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Numero do processo: 10680.006206/2007-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 114 1 113 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006206/200770 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.355 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSE CARLOS LIMA DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (18/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 62 06 /2 00 7- 70 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.006206/200770 Acórdão n.º 2801002.355 S2TE01 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, com apuração de imposto suplementar no montante de R$5.577,16, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Cientificado da notificação, o contribuinte requereu em síntese: · fosse cancelado o auto de infração, uma vez que patentemente demonstrada a idoneidade dos documentos apresentados, bem como a efetiva prestação dos serviços, além da inexistência de prova, por parte do fisco que induzisse a conduta evasiva do contribuinte; · fosse cancelada a aplicação da penalidade de 75% em face da patente inexistência de prova da conduta fraudulenta, conforme amplamente demonstrado. A impugnação foi julgada improcedente, conforme acórdão de fls. 78/85, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA IRPF Exercício: 2002 DESPESAS MÉDICAS A dedução das despesas médicas, das despesas com dependente e das despesas com instrução na declaração de ajuste anual está condicionada comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados e restrita aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. Legitima é a cobrança da multa de lançamento ex officio quando apurado, em procedimento fiscal, imposto de renda suplementar, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 09/11/2010 (fls. 88), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 01/12/2010 (fls. 57/58). Em sua defesa, pretende seja restabelecida a dedução de despesas médicas, uma vez que não existe base legal que obrigue um Contribuinte a realizar seus pagamentos em cheque. Acrescenta que há prova inequívoca da disponibilidade financeira do Contribuinte, em espécie, para fazer frente aos pagamentos realizados. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.006206/200770 Acórdão n.º 2801002.355 S2TE01 Fl. 116 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A controvérsia está relacionada unicamente ao valor probante dos documentos apresentados pelo recorrente. No processo administrativo fiscal, a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Nos processos relativos ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Assim, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove a efetiva prestação dos serviços ou o pagamento decorrente desta prestação quando as circunstâncias assim recomendarem, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Assim, existindo motivos que justifiquem, pode a Administração Tributária não conceder eficácia probatória aos documentos apresentados pelo contribuinte, sem que isto implique na inautenticidade de tais documentos. Por outro lado, o Decreto nº 70.235/1972 confere aos julgadores administrativos, na busca da verdade material, o livre convencimento na apreciação da prova. É essa busca da verdade material, como elemento essencial do julgamento, que baliza a formação da convicção do julgador. No caso presente temos que os documentos acostados aos autos não trazem elemento essencial ao seu aceite, qual seja o detalhamento dos serviços prestados pelo profissional, nem comprovação através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Referidas não conformidades documentais foram apontadas pela autoridade lançadora desde o início do procedimento fiscal, cabendo ao contribuinte atender as solicitações a si direcionadas e cumprir com as exigências impostas para validação de sua documentação. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.006206/200770 Acórdão n.º 2801002.355 S2TE01 Fl. 117 4 Não o fazendo, correto o lançamento fiscal, devendo ser mantida a glosa referente a despesas médicas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.723785/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A jurisprudência administrativa, relativamente à intimação por via postal, é no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado.
PRAZO PARA IMPUGNAR. O prazo para o autuado apresentar impugnação não é definido aleatoriamente, mas tem previsão legal, sendo de 30 dias, conforme disposto no artigo 15 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 INTIMAÇÃO VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A jurisprudência administrativa, relativamente à intimação por via postal, é no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado. PRAZO PARA IMPUGNAR. O prazo para o autuado apresentar impugnação não é definido aleatoriamente, mas tem previsão legal, sendo de 30 dias, conforme disposto no artigo 15 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
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DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A jurisprudência administrativa, relativamente à intimação por via postal, é no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado. PRAZO PARA IMPUGNAR. O prazo para o autuado apresentar impugnação não é definido aleatoriamente, mas tem previsão legal, sendo de 30 dias, conforme disposto no artigo 15 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 37 85 /2 01 1- 14 Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para exigência do montante de R$ 26.474.903,14, incluindo juros moratórios calculados até o mês de novembro de 2011, isto porque, constatouse a omissão de receita em razão de 1) pagamentos feitos à margem da escrituração; 2) passivo fictício; e 3) saldo credor de caixa. Consta no Termo de Verificação e encerramento de Ação Fiscal (fls. 4275/4288) que: Omissão de receitas – pagamentos feitos à margem da escrituração: nesse ponto, a autoridade fiscal afirmou que o “contribuinte procedeu a uma série de registros contábeis na conta 10100140000000006 – Banco Bradesco S/A – c/c 521000 para criar um saldo que lhe possibilitasse efetuar pagamentos de diversas notas fiscais dos fornecedores Coopernorpi e Avanti. Como as referidas notas fiscais foram efetivamente pagas, em razão da resposta e dos documentos dos fornecedores (fls. 1590 a 1596, 1599 a 16313), apresentados em atendimento às intimações de fls. 1588/1589 e 1597/1598, a conclusão da autoridade fiscal foi de que aqueles pagamentos, como não foram feitos pelo Banco Bradesco, foram feitos com recursos movimentados à margem da contabilidade, caracterizando portanto omissão de receitas.” Omissão de receitas – passivo fictício: nesse ponto, a partir das notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados pelos fornecedores, teriam sido confirmados os indícios de que o contribuinte deixou de contabilizar os pagamentos efetuados aos fornecedores Coopernopi Coop Agric Norte Pioneiro e Industrial Irmãos Hort Ltda. Omissão de receitas – saldo credor de caixa: constou que: “Da análise efetuada na escrituração contábil da empresa nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009 verificouse que adota a prática de efetuar grande parte dos lançamentos relativos aos pagamentos e recebimentos mediante a utilização da conta 10000000000000004caixa. (...) No decorrer da análise contatamos grande número de lançamentos contábeis com fortes indícios de que não espelhariam a realidade dos fatos, sendo que a maioria seriam empréstimos. Abaixo alguns exemplos que demonstram que os lançamentos foram feitos apenas para suprir o caixa da empresa, caso contrário o saldo ficaria negativo: Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10930.723785/201114 Acórdão n.º 1201001.075 S1C2T1 Fl. 3.172 3 Tal lançamento constante dos razões de fls. 1529 e 1804 não encontra correspondência com as transações informadas em seus extratos bancários (fls. 213 a 228) pois não houve emissão de cheques naquele valor conforme já mencionado no item 3.1. (...) Os lançamentos (razões de fls. 1584, 1587, 1987 e 2067) acima não encontram correspondência com as transações e saldos constantes nos extratos bancários (fls. 761/762), e mesmo que tivessem acontecido, os valores relativos a resgates de aplicações não seriam debitados na conta caixa e sim na conta corrente bancária para posterior saque ou pagamento de obrigações da empresa. Em relação aos lançamentos cuja origem seriam empréstimos, cabe observar que a empresa fiscalizada, na tentativa de dar veracidade a estas operações, efetua 2 registros contábeis quando contrai as supostas operações: 1 – Efetua lançamento a débito da conta Banco e a crédito de conta do passivo (22300010000000006 – Empréstimos de terceiros); 2 – Efetua lançamento a débito da conta Caixa e a credito a conta Bancos, como se tivesse sacado aqueles recursos provenientes das supostas operações de empréstimos. (...) Os indícios de irregularidades tornaramse certeza quando em verificação feita nos extratos bancários da empresa fiscalizada no Banco Bradesco (fls. 182/1140) não foram encontradas as operações de empréstimos registradas pela empresa fiscalizada. Não obstante a confirmação de que os registros contábeis não eram fidedignos, em 04 de julho de 2011 a empresa foi intimada (fls. 150 a 165) a apresentar os documentos hábeis e idôneos comprobatórios dos lançamentos dos supostos empréstimo. (...) Em 11.08.2011 a empresa fiscalizada apresentou resposta (fls. 181) e, que assume não possuir os documento solicitados, conforme abaixo: (...) 31.07.2007 Valor débito: Caixa 519.088,34 crédito: Banco Bradesco S/A c/c 521000 519.088,34 histórico: cheques emitidos Bradesco Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 4 Desta forma e considerando ainda que a própria escrituração da empresa fiscalizada apontou a existência de saldos credores de caixa em diversos períodos (junho de 2009, por exemplo), nos 2º e 4º trimestres de 2009, apesar de não ter havido suprimentos não comprovados, houve a apuração do saldo credor de caixa (razão da conta caixa – fls.1749 a 3169). (...) Desta forma haja vista a falta de efetividade das operações mencionadas acima, foi efetuada a recomposição da conta caixa na qual foram desconsiderados todos os lançamentos não comprovados resultando na apuração dos saldos credores abaixo relacionados (coluna saldo ajustado do razão de fls. 1.749 a 3.169): A legislação do imposto de renda (art. 281, I do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo decreto 3.000, de 26 de março de 1999 dispõe que caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (o que não ocorreu neste procedimento), a ocorrência de saldo credor de caixa em sua escrituração.” Em razão do exposto foi lavrado o auto de infração em debate. O contribuinte apresentou impugnação, por meio da qual alegou: I – o auto de infração é nulo, pois a intimação na pessoa de Fabio de Lima (fl. 4288 e 4292), que não o próprio sujeito passivo ou preposto, é vício que invalida o auto. II – que o direito de ampla defesa foi violado, pois a ação fiscal se estendeu por sete meses e o prazo concedido para defesa foi de apenas trinta dias. III – que o sistema tributário nacional veda a dupla tributação e por essa razão a mesma base de cálculo não pode sofrer dupla incidência da norma tributária. Que, no caso, a autoridade administrativa, de forma deliberada, tributou a somatória das presunções de saldo credor de caixa, de falta de escrituração de pagamentos efetuados, e da manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. Ressaltou que tributar a manutenção no passivo de obrigações já pagas, também o saldo credor de caixa, numa mesma competência, resultaria em bitributação, vedada pelo texto constitucional. Ano Trimestre Data Valor R$ 2007 1º 31/01/2007 163.334,11 2007 3º 30/09/2007 502.384,63 2008 1º 31/03/2008 1.803.194,86 2008 2º 30/06/2008 1.133.309,19 2008 3º 30/09/2008 1.805.136,71 2008 4º 31/12/2008 6.600.704,37 2009 1º 25/03/2009 4.306.450,84 2009 2º 26/06/2009 1.753.143,62 2009 3º 29/09/2009 5.254.387,97 2009 4º 24/11/2009 3.175.803,38 Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10930.723785/201114 Acórdão n.