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Numero do processo: 10410.720173/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 73 /2 01 1- 31 Fl. 59190DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59191DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59192DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59193DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59194DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59195DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59196DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660378/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 78 /2 01 2- 02 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001366/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para dirimir a contradição levantada, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhemse os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, darlhes provimento, sem efeitos infringentes, para dirimir a contradição levantada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 66 /2 01 0- 33 Fl. 701DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela DEINFSPO. Afirmase que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o Acórdão nº 1401001.742, incorreu em face do Acórdão nº 1401001.809, de 21 de março de 2017, proferido pela Primeira Turma Ordinária desta Câmara, sob os seguintes fundamentos: a) o acórdão em questão deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por entender que a conta de Reserva de Capital não deve ser excluída para fins de cálculo do limite de pagamento de JCP estipulados pela legislação tributária; b) entretanto, seguindo seu arrazoado, a relatora colaciona, logo abaixo, trecho de ementa do Acórdão nº 1401001.742, de 05/10/2016, que também foi reproduzido na ementa do próprio acórdão embargado, que contradiz o que acabara de defender, tanto que nesse acórdão foi negado o recurso voluntário do contribuinte. Na espécie, afirma a embargante: "estes Embargos de Declaração têm por intuito a correção da contradição apontada no presente acórdão, no intuito de mantêlo inteiramente coerente com os fundamentos do voto e a ementa". Demonstrada, a contradição entre a decisão (voto e ementa do acórdão) e seus respectivos fundamentos, os embargos foram admitidos e encaminhados para julgamento pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora Os embargos são tempestivos, para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Da leitura do relatório, verificase que há contradição a ser sanada a fim de alinhar a ementa ao conteúdo do voto. Conforme anotado na fundamentação do voto objeto destes embargos, o Recurso Voluntário foi julgado procedente: Em primeiro lugar, porque o cálculo do limite de pagamento de JCP toma em consideração todas as contas do patrimônio líquido do contribuinte, o que inclui o capital social, antes ou após a capitalização das Reservas de Capital, havendo previsão legal para a exclusão apenas da Reserva de Reavaliação e da Reserva de Especial expressamente tratadas no parágrafo 8o. do artigo 9 o da Lei n° 9.249/95 e no artigo 29, parágrafo 2 o , da IN/SRF n 11/96. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 1401002.678 S1C4T1 Fl. 702 3 Em segundo lugar porque, se as Reservas de Capital são incorporáveis ao capital social, e são, ainda, passíveis de utilização para compensar prejuízos do mesmo modo que se passa com os lucros acumulados e com as reservas de lucros, e, o que é mais importante, assumem a mesma natureza econômica dos ingressos financeiros que compõem o lucro líquido, devem compor o cálculo do limite de JCP, pois consistem, inequivocamente, em capital próprio dos sócios. Já por esse motivo, portanto, mesmo que válidas as premissas da Fiscalização, o que, em face dos fatos e fundamentos jurídicos ora deduzidos, o cálculo de JCP adotado pela autuação esta incorreto, e merece reparos ao menos em parte, por não dispor de fundamento legal no que tange à exclusão da Reserva de Capital do montante sobre o qual se deve aplicar a TJLP para fins de apuração do limite de pagamento de que trata o artigo 9o, caput, da Lei n° 9.532/95. Afim de dirimir quaisquer dúvidas a respeito do conteúdo do decidido, acrescento à fundamentação do voto que o art. 9o. da Lei 9.249/95, instituiu a figura dos JCP com o intuito de estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais mediante empréstimos de terceiros ou dos próprios sócios, que levariam ao endividamento das empresas, a não distribuição de dividendos aos acionistas e ao pagamento de juros dedutíveis da base tributável do IRPJ. Portanto, aduz razão ao Recorrente quando menciona que não há razão para se excluir a reserva de capital da apuração do patrimônio líquido que serve de base de cálculo para o cálculo dos JCP, porque essa reserva não é transitória e não está sujeita a nenhuma condição legal para ser incorporada ao capital, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com a reserva de reavaliação que recebe todo um tratamento da legislação tributária, que exige a tributação no momento de sua realização. Também não há dúvida que a lei tributária determinou a dedução de despesa de JCP no anocalendário do pagamento ou crédito, pois é nesse ano, precisamente 2006, que a despesa de JCP é conhecida e incorrida pelo regime de competência. Além disso, demonstrado que a Recorrente cumpriu com o que estabelece a Lei 9.249/95, quando aduz que os JCP estão limitados a (i) 50% dos lucros do próprio exercício, antes de computada a respectiva dedução, ou (ii) a 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros, podendo ser utilizado o maior limite entre (i) e (ii), tendo computado os JCP e o limite de pagamento conforme quadro abaixo reproduzido do Recurso Voluntário, descrevendo a impropriedade da glosa. Fl. 703DF CARF MF 4 Neste sentido, resta demonstrado que a reserva de capital foi indevidamente excluída do cálculo do JCP, razão pela qual merece reforma a decisão de piso. Ante o exposto, acolho os embargos, sem efeito infringentes, apenas para aprimorar seus fundamentos no que se refere a procedência do recurso retificar sua ementa nos seguintes termos: Ementa: REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — LIMITE DEDUÇÃO. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, darlhes provimento, sem efeitos infringentes, apenas para dirimir contradição. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 1401002.678 S1C4T1 Fl. 703 5 Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660301/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 01 /2 01 2- 24 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660301/201224 Acórdão n.º 3401004.705 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721846/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2007
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF.
Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA.
Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/09/2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 46 /2 01 1- 52 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 3 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu a declaração de nulidade ou o cancelamento da autuação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a fundamentação legal da autuação trouxe inserta legislação revogada; b) o Agente Fiscal “não fora objetivo” na capitulação legal, o que dificultou o exercício da defesa, ferindoo plenamente; c) a apresentação intempestiva do Dacon não trouxe prejuízo ao Erário, tratandose de mero erro formal o atraso na sua entrega; d) entregouse equivocadamente o Dacon semestral quando o correto seria a entrega do demonstrativo mensal; e) desproporcionalidade da multa, cuja imposição se traduz em violação à legalidade, tendo em vista que o Dacon havia sido entregue espontaneamente; f) nos termos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea da infração exclui a responsabilidade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 05 037.961, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias; 2) inexistência de cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração indica claramente os fatos e motivos da imposição da penalidade, bem como a prática infratora administrativa, tendo o contribuinte bem se defendido da infração tributária descrita na autuação; 3) uma vez caracterizada a entrega em atraso do demonstrativo, tornase devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória; 4) não compete à autoridade administrativa a apreciação de alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 4 3 5) a vedação ao confisco previsto na Constituição Federal dirigese ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando o seguinte: i) o Dacon originalmente entregue foi o semestral, quando o correto seria o mensal, tendo a Receita Federal do Brasil informado que a correção seria feita por meio de malha fiscal, com o cancelamento do demonstrativo enviado equivocadamente, tendo em vista que a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, expressamente vedava tal mudança; ii) por meio de processo administrativo próprio, solicitouse o cancelamento do Dacon; iii) a multa aplicada viola os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da estrita legalidade; e iv) no caso, devese aplicar o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.939, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13896.721843/201119, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.939): No que tange a nulidade arguida por falta de objetividade na capitulação legal do lançamento, entendo que não está configurada. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 5 4 As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da multa exigida. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. Da decisão recorrida destaco: "Doutro lado, a autuação trouxe todos os elementos do tipo infracional tributário, como indicação da espécie de demonstrativo não apresentado, prazo final de entrega, data da efetiva apresentação, metodologia de cálculo da penalidade, descrição dos fatos e fundamentação legal.. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, não cabe alegação de cerceamento de defesa, pela impossibilidade de entendimento da autuação. Ao contrário, o AI descreve os fatos e fundamentos, demonstrando regularidade formal do lançamento, na forma do Decreto 70.235/72. Além do mais, observase que o Impugnante bem se defendeu da autuação, de forma a demonstrar que a defesa não fora cerceada. Afastada, então, a alegação de cerceamento de defesa." A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/2008 64; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho a preliminar arguida. Em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, referese à caracterização, ou não, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, na hipótese de falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON. Tal matéria está pacificada no âmbito do CARF, nos termos do estatuído pela Súmula n° 49: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Tal posição tem sido adotada pelo Poder Judiciário, conforme se depreende dos seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. APREENSÃO DE EQUIPAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. . 1. A indicada afronta do art. 208, § 2º, da Lei 7.661/1945 não deve ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar multa administrativa pela apreensão de equipamento não autorizado, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedente: AgRg no REsp 1.466.966/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 11/5/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido." (REsp 1618348/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2016, REPDJe 01/12/2016, DJe 10/10/2016) "TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Em tal sentido, colacionase, ainda, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 8 7 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Recurso especial a que se dá provimento. DIFPAPEL IMUNE. MULTA. ADVENTO DA LEI N° 11495/2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, INCISO II, C, DO CTN. Com fundamento no artigo 106, inciso II, “c”, retroage lei que ameniza penalidade. No caso, a Lei n° 11.945/2009, abrandou a penalidade prevista no artigo 57 da MP n° 215835/ 2001, para a hipótese de atraso na entrega da DIFPapel Imune. Recurso Especial do Procurador Provido." (Processo 19615.000157/2005 58; Acórdão 9303002.100; Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann) Neste contexto, não há margem para interpretação diversa sobre a não caracterização da denúncia espontânea na hipótese versada nos autos. Com relação aos demais argumentos expendidos pela recorrente, em especial de que o suposto atraso na entrega do DACON implica em mero erro formal e que o DACON originalmente entregue foi o semestral, quando o correto seria o mensal e que solicitou o cancelamento do DACON equivocadamente enviado, melhor sorte não socorre a recorrente. Conforme expressamente confessado pela própria recorrente, estava sujeita à apresentação do DACON mensal e não ao semestral. Da peça recursal, consta expressamente: "A peculiaridade no caso em questão é que a DACON originariamente entregue foi a semestral, quando o correto seria mensal." Ora, tal circunstância não pode ser caracterizada como mero erro formal, pois se a recorrente deveria ter cumprido a obrigação acessória em periodicidade mensal, não se pode admitir que a entrega semestral, ou seja, em período superior supriu tal irregularidade. Reportome ao contido na decisão recorrida: "É fato que o DACON deveria ter sido entregue de forma mensal. O próprio Impugnante traz a afirmação na defesa. Também é fato que o demonstrativo fora entregue a destempo. Segundo consta dos autos, a falta da apresentação foi percebida em outubro de 2010, mas somente em 16/05/2011 fora encaminhado o demonstrativo. Desta forma, não há que se falar em erro, ainda mais se considerada a clareza das disposições normativas no caso concreto e o lapso temporal entre a entrega e o prazo determinado no normativo. A alegação relativa a que o DACON semestral fora entregue não exime a prática infratora, já que a periodicidade era clara no normativo. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 9 8 O argumento relativo ao impedimento no encaminhamento do demonstrativo ante a demora no cancelamento do DACON semestral também não pode ser aceito como excludente de responsabilidade pela prática infratora, seja pelo fato de que o pedido não se deu em 2007 mas em 26/10/2010, anos após expirado o prazo da apresentação do DACON mensal, seja ante a ausência de mínimos elementos probatórios nos autos (considerando o ônus da prova do Impugnante), seja em razão da aplicação do art. 136, do CTN." Sobre a matéria, assim tem decidido o CARF: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA ATRASO DACON. DACON MENSAL. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega." (Processo nº 11543.001117/201070; Acórdão nº 1803001.972; Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch; sessão de 07/11/2013) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DACON ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000354/201045; Acórdão nº 3302001.771; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 22/08/2012) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 10580.720288/200959; Acórdão nº 3302001.967; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 27/02/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13896.721846/201152 Acórdão n.º 3201003.942 S3C2T1 Fl. 10 9 Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.724541/2015-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem o dever de proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTÕES DE MÉRITO. REPRODUÇÃO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, quanto ao mérito, perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever, naquilo que interessa a solução do litígio, a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem o dever de proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 45 41 /2 01 5- 00 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 184 2 INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOAFÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boafé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTÕES DE MÉRITO. REPRODUÇÃO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, quanto ao mérito, perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever, naquilo que interessa a solução do litígio, a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 185 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 16070.872 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 28.01.2016, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido por meio da lavratura de auto de infração. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste Colegiado Extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 110 a 127), que segue transcrito: Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/09/2015, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. O Agente de Carga SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079001135, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105048395328 a destempo em 31/03/2011, às 15:07, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico (CE) Agregado HBL 151105054247513. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no container HLXU8735694, pelo Navio M/V SANTOS EXPRESS, em sua viagem 1110SA, com atracação registrada em 02/04/2011 02:45. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 11000099223, Manifesto Eletrônico 1511500555250, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105048395328 e Conhecimento Eletrônico (CE) Agregado HBL 151105054247513. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105048395328 foi incluído, em 23/03/2011, 10:35, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. * RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 186 4 verificase que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o Conhecimento Eletrônico (CE) Agregado HBL 151105054247513, a empresa SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079001135. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil RFB. Cientificado do auto de infração, via eletrônica, em 20/10/2015 (fls. 39), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 23/10/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 41 à 62, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ FATOS CONTRA OS QUAIS SE INSURGE A IMPUGNANTE. A IMPUGNANTE foi autuada no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil Reais) devido a “001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR". A autuação foi fundada no Art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009 (Novo Regulamento Aduaneiro), e demais normas. Não obstante o indiscutível conhecimento técnico do respeitável Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pela autuação, no presente caso sua interpretação da Legislação Aduaneira não está coerente com as normas que tratam do SISCOMEX CARGA, além de ferir Princípios Basilares que devem nortear a atuação da Administração Pública. Ab Initio é de rigor observar que a IMPUGNANTE jamais deixou de prestar quaisquer informações, diante do que a impugnante vem à presença de V.Sa. expor seu inconformismo e requerer, desde já, que o Auto de Infração seja anulado. ⊙ DAS INFORMAÇÕES EFETIVAMENTE PRESTADAS A autuação se funda na NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES, mas tal alegação não se sustenta. Se as informações não tivessem sido prestadas na forma e no prazo estabelecidos pela própria Receita Federal, não poderiam ser efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme Art. 37, § 2º, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.633, de 29.12.2003. Transcreve o artigo 37 do DecretoLei nº 37/66. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 187 5 Já que houve EFETIVAMENTE a operação de descarga da embarcação, não há que se falar em “não prestação de informação", visto que a documentação e narrativa da própria autuação provam cabalmente a prestação da informação sobre todos os conhecimentos eletrônicos referentes às cargas, ao contrário do alegado pela impugnada: "NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR”. Diante disso, a autuação não pode prosperar, sendo que sua anulação é medida necessária para que assegure ao contribuinte o mínimo de segurança jurídica. ⊙ DO FERIMENTO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E DA ISONOMIA. Não fosse apenas seu caráter confiscatório, a penalidade ora combatida é nitidamente desproporcional, seja em comparação à suposta infração, seja em comparação ao negócio em cujo contexto é aplicada (transporte internacional, remunerado mediante pagamento de frete). Além disso, fere o Princípio da Isonomia, ao tratar de forma mais grave infrações relacionadas à prestação de informações sobre cargas do que informações sobre tripulantes ou passageiros, deixando de prever qualquer limite às autuações, permitindo o absurdo que se tem verificado, multas de milhões de Reais. Aliás, notese as multas relacionadas ao SISCOMEX CARGA já passam de bilhões de Reais, sendo absolutamente incobráveis. O desrespeito ao Art. 729, II do Decreto nr. 6.759/2009 também é flagrante. De forma alguma a multa ora combatida poderia superar o valor de R$ 5.000,00 por navio, conforme previsto. O suposto dano à fiscalização pelo descumprimento dos prazos previstos na Instrução Normativa SRFB n. 800/07 jamais poderia chegar ao patamar de R$ 5.000,00, como previsto no Artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei n. 37 de 18 de Novembro de 1966. O valor é excessivo e extremamente lesivo ao contribuinte, rechaçando com força indevida conduta que gera pouco ou nenhum reflexo na ação fiscal. Todas as cargas destinadas à máquina produtiva brasileira estão sujeitas a processo de internação (nacionalização) cujo processamento requer o registro de Declaração de Importação (DI), apresentação de documentos e, muitas vezes, conferência física das cargas. O eventual atraso na prestação de informações por parte do contribuinte (interveniente no SiscomexCarqa) não causa qualquer dano à fiscalização, que autua por mero formalismo (princípio da legalidade). Tanto é assim que a autuação é, sem exceção, sempre muito posterior à prestação das informações Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 188 6 pelo contribuinte, que se beneficia do instituto da Denúncia Espontânea por essa razão. Mas mesmo sendo o caso de afastamento da penalidade em virtude da Denúncia Espontânea, é de rigor debater o presente tópico, tendo em vista a patente desproporcionalidade da exação imposta. Além do valor excessivo, observase que no caso das multas de SISCARGA há limite (teto) ao valor aplicável. Transcreve o artigo 729 do Decreto n. 6.759/09. Claramente há ferimento a Princípios basilares que merecem guarida Jurisdicional, sendo de rigor que às multas em apreço apliquese o limite previsto no Artigo 729 do Decreto n. 6.759/09, ou seja, R$ 5.000,00 por veículo, e não por CE Mercante, como tem erroneamente aplicado a Impugnada. Da forma como se encontra aplicada, a norma (Art. 107, IV, “e”, DL37/66) é rigorosamente INCONSTITUCIONAL, sendo certo que todas as penalidades nela fundamentadas devem ser canceladas. ⊙ DA NÃO TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que, não obstante o teor do artigo 136 do Código Tributário Nacional, a inexistência de DOLO ESPECÍFICO de embaraçar deve ser observada, porque é exigência de Norma Especial (DecretoLei nº 37/66). Transcreve o artigo 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/66. Como se observa, a norma pretende punir a quem embarace, dificulte ou impeça ação de fiscalização, o que absolutamente não ocorreu no caso vertente! Não fosse apenas a ausência de dolo especifico, que é o elemento subjetivo da norma, ainda deve ser analisada a inexistência da hipótese de incidência tributária imputada erroneamente pela autoridade à Impugnante, porque as informações exigidas pelo artigo 22 da IN 800/07 FORAM PRESTADAS. REPISESE: A conduta descrita na norma como subsumível à hipótese de autuação é a NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. Não pode a ilustre autoridade ignorar o significado de NÃO PRESTAÇÃO, pois seria esta a conduta tipificada no dispositivo legal aplicável, ou seja, na alínea “e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Resta comprovado que a autuação modificou ilegalmente os efeitos da não prestação de informações, o que é absolutamente equivocado. A penalidade imposta pelo poder público não admite o recurso à analogia, nem a interpretação extensiva, pois as suas disposições aplicamse no sentido rigoroso, estrito. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 189 7 ⊙ OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO Para justificativa do ato, a autoridade descreveu infração ao artigo 22 da Instrução Normativa 800/07, que dispõe sobre os prazos mínimos para a prestação da informação à RFB. Destarte, sabendo se que a Impugnante de forma alguma deixou de prestar toda e qualquer informação obrigatória para a consolidação dos atos de fiscalização e controle da Receita Federal, podemos então assumir que o auto de infração em questão está totalmente desmotivado, não havendo embasamento que justifique a sustentação da autuação. Transcreve o artigo 50 da Lei 9.784/99. Podese então concluir, analisandose o Auto de Infração, Data Maxima Venia, parcamente fundamentado, que as hipóteses previstas em lei não abrangeram os fatos que ocorreram (reconhecidos pela própria autuante), não havendo, portanto, razão ou motivo que sustente a autuação. Não conseguiu provar a autoridade aduaneira em que momento a impugnante deixou de prestar informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Instrução Normativa RFB 800/07, posto que não fundamentou adequadamente sua autuação. ⊙ PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na espécie, fácil é concluir que é inaplicável a multa prevista na alínea "e" do inciso IV, do art. 107 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Há de se observar que a recente modificação da IN RFB nº 800/07, trazida pela Instrução Normativa RFB nº 1.473. de 2 de junho de 2014 ratificou o entendimento que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22 seria imputável somente AO ARMADOR TRANSPORTADOR. VISTO QUE SOMENTE ESTE MANIFESTA CARGA. Transcreve o artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 1.473/2014. Há que se pressupor também que a prática de atos administrativos discricionários se processe dentro de padrões estritos de RAZOABILIDADE, ou seja, com base em parâmetros objetivamente racionais de atuação e sensatez. E o chamado Princípio da Razoabilidade. Ao regular o agir da Administração Pública, não se pode supor que o desejo do legislador seria o de alcançar a satisfação do interesse público pela imposição de condutas impossíveis de serem realizadas. Ao contrário, é de se supor que a lei tenha a coerência e a racionalidade de condutas como instrumentos próprios para a obtenção de seus objetivos maiores. Dessa noção indiscutível, extraise o Princípio da Razoabilidade: Em boa definição, é o princípio que determina à Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 190 8 Administração Pública, no exercício de faculdades, o dever de atuar em plena conformidade com critérios racionais, sensatos e coerentes. Não tendo a impugnante deixado de prestar as informações essenciais à fiscalização, não pode o agente público exigir da Impugnante a multa estipulada no auto de infração em discussão. Transcreve o artigo 28 do Ato Declaratório COREP nº 3/2008. ⊙ DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA No caso em análise, a deficiência da autuação é clara, o que já bastaria para a declaração de sua insubsistência. Porém, ainda há um outro aspecto a ser considerado, que é o momento da ocorrência dos fatos. Como se nota, a IMPUGNANTE não deixou de prestar quaisquer informações. A IMPUGNANTE foi próativa, agiu em favor da fiscalização, visando SEMPRE manter a clareza e lisura com que conduz seus negócios. Assim, ao caso em análise se aplicam os dispositivos do Art. 138 do CTN, bem como do Art. 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988. Junta textos da jurisprudência:(2ª Vara da Justiça Federal em Santos, Processo nº 0008671 62.2010.403.6104, Juiz Federal Substituto Fabio Iveits de Pauli, j. 12/04/2011); (8ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, Processo nº 001968788.2011.403.6100, DJ 29/08/2012). ⊙ DO PEDIDO Diante do exposto, a Impugnante está convicta que será julgada insubsistente a autuação em tela, bem como determinado, consequentemente, seu cancelamento e definitivo arquivamento, medida que ora se requer. Repisese que o Poder Público tem sua atuação adstrita aos limites da Lei, devendo cumprir rigorosamente o que é previsto nas normas específicas, de forma que sua insubsistência é a medida de rigor a ser aplicada. É o Relatório. Da ementa do acórdão recorrido A 23ª Turma da DRJ/SPO, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/03/2011 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 191 9 A prestação de informação extratemporânea não exclui a infração. