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Numero do processo: 13830.900637/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 37 /2 01 2- 19 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900637/201219 Acórdão n.º 1302002.168 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900637/201219 Acórdão n.º 1302002.168 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900637/201219 Acórdão n.º 1302002.168 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720036/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 00 36 /2 00 7- 28 Fl. 231DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 15/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 280102.423 (fls. 168 a 176), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi encaminhado à PGFN em 25/06/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 181). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 09/08/2012, o que foi feito em 26/07/2012 (fls. 182 a 188), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 189. O Recurso Especial foi interposto com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/03/2014 (fls. 190/191). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho acima em 30/10/2014 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 196/197), o Contribuinte ofereceu, em 06/11/2014 (fls. 225), as Contrarrazões de fls. 199 a 224, pedindo, em síntese, o não provimento do recurso, com a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10746.720036/200728 Acórdão n.º 9202005.333 CSRFT2 Fl. 232 3 Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl. 8)” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT Fl. 233DF CARF MF 4 VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10746.720036/200728 Acórdão n.º 9202005.333 CSRFT2 Fl. 233 5 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. Fl. 235DF CARF MF 6 É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10746.720036/200728 Acórdão n.º 9202005.333 CSRFT2 Fl. 234 7 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.724058/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR.
Numero da decisão: 2401-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 40 58 /2 01 2- 53 Fl. 97DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10735.724058/201253 Acórdão n.º 2401004.840 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório GERALDO LIMA FONTOURA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento abaixo declinada, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às e fls. 06/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/11/2012 (AR. fl. 10), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00, arbitrando o valor de R$89.644.974,00 (R$4.437,87/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$17.928.984,80, conforme demonstrado às fls. 08. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, achou por bem julgar improcedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 03068.361/2015, de efls. 78/85, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA REVISÃO DO LANÇAMENTO ERRO DE FATO O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do Fl. 99DF CARF MF 4 imóvel, informada na declaração anual do ITR, do exercício de 2007. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado para o ITR/2007, por não ter sido contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em observância ao disposto no 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Encaminhados ao CARF, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. Mesmo sendo mantida parte da exigência fiscal, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário quanto a parte remanescente. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10735.724058/201253 Acórdão n.º 2401004.840 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise matéria posta nos autos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento em virtude de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00, arbitrando o valor de R$89.644.974,00 (R$4.437,87/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$17.928.984,80. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado improcedente em parte, nos termos do Acórdão nº 03068.361/2015, de efls. 78/85, 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando o crédito lançado, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: "(...) Da análise das alegações e da documentação apresentadas, por não ter sido contestado o VTN/ha arbitrado (R$4.437,87/ha), verificase que a lide no presente processo cingese à área total do imóvel informada na DITR/2007. O contribuinte alega que a área total correta da propriedade seria de 20,0 ha, constante do CAFIR da RFB (fls. 79), alegando que ela foi informada erroneamente na DITR/2008 como 20.200,0 ha. Em princípio, a aceitação da pretendida área total de 20,0 ha estaria prejudicada pela modalidade de lançamento do ITR/2007, autolançamento, e por ter sido apresentada somente após o início do procedimento de ofício. Entretanto, quando argüida pelo contribuinte na fase de impugnação, a hipótese de erro de fato deve ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. (...) No presente caso, não obstante o contribuinte não ter acostado aos autos a certidão de inteiro teor do imóvel, conforme Fl. 101DF CARF MF 6 relatado, formo convicção pela procedência da alegação de erro de fato na declaração da dimensão do imóvel de 20.200,0 ha para 20,0 ha, isso porque, primeiramente, tratase de erro comum declarar a área em metros quadrados quando deveria declarar a dimensão em hectares. Além disso, tratase de área de posse, como consta no primeiro Translado da Escritura Declaratória lavrada no Cartório do 9º Ofício de Notas, às fls. 53/58, e, assim, não é razoável que uma área de posse de apenas uma pessoa possa ter uma dimensão tão significativa como a declarada. Ademais, como bem consta na Informação Fiscal, às fls. 77, o próprio município de Nova Iguaçu possui 521,249 km2 e portanto caso o imóvel tivesse 20.200,0 ha, ele representaria 39% do total da área do município, o que não é factível, ainda mais, como dito, por tratarse de área de posse. Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu, como consta na citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9 km2, e, no caso de o imóvel localizarse somente nesse município, ele representaria 110% do total da área restante de, aproximadamente, 182,34 km2. Logo, é de se concluir pela impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha. Não obstante o Cartório ter recebido a cópia do primeiro Translado da Escritura Declaratória lavrada no Cartório do 9º Ofício de Notas, às fls. 53/58, anexado ao Ofício encaminhado pela fiscalização, não foi percebido que tratavase de área de posse e, portanto, deveria ser pesquisada a existência de imóvel no nome do outorgante Srº José Lopes Pimentel e outros (todos nomeados no documento). Em que pese essa falha interpretativa do Cartório, salientese que não consta nenhum registro de imóvel em nome do impugnante. Registrese que a DITR/2011 e posteriores foram apresentadas com a área total de 20,0 ha, nos termos ora pretendidos pelo impugnante para os exercícios de 2008 e 2008, cuja impugnação, também, está sendo julgada nesta Sessão. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também, verificase no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em 14.04.2008, o imóvel possuía área de 20,0 ha e que posteriormente passou para 20.200,0 ha e depois retornou aos 20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de erro de fato na declaração do período. Assim, entendo ser cabível a retificação da área total do imóvel informada erroneamente na DITR/2008, de 20.200,0 ha para 20,0 ha e, em conseqüência da alteração da área total originariamente declarada, ajustar o VTN arbitrado, de R$86.487.108,00 (20.200,0 ha x R$4.281,54/ha) para R$85.630,80 (20,0 ha x R$4.281,54/ha). (...)" Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10735.724058/201253 Acórdão n.º 2401004.840 S2C4T1 Fl. 5 7 Conforme se extrai dos autos, o contribuinte foi notificado porque quando intimado a apresentar a matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove essa posse e o certificado de cadastro de imóvel rural, não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Verificase que o lançamento se deu pela modalidade de autolançamento, conforme informações da DITR, assim, a alegação argüida pelo contribuinte de erro de fato, foi precisamente e muita bem analisada pela decisão de piso. Neste ponto, conforme dispõe a decisão guerreada, restou claramente evidenciado o erro de fato, senão vejamos: " [...] Ademais, como bem consta na Informação Fiscal, às fls. 77, o próprio município de Nova Iguaçu possui 521,249 km2 e portanto caso o imóvel tivesse 20.200,0 ha, ele representaria 39% do total da área do município, o que não é factível, ainda mais, como dito, por tratarse de área de posse. Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu, como consta na citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9 km2, e, no caso de o imóvel localizarse somente nesse município, ele representaria 110% do total da área restante de, aproximadamente, 182,34 km2. Logo, é de se concluir pela impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha. [...] Registrese que a DITR/2011 e posteriores foram apresentadas com a área total de 20,0 ha, nos termos ora pretendidos pelo impugnante para os exercícios de 2008 e 2008, cuja impugnação, também, está sendo julgada nesta Sessão. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também, verificase no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em 14.04.2008, o imóvel possuía área de 20,0 ha e que posteriormente passou para 20.200,0 ha e depois retornou aos 20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de erro de fato na declaração do período. [...]" Partindo dessas premissas, a revisão de ofício dos dados informados pelo contribuinte na sua DITR foi muito bem aplicada e fundamentada pelas razões acima transcritas, comprovadas nos autos, evidenciando a existência de erro de fato. Além de ser clara a observância ao Princípio da Verdade Material. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, Fl. 103DF CARF MF 8 com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900317/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/12/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 17 /2 01 4- 65 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900317/201465 Acórdão n.º 3401003.700 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/12/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900317/201465 Acórdão n.º 3401003.700 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900317/201465 Acórdão n.º 3401003.700 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900255/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 55 /2 01 4- 91 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900255/201491 Acórdão n.º 3401003.660 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900255/201491 Acórdão n.º 3401003.660 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900255/201491 Acórdão n.º 3401003.660 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 11850.000032/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como é exemplo a prestação de informações sobre veículo ou carga transportada.
