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Numero do processo: 10855.910448/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.727
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos, como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer e demonstrativo dos valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto.
Após, retornem-se os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Após, retornemse os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente ocasionalmente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 10 44 8/ 20 09 -8 2 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 201 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 30/06/2009, o PER/DCOMP n° 05228.91046.300609.1.3.041532, através da qual compensou crédito de COFINS no valor de R$ 161.084,96, proveniente do DARF no mesmo valor (PA de 29/02/2008), com a COFINS (código 3746) no valor principal de R$ 125,16, referente a 1ª quinzena de abril de 2008, considerando o credito indicado acima, em virtude do alegado recolhimento indevido. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720520 (fl. 4), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 7/8. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 36/39, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720520, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 05228.91046.300609.1.3.041532. O Per/Dcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s)nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 88.284,14, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 202 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a DCTF retificadora apresentada em 11/11/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 44). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 46/60), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e da COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no que se refere ao presente PAF, a Recorrente, na competência de fevereiro de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 161.084,96. Tal valor foi recolhido por meio de DARF, cuja arrecadação se deu em 20.03.2008. Esse mesmo valor foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentado neste processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de fevereiro de 2008, ocorreu um pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 161.084,96, gerando desta forma um crédito a ser utilizado. Por esta razão, transmitiu o PER/DCOMP em questão, o qual utilizou somente parte do crédito acima, no valor de R$ 167,51, apurado na primeira quinzena do mês de abril de 2009, conforme demonstrativos dos valores e dos PAF´s respectivos, representado no corpo do recurso voluntário (fl. 51); Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 203 4 f) desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008. Assim, em 10/11/2009, e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; g) que, apesar da Recorrente ter apresentado o DACON e a DCTF retificadores do mês de fevereiro de 2008 posteriormente à prolação do Despacho Decisório, é evidente a existência de seu direito creditório, o qual restou devidamente comprovado quando da apresentação dos referidos DACON e DCTF retificadores e que os julgadores administrativos originários sequer analisaram a documentação apresentada, a qual comprovava de forma idônea a veracidade dos créditos alegados; h) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF e do DACON retificadores, mesmo que apresentado fora do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; i) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP referenciado. Solicita ainda que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 05 (cinco) PAF,s que relaciona, por possuírem PER/DECOMPs vinculados ao mesmo crédito apurado no mês de fevereiro de 2008. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DCOMP colacionada aos autos. Observase ainda que, que na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora e também cópia do DACON retificado, uma vez que os mesmos foram entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 204 5 Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Da mesma forma, a retificação da DCTF não produz efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 2010, art. 9º, § 2º, I, c). A DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório, em razão da não homologação da compensação ou do indeferimento da restituição, não tem nenhuma força de convencimento. Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PER/DECOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 205 6 Por outro lado a Recorrente, aduz em seu recurso que por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008 no momento oportuno. Assim, em 10/11/2009 e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório. Ademais, como justificativa, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso (fls. 86/91) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), que encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Alega que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 11/11/2009 (fl. 11), ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 19/10/2009 (fl. 6). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme art. 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento fiscal ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 206 7 Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a Recorrente recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue (grifouse). Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo, vários documentos citados, quais sejam: cópia da DCTF e DACON originais e retificadores, trabalho de auditoria realizado pela empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), cujo resultado encontrase no relatório sintético (fls. 86/91) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 207 8 Informa que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Alega que tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Ou seja, a recorrente apresentou uma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente alega que acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarada na DCTF originária. Por consequência, aduz que restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que foi decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável e cópias de documentos), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário na origem, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 86 a 178 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer, demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls. 86/91), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário à fl. 49, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.910448/200982 Resolução nº 3402000.727 S3C4T2 Fl. 208 9 v) bens do ativo imobilizado. Após a conclusão da diligência, deve ser intimada a Recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestar sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Em seguida, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara da 3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.001231/2001-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - conforme Súmula CARF nº 37, Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Arrendamento Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 31 /2 00 1- 87 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O presente processo referese a pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, que foi indeferido pela autoridade local conforme despacho decisório de fls. 115 a 118. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 121 a 141. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao ano calendário de 1997, IRPJ/1998, formulado em 22/06/2001, pela empresa acima identificada (fls. 1/2). O pedido de revisão foi assim motivado: “Ordem de emissão com divergência de valor: FINAM”. (fls. 1) Conforme dados constantes da ficha 10 – Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/1998, a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a R$ 435.663,89 (valor declarado – fls. 26 e 69), para aplicação no FINAM. Em despacho decisório de 21/02/2006 (fls. 115/118), foi indeferido o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/1998, nos seguintes termos: “9 A aludida consulta indica que o interessado está: com a CND expedida pelo INSS vencida desde 03/11/2005 (fl. 113); inscrito no CADIN (fl. 114); com a CND expedida pela SRF vencida desde 09/09/2005 (fl.74) e no momento, sua situação junto a este órgão é irregular (fls. 75; 77/78;91/92); em situação irregular junto à PGFN (fls. 78/84;89;94/95;97;100;103;106;108/109); impedindoo de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita: (...) Diante do exposto, ... DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/98, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95; pelo inciso II, Fl. 539DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 532 3 art. 6º da Lei nº 10.522/2002; e pela alínea a, inc.I, art. 47 da Lei nº 8.212/91”. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 19/04/2006 (fls. 121/141), alegando em síntese o seguinte: a) Para fins de cumprimento da ampla defesa e do contraditório, era dever do órgão julgador ouvir a Manifestante antes de indeferir seu pedido, o que não ocorreu no presente caso. b) A Manifestante à época da manifestação de sua opção pelo investimento de parcela do IR em fundos regionais possuía ampla e total regularidade fiscal. Tanto isso é verdade, que tal fato foi expressamente reconhecido no r. despacho recorrido ao se afirmar que o contribuinte teria deixado de possuir tal condição de regularidade anos depois da opção. c) O que pretende na verdade a autoridade administrativa é exigir no presente situação de regularidade fiscal que somente seria exigível quando da realização da opção. d) Exigirse a condição de regularidade da Recorrente anos depois da realização de sua opção, significa aplicar lei atual à situação pretérita, em verdadeira afronta ao princípio da irretroatividade da lei tributária. e) A decisão recorrida limitouse a tomar como fundamento para a solução adotada a existência de débitos fiscais cadastrados em nome da Manifestante, sem fazer qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a sua real existência. f) Em vista dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, preliminarmente denotase que o despacho decisório padece de nulidade insanável. g) Ao constatar as supostas irregularidades fiscais, a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte a comprovar a quitação dos tributos supostamente inadimplentes, sendo vedado o indeferimento liminar, ainda mais quando se trata de processo iniciado há mais de 5 anos. h) Não se pode admitir que seja proferido despacho de cunho decisório genérico, sem descrever os fatos adequadamente, e mais, sem permitir a manifestação da Recorrente quanto ao seu conteúdo. É o que ocorre com o indeferimento da ordem de emissão de incentivos fiscais que deu origem ao presente processo administrativo, o qual não permitiu a correta identificação da suposta inadimplência fiscal que foi imputada à contribuinte. i) Não é razoável, nem muito menos se pode identificar com a finalidade da norma, pretender que o contribuinte possua CND quando da apreciação do PERC, sem, no entanto, exigirlhe a sua comprovação. j) Uma simples consulta aos sistemas informativos da Receita Federal facilmente comprovam que o registro do suposto débito no CADIN Fl. 540DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 deveria estar sustado haja vista que se encontra com sua exigibilidade suspensa na forma da lei. k) A autoridade administrativa além de estar denegando o benefício exclusivamente com base em dados ocorridos muitos anos após a manifestação da opção, isto é, em total desacordo com a segurança jurídica, pretende exigir comportamento da Recorrente que não está previsto nas normas específicas que regem a matéria. l) Requer a emissão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 226 a 237) negou provimento à defesa pelos motivos expostos no voto do relator, cujos principais trechos abaixo transcrevo. Em relação à alegação de cerceamento ao direito de defesa a autoridade julgadora de primeiro grau assim se manifestou: Consoante o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, “são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Por conseguinte, a matéria controvertida neste item deve ser circunscrita à existência ou não do cerceamento ao direito de defesa da Manifestante, visto que, o despacho decisório foi lavrado por autoridade competente. Isto posto, ressaltamos que o principal argumento da Impugnante relativo a eventual cerceamento do seu direito de defesa é falta de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade de sua situação fiscal. Primeiramente, cumpre observar que a autoridade administrativa, por meio dos documentos de fls. 73 a 114 comprovou a irregularidade da situação fiscal da contribuinte. Por sua vez, a manifestação de inconformidade é uma oportunidade para o contribuinte demonstrar e comprovar eventuais equívocos e falhas ocorridas no despacho decisório, estando plenamente garantido o exercício de seu direito de defesa. Notese que no presente caso a contribuinte não contestou nenhuma das pendências apontadas pela autoridade administrativa. No tocante à possibilidade de regularização do débito antes do indeferimento do benefício, deve ser novamente repisada a conclusão tecida no tópico anterior: não há previsão legal expressa que possibilite à autoridade administrativa a concessão de prazo para regularização, na hipótese de existência de irregularidade fiscal. Por outro lado, o despacho decisório encontrase devidamente motivado, estando nele relatados todos os elementos relevantes em que se baseou a decisão. Foram anexados todos os elementos de prova que a autoridade tomou por base para negar a solicitação, o que permite ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa. Quanto ao mais: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 533 5 Como já demonstrado anteriormente, a autoridade administrativa está obrigada a verificar a regularidade fiscal dos contribuintes no momento em que for conceder ou reconhecer um benefício fiscal, em face dos dispositivos legais retro citados. Mais uma vez, repisamos a idéia de que o dinamismo da situação fiscal do contribuinte é inerente às atividades de administração tributária (fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal), estando longe de configurar uma ofensa à segurança jurídica dos contribuintes. II.3. Da exigência de CND A exigência de CND no momento da concessão de benefícios fiscais decorre de expressa disposição legal. Tal documento só é dispensado na hipótese prevista no art. 18 da NE SRF/COSAR nº 6, de 30/04/1998, que assim dispõe: “Art. 18. Nas hipóteses de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, descabe a emissão de certidão, devendo a unidade da SRF encarregada da análise do pedido, após consulta aos sistemas eletrônicos de cadastro e de emissão de certidões, exarar despacho no processo, atestando a regularidade fiscal do contribuinte. Parágrafo único. O despacho a que se refere o caput não alcança os débitos inscritos em dívida ativa da União, cuja quitação só será comprovada mediante certidão negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou consulta ao Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Federais – CADIN, onde não constem inscrições pela PGFN.” A autoridade administrativa seguiu rigorosamente toda a legislação pertinente à matéria, sendo que a contribuinte não anexou um documento sequer capaz de comprovar a sua regularidade fiscal. III. Conclusão Em face do disposto no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que determina que a prova documental seja apresentada com a impugnação, não há como deferir a solicitação da Manifestante, sob pena de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, do inciso II, do art. 6º da Lei nº 10.522/2002 e da alínea “a”, inc. I, art. 47 da Lei nº 8.212/1991, não estando comprovada pela documentação constante nos presentes autos a regularidade fiscal da empresa na data do despacho decisório. Por todo o exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 241 a 261, no qual, em síntese, aduz os argumentos que se seguem. Afirma que, na época da opção, possuía regularidade fiscal, o que é reconhecido pelo próprio despacho decisório que indeferiu o pleito. A autoridade, ao indeferir o pleito tomando por base sua regularidade na data do despacho, aplicou lei atual à situação pretérita, o que afronta a irretroatividade da Lei Tributária. Requer a nulidade da decisão de primeiro grau por cerceamento ao direito de defesa, uma vez que negou provimento à manifestação de inconformidade em razão da existência de débitos “sem fazer qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a sua real existência”. Ainda que se admita que a autoridade possa aferir a regularidade do interessado na data da análise, tal prova é realizada por meio de certidão negativa e não é razoável exigir que esteja continuamente com certidões válidas. Assim, não poderia a autoridade ter indeferido o pleito com o fundamento de a recorrente não possuir certidões válidas, sem promover intimação para que o interessado providencie o documento. Rejeita o fundamento pelo indeferimento, segundo o qual estaria inscrito no CADIN. Afirma que “uma simples consulta aos sistemas informativos da Receita Federal facilmente comprovam que o registro do suposto débito no CADIN deveria estar sustado haja vista que se encontra com sua exigibilidade suspensa”. No mais, alega, em síntese, violação aos princípios da segurança jurídica e da legalidade. Da diligência Por meio da Resolução 1201000.013 (fls. 358364), na qual fui relator, a Primeira Turma da Segunda Câmara resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Segundo o entendimento deste Colegiado, a comprovação da regularidade fiscal em qualquer dos momentos processuais (desde a entrega da declaração até o julgamento final administrativo) possibilita o deferimento do pleito. Nada obstante, não há elementos probatórios da sua regularidade fiscal em nenhuma das etapas processuais. A razão da não emissão automática foi a existência de débitos de tributos e contribuições federais (fl. 04). Se por um lado há certidão positiva com efeitos de negativa (fl. 61) emitida pela Secretaria da Receita Federal, por outro esse não é o único documento que deveria ter sido apresentado. O outro é a certidão da dívida ativa e cumpre destacar que a própria autoridade levantou diversos débitos inscritos em dívida ativa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001231/200187 Acórdão n.º 1401001.480 S1C4T1 Fl. 534 7 Assim, não há, com os elementos carreados aos autos, como autorizar a concessão dos incentivos. Nada obstante, diante do princípio da verdade material que dá amplos poderes à autoridade julgadora de buscar as provas que considerar necessárias para formar sua convicção, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para regressar à autoridade preparadora com o fito de franquear ao recorrente a oportunidade de comprovar a sua regularidade fiscal em qualquer data desde a apresentação da declaração relativa aos incentivos fiscais pleiteados. Para tal, o recorrente deve apresentar duas declarações negativas (ou com efeitos de negativas): uma da dívida ativa, outra de tributos e contribuições sob administração da Receita Federal; e ambas devem ser contemporâneas entre si. Em atenção ao solicitado, a autoridade fiscal promoveu intimou o interessado (fl. 492) para a presentar a documentação. Em resposta, o recorrente apresentou declaração conjunta positiva com efeitos de negativa (fls. 516) datada de 30/11/2009. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A diligência se esteou na posição de que a regularidade fiscal deve ser aferida na data da entrega da declaração. Nada obstante, apesar de, em diversos dispositivos legais e constitucionais, haver prescrições que exigem a regularidade fiscal para a obtenção do benefício, não encontramos na legislação pátria o momento de tal comprovação. Tornase evidente que tal instante não pode ficar ao talante da Administração Tributária, pois se poderia levar a conduta administrativa ao arbítrio, além de ferir de morte o primado da Segurança Jurídica. O interessado que fez a opção e permaneceu por anos como devedor do Fisco, mas num curto período de tempo esteve com sua situação fiscal regularizada, poderia ter seu pedido deferido. Já aquele que sempre cumpriu rigorosamente suas obrigações desde o pleito, mas num pequeno lapso temporal esteve irregular, poderia ter seu pedido indeferido. Em razão dessas possibilidades de absoluta e flagrante mácula ao Princípio da Isonomia, parte dos órgãos colegiados deste Conselho fixou o entendimento de que a data em que se deve aferir a regularidade fiscal deve ser única e certa, nesse caso, a da entrega da declaração. Tal data, portanto, é fixada pela jurisprudência e não por ato normativo contemporâneo à opção. Desse modo, não se poderia impor ao pleiteante a apresentação de documentos para a comprovação de regularidade, pois não há no ordenamento qualquer dever Fl. 544DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 de manter de forma perene e contínua documentos de comprovação de regularidade fiscal. O ônus deveria ser, pois, da Fazenda, ou seja, caberia à Administração Tributária comprovar que o pleiteante não estava regular na data da entrega da declaração. Apesar da aparente razoabilidade da solução, consideroa equivocada. Em primeiro lugar, também não há na legislação previsão que imponha à Fazenda Pública o dever de manter tal controle. Assim, sem esse controle, como podemos verificar no resultado da diligência, o benefício seria concedido a todos, mesmo a devedores eternos. Em segundo lugar e, principalmente, caso a Fazenda Pública mantivesse tal controle, como poderia o particular fazer prova em contrário se não sabia previamente dessa estipulação? Desse modo, para dar efetividade à exigência sem violação de preceitos fundamentais do nosso sistema jurídico, entendo que a única solução plausível é impor tal dever ao interessado, mas sem fixar qualquer data, ou melhor, conceder o benefício caso ele comprove sua regularidade em qualquer momento no curso do procedimento administrativo. Nesse caso, equilibrase a relação entre o Fisco e o particular. Se, por um lado, a Administração Tributária não tem prazo para deferir o pedido – pode ser em um dia ou em uma década – por outro, se franqueia ao particular a oportunidade de comprovar sua regularidade fiscal em qualquer data deste mesmo período. Entendimento ainda mais favorável ao sujeito passivo foi fixado pela Súmula CARF nº 37 de cumprimento obrigatório por este Colegiado, in verbis: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Destarte, em face do resultado da diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10730.003290/2005-75
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - NÃO CABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF vista do disposto na legislação de regência (Inteligência da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 c/c Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005).
Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.288
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ CC03/CO3 Rs. 31 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - NÃO CABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF vista do disposto na legislação de regência (Inteligência da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 c/c Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005). Devida a multa ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE DA T PR 0 - Presidente )1,2TON BART 9U - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10730.00329012005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CCONC03 Fls. 32 Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 06), referente à multa por entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF fora do prazo, referente ao ano - calendário de 2004, fundamentadas no art. 113, § 3' e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 4° e 2° da IN SRF 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art, 5° do DL n° 2124/84 e art. 7° da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426/02. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 01/05, na qual alega, em suma, que: apresentou a DCTF referente ao 3" trimestre de 2004 no dia seguinte ao prazo estipulado, por motivo de grande congestionamento da internet junta a Secretaria da Receita Federal; contudo, cumpriu espontaneamente com sua obrigagiio, não sendo cobrada pela Receita Federal, nem por qualquer procedimento administrativo, assim, conforme art. 138 do CTN não pode ser punida pelo atraso; conforme art. 7 0 da Lei 10426/2002, amparada pelo C1N em seu art. 172, o contribuinte que deixar de entregar declaração no prazo fixado, será intimado para que apresente e, se não apresentar, após intimação, sujeitar-se-á as multas previstas; a ,fundamenta cão legal disposta no referido auto, não condiz com a falta e penalidade, conforme art. 88 da Lei 8981/95, pois a Lei 9531/97, apenas regulamenta a Lei 8981/95, que não pode ser aplicada ao caso; da mesma forma trata a IN SRF n°166/99, ou seja, apenas para casos de retificadora, o que não se aplica a este caso. Requer, ante o exposto, o cancelamento do Auto de Infração. Instruem os autos os documentos às fls. 06/10. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ), esta indeferiu a solicitação As fls. 16/22, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário. 2004 DCTF.DENCINCIA ESPONTÂNEA.PENALIDADE As obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. DCTF.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. REMISSÃO. Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 33 Inexiste lei prevendo remissiio de multas aplicadas em decorrência de atraso na entrega de declarações. Lançamento Procedente" Ciente da decisão proferida (AR de fl. 25), o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 26/29), no qual reitera os argumentos apresentados na impugnação. No mais cita doutrina, para corroborar seus argumentos. Ante o alegado, requer reforma da decisão, cancelando o Auto de Infração. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em único volume, constando numeração até as fls. 30, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. Processo n° 10730.003290/2005-75 Adv.& n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 34 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa no 73, de 19.12.1996. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n°2.124, de 13.06.84. 0 Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação As matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere A delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos A lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente A lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando A regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 35 a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato non -nativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para norrnatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação As condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, corn o fim de informar it Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de miter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 7 0 do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto à forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à Lei. Somente a Lei pode criar um vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fuleral desse vinculo. E tal poder é indelegivel, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Rs. 36 "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto 6, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7° 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Din), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar -se-á its seguintes multas: — de dois por cento ao Ines calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na 6 Processo no 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 37 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DiIf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei n° 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, conseqüentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-4 ás seguintes multas: I — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°; (.) §3° A multa minima a ser aplicada será de: I — R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500, 00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que fora estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Processo n° 10730.003290/2005-75 Acórdão n.° 303-35.288 CC03/CO3 Fls. 38 Quanto a alegação do contribuinte de que não realizou a entrega da DCTF em razão de congestionamento no trafego de dados não há nenhuma prova, evidência, nem Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal que declare que houve o alegado congestionamento, sendo que em caso semelhante houve o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005, que reconheceu o problema no envio da DCTF via internet no período de 15/02/2005 a 18/02/2005, de forma que os contribuintes não fossem penalizados. Quanto ao aspecto da denúncia espontânea, adoto entendimento que é pacifico no Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não é cabível tal beneficio quando se trata de DCTF, conforme se depreende dos julgamentos dos seguintes recursos, entre outros: RESP 357.001-RS, julgado em 07/02/2002; AGRESP 258.141-PR, DJ de 16/10/2000 e RESP 246.963-PR, DJ de 05/06/2000. Descabe a alegação de denúncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico-tributária é precisamente a multa. Destaco decisão proferida pela Egrégia 1 Turma do STJ, através do Recurso Especial 11'195161/GO (98/0084905-0), relator Ministro José Delgado (DJ de 26.04.99): "TRIBUTÁRIO. DE N ÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA ART. 88 DA LEI 8.981/95. A entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (grifo nosso). As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art.138, do CTN. Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei 8.981/95, por não entrar em conflito coin o art.138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. Recurso provido" Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, tendo em vista que a DCTF do presente caso, refere-se ao ano-calendário 2004, isto e, após o surgimento da disciplina válida ou vigente para o cumprimento do dever acessório de sua entrega. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 TON L BARTO - Relator
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Numero do processo: 10920.008019/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO.
Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Federal, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 2401-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, votando pelo provimento do recurso de ofício. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Werner. OAB; 13025.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO. Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Federal, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização. Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 80 19 /2 00 7- 51 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 713 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, votando pelo provimento do recurso de ofício. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Werner. OAB; 13025. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 714 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0717.098, cujo dispositivo reconheceu a decadência no período de 08/2001 a 12/2002 e, quanto ao restante do crédito tributário, considerou nulo o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 694/701): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2006 NFLD DEBCAD n°. 37.126.1597, de 20/12/2007. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Para qualificar trabalhadores como segurados empregados de uma empresa, deve a fiscalização demonstrar estarem presentes os pressupostos necessários à caracterização da relação de emprego ou de que tenha havido simulação na sua contratação por interposta pessoa jurídica. Lançamento Nulo 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.126.1597, relativa ao período de 08/2001 a 10/2006, abrangendo as contribuições previdenciárias patronais a que se referem os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições devidas a terceiros FPAS 507/Código 0079 (fls. 58/62). 2.1 Os fatos geradores e as bases de cálculo foram apurados em folhas de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em nome de terceiro, pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), denominado doravante de "SM". 2.2 A despeito da vinculação formal dos segurados empregados e dos sócios com a empresa "SM", a fiscalização concluiu que a prestação dos serviços ocorria para a pessoa jurídica autuada, de forma que constituiu de ofício o crédito tributário em nome da Ferramentaria JN Ltda. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 715 4 2.3 Em síntese, o Fisco aponta os seguintes motivos de convencimento para a autuação: i) ambas as pessoas jurídicas foram constituídas com objetos sociais semelhantes e situavamse no mesmo endereço comercial; ii) a constituição da empresa "SM" deuse no mês seguinte à exclusão da autuada do Simples Federal; iii) o quadro societário da "SM" é composto pelas esposas dos sócios da autuada, sendo que um dos sócios desta última também fora sócio, ainda que não concomitantemente, da empresa "SM"; iv) houve transferência de empregados da "SM" para a autuada, em 06/2006, sem alteração nas suas rotinas de trabalho; v) inexistência de registros na contabilidade da "SM" de aquisição de insumos e matériasprimas, máquinas e equipamentos e de despesas com veículos, energia elétrica, água, aluguel, telefone, dentre outras; vi) o valor das despesas com pessoal da "SM" era muito próximo ao seu faturamento, chegando, nos anos de 2005 e 2006, a superálo, em enorme contraste com a situação da pessoa jurídica autuada; e vii) o endereço da sede da empresa "SM", quando da ação fiscal, era na residência de lazer pertencente a sócio da autuada. 3. Intimada da autuação por via postal em 3/1/2008, às fls. 3, 690 e 692, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal, em preliminar e mérito, contrapondo um por um os argumentos trazidos pela autoridade lançadora. Além disso, reclamou pela decadência parcial quanto aos lançamentos anteriores ao ano de 2003 (fls. 114/176). 4. Ao apreciar o litígio, o colegiado de primeira instância, por intermédio do Acórdão nº 0717.098, julgou improcedente o crédito tributário até a competência 12/2002, inclusive, porquanto alcançado pela decadência e, quanto ao restante, considerou nula a autuação, com a ressalva da possibilidade de procederse ao lançamento substitutivo, porventura identificada situação fática a darlhe suporte. 4.1 Segundo o votocondutor do acórdão recorrido, a autoridade fiscal não comprovou estarem presentes os pressupostos que caracterizam o vínculo empregatício diretamente com a autuada ou, alternativamente, demonstrou haver simulação na criação de terceira pessoa jurídica, optante pelo Simples Federal, com a finalidade ilícita de expressar uma realidade inexistente para encobrir o verdadeiro tomador dos serviços dos segurados, responsável pela efetiva gestão do empreendimento empresarial. Assim, concluiu pela nulidade da autuação, por ausência de prova da ocorrência do fato gerador. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 716 5 5. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 6. Cientificada do Acórdão nº 0717.098, não consta manifestação por parte da autuada (fls. 704). É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 717 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 8. Entendo, desse modo, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Decadência 9. Dos autos, verifico que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), juntados às fls. 57, registra o exame de comprovantes de recolhimento, ao passo que o voto do relator, em primeira instância, declara que "em consulta ao contacorrente do estabelecimento no sistema de arrecadação da Previdência Social, houve recolhimentos nas competências abrangidas pelo lançamento." (fls. 698) 10. Por sua vez, a ciência do lançamento fiscal, assim como a apresentação de defesa, ocorreram no mês de jan/2008, anteriormente, portanto, ao decidido no Recurso Extraordinário (RE) nº 550.8829/RS, entre outros, e da edição da Súmula Vinculante nº 8, em que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. 10.1 O entendimento jurisprudencial remeteu o intérprete às normas jurídicas de decadência contidas na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 11. Apenas com a publicação do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em ago/2008, foram uniformizadas as orientações administrativas quanto à disciplina para a contagem do prazo decadencial e aplicação das regras do § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, ambos do CTN. 12. Nesse passo, no tocante às contribuições exigidas na notificação fiscal, e tendo em vista a ausência de comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, acredito suficientemente caracterizado o pagamento antecipado parcial para fins de aplicação da regra de decadência de cinco anos prevista no § 4º no art. 150 do CTN. 13. Dessa feita, como consignado na decisão de piso, aperfeiçoado o lançamento em 3/1/2008, estão fulminadas pela decadência as competências 08/2001 a 12/2002, devendo ser mantida a decisão "a quo". Fl. 717DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 718 7 Mérito 14. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. 15. De tal sorte que no procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 16. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à fiscalização demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 17. Em visto disso, ao verificar o desvirtuamento dos elementos constitutivos da obrigação tributária, no critério pessoal ou quantitativo, a fiscalização pode desconsiderar o vínculo pactuado e lançar o crédito tributário correspondente à relação jurídica efetivamente existente. 18. Pois bem. Se de um lado, como bem afirma o votocondutor do acórdão recorrido, a fiscalização não chegou a detalhar a presença dos requisitos inerentes à relação de trabalho necessários à caracterização do vínculo tributário diretamente com a pessoa jurídica notificada, tais como pessoalidade e subordinação, de outro, entendo que a autoridade lançadora procurou demonstrar a existência de interposição da empresa "SM", com vistas a concentrar a mão de obra do processo produtivo das empresas e viabilizar à autuada, não optante pelo Simples Federal, deixar de recolher as contribuições patronais. 19. Em consequência, com suporte no conjuntoprobatório carreado aos autos, pretendeu o Fisco vincular diretamente os segurados da "SM" à empresa fiscalizada, atestando a sua condição de verdadeiro tomador dos serviços prestados pelos trabalhadores e, portanto, responsável pelos recolhimentos das contribuições previdenciárias. 20. Segundo depreendese da acusação fiscal, a realidade dos fatos, em que pese o aspecto formal dos vínculos, relevaria o efetivo labor no período para a pessoa jurídica notificada, o que dispensaria a comprovação do atendimento dos requisitos do vínculo de emprego para cada um dos trabalhadores envolvidos. 21. Com esse olhar sobre os autos, minha impressão é a ausência de vícios no lançamento, em contraposição ao consignado na decisão de piso. 21.1 Ainda que possa ser insuficiente as provas para prevalecer a acusação fiscal, o ato administrativo de lançamento foi motivado. Por isso, longe de conduzir à nulidade material, passível de novo lançamento em tese, mediante edição de ato com conteúdo alterado, a insuficiência das provas colhidas pela fiscalização, como ora se apresenta, levaria à improcedência do feito. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 719 8 21.2 Reconheço que é questão controvertida, todavia o vício material para mim demanda a falta da prova no lançamento, consistente na violação frontal quanto a um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta (motivação), uma deficiência prévia ao exame do mérito, enfrentada preliminarmente e cognoscível de ofício pelo julgador. A insuficiência na construção probatória apreciada pelo julgador em conjunto com as razões de fato e direito oferecidas pela outra parte é matéria de mérito. 22. Nada obstante, a despeito da inexistência de vícios, há que se aderir à decisão recorrida quando conclui pela impossibilidade de manter o crédito tributário exigido no processo administrativo. 22.1 De fato, ao adentrar no mérito da autuação fiscal, tenho que concordar que o conjunto probatório juntado pelo Fisco é insuficiente para vincular os segurados da "SM" diretamente à autuada. 23. Conquanto mereceriam investigação e aprofundamento sob a ótica da verdade material, os indícios apontados pela fiscalização, mesmo que analisados conjuntamente, não permitem estabelecer uma conexão em grau bastante para aferir concretamente o vínculo laboral dos segurados com a empresa autuada. Por tal razão, têm a sua força axiológica como prova reduzida quando confrontados com as razões de defesa da impugnante. 24. A impugnante colaciona aos autos indícios da autonomia das empresas, inclusive apresentando cópias de alvarás de funcionamento (fls. 570/608). Enquanto sua atividade principal era direcionada à fabricação de moldes, a "SM" atuava na prestação de serviços de usinagem, por encomenda de terceiros. Apoiada em notas fiscais, a impugnante sustenta ainda que tomava serviços de usinagem de outras empresas que não a "SM" (fls. 520/568), assim como a "SM" usinava peças igualmente para distintas empresas (fls. 295/519). 25. Alega também o sujeito passivo que a empresa "SM", no período de 2005 a 2006, enfrentou dificuldades financeiras e socorreuse de empréstimos, o que culminou com a alienação do fundo de comércio no ano de 2006 (fls. 610/.623) Ainda que concedidos os empréstimos pela própria autuada, mediante contrato particular, é necessário infirmálos no que toca à existência e/ou finalidade. 26. É que a presunção de legitimidade dos atos administrativos não exime a apropriada construção probatória por parte do agente fiscal. Por isso, a falta de registros contábeis de aquisição de insumos e matériasprimas, máquinas e equipamentos, além de despesas com veículos, energia elétrica, água, aluguel e telefone na empresa "SM" não implica, como supõe a fiscalização, inferir uma correlação lógica com o pagamento dessas despesas e custos por parte da autuada. 26.1 Exigemse pelos menos indícios concretos de confusão financeira, patrimonial ou administrativa entre as empresas envolvidas, que afastem a dúvida de meras irregularidades formais nos registros contábeis da empresa "SM". 26.2 Só exposto desse maneira pela autoridade lançadora, sem informações adicionais e/ou documentos conclusivos, tornamse frágeis os elos de conexão com a notificada, na condição de efetivo tomador dos serviços dos segurados. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 720 9 27. De mais a mais, atento à linguagem de provas utilizada pela autoridade lançadora, nem mesmo a estreita ligação entre os sócios das pessoas jurídicas, a localização física dos estabelecimentos industriais e a relação entre faturamento e mão de obra são indícios fortes, convergentes e, principalmente, suficientes para conduzir à sujeição passiva da fiscalizada. 28. O mesmo se diga ao endereço da empresa "SM" e da transferência de empregados para a autuada em período posterior à fiscalização, os quais exigiriam um melhor detalhamento da ligação com a sujeição passiva imposta pela fiscalização, a exemplo da juntada de depoimentos dos trabalhadores sobre as condições e o gerenciamento das atividades laborais no período fiscalizado, porquanto as aludidas circunstâncias apontadas pela fiscalização não dizem respeito à época dos fatos geradores. 29. Em suma, em que pese relevantes os elementos trazidos pela fiscalização, estou convencido pautado no conjunto fáticoprobatório articulado pelas partes de que não restou caracterizada a sujeição passiva em nome da fiscalizada, com relação à prestação de serviços pelos segurados vinculados à empresa "SM", descabendo ao julgador suprir eventual deficiência probatória. 29.1 A toda a evidência, tratase de procedimento excepcional de constituição do crédito tributário e caberia à fiscalização o aprofundamento na fase inquisitória da investigação, para colher elementos de prova adicionais e demonstrar univocamente a prestação dos serviços diretamente à empresa fiscalizada. 30. A despeito do entendimento pessoal pela improcedência da notificação, em exame de mérito, penso que não cabe agravar o resultado do julgamento imposto à Fazenda Nacional em recurso de ofício, em analogia ao enunciado da Súmula nº 45 do Superior Tribunal de Justiça. 1 31. É bem verdade que a intimação do Acórdão nº 0717.098, às fls. 704, não ofereceu à fiscalizada explicitamente a possibilidade de prazo recursal para contestálo, tendo em vista o colegiado de primeira instância não julgar improcedente à autuação, conforme requerido na impugnação. 32. Entretanto, dado o transcurso do prazo decadencial para lançamento dos fatos geradores anteriores a 2007, a manutenção da decisão recorrida, nos termos em que foi proferida, possui os mesmos efeitos práticos e não fere direito das partes. 33. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância, quanto à decadência e vício material, devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. 1 Súmula 45: No reexame necessário, é defeso, ao tribunal, agravar a condenção imposta a Fazenda Pública. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10920.008019/200751 Acórdão n.º 2401003.976 S2C4T1 Fl. 721 10 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 721DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000457/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO.
Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea b, do inciso I, do art. 169 do Decreto- Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea b, do inciso I, do art. 169 do Decreto- Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licenciamento de Importação, estabelecida na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966, quando houver a necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 04 57 /2 01 0- 15 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 224 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE: Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativo à aplicação da multa por importação de mercadoria sem Licença de Importação ou documento equivalente (R$ 9.531,14), às fls. 182186, em desfavor de FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE, doravante tratada apenas como FURG, em decorrência de procedimento de retificação de ofício da declaração de admissão temporária para declaração de importação de consumo, estabelecida no inciso I, do §1º, do art. 19 da IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003. A FURG promoveu, em 21/03/2000, o registro da declaração nº 00/02444032 (fls. 14/15), a fim de admitir temporariamente duas máquinas provenientes do Uruguai e que fariam parte de projeto de pesquisa em andamento naquela universidade para reabilitação da atividade pesqueira da região, cujo termo final autorizado foi de um ano, prorrogável por igual período (fls. 20/21), limitado ao prazo máximo regulamentar de cinco anos. A FURG fez pedidos sucessivos de prorrogação do prazo da admissão temporária (fls. 22, 25, 30 e 42), até que em 21 de março de 2005 findou o último prazo disponível para extinção do regime, conforme disposto no § 1º, do art. 71, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em uma das modalidades previstas no art. 319, do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, o Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato, conforme cientificada a impugnante por meio de despacho fundamentado do chefe da fiscalização aduaneira (fls. 48). Em 04/04/2005, já vencido, portanto, o prazo regulamentar para a extinção do regime de admissão temporária, foi a FURG intimada a comprovar qual providência teria adotado para extinguir o regime (fls.49), para a qual apresentou resposta, em 15/04/2005 (fls. 51), informando que havia desejo de permanecer com as máquinas no país e que o proprietário estaria providenciando a documentação para realizar a doação das mercadorias e permitir a nacionalização dos bens. A fiscalização emitiu nova intimação, em 03 de junho de 2005 (fls. 52), a fim de determinar à FURG que adotasse, no prazo de 30 dias, uma das providências estabelecidas na legislação para extinção do regime de admissão temporária, com o pagamento da multa pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime, estabelecida no art. 72, inciso I, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sob pena de retificação de ofício da declaração de admissão. Apenas em 08 de julho de 2005 a FURG se manifestou por meio da Advocacia Geral da União (fls. 54/55), a fim de pedir “compreensão” da fiscalização para a tramitação burocrática que envolvia a questão da doação, pois as tratativas com a proprietária das máquinas estavam sendo realizadas e não havia nada que pudesse ser feito pela Universidade naquele momento, apresentando diversas mensagens eletrônicas trocadas a fim de comprovar suas alegações (fls. 58/65). A unidade aduaneira responsável pelo despacho manifestouse brevemente em 07/10/2005 (fls. 69), apenas para informar que a cobrança da multa seria cabível e Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 225 3 que ainda não havia iniciado o processo de execução do termo de responsabilidade. O processo só voltou a ser movimentado mais de três anos depois, quando em 22 de junho de 2009 foi distribuído para “adoção de providências cabíveis” (fls. 70). A autoridade aduaneira responsável pelo processo encaminhou à impugnante, em 30/06/2009, termo de solicitação de esclarecimentos (fls. 77), a fim de que fosse apresentada informação sobre a conclusão da aquisição das máquinas, determinando o recolhimento da multa da Lei 10.833/03, e providenciar a reexportação ou nacionalização dos bens no prazo de 30 dias, sob pena de retificação de ofício da declaração de admissão. A FURG respondeu, em 20/07/2009, à solicitação da Receita Federal, manifestando inconformidade com a cobrança da multa por descumprimento dos prazos e dizendo que já estaria de posse do termo de doação das mercadorias, mas que ainda não teria registrado a declaração de importação por não ter sido provocada pela fiscalização, uma vez que estaria, segundo suas palavras, “no aguardo de manifestação desta Delegacia da Receita Federal” (fls. 80/81). A fiscalização concluiu o trabalho em 15/12/2009 com a lavratura do auto de infração (fls. 88/99) para cobrança dos tributos e das multas administrativas que entendeu pertinentes ao caso. A FURG, por sua vez, solicitou à Advocacia Geral da União a marcação de reunião na Câmara de Conciliação daquele órgão, a fim de dirimir controvérsia existente entre o Ministério da Fazenda e aquela instituição de ensino, não sendo possível a conciliação pretendida por aquela via (fls. 102/108). Em 17/08/2010, foi aberto mandado de procedimento fiscal (fls. 109) para diligência de fiscalização que pretendia saber a localização dos bens admitidos temporariamente pela FURG e a finalidade da sua utilização, conforme termo de solicitação de esclarecimentos (fls. 11/111), no que foi respondido pela impugnante (fls. 114) que estariam na sede da empresa Furtado S/A Indústria e Comércio de Pescados e sendo utilizados para projetos de pesquisa daquela instituição de ensino. Uma vez mais a fiscalização questionou a FURG (fls. 115/116) acerca dos termos da cessão dos bens admitidos temporariamente à empresa Furtado S/A, mormente em relação ao fomento entre as duas pessoas jurídicas, a data de cessão dos bens, a destinação dos recursos obtidos a partir da utilização do maquinário em uma empresa particular e a apresentação de documentos que comprovassem a legalidade dos atos praticados pela FURG em relação a esta operação. Simultaneamente, foram intimadas a própria Furtado S/A (fls. 118/119) e a empresa Daniel de Miranda Furtado Gomes, nome fantasia M. G. Pescados, (fls. 122/123), a fim de que prestassem esclarecimentos acerca da cessão realizada pela FURG a estas empresas do maquinário admitido temporariamente e supostamente utilizado em projeto de pesquisa, além da contabilização da produção realizada com a utilização destes equipamentos. Em resposta (fls. 129/132), a FURG alegou, em síntese apertada, que as exigências da fiscalização violariam o princípio da autonomia universitária, dizendo ainda que os limites da pesquisa são de interesse da universidade e que não caberia à fiscalização da Receita Federal questionar sobre a utilização destes bens. Informa também que as máquinas estariam na sede de terceira empresa desde o seu recebimento, em função da falta de espaço adequado, que estaria providenciando as licenças e importação e que a fiscalização dos recursos disponíveis nas universidades compete exclusivamente ao Tribunal de Contas da União. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 226 4 As empresas Furtado S/A (fls. 141) e Daniel de Miranda Furtado Gomes (fls. 146) não apresentaram resposta às intimações enviadas, razão pela qual foram lavrados autos de infração de embaraço à fiscalização, conforme documentos acostados aos autos às fls. 142 a 145, em relação à Furtado S/A, e fls. 147 a 150, em relação à empresa Daniel de Miranda Furtado Gomes. Os extratos das licenças de importação (LI) nº 10/23212263 e nº 10/2321227 1, cujo registro se deu em 01/09/2010, solicitadas pela FURG para nacionalização das máquinas admitidas no regime aduaneiro de admissão temporária, foram apresentados com a situação “em exigência” (fls. 156/159), com data de 10/09/2010, constando ao final de cada licença o rol das exigências formuladas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), como a carta de doação e outros documentos que aquele órgão entendeu pertinentes para emitir a LI de material usado. Em 28/10/2010 a FURG apresentou petição (fls. 161) para cumprir as exigências da fiscalização e entregar as LI nº 10/29002805 e 10/29002813, conforme extratos de fls. 162 a 165. As LI entregues se referiam a LI substitutivas das apresentadas anteriormente e que se encontravam em exigência, com alteração do órgão anuente para o CNPq, o regime de tributação para isenção e a condição da mercadoria de usada para nova. Finalmente, em 08 de dezembro de 2010, a autoridade aduaneira encerrou a fiscalização em curso, conforme Relatório de Fiscalização, às fls. 178182, contendo as informações acerca do procedimento realizado e já parcialmente considerado neste relatório, além de outras informações, conforme síntese a seguir: Em 18/08/2010 foi realizada diligência no endereço constante do cadastro CNPJ da FURG para verificação das máquinas, que, no entanto, se encontravam em estabelecimento de uma indústria pesqueira. No dia 26/08/2010, em diligência no estabelecimento da MG Pescados Daniel de Miranda Furtado Gomes ME CNPJ n° 08.902.035/000128, cujo espaço físico é tido como locado da empresa Furtado S/A Comércio e Indústria CNPJ n° 94.848.272/000190, foram localizados os equipamentos. Que ambas as empresas privadas acima identificadas foram intimadas a esclarecer e comprovar documentalmente suas relações jurídicas com a FURG decorrentes dos bens em questão, sem que o fizessem satisfatoriamente. A despeito deste fato, a FURG assevera que a finalidade atual em que estas máquinas estão sendo utilizadas está relacionada com vários projetos de pesquisa em andamento, para processamento de alimentos à base de anchoita. Que a FURG deixou de atender à solicitação de apresentar o relatório final do projeto desenvolvido no curso da admissão temporária e deixou ainda de apresentar a declaração de importaçãonacionalização dos bens, tornandose necessário realizar a retificação de ofício da declaração de admissão. A exigência da nova LI para o despacho para consumo está prevista no § 10 do art. 15 da IN SRF n° 285/2003, não sendo permitido à fiscalização deixar de fazer tal exigência por se tratar de anuência de outro órgão. A fiscalização entende que a anuência do CNPq, constante das LI substitutivas de nº 10/29002805 e 10/29002813, torna aplicável a imunidade tributária dos bens e improcedente a execução dos créditos tributários constituídos em Termo de Responsabilidade, objeto do lançamento em auto de infração processo n° 11051.000649/200998, de 14/12/2009. Torna ainda inaplicável o lançamento da multa prevista no art. 370, §1°, inciso II, do RA, que incidiria sobre a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 227 5 totalidade dos impostos devidos, cabível pela não apresentação da declaração de importação. Entretanto, no campo Informações Complementares de cada uma das mencionadas LI a entidade alega que o motivo da LI substitutiva teria sido o pedido do DECEX para alterar a condição da mercadoria de usado para novo, mas não se apresentou qualquer motivação para esta alteração. Pelo contrário, a legislação do próprio Decex1 determina que a importação de bens usados fazse após a anuência daquele órgão, através da LI. A alegada declaração/alteração tampouco competiria ao DECEX, uma vez que este órgão não tem acesso direto à verificação física da mercadoria, sendo esta uma competência exclusiva da Receita Federal do Brasil, que é o órgão federal competente para distinguir entre bens novos ou usados, baseado em laudo pericial, se necessário. Considerar como novo um bem que foi admitido em regime de admissão temporária em março de 2000, pelo prazo de 05 (cinco) anos, para desenvolvimento de projeto de pesquisa, poderia em tese caracterizar que tal projeto de pesquisa não foi efetivamente realizado com aqueles bens. Argumenta a autoridade aduaneira que não se está meramente importando um bem sem LI, pois a alteração da condição do bem de usado para novo caracterizaria uma declaração falsa para eximirse da devida anuência. A inexistência de qualquer das anuências necessárias, em particular a anuência do DECEX, configuraria a importação de mercadoria sem LI e acarreta a multa prevista no art. 706 do Regulamento Aduaneiro, ressaltando que a aplicação da multa não exclui a apresentação da anuência do Decex, que continuaria necessária. DA IMPUGNAÇÃO A Fundação Universidade de Rio Grande, ora autuada, foi cientificada do lançamento em 13/12/2010 (fls. 187) e, irresignada com a penalidade que lhe foi infligida, apresentou Peça Impugnativa, às fls. 192/193, protocolada nos Correios em 12/01/2011 (fls. 190) e recebida em 18/01/2011, contendo, em síntese, as alegações a seguir: Que no documento citado está registrado que esta Universidade deixou de atender anterior solicitação não apresentando o Relatório Final do Projeto de pesquisa em desenvolvimento. Para tal solicitação houve manifestação desta Universidade, no ofício n° 850/10, de 06.09.10. " Portaria Decex n° 8, de 13 de maio de 1991. No tocante a alteração da condição da mercadoria de usada para nova, como mencionado anteriormente, foi decorrência de pedido ou recomendação da própria DECEX, como pode ser visto pelo conteúdo do email anexado aos autos. Que resta absolutamente certo que a FURG não prestou informação falsa para eximirse da devida anuência, como afirmado, mas que entendeu que os bens ingressaram no país como novos e em que pese passados vários anos e a atual situação de usados, para efeitos de LI deveriam ser considerados novos, haja vista que esta foi a realidade da época do ingresso em solo nacional. Sendo certo que a FURG não prestou informação falsa para eximirse da devida anuência, seguese que a multa que lhe foi aplicada resta sem amparo legal, de vez que a anuência da DECEX nesse caso é entendida pela própria DECEX como desnecessária. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 228 6 Não existe o crime de falsidade ideológica sem o dolo específico, como já decidido pelos nossos tribunais, em especial pelo Supremo Tribunal Federal, sendo inepta a denúncia que, fundada em meras conjecturas dissociadas da prova indiciária até então apurada, imputam ao paciente o crime definido no art. 304 do CP, independentemente de qualquer elemento de convicção quanto ao dolo, direto ou eventual, indispensável à tipificação penal do fato. Requer, pois, a impugnação da multa que lhe foi imposta e o fornecimento de cópias integrais das mencionadas representações para que possa diligenciar na defesa de seus interesses, além da juntada do Relatório Final do Projeto de Pesquisa vinculado às máquinas importadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE considerou válido o auto de infração com a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2010 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO DO REGIME. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Devida a multa por falta de Licença de Importação ou documento equivalente, estabelecida na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966, quando há necessidade de retificação de ofício da Declaração de Importação por inércia do importador em realizar a nacionalização dos bens objeto de Admissão Temporária, após o prazo final do regime. O contribuinte encaminhou um ofício para a Delegacia da Receita Federal de sua circunscrição onde tece algumas considerações sobre o acórdão da Delegacia da Receita de Julgamento em Fortaleza CE. Portanto, o ofício foi recebido como recurso voluntário ao CARF. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 229 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que os argumentos acerca da configuração ou não de crime referemse a matéria que não é objeto do presente processo, sendo impertinente ao julgamento administrativo. Portanto, não comporta apreciação. Dispõe a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dotada de efeito vinculante em relação à administração tributária federal, por força da Portaria MF nº 383/2010 (DOU 14/07/2010): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. No mérito, constatase que, neste processo tratamos apenas da multa aplicada em decorrência de importação em desamparo da Licença de Importação LI, capitulada na alínea “b”, do inciso I, do art. 169 do Decreto Lei nº 37/1966. Tal multa é decorrência de procedimento de retificação de ofício da declaração de admissão temporária para declaração de importação para consumo de bens usados, estabelecida no inciso I, do §1º, do art. 19 da IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003. Para entendermos a controvérsia, é preciso separarmos a multa em tela das demais infrações previstas pela não extinção do regime concedido. No recurso voluntário, o contribuinte alega que os bens adquiridos no exterior pela Universidade Federal do Rio Grande estão acobertados pela Lei 8.010/1990, que dispõe sobre as importações de bens destinados à pesquisa científica. Alega também que, caso a "Procuradoria Federal" tivesse sido questionada no momento da audiência para conciliação sobre a natureza dos produtos, não hesitaria em informar que os produtos seriam "novos". Enfim, a recorrente não questiona os motivos que ensejaram a multa prevista no auto de infração. Inicialmente, os bens adentraram o território nacional sob o regime de admissão temporária. A admissão temporária de mercadorias é um regime aduaneiro suspensivo, com previsão na legislação nacional, que se presta essencialmente à entrada de mercadorias no país com o compromisso de retorno ao proprietário quando do término do contrato efetivado entre as partes. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 230 8 Ao término do prazo de concessão deverá a pessoa que promoveu a admissão temporária adotar umas das providências existentes para a extinção do regime, conforme estabelecido na IN SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003, vigente à época do final do prazo estabelecido: Art. 15. O regime de admissão temporária se extingue com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlo; III destruição, às expensas do beneficiário; IV transferência para outro regime aduaneiro, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 121, de 11 de janeiro de 2002; ou V despacho para consumo. (...) § 9º O despacho para consumo, como modalidade de extinção do regime, farseá com observância das exigências legais e regulamentares que regem as importações, vigentes à data do registro da correspondente declaração de importação. § 10. No caso de despacho para consumo, temse por tempestiva a providência para extinção do regime, na data do pedido da licença de importação, desde que este seja formalizado dentro do prazo de vigência do regime, e a licença seja deferida. A extinção do regime deve ser providenciada dentro do prazo de permanência dos bens no país e o pedido de licença de importação (LI) é condição para que o pedido de extinção seja tido como tempestivo. No caso em tela, a recorrente ignorou os prazos existentes para a extinção do regime aduaneiro a que estava vinculada e não adotou qualquer medida que fosse capaz de revelar sua intenção de regularizar a situação dos bens em seu poder. Os equipamentos, que deveriam permanecer sob regime suspensivo pelo prazo máximo de cinco anos, findo em 21/03/2005, ficaram no Brasil sem que a recorrente tomasse qualquer atitude de maneira espontânea. Pelo contrário, toda e qualquer providência adotada partiu sempre da Secretaria da Receita Federal e a FURG agiu apenas quando provocada pela autoridade aduaneira. A situação descrita perdurou por quase cinco anos após o vencimento do prazo para extinção do regime, levando a fiscalização a promover a retificação de ofício da declaração de admissão e fazendo a nacionalização das mercadorias de ofício. Esta medida está prevista no art. 19 da IN SRF nº 285/2003 e deve ser adotada justamente quando há inércia do contribuinte na nacionalização das mercadorias admitidas temporariamente. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 231 9 A medida adotada para nacionalização das mercadorias se deu após inúmeras tentativas frustradas da fiscalização para que a FURG providenciasse a documentação necessária e ela mesma providenciasse a nacionalização dos bens admitidos temporariamente. A solução encontrada pela recorrente, com a emissão de LI substitutiva, exclusão do DECEX como órgão anuente e alteração da condição das mercadorias de usadas para novas, deve ser tratada em outra esfera do direito público, como bem observado pela fiscalização ao informar a lavratura de representação fiscal para fins penais em face dos responsáveis pela manobra. Não é possível concordar com tal solução para cancelar a multa em tela. A Fundação Universidade de Rio Grande possui natureza jurídica que lhe confere tratamento tributário diferenciado, mas não lhe isenta do cumprimento das demais obrigações tributárias decorrentes da admissão temporária, que requer controle rigoroso para evitar que bens importados sob regime suspensivo de tributos possam permanecer no território aduaneiro sem o cumprimento das regras pertinentes. Assim, está demonstrado nos autos a não extinção do regime, razão pela qual as mercadorias passaram a ter tratamento próprio daquelas importadas mediante despacho para consumo, isto é, importação comum, o que torna exigível a obtenção da Licença de Importação (LI) por se tratar, quando exigível, de documento obrigatório de instrução do despacho aduaneiro de importação, nos termos do art. 359, do Decreto 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Art. 359. Quando se tratar de bens cuja importação esteja sujeita à prévia manifestação de outros órgãos da administração pública, a concessão do regime dependerá da satisfação desse requisito. § 1º A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação; § 2º A licença de importação exigida para a concessão do regime não prevalecerá para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens. Já a exigência de LI para material usado está explicitada na Portaria SECEX nº 10, de 24 de maio de 2010, conforme pode ser observado a seguir: Art. 10. Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: (...) II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio;. c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado, salvo as exceções estabelecidas no § 2º e no § 3º do art. 37 desta Portaria; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11051.000457/201015 Acórdão n.º 3301002.718 S3C3T1 Fl. 232 10 Em adendo, não é possível aplicar ao caso a dispensa de LI com base no disposto em norma emitida pela SECEX, uma vez que não se trata de nacionalização de bens admitidos temporariamente para utilização econômica, mas regularização de mercadorias que se encontram em território nacional, ingressadas sob regime aduaneiro de admissão temporária para aplicação em projeto de pesquisa acadêmica e cujas providências necessárias para sua extinção jamais foram adotadas pelo importador. Conclusão: A aplicação da multa pela falta de guia de importação está correta, nos termos do art. 169, I, alínea “b”, do DecretoLei nº 37/66, regulamentada pelo art. 706, I, alínea “a”, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Bens usados estão sujeitos a licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex nº 10/2010, art. 10, inciso II, alínea “e”, e tal licenciamento para nacionalizar os bens não foi realizado. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10950.004054/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Somente geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários, assim definidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 65, de 1979 e 181, de 1979).
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, .não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS.
As transferências de insumos entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3302-003.005
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas e negar o direito de crédito em relação aos gastos com (i) aquisição de insumos empregados no cultivo da Cana de Açúcar, (ii) aquisição de lubrificantes de uso não industrial, (iii) insumos e lubrificantes de uso agrícola, (iv) peças e materiais de manutenção industrial, (v) produtos químicos e equipamentos de proteção individual e (vi) insumos empregados na fabricação de produtos NT, nos termos do voto do Relator. Por maioria votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir o direito à correção monetária da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório, a contar da data em que foi proferido o Despacho. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Ricardo Paulo Rosa que reconheciam o direito à correção da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório desde o protocolo do pedido correspondente.
Fez sustentação oral: Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa - OAB 10.264 - SC.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
EDITADO EM: 22/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários, assim definidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 65, de 1979 e 181, de 1979). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, .não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. As transferências de insumos entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas e negar o direito de crédito em relação aos gastos com (i) aquisição de insumos empregados no cultivo da Cana de Açúcar, (ii) aquisição de lubrificantes de uso não industrial, (iii) insumos e lubrificantes de uso agrícola, (iv) peças e materiais de manutenção industrial, (v) produtos químicos e equipamentos de proteção individual e (vi) insumos empregados na fabricação de produtos NT, nos termos do voto do Relator. Por maioria votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir o direito à correção monetária da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório, a contar da data em que foi proferido o Despacho. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Ricardo Paulo Rosa que reconheciam o direito à correção da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório desde o protocolo do pedido correspondente. Fez sustentação oral: Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa - OAB 10.264 - SC. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. REGIME ALTERNATIVO.CABIMENTO. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 40 54 /2 00 9- 13 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários, assim definidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 65, de 1979 e 181, de 1979). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, .não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. As transferências de insumos entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.311 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas e negar o direito de crédito em relação aos gastos com (i) aquisição de insumos empregados no cultivo da Cana de Açúcar, (ii) aquisição de lubrificantes de uso não industrial, (iii) insumos e lubrificantes de uso agrícola, (iv) peças e materiais de manutenção industrial, (v) produtos químicos e equipamentos de proteção individual e (vi) insumos empregados na fabricação de produtos NT, nos termos do voto do Relator. Por maioria votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir o direito à correção monetária da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório, a contar da data em que foi proferido o Despacho. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Ricardo Paulo Rosa que reconheciam o direito à correção da fração do crédito não reconhecido no Despacho Decisório desde o protocolo do pedido correspondente. Fez sustentação oral: Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa OAB 10.264 SC. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por USINA DE AÇÚCAR SANTA TEREZINHA LTDA, com CNPJ 75.717.355/000103, em face do Acórdão nº. 34.051, de 08/06/2011, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que, à unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em face da minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado no período em destaque e homologou apenas parte das compensações declaradas, em razão dos seguintes fundamentos: 1)Os recursos aplicados na formação da lavoura de cana de açúcar devem ser contabilizados no ativo permanente, pois esta não se extingue com um único corte, conforme posicionamento Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 do Conselho de Contribuintes, com gastos concernentes a máquinas e equipamentos de instalações industriais (inclusive manutenção dos mesmos), veículos rurais, veículos de transportes, pás e, principalmente, às lavouras formadas de cana. 2) No cálculo original do benefício, foram aproveitados pela requerente todos os gastos na formação da lavoura canavieira: mudas, defensivos, corretivos de solos, fertilizantes, peças para máquinas, lubrificantes, energia elétrica, combustíveis para maquinados e materiais diversos, inclusive aqueles aplicados na produção de produtos classificados como NT (Não tributados) na TIPI, o que significa que não são considerados como produtos industrializados. 3) Somente foram aceitas as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas com entradas correspondentes ao CFOP 1101. As aquisições de produção própria ou de filiais, não foram acolhidas, pois se trata de mera transferência de matéria prima, sem a incidência das contribuições do Pis e da Cofins; outrossim, as aquisições de pessoas físicas também não foram aceitas. Insubmissa à decisão administrativa, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em que, resumidamente, contesta o cômputo de saldo negativo período anterior; outrossim, sendo a manifestante empresa agroindustrial e que exerce atividade rural (extração e exploração vegetal e animal) os gastos com insumos na formação da lavoura, notadamente as fases de cultivo e tratos culturais (fertilizantes e defensivos agrícolas), corte e transporte, conforme laudo técnico; concorda que os gastos com insumos na fase de adequação de preparo do solo devem ser classificados no ativo imobilizado e reconhece que insumos usados na fase de plantio de cana de açúcar foram equivocadamente incluídos e devem ser excluídos oportunamente; quanto a insumos adquiridos de pessoas físicas, especificamente a cana de açúcar, o Conselho de Contribuintes reconhece o cabimento da inclusão na base de cálculo do benefício, pois a legislação não impôs restrições às aquisições de produtores rurais; créditos de produtos intermediários (insumos de uso industrial, lubrificantes para uso industrial e agrícola, materiais diversos, itens para manutenção geral, combustíveis, peças e materiais para manutenção de máquinas agrícolas) não foram considerados, apesar de autorização na Lei n° 10.276/2001 e do laudo descritivo da atividade, juntado: os lubrificantes de uso agrícola, combustível, peças e materiais utilizados na manutenção de máquinas agrícolas e caminhões são materiais intermediários, pois não se integram ao produto final, mas são consumidos no processo industrial, especialmente na fase de corte e transporte da cana de açúcar; é ilegal a exclusão de créditos relativos a transferências de matéria prima; inclusive nos aplicados na produção dos produtos classificados na TIPI como NT, por sofrerem processo de industrialização, ademais, deve ser deferido o ressarcimento com o acréscimo de juros calculados pela taxa Selic para que seja mantido o valor do pleito no tempo, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração, devendo ser utilizada a analogia com o instituto da restituição, nos termos de jurisprudência apontada; por fim, Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.312 5 requer o reconhecimento dos créditos apurados e a homologação das compensações, com exceção dos débitos relacionados às fls. 1075/1076, os quais teriam sido incluídos no programa REFIS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS.Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas, outrossim, as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas ou transferidos de estabelecimentos filiais, de insumos sem comprovação documental e de bens não correspondentes à verdadeira acepção de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS OU TRANSFERIDOS DE ESTABELECIMENTOS FILIAIS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, ou a transferências de insumos de filiais, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, representam aquisições passíveis de integrar a base de cálculo do benefício fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, sendo que, nem mesmo o estabelecimento é considerado industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/07/2011, conforme tela de consulta ao sistema dos Correios de fl. 1.163, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls.1.164 a 1203 em 11/08/2011, fl.1.164, reitera os mesmos argumentos já aduzidos na Manifestação de Inconformidade. O despacho de fls.1.307/1.308 informa a seguinte situação processual: Tendo em vista o requerimento de fls. 1223 a 1224, o contribuinte acima identificado informa que em 12/12/2013 aderiu ao parcelamento de débitos da Reabertura da Lei 11.941/2009, na modalidade RFB – Demais Débitos – Parcelamento de Dívidas não parceladas anteriormente (Art.1º, da Lei nº11.941/2009) e, ao mesmo tempo requereu a desistência parcial das compensações afeitas ao presente processo, atendendo ao disposto nos artigos 14 e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013 ( que regulamentou a Lei nº 12.865/2013), sobre os débitos abaixo discriminados: Para viabilizar a consolidação do débito no valor de R$ 370.300,00 o contribuinte indicou a parcela correspondente ao crédito presumido de IPI, apurado com as seguintes aquisições: • Material de Proteção e Segurança – R$4.431,09; • Matéria Prima (adubos e fertilizantes) utilizada na fase de formação da lavoura –R$72.539,38; • Material de Expediente – R$ 62,33; • Material de Laboratório – R$4.359,11; • Material de Limpeza – R$534,17; • Material de Obras – R$1.915,65; • Outros Materiais – R$4.047,64 • Produtos Químicos utilizados na fase de formação da lavoura – R$282.410,63; • Total – R$ 370.300,00 ( Desistência parcial da discussão relativa ao Crédito ) Assim, • O crédito pleiteado de R$ 4.128.839,55 com a desistência parcial de R$ 370.300,00 relativo ao crédito correspondente à desistência da compensação requerida, permanece o valor pleiteado de R$ 3.758.539,55; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.313 7 • O débito referente à desistência da compensação no valor de R$ 370.300,00 está controlado no processo nº 10950.720572/201194 e será encaminhado à SACAT/DRF/MGAPR para inclusão na consolidação dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. • Permanece no processo para compensação os seguintes débitos: É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas Quanto à matéria em debate, o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Considerando que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, colacionase, nos termos em que ementado o REsp 993164 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 EMENTA 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.314 9 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. [...] 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Ressalvese que embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276, de 2001 e não da hipótese prevista na Lei nº 9.363, de 1996, percebese que é plausível o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG uma vez que não há impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas na referida Lei nº 10.276, de 2001. Nesse sentido já decidiu o STJ, REsp 1313043 / RS, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação.(grifei). 2. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 3. Consoante precedente julgado em sede de Recurso Representativo da Controvérsia (REsp. n. 1.138.206/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os pedidos protocolados antes de sua vigência. Sendo assim, o Fisco deve ser considerado em mora somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Portanto, quanto a essa matéria considerase provido o recurso voluntário. Atualização Monetária. Taxa Selic Com relação à matéria também o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia, de modo que a situação ora em análise se amolda ao entendimento firmado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, visto que em regra, a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, ocorrendo tãosomente quando [“...postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco], conforme se infere dos seguintes julgados: RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972), a seguir ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.