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6874890 #
Numero do processo: 13830.900637/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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1302­002.168  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de maio de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  MATHEUS RODRIGUES MARILIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2007  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA  TRIBUTÁRIA.  INCOMPETÊNCIA  DO  JULGADOR  ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.  É vedado ao  julgador administrativo negar aplicação de  lei sob alegação de  inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à  alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para  examinar  hipóteses  de  violações  às  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento jurídico.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  APLICAÇÃO  DO  ART.  17,  DO  DEC.  N.°  70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete,  em  princípio,  ao  sujeito  passivo,  o  que  lhe  exige  carrear  aos  autos  provas  capazes  de  amparar  convenientemente  seu  direito,  o  que  não  ocorreu  no  presente caso.  Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão  recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17,  do Dec. n.° 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 37 /2 01 2- 19 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900637/2012­19  Acórdão n.º 1302­002.168  S1­C3T2  Fl. 3            2  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de  Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Tratam  os  autos  de  análise  eletrônica  de  Pedido  de  Restituição,  por  intermédio  do  qual  o  contribuinte  pretende  a  restituição  de  suposto  crédito  de  pagamento  indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).  Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo  indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  liquidar  débito  confessado  em  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).  Cientificado  da  decisão  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins não­cumulativos  não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de  IRPJ  e  CSLL  sobre  tais  créditos  desrespeita  o  princípio  constitucional  da  neutralidade  tributária.  A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris:  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA  TRIBUTÁRIA.  INCOMPETÊNCIA  DO  JULGADOR  ADMINISTRATIVO.  É  o  administrador  um  mero  executor  de  leis  não  lhe  cabendo  questionar  a  legalidade  ou  constitucionalidade  do  comando  legal.  A  análise  de  teses  contra  a  legalidade  ou  a  constitucionalidade de normas  é privativa do Poder Judiciário,  conforme competência conferida constitucionalmente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado  com  o  decisium,  o  recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário,  alegando,  em  síntese,  os  mesmos  argumentos  da  impugnação,  acrescentando  que  a  Administração não pode eximir­se da competência sobre o controle de constitucionalidade das  leis, decretos e portarias, bem como o  fato de não ser  razoável que a Administração Pública  desconsidere  as  informações  prestadas  pelo  Contribuinte  na  DCOMP,  as  quais  apresentam  presunção de legitimidade.  É o relatório.    Voto             Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900637/2012­19  Acórdão n.º 1302­002.168  S1­C3T2  Fl. 4            3  Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1302­002.134,  de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/2012­26, paradigma ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­002.134):  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Conforme  depreende­se  da  leitura  do  Relatório  acima,  o  Recorrente  sustenta  seus  argumentos  com  base  em  supostas  inconstitucionalidades  perpetradas  pela  autoridade  fiscal  e  ratificadas pela decisão recorrida.  Contudo,  é  vedado  ao  julgador  administrativo  negar  aplicação  de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso  administrativo.  Essa  análise  foge  à  alçada  das  autoridades  administrativas, que não dispõem de competência para examinar  hipóteses  de  violações  às  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento jurídico.   As  autoridades  administrativas,  enquanto  responsáveis  pela  execução  das  determinações  legais,  devem  sempre  partir  do  pressuposto  de  que  o  legislador  tenha  editado  leis  compatíveis  com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional.   Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos  legais  elencados,  no  âmbito  da  Administração  Tributária,  quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre  efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e  atos  atribuídos  ao  sujeito  passivo,  que  ensejam  a  exigência  de  tributos e dos acréscimos  legais pertinentes, desde que referido  lançamento  seja  devidamente  fundamentado  em  regular  procedimento  de  ofício  e  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  que regem a espécie.  O  tema  é  pacificado  no  âmbito  deste Conselho Administrativo,  nos termos da Súmula 02:   “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de Lei Tributária”.  Afasto,  portanto,  o  presente  argumento,  por  não  ser  o  CARF  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  Noutra  banda,  verifica­se  que  o  recorrente  sem  acostar  documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso  voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a  presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900637/2012­19  Acórdão n.º 1302­002.168  S1­C3T2  Fl. 5            4  primeira  instância,  sem  com  isto  trazer  objetivamente  os  fundamentos  e  provas  com  base  nas  quais  pede  para  que  seja  homologado o seu pedido de compensação.  Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra  decisão  proferida  pela  DRJ  de  forma  genérica,  fazendo  mera  referência  parte  das  razões  apresentadas  em  sede  da  impugnação  e  a  necessidade  de  observação  das  provas  já  juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte,  não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a  quo.  Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se  extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013­ 45 que  teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como  segue:  "(...)  1.  O  contribuinte,  em  seu  recurso,  no  concernente  à  obrigação principal, limitas­ se a prestar informações genéricas  e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando­ se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972  (Acórdão nº 2803­003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior.  Sessão de 12/08/2014)."  Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                Fl. 78DF CARF MF

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6765570 #
Numero do processo: 10746.720036/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 231          1 230  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10746.720036/2007­28  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­005.333  –  2ª Turma   Sessão de  30 de março de 2017  Matéria  PAF ­ RECURSO ESPECIAL ­ CONHECIMENTO   Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  WARRE ENGENHARIA E SANEAMENTO LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2004  PAF  ­  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL  DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.  A  divergência  interpretativa  somente  se  caracteriza  quando,  em  face  de  situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de  Recurso Especial  de Divergência,  quando não  resta  demonstrado  o  alegado  dissídio jurisprudencial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da  Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 00 36 /2 00 7- 28 Fl. 231DF CARF MF     2 Relatório  Em  sessão  plenária  de  15/05/2012,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  s/n,  prolatando­se o Acórdão 2801­02.423 (fls. 168 a 176), assim ementado:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2004  VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.  O  lançamento de oficio deve  considerar,  por expressa previsão  legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra,  SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de  Agricultura  das  Unidades  Federadas  ou  dos  Municípios,  que  considerem a  localização do imóvel, a capacidade potencial da  terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a  utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR  apresentadas  para  determinado município  e  exercício,  por  não  observar o critério da capacidade potencial da  terra, não pode  prevalecer.  Recurso Voluntário Provido.”  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  25/06/2012  (Despacho  de  Encaminhamento de  fls. 181). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a  Fazenda  Nacional  poderia  interpor  Recurso  Especial  até  09/08/2012,  o  que  foi  feito  em  26/07/2012 (fls. 182 a 188), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 189.  O Recurso Especial foi  interposto com fundamento no art. 67, Anexo II, do  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a  validade do arbitramento do VTN­Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT­Sistema de  Preços de Terras, utilizando­se o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão  agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 2102­00.609.  Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/03/2014  (fls. 190/191).  Cientificado  do  acórdão,  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional e do despacho acima em 30/10/2014 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 196/197), o  Contribuinte ofereceu, em 06/11/2014 (fls. 225), as Contrarrazões de fls. 199 a 224, pedindo,  em síntese, o não provimento do recurso, com a manutenção do acórdão recorrido.  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando  perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade.   Em  seu  apelo,  a  Fazenda  Nacional  visa  rediscutir  a  validade  do  arbitramento do VTN­Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT­Sistema de Preços de  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10746.720036/2007­28  Acórdão n.º 9202­005.333  CSRF­T2  Fl. 232          3 Terras,  utilizando­se  o VTN médio das DITR,  sem  informações  sobre aptidão agrícola.  Como paradigma foi indicado o Acórdão 2102­00.609.  Antes de proceder à análise do paradigma,  importa salientar que se  trata de  Recurso Especial de Divergência,  e que esta  somente se caracteriza quando existe  similitude  fática  entre  as  situações  apreciadas  no  acórdão  recorrido  e  no  paradigma  indicado.  Assim,  torna­se  imprescindível  a  análise  das  situações  fáticas  contidas  nos  acórdãos  recorrido  e  paradigma, a ver se haveria similitude entre elas.  No  caso  do  acórdão  recorrido,  a  motivação  do  restabelecimento  do  VTN  declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com  base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal  arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de  regência. Confira­se a respectiva ementa:  “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão  legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra,  SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de  Agricultura  das  Unidades  Federadas  ou  dos  Municípios,  que  considerem a  localização do imóvel, a capacidade potencial da  terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a  utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR  apresentadas  para  determinado município  e  exercício,  por  não  observar o critério da capacidade potencial da  terra, não pode  prevalecer.”  Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 2102­00.609 – a Fazenda Nacional  colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial:  “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por  base  os  valores  do  SIPT  (fl.  15),  pode­se  arbitrar  o  valor  da  terra nua com base na aptidão agrícola da  terra ou com base  no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém  uma média global do valor da terra nua do município . Não há  uma  avaliação  específica  do  imóvel  auditado. Considerando  a  dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou  pelo  valor  médio  da  DITR,  entendo  que  se  deve  utilizar  esta  última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl.  8)” (destaques da Recorrente)  A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria  à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial.  Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que  ele foi proferido. Nesse passo, verifica­se que, além de retratar uma situação distinta daquela  analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estar­se­ia defendendo a tese  de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confira­se os principais trechos  da ementa e do voto vencedor desse paradigma:  “ARBITRAMENTO  DO  VALOR  DA  TERRA  NUA.  INFORMAÇÃO  EXTRAÍDA  DO  SISTEMA  DE  PREÇO  DE  TERRAS  ­  SIPT.  HIGIDEZ  PROCEDIMENTAL.  SOMENTE  LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE  O  IMÓVEL  RURAL,  SEGUNDO  A  NORMA  DA  ABNT  Fl. 233DF CARF MF     4 VIGENTE  NA  DATA  DA  PRODUÇÃO  DO  LAUDO,  PODE  CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT.  Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da  terra nua, pode a autoridade  fiscal se valer do preço constante  do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que  servirá para apurar o ITR devido.  Somente  laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na  data  da  produção dele,  assinado por profissional  competente  e  secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ­ ART, é  meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT.  Recurso provido  (...)  Agora,  passa­se  a  apreciar  a  defesa  do  item  II  (no  tocante  ao  valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços  de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível  publicidade das  fontes e  valores que alimentam o sistema, bem  como, a realização de verificação física das áreas existentes na  propriedade  para  viabilizar  a  incidência  do  VTN,  segundo  a  classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas "  (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)"  (fls.  218  e  219).  Além  disso,  o  recorrente  agora  junta  Laudo  Técnico  complementar,  no  qual  se  demonstra  que  o  valor  do  SIPT refere­se ao preço de terras comercializadas e não da terra  nua,  como  inclusive  se  pode  ver  pelos  formulários  preenchidos  pela Emater­MG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio  Vargas  (fls.  291  a  293),  com  os  mesmos  valores  do  SIPT,  os  quais  tem  a mesma  fonte  de  informação,  qual  seja,  a  Emater­ MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para  quantificar  o  valor  da  terra  nua,  mister  reduzir  o  valor  do  exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT).  Como  se  pode  constatar,  no  caso  do  paradigma  o  Contribuinte  se  insurge  contra  o  arbitramento  pelo  SIPT,  alegando  falta  de  publicidade  das  fontes  e  valores  que  alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra  nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001  seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos  de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT:  “No  tocante  ao  pretenso  cerceamento  do  direito  de  defesa  perpetrado pela autoridade  fiscal, com a utilização do valor da  terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já  que  a  possibilidade  do  arbitramento  do  preço  da  terra  nua  consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de  sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal.  Utilizando  tal  autorização  legislativa,  a  Secretaria  da  Receita  Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de  Preços  de  Terras  —  SIPT,  o  qual  seria  alimentado  com  informações  das  Secretarias  de  Agricultura  ou  entidades  correlatas,  bem  como  com  os  valores  da  terra  nua  da  base  de  declarações do ITR.  Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10746.720036/2007­28  Acórdão n.º 9202­005.333  CSRF­T2  Fl. 233          5 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer  violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que,  no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua  constante  no  sistema,  conforme  tela  do  SIPT  de  fls.  15  e  16  (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já  que  o  contribuinte  havia  utilizado  o  valor  da  terra  nua  para  o  município  de  Inhaúma  —  MG  de  1996,  valor  que  teria  sido  aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição  da  notificação  de  lançamento  do  ITR  respectivo  (conforme  declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27),  e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A  informação  declarada  pelo  contribuinte  era  assaz  antiga  e  justificava o procedimento da autoridade fiscal.  No ponto, sem razão o recorrente.  A  decisão  recorrida  ratificou  o  arbitramento  perpetrado  pela  autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a  atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais  (NBR 14.653­3) e pela discrepância entre o valor declarado pelo  contribuinte e aqueles do SIPT.  (...)  Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros,  dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de  Estado  de  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  de  Minas  Gerais,  a partir de  levantamento dos  extensionistas da Emater,  como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de  novembro  de  2004  (cópia  deste  oficio  se  encontra  no  recurso  voluntário n° 342.587 — fl. 124 ­, em pauta nesta mesma sessão  de  julgamento).  Tal  oficio  refere­se  ao  valor  da  terra  nua  por  hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os  formulários  da  FGV  preenchidos  pela  Emater­MG,  referentes  aos  exercícios  2001  e  2002,  do  município  de  Inhaúma,  não  indicam que os valores se referem ao preço de comercialização  do  imóvel  com  benfeitorias,  como  se  pode  ver  em  tais  formulários de fls. 291 a 293.  Dessa  forma,  aqui  não  se  acata  a  defesa  de  que  os  valores  do  SIPT se referiam ao valor total do imóvel.  Ainda  se  deve  anotar  que  o  contribuinte  não  apresentou  laudo  técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT  14.653­3,  vigente  desde  30106/2004,  data  esta  anterior  à  produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o  laudo  produzido  em  conformidade  com  tal  Norma  seria  meio  hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra  nua  declarado  estava  defasado,  já  que  o  próprio  contribuinte  confessou  que  utilizara  o  mesmo  valor  de  1996  (para  os  exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa  do recorrente.  Por  fim,  quanto  ao  pedido  para  reduzir  o  valor  do  exercício  2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o  contribuinte tem razão. Explico.  Fl. 235DF CARF MF     6 É  de  conhecimento  de  todos  que,  em  arbitramento,  havendo  possibilidades  diversas,  utiliza­se  a  modalidade  que  mais  favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da  pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n°  8.021/90, verbis:  (...)  No  caso  aqui  em debate  ,  para  o  exercício  2001,  tomando por  base  os  valores  do  SIPT  (fl.  15),  pode­se  arbitrar  o  valor  da  terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no  valor  médio  das  DITR  ,  sempre  lembrando  que  o  SIPT  detém  uma média global do valor da terra nua do município  . Não há  uma avaliação específica do imóvel auditado.  Considerando  a  dupla  possibilidade  de  arbitramento  ,  pela  aptidão agrícola ou pelo  valor médio da DITR,  entendo que  se  deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o  recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).”  (grifei)  Destarte, verifica­se que em momento algum o paradigma defende, de forma  genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das  DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão  presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não  há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizar­se o VTN de menor  valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR.  Assim, as situações fáticas são distintas, a saber:  ­ no acórdão  recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi  feito com base apenas  no  valor médio  das DITR,  sem  levar  em  conta  a  aptidão  agrícola,  e  é  esta  a motivação  que  levou à sua desqualificação;  ­  no  paradigma,  o  arbitramento  pelo  SIPT  foi  feito  com  base  nas  duas  modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende  que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um  pedido  do Contribuinte  para  que  se  adote,  dentre  os  diversos  valores  constantes  do  SIPT,  o  menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o  Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito.  Destarte,  o  paradigma  indicado  não  se  presta  a  demonstrar  a  alegada  divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento  não  se  limitou  ao  VTN  médio  das  DITR.  Tampouco  no  caso  do  julgado  guerreado  houve  pedido  do  Contribuinte,  no  sentido  da  adoção  de  valor  específico,  até  porque,  repita­se,  só  havia um valor, qual seja, o da média das DITR.  No  presente  caso,  o  dissídio  interpretativo  somente  restaria  demonstrado,  com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levando­se em  conta apenas o valor médio das DITR, sem considerar­se a aptidão agrícola, dito arbitramento  fosse mantido. Com efeito, o paradigma  indicado não retrata  tal situação fática, portanto não  resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial.  Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda  Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade.  Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10746.720036/2007­28  Acórdão n.º 9202­005.333  CSRF­T2  Fl. 234          7 (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 237DF CARF MF

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Numero do processo: 10735.724058/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR.