º 1201001.075 S1C2T1 Fl. 3.173 5 IV – suscitou o Recurso Extraordinário nº 574706/PR, que trata da questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS/PASEP e pugnou pelo sobrestamento do julgamento deste PAF, até que a Corte Suprema fixe a interpretação do texto constitucional ao tema da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS/PASEP. V – que a tipificação adotada no lançamento contém autorização limitada aos impostos incidentes sobre uma presumida omissão de receitas e que o lançamento tributário com desconexão do enquadramento legal é nulo. Enfatiza que os fatos presumidos pela autoridade administrativa são restritos ao IRPJ e não podem, legalmente, alcançar as contribuições ao PIS/PASEP, Cofins e CSLL; Que, ao contrário do auto de infração do IRPJ, não existe o enquadramento legal da presumida omissão de receita relativamente as demais exações, e que não se admite uma tipificação genérica da omissão de receitas. VI – que a autoridade administrativa cometeu erro material na base de cálculo (matéria tributável) do tributo lançado, in casu, das contribuições sociais e gerais. Que é obrigação da autoridade administrativa determinar e calcular corretamente o tributo devido e que, no caso, a fiscalização registrou ter sido necessário efetuar a recomposição da apuração das contribuições, mediante aproveitamento dos saldos credores existentes e adicionadas às bases de cálculo mensais das receitas omitidas e que o erro nos cálculos gera a nulidade do auto de infração. VII – que a aplicação da regra de presunção contida no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, exige a efetiva comprovação da realização de pagamento à margem da escrituração e não se resume a incompatibilidades formais quanto aos lançamentos contábeis e a apresentação dos extratos bancários e de aplicações financeiras. VIII – quanto ao passivo fictício trouxe os mesmos argumentos do item anterior. IX – quanto ao saldo credor de caixa trouxe os mesmos argumentos do item anterior. X – que em relação a representação para fins penais, o crime da Lei nº 8.137/90 tem natureza material, constituindo crime de resultado, razão pela qual demanda o esgotamento da discussão acerca da existência do débito tributário na esfera administrativa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba deu parcial provimento à impugnação para reduzir a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no mês de fevereiro de 2007, conforme acórdão 0636.528 de 23/04/2012, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 6 CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DADA A PROCURADOR COM PODERES PARA REPRESENTAÇÃO JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. VALIDADE. Não padece de irregularidades a ciência do lançamento feita, no domicílio tributário da autuada, na pessoa de mandatário com poderes de representação junto à RFB. PRAZO PARA IMPUGNAR. O prazo para o autuado apresentar impugnação é assinalado por lei, e não pode ser minorado ou elastecido pelos servidores fiscais. SOBRESTAMENTO DO TRÂMITE DO PAF PARA AGUARDAR DECISÕES JUDICIAIS EM AÇÕES NAS QUAIS A AUTUADA NÃO É PARTE. Não se acolhe, por inexistência de previsão, a pretensão de sobrestar o trâmite do PAF em razão de ações judiciais em que a autuada sequer é parte. INEXATIDÕES NOS VALORES LANÇADOS. Constatado o cometimento de equívocos nos levantamentos fiscais, devem ser reduzidos os valores lançados a maior, ainda que em valores irrisórios. PAGAMENTOS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. PASSIVOS FICTÍCIOS E SALDOS CREDORES DE CAIXA. Tendo a fiscalização detalhado de forma clara e minuciosa com base em documentação trazida aos autos, as ocorrências que materializam os ilícitos irrogados, mantémse o lançamento quando a autuada sequer se dá ao trabalho de produzir prova em contrário. Impugnação Procedente em Parte” O voto condutor do acórdão proferido, na parte em que reduziu a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS no mês de fevereiro de 2007, assim consignou: “VI – DOS ERROS NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO A impugnante aponta (fls. 4.4154.421) equívocos que teriam sido perpetrados nos levantamentos fiscais e argumenta que, para a totalidade e inteireza da realidade apresentada, é imprescindível a realização de perícia tendente a afirmação dos erros cometidos pela autoridade administrativa, considerando que o erro material resulta, inexoravelmente, na alteração do valor do débito. Em face da efetividade das discrepâncias apontadas, foi exarado o despacho de fls. 4.622, determinando a realização da diligência requerida, tendente à produção dos esclarecimentos cabíveis. A diligência resultou no Termo de Diligência Fiscal de fls. 4.639/4.642, onde são prestados esclarecimentos por cada grupo de ocorrências, a saber: 1) Diferença na Apuração dos Créditos – Linha 02 (DACON); 2) Devolução de Compras (não considerada pela impugnante) e 3) Diferença na Apuração dos Débitos – Receitas de Vendas. A fiscalização demonstra que as diferenças decorrem apenas do incorreto preenchimento, pela impugnante, de seus DACON. O único Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10930.723785/201114 Acórdão n.º 1201001.075 S1C2T1 Fl. 3.174 7 equívoco que realmente foi cometido pela fiscalização consiste na grafia incorreta do valor das receitas do mês de fevereiro de 2007, tendo sido grafada a importância de R$ 1.164.984,74, quando o correto é R$ 1.164.981,75. Assim, a alegação da impugnante procede apenas com respeito ao valor de R$ 2,99.” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4677/4732) no qual repisou os argumentos sustentados em sede de impugnação e acrescentou que teve razão a DRJ ao afastar as alíquotas majoradas, porém foi desacertada a decisão no sentido de manter o lançamento, apenas retificando as alíquotas, o que caracteriza novo lançamento, sendo a DRJ incompetente para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso preenche as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre a análise da nulidade suscitada. Nesse ponto o contribuinte argumentou que a ciência do auto de infração foi invalida, já que se deu por pessoa sem poderes de representação da empresa. A jurisprudência administrativa, relativamente à intimação por via postal, é no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado. Tal entendimento foi sumulado por este Conselho, nos termos da súmula CARF nº 09, que dispõe: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Logo, é de se rejeitar a nulidade arguida. Quanto à alegação de violação da ampla defesa, não merece reforma a decisão recorrida, isto porque o prazo de 30 dias para impugnação do AIIM não é definido aleatoriamente, mas tem previsão legal, senão vejamos. Dispõe o artigo 15 do Decreto 70.235/72: Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 8 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Quanto ao argumento de que o lançamento decorrente da presunção de omissão de receita somente pode recair sobre o Imposto de Renda e não pode alcançar as contribuições ao PIS/PASEP, COFINS e CSLL, já que estas não estariam abrangidas pela legislação, não merece prosperar. A lei prevê as hipóteses que autorizam a presunção de omissão de receita e a partir do momento em que tais hipóteses são verificadas no caso concreto, os valores tornamse receita omitida para todos os seus fins, não havendo necessidade de que a legislação repita a hipótese de presunção ao tratar das contribuições. O lançamento das contribuições é reflexo do lançamento do IRPJ, portanto, se há enquadramento legal da presumida omissão de receita relativamente ao IRPJ, também há para as demais exações. Em relação a alegada dupla tributação, sob o argumento de que, no caso, sobre a mesma base de cálculo houve dupla incidência, já que a autoridade administrativa tributou a somatória das presunções de saldo credor de caixa, de falta de escrituração de pagamentos efetuados e da manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, tal argumentação também não merece prosperar. As infrações são autônomas e seus efeitos não se anulam reciprocamente. Carece de lógica a alegação de que a manutenção no passivo de obrigações já pagas seria a contrapartida material de um saldo credor de caixa, e vice versa. Pelo contrário, pareceme que são irregularidades diversas. Quanto ao sobrestamento do julgamento deste processo até que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie, no Recurso Extraordinário nº 574706/PR, a respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, entendo que tal pretensão não deve ser acolhida. Não existe previsão legal para sobrestamento do trâmite de processo administrativo em decorrência da mera expectativa de julgamento de Recurso Extraordinário cuja repercussão geral tenha sido reconhecida. Relativamente ao argumento de que a aplicação da regra de presunção contida no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, exige a efetiva comprovação da realização de pagamento à margem da escrituração e não se resume a incompatibilidades formais quanto aos lançamentos contábeis e a apresentação dos extratos bancários e de aplicações financeiras, entendo que é improcedente, senão vejamos. O auto de infração teve como fundamento o artigo 281, incisos I, II e III do RIR/99, cuja redação segue transcrita: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 12, § 2 º, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10930.723785/201114 Acórdão n.º 1201001.075 S1C2T1 Fl. 3.175 9 II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” No caso dos autos foi apurada a omissão de receita em razão de 1) pagamentos feitos à margem da escrituração; 2) passivo fictício; e 3) saldo credor de caixa. A legislação autoriza a autoridade fiscal a presumir a ocorrência de omissão de receitas quando verificadas as hipóteses ali previstas nos incisos I, II e III. Assim, invertese o ônus da prova e passa a ser do sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da presunção. Consta do termo de verificação fiscal que não obstante a certeza de que os registros contábeis não eram fidedignos, em 04 de julho de 2011 o contribuinte foi intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos comprobatórios das verificações elencadas pela fiscalização. Caberia ao contribuinte a desconstituição das verificações realizadas pela fiscalização, entretanto, foram apresentados meros argumentos e não foi apresentado qualquer documento comprobatório que afastasse a presunção. Concluise, portanto, que foi correto o lançamento. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
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Numero do processo: 13888.904191/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 341 1 340 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.904191/200931 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.475 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 91 /2 00 9- 31 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 342 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.996, às fls. 86 a 91: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 03/2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 343 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 344 4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 345 5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 346 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 347 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 348 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 349 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.401 (fls. 271 a 289), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 318 a 331, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 335 a 337. Este é o Relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 350 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 07/04/2006 (fls. 79 a 84), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 1º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 30/04/2002 e possui o valor total de R$ 23.812,02. A compensação abrange débitos de IRRF, no montante de R$ 371,66 (principal e acréscimos legais). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 23.812,02 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 75. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 351 11 na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.401. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 352 12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (07/04/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 353 13 erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 354 14 acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 355 15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 356 16 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 357 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 358 18 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 359 19 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 8). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 360 20 Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 1º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 59. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 1º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 1º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.0074, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 361 21 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 318 a 331. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 1º trimestre de 2002, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deixou de deduzir o IR retido na fonte informado na declaração original, e que se ela tivesse utilizado estas retenções teria apurado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2002, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou IRPJ a pagar na declaração retificadora, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado recolhimento a maior (na parte que excede o IRPJ a pagar informado na DIPJ/retificadora); que pelo PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074 (objeto do processo nº 13888.910975/200906) a empresa pretende compensar débitos dos trimestres de 2002 (1º, 2º e 4º) com direito creditório de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2000, e que a repercussão desse PER/DCOMP sobre o presente processo depende do que o CARF vai decidir sobre a questão que está presente em todos os processos mencionados na informação fiscal (entre eles o de nº 13888.910975/200906), relativamente à definição do coeficiente para a presunção dos lucros (8% ou 32%). Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 335 a 337, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma Fl. 361DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 362 22 exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.401. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Isso já é suficiente para o reconhecimento integral do crédito pleiteado nestes autos. De todo modo, vale registrar que nesta mesma sessão de julgamento está sendo homologada a compensação contida no referido processo nº 13888.910975/200906, que Fl. 362DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904191/200931 Acórdão n.º 1802002.475 S1TE02 Fl. 363 23 também contribui para a quitação do IRPJ do 1º trimestre de 2002. Essa outra compensação, somadas às mencionadas retenções na fonte, reforçam ainda mais o entendimento de que foi indevido o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 363DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 19740.000447/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 44 7/ 20 07 -2 8 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19740.000447/200728 Resolução nº 1102000.294 S1C1T2 Fl. 575 2 Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ 1.299.160,10, por meio dos PER/DCOMPs de fls. 6 a 28, enviados entre 20/10/2004 e 4/11/2004. O despacho decisório de fls. 100 a 106, emitido em 29/5/2009, reconheceu um crédito de R$ 914.827,08 e homologou as compensações até esse limite. A diferença de R$ 384.333,02 decorre de se ter constatado que as estimativas de CSLL de junho e julho de 2003, nos valores de R$ 337.610,39 e R$ 46.719,69, respectivamente, não foram homologadas por força de decisão no processo 19740.000394/200826, e que a CSLL retida na fonte era de R$ 45,63 e não R$ 48,57. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 202 a 205), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 492 a 494): Em 06/07/2009, a interessada, por meio da peça de fls. 174 e ss, apresentou sua manifestação de inconformidade contra a decisão a quo, postulando, em síntese, que suas contestações sejam as mesmas já apresentadas nos autos do processo nº 197140.000394/200826, haja vista serem os fundamentos da presente decisão da Deinf/RJO baseados nos fundamentos lançados em Despacho Decisório lá proferido. Nesse sentido, fez acostar (fls. 193 e ss) cópia da manifestação a que se refere. Dessa forma, do relatório do voto por mim proferido naqueles autos, reproduzo a parte relativa aos argumentos trazidos pela interessada para contestar as decisões da autoridade da Deinf/RJO: Anocalendário 1997 que com relação ao saldo negativo do anocalendário de 1997, alega que à época, no caso em que o crédito e o débito compensado fossem de mesma espécie, a legislação permitia que se fizesse a compensação sem requerimento administrativo; que efetuou a compensação da estimativa da CSLL do mês de março de 1997, no valor de R$ 117.427,91, mediante saldos negativos de mesma contribuição dos anos calendário de 1994 e 1995, oriundos esses de empresa sua sucedida, Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (docs. fls. 273/325); que, portanto, é irretocável a utilização do valor de R$ 117.427,91 na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997; que com relação à parcela de R$ 146.784,90 da mesma estimativa, relativo a depósito judicial, não considerou tal valor como crédito a compensar, sendo suficiente o reconhecimento do montante de R$ 117.427,91 na composição do saldo negativo de CSLL do ano de 1997; e que o mencionado valor sub judice somente poderia ser declarado na forma que fez; Fl. 575DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19740.000447/200728 Resolução nº 1102000.294 S1C1T2 Fl. 576 3 Anocalendário 1998 CSLL retida que quanto ao valor de CSLL retida de R$ 447.365,32 (valor também discutido no processo 19740.000446/200783, tal valor está totalmente comprovado, conforme os comprovantes de retenção que junta às fls. 326 e ss; CSLL antecipada por estimativa que com relação à CSLL devida por estimativa em dezembro de 1998, para abater a parcela de R$ 154.417,68, utilizouse, como antes dito, dos saldos negativos de mesma contribuição dos anoscalendário de 1994 e 1995, oriundos de empresa sua sucedida, Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (docs. fls. 273/325); que quanto a outra parcela da estimativa de dezembro no valor de R$ 193.022,11, valor também sub judice (depósito), igualmente não considerou tal valor como crédito a compensar, sendo suficiente o reconhecimento do montante de R$ 154.417,68 na composição do saldo negativo de CSLL do ano de 1998; e que o mencionado valor sub judice somente poderia ser declarado na forma que fez; que, portanto, é irretocável a utilização do valor de R$ 154.417,68 na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998; Anocalendário 1999 CSLL retida que o valor de CSLL retida no anocalendário de 1999 (R$ 195.177,64) está plenamente justificado mediante os comprovantes de rendimento que acosta às fls. 364 e ss; CSLL antecipada por estimativa que o valor de estimativa de CSLL de outubro de 1999 de R$ 51.802,25, dado que foi adimplido por crédito de saldo negativo de 1998, e pela razões antes expostas, deve ser plenamente reconhecido na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999; Anocalendário 2000 que dado que o litígio se refere ao uso nas compensações das estimativas do ano de créditos dos anos de 1997, 1998 e 1999, cujos valores devem ser recompostos pela razões antes expostas, há que se reconhecer a regularidade dessas antecipações de modo a restabelecer o saldo negativo passível de reconhecimento; Anocalendário 2001 que o mesmo se dará com relação ao saldo negativo de CSLL de 2001, quando forem verificadas que as estimativas foram integralmente compensadas com os saldos negativos dos anos anteriores. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19740.000447/200728 Resolução nº 1102000.294 S1C1T2 Fl. 577 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 489 a 495): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO. Verificado mediante processo administrativo que não foram homologadas compensações de débitos de estimativa mensal de CSLL, esses valores devem deixar de servir como dedução do devido no ano. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) o litígio gira em torna da não admissão como válidas de duas compensações de estimativa mensal (junho e julho) de CSLL do ano de 2003, com crédito de saldo negativo de CSLL do ano de 2001, que não foram homologadas no processo nº 19740.000394/200826 (cópia da decisão nas fls. 469 a 488); b) a mesma autoridade julgadora analisou o citado processo, e, apesar de reconhecer mais uma pequena parcela (R$ 14.542,25) de crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, tal resultado não alterou a compensação das estimativas de junho e de julho de 2003; c) aplicando aquele julgado a este processo, mantevese a decisão da autoridade fiscal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 26/3/2010 (fl. 499 e despacho de fl. 534), o contribuinte apresentou, em 26/4/2010, o recurso de fls. 500 a 506, acompanhado dos documentos de fls. 507 a 530. De início, argumenta que o direito de a Fazenda Pública rever créditos tributários decorrentes de fatos ocorridos nos anoscalendários de 1997 a 2000 já estava extinto em junho de 2009. Além disso, partindo do fato de que o acórdão recorrido, no mérito, toma como razões de decidir unicamente a decisão proferida nos autos do processo n° 19740.000394/2008 26, o qual não homologou a compensação das estimativas de junho e julho do anocalendário de 2003, o recorrente pleiteia a reunião de ambos os processos, por apensação, para que sejam Fl. 577DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19740.000447/200728 Resolução nº 1102000.294 S1C1T2 Fl. 578 5 examinados em conjunto, bem como postula para que se tomem como razões de defesa os mesmos argumentos lançados na petição anexada aos autos daquele processo. Além disso, aponta incorreções do acórdão recorrido com relação ao ano calendário de 1999. Afirma que, como depreendese da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2000, utilizou, para compensar CSLL do período de apuração de março de 2000, a) saldo negativo da CSLL apurado em 31/8/1999 no valor de R$ 185.700,29 e, b) saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/1999 no valor de R$ 50.573,99. Contudo, apenas o valor descrito na letra “b” acima realmente decorre do saldo negativo examinado no processo administrativo n° 19740.000394/200826. Já quanto ao valor “a” supra, o mesmo não ocorre, pois o saldo negativo aproveitado não se confunde com o pleiteado no citado processo, decorrendo, na verdade, de cisão parcial do seu patrimônio ocorrida em agosto de 1999. Nas fls. 536 a 564, o contribuinte afirma trazer aos autos o recurso voluntário apresentado no processo nº 19740.000394/200826, mas esse documento não consta dos autos. O recorrente traz, também, cópias autenticadas de documentos anexados como doc. 1 do recurso voluntário destes autos. RESOLUÇÃO Nº 1102000.273 Este processo foi inicialmente a mim distribuído e analisado na sessão de 27 de agosto de 2014, quando se prolatou a Resolução nº 1102000.273, onde, por unanimidade de votos, determinouse que ele fosse distribuído em conjunto com o processo nº 19740.000394/200826, em razão da conexão entre os autos (fls. 566 a 571). Em 23 de outubro de 2014, decidiuse por devolver o processo, em conjunto com o de nº 19740.000394/200826, para análise conjunta por este relator (fl. 573). Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 19740.000447/200728 Resolução nº 1102000.294 S1C1T2 Fl. 579 6 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Apesar de a assinatura do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 499 indicar que a ciência do acórdão de primeira instância se deu em 24/3/2010, o despacho de fl. 534 afirma que ela ocorreu em 26/3/2010, data do carimbo aposto no AR. Dessa forma, utilizase a data de ciência atestada pela autoridade fiscal, e considerase o recurso tempestivo. Por atender às demais condições de admissibilidade, dele conheço. No presente processo, discutese a compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, que não foi inteiramente reconhecido porque duas das parcelas que o compõem, as estimativas de CSLL de junho e julho de 2003, não foram homologadas por força de decisão no processo nº 19740.000394/200826. No citado processo, o contribuinte pretendia compensar diversos débitos, entre eles as citadas estimativas, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001. Conforme relatado, esses autos foram a mim distribuídos, e também serão analisados nesta sessão de julgamento. Dessa forma, para a solução deste processo, é necessário primeiro se decidir qual o saldo negativo de CSLL do ano de 2001, e verificar se é possível alocálo às estimativas de CSLL de junho e julho de 2003. Nesse sentido, no voto do processo nº 19740.000394/200826, propus a conversão em diligência para que autoridade fiscal analisasse determinadas provas a fim de que se pudesse mensurar o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) realize a diligência proposta no processo nº 19740.000394/200826; b) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando se, a partir do saldo negativo de CSLL do ano de 2001 a ser reconhecido no processo nº 19740.000394/2008 26, será possível a compensação de parte das estimativas de CSLL de junho e julho de 2003; c) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 579DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903996/2008-66
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Comprovado o erro de preenchimento da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ainda que após a instauração do Processo Administrativo Fiscal, a retificação deve ser acatada.
