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Numero do processo: 10825.000445/2009-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 04 45 /2 00 9- 96 Fl. 162DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, anocalendário de 2005, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 30.000,00. Foi apurada também omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação parcial (não questionou a omissão de rendimentos), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ São Paulo II de f. 89/96. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 101/109. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10825.000445/200996 Acórdão n.º 2001000.462 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam as despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 164DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10825.000445/200996 Acórdão n.º 2001000.462 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690783/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 78 3/ 20 09 -4 1 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10880.690783/200941 Resolução nº 3301000.981 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690.783/200941), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.784/2009 96, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690782/200905, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675287/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 28 7/ 20 09 -6 8 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.675287/200968 Resolução nº 3401001.573 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.078. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.675287/200968 Resolução nº 3401001.573 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.675287/200968 Resolução nº 3401001.573 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.675287/200968 Resolução nº 3401001.573 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.722022/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Preliminar rejeitada.
DEPÓSITOS EM CONTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
São considerados rendimentos tributáveis os depósitos em contas de Previdência Privada efetuados pelo empregador, quando comprovado que se tratou de benefício limitado a alguns empregados e/ou dirigentes, configurando pagamento de salário indireto.
NÃO RETENÇÃO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecê-los e deixar de oferecê-los à tributação. Se a fonte pagadora não efetuou os descontos, nos termos da Súmula 12 deste Conselho, legítima a constituição do crédito em face do beneficiário, ou sena, do Contribuinte.
Numero da decisão: 2301-005.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS EM CONTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. São considerados rendimentos tributáveis os depósitos em contas de Previdência Privada efetuados pelo empregador, quando comprovado que se tratou de benefício limitado a alguns empregados e/ou dirigentes, configurando pagamento de salário indireto. NÃO RETENÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Se a fonte pagadora não efetuou os descontos, nos termos da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 20 22 /2 01 1- 57 Fl. 175DF CARF MF 2 Súmula 12 deste Conselho, legítima a constituição do crédito em face do beneficiário, ou sena, do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 168/171, contra a decisão proferida pela 4ª DRJ POA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendose o crédito lançamento, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 1055.351, proferido em 24/06/2015 (fls. 153/163), cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS EM CONTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. São considerados rendimentos tributáveis os depósitos em contas de Previdência Privada efetuados pelo empregador, quando comprovado que se tratou de benefício limitado a alguns empregados e/ou dirigentes, configurando pagamento de salário indireto. NÃO RETENÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 176 3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Cabe ao interessado apresentar juntamente com a impugnação documentos hábeis e idôneos que comprovem suas alegações, não podendo transferir ao Fisco a obrigação para obtêlos, mediante pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração (fls. 2/7), lançado em 11/08/2011, o Contribuinte teve contra si lançado o crédito tributário no valor de R$215.954,85 (R$103.902,38 de imposto; R$34.125,69 de juros de mora; e R$77.926,85 de multa – 75%), por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com vínculo empregatício, cujo fato gerador ocorreu em 31/10/2007 (recebimento da quantia de R$377.826,84), cujo enquadramento legal se dá pelos artigos 1º a 3º da Lei 7.713/88, cumulado com os artigos 1º a 3º da Lei 8.134/90, art. 43 do RIR/99 e 1º da Lei 11.482/07. O Auto de Infração foi resultado do Termo de Início do Procedimento Fiscal 0810900.2010.01988 (fls. 8/10), em que o contribuinte foi intimado para apresentar documentos referente ao recebimento, pelo Contribuinte, do valor de R$747.135,44 a título de previdências FGB e PGBL durante o período apurado. Nas fls. 11/30, o Contribuinte apresentou resposta à intimação, na qual informa que foi admitido pela Jardest S/A Açúcar e Álcool em 01/09/1982. Esta foi incorporada em 27/06/2007 pela Cia Açucareira Vale do Rosário, sendo que esta, para enquadrar o Contribuinte na condição dos demais funcionários da empresa, fez a aplicação de R$377.826,84 em seu favor no plano de PGBL fornecido pelo Bradesco, sendo que o Contribuinte enquadrou a aplicação como isenta de Imposto de Renda, nos termos do Art. 39 do RIR. Nas fls. 35/36, a contribuinte junta declaração do Bradesco Vida e Previdência, no qual demonstra que em 03/10/2007 a empresa empregadora do Contribuinte fez aplicação líquida no valor de R$378.000,00 (Proposta 1200767479) no plano empresarial da Companhia Energética Santa Elisa – Plano de Aposentadoria por Tempo de Contribuição, sendo o mesmo transferido, em 23/10/2007, para o plano individual de PGBL, Proposta 1213090474. Nas fls. 37/39, a Autoridade Fiscal intimou a empresa empregadora do Contribuinte para que forneça a documentação referente ao PGBL analisado, para saber se a documentação apresentada pelo mesmo é de fato verdadeira. Na fl. 41 a empregadora solicitou dilação de prazo para resposta. Nas fls. 45/59, apresentou a documentação exigida, na qual nas fls. 59 há a comprovação de que a empregadora efetuou o aporte de R$378.000,00 no plano de previdência privada PGBL em favor do Contribuinte. Nas fls. 60/62, a Autoridade Fiscal intimou Bradesco Vida e Previdência para apresentar toda documentação referente ao PGBL do Contribuinte, sendo que nas fls. 63/65, consta da documentação exigida, da qual consta a contribuição de R$378.000,00, a cobrança de carregamento no valor de R$3.024,00, o rendimento no valor de R$2.850,84 e a transferência do valor de R$377.826,84. Fl. 177DF CARF MF 4 Nas fls. 66/88 consta do Termo de Constatação Fiscal, intimandose o contribuinte para apresentar resposta, caso deseje, sobre a legalidade do aporte, cuja manifestação, juntada nas fls. 89/98 afirma que a antiga empregadora mantinha Plano de Benefício em favor de todos os funcionários e dirigentes de forma facultativa e opcional, desconhece a razão pela qual a empregadora informou que ele foi um dos 04 funcionários comtemplados apenas; que as contribuições feitas, quando resgatadas, sofre incidência do imposto de renda sobre o valor integral do resgate, razão pela qual não há que se falar em tributação como salário; requer o encerramento da fiscalização, por restar demonstrado que não houve o fato gerador. Nas fls. 105/116 consta da Declaração de Imposto de Renda do Contribuinte do anocalendário de 2007. Nas fls. 117/125 há o encerramento do procedimento fiscal, no qual a Autoridade Fiscal entendeu que o aporte de R$377.826,84 é salário indireto, visto que apenas beneficiou 04 pessoas no período apurado, que nos termos do art. 16 da LC 109/2001 o plano de PGBL, para ser isento, deve ser ofertado a todos, sendo que o benefício em questão não se enquadra na determinação da lei, razão pela qual o valor do aporte configura salário indireto, sendo feito dessa forma para “evitar a incidência das contribuições previdenciárias, bem como a retenção do imposto de renda na fonte com base na tabela progressiva e, ainda, criou condições para que o empregado (gerente) se furtasse à tributação ou se sujeitasse a uma menor tributação de seu rendimento, quando do resgate do valor correspondente junto à Entidade de Previdência Privada”. Nas fls. 130/149 o Contribuinte apresentou Impugnação, afirmando que: · Que a empregadora realizou o aporte de R$378.000,00 em 03/10/2007; · Que não compreende o porquê de a empregadora ter informado que apenas 04 pessoas eram beneficiários do plano de aposentadoria complementar, sendo que plano era coletivo para todos os empregados e dirigentes, devendo a Autoridade fiscal realizar nova intimação na empregadora para que informe todos os planos de previdência privada ofertada a seus empregados; · Que a empregadora instituiu o plano de previdência complementar em 2002, sendo incoerente que apenas o aporte de 2007 teve lançado crédito tributário; · Que a empregadora forneceu ao contribuinte o informe de rendimentos do anocalendário de 2007 sem qualquer menção da aplicação do Plano Previdenciário; o Bradesco procedeu a retenção de 15% de todos os resgates realizados pelo Contribuinte, de acordo com a legislação aplicável, sendo que o Contribuinte lançou apenas os valores resgatados como rendimento tributável em sua DIRPF; · Que o Contribuinte efetuou resgates no ano de 2009 no valor de R$150.000,00; no ano de 2010 no valor de R$130.000,00 e no ano de 2011 no valor de R$30.000,00, sendo que tais resgates sofreram a retenção de 15% na fonte, sendo que lançamento de ofício deste processo administrativo constitui bitributação; · Que não efetuou tais aplicações; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 177 5 · Que se fosse salário indireto, a Pessoa Jurídica deveria reter o Imposto de Renda na fonte, o que não aconteceu; · Que o Contribuinte nunca teve acesso ao plano de previdência ofertado pela empregadora; que não é verdade que o referido plano beneficia apenas 04 funcionários; · Que a multa lançada deve ser aplicada à fonte pagadora nos termos do art. 722 do RIR/99, assim como deverá arcar com o recolhimento do imposto; Nas fls. 153/163 consta do Acórdão da Impugnação, que julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário, visto que: · Que não há dúvidas a respeito de que quem efetuou a aplicação em previdência privada no valor de R$ 377.826,84 em nome do contribuinte foi a Companhia Energética Santa Elisa; · Que a Lei 7.713/88 determina em seu Art. 3º, §§ 1º e 4º que “constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados” e “a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”; · Que a incidência do imposto de renda vinculase à natureza do rendimento, independentemente da denominação ou classificação contábil adotada pela fonte pagadora; · Que o Art. 43 e 56 do RIR/99 determina o pagamento de imposto de renda sob todo e qualquer valor recebido à título de salário; · Que o art. 6º da Lei 7.713/88 determina a isenção do IP sob as contribuições pagas pelos empregados relativas a programas de previdência privada, sendo que a LC 109/2001 determina a exigência de que os planos sejam oferecidos a todos os empregados, sendo que o pagamento em questão foi feito à apenas 04 pessoas, conforme resposta da empregadora; · Que a legislação determina a isenção apenas às contribuições que têm a finalidade de prover o pagamento dos benefícios de caráter previdenciário, assemelhados aos da previdência oficial, sendo que, no caso sob análise, essas características não restaram comprovadas, uma vez que a contribuição/depósito foi efetuada no momento da demissão do contribuinte em um valor elevado sem qualquer Fl. 179DF CARF MF 6 correspondência/cálculo de um benefício futuro a ser recebido pelo empregado e tão pouco ficou comprovado nos autos que se tratava de um benefício estendido a todos os funcionários conforme exigência estabelecida na lei, sendo que o próprio contribuinte afirma que efetuou resgates vultosos nos anos seguintes, o que demonstra o entendimento de que não se trata de valores depositados para serem utilizados como uma forma de complementar a aposentadoria do contribuinte, sendo imediatamente por ele retirado do plano de previdência complementar; · Sobre o argumento da bitributação, constatase sua confusão, pois se trata de dois momentos distintos com tributações próprias: o primeiro ocorre quando houve o recebimento da remuneração pelo contribuinte, por meio de depósito em conta de previdência privada. Nesse momento os valores deixaram de ser oferecidos à tributação e são objeto da presente autuação. O segundo momento ocorreu quando o contribuinte efetuou o resgate do plano de previdência privada, foi tributado na fonte pela alíquota de 15% e depois declarou os rendimentos na declaração de ajuste anual, razão pela qual não há bis in idem; · Que não tendo havido retenção do imposto pela fonte pagadora, o contribuinte deverá oferecer os rendimentos à tributação no momento da declaração de ajuste, conforme Súmula 12 do CARF; · Com relação ao pedido de diligência, verificase que cabe ao interessado apresentar os documentos hábeis que comprovam suas alegações, não podendo transferir ao Fisco a obrigação de obtêlos; Nas fls. 168/171 consta do Recurso Voluntário, no qual, o Contribuinte pugna pela: 1. Requer a realização, preliminarmente, de diligência/perícia para a comprovação de que o plano de previdência beneficiava mais