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Numero do processo: 10166.009078/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.684
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que se intime o contribuinte a apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, acompanhada de documentação hábil e idônea, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente MARCOS MOTTA BURLAMAQUI Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que se intime o contribuinte a apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, acompanhada de documentação hábil e idônea, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 17ª Tuma da DRJ/SP1, consubstanciada no Acórdão nº 1650.764, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 09 07 8/ 20 10 -3 1 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 19 a 25 relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, exercício 2007, por meio da qual foi apurado imposto suplementar no valor histórico de R$ 24.779,16. De acordo com a fiscalização, foi verificada a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 171.674,53, nos seguintes termos: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 171.674,53, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Glosa do IRRF deduzido a maior na DIRPF no valor de R$ 171.674,53 a saber: Precatório 449/1994, Proc. 001620063.1986.5.10.0004. Vr. do IRRF deduzido pelo contribuinte na DIRPF: R$ 228.516,24 Vr. do IRRF apurado p/ fiscalização: R$ 193.838,47 () R$ 171.674,76 (IRRF incidente s/ valor cedido Precat. Certidão TRT10ª Região 767/2010) = R$ 22.163,94. Vr. do IRRF dedutível na DIRPF = R$ 56.841,71 (IRRF s/ Precatório recebido p/contribuinte R$ 22.163,94 + IRRF s/ Aposentadoria R$ 34.677,77). O contribuinte apresentou sua competente impugnação contra a exigência fiscal (fls. 03 a 13), aduzindo, em síntese, que: a) como houve retenção de imposto na fonte, “não haveria que se falar tanto em pagamento adicional quanto em restituição de imposto de renda”, entretanto, como houve pagamento de honorários advocatícios e periciais, para o recebimento dos valores da ação judicial, haveria direito a restituição de imposto de renda; b) que não saberia de onde a fiscalização extraiu o valor que o contribuinte teria declarado a título de rendimentos da ação judicial, uma vez que o mesmo não constaria da DIRPF; c) que o demonstrativo de cálculos conteria códigos de difícil compreensão; d) que constaria imposto sobre ganho de capital, fato ausente no anocalendário em exame; e) que os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração do valor tributável, imposto retido na fonte e honorários advocatícios e periciais; f) afirma que o imposto retido sobre a parcela alvo de cessão deveria ser compensada na DIRPF, uma vez que o valor teria sido efetivamente retido na fonte; g) pede que o lançamento seja retificado de acordo com demonstrativo que apresenta ao final da peça impugnatória. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 4 3 A DRJ jugou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos, em resumo: o contribuinte alega que houve cerceamento do direito de defesa, afirmando não saber como a fiscalização chegou ao valor dos rendimentos, que seria diferente do constante em sua declaração de rendimentos (DIRPF). Engana se o contribuinte. Às fls. 86 a 94 encontrase cópia de DIRPF retificadora, entregue pelo interessado, em que consta o valor usado pela fiscalização. Portanto, os valores dos quais a fiscalização partiu não foram originários da fiscalização, mas do próprio contribuinte, informados por ele, de acordo com os procedimentos e normas legais. Não se vê aqui, portanto, qualquer afronta ao direito de defesa; aduz cerceamento do direito de defesa também em razão do uso de siglas e abreviações por parte da fiscalização. Observese que o uso de abreviações, siglas que o contribuinte classificou como “códigos cifrados de difícil compreensão” não o impediu de impugnar em detalhes o lançamento, apresentando sua versão para os valores e cálculos que deveriam ser considerados pela Receita Federal do Brasil, em lugar daqueles que levaram à autuação. O contribuinte demonstrou, na peça impugnatória, que não encontrou qualquer dificuldade para se defender, portanto, não ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Além disso, chamar o texto abreviado pela fiscalização de código cifrado é um exagero exagerado. Os cálculos e valores estão bastante detalhados; nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, a nulidade do auto de infração poderá ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo no mesmo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. No entanto, no caso em tela observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10 do Decreto 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade; mesmo que o impugnante tivesse alegado expressamente cerceamento de defesa em decorrência de suposta simples referência genérica aos artigos que serviram de base à autuação guerreada, uma vez que ele se defendeu adequadamente, descaberia a preliminar de nulidade como se verifica na ampla jurisprudência administrativa; no que tange ao mérito, o contribuinte alegou, em síntese, que a fiscalização equivocadamente concluiu pela cobrança de imposto de renda, quando deveria ter apurado restituição, de acordo com cálculos apresentados ao final da peça; esclareçase inicialmente que, ao descrever a infração, a fiscalização referese a todos os tipos de tributação possível, inclusive aquelas que não estão incluídas na apuração, como ganhos de capital. Tal procedimento não atrapalha em nada a compreensão e não constitui um erro, diferentemente do alegado pelo interessado. Apenas esgota o assunto, ressaltando a hipótese de sua existência não deixou de ser levada em conta pela fiscalização; em relação ao imposto retido na fonte, somente pode ser considerado o imposto devido decorrente dos rendimentos recebidos incluído na declaração de rendimentos, conforme prevê a legislação; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 5 4 portanto, correto o procedimento da fiscalização de somente incluir o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos incluídos na declaração de ajuste anual, desconsiderando os valores referentes à cessão; em relação aos honorários advocatícios e periciais, também está correto o procedimento da fiscalização, pois o percentual entre os rendimentos tributáveis e isentos foi alterado com a cessão. Os cálculos estão corretos Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 111 a 124, sustentando, em síntese, que: · A cessão de parte dos créditos oriundos do precatório nº 449/95, resultado do processo trabalhista nº 162/86, ocorreu no ano de 1998; · Foi acordado com o Distrito Federal que o saldo remanescente pertencente ao Autor seria pago da seguinte forma: cerca de 30% de sinal, no exercício de 2006, e o restante seria dividido em 12 parcelas trimestrais, que seriam pagas nos meses de março, junho, setembro e dezembro dos anos de 2007, 2008 e 2009; · Todos os valores percebidos pelo Contribuinte foram tributados à alíquota de 27,5%, por meio de retenção na fonte, por parte do Distrito Federal; · Sendo o Autor servidor público do Distrito Federal e as verbas oriundas de ação trabalhista, nos termos do art. 157 da Constituição Federal, o Imposto de Renda Retido na Fonte pertence ao próprio Distrito Federal; · Dúvidas não há que, se o credor afirma expressamente ter retido na fonte tributo que lhe pertencia, não há justa causa para a Receita Federal glosar o pagamento do referido tributo por parte do contribuinte, em evidente bis in idem; · Tendo sido demonstrado que houve retenção do Imposto de Renda à alíquota de 27,5% sobre todo o montante recebido, não houve distinção entre verbas tributáveis e não tributáveis, sendo improcedente a glosa de honorários advocatícios e periciais. É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 6 5 Conforme sinalizado no relatório supra, tratase o presente processo de lançamento fiscal em decorrência da constatação, pela fiscalização, de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 171.674,53. De acordo com o Fisco, o contribuinte não poderia, no caso em análise, ter compensado o IRRF no valor de R$ 171.674,53, por não ter levado à tributação os respectivos rendimentos. Dessa forma, apontou como infringido o inciso V, do art. 12 da Lei nº 9.250/95: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Neste mesmo sentido foi a conclusão da DRJ, que assim se manifestou: Em relação ao imposto retido na fonte, somente pode ser considerado o imposto devido decorrente dos rendimentos recebidos incluído na declaração de rendimentos, conforme prevê a legislação (grifo original) Portanto, correto o procedimento da fiscalização de somente incluir o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos incluídos na declaração de ajuste anual, desconsiderando os valores referentes à cessão. Da análise dos documentos que constam no processo, notoriamente da Certidão nº 264/2010 (fls. 27 e 126), verificase que o valor de R$ 171.674,53 glosado pela fiscalização corresponde ao IRPF incidente sobre o montante do crédito – objeto do Precatório nº 449/1994, referente à ação trabalhista nº 001620063.1986.5.10.004 que foi cedido pelo Recorrente a terceiros. Na trilha do entendimento da fiscalização, como o montante que foi objeto de cessão não foi declarado como rendimento na DIRPF, não poderia o contribuinte utilizar o respectivo IR como dedução na referida declaração. À primeira vista, poderseia concluir pela exatidão de tal conclusão. Ocorre que, analisando a DIRPF do contribuinte, exercício 2007 (anocalendário 2006), verificase que nesta foi declarado, como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o montante de R$ 756.134,64 (fl. 86), que corresponde à diferença entre o total dos rendimentos pagos pela fonte pagadora, no valor de R$ 872.991,05 (conforme DIRRF de fls. 127 e respectivo comprovante de fls. 128) e as despesas com honorários (de advogados e pericia contábil) da ação trabalhista, no valor total de R$ 116.856,41 (conforme recibos / declarações de fls. 31, 33 e 35). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 7 6 Total de Rendimentos 872.991,05 (‐) Honorários Advocatícios 100.856,13 (‐) Honorários Advocatícios 13.333,57 (‐) Honorários Perícia Contábil 2.666,71 (=) Total de Rendimentos declarado na DIRPF 756.134,64 O recorrente, por ocasião da impugnação apresentada, trouxe aos autos a seguinte composição do total dos rendimentos auferidos (fl. 05): Como se vê, e a princípio, diferentemente do entendimento fiscal, da análise dos documentos supra citados, concluise os rendimentos correspondentes ao IRRF no valor de R$ 171.674,53 glosado pelo Fisco, foram efetivamente declarados. Registrese, pela sua importância, que a composição do total dos rendimentos auferidos em destaque, no valor de R$ 872.991,01, tratase de uma simples tabela apresentada pelo contribuinte no corpo da impugnação. Às fls. 71 dos autos, temse um extrato dos rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário 2006, no qual há informação de que, no mês de outubro, os rendimentos tributáveis foram de R$ 723.324,14. Referido montante, salvo melhor juízo, deve corresponder ao somatório do provento de aposentadoria do mês de outubro + os valores pagos pega fonte pagadora em decorrência do acordo firmado para pagamento do Precatório nº 449/1994, nos termos da Certidão nº 264/2010 (fl. 27 e 126). Ocorre que este Relator não logrou compor o montante de R$ 723.324,14 informado como rendimentos no mês de outubro/2006, no extrato de fls. 71. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.009078/201031 Resolução nº 2402000.684 S2C4T2 Fl. 8 7 Assim, considerando que a verificação da composição do referido montante se afigura essencial no caso em análise, proponho a conversão do presente julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime o contribuinte para apresentar memória de cálculo / detalhamento dos valores de R$ 723.324,14 (rendimentos tributáveis) e R$ 197.025,22 (imposto retido), referente ao pagamento recebido no mês de outubro de 2010, conforme consta no documento de fls. 71 do eprocesso. A memória de cálculo deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea a demonstrar a abertura dos valores em destaque É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720030/2017-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
Numero da decisão: 1302-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição ao conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição ao conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 30 /2 01 7- 87 Fl. 11709DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.710 2 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição ao conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício em relação ao Acórdão nº 02 78.078, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 3.549 a 3.578), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2013 OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSERVAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em boa guarda e ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, devendo os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, ser conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA Fl. 11710DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.711 3 Para fins de incidência de IRRF exclusivo na fonte, considerase pagamento sem causa ou feito a beneficiário não identificado aquele que envolve a entrega de recursos a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO A impugnação mencionará de forma clara e organizada os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de 2 discordância e as razões e provas que possuir, não cabendo à autoridade judicante o papel de defensor dativo. LIVRE CONVICÇÃO E DILIGÊNCIAS Na apreciação da prova, a autoridade judicante formará livremente sua convicção, podendo determinar de ofício ou a pedido as diligências que entender necessárias e praticáveis e indeferir as demais. LANÇAMENTOS DERIVADOS Mantida no todo ou em parte a exigência de IRPJ, igual sorte caberá às demais cobranças que forem realizadas com base nos mesmos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova. LITÍGIO Não se toma conhecimento de matéria alheia ao litígio, assim entendido aquilo que foi considerado infração pela autoridade lançadora e regularmente impugnado pelo contribuinte." Foram lavrados contra a Recorrente autos de infração relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2013 (fls. 1.567 a 2.199), com base na constatação de omissão de receitas por presunção legal referentes a depósitos bancários de origem não comprovada e glosa de despesas consideradas não comprovadas. A primeira infração, apurada em relação ao Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), gerou reflexos na Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o PIS/PASEP (PIS/PASEP); e a última na CSLL. Em relação ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), o auto de infração se baseou na apuração reflexa de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Cientificado do lançamento (fl. 2.207), o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 2.215 a 2.253), na qual alegou deficiências no procedimento que resultou na constituição do