Numero da decisão: 1803-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Comprovado o erro de preenchimento da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ainda que após a instauração do Processo Administrativo Fiscal, a retificação deve ser acatada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 39 96 /2 00 8- 66 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903996/200866 Acórdão n.º 1803002.479 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903996/200866 Acórdão n.º 1803002.479 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 35): Versa este processo sobre compensação. Através do despacho decisório nº 783762948 (fl. 16), não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP nele referidos. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3. Nesta peça, alega, em síntese, que, ao constatar que os PER/DCOMP não tinham sido deferidos, verificou que, de fato, existiam inconsistências na DIPJ, que foi, então, retificada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 34): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ. A retificação da DIPJ, sem a comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Cientificada da referida decisão em 29/11/2011 (fls. 42), a tempo, em 28/12/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 45 e 46 (numeração digital ND), instruído com os documentos de fls. 47 a 73 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903996/200866 Acórdão n.º 1803002.479 S1TE03 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Em situação análoga à existente no presente processo, envolvendo a mesma Recorrente, relativo ao mesmo anocalendário (CSLL), este Colegiado, por meio do Acórdão nº 1803001.469, de 11 de setembro de 2012, no processo nº 10783.903998/200855, decidiu, à unanimidade, no seguinte sentido: O conjunto probatório produzido nos autos confirma a situação fática, uma vez que a Recorrente colacionou aos autos, em sede de recurso voluntário, cópia dos registros contábeis do período, além das notas fiscais emitidas pelos serviços prestados, ou seja, exatamente a documentação que comprova a existência do crédito pleiteado. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000840/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO - ARTIGO 17 do PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECRETO Nº 70.235/72 - APLICAÇÃO
Matéria não questionada no Recurso Voluntário é considerada não impugnada. Prevalecendo o que fora decidido pela DRJ.
OMISSÃO DE RECEITA - INVERSÃO DO ONUS DA PROVA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal.
MULTA QUALIFICADA - IMPROCEDÊNCIA
É improcedente a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado o dolo do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais.
DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS.
Tratando-se de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.
Numero da decisão: 1202-001.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO - ARTIGO 17 do PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECRETO Nº 70.235/72 - APLICAÇÃO Matéria não questionada no Recurso Voluntário é considerada não impugnada. Prevalecendo o que fora decidido pela DRJ. OMISSÃO DE RECEITA - INVERSÃO DO ONUS DA PROVA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. MULTA QUALIFICADA - IMPROCEDÊNCIA É improcedente a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado o dolo do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratando-se de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO ARTIGO 17 do PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECRETO Nº 70.235/72 APLICAÇÃO Matéria não questionada no Recurso Voluntário é considerada não impugnada. Prevalecendo o que fora decidido pela DRJ. OMISSÃO DE RECEITA INVERSÃO DO ONUS DA PROVA NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configurase omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. MULTA QUALIFICADA IMPROCEDÊNCIA É improcedente a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado o dolo do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 08 40 /2 01 0- 46 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Processo Administrativo Fiscal instruído com auto de infração (fls. 750/799) por meio do qual se formalizou a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. O auto de infração é relativo aos trimestres 1° a 4°, de 2006 e 2007, na sistemática do lucro real trimestral, pela qual a contribuinte optou ao entregar suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, fls.5/68. Com base nos fatos narrados pela autoridade lançadora, o contribuinte incorreu na infração de omissão de receitas, caracterizada por não comprovação da origem e/ou efetividade da entrega de numerário e depósitos bancários de origem não comprovada (identificados devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras não contabilizadas). A Autoridade Lançadora ainda arbitrou o lucro da recorrente e aplicou a multa de ofício qualificada de 150 % sobre a exigência principal. O processo se compõe de 5 (cinco) volumes e 2 (dois) Anexos ao Volume V, também foi constituído o processo n° 10945.000846/201013 – Representação Fiscal para Fins Penais — IRPJ e 10945.000851/201026 – Arrolamento de Bens – Pessoa Jurídica. Cientificada, em 03/08/2010 (fl. 802), a contribuinte apresentou a impugnação tempestiva em 01/09/2010 (fls. 806/836), por meio de seu representante legal (fl.723), alegando em síntese que: Protesta pela tempestividade da impugnação, devendo a exigência permanecer suspensa até o julgamento definitivo da questão; Transcreve o procedimento fiscal descrito no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 806/825, e afirma que a autuação deve ser revisada; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10945.000840/201046 Acórdão n.º 1202001.218 S1C2T2 Fl. 12 3 A respeito do saldo devedor alusivo ao fornecedor da empresa, RFM e Associados, nos valores de R$ 552.293,27 e R$ 1.263.787,72 em 31/12/2006 e 31/12/2007, registrados nos livros Razão n° 3 e 4, citados no Termo de Verificação Fiscal, explica que o saldo devedor original provém de transações internacionais mantidas com aquela empresa, situada no Paraguai e cujo endereço em Ciudad del Este fornece; que se tratam de aquisições de carbono vegetal, 44.02.90.00, cujos câmbios ainda se encontram em aberto em relação ao exportador, decorrentes de faturas comerciais emitidas contra a impugnante, tendo sido as aquisições reconhecidas contabilmente mediante a emissão de notas fiscais de entrada, devidamente escrituradas nos livros exigidos pela legislação; acusa que o autuante não demonstrou mensalmente a origem dos valores extraídos do documentário que lhe foi apresentado em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização, e a falta de elaboração da planilha relativa a ambos os saldos devedores dificulta a defesa da contribuinte, violando o art. 5° da Constituição Federal de 1988; Acerca dos mútuos relativos aos sócios Jailson Delavi da Silva e a Joselino Zotti, esses suprimentos de caixa estão justificados pelo Contrato de Mútuo firmado entre a Siderúrgica Brasileira Ltda. e a impugnante, em 16/02/2007, sendo que os sócios, conforme a cláusula quarta, figuram como fiadores solidários da quantia emprestada nos anos de 2006 e 2007, no total de R$ 300.000,00; Afirma que deve ser editada lei complementar que regule a questão da aplicação de multas fiscais, nos termos do art. 146, II da CF de 1988, porém, enquanto isso não ocorre, a melhor solução para o contribuinte, frente a extrapolações na imposição de penalidades é a possibilidade de se socorrer no Poder Judiciário a fim de reduzir os percentuais das multas aos limites do poder de tributar; transcreve decisões judiciais referentes a reduções de multas e requer que a multa aplicada seja revista, sendo o percentual reduzido a patamar razoável, "o qual mesmo assim não terá desprestigiado o intuito punitivo." Argumentando que, segundo o art. 5°, II da CF de 1988, a legislação deve obedecer ao principio da legalidade, e o art. 150, I, da CF de 1988, estabelece limites ao poder de tributar, e ainda o § 1°, do art. 161, do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, determina que o credito tributário não pago é acrescido de juros de mora calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição em lei em contrário, resta cristalino que juros moratórios são os que se referem ao crédito tributário; Como o art. 146, da CF de 1988, determina que cabe à lei complementar dispor sobre o crédito tributário, temse que a estipulação de juros diferente de um por cento ao mês, só pode mediante lei complementar; também o § 5° do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias definiu que, vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior no que não seja incompatível com ele; assim, a Constituição previu a necessidade de lei complementar para dispor sobre os juros moratórios e ressalvou a recepção da legislação pretérita e que o que conflitasse com o novo sistema tributário, não seria recepcionado; Destaca que a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para Títulos Federais — Selic visa remunerar o capital investido em títulos públicos e seu percentual pode e é manipulado de acordo com os ajustes que se pretende fazer na economia e não é compatível com o princípio da estrita legalidade que orienta as relações fiscocontribuinte, cidadãoestado; transcreve voto de ministro do Superior Tribunal de Justiça — STJ em apoio à sua argumentação; conclui que, à luz do Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 principio da estrita legalidade, não há base legal para a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic; Requer o reconhecimento da tempestividade da impugnação e suspensão da exigibilidade do débito e da Representação Fiscal para Fins Penais; que seja julgada improcedente a autuação relativa aos saldos devedores de R$ 552.293,37 e R$ 1.263.787,72, em 31/12/2006 e 31/12/2007, relativos à transação comercial com a empresa RFM e Associados Ltda. Associados S/A; a anulação do auto de infração, por violação do principio constitucional da ampla defesa e do contraditório, posto não ter havido a discriminação mensal do saldo devedor relativo aos exercícios 2006 e 2007 em relação ao credor RFM e Associados S/A; no mérito, que seja reconhecido o contrato de mútuo firmado com a Siderúrgica Brasileira Ltda., a justificar os suprimentos de caixa autuados; protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas e, em especial, prova pericial contábil, em relação aos saldos devedores de 31/12/2006 e 31/12/2007 relativos ao fornecedor RFM e Associados Ltda. Mesmo diante dos argumentos trazidos pelo impugnante, a 2ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0632.382, fls. 863/871, no qual, por unanimidade de votos, julgou integralmente improcedente a impugnação apresentada, nos termos da ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 NULIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE. Descabe a discussão de nulidade suscitada, relativa a lançamento inexistente. SUPRIMENTO DE CAIXA Mantémse a presunção de omissão de receitas relativa a valores de suprimento de numerário ao caixa da empresa efetuados pelos sócios sem a comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL O percentual de multa de oficio qualificada aplicado decorre de expressa disposição legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros morat6rios decorre de expressa disposição legal. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADA E DESNECESSÁRIA Considerase não formulado o pedido de perícia efetuado sem preencher os requisitos obrigatórios, além de desnecessário, por se referir a lançamento fiscal inexistente. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10945.000840/201046 Acórdão n.º 1202001.218 S1C2T2 Fl. 13 5 A recorrente tomou ciência do acórdão n° 0632.382 (fls. 863/871), proferido pela a 2ª Turma da DRJ/CTA em 21 de julho de 2011 (fls. 1165), e em, 22 de agosto de 2011 (1166), apresentou Recurso Voluntário (fls. 1166/1195) retomando os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator I – Do juízo de admissibilidade Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, pois: Processos que tenham por objeto a apuração de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS são da competência desta 1ª Seção; A recorrente foi intimado 21 de julho de 2011 (fls. 1165), e, tempestivamente, em 22 de agosto de 2011 (1166), postou o recurso pelo correio; e A petição está assinada por quem de direito representa a recorrente – fls. 723. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomase conhecimento. II – Matérias não questionadas no Recurso Voluntário Com base no relatório se depreende que as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins tiveram como fundamento a omissão de receitas por dois motivos: suprimento de numerário ao caixa da empresa efetuados pelos sócios sem a comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos; e depósitos/créditos nas contas de depósito mantidas pela contribuinte junto a instituições financeira, não contabilizados e cuja origem não foi justificada. Em relação a última omissão, não há, por parte da recorrente, qualquer contestação e sequer menção em seu Recurso Voluntário apresentado, portanto, devese Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 destacar que não foram contestados os correspondentes impostos e contribuições, tornandose, por isso, definitiva na espera administrativa. A redação do artigo 17 do PAF – Processo Administrativo Fiscal –, decreto nº 70.235/72, é clara e única quanto as matérias não questionadas serem consideradas preclusas na espera administrativa, quando não questionadas especificamente, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Sobre o assunto, MARCOS VINICIUS NEDER, em seu livro “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado” — pg. 78, leciona: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência frita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias rectosais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto n ó 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos, conforme se depreende o exame do art. 16. Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAE considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Ainda sobre o fenômeno da preclusão, arremata MARCOS VINICIUS NEDER, na pág. 217 da obra citada: O fenômeno da preclusão consiste na perda do direito por várias razões: pelo nãoexercício no prazo ou termo legal; pela inaplicabilidade da prática do ato com outro já praticado; pelo exercício válido da mesma faculdade anteriormente. Estas razões a levam a ser classificada como temporal, lógica ou consumativa. A preclusão é um instituto eminentemente processual e não atinge o direito material sob litígio, só produzindo efeitos extintivos no âmbito do processo em que é alegada (coisa julgada formal), ou seja, o contribuinte continua titular do direito material, apenas perde a faculdade de exercêlo nesse processo. Seu grande objetivo é garantir o avanço progressivo da relação processual e obstar o seu recuo para fases anteriores: Busca, dessa forma, preservar a ordem lógica dos atos processuais, para que se obtenha a decisão com maior precisão e rapidez. Assim, as questões discutidas e apreciadas ao longo do processo não podem, após a respectiva decisão, voltar a ser tratadas em fases posteriores. O art. 473 do CPC dispõe que é “defeso á parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão”. Se por exemplo, o contribuinte deixa de impugnar uma matéria na época certa, e a questão é, definitivamente resolvida, não há corno voltar a apreciála por força da preclusão. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10945.000840/201046 Acórdão n.º 1202001.218 S1C2T2 Fl. 14 7 À vista disso, como não houve irresignação por parte da empresa recorrente, a respeito do exposto acima, consequentemente, não há litígio sobre essas questões, tornando as definitivas na esfera administrativa. Assim sendo, prevalece o que fora lançado pelo auditor fiscal responsável e, também, o que fora decidido pela 2ª Turma da DRJ/CTA sobre a questão aqui discorrida. Abrese parêntese para discorrer sobre os saldos devedores ao fornecedor RFM e associados no valor de R$ 552.293,97 e R$ 1.263.787,72, em 31/12/2006 e 31/12/2007, respectivamente, registrados nos Livros Razão nº 3º e 4º. A respeito desses saldos devedores apontados na contabilidade, citados no Termo de Verificação Fiscal, e em relação aos quais a recorrente foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 192 – fls. 716/717 nº 214 – fls. 719) a comprovar a efetividade das aquisições e os pagamentos que os justifiquem, relatou a fiscalização que não fora fornecidos os comprovantes solicitados. A decisão da DRJ de origem atestou que esses saldos devedores não foram objetos da autuação, no entanto, no seu Recurso Voluntário, a recorrente voltou a apresentar explicações sobre esse fato, pedindo ao final que seja julgada improcedente a autuação do saldo devedor apurado em 31/12/2006 de R$ R$ 552.293,97 e 31/12/2007 no importe de R$ 1.263.787,72. Novamente desnecessário, uma vez que tais SALDOS DEVEDORES NÃO FORAM OBJETO DA AUTUAÇÃO, portanto, essa questão não será apreciada. III – Matérias controvertidas III.i – Do Mútuo Relativos aos sócios Jailson Delavi da Silva e Joselino Zotti Em relação a infração de presunção de omissão de receita por suprimento de numerário ao caixa da empresa efetuados pelos sócios (Jailson Delavi da Silva e Joselino Zotti) sem a comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos (ou seja, presunção de omissão de receita por suprimento de caixa injustificado por sócio), a recorrente apresentou irresignação, entretanto, antes de adentrar a sua defesa, necessário tecer breves comentários a respeito da infração omissão de receitas. Sabese que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação da fiscalziação para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Assim, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 Em outras palavras, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Pedese vênia para reproduzir texto, extraído de “Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas” (Justec RJ; 1979:806), de José Luiz Bulhões Pedreira que sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Feito essas considerações iniciais, retomaremos ao alegado pela recorrente quanto a infração aqui debatida. Pois bem, ao ser intimada a justificar a origem dos recursos e a efetividade da entrega dos mesmos ao Caixa da empresa, fls. 716/717 e 719, nos Termos de Intimação Fiscal nº 's 182 e 214, a fiscalização constatou que a recorrente não apresentou as comprovações solicitadas e, portanto, lavrou os autos de infração por omissão de receitas nos valores desses recursos. Na Impugnação e no Recurso Voluntário argumentou que esses suprimentos de caixa estariam justificados pelo Contrato de Mútuo firmado entre ela e a empresa Siderúrgica Brasileira Ltda., em 16/02/2007, sendo que os sócios (Jailson Delavi da Silva e Joselino Zotti), conforme cláusula quarta, figurariam como fiadores solidários da quantia emprestada nos anos de 2006 e 2007, no total de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Verificase no Anexo II ao Volume V (fls. 281 a 284) cópia do Contrato de Mútuo firmada entre a recorrente e a empresa Siderúrgica Brasileira Ltda., CNPJ 06.151.340/000180, no valor total de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), o qual seria depositado na conta corrente da recorrente. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10945.000840/201046 Acórdão n.º 1202001.218 S1C2T2 Fl. 15 9 Na esteira deste raciocínio, concluise que o recibo do deposito bancário no valor firmado entre as empresas serviria como comprovante do efetivo recebimento pela mutuaria, ora recorrente. Conforme Cláusula Segunda, denominada “Forma de Pagamento”, o empréstimo seria cumprido em 10 (dez) parcelas iguais mensais, a partir de 28/05/2007. O contrato é datado de 16/02/2007 e da análise de sua cópia é possível perceber que não constando assinatura de testemunhas, além do mais, sem qualquer tipo de texto consta carimbo com data ilegível referente ao 2° Tabelionato de Notas de Foz do Iguaçu. Conforme bem observado pelo próprio órgão julgador a quo, é possível destacar as seguintes incongruências relativas ao Contrato de Mútuo apresentado: não há prova de que o Contrato de Mútuo, embora firmado com empresa existente e ativa, fls. 838/839, se trata de documento registrado em cartório de títulos e documentos, apto a fazer prova contra terceiros, uma vez que o carimbo é ilegível e folha avulsa não comprova registro; mesmo que admitíssemos ser o Contrato de Mútuo verdadeiro, nada evidencia que os recursos fornecidos pelos sócios se refiram a este empréstimo que teria sido contratado, pois os suprimentos de caixa iniciam se em 01/04/2006, estendendose até 31/08/2007, enquanto que o citado Contrato de Mútuo teria sido assinado em 16/02/2007 e inicia os pagamentos em 28/05/2007; a contabilização foi de recursos recebidos dos sócios Jailson Delavi da Silva e Juselino Zotti e não da empresa Siderúrgica Brasileira Ltda. e, o principal, não foram apresentados os recibos de depósitos por esta última que, indiscutivelmente, seriam a prova do empréstimo concedido por esta; se os recibos dos depósitos se referem aos depositantes Jailson Delavi da Silva e Juselino Zotti, impossível chegar a conclusão que os recursos emprestados teriam sido da Siderbrds Siderúrgica Brasileira Ltda.. Portanto, por a recorrente não ter logrado êxito na comprovação, através de documentação idônea, que não houve omissão de receita por suprimento de numerário ao caixa, concluise que a origem e efetividade da entrega dos recursos pelos sócios não foi comprovada nem justificada, mantendose a presunção de omissão de receitas. III.ii – Da Multa Qualificada e da Taxa Selic Como já discorrido, o órgão de julgamento a quo manteve integralmente o lançamento original, consoante se observa da leitura da ementa do aresto recorrido. Entretanto, com a devida vênia, tal entendimento não deve prevalecer, no que se refere à manutenção do agravamento da multa de oficio de 75% para 150%. Com efeito, não deve ser considerara a ocorrência da atitude delituosa da recorrente, necessária à sua caracterização como crime tributário, pois ao fisco foi possibilitado o acesso às suas contas bancárias e demais elementos utilizados para a apuração da infração Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 fiscal (Atos Constitutivos da Empresa e posteriores alterações, Livro Diário e Razão, Livro de Prestação de Serviços, Extratos de contascorrestes bancárias e aplicações financeiras e Notas Fiscais de Prestações de Serviços), sem que houvesse a constatação de algum ato ilegal, por parte do fiscalizado, que pudesse ter impedido ou dificultado a ação da autoridade fiscal. Como é possível perceber das justificativas apresentadas pela autoridade lançadora e pela autoridade julgadora, o motivo da aplicação e manutenção da multa qualificada ao lançamento em exame teria sido, em verdade, a omissão do contribuinte. Aliás, a conclusão de que omissão não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150% já foi há muito tomada por este Conselho, razão pela qual foi editado o enunciado n° 14 de sua Súmula, segundo o qual: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Além do mais, o dolo é elemento especifico da sonegação, fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da omissão de rendimentos, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de são restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Por isso, e tendo em vista que, nos termos do artigo 29 do Regimento Interno deste Conselho, as súmulas são de aplicação obrigatória, afastase a aplicação da multa qualificada ao presente caso. Quanto a taxa Selic, limitase a recorrente a argüir que a jurisprudência tem afastado a sua aplicação. Entretanto, tal questão dispensa maiores considerações a respeito, em razão de encontrarse a referida matéria devidamente pacificada no âmbito deste Colegiado do CARF, consoante a Súmula nº 4, de observação obrigatória, que se transcreve a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios é entendimento pacificado no âmbito deste tribunal administrativo, devendo mais essa alegação da recorrente ser rejeitada. III. iii – Lançamentos Reflexos Por fim, o decidido no lançamento do IRPJ aplicase aos autos de infração reflexos (CSLL, Cofins e PIS), haja vista a relação de causa e efeito entre estes e a repercussão da omissão de receitas na apuração de tais tributos. Além do mais, a recorrente trouxe no Recurso Voluntário os mesmos fundamentos do IRPJ para combater os lançamentos reflexos e, como já tido, ante a íntima relação de causa e efeito, mantémse, igualmente, em parte a exigência, conforme o decidido acima. IV – Conclusão Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10945.000840/201046 Acórdão n.º 1202001.218 S1C2T2 Fl. 16 11 Diante de todo o exposto, voto por considerar parcialmente procedente o Recurso Voluntário apresentado pela recorrente, apenas para afastar a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), mantendose no mais o lançamento efetuado pela fiscalização. É como voto. Orlando José Gonçalves Bueno (documento assinado digitalmente) Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /01/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000940/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu.
