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Numero do processo: 10283.004674/2002-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1999
EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA
Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao direito pleiteado. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Assim, não se pode deferir o pedido de emissão de incentivos fiscais em razão do mero transcurso do tempo.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS
Débitos não regularizados da pessoa jurídica interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais.
Numero da decisão: 1201-000.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM
provimento ao recurso.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao direito pleiteado. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Assim, não se pode deferir o pedido de emissão de incentivos fiscais em razão do mero transcurso do tempo. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS Débitos não regularizados da pessoa jurídica interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso. Fl. 438DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 626 2 (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O presente processo referese a pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, que foi negado pela autoridade local, conforme despacho decisório de fls. 484 e 485. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 492 a 499. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fls. 01), relativo ao ano calendário de 1998, protocolizado em 12/06/2002 pelo contribuinte acima identificado. Conforme dados constantes da ficha 10 — "Aplicações em Incentivos Fiscais — PJ em Geral" da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — DIRPJ/1999 (fls. 574), o contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ para aplicação no FINOR, num montante de R$ 407.094,11, equivalente a 18% do valor do IRPJ apurado a alíquota de 15%, excluídas as deduções e reduções (fls. 574). Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, motivando, em razão disso, a apresentação do mencionado PERC; este, por sua vez, veio a ser indeferido em 29/07/2008, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 484/485, sob a seguinte fundamentação, verbis: “(...) Fl. 439DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 627 3 Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 484. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60), proponho que o processo de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1999, seja indeferido. (...)”. E citado Parecer/Despacho Decisório, por meio da Intimação nº 5875/2008 (fls. 486), veio a ser levado a conhecimento do contribuinte em 10/11/2008 (fls. 486v) que, com o mesmo não concordando apresentou, em 08/12/2008, por meio de seus representantes legais (fls. 489/491), Manifestação de Inconformidade (fls. 492/499) e anexos, alegando, em síntese, que: • a proposta de indeferimento da concessão do benefício se lastreou na alegada existência de pendências junto a SRF e a PGFN, fundamentandoa no disposto pelo art. 60 da Lei nº 9065/95. Em verdade, os supostos créditos estão com a exigibilidade suspensa, conforme prescreve os artigos 14, 15 e 16 do Decreto ng 70.235/72, combinados com o artigo 145, III, combinado com o inciso VIII, do artigo 140, todos do Código Tributário Nacional; • tal alegação, além de amparada nos dispositivos retro, também se encontra escorada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes (reconhecimento deferido a empresa do mesmo grupo econômico do qual faz parte a Manifestante), que não vem aceitando o alcance do artigo 60 da Lei n g 9.069/95, que a Receita Federal quer dar em suas decisões. E se a exigibilidade se encontra suspensa, não se pode falar em débito; • a decisão ora recorrida contraria, portanto, o entendimento majoritário da jurisprudência administrativa. Dessa forma, a concessão do benefício se impõe, visto que o presente se assemelha aqueles referidos acima, tendo a mesma causa e o mesmo incentivo fiscal; • e a situação da manifestante, tanto perante a Receita Federal como junto a Procuradoria Fazendária está regular, conforme se constata pela CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA, expedida em 31/10/2008 (doc. 05); • o Parecer que indeferiu a aplicação é, portanto, nulo, visto que manifestado sem que tenha dirimido ponto relevante da questão, ou seja, a existência de garantias dadas nas exigências apontadas, o que, certamente, dariam outro rumo à decisão; Fl. 440DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 628 4 • aquele ato decisório não pode, e nem deve ser convalidado, uma vez que fere diretamente os princípios constitucionais, ao privar a manifestante de seu legítimo direito garantido pela CF/88. Cita doutrina, concluindo por repetir que o citado despacho decisório, que obstou a aplicação da manifestante em Fundo de Investimento, não pode, nem deve receber guarida, porque a priva de seu direito, além de conflitar com jurisprudência do CC, ao limitar a interpretação da abrangência do art. 60 da Lei nº 9.069/95. Pleiteia, ao final, que seja rejeitado o Parecer/Despacho Decisório combatido, bem como que se conceda o direito a Manifestante de receber as quotas de aplicação dos Fundos de Investimento, uma vez que está demonstrada a regular situação perante a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 575 a 579) negou provimento à defesa pelos motivos a seguir expostos. No entender da autoridade julgadora de primeiro grau, a regularidade fiscal deve ser aferida no instante da decisão. Desse modo, em razão das irregularidades relacionadas na fl. 484, o pedido foi corretamente indeferido. Antes da decisão, o contribuinte possuía certidão conjunta de débitos de tributos federais e da dívida ativa, mas permanece pendente de comprovação a regularidade atinente ao FGTS e ao INSS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 581 a 597, mediante o qual aduz as razões que se seguem: a) entre a data do pedido (16/06/2002) e o primeiro ato da administração (intimação de 10/11/2008), transcorreramse mais de 5 anos. Como a homologação tácita extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, bem como consolida a compensação tributária nos termos da Lei nº 10.833/03, que introduziu na Lei nº 9.430/96 o § 5º do art. 74, esse mesmo prazo homologatório deve ser aplicado ao presente feito, em razão da previsão de analogia no art. 107, inciso I, do CTN. Assim, o valor deve ser concedido em razão da homologação por decurso do prazo de 5 (cinco) anos. b) todos os débitos apontados pela autoridade estão suspensos, o que foi comprovado no curso do processo e, mais uma vez, no presente recurso pela apresentação das certidões negativas ou positivas com efeito de negativa; É o relatório do essencial. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 629 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes DA ALEGAÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO No acórdão nº 10323.528, de 13 de agosto de 2008, como relator do voto vencedor, analisei a possibilidade de prescrição aquisitiva no direito tributário, cujo resultado foi assim ementado: RESTITUIÇÃO – INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA – não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado.. No referido voto, teci as seguintes considerações: Com a devida vênia ao ilustre Conselheiro Relator, entendo que não podemos transmutar um prazo extintivo para um decurso temporal aquisitivo. Fl. 442DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 630 6 O prazo de homologação previsto na codificação tributária diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). No entanto, o voto do relator pretende homologar a aquisição de um direito. De fato, há, no ordenamento pátrio, prazos de caducidade aquisitiva, como a usucapião. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos – milhões, bilhões ou até mesmo suplantar o valor do PIB nacional – e totalmente irreais. Tal raciocínio, portanto, não pode prevalecer. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso, que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já essa “proposta” de prescrição aquisitiva geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Também discordamos do voto do senhor relator ao afirmar que o interessado não mais teria como comprovar o que foi solicitado pelo fisco para aferição do seu direito em razão do prazo decadência. Ora, uma vez que o interessado formulou um pedido relativo a um direito, tinha o dever de manter em boa ordem todos os elementos que poderiam interferir na análise de seu pleito. Tal assertiva não decorre apenas do preceito geral de que aquele que alega deve provar, mas também de expressa e específica previsão legal nesse sentido. O art. 264 do RIR/99, que reproduz o art. 4º, DL nº 486/69, assim dispõe: Fl. 443DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 631 7 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Evidentemente, a expressão “eventuais ações” abarca todo tipo de pleito, dentre os quais o de restituição, seja em âmbito administrativo, seja judicial. O recorrente tinha, portanto, o dever legal de manter todos os documentos que se referissem ao direito pleiteado. Apesar de se tratarem de pedidos diversos, este da concessão de créditos relativos a incentivos, aquele do reconhecimento de indébitos tributários, as situações são análogas e, portanto, valem os mesmos fundamentos numa e noutra. Em síntese, o direito tributário não prevê regras de prescrição aquisitiva simplesmente em razão de irem contra a consolidação de situações de fato e terem a potencialidade de redundar em direitos incomensuráveis, totalmente desvinculados da realidade. Por essa razão, as regras de caducidade que operam contra o Fisco para constituir e cobrar tributos não podem ser aplicadas analogicamente para o reconhecimento de direitos, como no presente caso de concessão de incentivos fiscais. DOS SUPOSTOS FATOS IMPEDITIVOS Antes de nos debruçarmos sobre os fatos que levaram às duas autoridades – a local e a julgadora de primeiro grau – a indeferir o pedido, vale transcrever a dicção da Súmula CARF nº 37 de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72. Mesmo antes da edição dessa súmula, eu, alinhado com a jurisprudência da época, já entendia que somente os débitos contemporâneos ao pedido impediam a sua concessão, como decidi, por exemplo, nos autos do processo nº 10768.014101/9962, cuja ementa transcrevo abaixo: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – somente débitos não regularizados da pessoa jurídica originalmente interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de Fl. 444DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 632 8 revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais. Débitos posteriores ou relativos à incorporadora não valem de fundamento para o indeferimento do pedido. Ao analisar o despacho decisório, constatei que o indeferimento não teve como uma das razões débitos de contribuições previdenciárias (INSS). Assim, restam as pendências relativas ao FGTS, em relação as quais não podemos garantir a sua regularidade. A única certidão apresentada (fl. 449) relativa ao CNPJ da incorporada (CNPJ nº 04.393.401/000100) não comprova a regularidade de FGTS, cuja comprovação foi solicitada pela autoridade local e reafirmada pela decisão de primeiro grau. No recurso voluntário, também não trouxe documento que comprovasse a regularidade em relação a essa exigência. Para não haver qualquer dúvida, pessoalmente, consultei o site www.caixa.gov.br com o CNPJ da incorporada e o resultado não foi de regularidade, conforme tela de pesquisa que reproduzo abaixo: Dessarte, uma vez que o interessado não conseguiu comprovar, em nenhum momento processual, a sua regularidade fiscal, não faz jus ao incentivo fiscal. CONCLUSÃO Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 445DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.004674/200288 Acórdão n.º 120100.478 S1C2T1 Fl. 633 9 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 446DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 13884.900174/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE OFÍCIO DE 75%.
