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Numero do processo: 11052.000306/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as rubricas "vale-transporte", nos termos da Súmula n.º 60, da AGU e "alimentação in natura", conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 VALE-TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as rubricas "vale transporte", nos termos da Súmula n.º 60, da AGU e "alimentação in natura", conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 06 /2 01 0- 57 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 125 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 95), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.264.0818) lavrado em 16/07/2010, no valor de R$ 56.734,28, acrescidos de juros e multa, referente às competências 01/2006 a 12/2006, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/37), correspondem às contribuições referentes à parte devida pelos segurados empregados e não retida pela empresa, incidentes sobre as rubricas alimentação e valetransporte pagos em desacordo com a legislação. (destaques nossos) Além das rubricas mencionadas, houve ainda o lançamento de diferenças, mencionadas nos seguintes levantamentos: Levantamento DI Diferença da contribuição do eMpregado. Sendo utilizado o código CS para lançamento da diferença não descontada da contribuição dó segurado com enquadramento de alíquota. Levantamento DI1 Valores transferidos do levantamento DI após a comparação das multas. Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 108 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * o valetransporte pago em espécie e o fornecimento de alimentação em desacordo com o PAT não retiram a natureza indenizatória das rubricas; * inaplicabilidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi ValeTransporte. No Relatório Fiscal, apontase a verificação, nas folhas de pagamento, do pagamento em dinheiro a titulo de valetransporte aos empregados da interessada. Alega a recorrente que o fato de o valetransporte ser pago em espécie não retiraria a sua natureza indenizatória. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do lançamento o levantamento referente ao valetransporte pago em pecúnia. Alimentação. Consoante Relatório Fiscal, a empresa forneceu alimentação in natura aos seus empregados, não tendo providenciado sua inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT para o exercício de 2006. Alega a recorrente que o fornecimento de alimentação in natura, mesmo que em desacordo com o PAT não retira a sua natureza indenizatória. Novamente assiste razão à recorrente, como se demonstrará a seguir. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Assim, não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, a despeito do fato de a recorrente não estar inscrita no programa no período do lançamento, em razão da alimentação ter sido fornecida in natura, a verba correspondente não pode sofrer incidência de contribuições previdenciárias, devendo este levantamento ser excluído do Auto de Infração. Taxa Selic. Aduz a recorrente a inaplicabilidade da taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU) e à alimentação fornecida in natura (Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011). (assinado digitalmente) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 127 7 ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003027/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS.
Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-002.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-03T18:23:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-03T18:23:17Z; Last-Modified: 2015-02-03T18:23:17Z; dcterms:modified: 2015-02-03T18:23:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:82678015-c041-41f6-8c12-46b93570972d; Last-Save-Date: 2015-02-03T18:23:17Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-03T18:23:17Z; meta:save-date: 2015-02-03T18:23:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-03T18:23:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-03T18:23:17Z; created: 2015-02-03T18:23:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-02-03T18:23:17Z; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-03T18:23:17Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 729 1 728 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.003027/200331 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.100 – 1ª Turma Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria COFINS Recorrente ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RECURSO ESPECIAL NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS. Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 30 27 /2 00 3- 31 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA, com fundamento nos artigos 64, 67 e 68 do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração lavrados contra a empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA para a constituição de crédito relativo a COFINS, referente aos exercícios de 1998 a 2002. Foram arrolados os recorrentes como corresponsáveis solidários pelo pagamento do crédito tributário. Insurgiramse os mesmos contra o acórdão nº 10809.478, proferido pelos membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, quanto à imputação da responsabilidade tributária, negaram provimento ao recurso voluntário. Cientes formalmente do referido acórdão, os recorrentes interpuseram Embargos de Declaração para que fosse sanada omissão no voto. Alegaram que não haviam sido analisadas as provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada exerceu suas funções de gerente da empresa e que a procuração em conjunto para os três recorrentes só aconteceu em momento posterior. Os Embargos opostos foram acolhidos parcialmente para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no referido acórdão, visto que a manutenção da responsabilização tributária dos recorrentes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Devese conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo. COFINS – LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do processo matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar rejeitada. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 730 3 A decisão recorrida foi proferida no sentido de responsabilizar os recorrentes uma vez que, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, ficou claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos mesmos. Os recorrentes, nas razões recursais, argumentaram que, enquanto no acórdão recorrido a decisão se deu no sentido de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, nos acórdãos paradigmas concluise que fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos nos quais intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. Em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelos recorrentes responsáveis solidários para que seja reapreciada a discussão sobre a designação responsáveis solidários dos procuradores da pessoa jurídica em detrimento dos sócios da pessoa jurídica. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, que, tendose em vista a responsabilidade solidária por interesse comum, e tendo sido verificado que os sócios de direito eram, na verdade, interpostas pessoas, restou comprovada pela Fiscalização a vinculação da Cometa Distribuidora de Alimentos com os recorrentes, relacionados como sócios de fato, devendo ser mantida, portanto, a decisão recorrida em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Tratase de Recurso Especial de Divergência apresentado por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA em face do acórdão nº 10809.478, na parte em que, no tocante à imputação da responsabilidade tributária, negou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 4 O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pelos recorrentes, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual os sócios de fato tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. O entendimento proferido no acórdão recorrido foi adotado porque, a partir da análise do conjunto probatório do presente processo, chegouse à conclusão que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos ora recorrentes. No voto do acórdão embargado, a manutenção da responsabilização tributária dos contribuintes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. Foram analisadas as declarações tomadas a Termo, a diligência realizada, os cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelos recorrentes responsabilizados tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas. Dispõe da seguinte forma o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Dessa forma, fica claro que cabe Recurso Especial para analisar interpretação divergente dada à lei, portanto tratase de revisão de matéria de direito. Assim, o Recurso Especial não serve como instrumento para a mera reanálise de provas. Ademais, os cinco acórdãos paradigmas trazidos versam sobre situações fáticas diversas daquela contida no acórdão recorrido, tratando, consequentemente, de conjuntos probatórios distintos do apreciado na decisão recorrida, o que descaracteriza tais acórdãos como paradigmas. Assim é o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 731 5 comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Os acórdãos apresentados chegaram à conclusão diversa da proferida no caso em questão porque em cada um deles há uma situação fática específica, havendo, como decorrência lógica, um conjunto probatório próprio que foi apreciado. Para comprovar isso basta uma breve análise de cada acórdão. Acórdão nº 180100243 PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente, Irrelevantes para a autuação em apreço, que só pode ser ilidida pela apresentação de prova documental que justifique a origem dos recursos depositados em favor da contribuinte no exterior, Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento. No primeiro acórdão paradigma, a situação fática diz respeito à comprovação de origem de depósitos bancários, o que diverge, evidentemente, da situação fática do acórdão recorrido. Assim, foi decidido que a prova documental tem valor probatório superior à prova testemunhal devido à análise dos fatos específicos ocorridos, bem como das provas desse caso. Desse modo, no acórdão acima transcrito houve uma valoração das provas com base nos fatos que ocorreram, assim como também houve valoração no caso do acórdão recorrido, a qual levou à responsabilização tributária dos recorrentes. Portanto, com base no conjunto probatório do presente caso, que é distinto do que embasou a decisão acima transcrita, foi decidido que os contribuintes eram os sócios de fato da empresa, o que acarretou a responsabilidade dos mesmos. Dessa forma, diante da existência de situações fáticas distintas, bem como de conjunto probatório distinto dos acórdãos recorrido e paradigma, não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10196.145 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 6 RESPONSABILIDADE PESSOAL – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. Com o segundo acórdão paradigma, os recorrentes pretenderam demonstrar que só é possível a responsabilização de terceiros quando provado que são os verdadeiros sócios, o que, na visão deles, não ocorreu no presente caso. Porém, a partir da análise do conjunto probatório do processo em questão, foi concluído que os mesmos eram os sócios de fato da empresa, o que levou à responsabilização tributária. As situações fáticas de ambos os acórdãos, assim como as provas delas decorrentes, são diversas, sendo tomada cada decisão com base nas provas específicas de cada caso. Contudo, apesar das situações fáticas dos acórdãos paradigma e recorrido serem diferentes, a análise de cada um dos conjuntos probatórios levou a conclusões similares. Acórdão nº 10249.245 SOLIDARIEDADE PASSIVA – INEXISTÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES – LANÇAMENTO CANCELADO – A solidariedade tributária se caracteriza pela existência de interesse jurídico, e não econômico, vinculado a atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Para que exista solidariedade, em matéria tributária, deve haver, numa mesma relação jurídica, duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, situação em que cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo a ocorrência do fato imponível. Fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos com que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. No terceiro acórdão paradigma, os fatos referemse à responsabilização do procurador da pessoa jurídica, e, por meio do conjunto probatório nele existente, foi decidido que o mesmo, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário; Já no acórdão recorrido, através das provas produzidas, ficou demonstrado que os recorrentes eram sócios de fato, e não meros Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 732 7 procuradores. Assim, em que pese as decisões serem diferentes, as mesmas partiram de situações e provas também diversas, portanto não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10705.221 IRPJ/IRFONTE – RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS – A transferência da responsabilidade tributária a terceiros, nos termos do artigo 135 do C.T.N., deve estar embasada em documentos de prova que demonstrem claramente a ocorrência dos pressupostos nele previstos. No quarto acórdão paradigma, os recorrentes, assim como ocorreu no segundo acórdão paradigma, tentam demonstrar que somente podem ser responsáveis terceiros quando claramente provada a ocorrência dos pressupostos do art. 135 do CTN. Ocorre que, para que fosse proferida tal decisão, foi analisado o conjunto probatório desse caso, que é diverso daquele do acórdão recorrido, uma vez que as situações fáticas também são distintas, e, através das provas dos autos, para os julgadores ficou evidente que ocorreram os pressupostos previstos no mencionado artigo, devendo, assim, haver a responsabilização dos mesmos pelo crédito tributário. Portanto, para que seja alterada a decisão que responsabilizou os recorrentes, é necessária uma nova análise de todas as provas do processo, e, como explicado anteriormente, não cabe revisão de provas em âmbito de Recurso Especial. Acórdão nº 120200.198 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DE TERCEIROS, PROCURADORES. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DIRETA INDIVIDUALIZADA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO PRESUMIDO POR FORÇA DE LEI. Quanto à responsabilidade solidária e pessoal dos terceiros envolvidos, procuradores, não trazendo a fiscalização provas diretas e objetivas a corroborar a dolosa participação na infração de presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários, tal caracterização não pode ser mantida apenas em indício isoladamente, com o que se afasta, por essa razão, a possibilidade de responsabilidade tributária, solidária e pessoal, de terceiros, pelo crédito tributário do sujeito passivo. No quinto e último acórdão paradigma, a situação trazida mais uma vez não se assemelha ao caso do acórdão recorrido, visto que tratase de responsabilidade tributária, solidária e pessoal de terceiros pelo crédito tributário do sujeito passivo quando estes forem procuradores, o que restou comprovado que não é a situação dos recorrentes, uma vez que foi concluído que são sócios de fato. Além disso, mais uma vez, o que possibilitou tanto a decisão do paradigma quanto a decisão recorrida foi a apreciação do conjunto probatório de cada um dos casos, que, por sua vez, são distintos. Além disso, o paradigma versa sobre omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, o que é diferente da Fl. 814DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 8 situação fática da decisão recorrida. Ademais, conforme já exposto acima, o art. 67 do Regimento Interno do CARF prevê que “compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”, entretanto, com o acórdão paradigma em questão, os recorrentes trouxeram aos autos acórdão proferido pela mesma turma que proferiu o acórdão recorrido. Notese que a denominação da turma é diversa em razão da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, senão vejamos a redação dos artigos 1º e 2º, II, da MF 41/2009: Art. 1º Fica instalado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme disposto no art. 44, §1 º da Medida Provisória n º 449/2008. Art. 2º Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2 º da Medida Provisória n º 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n º 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: II A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passa a integrar a Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seu colegiado constitui a Segunda Turma Ordinária da referida Câmara; Assim, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passou a ser denominada Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Note que houve alteração de denominação da câmara e não criação de uma nova. Não há, dessa forma, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, requisito de admissibilidade do Recurso Especial. Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, por se tratarem os acórdãos recorrido e paradigmas de representantes de situações fáticas diversas, e sendo necessária unicamente a reanálise de provas para a solução da questão suscitada, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial dos contribuintes. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 815DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 733 9 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR
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Numero do processo: 16191.005521/2011-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal - STF no julgamento do Recurso Extraordinário - RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99.
Foram apresentados Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional postulando a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social.
O STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99.
Há a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de garantir à sociedade os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88), que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543-B e 543-C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62-A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009.
A decisão judicial definitiva deve ser aplicada ao lançamento fiscal.
Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal - STF no julgamento do Recurso Extraordinário - RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. Foram apresentados Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional postulando a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. O STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Há a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de garantir à sociedade os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88), que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543-B e 543-C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62-A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. A decisão judicial definitiva deve ser aplicada ao lançamento fiscal. Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. Foram apresentados Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional postulando a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. O STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Há a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de garantir à sociedade os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88), que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 19 1. 00 55 21 /2 01 1- 54 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 208 2 As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543 C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. A decisão judicial definitiva deve ser aplicada ao lançamento fiscal. Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 209 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento fiscal composta de contribuição incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviços, não recolhidas na época própria. O lançamento foi efetuado com base em valores declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e Declaração do Imposto de Renda retido na fonte – DIRF exercícios 2000 a 2002. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência do lançamento fiscal se deu em 01/07/2003, inconformado o contribuinte apresentou impugnação. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal considerou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: o efeito suspensivo do recurso voluntário; nulidade da decisão recorrida ou sua revisão por conter falhas, por não rebater os argumentos da impugnação e não respeitar o contraditório; o lançamento deve indicar exatamente o quantum devido, com a aplicação de juros e correção monetária, de forma a garantir ao contribuinte a plena ciência dos valores exigidos, sob pena de nulidade. A recorrente não teve acesso aos termos conclusivos da fiscalização. A fiscalização não considerou os recolhimento da recorrente; há equívocos no relatório da notificação fiscal. Não apresenta de forma clara e precisa o objeto da notificação, dificultando a defesa, e por admitir como fatos geradores valores pagos a título de indenização decorrente da ruptura do contrato de trabalho e multa do FGTS, aviso prévio, férias indenizadas e terço constitucional; a extinção do crédito em razão de ação judicial transitada em julgado. Os créditos da recorrente reconhecidos judicialmente em desfavor do INSS são hábeis a extinguir os débitos apontados na notificação, nos termos do artigo 156, inciso II do CTN; a notificação deve ser extinta pela compensação integral com os créditos da recorrente reconhecidos judicialmente, ou deve a notificação ser refeita, abatendose de seu montante o percentual de créditos que o próprio INSS entende exigível; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 210 4 deve a decisão ser reformada para determinar a incidência de juros de 1% ao mês simples, ou se assim não entender este Conselho, que determine a aplicação única e exclusiva da Taxa Selic, expungindose do cálculo qualquer juros e correção monetária; Por fim, requer a extinção do crédito tributário. Os autos foram convertidos em diligência pela Resolução nº 2803000.215 – 3ª Turma Especial do CARF para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre as razões do recurso voluntário. Em resposta da foi expedido Relatório Fiscal, fls. 161/176, informando que não houve fato novo. Os recolhimentos alegados pelo contribuinte como considerados e a impossibilidade da compensação dos valores pleiteados foram esclarecidos na informação fiscal de folhas 88/89 dos autos. O contribuinte foi cientificado do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF apresentando impugnação alegando em síntese: a inconstitucionalidade da contribuição em pauta. Não houve análise da quitação do débito com os créditos oriundos de demandas ajuizadas, onde houve o reconhecimento de créditos suficientes à satisfação do débito em questão, conforme documentação acostada aos autos; protesta por todos os meios de prova; requer que todas as intimações sejam dirigidas ao endereço constante do preâmbulo da impugnação do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 211 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenchidos os requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta do relatório fiscal, fls. 31/32, que o lançamento se refere a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, período de 03/2000 a 12/2002. Assim, não há que se falar em fatos geradores de valores pagos a título de indenização decorrente da ruptura do contrato de trabalho e multa do FGTS, aviso prévio, férias indenizadas e terço constitucional. O Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99. A Procuradoria do Fazenda Nacional (PFN) apresentou Embargos de Declaração ao RE 595.838/SP postulando pela modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. Desse modo, o RE 595.838/SP não transitou em julgado. Com relação à modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, o Supremo Tribunal Federal – STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Do enunciado pelo artigo 27 da Lei 9.868/99 se depreende, portanto, que o STF pode se utilizar de outras medidas que não a declaração de nulidade total da norma, como Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 212 6 a restrição dos efeitos da declaração, ou a eficácia da decisão somente após o trânsito em julgado, ou, ainda, de outro momento a ser fixado. O STF já proferiu decisões com modulação dos efeitos. A segurança jurídica não autoriza a desconstituição da norma, mesmo com eventuais imperfeições no texto legal ou normativo, sem a justificativa do ato ou situação. O banimento de eventual ato legal ou normativo pode ser mais danoso que sua manutenção, sobretudo quando há dano à ordem social e possível desestabilização da ordem pública. Assim sendo, há necessidade do fato ser examinado com especial atenção. A segurança jurídica guarda relação estreita com a ética, com o social e com ordenamento jurídico, de modo a preservar situação administrativa já consolidada no passado, segundo Ministro Celso de Mello. “Os postulados da segurança jurídica, da boafé objetiva e da proteção da confiança, enquanto expressões do Estado Democrático de Direito, mostramse impregnados de elevado conteúdo ético, social e jurídico, projetandose sobre as relações jurídicas, mesmo as de direito público, em ordem a viabilizar a incidência desses mesmos princípios sobre comportamentos de qualquer dos poderes ou órgãos do Estado (os Tribunais de Contas, inclusive), para que se preservem, desse modo, situações administrativas já consolidadas no passado”, escreveu Celso de Mello. Como se pode notar, a segurança jurídica pressupõe a confiança nos atos do poder público baseado na boafé e razoabilidade, como também, a estabilidade das relações jurídicas das normas legais instituídas e na conversão de direito em relação a nova lei, segundo Luis Roberto Barros, Temas de direito constitucional, Rio de Janeiro, Renovar, 2001. O interesse social compreende os direitos sociais e fundamentais garantidos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Dentre os direitos sociais encontra se o direito à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88). Embora o STF tenha declarado a inconstitucionalidade do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 (RE 595.838/SP), não se deve esquecer que a norma declarada inconstitucional revogou lei anterior vigente que estabelecia a contribuição social para a Seguridade Social a cargo das cooperativas no valor de 15% (quinze por cento) sobre a remuneração dos cooperados (art. 1o, II, da LC 84/96). Daí a inteligência do art. 27 da Lei 9.868/99 que dispôs quando houver declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF restringir os efeitos da declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Indubitável a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de estabelecer a repristinação restaurando a vigência da LC 84/96 e/ou modulando os efeitos causados em razão da inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 213 7 Nesse sentido, estariam garantidos os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88) que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Como a decisão de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, não transitou em julgado, havendo a necessidade de análise do pedido de repristinação e da modulação dos efeitos da decisão, e em razão do princípio da razoabilidade e prudência, entendese que o julgamento administrativo deve ser suspenso até decisão definitiva do julgamento judicial do RE 595.838/SP, para que não haja injustiça. A decisão judicial definitiva do RE 595.838/SP deve ser aplicada ao lançamento fiscal. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Quanto aos demais argumentos do contribuinte, a decisão recorrida e a autoridade fiscal, em diligência à Resolução do CARF, analisaram os argumentos e documentos anexados aos atos pelo contribuinte, concluindo que não há falha no lançamento, os argumentos foram rebatidos e foi respeitado o contraditório e ampla defesa, decidindo pela manutenção do lançamento fiscal. O discriminativo do lançamento fiscal demonstra os valores e suas origens e estão especificados. Os termos conclusivos da fiscalização estão anexos aos autos. Todos os recolhimentos considerados estão demonstrados. A cobrança de multa e juros é legal e está amparada na Lei 8.212/91, constante do relatório de Fundamentos Legais das Rubricas, anexo aos autos. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 214 8 A aplicação da taxa Selic é legal e está sumulada pelo CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O contribuinte não especifica de forma clara seu pedido de extinção do crédito em razão de ação judicial transitada em julgado. Não demonstra especificamente os créditos reconhecidos judicialmente em desfavor do INSS que são hábeis à compensação e a extinguir os débitos apontados na notificação fiscal. Protesta por todos os meios de prova, entretanto, não houve nenhum documento anexado além dos constantes dos autos. A intimação deve ser dirigida ao endereço constante do preâmbulo da impugnação do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF, se de acordo com o domicílio fiscal do contribuinte, conforme pleiteado pelo contribuinte. Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721335/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO.
1. Não cabe o agravamento da multa quando o contribuinte informa que não dispõe de arquivos digitais e do LALUR. A consequência jurídica, nestas situações, é o arbitramento do lucro, como fez a autoridade fiscal. Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
2. É cabível o arbitramento do lucro nas situações em que o contribuinte não dispõe do LALUR ou de outros meios pelos quais a autoridade fiscal possa verificar a apuração do lucro real.
MULTA QUALIFICADA. DIFERENÇA RELEVANTE ENTRE VALOR APURADO EM DIJP E INFORMADO EM DCTF. FATO QUE SE REPETE INÚMERAS VEZES E EM TODOS OS PERÍODOS DE APURAÇÃO. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA O INTUITO DE OCULTAR DA AUTORIDADE FISCAL A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
3. Apesar de constar na DIPJ os valores correspondentes à receita, sem que tivesse sido constatado omissão ou inclusão de despesas inexistentes, o procedimento do contribuinte de informar em DCTF, de forma contínua, em três anos-calendário, valor muito aquém ao que informou na DIPJ, demonstra conduta com o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador.
SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO.
4. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra-matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária.
5. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico-tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado.
6. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídico-tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) - (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543-B do CPC).
7. A situação dos autos revela que foi imputado responsabilidade às pessoas indicadas pelo simples fato destas serem sócias da empresa. Não lhes foi imputado nenhuma conduta pessoal contrária aos interesses da empresa, ou ao direito, da qual tivesse decorrido o não pagamento dos tributos lançados. A responsabilidade decorreu do simples fato do não pagamento dos tributos devidos pela empresa. Contudo, tal situação não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídico-tributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543-C, do CPC).
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. Vencidos, em votações sucessivas: i) os Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna que votaram por negar provimento integralmente ao recurso; e ii) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. 1. Não cabe o agravamento da multa quando o contribuinte informa que não dispõe de arquivos digitais e do LALUR. A consequência jurídica, nestas situações, é o arbitramento do lucro, como fez a autoridade fiscal. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. 2. É cabível o arbitramento do lucro nas situações em que o contribuinte não dispõe do LALUR ou de outros meios pelos quais a autoridade fiscal possa verificar a apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. DIFERENÇA RELEVANTE ENTRE VALOR APURADO EM DIJP E INFORMADO EM DCTF. FATO QUE SE REPETE INÚMERAS VEZES E EM TODOS OS PERÍODOS DE APURAÇÃO. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA O INTUITO DE OCULTAR DA AUTORIDADE FISCAL A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 3. Apesar de constar na DIPJ os valores correspondentes à receita, sem que tivesse sido constatado omissão ou inclusão de despesas inexistentes, o procedimento do contribuinte de informar em DCTF, de forma contínua, em três anos-calendário, valor muito aquém ao que informou na DIPJ, demonstra conduta com o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO. 4. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra-matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária. 5. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico-tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. 6. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídico-tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) - (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543-B do CPC). 7. A situação dos autos revela que foi imputado responsabilidade às pessoas indicadas pelo simples fato destas serem sócias da empresa. Não lhes foi imputado nenhuma conduta pessoal contrária aos interesses da empresa, ou ao direito, da qual tivesse decorrido o não pagamento dos tributos lançados. A responsabilidade decorreu do simples fato do não pagamento dos tributos devidos pela empresa. Contudo, tal situação não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídico-tributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543-C, do CPC). Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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MULTA AGRAVADA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. 1. Não cabe o agravamento da multa quando o contribuinte informa que não dispõe de arquivos digitais e do LALUR. A consequência jurídica, nestas situações, é o arbitramento do lucro, como fez a autoridade fiscal. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. 2. É cabível o arbitramento do lucro nas situações em que o contribuinte não dispõe do LALUR ou de outros meios pelos quais a autoridade fiscal possa verificar a apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. DIFERENÇA RELEVANTE ENTRE VALOR APURADO EM DIJP E INFORMADO EM DCTF. FATO QUE SE REPETE INÚMERAS VEZES E EM TODOS OS PERÍODOS DE APURAÇÃO. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA O INTUITO DE OCULTAR DA AUTORIDADE FISCAL A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 3. Apesar de constar na DIPJ os valores correspondentes à receita, sem que tivesse sido constatado omissão ou inclusão de despesas inexistentes, o procedimento do contribuinte de informar em DCTF, de forma contínua, em três anoscalendário, valor muito aquém ao que informou na DIPJ, demonstra conduta com o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 35 /2 01 2- 71 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 2 4. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regramatriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídicotributária. 5. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídicotributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. 6. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídicotributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). 7. A situação dos autos revela que foi imputado responsabilidade às pessoas indicadas pelo simples fato destas serem sócias da empresa. Não lhes foi imputado nenhuma conduta pessoal contrária aos interesses da empresa, ou ao direito, da qual tivesse decorrido o não pagamento dos tributos lançados. A responsabilidade decorreu do simples fato do não pagamento dos tributos devidos pela empresa. Contudo, tal situação não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídicotributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543C, do CPC). Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. Vencidos, em votações sucessivas: i) os Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna que votaram por negar provimento integralmente ao recurso; e ii) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Relatório No presente caso adoto o relatório do acórdão recorrido, que segue transcrito: O litígio que se aprecia foi inaugurado por interposição de impugnação, em 20/11/2012 (fl. 749)1, contra lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa proporcional de 150% e de 225%, além de juros de moratórios (calculados até 28/09/2012). Os valores lançados (exceto juros), que correspondem a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 constam do quadro a seguir. Resumo – Valores Lançados (exceto juros) Valores em Reais TRIBUTO PRINCIPAL MULTA PROPORC. TOTAL IRPJ 1.196.892,47 2.421.856,16 3.618.748,63 CSLL 585.330,90 1.183.612,68 1.768.943,58 Cofins 1.949.737,40 3.964.802,13 5.914.539,53 PIS/Pasep 416.738,03 846.281,52 1.263.019,55 TOTAL 4.148.698,80 8.416.552,49 12.565.251,29 A ação fiscal estendeuse de 19/01/2012 a 19/10/2012 e teve como escopo inicial a verificação fiscal do IRPJ e da CSLL relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008. Posteriormente, o procedimento se estendeu ao anocalendário de 2009. A empresa fiscalizada – pessoa jurídica sediada em Brusque (SC) e atuante no setor têxtil – optou, nos anos calendário abrangidos pela fiscalização, por apurar o resultado fiscal com base nas regras do Lucro Real Trimestral. Ao concluir os trabalhos, a autoridade fiscal entendeu necessário lançamento com base nas regras do lucro arbitrado, tendo autuado a contribuinte por insuficiência de recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Apuração segundo as Regras do Arbitramento Segundo relato da autoridade fiscal (Termo de Verificação Fiscal, folhas 656 a 666), a contribuinte foi repetidamente intimada a apresentar livros contábeis da empresa, assim como dos arquivos magnéticos representativos de seus lançamentos contábeis. Nas intimações a contribuinte foi cientificada de que a não apresentação dos livros contábeis e fiscais teria como conseqüência o arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Face à 1 As citações de numeração das laudas introduzidas por este Acórdão referemse à numeração automaticamente atribuída na digitalização do Processo. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 4 impossibilidade de acesso aos livros fiscais e contábeis a autoridade fiscal promoveu o lançamento do IRPJ e da CSLL segundo as regras do Lucro Arbitrado. Ademais, lançou também as contribuições para o PIS e a Cofins apurandoas no regime da cumulatividade. Na apuração da receita conhecida, a autoridade fiscal utilizou as informações constantes dos livros balancetes, do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Federais (DACON) e do Sistema SPED. A autuante informou, ainda, que, dos valores dos tributos apurados de ofício, foram subtraídos aqueles efetivamente confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais. Aplicação de Multa Qualificada e Agravada Do ponto de vista da autoridade fiscal, restaram caracterizadas as condutas tipificadas com fraude e sonegação, implicando a aplicação da multa qualificada de 150%. Ademais, em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008, a conduta da contribuinte teria subsumido às hipóteses previstas no inciso II do § 2°, do art. 44 da Lei 9.430/96, o que geraria a aplicação de multa no percentual de 225%. Sua percepção foi assim fundamentada (fl. 661/662): Podese notar pelos anexos a este Termo que os valores de tributos confessados pela empresa ficaram muito aquém dos apurados pela fiscalização em praticamente todos os períodos de apuração. A mesma conclusão pode ser tirada das tabelas constantes do Termo de Intimação Fiscal 05, que mostram a enorme diferença entre os tributos apurados pela empresa em comparação com os efetivamente confessados. Mesmo assim, uma falsa impressão pode ser tirada em relação aos valores confessados de IRPJ e CSLL nos primeiros trimestres de 2007 e 2008. Na verdade, a empresa utilizouse do estratagema de inserir informações falsas de uma suposta suspensão judicial, revelada posteriormente inexistente, na prática levando a valores a pagar praticamente ínfimos, na casa dos 11 reais. Por outro lado, nas apurações de PIS e COFINS dos anos de 2007 a 2009, a empresa incluiu valores indevidos a deduzir as contribuições a pagar, denominados "outras deduções". Em ambos os casos, a contribuinte foi regularmente intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu, ou comprovou. Associandose aos fatos citados as ocorrências de declaração simplesmente zerada, é inequívoco que a empresa empregou procedimentos distintos que se orientavam para um fim comum: reduzir, de forma fraudulenta, o montante de impostos devidos. Nem mesmo a ocorrência de valores declarados a maior em março de 2008 pode elidir a verdade constatada acima, pois que, podem ter sido resultado de apuração pela sistemática do lucro real, opção realizada originalmente pela empresa. Portanto, baseandose nas provas acostadas aos autos, afastase completamente qualquer alegação de que possa ter havido mero erro ou engano por parte da empresa R.C. CONTI pois, conforme se depreende das evidências, durante praticamente todos os meses de 2007 a 2009, de forma reiterada portanto, comprovadamente omitiuse de confessar a quase totalidade dos tributos federais devidos. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 5 Assim, por todo o acima exposto, cabe à fiscalização aplicar a multa de ofício duplicada para o valor de 150%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44 da Lei 9.430/96. Por outro lado, para os anos de 2007 e 2008, ainda deve ser levado em consideração a afronta ao inciso II do §2°,do art. 44 da Lei 9.430/96: §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n3 11,488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a" pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b" com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c" com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Com efeito, tendo sido intimada pelo Termo de Início e novamente alertada pelo Termo de Intimação 01, a empresa, até o momento, não apresentou os arquivos magnéticos de sua contabilidade dos anos de 2007 e 2008. É um fato que não permite interpretação diversa da lei, porquanto havia a obrigatoriedade legal da manutenção dos arquivos citados. Também, seria paradoxal eventual alegação de que a fiscalização conseguiu encontrar elementos para o lançamento, não cabendo tal agravamento. Ora, a multa só pode ser agravada em caso de lançamento e a letra da lei não é morta nem inútil, ao contrário, absolutamente clara e mandatária. Assim, cabe também à fiscalização agravar a multa de ofício duplicada, passando de 150% para 225% , em relação aos débitos apurados dos anos de 2007 e 2008. Ainda do exposto, como conseqüência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária definido no artigo 1º da Lei 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, em obediência ao disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182, de 29 de julho de 2011 Solidariedade Passiva Por fim, entendeu a autoridade autuante ser necessário revestir os sócios administradores da condição de solidários passivos junto à pessoa jurídica autuada. Invoca, para justificar tal imputação, os artigos 124, 128 e 135, todos do Código Tributário Nacional. Na descrição dos fatos que coincidiriam com o pressuposto conseqüente da norma, afirma o seguinte (fl. 664/65). Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 6 No caso em comento, deve ser levada em conta a participação consciente dos sócios RITA DE CÁSSIA CONTI, CPF 386.174.55004, MILTON CARLOS FLORIANI, CPF 433.211.78915 e PATRÍCIA CONTI FLORIANI CPF 646.553.77020, todos com poderes de gestão à época dos fatos geradores, conforme o Contrato Social vigente. Os sóciosadministradores ou atuaram ou tiveram conhecimento de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultaram nas situações que constituíram ou relacionaramse aos fatos geradores dos tributos sonegados, por omissão. Os benefícios percebidos pela pessoa física do sócioadministrador são claros no sentido de que os tributos sonegados, indevidamente apropriados pela empresa, contribuíram para seus resultados econômicofinanceiros, e por extensão beneficiando os sócios, o que revela o "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação". Além da evidente grave infração à lei tributária, já comentada, ocorreu infração ao artigo 422 do Código Civil: Art.422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da probidade e boa fé. O não agir conforme a boafé objetiva pode não impor a intenção de prejudicar, como na boafé subjetiva, mas a simples exteriorização de um comportamento ímprobo, egoísta ou reprovável, verificado sob a ótica da moral comunitária, viola um dever anexo ao contrato. Do exposto, concluise que os sóciosadministradores RITA DE CÁSSIA CONTI, MILTON CARLOS FLORIANI e PATRICIA CONTI FLORIANI são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído na presente auditoria, nos termos dos art. 124 e 135, da Lei n°. 5.172/66, Código Tributário Nacional. Nesse sentido, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, para os quais foram dadas ciências aos sócios, e inseridos nos presentes autos, juntamente com cópia dos principais Termos lavrados, de forma a propiciar o exercício da ampla defesa (Termo de Início, Intimação, Auto de Infração e anexos). DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO Irresignada com a lavratura do auto de infração, a contribuinte apresentou sua discordância com o lançamento realizado pela autoridade fiscal. A impugnação encontrase assinada por Rita Cássia Conti, que à época da ciência dos autos de infração detinha 70% do capital social da empresa e compartilhava com sua única sócia, Patrícia Conti Floriani, os poderes de administração da sociedade. Apresentase, a seguir, síntese de suas principais alegações. · Questões Preliminares Entremeados na exposição do contribuinte, inclusive em suas alegações sobre o mérito, a contribuinte expõe seu entendimento de ter havido irregularidade na prorrogação do Fl. 877DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 7 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, alega a violação de princípios constitucionais no procedimento de arbitramento do lucro. Os dois temas são a seguir expostos do ponto de vista da impugnante. Prorrogação Irregular do MPF Entende a contribuinte que o Mandado de Procedimento original que sustentava o procedimento de ofício se extinguiu, sem que se providenciasse a prorrogação com a devida cientificação à empresa fiscalizada. Verbis (fls. 754/757, destaques da impugnante): 2.18. Com todo o respeito, com a devida vênia, o Termo de Intimação Fiscal 05", foi cientificado ao contribuinte em 16/05/2012, ou seja, um dia antes de expirar o prazo concedido para o encerramento do MPF 09.2.04.002012000095, que NAS PALAVRAS DO "Termo de Verificação Fiscal", SOMENTE FOI CIENTIFICADO A AUTUADA A CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL EM 29/06/2012. 2.19. E, nesse momento paira uma pergunta no ar, por que o visível desconforto do agente fiscal em conceder à partir de 28/03/2012 mais 30 dias para o atendimento de suas indagações pelo contribuinte, tanto que exigiu que as repostas, inclusive em relação ao Termo de Intimação 04 (já respondido), fossem dadas em 10 (dez) dias (corridos) contados à partir de 11/04/2012 (sendo o termo cientificado ao contribuinte em 12/04/2012), se o mesmo sequer teve a dignidade de prorrogar VALIDAMENTE o MPF antes de ele vencer? 2.20. Seria o caso de admitir que os prazos do processo administrativo somente são importantes quando aplicados ao contribuinte? 2.21. Por que a concessão de um prazo razoável ao contribuinte, que sempre deixou muito clara a dificuldade que enfrentava para o atendimento dos questionamentos fiscais, em especial pela perda de informações contábeis em seu sistema de processamento de dados, o que sempre foi do conhecimento do r. agente fiscal, para que este pudesse apresentar em condições melhores, mais apuradas os dados requeridos, se como se observa nos autos, MUITO TEMPO DEPOIS de expirado o prazo para a finalização do MPF ele foi IRREGULARMENTE prorrogado, visto que não se pode prorrogar algo vencido, pela mesma razão que não se pode ressuscitar os mortos. 2.22. A prática de tratar com desdém os prazos impostos aos agentes do ente político, é bem visível em qualquer consulta pública que se faça no site da RFB Receita Federal do Brasil, tanto que consta como "MPF prorrogado até 14 de setembro de 2012” e "MPF prorrogado até 11 de janeiro de 2013”. 2.23 . A propósito, os resultados da fiscalização, mormente os Autos de Infração, foram cientificados ao contribuinte em 19/10/2012, pelo que, ainda que se admitisse como viável a prorrogação do MPF "cientificada" em 29/06/2012, é ABSOLUTAMENTE LIVRE DE CONTROVÉRSIA que, no momento em que o TVF e os Autos de Infração foram cientificados ao contribuinte, já se teria a SEGUNDA PRORROGAÇÃO IRREGULAR, ao ponto de essa, de forma descarada, já nem ser mais objeto da ciência do interessado. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 8 2.24. Causou surpresa, a postura do agente fiscal que, em dado momento parecia empenhado em buscar a maior celeridade possível, ao ponto de limitar o tempo requerido pelo contribuinte para lhe fornecer as respostas e, ainda assim, TODAS AS INTIMAÇÕES FORAM RESPONDIDAS pelo contribuinte, sendo que o agente fiscal em dado momento resolveu lançar mão de um "Termo de Constatação Fiscal", que, com todo o respeito, só serviu para expor o fato de que o ilustre agente não havia lido a resposta ao "Termo de Intimação Fiscal 04" e, para forçar o contribuinte a apresentar dados que ele NÃO DETINHA, num prazo que lhe se havia informado, impraticável de dez dias, limitando a possibilidade oferecer esclarecimentos aos fatos pelo contribuinte, DENTRO DO PRAZO LEGAL DO MPF, ao passo que o agente se deu ao desfrute de prorrogar IRREGULARMENTE o MPF, cientificando o Contribuinte em [sic] segundo seu relatório em 29/06/2012 para 14/09/2012 e, novamente prorrogando 11/01/2013. [...] 2.31. Já se sintetizou alhures os motivos pelos quais se reputa a autuação notificada cabalmente nula, em especial por ter sido lavrada após o MPF original estar vencido e irregularmente prorrogado e, novamente prorrogado, desta feita sem sequer levar ao conhecimento da interessada, ainda que intempestivamente, o que para agentes fiscais "tão diligentes" em relação aos prazos exíguos concedidos para que o contribuinte esclarecesse os fatos, chama a atenção de forma negativa. Com relação ao tema específico da regularidade da prorrogação do MPF, a impugnante, ao apresentar seus pedidos, requer a nulidade do processo administrativo nos seguintes termos: 1 reconhecendose as preliminares levantadas no sentido da nulidade do processo administrativo instaurado, teve seu MPF irregularmente prorrogado com ciência ao interessado após o seus vencimento (em 29/06/2012) prorrogando o prazo para o encerramento para 14/09/2012 e, numa segunda suposta prorrogação NÃO FORMALIZADA E/OU CIENTIFICADA ao contribuinte, onde se indica IRREGULARMENTE como prorrogado o prazo para o encerramento até 11/01/2013, sendo que a ciência das autuações foi dada ao contribuinte em 19/10/2012; Ofensa a Princípios Constitucionais No item III de sua impugnação (da Apreciação da Aplicação ou Não De Dispositivos Legais Sob o Prisma de sua Validade ou Invalidade Perante a Constituição Federal em Sede Processo Administrativo Fiscal) a contribuinte sustenta a tese de que, na fase administrativa do contencioso, caberia, sim, a apreciação de alegações quanto à constitucionalidade de dispositivo legal. Já no item IV (do Confisco da Renda Objeto da Notificação Fiscal Ora Atacada), em continuidade ao item anterior, alega que o lançamento de ofício na modalidade do lucro arbitrado, com os demais acréscimos legais, mostrase contrário aos cânones constitucionais, dado seu caráter confiscatório. Assim se expressa (fl. 761) 4.1. Não bastassem todas as irregularidades, vícios e ilegitimidades da cobrança combatida que vem se explanando ao longo desta impugnação, resta alertar, ainda, que a exigência tributária resistida é cabalmente Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 9 infensa ao direito constitucional de propriedade e à sua mais expressiva proteção de vedação da utilização de tributos com efeitos confiscatórios (CF/88, arts. 5º, XXII, e 150, IV). [...] 4.8. Assim sendo, acaso todos os argumentos retro expendidos caiam por terra, o que não se acredita chegue a ocorrer, para que a pretensão fiscal tome as rédeas do que é legitimamente permitido pelo nosso ordenamento jurídico e não venha a implicar no vedado efeito confiscatório dos valores tributados, importa reduzirse os acréscimos legais sobre ela incidentes, a fim de adequálos aos limites da razoabilidade e da tolerância, senão vejamos. Já no item V, em que refuta especificamente a aplicação da multa qualificada e da multa agravada, volta a invocar violação de princípios constitucionais. 5.2. Contudo, impõese notar que, da maneira como cobrada, assume a multa aplicada feições confiscatórias, eis que exigida sob percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), chegandose a aplicar até mesmo 225% do valor do débito, à partir de evidente descompasso entre os fatos dos autos e a pretensão fiscal, o que é de todo modo extorsivo, ferindo de morte o artigo 150, inciso IV, de nossa Carta Magna. · Alegações quanto ao Mérito Nas questões de mérito, a impugnante ataca os seguintes pontos do lançamento fiscal: (i) a determinação da matéria tributável pelo regime de tributação do lucro arbitrado, ao invés do lucro real, (ii) a aplicação da multa qualificada de 150% sem a efetiva comprovação da presença de conduta dolosa e (iii) a aplicação da multa agravada de 225%, por inexistência dos pressupostos fáticos a sustentála. A seguir, seus principais argumentos. Irregularidades no Arbitramento do Lucro A impugnante manifesta seu estranhamento pelo fato de a autoridade – em relação ao anocalendário de 2007 – ter, concomitantemente, desacreditado sua escrituração fiscal e utilizado elementos dessa mesma escrituração na determinação do lucro arbitrado. No caso do anocalendário de 2008, a incoerência teria sido similar, porém, nesse caso foram utilizadas as informações declaradas no Dacon. In verbis: 1.8. Nesse momento é necessário esclarecer por que o "Lucro Real" apurado em 2007 foi desqualificado e, partiuse para a apuração do "Lucro Arbitrado", por suposta insubsistência dos dados contábeis e, em seguida o agente fiscal, conforme fica EVIDENTE na fl. 04/10 do TVF Termo de Verificação Fiscal, se utiliza DOS MESMOS DADOS E VALORES EXTRAÍDOS DOS "LIVROS BALANCETE. 