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Numero do processo: 10280.901698/2009-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.667, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 98 /2 00 9- 83 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720250/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO.
A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes.
Numero da decisão: 2202-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ. Considera-se preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
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ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ. Considerase preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 50 /2 01 2- 26 Fl. 890DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Em ação fiscal efetivada junto ao Município de Atibaia foram apuradas diferenças de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2008 a 12/2008, pois o Órgão Público Municipal realizou os recolhimentos desta exação à alíquota de 1% enquanto o percentual devido seria de 2%. Foi constituído o crédito tributário por meio do Auto de Infração Debcad nº 37.297.9572, no valor total de R$ 1.134.172,80, aí incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, consolidados em 14/05/2012. O contribuinte apresentou impugnação alegando que a maior parte de seus servidores atua na área de educação, que passa a ser a atividade preponderante que desenvolve de modo que o enquadramento no grau de risco deve se dar na CNAE correspondente ao ensino fundamental, alíquota de 1% e não no correspondente à administração pública em geral, de 2%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação Acórdão nº 0539.423 7ª Turma da DRJ/CPS, de 22/11/2012 (fls. 114/119), cuja ementa é a seguinte: ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. DETERMINAÇÃO COM BASE NO CNAE. Nos termos do parágrafo terceiro e inciso II do artigo 22 da Lei 8.212/1991 e do artigo 202 do Decreto 3.048/1999, a determinação da alíquota da contribuição para financiamento dos acidentes do trabalho e dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é determinada pela atividade preponderante do Contribuinte, composta pela Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V do Decreto 3.048/1999. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ em 17/12/2012, conforme A.R. de fls. 122 e, inconformado, apresentou Recurso Voluntário em 07/01/2013 (fls. 123/127), combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i)SAT/RAT Órgãos Público enquadramento no grau de risco Súmula 351 STJ A legislação federal determina que o grau de risco será determinado pela atividade preponderante da empresa e não pela atividade registrada como CNAE principal. Este inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça que se fixou no sentido de que a alíquota de contribuição para o Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 891 3 Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro (Súmula n. 351 do STJ). Com o amparo nas decisões do STJ, a contribuição relativa ao SAT deve considerar a atividade econômica que detém o maior número de empregados. (ii) A área educacional constitui a atividade preponderante No caso da Administração Pública Municipal a alíquota do SAT deve ser considerada em decorrência da atividade econômica que tem o maior número de servidores públicos e não a CNAE "Administração Pública em Geral". É fato notório que as Prefeituras tem a maior parte de seus servidores na área da educação, e também nas áreas administrativas, que passam a ser as atividades preponderantes que desenvolvem. Inclusive, isto é o que ocorre com a Recorrente, que possui 880 (oitocentos e oitenta) servidores somente na área da Educação, dos seus 1925 (hum mil novecentos e vinte e cinco) servidores públicos. Deste modo, o SAT não pode ser calculado pela alíquota de 2% CNAE "Administração Pública em Geral", mas deve ser calculado pela alíquota de 1% que é relativa ao CNAE "Ensino Fundamental", de acordo com o Anexo V, do Decreto n° 6.957/09. Já foram anexados aos autos, em sede de Impugnação, a relação dos servidores da Prefeitura da Estância de Atibaia, bem como a relação dos gastos para com os mesmos, discriminando de forma específica os servidores por área que ocupam que ora ratifica e que requer que deste faça parte. O processo foi então encaminhado ao CARF e distribuído para relatoria do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Conselheiro da 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento. Da Diligência Em sessão realizada em 18/02/2014, por meio da Resolução nº 2403000.227 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária (fls. 139/147) foi solicitada diligência à unidade da RFB de jurisdição do recorrente, para que prestasse informações respondendo a questões formuladas. Foi então emitido o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 877/880, atendendo as questões com as seguintes respostas: (i) por estabelecimento do sujeito passivo, individualizado por CNPJ, qual a atividade preponderante e qual o grau de risco associado em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2008 a 12/2008; Fl. 892DF CARF MF 4 Resposta: O órgão público possui apenas um estabelecimento, individualizado pelo CNPJ 45.279.635/000108, onde estão alocados todos os segurados considerados no período do lançamento fiscal, de 01/2008 a 12/2008. (ii) se o resultado do item (i) altera o lançamento fiscal efetuado e em que medida; Resposta: O resultado não altera o lançamento fiscal efetuado. (iii) considerandose o resultado do item (i), em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2008 a 12/2008, qual o valor devido pelo sujeito passivo em relação à obrigação principal. Resposta: O valor originário devido permanece inalterado e encontra se discriminado por competência no auto de infração DEBCAD 37.297.9572 (fls. de 03 a 08), cuja ciência do contribuinte ocorreu em 28/05/2012. O mencionado auto de infração faz parte integrante do Processo Administrativo COMPROT nº 19311.720250/201226. Tal valor deverá ser atualizado na data do pagamento, nos termos da legislação em vigor. (iv) no caso de existência de um único CNPJ individualizado para o sujeito passivo, ou seja, não houve a individualização de estabelecimentos com distintos CNPJ, qual seria a atividade preponderante em cada competência. Resposta: Sim, existe um único CNPJ individualizado para o sujeito passivo. A atividade preponderante é a de administração pública em todo o período tendo em vista que o maior número de funcionários encontrase nesta atividade, não se confirmando, como alegado, que o ensino fundamental seja a atividade preponderante desta prefeitura. Para apuração da atividade preponderante foram consideradas as atividades exercidas pelos segurados empregados da prefeitura conforme dados informados pelo próprio contribuinte nas planilhas anexas a este relatório, documentos de fls.175 a 876. Na diligência realizada a prefeitura apresentou planilhas mensais contendo as seguintes informações sobre os seus funcionários: Nome, Cargo e Local. Para melhor visualização foi inserida mais uma coluna, CNAE/Divisão, correspondente a atividade econômica exercida pelos segurados, em conformidade com a estrutura dada pela Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 892 5 Comissão Nacional de Classificação – CONCLA, contendo as seguintes Divisões do CNAE: 84 (administração), 85 (educação), 86 (saúde), 91 (cultural) e 93 (esportes), telas do sistema informatizado do CONCLA anexas às fls. 166 a 174. Segue abaixo o quadro mensal do número total de segurados por divisão do CNAE: (...) Portanto, a atividade preponderante em todo o período do lançamento, de 01/2008 a 12/2008, é Administração Pública Direta, cuja Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 de 06/05/99, e inclusive utilizado pelo próprio contribuinte no seu auto enquadramento, é a 84116/00, “Administração Pública em Geral”. O grau de risco associado a atividade preponderante, CNAE 84116/00, está enquadrado no grau de risco médio, alíquota de 2%, em todo o período do lançamento, ou seja, de 01/2008 a 12/2008. Cientificado do resultado da diligência em 08/04/2015, AR de fls. 884, o sujeito passivo não se pronunciou. O processo foi encaminhado para esta 2ª TO, da 2ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento do CARF, em função da transferência do Conselheiro Relator para esse Colegiado. Submetido a nova distribuição devido à extinção do Mandato do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, veio então para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo é o estabelecimento do correto percentual de grau de risco em função da atividade preponderante do contribuinte, já que se utiliza de registro único no CNPJ. Conforme exposto pelo recorrente, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que a alíquota da contribuição para o SAT/GILRAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enunciado da Súmula nº 351 do STJ assim dispõe: Fl. 894DF CARF MF 6 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enquadramento no correspondente grau de risco será feito pela atividade econômica da empresa em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE. A empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica simulará o enquadramento em cada atividade, definindo como preponderante aquela que ocupe o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. As atividades econômicas das empresas e o respectivo grau de risco compõem a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, (conforme a CNAE) Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, vigendo, à época dos fatos em análise, com a redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007. A Instrução Normativa RFB nº 1.453/2014 alterou a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em seu art. 72, § 1º, inciso II, ratificando o entendimento pronunciado pela sumula 351 do STJ. Sua literalidade determina que a alíquota da contribuição sobredita será aferida pelo grau de risco preponderante em cada estabelecimento da empresa que possui CNPJ próprio. O quadro demonstrativo do número total de segurados por CNAE, apresentado junto ao Relatório de Diligência (fls. 879/880), atesta que a atividade que ocupa o maior número de segurados em todos os meses do lançamento é a de Administração, não se confirmando a alegação do recorrente de que a atividade educacional seria preponderante. A resposta à diligência fiscal é conclusiva no sentido de que o Município de Atibaia possui um único CNPJ e a atividade preponderante no período de 01/2008 a 12/2008, é Administração Pública Direta, cuja Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE, prevista no Anexo V do RPS, é a 84116/00, “Administração Pública em Geral”, grau de risco médio, alíquota de 2%. Deste modo, deve ser mantido o lançamento da diferença de SAT/GILRAT pois obedece a legislação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 893 7 Fl. 896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.723040/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTRADITÓRIO.
Os procedimentos fiscais foram realizados com a observância do direito do contribuinte ao pleno conhecimento de todas as etapas da fiscalização sem que haja irregularidades passíveis de contaminar o lançamento. Observa-se que o autuado obteve cópia dos termos lavrados e livre acesso aos autos, garantindo-lhe o exercício do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NO REAL BENEFICIÁRIO. PESSOA FÍSICA.
O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
ATIVIDADE ADVOCATÍCIA. RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. UTILIZAÇÃO PESSOA JURÍDICA . SIMULAÇÃO
A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular.