(gn) 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.315 11 EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).(gn). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp 1035847 RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009: EMENTA 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Com base no exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reconhecendo o direito ao crédito de IPI em relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, bem como a aplicação da Taxa Selic quanto aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde a oposição do ato estatal. MÉRITO Do Crédito Presumido de IPI Sendo a Recorrente pessoa jurídica de direito privado, produtora de Açúcar e Álcool, analisarseá a seguir as demais matérias aduzidas na peça recursal quanto ao Crédito Presumido do IPI, conforme as disposições legais a seguir mencionadas. Determina a Lei nº 9.363, de 1996: Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.(gn) Determinam ainda os §§ 4º e 5º do artigo 1º, da Lei nº 10.276, de 2001: § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. A regulamentação à época adotada, a exemplo do art. 5º da IN/SRF nº 420, de 2004, dispôs que fará jus ao crédito presumido, a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais, inclusive sujeito a alíquota zero. Por sua vez o § 5º, acima transcrito, determinou que se aplicam ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. É importante ressalvar como premissa para a fundamentação a seguir que o pleito da Recorrente quanto ao Crédito Presumido do IPI, consiste no ressarcimento, ao produtor/exportador, das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.316 13 Em outro aspecto, observase pela legislação de regência do IPI, que referido imposto incide sobre produtos industrializados, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero. Do Cultivo da Cana de Açúcar A matéria nuclear trazida na peça recursal no tocante a esse aspecto, prende se à glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar, uma vez que já na Manifestação de Inconformidade a Recorrente aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, assim, discorda veementemente quanto à exclusão do processo produtivo das fases de Cultivo e Tratos Culturais na canadeaçúcar, Corte e Transporte e, por conseguinte, quanto à exclusão dos insumos utilizados e consumidos nestas fases, arguindo que devem ser considerados os créditos decorrentes de defensivos, adubos químico, inseticidas, dentre outros, conforme laudo técnico, juntado ao processo, por se tratar de atividade agroindustrial. Ocorre que a Lei nº 9.363, de 1996 ao prevê o direito ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Contribuições PIS/PASEP e COFINS, estabeleceu como premissas: a incidência das referidas contribuições nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, bem como a utilização da legislação do IPI para o estabelecimento, dos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por sua vez a legislação do IPI dispõe apropriadamente sobre os conceitos mencionados, conforme prescrevem os 1artigos 3º, 4º e 2164 do Regulamento do IPI, vigente à época dos fatos em lide (RIPI/2002, Decreto nº 4544, de 26/12/2002), de modo que em face 1 Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º) Seção II Da Industrialização Características e Modalidades Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. 2 Art. 164. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 dos conceitos legais colacionados para a compreensão da matéria, inferese que o cultivo da canadeaçúcar não se enquadra como uma operação de industrialização, assim, por ausência de base legal que suporte o pleito da Recorrente não pode ser acolhido o crédito presumido sobre as aquisições de produtos aplicados no cultivo da canadeaçúcar. Produtos Intermediários Insumos não Admitidos Destaca a Recorrente que conforme Laudo Técnico do processo produtivo o emprego de todos os insumos arrolados, quais sejam, insumos e lubrificantes de uso industrial, insumos e lubrificantes de uso agrícola, combustível de uso industrial, peças e materiais de manutenção industrial, produtos químicos, equipamentos de proteção individual, fazem parte do processo produtivo, sendo, portanto, passíveis de crédito por meio do presente benefício fiscal. Com relação aos combustíveis destaca o Despacho Decisório de fls. 909/959, item 232 : 232. Os valores então acatados para fins de composição da base de cálculo do crédito presumido são apenas aqueles relativos às aquisições com destinação informada "INDUSTRIA", no CFOP 1653, grupo de estoque informado "APLICAÇÃO DIRETA", e agrupados no Anexo IND1653J como "somente diesel alto valor". Quanto aos demais materiais destacados, cabe enfatizar que a legislação de regência do IPI, não se refere a insumos genericamente utilizados no processo produtivo, mas especificamente à matéria prima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Assim, para se considerar que tais custos ensejem o direito ao crédito, eles terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. Com efeito, a matéria sub examine teve sua conceituação interpretativa através do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, o qual, estabelece que: “Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.317 15 partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ (gn). 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, eqüivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.318 17 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Da interpretação emanada do referido parecer inferese que a melhor exegese não aponta para leitura de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os itens consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito, já que de forma oposta, dos itens consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. No mesmo sentido, já dispunha o Parecer Normativo nº 181, de 1974, em seu item 13: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifouse) Frizese que, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e do Parecer Normativo nº 181, de 1974, e em consonância com o art. 164 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “stricto sensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, ficando excluídos os produtos: a) que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; b) incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização; c) empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Restou assim evidente que a legislação de regência veda o crédito de IPI, não apenas na aquisição de bens que se integram ao ativo imobilizado, mas também nas aquisições de produtos utilizados indiretamente na industrialização, ou seja, aqueles que não se agregam ao produto final e nem se desgastam por sofrerem ação direta sobre os produtos fabricados. Dessa forma, não se admite o crédito dos produtos arguidos na peça recursal, pois não se enquadram no conceito de MP, PI, ou ME, de acordo com a legislação do IPI. Também não pode ser acolhido o pleito da interessada quanto às entradas escrituradas no CFOP 1.151 (transferência para industrialização: entradas de mercadorias recebidas em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa, para serem utilizadas em processo de industrialização), por não se enquadrarem como aquisições efetivas de insumos, inexistindo portanto amparo na legislação de regência que respalde tais entradas na apuração de crédito presumido, haja vista que na operações em destaque não há a incidência das contribuições que se visa ressarcir. Produtos Classificados na TIPI como NT Já foi destacado no presente voto que o IPI incide sobre produtos industrializados, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero. Essa é portanto a disposição do art. 8º do RIPI/2002: Art. 8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o).(gn). Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10950.004054/200913 Acórdão n.º 3302003.005 S3C3T2 Fl. 1.319 19 Estando o campo de incidência do imposto precisamente delimitado, infere se que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência deste, assim, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributados (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização pela legislação do IPI. Os fundamentos acima têm como matriz normativa as disposições do art. 3º da Lei nº 4.502, de 1964, base legal da legislação sobre o IPI: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. No mesmo sentido dispõe a Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Inferese portanto que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, como o produto álcool carburante, destacado nos itens 34/49 do Despacho Decisório. Com base no exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reconhecendo o direito ao crédito de IPI em relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, bem como a aplicação da Taxa Selic quanto aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde a oposição do ato estatal. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relator Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10680.013909/2006-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa.
Numero da decisão: 9101-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda; e, no mérito, dar-lhe provimento, por unanimidade, votando pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto, que entendem qualificar a multa o comportamento descrito no TVF que resulta no enquadramento nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa.
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CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. CABIMENTO. Os recursos com base no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 daquele Regimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Correspondendo o comportamento do contribuinte aos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme descrito no TVF e não contraditados de forma convincente pela defesa do contribuinte, há que se manter a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda; e, no mérito, darlhe provimento, por unanimidade, votando pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto, que entendem qualificar a multa o comportamento descrito no TVF que resulta no enquadramento nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 09 /2 00 6- 73 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.027 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, repito o trecho do relatório da decisão recorrida que interessa a este julgamento: DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS, acrescidos de juros e de multa qualificada ao patamar de 150%. A fiscalização alcançou os anoscalendário de 2000 e 2002. Em relação ao primeiro, tributou omissão de receita caracterizada de forma presumida com base em falta de escrituração de pagamentos. Já, no que se refere a 2002, a autuação promovida se esteou em dois pontos: (i) receita de prestação de serviço informada em DIPJ retificadora sem a entrega das correspondentes DCTF, e (ii) omissão de receitas financeiras. Ademais, foram lavrados termos de responsabilidade solidária contra quatro sócios da autuada. A contribuinte, bem como os sócios responsabilizados, apresentaram suas respectivas impugnações ao lançamento. Para mais minúcias, tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: AUTO DE INFRAÇÃO Os autos de infração de folhas 07/81 e 382 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 7.233.658,61 (sete milhões, duzentos e trinta e três mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e sessenta e um centavos), de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ; R$ 1.073.481,74 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.028 3 (um milhão, setenta e três mil, quatrocentos e oitenta e um reais e setenta e quatro centavos), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; R$ 585.497,29 (quinhentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e noventa e sete reais e vinte e nove centavos) de Contribuição Programa de Integração Social — PIS e R$ 2.753.668,11 (dois milhões, setecentos e cinquenta e três mil, seiscentos e sessenta e oito mil reais e onze centavos) de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins referentes aos anoscalendário de 2000 e 2002, assim discriminados: (...) Depreendese dos Autos de Infração Descrição dos Fatos e do Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 09, 19, 29, 39 e 47/81, que: a) a empresa, no anocalendário de 2000, deixou de contabilizar remessas de numerários ao exterior, por intermédio de operações realizadas à revelia do Sistema Financeiro Nacional, omitindo receitas e agindo com dolo e fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, tudo descrito no TFV, parte integrante dos autos de infração. b) a empresa, no anocalendário de 2002, omitiu receita da prestação de serviços de propaganda e publicidade auferida neste período, que vieram a ser contabilizadas e declaradas em DIPJ retificadora pela empresa, após o conhecimento público dos fatos conhecidos como “caso mensalão”, cujos tributos não foram declarados em DCTF antes do início da ação fiscal, conforme descrito no TVF, e, c) a empresa, no anocalendário de 2002, não incluiu na base de cálculo dos tributos a totalidade dos rendimentos de aplicação financeira apurados segundo descrito no TVF. Os autos consignam que a empresa, três dias antes de iniciado o procedimento fiscal, apresentou declarações retificadoras para incluir as receitas omitidas (prática usual da empresa) e, no decorrer do procedimento, escriturou e apresentou novos livros contábeis e fiscais com o mesmo objetivo, deixando de elaborar nova DCTF e deixando de efetuar o recolhimento da diferença entre os tributos informados nas DIPJ retificadoras e a original correspondente. Os créditos tributários foram constituídos por meio dos autos de infração, com base nas receitas escrituradas no livro Diário nº 13, registrado na JUCEMG em 28/09/2005 (data em que já havia sido iniciada a auditoria), para formalização de instrumento apto a sua cobrança. Para a apuração dos tributos devidos, foram compensados, levandose em conta os respectivos períodos de apuração, os valores declarados em DCTF (já recolhidos) de IR, CSLL, PIS e COFINS, e retenções e sobras de pagamentos em relação às Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.029 4 DCTF efetuadas, conforme fls. 15, 25, 33/34, 43/44 e discriminadas no quadro de fl. 76. Devido às irregularidades apontadas foram lavrados, neste processo, os autos de infração referentes aos anoscalendário de 2000 e 2002, acima quantificados e fundamentados a seguir. (...). As multas de ofício aplicadas, no percentual de 150%, foram capituladas nos artigos 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, fls 16, 26, 36 e 46. Os autos consignam também que, durante a ação fiscal, foram constatados evidente intuito de fraude comprovado pela prática de omissão de receitas por parte da empresa: remessas ao exterior à margem da escrituração contábil, por caminhos fora do controle do Sistema Financeiro Nacional; dupla escrituração de livros comerciais e fiscais, e ainda com comprovada utilização de notas fiscais falsas, entre outros. Todos os cálculos dos tributos e contribuições, multas e juros encontramse demonstrados, nos respectivos autos de infração. Foi constatado, ainda, que o contribuinte, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (período em que deveria ter recolhido os tributos relativos ao ano de 2000 e 2002), contabilizou nos novos livros fiscais e comerciais, constantes e volumosas saídas de numerários, a título de distribuições de lucros aos sócios gerentes, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos, fato que ensejou a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios que detinham poder de administração da Pessoa Jurídica, desde o anocalendário de 2000, com fundamento nos artigos 124 e 135, III, do Código Tributário Nacional, fls. 383 a 398, a saber: Cristiano de Mello Paz, CPF 129.449.47672; Ramon Hollerbach Cardoso, CPF 143.322.21672; Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, CPF 492.881.806 72. Marcos Valério Fernandes de Souza, CPF 403.760.95687 Todas as informações acima estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal TVF (parte integrante destes autos de infração), fls. 47/81. Em 14/12/2006, a empresa tomou ciência dos autos de infração, fls. 08, 18, 28 e 38. Além da sujeição passiva da pessoa jurídica, também foram intimados para o adimplemento ou impugnação dos créditos tributários formalizados nestes autos, os sócios/gerentes da empresa, na qualidade de responsáveis solidários, fls. 383/398. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.030 5 IMPUGNAÇÃO Inconformada, a empresa apresentou impugnação em uma única peça aos Autos de Infração IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, [fls.] 414/427, em 09/01/2007. [...]. Argumenta que o lançamento contém duas nulidades flagrantes: A primeira, relativa ao fato de que houve, na realidade, dois lançamentos do mesmo tributo, e a segunda, no fato de que a fiscalização aplicou sobre os valores e receitas declarados espontaneamente multa majorada de 150%, considerando, sem maiores explicações, o procedimento como máfé e dolo. Assevera que a máfé e o dolo estão afastados quando existe um procedimento espontâneo do contribuinte ao declarar, antes do início da fiscalização, receitas anteriormente não declaradas. Alega que o aresto transcrito pela fiscalização, fls. 32/33 do TVF, tem pouco ou nada a ver com a situação dos autos, eis que, na situação transcrita, exposta na sentença judicial, o fiscalizado teria promovido a retificação de seus erros após o início da fiscalização (com a consequente perda de espontaneidade), enquanto, na situação da impugnante, a retificação da declaração da DIPJ, e a consequente correção dos erros, com o oferecimento da receita à tributação, ocorreu três dias antes do início da ação fiscal. Assevera que o fato de a SMP&B Comunicação Ltda. não ter recolhido o IRPJ devido na declaração retificadora não a invalida em nada, uma vez que a declaração retificadora foi entregue regularmente, tendo, a autoridade tomado ciência da receita omitida e do imposto devido. Alegando que a fiscalização não considerou espontâneo o procedimento da Impugnante, pondera que a lei não delimita prazos nos quais existe a espontaneidade, limitandose a dizer quais as iniciativas do contribuinte, adotadas antes do início da fiscalização, estão ao seu abrigo. Afirma que, em nenhum momento, mencionou o art. 138 do CTN, que prevê o pagamento do tributo relativo à infração fiscal espontaneamente denunciada. Com a retificação da DIPJ, quis, apenas, levar ao conhecimento da autoridade fiscal receitas anteriormente não declaradas. Considerando que a receita total da impugnante, no ano calendário de 2002, foi regularmente declarada (retificadora entregue em tempo hábil, portanto com espontaneidade), não vê como prosperar o entendimento segundo o qual não pode a declaração ser aceita. Ao contrário, com a entrega e recebimento da declaração retificadora, foi feito o lançamento do tributo, uma vez que o débito declarado pela Impugnante pode e deve ser encaminhado ao Setor de Arrecadação ou Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.031 6 Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança administrativa ou judicial. Em suma, não houve o pagamento do tributo, mas houve o seu lançamento, eis que a Impugnante calculou o quantum devido e o ofereceu, atendendo à legislação vigente, à autoridade fiscal. Neste sentido, afirma não ser possível realizar um novo lançamento de ofício do mesmo imposto, conforme consta no auto de infração, apoiandose nos dados declarados espontaneamente pela Impugnante, o que caracteriza o “bis in idem” — o fisco lançou o que já estava lançado. Indaga o destino que a autoridade fiscal pretende dar à DIPJ retificadora: não serve para nada? Ou alimentará o “conta corrente” da Impugnante, imputando a ela o mesmo débito imputado pelo auto de infração? Requer seja cancelado o lançamento constante no auto de infração, por indevido, absurdo e redundante, e tenha prosseguimento o lançamento constante na DIPJ retificadora, uma vez que os dois documentos fiscais tratam de uma coisa só ou de um único débito. Havendo dois lançamentos sobre a mesma matéria fática, há de prevalecer o primeiro lançamento, que é, no caso, o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue. [...]. Do Pedido A impugnante requer: [...]; a redução da multa agravada, pelo fato de a fiscalização ter utilizado a sua escrituração contábil e fiscal ao realizar o lançamento. [...]. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 497 a 518) negou provimento à defesa de todos os interessados, pelas razões que se seguem. Preliminares [...]. O lançamento não é nulo em razão da entrega de DIPJ, porque esta declaração não constitui crédito tributário, para tal é necessária a apresentação de DCTF, o que não foi promovido pelo sujeito passivo. Não há nulidade em razão da aplicação de multa no patamar de 150% sobre receitas espontaneamente declaradas, uma vez que “dos fatos descritos, restou caracterizada a prática de omissão Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.032 7 de receita, de modo fraudulento, com dupla escrituração de livros comercias e fiscais, falsificação de documento público (AIDE), e ainda com a utilização comprovada de notas fiscais falsas, tudo com o intuito para que a empresa deliberadamente deixasse de recolher os tributos devidos no ano de 2002, e não simplesmente uma falta de pagamento de tributos como quer fazer crer a impugnante”. Ademais, a entrega de DIPJ retificadora não caracteriza a denúncia espontânea, cuja compleição exige o pagamento do tributo devido. [...]. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS A pessoa jurídica autuada apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 536 a 559; a Senhora Renilda Marilda Santiago Fernandes de Souza, às fls. 560 a 571; o Senhor Marcos Valério Fernandes de Souza, às fls. 572 a 583. Os demais responsáveis não apresentaram recurso em peça própria. [...]. No mérito, contesta a aplicação do percentual punitivo de 150%. Aduz que os dados de sua declaração para ao anocalendário de 2002 estão corretos e que a fiscalização não caracterizou, para esse período, qualquer omissão. Transcreve acórdão desta Câmara, da lavra do ilustríssimo conselheiro Márcio Machado Caldeira, que considera improcedente a aplicação de multa qualificada no caso de entrega de declaração antes do início da fiscalização. Ademais, não ficou comprovada a máfé da autuada, e devese ressaltar que a base da autuação foi a própria receita declarada pela recorrente, o que comprovaria que a que a recorrente “não falsificou ou forjou nenhum número relacionado com a sua receita”. Devemse cancelar os valores constante do lançamento de ofício para permanecer o contido na DIPJ retificadora. [...]. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo, na parte ainda em discussão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: [...], 2003 [...]. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARREPENDIMENTO EFICAZ. O pagamento ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade não são essenciais, em todas as hipóteses, para a exclusão da responsabilidade por infrações. Se assim fosse, pedido de Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.033 8 parcelamento e apresentação de declarações constitutivas de crédito tributário, como a DCTF, não impediriam a Fazenda de exigir a sanção punitiva. A disciplina da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, deve ser interpretada com gradações de causa e efeito; a causa é o arrependimento, o efeito é a exclusão da responsabilidade. Quão mais eficaz for o arrependimento, mais ampla será a exclusão. A apresentação de declarações constitutivas, antes do início do procedimento fiscal, impede a constituição pelo Fisco de sanções punitivas; já a entrega de declarações meramente informativas, apesar de não excluir a responsabilidade por multa de ofício, impede a sua qualificação, uma vez que se caracteriza o arrependimento relativo ao aspecto volitivo da conduta delitiva. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, alegando contrariedade à evidência das provas relativamente à desqualificação da multa de ofício aplicada no ano calendário de 2002. O recurso foi admitido pela presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Devidamente cientificados, o sujeito passivo e dois dos responsáveis solidários apresentaram contrarrazões, nas quais alegam, preliminarmente, o não cabimento do recurso especial, por suposta ofensa ao art. 37, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, fundamentandose no Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973). No mérito, requerem seja negado provimento ao recurso especial interposto em favor da União. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para seu conhecimento. Não obstante as disposições contidas no Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) — aplicáveis apenas subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal —, prevalece, no caso, a norma contida no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a alteração introduzida pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009 (grifei): Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.034 9 A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à possibilidade de desqualificação da multa de ofício aplicada, em face da apresentação, pelo sujeito passivo, de DIPJ retificadora anteriormente ao início do procedimento fiscal. O raciocínio que norteou a decisão recorrida está fundamentado nas seguintes premissas (efls. 611 e 612): A autoridade fiscal e a julgadora de primeiro grau se apegaram a uma interpretação isolada do art. 138 do CTN. Pela literalidade do dispositivo, a denúncia espontânea só se caracterizaria e, assim, ficaria excluída a imposição de penalidades no caso de pagamento. Se nos apegássemos a “ferro e fogo” à questão do pagamento, a própria apresentação extemporânea da DCTF não seria apta a afastar a imposição da sanção punitiva. A denúncia espontânea deve ser considerada como um instituto legal cuja finalidade é a de estimular infratores a se arrepender, a fim de se recuperar o tributo imediatamente, ou de se instrumentalizar o Fisco com elementos tais que lhe seriam de obtenção mais árdua e custosa. Tratase de uma espécie de arrependimento, cuja eficácia está sujeita a gradações, assim como os seus efeitos. A primeira conclusão a que chegou a decisão recorrida, a partir dessas premissas, foi a seguinte (efls. 612): Entendo que a apresentação de declarações constitutivas (como uma DCTF), antes do início da ação fiscal, é plenamente eficaz para se usufruir do favor legal da espontaneidade; nenhuma sanção punitiva pode ser exigida, mesmo sem pagamento. [...]. Verificase que a decisão recorrida, inadvertidamente, olvidouse do fato de que, em relação à entrega de DCTF, o fundamento legal para a exclusão da correspondente multa punitiva não é o da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, supostamente aplicado por “gradação”. Vejase que o art. 138 do CTN remete à não imposição de multa punitiva, nada diz de sua gradação. Assim, se reconhecida a espontaneidade não há multa punitiva (a incidência ou não de multa de mora, se reconhecida a espontaneidade, depende de apresentação ou não de declaração prévia, conforme jurisprudência do STJ). Relativamente à DCTF incide a figura da confissão espontânea, estatuído no art. 5º, §§ 1º e 2º, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 (destaquei): Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.035 10 cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Dessa forma, incabível a pretendida interpretação “com gradações de causa e efeito” (efls. 596) da “disciplina da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN” (efls. 596), a fim de se permitir “usufruir do favor legal da espontaneidade” (efls 612). É que essa última espontaneidade (apresentação de declarações constitutivas, como uma DCTF), como visto, decorre de lei, e não de simples “entendimento” (efls. 612): Entendo que a apresentação de declarações constitutivas (como uma DCTF), antes do início da ação fiscal, é plenamente eficaz para se usufruir do favor legal da espontaneidade; nenhuma sanção punitiva pode ser exigida, mesmo sem pagamento. [...]. Também por força da incorreção das premissas adotadas, não procede a segunda conclusão a que chegou a decisão recorrida: [...]. Já a apresentação de declarações meramente informativas, só é eficaz em relação ao elemento subjetivo da conduta, o que afasta a imposição da sanção qualificada, mas a sanção punitiva de caráter objetivo deve ser exigida. Como já exposto anteriormente, a eficácia do art. 138 do CTN não está submetida a “gradações”, não expressamente previstas em lei, a permitir albergar tal conclusão. Por conseguinte, deve ser restabelecida a multa de ofício qualificada, de 150% (cento e cinquenta por cento), por inexistir base legal para sua redução pela singela apresentação de declaração meramente informativa (DIPJ). Destaquese que a mera entrega da DIPJ sem a escrituração contábil e fiscal que lhe dê suporte nada significa (a não ser prova contra o contribuinte). Como a escrituração referida foi produzida após o início da ação fiscal, nenhum benefício a favor do contribuinte dela pode ser extraído, ademais considerando as circunstâncias em que ocorreram os fatos que ensejaram o lançamento, remanescendo transparente o evidente intuito de fraude, o que enseja a qualificação da multa de ofício. Por outro lado, não é correto dizer — como o sujeito passivo em sua impugnação — que: “houve, na realidade, dois lançamentos do mesmo tributo”; que, “com a entrega e recebimento da declaração retificadora, foi feito o lançamento do tributo”; que “não houve o pagamento do tributo, mas houve o seu lançamento”; que não é possível “realizar um novo lançamento de ofício do mesmo imposto, conforme consta do auto de infração”; que deve ser “cancelado o lançamento constante no auto de infração, por indevido, absurdo e redundante”, tendo prosseguimento “o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue”; e que “havendo dois lançamentos sobre a mesma matéria fática, há de prevalecer o primeiro lançamento, que é, no caso, o lançamento constante na DIPJ retificadora regularmente entregue”. É que esse entendimento afronta o contido na Súmula CARF nº 92, de seguinte teor: Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.036 11 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Por fim, e respondendo aos questionamentos do sujeito passivo, feitos em sua impugnação: a DIPJ retificadora, cujo destino é ser meramente informativa, não alimentará o conta corrente, e não imputará a ela o mesmo débito imputado pelo auto de infração. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Do fundamento de decidir da maioria do Colegiado. Na conclusão do julgamento, votaram pelas conclusões, mantendo a multa qualificada os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. Assim, há que se observar o art. 63. § 8º do RICARfAnexo II, abaixo transcrito: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Os Conselheiros que votaram pelas conclusões expressaram em sessão o entendimento que o comportamento do contribuinte e demais corresponsáveis, a teor do que é relatado no TVF e que não restou afastado por provas supervenientes, impõe qualificar a multa nos termos nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Isto porque “Os autos consignam também que, durante a ação fiscal, foram constatados evidente intuito de fraude comprovado pela prática de omissão de receitas por parte da empresa: remessas ao exterior à margem da escrituração contábil, por caminhos fora do controle do Sistema Financeiro Nacional; dupla escrituração de livros comerciais e fiscais, e ainda com comprovada utilização de notas fiscais falsas, entre outros.’ E que: “Foi constatado, ainda, que o contribuinte, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (período em que deveria ter recolhido os tributos relativos ao ano de 2000 e 2002), contabilizou nos novos livros fiscais e comerciais, constantes e volumosas saídas de numerários, a título de distribuições de lucros aos sócios gerentes, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos, fato que ensejou a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária...”. em vista de tais fatos e atos que não restaram afastados de forma convincente no decorrer do processo, há que se manter a qualificação da multa, tendo sido esta a posição consignada da maioria. – no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.013909/200673 Acórdão n.º 9101002.217 CSRFT1 Fl. 2.037 12 (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.729980/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2009
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOAJURÍDICA ENQUADRAMENTOCOMO SEGURADO EMPREGADO.RELAÇÃO EMPREGATÍCIA CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO JUSTIÇA DO TRABALHO.
Os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticos-jurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela AutoridadeCompetente, que é a Justiça do Trabalho. Assim, não há como acolher as alegações da recorrente.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DA AUDITORIA FISCAL RECONHECER O VÍNCULO EMPREGATÍCIO
No exercício legal de sua atividade, o auditor-fiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário
ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS.
os créditos tributários dos lançamentos seguiram estritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD - Fundamentos Legais Do Débitos
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2302-003.371
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias advindas da desconsideração dos serviços como prestados por interpostas pessoas jurídicas, o que configurou simulação na contratação de empregados, com o objetivo de afastar a incidências das contribuições patronais. Por unanimidade de votos em manter a aplicação da multa prevista no inciso I e §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2009 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOAJURÍDICA ENQUADRAMENTOCOMO SEGURADO EMPREGADO.RELAÇÃO EMPREGATÍCIA CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO JUSTIÇA DO TRABALHO. Os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticosjurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela AutoridadeCompetente, que é a Justiça do Trabalho. Assim, não há como acolher as alegações da recorrente. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DA AUDITORIA FISCAL RECONHECER O VÍNCULO EMPREGATÍCIO No exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS. os créditos tributários dos lançamentos seguiram estritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD Fundamentos Legais Do Débitos MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 99 80 /2 01 2- 39 Fl. 18220DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias advindas da desconsideração dos serviços como prestados por interpostas pessoas jurídicas, o que configurou simulação na contratação de empregados, com o objetivo de afastar a incidências das contribuições patronais. Por unanimidade de votos em manter a aplicação da multa prevista no inciso I e §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 18221DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9748,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA.,no valor deR$ 4.580.854,29(quatro milhões, quinhentos e oitenta mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e vinte e nove centavos),referente a contribuições previdenciárias, parte patronal,incidentes sobre as remunerações pagas a seguradoscom a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9756,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 125.279,51(cento e vinte e cinco mil, duzentos e setenta e nove reais e cinquenta e um centavos), referente à contribuições previdenciárias, parte dos segurados,incidentes sobre as remunerações pagas a segurados com a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.032.9764,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 1.265.188,36(um milhão, duzentos e sessenta e cinco mil, cento e oitenta e oito reais e trinta e seis centavos), referente à contribuições previdenciárias devidas a terceiros tambémincidentes sobre as remunerações pagas a segurados com a utilização de pessoa jurídica interposta, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 30 ,DEBCAD n° 51.032.9713,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 4.851,36(quatro mil, oitocentos e cinquenta e um reais e trinta e seis centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação. Fl. 18222DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 34 ,DEBCAD n° 51.032.9721,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 48.512,94(quarenta e oito mil, quinhentos e doze reais e noventa e quatro centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Por fim, tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória – AI 59 ,DEBCAD n° 51.032.9730,lavrado em 10/12/2012, em face de TC/BR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA., no valor deR$ 4.851,36(quatro mil, oitocentos e cinquenta e um reais e trinta e seis centavos), referente à multa pela empresa ter deixado de arrecadar mediante desconto contribuições devidas pelos segurados. Apresentada impugnação pelaempresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. Há caracterização do sócio da pessoa jurídica como segurado empregado,quando há prestação de serviço do sócio de forma pessoal e na atividadefim da empresa tomadora, consequentemente afastar a empresa interpostae constituir o vínculo diretamente com o tomador de serviços. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 30. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS AO SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedadeempresária de preparar folhadepagamento das remunerações pagas oucreditadas a todos os segurados ao seu serviço, de acordo com os padrões enormas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 34. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores Fl. 18223DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 4 5 de todas as contribuições, omontante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 59. MULTA. A SOCIEDAD EEMPRESÁRIA DEIXAR DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR ASCONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOSEMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, apresentando as seguintes razões: Não houve confirmação/confissão, por parte da recorrente, de que esta tenha contratado pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas ao apresentar uma relação parcial de pessoas físicas contratadas após a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Ademais, o signatário das respostas formuladas à fiscalização não possui poderes para esse tipo de confissão e os depoimentos prestados não têm validades, porque foramprestados sem a presença do representante da empresa. A Fiscalização não conseguiu comprovar os 03 (três) requisitos básicos para a configuração da relação de emprego (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e ademais os serviços são de natureza intelectual. De outra parte,os valores das notas fiscais não têm valores iguais, portanto a empresa nunca remunerou pessoa física por meio de pessoa jurídica; A fiscalização MET apontou apenas 05 (cinco) pessoas jurídicas que teriam relação de emprego com a empresa, sendo assim, a Fiscalização Previdenciária jamais poderia presumir que além destas cinco empresas outras 10 pessoas jurídicas deveriam receber o mesmo tratamento tributário. A Auditoria não observou as discrepâncias emitidas por 03 (três) empresas, pois estas não prestaram serviços, mas desvio de recursos irregularmente pelos expresidentes. A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego não produz efeitos tributário: e, desta feita, suas conclusões, por intermédio do inquérito civil público não servem de fundamentos para a cobrança de contribuições previdenciárias; O lançamento não observou os critérios da regra matriz de incidência tributária, pois não houve retributividade, os serviços não foram efetivamente prestados e não houve habitualidade a autuação é nula, posto que, a fiscalização não pode por simples presunções configurar as relações jurídicas empregatícias com as prestadoras de serviços pessoas jurídicas. Não há carcterização dos elementos fáticos jurídicos de uma relação de emprego, previstos na CLT; Fl. 18224DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ocorreu violação à legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal, posto que inexiste fundamentação legal para desconsiderar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas prestadoras de serviços logo os Autos de Infrações são nulos. Assim também, a Receita Federal do Brasil não é competente para desconsiderar as personalidades jurídicas dos prestadores de serviços; _ Serviços de natureza intelectual – artigo 129 da Lei nº 11.196/05, em razão dos serviços prestados terem natureza intelectual e pessoal; Há flagrante iliquidez do presente lançamento, na medida em foi aplicado os juros e correção monetária sobre o valor autuado, havendo duplicidade; Não cabe a multa qualificada, pois, não houve comprovação do evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 18225DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da configuração da relação empregatícia Alega a recorrentequenão houve confirmação/confissão de que esta tenha contratado pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas ao apresentar uma relação parcial de pessoas físicas contratadas após a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego; que o signatário das respostas formuladas à fiscalização não possui poderes para esse tipo de confissão e, também, que os depoimentos prestados não têm validades, porque foramprestados sem a presença do representante da empresa. E mais, Aduziu a recorrente que a fiscalização não conseguiu comprovar os 03 (três) requisitos básicos para a configuração da relação de emprego (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e que desconsiderou a realidade de que os serviços são de natureza intelectual. Todavia, tais alegações não merecem prosperar. Não se está, aqui, a falar de confissão, mas de elementos indiciários, utilizadas pela fiscalização para constatar ofenômeno da pejotização, elementos que foram confirmados pelos documentos trazidos aos autos pelo impugnante, fls. 1.693 a 1.699, 1.701 a 2.242, 4.099 a 4.307, 4.559 a 5.565 e 4.568 a 4.4897, Quando se trata deste fenômeno, que é uma forma deprecarização dos direitos trabalhistas, os elementos fáticosjurídicos constante no artigo 3º, daConsolidação das Leis do Trabalho, são relativizados, pois os empregados são induzidos a constituirem pessoas jurídicas para a continuidade da prestações de serviços, portanto, já estãoimplicitamente os elementos fáticosjurídicos da relação de emprego, já que os trabalhadores jáeram empregados da tomadora de serviços. Fl. 18226DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Ademais, independe se os serviços são de natureza intelectual, pois nãopode haver distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, como sedepreende do parágrafo único, do artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. De outra parte, cabe salientar que a recorrente reconheceu a competência da Justiça do Trabalho para homologar o acordo entabulado entre reclamada TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA e o reclamante – Sr. Heber Ramos de Freitas – diretor técnico antes da pejotização, fls. 1.693 a 1.699 e 4.559 a 4.565. Por todo exposto, está comprovada que a relação jurídica é de trabalho, caracterizada entre a sociedade empresária e a pessoa física Heber Ramos de Freitas e que este achou por bem conciliar sem vínculo empregatício os direitos trabalhistas entabuladas na reclamatória trabalhista, que não são os mesmos períodos destes lançamentos. De outra parte, Ao contrário do Sr. Heber Ramos de Freitas – diretor técnico antes da pejotização, a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira – Geóloga, não aceitou a conciliação, fls.1.755 a 1.769, proposta pela TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRALTDA, a Justiça do Trabalho julgou ser competente para solucionar a lide e reconheceu a relação empregatícia entre a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira e a empresa, no mesmo período deste lançamento. A Empresa recorreu da sentença de fls. 1.771 a 1.819, por meio de recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho, ao qual este manteve a relação empregatícia entre a Sra. Maria Gertrudes Rolim Vieira e a TC/BR – TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA LTDA.Consequentemente, os lançamentos refletiram a verdade material e os elementos fáticos Jurídicos da relação de emprego foram comprovadas pela Autoridade Competente, que é a Justiça do Trabalho.Assim, não há como acolher as alegações da recorrente. Da discrepância emitida por algumas empresas e da relação de retirbutividade –culminando na incidência das contribuições Alega a recorrente que Auditoria não observou as discrepâncias emitidas por 03 (três)empresas, pois estas não prestaram serviços, mas desvio de recursos irregularmente pelo seus presidentes. Ademais, enfatiza a recorrente que o lançamento não observou os critérios da regra matriz de incidência tributária, pois não houve retributividade, os serviços não foram efetivamente prestados e não houve habitualidade. No que concerne a questão do desvio dos recursos, a alegação da recorrente está prejudicada, porque foge a competência deste Órgão Julgador. Em se tratando da alegação de não retributividade, por sua vez, por não haver as prestações de serviços, esta não procede, pois o pagamento das remunerações e as prestações de serviços são considerados como efetivos, quando os trabalhadores estiveram a disposição do tomador do serviço, aguardando ou executando ordens. Isto se depreendem do inciso I, do Fl. 18227DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 6 9 artigo 28, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e o artigo 4 º, da Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma oumais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos oucreditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob aforma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, querpelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição doempregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redaçãodada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 4º Considerase como de serviço efetivo o período em que o empregadoesteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvodisposição especial expressamente consignada Portanto, não há como acolher as alegações do impugnante. Da inocorrência de desconsideração da personalidade jurídica Aduziu a recorrente ausência de fundamentação legal para desconsiderar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas prestadoras de serviços, bem como incompetência da Receita Federal do Brasil para tal. Ademais alegou violação à legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal quando de tal determinação. Alegou, ainda, que a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego não produz efeitos tributário: e, desta feita, suas conclusões, por intermédio do inquérito civil público não servem de fundamentos para a cobrança de contribuições previdenciárias Destarte, as alegações da recorrente estão prejudicadas, pois não houve as desconsiderações das personalidades jurídicas. O que houve nestes lançamentos foram a caracterizações dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços como segurados empregados do recorrente e que esses fatos geradores foram corroborados pela Justiça do Trabalho e consoante os documentos acostados pela empresa as fls. 13.697 a 14.245.Logo, não há como acolher as alegações da recorrente. Ademais, O art. 116, Parágrafo Único do CTN dispõe que “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Fl. 18228DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Por outro lado, a Lei nº 10.593/2002, que disciplinava a carreira dos AuditoresFiscais de Contribuições Previdenciárias, atribuía a competência para lançar e constituir os créditos previdenciários. Assim, no exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários do vínculo empregatício. Para ratificar esse entendimento, basta verificar que o Projeto de Lei que resultou na edição da Lei nº 11.457/2007, que criou a Super Receita, continha originariamente dispositivo que restringia à decisão judicial a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício (art. 6º, §4º), tendo sido vetado pelo Presidente da República. Assim, persiste no ordenamento jurídico pátrio a autorização para o Auditor Fiscal exigir o adimplemento das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento a prestadores de serviços a partir da consideração de vínculo empregatício, não sendo tal ato de competência privativa da auditoriafiscal de natureza trabalhista, tampouco exclusivamente da Justiça do Trabalho. E mais, cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei4.502/64, acima transcrito. Dos acréscimos legais Alega a recorrente que há flagrante iliquidez do presente lançamento, na medida em foi aplicado os juros e correção monetária sobre o valor autuado, havendo duplicidade; É sabido que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e Obrigatória, e desta feita, os créditos tributários dos lançamentos seguiramestritamente o que determina a Lei e estão devidamente fundamentados no FLD –FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITOS de fls. 9 a 11, 17.985 a 17.986, 17.990 a 17.991 e17.995 a 17.996. Assim, não há como acolher as alegações do impugnante. Da multa qualificada Nos Autos aqui tratados, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, em caso de fraude e simulação. A situação de simulação e fraude constatada nos autos também se reflete na aplicação da multa qualificada. Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação determina a incidência de multa de ofício,correspondente a 75% Fl. 18229DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 7 11 da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e nãorecolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art.35 desta Lei, aplicase o disposto no art.44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado,ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Leinº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentara documentação técnica de que trata o art.38desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 18230DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 §3º Aplicam se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art.60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicam se,inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A multa de ofício é de aplicação obrigatória para as competências a partir de12/2008, prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44, e o inciso I e §1º deste dispositivo, adetermina a duplicação do percentual da multa nos casos de simulação, fraude ou dolo: Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem sobre o assunto: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento porparte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributáriaprincipal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetara obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no sarts. 71 e 72. Cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei4.502/64, acima transcrito. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Portanto, não há como acolher as alegações do impugnante. Fl. 18231DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.729980/201239 Acórdão n.º 2302003.371 S2C3T2 Fl. 8 13 Conclusão: Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns°51.032.9748, 51.032.9756, 51.032.9764, 51.032.9713, 51.032.9721 e 51.032.9730 É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 18232DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000138/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.366