Numero da decisão: 9303-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente LUFTHANSA CARGO AG. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como é exemplo a prestação de informações sobre veículo ou carga transportada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 32 /2 00 8- 86 Fl. 179DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte LUFTHANSA CARGO A. G. (fls. 139 a 145) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3801005.298 (fls. 127 a 133), proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de março de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2008 INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA FORMA E PRAZO DETERMINADOS PARA REGISTRO DE CARGA PROCEDENTE DO EXTERIOR NO SISTEMA MANTRA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado. Na data de 22/07/2008, a Contribuinte foi cientificada da lavratura do Auto de Infração (fls. 04 a 08), para cobrança de multa regulamentar prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/1966, em razão de erro de informação sobre veículo ou carga nele transportada. A infração foi assim descrita no “Termo de Constatação de Prestação de Informação Incorreta ao Sistema Mantra” (fls. 09 a 10), in verbis: [...] Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11850.000032/200886 Acórdão n.º 9303005.159 CSRFT3 Fl. 180 3 Com fundamento nos artigos 15 a 22 e 605 do Regulamento Aduaneiro RA, Decreto n° 4.543/02, nos artigos 195 e 196 da Lei n.° 5.172166 e no artigo 6° da Lei n° 10.593102, em ato de vigilância, foi observada divergência entre a informação de chegada de carga e a data de chegada da carga efetivamente recebida pela Infraero. Em 3110312008 através do Termo de Entrada 080012523 do vôo GEC8270 de 31/03/2008, com base no HAWB 020 1680 751D 5VHL531, emitido em 27/03/2008, a Companhia Aérea Lufthansa informou a chegada (Carga Total) de 18 (dezoito) volumes com 2977,00 kg para o consignatário FLEXTRONICS INTL informando tratarse de carga "Pátio" (TC=1) no documento Situação da Carga, Anexo. Em 02/04/2008 foi vinculada a DI 08/04836196, registrada, parametrizada no canal verde e desembaraçada na mesma data. Em 05/04/2008, através do Termo de Entrada 080012990 do vôo GEC8270 de 03/04/2008, chegou 1 (hum) volume com peso de 528,00 kg que foi informado pelo depositário através do Documento Subsidiário de Identificação de Carga (DSIC) 89208008372. Esse volume COMPLETOU a carga informada. Em 16/04/2008, no intuito de regularizar a situação inconsistente entre carga física existente e carga informada no HAWB em tela, sob o protocolo Mantra 4.633/08, a Companhia Aérea solicitou a desvinculação da DI e a apropriação da carga instruída pelo DSIC ao conhecimento de carga, com a conseqüente retirada da indisponibilidade 31. Consolidouse, com base no pedido de apropriação da carga solicitado pelo contribuinte que, houve erro de informação da Companhia Aérea ao Sistema Mantra, ou seja, a carga não chegou nem na data e nem na forma da informação prestada no sistema. [...] Depois de cientificado, o Sujeito Passivo apresentou impugnação (fls. 23 a 29), julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 96 a 101), nos termos do Acórdão nº 17 45392, de 20 de outubro de 2010, sob o fundamento, em síntese, da procedência da imposição fiscal pois a prestação de informações sobre a carga em questão não observou as prescrições contidas na IN SRF nº 102/94, bem como que a responsabilidade pelo devido cumprimento dessa obrigação é do transportador. A decisão de impugnação, que manteve o lançamento na íntegra, foi contestada por meio de recurso voluntário (fls. 106 a 123), por sua vez julgado improcedente para manutenção da multa regulamentar, conforme Acórdão nº 3801005.298 (fls. 127 a 133), proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de março de 2015, ora recorrido. No ensejo, a Contribuinte interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 139 a 145), insurgindose em face da não aplicação da denúncia espontânea da infração Fl. 181DF CARF MF 4 administrativa para exclusão da responsabilidade na forma do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, com redação da Lei nº 12.350/2010. Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 310101.008 e 3101000.997, proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Em suas razões recursais, o Sujeito Passivo aduz ser aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, com a redação trazida pela Lei nº 12.350/2010, para descaracterizar a ocorrência de qualquer infração. A aplicação do dispositivo ao caso dos autos encontra amparo no instituto da retroatividade benigna, segundo o qual a lei nova e benéfica deverá retroagir em favor do Contribuinte, consoante art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional. O recurso especial da Contribuinte foi admitido, nos termos do Despacho s/nº, de 15 de outubro de 2015 (fls. 158 a 160), por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea da infração administrativa, como excludente de responsabilidade, conforme art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, com redação da Lei nº 12.350/2010. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 168 a 177) postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Lufthansa Cargo A. G. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, LUFTHANSA CARGO A. G., atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 256/09, e reproduzido na Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, delimitase a discussão à possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a exigência de multa administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória, nos termos dos artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", ambos do Decreto lei nº 37/1966, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11850.000032/200886 Acórdão n.º 9303005.159 CSRFT3 Fl. 181 5 transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. [...] Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...](grifouse) Nos termos da IN SRF nº 102/1994, o transportador deve prestar as informações à Secretaria da Receita Federal sobre veículo ou carga nele transportada antes da chegada do veículo transportador no país. A previsão está no artigo 4º do ato normativo, na redação vigente à época, in verbis: Art. 4º A carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I da identificação de cada carga e do veículo; II do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada; III da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de chegada; IV do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e V da indicação, quando for o caso, de que se trata de embarque total, parcial ou final. § 1º As informações sobre carga procedente do exterior serão apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o local de desembarque da carga. Fl. 183DF CARF MF 6 § 2º As informações prestadas posteriormente à chegada efetiva de veículo transportador dependerão de validação pelo AFTN, exceto nos casos de que tratam o parágrafo seguinte e o art. 8º. § 3º As informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: I até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. § 4º Nos casos de embarque parcial, sua totalização deverá ocorrer dentro de quinze dias seguintes ao da chegada do primeiro embarque. Da leitura dos dispositivos, depreendese que em não sendo prestadas pelo transportador as informações referentes ao veículo ou à carga nele transportada antes da sua entrada no território nacional, aplicase a multa constante do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. No entanto, por força do princípio da retroatividade da norma mais benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há de ser afastada a penalidade no caso pelo instituto da denúncia espontânea. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37/66, dáse quando o Contribuinte informa à Administração as infrações por ele cometidas, antes de iniciado procedimento de fiscalização. Referido instituto jurídico beneficia o administrado, pois acarreta a exclusão da penalidade correspondente à infração. Nesses termos é a redação do art. 102, §§ 1º e 2º do Decretolei nº 37/1966, conferida pela Lei nº 12.350/2010, prevendo a exclusão das penalidades pelo instituto da denúncia espontânea: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11850.000032/200886 Acórdão n.º 9303005.159 CSRFT3 Fl. 182 7 hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifouse) A Lei nº 12.350/2010, ao atribuir nova redação ao §2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/1966, tornou expressa a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para afastar as penalidades administrativas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Portanto, a denúncia espontânea pode ser aplicada para o afastamento de penalidades de natureza tributária e também de natureza administrativa, sendo excluídas dessas hipóteses as penalidades aplicáveis nos casos de mercadoria sujeita a pena de perdimento. A assertiva é reforçada pelo disposto nos itens 40 e 47 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497/2010, convertida posteriormente na Lei nº 12.350/2010, in verbis: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Pontuese que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento de que os efeitos da denúncia espontânea do art. 138 do CTN não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Além disso, dispõe a Súmula CARF nº 49 que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". No caso, o entendimento do STJ e a disposição contida na Súmula CARF nº 49 restam afastados pois: (a) a consolidação da jurisprudência ocorreu anteriormente à edição da Medida Provisória nº 497/2010, bem como não tratou especificamente da aplicação do art. 102 do Decretolei nº 37/66, que trata do descumprimento de obrigação aduaneira; (b) a Súmula CARF nº 49 afasta os efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias em razão do atraso na entrega de declaração, não tendo relação com a legislação aduaneira; e Fl. 185DF CARF MF 8 (c) a nova redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei nº 12.350/2010, aplicável à hipótese dos autos em razão do princípio da retroatividade da norma mais benéfica (art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN), exclui expressamente a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Com a devida vênia, divirjo da il. Relatora. É entendimento consolidado que os efeitos da denúncia espontânea não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. No caso em análise, a penalidade aplicada não tem natureza “aduaneira”, no sentido de constituirse uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas. O que se quer dizer é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja ela qual for, apresentase, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa. Assim, a multa por falta de licenciamento não automático, quando o produto importado o requer, é administrativa, porque não tem por objeto prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas ao controle administrativo das importações. Diversa, contudo, é a penalidade aplicada nos autos, pois a finalidade de sua instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, não pelos órgãos intervenientes, caso da antes referida. Ademais, é cediço, as normais gerais em Direito Tributário são matéria reservada a lei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea), tanto que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, pacificou o entendimento de que serem inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11850.000032/200886 Acórdão n.º 9303005.159 CSRFT3 Fl. 183 9 Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905044/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.649
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
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COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 44 /2 00 8- 21 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.905044/200821 Acórdão n.º 3401003.649 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10983.905044/200821 Acórdão n.º 3401003.649 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.606 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 13.591,97(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.905044/200821 Acórdão n.º 3401003.649 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10983.905044/200821 Acórdão n.º 3401003.649 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10983.905044/200821 Acórdão n.º 3401003.649 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 13.591,97, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904357/2012-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.751
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.904357/201265 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.751 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 57 /2 01 2- 65 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 9303004.751 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.653, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúric e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 9303004.751 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 9303004.751 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 9303004.751 CSRFT3 Fl. 6 5 Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." No caso deste processo o litígio abrange, tão somente, o direito de crédito sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721150/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE.
A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa.
Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL.
A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS.
Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS.
O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias.
PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA.
