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Numero do processo: 16327.001989/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
PROCESSUAL - DECADÊNCIA - QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA CUJA APRECIAÇÃO DEVA SE DAR DE OFÍCIO, EM QUALQUER INSTÂNCIA.
Ainda que não tenha suscitada nas razões de impugnação, a sua alegação por ocasião, apenas, da interposição do recurso voluntário não impede seu conhecimento já que se trata de matéria de ordem pública apreciável a qualquer tempo, conforme preceitua o art. 342, II, do CPC.
DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA
O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura.
Numero da decisão: 1302-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Ainda que não tenha suscitada nas razões de impugnação, a sua alegação por ocasião, apenas, da interposição do recurso voluntário não impede seu conhecimento já que se trata de matéria de ordem pública apreciável a qualquer tempo, conforme preceitua o art. 342, II, do CPC. DECADÊNCIA FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 89 /2 00 6- 20 Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.114 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, em face do acórdão proferido por este Colegiado e cuja ementa reproduzo a seguir: CSLL. SALDO NEGATIVO ACUMULADO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. A comprovação da existência do saldo negativo acumulado do tributo de anos anteriores, quando a compensação se realizava contabilmente, deve ser realizada, por excelência, com a exibição das fichas das contas contábeis do Livro Razão, possibilitando o perfeito acompanhamento da utilização do referido saldo no decorrer dos anos, admitindose outros meios de prova, quando a extração de dados dos sistemas da RFB permitir a identificação de valores e possibilidade de compensação e não forem conflitantes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf). Por meio do remédio processual em análise, o embargante sustenta ter incorrido, o aresto supra mencionado, em duas omissões, a saber: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.115 3 a) a falta de análise da alegação, constante de seu recurso voluntário, atinente à decadência do direito do fisco de analisar dados e fatos que consubstanciaram a formação do saldo negativo da CSLL apurado em 1997; b) a falta de apreciação da assertiva concernente à eventual comprovação, pela Auditoria Fiscal, em resposta à diligência determinada por este Colegiado, de que teria havido recolhimento por valores superiores aos devidos de estimativa devida no mês de novembro de 1996. Em despacho proferido em 02 de março de 2017 pela D. Presidência desta Turma Ordinária (fls. 1.109 a 1.112), decidiuse por admitir, apenas, parcialmente os declaratórios, especificamente quanto a alegação de omissão retratada no item "a", acima., sendo, pois, este o limite para análise do recurso em testilha. Este, o relatório. Voto Conselheiro Relator Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e teve a sua postulação parcialmente admitida pela D. Presidência desta Turma, como descrito no relatório supra. E, como se extrai do citado despacho de admissibilidade, conheceuse, no caso, apenas da alegação do contribuinte relativa à eventual decadência operada quanto ao direito do fisco de apurar fatos ocorridos anteriormente ao exercício de 1997. Quanto aos motivos declinados no aludido despacho para conhecerse deste remédio, peço especial atenção ao que abaixo transcrevo: Com efeito, consta do recurso voluntário interposto pela contribuinte a alegação que a autoridade fiscal não pode questionar a legitimidade dos fatos que compuseram o saldo negativo em tela, pelos fatos pretéritos já terem se consumado e sido alcançados pela decadência, e não ser possível atingir períodos subsequentes (efls. 359). Todavia, tal matéria não foi aventada na impugnação oferecida efls. 44 a 66, e, por conseguinte, não foi apreciada pela primeira instância de julgamento, constituindo matéria nova. Há que se concordar que a decisão de segundo grau foi omissa neste tópico e deveria ter se manifestado explicitamente a respeito da preclusão processual no acórdão embargado ou, ainda que se adotasse a preclusão de forma moderada, o acórdão deveria abordar sobre o limite do fisco retroagir a verificação da composição dos vários saldos negativos das empresas incorporadas pela Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.116 4 recorrente que, ao fim, influenciaram no litígio ora instaurado. De fato, ainda que tenha se operado, quanto ao argumento em comento, preclusão, o acórdão recorrido tinha, obrigatoriamente, que, sobre tal fato, ou, quiçá, como afirmado no despacho, para analisála e se pronunciar sobre a possibilidade ou não de se operar a decadência quanto ao direito investigativo do fisco (e não quanto ao fato gerador da obrigação tributária). Vale dizer que a omissão a que alude o art. 1.022, II, do Código de Processo Civil (aplicável subsidiariamente sobre a espécie, por força das disposições de seu art. 15) é aquela verificada quando observado, também, a violação aos preceitos dos artigos 489, III e 490 do mesmo diploma legal; ou seja, a omissão que desafia os declaratórios se revela na falta de analise, pelo Juiz, das questões propostas pelas partes (pedidos e causas de pedir). A procedência, ou cabimento, de tais alegações, digase, é irrelevante para a tipificação da hipótese tratada no aludido artigo 1.022, II, já que, como destacado, cabe ao julgador enfrentar todas as questões autônomas (e, portanto, que não se revelem meramente argumentativas) apresentadas pelas partes, pena, justamente, de omissão. No caso vertente, vêse, realmente, que o contribuinte sustentou a decadência do direito do fisco de recompor o saldo negativo observado em 2001 a partir de fatos ocorridos no anocalendário de 1997, tal qual se dessume de seu recurso voluntário à fls. 349/355, e, sobre tal alegação, o acórdão recorrido (fls. 1056/1067) restou silente, caracterizando, pois, a omissão referida pelo art. 1.022, II, do CPC, pelo que, há que se acolher os declaratórios para sanála. Resta, agora, definir os efeitos da conclusão acima; isto é, acolhidos o embargos, passarei á análise do pedido omitido para, a partir daí, acatálo, emprestando efeitos modificativos aos declaratórios, ou afastálo, e assim, apenas, integrando a decisão recorrida. a) Preclusão? Sobre alegação de decadência e de prescrição, o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico, mormente ao afirmar se tratar de matéria de ordem pública e, consentâneamente, não sujeita à preclusão consumativa (art. 342, II, do CPC). Neste sentido, confirase: (...) 