que 4 pessoas, visto que não tem como exigir da instituidora cópia do plano ou de todos os beneficiários; 2. Que o Contribuinte se desligou dos serviços da empregadora em 28/09/2007, sendo que no dia 03/10/2007 a empregadora, por uma questão de equiparação dos benefícios concedidos aos demais funcionários da incorporada (Jardest), realizou uma aplicação a título de previdência tradicional junto ao Bradesco em favor do Contribuinte, no valor de R$377.826,84, no Plano Previdenciário Coletivo para os Empregados e Dirigentes da Instituidora, plano do qual contempla a participação de todos os funcionários e dirigentes da empresa há muito tempo; 3. Que todos os resgates realizados pelo Contribuinte sofreram retenção de 15% na fonte, oferecendo os valores à tributação, ou seja, o pagamento do imposto de renda já foi efetuado, razão pela qual haverá bitributação caso se permaneça o presente lançamento; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 178 7 4. Que não houve a retenção do imposto de renda retido na fonte, sendo dever da fonte pagadora ter procedido a retenção; Este é o resumo dos atos ocorridos no presente processo; Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constatase nas fls. 166 o Contribuinte foi intimado por AR/MP em 07/07/2015 e apresenta seu Recurso Voluntário em 30/07/2015, sendo, portanto, tempestivo o mesmo. Diante disso, conheço do Recurso e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de lançamento de ofício realizado pela autoridade fiscal, sob o valor aportado pela empregadora do Contribuinte à título de previdência complementar particular, que no mês de outubro de 2007 foi de R$377.826,84, visto que a Autoridade Fiscal entendeu que o pagamento foi, na verdade, salário indireto. Com relação ao pedido de realização de diligência, verificase o Art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Assim como encontro em diversas jurisprudências deste Conselho: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 (...) DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Fl. 181DF CARF MF 8 (...) CARF. Acórdão 2401005.590. Autos. 10166.720755/201407. Sessão 03/07/2018. Portanto, cabe à Autoridade a identificação da real necessidade de realização de perícia. No presente caso, não vislumbro a necessidade de realização de diligência/perícia. Passada a questão preliminar aduzida, passase à análise do mérito do Recurso Voluntário, ou seja, procedência do lançamento e se há ou não bitributação. Segundo o Contribuinte, o mesmo era empregado da empresa Jardest S/A Açúcar e Álcool desde 01/09/1982, sendo que esta empresa foi incorporada pela Cia. Açucareira do Rosário que, posteriormente, tornouse Companhia Energética Santa Elisa e, mais tarde LDCSEV Bioenergia S/A (Unidade Santa Elisa). Quando da ocorrência da sucessão, a Companhia Energética Santa Elisa aportou a quantia de R$377.826,84 em 23/10/2007 em favor do contribuinte, que, segundo este, o aporte se deu unicamente para igualar o Contribuinte aos demais funcionários da empresa. A autoridade fiscal entendeu que este valor foi pagamento de salário indireto, lançandose Imposto de Renda de Pessoa Física, visto que a empregadora somente realizou aportes, no ano de 2007, à quatro empregados (incluindo o contribuinte) e não à todos os empregados e dirigentes, como determina a LC 109/2001. Verificase que a tributação sobre os valores recebidos a título de previdência complementar, até 01/01/1996, data do início da vigência da Lei nº 9.250, de 1995, estabelecia que os benefícios recebidos de entidades de previdência privada estavam sob a égide da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, nos termos do art. 6º, VII, b: Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VII – os benefícios recebidos de entidades de previdência privada; (...) b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio tenham sido tributados na fonte. O Regulamento do Imposto de Renda de 1994 RIR/ 1994 (Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994), no que tratava dos rendimentos isentos ou não tributáveis, previa em seu art. 40, a isenção dos recebimentos de resgates, conforme texto que segue: Art. 40. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII as importâncias correspondentes ao resgate das contribuições, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebidas por ocasião de sua retirada de entidade de previdência privada, inclusive a atualização monetária do respectivo encargo; Portanto, vêse que a regra anteriormente vigente e adotada pela legislação era de tributar a renda no recebimento dos rendimentos e isentar de tributação quando do recebimento pelo beneficiário da entidade de previdência privada, sendo que referidas parcelas Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 179 9 eram decorrentes de valores anteriormente tributados e de rendimentos e ganhos de capital da entidade de previdência privada tributados na fonte, de forma que todo o valor recebido da entidade já teria sido tributado anteriormente. Contudo, a partir de 01/01/1996, com a edição da Lei no 9.250/95, a legislação do Imposto de Renda das Pessoas Físicas sofreu alterações, especialmente na sistemática de tributação deste seguimento. A partir de então foi permitida a dedução da base de cálculo do IRPF das parcelas destinada ao pagamento de previdência privada, deslocandose a tributação para o momento do recebimento do benefício ou do resgate. O inciso V, art. 4º da Lei nº 9.250/95, dispôs quanto à dedução da base de cálculo do IRPF das contribuições para entidade de previdência privada, nos seguintes termos: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) V – as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; Na seqüência, e em decorrência da Lei nº 9.250/95, o inciso XIV e caput do art. 43 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), no que dispõe sobre a tributação dos rendimentos da pessoa física, agrega neste contexto de rendimentos tributados, os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como os valores recebidos a título de resgate de contribuições, no seguinte dizer: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: (...) XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII; Além disto, temse a seguinte previsão sobre a matéria no ordenamento jurídico LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; RIR/99 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 183DF CARF MF 10 XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Art. 633. Os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, ressalvado o disposto nos incisos XXXVIII e XLIV do art. 39 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33). Sobre o tema, o STJ pacificou a matéria, analisandoa no espaço temporal da vigência anterior, reconhecendo o direito à isenção do IRPF sobre os valores de complementação de aposentadoria e resgate de contribuições correspondentes junto à entidade de previdência privada ocorridos no período de 01/01/1989 até 31/12/1995. Em julgamento como de recurso repetitivo, a Primeira Seção do STJ definiu a matéria nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (...) (Resp nº 1.012.903/RJ, DJe 13/10/2008) Diante desta decisão do STJ, o presente Conselho adotou a seguinte Jurisprudência Consolidada sobre o tema: RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES ÔNUS DA PESSOA FÍSICA Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (Acórdão n°: 10423.250 30 de maio de 2008) Portanto, temse, pela legislação tributária e pela jurisprudência consolidada deste Conselho que, com relação à previdência privada e incidência de imposto de renda, tem se a cobrança na seguinte forma: 1. Caso o contribuinte recolha mensalmente para a previdência privada, este valor poderá ser deduzido da base de cálculo do IR, nos termos do inciso V, art. 4º da Lei nº 9.250/95; 2. Caso o contribuinte é beneficiário de previdência privada paga por seu empregador: isento (não entram no computo do rendimento bruto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 180 11 as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada), nos termos do Art. 6º, VIII da Lei 7.713/1988 e Art. 39, XI do RIR/99; Em ambos os casos (Contribuinte efetuando o recolhimento mensal ou sendo beneficiário de plano pago por sua empregadora fonte pagadora), deverá o Contribuinte recolher IRPF sobre todos os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, com fulcro no inciso XIV e caput do art. 43 e no Art. 633 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) Portanto, não vislumbro, neste primeiro momento, o fato gerador imposto no Auto de Infração, visto que, como comprovam os documentos de fls. 36, 53/59 e 63/65 o valor aportado pela Fonte Pagadora empregadora em favor do Contribuinte diz respeito à Previdência Privada complementar, enquadrandose, neste caso, no Art. 6º, VIII da Lei 7.713/1988 e no Art. 39, XI do RIR/99, ou seja, “Ficam isentos do imposto de renda as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes”. A Autoridade Fiscal efetuou o lançamento, alegando que houve descaracterização do benefício e que o valor aportado diz respeito à salário indireto, visto que a empresa supostamente beneficiou apenas 06 empregados, conforme indica fl. 59, sendo desrespeitada a determinação da Lei Complementar n. 109/2001, que: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Esta exigência foi instituída na legislação para que as empresas (fontes pagadoras) não tentassem burlar o pagamento de contribuições previdenciárias das importâncias pagas à título de previdência privada complementar como forma de premiação e fidelização de apenas alguns empregados. Desta forma, obrigatoriamente, se a empresa optasse em ofertar aos seus empregados previdência privada complementar, deveria ofertar a todos e não para apenas alguns empregados do alto escalão diretório da empresa, como forma de lhes fidelizar. Além disto, conforme se viu nos autos, o Contribuinte se desligou da empresa logo em seguida, sendo que efetuou o resgate do valor aportado pela Fonte Pagadora em 03 oportunidades: no ano de 2009, no valor de R$150.000,00, no ano de 2010, R$130.000,00 e em 2011, no valor de R$30.000,00. Todos esses valores sofreram tributação na fonte de 15% e foram informadas nas respectivas declarações de ajuste anual. Este é outro indício de descaracterização do benefício concedido ao empregado. Se o PGBL é instituído e pago para auxiliar o empregado na hora em que se aposenta, a possibildiade de ele sacar o dinheiro à seu bel prazer descaracteriza o instituto, servindo o PGBL como meio de a empresa pagar salário indireto, sem a incidência de contribuição previdenciária. Com relação à bitributação, observa que existem dois fatos geradores distintos. Fl. 185DF CARF MF 12 O primeiro, diz respeito ao rendimento recebido a título de salário indireto, que incide IRPF. Neste momento, seria isento o valor aportado de PGBL, caso não restasse descaracterizado o instituto, conforme fundamentação acima. Como houve a constatação que o valor aportado na verdade era salário indireto, devida a imposição do IRPF. O segundo momento é quando resgata a aplicação, no qual incide IRPF apenas sobre o rendimento. O Contribuinte alega que houve a retenção de 15% à título de IRPF sobre todo o valor resgatado e não apenas sobre o rendimento, o que geraria a bitributação. Entretanto, não há nos autos se de fato houve a incidência de 15% sobre todo o valor ou se apenas sobre rendimento da aplicação. O Contribuinte afirma em sua impugnação e recurso voluntário, entretanto não junta a Declaração de Imposto de Renda do ano de 2009 e 2010 para comprovar que efetivamente recolheu o IRPF sobre o valor, capaz de ensejar a alegada bitributação. Com relação ao resgate de 2011, o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário que fará a DIRPF no próximo ano. Portanto, não há a comprovação da suposta bitributação alegada, razão pela qual indefiro o pedido. Com relação à alegação de que caberia à Fonte Pagadora a retenção do Imposto de Renda na Fonte, verificase que quando esta não faz, cabe ao Contribuinte declarar corretamente em sua DAA e fazer o recolhimento do imposto referente aos valores recebidos, nos termos da legislação: Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Pois bem, o Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Se a fonte pagadora não efetuou os descontos, nos termos da Súmula 12 deste Conselho, legítima a constituição do crédito em face do beneficiário, ou seja, do Contribuinte. Tendo em vista que restou descaracterizado o instituto do PGBL, sendo entendido que o valor aportado pela Fonte Pagadora diz respeito a rendimento recebido à título de salário indireto e, não sendo comprovada suposta bitributação, nego provimento ao pedido do Contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.722022/201157 Acórdão n.º 2301005.654 S2C3T1 Fl. 181 13 Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para que no mérito, negar provimento, mantendose o crédito exigido. É como voto. Relatora Juliana Marteli Fais Feriato (assinado digitalmente). Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720281/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE.
Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 e não traz conjunto probatório capaz de levantar dúvidas acerca das circunstâncias fáticas e jurídicas do caso concreto de forma a justificar a presença de um expert.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR).
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.
A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Diante da não comprovação pelo sujeito passivo pode haver o correspondente lançamento de tributos.
Por sua vez, os depósitos cuja origem restar comprovada, devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos lançados.
