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Numero do processo: 10930.720861/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
OMISSÃO DE RECEITA - CRÉDITOS BANCÁRIOS - FALTA DE RECOLHIMENTO - PRESUNÇÃO LEGAL - INVERSÃO DO ONUS DA PROVA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSSL - COFINS - PIS - IPI - INSS - MESMOS EVENTOS - DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS à COFINS à CSSL, ao IPI e à contribuição ao INSS.
Numero da decisão: 1202-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plinio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valetim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITA - CRÉDITOS BANCÁRIOS - FALTA DE RECOLHIMENTO - PRESUNÇÃO LEGAL - INVERSÃO DO ONUS DA PROVA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configura-se omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSSL - COFINS - PIS - IPI - INSS - MESMOS EVENTOS - DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS à COFINS à CSSL, ao IPI e à contribuição ao INSS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plinio Rodrigues Lima- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valetim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITA CRÉDITOS BANCÁRIOS FALTA DE RECOLHIMENTO PRESUNÇÃO LEGAL INVERSÃO DO ONUS DA PROVA NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configurase omissão de receita quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSSL COFINS PIS IPI INSS MESMOS EVENTOS DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS à COFINS à CSSL, ao IPI e à contribuição ao INSS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 08 61 /2 01 1- 21 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 (documento assinado digitalmente) Plinio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antônio Pires, Geraldo Valetim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário proveniente de procedimento fiscal autorizado pelo Mandado de Procedimentos Fiscal MPF n° 09.1.02.002010016237 – para os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2006. Contra o sujeito passivo foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Simples) – IRPJ Contribuição para o Programa de Integração Social (Simples) – PIS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Simples) COFINS , Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (Simples) – CSLL, Imposto sobre Produto Industrializado (Simples) – IPI e Contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social INSS. As infrações imputadas ao sujeito passivo estão minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 415/420) e qualificamse por omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e, insuficiência de recolhimentos decorrente da alteração da faixa de tributação. Aplicouse multa de ofício de 75% amparada no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/96. O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado da autuação em 28/04/2011. E em 26/05/2011 apresentou impugnação ao feito (fls. 494/503). De início afirmou que a exigência seria astronômica, obrigação esta impossível de ser cumprida, razão pela qual entendeu que o ato não poderia prosperar. Alegou que o lançamento não teria suporte em um efetivo e real fato gerador, mas em presunção; que os valores lançados em sua conta corrente foram considerados receitas tributáveis, quando em verdade isto não ocorreu; que o crédito tributário somente poderia ser exigido quando comprovada a ocorrência do fato gerador ou a concretização da hipótese de incidência e, que, não presentes tais requisitos, o lançamento não pode prevalecer, sob pena de ferir os mais elementares princípios do direito tributário. A presente situação envolveria a falta de caracterização do fato gerador da obrigação tributária, o que acarretaria na invalidade do lançamento. Transcreveu doutrina acerca da hipótese de incidência e questiona onde, no presente procedimento, encontramse os elementos que definem claramente a realização do fato jurídico tributável. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Acórdão n.º 1202001.231 S1C2T2 Fl. 14 3 Menciona a doutrina para ao final concluir: “No caso presente, como definitivo, indiscutível... temos fatos envolvendo operações bancárias. Jamais o de uma efetiva receita ou faturamento operacional da empresa. Não obstante haver o funcionário público como tais aquelas operações, não aconteceu a hipótese de incidência prevista, abstratamente, na norma jurídica.” Entendeu que a tributação decorreu de uma presunção, não prevista de maneira precisa na lei, como apta a criar uma obrigação tributária e voltou a mencionar o valor da exigência. Afirmou ter havido uma série de agressões a enunciados constitucionais que resultaram em tremendas injustiças contra si; que por obra de uma legislação canhestra passou se a considerar lucro aquilo que não o é; que por interesse exclusivo da administração tributária, para aumentar a arrecadação, foram criadas normas que apuram a renda ou lucro com base exclusivamente no faturamento da empresa, sendo que esta muitas vezes operou com prejuízo no período. Transcreveu doutrina sobre o assunto e concluiu que no caso sob análise, além do fato de – por presunção legal – o contribuinte ter contra si um conceito de lucro não previsto constitucionalmente, surge uma outra presunção: que os valores movimentados em sua conta bancária configuramse receitas operacionais. Complementou afirmando que não obstante a tolerância de nossos tribunais maiores, que por vezes atuam mais como auxiliares do fisco do que como julgadores propriamente, a intromissão da fazenda pública nos dados bancários do contribuinte não encontra respaldo constitucional. Clamou que o lançamento desferido contra si é dos mais inválidos e injustos e pediu a improcedência do lançamento. Mesmo diante dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo, a 2ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0637.637, fls. 516/528, no qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada. A seguir ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS E FALTA DE RECOLHIMENTO A omissão de receitas acarreta a falta de recolhimento do tributo e torna indispensável o lançamento de ofício, a fim de constituir o crédito tributário devido. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. DOUTRINA. Textos doutrinários não podem ser opostos aos ditames das disposições legais em face da vinculação da atividade fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSL. COFINS. PIS. IPI. INSS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS à COFINS à CSL, ao IPI e à contribuição ao INSS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência do acórdão n° 0637.637 (fls. 516/528) proferido pela 2ª Turma da DRJ/CTA em 09 de agosto de 2012 (fl. 534) e em 05 de setembro de 2012 (fl. 535), apresentou Recurso Voluntário (fls. 536/549) retomando os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. A única parte inovadora na sua peça de defesa foi em relação ao pedido de perícia e diligência, pois, em seu entendimento, no levantamento da receita bruta foram considerados todos os créditos mensais que constavam de suas contas bancárias, sem haver ao menos qualquer tipo de exclusão, por isso, pugna pela perícia e diligência para que seja feito um correto levantamento da receita bruta do anocalendário de 2006, a fim de se chegar à efetiva receita bruta e cálculos dos tributos devidos na modalidade do Simples. É o relatório. Voto Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Acórdão n.º 1202001.231 S1C2T2 Fl. 15 5 Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno I – Do juízo de admissibilidade Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, pois: Processos que tenham por objeto a apuração de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuição para o INSS que são oriundos de apuração pela sistemática do SIMPLES são da competência desta 1ª Seção; A recorrente foi intimada em 09 de agosto de 2012 (fl. 534) e, tempestivamente, em 05 de setembro de 2012 (fl. 535), apresentou Recurso Voluntário (fls. 536/549); e A petição está assinada por quem de direito representa a recorrente – fls. 549/550. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomase conhecimento. II – Direito II.i – Pedido de Diligência e Perícia Segundo a recorrente, a tese principal do presente recurso, em relação à receita bruta para fins de recolhimento do tributo de forma unificada pelo SIMPLES, consiste na discordância em relação a Receita Bruta, constante na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2006 – Simples e o levantamento realizado com base nos extratos bancários, no período de 01/01/2006 a 31/12/2005. No seu entendimento, no levantamento da receita bruta foram considerados todos os créditos mensais das contas bancárias, no entanto, esse entendimento seria equivocado, pois é sabido que créditos ou entrada de numerários nem sempre representam receita bruta. Nesse sentido, seria essencial a realização de diligência/perícia para o levantamento da receita bruta do anocalendário de 2006, a fim de se chegar à efetiva receita bruta e cálculos dos tributos devidos na modalidade do Simples. Em que pese o esforço do patrono da recorrente, tal pedido não merece ser acolhido. Tal solicitação é desnecessária, já que o processo contem elementos suficientes para a o formação da livre convicção do julgador, conforme o disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF, in verbis: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Aliás, todos os elementos de prova das infrações imputadas constam dos autos única e exclusivamente, porque foi dada a oportunidade a recorrente de comprovar (Termo de Intimação Fiscal nº 3), por meio de documentos hábeis, a origem dos valores creditados/depositados, no anocalendário de 2006, nas contas bancárias relacionadas nos anexos I, II, III, IV e V (fls. 347/395), entretanto quietouse inerte. Essa situação ficará, ainda mais evidente, quando da análise de mérito da presente infração. O pedido de diligência/perícia, além de ser genérico não contendo apontamento de forma pormenorizada dos valores que eventualmente deveriam ser excluídos, tem apenas o intuito procrastinatório por ser desnecessário para a solução da lide, pois, como já tido, os elementos de prova e de convicção já constam dos autos. A rejeição desses meios de prova caminha com os precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho Administrativo. A saber: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA – PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS – PEDIDO REJEITADO A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. O indeferimento do pedido de diligência para a produção de provas documentais cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato tais provas existissem, não configura cerceamento do direito de defesa. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Acórdão n.º 1202001.231 S1C2T2 Fl. 16 7 e conservação compete ao contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Por se tratar de prova especial, subordinada aos requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimentos. Somente haverá perícia, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência/perícia técnica, quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o artigo 16, IV, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto acima, negase provimento ao pedido de perícia/diligência por ser desnecessária para a solução do presente litígio. II.ii Omissão de Receita Antes de adentrar ao mérito, há que fazer a correta contextualização do lançamento efetuado, definindo o fato gerador e o ônus da prova atribuído a cada uma das partes. Em 16/10/2010, com o Termo de Início da Ação Fiscal foi dado ciência para a procuradora da recorrente do início da ação fiscal, quando foram solicitados livros e documentos relacionados às fls.03/05. Houve pedido de prorrogação de prazo, acatado pela autoridade fiscal. Diante da inércia da recorrente, em 03/11/2010, ocorreu a primeira reintimação, e outra em 30/03/2011. Ante a inércia da recorrente, os extratos bancários foram solicitados diretamente às seguintes instituições: Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil – SICOOB, Banco Bradesco S.A, Banco Itaú S.A, Bank Boston S.A, Banco do Brasil S.A, Banco Itaúbanking S.A, Banco Santander Meridional S.A, Banco Sudameris Brasil S.A. A resposta ao solicitado (extratos bancários) encontramse as folhas 67 a 347. Com base nos extratos bancários retrocitados, a recorrente foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 3, a comprovar, por meio de documentos hábeis, a origem dos valores creditados/depositados, no anocalendário de 2006, nas contas bancárias relacionadas nos anexos I, II, III, IV e V (fls. 347/395). Em resposta à intimação, a recorrente apresentou a seguinte resposta (fl. 396) “Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 03, de 20/04/2011, informamos que não possuímos documentos que possam dar embasamento aos possíveis esclarecimentos solicitados por essa fiscalização.” No anocalendário de 2006, a recorrente apresentou Declaração Anual Simplificada – Pessoa Jurídica (Simples), tendo como receita bruta o montante de R$ 1.130.658,53 (fls. 397 a 414). Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 No entanto, através dos extratos bancários solicitados juntamente as Instituições Financeiras, verificouse que o valor movimentado a título de créditos e depósitos no período de abril a dezembro de 2006 foi de R$ 10.484.582,66, sendo que a receita bruta declarada no mesmo período perfaz um montante de R$ 890.680,73. O artigo 190 do Decreto 3000/99 que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, assim dispõe: Art. 190. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que trata o art. 187 (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º). Parágrafo único. A microempresa e a empresa de pequeno porte estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. (grifo) Pois bem, da Ciência do Termo de Início de Ação Fiscal até a data da lavratura do Termo de Verificação Fiscal datado de 28/04/2011, nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos bancários foi encaminhado ao fisco. Na esteira deste raciocínio, tais valores foram considerados como receita, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Abaixo demonstrativo constante no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Fiscalização (415/421), das receitas omitidas que serviram de base de cálculo para apuração do crédito tributário, considerandose como dedução dos valores dos créditos e depósitos constatados nos extratos bancários as receita declaradas por meio da Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2006: Competência Valor Total dos Créditos e Depósitos (R$) Receitas Declaradas (R$) Receitas Omitidas (R$) 04/2006 941.531,92 99.183,88 842.348,04 05/2006 1.178.785,58 98.946,93 1.079.838,65 06/2006 1.008.435,00 99.636,83 908.798,17 07/2006 1.059.864,76 97.572,72 962.292,04 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Acórdão n.º 1202001.231 S1C2T2 Fl. 17 9 08/2006 1.337.907,46 99.527,88 1.238.379,58 09/2006 805.758,19 99.209,17 706.549,02 10/2006 1.219.842,86 100.035,60 1.119.807,26 11/2006 1.127.965,04 105.213,27 1.022.751,77 12/2006 1.804.491,85 91.354,45 1.713.137,40 Total 10.484.582,66 890.680,73 9.593.901,93 A recorrente contestou a presunção de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários não escriturados, por entender ser necessária a comprovação individualizada dos fatos que deram origem à omissão de receitas e que a prova deveria ter sido produzida pela autoridade fiscal. O lançamento de ofício consiste em presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não escriturados e origem não comprovada com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Transcrevese o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 576DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Assim, vêse que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação da autoridade fiscal para que o sujeito passivo comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas efetivamente auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Em outras palavras, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade da autoridade fiscal juntar qualquer outra prova. Como bem observado pelo órgão julgador a quo, via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é ônus do contribuinte. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) Fl. 577DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Acórdão n.º 1202001.231 S1C2T2 Fl. 18 11 IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Pedese vênia para reproduzir texto extraído do livro “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), de José Luiz Bulhões Pedreira que sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. No caso, verificase que a autoridade fiscal intimou e reintimou devidamente a recorrente a apresentar seus extratos bancários; que, depois de totalizar os créditos e depósitos, intimou o sujeito passivo a justificar sua origem; e que só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Situação que comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os créditos/depósitos e as origens indicadas. Com base nos artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/1972, compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Vejamos o que diz os citados artigos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). De qualquer modo, a matéria não comporta mais discussão administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Desse modo, a tributação das receitas omitidas deve ser mantida. II.iii – Insuficiência de Recolhimento Fl. 578DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 12 Como bem observado pela 2ª Turma da DRJ/CTA, como a recorrente omitiu receitas, tal omissão influencia no montante da Receita Bruta Mensal e na Receita Bruta Acumulada, que, por sua vez, tem influência direta na apuração de quais percentuais serão aplicáveis no cálculo dos tributos (vide Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta fls. 421/437). Neste sentido, havendo omissão de receita, a receita bruta declarada mensalmente foi menor. Se esta foi declarada a menor, o percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada também foi menor, o que ocasionou insuficiência no recolhimento dos tributos pelo sujeito passivo. II.iv – Tributação Reflexa Por fim, o decidido no lançamento do IRPJ (Simples) aplicase aos autos de infração reflexos (CSLL, COFINS, PIS, IPI e contribuição ao INSS), haja vista a relação de causa e efeito entre estes e a repercussão da omissão de receitas na apuração de tais tributos. Além do mais, a recorrente trouxe no Recurso Voluntário os mesmos fundamentos do IRPJ para combater os lançamentos reflexos e, como já tido, ante a íntima relação de causa e efeito, mantémse, conforme o decidido acima. III Conclusão Diante do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 579DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.902971/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2008
PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/01/2008 PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 71 /2 01 1- 10 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 88/94 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor de R$ 3.282,73, relativo ao PA mês de setembro de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DRF em Belém emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, com suporte no argumento a seguir: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902971/201110 Acórdão n.º 3802003.990 S3TE02 Fl. 136 3 legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, que tratam das Contribuições para o PIS e COFINS, dispõem que a não incidência dessas contribuições dependem de duas condições: 1. o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e, 2. o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. (...) Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são, suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2008 Ementa: DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 04/02/2014 (fl. 97), a Recorrente, em 05/03/2014, apresentou o recurso voluntário (fls. 98/117), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente esclarece sobre o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito, alegando sua materialidade. Segue apresentando os demais argumentos, conforme abaixo: Dos fatos: faz uma abordagem sobre o direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS, alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; reproduz a legislação que trata dessa matéria; que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902971/201110 Acórdão n.