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Numero do processo: 10825.900822/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP.
Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
Numero da decisão: 3401-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900822/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.335 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente IRIZAR COMERCIAL EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 08 22 /2 00 8- 16 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Declaração de Compensação nº 29098.56517.180804.1.3.045312, transmitido na data de 18/08/2004, indicando um crédito de COFINS no valor de R$ 9.707,37 como sendo parte do valor do DARF referente ao período 09/2002, com data de arrecadação 15/10/2002, no valor de R$ 11.816,94; o débito, também, de COFINS, referese ao mês 10/2002 no valor de R$ 5.594,01; 11/2002 no valor de R$ 1.375,87 e 12/2002 no valor de R$ 2.737,49 cuja soma corresponde o mesmo valor do crédito, ou seja, R$ 9.707,37. As efls.25 dos autos consta o “Relatório de Verificação de Pendências do PER/DCOMP” com 4 avisos: A DRF de Bauru/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Porém, demonstra que o valor do DARF foi utilizado para os pagamentos que discrimina: Ao final, intima a contribuinte a realizar o pagamento dos débitos indevidamente compensados: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 4 3 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), solicitando o cancelamento da cobrança de que foi intimado via Despacho Decisório, pelas razões a seguir expostas: (a) que após ter realizado conferências contábeis verificou que o débito do COFINS para o período de apuração 09/2002 era de R$ 2.109,57 e não no valor de R$ 11.816,94 conforme anteriormente declarado e pago, restando assim um saldo credor no montante de R$ 9.707,37; b) que os débitos de COFINS apurados nos meses subsequentes foram compensados mediante simples demonstração na DCTF, conforme detalhado na declarações apresentadas nos autos; (c) que em auditoria interna da empresa foi apontado o fato de ter sido realizadas compensações sem a devida formalização via PER/DCOMP, o que veio a ser feito na data de 18/08/2004, porém, causando duplicidade de informações; (d) que a RFB acatou as compensações dos débitos supramencionados sem a formalização de processo, resultando a PER/DCOMP em duplicidade de informações tanto do crédito que não mais existia quanto do débito; (e) por fim menciona que não houve lesão ao erário e tão pouco pode ser exigido da Requerente o pagamento de débitos já compensados. Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade e fundamenta que “Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento”; que não há correção a ser feita no despacho decisório; que a interessada visa tão somente o cancelamento da PER/DCOMP de nº 29098.56517.180804.1.3.045312 e o cancelamento dos débitos apontados no respectivo despacho, cuja apreciação, a teor do art. 233 do Regimento Interno da Receita Federal, não confere competência à DRJ. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.59) contra a decisão de primeiro grau, solicitando sua reforma com o consequente cancelamento dos débitos apontados no Despacho Decisório, por total inexistência dos mesmos conforme ficou demonstrado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme detalhadamente relatado, ficou evidente que a PER/DCOMP apresentada é totalmente ineficaz, estéril e desnecessária, pois frente aos fatos levantados não há crédito disponível, como também, os débitos arrolados são inexistentes. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 5 4 No Despacho Decisório ficou claramente demonstrado que o crédito correspondente ao DARF no valor de R$ 11.816,94 foi integralmente utilizado para quitação de débitos dos seguintes períodos de apuração: Contribuição (código) Período de Apuração Valor Original 2172 30/09/2002 2.109,57 2172 31/10/2002 5.594,01 2172 30/11/2002 1.375,87 2172 31/12/2002 2.737,49 Total 11.816,94 Coincidentemente os débitos quitados com o valor do DARF mencionado são os mesmos que foram declarados no pedido de compensação (PER/DCOMP nº 29098.56517.180804.1.3.045312). Portanto, o crédito deixou de existir, corretamente demonstrado, só que o débito não, continua sendo objeto de cobrança conforme espelhado às fls.9 dos autos: A Recorrente desde o início vem explicando que os débitos de COFINS dos meses de outubro, novembro e parte de dezembro de 2002 foram extintos por compensação via DCTF. Observase que essa compensação foi aceita pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto que o próprio fiscal fez essa relação de utilização do crédito no Despacho Decisório. O Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi implantado pela IN SRF nº 320 de 11 de abril de 2003 e a Recorrente a utilizou somente em 18 de agosto de 2004, quando o débito e o crédito já não mais existiam. A forma como adotada pela Contribuinte em sua DCTF era prática comum de demonstrar a quitação de débitos com créditos por pagamento a maior que o devido via DARF. Se o débito já estava extinto e ficou comprovado nos autos, está demonstrado que a declaração de compensação não se prestava para o fim pretendido. O fato do surgimento da PER/DCOMP não torna válida a exigência tributária nos termos como estabelecido pelo Despacho Decisório e isso leva ao surgimento de um enriquecimento sem causa pelo Estado. O Código Civil – Lei nº 10.406/2002 trata do caso em seu art. 884, que determina que quem, sem justo motivo, enriquecer gerando danos ou perdas a outra pessoa, será obrigado a restituir o que foi indevidamente obtido. Se reconhecidamente inexistente o débito que fora declarado em PER/DCOMP, o transformaria em justo motivo para efetivação da cobrança? Ainda é tempo de se corrigir e por fim a esse episódio sem que gere dano ou perda a alguém, atendose aos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012499/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO.
Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defende-se de forma eficaz.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA.
Tratando-se da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendo-se a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN).
IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS.
A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir.
IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS.
Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da
legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias.
Numero da decisão: 1302-000.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a decadência, vencidos o relator e o conselheiro Eduardo de Andrade e, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defende-se de forma eficaz. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA. Tratando-se da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendo-se a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN). IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS. A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir. IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias.
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CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defendese de forma eficaz. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA. Tratandose da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendose a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN). IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS. A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir. IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.680 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a decadência, vencidos o relator e o conselheiro Eduardo de Andrade e, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.681 3 Relatório SIPAR – SOCIEDADE DE INCORPORAÇÕES E PARTICIPAÇÕES S/A, empresa inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 91.325.365/000141, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), apresenta recurso voluntário a este Colegiado objetivando a reforma da mesma. A exigência inicial contida nos autos de infração (fls. 704/719), consistia de seguintes tributos e contribuições: TRIBUTOS IMP/CONTRIB. JUROS MULTAS TOTAIS IRPJ 31.145,16 23.012,39 23.358,85 77.516,40 IRRF 61.426,69 54.157,51 46.069,92 161.654,12 CSLL 11.212,24 8.284,43 8.409,17 27.905,84 TOTAIS 103.784,09 85.454,33 77.837,94 267.076,36 O relatório da ação fiscal explicita que foram cometidas as seguintes irregularidades pelo sujeito passivo: ITEM IRREGULARIDADES COMETIDAS PAGAMENTO – R$ 01 Falta de apresentação de documentos comprobatórios da operação ou causa 41.917,51 02 Documentação apresentada insuficiente ou não hábil para a comprovação da operação ou causa 72.160,84 03 Documentação apresentada comprova a operação, mas as despesas são indedutiveis 10.502,33 TOTAL 124.580,68 Nos casos de pagamentos sem a apresentação de documentos comprobatórios ou de documentação insuficiente ou inábil para a comprovação da operação ou causa, a fiscalização entendeu que seriam pagamentos sem causa e sujeitos a incidência exclusiva na fonte do Imposto sobre a Renda na Fonte, com a alíquota de 35%, na forma do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Na decisão de fls. 1551 a 1557, a autoridade julgadora de 1º grau examinou os argumentos expendidos pelo sujeito passivo na impugnação apresentada, (fls. 1511/1538), bem como as provas documentais acostadas aos autos e, principalmente, o argumento de que a fiscalização indagou apenas os pagamentos efetuados sem cogitar quanto à dedutibilidade das despesas para a determinação do lucro real, conforme estabelecido na legislação tributaria federal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.682 4 A decisão de 1º grau foi proferida com fundamento nas seguintes premissas: a) o ônus da comprovação da operação ou a causa do pagamento, bem como o preenchimento das condições de dedutibilidade dos correspondentes custos ou despesas é do contribuinte, na forma do artigo 16, inciso III, § 4º, do Decreto nº 70.235/72; b) quanto à dedutibilidade das despesas, além da comprovação da efetiva ocorrência do dispêndio, também deve ser demonstrada que a despesa correspondente é necessária para a manutenção da atividade da empresa e da fonte produtora, tal como descrito no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99; e, c) nos casos de pagamento sem causa em virtude de documentação insuficiente ou não hábil para a comprovação da operação ou causa, estão sujeitos a incidência exclusivamente na fonte de imposto de renda na fonte, com base no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Com base nas premissas estabelecidas, a autoridade julgadora de 1º grau examinou cada um dos pagamentos bem como os argumentos expendidos pelo sujeito passivo cujo conteúdo pode ser sintetizado no demonstrativo abaixo: CHEQUE VALORR$ MANTIDO PROVIDO FUNDAMENTO DA DECISÃO 310802 2.250,00 2.250,00 0 Por se tratar de brindes – art. 13, VII, da Lei 9.249/95 310860 2.650,00 2.650,00 0 Despesas de caráter pessoal de outro período 310945 2.400,00 0 2.400,00 NF de locação de escavadeira hidráulica 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 3.007,69 1.131,92 3.211,63 0 0 0 NF 61, 63, 64 e 65 emitida por uma pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ está inativa desde o ano de 2000 311048 1.153,00 1.153,00 0 Não apresentou sequer a Nota Fiscal e a empresa dita fornecedora foi declarada inapta em 1997 311083 1.555,30 1.555,30 0 Despesas de terceiros para CEF. Mantido o fato gerador de IRPJ e CSLL e excluída para imposto na fonte 311165 312046 14.000,00 30.000,00 14.000,00 30.000,00 0 0 Contabilizado e pago como adiantamento para diretor da empresa Luiz Della Pasqua 311181 1.000,00 1.000,00 0 Pagamento não comprovada – mantida a glosa 311298 4.925,00 0 4.925,00 Pagamento a DW Assessoria – despesa dedutível 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 6.000,00 5.000,00 7.000,00 0 0 0 Pagamento a título de assessoramento, adiantamento futuro e adiantamento para acerto futuro a título de assessoria a ser prestada para Flávio Lúcio Skaf, pai do sócio Flávio Filho. 311654 2.637,83 0 2.637,83 NF 34 da Jordani Engenharia Ltda. – dedutível 311679 2.442,00 2.442,00 0 Despesas não comprovadas 312102 1.200,00 0 1.200,00 Despesas de instalação de estande de vendas 312146 4.783,60 0 4.783,60 Despesas comprovadas – serviços de portaria 312690 2.500,00 0 2.500,00 Despesa legítima relativa a modificação de projeto 313454 1.000,00 1.000,00 0 Os pagamentos não conferem com os dispêndios 313539 314434 315500 315917 2.000,00 2.000,00 1.000,00 1.440,04 0 0 0 0 2.000,00 2.000,00 1.000,00 1.440,04 Despesas dedutíveis e relacionadas com plantões de vendas de casas e apartamentos decorados e despesas com motoboy Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.683 5 615985 1.096,52 0 1.096,52 314317 3.000,00 0 3.000,00 Pagamento comprovado – confissão de dívida 314517 1.598,00 0 1.598,00 Pagamento justificado e aceito 314674 1.000,00 1.000,00 0 Gastos de fim de semana em Gramado inaceitável 315416 1.500,00 1.500,00 0 Despesas não comprovadas 315538 1.268,65 1.268,65 0 Comprovação insuficiente para dedutibilidade 315558 1.000,00 85,00 915,00 Comprovação parcial despesa de manutenção 316224 317507 344,75 344,75 344,75 344,75 0 0 Pagamento de imposto de terceiro. Não dedutível. 