Legítima a aplicação da multa de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Na forma da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1402-003.415
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Na forma da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 01 74 /2 00 8- 83 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 139 2 que passam a integrar o presente julgado.Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/CPS em sessão de 10 de agosto de 2011 (fls. 87/98)1, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada e indeferiu parte do direito creditório buscado. O Despacho Decisório (DD) nº de Rastreamento 754359127, emitido pela DRF/SJC em 20/03/2008 (fls. 6), está abaixo reproduzido: Segundo o voto condutor da decisão recorrida, estas foram as razões de decidir da Turma Julgadora de 1º Piso: “Como relatado, o Despacho Decisório aponta, como motivo para o indeferimento, a impossibilidade de confirmar a apuração do referido crédito, pois a Declaração de Informações Econômico Fiscais da PessoaJurídica (DIPJ) registra a existência de saldo negativo diverso do apontado em Dcomp. Em sua defesa, afirma a contribuinte que o valor correto seria aquele apurado em DIPJ. Entretanto, teria ela informado em sua DCOMP saldo negativo no 3° trimestre de 2005 em valor inferior por não possuir os informes de rendimentos dos valores retidos na fonte relativos à diferença constatada. Em análise ao alegado, foram localizadas junto aos sistemas da RFB as DIPJ/2006 nº 1048706 (fls. 33/38), original cancelada, apresentada em 29/06/2006, e n° 1435997 (fls. 39/43), retificadora ativa, apresentada em 10/09/2008, contendo os seguintes valores: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 141 4 A partir do demonstrativo acima, depreendese que o valor do saldo negativo informado na DCOMP apresentada, de R$ 110.809,21, mostrase divergente do apurado pela interessada em sua DIPJ válida, de R$ 114.910,43. É importante destacar que cabe à contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias bem como pelo correto preenchimento e encaminhamento de seus pleitos, de forma a prestar informações coerentes à Administração Tributária, não havendo motivo algum que justifique a apuração de saldos negativos divergentes nos diversos documentos e declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal. Ademais, conforme mencionado no Relatório, anteriormente ao Despacho Decisório, uma intimação fora emitida, tendo sido dada à contribuinte a oportunidade para efetuar as necessárias retificações e esclarecimentos acerca de seu suposto direito creditório. Tendo sido intimada, e nada informando relativamente às inconsistências apuradas, restaria impossibilitada a verificação quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, pressupostos exigidos pela legislação para que se proceda à homologação das compensações declaradas. Contudo, a Contribuinte, em sua manifestação de Inconformidade, vem esclarecer o equivoco apontado, pelo que, entendese que, em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo ordenamento jurídico vigente, as divergências entre os saldos negativos indicados na DIPJ e no PER/DCOMP podem ser supridos por esta instância administrativa, de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação dos débitos declarados. Dessa forma, necessária a verificação da ocorrência da efetiva retenção do IR, a qual deve ser comprovada mediante apresentação dos respectivos informes emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode, no caso em tela, ser suprido pela confirmação da retenção em Dirf apresentada pelas fontes pagadoras. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 142 5 E, em análise às DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras da Contribuinte, na qual esta figura como beneficiária do imposto retido durante o 3° trimestre de 2005, constatase a ocorrência de retenções sob os códigos 3426 (IRRF Aplicações Financeiras renda Fixa pessoa jurídica), 5706 (IRRF Juros sobre Capital Próprio), 5273 ( IRRF Operações de SWAP), 6800 (Aplicações Financeiras em Funda de rendimento de Renda Fixa), 6147 (Produtos retenção em pagamentos por órgãos públicos) e 6256 (IRPJ Pagamento efetuado por órgão público). Esclareçase que, conforme disciplinado na Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o valor da IRPJ retido por órgãos públicos, sob o código de retenção 6147, deverá ser calculado à alíquota de 1,2% sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, regulamentado pela IN 480 de 15 de dezembro de 2004, como se segue: (...) Pelo exposto, elaborase o demonstrativo abaixo, onde são desmembrados os valores de IRRF, conforme extraídos das informações constantes de DIRF (fls. 44/65): (...) Assim, em analise aos valores acima elencados, depreendese ter sido efetivamente retido durante o 3º Trimestre de 2005 o montante de R$ 115.322,61. Necessário, entretanto, elucidar que, para utilização do IRRF como dedução do IRPJ na Ficha 12A da DIPJ de apuração anual, fazse necessário que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. Somente assim procedendo, e caso apurado saldo negativo do IRPJ, cabe a restituição/compensação do imposto pago a mais que o devido. Esta, aliás, é a condição para que o imposto retido seja deduzido na declaração, por força do art. 37, § 3°, inciso II, da Lei n° 8.981/95 (destaquei): (...) Procedendose à verificação quanto ao efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos sujeitos à tributação, verificouse que na DIPJ/2006 juntada à fl. 39 v., constam "Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade" (linha 21, ficha 06 A) no valor de R$ 0,00, valor este diverso do informado na DIRF como "rendimentos"( R$ 169.828,36), base de cálculo do IRRF art. 756, RIR199, sob os códigos 5273. Observese que, de acordo com previsão expressa no "Manual da DIPJ 2006", disponível no sitio da Receita Federal do Brasil (www.receitafederal.fazenda.gov.br ), com as instruções de preenchimento, as receitas advindas das operações de Swap (IRRF Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 143 6 cód. 5273) devem ser informadas em DIPJ na linha 21 da ficha 06 A e, por conseguinte, compor o lucro do período para fins de apuração do IRPJ devido. (...) E, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre dai que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo ou saldo credor de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do tributo devido no período, bem como as deduções efetivadas a titulo de antecipações, tais como a efetiva retenção de IRPJ. Por conseguinte, o indébito não se constitui automaticamente do saldo negativo apontado nas declarações entregues à Receita Federal, tendo em conta que o resultado declarado pelos contribuintes deve obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do crédito pleiteado. Assim, não tendo sido trazidas aos autos provas de que os rendimentos auferidos em operações de SWAP foram devidamente oferecidos à tributação, não há como admitir qualquer valor de IRRF como dedução do imposto devido no ajuste, restando confirmados apenas os valores abaixo demonstrados: Por outro lado, necessário, ainda, registrar que as receitas financeiras, informadas na Linha 24 da Ficha 06A da DIPJ ativa (fl. 39 v.) durante o anocalendário 2005 comportam o montante de rendimentos computados nas DIRF, quanto aos demais códigos de receita. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 144 7 Sendo assim e considerando que as retenções admitidas como dedução na apuração do IRPJ devido são aquelas que, além de terem o correspondente rendimento oferecido a tributação, foram comprovadas por declaração em DIRF (confirmadas através da apresentação dos informes de rendimentos de mesmos valores), impõese reconstituir, para o período em análise, a Ficha 12A da DIPJ, em função dos montantes passíveis de verificação e confirmação nos sistemas informatizados, de modo a considerar o valor antecipado a titulo de IRPJ de R$ 85.602,65, acima demonstrado, obtendose em conseqüência: (...) Dessa forma, fica validado o saldo negativo de IRPJ apurado em 30/09/2005 no valor de R$ 85.602,65, passandose, então, à verificação de eventuais utilizações pela contribuinte, em outros procedimentos, do saldo negativo de IRPJ ora validado, mediante consultas aos sistemas de processamento da RFB, aferindose, assim, o montante disponível para as compensações declaradas ora em litígio”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ONUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE DIPJ E DCOMP. Superada a inconsistência detectada pelo sistema entre os valores do saldo negativo apontado na DIPJ e na DCOMP em questão, deve o órgão julgador prosseguir na análise do direito creditório apurado com base nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IRRF. Para utilização do IRPJ retido na fonte como dedução na apuração do imposto ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF, conforme adotado no presente caso, diante da não apresentação de informes. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. AFERIÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Reconstituise o saldo negativo de IRPJ do 3 0 trimestre de 2005, a partir das antecipações declaradas e confirmadas, reconhecendo o direito creditório até o limite do valor ora validado, tendo em conta a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 145 8 não localização nos sistemas da RFB de outras utilizações do saldo negativo de IRPJ ora aferido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO PARCIAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovada a certeza e liquidez de parcela do saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2005, origem do crédito utilizado na DCOMP em litígio, homologase e a compensação até o limite ora validado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão supra em 08/03/2012 (fls. 105), a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 107/116) no qual rebate as conclusões da decisão recorrida naquilo que lhe foi desfavorável, repetindo basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e especificamente assenta seu entendimento de que caberia ao Fisco e à DRJ aprofundar as investigações para aferir se os valores relativos a operações de swap foram oferecidos à tributação. Excertos do recurso voluntário resumem o quadro (fls. 111/112): Reclama da aplicação de multa e juros à taxa Selic e pede provimento ao RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 146 9 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 08/03/2012 – fls. 105 – protocolização do RV em 09/04/2012 – fls. 107), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 118/119) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. A reclamação da recorrente tem uma só vertente e ficou claramente exposta em seu recurso voluntário: caberia ao Fisco averiguar se os rendimentos vinculados às operações de swap foram regularmente tributados e, assim, o imposto retido na fonte correspondente poderia validar o direito creditório buscado. Antes de entrar na apreciação do recurso voluntário, quero registrar o parcimonioso e criterioso trabalho da relatora da decisão recorrida que, mediante exaustivas pesquisas nos sistemas informatizados da Receita Federal pôde validar valores que o Despacho Decisório havia negado, procedimento que, por si só, e de preâmbulo, afasta integralmente as contundentes críticas da recorrente de que o Acórdão da DRJ teria prescindido, sem motivação, de realizar diligências para apurar a tributação dos rendimentos de swap. Muito ao contrário, a decisão recorrida fez profundo trabalho inclusive em relação aos reclamados rendimentos de swap, mas não conseguiu confirmálos. A propósito, vejase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão (fls. 95): “Procedendose à verificação quanto ao efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos sujeitos à tributação, verificouse que na DIPJ/2006 juntada à fl. 39 v., constam "Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade" (linha 21, ficha 06 A) no valor de R$ 0,00, valor este diverso do informado na DIRF como "rendimentos" (R$ 169.828,36), base de cálculo do IRRF art. 756, RIR199, sob os códigos 5273”. (destaquei). Data máxima vênia, pareceme claro que o que a recorrente intenta é transferir à Autoridade Fiscal e aos Julgadores uma obrigação que é DELA! Em outro dizer, o ônus de apresentar os documentos e registros que comprovem a regularidade das operações e o oferecimento do rendimento à tributação para que o IRRF possa ser aproveitado na composição do saldo negativo é do interessado, contribuinte, autor nestes autos , a quem é impingido acostar as provas do que alega (artigo 373, I do atual CPC art. 333, I, do CPC de 1973). Todavia, de forma ambígua e até cômoda busca direcionar aos julgadores a incumbência de localizar e confirmar as operações e documentos comprobatórios que ele, contribuinte, deveria possuir e juntar aos autos. Evidentemente, um procedimento que não se sustenta. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 147 10 Concretamente, o recurso voluntário limitase a argumentar e não apresenta uma única prova, por isso as alegações se perdem (“allegare nihil, et allegatum non probare paria sunt”, ou, em vernáculo, “alegar e não provar o alegado importa nada alegar”). Ademais, não se olvide, o contribuinte deve manter sua escrituração de modo a lhe aproveitar, especialmente quando busca direito que entende existir contra a Fazenda Pública: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Por fim, lembrese, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Pelo exposto, não trazendo a recorrente no recurso voluntário qualquer elemento novo nem prova de suas alegações, a decisão de 1º Piso fica solidificada. Quanto aos demais itens presentes no RV (multa e juros), são matérias consolidadas em nível administrativo, no caso da multa, pelo fato de ser derivada de lei em plena vigência (artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996) e deve ser imposta sempre que se apurar irregularidades. No que tange aos juros à taxa Selic, há Súmula em plena vigência: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13884.900174/200883 Acórdão n.º 1402003.415 S1C4T2 Fl. 148 11 Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002543/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 43 /2 00 9- 96 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.989, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23 e maio de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 4 3 O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e (d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 5 4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.318, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.318): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 9 8 Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 10 9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 11 10 (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.318. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 13 12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 9303007.324 CSRFT3 Fl. 14 13 que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 4) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721874/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. RETENÇÃO.
Deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, constitui infração, conforme previsto no art. 31, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa.
REINCIDÊNCIA. MESMO TIPO DE INFRAÇÃO.
Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.
No caso de reincidência em infrações do mesmo tipo, a multa aplicada é elevada em três vezes.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo
internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26-A do Decreto 70.235, de 1972.
CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE.
A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontra-se sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ.
Numero da decisão: 2301-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente).
Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. RETENÇÃO. Deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, constitui infração, conforme previsto no art. 31, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. MESMO TIPO DE INFRAÇÃO. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações do mesmo tipo, a multa aplicada é elevada em três vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26-A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontra-se sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
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RETENÇÃO. Deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, constitui infração, conforme previsto no art. 31, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. MESMO TIPO DE INFRAÇÃO. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações do mesmo tipo, a multa aplicada é elevada em três vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 74 /2 01 4- 16 Fl. 534DF CARF MF 2 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontrase sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratase de processo que agrupa o Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigação tributária acessória, sob o seguinte DEBCAD: nº 51.061.4507, consolidado em 22/09/2014. Informa a fiscalização que: O sujeito passivo apresentou o contrato de prestação de serviço da empresa Gran Eufrásia Turística Ltda, cujo objetivo é o fretamento de ônibus para o transporte diário dos colaboradores da BR Metals, e notas fiscais deste serviço, onde não consta o destaque de retenção de 11% (onze por cento). Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10073.721874/201416 Acórdão n.º 2301005.449 S2C3T1 Fl. 3 3 Também apresentou, em relação à empresa prestadora F Sul Serviços e Locações Ltda, o contrato de prestação de serviços de vigilância e notas fiscais, não constando nestas o destaque de 11% referente à retenção. Assim, o contribuinte infringiu o art. 31, caput, da Lei nº 8.212, de 1991. Em 14/02/2009, foi lavrado o AI nº 37.219.4605 (processo nº 17883.000022/200921), baixado por liquidação em 27/08/2010, referindo a mesma infração apontada no presente auto de infração. A multa foi aplicada de acordo com o artigo 283, caput e §3º, com atualização do valor pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19, de 2014, no valor de R$ 1.812,87, elevada em três vezes por ter a empresa incorrido em reincidência específica, em consonância com os artigos 290, V, e 292, IV, do Decreto nº 3.048, de 1999, totalizando o valor de R$ 5.438,61. Cumpre informar que A BR Metals Fundições Ltda, pertencente ao Grupo Sifco, requereu sua recuperação judicial em 22/04/2014, na Vara de Recuperação Judicial e Falências de São Paulo. O processo foi redistribuído para a 5ª Vara Cível de Jundiaí em 16/05/2014, sob o n° 103706603.2014.8.26.0100, sendo deferido em 30/05/2014 (com publicação em 02/06/2014). DA IMPUGNAÇÃO. A empresa autuada foi cientificada dos lançamentos em 25/09/2014 e apresentou impugnação em 27/10/2014, argüindo, em síntese, o seguinte: Afirma que os atos administrativos devem ser claros e precisos, mas não é o que está a ocorrer no presente caso, eis que o contribuinte encontra dificuldade para montar a defesa de seus direitos. Defende que há vício no presente auto de infração, pois cabe ao Administrador Público, ao constituir o crédito tributário, demonstrar os fatos que ensejaram o ato administrativo. Expõe que o fiscal deveria ter demonstrado cabalmente todas as circunstâncias fáticas que o levaram a entender que não ocorreu a retenção, bem como que o fato aqui tratado se configura reincidência e para justificar o agravamento da multa em três vezes. Alega que a autoridade administrativa não demonstrou a ocorrência dos fatos, limitando se a apontar valores, não apresentando os elementos caracterizadores da ocorrência das infrações relatadas. Afirma que houve ofensa ao princípio da moralidade, já que a impugnante está sendo compelida ao pagamento de multa, agravada em três vezes, sem ter ocorrido a comprovação de reincidência que justificasse essa conduta. Alega ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo os atos administrativos guardar proporção adequada entre os meios utilizados e os fins almejados. Defende que na aplicação da multa deve haver respeito ao aspecto de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento. Argui que a fiscalização deveria ter demonstrado, ponto a ponto, a reincidência praticada pela impugnante, porém, limitouse a mencionar o auto de infração anterior (AI nº 37.219.4605) e afirmar tal acontecimento, sem a disponibilização dos respectivos documentos. Fl. 536DF CARF MF 4 Defende que a taxa SELIC aplicada sobre o valor do débito a título de juros deve ser afastada quando o índice ultrapassar 1% ao mês, já que, em consonância com o art. 161, §1º, de Código Tributário Nacional (CTN), é permitido à lei ordinária somente fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% ao mês. Alega que, caso desejasse superar esse limite, o legislador teria que se valer do mesmo instrumento legislativo usado primeiramente, qual seja, a lei complementar. Afirma que deve ser levando também em consideração o art. 193, §3º, da Constituição Federal, que dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. O Acórdão n. 1539.923 da DRJ (fls. 491 e ss) julgou a impugnação improcedente e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. RETENÇÃO. Deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, constitui infração, conforme previsto no art. 31, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. MESMO TIPO DE INFRAÇÃO. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações do mesmo tipo, a multa aplicada é elevada em três vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10073.721874/201416 Acórdão n.º 2301005.449 S2C3T1 Fl. 4 5 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontrase sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ. A ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 505 e ss) alegando: (i) vício intrínseco ao ato administrativo de lançamento tributário, uma vez que não teriam ficadas claras todas as circunstâncias fáticas que levaram ao agravamento da multa; (ii) ofensa ao princípio constitucional da moralidade no tocante ao lançamento tributário; (iii) inocorrência de reincidência para fins de agravamento da multa; e (iv) inaplicabilidade da taxa Selic para os juros. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial violação ao princípio da moralidade no lançamento do crédito tributário, o que implica em dizer que o referido lançamento é inconstitucional. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Questão do Vício Intrínseco do Lançamento e da Inocorrência de Reincidência para fins de Agravamento da Multa Ao contrário do que alega a impugnante, não há vício nos créditos tributários constantes no presente processo, já que o relatório fiscal expõe todos os motivos do lançamento, com exposição detalhada dos fatos e sua comprovação. Nesse sentido, o presente Auto de Infração foi lavrado nos termos do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 e do artigo 293 do Decreto 3.048/99, sendo observados os aspectos legais e formais na autuação, quais sejam, a descrição clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação. O Relatório Fiscal descreve a infração praticada: Fl. 538DF CARF MF 6 em relação à empresa Gran Eufrásia Turística Ltda, o contribuinte apresentou o contrato de prestação de serviço da empresa, cujo objetivo é o fretamento de ônibus para o transporte diário dos colaboradores da BR Metals, e notas fiscais deste serviço, mas nestas não consta o destaque de retenção de 11% (onze por cento). apresentou, em relação à empresa prestadora F Sul Serviços e Locações Ltda, o contrato de prestação de serviços de vigilância e notas fiscais, mas também nestas não consta o destaque de 11% referente à retenção. Assim, o contribuinte não efetuou as retenções de que era responsável, conforme análise efetuada na conta contábil “20401005 – INSS RETIDO NA FONTE”. Consta no relatório fiscal a legislação infringida pelo contribuinte: art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, artigos 117, II; 118, XVIII; 122, II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. A capitulação legal se amolda completamente à situação fática relatada nos autos. Como se vê, há previsão legal da obrigação de a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Por sua vez, no Relatório Fiscal consta a fundamentação da Aplicação da Multa: art. 283, caput e §3º, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pelo art. 8º, V, da Portaria MPS/MF nº 19, de 10/01/2014. Conforme o parágrafo único do art. 290 do Decreto nº 3.048, de 1999, caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Assim, da data do pagamento (27/08/2010), relativo ao referido auto de infração nº 37.219.4605, até a prática da nova infração, objeto do presente processo, nas competências 09/2010 a 12/2010, não transcorreram mais de cinco anos, estando caracterizada a reincidência. Em relação à infração nas competências 01/2010 a 08/2010, que são anteriores ao pagamento do auto de infração nº 37.219.4605, não ocorreu a reincidência. Segundo o relatório da fiscalização, o agravamento da multa se deu por conta reincidência do contribuinte no mesmo tipo de infração, que seria a infração relativa a não contabilização de forma segregada das contribuições do segurado e da empresa, sendo que a reincidência pode ser observada pela existência de um Auto de Infração anterior. Diante do exposto, tratase de caso claro de subsunção do fato à norma, de modo que o agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10073.721874/201416 Acórdão n.º 2301005.449 S2C3T1 Fl. 5 7 abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 540DF CARF MF 8 Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001952/2005-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples.
