o valor incorreto (R$ 91.331.602,07), informado pela recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de dar PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, na forma das conclusões retro, sobre o valor correto do ganho por equivalência patrimonial em decorrência de variação cambial (R$94.373.015,11); sobre a proporcionalidade da multa de ofício e dos juros de mora pela Taxa Selic. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito referente a erros verificados no sistema SAPLI, que alterou os valores tributáveis pelo IRPJ e CSLL, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em conformidade com as disposições do art. 34 do Dec. nº 70.235, de 06/03/1972 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997 e Portaria MF nº 375, de 10/12/2001, por força de recurso necessário. Na forma relatada, o julgamento inicial da DRJ foi convertido em diligência, cujo resultado confirmou (fls. 47/48) as citadas inconsistências no sistema SAPLI. Assim, atendendo Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302001.992 S1C3T2 Fl. 26 25 ao solicitado pela DRJSão Paulo, concluiuse que houve erro na conversão de R$131.739.235,69 ocorrida em 31/12/2000, conforme informado pela COFIS. Diante das conclusões da diligência a DRJ registrou a seguinte ementa a respeito (fls. 958/980): ERRO DO SISTEMA SAPLI. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Eventual erro no sistema SAPLI que produz efeito apenas sobre parte do lançamento, impõe o reconhecimento de nulidade dessa parte, não do lançamento in totum, pois que, na ordem jurídica vigente, a nulidade parcial de um ato não prejudica a parte válida, sempre que esta for separável, como na situação em exame. Analisandose tais fatos e fundamentos específicos, verificase que estão corretas as conclusões da DRJ e, nesse sentido, voto por NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 2384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915944/2008-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 44 /2 00 8- 34 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.858, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915944/200834 Acórdão n.º 9303003.975 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10120.731437/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
OPERAÇÕES COM DEBÊNTURES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. ABUSO DE DIREITO. INDEDUTIBILIDADE.
O fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, não garante por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária.
Empréstimos entre coligadas e emissão de debêntures, com utilização de empresa veículo, quando o negócio substancialmente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital, visando a redução da carga tributária, condutas articuladas antes mesmo da ocorrência do fato gerador, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL.
Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL.
CONFRONTO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. IRPJ E CSLL.
Quando comprovado que, apesar de o contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício se revela descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma).
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, fraude e conluio caracterizados pela comprovação de atos simulados.
Numero da decisão: 1402-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação a essa matéria.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto De Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÕES COM DEBÊNTURES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. ABUSO DE DIREITO. INDEDUTIBILIDADE. O fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, não garante por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária. Empréstimos entre coligadas e emissão de debêntures, com utilização de empresa veículo, quando o negócio substancialmente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital, visando a redução da carga tributária, condutas articuladas antes mesmo da ocorrência do fato gerador, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL. Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. CONFRONTO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. IRPJ E CSLL. Quando comprovado que, apesar de o contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício se revela descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, fraude e conluio caracterizados pela comprovação de atos simulados.
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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. ABUSO DE DIREITO. INDEDUTIBILIDADE. O fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, não garante por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária. Empréstimos entre coligadas e emissão de debêntures, com utilização de empresa veículo, quando o negócio substancialmente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital, visando a redução da carga tributária, condutas articuladas antes mesmo da ocorrência do fato gerador, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL. Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. CONFRONTO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. IRPJ E CSLL. Quando comprovado que, apesar de o contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício se revela descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 14 37 /2 01 2- 28 Fl. 9973DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.974 2 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303 003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, fraude e conluio caracterizados pela comprovação de atos simulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação a essa matéria. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto De Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 9974DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.975 3 Relatório Adoto a integra do relatório da DRJ, com as necessárias atualizações. Tratase de autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A. para exigir IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, no valor total de R$ 736.061.772,54. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte as seguintes infrações: (1) despesas inexistentes de participação de debêntures com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL; (2) compensação indevida de prejuízo fiscal; (3) compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL; (4) falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ; e (5) falta de recolhimento e de declaração em DCTF da CSLL. Na apuração do crédito tributário referente às infrações (1), (2) e (3), o agente fiscal aplicou a multa ex officio qualificada de 150%, enquanto que na apuração do crédito tributário referente às infrações (4) e (5), o agente fiscal aplicou a multa ex officio de 75%. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Das despesas inexistentes de participação de debêntures A ação fiscal foi instaurada para a verificação da regularidade da operação de emissão de debêntures, pela fiscalizada, e dos respectivos efeitos tributários relacionados à dedução, na apuração do lucro real, do valor calculado a título de participação de debêntures nos mencionados anos. De acordo com a autoridade fiscal, durante o procedimento, foram utilizados os seguintes elementos probatórios: (1) informações e documentos apresentados pela fiscalizada, pela debenturista e por terceiros relacionados às operações investigadas, em atendimento a intimações da fiscalização; (2) declarações prestadas pelos representantes legais da fiscalizada, da debenturista e de terceiros, lavradas em termos de declarações; (3) documentos apresentados pelas juntas comerciais; (4) informações obtidas junto aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB). (3) Do extenso e detalhado Relatório Fiscal de fls. 8.930/9.095, merecem destaque as seguintes informações iniciais que dizem respeito à contextualização do grupo Yamaha: 4. No decorrer dos trabalhos verificamos que a controladora indireta da fiscalizada captou recursos no exterior (por meio de empréstimos e de ações colocadas no mercado) e transferiu esses recursos para o Brasil, a título de empréstimos entre coligadas, para outra empresa do mesmo grupo. Esta, por sua vez, utilizou tais recursos para aquisição das debêntures emitidas pela fiscalizada e por uma terceira empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures. 5. Desse modo, houve a necessidade de ampliar a análise fiscal ao conjunto de operações que compõem essa estrutura montada com a finalidade de capitalizar a fiscalizada (e outra empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures), conforme detalharemos adiante. Fl. 9975DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.976 4 6. Com base na análise dos elementos probatórios colhidos durante a ação fiscal demonstraremos, ao longo do presente relatório, que o aporte de recursos na fiscalizada para o desenvolvimento de suas atividades de mineração tratase, na sua essência, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. (...) 10. Para fins de uniformização e clareza, damos abaixo a definição adotada para os termos e nomes de empresas mais utilizados no presente relatório. 10.1 "Grupo Yamana" significa o conjunto de empresas, situadas em diversos países, controladas direta ou indiretamente pela empresa canadense Yamana Gold Inc. 10.2 "Yamana" significa Yamana Gold Inc., empresa sediada no Canadá, constituída sob as leis daquele país, controladora, direta ou indireta, das empresas que compõem o Grupo Yamana. 10.3 "Amulet"" significa Amulet Limited, empresa constituída sob as leis das Ilhas Cayman. 10.4 "DPL" significa Debênture de Participação nos Lucros. 10.5 "Maracá" ou "fiscalizada" significa Mineração Maracá Indústria e Comércio S.A. empresa constituída sob as leis do Brasil, conforme acima identificada. 10.6 ""Emissora", no presente relatório, significa a Maracá Indústria e Comércio S.A., empresa constituída sob as leis do Brasil, conforme acima identificada, na condição de emissora de DPL. 10.7 ""Serra da Borda" significa Serra da Borda Mineração e Metalurgia S.A., empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n° 05.640.971/000170. 10.8 "PTAPAR" significa PTAPAR Participações Ltda, empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ sob o n° 06.225.177/0001 72. 10.9 "Debenturista" significa a PTAPAR na qualidade de adquirente de DPL emitidas pela Maracá. 10.10 "YDM" significa Yamana Desenvolvimento Mineral S.A., empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ sob o n° 05.725.958/000163. 10.11 "DIKAIOS" significa DIKAIOS Serviços Empresariais LTDA, empresa constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ 05.324.334/000134. 10.12 "Price" significa PricewaterhouseCoopers Corporate Finance & Recovery Ltda., empresa contratada pela Maracá para elaborar um relatório, no qual são identificadas referências de mercado relativas ao retorno sobre investimentos em mineração no Brasil, com base em informações disponíveis publicamente. 10.13 "Minera" significa Minera Yamana Inc., CNPJ 09.583.496/000148, empresa sediada no Canadá, constituída sob as leis daquele país, controlada diretamente pela Yamana. (...) Fl. 9976DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.977 5 11. A Maracá é uma sociedade anônima fechada, integrante do Grupo Yamana, sediada no Município de Alto Horizonte/GO, que tem como atividade principal, junto ao CNPJ, a Extração de Minerais Metálicos NãoFerrosos não especificados, Código de Atividade Econômica Principal CNAE n° 07294, e que está submetida à apuração de seu resultado tributável com base no Lucro Real. 12. Constituída em 1994, a Maracá sucedeu e incorporou, em 1998, a Mineração Alonte, que, por seu turno, havia sucedido, em 1994, a Mineração Serras do Leste, que era uma subsidiária brasileira da mineradora canadense INCO1. Dessa forma, a Maracá se tornou detentora de 100% dos direitos minerários e dos direitos de propriedade da mina Chapada. Em 2003, a Mineração Santa Elina, que era a sócia majoritária da Maracá, foi adquirida pela Yamana, passando esta a deter todos os direitos sobre a mina Chapada, fl. 4. 13. O Projeto Chapada (ou Mina Chapada), assim denominado pelo Grupo Yamana, localizado em Alto Horizonte/GO, consiste em uma mina a céu aberto, com previsão inicial de 19 anos de vida útil e produção esperada de 172 mil toneladas de concentrado de cobre e ouro por ano, sendo que a implantação e a exploração do projeto couberam à Maracá na condição subsidiária brasileira da Yamana. 14. A Yamana, controladora indireta da Maracá, é uma mineradora sediada no Canadá que, por meio de suas subsidiárias, explora propriedades minerais situadas em diversos países, principalmente no Brasil, Argentina, Chile e América Central. É uma sociedade de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Toronto (TSX) sob o símbolo "YRI", na Bolsa de Nova York (NSYE) sob o símbolo "AUY" e na Bolsa de Valores de Londres (LSE) sob o símbolo "YAU".(...) 15. Os relatórios financeiros anuais divulgados ao mercado, fls. 5419/5571, demonstram que a Yamana, até 2004, era uma empresa com pouca representatividade econômica dentro do segmento de mineração. Das 05 (cinco) minas que possuía (Santa Cruz, na Argentina; Fazenda Nova, São Francisco/São Vicente, Fazenda Brasileiro e Chapada, no Brasil), somente duas estavam em operação: Fazenda Brasileiro e Fazenda Nova. Em 2004, a meta de crescimento do Grupo Yamana, como um todo, estava focada, primordialmente, na implantação/desenvolvimento dos projetos São Francisco/São Vicente2, no Mato Grosso, e Chapada, em Goiás, sendo que este último representava a maior aposta da Yamana, no Brasil, para produção de ouro e cobre. 16. Com o êxito verificado na exploração do projeto Chapada, a Maracá passou a obter expressivos resultados operacionais a partir de 2007, fato determinante para o vertiginoso fortalecimento da posição da Yamana no mercado, tendo sido verificada uma valorização excepcional de suas ações simultaneamente aos investimentos realizados no Brasil, tendo como carro chefe, as operações da Maracá. 