LIVRO CAIXA. GLOSA. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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INEXISTÊNCIA. CONTRADITÓRIO. Os procedimentos fiscais foram realizados com a observância do direito do contribuinte ao pleno conhecimento de todas as etapas da fiscalização sem que haja irregularidades passíveis de contaminar o lançamento. Observase que o autuado obteve cópia dos termos lavrados e livre acesso aos autos, garantindolhe o exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NO REAL BENEFICIÁRIO. PESSOA FÍSICA. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 30 40 /2 01 3- 15 Fl. 5812DF CARF MF 2 ATIVIDADE ADVOCATÍCIA. RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. UTILIZAÇÃO PESSOA JURÍDICA . SIMULAÇÃO A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. LIVRO CAIXA. GLOSA. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.741 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 5814DF CARF MF 4 Relatório Do Auto de Infração: (efls. 4.741 a 4.772) A autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas por meio de interposta pessoa jurídica multa qualificada de 150%; b) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas por meio de interposta pessoa jurídica multa qualificada de 150%; c) Lançamento de despesas não dedutíveis no livro caixa foram aplicadas multas de 75% e 150%; d) Multa isolada de 50% sobre o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas sem o recolhimento devido a título de carnêleão. Foi lavrado Auto de Infração para exigir do contribuinte R$10.051.584,81 de imposto, R$7.550.333,50 de multa de ofício; R$2.019.059,39 de juros de mora (calculados até 12/2013) e R$4.866.924,31 de multa isolada referente ao carnêleão. Do Termo nº 22 Verificação Fiscal: ( efls. 4.773 a 4.824) Compõem o Termo nº 22 Verificação Fiscal os seguintes anexos: Anexo I Rendimentos omitidos oriundos da interposta pessoa Dal Agnol & Fernandes Ltda recebidos de pessoas físicas e recebidos de pessoas jurídicas, efls. 4.825 a 4.843; Anexo II Relação analítica das saídas de recursos contabilizadas na conta caixa, efls. 4.844 a 5.000; Anexo III Relação analítica das glosas de despesas escrituradas no livro caixa, efls. 5.001 a 5.167; Anexo IV Pessoas físicas diligenciadas, efls. 5.168 a 5.171; e Anexo V Documentos referentes aos pagamentos a pessoas físicas escriturados no livrocaixa e Documentos referentes aos pagamentos a pessoas jurídicas escriturados no livrocaixa, efls. 5.172 a 5.198. Consta registrado que a ação fiscal de que trata o MPF nº 06.1.85.002011 001305 foi encerrada parcialmente, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008, por meio dos Autos de Infração que constam dos processos administrativos nº 11030.720089/201316 e 11030.720056/201376. Quanto à utilização pelo contribuinte de interposta pessoa jurídica para ocultar rendimentos de sua pessoa física no exercício da advocacia consta registrado no Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.783: (grifos do original) Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.742 5 "DA INTERPOSTA PESSOA DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. A profissão de advogado é regida pela Lei n° 8.906, de 04 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A citada norma estabelece, no § 1° do art. 15, que a sociedade de advogados só adquire personalidade^jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. Conhecedor da regra, o contribuinte fez questão de expressar, em resposta ao TERMO n° 01. que não reunia as condições legais para adquirir personalidade jurídica como sociedade de advogados, estando ciente de que se sujeitava a uma alíquota de 27.5% sobre a base de cálculo do imposto sobre a renda e de que, se pessoa jurídica fosse, "teria até uma vantagem tributária", em suas próprias palavras. A resposta da OAB/RS ao Ofício n° 106/2012/DEMAC/BHE/Gabin/Difis, no qual questionávamos acerca da situação cadastral do contribuinte, corroborou a informação por ele trazida, ou seja, a única inscrição profissional do contribuinte naquela entidade de classe era como pessoa física. Assim, uma vez que não atendia aos requisitos legais necessários à aquisição da personalidade jurídica, segundo a norma específica que rege a profissão, em hipótese alguma estaria sujeito ao regime tributário aplicado às pessoas jurídicas. Todavia, visando reduzir a carga tributária a que estava sujeito, na condição de pessoa física, valeuse da pessoa jurídica DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. (D&F). apenas formalmente constituída, mas que se configurou verdadeira interposta pessoa do contribuinte de fato (MAURÍCIO DAL AGNOLl O risco da atividade econômica assumido se deu de forma artificial e com o único objetivo de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores do imposto sobre a renda da pessoa física e das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários." Conclui a autoridade fiscal que os rendimentos tributáveis omitidos pelo contribuinte, descritos no Anexo I, recebidos de pessoas físicas, totalizam R$2.038.665,40 sendo R$675.713,90 no anocalendário 2009, R$179.973,72 no anocalendário 2010 e R$1.182.977,78 no anocalendário 2011. No caso de recebimentos recebidos de pessoas jurídicas, restou comprovada a omissão de rendimentos que totalizaram R$1.028.128,04 sendo R$102.448,00 no ano calendário 2009, R$887.612,18 no anocalendário 2010 e R$38.067,86 no anocalendário 2011. A autoridade fiscal reconheceu despesas dedutíveis na planilha que representa o Anexo II. Fl. 5816DF CARF MF 6 As despesas glosadas pela autoridade fiscal são as registradas nas contas "Emolumentos Pagos a Terceiros", "Despesas com xerox" e "Sistemas de Segurança" dos livros Caixa dos anoscalendário de 2009 a 2011, exercícios de 2010 a 2012, respectivamente. Da Impugnação: (efls. 5.212 a 5.237) Em preliminar, suscita nulidade da autuação por falta de habilitação no CRC/RS dos Auditores Fiscais, ilegitimidade passiva para sofrer a autuação, nulidade por falha na notificação, realizada por edital sem justificativa, e pela falta da descrição das partes que compõe o crédito tributário lançado, o que prejudica a defesa. A existência da pessoa jurídica Dal Agnol & Fernandes, D&F, desconsiderada pelas autoridades fiscais sem justificativa. Assevera que Maurício Dal Agnol e D&F não são a mesma pessoa e nem empresa, não formam grupo econômico, não possuem os mesmos funcionários e que o Impugnante não tem poderes de administração na D&F. Portanto, não pode prosperar autuação na pessoa física de receitas da D&F. Ao final, requer o acolhimento da impugnação para declarar improcedente o crédito tributário nesses termos, a saber: (efls. 5.236 e 5.237) "A) a nulidade TOTAL do auto de infração, seja pelos motivos de qualificação profissional do agente; B) a nulidade TOTAL do auto de infração, frente ao não cumprimento dos requisitos legais para sua lavratura que permitem a ampla defesa da parte Autuada; C) a nulidade do auto de infração diante da ilegitimidade do Impugnante para receber intimações em nome da empresa Dal Agnol & Fernandes Ltda.; D) a nulidade total do auto de infração tendo em vista a insubsistência da notificação via mero edital; E) a nulidade total do auto de infração diante da ilegitimidade do Impugnante para responder sobre pretensão tributária incidente sobre créditos cedidos a terceiros; F) acolhimento de todas as alegações que demonstram a improcedência da constituição do crédito tributário e tal que requerido em cada item e subitem de número 03 conforme visto e requerido anteriormente com a consequente extinção do presente processo administrativo fiscal por total ausência de crédito tributário; G) que sejam eliminados todos os valores a título de multa e juros ante a ausência de crédito tributário ou seja multa reduzida ao percentual de 20% caso subsista algum crédito." Do acórdão de impugnação: (efls. 5.264 a 5.277) A 8ª Turma da DRJ em Porto Alegre indeferiu as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, prolatando o acórdão 10 51.089, assim ementado: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.743 7 Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte apresentou documentação, comprovando item integrante da apuração anual do imposto de renda, que altera o lançamento efetuado. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PESSOA JURÍDICA. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. Caracterizada a utilização de empresa interposta, as operações da empresa tributamse no escritório de advocacia, e correta a tributação das operações na pessoa física, na declaração do contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira. AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. A competência do Auditor Fiscal para exame da contabilidade da empresa decorre de lei, não estando sujeita à habilitação em curso superior específico ou ao registro junto ao Conselho de Contabilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." O Colegiado alterou o lançamento somente no que se refere às despesas com segurança, acatandoas como dedutíveis pois relacionadas à atividade exercida, necessárias à percepção da receita, na forma do art. 75, III, do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99. Do Recurso Voluntário: (efls. 5.283 a 5.421) Cientificado do acórdão de impugnação em 07/08/2014, data da ciência pela abertura do arquivo disponibilizado no Portal eCAC, efl. 5.281, o Contribuinte interpôs, em 04/09/2014, Recurso Voluntário, alegando em síntese: 1. Nulidade do lançamento Cerceamento ao direito de defesa a sociedade Dal Agnol & Fernandes Ltda., considerada interposta empresa pelas autoridades fiscais, não foi regularmente intimada a prestar esclarecimentos e/ou apresentar documentos. Cita jurisprudência administrativa e judicial; 2. O lançamento foi realizado na pessoa física do Recorrente com as receitas auferidas pela Dal Agnol & Fernandes Ltda., desconsiderando a personalidade jurídica da empresa sem a devida decisão judicial; Fl. 5818DF CARF MF 8 3. Caso o Colegiado não acate a nulidade do lançamento, pelos motivos citados nos itens 1 e 2, que se reconheça a dedução das despesas com emolumentos pagos a terceiros, despesa que tem expressa autorização legal; 4. Os tributos pagos pela Dal Agnol & Fernandes Ltda. devem ser considerados na apuração do lançamento; e 5. Os juros Selic não podem incidir sobre a multa de ofício, por falta de base legal. Das Razões Cognitivas: (efls. 5.798 a 5.810) O Recorrente solicitou, em 15/03/2017, conforme protocolo CARF efl. 5.798, a juntada aos autos do que denominou "Razões Cognitivas", com o objetivo de apresentar razões adicionais ao recurso voluntário, "tendo em vista fatos supervenientes à apresentação de sua inconformidade com a decisão recorrida." Após discorrer sobre o resultado do julgamento neste Conselho do processo nº 11030. 