O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinamse, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limitese ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundarse no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindose o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 50 /2 01 4- 11 Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.291 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do anocalendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.292 3 O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário decontribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.293 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.294 5 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0266.896 (fls. 1.174/1.194): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros e/ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. A participação nos lucros e/ou resultados atribuída a diretores estatutários, é tributada à alíquota de 20% (vinte por cento) como remuneração paga a contribuintes individuais, nos termos da Lei 8.212, de 1991 e alterações. PRÊMIOS. Os prêmios por sua natureza jurídica salarial e por não se enquadrar nas hipóteses legais de exclusões de tributação, integram o salário de contribuição. MULTA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA INCORPORADA. A empresa incorporadora é responsável pelas multas de qualquer natureza decorrentes de crédito tributário apurado em relação à empresa incorporada, nos termos da legislação tributária. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.295 6 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. De acordo com a fiscalização, os fatos geradores objeto deste processo administrativo dizem respeito ao Banco Citicard S/A, cuja denominação social foi alterada para Banco Credicard S/A, posteriormente incorporado em sua totalidade pelo Banco Itaucard S/A, ora recorrente. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 607/666, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de jan/2010 a nov/2012, a saber: (i) AI nº 51.032.9250, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, além daquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (fls. 584/595); e (ii) AI nº 51.032.9268, relativo às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados FPAS 736, código 0003 (fls. 596/606). 4. Expõe a fiscalização que o crédito tributário decorre dos seguintes fatos geradores: (i) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a segurados empregados, nas competências jan/2010 a mar/2010, out/2010, nov/2010, fev/2011, out/2011, nov/2011, jan/2012, fev/2012 e out/2012 (Levantamento Fiscal "PE" e Planilhas com as bases de cálculo, por beneficiário, às fls. 98/369); (ii) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a administradores (diretores estatutários), nos meses de jan/2010, out/2010, fev/2011, out/2011, fev/2012 e out/2012 (Levantamento Fiscal "PA" e Planilha com os valores, por beneficiário, às fls. 482); e (iii) Prêmio pago a segurados empregados, no período de jan/2010, jan/2011, fev/2011, set/2011, out/2011, dez/2011, fev/2012 a abr/2012, ago/2012 e nov/2012 (Levantamento Fiscal "PR" e Relação de pagamentos, por beneficiário, conforme fls. 573/578). Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.296 7 5. Especificamente no que tange à Participação nos Lucros ou Resultados, os pagamentos durante os exercícios de 2010 a 2012 foram regidos por diferentes instrumentos de negociação: (i) Acordos para o Programa de Participação nos Resultados (Planos Próprios), relacionados aos anos de 2010 a 2012, às fls. 370/434; e (ii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), relativas aos anos de 2009 a 2012, às fls. 435/470. 6. A autoridade fiscal identificou problemas específicos e gerais no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, que resultam na inobservância do regramento previsto na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 6.1 Relativamente às irregularidades específicas nos instrumentos de vontade, a fiscalização esclarece que estão restritas aos Planos Próprios, conforme a seguir enumeradas: (i) Planos Próprios 2011 e 2012, foram assinados posteriormente ao início do período de aferição dos lucros ou resultados (itens 5.17 a 5.30, às fls. 614/615); (ii) Planos Próprios 2010, 2011 e 2012, há previsão, na hipótese de ocorrência de fatos supervenientes, da regulamentação de valores, critérios e forma de distribuir a participação nos lucros ou resultados fora do instrumento original de negociação entre as partes (itens 5.32, 5.38 e 5.39, às fls. 618 e 626); (iii) Planos Próprios 2011 e 2012, há previsão de pagamento de um valor mínimo e fixo para todos os empregados, independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado, representado uma espécie de "prêmio" (itens 5.33, 5.40 e 5.41, às fls. 619 e 627); e (iv) Planos Próprios 2010, 2011 e 2012, não contêm regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição (itens 5.34 a 5.37 e 5.42 a 5.76, às fls. 619/634). 6.2 No concernente aos problemas gerais detectados pelo agente fiscal, resumidos logo abaixo, envolvem todos os instrumentos de negociação coletiva, ou seja, as Convenções Coletivas e os Planos Próprios: (i) os pagamentos a título de participação com base nos Planos Próprios e nas CCT´s, com relação aos mesmos segurados empregados, foram realizados de forma concomitante e sem compensação entre os valores pagos (itens 5.79 a 5.88, ás fls. 635/640); e Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.297 8 (ii) os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados nada mais são do que prêmios, gratificações, bonificações ou comissões aos trabalhadores, haja vista o montante altíssimo dos pagamentos a determinados beneficiários e a diferença de valores recebidos entre os empregados, em alguns casos chegando a quase 200 % (duzentos por cento) do respectivo salário anual (itens 5.89, 5.94, às fls. 640/641). 7. Quanto à participação nos lucros dos administradores da sociedade, a autoridade lançadora afirma que escapam à tributação, segundo a Lei nº 10.101, de 2000, apenas os pagamentos efetuados a segurados empregados. No caso dos autos, os valores foram pagos a pessoas físicas na condição de administradores da sociedade anônima, sendo irrelevante a existência ou não de vínculo empregatício mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho CLT (item 6, às fls. 644/661). 8. Por fim, no tocante aos prêmios, declara a fiscalização que são valores totalmente vinculados ao desempenho laboral dos empregados, cujas parcelas foram identificadas nas folhas de pagamentos, rubricas "Prêmio Incentivo" e "Premiação" (item 7, às fls. 661/664). 9. Cientificado da autuação, em 24/11/2014, às fls. 584 e 596, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 694/754). 10. Intimada da decisão de piso em 27/11/2015, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 1.202/1.204 a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/12/2015 (fls. 1.206/1.284). 10.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve a intacta a pretensão fiscal: (i) a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe, como regra obrigatória, a assinatura dos instrumentos de negociação antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados. Os Planos Próprios 2011 e 2012 são substancialmente idênticos ao acordo de mesma natureza relativo ao período de 2010, de maneira tal que os empregados da sociedade incorporada pela recorrente tinham noção exata dos critérios pelos quais seriam avaliados; (ii) não há na Lei nº 10.101, de 2000, qualquer impedimento para que acordos celebrados nos seus termos sejam posteriormente revistos; (iii) a Lei nº 10.101, de 2000, não veda o pagamento de valores mínimos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Em verdade, o valor mínimo representou tão somente um piso a ser recebido pelo trabalhador, visto que a maior parte dos empregados foi contemplado com quantias variáveis decorrentes do atingimento de metas (individual, por equipe e nacional); Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.298 9 (iv) em momento algum a autoridade fiscal solicitou esclarecimentos da empresa acerca da "ausência de regras claras e objetivas" nos planos, realizando a leitura e interpretação por conta própria. Não obstante, está demonstrado nos autos, de forma minuciosa e exaustiva, a existência de regras claras e objetivas pertinentes às quatro formas de aplicação dos Planos Próprios; (v) de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, há possibilidade de pagamento da participação mediante a convivência simultânea de dois planos distintos (Plano Próprio e CCT). Ainda que houvesse previsão, é descabido a fiscalização proceder a cobrança da contribuição previdenciária sobre os dois planos de Participação nos Lucros ou Resultados, pois ao menos um deles está a salvo da tributação; (vi) não há proibição na Lei nº 10.101, de 2000, para pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados em valores diferenciados entre os empregados ou em montante superior aos respectivos salários dos trabalhadores. Tampouco os elementos colhidos pela fiscalização no curso do procedimento fiscal amparam a tese da existência de pagamentos que privilegiam uma "casta de executivos do mercado financeiro"; (vii) não há incidência da contribuição previdenciária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados paga a diretor empregado, com vínculo trabalhista; (viii) os prêmios recebidos pelos beneficiários, tendo em vista a frequência dos pagamentos, uma ou duas repetições em três anos, são ganhos eventuais, expressamente excluídos do saláriodecontribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (ix) na condição de sucessor, a recorrente não responde pelas penalidades impostas a empresa por ela incorporada, somente pelo tributo devido; e (x) é incabível a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.299 10 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Participação nos Lucros ou Resultados (Empregados) a.1) Considerações Iniciais 12. Antes de embrenharse nas questões controvertidas, cabe salientar que, ao disciplinar a Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, prevista no inciso XI da Constituição da República de 1988, a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a observância obrigatória de requisitos formais e materiais para que as parcelas pagas aos trabalhadores gozem de benefício fiscal. 13. Embora consista a Participação nos Lucros ou Resultados um tema único, os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, são tidos como matérias autônomas, pois o descumprimento de um, dois ou mais deles pode levar a caracterização das parcelas pagas aos empregados como de natureza remuneratória e, por conseguinte, passam a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 14. Assim como é exigida da acusação fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, especificar e detalhar os requisitos em descompasso com as prescrições da Lei nº 10.101, de 2000, compete ao julgador administrativo analisar também separadamente as irregularidades apontadas pela autoridade lançadora. Tal procedimento não é alterado pelo fato de que o desrespeito a um único requisito, por si só, já possui aptidão para comprometer a integridade do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados. 15. Até porque, não custa lembrar, o enfrentamento de todos os pontos reprovados pelo agente fiscal, devolvidos a exame para o órgão "ad quem", permitirá às partes a interposição de recurso especial, uma vez identificada e configurada a divergência interpretativa quanto à matéria específica, observada a disciplina própria do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 16. Fixadas tias premissas, passo à análise dos requisitos apontados pela fiscalização em desalinho à Lei nº 10.101, de 2000, mantidos pela decisão de piso e contestados na petição recursal, iniciando pelos problemas denominados gerais existentes nos instrumentos de negociação coletiva. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.300 11 a.2) Pagamentos com base em mais de um instrumento de negociação 17. Como mencionado, a autoridade lançadora identificou que a sociedade incorporada pela recorrente utilizou, nos anos de 2010 a 2012, dois planos distintos para o pagamento de parcelas, aos mesmos segurados empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados: os denominados "Planos Próprios" e as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT´s). 17.1 De acordo com a Cláusula Segunda dos Planos Próprios, os valores pagos no âmbito das CCT´s não poderiam ser compensados com os montantes devidos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (itens 5.81 e 5.82, às fls. 637/638). 17.2 Na ótica da acusação fiscal, tendo em conta a ausência de previsão de compensação entre os planos, apenas uma das formas especificadas deveria prevalecer, isto é, ou o pagamento da participação se dava com base na Convenção Coletiva de Trabalho ou por intermédio de Plano Próprio. Transcrevo, "in verbis", o ponto de vista excludente do agente fiscal (fls. 638): 5.84 Claro está, portanto, que o contribuinte utiliza os dois planos, Acordos e Convenções Coletivas, os quais contemplam os mesmos empregados, sendo extensivos a todos estes. 5.85 Não obstante, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se realiza uma Participação nos Lucros através de Convenção Coletiva ou por Intermédio de um Plano Próprio. 5.86 A própria Lei nº 10.101/00 prevê a existência de dois instrumentos e a compensação entre eles, in verbis § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (gn) 18. Em linha de defesa, a recorrente advoga, em síntese, a possibilidade de pagamento por meio dos dois planos distintos, sem que tal conduta signifique inobservância da Lei nº 10.101, de 2000. 19. Pois bem. Segundo o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a Participação nos Lucros ou Resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: 1 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1 A redação transcrita do art. 2º é aquela original, vigente na época dos fatos geradores. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.301 12 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) 19.1 O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em seus incisos I e II, autoriza três hipóteses de procedimento para elaboração de Participação nos Lucros ou Resultados: (i) comissão eleita pelo empregador e seus empregados, integrada também por um representante da categoria sindical; (ii) convenção coletiva; e (iii) acordo coletivo. 20. Por sua vez, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, antes reproduzido pela autoridade lançadora, menciona a possibilidade de compensação de valores na hipótese de um programa de Participação nos Lucros ou Resultados mantido espontaneamente pela empresa. Para melhor clareza, copio novamente o preceptivo legal: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) (GRIFEI) 20.1. É de se convir, com apoio na redação transcrita, que o legislador ordinário ao fazer alusão a planos mantidos espontaneamente pela empresa pretendeu referirse à participação oriunda da comissão escolhida entre as partes (inciso I) em contraposição às obrigações surgidas das convenções ou acordos coletivos de trabalho firmados pelas partes (inciso II). 20.2 Em outros dizeres, a opção pela comissão paritária eleita pelo empregador e seus empregados, integrada por um representante da categoria sindical, não tem o condão de inviabilizar a utilização simultânea pelos interessados da via da convenção ou do acordo coletivo. 20.3 Inclusive, nessa situação, o legislador ordinário expressamente admitiu a possibilidade de compensação entre valores pagos em decorrência de planos espontâneos mantidos pela empresa, constituindo, no entanto, tal procedimento uma faculdade do empregador, na medida em que o dispositivo de lei utilizou a expressão "poderão ser compensados". 