17. Conforme será demonstrado neste relatório, a subsidiária Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (YDM), CNPJ 05.725.958/000163, sediada em São Paulo/SP, coordena, no Brasil, a exploração dos empreendimentos minerários da Yamana como um todo, envolvendo os aspectos gerenciais, operacionais, administrativos, dentre outros. Ainda no referido Relatório Fiscal a autoridade promove a análise detalhada das informações e dos documentos obtidos durante a auditoria, cujo teor é exteriorizado em diferentes capítulos sucessivos, a saber: (1) Operação com debêntures formalizada pela fiscalizada; (2) Financiamento das operações do Grupo Yamana no Brasil; (3) Escritura de fideicomisso celebrada no exterior e partes envolvidas; (4) Do poder de comando da Amulet; (5) Da não utilização das debêntures para captação de recursos; (6) Da integralização das debêntures; (7) Empresa veículo PTAPAR; (8) Fl. 9977DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.978 6 Operações entre partes relacionadas; (9) Inconsistência do ágio; (10) Da negação da existência do ágio; (11) Do risco do investimento não assumido pela PTAPAR; (12) Crítica aos estudos da DIKAIOS definição do ágio e dos demais termos pela Fiscalizada; (13) Vantagem de manter controle acionário incoerência dos argumentos; (14) Não alienação das debêntures no caso concreto de insucesso do empreendimento contradição de seus próprios argumentos; (15) Alterações do percentual de remuneração inconsistência lógica; (16) Alterações do percentual de remuneração inconsistência jurídica; (17) Análise de outras inconsistências da operação com debêntures; (18) Do não pagamento do principal e da remuneração das debêntures conforme a escritura de emissão; (19) Demonstração do ganho do Grupo Yamana; (20) Da operação efetivamente realizada integralização de capital; e (21) Da simulação. Em arremate, o autor do feito fiscal asseverou que, após o início da fiscalização, a Maracá e a PTAPAR praticaram diversos atos com o intuito de legitimar sua operação de debêntures. Para corroborar essa afirmação, o agente fiscal ressaltou os seguintes aspectos, no mesmo Relatório Fiscal: ""(...) 495. Nesse sentido, em primeiro lugar, para justificar o atraso nos pagamentos das remunerações e de principal das debêntures, de milhões, conforme visto no tópico Do não pagamento do principal e da remuneração das debêntures conforme a escritura de emissão, a Maracá e a PTAPAR firmaram os Termos de Quitação, em 03/08/2010 e 27/12/2010, nos quais foram relacionados os pagamentos efetuados e confessados os saldos pendentes de pagamento nas respectivas datas de assinatura desses documentos. 496. No Termo de Quitação de 27/12/2010, além de registrar os valores pagos e o saldo pendente de pagamento, foi consignada a necessidade de se renovar o estudo econômico financeiro feito por empresa especializada de forma a investigar o possível desequilíbrio nas premissas da operação. Assim, a Maracá se comprometeu a contratar um novo estudo de uma empresa especializada e a Maracá e a PTAPAR concordaram em, até 30 de junho de 2011, com base em tal estudo, revisar e, se fosse o caso, renegociar os termos da Emissão por meio da assinatura do devido aditamento à Escritura, para preservar o alegado "equilíbrio econômicofinanceiro" da operação. 497. Em segundo lugar, em 2010, a PTAPAR adquiriu debêntures de uma nova emissão da Serra da Borda. Desta feita, porém, a operação de debêntures foi realizada nos padrões normais de mercado, isto é, sem ágio e remuneração com base em juros fixos (Termo de Declarações PTAPAR 26/04/2011 pergunta 27, fls. 3810/3849, e Escritura Particular da 2a. Emissão Privada de Debêntures arquivada na Junta Comercial do Estado do Mato Grosso, fls 8210/8232). 498. Em momento posterior, diante da dificuldade de esclarecer as dezenas de inconsistências demonstradas por esta fiscalização, a Maracá e a PTAPAR passaram a apresentar argumentos e justificativas que alterariam a natureza da operação realizada. 499. Nesse sentido, e como visto no tópico "Da negação da existência do ágio", a PTAPAR, que vinha se reportando a esta fiscalização sobre a questão do ágio elevado, após mais de um ano e meio de fiscalização na Maracá e mais seis meses de fiscalização na PTAPAR, passou a negar a existência desse ágio e criou uma nova tese para explicar a operação com debêntures. Passou a dizer que as "operações com debêntures se aproximam a "empréstimos onerosos" e que o "montante total entregue pelo debenturista nele incluído o principal e o prêmio de subscrição, corresponde ao valor emprestado que lhe deve ser restituído". 500. Como se percebe, as empresas, ao serem fiscalizadas e ao terem suas teses questionadas pela equipe da Receita Federal do Brasil, praticaram as ações acima na Fl. 9978DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.979 7 tentativa de legitimar sua operação de debêntures e de dar a aparência de que elas estariam vivenciando os seus efeitos. E, diante da dificuldade de esclarecer as inconsistências e contradições demonstradas por essa equipe, passaram, ao final, a apresentar justificativas que, na verdade, desnaturam a própria operação realizada." 2. Da compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL Constataram os agentes fiscais que a contribuinte compensou, em 2010, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL relativos ao anocalendário de 2009, no valor de R$3.813.431,10, cada. Com a glosa das participações de debêntures relativas ao ano de 2009, os mencionados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL restaram inexistentes, razão pela qual os autores do feito procederam à glosa dos citados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados indevidamente pelo contribuinte. 3. Da falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL Constataram os agentes fiscais que o contribuinte deixou de recolher e de declarar nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), parte do IRPJ e da CSLL devidos, relativos ao anocalendário de 2008, nos valores de R$ 3.655.938,35 e de R$ 3.800.446,04, respectivamente. A infração foi detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados, o que gerou insuficiência de recolhimento desses tributos. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 12/12/2012, a contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A., irresignada, apresentou, em 10/01/2013, a impugnação de fls. 9.136/9.222. Em sua extensa peça de defesa, inicia a recorrente asseverando, em síntese, que as autoridades fiscais (1) tiraram conclusões pessoais sobre os fatos e informes recebidos, a fim de se permitirem concluir ter havido falsidade e dolo específico; (2) fizeram interpretações errôneas sobre os fatos e informes recebidos, inclusive sob o ponto de vista estritamente jurídico; (3) misturaram a situação da recorrente com ocorrências relativas à obrigações tributárias da debenturista (PTAPAR), inclusive questionando o critério contábil que esta utilizou para deduzir a amortização do prêmio de subscrição, e afirmando que foi adotado para esconder a dedução da amortização do ágio, que seria indevida; (4) deixaram de aplicar corretamente a lei, pois o que ocorreu na debenturista (PTAPAR), caso errado, deveria motivar autos de infração contra ela, não contra a emitente das debêntures (recorrente); (5) ignoraram os Pareceres Normativos CST n. 347/70, 23/77 e 4/81, no sentido de que a forma de contabilizar é de livre escolha do contribuinte, desde que não altere o lucro real, que é o que se deu na PTAPAR; (6) chegaram a suposições falsas, mediante sucessivas solicitações de esclarecimentos, sobre fatos já esclarecidos em documentos ou anteriores depoimentos de representantes da recorrente, mas que voltaram a ser objeto de novas inquirições e de cruzamento com inquirições a representantes da debenturista; a despeito da coerência entre a contabilidade e os documentos e as declarações prestadas em mais de uma vez e por mais de uma pessoa, os auditores fiscais, num procedimento mais afeito aos inquéritos policiais; (7) não se deram conta de que as relações econômicas não se desenrolam sempre e necessariamente com a imutabilidade das categorias jurídicas que proclamaram em tese, até porque, em qualquer ato ou negócio jurídico, não há qualquer Fl. 9979DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.980 8 impedimento para as partes repactuarem cláusulas e condições anteriormente acertadas; (8) não consideraram que as variações nos preços do metal e as alterações nas normas contábeis brasileiras modificaram completamente as previsões que se tinham sobre os lucros da recorrente quando da emissão das debêntures. Prossegue a recorrente, agora para rebater, um a um, o que, no seu entender, seriam os argumentos da autuação, ressalvando que se limitaria a contestar o que seria o essencial para demonstrar a improcedência do feito fiscal. Em síntese, apresenta a suplicante as seguintes considerações. 1. Do argumento fiscal de que a emissão de debêntures pela recorrente representaria simulação, eis que encobriria real aumento de capital Sustenta a contribuinte que não há como se confundir um ato jurídico com outro, uma vez que ambos têm disciplinas legais distintas e produzem efeitos jurídicos diferentes. Afirma que não altera esta distinção essencial o fato de que parte do valor captado na emissão de debêntures não seja restituível, uma vez que: (1) a própria lei prevê a possibilidade da cobrança de prêmio de subscrição; e (2) seu valor, segundo a mesma lei, não é creditado à conta de capital em proveito de quem o aporta, pois fica em uma reserva de capital para, caso capitalizada, ser distribuída proporcionalmente a todos os acionistas, sejam eles quem forem no momento da capitalização, o que pode inclusive não acontecer se a reserva for absorvida por prejuízos. Reportando à jurisprudência do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aponta acórdãos que (1) consideraram indedutíveís apenas as parcelas de participação nos lucros atribuídas à debêntures nos casos em que não tenha havido efetiva captação de recursos novos; (2) reconheceram a dedutibilidade da amortização dos prêmios de emissão (ou ágios), mesmo nos casos de debêntures emitidas para subscrição dentro do grupo e com tais características; (3) mantiveram a glosa das participações atribuídas às debêntures, mas consideraram aplicável a multa de 75%, por entenderem que esta é aplicável quando se trate de qualificação jurídica do ato de emissão de debêntures, passível de discussões e opiniões distintas, acarretando inclusive a necessária aplicação do art. 112 do CTN, não sendo, portanto, hipótese de dolo intencional, que requer conhecimento inequívoco da ilegalidade e premeditada intenção de praticála. Entende que a fiscalização não pode pretender deixar de aplicar a norma prevista no art. 462, I, do RIR/99, sob a alegação de que as despesas foram inexistentes, quando houve o efetivo ingresso dos recursos financeiros pelos quais as debêntures foram subscritas, além de que eles foram aplicados nas atividades da recorrente, as quais geraram seus lucros tributáveis e asseguraram o direito de participação da debenturista. Sustenta que o art. 299 do RIR/99 somente poderia ser invocado em detrimento da norma especial se os valores ingressados no patrimônio da recorrente, por meio das debêntures, não tivessem sido aplicados nas suas atividades. Assevera, por outro lado, que a acusação de simulação colide com o próprio conceito de simulação, em suas duas vertentes pelas quais esse vício jurídico vem sendo abordado pela doutrina desde o Código Civil de 1916, a saber: (1) a subjetiva, que identifica a simulação pela desconformidade entre a vontade interna das partes e a vontade manifestada no ato ou negócio jurídico (a recorrente fez exatamente o que queria fazer, isto é, captar dinheiro para suas atividades por meio de debêntures, e não por meio de aumento de capital, ou de mútuo); e (2) a objetiva, que identifica a Fl. 9980DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.981 9 simulação pela causa jurídica do ato ou negócio jurídico, ou seja, por sua função econômica ou social, ou função de atribuição patrimonial que a lei lhe atribui, e pela desconformidade entre o comportamento das partes e essa causa (a recorrente agiu em perfeita consonância com a causa das debêntures, ou seja, com a sua função de instrumento regulado por lei para captação de recursos à margem do capital social da companhia, pois recebeu dinheiro em pagamento dos títulos e efetuou as devoluções que lhe eram próprias). Alega que, sobre a ótica da intenção da recorrente, o próprio Relatório Fiscal a atesta quando diz que a recorrente quis emitir debêntures porque estas lhe propiciariam a dedução das participações da debenturista nos lucros. Ou seja, ela queria mesmo emitir debêntures, e o fez de acordo com a sua intenção (que, segundo a fiscalização, seria a de obter economia fiscal, a qual, contudo, dependia de haver despesa decorrente da captação de recursos). Portanto, o fez sem simulação, não importando se queria economia fiscal ao lado de outros motivos, porque o motivo não se confunde com a causa jurídica do ato. Ressalta que a doutrina e a jurisprudência reconhecem com correção que o motivo e a causa são coisas distintas. Embora o motivo acarrete a intenção de praticar determinado ato, ele não se confunde com a causa jurídica do ato praticado. Também é pacífico em doutrina e jurisprudência que subsiste sempre a liberdade de organização e reorganização das atividades empresariais, a qual se constitui em direito constitucional, assim como é direito constitucional a liberdade de escolha do caminho ou estruturação negocial que se apresentar o menos oneroso perante a tributação. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes. Afirma que a decisão de emissão de debêntures, e não de aumento de capital ou mesmo mútuo, levou em conta, pelo lado da recorrente (que é o relevante neste processo), além de relevantes motivos econômicos, a dedutibilidade da despesa gerada pelas debêntures (qualquer que fosse a espécie de remuneração) e também as despesas que poderiam ser geradas com o ingresso dos recursos como aumento de capital (JCP) ou como mútuo (juros). Já pelo lado da debenturista, as considerações importantes devem ser a dedução da amortização do prêmio de emissão, em contrapartida à tributação (inclusive na fonte) das participações, ambos os efeitos inexistentes em dividendos, ou a tributação de juros ou outras formas de remuneração do seu capital. Mas isto é matéria atinente à PTAPAR, a qual, se tivesse cometido qualquer ilegalidade, deveria ter sido autuada, não a recorrente. Ressalta o subscritor da peça de impugnação, o i. Professor Ricardo Mariz de Oliveira, que a Fiscalização, para subsidiar suas conclusões, transcreveu trechos de uma de suas obras doutrinárias, que, no entanto, não lhes dão respaldo. A recorrente, após ressaltar que indícios não são provas definitivas, e afirmar que aqueles que servem para determinadas situações podem não se ajustar a outras, passa a examinar, um a um os aludidos indícios apontados pelas autoridades fiscais, a saber: a) proximidade temporal de atos e disparidade infundada de valores entre eles: estes dois indícios são empregados geralmente em conjunto, como, por exemplo, numa transferência de propriedade por pessoa jurídica a sócio seu, a valor de livro, seguida, em curto tempo, de uma venda pelo sócio a terceiro por valor de mercado (no presente caso, não ocorreu qualquer coisa semelhante, pois há um único ato emissão de debêntures segundo valor e condições pactuadas nos documentos da respectiva contratação, não havendo outro ato anterior ou posterior, com valor diferente, que pudesse induzir à crença de simulação na emissão dos títulos e nos valores envolvidos na operação; Fl. 9981DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.982 10 b) desfazimento dos efeitos do ato simulado: não houve desfazimento nem da emissão das debêntures, nem dos efeitos jurídicos e econômicos por elas gerados; este indício corresponde, na teoria objetiva ou causalista da simulação, ao comportamento das partes quando inadequado à causa do ato simulado, o que se explica porque o ato simulado não é o desejado, mas gera efeitos que precisam ser desfeitos ("in casu", todos os efeitos das debêntures foram mantidos porque desejados, como declarou o próprio Relatório Fiscal); c) prática de certos atos entre partes ligadas: o emprego deste indício requer cautela e atenção, porque a maior parte dos atos ou negócios jurídicos praticados entre partes ligadas é real e válida, servindo a ligação entre elas apenas como um alerta que, em si e isoladamente, é inconclusivo; d) existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal: a recorrente tinha um propósito negocial para emitir as debêntures a captação de dinheiro e o atingiu efetivamente, tendo podido arcar com seus gastos empresariais através dos recursos recebidos por meio delas; e) exagerada arrumação dos fatos: aqui também não houve qualquer arrumação, muito menos arrumação exagerada, dado que se tratou de ato isolado, consistente na emissão de debêntures para imediata subscrição por uma única debenturista: se os agentes fiscais pretenderam vincular este indício aos fatos anteriores ao fato que é objeto da glosa neste processo, isto é, à origem do dinheiro, fizeram vinculação indevida, pois a origem do dinheiro é fato adstrito à área de atuação da debenturista. Em seguida, a recorrente comenta algumas conclusões das autoridades fiscais constantes do Relatório Fiscal, asseverando que, embora reais os fatos, as referidas conclusões não se sustentam, notadamente a de simulação. Reafirma que houve aporte de recursos financeiros na autuada, o que já é suficiente para justificar as despesas nascidas em decorrência do aporte, ao contrário de tantos outros casos em que debêntures foram utilizadas em procedimentos considerados abusivos porque violavam a principal função econômica e jurídica das debêntures, que justamente é a captação de dinheiro para as atividades empresariais da sua emitente. Assevera que a conclusão fiscal revela o inconformismo dos agentes do Fisco quanto à possibilidade válida de qualquer pessoa estruturar e reestruturar suas atividades por qualquer modo previsto no ordenamento jurídico, e que o meio escolhido possa ser algum menos oneroso do que outros perante as regras tributárias, que são distintas para uns e para outros. Sobre a invocação da Amulet pela fiscalização, alega a recorrente que não pode provar, nem precisa provar, a origem do dinheiro que a Amulet empregou no seu negócio com a Yamana, mesmo perante a alegações fiscais de que por paraíso fiscal passam dinheiro de atos ilícitos, tais como de lavagem, de tráfico, de sonegação, etc. Assevera que não há que se negar que paraísos fiscais são utilizados por traficantes e criminosos, mas também não se pode negar que para eles também são destinados recursos legítimos que buscam apenas as vantagens que suas leis oferecem. Sustenta que o que é realmente importante para esta lide é que (1) a Yamana enviou dinheiro por vias oficiais para a PTAPAR, do qual menos da metade tinha algum vínculo com seu negócio anterior com a Amulet; e (2) o dinheiro veio a título de mútuo para a PTAPAR, e assim foi registrado perante o Banco Central, cujo registro é a prova legal da operação para todos os efeitos de direito. Fl. 9982DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.983 11 Conclui, então, que restou demonstrado que a debenturista (PTAPAR) realmente tinha recursos para pagar as debêntures, obtidos por mútuos internacionais, embora se trate de prova subsidiária não necessária, porque a recorrente não pode ser envolvida na origem dos recursos pelos quais as suas debêntures foram pagas. 2. Do argumento fiscal de que a remuneração de debêntures não pode ser exclusivamente por participação nos lucros, devendo haver juros Sustenta a recorrente que ante os termos do art. 56 da Lei n. 6.404/76, nada justifica a inferência de que juros representam forma obrigatória de remuneração, seja isolada, seja em conjunto com as outras duas. A invocação de Modesto Carvalhos, feita pela Fiscalização, é descabida como verdade inconteste, uma vez que a afirmação nela contida foi contrariada por inúmeros outros autores de igual porte. Reportase à obra de Nelson Eizirik (Lei das S/A Comentada, Ed. Quartier Latin, 2011), na qual o autor pontifica que "(...) Os rendimentos que a companhia pode atribuir às debêntures de sua emissão juros, participação no lucro e prêmio de reembolso são facultativos; não são, portanto, cumulativos ou obrigatórios. Poderão ser atribuídas às debêntures todas as vantagens previstas neste artigo ou apenas uma delas (...) ". Ressalta que mesmo Modesto Carvalhosa, em edição mais recente do que a utilizada pela fiscalização, manifesta o entendimento de que é possível haver debênture sem juros. Realmente, embora louvandose na lei de recuperação judicial, mas estendendose além dela, em seus "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas" (edição de 2009), ele diz que a substituição de juros por participação "se justifica apenas em situações drásticas, na quais há, por um lado, a impossibilidade do pagamento dos juros na datas pactuadas, e, por outro, a perspectiva de que a emissora poderá gerar lucros suficientes para remunerar os debenturistas". Conclui a recorrente que no caso dos autos, havia uma situação similar à referida por Carvalhosa, dado que não lhe era possível, na sua fase préoperacional ou inicial de operações, assumir o compromisso de pagar juros certos e em datas fixas, mas tinha uma perspectiva de gerar lucros com os quais poderia remunerar a debenturista, e ainda emparelharia as despesas com as receitas geradoras dos lucros, o que é medida salutar na administração. 3. Do argumento fiscal de que o prêmio na subscrição das debêntures, no valor de 90% do montante dos respectivos valores de lançamento, ou 900% do valor de face dos títulos, foi "elevadissismo" e "pernicioso aos interesses da PTAPAR", e que, por isto, foi "ágio artificial elevado", ou "ágio fictício Alega a suplicante que nem a Lei n° 6.404/76 nem a lei fiscal (Decretolei n° 1.598/77) estabelecem limites máximos, seja para a participação nos lucros, seja para o prêmio de emissão. Ressalta que, em virtude da norma contida no art. 47 da Lei n. 4506 e repetida no art. 299 do RIR/99, o conceito de despesa dedutível é qualitativo, isto é, prendese à natureza da despesa, no sentido de que, se a despesa, por sua natureza (não por seu valor), for inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha, será necessária e dedutível. Fl. 9983DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.984 12 Reportase a precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes para destacar que devese levar em consideração cada caso específico, porque não há parâmetro definido acerca do percentual aceitável para efeito de dedutibilidade. Assevera que o prêmio é a parte do preço da aquisição da debênture que não retorna para o debenturista, pois consta da lei como devendo ser creditada à reserva de capital para futura capitalização ou absorção por prejuízos. Conclui que quanto maior for o prêmio, maior será a vantagem da companhia emissora das debêntures, ou seja, sob a perspectiva da tomadora dos recursos financeiros, ela somente tem a ganhar com o prêmio elevado. Reitera que o prêmio de emissão não integra o valor a ser restituído ao debenturista, representando, portanto, um valor imediatamente integrado ao patrimônio líquido da emitente dos títulos (daí o crédito à reserva de capital). Este fato acarreta impacto imediato nas condições de emissão e subscrição das debêntures, diretamente vinculado ao montante do prêmio de emissão ou dos juros, no sentido de que, quanto maior o prêmio (portanto, maior a vantagem da emitente das debêntures) maior deve ser a remuneração do debenturista (para compensar sua perda). Isto é assim porque o debenturista receberá a restituição de menor parcela do valor investido nas debêntures, mas, em contrapartida, terá direito a juros e/ou participação em montante mais elevado. Aduz que é bem provável que o pensamento da fiscalização tenha sido no sentido de que o prêmio poderia ter sido menor e também menor a porcentagem de participação nos lucros, com o que a recorrente não teria tido exclusão tão grande do seu lucro tributável e a debenturista teria tido menor amortização do prêmio. Porém, se estas tivessem sido as condições da emissão e subscrição, certamente outras seriam as formas de remuneração, para se chegar a um mínimo razoável. Quer dizer, se houvesse menor participação nos lucros, certamente haveria juros conjuntamente com a participação, ou, se não houvesse qualquer participação, certamente os juros seriam ainda maiores. Ou então, em qualquer dos casos, também poderia haver, conjunta ou isoladamente, prêmio de reembolso. 4. Do argumento fiscal de que a porcentagem original de 95% de participação nos lucros foi reduzida por alterações da escritura, para 65% e 75%, o que contrariaria a natureza jurídica do título Alega a recorrente que não há base legal para pretender a desclassificação da emissão de debêntures em virtude de alteração no porcentual de participação a elas atribuído, nem para as críticas feitas pelos fiscais às informações que receberam em depoimentos de representantes da recorrente a este respeito. Afirma que, na verdade, houve redução acordada dos 95% iniciais, antes mesmo de que houvesse alguma distribuição de 95% de lucros para a debenturista, e isto não é vedado pela lei e também poderia ter acontecido após a ocorrência de uma ou mais distribuições de participações naquele patamar. 5. Do argumento fiscal de que debêntures são títulos para captação de recursos públicos, perante um grupo de debenturistas, e não para emissão privada subscrita por uma única pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo empresarial da emitente Assevera que os art. 38 e 58 do Decretolei n° 1.598/77 não contêm, em seus antecedentes hipotéticos, a distinção entre debêntures subscritas privada ou publicamente, assim como Fl. 9984DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.985 13 não distinguem as debêntures por seus tipos de remuneração, ou pelo montante desta, ou por qualquer outra circunstância. Por sua vez, a Lei n° 6.404/76 admite que debêntures sejam emitidas para subscrição pública ou privada, com a mesma liberdade que outorga para a adoção deste ou daquele tipo de remuneração, além de outras características e condições dos títulos. 6. Do argumento fiscal de que as debêntures foram emitidas para atender à política de dividendos da controladora do grupo empresarial, sediada no Canadá, a qual tomou recursos financeiros no mercado internacional, parte junto à empresa sediada em paraíso fiscal, e os mutuou à debenturista, sua controlada indireta, para que esta pudesse pagar o preço das debêntures Reitera a recorrente que o importante é que houve captação comprovada de recursos financeiros através de debêntures, que tais recursos foram utilizados na consecução dos objetivos empresariais da recorrente, e que geraram uma espécie de despesa que é dedutível por ter sido necessária à captação de dinheiro, na correta consecução da função das debêntures (art. 462, inciso I), e também necessária na perspectiva do art. 299 do RIR/99. 7. Do argumento fiscal de que a debenturista era empresa de papel, por não ter empregados nem sede, tendo sido utilizada como mera empresaveículo para o dinheiro chegar à emitente das debêntures Assevera a suplicante que é pessoa jurídica registrada na Junta Comercial e inscrita no CNPJ (onde figura como regular), que entrega DIPJs e outras declarações fiscais, que contrata terceiros, que recebe dinheiro do exterior, que faz aplicações de dinheiro, que recolhe impostos e contribuições e os declara em sua declarações fiscais, que tem operações financeiros internacionais admitidas a registro no Banco Central do Brasil, mediante os quais adquire direitos de repatriamento de principal e de remessas de rendimentos. Ressalta que a jurisprudência do CARF, farta em questões relacionadas a ágios e suas transferências, tem admitido que nem toda pessoa jurídica, interposta no caminho de alguma estruturação ou reestruturação societária, pode ser taxada de empresaveículo ilegalmente utilizada. Sustenta que as empresasveículo têm vida efêmera, sendo extintas logo após cumprirem o papel para o qual foram criadas, e que no caso dos autos, a empresa dada como veículo não se prestou a qualquer desses papéis para permitir a dedução de despesas da recorrente, inclusive porque continua existindo e operando, e não foi criada para realizar uma única operação. Destaca que o um dos componentes da simulação é a existência de um motivo para simular e que, no caso da recorrente, ela não precisava simular a recepção de dinheiro da PTAPAR por via de debêntures, eis que poderia obtêlo diretamente com a entidade que financiou a aquisição das debêntures pela PTAPAR, ou seja, a recorrente não precisava de uma empresaveículo para emitir as debêntures e captar o dinheiro necessário para seus negócios. 8. Do argumento fiscal de que o principal e os encargos das debêntures não foram pagos nos respectivos vencimentos, como previsto na escritura Afirma a contribuinte que, no caso dos autos, os pagamentos em atraso se deveram à dificuldades de caixa, inclusive havendo que se considerar a empresa (e todo o seu grupo no Brasil) em fase inicial de operações, com novas necessidades de recursos. Fl. 9985DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.986 14 Ressalta, contudo, que a dedutibilidade de qualquer despesa não depende do seu pagamento, salvo quando expressamente na lei haja a colocação do pagamento como condição para a redução do lucro tributável. Assevera que houve mora na devolução do principal e no pagamento das participações, cujo fato, ao ocorrer, foi procedido como deveria têlo sido, ou seja, como devolução do valor de face de debêntures e como pagamento de participações de debêntures nos lucros (não de dividendos, inclusive com retenção de 15% na fonte, que teria sido descabida se se tratasse de pagamento de dividendos). 