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº108.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base tributável os valores constantes do item 58, nos termos do voto da relatora. Ausente momentaneamente, a conselheira Bárbara dos Santos Guedes.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose´ Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE. Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 e não traz conjunto probatório capaz de levantar dúvidas acerca das circunstâncias fáticas e jurídicas do caso concreto de forma a justificar a presença de um expert. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Diante da não comprovação pelo sujeito passivo pode haver o correspondente lançamento de tributos. Por sua vez, os depósitos cuja origem restar comprovada, devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos lançados. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº108. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
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ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE. Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 e não traz conjunto probatório capaz de levantar dúvidas acerca das circunstâncias fáticas e jurídicas do caso concreto de forma a justificar a presença de um expert. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 02 81 /2 01 5- 25 Fl. 20596DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 3 2 a origem dos depósitos bancários. Diante da não comprovação pelo sujeito passivo pode haver o correspondente lançamento de tributos. Por sua vez, os depósitos cuja origem restar comprovada, devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos lançados. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº108. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base tributável os valores constantes do item 58, nos termos do voto da relatora. Ausente momentaneamente, a conselheira Bárbara dos Santos Guedes. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao anocalendário de 2010, no montante de R$ 43.460.524,67, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício de 75%, conforme planilha abaixo: Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL IRPJ 7.507.321,80 3.048.437,59 5.630.491,37 16.186.250,76 CSLL 3.370.362,54 1.371.975,47 2.527.771,91 7.270.109,92 PIS 1.640.587,92 691.356,52 1.230.440,97 3.562.385,41 COFINS 7.571.944,20 3.190.876,19 5.678.958,19 16.441.778,58 Fl. 20597DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 4 3 43.460.524,67 2. Por economia processual e por bem retratar as circunstâncias fáticas da presente ação fiscal, adoto como parte deste trechos do relatório constante da decisão de piso: “Do procedimento Fiscal. A ação fiscal teve inicio em 09/08/2013, com a ciência de Termo de Início de Diligência Fiscal (fls. 03/05), por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar diversos documentos e esclarecimentos ali relacionados. Não tendo atendido a intimação, o sujeito passivo foi reintimado para o mesmo fim, com ciência em 16/09/2013, 15/10/2013, 04/12/2013. Não houve resposta a nenhuma das intimações. Tendo em vista o não atendimento às intimações e ainda a omissão na entrega de SPEDContábil (ECD) relativamente aos anoscalendário de 2010 e 2011, foi iniciado Procedimento fiscal determinado pelo MPF 08.1.65.00.2014.005626 e, em 26/02/2014, foi dada ciência do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 23/26), por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, entre outros documentos, os livros fiscais e contábeis e os arquivos digitais e ainda os extratos das contas bancárias mantidas em Instituições Financeiras no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. Novamente mantevese silente. Em 18/03/2014 foi dada ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal 001 à representante legal e sócia da empresa fiscalizada e, em 24/03/2014, foi a empresa intimada (Termo de Intimação Fiscal 002) a apresentar, no prazo de 5 dias, seus Livros Diários e Razão em meio físico. Não tendo a empresa apresentado os livros no prazo concedido sob o argumento de que eles se encontravam com o advogado, foi dado novo prazo para apresentação dos mesmos, até 04/04/2014, data em que compareceu à Repartição Fiscal o advogado da empresa, Dr. Agnaldo da Silva Azevedo, solicitando prorrogação de prazo sob a alegação de que os documentos estariam em poder de outras autoridades da Receita Federal e também com agentes da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Por não comprovar a situação alegada, foi proferido o seguinte despacho no próprio pedido protocolizado pelo procurador da fiscalizada: "Recebi em 04/04/2014. Indefiro o pedido em razão da empresa não comprovar os livros foram retidos por fiscalizações anteriores da SRFB e do ICMS" Após mais um ato protelatório para apresentação da escrita contábil, esta fiscalização entendeu que sujeito passivo, que alegou possuir os Livros Diários e Razão (supostamente em poder de terceiros) estava se recusando a apresentálos ao fisco, portanto, a atitude do contribuinte caracterizava, naquele instante, o embaraço à fiscalização, conforme disposto no art. 919 do RIR/1999. Por razão, em 10/04/2014, o sujeito passivo tomou ciência do Auto de Embaraço à Fiscalização (fls. 504/506). Fl. 20598DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 5 4 Não tendo a empresa apresentado os extratos bancários foi solicitada Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), pelas razões e fundamentos explicitados na Solicitação de Emissão de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) e relatório de fls. 507/522, entre os fundamentos previstos estariam o artigo 3º do Decreto n° 3.724/ 2001 combinado com o previsto no artigo 33 da Lei n° 9.430/1996, particularmente o disposto no inciso I, que trata do embaraço à fiscalização decorrente da negativa não justificada da apresentação de livros e extratos bancários. Em atendimento, as Instituições Financeiras apresentaram a movimentação financeira do estabelecimento 0001. Considerando que as DIMOF constantes da base de dados da RFB revelarem que o estabelecimento 0003 também efetuou operações financeiras, foram expedidos novos RMF em 11/06/2014, complementares aos originais, requerendo tais informações. Após examinados os dados dos extratos bancários do estabelecimento 0001 e comparados com os dados das notas fiscais eletrônicas, baixadas através do ReceitanetBX, foi a empresa intimada em 13/06/2014 (Termo de Intimação Fiscal 003 – fls. 1861/1862) a comprovar a origem dos depósitos bancários arrolados em Anexo – fls. 1863 e seguintes, bem assim a regular escrituração e oferecimento à tributação. O sujeito passivo não atendeu à intimação. Em 27/06/2014 foi expedido o Ofício DIFISII/DEFIS/SPO n° 007 destinado à JUCESP no qual o órgão foi questionado sobre existência de registro de Livros Diários relativamente ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011. A autoridade fiscal comparecendo à JUCESP constatou, mediante aos sistemas, que o sujeito passivo não possuía livros registrados no dito período. Em 02/07/2014 o sujeito passivo tomou ciência de auto de infração de multa regulamentar objeto do processo administrativo fiscal n° 10314.724469/201461 que foi aplicada em razão da falta de apresentação dos arquivos digitais previstos no art. 11 da Lei n° 8.218/1991 e também pelo descumprimento de obrigação acessória relativamente à entrega do SPED Contábil (ECD). Em 06/08/2014 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal 004 (fls. 3841/3845), no qual lhe foram requeridos esclarecimentos sobre a origem e escrituração dos depósitos bancários arrolados no anexo ao dito Termo. Em 22/08/2014 o sujeito passivo apresentou pedido de prorrogação de prazo para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 004 e em 02/09/2014 entregou diversos documentos dentro de 12 caixas de arquivo relativos à movimentação de 2010 e, na mesma data, protocolizou pedido de prorrogação de prazo para apresentação de outros documentos até 17/09/2014. Em 16/09/2014 foram apresentadas 4 caixas contendo documentos relativos às operações financeiras de 2011 e novo Fl. 20599DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 6 5 pedido de prorrogação de prazo. Em 02/10/2014 foi apresentado um rol contendo alegações sobre a origem de diversos lançamentos feitos a crédito em suas contas bancárias. Segundo a fiscalização, nenhuma prova das alegações foi apresentada. Em 11/12/2014 o sujeito passivo recebeu o Termo de Intimação Fiscal 005, no qual lhe foram solicitados esclarecimentos (origem e escrituração) relativamente a aplicações no Fundo CSHG MAX. Não houve resposta a essa intimação”. Do Arbitramento do Lucro e Apuração da Base de Cálculo 3. Diante da ausência de apresentação dos livros contábeis e da constatação que a contribuinte não cumpriu a obrigação acessória de entregar o SPEDECD, tampouco registrou seus livros diários na JUCESP, a fiscalização concluiu que não era possível conferir a apuração do imposto de renda feita pelo sujeito passivo. Logo, o lucro da empresa foi arbitrado nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR/99. 4. A autoridade fiscal considerou como base de cálculo o resultado da aplicação do coeficiente de 9,6% (aplicação do coeficiente de 8% acrescido de mais 20%) sobre o valor da receita bruta conhecida (receita declarada + receita omitida). Cumpre registrar que, foram considerados pela fiscalização os valores pagos a título de IRPJ apurado pelo lucro real anual. 5. Conforme consta do auto de infração, a base do lucro arbitrado foi apurada a partir das receitas declaradas na DIPJ do anocalendário de 2010 e das notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo no período, cujos valores são consistentes entre si, e também a partir das receitas consideradas omitidas. Da Omissão de Receitas 6. Foram acrescidos à base de cálculo do lucro arbitrado valores correspondentes aos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas pelo sujeito passivo. Relevante apontar que, a contribuinte foi devidamente intimada para prestar esclarecimentos acerca dos depósitos bancários devidamente discriminados em lista elaborada pela fiscalização. 7. Antes da elaboração dessa lista foram identificadas e excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade e valores correspondentes a estornos de lançamentos e empréstimos bancários. 8. Ademais, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 19.668/19.684), a fiscalização considerou comprovados todos os créditos de depósito que o sujeito passivo logrou êxito em demonstrar estar a origem relacionada à emissão de notas fiscais valores faturados já considerados como receitas declaradas em DIPJ. 9. Os valores relativos, especificamente, às aplicações nos Fundos CSHG MAX foram levados à tributação em função de não terem origem comprovada. A fiscalização esclarece que essa exigência não se trata de tributação de rendimentos de aplicação financeira, pois “não tendo sido apresentados os registros contábeis, não se demonstrou que os valores resgatados das aplicações no fundo CSHG MAX foram tributados anteriormente, portanto, Fl. 20600DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 7 6 repisase, tratase de receitas omitidas decorrentes da presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996”. Dos Lançamentos Reflexos de PIS e COFINS 10. Diante da alteração do regime de tributação do IRPJ, passando do lucro real para o lucro arbitrado, foi alterado também o regime de apuração do PIS e da COFINS, passando do regime nãocumulativo para o regime da Lei nº 9.718/1998. 11. Logo, todas as receitas do sujeito passivo foram submetidas à incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Ademais, não foram identificados valores pagos ou declarados em DCTF em razão da apuração pelo regime da nãocumulatividade. Dos Processos Decorrentes do Procedimento Fiscal 12. Relevante ressaltar que, o mesmo procedimento fiscalizatório se desdobrou em três processos administrativos fiscais: (i) Processo nº 10314.720281/201525, referente ao anocalendário de 2010; (ii) Processo nº 10314.721561/201551, referente ao ano calendário de 2011; e (iii) Processo nº 10314.720337/201541, cujo objeto é a exigência de IPI e reflexos. Da Impugnação 13. Devidamente intimada (AR de 21/01/2013, fl. 19.901) dos Autos de Infração (fls. 19.851/19.898), a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 19.907/19.934), na qual trouxe as seguintes razões de defesa: (i) o auto de infração é nulo em face da ausência de justa causa para sua lavratura; (ii) é aplicável ao caso o princípio do “in dubio contra fiscum” de que trata o artigo 112 do CTN; (iii) todos os depósitos constantes nas contas correntes da contribuinte são lastreados em notas fiscais e, portanto, está comprovada a origem de todos os lançamentos; e (iv) o lançamento relativo à conta de investimento no Fundo CSHG MAX foi realizado de forma equivocada. Por fim, requer a realização de diligência ou perícia e que as intimações sejam realizadas em nome do advogado da contribuinte. Da Diligência 14. Em sessão de 24 de junho de 2016 a 1ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, resolve converter o julgamento em diligência, nos termos do voto relator, Resolução nº 3710 (fls. 20.414/20.436). Exigiuse que “a fiscalização se manifeste em relação às alegações concernentes ao Extrato do Fundo CSHG MAX (...) e também em relação às justificativas e documentos apresentados com o fim de comprovar a origem dos recursos depositados/creditados em conta corrente”. 15. A Autoridade Fiscal analisou as justificativas apresentadas, conforme Termo de Informação Fiscal (fls. 20443/20.471). A contribuinte, então, apresentou manifestação (fls. 20.481/20.498) acerca da diligência e os autos retornaram para julgamento. Acórdão da DRJ 16. Em sessão de 27 de março de 2018 a 1ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos do voto Fl. 20601DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 8 7 relator, Acórdão nº 1483.122 (fls. 20.500/20.526), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ART. 112 CTN. INAPLICABILIDADE. Não havendo dúvidas quanto à caracterização da infração, não se aplica, por conseguinte, o art. 112 do Código Tributário Nacional. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. No âmbito do processo administrativo tributário, cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pela autoridade fiscal está ou não conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato, nem mesmo quanto aos princípios supostamente violados pelo ato de lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os valores creditados em contacorrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em cada operação, individualmente, evidenciam omissão de receita, que servirá de base para o arbitramento do lucro, quando o contribuinte deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. FUNDO DE INVESTIMENTO. Não configura omissão de receita de origem não comprovada os valores resgatados de aplicações financeiras do próprio sujeito passivo. PRODUÇÃO DE PROVAS. COMPLEMENTAÇÃO. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Dispensável a produção de perícias e diligências quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. A atividade administrativa é vinculada aos preceitos legais, e, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação, para ser válida, deve ser encaminhada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim entendido aquele endereço fornecido para fins cadastrais (art. 23, §4º, I). Impugnação Procedente em Parte Fl. 20602DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 9 8 Crédito Tributário Mantido em Parte”. 