Numero da decisão: 2401-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10735.724058/2012­53  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  2401­004.840  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2017  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  GERALDO LIMA FONTOURA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2007  ITR. ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE.  COMPROVAÇÃO.   O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência  de  erro  de  fato  na  área  total  do  imóvel,  informada  na  declaração  anual  do  ITR.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 40 58 /2 01 2- 53 Fl. 97DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  em  conhecer  do  recurso de ofício, e, no mérito, negar­lhe provimento.      (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator       Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini, Cleberson Alex  Friess, Denny Medeiros  da  Silveira, Andrea Viana Arrais  Egypto,  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa  e  Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.      Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10735.724058/2012­53  Acórdão n.º 2401­004.840  S2­C4T1  Fl. 3          3 Relatório  GERALDO LIMA FONTOURA,  contribuinte,  pessoa  física,  já  qualificado  nos  autos  do  processo  administrativo  em  referência,  teve  contra  si  lavrada  Notificação  de  Lançamento abaixo declinada, exigindo­lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a  Propriedade Rural ­ ITR, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às e­ fls. 06/10, e demais documentos que instruem o processo.  Trata­se de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/11/2012 (AR. fl. 10),  nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo­se  crédito  tributário  no  valor  consignado na  folha  de  rosto  da  autuação,  decorrente  do  seguinte  fato gerador:    Por  não  ter  sido  apresentado  nenhum  documento  de  prova  e  procedendo­se  a  análise e verificação dos dados constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o Valor da  Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00, arbitrando o valor de R$89.644.974,00 (R$4.437,87/ha),  com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente  aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$17.928.984,80, conforme  demonstrado às fls. 08.  Após  regular  processamento,  interposta  impugnação  contra  exigência  fiscal  consubstanciada  na  peça  vestibular  do  feito,  a  1a  Turma da DRJ  em Brasília/DF,  achou  por  bem  julgar  improcedente  em  parte  o  lançamento,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos no Acórdão nº 03­068.361/2015, de e­fls. 78/85, sintetizados na seguinte ementa:  "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A PROPRIEDADE TERRITORIAL  RURAL ­ ITR   Exercício: 2007   DA REVISÃO DO LANÇAMENTO ­ ERRO DE FATO   O  lançamento  deverá  ser  revisto,  de  ofício,  quando  caracterizada  a  ocorrência  de  erro  de  fato  na  área  total  do  Fl. 99DF CARF MF     4 imóvel,  informada na declaração anual do ITR, do exercício  de 2007.   DO VTN ARBITRADO ­ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA  Considera­se matéria não  impugnada o Valor da Terra Nua  (VTN) arbitrado para o ITR/2007, por não ter sido contestado  nos autos, nos termos da legislação processual vigente.   Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte"  Em observância  ao disposto no 34,  inciso  I, do Decreto nº 70.235/72, c/c a  Portaria MF  nº  03/2008,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  recorreu  de  ofício  da  decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal.  Encaminhados ao CARF, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para  relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada.  Mesmo  sendo  mantida  parte  da  exigência  fiscal,  o  contribuinte  não  apresentou Recurso Voluntário quanto a parte remanescente.  É o relatório.    Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10735.724058/2012­53  Acórdão n.º 2401­004.840  S2­C4T1  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar  sob  o manto  do  limite  de  alçada,  conheço  do  recurso  de  ofício  e  passo  a  análise  matéria posta nos autos.  Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do  contribuinte  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento  em  virtude  de  não  ter  sido  apresentado  nenhum documento de prova e procedendo­se a análise e verificação dos dados constantes da  DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00,  arbitrando o  valor  de R$89.644.974,00  (R$4.437,87/ha),  com  base  no Sistema de Preços  de  Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e  disto resultando imposto suplementar de R$17.928.984,80.  Após  apresentação  da  impugnação  da  autuada,  o  lançamento  fora  julgado  improcedente em parte, nos termos do Acórdão nº 03­068.361/2015, de e­fls. 78/85, 1a Turma  da DRJ em Brasília/DF, acima ementado,  razão pela qual a autoridade julgadora de primeira  instância  recorreu  de  ofício  daquele  decisum,  com  arrimo  artigo  34,  inciso  I,  do Decreto  nº  70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.  Com  mais  especificidade,  a  DRJ  competente,  ora  guerreada,  em  síntese,  achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando o crédito lançado, adotando os seguintes  fundamentos, in verbis:  "(...)  Da análise das alegações e da documentação apresentadas, por  não  ter  sido  contestado  o  VTN/ha  arbitrado  (R$4.437,87/ha),  verifica­se que a lide no presente processo cinge­se à área total  do imóvel informada na DITR/2007.   O  contribuinte  alega  que  a  área  total  correta  da  propriedade  seria  de  20,0  ha,  constante  do  CAFIR  da  RFB  (fls.  79),  alegando  que  ela  foi  informada  erroneamente  na  DITR/2008  como 20.200,0 ha.   Em princípio,  a  aceitação  da  pretendida  área  total  de 20,0  ha  estaria  prejudicada  pela  modalidade  de  lançamento  do  ITR/2007, auto­lançamento, e por ter sido apresentada somente  após  o  início  do  procedimento  de  ofício.  Entretanto,  quando  argüida pelo contribuinte na fase de impugnação, a hipótese de  erro  de  fato  deve  ser  analisada,  observando­se  aspectos  de  ordem legal.  (...)  No presente caso, não obstante o contribuinte não  ter acostado  aos  autos  a  certidão  de  inteiro  teor  do  imóvel,  conforme  Fl. 101DF CARF MF     6 relatado, formo convicção pela procedência da alegação de erro  de  fato  na  declaração  da  dimensão  do  imóvel  de  20.200,0  ha  para  20,0  ha,  isso  porque,  primeiramente,  trata­se  de  erro  comum  declarar  a  área  em  metros  quadrados  quando  deveria  declarar a dimensão em hectares. Além disso, trata­se de área de  posse,  como  consta  no  primeiro  Translado  da  Escritura  Declaratória  lavrada no Cartório do 9º Ofício de Notas, às  fls.  53/58, e, assim, não é razoável que uma área de posse de apenas  uma  pessoa  possa  ter  uma  dimensão  tão  significativa  como  a  declarada.  Ademais,  como  bem  consta  na  Informação Fiscal,  às  fls.  77,  o  próprio  município  de  Nova  Iguaçu  possui  521,249  km2  e  portanto  caso  o  imóvel  tivesse  20.200,0  ha,  ele  representaria  39% do  total da área do município, o que não é factível, ainda  mais, como dito, por tratar­se de área de posse.   Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no  sítio  http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu,  como  consta  na  citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um  total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9  km2,  e,  no  caso  de  o  imóvel  localizar­se  somente  nesse  município, ele representaria 110% do total da área restante de,  aproximadamente,  182,34  km2.  Logo,  é  de  se  concluir  pela  impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha.   Não  obstante  o  Cartório  ter  recebido  a  cópia  do  primeiro  Translado da Escritura Declaratória  lavrada no Cartório do 9º  Ofício de Notas,  às  fls.  53/58, anexado ao Ofício  encaminhado  pela  fiscalização,  não  foi  percebido  que  tratava­se  de  área  de  posse e, portanto, deveria ser pesquisada a existência de imóvel  no nome do outorgante Srº José Lopes Pimentel e outros (todos  nomeados no documento). Em que pese essa falha interpretativa  do  Cartório,  saliente­se  que  não  consta  nenhum  registro  de  imóvel em nome do impugnante.   Registre­se  que  a DITR/2011  e  posteriores  foram apresentadas  com  a  área  total  de  20,0  ha,  nos  termos  ora  pretendidos  pelo  impugnante  para  os  exercícios  de  2008  e  2008,  cuja  impugnação,  também,  está  sendo  julgada  nesta  Sessão.  Além  disso,  o  cadastro  do  imóvel  continua ATIVO no CAFIR,  às  fls.  79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também,  verifica­se no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do  Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em  14.04.2008,  o  imóvel  possuía  área  de  20,0  ha  e  que  posteriormente  passou  para  20.200,0  ha  e  depois  retornou  aos  20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de  erro de fato na declaração do período.   Assim, entendo ser cabível a retificação da área total do imóvel  informada  erroneamente  na  DITR/2008,  de  20.200,0  ha  para  20,0  ha  e,  em  conseqüência  da  alteração  da  área  total  originariamente  declarada,  ajustar  o  VTN  arbitrado,  de  R$86.487.108,00  (20.200,0  ha  x  R$4.281,54/ha)  para  R$85.630,80 (20,0 ha x R$4.281,54/ha).  (...)"  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10735.724058/2012­53  Acórdão n.º 2401­004.840  S2­C4T1  Fl. 5          7 Conforme  se  extrai  dos  autos,  o  contribuinte  foi  notificado  porque  quando  intimado  a  apresentar  a  matrícula  atualizada  do  registro  imobiliário  ou,  em  caso  de  posse,  documento  que  comprove  essa  posse  e  o  certificado  de  cadastro  de  imóvel  rural,  não  apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal.  Verifica­se  que  o  lançamento  se  deu  pela modalidade  de  auto­lançamento,  conforme informações da DITR, assim, a alegação argüida pelo contribuinte de erro de fato, foi  precisamente e muita bem analisada pela decisão de piso.  Neste  ponto,  conforme  dispõe  a  decisão  guerreada,  restou  claramente  evidenciado o erro de fato, senão vejamos:  "  [...]  Ademais,  como  bem  consta  na  Informação Fiscal,  às  fls.  77,  o  próprio  município  de  Nova  Iguaçu  possui  521,249  km2  e  portanto  caso  o  imóvel  tivesse  20.200,0  ha,  ele  representaria  39% do  total da área do município, o que não é factível, ainda  mais, como dito, por tratar­se de área de posse.   Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no  sítio  http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu,  como  consta  na  citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um  total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9  km2,  e,  no  caso  de  o  imóvel  localizar­se  somente  nesse  município, ele representaria 110% do total da área restante de,  aproximadamente,  182,34  km2.  Logo,  é  de  se  concluir  pela  impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha.  [...]  Registre­se  que  a DITR/2011  e  posteriores  foram apresentadas  com  a  área  total  de  20,0  ha,  nos  termos  ora  pretendidos  pelo  impugnante  para  os  exercícios  de  2008  e  2008,  cuja  impugnação,  também,  está  sendo  julgada  nesta  Sessão.  Além  disso,  o  cadastro  do  imóvel  continua ATIVO no CAFIR,  às  fls.  79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também,  verifica­se no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do  Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em  14.04.2008,  o  imóvel  possuía  área  de  20,0  ha  e  que  posteriormente  passou  para  20.200,0  ha  e  depois  retornou  aos  20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de  erro de fato na declaração do período.   [...]"  Partindo  dessas  premissas,  a  revisão  de  ofício  dos  dados  informados  pelo  contribuinte  na  sua  DITR  foi  muito  bem  aplicada  e  fundamentada  pelas  razões  acima  transcritas,  comprovadas  nos  autos,  evidenciando  a  existência  de  erro  de  fato.  Além  de  ser  clara a observância ao Princípio da Verdade Material.  Na  esteira  desse  entendimento,  não  se  pode  cogitar  em  irregularidade  na  decisão  levada a efeito pelo  julgador de primeira  instância, porquanto agiu da melhor  forma,  Fl. 103DF CARF MF     8 com estrita  observância da  legislação  de  regência,  reconhecendo  a  improcedência  do  crédito  tributário nos termos encimados.  Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR­LHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em  sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                                Fl. 104DF CARF MF

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6812102 #
Numero do processo: 13888.900317/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 24/12/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­003.700  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  IPI ­ pagamento a maior ou indevido  Recorrente  RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ­  ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Data do fato gerador: 24/12/2010  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  IPI  PAGOS  INDEVIDAMENTE  OU  A  MAIOR  COM  DÉBITOS  DA  COFINS.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DO  CONTRIBUINTE.  ÔNUS  QUE  LHE  INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.  Contribuinte que pede compensação,  instruindo seu pedido com a DCOMP;  sobrevindo decisão  dizendo que  não  há mais  créditos  a  serem  aproveitados  tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por  intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o  fez.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente), Robson José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Augusto  Fiel  Jorge  O'Oliveira,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 17 /2 01 4- 65 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900317/2014­65  Acórdão n.º 3401­003.700  S3­C4T1  Fl. 3          2  Versam  os  autos  sobre  PER/DCOMP  cujo  direito  creditório  alegado  seria  oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado  pela RFB.  O  despacho  decisório  não  homologou  a  compensação  em  razão  do  recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte.  O  contribuinte  apresentou  tempestivamente  sua  manifestação  de  inconformidade,  arguindo  várias  nulidades,  mormente  que  o  aludido  Despacho  não  teria  fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa.  Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de  votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte  teor:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Data do fato gerador: 24/12/2010  NULIDADES.  As  causas  de  nulidade  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  são  somente  aquelas  elencadas  na  legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente  fundamentado é regularmente válido.  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  A  homologação  das  compensações  declaradas  requer  créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não  caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para  compensar com os débitos do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA.  Cabe  à  defesa  o  ônus  da  prova  dos  fatos  modificativos,  impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária.  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido  A  contribuinte  interpôs  tempestivamente  o  seu  recurso  voluntário,  asseverando  que  a  decisão  não  levou  em  consideração,  nas  razões  de  decidir  a  eficácia  dos  princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo  que  a  Recorrente  apresentasse  defesa,  bem  como  demonstrasse  a  existência  do  crédito,  requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos  quais sua compensação não foi homologada.  É o relatório.  Voto             Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900317/2014­65  Acórdão n.º 3401­003.700  S3­C4T1  Fl. 4          3  Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.652, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/2014­67, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.652):  Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a  nulidade  da  decisão  da  DRJ  de  Ribeirão  Preto/SP,  entendendo  que  esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa.  Não merece prosperar as alegações da Recorrente.  A uma, disse o Despacho Decisório:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  A  duas,  mencionou  expressamente  a  decisão  de  piso  que  a  Recorrente  não  trouxe  qualquer  prova  (DARF,  DCTF,  Livro  de  Apuração  e  Registro  do  IPI),  indício  ou  justificativa  que  permitisse  comprovar o alegado recolhimento indevido.  A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator:  Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório,  devidamente assinado pela autoridade competente:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque  já tinha sido utilizado para quitar outros débitos.  Com  efeito,  se  há  erro  nos  arquivos  da  Receita,  bastaria  o  interessado  juntar  a  idônea  e  hábil  documentação contraditória  (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em  homenagem  o  princípio  da  verdade  material  tanto  invocado,  sendo que, se  tratam de declarações e  livros cuja boa guarda e  apresentação imediata estão legalmente determinadas.  A manifestação do interessado não traz qualquer prova,  indício  ou  mesmo  justificativa  que  permita  comprovar  o  alegado  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900317/2014­65  Acórdão n.º 3401­003.700  S3­C4T1  Fl. 5          4  recolhimento  indevido,  limitando­se,  tão  somente  a  colecionar  julgados e doutrinas sobre nulidades.  Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal  do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF  já  foram  utilizados  para  quitar  outros  débitos  e  nada  o  contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou  anular,  sendo que não  se  justifica  a  falta  de  apresentação  de  documentos  que  provassem  seu  direito  creditório,  na  medida  que  a  alegação  de  cerceamento  da  defesa  não  se  sustenta.  A três, vê­se que a decisão fora motivada, embora cingiram­se  as  assertivas  da  Recorrente  apenas  e  tão  somente  na  juntada  da  DCOMP,  informando  que  detinha  um  crédito  de  IPI,  oriundo  de  pagamento  indevido,  o  qual  seria  compensado  com  débitos  da  COFINS.  A quatro, tem­se que, sobrevindo a decisão da manifestação de  inconformidade,  deveria  a  Recorrente  fazer  prova  deste  suposto  pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo  333 do CPC, vigente à época ­ ademais, como ressalvada pela decisão  da DRJ ­, porém, quedou silente a contribuinte­recorrente.  A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o  Colegiado  possa  apreciá­lo,  de  modo  que,  diante  da  ausência  de  qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não  merece reparos.  Não  maiores  ilações  a  serem  feitas  e  diante  da  ausência  de  provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                            Fl. 65DF CARF MF

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6812062 #
Numero do processo: 13888.900255/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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provimento ao recurso voluntário apresentado.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente), Robson José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Augusto  Fiel  Jorge  O'Oliveira,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 55 /2 01 4- 91 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900255/2014­91  Acórdão n.º 3401­003.660  S3­C4T1  Fl. 3          2  Versam  os  autos  sobre  PER/DCOMP  cujo  direito  creditório  alegado  seria  oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado  pela RFB.  O  despacho  decisório  não  homologou  a  compensação  em  razão  do  recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte.  O  contribuinte  apresentou  tempestivamente  sua  manifestação  de  inconformidade,  arguindo  várias  nulidades,  mormente  que  o  aludido  Despacho  não  teria  fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa.  Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de  votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte  teor:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Data do fato gerador: 25/04/2012  NULIDADES.  As  causas  de  nulidade  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  são  somente  aquelas  elencadas  na  legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente  fundamentado é regularmente válido.  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  A  homologação  das  compensações  declaradas  requer  créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não  caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para  compensar com os débitos do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA.  Cabe  à  defesa  o  ônus  da  prova  dos  fatos  modificativos,  impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária.  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido  A  contribuinte  interpôs  tempestivamente  o  seu  recurso  voluntário,  asseverando  que  a  decisão  não  levou  em  consideração,  nas  razões  de  decidir  a  eficácia  dos  princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo  que  a  Recorrente  apresentasse  defesa,  bem  como  demonstrasse  a  existência  do  crédito,  requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos  quais sua compensação não foi homologada.  É o relatório.  Voto             Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900255/2014­91  Acórdão n.º 3401­003.660  S3­C4T1  Fl. 4          3  Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.652, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/2014­67, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.652):  Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a  nulidade  da  decisão  da  DRJ  de  Ribeirão  Preto/SP,  entendendo  que  esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa.  Não merece prosperar as alegações da Recorrente.  A uma, disse o Despacho Decisório:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  A  duas,  mencionou  expressamente  a  decisão  de  piso  que  a  Recorrente  não  trouxe  qualquer  prova  (DARF,  DCTF,  Livro  de  Apuração  e  Registro  do  IPI),  indício  ou  justificativa  que  permitisse  comprovar o alegado recolhimento indevido.  A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator:  Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório,  devidamente assinado pela autoridade competente:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque  já tinha sido utilizado para quitar outros débitos.  Com  efeito,  se  há  erro  nos  arquivos  da  Receita,  bastaria  o  interessado  juntar  a  idônea  e  hábil  documentação contraditória  (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em  homenagem  o  princípio  da  verdade  material  tanto  invocado,  sendo que, se  tratam de declarações e  livros cuja boa guarda e  apresentação imediata estão legalmente determinadas.  A manifestação do interessado não traz qualquer prova,  indício  ou  mesmo  justificativa  que  permita  comprovar  o  alegado  Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900255/2014­91  Acórdão n.º 3401­003.660  S3­C4T1  Fl. 5          4  recolhimento  indevido,  limitando­se,  tão  somente  a  colecionar  julgados e doutrinas sobre nulidades.  Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal  do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF  já  foram  utilizados  para  quitar  outros  débitos  e  nada  o  contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou  anular,  sendo que não  se  justifica  a  falta  de  apresentação  de  documentos  que  provassem  seu  direito  creditório,  na  medida  que  a  alegação  de  cerceamento  da  defesa  não  se  sustenta.  A três, vê­se que a decisão fora motivada, embora cingiram­se  as  assertivas  da  Recorrente  apenas  e  tão  somente  na  juntada  da  DCOMP,  informando  que  detinha  um  crédito  de  IPI,  oriundo  de  pagamento  indevido,  o  qual  seria  compensado  com  débitos  da  COFINS.  A quatro, tem­se que, sobrevindo a decisão da manifestação de  inconformidade,  deveria  a  Recorrente  fazer  prova  deste  suposto  pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo  333 do CPC, vigente à época ­ ademais, como ressalvada pela decisão  da DRJ ­, porém, quedou silente a contribuinte­recorrente.  A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o  Colegiado  possa  apreciá­lo,  de  modo  que,  diante  da  ausência  de  qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não  merece reparos.  Não  maiores  ilações  a  serem  feitas  e  diante  da  ausência  de  provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                            Fl. 66DF CARF MF

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Numero do processo: 11850.000032/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/05/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como é exemplo a prestação de informações sobre veículo ou carga transportada.
Numero da decisão: 9303-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

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Acórdão nº  9303­005.159  –  3ª Turma   Sessão de  17 de maio de 2017  Matéria  MULTA REGULAMENTAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA   Recorrente  LUFTHANSA CARGO AG.   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 29/05/2008  MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU  ERRO NA PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  VEÍCULO  OU  CARGA  NELE  TRANSPORTADA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.  O  benefício  da  denúncia  espontânea  não  se  aplica  ao  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  como  é  exemplo  a  prestação  de  informações  sobre  veículo ou carga transportada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar­lhe provimento, vencidos os  Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori  Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir  o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).      (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício      (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 32 /2 00 8- 86 Fl. 179DF CARF MF     2     (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Redator designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa  Camargos  Autran,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (suplente  convocado),  Vanessa  Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.     Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Contribuinte  LUFTHANSA CARGO A. G. (fls. 139 a 145) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3801­005.298 (fls.  127  a  133),  proferido  pela  1ª  Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  em  18  de  março  de  2015,  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  tendo  recebido  a  seguinte ementa:     ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 29/05/2008  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO  DA  FORMA  E  PRAZO  DETERMINADOS  PARA  REGISTRO  DE  CARGA  PROCEDENTE  DO  EXTERIOR  NO  SISTEMA  MANTRA.  APLICAÇÃO  DE  MULTA  REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.  O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para  registro  no  Sistema  Mantra  de  carga  procedente  do  exterior  configura  infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  sancionada  com  a  correspondente multa regulamentar.  Recurso Voluntário Negado.    Na data de 22/07/2008, a Contribuinte foi cientificada da lavratura do Auto de  Infração  (fls.  04  a 08),  para  cobrança de multa  regulamentar prevista no  art.  107,  inciso  IV,  alínea “e”, do Decreto­Lei nº 37/1966, em razão de erro de informação sobre veículo ou carga  nele  transportada. A  infração  foi  assim  descrita  no  “Termo  de Constatação  de  Prestação  de  Informação Incorreta ao Sistema Mantra” (fls. 09 a 10), in verbis:    [...]  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11850.000032/2008­86  Acórdão n.º 9303­005.159  CSRF­T3  Fl. 180          3 Com fundamento nos artigos 15 a 22 e 605 do Regulamento Aduaneiro ­ RA,  Decreto n° 4.543/02, nos artigos 195 e 196 da Lei n.° 5.172166 e no artigo 6°  da Lei n° 10.593102, em ato de vigilância, foi observada divergência entre a  informação de chegada de carga e a data de chegada da carga efetivamente  recebida pela Infraero.   Em 3110312008 através do Termo de Entrada 08001252­3 do vôo GEC8270  de  31/03/2008,  com  base  no HAWB  020  1680  751D  5VHL531,  emitido  em  27/03/2008,  a  Companhia  Aérea  Lufthansa  informou  a  chegada  (Carga  Total)  de  18  (dezoito)  volumes  com  2977,00  kg  para  o  consignatário  FLEXTRONICS  INTL  informando  tratar­se  de  carga  "Pátio"  (TC=1)  no  documento  Situação  da  Carga,  Anexo.  Em  02/04/2008  foi  vinculada  a  DI  08/0483619­6, registrada, parametrizada no canal verde e desembaraçada na  mesma data.  Em 05/04/2008, através do Termo de Entrada 08001299­0 do vôo GEC8270  de  03/04/2008,  chegou  1  (hum)  volume  com  peso  de  528,00  kg  que  foi  informado  pelo  depositário  através  do  Documento  Subsidiário  de  Identificação de Carga (DSIC) 892­0800837­2. Esse volume COMPLETOU a  carga informada.   Em 16/04/2008, no intuito de regularizar a situação inconsistente entre carga  física existente e carga informada no HAWB em tela, sob o protocolo Mantra  4.633/08,  a  Companhia  Aérea  solicitou  a  desvinculação  da  DI  e  a  apropriação da carga instruída pelo DSIC ao conhecimento de carga, com a  conseqüente retirada da indisponibilidade 31.  Consolidou­se, com base no pedido de apropriação da carga solicitado pelo  contribuinte que, houve erro de informação da Companhia Aérea ao Sistema  Mantra,  ou  seja,  a  carga  não  chegou  nem  na  data  e  nem  na  forma  da  informação prestada no sistema.  [...]       Depois de cientificado, o Sujeito Passivo apresentou impugnação (fls. 23 a 29),  julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 96 a 101), nos termos do Acórdão nº 17­ 45392, de 20 de outubro de 2010, sob o fundamento, em síntese, da procedência da imposição  fiscal pois a prestação de  informações sobre a carga em questão não observou as prescrições  contidas  na  IN SRF nº  102/94,  bem como que  a  responsabilidade  pelo  devido  cumprimento  dessa obrigação é do transportador.   A decisão de impugnação, que manteve o lançamento na íntegra, foi contestada  por  meio  de  recurso  voluntário  (fls.  106  a  123),  por  sua  vez  julgado  improcedente  para  manutenção  da  multa  regulamentar,  conforme  Acórdão  nº  3801­005.298  (fls.  127  a  133),  proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de março de 2015,  ora recorrido.   No  ensejo,  a  Contribuinte  interpôs  o  presente  recurso  especial  de  divergência  (fls. 139 a 145),  insurgindo­se em face da não aplicação da denúncia espontânea da  infração  Fl. 181DF CARF MF     4 administrativa para exclusão da responsabilidade na forma do art. 102, §2º, do Decreto­Lei nº  37/66,  com  redação  da  Lei  nº  12.350/2010.  Colacionou  como  paradigmas  os  acórdãos  nºs  3101­01.008  e  3101­000.997,  proferidos  pela  1ª  Turma Ordinária  da  1ª  Câmara  da  Terceira  Seção de Julgamento.   Em suas razões recursais, o Sujeito Passivo aduz ser aplicável ao caso o instituto  da denúncia espontânea, nos termos do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/66, com a redação trazida  pela Lei nº 12.350/2010, para descaracterizar a ocorrência de qualquer infração. A aplicação do  dispositivo ao caso dos autos encontra amparo no instituto da retroatividade benigna, segundo  o  qual  a  lei  nova  e  benéfica  deverá  retroagir  em  favor  do Contribuinte,  consoante  art.  106,  inciso II do Código Tributário Nacional.   O recurso especial da Contribuinte foi admitido, nos termos do Despacho s/nº,  de  15  de  outubro  de  2015  (fls.  158  a  160),  por  ter  sido  comprovada  a  divergência  jurisprudencial  com relação à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea da  infração  administrativa, como excludente de responsabilidade, conforme art. 102, §2º do Decreto­lei nº  37/66, com redação da Lei nº 12.350/2010.   A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (fls.  168  a  177)  postulando  a  negativa de provimento ao recurso especial da Lufthansa Cargo A. G.  O  presente  processo  foi  distribuído  a  essa  Relatora  por  meio  de  sorteio  regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  3ª  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.     