21. Acontece que é distinta a hipótese trazida nos autos. A despeito da denominação "Planos Próprios", os ajustes não foram objeto de negociação mediante comissão paritária escolhida pela empresa e seus empregados. A natureza jurídica dos instrumentos é de acordo coletivo de trabalho para participação nos resultados, dado que negociados diretamente entre o sindicato dos empregados e as instituições financeiras (fls. 370/434). Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.302 13 22. Mesmo assim, não vislumbro obstáculo à coexistência de convenção coletiva e acordo coletivo para disciplinar o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, em face do prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 23. É verdade que o inciso II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, adotou a expressão "convenção ou acordo coletivo". Nada obstante, o viés interpretativo da norma jurídica não pode ignorar a realidade brasileira das negociações, nem acarretar o desprezo ingênuo das finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, as quais destinamse, entre outras finalidades, à proteção dos interesses dos trabalhadores. 24. As convenções coletivas, usualmente celebradas entre sindicato de empregados e sindicato de empregadores, não consideram necessariamente as peculiaridades de cada empresa da categoria econômica representada. Ao revés, os acordos coletivos, com participação direta da empresa, têm o propósito de estabelecer metas ou resultados de interesse específico das partes, inclusive mais benéficos aos empregados, contribuindo para incentivar a concepção de integração entre capital e trabalho. 25. A compensação de valores entre planos, na linha do prescrito no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, pressupõe, em primeiro lugar, a coexistência válida de dois ou mais acordos, produzindo efeitos que lhe são próprios. 25.1 Em qualquer caso, a compensação tão somente pode representar uma faculdade, afastado o caráter de obrigatoriedade na negociação. Não é recomendável que o intérprete, extrapolando a lei, conduza sua exegese no sentido contrário à obtenção de benefícios pelos empregados. 26. Logo, a interpretação sistemática da Lei nº 10.101, de 2000, possibilita a convivência, dentro da mesma empresa, para os mesmos empregados e mesmo período de aferição, de distintos programas de Participação nos Lucros ou Resultados, desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência. 27. Em resumo, a tese desenvolvida pela acusação fiscal é desprovida de amparo no texto legal. a.3) Existência de pagamentos desiguais entre os trabalhadores e, em alguns casos, em valores superiores ao respectivo salário anual 28. Para fins de desconsiderar os planos de Participação nos Lucros ou Resultados, a autoridade lançadora questiona a distribuição desigual de valores entre os empregados nos anos de 2010 a 2012, tomando como parâmetro de comparação a relação de proporção com o salário. Aponta também situações de recebimento por alguns empregados de valores, na forma de participação, superiores à sua remuneração anual. 28.1 As ponderações do agente fiscal estão baseadas nas planilhas de fls. 474/481, as quais indicam um comparativo, por amostragem, entre montante da participação recebida e salário anual do trabalhador. 29. Explica a autoridade lançadora que detectou a existência de diferentes "castas" de empregados, dada a significativa variação da relação entre Participação nos Lucros ou Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.303 14 Resultados e salário anual do trabalhador: (i) ano de 2010, 0,97% a 198,33%; (ii) ano de 2011, 3,33% a 92,61%; e (iii) ano de 2012, 1,71% a 178,72%. 29.1 Por fim, assevera a fiscalização tributária que, apesar da nomenclatura, os pagamentos realizados pela instituição bancária são utilizados como substituição de parcela salarial, em contrariedade, portanto, à Lei nº 10.101, de 2000. 30. Em contraposição, a recorrente sustenta que os próprios dados colhidos pela autoridade fiscal, conforme fls. 474/481, demonstram cabalmente a incorreção do enunciado acusatório. Mais que isso, a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe como requisito a equivalência nos valores de Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados, nem veda o pagamento em montante superior ao salário do trabalhador. 31. Pois bem. Pela natureza da matéria disciplinada pela Lei nº 10.101, de 2000, seria inviável a determinação de normas rígidas para a fixação dos valores de Participação nos Lucros ou Resultados, de maneira que o legislador optou em exigir a elaboração das regras tão somente de forma clara e objetiva. 31.1 Há uma natural liberdade conferida às partes para a confecção do ajuste, condicionada, evidentemente, à mínima observância dos ditames legais, autorizandose a variação das regras que podem ser estabelecidas, conforme exigir as peculiaridades do caso concreto. 32. A discrepância de valores pagos a título de participação, em função do cargo do trabalhador e da área que atua, ainda que para alguns possa causar sentimento de injustiça em relação aos demais empregados, é motivo insuficiente para desqualificar os planos e descaracterizar a natureza dos pagamentos realizados. 33. Segundo a Lei nº 10.101, de 2000, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. 33.1 A princípio, quanto maior o nível hierárquico ou a importância estratégica da função, também maior será a sua responsabilidade pelo esforço da atividade empresarial e alcance de resultados, exigindose critérios de avaliação distintos, observadas a atividade econômica e demais especificidades de cada empresa. 34. Nem mesmo de maneira implícita a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 35. Haja vista que a Lei nº 10.101, de 2000, não instituiu um percentual limitador para a relação entre participação e salário, o recebimento de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados superiores ao valor da remuneração só estará em descompasso com a legislação de regência quando comprovada pela fiscalização a utilização dos pagamentos como forma de substituição ou complementação da salário do trabalhador. 35.1 Para o fim comprovar que as parcelas pagas estão em desacordo com a lei específica, passando a integrar o saláriodecontribuição, é tarefa da fiscalização certificar que Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.304 15 os próprios instrumentos de negociação foram originalmente formulados em desarmonia com a legislação de regência, no que tange à metodologia prevista para o cálculo dos valores devidos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, caracterizando pagamentos de natureza remuneratória. 36. Outra possibilidade para dar relevância tributária à participação em montante superior ao salário anual do trabalhador, seria o agente fazendário evidenciar que as quantias pagas aos empregados não guardavam correspondência com os valores previamente estipulados no Programa de Participação de Lucros ou Resultados, representando o montante excedente aos limites acordados pelas partes remuneração submetida à incidência da tributação. 37. Atento aos termos da acusação fiscal, observo que a autoridade lançadora escolheu realizar uma análise subjetiva da questão, mediante avaliações de ordem pessoal que se afastam da aplicação do texto de lei, passando ao largo da comprovação da natureza remuneratória de tais parcelas. 37.1 Não há evidências que os funcionários da empresa recebiam salários incompatíveis com suas funções e responsabilidades, discrepando com os valores praticados pelo mercado, de modo a sugerir a utilização da Participação nos Lucros ou Resultados como substituto ou complemento da remuneração principal do trabalhador. 38. Quanto à alegação de existência de altos valores pagos a determinados beneficiários, chegando a 200% dos seus salários anuais, as conclusões da autoridade fiscal, com respaldo nas planilhas de fls. 474/481, além do que exageradas, não condizem com uma apreciação razoável dos dados ali registrados. 38.1 Para a maior parte dos trabalhadores, a relação entre participação e salário anual não supera o percentual de 50%. São bastante reduzidos os casos existentes nas planilhas de percentual igual ou superior a 100%, inclusive atingindo trabalhadores com nível salarial, aparentemente, mais baixo. 38.2 Com relação aos trabalhadores cujo valor da participação ultrapassa o respectivo salário anual, a análise não dispensa o exame casuístico, de modo a verificar possível desvirtuamento do programa de Participação nos Lucros ou Resultados. 38.3 Ao contrário do raciocínio simplista da autoridade fiscal, a conclusão no sentido da utilização da participação como substituto ou complemento da remuneração do empregado não deve estar baseada unicamente no aspecto matemático da relação participação/salário anual. É necessário comprovar que o pagamento, na forma efetuada, transformou o valor em parcela salarial. 39. Em resumo, na minha avaliação o agente lançador priorizou uma análise subjetiva dos dados obtidos na documentação da empresa e deixou de aprofundar a auditoria fiscal para efetivamente demonstrar, por meio de linguagem de provas, a existência de pagamentos camuflados de remuneração, se fosse o caso. 40. O só fato de existir desproporção entre os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados para o conjunto de empregados, tendo em conta o comparativo com o respectivo salário anual, não tem o condão de fazer incidir sobre os valores pagos as contribuições previdenciárias. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.305 16 41. Para fins de incidência da tributação, é vital a fiscalização convencer o julgador administrativo que os valores estão sendo disponibilizados pela empresa aos segurados empregados a título salarial, razão pela qual possui natureza remuneratória. 42. Mais uma vez, com acerto as ponderações da recorrente. a.4) Revisão dos acordos celebrados 43. Quanto à tal matéria, com base em cláusula inserida nos Planos Próprios, a autoridade lançadora conclui que a previsão de regulamentação, na hipótese de ocorrência de fatos supervenientes, de valores, critérios e formas de distribuição da participação aos empregados, utilizandose de instrumento de negociação distinto do acordo original entre as partes, contrariava a disciplina da Lei nº 10.101, de 2000. 43.1 O raciocínio da fiscalização tomou por base a Cláusula Sexta dos acordos celebrados, que reproduzo abaixo (fls. 371/372, por exemplo): CLÁUSULA SEXTA REVISÃO A revisão do presente acordo darseá por meio de negociação entre as partes signatárias. PARÁGRAFO PRIMEIRO Eventuais alterações somente poderão ser feitas por mútuo acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores, critérios e formas de distribuir a participação aos empregados, não regulamentados no presente instrumento, deverão ser acordados entre as partes, na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: prejuízo, venda ou transferência do controle acionário, por qualquer motivo, e ampliação do capital social. 44. A seu turno, a recorrente alega que não há qualquer impedimento para que acordos celebrados nos termos do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, sejam posteriormente revistos. 45. Pois bem, não há dúvidas que assiste razão à recorrente. A interpretação da autoridade fiscal não encontra guarida na Lei nº 10.101, de 2000. 46. Com facilidade, se nota que a viabilidade de revisão do acordo é medida de cunho excepcional, prevista na hipótese de ocorrência de fatos relevantes para as partes, tais como prejuízo, venda, transferência do controle acionário ou ampliação do capital social da companhia. Em qualquer situação acima, para a revisão dos termos do acordado exigese o prévio consenso entre as partes signatárias, sendo impedida a modificação unilateral das cláusulas contratuais. 47. Os acordos entre particulares estão susceptíveis de alterações, por vontade das partes. A Lei nº 10.101, de 2000, não contém proibição de modificações no instrumento normativo de negociação relativo à participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.306 17 47.1 Nessas circunstâncias, repito, de caráter nitidamente extraordinário, o que importa é que a revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, não acarretem mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000. 48. De mais a mais, todo o discurso de censura da autoridade lançadora está escorado na existência da cláusula mencionada, porém abstratamente considerada. 48.1 Em outras palavras, a acusação fiscal é desprovida de elementos indicadores da ocorrência do evento de revisão do acordo nos períodos de autuação fiscal, de modo a permitir, no caso concreto, uma avaliação do julgador administrativo a respeito da natureza das alterações promovidas, isto é, se resultaram, efetivamente, no descumprimento de algum requisito previsto na Lei nº10.101, de 2000. a.5) Existência de valor mínimo a ser pago 49. No tocante aos Planos Próprios 2011 e 2012, a autoridade fiscal verificou, na Cláusula Segunda dos acordos formalizados, a previsão de pagamento obrigatório de um valor mínimo a todos os empregados da empresa. Eis o que diz a referida cláusula (fls. 393, por exemplo): CLÁUSULA SEGUNDA DA ESTRUTURA DO SISTEMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS As partes estabelecem sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do anexo que integra o presente acordo para todos os efeitos. (...) PARÁGRAFO PRIMEIRO Fica estabelecido pelas partes o montante de R$ 120,00 (cento e vinte reais) como valor mínimo a ser pago através do presente acordo, o qual deverá ser acrescido à PLR definida na convenção coletiva da categoria bancária. PARÁGRAFO SEGUNDO Nenhum empregado receberá valor inferior a este mínimo, que não será compensado da PLR prevista na convenção coletiva, muito menos será aplicada a proporcionalidade pelo tempo de trabalho. (...) 50. Nesse contexto, a fiscalização entendeu, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 627): 5.41 Sem embargo, a existência de valores fixos pagos a título de PLR fere a legislação vigente, posto que representam uma espécie de "prêmio", com valores prédeterminados a todos, recebidos independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado, em desacordo com o art. 1º, e o § 1º do art. 2º, ambos da Lei nº 10,101/00. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.307 18 51. Em linha de argumentação, a recorrente pondera que a Lei nº 10.101, de 2000, em momento algum veda o pagamento de valores mínimos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Adicionalmente, assevera que os Planos Próprios não estabelecem uma parcela mínima, mas concedem um valor mínimo de participação aos empregados, não havendo que se falar em "valores prédeterminados a todos". 52. Pois bem. Com relação às cláusulas que disciplinam o recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados, há diferentes opiniões a respeito da possibilidade de as partes acordarem o pagamento de valores fixos ou mínimos para a participação aos empregados. 