317827 317939 1.540,00 3.800,00 322,52 63,91 1.217,48 3.736,09 Comprovação parcial – custas processuais 318823 1.800,00 1.800,00 0 Despesas de supermercado em Porto Alegre. Inaceitável. TOTAIS 124.580,68 88.131,12 36.449,56 Após a decisão de 1º grau, o crédito tributário em litígio ficou reduzido conforme o demonstrativo abaixo: TRIBUTOS IMP/CONTRIB. JUROS MULTAS TOTAIS IRPJ 22.032,14 23.909,39 11.566,88 57.508,41 IRRF 44.781,03 55.495,86 23.509,99 123.786,88 CSLL 7.931,81 8.607,63 4.164,20 20.703,64 TOTAIS 74.744,98 88.012,88 39.241,07 201.998,93 No recurso voluntário (fls. 1581/1619), a recorrente levanta a preliminar de decadência do direito de constituir crédito tributário de Imposto sobre a Renda na Fonte, do período anterior a 22 de novembro de 2002, vez que o Auto de Infração foi lavrado no dia 22 de novembro de 2007, em conformidade com o precedente estabelecido no Acórdão nº 106 16.737, de 23 de janeiro de 2008, cuja ementa, foi transcrita nos autos. Além desta preliminar, a recorrente levanta a preliminar de nulidade do lançamento tendo em vista que a fiscalização glosou pagamentos em vez despesas para fins de apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, sem averiguar se a contrapartida destes lançamentos contábeis (pagamentos) se deu em contas de resultados. Esclarece a recorrente que nos casos em que determinadas despesas são efetuadas e imediatamente pagas haverá a concomitância temporal entre o pagamento e a ocorrência da despesa. Entretanto, nos casos em que muitos desembolsos são canalizados para a aquisição de bens que serão, num primeiro plano, incorporados a contas patrimoniais, a pretensão fiscal de pautar as glosas pelos pagamentos, sem ao menos analisar a contrapartida destes lançamentos, é ignorar o mais elementar principio contábil (receita – despesa = lucro). Diante destes esclarecimentos, a recorrente insiste que os pagamentos glosados, tendo como contrapartida as contas patrimoniais, fornecedores e adiantamentos, não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.684 6 têm qualquer relevância na apuração das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL e, ainda, argüi aspectos temporais relacionadas com a contabilização num períodobase e pagamentos em outros períodos de apuração. Sustenta que no caso de pagamento efetuado com o cheque nº 310802 (fls. 711), de R$ 2.250,00, correspondente a aquisição de 150 conjuntos de faca e garfo, no valor unitário de R$ 15,00, que eram distribuídos para potenciais clientes que visitavam os imóveis para venda, estas despesas foram realizadas no anocalendário anterior (2001), e que somente o pagamento foi efetuado no período imputado (2002) e, portanto, ainda que fosse discutível a sua dedução como despesas operacionais, o período de apuração seria inconsistente com os fatos apurados (contabilização a débito da conta de resultados e a crédito da conta Fornecedores, no anocalendário de 2001, e quando do pagamento, foi debitada a conta Fornecedores e creditada a conta Caixa/Banco, no anocalendário de 2002). No mérito, a recorrente expõe que a autoridade fiscal não tratou a questão com o devido detalhamento que o caso exige, incorrendo, sob o aspecto contábil e fiscal, em diversas irregularidades que foram sintetizadas nos seguintes termos: (a) ao glosar o valor dos cheques emitidos (valor dos pagamentos) mesmo que estes, individualmente, se referissem a diversas despesas, confundiu pagamentos com despesas, o que sob o aspecto contábil é irregular e sob aspecto fiscal é equivocado. (b) confundiu despesas desnecessárias à atividade da empresa com pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, o que redundou em quantificação equivocada do IRRF; (c) não fez distinção entre despesas dedutíveis para o IRPJ com despesas dedutíveis para a CSLL, o que resultou na indevida elevação do lançamento desta contribuição; (d) tratou os lançamentos contábeis representativos de pagamentos como indedutíveis ante o IRPJ e a CSLL, mesmo quando estes correspondam a adiantamentos, cujas contrapartidas encontramse registradas em contas patrimoniais; (e) em suma, o Fisco efetuou glosas de pagamentos sem ao menos analisar a contrapartida contábil destes pagamentos, os quais, na maioria das vezes, eram acolhidas por contas patrimoniais em vista do ramo de atividade exercido pela recorrente (incorporações imobiliárias) e por orientação das normas contábeis pertinentes. Justifica a sua pretensão nos precedentes e na jurisprudência administrativa consubstanciadas nos seguintes acórdãos: 10708.308, de 20/10/2005, 10193.759, de 19/03/2002, 10708.297, de 19/10/2006 e 10422.169, de 24/01/2007. Em seguida, apresenta argumentos relacionados com cada um dos pagamentos objetos de autuação, esclarecendo que todos os pagamentos estão relacionados com obras em andamento e relacionados com a atividade operacional da empresa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.685 7 A recorrente junta ao recurso voluntário, 19 anexos (cópias de documentos) para subsidiar os esclarecimentos expendidos no mesmo. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.686 8 Voto Vencido Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A recorrente apresentou duas questões preliminares: a decadência parcial do direito de constituir crédito tributário relacionados com os pagamentos efetuados nos períodos anteriores a 22 de novembro de 2002, vez que os autos de infração foram lavrados em 22 de novembro de 2007, por decurso do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores e, ainda, a preliminar de nulidade do lançamento tendo em vista que a fiscalização examinou apenas os pagamentos efetuados, sem averiguar a efetiva ocorrência dos respectivos fatos geradores que é a apuração de resultados: lucro real para incidência de IRPJ e lucro líquido para a incidência de CSLL. PRELIMINAR DE NULIDADE DE LANÇAMENTO Conforme o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a nulidade alcança os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso dos autos, os autos de infração foram lavrados por servidores com competência legal e os despachos e decisões foram proferidos por autoridade competente. Não se vislumbra nestes autos a existência de atos, termos, despachos ou decisões que tenham sido prolatados com preterição do direito de ampla defesa e o fato de o recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo ter sido pautado para o julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta data, constitui uma evidência do exercício do direito de defesa e conseqüentemente da inocorrência de qualquer cerceamento do direito de defesa. Assim, rejeito a preliminar de nulidade vez que os fatos mencionados pelo sujeito passivo não estão contaminados pelo vício de nulidade face ao contido no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e, porque os feitos estão sendo objeto do julgamento, não se caracterizando cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Conforme consta dos autos, o sujeito passivo foi cientificado da exigência contida nos autos de infração no dia 22 de novembro de 2007 e inexistindo nestes autos qualquer imputação de dolo, fraude ou simulação e, em se tratando de um lançamento por homologação, a autoridade fiscal dispõe do prazo de cinco (5) anos da data da ocorrência do fato gerador para a constituição dos respectivos créditos tributários. No anocalendário de 2002 (DIPJ/2003, fls. 545/592), a recorrente apurou resultados que ensejaram o recolhimento de tributos e contribuições Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.687 9 (IRPJ/CSLL/COFINS/PIS) e, portanto, não paira qualquer margem a dúvida que os tributos e contribuições objetos do lançamento contido nestes autos estão sujeitos a lançamento por homologação. Traduzindo os claros dispositivos do Código Tributário Nacional sobre a matéria, não é difícil afirmar que esta modalidade de lançamento ocorre nos casos em que compete ao sujeito passivo determinar a matéria tributável, a base de cálculo e, se for o caso, promover o pagamento do tributo, sem qualquer exame prévio da autoridade tributária. No lançamento por homologação, toda a atividade da autoridade tributária ocorrerá a posteriori, cabendo ao próprio sujeito passivo determinar a base de cálculo e proceder ao pagamento do tributo observando as determinações da legislação tributária. Nesse diapasão, resta à autoridade tributária competente agir de duas formas: a) concordar, de forma expressa ou tácita, com os procedimentos adotados pelo sujeito passivo; b) recusar a homologação, seja por inexistência ou insuficiência do pagamento, procedendo ao lançamento de oficio. No caso do imposto de renda na fonte previsto no art. 61 da Lei n°. 8.981/95, cuja tributação é exclusiva, que é a hipótese dos autos, não há qualquer prévia atividade da autoridade tributária da qual dependa o posterior pagamento ou não do imposto pelo sujeito passivo. Logo, tratase de tributação definitiva, cujo fato gerador ocorre na data do pagamento e, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador consoante face ao disposto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Assim decidiu a Quarta Turma da CSRF no recurso nº 106138454: TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA – DECADÊNCIA – Sendo a tributação de fonte, incidente sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, definitiva, exclusiva, não compensável e cuja apuração e recolhimento independem de prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4º do CTN), devendo o prazo decadencia ser contado do fato gerador. Assim, acolho a preliminar de decadência do direito de constituir crédito tributário relativamente ao IRPJ e CSLL com fatos geradores (trimestrais) anteriores a 1º de outubro de 2002 e do IRRF com fatos geradores (mensais) anteriores a 1º de novembro de 2002. 03 MÉRITO No mérito, a recorrente apresentou argumentos substanciais e provas documentais que foram examinados com precisão e cautela para verificar a ocorrência dos respectivos fatos geradores dos tributos e contribuições e relativamente as parcelas objetos de litígio comportam as analises contidas no quadro a seguir, sendo que os pagamentos e/ou Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.688 10 despesas operacionais não dedutíveis para a determinação do lucro real, lucro líquido ou pagamento sem causa, de períodos não decadentes serão examinados com maior profundidade, nos parágrafos seguintes. CHEQUE LITIGIOR$ ARGUMENTO APRESENTADO PELO SUJEITO PASSIVO DECISÃO 310802 2.250,00 Despesa contabilizada em 2001 Decadente 310860 2.650,00 Pagamento a SCP Florida Village Residente – 15/02/2002 Decadente 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 Pagamento a fornecedores em 08/01/2002, 14/01/2002 e 19/04/2002 Decadente 311048 1.153,00 Contabilizado como custo da obra/043, em 16/01/2002 decadente 311083 1.555,30 Destinado ao adquirente do imóvel – CEF, em 15/01/2002 decadente 311165 312046 14.000,00 30.000,00 Adiantamentos que posteriormente converteuse em custos, em 01/02/2002 e 28/03/2002 decadente 311181 1.000,00 Prestação de serviços na incorporação imobiliária – OBRA 201 em 23/01/2002 decadente 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 Adiantamentos pagos a Flávio Lúcio Skaf por serviços de assessoramento em 15/02/2002, 25/03/2002 e 20/05/2002 decadente 311679 2.422,00 Reembolso de despesas para João Luiz dos Santos em 04/02/2002 decadente 313454 1.000,00 Pagamento contabilizado como custo da obra da California Vila Residence em 02/07/2002 Decadente 314674 1.000,00 Adiantamento para pagamento de custo de OBRA/021 (R$ 300,00) e OBRA/ 200 (R$ 700,00), conforme Anexo XIII (fls. 1652 e 653) – 04/10/2002 Provimento 315416 1.500,00 Contabilizado no Ativo Permanente e sem implicação na conta de resultados Provimento 315538 1.268,65 Contabilizado no Ativo Circulante sem repercussão da conta de resultados Provimento 315558 85,00 Adiantamento para pagamento de custo da OBRA/200 – não foi escriturado para apuração de resultados Provimento 316224 317507 344,75 344,75 ISSQN pago e debitado na conta de prestadora de serviço – contabilizado na conta patrimonial, sem implicação na conta de resultados. Provimento 317827 317939 322,52 63,91 Diferença que não foi aceita na decisão de 1º grau. As parcelas foram contabilizadas na conta de OBRA/098 e não influiu na conta de resultados Provimento 318823 1.800,00 Escriturado a débito de conta patrimonial OBRA/101 SCP California Village Residence e sem influencia na conta de resultados Provimento TOTAIS 88.111,12 Vencido quanto à decadência para os pagamentos referenciados no quadro acima na coluna “decisão”, no mérito, ditas glosas não merecem prosperar, senão vejamos: CHEQUE LITIGIOR$ FUNDAMENTAÇÃO DECISÃO 310802 2.250,00 Despesa contabilizada em 2001. Em pagamento da nota fiscal nº 003179, da Metalúrgica Rejope (fls. 1.623) e contabilizada na Obra101 Provimenjto 310860 2.650,00 Despesa contabilizada em 2001. Em pagamento a SCP Florida Village Residente – em 15/02/2002, fls. 1.625. Provimento 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 Pagamento a fornecedores