Voto Vencido  Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora    O  recurso  especial  de divergência  interposto pela Contribuinte, LUFTHANSA  CARGO A. G., atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria nº  256/09, e reproduzido na Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser  conhecido.     No mérito, delimita­se a discussão à possibilidade de aplicação do  instituto da  denúncia espontânea para afastar a exigência de multa administrativa pelo descumprimento de  obrigação acessória, nos termos dos artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", ambos do Decreto­ lei nº 37/1966, in verbis:    Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal, na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11850.000032/2008­86  Acórdão n.º 9303­005.159  CSRF­T3  Fl. 181          5 transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior  ou a ele destinado.   § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do  importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas cargas.   [...]    Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  [...]  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  [...]  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional expresso porta­a­porta, ou ao agente de carga; e  [...](grifou­se)    Nos termos da IN SRF nº 102/1994, o transportador deve prestar as informações  à Secretaria da Receita Federal sobre veículo ou carga nele transportada antes da chegada do  veículo transportador no país. A previsão está no artigo 4º do ato normativo, na redação vigente  à época, in verbis:    Art.  4º  A  carga  procedente  do  exterior  será  informada,  no MANTRA,  pelo  transportador  ou  desconsolidador  de  carga,  previamente  à  chegada  do  veículo transportador, mediante registro:  I ­ da identificação de cada carga e do veículo;  II ­ do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada;  III ­ da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de chegada;  IV ­ do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e  V  ­  da  indicação,  quando  for  o  caso,  de  que  se  trata  de  embarque  total,  parcial ou final.  § 1º As informações sobre carga procedente do exterior serão apresentadas à  unidade local da SRF que jurisdiciona o local de desembarque da carga.  Fl. 183DF CARF MF     6 § 2º As  informações  prestadas  posteriormente  à  chegada  efetiva  de  veículo  transportador dependerão de validação pelo AFTN, exceto nos casos de que  tratam o parágrafo seguinte e o art. 8º.  §  3º  As  informações  sobre  carga  poderão  ser  complementadas  através  de  terminal de computador ligado ao Sistema:  I  ­  até  o  registro  de  chegada  do  veículo  transportador,  nos  casos  em  que  tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e  II ­ até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que  tenham sido prestadas através de terminal de computador.  § 4º Nos casos de embarque parcial, sua totalização deverá ocorrer dentro de  quinze dias seguintes ao da chegada do primeiro embarque.    Da  leitura  dos  dispositivos,  depreende­se  que  em  não  sendo  prestadas  pelo  transportador  as  informações  referentes  ao veículo ou  à carga nele  transportada  antes da  sua  entrada no território nacional, aplica­se a multa constante do art. 107, inciso IV, alínea "e" do  Decreto­lei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003.   No entanto, por força do princípio da retroatividade da norma mais benigna, nos  termos do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há de ser afastada a penalidade no caso pelo  instituto da denúncia espontânea.   A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decreto­lei  nº 37/66, dá­se quando o Contribuinte informa à Administração as infrações por ele cometidas,  antes  de  iniciado  procedimento  de  fiscalização.  Referido  instituto  jurídico  beneficia  o  administrado, pois acarreta a exclusão da penalidade correspondente à infração.   Nesses  termos  é  a  redação  do  art.  102,  §§  1º  e  2º  do Decreto­lei  nº  37/1966,  conferida  pela  Lei  nº  12.350/2010,  prevendo  a  exclusão  das  penalidades  pelo  instituto  da  denúncia espontânea:    Art. 102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente penalidade.   § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:   a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;   b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.   §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  somente  as  penalidades  de  natureza  tributária. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988) (Vide Medida  Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010)  § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11850.000032/2008­86  Acórdão n.º 9303­005.159  CSRF­T3  Fl. 182          7 hipótese de mercadoria  sujeita a pena de perdimento.  (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010) (grifou­se)    A Lei nº 12.350/2010, ao atribuir nova redação ao §2º, do art. 102, do Decreto­ lei nº 37/1966, tornou expressa a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no âmbito  da  legislação  aduaneira,  para  afastar  as  penalidades  administrativas  pelo  descumprimento  de  obrigações acessórias. Portanto, a denúncia espontânea pode ser aplicada para o afastamento de  penalidades de natureza tributária e também de natureza administrativa, sendo excluídas dessas  hipóteses as penalidades aplicáveis nos casos de mercadoria sujeita a pena de perdimento.   A assertiva é reforçada pelo disposto nos itens 40 e 47 da Exposição de Motivos  da Medida Provisória nº 497/2010, convertida posteriormente na Lei nº 12.350/2010, in verbis:    40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza.  [...]  47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade  de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas  ao não­pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa  possibilidade  para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação acessória.    Pontue­se que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento de que  os  efeitos da denúncia  espontânea do  art.  138 do CTN não  se  estendem às penalidades pelo  descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Além disso, dispõe a Súmula CARF nº  49  que  "a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".  No caso, o entendimento do STJ e a disposição contida na Súmula CARF nº 49  restam afastados pois:   (a) a consolidação da jurisprudência ocorreu anteriormente à edição da  Medida Provisória nº 497/2010, bem como não tratou especificamente  da  aplicação  do  art.  102  do  Decreto­lei  nº  37/66,  que  trata  do  descumprimento de obrigação aduaneira;   (b) a Súmula CARF nº 49 afasta os efeitos da denúncia espontânea em  relação  às  infrações  tributárias  em  razão  do  atraso  na  entrega  de  declaração, não tendo relação com a legislação aduaneira; e  Fl. 185DF CARF MF     8 (c) a nova redação do art. 102, §2º do Decreto­lei nº 37/66, conferida  pela  Lei  nº  12.350/2010,  aplicável  à  hipótese  dos  autos  em  razão  do  princípio da retroatividade da norma mais benéfica (art. 106, inciso II,  alínea  "c"  do  CTN),  exclui  expressamente  a  penalidade  da  multa  administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea.     Diante do exposto, dá­se provimento ao recurso especial da Contribuinte.   É o Voto.     (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello    Voto Vencedor    Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado    Com a devida vênia, divirjo da il. Relatora.  É  entendimento  consolidado  que  os  efeitos  da  denúncia  espontânea  não  se  estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas.  No  caso  em  análise,  a  penalidade  aplicada  não  tem  natureza  “aduaneira”,  no  sentido de constituir­se uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas.  O que se quer dizer é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja  ela qual for, apresenta­se, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa.  Assim,  a multa  por  falta  de  licenciamento  não  automático,  quando  o  produto  importado  o  requer,  é  administrativa,  porque  não  tem  por  objeto  prestações,  positivas  ou  negativas,  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos,  mas  ao  controle  administrativo das importações.  Diversa,  contudo,  é  a  penalidade  aplicada  nos  autos,  pois  a  finalidade  de  sua  instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, não pelos  órgãos intervenientes, caso da antes referida.  Ademais,  é  cediço,  as  normais  gerais  em  Direito  Tributário  são  matéria  reservada a lei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea),  tanto  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  por  meio  da  Súmula  Vinculante  nº  8,  pacificou  o  entendimento de que serem inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto­Lei nº  1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do  crédito tributário.  Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11850.000032/2008­86  Acórdão n.º 9303­005.159  CSRF­T3  Fl. 183          9 Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial da contribuinte.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                Fl. 187DF CARF MF

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6863604 #
Numero do processo: 10983.905044/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.649
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­003.649  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004  RETENÇÃO NA  FONTE  POR ÓRGÃOS  PÚBLICOS.  COMPENSAÇÃO  DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.  O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de  pagamentos  efetuados  pelo  fornecimento  de  bens  ou  prestação  de  serviços,  com  débitos  posteriores  existe,  mas  antes  é  preciso  que  tais  retenções  na  fonte,  como antecipações das  exações devidas no período  a que  se  referem  que são,  sejam antes utilizadas como dedução dos  impostos e contribuições  referentes  ao  mesmo  período­base  de  que  fazem  parte.  Apenas  o  saldo  eventualmente  remanescente  desta  confrontação,  é  que  é  passível  de  compensação com débitos de períodos­base posteriores.  Recurso Voluntário Provido.      Por  unanimidade  de  votos,  deu­se  provimento  ao  recurso  voluntário,  acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo­os como pagamentos a  maior.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Robson  Bayerl  (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente), Eloy Eros da  Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto  Fiel  Jorge D'Oliveira, André Henrique  Lemos  e  Tiago Guerra Machado.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 44 /2 00 8- 21 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.905044/2008­21  Acórdão n.º 3401­003.649  S3­C4T1  Fl. 3          2  Trata­se  de  Pedido  de  Compensação  de  crédito  de  contribuição  para  a  COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  (DRF)  proferiu  Despacho  Decisório  indeferindo  o  pedido  formulado,  sob  o  fundamento  de  que  o  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou,  em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento  é  uma  consolidação  das  retenções  na  fonte  relativas  a  quatro  exações  distintas  (IRPJ,  CSL,  COFINS  e PIS),  e que  a DCOMP,  ao  incluir  os dados  relativos  ao DARF,  segregou o valor  retido  referente  a cada uma destas exações;  (ii) não se utilizou das  retenções para deduzi­las  das contribuições devidas relativas aos períodos­base a que se referem, porque só percebeu que  a  Universidade  Federal  de  Santa  Catarina  (UFSC)  vinha  efetuando  tais  retenções  posteriormente;  como  já  havia  anteriormente  adimplido  as  contribuições  devidas  relativas  a  estes  períodos­base,  só  lhe  restou  a  utilização  daqueles  valores  retidos  e  não  contemporaneamente  deduzidos,  para  a  compensação  de  débitos  posteriores;  (iii)  está  acobertado  pelo  artigo  74  da  Lei  n°  9.430/1996,  razão  pela  qual  entende  que  o  Despacho  Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada.  Foi  proferido  Acórdão  DRJ  julgando  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  interposta,  de  maneira  a  não  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado,  nos  termos da ementa abaixo transcrita:  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  RETENÇÃO  NA  FONTE  POR  ÓRGÃOS  PÚBLICOS.  COMPENSAÇÃO  DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.  O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de  pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços,  com  débitos  posteriores  existe, mas  antes  é  preciso  que  tais  retenções  na  fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem  que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições  referentes  ao  mesmo  período­base  de  que  fazem  parte.  Apenas  o  saldo  eventualmente  remanescente  desta  confrontação,  é  que  é  passível  de  compensação com débitos de períodos­base posteriores.  A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  em  especial  que  a  retenção  é  uma  forma  de  pagamento, e afirmou, ainda, nunca  ter utilizado o valor da retenção para  fins de redução do  saldo a pagar da Contribuição devida.  Após  encaminhamento  e  distribuição  a  este  Conselho,  resolveram  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  proferindo,  assim,  Resolução  CARF  para  que  a  unidade  local  se  pronunciasse  acerca  da  existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência  ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte.  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10983.905044/2008­21  Acórdão n.º 3401­003.649  S3­C4T1  Fl. 4          3  A unidade,  em  resposta  à  diligência  formulada,  concluiu,  em  síntese,  que  verificou­se a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de  pagamento a maior no período de apuração analisado.  O processo  foi encaminhado a este Conselho, e  resolveram os membros do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  novamente  o  julgamento  em  diligência,  proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401­000.606 para conceder prazo para a contribuinte  sanar  a  irregularidade  na  sua  representação  processual,  bem  como  se  manifestar  acerca  da  resposta formulada em sede de diligência.  A  unidade  realizou  nova  resposta  à  diligência,  na  qual  informa  ter  constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de  R$ 13.591,97(código 6147)1, a qual  foi  realizada pela  fonte pagadora Universidade Federal  de Santa Catarina  (CNPJ 83.899.526/0001­82),  ...,  o qual  foi  obtido por meio de diligência  outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento,  na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de  amparo legal.  Em manifestação  sobre  a diligência,  a  contribuinte  apontou  a  informação  prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da  faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retido na fonte, no montante mencionado, e  mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como  uma  modalidade  de  pagamento  indevido,  adentra  inadvertidamente  a  matéria  de  mérito  em  momento inoportuno.  É o relatório.          Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.637 de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/2008­50, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.   Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401­003.637):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.905044/2008­21  Acórdão n.º 3401­003.649  S3­C4T1  Fl. 5          4  A  questão  se  resume  (i)  à  comprovação,  em  primeiro  lugar,  da  afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes  à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade  Federal  de  Santa  Catarina  (UFSC),  bem  como  do  quantum  retido  e  não  utilizado,  e  (ii)  à  resposta  à  indagação,  em  segundo  lugar,  sobre  se  as  retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou  a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior.  Quanto  à  primeira  questão,  destacam­se,  da  segunda  diligência  efetuada, os seguintes trechos:  "(...)  a  existência  de  retenção  em  benefício  da  recorrente,  equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi  realizada  pela  fonte  pagadora  Universidade  Federal  de  Santa  Catarina (CNPJ 83.899.526/0001­82),  consoante o documento de  fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada  por esta Unidade junto àquela fonte pagadora.  (...) Em consulta  aos Sistemas da RFB, notadamente  o DIPJ,  verifica­se que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer  da  faculdade  de  dedução  do  valor  relativo  ao  PIS/PASEP  retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996,  consoante  se  verifica  da  Ficha  19a,/Linha  20  –  Cálculo  do  PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB  na data de 29/03/2007) – fls. 149" ­ (seleção e grifos nossos).  Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles  relativos  ao  fato  de  não  ter  a  contribuinte  procedido  à  entrega  de DCTF  retificadora  mencionado  pela  segunda  diligência,  possam  ser  plenamente  superáveis  caso  se  comprove  a  existência  efetiva  de  valores  recolhidos  a  maior,  o  que  de  todo modo  foi  feito  por meio  da  diligência  realizada,  em  conformidade  com  os  trechos  acima  transcritos,  restando,  assim,  comprovada a alegação de fato da contribuinte.  Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocá­la, o que se  discute no presente caso é  se houve ou não o recolhimento a maior; neste  sentido,  descabe  se  aventar  se  o  valor  a  ser  restituído  é  proveniente  da  retenção,  pois  esta  era  devida:  indevido  foi  o  recolhimento  por  parte  da  contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido.  Assim,  nos  termos  do  art.  64  da  Lei  nº  9.430/1996,  acresce  à  fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados  por  órgãos,  autarquias  e  fundações  da  administração  pública  federal  se  sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP,  sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo  legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e,  de outro,  nos  termos do § 3º,  é considerado como antecipação  do que  for  devido  pela  contribuinte  em  relação  ao  mesmo  imposto  e  às  mesmas  contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona  que  a  contribuinte  não  observou  a  forma  adequada  para  a  realização  da  compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido,  mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal  inobservância,  no  entanto,  merece  ser  superada  uma  vez  constatada  a  existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada.   Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10983.905044/2008­21  Acórdão n.º 3401­003.649  S3­C4T1  Fl. 6          5  Neste  sentido,  ademais,  vem  decidindo  este  Conselho,  como  no  Acórdão  CARF  nº  3401­002.805,  proferido  em  sessão  de  11/11/2014,  de  relatoria  do  Conselheiro  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça,  que  julgou  procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela  mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além  do  relator,  os  conselheiros  Júlio César Alves Ramos  (presidente),  Robson  José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz  Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2002  PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA.  NÃO UTILIZAÇÃO  PARA DEDUÇÃO.  POSSIBILIDADE DE  COMPENSAÇÃO.  O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e  não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode  ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos.  Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em  inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixa­se desde já, com a finalidade  de  se  evitar  a  prorrogação  indefinida  deste  contencioso,  que  a  correção  monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento  indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim  a partir do dies  a quo  do  lapso do recolhimento  sem a dedução  realizado  pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão  CARF  nº  3401­002.120,  proferido  em  sessão  de  31/01/2013,  por  unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho:  Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  ­ Cofins  Data do fato gerador: 20/08/2002  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  RETENÇÃO  NA  FONTE  FEITA  POR ÓRGÃO  PÚBLICO.  DEDUÇÃO  LEGAL  DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO  E NÃO DA RETENÇÃO.  Caracteriza­se  como “pagamento  indevido ou a maior”  a parcela  correspondente  ao  valor  da  retenção  na  fonte  feita  por  órgão  publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por  lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na  época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida.  De  outra  parte,  a  atualização  monetária  do  valor  reconhecido  como  pago  a  maior  deve  levar  em  conta  a  data  do  recolhimento/pagamento”  da  contribuição,  e  não  a  data  em  que  houve a retenção.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso  voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a  acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos  de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada  a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção."  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10983.905044/2008­21  Acórdão n.º 3401­003.649  S3­C4T1  Fl. 7          6  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 13.591,97, de modo a acolher os exatos e  precisos  termos,  quanto  à  apuração  dos  esclarecimentos  de  fato,  da  diligência  realizada,  devendo ser a correção monetária  realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do  momento da retenção.  assinado digitalmente.   Rosaldo Trevisan ­ Relator                                Fl. 186DF CARF MF

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Numero do processo: 10280.904357/2012-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­004.751  –  3ª Turma   Sessão de  22 de março de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  DCOMP.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  denota  uma  abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado,  tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar  todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Sua  justa  medida  caracteriza­se  como  o  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as  demais exigências legais.  No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200  Carbomil e inibidor de corrosão.  Recurso Especial do Procurador negado.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Andrada Márcio  Canuto  Natal,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini  Cecconello  e  Érika  Costa  Camargos Autran.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 57 /2 01 2- 65 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10280.904357/2012­65  Acórdão n.º 9303­004.751  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402­002.653, de 24/02/2015,  proferido  pela  2ª Turma da 4ª Câmara  da  3ª  Seção  do CARF,  do  qual  se  reproduz  apenas  a  parte da ementa que interessa ao presente julgamento:   (...)  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa,  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo produtivo e a prestação de  serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade  mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta  a  atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no  contexto  do  Processo  Bayer  de  produção  de  alumina,  ensejam  o  creditamento das contribuições sociais não cumulativas.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de  votos,  em dar  provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados  sobre  as  aquisições  de  ácido  sulfúric  e  calcário  AL  200  Carbomil,  nos  termos do voto do Relator.  No  Recurso  Especial,  por  meio  do  qual  pleiteou,  ao  final,  a  reforma  do  decisum,  a  Recorrente  insurgiu­se  contra  a  concessão  de  crédito  oriundo  das  aquisições  de  ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito.  Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram  transcritas no recurso.  O  exame  de  admissibilidade  do Recurso Especial,  do  Presidente  da Quarta  Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional.  A  contribuinte  apresentou  contrarrazões  ao  especial  Fazendário.  Também  interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10280.904357/2012­65  Acórdão n.º 9303­004.751  CSRF­T3  Fl. 4          3 O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­004.731, de  22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/2012­74, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­004.731):  "Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos,  tal  como  proposto  no  seu  exame,  que  o  recurso  especial  interposto  pela  PFN  deve  ser  conhecido.  Com  efeito,  enquanto  o  acórdão  paradigma  adotou  a  tese  mais  restritiva  para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da  legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo,  de  sorte  a  incluir,  no  mesmo  conceito,  os  produtos  e  serviços  necessários  ao  processo produtivo da contribuinte.  Conhecido,  entendemos  não  assistir  razão  à  douta  Procuradoria  da  Fazenda Nacional.  Depois  de  longos  debates,  passamos  a  adotar  o  entendimento majoritário  que, justo, encontra­se encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso  convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo  il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º  11065.101271/2006­47  (Acórdão  3ª  Turma/CSRF  nº  9303­01.035,  sessão  de  23/10/2010), passamos a adotá­las, também aqui, como razão de decidir. Ei­las:  A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se  apropriar  como  crédito  de  PIS/Pasep  dos  valores  relativos  a  custos  com  combustíveis,  lubrificantes  e  com  a  remoção  de  resíduos  industriais.  O  deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II  do art. 3º da Lei 10.637/2002.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  estendeu  o  alcance  do  termo  insumo,  previsto  na  legislação  do  IPI  (o  conceito  trazido  no  Parecer  Normativo  CST  n°  65/79),  para  o  PIS/Pasep  e  a  para  a  Cofins  não  cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação  do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No  âmbito  desse  imposto,  o  conceito  de  insumo  restringe­se  ao  de  matéria­ prima,  produto  intermediário  e  de material  de  embalagem,  já  na  seara  das  contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o  que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não  tem  o  mesmo  alcance  do  aplicado  nessas  contribuições.  Neste  ponto,  socorro­me  dos  sempre  precisos  ensinamentos  do  Conselheiro  Júlio  Cesar  Alves  Ramos,  em  minuta  de  voto  referente  ao  Processo  n°  13974.000199/2003­61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto  linhas abaixo:  Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria  a confirmação da decisão recorrida.  Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que  se deva adotar o conceito de  industrialização aplicável ao  IPI,  assim como  tampouco  considero  assimilável  a  restritiva  noção  de  matérias  primas,  Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10280.904357/2012­65  Acórdão n.º 9303­004.751  CSRF­T3  Fl. 5          4 produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  lá  prevista  para  o  estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui  referido. A primeira e mais  óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei  10.637.  Em  segundo  lugar,  ao  usar  a  expressão  ‘insumos’,  claramente  estava  o  legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’,  de  nenhum  modo  enquadráveis  como  matérias  primas,  produtos  intermediários ou material de embalagem.  Ora, uma simples  leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é  suficiente para  verificar  que  o  legislador  não  restringiu  a  apropriação  de  créditos  de  PIS/Pasep  aos  parâmetros  adotados  no  creditamento  de  IPI.  No  inciso  II  desse artigo, como asseverou o  insigne conselheiro, o  legislador  incluiu no  conceito  de  insumos  os  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica.  Esse  dispositivo  legal  também  considerou  como  insumo  combustíveis  e  lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as  diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiu­se o creditamento de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa, máquinas  e  equipamentos  adquiridos  para utilização na  fabricação de produtos destinados à venda, bem como a  outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc.  Isso  denota  que  o  legislador  não  quis  restringir  o  creditamento  do  PIS/Pasep as aquisições de matérias­primas, produtos  intermediários e  ou  material  de  embalagens  (alcance  de  insumos  na  legislação  do  IPI)  utilizados,  diretamente,  na  produção  industrial,  ao  contrário,  ampliou  de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa  jurídica  precisa  incorrer  na  produção  de  bens  ou  serviços  por  ela  realizada.  Vejamos o dispositivo citado:  [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram­ se reguladas nos parágrafos desse artigo.  Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com  lubrificantes,  junto  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  pais,  bem  como  as  despesas  havidas  com  a  remoção  de  resíduos  industriais,  pagas  a  pessoa  jurídica  nacional  prestadora  de  serviços,  geram  direito  a  créditos  de  PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima.  Com essas  considerações, voto no  sentido de negar provimento  ao  recurso  apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos)  Passemos ao caso concreto.  A  Recorrente  contesta  a  concessão  de  crédito  oriundo  das  aquisições  de  ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.  Antes  de  concluirmos  o  voto  em  relação  a  cada  item  e  os  motivos  que  sustentam  o  nosso  convencimento,  reputamos  imprescindível  fazer  a  seguinte  observação: em  julgamentos  recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso  modo,  os  mesmos  produtos  e  serviços,  esta  mesma  CSRF  chegou  a  conclusões  divergentes das que aqui serão adotadas.  Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10280.904357/2012­65  Acórdão n.º 9303­004.751  CSRF­T3  Fl. 6          5 Nestes  julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu  que  os motivos  por  ele  adotados  encontravam­se  plenamente  compatíveis  com a  tese  majoritária.  Referimo­nos  aos  Acórdãos  CSRF/3ª  Turma  nº  9303­004.378,  9303­004.379 e 9303­004.380, todos de 09/11/2016.  Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença  os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de  que  andou  bem  a  Câmara  baixa  ao  reconhecer  os  créditos.  Com  relação  aos  produtos citados, consignou:  No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é  usado  em  refinarias  de  alumina  para  desincrustar  linhas  dos  trocadores  de  calor  e  outros  equipamentos.  É  utilizado  também  para  neutralização  de  efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto  AL  200  –  Carbomil)  é  empregado  durante  o  processo  de  combustão  nas  caldeiras  a  carvão  para  absorção  do  enxofre,  que  é  formado  durante  o  processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez,  é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de  calor  e  outros  equipamentos.  É  utilizado  também  para  neutralização  de  efluentes e desmineralização da água para as caldeiras.  Entendo que  o  recorrente demonstrou  de maneira  satisfatória,  por meio de  sua  explicação,  a  relação  de  pertinência  e  essencialidade  destes  três  bens  para  com  o  processo  produtivo,  nos  termos  do  conceito  de  insumo  que  se  adota neste voto, devendo­se reverter as respectivas glosas.  Sendo  claramente  necessário  ao  processo  produtivo,  na  linha  do  que  vem  sendo  aqui  mesmo  decidido,  reajustamos  o  nosso  voto  para  acompanhar  o  entendimento  adotado  no  acórdão  recorrido,  negando,  no  ponto,  provimento  ao  recurso especial.  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  especial  e,  no  mérito,  nego­lhe  provimento."  No  caso  deste  processo  o  litígio  abrange,  tão  somente,  o  direito  de  crédito  sobre  as  aquisições  de  ácido  sulfúrico  e  calcário AL  200 Carbomil.  Como  na  decisão  do  paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo  também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  conheço  do  recurso  especial  da  Fazenda Nacional e, no mérito, nego­lhe provimento.  assinado digitalmente  Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 654DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.721150/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.