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu. O Presente processo esteve em julgamento nesse colegiado na sessão de 24 de maio de 2012, onde por unanimidade, converteuse o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. Conforme consta do voto de fls. 487, que aqui repito “Assim, a divergência está na forma como a Recorrente comprovou o estorno dos créditos referente a aquisição de pessoas físicas e nesse ponto não concordo com a decisão recorrida, se o demonstrativo apresentado pelo Recorrente não foi satisfatório isso não é o bastante para desconsideralo e consequentemente exigir o imposto correspondente. Portanto, nesse ponto, proponho a conversão do presente processo em diligência para que se faça esse cotejamento das informações de extorno dos créditos alegados pelo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 94 0/ 20 09 -1 7 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.406 S3C1T1 Fl. 32 2 contribuinte com a glosa apontada pela fiscalização junto ao contribuinte e que esse último colabore ao máximo para a busca da verdade material dessa apuração.” Também, “A segunda questão de mérito a enfrentar diz respeito a “Utilização de créditos decorrentes de transferências entre Estabelecimentos da mesma PJ”. E sobre essa segunda questão ficou decidido que: “Portanto, nesse ponto, também, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que demonstre a Recorrente que o crédito efetuado e glosado pela fiscalização produziu efeito nulo na apuração da contribuição, demonstrando os respectivos débitos nas transferências correspondentes” Finalizando, dispôs o voto referido: “Realizada as diligências propostas, da sua conclusão deve ser dado ciência a Recorrente para que se desejar faça sua manifestação final, para depois retorne o processo para esse Conselho CARF para em conjunto com as demais questões seja proferido o seu julgamento.” Em fls. tais, em longo arrazoado, consubstanciado de cópias de trechos da decisão recorrida e da Resolução desse colegiado a Auditorafiscal da RFB – SAORT/DRF/Joinville concluiu: “Dessa forma, considerando que as questões postas na diligência já foram minuciosamente analisadas por turma de julgamento da DRJ, constituída regimentalmente para tal fim, e que o contribuinte não apresentou nenhum fato ou prova novos em seu recurso voluntário, é de se concluir que o pedido formulado na diligência de que ora se trata já foi respondido e demonstrado suficientemente, não cabendo proceder se a um novo levantamento, posto que já devidamente realizado pelo auditor fiscal em seu despacho decisório e pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis em seu acórdão. Cumpre ainda assinalar que as mesmas questões postas no presente processo foram também objeto dos processos n.º 10920.002938/200800 e 10920.003521/200856, que da mesma forma tiveram os julgamentos convertidos em diligências pela 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em relação às quais foi dada a mesma solução.” Na sequência a Recorrente foi intimada a se manifestarse sobre o despacho proferido pela DRF em Joinville/SC, de expressa recusa em se efetuar as diligências, em razão do entendimento de que a questão já havia sido analisada por turma de julgamento da DRJ, não devendo se proceder a um novo levantamento, uma vez que o ônus de comprovar as alegações defensivas seria da própria contribuinte. Assim, a Recorrente alega em preliminar – a) do descumprimento da decisão do CARF – Ocorrência de cerceamento de defesa – baseado no direito contraditório e à ampla defesa que é uma prerrogativa constitucional, não devendo ser restringido em qualquer circunstância, ato ou momento, bem como com base no art. 59, I, do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, incorrendo em preterição do direito de defesa do contribuinte, vez que impossibilitou que novos esclarecimentos, possivelmente favoráveis a ela, fossem efetuados nos autos. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.406 S3C1T1 Fl. 33 3 Ainda, cita doutrina que entende lhe favorecer, para concluir que o descumprimento do julgamento do CARF pela DRF culminou em inevitável lesão ao direito à ampla defesa e ao contraditório, encerrando, portanto, flagrante afronta ao princípio do devido processo legal, de modo que o presente processo administrativo é permeado por patente nulidade. b) Da ocorrência de conexão com os autos nº 10920.002939/200846 – requerendo com base nos artigos 102 e 102 do CPC; No mérito – A) da utilização de créditos de entrada de pessoa física – deixando mais uma vez que não realizou, efetivamente, o crédito decorrente das aquisições realizadas de pessoas físicas – o que também justifica as diligências determinadas pelo CARF. A1) créditos de que se referem à Pessoa jurídica e não a Pessoa física; A2) créditos que foram estornados conforme Relatório Auxiliar de Estornos; B) Da utilização de créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica; C) Da manutenção de créditos de entrada – alíquota zero; Pedido – a) o reconhecimento da do cerceamento de defesa, aduzido preliminarmente, tendo em vista o descumprimento da ordem emanada pelo CARF para a realização de novas diligências; b) também em sede de preliminar, o reconhecimento da conexão dos presentes autos com os autos de processo administrativo de ressarcimento nº 10920.002939/200846, já que ambos possuem causa e pedido idênticos; c) No mérito seja dado provimento ao recurso voluntário apresentado para o fim de reformar a decisão administrativa de primeira instância e, via de consequência, afastar o lançamento do crédito tributário contestado, decorrente das glosas dos créditos, com fundamento nas razões acima aduzidas. É o complemento do relatório inicial. Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Pelo relatado, constatase que o presente processo encontrase em fase de expressa recusa em se efetuar as diligências julgadas e determinadas por esse colegiado, pela DRF de Joinville/SC, em razão do entendimento de que a questão já havia sido analisada por turma de julgamento da DRJ, não devendo se proceder a um novo levantamento, uma vez que o ônus de comprovar as alegações defensivas seria da própria contribuinte. Infelizmente, referido entendimento é desprovido de razão. Não cabe a DRF ter entendimento de julgamento de decisões de um colegiado, paritariamente e legalmente constituído. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.406 S3C1T1 Fl. 34 4 As diligências acordadas por esse colegiado do CARF, foi principalmente em razão da busca pela verdade material do presente processo administrativo, não comportando entendimentos ou julgamentos de outras autoridades administrativas. Portanto, não é possível considerar o despacho da DRF como a realização de uma diligência, por repetir o que já se encontrava nos autos, muito menos o entendimento esboçado em sua conclusão. Portanto, não está a produzir efeitos a não ser para reafirmar e determinar que as diligências sejam efetivamente realizadas. Para deixar claro, repito as diligências a serem efetuadas: “Assim, a divergência está na forma como a Recorrente comprovou o estorno dos créditos referente a aquisição de pessoas físicas e nesse ponto não concordo com a decisão recorrida, se o demonstrativo apresentado pelo Recorrente não foi satisfatório isso não é o bastante para desconsideralo e consequentemente exigir o imposto correspondente. Portanto, nesse ponto, proponho a conversão do presente processo em diligência para que se faça esse cotejamento das informações de extorno dos créditos alegados pelo contribuinte com a glosa apontada pela fiscalização junto ao contribuinte e que esse último colabore ao máximo para a busca da verdade material dessa apuração.” Também, “A segunda questão de mérito a enfrentar diz respeito a “Utilização de créditos decorrentes de transferências entre Estabelecimentos da mesma PJ”. E sobre essa segunda questão ficou decidido que: “Portanto, nesse ponto, também, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que demonstre a Recorrente que o crédito efetuado e glosado pela fiscalização produziu efeito nulo na apuração da contribuição, demonstrando os respectivos débitos nas transferências correspondentes” Finalmente, que seja dado ciência para ambas as partes para manifestação e retorne o processo ao final ao CARF para em conjunto com as demais questões seja proferido o seu julgamento. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000142/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/07/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE. TODAS AS MATÉRIAS DEVEM SER ARGUIDAS NA IMPUGNAÇÃO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. VIOLAÇÃO AO ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E AO PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO OU DA EVENTUALIDADE E DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DO PRINCÍPIO DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/07/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE. TODAS AS MATÉRIAS DEVEM SER ARGUIDAS NA IMPUGNAÇÃO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. VIOLAÇÃO AO ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E AO PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO OU DA EVENTUALIDADE E DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DO PRINCÍPIO DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrente ASSOCIÇÃO AMAZONENSE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/07/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE. TODAS AS MATÉRIAS DEVEM SER ARGUIDAS NA IMPUGNAÇÃO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. VIOLAÇÃO AO ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E AO PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO OU DA EVENTUALIDADE E DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DO PRINCÍPIO DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 01 42 /2 00 9- 79 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000142/200979 Acórdão n.º 2803003.993 S2TE03 Fl. 129 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.180.5252 – CFL.23, por deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 11, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01., conforme Relatório Fiscal da Infração, de fls. 06, com período de apuração de 01/2005 a 12/2005, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 11 e 12. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 29/07/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 24 e 25, recebida, em 28/08/2009, carimbo de recepção, as fls. 24, estando acompanhada dos documentos, de fls. 26 a 40. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 41. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0126.408 4ª, Turma DRJ/FOR, em 31/05/2013, fls. 43 a 46. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/06/2013, conforme AR, de fls. 47. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 71, recebida, em 18/07/2013, com razões recursais, as fls. 72 a 90, acompanhado dos documentos, de fls. 91 a 118. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 125 e 126. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 126. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 16, fls. 127. É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000142/200979 Acórdão n.º 2803003.993 S2TE03 Fl. 130 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. O julgamento da impugnação de primeiro grau deuse exclusivamente, em razão da negativa da ocorrência da infração, sob a alegação de que todos os documentos solicitado foram entregues. A tese foi rejeitada na DRJ e a impugnação considerada improcede. Todavia, após cientificação do contribuinte a respeito do que decidido pela DRJ este impetrou o Recurso Voluntário, porém arguindo novas questões que não foram postas na impugnação de primeiro grau. Tal conduta implica que a recorrente inovou na tese jurídica na fase recursal, pois o que alegado na peça vestibular de segundo grau, não foi suscitado em primeiro grau. A uma, porque tal matéria não foi questionada em primeiro grau e assim em relação a ela aplicase os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, pois considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. A duas, por que o conhecimento dessa matéria implicaria supressão de instância. EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 1. EXECUÇÃO DA PENA. SUPERVENIENTE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. PRETENSÃO DE REDUÇÃO DOS DIAS REMIDOS PERDIDOS. INTERESSE PROCESSUAL NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RECONHECIMENTO. 2. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PERDA DOS DIAS REMIDOS. PLEITO DE APLICAÇÃO DA LEI Nº 12.433/11. ÓBICE À ANÁLISE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Tendo em conta que ainda persiste o interesse da parte agravante no conhecimento dos embargos de declaração opostos contra acórdão desta eg. Quinta Turma, merece reforma o decisum monocrático que os julgou prejudicados, com a submissão deles ao Órgão Colegiado. 2. O pleito de apreciação da questão referente à revogação dos dias remidos à luz da Lei nº 12.433/11 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000142/200979 Acórdão n.º 2803003.993 S2TE03 Fl. 131 4 não foi deduzido na inicial do writ, tampouco enfrentado pelo Tribunal de origem no acórdão do recurso de agravo em execução, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 3. Agravo regimental provido para, afastada a ausência de interesse, rejeitar os embargos de declaração, com a observação de que caberá à Primeira Instância examinar a questão relativa à retroação benéfica da nova lei. ..EMEN: (AGRHC 201101494878, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:11/12/2013 ..DTPB:.) Ementa: HABEAS CORPUS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 38 DA LEI 8.038/90. IMPETRAÇÃO CONTRA ALEGADA DEMORA DO STJ PARA PROCEDER AO JULGAMENTO DE HC. INEXISTÊNCIA. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não há falar em ofensa ao princípio da colegialidade, já que a viabilidade do julgamento por decisão monocrática do relator se legitima quando se tratar de pedido manifestamente intempestivo, incabível ou, improcedente ou ainda, que contrariar, nas questões predominantemente de direito, Súmula do respectivo Tribunal (art. 38 da Lei 8.038/1990). Ademais, eventual nulidade da decisão monocrática fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo interno. 2. O art. 5º, LXXVIII, da CF assegura, nos âmbitos judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Duração razoável é o processo que se desenvolve regularmente, consideradas, ainda, a natureza e a complexidade da causa, bem como a quantidade de demandas em trâmite no órgão judicial. Nessa perspectiva, o exíguo período de tempo que o recurso aguarda julgamento no STJ (agosto de 2014) afasta qualquer alegação de constrangimento ilegal. 3. As alegações de mérito não podem ser conhecidas, já que (a) não foram enfrentadas definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça, dando azo ao óbice da supressão de instância; e (b) só foram suscitadas em sede de agravo regimental, constituindo indevida inovação recursal. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.(HCAgR 125068, TEORI ZAVASCKI, STF.) (destaquei). A três, por que não ocorre a devolutividade da matéria, pois tal não foi levada do conhecimento do julgador a quo, violando o princípio do tantum devolutum quantum apellatum. EMEN: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PERÍODO DE 2002 A 2006. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000142/200979 Acórdão n.º 2803003.993 S2TE03 Fl. 132 5 abordadas no recurso. 2. O efeito devolutivo expresso nos arts. 505 e 515 do CPC consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, que consiste em transferir ao tribunal ad quem todo o exame da matéria impugnada. Se a apelação for total, a devolução será total. Se parcial, parcial será a devolução. Assim, o tribunal fica adstrito apenas ao que foi impugnado no recurso. 3. A alegada violação dos arts. 168, inciso I, e 6º, inciso XIV, da Lei n. 7.713/88, não foi sequer citada nas razões de apelação. Logo, não foi devolvida ao Tribunal de origem, não podendo ser apreciada também em recurso especial por tratarse de inovação recursal. Agravo regimental improvido. ..EMEN:(AGRESP 201402621001, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/11/2014 ..DTPB:.) CARF Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o despacho decisório que apresenta motivação e fundamentação adequada da decisão proferida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância na recorrida. Recurso Voluntário Negado. PRO: 10280.900644/201034. Acórdão 3102001.880. Rel. Jose Fernandes do Nascimento. Data 12/08/2013. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DILIGÊNCIA. INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99. A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000142/200979 Acórdão n.º 2803003.993 S2TE03 Fl. 133 6 resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalandose o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99. GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte PROC: 36624.000679/200641. Acórdão: 2302002.993. Rel. Arlindo da Costa e Silva. Data 31/03/2014. (os destaques foram feitos por mim). Assim com esses esclarecimentos não há razão para acolhimento do recurso interposto, esse é o motivo pelo qual não sumariei as razões recursais no relatório. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10850.909603/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 03 /2 01 1- 82 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Acórdão n.º 3803006.782 S3TE03 Fl. 455 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Propôs a autoridade administrativa que se reconhecesse o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 13083.93943.031006.1.2.044456, transmitido em 03/10/2006, no valor de R$220,26. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Acórdão n.º 3803006.782 S3TE03 Fl. 456 3 Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Acórdão n.º 3803006.782 S3TE03 Fl. 457 4 considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor do crédito pleiteado neste processo decorria da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909603/201182 Acórdão n.º 3803006.782 S3TE03 Fl. 458 5 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10280.001820/2006-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO REGULAR. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível nulidade, por vício na intimação, a ciência do auto de infração dada a contador com poderes especiais para representar a pessoa jurídica autuada perante a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
2. A apresentação de impugnação regularmente apresentada supre eventuais vícios existentes na ciência do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. VÍCIO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Inexiste vício por decurso do prazo de validade do MPF se a sua prorrogação foi feita em conformidade com as normas que disciplinam o assunto.
2. O MPF tem por finalidade o controle administrativo e gerencial da atividade fiscalização exercida pela RFB, logo, qualquer irregularidade na sua emissão não afeta a higidez do lançamento que atenda aos requisitos concernentes à competência (sujeito), objeto (conteúdo), forma, finalidade, motivação e demais elementos expressamente estabelecidos em lei, que não podem ser afastados por ato infralegal, mormente se tal ato normativo sequer atribui tais efeitos à atividade de lançamento.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECLARAÇÃO DA IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. EFEITOS JURÍDICOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
1. Inexiste de supressão de instância e afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, se a decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação e determinou a redução da base de cálculo e do respectivo crédito tributário.
2. Somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, há necessidade da lavratura auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se ao sujeito passivo o prazo para impugnação, porém, apenas em relação à matéria modificada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. DEDUÇÕES DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as deduções autorizadas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa não são permitidas para fim de dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO REGULAR. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível nulidade, por vício na intimação, a ciência do auto de infração dada a contador com poderes especiais para representar a pessoa jurídica autuada perante a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 2. A apresentação de impugnação regularmente apresentada supre eventuais vícios existentes na ciência do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. VÍCIO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste vício por decurso do prazo de validade do MPF se a sua prorrogação foi feita em conformidade com as normas que disciplinam o assunto. 2. O MPF tem por finalidade o controle administrativo e gerencial da atividade fiscalização exercida pela RFB, logo, qualquer irregularidade na sua emissão não afeta a higidez do lançamento que atenda aos requisitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 18 20 /2 00 6- 77 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 concernentes à competência (sujeito), objeto (conteúdo), forma, finalidade, motivação e demais elementos expressamente estabelecidos em lei, que não podem ser afastados por ato infralegal, mormente se tal ato normativo sequer atribui tais efeitos à atividade de lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECLARAÇÃO DA IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. EFEITOS JURÍDICOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. 1. Inexiste de supressão de instância e afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, se a decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação e determinou a redução da base de cálculo e do respectivo crédito tributário. 2. Somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, há necessidade da lavratura auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose ao sujeito passivo o prazo para impugnação, porém, apenas em relação à matéria modificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: Trata o presente processo de auto de infração de PIS (Contribuição para o Programa de Integração Social) lavrado em decorrência de a Fiscalização ter detectado diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago. 2. Na descrição dos fatos contida no auto de infração (fls. 468/469), a Fiscalização informou o seguinte: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10280.001820/200677 Acórdão n.º 3102002.171 S3C1T2 Fl. 101 3 1 MÊS DE JUNHO.2001: Corrigimos o valor da linha 21, referente Receita de Vendas p/ o exterior. O valor correto é R§ 29.213,10; 2 MÊS DE DEZ 2002: Desconsideramos os valores da linha 34, que se referem a Bens Recebidos em Devolução, uma vez que não estão de acordo com o estipulado no art. 3°, inciso VIII da Lei 10.637/2002, e já estão computados na linha 8 como Vendas Canceladas, ou seja, estavam em duplicidade. Deixamos de considerar também os valores da linha 35, ref. Despesas com Energia Elétrica por falta de previsão legal p este rnés: 3 MÊS DE JAN2003: Idem ao item 2 acima; 4 MESES DE FEV. a DEZ 2003: Também desconsideramos os valores da linha 34, que se referem a Bens Recebidos em Devolução, uma vez que não estão de acordo com o estipulado no art. 3º, inciso VIII da Lei 10.637/2002, e já estão computados na linha 8 como Vendas Canceladas, ou seja, estavam em duplicidade. 5 MÊS DE ABIUL.2003: De acordo com exame na escrituração do contribuinte (Livro de Apuração de 1CMS e Livro de Registro de Saídas), os valores ref. A Receita da Venda de Produtos de Fabricação Própria, linha 2, o valor correto é: R$ 31.156.867,10 ao invés de R§ 12.919.243,15; 6 MÊS DE JAN.2004.. Também desconsideramos os valores da linha 34, que se referem a Bens Recebidos em Devolução, uma vez que não estão de acordo com o estipulado no art. 3°, inciso VIII da Lei 10.637/2002, e já estão computados na linha 8 como Vendas Canceladas, ou seja, estavam em duplicidade. 7 MESES DE FEV. a DEZ 2004: desconsideramos os valores da linha 34, que se referem a Bens Recebidos em Devolução, uma vez que não estão de acordo com o estipulado no art. 3º, inciso VIII da Lei 10.637/2002, e incluímos estes valores na linha 8 como Vencias Canceladas; 8 MESES DE JAN a JUL.2005: Idem ao item 7 acima. 3. Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 18.04.2006 (fl. 264), o contribuinte apresentou impugnação em 18.05.2006 (fls. 332/351) alegando: a) Que não teria havido a ciência regular do lançamento; b) Que o lançamento seria nulo por decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); c) Que, em relação ao mês de abril de 2003, o “software” contábil utilizado não teria transportado corretamente o valor das saídas do mês para o resumo, o que seria comprovado através da Guia de Apuração de ICMS e do Fl. 715DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 esclarecimento da supervisora de suporte técnico do “software”; d) Que o total de saídas no mês de abril de 2003 seria de R$ 14.004.145,18, e não o valor de R$ 34.578.624,67 apurado pela Fiscalização; e) Que não haveria duplicidade em relação às informações contidas nas linhas 08 e 34, pois uma seria referente à apuração da base de cálculo da COF1NS e outra do PIS. 4. Por fim, requereu o contribuinte: a) Que, preliminarmente, fosse declarada a nulidade do lançamento por falta de ciência regular e por ausência de prorrogação do MPF; b) Que, caso fossem ultrapassadas as preliminares, o lançamento fosse considerado improcedente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 643/650), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIN/PASEP [...] LANÇAMENTO. CIÊNCIA. A apresentação de impugnação supre eventuais vícios existentes na ciência do lançamento. MPF. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE. O desrespeito às normas referentes ao mandado de procedimento fiscal não implica em nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento. PIS. VALOR DEVIDO. PROVAS. Deve ser efetuada a correção do valor devido a titulo de contribuição para o PIS quando o contribuinte apresenta provas inequívocas. Lançamento Procedente em Parte Em 15/5/2008, a autuada foi cientificada dessa decisão (fl. 665). Inconformada, em 29/5/2008, protocolizou o recurso voluntário de fls. 675/692, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou nulidade Auto de Infração, sob argumento de que a redução do valor crédito ocorrida na decisão de primeira instância, na prática, implicava novo lançamento contra a recorrente, com flagrante descumprimento ao disposto no art. 10 do Decreto 70.235/72 e desrepeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que não lhe fora restituído o prazo para apresentação de defesa em relação à citada modificação introduzida no lançamento. É o relatório. Voto Fl. 716DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10280.001820/200677 Acórdão n.º 3102002.171 S3C1T2 Fl. 102 5 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I – Das Preliminares de Nulidade da Auto de Infração. Em preliminar, a recorrente reafirmou a alegação de nulidade da autuação por (i) falta de intimação regular e tempestiva do auto de infração e (ii) decurso do prazo de validade do MPF. Em aditamento, alegou nulidade do Auto de Infração por supressão de instância. Da nulidade por falta de intimação regular. A recorrente alegou nulidade do lançamento por intimação irregular, sob o argumento de que a ciência do Auto de Infração fora dada a pessoa, formalmente, não autorizada a responder pela sociedade. Com efeito, a ciência do questionado Auto de Infração foi dada ao Sr. Ladilson de Araújo Moura, na condição de contador e preposto da autuada, que, segundo a recorrente, seria apenas prestador de serviços, e nunca pertencera ao quadro societário e tampouco tinha poderes especiais para receber intimações. Não assiste razão à recorrente. A uma, porque, diferentemente do alegado, o referido contador tinha sim poder de representação da autuada, que lhe fora conferido por meio da procuração pública colacionada aos autos (fls. 9/10). A duas, porque, em consonância com jurisprudência consolidada deste Conselho, a apresentação tempestiva da impugnação supre eventual irregularidade havida na ciência do lançamento, o que ocorreu no caso em tela. Além disso, a carta colacionada aos autos na fase impugnatória (fl. 584), com data de 29/3/2006, advertindo o referido contador de que toda e qualquer intimação e ciência de eventual autuação deveriam ser procedidas na pessoa dos sócios, por força do disposto no caput do art. 6861 do Código Civil de 2002, induvidosamente, não pode ser oposta à autoridade fiscal, que, ignorandoa, de boafé deu ciência da autuação ao mandatário regularmente constituído pela recorrente por instrumento de mandato público. No caso, como não há nos autos provas de que a fiscalização fora, previamente, comunicada da referida correspondência, inequivocamente, fica demonstrada que a referida ciência foi realizada de forma regular, portanto, não havendo qualquer vício que possa conspurcar a higidez do vergastado Auto de Infração. Com base nessas considerações, rejeitase a referida preliminar de nulidade. Da nulidade por decurso do prazo de validade do MPF. A recorrente alegou que não houve revalidação tempestiva do MPF nem intimação de sua eventual prorrogação. Segundo a recorrente, apenas em 31 de janeiro de 1 "Art. 686. A revogação do mandato, notificada somente ao mandatário, não se pode opor aos terceiros que, ignorandoa, de boafé com ele trataram; mas ficam salvas ao constituinte as ações que no caso lhe possam caber contra o procurador." Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 2006, a autoridade fiscal havia procedido a prorrogação do MPF inicial, quando não mais poderia fazêlo, em face do decurso do prazo de sua validade. Previamente, é oportuno esclarecer que a previsão do MPF2, como instrumento administrativo de controle da atividade de fiscalização exercida no âmbito da Secretaria de Receita Federal do Brasil (RFB), encontrase previsto o art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, cujos dispositivos de interesse para análise da controvérsia seguem transcritos: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) [...] § 4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) [...]. (grifos não originais). Durante a realização do procedimento fiscal em apreço, as normas complementares sobre o MPF encontravamse disciplinadas na Portaria SRF 6.087/2005, cujo art. 13 e 19 tratavam das regras sobre a prorrogação do MPF, com os seguintes dizeres, in verbis: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 3º [2º] Na hipótese do parágrafo anterior, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. [...] 2 O MPF foi introduzido no direito positivo por meio da Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1.999. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10280.001820/200677 Acórdão n.º 3102002.171 S3C1T2 Fl. 103 7 Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 3º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. (grifos não originais) Em cumprimento ao disposto no citado art. 19, foi colacionado aos autos (fl. 458) o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas. Além disso, compulsando o referido documento, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, as prorrogações do MPF foram realizadas em conformidade com o disposto no referido art. 13. Dessa forma, fica demonstrado que não houve vício de prorrogação do MPF, suscitado pela recorrente. Porém, ainda que assim não fosse melhor sorte não ampararia a recorrente, posto que eventual inobservância de algum requisito atinente à expedição, validade e prorrogação do MPF, por se tratar de ato exclusivamente voltado para o controle administrativo da atividade fiscal, não contamina o auto de infração com o vício de ilegalidade insanável que implique nulidade do auto de infração, especialmente, quando o procedimento foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/72, doravante denominado de PAF, que trata dos requisitos do lançamento realizado fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De fato, implicaria grave agressão ao princípio da reserva legal, ao disposto no inciso IV do art. 84 da CF/88 e ao primado da hierarquia das normas, o mero descumprimento de aspectos formais atinentes à expedição do MPF, assunto disciplinado em ato administrativo de natureza infralegal, provocar a nulidade de um procedimento fiscal realizado com estrita observância dos preceitos legais que norteiam a atividade de fiscalização e atribuem competência ao AuditorFiscal. Dessa forma, fica evidenciado que o MPF tratase de mero instrumento de controle administrativo da atividade de fiscalização realizado pela RFB, por conseguinte, caso haja descuprimento de algum requisito estabelecido no ato normativo editado pelo Secretário da RFB, tal falha, por si só, não resultará em nulidade do correspondente procedimento fiscal. No mesmo sentido, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do acórdão CSRF/0105.558, de 4/12/2006, cuja ementa segue trascrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. Por todas essas considerações, rejeitase a presente alegação de nulidade suscitada pela recorrente. Da nulidade por supressão de instância. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 A recorrente alegou ainda a nulidade Auto de Infração, sob argumento de que a redução do valor crédito ocorrida na decisão de primeira instância, na prática, implicava novo lançamento contra a recorrente, com flagrante descumprimento ao disposto no art. 10 do Decreto 70.235/72 e desrepeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que não lhe fora restituído o prazo para apresentação de defesa em relação à citada modificação introduzida no lançamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, por força do disposto no art. 59, § 1º, do PAF, eventual vício na decisão de primeira de grau, evidentemente, resultaria apenas na nulidade da referida decisão, sem qualquer repercussão sobre os atos anteriores, realizados em boa e devida forma, inclusive o auto de infração. Porém, no caso em tela, o vício alegado pela recorrente não existe, haja vista que, nos termos do art. 18, § 3º, do PAF, somente nos casos de “exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões que resultem no agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” No caso em tela, não ocorreu nenhuma das hipóteses previstas no referido preceito legal, ao contrário, na decisão recorrida foi exonerada parte significativa do crédito tributário lançado e, ademais, não houve qualquer inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência inicial consignada no questionado Auto de Infração, que justificasse a reabertura do prazo para impugnação. É oportuno enfatizar que, tendo em conta que a parcela do crédito exonerado ficou aquém do limite alçada da Turma de Julgamento de primeiro grau, sequer este Conselho tem competência para reapreciar a matéria. Por todas essas razões, não fica demonstrado a improcedência da alegação da recorrente e rejeitadas todas as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente. II – Da Questão de Mérito. No mérito, a controvérsia cingese aos valores das vendas canceladas dos meses de dezembro de 2002 a janeiro de 2004. No recurso em apreço, embora a recorrente tenha reafirmado as alegações sobre o valor do faturamento do mês de abril de 2003, inequivocamente, tal questão não faz mais parte da lide, uma vez que fora integralmente acatada no julgamento de primeira instância os argumentos aduzidos pela recorrente. Das vendas canceladas dos meses de dezembro/2002 a janeiro/2004. De acordo com a Descrição dos Fatos, que integra o Auto de Infração (fls. 468/469), a fiscalização glosou a dedução dos valores da Linha 34 (Bens Recebidos em Devolução), pois, além de não atenderem o disposto no art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, tais valores já estavam deduzidos na Linha 8 (Vendas Canceladas), portanto, computados em duplicidade. Por sua vez, a recorrente alegou que não assiste razão à fiscalização, uma vez que as informaçõe das Linhas 08 e 34, apesar de idênticas, não estavam sendo consideradas em duplicidade, pois tinham finalidades distintas, sendo uma para a apuração da base de cálculo da Cofins e a outra para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, tendo Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10280.001820/200677 Acórdão n.º 3102002.171 S3C1T2 Fl. 104 9 em vista que, na época, as duas contribuições tinham base de cálculo e forma de apuração diferentes. A razão está com a fiscalização, pois, de acordo com as Planilhas de fls. 392/400, efetivamente, os valores das vendas canceladas, informados na Linha 08, foram deduzidos outra vez na Linha 34, relativa aos bens recebidos em devolução, o que comprova que houve a dedução em duplicidade informada pela fiscalização. É pertinente ressaltar que a referida Planilha reproduz a Ficha do Dacon que trata da apuração da Contribuição do PIS/Pasep não cumulativa, vigente desde dezembro de 2002. E nesse período (dezembro de 2002 a janeiro de 2004), sabidamente a apuração da Cofins era feita somente pelo regime cumulativo, o que contraria a alegação da recorrente de que um valor referirseia a apuração da base de cálculo da Cofins e o outro para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. III – Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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