em 08/01/2002, 14/01/2002 e 19/04/2002. Contabilizadas como custos da Obra/101 – fls. 1.627 Provimento 311048 1.153,00 Contabilizado como custo da obra/ 201, em 16/01/2002. fls. 1.629 e 1.631 Provimento 311083 1.555,30 Destinado ao adquirente do imóvel – CEF, em 15/01/2002. Contabilizado à conta da Obra/101 – fls. 1.634. Provimento 311165 312046 14.000,00 30.000,00 Adiantamentos que posteriormente converteuse em custos, em 01/02/2002 e 28/03/2002. Obra/101. Contabilização às fls. 1.636 e segs. Provimento 311181 1.000,00 Prestação de serviços na incorporação imobiliária – OBRA 201 em 23/01/2002. Fls. 1.642 Provimento 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 Adiantamentos pagos a Flávio Lúcio Skaf por serviços de assessoramento em 15/02/2002, 25/03/2002 e 20/05/2002. Obra/101, fls. 1.645 Provimento 311679 2.422,00 Reembolso de despesas para João Luiz dos Santos em 04/02/2002. Obra//098 e Obra/101. Fls. 1.647 e 1.648. Provimento 313454 1.000,00 Pagamento contabilizado como custo da obra da California Vila Residence em 02/07/2002. Contabilização às fls. 1.650 Provimento Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.689 11 Com relação aos demais fatos geradores não abrangidos pela preliminar de decadência, das provas carreadas aos autos ficou evidenciado que: CHEQUE Nº 315416, DE 03/12/2002 – R$ 1.500,00 – A recorrente esclarece que o cheque foi emitido nominalmente ao funcionário da empresa Marcos Borges Nunes que foi encarregado de depositar na conta do advogado Cláudio Cabral Barbedo como adiantamento para pagamento de custas processuais e acrescenta que o valor foi registrado na contabilidade em conta de Ativo Circulante e permaneceu contabilizado até o fechamento do balanço em 31/12/2002. Efetivamente, conforme cópia da Ficha Razão nº 09, incluída no Anexo XIV, o referido dispêndio foi contabilizado na conta do Ativo Circulante e, portanto, não teve qualquer implicação na Conta de Resultados. Desta forma, a parcela objeto de glosa não tendo sido computado na determinação do lucro real e lucro líquido, não tem cabimento a sua glosa como despesas indedutíveis e nem tampouco há que se cogitar de pagamento sem causa posto que o valor contabilizado consta do Balanço Patrimonial do final do anocalendário. CHEQUE Nº 314674, – R$ 1.000,00 – A recorrente esclarece que este cheque serviu para pagamento de despesas do escritório em Porto Alegre (R$ 300,00) e para custeio de obras da SCP FLORIDA VILLAGE RESIDENCE (R$ 700,00) e como prova de suas alegações indicam os registros contábeis, conforme cópia de Fichas Razão (Anexo XIII). Entretanto, na fase impugnativa, a recorrente havia informado que o cheque fora emitido a titulo de suprimento de caixa para o empregado Marcos Nunes para pagamento de refeições, almoços e jantares com as equipes de vendas, corretores, funcionários e prestadores de serviços, gerentes de bancos e viagens para avaliação de imóveis, no montante de R$ 564,07, e que todas as despesas estariam relacionadas com a atividade fim da empresa. A diferença referiase as custo de compra de materiais de pintura, combustíveis e serviços de cópias relacionadas com a incorporação da ALVORADA FLORIDA VILLAGE RESIDENCE. Embora os esclarecimentos prestados na impugnação e no recurso voluntário sejam desencontrados, coincidem num ponto no que concerne a suprimento de caixa para empregado para o custeio de pequenas despesas relacionadas com os empreendimentos imobiliários em andamento. Além disso, o fato de os referidos pagamentos terem sido contabilizados como custo da OBRA/021 (R$ 300,00) e OBRA/200 (R$ 700,00), não comporta lançamento a título de despesas indevidas ou pagamentos indevidos posto que nos casos de incorporação imobiliária, a legislação tributária impõe sistemática especifica para a apuração de resultados por ocasião das vendas das unidades imobiliárias, a vista ou a prazo. Desta forma, entendo que o sujeito passivo tem razão porquanto a escrituração contábil não produziu qualquer efeito para a determinação do lucro real ou do lucro líquido para a incidência de IRPJ ou CSLL e muito menos pagamento sem causa, porque, poderia ter um tratamento de adiantamento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.690 12 CHEQUE Nº 315538, DE 11/12/2002 – R$ 1.268,65 – A recorrente esclareceu que o cheque foi emitido a favor de Marcos Borges Nunes (fls. 1247/1248) para saque de depósito na conta de Carlos Paulo Vial (fls. 1248 a 1249), para pagamento de obrigações pactuadas no “Termo de Confissão de Divida com Pagamento Através de Fornecimento de Materiais de Construção” no qual coube a recorrente o pagamento de um saldo de dívida que o Sr. Carlos Paulo Vial possuía junto à Caixa Econômica Federal. O fato narrado foi contabilizado em conta do Ativo Circulante e que conforme Ficha Razão, foi liquidado por encontro de contas, apenas no dia 30 de novembro 2003. Os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo estão coerentes porquanto, às fls. 1659, a cópia da Ficha Razão indica a contabilização na Conta Patrimonial “Créditos Diversos – Carlos Paulo Vial” com a contrapartida OBRA/043 e, portanto, o pagamento objeto de imputação fiscal não teve qualquer influência na Conta de Resultados, motivo porque não poderia ser objeto de lançamento para exigência de IRPJ, CSLL e IRRF. CHEQUE Nº 315558, DE 04/10/2002 – A recorrente esclarece que este cheque serviu para o suprimento de caixa em favor do empregado Marcos Borges Nunes, no valor de R$ 1.000,00 e que na decisão de 1º grau foi aceita a comprovação de R$ 915,00. Na fase impugnativa, o sujeito passivo já esclarecia que todo o suprimento é baixado mediante prestação de contas e que no caso do cheque em exame, foi constatada uma diferença de R$ 83,98 e que no julgamento de 1º grau foi computado como de R$ 85,00. Em que pese os argumentos expendidos pelas partes, constato que se o suprimento de caixa foi contabilizado como custo da OBRA/200 – SCP FLORIDA VILLAGE RESIDENCE, e tendo em vista que na incorporação imobiliária, a forma de apuração de resultados segue uma sistemática específica, não vejo qualquer interferência desta diferença de R$ 85,00, na apuração de resultados da recorrente. CHEQUES Nº 316224 E 317507, DE R$ 344,75 e R$ 344,75 – A recorrente esclarece que estas duas parcelas correspondem ao Imposto sobre Serviços – ISSQN devidos pela contratada LAAR – Consultoria e Gerenciamento de Obras que à época prestava serviços ao sujeito passivo. A recorrente efetuou o pagamento deste ISSQN para a contratada, certamente retido na ocasião do pagamento dos honorários, mas que este pagamento foi regularmente contabilizado a débito de conta patrimonial “CONTAS A PAGAR – LAAR – Consultoria e Gerenciamento de Obras”, inexistindo, portanto, qualquer repercussão na Conta de Resultados. Efetivamente, as cópias da Ficha Razão acostadas aos autos, fls. 1664/1665, atestam a contabilização e demonstra que os referidos pagamentos não foram levados a determinação do lucro real e nem do lucro líquido para a apuração de IRPJ e CSLL. CHEQUES Nº 317827 E 317939 – R$ 322,52 E R$ 63,91 – A recorrente contesta a manutenção de tributação destas duas diferenças dos pagamentos efetuados com os cheques R$ 1.540,00 e 3.800,00, por entender que aqueles dispêndios iniciais não integraram a Conta de Resultados e desta forma, a diferença mantida, também, não tem qualquer repercussão na mesma conta. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.691 13 A recorrente tem razão. Os dois cheques de R$ 1.540,00 e R$ 3.800,00 foram contabilizados a débito da conta OBRA/098 – EDIFICIO AMBASSADOR (fls. 1667) e desta forma, nem os pagamentos iniciais e nem as diferenças posteriores mantidas não teve qualquer interferência na Conta de Resultados do sujeito passivo. Em se tratando de valores alocados para as respectivas obras em andamento, os resultados tributáveis só podem ser apurados quando da venda, a vista ou a prazo, das unidades imobiliárias construídas. CHEQUE Nº 318823, DE 13/08/2003 – R$ 1.800,00 – Esclareceu a recorrente que este cheque foi emitido nominal ao empregado Marcelo Oliveira Brito para depósito na conta bancária do advogado da empresa Dr. Daciano Accorci Peruffo para reembolso de despesas relacionadas com a OBRA/101 – SCP CALIFORNIA VILLAGE RESIDENCE. A cópia da Ficha Razão, às fls. 1670, atesta o registro contábil na mencionada conta patrimonial e demonstra que não teve qualquer influência na Conta de Resultados – lucro real, lucro líquido ou pagamento sem causa. 04 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Os pagamentos objetos de autuação foram escriturados em contas patrimoniais – Ativo Permanente ou obras em andamento e especificamente em Sociedades em Conta de Participação. A legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (RIR/99) dispõe: Art. 148 – As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (Decretolei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e Decretolei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149 – Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decretolei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único).” Como se vê, a movimentação financeira de transferência de valores para uma Sociedade em Conta de Participação não tem qualquer relação com a Conta de Resultados do sujeito passivo e mesmo que não fosse o caso da mencionada sociedade, a legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica estabelece em seu Capítulo VI – DISPOSIÇÕES ESPECIAIS SOBRE ATIVIDADES E PESSOAS JURÍDICAS – Seção X – Compra e Venda, Loteamento, Incorporação e Construção de Imóveis, o seguinte: Art. 410 – O contribuinte que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá, para efeito de determinar o lucro real, manter, com observância das normas seguintes, registro permanente de estoque para determinar o custo dos imóveis vendidos. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.692 14 Art. 411 – O lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando contratada a venda, ainda que mediante instrumento de promessa, ou quando implementada a condição suspensiva a que estiver sujeita a venda (Decretolei nº 1598, de 1977, art. 27, § 1º).” Verificase, pois, que existe dispositivo expresso na legislação para a apuração de resultados das atividades relacionadas com a incorporação imobiliária e construção de prédios e, portanto, a sociedade em conta de participação para cada empreendimento imobiliário pode ser equiparado a um registro permanente de estoque para a determinação do custo da unidade imobiliária. De qualquer forma, como sociedade em conta de participação ou como registro permanente de estoque, o resultado só pode ser apurado quando da venda da unidade imobiliária. Desta forma, a tributação pretendida nestes autos, pela glosa de pagamentos, custos ou despesas operacionais não tem amparo na legislação tributária vigente. De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos: a) rejeito a preliminar de nulidade de lançamento; b) acolho a preliminar de decadência de IRPJ e CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos antes do dia 1º de outubro de 2002 e do IRRF relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 1º de novembro de 2002; e c) no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011. IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.693 15 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, Redator Designado Respeitados os valiosos argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, divergiu em relação à ocorrência de caducidade do direito de lançar o imposto de renda na fonte incidente sobre os fatos geradores ocorridos antes de 1º de novembro de 2002, por entender que, no caso, não poderia ser aplicada a norma estampada no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Entendeu o Colegiado que, tratandose da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, descabe falar em lançamento por homologação, eis que a situação ali presente decorre, sempre, de apuração promovida pela autoridade administrativa competente, sendo a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional. Diante de tais circunstâncias, sendo inaplicável a disposição contida no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional acerca do prazo para homologação, a caducidade do direito regese pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma legal. Assim, considerando que o termo inicial de decadência, por força do disposto no inciso I do referido art. 173, foi 1º de janeiro de 2003, a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada até 31 de dezembro de 2007, não havendo, pois, que se falar em caducidade do direito. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 12571.000022/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 2/ 20 10 -6 4 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 12571.000022/201064 Resolução nº 3301000.717 S3C3T1 Fl. 472 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 12571.000022/201064 Resolução nº 3301000.717 S3C3T1 Fl. 473 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000191/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. MULTA.
A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na Nota Fiscal, sujeita o contribuinte á multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado.
