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Numero do processo: 10880.688811/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.230
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 81 1/ 20 09 -6 1 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720037/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17; ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17; ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 03 7/ 20 15 -1 5 Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.772 2 Relatório Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes aos anos calendário de 2011 e 2012, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 02 a 14, no valor de R$243.488.872,47 (duzentos e quarenta e três milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e dois reais e quarenta e sete centavos) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 15 a 24, no valor de R$ 44.320.922,06 (quarenta e quatro milhões, trezentos e vinte mil, novecentos e vinte e dois reais e seis centavos), todos acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora calculados até 07/2015. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) contabilização incorreta, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio, no total de R$172.674.308,52, para o AC 2011 e R$ 67.313.640,14 para o AC 2012, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação. O enquadramento legal aponta: artigos 2º e 3º da Lei nº 9.249/95, artigos 247 e 250 do RIR/99 e artigo 392, inciso I, do RIR/99; 2) redução indevida do IRPJ e adicional calculados sobre o lucro da exploração no montante de R$ 29.741.233,09 para o AC de 2011 e R$ 50.328.733,11 para o AC de 2012; como decorrência da inexistência, na escrituração da pessoa jurídica, da segregação do resultado por atividade fomentada, o que implicou por parte do Fisco na apuração do incentivo pelo critério do rateio do lucro proporcionalmente à receita líquida . O enquadramento legal aponta: artigos 231, inciso II, 554 e 557 do RIR/99 e artigo 1º da Medida Provisória nº 2.199 14/01. O Auto de Infração de CSLL aponta a seguinte infração: 1) contabilização incorreta, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio, no total de R$172.674.308,52, para o AC 2011 e R$ 67.313.640,14 para o AC 2012, gerando redução indevida na base de cálculo da CSLL. O enquadramento legal aponta: artigo 2º da Lei 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei 8.034/90; artigo 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do artigo 1º da Lei 9.065/95; artigo 2º da Lei 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 3º da Lei 7.689/88, com redação dada pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/08. Foi apresentada peça impugnatória na qual, relativamente ao item 1, a interessada sustenta que o benefício fiscal é uma subvenção para investimento. Logo, não sofreria a incidência do imposto, nos termos do art. 443, do RIR/1999. Declara que faz jus ao incentivo fiscal sobre o ICMS concedido pelo Estado do Mato Grosso no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso PRODEIC, em virtude do disposto na Lei Estadual nº 7.958/2003. Acrescenta que os incentivos e critérios para a sua concessão constam do protocolo de intenções (fls. 347/352) e respectivo aditamento (fls 93/104) pelos quais fica Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.773 3 demonstrado que os incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Mato Grosso, concernentes à outorga de créditos presumidos de ICMS próprio, relativo às operações de circulação de mercadorias efetivamente produzidas no empreendimento industrial, foram oferecidos mediante a contrapartida de implantação da fábrica pela impugnante, com a demonstração do valor do investimento, do faturamento estimado, da geração de certo número de empregos, atendendo a todos os ditames da Lei Estadual nº 7.958/2003. Entende que a vistoria feita pelo CEDEM (Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial), órgão com competência outorgada pelo Estado para aprovar e julgar pedidos relacionados aos incentivos fiscais concedidos, criado pela Lei Complementar nº 132, de 22 de julho de 2003 e Decreto nº 1.410/2003, aprovou a vistoria para comprovação dos dados relativos aos incentivos concedidos. Aduz que o agente fiscal ignorou a autonomia da unidade federada em cuidar de seus próprios negócios e fiscalizar os tributos e dispêndios financeiros que executa, bem como de que os atos praticados pelos agentes públicos estaduais gozam da presunção de legitimidade e só podem ser afastados mediante robusta prova de ilegalidade. Entende, também, que o incentivo fiscal em referência constituise de subvenção para investimento, desse modo, transcreve os artigos 392 e 443 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, para diferenciar subvenção para investimento de subvenção para custeio. Relata que, com a edição da Lei nº 11.638/2007, que alterou dispositivos da Lei nº 6.404, (artigo 182, §1°, alínea "d"), em face das normas contábeis internacionais, as subvenções para investimento receberam tratamento específico, devendo ser contabilizadas no resultado operacional da empresa para, em seguida, haver a sua destinação para subconta representativa do patrimônio líquido denominada "Reserva de incentivos fiscais". Transcreve o artigo 18 da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que dispõe sobre o Regime Tributário de Transição, criado para neutralizar os efeitos dos novos métodos e critérios contábeis. Relata que o agente fiscal ao dar destaque à alínea "b" do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, ou seja, a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, entendeu que os valores decorrentes dos incentivos fiscais de ICMS no Estado deveriam ser reinvestidos imediatamente ao final do exercício em ativos imobilizados. Informa que não há previsão no protocolo de intenções assinado entre as partes, e em nenhuma lei aplicável às subvenções, a obrigação de, ao final do exercício, a impugnante aplicar o valor obtido mediante a concessão de incentivos fiscais de ICMS; muito pelo contrário, a lei determina que seja constituída reserva de incentivos fiscais, que deve antes de ser constituída, transitar pelo resultado da empresa. Ressalta que iniciou a implantação da indústria com o valor do investimento antes de obter a subvenção, ou seja, investiu antecipadamente no Estado do Mato Grosso os valores previstos no Protocolo de Intenções, visando recuperar parte do valor investido mediante o aproveitamento do incentivo fiscal concedido pelo Estado. Entende que quando foi elaborado o Parecer nº 112, não estava ainda em vigência a Lei 11.941/09, que estabelece a exclusão do valor do incentivo da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.774 4 Conclui que ao adotar como fundamento para a autuação um requisito previsto em um Parecer Normativo (ato do Poder Executivo) a fiscalização impõe uma interpretação sobre a subvenção para investimento que contraria a previsão expressa no art. 443 do RIR/99, que decorre do art. 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/77; contudo, o faz sem qualquer previsão legal, apenas com fundamento em atos interpretativos ultrapassados, desrespeitando o princípio da legalidade, garantia fundamental do contribuinte estampada nos arts. 5º, II e 150, I, da CF. Além disso, a autoridade fiscal estaria infringindo o disposto no art. 110 do CTN que veda ao ente tributante modificar ou estender o conteúdo ou o alcance dos conceitos legais e de direito privado. Com relação ao item 2, sustenta a impugnante que, ao contrário do que entendeu o agente fiscal ao lavrar o auto, somente quando o sistema de contabilidade não oferece condições para apuração do lucro da atividade, o artigo 557, §3º do RIR/99 permite/faculta que seja apurado o resultado das atividades incentivadas separadamente das demais, através desse método de proporcionalidade entre a receita líquida das atividades incentivadas e a receita líquida total. Afirma a interessada que, exercendo mais de uma atividade, e sendo apenas a de industrialização e venda de cerveja, incentivada com a redução do lucro da exploração, apurou separadamente o lucro da exploração para que pudesse usufruir do incentivo, uma vez que o seu sistema de contabilidade permite a apuração do resultado das atividades de forma segregada. Conclui a impugnante que, com os dados e informações por ela fornecidos nas respostas à fiscalização relativa aos anoscalendário de 2011 e 2012, poderia a autoridade fiscal ter apurado os valores para se certificar de que os cálculos do lucro da exploração, elaborado de maneira segregada mediante os dados obtidos no sistema contábil da impugnante, estariam corretos. Argumenta a contribuinte que os dados por ela apurados foram objeto de registros contábeis e de declarações entregues à Receita Federal no período fiscalizado (2011 e 2012) o que pode ser verificado na documentação já entregue à fiscalização (fls. 69/114 e 121/162) e nos documentos anexos ao Parecer Técnico (DIPJ fichas 6A, DMPL, DRE e Balancetes de verificação individualizados por CNPJ). Acrescenta ainda a interessada em sua defesa que os balancetes acima mencionados permitem que sejam confrontados os números apresentados, em relação ao período fiscalizado, através da verificação do Grupo 3 – Receitas, Grupo 4 – Custos e Grupos 5 e 6 – Despesas e Outras Receitas, das quais se pode conferir os resultados apresentados. E apresenta memória de cálculo completa dos valores apurados nos balancetes individualizados das unidades que possuem o incentivo, cujos dados podem ser confrontados com as informações supra, de acordo com os documentos anexos (Planilhas 2011 e 2012 – docs. 10/11). Destaca o sujeito passivo que os cálculos supra, se deram mediante aplicação do art. 544 do RIR/99 e art. 19 do DecretoLei nº 1.598/77, que tratam especificamente do cálculo do lucro da exploração e, portanto, não poderiam ser desconsiderados.; Segundo a interessada o agente fiscal desobedeceu o princípio da verdade material, decorrente do princípio da legalidade e da moralidade esculpido no artigo 37 da CF/88 e feriu os artigos 29, 36 e 37 da Lei 9.784/99 que regula o processo administrativo Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.775 5 federal, que dão indicativos que o agente público deve buscar a verdade material e não conformarse com um simples método que leve a verdade que não é verdadeira. Sustenta a impugnante que a ausência de registros contábeis segregados na ECD e na DIPJ, não permite à fiscalização desconsiderar o sistema contábil utilizado pela empresa para a apuração do lucro da exploração, ferindo o princípio da verdade material esculpido no artigo 37 da CF/88 e os artigos 29, 36 e 37 da Lei 9.784/99. Prossegue em seu arrazoado alegando que, em relação a afirmação constante do Relatório Fiscal de que no Manual de preenchimento da DIPJ existem regras pré parametrizadas de cálculo do lucro da exploração através da proporcionalidade entre as receitas líquidas, incentivadas e total, opõese o dispositivo do próprio Manual (Ficha 8 – Demonstração do Lucro da Exploração – PJ em geral) que autoriza a edição dos campos da DIPJ para que conste as informações da segregação do resultado da atividade incentivada, o que foi feito pela impugnante. Alega a interessada que, como a lei não exige forma préestabelecida, nem se apontou qualquer inconsistência no método utilizado pela impugnante, uma vez que atenderam aos requisitos do item 5 da NBC ITG 2000 R1 e também do próprio Manual de preenchimento da DIPJ, restou demonstrado que a escrituração contábil apresentada pela empresa é hábil para a apuração do lucro da exploração de forma segregada. Apresenta a impugnante, para comprovar a sua tese, o Parecer Técnico Contábil de fls. 774/798, acompanhado dos anexos de fls. 799/2.357. Finalmente, impugna expressamente os cálculos apresentados pelo agente fiscal decorrentes da aplicação do artigo 557, § 3º, do RIR/99, ou seja, da apuração do lucro da exploração com base na proporcionalidade entre receita líquida da atividade incentivada e receita líquida total. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, preliminarmente, converteu o julgamento em diligência por duas vezes. Após, prolatou o Acórdão 0962.617 pelo qual considerou improcedente a impugnação. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. É inadmissível excluir da apuração do lucro real a subvenção recebida do Poder Público, em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário, isto é, quando não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico (não é suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção), inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos. Nesse caso, a subvenção tornase tributável, compondo a base de cálculo do IRPJ. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.776 6 LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM. O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial para apuração do lucro por atividade depende de o sistema contábil adotado pela pessoa jurídica comprovadamente oferecer condições para tal. Caso contrário, apura se o lucro da exploração com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. É inadmissível excluir da apuração do lucro real a subvenção recebida do Poder Público, em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário, isto é, quando não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico (não é suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção), inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos. Nesse caso, a subvenção tornase tributável, compondo a base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia somente é necessária quando houver dúvida acerca de questão fática cuja interpretação demande juízo técnico, para análise de provas já incluídas no processo, ou quando a solução do litígio exija a análise de prova documental cuja juntada aos autos seja impraticável ou de difícil execução; ela não se presta ao suprimento de prova que poderia perfeitamente ser produzida mediante juntada de documentos aos autos pela contribuinte, pois não compete à autoridade julgadora a produção de elementos de prova necessários à instrução da defesa. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário a esta Corte, ratificando em essência as razões explanadas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.777 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço No que se refere à subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso através do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso ( PRODEIC), referentes ao crédito presumido do ICMS, o cerne da questão consiste em definíla como investimento, nos moldes defendidos pela interessada; ou como custeio, conforme entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida. A questão é polêmica no âmbito desta Corte. Existem decisões nos dois sentidos, e a controvérsia tem origem principalmente na definição dos requisitos tidos com necessários para que a subvenção possa ser entendida como de investimento. Fato de extrema relevância quanto ao tema é a modificação no art. 30, da Lei nº 12.973/2014, trazida pela Lei Complementar nº 160/2017, com acréscimo dos parágrafos 4º e 5º nos seguintes moldes (destaques acrescidos): [...]Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere oart. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1oNa hipótese do inciso I docaput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2oAs doações e subvenções de que trata ocaputserão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1oou seja dada destinação diversa da que está prevista nocaput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.778 8 § 3oSe, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos docaput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4oOs incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto noinciso II docaputdo art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5oO disposto no § 4odeste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. [...]Vêse que não apenas a lei trata o benefício/incentivo fiscal instituído pelos Estados referente ao ICMS como subvenção para custeio como também veda qualquer restrição a esse conceito que não esteja prevista na própria Lei. Sendo assim, nenhum ato normativo da RFB tem o condão de estabelecer condições fora do texto legal, cujo descumprimento possa ensejar a descaracterização da subvenção de investimento. Mais ainda, o § 5º supra transcrito estende as disposições ali estabelecidas aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados. Sendo assim, é fato incontroverso que os dispositivos legais em comento aplicamse ao caso aqui sob exame. Por outro lado, o texto da Lei Complementar nº 160/2017 estabelece a aplicação dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, da Lei nº 12.973/2014 a benefícios anteriores, concedidos em desacordo com o artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados (destaques acrescidos): Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Por sua vez, o mencionado art. 3º prevê: [...]Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.779 9 II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. [...]Com escopo na Lei Complementar 160/2017 foi editado pelo Confaz o Convênio ICMS nº 190, de 15 de dezembro de 2017, regulando a sistemática de reconhecimento dos incentivos fiscais. Primeiramente, reitera o regramento estabelecido no supra transcrito art. 3º da LC: [...]Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. [...]A seguir determina o prazo para atendimento: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.780 10 concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Tendo em vista que a LC estabelece sua aplicabilidade aos processos em curso., entendo ser necessário que a recorrente demonstre que o Estado do Mato Grosso adotou em relação ao PRODEIC as providências supra mencionadas. Dessa forma, ficaria assegurado o enquadramento do programa aos ditames do Convênio ICMS nº 190/2017 e, por consequência, à Lei Complementar nº 160/2017. Do exposto, voto no sentido de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato, ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2780DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722108/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 08 /2 01 3- 16 Fl. 1168DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase o presente de Auto de Infração de fls. 404/405, acompanhado dos demonstrativos de fls. 406/411, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do exercício de 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 11.732.613,54, composto da seguinte forma: R$ 5.450.691,54 relativo ao Imposto; R$ 2.193.903,34 de Juros de mora (calculados até 09/2013); e R$ 4.088.018,66 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 406), que foi apurado infração decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 367/373), bem como da documentação que lhe acompanha, foi iniciada ação fiscal (fl. 17) com diversas solicitações para que o contribuinte apresentasse documentação bancária do anocalendário 2008, concernente às contas mantidas juntos as diversas instituições bancárias, bem como para comprovar via documentação hábil e idônea, a origem dos recursos mantidos em tais contas e suas transações. O contribuinte, então, através de seu procurador, apresentou as documentações requeridas, relacionando depósitos, indicando supostas origens, aduzindo que a maior parte das movimentações se tratava de depósitos de valores que já estariam em seu poder. Ao final, considerou que a variação entre os saldos relativos aos anos de 2007 e 2008, da disponibilidade em poder do contribuinte, somada à venda de determinados bens, justificariam toda a movimentação financeira em apuração. Da análise da documentação, conjuntamente com as alegações apresentadas, foi lavrado o Auto de Infração incialmente referido, tendo em vista que concluiu a fiscalização não ter o contribuinte logrado comprovar a origem dos depósitos, o que resultou na caracterização da omissão de rendimentos, sendo, portanto, necessários de se submeterem a tributação. O contribuinte, portanto, apresentou Impugnação (acompanhada de anexos), tempestivamente (fls. 419/431), alegando, em resumo, que houve “quebra de sigilo bancário sem autorização judicial” e sem que fosse demonstrada sua imprescindibilidade. Dessa forma, estaria o ato administrativo de lavratura do Auto de Infração eivado de vício insanável, por fundamentação de prova obtida por meio ilícito, em confronto com o artigo 5º, LVI da CF/88. Ademais, alega que os fatos geradores autuados são referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2008 e, assim, com base no artigo 150, §4º do CTN, a Autoridade Fiscal possui 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador para proceder com o lançamento do tributo que entender devido. Informa, então, que foi intimado em 26/09/2013, o que levaria à conclusão de que os meses de janeiro a agosto de 2008 estariam atingidos pela decadência. Fl. 1170DF CARF MF 4 Por fim, tece considerações e explicações, na tentativa de justificar a origem dos créditos tidos como omissos de informe de rendimentos. Ao final requereu: a) a improcedência do Auto de Infração lavrado; ou b) subsidiariamente, fosse reconhecida a decadência do crédito tributário relativamente ao período de janeiro a agosto de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1264.416 da 21ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 468/481, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Discussões acerca da constitucionalidade das leis exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 487/500, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, no sentido de que: Houve comprovação da origem dos créditos/depósitos, que o Recorrente não fez alegações genéricas sobre a origem dos créditos questionados no valor de R$ 19.820.696,50, muito pelo contrário: (i) utilizouse da comparação pormenorizada entre suas declarações de Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 4 5 imposto sobre a renda dos anos calendários de 2007 e 2008 para justificar a movimentação financeira; (ii) trouxe aos autos notícias de que até seus rendimentos isentos tiveram sua origem recusada ( distribuição de lucros das empresas Shock Metais R$ 332.350,00 e Copperaf Matéria Prima R$ 211.500,00); Que os valores absurdamente considerados omitidos, como se aduz da tabela acima, totalizam o valor de R$ 19.820.696,50, valor este muito próximo do valor total declarado pelo Recorrente na DIRPF exercício de 2009 como redução de " Dinheiro em Poder do Declarante e Bancos", ou seja, transferência de seus próprios recursos às instituições financeiras. Para comprovar tal afirmação, notese, pelos documentos juntados oa presente processo, que os valores depositados em bancos e aplicações financeiras no final do ano calendário de 2008 perfaziam um total de R$ 20.009.725,49 contra um total em banco no final do ano calendário de 2007 de R$ 445.850,97. É dizer que os valores em poder do contribuinte foram transferidos, ou depositados, nos bancos mencionados na DIRPF 2008/2009. Reforça que o contribuinte teve um acréscimo patrimonial entre 2007 e 2008 de R$ 457.196,95 e, em contrapartida, no referido período, auferiu rendimentos totais de R$ 1.024.579,00, ou seja, amplamente compatíveis com o seu patrimônio. Os rendimentos percebidos e o patrimônio declarado pelo contribuinte são suficientes para justificar o aumento patrimonial ocorrido no período mencionado. Da mesma forma s depósitos bancários, os quais já existiam e foram apenas transferidos pas as contas bancárias administradas pelas instituições financeiras em questão. Que o importante é evidenciar, a propósito, que a transferência de valores ocorrida entre o ano de 2007 e 2008 se deu entre contas bancárias de titularidade do ora Recorrente. é dizer com isso, que não houve descumprimento de qualquer preceito legal que ensejasse a lavratura do AI em questão, justamente pelo fato de o presente caso se adequar a hipótese prevista no inciso I, do o§3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja de desconsideração de créditos transferidos entre contas do mesmo titular, pessoa física ou jurídica. Assim apresenta demonstrativo com os dados extraídos da DIRF 2009/2008 entregue pelo contribuinte em 14/04/2009, onde consta no item 17 no campo "DINHEIRO EM PODER" saldo de R$ 32.550.002,51 em 2007 e saldo de R$ 13.410.002,51 em 2008. Desse modo comprovase que a movimentação financeira, mesmo que tenha sido em grande monta, foi apenas transferência de valores que já eram do Recorrente para contas correntes, contas poupança e aplicações financeiras de sua própria titularidade. Ou seja, é inaplicável a preseunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430 já que são transferências de recursos do próprio titular. Portanto, considerando a variação financeira entre o saldo de 31/12/2007 e o saldo de 31/12/2008 npo valor de R$ 19.140.000,00, a disponibilidade em poder do contribuinte , acrescida dos valores das vendas do imóvel e da motocicleta ( que foram entendidos como comprovados pelo Fisco), são suficientes para justificar toda a movimentação financeira em contas correntes de titularidade do contribuinte. Mesmo que se desconsidere os rendimentos isentos, como fez a fiscalização, os valores estão todos justificados. Fl. 1172DF CARF MF 6 Sendo assim entende que deve ser reformando o Acórdão vergastado para anular o AI em epígrafe e as penalidades nele impostas. Em continuidade, tece considerações acerca de ser indevida a quebra de sigilo bancário realizado pelo Fisco, tendo em vista que não houve autorização judicial, o que atentaria contra os princípios constitucionais, o que tornaria o Auto nulo. Por fim, novamente sustenta a respeito da suposta decadência do direito do Fisco em buscar a tributação das transações ocorridas entre os meses de janeiro e agosto de 2008. Alega que o Recorrente somente foi intimado da lavratura do AI em 26/09/2013 e os fatos geradores autuados ocorreram entre os meses de janeiro e dezembro do ano calendário de 2008. Fundamenta seu pedido de reconhecimento da decadência no art. 150, § 4º do CTN, c/c o artigo 2º da Lei nº 7.713/88. Cita jurisprudência deste E. CARF reforçando o entendimento de que o IRPF será devido mensalmente, também disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Ao final requer, portanto, seja reformado o Acórdão recorrido, julgandose improcedente a Autuação Fiscal, vez que as movimentações bancárias possuem origem comprovada, bem como que ocorreu a decadência dos débitos autuados entre os meses de janeiro e agosto de 2008. Subsidiariamente, requer o sobrestamento do feito, com sua retomada após o julgamento definitivo do RE º 601.314/SP pelo Supremo Tribunal Federal. Posteriormente á sustentação oral apresentada em Tribuna, a defesa junta MEMORIAIS inovando na tese recursal sob os seguinte argumento: O Recorrente esclarece que os valores creditados em suas contas no ano de 2008, constituemse em devoluções de valores aportados pelo contribuinte na empresa COPPERAF MATÉRIA PRIMA LTDA., da qual é sócio, nos anos de 2005 e 2006. Para tanto junta e destaca todos os depósitos feitos pelo contribuinte nos anos de 2005 e 2006. E que, posteriormente, foram devolvidos ao contribuinte pela empresa mencionada durante o ano de 2008, apresentando, por exemplo: a) extratos de titularidade da Copperaf Matéria Prima Ltda com as remessas de Fábio Borelli destacadas das contas do Banco Bradesco, Itaú, Unibanco e Real; b) extratos de titularidade de Fábio Borelli com os créditos recebidos da Copperaf Matéria Prima Ltda destacadas das contas do Banco Bradesco, Itaú, Unibanco e Real; c) Planilhas com datas e valores das TEDs realizadas por Fabio Borelli para o Banco Itaú, conta 692021, titularidade Copperaf Matéria Prima; d) Cópias dos cheques emitidos pela Copperaf liquidados para depósito nas contas de Fábio Borelli; e) Avisos de lançamentos emitidos pelo Banco Bradesco, comprovando o débito em conta da Copperaf e os depósitos na conta de Fábio Borelli . Dentre outros documentos anexos ao mencionado Memorial Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, entende estar comprovado que os recursos depositados nas suas contas correntes, em 2008, são na verdade recursos de sua própria titularidade e não omissão de qualquer tipo de rendimento. É o relatório. Fl. 1174DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 29/05/2014 conforme Aviso de Recebimento às fls. 485, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/06/2014 (fl. 487), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da quebra de sigilo bancário O Recorrente sustenta que Administração Tributária teria agido de forma ilegal ao exigir a prestação de informações que representem a quebra de sigilo bancário, haja vista que tal competência resguardase tão somente ao Poder Judiciário. Desse modo, defende que é vedado à Administração, sem qualquer razoabilidade, exigir ou obter junto a terceiros, informações que dizem respeito à intimidade do contribuinte. Só o Judiciário, em procedimento fiscal regularmente instaurado e subscrito, pode eximir as instituições do dever de segredo. Sustenta, ademais, que a emissão de RMF somente se justifica nos casos em que as informações disponíveis à fiscalização indicarem movimentação superior à renda disponível declarada pelo contribuinte. De mais a mais, contesta a legalidade da edição da Lei Complementar nº 105/01. Interessante à solução do caso repisar que ante a não apresentação das informações bancárias solicitadas, ou sua apresentação incompleta, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º; 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Fiscalização lavrou o relatório circunstanciado para fins de solicitação de emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. Assim, no caso dos autos, a questão levantada no recurso se refere à legalidade do procedimento adotado na requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos documentos requisitados. Segundo entendimento do Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. De proêmio, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 6 9 para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. Fl. 1176DF CARF MF 10 2.2 Da origem dos depósitos Consoante destacado anteriormente, o presente lançamento tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, que dispõe acerca da presunção de omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada. Da leitura do dispositivo acima citado, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Na espécie, a fiscalização intimou o Recorrente a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos efetuados em suas contas corrente. Todavia, o contribuinte preferiu trilhar caminho diverso. Ou seja, em que pese ter apresentado documentação a amparar suas alegações, as mesmas não foram suficientes para o fim colimado. Assim, não atendeu à intimação de modo a demonstrar a origem dos recursos recebidos de forma inconteste. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente, a teor do que dispõe o já citado artigo 42 da Lei n. 9.430/1996. Ao deixar de comprovar, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A falta de justificativas por meio de documentação hábil e idônea, em relação à origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que ela corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Com efeito, é de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. No caso em tela, compulsando os autos, especialmente em face dos exemplos citados pelo Recorrente, não há a comprovação, repitase, por meio hábil e idôneo, da origem dos recursos questionados pela fiscalização. O contribuinte alega que o importante é evidenciar, a propósito, que a transferência de valores ocorrida entre o ano de 2007 e 2008 se deu entre contas bancárias de titularidade do ora Recorrente. é dizer com isso, que não houve descumprimento de qualquer preceito legal que ensejasse a lavratura do AI em questão, justamente pelo fato de o presente caso se adequar a hipótese prevista no inciso I, do o§3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja de desconsideração de créditos transferidos entre contas do mesmo titular, pessoa física ou jurídica. Assim apresenta demonstrativo com os dados extraídos da DIRF 2009/2008 entregue pelo contribuinte em 14/04/2009, onde consta no item 17 no campo "DINHEIRO EM PODER" saldo de R$ 32.550.002,51 em 2007 e saldo de R$ 13.410.002,51 em 2008. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 7 11 Que a movimentação financeira, mesmo que tenha sido em grande monta, foi apenas transferência de valores que já eram do Recorrente para contas correntes, contas poupança e aplicações financeiras de sua própria titularidade. Ou seja, é inaplicável a presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430 já que são transferências de recursos do próprio titular. Portanto, considerando a variação financeira entre o saldo de 31/12/2007 e o saldo de 31/12/2008 no valor de R$ 19.140.000,00, a disponibilidade em poder do contribuinte , acrescida dos valores das vendas do imóvel e da motocicleta ( que foram entendidos como comprovados pelo Fisco), são suficientes para justificar toda a movimentação financeira em contas correntes de titularidade do contribuinte. Conforme se depreende das alegações do contribuinte, ele justifica a origem de R$ 19.140.000,00 como de valores que já eram do contribuinte e que estavam em seu poder, em espécie (dinheiro) e que circularam pelas suas contas bancárias. Noutro giro, em tribuna, a defesa do contribuinte inova em suas alegações recursais e justifica a origem desses recursos como sendo inicialmente recursos depositados pelo contribuinte na empresa Copperaf Matéria Prima nos anos de 2005 e 2006, os quais foram devolvidos pela referida empresa ao contribuinte, durante o ano de 2008, anexando vasta documentação apta a demonstrar os fatos alegados. Nesse descortino, em face ao que preceitua a legislação que rege a matéria, a inovação dos argumentos recursais, nesta fase processual, não é permitida, restando preclusa, razão pela qual não acolho os argumentos apresentados em Tribuna. Todavia, ainda que os acolhesse em homenagem ao princípio da verdade material, referidos documentos não possuem o condão de comprovar a origem dos R$ 15.002.210,00 que foram aportados na empresa Copperaf Matéria Prima Ltda e depois restituídos no montante de R$ 19.820.696,50, primeiro porque as mencionadas datas de remessa dos recursos financeiros pelo contribuinte para a mencionada empresa (Copperaf) ocorreram em 2005 e 2006, não se mostrando aptas a justificar o valor de R$ 32.550.002,51 lançado na DIRF 2009/2008 no campo "Dinheiro em poder" do Contribuinte; segundo porque também não foi demonstrada a natureza da origem desse capital financeiro enviado para a Copperaf, nem tampouco foi demonstrada a natureza pela qual os referidos valores teriam sido restituídos ao contribuinte ao longo do ano de 2008. Nesse diapasão, observase que a origem desse dinheiro em espécie em poder do contribuinte não comprova a origem dos recursos que circularam em suas contas bancárias, nos termos previstos em lei no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, em face da ausência de comprovação da origem dos recursos, não há como acolher as alegações do Recorrente. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 2.3 Da decadência Sobre o tema, o Recorrente alega que resta fulminado pela decadência as transações relativas aos meses de janeiro e agosto de 2008. Fl. 1178DF CARF MF 12 Entende que no caso deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O inconformismo não merece prosperar. Importante frisar que a Súmula CARF nº 38 (Vinculante) pacificou entendimento de que o fato gerador do IR ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, e não mensalmente, como pretende o Recorrente. Recordese: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Ademais, o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre as hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no art. 156, cuida, no Capítulo IV, Seção IV, das modalidades de extinção diversas do pagamento, contemplando o instituto da decadência com as disposições contidas no art. 173. Portanto, nos casos de lançamento por homologação, em que há o pagamento antecipado do tributo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. No caso dos autos, então, como o fato gerador do anocalendário 2008 ocorreu em 31/12/2008, a decadência se daria apenas em 31/12/2013, ao passo em que o lançamento foi cientificado ao Recorrente em 26/09/2013. Logo, não há que se falar em decadência. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001256/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ASSINATURA DE CHEQUES. EVIDÊNCIA DE ATO DE ADMINISTRAÇÃO.
A assinatura de cheques é um forte indício da conduta da pessoa física como administrador da empresa justificando a responsabilização solidária pelo crédito tributário.
LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXTRATOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE ABSOLUTA.
Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade.
A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando um mútuo complemento para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações.
