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Numero do processo: 10835.720023/2005-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-005.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 23 /2 00 5- 98 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 340300.454, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao indébito do PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula 15 do CARF. O acórdão recorrido expressou o entendimento consolidado com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO, MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.212/1995. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n. 1,212/1995, têm seu prazo decadencial iniciado Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 272 3 da publicação da decisão do STF, referente à ADIn n. 1.4170/DF e da Instrução Normativa SRF de n. 006/2000. DIREITO DE RESTITUIÇÃO. É assegurado ao sujeito passivo o direito de ser restituído dos valores referentes pagamentos indevidos ou a maior, em decorrência de erro ou por imposição de norma declarada pelo STF inconstitucional, CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31,12.95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n. 8, de 27,06,97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01.01.96, nos termos do art. 39, parágrafo 40 da Lei n. 9250/95. Recurso provido em parte. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão no acórdão exarado, trazendo que não houve pronunciamento em relação ao prazo decadencial para formular os pedidos de restituição de indébitos, eis que o sujeito passivo apresentou 4 DCOMPS nos dias 16.4.04, 10.11.04, 11.8.04 e 14.2.05 e o Colegiado apenas efetuou a contagem do prazo para pedir a restituição apenas em relação ao primeiro dos pedidos. Em sessão de julgamento realizado em 8.7.2011, apreciados os embargos, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, por unanimidade de votos, os acolheu para sanar a omissão alegada e reconhecer a decadência em relação às solicitações efetuadas em 10.11.04 e 14.2.05 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o r. acórdão que reconheceu parcialmente o direito ao indébito de PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. O Colegiado havia entendido que o prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da MP 1.212/95 é de 5 anos contados a partir da publicação da decisão do STF na ADIN 1.4170/DF, que ocorreu em 13.8.99. O que, por conseguinte, concluiu que os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 não foram atingidos pela decadência. Fl. 273DF CARF MF 4 Traz, em síntese, que: · A prescrição do direito à restituição deve sempre ser contada a partir do pagamento indevido, nos termos dos arts. 168, caput, 165, inciso I e 156, inciso I, do CTN; · A causa do recolhimento indevido é irrelevante – o que fixado o dies a quo da prescrição como data da extinção do crédito tributário, no caso o pagamento, não pode o intérprete se furtar de tal orientação, nem tampouco criar outros termos iniciais não previstos no CTN – a exemplo da publicação da decisão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF em sede de controle concentrado ou Resolução do Senado Federal que ordenou a revogação de norma declarada inconstitucional em controle difuso. Em Despacho à fl. 228, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros: · Enviou declaração de compensação com fundamento na ADIN 1.4170 transitada em julgado em 4.4.01 – o que consequentemente tem direito ao crédito do PIS referente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996; · A declaração de compensação foi realizada antes da LC 118/05. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos autos do processo, especialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecer o recurso de divergência, eis que foram atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 273 5 As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo também devem ser consideradas, eis que tempestivas. Observadas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria trazida em Recursos Especial da Fazenda Nacional. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do Fl. 275DF CARF MF 6 disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 274 7 Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 277DF CARF MF 8 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, a Fazenda Nacional apenas está discutindo os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 – eis que o Colegiado da Cãmara abaixo havia se manifestado favoravelmente ao contribuinte pelo não reconhecimento da decadência. Sendo assim, ainda que para o caso em comento entenda que o pedido de restituição apresentado em 14.2.05 também não tenha decaído é de se ignorálo, vez que não foi objeto de Recurso Especial pelo sujeito passivo. Recordo que havia sido reconhecido o não atingimento da decadência dos pedidos de restituição protocolados em 16.4.04, 10.11.04 e 11.8.04 relativos ao PIS do período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos no período em questão – outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 275 9 Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902293/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.812
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 93 /2 01 1- 81 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.243. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908657/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 57 /2 01 1- 91 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.629 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900712/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 71 2/ 20 13 -6 1 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 375 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 12063.511 da 15a Turma da DRJ/RJ1, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade da Interessada, ao indeferir pedido de diligência formulado para fins de identificação de possível homologação tácita em relação ao conteúdo de PER/DECOMP's transmitidos em 2004, com posterior retificação em 2008; não reconhecer nenhum crédito além do reconhecido no Despacho Decisório DEMAC/RJO n. 048890990 de 04/04/2013 (fl. 70) e não homologar nenhuma compensação além das já homologadas nesse despacho. Os PER/Dcomp (fls. 02 a 67), objeto deste processo são: • 09274.98128.290508.1.7.038202 (homologada parcialmente) • 19139.53915.290508.1.3.034252 (não homologada) • 22030.82559.290508.1.7.035540 (não homologada) • 22126.23741.290508.1.7.033812 (não homologada) • 34004.17021.290508.1.7.030073 (não homologada) • 33253.33515.290508.1.7.030560 (não homologada) No Despacho Decisório (fl. 70), consta o indeferimento parcial dos PER/DCOMP, sob alegação de que o saldo negativo de CSLL montava apenas R$ 698.100,21, sendo insuficiente para compensar integralmente todos os débitos informados pela interessada, restando a questão controvertida somente em relação valor de R$ 12.401.615,63, decorre de pagamento de Estimativa Mensal de CSLL nos meses de janeiro, fevereiro, março e julho de 2000. A parcela de crédito de R$ 12.401.615,63 não foi reconhecida, porque, de acordo com o relatório da fiscalização, a Requerente "apresentou documentação absolutamente insuficiente" para comprovar os créditos utilizados para quitar as Estimativas Mensais de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro, março e julho. Além disto, o Ilmo. Auditor Fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 19139.53915.290508.1.3.034252, sob a alegação de que na data de sua transmissão já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em função do decurso do prazo legal. Em sede de voluntário, reitera os argumentos trazidos na Impugnação, quanto a existência e suficiência dos créditos compensados, inclusive o pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita . VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 376 3 O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade. A Recorrente fundamente pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita sob fundamento de que art. 74, parágrafo 5o.da Lei 9.430/96, fixa o prazo de cinco anos para análise das compensações realizadas pelos contribuintes. Reclama que para a contagem dos cinco anos há que se diferenciar as Per/Decomps originais das retificadoras, apontando que o prazo em foco iníciose em 2004 e findouse em 2009 com relação aos dados informados nas Per/Decomps originais que não foram alteradas nas Per/Decomps retificadoras e faz o seguinte recordatório em suas razões: O pedido de diligência formulado pela Recorrente encontra amparo em jurisprudência do STJ, no sentido de que a retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retifificado (AgRg no Agravo de Instrumento n. 1.254.666 publicado em 08/04/2011, segue trecho: A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que se considera constituído o crédito tributário a partir da entrega da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF). Esse o teor da Súmula 436/STJ, in verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Desse modo, sendo entregue a Declaração, seja por meio de DCTF, GIA, ou outra declaração dessa natureza, temse constituído e Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 377 4 reconhecido o crédito tributário, iniciandose, a partir desse momento, o cômputo da prescrição quinquenal em conformidade com o artigo 174 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, quando a DCTF é retificada, nas hipóteses em que permitida, esta retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto, somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retificado. Para dar respaldo ao seu crédito a Recorrente anexa aos autos planilha discriminando mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até a realização de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário de 2000 (fls. 159/160) e reconhece que se equivocou ao preencher a DCTFs quando informou o saldo negativo para as compensações das estimativas mensais de CSLL referiase ao anocalendário de 1999, o que configuraria erro material, passível de esclarecimento pela realização da diligência, que teria o condão de identificar exatamente o conteúdo dos PerDecomps formalizados em 2004 em relação às retificadoras formalizadas em 2008. Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência para que a fiscalização aprofunde a investigação, buscando identificar precisamente o alcance de cada um dos PER/DECOMP retificadores em relação ao conteúdo retificado, buscando apontar se de fato houve somente erro de digitação em relação ao ano calendário sendo que onde constou 1999 deveria ter constado 1996, para fins de apuração da ocorrência de possível homologação tácita em relação ao conteúdo das declarações de compensação apresentadas em 2004. Ademais, intimese o contribuinte se for o caso, no sentido de esclarecer tais inconsistências, chegando a uma conclusão a respeito do verdadeiro saldo de créditos fiscais ora em questão e seu montante em relação aos débitos compensados Se for possível, trazer também aos autos a evolução de forma ampla da formação desses créditos referentes ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1996, através das informações contidas no banco de dados da Receita Federal do Brasil, que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes através de suas declarações de rendimentos/faturamento, confrontandoas com a planilha apresentada pela Recorrente (fls. 159/160), na qual, ela discrimina mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até as realizações de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário 2000. Após, intimar o contribuinte para no prazo de 30 dias oferecer suas considerações sobre o resultado da diligência, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002619/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO.
Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 834 1 833 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002619/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.822 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente SIDNEI RECH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submetese a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 26 19 /2 00 9- 25 Fl. 834DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC: Por meio do auto de infração de fls. 684 a 695, de 26/06/2009, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.656.849,43, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2004, 2005 e 2006, exercícios 2005, 2006 e 2007. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à "Descrição dos Fatos e enquadramento(s) Legal (is)", às folhas 686 a 689, e ao "Relatório de Fiscalização", às folhas 624 a 683, verificase que a autuação tem por base a constatação da prática de omissão de rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em suas contas bancárias, hipótese presuntiva de omissão de receitas conforme previsão do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996. O sujeito passivo apresenta impugnação ao lançamento, arguindo, em síntese, o abaixo exposto. Afirma ser produtor rural e também comercializar a produção de outros agricultores da região, sendo o pagamento da venda de tais produtos depositados em suas constas correntes. Assim, entende que deve ser tributado com base nas determinações previstas pela Lei nº 8.023/90, ou seja, com a base de cálculo, para fins de apuração, sendo 20% sobre a receita bruta. Aduz que a inexatidão entre os valores encontrados em suas contas bancárias e os valores das notas fiscais decorre do fato que muitas vezes o depósito referese a (sic) mais de uma nota fiscal, e a (sic) venda da produção de mais de um produtor. O impugnante repassava os valores devidos aos demais produtores, após a retirada de sua comissão. Entende que devem ser utilizadas as declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 835 3 sua produção ao sujeito passivo, para fins de distribuição dos valores aqui debatidos. Conclui não ser possível que um simples agricultor possa ter realizado tamanha movimentação financeira apenas com recursos próprios, o que houve foi, na verdade, um erro de pessoa mal instruída, tanto que, recentemente, a fim de legalizar totalmente sua operações o impugnante passou a intermediar a venda, entretanto, a mesma tem como origem a cooperativa criada pelos produtores da região que entregam sua produção na cooperativa. Argumenta que a aplicação da taxa Selic deve ser afastada, pois fere diversos princípios do ordenamento jurídico brasileiro, além de ultrapassar o limite de juros disposto pelo CTN, em seu artigo 161, §1º. Contesta ainda a aplicação da penalidade de 75% sobre o crédito principal, posto representar típico ato confiscatório, vedado pelo artigo 150,IV, da CF/88. Requer, por fim, nulidade do auto de infração, ou o recálculo do valor devido, e a não aplicação da taxa Selic e da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004,2005, 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUJEITO PASSIVO. O titular da conta de depósito mantida junto à instituição financeira é o sujeito passivo da tributação da omissão de rendimentos representada por valores creditados na referida conta, quando, regularmente intimado, o contribuinte não comprova, mediante documentação a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Fl. 836DF CARF MF 4 Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submentemse a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004,2005,2006 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplciar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência dessa instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, §1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1% desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. IMCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificado (AR fls. 722) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 723/831 no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 836 5 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. É o que dispõe o artigo da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 838DF CARF MF 6 acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. O Recorrente insiste que a origem dos recurso foi comprovada pelas declarações das empresas com quem mantinha, embora não exista a exatidão entre os valores encontrados em suas contas e os valores das notas fiscais. No entanto, conforme exposto na decisão recorrida: Quanto aos demais créditos, caracterizado pela autoridade fiscal como omissão de rendimentos, o sujeito passivo limitase a argumentar genericamente que se tratavam de intermediação na venda da produção rural de outros produtores. Tal alegação, todavia, não basta para que os depósitos sejam considerados como de origem comprovada. Apenas mediante a apresentação de documentos que atestassem de forma individualizada a origem de cada ingresso na conta bancária é que estaria cumprido o ônus que a lei lhe estabeleceu. Como o sujeito passivo não laborou neste sentido, estes depósitos enquadramse como omissão de rendimentos, conforme previsto pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A alusão sobre a utilização das declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar sua produção ao sujeito passivo tampouco merece guarida, tendo em vista que não restou comprovado que todos os depósitos bancários efetivamente referemse ao resultado da atividade rural de outros contribuintes. Como já explicitado, para aqueles depósitos que o sujeito passivo comprovou corresponderem a créditos de outros contribuintes, não foi caracterizada omissão de rendimentos, não sendo, portanto, tributados esses valores. Ademais, o sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprovando a efetiva transferência de recursos de Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 837 7 suas contas correntes para os demais produtores rurais, base de suas alegações. Além disso, é importante destacar que a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada O Recorrente alega ainda que ocorreu um erro na base de cálculo utilizada para o lançamento, uma vez que, de acordo com o previsto na Lei nº 8.023/90, o imposto de renda da atividade rural deverá ser calculado sobre 20% da receita bruta. Como bem esclarecido na decisão recorrida, o RIR/99, em seu artigo 60, estabelece uma tributação diferenciada para atividade rural, nestes termos: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. §2º A falta da escrituação prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Verificase, assim, que, para fazer jus a tributação diferenciada, é imprescindível que o contribuinte comprovasse que os valores recebidos em sua conta corrente são decorrentes da exploração da atividade rural o que, como visto, não foi feito. A própria decisão do CARF (Acórdão 10417830) colacionada pelo Recorrente deixa claro que "A receita da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, por estar sujeita à tributação mais benigna, fica sujeita, por lei a comprovação de sua origem". Por fim, alega o Recorrente que, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, impõese a verificação dos meios utilizados pela Fazenda a fim de atualizar o suposto débito aqui debatido, mais precisamente os juros SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, e passou a incidir sobre os débitos de natureza tributária, na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários a determinação legal (art. 161, §, 1º do CTN) que apenas determina a exclusão dos juros moratórios. Fl. 840DF CARF MF 8 A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 841DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.000325/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69.
Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 03 25 /2 00 9- 19 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 85 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10660.000325/200919, em face do acórdão nº 0927.446 julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Juiz de Fora (DRJ/JFA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "A ação fiscal desenvolvida junto a Maria Lúcia Moraes Ribeiro, já qualificada nos autos, resultou no Auto de Infração, As fls. 01 a 25, exigindo R$ 303.677,80 de imposto, R$ 227.758,34 de multa de oficio e R$ 123.253,94 de juros de mora (calculados até 31/08/2009) A fiscalização, cujo detalhamento encontrase no Termo de Verificação Fiscal, As fls. 17 a 25, pode ser, em síntese, assim descrita: 1. A contribuinte foi selecionada por encontrarse omissa na entrega das DIRPFs, referentes aos exercícios 2005 a 2007, enquanto movimentava valores expressivos em instituições financeiras; 2. Intimada e reintimada a apresentar diversos documentos, a interessada limitouse a entregar a Fiscalização uma autorização para que esta pudesse requerer informações da própria contribuinte junto ao Unibanco S.A. Assim, foi emitida a RMF para obter a necessária documentação à condução do procedimento fiscal; 3. Feita a análise da documentação encaminhada pela citada instituição bancária, intimouse e reintimouse a contribuinte a apresentar esclarecimentos acerca dos recursos financeiros aportados em sua conta corrente, comprovando assim a origem desses. Destaquese que da referida documentação constatouse que a conta corrente tinha como segundo titular o cônjuge da interessada, Luiz Gonzaga Ribeiro. Tal fato ensejou a abertura de ação fiscal neste último; 4. A autuada apresentou Notas Fiscais de Produtor Rural, Cartão de Produtor Rural e um Contrato de Arrendamento, alegando, juntamente com seu cônjuge, Luiz Gonzaga Ribeiro, que o movimento bancário existente na conta conjunta encontrava respaldo/justificativa na documentação que estava apresentando, além de afirmar que suas Notas Fiscais de Produtor Rural representavam vendas cujos recebimentos se deram nesta conta corrente mantida no Unibanco; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 86 3 5. Dentre os esclarecimentos prestados, argumentou a contribuinte não possuir outras Notas Fiscais de Produtor Rural, pois, de acordo com o Regulamento do ICMSMG, estaria desobrigada da emissão de notas fiscais nas vendas hortifrutigranjeiros dentro do estado; 6. Os maiores adquirentes (em R$) foram circularizados e verificouse que os valores apresentados pela contribuinte refletem, de forma consistente, a renda relativa a sua atividade rural. "Necessário comentar que as vendas realizadas com as empresas EVORA, MUFFATO, SUPERMERCADO CIDADE CANÇÃO foram recebidas em contas correntes bancárias individuais pertencentes ao cônjuge Luiz Gonzaga e, portanto, estarão computadas no procedimento fiscal..." em nome deste; 7. "Comprovado que alguns valores são recursos da atividade rural e sendo 20% do valor da Receita Bruta a