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2401­004.795  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  OU RESULTADOS / PRÊMIOS  Recorrente  BANCO ITAUCARD S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PAGAMENTOS  COM  BASE  EM  MAIS  DE  UM  INSTRUMENTO  DE  NEGOCIAÇÃO  COLETIVA. POSSIBILIDADE.  A  existência  de  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  relativos  ao  mesmo  trabalhador  e  período  de  apuração,  com  base  em  convenção  e  acordo  coletivo,  ainda  que  não  prevista  a  compensação  de  valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei  nº 10.101, de 2000.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS  E OBJETIVAS NO ACORDO.  Por  exigência  da  lei  específica,  as  regras  devem  ser  claras  e objetivas  para  que  os  critérios  e  condições  do  recebimento  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  possam  ser  passíveis  de  aferição,  reduzindo  a  possibilidade  de  discricionariedade  do  empregador, mediante  avaliações  de  cunho  subjetivo.  A  clareza  e  objetividade  destinam­se,  precipuamente,  à  necessidade  de  compreensão  dos  termos  ajustados  pelas  partes  envolvidas,  e  não  à  fiscalização  tributária.  Por  isso,  via  de  regra  é  inviável  que  a  análise  fiscal  sobre  a  inexistência  de  regras  claras  e  objetivas  nos  instrumentos  de  negociação  limite­se  ao  plano  abstrato  dos  acordos  celebrados,  devendo  aprofundar­se  no  conhecimento  da  própria  execução  dos  programas  de  participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa.   Não  há  imposição  da  disciplina  integral  do  programa  de  participação  nos  lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva,  admitindo­se  o  detalhamento,  como  mecanismo  para  viabilizar  a  operacionalização  do  regramento,  em  documentos  apartados,  desde  que  mantida a harmonia com as regras gerais.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 50 /2 01 4- 11 Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.291          2 PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PRAZO  PARA  ASSINATURA  DO  AJUSTE  ENTRE  AS  PARTES.  ASSINATURA  DO  ACORDO DURANTE  O  PERÍODO  DE  APURAÇÃO.  POSSIBILIDADE  DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.  É  da  essência  do  instituto  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  que  a  assinatura  do  termo  de  ajuste  preceda  os  fatos  que  se  propõe  a  regular,  incentivando,  desse  modo,  o  alcance  de  lucros  ou  resultados  pactuados  previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes  de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que  impõe certa  flexibilidade na análise dos  fatos,  para não chegar  ao ponto de  inviabilizar  a  aplicação  do  instituto.  A  possibilidade  de  flexibilização  demanda,  necessariamente,  a  avaliação  do  caso  concreto  e,  em  qualquer  hipótese,  o  instrumento  negocial  deve  estar  assinado  com  antecedência  razoável  ao  término  do  período  de  apuração  a que  se  referem os  lucros  ou  resultados.  No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do  ano­calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das  negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando  o  seu  alongamento  durante  alguns  meses,  tampouco  que  os  segurados  empregados  tinham  amplo  conhecimento  das  regras  que  estavam  sendo  discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os  instrumentos  de  negociação  em  desconformidade  com  os  preceitos  legais  relativos à matéria.   PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PAGAMENTOS  EM VALORES DESPROPORCIONAIS  ENTRE OS  EMPREGADOS DA  EMPRESA.  PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO  ANUAL.  A  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  contemplou  a  necessidade  de  pagamentos  equânimes  entre  todos  os  funcionários  da  empresa,  para  fins  de  gozo  do  benefício  fiscal,  tampouco determinou um valor máximo a ser pago a  título  de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em  valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins  tributários,  na  hipótese  de  demonstração  pela  fiscalização  da  sua  utilização  como  substituição  ou  complementação  da  remuneração  devida  ao  segurado  empregado,  ou  quando  em  desacordo  com  as  próprias  regras  estabelecidas  pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PREVISÃO  DE  REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS.   Não  há  óbice  que  o  acordo  coletivo  estabeleça,  em  caráter  excepcional,  a  possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes  não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde  que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento  original  de  negociação  firmado,  para  fins  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  na  hipótese de implementada a revisão.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  DIRETORES  ESTATUTÁRIOS.  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.292          3 O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de  direção na  sociedade por  ações,  que mantenha as  características  inerentes  à  relação  de  emprego,  é  segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  empregado,  e  a  sua  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  da  empresa,  quando  de  acordo  com  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  integra  o  salário­de­contribuição  para  fins  de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias.  PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA.  O pagamento de prêmio  tem nítida  feição  salarial,  vinculado a um  fator de  ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário­ de­contribuição.  Salvo  as  hipóteses  de  isenções,  estão  no  campo  de  incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia  destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  INCORPORAÇÃO.  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  DA  EMPRESA  SUCEDIDA  ANTERIOR  À  SUCESSÃO.  RESPONSABILIDADE  DA  EMPRESA  SUCESSORA.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.   As  normas  tributárias  assentadas  na  Seção  II  do  Capítulo  V  do  Código  Tributário  Nacional  estabelecem  a  responsabilidade  tributária  da  sucessora  pelos  créditos  tributários  de  responsabilidade  da  sucedida,  decorrentes  de  fatos  geradores  ocorridos  até  a  data  da  incorporação, mesmo  que  o  crédito  tributário tenha sido constituído em data posterior.   Tanto  o  tributo  quanto  as multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se  transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida  (Recurso  Especial  nº  923.012/MG,  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos).  JUROS  DE  MORA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  TAXA  REFERENCIAL  DO  SISTEMA  DE  LIQUIDAÇÃO  E  CUSTÓDIA  (SELIC). INCIDÊNCIA.  Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no  prazo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.293          4   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  conhecer  do  recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir  da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados  pagos  aos  segurados  empregados  no  âmbito  das Convenções Coletivas  de Trabalho  (2009  a  2012)  e  do  Plano  Próprio  de  2010;  e  (b)  excluir  os  valores  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  a  diretores  empregados  (levantamento  "PA").  Vencidos  as  conselheiras  Claudia  Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam  provimento  parcial  em menor  extensão,  para  excluir  apenas  os  valores  descritos  no  item  'a'.  Vencidos  os  conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Andréa  Viana  Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao  pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da  Silveira  e Miriam Denise Xavier  Lazarini.  Solicitou  fazer  declaração  de  voto  o  conselheiro  Denny Medeiros da Silveira.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Rayd  Santana  Ferreira,  Denny  Medeiros  da  Silveira  (suplente  convocado),  Andréa  Viana  Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).  Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.294          5   Relatório  Cuida­se de recurso voluntário manejado em face da decisão da 6ª Turma da  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Belo Horizonte  (DRJ/BHE),  cujo  dispositivo  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido.  Transcrevo a ementa do Acórdão nº 02­66.896 (fls. 1.174/1.194):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  EMPREGADOS.  A  parcela  paga  aos  empregados  a  título  de  participação  nos  lucros  e/ou  resultados,  em  desacordo  com  as  diretrizes  fixadas  pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS.  A participação nos  lucros e/ou resultados atribuída a diretores  estatutários,  é  tributada  à  alíquota  de  20%  (vinte  por  cento)  como remuneração paga a contribuintes individuais, nos termos  da Lei 8.212, de 1991 e alterações.  PRÊMIOS.  Os  prêmios  por  sua  natureza  jurídica  salarial  e  por  não  se  enquadrar  nas  hipóteses  legais  de  exclusões  de  tributação,  integram o salário de contribuição.  MULTA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA INCORPORADA.  A  empresa  incorporadora  é  responsável  pelas  multas  de  qualquer natureza decorrentes de crédito tributário apurado em  relação  à  empresa  incorporada,  nos  termos  da  legislação  tributária.  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.  A  multa  de  ofício  é  débito  para  com  a  União,  decorrente  de  tributos  e  contribuições,  portanto,  configura­se  regular  a  incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de  seu vencimento.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS  É  vedada  a  extensão  administrativa  dos  efeitos  de  decisões  judiciais  contrárias  à  orientação  estabelecida  para  a  administração direta e autárquica em atos de caráter normativo  ordinário.  Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.295          6 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.  É  vedado  ao  fisco  afastar  a  aplicação  de  lei,  decreto  ou  ato  normativo por alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  2.    De  acordo  com  a  fiscalização,  os  fatos  geradores  objeto  deste  processo  administrativo dizem respeito ao Banco Citicard S/A, cuja denominação social foi alterada para  Banco Credicard S/A, posteriormente incorporado em sua totalidade pelo Banco Itaucard S/A,  ora recorrente.   3.    Extrai­se  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  às  fls.  607/666,  que  o  processo  administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de  jan/2010 a nov/2012, a saber:  (i) AI nº 51.032.925­0, referente à contribuição previdenciária  da  empresa,  incidente  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  além  daquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho (fls. 584/595); e  (ii) AI  nº  51.032.926­8,  relativo  às  contribuições  devidas  a  terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes  sobre a  remuneração dos segurados empregados  ­ FPAS 736,  código 0003 (fls. 596/606).  4.    Expõe  a  fiscalização  que  o  crédito  tributário  decorre  dos  seguintes  fatos  geradores:  (i)  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  (PLR)  paga  a  segurados  empregados,  nas  competências  jan/2010  a  mar/2010, out/2010, nov/2010,  fev/2011, out/2011, nov/2011,  jan/2012,  fev/2012  e  out/2012  (Levantamento  Fiscal  "PE"  e  Planilhas  com  as  bases  de  cálculo,  por  beneficiário,  às  fls.  98/369);  (ii)  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  (PLR)  paga  a  administradores  (diretores  estatutários),  nos  meses  de  jan/2010,  out/2010,  fev/2011,  out/2011,  fev/2012  e  out/2012  (Levantamento  Fiscal  "PA"  e  Planilha  com  os  valores,  por  beneficiário, às fls. 482); e  (iii)  Prêmio  pago  a  segurados  empregados,  no  período  de  jan/2010,  jan/2011,  fev/2011,  set/2011,  out/2011,  dez/2011,  fev/2012  a  abr/2012,  ago/2012  e  nov/2012  (Levantamento  Fiscal  "PR"  e  Relação  de  pagamentos,  por  beneficiário,  conforme fls. 573/578).  Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.296          7 5.    Especificamente  no  que  tange  à  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  os  pagamentos durante os exercícios de 2010 a 2012 foram regidos por diferentes instrumentos de  negociação:   (i) Acordos  para  o  Programa  de  Participação  nos Resultados  (Planos  Próprios),  relacionados  aos  anos  de  2010  a  2012,  às  fls. 370/434; e   (ii)  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  (CCT),  relativas  aos  anos de 2009 a 2012, às fls. 435/470.  6.    A autoridade  fiscal  identificou problemas  específicos  e gerais no Programa de  Participação nos Lucros ou Resultados, que resultam na inobservância do regramento previsto  na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000.   6.1    Relativamente  às  irregularidades  específicas  nos  instrumentos  de  vontade,  a  fiscalização esclarece que estão restritas aos Planos Próprios, conforme a seguir enumeradas:  (i)  Planos  Próprios  2011  e  2012,  foram  assinados  posteriormente ao início do período de aferição dos lucros ou  resultados (itens 5.17 a 5.30, às fls. 614/615);  (ii)  Planos  Próprios  2010,  2011  e  2012,  há  previsão,  na  hipótese  de  ocorrência  de  fatos  supervenientes,  da  regulamentação  de  valores,  critérios  e  forma  de  distribuir  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  fora  do  instrumento  original de negociação entre as partes (itens 5.32, 5.38 e 5.39,  às fls. 618 e 626);  (iii) Planos Próprios 2011 e 2012, há previsão de pagamento  de  um  valor  mínimo  e  fixo  para  todos  os  empregados,  independentemente  do  atingimento  de  qualquer  meta  ou  resultado,  representado  uma  espécie  de  "prêmio"  (itens  5.33,  5.40 e 5.41, às fls. 619 e 627); e  (iv)  Planos  Próprios  2010,  2011  e  2012,  não  contêm  regras  claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da  participação  e  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição (itens 5.34 a 5.37 e 5.42 a 5.76, às fls. 619/634).  6.2    No concernente  aos problemas  gerais detectados pelo  agente  fiscal,  resumidos  logo abaixo, envolvem todos os instrumentos de negociação coletiva, ou seja, as Convenções  Coletivas e os Planos Próprios:  (i) os pagamentos a título de participação com base nos Planos  Próprios  e  nas  CCT´s,  com  relação  aos  mesmos  segurados  empregados,  foram  realizados  de  forma  concomitante  e  sem  compensação entre os valores pagos (itens 5.79 a 5.88, ás fls.  635/640); e  Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.297          8 (ii)  os  valores  pagos  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  nada  mais  são  do  que  prêmios,  gratificações,  bonificações  ou  comissões  aos  trabalhadores,  haja  vista  o  montante  altíssimo  dos  pagamentos  a  determinados  beneficiários  e  a  diferença  de  valores  recebidos  entre  os  empregados,  em  alguns  casos  chegando  a  quase  200  %  (duzentos  por  cento)  do  respectivo  salário  anual  (itens  5.89,  5.94, às fls. 640/641).  7.    Quanto à participação nos lucros dos administradores da sociedade, a autoridade  lançadora  afirma  que  escapam  à  tributação,  segundo  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  apenas  os  pagamentos efetuados a segurados empregados. No caso dos autos, os valores foram pagos a  pessoas  físicas  na  condição  de  administradores  da  sociedade  anônima,  sendo  irrelevante  a  existência  ou  não  de  vínculo  empregatício  mediante  contrato  de  trabalho  regido  pela  Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT (item 6, às fls. 644/661).   8.    Por  fim,  no  tocante  aos  prêmios,  declara  a  fiscalização  que  são  valores  totalmente  vinculados  ao  desempenho  laboral  dos  empregados,  cujas  parcelas  foram  identificadas nas folhas de pagamentos, rubricas "Prêmio Incentivo" e "Premiação" (item 7, às  fls. 661/664).  9.    Cientificado  da  autuação,  em  24/11/2014,  às  fls.  584  e  596,  o  contribuinte  impugnou a exigência fiscal (fls. 694/754).  10.    Intimada  da decisão  de  piso  em 27/11/2015,  data  em que  efetuou  consulta  no  endereço  eletrônico  atribuído  pela  administração  tributária,  segundo  fls.  1.202/1.204  a  recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/12/2015 (fls. 1.206/1.284).  10.1    Em síntese, aduz as seguintes  razões de fato e direito contra a decisão de piso  que manteve a intacta a pretensão fiscal:   (i)  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  impõe,  como  regra  obrigatória, a assinatura dos instrumentos de negociação antes  do início do período a que se referem os lucros ou resultados.  Os  Planos  Próprios  2011  e  2012  são  substancialmente  idênticos ao acordo de mesma natureza relativo ao período de  2010,  de  maneira  tal  que  os  empregados  da  sociedade  incorporada  pela  recorrente  tinham  noção  exata  dos  critérios  pelos quais seriam avaliados;  (ii) não há na Lei nº 10.101, de 2000, qualquer  impedimento  para  que  acordos  celebrados  nos  seus  termos  sejam  posteriormente revistos;  (iii)  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  veda  o  pagamento  de  valores  mínimos  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados.  Em  verdade,  o  valor  mínimo  representou  tão  somente um piso a  ser  recebido pelo  trabalhador, visto que a  maior  parte  dos  empregados  foi  contemplado  com  quantias  variáveis decorrentes do atingimento de metas (individual, por  equipe e nacional);  Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.298          9 (iv)  em  momento  algum  a  autoridade  fiscal  solicitou  esclarecimentos  da  empresa  acerca  da  "ausência  de  regras  claras  e  objetivas"  nos  planos,  realizando  a  leitura  e  interpretação  por  conta  própria.  Não  obstante,  está  demonstrado  nos  autos,  de  forma  minuciosa  e  exaustiva,  a  existência  de  regras  claras  e  objetivas  pertinentes  às  quatro  formas de aplicação dos Planos Próprios;  (v) de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, há possibilidade  de  pagamento  da  participação  mediante  a  convivência  simultânea  de  dois  planos  distintos  (Plano  Próprio  e  CCT).  Ainda  que  houvesse  previsão,  é  descabido  a  fiscalização  proceder  a  cobrança  da  contribuição  previdenciária  sobre  os  dois planos de Participação nos Lucros ou Resultados, pois ao  menos um deles está a salvo da tributação;  (vi)  não  há  proibição  na  Lei  nº  10.101,  de  2000,  para  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  em  valores  diferenciados  entre  os  empregados  ou  em  montante  superior aos respectivos salários dos trabalhadores. Tampouco  os  elementos  colhidos  pela  fiscalização  no  curso  do  procedimento  fiscal  amparam  a  tese  da  existência  de  pagamentos  que  privilegiam  uma  "casta  de  executivos  do  mercado financeiro";  (vii) não há  incidência da contribuição previdenciária sobre a  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  paga  a  diretor  empregado, com vínculo trabalhista;  (viii) os prêmios recebidos pelos beneficiários, tendo em vista  a frequência dos pagamentos, uma ou duas repetições em três  anos,  são  ganhos  eventuais,  expressamente  excluídos  do  salário­de­contribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de  24 de julho de 1991;  (ix) na condição de sucessor, a recorrente não responde pelas  penalidades impostas a empresa por ela  incorporada, somente  pelo tributo devido; e  (x)  é  incabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  multa  de  ofício.  É o relatório.  Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.299          10   Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Relator  Juízo de admissibilidade  11.    Uma  vez  realizado  o  juízo  de  validade  do  procedimento,  verifico  que  estão  satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo  conhecimento.  Mérito  a) Participação nos Lucros ou Resultados (Empregados)  a.1) Considerações Iniciais  12.    Antes  de  embrenhar­se  nas  questões  controvertidas,  cabe  salientar  que,  ao  disciplinar a Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, prevista no  inciso  XI  da  Constituição  da  República  de  1988,  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  estabeleceu  a  observância  obrigatória  de  requisitos  formais  e  materiais  para  que  as  parcelas  pagas  aos  trabalhadores gozem de benefício fiscal.   13.    Embora  consista  a  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  um  tema  único,  os  requisitos  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  são  tidos  como  matérias  autônomas,  pois  o  descumprimento de um, dois ou mais deles pode levar a caracterização das parcelas pagas aos  empregados como de natureza remuneratória e, por conseguinte, passam a compor a base de  cálculo das contribuições previdenciárias.  14.    Assim  como  é  exigida  da  acusação  fiscal,  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  especificar e detalhar os  requisitos em descompasso com as prescrições da Lei nº 10.101, de  2000,  compete  ao  julgador  administrativo  analisar  também  separadamente  as  irregularidades  apontadas  pela  autoridade  lançadora.  Tal  procedimento  não  é  alterado  pelo  fato  de  que  o  desrespeito a um único requisito, por si só,  já possui aptidão para comprometer a  integridade  do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados.  15.    Até porque, não custa lembrar, o enfrentamento de todos os pontos reprovados  pelo  agente  fiscal,  devolvidos  a  exame  para  o  órgão  "ad  quem",  permitirá  às  partes  a  interposição  de  recurso  especial,  uma  vez  identificada  e  configurada  a  divergência  interpretativa quanto à matéria específica, observada a disciplina própria do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  16.    Fixadas tias premissas, passo à análise dos requisitos apontados pela fiscalização  em desalinho à Lei nº 10.101, de 2000, mantidos pela decisão de piso e contestados na petição  recursal,  iniciando  pelos  problemas  denominados  gerais  existentes  nos  instrumentos  de  negociação coletiva.  Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.300          11 a.2) Pagamentos com base em mais de um instrumento de negociação  17.    Como  mencionado,  a  autoridade  lançadora  identificou  que  a  sociedade  incorporada  pela  recorrente  utilizou,  nos  anos  de  2010  a  2012,  dois  planos  distintos  para  o  pagamento de parcelas, aos mesmos segurados empregados, a título de Participação nos Lucros  ou  Resultados:  os  denominados  "Planos  Próprios"  e  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  (CCT´s).  17.1    De acordo  com  a Cláusula Segunda dos  Planos Próprios,  os  valores  pagos  no  âmbito  das  CCT´s  não  poderiam  ser  compensados  com  os  montantes  devidos  a  título  de  Participação nos Lucros ou Resultados (itens 5.81 e 5.82, às fls. 637/638).  17.2    Na  ótica  da  acusação  fiscal,  tendo  em  conta  a  ausência  de  previsão  de  compensação entre os planos, apenas uma das formas especificadas deveria prevalecer, isto é,  ou o pagamento da participação se dava com base na Convenção Coletiva de Trabalho ou por  intermédio  de Plano Próprio. Transcrevo,  "in  verbis",  o  ponto  de  vista  excludente do  agente  fiscal (fls. 638):  5.84   Claro  está,  portanto,  que  o  contribuinte  utiliza  os  dois  planos,  Acordos  e  Convenções  Coletivas,  os  quais  contemplam  os  mesmos  empregados,  sendo  extensivos  a  todos  estes.  5.85   Não obstante, sabe­se que somente uma das formas  especificadas  deve  ser  escolhida  em  comum  acordo.  Ou  se  realiza  uma  Participação  nos  Lucros  através  de  Convenção  Coletiva ou por Intermédio de um Plano Próprio.  5.86   A  própria  Lei  nº  10.101/00  prevê  a  existência  de  dois instrumentos e a compensação entre eles, in verbis  § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência  de planos de participação nos lucros ou resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser compensados com as obrigações decorrentes de  acordos  ou  convenções  coletivas  de  trabalho  atinentes  à  participação  nos  lucros  ou  resultados.  (gn)  18.    Em  linha  de  defesa,  a  recorrente  advoga,  em  síntese,  a  possibilidade  de  pagamento por meio dos dois planos distintos, sem que tal conduta signifique inobservância da  Lei nº 10.101, de 2000.   19.    Pois  bem.  Segundo  o  art.  2º  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  a  Participação  nos  Lucros  ou Resultados  deverá  decorrer  de  negociação  coletiva  entre  o  empregador  e  os  seus  empregados, nesses termos: 1  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:                                                              1 A redação transcrita do art. 2º é aquela original, vigente na época dos fatos geradores.  Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.301          12 I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  (...)  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  19.1    O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em seus incisos I e II, autoriza três hipóteses  de procedimento para elaboração de Participação nos Lucros ou Resultados: (i) comissão eleita  pelo  empregador  e  seus  empregados,  integrada  também  por  um  representante  da  categoria  sindical; (ii) convenção coletiva; e (iii) acordo coletivo.  20.    Por sua vez, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, antes reproduzido pela  autoridade lançadora, menciona a possibilidade de compensação de valores na hipótese de um  programa de Participação nos Lucros ou Resultados mantido espontaneamente pela empresa.  Para melhor clareza, copio novamente o preceptivo legal:  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  (...)      (GRIFEI)  20.1.    É de  se convir,  com apoio na redação  transcrita, que o  legislador ordinário ao  fazer  alusão  a  planos  mantidos  espontaneamente  pela  empresa  pretendeu  referir­se  à  participação  oriunda  da  comissão  escolhida  entre  as  partes  (inciso  I)  em  contraposição  às  obrigações  surgidas  das  convenções  ou  acordos  coletivos  de  trabalho  firmados  pelas  partes  (inciso II).  20.2    Em outros dizeres, a opção pela comissão paritária eleita pelo empregador e seus  empregados,  integrada  por  um  representante  da  categoria  sindical,  não  tem  o  condão  de  inviabilizar  a  utilização  simultânea  pelos  interessados  da  via  da  convenção  ou  do  acordo  coletivo.   20.3    Inclusive,  nessa  situação,  o  legislador  ordinário  expressamente  admitiu  a  possibilidade  de  compensação  entre  valores  pagos  em  decorrência  de  planos  espontâneos  mantidos  pela  empresa,  constituindo,  no  entanto,  tal  procedimento  uma  faculdade  do  empregador,  na  medida  em  que  o  dispositivo  de  lei  utilizou  a  expressão  "poderão  ser  compensados".   21.    