Numero da decisão: 1201-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr.Eduardo Lima dos Reis e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ASSINATURA DE CHEQUES. EVIDÊNCIA DE ATO DE ADMINISTRAÇÃO. A assinatura de cheques é um forte indício da conduta da pessoa física como administrador da empresa justificando a responsabilização solidária pelo crédito tributário. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXTRATOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE ABSOLUTA. Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade. A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando um mútuo complemento para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr.Eduardo Lima dos Reis e negar lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 12 56 /2 01 0- 25 Fl. 617DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Os responsáveis tributários da GOIÁRIO COMÉRCIO DE REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, srs. José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de JulgamentoI no Rio de Janeiro/ RJ que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento lavrado em 02/12/2010, exigindo crédito tributário acrescido de multa e juros no valor total de R$ 1.240.601,88 relativos a IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 371375), informa que foi constatada omissão de receitas caracterizada por valores depositados/creditados no anocalendário de 2007 cujas origens não foram comprovadas por documentação hábil e idônea. Os fatos ocorridos foram sinteticamente relatados na decisão da DRJ, que ora transcrevo para relatar os fatos: ∙ o contribuinte foi selecionado pois sua movimentação financeira, de R$9.538.690,40, era incompatível com a Receita Bruta declarada em 2007, de R$ 292.229,32,cuja opção foi pelo Lucro Presumido. ∙ o início da fiscalização foi pelo Edital/DEFIS/RJO nº 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, já que constatado que a autuada não funcionava no endereço constante de seu CNPJ (Rua do Feijão nº 513, Penha, Rio de Janeiro,CEP: 21.011050)e seus sócios, Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753 , não responderam às Intimações feitas. ∙ foi formalizado processo nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada, em apenso ao presente. ∙ foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira junto ao Banco Safra e Unibanco. ∙ a partir dos extratos bancários apresentados, identificaramse os créditos, sendo expurgados estornos, devoluções, resgates de investimentos e transferência entre contas da própria autuada. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 3 3 ∙ a intimação para comprovar a origem dos depósitos, que somam R$8.916.630,44, foi através da publicação do Edital de Intimação nº 163, de 20 de outubro de 2010, publicado em 28/10/2010, e também intimações para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753. ∙ também foi intimado o Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720 já que possui poderes para movimentar as contas correntes, constando nas fichas cadastrais como representante legal da autuada e administrador. ∙ nenhuma das intimações foi atendida, sendo que a intimação do Sr Claudemir do Nascimento retornou após três tentativas. ∙ em decorrência da não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, e falta de comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas mantidas no Banco Safra e no Unibanco, com fulcro no artigo 529; no inciso III do artigo 530; no artigo 532 e no artigo 537, todos do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e no artigo 42 da Lei 9.430/96, procedeuse ao arbitramento do lucro do anocalendário 2007. a partir da receita apurada, foram apurados o IRPJ CSLL com base no lucro arbitrado, e também o PIS e COFINS, totalizando R$ 1.240.601,88, incluídos os juros de mora e multa de ofício. ∙ Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, por ser o administrador da empresa durante o período fiscalizado, de a pessoa jurídica fiscalizada não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal e de seus sócios e representante legal não terem respondido às intimações, foi responsabilizado pelo crédito tributário, nos termos do artigo 135, III do CTN – Termo de Sujeição Passiva fls. 196/197. ∙ Também foi responsabilizado o Sr. Eduardo Lima dos Reis, CPF.042.807.54799,que apesar de constar na 2ª alteração contratual sua retirada da sociedade,foram apresentados Fl. 619DF CARF MF 4 cheques pelo Banco Unibanco cuja assinatura é semelhante a dele – Termo de Sujeição Passiva, fls. 198/199. Em apenso ao presente, consta o processo de nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada. Conforme fls. 57 daquele processo, foi publicado no Diário Oficial da União, em 11/04/2001, Ato Declaratório Executivo nº 40, de 6 de abril de 2001, declarando a autuada inapta, por não terem seus representantes legais atendido a intimações para regularização da situação cadastral da empresa. Quanto à ciência do lançamento, consta despacho às fls. 353, com os seguintes esclarecimentos: • O Auto de Infração de IRPJ lavrado foi enviado para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF n° 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF n° 508.371.41753 e responsáveis solidários, Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799 e Jose Narciso Brasil Dos Reis, CPF nº 043.092.43720. • O AR do Sr. José Narciso Brasil dos Reis retornou com data de ciência de 15 de dezembro de 2010, enquanto que o AR do Sr. Claudemir do Nascimento retornou com a informação de que o destinatário havia se mudado. • De acordo com as informações do correio, os Srs. Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis tiveram ciência, respectivamente, em 09/12/2010 (AR RC163644804BR) e 22/12/2010 (AR RA688008382BR), esclarecendo que os AR não retornaram. • Como a PFN exige o original do Aviso de Recebimento do Auto de Infração para efetivar a inscrição em dívida ativa, em 16 de fevereiro de 2011, enviaram novamente pelo correio o Auto de Infração para o sócio Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis, que retornaram com data de ciência em 17/02/2011. Em 10/02/2011, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF nº 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799, apresentaram a impugnação, fls. 444/454, arguindo, em síntese, que : a) o único fato apontado pela fiscalização para a responsabilização solidária é a existência de cheques assinados pelos impugnantes José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedades; b) no caso do sr. Eduardo Lima dos Reis , a auditora fiscal utilizou a afirmativa “a assinatura de todos os cheques apresentados pelo Unibanco se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis”; c) transferiram as cotas que possuíam se desligando da administração da empresa, não gerindo os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes; d) a responsabilização com base no artigo 135, inciso II, do CTN ocorreu ao arrepio da Lei pois os impugnantes não mais faziam parte da sociedade; Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 4 5 e) os sócios de direito não foram responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários cobrados; f) questionam se a intenção da auditoria foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa, como faz parecer alguns trechos do TVF; g) que os sócios da empresa devem apresentar a origem dos recursos financeiros listados pela fiscalização e a escrituração comercial, informando que ao deixarem a administração da sociedade não mais possuíam responsabilidade pela escrituração, livros fiscais e documentação correspondente; h) que é necessário comprovar o nexo causal entre o depósito bancário e o fato que representa omissão de rendimento, não se constituindo por si só, fato gerador do imposto de renda; i) que o arbitramento não pode conviver com o lançamento com base em depósitos bancários; j) que a multa de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Em 11/02/2011, a Goiário Comércio e Representações de Gêneros Alimentícios Ltda apresentou a impugnação (fls. 491505) assinada pelo sr. Edvaldo Lourenço Coelho, com as seguintes argumentações, transcritas do acórdão da DRJ: alega a tempestividade. aduz que os pagamentos não foram considerados na autuação. foram verificadas duas infrações: (1) omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e (2) arbitramento do lucro, com base no artigo 532 do RIR/99. artigo 2o da Portaria SRF nº 180, de 1º de fevereiro de 2001, que estabelece as condições para expedição da RMF, exige que a fiscalização fundamente o pedido de acesso a informações bancárias, permitindo assim que o contribuinte exerça seus direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. não constam nos autos os motivos de direito e de fato que fundamentaram a expedição da RMF e, portanto, a quebra do sigilo bancário do autuado; assim, as provas decorrentes desse procedimento são imprestáveis pois decorrem de meios ilícitos; Traz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Assim, o lançamento contém vicio insanável. O contribuinte não foi regularmente intimado para fins de atendimento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, visto que a intimação feita pela fiscalização foi nula. A ação fiscal se iniciou pelo "Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010", já Fl. 621DF CARF MF 6 que constatou "que o contribuinte não funcionava no endereço constante de seu CNPJ”, sem, contudo, comprovar o que alega. A impugnante mantém pequena estrutura administrativa no local informado como sede à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a qual seria perfeitamente capaz de atender às demandas de um procedimento de auditoria fiscal. se a Auditora Fiscal tivesse desenvolvido seu trabalho de auditoria com a profundidade e zelo necessários a toda ação fiscal, teria logrado êxito na intimação pessoal ou até mesmo por via postal, permitindo à impugnante oportunidade de explicar, com detalhes, a origem de cada depósito bancário existente, demonstrando assim que não se trata de caso de omissão de receita. não observou o artigo 23, § 1º, do Decreto n° 70.235/1972, que dispõe que cabe a intimação por via postal quando improfícuo um dos meios previstos, ou seja, intimação pessoal ou por via postal. deve ser reconhecida a nulidade da intimação realizada por meio do Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, assim como de todos os atos posteriores e imbricados com a autuação em estudo. Solicitase ao órgão julgador que confirme se os endereços utilizados pela fiscalização para intimação da empresa e de seus sócios correspondem aos endereços informados em suas declarações de rendimentos, já que constatou divergências entre endereços que constam no auto de infração e dos demais termos. intimações de terceiros, alijados dos poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, pois a responsabilidade pela guarda de livros fiscais, documentos e informações bancárias não recai sobre tais pessoas. estranha o fato da fiscalização não ter intimado o contador não havendo intimação válida, deve ser considerado improcedente à autuação, já que não se observou o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. não restou devidamente comprovada a ocorrência de uma das hipóteses previstas na lei para adoção do lucro arbitrado, com base no artigo 530, inciso III do RIR/99. somente quando a fiscalização comprovar que o contribuinte não possui escrituração, recusase a apresentála quando intimado ou possui escrituração imprestável é que poderá efetuar o arbitramento do lucro, o que não ocorreu nos autos. desafiase o órgão julgador a encontrar nos autos do processo as três intimações necessárias para caracterizar a recusa do autuado em disponibilizar sua escrita fiscal, já que (1) pugna a nulidade da intimação realizada por meio do Edital, (2) sócio gerente da empresa não foi intimado a prestar as informações sobre a escrituração comercial para fins de apuração do lucro presumido e (3) eventuais intimações de terceiros, alijados dos Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 5 7 poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 530, inciso III; a falta de intimação válida à empresa autuada no curso do procedimento fiscal invalida o arbitramento. Alega erro na identificação do sujeito passivo, já que o art. 135, inciso III, do CTN, não trata de hipótese de responsabilidade solidária, mas de responsabilidade pessoal; logo, deveria o lançamento ter sido efetuado apenas contra os terceiros citados. Destaco o despacho à fl. 520 sobre a data de apresentação da impugnação constante no sistema SIEF. Portanto, foram apresentadas duas impugnações: uma impugnação apresentada por José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis e a outra por Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada. Sobre a tempestividade das impugnações, constou na decisão recorrida que: “Para fins de aferir a tempestividade das impugnações apresentadas, serão consideradas as seguintes ciências, considerando o despacho de fls. 507. • 15/12/2010, para Sr. José Narciso Brasil dos Reis – responsável solidário – AR fls. 429; • 17/02/2011, para Sr. Eduardo Lima dos Reis – responsável solidário – AR fls. 439; • 17/02/2011, para o Sr. Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada – AR fls. 440. Logo, concluise que: 1) A impugnação apresentada pelos responsáveis solidários, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF. 042.807.54799, em 10/02/2011, é tempestiva tão somente com relação ao segundo impugnante. De todo modo, como atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dela conheço. 2) A impugnação apresentada pela autuada, em 11/02/2011, é tempestiva, e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim sendo, dela conheço.” A decisão afasta a preliminar de nulidade da intimação arguída pela contribuinte que alegara que o Decreto 70.235/72 determina que cabe ciência pelo edital quando forem improfícuas as tentativas postal e pessoal. · Afirma que não houve erro no lançamento quanto ao sujeito passivo pois a empresa figura como contribuinte, fazendo parte do pólo passivo da obrigação tributária, juntamente com os responsáveis Fl. 623DF CARF MF 8 solidários Srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. · Mantém os impugnantes como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos no lançamento. · Ratifica a autuação com base na presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei no. 9.430/96, que foi apurada atendendo aos requisitos da legislação que dela trata. · Ratifica também o arbitramento do lucro para determinação dos tributos devidos. · Mantém a multa de ofício de 75%. A ementa do acórdão 1238.069 7a Turma da DRJ/RJ1 de 29 de junho de 2011, transcrevese a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL Correta a intimação por edital dando ciência do início do procedimento fiscal quando restaram infrutíferas as tentativas pela via postal e pessoal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CARACTERIZAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva, cabendo o lançamento em nome da autuada. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA FUNDAMENTAÇÃO Restou saneado o procedimento para a Requisição da Movimentação Financeira quando consta no Termo de Verificação Fiscal os motivos que fundamentaram o pedido, permitindo à autuada o exercício do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 6 9 descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Devendo o lançamento obrigatoriamente observar a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade, é cabível a aplicação da multa de 75% sendo defeso ao agente público examinar aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificados da decisão de primeira instância em 19/04/2012 (fl. 540), os responsáveis tributários José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, em 15/05/2012 (fls. 547 a 561), no qual reprisam os argumentos apresentados na impugnação, relatados pela DRJ, que por bem retratarem o que consta no recurso voluntário, transcrevo: “... o lançamento arrola José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis como responsáveis solidários pelo crédito tributário, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN, já que seriam administradores da sociedade fiscalizada. os elementos de prova resumemse a cheques emitidos pela empresa GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA assinados pelos impugnantes no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedade. há apenas conjecturas, meras ilações, completamente desvinculadas da realidade, e assim pretende imputar responsabilidade tributária solidária a terceiros já completamente desvinculados da gerência da sociedade em foco. transferiram as cotas que possuíam da sociedade GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, e não geriram os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes. Fl. 625DF CARF MF 10 as intimações dirigidas aos impugnantes no curso da ação fiscal não tinham a mínima chance de êxito, pois desconheciam por completo os detalhes das operações comerciais ocorridas no ano de 2007, bem como a movimentação financeira e a guarda dos livros fiscais. não podem os impugnantes ser responsabilizados por atos comissivos ou omissivos praticados por terceiros. os cheques tratam de operações bancárias desconhecidas completamente pelos impugnantes, ou foram assinados no período de transição da titularidade da empresa e continuaram sendo utilizados, de maneira indevida, pelos novos sócios no período imediatamente subseqüente. Como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007 em relação ao EDUARDO LIMA DOS REIS, o Fisco sequer está convicto de que foi ele realmente quem assinou os cheques citados, pois a Auditora afirma que a assinatura dos cheques apresentados pelo banco APENAS se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis. questiona porque os sócios de direito não foram arrolados como responsáveis pelo crédito tributário, cabendo a cobrança de quem efetivamente exerceu a administração da sociedade, tratandose de verdadeiro ataque ao princípio da igualdade! a responsabilização dos impugnantes foi decisão “conveniente e oportuna”, ao arrepio do artigo 135, inciso III do CTN, já que não restou comprovado que eram administradores, e sequer faziam mais parte do quadro societário. a fundamentação foi incompleta, pois deveria ter indicado se os impugnantes foram responsabilizados por terem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. a mera assinatura dos cheques não caracteriza nenhuma das duas hipóteses. restam prejudicados os direitos ao contraditório e à ampla defesa, visto que a imputação da responsabilizada foi feita de forma genérica, sem a necessária especificação da hipótese legal infringida. questiona se a intenção foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa. se a fiscalização entende que houve interposição de pessoas, caberia o lançamento em nome do sócio oculto, ocorrendo erro de identificação do sujeito passivo, não sendo hipótese de responsabilidade tributária. se a fiscalização considerou que a operação de cessão das cotas da sociedade representou artifício doloso empregado visando livrar os verdadeiros sócios responsáveis pelo não Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 7 11 cumprimento das obrigações fiscais deveria ter efetuado o lançamento identificando como sujeitos passivos somente os impugnantes. a intenção do Fisco é qualificar os impugnantes como meros administradores da empresa, é importante destacar ainda que a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN depende da comprovação inequívoca da prática de um ato ilícito pelo terceiro responsabilizado, o que não ocorre com a mera assinatura de cheques. questiona qual foi o ilícito societário praticado pelos impugnantes contra a empresa, caracterizado numa afronta à competência que lhes foi deferida legal, contratual ou estatutariamente. o único fato comprovado foi a assinatura dos impugnantes em cheques emitidos pela empresa no período posterior à saída dos quadros societários, sendo que tal fato não tem o poder de caracterizálos como sóciosgerente da autuada, muito menos configura prática de ato ilícito doloso, e permitir a aplicação do 135 do CTN. quanto ao mérito, cabe ao sócio apresentar a origem dos recursos financeiros, bem como a escrituração comercial. depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas lançamento com base em depósitos bancários. a aplicação da multa de ofício de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade.” Os recorrentes consignaram que a “Auditora garante que não localizou a empresa, que não teve contato com os sócios de direito, que não teve acesso a documentos comprobatórios das operações comerciais, bem como dos livros fiscais. Destarte, questionase: como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007”. Aos argumentos já trazidos na impugnação e reprisados no recurso, dicionaram que a DRJ/RJ1 pretendeu aperfeiçoar o lançamento ao consignar no voto que o impugnante José Narciso Brasil dos Reis, além de ser administrador da sociedade, não agiu conforme previsto em lei. Aduzem que tais fatos não constam no Termo de Verificação Fiscal. Relativamente ao sr. Eduardo Lima dos Reis, a DRJ/RJ1, afirma que embora tenha assinado cheques do Banco Unibanco, não consta dos autos do presente processo documento que comprovasse que possuía poderes de administração no anocalendário de 2007. Conclui que “nem a Relatora do voto foi capaz de descobrir se o impugnante foi responsabilizado por ter agido com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos”. (grifos no original). Fl. 627DF CARF MF 12 Sobre a multa de ofício, acrescenta que a jurisprudência majoritária entende que o princípio da proibição de confisco aplicase tanto aos tributos quanto aos deveres instrumentais ou formais e que o princípio é aplicável a qualquer espécie de multa, seja de mora ou de ofício, uma vez que a natureza jurídica de ambas é a sanção decorrente do descumprimento de deveres jurídicos estabelecidos nas leis fiscais, relativos à obrigação tributária ou aos deveres instrumentais ou formais. Colaciona jurisprudência. Pede que seja reconhecida a inconstitucionalidade da multa de ofício, por representar confisco. Resolução 1101000.101 Através da Resolução 1101.000.101 a 1° Turma da 1° Câmara deste Conselho resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos do voto relator: Inicialmente, digase que foi realizada ciência pessoal da decisão da DRJ pelo procurador dos srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis (ciência à fls. 540 e instrumento de procuração à fl. 542), porém, não consta dos autos que a empresa Goiario Comércio e Repr. de Gêneros Alimentícios Ltda tenha recebido a ciência do acórdão 1238.069. Face ao exposto, meu voto é para conversão do julgamento em diligência com o retorno do processo à DRJ para dar ciência aos demais contribuintes. Após os procedimentos aplicáveis ao caso, retornese ao CARF para julgamento. Em obediência ao quanto resolvido na mencionada Resolução, foram efetuadas as devidas intimações conforme bem resumido por ofício da DRF/RJ1: Sr. Chefe 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração IRPJ/PIS/CSLL/COFINS. 2. Cientificados da decisão de primeira instância em 19/04/2012 (fl. 540), os responsáveis tributários José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, interpuseram recurso voluntário, em 15/05/2012 (fls. 547 a 561). 3. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento, que pela Resolução nº 1101000.101 converteu o julgamento em diligência para dar ciência do Acórdão de Impugnação nº 12 38.069 à empresa Goiário, pois tal informação não constava dos autos. 4. Como a empresa encontrase inapta, foram intimados o responsável Edvaldo Lourenco Coelho e o sócio – administrador Claudemir do Nascimento, conforme AR às fls. 606 e 610. Desta forma proponho o envio deste processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) para apreciação, cabendo observar que o processo se encontra no SIEF na situação Suspenso Julgamento Do Recurso Voluntário. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 8 13 Não obstante as intimações efetuadas, não foi apresentado Recurso Voluntário pela autuada ou por seus sócios. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado pelos interessados José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Contudo, faço isso somente em relação ao Sr. Eduardo Lima dos Reis, pois, ainda em sede de julgamento da Impugnação pela DRJ, a Impugnação foi considerada intempestiva em relação ao Sr. José Narciso Brasil dos Reis, fato este que não foi contestado em Recurso Voluntário. Assim, tendo sido intempestiva a Impugnação do Sr. José Narciso Brasil dos Reis, não há que se falar em possibilidade de discussão de mérito em sede de Recurso Voluntário. Cabe ressaltar, não foi apresentado Recurso Voluntário pela empresa autuada, apesar da intimação válida de seus sócios acerca do resultado do julgamento de 1°instância. Da Responsabilidade Tributária O Recorrente alega ter havido erro no lançamento quanto à definição do sujeito passivo e, a partir daí, traz diversos argumentos no sentido de não poder figurar como sujeito passivo solidário. Cabe aqui ressaltar que ainda que o Recorrente tivesse razão no tangente à ausência de sua responsabilidade pelo crédito tributário, não se trata aqui de erro na definição do sujeito passivo. Isso porque, a empresa autuada é que figura como contribuinte, tendo sido o Recorrente arrolado como responsável solidário com base no art. 135, III do CTN. Com relação ao Sr. Eduardo Lima dos Reis, ora Recorrente, tal responsabilização decorreu do fato de que não obstante constar sua saída da sociedade conforme consta na 2°alteração contratual, o fato é que a assinatura de todos os cheques apresentados pelo Banco Unibanco é semelhante à dele. Conforme documentação acostada aos autos, de fato, não há qualquer menção a que o Sr. Eduardo Lima dos Reis possuía poderes de administração no período ora em análise (2007). Contudo, também é fato que o Sr. Eduardo Lima dos Reis agia como se Fl. 629DF CARF MF 14 administrador fosse ao gerir os recursos financeiros da autuada através da assinatura de diversos cheques superiores a R$ 20.000,00. Ora, a assinatura dos cheques é um forte indício de sua conduta como administrador. O agente fiscal menciona que a assinatura dos cheques é semelhante ao do Sr. Eduardo e também traz um conjunto de evidências que cercam tal fato. Não se trata somente da assinatura, apesar dessa ser a evidência mais forte. Isso porque, é dominante neste Conselho o entendimento de que o poder de assinar cheques configura ato de administração, conforme julgado que transcrevo abaixo: ATO DE ADMINISTRAÇÃO. ASSINATURA DE CHEQUES. Caracteriza ato de gestão praticado por procurados a aposição de assinatura em cheques, no exercício de poder concedido por meio de procuração. (Processo n. 15521.000170/201062 Acórdão 1401.001.220 4°Câmara 1°Turma Relator Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos) Assim, entendo correta a manutenção do Sr. Eduardo Lima dos Reis como devedor solidário do crédito tributário ora em discussão com base no art. 135, III do CTN. Mérito Com relação ao mérito da discussão dos autos, o Recorrente traz a lacônica assertiva: " Para finalizar, e em relação ao mérito da autuação, frisamos que cabe ao sócio da empresa autuada apresentar a origem dos recursos financeiros listados pela fiscalização, bem como a escrituração comercial. Podemos apenas dizer que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento." Tratase de uma simplificação exagerada e equivocada da discussão dos autos. Ora, fiscalização construiu um conjunto probatório através da emissão do RMF, para a identificação dos extratos bancários da ora recorrente. Fora, então, atestado e instrumentalizado por meio do Auto de Infração, o total descompasso entre os valores declarados e os valores relativos as movimentações financeira do contribuinte. Todos os depósitos sem comprovação de origem, que não puderam ser confrontados com as informações dispostas em DIPJ e DCTFs ou em livros ou outros documentos contábeis, foram reputados e presumidos pelo fisco como omissão de receitas. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 9 15 No entanto, é de notório saber que a referida presunção que embasa a presente autuação fiscal, disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, é relativa e, assim, passível de ser ilidida a qualquer tempo pelo contribuinte. Dispõe assim o art. 42 da Lei nº 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, o contribuinte, entre as inúmeras oportunidades a ele carreadas para comprovar a origem dos depósitos bancários, não apresentou qualquer comprovação hábil e idônea. Na realidade, o ora recorrente sequer se manifestou especificamente acerca do objeto alvo da autuação. Tanto no Recurso Voluntário ou na Impugnação há qualquer esforço no sentido de comprovação da origem das receitas supostamente omitidas. Não há qualquer tipo de alegação ou menção a contas específicas, constantes nos extratos bancários, que pudessem afastar o conceito de receita e que, portanto, devessem ser excluídas/desconsideradas no arbitramento. O ora recorrente tangencia, em todos os seus argumentos, questões de ordem estritamente formal mas em nenhum momento enfrenta o mérito, ou seja, a natureza das movimentações bancárias que foram objeto de fiscalização. É cediço que a utilização do RMF para a obtenção de extratos bancários é eficiente na apuração de receitas, mas estabelece um quadro generalista e abrangente. Cabe ao contribuinte, em contrapartida, realizar o filtro que selecione exatamente as movimentações bancárias que de fato satisfizeram o conceito jurídicocontábil de receita, ou, ao contrário, discriminar os valores que não correspondem a receitas para que tais sejam excluídos da base de tributação. Não lhe resta outra saída senão confrontar tais informações com sua contabilidade, com as declarações prestadas e com seus livros e documentos. Veja, informações bancárias não revelam fato novo para o contribuinte que registra e declara corretamente suas operações e que, portanto, não enfrenta maiores dificuldades para discriminar valores que possuem natureza de receita daqueles que não possuem a mesma natureza. Apenas para aqueles que omitem informações à Administração Tributária, tal tarefa de fazer a mesma discriminação mencionada no parágrafo acima, se mostra tarefa tormentosa. Fl. 631DF CARF MF 16 Importante ressaltar que a ausência de demonstração eficaz para cotejar as movimentações financeiras com as declaradas pelos contribuintes, resulta em atribuir à mencionada presunção, a natureza de veracidade absoluta. A existência de dois instrumentos que visam um mesmo objetivo, acaba por relativizálos entre si. Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade, considerando que o primeiro relativiza a veracidade do segundo e, em contrapartida, o segundo relativiza a verdade do primeiro. A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando uma mútua complementariedade, para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações. Portanto, com relação ao caso em tela, confrontando os extratos bancários apurados, com a DIPJ e a ausência de quaisquer outras documentações, esclarecimentos ou informações contábeis adicionais, atestase uma presunção absoluta de veracidade que confirma a omissão de receitas e valida a autuação fiscal. Este presente julgador tem posicionamento totalmente inclinado à aplicação do princípio da verdade material. No entanto, neste momento processual, se encontra completamente limitado a aplicálo, pois não há qualquer indício, evidência ou até mesmo esforço do contribuinte no sentido de comprovar a origem das movimentações financeiras. Cabe aqui mencionar que o princípio da verdade material visa que a Administração busque o que realmente ocorreu, o fato concreto e verdadeiro, sem se restringir apenas às regras procedimentais e processuais. Aplicar o princípio da verdade material, em casos como este, significa se “aliar” ao contribuinte na tentativa de ilidir a presunção relativa de omissão de receitas para atingir uma verdade absoluta ou, subsidiariamente, confirmar a referida presunção relativa do Fisco como uma presunção absoluta de veracidade. A conclusão aqui firmada, no entanto, é de que todo o processo fiscalizatório e todas as provas e informações constantes dos autos são suficientes para formar o convencimento e a convicção deste julgador. O processo fiscalizatório incorporou o princípio da verdade material e representou seu total exaurimento. A fiscalização, por si, como órgão da Administração, cumpriu com a sua função de atingimento do interesse público: intimando e reintimando o recorrente a todo custo, buscando informações e documentações e, inclusive, descartando transações que não evidenciassem o ingresso de novos recursos (resgate de aplicação financeira, devolução de cheque, estorno de débitos, dentre outros). Tudo isso com o intuito de concretizar referido princípio. Portanto, os autos perfazem uma verdade absoluta, que materialmente não fora contestada em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 10 17 Não há fatos novos ou novas informações nas defesas apresentadas neste sentido, de modo que as informações levantadas pela fiscalização, em total alinho a uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, ao ver deste julgador, são suficientes à conclusão de que deve ser declarado procedente o lançamento, mantendo intacto o valor do total de omissão de receitas apurado. Conclusão irretorquível coaduna com o acórdão recorrido e, assim, com a mantença da autuação fiscal. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, relativos à CSLL, PIS e COFINS, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Multa de Ofício O Recorrente aduz que a multa de ofício de 75% fere aos Princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Neste ponto, adoto a mesma posição do julgador a quo: Primeiramente, cumpre ressaltar que a cobrança da multa de ofício aplicada pela alíquota de 75% está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996, afastando qualquer tese de ser ilegal. Ademais, cabe esclarecer que a atividade de julgamento é vinculada às leis vigentes no ordenamento jurídico, não podendo delas nunca se afastar (art. 142, § único, CTN). Logo, cabe a ela, obrigatoriamente, aplicálas ao caso concreto, bem como examinar se os atos praticados pela Fiscalização estão de acordo com a lei e os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. Nos termos da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, arts. 97 e 102, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões deste mérito. Concluise, assim, diante dos dispositivos legais citados e por força da vinculação a que está adstrita esta autoridade julgadora, que para o anocalendário em exame, a aplicação da multa de ofício tem previsão legal. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado em relação ao devedor solidário Sr. Eduardo Lima dos Reis para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! Fl. 633DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 634DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001443/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-006.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata do Debcad 37.100.6287, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa, relativas à retenção de 11% incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 43 /2 00 7- 15 Fl. 1127DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 17/04/2012, foi julgado Recurso de Ofício, prolatando se o Acórdão nº 2301002.699 (efls. 1.037 a 1.044), assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Recurso de Ofício Negado" A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP." O processo foi recebido na PGFN em 16/08/2012 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de efls. 1.053) e, em 27/08/2012, o Procurador da Fazenda Nacional deuse por intimado (Termo de Ciência de fls. 1.052). Em 31/08/2012, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.055 a 1.075 (Relação de Movimentação de efls. 1.054). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, e visa rediscutir visa rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 138/2013, de 02/04/2013 (efls. 1.045 a 1.047). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: os arts. 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, devem ser interpretados de forma sistemática, o que significa que somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 da Lei do Processo Administrativo Fiscal; Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.128 3 in casu, a decisão vergastada reconheceu como nulidade fato que não se enquadra ao art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972; notese que esse julgamento vai de encontro aos princípios da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais; é de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235, de 1972, assim, a suposta irregularidade do lançamento não importará em nulidade; ademais, é conveniente destacar que o CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento dos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado, não tendo arguido uma suposta obscuridade na descrição dos fatos geradores; assim, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para afastar a nulidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 13/05/2013 (AR Aviso de Recebimento de efls. 1.078), a Contribuinte, em 27/05/2013, ofereceu as Contrarrazões de efls. 1.081 a 1.122 (carimbo de e fls. 1.081), contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso interposto a matéria em discussão tratase, claramente, de nulidade de Auto de Infração, quando não caracterizado pela autoridade fiscal lançadora a cessão de mãodeobra ou empreitada no lançamento fiscal, consubstanciado no referido auto, na hipótese de obrigação de retenção, pela tomadora do serviço, da contribuição previdenciária ao INSS (art. 31, da Lei n° 8.212, de 1991); ocorre que a Fazenda Nacional visa enquadrar tal discussão à mesma situação em que este tribunal afastou a hipótese de nulidade de Auto de Infração por cerceamento de defesa, quando verificado nos autos elementos suficientes à caracterização da matéria, notadamente trazendo à colação casos envolvendo cobrança de IRPJ, tributo que segue sistemática diversa de apuração e aferição que a Contribuição Previdenciária em questão, que exige a devida caracterização do fato gerador, demonstrandose a cessão de mãodeobra com Fl. 1129DF CARF MF 4 base em elementos objetivos, dentre os quais a disposição do empregado ao tomador do serviço e a prestação continuada deste serviço; a Fazenda Nacional visa, portanto, adequar equivocadamente o caso em tela às hipóteses de vícios formais do Auto de Infração, que poderiam ser supridos pelo seguimento da discussão no âmbito administrativo, sem supostamente malferir o contraditório e a ampla defesa, situação essa que não guarda relação com a situação narrada e já confirmada por duas turmas de julgamento, pois a ausência de caracterização do fato gerador é elemento essencial ao próprio lançamento, implicando em vício material que não pode ser suprido; a matéria já se encontra pacificada no âmbito desta Câmara Superior, sendo descabida sua rediscussão frente a pressupostos absolutamente díspares e/ou genéricos, conforme pretende a Fazenda Nacional, inexistindo, em verdade, qualquer divergência quanto à interpretação da lei tributária, repisese, o art. 31, da Lei n° 8.212, de1991, não devendo o presente Recurso Especial sequer ser conhecido. Do Mérito observase que a lei elegeu elementos objetivos à caracterização da cessão de mãodeobra, dentre os quais a colocação do empregado à disposição do tomador do serviço, bem como a realização do serviço de forma contínua, fazendo uso de conceitos do direito do trabalho, de modo a demonstrar vínculo entre o empregado e o tomador do serviço, bem como com o respectivo fato gerador, a justificar a responsabilidade deste último no recolhimento da contribuição previdenciária, na forma do art. 128, do Código Tributário Nacional; exatamente por trazer esses elementos e por não exigir a retenção e recolhimento da contribuição de todo e qualquer serviço, mas apenas daqueles em que realmente houve a cessão de mãodeobra, deve a autoridade fiscal buscar e demonstrar esses elementos, de modo a caracterizar o fato gerador deste tributo e poder exigir seu pagamento; tratase, como já apontado anteriormente, de elemento material indispensável à constituição do lançamento, e nesse sentido já decidiram inúmeras turmas do CARF; destarte, uma vez que o entendimento sobre o tema já foi extensamente debatido neste tribunal, de modo que já se encontra devidamente pacificado, inexiste qualquer razão de direito para que seja revisto, uma vez que a hipótese material de incidência da contribuição já foi analisada e definida, cabendo sua demonstração à autoridade fiscal lançadora, sob pena de nulidade, eis que a ausência da caracterização da cessão de mãodeobra se constitui em vício material a ensejar cerceamento defesa. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.129 5 Tratase de NFLD Debcad 37.100.6287, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa, relativas à retenção de 11% incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços, conforme se infere do Relatório Fiscal de fls. 272 a 276. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega inexistência de divergência, quanto à interpretação da lei tributária, entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Assim, tratandose de discussão acerca da existência de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, negouse provimento ao Recurso de Ofício, declarandose a nulidade do lançamento, considerandose que a Fiscalização não comprovou a cessão de mãodeobra. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: Ementa RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Voto "2. Nos recursos de ofício, cumpre a este Conselho verificar o acerto e a legalidade das decisões recorridas. No caso, o posicionamento da DRJ não merece reparos. 3. O julgador de origem julgou nulo o lançamento fiscal ao argumento de que sem a comprovação dos requisitos legais Fl. 1131DF CARF MF 6 caracterizadores dos serviços executados com cessão de mãode obra não há como se atestar a validade da cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991). 4. A falta de apresentação de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa (ff. 920 a 926 v.). Nada mais acertado. (...) 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 14 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 15. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. (...) 18. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.130 7 19. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 20. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 21. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício nos termos acima delineados." (grifos nossos) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar autuação por falta de retenção em cessão de mão de obra, sem a comprovação da cessão ainda assim se considerasse que não houve prejuízo à defesa, afastandose a nulidade. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 10808.499 e CSRF/0202.301. Quanto ao primeiro deles, foi colacionada a respectiva ementa, conforme a seguir: “IRPJ CSLL – RECURSO DE OFÍCIO – PREJUÍZO FISCAL – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – COMPENSAÇÃO LIMITADA A 30% É legítimo o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados até a ocorrência do fato gerador, no limite de 30% do prejuízo fiscal e da base de cálculo positiva apurada, o que se coaduna com o decidido em primeiro grau. IRPJ – PRELMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ – PRELIMINAR DE NULIDADE – FALTA DE DESCRIÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO – Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. IRPJ – CSLL – NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS – ILEGALIDADE – Incabível a utilização de notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Correta a decisão de primeira instância que glosou a título de custo o valor total das notas fiscais ilegítimas, uma vez que não constituem elementos hábeis e idôneos a suportar a dedubitilidade dos valores dispendidos na aquisição de insumos na determinação da base imponível. Recurso de ofício negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado.”. (Grifos da Recorrente)" Fl. 1133DF CARF MF 8 De plano, constatase que o paradigma não trata, em absoluto, de situação similar à do recorrido. Ademais, o vício tratado no acórdão recorrido não foi exatamente na descrição dos fatos e sim na comprovação dos fatos alegados. Compulsando o inteiro teor desse primeiro paradigma, constatase que a situação nele tratada também em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "A matéria objeto do recurso voluntário corresponde à apropriação indevida de custos, caracterizada por compra fictícia feita por meio de documentação inidônea, que levou a uma redução indevida de seu Lucro Real, com a cobrança dos devidos acréscimos legais, com enquadramento legal nos arts. 195, I, 197, p. único, 231, 232, I, 234, 243, todos do RIR/94 e arts. 249, I, 251, p. único, 289, 290, 1, 292 e 300, todos do RIR/99, e com relação à multa, art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. O lançamento principal deu ensejo a tributação reflexa de CSLL, com enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689/88, 1° e 28, ambos da Lei 9.430/96, 6° da MP n° 1.807/99 e reedições, 6° da MP n° 1.858/99 e reedições. (...) Com relação ao recurso voluntário, quanto às preliminares arguidas, entendo que não prosperam os argumentos da recorrente, uma vez que não houve cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. E tocante à preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente no auto de infração também entendo ser improcedente, pois o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se constatando quaisquer irregularidades nesse sentido." (grifei) Com efeito, no caso deste paradigma os vícios alegados, que sequer foram considerados como existentes, não dizem respeito à ausência de provas, como foi relatado no recorrido. Nestas circunstâncias, a divergência somente estaria caracterizada se os vícios em confronto guardassem alguma similitude, o que não se verificou. No que tange ao segundo paradigma indicado Acórdão nº CSRF/0202.301 a Fazenda Nacional reproduz a respectiva ementa, conforme a seguir: "NORMAS PROCESSUAIS CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de ofício, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.131 9 Recurso especial provido" (destaques da Recorrente) De plano, verificase que o caso tratado no acórdão recorrido não é de defeito de capitulação legal, mas sim de falta de comprovação da cessão de mãodeobra. Compulsandose o inteiro teor desse paradigma, constatase mais uma vez que o caso ali tratado em nada se assemelha ao do acórdão recorrido. Confirase o voto do paradigma: “Quanto à suposta ausência de enquadramento legal a lastrear a multa, entendo equivocado o posicionamento da câmara recorrida, a uma porque a infração foi corretamente descrita no auto de infração fl. 235), nos termos seguintes: O estabelecimento equiparado a industrial deu salda a produto(s) tributado(s) sem lançamento do imposto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. Em seguida, foi feito o escorreito enquadramento legal da infração art. 59 c/c art. 51, inc. I, alínea "b", ambos do RIPI/1982 (fl. 236) ; a duas porque a citação da capitulação legal era prescindível, pois não se pode olvidar que o acusado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Somente haveria prejuízo à defesa se os fatos narrados na acusação não correspondessem aos ocorridos no mundo fenomênico. Mas não foi isso o que aconteceu, a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado. Além do que, cada um dos fatos imputados veio arrimado em farta documentação.” (grifos nossos) A leitura da ementa já permite concluir que o caso tratado no paradigma em nada se assemelha ao do acórdão recorrido, o que se confirma pela colação do trecho do respectivo voto. Com efeito, no caso deste paradigma os vícios alegados, que sequer foram considerados como existentes, não dizem respeito à ausência de provas, como foi relatado no recorrido. O trecho acima bem resume o caso do paradigma, que rechaça a existência de um suposto vício no enquadramento legal da infração, o que não se pode comparar com a situação do acórdão recorrido, que trata do relato de ausência de provas de que teria havido cessão de mãodeobra. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1135DF CARF MF 10 Fl. 1136DF CARF MF
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Numero do processo: 13782.720160/2011-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro.