opção mais favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e despesa, foi levado para o Auto de Infração, como omissão de receita da atividade rural... "; 8. Restaram, ainda, créditos significativos de origem não comprovada e a autoridade autuante afirmou que "não há amparo na legislação tributária para aceitação como prova de origem de depósitos em conta bancária a declaração feita pelo contribuinte no documento de fls. 114 e 115 (os recursos são advindos da atividade rural e hipótese de dispensa do item 5 retro), uma vez desacompanhada de documentação hábil e comprobat6ria. Não pode ser aceito que, grande parte de movimentação financeira tão significativa, seja comprovada com meras alegações. "; 9. Sendo assim, além da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, a omissão representada pelos créditos de origem não comprovada foi objeto de lançamento no presente processo. A autoridade lançadora formalizou ainda o Processo n° 10660.001185/200904 de Representação Fiscal para Fins Penais e o Processo n° 10660.001186/200941 de Arrolamento de Bens e Direitos. Cabe destacar, ainda, que a contribuinte continuou sem apresentar as DIRPFs, relativas aos exercícios 2005, 2006 e 2007. As multas por não entrega das declarações foram objeto de lançamento em outro processo. Cientificada da autuação, a interessada, através de seu representante (fl. 170), apresentou a impugnação, as fls. 159 a 169, em que contesta o lançamento efetuado, em síntese, nos seguintes termos: 1. Ao utilizar o extrato bancário para efetuar o lançamento, o Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo ser aplicada a súmula 182 do extinto TFR, sendo nulo o lançamento. Neste, ponto, traz trechos de decisões judiciais que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 87 4 se basearam na referida súmula e afirma que esta continua vigorando; 2. Alega que não foram observados "...os mandamentos dos incisos I (exclusões de transferências /cheques devolvidos e outros) e (dedução do valor de R$ 80.000,00 por ano calendário) previstas no 3° do art. 42 da Lei 9240/96 — redação dada pela Lei 9.481/97" (grifos originais); 3. Argumenta que "tratandose de conta conjunta, não há no presente processo a intimação do cotitular, sendo nulo o lançamento. "(grifos originais) e reproduz ementas de decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes; 4. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e afirma que "... pela prova dos autos corroborado pela manifestação do fiscal que lavrou o auto de infração..., a única atividade exercida pela impuznante é de exploração de atividade rural." (grifos originais); 5. Ao reconhecer a atividade rural da impugnante, apenas parte dos depósitos fora tributada com base no art. 5° da Lei 8.023/80 (arbitramento do imposto de renda — 20% da receita bruta). "No caso em lide, o fisco acionou diretamente o art. 5° da Lei 8.023/90..., sem primeiro, observar a determinação do art. 4 0 da lei 8.023/90, sem efetuar as deduções do art. 7° e sem aplicar as aliquotas corretas previstas no art. 10°. "(grifos originais). Portanto há nulidade insanável no lançamento; 6. Ademais, o fisco reconheceu expressamente que a atividade exercida pela requerente é rural e, mesmo assim, efetuou lançamento "como omissão — origem não comprovada",(grifos originais) não observando a legislação pertinente; 7. Importante observar que todas as notas fiscais relacionadas pelo agente fiscal são referentes à remessa de mercadorias para outros estados, uma vez que para as vendas efetuadas dentro do Estado de Minas Gerais não há necessidade de emissão de nota fiscal. 0 trânsito de "fruta fresca nacional" é livre conforme expresso no Regulamento do Estado. Em síntese, para as mercadorias remetidas para outros estados, emitese nota fiscal, para aquelas vendidas dentro de Minas Gerais, não há emissão de notas. Tal procedimento é amparado na legislação tributária que rege a atividade rural. Contudo a autoridade autuante afirmou que essa argumentação não merece acolhida; 8. Conclui que, como não há dúvidas de que a impugnante exerce exclusivamente a atividade rural, emitindo notas fiscais em consonância com a legislação e não havendo provas de que a origem dos recursos é outra que não a atividade rural, resta afastada a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Assim, a tributação deve observar o art. 5° e seu parágrafo único da Lei 8.023/90 (tributação de 20% da receita bruta — com aliquotas de 10 e 25% previstas no art. 10). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 88 5 9. Transcreve, então, diversas ementas de decisões administrativas; 10. Por fim, para referendar as alegações, requer que seja possível se utilizar de todos os meios de prova ("juntada e requisição de novos documentos, oitivas de testemunhas e depoimento pessoal do fiscal"), bem como que seja julgado improcedente o lançamento, já que este possui irregularidades insanáveis." Com a chegada deste autos a este Conselho, foi proferido Acórdão n° 2101 01.549, declinando a competência, por assim entender: “Ante a prejudicialidade configurada, entendo que o presente processo, de auto de infração de multa por falta/atraso na entrega das declarações de IRPF correspondentes aos exercícios 2005, 2006 e 2007, deve seguir o processo de auto de infração de imposto sobre a renda de pessoa física dos mesmos exercícios, para apreciação conjunta dos dois, tal como permite o Regimento Interno deste Conselho.” (grifouse). Posteriormente, em Resolução n° 2102000.114, foi determinado o sobrestamento do recurso, nos seguintes termos: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por conexão com o lançamento tombado no processo administrativo n. 10660.001184/200951, já que este se encontra também sobrestado, pois alicerçado em transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco." Consta no site do CARF que o processo administrativo n. 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, o qual conta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 89 6 de nulidade do lançamento. No presente caso, a Fiscalização procedeu a intimação de todos os titulares. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas correntes. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS CAPAZES DE COMPROVAR AS ALEGAÇÕES. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória." Portanto, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, foi constatada a falta de apresentação de declaração de rendimentos, foi o tributo calculado (sendo este lançado nos autos do processo nº 10660.001184/200951) e a multa regulamentar foi apurada, sendo lançada no presente processo administrativo fiscal. O cálculo da multa foi realizado do seguinte modo, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/14 destes autos, vejamos: "Do Cálculo da Multa A multa de mora será de 1 (um) por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, limitada a 20% do imposto devido. O termo inicial a ser considerado 6 o mês subseqüente ao prazo de entrega da declaração e o final 6 o mês do lançamento. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 90 7 Considerando que já se passaram mais de vinte meses do prazo de entrega das referidas declarações, a multa sera limitada a 20% do imposto devido em cada exercício. Exercício 2005, anocalendário 2004. Conforme Demonstrativos de Apuração (Auto de Infração fls. 05 e 06), o imposto devido é de R$ 107.461,07 X 20% = R$ 21.492,21, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2006, anocalendário 2005. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração fls. 07 e 08), o imposto devido é de R$ 95.964,41 X 20% = R$ 19.072,88, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2007, anocalendário 2006. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração, fls. 09 el0), o imposto devido é de R$ 100.852,32 X 20% = R$ 20.170,46, que corresponde ao valor da multa desse exercício. O imposto devido apurado nas referidas declarações será lançado no Processo Administrativo Fiscal N° 10660.001184/200951, de onde foram retiradas cópias dos demonstrativos de apuração acima mencionados." A legislação tributária federal, ao tratar da multa por atraso na entrega da declaração, estabelece no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 verbis: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Depreendese da leitura do referido dispositivo legal, que a lei instituiu a multa por atraso na entrega da declaração independentemente de haver imposto devido. No caso em que houver imposto a ser pago quando da entrega da declaração, ainda que já integralmente pago, em cota única ou parcelado, a multa por atraso na entrega da declaração é devida. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), estabelece que: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 91 8 rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1º do art. 23 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 49); II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); b) de cem por cento, sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, resultante da reunião de duas ou mais declarações, quando a pessoa física ou a pessoa jurídica não observar o disposto nos arts. 787, § 2º, e 822 (Lei nº 2.354, de 1954, art. 32, alínea "c"). § 1º As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 17, e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 8º). § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. § 3º A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 2º). § 4º Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplica o disposto neste artigo. § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27). § 6º As multas referidas nas alíneas "a" dos incisos I e II, e no § 2º deste artigo serão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27, parágrafo único): I deduzidas do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; II exigidas por meio de lançamento notificado ao contribuinte. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 92 9 (grfiouse) Portanto, considerando que o processo nº 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, tendo acordado os Conselheiros por unanimidade, em negar provimento ao recurso, verificase que cabível a manutenção da multa aplicada. A multa aplicada foi, nos termos do art. 964, I, alínea "a" de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%, nos termos do § 5º do referido diploma. Assim, temse que a multa aplicada em 20% está adequada a legislação em regência. Por fim, importa referir o disposto na Súmula CARF nº 69, aplicável ao caso em análise, que assim dispõe: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907518/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 18 /2 01 0- 11 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720915/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO.
Acolhe-se o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do Município, reivindicado no Recurso Especial.
