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Numero do processo: 10882.907216/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 16 /2 01 2- 15 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.853. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907216/201215 Acórdão n.º 3302004.250 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016637/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio.
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), desloca-se a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendo-se a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003.
DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência.
IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS.
A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal.
JUROS SOBRE MULTA.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE.
Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1301-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o ano-calendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial em menor extensão (afastando as multas isoladas exclusivamente relacionadas a diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até maio de 2007) e os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (davam provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa e as exigências atinentes a juros sobre capital próprio) e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (que dava provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), desloca-se a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendo-se a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003. DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, para efeitos do artigo 173, inciso I, do CTN, ou do § 4º do artigo 150 do referido Código, não pode ser iniciada antes da ocorrência do fato gerador do tributo. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, reconhecendose a decadência para fatos geradores ocorridos em 2003. DA MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. O não reconhecimento pelo Fisco do ágio gerado em operações realizadas dentro do mesmo grupo econômico, com a conseqüente glosa de sua amortização, não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 66 37 /2 00 9- 45 Fl. 5379DF CARF MF 2 A multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RECOMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RECÁLCULO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. Uma vez assentada a ilegalidade do registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o patrimônio líquido devem ser expurgados, dando origem a novos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido quando surgido em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.380 3 Na forma do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, não se considera impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial em menor extensão (afastando as multas isoladas exclusivamente relacionadas a diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até maio de 2007) e os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (davam provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa e as exigências atinentes a juros sobre capital próprio) e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (que dava provimento parcial em maior extensão, afastando também os juros sobre multa). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda para desafiar acórdão da DRJ/Campinas, que julgou improcedente impugnação apresentada em contestação aos lançamentos de ofício constituídos por autos de infração de IRPJ e CSLL. Pela clareza do relatório da Turma recorrida, às fls. 2.148/2.260, reproduzoo para, em seguida, adotálo: “No corpo do Auto de Infração do IRPJ, a autoridade fiscal relata a apuração das seguintes infrações: Fl. 5381DF CARF MF 4 “001 AMORTIZAÇÃO IRPJ GLOSA DE VALORES NAO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento". Ato continuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mêscalendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Ágio Trazido por Incorporação". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio", cujos valores são glosados anualmente abaixo. Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2003 a 2007. São glosados (sic) abaixo essas despesas de fundamento legal inexistente. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1o e 2o da Lei n° 8.137/90. [...] 002 DESPESAS INDEDUTÍVEIS IRPJ GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento". Ato continuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Agio Trazido por Incorporação". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio". Essas despesas foram totalmente glosadas e, como decorrência do lançamento daquela infração, foi recomposto o cálculo mensal das despesas creditadas a titulo de Juros sobre o Capital Próprio. Tendo em vista o disposto no artigo 167, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de R$ 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Líquido Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.381 5 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse a aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio a que estava sujeita a fiscalizada, calculadas com base na TJLP. Dessa maneira, do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderandose a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso. Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2003 a 2007. São glosados (sic) abaixo essas despesas calculadas com suporte em ativo de fundamento legal inexistente. Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase como crime contra a ordem tributária, previsto nos art. 1o e 2oda Lei n° 8.137/90. [...] 003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL IRPJ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00713/09/009, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "1350111 Agio s/Investimento". Ato contínuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta em montantes variáveis anualmente à taxa de 1/120 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "1355101 Ágio Trazido por Incorporação ". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio", cujos valores são glosados anualmente abaixo. Ao final do anocalendário 2008, a fiscalizada reverteu todos os lançamentos efetuados na conta contábil n° "4300008 Despesa Amortização Ágio" e, com a finalidade de obter o benefício fiscal pretendido, lançou em livro LALUR a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no anocalendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico Fl. 5383DF CARF MF 6 "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). Tratase de simulação que reduziu as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para o anocalendário 2008. É glosada abaixo essa EXCLUSÃO de fundamento legal inexistente. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1° e 2a da Lei n° 8.137/90. [...] 004 MULTAS ISOLADAS MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ APURADA ATRA VÉS DE BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00847/08/007, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, a fiscalizada utilizouse de manobras societárias e contábeis para criar ilicitamente conta ativa de fundamento inexistente, registrando esse valor na conta contábil n° "121001 PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/FMC". Ato contínuo, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta à taxa de 1/60 por mês calendário, registrando a referida amortização na conta contábil retificadora do ativo n° "121002 AMORTIZ PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/FMC". Como contrapartida deste lançamento, lançou em conta de resultado a despesa registrada na conta contábil n° "599000 AMORTIZ. PERDA INCORPORAÇÃO NMC AGIO NMC S/ FMC", cujos valores foram glosados individualmente através do lançamento neste Auto da seguinte infração "IRPJ VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO". Como decorrência desse lançamento, foi recomposta a apuração mensal dos balancetes de suspensão/redução confeccionados pela fiscalizada com a finalidade de reduzir o recolhimento mensal das estimativas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para os anoscalendário 2004 a 2008, conforme demonstrado no "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ" anexa ao presente Auto de Infração. Foram apuradas as faltas de recolhimento dos valores dispostos nas colunas 18 e 19 do "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ", valores sobre os quais foi calculada multa isolada pelo percentual de 50% (coluna 20), conforme previsto no art. 44, § Io, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, atual letra "b" do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. A MULTA ISOLADA sobre a falta de recolhimento da estimativa/suspensão tem por objetivo penalizar a fiscalizada por não recolher o tributo no momento em que era devido e está prevista para ser aplicada mesmo nos casos em que o balanço de encerramento do anocalendário compute PREJUÍZO FISCAL. A presente infração é conseqüência da prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1° e 2° da Lei n° 8.137/90. Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.382 7 As faltas de recolhimento apontadas no "Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ" são decorrentes do computo mensal das infrações "IRPJ GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO".” Contextualizando a apuração das irregularidades, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Ação Fiscal de fls. 1.161/1.281 relatando o seguinte: “30Antes de analisarmos os negócios jurídicos que geraram redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com relação ao período fiscalizado, analisaremos o histórico de composição societária do grupo empresarial do qual a fiscalizada faz parte. 31Esse estudo fazse necessário conquanto revela que as despesas com amortização de ágio incorridas pela fiscalizada durante o período compreendido dentro dos anoscalendário 2003 a 2008 são decorrentes de alterações contratuais ocorridas no anocalendário 2002 que tinham por finalidade criar uma situação societária que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os beneficios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999 citados adiante. [...] No caso concreto, vale ressaltar que não houve qualquer mudança na titularidade das quotas. A situação reinante antes do início da operação permaneceu inalterada após o seu término. Assim, decompomos a seguir os procedimentos societários adotados pelo grupo empresarial do qual faz parte a fiscalizada com a finalidade de demonstrar as irregularidades constatadas. 38Pela ordem cronológica de confecção, utilizaremos para isso as seguintes Alterações de Contratos Sociais arquivadas pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. e pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.: • 01/03/1997 Instrumento Particular de 10ª Alteração do Contrato Social da "MeadEmbalagens Ltda." (Selo de Autenticidade DW N° 740684 a 740697, de 29/07/1997) a Meadwestvaco do Brasil Ltda. possuía a denominação de "Mead Embalagens Ltda." e 99,99% das quotas da empresa pertenciam ao sócio Mead Packing International Inc., e 0,01% das quotas da empresa pertenciam ao sócio MEAD SA INC., ambas pertencentes ao Grupo MEAD, com sede no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Esse Contrato Social vigorou durante um prazo superior a 5 (cinco) anos; • 21/05/2001 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 107.871/014, de 11/06/2001) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada é a Shore Islands S.L. com participação de 99.99% de seu Capital Social; • 29/04/2002 11a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 90.554/024, de 07/05/2002) a empresa altera sua denominação social para Meadwestvaco do Brasil Ltda. e permanece como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), ambos pertencentes ao grupo MEAD, o qual estava nessa data em processo de fusão com o Grupo WESTVACO; Fl. 5385DF CARF MF 8 • 31/07/2002 Instrumento Particular de 12a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 191.250/028) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%). • 10/09/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 216.707/020) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social, a qual fazia parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO; 17/10/2002 Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da 'Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%)., os quais faziam parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO. • 12/11/2002 Instrumento Particular de 14ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002) as quotas da empresa são transferidas totalmente para a empresa Shore Islands S.L. (o mesmo sócio da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.), com sede em Ibanez de Bilbao, Bilbao, Espanha, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários. • 12/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social. Através dessa alteração, a fiscalizada cria uma filial no endereço Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, endereço no qual já funcionava há mais de cinco anos a sede social da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda., • 30/11/2002 Instrumento Particular de 15a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.636/029,de 30/12/2002) Em um sábado, dezoito dias depois de haver se tornado proprietária majoritária das quotas da empresa, a Shore Islands S.L. transfere novamente a totalidade das quotas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para a empresa MWV Canada Operations Co., com sede em Nova Scotia, Canada, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários. • 30/11/2002 Instrumento Particular de 16a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) No mesmo dia da alteração social anterior, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de R$ 7.644.505,00 para R$ 748.670.395,00, admite um novo sócio quotista e passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co.. Nessa data, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social as quotas majoritárias (99.99%) da fiscalizada avaliadas com ágio. • 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.631/020, em 30/12/2002) a fiscalizada registra a mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede parte de sua participação social para duas empresas: para o mesmo sócio da Meadwestvaco do Brasil Ltda., a empresa MWV Canada Operaiions Co. cede 20,41% das quotas da empresa e para a empresa Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.383 9 MWV Consumers & Office Products cede outras 8,52% das quotas da empresa e permanece com participação majoritária de 71,06% do Capital Social da fiscalizada; • 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro naJUCESP n° 285.632/024, em 30/12/2002) a fiscalizada registra nova mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede a totalidade restante de sua participação social para as mesmas duas empresas para as quais já havia cedido parte da participação através da Alteração do Contrato Social anterior. A empresa MWV Canada Operations Co. passa a deter 70,15% das quotas da empresa e a empresa MWV Consumers & Office Products passa a deter 29,84% das quotas do Capital Social da fiscalizada; 30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028, em 30/12/2002) a fiscalizada novamente registra a mudança de quotista majoritário. No mesmo dia em que se tornaram proprietárias majoritária da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.. as empresas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumers & Office Products cedem a totalidade de sua participação no Capital Social da fiscalizada para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Porém, permanecem indiretamente proprietárias da fiscalizada, com quotas nas mesmas proporções às que já possuíam na Alteração de Contrato Social anterior, uma vez que eram proprietárias diretas da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; • 01/12/2002 Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) domingo, um dia após a aquisição das quotas da fiscalizada, os sócios da empresa aprovam sua incorporação por sua recém investida RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e dão por extinta a empresa. 01/12/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002) Em um domingo, um dia após a última Alteração Contratual, a fiscalizada incorpora sua controladora, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., e volta a pertencer aos mesmos proprietários identificados anteriormente, há duas Alterações Contratuais, na alteração de registro JUCESP n° 285.632/024; III.I DA RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. 39 Através do exame da Alteração do Contrato Social da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda, CJPJ 45.989.050/000181, datada de 12/11/2002 (registro na JUCESP n° 237.207/023), constatamos que a fiscalizada pertencia até aquele momento aos seguintes sócios estrangeiros: >SHORE ISLANDS S.L., com 217.772.979 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 217.772.979,00, com sede na cidade de Bilbao, Espanha. > WESTVACO SVITAVY, SPOL. SRO., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. [...] 41 Através do exame das duas primeiras Alterações do Contrato Social da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., CNPJ 45.989.050/000181, ocorridas em 30/11/2002 (registradas na JUCESP sob os números 285.631/020 e Fl. 5387DF CARF MF 10 285.632/024) em adendo ao organograma do grupo internacional MEADWESTVACO para o anocalendário 2002, apresentado pela fiscalizada em 17/08/2009 constatamos que a fiscalizada foi transferida pela Shore Islands S.L. para suas subsidiárias/controladas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. em duas etapas, terminando por se retirar do controle direto da empresa na alteração contratual 285.632/024. O quadro societário da fiscalizada, dividido em 217.794.758 quotas, passou a ser composto da seguinte maneira após essas duas alterações contratuais: >MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 64.994.662 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 64.994.662,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 152.778.317 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 152.778.317,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. > WESTVACO SV1TAVY, SPOL. S.R.O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa [...] 43Assim sendo, a Shore Islands S.L., proprietária majoritária da fiscalizada desde o início da análise de seu histórico societário, em 21/05/2001, continuou exercer controle sobre a fiscalizada de forma indireta através dessas novas quotistas majoritárias com a implantação das Alterações Contratuais registradas na JUCESP sob os números 285.631/020 e 285.632/024. 44Essa situação societária perdurou, no entanto, somente durante o próprio dia 30/11/2002, quando foi confeccionada uma terceira alteração contratual, registrada na JUCESP sob o n° 285.633/028, com a finalidade de transferir 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada para sua nova proprietária Meadwestvaco do Brasil Ltda. 45Em 31/10/2002, antes de ter as suas quotas majoritárias transferidas para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. a fiscalizada apresentava a seguinte situação patrimonial: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (BALANCETE 31/10/2002) ATIVO ' PASSIVO Total Contas do Passivo R$ 202.443.401.16 PATRIMÓNIO LÍQUIDO Total Contas do Ativo R$ 511.775.701,72 Capital Social R$ 217.794.758,00 Doações e Subvenções R$ 25.225.313,15 Lucros Acumulados R$ 46.691.426,54 Lucros do Ano até 10/02 R$ 19.620.802,87 TOTAL DO PL R$ 309.332.300,56 III.II DA MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 46A MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (antiga MEAD Embalagens Ltda), inscrita no CNPJcom o n° 69.192.136/000147pertencia ao grupo internacional MEAD e como consequência da fusão deste iniciada em 28/01/2002, com o grupo internacional WESTVACO, grupo ao qual pertencia a fiscalizada, passou a pertencer ao mesmo grupo empresarial internacional que a fiscalizada, o grupo MEADWESTVACO. Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.384 11 47A MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. ficava localizada à Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, mesmo endereço em que a fiscalizada constituiu uma filial em 12/11/2002, conforme descrito na "Alteração do Contrato Social da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", registrada na JUCESP sob o n° 237.207/023, em 21/11/2002. [...] 49Através do exame do Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Lida." (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002), datada de 17/10/2002, constatamos que a empresa pertencia naquele momento aos seguintes quotistas: >Mead Packing International Inc., com 7.644.504 quotas de seu Capital Social (99,99%) no valor de R$ 7.644.504,00, com sede na cidade de Dayton, Ohio, Estados Unidos da América. >MEAD S.A. INC., com 1 quota de seu Capital Social (0,01%) no valor de R$ 1,00, com sede na cidade de Dayton, Ohio, Estados Unidos da América. 50Através do exame da 14a Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., CJPJ 69.192.136/000147, datada de 12/11/2002 (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002), constatamos que a empresa passou a pertencer a partir daquele momento ao seguinte sócio estrangeiro, com 100% de suas quotas: >SHORE ISLANDS, S.L., com 7.644.505 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 7.644.505,00, com sede na cidade de Bilbao, Espanha. [...] 52Examinando os Contratos Sociais das empresas Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. e MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. vigentes, constatase que as duas pertenciam exatamente ao mesmo proprietário SHORE ISLANDS. S.L.. na data de 12/11/2002, empresa que detinha participações aproximadamente idênticas nas duas, respectivamente 99,99% na primeira e 100% na segunda. 53Através do exame do Instrumento Particular da 15ª Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., CJPJ 69.192.136/0001 47, datada de 30/11/2002 (registro na JUCESP n° 285.636/029, de 30/12/2002), constatamos que a participação na empresa foi transferida da empresa SHORE ISLANDS, S.L. para outra empresa pertencente ao mesmo grupo MEADWESTVACO e passou a pertencer a partir daquele momento ao seguinte sócio estrangeiro, com 100% de suas quotas: > MWV CANADA OPERAT10NS CO., com 7.644.505 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 7.644.505,00, com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. 55Ainda na mesma data de 30/11/2002, ocorreu uma segunda alteração contratual na empresa em análise, a qual será analisada em todos os seus aspectos e suas deliberações no tópico seguinte. Tratase do Instrumento Particular da 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), através do qual uma nova empresa foi admitida na sociedade, também pertencente ao mesmo grupo MEADWESTVACO, ficando a empresa com a seguinte composição societária: Fl. 5389DF CARF MF 12 >MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 221.144.240 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 221.144.240,00 com sede em Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 527.526.155 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 527.526.155,00 também com sede em Nova Scotia, Canada. 56Assim, temse que o grupo estrangeiro proprietário direto da Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. até 30/11/2002 era o mesmo grupo que detinha integralmente a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., através de empresas com participações aproximadamente idênticas de respectivamente de 70,15% e 29,84% na primeira e 70,46% e 29,54% na segunda. 57 Esta participação societária na MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (...), proporcionalmente quase idêntica na Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., perdurou somente por um dia, até o domingo, dia 01/12/2002: [...] 58Assim, temse que o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. até 30/11/2002 era o mesmo grupo que detinha a Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Essa situação societária perdurou até 01/12/2002, quando a Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi incorporada pela fiscalizada. 59Outro ponto a observar é que no dia 31/10/2002, através do balancete levantado no encerramento mensal imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., apresentava a seguinte situação patrimonial, a qual demonstra que a empresa não possuía nitidamente capacidade econômica para efetuar, com recursos próprios, a aquisição pretendida, e que, por outro lado, passava por uma séria dificuldade financeira, possuindo um PASSIVO A DESCOBERTO de R$ 11.515.833.56. [...] III.III Da aquisição de 99,99% das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. 60Antevendo uma possível oportunidade de, criando um "planejamento fiscal" complexo, aproveitarse dos benefícios contidos no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu criar um liame entre as participações que possuía nas empresas MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda.. 61A maneira de aproveitarse dos benefícios previstos no artigo 386 do RIR/99 seria utilizarse de uma "empresa veículo", que atuaria como base para a criação de uma conta de ágio. 62Assim, o grupo MEADWESTVACO, utilizouse da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. para ser essa "empresa veículo". Embora operante e dotada de patrimônio, essa foi a empresa eleita para adquirir a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. por um valor em muito superior ao de sua avaliação pelo critério da Equivalência Patrimonial. 63Não havendo óbice entre negociadores, já que a fiscalizada e a Meadwestvaco do Brasil Ltda. eram de propriedade das mesmas empresas estrangeiras, iniciouse a aquisição das quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.385 13 64Em 30/11/2002, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu "reorganizar" as participações que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. manifestando essa vontade através do Instrumento Particular de 16" Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). Esses contratos foram levados a registro na JUCESP em 30/12/2002. 65Através destas alterações contratuais a Meadwestvaco do Brasil Ltda. passou a figurar como proprietária da quase totalidade das quotas (99,99%) da fiscalizada pertencentes anteriormente às sócias estrangeiras MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO.. 66Documentalmente, em 30/11/2002, com fundamento Instrumento Particular da 16"Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), seus sócios estrangeiros implementaram as seguintes medidas: > A Meadwestvaco do Brasil Ltda., que até aquela alteração contratual era 100% de propriedade de MWV Canada Operations Co. admite um novo sócio quotista, a empresa MWV Consumer & Office Products Co.; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de RS 7.644.505,00para RS 748.670.395,00; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. (527.526.155 quotas) e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co. (221.144.240 quotas); >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada avaliadas pelo valor de RS 741.025.890,00, com ágio de RS 431.693.589,64, anteriormente pertencentes às suas próprias quotistas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumer & Office Products Co.. >Na data de 30/11/2002, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. efetuou o seguinte lançamento contábil na folha 253 de seu Livro Diário N° 30 (registrado na JUCESP em 24/03/2003 sob o n° 38824), numerado em 24, 25 e 26, para registrar a aquisição das quotas da fiscalizada e do "ágio" que teria suportado na "negociação", em contrapartida ao aumento de seu Capital Social: Conta: 01312.002.00002 INVESTIMENTO RIGESA (ATIVO PERMANENTE – Investimentos) DÉBITO CRÉDITO (24) R$ 309.332.300,36 Histórico: Doc. 008 Lançto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 01312.002.00003 AGIO SOBRE INVESTIMENTO DÉBITO CRÉDITO (25) R$ 431.693.589,64 Fl. 5391DF CARF MF 14 Histórico: Doc. 008 Lancto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 02311.001.00001 CAPITAL SUBSCRITO DÉBITO CRÉDITO R$ 741.025.890,00 (26) Histórico: Doc. 008 Lancto. do Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16ª Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. > Ou seja, as quotas da fiscalizada detidas pela MWV Canada Operations Co. e pela MWV Consumer & Office Products Co. que, avaliadas pelo método da Equivalência Patrimonial teriam o valor de R$ 309.332.300.36. foram transferidas ao ativo da Meadwestvaco do Brasil Ltda. por R$ 741.025.890.00. gerando com isso uma conta de ágio no valor de R$ 431.693.589.64. 67Outros procedimentos adotados pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. no momento em que adquiriu a participação majoritária de 99,99% na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foram aqueles previstos no Art. 6o da Instrução CVM N° 319, de 3 de dezembro de 1999, com redação dada pela Instrução CVM n° 349, de 06 de março de 2001, que teriam fundamentado, posteriormente, a criação e manutenção da conta "1350112 Provisão Instr CVM 349/01" na contabilidade da fiscalizada. São os seguintes os dizeres do referido artigo: "Art. 6o O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: [...] /// em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta especifica de resultado de exercício futuro (deságio) quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM n° 247/96, art. 14, §2°, alínea a). [...] §1° O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do beneficio fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor liquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; [...] Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.386 15 d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização", (grifouse) 68No momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda. criou a conta de ágio, já prevendo que seria incorporada pela fiscalizada foi obrigada a criar a conta de provisão relativa à Instrução CVM 349/2001, conforme previsto no §1° do Art. I o da Instrução CVM 319, de 03 de dezembro de 1999, com redação dada pela Instrução CVM n° 320, de 06 de dezembro de 1999, levandose em conta as seguintes características: >Essa provisão tem como fundamento a diferença entre o benefício fiscal e o montante do ágio gerado; >Foi gerado ágio no montante de R$ 431.693.589,64 sendo que o benefício fiscal desse ágio é de 25% relativo à redução do IRPJ e de 9% relativo à redução da CSLL a serem lançados contra o resultado na contabilidade da incorporadora; > Assim, a provisão constituída com relação ao ágio é de 66% (100% 25% 9%) do valor do ágio. Ou seja, uma provisão de R$ 284.917.769.16; >Essa provisão, embora afete o Lucro Contábil da incorporada, deve ser adicionada ao Lucro Real quando de sua criação e excluída do Lucro Real da Incorporadora na medida em que for sendo amortizada; >Em resumo, é uma provisão inócua, pois não causa efeitos na apuração do Lucro Real. >A efetiva redução do Lucro Real ocorrerá na contabilidade da incorporadora pela inclusão integral no resultado da amortização do ágio. 69Na data de 30/11/2002, a Meadwestvaco do Brasil Ltda. efetuou o seguinte lançamento contábil, numerado em 27 e 28, nas folhas 253 e 254 de seu Livro Diário N° 30 (registrado na JUCESP em 24/03/2003 sob o n° 38824) para registrar a provisão relativa à Instrução CVM 349/2001, fundamentada na diferença entre o benefício fiscal e o montante do ágio gerado aquisição das quotas da fiscalizada: Conta: 03241.001.00016 INVESTIMENTO RIGESA (DESPESA OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS DESPESAS COM PROVISÕES) DÉBITO CRÉDITO (27) R$ 284.917.769,16 Histórico: Doc. 008 Provisão instrução CVM 349/01, ref. Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16° Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Conta: 01312.002.00004 PROV INSTRUÇÃO CVM 349/01 (ATIVO PERMANENTE Investimentos) DÉBITO CRÉDITO R$ 284.917.769,16 (28) Histórico: Doc. 008 Provisão instrução CVM 349/01, ref. Aumento de Capital com Investimento na Rigesa cfe Laudo EconômicoFinanceiro pág. 65 de Nov/02, preparado por Z3M Venture Partners Ltda., e 16° Alteração do Contrato Social de 30/11/02, registrado na JUCESP sob o n° 285.635/022. Fl. 5393DF CARF MF 16 70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda. e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. previsto para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.387 17 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. 79Dessa feita, após a implementação de todas as resoluções contidas da 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), o Balanço Patrimonial simplificado da empresa passou a ter a configuração abaixo em 30/11/2002: MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. BALANCETE 30/11/2002 (folhas 255 a 269 do Livro Diário n° 30 OUT A DEZ/2002 registro JUCESP n° 38824, de 24/03/2003) ATIVO PASSIVO TOTAL DAS CONTAS R$ 22.540.222,32 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Outras Contas do Ativo R$ 14.578.111,55 Investimento RIGESA R$ 309.332.300,36 Ágio s/ investimento R$431.693.589,64 Prov. Inst CVM 349/01 (R$284.917.769,16) TOTAL DO ATIVO R$ 470.686.232,39 Capital Social R$ 748.670.395,00 Correção Mon. Capital R$ 959.196,72 Lucros Acumulados R$ 2.421.295,10 Prejuízos Acumulados(R$ 10.090.782,67) Prejuízo do Exercício(R$ 293.814.094,08) TOTAL DO PL RS 448.146.010,07 80Após serem considerados os fatos que serão expostos no próximo tópico, ficará evidenciado que no momento em que foi celebrada a 16" Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), embora nessa alteração estivesse expressamente previsto em seu art. 4 (quatro) que a sociedade teria o prazo indeterminado de duração, já havia, naquele momento, a intenção dos proprietários da empresa de extinguila mediante sua incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. 81Concomitantemente, foi celebrado a Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028), datada da mesma data de 30/11/2002 e também registrada na JUCESP em 30/12/2002, fazendo constar que a fiscalizada agora pertencia a novo proprietário, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., "retirandose" as empresas que a ela transferiram as suas quotas, a MWV CANADA OPERATIONS CO. e a MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., do Canada. Assim, a participação societária nos quadros da fiscalizada passou a ter a seguinte configuração: >MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., com 217.772.979 quotas de seu Capital Social no valor de R$2 1 7.772.979,00. > WESTVACO SVITA VY, SPOL. S.R. O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. 82Como já foi esclarecido, o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., era o mesmo grupo que controlava a Meadwestvaco do Brasil Ltda., com participações praticamente idênticas. E esse controle, exercido pelas empresas no exterior, continuou a ser exatamente o mesmo após a manobra societária concretizada pela 16a Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) epela Alteração do Contrato Social da "RIGESA Fl. 5395DF CARF MF 18 CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). 83Resumindo, os sócios estrangeiros MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que anteriormente detinham o controle direto da fiscalizada, passaram a exercer exatamente o mesmo controle, agora de forma indireta, através da "empresa veículo" Meadwestvaco do Brasil Ltda. 84Ou seja, nessas modificações societárias citadas, as empresas Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. e MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. não deixaram de pertencer aos mesmos proprietários MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO., ou à antiga proprietária Shore Islands. S.L. ou ao mesmo grupo estrangeiro MEADWESTVACO. [...] III.IV DA INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS (Da incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. pela investida RIGESA CEL ULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.) 