17. A DRJ exonerou parcialmente o crédito exigido no que tange as aplicações nos Fundos CSHG MAX, pois os recursos correspondentes já pertenciam a Contribuinte e, portanto, não há que se falar em comprovação da origem. 18. No mais, foram excluídos da base de cálculo os valores referentes as movimentações financeiras cuja origem foi comprovada, após a análise dos documentos apresentados em sede de impugnação. Do Recurso Voluntário 19. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 04/04/2018, fl. 20.539) a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (fls. 20.542/20.587) em 03/05/2018, no qual reitera em parte as razões já expostas em impugnação (item 13) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: (i) a decisão recorrida deve ser anulada dada sua parcialidade; (ii) diferente do afirmado pela decisão recorrida, a contribuinte demonstrou a origem dos depósitos bancários; (iii) a decisão recorrida deve ser reformada diante da inobservância dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da verdade material; e (iv) são inaplicáveis os juros sobre a multa. 20. Por fim, requer seja: (i) declarada a nulidade da decisão recorrida; (ii) subsidiariamente, declarada a nulidade dos autos de infração; (iii) no mérito, julgada improcedente a autuação; (iv) realizada perícia para nova análise da documentação apresentada pela Recorrente; e (v) afastada a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 21. Inicialmente, cumpre consignar que diante da inexistência de contestação da matéria relativa à aplicação das regras de arbitramento dos lucros para os créditos tributários do anocalendário de 2010, consoante o disposto no artigo 530, do RIR/99, a presente decisão está adstrita a análise dos fundamentos constantes do Recurso Voluntário (composição da base de cálculo para o arbitramento, dentre outras razões). 22. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão Preliminar I. Da Ausência de Nulidades no Acórdão da DRJ e nos Autos de Infração 23. Em seus instrumentos de defesa, a Recorrente traz diversas alegações de nulidade decorrentes da suposta inobservância de princípios constitucionais. Afirma que a decisão recorrida é nula por violar os preceitos relativos à imparcialidade do julgador, à busca da verdade material e à necessária motivação do auto de infração. Fl. 20603DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 10 9 24. De fato, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. 25. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 26. Contudo, não verifico no presente caso qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. 27. A Recorrente considera ser a decisão imparcial em razão do pouco lapso temporal que lhe foi dado para elaboração da contraprova, após a conclusão da diligência. 28. Ressaltese que, os prazos processuais decorrem da própria legislação do PAF e não há que se confundir suposto cerceamento do direito de defesa (não configurado, digase de passagem) com suposta parcialidade do julgador ou de órgão de julgamento (colegialidade). O livre convencimento e a livre apreciação da prova são pressupostos Fl. 20604DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 11 10 intrínsecos da atividade de julgamento. Logo, não é cabível a alegação de quebra da imparcialidade ou afronta a princípios constitucionais em face da apreciação da prova (pelos órgãos judicantes) ser distinta da interpretação dada pela Recorrente. 29. Na mesma linha, críticas relativas à qualidade das provas apresentadas pela Recorrente não leva a conclusão automática de que o órgão de julgamento é parcial. Ao meu ver, está, simplesmente, procedendo a análise e valoração da prova de acordo com os citados valores e atendendo aos fatos e circunstâncias do caso concreto. Da leitura do acórdão da DRJ, evidencio que a documentação e as alegações apresentadas foram devidamente consideradas. 30. Ademais, não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois a Recorrente teve a oportunidade de se manifestar sobre as conclusões da fiscalização constantes do relatório da diligência (Termo de Informação Fiscal de fls. 20.443/20.471 e Manifestação de fls. 20.481/20.498). Mesmo tendo a oportunidade não traz, após a conclusão da citada diligência e em sede de Recurso Voluntário (concedido/respeitado o prazo de 30 dias, respectivamente), elementos probatórios adicionais aos já apresentados em sede de Impugnação. 31. Frisese que, apesar da Contribuinte ter exibido seu conjunto probatório de forma desorganizada e desarticulada, as doutas autoridades fiscais cuidaram de analisar minuciosamente a documentação em comento. Logo, não há que se falar em nulidade por suposta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da busca pela verdade material. 32. Nesse sentido, considero irreparáveis as razões expostas no voto condutor da r. decisão da DRJ, verbis “Quanto aos documentos apresentados por amostragem para justificar a origem dos recursos, é oportuno destacar as palavras de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no direito tributário, Editora Noesis, 2005): “Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Ou seja, a prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Repito: provar não é juntar documentos; é articulálos; e isso não foi realizado pela recorrente”. 33. Conforme será analisado quando da análise de mérito, não podemos olvidar que os AIIMs estão alicerçados na presunção de omissão de receitas do artigo 42, da Lei nº 9.430/96 e, portanto, cabe ao contribuinte o ônus de provar com assertividade e efetividade a origem dos depósitos bancários. Fl. 20605DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 12 11 34. Quanto à alegação de nulidade do auto de infração por ausência de motivação, verifico que houve a descrição detalhada do fato gerador dos tributos, assim como de seu enquadramento legal. A matéria e a determinação da exigência tributária estão perfeitamente identificadas. 35. O contribuinte notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e não teve seu direito de defesa cerceado, ao passo que apresentou impugnação administrativa para contrapor a exigência, o que demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal. 36. Diante do exposto, afasto a caracterização de nulidade da decisão recorrida e dos autos de infração. Questões de Mérito I. Da Omissão de Receitas por Depósitos de Origem não Comprovada 37. A Recorrente não contesta o arbitramento do lucro (em si), mas sim a composição da base de cálculo dos créditos exigidos, pois afirma ter apresentado documentação hábil e idônea capaz de comprovar a origem das movimentações financeiras utilizadas na caracterização da omissão de receita. 38. Sobre o tema, considero fundamental a observância de dois pressupostos para legitimar a adoção da presunção: respeito aos limites legais constantes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, leiase individualização dos lançamentos considerados de origem não comprovada e efetiva intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. 39. Primeiro, a autoridade deve cuidar de respeitar as disposições e limites constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: " Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 20606DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 13 12 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." 40. A partir da análise do dispositivo supra, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas se a autoridade fiscal individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa segregação, o autuado se defenda e apresente provas. 41. Importante consignar que, conforme dispõe a Súmula CARF nº 26: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". 42. Portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal do tipo juris tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. 43. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. 44. Os indícios em questão decorrem de questões fáticas levantadas tanto pela autoridade fiscal, por meio de suas plataformas tecnológicas de dados, como pelo contribuinte, que legalmente intimado, deve fazer prova da origem dos créditos bancários recebidos e demonstrar a ocorrência de lançamentos em duplicidade e/ou que não correspondem às receitas tributáveis, como é o caso dos resgates, estornos e transferências entre contas do mesmo titular. 45. Não se trata, portanto, de "cheque em branco" dado às autoridades fiscais para aplicar indistintamente tal presunção, pois os limites legais devem ser observados. 46. No presente caso, verifico que os dois pressupostos foram atendidos, vez que a autoridade fiscal individualizou os lançamentos de origem não comprovada e a Recorrente foi devidamente intimada para a comprovar a origem dos depósitos bancários. 47. Para a elaboração da lista de depósitos constantes no Termo de Intimação Fiscal 004 (fls. 3841/3956), foram identificadas as transferências entre contas de mesma titularidade e também os valores correspondentes aos estornos de lançamentos e empréstimos bancários, sendo esses valores não incluídos no rol dos depósitos a serem comprovados. 48. Em resposta, a Recorrente apresentou vasta quantidade de documentos que supostamente comprovariam a totalidade dos depósitos. Em posse dessas provas, a fiscalização considerou comprovados os créditos em conta de depósito que o sujeito passivo logrou êxito em demonstrar estar a origem relacionada à emissão de notas fiscais, vez que esses valores faturados já foram considerados como receitas declaradas em DIPJ. Fl. 20607DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 14 13 49. Contudo, parte dos depósitos restaram sem comprovação, pois não foi possível relacionálos às notas fiscais eletrônicas emitidas durante o ano de 2010. 50. Uma vez que foram atendidos os pressupostos para a adoção da presunção de omissão de receitas, cabe a esta relatoria analisar se a documentação apresentada pela contribuinte é suficiente para dar a devida rastreabilidade aos depósitos bancários ou não. 51. Em sede de Impugnação, a Recorrente apresentou novos documentos e cotejou, por amostragem, os depósitos bancários com as notas fiscais. Em busca da verdade material, a douta DRJ baixou os autos em diligência. Após a análise, parte dos valores foram exonerados. 52. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma que os documentos apresentados são suficientes para a comprovação das operações com base nos princípios da razoabilidade e da busca da verdade material. Adicionalmente, apresenta planilha de operações que não foram reconhecidas pela fiscalização, apesar de estarem acompanhadas de documentação supostamente hábil e idônea, são elas: Descrição do ANEXO I do auto de infração Data Valor Histórico ORIGEM 1. JANEIRO Não justificada da origem falta de comprovação 11/01/2010 R$ 15.780,00 Depósito online Nota Fiscal 1036 – 2ª Parcela 2. FEVEREIRO Não justificada da origem falta de comprovação 08/02/2010 R$ 9.655,00 SISPAG Polip Ind Com Nota Fiscal 2666 – 1ª Parcela 3. MARÇO Não justificada da origem falta de comprovação 05/03/2010 R$ 14.058,23 TED WALL MART Nota Fiscal 2352 4. MARÇO Não justificada da origem falta de comprovação 04/03/2010 R$ 52.230,79 Transferência online Nota Fiscal 3176 1ª parcela de R$ 54.230,79 que foi concedido desconto de R$ 2.000,00 5. ABRIL Não justificada da origem falta de comprovação 05/04/2010 R$ 15.972,35 TED GOODYER Notas Fiscais 2496, 2938 e 2937 6. MAIO Não justificada da origem falta de comprovação 04/05/2010 R$ 15.883,93 Transferência online Nota fiscal 3905 – 3ª parcela 7. JUNHO Não justificada da origem falta de comprovação 01/06/2010 R$ 21.528,08 TBI 0152.55783 1 Nota Fiscal 6433 – recebimento antecipado 8. JULHO Não justificada da origem falta de comprovação 05/07/2010 R$ 2.559,05 SISPAG LAMINA Nota Fiscal 4374 – 3ª parcela 9. AGOSTO Não justificada da origem falta de comprovação 04/08/2010 R$ 9.377,68 Transferência Online Nota Fiscal 5192 – 2ª Parcela 10. SETEMBRO Não justificada da origem falta de comprovação 29/09/2010 R$ 23.859,32 TED WALL MART Notas Fiscais 7077 e 7367 Fl. 20608DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 15 14 11. OUTUBRO Não justificada da origem falta de comprovação 07/10/2010 R$ 94.802,78 MOV TIT Cobrança Notas Fiscais: 8334 – 2ª Parcela; 8372 – 2ª Parcela; 8688 – 2ª Parcela; 8717 – 2ª Parcela; 8718– 2ª Parcela; 8720 – 2ª Parcela; 8868 – 2ª Parcela; 000008; 8899 – 3ª Parcela; 8900 – 2ª Parcela; 12. NOVEMBRO Não justificada da origem falta de comprovação 08/11/2010 R$ 2.898,11 TED WALL MART Nota Fiscal 8350 13. DEZEMBRO Não justificada da origem falta de comprovação 03/12/2010 R$ 13.282,50 Transferência CC Nota Fiscal 11759 recebimento antecipado 53. Por mais que as autoridades fiscais tenham realizado a devida análise e valoração da prova, a Recorrente insiste, também em sede de Recurso Voluntário, em trazer a mesma construção probatória (planilha supra). No entanto, deixa de enfrentar pontualmente as conclusões da diligência ou de rebater as incidências constantes da planilha elaborada pela fiscalização por meio da apresentação de conjunto probatório efetivo e organizado. Neste caso, a mera amostragem descasada de provas claras, não tem o condão de afastar a presunção do artigo 42, da Lei nº 9.430/96. 54. A Recorrente tem o dever de apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que compõe a origem dos depósitos bancários. Se a documentação suporte é insuficiente para tal fim e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, não cabe as autoridades fiscais e julgadoras suprir deficiências na construção probatória da contribuinte. A busca da verdade material é uma via de mão dupla. 55. Tendo em vista a escassa demonstração por parte da Recorrente em contraposição a extensa diligência e análise da douta DRJ, passo a apreciar as operações relacionadas na planilha supra. Isso porque, repitase, não cabe ao julgador "caçar" suposta justificativa acerca da origem dos depósitos. Estamos diante de uma presunção e o ônus da prova é do contribuinte, conforme exaustivamente tratado nos itens 41 a 44. 56. Dentre os valores relacionados pela contribuinte, evidencio que a operação correspondente a linha 10 já foi considerada comprovada e o valor excluído da base de cálculo. 57. No mais, analisando a planilha elaborada pela fiscalização (pós diligência, fls. 20.44320.471) em cotejo com a amostragem feita pela Recorrente constatei o seguinte: 57.1. Linha 1. Janeiro: Não há correspondência entre o valor do depósito e a Nota Fiscal nº 1036. A nota fiscal indica que o pagamento será realizado em três parcelas de R$ 42.780,00 (fl. 35 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM JANEIRO”), mas o valor da parcela não corresponde ao valor do depósito de R$ 15.780,00. A Recorrente não apresenta de forma clara e precisa justificativa para a diferença de R$ 27.000,00. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. Fl. 20609DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 16 15 57.2. Linha 2. Fevereiro: O depósito de R$ 9.655,00, realizado em 08/02/2010, não corresponde ao valor da Nota Fiscal nº 2666, de R$ 19.310,00 (fl. 11 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM FEVEREIRO”). A referida nota fiscal não traz a informação de que o pagamento será parcelado. Por sua vez, a Recorrente afirma que o depósito se trata de parcela ou recebimento parcial do valor da nota fiscal, mas não traz documentação capaz de comprovar sua alegação. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. 