Numero da decisão: 1001-000.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples.
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EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 19 52 /2 00 5- 66 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.001952/200566 Acórdão n.º 1001000.759 S1C0T1 Fl. 56 2 A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1419.490, de 10/06/2008 (efls. 25/27). A contribuinte foi excluída do Simples mediante o Ato Declaratório Executivo n° 580.618 de 02 de agosto de 2004, à efl. 13, emitido pela DRF de Sorocaba/SP, pelo fato de um dos sócios ter participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica, tendo a receita bruta global no anocalendário 2002 superado o limite do art. 2°, II, da Lei n° 9.317, de 1996, incidindo na hipótese excludente prevista no art. 9°, IX, da referida lei. Transcrevo integralmente argumentos apresentados na solicitação de revisão da exclusão do simples (efl. 4) O sócio EDSON DEL DOTTORE CPF 003.813.26802, é participante das seguintes empresas: 1. SIX RESTAURANTE LTDA. EPP CNPJ 04.933.619/000100, com 90% do Capital Social, 2. BEST FOODS ALIMENTAÇAO LTDA. CNPJ 01.593.471/000113, com 10% do Capital. 3. SIX POINT SUPER LANCHES LTDA. CNPJ 05.211.359/000121, com 10% do Capital. Quando da elaboração do Contrato Social da empresa SIX POINT SUPER LANCHES LTDA., empresas essas pertencentes a mesma família, houve um equívoco com referência a distribuição do capital social, sendo erroneamente atribuído ao sócio EDSON DEL DOTTORE o percentual de 99,00% de seu capital social, fato esse já devidamente regularizado através de Instrumento de Alteração Contratual datado de 18/06/2002, e devidamente arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, e também junto a Secretaria da Receita Federal. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme as fundamentações exaradas mediante o voto condutor, a seguir transcritas: A impugnação/manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dela conheço. O sistema integrado de pagamentos de tributos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte foi instituído pela Lei n° 9.317 de 1996. No art. 2° da citada lei, com a redação dada pela Lei n° 9.732 de 11 de dezembro de 1998, art. 3°, (vigente à época da exclusão) são determinados critérios para enquadramento na condição de micro empresa ou empresa de pequeno porte. Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica que tenha auferida, no ano calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferida, no anocalendário, receita bruta superior a R$ Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.001952/200566 Acórdão n.º 1001000.759 S1C0T1 Fl. 57 3 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). O art. 9°, IX, da Lei n° 9.317/1996, abaixo transcrito, veda a opção pelo Simples quando um dos sócios da pessoa jurídica participa com mais de 10% no capital de outra empresa e desde que a receita bruta global ultrapasse o limite por ela estabelecido. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º. O art. 13 também da Lei n° 9.317 de 1996, a seguir, determina que a pessoa jurídica deve efetuar a comunicação de sua exclusão sempre que estiver dentro de uma das situações previstas no art. 9°. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9º; De outra forma, no art. 14 da mesma lei também está prevista a exclusão de oficio quando a pessoa jurídica não procede à comunicação prevista no art. 13. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 73. O inciso II do art. 15 da Lei nº 9.31 7, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;" Conforme se depreende dos autos, a exclusão da pessoa jurídica do Simples se deu de oficio em virtude de um dos sócios CPF 003.813.26802 ter participação superior a 10% do capital social de outras empresas CNPJ 04.933.619/000100 e 05.211.359/000121, sendo constatado ter a receita bruta global superado, no ano calendário 2002, o limite de R$1.200.000,00 estabelecido pelo art. 2°, II, da Lei n° 9.317, de 1996. Verificada claramente nestes autos a situação de fato prevista na lei, sem que a interessada lograsse infirmar sua inocorrência, pois tentou justificar que procedeu alteração contratual em 18 de junho de 2002, por ter cometido um engano fazendo constar o percentual de 99%, quando o correto era 10% de participação do sócio Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.001952/200566 Acórdão n.º 1001000.759 S1C0T1 Fl. 58 4 Edson Del Dottore na empresa SIX Point Super Lanches Ltda. E não logrou êxito. Podemos constatar que a alteração solicitada foi posterior ao recebimento do Ato Declaratório de exclusão e só registrada na Jucesp em 29/9/2004. Impõese à confirmação da exclusão da empresa do sistema e corroborase a validade do ato administrativo de exclusão. Ressaltese que a partir do momento em que não mais se verificarem os motivos da retirada da pessoa jurídica do Simples, tomase possível nova opção pelo sistema a partir do início do anocalendário subseqüente, a qual deverá ser devidamente requerida. Diante do exposto, VOTO pelo indeferimento da solicitação. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do anocalendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 30/07/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 29, a recorrente apresentou recurso voluntário em 29/08/2008, (efls. 30/35), conforme carimbo aposto à efl. 30. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação apresentada em sede de primeira instância de que "tendose verificado o erro material, procedeu a referida empresa a sua regularização". Tratase de uma repetição do argumento utilizado na solicitação de revisão da exclusão do simples, que foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10855.001952/200566 Acórdão n.º 1001000.759 S1C0T1 Fl. 59 5 Esse argumento, de erro material, foi fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito acima, ao qual adiro como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Aduz, ainda, que "se tratando de reratificação (retificação e ratificação) do contrato social, não importa a data do registro na Jucesp, bastando que tenha ele se efetivado, para que produza os seus regulares efeitos jurídicos" e que a negativa de aceitação da re ratificação do contrato social da empresa Six Point Super Lanches Ltda viola o princípio da razoabilidade. Cita julgados. Quanto às alegações de violação de princípios constitucionais, as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão a empresa do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.943401/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 34 01 /2 00 9- 21 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.943401/200921 Acórdão n.º 1302003.047 S1C3T2 Fl. 174 2 Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 116, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 118, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, juntada à efls. 157/164, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.943401/200921 Acórdão n.º 1302003.047 S1C3T2 Fl. 175 3 Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000019/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 9/ 20 10 -4 1 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 12571.000019/201041 Resolução nº 3301000.713 S3C3T1 Fl. 485 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 12571.000019/201041 Resolução nº 3301000.713 S3C3T1 Fl. 486 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720028/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrentes MINERITA MINERIOS ITAUNA LTDA e FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1302000.455 desta turma, exarada na sessão de 6 de outubro de 2016, que bem retrata os fatos: Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos contra o Acórdão nº 1668.009/15, proferido pela Oitava Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPO, que julgou procedente em parte a impugnação proposta pela contribuinte em razão dos Autos de Infração lavrados contra si, efls. 03 a 36, para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas aos anoscalendários de 2010 e 2011, os quais constituíram crédito tributário no valor total de R$ 73.349.810,28, incluídos, nesta quantia, os valores dos tributos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 00 .7 20 02 8/ 20 14 -6 5 Fl. 7834DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.808 2 (principal), multa de ofício qualificada (150%), multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas mensais e juros. Da Infração Tributaria A fiscalização, consoante minucioso Termo de Verificações Fiscal de efls. 37 a 88, acusa a contribuinte de haver realizado reorganização societária com o único fim de fraudar o fisco, recolhendo menos tributos do que estaria sujeita. O planejamento tributário, considerado ilícito, consistiu em cisões parciais da "Minerita" em 04 novas empresas, realizadas nos anoscalendários de 2005 e 2007, consoante 24ª e 26ª alterações contratuais. Pelas cisões, a empresa desmembrou parte de suas próprias atividades, sujeitando o lucro que deveria ser tributado pelo regime de apuração do Lucro Real, ao Lucro Presumido, além de gerar despesas artificiais (desnecessárias) e omitir receitas de faturamento. A empresa auditada, "Minerita", procedeu às seguintes cisões e surgiram as empresascoligadas: BIOMINAS Transportes Ltda (ex Minerita Transportes Ltda) 24 ª alteração contratual, doravante denominada "Biominas" CMC Companhia Mineira de Concentração de Minérios Ltda 26 ª alteração contratual, doravante denominada "CMC" SINTERITA Sinter Itauna Ltda 26 ª alteração contratual, doravante denominada "Sinterita" FERROMINAS Mineração Ltda 26 ª alteração contratual, doravante denominada "Ferrominas" Ressalta, ainda, que, em 31/12/2007, deuse a cisão parcial de forma reversa pela incorporação de parte do patrimônio da "CMC" pela "Minerita" (uma pilha de 12 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro, com consequente aumento de capital). A "Minerita" tem como objeto social: “Aproveitamento e exploração de jazidas minerais no território nacional, extração de minérios em jazidas de terceiros na condição de prestação de serviços e arrendamento; locação e prestação de serviços de máquinas, veículos e equipamentos industriais; transporte rodoviário de carga intermunicipal, interestadual e internacional; comércio de compra e venda de ferros, aço, metais, vigas, cantoneiras, estrutura metálica, sucata de ferro, aço, metais, papel, papelão e plástico, máquinas e equipamentos industriais, usados, veículos usados, leves e pesados, compra e venda de imóveis, e a incorporação de imóveis, desmembramento ou loteamento de terreno, e a locação de imóveis próprios, serviços de manutenção e reparo de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; manutenção e reparo de máquinas e equipamentos industriais; manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para uso na extração mineral; manutenção e reparação mecânica de veículos automotores e a prestação de serviços combinados de escritório e apoio administrativos.”(Contrato Social consolidado em 02/06/11 29 ª alteração). A fiscalização esclarece que a empresa, limitada, tem como sócios Dilson Fonseca da Silva (9899% das cotas), na qualidade de administrador, e sua esposa, Janete Ferreira Alves da Silva. As demais empresas do grupo também possuem o sr. Dilson Fonseca da Silva no quadro societário, com exceção da "Biominas", cujos sócios são os filhos do casal, Kassio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, consoante quadro a seguir elaborado pela fiscalização: Fl. 7835DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.809 3 No Termo de Verificações Fiscal, resta frisado que Dilson Fonseca da Silva é quem administra e exerce o pleno controle sobre todas as empresas do grupo econômico. A fiscalização considera necessário para caracterizar a reorganização societária:"...podem ter os mais variados objetivos, entre eles redução de custos e despesas, otimização de operações, unificação, padronização e racionalização da administração, inclusive redução da carga tributária do grupo, o que pode se dar de forma lícita ou ilícita". Passa a descrever no Termo as razões, expendidas já nos Protocolos de Intenção e Justificação das Cisões correspondentes, sobre as quais a "Minerita" justificou todas as cisões e benefícios advindos, tais como concentrar na cindida (Minerita) as operações de extração de minério e atividades afins, apartando as atividades de transporte (Biominas), em 2005, e em 2007, as atividades de concentração de finos de minérios (CMC) e sinterização (Sinterita), objetivando melhores estratégias operacionais e comerciais. Em visita realizada ao Parque Industrial, Fazenda Lagoa das Flores, Itatiauçu/MG, local sede da CMC, Sinterita e filiais da Minerita e Biominas, a fiscalização constatou que escritórios, portaria, refeitório são de uso comum das empresas do grupo. Explicita, ainda: Fl. 7836DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.810 4 A filial da BIOMINAS foi extinta em 15/03/2013, sua sede está localizada na cidade de Itaúna (MG), na Rua do Dego 317, Bairro Eldorado (Rodovia MG 050, km 85,8). Aparentemente mantém sede, administração e atividades próprias. Prestava serviços de transportes no período fiscalizado (2010 e 2011), na data da visita a prestação de serviços estava bastante reduzida (menos de 5 caminhões), podendo ser aumentada em alguns dias, cujas providências para mobilização estariam em andamento, segundo informações prestadas pelo Sr. Saulo. A CMC encontravase em pleno funcionamento. Mantém escritório, pessoal, instalações industriais e logística própria, aparentemente independente das outras empresas que operam no local. As atividades são dirigidas por um gerente e dois supervisores. A SINTERITA possui instalações industriais, aparentemente independente das outras empresas que operam no local, entretanto, está inoperante por questões mercadológicas, segundo informações do Sr. Saulo, mas em condições de retomar atividades no momento conveniente. A fiscalizada, MINERITA, encontravase em plena atividade, mantém no local escritórios e instalações industriais próprias, sendo a logística própria e/ou contratada, e no caso de transporte este é de responsabilidade do cliente em parte das operações de venda. É responsável pelo controle e operação de portaria, escritórios e refeitórios, que atende tanto a si como às demais empresas que se localizam e operam no local. Funciona no local outra empresa do grupo, constituída em 2011 (13/10/2011), a BLOCOITA – BLOCOS ITAUNA LTDA, CNPJ 14.466.790/000100, que industrializa blocos, meio fios e outros produtos, com utilização de rejeitos (areia) da atividade de mineração. A empresa FERROMINAS MINERAÇÃO LTDA CNPJ 08.814.720/000100, detentora de autorizações – decretos de lavras encontrase inoperante enquanto são providenciadas autorizações legais e ambientais para entrar em operação. [...] Minerita Minérios Itaúna Ltda Fundada em 1972 com o objetivo de extrair, beneficiar e comercializar minério de ferro; Ferrominas Mineração Ltda Fundada em 2007 com o objetivo de extrair, beneficiar e comercializar minério de ferro; Empresa ainda sem operação; Em fase de licenciamento; CMC Companhia Mineira de Concentração de Minérios Ltda Fundada em 2006 com o objetivo de comprar, vender, tratar e concentrar minérios; Sinterita