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos da decisão vergastada, o autuado interpôs, às efls. 134 a 179, recurso voluntário para pleitear a improcedência do lançamento ora debatido. Neste sentido, reitera grande parte dos argumentos impugnatórios apresentados à 1ª Instância 23ª Turma da DRJ/SPO, que podem ser assim sintetizados, que: (1) é incabível a lavratura do presente Auto de Infração pela existência de tutela antecipada nos autos da Ação Ordinária 000523886.2015.4.03.6100 da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais ACTC, da qual a impugnante é associada, razão pela qual pretende que seja anulada o presente lançamento; (2) o presente processo deve ser extinto, por estrita falta de fundamentação legal, nos termos do artigo 52 da Lei 9.784 de 1999, uma vez que o acórdão recorrido descreveu o assunto da Impugnação como sendo Imposto de Importação II, quando a matéria do Auto de Infração referese unicamente à aplicação de multa aduaneira por desconsolidação de cargas fora do prazo; (3) a decisão recorrida, inadvertidamente, considerou que o recorrente é Agente Marítimo para sustentar, nos termos do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, a legitimidade passiva da autuação fiscal, não atentando que a autuada é Agente de Cargas, nos exatos termos do artigo do mesmo decretolei. Logo, referida matéria está fadada ao insucesso, uma vez que não é representante do armador, conforme depreendese de seu objeto social, constante do respectivo contrato social; (4) a alteração na IN RFB 800 de 2007, trazida pela IN RFB 1.473 de 2014, ratificou o entendimento que o eventual atraso na informação seria imputável tão somente ao armador transportador pois somente este manifesta a carga. Alega que no inciso III do artigo 22 da mencionada norma regulamentar cita “conhecimento genérico”, documento de emissão exclusiva do armador transportador, mais um motivo para que seja anulado o Auto de Infração; (5) não há tipicidade da multa aplicada, não ocorreu dolo específico, a despeito do artigo 136 do CTN e que a presente exigência está contida na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, ainda mais que no caso não houve falta de prestação de informações; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 192 10 (6) falta motivação para a lavratura do Auto de Infração, na medida em que é carecedor de fundamento que ampare sua existência. Cita os incisos I e II e o parágrafo 1º do artigo da Lei 9.784 de 1999, pois em momento algum a fiscalização não provou que a recorrente deixou de prestar as informações necessárias ao devido controle aduaneiro; (7) na espécie restou configurada a ocorrência de denúncia espontânea, uma vez que as informações foram devidamente prestadas pelo recorrente. Cita o artigo 102 do Decretolei 37 de 1966 e o artigo 138 do CTN. Cita jurisprudência judicial e administrativa sobre denúncia espontânea. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 07.03.2016 (efl. 207), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O Recurso Voluntário foi juntado em 26.02.2016, conforme depreendese da "FOLHA DE ROSTO " (efl. 134), após ciência no dia 16.02.2016, conforme observase do "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM" (efl. 133), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Das questões preliminares 1Das nulidades em geral Inicialmente, observo que sancionada determinada lei, em sentido restrito ou lasso, ela incorporase ao sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 193 11 razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, inciso I, compete ao Poder Judiciário. À luz do inciso I do artigo 103 da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, inciso I, do Decreto 70.235 de 1972, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicála sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1.1Da nulidade do auto de infração, em face da ação judicial O Recorrente alega que, em razão do deferimento da tutela antecipada concedida nos autos da Ação Ordinária 000523886.2015.4.03.6100, ajuizada pela ACTC, da qual é associada, o Fisco está impedido de efetuar lançamento para exigirlhe a penalidade em comento, razão pela qual suscita a nulidade do presente Auto de Infração. Em suma, assevera que a decisão judicial proferida em seu favor tem o efeito de impedir a exigibilidade da penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, objeto do Auto de Infração. De se dizer que referido lançamento, em face das circunstâncias acima, é preventivo da decadência, tendo em vista que o Juízo da 14ª Vara Cível Federal de São Paulo deferiu parcialmente a tutela para determinar a União "se abstenha de exigir das associadas da Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 194 12 Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66". É evidente que se o Poder Judiciário decidir pela impossibilidade da aplicação da multa em comento, deverá prevalecer o comando judicial. Mas não se poderá negar os efeitos do lançamento preventivo da decadência, sob pena de se admitir que os órgãos de julgamento tem o poder de alterar a constituição do crédito tributário. É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem a obrigação legal e funcional deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina, verbis: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 195 13 cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. [...] (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) .... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). [...] (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) Logo, é plenamente cabível o presente lançamento. 1.2Da nulidade do acórdão recorrido, em face de erro material O Recorrente alega que a decisão recorrida deve ser anulada. Primeiro, por falta de fundamentação legal, pelo fato de haver descrito que o assunto referese a II, quando a Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 196 14 matéria tratada é a aplicação de multa aduaneira por desconsolidação de cargas fora do prazo. Segundo, por lhe haver considerado Agente Marítimo para sustentar a legitimidade passiva da autuação fiscal, quando tratase de Agente de Cargas. De plano, cumpre salientar que as hipóteses de nulidade da decisão recorrida estão previstas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972, a seguir transcrito, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Compulsando em sua integralidade, verificase que a decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, não obstante as insignificantes para o deslinde da matéria litigada imperfeições apontadas pelo Recorrente, da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, percebese, sem qualquer esforço, que o presente ato contêm todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. Ademais, insta salientar, por oportuno, que não só a decisão recorrida, mas todos os demais atos que integram o presente processo respeitaram as formas instrumentais, os documentos foram reunidos nos presentes autos, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Desta feita, temse que o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Consta do Relatório do Acórdão 16070.872, exarado pela 23ª Turma da DRJ/SPO, em 28.01.2016, já reproduzido neste julgado, toda a contextualização fática e jurídica que motivou a autuação contestada. Por sua vez, o Recorrente tinha conhecimento do conjunto probatório robusto que instrui os autos e comprova a infração que lhe foi imputada, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, que identifica como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o Conhecimento Eletrônico (CE) Agregado HBL 151105054247513. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 197 15 De se ver, portanto, que as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram sobejamente observadas, permitindose concluir pelo não tem cabimento das referidas alegações recursais, afastandose qualquer possibilidade de nulidade do Auto de Infração ou da Decisão Recorrida. 1.3Da nulidade em face da ausência de motivação do auto de infração Segundo o Recorrente há vício de motivação no lançamento. Entende que o Auto de Infração carece de precisão quanto à hipótese de incidência da exação pretendida, muito menos quanto à subsunção do fato à norma legal. O relatório fiscal, contido na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" (efls. 11 a 34), à evidência, demonstra insofismável que a autoridade lançadora expõe, de forma completa, direta, concisa e precisa, os fundamentos fáticos e jurídicos que fundamentam a autuação, mencionando não só os ilícitos cometidos pelo autuado como também a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, inclusive, individualizando suas bases de cálculo, é o que observase dos seus títulos e subtítulos {I. INTRODUÇÃO; II. EXAME JURÍDICO (1. FATO; OCORRÊNCIA Nº 1 DATA DE REFERÊNCIA 31/03/2011, RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO; 2. NORMA; SISCOMEX CARGA E SUA NORMA DE REGÊNCIA, CLASSIFICAÇÃO DO AGENTE DE CARGA COMO TRANSPORTADOR E DA ABRANGÊNCIA DO TERMO, INTERVENIENTES ADUANEIROS, NATUREZA JURÍDICA DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO, PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO, RESPONSABILIDADE LEGAL DO TRANSPORTADOR E DA PENALIDADE APLICÁVEL EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, RESPONSABILIDADE OBJETIVA PELO COMETIMENTO DE INFRAÇÃO; 3. VALOR, MOTIVAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA IMPOSTA E DO BEM JURÍDICO TUTELADO PELO ESTADO, PROCESSO DE CONTROLE ADUANEIRO, INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA APLICÁVEL, APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA, MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO, APLICAÇÃO DO DIREITO PÚBLICO E DA LEGITIMIDADE DO POLO ATIVO CONSTITUINTE); III. CONCLUSÃO}. Portanto, claríssima a imputação fiscal. Não há a menor falha na motivação do auto de infração, quanto a sua fundamentação legal e a descrição da conduta ilícita e a menção às provas acostadas. Das questões de mérito 1Da denúncia espontânea da infração O recorrente traz a tona, uma vez mais, o instituto da denúncia espontânea da infração cometida, objetivando ver excluída a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passou a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. De plano, a denúncia da infração não restou configurada. Emerge do relatório que integra o Auto de Infração, notadamente o texto que especifica a * OCORRÊNCIA Nº 1. DATA DE REFERÊNCIA 31.03.2011, que o autuado Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 198 16 concluiu a desconsolidação da carga relativa aos Conhecimentos Eletrônicos neles identificados a destempo, segundo o prazo regularmente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, tanto que referida autoridade lançadora, corretamente, concluiu que para os casos "em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico", uma vez que em conformidade com artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, por sua vez, regulamentado pela IN/SRF 115 de 16.11.1984, que, segundo preceituava o parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002), afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar porque a penalidade ora objetada não comporta o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, que fundamentou a decisão consignada no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014, verbis: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 199 17 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 200 18 todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, cita se trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 201 19 Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em suma, em se tratando de multas aduaneiras, a denúncia espontânea possui tratamento expresso e específico. Com efeito, reproduzse, a seguir, os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º): Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 202 20 I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Da simples leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que o instituto da denúncia espontânea passou, depois do ano de 2010 e em alguns casos, a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, esta mesma regra é expressa ao determinar, desde a vigência do Regulamento Aduaneiro de 2002, que depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 203 21 E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o contribuinte prestou as informações exigidas apenas após a atracação do navio no porto brasileiro. Como bem pontuou o auto de infração. 2Da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver excluída a penalidade imposta sob a justificativa da presunção da sua boafé, ainda mais que no caso em discussão sua conduta não implicou em dano ao erário. Entretanto, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento da multa aplicada pela prática da infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, por boafé do infrator. Tratase, como visto ao longo deste voto, de multa não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade, independentemente da intenção do agente. Salientese, por oportuno, que a lei não confere qualquer espaço para discricionariedade ao agente fiscal, nem ao julgador, no tocante à dosimetria da multa, em face da infração ora examinada, a fim de aplicála ou não, sendo o bastante que se caracterize a situação descrita na legislação de regência para que haja a aplicação da penalidade. 3Da natureza da obrigação acessória tributária A própria natureza da obrigação acessória tributária representa um viés autônomo de eventual tributo a ser exigido. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (parágrafo 3º do artigo 113 do CTN). Dessa forma, com fulcro no retrocitado preceito legal, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, conforme corretamente descrita no auto de infração. De arremate, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Noutros termos, quedase alheia à vontade do contribuinte e/ou responsável ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 4Do permissivo legal para adotar os termos da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, verbis: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 204 22 (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) 1.5Da fundamentação mediante transcrição da decisão recorrida Verificado que o Recorrente, quanto às questões de mérito de maior relevância, não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, amparado no permissivo regimental acima reproduzido, que valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para complementar minhas contrarazões e, por consequência, fundamentar os questionamentos reapresentados na peça recursal. (início da transcrição do voto da Decisão Recorrida adotada) Voto (...) ▣ A RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO E A SUA LEGITIMIDADE PARA OCUPAR O PÓLO PASSIVO A respeito dos argumentos aduzidos, cumpre trazer a lume os dispositivos legais que tratam do instituto da solidariedade tributária, quais sejam, o artigo 121, parágrafo único, inciso II; o artigo 124, inciso II, e artigo 128 do Código tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que assim dispõem: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 205 23 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (...) Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifo e negrito nossos) A solidariedade passiva ocorre quando duas ou mais pessoas devam responder conjuntamente pela mesma obrigação. No que respeita à solidariedade tributária, do conjunto normativo acima mencionado, inferese que pode se dá das seguintes formas: a) em razão do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; b) por designação expressa em lei. Nesse sentido, observase que a responsabilidade solidária está expressamente prevista o art. 95 do Decretolei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; (destaquei) Assim, por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 206 24 Atentese ainda para inciso II do art. 95 do Decretolei nº 37/1966 (acima transcrito) c/c artigo 32, inciso I, parágrafo único, alínea “b” do mesmo diploma legal, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, que tratam expressamente da responsabilidade do transportador e, sendo este estrangeiro, prevêem a responsabilidade solidária de seu representante no País: Art. 32 É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II (...) Parágrafo único É responsável solidário: a) (...); b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. Notese que a regra do parágrafo único acima foi mantida na nova redação dada pela Lei nº 11.281/2006. Inferese, portanto, que a lei designou como responsável solidário o representante no País do transportador estrangeiro. Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da responsabilidade solidária, cabe, a seguir, a análise quanto à responsabilidade do agente marítimo. Acréscimo à presente reprodução: cujos fundamentos, conforme a mesma legislação citada no voto condutor do acórdão recorrido, equivalemse para qualquer outro interveniente nas operações de transporte marítimo internacional. Observase que, ao aludir à figura do “representante”, a lei não restringe seu conteúdo ao contrato de representação comercial stricto sensu, tal como previsto na comercial, mas denota a pessoa que atua por ordem e no interesse do transportador perante as autoridades aduaneiras, praticando atos que, dentre outras finalidades, têm estrita relação com controle aduaneiro do veículo e da carga. Assim, incabível restringir a interpretação da lei tributária, sob a ótica dos institutos de direito privado, relativos a contrato de agenciamento e de representação, na pretensão de definir os efeitos tributários, devendose atentar para o aspecto teleológico da norma. A responsabilidade tributária é disciplinada por diploma legal específico, sendo descabido aplicar legislação de direito privado quando existem leis específicas que regem a matéria, pois, é preceito de hermenêutica que a norma especial prevalece sobre a norma geral. Nesse sentido, cabe destacar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 207 25 É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e seguros no Comércio Exterior, 2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003) (destaquei) Diante de abalizada doutrina, podese constatar que o comércio marítimo impõe a necessidade de os armadores possuírem em cada porto um representante, com conhecimento em diversas áreas comerciais e jurídicas, para atuar na prática de determinados atos de interesse daqueles, agindo, portanto, como representante do armador. Assim, o Agente Marítimo é o elo na cadeia de comunicação entre o Armador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um Porto Nacional. Com efeito, sabese que o agente marítimo atua efetivamente como representante do transportador em determinado porto, perante as autoridades governamentais e portuárias. Sua missão é assumir o gerenciamento e essa administração envolve múltiplas ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como, praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Considerandose assim as funções exercidas pelo Agente Marítimo, esclareçase ainda que a expressão “representante, no País, do transportador estrangeiro” não tem o significado de representante em todo o território nacional, mas sim de representante no Brasil, podendo este ser nacional ou local. Concluise, portanto, que o transportador estrangeiro de grande porte pode ter um representante em âmbito nacional, sendo usual é que tenha “representantes” locais em cada porto, que são os Agentes Marítimos. No entanto, em quaisquer das duas hipóteses acima se tem a responsabilidade solidária, conforme dispôs o art. 32 do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo art. 1º do Decreto Lei nº 2.472/88. O agente marítimo, por atuar como representante do transportador no País, é responsável solidário Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 208 26 com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Ademais, o representante do transportador estrangeiro firma um Termo de Responsabilidade perante a Aduana, em que declara essa sua condição, evidenciando assim sua responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações em que incorrer o transportador. Neste ponto, ressaltese que o Termo de Responsabilidade tem amparo legal, estando expressamente previsto no art. 39, §§ 2º e 3º, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decreto nº 2.472/1988: Art. 39 (...) (...) § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Grifo e negrito nossos) Portanto, conforme disposição legal acima, quando o agente marítimo assina o termo de responsabilidade perante Alfândega, o faz na qualidade de representante do transportador. A jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade do agente marítimo, firmando o entendimento de que a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada em 1985, foi superada com o advento do Decretolei nº 2.472, de 1988. O Egrégio Conselho de Contribuintes corrobora com o entendimento acima esposado, havendo, ainda, decisões judiciais neste sentido, conforme evidenciam as ementas a seguir transcritas: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inaplicável, na espécie sob julgamento, a Súmula n. 192 do TFR, esta superada pela edição do DecretoLei n. 2.472/88. (Acórdão nº 30328571, Terceira Câmara, Recurso nº: 118229, Data da Sessão: 25/02/1997) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO COMO REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Apurada avaria e falta de mercadoria é responsável pelo tributo e multas o representante do transportador estrangeiro. Inaplicabilidade, no caso, das cláusulas STC (Said to Contain). (Acórdão nº 30128239, Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 209 27 Primeira Câmara, Recurso nº: 118200 Data da Sessão: 13/11/1996) PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CONHECIDA. DEPOSITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE FISCAL DO AGENTE MARÍTIMO. SUMULA 192 DO EXTFR. INAPLICABILIDADE. FATO GERADOR. O AGENTE MARÍTIMO, QUANDO NO EXERCÍCIO EXCLUSIVO DAS ATRIBUIÇÕES PRÓPRIAS, NÃO E CONSIDERÁVEL TRIBUTÁRIO, NEM SE EQUIPARA AO TRANSPORTADOR PARA EFEITOS DO DECRETO LEI 37, DE 1966.' (SUMULA 192/ TFR). NÃO SE APLICA O ENTENDIMENTO SUMULADO QUANDO O AGENTE MARÍTIMO ASSINA TERMO DE RESPONSABILIDADE EQUIPARANDOSE AO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. (...) APELAÇÕES E REMESSA IMPROVIDAS. (negritei). (ACÓRDÃO AC 9618/PE, Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 91.05.034353, Órgão Julgador: Primeira Turma, Relator: Desembargador Federal CASTRO MEIRA, Data Julgamento: 05/09/1991) Não prospera a tese de que a autuação ofende o artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal (“nenhuma pena passará da pessoa do condenado”), empregado, por analogia, à penalidade administrativa, pois, diante da legislação de regência, concluise que a multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. ▣ DA TIPIFICAÇÃO O artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 assim estipula: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (negrito não pertencem ao texto reproduzido) Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 210 28 § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3º A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei nº 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4º A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Pelo ditame do caput 37, o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos. Nesse sentido, o artigo 107 , inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 determina os prazos mínimos para a prestação das informações à Receita Federal do Brasil correspondentes ao manifesto e seus Conhecimentos Eletrônicos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 211 29 (...) II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (... ) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.473, de 2 de junho de 2014) Tratase de uma infração omissiva. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada no Ato Declaratório Executivo COREP nº 3, de 28 de marco de 2008, mas sim no artigo 107 , inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, complementada pela alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. ▣ PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTRATEMPORÂNEA O legislador não previu a prestação de informação extratemporânea como uma excludente de punibilidade. Ademais, a alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 é taxativa em prever o prazo de quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para a prestação das informações à Receita Federal do Brasil correspondentes ao manifesto e seus Conhecimentos Eletrônicos. Além do que a alínea “c” do inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei nº 37/66 determina expressamente a não apresentação de resposta, no prazo estipulado como núcleo da infração. Logo, o pleito de cancelamento da multa regulamentar em função da prestação de informação extratemporânea não pode prosperar por ausência de previsão legal. ▣ A AUSÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA Transcrevese o artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 212 30 Transcrevese o também o artigo 102 do DecretoLei n° 37/66: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) O pleito do impugnante se pauta no argumento de prestação de informação extratemporânea. Esse argumento não prospera, em função do Parágrafo Único do artigo 138 do Código Tributário Nacional e da alínea b), do Parágrafo 1º, do artigo 102, do DecretoLei nº 37/66, pois houve a prestação de informação ainda que extratemporânea. Acerca do tema, há que se ter presente que a denúncia espontânea, capaz de afastar a imposição de penalidades de natureza tributária, é aquela iniciada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, tendo por pressuposto básico o total desconhecimento pelo Fisco acerca da existência do tributo denunciado. O contribuinte que verificar o seu descumprimento nas obrigações tributárias, e antes de qualquer procedimento de ofício ou medida de fiscalização da autoridade administrativa tributária se denuncia e, se houver a obrigação de pagar, efetua o pagamento, adentra no que tipifica a norma do art. 138 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional. O autor Luciano da Silva Amaro interpreta o parágrafo acima citado de forma bastante elucidativa em seu livro Direito Tributário Brasileiro: ...Se eu agir porque estou com medo do Fisco, eu estou agindo espontaneamente. Se eu agir porque a fiscalização está no meu vizinho, eu estou agindo espontaneamente. Se eu agir porque o Fisco diz que a partir de amanhã ele dará início a fiscalização eu estou agindo espontaneamente... (AMARO, 1998, p.37) O autor Luciano Amaro continua em suas exemplificações, agora quanto a falta de conduta espontânea: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 213 31 (...) Depois que o fiscal lavrou o termo de início de fiscalização, onde disse que vai investigar tal ou qual coisa, isso já está fora da espontaneidade. Mas qualquer outra coisa, eu continuo podendo denunciar espontaneamente. Se ele fiscalizar as minhas despesas de certa natureza, eu posso denunciar outro assunto, que não esteja dentro do escopo do que ele veio ver. (AMARO, 1998, p.37) Não é o caso, pois não está a se lidar com uma penalidade tributária e sim de natureza administrativaaduaneira. A distinção é perceptível ao se analisar o seguinte elemento que compõe o caput do artigo 138 do Código Tributário Nacional: ... acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. A infração em comento não se relaciona à exigência de tributo, tampouco ao seu controle ou sua mensuração. ▣ DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do artigo 94 do DecretoLei nº 37/66: TÍTULO IV Infrações e Penalidades CAPÍTULO I Infrações Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 94 do DecretoLei nº 37/66 é taxativo no sentido de que a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. O DecretoLei nº 37/66, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações aduaneiras, utiliza a expressão “independe da Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 214 32 intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, ou seja, desconsidera a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força do artigo 94 do DecretoLei nº 37/66, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação aduaneira. Assim, o legislador consagra a responsabilidade objetiva por atos infracionais aduaneiros, dispensando a Receita Federal do Brasil de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. ▣ DA ARGUIÇÃO DE DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Quanto às acusações de ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 215 33 processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximirse de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 216 34 Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’" (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tão somente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 217 35 sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivo repressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 202 17.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. (...) Da conclusão Com supedâneo no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF 329 de 2017, adota se, também como razão de decidir, nos seus exatos termos, os fundamentos de mérito da decisão recorrida. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.724541/201500 Acórdão n.º 3001000.453 S3C0T1 Fl. 218 36 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905743/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 43 /2 00 8- 09 Fl. 459DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000445 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10980.905743/200809 Acórdão n.º 3402005.363 S3C4T2 Fl. 460 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 461DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 147. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 803,04 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10980.905743/200809 Acórdão n.º 3402005.363 S3C4T2 Fl. 461 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 803,04, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660331/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.734
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660331/201231 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.734 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 31 /2 01 2- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003186/00-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999
CSLL. RESTITUIÇÃO.