9. Da acusação fiscal de despesa inexistente, apesar de a autuação estar fundamentada (a) no art. 299 do RIR/99, (b) além do art. 149, inciso VII, do CTN (casos de comprovação de simulação) (a) Art. 299 do RIR/99 Reitera a recorrente que a situação fática dos autos está sujeita ao art. 462, inciso I, do RIR/99, o qual, ao permitir a exclusão das participações atribuídas à debêntures, para determinação do lucro real, traz implicitamente o reconhecimento de que os respectivos encargos contribuem para a formação do lucro e à manutenção da fonte produtora, uma vez que as debêntures carrearam recursos para serem empregados nessas finalidades e requerem remuneração dos respectivos debenturistas Assevera que a norma refletida no inciso I do art. 462 prescinde do art. 299, base da autuação, sobrepondose a este, e que, mesmo que não houvesse a norma do art. 462, as despesas com debêntures seriam dedutíveis pela regra geral de dedutibilidade das despesas financeiras, contida no art. 17 do Decretolei n° 1.598/77 (refletido no inciso I do art. 374 do RIR/99). Aduz que o inciso I do art. 374, tal como o art. 17, inclusive reconhece como despesa financeira dedutível o deságio na colocação de debêntures, o que significa que, se a recorrente quisesse criar uma despesa fictícia, também poderia ter lançado mão desta outra alternativa, pois poderia têlas lançado com deságio, ao invés de ágio, além de que também poderia pagar juros, e assim também teria despesas dedutíveis. Sustenta que, mesmo tendo a fiscalização adotado fundamentação inadequada, porque aplicou o art. 299, as despesas incorridas pela recorrente são dedutíveis, também segundo os preceitos desta norma geral, pois a norma especial do art. 462, assim como a do art. 374, justificamse dentro da sistemática de determinação do lucro tributável por trataram de gastos relacionados e inerentes à empresa, que são os atributos das despesas necessárias às quais se aplica o art. 299 por não serem objeto de qualquer norma especial. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes que examinaram o conceito de despesas necessárias. Contesta o trabalho fiscal que comparou as debêntures emitidas pela recorrente com outras lançadas no mercado, para dizer que, neste, a maioria foi remunerada com juros, contrariamente às debêntures deste processo, pois as condições de lançamentos e as condições das emitentes eram totalmente distintas do que se passava com a recorrente. No caso presente, a necessidade decorre de vários fatores, tais como: (1) havendo falta de capital necessário à empresa, é normal e usual que esta busque os recursos financeiros de que Fl. 9986DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.987 15 necessita, sob pena de não evoluir ou sequer subsistir; (2) na busca de recursos, é possível que eles sejam captados mediante aumento de capital, mútuos, debêntures ou outras formas de operações financeiras, sendo normal e usual a adoção de qualquer delas, sem que qualquer uma possa ser considerada exclusiva, ou a "mais normal" ou "mais exclusiva"; (3) ao adotar um destas formas de captação de dinheiro, as respectivas características e condições serão necessariamente diferentes das que seriam existentes nas outras formas, e mesmo diferentes das que existam em outros negócios, entre partes diversas, que adotem a mesma forma; estas distinções são normais e usuais, pois decorrem de variações inerentes às atividades da economia privada e aos fatores individuais que ingerem decisivamente para o fechamento de cada negócio. (b) Art. 149, inciso VII, do CTN No que se refere ao inciso VII do art. 149 do CTN, dado como fundamento da autuação, a recorrente reitera que agiu dentro da lei, nada escondendo do fisco e de ninguém, inclusive da fiscalização desde o momento em que ela se iniciou, lembrandose que é da essência da simulação esconder o ato desejado e exibir o indesejado, que precisa ser desfeito. Assevera que, no presente caso, mesmo que a intenção e a realidade fossem de aumento de capital, este não estaria encoberto, porque transpareceria do conjunto de fatos documentados e contabilizados, através dos quais os fiscais entenderam haver aumento de capital: quer dizer, nem este estaria escondido, mas à vista. Lembra que o art. 149, inciso VII, do CTN requer, para que seja aplicado, que "se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação" . Sustenta que em nenhum momento os agentes fiscais provaram a existência do requisito inerente ao dolo, ou seja, a exata noção da ilegalidade dos atos a serem praticados, e a deliberada prática dos mesmos com a sapiência da ilegalidade. Aduz que não há a menor condição para a invocação do art. 149, inciso VII, do CTN, pois, ao invés de provas de dolo, fraude ou simulação, há controvérsia jurídica que se mantém até hoje, pois a recorrente, mesmo após a cuidadosa leitura do longo Relatório Fiscal, está convicta de que emitiu debêntures e o fez com guarda das disposições legais que lhes são pertinentes. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que afastaram a qualificação da multa de ofício quando ausente a prova do dolo, bem assim quando tudo é feito às claras pelo contribuinte e disponibilizado à Fiscalização. 10. Da qualificação da multa sob a alegação de dolo por parte da recorrente e das demais empresas do grupo a que esta pertence, com base no art. 44 da Lei n. 9.430/96, em combinação com os art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 Assevera a recorrente que esse item é uma continuação do item anterior, em que o mesmo aspecto foi abordado perante o disposto no art. 149, inciso VII, do CTN, mormente em face da falta da prova cabal do dolo, da fraude e da simulação. Partindo de uma interpretação histórica da norma da qualificação da multa de ofício e da leitura criteriosa dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 e do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conclui a recorrente que o intuito doloso é prérequisito inafastável para a aplicação da multa majorada. Fl. 9987DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.988 16 Sustenta que o dolo não se presume, devendo ser cabalmente provado, o que não permite supor a sua existência tãosomente em virtude da ocorrência de falha que tenha acarretado falta de pagamento de tributo, inclusive quando, como no presente caso, qualquer eventual infração dependa de julgamento final após amplo debate de teses jurídicas que estão se apresentando nos autos, ou, se se preferir, quando o fisco divirja da qualificação jurídica dos atos praticados pelo contribuinte. Alega que o conceito de erro de proibição, existente no direito penal quanto à própria punibilidade do ato criminoso, é perfeitamente aplicável no direito tributário quanto à graduação da penalidade. Ressalta que o erro de proibição existe quando o autor do ilícito supõe estar agindo dentro da lei, e que há diversos precedentes na jurisprudência do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que afastaram a qualificação da multa pela razoabilidade do desconhecimento da ilicitude do ato praticado. Conclui a suplicante que a multa qualificada pressupõe inequívoca ciência da ilicitude pelo agente da mesma, e intuito de fraudar a lei através de ato que sabe ser ilícito, o que estaria muito distante das situações em que haja mero erro de conduta por erro de direito, isto é, na qualificação jurídica do ato, ou em que a infração derive de outras falhas não cercadas de dolo. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal (Habeas corpus 725848RS, 2a Turma, em 17/10/1995) que afastou a existência de crime tributário em caso no qual um contribuinte creditou erroneamente determinada parcela de ICMS, adotando o seguinte entendimento: "A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1o da Lei n. 8137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença das alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que sempre se presume o consentimento viciado e o objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito." Rechaça, no presente caso, a incidência do art. 71 da Lei n° 4.502/64, que implica em atos que ocultem do fisco a ocorrência do fato gerador, dado que aqui a própria conclusão da fiscalização decorre dos documentos de lançamento das debêntures. Também protesta para que não se confunda o que foi feito com a descaracterização do fato gerador, segundo a definição de fraude do art. 72, pois fato gerador somente haveria se outra fosse a situação fática e jurídica. Lembra, por fim, que em situações de dúvidas quanto a existir ou não infração, ou à qualificação jurídica dos fatos, não somente merecerem multa não qualificada, nos estritos termos das Leis n. 9.430/96 e 4.502/64, mas também merecerem a proteção do art. 112 do CTN. 11. Quanto à dedução, do valor das exigências, de valores de IRPJ e CSL pagos pela debenturista Alega a recorrente, em síntese, que não existe norma legal que permita ao lançador ignorar a existência de uma pessoa jurídica regularmente constituída perante a Junta Comercial para, com base nessa desconsideração, tributar outra pessoa jurídica que com ela tenha transacionado, mas deduzir, dos tributos cobrados desta última, o montante dos tributos pagos pela outra. Fl. 9988DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.989 17 12. Considerações finais da recorrente quanto à acusação fiscal de despesas inexistentes de participação de debêntures Nesse item reitera a recorrente que teria razões extratributárias para emitir as debêntures, destacando, entre outros, que (1) Se o intento fosse produzir ilícita redução da carga tributária mediante debêntures, a recorrente teria repetido a prática, ou feito como nos casos julgados pelo 1° Conselho de Contribuintes e pelo CARF, nos quais houve emissões meramente documentais, sem efetivo ingresso de dinheiro novo; (2) sendo empresa nova, a recorrente não conseguiria obter recursos no mercado financeiro, ou para isso dependeria de avais e de custos mais elevados; a própria controladora do grupo, em sua terra natal (Canadá), para obter parte do dinheiro que enviou ao Brasil, teve que dar em penhor todos os bens da recorrente; (3) a fonte de financiamento mais barata disponível no mercado financeiro seria o BNDES, mas este supriria no máximo 30% do custo dos investimentos; (4) o financiamento cobrindo 100% de custos de desenvolvimento de jazidas teve que ser feito por fontes internas ao grupo da recorrente; (5) os títulos foram emitidos com alto valor de prêmio, o que garantiu à recorrente a obrigação de restituição da menor parte do dinheiro recebido, além disso sem acréscimo de juros ou de variação cambial; (6) a recepção do prêmio a crédito de reserva de capital melhorou a avaliação econômica da recorrente, em comparação com a situação em que os mesmos recursos tivessem sido tomados como mútuo, os quais figurariam pelo total como obrigação a pagar no passivo; (7) sendo em reais, as debêntures permitiram que a recorrente não incorresse em riscos cambiais, que existiriam caso os recursos fossem por ela obtidos no exterior; (8) em 2003 não houve sequer um lançamento na BOVESPA; (9) 2007 e 2008 foram anos de grande turbulência no mercado financeiro mundial; (10) não havia segurança de que os custos de captar recursos seriam compatíveis com o mercado da venda do metal. 13. Quanto ao comportamento da fiscalizada após o início dos trabalhos fiscais Reportando ao item do Relatório Fiscal em que as autoridades fiscais identificam diversos atos que teriam sido praticados com o intuito de legitimar as operações com debêntures, a recorrente demonstra a sua irresignação, ao afirmar que "não se cansou de atender a fiscalização, com atenção e veracidade, tendo dito tudo o que seria necessário para satisfazer os senhores fiscais, mas somente não poderia assegurar que o que dissesse os satisfaria". 14. Quanto às outras infrações Ressalta a suplicante que as acusações de compensação indevida de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL no ano de 2010 são conseqüentes das glosas realizadas em relação a despesas com debêntures, visto que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSL. Assim, ratifica todos os argumentos anteriormente articulados. Quanto à acusação de falta de recolhimento e declaração em DCTF do IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2008, reconhece não ter declarado esses tributos em DCTF, mas informa que extinguiu esses débitos mediante a via da compensação. Elabora demonstrativos e junta documentos. 15. Quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício Sustenta a recorrente que a norma geral de incidência de juros e de sua taxa mensal de 1% somente se aplica no silêncio da lei, o que não ocorre atualmente, em virtude do conjunto normativo (arts. 3° e 161 do CTN, art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, entre outros), que prevê juros Fl. 9989DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.990 18 SELIC apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, mas não sobre a multa proporcional ao valor deles. Pede o provimento da impugnação. III. DA FORMALIZAÇÃO DE AUTOS APARTADOS Recepcionada a impugnação, a repartição fiscal, por meio do despacho de fls. 9.358 (do processo n° 10120.731437/201228), informou que os lançamentos foram impugnados apenas em parte, razão pela qual, com fundamento na Informação Fiscal de fls. 9.334/9.338 (do processo n° 10120.731437/201228), a parte do crédito tributário considerada não impugnada foi transferida do processo n° 10120.731437/201228 para este processo de n° 13116.720490/201331. Na referida Informação Fiscal, o autor do procedimento elaborou demonstrativo da parte do crédito tributário que, no seu entender, não foi impugnada, promovendo a seguinte análise da peça de impugnação apresentada pelo contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A: "(...) Somente em dois trechos de sua impugnação (nas páginas 5 e 47/48), abaixo transcritos, o contribuinte afirma que não está contestando integralmente o lançamento (não há, na impugnação, outros esclarecimentos sobre essa manifestação): Página 5, Nota de Rodapé 1: "A impugnante esclarece desde este momento que admite não haver condições, na jurisprudência administrativa, para sustentar neste processo a dedução das participações quanto à diminuta parte das debêntures que foi integralizada com a conversão de mútuo da qual era devedora. Por esta razão, a impugnação que faz quanto a esta parte, e também quanto à importância da CPMF, é pertinente à qualificação da multa." Páginas 47/48: "Realmente, para a glosa das despesas seria necessário que a fiscalização tivesse provado que elas não eram necessárias às atividades da empresa da (sic) impugnante ou à manutenção da sua fonte pagadora (sic). Ou que os recursos financeiros não tivessem ingressado na impugnante, ou que, mesmo ingressados, não tivessem sido aplicados naquelas finalidades que justificam a necessidade da despesa. Todavia, os autos dão conta exatamente do inverso, pois, no caso da impugnante, ao contrário do que ocorreu em outros julgados da jurisprudência administrativa, foi dinheiro novo que integralizou as debêntures, com exceção de pequena parcela que está sendo impugnada apenas quanto à multa qualificada (videnota (1) retro)."