86Em 01/12/2002, concretizando a situação que, em tese, geraria para a fiscalizada o beneficio da dedução de despesas, conforme previsto no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu novamente reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. através das seguintes deliberações, constantes da Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) e da Ata de Reunião dos Sócios e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), realizadas em 01/12/2002: > Em 01/12/2002, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. absorveu por incorporação a empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda., sua INVESTIDORA, efetuando lançamentos contábeis de incorporação, e tomandose a empresa resultante conforme disposto no quadro a seguir: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (INCORPORADORA)1 MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (INCORPORADA) EMPRESA RESULTANTE DA INCORPORAÇÃO 0,00 R$ 309.332.300,36 R$ 309.332.300.36 Investimento RIGESA Aglo S/ Investimento 0,00 R$431.693.589,64 R$431.693.589,64 Prov Inst CVM 349/01 0.00 (R$264.917.769,16) (R$ 284.917.769,16) Outras Contas do Ativo R$ 481.546.204,33 R$14.578.111.55 R$496.124.315,88 PASSIVO R$ 209.848.627,23 R$ 22.540.222,32 R$ 232.388.849,55 PATRIMÔNIO LIQUIDO 01/12/2002 CAPITAL SOCIAL R$ 217.794.758,00 R$ 748.670.395,00 R$ 966.465.153,00 Reservas de Capital R$25.225.313,15 R$ 959.196,72 R$26.164.509,87 Lucros/Prejuizos Acumulados R$ 28.677.505,95 (R$301.483.581,65) (R$ 272.806.075.70) > Após a incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda., a fiscalizada cancelou as quotas que esta possuía da própria RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. contra a conta de investimentos, no valor de R$ 309.332.300.36, absorveu também o prejuízo contábil da incorporada, no valor de (R$ 301.483.581.65) e criou uma reserva de Capital com o restante, representativa do valor liquido (R$ 138.813.709,68) vertido na incorporação da Meadwestvaco do Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.388 19 Brasil Lida., passando a ser representada conforme o seguinte balancete levantado em 31/12/2002: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. BALANCETE 31/12/2002 {DIPJ 2003/2002ND 0768853). | PASSIVO TOTAL DAS CONTAS R$229.500.618,57 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Outras Contas do Ativo R$ 494.390.725,63 Ágio sl investimento R$ 431.693.589,64 Prov. Inst CVM 349/01 (R$ 284.917.769,16) TOTAL DO ATIVO R$641.166.546.11 Capital Social R$ 217.794.758,00 Doações e Subvenções R$ 25.225.313,15 Reserva Capital Mead R$ 138.813.709,68 Lucros Acumulados R$ 29.832.146,71 TOTAL DO PL R$ 411.665.927.54 >Como produto da incorporação, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. chegou ao resultado almejado desde o momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda. assumiu o seu controle acionário: acrescentou ao balanço da empresa um novo valor surgido da transação, que ficou localizado em conta de ATIVO DIFERIDO, valor este relativo ao ágio criado ficticiamente no valor de RS 431.693.589.64; > Analisandose ainda o Balanço Patrimonial sintético acima concluise que as contas de ágio foram a maior, senão a única contribuição positiva da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para o Patrimônio Líquido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. tendo em vista que a reserva de Capital proveniente da incorporação da primeira resultou em um valor de RS 138.813.709.68. inferior, portanto, ao valor de ágio liquido da Provisão CVM 349/02, que montaria a RS 146.775.820.48; >Contabilmente concluise que para obter a conta de ágio pretensamente amortizável proveniente da Meadwestvaco do Brasil Ltda., a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foi obrigada a suportar uma parte negativa do negócio em "passivo a descoberto" proveniente da empresa incorporada no montante de R$ 7.962.110,80. >Por fim, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. passou a abater de seus resultados operacionais a partir do mês de janeiro de 2003 o ágio mensalmente amortizado pelo prazo projetado de 10 (dez) anos à razão prevista em "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceiro" elaborado em novembro de 2002 pela consultoria Z3M Venture Partners Ltda.. 87A partir da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), realizada em 01/12/2002, após extinguir a 'empresa veículo" Meadwestvaco do Brasil Ltda., através da qual criou a conta de ágio em seu Ativo Diferido, a fiscalizada voltou a pertencer exatamente aos mesmos sócios a que pertencia antes de iniciar as manobras contábeis e societárias, observando que houve apenas uma ínfima redução de quotas da MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. em favor da sócia quotista MWVCANADA OPERATIONS CO., passando a ter a seguinte composição societária: Fl. 5397DF CARF MF 20 > MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., com 64.326.358 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 64.326.358,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. >MWV CANADA OPERATIONS CO., com 153.446.621 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 153.446.621,00 com sede na cidade de Nova Scotia, Canada. > WESTVACO SVITA VY, SPOL. S.R O., com 21.779 quotas de seu Capital Social no valor de R$ 21.779,00 com sede na cidade de Svitavy, República Checa. 88Constatase que o grupo estrangeiro proprietário da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., permaneceu o mesmo que participava da Meadwestvaco do Brasil Ltda., com praticamente as mesmas participações societárias existentes antes da compra da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. 89Assim sendo, após a incorporação às avessas levada a efeito através da Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP n° 285.638/026, de 30/12/2002) e da Ata de Reunião dos Sócios e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002), ambas datadas de 01/12/2002, passamos a ter (...) situação final, muito semelhante à situação inicialmente apontada (vide seção 111.1 deste Relatório de Ação Fiscal), sendo que sequer houve alteração no número de quotas totais da fiscalizada ou mesmo alteração de seu Capital Social Subscrito: [...] IV DO ÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 90O Art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR 1999), aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99 prevê a hipótese de aquisição de investimento pelo valor superior ao calculado através da metodologia da equivalência patrimonial nos seguintes termos: [...] 910 Art. 386 do RIR 1999 prevê a hipótese de amortização do ágio que tenha sido formado como resultado de incorporação de empresas que possuam investimentos adquiridos por valor superior ao calculado através da metodologia da equivalência patrimonial: [...] V DA IRREGULARIDADE APURADA 92Analisando a situação que de fato levou a incorporação da "empresa veículo" pela fiscalizada, concluise que esta última não se enquadra nas situações previstas nos artigos 385 e 386. 93Não se encontrando devidamente sob o amparo na legislação fiscal pretendida (arts. 385 e 386 do RIR/99) a fiscalizada infringiu as próprias normas fundamentais de contabilidade para conseqüentemente burlar a legislação do IRPJ e da CSLL, reduzindo suas bases de cálculo e efetuando a criação das despesas pretendidas com a amortização de ágio. 94Nesse tópico analisaremos o Relatório de Avaliação Econômico Financeira, elaborado pela Z3M Venture Partners Ltda. e o Protocolo de Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.389 21 Incorporação bem como demonstraremos pela ótica da doutrina contábil, das orientações CPV, CFC e CVMsobre as Normas Contábeis, do direito civil e da norma contábil, a conclusão de que os procedimentos adotados pela fiscalizada para criar essa conta fictícia de ágio carecem do próprio fundamento contábil para existir. [...] V.lDO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA 96Em 04/11/2002, a pedido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. foi elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda. o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo RIGESA. 97Foi estimado através do referido relatório o cálculo do valor econômico da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., baseado em sua rentabilidade futura esperada, com fundamento nas premissas de mercado e operacionais que envolvem este cálculo. 98Estão abrangidas ainda pelo relatório citado as atividades das empresas controladas pela fiscalizada: a empresa de investimentos Bahia Azul, a Rigesa da Amazônia S.A. e a Rigesa do Nordeste S.A. 99Tal relatório de avaliação econômicofinanceira serviu para referendar a cessão e transferência das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., de suas sócias majoritárias MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. para elas mesmas, indiretamente através da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., e demonstra através de cálculos baseados nos dados econômicos e contábeis da fiscalizada uma expectativa de rentabilidade que a empresa poderia ter projetada em dez anos no futuro, até 31/12/2012. 100O ágio pago pelas empresas MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. a elas mesmas pelas suas próprias quotas detidas da empresa fiscalizada foi fundamentado integralmente nesse relatório de avaliação econômicofinanceira. 101Através do relatório de avaliação econômicofinanceira a empresa de Z3M Venture Partners Ltda. traçou modelos de expectativa de rentabilidade levando em conta os seguintes fatores: o No caso de custo do capital próprio utilizouse uma taxa de retorno para o caso americano, na medida em que a aplicação deste modelo no Brasil é bastante difícil, já que não existem parâmetros locais estáveis para a maioria das variáveis que especificam o modelo; o A taxa de juros foi estimada com risco zero, utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos do Tesouro NorteAmericano de 30 (trinta) anos; o O prêmio de risco foi apurado com base no excesso de retorno do mercado de capitais norteamericano; o Foi tomado um índice beta que mediu o risco de mercado em relação ao mercado americano; o Foi levada em conta a existência do Risco Brasil fixo de 6,4%. Fl. 5399DF CARF MF 22 102Como pode ser demonstrado pelas passagens retiradas do referido relatório, tratase de um cálculo de expectativas, por vezes comparadas a situações bem divergentes das existentes no mercado nacional. 103No entanto, em transações reais e existentes a simples existência de um relatório de avaliação econômicofinanceira não é peça hábil e suficiente para definirse o valor real de uma empresa no tempo. Essa avaliação, se válida, será corroborada pelo mercado, é apenas um dos diversos fatores a serem considerados para se chegar a um valor final de uma transação, determinável basicamente por meio de negociação de livre iniciativa, em um mercado livre e aberto, onde nenhuma das partes tenha motivos especiais para comprar ou para vender e ambas tenham bom conhecimentos dos fatos relevantes. 104 A utilização desse laudo por parte da fiscalizada em ajuste com a "empresa veículo" demonstra, em tese, o dolo na pratica do ilícito por parte de seus representantes legais que adotaram essa fictícia "engenharia tributária" para praticar uma série de alterações societária nas quais: >Não houve livre iniciativa na negociação; >A transferência de quotas por parte dos proprietários da empresa fiscalizada para a "empresa veículo" não ocorreu em um mercado livre e aberto; >As partes envolvidas no negócio de venda fictícia das quotas da fiscalizada tinham um único motivo especial para ocultar as negociações do mercado, a ilícita e pretendida SONEGAÇÃO FISCAL do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. V.IIDO PROTOCOLO DE INCORPORAÇÃO 105 A incorporação da "empresa veículo" ocorreu no domingo, dia 01/12/2002, data em que a fiscalizada formalizou sua Alteração do Contrato Social da 'RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", datada de 01/12/2002, registrada em 30/12/2002, na JUCESP Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob o n° 285.635/025. 106 Referida incorporação foi precedida da formalização em 01 de dezembro de 2.002 do PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO celebrado entre a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. 107 Precedeu ainda a incorporação o LAUDO DE AVALIAÇÃO do acervo líquido da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. para fins de incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., elaborado pela empresa Ernst & Young e datado de 30 de novembro de 2002. 108Tal LAUDO DE AVALIAÇÃO contém o Balanço da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. levantado em 30 de novembro de 2002, em adendo a uma descrição sumária de todos os seus bens, direitos e obrigações e avalia o acervo líquido da empresa em R$ 448.146.010.04. 109Como pode ser visualizado pelo exame do referido Laudo, excluindose os efeitos do ágio criado artificialmente na contabilidade da empresa, o acervo líquido desta reduzse drasticamente a R$ 7.962.110,80 de PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO (PASSIVO A DESCOBERTO). 110A referida incorporação é justificada no item I do citado PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO, nos seguintes termos: Fl. 5400DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.390 23 " presente operação de incorporação faz parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da INCORPORADA e da INCORPORADORA, uma vez que a INCORPORADA é quotista majoritária do capital social da INCORPORADORA, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". "Por tais razões, a INCORPORADORA e a INCORPORADA têm o interesse em unificar as suas atividades e entendem que esta proposta atende amplamente aos seus interesses". 111 Analisando o referido documento, podemos tecer as seguintes considerações sobre o Protocolo e Justificação de Motivos de Incorporação firmado entre os administradores da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e os administradores da Meadwestvaco do Brasil Ltda., em 01/12/2002: Foi elaborado de maneira tão genérica que não estabelece quais seriam os reais ganhos advindos para a fiscalizada devido a essa operação de incorporação; Não estabelece como as atividades das duas empresas seriam melhor racionalizadas devido à incorporação; Não estabelece quais seriam as economias monetárias; Não estabelece reduções de custos com empregados ou logísticas; Não estabelece redução de custos de gerenciamento e comando das empresas; Não estabelece reduções de custos com a manutenção de instalações físicas, prevendo expressamente em seu item 2.4.1 que as instalações da INCORPORADA serão mantidas no mesmo endereço anterior de funcionamento, local em que a fiscalizada previamente já havia criado uma filial em 12/11/2002, através da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002); Não estabelece de que maneira os objetivos sociais das duas sociedades seriam melhor alcançados devido à incorporação; Oculta em seu cerne, sem ao menos fazer a menor menção, o vultoso ganho em economia do recolhimento IRPJ e da CSLL que seria obtido na operação, através da amortização de valor fictício em muito superior à integralidade dos ativos da empresa; Serviu apenas para dar a aparência de um ato legal a uma simulação, engendrada em seus mínimos detalhes com a finalidade de obter indevidamente o favor fiscal previsto no art. 7o. da Lei 9.532. de 1997 (art 386 RIR/1999). [...] V.IV DAS ORIENTAÇÕES EXPEDIDAS PELO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. PELO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E PELA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS [...] Fl. 5401DF CARF MF 24 114 De acordo com o "PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC04" DO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: "47. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill') gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 48. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo. 49. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade." (grifouse) 115De acordo com o "Resolução n° 1.110/07", do Conselho Federal de Contabilidade: "120 O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado." (grifouse) 116Neste mesmo diapasão, temos o OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, de 14/02/2007, que, embora não tenha a propriedade coercitiva da norma, consistese em um norte a ser seguido pelas empresas no trato contábil, a qual textualmente orienta (grifouse): "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Fl. 5402DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.391 25 Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evídenciação pela contabilidade.". V.VDA ÓTICA DO DIREITO CIVIL 117Através dos tópicos "IV DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO DA FISCALIZADA", "V DO ÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL" e desse tópico "V DA IRREGULARIDADE APURADA" foram elucidados a motivação determinante da criação de despesas por parte da fiscalizada, bem como foi traçada uma linha temporal, a fim de compor todos os fatos e o negócio jurídico realizado, caracterizado como NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO, portanto, INVÁLIDO. 118 Esse ato simulado é configurado ilícito, pois está enquadrado nos artigos 167 e 187, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002) os quais contemplam a legislação reguladora dos NEGÓCIOS JURÍDICOS e que a seguir transcrevemos: “Artigo 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. [...] § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados; § 2º. Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 119 Fica evidente por todos os fatos expostos no presente relatório que os proprietários da fiscalizada nunca tiveram a intenção de transferir as quotas da empresa para terceiros, apenas aparentando formalmente esse fato e, com isso, excedendo manifestamente os limites impostos pelo fim econômico das transações societárias, utilizandose da má fé para concretizar seus objetivos. [...] V.VIDA NORMA CONTÁBIL Fl. 5403DF CARF MF 26 121 A norma de Direito Civil torna a conduta de manufatura de ágio por parte da fiscalizada um ato simulado, portanto, inválido. [...] 129 De imediato chama a atenção na definição legal que no diferido serão lançadas as aplicações de recursos em despesas. Pela doutrina, os ativos diferidos são despesas incorridas. Ambas convergem para o ponto em comum que o diferido é formado por despesas já incorridas. 130 Assim, retornando à norma contábil, temos que a fiscalizada infringiu um dos pilares da Ciência Contábil, 'O Princípio da Competência' previsto no Art. 9o da Resolução CFC nº 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade. [...] 131 No caso da fiscalizada, o ágio registrado em conta de ativo diferido, não correspondeu a nenhuma das hipóteses que autorizassem a reconhecêlo como despesas incorridas e que, futuramente, poderiam ser amortizadas. E isso ocorreu, essencialmente, porque, conforme verificado, a incorporação ocorreu em uma operação sem o sacrifício de ativos ou contra uma assunção de dívidas. Tratase de uma inconsistência contábil. V. VIIDA CONCLUSÃO 132 Analisando o exposto cabe a conclusão de que a aquisição das quotas da fiscalizada por parte da "empresa veiculo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. teve por fim o único e exclusivo propósito de futuramente fazer esta fictícia investidora ser incorporada pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. Tais conclusões tornamse possíveis levandose em consideração As declarações de vontade contidas nas Alterações de Contratos Sociais da fiscalizada e de sua incorporada descritas no tópico "IV DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO DA FISCALIZADA" ocultam as reais intenções contidas nesses documentos; As operações de aquisição de quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. e a posterior incorporação desta pela primeira revelamse "operações artificiais" e foram organizadas com o fim específico de planejamento tributário sem base legal, visando diminuir o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; Houve a criação do que podemos denominar de "ágio de si mesma", na medida em que as proprietárias da fiscalizada antes e depois do negócio simulado permanecem as mesmas, não tendo havido quaisquer trânsitos monetários ou outras espécies de negociações que pudessem resultar no pagamento, sob qualquer forma mensurável, de ágio por uma empresa compradora totalmente independente de outra empresa vendedora; Todo esse procedimento deuse através de 6 (seis) Alterações Contratuais e uma Resolução de Incorporação que ocorreram no espaço de tempo de um final de semana com a finalidade única de aproveitar ao máximo o valor do ágio criado ficticiamente. A conta de ágio não permaneceu 1 (um) dia sequer na 'empresa veículo" para que não tivesse que se sujeitar aos preceitos contábeis de amortização indedutível previstos nos art. 327 e 391 do RIR/99, que seriam aplicáveis regularmente caso a Fl. 5404DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.392 27 conta de ágio tivesse sido gerada licitamente e permanecido por mais tempo na contabilidade da "empresa veículo". 134 Cabenos neste momento, a seguinte reflexão: como uma empresa, que vinha apresentando sucessivos e cada vez maiores prejuízos, com um Patrimônio Líquido negativo (passivo a descoberto) de vultosos RS 7.962.110,80, "de repente", tomase sócia proprietária de uma grande empresa, passando a deter uma participação de capital de RS 741.025.890.00 (setecentos e quarenta e um milhões, vinte e cinco mil, oitocentos e noventa reais)? Como isto é possível? E para quê isto foi feito? 135Essas indagações podem ser respondidas se levarmos em conta que a concretização do negócio nos moldes descritos somente tornouse possível uma vez que: Os sócios da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. eram os mesmos da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.; Os representantes e procuradores dos sócios estrangeiros da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., são as mesmas pessoas. A cessão e transferência das quotas não ocasionam nenhum risco, uma vez que as quotas permanecem em "poder" do seu verdadeiro e original dono, não chegando a serem transmitidas a outro, pelo simples fato de que não existe um terceiro na negociação; 136Uma interpretação histórica do art. 386 do RIR/99 em contraposição às condutas descritas acima, adotadas pela fiscalizada, demonstra que estas vão os negócios jurídicos válidos, que contassem com o efetivo pagamento de ágio pela aquisição de participações societárias, para dar maior dinamismo ao mercado, possibilitando a reestruturação das empresas e o seu fortalecimento econômico e financeiro. 137 Tendo em vista os fatos arrolados neste Relatório, concluímos que não houve um terceiro envolvido na negociação, que efetivamente tenha suportado o ônus financeiro da transação que deu origem à formação do ágio, portanto, a R1GESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. ou suas sócias estrangeiras não suportaram nenhum ônus financeiro com as transações de suas próprias quotas, que estavam em poder da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., incorporada em 01/12/2002. 138Como corolário dessas constatações, temos que inexistiu de direito valor a ser amortizado a título de "ágio por incorporação", escriturado na contabilidade da fiscalizada em conta de ativo n° 1350111 "Ágio sobre Investimentos Mead". Portanto, as despesas decorrentes da amortização dessa conta, muito mais do que indedutíveis, são inexistentes. [...] 158As despesas de amortização de ágio tal qual lançadas pela fiscalizada são consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa, e não são amortizáveis, não tendo o amparo legal dos ditames previstos do artigo 324 ao 327 do RIR/99, transcritos abaixo: [segue a transcrição] Fl. 5405DF CARF MF 28 159 Da leitura da legislação exaustiva acima, constatase que não há valor a ser recuperado mediante amortização, uma vez que: não houve aplicação de recursos monetários para a geração do pretenso Ativo Diferido: nem em despesas, tampouco em aplicações de capital; Os valores fictícios registrados como ativo pela fiscalizada na conta contábil n° 1350111 não poderão contribuir para a formação do resultado da empresa uma vez que inexistiram de fato: A conta contábil 1350111 não registra a inversão financeira em bens ou direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens fabricados ou vendidos pela empresa; A fiscalizada não incorreu em custo algum com sua reestruturação, uma vez que sua estrutura permaneceu inalterada, passando a incorporada a continuar em operação como uma filial da incorporadora; A fiscalizada não sofreu dispêndios com sua reorganização, uma vez que não promoveu quaisquer alterações em sua organização; A fiscalizada não promoveu quaisquer espécies de modernizações derivadas da incorporação da empresa veículo, uma vez que seu processo produtivo não apresentou quaisquer alterações decorrentes desse procedimento; 160A despesa de amortização de ágio segue a mesma lógica que a despesa de depreciação. Para que ela incorra contabilmente, é necessário que haja uma abdicação de ativos ou a contratação de passivos. Quando uma empresa paga um sobrepreço pelas quotas de outra, o custo de aquisição (saída de caixa) desembolsado corresponde ao sacrifício necessário à entrada, em seu ativo, de um investimento (patrimônio líquido da investida) e de um ágio (maisvalia paga por ele). A despesa de amortização do ágio representa a alocação do sobrepreço pago ao longo da vida útil do ágio, em obediência ao regime de competência. 161Admitirse a dedução deste suposto ágio seria admitir que qualquer empresa, embasada no art. 7° da Lei 9.532, poderia, a qualquer tempo, reavaliar suas próprias quotas, constituindo nova empresa para adquirila com ágio ou mesmo utilizandose para isso de empresa preexistente e, ato continuo, incorporá la, aproveitando o ágio de si mesma. 162Em resumo, as práticas adotadas pela fiscalizada afrontam o ordenamento jurídico contábil, tributário, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese à glosa total dessas despesas. 163Fica recomposto por meio desses Autos de Infração do IRPJ e da CSLL o Lucro Real da fiscalizada, base de cálculo do tributo e da contribuição e fica caracterizada a sonegação fiscal pretendida pela empresa, a qual ficará sujeita ao tramite imposto quanto à prática de crimes contra a ordem tributária. VII.II EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS 164Em 31/12/2008. a fiscalizada efetuou alteração na sistemática da redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devido à amortização do ágio gerado na incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL L TDA. 165Nesta data, as quatro contas 1350111 Ágio s/Investimento (DEVEDORA); 1350112 Provisão Instr CVM 349/01 (CREDORA); 1355101 Agio Trazido por Incorporação (CREDORA retificadora da conta contábil Fl. 5406DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.393 29 1350111) e; 1355102 Reversão Reverva Instr 349/01 (DEVEDORA retificadora da conta contábil 1350112); tiveram seu saldo ZERADO, passando o resultado liquido da união dessas quatro contas contábeis a compor a débito as contas contábeis: 01131500 IR Diferido (CURTO PRAZO); 01240201 IR Diferido INCORPOR (LONGO PRAZO); 166Através dessas duas contas contábeis a fiscalizada passou a controlar contabilmente a curto e a longo prazos o pretendido beneficio fiscal restante do ágio gerado pela incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, 25% (IRPJ) + 9 % (CSLL) do encontro das contas 1350111 e 1355101. 167Para o anocalendário 2008, embora os lançamentos tenham sido efetuados durante todo o anocalendário na conta de despesas '4300008. Despesa Amortização Ágio", quando do fechamento do resultado, em 31/12/2008, referida conta teve seus valores totalmente revertidos, passando a fiscalizada a utilizarse da conta "8000002 Provisão para IR Diferido" para registrar os benefícios tributários devido a criação do ágio, que a partir de então deixou de compor o seu Ativo Diferido. 168Ressaltase que os valores lançados na conta "8000002 Provisão para IR Diferido" são meros reconhecimentos contábeis, não compondo o resultado da fiscalizada para fins de apuração do Lucro Real Anual no anocalendário 2008. 169Para o anocalendário 2008, as despesas com a amortização do ágio alcançavam o montante de R$ 45.745.740,74 quando foram totalmente revertidas. 170Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no ano calendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: [...] 172Conforme artigos já citados no presente Relatório de Ação Fiscal, as exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada para o ano calendário 2008 não têm o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nem nas disposições contidas nas leis comerciais disciplinadoras dos registros contábeis. 173A EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Ágio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01 "não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 385 e 386 do mesmo RIR/99. Fl. 5407DF CARF MF 30 174Por conseguinte, não procede a exclusão de amortizações fictícias de ágio no aporte de R$ 45.745.740,74, lançadas pela fiscalizada em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL no dia 31/12/2008. 175Todo e qualquer lançamento de exclusão ao Lucro Real Anual está sujeito ao princípio da legalidade estrita e somente a lei formal expressa é que poderá determinar o seu cabimento. Ao contribuinte não é dado arvorarse no direito de amortizar valores nunca desembolsados se esse benefício não é preconizado na lei. 176Para o anocalendário 2008, a EXCLUSÃO pretendida pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Agio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01" chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese sua glosa total. 177Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificadajendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1 ° e 2oda Lei n° 8.137/90. VII.III GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 1780 pagamento de Juros sobre o Capital Próprio está disciplinado pelo artigo 347 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 transcrito abaixo (grifouse): Art. 347. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o). § 1o O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § l°,e Lei n° 9.430, de 1996, art. 78). § 2° Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § 2o). § 3o O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2o (Lei n° 9.249, de 1995, art. 9o, § 7o). § 4o Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (Lei n0 9.249, de 1995, art. 9º, § 8º). Fl. 5408DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.394 31 179 Em 27/10/2009, através de missiva formal datada de 26/10/2009, a fiscalizada demonstrou ter efetivamente creditado e/ou pago os seguintes valores a título de Juros sobre o Capital Próprio para o período de 01/2003 a 12/2008, utilizandose para cálculo dos seguintes montantes de Patrimônio Líquido iniciais: Ano‐calendário Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 48.037.000,00 R$ 411.665.927,54 2004 R$52.435.000,00 R$ 482.480.087,66 2005 R$75.719.800,00 R$ 738.229.074,19 2006 R$ 64.222.000,00 R$ 851.531.665,35 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 867.737.053,79 2008 R$57.112.000,00 R$ 926.081.629,36 180 Através do exame dos cálculos apresentados pela fiscalizada, constatamos que houve as seguintes alterações no Patrimônio Líquido da empresa dentro do período em análise, as quais foram levadas em consideração pela empresa para efetuar o cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio: o 13/08/2004 Aumento do Capital Social em R$ 121.131.455,80 (valor equivalente a US$ 40.000.000,00 enviado pelo exterior); o 28/10/2004 Aumento do Capital Social em R$ 43.887.600,00 (Capitalização dos Juros sobre o Capital Próprio creditados no anocalendário 2003); o 18/02/2005 Aumento do Capital Social em R$ 44.569.750,00 (Capitalização dos Juros sobre o Capital Próprio creditados no anocalendário 2004 R$ 52.435.000,00 menos IRRFde RS 7.865.250,00); o 30/05/2005 Redução do Patrimônio Líquido em RS 35.646.670,00 (distribuição de dividendos); o 30/08/2007 Aumento do Capital Social em RS 864.696,28 (Ajuste de Exercício anterior anocalendário 2005); o 17/10/2008 Redução do Patrimônio Líquido em RS 16.345.720,00 (distribuição de dividendos). DA RECOMPOSIÇÃO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 181 Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pactos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a título de Juros sobre o Capital próprio a que estava sujeita a fiscalizada calculadas com base na TJLP. 182 Tomouse como ponto de partida para determinação dos Juros sobre o Capital Próprio os cálculos efetuados pela fiscalizada, entregues a este Serviço de Fiscalização em 27/10/2009. 183 Tendo em vista o disposto no artigo 167 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de RS 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Liquido. Fl. 5409DF CARF MF 32 184 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. 185 Sendo assim, também foram revertidos contra o Patrimônio Líquido os saldos anuais das contas contábeis: □ 1350112 Provisão Instr CVM 349/01; □ 1355101 Ágio Trazido por Incorporação (anterior 1311113 em 2002); □ 1355102 Reversão Reserva Instr 349/01; 186Ainda, em benefício da fiscalizada, foram aglutinados ao seu Patrimônio Líquido, ano a ano todos os valores lançados através do presente Auto de Infração, líquidos do IRPJ e da CSLL incidentes sobre as infrações constatadas para que servissem de origem de recursos e acrescentem em valor a base de cálculo correta sobre a qual poderia ter sido calculada a rubrica de Juros sobre o Capital Próprio por parte da fiscalizada. 187 Conforme consta do referido demonstrativo, isso foi feito mediante inclusão anual ao Patrimônio Líquido da fiscalizada dos seguintes valores glosados nos anoscalendário imediatamente anteriores, de forma acumulada e líquidos do IRPJ e da CSLL devidos: o Amortização do ágio contido na conta 4300008 Despesa Amortização Agio e; o Valores glosados a titulo de Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso contidos na conta "5100003 Juros Remuneração Capital Próprio". 188 Outro ajuste necessário feito anualmente no Patrimônio Líquido da empresa foi a sua redução como resultado da distribuição líquida de valores em montante superior ao permitido para a despesa de Juros sobre o Capital Próprio. 189 Tendo em vista que o limite de crédito/pagamento de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio encontravase em um patamar inferior ao pretendido pela fiscalizada, para os anoscalendário 2003 a 2007, os valores líquidos efetivamente distribuídos aos proprietários da fiscalizada que excederam a este limite foram considerados como Lucros ou Dividendos distribuídos, reduzindo em conseqüência o Patrimônio Líquido. 190Todos esses ajustes citados podem ser acompanhados detalhadamente mediante exame do "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008". 191Após o computo dos ajustes efetuados em decorrência da desconsideração da criação dos ativos fictícios citados, os limites de distribuição de Juros sobre o Capital Próprio e a situação patrimonial da fiscalizada encontravam se no seguinte patamar: Juros sobre o Capital Ano‐calendário Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 30.462.892,05 R$264.890.106,70 2004 R$ 40.544.267,69 R$359.545.407,67 2005 R$ 66.351.048,34 R$641.896.456,07 2006 R$60.951.325,49 R$ 793.298.111,85 2007 R$ 54.228.378,45 R$850.358.668,13 Fl. 5410DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.395 33 2008 R$59.815.538,02 R$960.424.412,16 192 Do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderandose a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso: Ano‐Calendário Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Juros sobre o Capital Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Juros sobre o Capital GLOSADO 2003 RS 48.037.000,00 R$ 30.462.892,05 R$ 17.574.107,95 2004 R$ 52.435.000,00 R$ 40.544.267,69 R$ 11.890.732,31 2005 R$ 75.719.800,00 R$ 66.351.048,34 R$9.368.751,66 2006 R$ 64.222.000,00 R$60.951.325,49 R$ 3.270.674,51 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 54.228.378,45 R$1.107.421,55 2008 R$ 57.112.000,00 R$ 59.815.538,02 ZERO 193 Deste quadro temse que será procedida a glosa dos valores dos Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso para os anoscalendário 2003 a 2007. 