720089/201316 e de levantar pontos de discordância com o acórdão de impugnação, finaliza a peça com os pedidos: "a) Requerse a nulidade da decisão de primeira instância, determinando a remessa destes autos, para que um novo julgamento enfrente matéria de fato e de direito que foram omissas quando do julgamento, em cristalino cerceamento de defesa. b)A descaracterização da Multa Agravada e exclusão da Multa Isolada, em face da concomitância com a Multa de Oficio. c) Em não acolhendo a nulidade suscitada, sejam os autos baixados em diligencia para fins de elucidação e complementação de matéria fundamental a lide. d) Que seja reconhecido o direito à compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica D & F, cujos comprovantes encontram se formalizados." É o Relatório. Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.744 9 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE: Cientificado do acórdão de impugnação em 07/08/2014, conforme doc. de efl. 5.281, o Contribuinte interpôs, em 04/09/2014, efl. 5.283, o recurso voluntário. Assim, o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal sendo, portanto, tempestivo e dele conheço. 2. DAS RAZÕES COGNITIVAS Dentre as solicitações registradas pelo Recorrente no documento Razões Cognitivas verifico que a matéria relativa à concomitância da multa isolada do carnêleão com a multa de ofício não foi levantada na impugnação e, sendo assim, não será considerada para fins desta decisão, a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. 1 "Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67)." Vale lembrar ainda a regra estampada no art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011, sobre os pedidos de diligência, a saber: (grifei) Art.57.A impugnação mencionará (Decreto no70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no11.196, de 2005, art. 113): [...] IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e [...] §1o Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV." 3. DAS PRELIMINARES: 3.1. Nulidade Cerceamento do direito de defesa: O Recorrente alega cerceamento do direito de defesa por parte das Autoridades Fiscais que não intimaram a Dal Agnol & Fernandes (D&F) a prestar os devidos e necessários esclarecimentos 1 também previsto no art. 58 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 Fl. 5820DF CARF MF 10 a respeito da relação jurídica que detinha com o Contribuinte. Concluíram, de forma açodada, simples presunção, que a D&F era uma interposta pessoa e que suas receitas eram rendimentos omitidos pelo Recorrente. Não assiste razão ao Recorrente. Ao longo de todos os procedimentos para a constituição do crédito tributário e do julgamento administrativo constato que ao Contribuinte foram garantidas a participação e a ciência a todos os atos administrativos e diligências efetuadas. São diversos termos de intimação e de constatação, resumidos no Termo de Verificação Fiscal, prontamente levados ao conhecimento do Recorrente. Na impugnação e no próprio recurso voluntário fica evidente que o Recorrente teve amplas garantias no exercício de sua defesa e que, no exercício deste direito, demonstrou ter pleno conhecimento do que lhe foi imputado, das infrações apuradas, do enquadramento legal e de todas as fases deste processo administrativo fiscal. É fácil identificar os diversos momentos em que o Recorrente teve ciência dos procedimentos fiscais, seja de forma eletrônica no Portal eCAC ou por via postal com aviso de recebimento. (Vide docs. efls. 5, 105, 108, 1557, 1726,...,5203, 5204, 5208 e 5281) O acórdão da CSRF/0103.902, longe de comprovar a alegação de cerceamento de defesa nesses autos, reforça a regularidade dos procedimentos aqui desenvolvidos. Enquanto no acórdão citado constatouse a falta de entrega ao contribuinte de planilha e/ou demonstrativo de imputação das despesa glosadas, impedindo o autuado de de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, fato grave que realmente prejudica o exercício do direito de defesa do contribuinte, neste processo não constato irregularidade deste quilate. Todas as peças da autuação foram disponibilizadas ao autuado que exerceu na plenitude seu legítimo direito de defesa. Portanto, o julgado apresentado aborda situação fática distinta do que é abordada neste processo, uma vez que os fatos ali narrados não ocorreram e não ocorrem nos procedimentos da presente autuação. Aduz o Recorrente que a sociedade Dal Agnol & Fernandes em momento algum foi regularmente intimada na pessoa de seus representantes legais a prestar os esclarecimentos a respeito da relação jurídica que detinha com o Recorrente, prejudicando o pleno exercício do direito de defesa. Constato que foi registrado no Termo de Verificação Fiscal as diligências efetuadas pela fiscalização à sede da Dal Agnol & Fernandes e oportunizado, por meio de intimações, os esclarecimentos que porventura a empresa quisesse disponibilizar. É o que consta à efl. 37, a saber: "[...] Não bastassem as fortes evidências, esta fiscalização foi adiante na busca pela verdade material, visitando o próprio domicílio tributário eleito por DAL AGNOL & FERNANDES LTDA, à rua Cel. Chicuta, 151, Passo Fundo, RS, conforme consta no CNPJ (fls. 3748 e 3749). No dia 18/07/2012, portanto, visando dar ciência à D&F do TERMO Nº 02 – INTIMAÇÃO FISCAL, constatamos que o citado endereço nada mais é que o próprio escritório profissional de MAURICIO DAL AGNOL, como demonstram as fotografias do local (fls. 3445 a 3463). Ao subirmos as escadas que dão acesso ao escritório “DAL AGNOL ADVOCACIA”, único estabelecimento daquela edificação franqueado ao público, entramos na recepção, onde fomos atendidos pela recepcionista do escritório de advocacia, Sra. Briana Tainara Signori. Pedimoslhe para falar com o representante da empresa DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. Em seguida, fomos conduzidos pela administradora da D&F, Sra. Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.745 11 Luciana Cristina Laval, a sua sala, à primeira porta à esquerda do corredor que divide longitudinalmente o andar superior da edificação, dentro das dependências do escritório de advocacia. Minutos depois, adentraram a sala da Sra. Luciana Laval os Srs. Pablo Pacheco dos Santos e Maurício Dal Agnol, identificandose como advogados da empresa. Perguntado se os mesmos tinham procuração para atuarem em nome da sociedade, responderam que não. As constatações feitas no local foram tomadas por escrito e constam do TERMO Nº 04 VISITA E CONSTATAÇÃO FISCAL, lavrado no local (fls. 3358 a 3360). Retivemos parte dos documentos requisitados pelo TERMO Nº 02, supra citado, mediante o TERMO Nº 03 – RETENÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS (fl. 2501). O Livro de Registro de Empregados número 002 e as cópias das páginas 01 a 40 do Livro de Registro de Empregados número 003 foram entregues no dia 19/07/2012 (fls. 3001/3244). Em 26/07/2012 foi lavrado o TERMO Nº 05 INTIMAÇÃO FISCAL (fls. 3485 e 3486), por meio do qual requisitamos o Livro Registro de Serviços Prestados relativo ao anocalendário 2008 gerado em PDF, o qual não havia sido apresentado na ocasião da visita, bem como os arquivos digitais dos Livros Diário e Razão dos anos de 2008 a 2011." Com registro de respostas e esclarecimentos prestados pela Dal Agnol & Fernandes, a conferir efl. 38 do TVF: Em resposta ao TERMO Nº 09, não apresentou qualquer documento, aduzindo apenas os esclarecimentos abaixo reproduzidos. Com relação ao item n° 1, já respondemos no termo n ° 2, datado de 6 de agosto de 2012, onde informamos de que não possuímos nenhum contrato de prestação de serviços. Sobre o item n° 2, prestamos serviços de fotocópias e organização de processos, mas não mantemos este controle de que processos se referem. Em relação ao item 3 da referida intimação fiscal executamos o mesmo serviço do item anterior, o que deve ter acontecido é que a secretaria tirou a nota fiscal com a descrição do serviço errado, pois foram serviços de fotocópias de processos e organização dos mesmos. Ratifico as conclusões do julgado de primeira instância, conforme registrado à efl.5272, a saber: No caso, verificase que o servidor competente observou todos os princípios que norteiam a atividade administrativa previstos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal, mesmo porque o administrador público está sujeito aos mandamentos da determinação legal em toda a sua atividade funcional. Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente Auto de Infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do Fl. 5822DF CARF MF 12 direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores) Assim constato que os procedimentos executados pelas Autoridades Fiscais não padecem de qualquer vício de nulidade e não prejudicaram o direito e o exercício do contraditório e da ampla defesa do Contribuinte. 