7. Considerando que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão, a fim de evitar injustiças e conferir a devida segurança jurídica, a suposta violação ao art. 21 da Lei n. 4.717/1965, que embasa a tese da prescrição, deve ser analisada por esta Corte de Justiça, porquanto devidamente prequestionada (REsp 1352230/PR; Relator Ministro Gurgel de Faria da Primeira Turma. Julgado em 19/10/2017 e acórdão publicado no DJe de 30/11/2017). É verdade que aquela Corte Superior, não obstante reconhecer a natureza "impreclusiva" da matéria, recusase, hodiernamente, a apreciála quando surgida apenas em recursos à ela dirigida à vista da ausência de presquestionamento, pressuposto recursal, todavia, inexigível nesta fase do processo administrativo. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.117 5 Não por outra razão a jurisprudência deste Conselho também vem se firmando sobre a possibilidade de se pronunciar sobre a decadência, mesmo que trazida apenas por ocasião do recurso voluntário, consoante se extrai das ementas abaixo reproduzidas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1998 DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício (Acórdão nº 2401005.130, publicado em 07/11/2017). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. É dever das instâncias ordinárias reconhecer de ofício matéria de ordem pública, decadência, como extinção do crédito tributário. Precedentes jurisprudências STJ/STF (Acórdão nº 3001000.011, publicado em 31/10/2017). DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo (Acórdão nº 3402004.672, publicado em 04/10/2017). Assim, ainda que o embargante não tenha suscitado a decadência em suas razões de impugnação, tendoo feito apenas por ocasião da interposição de seu recurso voluntário, a questão afeita à decadência pode, e deve, ser apreciada por este Colegiado, justamente por se tratar de matéria de ordem pública insuscetível de preclusão. b) Decadência fatos com repercussão futura. Superada a questão da preclusão, impende destacar que alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que contribuiram para a formação de ágio.. Com efeito, a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, seria a compensação contábil da BC Negativa da CSLL (em que se apura a existência ou não do crédito cujo ressarcimento/compensação se postula)... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173, I, do CTN e, ainda, aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí, o posicionamento atualmente adotado por este CARF, consoante extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.118 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO. AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Recurso Voluntário Improvido (Acórdão nº 1402001.590, publicado em 20/08/2014). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 DECADÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.119 7 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (Acórdão nº 1402001.515, publicado em 23/01/2014). Não faço, vejam bem, ouvidos moucos às teses deduzidas nos acórdãos veículados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo com as premissas lá adotadas. Quando a fiscalização recompõe o saldo negativo, entendo, não está promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador art. 144 do CTN). Neste caso, estarseá apenas verificando a existência de fato do crédito, formado a partir de informações pretéritas com repercussão futura e, como já dito, sobre os quais não opera a preclusão decadencial. Notem, o Fisco não poderia, realmente, na forma do artigo 142 efetuar o lançamento quanto ao período em que o saldo negativo foi apurado (identificandose, neste passo, o sujeito passivo e, se assim couber, aplicandose a penalidade cabível no caso, multa isolada por estimativas pretensamente nãorecolhidas); mas, impedir que o fisco examine a escrita contábil utilizada pelo contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei, engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei .9.430/96. E a falta de razoabilidade, aqui, é palpável bastando, para tanto considerarse a seguinte situação (inclusive observável neste feito): a) o contribuinte apura saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1997 sendolhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 1998; b) deixa para compensar saldos negativos da contribuição às vesperas do decurso do prazo prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário); c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação (aqui não se trata de DECOMP mas, isto sim, de compensação contábil das BC Negativas de CSLL o raciocínio se aplica, todavia, perfeitamente ao caso), o fisco teria alguns poucos meses. Enfim... a decadência se opera em relação ao fato gerador e ao consequente direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos. III Conclusão. A luz do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração opostos, sem efeitos modificativos, a fim de, sanando a omissão apontada, efetivamente apreciar o argumento concernente à decadência negando, lado outro, provimento ao recurso voluntário neste ponto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302002.664 S1C3T2 Fl. 1.120 8 Fl. 1120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659072/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.329
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 07 2/ 20 12 -0 3 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.659072/201203 Resolução nº 3402001.329 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.659072/201203 Resolução nº 3402001.329 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.659072/201203 Resolução nº 3402001.329 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.006926/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
Ementa:
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. ORIGENS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em correção da tabela de fluxo de caixa para apuração de omissão de rendimentos em função do acréscimo patrimonial a descoberto quando o Recorrente não é capaz de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos recursos.
Numero da decisão: 2202-004.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. ORIGENS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em correção da tabela de fluxo de caixa para apuração de omissão de rendimentos em função do acréscimo patrimonial a descoberto quando o Recorrente não é capaz de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos recursos.
