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Numero do processo: 10976.000029/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas
Numero da decisão: 9202-005.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 00 29 /2 01 0- 06 Fl. 610DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.238.4595) por meio do qual, entre vários levantamentos, cobrase contribuições devidas à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, correspondendo à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, incidente sobre a parcela in natura de alimentação fornecida aos segurados empregados e incidente sobre a contratação de serviços cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Segundo relatório fiscal de fls. 173, no ponto que nos interessa, a autuação referese à parcela in natura, alimentação, fornecida habitualmente pela empresa aos segurados, tendo em vista que a autuada não apresentou a inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, integrando desta forma a remuneração para os efeitos da legislação previdenciária. Em sua impugnação o Contribuinte reconhece como devido parte do lançamento afirmando que apresentará pedido de parcelamento. A parte impugnada se restringiu as exigências de contribuição previdenciária sobre a alimentação fornecida, taxada como salário indireto, e sobre as faturas pagas à cooperativa de trabalho. A Delegacia da Receita Federal julgou o lançamento procedente sob o argumento de que as parcelas in natura pagas em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integram o salário de contribuição, e que a empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Quanto a parte não impugnada determinou aplicação do art. 21, §1º do Decreto nº 70.235/72. Recuso Voluntário juntado às fls. 425, por meio do qual o Contribuinte reitera seu entendimento de que valor correspondente a alimentação in natura fornecida aos segurados não integram o conceito de saláriodecontribuição e ainda defende como indevida a tributação dos serviços prestados pela cooperativa. A 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 2403001.408, deu provimento em parte ao recurso voluntário para com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 e no Ato Declaratório 03/2011 excluir do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação mesmo na ausência de adesão ao PAT. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10976.000029/201006 Acórdão n.º 9202005.262 CSRFT2 Fl. 611 3 O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em 11 de outubro de 2012, a Fazenda Nacional, citando paradigmas, apresentou recurso especial sob o argumento de ser devida a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílioalimentação sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal verba for paga em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Quanto ao PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foram feitas a seguintes considerações: Quanto ao Ato Declaratório nº 03/2011 publicado no DOU de 24/11/2011, Seção 1, pág. 72 em razão da aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, cabem aqui algumas considerações. O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 entendeu pela dispensa de apresentação de contestação e da interposição de recursos, assim como pela desistência dos recursos já interpostos, desde que inexistente outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio‑ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. A razão que justificou a aprovação do parecer foi a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Como se vê, a dispensa está endereçada às ações judiciais e as razões que levaram à aprovação do referido parecer estão centradas em questões processuais e não de mérito, havendo possibilidade da reversão do entendimento nele cristalizado. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões. Citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido que alimentação fornecida in natura não compor o saláriodecontribuição, requer o não provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 612DF CARF MF 4 Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, julgo necessário tecer comentários quanto ao conhecimento do recurso. O Recorrente afirma existir divergência jurisprudencial na medida em que, ao contrário do acórdão recorrido, os paradigmas 2403000.926 e 20501.284 entenderam pela incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal fornecimento ocorrer em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Inicialmente, nos termos do art. 67 do RICARF vigente na época da interposição do recurso (11/2012), devemos descartar como exemplo de paradigma o acórdão nº 2403000.926, pois tratase de decisão proferida pelo mesmo Colegiado do acórdão recorrido, qual seja a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária. Quanto ao acórdão 20501.284, embora a Recorrente tenha feito a correta digressão acerca da divergência jurisprudencial alegada, entendo que o fato de o Colegiado a quo ter baseado sua decisão no Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/11, no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda e ainda defender a aplicação obrigatória desses por força do art. 62, parágrafo único, II, alínea 'b' do RICARF vigente (Portaria nº 256/09), caracteriza condição que distancia as situações analisadas. O acórdão nº 20501.284 foi proferido em 04 de novembro de 2008, data em que ainda não existia os atos normativos citados acima e portanto, logicamente, não foram considerados quando da realização do respectivo julgamento. No entender desta Relatora, considerando a fundamentação do acórdão recorrido, somente poderia ser aceito como paradigma acórdão proferido após a data da aprovação pelo Ministro da Fazenda do Ato Declaratório da PGFN e ainda que, neste caso, o colegiado tenha afastado a aplicação do art. 62 do RICARF. Diante desta questão, entendo haver uma discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos que impede o estabelecimento da divergência pretendida pela Recorrente e portanto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10976.000029/201006 Acórdão n.º 9202005.262 CSRFT2 Fl. 612 5 Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001756/00-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO.
A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa.
Numero da decisão: 1803-000.996
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO. A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 REFIS. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO. A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vierem a ser declarados em declaração especial referente ao programa. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 565 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 566 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 357 e 358): Trata o presente processo de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, lavrado em decorrência da constatação de omissão de receitas nos anos calendário de 1994, 1995, 1996, 1997 e 1998. Conforme relatório fiscal de fls. 5/12, foi constatado que a empresa realizou prestação de serviços, recebeu numerário pelos serviços prestados, mas não emitiu as competentes notas fiscais, não registrou as operações no Livro Registro de Prestação de Serviços e também não ofereceu as receitas à tributação do Imposto de Renda, valores esses considerados pela fiscalização como omissão de receitas da atividade. Foi constatado, também, que a empresa prestou serviços, emitiu as respectivas notas ficais de prestação de serviços e as registrou no Livro Registro de Prestação de Serviços, sem, contudo, oferecer referidas receitas à tributação do Imposto de Renda, valores esses considerados pela fiscalização como omissão de receitas de prestação de serviços. Em decorrência das infrações constatadas, foram lavrados os seguintes autos de infração, principal e reflexos, para lançamento e exigência do crédito tributário devido: [...]. Cientificada das autuações em 27/06/2000, a empresa, representado pelo sóciogerente Sebastião Eleutério Filho, apresentou impugnação aos lançamentos efetuados. [...]. Quanto aos demais períodos [1995 a 1998], nada alegou em relação aos valores dos tributos apurados. Contudo, contestou a aplicação das multas vinculadas, por entender que, tendo optado pelo Refis em 28 de abril de 2000, e o início do procedimento fiscal se iniciado em 16 de maio de 2000, não caberia a multa de oficio, posto que lhe estava garantido o benefício da denúncia espontânea concedido pela lei do Refis. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 356): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Constatada pela fiscalização a falta ou insuficiência de recolhimentos de Cofins, deve a exigência tributária ser constituída de ofício. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 567 4 OPÇÃO PELO REFIS. A opção pelo Refis após o início do procedimento fiscal não sustenta a alegação de denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de ofício e juros de mora decorre de observância da legislação de regência e está ligada ao preceito do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) acerca da atividade vinculada do lançamento. [...]. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 10/09/2008 (fls. 406verso), a tempo, em 09/10/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 409 a 423, instruído com os documentos até fls. 561, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a decisão recorrida reconhece expressamente que o início do procedimento fiscal e o lançamento tributário se deram após a adesão do contribuinte ao Refis; b) que resta óbvio que referido trabalho fiscal é nulo de pleno direito, uma vez que descumpridor de ordem emanada do Código Tributário Nacional, o qual determinou que, uma vez confessado o débito pelo contribuinte, considerase denúncia espontânea; c) que, ademais, referido débito tributário fica suspenso quando da adesão do contribuinte ao parcelamento, conforme artigo 151, V, do CTN, como no caso, adesão ao Refis; d) que, neste caso, não se trata de reaquisição de espontaneidade, uma vez que a opção ao Refis não se deu durante o processo de fiscalização, conforme tenta demonstrar a decisão de primeira instância, mas, sim, muito tempo antes, tal qual evidentemente demonstrado documentalmente; e) que se vê, ainda, do Demonstrativo dos Débitos Consolidados, que a data da consolidação é anterior, isto é, de 01/03/2000, conforme documento anexado; f) que os períodos e tributos constantes dos autos de infração e os valores das obrigações principais e das multas já haviam sido objeto de parcelamento; e g) que, na confissão de dívida pelo Refis, considerase a espontaneidade do contribuinte desde a data de protocolização do Termo de Opção pelo Refis. Em mesa para julgamento. Fl. 565DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 568 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Limitase a presente lide às exigências de multa de ofício sobre os valores objeto de autuação fiscal, tendo sido os valores dos débitos de impostos e contribuições lançados, do exercício de 1996 em diante (exceto o IRRF, não impugnado nem incluído no Refis) transferidos para outros processos (fls. 258 a 276 e 349). Preliminar de nulidade do lançamento 5. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do lançamento, ao fundamento de que teria aderido ao Refis anteriormente ao início do procedimento fiscal e de que o débito tributário estaria suspenso com essa adesão. 6. Contudo, essa questão não foi aventada na impugnação apresentada, não podendo, pois, ser conhecida nesta instância. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. 7. Além do mais, como dito anteriormente, limitase a presente lide às exigências de multa de ofício sobre os valores objeto de autuação fiscal, não alcançando os valores dos débitos de impostos e contribuições lançados, já apartados destes autos. 8. De todo modo, sendo o mérito favorável à ora Recorrente, como se verá na sequência, não faria sentido o acolhimento daquela preliminar. Mérito 9. Conforme se observa do presente processo, a Recorrente ingressou no Refis em data de 27/04/2000 (fls. 253), tendo sido iniciado o procedimento fiscal em 17/05/2000 (fls. 111 e 112), com a lavratura de autos de infração em 27/06/2000 (fls. 4, 32, 55, 70 e 98). 10. Constam, de fls. 252, Confirmação do Recebimento do Termo de Opção, com a informação do número da Conta Refis, e de fls. 255 e 256, Recibo de Entrega da Declaração de Recuperação Fiscal Refis, datado de 30/06/2000. 11. Entendo que, a partir do instante em que a Recorrente efetua a opção pelo Refis (27/04/2000 fls. 253) e até o momento em que entrega, ela, a Declaração Refis (30/06/2000 fls. 255 e 256), não tem aplicação o disposto no art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), no sentido de que “O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas”. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 569 6 12. É que, no caso específico, encontrase a Recorrente albergada, naquele período, pelo instituto da denúncia espontânea, permitindoselhe, nesse interregno, apontar quais débitos, constituídos ou não, serão objeto de parcelamento. 13. Não pode, a meu ver, a fiscalização, ciente daquela opção pelo Refis feita anteriormente à sua presença, pretender desconsiderar um prazo concedido pela lei, para fins de indicação de débitos a serem parcelados naquele programa. 