Numero da decisão: 9202-005.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO. Acolhese o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do Município, reivindicado no Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 09 15 /2 00 9- 19 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 13/03/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 220201.690 (fls. 144 a 152), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator." O processo foi encaminhado à PGFN em 26/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 153) e, em 27/04/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 154 a 161 (Despacho de Encaminhamento de fls. 162). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa discutir a questão da arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) com base no VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, contido no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.405 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 24/05/2013 (fls. 163 a 165). Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: com efeito, no acórdão paradigma resta consagrada a tese de que o VTNm constante do SIPT pode ter por base tanto o levantamento por aptidão agrícola como o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel; de modo contrário, o acórdão recorrido entende que apenas o VTNm apurado com base na aptidão agrícola é legítimo para quantificar o Valor da Terra Nua, não sendo possível tal aferição pelo valor médio das DITR apresentadas ao município em que situado o imóvel rural autuado; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 179 3 e mais, o paradigma, ao referirse à necessidade de que o laudo técnico de avaliação produzido pelo contribuinte atenda às normas técnicas da ABNT, assentou que “somente laudo técnico que analisa pormenorizadamente o imóvel rural, segundo a norma da abnt vigente na data da produção do laudo, pode contraditar o valor do sipt”. a Lei 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, como se pode ver na transcrição da citada norma: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização”. a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentando o Sistema de Preços de Terras, veio instituir: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Fl. 180DF CARF MF 4 Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. assim, temse como procedimento para o lançamento do ITR a utilização dos valores indicados no Sistema de Preços de Preços de Terras da SRF, nos moldes estabelecidos na Portaria retro transcrita, não havendo qualquer ilegalidade na utilização dessa rotina administrativa; desse modo, plenamente legítima a conduta da autoridade fiscal ao considerar para definição do Valor de Terra Nua o valor médio das declarações do ITR; destarte, não assiste razão ao contribuinte, de modo que em nada deve ser alterado o auto de infração impugnado; as tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; é certo também que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, no caso, pela norma NBR 146533; ocorre que, consoante restou devidamente constatado pela fiscalização e ratificado pela decisão de primeira instância, o contribuinte não se desincumbiu adequadamente desse mister; com efeito, referido laudo foi analisado no voto condutor da decisão de primeira instância que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, por não atender às exigências da autoridade fiscal, nos termos das normas constantes da ABNT; o Laudo Técnico apresentado demonstra total falta de critério e apenas para referendar, sem a necessária fundamentação, o VTN originalmente declarado pelo contribuinte; logo, o laudo apresentado, por não observar as normas da ABNT vigentes na data de sua produção, revelase imprestável para contraditar o valor do SIPT; diante de todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo prevalecer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, para que seja reformada a decisão recorrida. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 174 a 175). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 180 5 Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR. Primeiramente, é necessário que sejam fornecidos alguns esclarecimentos, indispensáveis à compreensão acerca das peculiaridades da situação que se nos apresenta. No caso do acórdão recorrido, o Contribuinte declarou para o exercício de 2005 o VTN Valor da Terra Nua de R$ 70,00/ha, considerado subavaliado pela fiscalização, razão pela qual foi promovido o arbitramento com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, levandose em consideração a aptidão agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$ 2.000,00/ha (fls. 09). É inclusive o que consta do relatório do acórdão recorrido: "Em razão disso, a Autoridade Fiscal decidiu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a rejeição do VTN declarado de R$ 441.119,00 (R$ 70,00/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 12.603.400,00 ou R$ 2.000,00/ha (aptidão agrícola "pastagem/pecuária", com base no Sistema de Preps de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributado, disto resultou no imposto suplementar de R$ 51.949,97, conforme demonstrativo de fl. 04." Para contraditar o arbitramento, o Contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação de fls. 33 a 99, firmado por Engenheiro Agrônomo, com ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em que foi apurado o VTN de R$ 195,84/ha, não acatado pela fiscalização e DRJ. Entretanto, no voto condutor do acórdão recorrido toda a argumentação é no sentido de que o VTN teria sido arbitrado em R$ 245,76, com base no valor médio das DITR do Município. Confirase: "Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor em R$ 245,76 uma vez o laudo técnico de avaliação apresentado pelo Recorrente não preencheu os requisitos da ABNT, nos termos da norma de execução COSIT, 003, de 29 de maio de 2006. (...) Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município no ano de 2003 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. (...) Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando Fl. 182DF CARF MF 6 legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. (...) Entretanto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Desta forma, entendo que devemos acolher para o VTN declarado pelo Recorrente." Por outro lado, a análise das peças do processo, mormente a decisão de Primeira Instância, permite constatar que houve efetivamente o arbitramento com base na média das DITR do Município, porém relativamente ao exercício de 2006, enquanto que o exercício ora tratado é o de 2005. Confirase: "Quanto às discrepâncias apontadas pelo requerente, em relação aos valores utilizados para arbitramento do VTN do seu imóvel, com base nos valores apontados no SIPT, para os exercícios de 2004, 2005 e 2006, cabe registrar que nos dois primeiros exercícios foram utilizados os únicos valores, por aptidão agrícola (terras de pastagens/pecuária), constantes do SIPT, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerias, conforme previsto na legislação citada anteriormente, e para o exercício de 2006, por não constar valores, por aptidão agrícola, foi utilizado o VTN médio, por hectare, apontado nesse mesmo sistema de preços de terras (único valor disponível), apurado com base no universo das DITR/2006, correspondentes aos imóveis rurais localizados no município de Ataléia — MG (...). Portanto, isso explica a discrepância dos valores apontados para o VTN/ha para os exercícios de 2004 (R$ 1.000,00 aptidão agrícola "pastagem/pecuária") e 2005 (2.000,00 aptidão agrícola "pastagem/pecuária"), pois para o exercício de 2006, a autoridade fiscal utilizou o valor de R$ 267,78 (média das DITRs informadas) pela ausência da coleta do dado relativo à aptidão agrícola naquele exercício." Constatase, assim, a ocorrência de lapso quando do julgamento do Recurso Voluntário, que não abordou, em absoluto, a situação dos autos. Nesse caso, a oposição de Embargos de Declaração teria logrado esclarecer os fatos, mormente quanto ao arbitramento haver efetivamente levado em conta a aptidão agrícola e não o valor médio das DITR, que para o exercício de 2005 foi de R$ 245,76 (fls. 09). Assim, explicase o fato de a Fazenda Nacional apresentar toda a sua argumentação no sentido de aceitação do valor médio das DITR do Município, já que a leitura apenas do voto condutor do aresto induziu a esse lapso. Diante do exposto, considerando que: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 181 7 a própria Recorrente fixouse na média das DITR do Município R$ 245,76/ha (fls. 09) como se esse tivesse sido efetivamente o VTN arbitrado; em nenhum trecho do Recurso Especial se faz alusão ao VTN por aptidão agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$ 2.000,00/ha (fls. 09); o Contribuinte apresentou Laudo Técnico de Avaliação, firmado por Engenheiro Agrônomo e com ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em que foi apurado o VTN de R$ R$ 195,84/ha, bem mais próximo do valor pela média das DITR que pelo valor que levou em conta a aptidão agrícola. Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para acolher o VTN de R$ 195,84/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 10437.721034/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE CONEXÃO.
De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE.
Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PEDIDO DE CONEXÃO. De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE. Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 10 34 /2 01 5- 50 Fl. 1054DF CARF MF 2 rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS): Trata o presente processo de auto de infração (fls. 786/794), no qual é exigido imposto de renda pessoa física (2904) no valor de R$ 18.222.047,80, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2010, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ao ser identificada movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados no ano calendário 2010, o contribuinte foi intimado a apresentar documentação referente às contas bancárias mantidas junto a instituições financeiras, comprovando a origem dos recursos depositados. Após analisar os documentos apresentados, a fiscalização elaborou planilha que foi enviada ao contribuinte, com solicitação para que fosse justificada a origem dos recursos. De posse dos documentos apresentados pelo contribuinte, a Fiscalização excluiu os lançamentos a crédito em conta corrente, cuja origem restou comprovada pelo contribuinte. Foram excluídos também os lançamentos a crédito inferiores a R$ 12.000,00, uma vez que o total desses lançamentos no ano calendário 2010 era inferior a R$ 80.000,00. O Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 780) assim conclui a apuração do crédito tributário decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada: (...) "Os valores que não foram retirados da planilha não tiveram suas fontes de recursos comprovadas por meio de documentação hábil, coincidente em datas valores, ou por falta de documentos Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.055 3 ou por insuficiência de elementos para real identificação da origem, como depósito de R$ 200.000.00 em dinheiro em 24/03/2010, alienação do veículo BMW, recebimento da Leader Ship Com e Representações de Produtos Náuticos, créditos de RS 300.000.00 em 23/09/2010 e R$ 50.000.00. Preparamos planilhas dos depósitos não comprovados efetuados nas contas da instituição bancária mencionada, resultando no valor tributável de RS 981.992,00, no anocalendário 2.010, conforme DEMONSTRATIVO anexo. Deve ser destacado que comprovar a origem do crédito não significa simplesmente demonstrar quem efetuou o depósito, mas principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito, para se determinar, com certeza absoluta, se os valores são ou não rendimentos tributáveis, uma vez que a lei dispõe que caso se comprove a origem, devese verificar se os valores tributáveis foram oferecidos ou não a tributação. Caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são considerados rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. (...)” Relata ainda a Fiscalização no TVF (fls. 772/781) o seguinte: O valor de R$ 89.000.000,00 recebido em 22/11/10 na forma de TEDTELET DISP, tendo como remetente Telecomunicações São Paulo foi excluído da planilha de depósitos não comprovados por ter sido identificada a sua origem, ou seja, ação judicial por apropriação indevida de valores entre os anos de 1993 e 1995, por serviços prestados pela empresa WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ: 66.663.196/000102 à Telecomunicações São Paulo S.A. TELESP, CNPJ: 02.558.157/000162. De acordo com o contribuinte, o depósito foi feito em sua conta corrente 201219, Agência 2377, do Bradesco, na qualidade de procurador e advogado da empresa WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ: 66.663.196/000102, pois a mesma se encontrava impossibilitada de abertura de conta corrente em banco, estava INAPTA perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme Comprovante de Rendimento do Bradesco Vida e Previdência S.A., os saldos de aplicações em VGBL, em nome do contribuinte, em 31/12/2009, era de RS 7.362.640,85 e em 31/12/2010, era de R$ 94.572.614,75, sendo a diferença de R$ 87.209.973,90. Este valor não foi declarado em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010. Em 09/03/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, com a finalidade de subsidiar a ação fiscal, solicitando ao Bradesco Fl. 1056DF CARF MF 4 Vida e Previdência S.A. a documentação da contratação do plano de previdência complementar. Em resposta o Bradesco enviou as cópias dos documentos do contribuinte, referente a VGBL, como a seguir: Proposta: 1 Adesão 0103391. Data: 22/11/2.010. Valor do prêmio: R$ 87.220.000.00. Renda Vitalícia. Beneficiários: Gabriela Lemos Ergas, CPF: 222.899.74803 e Rodolfo Lemos Ergas, CPF: 275.427.83890, ambos filhos do contribuinte. Resgate na proporção de 50%. Data prevista para a concessão de indenização: junho de 2.023. 2 Adicional 0254144. Data: 22/11/2010. Valor do prêmio: R$ 780.000.00. Valor total da aplicação: R$ 88.000.000.00. Em 05/01/2.015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, solicitando a apresentação do seguinte: acordo entre as partes que extinguiu o processo ajuizado por WCR do Brasil Serviços S.C. Ltda, em face de Telecomunicações São Paulo S.A. 1 LLLSP; mandado de levantamento judicial referente ao processo da WTC do Brasil Serviços S. C. Ltda; honorários advocatícios recebidos pelos serviços prestados a WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda e o respectivo contrato de prestação de serviços profissionais de advocacia entre as partes; efetivo repasse do valor referente ao cumprimento da sentença, do contribuinte para a empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. A ciência se deu em 07/01/2015. Em 24/02/2015, recebemos os seguintes documentos: contrato de prestação de serviços advocatícios entre WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. representada por Carlos Alberto Ergas e Melo & Tognolo Advogados Associados e três páginas de um Instrumento Particular de Transação entre WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda c TELESP. Em 09/03/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, também, com a finalidade de subsidiar a ação fiscal, solicitando à Telefônica Brasil S.A., a documentação que demonstre a que título foi feito pagamento no valor de R$ 89.000.000.00, ao contribuinte, em 22/11/2010, na qualidade de representante da empresa WCR do Brasil Serviços SC Ltda. CNP.I: 66.663.196/000102. Como resposta a Telefônica informou que não tinha qualquer tipo de rendimento pago ao Sr Carlos Alberto Ergas, CPF: 107.957.82853, CNPJ: 66.663.196/000102, no período de 2.010. Diante de tal resposta, entramos em contato com a Telefônica, informamos haver o depósito e ficamos no aguardo de resposta. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.056 5 Em 01/04/2015, recebemos da Telefônica, cópia da sentença, dos embargos de declaração e do instrumento celebrado entre WCR do Brasil Serviços SC Ltda. representada por Carlos Alberto Ergas e Telecomunicações de São Paulo S.A., TELESP, justificando o pagamento efetuado em 22/11/2010. Mediante o relatado, em 02/06/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal para que demonstrasse o seguinte: efetivo repasse do valor referente ao cumprimento do acordo judicial recebido pelo contribuinte, na qualidade dc procurador, para a empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda e para os sócios. Em 22/06/2015, recebemos a resposta de que a única transferência feita à WCR foi em 22/02/2011, no valor de R$ 23.720.000.00. Que o saldo está aplicado em fundo exclusivo sob a responsabilidade do contribuinte e que não houve transferência direta aos sócios. Anexou o extrato mensal de 21/02/2011 a 22/02/2011, da conta corrente 20.1219, Agência 2377. Bradesco, na qual consta o pagamento autorizado, sem identificação do destinatário. Em 01/07/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal solicitando: Identificar banco, agência e conta da empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda, onde se deu o repasse de R$ 23.720.000,00, em 22/02/2.011. Em resposta, em 10/07/2015, esclareceu que não podia enviar o número da conta corrente solicitada, pois não tinha o comprovante da Ted enviada e também pela negativa do banco em conceder uma cópia, por não manter em arquivo a comprovação da transação bancária. Pesquisando os sistemas da RFB, conseguimos identificar a transferência de R$ 23.720.000,00 para a conta da empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. De acordo com o exposto, concluímos que o valor de R$ 65.280.000,00 permaneceu em poder do contribuinte, porém não foi computado na base de cálculo do imposto ao qual está sujeito, devendo submeterse às normas de tributação específica, prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (artigo 37. 38. 