3.2. Desconsideração da personalidade jurídica da D&F Ltda.: O Recorrente entende que houve violação aos artigos 135, III e 137 do CTN e artigo 50 do Código Civil quando a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da D&F para tributar as receitas por ela auferidas na sua pessoa física. A Fiscalização, por seu turno, entendeu correto o enquadramento tributário dessas operações na pessoa física do contribuinte de acordo com as informações e documentos colhidos nas diligências realizadas. As constatações foram minuciosamente descritas do Termo de Verificação Fiscal, efls. 18 a 102, destacandose: 1. levantamento da fiscalização constatou que os empregados da Dal Agnol & Fernandes (D&F) exerciam atividades próprias de um escritório de advocacia; 2. contratos de locação foram firmados estipulando que a utilização do imóvel deve ser exclusivamente para escritório de advocacia; 3. os pagamentos dos alugueis foram lançados no livro caixa da pessoa física do Recorrente; 4. não há registro de empregados para os diversos escritórios de advocacia do Recorrente que eram registrados na D&F no quantitativo de 36 pessoas; 5. notas fiscais emitidas pela D&F se referem, segundo apuração das autoridades fiscais, a honorários advocatícios prestados pelo Recorrente; 6. constatouse confusão patrimonial entre a Dal Agnol advocacia e a D&F. Diante desses elementos de prova, ficou caracterizado que as operações da empresa Dal Agnol & Fernandes Ltda são próprias da atividade de advocacia, e portanto, entendemos correta a tributação das operações na pessoa física, na declaração do contribuinte. E ainda, demonstrada a utilização indevida de pessoa jurídica com a intenção de diminuir o pagamento de tributos. É o que constatou a fiscalização a partir das diligências efetuadas, com constatações assim registradas no TVF, efl. 47, a saber: "A confusão patrimonial era tão evidente que o próprio sítio profissional do fiscalizado, www.dalagnol.com.br (DAL AGNOL ADVOCACIA) foi registrado em nome da DAL AGNOL & FERNANDES LTDA, consoante consulta ao sitio Registro.br, órgão de registro dos domínios brasileiros na rede mundial de computadores (fls. 3746/3747). Os fatos narrados comprovam que a “engenharia” levada a efeito pelo contribuinte não passa de mera simulação. O uso da D&F para constituir grupo econômico (completamente irregular) sob a designação DAL AGNOL ADVOCACIA teve como finalidade utilizar a mãodeobra registrada sob o manto da pessoa jurídica optante do SIMPLES e, dessa forma, obter economia tributária ilegal, além de omitir rendimentos Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.746 13 tributáveis auferidos pelo fiscalizado, registrados como se fossem receitas da pessoa jurídica. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. Como se viu, a utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou que ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários, visou unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES, a fim de aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. As diligências realizadas junto às pessoas físicas (supostos clientes da D&F) comprovam que os valores inscritos nas notas fiscais emitidas em favor desses clientes se referem em sua totalidade a “honorários advocatícios contratados”, rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física MAURICIO DAL AGNOL e não receitas da DAL AGNOL & FERNANDES. [...]" Por outro lado, o Recorrente se volta contra o que ele considera uma irregularidade flagrante da autoridade fiscal que, sem autorização judicial, unilateralmente, desconsidera a personalidade jurídica da empresa D&F para tributar as receitas por ela auferidas como se fossem de titularidade do Recorrente. A DRJ enfrentou este tema indicando que os elementos de prova coletados pela fiscalização são fortes e convergentes para demonstrarem que a pessoa jurídica D&F foi utilizada pelo contribuinte para sonegar imposto sobre a renda da pessoa física e contribuições sociais buscando mascarar como receita de empresa optante pelo SIMPLES os vultosos honorários da atividade autônoma da advocacia. Eis o trecho do voto condutor do acórdão de impugnação que trata da matéria: (efl. 5.275 e 5.276) "Durante todo o período analisado o contribuinte fez uso indevido da pessoa jurídica DAL AGNOL & FERNANDES LTDA., visando aproveitar se do regime tributário simplificado e favorecido aplicado às empresas optantes do SIMPLES Nacional, de modo a SONEGAR imposto sobre a renda da pessoa física e contribuições sociais. A referida pessoa jurídica, consoante as provas aduzidas pela fiscalização, não passa de empresa de fachada, confundindose com a própria pessoa do advogado, sob a alcunha DAL AGNOL ADVOCACIA, tendo por sede o próprio escritório profissional do contribuinte (pessoa física) em Passo Fundo. O risco da atividade econômica assumido se deu de forma artificial e com o único objetivo de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores do imposto sobre a renda da pessoa física incidentes sobre a folha de salários. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. Como se viu, a utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. Fl. 5824DF CARF MF 14 Não assiste razão ao contribuinte. A autoridade fiscal nada mais fez do que exercer sua atividade investigativa para buscar a verdade material por meio de procedimentos administrativos tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (art. 142 CTN) 4. DO MÉRITO: 4.1. LIVRO CAIXA DESPESAS DEDUTÍVEIS EMOLUMENTOS PAGOS A TERCEIROS A teor do disposto no art. 75 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que tem como matriz legal a Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (grifei) "Art. 75. [...] I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. [...]" Se fosse observada a literalidade do dispositivo não restariam dúvidas quanto à procedência do pleito do Recorrente para restabelecer a despesa com os "emolumentos pagos a terceiros", invalidando a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Entretanto a autoridade fiscal constatou que sob a rubrica de "emolumentos pagos a terceiros" foram lançadas despesas com parceiros na prestação de serviços que "nada mais eram que agenciadores de causas, oferecendo os serviços profissionais do contribuinte a potenciais clientes, e recebendo participação nos honorários a receber, em completa inconformidade com as normas que regem a advocacia." A autoridade fiscal, referindose aos contratos firmados pelo Recorrente com os parceiros na prestação de serviços, registrou no Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.812 que: "As discriminações dos serviços, constantes dos documentos analisados, também são diversas, havendo expressões genéricas (como "comissões", "serviços prestados" e "autônomo") e expressões bem específicas ("agenciamento de clientes CRT Brasil Telecom", "captação de clientela", "comissão em razão de contrato de parceria firmado", "divulgação", "encaminhamento de processo para complementação ações telefone", "honorários pela prestação de serviços parte na intermediação da ação revisória da complementação principal das ações da Brasil Telecom", "intermediação da complementação de parte da ação revisória da crt", "valor agenciamento contrato CRT" etc). Não foram apresentados contratos de prestação de serviços referentes a todos os comprovantes de pagamentos analisados, mas em muitos destes casos a discriminação dos serviços é expressa em relação aos serviços prestados (vejase, por exemplo, o pagamento efetuado para escritório de contabilidade em 26/01/2010, no valor R$2.142,16, que foi demonstrado mediante nota fiscal de prestação de serviços, a qual os descreve como "valor agenciamento contrato CRT"). Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.747 15 Em outros casos, há contratos de prestação de serviços, nos moldes já expostos, e os comprovantes de pagamentos trazem descrições inexatas (como "digitação processos", "processamento de dados", "serviços de assessoria" e "serviços prestados"). Relativamente a esta matéria, o entendimento que vaza do voto condutor do acórdão de impugnação é no sentido de ratificar a conclusão da autoridade autuante de efetuar a glosa dessas despesas por ausência de "uma estreita correspondência entre os rendimentos que cada um dos clientes captados pelo parceiro deu causa e o respectivo repasse da parte do valor dos honorários auferidos pelo fiscalizado em favor desse parceiro." 2 Para concluir em sintonia com a autuação que "Em não havendo essa correspondência, não há como dizer que essas despesas são dedutíveis no Livro Caixa." 3 É o que fica evidenciado com a conclusão contida no excerto do Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.812, transcrito na sequência: "Enfim, a análise contextualizada dos fatos levanos à convicta conclusão de que, com algumas exceções (referentes às despesas do contribuinte com custas processuais e com taxas de cartórios), as despesas registradas na conta "Emolumentos Pagos a Terceiros" (código 4.006), relacionadas no "Anexo III RELAÇÃO ANALÍTICA DAS GLOSAS DE DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVROCAIXA", consistem em pagamentos de comissões feitos a captadores de clientes (ou não foram satisfatoriamente demonstradas) e não se coadunam com as disposições legais referentes à dedutibilidade da base de cálculo do IRPF." Por outro lado, o Recorrente não se conforma com a conclusão exarada no voto condutor do acórdão de impugnação, como descrita nos excertos citados anteriormente e afirma que não houve a solicitação, por parte da autoridade autuante, relativamente aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011, da comprovação da correspondência entre os pagamentos feitos aos terceiros parceiros e os processos que originaram esses pagamentos, situação que, no entendimento do contribuinte, acarretou prejuízo à defesa, caracterizando seu cerceamento. É o que se depreende do trecho do recurso, efls. 5.303 e 5.304, que transcrevo na sequência, a conferir: (destaques do Recorrente) "ACONTECE QUE DIFERENTEMENTE DO QUE ACONTECEU NO PROCESSO 11030.720089/201316, RELATIVAMENTE AO ANO DE 2008 NUNCA HOUVE SOLICITAÇÃO, PELO SR. FISCAL, NO PROCESSO 11030723.040/201315 (RELATIVAMENTO4 AO ANO DE 2009, 2010 E 2011) DA COMPROVAÇÃO DA ESTRITA CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS PAGAMENTOS FEITOS AOS TERCEIROS PARCEIROS E OS PROCESSOS QUE ORIGINAVAM ESSES PAGAMENTOS. SE NÃO HOUVE ESTA SOLICITAÇÃO, O CONTRIBUINTE NÃO TINHA PORQUE COMPROVAR ISSO, POIS NÃO PAIROU DÚVIDA NA SRA. FISCAL (sobre o tema de que efetivamente houve o repasse) E NÃO FOI DADO AO CONTRIBUINTE A CHANCE DE DEFESA (ou de comprovação) ao contribuinte/recorrente, CONFORME FOI DADO NO PROCESSO 11030.720089/201316. 