Numero da decisão: 1001-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 01 60 /2 01 1- 21 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1245.884, de 04/05/2012 (efls. 39/43), objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: O processo versa sobre pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 09/12/2010 (fl. 2 e 3). Nas fl. 18/20, consta a Decisão Saort nº 286/2011 de 03/10/2011, que indefere o pedido de inclusão no Simples Nacional devido ao fato de o pedido ter sido feito fora do prazo. A ciência ocorreu em 10/10/2011(fl. 22). Nas fl. 24/26 consta manifestação de inconformidade, datada de 03/11/2011, contra a citada decisão alegando o seguinte: • A legislação (art.7, §§ 3º e 6º da CGSM nº. 4/2007), não disciplina sobre o prazo que a empresa deve observar para requerer a sua inscrição nos órgãos necessários (município e estado, dentre outros). • Não é tema da legislação o prazo para que o órgão defira ou não o pedido de inscrição. • A inscrição municipal é o último procedimento a ser solicitado. • Foram protocolados dois requerimentos junto à Prefeitura de Itaperuna, tendo sido deferida a sua inscrição municipal em 17/06/2011. • Foram tomadas, dentro do prazo, todas as medidas à aprovação do exercício de suas atividades. • O que está sendo questionado no recurso é o fato de que por procedimento moroso da prefeitura em deferir a inscrição municipal foi negado o ingresso no Simples Nacional, considerando que a recorrente tomou todas as providências necessárias. • Requer o enquadramento no Simples Nacional desde a data da sua inscrição no CNPJ. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 58 3 Inclusão no Simples Nacional A alegação de perda de prazo por morosidade de algum órgão não afasta a formalidade essencial de se solicitar tempestivamente a opção Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 22/05/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 92, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 11/06/2012, à efls. 47/54, conforme carimbo aposto à efl. 47. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de a solicitação, na condição de empresa em início de atividades, ter sido feita após o prazo legal. A base legal do indeferimento foram o § 3º, inciso I, e o § 6º, ambos do art. 7º da Resolução CGSN1 nº 4, de 30 de maio de 2007, que dispõem sobre a opção pelo Simples Nacional, verbis: (grifos não pertencem ao original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (…) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 59 4 pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Nesse particular, cabe ressaltar que o art. 16, §§ 2o e 3o, da Lei Complementar 123/2006, deferiu ao Comitê Gestor a regulação da forma de opção pelo Simples Nacional, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos transcritos a seguir, apenas os excertos que interessam ao presente (grifos não constam do original): Conforme já explicitado e comprovado com farta documentação, inclusive confirmado no relatório da 8a Turma da DRJ/RJ1, cuja copia segue em anexo, a Recorrente teve indeferida a sua inclusão no Simples Nacional porque a Prefeitura Municipal de Itaperuna somente concretizou o deferimento da sua inscrição Municipal após o prazo de 180 dias da sua inscrição no CNPJ causando intempestividade no requerimento de inclusão formulado pela Requerente. (...) Alega ainda a seu favor que nos termos do § 3o, inciso I, do art. 7° da Resolução CGSN n° 4 de 30/05/2007, a mesma possui um prazo de 30 (trinta) dias após o último deferimento de inscrição em órgão público, quando exigido, para efetuar a sua opção pelo Simples Nacional. Para um melhor entendimento, transcrevese a seguir a cronologia dos fatos e suas provas, bem como os prazos estabelecidos na Resolução CGSN nº 4/2007 e a devida análise: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 60 5 1 09/12/2010 Data de abertura da empresa (cópia do CNPJ à efl. 5). Análise: MARCO INICIAL do prazo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do cumprimento do § 6º do art. 7º da Resolução; 2 06/04/2011 Requerimento de inscrição no cadastro de contribuintes da Prefeitura de Itaperuna (cópia do requerimento à efl. 7); 3 15/04/2011 Opção pelo Regime de Apuração de Receitas (documento anexado pela recorrente à efl. 6); Análise: O documento apresentado não é uma Solicitação de Opção pelo Simples Nacional como alega a recorrente, mas sim uma Opção pelo Regime de Apuração de Receitas, através do qual recorrente opta pelo Regime de Competência. 4 06/06/2011 Espaço de tempo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ; Análise: MARCO FINAL do prazo para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do § 6º do art. 7º da Resolução; 5 17/06/2011 Inscrição no cadastro de contribuintes da Prefeitura de Itaperuna (Cópia da Ficha de Lançamento da Taxa de Localização à efl. 4); Análise: MARCO INICIAL do prazo de 30 dias, após o último deferimento de inscrição, para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do inciso I do § 3º da Resolução; 6 06/07/2011 Pedido de Inclusão no Simples Nacional (cópia do formulário à efl. 2/3); 7 17/07/2011 Espaço de tempo de 30 dias, após o último deferimento de inscrição, para fazer a opção pelo Simples Nacional; Análise: MARCO FINAL do prazo de, para efeito do inciso I do § 3º da Resolução; Conforme demonstrado acima, a efetiva solicitação de opção pelo Simples Nacional somente ocorreu em 06/07/2011, portanto, após o prazo de 180 dias da inscrição no CNPJ estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007. Outrossim, vencido o prazo de 180 dias não há mais que se falar em pessoa jurídica em início de atividade. Ao contrário do que alega a recorrente em seu recurso, se após o último deferimento de inscrição, o trigésimo dia do prazo de opção cair depois do prazo de 180 dias, a pessoa jurídica não será considerada em início de atividade, mas sim pessoa jurídica que já iniciou suas atividades, neste caso, a sua opção só poderá ser formalizada no mês de janeiro. Quanto à alegação de que "a Recorrente teve indeferida a sua inclusão no Simples Nacional porque a Prefeitura Municipal de Itaperuna somente concretizou o deferimento da sua inscrição Municipal após o prazo de 180 dias da sua inscrição no CNPJ Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 61 6 causando intempestividade no requerimento de inclusão formulado pela Requerente", reitero a posição da Câmara baixa, de que "não há norma legal relevando a inobservância do prazo em razão de suposta morosidade de algum órgão". Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, não podendo decidir dando à lei interpretação diversa daquela consagrada pela Administração, papel este incumbido aos tribunais competentes, se for o caso. Por todo o exposto, face ao decurso de prazo de 180 dias após a inscrição no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.908445/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 84 45 /2 01 1- 99 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.251, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.251, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 19/11/2013 via ARECF de efls. 59 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 61 a 70), conforme protocolo de efl. 61, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.902700/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 27 00 /2 01 2- 13 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 22771.87102.241012.1.3.047011), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.668, de 16.03.2018, proferido no julgamento do processo nº 10320.901811/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.668): A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 5 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. No presente processo, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 21/01/2013, sendo o dia o 20/02/2013 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/02/2013, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720922/2010-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 09 22 /2 01 0- 15 Fl. 72DF CARF MF 2 Destacamos do Acórdão de Impugnação algumas passagens: À vista disso, resta claro que a não indicação de endereço vinculado ao profissional da área de saúde, emissor do recibo, é motivo suficiente para a desconsideração de tal documento como prova da dedução pleiteada. Dessa forma, concluise que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, apontam a falta de endereço no recibo e falta de comprovação do pagamento: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.720922/201015 Acórdão n.º 2001000.219 S2C0T1 Fl. 3 3 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: Fl. 74DF CARF MF 4 “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10480.720922/201015 Acórdão n.º 2001000.219 S2C0T1 Fl. 4 5 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002618/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.
Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa.