52.1 É incontroverso, por outro lado, que o texto da Lei nº 10.101, de 2000, não contém vedação explícita quanto à determinação de pagamentos fixos ou em valores mínimos aos trabalhadores. 53. Nesse quadro normativo, penso que a avaliação da compatibilidade do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados com a Lei nº 10.101, de 2000, quando estabelece o pagamento de valores fixos aos empregados, demanda o exame específico do caso concreto. 53.1 Adianto que, segundo meu ponto de vista, a estipulação de uma parcela fixa, desconectada do alcance de índices de produtividade, metas ou resultados pactuados previamente entre as partes, é parâmetro que aparentemente distorce a essência do instituto de Participação nos Lucros ou Resultados previsto em lei, destinado à integração capital e trabalho, visto que a previsão negocial despreza qualquer esforço individual, da equipe ou mesmo do grupo de empregados. 54. Acontece que, diferentemente do exposto pela autoridade lançadora, o que se verifica no caso sob exame é a previsão a respeito de um valor mínimo de pagamento, e não a simples retribuição ao trabalhador de uma parcela fixa, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, de forma integralmente apartada do alcance de qualquer esforço individual ou coletivo, em valores prédeterminados a todos. 55. Com efeito, conforme depreendese dos Anexos aos Planos Próprios, há 4 (quatro) formas distintas de avaliação da Participação nos Lucros ou Resultados, duas gerais e duas específicas (fls. 396/413 e 418/434). 55.1 No que tange às formas gerais, abrange a grande maioria dos segurados empregados da empresa. Em breve síntese, para o cálculo do valor da participação levase em consideração (i) um método matricial, apurado com base em duas variáveis (performance individual, constituído pelo "rating individual", e resultado da área do trabalhador) ou (ii) um método de médias ponderadas, quando utilizado três indicadores na avaliação (performance individual, resultado da área do trabalhador e desempenho da instituição bancária em nível Brasil). 55.2 A regra do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados implementado pela empresa é a percepção pelo segurado empregado de valores variáveis, decorrentes dos resultados obtidos. A previsão de pagamento no valor mínimo, estabelecido na Cláusula Segunda dos acordos, é medida de exceção, aplicável somente àquele funcionário com "rating individual" abaixo do esperado pela instituição, medido através dos formulários interno de avaliação (fls. 403 e 405, por exemplo). Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.308 19 55.3 Quanto às formas específicas de Programa de Participação nos Resultados, destinamse aos empregados de vendas elegíveis ao programa de remuneração variável "Exceed" e aos demais funcionários elegíveis a programas de remuneração variável não incluídos no "Exceed". 55.4 Cuidamse de regras próprias, com base em indicadores para cada área de negócio, mais adequadas ao perfil funcional dos empregados avaliados. Porém, de modo semelhante às formas gerais de avaliação, o pagamento no valor mínimo previsto na cláusula segunda é de caráter excepcional, também direcionado aos segurados empregados com desempenho individual abaixo do esperado pela instituição (fls. 413, por exemplo). 55.5 Em todas as hipóteses de avaliação, percebo o estímulo à produtividade, recompensada pelo valor de participação variável. 56. À vista disso, pareceme bastante claro que o modelo dos Planos Próprios prescreve critérios de pagamento que levam em consideração que alguns trabalhadores podem contribuir mais ou menos do que outros, o que justifica o recebimento de valores de participação variável entre os empregados. 57. Pelo que se depreende dos documentos que instruem os autos, os Planos Próprios não foram concebidos alheios à finalidade de incentivo à produtividade dos empregados da empresa, na medida em que não há o recebimento pelos segurados empregados de uma quantia previamente sabida, independentemente de um esforço adicional do beneficiário 57.1 A estipulação do valor fixo, que equivale ao patamar mínimo da parcela devida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, não está desvinculada de qualquer meta ou resultados objetivo. 58. A leitura que faço do texto do acordo coletivo é que o valor mínimo representa, no caso sob exame, a recompensa pelo esforço insuficiente do empregado, de acordo com os critérios estabelecidos de maneira consensual entre as partes. 59. Logo, a previsão de valor mínimo, em patamar fixo, não descaracteriza, na hipótese dos autos, o Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, segundo finalidades e exigência prescritas na Lei nº 10.101, de 2000. a.6) Inexistência de regras claras e objetivas 60. Aponta a fiscalização, ao longo dos itens 5.42 a 5.76, às fls. 627/634, a inexistência de regras claras e objetivas, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.309 20 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 61. A título de síntese dos fundamentos acusatórios, reproduzo, "in verbis", os itens 5.67 e 5.75 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 633): 5.67 Ante o exposto, vemos que no Acordo de PLR em apreço as definições dos elegíveis não são claras e a falta de definição das metas a serem atingidas, bem como a inclusão de parcelas não individuais nos critérios utilizados, impossibilitam entrever o valor a ser auferido pelos beneficiários. A falta dessas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Igualmente, a existência de critérios subjetivos de avaliação afasta a objetividade da aferição. Desta feita, não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. (...) 5.75 No caso em tela, chama a atenção que os acordos apresentados não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 62. Em linha de defesa, a recorrente argumenta que a impugnação, bem como o recurso voluntário, acompanhados de seus anexos, demonstram, de forma minuciosa e exaustiva, a existência de regras claras e objetivas pertinentes às quatro formas de aplicação dos Planos Próprios. 62.1 Ressalta, nesse ponto, que o Relatório Fiscal discorreu a respeito de inúmeras questões "sem resposta" que deram respaldo ao lançamento de ofício devido à ausência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação. Porém, em nenhum momento do procedimento de auditoria, o agente fiscal tomou a iniciativa de solicitar quaisquer esclarecimentos e/ou explicações da empresa sobre as alegações apresentadas por ocasião da lavratura do auto de infração quanto à fixação dos direitos substantivos de participação e das regras adjetivas. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.310 21 63. Pois bem. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, estipula requisitos a serem observados nos acordos para pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, a fim de que produzam os efeitos tributários que a lei estabelece. 64. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. 65. Os instrumentos de negociação deverão conter regras inequívocas e de fácil compreensão para os trabalhadores no que tange à aquisição do direito ao pagamento das parcelas, inclusive quanto aos critérios de aferição do cumprimento das metas acordadas, de modo a que se possa atestar com segurança que os valores pagos equivalem à participação prevista no acordo. 66. É de assinalar, no entanto, que a Lei nº 10.101, de 2000, previu apenas os contornos básicos dos instrumentos de negociação, deixando de fixar normas rígidas e pré definidas para a elaboração dos documentos. 66.1 Acredito que não poderia ser diferente, dado que a participação é um direito social exercido com base na autonomia de vontade de atores que, muitas vezes, possuem interesses antagônicos, empresários e trabalhadores, aliado às diversidades de realidade empresarial quanto à necessidade de integração capital e trabalho. 66.2 Somase a tal característica própria, a presença dos sindicatos representativos das categorias dos trabalhadores, outro agente social dotado de suas peculiaridades, cuja presença nos acordos não só é conveniente, como também desejável para a proteção dos direitos dos empregados. 67. De tudo isso, pareceme bem evidente que a exigência de regras claras e objetivas não se destina, precipuamente, à compreensão do Fisco. Embora importante para a garantia do interesse público, é nítido o papel secundário exercido pela fiscalização tributária neste processo, a qual não lhe foi concedida a função de avaliação do mérito das regras aprovadas na negociação entre as partes. 67.1 Por essa razão, a interferência na autonomia privada é medida excepcional, exigindose a certeza da autoridade fiscal, apoiada em elementos objetivos, quanto à desconformidade do acordado frente aos preceitos legais da Participação nos Lucros ou Resultados. 68. O agente fiscal não participa do dia a dia da vida laboral da empresa e de seus empregados, de maneira que as questões que lhe configuram obscuras podem estar perfeitamente claras para o empresário e os trabalhadores. De maneira análoga, um critério e/ou informação que lhe pareça omisso no instrumento de negociação, podem estar univocamente delimitados pelos atores sociais principais, tendo em conta a proximidade com os fatos. 69. Desse modo, inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados. É inerente ao processo, dadas as suas características, o avanço da fiscalização no conhecimento da execução dos programas de Participação nos Lucros ou Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.311 22 Resultados. Caso contrário, não é exagero afirmar, haverá sérios riscos de cometimento de equívocos pelo agente fiscal. 70. As dificuldades de compreensão do agente fiscal não significam, necessariamente, obstáculos à cognição dos segurados empregados e dos sindicatos que os representam, pois podem acompanhar, obter esclarecimentos e questionar as regras e os critérios vinculados à aquisição do direito ao pagamento da participação, bem como os mecanismos de aferição do pactuado. 71. Na linha das ponderações trazidas no recurso voluntário, a lei de regência não é impositiva no sentido de que a disciplina integral do programa de participação deve figurar, necessariamente, no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado estar estipulado em documentos apartados ou, até mesmo, em outros canais de comunicação, desde que mantida a harmonia com as regras gerais e sempre com pleno acesso e conhecimento dos trabalhadores. 71.1 A inclusão em documento apartado é mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, contemplando com mais especificidade as condições e formas de cálculo, bem como os critérios de avaliação para concessão da verba de remuneração variável. 72. Especialmente em empresas estruturadas, como aparenta enquadrarse a recorrente, é comum a disponibilização de mecanismos internos de divulgação e esclarecimentos a respeito do programa de participação mantido, inclusive com o uso de plataformas digitais para avaliações de desempenho dos trabalhadores. 73. Nesse sentido, a recorrente apresentou, na fase de impugnação, vários documentos relativos à divulgação interna, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas no programa, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 774/1.164). 74. Segundo a documentação que instruem o processo administrativo, em especial os termos de intimação às fls. 4/22, o agente fiscal não procurou na fase do procedimento investigatório esclarecer, junto à recorrente, as questões suscitadas no Termo de Verificação Fiscal, as quais levaram à caracterização da inexistência de regras claras e objetivas concernentes aos quatro níveis dos Programas Próprios: "Nível Citi R/C10 e abaixo", "Nível Citi S/ C11 e acima", "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa Exceed Independentemente do Nível Citi" e "Demais Funcionários Elegíveis a Programas de Remuneração Variável não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi". 74.1 Para melhor clareza da acusação fiscal, transcrevo os itens 5.45, 5.48, 5.49, 5.54, 5.55, 5.56, 5.61, 5.62, 5.64 e 5.66 do Termo de Verificação Fiscal, os quais justificam as razões pelas quais os instrumentos de negociação não se coadunam com as exigências legais (fls. 627/631): 5.45 Em nenhum momento, seja no texto do Acordo de PLR, seja em seu anexo, são evidenciados claramente os níveis de enquadramento dos empregados, nem quais deles são elegíveis ao programa Exceed ou a outros programas de remuneração variável existentes no banco. Não sabemos, portanto, se empregados, por exemplo, da área administrativa Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.312 23 ou outros não especificados estão aqui abrangidos, indo de encontro ao incentivo à produtividade e à integração entre o capital e o trabalho, ambos prescritos pelo art. 1ª da Lei nº 10.101/00. (...) 5.48 Observase que, para os empregados "Nível Citi R/C10 e Abaixo", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas as serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados fazer jus ao benefício. 5.49 Percebese nitidamente que a avaliação de desempenho individual é fator primordial na determinação do valor de PLR a ser distribuído a cada empregado. No entanto, em nenhum momento são apresentados: as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados, o modelo básico dessa avaliação individual. São apenas citadas a existência dessas metas e da avaliação, sem que nenhuma dessas duas integre o acordo firmado ou seu anexo, inviabilizando, dessa forma, o conhecimento prévio do esforço que o empregado deverá dispender para receber a participação, em total confronto com as determinações legais. (...) 5.54 Mais uma vez, notase que o Acordo de PLR de 2010, para os empregados "Nível Citi S/C11 e Acima", não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho do país, da área e individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não determina as metas a serem alcançadas para que cada empregado obtenha as faixas de pontos estabelecidas e que determinarão os fatores multiplicadores de "país" e "área". Não fixa os critérios para o enquadramento do desempenho individual em: não avaliado, não eficaz, parcialmente eficaz, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não traz previamente o "Valor de Referência" que será utilizado, o qual, de acordo com o texto, será elaborado por uma consultoria externa. 5.55 De mais a mais, a Nota Explicativa define que o desempenho "país", isto é, o "Resultado Brasil", corresponde ao mesmo valor, critério e definição, utilizados para pagamento de PLR prevista na Convenção Coletiva. Entretanto, não existe na Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.313 24 citada Convenção Coletiva de PLR dos Bancos qualquer menção a valor, critérios ou definição do "Resultado Brasil". 