2 Excerto extraído do voto condutor do acórdão de impugnação, efl. 5.276 3 Idem ao descrito na nota 1 4 Sic Fl. 5826DF CARF MF 16 DITO ISSO, POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA, E DA AUSÊNCIA DE SOLICITAÇÃO, O QUE RETIRA DO SR. JULGADOR A LEGITIMIDADE DO JULGAMENTO NOS TERMOS EM QUE FORAM POSTOS, DEVE SER RECONHECIDO O DIREITO DE DEDUTIBILIDADE DOS PAGAMENTOS FEITOS A TERCEIROS, NOS ANOS DE 2009, 2010 E 2011, LEVANDO A IMPROCEDENCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO NESTE PONTO." Não assiste razão ao Recorrente. A autoridade fiscal registrou nos Termos de Intimação e de constatação, lavrados durante o procedimento fiscal, e no Termo de Verificação Fiscal, lavrado no encerramento da auditoria, que as infrações à legislação tributária verificadas no anocalendário de 2008 ocorreram também nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 e que, portanto, o Auto de Infração formalizado neste processo administrativo foi lavrado em complementação ao Auto de Infração do processo 11030.720089/2013 16, com base em conjuntura fática idêntica, cujos reflexos tributários transcenderam o ano calendário de 2008 , subsistindo nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011. (grifei) Acrescenta ainda que: 5 "[...] 10. Na seara do IRPF, tendo em vista tratarse do mesmo procedimento fiscal e de idênticas infrações à legislação tributária, igualmente constatadas em período posterior (compreendido entre 2009 a 2011), o presente Termo n° 22 Verificação Fiscal traz diversas referências e menções aos anteriores Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, assim como transcrições de trechos deste, lembrandose que todos os documentos referidos nestas transcrições encontramse correspondente processo digital (n° 11030.720089/201316). 11. As cópias do Auto de Infração, do Termo de Verificação Fiscal, dos Anexos deste e do Termo de Encerramento foram extraídas do processo digital n° 11030.720089/201316. [...] 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2009 a 2011, o contribuinte foi intimado, por meio do Termo n° 14 Intimação Fiscal, de 18/12/2012, para apresentar: 14.1. no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os livroscaixa dos exercícios 2010 a 2012 (anoscalendário 2009 a 2011), em meio digital (item 1), e 14.2. no prazo de (30) trinta dias, planilhas, também em meio digital, referente aos rendimentos tributáveis, escriturados nos livroscaixa, recebidos das pessoas físicas e jurídicas, com os nomes, CPF ou CNPJ, valores recebidos, datas dos recebimentos e números dos processos judiciais vinculados a cada "entrada" {itens 2 e 3). 15. Este Termo foi recebido pelo contribuinte em 02/01/2013 (AR RA23804873 7 BR) e, mediante sua resposta com a data 10/01/2013, em atendimento ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal, ele forneceu os livroscaixa solicitados, em arquivos digitais devidamente autenticados no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA." 5 Termo nº 22 Verificação Fiscal efls. 4.774 e 4.775 (grifos do original) Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.748 17 Constato, portanto, que não houve o cerceamento ao exercício do direito de defesa do contribuinte à vista dos inúmeros Termos de Intimação e de Constatação lavrados pela fiscalização a cada etapa dos procedimentos de auditoria e que, todos eles, foram submetidos ao contribuinte para conhecimento e ciência. Os contratos de parcerias na prestação de serviços foram examinados pela autoridade fiscal que constatou a existência da cláusula VIII, que estabelece: (grifos mantidos do original) "VIII - Para realização dos serviços profissionais necessários ao patrocínio dos interesses e direitos objeto das demandas judiciais, os CONTRATANTES ajustam que do valor cobrado a título de honorários contratados do cliente (pessoa física ou jurídica) caberão 50% ao PARCEIRO 1 e 50% ao PARCEIRO 2 , sendo que o cliente pagará diretamente aos Contratantes os seus respectivos percentuais aqui definidos, não existindo relação de acerto financeiro entre os Contratantes/Parceiros. Grifou-se. E conclui: "Todo e qualquer registro de pagamentos a estes profissionais existentes no livro Caixa é, portanto, INDEVIDO, tendo em vista o dispositivo contratual acima, independente de quaisquer outros motivos.[...] Pelo exposto, só caberia a escrituração no Livro Caixa das despesas com "parceiros na prestação de serviços" se as mesmas fossem salários pagos a terceiros, na forma do inciso I, do artigo 75, do RIR/99, e não como despesas de custeio ou "emolumentos pagos a terceiros". Neste caso, entretanto, a prova da despesa só poderia ser feita com a apresentação da carteira de trabalho do empregado, exigida pelas leis trabalhistas.[...] Os denominados "parceiros na prestação de serviços" nada mais eram que agenciadores de causas, oferecendo os serviços profissionais do contribuinte a potenciais clientes, e recebendo participação nos honorários a receber, em completa inconformidade com as normas que regem a advocacia. As informações trazidas pelo diligenciado PAULO AUGUSTO GRANDI corroboram a conduta praticada pelo fiscalizado." Assim, em função de todo o exposto, ratifico a decisão da instância de piso que, à exceção da despesas com segurança, manteve a glosa das despesas lançadas indevidamente no livro caixa inclusive as registradas como emolumentos pagos a terceiros. 4.2. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. O Recorrente solicita que sejam compensados os tributos pagos pela Dal Agnol & Fernandes no imposto lançado. Respalda seu pleito em entendimento que consta no voto condutor do acórdão 10421.583 "[...]Nesse contexto, entendo que deva ser compensado, proporcionalmente, os tributos (imposto de renda e contribuições) recolhidos na pessoa jurídica oriundo de valores cujo fato gerador foi transferido para a pessoa física. É de se observar, que deve ser compensado o imposto e contribuições recolhidos na pessoa jurídica com o imposto apurado no auto de infração, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros)". Fl. 5828DF CARF MF 18 Inicialmente é importante destacar que o acórdão indicado pelo Recorrente não apresenta similitude fática com o presente caso. Explico. Aqui os registros de pagamentos, porventura existentes, foram apurados para pessoa jurídica optante pelo regime do SIMPLES nacional que, a meu ver, não são compensáveis com os créditos tributários lançados. Concordo com as observações registradas pela autoridade fiscal no Termo de Verificação ao concluir que: (destaques do original) "[...]os registros de pagamentos das guias do SIMPLES Nacional. As irregularidades fiscais aqui relatadas prendemse ao fato de que as receitas atribuídas à pessoa jurídica são, de fato, rendimentos pertencentes à pessoa física. Por isso mesmo, não cabe, na apuração dos tributos incidentes sobre as infrações aqui relatadas, a compensação com eventuais débitos tributários declarados (ou pagos) sob o CNPJ 06.081.082/000122. haja vista que as receitas a ele vinculadas não lhe pertencem. Fica, assim, a critério do fiscalizado, a faculdade de providenciar a retificação de suas DASN e proceder ao Pedido de Restituição dos valores recolhidos indevidamente dentro do prazo de 5 anos contados das datas do pagamentos (art. 168 do CTN). Além disso, pagamentos de impostos que não dizem respeito a atividade profissional do fiscalizado não são dedutíveis a título de livro caixa (lembremos que é vedado às sociedades de advogados, ainda que regularmente constituídas, a opção pelo SIMPLES Nacional)." Assim, não há como conceder,neste julgado,a compensação solicitada pelo Recorrente. 4.3. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Adoto inteiramente o voto da Conselheira Maria Helena Cota Cardozo no acórdão nº 9202004.250 que abordou com maestria a matéria, a saber: "[...]Conforme o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidem juros de mora à taxa SELIC. Confirase: "Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora,calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento " Quanto à aplicação da taxa Selic propriamente dita, a questão já se encontra sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 5: São devidos juros demora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.749 19 Por outro lado, de acordo com os artigos 113, §1º, e 139, do CTN, o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si, quanto a penalidade pecuniária, o que inclui a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Confirase: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,m tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tema mesma natureza desta." Destarte, quando a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", a única interpretação cabível é no sentido de que se trata da integralidade do crédito tributário, incluindose a multa de ofício proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em decisão de 04/12/2012: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1.Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário."(REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel.Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Confirase o inteiro teor da decisão: "Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito,inclusive a multa que,neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Com efeito,a posição assumida pelo acórdão recorrido espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, confirase:(...)" (grifei) A matéria integrou inclusive o Informativo STJ nº 0511, de 06/02/2013: "DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. Fl. 5830DF CARF MF 20 É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681 MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves,julgadoem4/12/2012." Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podem ser citados os seguintes julgados: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic." (Acórdão nº 9101 002.209, de 03/02/2016) "JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic." (Acórdão nº 9202003.700, de 27/01/2016) "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento."(Acórdão nº 9303 003.385,de 25/01/2016)"." Portanto, é legítima a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício proporcional, parte integrante do crédito tributário. 5. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 5831DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004083/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA.
1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc.
2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação.
3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta.
4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa.
5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA.
Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AFERIÇÃO INDIRETA. COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO COOPERTRANSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. 4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa. 5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 83 /2 01 0- 14 Fl. 427DF CARF MF 2 Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou auto de infração relativo à obrigação acessória (deixar de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da SRFB). Os autos já foram relatados neste Colegiado, conforme Resolução do dia 18 de junho de 2013: Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0153, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que a remuneração dos contribuintes individuais foi apurada de forma indireta, tendo em vista que a recorrente, devidamente intimada, deixou de apresentar folhas de pagamento, documentos GFIP, SEFIP e guias de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como deixou de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização acerca de sua contabilidade. No presente lançamento foram apuradas 03 (três rubricas), assim indicadas no relatório fiscal: 2.4. O levantamento Cl referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. 2.5. O levantamento AM referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. Corresponde à assistência médica. 2.6. O levantamento AL referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização Fl. 429DF CARF MF 4 nominal dos segurados. Corresponde às cestas básicas e refeitório. Ainda com relação aos fatos geradores, assim se manifestou o il. Fiscal autuante: 3.11.1 Assistência médica como remuneração indireta tendo em vista que a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 0 1 , 02, 03 não apresentou contratos e apólices de assistência médica, nem listagem com os beneficiários do contrato para os anos de 2006 e 2007, as despesas referentes à assistência médica foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. 3.11.2 Cestas básicas e refeitório como remuneração indireta a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 04 e 05, não apresentou folhas de pagamentos e GFIP dos segurados. Desta feita, não foi possível averiguar se há descontos relacionados e este benefício, ou se a alimentação é destinada a todos os segurados ou restrito mediante condições. As despesas referentes às cestas básicas e refeitório/lanches foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010 (fls. 104). Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte (fls. 121/122): “Não concordamos com o debito apurado conforme mérito abaixo. II.2. MÉRITO ( inciso III e IV do a r t . 16 do Dec.70.235/72) Tendo em vista que esta e os seus cooperados não foram contratados por nenhuma empresa, não emitem nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, seguinte forma: O operador realiza o transporte público de passageiros com seu próprio veículo, sendo responsável por toda a manutenção do mesmo, abastecimento e pagamento de todas as despesas necessárias para que o veículo seja colocado à disposição da população em linhas com trajetos e horários pré definidos pela Prefeitura de São Paulo. Portanto não há contratação de serviços, mas sim outorga de permissão para realização de transporte público de passageiros, atividade de caráter essencial, a remuneração a qual o fiscal se refere e tão somente o repasse dos valores aos seus cooperados, segue anexo contrato de permissão e aditivos. Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 4 5 qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas: 1. que em verdade não houve recusa na apresentação dos documentos requeridos pela fiscalização, mas uma explanação de que na condição de cooperados, seus recebimentos eram realizados diretamente pela SPTRANS, e exatamente por este motivo a cooperativa não detinha condições de efetuar a retenção de valores; 2. que somente haveria a possibilidade de identificação dos contribuintes individuais com a apresentação dos recolhimentos efetuados por cada um deles, documentos estes juntados aos autos com o presente recurso; 3. que fora colocado a disposição do auditor todos os documentos de transferências bancárias relativos aos créditos de remunerações pagas pela SP TRANS, que foram tidas na oportunidade como não necessárias, mas nunca não apresentados; 4. que não apresentou a folha de pagamentos, pois, a época, não detinha referido documento; 5. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulá la por Lei; 6. todos os dias os veículos retornam a garagem, onde existe um programa de computador da SPTRANS, que via antena, coleta os dados existentes nas catracas e gera um relatório denominado CIMO, o qual contém o número de passageiros transportados por cada um dos prefixos. Uma cópia desse relatório é repassado para a cooperativa que fará a conferência se o relatório CIMO está de acordo com o número de passageiros no diário de bordo de cada veículo. Com referido relatório é gerado um relatório de arrecadação, através do qual os pagamentos são efetuados diretamente ao cooperado pela SPTRANS; 7. se, portanto, necessária a existência de folha de pagamentos, esta somente poderia ser exigida da SPTRANS; 8. que a cooperativa somente recebe pagamentos da SPTRANS quando verificada divergência entre o relatório CIMO e o número de passageiros existente no diário de bordo. Ou seja, se o CIMO informa um número de passageiros igual a 1.000, e o relatório de bordo informa 1.200, a cooperativa recebe os valores relativos a estes 200 passageiros e os repassa aos cooperados, após resultado de recurso administrativo. Logo, não há remuneração dos cooperados através da cooperativa; Fl. 431DF CARF MF 6 9. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, tendo em vista que: Com o recurso voluntário foram trazidos aos autos vários documentos, entre eles guias de pagamento de contribuições que a recorrente sustenta serem relacionadas com o presente lançamento, as quais demonstram que os cooperados efetuavam recolhimentos de contribuições decorrentes dos recebimentos de valores diretamente da SPTRANS. Também entendo que a diligência seja necessária, até porque diante do art. 33 da Lei 8.212/91, em se tratando de um caso de lançamento por aferição indireta, é ônus do contribuinte levar a efeito a prova necessária a demonstrar a improcedência do lançamento e das conclusões da fiscalização sobre os valores lançados, juntando aos autos toda a documentação que entender pertinente a defesa de seus interesses. Sendo assim, resolveuse baixar os autos à origem, para que o agente fiscal se manifestasse a respeito dos citados documentos, esclarecendo, ainda, se: (i) os mesmos são relacionados aos fatos geradores objeto do presente lançamento; (ii) em sendo a ela relacionados, se o são especificamente com o lançamento relativo ao pagamento efetuado e constante nas rubricas DISPÊNDIOS OPERACIONAIS PAGAMENTOS LÍQUIDOS A COOPERADOS, DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS ou DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS; (iii) Se os pagamentos informados de fato foram contabilizados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil; Em cumprimento à citada diligência, a autoridade administrativa elaborou o TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, cujas conclusões foram as seguintes: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 5 7 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. A contribuinte foi intimada da Resolução e do resultado da diligência fiscal, mas não apresentou manifestação no prazo legal determinado. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do mérito recursal Basicamente, a contribuinte alega que os cooperados não eram seus empregados e que prestavam serviços, diretamente, para a SP TRANS. Afirma, ainda, que a Lei 8.212/1991 não contemplaria a situação fática por ela desenvolvida. Equivocouse a recorrente. Em primeiro lugar, e conforme relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. Mais ainda, e de acordo com o aludido TERMO, a contribuinte foi intimada sete vezes, sem que tenha prestado os devidos esclarecimentos, tampouco apresentado a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação, de tal forma que o procedimento se deu por aferição indireta. Fazse tais afirmações porque o presente lançamento é atinente à obrigação acessória relacionada aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais e porque a contribuinte não trouxe qualquer documentação que pudesse demonstrar, por exemplo, os diversos tipos de segurados que lhe prestavam serviços à época dos fatos geradores (segurados empregados, segurados contribuintes individuais na qualidade de dirigentes, segurados contribuintes individuais não cooperados, etc), sendo admissível o procedimento de aferição indireta que, a propósito, nem mesmo foi contestado em sede de recurso voluntário. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta nos seguintes termos: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 6 9 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... Decreto 3.048/1999 Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Art.235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de Fl. 435DF CARF MF 10 ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... A conclusão poderia ser diversa, se a recorrente tivesse demonstrado que todas as pessoas físicas prestadoras dos serviços seriam cooperados, e não contribuintes individuais não associados, exemplificativamente. Em segundo lugar, e diferentemente do que alega a contribuinte, a Lei 8.212/1991, em seu art. 15, parágrafo único, equipara a cooperativa à empresa, fazendoo nos seguintes termos: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Parágrafo único.Equiparamse a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual e a pessoa física na condição de proprietário ou dono de obra de construção civil, em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 13.202, de 2015) Noutro giro, a situação das cooperativas, inclusive das cooperativas de trabalho, está contemplada na legislação previdenciária. Em terceiro lugar, e como bem esclarecido pela DRJ, a permissão foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas, como pretende fazer crer a recorrente. Dito de outra forma, a recorrente foi a contratada para prestar os serviços, tendoo feito através de pessoas físicas. Ademais, é importante esclarecer que a contribuinte foi instituída para prestar serviços aos seus associados, mais especificamente para "contratar serviços junto à Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 7 11 Administração Pública, [...], que serão seus tomadores de serviços, para seus Cooperados [...]", conforme se vê em seu estatuto, art. 2º, item "c". Tal disposição estatutária está em consonância com o art. 4º da Lei 5.764/1971, segundo o qual as cooperativas são sociedades de pessoas constituídas para prestar serviços aos associados: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: [...] Significa dizer que um dos objetivos institucionais da recorrente era justamente o de celebrar contratos de prestação de serviços junto à administração pública em geral esta na qualidade de tomadora dos serviços, e aquela na qualidade de prestadora , em favor de seus associados, sendo indubitável que, nesse mister, a própria cooperativa seria a contratada, enquanto que os seus cooperados poderiam ou não serem os prestadores dos serviços. Podese acrescentar, ademais, que a existência de uma cooperativa somente se justifica para prestar serviços aos seus associados, não se concebendo, diferentemente das sociedades empresárias, uma atuação totalmente distinta da atuação de seus membros. Explicando melhor, muito embora a cooperativa tenha personalidade jurídica própria (art. 985 do Código Civil), inclusive com patrimônio distinto de seus membros, ela somente tem existência para prestarlhes serviços, distinguindose das demais sociedades, mormente das sociedades empresariais. Desta forma, a situação do sujeito passivo, diferentemente do que foi dito no recurso voluntário, já estava e está contemplada na legislação civil e tributária. Cumpre relembrar, ainda, que o lançamento foi feita por aferição indireta e que a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse esclarecer, sequer, se as pessoas físicas prestadoras dos serviços eram cooperadas ou contribuintes individuais não associadas, permanecendo, incólume, o citado procedimento de aferição. Sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da decisão a quo, que se integram ao presente voto como razões de decidir: Como sujeito passivo na relação jurídica tributária previdenciária, ao contrário do que alega a impugnante, tem sim a cooperativa o dever legal de proceder ao desconto e retenção dos valores relativos à contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, assim como efetuar o recolhimento desses valores, juntamente com a contribuição patronal devida. Também não prosperam as demais alegações, pois: (i) É fato que os cooperados da impugnante prestam serviços público à população, porém a permissão foi concedida à Fl. 437DF CARF MF 12 Cooperativa e não diretamente a eles como quer fazer crer a impugnante; (ii) A confecção de folha de pagamento é obrigatória, para todos os segurados que prestam serviços; (iii) Não basta apenas informar que os valores dos dispêndios operacionais foram realizados para a viabilização da prestação de serviço público mediante permissão, é necessário comprovar através da apresentação de documentos, o que não foi feito; (iv) a Prefeitura remunera os cooperados através da Cooperativa. [...] Por outro lado, e conforme esclarecido em sede de diligência fiscal: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. Desta maneira, não há qualquer circunstância ou documento novo que infirme as conclusões da decisão vergastada, que, assim sendo, deve ser integralmente mantida, negandose provimento ao recurso voluntário. 3 Da multa aplicada Conforme RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO, fl. 8, o presente lançamento é atinente à multa prevista no art. 92 da Lei 8.212/1991 e art. 102 do Decreto 3.048/1999, mais especificamente porque a empresa teria deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse. Pois bem. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 8 13 Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal analisada no tópico anterior, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900380/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO.