Numero da decisão: 1302-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõese o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 26 18 /2 00 9- 72 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 781 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A, em face do Acórdão nº 1130.889, de 26/08/2010, proferido pela 3ª Turma da DRJ/Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. O lançamento de IRPJ e CSLL realizado consiste na glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa da CSLL realizada em 2007, em face de ajustes efetuados nos saldo a compensar em decorrência de lançamento de ofício realizado pela constatação de infrações em anoscalendário anteriores. Na impugnação a recorrente alegou, em síntese, que, por ser este lançamento conseqüência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, consubstanciados no Processo n° 14751.000142/200510, haveria necessidade de sobrestar o seu julgamento até o julgamento definitivo deste, para que se aplicasse a este caso a solução definitiva que viesse a ser adotada naquele processo. Transcreveu, ainda, as alegações apresentadas em face das exigências contidas no Processo n° 14751.000142/200510 e pleiteou a realização de diligências para apuração de fatos veiculados naqueles autos. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 782 3 A DRJ julgou improcedente a impugnação. Cientificada da decisão de primeiro grau em 14/10/2010 (efls. 590), a interessada interpôs recurso voluntário em 16/11/2010, no qual, em síntese, alega a interdependência deste processo com o PA nº 14751.000142/200510 e suscita a necessidade de seu sobrestamento do julgamento deste processo até a decisão final no referido processo. Adicionalmente, apresenta as razões de inconformidade em face do lançamento realizado no PA nº 14751.000142/200510, para demonstrar a insubisistência do lançamento contido nestes autos. Ao final requer: Diante da demonstração de que a autuação e a decisão de primeira instância são consequência direta do não exame dos documentos apresentados pela recorrente nos presentes autos, bem como no Processo Administrativo n°14751.000142/2005 10, do qual este se traduz em tributação reflexa, a recorrente requer, alternativa e sucessivamente: (a) o sobrestamento do julgamento do presente recurso até o julgamento do processo administrativo n° 14751.000142/200510, dada a relação de acessoriedade da matéria contida nos presentes autos da que será discutida no referido processo; (b) a conversão do feito em diligência, conforme requerido desde a impugnação: (b.1) com vistas à obtenção de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 – 9° Andar, Cerqueira César São Paulo — SP, CEP:01419 001, na forma como exposta em sua Impugnação, e no item B.4 deste recurso; e (b.2) para fins realização de perícia contábil para a devida investigação nos documentos apresentados pela Recorrente, absurdamente desconsiderados pela d. Autoridade Julgadora de primeira instância, com base no princípio do contraditório e da ampla defesa, tudo com vistas à devida apuração da Verdade Material que deve ser supedâneo a qualquer constituição definitiva de débito por autoridades fiscais. c) que seja dado provimento ao presente recurso, para, reformando a decisão de 1a instância, julgar insubsistente a autuação, com base nas provas apresentadas nesses autos. Trazido o recurso a julgamento em 11 de setembro de 2012, o colegiado da 2ª Turma Ordinária resolveu, por meio a Resolução nº 1402000.138, declinar a competência do julgamento à 3ª Câmara da 1ª Seção, a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com o processo 14751.000142/200510, do qual este é decorrente. Tendo o Processo nº 14751.000142/200510 sido distribuído, por sorteio, a este relator, para analisar o recurso voluntário da interessada naquele processo, o presente feito foi redistribuído a este relator em face da conexão entre ambos. Na sessão de julgamento de, por meio da Resolução nº , este colegiado determinou a vinculação deste processo ao PA. nº 14751.000142/200510 e o sobrestamento do julgamento do processo nesta 3ª Câmara, para aguardar a conclusão das diligências determinadas no processo retro referido. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 783 4 Tendo sido concluídas as diligências determinadas no PA. nº 14751.000142/200510 e levados à julgamento nesta mesma sessão, impõese o prosseguimento do julgamento do recurso destes autos. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 784 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A recorrente alega a interdependência e a insubsistência das glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510, do qual decorre o presente lançamento. Com efeito, verificase que o presente lançamento consiste na glosa de compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de bases de cálculo negativas de CSLL, no ano calendário de 2007, em face da constatação de saldo insuficiente, tendo em vista as glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510. O recurso contra o lançamento decorrente glosas efetuadas naquele processo foram objeto de julgamento nesta sessão, por meio do Acórdão nº 1302002.545, no qual este colegiado acordou em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo. Assim, impõese a aplicação das conclusões daquele julgado ao presente caso, pelo que passo a transcrever os fundamentos quanto às matérias discutidas e decididas naqueles autos que passam, também, a se constituir em razões de decidir do presente julgado, verbis: A recorrente apresenta uma preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF estaria expirado no momento da lavratura da autuação. Alega que o MPF tinha prazo de validade até 21 de julho de 2004 e que o agente público encarregado e cumprilo deveria encerrar a fiscalização até aquela data ou, no caso de prorrogação dar ciência formal da continuidade dos trabalhos ao contribuinte, nos termos das normas regulamentadoras do instrumento. A questão já foi enfrentada e rejeitada pelo colegiado quando do conhecimento do recurso, na sessão de 15/03/2012, quando proferida a Resolução nº 1302000.15, verbis: [ . . . ] Com efeito, o Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Portaria SRF n.º 1.265, de 22/11/1999, sofreu diversas alterações ao longo dos anos, sendo que na data do encerramento da ação fiscal vigia a Portaria SRF n.º 6.087, de 21/11/2005. Este instrumento consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. O MPF constituise, assim, em instrumento de controle da administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este Fl. 784DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 785 6 poderá conferir se de fato o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF que o esteja fiscalizando, se encontra no exercício legal de suas funções. Enquanto instrumento de controle, o MPF se presta a possibilitar à Secretaria da Receita Federal acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AFRF, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por Lei e pela Administração. Se, no curso de seus trabalhos, o AFRF percebe, em face das peculiaridades do caso concreto, que não será possível concluir os trabalhos no tempo inicialmente previsto, deve solicitar a sua prorrogação aos superiores hierárquicos responsáveis pela emissão do mandado. Em relação aos prazos de validade e da extinção do MPF, dispunha a Portaria n.º 6.087/2005, verbis: [...] Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode se feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. Porém, essa prorrogação deve ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação esta disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência. Dispunha, ainda, a referida portaria que auditorfiscal responsável pelo procedimento fiscal forneceria ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet. Não obstante, eventual descumprimento da determinação contida no § 3º do art. 13 da referida portaria, uma vez descumprido, não traz qualquer consequência no âmbito do procedimento fiscal instaurado. Com efeito, a referida norma prevê os casos de extinção do MPF, em seu art. 15, verbis: [...] Como se vê, ainda que tivesse expirado o prazo de validade do MPF este não teria o condão de nulificar os atos praticados, devendo a autoridade responsável pela sua emissão determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento. No caso dos autos, não identifiquei, de fato, nenhum ato por parte da autoridade fiscal dando ciência ao contribuinte quanto a prorrogação do MPF, tendo o procedimento fiscal prosseguido e sido encerrado apenas em 28/12/2005. Como instrumento de controle interno da administração, é possível inferir de plano que sua continuidade tenha se dado de forma regular, uma vez que a autoridade fiscal responsável pelo procedimento não foi substituída, revelandose que não incorreu a hipótese prevista no inc. II do art. 15 e no parágrafo único do art. 16 da portaria referida acima De outra parte, nenhum prejuízo adveio ao contribuinte em face do descumprimento do disposto no § 3º do art. 13 da Portaria SRF nº 6.087/2005, posto que as informações sobre as prorrogações permaneceram disponíveis para consulta Fl. 785DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 786 7 da interessada no site da Receita Federal na internet, nos termos do § 1º do mesmo dispositivo. Assim, se o contribuinte tinha dúvidas quanto à continuidade da ação fiscal poderia ter consultado o site da RFB na internet, utilizandose do código fornecido na instauração do procedimento fiscal, conforme ciência (efls. 41). Em consulta por mim realizada em 01/11/2018 ao sítio da RFB na internet1, utilizando o código de acesso, é possível verificar que o referido MPF foi objeto de sucessivas prorrogações, sendo a última com prazo final em 10/11/2006. De qualquer sorte, me alinho à jurisprudência majoritária deste Conselho que entende que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária, de sorte que, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não enseja qualquer nulidade ao processo fiscal, posto que a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa competente, por meio do lançamento, é atividade vinculada e obrigatória que decorre do CTN e da lei de regência, conforme tive oportunidade de me manifestar no Acórdão nº 1301 001.814, de 05/03/2015, sintetizado seguinte na ementa : NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o s eu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. Nesse mesmo sentido, é firme a jurisprudência deste conselho, conforme se extrai das ementas a seguir reproduzidas: [...] Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Passo ao exame das matérias de mérito. A apreciação das matérias se dará na ordem trazida pela recorrente no seu recurso voluntário. A) Do anocalendário 2000: Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF) A imputação fiscal é de contabilização indevida de correção monetária sobre débitos de ICMS objeto de parcelamento junto à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp Fl. 786DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 787 8 Alega que a fiscalização, conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). E que, apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no anocalendário de 2000". Aduz que o Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). Contesta, afirmando que as regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente à Obrigações tributárias vigentes em 2000 encontramse consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. Informa que, no caso em tela, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFIN para correção de tributos. Deste parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPDI em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. Assim, contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGPDI contida na Tabela acima referida, de forma a dar cumprimento ao princípio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. Analisando os documentos e informações trazidos pela fiscalização e os apresentados pela recorrente, entendo que assiste razão a esta última. Com efeito, a autoridade fiscal solicitou informações à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba acerca da incidência de correção monetária sobre os débitos fiscais vencidos no ano de 2000. Em sua resposta esta informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). Cita o Relatório Fiscal (efls. 152), verbis: [...] Fl. 787DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 788 9 Os débitos da contribuinte, vencidos até fevereiro de 2000, foram objeto de parcelamento, tendo esta pago três parcelas em 2000 que não sofreram correção. Com efeito, a Secretaria de Finanças da Paraíba, em face da extinção da UFIR no ano 2000, disciplinou a atualização monetária dos débitos fiscais não recolhidos no prazo legal por meio da Portaria GSF nº 002, de 05/01/2001, nos seguintes termos: [...] O contribuinte apresentou a memória de cálculos da atualização monetária do saldo do parcelamento do ICMS (efls. 4333), efetuadas em 30/11/2000 e 31/12/2000, com base no índice acumulado do IGPDI no ano 2000, contabilizada nos moldes transcritos no Relatório de Trabalho Fiscal RTF (efls. 155) Entendo que se equivocou a autoridade fiscal ao glosar os valores de correção monetária contabilizada sobre o saldo do parcelamento, segundo o regime de competência, conforme dispõe o Ato Declaratório COSIT nº 52/1994, citado no RTF. Em que pese a portaria estadual que regulamentou a aplicação do IGPDI somente tenha sido publicada apenas no início de 2001, aplicase aos débitos vencidos e não recolhidos até aquela data. Os débitos consolidados no parcelamento realizado junto à SEFINPB, referemse a fatos geradores ocorridos até o mês de fevereiro/2000, conforme planilhas anexadas (efls. 4325/4330). Embora estivessem com a exigibilidade suspensa em face do parcelamento formalizado, referemse a débitos vencidos e não recolhidos no prazo, nos termos da portaria referida. Assim, observado o regime de competência, está correto o reconhecimento pela recorrente da correção monetária incorrida no ano 2000, no índice fixado pela legislação estadual, sobre o saldo de parcelamento existente até 31/12/2000. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso nesta parte, para exonerar a exigência relativa a glosa descrita no subitem 5.1.4 do RTF, efetuada no montante de R$10.359.592,48. Da glosa de custos Diferença entre os valores provisionados e adicionados no AnoCalendário de 2000 (R$ 4.813.022,08) subitem 5.1.2.5 do RTF Com relação a esta infração, a recorrente se refere à constatação feita pela autoridade fiscal de que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no anocalendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. E que, de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. Alega que, ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. Sustenta que é inconteste que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no anocalendário de 2000 por R$ 28.766.429,00 e que "toda a Fl. 788DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 789 10 celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado". Afirma ter demonstrado exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real razão pela qual a autuação não tem amparo e foi equivocada. Examinando a descrição feita pela autoridade fiscal (efls. 92) e os documentos acostados aos autos, entendo que não assiste razão à recorrente. As provas trazidas pela recorrente não infirmam a acusação fiscal de que o valor considerado como provisão indedutível a ser adicionado ao Lalur pela interessada, foi reduzido em relação a uma parte dos títulos que haviam sido provisionados por um valor superior ao considerado na adição ao resultado. A afirmação da recorrente de que os valores levados à adição ao Lalur (R$ 28.766.429,00) corresponderiam exatamente aos valores contabilizados e informados na DIPJ carece de comprovação. Verificase que a provisão total ao final do anocalendário 2000 correspondia a R$ 81.839.140,61, sendo que a provisão em dezembro de 1999 era de R$ 15.147.243,57, conforme demonstrado pela recorrente às fls. 29 de sua impugnação (efls. 4622) : Provisões até dez/99 15.147.243,57 Provisões em 2000 38.324.719,04 Provisões em 2000 28.766.429,00 Provisões em 2000 (399.251,00) Saldo PDD 31/12/2000 81.839.140 61 Ora, como se vê além do valor de R$ 28.766.429,00 foram provisionados mais R$ 38.324.719,04 e estornados R$ 399.251,00. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 92) a autoridade responsável pela fiscalização procedeu a uma auditagem de 294.731 registros que corresponderiam os títulos representativos das provisões não dedutíveis e constatou diferenças entre os valores adicionados ao lucro líquido e os provisionados no ano de 2000 em 120.123 registros, que totalizaram R$ 4.813.022,08, conforme relatórios parciais impressos (efls. 3737/3426). Com efeito, as apurações da fiscalização foram realizadas com base nos registros fornecidos pela própria recorrente e que corresponderiam aos títulos cuja provisão seria indedutível, sendo inescapável a conclusão de que parte desses títulos foram provisionados por um valor X, no entanto ao proceder à adição ao resultado a interessada efetuoua por um valor menor (XY), conforme descrito no Relatório Fiscal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário nesta parte. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 790 11 Da glosa de Custos Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Subitem 5.1.2.7 do RTF A recorrente aponta que o auditor constatou 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001) e que a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano calendário de 2000. Afirma que, a partir dessa presunção, concluiu o auditor que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Observa que, "curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66". Destaca que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doc.09 e 10 fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). Afirma a recorrente que a DRJ ao tratar deste item manteve a autuação sob o fundamento de que não teriam sido apresentadas provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. Alega a existência de claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato, uma vez que, pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. Assim, não poderia, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Sustenta que, não bastasse a ocorrência do bis in idem, tratase de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. Aponta que se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Alega que ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na database dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 791 12 Observa que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. Alega que a fiscalização não demonstrou que a contabilização de 2000 foi excessiva, nem tampouco ter resultado cm qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, teria se furtado de perquirir a verdade dos fatos. Em conseqüência, requer que seja reconhecido o bis idem e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. Analisando os elementos dos autos, entendo que não tem razão a recorrente neste ponto. A constatação fiscal, explicitada no subitem 5.1.2.7 do RTF, tomou por base os próprios elementos apresentados pela interessada e ao analisar os arquivos apresentados constatou que em 904.370 registros com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, apurou uma divergência nos valores informados em cada ano (R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001), evidenciando uma provisão indevida de R$ 13.452.296,34, conforme demonstrativos de efls. 3667/3736. Ora, a recorrente alega que a fiscalização efetuou o lançamento por presunção ao entender que os valores corretos seriam aqueles apurados com base no levantamento de 2001 e não no realizado no ano 2000, mas ela própria informa ter procedido a ajustes no valor das contas em 2001 que se encontravam em provisão no ano 2000, no montante de R$ 12.851.228,33, conforme resposta (efls. 2387/2394) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (efls. 2366/2386). A recorrente alega que as contas podem ser reduzidas mediante pagamentos parciais efetuados pelos consumidores que poderiam ensejar a redução dos valores provisionados anteriormente sem que isto se caracterize como qualquer erro, mas não traz qualquer comprovação nesse sentido. Alega também que o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida; que os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica, como uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Apesar da alegação a recorrente não apresenta comprovações concretas. Ademais, examinando os relatórios de efls. 3667/3736, percebese claramente que o que ocorreu de fato foram ajuste nos valores provisionados, muitos deles na casa de centavos ou de poucos Reais, mas que ao serem totalizados representam uma expressiva diferença nos montantes provisionados. Também entendo que não existe o alegado bis in idem com relação à infração apurada no subitem 5.5 do RTF, pois a redução do valor das provisões do ano 2000 já havia sido em grande parte considerada pela própria recorrente no cálculo da provisão feita no ano de 2001 e são distintos os fundamentos das exigência em questão. Com relação à exigência contida naquela infração (subitem 5.5) os argumentos da recorrente serão examinados no ponto próprio deste voto. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 792 13 Assim, entendo que restou comprovada pela fiscalização o excesso de provisão realizado no ano de 2000, com relação aos mesmos clientes e respectivos débitos, não tendo a recorrente se desincumbido de comprovar suas alegações. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. B) Do anocalendário 2001: Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47). Subitem 5.1.3.3 do RTF No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. A contribuinte alega que a DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. Sustenta que durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral e que, por um equívoco contábil da recorrente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. Alega que em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Observa que tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. Assevera que, uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. Conclui que acatar o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. A fiscalização, com base nos elementos obtidos junto a alguma clientes da fiscalizada, concluiu que a Saelpa não emitiu as notas fiscais/contas de energia elétrica complementar referente ao aumento do valor da energia questionado judicialmente. A recorrente, no entanto, apresentou em sua impugnação cópia de diversas faturas que corresponderiam ao valor complementar questionado judicialmente, com relação às empresas diligenciadas pela fiscalização (efls. 4344/4529), sendo que em diversas delas consta textualmente que se trata de "valor correspondente a 20% da Fl. 792DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 793 14 fatura original conforme processo judicial nº .. da 1ª Vara da Fazenda Pública". Outras, no entanto, referemse a "ICMS calculado por fora conforme processo nº... da 4ª Vara da Fazenda Pública" e, ainda "correspondente a 25,79% do valor da fatura original conforme processo nº ... da 9ª Vara Civel da Capital". Cotejando, por amostragem, verificase a coincidência dos valores das notas fiscais com os débitos constantes da relação "Consumidores com Débitos Oriundos de redução de Tarifa" (efls. 4815/4880), como p. ex. em relação ao contribuinte Cia de Bebidas Antartica PB (efls. 4344/4355). Não obstante, não trouxe aos autos a comprovação da contabilização da respectiva receita e do alegado estorno realizado posteriormente. Em face da tais elementos, este colegiado determinou a realização de diligência como vistas a apresentação por parte da recorrente da comprovação da contabilização da respectiva receita, para que fosse intimada a: a) apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida; b) apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001; c) apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A recorrente apresentou, à autoridade fiscal diligenciante, cópias de planilhas, parciais de livro Razão e Diário (fls. 7602 a 7741), mediante os quais procura demonstrar e justificar de constituição da provisão, e estornos que teriam sido realizados na conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, entre os meses de dezembro de 2001 a dezembro de 2016. A autoridade fiscal aponta no seu Relatório de Diligências que: • A ENERGISA não apresentou documentação hábil e idônea comprobatória que contabilizou as receitas questionadas judicialmente pelos consumidores no período de 06/09/1994 a 10/04/2001 (período da data de vencimento dos tílulos relacionados na planilha JUDICIAL), não apresentando qualquer livro contábil que comprove tais operações; • Consta no razão da conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, na subconta 0001 – Energia Elétrica Vendida, no mês de dezembro de 2001, dois lançamentos em 31/12/2001: um a débito, no valor de R$ 83.207.728,75 e com histórico: lançamento reversão pcld, anulando o saldo inicial em 01/12/2001; e outro a crédito, no valor de R$ 73.942.388,66 e com histórico: provisão constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; • Constatase nos meses de outubro/2002; abril, julho e setembro/2003; julho/2004; janeiro, abril, novembro e dezembro/2005; novembro/2007 e abril/2009 a existência de dois lançamentos, um a débito, revertendo o inicial da Fl. 793DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 794 15 conta no mês, e outro a crédito, pela provisão para créditos de liquidação duvidosa constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; Mais adiante conclui quanto a este ponto da diligência que: 1) Em relação ao item a.1 (infração descrita no subitem 5.1.3.3. Judicial do Relatório de Trabalho Fiscal): a) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida. A ENERGISA não comprovou o solicitado. b) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001. A ENERGISA não comprovou o solicitado. c) Apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A ENERGISA não comprovou o solicitado. Com efeito, entendo que a recorrente não apresentou elementos solicitado na diligência, que demonstrassem que efetivamente contabilizou as receitas que teriam tido seu valor questionado judicialmente e que justificariam sua exclusão no ano de 2001, por meio da provisão (PDD). Limitouse a apresentar planilhas que embasariam os lançamentos efetuados em sua escrita contábil, porém sem se desincumbir de demonstrar seu vínculo com as receitas objeto de questionamento judicial. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), também não trazem novos elementos visando tal comprovação, limitandose, em síntese, a reiterar a correção dos procedimentos da recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento quanto ao ponto Da Glosa de Custos Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05.). Subitem 5.3.1.2 do RTF Este item referese à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF, no ano de 2001. Tratase, de fato, da nota fiscal n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 795 16 A recorrente alega que tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Sustenta que a DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendose simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT n° 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardariam entre si qualquer relação. Relata que possuía contrato de fornecimento com a CHESF celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) que no Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. Apresenta a tabela Ia (doc. 17), que contém os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. Alega que, em função do racionamento de energia na região nordeste, no ano de 2001, a CHESF havia faturado apenas 80% do valor contratado para o ano, enquanto que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, Dessa diferença originouse um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. Observa que, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. Assim, em dezembro de 2001, registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 vide Diário doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. Sustenta que a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. Conclui que deve ser levado em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001 e que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001. Passo a analisar os elementos dos autos. De acordo com a informação obtida pela fiscalização junto à CHESF, por meio do Termo de Intimação (efls. 2580/2582), esta diferença, faturada em dezembro de 2001, decorre sim do Acordo Geral do Setor Elétrico, firmado em dezembro de 2001 e corresponde à diferença entre os montantes faturados e os montantes contratuais, em face das reduções ocorridas em decorrência do racionamento, no período de junho a novembro de 2001, conforme Termo Aditivo Fl. 795DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 796 17 nº 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre a SAELPA e a CHESF (efls. 2583/2588). O Anexo 16 (fls. 419/420 ou efls. 263/264) acostado à resposta ao Termo de Intimação de 18/09/2003 (docs. fls. 222/240 ou efls. 7130/7148)2, revela que este faturamento decorreu do Acordo Geral do Setor Elétrico estabelecido pela Medida Provisória nº14 e demais regulamentações dos agentes reguladores. Segundo o referido documento, que consiste na Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis para os exercícios findos em 31/12/2001 e 2000 da recorrente, esta informava: [...] Em 11 de março de 2002, a SAELPA encaminhou à Aneel os cálculos da recomposição tarifária, os quais estão sujeitos à homologação pelo órgão regulador. Para que a SAELPA tenha direito a essa compensação, renunciou a qualquer pleito, judicial ou extrajudicial, relativo a fatos e normas concementes ao Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica e à recomposição tarifária extraordinária, bem como aderiu aos acordos firmados entre os agentes do setor elétrico, conforme previsto pela Medida Provisória n° 14 e pelas Resoluções n°91, da GCE, e n° 31, da Aneel. b) R$26.956 referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, os quais dispunham de geração não comprometida em contratos. Essa energia foi denominada 'energia livre'. Nesse montante incluem R$984 relativos ao Pis e Cofins. O valor referente à energia livre foi contabilizado como despesa operacional com base em comunicado aos agentes, divulgado em 13 de março de 2002 pela Asmae (órgão operador do MAE), no montante de R$25.972, líquido do Pis e Cofins. Esse valor será repassado aos geradores. Eventuais decisões das autoridades reguladoras do setor de energia elétrica, quanto à recomposição tarifária extraordinária, bem como o montante relacionado à energia livre, poderão resultar em ajustes relevantes nos valores registrados pela SAELPA. Os valores definitivos a serem divulgados deverão ser validados pela Aneel, conforme previsto em sua resolução n° 72, de 07 de fevereiro de 2002. Como parte do acordo relativo à recomposição tarifária, a SAELPA irá pagar à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CHESF o valor integral do contrato inicial de fornecimento de energia elétrica, reduzidos pelo fator 0,9759, estabelecido pela Aneel. Esses valores montam, em 31 de dezembro de 2001, em R$13.122. A soma desse valor e da energia livre, mencionada anteriormente, que totaliza R$39.094, foi registrada no resultado do exercício, na rubrica Energia Elétrica 2 A sequência de numeração de folhas no eprocesso (efls.) ficou prejudicada por falha na anexação do volume II do processo físico, que resultou fora da ordem. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 797 18 Comprada para Revenda e compõe o saldo da conta Fornecedores no Passivo Circulante e do Exigível a Longo Prazo. [...] De acordo com o RTF (efls. 140) a recorrente procedeu a adição no Lalur do valor de R$ 25.972 mil referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, mas não adicionou o valor relativo ao valor da diferença faturada pela CHESF, verbis: A SAELPA contabilizou em 31112/2001, a titulo de custo ressarcimento gerador, na 615.03.3.5.4.1 Operações com Energia Elétrica, na subconta 4105 Passivo Regulatório, o montante de R$ 25.972.598,52, levandoa na apuração do resultado do exercido. Da análise da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da DIPJ 2002, fls. 185, e das folhas 10 e 24 do LALUR, fls. 296 e 310, constatase que a SAELPA adicionou o valor acima citado na apuração do lucro real, com o histórico: valores provisionados do PERECE Consulta 11618.004276/200203 Parecer Cosit 026 de 26/09/2002. Tratase, sem dúvida de questão complexa, envolvendo um momento de crise no setor elétrico, que acabou gerando situações atípicas do ponto de vista das operações e resultados das companhias geradoras e distribuidoras e que demandou a intervenção do Poder Público de modo a assegurar a sustentabilidade econômica do sistema elétrico brasileiro. O alcance de cada situação deve ser analisado dentro deste contexto, portanto. Penso que a transposição das conclusões do Parecer Cosit nº 26/2002 para o presente caso merece ponderações. O referido parecer trata do reconhecimento da receita que seria gerada pela Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 (art. 28) e 14/2001 (art. 4º), trazendo o entendimento de que tais receitas somente devem ser reconhecidas para fins de incidência dos tributos federais, quando de sua efetiva realização (cobrança dos percentuais nas faturas dos consumidores que seriam realizadas a partir do ano de 2002), atendendo ao Princípio da Competência. A decisão recorrida entende que o custo da energia, ora em discussão, também deveria ser atrelado ao reconhecimento da receita decorrente da RTE, em respeito ao citado Princípio da Competência, pois seria uma energia adquirida, mas não consumida no ano de 2001, que seria, portanto, um custo do ano de 2002. Depois de muito analisar e pesquisar sobre as regulamentações ocorridas naquele episódio da crise energética de 2001, cheguei a conclusão de que tal custo se refere ao ano de 2001, tal como reconhecido pela recorrente. Explico. Não resta dúvida que, tal diferença ora em debate está diretamente relacionada ao racionamento de energia do ano de 2001 e tem implicação na Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 e 14/2001. Pelo que se depreende dos documentos trazidos aos autos, em especial os esclarecimentos prestados pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF (fls. 2580/2581), do Contrato de Compra e venda de Energia entre CHESF e Fl. 797DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 798 19 SAELPA (atual Energisa) fls. 4883/4922 e respectivo Termo Aditivo nº 01 (fls. 4973/4980), dos avisos de faturamento provisório expedidos pela CHESF (fls. 4947/4960) e das disposições contidas na Resolução Aneel nº 31, de 24 de janeiro de 2002 (fls. 4962/4971), a diferença cobrada pela CHESF referente ao faturamento de junho a novembro e 2001, corresponde efetivamente ao custo da energia contratada e fornecida por aquela geradora à recorrente no período referido e que não fora faturado anteriormente, tendo em vista a orientação setorial de que, em face do racionamento, o faturamento deveria corresponder a 80% do valor contratado, até que se definisse o percentual definitivo de redução, que restou fixado em 3%. Nos esclarecimentos prestados pela CHESF (fls. 2580/2581), ante a intimação da fiscalização, restou consignado, verbis: Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, de 22/04/2005, apresentamos, a seguir, as justificativas solicitadas: Em função do Racionamento de Energia Elétrica, ocorrido no período de junho de 2001 a fevereiro de 2002, houve uma redução no Consumo de Energia da ordem de 20% que afetou o equilíbrio econômico financeiro do contrato de suprimento entre SAELPA e CHESF. Houve negociações envolvendo todos os agentes do Setor Elétrico que culminou num acordo conhecido como: "Acordo Geral do Setor Elétrico", firmado em dezembro de 2001, onde foi estabelecido que durante o período de racionamento, o faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos, com relação aos montantes contratados, em um percentual, ainda por ser definitivamente estabelecido, entre 2% e 3%. A CHESF, no período de junho a novembro de 2001, faturou contra a SAELPA com redução de 20% dos montantes contratados. Em 31/12/2001 a CHESF emitiu a fatura 5324, correspondendo a 97% dos montantes contratuais no mês de dezembro e a fatura complementar 5342, em questão, correspondendo a 17% dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001. Outrossim, informamos que, o embasamento legal encontrase disposto no Termo Aditivo N° 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF em 04 de junho de 2002, cuja cópia anexamos juntamente com a Resolução ANEEL N° 31, de 24 de janeiro de 2002, citada na cláusula 6°, item a) que trata do fator de redução do período de junho a dezembro de 2001. (grifei) Na cláusula 6ª do Termo Aditivo, ficou estabelecido, verbis: Cláusula 6º A Cláusula 11 dos Contratos Iniciais das distribuidoras localizadas nas áreas alcançadas pelo PERCEE passa a vigorar acrescida do seguinte parágrafo terceiro: Fl. 798DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 799 20 "Parágrafo Terceiro. As quantidade de energia e demanda vendidas sob este CONTRATO no período de vicia do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica PERCEE serão reduzidas com aplicação do seguinte fator de redução: a) para o período de junho a dezembro de 2001. o previsto no art. 5º da Resolução da ANEEL nº 31, de 2002: e b) para os meses de janeiro e fevereiro de 2002, o previsto no art. 3º da Resolução da GCE nº 133, de 6 de junho de 2002 e, de acordo com a disciplina estabelecida pela ANEEL." A Resolução Aneel nº 31, por sua vez traz a seguinte disposição em seu art. 5º, verbis: Art. 5º As concessionárias distribuidoras alcançadas pela recomposição tarifária extraordinária deverão pagar às geradoras, durante o período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às concessionárias distribuidoras, de acordo com o seguinte fator de redução: onde: I Frd corresponde ao fator de redução a ser aplicado aos valores dos contratos iniciais e equivalentes; II CEag corresponde ao consumo esperado agregado calculado na forma do inciso II do § 4º do art. 4º; III CIi corresponde à definição constante do inciso III do § 4º do art. 4º; e IV FPi corresponde à definição constante do inciso IV do § 4º do art. 4º. 3 3 Art. 4º § 4º [...] III CIi corresponde aos montantes de energia contratados pela concessionária de distribuição de energia elétrica e homologados pela ANEEL nos termos do art. 10 da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998 (contratos iniciais e contratos celebrados antes da edição do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, que produzam efeito equivalente ao dos contratos iniciais), quotaspartes de Itaipu determinadas anualmente pela ANEEL, energia assegurada ou associada da geração própria e contratos bilaterais das concessionárias de distribuição, já registrados no MAE ou Fl. 799DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 800 21 Entendo que, diante do Acordo Geral do Setor Elétrico, que restou formalizado entre a recorrente e a CHESF, por meio do Aditivo nº 1 ao Contrato de Compra e Venda de Energia, a interessada se comprometeu a pagar 97% do valor correspondente ao montante de energia contratado para o período de janeiro a dezembro de 2001, independentemente da redução efetiva verificada no fornecimento da energia em face do racionamento realizado naquele período. Em contrapartida, como parte do Acordo Geral do Setor Elétrico, teria direito à cobrança, a partir de 2002, da Recomposição Tarifária Extraordinária, para se ressarcir dos custos que se revelaram desproporcionais à receita obtida naquele período, nos termos dispostos nos arts. 2º e 4º da MP. 14/2001, verbis: [...] Pelo que deduzo do quadro fático e normativo acima delineado, a recorrente incorreu efetivamente em custos maiores na aquisição de energia no período de junho a dezembro de 2001 em face do acordo setorial para a compensação de perdas entre os diversos agentes do setor elétrico (geradoras e distribuidoras). Este custo se refere à energia comercializada no próprio ano de 2001. Diante do acordo firmado a interessada passou a ter direito à uma recomposição tarifária extraordinária a ser cobrada sobre a energia vendida a seus consumidores a partir de 2002. Por óbvio os custos correspondentes a esta receita são os mesmos da receita normal comercializada, ou seja, os custos da energia adquirida e comercializada no próprio ano de 2002, pois é sobre esta energia vendida que seria aplicada a tarifa extraordinária. Assim, entendo que o reconhecimento desta parcela de custo no ano calendário 2001 pela interessada, não entra em contradição com o entendimento emanado do Parecer Cosit nº 26/2002, quando este tratou do reconhecimento das receita oriundas da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso quanto a este ponto. Das Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). Subitem 5.3.1.1 do RTF De acordo com o RTF, a fiscalização solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano calendário de 2001. na ANEEL até novembro de 2001, que tiveram os volumes mensais dos contratos iniciais reduzidos em 2001 em relação ao mesmo mês de 2000, até o limite da referida redução, conforme verificação pela ANEEL; IV FPi corresponde ao fator que reflete as perdas de energia elétrica das concessionárias distribuidoras ocorridas na comercialização desse produto, calculado, por concessionária distribuidora, pela média de doze meses de junho de 2000 a maio de 2001. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 801 22 A DRJ, por sua vez, entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. A recorrente alega que os procedimentos tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. Sustenta que em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). Que este acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. A recorrente alega que demonstra através do Extrato contábil (doc.22 anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 anexo 10 da impugnação). Afirma que, com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. Sustenta que efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. Diz que os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. Sustenta que o lançamento de R$ 11.096.782,02 referese ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de Fl. 801DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 802 23 2001 e que o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %. Refere que num segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, utilizou o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurandose os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. Assim, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, referese ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. Afirma que o valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Alega que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, o que se comprovaria com o lançamento contido no Diário (doc. XX anexo). Por ocasião da Resolução nº 1302000.451, eu havia me manifestado, preliminarmente, no sentido de que tais valores efetivamente não deveriam ter sido reconhecidos como custos ou despesas do ano de 2001 e que, quando muito, se comprovada a efetivação do estorno no anocalendário 2002, "poderia caracterizar a ocorrência de postergação de pagamento do imposto por inobservância do regime de competência, nos termos do art. 273 do RIR/1999, mas exigiria também a comprovação de que a recorrente apurou e recolheu os tributos devidos no ano em que se deu tal reconhecimento4, o que também não restou comprovado nos autos". Daí a conversão em diligências para que a interessada fosse intimada a: I) apresentar comprovação do estorno, no ano de 2002, das diferenças de despesas com Compra de Energia da CHESF, no valor de R$ 2.871.961,74, mediante cópias dos registros contábeis nos livros Diário e Razão (partida e contrapartida, devidamente identificadas no plano de contas) III) apresentar comprovação de que tais valores foram efetivamente tributados naquele ano, ou seja, que a 4 PN. CST. 02/1996: [...] 