(Grifamos). Vêse, contudo, que o contribuinte admitiu, na impugnação, que são indedutíveis as despesas de participação de debêntures relativas à conversão de mútuos em integralização e em relação à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF incidente sobre o pagamento das debêntures. Em relação à glosa dessas despesas de participação (pertinentes à conversão de mútuos e à CPMF) ele está impugnando apenas a multa qualificada de 150% (a multa de oficio de 75%, sobre essa parte, não está sendo contestada). Releva esclarecer, inicialmente, que a conversão de mútuos e de juros sobre mútuos em integralização, no montante de R$47.380.000,00, foi realizada pelas empresas do Grupo Yamana (Mineração Maracá, PTAPAR Participações Ltda e Yamana Desenvolvimento Mineral S.A.), no mês de junho de 2005, para integralização da I a série das debêntures, Fl. 9990DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.991 19 conforme constam dos contratos apresentados, dos esclarecimentos prestados e da própria escrita fiscal da Maracá. Sobre os aludidos mútuos, foram calculados juros até o momento em que eles foram convertidos em integralização de parte da j a série das debêntures, em junho/2005. Além disso, o art. 59, parágrafo 3°, da Lei 6.404/76 (revogado em 2010), em vigor quando da formalização da operação de debêntures em questão, estabelecia que: (...) Portanto, de acordo com a operação de debêntures formalizada e conforme a previsão legal, não há dúvidas de que a empresa só poderia iniciar as chamadas de capital para integralização da segunda série, por exemplo, depois que toda a primeira série tivesse sido integralizada, a menos que tivesse cancelado eventual saldo não integralizado da primeira série. No caso concreto, não houve cancelamento de saldo. A Maracá efetivamente considerou a conversão de mútuos na integralização da primeira série, conforme demonstrativos e contratos apresentados por ela, bem como contabilizações e esclarecimentos prestados. Só então se iniciou a integralização da segunda série. A integralização vinha sendo considerada regular até a autuação, quando então, na impugnação, o contribuinte reconhece que a operação sem ingresso de "dinheiro novo" não é válida. Já os valores de CPMF pagos pela PTAPAR (e também considerados como integralização), no montante de R$2.204.249,63, representam a soma de parcelas das debêntures de cada série que de fato não foram integralizadas, uma vez que esses valores não foram efetivamente recebidos pela Maracá. Com base no exposto, elaboramos o demonstrativo de integralização das debêntures (anexo), evidenciando os valores efetivamente pagos à Maracá e os valores não integralizados (CPMF) ou integralizados sem ingresso de novos recursos (conversão de mútuos/juros), e apuramos os percentuais que estes valores representam em relação ao valor total de cada uma das seis séries das debêntures. Esses percentuais correspondem à parcela (do valor total de cada série das debêntures) em relação à qual o contribuinte admite serem indedutíveis as despesas de participação de debêntures. (■■■)" IV. DA CONTESTAÇÃO Cientificada, em 15/03/2013, da Intimação de fls. 9.309/9.313, para recolher a parte do crédito tributário não impugnado, a contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A apresentou, em 26/03/2013, a contestação de fls. 9.315/9.335, por meio da qual sustenta, em síntese: 1. Não procede a alegação que consta da Informação Fiscal de que a recorrente não contestou integralmente os lançamentos, com base na nota de rodapé constante da página 5 da sua impugnação, na qual a recorrente declarou que não havia como sustentar as cobranças com relação ao valor das debêntures que foi integralizado mediante a conversão de créditos da debenturista contra a emitente, dado que a jurisprudência administrativa tem entendido que esses títulos requerem a captação de dinheiro novo. Fl. 9991DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.992 20 2. A recorrente impugnou essa parte dos créditos, em virtude da qualificação da multa aplicada sobre as despesas geradas pelas debêntures, submetendoa também, por necessário e evidente, aos demais pedidos prejudicial e geral feitos na impugnação, como os de nulidade dos autos de infração e de descabimento da incidência de juros sobre a multa proporcional ao principal de cada tributo. 3. A recorrente afirmou que não havia condições para defender a dedutibilidade no processo, exclusivamente em virtude da jurisprudência administrativa, mas não disse que considerava indedutíveis as participações relativas a ela, uma vez que tem o direito à dedução com base em fundamentos jurídicos que justificam a integralização de debêntures com créditos já detidos pela debenturista. 4. A título exemplificativo, a recorrente destaca trecho da impugnação apresentada no processo n. 10120.731437/201228, em que foi alegada a nulidade dos autos de infração: "A autuação não especificou em que inciso do parágrafo 1o fundamentou sua acusação de ter havido simulação, e esta omissão representa cerceamento do direito de defesa e nulidade dos autos de infração por falta de cumprimento da obrigação, do agente lançador, de motivar o lançamento com indicação dos respectivos fundamentos. Isto é exigência dos art. 10 e 11 do Decreto n. 70235, do art. 2° da Lei n. 9784, e tem fulcro no art. 37 da Constituição Federal. A Lei n. 9784, a par do Decreto n. 70235, exige que a motivação seja explicita, que dizer, não deixe de aclarar qual seja e em qual disposição legal especifica se lastreie". 5. A impugnação abarcou a totalidade das debêntures emitidas, eis que, se a decisão final do processo n. 10120.731437/201228 reconhecer a nulidade apontada nas suas razões, mesmo a parte das debêntures, integralizada com os créditos, será atingida pela invalidade dos lançamentos. Isto porque, tendo as despesas sido questionadas nos autos de infração também sob o art. 299 do RIR/99, o afastamento da acusação de simulação, ainda que pelo vício da nulidade, será influente sobre a apreciação da matéria total daquele processo. 6. Se a decisão final do processo n. 10120.731437/201228 excluir a incidência de juros sobre a multa, seja ela de 75% ou 150%, ou se alterar a taxa de juros de SELIC para 1% ao mês, o que for julgado se estenderá à multa relativa aos valores das debêntures integralizados com os créditos da debenturista. 7. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da impugnação apresentada no processo n. 10120.731437/201228 se espraia para o presente, pois cada crédito tributário é indecomponível. 8. Quando o fato é um só, qualquer lançamento tributário sobre ele é único, por dizer respeito à mesma matéria. 9. No caso destes autos, o fato é somente um a emissão única de debentures, por uma única escritura de emissão autorizada em uma única assembléia realizada em 18.5.2005 e concretizada no dia seguinte mediante escritura de emissão e respectivo boletim de subscrição (doc. 3) , cuja unicidade não desaparece pelo fato de haverem sido emitidas em mais de uma série, já que a totalidade foi subscrita em 19.5.2005 pela PTAPAR, ou porque parte das debêntures foi integralizada com créditos da debenturista e outra parte em dinheiro, sendo que nem este último aspecto invalida os títulos ou altera sua natureza jurídica conferida pela Lei n° 6.404/76. Fl. 9992DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.993 21 10. Mesmo que tivesse havido impugnação parcial, e, por isso, pudesse ser aplicado o parágrafo 1o do art. 21 do Decreto n° 70.235, de 1972 (revelia), a cobrança, tal como está sendo processada, contém vícios que a invalidam, de direito e de fato quanto aos respectivos valores. 11. O primeiro defeito é que o critério ora empregado, adotado na Informação Fiscal que gerou a cobrança, difere daquele adotado nos lançamentos originais e impugnados, pois dividiu as séries de emissão das debêntures como se fossem coisas separadas e distintas, ao passo que a emissão foi única e naqueles lançamentos a totalidade da emissão foi glosada sob os mesmos argumentos e os cálculos foram efetuados não em função das séries e das integralizações, mas em função dos valores deduzidos em cada períodobase. Requereu, ao final, a contribuinte que fosse recebida a contestação, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 14 do Decreto n. 70.235, de 1972, e que o processo fosse encaminhado a DRJ de Brasília para o respectivo julgamento, juntamente com o julgamento do processo n. 10120.731437/201228, ou para que ficasse na dependência da que fosse proferida neste último. A Segunda Turma de Julgamento, examinando a referida contestação apresentada pelo sujeito passivo, nos autos do processo de n° 13116.720490/201331, julgou procedente a irresignação da contribuinte contra a cobrança imediata da parte do crédito tributário que havia sido considerada não impugnada, conforme Acórdão n° 03052.310, de 24/05/2013, assim ementado: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA. COBRANÇA IMEDIATA. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a adoção da providência de formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte do crédito tributário considerada não contestada, quando restar demonstrado que a contribuinte apresentou razões de defesa em sua peça de impugnação aos autos de infração que, se acolhidas, inviabilizariam integralmente os lançamentos, na parte objeto de apartação. Pelo despacho de fls. 9.409/9.410, o presente processo foi encaminhado à DRF/Anápolis (GO), para que aquela repartição fiscal, em conformidade com a decisão prolatada por esta mesmaTurma de Julgamento no referido acórdão, pudesse adotar as devidas providências com vistas a que a parte do crédito tributário então controlada no processo de n° 13116.720490/201331, voltasse a ser controlada no presente processo de n° 10120.731437/201228. Diante da impugnação da recorrente, a Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente sua defesa, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REMUNERAÇÃO DE DEBENTURISTA. SIMULAÇÃO. Caracteriza negócio simulado a demonstração, por meio de robusto escopo probatório, de que a operação de emissão de debêntures, adquiridas unicamente por pessoa ligada à emitente, com remuneração exclusiva de 95% dos lucros, fora da finalidade societária que lhe é própria, qual seja, de captar recursos, pois estes já estavam captados no exterior por meio de emissões de ações da controladora e por empréstimo obtido com empresa sediada em paraíso fiscal (financiador oculto), serviu (1) como meio de integralização de capital; (2) como forma de devolver dividendos aos acionistas; e, principalmente, (3) como artifício para Fl. 9993DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.994 22 reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, pela transferência dos lucros das empresas operacionais para empresa veículo, empresa em que se deu a anulação desses resultados com o prêmio (ágio) criado de forma artificial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL. Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. COTEJO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Comprovado que, apesar de a contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício revelase descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Diante do parcial provimento, vieram os recursos voluntário e de ofício. É o relatório. Fl. 9994DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.995 23 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consignado no extenso relatório, a Fiscalização promoveu lançamentos tributários em face da pessoa jurídica MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A, a quem imputou a prática das seguintes infrações: (1) despesas inexistentes de participação de debêntures com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL; (2) compensação indevida de prejuízo fiscal; (3) compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL; (4) falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ; e (5) falta de recolhimento e de declaração em DCTF da CSLL. Quanto ao itens 4) e 5) constataram, os agentes fiscais que a contribuinte deixou de recolher e de declarar nas DCTF, IRPJ e CSLL devidos, relativos ao anocalendário de 2008 no valor de R$ 3.655.938,35 e 3.800.446,04, respectivamente. Em sua impugnação, a contribuinte assevera que os valores são indevidos, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esse débito mediante compensação, o que foi reconhecido, dando azo a decisão parcialmente procedente em primeira instância e correspondente recurso de ofício. 