Acontece que é distinta a hipótese trazida nos autos. A despeito da denominação  "Planos  Próprios",  os  ajustes  não  foram  objeto  de  negociação  mediante  comissão  paritária  escolhida pela empresa e seus empregados. A natureza jurídica dos instrumentos é de acordo  coletivo de trabalho para participação nos resultados, dado que negociados diretamente entre o  sindicato dos empregados e as instituições financeiras (fls. 370/434).  Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.302          13 22.    Mesmo assim, não vislumbro obstáculo à coexistência de convenção coletiva e  acordo  coletivo  para  disciplinar  o  pagamento  de Participação  nos Lucros  ou Resultados,  em  face do prescrito na Lei nº 10.101, de 2000.  23.    É  verdade  que  o  inciso  II  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  adotou  a  expressão  "convenção  ou  acordo  coletivo".  Nada  obstante,  o  viés  interpretativo  da  norma  jurídica  não  pode  ignorar  a  realidade  brasileira  das  negociações,  nem  acarretar  o  desprezo  ingênuo  das  finalidades  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  as  quais  destinam­se,  entre  outras  finalidades, à proteção dos interesses dos trabalhadores.  24.    As convenções coletivas, usualmente celebradas entre sindicato de empregados  e  sindicato  de  empregadores,  não  consideram  necessariamente  as  peculiaridades  de  cada  empresa  da  categoria  econômica  representada.  Ao  revés,  os  acordos  coletivos,  com  participação direta da empresa, têm o propósito de estabelecer metas ou resultados de interesse  específico das partes, inclusive mais benéficos aos empregados, contribuindo para incentivar a  concepção de integração entre capital e trabalho.  25.    A compensação de valores entre planos, na linha do prescrito no § 3º do art. 3º  da Lei nº 10.101, de 2000, pressupõe, em primeiro lugar, a coexistência válida de dois ou mais  acordos, produzindo efeitos que lhe são próprios.   25.1    Em qualquer caso, a compensação tão somente pode representar uma faculdade,  afastado  o  caráter  de  obrigatoriedade  na  negociação.  Não  é  recomendável  que  o  intérprete,  extrapolando a  lei,  conduza  sua exegese no  sentido  contrário  à obtenção de benefícios pelos  empregados.  26.    Logo,  a  interpretação  sistemática  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  possibilita  a  convivência,  dentro  da  mesma  empresa,  para  os  mesmos  empregados  e  mesmo  período  de  aferição, de distintos programas de Participação nos Lucros ou Resultados, desde que atendidos  os demais requisitos da legislação de regência.  27.    Em resumo, a tese desenvolvida pela acusação fiscal é desprovida de amparo no  texto legal.  a.3) Existência  de  pagamentos  desiguais  entre  os  trabalhadores  e,  em  alguns  casos,  em  valores superiores ao respectivo salário anual  28.    Para fins de desconsiderar os planos de Participação nos Lucros ou Resultados, a  autoridade lançadora questiona a distribuição desigual de valores entre os empregados nos anos  de  2010  a  2012,  tomando  como  parâmetro  de  comparação  a  relação  de  proporção  com  o  salário. Aponta também situações de recebimento por alguns empregados de valores, na forma  de participação, superiores à sua remuneração anual.   28.1    As ponderações do agente fiscal estão baseadas nas planilhas de fls. 474/481, as  quais  indicam  um  comparativo,  por  amostragem,  entre  montante  da  participação  recebida  e  salário anual do trabalhador.  29.    Explica a autoridade lançadora que detectou a existência de diferentes "castas"  de  empregados,  dada  a  significativa  variação  da  relação  entre  Participação  nos  Lucros  ou  Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.303          14 Resultados e salário anual do trabalhador: (i) ano de 2010, 0,97% a 198,33%; (ii) ano de 2011,  3,33% a 92,61%; e (iii) ano de 2012, 1,71% a 178,72%.  29.1    Por  fim,  assevera  a  fiscalização  tributária  que,  apesar  da  nomenclatura,  os  pagamentos  realizados  pela  instituição  bancária  são  utilizados  como  substituição  de  parcela  salarial, em contrariedade, portanto, à Lei nº 10.101, de 2000.  30.    Em  contraposição,  a  recorrente  sustenta  que  os  próprios  dados  colhidos  pela  autoridade  fiscal,  conforme  fls.  474/481,  demonstram  cabalmente  a  incorreção  do  enunciado  acusatório. Mais que isso, a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe como requisito a equivalência  nos valores de Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados, nem veda o pagamento  em montante superior ao salário do trabalhador.  31.    Pois  bem.  Pela  natureza  da matéria  disciplinada  pela  Lei  nº  10.101,  de  2000,  seria inviável a determinação de normas rígidas para a fixação dos valores de Participação nos  Lucros ou Resultados, de maneira que o legislador optou em exigir a elaboração das regras tão  somente de forma clara e objetiva.   31.1    Há  uma  natural  liberdade  conferida  às  partes  para  a  confecção  do  ajuste,  condicionada,  evidentemente,  à  mínima  observância  dos  ditames  legais,  autorizando­se  a  variação  das  regras  que  podem  ser  estabelecidas,  conforme  exigir  as  peculiaridades  do  caso  concreto.  32.    A discrepância de valores pagos a título de participação, em função do cargo do  trabalhador e da área que atua, ainda que para alguns possa causar sentimento de injustiça em  relação  aos  demais  empregados,  é  motivo  insuficiente  para  desqualificar  os  planos  e  descaracterizar a natureza dos pagamentos realizados.  33.    Segundo  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  há  óbice  que  se  estabeleçam metas  e  critérios diferenciados segundo a  faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado  ou  a  função  desempenhada  pelo  trabalhador,  valorizando­se,  desse  modo,  o  papel  do  colaborador na empresa.   33.1    A  princípio,  quanto maior  o  nível  hierárquico  ou  a  importância  estratégica  da  função,  também  maior  será  a  sua  responsabilidade  pelo  esforço  da  atividade  empresarial  e  alcance  de  resultados,  exigindo­se  critérios  de  avaliação  distintos,  observadas  a  atividade  econômica e demais especificidades de cada empresa.  34.    Nem  mesmo  de  maneira  implícita  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  estabeleceu  a  necessidade  de  pagamentos  equânimes  entre  todos  os  funcionários  da  empresa,  para  fins  de  gozo  do  benefício  fiscal,  tampouco  determinou  valor  máximo  a  ser  pago  a  título  de  Participação nos Lucros ou Resultados.  35.    Haja vista que a Lei nº 10.101, de 2000, não  instituiu um percentual  limitador  para a relação entre participação e salário, o recebimento de valores a título de Participação nos  Lucros  ou Resultados  superiores  ao  valor  da  remuneração  só  estará  em  descompasso  com  a  legislação de regência quando comprovada pela fiscalização a utilização dos pagamentos como  forma de substituição ou complementação da salário do trabalhador.   35.1    Para  o  fim  comprovar  que  as  parcelas  pagas  estão  em  desacordo  com  a  lei  específica, passando a integrar o salário­de­contribuição, é tarefa da fiscalização certificar que  Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.304          15 os próprios instrumentos de negociação foram originalmente formulados em desarmonia com a  legislação de regência, no que tange à metodologia prevista para o cálculo dos valores devidos  aos  trabalhadores  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  caracterizando  pagamentos de natureza remuneratória.  36.    Outra  possibilidade  para  dar  relevância  tributária  à  participação  em montante  superior ao salário anual do trabalhador, seria o agente fazendário evidenciar que as quantias  pagas  aos  empregados  não  guardavam  correspondência  com  os  valores  previamente  estipulados no Programa de Participação de Lucros ou Resultados,  representando o montante  excedente  aos  limites  acordados  pelas  partes  remuneração  submetida  à  incidência  da  tributação.   37.    Atento  aos  termos  da  acusação  fiscal,  observo  que  a  autoridade  lançadora  escolheu realizar uma análise subjetiva da questão, mediante avaliações de ordem pessoal que  se  afastam  da  aplicação  do  texto  de  lei,  passando  ao  largo  da  comprovação  da  natureza  remuneratória de tais parcelas.  37.1    Não  há  evidências  que  os  funcionários  da  empresa  recebiam  salários  incompatíveis  com  suas  funções  e  responsabilidades,  discrepando  com  os  valores  praticados  pelo mercado, de modo a sugerir a utilização da Participação nos Lucros ou Resultados como  substituto ou complemento da remuneração principal do trabalhador.  38.    Quanto  à  alegação  de  existência  de  altos  valores  pagos  a  determinados  beneficiários,  chegando  a 200% dos  seus  salários  anuais,  as  conclusões  da  autoridade  fiscal,  com respaldo nas planilhas de fls. 474/481, além do que exageradas, não condizem com uma  apreciação razoável dos dados ali registrados.  38.1    Para a maior parte dos trabalhadores, a relação entre participação e salário anual  não supera o percentual de 50%. São bastante  reduzidos os casos existentes nas planilhas de  percentual  igual  ou  superior  a  100%,  inclusive  atingindo  trabalhadores  com  nível  salarial,  aparentemente, mais baixo.   38.2    Com relação aos trabalhadores cujo valor da participação ultrapassa o respectivo  salário  anual,  a  análise  não  dispensa  o  exame  casuístico,  de  modo  a  verificar  possível  desvirtuamento do programa de Participação nos Lucros ou Resultados.  38.3    Ao contrário do raciocínio simplista da autoridade fiscal, a conclusão no sentido  da utilização da participação como substituto ou complemento da remuneração do empregado  não  deve  estar  baseada  unicamente  no  aspecto  matemático  da  relação  participação/salário  anual. É necessário comprovar que o pagamento, na forma efetuada,  transformou o valor em  parcela salarial.  39.    Em  resumo,  na  minha  avaliação  o  agente  lançador  priorizou  uma  análise  subjetiva dos dados obtidos na documentação da empresa e deixou de aprofundar a auditoria  fiscal  para  efetivamente  demonstrar,  por  meio  de  linguagem  de  provas,  a  existência  de  pagamentos camuflados de remuneração, se fosse o caso.  40.    O só  fato de existir desproporção entre os pagamentos a  título de Participação  nos Lucros ou Resultados para o conjunto de empregados, tendo em conta o comparativo com  o  respectivo  salário  anual,  não  tem  o  condão  de  fazer  incidir  sobre  os  valores  pagos  as  contribuições previdenciárias.   Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.305          16 41.    Para fins de incidência da tributação, é vital a fiscalização convencer o julgador  administrativo  que  os  valores  estão  sendo  disponibilizados  pela  empresa  aos  segurados  empregados a título salarial, razão pela qual possui natureza remuneratória.  42.    Mais uma vez, com acerto as ponderações da recorrente.  a.4) Revisão dos acordos celebrados  43.    Quanto  à  tal  matéria,  com  base  em  cláusula  inserida  nos  Planos  Próprios,  a  autoridade lançadora conclui que a previsão de regulamentação, na hipótese de ocorrência de  fatos  supervenientes,  de  valores,  critérios  e  formas  de  distribuição  da  participação  aos  empregados,  utilizando­se  de  instrumento  de negociação  distinto  do  acordo  original  entre  as  partes, contrariava a disciplina da Lei nº 10.101, de 2000.  43.1    O  raciocínio  da  fiscalização  tomou  por  base  a  Cláusula  Sexta  dos  acordos  celebrados, que reproduzo abaixo (fls. 371/372, por exemplo):  CLÁUSULA SEXTA ­ REVISÃO  A revisão do presente acordo dar­se­á por meio de negociação  entre as partes signatárias.  PARÁGRAFO  PRIMEIRO  ­  Eventuais  alterações  somente  poderão  ser  feitas  por  mútuo  acordo,  sendo  vedada  qualquer  modificação unilateral.  PARÁGRAFO SEGUNDO  ­  Os  valores,  critérios  e  formas  de  distribuir  a  participação  aos  empregados,  não  regulamentados  no presente instrumento, deverão ser acordados entre as partes,  na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: prejuízo, venda ou  transferência  do  controle  acionário,  por  qualquer  motivo,  e  ampliação do capital social.  44.    A  seu  turno,  a  recorrente  alega  que  não  há  qualquer  impedimento  para  que  acordos  celebrados  nos  termos  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  sejam  posteriormente  revistos.  45.    Pois  bem,  não  há  dúvidas  que  assiste  razão  à  recorrente.  A  interpretação  da  autoridade fiscal não encontra guarida na Lei nº 10.101, de 2000.   46.    Com  facilidade,  se  nota  que  a  viabilidade  de  revisão  do  acordo  é  medida  de  cunho excepcional, prevista na hipótese de ocorrência de  fatos  relevantes para as partes,  tais  como  prejuízo,  venda,  transferência  do  controle  acionário  ou  ampliação  do  capital  social  da  companhia.  Em  qualquer  situação  acima,  para  a  revisão  dos  termos  do  acordado  exige­se  o  prévio  consenso  entre  as  partes  signatárias,  sendo  impedida  a  modificação  unilateral  das  cláusulas contratuais.  47.    Os acordos entre particulares estão susceptíveis de alterações, por vontade das  partes.  A  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  contém  proibição  de  modificações  no  instrumento  normativo de negociação relativo à participação dos empregados nos lucros ou resultados das  empresas.   Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.306          17 47.1    Nessas  circunstâncias,  repito,  de  caráter  nitidamente  extraordinário,  o  que  importa  é  que  a  revisão  de  cláusulas  ou  a  regulamentação  de  cláusulas  antes  não  previstas,  devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, não acarretem mudanças de conteúdo  a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101,  de 2000.  48.    De  mais  a  mais,  todo  o  discurso  de  censura  da  autoridade  lançadora  está  escorado na existência da cláusula mencionada, porém abstratamente considerada.   48.1    Em outras palavras, a acusação fiscal é desprovida de elementos indicadores da  ocorrência do evento de revisão do acordo nos períodos de autuação fiscal, de modo a permitir,  no  caso  concreto,  uma  avaliação  do  julgador  administrativo  a  respeito  da  natureza  das  alterações  promovidas,  isto  é,  se  resultaram,  efetivamente,  no  descumprimento  de  algum  requisito previsto na Lei nº10.101, de 2000.  a.5) Existência de valor mínimo a ser pago  49.    No  tocante  aos Planos Próprios  2011  e  2012,  a  autoridade  fiscal  verificou,  na  Cláusula Segunda dos acordos formalizados, a previsão de pagamento obrigatório de um valor  mínimo  a  todos  os  empregados  da  empresa.  Eis  o  que  diz  a  referida  cláusula  (fls.  393,  por  exemplo):  CLÁUSULA  SEGUNDA  ­  DA  ESTRUTURA  DO  SISTEMA  DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS  As  partes  estabelecem  sistema  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  nos  termos do anexo que  integra o presente acordo  para todos os efeitos.  (...)  PARÁGRAFO  PRIMEIRO  ­  Fica  estabelecido  pelas  partes  o  montante de R$ 120,00 (cento e vinte reais) como valor mínimo a  ser pago através do presente acordo, o qual deverá ser acrescido  à PLR definida na convenção coletiva da categoria bancária.  PARÁGRAFO SEGUNDO ­ Nenhum empregado receberá valor  inferior  a  este  mínimo,  que  não  será  compensado  da  PLR  prevista  na  convenção  coletiva,  muito  menos  será  aplicada  a  proporcionalidade pelo tempo de trabalho.  (...)  50.    Nesse contexto, a fiscalização entendeu, conforme Termo de Verificação Fiscal  (fls. 627):  5.41   Sem embargo, a existência de valores fixos pagos a  título  de PLR  fere  a  legislação  vigente,  posto  que  representam  uma espécie de "prêmio", com valores pré­determinados a todos,  recebidos  independentemente  do  atingimento  de  qualquer meta  ou  resultado,  em  desacordo  com  o  art.  1º,  e  o  §  1º  do  art.  2º,  ambos da Lei nº 10,101/00.  Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.307          18 51.    Em linha de argumentação, a recorrente pondera que a Lei nº 10.101, de 2000,  em momento algum veda o pagamento de valores mínimos a título de Participação nos Lucros  ou Resultados. Adicionalmente, assevera que os Planos Próprios não estabelecem uma parcela  mínima, mas concedem um valor mínimo de participação aos empregados, não havendo que se  falar em "valores pré­determinados a todos".  52.    Pois  bem.  Com  relação  às  cláusulas  que  disciplinam  o  recebimento  da  Participação nos Lucros ou Resultados, há diferentes opiniões a respeito da possibilidade de as  partes  acordarem  o  pagamento  de  valores  fixos  ou  mínimos  para  a  participação  aos  empregados.   52.1    É  incontroverso,  por  outro  lado,  que  o  texto  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  contém vedação explícita quanto à determinação de pagamentos fixos ou em valores mínimos  aos trabalhadores.  53.    Nesse quadro normativo, penso que a avaliação da compatibilidade do Plano de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  com  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  quando  estabelece  o  pagamento de valores fixos aos empregados, demanda o exame específico do caso concreto.   53.1    Adianto  que,  segundo meu  ponto  de  vista,  a  estipulação  de  uma  parcela  fixa,  desconectada  do  alcance  de  índices  de  produtividade,  metas  ou  resultados  pactuados  previamente entre as partes, é parâmetro que aparentemente distorce a essência do instituto de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  previsto  em  lei,  destinado  à  integração  capital  e  trabalho,  visto  que  a  previsão  negocial  despreza  qualquer  esforço  individual,  da  equipe  ou  mesmo do grupo de empregados.  54.    Acontece  que,  diferentemente  do  exposto  pela  autoridade  lançadora,  o  que  se  verifica no caso sob exame é a previsão a respeito de um valor mínimo de pagamento, e não a  simples retribuição ao trabalhador de uma parcela fixa, a título de Participação nos Lucros ou  Resultados,  de  forma  integralmente  apartada  do  alcance  de  qualquer  esforço  individual  ou  coletivo, em valores pré­determinados a todos.  55.    Com  efeito,  conforme  depreende­se  dos  Anexos  aos  Planos  Próprios,  há  4  (quatro) formas distintas de avaliação da Participação nos Lucros ou Resultados, duas gerais e  duas específicas (fls. 396/413 e 418/434).  55.1    No  que  tange  às  formas  gerais,  abrange  a  grande  maioria  dos  segurados  empregados da empresa. Em breve síntese, para o cálculo do valor da participação leva­se em  consideração  (i)  um  método  matricial,  apurado  com  base  em  duas  variáveis  (performance  individual, constituído pelo "rating individual", e resultado da área do trabalhador) ou (ii) um  método  de médias  ponderadas,  quando  utilizado  três  indicadores  na  avaliação  (performance  individual,  resultado  da  área  do  trabalhador  e  desempenho  da  instituição  bancária  em  nível  Brasil).  55.2    A regra do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados implementado pela  empresa  é  a  percepção  pelo  segurado  empregado  de  valores  variáveis,  decorrentes  dos  resultados  obtidos.  A  previsão  de  pagamento  no  valor  mínimo,  estabelecido  na  Cláusula  Segunda dos acordos, é medida de exceção, aplicável somente àquele funcionário com "rating  individual"  abaixo  do  esperado  pela  instituição,  medido  através  dos  formulários  interno  de  avaliação (fls. 403 e 405, por exemplo).  Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.308          19 55.3    Quanto  às  formas  específicas  de  Programa  de  Participação  nos  Resultados,  destinam­se  aos  empregados  de  vendas  elegíveis  ao  programa  de  remuneração  variável  "Exceed"  e  aos  demais  funcionários  elegíveis  a  programas  de  remuneração  variável  não  incluídos no "Exceed".   55.4    Cuidam­se  de  regras  próprias,  com  base  em  indicadores  para  cada  área  de  negócio,  mais  adequadas  ao  perfil  funcional  dos  empregados  avaliados.  Porém,  de  modo  semelhante às formas gerais de avaliação, o pagamento no valor mínimo previsto na cláusula  segunda  é  de  caráter  excepcional,  também  direcionado  aos  segurados  empregados  com  desempenho individual abaixo do esperado pela instituição (fls. 413, por exemplo).   55.5    Em  todas  as  hipóteses  de  avaliação,  percebo  o  estímulo  à  produtividade,  recompensada pelo valor de participação variável.  56.    À  vista  disso,  parece­me  bastante  claro  que  o  modelo  dos  Planos  Próprios  prescreve critérios de pagamento que levam em consideração que alguns trabalhadores podem  contribuir  mais  ou  menos  do  que  outros,  o  que  justifica  o  recebimento  de  valores  de  participação variável entre os empregados.  57.    Pelo  que  se  depreende  dos  documentos  que  instruem  os  autos,  os  Planos  Próprios  não  foram  concebidos  alheios  à  finalidade  de  incentivo  à  produtividade  dos  empregados da empresa, na medida em que não há o recebimento pelos segurados empregados  de  uma  quantia  previamente  sabida,  independentemente  de  um  esforço  adicional  do  beneficiário  57.1    A estipulação do valor fixo, que equivale ao patamar mínimo da parcela devida  a título de Participação nos Lucros ou Resultados, não está desvinculada de qualquer meta ou  resultados objetivo.   58.    A leitura que faço do texto do acordo coletivo é que o valor mínimo representa,  no caso sob exame, a recompensa pelo esforço insuficiente do empregado, de acordo com os  critérios estabelecidos de maneira consensual entre as partes.  59.    Logo,  a  previsão  de  valor  mínimo,  em  patamar  fixo,  não  descaracteriza,  na  hipótese dos autos, o Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, segundo  finalidades e  exigência prescritas na Lei nº 10.101, de 2000.  a.6) Inexistência de regras claras e objetivas  60.    Aponta  a  fiscalização,  ao  longo  dos  itens  5.42  a  5.76,  às  fls.  627/634,  a  inexistência de regras claras e objetivas, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº  10.101, de 2000:  Art. 2º (...)  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.309          20 ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  (...)  61.    A título de síntese dos fundamentos acusatórios, reproduzo, "in verbis", os itens  5.67 e 5.75 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 633):  5.67   Ante  o  exposto,  vemos  que  no  Acordo  de  PLR  em  apreço  as  definições  dos  elegíveis  não  são  claras  e  a  falta  de  definição das metas a serem atingidas, bem como a inclusão de  parcelas não  individuais nos critérios utilizados,  impossibilitam  entrever o valor a ser auferido pelos beneficiários. A falta dessas  informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do  esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto  com  as  determinações  legais.  Igualmente,  a  existência  de  critérios  subjetivos  de  avaliação  afasta  a  objetividade  da  aferição.  Desta  feita,  não  se  pode  falar  aqui  da  existência  de  regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas  a serem atingidas.  (...)  5.75   No caso  em  tela, chama a atenção que os acordos  apresentados  não  se  coadunam  com  as  exigências  legais,  uma  vez  que  não  restaram  identificadas  as  regras  objetivas,  os  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado  ou  qualquer  tipo  de  programa  de  metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não  se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os  empregados  façam  jus  a  tal  benefício,  contrariando  o  real  propósito do instituto e em total afronta à legislação.  62.    Em  linha  de  defesa,  a  recorrente  argumenta  que  a  impugnação,  bem  como  o  recurso  voluntário,  acompanhados  de  seus  anexos,  demonstram,  de  forma  minuciosa  e  exaustiva,  a  existência de  regras  claras  e objetivas pertinentes  às quatro  formas de  aplicação  dos Planos Próprios.   62.1    Ressalta,  nesse ponto,  que o Relatório Fiscal discorreu  a  respeito de  inúmeras  questões  "sem  resposta"  que  deram  respaldo  ao  lançamento  de  ofício  devido  à  ausência  de  regras  claras  e  objetivas  nos  instrumentos  de  negociação.  Porém,  em  nenhum momento  do  procedimento  de  auditoria,  o  agente  fiscal  tomou  a  iniciativa  de  solicitar  quaisquer  esclarecimentos e/ou explicações da  empresa sobre as alegações apresentadas por ocasião da  lavratura do auto de infração quanto à fixação dos direitos substantivos de participação e das  regras adjetivas.  Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.310          21 63.    Pois bem. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, estipula requisitos a serem  observados nos  acordos para pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, a  fim de  que produzam os efeitos tributários que a lei estabelece.  64.    Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que  os critérios e condições do recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados possam ser  passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante  avaliações de cunho subjetivo.  65.    Os  instrumentos  de  negociação  deverão  conter  regras  inequívocas  e  de  fácil  compreensão  para  os  trabalhadores  no  que  tange  à  aquisição  do  direito  ao  pagamento  das  parcelas,  inclusive quanto  aos  critérios de  aferição do  cumprimento das metas  acordadas,  de  modo  a  que  se  possa  atestar  com  segurança  que  os  valores  pagos  equivalem  à  participação  prevista no acordo.  66.    É  de  assinalar,  no  entanto,  que  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  previu  apenas  os  contornos  básicos  dos  instrumentos  de  negociação,  deixando  de  fixar  normas  rígidas  e  pré­ definidas para a elaboração dos documentos.   66.1    Acredito  que  não  poderia  ser  diferente,  dado  que  a  participação  é  um  direito  social  exercido  com  base  na  autonomia  de  vontade  de  atores  que,  muitas  vezes,  possuem  interesses  antagônicos,  empresários  e  trabalhadores,  aliado  às  diversidades  de  realidade  empresarial quanto à necessidade de integração capital e trabalho.   66.2    Soma­se  a  tal  característica  própria,  a  presença  dos  sindicatos  representativos  das  categorias  dos  trabalhadores,  outro  agente  social  dotado  de  suas  peculiaridades,  cuja  presença  nos  acordos  não  só  é  conveniente,  como  também  desejável  para  a  proteção  dos  direitos dos empregados.  67.    De  tudo  isso,  parece­me  bem  evidente  que  a  exigência  de  regras  claras  e  objetivas não se destina, precipuamente,  à compreensão do Fisco. Embora  importante para  a  garantia do interesse público, é nítido o papel secundário exercido pela fiscalização tributária  neste  processo,  a  qual  não  lhe  foi  concedida  a  função  de  avaliação  do  mérito  das  regras  aprovadas na negociação entre as partes.  67.1    Por  essa  razão,  a  interferência  na  autonomia  privada  é  medida  excepcional,  exigindo­se  a  certeza  da  autoridade  fiscal,  apoiada  em  elementos  objetivos,  quanto  à  desconformidade  do  acordado  frente  aos  preceitos  legais  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados.  68.    