1.9. Com todo o respeito, novamente rogando por vênia, nos parece no mínimo pouco ortodoxo o r. agente fiscal, num primeiro momento desqualificar a apuração a opção do contribuinte em tributar seus resultados com base no "Lucro Real", por deficiência em suas informações contábeis, e ai por óbvio, essa deficiência DEVE se estender ao conteúdo dos "balanços/balancetes" mensais apresentados e, no momento seguinte, SE UTILIZAR DESTA INFORMAÇÃO CONTÁBIL, que em tese, não seria Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 10 merecedora de fé, e se assim não for, descabe qualquer possibilidade de arbitramento. 1.10. Em outras palavras, o agente fiscal não considerou idônea as informações contábeis disponíveis, para a opção do contribuinte pelo Lucro Real, inobstante, SE UTILIZOU DOS MESMOS DADOS CONTÁBEIS para lastrear seu arbitramento. 1.11. Nesse ponto há contradição obvia: a) se a informação dos balancetes apresentados é merecedora de fé, e por isso foi utilizada pelo agente fiscal, isso socorre sua base de cálculo, porém, fulmina o seu arbitramento, pois, se a informação contábil contida nos balancetes apresentados foi merecedora de fé, NÃO poderia ser desqualificada a apuração pelo Lucro Real a partir dos mesmos balancetes; b) se a informação dos balancetes apresentados não é merecedora de fé, e esse é o pressuposto aqui, tanto que ensejou a desqualificação da opção e da apuração do lucro real feita pelo contribuinte, porque serviu de base para o cálculo do Arbitramento do Lucro pelo agente fiscal? 1.12. Em relação ao anocalendário de 2008, a contradição também existe, só que em relação a este anocalendário os dados foram extraídos do "DACON", ou seja, ainda são exatamente os mesmos valores apresentados pelo contribuinte, logo, se são indignos de fé, ao ponto de supostamente estarem a caracterizar a ocorrência de fraude, porque os mesmos valores foram utilizados pelo agente fiscal como base de cálculo em seus levantamentos? Ao sintetizar seus pedidos, em relação à utilização do regime do lucro arbitrado para determinar o quantum devido, requer o seguinte: II sucessivamente, no mérito sejam os autos de infração combatidos cancelados, a vista da demonstração retroexpendida no sentido de que diante do fato de que, se os dados contábeis apresentados foram desqualificados ao ponto de serem promovidos os arbitramentos, estes não poderiam se valer dos mesmos dados contábeis apresentados pelo contribuinte, em especial e principalmente em 2007, quando indica claramente serem os mesmos dados extraídos dos "balancetes" daquele ano calendário. Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150% Face à exigência da multa de ofício qualificada de 150%, a impugnante manifesta sua discordância quanto à interpretação dos fatos, conforme registrado pela autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal. Assume, explicitamente, a não conformidade de seus registros contábeis e fiscais, porém, atribuindolhe à negligência ou desídia, mas sem abrigar elemento doloso. Sustenta, também, que não foram apresentadas provas da conduta dolosa que lhe é atribuída. Quando expõe o item II (dos Pressupostos Fáticos e Jurídicos do Procedimento Fiscal), manifesta o seguinte (fl. 753/754, destaques da impugnante): Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 11 2.26. E, para surpresa geral, em completo desapego com os fatos dos autos, onde frisese, NADA deixou de ser esclarecido/respondido ao agente fiscal com os elementos disponíveis, sendo absolutamente livre de controvérsia que não houve qualquer tipo de constrangimento, limitação de alcance ou embaraço ao trabalho do r. agente fiscal, após aplicar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 do RIR/99, por não terem sido apresentados os livros diário, razão e Lalur referentes 2007 e 2008, propõe o ilustre agente, o agravamento das multas para 225% nos termos do art. 44, § 2o, inciso II, da Lei 9.430/96, por que "a empresa, até o momento, não apresentou os arquivos magnéticos de sua contabilidade dos anos de 2007 e 2008". 2.27. Por obséquio, cabe salientar que a contribuinte impugnante não tinha como contestar, antes de receber a autuação fiscal, até por que simplesmente não tinha conhecimento alegações do ilustre agente fiscal mas, com todo o respeito, com a devida vênia, devem ser afastadas, no que tange ao agravamento das multas POR AUSÊNCIA DE PROVAS de qualquer conduta descrita nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64 e, no que tange proposto agravamento para 225%, simplesmente pela mais absoluta AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LÓGICO. 2.28. Ora, se o motivo para o arbitramento proposto para os anos de 2007 2008 foi que, não foram apresentados os livros Diário, Razão e Lalur, que estribariam a opção do contribuinte ao Lucro Real, e sendo o Lucro Arbitrado, nas palavras do agente fiscal, "apenas uma modalidade de apuração dos tributos que decorre da falta, pelo contribuinte, de apresentação de livros e documentos necessários à verificação fiscal", como pretende o mesmo agente fiscal aplicar uma penalidade/agravamento de penalidade pela não entrega desses livros "Diário", "Razão", "Lalur" dos anoscalendário de 2007 e 2008 se, como é de conhecimento público, os optantes pelo LUCRO PRESUMIDO E PELO LUCRO ARBITRADO, para fins fiscais, estão dispensados de escrituração contábil? Mais à frente, já em tópico específico sobre os acréscimos legais (V – dos Acréscimos Legais), volta à carga, entremeando sua argumentação com citações a julgados que, a seu ver, sustentam semelhante ponto de vista (fl.764/774, destaques do impugnante): 5.6. Cumpre destacar que, no caso dos autos, a autuada poderia ser qualificada como "desorganizada", sua documentação contábil poderia ser taxada de "bagunçada", seus registros contábeis dos anoscalendário de 2007 a 2009 realmente continham grande quantidade de desacertos mas, daí para lhe ser imputadas condutas delitivas INOCORR1DAS, das mais graves em se tratando de aplicação de multas, aí já é demais. 5.8. Esse contribuinte, admitindose por hipótese, que tenha cometido erros, falhas ou omissões em sua escrituração contábil, na verdade, sua falha ocorreu na ausência de um cuidado maior na guarda dos livros contábeis e, na ausência de um cuidado maior com a base de dados de seus sistemas de processamento de dados, cuja integridade das informações restaram prejudicadas, não deixou de prestar qualquer esclarecimento aos agentes fiscais, inclusive esclarecendo desde o primeiro contato que tinha imensas dificuldades em recuperar os dados requeridos, justamente por conta de uma "transição" administrativa traumática e, de não ter confiabilidade nos dados e livros contábeis do período fiscalizado. ... Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 12 5.9. Em nenhum momento esse contribuinte tentou induzir a fiscalização ao erro ou, por sua ação ou omissão tenha deixado de atender aos r. agentes fiscais, naquilo em que foi possível, diante do quadro de desordem de seus arquivos contábeis. 5.10. Notadamente, o fato de seus livros "Diário", "Razão" e "Lalur" terem se perdido e, diante do fato de lhe restar uma base de dados corrompida, de onde não foi possível recompor a escrituração contábil de 2007 a 2008, poderia até ensejar a aplicação da sistemática do Lucro Arbitrado, entretanto, uma vez que são estas as razões que estariam a estribar a aplicação do lucro arbitrado, NÃO PODE ser exigido em relação a esse mesmo período, a apresentação de arquivos e registros contábeis, tendo em mira que a adoção do lucro arbitrado EXCLUI a obrigatoriedade da escrituração contábil e, por óbvio, se o contribuinte está excluído da obrigatoriedade de escrituração entre 2007 e 2009 por força da própria autuação, NÃO PODE ser punido pela não entrega (daquilo que não dispõem) de dados inexigíveis aos tributados pelo Lucro Arbitrado. 5.11. Todavia, mesmo que se entenda como aplicável o lucro arbitrado e, aplicável uma multa (razoável e compatível com a falta), ainda que se decida por não ser aplicável o percentual de 30%, conforme arbitrado pelo STF no julgado anteriormente citado, é de se notar que o percentual de 150% para o anocalendário de 2009 e de 225%, exigido para os anos calendário de 2007 e 2008, da contribuinteimpugnante não são devidos, haja vista a necessidade do correto enquadramento da multa a ser cobrada aos termos da lei, e um mínimo de razoabilidade e proporcionalidade. 5.14. Percebese, portanto, que condição sine qua non para a imposição da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) concebida no comentado art. 44, da Lei n° 9.430/96, é a verificação de ter o contribuinte cometido alguma das infrações previstas nos arts. 71 a 73, da Lei n° 9.430/96, quais sejam, sonegação, fraude ou conluio. 5.15. Entretanto, como da própria leitura dos dispositivos em questão se pode facilmente perceber, todas as condutas neles descritas somente se podem ter como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. 5.16. Nesse sentido, para a atribuição da multa de ofício do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é imprescindível a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova. Portanto, ainda que se admita a exigência da obrigação principal com base em simples indícios e presunções, inconcebível será a imposição da multa de ofício de 150%, visto que esse patamar somente se apresenta aplicável no caso da demonstração da conduta dolosa do contribuinte, o que, de acordo com tudo quanto acima restou amplamente demonstrado, resta evidente não ter ocorrido no caso em tela. 5.17. Assim, não poderá eventual multa de ofício que venha a ser aplicada sobre os débitos ora discutidos ultrapassar o patamar de 75% da cobrança pretendida, sob pena de violação aos próprios mandamentos da sempre mencionada Lei n° 9.430/96, uma vez que não restou comprovado nos autos que a empresa tenha agido com qualquer intento doloso ou fraudulento. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 13 5.18. O CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversos julgados e, desde a muito tempo, impõe a interpretação restritiva ao art. 44, da Lei 9.430/96 e, exige a demonstração inequívoca da existência de DOLO, nos seguintes termos: [citamse ementas de julgados daquele tribunal administrativo] 5.19. Notadamente, a autuada apurou seus resultados conforme a sistemática do Lucro Real e, tanto no que tange aos registros contábeis, quanto em relação ao cumprimento de obrigações acessórias, muitas falhas e erros de procedimento foram cometidas, entretanto, com todo o respeito, com a devida vênia, o fato de "que os valores de tributos confessados pela empresa ficaram muito aquém dos apurados pela fiscalização em praticamente todos os períodos de apuração" NÃO SÃO PROVAS DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE E/OU DA OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO FISCAL. ... 5.23. Infelizmente, o ilustre r. agente fiscal extrapola suas prerrogativas, quando renuncia o seu poder/dever de apurar os fatos para tentar estribar a fundamentação de seus atos, em percepções visivelmente pessoais e desprovidas de consistência probante, dentre outros momentos quando afirma: "Mesmo assim, uma falsa impressão pode ser tida em relação a valores confessados de IRPJ e CSLL nos primeiros trimestres de 2007 e 2008. Na verdade, a empresa utilizouse do estratagema de inserir informações falsas de uma suposta suspensão judicial, revelada posteriormente inexistente, na prática legando a valores a pagar praticamente ínfimos, na casa dos 11 reais. Por outro lado, nas apurações de PIS e COFINS dos anos de 2007 a 2009, a empresa incluiu valores indevidos a deduzir contribuições a pagar, denominados "outras deduções". Em ambos os casos, a contribuinte foi regularmente Intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu ou comprovou" 5.24. Com todo o respeito, com nova concessão de vênia, tal amontoado de informações desconexas NÃO pode ser tomado como "prova" de NADA! 5.25. Esse contribuinte vinha, bem ou mal, apurando seus resultados pela sistemática do "Lucro Real" e, até mesmo um leigo sabe que, não se pode comparar a apuração de IRPJ e CSLL "Com Base no Lucro Real", com a apuração desse tributo e dessa contribuição feita com base na "presunção de um lucro", como é o caso do Lucro Arbitrado. 5.26. Assim, beira a insensatez afirmar que o simples e isolado fato de os valores declarados de IRPJ e CSLL, apurados pelo contribuinte pelo Lucro Real, serem MUITO menores que aqueles apurados pelo fisco, com base no Lucro Arbitrado, seria "prova" de conduta que pudesse ser imputada a "fraude" ou "sonegação fiscal" por parte da autuada. 5.27. Por óbvio, por exemplo, em relação ao terceiro e quarto trimestres de 2007, ao declarar em DCTF o valor devido como sendo "Zero", o contribuinte referiase a apuração de "prejuízo fiscal" e "base de cálculo negativa de CSLL" naqueles trimestres. A comprovação desse fato restou Fl. 884DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 14 virtualmente impossível pela instabilidade de sua base de dados e, pelo arbitramento dos resultados pelo fisco, mas daí para o ilustre agente fiscal tentar induzir aos incautos de que esse fato isoladamente estaria a caracterizar a existência de "fraude" ou "sonegação fiscal", existe não só um exagero, existe UM ABISMO entre uma coisa e outra. 5.28. Esse fato se repetiu em diversos trimestres, sendo a tentativa do agente em travestir essas ocorrências como sendo indicativas da ocorrência de fraude ou sonegação fiscal, decorre da CONFUSÃO do agente que, ignora o evidente fato de que uma empresa que tenha de fato uma rentabilidade baixa (com prejuízos em alguns períodos), pode e via de regra terá, um imposto de renda e uma CSLL MUITO maior se presumido um lucro, quando esta estiver com prejuízo ou baixa rentabilidade sazonal. 5.29. Novamente rogando por vênia, nos parece oportuno assentar que não há de ser por ERRO DE JULGAMENTO ou interpretação equivocada de fatos notórios do dia a dia, que a este contribuinte será imputada uma conduta delitiva que NUNCA OCORREU. ... 5.31. Cumpre asseverar que muitas vezes informações erradas em DCTF são apresentadas pelos contribuintes e, posteriormente, de posse de informações depuradas, depois de refeitos cálculos, essas informações são devidamente consertadas e, no caso concreto, provavelmente em muitas dessas informações descritas como incorretas, isso foi o que ocorreu. Além do que, foram inseridas informações erradas quanto a uma "suspensão judicial". 5.32. Esse procedimento de fato não estava correto nas informações em DCTF mas, nem de longe são delineadores de conduta delitiva imprudente talvez seguramente decorrente de desconhecimento de causa, ou seja, o contribuinte nesses casos DE FATO ingressou em juízo e, informou a "suspensão" de forma indevida, visto que não obteve a liminar, entretanto, vejamos o caso do processo 2007.72.05.0007945, referente a discussão do "alargamento da base de calculo da COFINS", que transitou em julgado em favor da autuada em 15/08/2012. 5.33. Diante disso, há que se ter em conta que a compensação indicada de forma errada como sendo "suspensão da exigibilidade", ou a indicação como "outros créditos", por mais errada que seja e, portanto, diante dos termos da legislação aplicável, passível de serem cobrados os aludidos valores com acréscimos legais, o reconhecimento EM JUÍZO de que o direito pleiteado, total ou parcialmente, lhe era de direito, fragiliza a argumentação de que seriam informações cujo propósito seria o recolhimento de valores ínfimos de PIS e COFINS. 5.34. Quando o ilustre agente fiscal afirma, como parte de sua construção no sentido de que essa contribuinte teria deliberadamente distorcido suas informações, o que não ocorreu, de que "a contribuinte foi regularmente intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu ou comprovou", é importante destacar que o contribuinte apresentou resposta detalhada ao "Termo de Intimação 05", com as informações disponíveis e conhecidas, sendo ali descrito com clareza solar que as informações prestadas em DCTF sobre "suspensões" o foram de forma errada. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 15 5.35. Importante destacar que o agente fiscal questiona o processo 2005267840, Vara 9, Brusque SC e questiona também o de número 20077205001/8475, Vara 2 Blumenau SC, ao que o contribuinte respondeu, de forma precisa e clara: "Cumpre destacar que o número de processo informado no Termo de Intimação Fiscal 05, como sendo "2005267840 Vara 9 Brusque/SC, não é um número de processo reconhecível, nem tão pouco, seria deste contribuinte, já o de número 200 7720500J/84 75 Vara 2 Blumenau/SC, provavelmente seja o 'Mandado de Segurança 2007.72.05.00184 75(SC) 0001847 60.2007.404.7205', sem liminar ou antecipação de tutela (TRF4)" 5.36. Diante do trecho citado, extraído da resposta ao "Termo de Intimação Fiscal 05", vale a pena refletir a extensão do que seria qualificável como um erro pois, quando as informações foram prestadas (e desde o início da ação fiscal) reconhecidas como erradas pelo contribuinte, estas foram descritas pelo fisco como indicativo claro de fraude/sonegação, ao passo que quando o fisco se "confunde" e apresenta dados/informações erradas ou truncadas, aí tudo Ok todo erro é escusável erro faz parte da atividade humana. 5.37. Pois bem, até prova em contrário e NADA FOI PROVADO NESSE SENTIDO NOS AUTOS, os erros, falhas e omissões contidos nas apurações fiscais e apresentações de obrigações acessórias, NÃO SE PRESTAM para caracterizar a ocorrência de Dolo ou Fraude, nem permitem concluir que houve sonegação fiscal. Solidariedade Passiva dos Sócios Administradores A impugnante também insurgese contra indicação dos sócios que detinham poderes de administração à época dos fatos geradores de que cuida os autos de infração como responsáveis solidários pelos créditos tributários. Afirma não haver elementos probantes da conduta delitiva e que a autoridade fiscal baseiase unicamente em retórica, sem apresentar elementos probantes. Tampouco haveria provas de que os sóciosadministradores teriam tido algum tipo de benefício, conforme afirmado pela autuante. Assim manifesta sua inconformidade (fl. 776): 6.8. Reprovável a prática reiterada demonstrada no relatório de "Termo de Verificação Fiscal TVF", onde com todo o respeito, com a necessária nova concessão de vênia, o agente fiscal usa e abusa de acusar a autuada e seus administradores de condutas delitivas sem PROVAR ABSOLUTAMENTE NADA, para em seguida lançar verdadeira "pérolas' como por exemplo: [reproduz trecho do TVF. Após replicar trecho do Termo de Verificação Fiscal –no qual se afirma que, com base nas provas e evidência trazidos aos autos, deveria ser afastada a hipótese de erro ou engano por parte da contribuinte – enumera os seguintes questionamentos (fl. 776): a) Baseado em que provas? b) Se existem provas das alegações fiscais, por que não foram apresentadas? c) Quais as evidencias de que esse contribuinte de fato tivesse se omitido de informar os tributos federais devidos? Fl. 886DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 16 d) Quando se afirma "comprovadamente", o que exatamente estaria a estribar tais comprovações nos autos, pois documentos nesse sentido'' não foram localizados? e) Por que as informações prestadas de forma reconhecidamente errada pelo contribuinte não são mero "erro" ou "engano"? Já na apresentação dos pedidos faz a seguinte referência direta à questão da solidariedade passiva, requerendo: IV sucessivamente, ainda, que seja reconhecida a inexistência de qualquer elemento de prova, que possa atestar a existência de conduta qualificável como crime contra a ordem tributária nos termos do art.7, da Lei 8.137/90, reconhecendo também como inócua a suposta solidariedade, que se procurou aplicar aos sócios Rita de Cássia Conti, Milton Carlos Floriani e Patricia Conti Floriani Por fim, acrescente esse último requerimento aos seus pedidos: V sucessivamente ainda, que seja sobrestado qualquer andamento na(s) representação(ões) para fins penais, vinculadas ao presente processo, determinandose seu definitivo arquivamento, assim que restar definitivamente decidido neste processo a inexistência de conduta capaz de ensejar a qualificação das multas e, reconhecida a inexistência "em tese, de crime contra a ordem tributária. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 780 e seguintes, afastou o agravamento da multa, mantendo o lançamento em relação aos demais aspectos. Da decisão acima referida a referida a parte interessada foi intimada em 05/06/2013 (fl. 823) e em 05/07/2013 protocolizou o recurso de fls. 827 e seguintes em que É o relatório. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 17 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, nos casos em que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total igual ou superior a R$ 1.000.000,00 a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício. No caso concreto, diante do montante exonerado pela DRJ, merece ser conhecido o recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário o mesmo encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Inicialmente, objetivando delimitar os limites da controvérsia a ser examinada neste julgamento, observo que as pessoas em relação às quais foi imputada responsabilidade solidária não apresentaram impugnação nem recurso. No entanto, a defesa da empresa foi assinada por Rita Cássia Conti e faz referência expressa à responsabilidade imputada a esta sócia. Na visão deste relator, não se pode confundir a personalidade jurídica da empresa com a de seus sócios, razão pela qual tenho entendimento pessoal de inexistência de defesa por parte de Rita Cássia Conti. Contudo, não é este o entendimento dos demais membros do Colegiado que entendem que nos casos em que a empresa apresenta impugnação refutando o crédito tributário e também a imputação de responsabilidade a sócio, se esta impugnação for subscrita pelo sócio a quem se imputou responsabilidade tributária, há que ser compreendida como exercício do direito de defesa tanto pela empresa quanto pelo sócio. Neste cenário, ressalvando meu ponto de vista e dado ao fato de que o recurso adotou o mesmo procedimento da impugnação, tenho que o recurso deve ser compreendido como sendo da empresa e da corresponsável Rita Cássia Conti. Oportuno observar que a posição do Colegiado na situação acima relatada somente se aplica quando a pessoa a quem se lhe imputou responsabilidade pelo crédito é quem subscreve o recurso, ainda que interposto em nome da empresa, mas que contesta, também, a responsabilidade tributária imputada ao subscritor da impugnação ou recurso. Em síntese, a matéria deste processo, no que diz respeito ao recurso de ofício, envolve a questão da multa agravada por não ter a contribuinte apresentado a documentação necessária à apuração do lucro real. No que diz respeito ao recurso voluntário a matéria contempla os seguintes pontos: I) Que os autos apontam com precisão e clareza que não houve omissão de receita e tampouco situação que justificasse a qualificação e o agravamento da multa aplicada (fl. 830); Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 18 II) O lucro real apurado em 2007 foi desqualificado por supostas inconsistências nos registros contábeis, no entanto a autoridade fiscal utilizase destes mesmos dados (Balancete em 2007, Dacon em 2008 e Sped em 2009), para arbitrar o lucro; III) Que não houve qualquer diligência pela autoridade fiscal para aferir os valores de custos e/ou despesas constante dos balancetes; IV) Que o agente fiscal considerou inidônea as informações contábeis disponíveis para apurar o lucro, inobstante considerou os mesmos para arbitrálo; V) inexistência, nos autos, de situações que justifique a qualificação da multa. VI) Inexistência de situação que justifique a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito tributário. Inicio o exame da matéria pelo recurso de ofício. I Do recurso de ofício Pelo que se extrai do TVF (fl. 662), para os anoscalendário de 2007 e 2008 a recorrente foi intimada para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 2.218, bem como a documentação técnica de que a trata o artigo 38, alínea "c", da citada Lei, com as modificações introduzidas pela Lei 11.488, de 2007. Desta forma, por não ter apresentado os arquivos magnéticos aqui referidos, a autoridade fiscal agravou a multa aplicada, agravamento este que resultou afastado pela decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: "Embora de fato a fiscalizada, por ocasião do procedimento fiscal, não tenha apresentado os arquivos magnéticos – ou uma justificativa razoável para tal omissão – os demais elementos apresentados mostraramse suficientes para a determinação da matéria tributável, conforme se depreende da transcrição dos excertos do Termo de Intimação Fiscal 02. Naquele momento, a autoridade fiscal já apresenta os montantes que, a seu juízo, se constituiriam a base imponível dos tributos federais, solicitando, inclusive, manifestação da fiscalizada sobre sua concordância ou não com os valores apresentados." "O que se infere do fluxo de intimações e respostas posteriores é que, a partir do recebimento dos documentos encaminhados em atendimento ao TIF 01, o agente fiscal já conseguiu estabelecer uma linha de atuação em que os arquivos magnéticos – se tanto – serviriam com elemento adicional para referendar uma base de cálculo já contida nos Livros Balancetes, nas Dacon e nos registros fiscais relativos ao ICMS. Reforça esse entendimento, o fato de, nas sucessivas intimações (TIF 3, 4, 5 e 6) não ter havido nova reintimação com respeito a esse quesito específico (arquivos magnéticos)." "Portanto, não considero que a conduta da fiscalizada corresponda aos pressupostos legais necessários ao agravamento da multa de ofício conforme previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. De se afastar, pois, a exigência da multa no que exceder os 150% correspondentes à multa qualificada." No momento que a autoridade fiscal já dispunha dos elementos necessários para analisar a situação da empresa, tendo esta, em situação anterior, conforme asseverado em outra do acórdão recorrido, "esclarecido que não estavam sendo entregues seus livros diário e razão, em virtude de não estar localizando as versões impressas dos mesmos e, de que sua base de dados contábeis "magnéticos" estar seriamente corrompida, o que estava inviabilizando e/ou tornando Fl. 889DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 19 morosa a obtenção de informações confiáveis referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009", não há como afirmar que a empresa estava adotando procedimento deliberado com o intuito de causar embaraço à fiscalização. Ademais, penalidade prevista para infração ao disposto no artigo 11 da Lei nº 8.212, de 1992, está contida no artigo seguinte, sendo incabível o agravamento com base no artigo 44, § 2º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, nas hipóteses em que o contribuinte informa que não dispõe de tais arquivos, como se deu no caso concreto. Com tais fundamentos e, também, pelas demais razões de decidir contidas no acórdão recorrido, aqui também consideradas como razões de decidir, nego provimento ao recurso de ofício. II Do recurso voluntário da Empresa fiscalizada Confrontando a receita declarada na FICHA 06A, de cada um dos trimestres fiscalizados, com os valores adotados pela autoridade fiscal para efeito de base de cálculo, observo que eles se equivalem. Vejamos os exemplos relacionados ao anocalendário de 2007: Quando se examina a base de cálculo indicada em cada um dos períodos fiscalizados, verificase que a autoridade fiscal partiu dos valores indicados na DIPJ e "Livro Balancete que registra as vendas", do qual subtraiu as devoluções. O confronto das planilhas abaixo com o auto de infração demonstram, com precisão, a situação aqui referida: Fl. 890DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 20 Ratificando os dados acima referidos, à fl. 659, no TVF, destaca a autoridade autuante que para determinação das bases de cálculo mensais tributáveis no período de 2007 a 2009, foram utilizados os valores a seguir dispostos: Conformando o que observei anteriormente, do confronto dos valores indicados na DIPJ e declarados no Balancete (2007), Dacon (2008) e Sped (2009), constatase que não se está imputando receita omitida e tampouco glosa de custos. Conforme indicado às fls. 179/180, a empresa recorrente foi intimada a apresentar, em 5 cinco dias, o Lalur do período de 2007 a 2009 e os Livros Fiscais de Saída correspondente ao mesmo período. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 21 Pelo que se verifica do documento de fl. 181, a fiscalizada apresentou o Livro Balancete de Verificação de 2007 B.N.5 e Livro de Apuração de ICMS, além de cópias de DIME2. Não houve apresentação do Lalur em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008. Igualmente, o Termo de Intimação nº 02 indica que não houve apresentação de documentos contábeis em relação ao anocalendário de 2008. No termo de intimação nº 04, à fl. 598, reiterouse a intimação à empresa para apresentar, em 05 cinco dias, o Lalur, o Livro de Registro de Inventário e, agora, acrescentando as demonstrações financeiras do período de 2007 a 2009. Em resposta à intimação acima indicada, à fl. 660, a recorrente informou que "não localizou em seus arquivos o Livro de Apuração do Lucro Real de 2007 a 2009." À fl. 625 consta Termo de Intimação em que a autoridade fiscal destaca que em relação ao IRPJ e a CSLL, em geral, os débitos declarados em DCTF não guardam consonância com a DIPJ, pois em grande parte dos casos limitase a R$ 11,00 e, em outros, existe o registro de suspensão do tributo sob a alegação de amparo judicial (processo 2007: 20077.205001/8475, da Segunda Vara de Blumenau e processo nº 2008:2005267840 da 9ª Vara de Brusque/SC. Assim, intimouse a contribuinte para esclarecer as discrepâncias, tanto em relação ao IRPJ e a CSLL, assim como o PIS e a Cofins, conforme indicado às fls. 627 e 630. Em atenção à informação acima, diz a recorrente, às fls. 631/632, que em razão da troca de comando na empresa, só pode atribuir a erros as diferenças entre os valores apurados em DIPJ e os informados em DCTF. No momento em que a fiscalizada não dispõe do Lalur e, em relação ao ano calendário de 2008, apresenta parte dos registros contábeis, penso que andou bem a autoridade fiscal em arbitrar o lucro. Sem a apresentação do LALUR, conforme destacado anteriormente, a autoridade fiscal não tem como apurar o lucro, restando nestas situações, como única forma de apurar o lucro real, o arbitramento previsto no artigo 530 de Regulamento do Imposto de Renda. Em relação à multa qualificada, não há acusação de omissão de receita e tampouco da inclusão de despesas inexistentes, até porque o lucro deuse de forma arbitrada. No entanto, no momento em que a fiscalizada apura um valor na DIPJ e lança outro em DCTF, de forma contínua, tenho por caracterizada as situações que justificam a qualificadora. No mais, quanto à solidariedade não há como manter. Os fundamentos utilizados não subsistem. Imputouse tal responsabilidade em face da simples razão de ser sócio. A propósito das questões relacionadas à solidariedade e à corresponsabilidade atribuída a sócio de empresa pelo simples fato deste ser sócio, como razões de decidir, lanço mão dos fundamentos que seguem, iniciando pelo seguinte quadro em que procuro fazer distinção entre solidariedade e responsabilidade tributária de terceiro: 2 Declaração do ICMS e Movimento Econômico (Fazenda Estadual), Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 22 contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN e a responsabilidade de terceiro, por infrações, é prevista na seção seguinte, conforme anteriormente demonstrado. Necessário distinguir o sujeito passivo do responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 23 disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR3.. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, 3 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 24 ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 25 Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10860.905165/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito de crédito. Na falta de comprovação há que prevalecer a decisão que não reconheceu o direito creditório.
Numero da decisão: 3803-006.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 INSUMOS. FRETES PAGOS A TERCEIROS. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão para o desconto de créditos de fretes pagos a terceiro em terceirização de serviços. A terceirização da atividade fim não caracteriza insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito de crédito. Na falta de comprovação há que prevalecer a decisão que não reconheceu o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 51 65 /2 00 9- 40 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 10 de julho de 2007, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de período de apuração fevereiro de 2004, com débitos do mesmo tributo da competência de novembro de 2006 no valor total de R$ 47.301,55. Através de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF em Taubaté/SP não homologou a compensação requerida. Fundamentou na falta de créditos, pois, encontrou o pagamento indicado, mas, totalmente alocado para a quitação de débitos declarados pelo contribuinte. Irresignado, apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alega, resumidamente que a não homologação do pedido enviado se deu pelo erro no preenchimento das declarações (DCTF e DACON) do período. Anexa Copias das DCTF's e DACON's, originais e retificadas, posteriormente ao Despacho Decisório. A DRJ em Campinas/SP através do acórdão nº 0537.215, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário onde, preliminarmente pede que o julgamento seja transformado em diligência, e, resumidamente Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 11 3 alega que não foram considerados os valores referentes a dedução de "Outros Créditos", que correspondem a valores de serviços de fretes pagos a terceiros e valores gastos com recapagem de pneus. Por fim, requer o provimento do recurso com o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Anexa DCTF original e retificada, DACON original e retificada, planilha demonstrativa da base de calculo da COFINS de fevereiro de 2004, cópia dos Livros fiscais de saídas da matriz e filiais, cópia do Livro Diário outras receitas, copia do livro de registro de entradas, planilha de credito de COFINS sobre serviços de frete. Esta turma, em seção realizada em 22 de agosto de 2013, por meio da Resolução nº 3803000.342, converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem certifique junto ao contribuinte a comprovação documental das despesas com recapagem de pneus. Em sede de diligência, o contribuinte foi intimado a: a) apresentar as vias originais das Notas Fiscais referentes a despesas com recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diário de 2004; b) prestar esclarecimentos no sentido de confirmar se a interessada efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano base de 2005; c) apresentar os Livros Diários e Razão de 2005; d) esclarecer por que alguns valores apurados da Cofins em janeiro e fevereiro de 2005 estão vinculados na DCTF a pagamentos com códigos diferentes e, se for o caso, a retificar os códigos; e) apresentar contrato social, procuração do representante da empresa (se necessário for) e outros documentos ou esclarecimentos julgados necessários. Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte afirmou que as Notas Fiscais referentes a despesas com recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diários de 2004 foram recicladas pelo lapso de tempo de guarda. Argumentou no sentido de que optou pela tributação pelo Lucro Presumido no ano de 2005. Ainda alegou equívoco em relação a apuração da Cofins e em relação a determinados códigos, os quais são passíveis de retificação para pronta correção. Por fim, apresentou Livro Diário referente ao período de janeiro a dezembro de 2005 e dois Pedidos de Retificação de DARF. A DRF, por meio de Informação Fiscal, se limitou a atestar que o recorrente não apresentou as notas fiscais sob o argumento de que tais documentos já foram reciclados em razão do lapso de tempo de guarda. É o relatório. Voto Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O contribuinte alega que possui direito aos créditos gerados pelos pagamentos de fretes a terceiros e recapagem de pneus, alegando que estes serviços seriam insumos no seu processo produtivo. Do conceito de insumos. Para possibilitar uma análise mais criteriosa dos argumentos trazidos pelo contribuinte, vale relembrar o conceito de insumos. Em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 12 5 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 13 7 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumos" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, jamais se conceberia. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290 e 299. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no Resp 1.246.317 MG de relatoria do Min. Mauro Campbell e foi adotado por esta Turma Especial para fins de interpretação do conceito de “insumos” na legislação das contribuições sociais. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Dos fretes pagos a terceiros O contribuinte alega que o custo de frete pagos a terceiros está respaldado pelo art. 3º, inciso II da lei nº10. 833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 14 9 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10. 485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Não compactuamos com a interpretação da recorrente de que os serviços pagos são insumos na produção de seu serviço, por serem fretes pagos a terceiros, em clara terceirização de sua atividade fim. Razão pela qual descartamos a possibilidade da utilização do referido dispositivo para justificação do requerido. No mesmo art. 3º, inc. IX, temos a previsão do tipo de frete que gera créditos de COFINS, in verbis: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Entendemos que apenas os gastos com frete para a venda são admitidos para fins de creditamento das contribuições sociais, não há previsão legal para o desconto de valores referentes a pagamentos de fretes em terceirização da atividade fim. Dos gastos com recapagem de pneus. O recorrente, por ser do ramo de transporte, necessita da troca periódica e manutenção dos pneus. Tais gastos estão claramente caracterizados como insumos no processo produtivo da empresa, e, podem, se comprovados, gerar créditos para o contribuinte. Alega o recorrente, em seu Recurso Voluntário, que teria juntado o anexo G contendo as planilha de crédito de COFINS sobre serviços de recapagem de pneus diversos e cópias dos documentos comprobatório anexados, contudo, localizamos planilha com três valores de R$ 212,00, R$ 470,00 e R$ 1.470,00 às fls. 385 e que geraria crédito de COFINS no valor de R$ 163,55 e, ainda, no Livro Diário o lançamento destes valores, contudo, não localizamos os documentos fiscais que comprove os gastos efetivos com recapagem de pneus, quais sejam, as duas Notas Fiscais relacionadas na planilha de folhas 385. Da conversão do Julgamento em Diligência e da guarda de documentos. Em virtude dos fortes indícios da existência do crédito relativo à recapagem de pneus constatados nos autos, o julgamento foi convertido em diligência para confirmar a real existência do crédito pretendido, entretanto, em resposta à intimação, o contribuinte afirmou que as notas fiscais foram recicladas pelo lapso de tempo de guarda e anexou tabela Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 que aponta o prazo de 5 (cinco) anos como prazo obrigatório de guarda de Nota Fiscal de Fornecedor, com amparo legal no art.173 do Código Tributário Nacional. O contribuinte teria razão caso se tratasse de lançamento de ofício de crédito tributário por parte do Fisco sobre fato gerador ocorrido a mais de 5 anos, o que não é o caso. Estando a empresa em fiscalização, sob intimação, despacho decisório, processo administrativo ou judicial em que se discuta o crédito tributário, devese manter os documentos capazes de provar suas alegações até decisão final. Da compensação e do ônus da prova. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN, transcrito a seguir: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” A simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” Assim, o contribuinte apenas deveria “reciclar” as notas fiscais quando da homologação tácita da compensação ou após o fim do trâmite na esfera administrativa caso não tenha interesse em adentrar na esfera judicial. O recorrente perdeu a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 15 11 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão. Ante o exposto, a mera justificativa de que as Notas Fiscais não deveriam ser mantidas após o lapso temporal de 5(cinco) anos não deve prevalecer, pois tratamse de elementos essenciais para provar suas alegações e comprovar seu direito creditório no processo em andamento. Dessa forma, realizada a diligência conforme requerimento do próprio contribuinte, a falta da documentação fiscal prejudicou a pretensão do contribuinte e não nos permitiu aquilatar a liquidez e certeza do direito creditório pretendido, nos termos do artigo 170 do CTN. Pelo exposto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de não reconhecer o direito creditório. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10410.724490/2011-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
Somente é possível a dedução de imposto retido na fonte mediante prova do valor retido em nome do beneficiário dos rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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COMPENSAÇÃO. Somente é possível a dedução de imposto retido na fonte mediante prova do valor retido em nome do beneficiário dos rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 44 90 /2 01 1- 26 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.724490/201126 Acórdão n.º 2801003.928 S2TE01 Fl. 118 2 Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 2 a 11, para exigência de imposto de renda pessoa física no valor de R$ 9.777,04, acrescido de multa de mora no valor de R$ 1.955,40 e de juros calculados até 30/11/2011, no valor de R$ 4.705,68, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 16.438,12. 2. Foi expedido o termo de início de fiscalização de fls. 14 a 15 pelo qual foi solicitada à contribuinte a ficha financeira relativa aos valores recebidos da Assembléia Legislativa de Alagoas, CNPJ 12.343.976/000146, no anocalendário de 2006. Foi encaminhado à contribuinte, aditivamente, o termo de intimação de fls. 20, para solicitação dos contracheques e dos extratos bancários, referentes aos valores recebidos da Assembléia Legislativa de Alagoas. Houve reintimação, conforme fls. 24. 3. A contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento, conforme fls. 18, 19 e 26, por haver requerido as fichas financeiras à fonte pagadora por meio da petição de fls. 17. Informou às fls. 22 não dispor dos contracheques nem tampouco dos extratos bancários, apresentando apenas a relação de valores de fls. 23. 3.1 Por meio da carta resposta de fls. 27 a 28 a fiscalizada apresentou os extratos do Banco Bradesco (fls. 29 a 32). 4. Consta, ainda, do processo, o relatório de dados financeiros extraídos do laudo pericial nº 1728/2008INC/DITEC/DPF de 16/06/2008 relativo aos funcionários da Assembléia Legislativa de Alagoas (fls. 33 a 34). 5. Foram anexados ao processo a declaração de ajuste anual do anocalendário de 2006, exercício 2007 (fls. 35 a 38), a declaração de imposto de renda retido na fonte do ano calendário de 2006 (fls. 39) e o extrato de resgate de restituições de fls. 41. 6. De posse da documentação, a autoridade lançadora emitiu a notificação de lançamento de fls. 2 a 11, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração à legislação tributária: 6.1 – compensação indevida de imposto (glosa no valor de R$ 27.779,92, fato gerador em 31/12/2006). 7. Foi elaborada representação fiscal para fins penais, protocolada sob processo nº 10410.724491/201171 (fls. 42). 8. Não concordando com a exigência, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 45 a 47, juntamente com cópia da notificação de lançamento (fls. 50 a 61) e dos termos de intimação e cartas respostas (fls. 62 a 69 e 73 a 74), além da declaração de ajuste anual (fls. 70 a 72), todos já contidos nos autos, alegando em síntese: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.724490/201126 Acórdão n.º 2801003.928 S2TE01 Fl. 119 3 8.2 – que tão logo foi notificada do erro praticado procurou retificar a DIRPF, não logrando êxito na obtenção das informações relativas aos valores efetivamente recebidos e às respectivas retenções de imposto de renda na fonte; 8.3 – que a alteração de sua declaração de ajuste anual foi efetuada pela fiscalização com base no Laudo Pericial da Polícia Federal nº 1728/2008IN/ DITEC/DPF de 16/06/2008, documento desconhecido pela impugnante; 8.4 – que a notificação é improcedente, visto que a autoridade fiscal considerou como rendimento o valor de R$ 68.515,20, sem qualquer valor relativo ao imposto de renda retido pela fonte pagadora, do que resultou a apuração indevida de saldo de imposto a pagar no montante de R$ 9.777,04; 8.5 – que requer seja realizada diligência junto à Assembléia Legislativa de Alagoas para verificação dos montantes de rendimentos pagos e de imposto de renda efetivamente retidas no anocalendário de 2006; 8.6 – por fim, requer seja reconhecida a nulidade da notificação de lançamento por inobservância da legislação aplicável, bem como seja declarada sua improcedência, pleiteando a juntada posterior de documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 78/88, que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. Do imposto de renda pessoa física devido, apurado na declaração de ajuste anual pode ser deduzido o imposto retido na fonte desde que comprovada a retenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS DO PEDIDO. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos em lei. Impugnação Improcedente Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.724490/201126 Acórdão n.º 2801003.928 S2TE01 Fl. 120 4 Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 08/05/2012 (fl. 91), a Interessada, representada por seu advogado (fl. 112), interpôs recurso voluntário de fls. 92/95, em 08/06/2012. Em sua defesa, sustenta que apresentou sua DIRPF/2007 com base nas informações prestadas pela Assembléia Legislativa de Alagoas. Alega, ainda, que ao comparecer à fiscalização lhe foi entregue o documento que corrobora as informações de sua DIRPF/2007; que o laudo pericial elaborado delo DPF não levou em consideração os valores retidos a título de IRRF, limitandose a basearse em rendimentos líquidos; que no rodapé do laudo pericial citado, constam as mesmas informações prestadas pela contribuinte em sua DIRPF. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Consta dos autos que, em procedimento investigatório foram constatadas pelo Departamento da Polícia Federal/Ministério da Justiça a elaboração e a apresentação à administração tributária da declaração de imposto de renda retido na fonte (DIRF), sob o CNPJ 12.343.976/000146, da Assembléia Legislativa de Alagoas no anocalendário de 2006, incluindo valores tidos como retidos pela fonte pagadora e que não foram reconhecidos pelo próprio órgão estatal, como consta do Laudo Pericial nº 1728/INC/DITEC emitido em 16/06/2008 pelo Departamento da Polícia Federal em Alagoas. Em consequência, foi glosada a compensação do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 27.779,92. Em sua impugnação a Contribuinte não negou os fatos acima relatados. Em sede de recurso, entretanto, afirma que houve a retenção, baseandose em documento fornecido pela Receita – DIRF cuja informação sobre imposto de renda retido na fonte foi considerada falsa no referido laudo elaborado pela Polícia Federal. Assim, inexistindo a comprovação da retenção na fonte do imposto de renda que se pretende compensar, é de se manter a glosa procedida pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.724490/201126 Acórdão n.º 2801003.928 S2TE01 Fl. 121 5 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10640.723821/2011-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26-A DO PAF.
Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE REDUZEM VALOR DO IMPOSTO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA - 150%. LEGALIDADE.
A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, redução do imposto devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE REDUZEM VALOR DO IMPOSTO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 150%. LEGALIDADE. A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, redução do imposto devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 38 21 /2 01 1- 05 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 155 2 recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 135), que complemento ao final: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.02/12, lavrado pela Fiscalização em 25/10/2011, contra a contribuinte retro identificada, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2008 e 2009, no montante de R$ 31.462,50, sendo R$ 14.288,17 de imposto de renda, R$ 12.778,63 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 4.395,70 de juros de mora calculados até outubro de 2011. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade revisora, das infrações “dedução indevida de despesas com instrução” e “dedução indevida de despesas médicas”, ocorridas nos anos calendário de 2007 e 2008, nas importâncias de R$ 2.794,66 e R$ 24.000,00 (DIRPF/2008) e R$ 1.052,29 e R$ 24.110,00 (DIRPF/2009), tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.03/04 – parte integrante do Auto de Infração contestado – e Relatório Fiscal de fls.13/28. Foi aplicada a multa proporcional agravada para 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre a fração do imposto de renda incidente sobre a “dedução indevida de despesas médicas” relativa aos profissionais liberais Erlinson Ferreira, CPF 199.109.38880, e Marcos Vinicius Machado Fontes, CPF Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 156 3 056.548.79650, por ter concluído o fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, nessa parcela da infração, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária, conforme expresso no Relatório Fiscal acima mencionado. À fração restante do imposto de renda foi aplicada a multa proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Protocolizouse ainda o processo administrativo 10640.000298/201137, também em nome da autuada, que trata da Representação Fiscal para Fins Penais visto que a autoridade lançadora entendeu ter ficado demonstrada, em tese, para os pagamentos relativos aos mencionados profissionais liberais, a ocorrência de fatos que configurariam crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Em sua peça impugnatória de fls.113/129, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) “O fato de o profissional ser considerado inidôneo pela Receita Federal não o impede de exercer suas atividades e praticar atos relacionados à medicina. Cabe ao respectivo Conselho a fiscalização da legalidade da profissão”; 2) Os pagamentos de despesas médicas informadas pela contribuinte como efetuados ao fisioterapeuta Marcus Vinicius Machado Fontes “se referem verdadeiramente a serviços médicos prestados pelo profissional Erlinson Ferreira”, o qual “alegando ser o mesmo seu sócio e que o recibo era do mesmo consultório, não havendo motivos para não aceitar os respectivos recibos, induzindo a paciente ao erro”; 3) “O recibo é uma prova de boafé do contribuinte, até que a fiscalização prove o contrário. Não foi o que fez o Fisco, não produziu provas contra a contribuinte, apenas apresentou suposições”; 4) “Os preços praticados pelos profissionais liberais são livres, sendo que cada profissional faz o seu preço em função de sua especialização, do seu conhecimento na mídia e pelos resultados produzidos”; 5) A contribuinte prontamente apresentou os documentos solicitados pelo Fisco “e, se persistiu a dúvida, caberia ao fiscal autuante analisar a outra parte e cobrar providencias, por ventura, de quem errou ou se omitiu”; 6) Quanto aos recibos emitidos pelos demais profissionais liberais, “o fato de ter a contribuinte justificado que havia sido pagos aos profissionais liberais os serviços prestados, em dinheiro, não tira a boafé dos documentos”; 7) Incabível a aplicação da multa de 150% visto que “o Fisco não aceitou os documentos apresentados mas não comprovou o dolo do contribuinte”. Para corroborar seus argumentos, a autuada cita artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente e da Constituição Federal do Brasil, bem como ementas e trechos de vários Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A primeira instância de julgamento, em resumo, assim dispôs: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 157 4 1 Não era competente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação tributária. Quanto à alegação de cerceamento de defesa, entendeu que a autoridade fiscal não cometera nenhuma irregularidade em seu procedimento. 2 A dedução indevida com despesas com instrução (R$ 3.516,68 e R$ 314,00, em 2007, e R$ 2.065,00, em 2008), glosadas pela Fiscalização, foi considerada matéria não expressamente questionada e fora do litígio. 3 Citou os artigos do RIR/1999 e da Lei nº 9.250, de 1995, para sustentar as condições em que despesas com médicos e afins podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto. Tratou das glosas efetuadas e dispôs que, em princípio, admitese o recibo como comprovação do pagamento, porém, existindo dúvidas quanto a sua veracidade, o Fisco pode exigir do contribuinte provas complementares. 4 Em relação à multa de ofício aplicada, defendeu a legalidade, inclusive em relação ao percentual majorado, de 150%, quanto às despesas relativas aos profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes, dizendo que os fatos foram comprovados pela DRF/Juiz de Fora, em procedimento fiscal. Assim, decidiuse pela improcedência da Impugnação, mantendose o lançamento efetuado. Cientificada dessa decisão em 30/03/2012 (sexta feira), conforme Aviso de Recebimento na folha 145, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, via postal, em 30/04/2012, conforme envelope com carimbo de postagem na folha 150. Em sede de recurso, em suma, assim manifesta sua inconformidade: é inadmissível que o Fisco aplique multa de 150%, simplesmente por presunção. Dizse vítima de profissionais inescrupulosos e falsários e não pode arcar com o ônus de fiscalizar os mesmos. o fato de não ter comprovado determinadas despesas é justificado pelo extravio dos documentos, conforme já explicara, juntando boletim de ocorrência policial. os demais recibos glosados, sobre os quais foi aplicada multa de 75% são idôneos, cabendo ao Fisco provar a inidoneidade. trata do percentual da multa, pugnando pela aplicação do critério da razoabilidade. PEDE, então, que seja cancelado o débito fiscal ou, alternativamente, que seja retirada a multa, uma vez que não está "rastreada em legalidade". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 158 5 O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, no recurso administrativo, recorrese da decisão de 1ª instância, da DRJ. A lide deve ser delimitada, de forma a conferir ao processo a eficiência, a segurança e a confiança, a fim de atingir seus objetivos. A Recorrente não volta a manifestarse sobre nulidade do procedimento, alegando cerceamento de defesa; também não questiona o disposto sobre a glosa de despesas com instrução, que foram reputadas fora de litígio pelo Julgador a quo. Assim, nada a se tratar sobre tais matérias. A ciência do Auto de Infração deuse em 01 de novembro de 2011, conforme AR na folha 111. Não havendo preliminares, passemos ao mérito. MÉRITO 1. DA MULTA APLICADA Identifico no recurso que a contribuinte insurgese especialmente sobre a aplicação da multa de 150%, não obstante questione também a multa aplicada sobre determinada parcela do lançamento, no percentual de 75%. Assim sendo, tratemos primeiramente desse aspecto. Manifestase contrariamente à aplicação da multa duplicada, no percentual de 150%, entendendo que não estaria caracterizado o “evidente intuito de fraude”, alegado pela Fiscalização tampouco demonstrado o dolo específico na conduta do agente. Na declaração de ajuste das pessoas físicas, analisase as mutações patrimoniais, relativas aos ingressos de renda, podendo ser deduzidas algumas despesas, referentes a decréscimos desse mesmo patrimônio. Segundo CARRAZZA, que sublinho para destacar: “...renda é a disponibilidade de riqueza nova, havida em dois momentos distintos...é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao longo de um determinado período de tempo. Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (CARRAZZA, Roque Antônio, A natureza meramente interpretativa do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o imposto de renda, a contribuição previdenciária e as sociedades de serviços profissionais. RDDT 154, jul/2008, p. 109 Apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.282) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 159 6 Também de ser destacado que o imposto sobre a renda é tributo sujeito a lançamento por homologação, o que significa dizer, conforme artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN, que compete ao sujeito passivo verificar a ocorrência do fato gerador, calcular o montante devido e efetuar o pagamento no prazo, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento realizados. Feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Ora, a contribuinte reconhece que jamais submeteuse a tratamento com o profissional Marcus Vinicius Machado Fontes. Alega que foi paciente de Erlison Ferreira, em sessões de fonoaudiologia e que este, alegando não poder mais emitir recibos, emitiuos em nome do outro, que seria seu "sócio", na mesma clínica. O primeiro seria fisioterapeuta, o segundo seria fonoaudiólogo. Observo que na DIRPF/2009 foi declarada despesa de R$ 5.000,00 com Erlison Ferreira e mais despesa de R$ 5.000,00 com Marcus Vinicius Machado Fontes. Ou seja, se todo o tratamento foi realizado com o primeiro, como alega a Recorrente, gastou só em fonoaudiologia R$ 10.000,00, em 2008. Isso corresponde a 10% do total de seus rendimentos. No Relatório Fiscal, consta que o profissional cobrava entre R$ 40,00 e R$ 50,00 reais por sessão. Assim, a contribuinte teria se submetido, pelo preço maior, a 200 sessões de fonoaudiologia, naquele ano. Nos anos seguintes, em 2009 e 2010, continuou com a apresentação de recibos dos mesmos profissionais, entretanto chegando, pelo mesmo raciocínio acima, a submeterse a 640 sessões de tratamento, em 2009, conforme processo 10640.723822/201141, posto em pauta de julgamento nesta mesma data, também de minha relatoria. Não bastante, ao contrário do que alega a Recorrente, a Fiscalização tratou de intimar os emitentes dos recibos e aprofundar seu procedimento junto aos mesmos, como consta do Relatório Fiscal e dos termos de depoimentos que integram estes autos. Marcus Vinicius Machado Fontes negou que tenha emitido recibos, estava com o registro irregular junto ao Conselho de classe e disse que fora vítima de fraude. Erlinson Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 160 7 Ferreira não declarou a renda e foi demonstrado, através de elementos, inclusive matemáticos, que não prestara os serviços correspondentes ao total de recibos emitidos em seu nome. Os recibos são todos em valores "redondos" de R$ 500,00 e R$ 1.000,00, emitidos mensalmente, o que leva a imaginar que todos os meses submetiase a igual número de sessões. (fls. 83 a 97) Ante o exposto, considerando a realidade destes autos, inclusive o aspecto subjetivo da contribuinte, entendo que restou configurada a fraude ao serem transmitidas declarações com o claro objetivo de auferir valores indevidos de restituição de imposto de renda. Não há que se falar em “erro” ou “equívoco” nessa conduta. Admite inclusive terse valido de recibos de fisioterapeuta que jamais consultou. Destaco que aqui se trata dos anos calendário de 2007 e 2008, mas que o Fisco também apurou irregularidades de mesma matéria nos anos de 2009 e 2010. Foram lavrados Autos de Infração em processos administrativos separados uma vez que nos exercícios de 2008 e 2009 apurouse imposto a pagar e nos exercícios de 2010 e 2011 apurouse redução de saldo de imposto a restituir. A fraude reduziu o valor do imposto devido (retido na fonte) ao pretender restituição indevida. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, como entendida pela Autoridade Fiscal. Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Se o percentual das multas estabelecido legalmente atende ao sistema constitucional ou não, não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Não há, portanto, que se falar em razoabilidade. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado à lei. O Fiscal, tampouco o Julgador, não escolhe qual o "peso" da multa que deve ser aplicada. Aplicase a lei ao caso concreto, somente. Bem, a Recorrente admite que tais recibos são decorrentes da ação de "falsários", entretanto, ao incluílos em suas declarações de ajuste anual, valendose dos mesmos para auferir vantagem, discordo que "não tenha compactuado com eles". 2. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Bem, pelo exposto, creio desnecessário discorrer sobre a glosa das despesas, no valor de R$ 10.000,00, em 2008, declaradas como gastos com os profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes. Pelo todo tratado no item anterior, deve mesmo ser mantida. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 161 8 Em relação aos demais recibos, que não foram aceitos, tendo em vista que a contribuinte valeuse de recibos inidôneos, e em valor expressivo, entendeu a Fiscalização pela aplicação do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, tendo intimado a interessada, conforme Termo de Solicitação de Esclarecimentos, na folha 61, a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento pelos serviços médicos e afins consumidos nos anos em comento. O Regulamento do Imposto de Renda em seu artigo 73, comanda o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). § 1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). Entendo que não agiu com excesso a Fiscalização ao entender, em vista dos depoimentos dados pelos profissionais supracitados e do valor das deduções pleiteadas, por exigir a comprovação do efetivo pagamento. O recibo faz prova, salvo em casos como este. Na folha 23/24, o Auditor Fiscal fundamentou seu entendimento, em Relatório. E a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento de nenhuma das despesas glosadas, nem para a Fiscalização, nem na fase litigiosa do procedimento, inaugurada com a apresentação da impugnação. Ao recurso, nenhum documento foi anexado. Há também o caso das glosas onde sequer foi apresentado recibo, sob a alegação de extravio. Mas, poderia ter solicitado nova cópia ao regular emitente, se quisesse, uma vez que os médicos e odontólogos costumam guardar as fichas e prontuários de seus pacientes. Bem, quanto a essas despesas, glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento, aplicouse a multa de 75% que, como já expusemos acima, decorre de lei. CONCLUSÃO A utilização de recibos médicos comprovadamente inidôneos autoriza a glosa dos mesmos e aplicação da multa no percentual de 150%, considerando o evidente intuito de fraude e a conduta dolosa. Uma vez verificada a utilização de recibos inidôneos, legítimo o procedimento fiscal de exigir a comprovação do efetivo pagamento das demais despesas médicas declaradas, com base no artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda. Não comprovado o desembolso, correta a glosa efetuada. O mesmo em relação a despesas para as quais sequer foi apresentado recibo, sendo que a estas aplicase, como previsto em lei, a multa de 75%. Face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723821/201105 Acórdão n.º 2801003.825 S2TE01 Fl. 162 9 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001242/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004
RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI E À EVIDÊNCIA DA PROVA.
Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou-se dentro dos ditames legais.
MÉRITO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À PROVA DOS AUTOS OU DE VIOLAÇÃO AOS ART.IGOS 6º 8º DA LEI Nº 8.846/94 E AO ARTIGO 47, INCISO, B, DA LEI Nº 8.981/95.
Ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea b, da Lei nº 8.981/95.
O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e II) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004 RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI E À EVIDÊNCIA DA PROVA. Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. MÉRITO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À PROVA DOS AUTOS OU DE VIOLAÇÃO AOS ART.IGOS 6º 8º DA LEI Nº 8.846/94 E AO ARTIGO 47, INCISO, “B”, DA LEI Nº 8.981/95. Ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e II) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 12 42 /2 00 5- 11 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 432 2 Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 306 a 315), por violação à lei e à prova dos autos, contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 284 a 292), que deu provimento parcial ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não é nulo o procedimento fiscal que observa todas as regras do Processo Administrativo e não contém vícios capazes de impedir o exercício da ampla defesa pela autuada. BINGCS. EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE MEDIANTE CONTRATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade esta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social _ incidentes S'obre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 433 3 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA ATIVIDADE DE SORTEIOS. BINGO. Válida é a apuração de receitas da atividade de sorteio (birigo) a partir de documento (arquivo magnético) apreendido em computador localizado nas dependências da autuada, quando permite identificar claramente a movimentação diária da venda de cartelas BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. ESTIMATIVA DE RECEITAS CALCULADA A PARTIR DE MÉDIA DIÁRIA DE ARRECADAÇÃO COM A VENDA DE CARTELAS. DESCABIMENTO. Inaceitável o arbitramento realizado a partir de meras projeções de receitas para os períodos do ano de 2002 em que o Fisco não logrou encontrar documentação reveladora das receitas auferidas. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. TAXA SELIC. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. (grifos nossos) O recurso voluntário foi provido em parte apenas para excluir da autuação o arbitramento da receita referente aos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002, haja vista que, quanto a este ponto, nos termos do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, o Fisco teria ido além do que permitido na legislação. Mais especificamente, aduziuse que, verbis, não basta ao Fisco mencionar que existe movimentação financeira à margem da contabilidade, ou que existe saldo devedor em conta de passivo, conforme afirma à fl 33, se não consegue criar um liame entre tais anomalias e as receitas estimadas, de maneira que não está correto o arbitramento ou o cálculo estimado efetuado das receitas dos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002, devendo ser excluída da autuação. Contra o v. acórdão foram opostos embargos de declaração, apontandose, em suma, que a Câmara a quo teria incorrido em omissão ao aduzir não haver comprovação por parte do fiscal do liame existente entre o saldo devedor em conta do passivo da empresa e as receitas estimadas (fls. 226). Mais especificamente, após citar o disposto no artigo 91 do Decreto 4.524/2002, apontouse que há comprovação de movimentação financeira no período arbitrado, seja pela leitura das rodadas de bingo, seja pela presença de movimentação financeira na conta “Banco” e “Repasse da União”, nos períodos abrangidos pelo arbitramento. Requereuse, outrossim, a análise dos documentos de fls. 134 a 143, verbis, em que constam extratos de movimentação financeira do contribuinte nos períodos abrangidos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 434 4 pelo arbitramento: janeiro/2002, fevereiro/2002, março/2002, abril/2002, julho/2002 (fls. 227).. O Presidente da Segunda Seção, ao seu turno, mediante o r. despacho de fls. 304, e com arrimo nas informações de fls. 301 a 303, negou seguimento aos referidos embargos de declaração. Destacamse, por oportuno, os seguintes excertos das informações acima aludidas, verbis: (...) Massima vênia, não há omissão. Ora, a movimentação financeira real, efetiva, trazida aos autos pelo fiscal autuante está bastante aquém do montante da "receita" apurada via arbitramento, senão vejamos o liame entre ambas: (R$) (...) Para mim, a desproporção de valores acima reportada foi mais que suficiente para não vislumbrar o liame entre as anomalias apontadas e as receitas estimadas, dai eu ter afastado o arbitramento da forma com que foi feito, não obstante a existência de Previsão legal para tal procedimento (não aquele efetuado no auto de infração de que cuidamos no momento), a qual, digase, de passagem, sequer foi ventilada pelo Auditor Fiscal, vindo a sêlo somente por ocasião dos presentes Embargos. Assim, a análise requerida, pela Embargante dos documentos em que constam extratos de movimentação financeira do contribuinte deveria ter sido feita pelo servidor responsável pelo lançamento e considerar os valores ali encontrados para fins de apuração da sua receita arbitrada. Não o tendo feito, não compete a este Colegiado fazêlo, ainda mais na via estreita dos Embargos. Em face de todo o exposto, voto pelo não acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com fulcro no inciso I do artigo 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, ofensa à prova constante dos autos e violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 316 a 317. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 435 5 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Voto vencido quanto à admissibilidade Inicialmente, no tocante à admissibilidade, entendo que o recurso especial interposto não merece ser conhecido. Deveras, cumpre lembrar que, nos termos do inciso I do artigo 7º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no recurso especial interposto com base nesse permissivo deve ser demonstrada (i) a contrariedade à lei ou (ii) à evidência da prova. No presente caso, apontouse no recurso especial ofensa à prova constante dos autos e violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. No que tange à alegada violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95, o recurso especial carece do necessário prequestionamento. Com efeito, a Colenda Câmara a quo não se manifestou e nem foi instada a se manifestar, ainda que através de embargos de declaração, especificamente a respeito da matéria veiculada com a alegada contrariedade a esses dispositivos, qual seja, de que eles legitimariam o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Importante destacar que a Fazenda Nacional, na oportunidade em que teve para provocar a Câmara a quo, através dos referidos embargos de declaração, dispôs apenas sobre o artigo 91 do Decreto nº 4.524/2002, não fazendo qualquer tipo de menção à matéria ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. Não há como se conhecer, destarte, do recurso especial interposto, na medida em que não é possível à Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestar quanto a matéria e dispositivos legais que não foram objeto de discussão e decisão na instância a quo. Por outro lado, com relação à segunda hipótese prevista no permissivo para interposição do recurso especial, qual seja, a contrariedade à evidência da prova, o que se verifica no recurso especial é que a Fazenda Nacional pretende, em verdade, que este Colegiado proceda ao reexame do conteúdo fáticoprobatório dos autos, o que não se afigura possível nesta instância especial. Em que pese o recurso ter sido interposto por alegada contrariedade à evidência da prova, não se procurou, em nenhum momento, demonstrar que a r. decisão recorrida contrariou a evidência de qualquer prova. Ao revés, o que se afirmou foi que a movimentação no período exonerado de 2002 teria restado comprovada (fls. 313) e que as planilhas de fls. 26/27 e 75 serviram de apoio para que a fiscalização determinasse a receita efetiva do contribuinte, devidamente fundamentado no relatório fiscal de fls. 30/35. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 436 6 Na espécie, as instâncias ordinárias, soberanas na apreciação da prova, tanto em extensão quanto em profundidade, entenderam, em última análise, que o procedimento de arbitramento da forma com que foi feito (consoante fls. 302, em que se analisou os embargos de declaração) não seria legítimo. Verificase, portanto, que não só a Fazenda Nacional deixou de apontar qual prova teria sido evidentemente contrariada, mas, mais importante, não demonstrou tal contrariedade. Indubitável, destarte, que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não reúne condições de ser admitido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto quanto ao mérito Caso fique vencido no que tange à admissibilidade, entendo que o recurso especial, quanto ao mérito, não merece melhor sorte. Com efeito, ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95 O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo. Nesse sentido, aliás, é o seguinte excerto da r. decisão recorrida, que abrange tudo o que se foi discutido sobre a matéria veiculada no recurso especial, e cujos fundamentos acolho e adoto como razão de decidir, verbis: (...) O segundo item da autuação se refere aos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002 de 2002 e os valores da Cofins devida foram apurados com base em arbitramento realizado pelo Fisco, conforme demonstrativos de fis. 26/27. De acordo com o autor do procedimento, o arbitramento foi realizado a partir dos documentos apreendidos no estabelecimento, mais especificamente das leituras de rodadas de bingo constantes do arquivo magnético intitulado "faturamento imperial xls". Na verdade, o Fisco obteve:o valor das receitas desse período a partir de uma presunção, ou seja, com base nos valores reais das receitas incorridas pela autuada durante o período de 27/04/2002 a 12/07/2002, melhor descrito no "terceiro item da autuação", logo mais abaixo, a fiscalização estimou que o comportamento daquelas receitas se repetiria para o período restando do ano de 2002 para os quais não foi apreendida a documentação correspondente. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 437 7 Assim, a partir da soma da arrecadação diária bruta efetiva auferida durante os 71 dias existentes no período de 27 de abril . a 12 de julho de 2002, da ordem de R$ 955.491,00, e que foi colhida da planilha intitulada "faturamento imperial.xls", obtevese um valor médio de arrecadação diária, da ordem de R$ 13.457,62, o qual foi multiplicado pelo número de dias dos meses de janeiro (31), fevereiro (28); março (31), agosto (31), setembro (30), outubro (31), novembro (30) e dezembro (31) de 2002, alcançandose, desta forma, o montante da receita arbitrada para cada um desses meses. Neste ponto, registro a informação fornecida pela própria empresa de que exerceu suas atividades durante todos os dias do ano, exceção aos feriados santificados. Não obstante a fragilidade ou a falta de objetividade da argumentação trazida pela Recorrente quanto a esse item, entendo que o Fisco foi além do que a legislação lhe permite. Nada mais correto do que considerar como incorridas as receitas constantes das planilhas apreendidas e isto vale para os períodos de apuração de 27/04/2002 a 12/07/2002, visto que sua autenticidade não foi devidamente posta em dúvida, conforme mais bem detalhado no item seguinte, mas, daí a inferir que tal comportamento se repetiu para os demais períodos do ano não me parece ter sido o procedimento mais adequado. Não basta ao Fisco mencionar que existe movimentação financeira à margem da contabilidade, ou que existe saldo devedor em conta de passivo, conforme afirma à fl. 33, se não consegue criar um liame entre tais anomalias e as receitas estimadas, de maneira que não está correto o arbitramento ou o cálculo estimado efetuado das receitas dos períodos de 01/01/2002 a 26/0412002 e de 13/07/2002a 31/12/2002, devendo ser excluída da autuação. (...) (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, caso fique vencido no que tange à admissibilidade, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir no tocante ao conhecimento do recurso, pelas razões seguintes: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 438 8 O recurso é tempestivo e, a meu sentir, preenche os demais critérios de admissibilidade. Senão vejamos: Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. Esclareçase, por oportuno, que o requisito de admissibilidade pertinente à contrariedade do acórdão recorrido à lei é, meramente, formal, pois, no julgamento do recurso pelo Colegiado é que se caracterizará ou não essa contrariedade. A Fazenda Nacional apontou os dispositivos legais que teriam sido, em seu entender, violado pelo acórdão vergastado, mais precisamente, artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. No decorrer da argumentação, a Douta Procuradora da Fazenda Nacional detalha onde, no seu entender, teria ocorrido a violação aos mencionados dispositivos legais. De outro lado, para que se reste configurada a contrariedade à lei não é necessário que o aresto vergastado a mencione expressamente, basta que o decisum viole seus 8 preceitos. Assim, por exemplo, se a lei X elege determinada pessoa como sujeito passivo da obrigação tributária, e a decisão do Colegiado, sem mencionar qualquer dispositivo legal, afasta essa sujeição passiva, não resta qualquer dúvida que, ao afastar do pólo passivo a pessoa elencada na lei, a decisão estaria violando a determinação legal. Observese que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional detalhar, minudentemente, à contrariedade à lei, basta que seja alegada e corroborada nas razões apresentada no Especial. O que é o caso em questão. No tocante ao requisito de admissibilidade referente à contrariedade à prova dos autos, mutatis mutantis aplicase a mesma regra da admissibilidade baseada na alegação de contrariedade à lei, basta que a recorrente aponte quais provas teriam sido contrariadas pelo acórdão recorrido. A demonstração inequívoca dessa contrariedade é a matéria do mérito recursal, que só poderá ser examinada pelo Colegiado após o conhecimento do recurso. No caso sob exame, como consta do relatório e, também, do voto vencido, a recorrente apontou em seu recurso qual prova teria sido contrariada pelo acórdão recorrido. Assim, a meu sentir, dúvida não há que o apelo Fazendário atendeu a todos os requisitos de admissibilidade, devendo, por isso ser conhecido. Por derradeiro, deve ser esclarecido que não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas dos autos, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado prova dos autos. Ora, não faz qualquer sentido a legislação processual prever a admissibilidade de um recurso por contrariedade à prova dos autos e o órgão responsável pelo julgamento desse recurso não poder analisar a alegada contrariedade. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 439 9 De que adiantaria tal recurso se as provas alegadamente contrariadas não forem examinadas pelo Colegiado ad quem? A prevalecer esse entendimento de que a instância especial, em casos como o dos autos, não pode examinar provas, chegarseia à conclusão de que a previsão regimental para esse tipo de recurso seria totalmente inócua ou, pior ainda, de que o Colegiado deveria decidir a questão sem conhecimento do que estava decidindo, o que, em qualquer dos casos, seria conclusão, totalmente, desarrazoada. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722106/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 10 6/ 20 12 -6 4 Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório SANTA ISABEL ALIMENTOS LTDA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 03.779.994/000184, com domicílio fiscal na cidade de Santa Isabel do Pará, Estado de Pará, na Rodovia Pará, nº 140 – KM 05, Bairro Santa Lúcia, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 2165/2176 prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 2191. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, em 23/05/2012, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 1600/1634), com ciência por AR, em 23/05/2012 (fl. 1637), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 64.232.127,91, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa lançamento de ofício normal de 75 % e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receita apurada através dos créditos mensais movimentados pela empresa e registrados nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeira (Banco do Brasil S/A e Banco Daycoval S/A), com as quais a pessoa jurídica mantém contas correntes e que foram encaminhadas à fiscalização em atendimento a RMF Requisição de Movimentação Financeira, datada de 01/11/2011. Os valores dos créditos informados pelo Banco do Brasil (agências 0001 c/c n° 000744102), em atendimento a RMF supra referenciada, foram discriminados em Planilhas e, em meio magnético (“CD”), encaminhadas à empresa, por AR – Aviso de Recebimento, anexo, conforme Termo de Intimação recebido em 19/04/2012, para que a mesma se manifestasse sobre a origem dos créditos apurados. Entretanto, até a presente data, além de não apresentar sua escrita contábil/fiscal e os documentos pertinentes, nenhum esclarecimento foi apresentado à fiscalização quanto à origem dos créditos supra referidos. A irregularidade deu causa ao Arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica conforme Auto de Infração de IRPJ, Autos reflexo de CSLL, PIS e Cofins. Infração capitulada arts. 532 e 537, do RIR/99. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1640/1643), entre outros, os seguintes aspectos: que, em 25/07/2011, iniciou a ação fiscal do contribuinte supra discriminado, conforme Termo lavrado junto ao mesmo, instandoo a apresentar os elementos (inclusive extratos bancários) necessários a realização da auditoria fiscal determinada pelo MPF. Através dos Termos lavrados em 14/09/2011, 22/09/2011, 04/11/2011 e 19/04/2012, corroboramos nossa intimação inicial quanto à apresentação dos elementos pertinentes as suas operações mercantis do ano calendário 2008, visto serem tais elementos (livros e documentos Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 4 3 contábeis/fiscais), nenhum elemento contábeis/fiscais foi disponibilizado pelo mesmo, o qual limitouse a encaminhar à fiscalização o expediente recebido em 22/09/2011, alegando que o ano calendário de 2008 foi objeto do procedimento fiscal n° 02.1.01.002010004345; que pelos motivos referidos, só restou a lavratura do Auto de Infração / IRPJ e dos Autos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), cujos valores encontramse discriminados no item 08 (oito) do presente Relatório de Ação Fiscal. Tais valores foram apurados com base nos créditos (receitas) da contas correntes da empresa mantidas junto as entidades financeira (Banco do Brasil e Banco Daycoval), os quais se encontram discriminados nas planilhas de folhas 001 a 392 e planilha de “Apuração Total dos Créditos”, todas encaminhadas ao contribuinte juntamente com os Autos de Infração Lavrados (Aviso e Recebimento – AR, DE 23/05/2012. Em sua peça impugnatória de fls. 1645/1686, apresentada, tempestivamente, em 21/06/2012, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a Auditora Fiscal presumiu renda e lucro exclusivamente com base em depósitos bancários, o que não poderá prosperar tendo em vista a flagrante falta de liquidez e certeza do crédito tributário; que a fiscalização ignorou todos os documentos apresentados e arbitrou valores que não condizem com a realidade empresarial; que nos princípios constitucionais da estrita legalidade, da segurança jurídica e da verdade material, não se pode admitir a tributação com base em presunções, ainda que elas sejam precisas, graves e concordantes, sendo que o tributo deve ajustarse à hipótese de incidência tributária; que o CARF já se manifestou por diversas vezes deixando claro que o ônus de provar em sede de processo administrativo é sempre do fisco; que verificase que partes dos lançamentos tributários em questão não respeitaram o instituto da decadência tributária, preconizado no artigo 150 § 4º, do CTN, o que acarreta a necessidade de cancelamento de parte dos créditos tributários, existindo decisões judiciais sobre o prazo decadencial das contribuições sociais e/ou previdenciárias; que o arbitramento do lucro é modalidade de apuração do lucro tributável, que só deve ser utilizada em casos excepcionais, sempre que impossível a determinação do lucro real do contribuinte; que o contribuinte recusase a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, não há, então, como dizer que o contribuinte não possui escrituração e se o contribuinte não possui escrituração, não há como o Fisco pretender arbitrar seu lucro sob o fundamento de que ele se negou a apresentála; que o mero depósito bancário não constitui fato gerador do IRPJ e da CSLL, pois a existência de depósito bancário não significa, necessariamente, que a sociedade tenha auferido lucro/renda, ou seja, que a mesma tenha tido acréscimo patrimonial; Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 5 4 que a Taxa SELIC, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como “juros moratórios”, uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da “mora” por parte do devedor, qual seja a remuneratória; que o Fisco Federal pretende tributar o patrimônio da Impugnante com a aplicação de multa em patamares incompatíveis com o princípio da capacidade contributiva, afrontando diametralmente seu patrimônio; que protesta pela juntada de documentos, perícia e/ou quaisquer elementos e/ou providências que se fizerem necessárias ao deslinde da questão. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que para apreciarmos a decadência, temos de fazer uma análise da opção da contribuinte pela forma de tributação, dos pagamentos efetuados e da aplicação da legislação, em especial os artigos 150, §4º e 173 do Código Tributário Nacional; que a decadência constitui uma das hipóteses de extinção do crédito tributário a que se refere o art. 156 do CTN, cuja regra geral foi definida no art. 173 do CTN. Já nos casos em que o sujeito passivo tem o dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o recolhimento do tributo ou contribuição devidos, o prazo decadencial foi definido em cinco anos a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; que, assim, tendo em vista que, na forma dos art. 103A da Constituição Federal e art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, as Súmulas emitidas pelo STF têm efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deixo de aplicar o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91 com relação a CIDE, para entender que a referida contribuição também se submete ao mesmo prazo decadencial aplicável aos demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que é de 5 anos contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores; que o pagamento e forma de tributação, neste sentido, a interessada teve seu lucro arbitrado, cujos fatos geradores são trimestrais para o IRPJ e CSLL, não tendo efetuado pagamentos. Decorre desta situação, que ocorre homologação no prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte daquele em que poderia ter sido lançado; que como se depreende dos autos, a fiscalização considerou, conforme legislação, o período de apuração do PIS e da Cofins como mensal, portanto, mesmo o contribuinte tendo efetuado recolhimentos de PIS referente ao PA 07/2008, 08/2008 e 09/2008 e Cofins referente aos PAs 07/2008, 08/2008 e 09/2008, não se encontram decaídos os fatos geradores lançados; que o contribuinte em sua defesa alega que se o contribuinte recusase a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, não há, então, como dizer que o contribuinte não possui escrituração e se o contribuinte não possui escrituração, não Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 6 5 há como o Fisco pretender arbitrar seu lucro sob o fundamento de que ele se negou a apresentá la e que a fiscalização ignorou todos os documentos apresentados e arbitrou valores que não condizem com a realidade empresarial; que registrese que arbitramento não é penalidade, já que o teor do disposto no art. 3º do CTN, tributo não decorre de sanção de ato ilícito, constitui, tão somente, uma forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das pessoas jurídicas; que o depósito bancário, neste sentido, alega a defendente que o mero depósito bancário não constitui fato gerador do IRPJ e da CSLL, pois a existência de depósito bancário não significa, necessariamente, que a sociedade tenha auferido lucro/renda, ou seja, que a mesma tenha tido acréscimo patrimonial. Acontece que no caso de omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária, caberia à contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não foi feito. A presunção legal é de que estes depósitos são omissão de receitas, ou seja, estão à margem do faturamento da empresa; que perfeitamente comprovadas as origens das receitas utilizadas pela fiscalização como base para o arbitramento do lucro e para a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins; que a ofensa a princípios constitucionais, portanto, conforme se verifica da análise dos autos, a impugnante não trouxe aos autos comprovantes que demonstrasse conduta ou procedimento da Administração ou de seus agentes que impediu ou dificultou que acompanhasse o desenvolvimento do procedimento fiscal, que tivesse pleno conhecimento do processo correlato, que apresentasse sua impugnação e carreasse aos autos provas de suas alegações, não restando violado, pois, qualquer direito fundamental; que os lançamentos estão respaldados em normas integrantes do ordenamento jurídico, não há espaço para maiores reflexões sobre eventuais infrações a princípios constitucionais, como os citados pela impugnante; que ausentes os vícios suscitados, descabe acolher a tese de anulabilidade do ato administrativo atacado, como requerido pela contribuinte; que decisões administrativas judiciais, neste sentido, são improfícuos os julgados e argumentações administrativas e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; que, logo, não se conhece das decisões administrativas/judiciais aduzidas pelo contribuinte; que os encargos legais multa de ofício 75%%, ou seja, sobre a cobrança da multa de ofício de 75%, digase que esta decorre de estrita previsão legal, emanada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 7 6 que, assim, é bastante para manutenção da multa de ofício de 75% e dos juros que tenha havido previsão legal através do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996; que incabível também o protesto do impugnante contra a ilegalidade na aplicação dos juros de mora, exigido no presente auto de infração com amparo legal no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis; que, assim, é bastante para manutenção dos juros com base na taxa SELIC que o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996 tenha estabelecido a legalidade da cobrança. Não se trata, pois, de aumento de tributo. A cobrança de juros referese apenas a frutos civis calculados sobre o tributo não pago, ou em outras palavras, cuida de simples remuneração do capital; que o pedido de diligência e de perícia, a recorrente protesta pela juntada de documentos, perícia e/ou quaisquer elementos e/ou providências que se fizerem necessárias ao deslinde da questão; que, no presente caso, tais motivos são inexistentes e o impugnante sequer formulou os requisitos formais para o pedido (art. 16, inciso IV). Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência/perícia, por considerálas prescindíveis para o julgamento da presente lide; que quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele, no que couber, é aproveitado nos lançamentos destas. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte e não tendo havido a antecipação do pagamento, o termo inicial para contagem da decadência será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 8 7 Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, estando a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 09/10/2012, conforme Termo constante às fls. 2186/2190. Não se encontra no processo a interposição do recurso voluntário, conforme noticiado no Despacho de Encaminhamento de fls. 2202. É o relatório. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a apresentação do recurso voluntário. Da análise dos autos, constatase que o presente processo que tem como objeto a exigência fiscal que teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receita apurada através dos créditos mensais movimentados pela empresa e registrados nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeira (Banco do Brasil S/A e Banco Daycoval S/A), com as quais a pessoa jurídica mantém contas correntes. Em razão da não apresentação da sua escrita contábil/fiscal e dos documentos pertinentes, bem como nenhum esclarecimento foi apresentado à fiscalização quanto à origem dos créditos supra referidos a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica constituindo o Auto de Infração de IRPJ, Autos reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Compartilho com o entendimento de que a não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o principio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento”. Ora, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, às autoridades tributárias administrativas, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 10 9 A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Da análise das peças processuais constantes no E Processo relativo ao presente processo (10280.722106/201264) não localizei o recurso voluntário interposto pela recorrente. Entretanto, consta à fl. 2202 o despacho de encaminhamento a seguinte indicação: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O interessado tomou ciência da Intimação 580/2012 em 09/10/2012. Em 18/10/2012 protocolou Recurso Voluntário. Diante dos fatos proponho o envio deste PAF ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para realização dos procedimentos cabíveis. DATA DE EMISSÃO: 23/10/2012 Neste contexto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido do julgamento ser convertido em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Informar se houve ou não interposição de recurso voluntário por parte da contribuinte autuada; 2 – Em caso positivo, indicar as folhas do processo onde se encontra o referido recurso voluntário. Se não constar no E Processo e de fato existir tal recurso voluntário, proceder à anexação ao processo; 3 Que a autoridade se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre o ocorrido, dandose vista a recorrente, com prazo de 5(cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma de Julgamento para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10865.001731/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.303