1. DA ACUSAÇÃO FISCAL DE DESPESAS INEXISTENTES DE PARTICIPAÇÃO DE DEBÊNTURES Segundo os agentes fiscais, a emissão das debêntures pela fiscalizada faz parte de uma complexa estruturação baseada em diversos contratos e negócios envolvendo, essencialmente, empresas de um mesmo grupo econômico. Constataram as autoridades fiscais que a controladora indireta da fiscalizada captou recursos no exterior e transferiu esses recursos para o Brasil, a título de empréstimos entre coligadas, para outra empresa do mesmo grupo. Esta, por sua vez, utilizou tais recursos para aquisição das debêntures emitidas pela fiscalizada e por uma terceira empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures. Com base nos elementos probatórios colhidos durante a ação fiscal, concluíram os auditoresfiscais que o aporte de recursos na fiscalizada para o desenvolvimento de suas atividades de mineração tratase, na sua essência, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. Segundo os agentes fiscais, a forma concebida de anulação de lucro da Maracá, mediante a distribuição de dividendos (isentos) como se despesas de participação de debenturistas fossem, transferindo assim rendimentos tributáveis para a PTAPAR, onde supostamente seriam tributados, e a criação de despesas nesta sociedade (amortização do ágio Fl. 9995DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.996 24 ou prêmio e a dedução de "juros" sobre empréstimos remetidos a esse título para a Yamana) de forma a reduzir a sua tributação, demonstrariam de forma cabal a falsidade da operação. De acordo com o Fisco, a transação evidenciaria simulação de empréstimos entre coligadas e de emissão de debêntures (fatos simulados), com utilização de empresa sem qualquer empreendimento empresa veículo, pois o negócio efetivamente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital (negócio dissimulado). Assim, entendeu a Fiscalização que as operações de debêntures deixaram de produzir os efeitos tributários pretendidos e considerou que as despesas de participação de debêntures seriam indedutíveis, razão pela qual constituiu os créditos tributários de IRPJ e CSLL em face da MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A, deduzindo os tributos pagos/retidos pela Maracá e pela PTAPAR nas aludidas operações, aplicando também a multa qualificada de 150%. A contribuinte, por sua vez, impugnando o feito, alegou que os agentes fiscais tiraram conclusões pessoais sobre os fatos e informes recebidos, fizeram interpretações errôneas sobre esses fatos, inclusive sob o ponto de vista estritamente jurídico e misturaram a situação da recorrente com ocorrências relativas à obrigações tributárias da debenturista (PTAPAR), inclusive questionando o critério contábil que esta utilizou para deduzir a amortização do prêmio de subscrição. Para sustentar a improcedência do feito fiscal, a recorrente identificou o que seriam os pilares da acusação fiscal e os rebateu um a um, com base em posições doutrinárias e, principalmente, em precedentes do antigo 1° Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em suma, alegou a recorrente que não é possível, quer pela substância de um aumento de capital, quer pela sua forma e pelos requisitos que a lei lhe prescreve, substituir mútuo ou debênture por aumento de capital, pois são distintas as disciplinas jurídicas desses atos, inclusive os efeitos que produzem em virtude da causa de cada um, e diferentes os seus requisitos formais e de validade. Entendo correto o entendimento da DRJ em relação à solução dada ao caso. À toda evidência, estamos diante do que se denomina planejamento tributário, cabendo a este Colegiado decidir se os atos engendrados pela contribuinte configuram planejamento tributário abusivo, como concluiu o Fisco, ou se são lícitos e não podem ter os seus efeitos desconsiderados, conforme sustentou a recorrente. Nesse tema, filiome à corrente que entende que o fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, como, p. ex., assembléias de deliberação para emissão de debêntures, instrumento particular de escritura de emissão de debêntures, boletins de subscrição de debêntures, contratos de mútuo, registro dos atos, etc, não garante à contribuinte, por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária. Com efeito, a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os Fl. 9996DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.997 25 efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. Em outras palavras, é possível que cada um dos atos praticados pelo contribuinte, individualmente considerado, esteja de acordo com as exigências formais de alguma norma específica, mas que, em seu conjunto, não surta os efeitos esperados pelo ordenamento jurídico. Nesse sentido leciona Marco Aurélio Greco, in Planejamento Tributário, 2a Edição, Dialética, pag. 123: "A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos ao final, só no final entendemos o significado real de tudo o que aconteceu. Esta é uma perguntachave porque fotograficamente determinada opção pode ser plenamente protegida e até mesmo querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento para um planejamento inaceitável." Portanto, a discussão acerca da licitude da conduta adotada pelos contribuintes na busca da economia fiscal não está restrita ao campo do legal ou ilegal, mas deve ser balizada pelos demais valores que permeiam o ordenamento jurídico. Ensina o referido autor (pag. 194): "(...) cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça. Partindo dessa abordagem, embora reconheça que o contribuinte tem o direito de organizar sua vida (desde que o faça atendendo aos requisitos da licitude dos meios, previedade em relação ao fato gerador, inexistência de simulação sem distorções ou agressões ao ordenamento), sou imediatamente conduzido à conclusão (aliás, aceita de forma praticamente unânime nos países ocidentais) de que um direito absoluto e incontrastável no seu exercício é figura que repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, fundamentalmente informada pelo princípio da solidariedade social e não pelo individualismo exacerbado'" (negritei) Nesse contexto, o autor traz à baila a figura do abuso do direito e sua inoponibilidade em face de terceiros, dentre os quais o Fisco, conforme considerações à pág. 195 da citada obra: "É preciso distinguir entre critérios ligados à existência do direito e critérios ligados ao seu uso. A doutrina até aqui se preocupou com os primeiros, bem identificando os requisitos da existência do direito. Cabe agora examinar se há limites ligados ao plano do exercício desse direito, e Fl. 9997DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.998 26 se existirem (como é minha opinião), quais as conseqüências que advirão na hipótese de os limites serem ultrapassados e se estes efeitos consistem na ilegalidade do ato, ou então, na ineficácia fiscal dos atos realizados no exercício desse direito, independentemente de haver ilegalidade ou ilicitude de conduta. Neste passo, tem pertinência o tema do 'abuso do direito', categoria construída para inibir práticas que, embora possam encontrarse no âmbito da licitude (se o ordenamento positivo assim tratar o abuso), implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, (i) seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, (ii) seja pela sua distorção funcional, por implicar inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem uma razão suficiente que a justifique. De qualquer modo, seja o ato abusivo considerado lícito ou ilícito a conseqüência perante o Fisco será sempre a sua inoponibilidade e de seus efeitos." Merece registro o fato de que, com o advento do Código Civil veiculado pela Lei n° 10.406, de 2002, o abuso do direito passou a ser considerado um ato ilícito, nos termos de seu artigo 187: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Assim, a doutrina que defendia a legitimidade de ações e estruturas elaboradas pelo contribuinte com finalidade exclusiva de economizar tributos ao fundamento de estar atuando sob permissivo legal foi posta em xeque pela mudança da concepção de licitude, que já era inferida do estudo do texto constitucional, mas que foi explicitada pela lei civil, tendo o prestigiado autor registrado essa mudança de paradigma, conforme lição de pag. 199: "Depois do Código Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, a questão tributária é muito mais relevante, pois o abuso faz desaparecer um dos requisitos básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estarmos mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão." Inferese que a liberdade de autoorganização e de exercício de atividade empresarial, ou seja, de o contribuinte conduzir sua vida, encontra limites nos demais princípios que informam nossa matriz constitucional, em especial, o da capacidade contributiva, da isonomia fiscal e da função social do contrato, valendo dizer que o negócio jurídico entabulado ou o planejamento tributário efetuado devem estar assentados em fundamentos econômicos que não se restrinjam à pretensão de fugir de tributação. Assim, mesmo sob a hipótese de os atos praticados pelo contribuinte estarem devidamente formalizados, se não se vislumbra um propósito negocial em seu conjunto, ou se identifica a presença de simulação, com distorções ou agressões ao ordenamento, seus efeitos não podem ser admitidos pelo Fisco. Vale lembrar que, consoante estabelece o art. 167 do vigente Código Civil (Lei 10.406/2002), a simulação induz à nulidade do negócio jurídico. Vejamos, verbis: Fl. 9998DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.999 27 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. (negritei) § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2° Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. A propósito do tema da simulação, na jurisprudência do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), encontramse casos de planejamentos tributários com operações de emissão de debêntures adquiridas unicamente por pessoas ligadas à emitente, e com remuneração exclusiva em função dos lucros desta, em percentuais elevados (até 95%). É o caso do Acórdão n° 110100.006, de 11/03/2009, que traz a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: REMUNERAÇÃO DE DEBENTURISTAS. SIMULAÇÃO. "Operação de emissão de debêntures adquiridas unicamente por pessoas ligadas à emitente, com remuneração exclusiva de 95% dos lucros, sem pagamento de juros e prêmio utilizado para aumento de capital caracteriza negócio simulado para encobrir operação de subscrição de participação societária. O prejuízo ao Fisco se revela na remuneração dos (falsos) debenturistas, lançandose lucro travestido de despesa na apuração do lucro real. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A utilização de negócio simulado comprova a intenção de fraudar do contribuinte e autoriza a imposição da multa qualificada de 150% prevista pelo art. 44, II, da Lei 9.430/96." Do seu voto condutor, destaco as seguintes considerações sobre o tema: "(...)Predomina na doutrina a classificação da simulação em duas espécies: absoluta e relativa. Na simulação absoluta, forjase a celebração de um negócio jurídico quando, na verdade, não se tem intenção de efetivar nenhum negócio. Fl. 9999DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.000 28 Na relativa, as partes envolvidas celebram um contrato (negócio dissimulado) mas, na realidade, o encobrem com um outro (negócio simulado) distinto do primeiro, na intenção de ludibriar terceiros. O contrato do negócio simulado encerra a falsa vontade declarada das partes, enquanto no negócio dissimulado se encontra a verdadeira intenção dos contratantes, ocultada pela simulação. Para Alberto Xavier, no que concerne ao fato gerador, a simulação é necessariamente relativa, uma vez que a vontade real das partes é a realização do ato ou negócio jurídico tipificado como fato constitutivo da obrigação tributária ("Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva", São Paulo, 2001, Dialética, pág. 56). Exemplifica o autor: "Se a lei fiscal tributa por qualquer forma o mútuo, os simuladores aparentam uma doação, pactuando paralelamente, às ocultas, contra declaração pela qual o donatário aparente se obriga a restituir os valores aparentemente doados. Se a lei fiscal tributa a doação por alíquota superior à da compra e venda, os simuladores ostentam às claras uma compra e venda, combinando na sombra o perdão da dívida de preço. Se a lei fiscal tributa o mútuo concedido a pessoa jurídica, as partes efetuam à luz do sol um aumento de capital, enquanto na penumbra ajustam uma subseqüente redução de capital acrescida de juros. E os exemplos podem multiplicarse ao infinito " O Fisco está subordinado à realidade dos efeitos jurídicos dos atos praticados nos limites da lei pelos contribuintes. Entretanto, por outro lado, não se vincula à denominação por eles atribuída aos seus negócios. Na simulação, os negócios simulados são falsos, são forjados por meio de utilização de mentiras, com o intuito de enganar e prejudicar terceiros. O aplicador da lei deve, inicialmente, pesquisar o real conteúdo do negócio contratado, independentemente da denominação (nomen iuris) dada pelas partes contratantes, identificando precisamente o conceito legal próprio a ele correspondente, para, então, avaliar as conseqüências tributárias dos seus efeitos jurídicos.(...)" Pois bem. No caso sob exame, a própria recorrente não questiona os aspectos fáticos identificados pela Fiscalização, na medida em que reconhece que "os fatos coletados pelos auditores fiscais ocorreram efetivamente " (fl. 9.137). O dissenso diz respeito à valoração jurídica desses fatos. Dentre tantos outros fatos narrados pelo autuante, que constam do relatório que integra este acórdão, merecem registro os seguintes: (1) Declarações dos representantes das empresas de que o ágio foi pago em função do risco da operação, sem obrigatoriedade de retorno para a debenturista e que a extinção das obrigações da emissora, de acordo com a escritura, se daria com o pagamento do valor de face; ou seja, dos US$245.000.000,00 investidos na Maracá e na Serra da Borda, em função do ágio criado artificialmente, de pronto, US$220.500.000,00 (90%) não tinham obrigação de retorno para a PTAPAR; Fl. 10000DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.001 29 (2) O estudo elaborado pela Dikaios também mostrou que o ágio não seria devolvido; (4) Declarações do Diretor da Maracá no sentido de que o investimento na Maracá, por meio de debêntures, tinha a natureza de investimento e que a rentabilidade das debêntures era baseada no resultado da empresa emissora; (5) Nos estudos da Price e da Dikaios, todo o investimento em debêntures foi referenciado em ações; (6) Ao término das chamadas de capital relativas às debêntures, que ocorreram ao longo de 2005, 2006 e 2007, a Maracá, então capitalizada com o valor do ágio (R$566.685.000,00) registrado em Reserva de Capital, incorporou esse valor ao Capital; (7) Os mútuos por meio dos quais a Yamana destinou recursos de US$ 245.000.000,00 à PTAPAR, sem fixação de quaisquer penalidades à mutuária no caso do não pagamento, foram celebrados com o estabelecimento de cláusula permitindo prorrogações do vencimento da dívida, pelo prazo total de 18 anos, equivalente ao prazo de vida útil da Minas Chapada, e superior ao prazo de vida útil das Minas São Francisco e São Vicente; (8) Em diversos relatórios anuais divulgados no mercado canadense, a Yamana, categoricamente, afirmou que a dívida (mútuos) poderia nunca ser amortizada, ou seja, informou que os recursos ingressaram sem obrigação efetiva de retorno; (9) Em 2010, em razão das novas normas em vigor no Brasil sobre subcapitalização, dos US$245.000.000,00 repassados à PTAPAR, US$116.249.599,92 foram convertidos em integralização de capital por meio da Minera, e essa integralização só não foi feita diretamente pela Yamana por questões burocráticas; (10)As alterações de percentual de remuneração das debêntures emitidas pela Maracá em função do seu lucro (95%, originalmente, 65% e 75%, em momento posterior) foram adotadas para fazer frente às necessidades financeiras do Grupo Yamana e para a atender a política de dividendos desse grupo, que "prevê um rendimento de dividendo que está em conformidade com o rendimento das taxas de dividendos de empresas semelhantes, e será revisada periodicamente e avaliada em relação ao crescimento do fluxo de caixa operacional da Yamana". Ora, os fatos supra destacados, a meu ver, evidenciam cabalmente operação de integralização de capital na Maracá e na Serra da Borda, travestido de operação de emissão de debêntures participativas, visando exclusivamente a economia tributária. Com efeito, como bem destacaram os autores do procedimento fiscal, os recursos totais obtidos (US$ 245.000.000,00) foram repassados pela Yamana à PTAPAR, sob a forma de empréstimo, para que esta adquirisse as debêntures participativas emitidas