crédito tributário, asseverando que a autoridade fiscal: Fl. 11711DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.712 4 (i) não confrontou os supostos depósitos que indicariam a omissão de receitas com a escrituração fiscal/contábil da Requerente, limitandose a exigir documentos que suportassem todas as transações realizadas pela Recorrente em 2012, ou seja, milhares de operações bancárias realizadas ao longo de todo o ano de 2012; (ii) não individualizou de forma adequada os depósitos bancários para efeito de comprovação de origem, limitandose a exigir a comprovação de forma genérica e superficial de uma enormidade de transações bancárias; (iii) não concedeu oportunidade adequada para a apresentação das informações e documentos capazes de afastar a alegação de omissão de receitas, ignorando reiteradamente as manifestações da Requerente para que fossem especificados os documentos a serem apresentados de forma a melhor colaborar com a D. Fiscalização em face do elevado número de operações selecionadas; e (iv) consequentemente, não indicou de forma objetiva como estaria caracterizada a não comprovação da origem (requisito, repitase, essencial para a aplicação da presunção), já que sequer permitiu que tal comprovação fosse realizada, limitando se a exigir enorme quantidade de documentos sem nenhum critério, aparentando buscar, desde o princípio, não esclarecer eventuais dúvidas e pretensas omissões, mas sim lavrar os presentes Autos de Infração a todo e qualquer custo." Assim, pugnou pelo cancelamento integral da exigência fiscal. Ademais, arguindo a dificuldade de entrega de documentação para todas as operações apontadas pela autoridade fiscal, apresentou documentos para demonstrar a origem de parte das referidas operações, que decorreriam de: (i) aumento de capital social subscrição e integralização de ações; (ii) Liberação de empréstimos; (iii) emissão de debêntures; (iv) resgate de aplicações financeiras; (v) transferências de mesma titularidade; (vi) venda de investimentos; (vii) venda de terreno. Apresentou, ainda, pedido de conversão do julgamento em diligência, caso os elementos apresentados não fossem considerados suficientes para a comprovação da origem dos créditos bancários. Em adição, suscitou erro na determinação da base tributável do IRPJ e da CSLL, posto que a tributação teria ocorrido sobre o total das receitas supostamente omitidas, sem a dedução dos custos correspondentes. Contestou a consideração como indedutíveis de perdas em participações societárias, o que contrariaria o art. 418 do RIR/99, e o lançamento correspondente relativo ao IRRF, posto que não teria havido qualquer pagamento. Finalmente, arguiu a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 11712DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.713 5 A decisão de primeira instância rejeitou todas as alegações de falhas no procedimento fiscal, apontando o cumprimento por parte do responsável pela constituição do crédito tributário das formalidades necessárias à caracterização da presunção de omissão de receitas, bem como a ampla possibilidade de defesa ofertada à pessoa jurídica. Neste ponto, indeferiu o pedido de conversão em diligência, por não poder ser usado como substituta para a instrução probatória cujo ônus recairia sobre a autuada. Considerou comprovada a origem de parte dos depósitos que ensejaram o lançamento, atribuídos na Impugnação a operações de aumento de capital social, resgate de aplicações financeiras, transferências de mesma titularidade e venda de terreno. Em sentido oposto, os julgadores consideraram não comprovado que os créditos bancários estivessem relacionados com liberações de empréstimos, emissão de debêntures e venda de investimentos. Entendeu, ainda, como inadmissível a pretensão da Impugnante de deduzir os custos relativos às receitas consideradas omitidas, posto que o lançamento parte do pressuposto de que os custos da pessoa jurídica já foram corretamente declarados, cabendo tãosomente a adição das receitas não computadas, sob pena de dupla contagem das deduções. O Acórdão considerou não comprovado as alegadas perdas em participações societárias, mas afastou a correspondente tributação pelo IRRF, por entender "que não se encontra patente nos autos a correlação entre tais despesas e a ocorrência de qualquer uma das hipóteses legais dos artigos 674 e 675 do RIR/1999. Uma vez que não quedou estreme de dúvidas nos autos que tenha ocorrido transferência de recursos a terceiros ". A decisão deixou de analisar as considerações relativas à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por entender falecer competência à DRJ para a apreciação da referida matéria. Finalmente, em relação ao pedido de diligência, asseverou que, por iniciativa oficial, ele foi realizada, porém, mostrouse improfícua. Em função do valor exonerado, recorreuse de ofício ao CARF, nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Após cientificado da decisão de primeira instância (fl. 3.591), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.596 a 3.649, por meio do qual: (i) suscitou, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração pela mesmas falhas no procedimento fiscal já apontados na Impugnação; (ii) ainda, como preliminar, apontou a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, ao indeferir o requerimento de conversão do julgamento em diligência e acatar suposto descumprimento à realização de diligência anteriormente determinada; (iii) repetiu as alegações de erro na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de improcedência da autuação sobre despesas indedutíveis, de impossibilidade de incidência de juros de mora sobre multa de ofício e de que os créditos bancários considerados não comprovados, na parte mantida pelo julgamento, corresponderiam Fl. 11713DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.714 6 a liberações de empréstimos, emissão de debêntures e venda de investimentos, acrescentando detalhes quanto a estas últimas; (iv) fez nova alegação de que créditos considerados de origem não comprovada se referem a operação de aumento de capital não tratada na Impugnação, acrescentando, ainda, alegações relativa a recebimento de dividendos pagos pela empresa Amazon Empreendimentos, a transferências via conta corrente mercantil e a estorno de lançamentos indevidos; (v) renovou, finalmente, o requerimento de diligência. Em 16 de agosto de 2018, a Recorrente apresentou os documentos de fls. 11.672 a 11.706, com o intuito de "reforçar e organizar as provas e documentos que acompanharam a impugnação e recurso voluntário, de forma a elucidar quaisquer dúvidas que ainda permaneçam em relação aos fatos". É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 28 de fevereiro de 2018 (fl. 3.591), tendo apresentado Recurso Voluntário em 26 de março de 2018, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.259/2.261 e 3.650. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. O Recurso, porém, traz alegações não veiculadas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Somente no Recurso Voluntário, o sujeito passivo atribui parte dos créditos considerados de origem não comprovada a operação de aumento de capital no montante de R$ 77.672.749,56, a recebimento de dividendos pagos pela empresa Amazon Empreendimentos, a transferências via conta corrente mercantil e a estorno de lançamentos indevidos. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria Fl. 11714DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.715 7 não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. As novas alegações trazidas pela Recorrente não constituem matéria de ordem pública, portanto, somente poderia ser apreciadas pelo CARF, se já houvessem sido invocadas desde a Impugnação. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente foi omisso, no momento da apresentação da Impugnação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo, conforme exemplifica a seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo Fl. 11715DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.716 8 com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias não veiculadas desde a Impugnação. Quanto ao documento acostados às fls. 11.673 a 11.706, recepcionouo nos estritos termos da motivação apontada na Petição de fl. 11.672, ou seja, como reforço e organização das provas já apresentadas nos autos, não conhecendo eventuais novas provas documentais, por violação ao expresso no já referido §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. 2. Da preliminar de nulidade do auto de infração A Recorrente suscitou, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração por supostas falhas no procedimento fiscal, conforme alegação trazida na Impugnação, e transcrita no relatório acima. O Acórdão de primeira instância rejeitou a argumentação, apontando o cumprimento por parte do responsável pela constituição do crédito tributário das formalidades necessárias à caracterização da presunção de omissão de receitas, bem como a ampla possibilidade de defesa ofertada à pessoa jurídica. A partir do exame dos autos, há que se concordar com a decisão. Ao contrário do alegado, há provas suficientes de que o responsável pelo procedimento fiscal individualizou, adequadamente, os depósitos bancários cuja origem o sujeito passivo comprovar, conforme fls. 1.175/1.288 e 1.299/1.412. Além disso, ofertou ampla possibilidade para que a Recorrente se desincumbisse do seu mister. Não há qualquer nulidade no fato de a autoridade fiscal não haver realizado o cotejo entre os referidos depósitos bancários e a escrituração contábil do sujeito passivo, posto que o lançamento foi embasado na presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 281 do RIR/99, segundo o qual, é bastante a ausência de comprovação da origem dos créditos bancários, para se presumir que o contribuinte omitiu receitas e, como consequência, constituir o crédito tributário. Fl. 11716DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.717 9 A Recorrente sustentou, ainda, que não teriam sido demonstrados os elementos determinados pelos artigos 142 do CTN. A alegação é totalmente improcedente. O crédito tributário foi devidamente constituído com todos os elementos exigidos nos citados dispositivos legais. Como afirmado, a autoridade fiscal adotou todas as providências necessárias à apuração das infrações, que são minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal, oportunizou fartas oportunidades para o sujeito passivo apresentar documentos comprobatórios que elidissem a presunção legal apontada, porém a Recorrente é que não logrou apresentar qualquer prova capaz de cumprir tal exigência. 3. Da nulidade do Acórdão recorrido A Recorrente argui, ainda como preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, ao indeferir o requerimento de conversão do julgamento em diligência. Igualmente, não procede a alegação. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." Fl. 11717DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.718 10 O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, consignando: "Patenteiase que é ônus do impugnante trazer aos autos as provas em seu favor e que incumbe à autoridade julgadora examinar tais provas, encontrandose sua liberdade de convicção adstrita aos limites da legalidade. Lado outro, o Decreto nº 70.235, de 1972, não determina e nem tolera que o julgador venha a agir como defensor dativo, suprindo eventuais deficiências da impugnação oferecida pelo sujeito passivo, emendando suas falhas ou tomando plausibilidades por certezas." Por outro lado, registrou que, por iniciativa oficial, já foi realizada diligência, que se mostrou improfícua. De fato, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. Os autos se encontram adequadamente instruídos. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. De outra parte, antes da apreciação dos recursos, cabe suscitar, de ofício, a nulidade parcial da decisão de primeira instância, por outra razão, posto que deixou de analisar uma das matérias contidas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. É que, embora a Recorrente tenha dedicado um tópico específico da sua Impugnação para defender a impossibilidade da aplicação de juros sobre as multas aplicadas, o Acórdão recorrido entendeu por bem não conhecer da alegação, nos seguintes termos: "JUROS SOBRE MULTA No que tange a uma suposta cobrança de juros sobre multa, cabe observar que não há acréscimo legal desta ordem no crédito tributário impugnado e, portanto, não foi instaurado litígio a este respeito. Destarte, falece competência a Colegiado para o exame desta matéria, a teor do artigo 277 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017: Art. 277. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar, depois de instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades;" Como revela a declaração de voto da julgadora Luciana de Freitas, vencida quanto a tal decisão, o tema foi discutido na sessão de julgamento, não tendo sido acatada a necessidade de apreciação da alegação pela DRJ, sob pena de supressão de instância administrativa. Fl. 11718DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.719 11 O fundamento adotado para não apreciar a matéria não pode ser admitido, uma vez que os valores de juros de mora (calculados até a data da constituição do crédito tributário) constam dos autos de infração impugnados e acompanham o decidido em relação ao principal. Além do que o tema suscitado envolve discussão acerca da questão da natureza de crédito das multas de ofício. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe possibilita ter o tema analisado pela segunda instância do contencioso. Destaquese que a matéria é reiterada no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância (como advertido pela citada julgadora). Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, recentemente, decidiu, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). Transcrevo trecho do voto do Relator Alberto Pinto no citado Acórdão de sua relatoria: "Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. Fl. 11719DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.035 S1C3T2 Fl. 11.720 12 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante." Como sempre registro, compartilho da estranheza experimentada pelo Relator da decisão transcrita, mas, entendo, que a anulação parcial é a melhor solução aplicável ao caso, posto que a matéria que deixou de ser analisada não é central à lide, mas tãosomente um dos efeitos periféricos da decisão proferida, com consequências que não atingem o lançamento em si. Não faz sentido, assim, obrigar o julgador de primeira instância a reapreciar todas as matérias já analisadas no Acórdão recorrido, sem que haja qualquer vício na análise já realizada. Neste sentido, voto por, de ofício, declarar a nulidade parcial da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 11720DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909623/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 23 /2 01 1- 53 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.500. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.393, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10850.909623/201153 Acórdão n.º 3301005.043 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002278/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA.
Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3401-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 78 /2 00 9- 41 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão 0439.391 da 2a Turma da DRJ/CGE de piso (efls. 88 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Restituição em formulário (fl. 3) pelo qual pleiteava um crédito de R$ 134.910,88. Consta do referido formulário: Crédito de PIS Lei Complementar 07/70; artigo 6o, convertido em renda da União em 18/07/2006, conforme documentos em anexo; para compensação nos termos do artigo 34 da IN/RFB n° 900/2008. O pedido foi indeferido por meio do Despacho Decisório (fls. 58 e 59). A fundamentação foi a renúncia à esfera administrativa em face da opção pela via judicial, nos termos do ADN no 3/96: Embora reconhecidos os pagamentos a maior ao PIS, no intervalo PA de 08/1988 a 09/1995, no litisconsórcio, por dependência, Ação Ordinária Declaratória e de Repetição n° 92.00351409, tramitada perante a 17a V. F. em São PauloSP e transitada em julgado, em 13 de dezembro de 1996, os PA 03/1992 a 09/95, em questão, não foram recolhidos em DARF, mas objeto de depósitos judiciais. Por consequência, considerando serem os valores de conversão e de levantamento determinação do Poder Judiciário, conforme o Despacho/Decisão acima transcrito, propomos, nos termos do ADN 03/96, o indeferimento do Pedido de Restituição de folha 01. A ciência quanto à decisão ocorreu em 9 de setembro de 2011 (fl. 61). A contribuinte insurgiuse contra o despacho decisório alegando, em apertada síntese: a) no despacho decisório foi reconhecido o pagamento a maior da contribuição e, por consequência, há o direito à restituição; b) foram feitos depósitos judiciais do valor integral do PIS e, após o trânsito em julgado da ação, parte do valor foi convertida em renda da União e parte levantada pela contribuinte. Os valores convertidos em renda da União geraram créditos para a interessada, em face da conversão ter sido efetivada com base nos Decretosleis no 2.445/88 e 2.449/88, quando o correto seria com base tãosomente na Lei Complementar no 7/70; c) “a ora Requerente entende que, o levantamento de depósitos judiciais (oriundos de seu crédito devidamente reconhecido), dentro de uma avaliação fiscal, visando à quitação de tributos devidos, representa o mesmo que não haver quaisquer Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 159 3 desembolsos para o pagamento desses tributos, cuja quitação darseá justamente pela compensação administrativa”; d) “a liquidação do valor devido, uma vez realizada, haverá a comparação com o valor depositado, convertendose em renda o valor devido”; e) “a ora Requerente, diante da disposição da Lei n° 11.941/09 entende que, o contribuinte pode utilizar os depósitos judiciais, vinculados a processos já transitados em julgado, para a quitação de débitos, ainda, de acordo com o artigo 156, I, do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Assim é o entendimento do recente julgamento do Recurso Repetitivo n° 1.251.513PR”; f) “ainda, cabe ressaltar que, o depósito judicial após o encerramento da lide e devidamente levantado pela União Federal serão transformados em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do tributo, nos termos do artigo 1o, § 3o, II, da Lei n° 9.703, de 17/11/1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais”; g) “o depósito judicial efetivado pela ora Requerente e convertido em renda da União Federal, é forma de quitação de débitos tributários, todavia, em face da inconstitucionalidade declarada (DecretosLei 2445/88 e 2449/88), gerou crédito de valores a serem restituídos/compensados ao contribuinte”; h) se houve trânsito em julgado da ação, não pode haver desistência e renúncias possíveis; i) “os depósitos judiciais efetuados com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88 que foram considerados inconstitucionais, portanto, os valores dos depósitos convertidos em renda da União, correspondentes à contribuição do PIS, devido no respectivo período, com base na LC 7/70 sem considerar a semestralidade da referida contribuição (art. 6º da LC 7/70), com o devido respeito, a ora Requerente entende que, a conversão dos depósitos em renda da União equiparase ao pagamento (Lei 9.703/98, art. 1°, § 3°, II), pois, a União Federal recebeu o valor que lhe era devido, desta forma, os valores referentes ao período de apuração de março/1992 à setembro/1995, devidamente depositados na data de seu vencimento, estabelecidos pelos considerados inconstitucionais DecretosLei 2445/88 e 2449/88, dá origem ao direito líquido e certo da ora Requerente ao crédito em face do pagamento do PIS considerandose o faturamento do sexto mês anterior, nos termos do artigo 6o, da LC 7/70”; j) “a ora Requerente comprovou a existência de processo judicial; que os depósitos foram efetivados em montante integral (inclusive, com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88), portanto, na exatidão e liquidez de suas declarações, tão somente, almeja, o cumprimento pela esfera administrativa da decisão judicial que julgou ser inconstitucional a contribuição Fl. 160DF CARF MF 4 para o PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, através de compensação administrativa”; k) o cálculo do crédito deve levar em conta a chamada “semestralidade do PISFaturamento” nos termos do art. 6o da Lei Complementar no 7/70. Ao final é requerido o deferimento da compensação requerida. Há o protesto por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de documentos. Posteriormente ao protocolo da manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou documento em que informa que a pretensão se referia à restituição de “crédito de PIS, obtido após a conversão dos depósitos em renda da União, tendo em vista que quando das conversões dos referidos depósitos realizados pela ora Requerente, não foi observado o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador mas, sim, foram feitas as conversões com base nos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88 sobre as outras receitas”. (Negrito do Relator). Sobreveio a decisão da DRJ, a qual não conheceu a manifestação de inconformidade, a teor da ementa abaixo transcrita: PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário em 12/06/2015 (efl. 100), após ser cientificada da decisão proferida pela DRJ em 13/05/2015, efl.97. Nas razões do recurso sustenta, em síntese: Preliminarmente: que o objeto do presente processo administrativo não é o mesmo do processo judicial, pois neste se discutiu a inexistência de relação jurídicotributária sobre o recolhimento do PIS, nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. No presente feito, o pedido para compensar em extensão ao processo 10865.000229/200117 e seus créditos de IPI, gerados após a conversão dos depósitos em ação cautelar em renda a favor da União Federal; Que o valor convertido em renda da União não foi observado a semestralidade do PISFaturamento, nos termos do art. 6º da LC 07/70; Que não há violação da soberania do Judiciário; Tece argumento sobre a semestralidade do Pis; Aduz que possui direito líquido e certo ao crédito do Pis; Defende que se trata de pedido de compensação em extensão ao processo 1086500229/200117; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 160 5 A reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Inicialmente conheço o recurso voluntário, diante do cumprimento dos requisitos legais. O núcleo do contencioso trazido pela contribuinte em seu voluntário é a questão preliminar de concomitância. Como se viu a DRJ entendeu pela concomitância, na medida em que "A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas". (negrito deste Relator). No caso dos autos, a Recorrente ingressou com ação judicial questionando a ilegalidade/inconstitucionalidade do PIS (DL 2.445/88 e 2.449/88). Logrou êxito e houve o trânsito em julgado. Depois disso é que buscou a compensação dos créditos gerados na ação judicial, por meio da via administrativa, fazer a compensação de seus débitos de PIS. Temse que se trata de caso de concomitância, e mais, que a matéria submetida ao presente contencioso não mais remanesce discussão, vez que submetida ao Poder Judiciário. Demais disso, vêse que o quantum foi objeto de decisão judicial, havendo conversão em renda e sem contestação disso por meio da Contribuinte, não cabendo ao CARF, neste estágio, decidir sobre o assunto. Por tais razões, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Fl. 162DF CARF MF 6 Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.904241/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 41 /2 01 2- 31 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação onde solicita o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 5 4 retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 7 6 Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 8 7 O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006273/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/03/2008
EX TARIFÁRIA
Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré-forma, e três estações injeção de pré-forma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações.
NULIDADE.
Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Indefere-se os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide.
Numero da decisão: 3302-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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NULIDADE. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indeferese os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 62 73 /2 00 8- 43 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 3 2 José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório O objeto do presente processo versa sobre a classificação equivocada de duas máquinas automáticas em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 16 56.908, da 24ª Turma da DRJ/SP1, proferido na sessão de 09 de abril de 2014: "O importador, por meio da declaração de importação de n° 08/03702579 registrada em 10/03/2008, submeteu a despacho de importação duas máquinas automáticas para moldar termoplásticos com jogo de peças sobressalentes, conforme descrição detalhada da mercadoria na citada declaração de importação, classificáveis na posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), a qual determina a alíquota ad valorem do Imposto de Importação de 14%. No curso da análise documental da declaração de importação em questão, devido ao fato desta ter sido parametrizada automaticamente pelos sistemas da Receita Federal para o canal de seleção amarelo, constatouse que o importador pleiteava, dentro da posição 8477.59.90 da TEC, para as mercadorias em questão, a ex tarifária 24 aprovada pela Resolução CAMEX 73 de 20/12/2007, publicada em 24/12/2007 pelo Diário Oficial da União, que alterou para 2% a alíquota ad valorem do Imposto de Importação. No intuito de dirimir dúvidas quanto a possibilidade do enquadramento no citado extarifário e amparado pelo artigo 722 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543 de 26/12/2002 ) combinado com os artigos 1 e 2 da Instrução Normativa 157 de 22/12/1998, que dispõem sobre a assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, solicitouse, em 08/04/2008, laudo técnico de perito credenciado pela Receita Federal. Em 14/05/2008, foi apresentado à fiscalização o laudo técnico elaborado pelo engenheiro mecânico Sr. Francisco Kogos, com as respostas referentes aos quesitos previamente formulados por esta fiscalização. Neste, com base no exame físico das mercadorias, na literatura técnica fornecida pelo importador e na literatura técnica obtida na Internet, o laudo é conclusivo quanto à existência de divergência entre as mercadorias examinadas pelo perito e as descritas pelo importador na declaração de importação. Esta divergência consiste no fato de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 4 3 que, enquanto na declaração de importação elaborada pelo importador constam três estações como componentes de cada uma das máquinas, o que enquadraria ,de fato, as mercadorias no EX 24 da posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), o perito expõe, em seu laudo técnico, que são quatro o número de estações presentes em cada uma das máquinas, o que descaracteriza o seu enquadramento neste EX. Ainda sobre o parecer conclusivo do laudo pericial de que as duas máquinas não se enquadram na exceção pleiteada pelo importador, a fiscalização concluiu, ao analisar a citada peça técnica, que o perito se baseou em dois aspectos ao tomar a sua decisão: 1) na análise física, constatouse que havia quatro estações por máquina e não três como alegado pelo importador pois, na máquina de quatro estações, duas destas estações, a Estação 1 e a Estação 2, executam o que apenas uma, a Estação 1, executa na máquina de três estações, e 2) em pesquisa realizada na Internet, existem dois modelos distintos para este tipo de máquina, com patentes diferenciadas para cada um deles, ou seja, a máquina de três estações e a de quatro estações. O modelo das máquinas examinadas pelo perito, o ASB70DPH, aparece como "4 station machines", ou seja, como possuidor de quatro ; estações. Desta forma, após a entrega do laudo técnico e apreciação do mesmo, a fiscalização, efetuou a interrupção do despacho em 16/05/2008, com o intuito da formalização de exigências e retificação da presente DI, conforme o art. 42 da IN 680/2006. Em decorrência do não enquadramento das máquinas no ex tarifário pleiteado e conseqüente alteração da alíquota do II para 14%, o que acarreta a elevação da base de cálculo dos demais tributos aduaneiros, foi feita exigência para o recolhimento da diferença dos tributos (II, PIS e COFINS) , acrescida da multa de 75% sobre esta; diferença, de acordo com o inciso I, artigo 44, da Lei 9430/96 e do recolhimento da multa por descrição inexata da mercadoria, conforme inciso III, parágrafo 2o , artigo 69 da Lei n° 10.833/03, totalizando R$ 201.859,91. Entendendo ser pertinente a exceção tarifária utilizada, a interessada apresentou impugnação onde alega, em síntese, que: o perito credenciado errou a interpretação do texto do ex. o texto do ex não exige que o condicionamento se dê na estação de injeção de preforma ou em qualquer outra, apenas exigindo que a função de condicionamento direto de temperatura seja aliada a três outras estações (injeção, estiramento e sopro, extração). o enquadramento no ex 24 do código NCM 84775990 foi correto. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 5 4 a ABIMAQ/SINDIMAQ atestou inexistência de produção nacional do equipamento em questão para enquadramento em ex tarifário. a reclassificação fiscal não encontra amparo em razão do que atestou a ABIMAQ/SINDIMAQ e o laudo do fabricante. requer a realização de nova perícia, indicando perito e quesitos, além de outras diligências adicionais à Alfândega e à CAMEX e a produção de prova documental adicional. requer o acolhimento da impugnação. É o Relatório. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2008 EX TARIFÁRIA Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré forma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, repete de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, não inovando em suas razões, muito menos trazendo argumentos ou novos documentos, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Do suposto cerceamento de defesa e nulidade do autos de infração Pois bem. Em apertada síntese estamos diante de controvérsia sobre a possibilidade de enquadramento de máquina/equipamento importado, cuja especificações não são verificadas em nenhuma máquina fabricada em território brasileiro, em extarifário que Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 6 5 garantiria a redução do pagamento do Imposto de Importação II, com seus reflexos perante as demais exações tributárias, diretamente ligadas ao valor aduaneiro. Como podemos verificar as dúvidas relacionadas à possibilidade de aplicação do ex tarifário (ex 024), surgiram já no momento do desembaraço das mercadorias, oportunidade em que a autoridade fazendária veio a solicitar a confecção de laudo técnico, sendo ele expedido por perito credenciado junto a RFB sobre as especificações dos produtos, chegandose a conclusão de que não poderia ser enquadrado na posição utilizada pela contribuinte recorrente. Ressaltase que a perícia foi realizada com a verificação in loco das máquinas e equipamento e a análise de documentos encaminhados pelo próprio fabricante, a pedido do perito. Tendo em vista o ocorrido, considerando que pela classificação equivocada não houve o desembaraço da mercadoria, a contribuinte naquela oportunidade teve a oportunidade de desqualificar o laudo produzido pelo perito técnico credenciado pela RFB, em sede de manifestação de inconformidade (e.fls 43 e segs), contudo sem obter êxito. Passo seguinte, a própria contribuinte, visando a liberação da mercadoria, solicitou a lavratura do auto de infração, o que de fato ocorreu, abrindose novamente a possibilidade de defenderse e infirmar as alegações, agora, descritas em AI. Desta forma, como podemos observar foi garantido à contribuinte recorrente total acesso aos documentos que constam do processo, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Por duas vezes, lhe foi dada a possibilidade de trazer elementos que pudessem desqualificar o trabalho do perito, fato esse não configurado. Observese que a Autoridade Fiscal, e no sentir desse Conselheiro de forma acertada, entendeu não ser necessária a realização de nova perícia, pois todos os elementos para a formação de sua convicção já estavam disposto no processo. Vale ressaltar que até mesmo as respostas aos quesitos, posteriormente confeccionados pela recorrente, podem ser extraídas da perícia realizada a pedido da autoridade aduaneira, quando do desembaraço das mercadorias. No mesmo sentido, seguindo o que acima foi exposto, tendo em vista não ter ocorrido o suposto cerceamento de defesa, não há que se falar em eventual nulidade do auto de infração. Todo o direito de defesa à contribuinte recorrente foi garantido, assim como, foram motivadas as decisões que consideraram prescindíveis a realização da prova pericial requerida, pois, como dito, tal prova já foi realizada muito antes da instauração do contencioso administrativo, servindo de base inclusive para a lavratura do auto de infração. Desta feita, não ha que se falar em cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração, como que a recorrente. II Aplicação do ex tarifário aos equipamentos importados Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 7 6 Por todo o até aqui exposto, podemos afirmar que a celeuma apresentada para resolução, cingese quanto a (in)adequada classificação das máquinas/equipamentos importados pela contribuinte recorrente, classificados na declaração de importação na posição NCM 8477.59.90, ex 024, trazido pela Resolução CAMEX nº 73/2007. O extarifário mencionado foi versado da seguinte forma: 8477.59.90 Ex 024 – Máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da préforma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração Segundo o art. 111, inc. II, do CTN a norma tributária que disponha sobre a outorga de isenção de um tributo, deve ser interpretada literalmente, observese: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Nesse sentido, propor a extensão do benefício trazido pelo ex 024 a máquina ou equipamento que não se enquadre nos requisitos exigidos para que se tenha o direito a obtenção do benefício é permitir que se faça tabua rasa das normas que versam sobre a situação fática apresentada. Observamos desde as primeiras folhas do presente processo que as características dos bens importados não eram passíveis de enquadramento no ex tarifário lançado na declaração de importação. A dúvida se fez presente logo no desembaraço das mercadorias, fato esse que levou a autoridade aduaneira lançar mão de permissivo legal vigente à época dos fatos, e requerer a feitura de laudo técnico conclusivo a respeito das características dos produtos, com o nítido propósito de se afastar qualquer tipo de incorreção que poderia prejudicar a atividade de arrecadação de tributos. Em que pese as alegações trazida pela contribuinte recorrente, o laudo técnico trazido aos autos, de lavra de perito devidamente credenciado junto à RFB, não deixa margem de dúvidas quanto ao não enquadramento dos produtos importados no ex tarifário 024. Digase de passagem que a perícia foi realizada com a verificação in loco dos equipamentos, bem como da análise das especificações técnicas das maquinas fornecidas pelo próprio fabricante, que não deixam dúvidas a respeito de serem ou não compostas de quatro estações (laudo fls 18 e segs). Assim, mesmo que tenhamos a declaração encartada aos autos de que o maquinário importado não possui similar de fabricação nacional, tal informação não serve como baliza para o enquadramento no ex tarifário como quer fazer crer a contribuinte recorrente. Os requisitos exigidos para a obtenção da redução do imposto devem ser observados de forma exata, não cabendo margem para seu alargamento, vale dizer, se o ex Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 8 7 tarifário determina que para a obtenção do benefício a máquina deve conter três estações, e não quatro conforme descrito nas especificações técnicas do fabricante, confirmadas pelo laudo técnico. Abaixo colamos a fls 63 do processo que demonstra de forma clara a existência de quatro estações ao invés de três, conforme alegado pela recorrente: Conforme demonstrado acima não há como se ter como válidas as alegações trazidas pela recorrente, uma vez não comprovado o atendimento as requisitos estabelecidos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 9 8 para a obtenção do benefício fiscal, bem como não ter conseguido trazer provas, fatos ou normas que pudessem invalidar o lançamento tributário realizado no auto de infração. Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001811/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE.
Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação.
Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário.
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-27T17:28:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2395152_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-27T17:28:42Z; Last-Modified: 2010-12-27T17:28:42Z; dcterms:modified: 2010-12-27T17:28:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2395152_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:1b801138-747c-4a0f-bd93-9a61318ac0a5; Last-Save-Date: 2010-12-27T17:28:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-27T17:28:42Z; meta:save-date: 2010-12-27T17:28:42Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2395152_0.doc; modified: 2010-12-27T17:28:42Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-27T17:28:42Z; created: 2010-12-27T17:28:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-12-27T17:28:42Z; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2010-12-27T17:28:42Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 1 1 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001811/2005-60 Recurso nº 519.918 Voluntário Acórdão nº 1302-00.449 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ - lucro inflacionário Recorrente NACHT PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator Fl. 445DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 27/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, EDUARDO DE ANDRADE IRINEU BIANCHI e MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 91/97, lavrado pela DFI Rio de Janeiro-RJ em 13/12/2005, por meio do qual está sendo exigido o crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, no valor de R$ 433.577,37, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrente das seguintes irregularidades apuradas: 001. Glosa de prejuízos compensados indevidamente. Saldos de Prejuízos Insuficientes. Glosa de prejuízos compensados indevidamente, em 31/12/2001, no valor de R$ 13.640,41, tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízos compensáveis naquela data, conforme Sistema de Apuração do Prejuízo e Lucro Inflacionário-SAPLI, em face da utilização, em 31/12/2000, de todo o saldo de prejuízos compensáveis então existentes para compensação da autuação referente ao item seguinte. O lançamento teve como enquadramento legal os arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda- RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. 002. Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima. Falta de adição ao lucro líquido da realização anual mínima de lucro Inflacionário acumulado nos exercícios de 2001 e 2002, anos-calendário 2000 e 2001, no montante anual de R$ 1.007.210,61, equivalentes a 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072,106,10, conforme SAPLI de fls. 109/114. O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 8º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; artigos 6º e 7º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e arts 249, inciso I, e 449 do RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 12/01/2006, a impugnação de fls. 116/124, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação e alega, em síntese: Que a problemática versadas no auto de infração cinge-se a equívoco por ela cometido quando da determinação do saldo de correção monetária aplicada aos seus Fl. 446DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 2 3 investimentos, informado na DIRPJ/1992, consistente no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta de “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF”. Conforme planilha que junta ao autos, em razão do lançamento equivocado, teria sido apurado erradamente saldo credor a maior da diferença de correção monetária apurada com base no IPC e aquela calculada tendo-se em conta o BTNF, isso porque o valor original de Cr$ 1.198.032.567,03 foi indevidamente incluído na conta de correção monetária quando se trata de parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991 . Assim, ao prestar as informações pertinentes ao ano de 1991 na DIRPJ/1992, informou dispor do valor de Cr$ 7.278.345.551 a título de saldo credor da diferença IPC/BTNF aí incluindo o valor de Cr$ 6.910.547.255 que se refere aos Cr$ 1.198.032.567,03 retrocitados corrigidos até 31/12/1991. Protesta que a fiscalização se baseou em tal declaração errônea, não as contrapondo aos respectivos lançamentos contábeis, assim, partindo de matriz equivocada, ou seja, a DIRPJ/1992, calculou o montante do lucro inflacionário chegando ao valor de R$ 10.072.106,10 (SIC) em 31/12/1995. Afirma que, percebendo-se do equívoco, procedeu ao estorno do montante indevido em janeiro de 1993, então no montante corrigido de CR$ 111.080.164,00, fato informado quando da entrega da DIRPJ daquele ano. Com o estorno que afirma ter realizado e informado à SRF na DIRPJ do ano de 1993, a interessada afirma que o saldo credor da diferença IPC/BTNF em 1995 era, então, insuficiente para ser realizado nos anos de 2000 e 2001 (processo nº 18471.001811/2005-60) e 2003 a 2005 (presente autuação), nos patamares fixados pela fiscalização, e que todas as informações alinhada são de facílima comprovação mediante a simples análise do seu Livro Diário nº 6 (páginas 5 e 6) e Lalur. Ressalta que, retificando as alegações postas, à exceção da inclusão do montante referido nos itens 7 e 8 (Cr$ 1.198.032.567,03) para fins de apuração do saldo de correção monetária, o valor histórico de Cr$ 2.065.739.650,00 (linha 33, colunas F e H da planilha que anexa à fl. 275, reflete que o saldo de seus investimentos em 31.12.1990 (linhas 28 e 32 das colunas F e H da planilha). Salienta que o valor de Cr$ 1.198.032.567,03 refere-se a parte do resultado de equivalência patrimonial do ano de 1991, daí porque ter sido escriturado como “Equiv. Patrim,”, conforme consta da página 2 do seu Livro Diário nº 6. Prossegue afirmando que o lançamento equivocado do valor de Cr$ 1.198.32.567,03 em nada interferiu no resultado do exercício do ano de 1991, uma vez que não há variação no valor do mesmo em função do lançamento na conta de Equivalência Patrimonial ou diferença IPC/BTNF, repetindo que efetuou o ajuste mediante estorno no ano de 1993. Resume as razões apresentadas e pede a improcedência do lançamento ante a impossibilidade de realização do lucro inflacionário nos patamares fixados pela fiscalização nos anos de 2000 e 2001 Requer perícia técnico contábil, amparada pelo inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal-PAF, expondo Fl. 447DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 como motivo a hipótese deste julgador entender que as razões alinhadas na impugnação carecem de comprovação, mediante necessária produção de prova pericial, formulando os quesitos às fls 195/196 e indicando o seu perito. Encerra pedindo seja declarada a improcedência do lançamento. Em atendimento à intimação DRJ/RJO nº 28, cientificada à interessada em 25/08/2008, a mesma juntou aos autos cópias autenticadas de seus Livros Diário de 1990 e 1991, Livro Razão do ano-calendário de 1991 e Livro Razão do ano-calendário de 1990, este emitido do sistema contábil em 26/08/2008, tendo em vista a sua não localização encadernado. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal-PAF, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Porém, na fixação do saldo do lucro inflacionário acumulado, o fisco deve levar em conta os valores mínimos de realização exigíveis nos períodos anteriores, já alcançados pela decadência, de forma a evitar a transferência da sua tributação para períodos posteriores. A recorrente tomou ciência do acórdão em 18/12/2009 e apresentou recurso em 15/01/2010. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial, argumenta: - que houve cerceamento do direito de defesa no indeferimento e perícia pela decisão recorrida; Fl. 448DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 3 5 - que cometeu equívoco no preenchimento de sua DIRPJ/92, que consistiu no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF; - que, em razão do referido lançamento equivocado, foi apurado, erradamente, saldo credor a maior relativo à diferença de correção montaria apurada com base no IPC e àquela calculada tendo-se em conta o BTNF. Segundo se observa na planilha em referência, o valor original de, 1.198.032.567,03 (moeda da época -- 1991), foi indevidamente incluído na. 'conta de correção monetária da Recorrente, visto que se trata, antecipa-se, de parte do resUltado da avaliação de seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial, no ano de 1991. De se, mencionar :- que, após procedida às devidas atualizações, o valor em referencia perfazia, em dezembro de 1991 O montante (moedas da época) de 6.910.547.255,00 e, em janeiro de 1993, 111.080.164,00. , - da impossibilidade da exigência de IRPJ sobre lucro inflacionário não realizado, segundo a jurisprudência do STJ. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Assim como na decisão recorrida, entendo desnecessária a perícia solicitada, pois os autos estão suficientemente instruídos para julgamento. Quanto ao mérito, também não assiste razão à recorrente. Transcrevo abaixo trecho do acórdão recorrido: O lançamento referente ao item 002 – “Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima” decorre de exigência de realização mínima, nos anos-calendário de 2000 e 2001, do saldo diferido de Lucro Inflacionário acumulado oriundo de exercícios anteriores, existente em 31/12/1995. De conformidade com a Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º, temos que, a partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), à fl. 109/114, que embasou a autuação, em 31/12/1995, o saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar de períodos-base anteriores da interessada montava em R$ 10.072.106,10, ensejando, portanto, a realização mínima obrigatória anual, a partir de 1996, de 1/10 de seu valor, ou seja, R$ 1.007.210,61, Fl. 449DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 motivo da autuação a que se refere a cobrança do IRPJ resultante desta realização nos anos-calendário de 2000 e 2001. Tal lucro inflacionário é oriundo, segundo o mesmo SAPLI, do diferimento dos lucros inflacionários apurados em 1987, 1991, 1992 e dos meses de janeiro a agosto de 1993, corrigidos, inclusive com a diferença IPC/BTNF do ano de 1990, além do saldo credor da diferença IPC/BTNF, no montante corrigido de Cr$ 7.278.345.551,00 em 31/12/1991. Tal saldo diferido, segundo o mesmo demonstrativo, não teve qualquer realização após o ano-calendário de 1995, nem qualquer realização incentivada permitida. A interessada, em seu arrazoado, alega que estaria majorado o valor de seu Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, constante do SAPLI, uma vez que o valor de seu saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido, em 31/12/1991, constante daquele mesmo demonstrativo e embutido no saldo de 31/12/1995, estaria majorado em Cr$ 6.910.547.255, referente a parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991, afirmando, também, que tal valor majorado teria sido estornado em sua contabilidade em janeiro de 1993. Diferente de outros julgados desta Turma, em que o valor do Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 foi ajustado, tendo em vista erro de fato na sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual daquele exercício, no caso em exame, observa-se que não houve erro na transcrição para a Declaração de valores constantes na contabilidade, mas sim, um suposto erro na própria apuração de tais valores na contabilidade. Naquele exercício, foi comum as empresas apurarem corretamente o saldo da diferença IPC/BTNF e, na ocasião de sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual respectiva, incorrerem em erro nos valores transcritos, ou, principalmente, em erro na eleição das linhas do “Anexo A” para tal transcrição. Tais erros sempre foram considerados por esta Turma, que, corrigindo-os, ajustou novos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 e, consequentemente, de Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995 a ser realizado. Ocorre que, no presente caso, o suposto erro evocado pela interessada não se encontra na transcrição dos valores, mas sim, em sua própria apuração. Assim, os valores transcritos na Declaração de Ajuste Anual conferem com aqueles constantes da contabilidade do exercício de 1992, ano-calendário 1991, uma vez que o suposto erro se encontraria na própria contabilidade, especificamente na apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, consubstanciado em suposta inclusão de valores de ajuste pela equivalência patrimonial. De conformidade com o art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional-CTN, o direito da Fl. 450DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 4 7 Fazenda Publica apurar quaisquer diferenças na contabilidade da interessada e constituir o crédito tributário respectivo extingue-se em cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim sendo, quaisquer erros constantes na contabilidade da interessada no ano de 1991 estariam, nesta data, alheios a qualquer análise e apuração por meio da autoridade tributária, que não poderia hoje exigir quaisquer diferenças em virtude de erros na contabilidade daquele exercício, uma vez transcorridos quase dezoito anos de sua elaboração, mesmo que tais erros refletissem em lançamentos contábeis e fiscais do presente exercício, ou de exercícios ainda não alcançados pela decadência, como, por exemplo, se a interessada tivesse apurado saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 em valor inferior ao correto. Assim sendo, não há também porque hoje, decaído o direito da Fazenda Pública apurar e exigir diferenças a seu favor no ano de 1991, esta reconhecer qualquer erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, como requer a interessada, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles da autuação objeto do presente processo. Acrescente-se que a contabilidade apresentada pela interessada somente foi registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro-RJ em 28/09/1999, bem como tanto sua Declaração de Rendimentos do ano-calendário de 1991, quanto sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 1993 somente foram apresentadas no ano de 1995, sendo incoerente, portanto, as alegações de que a interessada teria estornado o suposto erro alegado, mormente quando não apresentado quaisquer livros contábeis que demonstrasse tal suposto estorno que, não possui campo na Declaração de Ajuste Anual de 1993 para ser explicitado, não havendo, portanto, como aceitar a existência de tal estorno na contabilidade. Face a todo o exposto, não há que ser feito qualquer ajuste no valor do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 declarado pela interessada e constante do SAPLI, no valor de Cr$ 7.278.345.551,00, que resultou no Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072.106,10, cuja realização mínima obrigatória nos anos de 2000 e 2001 são o objeto da autuação do presente processo. Não há reparo a fazer à decisão recorrida. Não se trata de mero erro de fato ao preencher a declaração da recorrente, mas, conforme alega, de erro no registro contábil que refletiu na apuração do lucro inflacionário. Tal erro somente viria a ser corrigido em 1999 (data do registro da contabilidade), quando já transcorrido o prazo de cinco anos previsto na legislação para eventual retificação. Fl. 451DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Neste caso concreto, não se tratando de mero erro de fato, entendo que não há mais a possibilidade de retificação e, portanto, devem ser considerados corretos os registros do SAPLI, incluindo o lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Quanto à alegada ilegalidade da tributação do saldo de lucro inflacionário, também não assiste razão à recorrente. Além de não haver, como afirma, jurisprudência pacífica sobre o tema, dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Não havendo decisão do STF que considere inconstitucional a legislação de regência da matéria, não cabe a este colegiado deixar de aplicar lei ou decreto válidos, vigentes e eficazes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator Fl. 452DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010 15:27:47. Documento autenticado digitalmente por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10274.SBMT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3D303E764077738BCD2685A5777980EB6B265FE1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001811/2005-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.001456/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação.
Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador
Numero da decisão: 3302-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davam-lhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que dava-lhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davam-lhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que dava-lhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrente GRANITO ZUCCHI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação. Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davamlhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que davalhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 56 /2 01 0- 19 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Sinteticamente, tratase de lançamento tributário e auto de infração lavrados em razão da Recorrente haver dado saída a mercadorias com o "Fim específico de Exportação", e por esta razão gozado do benefício tributário da suspensão do IPI, sem que, contudo, houvesse cumprido os requisitos legalmente exigidos para tanto. Isto porque a legislação admite a saída de bens com a suspensão do IPI, mas condiciona tal benefício à saída do bem diretamente para (i) o estabelecimento industrial para embarque de exportação ou (ii) para recintos alfandegados por conta e ordem de empresa comercial exportadora. A Recorrente, no entanto, descumpriu as formalidades legais, contudo demonstrou que os bens foram efetivamente exportados, merecendo transcrição o Relatório da DRJ, acostado às fls. 501, por ter retratado os fatos com precisão merece transcrição. Tratase de impugnação de lançamento (efls. 419 a 445) apresentada em 29 de novembro de 2010 contra auto de infração de IPI (efls. 384 a 396), relativo aos períodos de novembro de 2005 a março de 2006, maio e setembro a dezembro de 2006 e lavrado em 1º de novembro de 2010. Segundo o relatório que acompanhou o auto de infração (efls. 375 a 378), foram apuradas as seguintes irregularidades: Foram identificadas operações de exportações indiretas (para empresas comerciaisexportadoras); Nesses casos, a legislação permite a saída com suspensão do IPI (Ripi/2002, art. 42, V, “a”, § 1º), desde que seja efetuada diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; No caso concreto, a empresa comercializou granito, produto identificado apenas pelo nome comercial, dando saída ao Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 4 3 produto diretamente para o estabelecimento adquirente, de empresa coligada, que futuramente veio a incorporála; Foram apresentados (mas não para todas as notas fiscais) apenas memorandos de exportação, documentos previstos no Convênio ICMS n. 107, de 2001, para comprovar a exportação efetiva das mercadorias, não havendo previsão, na legislação do IPI, deste tipo de documento; “Segundo o inciso VII do art. 25 do RIPI/2002 a empresa comercial exportadora será obrigada ao pagamento do imposto como contribuinte em relação ao imposto que deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com fim especifico de exportação nas hipóteses em que não houver a exportação nos termos do disposto nas alíneas desse mesmo artigo.” Ademais, adquirente não cumpriu, em vários casos, o prazo de 180 dias para exportação (fls. 360 a 373);~ “A partir de tudo o que acima foi exposto, verificamos que as suposta vendas feitas as empresas comerciais exportadoras não se revestiam das formalidades normativas para poderem usufruir da saída com suspensão de IPI que autoriza o art. 42, V, "a", e que não há que se falar em crédito presumido já que não foram aceitos os valores de exportações indiretas, o que nos levou a lavratura deste auto de infração para cobrança dos valores não lançados nestas vendas e a glosa dos créditos presumidos referentes ao 10 trim/2006 e ao 40 trim/2005, escriturado em maio e outubro de 2006, respectivamente.” Em sua impugnação, a Interessada alegou o seguinte: Que a impugnação foi tempestiva; Que a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa; Que teria havido “gritantes irregularidades” nas prorrogações, que teriam ocorrido sem a emissão de MPF complementares, devidamente assinados pelo Delegado da Receita Federal do Brasil e com ciência ao contribuinte; Que teria havido “gritante” erro na interpretação das disposições legais a respeito da matéria do auto de infração; Que a disposição legal dada como infringida direita respeito somente aos casos “em que a empresa industrial procede A exportação por meio de uma empresa comercial exportadora que não processe o despacho aduaneiro de exportação, o que não reflete o caso em tela”; Que se aplicaria ao caso o disposto no art. 42, V, “c”, do Ripi/2002, pois o despacho aduaneiro de exportação ocorreria no próprio estabelecimento da empresa adquirente; Que tal procedimento teria respaldo na IN SRF n. 28, de 27 de abril de 1994, arts. 10 e 11, III. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 5 4 Acrescentou que seriam indubitáveis as exportações realizadas e que a premissa adotada pela Fiscalização, de que o não envio direto das mercadorias a exportação ou a recinto alfandegado implicaria o não atendimento da legislação, seria ultrapassada. Ademais, tal entendimento nãop atenderia “em nada a finalidade de todo o restante do ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, vai de encontro frontal e colidente com princípios e normas de mais alta hierarquia, como, por exemplo, aquelas advindas de nossa Constituição Federal.” Citou ementa de acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que considerou ilegal a IN SRF n. 03, de 2005, art. 245, § 2º. Na sequência, tratou dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, citando opinião da doutrina. Por fim, contestou a multa de ofício aplicada, alegando que se aplicaria ao caso a multa do art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, à vista do disposto no art. 39, § 5º, “b”, da Lei n. 9.532, de 1997. Além disso, citou decisões do Supremo Tribunal Federal que trataram da multa de ofício e requereu o direito de produzir provas. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o entendimento de que não se considera venda com “fim específico de exportação” a que seja efetuada a empresa comercial exportadora, sem a remessa direta à exportação ou à depósito alfandegado, bem como que o despacho de exportação realizado no estabelecimento da empresa exportadora, por depender de autorização da Receita Federal (fato futuro e incerto), não é compatível com a venda com o “fim específico de exportação”. Por esta razão classificou a operação como suspensão irregular, hipótese que implica a responsabilidade da empresa vendedora, com aplicação de multa de ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual insurgese contra a decisão da DRJ sob o argumento de que apesar de confessamente não haver seguido as regras específicas constantes no artigo 42 do RIPI/2002, a Recorrente vendeu os produtos para outra empresa do seu grupo, que veio até a ser por ela incorporada, e que REALMENTE EXPORTOU as mercadorias, satisfazendo e cumprindo os objetivos da lei que, sinteticamente consiste em fomentar a exportação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, e a matéria é de competência deste colegiado. 2. Preliminares. Não há preliminares a serem apreciadas. 3. Mérito. O presente Recurso gravita em torno da possibilidade de se admitir que bens efetivamente exportados possam gozar de benefícios destinados a exportações revestidas de determinadas formalidades, mesmo quando tais formalidades não sejam cumpridas. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que durante os anos de 2005 e 2006 praticou operações com a suspensão do pagamento de IPI prevista no Decreto 4.544/2002 RIPI. Admite a regularidade das operações em razão do fato de que entende que foi cumprida a exigência de que as mercadorias tivessem sido destinadas à exportação por terem saído do estabelecimento industrial para empresas comercias exportadoras com o fim específico de exportação. Contudo, o RIPI estabelece outras exigências, especificamente que as mercadorias tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. "RIPI 2002. Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso 1); 1 0 No caso da alínea “a” do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°).Grifos não constantes do original. Pela leitura dos autos é possível aferir que a Recorrente não cumpriu fielmente as exigências do RIPI/2002, qual seja a remessa "... diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora." Contudo, segundo a própria DRJ em seu Acórdão sob exame, a exigência do RIPI/2002 é necessária para garantir que a exportação venha a efetivamente ocorrer, verbis. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 7 6 " A legislação permite, para a venda com o fim específico de exportação, a suspensão do imposto, por pressupor que, nesses casos, haverá a exportação e o IPI devido na operação será zero. (...) Entretanto, para que a suspensão incida, deve haver um procedimento específico, que é o previsto no § 1º citado, para que se tenha certeza de que a mercadoria vendida não possa sofrer qualquer tipo de desvio de destinação no mercado interno. Por isso tem que ser encaminhada diretamente a exportação ou a depósito alfandegado." (fls. 509) Ocorre que, como ficou demonstrado pela análise das Declarações de Imposto de Renda apresentadas ao fisco e trazidas aos autos pela própria Recorrente, praticamente toda (99%) receita da Granitos Zuchi Ltda (que recebeu os produtos) adveio de exportação. Merece destaque o fato de que o arquétipo constitucional da exoneração em tela é o artigo 153, IV, §3º, III, da própria Carta Maior que afirma que o imposto previsto no inciso IV (IPI) não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, com o nítido propósito de não onerar produtos destinados a outros países, fomentando a industrialização brasileira. Contudo, a legislação infraconstitucional foi se alterando a fim de aumentar as garantias de que os produtos seriam exportados, considerandose adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora Não restam dúvidas que estas exigências foram criadas pelo legislador com o único propósito de garantir que os produtos serão exportados. No caso concreto não há dúvidas que tais exigências foram descumpridas, contudo foram trazidas provas que demonstram, com grande grau de certeza, que não obstante descumpridos os mecanismos de controle, as mercadorias foram exportadas. Diante destes fatos postos, especialmente o cumprimento do fim maior da norma, qual seja a exportação dos produtos, é necessário investigar se é ou não possível aplicar o benefício tributário em foco. Analisando situação análoga, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou isentas das contribuições de PIS e COFINS vendas efetuadas com o fim específico de exportação, mas que de forma semelhante à presente, não foram remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, vejamos: " VENDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 8 7 devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação." (Acórdão n. 9303004.233) Efetivamente os casos não são idênticos, mas semelhantes, pois tratam da dicotomia entre a verdade formal, representada pela ausência de cumprimento de requisitos legais instrumentais e a verdade real, que é a efetiva exportação dos bens, que os referidos requisitos instrumentais quiseram garantir. Neste sentido foi o voto do Relator, seguido por unanimidade pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: O ponto fulcral para o deslinde da lide está relacionado ao equívoco da Contribuinte no preenchimento da CFOP das notas fiscais que retratam as operações de venda com o fim específico de exportação. Desta forma, embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário. 4. Mérito. Conclusivamente, pelas razões já expostas, voto por dar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator Designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário, sob a justificativa de que : "...embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário.". Entendo que, não cumprido os requisitos prévios à exportação e não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. Ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas,. Diante dos fatos relatados, a acusação fiscal é de que a ora recorrente, descumpriu o disposto no art. 42, inc. V, alínea "a", § 1°, do Decreto n° 4.544/02 RIPI/2002, bem como no art. 39, inc. I, § 2°, da Lei n° 9.532/97, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, seguindo a mesma linha decisória adotada, por unanimidade, no precedente do Acórdão nº 3402003.879, de 28/03/2017, para avaliar se as operações de vendas efetuadas pelo “produtorvendedor”, ora recorrente, estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Nas palavras do Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, in verbis: "O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o art. 40 do Decreto nº 2.637/98 e o art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, assim dispõem: (grifei) DECRETO N° 4.544/2002: Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 10 9 "Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) §1° No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art.39, § 2°). Destaca se que os dispositivos acima citados, regulamentaram o art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifouse). (...) Para melhor deslinde da questão tratado nestes autos, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevo na seqüência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Pois bem. Observase que o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei nº 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 11 10 Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tão somente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria nº 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução nº 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitase às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o Decreto Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 12 11 complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei nº 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Assim sendo, no caso desses autos, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972 (trading), ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da IN SRF nº 241, de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, não deixa margem de dúvidas. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 13 12 Nesse sentido, o art. 42, §1º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (já transcrito), que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Foi o art. 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (art. 40, inc. VI e § 2º, do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/1998), e art. 42, inc. V e § 2º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Em fim, não pode prosperar a argumentação da Recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como pretende a Recorrente." Assim, no presente processo, não restou configurada imputação por meros erros formais ou negativa de confirmação das exportações e, ainda que a norma do art. 39, da Lei n° 9.532/97, sinalize a possibilidade do envio das mercadorias para outros locais, onde se processe o despacho aduaneiro de exportação, tais possibilidades necessitam estar regulamentadas, v.g., da Instrução Normativa SRF nº 241, de 6 de novembro de 2002 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), não restando configuradas e demonstradas, no presente processo, nem as situações de vendas ás comerciais exportadoras comuns (não trading), à embarque de exportação ou à recinto alfandegado, nem as situações de vendas à trading, do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e envio para recintos de uso privativo dessas comerciais exportadoras, de que trata a referida norma complementar, outros locais, igualmente, recintos alfandegados, regulamentados sob o regime especial de entreposto aduaneiro. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 14 13 Não existe autorização na legislação tributária ou aduaneira para remeter mercadorias, com suspensão de impostos, à qualquer outro local, indicado por empresa comercial exportadora, sem as características legais de local para embarque de exportação ou de recinto alfandegado, não eximindose o remetente de responsabilidade, pelo desconhecimento da legislação ou a certeza putativa de que os locais atendiam as exigências legais, infringindo determinações legais de responsabilização objetiva. Pelo exposto, concluise que a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou à recinto alfandegado, tratandose o envio de responsabilidade do produtorvendedor remetente, individualizada e independente da responsabilidade da comercial exportadora adquirente em comprovar o embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pelo vendedor, conforme disposto no artigo 9º, da Lei nº 10.833/2003. Tais exigências legais, cercando as operações de vendas com fim específico de exportação de garantias de que efetivamente as mercadorias serão destinadas ao mercado externo, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, são necessárias aos controles fiscais e aduaneiros de benefícios, evitando que produtos industrializados desonerados à exportação, sejam comercializados indevidamente no mercado interno, em desigualdade, inclusive concorrencial. Não tendo a autuada remetido os produtos diretamente, por conta e ordem das empresas comerciais exportadoras, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, guardada a possibilidade de enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora, de que trata o art. 14, da IN SRF nº 241/02 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), por conta e ordem da empresa comercial exportadora do DL nº 1.248/72 (trading), não restou, no presente caso, nem mesmo, caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação. Não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. No sentido da prova estampada na nota fiscal de venda, com o fim específico de exportação, a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/Disit n° 43, de 08 de fevereiro de 2008: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: SUSPENSÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para fins da suspensão do IPI, a pessoa jurídica que vende produtos por ela industrializados a empresa comercial exportadora deverá comprovar a venda com o fim específico de exportação, o que é feito mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias o embarque de exportação ou recintos alfandegados, não sendo hábil para essa comprovação, nem o Memorando de Exportação, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. (grifei) Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 15 14 Dispositivos Legais: Art. 14, incisos VIII e IX e § 1°, da MP n° 2.15835, de 2001; art. 5°, inciso III, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 6°, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003; art. 39, incisos I e II, e §§ 1°e 2°, da Lei n° 9.532, de 1997; art. 42 do Decreto n° 4.544, de 2002 Reafirmando a assertiva inicial, ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas, sejam as indicadas pelo Relator, baseadas na simples análise das receitas de exportação informadas nas Declarações de Imposto de Renda, sejam as apontadas pelos que votaram pelo provimento parcial, para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação, porém, sem prova da efetiva exportação com os respectivos RE Registros de Exportação. Assim, tendo as operações comercias autuadas infringindo as determinações e exigências legais, não podendo enquadrarse nas condições de suspensão do imposto, entendo, deva ser mantida a presente exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 1254DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720525/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI.
Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO.
Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações.
SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA.
Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei.
AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
Numero da decisão: 1402-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 25 /2 01 3- 98 Fl. 4565DF CARF MF 2 tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que por unanimidade julgou pela improcedência da Impugnação, para rejeitar a preliminar de decadência e a alegação de nulidade, e, no mérito, manter as totalidades do IRPJ, da CSLL, da COFINS, do PIS, com os acréscimos legais correspondentes inclusive a multa qualificada de 150%, mantendo a responsabilidade solidária para os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: O presente processo trata dos autos de infração, de fls. 3887 a 3939, relativos ao Termo de verificação fiscal, de fls. 3490 a 4039, lavrados em 14/10/2013, que tiveram como fundamentos, principalmente: a omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, sendo que os lucros tributáveis nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 foram apurados pela sistemática do lucro real anual segundo DIPJ de fls. 4415 a 4429. Tais lançamentos tributários foram lavrados nos seguintes montantes: IRPJ (R$ 1.673.275,22), CSLL (R$ 628.299,08), COFINS (R$ 530.563,66) e PIS (R$ 115.188,18), os quais perfazem um montante em valores originais de R$ 2.947.326,14, sendo que tal valor acrescido de juros de mora e multas qualificadas de 150%, resultam em um montante de R$ 8.435.544,21. Para o entendimento dos motivos que ensejaram os lançamentos supracitados, será transcrito abaixo, parcialmente, o já citado Termo de Verificação Fiscal, como segue: No curso do procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.00201015984, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constatamos o que segue descrito. Em decorrência da ação fiscal acima citada, foi também instaurado procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.002011013357, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010 junto ao contribuinte Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 824.792.24872, que no referido período atuava como Administrador junto a Impugnante, com poderes outorgados através de procurações, requisitadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil junto ao Primeiro Cartório de Notas de Protestos de Letras e Títulos da Comarca de VotuporangaSP, pelo qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. No dia 25112011, apresentou os extratos solicitados os quais correspondem aos bancos: Banco do Brasil, Santander, HSBC, Bradesco e Sicoob. Foi feita a exclusão dos valores de depósitos/créditos decorrentes de outras contas do próprio fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências e estornos. No dia 25/06/2012, lavramos o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, do qual o contribuinte foi cientificado de forma pessoal, em 28/06/2012, para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos depósitos, de forma individualizada, conforme o referido Termo de Intimação Fiscal, no tocante aos recursos que ingressaram Fl. 4567DF CARF MF 4 nas contas bancárias de sua titularidade, relativos ao período de apuração de 2008 a 2010. No dia 28/06/2012, através do Termo de Devolução de Documentos nº. 1, procedemos à devolução dos extratos fornecidos pelo contribuinte, o qual tomou ciência de forma pessoal. Nos dias 18/09/2012 e 22/01/2013 o intimado apresentou justificativa, referenciando quanto a depósitos de cheques administrativos, cheques devolvidos, resgates de aplicações, empréstimos, doações, transferências e outros, bem como a existência de inúmeros lançamentos a crédito que são rendimentos das várias atividades do contribuinte, como atividade médica, empresarial, pecuarista, trabalho assalariado, locação de imóveis entre outras. Por fim, informa que os créditos que porventura não se enquadram nas condições descritas não se constituem em rendimentos do contribuinte. Em análise da documentação apresentada pelo contribuinte, foram excluídos os depósitos/créditos decorrentes de outras contas do fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências, estornos, cheques administrativos e distribuição de lucros e os decorrentes das várias atividades do contribuinte. Após compilação das informações, verificamos que restavam créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas, motivo pelo qual lavramos, em 15/07/2013, o Termo de Intimação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 18072013, dando oportunidade para o contribuinte informar se os créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas pertencem a terceiros, em caso positivo informar o nome completo, CPF/CNPJ e qual o fato jurídico que ensejou a circulação de tais valores em suas contas correntes. Em caso negativo, explicar o paradoxo ou a incoerência. Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações. Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes. Também foi instaurado procedimento fiscal, objeto do MPFF n° 08.1.07.00 2011013322, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anos calendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte José Antonio Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 452.585.89820, que para o referido período atuava como Administrador junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, com poderes outorgados através de procurações (doc. Fls.67 à 82.) pelo o qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. Ocorreram, em termos de intimações e justificativas, eventos e procedimentos semelhantes aos que ocorreram no caso do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, exceto no relativo aos extratos solicitados à este dos Bancos Bradesco S.A e HSBC. Tendo estes eventos a mesma conseqüência no PAF, ou seja, “Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações.”; e “Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes.”. A Fiscalização analisou que a escrituração contábil da Impugnante e constatou que os nomes dos remetentes dos créditos nas contas bancárias dos dois Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.113 5 procuradores supracitados correspondem a nomes dos clientes (pessoas físicas ou jurídicas) da Impugnante, listados a seguir: Fl. 4569DF CARF MF 6 Através de Mandados de Procedimento FiscalDiligência, foram diligenciados diversos desses remetentes, os quais foram intimados a informar com relação a tais remessas, o motivo/fato jurídico que justificou as transferências de créditos para os mesmos, bem como anexar documentos que comprovem os fatos. Os intimados informaram que referidos créditos correspondem a quitações de transações comerciais realizadas com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. CONCLUSÃO Face a todo o exposto, conclusivamente e de forma inequívoca, constatase que os administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, movimentaram em contas bancárias de sua titularidade, valores financeiros Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.114 7 decorrentes de transações comerciais realizadas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de sua atividade econômica, o que caracteriza omissão de receitas da empresa, em consonância com o artigo 42, parágrafos 1.º, 3.°, inc. I, e § 5.º, da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A base de cálculo para a elaboração do Auto de Infração foi apurada tomandose por base os valores mensais creditados em contas bancárias do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, conforme já mencionado oriundos de transações comerciais realizadas entre os remetentes dos referidos créditos com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constantes nos demonstrativos extraídos dos extratos bancários apresentados. Da aplicação aplicação da multa de ofício Em decorrência dos fatos constatados, elevamos a multa de oficio para 150%, incidente sobre os valores devidos, em cumprimento ao que determina o parágrafo 1.° do artigo 44 da Lei n.9.430, de 1996, por restar configurado que a empresa fiscalizada agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, mediante os atos praticados por seus dirigentes, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Da sujeição passiva solidária No curso da ação fiscal levada a efeito junto aos contribuintes EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA, FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES, constatamos que restou caracterizada a condição de sujeição passiva solidária das pessoas físicas acima especificadas, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, com base nos artigos 124, inciso I, e 135 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, ficando os referidos sujeitos passivos responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias a serem apuradas junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, conforme passamos a demonstrar. O inciso I, do art. 124, do CTN, prevê a responsabilidade solidária para pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum nas situações e fatos que derem azo a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico, 2a Ed., Editora Saraiva, assim define solidariedade: SOLIDARIEDADE. 1. Na linguagem jurídica em geral: a) qualidade de solidário; b) estado em que duas ou mais pessoas assumem igualmente as responsabilidades de uma empresa ou negócio, obrigandose todas por uma ou uma por todas; c) mutualidade de interesses; d) por inteiro; e) dependência recíproca. 2. Sociologia geral, a) condição grupal que resulta na comunhão de atitudes, fazendo com que o grupo seja sólido e resistente às forças exteriores; b) dever moral de assistência entre os membros de uma mesma sociedade, enquanto considerados com um todo. Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, Fl. 4571DF CARF MF 8 visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Rubens Gomes de Souza (Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3a Edição) ensina que é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. E a pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário. Ou seja, a já narrada conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. A Fiscalização enquadrou as pessoas naturais supracitadas como responsáveis solidárias por serem representantes da Impugnante e por terem praticado atos em infração a Lei, como determinam o caput e o inciso III, do art. 135, do CTN. Quanto à natureza da responsabilidade do administrador, o Código Civil, no artigo 1016, a seguir transcrito preconiza: Artigo 1016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. No entendimento dos tribunais, a lei citada no art. 135 do CTN (responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei) poderá ser civil, comercial ou tributária. A lei referida é todo e qualquer enunciado prescritivo relacionado ao funcionamento e desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administrada, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Ante todo o exposto, inferese responsabilidade solidária e pessoal pelos créditos tributários abaixo discriminados, no tocante aos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela, com fundamento no art. 124, inciso I, combinado com o art. 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4294) e apresentou impugnação, de fls. 4355 a 4382, em 25/11/2013, alegando, em síntese, que: 1) Da Nulidade por Quebra do sigilo fiscal e bancário O Fisco promoveu a "quebra" do sigilo de dados bancários do Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues e do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, perante o Banco HSBC, sendo que estes foram denominados, incorretamente, de administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, durante toda a fiscalização. Fl. 4572DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Isso não é verdade, a administração até 2010 cabia exclusivamente ao Sr. José Rodrigues. Somente a partir de 2011, com o óbito do Sr. José é que referidos senhores passaram a fazer parte da administração da empresa. Conforme afirma o próprio Auditor, através de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, foi solicitado ao Banco HSBC a apresentação de relatório referente às individualizações dos recebimentos de cobranças creditadas a favor dos cedentes José Antonio e Florindo Miguel. O Banco apresentou os documentos requeridos, anexados sob fls. 630 a 1061, 1252 a 1363 e 1375 a 1486. Ocorre que não consta do presente processo que a Impugnante ou os Sr. José Antônio e Florindo Miguel tenham autorizado a autoridade fiscal a requisitar e tampouco analisar informações intrínsecas às suas operações bancárias, e tampouco existe nos autos autorização de qualquer ordem, mormente do Poder Judiciário, determinando ou autorizando a análise de dados relacionados à movimentação bancária dos contribuintes. Ressaltese que sequer encontrase nos autos a dita Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, o que, por si só, implica na nulidade do procedimento de fiscalização. É o que se pede. Considerando que dados da movimentação financeira dos anos de 2008 a 2010, foram descortinados sem autorização judicial, toda a atividade fiscalizatória restou contaminada. De tal sorte, está contaminada a validade do procedimento fiscal, uma vez fundado em prova absolutamente ilícita. Vale dizer: a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser expedida pela autoridade competente, em regular processo administrativo, depois de o contribuinte ter sido intimado a prestar tais formações, sem que o tenha feito por justa razão, e, deverá estar baseada em relatório circunstanciado elaborado pelo Auditorfiscal ou por seu chefe imediato, com a explicitação, "com clareza e precisão", da monção. A inobservância de todas essas exigências que são cumulativas a nulidade da RMF. A Impugnante ainda afirma que é de observar que não foi anexada a escrituração contábil e nem as cópias das declarações no processo, falta que por si só implica em nulidade dos trabalhos fiscais. É o que se pede. Por conseguinte, são NULOS os Autos de Infração ora impugnados, e assim devem ser declarados. 