Numero da decisão: 3401-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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FALTA DE LANÇAMENTO. MULTA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na Nota Fiscal, sujeita o contribuinte á multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de auto de infração relativo a multa sobre IPI não lançado, no valor de R$ 39.607,58, ocorrendo a glosa de créditos básicos indevidos, por o contribuinte ter se utilizado de créditos que não se incluem nos conceitos de créditos passiveis de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 91 /2 01 0- 10 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 633 2 As notas fiscais emitidas pela contribuinte foram de serviços e não constava a classificação fiscal das mercadorias, sendo então intimado a discriminar a classificação adotada para fins de apuração de IPI, com as respectivas alíquotas. Atendendo a intimação, informou a existência anterior de Extarifário e que a obra de papel descrita na nota fiscal 4278 encontrase agora na NCM 4909.00.00, e as demais notas fiscais referemse a obras de papel ou de cartão NCM 4911.99.00, sendo obras impressas com dizeres ou ilustrações que não tem caráter acessório relativamente à sua utilização original, e constituem obras consagradas na publicidade e propaganda ou ao uso ou consumo pelo próprio destinatário nelas identificado. Após a reconstituição da escrita fiscal, a fiscalização constatou que não houve apuração de saldo devedor para os períodos abrangidos pela presente auditoria e foi tão somente efetuado o lançamento da multa pelo IPI não lançado com cobertura de crédito, art. 80, I da Lei nº 4.502/64. A empresa apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela DRJ Belém, acórdão nº 0126.612, de 02/07/2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/03/2006 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO NA NOTA FISCAL. MULTA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado. Regularmente intimada a empresa apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: as notas fiscais são todas de serviço e que não possui campo para apontamento do IPI, sendo o formato da nota fiscal estipulado pelo município; a fiscalização reclassificou os produtos e a TIPI, vigente a partir de 01/03/1989 previa alíquota zero para artigos e obras impressos, assim como para os papéis com dizeres impressos e formulários contínuos classificados em diversos códigos do capítulo 48; as regras de interpretação da NCM para artigos personalizados de papelaria sob encomenda é aplicada a diversos Extarifário vinculados à alíquota zero de IPI; segundo súmula STJ 156 “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”; que a multa é desproporcional e confiscatória. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 634 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Conforme consta do relatório e demais peças processuais o contribuinte emitiu Nota Fiscal de Saída (notas fiscais de serviços) para amparar o fornecimento de serviços relativos a impressão de artigos de papelaria sob encomenda, personalizados para clientes específicos e uso interno, entendendo ser contribuinte do ISS, classificando as mercadorias e utilizando Extarifário de IPI. A fiscalização entendeu ser a empresa contribuinte de IPI, e que houve equívoco na indicação da alíquota aplicável, por isso reconstituiu a escrita fiscal. Como constatou que não houve apuração de saldo devedor para os períodos abrangidos pela presente auditoria, efetuou o lançamento da multa pelo IPI não lançado com cobertura de crédito, art. 80, I da Lei nº 4502/64. A ação fiscal foi iniciada para analisar Per/Dcomp dos anos de 2005 e 2006, visando ao exame dos pedidos de ressarcimento dos créditos básicos de IPI. Após solicitação da fiscalização, o contribuinte identificou as classificações fiscais dos produtos impressos/produzidos utilizando alíquota zero para todos, apesar de constar alíquota diferente na TIPI. O contribuinte classificou seus produtos nas NCM 4909.00.00 e 4911.99.00, justificando ter utilizado a Nota 12 do capítulo 48 e a Nota 5 do capítulo 49 da TIPI. E no TVP, fl. 522 foi relatado que: Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 635 4 Como se pode verificar a análise da classificação fiscal foi efetuada inicialmente apenas com base no argumento apresentado pelo contribuinte, ou seja, o texto das notas, sem analisar as regras de classificação de mercadorias do SH. Entretanto, mais adiante, fls. 531 e sgs, no TVF a fiscalização demonstra como chegou a NCM correta com a aplicação das regras do SH, analisando produto a produto. O contribuinte não contesta a metodologia utilizada para validar a classificação das mercadorias, nem apresenta argumentos pela aplicação das regras do SH, apenas enfatiza a adequabilidade das notas 12 do capítulo 48 e a 5 do capítulo 49 da TIPI. O contribuinte utiliza duas posições para enquadramento de seus produtos, 4909 e 4911, justificandose com a aplicação das notas: Nota 12 do capítulo 48 e a Nota 5 do capítulo 49 da TIPI. A fiscalização demonstra que as notas não são aplicáveis aos produtos, e faz a análise de cada produto, demonstrando porque considera que não cabe a utilização das notas e os casos que considera que é aplicável. Não merece reparo o procedimento adotado pela fiscalização e as conclusões a que chegou. Superando o problema da classificação das mercadorias, vemos que o cerne da controvérsia esta na alíquota que foi utilizada, que não condiz com a estipulada pela TIPI e também quando ao fato gerador do IPI, já que o contribuinte utiliza as notas da TIPI para justificar a não incidência do IPI. Ora, a alíquota aplicável deve ser sempre a indicada pela TIPI à época dos fatos. O contribuinte alega a existência de Extarifário de IPI, mas não indicou ou demonstrou a vigência e validade do mesmo. A fiscalização também não encontrou essa informação em pesquisa no sistema de Consulta a legislação do Siscomex. Esse sistema administrado pela RFB possui todo o histórico das alíquotas vigentes dos tributos federais, e é de uso interno da instituição, mas pode ser consultado pelo sítio da RFB na internet. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 636 5 A fiscalização apresenta então quadro onde apresenta as classificações fiscais dos produtos e a alíquota que deve ser aplicada: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 637 6 O fato gerador do IPI é a saída do produto do estabelecimento industrial, conforme art. 2º da Lei nº 4.502/64 “constitui fato gerador do imposto: ... II – quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor”. O TVF informa o Parecer Normativo CST nº 127/1971 que estabelece que constituindo a impressão operação de industrialização, referindose ao processo gráfico de impressão, tributamse os impressos em geral, salvo se se tratar de impressão por encomenda direta do usuário ou consumidor, efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, como determinado no inciso V do art. 52 c/c art. 72 do RIPI/2002. E nas fls. 525 e sgs, a fiscalização discorre sobre o assunto concluindo que estabelecimento não pode ser enquadrado como excluído da "industrialização", por possuir atributos superiores aos definidos pela legislação do IPI: Para as empresas gráficas, estaria afastada a realização de operação de industrialização, como afirmado também, no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 18/2000, se estivesse plenamente configurada situação prevista nos art: 5°, V, c/c art, 70, II, do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI12002), que indicam: "Art. 5° Não se considera industrialização: ... V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; Art. 7º Para os efeitos do art. 5°: ... II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, no dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a titulo de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento." No presente caso, para esta empresa, fica evidenciado que o estabelecimento possui atributos em desacordo com as definições firmadas para este artigo no RIPI/2002, constatados por esta fiscalização em diligência ao parque fabril da mesma, portanto, não se enquadrando no mesmo. Isso denota, sem dúvida, que o porte da empresa supera consideravelmente o porte dos estabelecimentos que pretendeu o legislador excluir da cobrança do IPI nos citados artigos pequenas oficinas com trabalho manualizado com apoio de máquinas e ferramentas empregadas de pequena potência. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 638 7 Logo, resta caracterizado que o presente estabelecimento não pode – ser enquadrado como excluído da "industrialização", por possuir atributos superiores aos definidos pela legislação do IPI, se porventura o fundamento fosse esse e, por outro lado, o destino ao uso ou consumo não configuraria tal classificação alegada. Demonstrado então ficou que o contribuinte enquadrase na situação prevista em lei para a incidência do IPI, e que o processo que realiza é considerado industrialização. A súmula do STJ 156 “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” apresentada pela recorrente para justificar a não incidência do IPI, conforme já esclarecido aplicase aos casos em que se tratar de impressão por encomenda direta do usuário ou consumidor, efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, como determinado no inciso V do art. 52 c/c art. 72 do RIPI/2002. A fiscalização efetuou a reconstituição da escrita fiscal, fls. 164 a 169 do auto de infração, o que não foi contestado pelo contribuinte. A contestação limitouse a insurgirse contra a alíquota considerada pela fiscalização e a suposta existência de Extarifário para os produtos e também para o fato de a recorrente alegar que não se enquadra como contribuinte do IPI mas sim do ISS, por isso a emissão de Notas Fiscais de Serviços para todas as operações. Entretanto, conforme já concluído, o contribuinte enquadrase no campo da incidência do IPI, por isso está sujeito ao cumprimento da legislação específica. Correta foi a aplicação da multa já que apesar de a recorrente afirmar em sua defesa que não existe campo apropriado na Nota Fiscal de Serviços para informar o destaque do IPI, a informação poderia ter sido fornecida se ela tivesse apresentado a documentação correta, ou seja a Nota Fiscal de saída de produtos, conforme disposto no RIPI: Art. 382. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem como àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, em atos administrativos ou em convênio com as unidades federadas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 17). ... Art. 392. Os estabelecimentos emitirão os seguintes documentos, conforme a natureza de suas atividades: I Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A; ... E também: Art. 413. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: ... Fl. 638DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 639 8 IV no quadro “Dados do Produto”: ... b) a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; c) a classificação fiscal dos produtos por Posição, Subposição, item e subitem da TIPI (oito dígitos); ... j) a alíquota do IPI; e l) o valor do IPI, sendo permitido um único cálculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de um mesmo código de classificação fiscal; ... E conforme esclarecido no acórdão recorrido: Notese, ainda, que nos termos do art. 6º, caput e § 13, do Convênio S/Nº, de 15/12/1970, que cria o Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais (Convênio SINIEF/1970), os contribuintes do IPI e/ou do ICMS emitirão, dentre outros documentos, conforme as operações que realizarem, Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, e Nota Fiscal de Venda a Consumidor, modelo 2, sendo que os dados relativos ao ISS serão inseridos, quando for o caso, entre os quadros “DADOS DO PRODUTO” e “CÁLCULO DO IMPOSTO”, conforme legislação municipal. Logo, sem prejuízo de que o sujeito passivo emitisse os documentos fiscais necessários ao atendimento tanto da legislação federal quanto da municipal (afastando o descumprimento de qualquer uma delas), também poderia cumprilas conforme facultado pelo Convênio SINIEF. Logo, não há como se eximir da aplicação da multa do art. 80 da Lei nº 4.502/64 com a redação da Lei nº 9.430/96: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Também não merece prosperar a alegação de que a multa seria de valor exorbitante e confiscatória. Questionar o teor da lei foge à competência desse tribunal administrativo, a quem cabe somente aplicála pela aplicação da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 640 9 Pelo exposto voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por lhe negar provimento, mantendo a multa aplicada. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002492/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DESPESAS GLOSADAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO.
Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado.