14. Ao fazer a opção pelo Refis, a Recorrente confessou ou, ao menos, indicou que teria questões a confessar, não podendo o Fisco se valer desse aspecto para, atropelando o prazo legal para os procedimentos pertinentes, buscar se antecipar a estes. 15. Era dever da fiscalização, portanto, ter aguardado o escoamento do prazo legal para apresentação de Declaração do Refis para, só então, efetuar o competente lançamento das parcelas que ali não fossem confessadas. 16. Assim, não deve prosperar a multa de ofício aplicada, em razão da espontaneidade que a Recorrente logrou resguardar com sua opção pelo Refis, em momento anterior ao início da fiscalização. 17. A respeito dessa questão, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua Sétima Câmara, teve ensejo de decidir, adotando os seguintes fundamentos (Acórdão nº 10707.552, de 17 de março de 2004): Não sem razão prescrever o art. 2º, § 2º, da Lei 9.964/2000, que a consolidação de débitos no Refis tem por base a data da formalização da opção. Senão vejamos: “Art. 2º (...) § 2º Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis.” Observese que o dispositivo legal retro diz que a consolidação tem por base a data da formalização do pedido, a qual, por sua vez, ocorre quando do protocolo perante a Secretaria da Receita Federal do Termo de Opção. Ou seja, tão logo o contribuinte opte pelo Programa de Parcelamento, recolhendo, inclusive, a primeira das respectivas parcelas, já se aperfeiçoa a confissão de suas dívidas para com os órgãos administrativos federais, não obstante, naquele momento, ainda não tenha sido entregue a Declaração em que todos os débitos seriam, como de fato posteriormente o foram, discriminados. A Declaração de Débitos do Refis, portanto, configurase documento cuja função exaurese na mera informação dos débitos incluídos no programa de parcelamento, de forma que a pretensão do contribuinte de cumprir com suas obrigações tributárias vencidas deuse em momento anterior, qual seja, o da Fl. 567DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 570 7 entrega do Termo de Opção. Tal assertiva corroborase pelo fato de que apenas aqueles contribuintes que protocolaram, a tempo e hora, o referido Termo de Opção, deveriam entregar a Declaração de Débitos, vez que somente eles confessaram a suas dívidas perante a União e optaram pelo seu pagamento nos termos do denominado Programa Refis. Diante disso, resta evidente que a confissão dos débitos deuse no momento da entrega do Termo de Opção, anteriormente, pois, ao início da Ação Fiscal realizada pelos Auditores da Receita Federal. Aliás, tanto a opção representa ato de indiscutível confissão irrevogável e irretratável de débitos que, caso a recorrente viesse a se tornar inadimplente e, consequentemente, fosse excluída do programa, os débitos incluídos no Refis deveriam ser encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para que fosse efetuada a cobrança dos valores devidos. [...]. A Declaração Refis, portanto, foi mero elemento formalizador da confissão anteriormente feita pela recorrente, que, como visto, se dera em momento anterior ao do termo de início da ação fiscal. [...]. Nessa toada, tratandose de débitos confessados em momento anterior ao da ação fiscal, não são cabíveis os lançamentos em questão, visto versarem sobre débitos já declarados e incorporados ao Refis. O fato de a declaração ao Refis ter se dado em momento posterior ao do início da ação fiscal, embora à primeira vista impressione, não é razão para que se defenda a manutenção dos autos do infração, pois, dada a relevância da questão, repitase, nos termos da Lei instituidora do Programa, a confissão de irrevogável e irretratável dos débitos se deu no momento da opção, vale dizer, em abril de 2000, antes, portanto, do termo de início da fiscalização. 18. Também a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim já ementou (Acórdão nº 10195.154, de 12 de setembro de 2005): IRPJDÉBITO INCLUÍDO NO REFIS Em se tratando de tributo já oferecido mediante opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis), não é mais cabível o lançamento de ofício, na medida em que a confissão irrevogável e irretratável do débito fiscal é feita no momento da formalização da opção. A “Declaração Refis”, feita em momento posterior, simplesmente formaliza a confissão anteriormente feita quando da opção. Recurso provido. 19. Chamada a dirimir a questão, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) assentou a respeito o seguinte (Acórdão nº CSRF/0105.537, de 19 de setembro de 2006): Fl. 568DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 571 8 REFIS — MULTA DE OFÍCIO — EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO — A eficácia da confissão de dívida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal — Refis — se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vieram a ser declarados em declaração especial referente ao programa. Recurso especial provido. [...]. A sistemática adotada no Programa de Recuperação Fiscal era de permitir ao contribuinte aderir a tal parcelamento especial, para posteriormente indicar especificamente os débitos incluídos. Assim, a declaração do Refis era entregue em momento posterior ao do Termo de Opção, e sua eficácia, por certo, deve retroagir à data da opção. [...]. Durante o período entre a entrega do Termo de Opção e a apresentação da declaração, não podia o fisco considerar, como não incluídos, quaisquer dos valores passíveis de lançamento, pois a eficácia da confissão, irrevogável e irretratável, iniciase com a opção realizada pela inclusão da pessoa jurídica no programa de recuperação fiscal. Desta forma, não poderia incidir qualquer penalidade de ofício sobre os valores que vieram a ser incluídos na declaração. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para excluir as exigências de multa de ofício aplicadas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 569DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10840.001756/0011 Acórdão n.º 180300.996 S1TE03 Fl. 572 9 Fl. 570DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000809/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 28/06/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ.
Impõe se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
Numero da decisão: 1803-000.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 28/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ. Impõe se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
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MULTA ATRASO DSPJ. Impõese a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Fl. 30DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 26 2 CAFE SOME RESTAURANTE LTDAME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A empresa acima qualificada apresentou manifestação de inconformidade contra o Auto de Infração, (fl. 02), solicita o cancelamento das multas pecuniárias aplicadas pelo atraso na entrega da declaração relativa ao exercício de 2008. Em seu pedido inicial, a contribuinte alegou, em síntese, que: com a implantação do Super Simples, houve dados confusos causando transtornos e dúvidas; falta de orientação mais precisa por orientação da Receita; a requerente entende que ambos os lados cometeram erros, como a empresa pelo atraso da entrega da DSPJ e os órgãos governamentais pela falta de orientação mais precisa. Requer o contribuinte por ser de Justiça o cancelamento do auto de infração. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1423.431, de 27 de abril de 2009 (fls. 09/11), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2007 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se dê antes de qualquer procedimento de oficio. Ciente da decisão em 20/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 14.v), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2009 fls. 17/18, onde reitera os argumentos da inicial de que não deve ser penalizado com a multa por atraso na entrega, considerando as diversas questões técnicas envolvendo o SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 27 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração em virtude do atraso na entrega na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ SIMPLES, relativa ao ano calendário 2007, entregue em 28/06/2008 e cujo prazo final para entrega ocorreu em 30/05/2008. Alega a recorrente que tendo em vista diversos problemas relativos à migração do SIMPLES FEDERAL para o “SUPER SIMPLES” ou SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), ocorreram diferenças de interpretação e dificuldades técnicas, gerando notícias e informações controvertidas para os contribuintes. Que se houve equívocos por parte dos contribuintes também a Administração Tributária gerou dúvidas e interpretações divergentes quanto à correta satisfação de obrigações acessórias o que não pode redundar em penalidades para as empresas optantes. Cita adicionalmente resposta de consulta efetuada por meio eletrônico relativa à declaração do ano calendário 2009 em que houve problemas de transmissão da DSPJ. Conclui, afirmando que se houve culpa recíproca o lançamento deve ser cancelado. Não assiste razão à interessada. Com efeito, a DSPJ relativa aos fatos geradores do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) – 01 de Janeiro a 30 de junho de 2007, teve a sua entrega disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 775, de 14 de setembro de 2007, que dispôs: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 7º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, RESOLVE: Art. 1º Fica aprovado o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2008 (DSPJ Simples 2008), a ser apresentada, obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 28 4 § 1º O programa deve ser utilizado para declarar os fatos geradores ocorridos no período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2007, independentemente das pessoas jurídicas referidas no caput terem: I migrado para o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; ou II efetuado o pedido de opção pelo Simples Nacional. § 2º (...); § 3º (...); § 4º (...). Art. 2º A DSPJ Simples 2008 deverá ser entregue no período de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Parágrafo único. O serviço de recepção de declarações será encerrado às 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de maio de 2008. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Grifo nosso Assim, não há qualquer dúvida de que a DSPJ relativa ao SIMPLES FEDERAL (fatos geradores de Janeiro a Junho/2007), deveria ser entregue no prazo de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Tendo mencionada regulamentação permitido um longo prazo para atendimento da obrigação acessória (entrega da DSPJ), revelamse inadequadas e despidas de razoabilidade as alegações da recorrente. Quanto as supostas dificuldades de transmissão e entrega da DSPJ do ano calendário 2009, não tem qualquer relação com os fatos objeto do presente processo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 33DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000809/200870 Acórdão n.º 180300.901 S1TE03 Fl. 29 5 Fl. 34DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 10835.002289/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBAROS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de contradição na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção acórdão.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de contradição na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção acórdão. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 22 89 /2 00 5- 55 Fl. 3017DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015, em face do Acórdão nº 380303.331, que foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 10835.002289/200555 Acórdão n.º 3201002.744 S3C2T1 Fl. 3.017 3 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444 Alega a recorrente, a existência de contradição no acórdão, que decidiu pela possibilidade da apuração de créditos de Cofins de empresas consideradas inexistentes de fato, desde que as operações tenham ocorrido antes da data de declaração da inexistência. Insurge a embargante contra a decisão que não acatou os créditos referentes a empresa Evair A. Ferrarense EPP, afirmando que a data da declaração de inexistência de fato ocorreu em data posterior as operações realizadas com a Recorrente. Os embargos foram admitidos, sendo concluído pelo Conselheiro Relator pela procedência das alegações da Embargante. A conclusão dos embargos foram assim detalhadas no despacho de admissibilidade. Compulsando os autos, é possível verificar que, tendo o fornecedor Evair A Ferrarese – EPP sido considerado inexistente de fato – conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal à fl. 1583 –, a princípio, a ele deveria ter sido estendido, também, o efeito definido no voto vencedor do acórdão embargado, mas desde que se tenha por comprovada a ocorrência das operações anteriormente à data de publicação de eventual ato declaratório executivo. Nesse contexto, concluise pela verossimilhança da contradição apontada pelo Embargante, em razão do quê, com base no § 2º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pronunciome pela admissibilidade como Embargos de Declaração da petição apresentada por Vitapelli Ltda. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da contradição alegada pela Embargante. Nos termos bem detalhados pelo Conselheiro Relator do processo, os efeitos aplicados no voto vencedor referente as operações com empresas declaradas inaptas que ocorreram antes da data da declaração de inaptidão. Assim, a decisão da turma julgadora no acórdão embargado também devem alcançar as operações referentes a empresa Evair A Ferrarese – EPP. Fl. 3019DF CARF MF 4 Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o acórdão embargado, permitindo a utilização na apuração de créditos de Cofins da Recorrente, as operações com a empresa Evair A. Ferrarense EPP realizadas em data anterior a sua declaração de inaptidão. Winderley Morais Pereira Fl. 3020DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.002452/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 9202-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à tributação da alimentação in natura fornecida aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 24 52 /2 00 7- 11 Fl. 2360DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Adotando o relatório do acórdão nº 240101.994, proferido em julgamento de embargos de declaração interpostos pela unidade preparadora, esclareço que o crédito em questão diz respeito à NFLD n.° 37.077.1427, por meio da qual cobrase contribuição previdenciária sobre valores pagos com o fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT. Na NFLD, originalmente, foram incluídas as contribuições dos empregados e da empresa, inclusive a destinada a outras entidades e fundos. Destaquese que o crédito foi constituído para prevenir a decadência, tendo se em conta decisão liminar proferida pela 22ª Vara Federal de São Paulo nos autos no MS n.º 2006.61.00.0170826, a qual suspende a exigibilidade dos créditos apurados com base no Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.° 04/2006, emitido em 24/07/2006, contra a recorrente. Ao julgar o recurso voluntário acórdão de nº 240100.781, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção entendeu que as refeições fornecidas pelo Contribuinte aos seus empregados em suas dependências, integra o conceito de saláriode contribuição quando inexiste o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O colegiado determinou ainda, para as competências não declaradas decadentes, a aplicação retroativa de norma superveniente para declarar improcedente a aplicação da multa ao presente lançamento, posto que, passandose a aplicar a multa da Lei n. ° 9.430/1996, também deverseia observar o comando do seu art. 63, que veda a aplicação da multa de oficio aos créditos lançados para prevenir a decadência. Ocorre que o órgão responsável por dar cumprimento ao acórdão, verificou que havendo no lançamento também a contribuição dos segurados, a qual não estaria abrangida pelas decisões judiciais vinculadas ao Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 04/2006, de 24/07/2006, não haveria de se aplicar a exclusão da multa para essa contribuição. Sanando a omissão apontada os embargos foram acolhidos com efeitos infringentes nos termos do já citado acórdão nº 240101.994. Assim, como decisão final, excluiuse a multa moratória do lançamento 'preventivo de decadência' apenas em relação as contribuições patronais, mantendose incólume o lançamento no que diz respeito a multa aplicada à contribuição dos segurados. A EQREC/ Grupo Contencioso, em 06/12/2011 (fls. 1900) esclareceu: 1. Através do Acórdão n° 240100.781, de 03/12/2009, o Presidente da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO interposto pelo contribuinte para reconhecer a decadência para as Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.361 3 competências 01/2001 a 11/2001 e determinar a exclusão da multa de oficio. 2. Ressaltase que a decisão foi reratificada através do Acórdão n° 240101.994 de 23/08/2011 (fls. 1.857/1.860) que determinou que a multa moratória seja excluída apenas em relação ás contribuições patronais, mantendose incólume o lançamento no que diz respeito à multa aplicada à contribuição dos segurados. 3. Para possibilitar o cadastramento do Acórdão foi realizado o desmembramento do presente débito, mantendose no DEBCAD n° 37.077.1427 a parte patronal e enviando para o DEBCAD n° 37.365.6866 a parte dos segurados que seguirá normalmente em cobrança. 4. Efetuado o cadastramento do Acórdão no Sistema Informatizado (SISCOL), excluindose da presente NFLD, com ciência pessoal em 22/02/2007, as competências 01/2001 a 11/2001 em função da decadência. Por meio da intimação nº 1.556 (fls. 1909), o contribuinte foi notificado acerca do desmembramento do processo 36624.002452/200711 tendo em vista existência de ação judicial, sendo comunicado que em função disso foi gerado o processo de número 18184.000687/201107 contemplando a parte dos segurados que seguiria em cobrança. Em sede de embargos de declaração (fls. 1905) o Contribuinte destaca que a Contribuição Previdenciária lançada foi calculada, exclusivamente, sobre valores referentes a alimentação fornecida aos empregados em seu próprio estabelecimento. Afirma que o acórdão contraria o Parecer da PGFN/CRJ nº 2.177/2011, o qual adota a jurisprudência do STJ que reconhece que a refeição, quando recebida in natura, não integra o salário, independentemente de o empregador estar vinculado ao PAT. O despacho de fls. 1960 não conheceu dos embargos do Contribuinte, sob a alegação de que quando do julgamento do acórdão embargado o ato da PGFN ainda não existia o que afasta a suposta alegação de omissão/contradição. O Contribuinte apresentou recurso especial reiterando os argumentos dos Embargos e o qual foi recebido para discussão da seguinte matéria: incidência de contribuição social sobre alimentação concedida in natura. Destaque para petição de fls. 2.326, por meio da qual o contribuinte esclarece que em razão do transito em julgado de decisão proferida no MS nº 2004.61.00.0302199 a qual reconheceu ser a entidade imune nos período de 01/1999 a 12/2003, fato reconhecido e que trouxe implicações no MS 2006.61.00.0170826/SP (vinculado a este processo administrativo) deve ser declara a perda parcial do objeto do presente processo, devendo a lide se limitar aos períodos de 2004 e 2005. Intimada, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2362DF CARF MF 4 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: O recurso preenche os requisitos de admissibilidade tendo havido a correta comprovação da divergência jurisprudencial, porém haja vista petição de fls. 2.326 e respectivos documentos juntados se faz necessário realizar a delimitação da lide. Conforme narrado há em favor do contribuinte decisão judicial transitada em julgado e a qual reconhece sua condição de entidade imune no período de 1º/01/1999 a 31/12/2003, tendo tornado sem efeitos o Ato Declaratório nº 97/2004 que originalmente lhe retirou essa condição. A decisão delimita: Alega a impetrante que é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, desenvolvendo atividade de ensino e trabalho de assistência na área educacional. Em razão da sua natureza assistencial, não distribui lucros, aplica o resultado de suas atividades exclusivamente no Brasil e de acordo com os seus objetivos estatutários. Mantém, também, sua contabilidade em ordem legal. É beneficiária, pois, de imunidade de impostos, com fundamento no artigo 150, inciso VI, letra c, da Constituição Federal e artigo 14, do Código Tributário Nacional, e de isenção de contribuições sociais, consoante o disposto no artigo 195, §7°, da Carta Magna. Contudo, por força do Ato Declaratório n.° 97, de 20/09/2004, retificado pela publicação de 30/09/2004, foi suspensa a imunidade tributária, no período de 1o de janeiro de 1999 a 31 de dezembro de 2003, por infração ao disposto na Lei n.° 9.532/98, Decreto n.0 3.000/99 e por não ter atendido aos requisitos estabelecidos nas Leis n°s 8.742/93 e Decreto n.° 2.536/98. Entendo assistir razão a impetrante. ... Referido julgado fundamentou decisão (fls. 2.349) proferida pelo Desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no MS 2006.61.00.0170826/SP (que motivou a realização deste lançamento com finalidade de evitar a decadência) no intuito de extinguir, por falte de interesse processual, a discussão em relação aos período de 01/2001 a 12/2003: DECISÃO Tratase de reexame necessário e recurso de apelação em interposto pela União Federal em face da r. sentença de procedência proferida em sede de mandado de segurança impetrado pela Fundação Visconde de Porto Seguro com a finalidade de declarar a sua imunidade, nos termos do artigo 195,§7º, da Constituição Federal, em relação às contribuições Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.362 5 previdenciárias do período de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, anulando o Ato Declaratório no 04/2006. A Fundação comunica, às fls. 737/752, que foi proferida sentença concessiva da segurança, já transitada em julgado, nos autos do Mandado de Segurança no 2004.61.00.0302199, onde se discutiu a validade do Ato Declaratório no 97/2004, que cancelou a isenção de contribuições previdenciárias no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003. Assim, afirma a apelada que o pedido referente ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, abarcado pela referida sentença, está prejudicado nestes autos. Diante deste contexto, requer a decretação da perda parcial superveniente do objeto no presente mandamus, relativamente ao período janeiro de 2001 a dezembro de 2003. Nestes termos, julgo extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 267, VI, do Código de Processo Civil, em relação ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, ante a ausência de interesse processual. Prossigase a ação em relação ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Publiquese e intimese. Decorrido o prazo recursal, retomem os autos conclusos para a apreciação do reexame necessário e do recurso de apelação. Considerando i) que houve o desmembramento do débito, exatamente em razão do ajuizamento do citado mandado de segurança (MS 2006.61.00.0170826/SP), ii) que o presente processo administrativo nº 36624.002452/200711 referese exclusivamente aos débitos do DEBCAD 37.077.1427, o qual atualmente abrange a cobrança da contribuição parte patronal incidente sobre valores pagos para o fornecimento de refeição ao seus empregados, e iii) os impactos direitos das decisões judiciais sobre o objeto do DEBCAD 37.077.1247, entendo que para o período apreciado pelo Poder Judiciário (1o de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2003) deve ser reconhecida a concomitância o que nos leva a aplicação da Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, conheço em parte do recuso especial do contribuinte, nos restando a apreciação do fato gerador relativo a incidência da contribuição previdenciária parte patronal sobre o custo pago no fornecimento de refeições in natura aos empregados no período de 01/01/2004 a 31/12/2005. Do mérito: Fl. 2364DF CARF MF 6 No que tange ao mérito, a discussão engloba o debate sobre se o valor despendido pela Contribuinte com terceiro para o fornecimento de refeições aos seus empregados dentro do seu estabelecimento, ainda que não tenha promovido o respectivo registro no PAT Programa de Alimentação do Trabalhados, comporiam o conceito de salário decontribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Usando as palavras do Recorrente, pelo lançamento foram acrescidas à sua folha de salários os valores creditados por ela em favor dos restaurantes mantidos dentro de suas instalações, para custear a alimentação fornecida a seus funcionários. Tratase, portanto, de auxílio alimentação in natura, que não caracteriza hipótese de incidência de contribuição previdenciária, sendo de todo irrelevante, para desfecho desta causa, a circunstância de se tratar de parcela de contribuição devida pelo empregador ou pelo empregado. No entender desta Relatora a situação narrada se ajusta exatamente no caso tratado pelo parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 o qual reproduz o entendimento consolidado do Superior Tribunal Justiça. Vale citar partes do parecer: O presente Parecer tem como escopo analisar a viabilidade de edição de ato declaratório, com base no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 20021 , e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 19972 , que dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. ... A análise em comento decorre da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o auxílio alimentação in natura, por não possuir natureza salarial, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. ... Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 36624.002452/200711 Acórdão n.º 9202005.190 CSRFT2 Fl. 2.363 7 Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Diante do exposto, dou provimento ao recurso do Contribuinte para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2001 excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo Contribuinte os valores despendidos com o fornecimento de refeições dentro do seu estabelecimento, mesmo na ausência de adesão ao PAT. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13047.720119/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS ACUMULADOS. RECLAMATÓRIA
TRABALHISTA.