45 c 55 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99). (...)" O contribuinte apresentou, tempestivamente (fls.806), impugnação (fls.799/803) ao auto de infração. Alega, preliminarmente, a nulidade da autuação, afirmando que o lançamento não indicou a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. A Fiscalização teria considerado que todos os valores que compuseram a omissão de rendimentos estariam sujeitos à tributação pelo “regime de progressão de alíquota”. Fl. 1058DF CARF MF 6 De acordo com os documentos entregues, haveria valores recebidos em decorrência da venda de bens, cujo tratamento tributário seria o da tributação exclusiva sobre o ganho de capital, com alíquota de 15%. Assim, em decorrência de erro formal, a parte do auto de infração que trata da alegada omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, deve ser considerada nula. No mérito, afirma que o valor de R$ 65.280.000,00, apurado como omissão de rendimentos, não lhe pertence. Este valor faria parte do montante de R$ 89.000.000,00, creditados na sua conta através de TED remetida por Telecomunicações de São Paulo S/A para liquidação de acordo judicial firmado nos autos de uma ação judicial movida por WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ n° 66.663.196/000102, tendo como Advogado o contribuinte. Teria sido no exercício dos poderes de advogado da WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. que firmou acordo em nome de seu cliente. Esse acordo foi homologado judicialmente com a TELESP, para pôr fim a ação judicial onde se buscava o recebimento de pagamento por serviços prestados no período de 1993 a 1995, recebendo os valores acordados em sua conta corrente para que pudesse dar a devida quitação do acordo. O próprio autuante teria reconhecido como verdadeiras suas alegações, as quais teriam sido ratificadas pela TELESP, quando esta confirmou que nenhum valor teria sido pago ao contribuinte, mas à WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. O fato de ter sido aplicado em seu nome o valor recebido também não modificaria a titularidade dos valores recebidos. Por se tratar de um valor que não lhe pertence, deveria ser reconhecido como um ato de prudência a aplicação desses, deixandoos a salvo de qualquer situação que possa lhe dar causa de perdimento, afinal no exercício de sua atividade de Advogado deverá prestar contas a seu cliente dos valores recebidos. Quanto a não informação desses valores em sua Declaração de Ajuste Anual do AnoCalendário de 2010, entende que as razões acima são suficientes para as explicar, admitindo, entretanto, que deveria ter declaradoos na ficha de Ônus Reais, registrando o passivo que possui em relação à empresa WCR, fato que não mudaria absolutamente em nada a situação tributária do Impugnante em relação aos valores relacionados. Com relação aos demais valores lançados, além das preliminares de nulidade constantes da impugnação, declara que todas as informações quanto à origem foram devidamente esclarecidas e “também se trata de valores recebidos em nome, cujas devidas prestações de contas foram apresentada durante o curso da fiscalização, não deveriam, portanto, ser admitidas como se fossem renda do contribuinte, aplicandose aqui os mesmos comentários e fundamentação de direito apresentadas no caso da WCR. Admite a existência de valores recebidos pela venda de bens de sua propriedade, mas também esclarece que tais valores não podem ser tratados como omissão de rendimento por serem Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.057 7 submetidos a regime de tributação diferenciado dos demais rendimentos. Tais valores, no máximo, dariam origem a ganho de capital, representado pela diferença positiva ente o preço de compra e o preço de venda do bem, tributado pela alíquota de 15%. Assim, requer o cancelamento do débito fiscal. Em 07/10/2015, intempestivamente, o contribuinte a apresenta razões aditivas à impugnação administrativa (fls.809/816), alegando: Ilegitimidade Passiva – foi lavrado auto de infração contra WCR do Brasil Veiculação e Publicidade LTDA ME, consubstanciado no processo administrativo nº 10855.722766/201536, em setembro de 2015, cujo fundamento é a exclusão da tributação do valor de R$ 89.000.000,00 recebido da TELESP, reconhecendo nesse auto de infração que a receita seria da empresa WCR e não do impugnante. Assim, entende que a existência de dois lançamentos lavrados sobre o mesmo fato gerador geraria enriquecimento sem causa da União federal, bis in idem, com a tributação da mesma receita por duas vezes. Requer a nulidade do presente lançamento. Litispendência – na medida em que teria sido lavrado auto de infração contra o contribuinte, com base de cálculo oriunda do mesmo valor recebido pela WCR como indenização por danos a ela causados pela TELESP. A Receita Federal do Brasil, por meio de duas Delegacias localizadas em cidades diferentes estaria cobrando da mesma pessoa impostos incidentes sobre uma mesma renda, ocasionando dupla tributação. Conexão dos Lançamentos – dois lançamentos lavrados contra pessoas diferentes, mas com o mesmo fato gerador. Assim, haveria conexão entre os processos, o que exigiria o julgamento conjunto pela mesma autoridade julgadora, evitando prejuízo ao contribuinte. Como os dois lançamentos teriam o mesmo fato gerador, um deveria ser cancelado. Nulidade do Lançamento – Erro na apuração da base de cálculo – Rendimentos Recebidos Acumuladamente – A medida judicial proposta pela WCR contra Telesp visou a cobrança de valores relativos a 1993 até 1995, os quais foram recebidos em 2010, na forma de indenização, mediante acordo judicial. Ao considerar que os valores são rendimentos do contribuinte e tributálos com as alíquotas vigentes em 2010, estaria sendo contrariado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287, de 2006, por se tratarem de rendimentos recebidos acumuladamente. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal. Em 03/11/2015, o contribuinte apresenta, intempestivamente, novas razões aditivas à impugnação (fls.859/865), alegando agora que houve a devida comprovação da origem dos depósitos bancários. Fl. 1060DF CARF MF 8 Os depósitos ocorridos em 09/03/2010 (R$ 120.000,00), em 08/04/2010 (R$ 70.000,00), em 28/04/2010 (R$ 20.000,00), em 30/04/2010 (R$ 20.000,00), em 31/05/2010 (R$ 20.000,00) e em 07/06/2010 (R$ 20.000,00) referemse a venda de um veículo BMW X6 e deveriam ter sido tributados a alíquota de 15% por se tratar de venda de bem. Os depósitos implementados em 23/09/2010 (R$ 300.000,00) e em 28/10/2010 decorrem de acordo judicial e extrajudicial firmado entre as empresas DLB Indústria e Comércio Ltda e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda, sendo o contribuinte representante legal da DLB. O depósito no valor de R$ 200.000,00, ocorrido em 24/03/2010 teria origem em instrumento particular de confissão e renegociação de dívida firmada pelos Srs. Hagop Cherkesiam, Carlos Alberto Reys Gandra e Márcio Luchesi. O montante de R$ 161.992,00, depositado em 08/09/2010, decorreria de multa contratual recebida pela Leader Ship Com. e Representação de Produtos Náuticos, em cumprimentos de transação celebrada em 01/06/2010, homologada judicialmente. Assim, haveria erro no lançamento, pois havendo comprovação da origem, os valores deveriam observar as regras de tributação específica, nos termos do disposto no § 2º do art. 42 da lei nº 9.430/1996. Alega novamente ilegitimidade passiva, requerendo oportunidade apresentar a DIPJ da WCR do Brasil Veiculação e Publicidade LTDA ME., uma vez que o valor de R$ 89.000.000,00 foi devidamente registrado como receita dessa sociedade e fruto de lançamento consubstanciado no processo administrativo 10855.722766/201536. Por último, requer o cancelamento do débito fiscal. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da CoordenaçãoGeral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.058 9 OMISSÃO DE RECEITA. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE. Comprovada a omissão de receita quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada pós o decurso do prazo de 30 dias estabelecido pelo Decreto 70.235/1972. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FATO SUPERVENIENTE. Deve ser apreciada a prova que se refira a fato superveniente não conhecido à época em que a impugnação foi apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 887/958 no qual reitera as alegações constantes das Impugnações. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES O Recorrente aponta as seguintes preliminares: a) ilegitimidade passiva; b) conexão do presente lançamento com o lançamento de IRPJ e CSLL realizado em face da empresa WCR do Brasil Ltda; c) nulidade do lançamento por erro na base de cálculo rendimento recebidos acumuladamente; d) erro na base de cálculo aplicada a venda de veículo; e) devida comprovação da origem dos depósitos objeto do lançamento. Fl. 1062DF CARF MF 10 Das matérias acima listadas, somente o requerimento de conexão pode ser visto como preliminar. As demais preliminares se confundem com o mérito da discussão e, por isso, serão juntamente com ele analisadas. 1.1) DO PEDIDO DE CONEXÃO COM O LANÇAMENTO EFETUADO NO PROCESSO Nº 10855722.766/201536 Alega a Recorrente a conexão do presente processo com o processo de nº 10855722.766/201536, para cobrança de IRPJ e CSLL, em que foi autuada a empresa WCR do Brasil Ltda (fls. 835/850) em razão da ausência do computo da receita de R$89.000.000,00. (fls. 822) relativa ao mesmo fato gerador. Para dar maior celeridade e racionalidade aos processos que tramitam no CARF foi instituída, no Anexo II, art. 6º a 8º do Novo Regimento (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015) a possibilidade de vinculação dos processos quando estes forem conexos, decorrentes ou reflexos, nestes termos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo,ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (grifamos) Tem razão o Recorrente quando afirma que os processos tratam das mesmas questões fáticas, pois tanto a omissão de receita deu causa ao lançamento do IRPJ e da CSLL quanto a tributação do Recorrente decorrem do recebimento do valor R$ 89.000.000,00. No entanto, conforme se verifica pela norma prevista no §2º do referido artigo, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Em face do exposto, indefiro o pedido de conexão formulado pelo Recorrente. 2) MÉRITO Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal, duas foram as causas do lançamento discutido no presente processo: Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.059 11 a) Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica b) Omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Analisaremos, separadamente, cada uma das infrações apontadas 2.1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA O contribuinte alega que o valor de R$ 65.280.000,00 não poderia ser tributado, uma vez que não lhe pertence. Desde o trabalho fiscal, o contribuinte insiste que tal valor resulta da diferença entre o montante de R$ 89.000.000,00 depositado em sua conta por meio de TED efetuado pela Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A para liquidação de acordo judicial firmado com WCR Brasil Serviços Ltda, e o valor de R$ 23.720.000,00 transferido pelo contribuinte à empresa WCR Brasil Serviços Ltda. Os valores teriam sido depositados na sua conta na qualidade de advogado e procurador da empresa. Sendo assim, o fato de ter ficado com parte do valor recebido em nome da empresa WCR serviços S/C Ltda não guarda qualquer relação com fato gerador do Imposto de Renda, pois não haveria disponibilidade econômica e jurídica da mencionada renda. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido por entender que: a) Na mesma data em que foi efetuada TED eletrônica para conta do contribuinte no montante de R$ 89.000.000,00 houve a contratação de plano de previdência complementar no valor de R$ 88.000.000,00 pelo contribuinte cujos beneficiários são seus filhos: Gabriela Lemos Ergas e Rodolfo Lemos Ergas. A data prevista para concessão do benefício foi junho de 2023. b) As alegações de que o dinheiro não lhe pertence são frágeis, uma vez que, "passados mais de cinco anos da data em que recebeu os valores pagos pela TELESP à empresa WCR Brasil Serviços S/C, na qualidade de seu procurador, ainda não os tenha repassado em sua integralidade à empresa." c) que a justificativa de que os valores pagos pela Telesp à WCR Brasil Serviços S/C tinham sido transferidos para a sua conta corrente em razão do fato de que a empresa encontravase inapta junto ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (o que a impossibilitava de abrir conta junto às instituições financeiras) não mais se sustenta, uma vez que, a partir do ano de 2011, essa situação deixou de existir. d) que a aplicação do dinheiro em um plano de VGBL, em seu nome e com data de resgate prevista para 2023, comprova a intenção do contribuinte em se manter na posse dos valores recebidos pela empresa e não a intenção de repassálos à WCR Brasil serviços Ltda. e) estaria afastada argumentação no sentido de que o contribuinte não pode dispor economicamente na referida renda, uma vez que aplicação por ele efetuada tem como beneficiários os seus filhos, os quais não guardam qualquer relação obrigacional com a referida empresa. f) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação ou justificativa para permanecer na posse de um valor bastante expressivo. Fl. 1064DF CARF MF 12 g) a aquisição de disponibilidade financeira é fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos do artigo 43 do CTN, o qual estabelece que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento. Entendo, todavia, que não restou comprovado que o Recorrente era proprietário dos referidos recursos. Tal comprovação é fundamental para tributação da renda, pois, nos termos do artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior Pela leitura do referido artigo é possível constatar que o núcleo do conceito de renda é a obtenção de um acréscimo patrimonial. Sendo assim, é imprescindível a demonstração da propriedade dos valores depositados. O simples depósito em conta corrente do Recorrente não é suficiente para comprovação da propriedade. O que restou evidenciado no trabalho fiscal é que o contribuinte possui a posse dos valores, mas, a meu ver, não restou comprovada a propriedade destes. Isso porque, conforme reconhecido no trabalho fiscal, o titular dos valores depositados era a empresa WCR Brasil Serviços S/C Ltda. Tal fato, além de comprovado por meio da juntada homologação do Acordo Judicial realizado entre a WCR e a Telesp pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 76) não foi contestado pela autoridade fiscal ou pela DRJ. Além disso, conforme consta do Relatório Fiscal, em 09/03/2015, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando à Telefônica Brasil S.A., a documentação que demonstrasse a que título teria sido feito o pagamento no valor de R$ 89.000.000.00 ao contribuinte, em 22/11/2010. Como resposta, a Telefônica informou que não tinha qualquer tipo de rendimento pago ao Sr Carlos Alberto Ergas, CPF: 107.957.82853, CNPJ: 66.663.196/000102, no período de 2.010. Não bastassem esses elementos, consta do Relatório Fiscal (fls. 822/834) que deu origem ao Auto de Infração relativo ao processo nº 10855722.766/201536, em que foi autuada a empresa WCR do Brasil Ltda (fls. 835/850), que esta declarou na ficha 06A Demonstração de Resulta, item 60 (outras receitas), da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 2011, Ano Calendário 2010 o recebimento da receita de R$89.000.000,00. (fls. 822). Finalmente, é importante ressaltar que a própria receita federal reconheceu que o valor R$ 89.000.000,00 é de propriedade da empresa, conforme se constata pelo seguinte trecho do Relatório Fiscal acima mencionado: "O contribuinte informou no item 60 da ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, DIPJ 2011, ano calendário de 2010, ND 0001558764, o valor de R$ 89.000.000,00, como recebimento de "Outras Receitas não Relacionadas nas Linhas Anteriores" Apurou Lucro Líquido no valor de R$ 89.000.000,00 e informou no item 01 da ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.060 13 Geral, da DIPJ/2011, anocalendário 2010 ND 0001558764. No item 78 Outras Exclusões da mesma ficha, o contribuinte excluiu o mesmo valor (R$ 89.000.000,00), apurando um Lucro Real de R$ 0,00. Conforme cópia do extrato bancário fornecido pela fiscalizada, no dia 22/11/201 foi creditado na contacorrente do procurador Sr. Carlos Alberto Ergas, o valor de R$ 89.000.000,00. Conforme Instrumento Particular de Transação, cópia apresentada pela Telecomunicações de São Paulo S/A Telesp em 08/04/2015, esse crédito bancário de R$ 89.000.000,00 referese ao pagamento efetuado por esta empresa à WCR do Brasil serviços S/C Ltda a título de indenização, juros e correção monetária (serviço 900) para quitação de todos os direitos e obrigações entre as partes, relativo ao objeto do processo judicial nº 583.00.1998.9458097. Intimado a justificar o motivo da exclusão do montante de R$ 89.000.000,00 do Lucro Líquido para determinação do Lucro Real, o contribuinte não comprovou, assim, consideramos a exclusão indevida e recompomos o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL. Apesar de reconhecer que o dinheiro foi depositado e encontrase na posse no procurador Carlos Alberto Ergas, a autoridade fiscal utilizou como base para autuação de IRPJ e CSLL o montante de R$ 89.000.000,000 e não os R$ 23.720.000,00 repassados à empresa. É importante destacar também que o Auto de Infração que deu origem ao Processo nº 10855722.766/201536 imputa responsabilidade solidária (art. 124,I do CTN) e pessoal (art. 135, III) aos seguintes sócios da empresa WCR do Brasil Ltda: a) Santa Maggione Comércio e Participações Ltda ME; b) Ariston Gomes de Oliveira; c) Alfrego Ergas; d) Ednen de Castro Antunes e) Rodolfo Lemos Ergas f) Carlos Alberto Ergas Pela leitura da relação de responsáveis tributários é possível constatar que ao Recorrente (Carlos Alberto Ergas) foram imputadas as responsabilidades pessoal e solidária acima mencionadas. Sendo assim, caso, eventualmente, se identifique a intenção de esvaziamento patrimonial da pessoa jurídica em benefício do Recorrente este já se encontra arrolado como responsável no Auto de Infração relativo a pessoa jurídica. 2.2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS 2.2.1) Da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 Fl. 1066DF CARF MF 14 Antes de analisarmos as alegações do Recorrente, é importante tecer algumas considerações sobre a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.061 15 a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, o Recorrente optou por segregar sua contestação em duas partes. Na primeira parte tratou dos valores recebidos em decorrência da venda de veículo e, na segunda parte, tratou dos demais depósitos. 2.2.2 Venda do veículo O Recorrente reconhece que os valores recebidos em decorrência da venda de veículo não foram oferecidos à tributação, mas discorda da forma de tributação aplicada, entendendo que deveria ter sido apurado o ganho de capital e aplicada a alíquota correspondente de 15%. De acordo com Recorrente, a venda do veículo BMW X6, placa ERG 9933, justificaria os depósitos de R$ 120.000,00, em 09/03/2010, R$ 70.000,00, em 08/04/2010, R$ 20.000,00, em 28/04/2010, R$ 20.000,00, em R$ 30/04/2010, R$ 20.000,00, em 31/05/2010 e R$ 20.000,00, em 07/06/2010. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, no entanto, negou provimento a essa alegação, sob os seguintes fundamentos: Com relação à venda do veículo BMW X6 (R$ 270.000,00), o único documento apresentado pelo contribuinte para comprovar a origem dos valores creditados em sua conta foi o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em nome Fl. 1068DF CARF MF 16 do Sr. Ricardo Arruda Nunes. Não existe nos autos qualquer comprovação de que esse veículo fosse de propriedade do contribuinte, tampouco que os referidos depósitos/transferências tenham sido efetuadas pelo Sr. Ricardo Arruda Nunes, documentos indispensáveis à comprovação da origem dos créditos na conta do contribuinte. Assim, não estando comprovada a origem dos depósitos, não há como se falar em tributação do ganho de capital em alíquota de 15%, pois a operação de venda do veículo apontada pelo contribuinte não restou comprovada.(grifamos) Em fase recursal o Recorrente anexou documento que comprova que o referido veículo era de sua propriedade (fls. 962). Todavia, não junta aos autos a comprovação de que os referidos depósitos foram efetuados pelo Sr. Ricardo Arruda Nunes. Conforme visto, a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96 atribuiu ao contribuinte o dever de comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos. Sendo assim, entendo que não houve a correta e completa comprovação da origem dos valores mencionados. 