Numero da decisão: 1302-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DESPESAS GLOSADAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 92 /2 00 5- 19 Fl. 979DF CARF MF 2 Trata o processo de auto de infração para cobrança de IRPJ no valor de R$ 286.300,00, e da CSLL no valor de R$ 111.708,00, relativos ao anocalendário de 2001, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. O lançamento decorre de glosa de despesas em razão da falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente foi intimada a comprovar a efetividade dos serviços prestados pela empresa Jocaza Publicidade Ltda, tendo em vista contrato celebrado em 03/01/2000. O objeto do contrato seria a prestação de serviços de consultoria e assessoria, na qual ficou estabelecido na cláusula 4° que a empresa JOCAZA receberia o valor de R$ 11.000,00 como honorário mensal e que o mesmo seria corrigido, mensalmente, pela variação do dólar americano. Houve um aditamento ao referido instrumento em 26/04/2000 elevando o honorário mensal para R$ 30.740,00. Entretanto, desde o mês de janeiro/2001, a prestadora de serviços recebeu honorário superior ao pactuado. Intimada a comprovar a efetividade dos serviços prestados, a recorrente declarou não possuir os documentos solicitados que comprovassem o serviço executado pela empresa Jocaza referente as notas fiscais já mencionadas. Em sessão de 19 de setembro de 2008, a 4ª Turma da DRJ/SPOI São Paulo, julgou improcedente a impugnação por meio do Acórdão nº 1618.646, fls. 918/922, do qual transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE DESPESA COM CONSULTORIA E ASSESSORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA • PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. INDEDUTIBILIDADE. É imprescindível, para a dedução da despesa, a prova da efetiva realização dos serviços contratados de consultoria e assessoria, para que se possa examinar se a despesa atende aos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. AUTO REFLEXO. CSLL. O voto referente ao IRPJ aplicase ao seu reflexo. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/01/2009, de acordo com AR acostados aos autos às fls. 924. Em 20/02/2009 a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 928/938, com as seguintes alegações: esclarece que tem como objeto social a prestação de serviços de concepção, criação, produção e distribuição de anúncios e campanhas de propaganda, serviços de propaganda e publicidade em geral, execução de atividades ou trabalho de relações públicas para utilização em propaganda, o que demanda despesas incorridas que fogem do padrão de normalidade, necessidade, usualidade e efetividade comumente definidas para o setor industrial, comercial e de prestação de serviços em geral. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 19515.002492/200519 Acórdão n.º 1302003.008 S1C3T2 Fl. 980 3 não procede a alegação da decisão de primeira instância de que não teria ocorrido a comprovação ou efetividade das despesas, fundamentada apenas em presunções, por vezes afirmando que houve o serviço e por outras que não, embora o contrato deixasse claro que se tratava de serviços de consultoria e assessoria para desenvolvimento e expansão dos negócios relativos à propaganda e publicidade. a expansão de negócios de publicidade pode se dar de diferentes formas, como encontros, reuniões, contatos, telefonemas, festas; entrega de prêmios e não necessariamente consubstanciados em relatórios ou planilhas de custos, como exigiu a Fiscalização. devese levar em conta as características do setor de propaganda e publicidade, restando patente a dedutibilidade das despesas. embora tenham sido apresentadas as Notas Fiscais emitidas pela empresa Jocaza , assim como cópia dos DARFs, referentes ao IR/Fonte e, embora o julgador tenha dito "que não foi questionada a efetividade dos pagamentos e tampouco foi afirmado que nenhum tipo de serviço foi prestado", ainda assim a documentação apresentada não foi considerada. traz jurisprudência administrativa aceitando Notas Fiscais, faturas, duplicatas e recibos como comprovação das despesas. quanto à efetividade, é inegável a prestação dos serviços da Jocaza, como faz prova os trabalhos juntados na impugnação, com a respectiva tradução e diversos emails trocados entre a ora Recorrente e José Cazarin, representante da Jocaza, que .comprovam reuniões, contatos e prospecção e novos, sendo ônus do Fisco apresentar prova da desnecessidade dos serviços prestados, o que não ocorreu. a decisão de primeira instância manteve o lançamento baseada em presunção, sendo incompatível com os princípios da legalidade estrita e o da tipicidade tributária. finaliza requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário e cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/01/2009, e o recurso voluntário foi apresentado em 20/02/2009. Assim, como foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade, dele eu conheço. Fl. 981DF CARF MF 4 O cerne da questão é a comprovação da efetividade da prestação de serviços, contratados por meio de instrumento particular firmado em 03/01/2000 com a empresa Jocaza Publicidade LTDA, fls. 373/377, cujo objeto está definido na cláusula 1: Cláusula 1ª A CONTRATADA, através de seus sócios empregados e prepostos,obrigase a prestar à CONTRATANTE serviços de consultoria e assessoria nas áreas de propaganda e publicidade, tendo por finalidade expandir o mercado de atuação da CONTRATANTE, com o incremento de seus negócios e respectiva redução de custos operacionais. Consta na quinta cláusula, que "A CONTRATADA fornecerá à CONTRATANTE, periodicamente e conforme solicitação desta, relatórios demonstrando a situação dos projetos e tarefas em desenvolvimento e os resultados dos serviços realizados." Estes relatórios foram requisitados pela fiscalização durante a ação fiscal, mas a recorrente informou que não os possuía, ensejando o presente auto de infração pela falta de comprovação da efetividade da prestação de serviços. Destaco que a documentação solicitada pela fiscalização decorre de exigência expressa no contrato firmado pela própria recorrente, como forma de comprovar o cumprimento do acordado por parte da contratada, a empresa Jocaza Publicidade LTDA. Em sua defesa, a recorrente aduz que a documentação apresentada na impugnação seria suficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços. Alega que o tipo de serviço realizado foge do padrão comumente verificado no setor industrial, comercial e de prestação de serviços em geral. Abaixo, discrimino os documentos apresentados: => Notas Fiscais emitidas pela Jocaza Publicidade LTDA, contendo a seguinte descrição: Serviços de consultoria e assessoria de propaganda e publicidade conforme contrato assinado em 03/01/2000, com exceção do último, acostado às fls. 390, emitido em 08/01/2002, no valor de R$ 677.000,00, que se refere a "pagamento devido em razão de rescisão imotivada do contrato de prestação de serviços celebrado em 03/01/2000, conforme previsto na cláusula 15ª". (fls. 699/711) => DARF de pagamento do IRRF, efetuados pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, código 8045 (fls. 712/720) => documento utilizado para palestra no qual consta as atividades da recorrente, cenário econômico, soluções e perspectiva, em inglês e português, elaborada pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, em agosto de 2001. (fls. 721/763) => documento utilizado para palestra sobre a situação no Brasil do mercado de propaganda, identificando as maiores agências, qual a situação da recorrente, elaborada pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, em julho de 2001.(fls.764/ => o contrato social da empresa Jocaza Publicidade LTDA, cujos sócios são José Eduardo Cazarin Silva e Mariangela Nicolellis. => email trocados entre José Eduardo Cazarin e funcionários da recorrente, principalmente com o Diretor Financeiro, Paulo Santos, tratando de assuntos tais como redução de custos operacionais (redução do gasto de energia), contratação de funcionário, contratos de Fl. 982DF CARF MF Processo nº 19515.002492/200519 Acórdão n.º 1302003.008 S1C3T2 Fl. 981 5 clientes (Concorrência BB, Concorrência Energia Elétrica Paulista, Renault/Nissan), etc, ocorridos em 2001. Da análise dos documentos acostados aos autos, é possível verificar que a contratada Jocaza LTDA fez um estudo sobre a recorrente, sua posição no mercado comparando com demais agência de propaganda e publicidade, sua situação econômica, seu relacionamento com os clientes principais (Unilever, Nestle, J&J, Renault Nissan, Banco do Brasil, etc), propôs ainda estratégias para reposicionamento e crescimento com novos negócios, avaliou suas finanças dentro do cenário econômico. Nos email trocados há sugestões de redução de custos operacionais, bem como é possível verificar que a contratada participou na contratação de novos colaboradores e na concorrência para obter novos clientes. Neste contexto, em que pese a recorrente não ter apresentado os relatórios previstos na cláusula 5ª, concluo, pelo conjunto probatório acostado aos autos, que houve a efetividade da prestação dos serviços contratados de consultoria e assessoria nas áreas de propaganda e publicidade, com a finalidade de expandir o mercado de atuação da recorrente, com o incremento de seus negócios e respectiva redução de custos operacionais. Por todo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 983DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723278/2016-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique nos sistemas da RFB, bem como na 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF, no valor de R$ 55.423,97, consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP e referente à reclamatória trabalhista nº 0022400-91.2004.5.15.0109.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique nos sistemas da RFB, bem como na 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF, no valor de R$ 55.423,97, consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP e referente à reclamatória trabalhista nº 0022400-91.2004.5.15.0109. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique nos sistemas da RFB, bem como na 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF, no valor de R$ 55.423,97, consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP e referente à reclamatória trabalhista nº 002240091.2004.5.15.0109. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efl. 90) em face do Acórdão n. 1061.471 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 79/83), que julgou improcedente a impugnação de efls. 04/05 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 11/08/2018 (efl. 49) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/790806850639535 Exercício 2015 no valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 23 27 8/ 20 16 -2 7 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10855.723278/201627 Resolução nº 2402000.688 S2C4T2 Fl. 3 2 total de R$ 6.200,38 sendo R$ 4.511,01 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 902,20 de multa de mora não passível de redução; e R$ 787,17 de juros de mora calculados até 31/08/2016 (e fls. 39/48), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente tributação exclusiva. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de e fls. 04/05, julgada improcedente pela DRJ/POA, nos termos do Acórdão n. 1061.471 (efls. 79/83), de cujo teor tomou ciência em 27/02/2018 (efl. 111), havendo interposto recurso voluntário na data de 12/03/2018. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efl. 90) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), relacionado à reclamatória trabalhista n. 0022400 91.2004.5.15.0109, vez que não comprovado o IRRF de R$ 55.590,63 declarado pelo Recorrente na DIRPF/2015 ND 08/65.705.027 (efls. 28/36). Muito bem. De plano, é oportuno resgatar a decisão recorrida quando esclarece a retificação do Acórdão n. 1057.901 (efls. 55/58), que não conheceu da impugnação de efls. 04/05, nos seguintes termos: Em sessão realizada no dia 15 de fevereiro de 2017, conforme acórdão 1057.901 (fls. 55/58), os membros desta Turma de Julgamento votaram, por unanimidade, pelo não conhecimento da impugnação, por entender que houve renúncia à instância administrativa devido à propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto. Após o julgamento, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba, no DESPACHO/ DRF SOROCABA/SEORT (fls. 75/77), alertou que a ação judicial n° 002240091.2004.5.15.0109 é uma ação trabalhista, tendo como réu o Banco Santander e cujo objeto em discussão não é o imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Que a decisão e agravo juntados pelo contribuinte tratam da execução da ação trabalhista, onde está sendo tratado o montante a ser pago ao autor e que envolve o valor de imposto de renda a ser retido. Superada a concomitância de instâncias (administrativa/judicial), a instância de piso decidiu pela improcedência da impugnação (efls. 04/05) por insuficiência de provas, conforme segue: Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte prova inequívoca da existência do direito creditório, não é possível darlhe razão. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10855.723278/201627 Resolução nº 2402000.688 S2C4T2 Fl. 4 3 Ressaltese ainda que em pesquisa realizada nos registros da RFB (sistema SIEF WEB) não foi encontrado o recolhimento do IRRF de R$ 55.590,63 no CPF do contribuinte e verificase que não foi apresentada DIRF pela fonte pagadora. Mantémse o lançamento fiscal por insuficiência de provas. Todavia, considerandose que, em sede de recurso voluntário, o Recorrente acosta aos autos cópia de requerimento dirigido ao juízo da 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP para que seja efetuado o recolhimento do IRRF vinculado à reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109 (efls. 91/93), e, considerandose ainda os documentos de efls. 21/26, resta evidenciado o esforço do Recorrente em comprovar a retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 55.590,63 declarado na DIRPF/2015 ND 08/65.705.027 (efls. 28/36). Constituise forte indício favorável ao Recorrente, que caracteriza fumus boni iuris, a homologação de laudo contábil, pelo Dr. Walter Gonçalves Juiz Titular de Vara do Trabalho (efl. 98) , no qual é fixado o valor de imposto de renda retido na fonte (IRRF) no valor de R$ 55.423,97 em face do valor devido ao reclamante, ora Recorrente, na reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109, ressaltandose, por relevante, que a referida retenção apresentase em ordem de valor muito próxima ao IRRF declarado pelo Recorrente (R$ 55.590,63). Nessa perspectiva, em face da situação fática em tela, no qual resta evidenciado que a não comprovação do IRRF glosado foge à governança do Recorrente, com o agravante da homologação do laudo contábil que informa IRRF em valor aproximados àquele declarado pelo Recorrente na sua declaração de ajuste anual, enxergo, no caso concreto, hipótese de mitigação da preclusão prevista nos arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972, em homenagem, inclusive, ao princípio da verdade material, intrínseco ao direito tributário, devendose, por consequência, promoverse as devidas diligências nos sistemas da RFB, bem assim junto à 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, com o fito de se verificar a ocorrência de recolhimento da retenção em tela, inclusive o respectivo anocalendário da retenção. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fl. 90) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem, para verificar nos sistemas da RFB, bem assim junto à 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF no valor de R$ 55.423,97 consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP referente à reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109 observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906240/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 40 /2 01 2- 99 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.027491/99-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 74 91 /9 9- 94 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre a homologação tácita da compensação controlada nestes autos. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1301002.004, de 03/05/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, pela impossibilidade de ocorrência de homologação tácita para pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratandose de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: o presente processo administrativo trata de pedido de compensação de débitos próprios com crédito de terceiros, créditos estes cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A; a autoridade administrativa ao apreciar o pedido de restituição formulado pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A houve por bem indeferilo e, consequentemente, indeferiu o pedido de compensação apresentado pela Recorrente; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 5 4 a Recorrente não concordando com a aludida decisão apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual foi rejeitada sob o fundamento de que os pedidos de compensação de créditos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação nos termos do § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02. A Recorrente, mais uma vez não concordando com a aludido entendimento, apresentou recurso objetivando a reforma da decisão; a 1ª Turma, da 3ª Câmara da Primeira Seção desse E. Tribunal ao apreciar as razões que lhe foram apresentadas pelo Recorrente entendeu que os pedidos de compensação de créditos de terceiro não foram convertidos em declaração de compensação; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. no tocante à conversão do pedido de compensação de créditos de terceiro em declaração de compensação, a decisão recorrida fundamentouse no sentido de que as disposições constantes nos parágrafos 4º e 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, não se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros, eis que tais regramentos exigem a identidade da titularidade dos débitos e créditos, portanto, não há que se falar em homologação tácita; inegavelmente, as decisões administrativas têm se pautado por registrar a divergência quanto à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, bem como ao reconhecimento da homologação tácita; neste sentido, temse a decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do Processo Administrativo no 10768.018661/9969 (doc. 01), a qual foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REALIZADA DURANTE A VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 21/97. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. POSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de débitos com crédito de terceiros albergados pelo artigo 15 da IN 21/97 devem ser considerados válidos, inexistindo, portanto, restrição à incidência do §5º, do artigo 74, da Lei 9430/96, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. do voto condutor, já registrando a divergência com a decisão recorrida, tem se o seguinte entendimento: [...]; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 6 5 é de se reconhecer, portanto, que o Acórdão acima colacionado diverge totalmente do lavrado na decisão ora recorrida, eis que expressamente reconhece que as alterações introduzidas no artigo 74 da Lei nº 9.730/96 se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros pendentes de apreciação, eis que convertidos em declaração de compensação e, consequentemente, reconhece a extinção dos débitos em decorrência da homologação tácita; a divergência também se verifica da simples análise da ementa da decisão proferida nos autos do Processo nº 10380.029082/9996, da ora Recorrente, referente a outro pedido de compensação com os mesmos créditos cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. cumpre ressaltar a fundamentação adotada: [...]; isto posto, demonstrado o cabimento do Recurso Especial fundamentado na divergência existente entre o fundamento da decisão exarada no presente processo administrativo e o utilizado na decisão transcrita acima, cuja íntegra ora acostase aos autos; DA CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E DA HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. conforme devidamente comprovado nos autos, tratase de pedido de compensação de crédito com débito de terceiro devidamente apresentado em 09/09/1999, cuja ciência da não homologação se deu em 11/12/2007; a questão central do presente recurso especial restringese à aplicação do disposto nos parágrafos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ao presente caso. Eis que uma vez admitida a sua aplicação, ou seja, uma vez reconhecida a conversão do aludido pedido de compensação em declaração de compensação, os débitos encontramse extintos em decorrência do decurso do prazo de cinco anos para a homologação das compensações; o fundamento adotado na decisão recorrido deuse no sentido de que tais disposições não se aplicam aos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiros em decorrência do disposto no caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que exige a identidade da titularidade dos créditos e débitos; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 7 6 ora Julgadores, da simples análise da legislação de regência verificase que o entendimento adotado pela decisão recorrido não encontra guarida em nosso ordenamento jurídico; conforme devidamente exposto nas decisões acima transcritas, a compensação de créditos com débitos de terceiros era perfeitamente admitida quando da apresentação do pedido objeto do presente processo administrativo. Dessa forma, as alterações instituídas posteriormente somente ensejaram a vedação da aludida compensação, contudo, não tiveram o condão de afastar os efeitos jurídicos decorrentes dos referidos pedidos, tão pouco excluíram à aplicação do disposto nos §§ 4º e 5º, aos pedidos pendentes de apreciação, muito pelo contrário tais disposições objetivaram, justamente, preservar os aludidos procedimentos. Tanto isso é certo que a própria Instrução Normativa SRF 41/00 preservou tal entendimento; e mais, da simples análise das disposições da Lei nº 9.430/96 verificase que não há nenhuma exceção para a aplicação das disposições previstas nos §§ 4º e 5º, como quer dar a entender a autoridade administrativa; resta claro, assim, que o presente pedido foi convertido em declaração de compensação, portanto, decorridos mais de cinco anos da data de seu protocolo sem que tenha havido decisão, deuse a homologação tácita e consequentemente a extinção dos presentes débitos; isto posto, espera a Recorrente, o conhecimento e total provimento do presente Recurso Especial, para reconhecer a homologação tácita da compensação declarada pela Recorrente. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 15/08/2016, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] No que diz respeito a este tema, a conversão do pedido de compensação em DCOMP, a recorrente apresenta dois acórdãos paradigmas n. 9101001.852 (da 1ª turma da CSRF, de 28/01/2014) e n. 110200.649 (da 2ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, de 16/12/2012). Anexou o inteiro teor dos paradigmas (efls. 205225). O primeiro paradigma encontrase assim ementado: [...] Enquanto o acórdão recorrido não aceita a conversão dos pedidos de compensação em DCOMP e, por conseguinte afasta a possibilidade de homologação tácita em 05 anos, o paradigma entende que não há óbice para que estes pedidos sejam considerados Declaração de Compensação. Neste sentido, considero que a Recorrente indicou a legislação tributária e logrou êxito em demonstrar a divergência de interpretação no que diz respeito à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação (DCOMP), quando se trata de compensação com débitos de terceiros. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 8 7 Apresenta ainda um segundo paradigma, que ratifica a razão da divergência. Restando configurada a divergência a partir do primeiro paradigma apresentado, despiciendo adentrar nos fundamentos do segundo. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do anexo II do RICARF, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em 18/08/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 26/08/2016 o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO o recorrente defende a ocorrência da homologação tácita do seu pedido de compensação com crédito de terceiro, sob o argumento de que o pedido de compensação pendente de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria será considerado declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal, se apresentado de acordo com a Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Assim, como a IN SRF nº 21/1997, legislação correlata, em seu art. 15 permitia a compensação com débitos de terceiro, clara seria a possibilidade de homologação tácita destas operações; entretanto, tal entendimento não pode prevalecer, uma vez que não representa a melhor exegese sobre o tema. Os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro não podem ser convertidos em declaração de compensação, não havendo, assim, que se falar em homologação tácita do pedido pelo transcurso do prazo de cinco anos; o caput e o § 1º do artigo 74 da Lei nº. 9.430/1996 assim dispõem: [...]; da leitura do artigo acima citado temse claro que, com o advento da Lei nº 10.637/2002, somente as compensações de débitos próprios poderiam ser convertidas em Declarações de Compensação, não havendo que se falar, pois, em conversão do pedido de compensação de créditos com débitos de terceiro em Declaração de Compensação; o § 1º é expresso ao determinar que somente a compensação de que trata o caput poderá ser efetuada mediante a entrega de declaração pelo sujeito passivo; ora, dessa forma, quanto ao caso em questão, se não houve a conversão do pedido de compensação com débitos de terceiro em DCOMP, este pedido não pode ser homologado tacitamente pelo decurso de prazo de cinco anos; com relação à questão da homologação tácita, há que se esclarecer que o que se homologa são os pedidos de compensação transformados em Declaração de Compensação e não o pedido de compensação; quanto ao tema, é imperioso colacionar o entendimento firmado no parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005, o qual não merece qualquer retoque: [...]; assim, temse claro que nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 9 8 falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo, assim, ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo; nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa apenas seriam convertidos em declarações de compensação, em observância