Comprovado que o débito confessado em DCTF estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhece-se o direito de crédito pleiteado, homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57; homologando-se as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em DCTF estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito pleiteado, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57; homologandose as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 03 80 /2 00 8- 12 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 95 2 Relatório O NILCATEX TEXTIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0131.101 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre a Manifestação de Inconformidade (fls. 02), apresentada contra o Despacho Decisório nº 757819525 (fl. 5), de 24/04/2008, que por vez não homologou a(s) compensação(s) declarada(s) no(s) PER/DCOMP nº 21421.32617.310804.1.3.043087. A(s) compensação(ões) tem(êm) por crédito um pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, código de receita 2362, PA jun/2004, no valor de R$ 3.284,57, arrecadado em 30/07/2004, via DARF, pelo valor de total de R$ 46.056,51. Não foi reconhecido o direito creditório, em razão do pagamento estar totalmente alocado a um débito. Ver figura 1. Figura 1 O sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade, em 12/05/2008, na qual alegou que: [...] Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 96 3 por não apresentar a DCTF Retificadora no período hábil acabou não apresentando o crédito pago a maior referente à guia de IRPJ cód.2362 do mês 06/2004 de R$ 3.284,57, que já foi utilizado por meio do Per/Dcomp n° 21421.32617.310804.1.3.043087. Em vista disso, recebemos o Despacho Decisório n° 757819525. Solicitamos o deferimento do Per/Dcomp enviado anteriormente, sendo que a DCTF Retificadora n° 26.56.42.87.7537 enviada em 07/05/2008, foi devidamente corrigida, conforme comprovamos pelos documentos anexos.. Para comprovar o alegado, o sujeito passivo juntou uma DCTF retificadora, apresentada em 07/05/2008. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente, pois, apesar de considerar válida a retificação da DCTF por não haver prova de que a retificadora tenha sido transmitida após ciência da prolação do despacho decisório, o suposto recolhimento a maior de estimativa teria sido utilizado para dedução do IRPJ devido no ajuste anual. A Recorrente foi intimada da decisão em 26 de janeiro de 2015 (fl. 28), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 3035 em 25 de fevereiro de 2015 (e documentação de fls. 3690). Em resumo, afirma que o valor de R$ 116.864,55 considerado pela decisão como de estimativas pagas está equivocado, pois na verdade tal valor corresponde à soma de estimativas recolhidas (R$ 94.779,02) e de imposto de renda retido na fonte (R$ 22.085,53). É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 97 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e subscrito por procurador com poderes para tanto. Logo, dele tomo conhecimento. 2 MÉRITO Tratase de declaração de compensação atrelada a suposto crédito decorrente de suposto pagamento a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de junho de 2004 (R$ 3.284,57). Tanto a unidade de origem quanto a turma julgadora de primeira instância não reconheceram qualquer parcela do crédito pleiteado. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A questão controvertida é se há ou não prova de que o recolhimento de estimativa do mês de junho de 2004 foi realizado de modo incorreto. Para a decisão recorrida, o valor de R$ 116.864,55 utilizado pela Recorrente como estimativas pagas para fins de determinação do IRPJ devido ao final do anocalendário de 2004 (Ficha 12A da DIPJ 2005 reproduzida à fl. 25 – figura 7 do voto condutor da decisão de primeira instância) englobaria o suposto indébito pleiteado. De fato, na Ficha 12A da DIPJ 2005 (fl. 83 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, também reproduzida no voto condutor da decisão de piso – fl. 25, Figura 7), consta como valor de estimativas recolhidas de R$ 116.864,55. Por outro lado, conforme já relatado, a Recorrente argumenta que, na realidade, o valor de R$ 116.864,55 indicado na linha 17 da Ficha 12A da DIPJ 2005 corresponderia à soma de estimativas recolhidas (R$ 94.779,02) e de imposto de renda retido na fonte (R$ 22.085,53). Considerandose que a própria Receita Federal reconhece que, em se tratando de erro no preenchimento de declarações, a retificação de ofício de débito confessado em declaração pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 20141, passo à análise dos argumentos da Recorrente. 1 Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=55808. Acesso em 30 out 2016. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 98 5 Convém relembrar que o período de apuração a que se refere a DIPJ examinada foi de 01/01/2004 a 05/09/2004 em razão de cisão parcial levada a efeito pela Recorrente (fl. 78). A fim de verificar o valor das estimativas efetivamente pagas utilizadas para deduzir o IRPJ devido ao final do período de apuração, tomei como base os valores indicados pela decisão de primeira instância na Figura 8 do voto condutor do aresto (fl. 26), e, para fins de determinação do imposto de renda retido na fonte utilizei os valores indicados em cada um dos meses na Ficha 11 da DIPJ 2005 (fls. 8082). Os valores encontramse sintetizados a seguir: Imposto de Renda Retido na Fonte (*) Estimativas Recolhidas Utilizadas na Dedução do IRPJ Devido(**) JANEIRO R$ FEVEREIRO R$ 5.773,88R$ MARÇO 2.589,55R$ 1.621,45R$ ABRIL 6.244,93R$ 414,00R$ MAIO 1.127,39R$ 7.836,35R$ JUNHO R$ 42.771,94R$ JULHO 7.916,33R$ 21.339,67R$ AGOSTO 4.207,33R$ 15.021,73R$ SETEMBRO R$ R$ SUBTOTAL 22.085,53R$ 94.779,02R$ TOTAL 116.864,55R$ * Soma das linhas 07, 09 e 11 de todos os meses da Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) ** De acordo com Figura 8 do voto condutor da decisão de primeira instância Desse modo, constatase, de fato, que o valor total de estimativas pagas indicado na Ficha 12A da DIPJ 2005 é de R$ 116.864,55, mas, indubitavelmente, houve erro no preenchimento da linha 17 dessa ficha, pois o valor de estimativas recolhidas e utilizadas na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração foi de R$ 94.779,02, sendo a diferença (R$ 22.085,53) advinda de imposto de renda retido na fonte. Portanto, fixemonos no valor efetivamente devido e utilizado na dedução da estimativa de junho de 2004 (R$ 42.771,94) e o valor efetivamente recolhido (R$ 46.056,51): resta evidente que a Recorrente efetivamente R$ 3.284,57 a maior de estimativas referente ao mês de junho de 2004, devendo ser reconhecido o crédito tributário correspondente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 99 6 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57, homologandose as compensações até esse limite. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013291/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 32 91 /2 00 7- 15 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, restando em litígio as competências 12/2001 a 12/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 30/10/2007 (fls. 01). Em sessão plenária de 08/10/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.757 (fls. 142 a 148), assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CTN. Uma vez que a obrigação acessória está vinculada à obrigação principal, se utiliza, no caso de obrigação acessória que tem origem em lançamento por homologação o disposto no art. 150, § 4º do CTN, de forma que, uma vez extinto o direito de constituir crédito tributário com relação à obrigação principal, o mesmo ocorre com as obrigações acessória. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32 A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. " A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade em dar provimento parcial ao recurso. Exonerando o crédito tributário que se encontra extinto pela decadência até o período de 09/2002. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial determinando o recálculo da multa, de acordo com o previsto no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. " Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10380.013291/200715 Acórdão n.º 9202005.245 CSRFT2 Fl. 193 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 149) e, em 12/01/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 150 a 156 (Despacho de Encaminhamento de fls. 177), visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 25/02/2016 (fls. 179 a 181). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista tratarse de multa por descumprimento de obrigação acessória, hipótese em que não há que se falar em pagamento antecipado de tributo. Cientificado em 08/04/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), o Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 190). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, restando em litígio, após a decisão de Primeira Instância, as competências de 12/2001 a 12/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 30/10/2007 (fls. 01). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o que afastaria a decadência das competências de 12/2001 a 09/2002, declarada no acórdão recorrido. Com efeito, o presente processo trata de descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Assim, considerandose que o Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 30/10/2007, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 12/2001 a 12/2006, aplicandose o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, afastando a decadência relativamente às competências de 12/2001 em diante. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 194DF CARF MF 4 Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002529/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 02 52 9/ 20 07 -1 6 Fl. 91DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 92 ___________ O contribuinte teve lavrada contra si a Notificação de Lançamento de fls. 23/26, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF referente ao exercício 2004, em razão de suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, deduzidos os honorários advocatícios. Na apuração do imposto devido, não houve a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos uma vez que este já havia sido integralmente aproveitado na DIRPF. Em face do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, afirmando que o lançamento efetuado decorre de erro de análise por parte da Fiscalização, que não examinou os documentos e dados apresentados, os quais contêm valores não tributáveis na declaração (FGTS e multa de 40%, aviso prévio indenizado) e com tributação exclusiva (13.° salário). Sustenta que a Fiscalização, no exame dos documentos apresentados, terseia baseado exclusivamente na prestação de contas do advogado do contribuinte, a qual, "por óbvio, é um documento destinado apenas a dar ciência ao Impugnante do valor líquido que receberia e dos honorários descontados". E mais, que, nessa prestação, não existe qualquer indicação das parcelas tributáveis e não tributáveis, portanto não poderia ela ter sido utilizada como elemento de averiguação da correção ou incorreção dos lançamentos que constam na DIRPF "porque estes decorreram da obtenção de dados contidos nos cálculos de liquidação de sentença e no alvará, tudo devidamente atualizado". Faz, em seqüência, a demonstração dos valores que entende corretos. Requer, portanto, seja recebida a presente impugnação, para o fim de tornar sem efeito o lançamento efetuado. Anexa os documentos de fls. 06/21. Em anexo, ainda, os documentos de fls. 40/70, examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal. Em julgamento, a 7ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 07/04/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que considerando os valores atualizados monetariamente efetivamente recebidos pelo contribuinte, nos termos das provas dos autos, observase que são os mesmos considerados pela fiscalização; que, quanto a supostas parcelas não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não se desincumbiu o contribuinte de provar sua natureza. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 77v, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl.80, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e acrescendo que os documentos que deveriam ser levados em consideração para o deslinde na natureza das parcelas recebidas encontramse a fls.4858 e teriam sido ignorados pela autoridade lançadora; sendo assim o contribuinte desincumbiuse do ônus da prova que lhe cabia. Em sede preliminar, os autos versam sobre rendimentos trabalhistas recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.002529/200716 Resolução nº 2802000.118 S2TE02 Fl. 93 3 É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003709/2008-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE OBJETO