A parcela dos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista relacionadas com o FGTS, cuja natureza puder ser comprovada, é isenta do IRPF nos termos do artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88.
Numero da decisão: 2301-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. A parcela dos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista relacionadas com o FGTS, cuja natureza puder ser comprovada, é isenta do IRPF nos termos do artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 72 01 19 /2 01 2- 50 Fl. 119DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1039.946, de 31/07/2012, (fls. 71 a 73). O contribuinte supraidentificado foi notificado de que o seu Imposto a Restituir na Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, anocalendário 2008 informado de R$45.273,05 seria reduzido para R$24.244,09 decorrente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista no valor de R$45.661,06 e por compensar indevidamente IRRF no valor de R$8.472,17. O notificado apresentou impugnação em 16/05/2012 alegando que os valores tidos pela fiscalização como omitidos referemse a parcelas de FGTS. No tocante à compensação indevida de IRRF questiona o valor de R$3.975,26 sob alegação de que o valor a ser considerado é o constante no alvará. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS ACUMULADOS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Constituem rendimentos tributáveis os valores recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista, excetuadas as verbas expressamente declaradas como isentas ou não tributáveis pela legislação e admitidas as deduções das despesas com honorários advocatícios e periciais, suportadas pelo contribuinte. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário trazendo elementos relativos ao Cálculo de Liquidação da Sentença que identificam que parte dos rendimentos recebidos são relacionados ao FGTS. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. No tocante à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, o recorrente trouxe no recurso voluntário cópias do Cálculo de Liquidação de Sentença do Processo n. 00412.721/9967 (fls 85 a 109) comprovando a natureza de rendimentos isentos para as verbas relacionadas ao FGTS, assim como já era possível observar os rendimentos isentos no montante de R$ 55.381,43 (fl. 8) no próprio Informe de Rendimentos emitido pelo Banco do Brasil. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13047.720119/201250 Acórdão n.º 2301004.903 S2C3T1 Fl. 120 3 A isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os rendimentos relacionados com o FGTS está prevista expressamente no artigo 6º, V, da Lei n.º 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Por tudo, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a inexistência de omissão de rendimentos tributáveis por se tratarem de rendimentos isentos. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.723365/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO
A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2202-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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MOLÉSTIA GRAVE..TERMO INICIAL. LAUDO MÉDICO A isenção a que fazem jus os portadores de moléstia grave aplicamse aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60, referente a proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 33 65 /2 01 4- 70 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ): Contra o contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.17 a 21), anocalendário 2009, para apurar imposto suplementar de R$730,00 com aplicação de multa de ofício e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos de fl.18 foi apurado que o montante de R$120.977,81 foi indevidamente considerado isento por moléstia grave uma vez que o laudo apresentado datado de 13/08/2014 foi assinado por médico que não é servidor público municipal. O interessado em 17/12/2014 impugna o lançamento alegando ser portador de moléstia grave e anexa diversos documentos para comprovação e solicita a inclusão de despesa relativa à contribuição patronal que não foi considerada na apuração do imposto devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que se relaciona à existência da moléstia tipificada no texto legal. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10825.723365/201470 Acórdão n.º 2202003.791 S2C2T2 Fl. 94 3 portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 59), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 62/65 no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) comprovante de rendimentos do anocalendário 2009 (fls. 67); b) ato concessivo da sua aposentadoria junto ao Poder Judiciário do Estado de São Paulo (cópia da publicação no Diário Oficial de São Paulo de 28 de abril de 1994 (fls. 86); c) Laudo médico emitido pelo Serviço Público Oficial de Saúde da Prefeitura Municipal de Piratininga (fls. 77); É o relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, em razão das seguintes deficiências documentais: a) o laudo apresentado não contém a matrícula do médico que o assinou e tampouco identifica o nome do serviço médico oficial b) o laudo foi assinado por Marco Antonio C Bergamo em 13 de agosto de 2014 que não faz parte do quadro de servidores da prefeitura, conforme Ofício nº76/2014 de fl.41. Fl. 95DF CARF MF 4 c) No que se refere aos rendimentos recebidos de São Paulo Previdência o interessado não apresentou a publicação da sua aposentadoria, portanto não restou demonstrado que se tratam de proventos de aposentadoria ou pensão. Antes de analisarmos o Recurso Voluntário, é imprescindível que seja analisada a possibilidade de juntada de provas em fase recursal. Isso porque, conforme mencionado na decisão recorrida, a glosa dos valores recebidos como omissão de receitas foi mantida em virtude da ausência de documento idôneo à comprovação da moléstia grave. O Recurso Voluntário do contribuinte teve como objetivo, fundamentalmente, a trazer aos autos a mencionada documentação. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, têm admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10825.723365/201470 Acórdão n.º 2202003.791 S2C2T2 Fl. 95 5 interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Sendo assim, aceito os documentos juntados em fase recursal. O comprovante de rendimentos do anocalendário 2009 (fls. 67) e a cópia do Diário Oficial do Estado de São Paulo demonstram que os valores recebidos se referem a aposentadoria. O Laudo médico emitido pelo Serviço Público Oficial de Saúde da Prefeitura Municipal de Piratininga em 28 de novembro de 2014 (fls. 77), menciona que a moléstia foi contraída em Julho de 2008. A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) De acordo com a norma acima transcrita, havendo no laudo a identificação da data em que a doença foi contraída este deve ser o termo inicial para o gozo da isenção. Como já mencionado, o laudo pericial atesta que a doença foi contraída em julho de 2008. Sendo assim, a isenção contempla o anocalendário de 2009 cuja glosa se discute no presente processo. Todavia, em relação ao valor de R$ 17.180,21 (fls. 69), recebido em decorrência da ação judicial, não consta dos autos prova de que se trata de verba decorrente de aposentadoria. Fl. 97DF CARF MF 6 Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 103.797,60 referente aos proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722250/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS.
A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio).
CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço.
ÔNUS DA PROVA.
Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.863
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 50 /2 00 9- 03 Fl. 2437DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da não cumulatividade, relativo ao 1ª Trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. A autoridade administrativa glosou parte do crédito e homologou parcialmente as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos (fls. 376), in verbis: "(...) 09) CREDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referente a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa em anexo, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos já exposto acima. 10) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (OUTROS PARTES E PEÇAS): Foram glosadas as notas fiscais referente a peças de reposição por se tratarem de produtos não utilizados nas máquinas e equipamentos, para a fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, estando assim, em desacordo com o disposto no inciso II, do art. 3º da Lei n°10.833/2003. 11) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4º , inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços; 12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominada: Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 3 3 Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005, (1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de: jan/2007 a dez/2007, (1/12 avos); Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), janeiro/2007, fevereiro/2007 e março/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1°, § 2º,I, da IN 457/04, LEI n° 11.196/2005, Dec. nº 5.789/2006 e Dec. 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6° da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. (...)" Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte contestou as glosas efetuadas, argumentando com o conceito amplo de insumo e com o fato de que todos os itens glosados foram aplicados em seu processo produtivo. A DRJ em Belém PA indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: "PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da COFINS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Fl. 2439DF CARF MF 4 Na nãocumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Direito creditório não reconhecido." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 03/11/2011 (fl. 186), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2011, no qual, basicamente, reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 3402000.488 (fls. 715/726) o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem nos seguintes termos: "(...) Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 1962/1963. Por entender que a diligência não havia sido cumprida na íntegra, o colegiado solicitou nova diligência para complementar a anterior (fls. 1971/1972), nos seguintes termos: "(...) Entendo que a diligência não foi cumprida pela Unidade de Origem. Assim sendo remeto novamente os autos para que seja emitido um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Nesse parecer conclusivo deve constar a identificação das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial da recorrente e seus respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (...)" Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 4 5 O processo retornou com o termo de diligência de fls. 2340/2341, com ciência do contribuinte para apresentar manifestação em 10/03/2015. Transcorrido in albis o prazo para manifestação do contribuinte, o processo retornou ao CARF e foi sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Neste processo não se trata da produção da alumina pelo método de Bayer, mas sim da produção do alumínio metálico pelo processo de redução eletrolítica da alumina (método de HallHeroult), e mais uma vez o colegiado está sendo conclamado a decidir sobre o conceito de insumo aplicável no âmbito das contribuições nãocumulativas. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo da contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os itens glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do Fl. 2441DF CARF MF 6 que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 5 7 expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Portanto, ao contrário do alegado pela recorrente, não é todo e qualquer gasto que está apto a gerar créditos das contribuições nãocumulativas, mas apenas e tãosomente aqueles identificados com o custo de produção. Adotando como parâmetro a interpretação acima, passase à análise das glosas contestadas pelo contribuinte, na ordem em que foram apresentadas no recurso. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS:: TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE CCOOPPRROOCCEESSSSAAMMEETTOO DDEE RRGGCC;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO DDEE BBOORRRRAA DDEE AALLUUMMÍÍNNIIOO;; BBEENNEEFFIICCIIAAMMEENNTTOO DDEE BBAANNHHOO EELLEETTRROOLLÍÍTTIICCOO;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE DDEE RREEJJEEIITTOOSS IINNDDUUSSTTRRIIAAIISS.. A fiscalização glosou esses créditos por considerar que esses serviços não foram aplicados diretamente na produção. O termo de diligência (fls. 2340) expôs a tese fiscal com todas as letras, in verbis: "(...