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CELULOSE E PAPEL Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 73 1/ 20 07 -3 1 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 504 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.9122, no montante inicial de R$ 11.478.900,91 retificado para R$ 5.841.910,07. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; e as destinadas ao SENAR, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições decorre de dois aspectos, quais sejam: (a) a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não; (b) operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior. Observase que os dois fatos geradores foram aglutinados no código de levantamento: RBC RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO, conforme o Relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito às fls. 04 a 10, e Relatório e Lançamentos RL, às fls. 17 a 20. O fato gerador em relação à comercialização pela agroindústria da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não, conforme o Relatório Fiscal: 3 Constitui fato gerador das contribuições objeto desta NFLD, a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não, no período de 11/01 a 02/02. 3.1 A empresa em questão foi uma agroindústria até 28/02/02, quando transferiu seus parques florestais para outra empresa do grupo. Até essa data, possuía os setores rural e industrial e sua atividade econômica era a fabricação de celulose e papel e papelão, que eram obtidos através da industrialização de produção própria de madeira e da adquirida de terceiros. 3.2 Conforme disposto no art. 22A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 10.256/01, a partir de novembro de 2001, a contribuição devida pela agroindústria passou a incidir sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 505 3 3.3 Entretanto, em desacordo com a referida lei, a empresa continuou efetuando somente os recolhimentos sobre a folha de pagamento, na forma da legislação anterior. O fato gerador em relação às operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior, conforme o Relatório Fiscal: 4.1 Por força do disposto no inciso I, § 2º, do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional 33, de 11 de dezembro de 2001, a partir de 12 de dezembro de 2001, não incidem contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos. 4.2 No entanto, conforme disciplinado nos §§ 1º e 2º do art. 245 da IN SRP nº 3, de 14/07/05, essa imunidade na exportação é exclusiva para a comercialização da produção feita diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente dessa comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que será dada ao produto. 4.3 Por esse motivo, a partir de 12/12/01, como na conta 3.02.01.01.003 Vendas ao Mercado Externo, os lançamentos foram identificados como operações de exportação efetuadas através de empresas sediadas no Brasil, conforme discriminado nas notas fiscais (cópias em anexo, por amostragem), apenas o valor correspondente as demais contas envolvidas com exportação foram excluídas do total da receita bruta de vendas , na apuração da base de cálculo. 4.4 Tais valores encontramse discriminados nos anexos abaixo relacionados e que fazem parte deste relatório fiscal, nos quais está demonstrada a apuração da receita bruta proveniente da comercialização da produção, que se constitui na base de cálculo da Anexo I Demonstrativo Analítico da Base de Cálculo da Comercialização da Produção Agroindústria: com os lançamentos contábeis por competência e por estabelecimento; Anexo II Demonstrativo Sintético da Base de Cálculo da Comercialização da Produção Agroindústria: consolidado da empresa, com totalização das contas por competência; 4.4.1 A base de cálculo mensal, lançada no levantamento "RBC — RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO" encontrase discriminada no "Relatório de Lançamentos" e no "Discriminativo Analítico do Débito DAD", integrantes desta NFLD. O período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal é de 11/2001 a 02/2002. A Recorrente teve ciência da NFLD em 11.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 506 4 A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese e preliminarmente, que: i) a autuação é nula pela inclusão sem embasamento legal dos componentes da diretoria como coresponsáveis pelo débito, o que redunda em cerceamento de defesa da Impugnante; tal inclusão também fere o disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional — CTN, posto que não existe menção sobre a origem da responsabilidade atribuída aos diretores (cita jurisprudências), e postula pela exclusão deles do pólo passivo; ii) a Impugnante não se enquadra no conceito de agroindústria, portanto não pode figurar como sujeito passivo da contribuição disposta no art. 22A da Lei n° 8.212/91; sustenta que a atividade rural de florestamento e reflorestamento é acessória à atividade principal de industrialização da celulose, o que a poria à margem do conceito de produtor rural; iii) o lançamento é nulo por não considerar na apuração da eventual contribuição devida os valores efetivamente recolhidos pela Impugnante à Seguridade Social, relativos à parte da empresa nos termos do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 (anexa Guias de recolhimento GPS e GFIPs atinentes a estes recolhimentos). No mérito argumenta que: iv) erroneamente o lançamento faz incluir na base de cálculo da contribuição os valores relativos às vendas efetuadas pela Impugnante com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas a empresas estabelecidas no território nacional (exportação indireta); faz menção ao DecretoLei n° 1.248/72, para concluir que há tratamento desigual Ls receitas de vendas equiparadas por lei à exportação; v) o lançamento fiscal afronta o art. 195, I da Constituição Federal, na medida em que a letra `1,' deste inciso estabelece a hipótese da contribuição incidir sobre a receita ou o faturamento da empresa, não podendo subsistir a contribuição da COFINS, incidente sobre o faturamento, e a pretendida contribuição sobre a receita da comercialização da produção; vi) o artigo 22A da Lei n° 8.212/91 viola o principio da isonomia, pois tributa de forma mais onerosa a empresa que industrializa produtos rurais próprios e/ou adquiridos de terceiros, em relação àquelas que apenas adquirem produtos rurais de terceiros; da mesma forma o indigitado artigo fere o principio da equidade, que veda tratamento desigual a contribuintes em situação equânime; ainda, vislumbra afronta ao principio da capacidade contributiva, pelo excessivo ônus tributário sem causa para este agravamento; vii) a contribuição para o SENAR afronta o artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o art. 240 da CF, posto que esta somente pode ter por base de cálculo a folha de salários dos empregados da atividade rural. Ao final, requer que todos os recolhimentos efetuados no período objeto da autuação, efetuados sob a égide do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 sejam considerados e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 507 5 abatidos das contribuições lançadas e o acolhimento de suas alegações para julgar improcedente a Notificação Fiscal em debate. Ademais, o sujeito passivo no Anexo à Impugnação colacionou cópias de GFIP e GPS, às fls. 168 a 255, e cópias de Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação referentes ao SESI, SENAI e FNDE, às fls. 256 a 286. Após, na primeira instância de julgamento, houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 302 a 303 e 309 a 310, para que a AuditoriaFiscal se pronunciasse acerca dos elementos acostados aos autos: Tratase o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD n° 37.014.9122, lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada e suas filiais, referentes As contribuições devidas A Seguridade Social, parte da empresa, inclusive contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, e aquelas destinadas As outras entidades e fundos, ditas 'terceiros' (SENAR). Em análise preliminar do processo e da defesa, observase que a empresa, dentre outros elementos, propugna pelo aproveitamento dos recolhimentos efetuados por ela no período do débito, a titulo de contribuição a seu cargo, parte patronal, conforme disposto no art. 22, I e II da Lei n° 8.212/91, anexando, para tanto, GFIP's e GPS's do período (documentos de fls. 168/286) Com efeito, tratase o lançamento do reenquadramento da empresa, pela fiscalização, como agroindústria, o que a sujeitaria A contribuição substitutiva prevista no art. 22 A, I e II, da citada Lei n° 8.212/91, artigo este incluído pela Lei n° 10.256 de 09/07/2001, com a incidência da contribuição sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, e não sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestaram serviços, durante o mês. Ocorre que, ao teor do relato fiscal, a empresa continuou a proceder aos recolhimentos da parte patronal com base nas remunerações contidas em folha de pagamento, na forma da legislação anterior (item 3.3 do Relatório Fiscal). Tais créditos da empresa, A primeira vista, não foram considerados pela fiscalização na constituição da NFLD, uma vez que não se vislumbra no anexo de DAD — Discriminativo Analítico do Débito a consignação de quaisquer deles. Por outro lado, há que se considerar que os recolhimentos em GPS englobam não somente as contribuições da empresa, como também aquelas devidas pelos empregados, contribuintes individuais e aquelas destinadas aos 'terceiros', contribuições estas não sujeitas A substituição prevista no art. 22 A da Lei n° 8.212/91. Assim, é o presente despacho para propor a remessa do processo às autoridades fiscais notificantes para que procedam A análise dos documentos juntados aos autos, e outros elementos que se fizerem necessários, no intuito de apurar os créditos da empresa a serem considerados na presente NFLD, discriminandoos por competência e estabelecimento, os valores originários lançados, os valores dos Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 508 6 créditos (parte da empresa e RAT) e os valores a serem mantidos, após a retificação. Lembramos que, em obediência aos inescapáveis princípios do contraditório e da ampla defesa, devese dar ciência à empresa notificada de toda informação que modifique o entendimento ou acrescente esclarecimentos ao processo administrativofiscal, inclusive reabrindolhe prazo de 10 (dez) dias para manifestação, se assim o desejar. Ressaltamos, ainda, tratarse esta da mesma diligência anteriormente solicitada as fls. 302/303, e ainda não cumprida. Na Resposta da Diligência Fiscal, às fls. 314 a 319, a AuditoriaFiscal informa que apurou o saldo remanescente das contribuições devidas: Em atendimento ao despacho de fls. no 309/310 e 312 e com base em elementos exibidos a esta fiscalização, considerando os valores recolhidos 'pelo contribuinte no período, apurei o saldo remanescente, conforme Anexo III. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 327 a 357, na qual reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação além de requerer a nulidade da autuação por não ter considerado anteriormente os recolhimentos feitos nos períodos de apuração. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGROINDÚSTRIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Para a empresa agroindustrial, com o advento da Lei n° 10.256/01, a contribuição da empresa prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e a destinada ao SENAR foi substituída pelas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Ê obrigação da agroindústria recolher as contribuições previstas no art. 22A da Lei n° 8.212/91 nas operações efetuadas no mercado interno, independente do destino final do produto comercializado. Aplicase o disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal somente quando a produção é comercializada diretamente pelo produtor com adquirente no exterior. SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 509 7 Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da Constitucionalidade das Leis. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presente autos, acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientifiquese o Contribuinte do teor do presente Acórdão e do anexo Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR, fornecendolhe cópias, nos termos da legislação vigente. Recorrese de Oficio desta Decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação outorgada pelo Decreto n° 6.224/07, haja vista que o valor exonerado é superior ao limite de alçada fixado na Portaria MF n.° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Sala de Sessões, em 04 de março de 2009. A decisão de primeira instância retificou o crédito tributário, conforme fls. 377: VII — Da retificação do crédito tributário Conforme disposto em tópico próprio, procedo à retificação do débito tributário constituído, pelo acolhimento do pleito da Impugnante de abater os recolhimentos efetuados tendo por basedecálculo a folha de salários dos empregados, ficando o lançamento assim retificado nos termos do anexo DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado que passa a integrar o presente julgado, e quadro demonstrativo (...) Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Em sede Preliminar. i) Nulidade da autuação ausência de embasamento legal para inclusão dos coresponsáveis. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 510 8 Os componentes da Diretoria elencados na Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 30.06.06, quais sejam: Romeu Alberti Sobrinho, Mauro Neto, Osmar Elias Zogbi, Silvio Rachid, Aurelian° Ieno Costa, Nelson Antonio Zogbi Junior, Dalila Terezinha Vendrame e Paulo Celso Bassetti. ii) Da não incidência da contribuição por não enquadramento da Recorrente como sujeito passivo. A Impugnante não se enquadra no conceito de agroindústria, portanto não pode figurar como sujeito passivo da contribuição disposta no art. 22A da Lei n° 8.212/91; sustenta que a atividade rural de florestamento e reflorestamento é acessória à atividade principal de industrialização da celulose, o que a poria à margem do conceito de produtor rural; Conforme se depreende da narrativa fática retro, a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a industrialização e a comercialização de celulose, papel e papelão, em conformidade com seu estatuto social, estando classificada sob o CNAE 2121.0 (fabricação de papel), conforme é reconhecido pela própria autoridade fiscal (folha 1/7 do relatório). Desta forma, equivocase o acórdão recorrido, bem como a d. fiscalização previdenciária que constituiu o crédito tributário ora atacado, ao considerar a Recorrida como agroindústria e, por conseguinte, enquadrála como sujeito passivo da contribuição da prevista no art. 22A da Lei 8.212/91. Diante de todos os conceitos presentes na legislação de regência e na doutrina, verificase que a produção da celulose (atividade da Recorrente) não se enquadra dentre as atividades acima descritas, motivo por si s6 suficiente para que a Recorrente não seja considerada sujeito passivo da contribuição exigida no lançamento ora combatido. Ressaltese que o conceito de agroindústria estabelecido no dispositivo em comento é inaplicável à Recorrente, na medida em que esta não é produtora rural "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" (sic Lei n° 10.256/01), mas sim indústria de transformação, código n°21 21000 da "Classificação Nacional de Atividade Econômica" (Resolução CONCLA 07/2002 — doc. 03), no campo destinado a descrição da atividade econômica por ela desempenhada. Ademais, insta salientar que contrariamente ao entendimento adotado pelo acórdão recorrido com base em excerto da impugnação de fls. retro, o fato de a Recorrente desenvolver florestamento e reflorestamento, com vistas à produção de madeira, não a caracteriza como produtor rural. Isto porque, o simples fato de a Recorrente ter desenvolvido atividade subsidiária com o fito de produzir parte da matériaprima (a madeira) empregada na sua atividade principal de industrialização de celulose, papel e papelão, não transmuda a sua natureza de indústria de transformação de celulose para a de produtor rural, como pretende a Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 511 9 fiscalização previdenciária, chancelada pelo i. julgador de l a instancia administrativa. iii) Da desconsideração de todos os valores pagos sobre a Folha de Salários. O lançamento é nulo por não considerar na apuração da eventual contribuição devida os valores efetivamente recolhidos pela Impugnante à Seguridade Social, relativos à parte da empresa nos termos do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 (anexa Guias de recolhimento GPS e GFIPs atinentes a estes recolhimentos). Na impugnação apresentada em 16.11.2006, a Recorrente suscitou a nulidade do lançamento, em virtude de a i.fiscalização, ao apurar o montante da contribuição supostamente devida nos termos do artigo 22A da Lei n° 8.212/91 (produtor rural), não ter considerado os valores referentes à contribuição incidente sobre a folha de salários dos empregados (artigos 22, I e II, da Lei n° 8.212/91), regularmente recolhidos pela Recorrente durante o período autuado. Diante disso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto houve por bem determinar que os autos do processo baixassem em diligência "as autoridades fiscais notificantes para que procedam à analise dos documentos juntados aos autos, e outros elementos que se fizerem necessários, no intuito de apurar os créditos da empresa a serem considerados na presente NFLD, discriminandoos por competência e estabelecimento, os valores originários lançados, os valores dos créditos (parte da empresa e RAT) e os valores a serem mantidos, após a retificação" (sic. fls. 309/310). Pela referida diligência realizada, restou cabalmente comprovada a inteira nulidade da notificação ora combatida, já que a autoridade autuante, ao lavrar a exigência, desconsiderou os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente à Seguridade Social nos períodos de apuração autuados, relativos à contribuição da empresa, nos termos do artigo 22, I e II, da Lei 8.212/91. iii.1) Não foram considerados pela Diligência Fiscal e pela decisão de primeira instância diversos pagamentos efetuados por meio de guias de recolhimento acostadas aos presentes autos em sede de Impugnação, CONFORME TABELA às fls. 404 a 406: CNPJ/MF COMPETÊNCIA ESPÉCIE/ CÓD. GPS VALOR 51468791000110 11/2001 2100 222.933,23 51468791000209 11/2001 2100 5.398,20 51468791000543 11/2001 2100 3.125,49 51468791000896 11/2001 2100 1.456,34 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 512 10 51468791005189 11/2001 2100 2.063,95 51468791008366 11/2001 2100 5.970,49 51468791000110 12/2001 2100 279.459,73 51468791000110 13/2001 2100 176.479,27 51468791000209 12/2001 2100 5.316,37 51468791000209 13/2001 2100 4.639,80 51468791000462 13/2001 2100 5.283,11 51468791000543 12/2001 2100 2.844,80 51468791000543 13/2001 2100 1.795,65 51468791000705 12/2001 2100 3.543,40 51468791000705 13/2001 2100 3.068,96 51468791000896 12/2001 2100 1.323,08 51468791000896 13/2001 2100 1.104,89 51468791000353 13/2001 2100 2.678,13 51468791000787 13/2001 2100 4.219,08 51468791002244 13/2001 2100 83.142,70 51468791002325 13/2001 2100 692.169,25 51468791005189 12/2001 2100 1.959,34 51468791005189 13/2001 2100 1.977,86 51468791008366 12/2001 2100 5.556,03 51468791008366 13/2001 2100 4.628,63 51468791000110 01/2002 2100 222.621,71 51468791000209 01/2002 2100 5.371,35 51468791000543 01/2002 2100 2.820,09 51468791000896 01/2002 2100 1.285,34 51468791005189 01/2002 2100 2.084,87 51468791008366 01/2002 2100 5.211,07 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 513 11 51468791000110 02/2002 2100 212.447,37 51468791000209 02/2002 2100 5.569,34 51468791000543 02/2002 2100 2.735,88 51468791000705 02/2002 2100 3.258,30 51468791000896 02/2002 2100 1.371,60 51468791005189 02/2002 2100 1.959,34 51468791008366 02/2002 2100 5.758,10 51468791002325 11/2001 SENAI 25.562,54 51468791002244 11/2001 SENAI 2.887,10 51468791002244 11/2001 SENAI 607,81 51468791008366 11/2001 SENAI 169,77 51468791008366 11/2001 SENAI 35,74 51468791002325 12/2001 SENAI 23.485,13 51468791000110 12/2001 SENAI 6.445,46 51468791002244 12/2001 SENAI 2.915,56 51468791002244 12/2001 SENAI 613,80 51468791008366 12/2001 SENAI 155,86 51468791008366 12/2001 SENAI 32,81 51468791002325 13/2001 SENAI 21.232,20 51468791000110 13/2001 SENAI 6.062,33 51468791002244 13/2001 SENAI 2.483,99 51468791002244 13/2001 SENAI 522,95 51468791008366 13/2001 SENAI 129,94 51468791008366 13/2001 SENAI 27,36 51468791002325 01/2002 SENAI 24.891,11 51468791000110 01/2002 SENAI 6.272,93 51468791002244 01/2002 SENAI 2.602,44 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 514 12 51468791002244 01/2002 SENAI 547,88 51468791008366 01/2002 SENAI 146,01 51468791008366 01/2002 SENAI 30,74 51468791002325 02/2002 SENAI 24.295,53 51468791000110 02/2002 SENAI 6.495,45 51468791002244 02/2002 SENAI 2.608,28 51468791008366 12/2002 SENAI 162,54 51468791002325 11/2001 SESI 38.848,34 51468791000110 11/2001 SESI 10.385,71 51468791002244 11/2001 SESI 4.387,62 51468791008366 11/2001 SESI 258,02 51468791002325 12/2001 SESI 35.691,21 51468791000110 12/2001 SESI 9.795,40 51468791002244 12/2001 SESI 4.430,89 51468791008366 12/2001 SESI 236,86 51468791002325 13/2001 SESI 32.267,35 51468791000110 13/2001 SESI 9.212,69 51468791002244 13/2001 SESI 3.775,02 51468791008366 13/2001 SESI 197,47 51468791002325 01/2002 SESI 37.827,94 51468791000110 01/2002 SESI 9.533,20 51468791002325 02/2002 SESI 36.922,82 51468791000110 02/2002 SESI 9.871,38 51468791002244 02/2002 SESI 3.963,91 51468791008366 02/2002 SESI 247,02 51468791000110 11/2001 FNDE 93.494,95 51468791000110 12/2001 FNDE 85.028,17 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 515 13 51468791000110 12/2001 FNDE 78.705,67 51468791000110 02/2002 FNDE 88.320,54 Ora, da análise perfunctória dos valores apurados pelas autoridades fiscais na planilha "Demonstrativo de Valores Recolhidos em GPS" (fl. 317), relativos aos valores recolhidos pela Recorrente, verificase que não constam os pagamentos elencados no quadro acima e, portanto, não foram utilizados no abatimento do suposto crédito tributários objeto da presente NFLD. Desta forma, merece provimento o presente recurso para que, ao menos, sejam remetidos os presentes autos à D. fiscalização autuante, para que proceda ao abatimento de todos os valores recolhidos pela Recorrente no período de 11/2001 a 02/2002, indicados no quadro supra, sob pena de enriquecimento ilícito da autarquia destinatária das contribuições. Iv) Da imunidade das receitas decorrentes de exportação. Erroneamente o lançamento faz incluir na base de cálculo da contribuição os valores relativos às vendas efetuadas pela Impugnante com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas a empresas estabelecidas no território nacional (exportação indireta); faz menção ao DecretoLei n° 1.248/72, para concluir que há tratamento desigual das receitas de vendas equiparadas por lei à exportação; Conforme se verifica nos itens 4.1 e 4.2 do Relatório Fiscal anexo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, o lançamento fez incluir na base de cálculo da contribuição supostamente devida os valores relativos as vendas efetuadas pela Recorrente com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas para empresas estabelecidas no território nacional. Segundo o entendimento da fiscalização, chancelado pelo acórdão ora recorrido, baseado em dispositivo da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/05 (art. 245), a "imunidade na exportação é exclusiva para a comercialização da produção feita diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente dessa comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que será dada ao produto". Ocorre que a mencionada Instrução Normativa não encontra amparo em sua respectiva matriz legal, já que a Lei n° 8.212/91 não faz qualquer distinção entre as exportações diretas e indiretas. Ora, não obstante a norma imunizante prevista no art. 149, I, § 2°, da Constituição Federal faça referencia As receitas decorrentes de exportação, impende ressaltar que, por força do Decretolei n° 1.248/72, as operações de venda de mercadorias no mercado interno, Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 516 14 para o fim especifico de exportação, devem sofrer o mesmo tratamento tributário conferido As exportações diretas. v) Da afronta ao artigo 195,I da Constituição Federal. o lançamento fiscal afronta o art. 195, I da Constituição Federal, na medida em que a letra 'b' deste inciso estabelece a hipótese da contribuição incidir sobre a receita ou o faturamento da empresa, não podendo subsistir a contribuição da COFINS, incidente sobre o faturamento, e a pretendida contribuição sobre a receita da comercialização da produção; vi) Ofensa ao princípio da isonomia o artigo 22A da Lei n° 8.212/91 viola o principio da isonomia, pois tributa de forma mais onerosa a empresa que industrializa produtos rurais próprios e/ou adquiridos de terceiros, em relação àquelas que apenas adquirem produtos rurais de terceiros; da mesma forma o indigitado artigo fere o principio da equidade, que veda tratamento desigual a contribuintes em situação equânime; ainda, vislumbra afronta ao principio da capacidade contributiva, pelo excessivo ônus tributário sem causa para este agravamento; vii) Ofensa ao princípio da equidade 0 regime estabelecido pelo lançamento (artigo 22A da Lei n° 8.212/91) fere o principio da equidade aplicado especificamente as contribuições sociais de que trata o artigo 195 da Carta Magna. De acordo com o disposto no inciso V do parágrafo único do artigo 194 da Carta Magna, ao estabelecer as regras de custeio da seguridade social, o legislador ordinário deverá obedecer ao principio (objetivo) maior "da equidade na forma da participação no custeio". Dentre as formas de participação no custeio da seguridade social, determinadas no artigo 195 da Constituição Federal, está previsto o pagamento de contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, a receita ou o faturamento e o lucro, instituídas mediante legislação ordinária, que deverá necessariamente atender ao principio da "equidade", como, aliás, decidiu o E. Supremo Tribunal Federal. viii) Da ofensa ao princípio da capacidade contributiva De resto, o incremento na carga tributária para as empresas agroindustriais, sem que elas dessem qualquer motivação ou dispêndio adicional em relação aos custos da seguridade social e do SENAR, constitui manifesta afronta a capacidade contributiva em matéria de contribuição social. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 517 15 Desta forma, em matéria de contribuição social, diferentemente dos impostos (artigo 145, § 10 da Constituição Federal), a capacidade contributiva está proporcionalmente jungida aos beneficios ou aos gastos públicos direta ou indiretamente ligados a pessoa do contribuinte. Em outras palavras, a instituição e a gradação do ônus tributário deve ser proporcional a contrapartida propiciada pelo Estado no âmbito da seguridade social, como corolário do § 5° do artigo 195, ix) Do adicional destinado ao SENAR, ofensa ao artigo 62 do ADCT c/c artigo 240 da CF Ademais, o artigo 22A da Lei n° 8.212/91, acrescido pelo artigo 1° da Lei n° 10.256/01, em seu parágrafo 5°, alterou espuriamente a forma como a Recorrente deve contribuir para o SENAR, passando a recolher um adicional de 0,25% A. contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização, ao invés de contribuir com base na folha de salários dos trabalhadores ligados àquela atividade rural subsidiária, nos termos da Lei n°8.315/91. Tal alteração perpetrada na forma de a Recorrente contribuir para o SENAR constitui invalidade do lançamento, por afronta manifesta ao artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o artigo 240 da Constituição Federal. Com efeito, reza o artigo 62 do ADCT Deflui da conjugação do artigo 62 do ADCT com o artigo 240 da Carta Magna a inexorável conclusão de que a lei, ao instituir o SENAR, somente poderia determinar o seu financiamento por intermédio de uma contribuição compulsória nos mesmos "moldes da legisla çâo relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC)" (sic artigo 62 do ADCT), ou seja, uma contribuição compulsória "dos empregadores sobre a folha de salários" (artigo 240 da Constituição Federal). 