Os mesmos valores utilizados como dedução no cômputo do saldo negativo da CSLL não podem também ser objeto de compensação com o tributo devido em anos calendários posteriores àquele em que contribuíram para a formação do resultado final do período.
Numero da decisão: 1401-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente EDITORA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999 CSLL. RESTITUIÇÃO. Os mesmos valores utilizados como dedução no cômputo do saldo negativo da CSLL não podem também ser objeto de compensação com o tributo devido em anos calendários posteriores àquele em que contribuíram para a formação do resultado final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 31 86 /0 0- 89 Fl. 428DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos anos calendários de 1998 e 1999, ambos protocolados em 12.12.2000 (v. efls. 02/04), no valor original de R$438.166,96, cumulados com pedidos de compensação de tais saldos, no importe de R$404.933,50, protocolados em 29.03.2001 (v. efls. 122/124). A DERAT/SPO proferiu despacho decisório dando parcial provimento ao pedido de restituição, reconhecendo o direito creditório de R$143.765,26 relativos ao ano de 1998 e de R$200.871,32 correspondentes ao ano de 1999 (v. efls. 224/228). Não conformada com a decisão da DERAT/SPO, a Contribuinte protocolou a manifestação de inconformidade de efls. 234/236. Abaixo, resumi os argumentos trazidos pela Recorrente em seu recurso ao despacho decisório da DERAT: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 429 3 A manifestação de inconformidade foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, em 20/09/2007, tendo sido tal decisão consubstanciada no Acórdão nº 1614.869 2ª Turma (v. efls. 261/273). A ementa da respectiva decisão está reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS Os comprovantes de retenção na fonte, fornecidos por órgãos públicos, informam os valores pagos e os valores retidos durante o ano calendário, que devem integrar a apuração da CSLL da beneficiária, do mesmo período. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITOS PRÓPRIOS. CONVERSÃO EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Houve homologação tácita das compensações dos débitos próprios, cujos pedidos foram protocolizados há mais de cinco anos da ciência do despacho decisório proferido pela Autoridade Administrativa. Solicitação Deferida em Parte Fl. 430DF CARF MF 4 Restou assentado na referida decisão o não provimento do recurso no que tange aos pedidos de restituição, mantendose as conclusões já proferidas no despacho decisório da DERAT/SPO. Por outro lado, em relação às compensações, o recurso foi favorável à Recorrente, tendo reconhecido a homologação tácita das mesmas, por força do disposto no arts 74 da Lei n° 9.430, de 1996, caput e §§ 4º (parágrafo acrescentado pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que produziu efeitos a partir de 01/10/2002, nos termos dos seus arts. 49 e 68) e 5º, cuja redação foi dada pela MP n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Irresignada com a decisão da DRJ/SPO, recorreu a Contribuinte ao CARF através do recurso voluntário de efls. 284/290, onde repisa as alegações já feitas quando da manifestação de inconformidade, em especial o seguinte: 1) na DIPJ relativa ao anocalendário de 1998, o valor de R$81.452,99 foi informado no cálculo da contribuição social, compondo o saldo negativo da CSLL, entretanto, tal valor somente foi informado naquele momento, sendo utilizado somente em janeiro do ano calendário de 1999; 2) o valor de R$81.452,99 já fazia parte do saldo negativo da DIPJ no ano calendário de 1998, não devendo compor novamente na DIPJ de 1999, razão pela qual nenhum valor consta da Linha "CSLL Retida na Fonte por órgão Público" (linha 07 da ficha 29); 3) os créditos postulados, de fato existem e foram contabilizados corretamente. Assim, o único impedimento que a autoridade administrativa teria em não deferir o pleito seria pelo fato de não ter havido retenção (recebimento) dos valores discutidos. Nesse caso, existiria a ausência de valores a serem restituídos. Mas não é o que ocorre no presente caso. Os presentes autos foram distribuídos, inicialmente, à extinta 1º Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, que em uma análise preliminar, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 180100.017 1ª Turma Especial) nos seguintes termos (v. efls 301/304): O cotejo entre a decisão de primeira instância e o Recurso deixam dúvidas com relação ao que de fato ocorreu, não é possível julgar com segurança pelos argumentos apresentados. Assim, determino o retorno dos autos para que a autoridade administrativa junte aos autos a cópia dos documentos mencionados na decisão de primeira instância e que foram decisivos para a conclusão, em especial, os documentos citados referentes ao Sistema IRFConsulta, por exemplo, nos itens 9 e 14 da decisão de primeira instância. Esclareça ainda em relação ao item de utilização em duplicidade de RS 81.452,99, os fatos e documentos que comprovariam tal situação, isto porque a Recorrente junta na fl. 161 o comprovante anual de retenção e a autoridade no item 14 de sua decisão disse que não consta a retenção. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 430 5 Pedese ainda que a fiscalização proceda a verificação junto à contabilidade da empresa quanto ao oferecimento à tributação do rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte. Ao final das da diligência a contribuinte deve ser intimada a se manifestar no prazo regulamentar em respeito ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Encaminhado o processo à DERAT/SP para cumprimento da diligência solicitada pelo CARF, a Contribuinte foi instada a apresentar documentos e esclarecimentos à Autoridade Fiscal que, ao final, produziu o Relatório de Diligência de efls. 366/368, assentando o seguinte: 9 A fim de verificar o oferecimento à tributação dos rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte, o contribuinte foi intimado a apresentar cópias das páginas dos livros Diário e Razão que conteriam os registros contábeis das receitas correspondentes às retenções na fonte utilizadas na composição dos saldos negativos de CSLL dos anoscalendários 1998 e 1999, e planilha demonstrativa da composição da receita oferecida à tributação nos anoscalendários 1998 e 1999, conforme Termo de Intimação anexado em fl.308. 10 Em resposta, o contribuinte apresentou cópias dos livros Razão Analítico e Diário Geral, e comprovante de retenção de imposto de renda na fonte do ano calendário 1999, no valor de R$ 451.421,98, anexados em fls. 310 a 331. 11 Instado a fornecer documentação complementar, principalmente planilha demonstrativa da composição dos valores que teriam resultado naquele informado em DIPJ, e portanto, oferecido à tributação, o contribuinte apresentou, além das cópias dos livros Razão Analítico e Diário Geral, planilha demonstrativa de vendas e retenções de CSLL s/notas fiscais emitidas a òrgãos Públicos, todos anexados em fls. 332 a 364. 12 Com base na documentação apresentada, podese concluir que houve a escrituração dos valores referentes às notas fiscais emitidas em nome da Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação. Mas não se pode afirmar que o valor escriturado tenha sido oferecido à tributação. 13 As cópias dos livros Razão e Diário Geral não são, sozinhas, suficientes para a convicção de que tenha havido oferecimento dos valores correspondentes à tributação. Elas carecem de confirmações que seriam fornecidas por uma planilha demonstrativa da constituição dos valores oferecidos à tributação, tal qual solicitado através do Termo de Intimação, anexado em fl. 308. CONCLUSÃO 14 Como não foi apresentada planilha demonstrativa da constituição dos valores oferecidos à tributação, não há, apenas com os documentos apresentados, afirmar que os valores escriturados referentes às vendas à Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação tenham entrado na composição dos valores informados como receita de vendas, nas DIPJ’s dos exercícios 1999 e 2000, anos calendários 1998 e 1999. 15 Ou seja, mesmo intimado, o contribuinte NÃO COMPROVOU que os rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte nos anos calendários 1998 e 1999 foram oferecidos à tributação. Fl. 432DF CARF MF 6 Após, os autos foram encaminhados à DRJ/SPO, que também se manifestou, através da Resolução nº 16.000.483 2ª Turma (v. efls. 369/371): Pois bem, tendo em vista a inusitada e dispensável determinação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe a esta autoridade administrativa, salvo melhor juízo, prestar os esclarecimentos requeridos. Primeiramente é solicitado que se “junte aos autos a cópia dos documentos mencionados na decisão de primeira instância e que foram decisivos para a conclusão, em especial, os documentos citados referentes ao Sistema IRFConsulta, por exemplo, nos itens 9 e 14 da decisão de primeira instância”. Não há necessidade de se juntar tais documentos pois, não obstante esses documentos já constarem dos autos, a decisão ora recorrida indica as folhas em que se encontram. Como o referido Acórdão foi proferido anteriormente ao advento do eprocesso a numeração indicativa referese a do processo em papel. Para que não pairem dúvidas, segue a indicação das folhas do eprocesso em que se encontram os documentos mencionados na decisão de primeira instância. Os itens 9 e 10 da referida decisão, a seguir reproduzidos, indicam constar da fl. 192 (processo em papel) a consulta ao sistema IRF CONSULTA. Na numeração do e processo passa a ser fl. 198. “9. O valor aceito de CSLL retida na fonte por órgãos públicos, de R$ 1,58, corresponde à diferença entre o valor comprovado no sistema IRF CONSULTA (R$ 81.454,57) e o utilizado pela contribuinte na apuração anual (R$ 81.452,99). 10. Efetivamente, no sistema IRF CONSULTA consta, no ano de 1998, a retenção pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, CNPJ n° 00.378.257/000181, do valor de R$ 395.054,67, sob o código 6147 (Produtos Retenção em Pagamento por Órgão Público), referente a pagamentos no valor de R$ 8.145.457,14 (fl. 192).”(Grifouse) Com relação ao item 14, também reproduzido na sequência, a consulta ao sistema IRF CONSULTA encontrase às fls. 249 a 252 do processo em papel ou nas folhas 257 a 260 do eprocesso, como queiram. “14. Acrescentase o fato de que no sistema IRF CONSULTA, verificase que no anocalendário de 1997 não consta retenção feita pelo FNDE, em que tenha sido informada como beneficiária a manifestante (fls. 249 a 252).” (Grifouse) O segundo quesito proposto pelo CARF pede esclarecimentos com relação “ao item de utilização em duplicidade de R$ 81.452,99”. Deparase aqui com uma situação embaraçosa, na medida em que não há na decisão item que trate de utilização em duplicidade de R$ 81.452,99. Motivo pelo qual, nada há que se responder. Encaminhese o presente processo à unidade de jurisdição da contribuinte para dar lhe ciência da presente Resolução e do Despacho de Diligência (fls. 366 a 368), concedendolhe prazo de 30 dias para manifestação, conforme artigo 35 do Regulamento do PAF, e posterior retorno ao CARF para prosseguimento. Cientificada dos Relatórios acima, elaborados em atendimento ao pedido de diligência, a Recorrente apresentou a petição de efls. 377/378 em que esclarece ter juntado aos autos toda a documentação solicitada e necessária à composição do seu faturamento e do Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 431 7 crédito de saldo negativo objeto do pedido de restituição, inclusive planilha demonstrativa de vendas e retenções de CSLL sobre notas fiscais emitidas a órgãos públicos. Juntou, ainda, aos autos, demonstrativos mensais de apuração do IRPJ e CSLL nos períodos de 1998 e 1999, além de demonstrativo de compensação de impostos e contribuições retidos por órgãos do governo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Contribuinte se insurge contra o não provimento de sua manifestação de inconformidade apresentada em face da decisão proferida pela DERAT/SP, que deferiu apenas parcialmente o pedido de restituição de efls. 02/04. O recurso é tão somente quanto ao pedido de restituição, pois o pedido de compensação foi integralmente reconhecido pela DRJ/SPO, por força de sua homologação tácita. Vamos fazer uma análise de cada um dos anos calendários objeto do pedido de restituição, de forma segregada para o melhor entendimento da questão. Ano Calendário de 1998 Em relação ao ano calendário de 1998, a Recorrente solicitou a restituição do valor de R$193.845,52 (vide abaixo). Fl. 434DF CARF MF 8 Entretanto, a DERAT/SP reconheceu como passível de restituição o valor de R$143.765,26. Abaixo a análise feita pela DERAT/SP: A justificativa da Recorrente em relação à diferença reconhecida a menor, quando da manifestação de inconformidade, foi a seguinte: Já no recurso voluntário, a Recorrente não faz nenhuma menção à citada diferença de R$50.080,26. Apesar de abrir tópico específico para tratar da "divergência verificada no anocalendário de 1998" (v. efls. 288), faz confusão e aborda tema relativo às divergências apontadas para o ano de 1999, senão vejamos: Divergência verificada no anocalendário de 1998 Entre o valor apresentado pela Recorrente e o admitido pelas autoridades julgadoras, na Linha 27 foi constatada uma divergência de R$135.934,90. O valor desconsiderado referese: R$81.452,99 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de janeiro de 1999. R$24.824,38 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de fevereiro de 1999. R$29.657,53 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de fevereiro de 1999. Nesse tópico, relativo ao ano calendário de 1998, a Recorrente tratou única e exclusivamente do regime de competência, argumento adotado pela DRJ/SP para negar provimento à Manifestação de Inconformidade. Ainda assim, de forma muito superficial e inconsistente, conforme podemos facilmente observar de trecho de seu recurso, colacionado abaixo (v. efls. 288/289): Releva considerar que, em existindo créditos, como de fato reconhecem as autoridades julgadoras e a retenção significar uma adiantamento de tributo, que posteriormente será abatido Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 432 9 pelo contribuinte no cômputo da contribuição a recolher, discussões acerca do regime de contabilização do crédito se tornam irrelevantes face a existência concreta dos valores postulados. Discordo frontalmente da Recorrente quanto à alegação de que "discussões acerca do regime de contabilização do crédito se tornam irrelevantes face a existência concreta dos valores postulados". A DRJ/SP esgotou esse tema com muita competência, demonstrando todo o arcabouço normativo aplicável à espécie, mormente os arts. 193, 194 e 197, do RIR/94, e os arts. 187 e 191 da Lei nº 6.404/76, arrematando da seguinte forma: 18. Portanto, as receitas de vendas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do períodobase em que foram efetivadas, independentemente de seu recebimento, contrariando o entendimento da manifestante. Assim, não há muito mais a ser dito em relação ao ponto, mesmo porque o cerne da diferença inadmitida (os R$50.080,26), sequer foi objeto de contestação por parte do recurso voluntário. Por essas razões, mantenho o teor da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Ano Calendário de 1999 Em relação ao ano calendário de 1999, a Recorrente solicitou a restituição do valor de R$268.580,81 (vide abaixo): Entretanto, a DERAT/SP reconheceu como passível de restituição o valor de R$200.871,32. A justificativa da Recorrente, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, em relação à diferença reconhecida a menor foi a seguinte: Fl. 436DF CARF MF 10 O Recurso Voluntário não inovou em nada em relação ao que já havia sido dito na Manifestação de Inconformidade. Ao contrário, creio que alguns trechos, como o reproduzido abaixo, vieram a reforçar o entendimento que exporei mais adiante no voto. Vejamos, então, o trecho a que nos referimos (v. efls. 289): O período de apuração de 1998 é importante para compreender a mecânica do proceder adotada pela Recorrente. A diferença apurada pela DERAT/SP para esse período importou em R$50.080,26, que a Contribuinte alega ser referente a retenções de Órgãos Públicos sobre rendimentos percebidos em 1997 mas creditados em suas contascorrentes nos primeiros dias de janeiro de 1998, e que teriam sido compensados com os valores devidos a título de estimativas no mês de janeiro do mesmo ano (vide demonstrativo de efls. 412). Percebese, a partir dos demonstrativos de efls. 411/423, que a Contribuinte efetuava compensação dos valores retidos por Órgãos Públicos com as estimativas apuradas no decorrer dos respectivos anos calendários sob análise. Até aí, nada de irregular, não fosse o fato de que os mesmos valores objeto de compensação com as estimativas devidas durante o ano também foram incluídos na "Ficha 30 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido" da DIPJ/99 (v. efls. 44): Abaixo o mesmo demonstrativo, só que da DIPJ/00 (v. efls. 100): Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 433 11 Assim, ao mesmo tempo em que utiliza a retenção na fonte de Órgãos Públicos para o pagamento das estimativas, via compensação, a Contribuinte se utiliza dos mesmos valores para calcular o saldo negativo de CSLL que pretende ver restituídos. Ora, em relação à DIPJ/99, a Contribuinte requer a restituição de R$193.845,52, em cujo montante está computado o valor de R$81.452,99 (vide extrato da declaração acima). Esses mesmos R$81.452,99 foram utilizados para a quitação da estimativa do mês de janeiro de 1999, via compensação (vide demonstrativos de efls. 418), e por via de consequência, conforme as próprias palavras da Recorrente, compuseram o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 (vide suas alegações no recurso voluntário, efls. 288, já reproduzido neste voto anteriormente), eis que inseridos no montante de R$249.012,30, relativos às estimativas pagas durante o ano. Tal proceder é absolutamente incompatível com as normas de regência pois, se a declaração apresentada pela Contribuinte não espelha a realidade dos pagamentos e compensações efetuados, como ela mesmo sugere em seu recurso voluntário (vide trecho colacionado acima), essa mesma declaração não poderia ser adotada como referência para a restituição pretendida. E, na realidade, o que a Contribuinte pleiteia através deste processo, é justamente o saldo negativo apurado em sua declaração. Portanto, reputo como absolutamente correto o critério adotado pela DERAT/SP, e corroborado pela DRJ/SP, para o cálculo dos valores a serem restituídos, desconsiderando as compensações efetuadas e reconstituindo os demonstrativos de cálculo da CSLL de acordo com o regime de competência a que se referem os rendimentos e as retenções de efetuadas por Órgãos Públicos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721342/2016-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
ÁGIO. INVESTIDA. REAL INVESTIDORA. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL.
Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com a sua real investidora.
REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO.
A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2014
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL.