194 Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase conto crime contra a ordem tributária, previsto nos art. lo e 2o da Lei n° 8.137/90. VII.IV MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL APURADOS ATRAVÉS DE BALANCETES DE SUSPENSÃO / REDUÇÃO 195 Para os anoscalendário 2004 a 2008 a fiscalizada optou pela forma de apuração do IRPJ e da CSLL através da sistemática do Lucro Real Anual, método através do qual são exigidos mensalmente adiantamentos na forma de estimativas que serão compensados ao final do ano com os valores calculados sobre Lucro Real efetivo apurado durante o anocalendário, na forma do Artigo 222 do RIR/99. 196 É facultado à pessoa jurídica suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido por estimativa em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n° 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 2o, Art. 230 do RIR/99). 197Quando identificada a falta ou a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL apuradas em conformidade com os artigos 222 e 230 do RIR/99, a pessoa jurídica ficará sujeita à penalização através da aplicação de multa isolada incidente sobre os valores devidos no mês e não recolhidos, conforme previsto na letra "b" do inciso II e no inciso II do Art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, transcrito: [...] 199 Como conseqüência do lançamento das infrações "IRPJ I CSLL GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ / CSLL EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ / CSLL GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" foram reconstituídos os balanços de suspensão/redução da fiscalizada efetuandose a determinação das bases de cálculo Fl. 5411DF CARF MF 34 mensais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apuradas por estimativa para os anoscalendário 2003 a 2008 através das planilhas anexas (...) [...] 201Esta infração é decorrente da prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1o e 2oda Lei n° 8.137/90. VIIIDA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO VIII.IDOS SALDOS NEGATIVOS DO IRPJ/CSLL [...] VIII.IIDO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE O CRÉDITO EM EXCESSO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO [...] IX DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE 213A fiscalizada utilizouse de simulação para praticar as infrações citadas nesse relatório, fato este revelado pela seqüência de alterações contratuais e documentos que elaborou, pelo seu conteúdo e pela sua disposição no tempo. 214Da complexa teia de operações societárias resultou a criação fictícia de um ativo (ágio), a despeito de não ter havido quaisquer tipos de negociações que pudessem fundamentar o seu surgimento ou mesmo um propósito negocial para as operações de "manufatura" das contas de ágio. 215A fiscalizada, que vinha alterando o Contrato Social esporadicamente, de repente resolve alterar por diversas vezes e seqüencialmente seu Contrato Social e de sua controladora visando a um fim específico que fica claro mediante a leitura de todos esses documentos em conjunto. 216Essa finalidade foi a intenção dos representantes legais das empresas envolvidas nas operações de incorporação, de ocultar por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Meadwestvaco do Brasil Ltda. pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., qual seja, a criação artificial de ágio derivado de negociação entre o proprietário consigo mesmo. 217Notese, conforme já amplamente relatado através do presente Auto de Infração, que os representantes legais da fiscalizada tinham plena consciência dos atos ilícitos que estavam reiteradamente praticando uma vez que orientações relacionadas à matéria autuada foram pacificadas pelos órgãos encarregados em disciplinar a matéria contábil anteriormente ao início da Ação Fiscal. 218A fiscalizada, sendo uma grande empresa, teve acesso irrestrito à legislação tributária, consultorias fiscais, grandes advogados tributaristas e publicações relacionadas à matéria autuada e, sabendo que suas práticas contábeis encontravamse desamparadas do devido fundamento legal, continuou a exercelas enfrentando a sorte que disto pudesse resultar. 219 Ou seja, não faltaram à fiscalizada as oportunidades de regularizar sua situação fiscal atendendo aos estritos mandamentos da legislação federal. E tendo deixado de fazêlo, passou, por desejo próprio a incorrer, em tese, em ilícito previsto e tipificado em lei. Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.396 35 220 A operação de criação do ágio fictício passou despercebida durante anos pelo fisco e pelo mercado, uma vez que a fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, não se sujeitando a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos. 221 Os procedimentos objetivos adotados pela fiscalizada que causaram danos ao erário público foram: a amortização do ágio criado ficticiamente durante o período compreendido entre 01/2003 a 12/2008 e; o crédito de Juros sobre o Capital Próprio calculado com base em patrimônio Líquido inexistente. 222 O Laudo de Rentabilidade Futura denominado de "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira" que teria embasado a criação da conta de ágio na contabilidade da fiscalizada foi contratado pela própria fiscalizada, a qual acabou por se beneficiar do suposto benefício dele decorrente e não por empresa externa ao grupo MeadWestVaco interessada na aquisição do negócio. Ou seja, a própria interessada na criação de conta de ágio fictício, por interesse próprio, foi quem contratou empresa de consultoria para a confecção de Laudo de Rentabilidade Futura. 223 Os procedimentos ora narrados revelam, em tese, a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma negociação pretensamente legal. Tais negócios guardam as seguintes características: >Ficaram ocultos ao fisco federal uma vez que, se analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas se analisados em seu conjunto e durante o tempo em que foram implementados demonstram cabalmente a ilicitude de seus fins. >Estão eivados de simulação, pois ocultam em seu cerne o real propósito das alterações societárias; >Foram praticadas em ajuste de duas pessoas jurídicas com o fim especifico de promover a redução do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; > Conforme exposto nesse Relatório de Ação Fiscal, anteriormente ao início da presente Ação Fiscal ocorrido em 04/05/2009, órgãos do governo, entidades gerenciadoras da atividade contábil, doutrinadores e julgadores já apontavam as graves incorreções dos procedimentos adotados pela fiscalizada, o que demonstra que a empresa dolosamente mantevese praticando a infração reiteradamente apesar de ter pleno conhecimento das conseqüências de seus atos. 224Em face do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes das infrações "IRPJ / CSLL GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO", "IRPJ / CSLL EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL ANUAL DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS" e "IRPJ/ CSLL GLOSA DO CRÉDITO EM EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" acima caracterizadas, cumpre aplicar a multa de oficio ao caso em questão nos moldes da legislação de regência: 226A situação já caracterizada se subsume às hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou" a criação de um ágio fictício foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma Fl. 5413DF CARF MF 36 delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, restando comprovado a inexistência de sentido comercial e econômico para a operação. 227Há que se considerar diversos aspectos relevantes que comprovam a ilicitude das operações que almejam aproveitar o ágio aqui discutido. Com relação à empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. os seguintes fatos corroboram sua utilização como empresa "veículo ": >Foi utilizada para carrear o ágio gerado através de fictícias alterações societárias, de forma que fosse posteriormente utilizado para redução do lucro apurado na fiscalizada, a qual já existia e operava plenamente nos mesmos moldes antes e depois que o planejamento fosse iniciado; >Não houve trânsito algum de dinheiro ou qualquer movimentação financeira intercompanhia que pudesse justificar minimamente a existência de contas de ágio na empresa fiscalizada ou em sua incorporada, Meadwestvaco do Brasil Ltda. Ou seja, não houve qualquer contrapartida com fundamento econômico para tanto; > A natureza única do ágio alegada no laudo é de rentabilidade de exercidos futuros. Esse laudo não é peça técnica legal para permitir à fiscalizada manufaturar contas de Ativo e Patrimônio Líquido e criar despesas/exclusão inexistentes e desnecessárias à consecução das atividades da empresa. A contratação de sua confecção e sua existência por si, em conjunto com os demais procedimentos societários adotados pela fiscalizada, revela a seqüência de condutas dolosas adotadas para o fim específico de fraudar a fiscalização federal no recolhimento do IRPJ e da CSLL. 228 Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo empresas sediadas no Brasil e no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita do lucro da fiscalizada. 229 Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1o e 2oda Lei nº 8.137/90: 238 Assim, em relação às infrações aqui apuradas, a contagem do prazo decadencia dos tributos dela decorrentes tem sua previsão legal respaldada pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Decisão da DRJ às fls. 2.170/2.260, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.397 37 contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que se verifique a ocorrência de fraude, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Ágio. Reorganização Societária. Formalidade. Falta de Propósito Negocial. Ineficácia. A formalização de reorganização societária em que não exista motivação outra que não a criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidas as condições para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição das apuração dos tributos devidos. Ágio de si mesmo. Uso de Empresa Veículo. Amortização. Impossibilidade. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (com criação de ágio) e, ato contínuo, ocorreu o evento da incorporação. Nesse caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização de ágio de si mesma. Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Ágio. amortização. atos societários sem propósito negocial. Simulação. Multa Qualificada. Provada de forma indireta a existência de simulação na constituição e transferência do ágio para a própria empresa antes adquirida, por meio de atos societários sem propósito negocial, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. mantendose a multa qualificada, em vista da conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade Fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias Fl. 5415DF CARF MF 38 materiais, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, configurando o evidente intuito de fraude à lei tributária. Ágio. Juros Sobre Capital Próprio. Recomposição do Patrimônio Líquido. Recalculo dos Limites de Dedutibilidade. Definida a impossibilidade de registro contábil do ágio gerado no interior do próprio grupo empresarial, seus efeitos sobre o Patrimônio Líquido devem ser expurgados e, feito isso, surgem novos limites à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Verificado que os valores pagos superam os limites estabelecidos, correta a tributação da parcela indedutível. Multa Isolada. Falta de Recolhimento das Estimativas Mensais. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Juros de Mora. Taxa Selic. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003,2004,2005,2006, 2007, 2008 Fundamentação Comum. Orientação Decisória. Devido à íntima relação de causa e efeito existente entre as exigências, a orientação decisória deve coincidir.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 07/06/2010, à fl. 2.200. Recurso hierárquico às fls. 2.204/2.340, com entrada na repartição fiscal no dia 06/07/2010. Na oportunidade, aduz o seguinte: Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.398 39 1) a Fiscalização supôs, de modo completamente infundado, que a Recorrente teria gerado ágio interno em decorrência de práticas tipicamente ajustadas ao revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, ou seja, sem nenhum outro motivo que não o de, ilícita e simuladamente, criar um suposto "ágio gerado internamente", para, de modo intencional, aproveitar benefícios fiscais indevidos. Contudo, a premissa adotada pela Fiscalização é manifestamente equivocada, e isso comprometeu todo o restante da apreciação dos os fatos aqui discutidos; 2) a verdade é que, em primeiro lugar, ao contrário do que foi dito pela Fiscalização, a operação que se discute nestes autos é totalmente distinta daquela que estava prevista no artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, conforme afirma o parecer técnico contábil dos professores Eliseu Martins, Eric Martins e Heraldo Oliveira, acostado aos autos; 3) no ano calendário de 2002, os grupos econômicos Mead e Westvaco, até então independentes e não relacionados, iniciaram um processo de integração de suas atividades e negócios nos mais de trinta países onde atuavam. No Brasil, o grupo Mead operava por meio da sociedade Mead Embalagens Ltda ("Mead do Brasil"), enquanto que o grupo Westvaco operava por meio da Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda, ora Recorrente; 4) portanto, havia um motivo prévio e extratributário no caso em exame, qual seja, a fusão e a integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, como também havia uma finalidade especifica e não tributária a ser perseguida no Brasil: a unificação das atividades da Mead do Brasil e da Recorrente em uma só pessoa jurídica; 5) tratase, assim, de um caso que deve ser examinado como um todo, em conjunto (como um filme e não como uma fotografia, nos dizeres do professor Marco Aurélio Greco), pois, se examinado em sua real substância, como determina a jurisprudência tributária atual, e não somente no estrito rigor de sua forma, afigurase como uma operação de integração de dois grupos econômicos distintos, cujas consequências no Brasil, inclusive fiscais, são válidas e legitimas; 6) cabe notar que todo esse processo de integração global de sociedades ocorreu ao longo daquele mesmo ano calendário de 2002, não somente no Brasil, mas em diversos países, como Canadá, França, Alemanha, Fl. 5417DF CARF MF 40 Holanda, Espanha, Irlanda, Reino Unido, Suíça, Itália, Japão, entre diversos outros. Assim, o que se passou no Brasil revelouse com uma pequena parte de uma operação real muito maior de integração de dois grupos econômicos internacionais; 7) como tais operações de integração no Brasil e em outros países foram feitas no contexto da integração global desses dois grupos empresariais mundiais, elas foram efetuadas nas chamadas condições "arm's length", ou seja, a valores válidos para negociações entre partes independentes. Essa é a ótica sob a qual deve ser examinado o caso presente: a de uma integração local, que era parte de uma integração global, efetuada em condições de mercado (arm's length); 8) ademais, além de promover a unificação da Mead do Brasil com a Recorrente em uma só pessoa jurídica, os grupos Mead e Westvaco também possuíam razões empresariais e econômicas para pretender concentrar o controle direto de suas sociedades e operações da América Latina — notadamente do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela —, em duas sociedades canadenses, a MWV Consumer & Office Products Co. ("MWV Consumer") e a MWV Canada Operations Co. ("MWV Canada"); 9) a concentração das participações detidas nessas empresas latinoamericanas em uma estrutura societária situada no Canadá possibilitaria o direcionamento do fluxo de dividendos e juros das sociedades investidas para aquelas sociedades canadenses, ao mesmo tempo em que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados pelas sociedades latino americanas em outras operações desses grupos, no mundo; 10) a persecução aos objetivos acima comentados, puramente empresariais e econômicos, e não tributários, motivou a implementação das operações indevidamente questionadas pela Fiscalização. Com esse escopo, as anteditas sociedades canadenses procederam à aquisição das quotas da Recorrente, assim como das demais empresas localizadas em Argentina, Chile e Venezuela, a valor de mercado, em cumprimento à legislação canadense e como a única forma de refletir a essência do negócio e também de cumprir com o principio arm's length, que impunha que esse tipo de operação fosse feito exatamente como uma negociação de integração de dois grupos econômicos independentes e não relacionados; 11) tendo adquirido as quotas da Recorrente no exterior por seu justo valor de mercado, as sociedades MWV Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.399 41 Consumer e MWV Canada efetuaram sua contribuição em aumento de capital da Mead do Brasil pelo mesmo valor de mercado que haviam pago no exterior. Em seguida, efetuouse a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, atingindose, nesse momento, também o objetivo empresarial inicial de unificação dessas sociedades em uma única pessoa jurídica; 12) tais operações deram causa à contabilização de valores de ágio amortizáveis para fins fiscais, pela Recorrente. Contudo, a Recorrente somente tomou os efeitos fiscais decorrentes dessas operações por acreditar que estavam amparadas pela legislação aplicável e em sintonia com os ensinamentos da doutrina e jurisprudência dominantes no Brasil, que consideram como válidas as operações que estejam suportadas por motivação empresarial efetivamente precedente e independente dos efeitos fiscais que também pudessem ser alcançados com a sua consecução; 13) no entanto, parecendo não compreender a extensão e a natureza das operações realizadas pela Recorrente, a Fiscalização deu a entender que a Recorrente teria realizado uma operação semelhante àquelas previstas no artigo 36 da Lei 10.637/2002, ou seja, teria agido como se tentasse gerar um ágio indevido dentro do mesmo grupo econômico, movida apenas pelo deliberado intuito de obter uma economia fiscal ilegítima; 14) baseandose nessa premissa errônea, a Fiscalização chegou a asseverar que "não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários", no caso em exame. Essa alegação não procede, uma vez que restou devidamente comprovado, na impugnação, que a aquisição da Recorrente no exterior se efetivou, em sua maior parte (70%), com a utilização e a efetiva transferência de caixa entre as partes; 15) a Fiscalização também alegou que a Recorrente teria se utilizado de uma "empresa veiculo" nas operações questionadas, o que também não é verdade. A empresa em referência é a Mead do Brasil, que estava em operação, tinha empregados, auferia faturamento, possuía maquinário e ativos fixos próprios e mantinha movimentação bancária e em funcionamento havia vários anos antes das operações ora examinadas; 16) a Fiscalização levantou dúvidas a respeito da veracidade da incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, já que esse fato ocorrera no dia 01/12/2002, um domingo. Fl. 5419DF CARF MF 42 Porém, consoante farta documentação colacionada a estes autos, a reunião de incorporação efetivamente se passou naquela data e, mais que isso, as razões que levaram as partes a eleger aquela data para a referida incorporação incluíram, primeiramente, as exigências legais a respeito do encerramento dos períodosbase das sociedades incorporadora (Recorrente) e incorporada (Mead do Brasil), as quais não se achavam sob o mesmo grupo societário, no anocalendário anterior (2001). Juntese ao exposto o fato de que a Recorrente utilizava, como ainda o faz hoje, um sistema eletrônico de contabilidade (SAP) que não lhe permitia levantar balanços estáticos (mantendo os números inalterados) fora das datas de inicio e fim de cada mês; 17) a despeito das provas trazidas pela Recorrente, suas alegações foram claramente relativizadas pela decisão recorrida, ao pronunciar que o problema não era a possibilidade de se realizarem reuniões de incorporação em dia de domingo, mas, sim, o fato de uma empresa assumir o controle de outra e ser por ela incorporada logo no dia seguinte; 18) todavia, essa data não só não é vedada pela legislação como também chega a ser incentivada, porquanto, ao pretenderem unificar totalmente as atividades em uma só pessoa jurídica, as sociedades se veem diante de regras de incorporação que exigem que encerrem seus períodos base e apurem os respectivos balanços de encerramento; 19) não bastasse o já comentado, a decisão recorrida trouxe ainda uma alegação nova, embora igualmente inverídica e sem fundamento, no ponto em que se sustentou que a Recorrente teria, semanas antes de iniciar as operações ora examinadas, transformado o seu tipo jurídico, passando de sociedade por ações para sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com o suposto fim de fugir da obrigação legal de serem auditadas por auditor independente; 20) assinalese enfaticamente que tal alegação é inverídica, pois a Recorrente é sociedade por quotas de responsabilidade limitada desde o anocalendário de 1963. No mais, mesmo que a Recorrente se revestisse da forma de uma sociedade por ações no anocalendário de 2002, o que se admite somente para argumentar, ainda assim teria a opção, mas não a obrigação, de se submeter à auditoria por auditor independente; 21) além de arguir as despesas de amortização de ágio cujos efeitos fiscais foram tomados pela Recorrente no intervalo entre 2003 a 2008, a Fiscalização ainda glosou parte das despesas deduzidas, no mesmo período de Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.400 43 apuração, com o pagamento de juros sobre o capital próprio, sob a alegação de que elas teriam sido pagas com base em um valor "inflado" de patrimônio liquido, tendo em conta, justamente, a contabilização do ágio em exame; 22) ainda que o ágio por ela contabilizado fosse indedutivel, para fins fiscais, o que se admite somente para argumentar, não se pode fugir da visão de que o ágio precitado era real e deveria, como tal, ser contabilizado, mesmo sob o fundamento de "outras razões econômicas", de onde se conclui que as deduções dos valores pagos pela Recorrente, a titulo de juros sobre o capital próprio, também estavam corretas; 23) de todo modo, a linha de raciocínio adotada pela autoridade julgadora não faz sentido, pois, de um lado, aceita como reais as etapas estrangeiras do caso em julgamento, enquanto, de outro lado, fixalhes o rótulo de simulação ou de um produto artificial de uma engenharia societária voltada à geração de benefícios fiscais indevidos; 24) em conformidade com a tese defensiva, deve ser prontamente afastada a severa multa de 150% aplicada pela Fiscalização, a qual, como se sabe, somente poderia ser imposta em casos de evidente intuito de fraude, ou seja, quando resta provada pelo Fisco a inequívoca intenção de enganar, esconder ou iludir. Entretanto, está claro que o caso em apreço não reflete a prática de fraude, pois a Recorrente jamais falsificou documentos ou "maquiou" livros contábeis ou fiscais. Na pior das hipóteses, a Fiscalização e a autoridade julgadora a quo poderiam alegar que discordam dos efeitos jurídicos e legais das operações praticadas pela Recorrente, mas isso jamais poderia servir de base para se pressupor a falta de boa fé da Recorrente e acusála de ter agido de forma fraudulenta, até porque, em um primeiro momento, a autoridade julgadora a quo admitiu que as operações ora examinadas tenham efetivamente se realizado em um contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, ressalvando, embora, o entendimento de que seriam irrelevantes, para fins fiscais, no Brasil, não obstante ao final de seu voto retomar o equivocado raciocínio original da Fiscalização, referindose à criação de uma engenharia societária com o único propósito de gerar benefícios fiscais indevidos; 25) porém, caso se entenda que a Recorrente agiu de forma incorreta, o que se admite só para argumentar, essa grave Fl. 5421DF CARF MF 44 sanção deve ser reduzida para a multa regular de oficio de 75%; 26) a Fiscalização aplicou também uma multa isolada de 50% sobre os mesmos supostos fatos geradores que motivaram a lavratura do auto de infração objeto do presente processo administrativo, sob a justificativa de que a Recorrente deixou de antecipar uma parte dos pagamentos mensais desses tributos, na sistemática de estimativa mensal do regime de lucro real. Tratase de mais um excesso que deve ser imediatamente cancelado, como amplamente pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já que o Fisco aplicou a multa de ofício para cobrála juntamente com os valores que o contribuinte teria deixado de pagar, a título de IRPJ e CSLL, ao fim do períodobase; 27) não bastassem as razões precedentes, vale chamar a atenção para os efeitos da decadência em relação aos fatos acima discutidos, porquanto todas as operações societárias aqui arroladas ocorreram ainda no ano calendário de 2002. Nesse sentido, tanto a glosa do ágio amortizado quanto a glosa dos juros sobre o capital próprio estariam afetados pelos efeitos da decadência. No entanto, se restar decidido que o prazo decadencial para o caso em exame deve ser contado a partir de cada ano calendário, o que só se admite para argumentar, deve ser reconhecido que não houve dolo, fraude ou simulação, daí concluindose que, ao menos o prazo decadencial para a cobrança de valores de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2003, extinguiuse em 31.12.2008. Ao final, requer que o presente recurso voluntário seja integralmente provido, reformandose a decisão recorrida e cancelandose integralmente as exigências relativas aos tributos, penalidades e juros, e o consequente arquivamento do processo administrativo. Na remota hipótese de não se acolher o pedido acima formulado, que ao menos seja reformada a decisão recorrida para afastar quaisquer alegações de simulação ou fraude, com a consequente redução da multa agravada de 150% para 75%, juntamente com o automático reconhecimento da decadência sobre todos os montantes exigidos no auto de infração em relação ao anocalendário de 2003, bem como a total eliminação da multa isolada de 50% e a proibição da aplicação dos juros à taxa SELIC sobre as eventuais penalidades remanescentes. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, expõe os argumentos abaixo, conforme fls. 2.594/2.633: 1) para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial e um substrato econômico. Entendese por propósito negocial a lógica econômica que levou ao surgimento do ágio ou deságio, ou seja, a razão negocial que ensejou a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.401 45 custou anteriormente ao alienante. Sendo assim, para se falar em ágio ou deságio é preciso a efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres proporcionais; 2) contudo, é evidente, nos autos, o desvirtuamento das operações que normalmente conduzem a um custo amortizável, tendo em vista que as operações foram realizadas por pessoas interligadas, em desacordo com a necessária autonomia entre as partes envolvidas, pois o que se viu em todas as etapas da suposta "reorganização societária" a que a contribuinte se refere foi que o controle acionário das empresas brasileiras (Mead do Brasil e Rigesa) mantevese, sempre, em poder de sociedades do grupo liderado pela MeadWestavaco Corporation, através de diferentes níveis de controle, o que demonstra que as operações ocorreram dentro de um mesmo grupo, ou seja, sem qualquer intervenção de partes independentes, mas, ao contrário, em um ambiente em que as controladoras influenciavam as controladas brasileiras, o que evidencia que as condições para tais operações não foram, absolutamente, as mesmas que seriam verificadas em operações realizadas com empresas alheias ao grupo; 3) considerandose que as operações que envolveram a Mead do Brasil e a Rigesa ocorreram dentro de um grupo econômico e que, ao final, não houve qualquer alteração na propriedade das empresas (antes da reorganização societária, as entidades brasileiras pertenciam ao grupo MeadWestvaco e assim permaneceram após toda a "reestruturação societária"), outra não pode ser a conclusão, senão a de que o único beneficio atingido com as alterações seria a economia fiscal. Com isso, a finalidade do ágio foi estritamente tributária: reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem pagos. Trata se, por conseguinte, de um ágio criado artificialmente, o que impede a legitimação dos efeitos que possa gerar, na apuração do IRPJ e da CSLL; 4) ora, a transformação da Mead do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo (realizado no dia seguinte), a incorporação daquela por esta, não demonstra qualquer intenção que fosse, realmente, negocial/societária. Não há qualquer objetivo que seja verdadeiramente comercial e que possa ser alcançado em uma única noite; Fl. 5423DF CARF MF 46 5) a ausência de propósito negocial na incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa fica ainda mais patente, diante do Protocolo de Justificação de Motivos de Incorporação. Com efeito, afirmouse que a intenção de se efetivar a referida incorporação era a obtenção de uma reestruturação societária que pudesse proporcionar maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas das empresas, aumento da lucratividade, com redução de custos de natureza operacional, administrativa e financeira. No entanto, não há como se imaginar uma maior eficácia estratégica quando se está diante de uma reversão imediata do controle das empresas; 6) além disso, se a intenção fosse, de fato, aumentar a lucratividade e reduzir custos, a incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa deveria ter ocorrido de forma direta, sem a necessidade de uma etapa intermediária a ser, logo em seguida, desfeita; 7) portanto, evidenciase que a incorporação da Mead do Brasil pela Rigesa não fora realizada com o intuito de simplesmente unificar as atividades das envolvidas. Tal unificação poderia ter sido alcançada desde o inicio somente com a incorporação de uma pela outra, tal como o que se deu por meio da segunda operação. O aumento de capital da Mead do Brasil serviu, então, somente para criar um ágio fictício, caracterizando, assim, aquela sociedade como uma verdadeira "empresa veiculo"; 8) em relação ao ágio objeto do presente processo, verifica se que, além de despido de qualquer propósito negocial e de ter sido gerado em operações levadas a efeito dentro do mesmo grupo econômico, foi criado com a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente, sem apresentar substrato econômico que justifique o seu surgimento; 9) em que pese o valor de aquisição ter se pautado na rentabilidade futura da Recorrente, o que se constata é que o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo Rigesa, elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda a pedido da Recorrente, tomou como base situações divergentes das existentes no mercado nacional, levando em conta, por exemplo, fatores como taxa de retorno para o caso americano, taxa de juros estimada com risco zero (utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos norteamericanos de 30 anos), apuração da taxa de risco com base no excesso de retorno do mercado de capitais dos Estados Unidos, dentre outros aspectos que servem para demonstrar a inaptidão de tal laudo para o fim de fixar o valor real da empresa; Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.402 47 10) o verdadeiro intuito da Mead do Brasil não era auferir essa rentabilidade, mas, sim, aguardar a superveniente incorporação pela Recorrente e deduzir sua amortização na apuração do lucro real. Isso se torna mais claro caso se considere que inexistia qualquer justificativa para a Recorrente lançar a própria rentabilidade em sua contabilidade; 11) outrossim, é sabido que, para a efetiva aquisição de um investimento, com o correspondente surgimento do ágio ou deságio, é imprescindível a existência de dispêndio necessário à sua realização, ou seja, de transação econômica ou patrimonial que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante. Em outras palavras, aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, não é hábil a gerar ágio ou deságio; 12) uma vez analisada a situação fática da Recorrente antes e depois da incorporação, verificase que continua submetida ao mesmo controle acionário, tendo apenas feito uma reavaliação com base em rentabilidade futura dela mesma; 13) não é possível vislumbrar a aquisição onerosa da participação societária da Rigesa pela Mead do Brasil, pois sequer houve o pagamento, dispêndio de recursos na aquisição de um patrimônio. Os documentos juntados aos autos, a fim de corroborar o lançamento, demonstram que não teria havido desembolso de capital quando da aquisição da participação societária da Rigesa pela Mead do Brasil. Na verdade, o patrimônio liquido desta sociedade foi aumentado em contrapartida a um aumento de ativo permanente, sem que houvesse qualquer sacrifício de um ativo ou reconhecimento de um passivo, indispensáveis para o registro de um custo/despesa; 14) sem dúvida, a Mead do Brasil adquiriu a Rigesa mediante pagamento em ações, feito a quem já possuía a totalidade de seu capital social. E esse fato foi revelado pela própria Recorrente, ao ser intimada para comprovar o efetivo trânsito de recursos, quando da aquisição da participação societária pela Mead do Brasil; 15) cabe observar, ainda, que o balancete levantado no encerramento mensal, imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, traduz que a Meadwestvaco do Brasil apresentava situação patrimonial indicativa de que não dispunha de capacidade econômica para efetuar a Fl. 5425DF CARF MF 48 aquisição com recursos próprios, já que enfrentava séria dificuldade financeira, com passivo a descoberto de R$ 11.515.833,56; 16) o único substrato econômico existente, nas operações societárias realizadas entre a Mead do Brasil e a Rigesa, é aquele oriundo da amortização do ágio. Em outros termos, após a incorporação, a única transferência de riquezas é aquela que se deu entre o Estado, que concedeu um beneficio indevido, e a Recorrente, que reduziu sua tributação de forma fraudulenta; 17) o ágio absorvido pela incorporadora fora criado somente de forma artificial. Materialmente, nunca existiu; se nunca houve ágio decorrente da aquisição de investimento (segundo o artigo 385 do RIR199), não há que se falar em sua amortização no resultado da empresa que o absorveu por incorporação. A despesa amortizada pelo sujeito passivo, na apuração de seu lucro, não se enquadra em quaisquer das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/1999; 18) quanto à exclusão efetuada pela recorrente na apuração do seu lucro real, no ano calendário 2008, sob os históricos "amortização de ágio" e "reversão provisão para IRDiferido", devese destacar que não houve impugnação especifica em relação a tal infração; 19) quanto à dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, ressaltase que a Fiscalização apurou o correto patrimônio liquido do sujeito passivo com base no negócio jurídico que efetivamente ocorreu, afastando os efeitos financeiros e tributários decorrentes do negócio jurídico simulado, aparente, que foi realizado somente no papel; 20) por isso, e como decorrência da constatação fiscal de que a Recorrente, artificialmente, gerou e registrou ágio, parte das despesas com pagamento de juros sobre capital próprio, realizadas pelo contribuinte, foi considerada não dedutível, por não existir. Isto porque, nos termos do que fora apurado pela autoridade fiscal, verificouse que uma parcela das despesas de JCP havia sido calculada com base em um patrimônio liquido inexistente, "inflado" em razão da contabilização do ágio; 21) como muito bem delineado pelo Relatório de Ação de Fiscal, a dedução da despesa com amortização do ágio adquirido proporcionou à Recorrente outros efeitos financeiros e tributários distintos da redução direta da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além desse efeito direto na apuração da base de cálculo dos referidos tributos, a dedução da despesa com a amortização do Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.403 49 ágio causou o aumento do patrimônio liquido do contribuinte. Esse aumento, por seu turno, majorou os juros sobre capital próprio pagos aos sócios da Recorrente, nos anoscalendário de 2003 a 2007; 22) diante da relação de causalidade existente entre a amortização do ágio e o pagamento de juros sobre capital próprio, a desconsideração da primeira acarreta a desconsideração do segundo. Logo, o não reconhecimento do pagamento gera o não reconhecimento da dedutibilidade da correspondente despesa; 23) e nem se diga, como fez a Recorrente, que o ágio, ainda que não amortizável, deveria ter sido, de qualquer forma, contabilizado, gerando, então, efeitos sobre o pagamento dos JCP, de forma que as deduções feitas por ela estariam de acordo com o ordenamento. Ora, uma despesa inexistente, nos termos do que fora exaustivamente demonstrado, não pode produzir qualquer efeito, nem fiscal e nem contábil; 24) no que diz respeito à multa qualificada, uma vez caracterizado o indevido registro e o aproveitamento fiscal do ágio gerado no interior do próprio grupo, devem ser mantidas integralmente as penalidades impostas; 25) quanto à alegação de decadência, devese considerar que, embora as operações societárias tenham ocorrido em 2002, a contabilização e a posterior amortização do ágio pela Recorrente somente se efetivaram entre 2003 e 2008. Isso porque o que se examinou no presente caso foram os efeitos tributários decorrentes das operações societárias, ou seja, as deduções de despesas (que foram glosadas, porquanto desnecessárias), cujos fatos geradores somente ocorreram a partir das subsequentes amortizações do ágio; 26) ademais, urge reiterar que a Fiscalização apurou conduta fraudulenta da Recorrente ao deduzir supostas despesas com ágio, qualificando a multa de oficio para o percentual de 150%, o que, por si só, acarreta a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso, e levandose em conta que o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/2003 e a ciência dos autos de infração de IRPJ e CSLL deuse em 09/12/2009, não há que se cogitar de fluência do lapso decadencial, visto que realizado o lançamento dentro do interregno de 5 (cinco) anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2005) Fl. 5427DF CARF MF 50 àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (01/01/2004; 27) no que afeta à incidência da multa isolada, cabe lembrar que a falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta, bem como quedado inerte o sujeito passivo em comprovar, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso, assim reúnem os pressupostos fáticos e jurídicos que sustentam a exigência fiscal, que, dessa forma, apresentase legal e legítima, ainda que o lançamento tenha sido efetivado após o encerramento do anocalendário; 28) a tal propósito, vale ainda destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades, com a mesma base de cálculo, ou não, afinal, como se sabe, a base de cálculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos/atos que lhes dão origem, mas não se confundindo com esses fatos/atos. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade; 29) a multa isolada tem como hipótese de incidência o descumprimento, pelo sujeito passivo, da obrigação legal de efetuar os recolhimentos dos valores por estimativa, enquanto a multa de ofício vinculada traz como hipótese de incidência a falta de recolhimento do imposto devido no encerramento do período de apuração, de cujo cálculo são deduzidos os valores das estimativas pagas durante o anocalendário; 30) com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, a base de cálculo da multa isolada se difere da base de cálculo da multa de ofício, afastando de uma vez por todas qualquer alegação de bis in idem; 31) por outro lado, o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, que somente a lei pode determinar hipóteses de dispensa ou redução de penalidade. Sob essa ótica, não se pode criar nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, com a multa de oficio decorrente do não pagamento do tributo; 32) no tocante à aplicação da taxa Selic como índice de juros de mora, devese frisar, em síntese, que a sua Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.404 51 legitimidade já foi reconhecida por este Conselho, consagrandose, inclusive, na Súmula CARF nº 4; 33) quanto à incidência dos juros sobre a multa, impende ter em vista que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a sanção, pois, de acordo com o art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário; 34) dessa forma, devem incidir os juros de mora sobre o tributo e sobre a multa, nos termos do artigo 161, § 1º do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Presente os requisitos de recorribilidade do recurso interposto. Dele conheço. De plano, a apreciação da questão referente à decadência. Ao tratar especificamente da amortização do ágio, alega a Recorrente que o prazo para a constituição do crédito tributário embasado na ocorrência de violação ao artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 extinguiuse em 31/12/2007. Para tanto, a Recorrente sustenta tese defensiva segundo a qual o lançamento tributário deveria ser efetuado no interregno de cinco anos contados da data em que se efetivou a incorporação, porquanto tal evento fez nascer o direito a amortização do ágio constituído na pessoa jurídica incorporada. Na mesma linha, manifesta que a glosa das despesas com juros sobre o capital próprio sujeitase também à restrição temporal de cinco anos, contados da contabilização do ágio, ocorrida no ano calendário de 2002. Em primeiro lugar, é preciso destacar que o IRPJ e a CSLL exigidos nos autos de infração ora contestados são tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação. Isso porque, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento de tais exações, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, já considerando que o IRPJ e a CSLL são submetidos à disciplina do lançamento por homologação, discutese se estariam sujeitos ao prazo decadencial refletido no § 4º do artigo 150 do CTN ou no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consagrado na decisão proferida no julgamento do REsp nº 973.733, submetido ao procedimento dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 5429DF CARF MF 52 efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Vale dizer que, havendo previsão legal que obrigue a antecipação do tributo sem a anterior anuência da autoridade tributária, deverseá aplicar a regra que dimana do artigo 173, inciso I, do CTN, caso inexista pagamento antecipado. Por outro lado, incidirá a regra que ressai do § 4º do artigo 150 do CTN, verificandose o adiantamento de tributo cuja antecipação, sem a anterior anuência da autoridade fiscal, decorrer de previsão legal. Todavia, se restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72) Seja como for, tanto o artigo 173, inciso I, do CTN quanto o § 4º do artigo 150 do referido Código não podem ser aplicados antes da ocorrência do fato gerador do tributo, afinal o lançamento reportase à data em que este fato ocorreu (artigo 144 do CTN). Em outras palavras, enquanto não ocorrido o fato gerador do tributo não há o que se lançar, motivo por que não se pode pretender que se inicie a contagem do lapso decadencial enquanto o Fisco estiver impossibilitado de constituir o crédito tributário. Por essa razão, não há como acolher o pleito da Recorrente, formulado no pedido de que se considere o anocalendário de 2002 como o começo da contagem do período decadencial. Para suportar tal pedido, a Recorrente alega que as operações societárias reportadas no lançamento tributário datam do anocalendário de 2002. Essa alegação em nada socorre à Recorrente, diante do fato de que o ágio constituído só surtiu efeitos tributários, mediante a dedução de despesas com a amortização desse ágio, a partir do anocalendário de 2003. Está claro, pois, que, em 2002, o Fisco não podia constituir o crédito tributário decorrente de infrações surgidas entre 2003 e 2007. No mesmo sentido, o autuante não noticia a apuração, relativamente ao ano calendário de 2002, de diferença não dedutível de juros sobre o capital próprio. Sob a óptica do Fisco, os juros sobre o capital próprio excedentes ao limite de dedução legal afetaram as bases de cálculo do cálculo do IRPJ e da CSLL correspondentes aos períodos de incidência estreitados no interregno de 2003 a 2007. Por conseguinte, o Fisco não podia, também aqui, efetuar o lançamento, ao longo de 2002, para constituir créditos tributários derivados de fatos geradores ocorridos em anos posteriores. Nessas circunstâncias, impende negar provimento ao recurso voluntário, no tocante ao pretendido reconhecimento da decadência, para os anos calendário retratados nos autos de infração, ressalvando que o pedido de reconhecimento da caducidade do lançamento tributário para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003 será apreciada à parte. No passo seguinte, a argüição de decadência para o anocalendário de 2003, apenas. A solução da questão acima exige a prévia decisão sobre a realização de prática dolosa por meio da qual, conforme a acusação, efetivaramse alterações contratuais, em 2002, elaboradas no âmbito de um planejamento tributário, constituído de operações artificiais organizadas com o fim específico de diminuir o recolhimento do IRPJ e da CSLL. Logo, é inarredável o enfrentamento dessa questão de mérito a ocorrência, ou não, de conduta dolosa tal a prejudicialidade entre esta e a preliminar arguida, ora em foco. Passando, então, ao exame da aludida questão de mérito, que será discutida juntamente com a questão sobre a procedência do ágio. Estes são os fatos relevantes, arrolados no Relatório de Ação Fiscal: Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.405 53 1) primeiramente, havia duas empresas distintas, fundidas, por aprovação dos sócios, em 28/01/2002 (fl. 1.174): 2) Após a fusão, em 28/01/2002, o grupo Meadwestvaco passou a ter a seguinte configuração (fl. 1.174): A partir deste ponto, revelase necessário acompanhar as alterações nos contratos sociais, já que, de acordo com a Fiscalização, às fls. 1.180/1.181, “a distribuição no tempo dos vários procedimentos adotados pelo grupo estrangeiro proprietário da empresa fiscalizada revela um planejamento fiscal minucioso, efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os beneficios fiscais pleiteados.” A Fiscalização ainda explica, à fl. 1.181, que “o caso em foco é composto de operações estruturadas em sequência, vale dizer, de uma sequência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede.” (grifos no original). Nesse mesmo escopo, a Fiscalização assinala, à fl. 1.181, que, “na medida em que o conjunto dessas etapas da incorporação realizada corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um fim, é preciso indagar também, nas operações em Fl. 5431DF CARF MF 54 sequência, qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação).” (grifos no original) A Fiscalização ressalta que, a despeito das alterações refletidas nos contratos sociais, “não houve qualquer mudança na titularidade das quotas”, ou seja, “a situação reinante antes do inicio da operação permaneceu inalterada após o seu término.” (fl. 1.181) (grifos no original). Tais as alterações estão abaixo descritas: 1) “01/03/1997 Instrumento Particular de 10ª Alteração do Contrato Social da "MeadEmbalagens Ltda" (Selo de Autenticidade DW N° 740684 a 740697, de 29/07/1997) a Meadwestvaco do Brasil Ltda possuía a denominação de "Mead Embalagens Ltda" e 99,99% das quotas da empresa pertenciam ao sócio Mead Packing International Inc., e 0,01% das quotas da empresa pertenciam ao sócio MEAD SA INC., ambas pertencentes ao Grupo MEAD, com sede no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Esse Contrato Social vigorou durante um prazo superior a 5 (cinco) anos.” 2) “21/05/2001 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 107.871/014, de 11/06/2001) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada é a Shore Islands S.L., com participação de 99.99% de seu Capital Social.” 3) “29/04/2002 11a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP n° 90.554/024, de 07/05/2002) a empresa [MeadEmbalagens Ltda] altera sua denominação social para Meadwestvaco do Brasil Ltda e permanece como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), ambos pertencentes ao grupo MEAD, o qual estava nessa data em processo de fusão com o Grupo WESTVACO.” 4) “31/07/2002 Instrumento Particular de 12a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP nº 191.250/028) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%).” 5) “10/09/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 216.707/020) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social, a qual fazia parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO.” 6) “17/10/2002 Instrumento Particular de 13a Alteração do Contrato Social da 'Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP n° 53.944/028, de 12/11/2002) a empresa continua a permanecer como propriedade dos mesmos sócios quotistas anteriores, Mead Packing International Inc. (99,99%), e MEAD S.A. INC. (0,01%), os quais faziam parte do recém fundido Grupo MEADWESTVACO.” 7) “12/11/2002 Instrumento Particular de 14ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 237.282/021, de 27/11/2002) as quotas da empresa são transferidas totalmente para a empresa Shore Islands S.L. (o mesmo sócio da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA), com sede em Ibanez de Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.406 55 Bilbao, Bilbao, Espanha, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários.” A configuração do grupo Meadwestvaco passou a ser a seguinte (fl. 1.175): 8) “12/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002) esse Contrato Social revela que o sócio majoritário da fiscalizada continua sendo a Shore Islands S.L. com participação de 99,99% de seu Capital Social. Através dessa alteração, a fiscalizada cria uma filial no endereço Rua Tabapuã, 41 2° andar salas 21 a 28, Itaim Bibi, em São Paulo SP, endereço no qual já funcionava há mais de cinco anos a sede social da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda” 9) “30/11/2002 Instrumento Particular de 15a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.636/029,de 30/12/2002) Em um sábado, dezoito dias depois de haver se tornado proprietária majoritária das quotas da empresa, a Shore Islands S.L. transfere novamente a totalidade das quotas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. para a empresa MWV Canada Operations Co., com sede em Nova Scotia, Canadá, empresa também pertencente ao grupo MEADWESTVACO, tal como seus antigos proprietários.” 10) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP nº 285.631/020, em 30/12/2002) a fiscalizada registra a mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede parte de sua participação social para duas empresas: para o mesmo sócio da Meadwestvaco do Brasil Ltda, a empresa MWV Canada Operations Co., cede 20,41% das quotas da empresa, e, para a empresa MWV Consumers & Office Products, cede outras 8,52% das quotas da empresa e permanece com participação majoritária de 71,06% do Capital Social da fiscalizada; Fl. 5433DF CARF MF 56 11) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.632/024, em 30/12/2002) a fiscalizada registra nova mudança de quotistas. O quotista majoritário da fiscalizada, Shore Islands S.L., cede a totalidade restante de sua participação social para as mesmas duas empresas para as quais já havia cedido parte da participação através da Alteração do Contrato Social anterior. A empresa MWV Canada Operations Co. passa a deter 70,15% das quotas da empresa e a empresa MWV Consumers & Office Products passa a deter 29,84% das quotas do Capital Social da fiscalizada.” 12) “30/11/2002 Instrumento Particular de 16a Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda" (registro na JUCESP nº 285.637/022, de 30/12/2002) No mesmo dia da alteração social anterior, a Meadwestvaco do Brasil Ltda aumenta seu Capital Social de R$ 7.644.505,00 para R$ 748.670.395,00, admite um novo sócio quotista e passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co.. Nessa data, a Meadwestvaco do Brasil Ltda recebe como integralização de Capital Social as quotas majoritárias (99.99%) da fiscalizada avaliadas com ágio.” 13) “30/11/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.633/028, em 30/12/2002) a fiscalizada novamente registra a mudança de quotista majoritário. No mesmo dia em que se tornaram proprietárias majoritárias da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, as empresas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumers & Office Products cedem a totalidade de sua participação no Capital Social da fiscalizada para a investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda. Porém, permanecem indiretamente proprietárias da fiscalizada, com quotas nas mesmas proporções às que já possuíam na Alteração de Contrato Social anterior, uma vez que eram proprietárias diretas da Meadwestvaco do Brasil Ltda.” Até esse momento, a configuração do grupo Meadwestvaco é a seguinte (fl. 1.176): Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.407 57 14) “01/12/2002 Resolução de Quotistas da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (registro na JUCESP nº 285.638/026, de 30/12/2002) domingo, um dia após a aquisição das quotas da fiscalizada, os sócios da empresa aprovam sua incorporação por sua recém investida RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA e dão por extinta a empresa.” 15) “01/12/2002 Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA" (registro na JUCESP n° 285.635/025, em 30/12/2002) Em um domingo, um dia após a última Alteração Contratual, a fiscalizada incorpora sua controladora, a Meadwestvaco do Brasil Ltda, e volta a pertencer aos mesmos proprietários identificados anteriormente, há duas Alterações Contratuais, na alteração de registro JUCESP n° 285.632/024.” À fl. 1.193, a Fiscalização salienta que, no “dia 31/10/20021, através do balancete levantado no encerramento mensal imediatamente anterior à aquisição das quotas da fiscalizada, a Meadwestvaco do Brasil Ltda., [...] não possuía nitidamente capacidade econômica para efetuar, com recursos próprios, a aquisição pretendida, e que, por outro lado, passava por uma séria dificuldade financeira, possuindo um PASSIVO A DESCOBERTO de R$ 11.515.833.56.” À vista dos fatos contidos na peça acusatória, destacamse os seguintes, por sua relevância para a decisão da questão prejudicial aqui em foco: “60Antevendo uma possível oportunidade de, criando um "planejamento fiscal" complexo, aproveitarse dos benefícios contidos no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu criar um liame entre as participações que possuía nas empresas MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. e Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. (grifei) 61A maneira de aproveitarse dos benefícios previstos no artigo 386 do RIR/99 seria utilizarse de uma "empresa veículo", que atuaria como base para a criação de uma conta de ágio. (grifei) 62Assim, o grupo MEADWESTVACO, utilizouse da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA para ser essa "empresa veículo". Embora operante e dotada de patrimônio, essa foi a empresa eleita para adquirir a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda por um valor em muito superior ao de sua avaliação pelo critério da Equivalência Patrimonial. (grifei) 63Não havendo óbice entre negociadores, já que a fiscalizada e a Meadwestvaco do Brasil Ltda. eram de propriedade das mesmas empresas estrangeiras, iniciouse a aquisição das quotas da fiscalizada pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. (grifei) 64Em 30/11/2002, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu "reorganizar" as participações que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA manifestando essa vontade através do Instrumento Particular de 16ª Alteração do Contrato Social da "Meadwestvaco do Brasil Ltda." (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002) e da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 285.633/028). Esses contratos foram levados a registro na JUCESP em 30/12/2002. 1 A data correta é 30/11/2002. Fl. 5435DF CARF MF 58 65Através destas alterações contratuais a Meadwestvaco do Brasil Ltda. passou a figurar como proprietária da quase totalidade das quotas (99,99%) da fiscalizada pertencentes anteriormente às sócias estrangeiras MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO.. 66Documentalmente, em 30/11/2002, com fundamento no Instrumento Particular da 16º Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA., (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), seus sócios estrangeiros implementaram as seguintes medidas: > A Meadwestvaco do Brasil Ltda., que até aquela alteração contratual era 100% de propriedade de MWV Canada Operations Co. admite um novo sócio quotista, a empresa MWV Consumer & Office Products Co.; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. aumenta seu Capital Social de RS 7.644.505,00 para RS 748.670.395,00; >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. passa a ter a distribuição de quotas de 70,46% de propriedade de MWV Canada Operations Co. (527.526.155 quotas) e 29,54% de propriedade de MWV Consumer & Office Products Co. (221.144.240 quotas); >A Meadwestvaco do Brasil Ltda. recebe como integralização de Capital Social 99,99% das quotas majoritárias da fiscalizada avaliadas pelo valor de RS 741.025.890,00, com ágio de RS 431.693.589,64, anteriormente pertencentes às suas próprias quotistas MWV Canada Operations Co. e MWV Consumer & Office Products Co.. (grifei) [...] 70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: (grifei) 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda.; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. (grifei) 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. Previsto (sic) para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado (sic) pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. (grifei) Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.408 59 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (grifei) 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. (grifei) 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. (grifei) 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. (grifei) 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. (grifei) 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. (grifei) [...] 80Após serem considerados os fatos que serão expostos no próximo tópico, ficará evidenciado que no momento em que foi celebrada a 16ª Alteração do Contrato Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA, (registro na JUCESP n° 285.637/022, de 30/12/2002), embora nessa alteração estivesse expressamente previsto em seu art. 4 (quatro) que a sociedade teria o prazo indeterminado de duração, já havia, naquele momento, a intenção dos proprietários da empresa de extinguila mediante sua incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. (grifei) [...] 86 Em 01/12/2002, concretizando a situação que, em tese, geraria para a fiscalizada o beneficio da dedução de despesas, conforme previsto no Art. 386 do RIR 1999, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu novamente Fl. 5437DF CARF MF 60 reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas Meadwestvaco do Brasil Ltda. e RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA através das seguintes deliberações, [...]:(grifei) > Em 01/12/2002, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA absorveu por incorporação a empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda, sua INVESTIDORA, efetuando lançamentos contábeis de incorporação, e tomandose a empresa resultante conforme disposto no quadro a seguir [...](grifei) > Após a incorporação da investidora Meadwestvaco do Brasil Ltda, a fiscalizada cancelou as quotas que esta possuía da própria RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA contra a conta de investimentos, no valor de R$ 309.332.300.36, absorveu também o prejuízo contábil da incorporada, no valor de (R$ 301.483.581.65) e criou uma reserva de Capital com o restante, representativa do valor liquido (R$ 138.813.709,68) vertido na incorporação da Meadwestvaco do Brasil Lida., passando a ser representada conforme o seguinte balancete levantado em 31/12/2002: (grifei) [...] Como produto da incorporação, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA chegou ao resultado almejado desde o momento em que a Meadwestvaco do Brasil Ltda assumiu o seu controle acionário: acrescentou ao balanço da empresa um novo valor surgido da transação, que ficou localizado em conta de ATIVO DIFERIDO, valor este relativo ao ágio criado ficticiamente no valor de RS 431.693.589. (grifei) [...] Por fim, a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA passou a abater de seus resultados operacionais a partir do mês de janeiro de 2003 o ágio mensalmente amortizado pelo prazo projetado de 10 (dez) anos à razão prevista em "Relatório de Avaliação EconômicoFinanceiro" elaborado em novembro de 2002 pela consultoria Z3M Venture Partners Ltda.. (grifei) [...] V.lDO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA 96Em 04/11/2002, a pedido da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA foi elaborado pela empresa Z3M Venture Partners Ltda. o relatório de avaliação econômicofinanceira do Grupo RIGESA. (grifei) 97Foi estimado através do referido relatório o cálculo do valor econômico da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, baseado em sua rentabilidade futura esperada, com fundamento nas premissas de mercado e operacionais que envolvem este cálculo. (grifei) [...] 99Tal relatório de avaliação econômicofinanceira serviu para referendar a cessão e transferência das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, de suas sócias majoritárias MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. para elas mesmas, indiretamente através da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA, e demonstra através de cálculos baseados nos dados econômicos e contábeis da fiscalizada uma expectativa de rentabilidade que a empresa poderia ter projetada em dez anos no futuro, até 31/12/2012. (grifei) [...] Fl. 5438DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.409 61 101Através do relatório de avaliação econômicofinanceira a empresa de Z3M Venture Partners Ltda. traçou modelos de expectativa de rentabilidade levando em conta os seguintes fatores: (grifei) o No caso de custo do capital próprio utilizouse uma taxa de retorno para o caso americano, na medida em que a aplicação deste modelo no Brasil é bastante difícil, já que não existem parâmetros locais estáveis para a maioria das variáveis que especificam o modelo; (grifei) o A taxa de juros foi estimada com risco zero, utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos do Tesouro NorteAmericano de 30 (trinta) anos; (grifei) o O prêmio de risco foi apurado com base no excesso de retorno do mercado de capitais norteamericano; (grifei) o Foi tomado um índice beta que mediu o risco de mercado em relação ao mercado americano; (grifei) o Foi levada em conta a existência do Risco Brasil fixo de 6,4%. (grifei) 102Como pode ser demonstrado pelas passagens retiradas do referido relatório, tratase de um cálculo de expectativas, por vezes comparadas a situações bem divergentes das existentes no mercado nacional. (grifei) 103No entanto, em transações reais e existentes a simples existência de um relatório de avaliação econômicofinanceira não é peça hábil e suficiente para definirse o valor real de uma empresa no tempo. Essa avaliação, se válida, será corroborada pelo mercado, é apenas um dos diversos fatores a serem considerados para se chegar a um valor final de uma transação, determinável basicamente por meio de negociação de livre iniciativa, em um mercado livre e aberto, onde nenhuma das partes tenha motivos especiais para comprar ou para vender e ambas tenham bom conhecimentos dos fatos relevantes. (grifei) 104 A utilização desse laudo por parte da fiscalizada em ajuste com a "empresa veículo" demonstra, em tese, o dolo na pratica do ilícito por parte de seus representantes legais que adotaram essa fictícia "engenharia tributária" para praticar uma série de alterações societária nas quais: (grifei) >Não houve livre iniciativa na negociação; (grifei) >A transferência de quotas por parte dos proprietários da empresa fiscalizada para a "empresa veículo" não ocorreu em um mercado livre e aberto; (grifei) >As partes envolvidas no negócio de venda fictícia das quotas da fiscalizada tinham um único motivo especial para ocultar as negociações do mercado, a ilícita e pretendida SONEGAÇÃO FISCAL do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. V.IIDO PROTOCOLO DE INCORPORAÇÃO 105 A incorporação da "empresa veículo" ocorreu no domingo, dia 01/12/2002, data em que a fiscalizada formalizou sua Alteração do Contrato Social da 'RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA.", datada de 01/12/2002, registrada em 30/12/2002, na JUCESP Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob o n° 285.635/025. (grifei) Fl. 5439DF CARF MF 62 106 Referida incorporação foi precedida da formalização em 01 de dezembro de 2002 do PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO celebrado entre a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e a MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. (grifei) 107 Precedeu ainda a incorporação o LAUDO DE AVALIAÇÃO do acervo líquido da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA para fins de incorporação pela empresa RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, elaborado pela empresa Ernst & Young e datado de 30 de novembro de 2002. 108Tal LAUDO DE AVALIAÇÃO contém o Balanço da MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. levantado em 30 de novembro de 2002, em adendo a uma descrição sumária de todos os seus bens, direitos e obrigações e avalia o acervo líquido da empresa em R$ 448.146.010.04. (grifei) 109Como pode ser visualizado pelo exame do referido Laudo, excluindose os efeitos do ágio criado artificialmente na contabilidade da empresa, o acervo líquido desta reduzse drasticamente a R$ 7.962.110,80 de PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO (PASSIVO A DESCOBERTO). (grifei) 110A referida incorporação é justificada no item I do citado PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO, nos seguintes termos: (grifei) " presente operação de incorporação faz parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da INCORPORADA e da INCORPORADORA, uma vez que a INCORPORADA é quotista majoritária do capital social da INCORPORADORA, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". (grifei) "Por tais razões, a INCORPORADORA e a INCORPORADA têm o interesse em unificar as suas atividades e entendem que esta proposta atende amplamente aos seus interesses".(grifei) 111 Analisando o referido documento, podemos tecer as seguintes considerações sobre o Protocolo e Justificação de Motivos de Incorporação firmado entre os administradores da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA. e os administradores da Meadwestvaco do Brasil Ltda., em 01/12/2002: (grifei) Foi elaborado de maneira tão genérica que não estabelece quais seriam os reais ganhos advindos para a fiscalizada devido a essa operação de incorporação; (grifei) Não estabelece como as atividades das duas empresas seriam melhor racionalizadas devido à incorporação; (grifei) Não estabelece quais seriam as economias monetárias; (grifei) Não estabelece reduções de custos com empregados ou logísticas; (grifei) Não estabelece redução de custos de gerenciamento e comando das empresas; (grifei) Não estabelece reduções de custos com a manutenção de instalações físicas, prevendo expressamente em seu item 2.4.1 que as instalações da INCORPORADA serão mantidas no mesmo endereço anterior de funcionamento, local em que a fiscalizada previamente já havia criado uma filial em 12/11/2002, Fl. 5440DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.410 63 através da Alteração do Contrato Social da "RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA." (registro na JUCESP n° 237.207/023, de 21/11/2002); (grifei) Não estabelece de que maneira os objetivos sociais das duas sociedades seriam melhor alcançados devido à incorporação; (grifei) Oculta em seu cerne, sem ao menos fazer a menor menção, o vultoso ganho em economia do recolhimento IRPJ e da CSLL que seria obtido na operação, através da amortização de valor fictício em muito superior à integralidade dos ativos da empresa; (grifei) Serviu apenas para dar a aparência de um ato legal a uma simulação, engendrada em seus mínimos detalhes com a finalidade de obter indevidamente o favor fiscal previsto no art. 7o. da Lei 9.532. de 1997 (art 386 RIR/1999). (grifei) Em outro norte, a Recorrente traz à colação um rol de argumentos em oposição à tese da acusação. São eles: “44. Com efeito, em um primeiro momento, a D. Autoridade Julgadora aceita que as operações ora examinadas tenham efetivamente se realizado em um contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, ressalvando apenas o seu entendimento de que as operações ocorridas no exterior seriam irrelevantes para fins fiscais no Brasil. Ao final de sua análise, porém, a D. Autoridade Julgadora retoma o equivocado raciocínio original da D. Fiscalização e dá a entender que, em sua visão, a Recorrente teria ainda criado uma artificial engenharia societária com o único propósito de gerar benefícios fiscais indevidos. 45. A questão é que essa linha de raciocínio adotada pela D. Autoridade Julgadora na análise deste caso não faz sentido. Se as etapas estrangeiras são comentadas pela D. Autoridade Julgadora como reais, ainda que irrelevantes para fins fiscais no Brasil, o que se pode, no máximo, é discordar de suas consequências fiscais no País, mas não taxálas de simuladas ou artificialmente engendradas pela Recorrente. 46. Caso contrário, chegarseia ao absurdo de se afirmar que as operações do exterior, efetuadas para permitir a integração dos grupos Mead e Westvaco nos diversos países onde esses grupos operavam foram reais, mas os dois únicos atos societários praticados pela Recorrente no Brasil de (i) a contribuição das quotas da Recorrente em aumento de capital da Mead do Brasil e (ii) a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente teriam constituído uma "artificial engenharia societária", o que também não se pode admitir. 47. Na realidade, a questão central destes autos resumese a uma só: (i) dado que os grupos Mead e Westvaco estavam em vias de se integrar no mundo inteiro no anocalendário de 2002; (ii) dado que, neste contexto, tornouse necessária também a unificação da Mead do Brasil e a Recorrente em uma só pessoa jurídica; (iii) dado que os grupos Mead e Westvaco queriam efetuar essa integração de forma combinada com uma transferência de todas as suas sociedades latinoamericanas inclusive a Brasileira resultante da unificação da Mead do Brasil com a Recorrente para duas sociedades Canadenses; (iv) teriam esses grupos a obrigação legal de efetuar a unificação da Mead do Brasil com a Recorrente a custo ou estariam eles autorizados, pelas razões empresariais e econômicas que os motivavam, a efetuar essa integração a valores de mercado? Como será aqui demonstrado, a doutrina fiscal mais autorizada brasileira é no sentido de que essa integração poderia, no contexto considerado, ser feita a valores Fl. 5441DF CARF MF 64 de mercado. Ademais, devese ressaltar, qualquer que seja a resposta a essa questão, ela terá unicamente impactos no campo da mera interpretação tributária, e jamais da simulação ou fraude.” (grifei) [...] “55. Assim, conforme a Recorrente irá demonstrar abaixo, as operações examinadas nestes autos, implementadas dentro e fora do País, foram todas motivadas por razões empresariais legítimas, que eram anteriores e independentes de qualquer efeito tributário, mas sim relacionadas ao objetivo maior de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil e no mundo. 