0 parágrafo 5° do artigo 22A da Lei n° 8.212/91, ao determinar que a contribuição destinada ao SENAR das empresas classificadas como agroindustriais passasse a incidir sobre a receita da comercialização da produção, violou manifestamente o artigo 62 do ADCT combinado com o artigo 240 da Constituição Federal, pois a contribuição destinada ao SENAR s6 pode ter como base de cálculo a folha de salários dos empregados da atividade rural, como acima demonstrado. Ainda, a Recorrente atravessa petição requerendo o recálculo da multa de mora presente na NFLD com fulcro no art. 35, Lei 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 518 16 Após, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs CONTRARRAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, às fls. 452 a 462, se manifestando pela manutenção da decisão recorrida, em apertada síntese: (i) Ausência de nulidade em função da não comprovação pela Recorrente da ocorrência das hipóteses elencadas no art.. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235/72; (ii) Da ausência de vício na autuação em função do Relatório CORESP. Frisese, o relatório não tem o condão de modificar a sujeição passiva do lançamento, e os sócios, nesse momento, não sofreram restrições em seus direitos. A questão levantada pela recorrente é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada, se for o caso, na via judicial. (iii) Da ausência de nulidade por não terem sido considerados os recolhimentos efetuados quando da ocasião do lançamento. Ademais, a empresa insiste na nulidade do lançamento, por não terem sido considerados os recolhimentos efetuados, de acordo com o artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91. Porém, diante do requerimento da contribuinte, o órgão de primeira instância determinou a realização de diligência, na qual foi elaborada planilha com todos os valores recolhidos, abatendoos do lançamento original. Ao final, o crédito tributário que era de R$ 11.478.900,91, foi reduzido substancialmente para R$ 5.841.910,07 (fl. 367). O contraditório e a ampla defesa foram respeitados, posto que a parte foi intimada para manifestar sobre os cálculos realizados. A retificação dos cálculos decorreu de requerimento da interessada e encontra fundamento no artigo 145 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I — impugnação do sujeito passivo; (..) E mais, de acordo com o artigo 18, § 3° do Decreto 70.235, somente será necessária a realização de notificação complementar se, após a diligência, houver agravamento da exigência inicial, o que evidentemente não ocorreu nos autos. (iv) A empresa foi corretamente enquadrada no conceito de produtor rural. No mérito, a empresa tenta desconstituir o lançamento, alegando não se enquadrar no conceito de produtor rural. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 519 17 Os doutrinadores Andrei Pitten Velloso, Daniel Machado da Rocha e José Paulo Baltazar Júnior (in Comentários à Lei do Custeio da Seguridade Social, Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre, 2005), ao analisarem o artigo em comento, esclarecem que: "por força dessa definição, apenas a pessoa jurídica produtora rural está sujeita ao regime especial de tributação, uma vez que a produção industrializada deverá ser sua, in que não o seja de forma exclusiva. Destarte, é imprescindível que as agroindústrias desempenhem, como a própria denominação indica, atividades agrícolas e industriais, englobando as atividades das indústrias e das empresas exclusivamente agrícolas" (gn). Pelo exposto, extraise que uma empresa, para ser considerada agroindústria, precisa desenvolver atividades rural e industrial. Necessário, também, industrializar parte de sua produção, ainda que adquira o restante de terceiros. Por fim, deverá comercializar o produto industrializado. No presente feito, é incontroverso que a empresa realiza industrialização, e que, no período do lançamento, desenvolveu florestamento e reflorestamento, produzindo parte da madeira industrializada. A própria recorrente, na peça, menciona "ter desenvolvido atividade subsidiária com o fito de produzir parte da matériaprima (a madeira) empregada na sua atividade principal de industrialização de celulose, papel e papelão (...)" (fl. 400). Também é certo que comercializa sua produção. 0 ponto controvertido, portanto, reside unicamente na qualidade de produtor rural, fato este confirmado pela contribuinte. Isso porque, no recurso, a empresa lista quatro requisitos cumulativos e necessários para caracterizar a agroindústria, quais sejam: a) ser produtor rural, b) ser pessoa jurídica, c) possuir atividade econômica de industrialização da produção própria ou da produção própria e adquirida de terceiros e d) comercializar o produto industrializado, e em seguida, afirma que "em que pese o possível enquadramento da Recorrente nos requisitos b, c e d, esta não se enquadra no primeiro — a — e, por conseqüência, não pode ser sujeito passivo da contribuição prevista no artigo 22A da Lei 8.212/91" (fl. 398) Nesse momento, é importante demonstrar que as atividades de florestamento e reflorestamento podem ser consideradas rurais. A IN SRF n° 971/2009, atualmente em vigor, no artigo 165, inciso I, define produtor rural como "(...) a pessoa fisica ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo:" (gn). Já a IN SRF 257/2002 contém uma lista das atividades consideradas rurais. Frisese que, apesar de tratar de outro tributo (IRPJ), é possível aproveitar o conceito de atividade rural trazido pelo ato normativo. Confirase: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 520 18 Art. 2 º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, cm decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: 1 a agricultura; 11 a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; (gn) VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: a) beneficiamento de produtos agrícolas: 1. descasque de arroz e de outros produtos semelhantes; 2. debulha de milho; 3. conserva de frutas; b) transformação de produtos agrícolas: I. moagem de trigo e de milho; 2. moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; 3. grãos em farinha ou farelo; c) transformação de produtos zootécnicos: 1. produção de mel acondicionado em embalagem de apresentação; 2. laticínio (pasteurização e acondicionamento de leite; transformação de leite em queijo, manteiga e requeijão); 3. produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação; 4. produção de adubos orgânicos; d) transformação de produtos florestais: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 521 19 I. produção de carvão vegetal; 2. produção de lenha com árvores da propriedade rural; 3. venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural; e) produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos, em propriedade rural, independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização). § 1 2 A atividade de captura de pescado in natura é considerada extração animal, desde que a exploração se faça com apetrechos semelhantes aos da pesca artesanal (arrastões de praia, rede de cerca, etc.), inclusive a exploração em regime de parceria. § 22 Considerase unidade rural, para fins do imposto de renda, a embarcação para captura in natura do pescado, e o imóvel, ou qualquer lugar, utilizado para exploração ininterrupta da atividade rural. (v) Da não exigência legal da atividade principal como produção rural O enquadramento realizado pelo Fisco foi correto A contribuinte defende que o produtor rural é definido na legislação como a pessoa física ou jurídica que tenha como atividade principal a produção rural (fl. 400). Todavia, esta é uma exigência que não consta da lei. Ao contrário, despiciendo que qualquer das atividades seja considerada principal ou que a atividade rural prevaleça sobre as demais. Correto, então, o enquadramento realizado pelo Fisco. (vi) Da imunidade das receitas de exportação Em outro tópico, a recorrente sustenta que a imunidade das receitas decorrentes de exportação não foi respeitada no lançamento. Da leitura do relatório consta, expressamente, que todas as contas envolvidas com exportação foram excluídas. As únicas que foram mantidas tratam, na verdade, de vendas realizadas no mercado interno e, posteriormente, exportadas. Nesse caso, não existe a mencionada imunidade, lembrando que a regra que desonera o tributo deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN. A jurisprudência do CARF ratifica o entendimento: "Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal" (acórdão 20171107). Da leitura do relatório consta, expressamente, que todas as contas envolvidas com exportação foram excluídas. As únicas que foram mantidas tratam, na verdade, de vendas realizadas no mercado interno Fl. 713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 522 20 e, posteriormente, exportadas. Nesse caso, não existe a mencionada imunidade, lembrando que a regra que desonera o tributo deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN. A jurisprudência do CARF ratifica o entendimento: "Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal" (acórdão 20171107). A IN RFB 971/2009, em consonância com o artigo 149, §2°, inciso I da CF, confirma que a imunidade ocorre exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Caso ocorra a venda no mercado interno para, posteriormente, ser exportada, a primeira operação não será acobertada pela imunidade. Esclarecedora é a leitura do artigo em questão: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capitulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2" do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n°33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no Pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta (lard ao produto. § 3º 0 disposto no caput não se aplica a contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (vii) Da não competência do CARF para apreciação de inconstitucionalidades. A partir do item V do recurso, a contribuinte sustenta as seguintes inconstitucionalidades: afronta ao artigo 195, I da Constituição Federal, ofensa aos princípios da isonomia, equidade, capacidade contributiva, e, quanto ao adicional destinado ao SENAR, ofensa ao artigo 62 do ADCT c/c artigo 240 da Constituição Federal. Nunca é demais lembrar que os argumentos sequer podem ser enfrentados pelo CARF, pois o órgão administrativo não tem competência para apreciar a constitucionalidade das leis. Por conseguinte, existindo previsão legal da contribuição substitutiva devida pela agroindústria (artigo 22A da Lei 8.212/91), bem como do adicional destinado ao SENAR (artigo 22A, § 5° da Lei 8.212/91) Fl. 714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 523 21 deve o agente administrativo aplicálos, por dever de oficio e em respeito ao principio da legalidade. Não cabe ao órgão julgador desconstituir o lançamento, por considerar a legislação que rege a matéria inconstitucional. Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito da apropriação de recolhimentos efetuados pela Recorrente: Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Então os elementos fáticos controversos, relacionados aos recolhimentos feitos pela Recorrente, foram listados em uma Tabela apresentada pela Recorrente, às fls. 404 a 406, na qual se individualizam as GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, que não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Desta forma, em relação à Tabela apresentada pela Recorrente às fls. 404 a 406, abaixo reproduzida, deverá a AuditoriaFiscal informar, motivadamente, se, em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e, ao final, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência (...). A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI/ FNDE, conforme o listado na tabela acima, se tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (ii) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 524 22 A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 543 a 544, informa as apropriações feitas em relação aos recolhimentos feitos pela Recorrente: 2. EM CUMPRIMENTO A DILIGÊNCIA DETERMINADA (FLS. 486/488), PASSO A INFORMAR: 2.1. ALGUMAS GPS ACOSTADAS AOS AUTO PELA RECORRENTE EM SEDE IMPUGNAÇÃO, NÃO FORAM CONSIDERADAS NA RETIFICAÇÃO INICIAL, TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO DE APROPRIAR SOMENTE GPS DE ESTABELECIMENTOS NOS QUAIS HOUVERAM LEVANTAMENTOS DE DÉBITOS (COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL). 2.2. EM ATENDIMENTO A DETERMINAÇÃO DE FLS. 486 VERSO, PASSO A RETIFICAR O DÉBITO CONFORME DEMONSTRADO NAS FOLHAS SEGUINTES (PLANILHA), PROCEDENDO O ABATIMENTO DOS RECOLHIMENTOS DE 11/2001 A 01/2002, INDEPENDENTE DE HAVER CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PARA O ESTABELECIMENTO CORRESPONDENTE. FORAM UTILIZADOS A TOTALIDADE DAS GPS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 2.2.1. FORAM APROPRIADAS (DEDUZIDAS) GPS SEMPRE RELATIVAS A MESMA COMPETÊNCIA DO DÉBITO, INCLUSIVE A RELATIVA AO 13° SALÁRIO DE 2001, APROPRIADA NA COMPETÊNCIA 12/2002, COLUNA 14 DA PLANILHA. 2.2.2. PARA OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR, POR COMPETÊNCIA, EM CONFRONTO COM O DÉBITO APURADO (COLUNAS 13 E 17) DE QUAISQUER ESTABELECIMENTOS, FORAM TRANSFERIDOS (DEDUZIDOS AS SOBRAS) DO VALOR APURADO PARA O ESTABELECIMENTO CNPJ N° 51.468.791/002325 (MAIOR VALOR). 2.3. O DÉBITO REMANESCENTE (DE/PARA) ESTÁ DEMONSTRADO NA SEQÜÊNCIA, COLUNAS 20 A 25. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 670 a 674, na qual alega que faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: (i) Não obstante a significativa diminuição do débito principal, em detida análise da planilha de fls. 610/614, as Recorrentes concluíram que a D. Fiscalização ainda não apropriou valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários. O primeiro montante, não corretamente apropriado, está relacionado aos recolhimentos realizados pelo estabelecimento de CNPJ n° Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 525 23 51.468.791/000110, competências de novembro/2001 a fevereiro/2002. No "II Demonstrativo de Contribuições Recolhidas" (coluna 7 da planilha), a D. Fiscalização descreveu os créditos de contribuições previdenciárias apropriados para cada estabelecimento. Ocorre que os créditos abatidos para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/0001 10 são inferiores aos recolhidos no período. Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Na descrição do resultado da diligência fiscal, consignouse no iten °.2.1 que "foram apropriados (deduzidas) GPS relativas a mesma :on. etència do débito, inclusive a relativa ao 13° salário de 2001, apropriada na competência de 12/2001, coluna 14 da planilha". Nesse ponto, notase que após realizadas as apropriações dos débitos de dezembro/01 com os seus respectivos créditos para a mesma competência, remanesceu débito de R$ 358.253,00 (vide "total" para dezembro/01 coluna n° 12). Nos termos aduzidos pela D. Fiscalização, na coluna n° 14 houve a transferência do crédito relacionado às contribuições previdenciárias que recaíram sobre o 13° salário para abatimento com o débito remanescente em dezembro/01. O crédito relacionado ao 13° salário é de R$ 739.265,58, subtraindoo do débito remanescente de dezembro/01, R$ 358.253,00, concluise que as Recorrentes ainda Fl. 717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 526 24 possuem crédito de R$ 381.012,58. Entretanto, tal crédito não foi utilizado para apropriação nas competências subsequentes, de janeiro ou fevereiro/2002, ou anteriores. Nesse sentido, somandose R$ 184.312,00 ao R$ 381.012,58, concluise que as Recorrentes ainda possuem R$ 565.324,58 de crédito a ser abatido nestes autos, o que acarretará em uma diminuição significativa do débito principal e respectivos reflexos na multa e nos juros, na hipótese da autuação ser mantida pelos fundamentos de direito. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 527 25 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.9122, no montante inicial de R$ 11.478.900,91 retificado para R$ 5.841.910,07. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; e as destinadas ao SENAR, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições decorre de dois aspectos, quais sejam: (a) a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não; (b) operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior. Observase que os dois fatos geradores foram aglutinados no código de levantamento: RBC RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO, conforme o Relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito às fls. 04 a 10, e Relatório e Lançamentos RL, às fls. 17 a 20. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. Ademais, o sujeito passivo no Anexo à Impugnação colacionou cópias de GFIP e GPS, às fls. 168 a 255, e cópias de Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação referentes ao SESI, SENAI e FNDE, às fls. 256 a 286. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 528 26 Após, na primeira instância de julgamento, houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 302 a 303 e 309 a 310, para que a AuditoriaFiscal se pronunciasse acerca dos elementos acostados aos autos Na Resposta da Diligência Fiscal, às fls. 314 a 319, a AuditoriaFiscal informa que apurou o saldo remanescente das contribuições devidas: Em atendimento ao despacho de fls. no 309/310 e 312 e com base em elementos exibidos a esta fiscalização, considerando os valores recolhidos 'pelo contribuinte no período, apurei o saldo remanescente, conforme Anexo III. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 327 a 357, na qual reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação além de requerer a nulidade da autuação por não ter considerado anteriormente os recolhimentos feitos nos períodos de apuração. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP. A decisão de primeira instância retificou o crédito tributário, conforme fls. 377: VII — Da retificação do crédito tributário Conforme disposto em tópico próprio, procedo à retificação do débito tributário constituído, pelo acolhimento do pleito da Impugnante de abater os recolhimentos efetuados tendo por basedecálculo a folha de salários dos empregados, ficando o lançamento assim retificado nos termos do anexo DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado que passa a integrar o presente julgado, e quadro demonstrativo (...) Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Dentre os argumentos deduzidos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há o de que não foram apreciadas, pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância, a totalidade das GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação: iii.1) Não foram considerados pela Diligência Fiscal e pela decisão de primeira instância diversos pagamentos efetuados por meio de guias de recolhimento acostadas aos presentes autos em sede de Impugnação, CONFORME TABELA às fls. 404 a 406. Ora, da análise perfunctória dos valores apurados pelas autoridades fiscais na planilha "Demonstrativo de Valores Recolhidos em GPS" (fl. 317), relativos aos valores recolhidos pela Recorrente, verificase que não constam os pagamentos elencados no quadro acima e, portanto, não foram utilizados no abatimento do suposto crédito tributários objeto da presente NFLD. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 529 27 Desta forma, merece provimento o presente recurso para que, ao menos, sejam remetidos os presentes autos à D. fiscalização autuante, para que proceda ao abatimento de todos os valores recolhidos pela Recorrente no período de 11/2001 a 02/2002, indicados no quadro supra, sob pena de enriquecimento ilícito da autarquia destinatária das contribuições. Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito da apropriação de recolhimentos efetuados pela Recorrente: Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Então os elementos fáticos controversos, relacionados aos recolhimentos feitos pela Recorrente, foram listados em uma Tabela apresentada pela Recorrente, às fls. 404 a 406, na qual se individualizam as GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, que não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Desta forma, em relação à Tabela apresentada pela Recorrente às fls. 404 a 406, abaixo reproduzida, deverá a AuditoriaFiscal informar, motivadamente, se, em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e, ao final, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência (...). A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI/ FNDE, conforme o listado na tabela acima, se tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (ii) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 530 28 A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 543 a 544, informa as apropriações feitas em relação aos recolhimentos feitos pela Recorrente: 2. EM CUMPRIMENTO A DILIGÊNCIA DETERMINADA (FLS. 486/488), PASSO A INFORMAR: 2.1. ALGUMAS GPS ACOSTADAS AOS AUTO PELA RECORRENTE EM SEDE IMPUGNAÇÃO, NÃO FORAM CONSIDERADAS NA RETIFICAÇÃO INICIAL, TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO DE APROPRIAR SOMENTE GPS DE ESTABELECIMENTOS NOS QUAIS HOUVERAM LEVANTAMENTOS DE DÉBITOS (COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL). 2.2. EM ATENDIMENTO A DETERMINAÇÃO DE FLS. 486 VERSO, PASSO A RETIFICAR O DÉBITO CONFORME DEMONSTRADO NAS FOLHAS SEGUINTES (PLANILHA), PROCEDENDO O ABATIMENTO DOS RECOLHIMENTOS DE 11/2001 A 01/2002, INDEPENDENTE DE HAVER CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PARA O ESTABELECIMENTO CORRESPONDENTE. FORAM UTILIZADOS A TOTALIDADE DAS GPS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 2.2.1. FORAM APROPRIADAS (DEDUZIDAS) GPS SEMPRE RELATIVAS A MESMA COMPETÊNCIA DO DÉBITO, INCLUSIVE A RELATIVA AO 13° SALÁRIO DE 2001, APROPRIADA NA COMPETÊNCIA 12/2002, COLUNA 14 DA PLANILHA. 2.2.2. PARA OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR, POR COMPETÊNCIA, EM CONFRONTO COM O DÉBITO APURADO (COLUNAS 13 E 17) DE QUAISQUER ESTABELECIMENTOS, FORAM TRANSFERIDOS (DEDUZIDOS AS SOBRAS) DO VALOR APURADO PARA O ESTABELECIMENTO CNPJ N° 51.468.791/002325 (MAIOR VALOR). 2.3. O DÉBITO REMANESCENTE (DE/PARA) ESTÁ DEMONSTRADO NA SEQÜÊNCIA, COLUNAS 20 A 25. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 670 a 674, na qual alega que faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: (i) Não obstante a significativa diminuição do débito principal, em detida análise da planilha de fls. 610/614, as Recorrentes concluíram que a D. Fiscalização ainda não apropriou valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários. O primeiro montante, não corretamente apropriado, está relacionado aos recolhimentos realizados pelo estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110, competências de novembro/2001 a fevereiro/2002. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 531 29 No "II Demonstrativo de Contribuições Recolhidas" (coluna 7 da planilha), a D. Fiscalização descreveu os créditos de contribuições previdenciárias apropriados para cada estabelecimento. Ocorre que os créditos abatidos para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/0001 10 são inferiores aos recolhidos no período. Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33 RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Na descrição do resultado da diligência fiscal, consignouse no iten °.2.1 que "foram apropriados (deduzidas) GPS relativas a mesma :on. etència do débito, inclusive a relativa ao 13° salário de 2001, apropriada na competência de 12/2001, coluna 14 da planilha". Nesse ponto, notase que após realizadas as apropriações dos débitos de dezembro/01 com os seus respectivos créditos para a mesma competência, remanesceu débito de R$ 358.253,00 (vide "total" para dezembro/01 coluna n° 12). Nos termos aduzidos pela D. Fiscalização, na coluna n° 14 houve a transferência do crédito relacionado às contribuições previdenciárias que recaíram sobre o 13° salário para abatimento com o débito remanescente em dezembro/01. O crédito relacionado ao 13° salário é de R$ 739.265,58, subtraindoo do débito remanescente de dezembro/01, R$ 358.253,00, concluise que as Recorrentes ainda possuem crédito de R$ 381.012,58. Entretanto, tal crédito não foi utilizado para apropriação nas competências subsequentes, de janeiro ou fevereiro/2002, ou anteriores. Nesse sentido, somandose R$ 184.312,00 ao R$ 381.012,58, concluise que as Recorrentes ainda possuem R$ 565.324,58 de crédito a ser abatido nestes autos, o que acarretará em uma diminuição significativa do débito principal e respectivos reflexos na multa e nos juros, na hipótese da autuação ser mantida pelos fundamentos de direito. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 532 30 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 533 31 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00, referente às competências nov/2001, dez/2001, jan/2002 e fev/2002, conforme tabela acima. (ii) em relação ao tópico (i), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (iii) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, no valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. (iv) em relação ao tópico (iii), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (v) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; (vi) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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