Estendem-se à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do ano-calendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. E por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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INVESTIDA. REAL INVESTIDORA. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com a sua real investidora. REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO. A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2014 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendemse à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 13 42 /2 01 6- 49 Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 3 2 É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do anocalendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. E por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 4 3 Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim de multas isoladas exigidas em decorrência de falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, consubstanciados nos autos de infração às fls. 02 a 21, referentes ao anocalendário 2014, com crédito tributário total de R$ 348.351.951,95, assim distribuído: Consoante consta dos autos de infração, os lançamentos decorreram de verificação de (i) redução indevida de despesas com amortização de ágio e de (ii) falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL de agosto a dezembro de 2014. 2.1. Os lançamentos levaram em conta a conversão em pagamento definitivo dos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte no âmbito do Mandado de Segurança (MS) nº 501276297.2013.4.04.7003, determinada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região nos Embargos de Declaração em Agravo de Instrumento nº 5000729 64.2015.404.0000/PR, tornando dispensável a constituição do crédito tributário correspondente. 2.2. Em que pese tenham sido consideradas indevidas as deduções de despesas com amortização de ágio tanto no anocalendário 2013 (R$ 326.955.929,05) quanto em 2014 (R$ 1.006.018.243,27), após a recomposição da apuração do saldo de tributos a pagar, considerados os valores convertidos em renda nos termos do item 2.1 acima, somente foi determinada diferença a ser exigida por lançamento de ofício para o ano 2014. 2.3. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75% e a multa isolada no percentual de 50%. 2.4. Foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário constituído, na condição de sucessoras por cisão e por incorporação, nos termos dos arts. 124, II, 129 e 132 do Código Tributário Nacional (CTN), e do art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, as pessoas jurídicas POP Internet Ltda e Telefônica Brasil SA, respectivamente. 3. Os fatos apurados pela autoridade fiscal, suas análises e considerações feitas, os cálculos realizados e as conclusões alcançadas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) às fls. 23 a 88, e no seu anexo às fls. 89 a 91, partes integrantes dos autos de infração. O teor do referido termo está resumido a seguir: Consideração inicial 3.1. O objeto do lançamento é a glosa de amortização de ágio realizada pelo fiscalizado a partir de setembro de 2013 em virtude da incorporação reversa das suas então controladoras direta e indireta GVT Holding SA e VTB Participações SA, respectivamente. Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 5 4 Entre outubro de 2009 e junho de 2010, por meio de várias operações, a empresa francesa Vivendi SA adquiriu a integralidade das ações representativas do capital social da GVT (Holding) SA, as quais foram incorporadas pela VTB Participações SA (subsidiária brasileira da Vivendi SA) em dezembro de 2011, oportunidade em que foi registrado ágio de mais de R$ 5 bilhões pela incorporadora. A amortização se deu com inobservância dos requisitos previstos na legislação tributária: (I) imprestabilidade do laudo apresentado à guisa de comprovação do fundamento econômico do ágio; (ii) utilização de artifício de ágio interno; (iii) utilização de empresa veículo VTB Participações SA visando exclusivamente nacionalizar o investimento e o aproveitamento do ágio; Operações societárias 3.2. As operações societárias realizadas para atender condições que, supostamente, dariam azo à amortização fiscal do ágio, iniciaram com a aquisição direta e indireta das ações da GVT (Holding) SA, então controladora direta da fiscalizada, pela companhia francesa Vivendi SA no período entre outubro de 2009 e junho de 2010, da seguinte forma: 3.2.1. Primeiro conjunto de operações em 13/11/2009 adquiriu 42.543.124 ações, representando 31,08% do capital social da GVT (Holding) SA, no valor total de R$ 2.832.414.944,00. Foram três aquisições: 3.2.1.1. A Vivendi SA adquiriu 38.422.666 de ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação, por meio de operação privada com antigos acionistas controladores (Global Village Telecom Holland BV; Swarth Investiments LLC; e Swarth Investiments Holding LLC), 3.2.1.2. A Vivendi SA celebrou contrato de compra com afiliadas da Ashmore Investiment Management Limited, e adquiriu indiretamente, por meio da aquisição da Ashmore GVT 1 LLC, 3.920.831 ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação; 3.2.1.3. A Vivendi adquiriu da SEI Institucional Trust (em nome de Emerging Markets Debt Fund) 199.627 ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação; 3.2.2 Segundo conjunto de operações 76.912.833 ações da GVT (Holding) SA, representativas de 56,20% do seu capital social. A Vivendi adquiriu as ações no mercado bursátil brasileiro com intermediação da instituição financeira francesa Rothschild & Cia Banque. Foram 43 aquisições entre 19/10/2009 e 01/03/2010, totalizando R$ 4.276.295.959,42; 3.2.3. Terceiro conjunto de operações visando adquirir as 17.407.834 ações (12,72%) das ações da GVT (Holding) SA ainda em circulação no mercado bursátil brasileiro, foi feita Oferta Pública de Aquisição (OPA), do tipo obrigatória, com edital em 26/03/2010, nos moldes do art. 4º, §6º, da Lei nº 6.404, de 1976. Figurou como ofertante a empresa VTB Participações SA, subsidiária da Vivendi SA no Brasil. Este terceiro conjunto teve um custo de R$ 1.012.185.121,19, cujos recursos haviam sido recém disponibilizados à VTB Participações SA mediante capitalização de numerário remetido do exterior pela Vivendi SA, conforme ata da AGE da subsidiária realizada em 28/04/2010; 3.3. Concluídos os três conjuntos de operações, a Vivendi SA e sua subsidiária VTB Participações SA passaram a deter a totalidade do capital da GVT (Holding) Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 6 5 SA. O custo total da operação está resumido no quadro a seguir, elaborado pela fiscalizada, e a sua estrutura societária está demonstrada no gráfico também copiado abaixo: 3.4. Conforme visto, 87,28% das ações de emissão da GVT (Holding) SA foram adquiridas diretamente pela francesa Vivendi SA pelo total de R$ 6.658.710.903,42, com ágio de R$ 4.857.837.649,74. Um dos requisitos legais para que tal ágio fosse amortizado no Brasil, qual seja, a necessidade de haver incorporação da investida pela investidora (ou vice versa), jamais poderia ser atendida caso a Vivendi SA permanecesse com o controle direto da participação societária adquirida com ágio, haja vista impossibilidade jurídica de se fazer a incorporação de uma empresa brasileira por outra estrangeira (ou viceversa); 3.5. Assim, a etapa seguinte do planejamento consistiu em "nacionalizar" o investimento feito pela Vivendi SA. Para tanto, em 21/12/2011 as ações de emissão da GVT (Holding) SA, então detidas por aquela, foram incorporadas pela sua subsidiária brasileira VTB Participações SA. Para tais ações (119.455.959 ações) foi atribuído o valor de R$ 6.658.710.903,42, exatamente o custo de aquisição arcado diretamente pela Vivendi SA, o que não é mera coincidência, havendo indisfarçada motivação fiscal nesta valoração, para que a Vivendi SA não incidisse em ganho de capital tributável; Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 7 6 3.6. Com esta incorporação de ações pela VTB Participações SA, a GVT (Holding) SA tornouse sua subsidiária integral, já que os demais 12,72% já haviam sido adquiridos pela VTB por conta e ordem da Vivendi SA; 3.7. Então, a totalidade das ações de emissão da GVT (Holding) SA teria sido "adquirida" pela VTB Participações pelo custo de R$ 7.670.896.024,81, sendo: (i) 12,72% por meio de OPA, no valor de R$ 1.012.185.121,39; e (ii) 87,28% na incorporação de ações, no valor de R$ 6.658.710.903,42. Como à época da incorporação de ações o capital social da GVT (Holding) SA era de R$ 2.640.804.808,45, a incorporadora VTB Participações SA registrou ágio de R$ 5.030.091.216,36; 3.8. Ainda em razão da incorporação de ações, o capital social da VTB Participações SA foi aumentado em R$ 6.658.710.903,00, passando de R$ 1.013.015,100,00 para R$ 7.671.726.003,00. Em consequência, foram emitidas 6.658.710.903 novas ações pela ncorporadora VTB Participações SA, atribuídas à Vivendi SA em substituição às 119.455.959 ações de emissão da GVT (Holding) SA incorporadas, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976. Dessa forma, a Vivendi SA passou a deter 7.671.725.903 ações das 7.671.726.003 ações representativas do capital social da VTB Participações SA, sendo as 100 ações residuais pertencentes à VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA). A estrutura societária da fiscalizada passou a ser a seguinte: Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 8 7 3.9. Dando seguimento, no dia seguinte ao evento da incorporação de ações (em 22/12/2011) foi promovida a 4º alteração do contrato social da VCB Participações Ltda, com seu capital social sendo aumentado de R$ 100,00 para R$ 7.671.726.003,00, com emissão de 7.671.725.903 novas quotas de valor unitário de R$ 1,00, e com o ingresso da Vivendi SA no quadro societário. A integralização das novas quotas se deu com a conferência das 7.671.725.903 de ações de emissão da VTB Participações SA, então detidas pela Vivendi SA. Dessa forma, o controle direto da VTB Participações SA passou a ser exercido pela VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA): 3.10. Houve nova alteração do quadro societário da VCB Participações Ltda em 28/12/2011. A Vivendi SA promoveu aumento de capital na sua subsidiária francesa SIG 108 mediante conferência das 7.671.725.903 quotas da VCB Participações Ltda por ela detidas, passando o controle direto desta a ser exercido pela SIG 108, conforme pode ser visto abaixo. Cabe destaque à transferência :do "ágio francês" para a SIG 108. A repercussão fiscal dessa transferência se deu em 19/09/2014, quando a Telefônica Brasil SA adquiriu a totalidade das ações da GVT Participações SA (antiga VCB Participações Ltda) e, com isso, o controle da fiscalizada. Tal ágio francês, como visto, compôs o custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital tributável. Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 9 8 3.11. Em 02/09/2013 a VTB Participações SA foi incorporada pela sua controlada GVT (Holding) SA, sendo vertido, dentre outros ativos, o ágio da incorporação de ações no valor de R$ 5.030.091.216,36. No dia seguinte foi a vez da GVT (Holding) SA ser incorporada por sua controlada, a fiscalizada. Feitas essas incorporações reversas, esta passou a ser controlada diretamente pela VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA). O controle indireto, no entanto, continuou sendo integralmente exercido pela Vivendi SA. Assim, o "ágio da incorporação" finalmente chegou à fiscalizada para iniciar a amortização. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 10 9 3.12. Em 19/09/2014 a Telefônica Brasil SA adquiriu a integralidade das ações da GVT Participações SA (antiga VCB Participações Ltda), passando a ter o controle da fiscalizada. Para fins de cálculo do ganho de capital auferido nessa transação, as partes qualificadas como vendedoras (Vivendi SA, SIG 108 e SIG 72) informaram que o custo de aquisição da participação alienada foi de 2.984.526.584,00 Euros, representativo da totalidade do investimento detido pela Vivendi SA na GVT Participações SA, e equivalente ao custo das aquisições feitas entre novembro de 2009 e junho de 2010. Assim, cerca de 75% do custo de aquisição considerado no cálculo do ganho de capital consistiu no "ágio francês", pago pela Vivendi SA nas aquisições de ações da GVT (Holding) SA; 3.13. Devese fazer uma distinção entre o "ágio francês" e o "ágio da incorporação". O primeiro foi gerado na aquisição das ações da GVT (Holding) SA pela Vivendi SA. O segundo foi gerado na incorporação de ações pela VTB Participações SA. A impressão inicial que se tem é a de que o "ágio francês" teria sido apenas transferido para a VTB Participações SA. Ou seja, com o advento do "ágio da incorporação", o "ágio francês" deixaria de existir. Mas não foi isso que ocorreu. Os dois permaneceram coexistindo de forma independente, tendo o grupo econômico feito uso tributário de ambos, em condições e momentos distintos; 3.13.1. Entre setembro de 2013 e abril de 2015 a fiscalizada amortizou, para fins fiscais, o "ágio da incorporação". Sem prejuízo dessa amortização, a Vivendi SA e sua subsidiária SIG 108 incluíram o "ágio francês" no custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital auferido em setembro de 2014, por ocasião da venda da GVT para a Telefônica Brasil, reduzindo drasticamente o imposto de renda incidente nessa operação; Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 11 10 Ágio não amortizável 3.14. A amortização fiscal do ágio se deu com inobservância dos requisitos previstos na legislação tributária e, por isso, deve ser glosada. As irregularidades verificadas podem ser atribuídas a três causas abaixo elencadas, independentes entre si, sendo que qualquer delas, isoladamente, é suficiente para inviabilizar a amortização procedida pela fiscalizada: 3.14.1. Imprestabilidade do documento (laudo) apresentado pela fiscalizada à guisa de comprovação do fundamento econômico do ágio. O laudo referese à situação patrimonial do investimento anterior à época em que o ágio foi registrado na "empresa veículo", ou seja, por ocasião da incorporação de ações; 3.14.2. Utilização do artifício conhecido como "ágio interno". O entendimento consolidado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é de que o pretenso ágio oriundo de operações envolvendo empresas já pertencentes ao mesmo grupo econômico não é amortizável. No caso, as ações adquiridas pela Vivendi SA foram incorporadas por sociedade controlada por ela mesma, a "empresa veículo" brasileira VTB Participações SA. Portanto, a incorporação de ações foi uma operação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de uma subsidiária. A artificialidade dessa operação salta aos olhos pelo fato de ter sido convenientemente atribuído valor às ações incorporadas de forma que houvesse um suposto ágio a ser (indevidamente) amortizado sem, no entanto, incidir em ganho de capital tributável; 3.14.3. Utilização da "empresa veículo" VTB Participações SA visando exclusivamente à "nacionalização" do investimento e ao aproveitamento fiscal do ágio. O adquirente de fato, a Vivendi SA, manteve total independência entre seu patrimônio e o da investida, inexistindo a necessária confusão patrimonial (incorporação ou fusão) entre investidor e investida, requisito legal para a amortização fiscal do ágio; Laudos de avaliação da GVT (Holding) SA 3.15. Houve dois laudos que avaliaram a GVT (Holding) SA em épocas diferentes e para fins distintos: 3.15.1. Primeiro laudo elaborado em novembro de 2009 por Calyon Crédit Agricole, teve por finalidade subsidiar a Vivendi SA na aquisição da GVT (Holding) SA por meio de compra de bloco de ações e/ou OPA entre novembro de 2009 e junho de 2010. A recomendação do laudo era a de que fosse pago valor igual ou superior a R$ 53,00/ação. Considerando que foram pagos R$ 7.670.896.024,81 pelas 136.863.791 ações, o valor médio praticado foi de R$ 56,05/ação; 3.15.2. Segundo laudo elaborado em novembro de 2011 por Capital Soluções, por ocasião da incorporação, pela VTB Participações SA, das ações de emissão da GVT (Holding) SA detidas pela Vivendi SA. Tal laudo teve como finalidade atender o disposto nos §§ 1º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976. Acontece que o valor atribuído às ações de emissão da GVT (Holding) SA (R$ 6.658.710.903,00) foi substancialmente inferior à avaliação Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 12 11 do referido laudo, que valorou a GVT (Holding) SA em R$ 12.561.827.000,00, fazendo com que os 87,28% das ações em poder da Vivendi (incorporadas) fosse de R$ 10, 65 bilhões. Houve, pois, flagrante disparidade entre a avaliação do laudo e o valor atribuído na incorporação de ações: de cerca de R$ 4,3 bilhões. Por que a Vivendi SA teria "abdicado" de tão suntuosa quantia na relação de troca de ações? Respondese: 3.15.2.1. 1ª constatação: como a Vivendi SA havia adquirido ações no valor total de R$ 6.658.710.903,00, a incorporação se fez convenientemente pelo mesmo valor a fim de não haver ganho de capital tributável naquele operação. Caso a incorporação fosse pelo valor do laudo da Capital Soluções, geraria um ganho de capital de R$ 4,3 bilhões, tributável na fonte à alíquota de 15% nos termos do art. 682, I, e do art. 685, I, alínea "b" e §2º, ambos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Conforme consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a incorporação de ações constitui forma de alienação em sentido amplo, assim, a subscrição de ações pelo valor de mercado e superior ao consignado na escrita contábil, ainda que no bojo da incorporação de ações, caracteriza ganho de capital; 3.15.2.2. 2ª constatação: se, por um lado, não houve ganho de capital tributável, por outro, a conveniência de se atribuir às ações incorporadas valor idêntico ao da aquisição não prejudicou o planejamento engendrado para que se amortizasse no Brasil o ágio contabilizado pela VTB Participações SA por ocasião da incorporação de ações. A incorporação de ações foi uma transação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem a presença de terceiros independentes. Do contrário, certamente a Vivendi não abriria mão de R$ 4,3 bilhões na relação de troca de ações. Tratase de ágio interno; 3.15.2.3. 3ª constatação: o laudo da Capital Soluções foi elaborado com um único objetivo, o de avaliar a GVT (Holding) SA. No entanto, o menoscabo à sua conclusão foi flagrante, o que conduz a concluir que se trata de documento elaborado por mera formalidade, que não se presta para comprovar qualquer fato contábil registrado pelas empresas envolvidas na operação, em especial o fundamento econômico do suposto ágio havido na operação; Imprestabilidade do laudo para comprovação do fundamento econômico do ágio 3.16. Consoante disposição do art. 385 do RIR/99, uma vez que o fundamento econômico atribuído ao ágio amortizado foi a expectativa de rentabilidade futura da GVT (Holding) SA, a fiscalizada deveria dispor de documento onde restasse demonstrado o valor dos lucro futuros determinados de acordo com critérios ordinários de apuração e sob premissas econômicas adequadas à situação concreta da época da aquisição; 3.16.1. Como houve dois laudos, conforme já tratado, a fiscalizada foi intimada a esclarecer qual deles consistia no documento comprobatório do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura na forma requerida no art. 385, §3º, do RIR/99. Não obstante ser resposta simples a princípio, a fiscalizada solicitou duas prorrogações para providenciála, informando ao fim que o documento que se prestou para tal comprovação foi o laudo da Calyon, sendo o laudo da Capital Soluções apenas confirmou a expectativa da rentabilidade futura; Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 13 12 3.16.2. Todavia, o laudo da Calyon não se presta a comprovar o fundamento econômico do ágio amortizado na fiscalizada, já que foi elaborado em novembro de 2009, ao passo que o ágio amortizado é o registrado quando da incorporação de ações, que ocorreu em dezembro de 2011, mais de dois anos após o laudo. O que o laudo Calyon poderia atestar seria o fundamento econômico do "ágio francês", jamais o "ágio da incorporação". Um lapso de mais de dois anos entre a elaboração do laudo e a operação de aquisição importa rever vários dos pressupostos e indicadores que fundamentaram a avaliação da empresa, sob pena de comprometer a integridade das conclusões. A obrigação de o documento ser contemporâneo à operação de aquisição é expressa no art. 385 do RIR/99, sendo corolário do princípio fundamental da contabilidade denominado "Princípio da Oportunidade"; 3.16.3. Restaria o laudo da Capital Soluções, contemporâneo da incorporação de ações, o qual também não se presta a comprovar o fundamento econômico do ágio que vemsendo amortizado pela fiscalizada, haja vista, como visto, tratarse de documento elaborado por mera formalidade; 3.17. Assim, se nenhum dos dois laudos servem como documento comprobatório da rentabilidade futura, tal fato, por si só, impede a amortização fiscal na forma prevista no art. 386, III, do RIR/99; Ágio interno 3.18. A incorporação de ações feita em dezembro de 2011, operação em que foi gerado o "ágio da incorporação", foi uma transação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem presença de terceiros independentes. Além da própria Vivendi SA, todas as demais empresas envolvidas na incorporação de ações eram controladas, direta ou indiretamente, por esta: (i) GVT (Holding) SA emissora das ações incorporadas, passando a ser subsidiária integral da incorporadora VTB Participações SA; (ii) VTB Participações SA incorporadora das ações e controlada da Vivendi; e (iii) VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA) acionista minoritária da incorporadora das ações (VTB Participações SA) e controlada (indireta) da Vivendi SA; 3.18.1. Tratase de "ágio interno", cuja dedução fiscal não é admitida, conforme pode ser visto em recente Acórdão da CSRF, nº 9101002.183; Empresa veículo 3.19. Para que o ágio possa ser amortizado deve haver a confusão patrimonial entre investidora e investida (incorporação, fusão ou cisão, conforme art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997), entendendose a primeira como a empresa que efetivamente pagou o ágio. No caso, a Vivendi SA deveria ter incorporado (ou ter sido incorporada) pela fiscalizada para fazer jus à amortização ágio, mas, diante da impossibilidade jurídica de se fazer a incorporação de uma empresa brasileira por outra estrangeira (e viceversa), lançou mão da "empresa veículo" VTB Participações SA; 3.19.1. Da sequência das operações antes descritas, é incontroverso que a VTB Participações SA jamais foi adquirente de fato do investimento. Mesmo na OPA, essa Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 14 13 empresa não passou de uma longa manus da Vivendi SA, haja vista este quinhão de aquisições ter sido efetuado por conta e ordem desta conforme edital à fl. 1093. A propósito, não haveria sentido em se falar em fechamento de capital, que é o propósito da OPA obrigatória nos termos do art. 4º,§6º, da Lei nº 6.404, de 1976, se o adquirente das ações em circulação não fosse o próprio acionista controlador naquele momento (Vivendi SA); 3.19.2. A VTB Participações não teve outra finalidade senão a de criar artificiosamente condições para a amortização fiscal do ágio. Não detinha nenhum outro investimento ou atividade operacional, o que pode ser verificado perscrutando a Ficha 06A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), onde praticamente a única receita auferida decorreu de equivalência patrimonial relativa à única empresa da qual detinha participação direta (GVT (Holding) SA); 3.19.3. Consoante art. 1º do Decreto nº 2.167, de 1988, que trata sobre a composição do capital de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, as concessões, permissões e autorizações para exploração de serviços de telecomunicações de interesse coletivo somente são outorgadas ou expedidas a empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País, em que a maioria das cotas ou ações com direito a voto pertença a pessoas