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ORIGENS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em correção da tabela de fluxo de caixa para apuração de omissão de rendimentos em função do acréscimo patrimonial a descoberto quando o Recorrente não é capaz de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 69 26 /2 00 5- 31 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 317 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito tributário referente a IRPF. Intimado, protocolou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 20/12/2005 foi lavrado auto de infração (fls. 7/12) para constituir crédito tributário referente a IRPF, identificando a seguinte infração: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS EM ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO " Conforme o Termo de Constatação Fiscal e Descrição dos Fatos (fls. 13/18 e docs. anexos fls. 19/171), · Que o Contribuinte foi intimado a apresentar provas e esclarecimentos sobre diversas questões, em especial de todos os rendimentos, bem preenchesse planilha demonstrado rendimentos e despesas, e ainda apresentasse extratos e outras informações sobre contas bancárias, contratos sociais e estatutos de empresas das quais fizesse parte, comprovasse a origem dos recursos e os efetivos de dispêndio nas benfeitorias informadas na DAA etc.; · "Em prosseguimento a ação fiscal, foi elaborado o"DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL ", baseandose em lançamentos de fatos e valores efetuados pelo Contribuinte em sua Declaração de I.Renda P. Física, apresentadas para os anos calendários de 1 999 sob n° 10968 372; no ano de 2000 n° 22626 479 e no ano de 2 001 n° 34525 778 RETIFICADORA, EM CONCILIAÇÃO com as documentações apresentadas e informações obtidas em fontes externas. Em decorrência, apenas as informações efetivamente comprovadas, através de apresentações de documentações idôneas, foram consideradas para a correta alocação dos Recursos e Aplicações realizadas, respectivamente em cada mês do ano de 2000." fl. 17; · "Da análise do DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL ANO 2000, ENTENDESE, que constituem RENDIMENTO BRUTO sujeito a tributação do Imp. de Renda, as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio no MÊS, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, por rendimentos não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte ou por dívidas assumidas. ESTES FATOS OCORRERAM NOS MESES DE: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 318 3 MÊS VALOR R$ JANEIRO 109.168,46 FEVEREIRO 77.798,98 MARÇO 75.297,88 ABRIL 55.301,33 SETEMBRO 68.285,86 NOVEMBRO 6.772,72" fl. 18 Intimado, o Contribuinte impugnou o lançamento (fls. 177/188 e docs. anexos fls. 189/282). A DRJ proferiu então o acórdão nº 0235.032, de 30/09/2011 (fls. 286/292), deu provimento parcial à Impugnação. Restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis declarados, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Intimado em 09/01/2012 (fl. 298), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 07/02/2012 (fls. 300/313), argumentando em síntese: · Que o procedimento fiscal é nulo pela ausência de motivação para a quebra do sigilo bancário; · Que as provas juntadas são hábeis e idôneas para comprovar a origem dos recursos, não podendo ser descartadas sem demonstração da sua inveracidade; · Quanto à aquisição das duas áreas localizadas em Itacoatiara, Niterói/RJ, que o valor de R$ 5.002,00 foi pago em 1999, logo não pode ser considerado para a apuração do fluxo de caixa de 2000, e que o valor de R$ 94.998,00 só foi pago em outubro/2000, e não em abril/2000, devendo ser corrigido o fluxo de caixa nesse ponto; · Quanto à alienação dos veículo, o Contribuinte trouxe aos autos declarações firmadas pelos adquirentes, e registradas em cartório, de sorte que não podem ser desconsideradas pela autoridade julgadora sem prova ou mesmo indício da sua inveracidade; · Quanto à aquisição do imóvel localizado na Rua Presidente Baker, que o valor foi pago em 1999, conforme declaração da empresa alienante, Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 319 4 novamente não podendo ser desconsideradas tais provas sem demonstração da sua inveracidade; · Que, considerando as correções feitas anteriormente, deve ser refeito o fluxo de caixa, apurando saldo positivo em janeiro, fevereiro e março, e redução do valor apurado como renda omitida em abril. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Constatase que a lide se resume a duas questões: (1) a quebra do sigilo bancário e (2) a comprovação da origem dos recursos ou da despesa em momento diverso, implicando necessidade de correção do fluxo de caixa. Do sigilo bancário Argumenta o Contribuinte contra a quebra do seu sigilo bancário, sem ordem judicial e sem fundamentação legal. Acontece que a autoridade fiscalizadora solicitou os extratos bancários no item 6 do Termo de Intimação Fiscal nº 1(fl. 36). O Contribuinte, intimado durante a fiscalização, peticionou requerendo mais prazo e informando que já havia solicitado as informações às instituições financeiras (fl. 40). Enfim, no relatório fiscal a autoridade lançadora esclareceu que: "Em 05/12/2005 A Fiscalização de posse das documentações apresentadas pelo Contribuinte e após a análise e conciliações dos fatos, eventos e valores consignados nas Declarações de Ajuste Imp.de Renda P.Física DIRPF, concluiu" fl. 15. Em suma, uma vez que foi o próprio Contribuinte quem forneceu os extratos bancários, não há que se falar em quebra do seu sigilo bancário. Pelo contrário, abriu mão do seu sigilo ao entregar a documentação. Essa foi a posição já adotada no acórdão nº 2202003.484, de 13/07/2016: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, nem se discutir a aplicabilidade retroativa ou não da Lei Complementar nº 105/2001, quando o próprio Contribuinte fornece os extratos bancários à fiscalização. Nessa senda, não assiste razão ao Recorrente nesse ponto. Das provas juntadas aos autos Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 320 5 Argumenta o Contribuinte em relação a fatos específicos considerados pela autoridade lançadora na apuração do tributo. Convém a análise individualizada dos argumentos suscitados. a) Da aquisição de duas áreas localizadas em Itacoatiara Em relação ao primeiro item, o Contribuinte argumenta duas questões diversas: a primeira, que o valor de R$ 5.002,00 foi pago em 1999, e não em 2000, como considerou a autoridade lançadora; a segunda, que a terceira parcela do valor de R$ 94.998,00, no valor de R$ 31.666,00, foi pago em outubro/2000 e não em abril/2000. Retornando ao relatório fiscal, percebese que a autoridade lançadora afirmou que: "1.5 ITENS 05, 06 da DIRPF Exercício 2001 anocalendário 2000: Áreas privativas nºs 15 e 16 Rua