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 2443DF CARF MF 8 (...)" Por sua vez, o contribuinte, na diligência, esclareceu a relação de pertinência desses dispêndios com o seu processo produtivo (fls. 387 e ss. do processo nº10280.722246/200937 ), in verbis: "(...) (...)" Verificase que o óbice oposto pela fiscalização ao reconhecimento do crédito reside no fato desses gastos serem incorridos de forma indireta, alguns deles em etapa posterior à obtenção do alumínio. Essa questão já foi enfrentada pela antiga Turma 3403 no Acórdão nº 3403 001.958, no qual se discutia acerca dos custos incorridos com a remoção de rejeitos industriais resultantes da produção da alunina pelo método de Bayer, in verbis: "(...) Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 6 9 Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo . E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois“sai”da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. (...)" Mutatis mutandis, os dispêndios ora sob análise são uma consequência do processo produtivo da recorrente. A empresa precisa incorrer nesses gastos, sob pena de prejudicar o rendimento de seu processo produtivo e a qualidade do alumínio produzido. Com efeito, as respostas dadas ao quesito 1, acima transcritas, são plenamente compatíveis com à descrição do processo de eletrólise que consta à fl. 31, in verbis: Desse modo, é evidente que esse processo produtivo causa um desgaste nas cubas, as quais, precisam ser reformadas a cada cinco anos, conforme os esclarecimentos prestados pela empresa. Tais gastos decorrem do principal processo químico que dá origem ao produto final e oneram o custo de produção do alumínio, enquadrandose na disposição do art. 290, I, do RIR/99. Devem, portanto, gerar créditos das contribuições no regime não cumulativo, pois se enquadram na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. MMAATTEERRIIAALL RREEFFRRAATTÁÁRRIIOO Fl. 2445DF CARF MF 10 Nas planilhas de fls. 146, 241/242 e 342/343 a fiscalização glosou o material refratário, basicamente constituído por tijolos refratários e argamassa refratária, bem como os serviços relacionados ao transporte e manutenção de refratários, sob o argumento de que se tratam de gastos ativáveis, uma vez que os refratários duram pelo menos 1.900 dias, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, basicamente, alegou que os refratários integram o custo de produção e que por tal motivo "optou" por tomar o crédito sobre o custo de aquisição. Conforme se verifica na fl. 33, o contribuinte informou o seguinte: "(...) (...)" Portanto, tratandose de gastos que beneficiam mais de um exercício social, eles devem ser obrigatoriamente ativados e o contribuinte só pode tomar o crédito sobre a respectiva despesa de depreciação a teor do art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Esses dispositivos legais e o art. 301 do RIR/99 não estabelecem nenhuma "opção" de ativar ou não ativar o bem ou de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação ou sobre o custo de aquisição. Se o gasto beneficiar mais de um exercício social ele deverá ser obrigatoriamente ativado, e neste caso a base de cálculo do crédito da nãocumulatividade será a despesa de depreciação incorrida no mês e não o custo de aquisição. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa em relação a materiais refratários e serviços conexos nos moldes efetuados pela fiscalização. GGLLOOSSAA EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO AA BBEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO Nas planilhas de fls. 78/140, a fiscalização glosou os valores contabilizados no ativo imobilizado, sob as seguintes justificativas: "(...) Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 7 11 (...) (...)" Essas planilhas revelam que, basicamente, foram quatro motivos que justificaram essas glosas a saber: a) os produtos discriminados nas notas fiscais não são abrangidos pelos Decretos nº 5.789/2006 e 5.988/2006 (Lei nº 11.196/2005); b) as edificações e instalações só dão direito à tomada do crédito sobre a depreciação acelerada a partir de junho de 2007 (art. 6º, da Lei nº 11.488/2007); c) os bens não se enquadram no art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004; e d) o próprio contribuinte informou que o item constante da nota fiscal "não se aplica" ao setor de produção. Esmiuçando a fundamentação adotada pela fiscalização verificase, pela leitura do Decreto nº 5.789/2006, que ele regulamentou o art. 16 da Lei nº 11.196/2005, a qual criou o Regime Especial de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP. A fiscalização disse que os bens constantes da planilha de glosa não foram contemplados pelo referido decreto e, portanto, não dão direito ao desconto de créditos no prazo de 12 meses (1/12 avos sobre o custo de aquisição), previsto no art. 3º do Decreto nº 5.988/2006 (art. 31 da Lei nº 11.196/2005). Fl. 2447DF CARF MF 12 Já o art. 6º, da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação acelerada em 24 meses, em relação a edificações incorporadas ao ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Esse dispositivo legal só teve eficácia a partir de janeiro de 2007, conforme prevê o § 5º do seu art. 6º. Na planilha em questão, a fiscalização glosou os créditos tomados antes de janeiro de 2007, por falta de previsão legal, já que o próprio art. 6º fixou que o direito só poderia ser exercido a partir de janeiro de 2007. Relativamente ao art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004, ele regulamentou o art. 3º, §§ 14 e 16 da Lei nº 10.833/2003, que versa sobre o direito de o contribuinte optar pelo cálculo de créditos sobre 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição do bem, em lugar do crédito sobre a despesa de depreciação, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado para emprego na produção de bens e serviços a serem vendidos. A fiscalização glosou os valores relativos aos bens que não atendiam à exigência legal de serem empregados na produção de bens e serviços destinados à venda. Por fim, a indicação "não se aplica" constante das planilhas, revela que o próprio contribuinte considerou que o item não é aplicável à produção e, portanto, não é apto a gerar créditos da nãocumulatividade. No recurso voluntário, uma das alegações do contribuinte foi de cerceamento de defesa por ausência de motivação, pois a fiscalização não teria declinado de forma individualizada o porquê de cada uma das glosas. O exame acima efetuado das planilhas de glosa revela que a fiscalização apresentou a motivação da glosa nas próprias planilhas, ainda que de forma sucinta, o que não acarretou cerceamento de defesa, mesmo porque a descrição dos itens dessas planilhas revela que muitos deles não guardam nenhuma relação de pertinência com o processo produtivo do alumínio, a exemplo dos seguintes itens: trava elétrica p/ 04 portas veículo; impressora deskjet 3845; poltrona diretor sobre longarina 03 lugares; armário alto 2 portas fech c/tampa; cortador de grama elétrico Trapp; trator de cortar grama Trapp; aparelho condicionador de ar Split; soleira em granito verde Ubatuba; mesa de centro em MDF; poltrona 1 lugar com estrutura de madeira, etc. Desse modo, essas glosas devem ser mantidas, pois estando os itens descritos e as glosas motivadas, o contribuinte poderia ter apresentado defesa específica em relação aos itens em relação aos quais julga possuir direito ao crédito. Não se olvide que em se tratando de processo de ressarcimento de créditos, cuja iniciativa pertence ao contribuinte, cabe a ele o ônus da prova da certeza e da liquidez dos valores vinculados às compensações declaradas, a teor do que estabelece o art. 373, I, do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Contudo, apesar de as glosas estarem perfeitamente motivadas e os itens identificados nas planilhas, o conselheiro que me antecedeu na relatoria deste processo entendeu que era necessário baixar o processo em diligência para que a fiscalização identificasse o item do ativo imobilizado com o respectivo custo. Considero essa providência totalmente desnecessária para o deslinde desta questão, pois o item glosado, a nota fiscal, e a conta contábil, já estão perfeitamente Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 8 13 identificados nas planilhas de fls. 78/140. Assim, por exclusão, os valores utilizados nos cálculos dos créditos à razão de 1/48 avos e 1/12 avos das planilhas de fls. 142 e/145; 237 e 240, 337/338, se referem aos bens do imobilizado em relação aos quais não houve controvérsia sobre o direito ao crédito. E, se não há controvérsia sobre o direito em relação a tais bens, não é totalmente desnecessária a providência solicitada na diligência. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter as glosas relativas aos créditos tomados sobre bens do ativo imobilizado. CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEECCOORRRREENNTTEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS DDEE RREEPPOOSSIIÇÇÃÃOO MMÁÁQQUUIINNAASS EEMMPPRREEGGAADDAASS NNAA PPRROODDUUÇÇÃÃOO Nas planilhas de fls. 155/162, a fiscalização glosou os mais variados itens que a empresa classificou como partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente na produção, sob o argumento e que tais itens não são aplicados nas máquinas empregadas na produção da empresa. Em sua defesa, o contribuinte argumentou com o conceito amplo de insumo e contestou a aplicação das soluções de divergência da Cosit invocadas pela fiscalização. Não tem razão o contribuinte. O exame dos itens glosados pelo fisco sob esta rubrica revelam que vários deles, manifestamente, não se enquadram como partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção do alumínio, como por exemplo: saco de coleta de lixo e conjunto de bacia sanitária (fl. 158); rolo para pintura (fl. 155); e giz branco (fl. 151); Kit Dimitri Masculino, Kit Connexion Masculino, Kit EGEO Masculino, Kit Colonia Connexion + gel para banho Malbee (fls. 156). A contabilização dos itens acima como "partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção" revela a negligência da recorrente em estabelecer critérios para a tomada de seus créditos, o que desqualifica por completo os demais itens enquadrados nessa rubrica como aptos a gerarem créditos das contribuições. Conforme já foi dito alhures, tratandose de processo de pedido de ressarcimento de créditos, incide a regra de distribuição do ônus da prova estabelecida no art. 373, I, do Novo CPC, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os itens glosados sob esta rubrica são partes e peças de máquinas empregadas na produção e que essas partes e peças não são de ativação obrigatória, hipótese em que o crédito só pode ser tomado sob a despesa de depreciação. Tendo em vista que nos recursos apresentados neste processo a defesa se limitou a apresentar alegações de direito, sem apresentar nenhuma prova de que os itens glosados se enquadram no permissivo legal que autoriza a tomada de crédito, a glosa deve ser mantida nos moldes efetuados pela fiscalização. Por fim, o contribuinte se insurgiu contra a não consideração de decisões judiciais e administrativas sobre as matérias discutidas no recurso. Não tem razão o contribuinte. As decisões judiciais colacionadas não são vinculantes para este colegiado porque não foram proferidas com base no art. 543 do CPC. Já as decisões administrativas, também não vinculam este colegiado, pois a teor do art. 62 do Fl. 2449DF CARF MF 14 Regimento, o CARF só está vinculado à observância de normas de hierarquia igual ou superior a decreto. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. A fim de que se evitem embargos de declaração, já esclareço que o "transporte e processamento de borra de alumínio e refratário" é coisa totalmente distinta da glosa mantida em relação materiais refratários e serviços conexos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.021535/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN.
Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração.
Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicam-se as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior.
ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS.
A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos.
Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação.
ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária.
