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Numero do processo: 19515.723103/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01.
Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa.
Numero da decisão: 2101-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, para declarar a definitividade do crédito tributário lançado na esfera administrativa.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, para declarar a definitividade do crédito tributário lançado na esfera administrativa. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 03 /2 01 2- 11 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 599 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, de efls. 475 a 489, lavrado contra o contribuinte acima identificado. no valor de R$ 35.361.871,12 (principal), decorrente de ação fiscal destinada a verificar a correção da apuração do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na venda de 66.745.912 ações ordinárias de titularidade do autuado de emissão da Vicunha Steel, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações de efls. 444 a 465. Da análise de tal contrato, formalizado em 30 de junho de 2005, verificase que o autuado, Jacks Rabinovich, alienou as referidas ações pelo preço máximo de R$ 754.498.483,40, dividido em cinco parcelas anuais, assim compostas: a) a primeira de, no máximo, R$ 130.498.483,40, com vencimento em 30/06/2006, e b) as restantes de, no máximo, R$ 156.000.000,00, cada uma, com vencimentos em 30 de junho de 2007, 2008, 2009 e 2010. O contrato previu, ainda, que cada parcela seria atualizada monetariamente pelo índice correspondente a 101,5% da taxa de depósitos interfinanceiros DICETIP. O montante do preço seria ajustado pela subtração ao seu valor máximo dos dividendos que o vendedor viria a receber, pertinentes ao saldo do exercício de 2004 e à totalidade daqueles devidos pelo exercício 2005. Recebida a parcela referente a 30 de junho de 2010, o contribuinte apurou o ganho de capital da operação considerando como valor de alienação o valor do principal da parcela acrescido da correção monetária pactuada, tendo, assim, aplicado ao valor da parcela recebida a alíquota de 15% sobre o total do montante pago (R$ 284.588.622,20), incluída a parte relativa à atualização monetária (calculada como.R$ 128.588.622,20, na forma de demonstartivo constante de DIRPF de efl. 414). A Fiscalização, entretanto, consoante Termo de Verificação Fiscal (efls. 469 a 474), entendeu que “os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja a sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão)”. Assim, deveria ser aplicada a tabela progressiva do imposto de renda, com alíquota máxima de 27,5%. Entendeu a fiscalização que, quanto á eventual montante recolhido a maior pelo autuado a título de ganho de capital, tal montante poderia ensejar restituição. No decorrer da ação fiscal, recebeu a União Federal Mandado de Citação e Intimação (efl. 61), da Ação Cautelar de Depósito 2009.61.00.0138476 (efls. 62/63 e efls. 68 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 600 3 a 78) com pedido de liminar, tomando conhecimento, ainda, da Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária nº 2009.61.00.0162120 da 6ª Vara Federal da Justiça Federal, de São Paulo (efls. 133 a 156). Na Ação Declaratória, o contribuinte entre os outros pedidos requereu que fosse reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária que autorize a Ré a cobrar IR à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o montante de atualização monetária da parcela recebida em 30/06/2008, bem como sobre iguais montantes que integrassem as parcelas posteriores (vencimentos a 30/06/2009 e 30/06/2010), devendo tais acréscimos serem considerados parte do principal para fins de apuração do ganho de capital e tributados pelo IR à alíquota de 15% (quinze por cento) e não juros”. No julgamento da Ação Cautelar (efls. 62/63), o Juízo da 6ª Vara Federal aceita o depósito e suspende a exigibilidade do débito discutido na petição inicial. “Diante do depósito de fls. 149 fica suspensa a exigibilidade do crédito noticiado na inicial, abstendose a ré de proceder qualquer autuação, especialmente no que tange a exigência de multa penal e isolada calculadas sobre o montante de imposto de renda à alíquota de 27,5% até final decisão.” Procedese, então, à lavratura do citado auto de infração, sendo que nas considerações finais apresentadas no citado Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal conclui que os depósitos não foram feitos no valor integral dos créditos e relata que não foi aplicada a multa de ofício, haja vista o disposto no art. 63, da Lei 9.430/96: A impugnação é muito bem relatada pela autoridade julgadora de 1a. instância, verbis: “ (...) O contribuinte toma ciência do auto de infração em 27/12/2012, e, inconformado, apresenta impugnação, em 28/01/2013, de fls. 489/510, em que alega, em breve síntese, que: 1. o contrato de compra e venda das ações do Grupo Vicunha já foi objeto de fiscalização tendo como consequência a lavratura de auto de infração relativo às parcelas anteriores; 2. os lançamentos anteriores, entre outros pontos, consideraram que a atualização monetária não compõe o valor da alienação, devendo ser tributada como juros, por meio do carnêleão; 3, em contraponto, entendem os contribuintes que atualização monetária não é renda, mas mera recomposição do capital, como mesmo utiliza o Fisco na cobrança de seus créditos; 4. sabedor do entendimento da fiscalização sobre os pagamentos recebidos pela venda das ações do Grupo Vicunha, adiantouse a contribuinte, e propôs Medida Cautelar de Depósito com ajuizamento da posterior Ação Declaratória de Inexistência de Relação Tributária relativa aos recebimentos de 2008, 2009 e 2010; 5. a Medida Cautelar de Depósito foi distribuída à 6a Vara Federal de São Paulo sob o nº 2009.61.00.0138476. A Ação Fl. 600DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 601 4 Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária foi distribuída por dependência ao mesmo juízo, sob o nº 2009.61.00.0162120; Sobrevieram decisões favoráveis ao contribuinte quanto à integralidade do depósito e procedência do pedido (docs. 03 e 04 anexos à impugnação) 6. conforme é sabido, a discussão judicial de crédito tributário, nos termos do parágrafo único do artigo 38 da Lei n. 6.830/80, implica na impossibilidade de discussão na esfera administrativa; 7. contrariando a decisão judicial proferida nos autos da Ação Declaratória n° 2009.61.00.0162120, e também a Lei n. 6.830/80, foi lavrado o presente mandado de procedimento fiscal que, ao final, apurou crédito em favor da Fazenda Nacional no montante total de R$ 40.736.875,53; 8. embora o Contrato não estabeleça juros incidentes sobre as parcelas do preço, mas apenas índice de atualização monetária livremente pactuados pelas partes, entendeu a fiscalização que os montantes de atualização monetária das parcelas deveriam ser objeto de recolhimento mensal através do "carne leão", e não ganho de capital; 9. a fiscalização desconsiderou as disposições do contrato de compra e venda das ações relativamente às cláusulas de atualização monetária, considerandoas juros e não reposição do valor de compra da moeda nacional em face da inflação, conforme inclusive já determinado pela sentença judicial; 10. importa mencionar que os limites delineados no parágrafo primeiro do artigo 38 da Lei n. 6.830/80 são claros ao afirmar que a propositura de ação judicial pelo contribuinte importa em renúncia da discussão na esfera administrativa; 11. qualquer discussão relativa ao crédito tributário discutido judicialmente deveria ser tratada nos autos do processo judicial, por ser aquela a atual via competente de discussão; 12. o pretendido aqui neste auto de infração é inicialmente ilegal, e demonstra a desproporcionalidade das ações do Fisco em relação aos peticionários; 13. não se alegue que a lavratura tem a finalidade de resguardar os interesses do Estado, isso porque todo o valor posto em debate encontrase depositado nos autos das ações judiciais; 14. os próprios cálculos aqui apresentados já foram objeto de discussão nos autos da ação judicial, o que confirma a falta de proporcionalidade da presente lavratura; 15. não se sustenta a tese da necessidade da lavratura para constituição do crédito tributário, pois ao final da ação, caso o Fisco seja vencedor, será autorizada a conversão em renda em favor da União, prescindível, portanto, a lavratura; Fl. 601DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 602 5 16. o contribuinte propôs ação judicial e posteriormente obteve autorização para realizar depósito judicial visando assegurar a suspensão da exigibilidade dos valores que Fisco entende devidos, especialmente para que Autoridade Administrativa abstenhase de exigirlhe multa penal e multa isolada calculadas sobre o montante do imposto de renda à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) incidente sobre a correção monetária das parcelas da venda das ações do Grupo Vicunha; 17. conforme também é notório, é possível verificar dos autos judiciais já mencionados, que o Fisco, por meio de petição apresentada pela sua Procuradoria, já havia apresentado manifestações sustentando que os depósitos realizados não seriam suficientes para cobertura dos créditos tributários discutidos judicialmente, questão esta, destaquese, que restou superada; 18. o valor da correção monetária da parcela vencida em 2010 foi de R$ 128.588.622,24 que sobre tal montante foi calculado o IR como ganho de capital à alíquota de 15% (quinze por cento) que resultou R$ 19.288.293,34. Essa importância foi oferecida à