pela Maracá e pela Serra da Borda, cujas condições foram previamente definidas pela Yamana e seu financiador oculto. Nesse cenário, utilizouse uma empresa veículo para viabilizar a evasão de tributos, mediante a prática de simulação, eis que o negócio real, dissimulado, foi a Fl. 10001DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.002 30 integralização do capital na Maracá e na Serra da Borda, e os negócios simulados (formalizados), para enganar o fisco, foram os dois empréstimos que totalizaram US$245.000.000,00 e as duas operações com debêntures totalmente fora dos padrões de mercado. A empresa veículo (PTAPAR), formalizada apenas no papel, participou da operação de debêntures apenas para criar o ágio artificial e deduzilo das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, ou seja, recebendo a remuneração de debêntures das empresas operacionais, Maracá e Serra da Borda, para que essa remuneração fosse anulada com as despesas de ágio, criadas artificialmente. Nas palavras dos agentes fiscais, as debêntures foram formatadas fora da finalidade societária que lhe é própria, qual seja, de captar recursos, pois estes já estavam captados no exterior por meio de emissões de ações da Yamana e por empréstimo obtido com empresa sediada em paraíso fiscal. As debêntures da Maracá também fogem à realidade do mercado no que se refere aos riscos assumidos pelo debenturista, pois o "excesso" de remuneração pago em determinada série vem sendo "considerado" para repactuação da remuneração das séries subseqüentes, o que, se fosse uma operação real (de mercado), imporia aos portadores destas séries repactuadas perdas significativas. Como o negócio real (dissimulado) foi a integralização de capital e a Yamana tinha que cumprir sua política de dividendos, a Maracá e a PTAPAR tiveram que alterar o percentual de remuneração das debêntures; ou seja, as empresas tiveram que neutralizar os efeitos indesejáveis da operação que elas simularam (operação de debêntures). A Maracá necessitou de mais recursos para o desenvolvimento de suas atividades e, ao mesmo tempo, não necessitou pagar dividendos em valores superiores à média de retorno de mineradoras atuantes no Brasil. Em suma, as debêntures serviram (1) como meio de integralização de capital, (2) como forma de devolver dividendos aos acionistas da Yamana e, principalmente, (3) como artifício para reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, pela transferência dos lucros das empresas operacionais para empresa veículo (PTAPAR), empresa em que se deu a anulação desses resultados com os ágios criados de forma artificial. Não se ignoram os precedentes do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) apontados pela suplicante em sua alentada peça de impugnação. Não obstante, com todo o respeito que merece o seu subscritor, patrono da recorrente, Professor Ricardo Mariz de Oliveira, tais precedentes não têm aplicação plena ao caso dos autos. A uma porque, utilizando as lições de Marco Aurélio Greco, alguns julgados examinaram outro "filme"; ou seja, os vários precedentes apontados pela recorrente não podem ser considerados isoladamente, pinçandose conclusões pontuais, adotadas em casos específicos. Fl. 10002DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.003 31 A duas porque, mesmo que alguns desses precedentes pudessem ter aplicação ao caso sob exame, na própria jurisprudência dos referidos tribunais administrativos se encontram entendimentos divergentes sobre os variados aspectos. A despeito das conclusões já externadas por este Relator, no sentido da pertinência do trabalho fiscal, passo ao exame das principais alegações da contribuinte. Sustentou a recorrente que aplicação da multa qualificada de 150% requer o conhecimento inequívoco da ilegalidade e premeditada. Comungo desse entendimento da DRJ. Estabelecer a linha divisória entre a conduta dolosa e a não dolosa é uma árdua tarefa. Mesmo o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por vezes, prolata acórdãos conflitantes com a sua jurisprudência dominante. Os julgadores administrativos se deparam, no diaadia com situações semelhantes que a própria fiscalização ora procede à qualificação da multa de ofício, ora não. Evitar, pois, a banalização da aplicação da multa de ofício qualificada é missão que se lhes impõe. Penso que para que uma ação seja dolosa não basta que o contribuinte tenha tido consciência dos atos que praticou. É necessário que haja a consciência de que tais atos são contra o Direito. Ocorre que, no caso sob exame, conforme entendimento já externado por este Relator, todo o conjunto probatório coletado pela Fiscalização, em seu robusto trabalho de investigação e auditoria, permite concluir que o presente caso retrata, efetivamente, integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária, sendo certo que a fiscalização logrou demonstrar, de forma cabal, que a empresa autuada tinha a aludida consciência, razão pela qual é procedente à qualificação da multa de ofício. Alegou também a suplicante que o Grupo tinha relevantes motivos econômicos para engendrar as aludidas operações e que houve efetivo aporte de recursos financeiros na empresa autuada, o que já seria suficiente para justificar a dedutibilidade das despesas de participação de debêntures. Ora, não bastassem as inconsistências apontadas pela Fiscalização nos tópicos referentes ao ágio ou prêmio, à manutenção do controle acionário e às alterações do percentual de remuneração de debêntures, os demais elementos probatórios já destacados por Relator linhas atrás permitem por si sós descaracterizar tais operações como fez o Fisco. Por essas mesmas razões, o fato de ter havido efetivo aporte de recursos financeiros na empresa autuada, não autoriza per se a dedutibilidade das despesas de participação de debêntures. Asseverou ainda a autuada que, como o prêmio de emissão não integra o valor a ser restituído ao debenturista, este receberá a restituição de menor parcela do valor investido nas debêntures, mas, em contrapartida, terá direito a juros e/ou participação em montante mais elevado. Ora, reiterase, esse aspecto (ágio ou prêmio na emissão de debêntures) é apenas um elemento nessa complexa estruturação baseada em diversos contratos e negócios envolvendo, essencialmente, empresas do mesmo grupo econômico. Fl. 10003DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.004 32 Por outro lado, salta aos olhos a atipicidade da operação, praticada com parâmetros absolutamente fora da realidade do mercado, mesmo entre partes relacionadas, com a fixação de (1) remuneração de debêntures à base de 95% de participação nos lucros; e (2) ágio ou prêmio na subscrição das debêntures, no valor de 90% dos valores de lançamento. Suscitou também a recorrente vício na capitulação legal do auto de infração, na medida em que a acusação é de despesa inexistente enquanto o enquadramento legal é o art 299 do RIR/99, que trata do conceito de despesas operacionais. Não procede a alegação da suplicante, se não vejamos a dicção do referido dispositivo legal: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). (negritei) § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. " Ora, as autoridades fiscais, para chegarem à conclusão de que as despesas de participação de debêntures eram inexistentes, e por conseguinte, desconsiderarem os efeitos tributários dessas operações, partiram, dentre outros, do consagrado conceito de despesa operacional. À toda evidência, como já demonstrado, as aludidas despesas não se enquadram no referido conceito, pois em testilha com o comando legal supratranscrito, especialmente o seu § 2°, que estabelece que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. A propósito da desconsideração dos efeitos tributários promovida pelos agentes fiscais, sustentou também a recorrente que não existe norma legal que permita ao lançador ignorar a existência de uma pessoa jurídica regularmente constituída para, com base nessa desconsideração, tributar outra pessoa jurídica que com ela tenha transacionado, mas deduzir, dos tributos cobrados desta última, o montante dos tributos pagos pela outra. Ora, ainda que se admita serem relevantes as razões da suplicante na espécie, a manifestação deste órgão julgador sobre o tema revelase absolutamente inócua, pois estaria em conflito com os princípios da efetividade e da eficiência da Administração Pública. Com efeito, qualquer entendimento sobre o tema que viesse a ser adotado por este órgão julgador em nada aproveitaria à suplicante, na medida em que, caso favorável, não competiria a este Colegiado determinar a exclusão da dedução de tributos promovida pelos agentes fiscais, sendo certo ainda que tal hipótese não constituiria causa de nulidade a macular o lançamento como um todo. Fl. 10004DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.005 33 Asseverou também a recorrente que (1) não é possível a invocação do art. 149, inciso VII, do CTN, pois, ao invés de provas de dolo, fraude ou simulação, haveria controvérsia jurídica e a empresa está convicta de que emitiu debêntures e o fez com guarda das disposições legais que lhes são pertinentes; (2) o conceito de erro de proibição, existente no direito penal quanto à própria punibilidade do ato criminoso, é perfeitamente aplicável no direito tributário no que tange à graduação da penalidade; (3) é inaplicável, no presente caso, o art. 71 da Lei n° 4.502/64, que implica em atos que ocultem do fisco a ocorrência do fato gerador, dado que aqui a própria conclusão da fiscalização decorre dos documentos de lançamento das debêntures; e (4) não se pode confundir o que foi feito com a descaracterização do fato gerador, segundo a definição de fraude do art. 72 da Lei n° 4.502/64, pois fato gerador somente haveria se outra fosse a situação fática e jurídica. Todo o conjunto probatório coletado pela Fiscalização, em seu profundo trabalho de investigação e auditoria, permite concluir que o presente caso retrata, efetivamente, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. MULTA QUALIFICADA Entendeu a DRJ que simulação de empréstimos entre coligadas e de emissão de debêntures com a utilização de empresa veículo, sem qualquer empreendimento, o que justificaria a alusão ao art. 149, inciso VII, do CTN, verbis: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...); VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (negritei) (...). " Identificouse também, na espécie, a aplicação plena dos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64, notadamente a fraude (art. 72), na medida que, conforme restou demonstrado, a contribuinte expressou sua vontade livre e consciente ao enveredar pelo caminho da simulação, participando de negócios jurídicos que afrontam o ordenamento pátrio. Eis a dicção dos referidos dispositivos da Lei n° 4.502/64: "Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 10005DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.006 34 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo específico apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Entendo correta a tese suscitada pela recorrente de que seria aplicável ao caso o conceito de erro de proibição, existente no direito penal. Sempre é bom lembrar que à época em que o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu início à mudança de sua antiga jurisprudência, que seguia a corrente da estrita legalidade, bastando que os atos ou negócios jurídicos fossem realizados de acordo com as formalidades previstas em lei, o novo tribunal que o sucedeu CARF passou a adotar o entendimento encampado neste voto, no sentido de que a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. O planejamento tributário se caracteriza, na maior parte das situações, pelo seu caráter preventivo. Isto significa que as diversas alternativas existentes são analisadas e avaliadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Desse modo, o contribuinte que pretende planejar, com vista à economia de impostos, terá de dirigir a sua atenção para o período anterior à ocorrência do fato gerador e nesse período adotar as opções legais disponíveis. Alguns autores utilizam expressões para definir o tipo de ato praticado pelo contribuinte. Temos, basicamente: elisão, evasão e elusão. A elisão poderia ser definida como as opções legítimas que o ordenamento apresenta ao contribuinte, já a elisão com abuso de direito, ou elusão, se restringiria aos casos em que o contribuinte, utilizandose de liberdades negociais, utiliza negócio jurídico legítimo e válido, mas com causa alheia àquela natural do negócio, com o intuito único de economia tributária. Já a chamada evasão se dá após a ocorrência do fato gerador, consistindo em sua ocultação “com o objetivo de não pagar o tributo devido de acordo com a lei, sem qualquer modificação na estrutura da obrigação ou na responsabilidade do contribuinte.