ao princípio da legalidade, se atendidos os próprios requisitos do caput do citado artigo, dentre eles, tratarse o pedido de compensação de débitos próprios e não de terceiros como no caso, pressuposto esse que, conforme alinhavado alhures, não foi cumprido; a respeito do princípio da legalidade, a Constituição Federal (CF) estabelece no art. 5º, II, que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. É a consagração genérica do primado da lei, o qual é basilar no Estado Democrático de Direito; a par dessa previsão genérica do referido princípio, em relação à Administração Pública, a CF contém específica previsão no art. 37, caput, segundo o qual a “administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”; significa dizer que a Administração Pública, da qual a Secretaria da Receita Federal (SRF) faz parte (hoje Receita Federal do Brasil – RFB), tem o dever de atuar para a consecução do interesse público, porém tal atuação deve se dar de acordo com o que determina a lei, expressão essa entendida hodiernamente como vinculação à lei em sentido estrito e aos postulados de direito (princípios, regras, etc.); sendo assim, nos termos de seu art. 170, o Código Tributário Nacional previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade acima mencionado, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; a fim de normatizar a forma pela qual seria concebida a compensação no âmbito tributário, foram editadas leis, dentre as quais se destaca a de nº 9.430/96, que postula requisitos indispensáveis ao deferimento do pleito; a realização da compensação fora das estritas hipóteses legais, que regem essa modalidade de extinção do crédito tributário, não pode ser admitida; de fato, tanto o CTN (art. 170) quanto a Lei nº 9.430/96 (artigos 73 e 74), e demais atos normativos aplicáveis à matéria, estipularam normas condicionantes da compensação não só com a finalidade de verificar se os créditos de que um contribuinte se diz titular são líquidos e certos e aptos a liquidar os respectivos débitos, mas também com o desejável objetivo de controlar os créditos tributários extintos por compensação, impedindo, assim, a dispensa dos referidos créditos tributários fora dos casos previstos no CTN (art. 141); por essas razões é que todas as normas e argumentos acima expostos levam à conclusão de que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 10 9 do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade. Nesse ponto, é importante transcrever parte do Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499/2005, que corrobora o que vem sendo exaustivamente defendido nesta peça: [...]; cabe ressaltar que, em nosso ordenamento jurídico, não há compensação de crédito de um contribuinte (devedor) com débitos de outro (terceiro), somente com débitos do Estado (credor), nos termos do disposto no art. 170 do CTN e do art. 368 do Código Civil Brasileiro, senão vejamos: [...]; analisandose os dispositivos acima citados, temse claro que, para que se ultime a compensação pretendida pelo sujeito passivo, há de existir identidade de partes entre credor e devedor, nos exatos termos do entendimento firmado pelo I. doutrinador Leandro Paulsen (Direito Tributário, Livraria do Advogado, 10ª edição): [...]; assim, a despeito do que dispunha o art. 15 da IN/SRF nº 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor; frisese que a IN SRF nº 21/97 é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu. As instruções normativas não podem inovar a ordem jurídica, devendo servir apenas para detalhar o conteúdo da Lei, sem nunca ultrapassála. Imperioso trazer à baila, neste sentido, o entendimento do respeitado jurista Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, 13ª edição, Saraiva) assim descrito: [...]; desta forma, havendo um confronto entre o disposto na Instrução Normativa SRF nº 21/97 e o que dispõe o art. 170 do CTN e §1º e caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, há de prevalecer o disposto nas leis, por carecer a IN editada contra legem de fundamento de validade, sob pena de assim procedendo ferir a hierarquia das normas e em última instância, o Estado Democrático de Direito; todavia, compulsando a íntegra do multicitado Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499, de 28/09/2005, depreendese que a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, não possuía fundamento legal de validade a autorizar a compensação com débitos de terceiros. Registrase a parte do citado Parecer que define claramente este ponto: [...]; nesse diapasão, o Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499, de 28/09/2005, ao identificar que a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, não possuía fundamento legal de validade, apresentou em sua conclusão o item b, in fine, o qual deixa claro que, em razão da estrita legalidade que os procedimentos de compensação tributária devem observar, uma norma regulamentar sobre encontro de contas nunca poderá ser contrária à norma hierarquicamente superior que autorizou o procedimento; deverá sempre observar os seus limites; concluise que, em atenção ao princípio da legalidade, a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor. Nesse diapasão, a IN SRF nº 21/97 é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu; diante do contexto normativo delineado sobre a matéria, sob o enfoque da legalidade, conforme já registrado anteriormente, o § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 11 10 converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, que os pedidos relativos a débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação; consequentemente, nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo; ante todo o exposto, pugna a União (Fazenda Nacional) para que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros no valor de R$ 9.278,48, apresentado em 06/10/1999 (fl. 01). A Delegacia de origem indeferiu o pedido porque a detentora do crédito, segundo relato da Fiscalização, não atendeu à intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito. Essa negativa partiu do entendimento de que nas hipóteses de compensação com créditos de terceiros, os pedidos de compensação não teriam sido convertidos em declarações de compensação, motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/12/2007. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apreciando as razões trazidas pela contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, também decidiu pela improcedência do pedido, rejeitando igualmente a aplicação da regra de homologação tácita. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) seguiu essa mesma linha de interpretação. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito justamente a essa questão, ou seja, se é ou não aplicável a regra de homologação tácita (Lei 9.430/1996, art. 74, §5º) para Pedidos de Compensação em que estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de crédito com débito de terceiros). Sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou recentemente o seguinte entendimento: Acórdão nº 9101002.540 Sessão de 20 de janeiro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 13 12 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir no mérito. Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. Isso porque os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declarações de compensação. E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) (grifei) Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 14 13 Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no §5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 15 14 judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS.DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002c/c IN SRF 21/97 art. 15 §1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o §4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 16 15 Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a regra de homologação tácita não deve ser aplicada ao Pedido de Compensação contido nestes autos, por configurar compensação de crédito próprio com débito de terceiro. Com efeito, os Pedidos de Compensação abrangendo créditos e débitos de pessoas distintas realmente não foram convertidos em Declaração de Compensação. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.015159/99-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1997
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1302-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 1997 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Fl. 202DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 196 2 KF CONSTRUÇÕES E SERVIÇCOS LTDA., devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos de pedido de restituição (fls. 01), no valor de R$ 61.971,90, a título de contribuição previdenciária, pagos a maior. Através do Despacho Decisório de fls. 48/49 e pleito restou indeferido ante a não comprovação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de INSSPatronal. Cientificada do aludido despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 53/56), dizendo em síntese que devem prevalecer os dispositivos da Lei n° 9.317/96 tendo em vista que era a legislação regente na época dos fatos. Disse que optou pela sistemática do Simples em 31/03/1997 com efeitos a partir 01/01/1997 e pagou os tributos pela referida sistemática. A partir de 1998, em virtude de seu desenquadramento do Simples, pagou os tributos pela sistemática normal. Aditou que no período de opção pelo Simples efetuou os recolhimentos dos tributos de forma unificada inclusive a contribuição previdencidria do empregador na forma dos arts.5° e 23 da Lei n°9.317/96. Que no período de 1998, o INSS passou a exigir que as contribuições previdenciárias, referentes ao período que esteve enquadrado no Simples (01/01/1997 a 31/12/1997), fossem recolhidas novamente por se tratar de empresa de construção civil. Em vista disto, solicitou parcelamento junto ao INSS sendo liquidado integralmente e, portanto, houve recolhimento em duplicidade (contribuição previdenciária do empregador). Juntou documentos e pediu o deferimento do pedido inicial. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação nos termos do Acórdão nº 8.759 (fls. 174/188), assim ementado: IRPJ . RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. Constitui indébito tributário os pagamentos efetuados a maior cujo crédito poderá ser objeto de restituição. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO . O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou a maior do que o devido. A motivação para o indeferimento do pedido, sinteticamente, está em que não houve pagamento a maior ou em duplicidade pela sistemática do Simples. Segundo a decisão recorrida, os documentos que embasam o pedido referemse a uma confissão de dívida junto ao INSS sendo que eventual pagamento a maior ou em duplicidade só poderia ser endereçado àquele órgão. Cientificada da decisão (fls. 190), a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 191 e segs., tornando a suscitar os argumentos trazidos com a Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 197 3 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Fl. 204DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 198 4 O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como se infere do relatório, a contribuinte pretende a restituição de valores, que no seu entender, foram pagos em duplicidade e referem à contribuição patronal. Não encontro reparos na decisão recorrida. Com efeito, no ano em que foram realizados os pagamentos de que tratam os autos, a recorrente estava submetida ao regime simplificado de tributação. Contudo, por exigência do INSS, a recorrente recolheu a contribuição patronal daquele período mediante confissão de dívida. O indeferimento do pedido pode ser sintetizado pela reprodução do item 21 da decisão recorrida, in verbis: 21. 0 pagamento do parcelamento junto ao INSS não possui reflexos no presente uma vez que não houve recolhimento a maior ou em duplicidade pela sistemática do Simples. A documentação apresentada pela interessada (fls.63/171) faz menção à confissão de sua divida junto ao INSS, assim sendo, eventual pagamento em duplicidade deverá ser objeto de pedido de restituição no órgão arrecadador em que se efetuou os recolhimentos em duplicidade (no caso o INSS). Efetivamente, na medida em que a recorrente efetuou recolhimentos sob a sistemática simplificada, à primeira vista não estava sujeita ao recolhimento para o INSS, como relatado. O fato de o INSS não aceitar a sua condição tributária submetida ao SIMPLES por se tratar de empresa do ramo da construção civil, não a obrigava, automaticamente, aos recolhimentos aqui discutidos, sem a anterior e sua regular exclusão daquele sistema. Contudo, conforme bem assentado na decisão recorrida, se houve pagamento em duplicidade ou indevido, com certeza este o foi em relação ao INSS e não à Fazenda Nacional. DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso e voto no sentido de NEGAR LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 205DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 199 5 Fl. 206DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900188/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.