O agente fiscal não participa do dia a dia da vida laboral da empresa e de seus  empregados,  de  maneira  que  as  questões  que  lhe  configuram  obscuras  podem  estar  perfeitamente  claras  para  o  empresário  e  os  trabalhadores.  De maneira  análoga,  um  critério  e/ou  informação  que  lhe  pareça  omisso  no  instrumento  de  negociação,  podem  estar  univocamente delimitados pelos atores sociais principais,  tendo em conta a proximidade com  os fatos.  69.    Desse modo,  inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a  inexistência de  regras  claras  e  objetivas  nos  instrumentos  de negociação  fique  restrita  ao  plano  abstrato  dos  acordos  celebrados.  É  inerente  ao  processo,  dadas  as  suas  características,  o  avanço  da  fiscalização  no  conhecimento  da  execução  dos  programas  de  Participação  nos  Lucros  ou  Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.311          22 Resultados.  Caso  contrário,  não  é  exagero  afirmar,  haverá  sérios  riscos  de  cometimento  de  equívocos pelo agente fiscal.  70.    As  dificuldades  de  compreensão  do  agente  fiscal  não  significam,  necessariamente,  obstáculos  à  cognição  dos  segurados  empregados  e  dos  sindicatos  que  os  representam,  pois  podem  acompanhar,  obter  esclarecimentos  e  questionar  as  regras  e  os  critérios  vinculados  à  aquisição  do  direito  ao  pagamento  da  participação,  bem  como  os  mecanismos de aferição do pactuado.   71.    Na linha das ponderações trazidas no recurso voluntário, a lei de regência não é  impositiva no  sentido de que  a disciplina  integral  do programa de participação deve  figurar,  necessariamente,  no  próprio  corpo  do  instrumento  de  negociação  coletiva,  podendo  o  detalhamento  pormenorizado  estar  estipulado  em  documentos  apartados  ou,  até  mesmo,  em  outros canais de comunicação, desde que mantida a harmonia com as  regras gerais e sempre  com pleno acesso e conhecimento dos trabalhadores.  71.1    A  inclusão  em  documento  apartado  é  mecanismo  para  viabilizar  a  operacionalização  do  regramento,  contemplando  com  mais  especificidade  as  condições  e  formas de cálculo, bem como os critérios de avaliação para concessão da verba de remuneração  variável.  72.    Especialmente  em  empresas  estruturadas,  como  aparenta  enquadrar­se  a  recorrente,  é  comum  a  disponibilização  de  mecanismos  internos  de  divulgação  e  esclarecimentos  a  respeito  do  programa  de  participação  mantido,  inclusive  com  o  uso  de  plataformas digitais para avaliações de desempenho dos trabalhadores.  73.    Nesse  sentido,  a  recorrente  apresentou,  na  fase  de  impugnação,  vários  documentos relativos à divulgação  interna,  incluindo comunicados sobre alterações efetuadas  no programa, disseminação de  resultados,  informações  sobre valores a  serem pagos, além de  cópias de avaliações individuais (fls. 774/1.164).  74.    Segundo a documentação que  instruem o processo administrativo, em especial  os  termos  de  intimação  às  fls.  4/22,  o  agente  fiscal  não  procurou  na  fase  do  procedimento  investigatório  esclarecer,  junto  à  recorrente,  as questões  suscitadas no Termo de Verificação  Fiscal,  as  quais  levaram  à  caracterização  da  inexistência  de  regras  claras  e  objetivas  concernentes aos quatro níveis dos Programas Próprios: "Nível Citi ­ R/C10 e abaixo", "Nível  Citi  ­  S/  C11  e  acima",  "Funcionários  de  Vendas  Elegíveis  ao  Programa  Exceed  Independentemente  do  Nível  Citi"  e  "Demais  Funcionários  Elegíveis  a  Programas  de  Remuneração Variável não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi".  74.1    Para melhor clareza da acusação fiscal, transcrevo os itens 5.45, 5.48, 5.49, 5.54,  5.55, 5.56, 5.61, 5.62, 5.64 e 5.66 do Termo de Verificação Fiscal, os quais justificam as razões  pelas  quais  os  instrumentos  de  negociação  não  se  coadunam  com  as  exigências  legais  (fls.  627/631):  5.45   Em  nenhum momento,  seja  no  texto  do  Acordo  de  PLR, seja em seu anexo, são evidenciados claramente os níveis  de  enquadramento  dos  empregados,  nem  quais  deles  são  elegíveis  ao  programa  Exceed  ou  a  outros  programas  de  remuneração  variável  existentes  no  banco.  Não  sabemos,  portanto,  se  empregados,  por  exemplo,  da  área  administrativa  Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.312          23 ou  outros  não  especificados  estão  aqui  abrangidos,  indo  de  encontro  ao  incentivo  à  produtividade  e  à  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho,  ambos  prescritos  pelo  art.  1ª  da  Lei  nº  10.101/00.  (...)  5.48   Observa­se  que,  para  os  empregados  "Nível  Citi  ­  R/C10 e Abaixo",  o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os  objetivos e metas a  serem atingidos, nem os critérios utilizados  para  a  avaliação  do  desempenho  da  área  e  do  desempenho  individual.  O  Anexo  somente  cita  as  avaliações  possíveis,  da  área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão  baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação.  Não  fixa  os  parâmetros  para  o  enquadramento  do desempenho  em:  não  atendeu  aos  objetivos,  eficaz,  altamente  eficaz  e  excepcional.  Não  aponta  quais  são  as  metas  as  serem  alcançadas na área e  individualmente para que os empregados  fazer jus ao benefício.  5.49   Percebe­se  nitidamente  que  a  avaliação  de  desempenho  individual  é  fator  primordial  na  determinação  do  valor de PLR a  ser distribuído a  cada empregado. No entanto,  em nenhum momento são apresentados: as regras que permeiam  essa  avaliação,  as  metas  a  serem  atingidas,  o  mecanismo  de  aferição  de  seu  alcance  ou  não,  os  parâmetros  utilizados  na  avaliação  dos  funcionários,  a  forma  como  são  avaliados,  o  modelo básico dessa avaliação individual. São apenas citadas a  existência dessas metas e da avaliação, sem que nenhuma dessas  duas  integre  o  acordo  firmado  ou  seu  anexo,  inviabilizando,  dessa forma, o conhecimento prévio do esforço que o empregado  deverá  dispender  para  receber  a  participação,  em  total  confronto com as determinações legais.  (...)  5.54   Mais  uma  vez,  nota­se  que  o  Acordo  de  PLR  de  2010,  para  os  empregados  "Nível  Citi  ­  S/C11  e  Acima",  não  estabelece  os  objetivos  e  metas  a  serem  atingidos,  nem  os  critérios utilizados para a avaliação do desempenho do país, da  área e individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis,  da  área  e  individual,  sem  contudo  traçar  os  critérios  em  que  serão  baseadas.  Não  determina  as  metas  a  serem  alcançadas  para  que  cada  empregado  obtenha  as  faixas  de  pontos  estabelecidas  e  que  determinarão os  fatores multiplicadores  de  "país" e "área". Não fixa os critérios para o enquadramento do  desempenho  individual  em:  não  avaliado,  não  eficaz,  parcialmente eficaz, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não  traz  previamente  o  "Valor  de Referência"  que  será  utilizado,  o  qual, de acordo com o texto, será elaborado por uma consultoria  externa.  5.55   De  mais  a  mais,  a  Nota  Explicativa  define  que  o  desempenho "país", isto é, o "Resultado Brasil", corresponde ao  mesmo valor, critério e definição, utilizados para pagamento de  PLR prevista na Convenção Coletiva. Entretanto, não existe na  Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.313          24 citada Convenção Coletiva de PLR dos Bancos qualquer menção  a valor, critérios ou definição do "Resultado Brasil".  5.56   Outrossim, ainda em Nota Explicativa, o Anexo ao  Acordo de PLR de 2010 determina que o desempenho da "área"  será obtido conforme "scorecard" específico para cada área, de  acordo  com  uma  tabela  de  exemplo  trazido  pela  citada  Nota.  Nesta  vemos  a  utilização  de  critérios  tais  como:  retenção  de  cliente, crescimento do negócio, qualidade da carteira negócio,  custos do serviço e qualidade do serviço. Ora, o que vemos aqui  é instituição de critérios que são normalmente utilizados para o  pagamento de comissões e não de Participação nos Lucros.  (...)  5.61   Em  relação  à  aplicação do  plano  em  comento  aos  "Funcionários  de  Vendas  Elegíveis  ao  Programa  de  Remuneração  Variável  Exceed",  notamos  inicialmente  que  apesar  do  Anexo  estabelecer  a  utilização  de  um  grupo  de  indicadores, chamado "Scorecard", para cada área de negócio e  determinar  a  aplicação  de  três  diferentes  modelos  de  "Socrecard",  não  existe  no  instrumento  de  negociação  a  definição  das  diferentes  áreas  de  negócios  nas  quais  serão  utilizados os diversos modelos trazidos pelo Acordo de PLR. Não  é  possível,  desta  forma,  definir  as  regras  cabíveis  a  cada  beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual  exige  a  presença  de  regras  claras  e  objetivas  pactuadas  previamente.  5.62   Além disto, o Anexo em questão não traz claramente  as metas  a  serem alcançadas, mas  somente  os  indicadores que  serão utilizados na avaliação. E, em relação a estes, verifica­se  que  o  texto  não  apresenta  a  definição  específica  e  os  pesos  de  cada  um  dos  indicadores  que  compõem  o  "Scorecard",  nem  determina  como  serão  aferidos  tais  critérios,  distanciando­se,  dessa  forma, dos preceitos  legais  sobre a matéria. Ademais,  os  indicadores  apontados  nos  três  modelos  acima  descritos  são  parâmetros  não  muito  afeitos  a  uma  Participação  nos  Lucros,  mas  relacionados  mais  proximamente  ao  pagamento  de  comissões.  (...)  5.64   O Anexo prevê, ainda, que tais indicadores, pesos e  metas podem ser reajustados em virtude do momento econômico  (local ou  internacional),  bem como em função da estratégia de  negócios do banco. Todavia, como comentado anteriormente, a  legislação  específica  estabelece  que  a  PLR  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  comissão  escolhida  pelas  partes  e  integrada  por  representante  do  sindicato  ou  por  convenção/acordo  coletivo,  ou  seja,  não  é  possível que, devido a fatos supervenientes, indicadores, pesos e  metas  possam  ser  reajustados  fora  do  instrumento  original  de  negociação entre as partes.  (...)  Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.314          25 5.66   Faz­se  mister  salientar  que,  para  os  "Demais  Funcionários Elegíveis  a Programas de Remuneração Variável  Não  Incluídos  no  Exceed  Independentemente  do  Nível  Citi",  o  Acordo  de PLR de  2010 não  estabelece  os  objetivos  e metas  a  serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do  desempenho  da  área  e  do  desempenho  individual.  O  Anexo  somente  cita as avaliações possíveis,  da área  e  individual,  sem  contudo  traçar os  critérios  em que  serão  baseadas. Não  traz  o  modelo  do  formulário  interno  de  avaliação.  Não  fixa  os  parâmetros  para  o  enquadramento  do  desempenho  em:  não  atendeu  aos  objetivos,  eficaz,  altamente  eficaz  e  excepcional.  Não  aponta  quais  são  as metas  a  serem  alcançadas  na  área  e  individualmente  para  que  os  empregados  possam  fazer  jus  ao  benefício.   75.    Percebe­se o ponto de vista  rigoroso do  agente  lançador no que diz  respeito  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas  no  instrumento  de  negociação,  incluindo  os  mecanismos  de  aferição  ao  cumprimento  do  acordado,  exigindo  a  regulação integral e detalhada dos preceitos e regras, ao que me pareceu, no corpo do próprio  instrumento de negociação.  76.    A preocupação em coibir a utilização de parâmetros subjetivos para a concessão  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  bem  como  a  criação  de  regras  unilaterais  pelo  empregador, não pode chegar ao nível de inviabilizar o instituto da negociação coletiva, com  desprezo  a  realidade  do  mundo  real  e  extrapolando  os  limites  estabelecidos  pela  lei  de  regência.   77.    Como  dito  alhures,  é  possível  o  detalhamento,  por  intermédio  de  documentos  apartados e/ou sistema de controle e acompanhamento interno, quanto às metas e aos critérios  aplicáveis aos diferentes empregados, áreas e funções da empresa, ainda mais quando o modelo  adotado  para  a  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  envolve  parâmetros  e  avaliações  de  desempenho individual.  78.    Tenho  para  mim,  portanto,  equivocado  o  procedimento  fiscal,  o  qual,  sem  buscar  esclarecimentos  e/ou  explicações  adicionais da  empresa,  trabalhadores  e/ou  sindicato,  ao menos  não há  elementos nesse  sentido,  fez  a opção  singela de  analisar  solitariamente,  no  âmbito do Fisco, os instrumentos de negociação coletiva.   78.1    A  toda  a  evidência,  os  esclarecimentos  e/ou  explicações  seriam  dispensáveis,  por  óbvia  desnecessidade,  naqueles  casos  de  "fratura  exposta",  em  que  é  explícito  o  descompasso  com  a  Lei  nº  10.101,  de  2000.  Contudo,  não  é  a  hipótese  dos  Programas  de  Próprios da recorrente, conforme se pode verificar da leitura atenta dos documentos acostados  às fls. 370/434.  79.    Em seu recurso voluntário, a empresa prestou esclarecimentos detalhados acerca  da  estrutura  dos  Planos  Próprios,  firmados  pela  sociedade  incorporada,  inclusive  com  abordagem específica a respeito das várias objeções formuladas pela autoridade fiscal.   79.1    À vista disso, entendo que houve a demonstração satisfatória que o "Programa  de  Participação  nos  Resultados  Citibank"  não  é  despedido  de  regras  claras  e  objetivas,  atendendo o nível que demanda a Lei nº 10.101, de 2000 (fls. 1.226/1.245).   Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.315          26 80.    Dessa  feita,  após  a  avaliação  do  conjunto  fático­probatório,  concluo  que  os  elementos de prova colhidos pela fiscalização são insuficientes para o fim de demonstrar a falta  de clareza e objetividade nos instrumentos de negociação vinculados aos Planos Próprios.  a.7) Falta de negociação prévia  81.    A acusação fiscal é no sentido de que os Planos Próprios 2011 e 2012 não foram  objeto de negociação prévia, eis que a formalização dos instrumentos ocorreu após o início do  período a que se referem os lucros ou resultados.  82.    A  recorrente  defende  que  são  legítimos  os  pagamentos  realizados  a  título  de  participação com fundamento em negociações coletivas realizadas antes do fim do período de  apuração e do pagamento das respectivas parcelas, situação plenamente atendida nos acordos  coletivos.  82.1    Salienta,  em  complemento,  que  os  acordos  relativos  aos  períodos  de  2011  e  2012, em que pese assinado no início do mês de julho de cada ano, não trouxeram prejuízo aos  empregados.   82.2    Os acordos de 2011 e 2012, além de "muito parecidos" entre si, possuem regras  semelhantes  ao  ano  de  2010,  cujo  acordo  foi  assinado  em  7/12/2009,  de  modo  que  os  funcionários da sociedade  incorporada pela  recorrente  tinham noção exata dos critérios pelos  quais seriam avaliados.  83.    Pois  bem. No  caso  em  apreço,  o  acordo  coletivo  que  rege  o  ano  de  2011  foi  assinado  em  7/7/2011,  ao  passo  que  o  acordo  para  o  exercício  de  2012  foi  celebrado  em  5/7/2012 (fls. 393/413 e 414/434, respectivamente.  84.    A participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o  capital  e  o  trabalho,  constituindo­se  em  ferramenta  à  disposição  da  empresa  para motivar  e  integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado  futuro.  85.    Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance  de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição  dos  empregados,  delimitadas  individual  ou  coletivamente,  com  mecanismos  de  aferição  do  acordado,  requisitos  os  quais,  se  cumpridos,  darão  direito  à  retribuição  financeira  ao  trabalhador.  86.    É da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos  que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico,  a  partir  do  inciso  XI  do  art.  7º  da  Constituição  da  República  de  1988,  que  instituiu  a  participação  dos  empregados  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  em  conjunto  com  a  regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000.  87.    É  verdade  que  a  lei  não  impõe  de  modo  expresso  qualquer  momento  para  a  assinatura  do  instrumento  de  negociação.  Porém,  tal  característica  da  legislação  não  tem  o  condão  de  levar  o  intérprete  à  conclusão  extrema  de  que  é  suficiente  tão  somente  a  formalização  do  acordo,  devido  ao  término  das  negociações,  não  suceder  ao  pagamento  da  parcela da participação nos lucros ou resultados.  Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.316          27 87.1    A  exigência  de  formalização  do  instrumento  antes  do  pagamento,  tal  como  defende  a  recorrente,  é  até  mesmo  óbvia,  porquanto  deve­se  garantir  ao  trabalhador  a  possibilidade  de  examinar  se  o  montante  recebido  está  conforme  as  metas  e  critérios  pré­ estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento.  88.    A  prévia  pactuação  dos  termos  do  acordo,  antes  de  iniciado  o  período  de  aferição, para autorizar a  fruição do benefício  fiscal é uma situação  ideal para a garantia dos  direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada  pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo  da sua formalização por escrito.  89.    Daí  porque  é  inevitável  certa  flexibilidade,  para  não  chegar  ao  ponto  de  inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital  e trabalho.  90.    Essa possibilidade de  flexibilização demanda, necessariamente,  a  avaliação do  caso  concreto  e,  em  qualquer  hipótese,  o  instrumento  negocial  deve  estar  assinado  com  antecedência razoável ao término do período de apuração.  91.    Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de  iniciado  o  período  de  aferição,  sem  que  implique  um  desvirtuamento  integral  em  face  da  legislação  de  regência,  desde que  evidenciada,  considerando o  tipo  de metas  e/ou  resultados  estabelecidos,  a  negociação  em  curso  e  o  amplo  conhecimento  pelos  empregados  das  regras  discutidas,  de maneira  que os  trabalhadores  pudessem desde  já  adotar medidas  práticas  para  atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes.  92.    Tendo  em  conta  as  finalidades  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  penso  inviável,  contudo,  legitimar  a  situação  identificada pela  fiscalização nos  autos, mesmo que se  adote  a  flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco.  92.1.    Com efeito, no tocante aos anos de 2011 e 2012, não há prova documental nos  autos  a  respeito  do  início  das  negociações  sindicais  em  momento  anterior  à  assinatura,  atestando o  seu  alongamento durante  alguns meses,  tampouco que os  segurados  empregados  tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a  produtividade. Tais aspectos, sem prejuízo da avaliação conjunta com outros fatores relevantes,  são fundamentais para a decisão de validar a data da assinatura do acordo.  92.2    Realço,  novamente,  que  instruem  os  autos  diversos  documentos  relativos  à  divulgação  interna  no  âmbito  da  empresa  do  Programa  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  incluindo  comunicados  sobre  alterações  efetuadas  nos  Planos  Próprios,  disseminação  de  resultados,  informações  sobre  valores  a  serem  pagos,  além  de  cópias  de  avaliações  individuais  (fls. 774/1.164). Todavia, nenhum desses expedientes ganha contornos  bastantes  para  convencer  o  julgador  no  que  diz  respeito  a  realidade  da  prova  documental  mencionada no parágrafo precedente.  93.    Do  ponto  de  vista  pessoal,  acredito  que  a  existência  de  ajuste  anterior,  com  características semelhantes, segundo enfatizado pela recorrente, pode até gerar expectativa do  trabalhador,  de  forma  a  contribuir  para  o  incentivo  da  sua  produtividade.  Porém,  essa  circunstância não é suficiente, por si só, para considerar o instrumento coletivo formalizado ao  longo do período de avaliação em consonância com os preceitos legais.  Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.317          28 93.1    Caso  contrário,  se  estaria  admitindo  uma  presunção  indevida,  em  desfavor  do  interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras  para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em  detrimento da sua  implementação mediante  instrumentos normativos previamente negociados  para  o  período  de  avaliação,  que  não  deixem margem  à  discricionariedade  do  empregador,  conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000.  93.2.    Além  do  que,  não  custa  lembrar,  apenas  quando  da  assinatura  do  termo  de  acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretiza­se a negociação entre as partes e  o ato consensual está apto a produzir efeitos  jurídicos que lhe são próprios para o  respectivo  período a que se refere.  94.    Concluo, portanto, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei  nº  10.101,  de  2000,  que  a  autoridade  fiscal  procedeu  de  modo  escorreito  ao  considerar  os  valores pagos com base nos Planos Próprios 2011 e 2012, relativos ao período de avaliação de  1º/1/2011  a  31/12/2012,  como  integrantes  da  remuneração  e  do  salário­de­contribuição  dos  segurados empregados.  95.    No quadro abaixo, com a finalidade de proporcionar maior clareza ao resultado  final da minha avaliação sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, paga aos  segurados  empregados,  reproduzo  a  totalidade  das  infrações  imputadas  pela  autoridade  lançadora,  as  quais restaram mantidas pelo acórdão de primeira instância, acompanhado das conclusões deste  voto quanto ao descumprimento ou não dos requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, para  fins de manutenção da exigência fiscal:  Análise do Relator: o requisito foi  descumprido?  Infração (segundo a acusação fiscal, nos termos da  Lei nº 10.101, de 2000)  CCT  "Planos Próprios"  (ACT)  Pagamento com base em mais um instrumento de  negociação (art. 2º, I e II e art. 3º, § 2º)  NÃO­  NÃO  Falta de proporcionalidade dos pagamentos entre os  empregados (art. 3º, "caput")  NÃO  NÃO  Revisão dos acordos celebrados (art. 2º, § 1º)  ­  NÃO  Existência de um valor mínimo a ser pago (art. 1º)  ­  NÃO  Inexistência de regras claras e objetivas (art. 2º, § 1º)  ­  NÃO  Falta de negociação prévia (art. 2º, "caput", e § 1º)  ­  SIM. ACT 2011 e  ACT 2012  96.    Como se observa, apenas os pagamentos realizados aos segurados empregados  com base nos Planos Próprios 2011 e 2012 estão em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, e  devem ser mantidos no lançamento fiscal.  Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.318          29 97.    Por outro lado, é improcedente a inclusão, na base de cálculo das contribuições  lançadas, dos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados no âmbito das  Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010. (fls. 98/369).  b) Participação nos Lucros ou Resultados (Administradores)  98.    Com  o  propósito  de  compreender  a  motivação  da  autoridade  lançadora  no  tocante  à  constituição  do  crédito  tributário  relativamente  à  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados paga  a administradores da  sociedade  fiscalizada,  é  indispensável  a  transcrição de  excertos do Relatório Fiscal (fls. 644/661):  6.16   (...)  não  resta  dúvida  de  que  a  intenção  do  legislador,  seguindo  a  determinação  constitucional,  foi  desvincular  da  remuneração  a  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados recebida tão­somente pelo segurados empregados. A  "contrario  sensu",  a  participação  paga  ao  contribuinte  individual  ou  a  outra  espécie  de  segurado  será  considerada  como base de incidência das Contribuições Previdenciárias pro  falta de previsão legal de não­incidência.  (...)  6.30   Apesar  da  previsão  estatutária  de  que  a  administração  da  sociedade  compete  à  Diretoria,  conforme  apresentado  nos  itens  anteriores,  o  banco  considera  seus  diretores  como  empregados,  conforme  se  verifica  pelas  informações  declaradas  em  GFIP  ­  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, DIRF ­  Declaração  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  e  DIPJ  ­  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica. Na GFIP os diretores são declarados na Categoria 1 ­  Empregado,  na  DIPF,  no  Código  de  Retenção  0561  ­  Rendimentos  do  Trabalho  Assalariado;  e,  na  DIPJ,  como  Diretores com Vínculo Empregatício.  6.31   Além disso, em Carta­Protocolo, de 18 de novembro  de 2013, o banco esclarece considerar seus Administradores, os  diretores,  como  empregados  e  pagar  a  participação  dos  primeiros juntamente com a dos últimos. Na Carta­Protocolo, de  24  de  abril  de  2014,  afirma  ainda  que  os  "diretores  desta  empresa  tem  contrato  de  trabalho  com  vínculo  empregatício  e  para  fins  tributários  e  previdenciários  são  considerados  como  empregados."  E,  em  Carta­Protocolo,  de  19  de  setembro  de  2014, mais uma vez assevera "que todos os diretores da empresa  possuem  vínculo  empregatício,  devidamente  registrados  como  funcionários em concordância com as regras da CLT."  6.32   Entretanto,  independentemente  da  classificação  atribuída  pelo  banco  a  seus  diretores,  eles  são  de  fato  os  Administradores  da  Sociedade,  conforme  se  verifica  pelo  Estatuto  Social  acima  transcrito,  o  qual  prevê  que  (i)  a  administração da companhia será exercida pela Diretoria; (ii) a  remuneração anual global dos Administradores será fixada pela  Assembleia Geral;  (iii)  a Diretoria  será  eleita  pela Assembleia  Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.319          30 Geral;  (iv)  a  eleição  da  Diretoria  deverá  ser  aprovada  pelo  Banco Central; (v) a representação da companhia será feita por  um  ou  dois  Diretores  ou  por  procuradores  sempre  nomeados  pelos Diretores.  (...)  6.40   (...)  é  sabido  que  o  simples  fato  do  contribuinte  remunerar  seus  diretores  como  empregados  e  declará­los  em  GFIP  na  Categoria  1  ­  Empregado,  na  DIRF,  no  Código  de  Retenção  0561  ­  Rendimentos  do  Trabalho  Assalariado,  e,  na  DIPJ,  como  Diretores  com  Vínculo  Empregatício,  quando  de  fato  e  de  direito  são  Administradores,  isto  é,  não  possuem  vínculo  empregatício,  não  lhe  concede  o  direito  de  usufruir  da  dedução  permitida  pela  Lei  nº  10.101/00,  exclusiva  para  a  Participação nos Lucros dos empregados.  (...)  6.50   Foram  encontrados,  no  período  auditado,  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  aos  Administradores  aos seguintes diretores estatutários:  · Francisco Cláudio Alves de Queiroz Facó ­ diretor entre  janeiro de 2010 e fevereiro de 2012; e  · Leonel Dias de Andrade Neto ­ diretor entre  janeiro de  2010 e outubro de 2012.  (...)  99.    Na ótica do agente fiscal, corroborada pela decisão de piso, o diretor estatutário,  nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, é considerado contribuinte individual,  independentemente  da  existência  de  contrato  de  trabalho  como  diretor  empregado,  não  lhes  sendo  aplicáveis  as  normas  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  previstas  na  Lei  nº  10.101, de 2000. Essa é, pois, a delimitação da acusação fiscal.  