A Greba 1B ITACOATIARA, conforme Escritura de Compra e Venda em 17/01/2000, consignado em Notas do 17º Ofício de Niterói, no livro 2005, fls. 012 (a ser incluído no DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL R$ 50.000,00 x 2 no mês de Fevereito ANO CALENDÁRIO DE 2000);" fl. 17 (sic) (grifo no original) Observase, ab ovo, que apesar de afirmar que deveria ter sido incluído no mês de fevereiro, os R$ 100.000,00 foram incluídos na apuração da variação patrimonial no mês de janeiro (fl. 19), o que faz sentido já que as escrituras foram lavradas em 17/01/2000. De qualquer sorte, observase que a DRJ já corrigiu a questão do pagamento parcelado dos R$ 94.998,00, remanejandoos de janeiro para fevereiro, março e abril. Não considerou o argumento referente aos R$ 5.002,00 ter sido pago em 1999 e nem que a última parcela (R$ 31.666,00) teria sido paga apenas em outubro, ante a falta de provas. Com razão a DRJ. De um lado, as escrituras públicas dos imóveis (fls. 107/120) realmente registram a venda por R$ 50.000,00, cada, com escritura de compra e venda registrada em 17/01/2000. De outro lado, o Contribuinte juntou aos autos as próprias escrituras públicas de compra e venda (fls. 193/205), constantes do livro 2005, fls. 012 mencionadas pela autoridade lançadora nos quais se registrou que realmente já haviam sido pagos R$ 5.002,00 (R$ 2.501,00 para cada imóvel) antes da lavratura da escritura de compra e venda, e que o valor restante foi quitado pela entrega de notas promissórias pro soluto, com vencimento em 12/02/2000, 12/03/2000 e 12/04/2000. Portanto, com razão a DRJ quanto remanejou os pagamentos para os meses de fevereiro, março e abril, porquanto essas são as datas dos vencimentos das notas promissórias. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 321 6 Também com razão a DRJ quando não admitiu que o pagamento de R$ 5.002,00 ocorreu em 1999. A escritura pública apenas afirma que o pagamento ocorreu antes da sua lavratura. Pode ter ocorrido em 1999, mas também em 01/01/2000, em 02/01/2000, ou mesmo em 17/01/2000, uma hora antes de se reunirem perante a autoridade cartorária. Sem provas por parte do Contribuinte, não é possível corrigir o lançamento nesse ponto. No mesmo sentido em relação à última parcela, referente a abril, ter sido paga somente em outubro. O Contribuinte argumenta que o pagamento da última parcela estava condicionada à apresentação de certidões, pelo vendedor, de que foram baixadas as ações contra ele, o que só teria ocorrido em outubro. Contudo, não trouxe aos autos quaisquer provas dos seus argumentos. Por essa razão, não é possível retificar o acórdão recorrido nesse ponto. b) Das alienações dos veículos Argumenta o Recorrente que trouxe aos autos provas de que vendeu veículos, e o seu valor, por meio de declarações firmadas pelos Compradores. Como prova, apresentou declarações firmadas pelos compradores (fls. 206/208 e 241/243) Novamente com razão a DRJ: as declarações fazem provas entre os signatários, mas não podem ser opostas a terceiros. O simples fato de que alguém alega ter comprado determinado bem, e pago determinado valor, não torna a afirmação em fato. O Contribuinte não demonstrou a transferência dos recursos, nem mesmo indicou como teriam sido pagos. Há que se registrar, outrossim, que os valores não são irrisórios, R$ 60.000,00 e R$ 39.500,00, respectivamente, pelos veículos. Se os pagamentos foram feitos por transferências bancárias, basta demonstrar no extrato bancário. Nada impede, ainda, que o pagamento tenha ocorrido em espécie; nesse caso, contudo, cabia ao recorrente demonstrar a sua ocorrência por outros indícios, como a disponibilidade dos recursos por parte do comprador, ou a forma como ele próprio, vendedor, guardou ou gastou os recursos. Enfim, as declarações apenas afirmam que houve a aquisição dos veículos pelo valor, mas não afirmam como o valor foi pago, nem quando. A venda pode ter ocorrido em janeiro, mas o pagamento ter sido realizado apenas em fevereiro, ou em setembro, ou em 2001, ou mesmo nunca ter sido pago, ou ter sido compensado com outro débito. Registrase, ademais, que o Recorrente não declarou a propriedade dos veículos, tais operações de alienação, nem os recursos resultantes em sua DIRPF (fls. 20/32). c) Da aquisição do imóvel localizado na Rua Presidente Baker Argumenta ainda o Recorrente que o imóvel localizado na Rua Presidente Baker, adquirido por R$ 130.000,00, o foi em 1999. Nesse caminho, que tal despesa não poderia ser considerada na apuração do fluxo de caixa de 2000. Como prova, traz declaração da vendedora. Reafirma seu argumento anotando que a fiscalização e a DRJ sequer determinaram a realização de diligência perante a vendedora para que se verificasse quando ocorreu o pagamento. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10730.006926/200531 Acórdão n.º 2202004.336 S2C2T2 Fl. 322 7 Mais uma vez, a DRJ negou provimento ao pedido porquanto não há provas de que o pagamento realmente ocorreu em 1999, anotando que a declaração da vendedora não é suficiente, sem outros elementos probatórios. Em primeiro lugar, observase que o próprio Contribuinte declarou, em sua DIRPF, que a aquisição do imóvel ocorreu em 2000 (fl. 27). Na sua DIRPF referente ao ano calendário 1999 não mencionou qualquer direito em relação a compra do referido imóvel. Em segundo lugar, a Certidão de Registro do Imóvel (fls. 50/57) realmente aponta o registro da operação em 29/02/2000. Observase, efetivamente, a existência de uma declaração por parte da vendedora de que o valor teria sido pago em 29/01/1999 (fl. 91). Contudo, não há nenhum outro indício ou prova nesse sentido nos autos. Novamente, se se tratasse de operação bancária, bastava indicála no extrato bancário. Tratandose de operação em espécie, forte indício seria a demonstração de disponibilidade. Uma vez que o Recorrente não declarou dispor de nenhum recurso em espécie no dia 31/01/1998 (cf. DIRPF anocalendário 1999, fls. 20/25), nem demonstrou ter obtido R$ 130.000,00 em espécie no período entre 01/01/1999 e 29/01/1999, não há como admitir tal argumento. Por essa razão, também não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Relator Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721662/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 16 62 /2 01 4- 92 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11065.721662/201492 Acórdão n.º 1301002.777 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11065.721662/201492 Acórdão n.º 1301002.777 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.721662/201492 Acórdão n.