º 3802003.990 S3TE02 Fl. 137 5 Do Direito: reproduz um arcabouço de toda a legislação que rege a matéria discutida, informando diversas considerações sobre as interpretações possíveis das hipóteses de incidência das contribuições (PIS e da COFINS) e cita vários posicionamentos da RFB, alegando corroborar com a não incidência do fato gerado nas relações jurídicas desenvolvidas pela recorrente. Ao final, afirma estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas, também se fazendo necessário que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador)residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, ao invés de a interessada comprovar a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trazer aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas, limitouse à informação de “disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido”. Esclareçase ao sujeito passivo, ainda, que na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos (ao que consta dos autos), as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior limitam se a mero exercício imaginativo. Registrese, também, que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Assim, na hipótese em tela, apresentaria relevo para a finalidade pretendida pelo sujeito passivo que demonstrasse, por intermédio de prova hábil, que de fato ocorreu pagamento indevido, sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência da máxima de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. E nesse sentido, não é demais referir o fácil alcance, por parte do contribuinte, dos supostos elementos probatórios, haja Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902971/201110 Acórdão n.º 3802003.990 S3TE02 Fl. 138 7 vista tratarse de documentos que, acaso existissem, haveriam de integrar o seu próprio acervo. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços: verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte não juntou nos autos os contratos de prestação de serviços firmados. Afirma que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro e apresentou (em sede de manifestação de inconformidade) apenas uma relação de notas fiscais, que não atende as formalidades exigidas para o caso. 2) quanto ao ingresso de divisas: a Recorrente não apresentou nenhum contrato de câmbio. Afirma em seu recurso que “embora os pagamentos sejam feitos pela recorrente, são esses últimos que arcam com seus respectivos encargos tributários, enviando previamente ao Brasil divisas, específicas e suficientes a sua quitação. As empresas em questão, como a recorrente, atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis nacionais, que prescrevem a utilização desse elo para remessa, única e exclusivamente dos fretes contratados. Assim, todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Em outras palavras, as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ao final, ressalta que “Continua a Recorrente a disponibilizar todas as notas fiscais para a conferência do referido período em questão, no momento em que V. Exa. Entender ser devido”. Como já abordado pela DRJ, a Recorrente encaminhou consulta sobre a matéria à SRRF da 2ª RF, sendo emitida para o deslinde da questão a Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, daquela superintendência, a este anexada, referente ao processo 10280.005047/200618, onde constam as condições necessárias para não incidência da contribuição na situação ali aventada, de onde se extrai que: (...) 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.(grifos não originais) Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Assim, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902971/201110 Acórdão n.º 3802003.990 S3TE02 Fl. 139 9 em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Por conseguinte, acerca da comprovação de suas alegações, apenas aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que: (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido (g.n). Em sede de recurso voluntário, repisa os mesmos argumentos acima reforçando que a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que a Fazenda entender ser devido. .Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de sua comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Como visto nos autos, quando da transmissão da DCOMP, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.006733/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.
No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA.
Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu salário-de-contribuição (parágrafo único, alínea b).
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA.
O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
VERBAS INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), temos típica hipótese de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.
Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento relativo às contribuições não descontadas da remuneração dos servidores comissionados, temporários, agentes políticos e contribuintes individuais. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que os valores pagos nos primeiros quinze dias do auxílio-acidente não integram o salário de contribuição.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: Relator André Luís Mársico Lombardi
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu salário-de-contribuição (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), temos típica hipótese de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. Recurso Voluntário Negado
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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 33 /2 01 0- 64 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, prolabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. VERBAS “INDENIZATÓRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), temos típica hipótese de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. Recurso Voluntário Negado Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 2302003.401 S2C3T2 Fl. 151 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento relativo às contribuições não descontadas da remuneração dos servidores comissionados, temporários, agentes políticos e contribuintes individuais. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que os valores pagos nos primeiros quinze dias do auxílioacidente não integram o salário de contribuição. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 115 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de processo de Auto de Infração de obrigação principal, DEBCAD 37.281.8080, no valor de R$ 56.488,44 (cinqüenta e seis mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e quarenta e quatro centavos), recebido pessoalmente pelo sujeito passivo em 26/05/2010, relativo às contribuições sociais dos segurados, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a folha de pagamento de servidores comissionados, temporários, agentes políticos e contribuintes individuais, não descontadas pelo órgão público, no período de 04/2005 a 12/2006. Do Relatório Fiscal, fls. 60/64, extraemse os excertos abaixo: DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS EM RELAÇÃO À FOLHA DE PAGAMENTO GERAL APRESENTADA EM RESUMO a) O órgão apresentou sua folha de pagamento em resumo de todo o período da auditoria (04/2005 a 12/2006 e 13°salário de 2005 e 2006); b) A auditoria solicitou no termo inicial e em termo específico datado de 04/05/2010 que o órgão apresentasse relatório extraído do sistema de folha de pagamento que indicasse, para cada código de verba da folha, a sua incidência tributária, com vistas a averiguar quais as verbas tributáveis e as não tributáveis. Tal relatório não foi apresentado; c) Mesmo sem essa informação, a auditoria procurou avaliar pelo título do código de verba a sua incidência para a contribuição previdenciária. Partindo do valor bruto da folha de pagamento, deduziu todas as verbas que, segundo sua ótica, seriam verbas não incidentes, chegando, assim, ao valor BASE DE CÁLCULO da contribuição previdenciária de cada competência. Em anexo, relação dos códigos para os quais a auditoria atribuiu a condição de não incidente ou de valor dedutível do bruto da folha de pagamento. Neste caso, foi lançada a diferença encontrada entre a base de cálculo da folha de pagamento e a base de cálculo declarada pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). O Relatório Fiscal continua: EM RELAÇÃO A DIÁRIAS QUE EXCEDERAM A 50% DA REMUNERAÇÃO Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 2302003.401 S2C3T2 Fl. 152 5 a) A auditoria apurou os valores pagos de diárias na contabilidade do órgão e intimou para apresentação de relatório que demonstrasse o montante das diárias pagas em comparação com a remuneração de cada trabalhador e tal relatório não foi apresentado. Neste caso, o valor integral da rubrica foi considerado base de cálculo da contribuição previdenciária, tendo sido a contribuição do segurado apurada à alíquota mínima. Continua o Relatório Fiscal: EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL a) A auditoria apurou os valores liquidados para contribuintes individuais das categorias de autônomos e transportadores autônomos na contabilidade do órgão, uma vez que estes não foram incluídos na folha de pagamento do órgão, tampouco foi apresentada folha de pagamento específica para tais segurados. c) Quanto à contribuição do segurado, a auditoria calculou a contribuição de cada trabalhador pela alíquota de 11% (onze por cento) sobre a remuneração do autônomo e 11% (onze por cento) sobre 20%> (vinte por cento) da remuneração do transportador autônomo, sempre limitandose ao teto de contribuições: d) Apurouse também na contabilidade o valor descontado desses segurados, observandose que esse desconto não foi realizado para todos os pagamentos. A auditoria deu tratamento de valor descontado para o que foi efetivamente descontado e para a diferença entre o devido e o descontado, o tratamento foi de valor não descontado. Neste caso, também foi lançada a diferença encontrada entre a base de cálculo apurada e a base de cálculo declarada pela empresa em GFIP. Tratase, enfim, de apropriação indébita previdenciária, tendo em vista que houve o desconto da contribuição do segurado, sem o respectivo recolhimento. Os elementos que serviram de base para o presente lançamento foram folhas de pagamento e lançamentos contábeis. (...) (grifos nossos) Cientificada dos lançamentos constantes dos presentes autos, a recorrente apresentou