tributação e recolhida ao Erário juntamente com o principal, tendo sido recolhida a DARF no valor de R$ 40.320.854,43; 19. em razão disso, do IR à alíquota de 27,5% que poderia ser exigido pelo Fisco, foi deduzido para cálculo da importância a ser depositada, o valor já recolhido aos cofres da União e referido no item anterior; 20. a diferença depositada decorre exatamente da qualificação adotada que ensejou a propositura das ações judiciais medida cautelar de depósito e ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária; 21. não há diferença a ser depositada, já que os cálculos apresentados acima, e demonstrados nos autos judiciais, refletem a exatidão do valor depositado, tanto que há decisão judicial neste sentido; 22. a concordância relativa à necessidade de complementação do depósito equivaleria a decidir, desde já, a questão, antes mesmo da sentença judicial, suprimindo instância e vedando o acesso á justiça; 23. fica cabalmente demonstrada a impropriedade da presente lavratura, seja quanto a sua existência, seja quanto aos cálculos apresentados. Por outro lado, para que seja assegurada a ampla defesa é a presente para novamente repisar a incorreção de mérito da presente lavratura; 24. a atualização monetária de valores é imune a qualquer tributação, visto não representar um ganho real, mas mera modificação da quantidade de dinheiro representativa de um valor em face da perda de poder aquisitivo da moeda decorrente da inflação; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 603 6 25. o contrato de compra e venda das ações não contempla o pagamento de juros pela compradora ao vendedor das ações de "Vicunha Steel S.A." através dele transacionadas. Apenas elege um índice escolhido de comum acordo pelas partes para realizar a atualização monetária do valor das parcelas vincendas, dentro do princípio da liberdade contratual prestigiado pela Lei Maior e pelo Código Civil; 26. o contrato não estabelece pagamento de juros. Indica, isto sim, o indexador para proceder à atualização monetária das parcelas (DICETIP). E, como visto acima, tanto a doutrina como a jurisprudência são unânimes em sustentar que o resultado de tal operação é imune a qualquer tributação; 27. por ser mera adaptação de valor diante do fenômeno inflacionário, o plus decorrente da atualização monetária não se confunde com renda. A sua tributação implicará inevitavelmente a tributação do patrimônio, que não constitui elemento material do fato gerador do imposto de renda. (...)” A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/08/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO CRÉDITO EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEPÓSITOS JUDICIAIS MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. A ocorrência do fato gerador do tributo faz surgir não só a obrigação, mas também o crédito tributário. Uma vez existente o crédito, para tornálo exigível, cabe ao Fisco efetuar o lançamento tributário, nos moldes do art. 142, do Código Tributário Nacional. Nos casos em que houver depósito judicial, a legislação tributária não veda o lançamento de ofício, apenas exige que seja sem imposição da penalidade pecuniária, conforme o disposto no art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, mormente quando o valor total dos depósitos não é suficiente para quitar os créditos tributários. AÇÃO JUDICIAL CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 604 7 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (efls. 576 a 596), o recorrente repisa as mesmas argumentações constantes de sua peça impugnatória. Requer que sejam anuladas as exigências fiscais e, subsidiariamente, que os cálculos considerem quaisquer valores pagos a maior. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Súmula nº 01 deste CARF é nítida em consagrar o princípio da inafastabilidade da jurisdição (ou da jurisdição una), insculpido no texto constitucional, em seu art 5o., inciso XXXV, rejeitando, destarte, a antieconomicidade e ineficiência do instituto da concomitância, tendo supedâneo, ainda, em vasta jurisprudência administrativa prévia sobre o tema, estabelecendo: Súmula CARF nº 01: importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Verifico, a propósito, para o caso em questão, que a discussão acerca do regime de tributação aplicável aos juros ou atualização monetária (como denominado pelo recorrente), que incidiu sobre a parcela recebida pelo contribuinte no anocalendário de 2010, decorrente da venda de ações ordinárias de emissão de Vicunha Steel é objeto tanto da Ação Cautelar de Depósito 2009.61.00.0138476 como da Ação Declaratória 2009.61.00.0162120, conforme indicam as peças extraídas dos processos judiciais às efls. 61 a 79 e 130 a 165. Faço notar, a propósito, que a decisão judicial às efls. 160 a 162, apreciando pedido de reconsideração da Fazenda Nacional da decisão liminar de efls. 62/63 entendeu, com base em jurisprudência oriunda do STJ, que “o requerido pela Fazenda Nacional fazse prescindível, vez que a autora ao efetuar o depósito visando suspender sua exigibilidade, constituiu "ipso facto” o crédito tributário”. Entretanto, reformando a decisão liminar citada, concluiu que “não existe na decisão o que impeça a Fazenda Nacional de lançar os correspondentes créditos tributários, pois não está a isso desautorizada”, assim não havendo, no caso sob análise, que se falar em óbice judicial ao lançamento efetuado. Porém, uma vez caracterizada a concomitância entre as instâncias administrativas e judicial, só resta à Administração se curvar à decisão definitiva emanada do Poder Judiciário, não cabendo, assim, qualquer análise relativa a quaisquer pleitos recursais do Fl. 604DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.723103/201211 Acórdão n.º 2101002.662 S2C1T1 Fl. 605 8 contribuinte em sede administrativa, uma vez que, na forma muito bem delineada pelo contribuinte, com supedâneo no art. 38, parágrafo único da Lei no 6.830, de 22 de setembro de 1980, fica configurada nesta hipótese a desistência do contribuinte da presente via. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, caracterizada assim a desistência do contribuinte da via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 605DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000690/2007-67
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/01/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatado o registro de empregados em livro próprio, sem a apresentação de outros documentos por parte do contribuinte, correta a autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.910
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/01/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatado o registro de empregados em livro próprio, sem a apresentação de outros documentos por parte do contribuinte, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Constatado o registro de empregados em livro próprio, sem a apresentação de outros documentos por parte do contribuinte, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 06 90 /2 00 7- 67 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000690/200767 Acórdão n.º 2803003.910 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000690/200767 Acórdão n.º 2803003.910 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados, apurados em razão do respectivo registro nos livros próprios. O r. acórdão – fls 55 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Ocorre que a empresa esta com sua atividade paralisada desde 2003, assim data vênia os lançamentos do ano de 2005/2006, são totalmente indevidos. · A recorrente deixou de apresentar as guias negativas referente ao período sem empregado, por não possuir o mínimo necessário para manter a mensalidade junto ao escritório que realizava a contabilidade. · Por outro lado, não houve nenhuma constituição do credito previdenciário, assim a multa no valor de R$ 8.327,86 é totalmente indevida, pois como já dito acima, não houve nenhuma contribuição no mencionado período. · Requer o provimento do recurso com o julgamento improcedente do auto lavrado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000690/200767 Acórdão n.º 2803003.910 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que consta dos autos, temos que o contribuinte foi autuado por não recolher as contribuições previdenciárias referentes a empregados que estão nos livros de registro de empregados Wilson Fascina, Fernando A. Dias, Valdomiro Dario Rinaldi e Paulo Henrique Dias. Não apresentou documentos requisitados, como GFIP e folhas de pagamento. Na sua defesa alegou apenas que não estava em atividade no período, sem apresentar nenhum documento, como rescisão dos empregados, livros contábeis, GFIP de encerramento de atividade, etc... As peças impugnatórias traz relevante contradição, pois a defesa informa que as atividades foram paralisadas em janeiro de 2005, já o recurso informa que foram paralisadas "desde 2003". Tudo sem a devida comprovação documental. Na peça recursal apresentada, a recorrente não trouxe elementos que desconstituísse a r.decisão ou que demonstrasse a paralisação das atividades da empresa no período da autuação. Assim sendo, demonstrado o devido registros dos empregados em livro próprio, aliado à falta de entrega da documentação requerida pela fiscalização, tenho como procedente a atuação lavrada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17460.000690/200767 Acórdão n.º 2803003.910 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17515.000837/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/04/2006
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, configura renúncia às instâncias administrativas.