56. Portanto, essas operações foram efetivamente planejadas e estruturadas de forma seqüencial, porém não com um fim ilícito como alegou a D. Fiscalização, mas sim motivadas por essas razões empresariais e extratributárias (sic) de promover a unificação das operações dos grupos Mead e Westavco no País”. (grifei) "60. Até o ano de 2001, os grupos Mead e Westvaco eram dois grupos totalmente distintos e independentes. O grupo Mead tinha uma atuação mais destacada na área de materiais de escritório, ao passo que o grupo Westvaco era líder global na produção de embalagens de papelão e produtos especiais de papel e celulose." (grifei) [...] "64. No segundo semestre daquele mesmo ano de 2001, os grupos Mead e Westvaco iniciaram as negociações que terminariam por levar à integração global de suas operações e atividades no ano seguinte. A Recorrente colacionou a estes autos versão notarizada e consularizada do Prospecto denominado "Formulário 424B3" (doc. n° 6 da Impugnação, complementado pela petição protocolada em 7.6.2010, por meio do qual foi colacionada a versão do mesmo documento vertida para o Português por tradutor juramentado). Nesse formulário, submetido pelos grupos Mead e Westvaco à Comissão de Valores Mobiliários norteamericana (Securities and Exchange Commission "SEC"), esses grupos empresariais detalharam as razões pelas quais entendiam que a sua integração resultaria em ganhos conjuntos maiores que aqueles que seriam obtidos por cada um daqueles grupos separadamente. (grifei) 65. Como se pode notar no Formulário 424B3 acima referido, esses grupos esperavam criar, com a sua fusão mundial, um grupo consolidado que seria, a um só tempo, mais forte e mais competitivo globalmente que qualquer um dos grupos Mead e Westvaco provavelmente o seriam sozinhos [...]" (grifei) "68. Naquele mesmo semestre de 2001, os grupos Mead e Westvaco submeteram sua proposta de fusão mundial à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica ("CADE") no Brasil. Na ocasião, o CADE analisou os mercados relevantes de cada um dos grupos no exterior e no Brasil e, em 5.6.2002, concluiu pela aprovação sem restrições da junção de suas respectivas subsidiárias brasileiras, conforme consignado no Ato de Concentração n° 08012.005814/200101 (doc. nº 7 da Impugnação). (grifei) 69. A integração mundial dos dois grupos foi oficialmente aprovada em 28.1.2002 pelos acionistas da Mead Corporation e da Westvaco Corporation. De acordo com a relação de troca de ações estabelecida no processo, os acionistas da Mead Corporation receberiam uma ação da nova companhia MeadWestvaco Corporation mais uma torna de US$ 1.20 para cada ação da Mead Corporation. Já os acionistas da Westvaco receberiam 0.97 ação da nova companhia MeadWestvaco Fl. 5442DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.411 65 Corporation para cada ação da Westvaco Corporation. Todas essas informações podem ser comprovadas no Prospecto 424B3 (doe. n° 6 da Impugnação). 70. [...] Esse ponto é importante, pois ele ajuda a demonstrar mais uma razão pela qual são infundadas as suspeitas levantadas pela D. Fiscalização quanto à capacidade econômica da Mead do Brasil para adquirir a Recorrente a valor de mercado, que acabaram equivocadamente validadas na r. decisão recorrida. (grifei) 71. Na realidade, se este caso for examinado no seu real contexto de integração dos grupos Mead e Westavco em todo o mundo, devese analisar a capacidade econômica de todo o grupo econômico Mead, e não apenas de sua sociedade local Mead do Brasil. E nesse contexto mais amplo, resta claro que o grupo Mead tinha efetivamente capacidade econômica suficiente até mesmo para, se assim o desejasse, capitalizar a Mead do Brasil a ponto de não somente reverter a sua momentânea condição financeira de passivo a descoberto, mas também de permitir que ela adquirisse a Recorrente a valor de mercado. (grifei) 72. Porém, outros fatores necessitavam ainda ser considerados nesse processo de integração global das sociedades e operações dos grupos Mead e Westvaco. A Recorrente, até o anocalendário de 2001, era pertencente ao grupo Westvaco e tinha como acionista majoritária a empresa espanhola Shore Islands S.L. ("Shore Islands") [..."](grifei) "74. No processo de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco, optouse também por transferir, da Espanha para o Canadá, a estrutura de capital que o novo grupo teria nas suas sociedades localizadas no Brasil, Argentina, Chile e Venezuela. O objetivo empresarial e financeiro, nesse caso, era o de permitir o financiamento das operações e fábricas Canadenses com o fluxo de dividendos proveniente das sociedades latinoamericanas dos grupos Mead e Westvaco, bem como concentrar, em uma estrutura societária situada no Canadá, as participações detidas nessas empresas latinoamericanas, o que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados por essas sociedades em outras operações desses grupos no mundo. (grifei) 75. Em consequência, assim como no Brasil, as empresas canadenses do recém criado grupo MeadWestvaco compraram da Espanha, a valor de mercado (arm's length), praticamente todas as subsidiárias que o grupo Mead tinha sozinho na América Latina, especificamente: Mead Packaging Chile LTDA, MeadWestvaco do Venezuela, and Mead Packing Systems Argentina SA. (grifei) 76.[...] o plano a ser estruturado pelos grupos Mead e Westvaco deveria também permitir a transferência do controle direto das operações brasileiras, argentinas, chilenas e venezuelanas para empresas do novo grupo MeadWestvaco baseadas no Canadá. Com isso, o novo grupo esperava ter a possibilidade de mover livremente o caixa dessas regiões para outras, possibilitando o financiamento de, entre outros, oportunidades de expansão e repagamento de dívidas de forma mais eficiente. (grifei) 77. Essa transferência, por imposição da própria legislação Canadense, do próprio negócio e em obediência ao princípio do "arm's length", deveria, necessariamente, ser efetuada a valores de mercado, exatamente como o seria entre partes nãorelacionadas. (grifei) 78. Assim, as empresas canadenses do recémcriado grupo MeadWestvaco conduziram uma avaliação do valor justo de mercado da Recorrente e, em seguida, Fl. 5443DF CARF MF 66 compraram essa sociedade da Shore Islands pelo seu valor de mercado, pagando cerca de 70% em caixa e o restante com ações de sua própria emissão." (grifei) "80. [...] Por uma imposição lógica e legal, essa integração teve de ser aprovada primeiramente pelos acionistas de cada uma das empresas Mead Corporation e Westvaco Corporation, o que ocorreu em 28.1.2002, nos Estados Unidos, país onde essas empresas estavam sediadas. [...](grifei) 81. [...] todo esse processo de integração, inclusive no Brasil, deve ser visto como um processo que, em sua substância, envolvia partes ainda não relacionadas, ainda que, para fins formais, essa integração tivesse já sido iniciada nos Estados Unidos. (grifei) 82. Abaixo segue uma listagem das 9 fases que foram adotadas para a integração das operações e negócios dos grupos Mead e Westvaco nas principais localidades do mundo. Alem disso, as subsidiárias norteamericanas desses grupos foram também integradas por meio de incorporações e liquidações. (grifei) • Fase 1: Integração Inicial e Criação da sociedade "Super Holding" • Fase 2: Integração PanEuropéia • Fase 3: Reestruturação Irlandesa • Fase 4: Reestruturação Alemã • Fase 5: ReestruturaçãoFrancesa • Fase 6: Consolidação Holandesa • Fase 7: Reestruturação Canadense • Fase 8: Integração Brasileira • Fase 9: Reestruturação Japonesa" [...] "86. ]...] as operações societárias que efetivamente permitiram a transferência, da Espanha para o Canadá, do controle direto da Mead do Brasil e da Recorrente, bem como a subsequente unificação dessas sociedades, somente ocorreram no mês de novembro daquele mesmo anocalendário. Esses meses de atraso na implementação da operação se deveram a fatores diversos, notadamente ligados à simultânea implementação de operações de integração em todos os continentes do mundo, conforme acima explicado. De qualquer maneira, é importante notar que todas essas operações foram ainda realizadas no ano calendário de 2002 e claramente faziam parte do mesmo contexto de integração mundial dos grupos Mead e Westvaco." (grifei) [...] "(c.2) Início da Integração: EUA 89. Após essa data de 28.1.2002, quando os acionistas da Mead Corporation e da Westvaco Corporation trocaram suas respectivas ações por ações da recém criada MeadWestvaco Corporation, segundo as relações de troca acima comentadas, essa estrutura societária ficou como segue:" Fl. 5444DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.412 67 "(c.3.3) Prosseguimento dos passos preparatórios: Brasil 100. Em 12.11.2002, com o intuito de preparar o início da execução das operações societárias que iriam culminar na unificação da Mead do Brasil com a Recorrente, esta constituiu uma filial em parte do endereço onde se situava a Mead do Brasil. O objetivo, com isso, era iniciar o processo de obtenção de licenças e autorizações municipais em nome da Recorrente e tentar garantir que a transição do faturamento da Mead do Brasil fosse feita do modo mais suave possível (grifei) (c.4) Passos preparatórios exterior: Espanha e Holanda 101. Naquela mesma data, a recémcriada companhia MeadWestvaco Corporation transferiu, por contribuição em aumento de capital, a valor de mercado, a participação detida na Mead do Brasil para a Shore Island [...] 102. Em 30.11.2002, a Shore Islands transferiu, por contribuição em aumento de capital, a valor de mercado, as participações detidas nas sociedades Canadenses MWV Consumer & Office Products Co. ("MVVV Consumer"), atual denominação social da sociedade Hilroy Limited ("Hilroy Limited"), e MWV Canada Operations Co. ("MWV Canada") para uma outra empresa holandesa do grupo, a Mead Holdings B.V. ("Mead Holdings")." "(c.5) Aquisição das empresas brasileiras pelas empresas canadenses 104. Na mesma data, as sociedades Canadenses MWV Consumer e MWV Canada compraram da Shore Islands as participações que esta sociedade espanhola detinha na Mead to Brasil e na Recorrente. 105. Novamente é importante frisar que essas operações foram feitas em condições de mercado (arm's length). Em primeiro lugar, isso foi feito para que se refletisse a natureza do negócio acordado de integração de sociedades de grupos que até então eram independentes e estavam em vias de se integrar em todo o mundo. Em segundo lugar, as empresas canadenses eram obrigadas pela legislação daquele pais a efetuar essas aquisições a valores de mercado. Não havia, portanto, outra opção para a efetivação dessas aquisições. (c.5.1) O Laudo de Avaliação das quotas da Recorrente 106. [...] O valor de mercado da participação societária detida na Recorrente, que acabou sendo utilizado na alienação dessa sociedade para as empresas canadenses, foi confirmado em um estudo de avaliação econômico financeira da Recorrente, elaborado por uma empresa brasileira, especializada e independente, com o fim de eliminar quaisquer dúvidas sobre a correção do valor de mercado utilizado nas operações acima comentadas. (grifei) Fl. 5445DF CARF MF 68 107. A Z3M Venture Partners Ltda ("Z3M"), empresa independente e sem nenhuma relação ou vinculo com a Recorrente, preparou, em novembro do ano calendário 2002, uma avaliação completa do valor de mercado da Recorrente, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o método do fluxo de caixa descontado (doc. nº 9 da Impugnação). (grifei) 108 [...] O Laudo de Avaliação feito pela Recorrente baseouse em critérios objetivos, que foram explicitados no próprio estudo, e o valor ali atingido seria o mesmo independentemente de quem estivesse solicitando a elaboração do estudo. (grifei) 109. Não faz sentido, portanto, a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância pretender questionar a legitimidade do laudo de rentabilidade futura para suportar o valor do ágio em discussão sob a alegação de que não teria havido uma "validação externa à corporação". Ora, o próprio laudo é a validação externa à corporação. (grifei) 110. [...], a legislação fiscal sobre a matéria nem mesmo exigiu uma forma para esse laudo de avaliação, ou quem devem ser as partes contratantes e executoras do trabalho. Ao contrário, a legislação exige apenas que o ágio baseado em rentabilidade futura seja suportado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (grifei) 111. O fato de a Recorrente ter solicitado a uma empresa independente e especializada em avaliações econômicofinanceiras para elaborar um estudo autônomo sobre a sua própria rentabilidade futura apenas reforça o argumento da Recorrente de que o seu interesse era que as operações fossem feitas a um valor justo de mercado (arm's length), ou seja, nas exatas bases em que seriam se praticados com qualquer pessoa jurídica. (grifei) 112. Ademais, em operações de fusões e aquisições de empresas, é comum que laudos de avaliação econômicofinanceiras sejam contratados pela própria empresa que será vendida. Este, aliás, é o propósito principal do trabalho desenvolvido por empresas especializadas e independentes no mercado, ou seja, a elaboração de estudos que identifiquem um valor justo de avaliação de uma empresa, com base em critérios predefinidos (sic), de modo que possam ser utilizados como parâmetro confiável em qualquer situação." [...] "116. [...] conforme restou demonstrado pela Recorrente em sua peça Impugnatória, o valor final obtido foi devidamente comparado a múltiplos de EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), ou seja, Lucros Antes de Despesas com Juros, Tributos, Depreciação e Amortização, e refutou também as infundadas alegações da D. Fiscalização a respeito da taxa de retorno, taxa de juros e prêmio de risco aplicáveis ao mercado norteamericano utilizadas pelo estudo, as quais representavam variáveis do modelo que não encontravam parâmetros estáveis no mercado local, de forma que a utilização desses parâmetros tomados a partir do modelo norteamericano poderia ser feita de forma razoável. (grifei) 117. Bem assim, a Recorrente demonstrou que as empresas mais conceituadas de avaliação econômica e financeira atuantes no mercado brasileiro se utilizam, por vezes de abstrações e simplificações em seus cálculos e, desde que consignadas e explicitadas de modo claro e transparente, tal como o foram no estudo em questão, essas abstrações não têm o condão de invalidar o número obtido pelo estudo. Notadamente no anocalendário de 2002, o Brasil apresentava ainda uma série de dados macroeconômicos ainda menos estiveis que hoje. Portanto, as abstrações utilizadas no laudo de avaliação em questão eram comuns à época e Fl. 5446DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.413 69 representavam meramente abstrações matemáticas que deviam ser feitas para que o modelo denominado CAPM — Capital Asset Pricing Model pudesse ser utilizado, mas isso não compromete em nada a idoneidade do referido estudo." "(c.5.2) O Pagamento das quotas de Recorrente no exterior 119. Especificamente, nessa etapa da operação, com base no valor de mercado da Recorrente apurado no laudo de avaliação preparado por empresa independente e especializada, a MWV Consumer comprou a participação de aproximadamente 21.3% no capital social da Recorrente, pagando em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa, o valor de C$ 69.938.000,00 (sessenta e nove milhões, novecentos e trinta e oito mil dólares canadenses). Adicionalmente, a MWV Consumer adquiriu aproximadamente 8,5% no capital social da Recorrente, pagando com a entrega de 653 ações de sua emissão, que na ocasião tinham o valor de C$27.969.000,00 (vinte e sete milhões, novecentos e sessenta e nove mil dólares canadenses). No total, portanto, em 30.11.2002, a MWV Consumer comprou da Shore Islands uma participação aproximada de 29,8% no capital social da Recorrente por um valor de C$97.907.000,00 (noventa e sete milhões, novecentos e sete mil dólares canadenses).(grifei) 120. Por sua vez, a MWV Canada adquiriu a participação de aproximadamente 49,8% no capital social da Recorrente, pagando em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa, o valor de C$163.189.000,00 (cento e sessenta e três milhões, cento e oitenta e nove mil dólares canadenses). Adicionalmente, a MWV Canada adquiriu aproximadamente 20,4% no capital social da Recorrente, pagando com a entrega de 355 ações de sua emissão, que na ocasião tinham o valor de C$66.954.000,00 (sessenta e seis milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil dólares canadenses). No total, portanto, em 30.11.2002, a MWV Consumer comprou da Shore Islands uma participação aproximada de 70,2% no capital social da Recorrente por um valor de C$230.143.000 (duzentos e trinta milhões, cento e quarenta e tees mil dólares canadenses). (grifei) 121. Por fim, nessa mesma data, a MWV Canada comprou também da Shore Islands a participação que esta detinha no capital social da Mead do Brasil, ao valor de mercado de C$1,00 (um dólar canadense), que era o valor de mercado daquela sociedade em razão de ela apresentar, naquele momento, uma situação de patrimônio liquido negativo. (grifei) 122. A Recorrente colaciona a este Recurso Voluntário traduções juramentadas para o Português (doc. nº 10) dos comprovantes de transferência de todos os valores acima citados, os quais já haviam sido anexados à sua peça Impugnatória em versões original e em tradução livre para o Português (doc. no 14 da Impugnação). (grifei) 123. Aqui fica comprovado que é infundada a afirmação feita pela D. Fiscalização de que não teria havido nenhuma circulação de recursos financeiros na operação. A parte majoritária das aquisições acima (C$69.938.000,00 + C$163.189.000,00 = C$233.127.000,00, ou seja, o valor total de duzentos e trinta e três milhões e cento e vinte e sete mil dólares canadenses) foi feita com o pagamento em dinheiro, com a efetiva transferência de caixa entre as sociedades envolvidas, do Canadá para a Espanha." (grifei) [...] "126. [...]e como já foi explicado pela Recorrente à exaustão em sua peça Impugnatória, essa aquisição da Recorrente pela Mead do Brasil se deu por meio Fl. 5447DF CARF MF 70 de uma contribuição em aumento de capital da Mead do Brasil, feita pelas duas sociedades Canadenses. Tratavase, portanto, conforme comentado em maiores detalhes nas razões de direito abaixo, de uma forma de aquisição cujo pagamento se deu por meio de quotas de emissão da Mead do Brasil." (grifei) [...] "(c.6) Transferência da Recorrente para a Mead do Brasil 129. Dando continuidade ao processo de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil, as sociedades Canadenses MWV Consumer e MWV Canada contribuíram, em aumento de capital da Mead do Brasil, as quotas da Recorrente que tinham acabado de comprar da Shore Islands, pelos exatos valores que tinham praticado nas suas respectivas aquisições, ou seja, valores de mercado (arm's length). (grifei) 130. Novamente, é importante que seja ressaltado que a contribuição foi feita pela MWV Consumer e pela MWV Canada pelos mesmos valores que essas sociedades já haviam adquirido a Recorrente no exterior. (grifei) 131. Este valor, portanto, era também a única opção dessas sociedades Canadenses para a efetuação dessa contribuição, pois não faria nenhum sentido econômico se elas contribuíssem as quotas da Recorrente por valores inferiores aos que tinham pago no exterior. 132. Assim, o valor praticado na contribuição em aumento de capital foi também um valor determinado com base em condições arm's length, no contexto de uma operação legitima, e não pode ser simplesmente acoimado de simulado pela pela D. Autoridade Julgadora com base em uma visão manifestamente equivocada deste caso. 133. Sob a perspectiva da Mead do Brasil, o resultado foi que essa sociedade "adquiriu" quotas da Recorrente a valores de mercado, pagando essa aquisição por meio da entrega de quotas de capital social de sua emissão." [...] "135. De fato, o que ocorreu nessa contribuição em aumento de capital foi a transferência de titularidade das quotas da Recorrente, e esta transferência foi feita a valor de mercado, uma vez que este foi o valor atribuído pelas sociedades MWV Consumer e MWV Canada na entrega do ativo (quotas da Recorrente) em troca de quotas da Mead do Brasil." (grifei) [...] "(c.7) Incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente 138. Por fim, em 01/12/2002, a Recorrente procedeu à incorporação da Mead do Brasil, concluindo, assim, a pretendida unificação dessas sociedades em uma única pessoa jurídica e a última etapa de todo o processo de integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil." (grifei) [...] "(c.7.1) Nãoocorrência de Incorporação às Avessas 141. A esse respeito, a D. Fiscalização tentou atribuir a essa incorporação a descabida alcunha de "Incorporação às Avessas", somente pelo fato de a Recorrente, que era a sociedade controlada, ter procedido à incorporação da Mead do Brasil, que era a sociedade controladora. No entanto, é sabido que as chamadas Fl. 5448DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.414 71 "incorporações às avessas" são aquelas em que uma sociedade deficitária e sem atividade incorpora uma sociedade lucrativa com vistas a preservar seus prejuízos fiscais. Nada disso ocorreu no presente caso. (grifei) 142. Ao contrário, a Recorrente era a sociedade lucrativa e incorporou a Mead do Brasil, que era a sociedade deficitária e tinha prejuízos fiscais acumulados em valor superior a R$ 1 milhão, conforme se pode atestar a partir da documentação contábil apresentada pela Recorrente em sua Impugnação (doc. n° 16 da Impugnação). Esses prejuízos fiscais da Mead do Brasil foram integralmente perdidos, nos termos do artigo 514 do RIR/99 e jamais foram utilizados pela Recorrente, que foi a sociedade que sobreviveu A incorporação, conforme comprovam os registros de baixa feitos na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") tanto da Mead do Brasil quanto da Recorrente (doc. nº 17 da Impugnação). (grifei) 143. Portanto, não há que se falar em incorporação às avessas nestes autos, muito ao contrário, a Mead do Brasil perdeu seus montantes de prejuízos fiscais acumulados, que terminaram sem nenhuma utilização por nenhuma das partes. (grifei) (c.7.2) Incorporação Reversa 144. Percebendo o equivoco cometido pela D. Fiscalização em sua tentativa de denominar esta uma "incorporação às avessas", a D. Autoridade Julgadora tenta, na r. decisão recorrida, questionar a operação por ter sido efetuada de modo reverso, ou seja, com a controlada (Recorrente), incorporando a sua controladora (Mead do Brasil). (grifei) 145. No entanto, essa também é uma suspeita infundada. Em primeiro lugar, porque, conforme demonstrado acima, o artigo 386, §6°, do RIR/99, que tem por base legal o artigo 8° da Lei 9.532/97, prevê de modo claro e especifico que o mesmo tratamento tributário do ágio aplicase a essa hipótese, de uma controlada incorporar a sua controladora. (grifei) 146. Em segundo lugar, conforme já alertado pela Recorrente em sua Impugnação, no resto do mundo, o grupo Mead chegava a ser tão grande quanto o grupo Westvaco, porém, no Brasil, a situação era diferente e a Recorrente chegava a ser algumas vezes maior que a Mead do Brasil. Por isso, nada mais natural que uma empresa maior (Recorrente) incorporar a menor (Mead do Brasil)".(grifei) "148. A D. Autoridade Julgadora cita ainda, a esse respeito, um artigo escrito pelos professores Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins denominado "A Incorporação Reversa com Ágio Gerado Internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade".(grifei) 149. Pois bem. A Recorrente está colacionando a este Recurso Voluntário um Parecer Técnico Contábil elaborado para este caso especifico pelo mesmo Professor Eliseu Martins, juntamente com Eric Martins e Heraldo Oliveira, todos professores da FIPECAFI. (grifei) 150. Conforme está muito claramente afirmado no referido Parecer, o artigo escrito pelo Professor Eliseu Martins, e que é citado pela D. Autoridade Julgadora em sua r. decisão recorrida, trata de hipótese distinta da que é tratada nestes autos. Na realidade, o Professor Eliseu Martins entende que as operações praticadas pela Recorrente nestes autos foram todas contabilizadas corretamente." (grifei) Fl. 5449DF CARF MF 72 [...] (c.7.2) Incorporação realizada em um domingo [...] "152. Em sua Impugnação, a Recorrente apresentou a seguinte documentação, comprovando a falta de fundamento das alegações formuladas pelo Fisco: (i) cópia de email enviado por funcionária da Recorrente, em 29.11.2002 (sextafeira) à empresa Cushman & Wakefield Semco solicitando a liberação de certas pessoas ao prédio no domingo, dia 01.12.2002 para a participação da referida reunido (doc. n° 18 da Impugnação); (ii) Relatório de Marcação de Visitantes (controle de acesso) do dia 01.12.2002 (doc. n° 19 da Impugnação), emitido pela empresa Cushman & Wakefield Semco, contendo os nomes de cada pessoa que esteve presente à reunido e os horários de entrada e saída de cada uma delas; e (iii) atestado de presença (doc. nº 20 da Impugnação) emitido e assinado pela empresa Cushman & Wakefield Semco. em 18.12.2002, que atesta a presença, em 1°.12.2002, na sede da Recorrente, de cada uma daquelas pessoas indicadas no Relatório de Marcação de Visitantes. (grifei) "153. Alem disso, a Recorrente também explicou, em sua Impugnação, que se utilizava, já àquela época, de um sistema eletrônico de contabilidade denominado SAP (Systems Applications and Products in Data Processing), que consiste em um sistema eletrônico de gestão de negócios, que [...], em razão de suas características operacionais, somente permitia o levantamento de um balanço de encerramento nas datas de inicio e fim de cada mês. Ademais, esse sistema era alimentado e atualizado de forma quase instantânea pelos departamentos de vendas e também de compras da empresa. Com isso, a data ideal para que o referido balanço fosse levantado era justamente um domingo, pois nesse dia da semana não havia a alimentação constante dos controles de estoque do sistema e ele então permitiria o levantamento de um balanço de encerramento da Recorrente." (grifei) [...] "160. As estruturas iniciais e finais de todo esse processo são completamente distintas, sendo que, na estrutura societária final, não somente os grupos Mead e Westvaco tiveram suas subsidiárias integradas no Brasil (Mead do Brasil e a Recorrente), mas também essas sociedades passaram ao controle direto de empresas Canadenses do grupo, o que também era uma meta corporativa do recémcriado grupo MeadWestvaco, que esperava obter maior eficiência na gestão de caixa de suas sociedades latinoamericanas com essa situação. 161. Resta claro, portanto, que a Recorrente não simulou nada. Todas as operações aqui comentadas foram praticadas às claras, havendo documentação hábil e idônea à sua comprovação, que foi colocada a total disposição da D. Fiscalização durante o período de fiscalização. 162. Sobretudo, é importante enfatizar, essas operações foram motivadas por razões empresariais verdadeiras e extratributárias (sic), que são precedentes e independentes de qualquer economia fiscal." (grifei) "(c.7.3) Não ocorrência de empresaveículo 166. [...] Como comentado, a Mead do Brasil era uma sociedade real, operacional, com empregados e faturamento e, mais que isso, era o próprio "braço" do grupo internacional Mead no Brasil. 167. Em qualquer hipótese, com ou sem efeitos fiscais no Brasil, a intenção dos grupos Mead e Westvaco em todo o mundo era a união de suas subsidiárias. No Brasil, portanto, independentemente de quaisquer efeitos fiscais, a Mead do Brasil, Fl. 5450DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.415 73 que era uma sociedade operacional e subsidiária do grupo Mead, deveria ser incorporada pela Recorrente, que era outra sociedade operacional e subsidiária do grupo Westvaco. Não há o menor cabimento, data máxima vênia, em se falar em "empresa veiculo" nesse caso." (grifei) [...] "V. OUTROS PONTOS ESPECÍFICOS DA R. DECISÃO RECORRIDA [...] 183. A conclusão, no entanto, é que justamente não é dado à D. Fiscalização o poder dessa desconsideração, quando a Recorrente agiu em total conformidade com a legislação em vigor, motivada por razões extratributárias verdadeiras e nos estritos limites de sua liberdade de se autoorganizar." (grifei) [...] "(i.2.1) A essência: a integração entre dois grupos independentes [...] 190. Com efeito, o que se está aqui a questionar não é sendo a forma última como esses atos envolvendo a Recorrente ocorreram, em detrimento de sua própria essência. O ponto fulcral é tão somente o fato de a forma estrutural escolhida por esses dois grupos econômicos — independentes e nãorelacionados — para a sua integração mundial ter levado primeiramente à sua integração "formal" em uma sociedade holding nos Estados Unidos. Tudo isso, a despeito de, na essência, esses dois grupos terem combinado trazer seus ativos para o negócio a valores de mercado (arm's length), ou seja, como se efetivamente negociados entre partes nãorelacionadas. (grifei) 191. Por outro lado, sabese que a doutrina é pacifica ao adotar a posição de que, em existindo um motivo extratributário (sic) precedente e autônomo, como é o caso destes autos, o contribuinte é livre para organizar seus negócios da maneira que lhe pareça mais conveniente." (grifei) [...] "(i.2.2) A independência das partes e a aplicação de condições arm's length [...] 194. No caso em exame, ao contrário do que afirma a D. Autoridade Julgadora, foi demonstrado que, independentemente de os grupos Mead e Westvaco terem iniciado a sua fusão por meio de uma sociedade holding norte americana, foi também estabelecido, desde o inicio, que as operações mundiais de integração dos grupos Mead e Westvaco seriam efetuadas, em todo o mundo, em condições arm's length, ou seja, a valores justos de mercado." (grifei) [...] "200. No caso em exame, é relevante notar, as empresas solicitaram ainda a elaboração de um estudo de avaliação econômica a uma empresa independente, a Z3M, de modo a garantir a imparcialidade do valor justo de mercado da Recorrente, adotado como preço dessa operação." (grifei) Fl. 5451DF CARF MF 74 [...] "202. Cabe mencionar, também, como já foi esclarecido pela Recorrente em sua Impugnação, que as razões para a prática de valores de mercado eram, não somente a negociação entre esses dois grupos econômicos, que já previa que essas integrações de suas subsidiárias seriam realizadas a valores de mercado, mas também o fato de que havia duas sociedades Canadenses adquirindo a Recorrente no exterior e essas sociedades eram obrigadas a seguir a regulamentação daquele país e efetuar essa aquisição a valor justo de mercado." (grifei) [...] "(1.2.3) O "sentido societário" da incorporação da Mead do Brasil [...] "205. Eventualmente, a D. Autoridade Julgadora poderia tentar alegar que a Recorrente teria uma suposta obrigação legal de incorporar a Mead do Brasil diretamente, ou seja, sem que ocorresse anteriormente a transferência da Recorrente para a Mead do Brasil. Porém, nada há na legislação ou regulamentação fiscal ou societária aplicáveis que obrigue empresas na mesma situação em que estava a Recorrente a praticar sempre uma incorporação entre "irmãs", ao invés de uma contribuição seguida de incorporação. (grifei) 206. O que se deve ter em mente neste caso, em verdade, é que as operações da Recorrente foram perfeitamente adequadas sob uma perspectiva fática, mas também jurídica. Não é demais recordar, como visto acima, que doutrina e jurisprudência são hoje uníssonas em afirmar que o contribuinte tem a liberdade de se autoorganizar como melhor lhe aprouver desde que seus atos tenham motivações extratributárias (sic), o que foi exatamente o caso da Recorrente." (grifei) "(i.2.4) Impossibilidade de a Mead do Brasil ser taxada de empresa veiculo 207. Em seguida a estes pontos, a D. Autoridade Julgadora tenta novamente qualificar a Mead do Brasil como uma empresa veiculo. Sobre este ponto, a Recorrente já havia se manifestado em sua Impugnação, mas irá fazêlo novamente nas razões do direito abaixo, para que este E. Conselho possa afastar definitivamente a possibilidade de uma empresa real e operacional como a Mead do Brasil, com vários anos de existência, ativos fixos, maquinário, produção, empregados, passivos, e tudo o mais que uma empresa operacional tem, possa ser tratada como uma empresa veiculo. Tratase de um abuso que deve ser contido por este E. Conselho." (grifei) [...] "211. A operação de incorporação em questão fazia efetivamente "parte de um projeto de reestruturação societária" dos grupos Mead e Westvaco, e essa reestruturação tinha efetivamente o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da Incorporada (Mead do Brasil) e da Incorporadora (Recorrente)." (grifei) 212. [...]Essa eficiência era já um objetivo da própria integração mundial desses dois grupos econômicos e ela foi perseguida não só no Brasil, mas em vários outros países onde esses grupos operavam. (grifei) Fl. 5452DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.416 75 213. Unificando suas operações e atividades, essas empresas passavam a ter ganhos de escala, economias de custos administrativos, de logística, dentre várias outras." (grifei) [...] "215. A eficiência que se queria dar era as atividades e operações desenvolvidas pela Mead do Brasil, ou seja, aos seus processos de produção e vendas, aos seus departamentos de pessoal, financeiro e de contabilidade, por exemplo. (grifei) 216. Tudo isso, depois que a Mead do Brasil foi "extinta" por incorporação, "sobreviveu" dentro da pessoa jurídica da Recorrente. E a Recorrente pôde então dar maior eficiência estratégica a todos esses processos. (grifei) 217. À parte tudo isso, ainda que a redação do Protocolo tivesse sido simplesmente genérica e feita a partir de cláusulas padrão, o fato é que, ainda assim, esse não seria um motivo para que a operação fosse tida como simulada!" (grifei) [...] (i.3) Do Ágio [...] "219. [...] conforme já mencionado mais de uma vez nestes autos, a legislação que disciplinou o tratamento tributário do ágio contabilizado em relação a participações societárias com base em expectativa de rentabilidade futura criou, como uma ficção jurídica especial, a autorização expressa para que a incorporação necessária à amortização fiscal desse ágio seja feita não somente da controlada pela controladora, mas também do modo inverso, ou seja, da controladora pela controlada. (grifei) 220. Assim, todo esse raciocínio que a D. Autoridade Julgadora tenta empreender na transcrição acima afigurase frontalmente contrario ao texto legal e à intenção do legislador sobre este ponto, de modo que esse questionamento também não merece prosperar. (grifei) 221. Em seguida a isto, a D. Autoridade Julgadora comenta novamente o artigo do Professor Eliseu Martins para tentar insinuar que este condenaria a operação efetuada pela Recorrente. Não obstante, o próprio PROFESSOR ELISEU MARTINS analisou a operação discutida nestes autos e concluiu pela sua validade contábil." (grifei) [...] "(i.4) Da Multa Qualificada 224. No quesito em referência, a D. Autoridade Julgadora alega que o fundamento para a qualificação da multa aplicada residiria: "(...) na utilização de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legitima As operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível. Nessa construção utilizouse a contribuinte da confecção de laudos de avaliação capazes Fl. 5453DF CARF MF 76 de sustentar a existência do ágio; da celebração de protocolo de incorporação para justificar a incorporação da Mead Br. pela autuada cujos termos destoam da substância dos atos que efetivamente se praticaram; e da celebração de uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento do ágio, incluindo ai a utilização de empresa como veiculo de transmissão" (não destacado no original) 225. Como restou demonstrado acima, nada disso aconteceu. O laudo de avaliação, como visto, foi legitimo e elaborado por empresa independente, de forma imparcial e com critérios objetivos, para que se firmasse o valor justo de mercado da Recorrente. Já o Protocolo de Incorporação foi celebrado em cumprimento a uma exigência legal, melhor explicada nas razões de direito abaixo aduzidas, sendo que todos os questionamentos levantados pela D. Autoridade Julgadora sobre este ponto são também infundados, conforme acima comprovado. (grifei) 226. Por fim, é interessante notar que a D. Autoridade Julgadora utiliza a expressão "uma série de modificações societárias de forma a se colocar em situação de aproveitamento de ágio". Ora, como visto, todas as operações ocorridas no exterior tiveram razões que são independentes de qualquer efeito fiscal brasileiro, inclusive a transferência das empresas latinoamericanas dos grupos Mead e Westvaco para sociedades Canadenses. (grifei) 227. Assim, a se admitir como válida essa alegação da D. Autoridade Julgadora, o que se faz somente para argumentar, seria de se concluir que essa "serie de modificações societárias" se resumiria a dois atos societários: (i) a contribuição das quotas da Recorrente, pelas sociedades Canadenses para a Mead do Brasil; e (ii) a subseqüente incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente. (grifei) 228. Considerando ainda que a Mead do Brasil seria incorporada pela Recorrente em qualquer cenário, pois esse era o objetivo Ultimo da integração dos grupos Mead e Westvaco no Brasil e também em todo o mundo, resta concluir que toda essa suposta "serie e modificações societárias" imaginada pela D. Autoridade Julgadora se resumiria a um único ato societário: o de contribuição das quotas da Recorrente, pelas sociedades Canadenses, em aumento de capital da Mead do Brasil." (grifei) [...] "231. Como visto, a contribuição das quotas da Recorrente em aumento de capital da Mead do Brasil foi feita pelas sociedades Canadenses pelo mesmo valor de aquisição dessa sociedade no exterior. Assim, ao contrário do que equivocadamente entendeu a D. Autoridade Julgadora, ate mesmo as etapas da operação em análise com reflexos no Brasil tinham razões econômicas independentes das brasileiras." (grifei) [...] "(iii) Exclusão Indevida do Lucro Real 236. Esta é uma parte muito importante, a D. Autoridade Julgadora afirma que a Recorrente não impugnou especificamente essa parte em sua peça impugnatória [...] (grifei) 237. O que deve ficar claro a esse respeito é que a Impugnação da Recorrente foi feita para todas as despesas de amortização de ágio, assim como o suposto excesso de despesas de Juros sobre o Capital Próprio, deduzidas no Fl. 5454DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.417 77 período de 2003 a 2008. Portanto, é evidente que essa parcela da autuação estava igualmente incluída na Impugnação feita pela Recorrente. (grifei) 238. O que ocorre é que as despesas de amortização de ágio no período de 2003 a 2007 foram deduzidas tanto para fins contábeis, como para fins fiscais. Porém, a partir da entrada em vigor da Lei no 11.638, de 28.12.2007 ("Lei 11.638/07"), as despesas de amortização de ágio deixaram de ser dedutíveis para fins contábeis e permaneceram dedutíveis somente para fins fiscais. (grifei) 239. Com isso, a partir do anocalendário de 2008, a Recorrente não mais deduzia essas despesas para fins contábeis, mas procedia à sua exclusão do lucro real via LALUR. (grifei) 240. Em todo caso, é importante só que fique claro que os fatos impugnados pela Recorrente em sua peça Impugnatória referemse a todo o período de 2003 a 2008, englobando, portanto, essas exclusões supostamente indevidas do lucro real de 2008." (grifei) [...] "(b) Inocorrência de Simulação ou Abuso de Direito [...] 