defesa que, como afirmado, foi julgada improcedente. Novamente cientificada, apresentou o seu recurso, no qual alega, em síntese: * o relatório fiscal não é claro, quando expressa que os fundamentos legais do débito estão em outro relatório anexo, composto de duas páginas, contendo uma imensidão de referências legais, o que torna impossível uma defesa melhor. Alega cerceamento de seu direito de defesa ainda por considerar exíguo o prazo de trinta dias para apresentação de impugnação, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 especialmente por terem sido lavradas várias autuações na mesma ação fiscal. * o fisco deveria ter compensado de ofício os recolhimentos indevidos de contribuições incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo, para fatos geradores até 18/09/2004; * indevida utilização da taxa Selic; * cobrança indevida sobre os salários pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalhador; * em 2001, o município teria assinado termo de parcelamento autorizando o INSS a efetuar retenção diretamente do Fundo de Participação dos Municípios; * os valores recolhidos devem ser apropriados inicialmente para a obrigação dos segurados e só depois para as obrigações patronais, a fim de se evitar a apropriação indébita; * as bases de cálculo do lançamento foram extraídas de diversas fontes, dentre elas "apurado na contabilidade do Município, com base nos arquivos digitais do Sistema de Informações Municipais SIM", o qual informa os pagamentos em sua totalidade, sem discriminar material e mão de obra, de forma que tais valores não poderiam ter sido usados integralmente. Aos autos foram indevidamente encaminhados à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, sendo que a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, no Acórdão 1103 000.864, declinou competência para esta Segunda Seção. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 2302003.401 S2C3T2 Fl. 153 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Em que pese a recorrente afirmar que falta clareza ao relatório fiscal quanto à fundamentação da autuação e por confundir empresas prestadoras de serviço e pessoas físicas, verificase que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, os fundamentos legais do débito estão relacionados minuciosamente, por rubrica e por período, no anexo Fundamentos Legais do Débito, às fls. 49/50, que integra o Auto de Infração. Da mesma forma, na planilha de fl. 120 do processo principal n° 37.281.8064 (10380.006731/201075) estão relacionados, por competência, os segurados contribuintes individuais, transportadores autônomos, o número da nota de empenho e o valor utilizado na apuração do frete e. na planilha de fls. 121/171 do processo principal, estão relacionados, por competência, os contribuintes individuais pessoas físicas, o número da nota de empenho e o valor devido à Seguridade Social, entre outras informações. Os lançamentos fiscais estão constituídos por uma diversidade de Termos, Relatórios e Discriminativos, sendo certo que a captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a exação exigida decorrem não de um único relatório, mas, sim, da interpretação conjunta, sistemática e teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência. Desta forma, considerando a discriminação tanto dos fundamentos legais do débito, quanto a identificação dos segurados, não há que se falar em falta de clareza e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O direito ao contraditório também foi observado, uma vez que o município teve a oportunidade de se manifestar através da impugnação e do recurso. A alegação de que foi entregue somente o Discriminativo de Débito não pode prosperar, uma vez que da folha de rosto da autuação consta a indicação dos relatórios entregues e o Procurador Geral do Município declarou ter sido cientificado do Auto de Infração e seus anexos, dos quais recebeu a 2a via, conforme se verifica à fls. 1. Finalmente, quanto à exigüidade do prazo concedido para apresentação de defesa, cabe esclarecer que o prazo de trinta dias está previsto no art. 15 do Decreto 70.235, de 1972, o qual rege o processo administrativo fiscal. Com efeito, é cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo (artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72). Assim, concluise que, incontestavelmente, o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando diversos relatórios e termos, tendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido, por conseguinte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Taxa Selic. Multa. Alega a recorrente a ilegalidade de juros equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Quanto à multa, cumpre destacar que não foi aplicada multa, conforme se verifica na folha de rosto da autuação, tendo em vista se tratar de órgão público e de período anterior a 02/2007. Quinze Primeiros Dias. AuxílioDoença. Verbas “Indenizatórias”. Para o enfrentamento da questão relativa à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, é preciso investigar sobre os limites de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos. A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, “o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.1 No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo”.2 Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo “folha de salários”, “demais rendimentos” e “ganhos habituais”, sendo que este último não deixa de ser “rendimento” , “a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a 1 A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014. 2 Idem p. 57. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 2302003.401 S2C3T2 Fl. 154 9 instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF”. 3 E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de “remuneração” e de “saláriodecontribuição”. Entendemos que remuneração “pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”4, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em “contraprestação” (uma prestação por outra), mas sim em “retribuição”, ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão “contraprestação” ao invés de “retribuição”. Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo, os quais não serão examinadas no presente estudo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). 3 Idem p. 68. 4 Ibidem p. 69 e seguintes. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Assim, nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio doença ou auxílioacidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), temos típica hipótese de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do salário decontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014, cuja ementa é: Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Nãoinclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. Sendo assim, entendo que o lançamento deve ser mantido quanto à suposta incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica contestada pela recorrente. Informações. SIM. Quanto à impossibilidade de utilização das informações contidas no SIM, devese esclarecer que, de acordo com o item 4 do relatório fiscal, as remunerações dos segurados foram obtidas das folhas de pagamento e de lançamentos contábeis do órgão público. Compensações. A recorrente alega que, no lançamento, a autoridade fiscal deveria ter efetuado a compensação das contribuições apuradas com as devidas sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo. Devese esclarecer que a compensação das referidas contribuições é um procedimento facilitado ao contribuinte, nos termos do art. 6° da mencionada IN SRP n° 15, de 2006, o qual deve seguir rito próprio, não podendo a autoridade administrativa realizálo de ofício por ocasião da constituição do crédito tributário, por falta de previsão legal. Ademais, cabe esclarecer que a glosa de compensação foi efetuada não por ter o município deixado de solicitar a referida compensação ao órgão competente, como argui a Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 2302003.401 S2C3T2 Fl. 155 11 recorrente, mas por não ter apresentado a memória de cálculo, explicitando a origem e a apuração dos valores compensados. FPM. Quanto à retenção do FPM, alardeada pelo recorrente, então prevista no art. 38 da Lei n° 8.212, de 1991, revogado pela Lei n° 11.941, de 2009, cumpre esclarecer que tratavase de retenção de valores objeto de acordo para pagamento parcelado, o que não é o caso das contribuições apuradas no presente lançamento, que sequer foram consideradas bases de cálculo pelo recorrente. Ressaltese que, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, é obrigação da empresa, e não do INSS, declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Apropriação. Ao contrário do alegado pela recorrente, os valores espontaneamente recolhidos pelo município foram apropriados, inicialmente, aos valores declarados em GFIP e, em seguida, aos valores da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais descontados pelo órgão e não declarados. Depois, os recolhimentos remanescentes foram apropriados à contribuição dos segurados não descontada e às contribuições patronais, conforme se verifica no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fls.44/49, na ordem Prioridade utilizada (A, 1, 2, 3). Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10850.908253/2011-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 53 /2 01 1- 37 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 147 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 1.178,20. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 148 3 Data do Fato Gerador: 31/01/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/10/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/11/2013 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 149 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 150 5 Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do livro Diário e do balancete, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado, trazendo, adicionalmente, na segunda instância, parte do livro Razão. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 151 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 152 7 fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 3803006.739 S3TE03 Fl. 153 8 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10970.720175/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC e RE 410.054 AgR/MG).