57.3. Linha 3. Março: O depósito de R$ 14.058,23 tem valor muito próximo ao montante da Nota Fiscal nº 2352, de R$ 14.140,72 (fl. 30 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM MARÇO”) coincidência de datas e valores. Neste contexto, este valor deve ser excluído da base tributável. 57.4. Linha 4. Março: O montante de R$ 52.230,79 corresponde ao valor da 1ª parcela da Nota Fiscal nº 3176, com o desconto de R$ 2.000,00. Ao descontarmos o abatimento reconhecido pela própria autoridade fiscal chegamos a coincidência de valores entre a nota e o depósito bancário. Neste contexto, este valor deve ser excluído da base tributável. 57.5. Linha 5. Abril: O depósito de R$ 15.972,35, realizado em 05/04/2010, tem correspondência exata com a soma das Notas Fiscais nºs 2496, 2938 e 2937 (fls. 17/19 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM ABRIL”). Neste contexto, este valor deve ser excluído da base tributável. 57.6. Linha 6. Maio: Não há correspondência entre o valor do depósito e a Nota Fiscal nº 3905. A nota fiscal indica que o pagamento será realizado em três parcelas de R$ 15.572,48 (fl. 11 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM MAIO”), mas o valor da parcela não corresponde ao valor do depósito. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. 57.7. Linha 7. Junho: O depósito de R$ 21.528,08, realizado em 01/06/2010, não corresponde ao valor da Nota Fiscal nº 6433, de R$ 24.304,80 (fl. 12 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM JUNHO”). A Recorrente sustenta que a diferença se justifica pelo recebimento antecipado, mas não apresenta documentação capaz de comprovar tal alegação. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. 57.8. Linha 8. Julho: O depósito de R$ 2.559,05 tem valor muito próximo ao montante de uma das parcelas da Nota Fiscal nº 4374, de R$ 2.479,70, (fl. 30 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM JULHO”) coincidência de datas e valores. Neste contexto, este valor deve ser excluído da base tributável. 57.9. Linha 9. Agosto: O depósito de R$ 9.377,68 tem valor muito próximo ao montante de uma das parcelas da Nota Fiscal nº 4374, R$ 9.230,00, (fl. 10 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM AGOSTO”) coincidência de datas e valores. Neste contexto, este valor deve ser excluído da base tributável. 57.10. Linha 11. Outubro: Não há correspondência entre o valor do depósito de R$ 94.802,78, realizado em 07/10/2010, e a soma das parcelas das notas fiscais indicadas pela Recorrente. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. Fl. 20610DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 17 16 57.11. Linha 12. Novembro: Não há correspondência entre o valor do depósito de R$ 2.898,11, realizado em 08/11/2010, e a Nota Fiscal nº 8350, de R$ 3.327,33 (fl. 15 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM NOVEMBRO”). A Recorrente não apresenta de forma clara e precisa justificativa para a diferença de R$ 429,22. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. 57.12. Linha 13. Dezembro: Não há correspondência entre o valor do depósito de R$ 13.282,50, realizado em 03/12/2010, e a Nota Fiscal nº 11759, de R$ 27.275,17 (fl. 11 do arquivo não paginável denominado “AMOSTRAGEM DEZEMBRO”). A Recorrente sustenta que a diferença se justifica pelo recebimento antecipado, mas não apresenta documentação capaz de comprovar tal alegação. Neste contexto, este valor deve ser mantido na base tributável. 58. Diante do exposto, considero justificadas apenas as operações financeiras de linhas 3, 4, 5, 8 e 9 (planilha de item 52), devendo ser excluídos da base de cálculo dos tributos os valores correspondentes a: R$ 14.058,23, R$ 52.230,79, R$ 15.972,35, R$ 2.479,70 e R$ 9.230,00, respectivamente. II. Aplicação de Juros com base na Taxa SELIC 59. Outro ponto questionado pela Recorrente é a aplicação de juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Segundo ela não existe previsão legal que permita tal aplicação sobre a multa de ofício. 60. Apesar da manifesta inconformidade da Recorrente quanto a este ponto, a Súmula CARF nº 108 é bem clara ao descrever que os juros à taxa SELIC incidem sobre o valor correspondente à multa de ofício, verbis: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. 61. Portanto, não acolho o pedido da Recorrente e determino a manutenção da aplicação dos juros sobre a multa de ofício. III. Do Pedido de Perícia 62. A Recorrente requer que a documentação apresentada seja objeto de perícia com base no princípio da verdade material. Contudo, deixou de motivar seu pedido de acordo com os pressupostos contidos no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70. 235/721. 63. A documentação em questão já foi objeto de análise pela fiscalização e no curso da diligência, conforme relatado no Termo de Informação Fiscal (fls. 20.443/20.471). 64. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e que esteja fora do campo de atuação das autoridades 1 Decreto nº 70.235/72, "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." Fl. 20611DF CARF MF Processo nº 10314.720281/201525 Acórdão n.º 1201002.667 S1C2T1 Fl. 18 17 fiscais e julgadoras, o que não é o caso dos presentes autos. A análise de documentos fiscais, como extratos bancários e notas fiscais estão dentro do campo de atuação do julgador administrativo. 65. A perícia se justifica num cenário onde a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, o que não ocorre neste caso. Verificase que a Recorrente não foi capaz de apresentar provas hábeis e idôneas em sede de Impugnação e de Recurso Voluntário para justificar a omissão de receitas. 66. Sabemos que o PAF é informado pelo princípio da concentração das provas e, portanto, o pedido de perícia não pode ser utilizado pelo contribuinte como artifício para se furtar de apresentar o devido conjunto probatório em seus instrumentos de defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/72. 67. Diante do exposto, deixo de acolher o pedido de produção de prova pericial. IV. Lançamento Reflexo de CSLL, PIS e COFINS 68. De forma acertada, quanto aos autos de infração relativos à CSLL, contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, aplicouse o quanto delineado no voto relativo ao IRPJ, o que coaduna com a jurisprudência desse Egrégio Conselho. 69. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Conclusão 70. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para excluir da base tributável os valores constantes do item 58. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 20612DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726779/2016-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 79 /2 01 6- 69 Fl. 143DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 46.017,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro de f. 112/117. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 127/129. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15504.726779/201669 Acórdão n.º 2001000.457 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 145DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15504.726779/201669 Acórdão n.º 2001000.457 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.901781/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 01 78 1/ 20 06 -4 1 Fl. 232DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 112 ___________ Relatório: Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 42ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Ante o minucioso relatório da r. DRJ adotoo em sua integralidade, complementando ao fim com o que entender necessário: A Interessada transmitiu vários PER/DCOMP em que solicita a compensação de débitos com crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2000, no montante de R$ 4.464.923,76. 2. O crédito foi detalhado no PER/DCOMP n° 25832.94436.l40507.1.7.02 7403. 3. Após análise dos pedidos, a DERAT/SP emitiu Despacho Decisório (fls. 18 a 25) HOMOLOGANDO as compensações declaradas nos PER/DCOMP vinculados ao SNIRPJ AC 2000 até o limite do direito creditório reconhecido, nos seguintes termos, resumidamente. 3.1. O contribuinte apresentou os PER/DCOMP relacionados abaixo, por meio dos quais pretende quitar débitos próprios. O crédito é o SNIRPJ AC 2000. Consulta ao Sistema SIEF/DCOMP esclareceu que apenas quatro dos dezesseis PER/DCOMP ativos da referida família haviam recebido um número eletrônico de processo, no caso, o presente. Então, informouse o tratamento manual nos referidos PER/DCOMP estendendoo aos outros relacionados a este mesmo crédito. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 113 3 3.2. Em 25/08/2008, consulta ao sistema COMPROT identificou o processo administrativo de compensação de n° 1l6l0.004197/200779 que tem por objeto este mesmo crédito pleiteado. Tratase de recurso ao despacho decisório de nãoadmissão do PER/DCOMP retificador de n° 372l2.99862.l00504.l.7.026900. De acordo com art. 61 da Lei 9.784/1999, tal recurso não tem efeito suspensivo; logo, não impede a elaboração do presente despacho decisório. Do Saldo Negativo de IRPJ 3.3. O contribuinte que optar pela tributação com base no lucro real com apuração anual obrigase ao recolhimento mensal do imposto de renda determinado sobre base de cálculo estimada. Os recolhimentos por estimativa efetuados e o Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 114 4 imposto de renda retido na fonte são considerados antecipações, não se tratam de indébito ou recolhimento a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do ano calendário. 3.4. Se o resultado apurado for um saldo negativo, poderá ser restituído à pessoa jurídica, conforme disposto nos incisos III e IV, § 4°, art. 2° e no inciso II, § 1°, art. 6°, da Lei n° 9.430/96. 3.5. A dedução do IRRF está condicionada à apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (de acordo com o art. 55, da Lei n° 7.450, de 23/12/1985), e a que os rendimentos destas retenções sejam oferecidos à tributação, de acordo com o art. 231, do Decreto 3.000, de 26/03/1999 (RIR99). Da análise do crédito alegado 3.6. Consulta às DCTF entregues não revelou qualquer compensação em processo utilizando o saldo negativo em análise. Portanto, será aqui examinado apena o SNIRPJ AC 2000. IRPJ IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIPJ 2001 Ano calendario 2000 3.7. A empresa alega possuir crédito a compensar de R$ 4.464.923,76 neste AC (fl. 08). Em consulta à DIPJ 2001 retificadora (n° 1240291), constatouse que a forma de tributação utilizada foi a do lucro real, com apuração anual (fl. 05). De acordo com o cálculo do imposto de renda (fl. 08), o saldo negativo alegado é resultado exclusivamente do IRRF (linha 13), conforme tabela abaixo: Da imposto de renda retido na fonte 3.8. A composição das 03 fontes pagadoras foi detalhada na ficha 43 da DIPJ 2001, assim como no demonstrativo de crédito do PER/DCOMP 25832.94436.l40507.1.7.02 7403 (fls. 09 e 12). Consulta ao sistema SIEF/DIRF comprovou o IRRF declarado (fls. 15 e 16), conforme tabela abaixo: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 115 5 3.9. Como visto, para que seja deferido o saldo credor de imposto de renda constituído de IRRF, é necessário que as retenções sejam comprovadas e que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação. Ademais, o ônus da prova cabe ao pleiteante. 3.10. Observase na tabela a seguir que o interessado não ofereceu à tributação montante compatível com 0 IRRF deduzido na apuração anual: 3.11. Sobre o oferecimento de receita de SWAP (código 5273): Confonne instruções da DIPJ 2001 (...). Uma vez que o contribuinte não ofereceu à tributação qualquer receita de rendimento auferido em operações de swap (linha 21 da ficha 06A; fl. 06), 0 IRRF do código 5273 não será considerado. 3.12. Tendo em vista o acima exposto, há de se considerar o montante de R$ 729.263,54 a título de IRRF a deduzir. Recalculando 0 IR sobre o Lucro Real (Ficha I2A), apurouse “Imposto a Pagar” de R$ 729.263,54, negativo. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 116 6 3.13. Assim, foi reconhecido direito creditório de R$ 729.263,54 e homologadas as compensações até 0 limite do direito creditório reconhecido. 4. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 05/O9/2008 (AR; fls. 06 e 08), e dele recorreu a esta DRJ, em 30/09/2008, por meio de procuradora (fls. 26 a 46 e 59 a 82), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 56 a 59): 4.1. No caso em tela, tratase tão somente de erro de preenchimento da Ficha 06A da DIPJ 2001, restando comprovar apenas que os rendimentos de swap que originaram as retenções foram oferecidos à tributação. 4.2. A Recorrente, na DIPJ 2001, por equívoco consolidou na linha 24 (“Outras Receitas Financeiras”) da Ficha 06A todos os valores correspondentes às receitas auferidas no montante compatível com o IRRF deduzido na apuração anual, inclusive de rendimento auferido em operações de swap, a qual deveria ter sido informada individualmente na linha 21 da Ficha 06A (doc. 06). 4.3. Não havia observado 0 erro de preenchimento até o recebimento da r. decisão, mas se o próprio Fisco reconhece a existência das receitas e respectivas retenções sobre as mesmas, bem como que a somatória delas corresponde àquela informada na linha 24 (doc. 08), não há que se falar em receita sem tributação nem em desconsideração do IRRF de código 5273. 4.4. Isto posto, se faz necessário retificar a DIPJ 2001 para constar corretamente a informação do oferecimento à tributação da receita auferida em operações de swap na linha 21 da Ficha O6A, cujo ajuste poderia ter sido feito de oficio, uma vez que comprovado em sistema o oferecimento à tributação. 4.5. Todavia, a Recorrente procedeu nesta data à retificação da referida declaração, desmembrando dos demais valores da Linha 24 aquele referente à operação de swap, alocandoo corretamente na linha 21 (doc. 09). 4.6. Em face do exposto, requer o reconhecimento do crédito a compensar no valor de R$ 4.464.923,76 e a homologação de todos os pedidos de PER/DCOMP vinculados ao crédito em questão. 5. Foram apensados ao presente os processos de n° 10880720533/200781, 10880919441/200676, 10880919442/200611, 10880722140/200893 e l16l0.004197/2007 79. Neste último (já referido no subitem 3.2.), observase o que vem a seguir informado. 5.1. À fl. 03, consta Despacho Decisório não admitindo o PER/DCOMP n° 372l2.99862.100504.l.7.026900 que retifica o de n° 08688.87785.310304.1.3.028127 visto que apresenta inclusão de novo débito (ciência em 08/03/2007, fls. 18) 5.2. Às fls. 01 e 02, há manifestação de inconformidade protocolada em 08/05/2007. Em 02/09/2008 foi exarado outro Despacho Decisório (ciência em 22/09/2008; fl. 89), não conhecendo o recurso visto que apresentado após o prazo de dez dias estipulado pelo caput do artigo 59, da Lei n° 9.784/99. 