Numero da decisão: 3401-005.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 01 88 /2 01 0- 65 Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.407 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado às fls. 1131, proferido com base no relatório fiscal situado às fls. 1.128 a 1.130, que concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório vindicado no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, por meio do qual a contribuinte pleiteou o ressarcimento do IPI relativo ao 4° trimestre de 2005, no montante de RS 3.828.839,43, decorrente de saldo credor apurado na forma do art. 11 da Lei n° 9.779/1999 e, logo, pela não homologação das compensações a ele vinculadas, abaixo discriminadas, uma vez que, da verificação relativa ao período, foi constatada irregularidade atinente à apropriação indevida de créditos do imposto referente à aquisição de insumos isentos, nãotributados ou alíquota zero, registrados no RAIPI e utilizados parte para compensar o IPI devido nas saídas tributadas do estabelecimento e parte mediante transmissão de PER DCOMP. 2. A contribuinte, intimada em 18/08/2010 em conformidade documento situado à fl. 1138, apresentou, em 14/09/2010, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a aplicação do princípio da nãocumulatividade, que no seu entendimento lhe garante o direito ao crédito do IPI nas aquisições desoneradas (isentas, não tributadas e alíquota zero), uma vez que o princípio não comporta nenhum tipo de restrição; (ii) quanto à compensação, está amparada por direito inequívoco que lhe autoriza a imediata e a integral compensação dos créditos de IPI com o próprio IPI ou outro tributo de competência da Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.408 3 União Federal; (iii) o direito à correção monetária plena dos valores dos créditos presumidos de IPI, para a integral recomposição da moeda aviltada pelos efeitos danosos da inflação, cabendo a sua correção desde a ocorrência dos créditos (sic) até a data da efetiva compensação, nos mesmos moldes utilizados pela Receita Federal do Brasil para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento ao princípio da isonomia; (iv) a ilegalidade e inconstitucionalidade da multa e juros incidentes sobre os débitos decorrentes da nãohomologação das compensações, sob o argumento de confisco; (v) os créditos pleiteados no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, bem como a sua correção monetária têm amparo no entendimento jurisprudencial da época do Pedido de Ressarcimento/Aproveitamento e, acima de tudo, no vigente princípio constitucional da nãocumulatividade e no inalterado entendimento da doutrina jurídica. 3. Em 21/01/2011 a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0933.267, situado às fls. 1312 a 1319, de relatoria da AuditoraFiscal Ana Zulmira Chaves Souza, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/ 10/2005 a 3 1/ 12/2005 I CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a não cumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, O que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. II RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita O reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se da com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido O direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.409 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 I JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questioná las ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte foi intimada via postal em 08/02/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 1.346 e, em 04/03/2011, em conformidade com protocolo mecânico de recebimento da peça aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.347 a 1.367, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 6. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.410 5 7. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 9. Quanto ao mérito, na parte conhecida, denotase a partir da análise da documentação apresentada, que a autoridade fiscal verificou que o ressarcimento pleiteado pela empresa é decorrente do saldo credor do IPI acumulado no 4° trimestre de 2005, gerado, após dedução dos débitos do 2° e 3° decêndios de novembro, e dos l°, 2° e 3° decêndios, de dezembro de 2005, pela Nota Fiscal de N° 933376, de I8/I I/2005, no valor de R$ 4.426.324,86, emitida pela própria empresa com base em notas fiscais de aquisição sem IPI destacado, referente ao que o contribuinte chamou de “crédito presumido” obtido na aquisição de produtos isentos, não tributados, de alíquota zero e produtos intermediários, e à correção monetária destes mesmos créditos presumidos, conforme listagem apresentada pela empresa ora recorrente, na qual constam todas as notas fiscais utilizadas para apuração de tal “crédito presumido”, e os valores da correção monetária de tais créditos. 10. A decisão pode ser estribada no entendimento do relatório de lavra da autoridade fiscal que concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório vindicado no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, que corretamente aponta para a irregularidade da apropriação indevida de créditos do imposto referente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero nos seguintes termos: Há que esclarecer que os créditos e os débitos de IPI, referentes ao trimestre em tela, constam das cópias do Livro Registro de Apuração do IPI, anexada ao presente e que o valor total pleiteado pela empresa, a título de ressarcimento de créditos do IPI, referente ao 4º trimestre de 2005, foi estornado no Livro Registro de Apuração do IPI no 1º Decêndio de Janeiro/2006. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou qualquer documento judicial que amparasse os procedimentos por ele adotado, em relação ao aproveitamento de créditos de IPI sem destaque nas notas fiscais de compras de insumos NT, alíquota zero ou isento, CONTRARIANDO o princípio da não cumulatividade, previsto no inciso II do §3° do artigo 153 da Constituição Federal, do regulamento do IPI (Decreto Federal n° 4.544/2002), como pode ser observado nos termos dos artigos I64 e ss. c/c art. 368 e ss. e os termos da decisão do STF no RE 353.657 desfavorável ao creditamento de IPI de insumos não tributados ou alíquota zero. (...) o Livro de Apuração de IPI, no período correspondente ao 2° decêndio do mês 11/2005, a empresa se creditou do valor da Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.411 6 NF N° 933376, correspondente a R$ 4.426.324,86, e passou a compensar os saldos de IPI DEVIDOS, entre o período correspondente da emissão da NF até 3° decêndio do mês de 12/2005 compensações estas que, indevidas, já foram objeto de lançamento de ofício em ação fiscal anterior, conforme auto de infração e demonstrativos que anexamos ao presente , quando então encerrou as compensações com a apresentação da PER/DCOMP solicitando o ressarcimento do saldo restante de R$ 3.828.839,43. Assim, entre o 2° decêndio do mês de novembro de 2005, em que ele se creditou do valor do IPI destacado da NF n° 933376, de R$ 4.426.324,86, ao 3° decêndio do mês de dezembro de 2005, foram compensados os valores dos IPI devidos no período, procedendose, no primeiro decêndio de janeiro de 2006, ao estorno do saldo restante. Na PER/DCOMP a empresa declarou créditos passíveis de ressarcimento no valor de R$ 5.364.204,72, tendo limitado o valor do seu pedido de ressarcimento em R$ 3.828.839,43. Deste modo, considerando o constatado, com referência ao pedido de ressarcimento de IPI relativo aos insumos que originaram Saldo Credor na apuração do IPI referente ao 4° trimestre de 2005, efetuamos a glosa no SCC de todo o crédito de IPI passível de ressarcimento, no valor de R$ 4.426.324,86 (quatro milhões quatrocentos e vinte e seis mil, trezentos e vinte e quatro reais e oitenta e seis centavos), relativamente ao segundo decêndio do mês de novembro de 2005, indeferindo todo o ressarci to pleiteado na PER/DCOMP de n° 21 1638891 7.230206.l.l .0l1615" (seleção e grifos nossos). 11. Neste sentido, ademais, a decisão recorrida, cujo trecho pertinente à matéria em apreço abaixo se transcreve: "(...) da glosa dos créditos resultou, após a reconstituição da escrita fiscal do imposto, a apuração de saldos devedores no período fiscalizado e a consequente lavratura de auto de infração, formalizado por intermédio do processo n° 10120015237/200848 (auto de infração) (...). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a nãocumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando .tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, o aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.412 7 A impossibilidade de creditamento do IPI nas hipóteses de desoneração na entrada do insumo, constitui, até a presente data, o entendimento unânime desta Terceira Turma de Julgamento. Convalidase, assim, as glosas efetuadas pela fiscalização e a reconstituição da escrita fiscal. Com isso, o saldo credor originalmente apurado pela contribuinte, neste trimestre, se converteu em saldo devedor, na forma da Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 1279/1280, anexada nesta data ao presente processo. Desta forma, nao há qualquer direito creditório a ser reconhecido neste julgamento, relativamente ao trimestre 4°/2005. Conseqüentemente, resta ser ratificada a nãohomologação da(s) compensação(ões) declarada(s) vinculada(s) ao crédito em comento. Quanto à exigência de acréscimos moratórios sobre os débitos que resultaram em aberto em face da não homologação das DCOMPS apresentadas, que o contribuinte alega ser ilegal e inconstitucional cumpre esclarecer, de imediato, que a analise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão. (...) Por todo o exposto, voto pelo INDEFERIMENTO da solicitação contida na manifestação de' inconformidade, para RATIFICAR O INDEFERIMENTO do ressarcimento pleiteado por intermédio do PER n° HOMOLOGAÇÃO 21163.88917.230206.1.1.011615 e a NÃO das compensações declaradas a ele vinculadas, discriminadas no início do Relatório integrante do presente voto. 12. Neste sentido, não há de se admitir, por ausência de previsão legal, aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. 13. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.413 8 Fl. 1414DF CARF MF
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