Numero da decisão: 3201-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, configura renúncia às instâncias administrativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 08 37 /2 00 8- 17 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 17515.000837/200817 Acórdão n.º 3201001.807 S3C2T1 Fl. 166 2 O presente processo referese aos autos de infração de fls. 27/40, lavrados para as exigências de Cofins e PIS/PASEP, acrescidos de juros de mora, totalizando um crédito tributário no valor de R$60.270,80. Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI n.° 06/04593184 em 24/04/2006, sem o recolhimento de PIS e Cofins tendo em vista a obtenção de liminar nos autos do mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211 que suspendia a exigibilidade dos tributos. Posteriormente, em reexame necessário, o Juízo Federal da 1ª Vara Federal de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto à base de calculo dos tributos questionados, determinando que fossem calculados tendo como base de cálculo somente o valor aduaneiro como definido pelo Acordo GATT, Regulamento Aduaneiro e CTN. Desta forma a fiscalização lançou no presente auto de infração os valores devidos conforme a determinação judicial, sem exigibilidade suspensa, sendo que a diferença entre este valor e o devido conforme a Lei n.° 10.865/2004 foi lançada em outro auto de infração, protocolado sob n.° 17515.001099/200825, com exigibilidade suspensa. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 49/74, alegando o que segue: 1 A autoridade não poderia instaurar qualquer procedimento fiscal dada a suspensão da exigibilidade dos tributos por força de decisão judicial, nos termos do art. 62, do Decreto n.° 70.235/72. Também não podem ser cobradas multa ou penalidade administrativa. 2 Não há indicação especifica do dispositivo infringido e por isso é nulo o auto de infração. 3 A exigibilidade das contribuições só poderia se iniciar após a decisão judicial definitiva favorável ao fisco. Não se trata de renúncia à via administrativa. A fiscalização lavrou o auto de infração, obrigando a interessada a promover a impugnação, sob pena de prescrever o direito de defesa administrativa. 4 E necessário o sobrestamento do presente processo, administrativo .até que haja uma decisão judicial transitada em julgado. 5 Não havendo renúncia à via administrativa, há que ser apreciada a presente impugnação, sob pena de ocorrência de cerceamento de defesa. 6 No mérito traz argumentos quanto a) A inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência do PisImportação e Cofins Importação, notadamente na importação de equipamentos destinados à manutenção e recuperação da saúde do cidadão brasileiro; b) à ofensa aos princípios constitucionais da Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 17515.000837/200817 Acórdão n.º 3201001.807 S3C2T1 Fl. 167 3 capacidade contributiva e da vedação da cobrança de tributos com efeitos confiscatórios; c) A inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865/2004, havendo necessidade de regulamentação das novas contribuições por lei complementar e ofensa ao principio constitucional da isonomia em matéria tributável; d) à inconstitucionalidade da correção da base de cálculo das contribuições para incluir o ICMS e a própria contribuição. 7 A impugnante agiu dentro da estrita legalidade e por isso não pode ser punida com o auto de infração. Requer, então, sejam acatadas as preliminares arguidas para anular o auto de infração; 6 Por estas razões deve ser julgado improcedente o no auto de infração. Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Afirma ainda que, como o processo judicial está sobrestado nos termos do STF, este PAF deveria ser suspenso nos termos do art. 62A, §1° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ataca a decisão recorrida, afirmando ser necessária a apreciação das razões de recurso sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Aduz que, em que pese a existência de medida judicial em trâmite, devem ser analisadas as razões recursais em todos os seus termos, sendo inaplicável o ato declaratório normativo Cosit n° 03/1996 por não se tratar de renúncia à via administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração em que se exige a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de mercadoria (DI nº 06/04593184. A recorrente havia ingressado com ação judicial (mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211) contra a exigência dos tributos, tendo obtido liminar suspensiva da exigibilidade destes, confirmada por sentença. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 17515.000837/200817 Acórdão n.º 3201001.807 S3C2T1 Fl. 168 4 Posteriormente, no exame da apelação, o TRF da 4ª Região alterou esta decisão, decidindo pela inexigibilidade de apenas parte dos tributos incidentes sobre a importação, posto declarar a inconstitucionalidade apenas da alteração da base de cálculo das contribuições, determinando que as mesmas fossem calculadas nos termos da definição de valor aduaneiro constantes no Acordo GATT. Em decorrência desta decisão, as exigências tributárias foram constituídas por meio de dois processos administrativos distintos, um deles no qual se exige somente os valores calculados com base na decisão judicial com a suspensão de exigibilidade, e o presente processo, que abrange os valores sem direito a suspensão de sua exigibilidade. Neste ponto, esclarecese que a identidade entre as demandas administrativa e judicial pode ensejar no proferimento de decisões divergentes sobre o mesmo objeto. O nosso sistema constitucional, contudo, adota um modelo de jurisdição no qual as decisões judiciais são soberanas, de forma que a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser modificada por decisão em processo administrativo. Visando a evitar que uma decisão administrativa se sobreponha a uma decisão judicial, a Lei nº 6.830/80, em seu artigo 38, § único, determinou que “A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. Desta forma, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária, o mesmo renuncia ao poder de recorrer na instância administrativa. Observase, todavia, que o impedimento de recorrer na via administrativa restringese à matéria em discussão na ação judicial, mantendo o contribuinte o direito de recorrer em relação à matéria diferenciada. Tal entendimento já se encontra sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dito isto, mostrase correta a decisão recorrida em não enfrentar as questões submetidas ao Poder Judiciário, inexistindo qualquer vício neste posicionamento. Este entendimento, inclusive, é aplicado também na presente decisão, de forma que todas as questões relacionados ao mérito, e que estão submetidas ao crivo do Poder Judiciário, não serão conhecidas por este colegiado. Em relação ao pedido de sobrestamento do presente julgamento, esclareço a recorrente que os §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF foram revogados pela Portaria MF nº 545/2013, de forma que, atualmente, inexiste previsão na legislação tributária que ampare o pleito. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 17515.000837/200817 Acórdão n.º 3201001.807 S3C2T1 Fl. 169 5 Assim sendo, diante da falta de previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, deve ser indeferido o pleito da recorrente. No que tange a alegada impossibilidade de proceder ao lançamento das exigências em dois processos distintos, inicialmente se esclarece que inexiste qualquer óbice legal quanto ao procedimento adotado pela fiscalização. Verificase ainda que o desmembramento da exigência em dois processos decorre da decisão judicial vigente à época do lançamento, que concedia direito a recorrente apenas em relação a uma parcela dos valores que incidiriam sobre a importação da mercadoria. Desta forma, não se constata a presença do vício apontado pela recorrente. A recorrente contesta ainda a forma como foram indicados os dispositivos legais infringidos, por falta de indicação específica, de forma que restaria cerceado seu direito de defesa. Observase, contudo, que todos os dispositivos legais indicados no auto de infração, de fato, dizem respeito a exigência fiscal. Verificase ainda, da leitura do presente recurso voluntário, que a recorrente não só teve conhecimento e compreendeu a abrangência da autuação como se defendeu devidamente da exigência fiscal, de forma que não se constata qualquer prejuízo ao seu direito ao contraditório e a ampla defesa. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário em relação às questões abarcadas na ação judicial e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 19647.007173/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a desconstituição de lançamentos referente à lançamentos de PIS e COFINS. Já o Mandado de Segurança nº 9322505, refere-se a discussão acerca da cobrança do PIS e da COFINS, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98.
MULTA ISOLADA. EVIDENTE INTUÍTO DE FRAUDE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir todas as multas de ofício lançadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício do auto de infração cujo crédito está com a exigibilidade suspensa. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Antonio Elmo Gomes Queiroz - OAB/PE 23878.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator designado.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a desconstituição de lançamentos referente à lançamentos de PIS e COFINS. Já o Mandado de Segurança nº 9322505, referese a discussão acerca da cobrança do PIS e da COFINS, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98. MULTA ISOLADA. EVIDENTE INTUÍTO DE FRAUDE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir todas as multas de ofício lançadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício do auto de infração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 71 73 /2 00 6- 85 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 11 2 cujo crédito está com a exigibilidade suspensa. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Antonio Elmo Gomes Queiroz OAB/PE 23878. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator designado. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório: Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04/07 COFINS, 12/14 — COFINS Exigibilidade Suspensa, 20/23 PIS e 28/30 PIS Exigibilidade Suspensa. De acordo com a autuante, os Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23 são decorrentes das insuficiências de recolhimentos e de registros a menor nas DCTF das mencionadas contribuições, conforme relatado as fls. 06/07 e 22/23 e no Relatório da Ação Fiscal de fls. 37/42, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro a dezembro de 2003: Valores em Real Crédito Tributário COFINS PIS Contribuição 1.008.040,95 126.991,56 Juros de Mora 495.504,38 66.739,11 Multa proporcional 1.512.061,38 190.487,33 TOTAL 3.015.606,71 384.218,00 Os Autos de Infração, de fls. 12/14 e 28/30 são decorrentes das faltas de recolhimentos e de registros nas DCTF das mencionadas contribuições, referentes às Outras Receitas Operacionais, cujos créditos tributários apurados foram lançados com a exigibilidade Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 12 3 suspensa por força do Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 93225 do TRF 5a Região, conforme relatado As fls. 13/14 e 29/30 e no Relatório da Ação Fiscal de fls. 37/42, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro a março, maio, julho, novembro e dezembro de 2003: Valores em Real Crédito Tributário COFINS PIS Contribuição 6.100,45 3.355,28 Juros de Mora 2.994,49 1.646,97 Multa proporcional 9.150,65 5.032,90 TOTAL 18.245,59 10.035,15 Inconformada com as autuações, a contribuinte apresentou as impugnações de fls. 265/281 e 302/309, as quais anexou as fls. 282/301 e 310/335. Relativamente aos referidos Autos de Infração da COFINS (fls. 265/281): requer seja a referida impugnação acolhida em todos os seus termos, no sentido de serem declarados nulos os referidos lançamentos, assim também seja reconhecida a ilegalidade das cominações e multas, notadamente as agravadas, aplicada em decorrência do respectivo MPF, nos Autos de Infração referentes a COFINS de fls. 04 e 12, e apresenta, em síntese, as seguintes alegações: Das Considerações Jurídicas — Da Ilegalidade de Imposição de Multa Agravada no Presente Caso: quanto à parcela com exigibilidade suspensa, é inconsistente não enquadrá la no art. 151 do CTN, sob o argumento de que a previsão é apenas para medida liminar ou tutela antecipada. Ora, no caso em tela temse, como reconhecem os próprios auditores (fl. 38), Acórdão do TRF da 5a Região, proferido em sede de Apelação, concedendo a segurança requestada. Ressai, pois, que a decisão de que é detentora a Impugnante é mais que liminar ou antecipação; obviamente, não se justifica, portanto, a cominação de qualquer multa, muito menos a multa agravada como quer o Fisco; em nenhum momento a Impugnante tentou burlar ou manipular artificiosamente, formal ou materialmente, os dados ou documentos postos disposição da fiscalização. Soa inverossímil que uma empresa se disponha a ludibriar intencionalmente o fisco federal, mas, em um momento de ingenuidade, proceda escrituração correta dos efetivos valores e remeta os dados verdadeiros ao fisco estadual. Na realidade, inexatidões acontecem a todo momento e nem por isto devese presumir o excepcionável, o extravagante ou intenções fraudulentas; todos estão passíveis de errar, inclusive no próprio trabalho desenvolvido pelos Auditores Fiscais, quando trataram da COFINS com exigibilidade suspensa, bem como do PIS, referindose a omissões de informações durante doze meses quando s6 listaram fatos geradores em sete meses; Das Supostas Diferenças Encontradas e Lançadas de Oficio: a Impugnante, de fato, em algum momento se equivocou nos seus registros e está selecionando uma empresa independente para auditar todas as suas contas. Para chegar à verdade material deve ser concedido um prazo para a Impugnante apresentar os resultados que serão produzidos pelos Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 13 4 assistentes técnicos. Aliás, a ação fiscal ainda deve receber subsídios pelo processo judicial em Mandado de Segurança; é imperioso que a administração reconheça que parcelas utilizadas como base de cálculo das referidas contribuições estão eivadas de inconstitucionalidades, já reconhecidas na jurisprudência do STF. Na impugnação aos referidos Autos de Infração da COFINS, são inseridos textos da legislação, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial, sobre o assunto abordado. Relativamente aos referidos Autos de Infração do PIS (fls. 302/309): requer sejam declaradas nulas todas as cominações e multas, notadamente as agravadas, aplicadas em decorrência do respectivo MPF, nos Autos de Infração referentes ao PIS de fls. 20 e 28, e apresenta, em síntese, as seguintes alegações: Das Considerações Jurídicas — Da Ilegalidade de Imposição de Multa Agravada no Presente Caso: repete as alegações anteriormente já resumidamente relatadas, iniciando com a afirmação de que convém destacar que causa estranheza e inconformismo à Impugnante a imposição de multa agravada em todos os lançamentos; Das Supostas Diferenças Encontradas e Lançadas de Oficio: a Impugnante, de fato, em algum momento se equivocou nos seus registros. Portanto, uma reconferência precisa ser feita em todos os dados e etapas; declara que aceita parte das cominações lançadas contra o PIS, que tem créditos para compensar e julga dever fazêlo agora. Então, afirma que junta as declarações de compensação em que alude ao referido débito do PIS, e que somente continua a impugnálo no que pertine a multa agravada de 150%, para a mesma ser rebaixada para 75%. Por último, afirma que "quanto aos valores elencados na Declaração de Compensação ora anexada, a Impugnante informa que o mesmo se encontra extinto, • sob condição resolutória de posterior homologação, nos termos do disposto no art. 74, §2°, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 26, §2°, da IN SRF 600/2005. Na impugnação aos referidos Autos de Infração do PIS, são inseridos textos da legislação e da jurisprudência administrativa, sobre o assunto abordado. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer em parte as impugnações. Intimada do acórdão em 18.06.2007, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 17.07.2007. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. 1. Processo administrativo fiscal. Concomitância entre processos administrativos. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 14 5 A Recorrente alega que inexiste concomitância entre os presentes autos e o Mandado de segurança nº 93225, em trâmite perante o TRF 5ª Região. Entendo assistir razão ao Recorrente. Nos termos do Ato Declaratório COSIT nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, a propositura de qualquer ação judicial pelo contribuinte, importa em renúncia à instância administrativa. Não pode ser diferente, pois uma vez transitada em julgado à decisão judicial deve ser cumprida pela autoridade fiscal, sobrepondose àquilo que eventualmente já havia sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Nosso sistema jurídico não comporta que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial, Porque, conforme exposto, uma vez que o monopólio da função jurisdicional do Estado é exercido através do Poder Judiciário, o processo administrativo nesses casos perde sua função. Consequentemente, o ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazêlo pela via administrativa. Alberto Xavier, em “Do Lançamento – Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário” – Forense1999, expõe: “O que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios administrativos e jurisdicionais de impugnação: como a opção por uns ou outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea. O principal da não cumulação opera sempre em benefício do processo judicial: a propositura do processo judicial determina “ex lege” a extinção do processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação administrativa na pendência de processo judicial conduz a declaração de inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ao de desistência expressa do processo judicial pelo particular” Tecidos tais esclarecimentos, passemos à análise dos fatos. Conforme consta nos autos, fls. 69/72, o Recorrente discute nos autos do Mandado de Segurança nº 93225, em trâmite perante o TRF 5ª Região a cobrança do PIS e da COFINS pela base de cálculo e da alíquota alteradas pela Lei nº 9.718/98. Assim, resta evidenciado que o presente processo administrativo, em parte guarda relação com o processo judicial em referência, e em parte não guarda. Quanto ao lançamento das outras receitas operacionais, o guarda pois que ainda não há nos autos evidência de resolução da lide, e o objeto é concomitante. Pelo exposto, entendo que não devo conhecer dessa parte do Processo quanto ao valor principal, especificamente quanto ao auto de infração de fls. 12 a 14 e 28 a 30, lançamentos com exigibilidade suspensa por referiremse ao alargamento da base do PIS e da COFINS, mas devo referirme quanto à multa agravada, o que o farei em seqüência. Quanto aos demais valores, entendo que não existe concomitância, e passarei a apreciar o mérito. 1. Auto de Infração das fls.12 a 14 e 28 a 30. Da multa qualificada Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 15 6 Alega a Recorrente que através do auto de infração, ora combatido, dentre outros, foilhe imputado multa agravada de 150%, sob a alegação de que ela teria deixado de recolher os tributos devidos à Fazenda Nacional com o intuito de sonegação. Outrossim, alega que não é o caso de nenhuma figura caracterizadora de multa qualificada. Assiste razão à Recorrente. Conforme já julgado, diversas vezes pelo CARF, para que seja aplicada a multa qualificada, deve restar caracterizado o intuito de fraude, dolo, simulação, através de usos de subterfúgios pela Recorrente, com o intuito de esconder da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador de determinado tributo. Todavia, não vislumbro no presente caso, a presença de quaisquer desses atos, eventual dolo, fraude, ou simulação, uma vez que a Recorrente em nenhum momento obstaculizou a fiscalização, pelo contrário, ao ser fiscalizada sempre apresentou seus livros fiscais, devidamente escriturados, sem qualquer restrição, do período fiscalizado. Assim, não considero a conduta do contribuinte dolosa, no sentido adotado pela autoridade lançadora, de suposta tentativa de ludibriála. Entendo que para ser caracterizada a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização, seria necessária a demonstração de clara e inequívoca evidência de intenção, por parte da contribuinte de fraudar ou sonegar valores junto ao Fisco. Ademais, se o próprio lançamento fora elaborado sobre base de cálculo específica concernente ao alargamento da base discutido no Judiciário, em verdade não caberia qualquer multa de ofício. Nesse sentido afirma a decisão a quo: Inicialmente, cumpre esclarecer que para os Autos de Infração de fls. 12/14 e 28/30, referentes As Outras Receitas Operacionais da impugnante, cujos créditos tributários apurados foram lançados com a exigibilidade suspensa, não se trata de caso de "nulidade", já que a autuação foi procedida conforme as formalidades legais exigidas, com ênfase no cumprimento do disposto no Decreto n° 70.235/1972 e alterações posteriores, diploma legal norteador do Processo Administrativo Fiscal, e que, nos casos subjudice, quando constatado que a contribuinte não efetuou ou não vem efetuando a totalidade dos pagamentos dos valores questionados judicialmente,a autoridade fiscal deverá adotar todas as providências necessárias, no seu dever de oficio, para a imediata constituição do crédito tributário, através do lançamento, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. Por isso, entendo inadequada a aplicação da multa. 2. Do lançamento de ofício Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23 De acordo com a decisão a quo: Nos Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23 a base de cálculo é relativa As receitas de vendas e os lançamentos são decorrentes das insuficiências de recolhimentos e de registros a menor nas DCTF das contribuições COFINS e PIS; e nos Autos de Infração, de fls. 12/14 e 28/30 os valores apurados para a base Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 16 7 de cálculo são as Outras Receitas Operacionais e os créditos tributários apurados foram lançados com a exigibilidade suspensa, por força do Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 93225 do TRF 5a Região. Quanto aos lançamentos relativos às Outras Receitas Operacionais,conforme a Lei n° 9.718/1998, é assunto tratado no referido mandado de segurança (alterações na base de cálculo anterior), e os argumentos de defesa sobre a inconstitucionalidade da referida lei, além de ser vedado o julgamento administrativo sobre constitucionalidade de lei, se referem a fatos que dependerão de julgamento judicial. Nesse caso, portanto, lançados valores relativos à infrações cometidas pelo contribuinte que não estão abarcadas pela Ação Judicial. Verifico dos autos que a defesa do contribuinte referese a exclusivamente contestar a sua validade, inclusive com base na concomitância, inexistindo produção de provas eventualmente pela adequação da sua base de cálculo adotada. No caso, entendo inexistir também a concomitância, e considero válido o lançamento e a multa agravada aplicada, pois que houve reiterada declaração e pagamento de valores a menor, por supostamente estarem abarcados em ação judicial cujo objeto era distinto da base de cálculo normal dos tributos. 