5.56 Outrossim, ainda em Nota Explicativa, o Anexo ao Acordo de PLR de 2010 determina que o desempenho da "área" será obtido conforme "scorecard" específico para cada área, de acordo com uma tabela de exemplo trazido pela citada Nota. Nesta vemos a utilização de critérios tais como: retenção de cliente, crescimento do negócio, qualidade da carteira negócio, custos do serviço e qualidade do serviço. Ora, o que vemos aqui é instituição de critérios que são normalmente utilizados para o pagamento de comissões e não de Participação nos Lucros. (...) 5.61 Em relação à aplicação do plano em comento aos "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa de Remuneração Variável Exceed", notamos inicialmente que apesar do Anexo estabelecer a utilização de um grupo de indicadores, chamado "Scorecard", para cada área de negócio e determinar a aplicação de três diferentes modelos de "Socrecard", não existe no instrumento de negociação a definição das diferentes áreas de negócios nas quais serão utilizados os diversos modelos trazidos pelo Acordo de PLR. Não é possível, desta forma, definir as regras cabíveis a cada beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual exige a presença de regras claras e objetivas pactuadas previamente. 5.62 Além disto, o Anexo em questão não traz claramente as metas a serem alcançadas, mas somente os indicadores que serão utilizados na avaliação. E, em relação a estes, verificase que o texto não apresenta a definição específica e os pesos de cada um dos indicadores que compõem o "Scorecard", nem determina como serão aferidos tais critérios, distanciandose, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Ademais, os indicadores apontados nos três modelos acima descritos são parâmetros não muito afeitos a uma Participação nos Lucros, mas relacionados mais proximamente ao pagamento de comissões. (...) 5.64 O Anexo prevê, ainda, que tais indicadores, pesos e metas podem ser reajustados em virtude do momento econômico (local ou internacional), bem como em função da estratégia de negócios do banco. Todavia, como comentado anteriormente, a legislação específica estabelece que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante do sindicato ou por convenção/acordo coletivo, ou seja, não é possível que, devido a fatos supervenientes, indicadores, pesos e metas possam ser reajustados fora do instrumento original de negociação entre as partes. (...) Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.314 25 5.66 Fazse mister salientar que, para os "Demais Funcionários Elegíveis a Programas de Remuneração Variável Não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas a serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados possam fazer jus ao benefício. 75. Percebese o ponto de vista rigoroso do agente lançador no que diz respeito à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas no instrumento de negociação, incluindo os mecanismos de aferição ao cumprimento do acordado, exigindo a regulação integral e detalhada dos preceitos e regras, ao que me pareceu, no corpo do próprio instrumento de negociação. 76. A preocupação em coibir a utilização de parâmetros subjetivos para a concessão da Participação nos Lucros ou Resultados, bem como a criação de regras unilaterais pelo empregador, não pode chegar ao nível de inviabilizar o instituto da negociação coletiva, com desprezo a realidade do mundo real e extrapolando os limites estabelecidos pela lei de regência. 77. Como dito alhures, é possível o detalhamento, por intermédio de documentos apartados e/ou sistema de controle e acompanhamento interno, quanto às metas e aos critérios aplicáveis aos diferentes empregados, áreas e funções da empresa, ainda mais quando o modelo adotado para a Participação nos Lucros ou Resultados envolve parâmetros e avaliações de desempenho individual. 78. Tenho para mim, portanto, equivocado o procedimento fiscal, o qual, sem buscar esclarecimentos e/ou explicações adicionais da empresa, trabalhadores e/ou sindicato, ao menos não há elementos nesse sentido, fez a opção singela de analisar solitariamente, no âmbito do Fisco, os instrumentos de negociação coletiva. 78.1 A toda a evidência, os esclarecimentos e/ou explicações seriam dispensáveis, por óbvia desnecessidade, naqueles casos de "fratura exposta", em que é explícito o descompasso com a Lei nº 10.101, de 2000. Contudo, não é a hipótese dos Programas de Próprios da recorrente, conforme se pode verificar da leitura atenta dos documentos acostados às fls. 370/434. 79. Em seu recurso voluntário, a empresa prestou esclarecimentos detalhados acerca da estrutura dos Planos Próprios, firmados pela sociedade incorporada, inclusive com abordagem específica a respeito das várias objeções formuladas pela autoridade fiscal. 79.1 À vista disso, entendo que houve a demonstração satisfatória que o "Programa de Participação nos Resultados Citibank" não é despedido de regras claras e objetivas, atendendo o nível que demanda a Lei nº 10.101, de 2000 (fls. 1.226/1.245). Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.315 26 80. Dessa feita, após a avaliação do conjunto fáticoprobatório, concluo que os elementos de prova colhidos pela fiscalização são insuficientes para o fim de demonstrar a falta de clareza e objetividade nos instrumentos de negociação vinculados aos Planos Próprios. a.7) Falta de negociação prévia 81. A acusação fiscal é no sentido de que os Planos Próprios 2011 e 2012 não foram objeto de negociação prévia, eis que a formalização dos instrumentos ocorreu após o início do período a que se referem os lucros ou resultados. 82. A recorrente defende que são legítimos os pagamentos realizados a título de participação com fundamento em negociações coletivas realizadas antes do fim do período de apuração e do pagamento das respectivas parcelas, situação plenamente atendida nos acordos coletivos. 82.1 Salienta, em complemento, que os acordos relativos aos períodos de 2011 e 2012, em que pese assinado no início do mês de julho de cada ano, não trouxeram prejuízo aos empregados. 82.2 Os acordos de 2011 e 2012, além de "muito parecidos" entre si, possuem regras semelhantes ao ano de 2010, cujo acordo foi assinado em 7/12/2009, de modo que os funcionários da sociedade incorporada pela recorrente tinham noção exata dos critérios pelos quais seriam avaliados. 83. Pois bem. No caso em apreço, o acordo coletivo que rege o ano de 2011 foi assinado em 7/7/2011, ao passo que o acordo para o exercício de 2012 foi celebrado em 5/7/2012 (fls. 393/413 e 414/434, respectivamente. 84. A participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. 85. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. 86. É da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. 87. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.316 27 87.1 A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento, tal como defende a recorrente, é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios pré estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. 88. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. 89. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. 90. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. 91. Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras discutidas, de maneira que os trabalhadores pudessem desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. 92. Tendo em conta as finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, penso inviável, contudo, legitimar a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que se adote a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. 92.1. Com efeito, no tocante aos anos de 2011 e 2012, não há prova documental nos autos a respeito do início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade. Tais aspectos, sem prejuízo da avaliação conjunta com outros fatores relevantes, são fundamentais para a decisão de validar a data da assinatura do acordo. 92.2 Realço, novamente, que instruem os autos diversos documentos relativos à divulgação interna no âmbito da empresa do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas nos Planos Próprios, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 774/1.164). Todavia, nenhum desses expedientes ganha contornos bastantes para convencer o julgador no que diz respeito a realidade da prova documental mencionada no parágrafo precedente. 93. Do ponto de vista pessoal, acredito que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, segundo enfatizado pela recorrente, pode até gerar expectativa do trabalhador, de forma a contribuir para o incentivo da sua produtividade. Porém, essa circunstância não é suficiente, por si só, para considerar o instrumento coletivo formalizado ao longo do período de avaliação em consonância com os preceitos legais. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.317 28 93.1 Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 93.2. Além do que, não custa lembrar, apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. 94. Concluo, portanto, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000, que a autoridade fiscal procedeu de modo escorreito ao considerar os valores pagos com base nos Planos Próprios 2011 e 2012, relativos ao período de avaliação de 1º/1/2011 a 31/12/2012, como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados. 95. No quadro abaixo, com a finalidade de proporcionar maior clareza ao resultado final da minha avaliação sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, paga aos segurados empregados, reproduzo a totalidade das infrações imputadas pela autoridade lançadora, as quais restaram mantidas pelo acórdão de primeira instância, acompanhado das conclusões deste voto quanto ao descumprimento ou não dos requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, para fins de manutenção da exigência fiscal: Análise do Relator: o requisito foi descumprido? Infração (segundo a acusação fiscal, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000) CCT "Planos Próprios" (ACT) Pagamento com base em mais um instrumento de negociação (art. 2º, I e II e art. 3º, § 2º) NÃO NÃO Falta de proporcionalidade dos pagamentos entre os empregados (art. 3º, "caput") NÃO NÃO Revisão dos acordos celebrados (art. 2º, § 1º) NÃO Existência de um valor mínimo a ser pago (art. 1º) NÃO Inexistência de regras claras e objetivas (art. 2º, § 1º) NÃO Falta de negociação prévia (art. 2º, "caput", e § 1º) SIM. ACT 2011 e ACT 2012 96. Como se observa, apenas os pagamentos realizados aos segurados empregados com base nos Planos Próprios 2011 e 2012 estão em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, e devem ser mantidos no lançamento fiscal. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.318 29 97. Por outro lado, é improcedente a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, dos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010. (fls. 98/369). b) Participação nos Lucros ou Resultados (Administradores) 98. Com o propósito de compreender a motivação da autoridade lançadora no tocante à constituição do crédito tributário relativamente à Participação nos Lucros ou Resultados paga a administradores da sociedade fiscalizada, é indispensável a transcrição de excertos do Relatório Fiscal (fls. 644/661): 6.16 (...) não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados recebida tãosomente pelo segurados empregados. A "contrario sensu", a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias pro falta de previsão legal de nãoincidência. (...) 6.30 Apesar da previsão estatutária de que a administração da sociedade compete à Diretoria, conforme apresentado nos itens anteriores, o banco considera seus diretores como empregados, conforme se verifica pelas informações declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte e DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Na GFIP os diretores são declarados na Categoria 1 Empregado, na DIPF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado; e, na DIPJ, como Diretores com Vínculo Empregatício. 6.31 Além disso, em CartaProtocolo, de 18 de novembro de 2013, o banco esclarece considerar seus Administradores, os diretores, como empregados e pagar a participação dos primeiros juntamente com a dos últimos. Na CartaProtocolo, de 24 de abril de 2014, afirma ainda que os "diretores desta empresa tem contrato de trabalho com vínculo empregatício e para fins tributários e previdenciários são considerados como empregados." E, em CartaProtocolo, de 19 de setembro de 2014, mais uma vez assevera "que todos os diretores da empresa possuem vínculo empregatício, devidamente registrados como funcionários em concordância com as regras da CLT." 6.32 Entretanto, independentemente da classificação atribuída pelo banco a seus diretores, eles são de fato os Administradores da Sociedade, conforme se verifica pelo Estatuto Social acima transcrito, o qual prevê que (i) a administração da companhia será exercida pela Diretoria; (ii) a remuneração anual global dos Administradores será fixada pela Assembleia Geral; (iii) a Diretoria será eleita pela Assembleia Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.319 30 Geral; (iv) a eleição da Diretoria deverá ser aprovada pelo Banco Central; (v) a representação da companhia será feita por um ou dois Diretores ou por procuradores sempre nomeados pelos Diretores. (...) 6.40 (...) é sabido que o simples fato do contribuinte remunerar seus diretores como empregados e declarálos em GFIP na Categoria 1 Empregado, na DIRF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado, e, na DIPJ, como Diretores com Vínculo Empregatício, quando de fato e de direito são Administradores, isto é, não possuem vínculo empregatício, não lhe concede o direito de usufruir da dedução permitida pela Lei nº 10.101/00, exclusiva para a Participação nos Lucros dos empregados. (...) 6.50 Foram encontrados, no período auditado, pagamentos de Participação nos Lucros aos Administradores aos seguintes diretores estatutários: · Francisco Cláudio Alves de Queiroz Facó diretor entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2012; e · Leonel Dias de Andrade Neto diretor entre janeiro de 2010 e outubro de 2012. (...) 99. Na ótica do agente fiscal, corroborada pela decisão de piso, o diretor estatutário, nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, é considerado contribuinte individual, independentemente da existência de contrato de trabalho como diretor empregado, não lhes sendo aplicáveis as normas de Participação nos Lucros ou Resultados previstas na Lei nº 10.101, de 2000. Essa é, pois, a delimitação da acusação fiscal. 100. Pois bem. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. 100.1 Não vou alongarme nos fundamentos, pois desnecessário ao caso em apreço. Apenas lembro que o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, explicita a não incidência tributária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, que rege a matéria: Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.320 31 X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) 101. A concepção tradicional do diretor eleito na forma do estatuto social nas sociedades por ações é como órgão da companhia, exercendo os poderes estatutários sem vínculo de emprego. No âmbito da legislação previdenciária, são qualificados como contribuintes individuais. 