[...] Compreende a sonegação, a simulação, o conluio e a fraude contra a lei, que consistem na falsificação de documentos fiscais, na prestação de informações falsas ou na inserção de elementos inexatos nos livros fiscais, com o objetivo de não pagar o tributo ou de pagar importância inferior à devida. Fl. 10006DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.007 35 No caso concreto, não há dúvidas de que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de elisão abusiva (ou se preferir, elusão), uma vez que as provas indicam que todos os atos foram praticados antes da ocorrência do fato gerador, devidamente contabilizados em calcados em documentos formalmente corretos, e, nesse cenário, quer se enquadre tal conduta como abuso de direito (o que implica a requalificação dos fatos). Também não há que se falar em sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), uma vez que todos os atos foram devidamente declarados à Receita Federal, excluindose a possibilidade de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Portanto, tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Logo, ausentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), voto por reduzir a penalidade para 75%. JUROS SOBRE A MULTA Por fim, quanto a alegação da recorrente de que não é cabível a incidência dos juros sobre a multa de ofício, importa registrar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. No que se refere ao tema, porém, sendo pacífico o entendimento desta Turma Julgadora, cabe simplesmente registrar que a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentes de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao Fl. 10007DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.008 36 pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303 003.385, CSRF, 3ª Turma). Rejeito, pois, as alegações da recorrente também neste item. 2. DA ACUSAÇÃO FISCAL DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL As exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no ano de 2010 são conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. Assim, considerando que a glosa das despesas de participação de debêntures foi julgada procedente, conforme entendimento externado em item anterior, é de se manter as exigências de que trata o presente item. DO RECURSO DE OFICIO DA ACUSAÇÃO FISCAL DE FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ E DA CSLL a) Do IRPJ Constataram os agentes fiscais que o contribuinte deixou de recolher e de declarar nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), parte do IRPJ devido, relativo ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 3.655.938,35. A infração foi detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados, o que gerou insuficiência de recolhimento do imposto. Em sua impugnação, a contribuinte asseverou que a cobrança de IRPJ é indevida, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esses débitos mediante compensação. Primeiramente, destaca a suplicante que a base de cálculo utilizada pela fiscalização está equivocada, pois foi considerado o valor do Lucro Real de R$ 170.440.699,78, que constou da DIPJ do anocalendário de 2008 (fls. 7944/7977), a qual foi retificada pela recorrente. Informa a contribuinte que, conforme DIPJ retificadora (fls. 7978/8011), transmitida em 26/10/2010, a correta base de cálculo do IRPJ devido no anocalendário de 2008 é de R$ 166.962.436,41. Dessa forma, o imposto a pagar seria de R$ 41.740.609,10. Esclarece, no entanto, que efetuou pagamentos e compensações no montante de R$ 42.309.030,03, ou seja, valor maior do que o efetivamente devido. Prossegue esclarecendo que a extinção do referido débito se deu da seguinte maneira: (1) R$ 38.930.236,60 a título de estimativa, conforme informado pelos Fl. 10008DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.009 37 autores do procedimento no próprio Relatório Fiscal; e (2) R$ 3.378.793,43, por meio de quatro PERDCOMP, todos com o código 243001, referente ao ajuste anual de IRPJ para pessoas jurídicas obrigadas ao regime de estimativas mensais. Preliminarmente, importa consignar que não pode ser acolhida a pretensão da recorrente de se considerar a DIPJ retificadora (fls. 7978/8011), transmitida em 26/10/2010, na qual o Lucro Real, base de cálculo do IRPJ devido no anocalendário de 2008, teve o seu montante reduzido de R$ 170.440.699,78 para R$ 166.962.436,41. Com efeito, iniciado o procedimento por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 29/01/2010 (fls. 24/25), é defeso ao contribuinte promover a retificação da DIPJ para reduzir o valor de tributo anteriormente declarado como devido, sem que o interessado esclareça o motivo e comprove o alegado, o que não foi feito no presente caso. Nesse sentido é a jurisprudência do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme entendimento sumulado abaixo: "Súmula CARF n° 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício". Por outro lado, examinandose os referidos PERDCOMP anexados à impugnação (26094.15623.231209.1.3.040073, 23039.66993.070110.1.3.045600, 34723.14318.070110.1.3.040389 e 06265.18898.170310.1.3.025855), transmitidos em 23/12/2009, 07/01/2010, 07/01/2010 e 17/03/2010, respectivamente, confirmamse as alegações da suplicante, na medida em que os débitos, nos montantes de R$ 3.312.474,79, R$ 1.412,91, R$ 28.052,36 e R$ 36.853,37, respectivamente, totalizando os R$ 3.378.793,43, se encontram confessados às fl 9.297, 9.311, 9.315 e 9.319, respectivamente, com a indicação (1) do código 243001, referente ao ajuste anual de IRPJ para pessoas jurídicas que apuram o imposto sob a modalidade de estimativas mensais; e (2) do vencimento em 31/03/2009. Registrese, contudo, que, (1) por equívoco, a contribuinte informou o período como sendo 2009, quando o correto é o de 2008; e (2) o quarto PERDCOMP, transmitido apenas em 17/03/2010, é considerado espontâneo, pois tanto o citado Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 29/01/2010 como o primeiro termo seguinte (Termo de Intimação Fiscal lavrado em 1504/2010), tratam de intimação para apresentação de livros e documentos pertinentes à matéria emissão, subscrição e remuneração de debêntures participativas, ou seja, diversa daquela a que se refere o débito confessado no mencionado PERDCOMP. Assim, segundo o entendimento da decisão a quo, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado (art. 74, § 6°, Lei n° 9.430, de 1996), portanto o lançamento de ofício sob exame revelase descabido, razão pela qual resolveu deduzir do valor lançado pela Fiscalização a título de IRPJ (R$ 3.655.938,35), relativo ao anocalendário de 2008, o montante de R$ 3.378.793,43. b. Da CSLL Fl. 10009DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.010 38 Constataram, também, os agentes fiscais que a contribuinte deixou de recolher e de declarar nas DCTF, parte da CSLL devida, relativa ao anocalendário de 2008 no valor de R$ 3.800.446,04. Em sua impugnação, a contribuinte assevera que a cobrança de CSLL é indevida, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esse débito mediante compensação. Informa que extinguiu esse débito por meio de duas compensações, uma de R$ 221.000,00 (PERDCOMP n° 26094.15623.231209.1.3.040073, transmitido em 23/12/2009) e outra de R$ 3.579.446,04 (PERDCOMP n° 19381.33017.231209.1.3.044130, também transmitido em 23/12/2009). Examinandose os referidos PERDCOMP, anexados à impugnação, confirmamse as alegações da suplicante, na medida em que os referidos débitos, totalizando os R$ 3.800.446,04 lançados pela fiscalização, se encontram confessados às fl 9.298 e 9.307, respectivamente, com a indicação (1) do código 677301, referente ao ajuste anual de CSLL para pessoas jurídicas que apuram o IRPJ sob a modalidade de estimativas mensais; e (2) do vencimento em 31/03/2009. Registrese, contudo, que, por equívoco, a contribuinte informou o período como sendo 2009, quando o correto é o de 2008. Assim, entendeu também que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado (art. 74, § 6°, Lei n° 9.430, de 1996), o lançamento de ofício sob exame revelase descabido, razão pela qual é de se afastar a exigência a título de CSLL, no valor de R$ 3.800.446,04, relativa ao anocalendário de 2008. Entendo correto o entendimento da DRJ quanto aos dois pontos (IRPJ e CSLL). Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, exclusivamente para afastar a multa qualificada, reduzindoá ao patamar de 75%. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius NIchele Macei – Relator Fl. 10010DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.011 39 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar das conclusões do i. Conselheiro Relator em relação à qualificação da multa de ofício. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 10011DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.012 40 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Retornando ao caso concreto, segundo o I. Conselheiro Relator estaríamos diante de um caso de elisão tributária, ainda que ilícita, o que impediria a qualificação da penalidade. Entendo de modo diverso. Analisando o caso concreto concluo que estamos diante de um caso de simulação, o que impõe, a toda evidência, a qualificação da penalidade. Há vários fatos que demonstram a existência de simulação: a) os representantes da Yamana e da Maracá registram junto ao Banco Central do Brasil a existência de um empréstimo, e não um aumento de capital; b) esses mesmos representantes da Yamana e da Maracá adquiriram uma “empresa de prateleira”, utilizandose tão somente de suas contas bancárias para trânsito de recursos, registrando ainda uma operação de emissão de debêntures, na Junta Comercial, quando, na realidade, tratavase de evidente integralização de capital; c) Na própria empresa veículo, e também nas DIPJ por essa transmitidas, não houve o registro dos ágios. Além disso, a autoridade fiscal autuante demonstrou que Amulet financiador oculto , além de provedor de recursos da Yamana (com parcela de recursos de origem desconhecida), detinha ainda alto poder de comando nas decisões de investimento da Yamana no Brasil, em especial no que atine à estruturação de financiamento por meio de debêntures participativas. Fl. 10012DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.013 41 A meu ver, há elementos de prova suficientes que permitem concluir que restou comprovado também que as operações de debêntures foram preconcebidas, em conjunto com instituições sediadas no exterior. Além disso, é possível se extrair dos autos que Yamana e o seu financiador oculto (representado pela Amulet) definiram toda a sequência de operações com o objetivo predeterminado de evitar o pagamento integral dos tributos devidos. Isso porque, na escritura de trust, Yamana e o financiador oculto definiram que os valores repassados à PTAPAR, por Yamana, seriam na forma de empréstimo. Também acordaram que PTAPAR iria investir os valores recebidos em Maracá (Mina Chapada) e em Serra da Borda (Mina São Francisco e Mina São Vicente) em certos intervalos de tempo e quando necessário, para financiar os projetos em debêntures participativas, debêntures essas que seriam penhoradas à fiduciária imediatamente após a emissão suas emissões. Há de se destacar ainda que, nos termos contidos no contrato de subscrição, Amulet seria a única responsável pela obtenção de consultoria tributária, de investimentos, jurídica e outras consultorias profissionais. A meu sentir, a autoridade fiscal angariou elementos de prova suficientes e aptos a comprovar suas conclusões: a operação levada a efeito foi uma integralização de capital, e não uma operação de emissão de debêntures. E frisese que, para tanto, realizouse uma ampla e profunda investigação, demandando praticamente três anos de procedimento fiscal, por meio do qual foi colhido um robusto conjunto probatório composto por mais de 9.000 (nove mil) folhas. Portanto, entendo absolutamente despropositados os argumentos da Recorrente de que “mesmo que a intenção e a realidade fossem de aumento de capital, este não estaria encoberto, porque transpareceria do conjunto de fatos documentados e contabilizados, através dos quais os fiscais entenderam haver aumento de capital”. Ao contrário do alegado em recurso, tais elementos probatórios não se encontravam “às claras” e nem permitiriam, por uma análise perfunctória (nas palavras da Recorrente) identificar a operação real praticada (integralização). Por essas razões, as conclusões extraídas da operação realizada não foram simplesmente extraídas da mera análise dos “fatos documentados e contabilizados”, mas sim pela análise conjunta de todas os elementos de prova arduamente produzidos pela equipe de fiscalização responsável pela autuação, incluindo provas não sujeitas à contabilização, como, por exemplo, documentos publicados no exterior. Portanto, o fato apontado pela Fiscalização como realmente ocorrido a integralização de capital – jamais foi evidenciado pela Recorrente, mas sim acobertado atos simulatórios. Especificamente a respeito da caracterização de sonegação, fraude ou conluio (respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), esclareço: a) a Recorrente argumenta que deveria haver uma espécie de embaraço à Fiscalização para comprovarse a ocorrência de sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64) de modo a caracterizar o não conhecimento do fato gerador por parte da autoridade tributária. Contudo, não é esse o escopo da norma. A caracterização da sonegação (“impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”) pode ser facilmente extraída dos seguintes fatos: • Informar, na DIPJ da PTAPAR, o valor do ágio, deduzido na apuração do resultado, como despesas de participação de debenturistas, enquanto a PTAPAR não é (e nem poderia ser) emissora de debêntures. Fl. 10013DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.014 42 Não informar na DIPJ da PTAPAR o ágio baixado como despesa; Informar na DIPJ da Maracá despesas a título de remuneração de debêntures, quando eram, na realidade, dividendos; Informar na DIPJ da PTAPAR receitas a título de remuneração de debêntures, quando se tratava, de fato, de receita de dividendos (para fins de repasse à controladora Yamana). b) em relação à fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64), argumenta a Recorrente que tal dispositivo legal trata do próprio fato gerador, cuja ocorrência se impede ou retarda por modo doloso, vale dizer, por via sabidamente ilegal e que adultere a realidade do fato gerador ou dos seus elementos, podendo consistir em simulação absoluta ou relativa. Alega, todavia, que o artigo não impede o exercício regular do direito de organização e reorganização, nem de escolha de alternativas legais, através do que também se visa economia fiscal, mas por meios legais e não dolosos, principalmente quando praticados à luz do dia. Ocorre que, conforme já abordado, não estamos diante de escolha de alternativas legais, mas sim de simulação, uma vez que a Recorrente adulterou a realidade dos fatos: diante de evidente integralização de capital, houve registro de mútuo entre coligadas e operação de debêntures. c) no que diz respeito ao conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/64) além da necessidade de dolo nas ações abrangidas pelos art. 71 e 72 (sonegação ou fraude), também é necessário o pacto doloso. E, no caso concreto, não há dúvidas sobre sua ocorrência: os administradores/representantes das empresas Yamana, Maracá, Serra da Borda e PTAPAR, além do investidor oculto, participaram em conluio dos atos que configuraram sonegação e fraude. Em resumo, a intencionalidade da divergência entre a vontade interna e a declarada é a característica fundamental do negócio simulado, e, conforme já exposto, entendo que há prova suficiente a caracterizar a ocorrência de simulação no caso concreto. É importante ressaltar que a multa qualificada foi aplicada em relação à infração referente às despesas inexistentes de participação de debêntures (IRPJ e CSLL), e as infrações decorrentes (compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL), o que considero acertado. Já em relação às infrações relativas à falta de recolhimento e de declaração em DCTF (IRPJ e CSLL) a autoridade fiscal autuante, corretamente, já cominou a penalidade de 75%. Desse modo, entendo estarem preenchidos os requisitos para qualificação da penalidade. Isso posto, voto por negar provimento também em relação à multa qualificada, mantendo a penalidade de 150%. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 10014DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.015 43 Fl. 10015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000536/2004-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 36 /2 00 4- 17 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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