Decisão: Vistos, relatado e analisado os autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO (Relator), BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO (Relator), BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 86 .0 00 13 8/ 20 07 -2 8 Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 3 2 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de auto de infração lavrado, por meio do qual foram lançadas contribuições previdenciárias corresponde à parte patronal e ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT, bem como para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O crédito previdenciário lançado foi efetuado a título de solidariedade na prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da redação original do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. De acordo com o relatório fiscal: “Portanto, tendo a empresa contratada (APA — Serviços de Apoio Ltda) prestado serviços em regime de trabalho temporário, fato este constatado por meio de seu código CNAE (74500Locação de MãodeObra) e contrato de prestação de serviço com a contratante, atividade esta tipificada na norma legal, de forma continua e nas dependências da tomadora, inafastável a obrigação da contratante, para se elidir da responsabilidade solidária, em comprovar a documentação prevista na Lei n.° 8.212/91 como explicitado no item 2 retro.” Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, sustentando, em síntese, que: (i) nulidade na apuração do crédito previdenciário com base na aferição indireta; (ii) ocorrência da decadência; (iii) inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária utilizando o faturamento com base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. A instância a quo julgou improcedente a impugnação apenas, mantendo, dessa forma, o lançamento ora questionada em sua integralidade. Contra tal decisão, foi interposto recurso voluntário que, ao reiterar todos os argumentos expedidos na impugnação, acrescentou nas suas razões recursais alegação de nulidade do auto de infração, pois houve o período autuação já havia sido fiscalização. É o relatório. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigí la. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Da narrativa das razões recursais sustenta a recorrente, em sede de preliminar, que: “0 RECORRENTE recebeu nesta fiscalização o Mandado de Procedimento Fiscal, PERÍODO DE 01/1995 A 0111999, tendo sido emitida NFLD – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO QUE ENVOLVE COMPETÊNCIAS ENTRE 01/1995 A 01/1999. Ocorre, porém, que em OUTUBRO/2004 o Recorrente já havia sido fiscalizado para o período de 01/1996 a 12/2001, pelo Fiscal de Contribuições Previdenciárias Pedro Yamacita, matricula 0954191, quando foram emitidas várias NFLD e AUTO DE INFRAÇÃO (35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.832 7). Outras fiscalizações ocorreram também para o atual período.” Da fundamentação exposta em seu recurso voluntário, verificase que, diante da menção dos autos de infração nºs 35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.8327, e do período por esses eventualmente acobertados é possível que tenha havido a refiscalização, relativa ao mesmo período. Diante da ausência de elementos seguros, nesse processo, em relação ao período objeto das autuações acima indicadas pelo recorrente, necessário é que se converta o julgamento em diligência para que se junte a estes autos cópia dos DEBCADs supostamente pertencentes ao mesmo período da apuração das contribuições ora lançadas. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam juntas aos presentes autos cópias integrais dos DEBCADs nºs 35.132.834.3, 35.132.833.5, 35.132.835.1, 35.132.8360 e 35.132.8327. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.000138/200728 Resolução nº 2301000.366 S2C3T1 Fl. 5 4 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.722808/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Por unanimidade de votos, RESOLVEM os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 80 8/ 20 12 -1 1 Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.529 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1443.103, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis e ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, lavrados em 05/12/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 109.678.283,25, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 30/11/2012, em razão de omissão de receita decorrente de Juros sobre o Capital Próprio (2007 e 2009), de glosa de despesas não comprovadas (2008 e 2009), de exclusões/compensações indevidas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (2008), bem como de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados (2009). Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02, foram lavrados autos de infração parciais, controlados nos processos n°s 19515.721884/201129 (IRPJ e reflexos; Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2007) e 19515.722809/201266 (Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2008). Em mesmo Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 foram descritas as infrações tratadas no presente processo, conforme abaixo parcialmente transcrito: "EXERCÍCIO 2008 ANO CALENDÁRIO DE 2007 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Conforme consta no Termo de Constatação Fiscal n° 01, lavrado em 19.02.2012 (vol. 10fl.891— Sumário Auxiliar), o sujeito passivo omitiu a tributação do IRPJ, da CSLL e das Contribuições ao PIS e COFINS o valor de R$ 3.482.058,33 (três milhões quatrocentos e oitenta e dois mil cinqüenta e oito reais e trinta e três centavos) oriundo da receita de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) paga ou creditada em dezembro de 2007pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. —CEMAT—CNPJ 03.467.321/000199. Incidiu sobre este valor o Imposto de Renda — Fonte sendo retido pela CEMAT a importância de R$ 522.308,72 (quinhentos e vinte e dois mil trezentos e oito reais e setenta e dois centavos), conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda FontePessoa Jurídica — Ano Calendário 2007" (vol. 10fl.906 Sumário Auxiliar). Considerando que o artigo 92 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 no seu § 39 diz no seu inciso I que: "O imposto de retido na fonte será considerado: Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.530 3 I — antecipação do devido na declaração do Imposto de Renda, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real." Tratandose o Imposto de Renda no regime de Fonte, um pagamento feito antes do vencimento da obrigação principal do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica devido na declaração. Esta fiscalização apurará o Imposto de Renda incidente sobre o valor da Receita dos Juros sobre o Capital Próprio omitido à declaração e compensará o Imposto de Renda retido pela fonte pagadora. Em decorrência o valor de R$ 3.482.058,33 será objeto de lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição ao Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, compensandose, no caso do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica o Imposto de Renda — Fonte retido pela CEMAT, no montante de R$ 522.308,72. (...) EXERCÍCIO DE 2009 ANO CALENDÁRIO DE 2008 EXCLUSÃO IRREGULAR NO AJUSTE DO LUCRO LIQUIDO QUANDO DA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL e DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datadas de 05.05.2012 (vol. 10 fls.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS n° 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 — Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A— Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento Imposto Valor Baixado — Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS n° 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS n° 20, relativo ao ano calendário de 2009, a importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS n° 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". As folhas 92 do LACS n° 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.531 4 sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero " nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, no ano calendário de 2009 — exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl.47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl.19Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.2012(vol.01fl.39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 — "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado na conta contábil "3.4.05.2002 — Descontos Auferidos" Em 19.02.2012 (vol.10fl.891Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em comento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumário Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09. 2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário " e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. Lançamentos contábeis sem lastro em documentação hábil e idônea se revelam redução indevida das bases de cálculo do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como, haver adicionado e excluído idênticos valores nos ajustes do Lucro Líquido para apurar as bases tributáveis do Imposto de Renda —Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido resulta em soma ZERO o que evidentemente não afeta o resultado tributável de 2009 tanto do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica como da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, não houve, em 2009, a alegada correção do equivoco praticado em 2008. Portanto, procederseá ao lançamento de ofício, via auto de infração, para constituir o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL incidente sobre a importância de R$ 81.200.000,00, uma vez que o equivoco nos cálculos das bases de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido praticado pela empresa em 2008 não foi sanado. (...) DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.532 5 A empresa foi intimada, em 19.09.2012 (vol.11fl.1141/1144Sumário Auxiliar) a apresentar documentos necessários à comprovação das despesas contabilizadas na conta 3.4.04.3002 "VARIAÇÃO CAMBIAL" que alcançaram o montante de R$ 6.115.014,72 (seis milhões cento e quinze mil quatorze reais e setenta e dois centavos) no ano calendário de 2008. A fiscalização compareceu, em 05 de novembro de 2012, à sede da empresa para examinar os referidos documentos, conforme exigido na intimação mencionada. Foram lhe apresentados as seguintes cópias de documentos: Comunicação via fax do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria S.A., datada de 23.03.2009 reclamando do atraso em pagamentos. Certificação de saldo de conta de crédito, datada de 13.03.2009, emitida pelo mesmo banco, sendo apresentados documentos bancários que atestam a existência da divida em 2008. Conta Corrente de Crédito do período de 15.01.2005 a 13.03.2009. Tais documentos foram apresentados na língua espanhola constando naqueles relativos à Conta Corrente de Crédito a aposição de carimbo da "Notaria de D Pedro de La Herran Matorras — Madrid" A empresa na sua resposta informa que R$ 3.577.849,59 do montante de R$ 6.115.014,72 referese à variação passiva deste financiamento internacional. Mas, quanto ao valor de R$ 2.537.166,13, correspondente a diferença entre o total contabilizado como "VARIAÇÃO CAMBIAL", na conta cima indicada, e o valor de R$ 3.577.849,59, dado como comprovado por esta fiscalização, não foi apresentada qualquer documentação hábil e idônea que lhe desse suporte, trazendo somente controle interno produzido pela própria empresa. Os controles elaborados pela empresa e apresentados para justificara despesa de R$ 2.537.166,13 a título de variação cambial não tem os elementos hábeis a dar suporte aos lançamentos contábeis, pois, é prova auto gerada não tendo, assim, a segurança necessária a embasar lançamentos contábeis. Em razão disto será glosado o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões quinhentos e trinta e seta mil cento e sessenta e seis reais e treze centavos) por haver onerado irregularmente o lucro do ano calendário de 2008, a título de despesas com variação cambial, implicando serem exigidos, via auto de infração, o Imposto de Renda — Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL incidentes sobre o valor acima indicado. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS A fiscalização exigiu também no termo de intimação fiscal datado de 19.09.2012, prova documental de lançamentos que indicou feitos em 2008 na conta "3.4.1005— JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS" que totalizaram R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões trinta e nove mil novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos). São eles: DATA VALOR EM REAIS Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.533 6 31.0S.2003 2.002.785,63 30 092008 7.4 70.42 2,07 31.10.2008 5.529.587,76 30.11. 2008 6.037.105,20 Total 21.039.904,66 A empresa não apresentou, como é seu dever, a documentação emitida pelo Banco Boa Vista, instituição financeira que consta nos lançamentos contábeis como beneficiária, destas importâncias restringindose a apresentar documentos de sua própria lavra para comprovar os expressivos valores de juros contabilizados na conta acima indicada. Alega apenas que: "os valores referemse a atualização das parcelas devidas ao Banco Boa Vista, conforme Certificado de Registro do Banco Central do Brasil n° 541/00270, emitido em 20.10.1997." A Inepar S/A. Indústria e Construções é empresa de porte internacional tendo ações transacionadas em Bolsa de Valores e, por isso, sofrendo auditoria com vista a darlhe, no mercado acionário, respeitabilidade e garantia a seus investidores. Razão porque tem o dever de guardar com a máxima segurança a fim de apresentar a terceiros interessados os documentos de gastos que lhe afete o resultado. A Fazenda Pública Federal é terceiro interessado uma vez que sobre resultado do exercício há incidência dos tributos Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Logo, é dever da empresa apresentar documentação emitida pelos beneficiários dos pagamentos que efetivar quando exigidos pela fiscalização federal. Não o fazendo se sujeita a terem glosados os valores acima indicados cabendo ao fisco o lançamento de oficio do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre a soma dos valores não documentadamente comprovados. (...) EXERCÍCIO DE 2010 ANO CALENDÁRIO DE 2009 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO A empresa, identicamente ao ano calendário de 2007, omitiu a tributação do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), das Contribuições ao PIS e COFINS à receita de Juros sobre o Capital Próprio no valor de R$ 4.568.529,33 (quatro milhões quinhentos e sessenta e oito mil quinhentos e vinte e nove reais e trinta e três centavos) pago ou creditado, no ano calendário 2009, pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. CEMAT, conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica" obtido pelo fisco em resposta a intimação no âmbito do procedimento de diligência determinada pelo MPF 08.1.90.00.2011.011873, datada de 25.09.2012 Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.534 7 (vol.17fl.1679Sumário Auxiliar) e informado na DIRF pela fonte pagadora (vol.17 fl.1683) Esta receita tributável sofreu a retenção de Imposto de Renda — Fonte pela CEMAT no valor de R$ 685.279,40 (seis centos e oitenta e cinco mil duzentos e setenta e nove reais e quarenta centavos) como antecipação do imposto a ser pago na declaração das pessoas jurídicas que declaram o Imposto de Renda com base no Lucro Real. Estes fatos serão considerados nos cálculos do lançamento de oficio que a transgressão à Lei praticada pela INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES impõem ao fisco. (...) DESPESAS COM SERVIÇOS PROFISSIONAIS TERCEIRIZADOS JURÍDICA Nos termos de intimação lavrados em 23.08.2012 e 12.09.2012 (respectivamente vol.11fl.1043/1044 e fl. 1052/1053), reiterados em 26.09.2012 (vol.11fl.1161/1162), foi exigida a apresentação de documentos que comprovassem a materialidade de serviços de assessoria e consultoria técnica tidos como prestados por empresas relacionadas pelo fisco nas intimações fiscais no ano calendário de 2009. Em 10.09.2012 a INEPAR apresenta resposta e documentos (vo1.11 f1.1055/1139Sumário Auxiliar), com os quais pretende demonstrar a materialidade dos serviços de assessoria e consultoria prestados por pessoas jurídicas exigidos pela fiscalização, mas faz a ressalva que não foi possível levantar todo o acervo de documentos que objetivam a demonstrar a materialidade desejada pelo fisco. No termo datado de 26.09.2012 (Vol.11.f1.1161/1162Sumário Auxiliar) a empresa foi notificada de que não havia cumprido o que lhe foi exigido nos termos de intimação de 23.08.2012 e 12.09.2012, pois, não apresentou os documentos elaborados pelos assessores e consultores que materializassem os serviços descritos nos documentos fiscais por eles emitidos, bem como, não lhes comprovou a qualificação técnica. Tratandose de serviços que se concretizam em papéis emitidos pelos assessores e consultores que os descrevem dandolhes substância possíveis de serem confrontadas com seus efeitos na realidade por fornecerem por escrito o registro do trabalho efetuado. Tais como: A descrição dos fatores referentes à extensão do trabalho, considerados no planejamento; Evidenciam os estudos e avaliações sobre o escopo do trabalho; Dão a extensão dos serviços executados e os testes procedidos para implantar suas recomendações; Fornecem informações importantes para fundamentar os relatórios emitidos quanto às investigações técnicas, aos testes, avaliações, recomendações e pareceres e conclusões dos assessores e consultores; Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.535 8 Fornecerem à empresa as informações necessárias para avaliar as qualificações dos membros das equipes quanto as suas competências nos assuntos em que vão exercer o trabalho, senso de organização e suas habilidades para planejar e executar o trabalho. Portanto, a empresa necessariamente tem o dever de arquivar estes papéis de trabalho, tanto para seu uso próprio e permanente, como para apresentálos a auditoria contábil fiscal para comprovarlhes a efetividade, como lhe foi exigido. O registro contábil não constitui elemento comprobatório por si só. A simples menção em Notas Fiscais, acompanhados ou não de contratos não são prova suficiente dos gastos com os assessores e consultores se desacompanhados de comprovantes idôneos que os materializem. Mesmo os tributos nelas descritos como retidos não lhes dão força probatória Em decorrência serão glosados os gastos a seguir especificados contabilizados na conta "4.1.02.1.014 — Serviços Profissionais Terc. Jurídica", no ano calendário de 2009. PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR Rovai Infra estrutura e Apoio Negocial Ltda, 13.612,50 Support Assessoria e Administração Ltda. 157.948,62 Colotto Consultores S/C. Ltda, 165.887,80 Planagro Ltda. 1.682,533,30 Habib Tarner Badiao Advocacia & Tribunais S/C 3.153,938,91 Nucíeon Engenharia S/C Ltda. 44 467,50 Mexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474,150,23 Apya projetos e Participações Ltda. 372.983,92 Total 11.065.522,78 (...) PAGAMENTOS EFETUADOS SEM COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO OU CAUSA DATA PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR 31/12/2009 Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda. 13.612,50 31/12/2009 Support Assessoria e Administração Ltda. 157.948,62 31/12/2009 Colotto Consultores S/C, Ltda. 165.887,80 31/12/2009 Planagro Ltda. 1.682.533,30 31/12/2009 Ha bib Tamer Bad iao Advocacia & Tribunais S/C 8.153,938,91 31/12/2009 Nucleón Engenharia S/C Ltda. 44.467,50 Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.536 9 31/12/2009 Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474,150,23 31/12/2009 Apya Projetos e Participações Ltda. 372,983,92 Total 11.065.522,78 Conforme acima demonstrado a INEPAR S/A. INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES no ano calendário de 2009 efetuou pagamentos ou créditos aos beneficiários acima indicados. Regularmente intimada a comprovar a efetividade do recebimento dos serviços constantes dos contratos, resumidamente descritos nos documentos fiscais, não logrou fazêlo. Tal fato produz como conseqüência à tributação destes valores a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), pois, a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda — Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Liquido. Os valores sofrem a incidência do Imposto de Renda, exclusive na fonte, cabendo o reajustamento da base de cálculo por ser o rendimento considerado líquido. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS Em 19.09.2012 (vol.IIfl 1142Sumário Auxiliar) a empresa foi intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar o lançamento de R$ 21.702.244,84. na conta "3.4.1005 — Juros s/ empréstimos", no ano calendário de 2009, que segundo o lançamento contábil referese a empréstimo contraído com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES. O sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal ao referido lançamento. Alega se trata de lançamento "referente ao complemento do passivo devido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES, por conta do contrato n° 97.2.514.3.2, tendo em vista que os valores registrados na contabilidade da Inepar S/A. Indústria e Construções estão em valores menores que os contratuais" (vol.17 fl.1687Sumário Auxiliar). Não pode ser aceita pela fiscalização a alegação da empresa. Sem o amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas. A confirmação de lançamentos de despesas exige documentos hábeis e idôneos emitidos pelos beneficiários dos dispêndios, pois são estes que dão materialidade e confirmam a autenticidade dos valores envolvidos. Assim, pela falta de documentos essenciais à prova do lançamento contábil lavrarseá auto de infração para constituir de ofício o crédito tributário do Imposto de Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.537 10 Renda— Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre o valor de R$ 21.702.244,84 (vinte e um milhões setecentos e dois mil duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos). (...) REPERCUSSÕES DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO DETERMINADOS PELO MPF N 9 08.1.90.002010017380 SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZOS FISCAIS e DEMONSTRATIVO DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANOS CALENDÁRIO 2007/2008/2009 Decorrente das análises fiscais procedidas nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, no bojo das determinações do MPF 08.1.90.00.2010.017380, nas quais foram constatadas as infrações fiscais relatadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal datado de 28.11.2011 incito no Processo n° 19515.721.884/201129 e neste ato administrativo, os PREJUÍZOS FISCAIS e BASES NEGATIVAS DA CSLL, apurados pela contribuinte, nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, sofreram alterações nos seguintes VALORES TRIBUTÁVEIS, em razão dos Processos Administrativos n°. 19515.721884/201129 e Processo Administrativo n°. 19515.722.808/201211. Ano Calendário 2007 Proc. Admin, Fiscal n* 19515.7218E4/201129 184.070.460,57 Ano Calendário 2007Proc. Admin. Fiscat n« 19515.722.80S/2Q1211 3.482,058,33 Ano Calendário 20O3 Proc. Admin. Fiscal nS 19515.722.BQB/2Q12U 104.777.070,79 Ano Calendário 2009 Proc. Admin. Fiscal n^ 19515.722.aOS/20l2ll 37.336.296,95 Assim, a empresa é intimada a refazer os cálculos dos ajustes do Lucro Liquido para apuração do Lucro Real e das Bases de Cálculo da CSLL destes anos para compatibilizálos à situação constatada pelo fisco. EXERCÍCIOS 2008/2010 — ANOS CALENDÁRIO 2007/2009 SINTESE DOS VALORES OBJETO DE TRIBUTAÇÃO DE OFÍCIO NO PROSSEGUIMENTO DOS TRABALHOS DE AUDITORIA CONTÁBIL FISCAL DETERMINADOS PELO MPF SUPRA MENCIONADO DESDE 25.11.2011 ANO CALENDÁRIO 2007 1— Omissão de Receita de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 3.482.058,33, com valor a compensar de R$ 522.308,72 referente ao IRRF retido na fonte. ANO CALENDÁRIO 2008 1— Exclusão Irregular no Ajuste do Lucro Liquido na Determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no valor de R$ 81.200.000,00 2 — Despesas Incomprovadas com Variação Cambial no valor de R$ 2.537.166,13. Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.538 11 3 — Despesas Incomprovadas com Juros sobre Empréstimos R$ 21.039.904,66. Portanto, o total de despesas glosadas no ano calendário 2008 foi no montante de R$ 23.577.070,79. ANO CALENDÁRIO 2009 1— Omissão de Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 4.568.529,33, com valor a compensar de R$ 685.279,40 referente ao IRRF retido na fonte. 2 — Despesas com Serviços Profissionais Terceirizados Pessoa Jurídicas Incomprovadas, no montante de R$ 11.065.522,78 3 — Despesas com Juros sobre Empréstimos Incomprovadas, no valor de R$ 21.702.244,84. Portanto, o valor total das despesas glosadas no ano calendário de 2009 foi de R$ 32.767.767,62 4 — Pagamento sem Causa, R$ 11. 