Sinter Itaúna Ltda Fundada em 2007 com o objetivo de produzir e comercializar sínter siderúrgico; Biominas Transportes Ltda Fundada em 2005 com o objetivo de transportar produtos a granel; atualmente só tem funcionários no escritório, parte administrativa, e parte de seus equipamentos estão alugados.” Apresentou anexo com Fluxogramas de operações da MINERITA, CMC e SINTERITA. Informou que a FERROMINAS não tem fluxograma por que ainda não está em operação, e que a BIOMINAS não tem fluxograma Fl. 7837DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.811 5 por se tratar de um processo simples de transporte de cargas em carretas basculante. Apresentou Livro de Inspeção do Trabalho, Matriz, filial Lagoa das Flores e filial Maqmil; em CD apresentou ficha de Registro de Funcionários, Matriz, Filial Lagoa das Flores e Filial Maqmil; também em CD, Notas fiscais de saídas do Período 2010 a 2011, Filial Lagoa das Flores e Filial Maqmil. Pelo TIF 003 intimamos para apresentação de organograma da empresa, cópias de contratos FINAME firmados com o Banco do Brasil S.A. e Banco Itaú, e cópia de documentação que comprove pagamentos, com identificação dos responsáveis pelas autorizações. A intimação foi atendida em 30/06/2014. Constatamos da documentação examinada e destacamos: Os contratos FINAME de responsabilidade da MINERITA são firmados pelo sócio Dilson Fonseca da Silva. A fiscalização fez várias indagações à empresa auditada, tais como: (i) utilização de empregados (comuns) da "Minerita" pelas outras empresas coligadas nas áreas administrativa, financeira, contábil, operacional etc; (ii) utilização comum de instalações e equipamentos; (iii) se é realizado, e critérios, para o rateio de custos e despesas; (iv) apresentar certidões de transferência dos imóveis objetos das cisões; (v) comprovação de compra e venda das cotas das empresas "CMC" e "Biominas", de Dilson Fonseca da Silva para os filhos Kássio e Kelly. Verificou, ainda, que a filial da "Minerita" ("Maqmil") recomprou, no exercício de 2010, parte do Ativo Imobilizado que havia transferido para a "Biominas" em 2005, a saber, 23 caminhões e 16 semireboques. Após procedimentos de diligências, individualizados, às empresas coligadas, a fiscalização levantou vários pontos, concluindo, em apertada síntese: [...]A desconcentração das operações não aconteceu, conforme podese verificar dos contratos e alterações contratuais da MINERITA, registrados na JUCEMG e anexados a este processo fiscal. Pela cláusula OBJETO SOCIAL a MINERITA continuou a exercer as mesmas atividades exercidas antes das cisões e transferidas às incorporadoras. A apregoada estratégia operacional e comercial também não foi atingida e nem procurada. Pois, além de outras características e atividades comuns, as empresas criadas funcionam no mesmo parque industrial, têm a mesma portaria, o mesmo controlador e gestor, o mesmo contador, os mesmos encarregados do gerenciamento das finanças e o mesmo endereço para correspondência. Cindiu apenas no papel, somente aparência. Especificamente sobre o caso da CMC é de se dedicar algumas linhas para chamar a atenção para determinados pontos. A MINERITA é a única cliente da CMC, sendo que o projeto foi desenvolvido especificamente para atendêla. Fl. 7838DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.812 6 Agindo como agiu a fiscalizada, produzindo através de empresa fictícia, no caso a CMC, fica caracterizada a falta de racionalidade de custos, pois a MINERITA deixando de exercer as atividades de concentração de minérios transferindoas à CMC, empresa recém criada, abriu mão de excepcional rentabilidade. Paga pelos produtos/serviços adquiridos pelo menos 3 vezes mais do que o custo que teria para produzir. O que foge à razoabilidade e bom senso e demonstra total falta de racionalidade econômica, caracterizando também falta de observância de princípios empresarias básicos, ou seja, renuncia pela MINERITA de rentabilidade e majoração de custos e despesas. [...]A CMC com alto grau de rentabilidade e lucro, mais de 60%, tributado pelo regime de lucro presumido em percentuais menores que o regime de lucro real da MINERITA, distribui lucros sem tributação aos sócios, e, ainda utiliza dos valores pagos como despesas para abatimento na apuração do lucro real da MINERITA com excepcional vantagem comparativamente entre os dois regimes de tributação. Não há como considerar os rearranjos societários perpetrados pela MINERITA no seu relacionamento com o fisco. Empresas controladas pela mesma pessoa, exercendo as mesmas atividades anteriormente exercidas pela empresa líder, MINERITA, das quais não se desvinculou. As atividades foram loteadas, com reservas pela MINERITA, pois delas não abriu mão, entre as pretensas empresas independentes e autônomas. Loteadas além das atividades, o ativo, o passivo, a clientela e tudo o mais, conforme já dito e repetido. Mantêm o mesmo endereço para correspondência, o mesmo dirigente e o mesmo contador, além das mesmas pessoas responsáveis pela movimentação financeira, e, ainda em comum, custeados pela fiscalizada, portaria, refeitórios e escritórios. Pelo uso das áreas em comum e prestação de destes serviços, por empregados da MINERITA, custeado por esta, inexiste rateio, tudo pago por esta em benefício de todas. Além dos citados existem ainda outros profissionais, empregados da MINERITA, que executam serviços para as diversas empresas, a exemplo de Nathália Priscila Menezes Barbosa, que também faz parte do departamento contabilidade, conforme informação em atendimento a intimação, já referido neste termo. A CMC recebeu empregados transferidos da MINERITA, sendo de demitidos na MINERITA e prontamente admitidos na CMC, bem como transferências em sentido contrário, da CMC para a MINERITA, após prestação de serviços por certo período de tempo na CMC, sendo também prontamente contratado na MINERITA, além de rodízio na contratação de alguns empregados pelas diversas empresas do grupo, sendo demitidos em uma e admitidos prontamente em outra. Verificase também, pelo exame de documentação apresentada em resposta ao TIF 003 da diligenciada CMC, o caso de Pedro Paulo Fl. 7839DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.813 7 Machado, Coordenador do Departamento de Recursos Humanos e José de Assis Braga, Gerente de RH, empregados da MINERITA, conforme pesquisa no sistema CNIS já citado neste relatório, cuja consulta constitui o anexo CNIS EMPREGADOS OUTRAS SITUAÇÕES, na execução de serviços relacionados a recursos humanos da CMC. Documentos fiscais referentes a fornecimentos de refeições tanto à MINERITA como à CMC são visados e têm os pagamentos autorizados por eles. Como exemplo estão as notas fiscais nºs 217, 222, 240, 265, 308 e 309, emitidas pelo Restaurante Casa Anfitriã Ltda., CNPJ 09.721.074/000272. Mais uma prova da unicidade do empreendimento. As operações realizadas por estas empresas são na verdade da MINERITA cindida parcialmente, que vez uma espécie de departamentalização. Não há qualquer propósito negocial que justifique as operações realizadas, visto sua incapacidade para operar outros resultados, a não ser e tão somente contra o fisco, com a economia irregular de tributos. Não é sem razão a centralização de endereço, esta centralização se dá para acompanhamento de perto pelo dono, fica tudo às suas vistas. Afinal constituemse em única empresa, a MINERITA. A cisão foi apenas formal, só papel. A MINERITA continuou funcionando e produzindo o mesmo que produzia antes, agora amparada por empresas pretensamente independentes, apenas constituídas com nomes diferentes, mascarando o que seria setores e departamentos em empresas. Apesar de feitas as cisões, criadas empresas, dada aparência de autônomas, realizados cadastros nos diversos entes estatais, inclusive CNPJ, com emissão de documentos fiscais em seus nomes, nada mudou. Os estudos e avaliações que respaldaram a operação de cisão são exclusivamente os referidos e anexados na 26ª Alteração Contratual da MINERITA, de acordo com informações da própria cindida, inexistindo maiores estudos sobre viabilidade, o que foi informado claramente na resposta ao TIF 004, analisado alhures. Outro fato a ser destacado é a forma da tomada de decisões, caracterizada pelo poder do controlador, DILSON FONSECA DA SILVA. Segundo informações trazidas à fiscalização em resposta a intimações, TIF 004 já citado, as decisões são tomadas em ambiente informal, inexistindo memória escrita, tais como relatórios, atas de reuniões e processos formais, as decisões são tomadas e as ações necessárias providenciadas, sem registro formal de tais deliberações, e embora as discussões e deliberações existam, na maioria das vezes, o patriarca fundador é o líder e a quem cabe a decisão final de todos os assuntos de maior relevância da empresa. Fl. 7840DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.814 8 Daí, podese concluir, pelas próprias informações da MINERITA, que as decisões de todos os assuntos de relevância são tomadas pelo líder, Dilson, esposo e pai dos demais sócios, reconhecidamente o detentor absoluto do poder de decisão, manda em tudo como se fosse uma só empresa. O controle e a centralização da administração do grupo podem ser observados também na representação das empresas perante a Receita Federal: O cadastro CNPJ de MINERITA, CMC, FERROMINAS e SINTERITA tem como responsável Dilson Fonseca da Silva. As Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ da MINERITA, CMC, FERROMINAS e SINTERITA têm como representante Dilson Fonseca da Silva, e como responsável pelo preenchimento o contador Maurílio Capanema Lopes. De posse do rol de pessoas fornecido em resposta ao TIF 004 pela fiscalizada responsáveis pelo departamento contábil, financeiro e de portaria, preocupamos em comprovar o vínculo empregatício daqueles profissionais, constatando que os mesmos são ou foram empregados da MINERITA, não o sendo no período fiscalizado das demais empresas do grupo, conforme exame das fichas registros de empregados das diversas empresas, bem como do cadastro nos sistemas previdenciários, baseado em declarações do empregador, através do sistema “CNIS TC Trabalhadores e Empregadores”, conforme ANEXO CNIS – EMPREG. MINERITA PREST SERVIÇO TODO GRUPO. Entretanto prestam serviços às diversas empresas. Por essa prestação de serviços a MINERITA não é remunerada, isto é não existe rateio, ficando a MINERITA responsável por toda a despesa e/ou custo, desoneradas as demais, conforme já dito e repetido. Outra constatação de que o comando do grupo é único, constituindo em único empreendimento, está na resposta ao TIF 002, quando a MINERITA informou sobre as atividades operacionais de cada uma das empresas, inclusive daquela que teoricamente não estaria entre aquelas controladas pelo Sr. Dilson, a BIOMINAS, ao informar que: "Biominas Transportes Ltda Fundada em 2005 com o objetivo de transportar produtos a granel; atualmente só tem funcionários no escritório, parte administrativa, e parte de seus equipamentos estão alugados.” “a BIOMINAS não tem fluxograma por se tratar de um processo simples de transporte de cargas em carretas basculante.” Estatutariamente a BIOMINAS, pretensamente autônoma, pertence a Kássio e Kelly Fonseca Ferreira, entretanto, a MINERITA, que tem como sócios Dilson e Janete, prestou informações detalhadas sobre ela, inclusive sobre aluguel de equipamentos. Não há dúvidas sobre o funcionamento em empreendimento único, com utilização de diversas empresas de aparência, fictícias. Fl. 7841DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.815 9 Se o controlador e o administrador é o mesmo para todas as empresas. Se as áreas diretamente envolvidas na gestão contábil, financeira, logística no que se refere a portaria, refeitório e escritório, bem como gestão de despesas com pessoal, no caso de alimentação, é exercida pelas mesmas pessoas, todos empregados da MINERITA, não há como negar que se trata de um mesmo empreendimento. À vista de todo exposto, está sendo lavrado auto de infração para constituição do crédito tributário considerando as compras feitas pela fiscalizada e as compras e vendas realizadas entre as diversas empresas do grupo como despesas desnecessárias às atividades da fiscalizada. Considerando também as vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA, como omissão de receitas da fiscalizada, por faticamente pertencerem à fiscalizada. [...]Os motivos da não aceitação perante o fisco dos efeitos pretendidos pela fiscalizada estão fundamentados no relatado neste termo em capítulos anteriores corroborado pelos seguintes. Pela justificação a MINERITA segregaria a atividade de transportes das suas atividades, mas não é isso que aconteceu. Manteve em seu ESTATUTO SOCIAL atividade de transportes em todas as alterações que realizou, com a mesma redação “transporte rodoviário de carga intermunicipal, interestadual e internacional”. A BIOMINAS é oriunda da cisão de uma filial da MINERITA, denominada Minerita Transportes, da qual recebeu todos os seus bens, direitos e obrigações, inclusive o nome com o qual foi constituída. Foi criada com o único e exclusivo propósito de participação na operação de cisão, dentro de uma reorganização societária que visava economia tributária e nesse caso pretendeu desvincular a diligenciada das demais empresas do grupo. Nesse sentido foi feita a transferência de quotas de Dilson Fonseca da Silva para Kássio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, que teve exatamente o fim de desvincular formalmente da empresa o sócio Dilson Fonseca da Silva. Mas, só formalmente, sem qualquer efeito perante o fisco federal. A operação de cessão e transferência das quotas de titularidade de Dilson Fonseca da Silva para Kássio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, feita pela Primeira Alteração Contratual, de 01/02/2005, registro JUCEMG 3330326, em 10/03/2005, conforme já relatado, se deu entre particulares, pessoas físicas, pai e filhos, para controle do capital social pelos dois cessionários. Instada a comprovar a transação de compra e venda em que o sócio Dilson transferiu a cada um dos filhos Kássio e Kelly quotas do capital no valor de R$1.234.153,00, manifestouse, informando que: [...] Como podese constatar da resposta à intimação, a cessão das quotas se deu por alteração contratual, não sendo apresentado quaisquer outros documentos além desta sobre a compra e venda. Fl. 7842DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.816 10 Constatase também que o valor envolvido somente foi pago, se é que foi, nos anos de 2011 e 2012, pelo menos 6 anos depois, conforme informação da própria diligenciada colacionada no parágrafo retro. A exemplo da falta de comprovação da contratação da compra e venda, inexistente também a falta de comprovação do pagamento. O pagamento foi feito em espécie, sem comprovação documental. A forma do pagamento nos parece muito simples para quitação de valores tão expressivos, R$1.834.153,00. Em tempos atuais manter e manipular tal monta em espécie, dinheiro vivo, também nos parece inverossímil, podese dizer absurda, além de estranha. É de se questionar, por que manter tal valor em espécie? Onde estava guardado tal numerário? Por que não em depósito bancário? Se em depósito por que não foi feita uma transferência para pagamento? [...]O único registro sobre o provável negócio – venda de quotas, a dívida referente a ele e o seu pagamento está nas declarações de Imposto de Renda Pessoas Físicas dos envolvidos. Entretanto tudo fictício, conforme já relatado, a cessão das quotas se deu por alteração contratual, inexistindo quaisquer outros documentos, um único papel sobre o negócio, apenas declarações. [...]