naturais residentes no Brasil ou a empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no País. No caso, todas as autorizações foram concedidas diretamente à fiscalizada, de modo que, sob o aspecto da regulamentação do setor, seria necessário apenas um nível de controle societário nacional acima dela, ao invés dos três níveis implementados (fiscalizada ® GVT Holding ® VTB Participações ® VCB Participações); 3.19.4. Inclusive a Anatel, por meio do Ato nº 6.553, de 13/11/2009, autorizou a transferência de controle da fiscalizada para a Vivendi SA por meio da aquisição de ações de emissão da GVT (Holding) SA, demonstrando ser absolutamente dispensável a inserção da VTB Participações na estrutura societária do grupo GVT; 3.19.5. O emprego de empresa veículo com o fim exclusivo de lograr algum proveito tributário é irregularidade perenizada em julgados do Carf, por exemplo: 1402 002.124; 1402001.893, e 1402001.938; 3.19.6. A ilicitude do uso de empresa veículo resta clara ao se atentar para a natureza jurídica do ágio pago na expectativa de exercícios futuros, qual seja, de despesa ou custo que contribuirá para a formação do resultado de mais de um exercício social. Nesse sentido, resta evidente a finalidade de um dos requisitos do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997 (base do art. 386 do RIR/99), qual seja, da necessidade de reunião, em uma só entidade, do patrimônio que pagou o ágio e daquele que vai gerar os resultados futuros, de modo que a despesa paga na obtenção desse potencial de resultados futuros possa ser diretamente confrontada com esses resultados. É essencial que o patrimônio que pagou o ágio e o patrimônio que presumidamente vai gerar lucros justificadores do pagamento estejam reunidos numa entidade. Sem tal conjunção, não é permitida a dedução de despesa de amortização. Nesse sentido Acórdãos 9101.002188 e 9101002.213 da CSRF; Procedimentos contábeis e extracontábeis adotados Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 15 14 3.20. Este tópico tem por objetivo apenas verificar se o ágio foi amortizado contabilmente ou se o seu efeito fiscal foi implementado via ajustes na apuração das bases de cálculo dos tributos. São caminhos que chegam ao mesmo resultado, mas a verificação é necessária para evitar precedentes como o da 2ª Turma da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Carf (Ac nºs 1402001.357 e 1402001.461, ambos de 2013), que decretaram nulidade dos lançamentos por vício material, pois, em tese, teriam incorrido em erro de enquadramento legal, pois houve glosa de exclusões do lucro real ao invés de considerar indedutível a despesa com amortização; 3.21. Da análise da escrituração e com base nas respostas da fiscalizada aos questionamentos constantes nos itens 8.3 a 8.5 do Termo de Intimação Fiscal nº 8 , concluise que a amortização do ágio foi feita na escrituração contábil (conta 0031383204 Amortização Ágio). Procedeuse, então, à glosa da dedução indevida das despesas de amortização de ágio que não atenderam aos requisitos do art. 385, §3º, e art. 386, III do RIR/99; Dos cálculos do IRPJ e da CSLL 3.22. O detalhamento dos valores apurados de IRPJ e de CSLL é necessário por conta dos depósitos judiciais efetuados mensalmente entre setembro/2013 e julho/2014 (MS 501276297.2013.4.04.7003), convertidos em pagamento por determinação do TRF da 4ª Região. Os cálculos estão demonstrados a seguir: 3.22.1. O lucro real e a base de cálculo da CSLL antes das compensações referentes ao ano 2013 foram obtidos a partir da DIPJ/2014, e as referentes ao ano 2014 foram extraídas do arquivo não paginável da ECF juntado à fl. 451; 3.22.2. A partir das bases de cálculo declaradas, foi adicionado o montante da amortização glosada (AC 2013 R$ 326.955.929,05; AC 2014 R$ 1.006.018.243,27) e, em sequência, foram realizadas compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL (BCN de CSLL), conforme apuração de IRPJ e de CSLL, respectivamente, utilizando integralmente os saldos existentes em 31/12/2012: R$ 168.842.988,65 de prejuízo fiscal; e R$ 171.484.709,24 de BCN de CSLL; 3.22.3. Como o limite de compensação é de 30% do lucro líquido ajustado, os valores de prejuízo fiscal e BCN passíveis de compensação em 2013 seriam superiores ao Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 16 15 considerado na apuração. A compensação em montante inferior ao que poderia ser realizado com base no saldo e no limite referido devese ao fato de que foram levados em consideração os depósitos judiciais convertidos em pagamento. Não haveria sentido em compensar valores maiores que os considerados no lançamento, pois esses já são suficientes para zerar o IRPJ e a CSLL a serem lançados para o AC 2013. Tal critério é favorável ao contribuinte, na medida em que permite permanecer saldos maiores para serem usados no ano seguinte (AC 2014); 3.22.4. As deduções do IRPJ e da CSLL apurada (exceção da estimativa) foram obtidas da DIPJ/2014 e do arquivo não paginável da ECF juntado à fl. 451. A parcela de IRRF alocada na linha relativa à estimativa (na DIPJ e na ECF) foi incluída na planilha de cálculo como dedução a título de IRRF (ficando o valor compatível com o total das retenções informadas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf); 3.22.5. Na determinação do montante de estimativa a ser deduzido na apuração do tributo a pagar foi considerado o valor total declarado em DCTF (confissão de dívida), subtraído do valor do saldo negativo gerado na apuração na DIPJ (ou ECF, conforme o ano), objeto de utilização em Declaração de Compensação (Dcomp), sob pena, se esta dedução não fosse feita, de locupletamento de um mesmo crédito em duplicidade (via compensação e via dedução no lançamento): 3.22.6. Registrese que parte das estimativas declaradas em DCTF no período entre setembro de 2013 e julho de 2014, são valores originalmente informados na condição de exigibilidade suspensa e vinculados aos depósitos judiciais no âmbito do Mandado de Segurança (MS) nº 501276297.2013.4.04.7003. Tais montantes foram transformados em pagamento definitivo, sendo dispensável a constituição do crédito tributário respectivo, e devida a sua dedução de ofício a título de estimativa paga; 3.22.6.1. O referido MS preventivo foi impetrado em 25/10/20132 tendo o objetivo principal de ser reconhecido o "direito" da fiscalizada em deduzir, das bases de calculo do IRPJ e da CSLL, as despesas relativas à amortização fiscal do ágio pago pelo grupo Vivendi na aquisição do Grupo GVT. Em 27/02/2014 foi proferida sentença3 denegando a segurança, sem pronunciamento definitivo quanto ao mencionado direito, asseverando pertencer à Receita Federal o poderdever de fiscalizar as operações da natureza referida no pleito. A fiscalizada Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 17 16 apelou da decisão, todavia, posteriormente formalizou pedido de desistência da ação, que transitou em julgado em 28/10/2014 sem análise do mérito. A lide foi redirecionada para decidir quanto ao destino a ser dado aos depósitos judiciais efetuados visando suspender a exigibilidade de IRPJ e de CSLL controversos em razão da amortização do ágio. Em 28/05/2015 o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região determinou que os valores depositados fossem transformados em pagamento definitivo; Da multa isolada 3.23. A fiscalizada optou pela apuração anual do lucro real, tendo determinado as estimativas mensais com base em balanços de redução/suspensão. A partir de agosto de 2014 não mais realizou os depósitos judiciais antes mencionados, em que pese ter continuado a amortizar o ágio, razão pela qual incorreu em falta de pagamento das estimativas. Os cálculos constam nos Anexos A e B ao TVF, às fls. 89 e 90, respectivamente; 3.23.1. A aplicação da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas, concomitantemente com a multa de ofício pela falta de pagamento do tributo devido no final do anocalendário, encontra apoio em manifestação recente do Carf (Acórdão nº 9101002.300, de 07/04/2016), que entende que a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488/2007, acabou por derrogar o entendimento constante da Súmula do Carf nº 105; Da responsabilização solidária 3.24. Em 19/09/2014 a Telefônica Brasil SA adquiriu a totalidade das ações da GVT Participações SA, que passou a ter o controle direto desta e indireto da fiscalizada. Em 01/04/2016 a fiscalizada sofreu uma cisão total, sendo seu patrimônio vertido parte para a GVT Participações SA, parte para POP Internet Ltda. Nesta mesma data a GVT Participações SA foi incorporada pela Telefônica Brasil SA Assim, em função do disposto nos arts. 124, II, 129 e 132 do CTN, e do art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, tanto a Telefônica Brasil SA quanto a POP Internet Ltda são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído devido pela fiscalizada; Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 18 17 3.24.1. Além das determinações legais acima mencionadas, há dois outros fatores que reforçam a atribuição da responsabilidade pelas infrações às sucessoras, quais sejam: (i) o ágio continuou sendo indevidamente amortizado pela fiscalizada mesmo após a Telefônica Brasil SA ter assumido seu controle; e (ii) a reorganização societária descrita (vide gráficos), que resultou na responsabilidade das sucessoras, envolveu apenas empresas do mesmo grupo econômico (fiscalizada, POP Internet Ltda, GVT Participações SA e Telefônica Brasil SA, aplicandose ao caso a Súmula Carf nº 47: "Cabível a imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". 4. A Telefônica do Brasil SA e a POP Internet Ltda foram cientificadas por via postal dos autos de infração e do TVF em 04/07/2016 e 05/07/2016, respectivamente, conforme cópias dos Avisos de Recebimento (ARs) às fls. 1632 e 1635. Na mesma data, em 03/08/2016, protocolaram suas impugnações às fls. 1640 a 1694 (instruída com os documentos às fls. 1695 a 2077) e 2080 a 2134 (instruída às fls. 2135 a 2314), nesta ordem, cujos teores são idênticos e estão resumidos a seguir: 4.1. As etapas que levaram as ações da GVT (Holding) SA a serem finalmente adquiridas, em sua integralidade, pela VTB Participações SA, tiveram origem em acirrada disputa entre o grupo francês Vivendi ("Grupo Vivendi") e a Telecomunicações de São Paulo 3.24.1. Além das determinações legais acima mencionadas, há dois outros fatores que reforçam a atribuição da responsabilidade pelas infrações às sucessoras, quais sejam: (i) o ágio continuou sendo indevidamente amortizado pela fiscalizada mesmo após a Telefônica Brasil SA ter assumido seu controle; e (ii) a reorganização societária descrita (vide gráficos), que resultou na responsabilidade das sucessoras, envolveu apenas empresas do mesmo grupo econômico (fiscalizada, POP Internet Ltda, GVT Participações SA e Telefônica Brasil SA, aplicandose ao caso a Súmula Carf nº 47: "Cabível a imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". 4. A Telefônica do Brasil SA e a POP Internet Ltda foram cientificadas por via postal dos autos de infração e do TVF em 04/07/2016 e 05/07/2016, respectivamente, conforme cópias dos Avisos de Recebimento (ARs) às fls. 1632 e 1635. Na mesma data, em 03/08/2016, protocolaram suas impugnações às fls. 1640 a 1694 (instruída com os documentos Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 19 18 às fls. 1695 a 2077) e 2080 a 2134 (instruída às fls. 2135 a 2314), nesta ordem, cujos teores são idênticos e estão resumidos a seguir: 4.1. As etapas que levaram as ações da GVT (Holding) SA a serem finalmente adquiridas, em sua integralidade, pela VTB Participações SA, tiveram origem em acirrada disputa entre o grupo francês Vivendi ("Grupo Vivendi") e a Telecomunicações de São Paulo SA (Telesp), pertencente ao grupo espanhol Telefônica ("Grupo Telefônica"). O primeiro grupo via a operação como estratégica para a entrada no setor de telecomunicações do Brasil, enquanto que para o segundo grupo a aquisição representava a possibilidade de capturar o potencial de crescimento do mercado brasileiro, permitindo a expansão e complementaridade de portfólio; Processo competitivo Grupo Vivendi e Telefônica 4.2. O processo competitivo de aquisição do controle pode ser assim resumido cronologicamente: 4.2.1. 19/08/2009 Global Village Tececom (Holland) BV, Swarth Investments LLC e Swarth Investments Holding LLC, acionistas controladores da GVT (HOLDING) SA(controle minoritário com aprox. 30% das ações), anunciam oferta secundária para venda de ações; 4.2.2. 01/09/2009 divulgado no mercado o detalhamento da oferta secundária a ser lançada, que abrangeria 20% das ações; 4.2.3. 08/09/2009 foi cancelada a oferta secundária e celebração de acordo entre os acionistas controladores e o Grupo Vivendi para lançamento de OPA voluntária no Brasil para aquisição em bolsa de até 100% das ações da GVT (Holding) SA ao preço de R$ 42,00/ação; 4.2.4. 07/10/2009 Telesp divulgou que seu conselho de administração aprovara o lançamento de uma OPA voluntária para aquisição de no mínimo 51% das ações e no máximo de 100% , ao preço de R$ 48,00/ação; 4.2.5. 19/10/2009 divulgado que o Grupo Vivendi finalizara processo de auditoria legal e que o seu conselho autorizara o lançamento de OPA voluntária para aquisição (que não chegou a ser lançada); 4.2.6. 04/11/2009 aumento do valor ofertado pela Telesp para R$ 50,50/ação; 4.2.7. 05/11/2009 lançamento da OPA para aquisição do controle da GVT (Holding) SA, com leilão marcado para 19/11/2009; 4.2.8. 12/11/2009 por meio dos Atos nºs 6.552 e 6.553, a Anatel concedeu anuência prévia para a realização da operação de transferência do controle da GVT (Holding) SA tanto para a Vivendi SA, quanto para a Telesp, respectivamente; 4.2.9. 13/11/2009 GVT (Holding) SA divulgou o fato de que: Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 20 19 4.2.9.1 O seu controle acionário havido sido adquirido pela Vivendi SA por meio de negociações privadas junto aos acionistas controladores no exterior (I aquisição de 29,9% do capital social da GVT (Holding) SA a R$ 56,00/ação, valor superior ao ofertado pela Telesp; II 8% do capital social da GVT (Holding) SA junto a terceiros; e III celebração de opções de compra com terceiros que lhe confeririam o direito de comprar 19,6% do capital social da GVT); 4.2.9.2. O Grupo Vivendi, por intermédio de subsidiária local, lançaria uma OPA obrigatória por alienação de controle a um preço de R$ 56,00/ação, para a aquisição das ações remanescentes da GVT (Holding) SA, em cumprimento do art. 254A da Lei nº 6404, de 1976; 4.2.10. 19/11/2009 a Telesp cancela OPA em virtude de perda de eficácia, vez que uma das condições para a sua realização não poderia mais ser cumprida, qual seja, a aquisição de pelo menos 51% da ações; 4.3. Apesar das vantagens da aquisição via OPA, o Grupo Vivendi teve de adotar a etapa inicial de negociação direta e confidencial com os acionistas controladores para enfrentar o processo competitivo de aquisição da GVT (Holding) SA, a despeito de ser o caminho potencialmente mais custoso. A OPA voluntária permitiria que a subsidiária local (VTB Participações SA) passasse a deter de forma originária o investimento, o que foi sempre o objetivo: centralizar o controle no Brasil. Com a inclusão da etapa de negociação direta, a fim de atender o objetivo pretendido, foi necessária a etapa de aquisição pela VTB Participações SA de ações via OPA obrigatória, seguida da incorporação de ações da GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA; 4.3.1 A inclusão do referido primeiro passo, combinado com a OPA obrigatória e com a incorporação de ações teve efeito idêntico ao que seria obtido via OPA voluntária, vez que: (i) permitiu que a subsidiária local, ao fim, detivesse 100% do investimento; e (ii) permitiu que a alienação das referidas ações ensejasse o pagamento integral do imposto de renda sobre o ganho de capital, tal como seria devido na OPA voluntária (com aquisição ocorrendo diretamente no país); 4.3.2. Dados o dinamismo e o curto prazo das negociações, não se mostrava recomendável o ingresso de recursos pecuniários na VTB Participações SA ou na VCB Participações Ltda para que estas pudessem adquirir ações da GVT (Holding) SA diretamente em um primeiro momento, pois, caso contrário, restaria prejudicada a confidencialidade, já que o movimento cambial afetaria o mercado de forma pública e notória devido ao seu preço elevado. Com isso, o valor pretendido pelo Grupo Vivendi se tornaria conhecido, evidenciando contraoferta ao valor anunciado pela Telesp, acarretando, ao fim, a elevação do valor final da transação ou a perda do investimento para a Telesp; A origem do ágio 4.4. Etapa 1 Aquisição privada de ações todos os acionistas dos quais foram adquiridas as ações jamais foram partes relacionadas ou integrantes do Grupo Vivendi; Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 21 20 4.4.1. Em 13/11/2009 foram adquiridas pela Vivendi SA 42.543.124 ações no valor de R$ 2.382.414.944,00, sendo o preço médio de R$ 56,00/ação com base no Laudo Calyon, que fixou preço entre R$ 51,00 e R$ 59,00; 4.4.2. Em decorrência da aquisição houve reconhecimento de ganho de capital tributável no Brasil por esses acionistas, sendo recolhido o IRRF nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833, de 2002; 4.4. Etapa 2 Aquisições de ações em bolsa 4.5.1. Entre 19/10/2009 e 01/03/2010 foram adquiridas ações na BM&FBOVESPA com intermediação do Banco Rothschild, no valor de R$ 4.276.292.959,42, ao preço médio de R$ 56,12. Esta operação aumentou o percentual de participação da Vivendi SA para 87,28%, reduzindo as ações disponíveis no mercado para 12,72%; 4.5.2. É devido registrar que não há que se falar em "ágio francês", criação da autoridade fiscal, vez que os valores pagos por investidores estrangeiros, independentemente de serem superiores ou não ao valor patrimonial, são simplesmente custo de aquisição nos termos da IN RFB nº 1.455, de 2014. O regime dos arts. 385 e 386 do RIR/99 são aplicáveis unicamente a pessoas jurídicas brasileiras. A aquisição de bens no Brasil por não residentes somente é relevante no momento da alienação em que o custo de aquisição do investimento é confrontado com o valor da alienação para efeito de apuração do ganho ou perda de capital; 4.6. Etapa 3 Aquisições de ações pela VTB Participações SA na OPA obrigatória 4.6.1. Em 26.03.2010 a VTB Participações SA lançou a OPA obrigatória (art. 254A da Lei nº 6.404, de 1976, e da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 361, de 2002) para aquisição da participação remanescente do capital da GVT (Holding) SA junto aos acionistas minoritários, tendo ocorrido o leilão em 28.04.2010. O objetivo da OPA era (i) cancelar o registro da GVT (Holding) SA como companhia aberta, deixando de ser negociada na BM&FBOVESPA; e (ii) cumprir com as regras societárias para estender aos acionistas minoritários a oferta do preço pago aos antigos controladores da GVT. O valor pago foi de R$ 1.012.185.121.39, com custo médio de R$ 58,14/ação; 4.6.2. A VTB Participações SA foi a efetiva ofertante na OPA ocorrida em bolsa, intermediada pelo Banco Itaú SA, tendo liquidado as obrigações com recursos próprios em razão de prévia capitalização com R$ 1.013.015.000,00, mediante emissão de ações ao preço unitário de R$ 1,00 cada, todas subscritas e integralizadas pela Vivendi SA: em 13/11/2009 230.715.000 ações; e em 28/04/2010 782.300.000 ações; 4.6.3. A VTB Participações SA passou a registrar o investimento de acordo com o método de equivalência patrimonial, desdobrando o custo em valor de patrimônio e em ágio, nos termos do disposto no art. 385 do RIR/99. O ágio registrado foi de R$ 883.435.173,95, integralmente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido na GVT (Holding) SA, segundo Laudo Calyon; 4.7. Etapa 4 Incorporação de ações da GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 22 21 4.7.1. A VTB Participações SA adquiriu ações da GVT (Holding) SA detidas pela Vivendi SA por intermédio de incorporação destas ações, fazendo com que a GVT (Holding) SA passasse a ser subsidiária integral da VTB Participações SA. Para operacionalizar a incorporação de ações da GVT, a Participações SA teve seu capital social aumentado para R$ 7.671.726.003,00. Registrou o investimento nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/99, composto pelo valor do patrimônio líquido da GVT (Holding) SA (R$ 2.640.804.808,45) e pelo ágio (R$ 5.030.091.216,36 = valor pago de R$ 7.670.896.024,81 R$ 2.640.804.808,45). O ágio pago teve fundamento econômico na expectativa de rentabilidade futura da GVT, suportada em avaliação contida no Laudo Calyon e no Laudo Capital Soluções; 4.7.2. Posteriormente, em 22/12/2011, a VCB Participações Ltda teve seu capital aumentado de R$ 100,00 para R$ 7.674.726.003,00, totalmente subscrito e integralizado pela Vivendi SA com ações detidas da VTB Participações SA, a qual se tornou subsidiária integral da VCB Participações Ltda. Esta passou a deter indiretamente o investimento da GVT (Holding) SA, via VTB Participações SA; 4.8. Etapa 5 Incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA 4.8.1. Passados quase dois anos, decidiuse simplificar a estrutura societária no Brasil, visando a racionalização de recursos, custos e despesas. Esta reorganização se deu em duas etapas: (1ª) incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA; e (2ª) incorporação da GVT (Holding) SA pela GVT SA. Após tais operações, o ágio registrado na VTB Participações SA passou para a GVT SA, que iniciou sua amortização para fins fiscais conforme autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 e art. 386 do RIR/99; Conclusões preliminares 4.9. Ante o exposto até aqui, verificase que todos os atos praticados e a estrutura adotada para a aquisição do investimento na GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA foram guiados por razões negociais e econômicas, anteriores e mais relevantes do que seus reflexos tributários no Brasil. As transações que precederam àquelas que levaram à amortização do ágio se deram entre partes não relacionadas e na mais absoluta condição de livre mercado, com definição independente de preço e seu efetivo pagamento às partes vendedoras, com ampla divulgação e anuência das diversas autoridades regulatórias: Anatel, CVM, Banco Central do Brasil (Bacen) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Além disso, os art. 385 e 386 do RIR/99 foram estritamente observados pela VTB Participações SA, que demonstrou que o ágio tinha fundamento na rentabilidade econômica da GVT (Holding) SA com base em dois laudos elaborados por empresas independentes. Apesar da acusação de amortização de ágio interno, a autoridade fiscal não indicou a criação de qualquer riqueza intragrupo; ao contrário, a narrativa fiscal confirma que todo o valor do ágio amortizado jamais destoou dos preços negociados e pagos entre partes independentes; A ilegitimidade da glosa da amortização do ágio 4.10. O direito à amortização fiscal do ágio tem por fundamento as disposições dos arts. 385 e 386 do RIR/99 e arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Tais normas não definem, limitam ou especificam a modalidade de aquisição que se lhe sujeitam. O que Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 23 22 determina o registro de ágio em investimento é o ato jurídico válido de aquisição deste por valor diverso do patrimônio líquido da sociedade cuja participação foi adquirida. Por aquisição deve ser entendida toda e qualquer modalidade de operação que resulte em translação de propriedade (compra e venda, dação em pagamento, permuta, doação etc) conforme doutrina e jurisprudência da CSRF (Ac nº 9101.001.657). No presente caso estão sendo atacados procedimentos adotados pela VTB Participações SA por ocasião das aquisições de investimentos em OPA obrigatória (12,72% do capital da GVT (Holding) SA) primeira aquisição e em incorporação de ações (87,28% do capital da GVT (Holding) SA) segunda aquisição ; 4.10.1. Foram atendidos os requisitos trazidos nas referidas normas, quais sejam: (i) indicação do fundamento econômico por ocasião da aquisição; (ii) confluência do ágio com a incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA; e (iii) fundamento econômico com base em avaliação feita no Laudo Calyon e no Laudo Capital Soluções, este último por ocasião da operação de incorporação de ações. Além desses requisitos legais, foram observados também os requisitos pela corrente jurisprudencial do Carf: (i) efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (ii) a realização de operações originais entre partes não relacionadas; e (iii) a demonstração da fundamentação econômica do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura; 4.11. Primeira aquisição ágio registrado na aquisição de ações em OPA 4.11.1. Nesta operação foi registrado o ágio de R$ 883.435.173,95, sendo fatos incontroversos o efetivo pagamento, a aquisição em ambiente regulado e as condições de livre mercado. O fundamento econômico foi integralmente suportado em Laulo Calyon, cuja avaliação atribuiu às ações valor entre R$ 51,00 e R$ 59,00, tendo sido pago R$ 58,14/ação; 4.11.2. No tocante a esta aquisição, a autoridade fiscal questiona o direito ao registro e amortização do ágio por entender que a VTB Participações SA foi utilizada como uma mera empresaveículo, sendo a Vivendi SA a verdadeira adquirente das ações; 4.11.3. O propósito da criação da VTB Participações SA foi além da geração de um benefício fiscal, tendo como finalidade a viabilização da OPA e o fechamento do capital da GVT, funções completamente desvinculadas de qualquer economia tributária, e, posteriormente, centralizar o investimento na GVT (Holding) SA e manter o controle direto da companhia no Brasil. A OPA obrigatória foi essencial para a aquisição de 100% do capital da GVT (Holding) SA. Na aquisição, a VTB Participações SA incorreu em todos os ônus, encargos e despesas com a operação, sendo responsável por liquidar financeiramente as ações mediante pagamento em dinheiro, e por pagar os custos, comissões de corretagem e emolumentos da OPA; 4.11.4. No transcurso dessa operação e da segunda aquisição (incorporação de ações), a VTB Participações SA praticou todas as atividades ligadas a sua finalidade de sociedade de holding. Entre sua constituição em 2009 e posterior incorporação em 2013, decorreu lapso temporal de quatro anos, sendo, pois, frágil a defesa de que esta sociedade é empresaveículo. Ademais, verificase que: (i) apenas em 2011 a VTB Participações SA recebeu a vultosa quantia de R$ 39.937.000,00 a título de dividendos pagos pela GVT (Holding) SA, apurando lucro líquido de R$ 51.430.000,00, conforme balanço patrimonial; (ii) Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 24 23 para fazer face às atividades de holding, principalmente os serviços contratados, manteve em caixa R$ 2.539.000,00 mesmo após realizar a OPA, valor expressivo para uma holding pura; (iii) os rendimentos financeiros foram tributados pelo IRRF; (iv) cumpriu todas as obrigações tributárias principais e acessórias; (v) contratou terceiros, incorrendo em despesas de R$ 587.000,00 em 2010, R$ 200.000,00 em 2011, e R$ 306.828,16, em 2013; (vi) incorreu em despesas administrativas de R$ 60.000,00; (vii) participou das deliberações da GVT (Holding) SA, tais como a AGE de 10.06.2010; (viii) pagou dividendos 4.11.5. Todas as atividades operacionais da empresa, ligadas ao seu objeto social (holding), foram desprezadas pela autoridade fiscal, que se apegou arbitrariamente a "cenas" do filme (vida societária real), focando na criação da sociedade e em sua incorporação; 4.11.6. Em diversos precedentes o Carf coibiu a adoção indiscriminada do conceitochavão de "empresaveículo". Recentemente, o Acórdão 1201001.364 (01/03/2016) decidiu ser legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes, sob o fundamento de não haver óbices para que o grupo econômico transfira o investimento com ágio efetivamente pago a outra empresa sua, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura, mesmo se para isso se utilizar de "empresaveículo". Citamse outros acórdãos: 1301002.009, 1301002.047, 1201001.267, etc.. Assim, mesmo que se pretenda caracterizar a VTB Participações SA como "empresa veículo", ainda assim a jurisprudência administrativa reconhece a amortização nesses casos, considerados todos os pressupostos legais atendidos com no presente caso; 4.11.7. O fato de a VTB Participações SA ter recebido recursos da Vivendi SA em aumento do capital, e ter utilizado tais recursos para adquirir participação societária na GVT (Holding) SA em OPA, não impossibilita o registro do investimento e do ágio na VTB Participações SA. A origem dos recursos ser aumento de capital na VTB Participações SA pela Vivendi SA não altera a natureza jurídica da operação de aquisição de ações em OPA, isto porque a contrapartida do investimento da Vivendi SA foi a emissão de ações pela VTB Participações SA. Esta, por sua vez, passou a dispor dos valores recebidos, utilizandoos na aquisição de ações da GVT (Holding) SA na OPA. A realidade concreta é a de que a VTB Participações SA é que adquiriu as ações da GVT (Holding) SA, pagando os acionistas com recursos próprios; 4.11.8. Ressaltese que a realização de OPA necessita de intermediação de instituição financeira, que garantirá a liquidação financeira da oferta e, eventualmente, paga o preço. Assim, é usual tais instituições restringirem a utilização de sociedades estrangeiras na operação, haja vista haver maiores dificuldades na execução das garantias. Tal fato é mais um motivo para a utilização da VTB Participações SA na operacionalização; 4.11.9. o raciocínio adotado pela autoridade fiscal, amparada no argumento de que o ônus financeiro da aquisição das ações foi suportado pela controladora estrangeira, é absurda. Os fluxos econômicos, puramente pelo prisma econômico, não são determinantes de efeitos jurídicos, mas sim os atos jurídicos que os acompanham. O fluxo econômico pode ser o mesmo, "ingresso de recursos", mas o ato jurídico aumento de capital, empréstimo, dação em pagamento, etc, é que define as consequências no plano jurídico. Seguir o entendimento fiscal conduziria ao cenário de que tudo na economia seria sempre da Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 25 24 controladora, obrigando a revisão do conceito de controlador, que deixaria de existir na figura de uma sociedade, pois acima de uma sociedade há outro sociedade investidora, e assim por diante, até chegar aos sócios pessoas físicas. Ou seja, em outras palavras, nenhuma sociedade que tenha acionista controlador seria adquirente de nada; 4.11.10. É natural que uma pessoa jurídica, necessitando de caixa para determinada operação, seja financiada pela sócia ou empresa do grupo econômico por meio aumento de capital ou empréstimo. Tal fato, corriqueiro, não pode ser qualificado como artifício para macular a validade dos atos jurídicos, autorizando sua desconsideração conforme feito pela autoridade fiscal. A alternativa ao aumento de capital seria obter empréstimo junto a instituições financeiras. Nesse caso, estas instituições seriam as adquirentes do investimento na GVT (Holding) SA? 4.11.11. Ademais, conforme jurisprudência do Carf (Ac nºs 1301001.950 e 1302 001.150), o investidor estrangeiro não está obrigado a efetuar uma aquisição direta de participação societária de forma a eventualmente restringir seu direito ao aproveitamento fiscal do ágio gerado na transação, caso pudesse fazêlo por meio de subsidiária brasileira; 4.12. Segunda aquisição 4.12.1. Esta aquisição consistiu em incorporação de ações da GVT (Holding) SA ao patrimônio da VTB Participações SA, tendo como efeito a aquisição por esta da totalidade remanescente das ações daquela, que passou a ser sua subsidiária integral. O valor pago foi de R$ 7.670.896.024,81, sendo o ágio registrado nos termos do art. 385 do RIR/99 no montante de R$ 5.030.091.216,36. O ágio foi integralmente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura suportada originalmente no Laudo Calyon, devidamente atestada pelo Laudo Capital Soluções elaborado por ocasião da incorporação das ações. Além disso, as operações precedentes foram realizadas entre partes independentes, não sendo possível sustentar a qualificação de ágio interno; 4.12.2. No que diz respeito à incorporação de ações, a Lei nº 6.404, de 1976, não definiu expressamente formalidades para demonstração da avaliação dos bens incorporados, seja no art. 8º, de caráter geral, seja no art. 252, adotando o princípio da liberdade convencional dos parâmetros para a determinação das relações de troca; 4.12.2.1. A única exigência imposta é que haja avaliação econômica dos bens para que não sejam vertidos ao patrimônio da incorporadora em valor superior ao real, visando resguardar o princípio da realidade do capital social, essencial à preservação dos interesses dos credores e demais acionistas (arts. 5º e 7º da referida lei). Daí a necessidade de que os critérios de avaliação das ações incorporadas e seus valores sejam informados no protocolo de incorporação, juntamente com as demais condições do negócio, evidenciando que o valor das ações é no mínimo igual ao capital social a realizar. No caso, o Protocolo de Incorporação de Ações (fls. 747 a 753) afirma expressamente que o valor de R$ 6.658.710.903,42 atribuído às ações incorporadas corresponde ao efetivo custo de aquisição das ações incorrido anteriormente pela Vivendi SA. Tal valor é o último parâmetro de mercado conhecido da GVT (Holding) SA (que deixou de ter ações negociadas em bolsa), que foi pago a terceiros conforme Laudo Calyon. A adoção deste valor foi um procedimento conservador e coerente, não merecendo reparo; Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 26 25 4.12.2.2. A aquisição pelo valor acima referido, que reflete o custo de aquisição anteriormente incorrido em operações realizadas entre partes independentes e sob condições de mercado (arm's length) está em linha com as regras vigentes de preços de transferências. A própria Receita Federal já reconheceu que as operações envolvendo alienação de participação societária estão sujeitas a tais regras; 4.12.2.3. Não há dúvida, pois, que o fundamento econômico do ágio estava suportado tanto pelo Laudo Calyon, quanto pelo Laudo Capital, este último elaborado por ocasião da incorporação de ações. Ambos foram arquivados na contabilidade, e evidenciam de forma hábil e idônea a perspectiva de rentabilidade futura e o valor mínimo a ser atribuído às ações, evitando prejuízos potenciais aos acionistas e credores; 4.12.2.4. Caso se tivesse atribuído valor de R$ 12.561.827.000,00 às ações incorporadas, como pretende a autoridade fiscal, ocorreria o reconhecimento de ágio adicional pela VTB Participações SA de R$ 4,3 bilhões. Tal diferença, ainda que sujeita à tributação de IRRF à alíquota de 15%, totalizaria o valor recolhido de R$ 640,5 milhões, havendo, em contrapartida, a economia de aproximadamente R$ 1.462 bilhões com futuras despesas de amortização fiscal de ágio deduzidas da apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, a incorporação com base em valor pago anteriormente entre partes independentes e em condições de mercado evitou o registro do chamado "ágio interno"; 4.12.3. O "ágio interno", na acepção técnica da expressão criada no âmbito de normas contábeis da CVM (Ofício Circular/CVM/SNC/CEP nº 01/2007), corresponde a um ágio que tenha sido reconhecido sem um custo de aquisição efetivamente incorrido, caracterizado como artificial, isto é, desprovido de substância econômica. Tal conceito não se aplica ao caso, onde o ágio decorreu de operação entre partes relacionadas, mas os valores transacionados tiveram por parâmetro operação anterior entre partes não relacionadas, conferindo um parâmetro de mercado e independência que afasta qualquer alegação de artificialidade. O "ágio interno" ocorreria se a operação tivesse sido avaliada pelos 12 bilhões acima mencionados, máximo estimado pelo Laudo Capital; 4.12.3.1. Registrese que a autoridade fiscal desconsiderou que a parcela do ágio de R$ 883.435.173,95 já estava registrado na VTB Participações SA no momento da incorporação, pois decorrente de aquisições realizadas anteriormente em OPA junto aos acionistas minoritários, em condições de mercado; 4.12.3.2. Em realidade, ao invocar a vedação de amortização do "ágio interno", associando este conceito ao ágio nascido entre operações no mesmo grupo econômico, a autoridade fiscal extrai conceitos que não existiam na lei em vigor à época dos fatos. Na prática, procura a aplicação retroativa da Lei nº 12.973, que positivou a vedação à amortização de ágio gerado em operações entre partes relacionadas. À época dos fatos, o art. 385 do RIR/99 impunhase a qualquer operação, ainda que entre sociedades de mesmo grupo econômico, indicando diretriz do legislador ao intérprete de não ser admitida qualquer restrição ao registro e amortização de ágio decorrente de operações legítimas. Nesse sentido está a doutrina e o Carf. Frisese que a Lei nº 12.973 não tem natureza interpretativa, vez que é necessário que tal condição esteja expressa; Aquisição de investimento no Brasil por estrangeiros Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 27 26 4.13. Não procede o argumento fiscal, que tem como referência recente Acórdão nº 9101002.213 da CSRF, e que sustenta que a contribuição de investimento adquirido no exterior à empresa brasileira, independentemente do ato societário vinculado, viola a legislação relativa ao aproveitamento fiscal do ágio. São duas as modalidades de investimento estrangeiro no Brasil: (i) aquisição direta por meio de aumento de capital; e (ii) capitalização de sociedade brasileira para que esta adquira participação societária em outra. Em ambas as hipóteses, as decisões proferidas, por voto de qualidade, decidiram ser inadmissível o registro de amortização do ágio gerado; 4.13.1. Esse entendimento está ao arrepio do ordenamento jurídico, vez que não há nos arts. 385 e 386 do RIR/99 qualquer distinção quanto à origem do investimento no Brasil. Tal técnica de interpretação viola os princípios gerais da atividade econômica e o tratamento isonômico entre residentes e não residentes da Constituição Federal (CF) e a não discriminação do capital estrangeiro conforme Lei nº 4.131, de 1962, recepcionada pela CF (art. 172); Validade do procedimento contábil da GVT SA 4.14. Em que pese a autoridade fiscal entender inusual o procedimento contábil adotado pela GVT SA no tocante ao registro do ágio e à dedução das despesas mensais de amortização, ressaltando, todavia, que este não teve qualquer impacto tributário no caso, é devido registrar que o procedimento adotado encontra suporte nas regras contidas na Instrução nº 319/99 da CVM (ICMV 319), e já foi analisado e validado pelo Carf no Acórdão nº 1402 001.461 (de 08/10/2013); Amortização de ágio na apuração da CSLL 4.15. Diferentemente do disposto para o IRPJ, não existe vedação legal à dedução de ágio para fins de apuração da CSLL. Além disso, não há norma que estenda a esta contribuição as disposições relativas ao IRPJ. Este é o entendimento do Carf nos Acórdãos nº 13010001.373, de 19/01/2016, e 1301001.893, de 20/01/2016, como também da CSRF, no Acórdão nº 9101002.310, de 03/05/2016; 4.15.1. A ausência de vedação resta ainda mais latente quando se observa o art. 50 da Lei nº 12.973, que passou a fazer previsão expressa da aplicação também à CSLL das normas legais que tratam do ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, até a edição dessa lei não havia disposição leal de vedação à amortização de ágio para CSLL; 4.15.2. Ademais, ainda que não se entenda assim, o art. 75 da IN SRF nº 390, de 2004, traz disposição que autoriza a amortização do ágio pago na hipótese de incorporação da sociedade investidora pela investida. Assim, a dedução é devida pela aplicação de todos os argumentos apresentados em relação ao IRPJ; Erro na apuração do IRPJ Lucro de exploração Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 28 27 4.16. Ao realizar a glosa das despesas de amortização do ágio na determinação do lucro real, não foram considerados os efeitos dessa glosa no cálculo do lucro de exploração (decorrente da elevação do adicional do IRPJ), implicando cobrança a maior de R$ 13.359.619,47 no valor principal a título de IRPJ (R$ 3.902.067,77 para 2013, e R$ 9.457.551,70 para 2014) e, por conseguinte, revisão dos valores da multa de ofício, da multa isolada e dos juros moratórios; Concomitância da multa isolada x multa de ofício Abusividade 4.17. Além de não ser possível lançar a multa isolada em função do não recolhimento de estimativas após o encerramento do anocalendário, sua exigência cumulativa com a multa ofício sobre a mesma base de cálculo; 4.17.1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já está consolidado no sentido da impossibilidade da cumulação das multas referidas em função da aplicação do princípio da consunção; Juros de Mora sobre a Multa 4.18. É indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração somente autoriza a aplicação de juros de mora sobre os tributos não pagos no prazo legal. 5. Posteriormente, em 08/08/2016, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis SC para apreciação das impugnações apresentadas, com pronunciamento da unidade preparadora pela tempestividade destas (fl. 2319). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 26/09/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 2320). Decisão DRJ/REC Em sessão de julgamento de 17/02/17, a DRJ/REC julgou procedente em parte a Impugnação apresentada: para reduzir o montante do IRPJ conforme abaixo indicado, manter integralmente o lançamento da CSLL, reduzir a multa isolada lançada como demonstrado a seguir, e manter a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os tributos confirmados. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 29 28 A ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSÁRIA CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE INVESTIDOR REAL E INVESTIDA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA DE DESPESA. DESPESA CRIADA ARTIFICIALMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 30 29 A amortização do ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase sujeita ao regramento geral disposto no art. 299 do RIR/99, que vincula a sua dedutibilidade a despesa decorra de operação necessária, normal e usual da pessoa jurídica. Não há como estender tais atributos para despesas derivadas de operações montadas artificialmente com o fim único de economia tributária. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEMONSTRAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. É condição necessária para a dedutibilidade da amortização do ágio justificado no fundamento econômico de expectativa de resultados futuros, que o laudo de avaliação em que se baseou seja contemporâneo com a aquisição do investimento e esteja devidamente arquivado. Ainda que aprovado em AGE, o laudo cuja avaliação da empresa investida não tiver sido levada em consideração para a fixação do preço da operação, o qual se baseou em outro laudo utilizado por outra empresa do mesmo grupo em outra operação realizada anos antes, não tem qualquer valor comprobatório. Este outro laudo, que efetivamente serviu de base para o valor registrado, também não serve como alicerce do fundamento econômico por não ser contemporâneo à operação que gerou o ágio. REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO. A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do ano calendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário quando este se torna definitivo, ou seja, em fase de cobrança. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 31 30 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2014 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA E JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A decisão relativa ao IRPJ quanto a estas matérias aplicase no julgamento do auto de infração da CSLL, vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Recurso Voluntário A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica suas razões de defesa. Foi apresentado também o Recurso de Ofício correspondente à parte exonerada do débito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissbilidade Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos previstos em lei, assim, merecem ser analisados. Mérito Da origem do ágio O objeto do presente processo referese ao ágio cuja origem passou por duas etapas pelas quais a VTB adquiriu todas as ações da GVT que, acredito, foram o foco de questionamento do fisco, quais sejam: Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 32 31 i) oferta pública de aquisição de ações (OPA) por meio da qual a VTB adquiriu 12,72% do capital da GVT e ii) aquisição da participação residual na GVT (87,28%) através de operação de incorporação de ações. A primeira operação de cunho mandatório em razão de expressa previsão legal (art. 254A da Lei das S.A e Instrução CVM n. 361) iniciouse em 26/03/2010 quando a VTB fez a OPA para os acionistas minoritários e passo seguinte, o leilão ocorreu em 28/04/2010. Nesta etapa a VTB desembolsou R$ 1.012.185.121,39. Do ponto de vista contábil, a VTB registrou o investimento na GVT de acordo com o método de equivalência patrimonial (MEP) e desdobrou o custo de aquisição entre PL e ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura demonstrada em laudo técnico. O valor do ágio foi de R$ 883.435.173,95. Segundo a Recorrente, os objetivos da OPA executada pela VTB foram o cancelamento do registro da GVT como companhia de capital aberto e também cumprir com a legislação e regulamentação aplicável que a obrigava a estender aos acionistas minoritários a oferta do preço pagos aos antigos controladores da GVT (R$ 56,00/ação atualizado pela Selic = R$ 58,14). A segunda operação que fora perfectibilizada através de incorporação de ações através da qual a GVT tornouse subsidiária integral da VTB. Nesta operação o capital social da VTB foi aumentada em R$ 7,6 bilhões. Vencidas tais etapas e uma vez alcançado o controle total da GVT como subsidiária integral da VTB, ocorreram mais 02 operações importantes: i) incorporação reversa da VTB pela GVT em 02/09/13 e ii) incorporação da GVT pela GVT S.A. Após esta última etapa, a Recorrente passou a amortizar o ágio nos moldes dos arts. 7°e 8°da Lei n. 9.53297 e em obediência aos arts. 385, 386 e 426 do RIR. Segundo a Recorrente, a dedutibilidade do ágio no presente caso não pode ser questionado, vez que foram preenchidos todos os requisitos legais para tanto, quais sejam: i) há sólido fundamento econômico para s aquisições efetuadas; ii) houve efetivo pagamento em dinheiro (desembolso) nas aquisições de origem; iii) na caso da incorporação de ações há laudo que atesta o fundamento econômico de rentabilidade futura e iv) operações que geraram o ágio ocorreram entre partes não relacionadas. Da validade do ágio Com relação à oferta pública de ações, me parece claro nos autos que a operação restou totalmente transparente. Tal solução fora adotada por ser obrigatória e ocorreu Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 33 32 em ambiente regulado com pagamentos efetivos em dinheiro para terceiros independentes em condições de livre mercado. Tais características desta primeira operação não foram sequer questionadas pelo Fisco. Demonstra a Recorrente que a VTB foi a efetiva ofertante na OPA que a mencionada liquidação financeira ocorreu com recursos próprios. Neste ponto, alega a autoridade fiscal para justificar a glosa do ágio que não ocorreu a chamada confusão patrimonial que em seu entendimento constitui elemento necessário para a possibilitar a respectiva dedução fiscal. Aqui, entendo necessário lembrar a obrigatória observância do Princípio da Legalidade, segundo o qual não pode ser exigido do contribuinte qualquer obrigação ou conduta que não esteja prevista em lei. No meu entendimento, os dispositivos legais aqui aplicados se resumem aos art. 7°e 8°da Lei n. 9.532/97 e o art. 385 do RIR/99 que assim dispõem: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 34 33 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 35 34 § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 36 35 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). É possível perceber na leitura dos dispositivos legais acima que a operação acima detalhada cumpriu todos os requisitos legais aplicáveis. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 37 36 Entendo aqui que as referências genéricas sobre quem foi o real adquirente ou sobre a necessária confusão patrimonial que entendo ser uma tese criada pelo Fisco sem base em lei não são suficientes para justificar a glosa do ágio. Para desconsiderar a operação e glosar o ágio, deve a fiscalização provar que os negócios jurídicos perpetrados em sua forma restaram inexistentes na essência (simulação). Mas isso não ocorreu nos autos. Questiona o fisco o fato dos recursos utilizados pela VTB neste encadeamento de operações terem sido obtidos através de aumento de capital feita por sua controladora Vivendi S.A. Tal fato é totalmente irrelevante para o deslinde do presente caso. Vejam, em qualquer empresa, o caixa sempre virá de algum lugar. O ultimo nível da estrutura corporativa sempre encontrará uma pessoa física. Quero dizer com isso que a ocorrência do aumento de capital na VTB em nada macula as operações subsequentes e nem lhe alteram a natureza. Do uso da empresa veículo A alegação do fisco de utilização da VTB como empresa veículo para justificar a glosa do ágio carece não somente de fundamentação jurídica mas também de base fática no presente caso. Primeiramente, quero destacar que a utilização da chamada empresa veículo pelo contribuinte tem sido invocada pelo Fisco como condição para invalidar o negócio jurídico ou conjunto de negócios jurídicos que culminaram na dedução do ágio pago. No caso em tela, a "empresa veículo" é a VTB, que segundo o Fisco foi utilizada pelo contribuinte com o objetivo único de possibilitar o aproveitamento do ágio. É importante destacar que o fato do contribuinte se utilizar de uma empresa veículo para a perfectibilização da operação não é suficiente, por si só, para invalidar o negócio jurídico, especialmente, como se verá mais adiante, se restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levassem ao mesmo resultado. Este racional já encontra amparo no CARF, conforme os julgados aqui destacados: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 38 37 (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Aliás, temos diversos precedentes desta brilhante 1° Turma da 2° Câmara, dentre os quais destaco recente julgado ( Acórdão n. 1201001.364) de relatoria do ilustre Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada “empresa veículo”. Destaco aqui também, trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcelo Cuba Netto no já mencionado acórdão n. 1201001.267: "(...) Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 39 38 Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação." Me parece cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si. De qualquer forma, temos que a VTB não era uma empresa de fachada ou fictícia. Pelo contrário, os autos mostram que tratavase de pessoa jurídica efetivamente constituída e que manteve a GVT como sua investida por um período muito razoável (cerca de 04 anos) e que desempenho exatamente o papel que se espera de uma empresa holding que é a consolidação dos investimentos societários do grupo. Além da frágil argumentação de que os recursos utilizados pela VTB foram obtidos por aumento de capital anterior (o que no fantasioso entendimento do fisco provaria que a VTB não seria a real adquirente dos investimentos) não há qualquer outro elemento que desqualifique os atos da VTB. Há clara tentativa da Fiscalização e da DRJ de tentar qualificar a Vivendi S.A como a real adquirente das ações. Ora, se partirmos deste princípio, deveria ser investigado também a origem dos recursos utilizados Vivendi e, após, a origem da origem e assim por diante. Não me parece crível tal racional. Pelo contrário, os autos demonstram que foi a VTB que organizou toda a cadeia de operações de aquisição das ações da GVT e efetivamente arcou com os custos e despesas da operação. Isso é que deve ser considerado! Assim, entendo que o argumento de utilização da empresa VTB como espécie de "conduit company" para justificar a glosa do aproveitamento do ágio deve ser integralmente afastada. Dos laudos apresentados fundamento econômico A fiscalização entendeu e os julgadores da DRJ ratificaram o entendimento de que o laudo de avaliação elaborado pela Calyon não ser suficiente para justificar o ágio pago Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 40 39 na operação de incorporação de ações vez que o laudo fora preparado em novembro de 2009 e a operação ocorreu efetivamente em dezembro de 2011. Além disso, a fiscalização também aponta que o valor do aumento de capital da VTB fora inferior à avaliação do Laudo elaborado pela Capital Soluções que havia calculado o valor de mercado da GVT em R$ 12.561.827.000,00. De início, cabe ressaltar que, em linhas gerais, o ágio irá se desenhar em linha tênue traçada na diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o valor do patrimônio líquido da investida à época da aquisição. Em raciocínio inverso, portanto, o custo de aquisição de uma empresa coligada e controlada, com valor de seu investimento, necessariamente corresponderá ao valor do patrimônio líquido na época da aquisição somado ao ágio ou deságio na aquisição. O ágio deve, no entanto, indicar seu fundamento econômico, a razão contábil que lastreia o custo de aquisição de um investimento para além apenas do patrimônio líquido da empresa. Neste ponto conveniente destacar os fundamentos econômicos que podem ser utilizados: 1 Valor de Mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, superior ou inferior ao custo registrado na contabilidade 2 Valor de Rentabilidade da controlada ou coligada base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 3 Fundo de Comércio, Intangíveis e outras razões econômica. Veja que o conceito basilar de um fundamento econômico que possa justificar o ágio perfaz a diferença entre uma realidade presente e uma expectativa futura, variando caso a caso. A expectativa de rentabilidade futura, em suma, será baseada na previsão de lucros que a empresa terá em exercícios futuros. “Daí que a projeção da lucratividade, na diferença proporcional entre o custo de aquisição e o valor contábil do patrimônio líquido da investida confere a segurança jurídica necessária sobre a determinação do ágio baseado no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros.” (item 1) O recorrente fundamentou o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura e a fiscalização a descaracterizou. Isso porque, a fiscalização alega a extemporaneidade do laudo de avaliação apresentado para comprovar o fundamento econômico que justificasse o ágio. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 41 40 Ora, devese principiar a discussão com o fato de que à época da operação de incorporação não havia qualquer disposição legal que exigisse laudo formal de avaliação, confeccionado por perito independente e com finalidade específica direcionada à instrumentalização do ágio. Havia, tão somente, a necessidade de existência de um demonstrativo para comprovar a escrituração do ágio, apurado com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura. Veja, o demonstrativo acerca da rentabilidade futura seria suficiente para justificar e demonstrar o fundamento econômico e base para escrituração contábil do ágio em discussão. Essencial a aplicação do princípio da estrita legalidade tributária para afirmar que, inexistindo previsão legal expressa, tornase impossível exigir qualquer formalidade quanto ao demonstrativo necessário para servir de base ao lançamento contábil do ágio. Ademais, há jurisprudência do CARF que converge com o raciocínio até então formulado: LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. (Acórdão 1201001.438 2°Câmara /1°Turma Sessão de 07/06/16) ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. (Acórdão nº 1302001.465 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 30 de Julho de 2014) ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 42 41 Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. (Acórdão nº 1102001182 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014) ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. Assim, cabe adentrar nas questões formais, novamente, para esclarecer que além de não haver previsão legal para a confecção de laudo técnico, inexistia à época da formação do ágio, qualquer dispositivo no pátrio ordenamento jurídico que determinasse algum prazo para apresentação deste demonstrativo. Atualmente vigora a Lei nº 12.973/2014, que dispõe em seu art. 20, § 3º, sobre a exigência de um laudo elaborado por perito independente, no entanto, se referindo a comprovação da “mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput” (inciso II) e de forma alguma fazendo menção à comprovação do ágio (no presente artigo elencado no inciso III). Desta forma o prazo que estipula referido artigo, do “(...) último dia útil do 13º (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação.” para apresentação do laudo, não se aplica à apresentação de demonstrativo que comprove o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 43 42 Neste contexto se torna desnecessária a menção e aplicação do princípio da retroatividade benéfica, uma vez que a lei presente não abrange e nem norteia especificamente o caso concreto que ocorreu no passado. Cabe lembrar, a legislação vigente à época das operações não disciplinou de forma expressa a forma de apresentação da demonstração, assim, ao referirse à expressão "demonstração", sem qualquer complemento, especificação ou requisito adicional, o legislador permitiu que os contribuintes viessem a demonstrar o fundamento econômico do laudo por meio de qualquer instrumento ou documento, que poderia ser um laudo "stricto sensu" elaborado por auditores independentes, um estudo interno ou uma simples apresentação em slides. Digo isso, pois, tal constatação mostra que a discussão acerca da extemporaneidade do laudo é de toda inócua. Superando a questão, segue passagem do acórdão nº 1101000.899 (Sessão de 11/06/2013): TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (...) (...) Desnecessário, assim, seria debater a qualidade do laudo que dá fundamento ao ágio amortizado. De toda sorte, registro que os argumentos adotados pela Fiscalização não são suficientes para desqualificálo. Isto porque a exigência legal é no sentido de que a contribuinte mantenha comprovante de escrituração que demonstre o fundamento do ágio pago. Este comprovante deve expressar razões que justifiquem a aquisição, mas não precisa ser, necessariamente, elaborado antes ou concomitantemente com a operação. A contribuinte pode possuir, apenas, estudo interno que lhe demonstre a rentabilidade futura, e depois buscar laudo técnico que o corrobore, desde que este não se valha de premissas impraticáveis no passado. E, no presente caso, o laudo apresentado pela contribuinte toma por referência o faturamento da empresa adquirida contemporâneo à aquisição, e aponta o retorno dos investimentos suplementares em 2,9 anos (35 meses) (fl. 302). Ou seja, se considerada a rentabilidade futura pelo prazo de 5 anos, seria possível um pagamento maior que o efetuado. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 44 43 A fiscalização, no entanto, reputou que a extemporaneidade acarretaria iminentes mudanças nos resultados já contabilizados (devido a condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial). De qualquer forma, falecendo qualquer possibilidade de extemporaneidade e restando demonstrado que o trabalho apresentado pelo Laudo Calyon e ratificado pelo Laudo Capital Soluções (ambos elaborados no momento da operação de incorporação de ações) se mostrou apto em termos técnicos, ou seja capaz de demonstrar a expectativa de rentabilidade futuro, restou devidamente comprovada a existência do elemento econômico que fundamentou o pagamento o ágio. Do ágio interno Como bem destacado pela Recorrente, é importante aqui destacar que ainda que as últimas etapas da operação tenham ocorrido entre partes relacionadas, o fato é que o ágio fora gerado em operações de aquisição de ações que foram contratadas com terceiros independentes e em ambiente de livre mercado ou foram baseadas nos parâmetros desta operação. Explico. A operação de OPA, como o próprio termo indica, é uma oferta pública que, portanto, necessariamente, envolve a participação de um universo de pessoas físicas e jurídicas que não possuem qualquer relação com a ofertante. A operação seguinte que foi de incorporação de ações, de fato, ocorreu entre partes relacionadas, fora totalmente baseada nos parâmetros utilizados na operação de OPA, o que afasta qualquer artificialidade da operação. Faço este destaque porque, ainda que os elementos de prova trazidos aos autos não fossem suficientes para afastar o entendimento de que a operação gerou um ágio interno, tenho que no presente caso o aproveitamento do ágio não deveria ser glosado. A autoridade fiscal se vale de normas e doutrina contábil, para concluir que é vedada dedução da despesa de amortização de ágio originado em operações entre partes ligadas. Contudo, invoco aqui o Princípio da Legalidade para concluir que tal racional é infundado. Da leitura dos art. 385 e 386 do RIR/99 podemos concluir que o ágio decorrente de operações realizadas entre partes ligadas, por si só, não implica na respectiva impossibilidade de dedução. Isso porque, não há qualquer vedação legal à dedução do chamado ágio interno, da mesma forma que não existe qualquer determinação de que o ágio seja originado em operação entre partes independentes para que seja válida a respectiva dedução fiscal, sendo totalmente descabida a autuação baseada, tão somente, em normas e princípios contábeis. Ora, a Lei nº 11.638/2007 que introduziu no Brasil o IFRS, prevê a segregação dos sistemas contábil e fiscal e, isso já é reconhecido pela própria PGFN, conforme se verifica da leitura do Parecer PGFN/CAT/nº 202/13: Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 45 44 " (...) O que se verificou, a partir da Lei nº 11.638, foi uma profunda mudança em conceitos básicos da própria contabilidade mercantil brasileira, rompendo com práticas que até então eram adotadas para a demonstração do patrimônio líquido das entidades e dos seus lucros. Tal rompimento atingiu até os Princípios Fundamentais de Contabilidade aprovados pela Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, que outrora eram chamados “princípios contábeis geralmente aceitos” e assim estão referidos no art. 177 da própria Lei nº 6.404. Com efeito, desde época imemorial o lucro sujeito à incidência tributária é o apurado na contabilidade comercial, a partir do qual são feitos ajustes de natureza exclusivamente fiscal, determinados pela legislação do IRPJ (e mais recente pela da CSL) com vista à quantificação das respectivas bases de cálculo. Tais ajustes, como se sabe, são os de receitas não tributáveis ou com tributação diferida, e os de custos ou despesas não dedutíveis ou com dedução diferida, assim como os dedutíveis até certo limite de valor ou sob determinadas condições, e também aqueles que recebem algum tratamento especial, inclusive a título de incentivo fiscal, procedendose, por fim, à compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Ocorre que as modificações na contabilidade, estribadas na lei nº 11.638, não mais permitem a partida, pura e simplesmente, do lucro líquido contábil, com vistas ao cálculo do lucro tributável. Isto ficou assim em virtude de que tanto as normas contábeis, inclusive e especialmente as normas jurídicas sobre contabilidade refletidas na Lei nº 6.404, quanto as normas tributárias estavam construídas sobre alicerces comuns, os quais faziam com que elas caminhassem lado a lado, sem muitos conflitos, e distanciandose apenas quando as leis tributárias determinassem algum tratamento fiscal a este ou aquele componente do lucro, diferente do que figurava na contabilidade. (...)”. 13. Tornouse necessária a adoção de uma alternativa legal que preservasse a incidência tributária dos efeitos imprevistos e, até então, imprevisíveis, trazidos pela Lei nº 11.638, de 2007. Foi nesse cenário que veio a lume o Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, mediante o qual se buscava neutralidade fiscal, conforme já devidamente explicitado na Nota Técnica da RFB. 14. Com efeito, a intenção do RTT foi manter os critérios contábeis previstos na Lei nº 6.404, de 1976, antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007, de forma a que as novas regras contábeis não influenciassem a apuração dos tributos respectivos (IRPJ, CSLL, PIS/COFINS). No que concerne ao IRPJ e CSLL, tributos mais afetados diretamente pelas referidas regras, por terem como base de cálculo o lucro real, o RTT determina que o lucro Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 46 45 a ser considerado como base para a quantificação do lucro real deve desconsiderar, para sua composição, as regras contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) 17. Efetivamente, os artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressamente determinam a observância, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, até que entre em vigor lei que discipline os efeitos tributários desses novos métodos e critérios contábeis, ou seja, a legislação tributária vigente nessa época permanece aplicada não sendo considerados os efeitos dos novos critérios contábeis. Dizer diferente significa dar efeito tributário às alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, o que não se pode admitir em face dos claros mandamentos da Lei nº 11.941, de 2009. ... 31. Assim, tendose em mente que as regras contábeis instituídas pela Lei nº 11.638, de 2007, não podem gerar efeitos tributários, nem servir ao cálculo de tributos, parece claro que os lucros ou dividendos não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte são os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados segundo as normas tributárias vigentes a partir do advento do Regime Tributário de Transição (RTT), o “lucro fiscal”, e, portanto, regras societárias originais da Lei nº 6.404, de 1976, anteriores à Lei nº 11.638, de 2007. A própria Administração Tributária reconhece deve haver total separação dos sistemas contábil e fiscal, sob pena de os novos conceitos trazidos pelas novas regras, como a avaliação do patrimônio a valor justo, valor de mercado, etc., interferissem indiretamente na base de cálculo dos tributos com conseqüente redução na arrecadação tributária. Na realidade do caso concreto, a autoridade fiscal para considerar ter havido infração e fraude, partiu de premissas equivocadas à luz da “teoria contábil, só que esta teoria está lastreada em regras contábeis editadas em períodos posteriores aos fatos ocorridos. Aceitarse tal interpretação implicaria, de uma só vez, em macular dois princípios da ordem jurídica pátria, a legalidade e a irretroatividade. Ora, se nem a lei pode retroagir, muito menos a interpretação. Somente à partir da Lei 11.638/2007, é que passou a ser exigido o resultado consolidado do grupo e foi vedada, a partir de então, apenas para fins societários, a utilização do chamado ágio gerado internamente. Tudo regulado pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 47 46 Tal conclusão é de fácil verificação, haja vista que a Lei nº 11.941/2009 criou o RTT exatamente para regrar essas separações de sistemas e, da simples leitura do texto legal constatase que o conceito de balanço consolidado não foi aceito pela lei fiscal, bem assim, as regras de dedutibilidade do ágio continuaram plenamente em vigor, eis que, além de não existir na lei fiscal vedação ao ágio gerado internamente dentro do grupo, a lei também não exigiu que houvesse propósito negocial ou pagamento. Portanto, se não por outros motivos, ainda que se admitisse a possibilidade de se transportar para a área fiscal a nova interpretação das regras contábeis, digase de passagem, não da lei societária, mas de pronunciamentos do CPC, aplicáveis a partir de 2010, ainda assim, pelo princípio da irretroatividade tal interpretação não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua existência. Ora, cabe ressaltar aqui que todo o tratamento fiscal vigente à época dos fatos, entendase aqui, os artigos 385 e 386 do RIR/99, faz todo sentido, pois, o ágio decorre da aquisição de um investimento por seu valor de mercado, superior ao valor contábil do investimento e, tal condição, é exigida pelo legislador em outras hipóteses de operações entre partes relacionadas vide as regras de Transfer Pricing e de Distribuição Disfarçada de Lucros. DDL. Sempre que se avalia uma operação entre partes relacionadas, a primeira providência que se toma é verificarse se a operação se deu em condições "Arm's Lenght". Por que, numa aquisição de investimento, o Fisco entende de forma oposta e conclui que, se a operação se deu a valor de mercado, então, se trata de verdadeiro planejamento tributário ou, simplesmente, o ágio é indedutivel? Se uma determinada empresa possui bem totalmente depreciado em sua contabilidade e o vende por 1 centavo para empresa ligada, podemos considerar que se trata de operação Arm's Lenght? Então, quando se trata de investimento, por que a adoção de condições de mercado coloca a operação em condição suspeita, ou pior, em condição tributária menos favorecida (despesa indedutível)? Não parece razoável. Vejamos alguns julgados do CARF neste sentido: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 48 47 violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (Acórdão n. 1301001.224 1. Turma 3. Câmara 1. Seção) INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EMPRESAS DO MESMO GRUPO O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. EFEITOS DO ART. 36 DA LEI Nº 10.637/2002 O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 autorizou o diferimento da tributação do ganho de capital, representado pela reavaliação de participação societária para fins de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, para o período base em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. (Acórdão 1301001.299 1. Turma 3. Câmara 1.Seção) Cabe ressaltar, somente a partir da edição da Lei n. 12.973/14 é que o chamado ágio interno passou a ser indedutível. Assim, por expressa previsão legal, já não é mais permitida a dedução do ágio formado intragrupo. Contudo, tal normativo, por óbvio, não pode ter efeitos retrospectivos e alcançar as operações que ocorreram antes de sua edição, como é o caso em tela. Além disso, a lei vem sempre para inovar o ordenamento jurídico e assim, por conclusão lógica, temos que o chamado ágio interno não era vedado antes da edição da Lei n. 12.973/14. Pensar de forma distinta seria admitir que a Lei n. 12.973/14 veio somente para "confirmar" o que já era previsto de forma "implícita" na Lei n. 9.532/97. Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 49 48 Em razão do exposto, entendo que ainda que entendido que o ágio ora em debate tenha sido originado em operação perpetrada entre empresas do mesmo grupo econômico, tal fato, por si só, não prejudica a dedução da despesa de amortização de ágio pela Recorrente vez que os valores utilizados tiverem como parâmetro a operação imediatamente anterior (OPA) que envolveu partes não relacionadas o que afasta o argumento de artificialidade da operação. Por fim, temos que: i) o ágio fora gerado em operação entre partes independentes em ambiente de livre mercado (OPA) ou entre partes relacionadas mas com utilização dos mesmo parâmetros da operação anterior; ii) o valor do ágio foi efetivamente pago; iii) o preço praticado fora ratificado por 02 laudos de avaliação distintos; iv) houve efetiva confusão patrimonial entre investidora (VTB) e investida (GVT) e v) ausente qualquer evidência de artificialidade ou simulação no caso em tela. Assim, entendo indevida a glosa da dedução do ágio, devendo ser cancelado o Auto de Infração. Em relação à parte exonerada do débito, referente à redução de multa isolada, entendo que tratase de mera questão de cálculo, assim não merece qualquer reparo a decisão da DRJ neste ponto. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 50 49 Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los Redatora designada. 1. A autuação se compõe de autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: a. glosa de amortização de ágio, fato gerador 31/12/2014, multa de ofício 75%; b. multas isoladas de 50%, devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, tanto de IRPJ, como de CSLL. 2. Foram responsabilizadas solidariamente as sucessores da autuada, POP Internet Ltda, por cisão e Telefônica Brasil S/A, por incorporação. 1 Descrição dos fatos. 3. A Autuada, GVT S/A, passou a amortizar ágio depois de ter incorporado sua controladora direta GVT Holding S/A, que havia incorporado a respectiva controladora VTB Participações S/A. 1.1 FORMAÇÃO DO ÁGIO: A Fig. 1, do Termo de Verificação Fiscal, ilustra a estrutura societária: 4. Aquisição de 100% das ações da GVT Holding S/A, Fig 1: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 51 50 Vivendi S/A, na França, entre 10/2009 e 06/2010: a) adquiriu de investidores no exterior 31,08% das ações da GVT Holding S/A, com ágio; b) adquiriu de investidores, no mercado bursátil brasileiro, 56,2% das ações da GVT Holding S/A, com ágio; c) total do ágio R$4.857.837.649,74; VTB Participações S/A, subsidiária no Brasil da Vivendi, em 03/2010, adquiriu no mercado brasileiro via Oferta Pública de aquisições de Ações (OPA), 12,72% da GVT Holding S/A, com ágio R$883.435.173,96; com recursos resultantes de capitalização da VTB, pela Vivendi S/A. 1.2 INCORPORAÇÕES 5. Incorporação das ações da GVT Holding S/A, pela VTB Participações S/A, em 21/12/2011; assim a GVT Holding S/A se tornou subsidiária integral da VTB Participações S/A; o valor das ações foi igual ao custo de aquisição pela Vivendi S/A a VTB registrou o ágio total de R$5.741.272.823,68; aumentou seu capital social e as ações emitidas pela VTB foram atribuídas à Vivendi S/A, que se tornou acionista com 99,9999% de participação no capital da VTB. 6. Incorporação de ações da VTB Participações S/A detidas pela Vivendi, pela VCB Participações Ltda (domiciliada no Brasil), em 22/12/2011, que aumentou seu capital social e as novas quotas emitidas foram conferidas à Vivendi S/A; 7. Assim, a estrutura societária resultante passou a ter a seguinte configuração: Vivendi S/A, na França 99,9999% da VCB VCB, no Brasil 100% da VTB VTB, no Brasil 100% GVT Holding GVT Holding, 99, 9621% GVT S/A 8. Cabe esclarecer que a VCB, alterou sua razão social para GVT Participações S/A. 9. Em 09/2013, com a incorporação, pela GVT S/A (Autuada), da GVT Holding S/A, que havia incorporado a VTB Participações S/A, a Autuada passou a amortizar o ágio que havia sido formado nas aquisições: a. de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil; b. de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB (capitalizada pela Vivendi), via OPA. 2 Ágio. Amortização. 10. Por refletir situação análoga, citese o Acórdão nº 9101002.213, de 03/02/2016, da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. INVESTIDA. REAIS INVESTIDORAS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 52 51 Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras. 11. Esclarece com muita precisão, no mesmo julgado deste Acórdão nº 9101002.213, de 03/02/2016, a Declaração de Voto do conselheiro André Mendes Moura, da qual se transcreve e comenta, inicialmente, o resumo que este apresentou, de que a verificação da amortização do ágio aborda três questões: 2.1.1 Questão 1. Se os fatos de amoldam à hipótese de incidência. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente no momento situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que possam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem decidiu adquirir um investimento com sobrepreço? A investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuou aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, depois da pessoa jurídica D que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção envolvendo a pessoa jurídica D e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Tratase de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). 2.1.2 Questão 2. se foram cumpridos os requisitos de ordem formal (...) se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, §3º do Decreto Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 53 52 Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. 2.1.3 Questão 3. Se as condições do negócio atenderam os padrões normais do mercado. (...) constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes 2.2 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 1. SE OS FATOS DE AMOLDAM À HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. 12. A seguir se transcreve o detalhamento das razões da Questão 1, apresentadas pelo conselheiro André Mendes Mora, do porquê de haver fatos que não se amoldam à hipótese de incidência do permissivo para se amortizar o ágio. (...) E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 54 53 jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. (Grifouse e negritouse.) Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI67, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 55 54 pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. 2.2.1 Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil 13. A Vivendi, na aquisição de 31,08% das ações, de investidores no exterior (no caso, cabe destacar que se trata de compra e venda de ações de empresa no Brasil, porém realizada entre empresas ambas no exterior, não havendo razão para internalização do ágio, salvo o aproveitamento da dedutibilidade da respectiva amortização) e de 56,2% das ações, no mercado bursátil brasileiro, efetuou tais aquisições com ágio; tais ágios, foram desembolsados por empresa domiciliada no exterior (Vivendi). 14. A legislação brasileira somente autoriza a amortização em 60 meses, do ágio do investimento societário feito, quando a empresa investidora que efetuou a aquisição com ágio, incorporar ou for incorporada (numa incorporação reversa) pela empresa objeto do ágio, consumandose a confusão patrimonial entre investidora e investida (além das demais condições que serão comentadas adiante, neste voto). 15. As operações societárias realizadas visaram trazer para o Brasil a possibilidade dessa amortização e todas foram efetuadas intragrupo, tratandose todas as empresas envolvidas, de subsidiárias da Vivendi. 16. Mediante as mesmas, o ágio da empresa Vivendi, situada no exterior, foi transferido para as subsidiárias no Brasil, via aumentos de capital dessas subsidiárias, capitalizados pela Vivendi, com as ações adquiridas. 17. Incorporadas pela GVT S/A, esta passou a amortizar o ágio. Citese o TVF: Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 56 55 Utilização da "empresa veículo" VTB Participações SA visando exclusivamente à "nacionalização" do investimento e ao aproveitamento fiscal do ágio. 18. Foi o caso das subsidiárias no Brasil da Vivendi, que não efetuaram o investimento, totalmente suportado pela Vivendi, no exterior. 19. Não ocorreu confusão patrimonial entre a investidora Vivendi, que fez a aquisição com ágio, no exterior (34,8% das ações) e no Brasil (56,2%) e a GVT Holding S/A, que incorporou as subsidiárias no Brasil, para as quais a Vivendi transferiu, mediante transformações societárias, o ágio incorrido no exterior, dado que a Vivendi (investidora) é domiciliada na França. 2.2.2 Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA 20. Verificase que, das operações de aquisição realizadas, somente a aquisição dos 12,72% da GVT Holding S/A, pela subsidiária VTB Participações S/A foi realizada com recursos da VTB, posteriormente incorporada. 21. Neste caso, é possível reconhecer a confusão patrimonial entre investidora e investida, em que pese a avaliação do texto transcrito, (parágrafo sublinhado e negritado, na citação precedente), dado que, no caso, o aporte financeiro efetuado pela Vivendi, na VTB Participações S/A, subsidiária no Brasil da Vivendi, resultou na capitalização da VTB com recursos pela Vivendi, ou seja, a VTB aumentou o capital, com recursos da sua controladora e utilizouos na aquisição com ágio, das ações da GVT Holding S/A, de vendedores no País. 2.3 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 2. SE FORAM CUMPRIDOS OS REQUISITOS DE ORDEM FORMAL. 22. O autuante consignou que: (...) houve dois laudos que avaliaram a GVT (HOLDING) em épocas diferentes e para fins distintos. O primeiro laudo foi elaborado em novembro/2009 por CALYON CRÉDIT AGRICOLE (fls. 1119 a 1320). Teve como finalidade subsidiar a VIVENDI SA na aquisição da GVT (HOLDING) por meio da compra de bloco de ações e/ou Oferta Pública de Aquisição, tal como as operações efetivamente levadas a cabo entre novembro/2009 e junho/2010 e já descritas no tópico 4.2.1 deste TVF. A recomendação tirada do “LAUDO CALYON” é de que se pagasse o valor igual ou superior a R$ 53,00 por ação (vide Figura 12 a seguir). Considerando que foram pagos R$ 7.670.896.024,81 pelas 136.863.791 ações, o valor médio efetivamente praticado naquelas operações ficou em R$ 56,05/ação (vide Tabela 2). (...) O segundo laudo foi elaborado em dezembro/2011 por CAPITAL SOLUÇÕES (fls. 1321 a 1488), por ocasião da incorporação, pela VTB PARTICIPAÇÕES, das ações de emissão da GVT (HOLDING) até então detidas pela VIVENDI. Conforme consta Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 57 56 nos itens 5.2 e 5.3 da ata da AGE da VTB PARTICIPAÇÕES realizada em 21 de dezembro de 2011 (fl. 743), bem como no item 2 do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações (fls. 748 e 749), a Capital Soluções havia sido designada responsável pela avaliação da GVT (HOLDING) para fins da incorporação das ações. Portanto, o “LAUDO CAPITAL SOLUÇÕES” teve como finalidade atender ao disposto nos §§ 1º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404/1976, in verbis: (...) 23. E concluiu que o Laudo Calyon, elaborado em 11/2009, pode atestar o fundamento do que denominou "ágio francês" nas aquisições de 31,8% pela Vivendi no exterior; 56,2% pela Vivendi no Brasil e 12,72% pela GVT no Brasil. 24. Quanto ao Laudo Capital Soluções, elaborado em 12/2011, quando das incorporações, concluiu o Autuante e demonstrou que, não se prestava à comprovação do ágio, pois elaborado posteriormente, e que tendo este Laudo avaliado as ações representativas de 87,28% do capital da GVT detidas pela Vivendi em R$10,965 bilhões, mas quando da incorporação das ações pela VTB, o valor atribuído foi R$6,658 bilhões, então: a incorporação se fez convenientemente pelo mesmo valor da aquisição a fim de que não houvesse ganho de capital tributável naquela operação; que a incorporação de ações foi uma transação realizada pela VIVENDI consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem presença de terceiros independentes; não se presta para comprovar qualquer fato contábil registrado pelas empresas envolvidas na incorporação de ações, em especial o fundamento econômico do suposto ágio havido na operação. 25. Do exposto, cabe concluir em relação à QUESTÃO 2; a. Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil, os requisitos não foram cumpridos, dada a avaliação quanto ao Laudo Capital Soluções, nas operações de incorporação de ações, pelas quais a Vivendo atribuiu as ações às suas subsidiárias no Brasil; b. Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, o requisito foi cumprido pelo Laudo Calyon. 26. No que tange ao efetivo pagamento das aquisições, a fiscalização não negou que ocorreu. 2.4 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 3. SE AS CONDIÇÕES DO NEGÓCIO ATENDERAM OS PADRÕES NORMAIS DO MERCADO. 27. Quanto às aquisições das ações terem se dado entre agentes independentes, não resta qualquer dúvida; no que tange às operações de incorporação de ações, estas se deram internamento, sendo as envolvidas todas elas subsidiárias da Vivendi. a. Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, requisito cumprido apenas na primeira operação de aquisição das ações de terceiros; b. Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, requisito cumprido, pois as ações foram adquiridas pela VTB, de terceiros, em condições de livre concorrência. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 58 57 2.5 SÍNTESE 28. Concluise que apenas o Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, reúne condições para a amortização, nos termos da legislação pertinente. 3 Estimativas mensais. Multa isolada. 29. Afirma não ser possível lançar a multa isolada após o encerramento do ano calendário; tratase de sua exigência cumulativa com a multa ofício sobre a mesma base de cálculo; que o STJ já está consolidado no sentido da impossibilidade da cumulação das multas referidas em função da aplicação do princípio da consunção. 30. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de ofício de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e multa isolada do art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 31. Na redação original do art. 44 § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, a multa isolada era de 75%, o que foi alterado pela MPv nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dando nova redação e reduzindo o percentual para 50%. 32. Portanto, as multas aplicadas, obedecerem à legislação vigente. 33. As multas exigidas, juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. De fato, a multa exigida isoladamente decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ ou CSLL anual que deixou de ser recolhido. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a imposição de uma sem que haja o nascimento da outra, por exemplo, quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, conforme a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 34. Cabe destacar que foi editada, em 12/2014:: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 35. O Acórdão CSRF nº 9101002.510, de 12 de dezembro de 2016,esclarece a questão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JlRIDICA IRPJ Anocalendario: 2008. 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 59 58 A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória n° 351, de 2007, no art. 44. da Lei n° 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmai que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF n° 105. eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória n° 351. de 2007. no ait. 44 da Lei n° 9.430. de 1996. 36. Adicionalmente, cabe acatar as razões expostas de forma minuciosa no Acórdão da DRJ/REC. 37. Quanto à penalidade ser aplicada após o encerramento do ano calendário, a leitura do dispositivo legal deixa claro o permissivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 38. Como se vê, mesmo constatado que o contribuinte apurou prejuízo ao final do ano calendário, o que só pode ser dar após o respectivo encerramento, a legislação determina a aplicação da multa isolada, se constatado o não recolhimento das estimativas mensais devidas. 39. Quanto à acusação de consunção, reiteramse as razões expostas pela DRJ/REC, que não se transcreve, dado constarem do processo e terem sido cientificadas aos interessados. 4 Não vedação à dedução do ágio na apuração da CSLL. 40. Argumenta inexistir vedação legal à dedução do ágio para fins de apuração da CSLL e cita Acórdãos CARF; que somente o art. 50 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, passou a prever expressamente a aplicação também à CSLL das normas legais que tratam do ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura; portanto, até então, não havia disposição legal nesse sentido. 41. No que tange ao "Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, que este voto julgou passível de dedução aplicase ao lançamento decorrente de CSLL, o decidido em relação ao IRPJ. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 60 59 42. Quanto ao "Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil", que este voto julgou indedutível, por não preencher os requisitos para tanto; analisase, então, se a vedação também se estende à CSLL. 43. Cabe resumir as razões da DRJ/REC, com as quais a relatora concorda. 44. A Lei nº 8.981, de 1995, art. 57, determinou que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ; o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, estabeleceu a vedação, tanto para o IRPJ com para a CSLL, da dedução de despesas de amortização, com as mesmas exceções; o art. 75 da IN SRF nº 390, de 2004, que interpretou a legislação citada, estabeleceu expressamente o entendimento da Receita Federal, de que são extensíveis no sentido de que as disposições do Decretolei nº 1.598, de 1977. 45. Citemse também Acórdãos recentes da CSRF, que deixam claro que se aplicam à CSLL as regras aplicáveis ao IRPJ: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 04/04/2018 Nº Acórdão 9101003.543 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 07/03/2018 Nº Acórdão 9101003.466 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2007, 2008, 2009, 2010TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 61 60 seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA.Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 17/01/2018 Nº Acórdão 9101003.371 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.A hipótese de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. INDEDUTIBILIDADE.Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio não só gerado internamente ao grupo econômico, mas surgido de participação societária na própria empresa que o amortiza, sem que tenha havido dispêndio efetivo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendemse à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. 46. Transcrevese a seguir os argumentos contidos no Acórdão supra, da lavra da ilustre conselheira Adriana Gomes Rêgo. Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 62 61 Antes de se discutir acerca do alcance das normas que dizem com a determinação da base de cálculo da CSLL em relação à amortização do ágio por rentabilidade futura, temse, em primeiro lugar, que a constatação da artificialidade dos procedimentos destinados ao aproveitamento tributário do ágio impede que se aceite, sob qualquer argumento, a sua dedutibilidade para fins de apuração da CSLL. Além disso, acerta a Relatora do acórdão recorrido ao firmar interpretação no sentido de que a Lei n° 9.532, de 1997, repercute, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, trazendo as disposições da Instrução Normativa SRF n° 390, de 2004, que vão nesse sentido. Confirase: Demais disso, embora à primeira vista a Lei n° 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF n° 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. (...) Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 63 62 § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; (...) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF n° 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei n° 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria indevidamente afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos, e ainda que se admitida sua fundamentação em rentabilidade futura. 47. Cabe ainda destacar a percepção da DRJ/REC, dado que a interessada impetrou mandado de segurança preventivo tendo o objetivo principal de ser reconhecido o "direito" de a fiscalizada deduzir das bases de calculo do IRPJ e da CSLL, as despesas relativas à amortização fiscal do ágio pago pelo grupo Vivendi na aquisição da GVT. Foi proferida sentença denegando a segurança, sem pronunciamento definitivo quanto ao mencionado direito; posteriormente formalizou pedido de desistência da ação, que transitou em julgado em 28/10/2014 sem análise do mérito: Ademais, ao contrário das alegações presentes nas impugnações, o próprio fiscalizado entendia ser extensível à CSLL o regramento quanto à dedutibilidade da amortização de ágio aplicado ao IRPJ, vez que, quando impetrou o MS nº 5012762 97.2013.4.04.7003, afirmou no parágrafo 25 da inicial (fl. 922) que a dedução das bases de cálculo da CSLL e do IRPJ somente pode ser feita quando respeitados os requisitos estabelecidos na legislação fiscal, e, mais adiante, no parágrafo 62, expressou quais seriam esses requisitos, sem estabelecer qualquer distinção para a CSLL: 48. Quanto ao invocado art. 50 da Lei nº art. 50 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, resultante da conversão da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013 (art. 48), veio a dirimir a discussão, não significando que o entendimento da Fazenda Nacional, antes dessa medida provisória e posteriormente lei, fosse diferente, conforme os julgados citados. 49. À vista do exposto, cabe negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, relativo ao "Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil ", nos mesmos termos em que foi negado em relação à base de cálculo do IRPJ Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 64 63 5 Recálculo do Lucro de Exploração. Objeto do Recurso de Ofício da DRJ/REC. 50. Advoga o direito de deduzir valor maior, devido ao lucro ter sido aumentado em função da autuação fiscal e argumenta que não está a pleitear recálculo do lucro de exploração. 51. Conforme detalhado no Acórdão DRJ/REC: 74. Resta evidente que uma elevação do adicional interfere diretamente no cálculo do montante da redução a ser realizada a título de benefício fiscal. 75. No presente caso, relativamente à apuração no ajuste anual, a infração relativa à dedução indevida da amortização do ágio acarretou a elevação do valor do adicional de imposto de R$ 10.696.351,44 (declarado na ECF na linha N630/4 arquivo não paginável com termo de juntada à fl. 451 dos autos) para R$ 111.298.579,80 (Tabela 12 no TVF à fl. 71 dos autos), aumentando, por conseguinte, o valor da redução a ser considerada. Tal fato não foi observado pela autoridade fiscal, pois considerou em seus cálculos (Tabela 16 do TVF à fl. 73) o mesmo valor de redução declarado pelo fiscalizado na linha N630/17 da ECF, conforme pode ser visto abaixo: 52. Para corrigir tal equívoco, devem ser refeitos os cálculos do valor da redução por benefício fiscal e do novo montante do IRPJ a ser exigido de ofício, considerando que este Acórdão manteve a glosa da amortização do Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil . 6 Juros de mora sobre multa de ofício não adimplida. 53. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 54. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012), Acórdão transitado em julgado em 14/02/2013: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "E legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990 PR, Rei. Min. Castro Meira. DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rei. Min. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 65 64 Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. I 2. Agravo regimental não provido. 55. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 19/01/2018 Nº Acórdão 9101003.374 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 08/11/2017 Nº Acórdão: 9101003.222 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Tipo do Recurso: Recurso nº Especial do Contribuinte Data da Sessão: 03/04/2018 Acórdão nº: 9101003.510 Voto vencedor: Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvome ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): (...) 56. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 66 65 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 57. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 58. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 59. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 60. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos, contribuições e multas aplicadas. 7 Responsabilidade solidária das sucessoras POP Internet Ltda e Telefônica Brasil S/A 61. As sucessoras apresentaram tanto impugnações como recursos voluntários, cujo teor foi a contestação à autuação. A responsabilização solidária não foi contestada. 8 Conclusão. Voto por DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição) e NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 67 66 Fl. 3045DF CARF MF
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