3. Da alegação de inconstitucionalidade. Não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário Nesse particular, não conheço do Recurso Voluntário e, negolhe provimento. 4. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de reformar a decisão a quo, apenas para eliminar a aplicação da multa agravada de 150% sobre os valores relativos a outras receitas, lançados em paralelo ao curso da Ação Judicial, mantendo no mais a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 17 8 Conselheiro Alexandre Gomes . Ousei discordar parcialmente do voto exarado pelo nobre relator na parte em que este manteve a multa majorada de 150% por entender que não houve a materialização da conduta exigida pela norma legal instituidora da multa aplicada. A decisão recorrida assim explicitou os fundamentos de aplicação da multa agravada: Nos Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23 a base de cálculo é relativa As receitas de vendas e os lançamentos são decorrentes das insuficiências de recolhimentos e de registros a menor nas DCTF das contribuições COFINS e PIS; e nos Autos de Infração, de fls. 12/14 e 28/30 os valores apurados para a base de cálculo são as Outras Receitas Operacionais e os créditos tributários apurados foram lançados com a exigibilidade suspensa, por força do Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 93225 do TRF 5a Região. Quanto aos lançamentos relativos às Outras Receitas Operacionais,conforme a Lei n° 9.718/1998, é assunto tratado no referido mandado de segurança (alterações na base de cálculo anterior), e os argumentos de defesa sobre a inconstitucionalidade da referida lei, além de ser vedado o julgamento administrativo sobre constitucionalidade de lei, se referem a fatos que dependerão de julgamento judicial. O Art. 44 da Lei 9.430/96 tinha a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (…) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A partir da legislação acima transcrita, verifico que a aplicação da pena prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96 depende, clara e inequivocamente, da comprovação de que houve o “evidente intuito de fraude”. Por isto é indispensável que a autoridade fiscal apresente esta prova. A este respeito, trazemos à baila importante ensinamento do renomado jurista Marco Aurélio Greco2, que assim trata o assunto: “À vista disso, entendo, neste ponto específico, que, pelo caráter absolutamente excepcional da previsão , os pressupostos de incidência da norma punitiva do inciso II (sem aqui examinar os Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 18 9 relativos ao inciso I) devem ser fatos cuja qualificação jurídica deve ser incontroversa e resultar de aferição objetiva; vale dizer, desprovida de ponderações subjetivas ou de elementos metajurídicos. Em suma, havendo divergência relevante (dúvida razoável) quanto à cognição da qualificação jurídica dois fatos realizados, não cabe, a meu ver, aplicação do inciso II do artigo 44 da Lei no 9.430/96.” Nosso Conselho de Contribuintes vem, a muito, decidindo neste sentido, senão vejamos: MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado no 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude.IRPF DECADÊNCIA Não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4o do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (SEXTA CÂMARA – Recurso Voluntário no 150595 Relator Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Acórdão n.10616089 ) Como se observa, tanto a doutrina como a jurisprudência dos conselhos tratam o inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, como aplicável somente em casos em que claramente se buscou enganar, ludibriar ou retardar a atividade fiscalizatória da Receita Federal. Reforça tal entendimento as lições de Marco Aurélio Greco para quem a aplicação da multa majorada, e a “exceção da exceção”, e, portanto, só seria aplicável “em hipóteses absolutamente nítidas que não envolvam avaliações subjetivas e cujos fatos tenham sua qualificação jurídica incontroversa”. No presente processo cumprenos ressaltar que todos os créditos cobrados decorreram dos valores lançados nos livros fiscais da Recorrente A matéria encontra respaldo inclusive em súmula do CARF, senão vejamos: Súmula CARF no 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, forte nos argumentos acima expostos entendo por bem reduzir também as multas agravadas que acabaram por ser mantidas pelo relator originário em seu voto. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 3302002.336 S3C3T2 Fl. 19 10 Neste sentido, os lançamentos de fls. 04/07 e 20/23 efetuados devem sofrer apenas a incidência da multa de oficio de 75%. É como voto. (assiando digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15374.901489/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 01 48 9/ 20 08 -2 3 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.901489/200823 Resolução nº 3801000.852 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica, cujo crédito informado referese a pagamento indevido ou a maior, a título de Contribuição para o PIS, atinente ao período de apuração 31/10/2000, com débito da responsabilidade da contribuinte. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, o Delegado da DERAT Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada, a Interessada ingressou, com a manifestação de inconformidade acompanhada da documentação na qual alega, em síntese, que: 1.Transmitiu DCOMP em 27/11/2003 indicando como crédito o DARF de PISFaturamento (código 8109), recolhido em 14/11/2000, no valor de R$ 2.187,84; 2.Em 12/08/2004, transmitiu DCTF Retificadora relativa ao quarto trimestre de 2000, onde atribuiu ao DARF acima citado utilização integral na extinção do débito de contribuição social, do período de apuração 31/10/2000; 3.Em 29/05/2008, transmitiu nova DCTF Retificadora, na qual informou que o débito de PIS, período de apuração outubro/2000, havia em parte sido extinto com citado DARF, apenas no valor de R$ 857,69, portanto, havia saldo do DARF pago indevidamente; 4.Juntou cópia do diário de fls. 30/35 e razão 36/37 que confirmam o pagamento indevido. No fim, a contribuinte efetuou o pedido: a) acolhimento dos argumentos de mérito, e a declaração de insubsistência do Despacho Decisório; b) reconhecimento do direito creditório de pagamento indevido; c) homologação da compensação; d) abstenção da cobrança do débito extinto nesta declaração de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.901489/200823 Resolução nº 3801000.852 S3TE01 Fl. 128 3 Data do fato gerador: 14/11/2000 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e juntando documentação comprobatória. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.901489/200823 Resolução nº 3801000.852 S3TE01 Fl. 129 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS que teria sido pago a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam parcialmente vinculados a débitos já declarados. Diante da insuficiência do crédito, a compensação declarada foi parcialmente homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Segundo a recorrente, houve um pagamento a maior de PISFaturamento, período de apuração de outubro/2000, pois do DARF recolhido em 14/11/2000, no montante de R$ 2.187,84, teria sido utilizado apenas o valor de R$ 857,69, gerando um crédito de R$ 1.328,87. O valor efetivamente devido e apurado do PIS teria sido declarado na DCTF retificadora do 4° trimestre/2000, transmitida em 29/05/2008, conforme consta à fl. 113. A recorrente juntou ainda cópias das fls. dos livros Diário e Razão com os valores recolhidos a maior. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.901489/200823 Resolução nº 3801000.852 S3TE01 Fl. 130 5 compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto do PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), período de apuração de outubro/2000, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil e a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior ; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13805.003575/96-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/11/1991 a 31/03/1992
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Não cabe a cobrança de multa de ofício no lançamento de crédito tributário com exigibilidade suspensa por medida judicial.
FINSOCIAL. BENEFÍCIO FISCAL. ANISTIA.
O inciso III do §1° do art. 17 da Lei 9.779/99 e alterações posteriores prescreve que o contribuinte poderá efetuar o pagamento do tributo, sem o acréscimo da multa e dos juros de mora, com relação aos fatos que forem objeto dos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, não havendo qualquer menção do legislador sobre a necessidade de existência de processo judicial em curso.
Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (a) negar provimento do Recurso de Ofício; (b) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar integral provimento.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INCIDÊNCIA Recorrente BANCO FINASA DE INVESTIMENTO S/A. (incorporado pelo BANCO ALVORADA S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/11/1991 a 31/03/1992 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Não cabe a cobrança de multa de ofício no lançamento de crédito tributário com exigibilidade suspensa por medida judicial. FINSOCIAL. BENEFÍCIO FISCAL. ANISTIA. O inciso III do §1° do art. 17 da Lei 9.779/99 e alterações posteriores prescreve que o contribuinte poderá efetuar o pagamento do tributo, sem o acréscimo da multa e dos juros de mora, com relação aos fatos que forem objeto dos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, não havendo qualquer menção do legislador sobre a necessidade de existência de processo judicial em curso. Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (a) negar provimento do Recurso de Ofício; (b) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar integral provimento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 35 75 /9 6- 86 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (efls. 11/ss), para a cobrança do FINSOCIAL, multa de ofício e juros de mora, constituído com a exigibilidade suspensa em decorrência da existência de ações judiciais (Medida Cautelar Inominada nº91.7315090 e Ação Ordinária Declaratória nº 91.7422687), onde o contribuinte discute a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição à alíquota superior à 0,5%. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da Resolução nº 3011936, de 28/02/2008, elaborado pelo ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari, verbis: Relatório Em exame o recurso de oficio interposto contra a decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, em processo de exigência de Finsocial na quantia de 858.866,97 Ufir, cujo lançamento, acrescido de multa e de juros de mora, foi formalizado pelo Fisco objetivando evitar a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, tendo em vista que a referida contribuição estava sendo discutida judicialmente. A respeito, adoto o relatório componente do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que transcrevo, verbis: “RELATÓRIO Neste processo a contribuinte impugna o Auto de Infração (AI) lavrado para exigência do crédito tributário de 2.189.090,35 UFIR, relativo à Contribuição para o FINSOCIAL do período de 30/11/1991 a 31/03/1992 (fls. 08 a 14). 2. A base legal utilizada foi o art. 1°, do DecretoLei n° 1.940, de 1982, arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 1986, e art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989. O autuante aplicou a alíquota de 2,0% (dois por cento) e multa de oficio de 100%. 3. Consta na descrição dos fatos, anexo ao AI, que a contribuinte foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição para o FINSOCIAL sobre o faturamento, relativamente ao período de out/1991 a mar/1992. Consta do Termo de fl. 13 que, pelo fato de o contribuinte haver impetrado Ação Judicial processos nºs 91.7315090 e 91.7422687, formalizouse o lançamento para evitar os efeitos da decadência, estando com sua exigibilidade suspensa em respeito a liminar concedida ao contribuinte. 4. Ciente do feito em 14/04/1996, a autuada interpôs impugnação em 08/05/1996 (fls. 18/21), requerendo o cancelamento do AI 5. Em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF nº 1.033, de 27/08/2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13805.003575/9686 Acórdão n.º 3202001.364 S3C2T2 Fl. 417 3 O julgamento de primeira instância foi efetuado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, nos termos do Acórdão DRJ/SDR nº 4.215, de 22/10/2003 (fls. 79/86), cuja ementa dispôs, verbis: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/11/1991 a 31/03/1992 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida a apreciação do Poder Judiciário. PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ALIQUOTAS MAJORADAS. As alíquotas do FINSOCIAL acima de 0,5% foram declaradas inconstitucionais pelo STF somente para as empresas vendedoras de mercadorias, ou mistas, excluindo se, portanto, as empresas prestadoras de serviços. FINSOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. 0 crédito tributário, ainda que questionado e depositado judicialmente, deve ser regularmente constituído de oficio, mediante auto de infração, tendo porém suspensa a sua exigibilidade. MULTA DE OFÍCIO. É incabível a imposição de multa de oficio no caso de lançamento efetuado apenas para formalizar a constituição legal do crédito tributário destinada a prevenir a decadência também quando sua exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso V do artigo 151 do CTN. Lançamento Procedente em Parte" O órgão julgador de primeira instância concluiu pela validade e legitimidade do lançamento de oficio, visto que foi intentado com a finalidade de evitar a decadência e efetuado em estrito cumprimento às normas legais e jurisprudenciais. Quanto à multa de oficio, considerou que o art. 63 da Lei nº 9.430/96 previu o não cabimento dessa penalidade quando a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa na forma do inciso V do art. 151 do CTN, e que o próprio autuante informou que a exigibilidade do crédito estava suspensa. No que respeita à alíquota aplicável, a decisão considerou correto o lançamento efetuado em percentual de 2%, por se tratar de empresa financeira, considerando que o STF declarou inconstitucionais as alíquotas superiores a 0,5% apenas para as empresas vendedoras de mercadorias ou mistas, razão pela qual manteve o lançamento do Finsocial, acrescido de juros de mora, acrescentando que deve ser cumprido o Ato Declaratório Cosit nº 3/96, observandose as certidões de fls. 37 e 52. Vale ressaltar que a ementa referente a essa decisão aponta o não conhecimento da impugnação administrativa, por se tratar de matéria objeto de ação judicial, tendo sido, assim, apontada a concomitância entre os processos administrativo e judicial. Houve interposição de recurso de ofício a este Conselho tendo em vista que o cancelamento parcial da exigência fiscal implicou exclusão de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada de R$ 500.000,00, estabelecido pela Portaria MF n 375/2001. Pleito de anistia Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 De outra parte, consta às fls. 93/101 deste processo manifestação da DEINF/SP, afirmando que tomou conhecimento do pedido de anistia formulado pela interessada nos autos da Medida Cautelar nº 91.007315090 interposto na 17ª Vara Federal de São Paulo (fl. 91) e que verificou que a contribuinte efetuou recolhimentos no valor de R$ 197.396,97, em 26/2/99 (fl. 92), com o objetivo de usufruir dos benefícios previstos no art. 11 da Medida Provisória nº 1.807/99. Apreciando o pleito, a autoridade monocrática entendeu que a interessada não preenche a condição de possuir processo judicial em curso distribuído até 31/12/98, visto que na Certidão de Objeto e Pé emitida em 18/1/2000 (fl. 37) consta a ocorrência do trânsito em julgado da sentença referente ao processo n ° 91.07422687 perante a 17ª Vara Federal de São Paulo. Por isso, não reconheceu o direito ao pagamento dos débitos do Finsocial existentes no processo com os benefícios do art. 17 da Lei n ° 9.779/99 e alterações posteriores, e determinou que fosse dada ciência da decisão a interessada, com abertura de prazo para eventual manifestação de inconformidade. A interessada manifestou sua inconformidade às fls. 132/145, arguindo, em essência, que a condição imposta pelo inciso III do art. 17 da Lei n ° 9.779/99, na redação dada pela MP n° 1.807/99, é que haja o ajuizamento do processo até 31/12/98, e que é ilegal a condição restritiva trazida pelo art. 1 ° da Instrução Normativa SRF n2 26/99 e pela Nota MF/SRF/Cosit/Coope n° 535, de 4/10/99, no sentido de que o beneficio é aplicável aos processos em curso ajuizados até 31/12/99, pois impõe restrição não prevista em lei.Transcreve ementas de acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido (10807315 e 10514357). O julgamento de primeira instância relativo ao pleito foi efetuado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São PauloI, nos termos do Acórdão DRJ/SPOI n° 6.581, de 1º/3/2005 (fls. 151/160), cuja ementa dispôs, verbis: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 30/11/1991, 31/12/91, 31/01/92, 29/2/92, 31/03/92 Ementa: FINSOCIAL BENEFÍCIO FISCAL O beneficio fiscal previsto no art. 17 da Lei 9.779/99 e nos arts. 10 e 11 da Medida Provisória 1.807/99 não é cabível nas hipóteses em que houver trânsito em julgado da decisão antes de 31/12/98. Solicitação indeferida." O pedido foi denegado com base no entendimento idêntico ao utilizado pela DEINF/SP, no sentido de que a dispensa dos acréscimos legais prevista no inciso III do § 1º do art. 17 da lei não abrange situações em que já havia sentença definitiva, como ocorre no caso, o que se constata pela simples leitura do disposto no inciso II do mesmo § 1º que estende o gozo do beneficio "a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária". E que, se abraçada a mesma exegese a que se prende o contribuinte, tais incisos contemplariam tratamentos distintos a uma mesma situação, qual seja, a de que o contribuinte obtivesse decisão definitiva favorável as suas pretensões, visto que na hipótese do inciso III aplicarseia o benefício para todos os fatos geradores alcançados pelo pedido, conforme inciso III do § 2º enquanto que na hipótese do inciso II do §1º o beneficio restringirseia somente aos fatos geradores ocorridos a partir da data de publicação da decisão judicial. Seria um contrasenso, pois trataria de forma desigual uma mesma situação. Quanto às alegações pertinentes ao descabimento da multa de oficio e dos juros de mora, o órgão julgador afirmou que se tratam de matérias que não guardam relação com o beneficio fiscal. E que, além do mais, a multa de oficio já havia sido Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13805.003575/9686 Acórdão n.º 3202001.364 S3C2T2 Fl. 418 5 cancelada pelo Acórdão da DRJ/SDR, quando da apreciação da impugnação ao lançamento. A interessada recorreu às fls. 164/179, utilizandose dos mesmos argumentos anteriores e solicitando reforma da decisão de primeira instancia a fim de que seja reconhecido o direito A anistia concedida pela Lei nº' 9.779/99. É o relatório. Em atendimento ao disposto na Resolução nº 3011936, os autos foram baixados em diligência a fim de que a unidade local da RFB providenciasse a ciência do Acórdão DRJ/SDR nº 4.215, de 22/10/2003 à interessada. A Recorrente tomou ciência e recebeu cópia do Acordão nº DRJ/SDR nº 4.215 em 19/09/2008 (efl. 277/279) e apresentou Recurso Voluntário em 20/10/2008, onde em apertada síntese aduz que: já ocorreu o trânsito em julgado na Ação Ordinária nº 91.07422687, com sentença parcialmente procedente a sua pretensão, no sentido de “declarar inexistente a relação jurídica tributária que a obrigue ao recolhimento do Finsocial em percentual superior a 0,5% no período mencionado na inicial até o início da eficácia da Lei Complementar nº 70 de 30.dez.91”; a parcela efetivamente devida da contribuição social, calculada à alíquota de 0,5%, foi devidamente recolhida pela Recorrente em 26/02/99, com os benefícios da anistia veiculada pelo artigo 17 da Lei nº 9.779/99; atendeu aos requisitos para usufruir dos benefícios da anistia prevista no art. 17, da Lei n° 9.779/99; a Instrução Normativa nº 26/99 e Nota MF/SRF/COSIT/COOPE nº 535, de 04/10/1999, não poderiam criar qualquer ampliação ou restrição à Lei n° 9.779/99, sob pena de violação ao princípio da legalidade; em razão do acórdão proferido pelo TRF/3a Região, deve esse Conselho reformar a decisão ora recorrida para exonerar a integralidade do credito tributário exigido no presente processo, tendo em vista que: (a) a parte efetivamente devida do crédito tributário de Finsocial, que corresponde à 0,5% do faturamento apurado entre novembro de 1991 a março de 1992, foi recolhida pela Recorrente nos termos da anistia veiculada pelo artigo 17 da Lei n° 9.779/99, conforme exposto no recurso voluntário interposto em 09/03/06 e reiterado nessa ocasião; e (b) a diferença do crédito tributário de Finsocial, que corresponde à 1,5% do faturamento, deve ser exonerada em razão do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo TRF/3ª Região, nos termos do artigo 156, inciso X12, do Código Tributário Nacional. é inaplicável a cobrança de juros à taxa Selic por fim, pede que seja dado integral provimento ao recurso, para cancelamento integral do auto de infração. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Três questões serão analisadas neste voto: (i) A discussão sobre a alíquota aplicável (0,5% ou 2%) na incidência da contribuição ao Finsocial; (ii) A multa de ofício cobrada no auto de infração; (iii) A anistia prevista na Lei n° 9.779/99. Pois bem, passemos a primeira delas. Alíquota aplicável (0,5% ou 2%) na incidência da contribuição ao Finsocial Como relatado, a Recorrente impetrou ações judiciais (Medida Cautelar Inominada nº 91.7315090 e Ação Ordinária Declaratória nº 91.7422687) para discutir a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição à alíquota superior a 0,5%, antes da lavratura do auto de infração. O auto de infração inclusive foi lavrado com a exigibilidade suspenda em decorrência deste fato (vide efl. 16). A existência dessas ações judiciais é comprovada pelas Certidões anexadas aos autos às efls. 33 a 34. Segundo informou a interessada em seu Recurso (efl. 286), em 13 de dezembro de 1995 foi proferida sentença julgando parcialmente procedente a Ação Ordinária n° 91.07422687, nos seguintes termos: (...) acolho em parte o pedido inicial, em relação á(s) autora(s) para o fim de declarar inexistente relação jurídico tributária que a(s) obrigue ao recolhimento do Finsocial em percentual superior a 0,5% no período mencionado na inicial até o inicio da eficácia da Lei Complementar n° 70, de 30.dez.91. Afirma ainda, a Recorrente, que a citada ação judicial transitou em julgado em 05/09/97, conforme documento anexado ao Recurso (efl. 401). Portanto, não há dúvida da existência de ações judiciais tratando da discussão sobre a alíquota incidente na cobrança do Finsocial. Logo, nessa parte o Recurso Voluntário não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria e de partes, entre este processo administrativo e o processo judicial objeto de ação judicial impetrado pela Recorrente, devendo ser cumprindo o que foi decidido pelo Poder Judiciário. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF nº 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A multa de ofício cobrada no auto de infração Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13805.003575/9686 Acórdão n.º 3202001.364 S3C2T2 Fl. 419 7 O auto de infração foi lavrado com a multa de ofício, no percentual de 100% (vigente à época), muito embora a exigibilidade estivesse suspensa. A decisão recorrida já havia afastado a incidência desta multa, conforme consta do voto constante do Acórdão DRJ/SDR nº 04.215, de 22/10/2003 (efls. 83/ss). Contudo apresentou Recurso de Ofício em face de o valor desonerado exceder ao limite de alçada daquele órgão, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Não há reparos a fazer na decisão a quo. Como o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência, com a exigibilidade suspensa, aplicável ao caso o dispositivo legal constante do art. 63, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Deste modo, nego provimento ao Recurso de Ofício. A anistia prevista na Lei n° 9.779/99. Passemos, por fim, a discussão relacionada ao cabimento ao caso concreto da anistia prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99 (com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.807/99), que tem a seguinte redação: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1º O disposto neste artigo estendese: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. (...) No Acórdão DRJ – São Paulo nº 06.581, de 01/03/2005 (efls. 155/ss), restou decidido que: “(...) o destinatário da dispensa de acréscimos legais, prevista no regramento suscitado, pelo impugnante é aquele contribuinte que tenha ajuizado uma ação judicial para contestar a exigência de tributo ou contribuição instituídos pela União, e não todo e qualquer sujeito passivo que simplesmente deixe de adimplir regularmente as suas obrigações tributárias. Claro está que o inciso III do §1.° do Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 artigo 17 da Lei no 9.779 não abrange situações em que já havia sentença definitiva, como ocorre, "in casu", o que se constata pela simples leitura do disposto no inciso II do mesmo parágrafo, supra transcrito, que estende o gozo do beneficio "a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária" (destaque da transcrição). Se abraçada a mesma exegese a que se prende o contribuinte, tais incisos contemplariam tratamentos distintos a uma mesma situação, qual seja, a de que o contribuinte obtivesse decisão definitiva favorável às suas pretensões, visto que na hipótese do inciso III aplicarseia o beneficio para todos os fatos geradores alcançados pelo pedido, conforme inciso III do § 2.° do citado art.17; enquanto que na hipótese do inciso II do §1º o beneficio restringirseia somente aos fatos geradores ocorridos a partir da data de publicação da decisão judicial. Um contrasenso, pois, já que trataria de forma desigual uma mesma situação. 16.1. Considerandose o que dispõe o art. 111, I, do CTN, de 1966, e interpretando se o mencionado dispositivo da medida provisória juntamente com o art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, em sua nova redação, c/c art. 1° da IN SRF n° 26, de 1999, é possível concluir que, apesar de ser irrelevante a espécie da ação judicial escolhida, o beneficio somente se aplica aos processos em curso em 31/12/1998. Assim, uma vez que o acórdão proferido na ação ordinária 91.07422687 já havia transitado em julgado em 15/09/97, conforme atesta a certidão de objeto e pé de fls. 37, e que a partir dessa data já era obrigatório o recolhimento do debito, não se vislumbra como se estender o beneficio ao contribuinte. (grifei) O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 26, de 25/02/1999, citado no voto condutor do Acórdão da DRJ – São Paulo, tem a seguinte redação: Art. 1 º O disposto no inciso III do §1 º do art. 17 da Lei n º 9.779, de 1999 , acrescido pelo art. 10 da Medida Provisória n º 1.99114, de 1999, aplicase aos processos judiciais em curso, ajuizados até 31 de dezembro de 1998, ainda que, em relação aos mesmos, não houver sido concedida liminar ou medida cautelar. (grifei) A Recorrente, por sua vez, aduz que o legislador ordinário não mencionou que os processos judiciais deveriam estar em curso quando do pagamento e gozo do benefício fiscal, mas, apenas, que deveriam ter sido ajuizados, ou seja, levados a juízo até 31/12/1998, o que teria ocorrido com todas as ações ajuizadas pelo Recorrente. Isto porque, a ação cautelar 91.07315090 foi distribuída em 13/12/91 e a ação ordinária 91.07422687 foi ajuizada em 19/12/91, de modo que a situação se ajustaria à previsão contida no mencionado art. 17, § 1°, inciso III, da Lei 9.779/99. Assim, a IN SRF nº 26/99, na qualidade de norma complementar da lei (art. 100 do CTN), não poderia criar qualquer ampliação ou restrição, sob pena de violação ao princípio da legalidade. Com razão a Recorrente. De fato, o dispositivo legal insculpido no inciso III, §1°, art. 17 da Lei nº 9.779/99 referiuse, de forma cristalina, “aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998”, sem fazer qualquer menção aos processos judiciais “em curso”. Quem aludiu à expressão “processos judiciais em curso, ajuizados até 31 de dezembro de 1998”, a meu ver, de forma indevida, foi a IN SRF nº 26/99. Todos sabem que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, previstas no art. 100, inciso I do CTN, não têm o condão de criar, restringir ou ampliar direitos dos contribuintes. Apenas a lei strictu sensu pode fazêlos, em homenagem ao princípio da legalidade (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I, ambos da CF/88). Deste modo, é de se concluir que para fluir da anistia fiscal bastava que o contribuinte ajuizasse a sua ação até 31/12/1998, independentemente de estar ou não em “em Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13805.003575/9686 Acórdão n.º 3202001.364 S3C2T2 Fl. 420 9 curso” nessa data. O pressuposto constante do texto legal, na hipótese prevista no inciso III, §1°, do art. 17 (inserido pela MP nº 1.807/99), foi o ingresso em juízo até 31/12/1998, independentemente do término da ação ou de seu trânsito em julgado antes de 31/12/1998. Por conseguinte, entendo que a Recorrente, no caso em tela, faz jus ao benefício da anistia previsto no inciso III, §1°, art. 17 da Lei nº 9.779/99, uma vez que suas ações judiciais foram ajuizadas até 31/12/1998. Conclusão Ante o exposto, voto por: (i) Negar provimento ao Recurso de Ofício apresentado pela DRJ Salvador, mantendo a exclusão da multa de ofício; (ii) Conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar integral provimento, nos seguintes termos: (ii.a) Em relação ao tributo lançado (discussão sobre a alíquota aplicável na incidência do Finsocial), em face da concomitância existente, deve prevalecer a opção efetuada pela via judicial, cumprindose o que lá foi decidido; (ii.b) Excluir a cobrança dos juros de mora, em face do benefício da anistia previsto no inciso III, §1°, art. 17 da Lei nº 9.779/99 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900947/2011-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2005
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 47 /2 01 1- 92 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.900947/201192 Acórdão n.º 3801004.325 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.900947/201192 Acórdão n.º 3801004.325 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.900947/201192 Acórdão n.º 3801004.325 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.900947/201192 Acórdão n.º 3801004.325 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.907606/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 07 60 6/ 20 11 -1 0 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 5 4 atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 6 5 RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 7 6 cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 8 7 médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 9 8 fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 10 9 Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 11 10 necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 12 11 característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907606/201110 Resolução nº 1802000.599 S1TE02 Fl. 13 12 Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10920.907763/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 65 1 64 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.907763/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.816 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 63 /2 01 2- 05 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907763/201205 Acórdão n.º 3803006.816 S3TE03 Fl. 66 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 10 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907763/201205 Acórdão n.º 3803006.816 S3TE03 Fl. 67 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907763/201205 Acórdão n.º 3803006.816 S3TE03 Fl. 68 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em junho de 2006 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 28.641,73 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 10.903,90 (conforme índice de juros de 38,07% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 5.997,14, valor esse muito próximo, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907763/201205 Acórdão n.º 3803006.816 S3TE03 Fl. 69 5 com diferença de apenas R$ 0,43, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 5.997,57). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12448.730690/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. QUESTÃO DE ADMISSIBILIDADE. ARTIGO 27, V, DA LEI Nº 10.522, DE 2002, (INCLUÍDO PELA LEI Nº 12.788, DE 14 DE JANEIRO DE 2013).
A regra é a de que os requisitos de admissibilidade do recurso sejam aferidos quando da interposição deste. No entanto, nos casos em que a Administração, interessada no recurso, edita norma excluindo a necessidade de recurso de ofício nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna, em relação a este ponto, o recurso perde a razão de ser por fato superveniente, no caso a edição do artigo 27, V, da Lei nº 10.522, de 2002, (incluído pela Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013.
RECURSO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO DA MULTA. EXAME DO CASO CONCRETO. RECURSO IMPROVIDO.