É de se repetir negócio de pai para filhos. As participações de Kássio e Kelly na verdade não existem, a empresa é sim de propriedade de Dilson Fonseca Ferreira, majoritariamente, sendo as participações de Kássio e Kelly representados no máximo pelo valor de R$30.000,00, registrados quando da constituição da empresa, equivalente a 1,2 % (0,6% para cada), contra 98,80 % de Dilson. A BIOMINAS não tem independência em relação à empresa cindida, pois controlada pela mesma pessoa, exercendo as mesmas atividades, utilizando os mesmos equipamentos e atendendo a mesma clientela da filial da MINERITA, que foi integralmente cindida. Na prática constituiuse formalmente em empresa nova, mas, de fato continuou a funcionar como uma filial ou um departamento ou um setor da MINERITA. [...]Fato que também indica o controle da BIOMINAS pela MINERITA está na concessão de cartas de fianças por esta para garantia de financiamentos da compra de 54 caminhões tratores, junto aos bancos DaimlerChrysler S.A., Volvo S.A. e UNIBANCO União dos Bancos Brasileiros S.A, para a frota da BIOMINAS, conforme Atas de Reuniões Extraordinárias de 02/05/2005 e 07/07/2005, registros JUCEMG 3359380, de 20/05/2005 e 3391725, de 05/08/2005. Apesar de possuir contador responsável diferente do contador das demais empresas, o preposto indicado para representar a empresa Fl. 7843DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.817 11 perante a Receita Federal foi Maurilio Gustavo Lopes, o mesmo da MINERITA, CMC, SINTERITA e FERROMINAS. Isto se justifica pelo fato de se tratar de empresa do mesmo grupo, ou melhor dependência/setor da MINERITA, sob as ordens do mesmo controlador, DILSON FONSECA DA SILVA, que precisa manter todo o empreendimento sob acompanhamento. Pelo TIF 003 foi intimada finalmente a esclarecer as razões da venda do ativo imobilizado ocorrida no exercício de 2010 para a fiscalizada. Em resposta de (sic) informou: “A operação de venda dos caminhões se deu pela necessidade da empresa de fazer caixa para honrar seus compromissos. Dentre os equipamentos vendidos 23 caminhões e 16 semi reboques se originaram da cisão de 2005, os demais foram adquiridos pela Biominas. A alienação dos equipamentos foi fruto de uma decisão empresarial e numa operação normal de venda.” Mais um fato a demonstrar a unidade do empreendimento e existência de única empresa, a MINERITA. Parte, 23 caminhões e 16 semi reboques, transferidos à BIOMINAS em operação de cisão, foram vendidos à MINERITA. Quando da cisão serviu para constituição de capital, que foi transferido pelo controlador do grupo aos filhos. Agora devolve mediante operação de venda, mantendo o capital social em nome dos filhos. Com esta transação a BIOMINAS perdeu a finalidade, as atividades voltaram a ser exercidas diretamente pela MINERITA, pois desfez dos bens, vendendo parte e alugando parte destes. Voltou ao que era antes da cisão. À vista do exposto, está sendo lavrado auto de infração para constituição do crédito tributário considerando as vendas realizadas pela BIOMINAS como sendo da fiscalizada, o que é fato, considerando também os custos e despesas utilizados para consecução das vendas e os tributos referentes a IRPJ e CSLL suportados sobre as vendas. Enfim, concluiu, que apesar de documentação apresentada Protocolo de Intenções e Justificação, laudos de avaliação contábil e de bens registros na JUCEMG, contabilização, tudo redunda em formalidade, pois as empresas criadas são totalmente dependentes da "Minerita", sem autonomia financeira, administrativa, econômica ou operacional. Em outro item (11) do Termo de Verificações explica a matéria levada à tributação de ofício: Os fatos geradores do presente lançamento fiscal referentes a DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS estão representados pelos valores contabilizados pela fiscalizada a título de compras efetuadas da CMC e da BIOMINAS, bem como pelas vendas e compras realizadas entre as diversas empresas do grupo, por serem desnecessárias às atividades da fiscalizada, conforme demonstrado neste termo. A base de cálculo Fl. 7844DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.818 12 apurada atinge a cifra de R$ 115.266.196,64 nos anoscalendário 2010 e 2011. Já os fatos geradores ora considerados como OMISSÃO DE RECEITAS estão representados pelo valor das receitas referentes a vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA, receitas estas que apesar de serem faturadas em nome destas pertencem à fiscalizada, conforme amplamente demonstrado, no valor de R$ 28.781.109,99 no mesmo período. A fiscalização elaborou os seguintes Anexos para compor a base de cálculo das autuações fiscais: Anexo 1 Despesas não Necessárias efls. 5938 a 5941 Anexo 2 Omissão de Receitas efls. 5942 a 5944 Anexo 3 Custos e Despesas nas empresas vinculadas efls. 5945 e 5946 Anexo 4 Tributos Recolhidos pelas empresas vinculadas efls. 5947 a 5950 Anexo 5 Apuração de Valores Tributáveis efls. 5951 a 5954 Anexo 6 Apuração Multa Isolada IRPJ e CSLL efls. 5955 a 5958 Impugnados os lançamentos tributários, a Turma Julgadora, após refutar as causas de nulidade suscitadas pela empresa auditada, assim fundamentou o votocondutor, quanto ao mérito: [...]8. Quanto ao mérito, a contribuinte inicialmente defende que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos anos calendário de 2010 e 2011, ao se desconsiderar a autonomia e independência jurídico administrativa das empresas vinculadas, seria equivalente à soma dos resultados contidos nos Demonstrativos do Resultado do Exercício de cada uma das empresas (MINERITA, CMC, SINTERITA e BIOMINAS) e que espelhariam a escrituração de cada empresa. 8.1. Cumpre, neste ponto observar, que a apuração do resultado da MINERITA, considerando a CMC, SINTERITA e BIOMINAS, como seus departamentos, não é tão simples como propõe a impugnante. Isto porque, como bem explicado pelas autoridades fiscais, haveria de se desconsiderar os negócios feitos entre essas “empresas” (setores da MINERITA). Nesse sentido as operações de Vendas entre elas foram consideradas despesas desnecessárias, pois, um departamento não gera despesa quando adquire (de outro departamento), dentro da mesma empresa, matéria prima. Acertado também ao se considerar que as vendas para terceiros efetuados por CMC, SINTERITA e BIOMINAS (departamentos de MINERITA) foramtidas como omissão de receitas na MINERITA, pois foram receitas geradas em nos departamentos da empresa e que não se encontravam escrituradas na sua documentação contábilfiscal. 8.2. Embora alegado em sede de preliminar, cumpre aqui retomar a acusação da impugnante no sentido de que a fiscalização não considerou a totalidade dos custos e despesas das empresas vinculadas (CMC, SINTERITA e BIOMINAS). Fl. 7845DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.819 13 Nesse sentido, convém transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal em que as autoridades fiscais explicitam a respeito da apuração dos custos e despesas para obtenção das receitas que foram considerados. [...]8.2.1. Como se vê da transcrição acima, os autuantes explicaram que consideraram para fins de recomposição da base de cálculo do IR e da CSLL da empresa MINERITA em decorrência da apuração de OMISSÃO de RECEITAS (vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA) e de DESPESAS DESNECESSÁRIAS (valores contabilizados pela fiscalizada a título de compras efetuadas da CMC e da BIOMINAS, bem como pelas vendas e compras realizadas entre as diversas empresas do grupo) os custos e despesas atrelados à obtenção dessas receitas ( de vendas intragrupo e de CMC, BIOMINAS e SINTERITA a terceiros). 8.2.2. Explicam ainda os autuantes que a elaboração de balancetes e de DRE foi feita tendo por base a contabilidade apresentada por cada uma das empresas. Assim, por exemplo, o Custo de produção da CMC de fevereiro de 2010, considerado pelas autoridades fiscais no anexo 05 (fls. 5951), no valor de R$ 1.188.7398,68, foi extraído do Balancete Mensal (fls. 5986 – conta 311 Custo de Produção) elaborado pelas autoridades fiscais com base na documentação contábilfiscal apresentado por ocasião da diligência. Notese que o somatório dos custos de produção da CMC no ano calendário de 2010, no valor de R$ 10.270.077,72 (abaixo demonstrado) está de acordo com a soma do custo dos produtos vendidos e do custo dos produtos industrializados de terceiros (linha 05 – R$ 2.593.659,80 e Linha 07 – R$ 7.676.417,97), do Balanço Patrimonial levantado em dezembro de 2010 da CMC (fl. 6358). [tabela] 8.2.3. Como se vê pelo exemplo acima exposto, o critério apontado pelas autoridades fiscais no TVF para apuração dos custos e despesas referentes às vendas (vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA/receitas omitidas e vendas “intragrupo”/ despesas desnecessárias) que passaram a compor o resultado do exercício da interessada, MINERITA, guarda correspondência com a documentação que compõe o processo, inclusive aquela apresentada pela impugnante quando da apresentação de sua defesa. A lógica fiscal foi justamente diminuir dos valores apurados decorrentes de vendas e que passaram a compor o Resultado do Exercício (e conseqüentemente a base de cálculo do IR e da CS) da impugnante, os valores dos custos de tais vendas. 8.2.4. Convém ainda observar que as autoridades fiscais, ao contrário do que entendeu a impugnante, não desprezaram os registros e informações contábil–fiscais apresentadas pela CMC, BIOMINAS e SINTERITA, pois utilizaramse dos dados colhidos nas diligências feitas junto a essas “empresas” para Fl. 7846DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.820 14 apurar os valores das vendas realizadas intragrupo e a terceiros e dos custos/despesas a elas atrelados. 8.3. Também acusa a impugnante de não ter sido considerado para fins de apuração de IRPJ e de CSLL a lançar a totalidade do IRPJ e da CSLL pagos pelas empresas vinculadas, que a fiscalização deveria subtrair dos tributos apurados. 8.3.1. No anocalendário de 2010, defende a impugnante que o valor de IRPJ a ser deduzido seria de R$ 1.228.537,20 e não de R$ 1.005.897,37, como considerado pelas autoridades fiscais. Sobre tal diferença a interessada afirma ter juntado aos autos DIPJ e comprovantes de liquidação dos tributos das empresas vinculadas. 8.3.2. Pois bem, em uma checagem preliminar, tomese como exemplo, os valores de IRPJ recolhidos pela empresa/departamento CMC, relativamente ao ano calendário de 2010, considerados pela fiscalização conforme Anexo 04 fl. 5947 e aqueles reclamados pela impugnante (fl. 6305). 8.3.3. Os comprovantes de arrecadação do IRPJ da CMC, relativamente ao anocalendário de 2010, apresentados pela impugnante às fls. 6530/6532, foram todos considerados pelas autoridades fiscais, conforme dados do anexo 04 – fl.5947, não restando caracterizada a alegada diferença. Cumpre apenas observar que o comprovante de recolhimento efetuado em 30/06/2011, referente ao P.A. 31/03/2010, no valor total de R$ 37.841,57, referese ao principal de IRPJ de R$ 28.637,49, como considerado pelas autoridades fiscais. 8.3.4. Também há de se pontuar que, embora referentes ao IRPJ apurado pelo lucro presumido (que não comporta o recolhimento de estimativas mensais a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável ao lucro real), os recolhimentos feitos pela CMC a título de IRPJ (código 2089) foram considerados pelos autuantes como “IRPJ Mensal Pago Fl. 7847DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.821 15 pelas empresas vinculadas” em março, junho, setembro e dezembro/ajuste anual de 2010. 8.3.5. Desta feita, entendo que não restou demonstrado que estivessem incorretos os valores de IRPJ e de CSLL considerados pelas autoridades fiscais como pagos pelas empresas vinculadas e, assim, deduzidos dos valores apurados após o cômputo no lucro real (e na base de cálculo da CSLL) das infrações tributárias constatadas. 8.4 A contribuinte também questiona que os valores apontados pelas autoridades fiscais como “omissão de receita” assim não se caracterizariam, pois a receita é derivada de vendas e de prestação de serviços de transporte de cargas, devidamente escrituradas e declaradas na escrita contábil e fiscal das empresas vinculadas e, assim, o fato de não terem sido tributadas na Minerita, em respeito à personalidade jurídica distinta de cada uma das empresas, não as torna receitas omitidas. 8.4.1. É justamente por tais receitas, a despeito de restar provado pertencerem à interessada impugnante, não se encontrarem escrituradas nos registros contábilfiscais a MINERITA (não foram reconhecidas como sendo da interessada) é que assumem o atributo de “receitas omitidas”. Receitas omitidas em relação à interessada. Aliás, como bem explicado pelas autoridades fiscais, a segregação das receitas dos departamentos (vendas a terceiros pela CMC, BIOMINAS e SINTERITA) do total de receitas percebidas pela interessada, entre outros procedimentos por ela perpetrados, visou justamente a economia tributária, daí evidenciada a omissão de receita. [...]A Turma julgadora de Primeira Instância decide, ainda, ser devida a concomitância das exigências das multas de ofício aplicadas sobre os tributos exigidos e as multas isoladas pelos não recolhimentos das estimativas, e manteve a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, com a seguinte fundamentação: 10.1. Conforme relatado e devidamente explicitado no TVF, as circunstâncias, dentro do estratagema traçado pelo administrador da impugnante, em que se revelou a omissão de receitas na interessada e a produção forçada de custos/despesas (aqui taxadas de desnecessárias) não deixa margem à dúvidas: encontrase caracterizado o dolo, a intenção de omitir valores e gerar despesas/custos, reduzindo artificialmente a base de cálculo imponível do IRPJ e da CSLL. 10.2. Todos os elementos trazidos aos autos pelos autuantes no tocante à criação formal (apenas no papel) das empresas CMC, SINTERITA e BIOMINAS, com o único propósito de lesar o Fisco, conforme minuciosamente descrito no TVF, e que permeiam os fatos geradores apurados na ação fiscal, revelam ser irreparável o procedimento da Fiscalização no tocante ao lançamento da multa de ofício de 150% sobre a totalidade do IRPJ e da CSLL devidos. Matéria sujeita a Recurso de Ofício: A parcela exonerada pela Turma Julgadora de Primeira Instância é concernente aos cálculos das multas isoladas, em razão da aplicação sobre as receitas brutas mensais dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.249/95. A matéria sujeita a recurso de ofício, em razão de o valor exonerado em decisão de Primeira Instância, R$ 2.858.107,87, ultrapassar o limite de alçada previsto em portaria ministerial (Portaria Fl. 7848DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.822 16 MF nº 03/08), concerne, fundamentadamente, no fato de na decisão recorrida considerarse os percentuais legais para cada atividade exercida pela empresa, in verbis a fundamentação no acórdão recorrido: 8.5. Reclama ainda a impugnante que para se apurar a base de cálculo da estimativa sobre elas deve ser aplicado o percentual de 8%, legalmente previsto na legislação de regência e não pura e simplesmente acrescêlas à base de cálculo, conforme feito pela fiscalização. 