102. Ocorre que a sofisticação da atividade empresarial no mundo contemporâneo comporta, no âmbito das sociedades por ações, a figura do diretor empregado. A existência ou não de relação de emprego entre sociedade e seus diretores não pode ser conferida tão somente pela forma de escolha destes, ou pelo simples fato de exercerem cargos de administração da companhia. 103. Mais importante, com absoluta certeza, é verificar as características da relação mantida entre os diretores e o Conselho de Administração. Havendo traços de subordinação jurídica, existirá provavelmente relação de trabalho na condição de empregado, nos termos da CLT. 104. No tocante à legislação previdenciária, o art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, qualifica, expressamente, o diretor empregado como segurado empregado: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) (GRIFEI) 105. Nesse passo, conforme atesta o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente sempre reconheceu a existência de subordinação dos dois diretores da sociedade incorporada, mesmo que estatutários, mantendo as características inerentes à relação de emprego, com preenchimento do vínculo de segurado empregado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e nas demais declarações fiscais, além do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias inerentes à relação empregatícia. 105.1 Na fase de impugnação, inclusive, trouxe aos autos cópias das fichas financeiras, em que se verifica o pagamento de ordenados, gratificações e descontos dos encargos inerentes à relação de emprego, no período da autuação (fls. 1.096/1.136). 106. A Lei nº 10.101, de 2000, tampouco a legislação previdenciária, faz distinção entre o empregado tradicional e diretor empregado. Configurada a condição de diretor empregado, os beneficiários podem receber pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados sob a égide das disposições da Lei nº 10.101, de 2000, os quais escapam à Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.321 32 tributação das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. 107. Como cediço, a prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato jurídico afirmado. Em outras palavras, caberia à autoridade lançadora, mediante a linguagem de provas, refutar a relação de emprego afirmada pela recorrente, mediante demonstração da inexistência de um ou mais requisitos do vínculo empregatício do art. 3º da CLT. Contudo, a fiscalização não se desincumbiu do seu dever probatório. 108. É bom ressaltar que a decisão recorrida, para não acatar os argumentos da impugnação, mantendo a autuação fiscal, desenvolveu um raciocínio meramente teórico no sentido de que a ligação entre a companhia e os diretores estatutários não apresentava todos os elementos típicos da relação de emprego, tais como a subordinação jurídica e o recebimento de salários. 109. Por fim, esclareço que a linha de entendimento aqui perfilhada está em consonância com a própria interpretação da legislação tributária realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vinculante no âmbito daquele órgão, por meio da Solução de Consulta nº 368, de 18 de dezembro de 2014, cuja ementa está reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriode contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2º, e art. 28, Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.322 33 incisos I e III, e § 9º, alínea “f”; Lei nº 10.101, de 2000, arts. 1º a 3º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2º e 3º. 110. Exposto assim, cabe decotar do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores (Levantamento Fiscal "PA"). c) Prêmios 111. De acordo com a autoridade lançadora, por meio do exame das folhas de pagamento e da escrituração contábil da empresa, identificou pagamentos a título de prêmios, sob as rubricas nº 1078 Prêmio Incentivo e 1081 Premiação, cuja natureza da parcela está vinculada ao desempenho laboral dos segurados empregados (fls. 661/664). 112. Por sua vez, com apoio na Planilha de fls. 573/578, a recorrente defende a ausência de habitualidade nos pagamentos, dado que os nomes dos beneficiários listados simplesmente ou não se repetem, ou figuram numa frequência de uma ou duas repetições no período de três anos. 112.1 Afirma, dessa maneira, a impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) 113. Pois bem. Na definição de Maurício Godinho Delgado2, os prêmios consistem em: "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstâncias tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa." 114. Não há como negar que, via de regra, a parcela denominada de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado, a exemplo da produção. 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 4a ed. São Paulo: LTR, 2005, p. 747. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.323 34 115. No que tange à instituição das contribuições previdenciárias, cuidou a lei ordinária federal. Transcrevo, nessa prescrição, a redação do inciso I do art. 22 e do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) (GRIFEI) 115.1 A habitualidade, a meu sentir, restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". Não há menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, sejam eles habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente. 115.2 Diferentemente da nomenclatura da legislação trabalhista, a legislação previdenciária utiliza a expressão "destinados a retribuir o trabalho", em detrimento de "contraprestação do serviço", o que evidencia nitidamente, no âmbito previdenciário, o caráter da remuneração avaliado em função do conjunto do relação laboral, e não simplesmente prestação "versus" contraprestação. 116. Quanto a tais parcelas pagas aos empregados, a recorrente não contesta o caráter de retribuição pelo trabalho. A linha argumentativa é que apenas o prêmio concedido ao segurado empregado, de forma habitual, integra a remuneração do trabalho. E, na hipótese dos autos, cuidase de ganho eventual, expressamente excluídos do saláriodecontribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.324 35 117. Penso, contudo, que a eventualidade da remuneração na legislação previdenciária está associada a incerteza, a imprevisão do seu pagamento. A empresa incorporada pela recorrente classificou, nas folhas de pagamento e na contabilidade, a verba paga ao trabalhador como prêmio, sendo que, no recurso voluntário, não há o mínimo esclarecimento e/ou detalhamento a respeito das circunstâncias e sobre quais fatores de ordem pessoal os pagamentos foram efetuados. 118. Os dados da Planilha de fls. 573/578, elaborada pela autoridade fiscal, revelam que os pagamentos a título de prêmio aos segurados empregados, em montantes variáveis, estão concentrados no ano de 2011, meses de 02/2011, 09/2011 e 12/2011, e ano de 2012, meses de 02/2012, 08/2012 e 11/2012, sinalizando a existência de uma aparente estrutura organizada que havia na sociedade incorporada para o cálculo dos valores devidos e recebimento das parcelas pelos beneficiários. 118.1 Assim como há beneficiários que receberam o pagamento apenas uma vez, existem outros tantos segurados empregados que foram agraciados com dois pagamentos no mesmo ano, ou três, até quatro em alguns casos, pagamentos relacionados ao período de 2011 e 2012. 119. Inviável, no estágio de instrução dos autos, a avaliação da existência da eventualidade nos pagamentos aos segurados empregados. Com base no tradicional critério de distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo, ora recorrente, comprovar que o fato jurídico amoldase à previsão em lei que exclui a tributação sobre o pagamento. 119.1 Nesse sentido, o Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicado em caráter subsidiário ao processo tributário federal, contém previsão expressa sobre a distribuição do ônus probatório: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 120. De todo modo, registro, segundo minha convicção, que o ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. 120.1 Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 120.2 Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.325 36 espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. 120.3 Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam definidas em lei as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, por ser inconcebível deixar, ao alvedrio do sujeito passivo, a exclusão da tributação. 121. Logo, por todo o exposto, sem razão a recorrente. d) Aplicação da multa por infração cometida pela incorporada 122. Reclama a recorrente que, na qualidade de sucessor, há impossibilidade de se exigir dela multa de qualquer espécie, em face de infração cometida pela empresa incorporada. 122.1 Em síntese, argumenta que além da inaplicabilidade do enunciado da Súmula nº 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a hipótese concreta dos autos, o lançamento de ofício foi efetuado posteriormente ao ato sucessório, relativamente a fatos tributáveis ocorridos antes da incorporação, sendo que não há como se cogitar da responsabilidade do sucessor no que tange à penalidade imposta em razão da infração cometida pela sucedida. 123. Pois bem. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar o viés interpretativo, ressalto que o patrimônio é composto por um conjunto de bens, direitos e obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as obrigações integrantes do patrimônio do sucedido. 124. Em que pese o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional (CTN), refirase tão somente aos tributos, ao interpretálo conjuntamente com o art. 129, dispositivo que inaugura a Seção denominada "Responsabilidade dos sucessores", chegase à conclusão de que a regra também aplicase aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. 124.1 Para maior clareza do raciocínio, reproduzo os artigos mencionados do CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (grifouse) Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.326 37 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. 125. O momento da constituição do crédito tributário pelo ato de lançamento, que compreende também a penalidade, consoante o § 1º do art. 113 do CTN, acaba tornandose irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador. 126. Essa linha de pensamento é prevalente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo parcialmente, na parte que interessa ao presente feito: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) (...) 127. Não há dúvidas que a multa moratória e/ou punitiva analisada e mencionada no julgado abrange aquela aplicada pelo descumprimento da obrigação principal, hipótese que cuida o processo administrativo em apreço, decorrente do não pagamento de tributo na época do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e 132 do CTN, antes referida. 128. Nesse sentido, foi redigido o voto nos Embargos de Declaração do mesmo REsp nº 923.012/MG, de lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Transcrevo a respectiva ementa no ponto em que vinculada à questão em debate: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.327 38 CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543 C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. (...) (GRIFEI) 129. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 130. Como se observa, o entendimento consubstanciado na decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com trânsito em julgado em 4 de junho de 2013, deve ser reproduzido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 131. Portanto, sem razão a recorrente. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.328 39 e) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício 132. Ressalvo minha posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. 133. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. 134. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) 135. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 135.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.329 40 135.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 136. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 137. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) 137.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 138. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.330 41 138.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 138.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 138.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 139. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) excluir da base de cálculo das contribuições lançadas os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010; e (ii) excluir do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores com vínculo de emprego (Levantamento Fiscal "PA"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.331 42 Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Acompanho o Relator quanto às demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao pagamento da PLR em valor mínimo. Vejamos o que dispõe a Lei 10.101/00 quanto à PLR: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme se extrai dos dispositivos acima, a PLR se constitui não só em um instrumento de integração entre capital e trabalho, mas também um incentivo à produtividade. Dessa forma, seu pagamento deve estar sujeito a mecanismos de aferição da produtividade, da qualidade e da lucratividade da empresa, mediante programas de metas e resultados. Nesse contexto, temse por condição necessária a avaliação do desempenho da empresa e de seus empregados, e o comprometimento destes com o atingimento das metas. Pois bem, compulsando o “Plano Nível Citi – S/C11 e acima – Forma Geral”, fl. 405, constatase em sua nota de rodapé de número 1 que o funcionário que obtiver “Rating individual igual a 4, 5 ou 6 receberá a PPR no valor mínimo”. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.332 43 Por sua vez, nessa mesma folha, em quadro que mostra o Multiplicador Individual, consta que o “Rating” 6 corresponde à situação “Não Avaliado”: Cabe destacar que tal critério também foi aplicado ao “Plano Nível Citi R/C10 e abaixo – Forma Geral” e aos planos de “Forma Específica”. Ora, se os planos preveem situação em que não há avaliação de empregados, conforme se infere do quadro acima, e mesmo assim possibilitam o pagamento de PLR a tais empregados não avaliados, ou seja, independente do atingimento de qualquer meta, concluise que tais planos não estão em consonância com a Lei 10.101/00, que estabelece o pagamento de PLR mediante avaliação de desempenho dos empregados e com foco nas metas estabelecidas. Conclusão Isso posto, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto à PLR paga em valor mínimo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1332DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.004151/2002-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO.
Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior.