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento da matéria objeto de recurso ou quando o resultado do recorrido implica falta de objeto ao processo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-005.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE OBJETO Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento da matéria objeto de recurso ou quando o resultado do recorrido implica falta de objeto ao processo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 09 /2 00 8- 51 Fl. 293DF CARF MF 2 Relatório Do lançamento ao acórdão recorrido Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.026.575 0, à efl. 21, cientificado à contribuinte em 30/07/2008. O AI é relativo a contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre os seus respectivos salários. Estão lançados no presente processo os tributos e seus acessórios incidentes sobre os pagamentos realizados a título de valetransporte sem observação da legislação, conforme descrito no relatório fiscal, às efls. 42 a 47. O montante do crédito tributário exigido de R$ 7.893,55, está composto pelo valor do principal, de R$ 4.603,65, multa de R$ 690,55 e juros moratórios de R$ 2.599,35, calculados até 29/07/2008. A empresa impugnou o AI, em 29/08/2008, às efls. 163 a 168. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/SPOI que, em 19/02/2009, no acórdão nº 16 20.485, às efls. 207 a 219, julgou o lançamento impugnado procedente, por unanimidade, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Intimada do resultado em 27/03/2009 (efl. 198), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/04/2009, às efls. 200 a 204. Naquele recurso, argumenta, em resumo: · excesso de exação na execução fiscal, representada por correção monetária não mais exigível; · existência de bis in idem pela aplicação de multa de mora, juros moratórios e correção monetária no lançamento. Apreciando o recurso, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 12/03/2012, o acórdão nº 230201.659, às efls. 01 a 16, que, apesar de ter excluído as parcelas relativas ao Vale Transporte, deu provimento apenas parcial ao Recurso Voluntário, conforme ementa e dispositivo abaixo reproduzidos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATORIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19515.003709/200851 Acórdão n.º 9202005.234 CSRFT2 Fl. 597 3 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e concederlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxíliotransporte. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada (Intimação 049/2012 da DERAT/DICAT/DERAT/SP à efl. 222) para ciência do acórdão nº 230201.659 em 25/02/2013 (efl. 221), sem contudo ser intimada a apresentar recurso voluntário. No dia seguinte, ela apresentou petição, que nomeou de "recurso voluntário", encaminhado à 2ºª Turma Ordinária da 3ª Câmara, às efls. 224 a 229, pleiteando a nulidade do referido acórdão, por entender que este não fora motivado. A DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, encaminhou tal petição ao GEFAP/SECOJ/SECEX/CARF, em 12/04/2013. No processo nº 19515.003706/200817, consta, à efl. 187 daqueles autos, despacho da Secretaria da 3ª Câmara de Segunda Seção de Julgamento, encaminhando para refazimento da intimação, inclusive no tocante ao presente processo, pois na anterior faltava referência específica à interposição de RE. À efl. 240, consta nova intimação, da DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, de nº 1504/2013, para que a contribuinte tomasse ciência do acórdão do recurso voluntário, sem data e sem comprovante de entrega. Em 05/07/2013, há novo despacho da DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, juntado à efl. 287, pelo qual se informa que foi dada ciência ao contribuinte dessa nova informação, em 12/06/2013, e ela teria interposto recurso especial de divergência em 25/06/2013, tempestivamente, agora juntado à efls. 241 a 249. Fl. 295DF CARF MF 4 No RE, protocolado em 27/06/2013, foi arguida divergência quanto à aplicação da multa de mora mantida no recorrido com fulcro no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.941/2009. Tendo em vista o art. 106 do CTN, que determina a aplicação da retroatividade benigna, se imporia o cálculo pelo critério disposto no mesmo artigo alterado pela lei de 2009. Apresentou como paradigma o acórdão nº 2301002.796 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, que, para caso idêntico, entendeu que deveriam ser comparadas as penalidades do art. 35, anterior e posterior à Lei nº 11.941/2009, e aplicada a mais benéfica à contribuinte. Em análise do recurso, o Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho nº 2300016/2014, de fls. 233 a 235, em 22/01/2014, no qual deu seguimento ao RE, por cumprirem os requisitos formais para sua apresentação e por vislumbrar similitudes nas situações fáticas dos acórdãos recorrido e paradigma. É o relatório Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. A insurgência da recorrente, nos termos da divergência que vem a este colegiado, restringese à multa lançada que, em valor originário, alcançou a quantia de R$ 690,55. Contudo, entendo que o conhecimento do recurso demanda uma análise aprofundada, por dois motivos importantes: (a) falta de prequestionamento da matéria e (b) perda do objeto, implicando falta de interesse recursal. Falta de Prequestionamento da matéria A discussão sobre a alteração da legislação que deu azo à multa aplicada em face da alteração trazida pela Lei nº 11.941/2009 não esteve presente em nenhuma fase do processo anteriormente ao RE da contribuinte. Ou seja, a divergência apreciada não se deu entre o que foi abordado no paradigma e no acórdão recorrido, simplesmente porque tal discussão neste inexistiu, a matéria não foi nele abordada. Tanto o recurso voluntário quando o acórdão recorrido são posteriores à alteração legislativa, decorrente da Medida Provisária nº 449 de 03/12/2008 (origem da citada Lei), que teve efeitos já em 2009 quando ambos foram elaborados. O recorrido tratou da multa e juros moratórios frente à alegação do recurso voluntário de que haveria bis in idem nessa exação. Tal bis in idem seria a aplicação de multa de mora concomitantemente à cobrança de juros moratório, argumento espancado pelo voto do recorrido em longo arrazoado. No tocante à legislação que embasou a multa, a única referência existente no voto é a do seguinte parágrafo, à efl. 12: Dessarte, se nos afigura correta a incidência tanto da multa no percentual indicado quanto de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado nos artigos 34 e 35 da Lei nº Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19515.003709/200851 Acórdão n.º 9202005.234 CSRFT2 Fl. 598 5 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. Assim, não há qualquer prequestionamento sobre a matéria a qual se refere o paradigma. Nesse sentido, entendo que o RE interposto não atende ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente à época de sua interposição, que no § 3º do art. 67 do Anexo II dispunha: § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.(Grifei.) A mesma redação se encontra insculpida no § 5º do art. 67, no Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, hoje vigente. Dessarte, com a devida vênia à análise realizada no Despacho nº 2300 016/2014 entendo que não deva ser dado seguimento ao RE, pois inexiste prequestionamento da matéria trazida no paradigma. Perda do Objeto do Recurso Falta de Interesse Recursal Ainda que se pretendesse trazer à baila a pretensa divergência, entendendose que haveria um pedido implícito de análise da multa, com base no argumento de bis in idem, acima referido, não restaria matéria a ser aqui discutida. Com efeito, a conclusão do acórdão recorrido foi pela exclusão do lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores equivalentes ao vale transporte, efl. 16 in fine. Ora este foi o único valor lançado no presente processo, conforme se depreende da análise do cálculo da exação constante do Anexo I Planilha A Demonstrativo da Apuração do Valor da Diferença do Segurado, às efls. 48 a 97. Além disso, cabe esclarecer que nos autos não foi lançada de multa isolada. Portanto, a multa de mora que se pretendia discutir, assim como os juros moratórios, foram calculados apenas sobre aquelas diferenças de contribuição social decorrentes dos valores pagos de valetransporte, conforme consta no Discriminativo Sintético de Débitos, às efls. 256 e 257. Dessa forma, o próprio resultado do acórdão recorrido implicaria em ausência de cobrança tanto da referida multa, quanto dos juros moratórios, tendo em vista que esses têm por base de cálculo os valores em atraso devidos; inexistindo valores em atraso relativos ao pagamento de valetransporte, inexistem multa e juros. Assim, o resultado do acórdão recorrido apesar de prover em parte o recurso voluntário, faria com que não existisse objeto de litígio para o recurso especial, ainda que se desejasse admitilo, pois inexistiria crédito em exação após aquela decisão. Fl. 297DF CARF MF 6 Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial da contribuinte, seja pela falta de prequestionamento, seja pela perda de seu objeto, o que acarreta falta de interesse recursal. assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000274/2008-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 74 /2 00 8- 79 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 282DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 284DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 286DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004722/2009-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.919
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 47 22 /2 00 9- 87 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 337 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801005.297, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 338 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 339 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 340 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 340DF CARF MF
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