º 1301002.777 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.909844/2008-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 790541669 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 07389.87526.301204.1.3.043157 o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 09 84 4/ 20 08 -5 7 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 42 2 débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em determinado momentos passou por dificuldades financeiras, acarretando no atraso no pagamento de tributos, sendo que, nesta ocorrência, teria recolhido com juros e multa, mesmo antes da entrega da DCTF. Pagamento Indevido Conforme seu entendimento, esses pagamentos seriam indevidos, pois configurariam o instituto da Denúncia Espontânea. Fundamento da Glosa O fundamento da glosa, conforme o mencionado despacho, seria a ausência de crédito, ressaltando a recorrente que a Fazenda assim o fez sem solicitar ao contribuinte nenhum documento capaz de comprovar a existência do crédito. Sustenta que se porventura a autoridade fazendária houvesse solicitado tais documentos, teria tido acesso à planilha de apuração e teria verificado a regularidade do encontro de contas. Segundo os documentos acostados aos autos, verificase que o pagamento deuse fora do prazo, mas que, no entanto, anterior à entrega da DCTF DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1040.750 2ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO A DESTEMPO Não constitui denúncia espontânea o pagamento de tributos em atraso desacompanhado da devida multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre relativo ao aproveitamento de indébito de Pis mediante exame de declaração de compensação transmitida pela interessada, no qual não foi confirmada a existência do crédito informado, uma vez que o pagamento (localizado) foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 43 3 débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato, o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. A motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada pela administração ao apontar que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. A base legal citada e a fundamentação fática são suficientes para convalidar o indeferimento do pleito, sendo plenamente justificável que a administração Tributária tenha considerado dispensável qualquer esclarecimento adicional, pela via da intimação ao contribuinte, uma vez que seus controles de conta corrente já indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível. pela interessada, sendo suficiente tais elementos para a tomada de decisão. Assim sendo, ao acolher a alegação de nulidade do despacho decisório, corretamente exarado pela DRFB jurisdicionante, estaríamos respaldando irregularidades no procedimento de compensação interposto pela interessada. A interessada apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo da Cofins/Pis. Argumenta que não seria devida a multa de mora tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Não tem amparo a tese sustentada pela impugnante, no sentido de a denúncia espontânea da infração à legislação tributária, com o recolhimento do tributo devido, desobrigar o contribuinte do pagamento da multa de mora.. Na verdade, está o contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no art. 138 do CTN, não podendo, pois, prosperarem seus argumentos. A denúncia espontânea de uma infração à legislação tributária exclui a responsabilidade pelo ilícito praticado, afastando a aplicação das penalidades cabíveis, nos precisos termos do CTN, art. 138. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal em recolhimentos de tributos fora do prazo legal. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato gerador do tributo. No caso, o não pagamento da exação não constitui Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 44 4 infração, e sim, mora ou inadimplência. A multa por atraso no pagamento de tributos tem finalidade de coagir o contribuinte ao recolhimento dos tributos e contribuições dentro do prazo legal. Se desconsiderássemos o recolhimento da multa decorrente da impontualidade do sujeito passivo da obrigação tributária, simplesmente pelo pagamento espontâneo, estaríamos diante de uma afronta ao contribuinte responsável e cumpridor de suas obrigações e sua imposição legal seria inócua. Pelo contrário: os valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Portanto, inexistindo direito creditório passível de compensação, não há como homologar o encontro de contas declarado. Recurso Voluntário Segundo a recorrente, foram apresentados diversos pedidos de compensação de crédito cuja origem terseia dado em recolhimentos indevidos de multa, que, posteriormente, teriam sido utilizados para compensação de débitos de Pis e Cofins. Denúncia Espontânea A tese defendida pela Recorrente valese do argumento no qual reside sorte a seu racicíonio, qual seja, a possibilidade de aplicação do artigo 138 do CTN, quando o pagamento espontâneo ocorre após o vencimento do tributo e mas antes da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário cuja pretensão escorase em legitimar a compensação de valores pagos a título de multa de mora. Argumenta pela aplicação de jurisprudência do STJ, indicando estar submetida aos requisitos do precedente judicial apontado. Origem do Crédito pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ausência de procedimento fiscalizatório Ao analisar a Perd Dcomp acostada a estes autos percebese que se trata de pagamento ocorrido a destempo, com recolhimento de multa. Pleiteia a devolução do crédito, pago a título de multa, pois entende estar submetido à denúncia espontânea, vez que o recolhimento se deu ante a ausência de procedimento de fiscalização. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, há que confrontálo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2005 , conforme imagem do carimbo aposto em efls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 45 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 46 6 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial, seguiuse a orientação aos julgados deste CARF, conforme se depreende: Acórdão nº 3302004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11080.909844/200857 Resolução nº 3001000.033 S3C0T1 Fl. 47 7 Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Ausência de declaração em DCTF A recorrente argumenta, tanto em manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que o recolhimento da multa de mora, em decorrência do atraso em seu pagamento, se deu antes da entrega da DCTF, o que, por via de consequência, poderseia inferir a ausência desta informação na declaração referenciada. Entretanto, compulsando os autos, não localizo a DCTF, mas tão somente, a Per Dcomp, tornandose inviável a análise da existência das condições para fruição da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN e com aplicação referendada pelo (REsp 1.149.022) Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902133/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 21 33 /2 01 0- 91 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 0354.187, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10805.902133/201091 Acórdão n.º 1401002.246 S1C4T1 Fl. 90 3 por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 0354.187, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Fl. 91DF CARF MF 4 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 68 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 77 a 81), conforme protocolo de efl. 77, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10805.902133/201091 Acórdão n.º 1401002.246 S1C4T1 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... Fl. 93DF CARF MF 6 CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10805.902133/201091 Acórdão n.º 1401002.246 S1C4T1 Fl. 92 7 sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas Fl. 95DF CARF MF 8 médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659060/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.318