9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da comtribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 803 24 interessada apurou e recolheu os tributos lançados (IRPJ e CSLL) sobre o resultado anual de 2002, mediante juntada de cópias de Demonstração de Resultado, Lalur, DIPJ e DCTF, relativos aos tributos apurados em 31/12/2002. Na resposta à diligência, a interessada limitouse à reprisar as alegações recursais e propugnar pelo reconhecimento da legalidade e correção do valor contabilizado, especialmente em face da aplicação dos princípios contábeis da Competência e do Conservadorismo, diante da situação fática ocorrida em decorrência do Acordo Geral do Setor Elétrico. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), apenas busca explicar mais uma vez o reconhecimento contábil efetuado pela recorrente, validandoos, segundo o entendimento ali manifestado, com base nos princípios contábeis da Competência e da Oportunidade. Revendo os elementos dos autos, penso que as conclusões preliminares trazidas na Resolução nº 1302000.451 merecem alguns reparos. Com efeito, o relato das alegações trazidas pela recorrente confirmam, ao menos parcialmente, o entendimento da fiscalização de que tais valores não poderiam compor o custo da energia comprada no ano de 2001. Desde logo a fiscalização constatou diferenças entre os valores lançados pela interessada como custo e as notas fiscais (nº 005324 e 005342) emitidas pela CHESF, apontando, respectivamente os valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, que a própria recorrente confirma como incorretos, uma vez que procedeu aos lançamento com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais, o que ocorreu ainda em 2001. Portanto, a glosa desses valores é inquestionável. Não se justifica a alegação da recorrente de que desconhecia os valores efetivamente devidos, pois as notas fiscais nº 005324 e 005342 foram emitidas pela CHESF em 31/12/2001 (fls. 2566/2572). Assim, certamente tais diferenças foram indevidamente registrada no custo do ano de 2001. Com relação à diferença de R$ 2.098.505,44, relativa à Nota Fiscal nº 005324, verificase pelo RTF que a interessada procedeu à liquidação da fatura, com o referido desconto aplicado, por meio de depósitos/créditos bancários em 15/01/2002 e 05/02/2002.. O mesmo ocorreu com relação ao valor de R$ 473.758,12, estornado pela CHESF relativo à NF. nº 005342, relativo ao ajuste feito em face do Acordo Geral do Setor Elétrico, que de acordo com o RTF foram quitadas em março e setembro de 2002. Com relação a estes valores, considerando o entendimento anteriormente manifestado neste voto quanto aos valores suplementares faturados pela CHESF em dezembro de 2001 com base no Acordo Geral do Setor Elétrico, entendo que se os estornos ocorridos decorreram de novas orientações emanadas dos órgãos regulares em 2002, não havia, naquele momento como a interessada fazer tal reconhecimento em sua escrituração. Como registrado acima, a empresa CHESF emitiu as duas notas fiscais em 31/12/2001 e os ajustes nos valores só ocorreram no decorrer do ano de 2002. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 804 25 Assim, tais valores deveriam ter sido registrados naquele anocalendário e, portanto, afetariam apenas o resultado daquele exercício. Não é razoável admitir o reconhecimento de tal fato de forma retroativa na contabilidade e no resultado apurado em 2001 pela recorrente. Desta feita, ainda que não tenha sido aportado aos autos a comprovação contábil de que tais estornos foram efetivamente realizados pela recorrente no ano calendário 2002, tais lançamentos não podem impactar o resultado do ano calendário 2001. Assim, entendo que resta indevida apenas a contabilização como custo dos valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, registrados à maior pela recorrente com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais. Neste caso sim, uma vez indevidamente registrados nos custos contabilizados em dezembro de 2001, tais valores deveriam ter sido adicionados ao resultado apurado em 2001 pela recorrente, em observância ao regime de competência, nos termos do § 4º do art. 6ºdo DecretoLei nº1.598/1977.5 Ante a falta de comprovação de que estes valores foram efetivamente estornados em 2002 e devidamente oferecidos à tributação, o que poderia caracterizar, como já mencionado, mera postergação de pagamento do imposto, o lançamento desta infração deve ser mantido nesta parte. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso quanto a esta matéria, para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56, por corresponderem a custos efetivamente incorridos no ano de 2001. Da Glosa de Custos Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no AnoCalendário de 2001 R$ 70.342.053,18. Subitem 5.2 do RTF Este item do auto de infração referese a contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAF no valor de R$ 70.342.053,18. No julgamento de primeira instância, a DRJ reconheceu um equívoco no valor lançado pela fiscalização, reduzindo o valor glosado para R$ 70.270.656,92. A recorrente alega que a autoridade fiscal confundiu o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002, sendo equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. A autoridade julgadora de primeiro grau, segundo a recorrente,descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendose simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002 , além de ter negado pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. 5 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. [...] § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 805 26 Alega que os lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. Explica que o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. Informa que, em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. Destaquese que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma de incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais", que considerava como equivalentes apenas os contratos iniciais firmados entre a distribuidora e as geradoras de energia. Assim, os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. Informa que esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. Aduz que o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). Fl. 805DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 806 27 Assim, teria sido obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Informa que os agentes do Setor Elétrico, solicitaram do MAE O posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício e que apenas ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, quando houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábilfinanceiro, formalizado mediante a CIAS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento . Explica que os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado citado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). Afirma que o valor de R$ 70.342.053,18, resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00. Conclui que, restou demonstrado que: (i) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). Frisese, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter Fl. 806DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 807 28 recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! Destaca que, com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE , tendo seguido a determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE. Ao final solicitou a realização de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Após a realização das diligência solicitadas junto à CCEE, ANEEL e à própria contribuinte, a autoridade fiscal reafirmou suas conclusões quanto à natureza de provisões dos valores lançados como custos pela interessada, tendo em vista o estorno de R$ 40.113.000,00 relativo ao contrato junto à CFLCL e que a interessada não teria comprovado o pagamento dos valores relativos ao fornecimento junto ao MAE relativo ao contrato com a Energipe, defendendo a sua indedutibilidade no resultado de 2001, conforme expresso no final do Relatório de Diligência Fiscal (e fls. 7042/7058): Pelo exposto fica claro que; • A Energisa já demonstra que não comprou energia ao MAE pelo contrato Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00; • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a importância ao MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe. Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$ 70.342.053,18 tem que ser adicionada na apuração do lucro real, tal qual efetuado no auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação através de documentação hábil e idônea, tal qual procedido no lançamento tributário com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decretolei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº 2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº 4.506/64. Intimada do relatório fiscal a recorrente reafirma que o entendimento fiscal está equivocado. Afirma em conclusão que o fato do valor de R$ 40.113.000,00, relativos à aquisição de energia junto ao MAE, que visava ao cumprimento do contrato com a CFLCL, tenha sido estornado em 30/06/2002 (conforme cópias do Livro Razão que anexa), por força do novo entendimento trazido no Despacho ANEEL nº 288, de Fl. 807DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 808 29 16/05/2002, que veio reconhecer o contrato firmado para fornecimento de energia à CFLCL como equivalente (para fins de cálculo de apuração das sobras líquidas), não invalida o reconhecimento do custo em 31/12/2001, pois esta era a situação reconhecida pelos órgãos setoriais naquele momento. Com relação ao pagamento da energia adquirida junto ao MAE relacionada ao contrato da Energipe, tida como não comprovada pela fiscalização, explica e demonstra por meio de lançamentos contábeis que o valor resultou quitado mediante a compensação entre créditos que possuía junto ao próprio MAE (atual CCEE). Passo a analisar a exigência do Fisco, à luz dos elementos carreados aos autos até o momento. Tratase de questão bastante complexa pois tratase de operações realizadas no âmbito do setor elétrico envolvendo múltiplos agentes público e privados num contexto de crise no setor elétrico em face de necessidade de racionamento de energia que levou à realização de um grande acordo setorial para reconhecimento e compensação de perdas no sistema. Analisando os elementos trazidos pela recorrente, entendo que esta conseguiu demonstrar e comprovar por documentos hábeis (contratos e notas fiscais) a venda de energia às empresas CFLCL e Energipe ao longo de 2001, o que aliás a própria fiscalização não contesta. A discussão prendese ao custo da energia adquirida para tal fim. A fiscalização afirma que, ao contrário do que afirma a interessada, "a Energisa (atual denominação da SAELPA) sempre possuiu sobras nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia adicional para atender os contratos de venda de energia firmados com a CFLCL e a ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está contabilizado". A recorrente alega que, quando firmou contrato de venda para as empresas CFLCL e Energipe em abril de 20012, tinha, de fato, sobras líquidas que adviriam do contrato com a CHESF, mas que em face do racionamento de energia elétrica o Governo Federal, por seus órgão reguladores do setor, determinou que as "sobras líquidas contratuais" deveriam ser repassadas aos Geradores neste período de racionamento, o que resultou em "exposição" (necessidade de compra de energia no Mercado de Curto Prazo do MAE) da SAELPA correspondente aos montantes vendidos para a ENERGIPE e a CFLCL registrados no então MAE, para atender ao contrato com os seus demais clientes/consumidores, uma vez que pelo Acordo de Compra de Sobras Líquidas (efls. 4630/4636), esta venda de energia não foi computada, em face do disposto no inciso III do § 5° do art. 2° da Resolução GCE n° 91, de 21.12.2001 (efls. 6799 a 6808). A recorrente demonstra que o valor da energia comprada no Mercado de Curto Prazo, no MAE, corresponde ao volume de energia vendida (em Mkw), para ENERGIPE e CFLCL, multiplicado pelo preço MAE (PMAE) vigente nos respectivos meses. A partir deste preço de compra recompondo o valor de R$70.342.053,18, fornecido pelo MAE. De fato, os valores apresentados pela recorrente são coerentes com os informados no Comunicado aos Agentes Provisionamento de 2001, feitos pelo MAE (efls. 6818/6827) e que foram utilizados como fonte para os lançamentos dos custos que resultaram glosados pela fiscalização. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 809 30 A recorrente reconhece que houve, posteriormente, a reconsideração por parte da ANEEL, por meio do Despacho ANEEL nº 288, de 16/05/2002 (efls. 6840/6841), que reconheceu que o contrato celebrado entre a SAELPA e a CFLCL como equivalente para efeito do cálculo da apuração das sobras líquidas, levando ao estorno realizado em 30/06/2002, do valor de R$ 40.113.000,00. O montante de energia mencionada nos meses de junho a dezembro de 2001 considerado no anexo do referido despacho corresponde exatamente à quantidade de energia vendida pela interessada à CFLCL. A recorrente alega que tal reconhecimento, ocorrido em maio de 2002, e estornado em junho daquele ano, não desnatura o custo reconhecido em 31/12/2001. Penso que tem razão a recorrente. Em 31/12/2001, a interessada reconheceu um custo de compra de energia junto ao MAE que seria associado à venda de energia para as empresas Energipe e CFLCL, com base nos dados disponíveis fornecidos pelo órgão MAE (espécie de câmara de compensação) que controlava o saldo de compra e venda de energia entre as distribuidoras e geradoras, com base nas normas e decisões expedidas pelo agente regulador (ANEEL). Não há como discordar da alegação da recorrente de que, embora o MAE tenha denominado de provisão (e ela própria assim denominou na sua contabilidade), tratase de custo efetivamente incorrido no ano de 2001. O fato de, posteriormente, a ANEEL ter vindo a reconhecer que os valores do contrato de venda para a CFLCL deveriam compor o ajuste do saldo das sobras líquidas, configura, no máximo, a característica de recuperação de custos, com o consequente cancelamento do débito junto ao MAE (atual CCEE). No que concerne ao argumento da fiscalização, com relação às aquisições para o fornecimento do contrato da Energipe, de que não estaria comprovado o efetivo pagamento, penso que, ao contrário, a recorrente demonstrou que o saldo foi pago mediante o encontro de contas no âmbito da CCEE. Além disso, salvo se houvesse dúvida que quanto à existência das compras de energia junto ao MAE, o que não ocorre, o registro do custo deve se dar pelo regime de competência, sendo irrelevante neste momento a comprovação do pagamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item da autuação. Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Subitem 5.5 do RTF Este item do RTF trata da glosa de exclusão no Lalur relativo à reversão de provisões no ano de 2001, por falta de comprovação dos valores que foram revertidos em face do recebimento dos títulos. A recorrente traz diversas considerações sobre as apurações feitas pela fiscalização com relação às diferenças apuradas entre os valores provisionados em 31/12/2000 e 31/12/2001, objeto da infração discutida no subitem 5.1.2.7 do RTF, e acusa o Fisco de ter efetuado o lançamento por mera presunção de que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 810 31 Alega que a DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. Alega que as provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção, que não pode ser tomada como base de cálculo do imposto. Alega que não existe uma relação especifica para o reconhecimento das adições e exclusões, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais e que, em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. Assim, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Sustenta que quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. Analisando a argumentação trazida pelo contribuinte durante a ação fiscal e na fase litigiosa, verifico que o mesmo apresenta uma explicação numérica para o valor apurado e excluído do Lalur a título de reversão de provisões anteriormente constituídas, mas em momento algum, seja durante a ação fiscal, seja no recurso apresentou os elementos de comprovação de quais foram os créditos anteriormente provisionados e adicionados ao lucro real do ano anterior que teriam sido revertidos para justificar a sua exclusão no lucro real de 2001 no montante de R$ 7.896,751,95. Assim, à míngua de apresentação de elementos que respaldem a exclusão efetuada no Lalur, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a este ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento: a) integralmente, quanto à: a.1) glosa de variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF anocalendário: 2000); a.2) glosa de custos referente ao faturamento complementar de R$ 10.434.423,05. (Subitem 5.3.1.2 do RTF anocalendário: 2001); a.3) glosa de custos referente ao provisionamento da compra de energia no Mercado Atacadista, no valor de R$ 70.270.656,92. (Subitem 5.2 do RTF Ano Calendário de 2001); e b) parcialmente, quanto à glosa de diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (Subitem 5.3.1.1 do RTF AnoCalendário de 2001), para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 811 32 Os montantes de prejuízos fiscais e bases de cálculo restabelecidas em face do presente julgamento estão demonstradas nas tabelas abaixo: Redução Prejuízo Fiscal Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. Prejuízo Apurado/Glosado 31.635.515,65 97.169.506,63 128.805.022,28 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Total da Glosa de Prejuízo mantida 21.275.923,17 13.820.766,84 35.096.690,01 Saldo de Prejuízo Recomposto 10.359.592,48 83.348.739,79 93.708.332,27 Redução BC Negativa CSLL Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. BCN Apurada/Glosada 26.881.253,65 97.563.055,69 124.444.309,34 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 Das glosas de custos e despesas efetuadas no processo acima referido decorreram glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, nos anoscalendário 2005 e 2006, formalizadas em autos de infração por meio do processo administrativo fiscal nº 14751.002674/200826. Nesta mesma sessão de julgamento este colegiado, reconheceu os efeitos da decisão naquele processo, com o consequente aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo efetivamente recompostas naqueles períodos, conforme se extrai dos excertos dos voto naquele processo, verbis: [...] Fl. 811DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 812 33 Em face das glosas de custos e despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, a fiscalização apurou que o contribuinte, no anocalendário 2006, efetuou a compensação de prejuízos no montante de R$ 43.468.130,91, enquanto que o Sapli apontava um saldo disponível de R$ 14.156.552,04, efetuando, assim a glosa de compensações de prejuízos fiscais no montante de R$ 29.311,578,87. Do mesmo modo, com relação ao Saldo Negativo de CSLL, o contribuinte efetuou, no anocalendário 2005 a compensação de R$ 29.362.254,06, mas o Sapli apresentava saldo de apenas R$ 23.045.438,21, tendo a fiscalização efetuado a glosa no montante de 6.316.815,85. Ainda com relação à CSLL, a contribuinte efetuou a compensação de bases negativas, no anocalendário 2006, em sua DIPJ no montante de R$ 43.060,859,18, e segundo o Sapli não existia qualquer saldo a compensar naquele momento. Assim, a fiscalização efetuou a glosa integral da compensação de base negativa da CSLL no ano de 2006, no montante de R$ 43.060,859,18. Diante da recomposição parcial dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apurada em face do cancelamento parcial das glosas de despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, conforme decidido no Acórdão nº..., impõese reconhecer tal efeito no presente lançamento. Conforme demonstrado nas tabelas abaixo, com a recomposição do saldo de prejuízos, em face do parcial acolhimento do recurso no PA acima referido, e, considerando os saldos utilizados pela contribuinte no período de 2002 a 2006, as glosas de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas levadas a efeitos nestes autos não pode subsistir: Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 Compensação no ano 11.525.687,96 5.836.881,09 18.193.059,90 29.718.422,84 43.468.130,91 Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 Compensação no ano 11.400.200,15 7.142.108,64 17.981.290,76 29.362.254,06 43.060.859,18 Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Com efeito, observase que após o aproveitamento de parte do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas recompostos, nos anoscalendário 2005 e 2006, remanesce um saldo de prejuízos fiscais de R$ 64.936.753,40 e de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 44.330.657,24 em 31/12/2006. Desta feita, considerando que o valor das glosas efetuadas no anocalendário 2007 é inferior ao saldo disponível (recomposto) em 31/12/2006, mesmo após a compensação das glosas efetuadas por meio do PA nº 14751.002674/200826, o presente lançamento deve ser cancelado, conforme demonstrado nas tabelas abaixo: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 813 34 Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2007 Prej. Acum. Anos Ant. 64.396.753,40 Compensação no ano 39.853.024,78 Saldo ao Final do Ano 24.543.728,62 Prejuizo Restab. 2000/2001 Saldo Recomposto 24.543.728,62 Saldos Bases Negativas 31/12/2007 BCN Acum. Anos Ant. 44.330.657,24 Compensação no ano 39.780.216,95 Saldo ao Final do Ano 4.550.440,29 BCN Restab. 2000/2001 Saldo BCN Recomposto 4.550.440,29 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 813DF CARF MF
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