Recurso Voluntário provido
Crédito Tributário exonerado
Numero da decisão: 3402-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões por entenderem que o procedimento está viciado como um todo, pois foi instaurado a partir das provas ilícitas coligidas na Operação Dilúvio. Esteve presente ao julgamento a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida, OAB/DF nº 36.545.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicam-se as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS. A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação. ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicamse as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS. A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação. ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário exonerado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 15 35 /2 00 8- 11 Fl. 929DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões por entenderem que o procedimento está viciado como um todo, pois foi instaurado a partir das provas ilícitas coligidas na Operação Dilúvio. Esteve presente ao julgamento a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida, OAB/DF nº 36.545. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que: a) não conheceu da impugnação da Mtrading Comércio Importação e exportação Ltda; b) rejeitou a arguição de decadência suscitada pela CIL Comércio de Informática Ltda; c) declarou nulo, por vício formal, o lançamento do crédito relacionado às DI's n°s 0/02899760, 03/04022130, 03/04898516, 03104941403, 03/04941420, 03/06040420 e 03/0087713, referente à aplicação da multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei n° 4502/64; e d) no mérito, julgou procedente em parte o lançamento. Trata o presente processo de autos de infração para a exigência de Imposto sobre a importação, IPI, juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como da multa administrativa de 100%, nos termos do parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, e da multa prevista no art. 83. inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964. Conforme consta na decisão recorrida, de modo sintético, a autuação pode ser assim descrita: os procedimentos de investigação realizados pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, conduzidos sob a denominação de Operação Dilúvio, se iniciaram em 2005 e culminaram com a deflagração, em 16/08/06, de uma ação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, visando localizar e apreender documentos comprobatórios das fraudes praticadas por pessoas jurídicas e físicas domiciliadas em oito estados do Brasil e também no exterior; documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16/08/06, examinados e selecionados pela Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída pela Portaria SRF n° 1.172, de 17/11/06 e enviados por meio da Representação Fiscal 10980.005072/200795, juntamente com documentos e Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 930 3 informações coletados com intimações fiscais são a base probatória da presente autuação; a operação dilúvio, devidamente amparada por autorizações judiciais identificou pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias, cometidas pela organização criminosa denominada "Grupo MAM", que vem a ser um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas e que atuavam de forma dissimulada, seja como importadores, seja como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os verdadeiros adquirentes, que não figuravam como tal nas operações, tampouco como importadores, perante os controles administrativos e aduaneiros; foi também possível apurar a prática de inúmeras outras fraudes relacionadas ao comércio exterior, tais coma subfaturamento dos preços declarados, falsificação de documentos, corrupção de servidores públicos, etc.; dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da Cil Comércio de Informática Ltda, verificase a existência de meios probantes do envolvimento da empresa em fraudes de comércio exterior praticadas em conluio com a Mtrading Comércio Importação e Exportação Ltda [importadora de direito] empresa que até então não teria sido alvo das investigações e da qual não se pôde perceber vinculação com o aludido Grupo MAM; (...) grande parte do extraordinário crescimento apresentado pela empresa CIL, especialmente nos últimos 10 anos, viabilizandose financeira e economicamente e ampliando sua atuação no mercado de informática em nosso País, decorre da comercialização de produtos importados, entretanto essa empresa nunca se submeteu a procedimento de habilitação perante a RFB para operar no comércio exterior, o que implica dizer que não poderia atuar de forma alguma neste tipo de comercialização, seja como importadora direta, seja como encornendante prédeterminada, ou ainda como adquirente (por sua conta e ordem) por meio da pessoa jurídica importadora; a empresa CIL desempenhava corriqueiramente atividades no comércio internacional, realizando transações ás margens da legislação vigente. A mercadoria transacionada com o fornecedor estrangeiro chegava à empresa através de simulações praticadas em conjunto com empresas importadoras, para não deixar transparecer sua atuação no comércio internacional. Sendo assim, as "aquisições internas" de tais mercadorias formalizadas pela empresa tinham o propósito de ocultar o real negócio efetivado; como forma de permanecer oculta durante as operações de importação, empresa CIL "contratava" a Mtrading para realizar as importações de seu interesse como sendo importações por conta própria. Posteriormente as mercadorias eram "comercializadas" para a CIL como se fosse uma operação comercial interna; Fl. 931DF CARF MF 4 em verdade, a própria CIL é quem de fato importava, negociando preços com fornecedores estrangeiros, definindo produtos e quantidades, participando de cotações de fretes, seguros, enfim, promovendo todo o entendimento comercial, logístico e financeiro necessários à realização da transação. A Mtrading registrava a Declaração de Importação (DI) em seu nome, utilizandose corriqueiramente do artifício da "fabricação de Notas Fiscais" para instrução dos despachos aduaneiros, e cuidava de desembaraçála, tudo conforme orientações da CIL, para poder entregar a mercadoria ao real adquirente; o importador — Mtrading — e o real adquirente das mercadorias — CIL — praticaram fraudes de simulação, ocultação do real comprador, subfaturamento dos preços declarados, sonegação de tributos, falsificação de documentos e prestação de informações falsas, remessa ilegal de divisas, dentre outros; com a prática da simulação, realizada conjuntamente pelas autuadas, também em conjunto é a responsabilidade pelos tributos sonegados e pelas infrações praticadas [a Mtrading, como importadora de direito, é contribuinte dos impostos e a empresa CIL, como real adquirente, é responsável solidário], ambas respondem pelas infrações praticadas arts. 121, 124 e 136, do CTN; 31, 32, 94 e 95, do DL n° 37/66; 35, da Lei n°4.502/64; e, 27, da Lei n° 10.637/02]; (...) no presente caso, nas DI em que foi possível reconstituir, por meio dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos na Operação Dilúvio, juntamente com elementos obtidos no decorrer da fiscalização, as operações comerciais efetivamente realizadas e identificar com total segurança os preços efetivamente praticados, o método do valor de transação (1º Método de Valoração) foi preservado. Nas demais, as bases de cálculo foram determinadas mediante arbitramento, tendo em vista que, conforme demonstrado, a fraude, a sonegação e o conluio estão presentes em todas as operações analisadas ao longo do procedimento fiscal; são imputáveis ao caso a multa de lançamento de ofício agravada no percentual de 150%, a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado nos termos do parágrafo único, do art.88, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001 e a multa prevista no art.83 inc. I, da Lei n° 4.502, de 1964; (...) Cientificada do lançamento, a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, apresentou impugnação, alegando, em síntese: DECADÊNCIA: todas as 17 DI, objeto da presente autuação, foram registradas entre 07/04/03 e 03/10/03. Entretanto, a ora impugnante somente foi cientificada da exigência do sobredito crédito tributário em 22/12/08, tendo expirado o prazo decadencial estabelecido no §2º, do art. 570, do Regulamento Aduaneiro [Decreto no 4.543102], sem se ter por concluída a revisão aduaneira iniciada contra as Autuadas; Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 931 5 na legislação aduaneira existe norma especifica estipulando o prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento da respectiva penalidade administrativa, o qual tem como termo inicial a data em que fora cometida a infração; os lançamentos do II e do IPI estão sujeitos à apuração pelo método de homologação, conforme prevê o art. 150, do CTN, sendo inaplicável o deslocamento da regra decadencial para a hipótese prevista no art. 173, ou qualquer outra do CTN, haja vista a inexistência de dolo ou fraude que pudesse afastar a norma do art. 150, § 4°, do CTN. Multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei n° 4.502/64: é injurídica a exigência cumulativa do crédito tributário de II e IPI com a multa administrativa estatuída no art. 83, 1, da Lei ri° 4.502/64. A multa em montante igual ao valor da mercadoria somente é aplicável para o caso de impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, em virtude do consumo ou da entrega a consumo das mercadorias que seriam objeto da penalidade; em sendo mantida, ad argumentandtan tantum, temse que a base adotada para o cálculo da multa ("valor aduaneiro" das mercadorias) carece dc fundamento legal. O dispositivo legal é claro ao preceituar que a muita deve ser igual ao valor da mercadoria e não igual ao valor aduaneiro da mercadoria. Valor da mercadoria, base de cálculo da multa do art. 631, do RA, é o preço pago pelo importador para aquisição da mercadoria de origem estrangeira (valor de transação). Deste modo, a base de cálculo para a correta cominação da penalidade deve ser o preço pago pelas mercadorias importadas, sem a inclusão dos custos de frete e seguro; Subfaturamento: os emails e a "Conta Corrente AMD Nagem" não são provas da prática de subfaturamento das mercadorias importadas pela Mtrading, mas, sim, espelham a política comercial adotada pela empresa AMD, em que se privilegia o cliente fidelizado por meio da concessão de reembolso; o valor efetivamente pago, pelo importador, por cada ma das mercadorias importadas é aquele destacado em cada uma das invoices emitidas regularmente pela AMD, não compondo o preço o abatimento decorrente do aproveitamento do crédito gerado pela política de reembolso; O chamado método do valor de transação, somente pode ser rejeitado quando a fiscalização demonstra que o preço real pago ou a pagar não corresponde ao declarado, mas se trata de outro montante. Essa fundamentação deve ter em conta alicerces objetivos e robustos, e não meras especulações, obtidas por meio de ilações firmadas por quem desconhece inteiramente a prática comercial de reembolso adotada pela empresa AMD; a desconsideração do valor de transação teve por base o conteúdo de documentos apreendidos na Operação Dilúvio, sem que fosse dada a impugnante a oportunidade para explicar o seu real significado. São equivocadas as conclusões da fiscalização sobre tais documentos; os valores lançados para cada uma das mercadorias importadas, tanto os da invoices quanto os das notas fiscais emitidas pela Mtrading, são compatíveis com os preços encontrados no mercado. Esta compatibilidade serve para demonstrar que os preços praticados estavam alinhados às tabelas de referência dos fornecedores, servindo de prova irrefutável da existência de subfaturamento; nas DI's n° 03/03646378, 03/07301081 e 03 107439253 os preços de referência adotados não merecem prosperar, pois, para fundamentar o arbitramento, seria necessário que a Fl. 933DF CARF MF 6 fiscalização averiguasse objetivamente, seguindo os critérios legais, a valoração da mercadoria segundo os métodos previstos no Decreto nº 1.355/94; no arbitramento não foram observados alguns aspectos como: se os preços tomados como paradigma não foram formados por pessoas jurídicas vinculadas e, que, por isso, poderiam estar superfaturados para fins de remessa de divisa (lucro) para o exterior; a oscilação de preço por razões típicas de mercado, como, por exemplo, baixa demanda, obsolescência do produto, entre outras; Imputação de dolo, fraude: analisados os fatos documentados nos autos e os elementos contrapostos na presente defesa, de forma isenta, emerge clara a improcedência da tese de subfaturamento, a insubsistência da imputação de interposição fraudulenta, e a precariedade de quaisquer insinuações opostas contra a impugnante; à época dos fatos havia duas formas de proceder a importações: por conta própria, c por conta e ordem. Apenas em 2006 foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro a modal idade de importação por encomenda; ainda que se admita que a Receita não concorde com a qualificação adotada nas importações enfocadas nos presentes autos (Por conta própria), afigurase evidente que não foram importações "por conta e ordem". Em verdade, não sendo compatível com a modalidade por conta e ordem, restava apenas a importação por conta própria sem que com tal opção se possa vislumbrar prejuizo ao Erário. A empresa Mtrading Comércio Importação e Exportação Ltda. apresentou intempestivamente a sua impugnação, e por essa razão não foi conhecida. A DRJ acolheu parcialmente os argumentos da impugnante CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 PETIÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO. NÃO CONHECIMENTO COMO IMPUGNAÇAO. A petição apresentada fora do prazo não deve ser conhecida como impugnação, motivo pelo qual não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não é o caso. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Constatada a fraude pelo conjunto probatório dos autos, temse que o prazo para a homologação do lançamento a que esta se aplique passa a ser contado não mais da ocorrência do fato gerador, mas sim do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA. Sendo cabível a aplicação de penalidade, mas não restando clara a apuração de seus valores, fica prejudicado a direito à ampla defesa do sujeito passivo, o que caracteriza vício formal no lançamento, levando nulidade deste. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 NÃO APLICAÇÃO DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA EM CASO DE FRAUDE. O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) foi concebido para aplicação em operações legítimas e leais de comércio. Nos casos Fl. 934DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 932 7 de fraude, as administrações aduaneiras encontram respaldo legal no próprio Acordo para se afastarem do rigor técnico procedimental previsto em suas regras. Sendo a fraude matéria submetida a legislação específica, aplicase esta em detrimento do AVA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/3012003 PENALIDADES. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO. Constatado que o valor da mercadoria foi subfaturado uti1izandose de artifício doloso (fraude fiscal), resta caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária e de sonegação fiscal, motivo pelo qual se aplica a multa agravada de 150% incidente sobre o II e o IPI, bem assim a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. MULTA PREVISTA NO ART. 83, INC. I, DA LEI N° 4.502/64. O ato específico de consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, é penalizado com multa igual ao valor comercial da mercadoria, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis. Cientificada em 10/09/2009, a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. apresentou recurso voluntário, repisando as alegações da impugnação e acrescentando outras matérias, sob os seguintes tópicos: Preliminarmente Nulidade da decisão a que, por não ter apreciado questionamentos aduzidos em impugnação [no que concerne à decadência] Decadência: 1 Da Revisão Aduaneira 2 Das multas administrativas 3 Decadência dos impostos e das multas de ofício. Do Mérito 1 Da indevida aplicação cumulativa da multa igual ao valor da mercadoria (artigo 631 do RA) 2 Da indevida aplicação da multa do artigo 83, I, da Lei n° 4.502/64 (artigo 631 do RA) 3 Da correta base de cálculo da multa prevista no artigo 83,1, da Lei n° 4.502/64 (artigo 631 do RA) 4 Da ausência de subfaturamento Fl. 935DF CARF MF 8 Da ausência de dolo, fraude, ou de outro ilícito penal qualquer. Improcedência da qualificação das multas, e descabimento da representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Consta no recurso voluntário a data de 13/10/2009 na qual a petição foi distribuída a outra servidora para a juntada física ao processo, mas não há notícia nos autos sobre data de apresentação do recurso voluntário, tampouco de eventual constatação de sua intempestividade, razão pela qual, atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Decadência: Alega a recorrente que o julgador de primeira instância não teria analisado todos os seus argumentos sobre a decadência, entretanto, como os fundamentos utilizados na decisão recorrida são suficientes para embasar o entendimento nela contido de que incidiriam no caso as regras de decadência do CTN, não se configurou a nulidade suscitada. No entanto, ao contrário da decisão recorrida, entendo que, com relação especificamente às infrações aduaneiras, o prazo de decadência para impor penalidades previsto é de 5 anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). No presente caso, foram apuradas as infrações puníveis com as seguintes penalidades: a) multa administrativa pela diferença de preços, prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, e b) multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964, regulamentada pelo art. 631 do Regulamento Aduaneiro/2002 relativamente a importações registradas entre 07/04/2003 e 03/10/2003, conforme dispositivos abaixo transcritos: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: Ipreço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço Fl. 936DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 933 9 efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será procedida à conversão de que trata o § 1o do art. 632. (Redação original) Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será efetuada a conversão de que trata o § 1o do art. 618. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Embora a infração veiculada no art. 631 do Regulamento Aduaneiro/2002, seja originária da legislação do IPI, ela foi incorporada pelo Regulamento Aduaneiro, tratando se, portanto, de uma infração aduaneira, a teor do art. 602 desse Regulamento1. Assim, in casu, considerandose que a recorrente foi cientificada da autuação em 22/12/2008 e as importações foram realizadas entre 07/04/2003 e 03/10/2003, operouse a decadência do direito de impor penalidades aduaneiras para todas as importações, devendo ser exoneradas integralmente tanto a multa administrativa pela diferença de preço como a multa pelo consumo de mercadoria introduzida no País clandestinamente. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício, aplicamse as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. A questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do art. 150, §4º do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação já se encontra resolvida pela aplicação do entendimento do STJ no julgamento do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, no qual restou consignado que deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando não houver pagamento antecipado ou quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação. 1 Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei no 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei no 37, de 1966, art. 94, § 2o). Fl. 937DF CARF MF 10 Assim, no presente caso, em que se autuou por fraude, dolo e simulação, aplicase para os tributos o prazo do decadência do art. 173, I do CTN, não estando o lançamento dos tributos e multa de ofício atingidos pela decadência. Das Provas obtidas na Operação Dilúvio Embora nada tenha sido alegado nos autos, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser trazido ao presente julgamento a questão da ilicitude das provas decretada no âmbito do Habeas Corpus nº 142.045/PR, conforme ementa abaixo transcrita e Acórdão juntado nas fls. 902/928, impetrado em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando como autoridade coatora o Eg. TRF da 4ª Região, que havia julgado regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial nº 2006.70.00.0224356, conforme ementa abaixo: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, §2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. (STJ; HC 142.045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) (grifos nosso). Inclusive, em recente julgado deste Colegiado, cuja ementa segue abaixo, em processo administrativo decorrente da Operação Dilúvio, por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, ante a impossibilidade de segregação das provas lícitas daquelas consideradas ilícitas no âmbito judicial: Acórdão nº 3402003.195 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Relator: Diego Diniz Ribeiro ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 934 11 Período de apuração: 15/12/2004 a 05/04/2005 Ementa: ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL. Exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas com ilícitas no âmbito judicial. Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). No referido julgado deste Colegiado restou consignado a extensão da decretação da ilicitude das provas, conforme trecho abaixo do Voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: (...) 8. Ressaltese, inclusive, que referida ordem foi objeto de pedido de extensão, o que foi deferido pelo STJ, consoante se observa abaixo: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO. SIMILITUDE DE SITUAÇÃO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE EMPECILHO INERENTE A CIRCUNSTÂNCIA DE CARÁTER EXCLUSIVAMENTE PESSOAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 580 DO CPP. POSSIBILIDADE. PEDIDO DEFERIDO. 1. Demonstrada a similitude da situação processual dos requerentes com a dos pacientes, devese estender a ordem, eis que não se verifica a existência de qualquer circunstância de caráter exclusivamente pessoal que a obstaculize, sendo aplicável, portanto, o artigo 580 do Código de Processo Penal. 2. Dada a documentação acostada aos autos, excepcionalmente, entendese que os efeitos dessa decisão devem ser estendidos também aos demais corréus da ação penal, pois, evidenciandose o semelhante contexto no que tange à medida constritiva telefônica, o deferimento se lhes alcança. 3. Pedido de extensão deferido em relação aos peticionários, bem como aos demais corréus em idêntica situação, nos termos do primevo voto concessivo, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas' seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito". (STJ; PExt no HC 142.045/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 10/06/2016) (g.n.). 9. Deferida a citada ordem, referida decisão foi objeto de análise pelo juízo criminal de 1ª. instância, onde corria a ação criminal correlata (autos n. 2007.70.00.0197047/ PR). Nesta oportunidade, assim se manifestou o juízo de 1ª. instância: (...) Fl. 939DF CARF MF 12 A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações, analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°, CPP). Em conclusão, não subsistem razões para continuidade da persecução penal em relação aos crimes de descaminho e de falsidade ideológica, ante a ausência de elementos representativos da materialidade delitiva. (...) Nesse sentido também foi decidido no Acórdão nº 3401003.171 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 17 de maio de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, conforme voto abaixo, no qual foi ressalvado, contudo, a licitude das provas obtidas no procedimento fiscal autônomo: (...) Portanto, antes de seguir na análise dos processos judiciais, é preciso destacar que há efetivamente também uma fiscalização administrativa, que não pode ter seus elementos de prova, colhidos em procedimento administrativo autônomo (sem apreensões ou escutas, e calcado em simples verificações in loco e intimações atendidas pela fiscalizada), afetados pela decisão judicial, que, pelo que se analisou até o momento, limitouse a macular as provas obtidas na "Operação Dilúvio", na ação penal, em função das escutas tidas como ilegais, não estabelecendo nenhum impedimento para que o fisco apurasse, em procedimento autônomo, eventuais infrações ocorridas nas referidas importações. Entender o contrário equivaleria a admitir que toda fiscalização que coletar provas entendidas como ilícitas pelo Poder Judiciário jamais poderá ser refeita, ainda que com coleta de provas distintas, por meio lícito. Nada mais absurdo. (...) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 935 13 Assim, não fosse o parecer do Ministério Público, acatado pelo juízo de primeiro grau, afirmar que eram indissociáveis as provas obtidas no primeiro período de escutas das demais, e que maculavam todo o restante, ainda haveria discussão sobre a amplitude da prova ilícita. Reiterese que o próprio Ministério Público reconheceu como ilícitas todas as provas derivadas de todas as escutas, por serem indissociáveis, assim como os documentos em virtude delas apreendidos, e as análises destes documentos feita pela RFB. Restaram lícitas apenas as provas obtidas em virtude de procedimentos, inclusive de escutas, obtidos em função de outras operações. Mas, nestes autos administrativos, não se narra a existência de nenhuma prova nesses moldes. (...) Pelo exposto, entendo que o teor do processo judicial afeta, sim, o julgamento do presente processo administrativo. Ao contrário do que entendeu a DRJ, não vejo como considerar, no presente contencioso, válidas, as provas que o Poder Judiciário entendeu como obtidas ilicitamente, ainda mais diante da manifestação do Ministério Público, defensor da ordem jurídica, que concedeu amplitude até maior do que a inicialmente definida pelo juízo. Tendo o STJ definitivamente estabelecido que era ilícita a prova obtida após o excesso de prazo da escuta telefônica e as delas resultantes, e tendo o Ministério Público revelado a impossibilidade de dissociar as provas obtidas antes e depois do excesso de prazo, não me parece plausível que se possa neste contencioso administrativo admitir todos aqueles procedimentos rechaçados em juízo como legais e regulares. Seria levar a independência entre os processos ao extremo, permitindose aqui, administrativamente, algo que o STJ definitivamente afastou, em relação aos mesmos fatos. No entanto, naquilo que foi objeto de apuração fiscal autônoma, entendo que devem ser apreciados administrativamente os argumentos da fiscalização e da recorrente. É o que se faz a seguir. (...) Nessa esteira, também no presente processo, conforme demonstra o Relatório Fiscal (vide trechos abaixo), além das provas trazidas na Operação Dilúvio, a fiscalização também coletou documentos e informações em procedimento fiscal autônomo para sustentar a autuação: (...) Fl. 941DF CARF MF 14 (...) (...) A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da possível prática das infrações pelos fiscalizados e de falta de recolhimento de tributos. Não há que se olvidar que todos os contribuintes estão potencialmente sujeitos a um procedimento fiscal dentro do prazo decadencial dos tributos objeto de lançamento por homologação, mas, na prática, adotase o método de seleção de contribuintes para serem fiscalizados, segundo procedimentos internos previamente estabelecidos na Receita Federal, com observância dos princípios constitucionais de impessoalidade, interesse público, imparcialidade e eficiência. No presente caso, a recorrente foi selecionada para fiscalização pela Equipe responsável da Inspetoria com base em legítima representação de Divisão da Superintendência Regional da 9ª Região Fiscal, como bem esclarecido no Relatório Fiscal: A prova ilícita é inadmissível tanto no processo penal como no administrativo, não mais devendo ser objeto de ponderação pelo julgador ou pelo juiz, entretanto, a decretação superveniente da ilicitude de uma prova não implica a nulidade automática dos atos processuais anteriores legitimamente praticados. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes das declaradas ilícitas que possam sustentar a autuação.2 2 Raciocínio semelhante foi utilizado no Voto da Relatora Desembargadora Simone Schreiber no processo judicial nº 080220514.2011.4.02.5101 (Apelação Criminal no TRF2), colacionado no processo nº 10074.000899/201031 (Vide Voto Vencedor no Acórdão nº 3402003.077 deste Colegiado em sessão de 18 de maio de 2016), em análise de preliminar de julgamento, acerca da impossibilidade de anulação da investigação policial que precedeu à ação penal na qual foi decretada a ilicitude da prova, nesses termos: (...) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 936 15 Assim, considerandose todas as provas obtidas na Operação Dilúvio como ilícitas, importa analisar, na parte restante da autuação não atingida pela decadência, relativa aos tributos e multa de ofício, se haveriam provas lícitas, obtidas no âmbito da ação fiscal autônoma, com habilidade para suportar a pretensão fiscal. Da exigência de tributos e multa de ofício: A exigência de tributos decorreu da apuração de nova base de cálculo para o II e o IPI, seja pelo arbitramento, quando não foi possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação; seja pela aplicação do Método do Valor da Transação, nas hipóteses em que os preços das mercadorias puderam ser reconstituídos com os documentos coletados; ou conforme tabelas abaixo extraídas do Relatório Fiscal: Arbitramento: Método do Valor da Transação: A decretação da ilicitude da prova produzida pelas interceptações telefônicas e telemáticas, ocorrida em momento muito posterior, não anula a investigação policial que precedeu a esta ação penal, o decorrente oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal e mesmo seu recebimento pelo Juízo a quo. É que a declaração superveniente da ilicitude da prova não alcança o fato de que, à época, existiam indícios da possível prática de crimes pelos acusados, havendo, destarte, suporte para uma investigação. E o recebimento da exordial acusatória foi calcado na presença, naquela ocasião, de indícios mínimos de materialidade e autoria. A prova ilícita é inadmissível, devendo ser desentranhada do processo, de acordo com o art. 157, caput, do Código de Processo Penal. Em outras palavras, a prova passa a não mais integrar o conjunto probatório formado nos autos, não sendo objeto de ponderação do juiz quando da prolação de sentença. Todavia, a declaração superveniente da ilicitude de uma prova não implica a nulidade automática dos atos processuais anteriores, se praticados com observância às disposições legais e constitucionais. (...) Prolatada a sentença, entendo que a questão não mais se insere no contexto da nulidade da investigação policial ou da ação penal, mas sim no da existência (ou não) de provas independentes das declaradas ilícitas pelo Superior Tribunal de Justiça que possam sustentar a sentença condenatória prolatada pelo Juízo a quo, a ser aferida por este Tribunal quando da análise do mérito das apelações interpostas pelos acusados. Assim, se houver provas ilícitas não derivadas da prova ilegal, suficientes para embasar as condenações, a sentença será mantida. Sob outro giro, não restando prova válida e hábil a sustentar um decreto condenatório, a sentença será reformada, absolvendose os acusados. (...) Fl. 943DF CARF MF 16 No Relatório Fiscal (nas suas fls. 49/70) consta a análise dos fatos separadamente para cada Declaração de Importação, razão pela qual, não se trata de tarefa difícil segregar as provas obtidas licitamente no procedimento fiscal autônomo. Nas 7 Declarações de Importação acima, cujo valor aduaneiro foi obtido pelo Método do Valor da Transação, verificase que o valor real da transação pode ser obtido especialmente graças à documentação obtida na Operação Dilúvio, conforme demonstram os elementos relativos à DI nº 03/03910105: (...) (...) (...) Conforme se observa nos documentos referidos no extrato abaixo (fls. 379/383 do processo em papel), eles possuem a menção à operação Dilúvio na seguinte forma: O mesmo se observa no Relatório Fiscal em relação as outras Declarações de Importação cujo valor das mercadorias foi obtido pelo Método do Valor da Transação, especificadas no quadro acima. Assim, considerandose que as provas fundamentais para a obtenção do real valor aduaneiro dessas mercadorias são provenientes da Operação Dilúvio, deve ser exonerada essa parcela da autuação, no que concerne aos tributos e à multa de ofício. Com relação às três importações que foram objeto de arbitramento para a apuração do valor aduaneiro das mercadorias, apurouse que foram realizadas pela Mtrading em favor da CIL, que seria a real adquirente das mercadorias importadas, de forma que as informações prestadas nas DI´s e nos documentos de sua instrução estariam viciados pela falsidade, não podendo subsidiar a apuração do valor aduaneiro. Como se verifica no Relatório Fiscal (itens 7.10 a 7.12), a fiscalização apurou elementos indiciários de fraude que justificariam o arbitramento, quais sejam, inscrições nos extratos da DI's e nos contratos de câmbio que foram associadas pela fiscalização à empresa CIL como real adquirente das mercadorias; notas fiscais de venda da Mtrading para a CIL poucos dias após o desembaraço, sendo no caso das DI´s nºs 03/0731081 e 03/07439253, elas foram obtidas da Operação Dilúvio; e falsidade material na cópia de fatura comercial enviada à fiscalização por fax pela Mtrading em relação à DI nº 03/03646378. Em relação às DI's nºs 03/0731081 e 03/07439253, entendo que os elementos levantados pela própria fiscalização, sem ou com as notas fiscais obtidas na Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 937 17 Operação Dilúvio, não são suficientes para caracterizar a fraude, sonegação ou conluio que ensejariam o arbitramento. A associação das operações à empresa CIL como real adquirente das mercadorias só se torna possível quando se tem em mente todo o conjunto de informações da Operação Dilúvio. Com relação à DI nº 03/03646378, em apuração autônoma da fiscalização constatouse a falsidade da fatura comercial para justificar o arbitramento, nesses termos: (...) Solicitada por telefone, aos 16/11/2008, a que nos enviasse FAX com as Invoices que instruíram a DI sob análise, por não ter sido esta incluída em intimação feita anteriormente, a MTRADING providenciou o atendimento através de seu FAX n° 0144/2008 (Fls. 537 a 539). Apesar da má qualidade gráfica do material recebido, podemos constatar facilmente a notável diferença entre o layout das invoices apresentadas nesta importação e de uma outra invoice (Fls. 564), supostamente do mesmo emissor (Samsung), que instruiu a DI 03/07439253, de que trataremos posteriormente. Nas invoices apresentadas encontramos um possível erro de grafia na palavra Quantity (quantidade em português) escrita como "Quantit" . Outrossim, a data informada nos documentos, ao menos na invoice 1KB0310933 (F1s. 539), aparece da seguinte forma: "Date: 22012003". Além de expressar, um significativo lapso temporal entre a sua suposta emissão (22/01/2003) e a efetivação da importação (02/05/2003), a forma em que foi escrita foge às práticas americanas, em que a data (date) é sempre dada na ordem mês/dia/ano, diferentemente do brasileiro que informa sempre dia/mês/ano, indicando mais um erro cometido possivelmente quando da fabricação própria da fatura. Diante da falsidade das declarações prestadas e dos documentos apresentados, bem como da impossibilidade de apuração, em relação a esta DI analisada, do preço efetivamente praticado na transação comercial, partimos para o arbitramento da base de cálculo dos tributos incidentes na importação, conforme dispõe o art. 88, I, da MP 2.15835/2001. (...) Em relação à acusação de falsidade material da Fatura comercial, alega a recorrente que: (...) Apenas com relação a uma única DI, a de nº 03/03646378, colocouse dúvida quanto autenticidade das invoices que instruiu a referida declaração de importação. A rigor essa desconfiança se fundamenta em uma aventada diversidade de layout entre as invoices e de discordância quanto à grafia da data de sua emissão. No entanto, tais especulações não passam de suposições, de conjecturas não comprovadas em dados objetivos e concretos. A data impressa nas invoices, por exemplo, se analisada sem prejulgamento, a olho desarmado, logo se percebe o porquê de no ter seguido o padrão americano (com a Fl. 945DF CARF MF 18 aposição do mês antes do dia e este antes do ano): tratase de documento emitido por empresa chinesa, que não necessariamente segue as práticas americanas (fl. 97), "em que data (date) é sempre dada na ordem mês/dia/ano". De mais a mais, a suscitada material das invoices não passou de afirmação lançada ao léu, sem o respaldo da única prova adequada para o caso, a prova pericial, que atestaria a propalada falsidade. (...) A meu ver, a fiscalização, embora tenha apurado indícios de falsidade da Fatura Comercial, eles não são suficientes para a sua completa caracterização. Os elementos levantados podem, em tese, ter justificativas razoáveis, como por exemplo, as alegações acima da recorrente, além do fato de que o documento sob suspeita tratase de uma cópia de má qualidade gráfica enviada por fax pela empresa Mtrading. Dessa forma, não tendo sido comprovada cabalmente a hipótese de fraude, sonegação ou conluio para essa Declaração de Importação, também não prospera o arbitramento e a decorrente exigência tributária. Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário. Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 946DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729878/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 78 /2 01 3- 27 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.933, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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