5.3. Às fls. 21 a 28, consta recurso voluntário (sic) à DRJ, protocolado em 02/10/2010, em que requer seja reformado r. Despacho e declarado nulo o mesmo, acolhendo o Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 117 7 PER/DCOMP retificador, ou caso assim não entendam, que seja arquivado considerando que o mesmo está sendo discutido em outro processo administrativo, cuja decisão foi proferida anterior ao r. Despacho. Após analisar os autos, assim decidiu a r. DRJ: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendario: 2000 REPETIÇÃO DE INDEEITO. PRAZO DE CINCO ANOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA – IRPJ Ano calendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. Não tendo sido comprovado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente ao IRPJ do anocalendário de 2000, em valor superior ao apurado pela Autoridade Administrativa, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que aduz que houve erro no preenchimento da DIPJ 2001, mas que que os rendimentos de swap submetidos à retenção na fonte discutidos nos autos foram posteriormente oferecidos à tributação em sua apuração anual. Segundo sustenta, as operações de swap foram devidamente submetidas à tributação, a Recorrente esclarece que o rendimento bruto no valor R$ 18.678.300,90, que ensejou a retenção de IRRF no montante de R$ 3.735.660,18 (Ficha 43 da DIPJl2001), foi tributado ao longo dos anoscalendários de 1999 e 2000. Realmente, do valor total de R$ 18.678.300,90, registrese que R$ 2.828.159,98 foram submetidos à tributação no ano calendário de 1999, ao passo que R$ 16.623.452,13 foram submetido à tributação no ano calendário de 2000. Esclarece ainda que a legislação tributária (Lei 8.981/95, art. 74) determina que o lRRF sobre rendimentos decorrentes de operações de swap aconteçam apenas no momento de sua liquidação, apesar de seu rendimento independentemente do momento de sua liquidação deve ser reconhecido no seu resultado contábil durante toda a vigência de seu respectivo contrato segundo o regime de competência. Mas que tendo a operação de swap em questão se iniciado em 1999 e terminado apenas em 2000, a Recorrente se viu obrigada a reconhecer os respectivos rendimentos durante ambos os anos, apesar de o respectivo IRRF ter ocorrido apenas em 2000. Com o objetivo de comprovar que os rendimentos auferidos nas operações de swap foram incluídos na Linha 24, e não na Linha 21, a Recorrente anexou cópia de seus Balancetes Contábeis relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 118 8 Esclarece que em relação ao ano calendário de 1999, , nas páginas do Livro Razão da conta contábil 1.1.1.05.10 ("swap a receber"), consta o saldo de R$ 2.828l159,98 (doc. 07). Este valor de R$ 2.828.159,98, somado ao valor de R$ 16.623.452,13 relativo ao anocalendário de 2000, totaliza o montante de R$ 18.678.300,90 que sofreu a retenção de IRRF (essa retenção de IRRF no valor R$ 3.735.660,18. Além disso, nas páginas do Livro Razão da contacontábil 3.6.1.01.50 ("resuItado com swap") (doc. 08), consta o valor de R$ 3.179.693,10 (indicado na tabela acima), o que comprova que os valores indicados na Linha 24 da DIPJ/2000 abrangem os resultados auferidos em operações de swap. Isso porque, na Linha 24, Ficha 07A, da DIPJ/2000 (anocalendário de 1999), a Recorrente informou o valor total de R$ 24.843.293,25, que corresponde ao valor das contas contábeis indicadas na tabela acima, incluindo a conta contábil 3.6.1.01.50, relativa aos rendimentos auferidos em operações de swap (RS 3.179.693,10). Quanto à DIPJ/2001, na tabela abaixo, a Recorrente procede a abertura dos valores que compõem o total de R$ 35.992.187,15 indicado na Linha 24, Ficha 06A, da DIPJ/2001: É importante ressalvar que esse valor de R$ 16.623.452,13 também consta nas páginas do Livro Razão das contascontábeis 3.6.1.01.50 ("resultado com swap") (doc. 09) e o 1.1.1.05.10 (“swap a receber") (doc. 10). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 119 9 Em seguida, sustenta o direito a utilização do IRRF na composição do saldo negativo e a ausência de preclusão temporal, dos equívocos formais e do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 120 10 Voto: Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO No mérito decidiu a r. DRJ pela impossibilidade de aproveitamento de crédito, pois não teria sido comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, conforme aduzido pela Recorrente. Constouse ainda comprovada a retenção do IRRF em consulta ao sistema da Receita Federal. Nessa toada, a despeito do argumento carreado pela r. DRJ, verificase nos autos evidente erro no preenchimento da DIPJ, que poderia no máximo ser punido com multa por descumprimento adequado da obrigação acessória, mas não impedir o aproveitamento do crédito, ainda mais quando acompanhado da documentação contábil hábil e idônea a compovar o mero erro formal. Nesse sentido, por exemplo, os seguintes precedentes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. A legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restando configuradas tais hipóteses não é de se declarar a nulidade. IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCOMP E ERRO NO PREENCHIMENTO DAS DIRF. Comprovado erro no preenchimento da DIPJ, deve ser reconhecido o direito creditório pertinente ao saldo negativo declarado em DCOMP e devidamente demonstrado pelo contribuinte. A DIRF não é o único documento hábil a comprovar as retenções efetuadas. Em caso de erro ou ausência da DIRF as retenções podem ser comprovadas mediante apresentação das notas fiscais emitidas e dos registros contábeis e fiscais que demonstrem que o valor foi recebido líquido das retenções e foi incluído como receita para fins de apuração dos tributos devidos. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.901781/200641 Resolução nº 1402000.718 S1C4T2 Fl. 121 11 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Processo administrativo nº 10680.925498/200911, acórdão nº 1401001.874, Relatora LIVIA DE CARLI GERMANO, data da Sessão: 17/05/2017. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado Processo Administrativo nº 16327.919408/200951, Acórdão nº 1201002.106, Relator LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Data da Sessão: 16/03/2018 Por esses motivos, entendo que o mero erro no preenchimento da DIPJ não é suficiente para afastar o direito creditório quando adequadamente cumpridos os requisitos do art. 74 da Lei 9.430/9; o que não autoriza, no entanto, o imediato reconhecimento do direito de crédito pleiteado sob o risco de haver, assim, supressão de instância administrativa. Nessa perspectiva, vislumbro por necessário converter o presente julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem proceda a averiguação dos documentos acostados pela recorrente em respaldo ao seu pedido de direito creditório concedendolhe a seguir vista do relatório fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.001103/2009-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA
Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de-obra.
OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇO DE ENGENHARIA.
A prestação de serviços que necessitam a existência de profissional legalmente habilitado em sua cadeia impede a pessoa jurídica de permanecer como optante pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 1001-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mãodeobra. OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇO DE ENGENHARIA. A prestação de serviços que necessitam a existência de profissional legalmente habilitado em sua cadeia impede a pessoa jurídica de permanecer como optante pelo SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 11 03 /2 00 9- 33 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 154 a 160) interposto contra o Acórdão nº 1233.531, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 142 a 151), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mãodeobra. OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA.TRATAMENTO DE ÁGUA. A prestação de serviços de captação, tratamento e canalização de água impede a pessoa jurídica de permanecer como optante pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "O presente processo tem origem no Ato Declaratório n° 28, de 03/04/2009 (fls. 19/20), expedido pelo Delegado Adjunto da Receita Federal em Volta Redonda, que excluiu a interessada do regime do SIMPLES, a partir do dia 01/01/2002, por conta do exercício de atividade vedada e locação de mão de obra, com fundamento nos artigos 9° a 16° da Lei n° 9.317/1996. O processo foi visto, relatado e discutido na sessão de O2/06/2010, havendo esta Turma decidido, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, através da Resolução 071/2010 (fl. 52) e encaminhar 0 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 4 3 'processo à autoridade preparadora, com fundamento nos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.23 5/1972, para que esclarecese: “a) informe se a exclusão do SIMPLES promovida pelo Ato Declaratório n” 028, de 03 de julho de 2009 fimdamentouse nos fiztos descritos na Representação Administrativa de fls. 02/09; b) informe se o contribuinte teve ciência da Representação Administrativa de fls. 02/09 e dos elementos de prova citados no item VI 01. 09); c) caso seja afirmativa a resposta do item b juntar documentos comprobatórios dos fatos ali descritos; d) dê ciência ao contribuinte do resultado desta diligência, concedendo lhe expressamente o prazo de trinta dias para, caso seja de seu interesse, aditar novas razões de defesa. " Em atendimento à Resolução a DRF/Volta Redonda prestou as informações de fis. 13/14, elucidando que: a) foram juntados aos autos elementos extraído do processo 17883.000300/200788 (fls. 55/107); b) foi dada ciência à empresa da Representação Administrativa de fis. 02/09, no qual se fundamentou a exclusão e demais elementos comprobatórios através da Comunicação 0161/2010 (fl. 108), recebida em 13/07/2010, conforme AR de fl. 109; c) a empresa teve vistas do processo (fls. 110/112), aditou novas razões de defesa e documentos às fls. 114/130. Resumidamente, em adição às razões expendidas às fl. 33, o contribuinte aduz às fis. 114/118, em documento apresentado em 11/08/2010, o que segue. Não há que se falar no caso em análise de locação de mão de obra, posto esta atividade consistir no fornecimento da referida mão de obra através de contrato de terceirização, ou seja, a empresa seria contratante de uma série de funcionários que prestariam serviços a terceiros, serviços estes que configurem a atividade fim da empresa contratante, o que não é seu caso, operação, posto atuar na gerência e administração de Estações de Tratamento de Água. Quanto à aventada prestaçao de serviços de engenharia, argumenta que da análise dos documentos que instruem o pedido feito pela fiscalização previdenciária, principalmente os contratos celebrados pela Contestante com os municípios de Quatis e Paraty e com a Companhia Metalúrgica Bárbara não se observa em qualquer momento a prática de prestação de serviços de engenharia. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 5 4 Neste mesmo sentido, propugna que o serviço por ela prestado era de administração da Estação de Tratamento de Água, inclusive com a medição mensal do consumo de água em cada residência, análise da água tratada, realização de cobranças, enfim, gerência em geral, o que não se confunde com a atividade de prestação de serviços de engenharia, razão pela qual não há que ser aplicado o inciso XIII, do Art. 9°, da Lei 9.317/96. O fato de o Contrato Social exigir que a administração da empresa se faça por quem inscrito no CREA nada quer dizer, mas sim cria um mecanismo de qualidade da empresa, pois se o Diretor tem conhecimento técnico, poderá cobrar melhor de seus funcionários. Ademais, o fato de ter gerente inscrito no CREA nada comprova quanto à prestação de serviços de engenharia, o que não é o objeto social. A atividade da empresa não qualificase como prestadora de serviço de engenharia ou assemelhado, pois não presta serviço dessa natureza. O código da atividade desenvolvida pela empresa, como se depreende de seu comprovante de inscrição, são os códigos 82.99799 (outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente), desmembrandose nos seguintes: 82.99701 (medição de consumo de energia elétrica, gás e água), 77.32201 (aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes) e 77.11000 (locação de automóveis sem condutor). A Comissão Nacional de Classificação estabelece como código das prestações de serviços técnicos de engenharia o grupo 711, que não é o seu caso, como se vê no documento anexo (fl.l29). Finaliza requerendo o deferimento de seu pedido com a anulação do Ato Declaratório Executivo n. 028, de 03 de julho de 2009, reconhecendose o seu direito de permanecer no SIMPLES." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " (...) A exclusão foi motivada pela prática de duas atividades vedadas: a de locação de mão de obra e a de prestação de serviços de engenharia. Em seguida passo a analisar cada uma destas atividades. DA LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA A fim de se entender melhor o conceito de locação de mãodeobra, reproduzo parte da Solução de Consulta DISIT/07/RF n" 127, de 10 de julho de 2.002, que elucida bem o que vem a ser esta atividade: “4 A Lei n" 9.317, de 05/12/1996, ao tratar das vedações à opção pelo Simples dispõe que: "Art. 9”. Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: ......... .. XII que realize operações relativas a: A prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; " 5. T rataremos aqui do alcance dado à expressão locação de mãode obra, no dispositivo legal retracitado. Pressuposto básico da locação de mão deobra, a utilização do trabalho alheio pode se dar por formas e maneiras bem diversificadas. A primeira, de que trataremos, referese à operação em que a empresa fornecedora assume a obrigação de contratar os trabalhadores, avulsos ou autônomos, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, tomandose, desta forma, a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores, autônomos ou não, sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Descrição típica da atividade de locação de mãodeobra , esta modalidade é expressamente vedada à opção pelo SIMPLES. 6. Há ainda as operações nas quais 0 objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. Nestes, a empresa contratada obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pela organização dos meios necessários para a produção desta coisa, objeto Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 7 6 da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se os recursos fornecidos pela contratada são a mãodeobra, exclusivamente, esta modalidade de contratação, comumente denominada empreitada de lavor , também é impeditivo da inscrição no SIMPLES, por guardar similitude com a locação de mãodeobra. 7. A diferenciação básica existente entre a locação de mãodeobra e a empreitada de lavor é, portanto, obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limitase ao fornecimento da mãodeobra, temos a primeira modalidade. A associação desta com o compromisso pela apresentação de um resultado específico, obra ou serviço, caracteriza a empreitada de lavor. 8. Por último, examinemos a contratação na modalidade de cessão de mãodeobra. Tal como definida no art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pelo art. 23 da Lei n” 9. 711, de 20 de novembro de 1998, esta também guarda similitude com a atividade vedada à opção pelo SIMPLES. "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, (..), deverá (..) § 3 ” Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos , relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação ". (grifamos) § 4” Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservaçao e zeladoria; II vigilância e segurança; Ill empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n" 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Decorre da lei, portanto, que a caracterização dos serviços alcançados pelo conceito de cessão de mãodeobra converge para dois pontos principais, objetivos, que são: um, a colocação dos trabalhadores à disposição da contratante; outro, a indicação de tratarse de serviços contínuos. 