2) Da decadência A exigência fiscal compreende os fatos geradores de janeiro a setembro do anocalendário de 2008, dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com relação a tais fatos geradores, todavia, o fisco não mais poderia formular a exigência do suposto crédito tributário, vez que foram atingidos pela decadência, estatuída no Código Tributário Nacional. Afirma que teria ocorrido a decadência no período supracitado, visto que a regra a ser seguida é a estatuída pelo § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. E para que o lançamento fiscal seja válido, deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos. Assim não procedendo, o ato do contribuinte que determinou a matéria tributável e calculou o montante do tributo devido é tacitamente homologado. E ocorrendo a homologação tácita nos termos do dispositivo supra, é defeso ao fisco exigir quaisquer diferenças. Afirma, ainda, que a Fiscalização desconsiderou, erroneamente, tal decadência, visto que considerou que a Contribuinte agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal, considerando, desta forma, que o prazo decadencial seria deslocado para o primeiro dia do exercício Fl. 4573DF CARF MF 10 seguinte àquele que em que o lançamento poderia ser efetuado, conforme propala o inciso I, art. 173, do CTN. 3) Do mérito 3.1) A fiscalização, ao levantar suspeita sobre operações de crédito nos Bancos Bradesco e HSBC, adotou o critério de confronto entre informações prestadas por clientes adquirentes de produtos da Impugnante e valores transferidos a crédito da conta bancária dos Srs. José Antonio e Florindo. Entendeu que todos os créditos constantes das planilhas de fls. 4011 são oriundos de omissão de receitas, conforme descrito no item 10 do Termo de Verificação e Constatação. É inegável que o procedimento do AuditorFiscal não condiz com a verdade. Primeiro que diligenciou sobre quantidade ínfima de clientes da empresa, tanto que do item 7 do Termo de Verificação, às fls. 3998, afirma que "através de MPF Diligência foram intimadas diversas dessas pessoas jurídicas". Logo, dentro do universo de clientes, as tais diversas pessoas jurídicas representam um dado insignificante. Mas, partindo do confronto com esse pequeno grupo de clientes, o Fisco generalizou que a suposta irregularidade se aplica a todos os créditos identificados nas planilhas de fls. 4011/4033, como se originado dos demais clientes. O que é um absurdo. Isso não coaduna e afronta o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, que define o lançamento como "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Além do mais, considerando que o parágrafo único do referido artigo estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional', obviamente que a "verdade material" há de ser objeto de prova inequívoca a ser produzida pela autoridade administrativa, a quem a Constituição Federal e o CTN atribuem a função de aplicar a lei tributária. Portanto, cabe à fiscalização comprovar caso a caso (o ônus da prova é do auditor), e não por amostragem, que os créditos listados das contas dos Sr. José Antonio e Florindo, tiveram origem em operações comerciais da empresa; e que todos eles não por amostragem pelos registros fiscais e contábeis da fiscalizada. Está claro que o AuditorFiscal assim não fez, pois não demonstrou que todos os créditos naquelas contas são de operações realizadas pela empresa. Até por que, em resposta à intimação do Fisco, a fiscalizada respondeu que créditos oriundos de sua relação comercial com clientes diligenciados, citados no Termo de Intimação, foram remetidos por estes à conta do José Antonio e do Florindo; e que se tratava de entrada e ou sinal de pedidos de compra, sendo as respectivas notas fiscais emitidas na entrega efetiva dos produtos; assim os valores creditados estariam contidos nas respectivas notas fiscais emitidas pela empresa. Ressaltese que a resposta da empresa não se referiu a todos os créditos apontados nas planilhas de fls. 4011/4033, mas tão somente com relação aos clientes diligenciados, citados no Termo de Ciência e Intimação Fiscal, pelo nobre Auditor. Em suma, a fiscalização não trouxe aos autos, prova segura e incontestável de que todos os créditos daquelas contas são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram pela sua contabilidade. Ademais, é ilegal considerar que créditos bancários constituemse em sinônimo de renda, contrariamente ao disposto no CTN (Lei 5.172/66), art. 43, e incisos. Movimentação bancária não caracteriza receita auferida, pois em princípio registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influência na apuração do resultado. Fl. 4574DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Logo, a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que têm força de lei complementar, no caso o Código Tributário Nacional, o que afrontaria, inclusive, a expressa determinação de seu artigo 110. 3.2) Da multa agravada no percentual de 150% Pelo que consta dos autos do processo, verificase que a fiscalizada não ocultou coisa alguma do conhecimento da fiscalização. Tanto que apresentou os livros Diários e Razões, Notas Fiscais de Saídas, formulando as respostas e apresentando farta documentação. Atendeu a tudo que foi solicitado pelas autoridades fiscais, nada omitindo, pelo contrário, sempre operou no sentido de facilitar o desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Além disso, omissão de receita decorrente de declarações inexatas, que sequer foram anexadas ao processo, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela legislação. Enquanto se baseada em créditos ou depósitos bancários como se de origem não comprovada, é configurada sob o prisma da presunção legal. Ocorre que a aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, fato este não comprovado pela fiscalização. 4) Do pedido Em face do acima exposto, as autuações aqui contestadas não têm procedência nem amparo legal, razão pela qual requer o acolhimento da presente Impugnação e que seja julgado improcedente o lançamento e extinto o crédito tributário em constituição. E se assim não for, que seja desqualificada a multa agravada e acolhida a decadência arguida, conforme plenamente justificado na presente impugnação. Os Srs. José Antonio Cajuela Rodrigues e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues tomaram ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4303 e 4304) e apresentaram impugnações, de fls. 4308 a 4329, e 4330 a 4352, em 22/11/2013, alegando, em síntese, que: 5) Verificase, pelo próprio contexto transcrito acima, que o senhor auditor fiscal não aponta no "Termo de Sujeição Passiva" quais os fatos que embasaram/motivaram a imputação de responsabilidade solidária ao impugnante. O referido Termo carece de fundamentação, sendo esta, imprescindível a todos os atos da Administração Pública, cuja falta caracteriza afronta aos princípios da Constitucional Federal. Sendo assim, a anulação dos atos praticados sem motivação é inafastável, por ferir, inclusive, o direito constitucional ao devido processo legal. Ignorar a jurisprudência dominante sem nenhuma justificativa é motivo para fulminar o Termo (nulidade), extinguindo a responsabilização. 6) Cumpre esclarecer que os impugnantes JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues não eram sócios da empresa autuada, nem gestores dos seus negócios. Os impugnantes simplesmente assinavam (por meio de procuração) alguns documentos por procuração, a pedido de seu pai José Rodrigues, sócio da empresa autuada, pois se encontrava doente, o que lhe impossibilitava de realizar algumas tarefas da empresa. E ninguém mais confiável que seus filhos para assinar os documentos da empresa, e nada mais, pois toda gestão da empresa era do Sr. José Rodrigues. Desta feita, a responsabilização tributária solidária dos impugnantes pelos débitos lançados contra a empresa autuada é absolutamente absurda. Os impugnantes somente passaram a ser sócios da empresa "Equipamentos Rodoviários, compulsoriamente, por herança após o falecimento de seu pai em 2011”. Fl. 4575DF CARF MF 12 No caso em questão, não se tem verificado nenhum fato que leve à vinculação do Impugnante com os fatos geradores do crédito tributário lançado, tampouco com relação à empresa autuante. Não há provas do "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, conforme determina de forma expressa o art. 124 do CTN. Resta sobremaneira demonstrado que no caso em apreço, os Impugnantes jamais tiveram qualquer relação direta com a administração da autuada nos períodos de 2008, 2009 e 2010, pois repitase, seu pai Sr. José Rodrigues que era o sócio e administrador da empresa autuada, o impugnante somente tinha procuração de seu pai para assinar, devido sua impossibilidade, como já fartamente demonstrado, inexistindo com isso qualquer hipótese que atraia aplicação do art. 124, I do CTN. Não se pode imputar ao Impugnante, terceira pessoa totalmente desvinculada aos fatos geradores supostamente ocorridos, o dever solidário de recolher tributos de empresa da qual não fazia parte, não tinha ingerência, sem qualquer comprovação de fraude, conluio ou outras práticas ilícitas, nos termos em que previstos no art. 135 e 137 do CTN. Não há qualquer fato ou ato concreto que resulte na conclusão apontada no auto de infração para sujeição passiva solidária dos Impugnantes, que sequer eram sócios da Autuada e não tinha qualquer vinculação direta com aquela empresa nos períodos de 2008, 2009 e 2010. 7) DO PEDIDO Diante dos argumentos e das provas incontestes, pedese o integral acolhimento da presente impugnação com o respectivo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária do impugnante, e sua consequente exclusão processo. Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 DECADÊNCIA. DOLO. PRAZO. Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. Fl. 4576DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.117 13 SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a nulidade dos autos de infração a não inclusão do RMF e nem do relatório circunstanciado no PAF. Sustenta ainda a decadência dos fatos geradores relativos ao período de janeiro a setembro de 2008 e a ilegalidade da quebra do sigilo bancário dos sócios, sem a autorização do poder judiciário. Sustentase que os senhores Florindo e José Antonio não eram administradores da empresa até 2010, que era até então exercida pelo Sr. José Rodrigues. Que somente em 2011, quando o seu falecimento é que os dois primeiros passaram a compor a administração da empresa. Reitera que não se encontra nos autos do processo cópia da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, o que implicaria na nulidade do PAF. Alegase ainda que a ausência de autorização judicial implica na ilicitude da prova, o que contaminaria o lançamento e, portanto, acarretaria em sua nulidade. Aponta jurisprudência do e. STF em que se afirma a absoluta invalidade da prova ilícita. Afirma a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo dos dados bancários dos contribuintes. O Decreto nº 3.724 impõe que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser precedida da intimação do contribuinte para prestar tais informações e deve ser baseada em relatório circunstanciado, elaborado pelo auditor fiscal ou seu chefe imediato com a explicitação, “com clareza e precisão, da motivação. A ausência desses documentos, inclusive da própria requisição de informações, acarreta na nulidade do auto de infração. Fl. 4577DF CARF MF 14 Ainda em sede preliminar, indica a decadência dos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2008, pois não há conduta dolosa a enseja o prazo previsto no art. 173, I do CTN. No mérito, alega que depósitos bancários por si só não configuram obtenção de receitas. Que a fiscalização cotejou as informações sobre movimentações bancárias com informações prestadas por apenas uma parcela de seus clientes, tendo generalizado a ocorrência de algumas irregularidades ao total das receitas apontadas na planilha de fls. 4011/4033. Que se trata de presunção sem lastro em elementos convincentes que permitissem a tributação de referidos valores. O que consistiria ainda em violação ao art. 142 do CTN. Afirma ainda que valores que transitaram pelas contas dos Senhores Florindo Miguel e José Antonio eram sinais de operações cujas notas fiscais somente foram emitidas posteriormente com a efetiva entrega do produto. Afirma ainda que a fiscalização não demonstrou que todos aqueles créditos são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram por sua contabilidade, até porque não teriam sido juntadas cópias de suas declarações e escrituração contábil, o que ensejaria a nulidade do processo. O fisco teria se amparado em presunção não prevista em lei, visto que o art. 42 da Lei 9.430/96 deveria ser interpretado em harmonia com os arts. 43 e 142 do CTN. A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não poderia violar o conceito de renda estabelecido no CTN. Afirma ainda não existir prova de omissão de receita, pois o fisco não teria provado que os valores contidos na planilha são originários de omissão de receita. Em relação à multa de 150%, reiterando a ilegalidade do lançamento baseado em presunção e quebra de sigilo, invoca a aplicabilidade das Súmulas 14 e 25 do CARF. Afirma a decorrência dos demais tributos. Os sujeitos passivos solidários apresentaram ambos Recursos Voluntários com a pretensão de afastamento da responsabilidade (art.135, III, CTN) sob a alegação de que apenas atuaram em prol do senhor seu pai portador do "mal de parkison"; o que o impedia de firmar documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. DA QUEBRA DE SIGILO E DA ILICITUDE DA PROVA Fl. 4578DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.118 15 O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao Fl. 4579DF CARF MF 16 item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL ¬ MÉRITO DJe¬198 DIVULG 15¬09¬2016 PUBLIC 16¬09/2016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. 2.2. DA DECADÊNCIA A questão envolvendo a decadência confundese com o mérito, motivo pelo qual tratarei da matéria junto ao mérito. 3. DO MÉRITO: 3.1. Da presunção de omissão de receitas. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430/1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, aplicável também na sistemática do Simples Nacional. Desta forma, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Ante as intimações fiscais, cumpriria ao contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, juntamente com os documentos que lhe dão suporte, com vistas a elidir a presunção de omissão de receitas. Assim correto o enquadramento legal da omissão de receitas no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que resta evidenciado que o contribuinte não comprovou a origem de todos os valores integrados às suas contas correntes, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita a tributação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunçõ es no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta conduto ra da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fa tos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do Fl. 4580DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.119 17 jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No caso, relata a DRJ que: a) da análise dos anexos de fls. 89 a 98, 105 a 109, nos quais constam 426 depósitos bancários de origem não identificada de contas no banco Bradesco, pertencentes a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente, constatase, como demonstrado na tabela abaixo, que existem 382 depósitos que são relativos a operações efetuadas entre a Impugnante e seus clientes, sendo estes clientes citados em lançamentos contábeis existentes em sua escrituração contábil (livro razão fls. 1507 a 1995). Também há 44 ocorrências de depósitos de mesma natureza, relativas a compras de equipamentos/produtos da Impugnante por intermédio de clientes seus, como a Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários Ltda EPP, a Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA, e MAMBRA TRUCK IMPLEMENTOS LTDA. Fl. 4581DF CARF MF 18 . Sendo assim, concluise que tais depósitos bancários correspondem a quitações de operação de compras efetuadas junto à impugnante por meio de análise pormenorizada das fls. 3959 a 3988 do já citado termo de verificação fiscal em conjunto com as respostas a intimações, de fls. 2295 a 2773, 3021 a 3213, às pessoas jurídicas que se encontram sublinhadas na tabela acima, e que, em sua totalidade, informam de maneira cabal e objetiva que tais depósitos bancários presentes nas intimações são relativos a operações de compra com a Impugnante apresentando também notas fiscais, boletos bancários, etc. Fl. 4582DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.120 19 Nesta esteira, informam que nunca efetuaram nenhum negócio diretamente com os Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues e sim com a Impugnante, porém foram orientados a efetuar os depósitos em suas contas bancárias; e b) nos anexos de fls. 99 a 103, 110 a 113, constam 456 depósitos bancários de origem não identificada efetuados em contas no banco HSBC sem o nome do sacado em seus históricos, porém todos possuem o seguinte trecho “COBRANÇA HSBC”, sendo que as contas pertencem a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente. A Fiscalização intimou o Banco HSBC a apresentar a descrição daquelas operações supracitadas e este apresentou os demonstrativos de fls. 630 a 699, 839 a 1056, 1.252 a 1363, 1375 a 1486, nos quais informou, uma a uma, as pessoas jurídicas que efetuaram tais depósitos. De posse destas informações a autoridade fiscal (fls. 2774 a 3020, 3214 a 3385 – intimações e respostas) circularizou 15 (quinze) destas empresas, intimandoas a justificarem 157 depósitos, ou seja, parte do total dos depósitos supracitados no montante de 456, sendo que estas apresentaram vasta documentação comprobatória de que seriam obrigações relativas a operações de compra realizadas junto às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, créditos estes negociados por estas com os Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antônio Cajuela Rodrigues. As cedentes supracitadas foram intimadas pela Fiscalização (fls. 3386 a 3500 – intimações e respostas) a apresentarem a justificativa para cessão dos seus créditos aos senhores supracitados, e informaram à Fiscalização que realizaram todas as 157 operações a mando da Impugnante (Equipamentos Rodoviários Rodrigues LTDA) com o fito de quitar as operações de compra de equipamentos efetuadas junto a esta, e vendidos às tais 15 empresas intimadas. Cabe ressaltar que as cedentes informaram nas respostas a suas intimações que nunca realizaram negócios diretamente com os seus administradores de fato e sim com a Impugnante. Assim, vêse que o fiscal atuou com zelo, intimando as fiscalizadas e suas clientes para verificar se se trava de omissão de receitas de fato, depurando eventuais equívocos do lançamento. De sua parte, entretanto, a Recorrente pouco atuou para juntar documentação idônea e suficiente a afastar a presunção estabelecida pela lei no art. 42 da Lei 9.430/96. Motivo pelo qual reconheço a validade do procedimento fiscal e voto pela manutenção do auto de infração no tocante ao principal e suas decorrências. 