100.    Pois bem. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  pactuados  entre  empresa  e  seus  segurados  empregados.   100.1    Não vou  alongar­me nos  fundamentos,  pois  desnecessário  ao  caso  em  apreço.  Apenas  lembro  que  o  inciso  X  do  §  9º  do  art.  214  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048,  de  6  de  maio  de  1999,  explicita  a  não  incidência  tributária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, de acordo com a Lei nº 10.101, de  2000, que rege a matéria:  Art. 214 (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)  Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.320          31 X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  (...)    (GRIFEI)  101.    A  concepção  tradicional  do  diretor  eleito  na  forma  do  estatuto  social  nas  sociedades  por  ações  é  como  órgão  da  companhia,  exercendo  os  poderes  estatutários  sem  vínculo  de  emprego.  No  âmbito  da  legislação  previdenciária,  são  qualificados  como  contribuintes individuais.  102.    Ocorre  que  a  sofisticação  da  atividade  empresarial  no  mundo  contemporâneo  comporta, no âmbito das sociedades por ações, a figura do diretor empregado. A existência ou  não de relação de emprego entre sociedade e seus diretores não pode ser conferida tão somente  pela  forma de escolha destes, ou pelo  simples  fato de exercerem cargos de administração da  companhia.   103.    Mais  importante, com absoluta certeza, é verificar as características da relação  mantida  entre  os  diretores  e  o Conselho  de Administração. Havendo  traços  de  subordinação  jurídica, existirá provavelmente relação de trabalho na condição de empregado, nos termos da  CLT.  104.    No  tocante  à  legislação  previdenciária,  o  art.  12  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  qualifica, expressamente, o diretor empregado como segurado empregado:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  I ­ como empregado:  a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;  (...)    (GRIFEI)  105.    Nesse  passo,  conforme  atesta  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  recorrente  sempre reconheceu a existência de subordinação dos dois diretores da sociedade incorporada,  mesmo  que  estatutários,  mantendo  as  características  inerentes  à  relação  de  emprego,  com  preenchimento  do  vínculo  de  segurado  empregado  na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  e  nas  demais  declarações  fiscais,  além  do  cumprimento  das  obrigações  trabalhistas,  previdenciárias  e  tributárias inerentes à relação empregatícia.   105.1    Na  fase  de  impugnação,  inclusive,  trouxe  aos  autos  cópias  das  fichas  financeiras,  em  que  se  verifica  o  pagamento  de  ordenados,  gratificações  e  descontos  dos  encargos inerentes à relação de emprego, no período da autuação (fls. 1.096/1.136).  106.    A Lei  nº  10.101,  de  2000,  tampouco  a  legislação  previdenciária,  faz  distinção  entre  o  empregado  tradicional  e  diretor  empregado.  Configurada  a  condição  de  diretor  empregado, os beneficiários podem receber pagamentos a título de Participação nos Lucros ou  Resultados  sob  a  égide  das  disposições  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  os  quais  escapam  à  Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.321          32 tributação das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a  terceiros.   107.    Como cediço, a prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato  jurídico afirmado. Em outras palavras, caberia à autoridade  lançadora, mediante a  linguagem  de provas,  refutar a  relação de emprego afirmada pela  recorrente, mediante demonstração da  inexistência de um ou mais requisitos do vínculo empregatício do art. 3º da CLT. Contudo, a  fiscalização não se desincumbiu do seu dever probatório.   108.    É  bom  ressaltar  que  a  decisão  recorrida,  para  não  acatar  os  argumentos  da  impugnação,  mantendo  a  autuação  fiscal,  desenvolveu  um  raciocínio  meramente  teórico  no  sentido de que a ligação entre a companhia e os diretores estatutários não apresentava todos os  elementos típicos da relação de emprego, tais como a subordinação jurídica e o recebimento de  salários.   109.    Por  fim,  esclareço  que  a  linha  de  entendimento  aqui  perfilhada  está  em  consonância  com  a  própria  interpretação  da  legislação  tributária  realizada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  vinculante  no  âmbito  daquele  órgão,  por  meio  da  Solução  de  Consulta nº 368, de 18 de dezembro de 2014, cuja ementa está reproduzida abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS   DIRETOR  DE  SOCIEDADE  ANÔNIMA.  CONDIÇÃO  DE  SEGURADO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  LEI  Nº  10.101,  DE  2000.  SALÁRIO­DE­ CONTRIBUIÇÃO.   CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.  O diretor estatutário, que participe ou não do  risco econômico  do  empreendimento,  eleito  por  assembleia  geral  de  acionistas  para  o  cargo  de  direção  de  sociedade  anônima,  que  não  mantenha  as  características  inerentes  à  relação  de  emprego,  é  segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  contribuinte  individual,  e  a  sua  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  integra o salário­de­contribuição, para fins de recolhimento das  contribuições previdenciárias.  SEGURADO EMPREGADO.  O diretor estatutário, que participe ou não do  risco econômico  do  empreendimento,  eleito  por  assembleia  geral  de  acionistas  para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as  características  inerentes  à  relação  de  emprego,  é  segurado  obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e  a  sua  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  integra  o  salário­de­ contribuição,  para  fins  de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias.  Dispositivos  Legais:  Lei  nº  8.212,  de  1991,  art.  12,  incisos  I,  alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2º, e art. 28,  Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.322          33 incisos I e III, e § 9º, alínea “f”; Lei nº 10.101, de 2000, arts. 1º  a 3º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, incisos I, alínea “a”, e  V, alínea “f”, e §§ 2º e 3º.  110.    Exposto  assim,  cabe  decotar  do  lançamento  fiscal  o  crédito  tributário  relacionado  aos  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  aos  administradores  (Levantamento Fiscal "PA").  c) Prêmios  111.    De  acordo  com  a  autoridade  lançadora,  por  meio  do  exame  das  folhas  de  pagamento e da escrituração contábil da empresa, identificou pagamentos a título de prêmios,  sob as rubricas nº 1078 ­ Prêmio Incentivo e 1081 ­ Premiação, cuja natureza da parcela está  vinculada ao desempenho laboral dos segurados empregados (fls. 661/664).  112.    Por  sua  vez,  com  apoio  na  Planilha  de  fls.  573/578,  a  recorrente  defende  a  ausência  de  habitualidade  nos  pagamentos,  dado  que  os  nomes  dos  beneficiários  listados  simplesmente ou não se  repetem, ou figuram numa frequência de uma ou duas repetições no  período de três anos.   112.1    Afirma,  dessa  maneira,  a  impossibilidade  de  tributação  dos  pagamentos  recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º  do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis o dispositivo:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário de contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  (...)  e) as importâncias:  (...)  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;  (...)  113.    Pois bem. Na definição de Maurício Godinho Delgado2, os prêmios consistem  em:  "parcelas  contraprestativas  pagas  pelo  empregador  ao  empregado em decorrência de um evento ou circunstâncias tida  como  relevante  pelo  empregador  e  vinculada  à  conduta  individual  do  obreiro  ou  coletiva  dos  trabalhadores  da  empresa."  114.    Não  há  como  negar  que,  via  de  regra,  a  parcela  denominada  de  prêmio  tem  nítida  feição  salarial,  vinculado  a  um  fator  de  ordem  pessoal  do  empregado,  a  exemplo  da  produção.                                                               2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 4a ed. São Paulo: LTR, 2005, p. 747.  Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.323          34 115.    No  que  tange  à  instituição  das  contribuições  previdenciárias,  cuidou  a  lei  ordinária federal. Transcrevo, nessa prescrição, a redação do inciso I do art. 22 e do inciso I do  art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de trabalho ou sentença normativa.  (...)  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;   (...)    (GRIFEI)  115.1    A habitualidade, a meu sentir, restringe­se somente aos ganhos sob a forma de  utilidades,  denominados  "in  natura".  Não  há  menção  ao  requisito  da  habitualidade  para  os  ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições  previdenciárias todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, sejam eles  habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente.  115.2    Diferentemente  da  nomenclatura  da  legislação  trabalhista,  a  legislação  previdenciária  utiliza  a  expressão  "destinados  a  retribuir  o  trabalho",  em  detrimento  de  "contraprestação do serviço", o que evidencia nitidamente, no âmbito previdenciário, o caráter  da  remuneração  avaliado  em  função  do  conjunto  do  relação  laboral,  e  não  simplesmente  prestação "versus" contraprestação.  116.    Quanto a tais parcelas pagas aos empregados, a recorrente não contesta o caráter  de  retribuição  pelo  trabalho.  A  linha  argumentativa  é  que  apenas  o  prêmio  concedido  ao  segurado empregado, de forma habitual, integra a remuneração do trabalho. E, na hipótese dos  autos, cuida­se de ganho eventual, expressamente excluídos do salário­de­contribuição pelo §  9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.324          35 117.    Penso,  contudo,  que  a  eventualidade  da  remuneração  na  legislação  previdenciária  está  associada  a  incerteza,  a  imprevisão  do  seu  pagamento.  A  empresa  incorporada pela  recorrente  classificou, nas  folhas de pagamento  e na contabilidade,  a verba  paga  ao  trabalhador  como  prêmio,  sendo  que,  no  recurso  voluntário,  não  há  o  mínimo  esclarecimento e/ou detalhamento a respeito das circunstâncias e sobre quais fatores de ordem  pessoal os pagamentos foram efetuados.   118.    Os dados da Planilha de fls. 573/578, elaborada pela autoridade fiscal, revelam  que  os  pagamentos  a  título  de  prêmio  aos  segurados  empregados,  em  montantes  variáveis,  estão  concentrados  no  ano  de  2011, meses  de  02/2011,  09/2011  e  12/2011,  e  ano  de  2012,  meses  de  02/2012,  08/2012  e  11/2012,  sinalizando  a  existência  de  uma  aparente  estrutura  organizada  que  havia  na  sociedade  incorporada  para  o  cálculo  dos  valores  devidos  e  recebimento das parcelas pelos beneficiários.  118.1    Assim  como  há  beneficiários  que  receberam  o  pagamento  apenas  uma  vez,  existem outros  tantos  segurados  empregados  que  foram  agraciados  com dois  pagamentos  no  mesmo ano, ou três, até quatro em alguns casos, pagamentos relacionados ao período de 2011 e  2012.  119.    Inviável,  no  estágio  de  instrução  dos  autos,  a  avaliação  da  existência  da  eventualidade nos pagamentos aos segurados empregados. Com base no tradicional critério de  distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo, ora  recorrente,  comprovar que o  fato  jurídico amolda­se à previsão em lei que exclui a tributação sobre o pagamento.   119.1    Nesse sentido, o Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16  de  março  de  2015,  aplicado  em  caráter  subsidiário  ao  processo  tributário  federal,  contém  previsão expressa sobre a distribuição do ônus probatório:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  120.    De todo modo, registro, segundo minha convicção, que o ganho eventual a que  alude  o  item  7  da  alínea  "e"  do  §  9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  deve  estar  expressamente  desvinculado  do  salário  por  força  de  lei,  para  só  então  não  integrar  a  remuneração do segurado empregado.  120.1    Com efeito, por meio da alínea "j" do  inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o  Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o  artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer  da lei:   "ganhos  eventuais  e  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário por força de lei".  120.2    Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos  eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o  quis  fazer,  porquanto  poderiam,  ambos  os  diplomas,  dar  tratamento  distinto  a  cada uma das  Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.325          36 espécies,  como  se  infere  do  rol  de  parcelas  não  integrantes  do  salário­de­contribuição  detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS.  120.3    Quanto  ao  termo  "expressamente",  a  contribuição  previdenciária  é  espécie  de  tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam definidas em lei as parcelas integrantes e não  integrantes  da  remuneração,  assim  como  as  respectivas  situações  e  condições,  por  ser  inconcebível deixar, ao alvedrio do sujeito passivo, a exclusão da tributação.  121.    Logo, por todo o exposto, sem razão a recorrente.  d) Aplicação da multa por infração cometida pela incorporada  122.    Reclama  a  recorrente  que,  na  qualidade  de  sucessor,  há  impossibilidade  de  se  exigir dela multa de qualquer espécie, em face de infração cometida pela empresa incorporada.   122.1    Em síntese, argumenta que além da inaplicabilidade do enunciado da Súmula nº  47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a hipótese concreta dos  autos,  o  lançamento  de ofício  foi  efetuado  posteriormente  ao  ato  sucessório,  relativamente  a  fatos  tributáveis  ocorridos  antes  da  incorporação,  sendo  que  não  há  como  se  cogitar  da  responsabilidade do sucessor no que tange à penalidade imposta em razão da infração cometida  pela sucedida.  123.    Pois bem. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar  o viés interpretativo, ressalto que o patrimônio é composto por um conjunto de bens, direitos e  obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as  obrigações integrantes do patrimônio do sucedido.  124.    Em que pese o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada  de  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  refira­se  tão  somente  aos  tributos,  ao  interpretá­lo  conjuntamente  com  o  art.  129,  dispositivo  que  inaugura  a  Seção  denominada  "Responsabilidade dos sucessores", chega­se à conclusão de que a regra também aplica­se aos  créditos  tributários  definitivamente  constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos.  124.1    Para maior clareza do raciocínio, reproduzo os artigos mencionados do CTN:   Art.  129.  O  disposto  nesta  Seção  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários definitivamente constituídos ou em curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas  até  a  referida  data.  (...)  Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de  fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é  responsável  pelos  tributos  devidos  até  à  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  fusionadas,  transformadas ou incorporadas. (grifou­se)  Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.326          37 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se aos casos  de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a  exploração  da  respectiva  atividade  seja  continuada  por  qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou  outra razão social, ou sob firma individual.  125.    O momento  da  constituição  do  crédito  tributário  pelo  ato  de  lançamento,  que  compreende  também a  penalidade,  consoante  o  §  1º  do  art.  113  do CTN,  acaba  tornando­se  irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador.  126.    Essa  linha  de  pensamento  é  prevalente  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na  sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo  parcialmente, na parte que interessa ao presente feito:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  RECURSO  ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.  543­C,  DO  CPC.  RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESAS.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  INCLUSÃO  DE  MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS  INCONDICIONAIS.  IMPOSSIBILIDADE.  LC  N.º  87/96.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP  1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543­C DO CPC.  1.  A  responsabilidade  tributária  do  sucessor  abrange,  além  dos  tributos devidos pelo  sucedido, as multas moratórias ou  punitivas,  que,  por  representarem  dívida  de  valor,  acompanham  o  passivo  do  patrimônio  adquirido  pelo  sucessor,  desde  que  seu  fato  gerador  tenha  ocorrido  até  a  data  da  sucessão.  (Precedentes:  REsp  1085071/SP,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  21/05/2009,  DJe  08/06/2009;  REsp  959.389/RS,  Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado  em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC,  Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/04/2009,  DJe  13/05/2009;  REsp  3.097/RS,  Rel.  Ministro  GARCIA  VIEIRA,  PRIMEIRA  TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990)  (...)  127.    Não há dúvidas que a multa moratória e/ou punitiva analisada e mencionada no  julgado  abrange  aquela  aplicada  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal,  hipótese  que  cuida o processo administrativo em apreço, decorrente do não pagamento de tributo na época  do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e 132 do CTN, antes  referida.  128.    Nesse sentido, foi redigido o voto nos Embargos de Declaração do mesmo REsp  nº  923.012/MG,  de  lavra  do Ministro  Napoleão Nunes Maia  Filho.  Transcrevo  a  respectiva  ementa no ponto em que vinculada à questão em debate:  EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543­C, DO  Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.327          38 CPC.  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESAS  (INCORPORAÇÃO).  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  EXCLUSÃO  DE  MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE  INCONDICIONAL.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1a.  SEÇÃO,  NO  RESP.  1.111.156/SP,  REL  .MIN.  HUMBERTO  MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543­ C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE  QUE  NÃO  FICOU  COMPROVADA  ESSA  INCONDICIONALIDADE,  NA  HIPÓTESE  DOS  AUTOS.  AUSÊNCIA  DE  OMISSÃO,  CONTRADIÇÃO  OU  OBSCURIDADE.  PRETENSÃO  DE  ALTERAÇÃO  DO  JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.  (...)  4.  Tanto  o  tributo  quanto  as  multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem  parte  do  patrimônio  (direitos  e  obrigações)  da  empresa  incorporada  que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser  cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada  deixa de ostentar personalidade jurídica.   5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência  do  fato gerador,  que  faz  surgir a obrigação  tributária,  e do  ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como  restou  assentado  no  aresto  embargado,  que  esse  crédito  já  esteja  formalizado  por  meio  de  lançamento  tributário,  que  apenas o materializa.  (...)    (GRIFEI)  129.    Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno  deste Conselho ­ RICARF ­, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a  redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece:  Art. 62. (...)  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  130.    Como  se  observa,  o  entendimento  consubstanciado  na  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  STJ,  na  sistemática  do  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil,  com  trânsito em  julgado em 4 de  junho de 2013, deve ser  reproduzido no âmbito deste Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  131.    Portanto, sem razão a recorrente.  Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.328          39 e) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício  132.    Ressalvo  minha  posição  particular  no  sentido  de  que  a  cobrança  de  juros  de  mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria,  a  rigor,  na  impossibilidade  de  apreciá­la  no  âmbito  restrito  ao  litígio  instaurado  com  a  impugnação da exigência fiscal.  133.    Todavia,  é  sabido  que  a  maioria  dos  conselheiros  da  Turma  é  adepta  do  conhecimento da matéria. Portanto, por  economia processual, passo diretamente a análise do  mérito.  134.    A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 do CTN,  a seguir reproduzido:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.  (GRIFEI)  135.    O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN,  que  versa  sobre  extinção  do  crédito  tributário,  especificamente  na  Seção  II,  a  qual  trata  do  pagamento,  uma  das  formas  de  extinção  do  crédito  tributário. A  análise  sistêmica  não  pode  levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento"  refere­se  ao  crédito  tributário  em  atraso,  composto  por  tributo  e multa,  ou  tão  somente  pela  penalidade pecuniária.  135.1    É  certo  que  multa  não  é  tributo.  Porém,  a  obrigação  de  pagar  a  multa  tem  natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicando­se  os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art.  113 do CTN:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  (...)  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.329          40 135.2    Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma  natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN:  Art. 139. O crédito  tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  136.    Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão  calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso.  137.    Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  está assim redigido:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.   (GRIFEI)  137.1    Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima  reproduzido, contém a seguinte redação:  Art. 5º (...)  § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes  à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia  ­  SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente  ao do encerramento do período de apuração até o último dia do  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  do  pagamento.  138.    A  expressão  "débitos  (...)  decorrentes  de  tributos  e  contribuições",  contida  no  "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito  inapropriada,  com  a  devida  vênia,  uma  simples  exegese  literal  e  isolada  desse  dispositivo,  devendo­se compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de  um conjunto normativo mais amplo.   Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.330          41 138.1    Como  visto,  o  débito,  ou  o  crédito  tributário,  não  é  composto  apenas  pelo  tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela  legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na  quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício.  138.2    Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor  pela  demora  no  pagamento,  tais  acréscimos  devem  incidir  sobre  a  totalidade  do  crédito  tributário.   138.3    Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre  a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de  ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente,  a incidência da outra.  139.    Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre  a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação  e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo.  Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  DOU­LHE  PARCIAL PROVIMENTO para:  (i)  excluir  da  base  de  cálculo  das  contribuições  lançadas  os  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  efetuados  aos  segurados  empregados  no  âmbito  das  Convenções Coletivas de Trabalho  (2009 a 2012) e do Plano  Próprio 2010; e  (ii)  excluir  do  lançamento  fiscal  o  crédito  tributário  relacionado  aos  pagamentos  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  aos  administradores  com  vínculo  de  emprego  (Levantamento Fiscal "PA").  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.331          42 Declaração de Voto  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira  Acompanho  o  Relator  quanto  às  demais  questões,  porém,  com  a  maxima  venia, divirjo quanto ao pagamento da PLR em valor mínimo.  Vejamos o que dispõe a Lei 10.101/00 quanto à PLR:  Art.  1º  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração  entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  [...]  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Conforme se extrai dos dispositivos acima, a PLR se constitui não só em um  instrumento de integração entre capital e trabalho, mas também um incentivo à produtividade.  Dessa forma, seu pagamento deve estar sujeito a mecanismos de aferição da produtividade, da  qualidade e da lucratividade da empresa, mediante programas de metas e resultados.  Nesse contexto,  tem­se por condição necessária a avaliação do desempenho  da empresa e de seus empregados, e o comprometimento destes com o atingimento das metas.  Pois bem, compulsando o “Plano Nível Citi – S/C11 e acima – Forma Geral”,  fl. 405, constata­se em sua nota de rodapé de número 1 que o funcionário que obtiver “Rating  individual igual a 4, 5 ou 6 receberá a PPR no valor mínimo”.  Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 16327.721150/2014­11  Acórdão n.º 2401­004.795  S2­C4T1  Fl. 1.332          43 Por  sua  vez,  nessa  mesma  folha,  em  quadro  que  mostra  o  Multiplicador  Individual, consta que o “Rating” 6 corresponde à situação “Não Avaliado”:    Cabe  destacar  que  tal  critério  também  foi  aplicado  ao  “Plano  Nível  Citi  R/C10 e abaixo – Forma Geral” e aos planos de “Forma Específica”.  Ora, se os planos preveem situação em que não há avaliação de empregados,  conforme se infere do quadro acima, e mesmo assim possibilitam o pagamento de PLR a tais  empregados não avaliados, ou seja, independente do atingimento de qualquer meta, conclui­se  que tais planos não estão em consonância com a Lei 10.101/00, que estabelece o pagamento de  PLR mediante avaliação de desempenho dos empregados e com foco nas metas estabelecidas.  Conclusão  Isso posto, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto à PLR paga em  valor mínimo.    (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira  Fl. 1332DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.004151/2002-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO. Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior.