065.522,78 (Imposto de Renda — Exclusivo Fonte 35%) Do que, para constar e produzir os efeitos legais é lavrado este Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 em três vias de igual teor e forma todas assinadas pelo Auditor Fiscal e pelo representante da empresa, com quem fica uma das vias." A interessada foi cientificada dos autos de infração em 10/12/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, impugnação, em 09/01/2013, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, acusa que a fundamentação legal utilizada não se coaduna com os fatos, com os ditames da legislação aplicável ao caso concreto e com o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, "porquanto (i) não houve a alegada omissão de receitas, de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A (CEMAT), das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, mas sim a não incidência destas exações nas operações em questão; (ii) o equívoco na contabilização de importâncias incluídas e retiradas do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LACS) e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) não provocou qualquer impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e tratouse de mero lapso formal na contabilidade que não causou qualquer prejuízo ao Erário; (iii) a totalidade das despesas contabilizadas a título de atualizações financeiras e de juros de contratos de empréstimos/financiamentos e outras despesas operacionais está amparada por documentação hábil e idônea, apta a comprovar a efetiva existência e a exigibilidade das mesmas nos exercícios questionados; (iv) os elementos que integraram o passivo da Recorrente no anobase de 2007, oriundos de saldos de empréstimos, deságios, parcelamentos, dentre outros, encontramse, igualmente, amparados em documentação fiscal fidedigna e idônea; (v) os pagamentos realizados pela Recorrente tiveram como motivação a comprovada prestação de diversos serviços de consultorias e assessorias técnicas específicas, não havendo base legal para aplicação da alíquota de 35% (...) de IRRF pretendida pela Autoridade Fiscal, pois há causa para todos os pagamentos questionados; e (vi) o patamar excessivo, confiscatório e desproporcional da multa imputada deve ser revisto, com o seu afastamento integral". Protesta pela insubsistência do auto de infração e seu consequente cancelamento, inclusive quanto à capitulação e à modalidade, diante das razões abaixo expostas. Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.539 12 Antes de adentrar no mérito da questão, historia sua atuação no mercado nacional e internacional, bem como sua atual condição econômicofinanceira, visando justificar as razões que "a conduziram ao passivo suportado nos dias de hoje face a sua reduzida atividade". Diz que no final da década de 1990 teve forte expansão, passando a ser titular, indiretamente, por meio de controladas, de participação relevante na telefonia fixa e celular (Telemar e Global Telecon), nas Centrais Elétricas do Pará SA CELPA, nas Centrais Elétricas do Mato Grosso SA CEMAT, nas Usinas de Machadinho, Dona Francisca, Ponte de Pedra, Itiquira, no Projeto Iridium e em TV a Cabo. Porém, a partir de 1999, diante da crise mundial, afirma ter se deparado com circunstâncias fora de controle, passando por um processo de reestruturação econômica e financeira, iniciado em 2003, com a ampla renegociação com os credores, "no qual se buscou o alongamento das dívidas então contraídas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento'". E que tal conduta não foi aceita por todos credores, dando início a diversas demandas judiciais por meio de ações de cobrança e revisionais, nas quais foram discutidos os critérios e formas de pagamento das obrigações assumidas, lides estas que persistiram ativas por longo período, em especial nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, repercutindo na apuração dos tributos objeto das autuações combatidas na impugnação. Acerca do direito, inicia dizendo ser inexistente a omissão de receita de R$ 3.482.058,33 (2008) e R$ 4.568.529,33 (2009), referente a juros sobre capital próprio recebidos da CEMAT. Alega que os juros sobre o capital próprio constituem instrumento de estímulo fiscal e possibilitam a remuneração dos sócios e o retorno pelo capital investido de forma antecipada, nos termos da doutrina abaixo: "A figura dos juros sobre capital próprio encontrase prevista no art. 9° da Lei 9.249/95, e foi concebida como um estímulo fiscal que veio atenuar os efeitos da extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, afetando de maneira particular as empresas que se encontravam capitalizadas. O mencionado estímulo consistiu em permitir que parte dos resultados da pessoa jurídica, distribuída antecipadamente aos sócios e acionistas, alcançasse uma finalidade fiscal: ser deduzida para efeito de apuração do lucro real, desde que atendidos determinados pressupostos." (A Figura dos Juros sobre Capital Próprio e as Contribuições Sociais do PIS e da COFINS. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169 [Coordenador Valdir de Oliveira Rocha]. São Paulo: Dialética, 2009, p. 73) (grifos nossos) Afirma que essa distribuição antecipada dos resultados, desde que atendidos determinados pressupostos, poderá ser abatida (deduzida), pela fonte pagadora (no caso a CEMAT), no cálculo do lucro real e, como já sofreu incidência do IRRF, não deverá ser submetida novamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando do ingresso no patrimônio da Impugnante, sob pena de violação ao seu direito de propriedade. Acusa que a fiscalização agiu com arbitrariedade ao exigir tais exações. Reitera que já foram objeto de tributação quando do auferimento originário do lucro/receita pela CEMAT, não sendo passíveis de se submeterem à nova incidência quando do Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.540 13 ingresso no patrimônio da impugnante, diante da violação ao artigo 5°, XXII, da Constituição Federal. De outro lado, julga que a não incidência do Pis e da Cofins, seja mediante distribuição de dividendos ou pagamentos de juros sobre o capital próprio, está delineada no art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 9.718/98, reproduzido pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que trata do regime nãocumulativo. Isso, porque os valores registrados como "receita" ou resultado positivo de equivalência patrimonial na contabilidade do titular da participação, in casu, da impugnante, não integram a base de cálculo da contribuição ao Pis e a Cofins. E continua: importa frisar que as leis afastam do alcance da contribuição ao PIS e da COFINS o resultado positivo da avaliação de investimentos peio valor do patrimônio líquido, sem qualquer distinção ou condição quanto à forma de distribuição aos acionistas desse mesmo resultado, ou seja, para a Lei é indiferente ter sido o lucro distribuído na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio, para fins de classificação como receita bruta. É verdade que, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, a legislação afasta de tributação o resultado de equivalência patrimonial, estando nele computado a parcela do lucro da investida a que faz jus o titular da participação e que, em momento posterior, poderá ser distribuído mediante o pagamento de juros sobre capital próprio ou de dividendos. Ora, se a Lei exclui da base de cálculo das contribuições o resultado de equivalência patrimonial, sem restringir o alcance do dispositivo àquelas situações em que o resultado vier a ser distribuído na forma de juros sobre capital próprio, não poderia à Autoridade Fiscal aplicar indistintamente a regra de tributação, a fim de limitar aos lucros distribuídos na forma de dividendos o alcance dos dispositivos atinentes à exclusão da base de cálculo das contribuições em comento. Assim, considerando que a vontade manifesta da lei, ao não incluir na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os dividendos recebidos, é desonerar de tributação da receita já tributada, de modo a diminuir o ônus fiscal sobre a produção, o comércio e os serviços, tendo em vista o desenvolvimento sustentado da economia, a forma de distribuição do resultado (pagamento de juros sobre o patrimônio líquido ou de dividendos), a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT â Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal. Passa a justificar o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do ano calendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário. Nesse sentido, explica: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.541 14 "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Ao fina! do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.2Cd.O 30,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível vsrificar, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02). Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.542 15 de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhidos. Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data venia, carente de amparo iegal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. Acerca da glosa de despesas com variação cambial não comprovada, de R$2.537.166,13, apresenta as seguintes razões de defesa: A conta contábil analisada pela Autoridade Fiscal, cujos valores não estariam comprovados na ótica desta, está detalhadamente exposta abaixo: Assim, a empresa é intimada a refazer os cálculos dos ajustes do Lucro Liquido para apuração do Lucro Real e das Bases de Cálculo da CSLL destes anos para compatibilizálos à situação constatada pelo fisco. EXERCÍCIOS 2008/2010 — ANOS CALENDÁRIO 2007/2009 SÍNTESE DOS VALORES OBJETO DE TRIBUTAÇÃO DE OFÍCIO NO PROSSEGUIMENTO DOS TRABALHOS DE AUDITORIA CONTÁBIL FISCAL DETERMINADOS PELO MPF SUPRA MENCIONADO DESDE 25.11.2011 ANO CALENDÁRIO 2007 1— Omissão de Receita de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 3.482.058,33, com valor a compensar de R$ 522.308,72 referente ao IRRF retido na fonte. ANO CALENDÁRIO 2008 1— Exclusão Irregular no Ajuste do Lucro Liquido na Determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no valor de R$ 81.200.000,00 2 — Despesas Incomprovadas com Variação Cambial no valor de R$ 2.537.166,13. 3 — Despesas Incomprovadas com Juros sobre Empréstimos R$ 21.039.904,66. Portanto, o total de despesas glosadas no ano calendário 2008 foi no montante de R$ 23.577.070,79. ANO CALENDÁRIO 2009 Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.543 16 1— Omissão de Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 4.568.529,33, com valor a compensar de R$ 685.279,40 referente ao IRRF retido na fonte. 2 — Despesas com Serviços Profissionais Terceirizados Pessoa Jurídicas Incomprovadas, no montante de R$ 11.065.522,78 3 — Despesas com Juros sobre Empréstimos Incomprovadas, no valor de R$ 21.702.244,84. Portanto, o valor total das despesas glosadas no ano calendário de 2009 foi de R$ 32.767.767,62 4 — Pagamento sem Causa, R$ 11. 065.522,78 (Imposto de Renda — Exclusivo Fonte 35%) Do que, para constar e produzir os efeitos legais é lavrado este Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 em três vias de igual teor e forma todas assinadas pelo Auditor Fiscal e pelo representante da empresa, com quem fica uma das vias." A interessada foi cientificada dos autos de infração em 10/12/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, impugnação, em 09/01/2013, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, acusa que a fundamentação legal utilizada não se coaduna com os fatos, com os ditames da legislação aplicável ao caso concreto e com o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, "porquanto (i) não houve a alegada omissão de receitas, de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A (CEMAT), das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, mas sim a não incidência destas exações nas operações em questão; (ii) o equívoco na contabilização de importâncias incluídas e retiradas do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LACS) e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) não provocou qualquer impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e tratouse de mero lapso formal na contabilidade que não causou qualquer prejuízo ao Erário; (iii) a totalidade das despesas contabilizadas a título de atualizações financeiras e de juros de contratos de empréstimos/financiamentos e outras despesas operacionais está amparada por documentação hábil e idônea, apta a comprovar a efetiva existência e a exigibilidade das mesmas nos exercícios questionados; (iv) os elementos que integraram o passivo da Recorrente no anobase de 2007, oriundos de saldos de empréstimos, deságios, parcelamentos, dentre outros, encontramse, igualmente, amparados em documentação fiscal fidedigna e idônea; (v) os pagamentos realizados pela Recorrente tiveram como motivação a comprovada prestação de diversos serviços de consultorias e assessorias técnicas específicas, não havendo base legal para aplicação da alíquota de 35% (...) de IRRF pretendida pela Autoridade Fiscal, pois há causa para todos os pagamentos questionados; e (vi) o patamar excessivo, confiscatório e desproporcional da multa imputada deve ser revisto, com o seu afastamento integral". Protesta pela insubsistência do auto de infração e seu consequente cancelamento, inclusive quanto à capitulação e à modalidade, diante das razões abaixo expostas. Antes de adentrar no mérito da questão, historia sua atuação no mercado nacional e internacional, bem como sua atual condição econômicofinanceira, visando justificar as razões que "a conduziram ao passivo suportado nos dias de hoje face a sua reduzida atividade". Diz que no final da década de 1990 teve forte expansão, passando a ser titular, indiretamente, por meio de controladas, de participação relevante na telefonia fixa e Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.544 17 celular (Telemar e Global Telecon), nas Centrais Elétricas do Pará SA CELPA, nas Centrais Elétricas do Mato Grosso SA CEMAT, nas Usinas de Machadinho, Dona Francisca, Ponte de Pedra, Itiquira, no Projeto Iridium e em TV a Cabo. Porém, a partir de 1999, diante da crise mundial, afirma ter se deparado com circunstâncias fora de controle, passando por um processo de reestruturação econômica e financeira, iniciado em 2003, com a ampla renegociação com os credores, "no qual se buscou o alongamento das dívidas então contraídas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento'". E que tal conduta não foi aceita por todos credores, dando início a diversas demandas judiciais por meio de ações de cobrança e revisionais, nas quais foram discutidos os critérios e formas de pagamento das obrigações assumidas, lides estas que persistiram ativas por longo período, em especial nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, repercutindo na apuração dos tributos objeto das autuações combatidas na impugnação. Acerca do direito, inicia dizendo ser inexistente a omissão de receita de R$ 3.482.058,33 (2008) e R$ 4.568.529,33 (2009), referente a juros sobre capital próprio recebidos da CEMAT. Alega que os juros sobre o capital próprio constituem instrumento de estímulo fiscal e possibilitam a remuneração dos sócios e o retorno pelo capital investido de forma antecipada, nos termos da doutrina abaixo: "A figura dos juros sobre capital próprio encontrase prevista no art. 9° da Lei 9.249/95, e foi concebida como um estímulo fiscal que veio atenuar os efeitos da extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, afetando de maneira particular as empresas que se encontravam capitalizadas. O mencionado estímulo consistiu em permitir que parte dos resultados da pessoa jurídica, distribuída antecipadamente aos sócios e acionistas, alcançasse uma finalidade fiscal: ser deduzida para efeito de apuração do lucro real, desde que atendidos determinados pressupostos." (A Figura dos Juros sobre Capital Próprio e as Contribuições Sociais do PIS e da COFINS. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169 [Coordenador Valdir de Oliveira Rocha]. São Paulo: Dialética, 2009, p. 73) (grifos nossos) Afirma que essa distribuição antecipada dos resultados, desde que atendidos determinados pressupostos, poderá ser abatida (deduzida), pela fonte pagadora (no caso a CEMAT), no cálculo do lucro real e, como já sofreu incidência do IRRF, não deverá ser submetida novamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando do ingresso no patrimônio da Impugnante, sob pena de violação ao seu direito de propriedade. Acusa que a fiscalização agiu com arbitrariedade ao exigir tais exações. Reitera que já foram objeto de tributação quando do auferimento originário do lucro/receita pela CEMAT, não sendo passíveis de se submeterem à nova incidência quando do ingresso no patrimônio da impugnante, diante da violação ao artigo 5°, XXII, da Constituição Federal. De outro lado, julga que a não incidência do Pis e da Cofins, seja mediante distribuição de dividendos ou pagamentos de juros sobre o capital próprio, está delineada no art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 9.718/98, reproduzido pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que trata do regime nãocumulativo. Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.545 18 Isso, porque os valores registrados como "receita" ou resultado positivo de equivalência patrimonial na contabilidade do titular da participação, in casu, da impugnante, não integram a base de cálculo da contribuição ao Pis e a Cofins. E continua: importa frisar que as leis afastam do alcance da contribuição ao PIS e da COFINS o resultado positivo da avaliação de investimentos peio valor do patrimônio líquido, sem qualquer distinção ou condição quanto à forma de distribuição aos acionistas desse mesmo resultado, ou seja, para a Lei é indiferente ter sido o lucro distribuído na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio, para fins de classificação como receita bruta. É verdade que, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, a legislação afasta de tributação o resultado de equivalência patrimonial, estando nele computado a parcela do lucro da investida a que faz jus o titular da participação e que, em momento posterior, poderá ser distribuído mediante o pagamento de juros sobre capital próprio ou de dividendos. Ora, se a Lei exclui da base de cálculo das contribuições o resultado de equivalência patrimonial, sem restringir o alcance do dispositivo àquelas situações em que o resultado vier a ser distribuído na forma de juros sobre capital próprio, não poderia à Autoridade Fiscal aplicar indistintamente a regra de tributação, a fim de limitar aos lucros distribuídos na forma de dividendos o alcance dos dispositivos atinentes à exclusão da base de cálculo das contribuições em comento. Assim, considerando que a vontade manifesta da lei, ao não incluir na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os dividendos recebidos, é desonerar de tributação da receita já tributada, de modo a diminuir o ônus fiscal sobre a produção, o comércio e os serviços, tendo em vista o desenvolvimento sustentado da economia, a forma de distribuição do resultado (pagamento de juros sobre o patrimônio líquido ou de dividendos), a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT â Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal. Passa a justificar o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do ano calendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário. Nesse sentido, explica: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.546 19 Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): ✓ 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; ✓ 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; ✓ 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e ✓ 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Ao final do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.2Cd.O 30,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível vsrificar;, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02). Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhido Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.547 20 Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data vénia, carente de amparo iegal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. Acerca da glosa de despesas com variação cambial não comprovada, de R$2.537.166,13, apresenta as seguintes razões de defesa: A conta contábil analisada pela Autoridade Fiscal, cujos valores não estariam comprovados na ótica desta, está detalhadamente exposta abaixo: Conta Contábil: 3.4.04.3.002 Variação Cambial Fornecedores ME Mês de Apuração Conta Contábil: 3.4.04.3.002 r Variação Cambial Referência Janeiro/2008 17.122,14 Fornecedores exterior Fevereiro/2008 186.587,14 Adiantamentos exterior Março/2008 162.242,95 Fornecedores exterior Abril/2008 123.643,29 Adiantamentos exterior Maio/2008 114.961,27 Adiantamentos exterior Junho/2008 72.149,48 Adiantamentos exterior Julho/2008 51.200,40 Adiantamentos exterior Agosto/2008 148.413,72 Fornecedores exterior Setembro/2008 675.738.92 Fornecedores exterior Outubro/2008 464.612,87 Fornecedores exterior Novembro/2008 515.484,72 Fornecedores exterior Dezembro/2008 5.009.23 Fornecedores exterior Sub Total '^ ; 2.537.166,13 Nesse passo, cabe à Recorrente esclarecer que o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e sete mil, cento e sessenta e seis reais e treze centavos), contabilizado na conta de variação passiva, sob o qual recaiu a glosa da despesa aproveitada para dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é composto da seguinte forma: Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.548 21 Variação cambial dos fornecedores 1.988.624,55 Variação cambial dos adiantamentos 548.541,58 Em 2008, a contabilidade da Recorrente registrava dívidas e saldos de adiantamentos com determinados fornecedores estrangeiros de matéria prima em sua moeda originária e, mensalmente, contabilizada a variação cambial decorrente das alterações na cotação de cada moeda, sendo certo que neste período houve tanto variação para maior (passiva) quanto para menor (ativa). A existência de tais dívidas e saldos de adiantamentos está devidamente comprovada pela juntada da documentação anexa (doe, 03) consistente em notas fiscais e declarações de importação de diversos produtos fornecidos à época que geraram as despesas oportunamente apropriadas pela Recorrente. Novamente, a Autoridade Fiscal não perquiriu a verdade material ou analisou a situação com a parcimônia necessária, tendo avaliado somente as variações cambiais passivas, sem sequer mencionar a apreciação das variações cambiais ativas ocorridas no mesmo período (ano calendário de 2008). Neste prisma, a Autoridade Fiscal a quo, com a maxima venia, andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação anexa (doc. 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos. Sobre as despesas com juros sobre empréstimos com o Banco Boa Vista, registrado na conta "3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS", de R$ 21.039.904,66, cuja origem, existência e exigibilidade não restaram comprovados, acusa que a fiscalização desconsiderou os esclarecimentos prestados, "vinculando expressamente a dívida ao Certificado de Registro do contrato de empréstimo emitido pelo BACEN", presumindo a inexistência de tais dispêndios. Diz que as informações poderiam ter sido aferidas por outros meios probatórios se os únicos pontos a serem verificados, no anocalendário 2008, para validação das despesas seriam: (i) se ainda existia a dívida originada no contrato de empréstimo; (ii) se estava exigível; e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade. Apresenta cópia do contrato firmado com o Boavista Banking Limited, bem como cópia de requerimento protocolado junto ao BACEN, na qual estão descritas as condições e valores envolvidos no contrato objeto do Certificado de Registro n° 541/000270 (doc. 04). Acrescenta que este mesmo fato está sendo analisado nos autos do processo administrativo n° 19515.721884/201129, pendente de julgamento na DRJ de São Paulo, "no qual se encontram outros fundamentos que corroboram o quanto alegado na presente impugnação e poderão ser trazidos aos presentes autos, nos termos do artigo 37, da Lei n° 9.784/99". E continua: Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.549 22 Ou seja, a Recorrente submeteu ao órgão regulador financeiro requerimento descrevendo analiticamente as condições do contrato, objeto do Certificado de r<egislro n° 541/000270, indevidamente rejeitado pela Autoridade Fiscal como amparo para as despesas glosadas, o qual se encontra válido e vigente até os dias de hoje. Dessa forma, temse por necessário que os Nobres Julgadores considerem as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 {vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ e da CSLL. Acerca das despesas com juros sobre empréstimos com o BNDES, registrado na conta "3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS", de R$ 21.702.244,84, vinculado ao Contrato de Financiamento Mediante abertura de Crédito (n° 97.2.514.3.2 doc. 05), também considerados não comprovados sob o fundamento de que "o sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal o referido lançamento'", diz que, muito embora a autoridade fiscal já tenha analisado referido contrato "quando da lavratura do auto de infração controlado nos autos do Processo Administrativo n° 19515.721884/201129, que atualmente aguarda julgamento na DRJ de São Paulo", novamente narrará as peculiaridades do instrumento: BNDES Contrato n° 97.2.514.3.2: firmado em 01/12/1997 no valor R$ 56.580.383,65 (cinquenta e seis milhões, quinhentos e oitenta mil, trezentos e oitenta e três reais e sessenta e cinco centavos), dividido no "Subcrédito A", equivalente a R$ 32.331.647,81 (trinta e dois milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e quarenta e sete reais e oitenta e um centavos), e no “Subcrédito B", equivalente a R$ 24.248.735,84 (vinte e quatro milhões, o duzentos e quarenta e oito mil, setecentos e trinta e cinco reais e oitenta e quatro centavos) {doc. 05): Alega a Autoridade Fiscal que "sem amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas", sem que tivessem sido analisados/solicitados os demais documentos vinculados à dívida em pauta, o que desqualifica, sobremaneira as informações/controles contábeis apresentados. Agindo assim a Autoridade Fiscal, novamente, desconsiderou o contexto de dificuldade econômica vivenciado pela Recorrente no período da realização desta operação, bem como as restrições advindas de sua conduta devedora impostas pelas instituições financeiras credoras que, optaram por exigir o adimplemento da obrigação contratada na via Judicial. Nesta linha, o único documento que satisfaria a Autoridade Fiscal na comprovação da existência das despesas oriundas do contrato de empréstimo em análise seria eventual extrato/declaração em papel timbrado fornecido pelo BNDES, documento este que a Recorrente apresenta nesta oportunidade, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18.01.2012. informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Com efeito, se os únicos pontos a serem verificados para validação dos valores lançados como despesa seriam (i) se nesta época a dívida originada no contrato de Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.550 23 empréstimo firmado com o BNDES ainda existia, (ii) se estava exigível e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade da Recorrente, certo é que tais informações estão todas ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18,01.2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Nesse contexto, são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da divida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99. Passando à comprovação das despesas incorridas com profissionais terceirizados e da materialidade dos serviços prestados, acusa ausência de amparo fático para as conclusões consignadas pela autoridade fiscal. Relaciona as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços questionados, no total de R$ 11.065.522,78, dizendo que as despesas deduzidas estão de acordo com os arts. 299 e 300 do RIR/99. Acusa que, em total descompasso com o princípio da legalidade, a autoridade fiscal ainda lançou o IRRF à alíquota de 35% sobre tais pagamentos, com fundamento na seguinte alegação: "a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Líquido''" e em suposta conformidade com o art. 674 do RIR/99. Expõe detalhadamente os fatos e pretende comprovar a materialidade das operações, conforme abaixo: Roval Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda. Tratase da contratação de parecer da lavra do causídico Armando Luiz Rovai para apresentação no processo judicial n° 60448/2006, movido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) contra a Recorrente em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta o anexo parecer em inglês e português objeto da contratação em questão (doc. 06). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Support Assessoria e Administração Ltda. A Support Assessoria e Administração presta serviços à Recorrente de assessoria jurídica na área trabalhista acompanhando processos trabalhistas em todo o país, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 07). Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.551 24 Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de uma procuração por instrumento público nomeando advogados da Support para representála em Juízo e, exemplificativamente, cópia de peças extraídas de processos trabalhistas corroborando a participação dos advogados indicados na procuração em questão (doc. 07). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da giosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Colotto Consultores S/C Ltda. A Colotto Consultores S/C Ltda. presta serviços à Recorrente de consultoria em gestão de desenvolvimento de projetos e negócios na área de transmissão e distribuição de energia elétrica e de desenvolvimento de novos negócios, como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 08). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de estudo submetido à apreciação dos consultores da Colotto, que versa sobre novos negócios na área de aproveitamento de lixo para geração de energia e também pedidos/comprovantes de reembolso de despesas incorridas na prestação da consultoria em questão (doc. 08). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de 1RPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se :i|bsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99, Planagro Ltda. A Planagro Ltda. presta serviços de consultoria à Recorrente, especialmente ro acompanhamento de processos de interesse desta, em diversos órgãos Públicos, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 09). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia dos extratos dos processos judiciais que foram verificados peia Planagro (doc. 09). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C A Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C presta serviços jurídicos à Recorrente de assessoria jurídica na área tributária, atuando no acompanhamento de Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.552 25 diversos processos, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 10), Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da carta de circularização emitida em conformidade com as exigências dos auditores independentes e cópia de relatórios processuais emitidos pelo Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, que atestam a existência de quantidade significativa de processos sob o seu patrocínio (doc. 10). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nucleon Engenharia S/C Ltda. A Nucleon Engenharia S/C Ltda. presta serviços á Recorrente de assessoria societária e *?i contratada para representála no Conselho de Administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 11). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a )<;galÍG3de da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de Atas de Reunião do Conselho de administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., nas quais constam a participação do representante da Nucleon Engenharia (doc. 11). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes A Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes foi contratada pela Recorrente para elaboração de estudo visando a avaliação de eventual lançamento de ações no mercado, medida esta que por razões diversas não se concretizou, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 12). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópias das apresentações elaboradas pela Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes visando a quantificação dos ativos e a consolidação das informações necessárias para viabilizar o desiderato do contrato em questão (doc. 12). Logo, dúvida não resta quanto ã materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.553 26 Apya Projetos e Participações Ltda. A Apya Projetos e Participações Ltda. presta serviços de consultoria societária à Recorrente, estudando e analisando a estrutura desta para propor a melhor forma de organização de acordo com os objetivos negociais futuros, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 13). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da Ata da 72a Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 12.11.2009, na qual foi materializado o resultado dos estudos elaborados pela Apya Projetos e Participações Ltda. (doc. 13). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, fendo portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, accor.entes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fé tico não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Feitas as considerações e a apresentação das provas anexas a presente impugnação (does. 06 a 13) de forma analítica para cada caso, temse que todos os serviços descritos acima, cujos valores foram deduzidos como despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram glosados pela Autoridade Fiscal, acompanhados do lançamento de IRRF à alíquota de 35 (trinta e cinco por cento) por suposto pagamento sem causa, tiveram a sua materialidade inequivocamente comprovada e, portanto, devem ser integralmente cancelados os lançamentos guerreados que tiveram como base tais contextos fáticos, em homenagem ao princípio da legalidade. Protesta pela busca da verdade material mediante análise da documentação ofertada e/ou realização de diligência para elucidação das dúvidas que viciam os lançamentos combatidos, no intuito de ver satisfeito o princípio da eficiência, nos termos do art. 37 da Constituição Federal. Salienta que, embora a autoridade fiscal tenha intimado a impugnante no curso da auditoria, não foi plenamente satisfeito o princípio da verdade material, "pois o Auto de Infração guerreado, nos pontos em questão, fundamentouse em presunções, o que não se pode admitir no processo administrativo tributário'". Alega que colaborou com a fiscalização, "mas como não foi indagada a apresentar as justificativas, acompanhadas da competente documentação comprobatória das condutas praticadas, que entendesse cabíveis para fazer frente ao suposto descompasso de informações detectado pela Receita Federal do Brasil, de modo que a Autoridade Fiscal chamou para si a responsabilidade integral pela persecução probatória da existência/validade do crédito tributário ora combatido". Acusa que, no presente caso, "tratase de equívoco na interpretação dos fatos e das provas acostadas aos autos no curso da Fiscalização, que culminou com a presunção de determinada situação, que, por certo, não pode se sobrepor à real apuração contábil/fiscal da Recorrente". Discorre acerca da atividade do lançamento, com base no art. 142 do CTN, na doutrina e jurisprudência. No mais, questiona a multa de ofício aplicada. Fundamentase nos arts. 5°, XXII, e 150, IV, da Constituição Federal. Cita doutrina e jurisprudência, protestando pela inconstitucionalidade da exigência: Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.554 27 "Sem prejuízo das arbitrariedades e das nulidades apontadas nos tópicos anteriores, cumprese aplicar drástica redução do percentual da multa exigida, através de um limite/patamar máximo razoável (10%), que não represente confisco do patrimônio e não seja desproporcional à infração supostamente praticada, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco e de violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco." Encerra com as seguintes conclusões e pedido: IV DAS CONCLUSÕES Por todo exposto, podese chegar às seguintes conclusões (I) a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT à Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal; (ii) em relação ao equívoco contábil narrado no tópico "lll.b" da presente impugnação, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente explicitados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados; (iii) a Autoridade Fiscal a quo andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação, anexa (doo 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos; (iv) é necessário considerar as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ, da CSLL; (v) são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da dívida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, inclusive ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDS AC/DEREC n° 003/12, de 18.01,2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05) que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99; (vi) a partir das provas anexas à presente impugnação (does. 06 a 13) e das explicações analíticas acerca de cada situação, foi comprovada a materialidade dos serviços prestados pela Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda, Support Assessoria e Administração Ltda., Colotto Consultores S/C Ltda., Planagro Ltda., Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, Nucleon Engenharia S/C Ltda., Nexia Vilas Rodil Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.555 28 Auditores Independentes e Apya Projetos e Participações Ltda., sendo totalmente nulos a glosa das despesas de IRPJ e de CSLL e os lançamentos de IRRF perpetrados pela Autoridade Fiscal; (vii) ante a insubsistência dos elementos basilares para a interpretação defendida pela Autoridade Fiscal, não pode prosperar a constituição dos créditos tributários relativos ao IRPJ, IRRF, CSLL, contribuição ao PIS e CO FINS, uma vez que a Autoridade Fiscal baseouse em presunções e não perquiriu a verdade material para delimitação dos fatos sobre os quais recaíram as imputações fiscais guerreadas, sendo, portanto, inquestionável a necessidade de cancelamento integral dos Autos de Infração ora combatidos; (viü) a Autoridade Fiscalizadora, ao imputar a multa nos patamares praticados acabou por confiscar, desproporcionalmente, relevante parte do patrimônio da Recorrente, uma vez que a suposta infração cometida, mesmo que fosse verdadeira, não justificaria a aplicação de multa extorsiva sem um limite/patamar a ser obedecido. V DO PEDIDO Diante todo o exposto, conforme detalhadamente sustentado na presente impugnação, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrem imperiosas para a noi/^ta percepção dos fatos e da verdade material, inclusive da posterior juntada de novas provas, requer seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados na presente Impugnação, para que sejam anulados os Autos de Infração combatidos, com o cancelamento das cobranças efetivadas pela A^nddade Fiscal, e declarada a improcedência da totalidade dos lançamentos g lerreados, das glosas praticadas e das multas imputadas, por não ter sido configurada qualquer infração às disposições legais vigentes à época dos fatos. Subsidiariamente, caso não seja reconhecida a totalidade dos argumentos da Recorrente o que não se acredita , requer sejam reduzidas as multas desproporcionais e confiscatórias aplicadas peia Autoridade Fiscal, para que reflitam percentuais condizentes com a situação concreta, por ser medida de JUSTIÇA FISCAL! Protesta, outrossim, pela nulidade da determinação para contida no Relatório de Verificação Fiscal n° 02 noticiando a alteração dos valores de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo, dos períodos de apuração de 2007, 2008 e 2009, em respeito ao principio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os créditos tributários objeto dos PAs n°s 19515.721884/201129 e 19515.722808/201211, sequer foram validados pela autoridade administrativa hierarquicamente superior, competente para decidir, em definitivo, a controvérsia travada, bem como estão com a exigibilidade suspensa. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.556 29 requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Limite da Lide. O julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos perfeitamente descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação impugnada, não constituindo a impugnação, portanto, instrumento hábil a questionar determinação fiscal para observância de obrigação acessória instituída no interesse da fiscalização, in casu, aquela atinente ao dever de atualização dos registros constantes dos livros de controle do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Receita de Juros sobre o Capital Próprio. Omissão. Anos Calendário 2007 e 2009. A natureza dos JSCP como receita/despesa financeira é regra de caráter estritamente fiscal e não guarda conformação com a regulação imposta pela Deliberação CVM, que conceitua os JSCP como destinação de parte do resultado apurado. Caracterizase como omissão de receita a falta de declaração das receitas de juros sobre o capital próprio. Despesas Financeiras. Juros sobre Empréstimos. Anos Calendário 2008 e 2009. Quando comprovada a efetividade do empréstimo, os juros passíveis de dedução na determinação do lucro real, como despesa financeira, são aqueles previstos no respectivo contrato válido no período de apropriação da despesa. Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.557 30 Quando vencido o contrato de empréstimo sem a prova da repactuação válida nos anoscalendário analisados, cabível a glosa da despesa financeira apropriada indevidamente. Variações Cambiais. Anocalendário: 2008. Não comprovada, no período, a manutenção de direitos e obrigações em moeda estrangeira, mantémse a glosa da despesa com variação cambial passiva. Lucro Real. Ajustes. Anocalendário: 2008. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação do lucro real, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. Despesas com Profissionais Terceirizados. Anocalendário 2009. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja efetividade da operação reste comprovada e que atendam aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. No caso de despesas rateadas entre um grupo de empresas é necessário que o rateio seja efetuado através de critérios objetivos e previamente ajustado. Restabelecese a despesa de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas, na proporção dos valores comprovados, mantendose a glosa das despesas cuja materialidade da operação não restou demonstrada, bem como quando realizadas perante empresas controladas/coligadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. Pagamento a Beneficiário Não Identificado e/ou sem comprovação da Operação e/ou da Causa. Cancelase a tributação apenas na proporção dos valores das despesas correspondentes aos pagamentos cuja comprovação da operação e/ou da causa restou demonstrada, de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Base de Cálculo. Ajustes. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação da base de cálculo da CSLL, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.558 31 Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Irresignada com a decisão de primeira instância, a empresa autuada interpôs recurso voluntário (fls.2964/3003) a este CARF, repisando os argumentos já trazidos na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.559 32 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Esta diligência circunscreve apenas a uma das infrações abaixo destacada: Ajuste em 2008 – corrigido em 2009. Em apertadíssima síntese, a fiscalização diz o seguinte: o contribuinte reconhece erro efetuado no anocalendário de 2008 e tenta corrigilo no ano seguinte. Porém não o corrige de todo, pois a exclusão feita no Lalur de 2009, pretensamente para corrigir o erro cometido no ano anterior, foi anulada pela adição (Lalur e Lacs) em igual montante nesse anocalendário. Portanto, persiste em aberto o erro cometido em 2008, excluindo do Lucro Real indevidamente uma parcela de R$ 81.200.000,00, que supostamente seria o desconto de multa e juros que o contribuinte obteria caso cumprisse o parcelamento, mas que não se realizou. Eis os exatos termos do TVF: Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datada de 05.05.2012 (vol. 10fl.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS nº 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento ImpostoValor Baixado Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS n9 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS ne 20, relativo ao ano calendário de 2009, a importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS ne 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.560 33 Às folhas 92 do LACS nª 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero" nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Logo, no ano calendário de 2009 exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl.47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl.l9Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.20" 2(vol.01fl.39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado .ia conta contábil "3.4.05.2002 Descontos Auferidos" Em 19.02.2012 (vol.lOfl.891Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em ' mento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumario Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09.2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário" e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. A DRJ, por sua vez, investe mais argumentos e investigação no sentido de desconstruir a explicação inicial do contribuinte em relação ao fundamento da referida exclusão, que seria o ingresso em algum parcelamento e obtenção do referido desconto, que em tese não seria tributado como receita. A DRJ não identifica a existência nos controles da Receita Federal de rastro algum de parcelamento no período considerado. E de fato, a Recorrente durante toda a fase instrutória foi muito evasiva a esse respeito. O Contribuinte, por sua vez, centra todo o seu discurso na certeza de que não houve nenhuma repercussão tributária advindas desses eventos, independente das razões aduzidas pela DRJ, e que tanto o fiscal quanto a DRJ não se debruçarem detidamente sobre essa repercussão tributária, e assim cobrandolhe indevidamente esse quantum. Quanto ao fiscal, como já foi demonstrado, ele foi bastante explícito nas suas premissas e conseqüências, tendo deslindado passo a passo o seu raciocínio, não de todo infirmado pela Recorrente. Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.561 34 De fato, a DRJ não gastou muitas tintas com essa questão levantada pela Recorrente de que não houve repercussão tributária. É o que demonstra do único parágrafo que a DRJ trata desse assunto: A documentação trazida na impugnação (doc. 02) consiste apenas na cópia dos lançamentos efetuados no Diário, Razão e Lalur, já analisados pelo Fisco, das quais se confirma a conclusão de que os ajustes realizados em 2009 restaram anulados, permanecendo em 2008 a redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 81.200.000,00. Porém, isso longe está de indicar que a DRJ não se debruçou e revisou essa matéria fática. Mas o que chama a atenção é mesmo o fato de o Contribuinte não reforçar o seu recurso voluntário para tentar infirmar as premissas levantadas pelo Fiscal e que foram retiradas da sua própria documentação contábil e extrafiscal. Repete o seu discurso impugnatório, novamente justificando o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do anocalendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário: Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): "Lançamentos contábeis Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento n° 267 página 154 Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): 30,09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR n° 19, na coluna adições; 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR n° 19, na coluna adições; e 31.12,2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR n° 19, na coluna adições. Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.562 35 Ao final do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível verificar, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR n° 19, acostado à presente impugnação (doc. 02) Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 1009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09,2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições a exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR n° 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão, conduta esta, data máxima vénia, eguivocadamente corroborada pela DRJ/POR no v. acórdão recorrido. Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita , deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhidos. Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem á magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data venia, carente de amparo legal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. (destaque do original) Apesar de concordar que a defesa da Recorrente poderia ser mais precisa. O que me parece aqui é que tanto a Recorrente não compreendeu o discurso do Fiscal, quanto o Fiscal não compreendeu o discurso da Recorrente. E isso precisa mesmo ser melhor averiguado, sob pena de se cobrar algo indevidamente. Explicome. Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722808/201211 Resolução nº 1401000.383 S1C4T1 Fl. 1.563 36 Quando a Recorrente diz que cometeu um equívoco em 2008 quer me parecer que ela foca no aspecto contábil e é nesse aspecto que ela tenta fazer, certo ou errado, a correção no ano seguinte. O lucro contábil que foi impactado de forma a aumentálo com os lançamento referente aos descontos (diferidos) ela tenta corrigilo no ano seguinte. Por isso ela diz “(...) Para regularizar os lançamentos contábeis em questão (...)” E quando ela diz isso, pressupõe outra coisa: que no anoanterior não teve repercussão tributária alguma. E isso estaria implícito para mim na duas premissas iniciais do seu discurso justificativo: "Lançamentos contábeis [2008] Débito: 2.2,02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) (...) Livro LALUR n° 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00página 26" O que ela está dizendo aqui é que fez o lançamento contábil de receita e anulou a sua repercussão tributária naquele mesmo ano. E dessa forma, diferentemente do raciocínio do Fiscal e da DRJ não haveria assim mais a necessidade de em 2009 fazer alguma exclusão para compensar o erro cometido em 2008, quando se descobre que o parcelamento deixou de existir. Portanto, segundo ela, os lançamento em 2009 que seriam uma tentativa de acertar 2008 em uma outra competência não teve também repercussão tributária, e isso é o que importa para ela. Não houve repercussão tributária desse fato nem em 2008 e nem em 2009 Portanto, em respeito a princípio da verdade material e de este julgador ter ficado também em dúvida a respeito da interpretação dos fatos relatados, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que o Fiscal apure mais profundamente essa linha de entendimento acima esposada, intimando o contribuinte a se pronunciar ou trazer novos documentos caso seja necessário. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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