8.5.1. Vejase o que dispõe a legislação pertinente à apuração das estimativas mensais: Lei nº 9.430, de 1996. [...]8.5.1. Portanto, considerando o disposto no § 2º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, e o objeto social da interessada extraído de seu Estatuto Social (fls. 3012 – abaixo transcrito), é certo que deve ser aplicado o percentual correspondente à cada atividade da empresa que deu origem à receita omitida. [objeto social] 8.5.2. Deste modo e observando que nos meses de janeiro a março e dezembro de 2010 (fls. 301, 302, 306, 307, 308 e 311) e dezembro de 2011 (fls. 347 e 352), a contribuinte apurou as estimativas de IRPJ e CSLL mensais com base no Balancete de Suspensão ou Redução (quando a receita a ser computada deve ser integral – art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), tomase por base os dados do anexo 02 para se apurar a Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL mensais devidos por estimativa para os meses de abril a novembro de 2010 e janeiro a novembro de 2011, conforme percentuais definidos pela legislação acima transcrita a serem aplicados sobre a receita bruta: [tabelas] 8.5.3. Os valores de base de cálculo apurados conforme tabela acima devem ser considerados para fins de apuração da multa isolada, conforme planilha (Arquivo não paginável fl. 7306), a qual partiu do esquema do anexo 6, observandose apenas que os valores de IRPJ e CSLL mensais declarados/pagos (pela interessada) foram considerados aqueles declarados (confessados) em DCTF, conforme tabela abaixo elaborada com base em pesquisas nos Sistemas da RFB (fls. 7256 a 7305): [tabelas] 8.5.4. Deste modo devem ser mantidos os seguintes valores da multa isolada (50%) aplicada sobre as estimativas mensais devidas e não pagas, conforme a mencionada planilha (arquivo não paginável fl. 7306) e considerandose que nos meses de janeiro a março e dezembro de 2010 e dezembro de 2011 a apuração das estimativas foi feita com base em Balancete de Suspensão ou Redução, quando o valor da receita deve ser computado em seu valor integral (permanecendo assim incólume a apuração fiscal quanto a esses períodos): Fl. 7849DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.823 17 [tabelas] 8.5.5. Neste ponto, convém assinalar que, conforme extrato Sief – Termo de Transferência de Crédito de fls. 7237/7238 e Demonstrativos de fls. 7239/7240, o crédito tributário remanescente no presente processo, quanto às multas isoladas, não se coaduna com o resultado mantido exposto na tabela acima. Deste modo, a autoridade preparadora competente deverá tomar as providências cabíveis para adequar os valores dos créditos tributários acima mantidos. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 7513 a 7555, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: 1) a recorrente em razão dos benefícios de redução de multa e juros previstos nas Leis nºs 12.996/2014 e 13.034/2014 efetuou a liquidação de parte dos autos de infração com a utilização de metodologia e valores que reputou corretos, ou seja, somou o resultado de todas as empresas vinculadas, procedendo aos recolhimentos devidos por meio de DARF; explicita os cálculos efetuados em tabelas e requer que a autoridade a quo, responsável pela execução do acórdão proferido pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, proceda à adequação dos valores exigidos a título de multas isoladas pela insuficiência/ausência de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, consoante constou no item 8.5.5 da decisão ora recorrida; 2) requer a nulidade dos Autos de Infração por flagrante erro na determinação da base de cálculo, ou seja, por ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN); 2.a) a fiscalização afirma diversas vezes que as cisões que deram origem às empresas vinculadas foram realizadas sem propósito negocial e com fins únicos de reduzir tributos, sem poder surtir efeitos tributários perante o fisco, como se não existissem; diz que os lucros das coligadas é apurado na forma presumida, o que não é verdade: 2.b) neste diapasão, a fiscalização deveria ter somados os resultados das empresas (desconsideradas em suas personalidades jurídicas individuais) ao resultado da "Minerita" na sua integralidade e proceder à tributação nos mesmos moldes ao qual se submeteu nos exercícios em questão; 2.c) mas a fiscalização utiliza uma equação para deduzir da receita total das empresas vinculadas (vendas totais) alguns custos e despesas que julga que deva deduzir, e elege este valor como tributável, para distribuílo entre as rubricas denominadas de OMISSÃO DE RECEITAS e DESPESAS NECESSÁRIAS, para então recalcular o lucro real da Recorrente, quando deveria ter somado aos resultados da recorrente os resultados das empresas vinculadas, por adição no Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real); 2.d) destarte, verificase vício insanável na apuração das bases de cálculo, posto que não determinam, com exatidão, a matéria tributável; 2.e) no quadro elaborado, verifiquese o resumo da comparação de valores utilizados no Anexo 5 elaborado pela fiscalização e nas DRE das empresas vinculadas: Fl. 7850DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.824 18 2.f) apenas para comparar, os valores considerados relativos à "Biominas" registrados nas DRE e considerados pela fiscalização, mês a mês: 2.g) questiona sobre os critérios para a fiscalização considerar alguns custos e outros não, como alguns são dedutíveis do lucro real e outras despesas relevantes não Fl. 7851DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.825 19 foram consideradas porque no ano de 2011 a fiscalização admite para uma receita de R$ 20.013.127,87 despesas/custos da ordem de R$ 16.646.370,18, enquanto para o ano de 2010, para uma receita de R$ 26.513.244,04, admite despesas/custos apenas de R$ 5.658.880,18; 2.h) a fiscalização em nenhum momento explica o porque de considerar alguns custos e outros não, não explicando a consideração dos valores, pelo que impediu a empresa de exercer seu direito de defesa e contraditório; 2.i) a decisão recorrida também não traz qualquer esclarecimento a estes questionamentos; a própria decisão concorda que o que a fiscalização fez foi considerar as empresas vinculadas como departamentos da "Minerita"; todavia, a fiscalização ao considerar todas as receitas das empresas vinculadas como se fossem da Minerita, não poderia ter somente excluído a título de custos da "Minerita" somente as despesas efetuadas com estas, mas sim todos os custos e despesas suportados pelas vinculadas na produção de bens e serviços a terceiros e à própria "Minerita"; ou seja, somente somar os resultados e não desconsiderar os demais custos; exemplifica: Fl. 7852DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.826 20 Fl. 7853DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.827 21 Ao contrário do que a fiscalização fez, ao desconsiderar os demais custos/despesas: 2.j) ora, tanto a fiscalização como a decisão recorrida insistem em explicar quais os custos considerados, mas não explicam o porquê de desconsiderar os demais Fl. 7854DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.828 22 custos/despesas, não computados, visto que está a se apurar o lucro na modalidade Real; 2.k) a fiscalização deveria recompor a verdade material ao desconsiderar as empresas vinculadas, considerando que houve apenas uma "cisão de papel" e que eram somente setores/departamentos da própria "Minerita"; cita acórdão administrativo; 2.l) assim como no acórdão citado, nº 1102000.820, verificase que a fiscalização glosou despesas outras sem demonstrar a desnecessidade destas, ou critério; ao integrar as empresas, deveria ter procedido à integração total das contabilidades; 2.m) todas as despesas/custos incorridas pelas empresas vinculadas e desconsideradas em suas personalidades jurídicas são operacionais por necessárias à atividades das empresas e à sua manutenção, nos termos do artigo 299 do RIR/99, não podendo serem glosadas sem a devida justificação; tratamse de despesas usuais, necessárias e normais; 3) erro na quantificação dos valores já pagos/liquidados não foram computados nos cálculos da fiscalização os valores de impostos de renda retidos pelas fontes pagadoras incidentes sobre os valores recebidos pela "CMC", devidamente informados nas DIPJ relativas aos anoscalendários de 2010 e 2011, R$ 168.324,38 e R$ 230.499,64, respectivamente; com relação à "Biominas", de igual forma, não foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização os valores devidamente compensados, da ordem e competência de: IRPJ R$ 57.231,00 (dez/10) e CSLL R$ 19.742,69 (dez/10); 4) reprisa o erro cometido pelas autoridades fiscais na mensuração das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, salientando que este erro foi o único ponto corrigido no acórdão recorrido; 5) em extenso arrazoado, requer a nulidade das autuações por não restar determinada, com exatidão, a base de cálculo dos tributos, em grave ofensa ao artigo 142 do CTN (itens 2 a 4 acima); 6) a recorrente apresenta demonstrativos de valores e cálculos dos montantes que deveriam ter sido utilizados pela fiscalização, pela desconsideração das empresas vinculadas como autônomas e independentes, admitindose que fossem meros departamentos da "Minerita", considerando, ainda os reajustes acima apontados das liquidações/pagamentos/compensações não computadas, requerendo, ao final o cancelamento de valor de crédito tributário remanescente; 7) insurgese contra a concomitância da exigência das duas penalidades, argumentando, em princípio que estáse exigindo multa por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais sobre uma base que já está sendo cobrada a multa de mora (sic); diz que a base de cálculo das duas penalidades é o valor dos tributos devidos e por isso a concomitância tem sido repelida por este órgão julgador; cita vários acórdãos administrativos e, por fim, a Súmula CARF nº 105; alega ser imperiosa a aplicação do princípio da consunção; 8) sobre a qualificação da multa, rechaça, veemente, pois em nenhum momento a fiscalização comprovou o dolo da recorrente, mas sim que as empresas tiveram "(...) vida e identidades próprias e independentes, localizadas em endereços diferentes, com quadro social distinto e com composições societárias também distintas"; argumenta que o fato de haver celebrado negócios com os filhos em condições mais vantajosas, do que com que trataria com terceiros estranhos, não configura atitude dolosa, nem causa qualquer nulidade; Fl. 7855DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.829 23 9) a recorrente jamais agiu com dolo: (i) não utilizou meios artificiosos, não utilizouse de interpostas pessoas ("laranjas"), notas frias, calçadas, nem praticou vendas ou prestou serviços com preços notoriamente fora de valor de mercado; (ii) atendeu a todas as intimações do fisco, elaborou todos os atos societários exigidos em lei, registrou todos na contabilidade, entregou declarações exigidas ao fisco; cita jurisprudência administrativa; 10) requer a realização de perícia/diligência. A Resolução afasta a alegação de nulidade e, no mérito, analisa os argumentos de desconsideração de certos custos ou despesas sem que fosse externado o fundamento de tal negativa. Sobre os custos, conclui que todos os custos foram considerados pela fiscalização. Em relação às despesas cita algumas que a fiscalização não considerou. Afirma que o IRRF também não foi considerado pela fiscalização. E assim conclui: Desta feita, verificase que os IRRF compensados pelas empresas vinculadas, bem como eventuais compensações tributárias não foram verificadas pela fiscalização e consideradas no cômputo geral. Daí, merecem acolhidas as argumentações da fiscalizada e depreendese a necessidade da realização de diligências para prosseguir com este julgamento. Pelo exposto, e em vista aos Balancetes Mensais das empresas cujas operações foram desconsideradas como independentes, efls. 5959 a 6287, determino o retorno dos autos à fiscalização para que considere na apuração da matéria tributável: 1) todas as deduções, inclusive da receita bruta, demonstradas nos balancetes de verificações das empresas vinculadas, destaquei, e custos, não considerados no procedimento fiscalizatório, visto o cômputo total das receitas na recorrente e o regime de lucro real a que se sujeita; 2) realize o devido levantamento de eventuais IRRF e compensações a que fazem jus as empresas vinculadas nos anos auditados, considerando estes valores também na apuração da matéria a ser tributada de ofício. Por derradeiro, mister é que se verifique junto ao conta corrente se, após todos os cômputos de valores devidos, os tributos de IRPJ e CSLL exigidos nestes autos e cujos valores restem incontroversos já foram devidamente recolhidos pela autuada, consoante alega, a fim de limitarse a matéria contestada e devolvida para apreciação e julgamento por este órgão. A autoridade designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá lavrar um Relatório Fiscal apontando as providências que foram tomadas e os valores considerados. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a esta Conselheira para prosseguimento ao julgamento da lide. O processo foi encaminhado à Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes (EFMAC) de Belo Horizonte, onde foi juntado Relatório às folhas 7749/7759. Fl. 7856DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.830 24 Nesta peça, a autoridade administrativa responsável, em atenção ao item 1 da Resolução, recalcula as deduções a serem consideradas da CMC, da Sinterita e Biominas, apresentando tabelas (fls. 7751, 7752,7753 e 7754) Sobre o item 2 da Resolução, relaciona todo o IRRF na tabela de folha 7755 e considera as compensações, em especial da Biominas, relacionandoas na tabela de folha 7756. À folha 7757 apresenta a totalização da dedução a ser efetuada na base de cálculo (item 1); à folha 7758 o IRRF a ser deduzidos e os valores compensados. A Empresa é cientificada do Relatório de Diligência em 11 de setembro de 2017 (fl. 7770).. O processo é, então, encaminhado para a SACATDRFDIV (fl. 7761), de lá para a ARF/Para de Minas (fl. 7762), desta última para a ARF/IUN/MG (fl. 7763) que juntou um extrato do processo (fls. 7765/7768), tudo para responder ao seguinte questionamento da Resolução: Por derradeiro, mister é que se verifique junto ao conta corrente se, após todos os cômputos de valores devidos, os tributos de IRPJ e CSLL exigidos nestes autos e cujos valores restem incontroversos já foram devidamente recolhidos pela autuada, consoante alega, a fim de limitarse a matéria contestada e devolvida para apreciação e julgamento por este órgão. Por fim é juntado aos autos um complemento ao Relatório de Diligência, que informa: 1.2.Em 14/09/2017, antes da reabertura do prazo de defesa determinada na referida Resolução do CARF, o sujeito passivo protocolou, na EFMAC, 6ª Região, novos documentos (ANEXO I – REQUER NOVO RAZÃO CTA 296), onde alega que não foram considerados, durante a Diligência Fiscal, a totalidade dos lançamentos registrados na conta 253 (Custo com Transportes de Cargas), subconta 296 (Gastos com óleo diesel) da contabilidade da BIOMINAS TRANSPORTES LTDA (CNPJ 07.131.274/000169), ano calendário de 2010; 1.3.Nestes termos, o presente relatório foi elaborado em complementação ao referido RELATÓRIO DO PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA, de 24/07/2017. E conclui: 2.5.Contudo, após extraíremse os dados contidos no arquivo apresentado com a referida chave (0766d5e5e02f6a3b8152c272fee1db2f) constatase — a despeito da alegação do sujeito passivo de que o autor da diligência tivesse cometido o suposto equívoco de omitir R$ 5.402.177,34 — que os lançamentos registrados na conta analítica 296 (GASTOS COM ÓLEO DIESEL), uma das subcontas da Conta Sintética 253 (CUSTO COM TRANSPORTE DE CARGAS), totalizaram, de fato, no ano de 2010, o valor de R$ 8.611,57 e não o valor declarado pelo sujeito passivo, de R$ 5.410.788,91; 2.6.Fica, portanto, evidenciado que o Razão da conta analítica 296 (GASTOS COM ÓLEO DIESEL), apresentado posteriormente ao prazo estabelecido, contém registros divergentes da ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL da BIOMINAS TRANSPORTES LTDA, referente ao período de 01/01/2010 a 31/12/2010, apresentado Fl. 7857DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.831 25 tempestivamente pelo sujeito passivo, após intimação, conforme atesta o Recibo de Entrega de Arquivos Digitais; 2.7.Por conseguinte, uma vez que não foram demonstradas, sequer alegadas, quaisquer irregularidades quanto às Escriturações Digitais das Contabilidades, apresentadas tempestivamente pelo próprio sujeito passivo após intimação, em 11/07/2017, nos termos do item 2.2 anterior, não havendo, portanto, motivos para questionamento de sua validade e idoneidade, mantêmse, em sua totalidade, as conclusões obtidas no RELATÓRIO DO PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA, de 24/07/2017, encaminhado anteriormente. Vieram os autos a julgamento, por sorteio. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Admissibilidade já analisada por ocasião da Resolução. Apesar do esforço e acurado trabalho desenvolvido pela autoridade responsável pela diligência, verifico algumas inconsistências que requerem providências, quais sejam: a) a Recorrente foi cientificada em 11 de setembro de 2017, conforme documento de folhas 7770 e apresentou a contestação à diligência em 14 de setembro do mesmo ano, embora ela mesmo refira no documento como ainda não intimada (fl. 7778); b) a ciência foi apenas de parte da diligência, mesmo porque, a parte que foi encaminhada para providência da SACATDRFDIV, ARF/Para de Minas e ARF/IUN/MG não foi cumprida. Assim determinava a resolução: Por derradeiro, mister é que se verifique junto ao conta corrente se, após todos os cômputos de valores devidos, os tributos de IRPJ e CSLL exigidos nestes autos e cujos valores restem incontroversos já foram devidamente recolhidos pela autuada, consoante alega, a fim de limitarse a matéria contestada e devolvida para apreciação e julgamento por este órgão Entendo ser necessário o cálculo do imposto e contribuição devidos após o cômputo das despesas, IRRF e compensações para, então, verificar se houve o alegado pagamento por parte da Empresa. Somente após esta providência é que deve ser aberto prazo para a manifestação da Recorrente quanto ao Relatório de Diligência, que deve ser cientificado completo. O complemento da diligência, juntamente com a providência relativa ao pagamento são imprescindíveis à satisfação da Resolução, tal qual foi proferida pela Turma. O conhecimento parcial do Relatório de diligência não satisfaz ao contraditório. Assim, o processo deve ser convertido em diligência para: a) que a autoridade administrativa responsável cumpra o item da Resolução abaixo transcrito: Fl. 7858DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.643 S1C3T2 Fl. 7.832 26 Por derradeiro, mister é que se verifique junto ao conta corrente se, após todos os cômputos de valores devidos, os tributos de IRPJ e CSLL exigidos nestes autos e cujos valores restem incontroversos já foram devidamente recolhidos pela autuada, consoante alega, a fim de limitarse a matéria contestada e devolvida para apreciação e julgamento por este órgão. b) que seja dada ciência completa do Relatório de diligência, incluindo o complemento e a solução do item acima com a abertura de prazo de 30 dias para manifestação. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem manifestação da interessada, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 7859DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.000295/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE.
A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL
Nos termos da lei, caracteriza-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada.
A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar a confusão patrimonial, o que não restou demonstrado.
Numero da decisão: 1201-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Nos termos da lei, caracteriza-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar a confusão patrimonial, o que não restou demonstrado.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Nos termos da lei, caracterizase como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 95 /2 01 1- 90 Fl. 1577DF CARF MF 2 A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar a confusão patrimonial, o que não restou demonstrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados Autos de Infração que exigem tributos da sistemática do Simples, referente ao período de janeiro a junho de 2007, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.084/1.096, do qual transcrevo as seguintes passagens: Em suma, restou plenamente justificada a emissão da "SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA" anexada às folhas 537 a 540, uma vez que o CONTRIBUINTE deixou de atender de forma plena às solicitações desta fiscalização, caracterizando assim a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras, conforme previsão do Inciso VII do art. 3o. do Decreto 3724/2001, combinado com o art. 33 da Lei 9.430/1996, bem como restou necessário o cotejamento entre os documentos fornecidos pelo CONTRIBUINTE e os dados Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 3 3 arquivados nas administradoras, conforme previsão do art. 4o, § 4° do Decreto 3.724/2001. Diante do exposto, foi emitida a RMF 0812800.2010.000804, anexada às folhas 541 e 542, destinada à administradora HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 543 a 603. A RMF 0812800.2010.000820, anexada às folhas 604 e 605, foi encaminhada à administradora REDECARD, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 606 a 656. A RMF 0812800.2010.00081 2, anexada às folhas 657 e 658, foi encaminhada à administradora CIELO, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 659 a 755. A RMF 0812800.2010.000794, anexada às folhas 756 e 757, foi encaminhada à administradora BANCO BANKPAR, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 758 a 838. [...] A análise das citadas colunas mostra que o CONTRIBUINTE efetuou vendas com cartões de crédito e débito que totalizaram R$6.027.368,22 em 2007, no entanto, apresentou declarações informando receitas que totalizam apenas R$1.321.507,06 no mesmo período, evidenciando uma expressiva e sistemática omissão de receitas. [...] 3. AUTO DE INFRAÇÃO PERÍODO 01/01/2007 a 30/06/2007 SIMPLES FEDERAL De acordo com o art. 24 da Lei 9.249/95, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Tendo em vista que a legislação do SIMPLES FEDERAL, baseada na Lei 9.317/1996, não prevê hipóteses de desenquadramento de ofício aplicáveis ao caso sob análise, esta fiscalização procederá à tributação da receita omitida, no período 01/01/2007 a 30/06/2007, nos montantes relacionados na coluna I da tabela do item 2 do presente termo, dentro do próprio regime do SIMPLES FEDERAL, em consonância com o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95. [...] A fiscalização também exigiu multa qualificada (de 150%) e lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores da Recorrente, Srs. José Carlos da Piedade Nunes, fls. 1.151 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 1.154, fundamentados nos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. Fl. 1579DF CARF MF 4 A empresa e os solidários apresentaram defesa (fls. 1.159/1.168). Alegam, em síntese: (i) a indevida quebra de sigilo bancário e utilização de prova ilícita por parte do fisco; (ii) a nulidade dos autos em face da não exclusão de valores de tributos já pagos; (iii) a ilegalidade do arrolamento de bens; e (iv) a não caracterização dos requisitos da solidariedade. Por meio de petição juntada em momento posterior como aditamento da defesa (fls. 1.214/1.217), a contribuinte questiona pontualmente a aplicação de multa qualificada de 150%. A impugnação foi julgada improcedente e a petição complementar considerada preclusa por meio de Acórdão da DRJ (fls. 1.244/1.270), cuja ementa ora transcrevo: MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consolidamse administrativamente as matérias não expressamente impugnadas no prazo legal, quais sejam: omissão de receitas, redução indevida de tributos, penalidade aplicada. PETIÇÃO INTEMPESTIVA. Não prospera a pretensão do contribuinte de, por meio de petição intempestivamente apresentada, veicular novas razões de impugnação, se ultrapassado o prazo para manifestação contra as infrações que lhe foram imputadas e não configuradas as hipóteses em que complementações são admitidas. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que foi o contribuinte regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais de tal forma a lhe ser assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a indispensabilidade de obtenção de informações junto a instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o que ensejou a emissão de RMF Requisição de Movimentação Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 4 5 Financeira pela autoridade administrativa competente, não se cogita de ilegalidade da prova obtida. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. [...] OMISSÃO DE RECEITAS. Não afastada a constatação fiscal de omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito, mantêmse as correspondentes exigências de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, calculadas na modalidade do Simples, sobre os valores omitidos, bem como as exigências decorrentes da insuficiência de recolhimento sobre as receitas declaradas, submetidas a nova alíquota. Cientificada da decisão de primeiro grau em 27/07/2011 (fls. 1.278), a Recorrente e os solidários interpuseram recurso voluntário (fls. 1.281/1.302). Reiteram as alegações de defesa e questionam a não apreciação dos argumentos invocados e contrários à imposição de multa qualificada pela DRJ. Após sobrestamento dos autos, o CARF (Acórdão de fls. 1.462/1.481) determinou o encaminhamento do presente processo para nova decisão, mais precisamente para que a DRJ se pronunciasse sobre os argumentos contrários à cobrança de multa de 150%. A PGFN recorreu da decisão, mas o recurso especial não foi admitido (fls. 1.491/1.495). Tramitado o feito, sobreveio nova decisão de primeira instância, que considerou correta a aplicação da multa qualificada por meio de decisão assim ementada: MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas receitas de vendas com cartões de crédito ou débito no montante de R$ 6.027.368,22, tendo a contribuinte apresentado declarações informando receitas que totalizam apenas R$ 1.321.507,06. Assim, após reiterada informação inverídica à RFB, restam claras as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1581DF CARF MF 6 Após notificada da nova decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário complementar (fls. 1.543/1.557), buscando demonstrar que a multa qualificada não se sustentaria em face de decisões do CARF em casos semelhantes. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço e passo a apreciálos. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente invoca argumentos de nulidade da autuação, sob três argumentos: (i) indevida e inconstitucional quebra de sigilo bancário; (ii) utilização de prova ilícita; e (iii) cerceamento do direito de defesa. Razão, porém, não lhe assiste. A possibilidade do fisco utilizar dados bancários dos contribuintes sem autorização judicial foi introduzida inicialmente no ordenamento jurídico pelo artigo 8o da Lei n. 8.021/90, e posteriormente pelos artigos 5 o e 6 o da Lei Complementar n. 105/2001, dispositivos estes que possuem a seguinte redação: Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°. Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 5 7 I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; [...] § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O direito constitucional ao "sigilo bancário" e sua quebra no contexto da política de fiscalização tributária constitui tema que não raramente desperta interesse doutrinário e que já contou (e certamente ainda contará) com longas discussões no Poder Judiciário. No âmbito do STJ, prevaleceu o entendimento favorável à quebra de sigilo para fins tributários, proferido em 2009 no REsp n. 1134665/SP, e julgado pela Primeira Seção na sistemática de recursos repetitivos. A decisão recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 1583DF CARF MF 8 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. [...] Posteriormente, o STF foi instado a definir a questão do acesso da administração tributária aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial prévia, o que ocorreu com o julgamento do Recurso Extraordinário (RE n. 601.314), que teve repercussão geral reconhecida e cujo resultado foi no mesmo sentido do referido precedente do STJ. Veja: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 6 9 manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Por maioria de votos (9 X 2, vencidos os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio), ganhou a tese de que a Lei Complementar n. 105 é compatível com a Constituição Federal, não havendo quebra de sigilo bancário propriamente dito o acesso, pelo fisco, de informações bancárias obtidas diretamente de instituições financeiras. Da leitura do inteiro teor desse Acórdão paradigma, notase que prevaleceu o argumento de que a obrigatoriedade das instituições financeiras prestarem informações para exercício regular de fiscalização pela administração fazendária não deve ser vista como violação a direito fundamental, mas sim como procedimento apto e legítimo a perquirir a efetiva capacidade contributiva. O acesso aos dados bancários sem autorização judicial, portanto, pode ser feito pelo fisco para fins de constituição de crédito tributário, devendo tal procedimento ser fundamentado e as informações assim obtidas preservadas. Tanto é assim que o CTN, disciplinou, em seu artigo 1971, as formas de acesso da Administração tributária aos bancos de dados de terceiros, dentre eles de informações bancárias. 