2.2.3) Depósitos bancários de origem não comprovada Em relação aos demais depósitos, o Recorrente aponta as seguintes fundamentações: a) R$ 200.000,00, depósito em dinheiro em 24/03/2010, pagamento da parcela de R$ 193.420,00, constante de instrumento particular de Confissão e Renegociação de Dívida, cujo devedor é Márcio Lucchesi e os credores Hagop Cherkesian e Carlos Alberto Reys Gandra, o contribuinte atuou como árbitro no referido acordo (fls.379/414). Em relação apontada origem do depósito a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte Com relação ao depósito em dinheiro de R$ 200.000,00, ocorrido no dia 24/03/2010, o contribuinte alega que sua origem seria pagamento efetuado por Márcio Lucchesi a Hagop Cherkesian e Carlos Alberto Reys Grandra. Esse pagamento faria parte de uma dívida, cujo árbitro da negociação foi o contribuinte. Analisando os documentos apresentados, verificamos que o contribuinte atuou como árbitro na negociação de dívida existente entre as citadas partes. Todavia, não há comprovação nos autos de que o depósito efetuado na conta corrente do contribuinte decorra do pagamento da referida dívida. O comprovante de depósito juntado pelo contribuinte (fls.387) tem o seu CPF como depositante. Assim, não há provas de que se trata de depósito efetuado por Marcio Lucchesi (devedor). Além disso, não há no instrumento de negociação de dívida (fls.381/382) indicação de que haveria pagamento no montante de R$ 200.000,00 no dia 24/03/2010 a ser efetuado ao contribuinte. Existe apenas a previsão de um pagamento de R$ 193.420,00 que deveria ocorrer em 09/03/2010, mas nenhuma indicação de que este pagamento seria efetuado ao contribuinte no lugar dos credores. O contribuinte afirma que a diferença de valores decorre de pagamento em atraso, mas o próprio contrato prevê uma multa de mora por atraso superior a 3 dias de 20% sobre a prestação, que no caso seria de R$ 38.684,00. Valor bastante superior à diferença verificada (R$ 6.580,00). Assim, correta a Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.062 17 Fiscalização ao entender que não restou comprovada a origem do depósito. Como resposta o Recorrente alega que caberia a fiscalização diligenciar junto às instituições financeiras no sentido de verificar a origem dos depósitos. Tal alegação, no entanto, esvaziaria de sentido a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 b) R$ 300.000,00 – depósito em cheque no dia 23/09/2010 e R$ 50.000,00 – TED – em 28/09/2010 – Acordo celebrado entre DLB Indústria e Comércio Ltda. e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda. (fls. 617/629); Em relação apontada origem do depósito, a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte Em relação ao montante de R$ 350.000,00, cuja origem seria acordo realizado entre DLB Indústria e Comércio Ltda. e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda, sendo o contribuinte procurador da DLB Indústria e Comércio Ltda., deve ser observado que aqui novamente não há comprovação de que os cheques que foram depositados na conta do contribuinte no dia 23/09/2010 perfazendo o valor de R$ 300.000,00 foram emitidos pela Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda. O comprovante de depósito de fls. 622 indica apenas os números dos cheques, mas não quem é o seu emitente. Os documentos apresentados para comprovação das operações (fls. 618/621 Ata de Reunião, Recibo e Quitação Recíproca, Termo de Autorização Para Celebração de Acordo) são particulares, não sendo registrados ou reconhecidos por tabelionato. Já o valor de R$ 50.000,00, creditado na conta do contribuinte por meio de TED também não indica a origem do recurso, sendo insuficientes os documentos apresentados para sua comprovação Não trouxe o contribuinte, em fase recursal, nenhum dos elementos apontados na decisão recorrida se limitando a afirmar que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado no sentido de identificar a sua origem. Tal situação, como já dito, conflita com a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. c) R$ 161.992,00 – TED em 08/09/2010 – valor recebido em nome da Leader Ship Com.e Representação de Produtos Náuticos, do Sr. Afonso Antonio Hennel para efeito da multa contratual e reparos em embarcação, dando cumprimento aos termos de transação celebrado em 01/06/2010 e homologado judicialmente pela 25° Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça. (fls. 554/599). Em relação apontada origem do depósito, a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte: Por último, temos a TED realizada em 08/09/2010 no valor de R$ 161.992,00 para a conta do contribuinte. A alegação é de que o valor foi recebido por um associado do contribuinte em nome da Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos. Esse valor teria sido pago pelo Sr. Afonso Antônio Hennel em cumprimento a acordo celebrado judicialmente para o pagamento de reparos em sua embarcação e multa contratual. Fl. 1070DF CARF MF 18 Aqui novamente não existe comprovação de que esse pagamento tenha partido do Sr. Afonso Antônio Hennel, tampouco motivação para que o pagamento tenha ocorrido para o advogado da Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos e não diretamente para a empresa prestadora do serviço. Não há qualquer indicação ainda de que esse valor tenha sido repassado à Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos. Portanto, sem comprovação a origem do depósito efetuado, deve ser mantido o lançamento. Dessa forma, assim como nos itens anteriores, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a origem do depósito, motivo pelo qual, deve ser mantido o lançamento nesse ponto. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o valor relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto da Relatora, peço vênia para divergir em relação à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. A Fiscalização considerou o valor de R$ 65.280.000,00 como omissão de rendimentos, resultado da diferença entre o total de R$ 89.000.000,00 depositado pela empresa TELESP, para liquidação de acordo judicial firmado com a WCR Brasil Serviços S/C Ltda, e o montante de R$ 23.720.000,00 transferido pelo Contribuinte à empresa WCR. Em 22/11/2010, foi efetuada TED eletrônica para a conta do contribuinte no montante R$ 89.000.000,00. Nessa mesma data, houve a contratação de plano de previdência complementar no valor de R$ 88.000.000,00, pelo contribuinte, cujos beneficiários do plano são os seus filhos Gabriela Lemos Ergas e Rodolfo Lemos Ergas. A data prevista para a concessão do benefício foi junho de 2023. O art. 43, CTN, assim dispõe sobre o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.063 19 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (grifei) No presente caso, o Contribuinte recebeu o referido valor em nome da empresa e não repassou a esta, mesmo decorridos mais de cinco anos do seu recebimento. Os valores foram aplicados em investimento de longo prazo em benefício de seus filhos, confirmando a sua intenção de permanecer na posse dos valores recebidos. Não houve nenhuma comprovação por parte do Contribuinte de que os valores foram repassados à empresa, tampouco esta demonstrou qualquer interesse de reavêlos. Assim, restou configurada a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. Conforme bem decidiu a DRJ, os argumentos do Contribuinte são frágeis e não são aptos a afastar o lançamento fiscal. A seguir transcrevo excertos do voto vencedor da decisão a quo, com os quais concordo e adoto também como razões de decidir: O contribuinte justifica o uso deste dinheiro como uma medida de prudência, deixando os valores a salvo de qualquer situação que possa dar causa ao seu perdimento. O que é possível observar pela análise dos documentos constantes dos autos e do comportamento do contribuinte é a fragilidade de seus argumentos ao justificar o fato de que passados mais de cinco anos da data em que recebeu os valores pagos pela TELESP à empresa WCR Brasil Serviços S/C Ltda, na qualidade de seu procurador, ainda não os tenha repassado em sua integralidade à empresa. A justificativa do contribuinte para que os valores pagos pela Telesp à WCR Brasil Serviços S/C Ltda tenham sido transferido para a sua conta corrente seria de que na data em que o pagamento ocorreu, 22/11/2010, a empresa encontravase inapta junto ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e assim impossibilitada de abrir conta em Instituição Financeira. Essa justificativa não mais se sustenta, pois a partir do ano de 2011 essa situação deixou de existir, passando a empresa à situação de ATIVA junto ao cadastro da RFB. A explicação para aplicação/utilização do dinheiro que não seria seu, mas da empresa, em um plano de previdência privada – VGBL em nome do contribuinte, mas cujos beneficiários são seus filhos e a data de regaste está prevista para junho de 2023, como uma medida de prudência é no mínimo absurda. O que tal aplicação comprova é a intenção do contribuinte em se manter na posse dos valores recebidos pela empresa e não a intenção de repassálos à WCR Brasil Serviços S/C Ltda. Assim, está afastada qualquer argumentação no sentido de que o contribuinte não possa dispor economicamente da referida renda, uma vez que a aplicação por ele efetuada inclusive tem Fl. 1072DF CARF MF 20 como beneficiários seus próprios filhos, os quais não guardam qualquer relação obrigacional com a referida empresa. Fato é que em sua impugnação o contribuinte não apresentou qualquer comprovação ou justificativa plausível para permanecer na posse de um valor bastante expressivo (R$ 65.280.000,00), o qual alega não lhe pertencer. Dessa forma, entendo como correta a decisão de primeira instância que manteve o lançamento fiscal em sua integralidade. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 1073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914389/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.573
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 43 89 /2 01 2- 03 Fl. 101DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.914389/201203 Acórdão n.º 3401003.573 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 103DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10830.914389/201203 Acórdão n.º 3401003.573 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 105DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 106DF CARF MF
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