Numero da decisão: 1103-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: André Mendes de Moura

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1103­001.046  –  1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de maio de 2014  Matéria  CSLL ­ JUROS DE MORA  Embargante  CHASE FLEMING BANCO DE INVESTIMENTO S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 1998  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  DISTRIBUIÇÃO.  REGRA  DE  TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO.  Os processos com embargos de declaração  interpostos em face de acórdãos  exarados  em  sessões  anteriores  à  vigência  do  Regimento  Interno  aprovado  pela Portaria  nº  256,  de  22  de  Junho de  2009,  serão  distribuídos  ao  relator  original  do  recurso,  salvo  quando  ele  estiver  atuando  em  colegiado  com  especialização diversa da do regimento anterior.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  declinar  competência  para  a  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho.    Assinado Digitalmente  Aloysio José Percínio da Silva ­ Presidente.    Assinado Digitalmente  André Mendes de Moura ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eduardo  Martins  Neiva  Monteiro,  Fábio  Nieves  Barreira,  André  Mendes  de  Moura,  Breno  Ferreira  Martins  Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 41 51 /2 00 2- 64 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 636          2     Relatório  Foram  interpostos  embargos  de  declaração  (fls.  507/511)  pela  contribuinte,  em  face do Acórdão nº 101­94.388, de 15 de outubro de 2003  (fls.  419/427),  proferido pela  Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes,  cuja  ementa apresentou o  seguinte  teor:  DEPÓSITO JUDICIAL ­ ENCARGOS MORATÓRIOS ­Incabível  na  constituição  de  crédito  tributário  destinado  a  prevenir  a  decadência, a exigência dos juros moratórios incidentes sobre o  valor do crédito tributário depositado em juízo anteriormente a  autuação.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO ­ EXTINÇÃO ­ Não é de competência  deste E. Conselho de Contribuintes, o enquadramento ou não do  contribuinte  nas  condições  estabelecidas  para  o  usufruto  dos  benefícios  da  Medida  Provisória  nº  38,  de  15.05.2002,  assim  como,  o  reconhecimento  da  extinção  do  crédito  tributário  das  importâncias ali recolhidas.  Dos Fatos.  Trata a ação fiscal da análise da DIRPJ, ano­calendário de 1999, da CHASE  MANHATTAN LEASING S.A.  – ARRENDAMENTO MERCANTIL,  empresa  incorporada  pela  contribuinte,  no  qual  se  constatou  que  parte  da  CSLL  apurada  não  foi  oferecida  à  tributação, por estar com exigibilidade suspensa.  Tal situação tem origem no Mandado de Segurança nº 98.0053421­0, ocasião  em  que  a  contribuinte  pediu  a  suspensão  dos  efeitos  do  art.  1º  e  2º  da  Lei  nº  9.316,  de  22/11/1996:  Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não  poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real,  nem de sua própria base de cálculo.   Parágrafo  único.  Os  valores  da  contribuição  social  a  que  se  refere  este  artigo,  registrados  como  custo  ou  despesa,  deverão  ser  adicionados  ao  lucro  líquido  do  respectivo  período  de  apuração  para  efeito  de  determinação  do  lucro  real  e  de  sua  própria base de cálculo.  Art. 2º A contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas  instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de  24  de  julho  de  1991,  será  calculada  à  alíquota  de  dezoito  por  cento.  Ou seja, o pedido impetrado no MS foi no sentido de (1) permitir a dedução  da CSLL da base de cálculo do lucro real, (2) permitir a dedução da CSLL da sua própria base  de cálculo e (3) aplicar a alíquota de 8%, em vez de 18%.  Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 637          3 Esclarece  a  autoridade  autuante,  à  fl.  12  dos  autos  (Termo  de  Verificação  Fiscal),  que  o  valor  lançado  de  ofício  tem  origem  na  diferença  entre  o  valor  calculado  pela  alíquota de 18%, conforme a Lei nº 9.316, de 1996 (R$12.724.866,45), e o calculado segundo  o provimento judicial (R$5.236.578,78). Assim, o montante de R$7.488.307,67  foi objeto do  lançamento  fiscal  com  o  fim  de  prevenir  a  decadência,  sem  multa  e  com  exigibilidade  suspensa.  Da Fase Contenciosa.  Devidamente  intimada,  apresentou a contribuinte  impugnação de  fls. 83/94,  no qual discorreu sobre os seguintes pontos:  ­  ingressou  com Mandado de Segurança n.  98.0053421­0,  junto  à 11ª Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  de  São  Paulo,  questionando  a  diferença  de  alíquota  imposta  às  instituições financeiras, bem como a dedutibilidade, para formação da base de cálculo do IRPJ  e  da  CSLL,  da  despesa  relativa  ao  pagamento  da  CSLL,  nos  períodos­base  de  1998  e  subseqüentes;  ­  tendo em vista os remédios jurídicos utilizados no Mandado de Segurança  acima citado, e não tendo sido confirmada a liminar pleiteada, e em razão do disposto no artigo  11  da  Medida  Provisória  n.  38,  de  15  de  maio  de  2002,  requereu  a  desistência  parcial  do  Recurso de Apelação  e,  conseqüentemente,  do  feito,  somente quanto  ao  direito de deduzir  a  despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo;  ­ por conseguinte, manteve na via judicial discussão a respeito da dedução da  base de  cálculo do  IRPJ  e do direito de  recolher  a  contribuição  a  alíquota de 8%,  tendo  em  relação  a  estas matérias,  efetuado  depósito  judicial  nos  valores  controvertidos,  suspendendo,  assim, a exigibilidade do crédito tributário  ­ é pacífico que não cabe  incidência da multa de ofício concreto, conforme  art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996,  logo,  imputar  juros moratórios sobre os valores depositados  judicialmente,  implica  ofensa  ao  princípio  de  lógica  (oposição  das  proposições),  segundo  o  qual  uma  situação  ou  coisa  não  pode  ser  e  ser  ao  mesmo  tempo,  ou  seja,  não  se  poderia  apregoar não ocorrer (na multa) e ocorrer (nos juros), na mesma circunstância, a mora  ­  requer  pela  desconstituição  do  crédito  tributário  exigido,  notadamente  no  que se refere aos juros moratórios, pugnando pelo cancelamento do Auto de Infração.  A  impugnação  foi  julgada  pela  8ª  Turma  da  DRJ/São  Paulo,  no  qual  foi  proferido o Acórdão nº 3­089, de 01 de abril de 2003, julgando procedente o lançamento, nos  seguintes termos:  ­  de  acordo  com o  art.  161  do CTN,  os  juros  de mora  são  devidos mesmo  durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial,  pois,  a  fluência  dos  juros  moratórios,  a  partir  do  vencimento  dos  tributos  e  contribuições,  decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo de lançamento apenas  formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a  ocorrência do fato gerador, atributo da exigibilidade;  Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 638          4 ­  os  juros de mora não  precisam ser  lançados para  serem  exigidos,  porque,  como obrigação acessória, seguem o principal,  sendo que o  lançamento dos  juros no auto de  infração é apenas indicativo;  ­  os  juros  de mora  devem  ser  lançados mesmo  na  hipótese  de  depósito  do  montante integral, pois somente na data da conversão em renda para a União verificar­se­á a  abrangência do depósito;  ­ acerca da desistência parcial da Ação Judicial e dos benefícios da MP nº 38,  de 14/05/2002, esclarece que não cabe à DRJ apreciar o enquadramento ou não do contribuinte  nas condições ensejadoras dos benefícios da aludida MP.  Cientificado da decisão da primeira instância, a contribuinte interpõe recurso  voluntário, no qual aduz o seguinte:  ­  incorre  em  equivoco  a  decisão  recorrida  no  que  diz  respeito  ao  não  reconhecimento da extinção do crédito tributário referente à despesa relativa ao pagamento da  CSLL  da  sua  própria  base  de  cálculo,  tendo  em  vista  o  pedido  de  desistência  parcial  do  Mandado  de  Segurança  nº  2000.03.99.002259­4,  requerida  na  Medida  Cautelar  nº  1999.03.00.040929­1,  isso  porque  entende  que  não  cabe  ao  colegiado  a  apreciação  do  enquadramento  ou  não  da  Recorrente  nas  condições  estabelecidas  para  o  usufruto  dos  benefícios da Medida Provisória nº 38, de 15/05/2002;  ­ em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, a não incidência  dos juros de mora sobre o crédito supostamente devido, alega as mesmas razões transcritas na  impugnação, entendendo que exigir  juros moratórios  sobre valores depositados  judicialmente  implicaria ofensa ao próprio princípio de lógica, tendo em vista a inaplicabilidade da multa de  ofício para o mesmo caso, previsto no art. 63, da Lei n. 9.430/96;  ­ enfim, requer a extinção do crédito tributário, notadamente no que se refere  aos juros moratórios e o conseqüente cancelamento do Auto de Infração.  O  recurso  voluntário  foi  apreciado  pela  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes, no qual, por meio do Acórdão nº 101­94.388, de 15 de outubro de  2003 (fls. 419/427). As razões da decisão foram as seguintes:  1)  não  obstante  a  recorrente  tenha  se  insurgido  na  impugnação  e  em  sede  recursal  tão  somente em relação à não  incidência de  juros de mora  sobre o crédito  tributário  supostamente  devido,  em  razão  de  seu  pleito  relativo  à  dedução  da  despesa  referente  ao  pagamento da CSLL na formação da base de cálculo do Imposto de Renda, bem como o direito  de efetuar o recolhimento da CSLL, para fatos geradores ocorridos no período­base de 1998 e  subseqüentes,  à  alíquota  de  8%  (oito  por  cento),  resolve  discorrer  no  recurso  voluntário  também  sobre  a  extinção  do  crédito  tributário  decorrente  do  pagamento  efetuado  com  os  benefícios  da Medida  Provisória  nº  38,  de  14  de maio  de  2002,  em  relação  à  pretensão  de  deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo;  2)  apesar  do  pagamento  efetuado  pela  contribuinte  dos  valores  relativos  à  dedutibilidade da CSLL de sua própria base de cálculo, deve ser observado que a matéria não é  objeto de discussão no presente caso, e mesmo que tivesse sido pré­questionada, não caberia a  este colegiado a apreciação do seu enquadramento ou não, conforme bem salientou a decisão  recorrida e o próprio Recorrente em grau de recurso;  Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 639          5 3)  ou  seja,  o  acerto  do  pagamento  efetuado  pelo  Recorrente  em  relação  à  desistência  do  recurso  de Apelação  interposto,  relativo  à  pretensão  de  deduzir  a  despesa  do  pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo em vista  o  disposto  no  artigo  11  da Medida  Provisória  nº  38,  de  15/05/2002,  deve  ser  procedido  tão  somente  pela  autoridade  administrativa  responsável  pela  análise  do  pagamento  ou  parcelamento de débitos;  4) em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, da não incidência  dos  juros de mora sobre o crédito  tributário supostamente devido que se encontra depositado  judicialmente,  este E. Conselho de Contribuintes há muito vem decidindo no  sentido de que  não há o que se cogitar da exigência dos  juros moratórios, se por ocasião da constituição do  crédito  tributário para evitar a decadência, o contribuinte já havia depositado  judicialmente a  importância lançada no auto de infração.  Nesse contexto, decidiu­se pelo provimento parcial do recurso voluntário, no  sentido de excluir do  lançamento os  juros moratórios  incidentes  sobre o montante do crédito  tributário depositado em juízo.  Foi  dada  ciência  à  contribuinte  da  decisão  em  03/03/2011  (AR  fl.  505  e  extrato de fl. 506), contra a qual foram interpostos os embargos de declaração de fls. 507/511  em 09/03/2011 (fl. 507), discorrendo sobre os seguintes pontos:  ­  destaca  que  os  embargos  de  declaração  opostos  tempestivamente  interrompem o prazo para a interposição de recurso especial;  ­  o  acórdão  embargado  foi  contraditório  ao  afirmar  que  "(...)  em  relação  à  extinção do crédito  tributário quando do pagamento dos valores  relativos à dedutibilidade da  CSLL  de  sua  própria  base  de  cálculo,  deve  ser  observado  que  a  matéria  não  é  objeto  de  discussão  no  presente  caso,  e  mesmo  que  tivesse  sido  pré­questionada,  não  caberia  a  este  colegiado  a  apreciação  de  seu  enquadramento  ou  não,  conforme  bem  salientou  a  decisão  recorrida  e  o  próprio  Recorrente  em  grau  de  recurso.  Sendo  assim,  o  acerto  do  pagamento  efetuado pelo Recorrente em relação à desistência do recurso de Apelação interposto, relativo a  pretensão  de  deduzir  a  despesa  do  pagamento  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  da  sua  própria base de cálculo, tendo em vista o disposto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de  15/02/2002,  deve  ser  procedido  tão  somente  pela  autoridade  administrativa  responsável  pela  análise do pagamento ou parcelamento de débitos de que trata o dispositivo acima citado. Por  conseguinte,  cabe,  tão  somente,  àquela  autoridade  administrativa  homologar  o  pagamento  efetuado e extinguir o crédito tributário que ali estava sendo discutido (...)".  ­  isso  porque  a  extinção  do  crédito  tributário  pago  nos  termos  da Medida  Provisória nº 38/2002, sempre esteve inserida no objeto de discussão do presente procedimento  administrativo, haja vista que como afirmado no acórdão embargado tal ponto foi atacado na  decisão proferida pela DRJ;  ­  o  crédito  tributário  referente  à CSL, objeto do presente Auto de  Infração,  encontrava­se  sub  judice,  sendo  discutido  no  Mandado  de  Segurança  n.°  98.0053421­0,  impetrado  perante  a  11º  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  de  São  Paulo,  que  questionava  a  diferença  de  alíquota  imposta  às  instituições  financeiras,  bem  como  a  dedutibilidade,  para  formação da base de cálculo do IRPJ e da CSL, da despesa relativa ao pagamento da CSL, nos  períodos­base de 1998 e subseqüentes;  Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 640          6 ­ tendo em vista o disposto no artigo 11 da MP n° 38, de 15 de maio de 2002,  a Impugnante requereu a desistência parcial do Recurso de Apelação e, conseqüentemente, do  pleito, somente quanto ao direito de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSL da sua  própria base de cálculo, estando, pois, extinto o crédito tributário em comento;  ­  assim,  face  à  quitação  do  débito  em  comento,  caberia  a  D.  Autoridade  Julgadora a confirmação do mesmo e determinação da extinção do presente crédito tributário;  ­  no  entanto,  o  acórdão vergastado entende por bem declarar que  a matéria  relativa ao pagamento do débito é matéria estranha a esta lide, malgrado a mesma tivesse sido  analisada por ocasião da decisão proferida pela DRJ;  ­ o acórdão embargado também afirma não ser a autoridade competente para  averiguar  a  regularidade  do  pagamento  realizado,  hipótese  no  qual  caberia  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  a  autoridade  administrativa  dita  competente  pudesse  se  manifestasse quanto ao pagamento realizado pela Embargante;  ­ nesse contexto,  resta evidente a necessidade de acolhimento dos presentes  embargos para que se seja sanada contradição apontada ou, ao menos, determinada a conversão  do julgamento em diligência, para que se verifique o pagamento realizado pelo Embargante e,  consequentemente, a extinção do crédito tributário em comento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura  Há  que  se  realizar,  inicialmente,  aspecto  referente  à  competência  para  julgamento, a ser apreciado no exame de admissibilidade.  Observa­se que os embargos foram interpostos em face de decisão (Acórdão  nº  101­94.388,  de  15  de  outubro  de  2003)  proferida  pela  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes, do qual foi relator o Conselheiro Valmir Sandri, o qual atualmente,  sob a égide da Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do  CARF (RICARF), encontra­se na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira  Seção de Julgamento.  Ocorre que o art. 3º do RICARF dispõe o seguinte:  Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente  à edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e  serão  julgados  na  turma  para  a  qual  o  conselheiro  for  designado.  (...)  §  4°  Os  processos  que  retornem  de  diligência  e  os  com  embargos  de  declaração  interpostos  em  face  de  acórdãos  Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.004151/2002­64  Acórdão n.º 1103­001.046  S1­C1T3  Fl. 641          7 exarados  em  sessões  anteriores  à  vigência  deste  Regimento  Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo  quando  estiver  atuando  em  colegiado  com  especialização  diversa da do anterior. (grifei)  Trata­se precisamente da situação apresentada nos autos. O processo retornou  com embargos de declaração, em sessão anterior à vigência do RICARF, e por  isso deve ser  distribuído ao relator original do recurso, já que o conselheiro continua atuando em colegiado  com a mesma especialização do regimento interno anterior.  Assim diante de todo o exposto, com fulcro no artigo 3º, § 4º do Regimento  Interno  do  CARF,  voto  no  sentido  de  encaminhar  os  presentes  autos  à  Primeira  Turma  Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Primeira  Seção  de  Julgamento  para  distribuição  ao  Conselheiro Valmir Sandri.      Assinatura Digital  André Mendes de Moura                                Fl. 641DF CARF MF

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