1 "Artigo 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Fl. 1585DF CARF MF 10 O artigo 1982 do CTN resguarda a inviolabilidade da informação fornecida ao Fisco, proibindo a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação obtida em razão do ofício, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. Os dados bancários utilizados nesse caso concreto, segundo penso, estão protegidos (o público não tem acesso aos processos dessa natureza), foram acessados com respaldo na referida lei julgada constitucional e houve motivação adequada para utilização desse expediente. Os argumentos trazidos pelos contribuintes no sentido de que o fisco não teria cumprido os requisitos para proceder com a "quebra de sigilo bancário" e que esta prova seria ilícita não se sustentam em face dos elementos probatórios trazidos aos autos, dos permissivos legais autorizadores dessa prática e da jurisprudência judicial acima indicada e que vincula o presente Julgador. Nos termos da lei, e de acordo com a jurisprudência dominante, caracterizam se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, identificados pela fisco de forma individualizada, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. Quanto à nulidade, do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 2 "Artigo 198 Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. § 1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 7 11 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O Auto de Infração foi emitido com observância de seus requisitos formais e essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A fiscalização, após instauração de regular procedimento fiscalizatório, identificou depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte e daí apurou omissão de receitas com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Não se vislumbra nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação e teve assegurado seu direito de defesa. E, ao contrário do que quer fazer crer a Recorrente, no demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, integrante do Auto de Infração (fls. 969/974), estão demonstrados os valores calculados e os valores pagos para cada rubrica (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS), tendo sido exigida apenas a diferença não paga, o que afasta a alegação de duplicidade. Não existe, portanto, qualquer incorreção na motivação e disposição legal infringida, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa. Omissão de receitas A Recorrente, no anocalendário de 2007, optou pelo SIMPLES, mas foi selecionada para procedimento fiscal de auditoria em razão da apresentação de movimentação financeira incompatível com a receita declarada. Segundo disposição legal, as empresas optantes pelo SIMPLES são obrigadas a manter livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária, devendo Fl. 1587DF CARF MF 12 guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos suporte da escrita. Uma das causas de exclusão do Simples Nacional é justamente a constatação de falta de escrituração do livrocaixa ou este não permitir a identificação do fluxo financeiro e bancário da empresa. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, ademais, todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no regime simplificado. As presunções, como se sabe, são meios de prova previstos no ordenamento jurídico e, desde que previstas em lei, podem ser utilizadas no direito tributário. Tal expediente acaba por exercer papel auxiliador na busca de riqueza (capacidade contributiva) do contribuinte, coibindo práticas e desestimulando condutas que possam implicar abusos ou sonegação. O efeito prático da presunção consiste em inverter o ônus da prova. A regra geral a de que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito é invertida. Assim, cabe ao fisco demonstrar a existência do fato definido pela lei como necessário e suficiente à subsunção da presunção ao caso concreto, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu. Nessa situação a fiscalização fundamentou o Auto de Infração na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 8 13 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." Em se tratando de omissão de receitas fundada na presunção relativa veiculada pelo art. 42 da Lei n" 9.430/1996, cumpre ao fisco produzir a prova da existência de depósitos cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, e incumbe ao contribuinte a prova de que estes depósitos não têm origem em receita ou, se receita, são não tributáveis ou já foram oferecidas à tributação. A fiscalização, no uso da presunção legal de omissão de receita em face de depósito bancário, deve: (i) identificar os valores creditados; (ii) individualizálos; (iii) excluir os créditos oriundos de transferência ou resgate de contas ou aplicações do mesmo titular; e (iv) intimar o contribuinte a justificar e comprovar a respectiva origem, assegurandolhe o contraditório. Nesse caso concreto, entendo que restou demonstrado que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento cumpriu esses requisitos. Houve identificação individualizada dos depósitos bancários credores que poderiam revelar receitas mantidas à margem da escrituração de forma prévia ao lançamento, tendo sido a empresa devidamente intimada reintimada a apresentar comprovação da origem. Na fase de contencioso, a empresa teve nova oportunidade de trazer documentação acerca da origem, mas novamente sem sucesso. Fundada, então, corretamente a pretensão da Fazenda Pública na presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, caberia ao sujeito passivo apresentar as provas que pudessem impedir a sua caracterização, o que nunca ocorreu. O contribuinte não cumpriu o ônus de afastar a presunção legal que milita em seu desfavor, razão pela qual considero correta a imputação de omissão de receitas. Multa qualificada A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.276): 6. SONEGAÇÃO MULTAS QUALIFICADAS A sistemática omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito caracteriza, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cujo teor transcrevese na sequência. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1589DF CARF MF 14 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; li das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Conforme detalhado anteriormente, o CONTRIBUINTE omitiu em suas declarações as receitas das vendas efetuadas com cartões de crédito e débito, bem como deixou de emitir as correspondentes notas ou cupons fiscais, com o evidente intuito de ocultar das autoridades fazendárias a ocorrência dos correspondentes fatos geradores do IRPJ e demais tributos e contribuições abrangidos pelos regimes diferenciados do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, visando a redução indevida dos tributos e contribuições, bem como para manterse indevidamente dentro desses regimes favorecidos. Cabe, portanto, aplicar multa qualificada sobre os créditos tributários lançados em decorrência da omissão de receitas ora apurada, [...] Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente não ter recolhido tributos sobre receitas omitidas, apuradas em face da constatação de saldo credor de caixa e com base em depósitos sem comprovação de origem, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, sonegação fiscal. Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), no entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de tributo), mas principalmente no seu aspecto subjetivo (vontade ou intenção de impedir o conhecimento dos fatos). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar situações passíveis de tributação ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Correspondem aos ditos atos fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos etc. São essas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Veja a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 9 15 aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir ou evitar o conhecimento desta conduta (dolo). Nesse sentido prescrevem as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita que gera o não pagamento de tributo, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a infração caracterizada na peça de acusação: omissão de receita sem motivação e comprovação de dolo. Dessa forma, afasto a qualificação da multa, reduzindoa de 150% para 75%, como determina o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Fl. 1591DF CARF MF 16 Responsabilidade solidária Finalmente, cumpre observar que a justificativa para a qualificação da solidariedade das pessoas físicas Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes restringiuse ao fato deles terem figurados como sócios administradores da Recorrente. Essa foi a motivação do TVF: 7. SONEGAÇÃO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Tendo sido evidenciada a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cabe responsabilizar pelos créditos tributários ora lançados, de forma solidária e pessoal, os sócios administradores da empresa à época dos fatos geradores, JOSE CARLOS DA PIEDADE NUNES, CPF 183.036.68072, e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES, CPF 209.714.27453, conforme consta da FICHA CADASTRAL DA JUCESP anexada às folhas 908 a 910 e dos extratos do CNPJ anexados às folhas 904 a 907. A responsabilidade solidária e pessoal dos sócios administradores é atribuída com base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135 do CTN, a seguir transcritos, uma vez que os mesmos tinham evidente interesse financeiro no resultado de atos praticados com infração à lei. [...] Nesse sentido, os sócios JOSE CARLOS DA PIEDADE NUNES, CPF 183.036.68072, e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES, CPF 209.714.27453, serão cientificados pessoalmente dos créditos tributários ora lançados, mediante encaminhamento de cópia do presente termo e de termos de sujeição passiva solidária, cujas cópias serão anexadas aos processos 13896.000295/201190 e 13896.002288/201041. Pois bem. Segundo o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 10 17 Os pressupostos previstos no caput do artigo 135 prática de ato com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social não foi objeto de nenhum comentário pela fiscalização na imputação da solidariedade. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo do cargo ou função de sócio a causa da caracterização da responsabilidade solidária, deveria a autoridade ao menos ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de incidência do artigo 135, III, ter demonstrado em que medida os sócios representantes agiram em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de gestor. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela motive adequadamente o Auto, bem como demonstre a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados com dolo pela pessoa qualificada como responsável. A mera qualificação de sócio administrador jamais poderia ensejar responsabilidade pessoal ou solidária, ainda mais nesse caso concreto, no qual não consta alegação de simulação ou fraude na peça acusatória. Nesse contexto, não se pode perder de vista que já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da Súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Esse entendimento foi ratificado em recurso julgado sob o rito do art. 543C do CPC (sistemática de recursos repetitivos), cuja ementa foi assim redigida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. [...] 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ªSeção, DJ de 28.02.2005).[...]” (Resp 1.101.728/SP, julgado. Dje 23/03/2009). Fl. 1593DF CARF MF 18 A jurisprudência firmouse, então, no sentido de que o não pagamento do tributo pela sociedade não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de diretor, gerente ou representante da empresa autuada, desacompanhada de motivação e comprovação de prática de conduta abusiva, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Não há dúvidas de que os Recorrentes (solidários) exerceram cargos de administração, afinal são sócios assim qualificados, mas isso não significa dizer que eles tenham participado dolosamente de operação para lesar o fisco ou impedir o conhecimento de fatos. O não pagamento de tributos sobre receitas omitidas constitui ilícito, mas não ato doloso. São condutas que não se confundem. O dolo existiria se os sócios tivessem empregados meios para impedir o conhecimento da receita, o que nunca foi demonstrado. Diante dessas considerações, e na linha dos precedentes jurisprudenciais mencionados, afasto a imputação da responsabilidade solidária dos com base no artigo 135 do CTN. Diferentemente da responsabilidade tributária do artigo 135, onde terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN também utilizado como base legal , não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária, mas sim às pessoas que efetivamente participam do fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 11 19 exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. Não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja mandatário, acionista, sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. Destacase, aqui, a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Assim, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito privado. O artigo 50 do Código Civil, por exemplo, assim dispõe: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. Fl. 1595DF CARF MF 20 A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Trazendo essas considerações ao presente caso, afasto a sujeição passiva dos sócios administradores (Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes), uma vez que, não bastasse o vício na motivação, os elementos constantes dos autos não demonstram nenhuma confusão patrimonial. Não há, no trabalho fiscal, prova ou indício de que algum dos sócios administradores tenha auferido qualquer vantagem adicional, tenha abusado de seu poder de comando na estrutura empresarial ou tenha empregado esforços para ocultar fatos. O simples fato do solidário ser sócio ou administrador não revela interesse comum. É evidente que o sócio pretende auferir lucros e tirar proveitos econômicos de seu investimento. Essa é a razão de empreender e o que move a atividade econômica e a livre iniciativa. Mas daí concluir que qualquer ato de gestão implica interesse comum ou confusão patrimonial, entendo existir um verdadeiro abismo. Os sócios são pessoas que não se confundem com a empresa que investem. O Direito assim determina. Admitir o contrário significa violar o "instituto da personalidade jurídica" e permitir a estranha presunção de confusão patrimonial entre sócio e empresa, o que não se sustenta. Conforme, aliás, restou assentado em precedente do STF3, “não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada”. Nesses termos, afasto o enquadramento da responsabilidade por interesse comum. Conclusão Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes. É como voto. 3 STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1201002.372 S1C2T1 Fl. 12 21 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1597DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662138/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 38 /2 01 2- 34 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.662138/201234 Acórdão n.º 1201002.533 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662138/201234 Acórdão n.º 1201002.533 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662138/201234 Acórdão n.º 1201002.533 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662138/201234 Acórdão n.º 1201002.533 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 225DF CARF MF
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