Numero da decisão: 1103-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: André Mendes de Moura
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DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO. Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 41 51 /2 00 2- 64 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 636 2 Relatório Foram interpostos embargos de declaração (fls. 507/511) pela contribuinte, em face do Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003 (fls. 419/427), proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa apresentou o seguinte teor: DEPÓSITO JUDICIAL ENCARGOS MORATÓRIOS Incabível na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, a exigência dos juros moratórios incidentes sobre o valor do crédito tributário depositado em juízo anteriormente a autuação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINÇÃO Não é de competência deste E. Conselho de Contribuintes, o enquadramento ou não do contribuinte nas condições estabelecidas para o usufruto dos benefícios da Medida Provisória nº 38, de 15.05.2002, assim como, o reconhecimento da extinção do crédito tributário das importâncias ali recolhidas. Dos Fatos. Trata a ação fiscal da análise da DIRPJ, anocalendário de 1999, da CHASE MANHATTAN LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL, empresa incorporada pela contribuinte, no qual se constatou que parte da CSLL apurada não foi oferecida à tributação, por estar com exigibilidade suspensa. Tal situação tem origem no Mandado de Segurança nº 98.00534210, ocasião em que a contribuinte pediu a suspensão dos efeitos do art. 1º e 2º da Lei nº 9.316, de 22/11/1996: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Art. 2º A contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, será calculada à alíquota de dezoito por cento. Ou seja, o pedido impetrado no MS foi no sentido de (1) permitir a dedução da CSLL da base de cálculo do lucro real, (2) permitir a dedução da CSLL da sua própria base de cálculo e (3) aplicar a alíquota de 8%, em vez de 18%. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 637 3 Esclarece a autoridade autuante, à fl. 12 dos autos (Termo de Verificação Fiscal), que o valor lançado de ofício tem origem na diferença entre o valor calculado pela alíquota de 18%, conforme a Lei nº 9.316, de 1996 (R$12.724.866,45), e o calculado segundo o provimento judicial (R$5.236.578,78). Assim, o montante de R$7.488.307,67 foi objeto do lançamento fiscal com o fim de prevenir a decadência, sem multa e com exigibilidade suspensa. Da Fase Contenciosa. Devidamente intimada, apresentou a contribuinte impugnação de fls. 83/94, no qual discorreu sobre os seguintes pontos: ingressou com Mandado de Segurança n. 98.00534210, junto à 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, questionando a diferença de alíquota imposta às instituições financeiras, bem como a dedutibilidade, para formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa relativa ao pagamento da CSLL, nos períodosbase de 1998 e subseqüentes; tendo em vista os remédios jurídicos utilizados no Mandado de Segurança acima citado, e não tendo sido confirmada a liminar pleiteada, e em razão do disposto no artigo 11 da Medida Provisória n. 38, de 15 de maio de 2002, requereu a desistência parcial do Recurso de Apelação e, conseqüentemente, do feito, somente quanto ao direito de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo; por conseguinte, manteve na via judicial discussão a respeito da dedução da base de cálculo do IRPJ e do direito de recolher a contribuição a alíquota de 8%, tendo em relação a estas matérias, efetuado depósito judicial nos valores controvertidos, suspendendo, assim, a exigibilidade do crédito tributário é pacífico que não cabe incidência da multa de ofício concreto, conforme art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, logo, imputar juros moratórios sobre os valores depositados judicialmente, implica ofensa ao princípio de lógica (oposição das proposições), segundo o qual uma situação ou coisa não pode ser e ser ao mesmo tempo, ou seja, não se poderia apregoar não ocorrer (na multa) e ocorrer (nos juros), na mesma circunstância, a mora requer pela desconstituição do crédito tributário exigido, notadamente no que se refere aos juros moratórios, pugnando pelo cancelamento do Auto de Infração. A impugnação foi julgada pela 8ª Turma da DRJ/São Paulo, no qual foi proferido o Acórdão nº 3089, de 01 de abril de 2003, julgando procedente o lançamento, nos seguintes termos: de acordo com o art. 161 do CTN, os juros de mora são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial, pois, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo de lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, atributo da exigibilidade; Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 638 4 os juros de mora não precisam ser lançados para serem exigidos, porque, como obrigação acessória, seguem o principal, sendo que o lançamento dos juros no auto de infração é apenas indicativo; os juros de mora devem ser lançados mesmo na hipótese de depósito do montante integral, pois somente na data da conversão em renda para a União verificarseá a abrangência do depósito; acerca da desistência parcial da Ação Judicial e dos benefícios da MP nº 38, de 14/05/2002, esclarece que não cabe à DRJ apreciar o enquadramento ou não do contribuinte nas condições ensejadoras dos benefícios da aludida MP. Cientificado da decisão da primeira instância, a contribuinte interpõe recurso voluntário, no qual aduz o seguinte: incorre em equivoco a decisão recorrida no que diz respeito ao não reconhecimento da extinção do crédito tributário referente à despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo, tendo em vista o pedido de desistência parcial do Mandado de Segurança nº 2000.03.99.0022594, requerida na Medida Cautelar nº 1999.03.00.0409291, isso porque entende que não cabe ao colegiado a apreciação do enquadramento ou não da Recorrente nas condições estabelecidas para o usufruto dos benefícios da Medida Provisória nº 38, de 15/05/2002; em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, a não incidência dos juros de mora sobre o crédito supostamente devido, alega as mesmas razões transcritas na impugnação, entendendo que exigir juros moratórios sobre valores depositados judicialmente implicaria ofensa ao próprio princípio de lógica, tendo em vista a inaplicabilidade da multa de ofício para o mesmo caso, previsto no art. 63, da Lei n. 9.430/96; enfim, requer a extinção do crédito tributário, notadamente no que se refere aos juros moratórios e o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. O recurso voluntário foi apreciado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual, por meio do Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003 (fls. 419/427). As razões da decisão foram as seguintes: 1) não obstante a recorrente tenha se insurgido na impugnação e em sede recursal tão somente em relação à não incidência de juros de mora sobre o crédito tributário supostamente devido, em razão de seu pleito relativo à dedução da despesa referente ao pagamento da CSLL na formação da base de cálculo do Imposto de Renda, bem como o direito de efetuar o recolhimento da CSLL, para fatos geradores ocorridos no períodobase de 1998 e subseqüentes, à alíquota de 8% (oito por cento), resolve discorrer no recurso voluntário também sobre a extinção do crédito tributário decorrente do pagamento efetuado com os benefícios da Medida Provisória nº 38, de 14 de maio de 2002, em relação à pretensão de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo; 2) apesar do pagamento efetuado pela contribuinte dos valores relativos à dedutibilidade da CSLL de sua própria base de cálculo, deve ser observado que a matéria não é objeto de discussão no presente caso, e mesmo que tivesse sido préquestionada, não caberia a este colegiado a apreciação do seu enquadramento ou não, conforme bem salientou a decisão recorrida e o próprio Recorrente em grau de recurso; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 639 5 3) ou seja, o acerto do pagamento efetuado pelo Recorrente em relação à desistência do recurso de Apelação interposto, relativo à pretensão de deduzir a despesa do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo em vista o disposto no artigo 11 da Medida Provisória nº 38, de 15/05/2002, deve ser procedido tão somente pela autoridade administrativa responsável pela análise do pagamento ou parcelamento de débitos; 4) em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, da não incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário supostamente devido que se encontra depositado judicialmente, este E. Conselho de Contribuintes há muito vem decidindo no sentido de que não há o que se cogitar da exigência dos juros moratórios, se por ocasião da constituição do crédito tributário para evitar a decadência, o contribuinte já havia depositado judicialmente a importância lançada no auto de infração. Nesse contexto, decidiuse pelo provimento parcial do recurso voluntário, no sentido de excluir do lançamento os juros moratórios incidentes sobre o montante do crédito tributário depositado em juízo. Foi dada ciência à contribuinte da decisão em 03/03/2011 (AR fl. 505 e extrato de fl. 506), contra a qual foram interpostos os embargos de declaração de fls. 507/511 em 09/03/2011 (fl. 507), discorrendo sobre os seguintes pontos: destaca que os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial; o acórdão embargado foi contraditório ao afirmar que "(...) em relação à extinção do crédito tributário quando do pagamento dos valores relativos à dedutibilidade da CSLL de sua própria base de cálculo, deve ser observado que a matéria não é objeto de discussão no presente caso, e mesmo que tivesse sido préquestionada, não caberia a este colegiado a apreciação de seu enquadramento ou não, conforme bem salientou a decisão recorrida e o próprio Recorrente em grau de recurso. Sendo assim, o acerto do pagamento efetuado pelo Recorrente em relação à desistência do recurso de Apelação interposto, relativo a pretensão de deduzir a despesa do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo em vista o disposto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de 15/02/2002, deve ser procedido tão somente pela autoridade administrativa responsável pela análise do pagamento ou parcelamento de débitos de que trata o dispositivo acima citado. Por conseguinte, cabe, tão somente, àquela autoridade administrativa homologar o pagamento efetuado e extinguir o crédito tributário que ali estava sendo discutido (...)". isso porque a extinção do crédito tributário pago nos termos da Medida Provisória nº 38/2002, sempre esteve inserida no objeto de discussão do presente procedimento administrativo, haja vista que como afirmado no acórdão embargado tal ponto foi atacado na decisão proferida pela DRJ; o crédito tributário referente à CSL, objeto do presente Auto de Infração, encontravase sub judice, sendo discutido no Mandado de Segurança n.° 98.00534210, impetrado perante a 11º Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, que questionava a diferença de alíquota imposta às instituições financeiras, bem como a dedutibilidade, para formação da base de cálculo do IRPJ e da CSL, da despesa relativa ao pagamento da CSL, nos períodosbase de 1998 e subseqüentes; Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 640 6 tendo em vista o disposto no artigo 11 da MP n° 38, de 15 de maio de 2002, a Impugnante requereu a desistência parcial do Recurso de Apelação e, conseqüentemente, do pleito, somente quanto ao direito de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSL da sua própria base de cálculo, estando, pois, extinto o crédito tributário em comento; assim, face à quitação do débito em comento, caberia a D. Autoridade Julgadora a confirmação do mesmo e determinação da extinção do presente crédito tributário; no entanto, o acórdão vergastado entende por bem declarar que a matéria relativa ao pagamento do débito é matéria estranha a esta lide, malgrado a mesma tivesse sido analisada por ocasião da decisão proferida pela DRJ; o acórdão embargado também afirma não ser a autoridade competente para averiguar a regularidade do pagamento realizado, hipótese no qual caberia a conversão do julgamento em diligência para a autoridade administrativa dita competente pudesse se manifestasse quanto ao pagamento realizado pela Embargante; nesse contexto, resta evidente a necessidade de acolhimento dos presentes embargos para que se seja sanada contradição apontada ou, ao menos, determinada a conversão do julgamento em diligência, para que se verifique o pagamento realizado pelo Embargante e, consequentemente, a extinção do crédito tributário em comento. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Há que se realizar, inicialmente, aspecto referente à competência para julgamento, a ser apreciado no exame de admissibilidade. Observase que os embargos foram interpostos em face de decisão (Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003) proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, do qual foi relator o Conselheiro Valmir Sandri, o qual atualmente, sob a égide da Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), encontrase na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Ocorre que o art. 3º do RICARF dispõe o seguinte: Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente à edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e serão julgados na turma para a qual o conselheiro for designado. (...) § 4° Os processos que retornem de diligência e os com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 641 7 exarados em sessões anteriores à vigência deste Regimento Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do anterior. (grifei) Tratase precisamente da situação apresentada nos autos. O processo retornou com embargos de declaração, em sessão anterior à vigência do RICARF, e por isso deve ser distribuído ao relator original do recurso, já que o conselheiro continua atuando em colegiado com a mesma especialização do regimento interno anterior. Assim diante de todo o exposto, com fulcro no artigo 3º, § 4º do Regimento Interno do CARF, voto no sentido de encaminhar os presentes autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para distribuição ao Conselheiro Valmir Sandri. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 641DF CARF MF
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