255. Como se pode observar, para que a simulação se verifique, é necessário que esteja presente algum dos tipos de vicio especificamente enumerados no artigo 167, §1º, do Código Civil. 256. No caso em análise, como visto, nenhum desses vícios está presente. Todos os direitos transmitidos ou conferidos nas operações examinadas o foram, de forma fiel e clara, para as mesmas pessoas (jurídicas) a quem eles estavam sendo transmitidos ou conferidos. Não houve qualquer aparência distinta da realidade. Todas as operações foram devidamente registradas, tiveram seus efeitos contábeis, fiscais e societários reconhecidos (não somente no Brasil, mas nas diversas outras jurisdições aqui envolvidas) e tiveram suporte em documentação hábil e idônea, colacionada pela Recorrente a estes autos. (grifei) 257. Do mesmo modo, não houve nenhum documento, contrato ou qualquer forma de registro feita pela Recorrente que possa conter cláusula ou representação considerada nãoverdadeira. (grifei) 258. Por fim, nenhum dos documentos foi antedatado ou pósdatado, e esse fato nem mesmo foi questionado pela D. Fiscalização ou pelas DD. Autoridades Fiscais, nem implícita nem explicitamente." (grifei) [...] "260. Ora, conforme já explicado, todas as operações ocorridas no processo de integração dos Grupos Mead e Westvaco foram reais e efetivas, não apenas formais ou aparentes. As empresas nacionais e estrangeiras envolvidas no referido processo jamais alegaram, formalmente ou de outro modo, estar transferindo as quotas da Recorrente a qualquer "terceiro", por exemplo, sem o estar fazendo efetivamente. Ao contrário, as operações foram devidamente registradas e todos os seus efeitos, reconhecidos, em diferentes países, sempre de forma legitima e efetiva, sem qualquer diferença entre a "realidade formal" e a realidade fática. (grifei) Fl. 5455DF CARF MF 78 261. Em termos práticos, inicialmente, a Recorrente pertencia exclusivamente ao grupo Westvaco, era detida diretamente por uma empresa espanhola, a Shore Islands, e era pessoa jurídica distinta da Mead do Brasil. Ao fim de todo o processo de integração em comento, a Recorrente havia unificado o seu patrimônio com o da Mead do Brasil, tendo passado a pertencer ao novo grupo MeadWestvaco, e ainda terminou detida diretamente por empresas do novo grupo localizadas no Canadá." (grifei) [...] "(b.3) Inocorrência de Abuso de Direito 268. Em primeiro lugar, deve ser ressaltado que nenhuma das transações societárias praticadas pela Recorrente teve seu fim econômico excedido, nem manifestamente, nem de qualquer outra forma. Todas essas operações foram praticadas em seus exatos limites e para suas finalidades especificas." [...] "271. A esse respeito, a Recorrente pede vênia para mais uma vez se socorrer de iluminada doutrina sobre a matéria, que explica que o abuso de direito fica automaticamente afastado quando o contribuinte tem uma razão extratributária (sic) para as operações praticadas" [...] "276. As lições acima transcritas, mais uma vez, comprovam que as razões extratributárias da Recorrente estiveram em linha com o melhor entendimento doutrinário, ou seja, a Recorrente procedeu à incorporação da Mead do Brasil com o objetivo precípuo de reunir os patrimônios dessas duas sociedades em uma só pessoa jurídica, tal como estava sendo feito com as demais subsidiárias dos grupos Mead e Westvaco no anocalendário de 2002. (grifei) 277. Ambas as sociedades eram reais, operacionais, tinham empregados, folhas de pagamento e faturamentos mensais. Mesmo que a Mead do Brasil estivesse naquele momento atravessando uma situação de patrimônio liquido negativo, essa sociedade permanecia ainda assim operando e recolhendo tributos e encargos sobre sua folha de salários e faturas emitidas. Confirase, novamente, o balancete da Mead do Brasil levantado em 30.11.2002 (doc. nº 15 da Impugnação) e se verá facilmente que uma empresa com uma operação real e efetiva, com máquinas e ativos próprios, não pode simplesmente ser chamada de sociedade veiculo. (grifei) 278. Não havia ali nenhuma "sociedadecasca" ou nenhuma intenção de desvirtuar o instituto da incorporação para meramente efetuar o aproveitamento de prejuízos fiscais, por exemplo." (grifei) [...] "(b.4.1.) a data da Incorporação — os balanços a serem levantados [...] 290. Como se pode ver, a incorporação da Mead do Brasil pela Recorrente exigia que ambas levantassem balanços de incorporação, sendo que a Recorrente, especialmente, somente tinha como levantar seus balanços no inicio e fim de cada mês. Assim, o fato de o dia 1°.12.2002 ser um domingo, ao contrário de indicar qualquer sinal de simulação, ajudou a que o movimento de faturamento da empresa estivesse totalmente parado e o balanço de encerramento de seu períodobase pudesse ser levantado com a identificação exata de seus estoques." (grifei) Fl. 5456DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.418 79 [...] "(b.4.2) a incorporação sem aumento de capital ou aumento no número de quotas [...] 293. Como se pode notar, o artigo 226 da Lei das S.A., ao dispor sobre a formação do capital na incorporação, apenas determina que as ações ou quotas do capital da sociedade incorporada poderio ser extintas ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora. No caso em análise, as quotas da Mead do Brasil foram simplesmente extintas, conforme expressamente lhe facultava o referido artigo 226 da Lei das S.A. (grifei) 294. O que se pretendia com essa incorporação, e efetivamente se obteve, era a unificação dos patrimônios dessas duas sociedades em uma única, permitindo a sua reunido sob as condições creditícias e mercadológicas da Recorrente que eram mais favoráveis naquele momento e terminariam por favorecer as futuras operações do recém criado grupo MeadWestvaco no Brasil." (grifei) [...] "(b.5) Total descabimento das alegações de empresa veiculo [...] 312. A expressão "empresa veiculo" quer dizer, em última análise, que uma determinada sociedade é dita "de passagem", ou seja, ela não tem nenhuma outra função ou substância econômica alem de servir de um efêmero canal de transmissão de direitos no contexto considerado. 313. Em outras palavras, para que se possa falar em "empresa veículo", há que se ter presente, no mínimo, os seguintes requisitos: (i) a pessoa jurídica é criada apenas para servir de agente intermediário na operação; (ii) sua função é simplesmente captar e transmitir recursos, de forma a criar uma conta de ágio; e (iii) não há outra função ou propósito de sua participação na operação, senão retransmitir recursos." [...] "316. Ora, é evidente que, diferentemente do que propugna a r. decisão recorrida, não é este o caso destes autos. A Mead do Brasil era uma subsidiária real e operacional do grupo Mead no Pais. Sua existência tanto era efetiva que esses grupos tiveram de submeter a operação de sua integração no Brasil ao CADE (doc. n° 7 da Impugnação), o qual analisou e aprovou a sua unificação com base em critérios técnicos, como os mercados relevantes em que a Mead do Brasil a e Recorrente atuavam." (grifei) [...] (b.6.) Total descabimento dos artigos 381, 282 e 284 do Código Civil [...] 322. Não há nenhuma razão para que esse caso pudesse, nem mesmo remotamente, enquadrarse nas hipóteses dos artigos 381, 382 e 384 do Código Civil. Tratase de uma alegação tão sem fundamento que nem mesmo foi Fl. 5457DF CARF MF 80 considerada pela r. decisão recorrida, representando apenas mais um exemplo da total improcedência desta gravosa e indevida autuação fiscal." Apresentados, pois, os argumentos da acusação e da defesa. Como se pode ver, a Recorrente expôs que os grupos econômicos Mead e Westvaco, em 2002, até então independentes e não relacionados, iniciaram um processo de integração de suas atividades e negócios nos mais de trinta países onde atuavam. No Brasil, o grupo Mead operava por meio da sociedade Mead Embalagens Ltda, enquanto que o grupo Westvaco operava por meio da Rigesa Celulose Papel e Embalagens Ltda, ora Recorrente. Esse processo de integração teria resultado, ao fim e ao cabo, ao menos para o que interessa ao presente julgamento, na incorporação da pessoa jurídica Meadwestvaco do Brasil Ltda (Meadwestvaco) pela Rigesa. Além disso, os grupos Mead e Westvaco também teriam razões empresariais e econômicas para pretender concentrar o controle direto de suas sociedades e operações da América Latina — notadamente do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela —, em duas sociedades canadenses, a MWV Consumer e a MWV Canada, ambas pertencentes ao grupo Meadwestvaco. Isso porque, segundo a Recorrente, a concentração das participações detidas nas empresas latinoamericanas em uma estrutura societária situada no Canadá possibilitaria o direcionamento do fluxo de dividendos e juros das sociedades investidas para aquelas sociedades canadenses, ao mesmo tempo em que aumentaria a flexibilidade no aproveitamento dos excessos de caixa gerados pelas sociedades latinoamericanas, em outras operações desses grupos no mundo. Portanto, tendo em vista os objetivos acima comentados, puramente empresariais e econômicos, conforme sustenta a Recorrente, as precitadas sociedades canadenses procederam à aquisição das quotas da Recorrente, assim como das demais empresas localizadas na Argentina, Chile e Venezuela, a valor de mercado, em cumprimento à legislação canadense e como a única forma de refletir a essência do negócio e também de cumprir com o principio arm's length, que impunha que esse tipo de operação fosse feito exatamente como uma negociação de integração de dois grupos econômicos independentes e não relacionados. Entretanto, releva considerar que, em 30/11/2002, MWV Canada adquiriu de Shore Island a totalidade das quotas no capital de Meadwestvaco. Também nesse mesmo dia, Shore Island transferiu a totalidade das participações que detinha, no capital social da Recorrente, para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada. E acrescentese, ainda, que, no mesmo dia 30/11/2002, efetivouse o aumento de capital da Meadwestvaco por contribuição das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, que entregaram à investida, com ágio, 99,99% das quotas de capital da Recorrente. Por último, mencionese que, um dia após, em 01/12/2002, a Recorrente incorporou sua controladora, Meadwestvaco, evento cuja realização permitiria a dedução do ágio amortizado com base no disposto no § 6º do artigo 386 do RIR/99, de acordo com a pretensão recursal. Inevitável que se conclua, diante desses fatos, que não há que se falar em partes independentes, afinal incorporada e incorporadora estavam, no momento imediatamente anterior ao da incorporação, sob o controle direto das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, sendo que tais pessoas jurídicas mantiveram o controle direto sobre a pessoa jurídica resultante da incorporação. Porém, a conclusão acima se reforça lançandose o olhar para a rede de conexões do grupo MEADWESTVACO, tomando como referência a localização topológica das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, as quais eram controladas diretamente pela espanhola Shore Islands, que era controlada pela Meadwestvaco Corporation. Nessa ordem de Fl. 5458DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.419 81 ideias, chamase a atenção para a posição de todas as pessoas jurídicas da rede referida, antes dos eventos societários de 30/11/2002: Prosseguindo, agora direcionando o olhar para a evolução do quadro anterior, cabendo reparar, a esse propósito, as posições afetadas em 30/11/2002 com a transferência, efetuada pela Shore Islands, da participação no capital das citadas canadenses para a holandesa Mead Holdings, diretamente controlada pela própria Shore Islands, à luz do coletado de fls. 2.244: Já no quadro subsequente se verifica que o deslocamento da Rigesa para baixo do controle direto das canadenses, e a incorporação da Meadwestvaco pela Rigesa, não alteraram a situação topológica das canadenses MWV Consumer e MWV Canada, nem da Mead Holdings, da Shore Islands ou da Meadwestcavo Corporation, pois as duas primeiras mantiveram a participação majoritária no capital da Rigesa, ao passo que a Mead Holdings permaneceu no controle direto das canadenses, assim como a Shore Islands manteve o controle direto da Mead Holdings, enquanto que, no topo de toda a estrutura societária, permaneceu a Meadwestvaco Corporation: Fl. 5459DF CARF MF 82 Diante desses quadros, asseverase que não houve alteração entre as pessoas jurídicas situadas em posição topológica acima da Rigesa, se comparado o quadro que reflete a rede de conexões imediatamente anterior aos eventos societários do dia 30/11/2002 com o quadro que representa a rede de conexões imediatamente após a incorporação da Meadwestvaco pela Rigesa, a salientar que tanto o controle direto como o controle indireto desta última permaneceram sob a decisão das mesmas pessoas jurídicas. Nessas circunstâncias, não havia partes independentes, tanto na atribuição de valor à participação das sociedades canadenses no capital da Meadwestvaco, a ser efetivada com a contribuição das quotas da Recorrente, como também não havia partes independentes na incorporação da Meadwestvaco pela Recorrente. A dedução de que as partes não são independentes traz a reboque a questão sobre a efetivação de preços praticados at arm's lenght. A recorrente afirma que o valor de mercado, na aquisição da Recorrente pela Meadwestvaco, tem suporte em quatro pilares: o primeiro, no fato de que aquelas sociedades canadenses efetuaram pagamento em dinheiro da maior parte do valor pelo qual, at arm's lenght, a Recorrente fora alienada pela Shore Islands; o segundo, calcado na existência de legislação canadense determinante da fixação do valor dessa aquisição por preço de mercado; o terceiro, na existência de laudo, elaborado por pessoa jurídica independente, sobre o valor de mercado da Recorrente, com base em uma estimativa de sua rentabilidade futura, utilizandose o método do fluxo de caixa descontado; o quarto, na circunstância de que o valor de mercado atribuído às quotas de capital da Recorrente, transferidas das sociedades canadenses a título de investimento no capital da Meadwestvaco, já havia sido fixado, no mesmo dia, pelo valor de alienação, at arm's lenght, das quotas de capital da Recorrente, transferidas pela Shore Islands às sociedades canadenses. Dizer que houve entrega em dinheiro da maior parte do valor atribuído às quotas de capital da Recorrente, transferidas da Shore Islands às sociedades canadenses, não confirma que o preço do negócio esteja amparado no princípio arm's lenght. Na verdade, como já se disse antes, as partes celebrantes não eram independentes, o que milita a desfavor da celebração a preço de mercado, e isso afeta não só a transferência das quotas da Recorrente entre as sociedades canadenses e a Shore Islands, mas também a transferência das quotas da Recorrente entre as sociedades canadenses e a Meadwestvaco. Assim, prevalece a idéia de que os preços nesses casos não são os mesmos que seriam pactuados entre partes independentes. Fl. 5460DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.420 83 A seu turno, a mera referência à existência de norma jurídica canadense que determine a prática de preços de mercado sequer torna explícito em que termos tal norma dispõe como também não assegura que tenha sido obedecida. Em outra senda, a elaboração de laudo de avaliação, na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial cujo ágio tenha sido justificado em rentabilidade futura, para cumprimento dos termos do § 3º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, impele a autoridade fiscal ao exercício do poderdever de conferir se o demonstrativo pode ser aceito, em face dos fins a que se propõe, considerando as bases empíricas e os critérios que o orientaram, na formulação de suas conclusões. Com efeito, a autoridade fiscal certificouse, nessa empreitada, de que o relatório de avaliação econômico financeira, preparado a pedido da Recorrente à pessoa jurídica Z3M Venture Partners Ltda, lastrearase em fatores que não são extraídos da realidade nacional, tais como a taxa de retorno para o caso americano; taxa de juros estimada com risco zero (utilizandose como parâmetro a remuneração dos títulos norteamericanos de 30 anos); taxa de risco apurada com base no excesso de retorno do mercado de capitais dos Estados Unidos, além de outros que o desqualificam. Porém, em etapa anterior, o Fisco validamente desclassificara a operação como formadora de ágio amortizável, independentemente de estar provada uma expectativa de rentabilidade futura em razão de determinado empreendimento. Concentrome, para tanto, no seguinte trecho do Relatório Fiscal: “70Resumindo, como a Meadwestvaco do Brasil Ltda e a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pertenciam exatamente aos mesmos proprietários e em quase idênticas participações, o negócio de aquisição das quotas da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA pela Meadwestvaco do Brasil Ltda. foi feito em dois passos: 1º passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. efetuaram subscrição de Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda; 2o passo as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. entregaram a totalidade das quotas que detinham na fiscalizada para integralizar o Capital Social subscrito da Meadwestvaco do Brasil Ltda. 71Repisese, pois é um detalhe fundamental na presente análise, a subscrição do Capital Social da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA previsto para ser efetuado pelas empresas MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. e MWV CANADA OPERATIONS CO. foi materializado pela entrega por parte destas duas das quotas do Capital Social que possuíam na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. 72As quotas de capital da empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. não foram vendidas à empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. Ou seja, não houve negociação entre partes independentes que permitisse a um comprador oferecer a um vendedor um montante financeiro Fl. 5461DF CARF MF 84 superior ao existente no patrimônio líquido da empresa negociada devido a uma expectativa de rentabilidade futura do negócio. 73Em valores, temse que, quando as sócias canadenses MWV CANADA OPERATIONS CO. e MWV CONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO. integralizaram o Capital Social da Meadwestvaco do Brasil Ltda. com as quotas que possuíam na RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA, atribuiram a estas quotas, avaliadas pela equivalência patrimonial em 30/11/2002 por R$ 309.332.300,36, o valor mais elevado de R$ 741.025.890.00, ou seja, exigindo de si mesmas um ágio de R$ 431.693.589.64. Estas quotas foram transferidas indiretamente para elas mesmas, mediante utilização da "empresa veículo" MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 74Nada mais foi acrescentado em valores monetários para se efetivar o aumento do Capital Social na empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA. 75Não houve trânsito algum de dinheiro ou quaisquer outros valores monetários ou previsão de ganhos com investimentos presentes ou futuros nessa subscrição. Em resumo, não se criou nada novo em termos econômicos relativamente à situação societária que já existia previamente. 76Não houve terceiros externos ao grupo MEADWESTVACO interessados no negócio de aquisição da participação na empresa Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda., a qual simplesmente foi transferida entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico acabando por ficar sob o controle indireto das mesmas empresas que anteriormente detinham seu controle direto. 77Criouse com essa maquinação societária uma conta ativa de ágio na empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda.. Ágio este relativo à simples majoração de preço das quotas anteriormente detidas diretamente pela MWV CANADA OPERATIONS CO. e pela MWVCONSUMER & OFFICE PRODUCTS CO., que continuaram a ser de sua propriedade, porém, a partir desse momento, através de sua controlada. 78Evidenciase com isso o fato de que os proprietários da RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA utilizaramse da empresa Meadwestvaco do Brasil Ltda. como "empresa veículo" para criar uma conta de ágio em participações, que já sabiam de antemão que seria transferida posteriormente para o ativo da fiscalizada mediante incorporação, com a finalidade de amortizar esse ágio nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR99. Aqui, é preciso salientar que o artigo 7º da Lei nº 9.532/97 autoriza a amortização apenas quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei n º 1.598/1977: Fl. 5462DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.421 85 “Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou destigio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977”: [...] IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) (grifei) Já o artigo 8° da Lei nº 9.532/1997 prevê que o disposto no artigo anterior é aplicável quando a pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária” Por outro lado, o artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77, com a redação então em vigor, prescrevia o desdobramento, na época da aquisição, do custo de aquisição, distinguindo a parcela relativa ao valor de patrimônio líquido daquela referente ao ágio ou deságio: “Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 5463DF CARF MF 86 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nosexercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.” (grifei) Os dispositivos transcritos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Nesse círculo, o artigo 7º da Lei n° 9.532/97 dispõe no sentido de que o ágio deve ser apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, o qual, por sua vez, determina que o ágio corresponde à parcela do custo de aquisição do investimento avaliado pela equivalência patrimonial que exceder seu valor do patrimônio liquido, na época da aquisição. Portanto, em breve síntese, não se pode falar em ágio se a mais valia do investimento não for gerada em ato de aquisição, e isso supõe dispêndio para se obter algo de terceiro. Ou, de outro modo, isso supõe o sacrifício de outro ativo ou o reconhecimento de um passivo, porquanto o primeiro (sacrifício de um ativo) ou o segundo (reconhecimento de um passivo) são as contrapartidas ao registro do custo do investimento adquirido. Mas o que se vê no caso concreto é um aumento no Patrimônio Líquido em contrapartida a um aumento no Ativo Permanente, em decorrência de um negócio “consigo mesmo”. Tal conclusão está em sintonia com a opinião da CVM, exposta no item 20.1.7 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/20072: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões 2 Os OfíciosCirculares emitidos pela área técnica da CVM têm como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse ofíciocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas às normas internacionais emitidas pelo IASB. <http://sistemas.cvm.gov.br/port/atos/oficios/OFICIOCIRCULARCVMSNCSEP01_2007.asp>. Acesso em 07/02/2016. Fl. 5464DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.422 87 ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.” (grifei) Em verdade, laudos de avaliação como o que foi acostado aos autos, se elaborados em atenção a interesses, apenas, de pessoas jurídicas sob controle comum, servem exclusivamente para embasar a pretensão de reavaliação das participações societárias, e não à formação de ágio. A ilustre Conselheiro Edeli Perreira Bessa já se manifestou nesse sentido, na solução de litígio presente no processo administrativo n° 10980.017339/200878, conforme excertos a seguir reproduzidos: “Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. (grifei) Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29ª edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial, não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação, se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 29 08 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. (grifei) Fl. 5465DF CARF MF 88 A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado.” Assim, consumouse o negócio “consigo mesmo” no âmbito do grupo MEADWESTVACO, cuja liderança é exercida pela Meadwstvaco Corporation, mediante condutas das pessoas jurídicas Shore Islands, MWV Consumer, MWV Canada, Meadwestcavo (brasileira) e Rigesa. Recordando: a) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu a totalidade das quotas da Meadwestvaco (brasileira) para a canadense MWV Canada; b) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu todas as participações que detinha na pessoa jurídica Rigesa para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada; c) em 30/11/2002, MWV Consumer e MWV Canada contribuiram com 99,99% das quotas da Rigesa, entregandoas com ágio para o aumento de capital da Meadwestvaco (brasileira); d) em 01/12/2002, Rigesa incorporou a controladora Meadwestvaco (brasileira); e) as sociedades canadenses MWV Consumer e MWV Canadá voltam a ser proprietárias de Rigesa. Eventual ágio assim formado é caracterizado como “interno”, sem a participação de uma parte independente a validar, em condições de livre mercado, as operações e valores. À vista do exposto, é inconcebível admitir a dedutibilidade do ágio amortizado. Quanto à multa qualificada, é preciso averiguar se a Recorrente agiu dolosamente. Reparo, daí, que a Recorrente justificou que a incorporação fazia “parte de um projeto de reestruturação societária com o fim de proporcionar uma maior eficiência estratégica e melhor desempenho das atividades econômicas da incorporada e da incorporadora, uma vez que a incorporada é quotista majoritária do capital social da incorporadora, e, por conseguinte, acarretará um aumento da lucratividade, já que reduzirá custos de natureza operacional, administrativa e financeira". Tal justificativa, como bem realçou a Fiscalização, padece de uma indefinição derivada de sua descrição genérica, pois não estabelece perspectivas numéricas em termos de economia monetária na redução de custos com manutenção, gerenciamento, mãode obra, logística e outros, ou ainda sem expressar a eventual racionalização de atividades, ou a realização do objeto social, sem falar na redução da carga tributária. Poderseia alegar que a contratação, pela própria Recorrente, de empresa especializada para elaborar o laudo de avaliação econômicofinanceira evidenciaria a intenção de realizar a incorporação segundo a legislação aplicável, afastandose o dolo. O mesmo poderia ser alegado em relação ao protocolo de intenções. Entretanto, vejo que a contratação de uma empresa especializada para elaborar o laudo de avaliação econômicofinanceira e a Fl. 5466DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.423 89 formulação do protocolo de intenções simplesmente integravam as preocupações com trâmites e aspectos formais necessários à demonstração de que se buscava a incorporação de sociedades apenas para o fim de reunir – e aqui está o que importa os requisitos exigíveis à dedução do ágio amortizado, acarretando economia de tributos, embora esta última vantagem sequer tenha sido citada no protocolo de intenções. A percepção de que existem vantagens fiscais pretendidas (e exclusivamente isso), embora omitidas no protocolo de intenções, toma vulto com a presença de todos os instrumentos de alterações societárias, por meio dos quais registraramse os seguintes fatos: 1) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu a totalidade das quotas da Meadwestvaco (brasileira) para a canadense MWV Canada; 2) em 30/11/2002, Shore Islands cedeu todas as participações que detinha na pessoa jurídica Rigesa para as canadenses MWV Consumer e MWV Canada; 3) em 30/11/2002, MWV Consumer e MWV Canada contribuiram com 99,99% das quotas da Rigesa, entregandoas com ágio para o aumento de capital da Meadwestvaco (brasileira); 4) em 01/12/2002, Rigesa incorporou a controladora Meadwestvaco (brasileira); 5) as sociedades canadenses MWV Consumer e MWV Canadá voltam a ser proprietárias de Rigesa. Inarredável a conclusão de que tais instrumentos societários, com as mesmas datas, ou com a diferença de um dia, revelam o artificialismo do ágio, uma vez constatada a ausência de propósito negocial, como efetivamente se constata, considerando que as operações que envolveram Meadwestvaco do Brasil e Rigesa, na suposta incorporação, ocorreram dentro de um grupo econômico e que, ao final, não houve qualquer alteração na propriedade da Rigesa, já que esta voltou a pertencer, depois da incorporação, às mesmas sociedades que detinham, antes da incorporação, a quase totalidade de suas quotas de capital. Com isso, mostrase irretorquível que a finalidade do ágio foi estritamente tributária: reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem pagos. Reforce se a visão de que a transformação da Meadwstvaco do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo (realizado no dia seguinte), a incorporação daquela por esta trazem à baila a inexistência de qualquer intenção negocial/societária. Como destacado pela Fiscalização, “a operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou" a criação de um ágio fictício foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, restando comprovado a inexistência de sentido comercial e econômico para a operação.” Em face do relatado, verificamse condutas tipificadas nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Sendo assim, cabível a multa qualificada de 150%, uma vez caracterizada a fraude e o conluio. Fl. 5467DF CARF MF 90 Proferida a decisão sobre a multa qualificada nos termos acima propostos, deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do CTN. Nesses termos, não há que se falar em decadência para fatos geradores ocorridos em 2003, pois a contagem do prazo decadencial em relação a esses fatos se inicia em 01/01/2005. Portanto, considerando que o lançamento tributário foi efetuado em 2009, não há suporte à afirmação de caducidade. No ponto seguinte, a exclusão indevida do lucro real anual de valores não amortizáveis. Quanto ao tema, tais foram as palavras da Fiscalização: “164Em 31/12/2008. a fiscalizada efetuou alteração na sistemática da redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devido à amortização do ágio gerado na incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL L TDA. 165Nesta data, as quatro contas 1350111 Ágio s/Investimento (DEVEDORA); 1350112 Provisão Instr CVM 349/01 (CREDORA); 1355101 Agio Trazido por Incorporação (CREDORA retificadora da conta contábil 1350111) e; 1355102 Reversão Reverva Instr 349/01 (DEVEDORA retificadora da conta contábil 1350112); tiveram seu saldo ZERADO, passando o resultado liquido da união dessas quatro contas contábeis a compor a débito as contas contábeis: 01131500 IR Diferido (CURTO PRAZO); 01240201 IR Diferido INCORPOR (LONGO PRAZO); 166Através dessas duas contas contábeis a fiscalizada passou a controlar contabilmente a curto e a longo prazos o pretendido beneficio fiscal restante do ágio gerado pela incorporação da empresa MEADWESTVACO DO BRASIL LTDA.. Ou seja, 25% (IRPJ) + 9 % (CSLL) do encontro das contas 1350111 e 1355101. 167Para o anocalendário 2008, embora os lançamentos tenham sido efetuados durante todo o anocalendário na conta de despesas '4300008. Despesa Amortização Ágio", quando do fechamento do resultado, em 31/12/2008, referida conta teve seus valores totalmente revertidos, passando a fiscalizada a utilizarse da conta "8000002 Provisão para IR Diferido" para registrar os benefícios tributários devido a criação do ágio, que a partir de então deixou de compor o seu Ativo Diferido. 168Ressaltase que os valores lançados na conta "8000002 Provisão para IR Diferido" são meros reconhecimentos contábeis, não compondo o resultado da fiscalizada para fins de apuração do Lucro Real Anual no anocalendário 2008. 169Para o anocalendário 2008, as despesas com a amortização do ágio alcançavam o montante de R$ 45.745.740,74 quando foram totalmente revertidas. 170Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no ano calendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: [...] Fl. 5468DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.424 91 172Conforme artigos já citados no presente Relatório de Ação Fiscal, as exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada para o ano calendário 2008 não têm o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nem nas disposições contidas nas leis comerciais disciplinadoras dos registros contábeis. 173A EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Ágio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01 "não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 385 e 386 do mesmo RIR/99. 174Por conseguinte, não procede a exclusão de amortizações fictícias de ágio no aporte de R$ 45.745.740,74, lançadas pela fiscalizada em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL no dia 31/12/2008. 175Todo e qualquer lançamento de exclusão ao Lucro Real Anual está sujeito ao princípio da legalidade estrita e somente a lei formal expressa é que poderá determinar o seu cabimento. Ao contribuinte não é dado arvorarse no direito de amortizar valores nunca desembolsados se esse benefício não é preconizado na lei. 176Para o anocalendário 2008, a EXCLUSÃO pretendida pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos "Amortização de Agio" e "3.09 Reversão Provisão Instr CVM 349/01" chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese sua glosa total. 177Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificadajendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1 ° e 2oda Lei n° 8.137/90. Defendendose na presente instância recursal, a Recorrente alega: “236. Esta é uma parte muito importante, a D. Autoridade Julgadora afirma que a Recorrente não impugnou especificamente essa parte em sua peça impugnatória [...] (grifei) 237. O que deve ficar claro a esse respeito é que a Impugnação da Recorrente foi feita para todas as despesas de amortização de ágio, assim como o suposto excesso de despesas de Juros sobre o Capital Próprio, deduzidas no período de 2003 a 2008. Portanto, é evidente que essa parcela da autuação estava igualmente incluída na Impugnação feita pela Recorrente. (grifei) 238. O que ocorre é que as despesas de amortização de ágio no período de 2003 a 2007 foram deduzidas tanto para fins contábeis, como para fins fiscais. Porém, a partir da entrada em vigor da Lei no 11.638, de 28.12.2007 ("Lei 11.638/07"), as despesas de amortização de ágio deixaram de ser dedutíveis para fins contábeis e permaneceram dedutíveis somente para fins fiscais. (grifei) 239. Com isso, a partir do anocalendário de 2008, a Recorrente não mais deduzia essas despesas para fins contábeis, mas procedia à sua exclusão do lucro real via LALUR. (grifei) Fl. 5469DF CARF MF 92 240. Em todo caso, é importante só que fique claro que os fatos impugnados pela Recorrente em sua peça Impugnatória referemse a todo o período de 2003 a 2008, englobando, portanto, essas exclusões supostamente indevidas do lucro real de 2008." (grifei)” Segundo a decisão recorrida, “a infração relacionada com a exclusão indevida na apuração do Lucro Real em 2008 não foi objeto de impugnação especifica por parte da autuada. Por outro lado, se se considerar a defesa como sendo a defesa global da legitimidade das operações questionadas, as discussões anteriores já demonstraram à saciedade que todas as operações com o ágio e os efeitos dai decorrentes são inoponiveis à Fazenda Nacional por indevidas.” Considero a matéria não impugnada. Isso porque a dedução das despesas de ágio amortizado, no cômputo do resultado do exercício, e a exclusão de ágio amortizado, na base de cálculo do lucro real, são infrações distintas, isto é, têm fundamentos fáticos e jurídicos distintos. Anotese o que a Fiscalização registrou a respeito de cada uma dessas infrações: a) despesas de ágio lançadas na apuração do resultado do exercício: “158 as despesas de amortização de ágio tal qual lançadas pela fiscalizada são consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa, e não são amortizáveis, não tendo o amparo legal dos ditames previstos do artigo 324 ao 327 do RIR/99; b) exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real : “170 Com a finalidade de obter o beneficio fiscal pretendido, a fiscalizada lançou em livro LALUR e em seus controles de apuração da Base de Cálculo da CSLL a totalidade do valor anteriormente registrado como despesa no anocalendário 2008, efetuando EXCLUSÃO na apuração do Lucro Real Anual, sob o histórico "Amortização de Ágio" na listagem dos ajustes a serem efetuados (folha 25 do LALUR 2008) e sob o histórico "3.09 Reversão Provisão Instr CVM349/01" no quadro de apuração do Lucro Real (folha 26 do LALUR 2008). 171 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99, assim dispõem em seus artigos 247 e em relação às exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: O artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe no sentido de se considerar “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Em face desse mandamento, tenho a matéria como não contestada. Quanto aos juros sobre o capital próprio, a Fiscalização expôs o seguinte: “181 Foi elaborada planilha anexa a este Auto de Infração denominada "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pactos em excesso 2003 a 2008", através da qual foram determinados os limites de crédito de despesas a títido de Juros sobre o Capital próprio a que estava sujeita a fiscalizada calculadas com base na TJLP. 182 Tomouse como ponto de partida para determinação dos Juros sobre o Capital Próprio os cálculos efetuados pela fiscalizada, entregues a este Serviço de Fiscalização em 27/10/2009. Fl. 5470DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.425 93 183 Tendo em vista o disposto no artigo 167 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), foi desconsiderada de oficio a operação de criação de ágio fictício pretendida pela fiscalizada, traduzida materialmente pelo saldo contido na conta contábil n° "1350111 Ágio s/Investimento" (anterior 1311112 em 2002) no montante de RS 431.693.589,64 através de sua reversão contra as contas de Patrimônio Liquido. 184 Outrossim, foram revertidas todas as demais congêneres da conta contábil 1350111 para efeito de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio para então procederse à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e determinarse o montante real dessa despesa que poderia ter sido creditado no período compreendido entre 01/2003 e 12/2008. 185 Sendo assim, também foram revertidos contra o Patrimônio Líquido os saldos anuais das contas contábeis: □ 1350112 Provisão Instr CVM 349/01; □ 1355101 Ágio Trazido por Incorporação (anterior 1311113 em 2002); □ 1355102 Reversão Reserva Instr 349/01; 186Ainda, em benefício da fiscalizada, foram aglutinados ao seu Patrimônio Líquido, ano a ano todos os valores lançados através do presente Auto de Infração, líquidos do IRPJ e da CSLL incidentes sobre as infrações constatadas para que servissem de origem de recursos e acrescentem em valor a base de cálculo correta sobre a qual poderia ter sido calculada a rubrica de Juros sobre o Capital Próprio por parte da fiscalizada. 187 Conforme consta do referido demonstrativo, isso foi feito mediante inclusão anual ao Patrimônio Líquido da fiscalizada dos seguintes valores glosados nos anoscalendário imediatamente anteriores, de forma acumulada e líquidos do IRPJ e da CSLL devidos: o Amortização do ágio contido na conta 4300008 Despesa Amortização Agio e; o Valores glosados a titulo de Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso contidos na conta "5100003 Juros Remuneração Capital Próprio". 188 Outro ajuste necessário feito anualmente no Patrimônio Líquido da empresa foi a sua redução como resultado da distribuição líquida de valores em montante superior ao permitido para a despesa de Juros sobre o Capital Próprio. 189 Tendo em vista que o limite de crédito/pagamento de despesas a título de Juros sobre o Capital Próprio encontravase em um patamar inferior ao pretendido pela fiscalizada, para os anoscalendário 2003 a 2007, os valores líquidos efetivamente distribuídos aos proprietários da fiscalizada que excederam a este limite foram considerados como Lucros ou Dividendos distribuídos, reduzindo em conseqüência o Patrimônio Líquido. 190Todos esses ajustes citados podem ser acompanhados detalhadamente mediante exame do "Demonstrativo de Apuração dos Juros sobre o Capital Próprio creditados/pagos em excesso 2003 a 2008". 191Após o computo dos ajustes efetuados em decorrência da desconsideração da criação dos ativos fictícios citados, os limites de distribuição de Fl. 5471DF CARF MF 94 Juros sobre o Capital Próprio e a situação patrimonial da fiscalizada encontravam se no seguinte patamar: Juros sobre o Capital Ano‐calendário Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Patrimonio Liquido utilizado para calculo ﴾valores iniciáis em 31/12 do ano‐calendário anterior﴿ 2003 R$ 30.462.892,05 R$264.890.106,70 2004 R$ 40.544.267,69 R$359.545.407,67 2005 R$ 66.351.048,34 R$641.896.456,07 2006 R$60.951.325,49 R$ 793.298.111,85 2007 R$ 54.228.378,45 R$850.358.668,13 2008 R$59.815.538,02 R$960.424.412,16 192 Do confronto entre os valores pleiteados pela fiscalizada a título de despesas com o crédito/pagamento de Juros sobre o Capital Próprio e o valor calculado desconsiderando se a existência de ativos fictícios com contrapartida em seu Patrimônio Líquido foi determinado o valor da glosa de valores creditados/pagos em excesso: Ano‐Calendàrio Juros sobre o Capital Próprio creditado/pago Juros sobre o Capital Próprio máximo calculado ﴾TJLP﴿ Juros sobre o Capital GLOSADO 2003 RS 48.037.000,00 R$ 30.462.892,05 R$ 17.574.107,95 2004 R$ 52.435.000,00 R$ 40.544.267,69 R$ 11.890.732,31 2005 R$ 75.719.800,00 R$ 66.351.048,34 R$9.368.751,66 2006 R$ 64.222.000,00 R$60.951.325,49 R$ 3.270.674,51 2007 R$ 55.335.800,00 R$ 54.228.378,45 R$1.107.421,55 2008 R$ 57.112.000,00 R$ 59.815.538,02 ZERO 193 Deste quadro temse que será procedida a glosa dos valores dos Juros sobre o Capital Próprio creditados em excesso para os anoscalendário 2003 a 2007. 194 Com relação a esta infração, foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que para efetuar os cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio a fiscalizada inflou seu Patrimônio Líquido mediante a inclusão de contrapartidas provenientes da criação de ativos fictícios engendrados mediante simulação, o que, em tese, caracterizase conto crime contra a ordem tributária, previsto nos art. lo e 2o da Lei n° 8.137/90.” A Recorrente, a seu turno, apresentou os argumentos abaixo: “172. Ademais, conforme constatado pela própria D. Fiscalização, a Mead do Brasil constituiu uma provisão em seu patrimônio liquido, regulada pela Instrução da CVM de n° 319, de 3.12.1999 ("ICVM 319/99"), com as alterações dadas pela Instrução da CVM de n° 349, de 6.3.2001 ("ICVM 349/99"), cujo objetivo era o de ajustar o valor ao seu valor provável de realização o ágio registrado em relação à Recorrente. Em termos práticos, após a incorporação da Mead do Brasil, essa provisão tinha como efeito a redução do valor contábil do ágio então contabilizado no ativo diferido da Recorrente para cerca de 34% do seu valor original. Ora, só este fato já demonstra a correção técnicocontábil dos procedimentos adotados pela Recorrente, pois, se sua intenção fosse se aproveitar indevidamente de benefícios fiscais, essa provisão não teria sido constituída e o resultado seria que a base contábil da Recorrente para o pagamento de juros sobre o capital próprio seria substancialmente maior. Mas, ao contrario disso, a Recorrente sempre procurou se valer de boas praticas contábeis, assim como da legislação fiscal em vigor. (grifei) 173. É necessário também ressaltar que, mesmo que se entendesse que o ágio contabilizado pela Recorrente não pudesse ser amortizado para fins fiscais, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim, as operações que levaram à Fl. 5472DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.426 95 integração da Mead Brasil com a Recorrente tiveram como efeito contábil último registro de um ágio no patrimônio liquido da Recorrente." (grifei) [...] "175. Portanto, independentemente de esse ágio poder realmente ser amortizado para fins fiscais pela Recorrente, em qualquer caso, ele existiu efetivamente, como fruto de operações legitimas e verdadeiras, como foi acima comentado. Logo, resta claro que os pagamentos de juros sobre o capital próprio feitos pela Recorrente foram legítimos e a sua correspondente dedutibilidade foi feita nos termos da lei aplicável. A Recorrente não tem razão. Conforme o já exposto, decidiuse, acima, que o ágio é indedutível porque é artificial. Querse dizer, com isso, que não tem substância econômica alguma. Sendo assim, a Fiscalização deveria recompor, como efetivamente recompôs, o cálculo mensal dos limites dos juros sobre o capital próprio, considerando a influência do ágio amortizado na determinação do patrimônio líquido. Nesse escopo, mostrouse necessário ajustar o patrimônio líquido, depurandoo dos efeitos decorrentes da contabilização do ágio, incluindo os derivados de contas contábeis provenientes da regulação da CVM sobre o ágio. A despeito da artificialidade do ágio, fruto de uma inventividade voltada à obtenção de vantagens indevidas, a Recorrente pleiteia que se reconheçam os juros sobre o capital próprio como se os ágios tivessem fundamento de validade. Obviamente, a Recorrente não pode obter proveito algum dessa artificialidade. Também aqui, é imprescindível que se contenham as possíveis consequências que a fraude e o conluio podem gerar, em benefício daquele que forjou uma rede de alterações societárias em desfavor do Fisco Por conseguinte, nego provimento ao recurso. No que diz respeito à multa isolada, explico que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do imposto por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 5473DF CARF MF 96 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; " Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em questão depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social devidos ao final do anocalendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 5474DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.427 97 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. Tal entendimento está alinhado ao pensamento do Conselheiro Alberto Pinto Silva Júnior, conforme acórdão nº 1302001.8263, sessão de 06/04/2016, assim anunciado: “Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime .” A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao prescrever que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura Fl. 5475DF CARF MF 98 de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” Diante disso, aplicando a Súmula CARF nº 105, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada incidente sobre diferenças de estimativas correspondentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2007. Quanto à incidência dos juros à taxa Selic, cabe aduzir ao entendimento jurisprudencial consolidado na Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, impende negar provimento ao pedido. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício, considero que o o ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 5476DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.428 99 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 5477DF CARF MF 100 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um Fl. 5478DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.429 101 regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: Fl. 5479DF CARF MF 102 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Fl. 5480DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.430 103 Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmemente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Com base no exposto, nego provimento ao recurso, quanto à questão examinada. Presentes, pois, os fundamentos acima colacionados, proponho não conhecer do recurso voluntário quanto à exclusão de ágio amortizado na base de cálculo do lucro real e, quanto à parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa isolada aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2007. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado Fl. 5481DF CARF MF 104 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que diz respeito: (1) à redução da multa qualificada para 75%; (2) à decadência para o anocalendário 2003; e (3) à incidência de multas exigidas isoladamente aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos após o mês de maio de 2007. Passo a expor os fundamentos das divergências e as conclusões às quais chegou o Colegiado, para cada uma dessas situações. (1) Acerca da redução da multa qualificada para 75% O ilustre Relator considerou que os instrumentos societários utilizados revelam o artificialismo do ágio, e enfatizou que a transformação da Meadwstvaco do Brasil em controladora da recorrente e, ato continuo, a incorporação daquela por esta trazem à baila a inexistência de qualquer intenção negocial/societária. Destaca que a operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo, propicia a criação de um ágio fictício, engendrado com o evidente intuito de criar despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, face à inexistência de sentido comercial e econômico para a operação. Desta forma, concluiu que estas condutas se encontram tipificadas nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, impondose a multa qualificada de 150%. Essa discussão não é nova no CARF, nem para este Colegiado, tendo sido objeto de extensas discussões que, afinal, conduziram ao entendimento majoritário deste Colegiado. pela inaplicabilidade da multa qualificada, quando se trata de mera divergência de interpretação de normas. A qualificação da multa, na forma prevista pelo § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, pode ser aplicada tãosomente aos casos em que o contribuinte incorra em uma das hipóteses descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Entendo que não pode ser presumida pela autoridade fiscalizadora a atividade de sonegação, fraude ou conluio, devendo o lançamento da multa qualificada de 150% ser minuciosamente descrito e comprovado pelo agente fiscal. No que se refere à ocorrência do fato gerador, penso que não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento. O Contribuinte, ora Interessado, na sua interpretação da legislação tributária/societária, entendeu que pudesse praticar os atos já exaustivamente detalhados e, com esta postura, se beneficiar do tratamento fiscal disposto no art. 386 do RIR/99, nada além disso, ao meu sentir. Assim, a interpretação equivocada da legislação tributária não é suficiente para que seja atribuída ao contribuinte a conduta dolosa ou fraudulenta. Fl. 5482DF CARF MF Processo nº 10830.016637/200945 Acórdão n.º 1301002.278 S1C3T1 Fl. 5.431 105 Desta forma, por entender não estar devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, voto pela improcedente a aplicação de multa qualificada, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. (2) Acerca da decadência para o anocalendário 2003 Nos termos da decisão do STJ, no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência de cinco anos em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). No caso concreto, proferida a decisão no sentido de inaplicabilidade da multa qualificada, nos termos acima propostos, sendo comprovado ainda o pagamento antecipado (estimativas pagas), deslocase a contagem do prazo decadencial para o artigo 150, §4º, do CTN, impondose o reconhecimento da decadência para fatos geradores ocorridos em 2003, vez que o lançamento tributário foi efetuado em 2009. (3) Acerca da incidência de multas exigidas isoladamente aplicada sobre diferenças de estimativas relativas aos fatos geradores ocorridos após o mês de maio de 2007. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões favoráveis e contrárias à aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais oscilou seu entendimento, e já rejeitou a aplicação simultânea das referidas multas, sob o argumento de que o não pagamento das estimativas seria apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como estimativas caracterizamse meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal a pagar. Filiome a este entendimento. Encerrado o anocalendário, não há o que se falar em recolhimento de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento das estimativas devidas durante o anocalendário. É devida até o momento Fl. 5483DF CARF MF 106 previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça lucros à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Por esta razão, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, expresso na súmula 17 do STJ. Desta forma, é incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, e, por isso, voto por manter a multa de ofício e excluir a multa isolada. Conclusão Sendo assim, em conformidade com as razões acima descritas, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2003, reduzir a multa qualificada para 75% e afastar as multas exigidas isoladamente. Saliente se que em todos os demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto do ilustre Relator. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 5484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905573/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.794
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.905573/201287 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.794 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 73 /2 01 2- 87 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.321, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905573/201287 Acórdão n.º 3201002.794 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902800/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 00 /2 01 2- 33 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.011. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902800/201233 Acórdão n.º 3302004.170 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.009135/99-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/10/1999
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não cabe a conversão em Declaração de Compensação,sendo inviável a homologação tácita do pedido.
Numero da decisão: 1201-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não cabe a conversão em Declaração de Compensação,sendo inviável a homologação tácita do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 35 /9 9- 52 Fl. 245DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, fl. 01 a 03, protocolizado em 09/09/1999, o qual traz como contribuinte detentora do crédito a empresa Sid Microeletrônica S/A., CNPJ no 19.882.497/000147, e como contribuinte devedora a empresa em epígrafe, tendo como débito objeto de compensação o tributo COFINS PA 10/99 com vencimento em 12/11/1999, no valor de R$ 485.083,42. Quando da análise do direito creditório que se pretendeu contrapor ao débito apresentado no presente pedido, manifestouse a Divisão de Orientação e Análise Tributária — DIORT, da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo — DERAT, por meio do Despacho Decisório, datado de 24/08/2007, exarado no bojo do processo n° 13811.002062/9985, pelo indeferimento. Cópia deste ato administrativo, cuja ementa e decisão vão abaixo transcritas, encontrase juntada ao presente às fls. 21/28. "Assunto: Restituição / Compensação. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Anocalendário: 1990, 1994, 1995 e 1996 Ementa: CSLL. Crédito objeto de discussão judicial. Trânsito em julgado. Compensação. Documentação exigida. A compensação com aproveitamento de tributo objeto de discussão judicial somente poderá ocorrer após o trânsito em julgado da decisão. 0 contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. O interessado deverá comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Comprovação das informações exigidas. Não atendimento a intimação. O não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Crédito liquido e certo. Compensação. A autoridade administrativa somente autoriza a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos. Pedido de Restituição indeferido. Pedidos de compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, vinculados ao crédito aqui analisado, indeferidos. (....) Decisão Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 3 3 No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54, de 10 de outubro de 2001, INDEFIRO o Pedido de Restituição; NÃO RECONHEÇO o direito creditório de Sid Microeletrônica SA — CNPJ; 19.882.497/000147, no montante de R$ 3.818.319,02 ( ) e, em conseqüência, INDEFIRO os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, vinculados ao crédito aqui analisado, mantendose eventual inscrição dos débitos em Divida Ativa da Unido." Consta também dos autos o despacho, dando conta de que o pedido de compensação de fl. 01, não foi convertido em Declaração de Compensação, por não se adequar aos ditames da legislação de regência, sobretudo ao artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996. Comunica, ainda, a autoridade preparadora que o débito objeto do pedido de compensação de fl. 01, ao qual fora contraposto crédito de terceiro não reconhecido, foi transferido para o processo n° 10830.002005/200813 Diante disso, apresenta a requerente na qualidade de "interessado", Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos contra o despacho decisório, proferido no bojo do processo n° 13811.002062/9985, que indeferiu o direito creditório que se pretendeu utilizar neste encontro de contas e, também, contra a cobrança do debito cuja compensação não foi deferida. Referida manifestação de inconformidade foi dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas, para a qual foi encaminhado o presente processo para apreciação. Decisão da DRJ Em decisão de 09/10/2008 a 4°Turma da DRJ/CPS decidiu, por unanimidade de votos, restituir o processo para a unidade de origem em razão de incompetência da DRJ/Campinas para apreciar a Manifestação de Inconformidade, conforme bem explicado no trecho abaixo do acórdão: " 13. Nessas circunstâncias, para apreciação de Manifestação de Inconformidade contra tal Despacho Decisório, aplicase a regra geral de competência das Delegacias de Julgamento, qual seja, a competência para julgar os processos de restituição/compensação tem em conta a origem do ato praticado bem como a natureza do crédito pleiteado. 14. Assim consta no atual Regimento, aprovado pela Portaria MF n. 95, de 2007: Art. 174. Ás Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento — DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, Fl. 247DF CARF MF 4 especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (...) III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos a restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. §1° O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2° O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. A competência é, portanto, definida em razão da autoridade que editou o ato recorrido e do tributo ao qual se refere o crédito pleiteado, e, assim, é atribuída à DRJ.na correspondente jurisdição e relativamente àquela matéria. 16. No presente caso, como visto, o ato de indeferimento do Pedido de Compensação, contra o qual se insurge a ora requerente Rigesa, foi editado pela autoridade competente da DERAT, jurisdicionante do domicilio do detentor do crédito. A DERAT, contudo, não pertence à jurisdição desta DRJ/Campinas, mas sim à jurisdição da DRJ/São Paulo." Decisão da DRJ/SPOI nos autos do processo 13811.002062/9985 Em decisão de 28/10/2008, a 5°Turma da DRJ/SPOI julgou os autos do processo administrativo n. 13811.002062/9985 cujo interessado era a contribuinte SID ELETRÔNICA S/A, mas no qual a empresa RIGESA, ora Recorrente, apresentou Manifestação de Inconformidade. Mencionada decisão não acolheu a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O pedido de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP), sendo aplicável ao caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 4 5 processo administrativo no âmbito federal, inexistindo, portanto, a possibilidade de homologação tácita desses pedidos, nem a suspensão da exigibilidade dos débitos. CONTESTAÇÃO DA COBRANÇA. COMPETÊNCIA. Compete à Delegacia de Julgamento se manifestar apenas acerca dos argumentos contrários ao Despacho Decisório que não reconheceu direito credit6rio ou não homologou compensação; quanto a eventual irregularidade na cobrança, cabe ao contribuinte a interposição de "recurso hierárquico". Solicitação Indeferida Do Despacho da 4°Turma da DRJ/SPOI no presentes autos Em 18/02/2009, por meio de Despacho da 4°Turma da DRJ/SPOI, fora resolvido que a solicitação da ora Recorrente não deveria ser apreciado, pelo motivos abaixo destacados nos trechos do despacho: " (...) Assim, em que pese o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, permitir a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em DCOMP, há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação com débitos próprios. Em outras palavras, toda a sistemática relacionada à DCOMP, inclusive a conversão de pedidos de compensação anteriores A Medida Provisória n° 66/2002, s6 se ajusta As compensações de débitos próprios. Como conseqüência, entendese que os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se converteram em Declaração de Compensação, sendolhes aplicáveis o regramento antes vigente. Justamente por não ter a compensação se convertido em DCOMP, não compete Delegacia de Julgamento a apreciação de defesa em face do não acolhimento da pretensão compensatória de débitos de terceiros. Como acima salientado, o contribuinte SID MICROELETRÔNICA S/A foi cientificado, em 01/10/2007, do despacho decisório que não reconheceu seu direito creditório, não tendo apresentado manifestação de inconformidade. Por outro lado, a empresa Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., um dos contribuintes que figura no pólo passivo da Fl. 249DF CARF MF 6 obrigação tributária e cujos débitos permanecem em aberto pelo não reconhecimento do direito creditório da empresa SID MICROELETRÔNICA S/A, apresentou defesa, ora em comento, que esta instância julgadora, como é consabido, não tem competência para apreciar. Isto é assim, porque no tocante ao pedido de compensação de débito de terceiros, não se pode, em sede de julgamento administrativo, conhecer da petição apresentada pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., porque a compensação é estrita aos casos expressamente previstos em lei, e as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a contestação da não homologação da compensação de crédito não pertencente ao próprio contribuinte." Recurso Voluntário Irresignada com a decisão a DRJ/SP, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual alega em matéria preliminar: i) cabimento do Recurso Voluntário e irrestrito direito da contribuinte à ampla defesa e contraditório; ii) efetiva condição de interessado da Contribuinte nos autos o processo n. 13811.002062/9985; iii) competência do CARF para apreciação o recurso em tela; iv) decadência Em relação ao mérito, a Recorrente traz as seguintes alegações: i) homologação tácita das compensações ii) direito líquido e certo aos créditos solicitados na compensação; iii) necessidade de lançamento de ofício no caso em tela; iv) indevida exigência de multa; v) ilegalidade da Taxa Selic. É o Relatório Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.009135/9952 Acórdão n.º 1201001.638 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos previstos em lei, por isso, merece ser apreciado. Mérito Não obstante o longo relatório, tenho que a solução do presente processo é deveras simples. Analiso os presentes autos com base também nos documentos acostados nos processos administrativos n. 10830.007260/9973 e 10830.008988/9940. Isso porque, de fato, conforme documentação acostada aos autos dos presentes autos e dos processos acima mencionados (10830.007260/9973 e 10830.008988/99 40), temos que, paralelamente, os débitos discutidos no presente processo foram transferidos para o processo administrativo sob o n° 10830.002057/2008 13 para fins de cobrança. Em tal processo, os débitos foram por decisões desfavoráveis à Recorrente tanto em primeira quanto em segunda instância administrativa. Em razão disso, os débitos foram inscritos em Divida Ativa sob n° 80.6.08.00442714 e na seqüência fora ajuizada a Execução Fiscal n° 2009.61.05.0029816. Contudo, nos autos do processo de Embargos à Declaração n. 2010.61.05.005930, apenso à Execução Fiscal n. 2009.61.05.0029816, foi apresentada a seguinte petição pela ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Campinas/SP (fls.408): "A União (FAZENDA NACIONAL), representada pela Procuradora infraassinada (LC 73/93), nos autos dos embargos à execução em epígrafe, vem tempestivamente presença de Vossa Excelência apresentar manifestação acerca dos embargos b. execução, no sentido de reconhecer a prescrição do crédito tributário tendo em vista os documentos em anexo (os quais dão conta de que pedido de compensação — realizado pelo Embargante com crédito de terceiro nem extingue, nem suspende o débito, tendo passado mais de cinco anos entre o pedido e a decisão), motivo pelo qual requer a extinção da execução em apenso." Na seqüência, foi exarada sentença nos seguintes termos (fls. 409): " Tendo em vista o reconhecimento jurídico do pedido formulado no presentes embargos, impõese o reconhecimento da prescrição e conseqüentemente a extinção da execução fiscal. Fl. 251DF CARF MF 8 A executada necessitou da intervenção de advogado, opondo, inclusive, embargos à execução fiscal para demonstrar a inexigibilidade do titulo objeto de cobrança. Ante o exposto, pronuncio a prescrição da ação para cobrança e declaro extintos os créditos tributários nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional, extinguindo o presente feito, bem como a execução fiscal, com fundamento no art. 269, IV, do Código de Processo Civil." Desta sorte, me parece que o destino dos débitos ora em discussão nos presentes autos já estão com seu destino resolvido, tornando inviável a homologação da compensação, devendo a Delegacia de Origem apenas observar o quanto decidido nos autos da Execução Fiscal acima mencionada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO devendo a Delegacia de Origem observar o quanto julgado nos autos da Execução Fiscal n. ° 2009.61.05.0029816. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.002500/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEBASTIAO ANTONIO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 25 00 /2 00 6- 09 Fl. 271DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese o Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme descrição dos fatos (fl. 47 e ss) a autuação é decorrente do fato de o contribuinte, mesmo intimado, não ter consegui fazer provas do seu direito à isenção do ITR sobre as áreas declaradas em sua DITR transmitida em 27/09/2002. No entendimento do fiscal, o contribuinte deixou de cumprir os requisitos legais para fazer jus ao benefício da isenção, mais precisamente não comprovou a existência de averbação das áreas de reserva legal/preservação permanente em data anterior a ocorrência do fato gerador como também não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ou seu respectivo requerimento até a data fixada pela legislação. Foi apontado ainda irregularidades quanto as áreas declaradas de benfeitorias e quanto ao Valor da Terra Nua VTN apurado. Cobrase o imposto sobre o valor total da área tributável apurada, qual seja, 2.038,6ha e com base no novo VTN apurado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 58 e seguintes. Sucintamente, esclarecemos que em suas razões de defesa o contribuinte propõem a discussão acerca da necessidade de apresentação de ADA e averbação para fim que utilização da isenção do ITR e forma de cálculo do Valor da Terra Nua apurado pela fiscalização. Junta Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel datado de 23/10/2006 e por meio do qual é faz considerações acerca das áreas de utilização limitada e ainda sobre o valor do imóvel na época da ocorrência do fato gerador. A Delegacia de Julgamento, afastando a preliminar de ilegalidade do lançamento e realização de perícia, manteve o lançamento. Quanto as áreas de reserva legal manteve a glosa sob a fundamentação de que não foi devidamente comprovada a averbação tempestiva dessa área de utilização limitada à margem da matrícula do imóvel, nem a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Quanto ao VTN entendeu que teor do laudo trazido aos autos não atendeu aos requisitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, no caso, a NBR 8799/85, não se mostrando hábil para alteração do VTN apurado. Por fim, em relação as áreas de Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 272 3 benfeitoria acolheu as informações prestadas pelo contribuinte às fls. 30, contudo referida alteração trouxe implicações apenas cadastrais, não tendo qualquer efeito sobre o crédito tributário apurado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 111) o Contribuinte citando jurisprudência deste Conselho reitera suas argumentações de defesa. Por meio do acórdão nº 220101.113 a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a área de utilização limitada equivalente a 97,0ha e considerar como VTN o valor indicado pelo contribuinte em laudo técnico de avaliação do imóvel juntado aos autos. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL INFORMADAS NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. Cabe revisão do valor arbitrado do VTN, quando questionado pelo contribuinte, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação elaborado por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, nos termos do parágrafo 4° do artigo 3° da Lei 8.847/94. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 273DF CARF MF 4 Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Duas foram as matérias arguidas no recurso: 1) Necessidade de apresentação de ADA. Citando como paradigmas os acórdãos 30134352 e 30239144 a Recorrente esclarece que enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação da área de preservação permanente por meio de protocolização tempestiva do ADA pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, os paradigmas afirmam tratar a referida declaração de requisito indispensável à fruição da isenção do ITR nos termos do art. 17O da Lei nº 6.938/81. 2) Requisitos necessários do laudo. Redução do VTN. Citando como paradigma o acórdão 30335.648 a Fazenda Nacional pede a reforma do julgado pelo fato de o laudo técnico utilizado não ter demonstrado a existência de características particulares desvantajosas que impedissem a apuração com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. Contribuinte intimado do acórdão e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional apresentou contrarrazões e ainda recurso especial, ao qual foi negado seguimento. Em sessão de julgamento ocorrida em 25 de novembro de 2016, detectouse a necessidade de complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional haja vista o mesmo ter sido omisso quanto a segunda divergência apontada "Valor da Terra Nua". Diante disto, por meio da Resolução nº 9202.000.064, esta Câmara Superior determinou a conversão do julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para saneamento do feito. Complementado a admissibilidade, a ilustre Presidente de Câmara, por meio do despacho de fls. 487 e seguintes, entendeu pela inexistência de divergência interpretativa em relação ao tema acima suscitado, esclareceu que as soluções diversas adotadas pelos acórdãos não estão ancoradas em interpretações divergentes de lei, mas sim são devidas aos diferentes conjuntos probatórios constantes de cada processo e concluiu: Assim, integrandose os dois despachos de admissibilidade, resulta o SEGUIMENTO PARCIAL do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, admitindose a rediscussão na Instância Especial da seguinte matéria: obrigatoriedade de apresentação do ADA para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente A Fazenda Nacional tomou ciência do despacho que deu seguimento parcial ao seu recurso nos termos da petição de fls. 268. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 273 5 Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Fl. 275DF CARF MF 6 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 274 7 a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Fl. 277DF CARF MF 8 Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente é polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição da respectiva área ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 275 9 Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é Fl. 279DF CARF MF 10 requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 276 11 PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Fl. 281DF CARF MF 12 Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 277 13 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Assim, diante de todo o exposto, considerando a existência de laudo técnico (fls. 95) atestando a existência de uma área de preservação permanente no total de 97 ha, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL para manter a decisão de recorrida. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos para exclusão das áreas de preservação permanente. Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Fl. 283DF CARF MF 14 Ou seja, mandatório, para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico, que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 278 15 (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de entrega do ADA sequer foi efetivamente cumprido. Ainda a propósito, agora quanto à questão do momento da entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de Fl. 285DF CARF MF 16 propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 279 17 especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Fl. 287DF CARF MF 18 Repetindose uma vez mais que como, no caso em questão, não houve entrega do ADA, é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, reformandose o recorrido para manter a glosa realizada pela autoridade lançadora. È como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.025193/99-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 02 51 93 /9 9- 03 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.673 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de julgamento de embargos acolhidos no Acórdão nº 3202 000.71 para apreciação de matéria omitida no Acórdão nº 30133.349 relativa ao pleito de aproveitamento dos créditos de entrada que não foram considerados pela fiscalização. A autuação decorreu de saída dos produtos industrializados abaixo mencionados, com incorreção na classificação fiscal e alíquotas adotadas: a) Removedores de esmalte, obtidos da mistura de álcool e acetona, apresentados em embalagens de volumes diversos (95, 100, 200, 480 e 950ml) e denominados nas notas fiscais de saída ora como "Removedor de Esmalte Acetona Guararapes", ora simplesmente como "Acetona Guararapes". A classificação correta seria 3304.30.0300, com alíquota de 30%; b) Frascos plásticos de diversas capacidades volumétricas. A classificação correta seria 3923.30.0000, com aliquota de 10%. Em impugnação, a recorrente refutou a classificação fiscal do removedor de esmalte e dos frascos plásticos, além do fato de que nos cinco anos anteriores, a fiscalização não questionou a adoção das alíquotas utilizadas pela recorrente o que configuraria prática reiterada, alegou, ainda, falta de provas do alegado pelo Fisco, a utilização da taxa Selic como juros de mora e a necessidade de perícia. A DRJ proferiu a Decisão nº 1.329/99, a qual foi anulada por não apreciação de prova produzida pela recorrente. No segundo julgamento, a A DRJ considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO — A saída de produtos tributados, com falta de destaque do imposto em decorrência de erro de classificação fiscal, implica no lançamento de oficio do que deixou de ser recolhido por iniciativa do sujeito passivo, acrescido dos consectários legais. Classificação de Mercadorias CLASSIFICAÇÃO FISCAL — Da simples característica dos produtos "Acetona Guararapes" e "Frascos Plásticos", é possível, com o auxilio exclusivo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal na TIPI: 3304.30.0300 e 3923.30.0000, respectivamente. Processo Administrativo Fiscal PERfCIAS — Dispensável a produção de perícias quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento defeito. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.674 3 Normas Gerais do Direito Tributário ONUS DA PROVA — Os documentos fiscais emitidos fazem prova contra seu autor, sendo licito a este demonstrar que as informações ali constantes não correspondem à verdade dos fatos. Normas Gerais do Direito Tributário PRATICAS REITERADAS — As práticas reiteradas, previstas no art. 100, III, do CTIV, representam uma posição sedimentada do fisco na aplicação da legislação tributária e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Processo Administrativo Fiscal JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCOSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE — Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por fiança de dispositivo constitucional. Lançamento Procedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 786/806), repisando as alegações deduzidas em impugnação, além de acrescer a alegação da necessidade de se abater o IPI dos insumos utilizados na fabricação dos produtos tributados, de acordo com o artigo 82, inciso I do antigo regulamento de IPI Decreto nº 87.981/1982 e a exorbitância da multa de ofício de 75%. Na sessão de 25/01/2006, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência para verificar a destinação das embalagens. Cumprida a diligência, a turma proferiu o Acórdão nº 30133.349, negando provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. ACETONA — 0 produto "Acetona", ainda que seja um conjunto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mas cujo acondicionamento seja para venda a retalho e cuja destinação é a remoção de esmalte (de unhas) tem sua classificação fiscal na posição 3304.30.0300. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FRASCOS PLÁSTICOS. Frascos plásticos classificamse no código NBM 3923.30.0000, independentemente de sua destinação. Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.675 4 PROVA PERICIAL — Quando o fundamento do lançamento não está pautado exclusivamente na composição química do produto e não seja esse o ponto fulcral da lide, 6 dispensável a produção de perícias. JUROS DE MORA — Taxa Selic. A utilização da Taxa Selic para cálculo dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. OBSERVÂNCIA DE NORMAS. MULTAS E JUROS DE MORA A nãodetecção das irregularidades pela fiscalização em ações anteriores não pode ser confundida com homologação de prática de atos infracionais nem arguida para a invocação do principio benigno de que trata o art. 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN, para efeitos de exclusão dos acréscimos de multa e de juros moratórios. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Cientificada, a recorrente opôs embargos em face do referido acórdão, os quais foram acolhidos em parte, mediante o Acórdão nº 3202000.71, para apreciação da matéria relativa ao crédito de IPI relativo aos insumos utilizados nos produtos fabricados. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos foram admitidos apreciação de matéria omitida no Acórdão nº 30133.349 relativa ao pleito de aproveitamento dos créditos de entrada que não foram considerados pela fiscalização. Verificase que na impugnação (efls. 559/574), a recorrente nada objetou quanto à falta de aproveitamento de qualquer crédito pela fiscalização, mas impugnou apenas as matérias relativas à classificação fiscal do removedor de esmalte e dos frascos plásticos, à configuração de práticas reiteradas (que remonta novamente à classificação fiscal), à falta de provas do alegado pelo Fisco, à utilização da taxa Selic como juros de mora e à necessidade de perícia. Apenas em recurso voluntário, às efls. 802, a recorrente alegou eventual falta de consideração de IPI nas entradas de insumos utilizados nos produtos objeto da autuação, conforme abaixo: "NÃO FOI ABATIDO 0 VALOR DO IPI DA ENTRADA Ainda que se admita, só para argumentar, a exigência fiscal do IPI que ora se discute, é de ser compensado da exigência, o IPI dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, tendo em vista o Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.676 5 principio da nãocumulatividade (exvi do artigo 81, I do RIPI), segundo o qual: "Os estabelecimentos industriais têm direito ao crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridas para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de aliquota zero e os isentos, incluindose entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Portanto, Senhores Julgadores. Deixar de compensar do imposto exigido, o devido na compra dos insumos, é ferir o principio constitucional da nãocumulatividade. Esta regra da compensação, está também consubstanciada no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e farta jurisprudência dominante, tanto a nível administrativo como no judiciário. A não consideração do crédito relativo aos insumos implica dizer que o valor da imputação fiscal padece de improcedência, e não sendo função desse órgão a atividade de lançamento, a Denúncia deve ser considerada Improcedente de pleno direito. Assim sendo, por esse motivo, deve ser declarado a improcedência do presente auto, ou que seja determinada ã compensação dos valores destacado nas notas fi scais de entrada e constante da declaração de IRPJ, AnoCalendário 1996. — Doc. 04." Constatase, assim, que houve preclusão processual relativa a esta alegação, pois que não foi contestada no momento adequado, ou seja, na impugnação, conforme o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, citamse diversos acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 9303004.171: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não impugnada, à exceção das matérias de ordem pública, está excluída do litígio e o crédito tributário respectivo tornase consolidado. Na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de Recurso Voluntário. Acórdão nº 3301003.104: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.677 6 essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. Acórdão nº 3402003.181: PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. Diante do exposto, voto para não conhecer da alegação de falta de aproveitamento de créditos de IPI relativos a insumos utilizados nos produtos autuados, mantendose o resultado do julgamento proferido no Acórdão nº 30133.349. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963675/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO
Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP).
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 36 75 /2 00 8- 12 Fl. 174DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 9497: Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de homologação parcial da compensação (fl. 3 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), porque, embora tenha sido constatada a procedência do crédito original informado no PER/Dcomp, ele revelou se insuficiente para quitar o débito informado. Cientificada do despacho decisório em 05/01/2009 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2009 (fls. 13/17), na qual alega que: • efetuou a compensação de débito de PIS/Pasep não cumulativo (código de receita 6912) referente ao período de apuração junho/2003, com crédito oriundo de pagamento a maior a título de PIS/Pasep cumulativo (código de receita 8109) referente ao mesmo período de apuração; • por equívoco, ao invés de quitar o débito de PIS/Pasep por intermédio de dois Darfs distintos para os valores correspondentes aos códigos de receita 6912 e 8109, efetuou o recolhimento por meio de guia única, refletindo tal equívoco na DCTF original enviada em 10/04/2004; • não podia sanar o equívoco cometido por meio de retificação do Darf, pois o art. 10, inciso I, da Instrução Normativa nº 403, de 2004, não permite o desdobramento em dois documentos; • procedeu à retificação da DCTF de modo a alocar corretamente os débitos apurados a título de PIS/Pasep cumulativo e não cumulativo e, para informar a quitação desses débitos vinculou o recolhimento sob o código de receita 8109 e a compensação formalizada para o código de receita 6912; • o valor que está sendo exigido se refere à aplicação da multa de mora, que de fato não foi levada em conta na compensação efetuada, tendo em vista que os débitos foram integralmente quitados em 15/07/2003, tempestivamente, por meio de Darf, estando o montante recolhido, desde então, disponível aos cofres públicos, não havendo que se falar em mora. A Turma "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade através do acórdão de nº 1647.629, cuja ementa assim restou sintetizada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.963675/200812 Acórdão n.º 3302004.448 S3C3T2 Fl. 3 3 Ano calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. CRÉDITOS. DÉBITOS. FALTA DE EQUIVALÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, o crédito deve ser acrescido de juros compensatórios e o débito, se já vencido, sofre a incidência de juros de mora e multa de mora até a data da apresentação do PER/Dcomp. A falta de equivalência entre o total do crédito e do débito assim valorados implica a homologação apenas parcial da compensação efetuada. Intimada da decisão combatida em 18.12.2014 (fls.101), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 29.12.2014 (fls. 104121), requerendo, em síntese, a reforma da decisão de piso com base nos seguintes fundamentos: (i) estão configurados os requisitos necessários da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional; e (ii) deve ser observado o princípio da verdade material, considerando que a Recorrente realizou o pagamento do tributo devido dentro do prazo previsto em lei, sendo inaplicável a exigência de multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 18.12.2014 (fls.101) e protocolou Recurso Voluntário em 29.12.2014 (fls. 1041121), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Em síntese apartada, a Recorrente argumenta que houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Pois bem. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, estatui que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta lei ou em lei tributária.” Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 176DF CARF MF 4 Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Em se tratando de compensação, dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e o art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 que “os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Em relação a matéria concernente a aplicação denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no nº 1.149.022/SP, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (do antigo CPC), já pacificou seu entendimento nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.963675/200812 Acórdão n.º 3302004.448 S3C3T2 Fl. 4 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Do que se infere da decisão supra citada, é que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito e, quando o contribuinte realizar o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal. A respeito disso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional lavrou os Pareceres PGFN/CRJ nºs 2.113 e 2.124, de 10 de novembro de 2011, aprovados pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda consoante despachos publicados em 15 de dezembro de 2011, os quais, amparados em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, admitem, respectivamente, inexistir diferença entre multa moratória e multa punitiva, vez que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea e que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento fiscal), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Em conseqüência, tais pareceres recomendam sejam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais correspondentes, desde que inexista outro fundamento relevante. Assim sendo, em 20 de dezembro de 2011 foram lavrados os Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, que declaram que ficam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional” e “nas ações judiciais que discutam a Fl. 178DF CARF MF 6 caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”, nessa ordem. Nesse contexto, quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, inferese que essa somente se aplica, data venia, em circunstâncias bastante específicas, cumprindo verificar ou não a sua ocorrência em cada caso concreto. Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0812), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de junho de 2003, sem considerar a multa de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 10.05.2004 (fls.8889), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de junho de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de junho de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903361/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.002
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 61 /2 01 1- 60 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.529. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.005397/93-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IRPF. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL DO CONTRIBUINTE. FIXAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. TÉCNICA DE ARBITRAMENTO. DIREITOS HEREDITÁRIOS. INVEROSSIMILHANÇA DA VERSÃO APRESENTADA. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. CUSTÓDIA POLICIAL DE VALORES. NÃO ALTERAÇÃO DO FATO GERADOR.
1. O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constitui-se em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício.
2. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível.
3. Os bens e direitos recebidos entre 1953 a 1975 não poderiam justificar gastos ocorridos quase quatro décadas depois.
4. Ademais, o patrimônio constante das declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte.
5. De acordo com o verbete sumular 182 TFR, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários".
6. Todavia, o lançamento não foi embasado apenas em extratos.
7. A par disso, o Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento da autuação.
8. O contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial).
9. No caso concreto, o destino da renda não altera a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA Recorrente JOSE CARLOS ALVES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IRPF. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL DO CONTRIBUINTE. FIXAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. TÉCNICA DE ARBITRAMENTO. DIREITOS HEREDITÁRIOS. INVEROSSIMILHANÇA DA VERSÃO APRESENTADA. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. CUSTÓDIA POLICIAL DE VALORES. NÃO ALTERAÇÃO DO FATO GERADOR. 1. O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constituise em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício. 2. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível. 3. Os bens e direitos recebidos entre 1953 a 1975 não poderiam justificar gastos ocorridos quase quatro décadas depois. 4. Ademais, o patrimônio constante das declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte. 5. De acordo com o verbete sumular 182 TFR, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". 6. Todavia, o lançamento não foi embasado apenas em extratos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 53 97 /9 3- 88 Fl. 4720DF CARF MF 2 7. A par disso, o Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento da autuação. 8. O contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial). 9. No caso concreto, o destino da renda não altera a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de IRPF, anoscalendário 1990 a 1993, lastreado na realização de sinais exteriores de riqueza caracterizados pela existência de gastos incompatíveis com a renda disponível. O contribuinte impugnou o Auto de Infração, sendo o lançamento considerado procedente em parte pela DRJ/BSA, em 27/02/1998, através da decisão DRJ/BSB/DIRCO/Nº 215/98 (fls. 1310 e seguintes). O sujeito passivo foi intimado da decisão em 07/04/1998 (fl. 1394) e interpôs recurso voluntário em 07/05/1998, no qual deduziu as seguintes teses recursais, divididas nos tópicos adiante relacionados: 1. conceito constitucional de renda, fato gerador e base de cálculo do imposto de renda pessoa física: a) discorre amplamente sobre o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda; 2. direitos hereditários doados pela mãe ao contribuinte: b) a julgadora não poderia negar que o recorrente era herdeiro de uma verdadeira fortuna; c) a documentação comprova que desde 1953 até 1975 o recorrente e sua mãe receberam vultosas somas de dinheiro, derivados de direito de herança; d) os documentos são uma prova inconteste de que todos os gastos realizados pelo recorrente, que deram motivação para o lançamento, tiveram origem em datas determináveis e que tais rendas não podem ser atingidas pelo imposto de renda; e) a vasta documentação inverteu o ônus da prova em face da fiscalização, pois, se através do auto de infração o Fisco arbitrou a renda com base nos gastos do recorrente, a impugnação comprovou que ele recebeu numerário suficiente para justificar os gastos; f) caberia ao Fisco comprovar que o recorrente não teria recebido a herança, ou então que, recebido, já a teria utilizado; 3. proibição da Súmula 182 do TFR, aplicabilidade da Lei 8.021/90: g) a renda presumida foi tirada única e exclusivamente dos extratos bancários do contribuinte; Fl. 4722DF CARF MF 4 4. custódia policial dos US$ 304.000,00, entrega espontânea de moeda estrangeira à CPMI, tributação sobre valores sequestrados, relação de propriedade sobre os bens apreendidos, disponibilidade do rendimento: h) não se poderia querer tributar todos os valores sequestrados em moeda estrangeira, pois os mesmos representam um decréscimo patrimonial; i) tendo em vista que os dólares e outros bens do recorrente, cuja disponibilidade jurídica e econômica foi perdida durante o exercício de 1993, não foram considerados como perda patrimonial para a apuração do imposto, este procedimento deve ser adotado de imediato, para que não se realize um confisco; 5. juros de mora equivalentes à TRD, juros de mora com base na taxa Selic: j) a cobrança de juros de mora com base na TR/TRD e na SELIC afronta três dispositivos diferentes: (i) TR, TRD e SELIC têm natureza remuneratória e não podem ser utilizadas como juros moratórios; (ii) violação ao art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional; e (iii) violação ao art. 192, § 3º, da Constituição Federal; 6. erros de cálculo no lançamento do imposto: k) existem erros de cálculo nos levantamentos da fiscalização e que até a presente data não tinham sido objeto de impugnação: (i) inexistência de valor tributável na competência 08/90; (ii) valores levados à tributação em duplicidade; (iii) transferência de conta corrente para aplicação financeira; (iv) cheques que não estão no processo; e (v) cheques assinados pela filha. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 1496/1510, nas quais defendeu a legalidade do lançamento e se insurgiu contra todos os argumentos levantados em sede recursal. Em análise do pleito, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, (fls. 760 a 789) determinando o retorno dos autos à Delegacia até o trânsito em julgado da Medida Cautelar de Seqüestro nº 94.00.130384, em trâmite na 8ª Vara Federal, por entender que o destino dos valores questionados no âmbito administrativo depende da ação judicial. É o relatório. Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. Com efeito, o recurso não deve ser conhecido no tocante às matérias a serem tratadas nos tópicos 1.1 e 1.2, conforme adiante se verá. 1.1 DOS JUROS DE MORA Em sede recursal, o sujeito passivo se insurge contra a cobrança de juros de mora com base na TR/TRD e na SELIC, vez que, no seu entender, tais juros teriam natureza remuneratória e não poderiam ser utilizados como juros moratórios. Argumenta, também, que teria havido violação ao art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional e ao art. 192, § 3º, da Constituição Federal. Tais teses, contudo, não foram ventiladas na impugnação, sendo insuscetíveis, pois, de conhecimento em grau recursal. Na impugnação, o contribuinte limitouse a afirmar que a TRD somente seria exigível a partir de agosto de 1991, no que foi atendido pela DRJ, que a decotou do lançamento no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 4724DF CARF MF 6 ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Cumpre acrescentar que "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevamse incompatíveis com o direito de ampla defesa"1. 1.2 ERROS DE CÁLCULO NO LANÇAMENTO DO IMPOSTO Em grau recursal, o sujeito passivo afirma que existiriam erros de cálculo nos levantamentos da fiscalização e que até a presente data não tinham sido objeto de impugnação. Ora, como esse supostos erros de cálculo não haviam sido apontados no momento processual oportuno, isto é, na impugnação, é inegável que não se instaurou qualquer litígio a seu respeito e, consequentemente, ocorreu a preclusão. É o que se demonstrou no tópico anterior, ao qual apenas se remete para evitar reiteração. 2 Da tributação com base em sinais exteriores de riqueza O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constituise, claramente, em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício. Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a sua renda disponível. A Constituição Federal, ao outorgar à União a competência para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, reflexamente definiu que a renda seria a base de cálculo do imposto e que o contribuinte seria o seu titular. 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 61. Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 5 7 Na mesma toada, o art. 43, inc. I, do Código Tributário Nacional, preleciona que o imposto tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a qual, de seu turno, pode ser real, arbitrada ou presumida (art. 44). Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; [...] Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. O arbitramento nos lançamentos de ofício ainda está previsto no art. 148 do Código. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Logo, e corroborandose o que se afirmou, o art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 apenas visa a delinear a base de cálculo do imposto na hipótese que especifica sinais exteriores de riqueza configurados pela realização de gastos incompatíveis. A existência de sinais exteriores de riqueza, como o próprio rótulo sugere, demonstra a existência de obtenção de renda, resultante da aquisição de riqueza nova, passível, portanto, de tributação. Em sendo assim, a notável exposição feita pelo recorrente em nada altera o lançamento (ao contrário, o corrobora), o qual está estribado em bases constitucionais e infra constitucionais, e tem como fato gerador a aquisição de renda. 3 Dos direitos hereditários O recorrente não comprovou que recebeu numerário suficiente, a título de direitos hereditários doados, para justificar os gastos ocorridos nos anoscalendário 1990 a 1993. O próprio sujeito passivo alega que os bens e direitos teriam sido recebidos de 1953 a 1975, sendo que tais bens e direitos não poderiam justificar gastos ocorridos quase quarenta anos depois, salvo inequívoca comprovação da existência de saldo remanescente utilizado nos anosbase objeto de lançamento, o que não ocorreu. Fl. 4726DF CARF MF 8 Ademais, o patrimônio constante nas declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte. Significa dizer que "eventual reflexo dos direitos hereditários percebidos pelo contribuinte, acaso incorporados aos seu patrimônio, já foi, portanto, integrado ao levantamento fiscal" (v. fl. 1328). Vejase, exemplificativamente, que na apuração do valor tributável foram considerados como recursos as aplicações em contascorrentes, as aplicações financeiras e os saldos em cadernetas de poupanças, conforme "FLUXO DE CAIXA" de fls. 800 e seguintes. Por outro lado, a decisão recorrida fez um exame atento dos documentos juntados pelo recorrente, para concluir, de forma escorreita, pela "inverossimilhança da versão apresentada" (v. fl. 1326). Em sendo assim, a par da total falta de razoabilidade da tese invocada em sede de impugnação e recurso voluntário (valores auferidos de 1953 a 1975 como origens dos gastos efetuados quase quatro décadas depois), constatase que o Fisco tomou em consideração os montantes que o recorrente tinha nos anos de 1990 a 1993, não tendo o interessado comprovado, nem mesmo indiciariamente, as suas alegações. É sabido que o Direito brasileiro adotou o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento motivado, conforme se depreende do art. 371 do Código de Processo Civil e do art. 9º do Decreto 70.235/72, sistema segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos"2. Isto é, muito embora o julgador tenha um certo grau de liberdade de apreciação, ele está vinculado à prova dos autos, sendo que, no caso in concreto, não se convence da tese formulada pelo sujeito passivo, mas sim do acerto do lançamento, não havendo, ainda, que se cogitar de qualquer inversão do ônus da prova em prejuízo da Fazenda Pública, mormente porque ela se dignou de comprovar e de determinar o fato gerador da matéria tributável. 4 Da Súmula 182 do TFR O recorrente afirma que a renda presumida foi tirada única e exclusivamente dos seus extratos bancários, o que atrairia a aplicação da Súmula TRF 182. Pois bem. De acordo com o aludido verbete sumular, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Todavia, e em primeiro lugar, o lançamento não foi embasado apenas em extratos, conforme se depreende do anexo "FLUXOS DE CAIXA" de fls. 800 e seguintes. Ademais, e em segundo lugar, o colendo Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento do presente lançamento. Vejase: 2 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 6 9 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS E EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182/TFR. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 44, I E II, DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. [...] 4. A jurisprudência desta Corte inaugurou novo entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR (''é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários''), e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária. [...] (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. [...] 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a Fl. 4728DF CARF MF 10 omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) Logo, a decisão a quo deve ser mantida neste ponto. 5 Da custódia policial de US$ 304.000,00 O recorrente assevera que não se poderia querer tributar todos os valores sequestrados em moeda estrangeira, pois os mesmos representariam um decréscimo patrimonial. Ocorre que o sujeito passivo não nega ter auferido tal valor. Expressandose de outra forma, o contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial). Ora, é indubitável que, no caso concreto, o destino da renda não altera em nada a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte. A obrigação de pagar tributo nasce com a realização do fato gerador, conceituado pelo Código Tributário Nacional como a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da citada obrigação (art. 114). De forma extremamente didática, o ilustre professor Luciano Amaro decompõe o fato gerador em elementos3, o que pode ser sintetizado da seguinte forma: · elemento material: ação ou situação que se identifica como núcleo ou materialidade do fato gerador (ex.: aquisição de renda, importação de mercadorias, propriedade de imóvel urbano, propriedade de veículo automotor); · elemento subjetivo: se desdobra no sujeito ativo (credor da obrigação) e passivo (o devedor), cuja identificação geralmente é feita em função do aspecto material, mormente porque o sujeito passivo realiza a ação ou espelha a situação prevista legalmente; · elemento valorizador ou quantitativo: base de cálculo (medida legal de grandeza do fato gerador) e alíquota (usualmente representada por um percentual); · elemento espacial: o fato gerador do tributo é um acontecimento que ocorre em algum lugar (ex.: em território nacional, no Estado do Paraná); 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 263267. Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 7 11 · elemento temporal: o fato ocorre no tempo, o que é relevante para determinação da lei aplicável, dos prazos de recolhimentos, ou exercício de direitos, etc. Neste caso concreto, é incontroverso e está documentalmente comprovado que o recorrente (sujeito passivo) adquiriu a renda (ação que se identifica como núcleo do fato gerador do imposto de renda) em tempo e espaço determinados, de tal forma que ele deve à União (sujeito ativo) o imposto correspondente a tal renda, tendo sido identificados, portanto, todos os elementos do fato gerador da obrigação de pagar tributo. Se em momento subsequente ele veio a ter a indisponibilidade da riqueza anteriormente adquirida, é óbvio que não houve qualquer repercussão nos elementos do fato gerador, subsistindo, assim, o dever de pagar o tributo. Tal conclusão, a propósito, demonstra a possibilidade de julgamento do presente processo administrativo, independentemente da Medida Cautelar de Sequestro aludida no relatório desta decisão, o que se reforça, ainda, pela independência das esferas administrativa, cível e penal4. 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 4 STJ, REsp 1386018/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/09/2013, DJe 01/10/2013. Fl. 4730DF CARF MF
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