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 06 0/ 20 12 -7 1 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.659060/201271 Resolução nº 3402001.318 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.659060/201271 Resolução nº 3402001.318 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.659060/201271 Resolução nº 3402001.318 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.989811/2009-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/12/2003
ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/12/2003 ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 98 11 /2 00 9- 85 Fl. 427DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efl. 402 e ss): Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da contribuição ao PIS, referente ao fato gerador de janeiro/2005. A DeratSP, por meio de despacho decisório[de 21 de setembro de 2009 efl. 10], indeferiu o pedido porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, que ocorreu um erro de preenchimento e que antes de qualquer decisão deveria ter sido intimada para que pudesse explicar a questão. Argumenta que recolheu a contribuição de acordo com o regime não cumulativo quando deveria têlo feito conforme o regime cumulativo de apuração das contribuições sociais e que informou a situação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), mas que por um lapso não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) simultaneamente. Alega também que somente o fato de não haver retificado a DCTF não poderia causar a não homologação da compensação, por se tratar de um erro material, pois deveria prevalecer a verdade material, conforme decisões do então Conselho de Contribuintes, que cita. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 410 e ss), basicamente, limitase a repetir sua argumentação de que teria sanado o problema por intermédio de uma DCTF retificadora em outubro de 2009. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10880.989811/200985 Acórdão n.º 3001000.188 S3C0T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 2.903,78 (efl. 10), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A Recorrente, no Recurso Voluntário (efl. 410 e ss.), confirma que cometeu erros no preenchimento da DCTF, que foi retificada em outubro de 2009. Ocorre, entretanto, que houve ciência do Despacho Decisório em setembro de 2009. Ou seja, a retificação ocorreu após o início do procedimento fiscal. Assim, as retificações em suas declarações só foram realizadas após o início do procedimento fiscal, quando já não mais subsistia a espontaneidade. Se o Fisco não tivesse descoberto a tempo o erro no PERDcomp, e o mesmo fosse homologado, nada impediria a Recorrente de tentar se creditar de eventuais saldos remanescentes do tributo no futuro. Além disso, o Princípio da Objetividade é basilar para o Direito Tributário. A eventual culpa do agente não é preceito fundamental para caracterizar a infração tributária. A ocorrência da infração, por si só, já é suficiente para a aplicação da punição. E, ainda, a Recorrente não trouxe ao processo qualquer outra documentação que embasasse sua argumentação. Assim, pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 429DF CARF MF 4 Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909941/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/11/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 11/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 99 41 /2 01 1- 52 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.406, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001792/00-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:1996
NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Reconhece-se a nulidade do lançamento em face da
imputação fiscal de glosa de custos, caracterizada por diferenças apuradas pela fiscalização e lastreadas em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa.
Preliminar Acolhido. Recurso Voluntario Provido.
Numero da decisão: 1402-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Reconhecese a nulidade do lançamento em face da imputação fiscal de glosa de custos, caracterizada por diferenças apuradas pela fiscalização e lastreadas em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa.. Preliminar Acolhido. Recurso Voluntario Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, da qual tomou ciência o contribuinte em 22/01/2001, referente à glosa de custos no anocalendário de 1996. Consta dos autos que a autoridade fiscal autuante elaborou demonstrativos mensais de apuração do IRPJ através do Lucro Real, compreendendo o ano calendário de 1996 (fls. 257 a 268), e comparou com os valores do Lucro Real declarado pela contribuinte, encontrando diferenças de valores apuradas mediante este confronto (planilha à fls. 269). Tais valores, identificados nos períodos de 01/96 a 07/96, 09/96, 10/96 e 12/96, foram lançados, caracterizando a glosa de custos formalizada neste auto de infração. Em sua impugnação a contribuinte contesta as diferenças encontradas e glosadas entre os valores do Lucro Real apurados em procedimento fiscalizatório pela autoridade fiscal e os valores declarados por ela própria. Em suma, a contribuinte alega em sua peça impugnatória que a fiscalização não deduziu dos valores de receita bruta os valores do ICMS substituto, por não integrarem a base de cálculo do IRPJ. Para corroborar seu argumento, apresenta planilha com demonstrativo da diferença de valores a ser compensada (fls. 787), após ter refeito a base de cálculo do imposto com as devidas exclusões que constam dos Livros de Registro de Saída, nos citados períodos de apuração. A decisão da DRJ/REC (fls. 874/882) acata tais alegações do contribuinte e apresenta novos cálculos, dessa vez, considerando o impacto do ICMS substituição. Apresentados novos cálculos, no