9 Vale dizer que a matéria já foi objeto de exame por parte da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, através do Parecer n" 69, de 10 de novembro de 1999, onde, a partir da fixação dos conceitos acima expostos, concluiu estarem impedidas de optar pelo SIMPLES, as pessoas jurídicas que: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 8 7 "a) têm como atividade a locação de mão de obra; b) firmam contratos de prestação de serviços relativos à empreitada exclusivamente de mão de obra; c) contratam serviços mediante cessão de mãodeobra; e d) estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lei n“9. 528/1997, art. 49" Do caso concreto em exame extraise os seguintes elementos de juízo: a) o contrato firmado com a Companhia Metalúrgica Bárbara, revela a prestação de serviços com habitualidade, ao preço contratado de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por mês (fl.74); b) no mesmo sentido é o contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Paraty, ao preço de R$ 69.672,00 por mês (fl. 85); c) idem quanto ao contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Quatis, ao preço de R$ 4.400,00 por mês (fl. 90); d) de acordo com o descrito nas no em todos os contratos, observase, de forma sucinta, que a excluída foi contratada com o fito de produzir um resultado especifico, qual seja o de fornecer água potável, revestindose os contratos de característica de empreitada de lavor, 0 que veda a adesão ao SIMPLES, conforme já elucidado; e) além disso, as notas fiscais e faturas de fls. 64/73 laboram no mesmo sentido; f) na fatura de fls. 72/73 a Metalúrgica Bárbara alerta quanto à necessidade de observância de normas de segurança (fi. 72), e ainda intima a empresa a apresentar a apólice do seguro de vida em grupo (fl. 73), ratificando a habitualidade da contratação. Constatase, assim, haver na prestação de serviço em comento características correspondentes à empreitada de lavor, assemelhada à locação de mão de obra, a qual veda a adesão ao SIMPLES NACIONAL, nos termos do artigo l7, inciso XII da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2.006. “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; " Portanto, em face de tal vedação, afasto os argumentos do contribuinte, indefiro a solicitação da Interessada, e confirmo o ato declaratório que a excluiu do Simples. Ademais, como se verá, a empresa também incide em outra vedação. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 9 8 DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA Para demonstrar que não desenvolve atividades de engenharia a empresa alega estar cadastrada no CNAE em atividades que não tem correspondência com o código referente a prestações de serviços técnicos de engenharia, ou seja, 0 grupo 711. Assim, como está cadastrada no CNAE com os códigos 82.99799 (outras atividades de serviços prestados principalmente as empresas não especificadas anteriormente), 82.99701 (medição de consumo de energia elétrica, gás e água), 77.32201 (aluguel de máquinas e equipamento para construção sem operador, exceto andaimes) e 77.11000 (locação de automóveis sem condutor), restaria comprovado não praticar as atividades que motivaram a suspensão. Quanto a este argumento, é bem de se ver que a exclusão do simples está ligada à obtenção de renda decorrente da atividade impeditiva. Nesta linha de raciocinio, na hipótese de determinada atividade impeditiva não constar no contrato social, mas se restar caracterizado a percepção de receitas desta atividade, a empresa também estará impedida de optar pelo SIMPLES. De modo análogo, ainda que no CNAE constem códigos que não sejam referentes à prestação de serviços de engenharia, mas se outros elementos do processo evidenciarem a percepção de receitas desta atividade, a empresa estará impedida de optar e permanecer no SIMPLES, com fundamento no inciso XIII, do Art. 9°, da Lei 9.317/96. Em seu favor a empresa alega ainda que o fato de o Contrato Social exigir que a administração da empresa se faça por quem inscrito no CREA nada quer dizer, mas sim cria um mecanismo de qualidade da empresa, pois se o Diretor tem conhecimento técnico, poderá cobrar melhor de seus funcionários. Ademais, o fato de ter gerente inscrito no CREA nada comprova quanto a prestação de serviços de engenharia, o que não é o objeto social. Tal dispositivo consta do parágrafo único da cláusula oitava (fl. 56), que transcrevese: “A direção técnica da empresa, estará a cargo de profissional devidamente habilitado pelo CREA, o qual será contratado para este jim, e assim, exigir 0 Instituto Brasileiro de Saneamento e Meio Ambiente, o qual estará revestido de poderes que lhe são outorgados pelos sócios gerentes. " A meu ver, o fato da direção técnica da entidade ser exercida por engenheiro demonstra inequivocamente que o cerne da atividade desenvolvida pela sociedade tem como escopo a prestação de serviços de engenharia, no caso, relativamente à atividade de tratamento de água. De todo modo, a fim de espancar dúvidas, vejase os seguintes dispositivos legais, extraídos da Solução de Consulta n° SRRF/8* RF/DISIT n 80, de 10 de abril de 2005: 8. A Lei n" 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo, no seu art. 27, dispõe: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 10 9 “Art. 27 São atribuições do Conselho Federal: (...) tomar conhecimento e dirimir quaisquer dúvidas suscitadas e penalidades impostas pelos Conselhos Regionais; (...) f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos;” 9. A Resolução Confea n°218, de 29 de junho de 1973, diz: “O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, usando das atribuições que lhe conferem as letras “d” e “f”, parágrafo único do artigo 27 da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, CONSIDERANDO que o ar1.7° da Lei n° 5.194/66 referese às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, em termos genéricos; () Resolve: Art. 1° Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da engenharia, arquitetura e agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade O5 Direção de obra e sendço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 ~ Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 11 10 Atividade_13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação. montagem. operação. reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação. montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. (~~~) Art. 4 ° Compete ao ENGENHEIRO AGRIMENSOR: I O desempenho das atividades 01 a 12 e 14 a 18 do artigo 1” desta Resolução, referente a levantamentos topográficos, batimétrícos, geodésicas e aerofitogramétrícos; locação de: a) loteamentos; b) sistemas de saneamento. irrigação e drenagem; c) traçados de cidades; d) estradas; seus serviços afins e correlatos. 11 o desempenho das atividades 06 a 12 e 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referente a armamentos, estradas e obras hidráulicas; seus serviços afins e correlatos. (.....) Art. 7° Compete ao ENGENHEIRO CIVIL ou ao ENGENHEIRO DE FORTIFICAÇÃO e CONSTRUÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1°desta Resolução, referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos. () Art. 17 Compete ao ENGENHEIRO QUÍMICO ou ao ENGENHEIRO INDUSTRIAL MODALIDADE QUÍMICA: 1 desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1”desta Resolução, referentes à indústria química e petroquímica e de alimentos; produtos químicos; tratamento de água e instalações de tratamento de água industrial e de reieitos industriais; seus serviços afins e correlatos. Art. 18 Compete ao ENGENHEIRO SANITARISTA: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 12 11 1 o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1° desta Resolução, referentes a controle sanitário do ambiente; captação e distribuição de água; tratamento de água, esgoto e resíduos; controle de poluição; drenagem; higiene e conforto de ambiente; seus serviços afins e correlatos. (...). 10. Depreendese da leitura dos dispositivos extraídos da Resolução acima mencionada que as atividades de “captação e tratamento de água canalizada, com aplicação de produtos químicos”, são típicas das profissões de engenheiro e de técnicos, as quais dependem de habilitação profissional legalmente exigida, sendo, portanto, expressamente vedada a opção pelo Simples de acordo com a Lei n° 9.31 7, de 1996, art. 9º, XIII. Por fim, a ementa da Solução de Consulta reproduzida, foi a seguinte: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ementa: Opção. Atividade Vedada. A prestação de serviços de captação, tratamento e canalização de água com aplicação de produtos químicos, impede a pessoa jurídica de permanecer como optante pelo SIMPLES, ainda que, realizadas em conjunto com outras atividades que permitam a opção pelo SIMPLES. Dispositivos Legais: Lei n" 9.317, de 1996, artigos 9°, inciso XIII, e alínea "a", do inciso 11 do art. 13. Lei n” 5.194, de 1966, art. 27; Resolução Confea n° 218, de 1973, arts. 1”, 4°,17°, e 18°." Por último, estando demonstrado nos autos que a empresa desenvolve atividades de administração, operação, manutenção de sistemas de abastecimento de água, atividade induvidosamente reservada aos profissionais de engenharia, a qual veda a adesão ao SIMPLES, VOTO pelo indeferimento da solicitação de interessada, não havendo reparos a se fazer ao Ato Declaratório n° 028, de O3 de julho de 2009. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10073.001103/200933 Acórdão n.º 1001000.850 S1C0T1 Fl. 13 12 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.727560/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 75 60 /2 01 1- 22 Fl. 86DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 819,56, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação referente aos pagamentos de despesas médicas do plano de saúde. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos não apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Natal, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, ano calendário 2007. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 819,56, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 5.463,78, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal. Complementação dos fatos: Unimed Teresina (R$ 5.463,78) não comprovou as despesas. (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Com relação ao plano de saúde Unimed Teresina, os documentos acostados às fls. 06/29 (boletos para pagamento e comprovantes de pagamento de títulos relativos aos meses de janeiro, fevereiro, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10469.727560/201122 Acórdão n.º 2001000.738 S2C0T1 Fl. 87 3 setembro e dezembro de 2007) comprovam a efetividade das despesas médicas declaradas no valor de R$ 1.787,34, motivo pelo qual este valor deve ser restabelecido na Declaração de Ajuste Anual. Contudo, no que diz respeito ao valor restante de R$ 3.676,44 (referente aos meses de março, abril, maio, junho, julho, agosto, outubro e novembro de 2007) não deve ser restabelecido uma vez que ao invés de apresentar os comprovantes de pagamentos o interessado anexou aos autos apenas os agendamentos de pagamento de títulos, sendo que estes não comprovam que ocorreu a efetiva quitação dos boletos. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.787,34, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 551,46, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 551,46, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A nobre relatora do processo (...), entendeu na fundamentação do seu voto, que o contribuinte/recorrente não comprovou a efetiva quitação das despesas referente a Unimed nos meses de março, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2007, pois segundo o r. entendimento da relatora, o peticionante apresentou apenas os agendamentos dos pagamentos das referidas obrigações, com isso, não comprovando a sua efetiva quitação. Vejamos o que diz a relatora nos parágrafos 6 e 7 das flsl3 do acórdão. O contribuinte/recorrente até entende que ao juntar os comprovantes de pagamentos referente ao plano de saúde Unimed Teresina, não observou que em alguns meses, o documento juntado tratavase de agendamento de pagamento, quando deveria ser comprovante de pagamento. Mas na verdade, nobres membros deste conselho administrativo, jamais passou pela mente do recorrente que tais documentos (agendamento) não serviriam como prova de quitação de sua obrigação com a despesa do plano de saúde. A título de esclarecimento, o recorrente informa que faz parte de sua rotina agendar todos os seus compromissos em sua conta corrente, é uma forma de evitar esquecimentos/inadimplências de suas obrigações, e foi exatamente o que ocorreu com as faturas recebidas pelo peticionante do seu plano de saúde Unimed. No entanto Egrégio Conselho Administrativo, sem muitas delongas, o contribuinte/recorrente apresenta neste ato os comprovantes de quitação das referidas despesas, todos eles devidamente emitidos através do site do Banco do Brasil, da conta corrente do peticionante, onde fica evidente a quitação das referidas obrigações médicas. Fl. 88DF CARF MF 4 Diante das razões acima, e após apresentar os comprovantes de pagamentos questionados na decisão/acórdão, ora atacado, requer o recorrente que os nobres membros deste conselho administrativo, recebam e deem provimento ao presente recurso, no sentido de incluir/restabelecer a despesa médica (Unimed Teresina), no valor de R$ 3.676,44 na declaração do Imposto de Renda, por vi de consequência, cancelar/isentar o recorrente do débito fiscal a qual foi condenado a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide limitase somente à comprovação efetiva de despesas médicas com a Unimed Teresina no valor residual de R$ 3.676,44, pendente de apresentação de documentação comprobatória do pagamento correspondente, por exigência legal e demandada pela Autoridade Fiscal lançadora. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10469.727560/201122 Acórdão n.º 2001000.738 S2C0T1 Fl. 88 5 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 90DF CARF MF 6 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. CONCLUSÃO De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No presente caso, por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o Recorrente fez juntar aos autos cópia dos boletos das despesas mensais com o plano de saúde acompanhadas com o correspondente comprovante bancário de quitação do compromisso financeiro junto à instituição bancária. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica faltante, correspondendo à comprovação do pagamento do plano de saúde, compatível com a forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 3.676,44. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 3.676,44. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.723448/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
SÚMULA CARF Nº 115
A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