3.2 Da multa de ofício Em relação à multa de ofício, em que pese a Recorrente invocar o teor das Súmula 14 e 25 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 4583DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Isto porque, no caso concreto, os administradores utilizaram de sua conta pessoal para omitir receitas da Recorrente. O que comprovaria o evidente intuito de fraude, haja vista a ausência de razões econômicas válidas para que esse dinheiro fosse depositada na conta dos administradores invés de diretamente na conta da Recorrente. Bem explicita a DRJ: Além de ter omitido receitas não as oferecendo à tributação durante os anos calendário de 2008, 2009 e 2010 e não as tendo escriturado em sua contabilidade oficial, conforme já restou comprovado neste voto, a Impugnante utilizou contas de bancárias dos Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, seus administradores de fato, e com a anuência destes foram creditados pagamentos de seus clientes relativos a compras por estes efetuadas, com o objetivo de impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas durante o período fiscalizado, incorrendo no disposto nos artigos 71 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais trazem nos seus bojos as definições de sonegação e concluio. Ressaltase que, circularizadas, suas clientes além de informarem a Fiscalização que não tinham negócios efetuados diretamente com os senhores supracitados, mas sim com a Impugnante, também informaram que foram orientadas por esta a depositar os valores a pagar nas contas correntes daqueles senhores, como no exemplo abaixo (fl. 3138): 1. A empresa efetuou depósitos bancários em favor do Sr. José Antônio Cajuela Rodrigues para acertos de compras junto à empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA. (...) 2. Com um bom relacionamento comercial, os pagamentos eram feitos com depósitos em contas indicadas pelo fornecedor, mantendo uma espécie de conta corrente com o mesmo. Os depósitos questionados foram efetuados para o pagamento parcial e/ou total das aquisições de mercadorias feitas através das notas fiscais abaixo informadas. Também resta comprovada a anuência dos senhores supracitados com a utilização de suas contas bancárias por meio das aquisições de créditos a receber pertencentes à intermediários (no caso a Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda) que revendiam os seus produtos e equipamentos, como segue (fl. 2986): Informamos que sempre adquirimos carroceirias, baús entre outros implementos, da Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda, CNPJ 29.792.280/000108, e da Mbra Truck Implementos Ltda, CNPJ 04.182.403/000150, e após compra efetuada, em alguns casos, recebíamos correspondências informando que as duplicatas relativas tinham sido negociadas com o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, cujos boletos vinham como sacador avalista, a Mabrini ou a MBRA. Ao incorrer nas práticas de sonegação e conluio, a Contribuinte se sujeita à multa prevista no inciso I, § 1º, do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96 (multa qualificada de 150%). Sendo assim, mantenho a aplicação da multa qualificada. Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.121 21 Comprovado o intuito de fraude, entendo que não se caracterizou a decadência, uma vez que seria aplicável ao caso o art. 173, I e não o art. 150, §4, ambos do CTN. 3.2 Da atribuição de responsabilidade passiva. A análise dos fatos, faz mister a inclusão dos Senhores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Transcrevo excerto do acórdão proferido pela DRJ ao qual me alinho: Não prosperará à alegada falta de motivação nos termos de sujeição passiva solidária, de fls. 4040 a 4165, 4166 a 4291, já que pela simples transcrição de trechos destes percebese que foram motivados de forma ampla e correta, como segue: Da motivação para aplicação do art. 124, Inciso I. I Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Ou seja, a, já narrada, conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. Da motivação para a aplicação do art. 135, Inciso III. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administre da, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Logo, resta comprovada que houve motivação nos referidos termos de sujeição passiva solidária. Quanto à alegação de que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues não seriam administradores da empresa na época dos fatos geradores esta também não prosperará, visto que: Fl. 4585DF CARF MF 22 por meio de procurações de fls. 67 a 82 foram delegadas aos referidos senhores plenos poderes de gestão, administração, comprar e vender mercadorias do ramo de atividade da Impugnante, podendo assinar autorização para transferência de veículo, assinar recibos de compra ou transferência, fazer pagamentos e receber quitação, representar a Impugnante diante dos fiscos estadual, municipal e federal, cobrar, caucionar, etc. como já comprovado no item deste voto relativo a multa qualificada de 150%, restou comprovada a anuência e a participação direta dos referidos senhores na realização dos fatos que ensejaram a ocorrência dos fatos geradores, já que foram por suas contas bancárias que trafegaram os depósitos bancários de origem não identificada os quais configuraram a já citada omissão de receitas. Tal fato resta comprovado pela compra diretamente pelos administradores de fato supracitados de créditos pertencentes às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, que revenderam equipamentos oriundos da Impugnante para pessoas jurídicas circularizadas pela Fiscalização, obrigações estas quitadas por meio das contas bancárias dos tais adminstradores; a própria Impugnante reconhece os referidos senhores como seus administradores, conforme trecho de resposta (fls. 114 a 188) à intimação de fls. 85 a 113: “vimos esclarecer que de fato mantínhamos relação comercial nos períodos de 2008 à 2010, com os clientes diligenciados, citados no termo acima, e que os referidos clientes, cada um a sua maneira, mantinham pagamentos direcionados à empresa via depósitos e ou cessão de créditos, em conta de dirigentes da empresa na época dos fatos geradores”; a pessoa jurídica, Construtora Metropolitana S/A, afirma em resposta (fls. 2517 a 2518) à intimação de fls. 2513 a 2515, que duplicatas relativas a compras efetuadas junto à Manbra Truck Implementos Ltda forma negociadas diretamente pelo Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues; e resta comprovado pela resposta (fls. 3192 a 3195) à intimação de fls. 3187 a 3199, que a De Nigris Distribuidora de Veículos Ltda (compradora) foi cientificada por Termo de cessão de crédito da Bauchar Comércio Rep. Equipamentos Ltda – EPP (vendedora e cedente) para o adquirente de tal direito, o Sr. José Antônio Cajuela. A De Nigris percebeu a negociação como sendo referentes a títulos entre a Baucar e o Sr. José Antônio Cajuela, o que resta comprovado pelos boletos de pagamentos todos em nome do referido senhor (fl. 3322). Sendo assim, resta comprovado que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, eram administradores de fato da Impugnante na época da ocorrência dos fatos geradores em lide. Quanto à responsabilização solidária atribuída pela Fiscalização aos administradores da Impugnante (pessoas físicas) com fundamento no inciso III, do art. 135, do CTN, decido pela sua correção, visto que, pela função desempenhada pelos referidos senhores na administração de fato da empresa e sua participação nos fatos acima narrados, aqueles não podem alegar o desconhecimento dos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador do IRPJ, cuja análise neste voto já configurou em tese sonegação fiscal pela utilização dolosa de suas contas bancárias para encobrir do fisco o auferimento de receitas tributáveis pela Impugnante. Ademais, comprovada a sonegação fiscal, só resta a este julgador manter a sujeição passiva solidária, relativa ao o inciso III, do art. 135 supracitado, a medida que o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, em seu item 60, “d” assim define, in verbis: d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.122 23 fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade. Cabe ressaltar que os administradores de fato da Impugnante, não podem alegar desconhecimento dos fatos aqui narrados, visto que é dever de um administrador de empresa inteirarse do que ocorre a sua volta e gerir a empresa inclusive no relativo aos seus aspectos fiscais. Logo, mesmo que não restasse comprovado o conhecimento dos fatos acima narrados, o que não aconteceu, estaria configurada culpa pela negligência do agente, sendo esta suficiente para o seu enquadramento no art. 135, inciso III, do CTN (responsabilidade tributária solidária), como resta esclarecido no já citado Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, o qual confirma que não é necessário que ocorra o dolo do agente para enquadramento em tal artigo, bastando para tanto a ocorrência da culpa, entendimento este compatível com a súmula 435 do STJ, o que aumenta a abrangência da aplicação do referido artigo, visto que não pode o agente alegar desconhecimento do fato, pois a culpa restaria caracterizada pela negligência. Cabe ressaltar que a sujeição passiva, relativa ao art. 135, do CTN não é pessoal e sim solidária, conforme afirma a alínea “u” do já referido parecer o qual confirma tal entendimento: u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Sendo assim, mantenho a sujeição passiva solidária dos administradores de fato supracitados com base no inciso III, do art. 135, do CTN. Mantida a sujeição passiva solidária dos administradores de fato da Impugnante, resta inócuo enfrentar a responsabilização solidária com base no inciso I, do art. 124, do CTN, visto que esta trata de solidariedade, assunto já discutido e mantido na análise do inciso III, do art. 135, do CTN, conforme alínea “u” do já citado parecer. Assim, entendo pela manutenção dos administradores no polo passivo do lançamento tributário. 3.3 Lançamentos reflexos Reconhecida a omissão de receita, devem ser mantidos os lançamentos reflexos dela decorrentes. Fl. 4587DF CARF MF 24 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário com a manutenção do auto de infração em sua integralidade, inclusive no que diz respeito a multa de 150%, a sujeição passiva e aos lançamentos reflexos. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 4588DF CARF MF
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Numero do processo: 10331.000219/2003-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA.
Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido.
Numero da decisão: 2002-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA. Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO A DESTEMPO Recorrente ELIANE MARIA MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA. Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 00 02 19 /2 00 3- 71 Fl. 81DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Pedido de Restituição Trata o presente processo de pedido de restituição, efls. 01 a 20, referente a multa de mora arcada pela contribuinte quando do pagamento de IRPF, sob alegação que a denúncia espontânea afasta as penalidades previstas no artigo 138 do CTN. Decisão DRJ O pedido de restituição foi apreciado na 1ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 20/10/2008, no acórdão 0814.275, às efls. 46 a 55, indeferiu o pleito. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 59 a 77, no qual reitera a possibilidade de restituição dos valores relativos a multa de mora pela aplicação do artigo 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 10/11/2008, efls. 58, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/12/2008, efls. 59, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A questão posta no presente processo é se o instituto da denúncia espontânea é capaz de afastar a incidência da multa de mora. Conforme artigo 138 do CTN, temos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, necessário definir se a multa de mora possui natureza jurídica de infração ou não. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 82 3 De acordo com Hugo de Brito Machado, "a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui qualquer penalidade, inclusive a multa de mora." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Continua o autor, "assim, se alguém faz sua declaração de rendimentos fora do prazo legal, mas o faz espontaneamente, porque antes de qualquer procedimento fiscal, nenhuma penalidade é cabível." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Já José Eduardo Soares de Melo é mais contido quanto ao afastamento da multa de mora na denúncia espontânea. Para o autor: (...) se a violação cometida tiver patente a implicação como fato gerador do tributo, acarretando a falta de seu pagamento, não basta a simples confissão. Nesse caso, além de retratar o ilícito cometido, impõemse o prévio recolhimento do tributo (não lançado, ou sonegado), e dos juros de mora (atraso na sua liquidação), sendo questionável a exigibilidade de multa de mora, salvo se não tiver condição de apurar com exatidão o débito tributário, caso em que competirá ao Fisco proceder ao regular arbitramento de seu montante,q ue deverá ser objeto de depósito (MELO, José Eduardo Soares de. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2001, pg. 210). Para Paulo de Barros Carvalho: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª edição. Saraiva, 2009, p.597) Logo, como se vê, não há consenso na doutrina pátria quanto a incidência da multa de mora na denúncia espontânea. Instado a se manifestar, o Poder Judiciário também oscilou de entendimento em diversos julgados, ora no sentido de afastar a multa de mora, ora no sentido de aplicála. Para dirimir as jurisprudências conflitantes o Superior Tribunal de Justiça exarou a seguinte decisão, submetida ao regime dos artigos 1.036 e 1.037 do Novo CPC (antigo artigo 543C), cuja aplicação deve ser observada por este CARF: Fl. 83DF CARF MF 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO E CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, O CPC. TRIBUTÁRIO. RPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR OMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência e diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 83 5 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Logo, a contribuinte apresentou a retificação de sua DAA em 12/03/03, efls. 65, porém não quitou prontamente o valor devido, conforme comprovantes de pagamento de e fls. 16 a 18, não sendo cabível o afastamento da multa de mora. Conforme decisão colacionada, para que se configure a denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a retificação e pagar o tributo prontamente, o que não é o caso dos autos. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, sendo devida a multa de mora, já que não houve pagamento do tributo simultaneamente a retificação de sua DAA. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