que se referia aos estabelecimentos F001 e F003, os valores encontrados foram coincidentes. Contudo, com relação aos valores do estabelecimento F002 os valores permaneceram divergentes. Segundo consta do acórdão recorrido, tais diferenças eram referentes ao fato de que a recorrente deduziu o valor total das receitas de vendas de cigarros, conforme se encontram escrituradas no Livro Registro de Saídas, ocasionando uma grande redução da base de cálculo. Nesse ponto, a contribuinte apresentou novos questionamentos, quanto à não dedução do PIS/COFINS pagos antecipadamente na aquisição de cigarros e quanto à dedução do valor total das receitas de vendas de cigarros, conforme se encontravam escrituradas no Livro Registro de Saídas. Assim, uma vez que a legislação determina para fins de apuração do lucro real que os contribuintes podem deduzir da receita bruta, para encontrar a receita líquida, os valores dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas, tais como PIS e COFINS, tais afirmações acarretaram a necessidade de realização de diligência fiscal para que a fiscalização esclarecesse a metodologia adotada no procedimento de fiscalização. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 3 Lêse da decisão que os fatos narrados pelo diligenciante nas fls. 871 e 872, não surtiram o efeito desejado, qual seja, além do esclarecer alguns pontos, propiciar a contribuinte que alegou, através da apresentação de sua declaração e de um quadro demonstrativo junto com sua impugnação, de que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro real) estariam equivocadas. Diante da situação, passou o acórdão a quo, a analisar alguns pontos da diligência e determinar se em decorrência desta poderiam, ou não, serem modificados os valores considerados na fiscalização. Concluiu o acórdão recorrido por considerar procedentes em parte os autos de infração do presente processo para reduzir os valores do IRPJ e da CSLL lançados. Transcrevo, portanto, a fundamentação adotada pela autoridade julgadora de primeira instância: a) Quanto ao valor do ICMS considerado pela fiscalização, como esclarecido na diligência tratase do ICMS escriturado no livro fiscal. Neste ponto, mesmo existindo diferença em relação ao valor declarado pela empresa, na apuração do lucro real deve ser considerado o valor realmente incidente do ICMS sobre vendas. Portanto, deve ser mantido o valor apurado pela fiscalização. b) Da mesma forma a receita bruta considerada pela fiscalização foi escriturada no livro de apuração do ICMS. Mesmo estando a menor do que a declarada pela empresa, vamos manter a receita considerada pela fiscalização. Neste ponto, é importante destacar que não cabe a esta instância julgadora a majoração de valores considerados pela fiscalização que possa acarretar na majoração dos créditos tributários lançados. c) Na pergunta seguinte a diligência requer a comprovação dos valores declarados pela impugnante a titulo de demais impostos e Contribuições incidentes sobre vendas (linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997). Ou seja, requer que a contribuinte demonstre o valor declarado, por exemplo, de R$ 6.928,47 linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997, à fl. 792, no mês de JANEIRO. Sabemos que a legislação determina para fins de apuração do lucro real que os contribuintes podem deduzir da receita bruta, para encontrar a receita liquida, os valores dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas. Nestes poderiam estar declarados os valores de COFINS e Contribuição para o PIS. Por este motivo, é que esta instância julgadora, diante do forte indicio de que a fiscalização poderia ter prejudicado o autuado determinou a verificação, junto a impugnante, dos valores que compõem a linha 12 da ficha 03 da DIRPJ/1997. Porém, demonstrando desinteresse na causa, a contribuinte não apresentou ao diligenciante os documentos necessários a verificação dos valores declarados linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 4 Assim, simplesmente não há como considerar os valores declarados sem saber sua composição e se os mesmos estão corretos. Sem dúvida sabemos que quando a receita bruta poderá haver cobrança de contribuições sobre estes valores e estas devem ser consideradas como dedutíveis na apuração do lucro real, porém não podemos simplesmente considerar valores que não condizem com um valor próximo de que seria a realidade. Ainda, sem dúvida é ônus da contribuinte comprovar os valores declarados e neste ponto, como já salientado, esta instância julgadora, diante de um forte indicio, procurou encontrar junto a empresa à comprovação dos valores, contudo esta não respondeu as intimações da diligência. Assim, voto no sentido de não considerar tais valores na apuração do lucro real. d) Quanto à alegação da contribuinte em relação a COFINS E PIS pagos antecipadamente, temos a destacar que tendo em vista o não atendimento da intimação por parte da contribuinte durante o procedimento de diligência, não há como verificar estes valores e portanto voto no sentido de desconsiderar tal alegação. O contribuinte tomou ciência da solicitação de documentos referida acima pelos AR's de fls. 861 e 864. Pela falta de esclarecimentos e omissão injustificada de apresentação dos documentos solicitados, foi lançado auto de infração de multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a qual o contribuinte tomou ciência por via postal em 11/10/2006 (fl.876). Em sede de recurso voluntário a recorrente pede que seja apurada, no bojo do presente processo, se ele realmente foi intimado e, ainda que tenha sido, não pode ele ser penalizado, já que estava a todo momento diligente no processo, tendo apresentado defesa e documentos. Além disso, inconformado afirma que não se justifica que a diligência fiscal tenha sido frustrada pelo fato de que o agente público responsável por sua feitura não soube informar os motivos da autuação, já que os fiscais que a teriam realizado não estão mais lotados na repartição responsável pela diligência. Por fim, ressalta havendo dúvidas quanto a imputação atribuída, presente a boafé do contribuinte, deve prevalecer o princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte (art. 112 do CTN) de modo a afastar qualquer presunção de legitimidade dos atos ora contestados e considerar eficaz a máxima de que o ora Recorrente enveredou todos os esforços para que todas as informações necessárias à fiscalização. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. O presente autuação não merece prosperar haja vista cerceamento do direito de defesa do contribuinte que viuse impossibilitado de contestar os cálculos apresentados pela fiscalização, já que ela própria, quando arguida em diligência, não soube justificar os valores utilizados e a forma de cálculo dos demonstrativos que formam o auto de infração. Decorre do art. 142 do CTN, a seguir transcrito, que o auto de infração deve demonstrar, além da infração cometida pelo contribuinte, determinar a matéria tributável e calcular o montante devido, descrevendo ainda, os demais elementos que concorreram à concretização da hipótese de incidência tributária: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(g.n.) É sabido também, que não são todos os erros ou omissões que acarretam a nulidade do processo, mas apenas quando dele não constarem elementos suficientes para determinar com segurança a natureza da infração e/ou a pessoa do infrator. Ora, da leitura do acórdão recorrido percebese que a própria fiscalização não conseguiu justificar os cálculos apresentados no auto de infração. Vejamos: Surgiu, então, a necessidade de realização de diligência fiscal para que a Autoridade Fiscal Autuante esclareça a metodologia adotada no procedimento de fiscalização. Na Resolução DRJ/RECIFE N° 447 de 17/02/2006, às fls. 851 a 857, foram efetuadas as questões abaixo transcritas, todas com o intuito de esclarecer itens da apuração do lucro real. Vamos também transcrever as respostas das questões constantes da Informação de Diligência das fls. 871 e 872. Diante das questões e de suas respostas poderemos formar a convicção e formular uma decisão: " por que não foram considerados os valores das receitas de revendas de mercadorias (linha 07) informados pela contribuinte na DIRPJ/1997? Observese que os valores declarados são mais elevados que os valores adotados pela Autoridade Fiscal Autuante; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 6 Resposta: Os valores os quais o autuante utilizou como base de cálculo para os lançamentos dos créditos tributários, correspondem às revendas de mercadorias registradas nos Livros de Apuração do ICMS dos estabelecimentos F001, F002 E F003, sob os CFPO 5,12 e 6,12. por que foram considerados valores de ICMS mais altos que os valores informados na DIRPJ/1997 (linha 11)? Resposta: Por insuficientes informações no relatório "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (IS)" às fls. 286, não será possível determinar o motivo exato pelo qual a fiscalização computou valor do ICMS diverso do declarado na DIRPJ/Q1997(linha 11), porém, apurouse que, o utilizado na ação fiscal corresponde ao somatório dos débitos de ICMS sobre vendas dos CFOP 5.12 e 6.12, da Matriz e filiais. por que a Autoridade Fiscal Autuante não considerou os valores de demais impostos e contribuições incidentes sobre vendas (linha 12) informados pela contribuinte na DIRPJ/1997? Quais os tributos abrangidos por esses valores declarados? Bem como, quais seriam os valores do PIS e COFINS substituição? Resposta: Prejudicada. Como não foi possível apurar os motivos pelos quais os valores da linha 12 não foram considerados pelos autuantes (não mais lotados na DRF em Caruaru), intimouse o contribuinte, conforme Termo de Diligência/Solicitação de Documentos n° 0002, para justificar o valor desta linha relativo ao mês de janeiro de 1996, não tendo este se manifestado. intimar a contribuinte para apresentar a escrituração contábil comprobatória dos valores declarados na DIRPJ/1997." Para que fique claro, a contribuinte apresentou provas em sua impugnação (DIPJ 1997 e planilha com quadro demonstrativo de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL lucro real) demonstrando que a apuração levada à cabo pelas autoridades fiscais estava equivocada. Foi então que o acórdão a quo corrigiu os valores referentes ao ICMS substituição. Contudo, no que tange ao abatimento na apuração do Lucro Real dos valores pagos à título de outros tributos, tais como PIS e COFINS, o acórdão a quo não os corrigiu, senão solicitou aos fiscais autuantes, em diligência, que esclarecessem sobre a base de cálculo utilizada no lançamento. Como visto, as autoridades autuantes não foram capazes de afirmar se na base de cálculo utilizada no lançamento foram considerados os valores dos demais impostos e contribuições incidentes sobre a vendas. Como não conseguiu comprovar a base de cálculo utilizada para lançamento dos créditos tributários, imputou ao contribuinte o ônus de comprovar os valores declarados na alínea 12 da DIPJ 1997 (impostos e contribuições incidentes sobre vendas que haviam sido deduzidos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo contribuinte). Ora, o acórdão recorrido faz parecer que se o contribuinte tivesse confirmado os valores da alínea 12, os mesmos seriam considerados corretos e então deduzidos (como foi o ICMS substituição) da base de cálculo utilizada no lançamento. É quase como confessar que a base de cálculo utilizada no lançamento está errada! Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 7 Com isso, estou convencido que o contribuinte logrou comprovar que a base de cálculo utilizada para o lançamento dos créditos tributários falhou por não descontar os valores de impostos e contribuições incidentes sobre vendas. E, por assim ser, quando a fiscalização foi arguida sobre os valores utilizados não comprovou, nem demonstrou a forma de cálculo utilizada, tentando, apenas, inverter o ônus da prova, exigindo que o contribuinte demonstrasse que sua apuração estava correta. Destarte, muito antes da diligência exigida pelos julgadores de primeira instância, o lançamento já havia se concretizado. Dessa forma, o fato de o contribuinte não ter apresentado nova documentação à fiscalização não demonstra que os cálculos da fiscalização estão corretos, pelo contrário, mostra que há época do lançamento a fiscalização não considerou a dedução dos impostos e contribuições pagos pelo contribuinte e não buscou documentos que comprovassem os valores declarados como pagos pelo mesmo. Por tudo isso, a não apresentação dos documentos pelo contribuinte não elide o fato de que a fiscalização não sabe dizer se a apuração realizada há época do lançamento está correta. Com efeito, se o auto de infração baseiase na suposta diferença encontrada, pelas fiscalização, no cálculo para apuração do Lucro Real, por tudo quanto exposto nos autos, não está comprovado que existam tais diferenças apuradas pela fiscalização. Logo, tornase inadmissível o lançamento de valores cuja própria fiscalização não sabe informar a precisão com que foram calculados e quais valores foram utilizados. Somente mediante a clara fundamentação do lançamento é que se faz possível ao contribuinte exercer os seus direitos à ampla defesa e ao contraditório. (Acórdão n° 310200.544 em 17/11/2009). Posto isso, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para afirmar a nulidade do presente auto de infração, POR VÍCIO MATERIAL, já que lastreado em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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