Numero da decisão: 1401-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. SÚMULA CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 34 48 /2 01 6- 03 Fl. 380DF CARF MF 2 Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0657.648 1ª Turma da DRJ/CTA, que por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa à solução da controvérsia: Assevera a autoridade administrativa responsável (fls. 167 a 173) pela lavratura que: a) O contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, relativamente a operações realizadas com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, não adicionou, integralmente, ao Lucro Real, nem à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, valores correspondentes a diferenças entre preços praticados em aquisições de bens importados e preços parâmetros de importação; b) Para efeito de apuração dos preços parâmetros das importações, o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA submeteuse ao disposto no art. 14 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012 — à conta do que obrigouse à aplicação das regras definidas no art. 57 da referida Instrução. Com efeito, o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA optou pela não aplicação das disposições aludidas no Artigo 52 da Lei n° 12.715/2012 opção essa manifestada na DIPJ referente ao anocalendário de 2012; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 381 3 c) Pela própria conclusão de que o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA optou por não aplicar as disposições aludidas no Artigo 52 da Lei n° 12.715/2012, o Fisco se certifica de que o contribuinte manifestouopção pela não aplicação das regras de Preços de Transferência definidas nos Capítulos II e III da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012. d) Relativamente aos bens cujos custos, despesas e encargos foram aferidos, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, com base no método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", assinalase o que se segue: • A pessoa jurídica SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA,. a despeito de ter manifestado opção pelo método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", não observou, quando do cálculo dos preços parâmetros de importação, a sistemática definida no art. 57 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012. • Da inobservância recémreferida, resultou a apuração, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, de preços parâmetros inconsistentes. e) No que tange às operações de importação de bens cujos custos, despesas e encargos foram aferidos, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, com base no método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", o Fisco, guiado pelas definições ditadas pelo art. 57 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012, procedeu a comparação entre os preços praticados nas aludidas importações e os pertinentes preços parâmetros. De tal comparação, restaram apurados excedentes de custos cujos valores não são dedutíveis na determinação do Lucro Real excedentes esses correspondentes a diferenças entre os preços praticados nas aquisições dos bens e os preços parâmetros de importação calculados pelo Fisco. A comparação em pauta expressase em planilha elaborada pelo Fisco. A planilha recémaludida constituída digitalmente (expressa sob a forma de arquivo magnético) — acompanha os Autos de Infração referidos neste arrazoado. E, disso, faz prova Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, lavrado por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), do qual consta o Código de Identificação Geral de Arquivos caf7dbd31 C4a2e9e92c0df98 d9cd6b53. f) A lavratura de Autos de Infração referenciada neste Relatório dáse em razão de ter sido constatado que a pessoa jurídica SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA não adicionou, integralmente, ao Lucro Real, nem à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, valor correspondente a excedentes de custos não dedutíveis na determinação das referidas grandezas. No lançamento, o Fisco reconhece, e deduz do valor correspondente aos excedentes de custos, o Valor do Ajuste mais especificamente, a importância apurada pelo contribuinte à época própria, referente a importações. 3. Como consequência dos fatos narrados, o AuditorFiscal que presidiu o procedimento fiscal em comento, em conformidade com o exposto e considerando os valores de IRPJ e CSLL não recolhidos, constituiu, em 06/06/2016, crédito tributário com a lavratura dos autos de infração. A contribuinte apresentou impugnação, na qual sustenta basicamente a ilegalidade da IN SRF nº 243/02, na parte que tratou da aplicação do método PRL60, extrapolou efetivamente os limites fixados pela pelo art. 18 da Lei Federal nº 9.430/96. Fl. 382DF CARF MF 4 Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido integralmente sob o entendimento de que, quanto às alegações feitas pela Contribuinte no sentido de que a IN SRF n° 243/02 não encontra respaldo na Lei n° 9.430/96, criando obrigações novas, não previstas na lei, violando o princípio constitucional da legalidade e mesmo que fosse legal, não poderiam ser acolhidos pela ausência de competência da esfera administrativa para apreciação de tais alegações, posto que relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Tendo a decisão de piso consignado que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida Instrução Normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Contudo, tendo considerado ao final que a IN n° 243/02 não veio inovar, mas resgatar o que estava previsto na lei para apuração do custo (parâmetro), ou seja, considerar o preço de revenda do bem importado aplicado na produção de outro bem, e não o preço de venda do produto final. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário, onde reclama preliminar de nulidade do acórdão DRJ, por não ter esgotado o exame de toda a peça impugnatória no que diz respeito à ilegalidade da IN 243/2002 e no mérito sustentou que a IN/SRF n.° 243/2002 é ilegal por ter extrapolado sua função regulamentadora da Lei n.° 9.430/96 e, assim, ter criado nova e mais gravosa metodologia de cálculo do preço parâmetro no método PRL60, sem que houvesse lei suficiente para tanto, vez que a Medida Provisória nº 563/2012 foi convertida na Lei nº 12.715/2012, somente no curso do ano calendário de 2012, alterando o artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 e, com isso, introduzindo (no texto da Lei) o critério de proporcionalização da participação do valor dos bens importados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, tal como até então previsto somente no texto da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, sem que houvesse previsão neste sentido no texto legal, vigente à época da ocorrência dos fatos objeto desta autuação. A controvérsia versa essencialmente sobre a forma de cálculo dos ajustes de preços de transferência de acordo com o método PLR 60. Enquanto a contribuinte defende que os ajustes devem ser calculados com base no método descrito na Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei 9.959/2000), a fiscalização entende que deve ser adotado o método descrito na IN SRF n. 243/2002. O Acórdão DRJ recorrido, manteve o lançamento ratificando a autuação conforme o método descrito na IN SRF n. 243/2002, convalidados pela Lei 12.715/2012. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 382 5 Aduz a Recorrente que a decisão DRJ seria nula por não haver se pronunciado expressamente sobre os argumentos relativos a ilegalidade da IN SRF 243/2002, que teria ferido os princípios do contraditório e ampla defesa. Em suas palavras, defende a Recorrente que: "23. Há um erro crasso na análise realizada pela DRJ, pois a partir da premissa de que é inequívoca a aplicabilidade da Lei nº 12.715/12 e IN nº 1.312/12 ao caso, a decisão recorrida deixou de analisar os argumentos expostos na inicial por mencionarem a IN nº 243/02. 24. Ao ignorar o disposto no art. 52 da Lei nº 12.715/12 e partir da equivocada premissa de que a única legislação aplicável ao AIIM seria a Lei nº 12.715/12 e IN/RFB nº 1.312/12, a decisão recorrida cerceou o direito de defesa da Recorrente por não analisar todos os argumentos de sua Impugnação. 25. O prejuízo causado à Recorrente resta evidente se observarmos o consignado na conclusão do acórdão recorrido: “Diante da inequívoca aplicabilidade da Lei nº 12.715/12 e IN/RFB nº 1.312/12, os argumentos da autuada, por seu foco na ilegalidade da IN/SRF 243/02, não podem ser acolhidos, devendo ser mantida a autuação em sua totalidade.” (destaques da Recorrente) 26. Evidente que a decisão recorrida desrespeitou o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina expressamente que as decisões proferidas acerca das impugnações apresentadas pelos contribuintes devam examinar as razões de defesa." Entendo não ser possível acolher os argumentos da recorrente em relação a nulidade levantada, ao passo que ela própria reconhece em seu recurso que o método combatido é o mesmo, seja com relação ao cálculo com base na interpretação dada pela IN nº 243/2012, ou no artigo 57 da IN nº 1.312/2012, utilizado pelo Fisco para fundamentar o AIIM, de maneira a deixar claro que o que se discute é a legalidade da metodologia do cálculo, vigente à época dos fatos, quando a única lei existente a regulamentar a questão, conforme seu arrazoado seria a Lei 9.430/1996. Conforme já mencionado, o artigo 59 do Decreto 70.235/1972 estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso em questão. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a decisão recorrida não incorreu quer em contradição quer em omissão. Não há contradição quando a decisão recorrida afirma que as autoridades administrativas estão vinculadas aos ditames legais e, ao mesmo tempo, afasta o cálculo feito com base na Lei 9.430/1996 para aplicar o previsto na IN SRF 243/2002, posteriormente convalidado pela Lei 12.715/12, porque, no entender da decisão recorrida, a IN não altera a lei mas a esclarece. Se concordase ou não com isso é questão de mérito mas este é o raciocínio da decisão recorrida e está muito bem explicitado ali. Neste sentido, oriento meu voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito. Fl. 384DF CARF MF 6 No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. A legalidade da IN SRF 243/2002, foi durante anos objeto de acirradas discussões neste conselho, que culminaram com a edição da recente Súm. 115, segundo a qual: "A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000". Discussões que concluiram que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. Neste seguir, diante da edição da Súm. Carf 115, embora já tenha me manifestado em sentido diverso em outras oportunidades (Acórdão 1401002.122) , curvome ao entendimento majoritário, que corresponde à inexistência da alegada ilegalidade da referida Instrução Normativa, editada que foi para dar contornos mais efetivos ao disposto na Lei nº 9.430/96, que introduziu na legislação brasileira as ferramentas necessárias ao correto tratamento tributário a ser dado às transações entre empresas vinculadas, realizadas entre diversos países no atual cenário econômico globalizado. Para tanto, adoto os argumentos trazidos no voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no julgamento em que proferido o Acórdão nº 9101002.950 – 1ª Turma da CSRF, de 03 de julho de 2017, que reproduz os motivos que fundamentaram a edição da recente súm. 115. Tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 383 7 Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 386DF CARF MF 8 Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri: 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 384 9 A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Fl. 388DF CARF MF 10 Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 385 11 IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Fl. 390DF CARF MF 12 Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales.Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 386 13 Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida.Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, quanto ao argumento da recorrente ao alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Coerentemente ao acima exposto, entendo que o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional, até porque, conforme explicitado pela Súm. CARF 115, seu caráter seria apenas interpretativo. Neste sentido temse os esclarecimentos feitos pela D. Conselheira Adriana Gomes Rego, quando abordou a questão ao redigir o voto vencedor no Acórdão 9101002.951: Fl. 392DF CARF MF 14 Ou seja, a Lei nº 12.715/2012 ratifica os cálculos da IN 243, com um pequeno ajuste na margem de lucro, ao mesmo tempo em que comprova uma enorme distorção em relação aos valores calculados pela contribuinte. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que afirma a Recorrente, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Além do que, encerra qualquer discussão futura acerca da matéria. A Recorrente cita ainda a edição da MP 478 como a primeira tentativa de se criar fundamento de validade para a IN 243, mas a referida MP não foi convertida em lei. Acrescenta que posteriormente foi editada a MP 563, convertida na Lei 12.715. Porém, os dispositivos da Lei n° 12.715/2012 que tratam das regras de preços de transferência entraram em vigor somente a partir de 1º de janeiro de 2013, e o estabelecimento desta vacatio legis confirma o fato de que as alterações promovidas na Lei n° 9.430 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN 243 traz apenas uma forma de interpretação da Lei n° 9.430, passível de ser invocada antes das alterações promovidas pela Lei 12.715. Na Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, trazida pela Recorrente em seu recurso, porém interpretada por ela, equivocadamente, como um reconhecimento da ilegalidade da IN, o então Advogado Geral da União, justifica as alterações trazida pela medida provisória como sendo com o intuito de reduzir a litigiosidade que a lei, e não a IN, causava. Assim, a tentativa de colocar em lei o texto da IN, não é um reconhecimento de ilegalidade na IN, massim uma forma de deixar a interpretação da lei menos susceptível a discussões judiciais ou mesmo no contencioso administrativo. No sentido da legalidade da IN, esta CSRF já decidiu conforme diversos acórdãos que, a título de exemplo, citase o de nº 9101002.321, de 3 de maio de 2016, da lavra do Cons. André Mendes de Moura, o acórdão 9101002.175, de 27 de fevereiro de 2016, da lavra do Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. No âmbito das turmas ordinárias, merece destaque o acórdão nº 1302001.164, de 10 de setembro de 2013, da lavra do ex conselheiro Eduardo de Andrade, que, de uma forma bastante exaustiva, fazendo uso inclusive de gráficos, demonstra a legalidade da IN ora guerreada. [...] Portanto, tanto a proporcionalização quanto a exclusão do valor agregado para cálculo do preço parâmetro nos termos preceituados pela IN foram necessários para se atingir a finalidade da norma que é “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação de preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas”, descabendose falar, inclusive, que a IN obrigou que a lucratividade total do processo fosse de 60%, pois, o que ela fez foi excluir os efeitos dos valores agregados no Brasil, vez que o que estava sob análise eram os preços dos produtos praticados com as pessoas vinculadas no Exterior. É preciso também deixar claro que não é a IN que fixou a margem de lucro de 60%, mas sim, a lei. Em face de todos esses argumentos, concluise que a IN não majorou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas apenas lhe conferiu uma interpretação conforme a lei de ajustes de preço de transferência, sendo, portanto, legal. Ante todo o exposto, quanto a este tema, considero improcedentes os argumentos da recorrente e reconheço a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, bem como que Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 387 15 a alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que ela afirma, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Nesse seguir, voto no sentido afastar a preliminar de nulidade para no mérito de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 394DF CARF MF
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