Nos casos em que a empresa, por não dispor, deixa de apresentar arquivo magnético, a consequência é a multa prevista no artigo 980 do Regulamento do Imposto de Renda e não o agravamento da multa, cumulada com a sanção do artigo 980 do RIR.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 1402-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. QUESTÃO DE ADMISSIBILIDADE. ARTIGO 27, V, DA LEI Nº 10.522, DE 2002, (INCLUÍDO PELA LEI Nº 12.788, DE 14 DE JANEIRO DE 2013). A regra é a de que os requisitos de admissibilidade do recurso sejam aferidos quando da interposição deste. No entanto, nos casos em que a Administração, interessada no recurso, edita norma excluindo a necessidade de recurso de ofício nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna, em relação a este ponto, o recurso perde a razão de ser por fato superveniente, no caso a edição do artigo 27, V, da Lei nº 10.522, de 2002, (incluído pela Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013. RECURSO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO DA MULTA. EXAME DO CASO CONCRETO. RECURSO IMPROVIDO. Nos casos em que a empresa, por não dispor, deixa de apresentar arquivo magnético, a consequência é a multa prevista no artigo 980 do Regulamento do Imposto de Renda e não o agravamento da multa, cumulada com a sanção do artigo 980 do RIR. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 06 90 /2 01 2- 05 Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.730690/201205 Acórdão n.º 1402001.887 S1C4T2 Fl. 7 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de recurso de ofício que, aplicando o princípio da retroatividade benigna, reduziu a penalidade por descumprimento de obrigação acessória e, quanto às demais questões de mérito, manteve a exigência, afastando, no entanto, o agravamento da multa. Adoto o relatório do acórdão recorrido, no que passo a transcrever: Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 4.149.892,95, fls. 2296, do PIS, R$ 275.476,88, fls. 2309, da COFINS, R$ 1.268.863,41, fls. 2319, e da contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 1.502.601,45, fls. 2329, relativamente ao ano calendário de 2008, acrescidos de penalidade de ofício agravada, 112,5%, e encargos moratórios. A pessoa jurídica autuada foi tributada com base no lucro real trimestral e apresentou a DIPF zerada, apesar de a DIMOF informar elevada movimentação financeira. 1.1. Integrante da exação do imposto de renda foi exigida, também, a penalidade de R$ 3.088.116,54, correspondente a 5% da receita objeto da autuação (R$ 61.720.330,43) por não apresentação de nenhum arquivo magnético relacionado a vendas de mercadorias, nos termos da IN SRF 86/2001, fls. 2301. 2. Fundamentaram os lançamentos dos tributos/contribuições: 2.1. omissão de receitas por manutenção no passivo de obrigações não comprovadas; 2.2. omissão de receitas por não contabilização de depósitos bancários; 2.3. omissão de receitas por não comprovação de origens de depósitos bancários em conta corrente. Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.730690/201205 Acórdão n.º 1402001.887 S1C4T2 Fl. 8 3 3. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 2337/2347: 3.1. parte dos recursos depositados em contas correntes da pessoa jurídica não tiveram suas origens demonstradas; 3.2. não houve comprovação dos empréstimos bancários relacionados basicamente a pagamentos de fornecedores; 3.3. não foi comprovado o motivo do lançamento de ajuste da conta corrente do UNIBANCO, caracterizando crédito bancário sem origem. 3.4. não foram apresentados arquivos magnéticos, caracterizando descumprimento de obrigação acessória. No caso: “A empresa apresentou arquivo magnético contendo a escrituração contábil digital no qual se pautou a esta fiscalização. Naquele mesmo momento solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos demais arquivos, os quais Não foram apresentados até o final da ação fiscal.” 4. Cientificada em 24.08.2012, fls. 2371, a pessoa jurídica acostou aos autos a impugnação de fls. 2378/2413, protocolada em 25.09.2012, através da qual alega: 4.1. em preliminar, da nulidade das autuações por cerceamento do direito de defesa: “visto que durante os trabalhos de fiscalização, a contribuinte jamais se negou a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo entregue espontaneamente os extratos bancários, conforme confessado pelo próprio autuante.” “Houve precipitação do auditor fiscal, tributando os depósitos bancários, impedindo que a autuada apresentasse a documentação necessária, numa atitude clara e insofismável de cerceamento do direito de defesa.” “Para robustecer o nosso argumento do cerceamento do direito de defesa, diversos valores solicitados pela fiscalização e que deveriam ter as suas origens comprovadas, mas simplesmente não constam nos extratos bancários que foram apresentados.” 4.2. Quanto ao mérito: 4.2.1. em relação a depósitos bancários, a jurisprudência administrativa, emanada do Conselho de Contribuintes, e judicial, originária do Superior Tribunal de Justiça, reproduzida nos autos, coíbe o lançamento de tributos baseado em indícios ou presunções. 4.2.1.1. o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96: “a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430.96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.730690/201205 Acórdão n.º 1402001.887 S1C4T2 Fl. 9 4 dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido.” 4.2.1.2. O enfoque do art. 333 do Código Civil Brasileiro, “faz com que o agente da Administração, no ato do lançamento tributário, indique as provas que fundamentam o fato enunciado, o que evidentemente no presente Auto de Infração, não ocorreu houve somente suposição e não prova.” 4.3. A multa agravada, no percentual de 112,5% “é uma aberração fiscal, visto que os depósitos estão lançados no livro Diário e a receita devidamente computada nos livros fiscais. Portanto, não é admissível alegar o descumprimento de prazo, pois os valores não foram omitidos na contabilização.” 4.3.1. Se o Conselho de Contribuintes em diversos casos, elencados na impugnação, afastou a penalidade qualificada, a autoridade administrativa deve observar o princípio da capacidade contributiva e seus desdobramentos na proporcionalidade da punição. Conforme prevê o artigo 620 do Código civil Brasileiro. 4.3.2. O princípio de indelegabilidade e vinculabilidade expressamente previsto no art. 7º e 142 ambos do CTN veda ao ente tributante delegar ao agente fiscal a gradação da multa, que constitui ato vinculado. 4.4. Não foi considerada uma fiscalização anterior, do mesmo ano calendário, quando foi lavrado auto de infração, cujos valores não foram excluídos pela fiscalização ora contestada. 4.5. Na apuração do passivo fictício, os valores levantados pela fiscalização se referem ao acúmulo de anos anteriores, que já foram tributados na fiscalização, que formou o processo nº 16832.000851/200946. A DRJ, por meio do acórdão de fls. entendeu não estar caracterizada situação que justificasse o agravamento da multa e, no que se refere ao descumprimento de obrigação acessória decidiu que "a partir de 27/08/2001, a penalidade em questão, prescrita no artigo 12 da Lei n° 8.218/91, foi limitada a 1% da receita da pessoa jurídica." Intimada, a contribuinte não apresentou recurso, razão pela qual a matéria em questão limitase ao exame do recurso de ofício. É o Relatório. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.730690/201205 Acórdão n.º 1402001.887 S1C4T2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator Nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, nos casos em que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total igual ou superior a R$ 1.000.000,00 a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício. No caso concreto, diante do montante exonerado pela DRJ, merece ser conhecido o recurso de ofício. Segundo consta da fl. 2.298 dos autos, o presente processo decorre das seguintes infrações: a) omissão de receitas por manutenção no passivo de obrigações não comprovadas; b) omissão de receitas por não contabilização de depósitos bancários; c) omissão de receitas por não comprovação de origens de depósitos bancários em conta corrente; d) multa proporcional, no valor de 5% sobre o faturamento, por não apresentação do arquivo magnético. O que está em exame no recurso de ofício é a redução da multa proporcional a 1%, em face da aplicação do princípio da retroatividade benigna e o afastamento da multa agravada. No item 4.4 do TFV (fl. 2.346), diz a autoridade fiscal que "o não atendimento das intimações, conforme relatado acima, enseja o agravamento da multa. Todavia, quando se analisa o relato do termo de verificação fiscal vêse que o agravamento deuse pela não apresentação do arquivo magnético (item 4.3 do TFV fl. 2.346). Ocorre que o critério material de tal infração é a multa prevista no artigo 980 do RIR. Ademais, importante observar que a autoridade fiscal à fl. 2.346, destaca: "no que tange ao arquivo da contabilidade, verificase que a empresa atendeu à intimação apresentando o arquivo no qual se pautou a ação fiscal. Contudo, mesmo tendo apresentado o arquivo da ECD ao fisco, restou claro que não foram apresentados os outros arquivos solicitados com base na IN SRF 86/2001." Quando se examina os termos de intimações, em 13/12/2011 foi solicitado à empresa os arquivos magnéticos de 2008, contendo a escrituração digital e os arquivos magnéticos contendo informações relativas a "fornecedores e clientes, "documentos fiscais e "controle de estoque". A fiscalizada entregou à escrituração contábil e informou estar com dificuldades técnicas, relacionadas à informática, para fornecer dados relacionados a fornecedores, controle de estoque e documentos fiscais". No que se refere aos documentos fiscais, a intimação não especifica quais seriam estes e tampouco a contribuinte questionou,visto que já havia sido apresentado os seguintes documentos: a) Livro Diário; b) Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.730690/201205 Acórdão n.º 1402001.887 S1C4T2 Fl. 11 6 extratos bancários; c) contrato social (fl. 12); d) Livro Razão (fl. 26) e e) CD com escrituração Contábil Digital (fl. 32). Assim, não se vislumbra a necessidade de quaisquer outros documentos para que o lançamento fosse realizado. Nesta linha, tenho que andou bem o acórdão recorrido quando afastou a exigência da multa agravada e reduziu a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, assim fundamentando sua decisão: "9.2. Quanto ao agravamento da penalidade, 112,5%, justificável a alegação impugnatória. Porquanto; "9.2.1. no curso da fiscalização a fiscalizada forneceu os elementos necessários ao procedimento, como o reconhece o próprio fisco. “A empresa apresentou arquivo magnético contendo a escrituração contábil digital no qual se pautou esta fiscalização.” "9.2.2. igualmente, caixas de documentos de extratos bancários que subsidiaram o procedimento fiscal. "10. Quanto à penalidade por descumprimento de obrigação acessória arquivo magnético de vendas de mercadorias, ainda que não litigada, importa observar da legalidade objetiva afeta à matéria: conforme artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835/ 01, a partir de 27/08/2001, a penalidade em questão, prescrita no artigo 12 da Lei n° 8.218/91, foi limitada a 1% da receita da pessoa jurídica. ISSO POSTO, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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