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC e RE 410.054 – AgR/MG). Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 70 .7 20 17 5/ 20 12 -6 5 Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10970.720175/201265 Resolução nº 1401000.277 S1C4T1 Fl. 1.201 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, Contribuição para o PIS/Pasep PIS/Pasep e Contribuição Patronal Previdenciária CPP, todos na sistemática do SIMPLES NACIONAL., bem como da exclusão do contribuinte do Simples Nacional, a partir de 01/01/2009, conforme Ato Declaratório Executivo n° 37, de 03/08/2012, da DRF/Uberlândia/MG, às fls. 34 do processo n° 10970.720187/201290, juntado a este por apensação. O auto de infração de IRPJ (fls.06/08) exige o recolhimento de R$ 53.594,38, sendo R$ 25.088,13 de imposto e R$ 18.816,03 de multa proporcional (passível de redução), além dos juros de mora (calculados até o último dia útil de 07/2012) no valor de R$ 9.690,22. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Relatório Fiscal Auto de Infração Simples Nacional, de fls. 101/105: 1) Omissão de Receita Receita não Escriturada, nos períodos de 03/2008, 05/2008, 06/2008 e 07/2008. Enquadramento Legal nos artigos 3° § 1°, 13 inciso I, 18 §§ 1°, 3° e 4°, 25 e 34, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações. Arts. 1°, 2°, 3°, 4°, 5° § 1°, 6° e 16 da Resolução CGSN n° 05/2007 e alterações. Arts. 13, 14, inciso I, e 19 §§ 1° a 4°, da Resolução CGSN n° 30/2008. Multa de 75%. 2) Depósitos Bancários não Escriturados: nos períodos de 01/2008, 02/2008, 04/2008, 08/2008, 09/2008 e 10/2008. Enquadramento legal nos artigos. 3° § 1°, 13 inciso I, 18 §§ 1°, 3° e 4°, 25 e 34, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações. Arts. 1°, 2°, 3°, 4°, 5° § 1°, 6° e 16 da Resolução CGSN n° 05/2007 e alterações. Arts. 9°, 13, 14, inciso I, e 19 §§ 1° a 4°, da Resolução CGSN n° 30/2008. Art. 42 da Lei n° 9.430/96. Art. 58 da Medida Provisória n° 66/02 convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/02. Art. 287, §§ 1° a 3° do RIR/99. Multa de 75%. 3) Insuficiência de Recolhimento: nos períodos de 02/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos artigos. 3° § 1°, 13 inciso I, 18 §§ 1°, 3° e 4°, e 25, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações. Arts. 1°, 2°, 3°, 4°, 5° § 1°, 6° e 16 da Resolução CGSN n° 05/2007 e alterações. Art. 14, inciso III, e 19 §§ 1° a 4°, da Resolução CGSN n° 30/2008. Multa de 75%. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10970.720175/201265 Resolução nº 1401000.277 S1C4T1 Fl. 1.202 3 Os demais autos de infração são decorrentes das mesmas infrações apuradas em relação ao IRPJ, sendo que resultaram na exigência dos seguintes valores: Imposto / contribuição Principal Multa Juros de mora IPI 24.708,30 18.531,17 9.643,93 CSLL 25.088,13 18.816,03 9.690,22 COFINS 74.683,06 56.012,25 28.862,26 PIS/PASEP 17.773,05 13.329,69 6.869,77 CPP 214.198,41 160.648,74 82.761,56 Cientificada em 31/07/2012, conforme AR de fl. 209, a interessada apresentou impugnação em 30/08/2012 aos lançamentos, às fls. 219/223, acompanhada dos documentos de fls. 224/1.088, que se resume a seguir: a. Alega a contribuinte que na planilha "Relação de Créditos – Ano 2008" foram apontados pela respeitável auditora fiscal (fl 189202), valores que se referem a empréstimo, e, portanto, não devem ser computados como receita para fins de cálculo dos tributos apurados pelo regime do SIMPLES NACIONAL; b. Entende que os valores destacados na planilha n° 01 (em anexo), cujo montante totaliza R$ 2.410.776,06 (dois milhões, quatrocentos e dez mil, setecentos e setenta e seis reais e seis centavos), constantes na planilha "Relação de Créditos Ano 2008" (fl 189202), se referem a transferências a título de empréstimo concedido pela família por meio da empresa Carreteiro Indústria de Carnes Ltda e portanto não podem ser considerados como receita; c. Observa que não podem ser computados como receita, os valores destacados na planilha n° 02 (em anexo), no montante de R$ 86.000,00 (oitenta e seis mil reais), pois, se referem a economias próprias do sócio Everton Magalhães Siqueira emprestadas à sociedade. Conforme se pode observar no extrato bancário, resta demonstrado que tais transferências tem origem de conta do titular do CPF n° 526.380.65668 (Everton Magalhães Siqueira); d. Ressalta que os valores constantes nas planilhas n° 01 e n° 02 em anexo não podem ser computados como base de cálculo para fins de cobrança dos tributos apurados pelo regime do SIMPLES NACIONAL (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, INSS e IPI), devendo, portanto ser expurgados do referido auto de infração; e. Afirma que não há que se falar em majoração de alíquota em 20% no caso em epígrafe, tendo em vista que não houve extrapolação do limite de Receita Bruta Anual para enquadramento no Regime Simples Nacional, conforme demonstrado na planilha n° 03 (anexo); f. Junta contrato de empréstimo captado em nome da Empresa Carreteiro Industria de Carnes Ltda, e repassado para Industria de Carnes Nelore Ltda a fim de demonstrar que os valores creditados se referem a empréstimo (mútuo) e não a receita. g. Explica, na peça intitulada "ESCLARECIMENTOS DA IMPUGNAÇÃO" (fls. 542/543), que os empréstimos contraídos pela Impugnante no montante de R$ 2.496.776,06 (dois milhões, quatrocentos e noventa e seis mil, setecentos e setenta e seis reais e seis centavos), como explicado anteriormente, considerados como receita tributável pela respeitável auditora fiscal (fl 189202), devem ser expurgados da receita para fins de cálculo dos tributos apurados pelo regime do SIMPLES NACIONAL. h. Dessa forma, conclui, os valores corretos dos tributos apurados pelo regime do SPPJ ES NACIONAL (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, INSS e IRI) no ano Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10970.720175/201265 Resolução nº 1401000.277 S1C4T1 Fl. 1.203 4 calendário de 2008, são os constantes na coluna 1 "Diferença Apurada Simples Nacional" planilha n° 03 (anexo), restando impugnados os Valores a eles excedentes; ou seja, R$ 243.628,50 (duzentos e quarenta, mil, seiscentos e vinte e oito reais e cinquenta centavos), discriminados na planilha 04 em anexo "Valor Impugnado". Tendo em vista a impugnação parcial efetuada pela empresa, a Unidade de Origem procedeu a transferência do crédito tributário não impugnado para a cobrança imediata por meio do processo n° 10675722.724/201271, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fls. 1.091/1.095) e Extrato do Processo (fls. 1.096/1.107). A exclusão da empresa do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório DRF/UBL n° 0037/2012, de 03/08/2012, ocorreu em função da empresa em questão ter incorrido na vedação estabelecida no art. 12, inciso I, da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007, ou seja, ter auferido, no anocalendário de 2008, receita bruta superior ao limite permitido para recolhimento de impostos e contribuições na forma do Simples Nacional. Às fls. 41/42, a pessoa jurídica apresentou impugnação quanto à sua exclusão do Simples Nacional, alegando, em resumo, que: 1) a receita bruta auferida no anocalendário de 2008 foi de R$2.372.000,48, e, portanto inferior ao limite estabelecido pela Lei Complementar 123/2006, em seu art. 3°, II; 2) ademais, encontrase sob análise o Processo n° 10970.720175/201265, que trata do procedimento fiscal de verificação e apuração da receita bruta do ano calendário de 2008; 3) o referido Ato Declaratório não pode surtir efeitos antes do julgamento da impugnação apresentada ao Processo n° 10970.720175/201265; 4) requer a revogação do Ato Declaratório Executivo DRF/UBL n° 037/2012, de 03 de agosto de 2012, e, conseqüentemente, a manutenção da opção da impugnante ao Simples Nacional e a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do processo anteriormente mencionado. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE DE RECEITA BRUTA. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10970.720175/201265 Resolução nº 1401000.277 S1C4T1 Fl. 1.204 5 Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que ultrapassar o limite de receita bruta anual de R$ 2.400.00,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), previsto na legislação vigente. Essa exclusão produz efeitos a partir do a partir de 1° de janeiro do anocalendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10970.720175/201265 Resolução nº 1401000.277 S1C4T1 Fl. 1.205 6 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Não tendo sido atendidas as solicitações de entrega de extratos bancários, os mesmos foram obtidos pela fiscalização, a partir da emissão RMFs aos bancos. Com base nesses extratos lançouse IRPJ/Reflexos com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Entretanto, é de se observar que a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10840.904456/2011-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana-de-açúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR. A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 56 /2 01 1- 73 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANADE AÇÚCAR. A nãoocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de canadeaçúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança Fl. 537DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 4 3 da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, nãocumulativo, do mês de dezembro de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$253.749,47. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420), constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 5 4 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos indevidos; 5 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 6 Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa incluídas indevidamente no valor das exportações; e 7 Créditos indevidos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 193.686,20 no trimestre, constata se que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 4.194,75 no mês de abril, R$ 20.544,19 no mês de maio e R$ 35.324,33 no mês de junho de 2006, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 422, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 432/446. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de PIS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defende os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Entende que os créditos de despesas de depreciação de caminhões, reboques, transbordos, semireboques e colhedora de cana, carroceria e ônibus utilizados no transportes de trabalhadores são utilizados em etapa indispensável à atividade dela, impugnante. Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime nãocumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditorfiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar e transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 539DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS incidente em suas aquisições. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, comprovadas com documentos hábeis e idôneos, geram direito ao crédito da Contribuição para o PIS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 7 6 A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo..” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da contribuição devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme legislação aplicável. iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho: “2 . Bens utilizados como insumos A este respeito, observo que a recorrente, muito embora tenha atacado todos os itens do lançamento de maneira genérica, especificamente reportouse a óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários para suas atividades, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal”. Importante destacar que a recorrente não se reportou especificamente a um determinado item, identificando os dados da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas incluídas no referido Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420). Concentrou seus protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em relação aos bens que entende se tratarem de insumos (aliás, assim também procedeu em relação aos demais itens do lançamento especificamente apontadas no recurso). Assim sendo, entendo que o julgamento também deve analisar a questão nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens indicados no auto de infração e termo de verificação pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição).” Verifico que na manifestação de inconformidade a contribuinte trata especificamente dos itens óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Quanto aos demais bens e serviços entendidos pela fiscalização como não integrantes do conceito de insumo, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro qual o seu entendimento sobre o conceito do termo “insumo”, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 9 8 Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. Vejase que no recurso voluntário, ela afirmou que “todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade”. Se todos os pontos controversos foram abordados, os não abordados, entre eles, o enquadramento dos bens e serviços excluídos do cálculo do crédito no conceito restritivo de insumo, são tidos como incontroversos. Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito de insumo é o mais restritivo, semelhante ao do IPI, e que não foi demonstrado, sequer argumentado, que algum bem o serviço específico, além daqueles citados acima, deveria ser enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente sobre todos os itens. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão recorrida. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Ressaltando que os pontos atacados na manifestação de inconformidade foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar suscitada. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da contribuição social em tela. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 11 10 Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 12 11 Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto Fl. 546DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 13 12 em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 14 13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 15 14 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a Fl. 549DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 16 15 exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 17 16 §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 18 17 Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi la de modo a não admitir o crédito apenas porque no período em discussão não houve exportação da canadeaçúcar. Conforme atestado no relatório fiscal, no período, houve venda de açúcar, que é produzido a partir da canadeaçúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido exclusivamente de álcool carburante. O fato de não ter havido exportação de canadeaçúcar repercute sim no rateio, mas não elimina o direito ao crédito. Por outro lado, no citado Relatório de Ação Fiscal, verifico afirmativa da autoridade fiscal de que a aquisição de óleo diesel não sofreu cobrança da contribuição, porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja direito ao crédito. Pelo exposto nesta seção: 1º) As aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, deve ser mantida a decisão administrativa quanto às exclusões referentes às aquisições de óleo diesel à alíquota zero. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 19 18 A fiscalização excluiu da cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de cana sob o fundamento de que no período não houve produção de canadeaçúcar, logo, não haveria vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. A norma exige que os equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado sejam adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens. Isto não é o mesmo que dizer que apenas se houver efetiva produção no período o direito a descontar crédito poderá ser exercido. Aqui também não cabe ao aplicador da norma restringir, se a lei não restringiu. Por outro lado, os gastos com depreciação de ônibus utilizado para transporte de pessoal e de veículo utilizado no transporte de peças que não estão alocadas no processo produtivo não estão amparados pela norma que autoriza descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação. Assim, devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito os encargos com depreciação dos equipamentos e veículos utilizados na colheita e no transporte de canadeaçúcar. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Fl. 553DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 20 19 II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 21 20 Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 22 21 A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Fretes utilizados no transporte de canadeaçúcar No relatório fiscal verificase que a fiscalização constatou que a contribuinte apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de canadeaçúcar, como se fosse um insumo normal: aplicou a alíquota própria do sistema não cumulativo sobre os valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício. Ora, os valores dos fretes pagos à pessoa jurídica integram o custo de aquisição da canadeaçúcar e devem ter tratamento tributário igual ao desta, de modo que, assim como os valores das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas, os valores dos fretes destas aquisições devem ser incluídos no crédito presumido da indústria, devendo, por isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se depreende dos arts. 8º e 15 de Lei nº 10.925, de 2004, e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 2005: Correta a fiscalização que calculou os valores destes créditos da mesma forma dos créditos com aquisição de canadeaçúcar, alocando os valores na coluna “Mercado Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados para ressarcimento ou compensação. Despesas de armazenagem de produtos. A fiscalização reconheceu que as despesas de fretes e armazenagem sobre vendas ensejam direito a crédito, por isso aceitou a inclusão destas despesas no cálculo do crédito presumido. As despesas não reconhecidas referemse à locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação de produto álcool carburante para exportação, cujas vendas Fl. 556DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 23 22 se submetem à incidência cumulativa da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme tópico específico acima. Tendo em vista que somente são permitidos descontos de créditos sobre despesas relativas a produtos sujeitos à contribuição nãocumulativa, conforme artigo 10, inciso VII, alínea "a", combinado com o art. 1º, parágrafo 3º, inciso IV e com o art. 3º, parágrafo 7º, da Lei nº. 10.637, de 2002, e art. 5º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008, agiu com acerto a autoridade fiscal em excluir do cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências Fl. 557DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 24 23 financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904456/201173 Acórdão n.º 3801004.620 S3TE01 Fl. 25 24 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10235.720022/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz-se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 2202-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 22 /2 00 8- 55 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB. Pela notificação de lançamento nº 02402/00016/2008 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 386.458,64, resultante do lançamento suplementar do ITR/2005, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Santo Ambrósio” (NIRF 3.550.2452), com área total de 38.000,0 ha, localizado no município de Chaves – PA. A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações, os demonstrativos de apuração do imposto devido e de multa de ofício/juros de mora encontramse às fls. 02/05. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2005, iniciouse com o termo de intimação de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; laudo técnico com ART/CREA e memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no seu art. 3º, com o respectivo ato do poder público; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 08/70. Após análise desses documentos e da DITR/2005, a autoridade fiscal glosou integralmente a área informada de reserva legal (19.000,0 ha) e aumentou a área de preservação permanente de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 344.531,32 (R$ 9,06/ha), arbitrandoo em R$ 2.086.200,00 (R$ 54,90/ha), com base no SIPT, da Receita Federal, com o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720022/200855 Acórdão n.º 2202002.941 S2C2T2 Fl. 172 3 conseqüente aumento das áreas tributável e aproveitável o imóvel, da alíquota de cálculo e do VTN tributável, apurando imposto suplementar de R$ 186.361,89, conforme demonstrado às fls. 04. Cientificada do lançamento em 14/03/2008 (fls. 73/74), a contribuinte protocolou em 14/04/2008 a impugnação de fls. 77/80, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 81/117, alegando, em síntese: em atendimento à intimação inicial, a sociedade empresária apresentou laudo técnico nos termos da NBR 14.653 da ABNT, que dimensiona os quantitativos das áreas tributáveis (11.406,78 ha) e nãotributáveis do imóvel, demonstrando ser a área de reserva legal de 7.722,137 ha, conforme mapa fitoecológico; foi adotado o mesmo VTN/ha da DRFMacapá e, com a comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal, por meio de carta imagem elaborada com técnicas de sensoriamento remoto, foi revisado o ADA no IBAMA. Ao final, com base no laudo e nas informações trazidas aos autos, além da averbação da RL e revalidação do ADA, requer seja reconsiderado o lançamento, redefinida a área tributável e suspensa a cobrança do respectivo ITR, até a solução final da questão. Ressalvase que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, aludem aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do cálculo do imposto, essas áreas pretendidas deveriam ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, e a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente em cartório. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT da Receita Federal, referendado por laudo técnico de avaliação com ART, apresentado pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As referências à numeração de folhas serão feitas considerando a digitalização efetuada, ou seja, após a conversão de papel em meio digital, conforme numeração do eprocesso e serão identificadas como efls. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cientificado da decisão em 20 de março de 2013 (efl. 147), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 8 de abril de 2013 (efls. 148 a 169), no qual alega, em síntese: O Auto de Infração e o acórdão recorrido consideraram o lançamento correto com base na intempestividade do ADA e da averbação no cartório, o que afronta diretamente os termos do § 7º e da alínea “a”, do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96; A Receita Federal não provou que a declaração não é verdadeira, conforme exige o § 7º, limitandose a afirmar que o ADA deveria ter sido protocolado no IBAMA até 31/03/1996; discorda de que houve intempestividade na apresentação do ADA e na averbação da área de reserva legal, face à comprovação constante na Certidão apresentada às fls. 110 a 114 (efls. 124 a 128); o laudo técnicoambiental e mapa anexado, além da Certidão de Averbação de Reserva Legal e o ADA comprovam o direito pleiteado; a impugnação foi feita com base no laudo técnicoambiental, o qual demonstra que a área de reserva legal é de 7.722,137 ha e a de preservação permanente de 18.037,574, em conformidade com o disposto na Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001; o ADA não pe exigível no caso de reserva legal, em razão da expressa dispensa do § 7º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96, assim como pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b”, do inciso II, do § 1º, do art. 10), ou imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal (alínea “c”); essa interpretação foi acolhida pelas turmas do STJ, conforme decisões colacionadas; a introdução do § 7º no art. 10, da Lei nº 9.393/96 teve apenas o objetivo de esclarecer que é inexigível ato declaratório ambiental prévio para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza da alínea “a” do inciso II, do § 1º, do artigo 10; Ao final, requer a anulação do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720022/200855 Acórdão n.º 2202002.941 S2C2T2 Fl. 173 5 O recorrente se insurge apenas contra as glosas das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, não se pronunciando sobre o Valor da Terra Nua, razão pela qual entendo que essa matéria está fora do litígio nesta instância, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal O contribuinte apresentou a DITR com as seguintes áreas: Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Durante a ação fiscal, em atendimento à intimação efetuada, o contribuinte apresentou cópia do ADA protocolizado no IBAMA em 06/11/2007 (efl. 12), com essas áreas: Área de Preservação Permanente de 18.037,5 ha e Área de Reserva Legal de 7.722,1 ha. Também apresentou cópia de um ADA do ano de 1997 (efl. 73), protocolizado no IBAMA em 14/07/2000, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Não apresentou, entretanto, a averbação da área de reserva legal no cartório de registro de imóveis. A Fiscalização glosou a Área de Reserva Legal de 19.000,00 ha, por falta de averbação cartorária e alterou a Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha (efl. 05), considerando o ADA de 1997. Em sua impugnação, o contribuinte anexou cópia do requerimento de averbação de 20% da superfície do imóvel referido como reserva legal, efetuado em 10/04/2008, após o início da ação fiscal (efls. 121 e 122). Da Lei nº 9.393/96, verificase que, na apuração do imposto devido, devem ser excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, as imprestáveis para qualquer exploração agrícola, as submetidas a regime de servidão florestal, as cobertas por florestas nativas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 a) de preservação permanente e de reserva legal ,previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (revogado) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) a áreas sob regime de servidão florestal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); . e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Para exclusão das áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal, duas condições necessitam ser atendidas: a averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente e a sua informação no Ato Declaratório Ambiental (ADA), sendo que ambas as exigências devem ser supridas à época a que se refere a Declaração do ITR. Para as áreas de Preservação Permanente, é necessária a apresentação tempestiva Ato Declaratório Ambiental (ADA). Quanto à exigência do ADA para as áreas de Preservação Permanente as de Utilização Limitada/Reserva Legal, em momento anterior à alteração promovida no artigo 17 O da Lei nº 6.938/81 pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal disciplinavam essa obrigação. Em face da ausência de amparo legal para sua exigência, para fatos ocorridos até o exercício 2000, o CARF elaborou a Súmula nº 41, que dispõe: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Entretanto, no presente caso o exercício em questão é o de 2005, sendo inaplicável a súmula. É que, para exercícios posteriores a 2000, o artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000 passou a dispor: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720022/200855 Acórdão n.º 2202002.941 S2C2T2 Fl. 174 7 Assim, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR encontra respaldo legal, a partir do exercício 2001. Verificase, portanto, que a Fiscalização agiu corretamente em somente considerar o ADA apresentado tempestivamente, ou seja, o ADA de 1997, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha. Em relação à obrigatoriedade da averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, para as áreas de Reserva Legal, o artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando foi revogado pela Lei nº 12.651, de 25/05/2012, assim dispunha: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A reserva legal constitui uma restrição de exploração das áreas de vegetações nativas e a sua averbação cartorária tem a função de dar publicidade dessa restrição a terceiros. Assim, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a sua averbação à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. A sua exclusão da área tributável do ITR somente é possível se cumprida tal exigência. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Nesse sentido é o entendimento da Primeira Seção do STJ, conforme julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, §1º, I, aDA LEI 9.3/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. A Primeira Seção firmou entendimento de que a isenção do ITR relativa à área de Reserva Legal está condiconada à prévia averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: ERsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; ERsp 1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.243.685/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2013). Como a averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente somente ocorreu em 10/04/2008 (efls. 121 e 122), ou seja, intempestivamente, entendo por correto o procedimento da Fiscalização de glosar as áreas de reserva legal declaradas pelo contribuinte. Ressaltese que não se questiona a existência de tais áreas, mas apenas que os requisitos legais para a concessão da isenção não foram atendidos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 14485.002811/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2007
INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A co-existência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos.
PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais.
REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
Numero da decisão: 2401-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A co-existência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos. PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA. Os documentos colacionados na defesa dizem respeito a arquivos gerados pela autoridade lançadora e entregues a preposto do sujeito passivo, não tendo o condão de comprovar a entrega dos arquivos requeridos pelo fisco. AUTUAÇÃO POR FALHAS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO DE ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS FATOS. O fato do fisco ter autuado a empresa por falhas contábeis não serve para comprovar que houve a apresentação dos arquivos digitais, posto que a verificação contábil pode ter sido realizada nos livros em meio papel. AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A coexistência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos. PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 28 11 /2 00 7- 39 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/11/2007 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. Desde que devidamente designada, a Autoridade Fiscal tem competência para executar os procedimentos de auditoria em todo o território nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 112 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 16.931 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.134.6541. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa pelo fato da empresa, mesmo regularmente intimada, haver deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da administração tributária e na forma por ela estabelecida. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 27: " Deixou de atender ao TIAD entregue e assinado por seu representante em 15/08/2007, que solicitou a apresentação de documentos que dessem suporte aos lançamentos contábeis que constaram de relação anexada. Tal solicitação tinha o objetivo de esclarecer. sobre o conteúdo de tais lançamentos; Deixou de apresentar em meio digital as informações que constaram do TIAD de 25/09/2006, embora constasse do referido TIAD por escrito a exigência de apresentação das informações de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP (Portaria MPS/SRP 058, de 28/01/2005); Deixou de providenciar a alteração cadastral de seu endereço; Deixou de apresentar os seguintes livros/documentos não diretamente relacionados com as contribuições previdenciárias: Livro de Inspeção do Trabalho e Relação Anual de Informações Sociais — RAIS." Cientificado do lançamento em 23/11/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação de fls. 34/35, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que a declarou improcedente (ver fls. 79/84). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 90/98, qual inicialmente suscita a decadência do crédito lançado, em razão do conteúdo da Súmula Vinculado n.º 08 do STF. Afirma que prestou todas as informações requeridas, conforme comprova mediante a juntada de recibo dos arquivos digitais. Junta também cópia do AI n.º 37.134.6533, onde a autoridade lançadora descaracterizou a contabilidade apresentada. Pergunta: como poderia ter sido desconsidera a escrita contábil, se a empresa não tivesse apresentados os arquivos? Advoga que o fisco atuou com abuso de autoridade, posto que teve acesso aos arquivos em meio assemelhado ao digital e mesmo assim efetuou a lavratura pelo simples fato dos arquivos terem sido disponibilizados em formato diverso do que ele queria. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 113 5 Alega que tentou por diversas vezes fazer a sua atualização cadastral junto à RFB, mas por conta de demasiada burocracia que lhe foi imposta, ainda não havia conseguido o seu intento. Ressalta ainda que o agente do fisco não detinha competência territorial para fiscalizar o Sindicato recorrente. O fisco, assevera, não poderia autuar a empresa por um mesmo fato que deu ensejo a lavratura anterior. Argumenta que o agente fiscal incorreu em flagrante contradição, posto que em um dado momento acusa irregularidades nos lançamentos contábeis em outro registra não haver recebido a documentação. Acusa a ocorrência de bis in idem, haja vista que teria havido autuação por irregularidades contábeis neste e em outros AI. Pede a reconsideração da multa pelo fato de ser primária e não haver incorrido em circunstâncias agravantes. Caso assim não se entenda, pugna pela redução da multa ao valor mínimo de R$ 636,17. Ao final, requereu o acolhimento de todas as suas razões recursais e que as intimações sejam feitas no endereço da sua patrona. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 114 7 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na lavratura em tela, por se tratar de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase para contagem do lapso decadencial a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do AI ao contribuinte deuse em 23/11/2007, poderiam nele ser incluídas competências a partir de 12/2002. Observase do relatório do fisco que os esclarecimentos não atendidos circunscrevemse a todo o período fiscalizado (11/1997 a 06/2006), já os lançamentos contábeis que a autoridade lançadora selecionou para que fossem apresentadas as devidas explicações referemse às competências de 11/1999 a 06/2006. Assim, de fato, há documentos atingidos pelo período decadente, todavia, para esse tipo de autuação a multa é fixa, não se alterando em razão da quantidade de documentos que deixaram de ser apresentados, portanto, as falhas relativas ao período não decadente justificam a aplicação da multa no patamar fixado pela autoridade lançadora. Apresentação dos arquivos digitais Assevera a empresa que pode comprovar a inocorrência da infração mediante a juntada de recibo de entrega desses. Vejamos. Vejo que às fls. 68/72 constam documentos relativos a entrega de arquivos digitais, todavia, não se referem a arquivos entregues pelo sujeito passivo, mas àqueles entregues pelo fisco ao preposto do Sindicato. O primeiro, fl. 68, diz respeito aos arquivos gerados pelo Auditor Fiscal, a partir dos lançamentos constantes no Livro Razão. A finalidade desses arquivos foi dar ciência ao sujeito passivo de quais lançamentos contábeis o fisco necessitaria de comprovação documental. Esse requerimento não foi atendido pelo Sindicato, sendo essa uma das omissões que deu ensejo à autuação. Os outros arquivos, fls. 69/79, correspondem a relatórios vinculados aos lançamentos efetuados e tiveram como objetivo dar ciência ao contribuinte de todos os dados necessários à compreensão dos débitos lavrados na ação fiscal. Assim não tem razão o recorrente quando afirma que os documentos que juntou à defesa seriam hábeis a comprovar a entrega dos arquivos digitais e, por conseguinte, a inexistência da conduta infracional. Ressaltese que além de não comprovar a entrega dos arquivos digitais, o autuado também não trouxe à colação qualquer prova de que tenha apresentado os outros documentos mencionados no relatório fiscal. Registros contábeis Para o recorrente o fisco, mediante o AI n.º 37.134.6533 desconsiderou a sua contabilidade, o que comprova que os arquivos foram entregues. Alega que a escrita somente poderia ter sido analisada se tivessem sido disponibilizados os arquivos. Para comprovar sua tese juntou cópia do AI mencionado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Vale a pena reproduzir o que escreveu o Auditor Fiscal ao motivar a lavratura do AI n.º 37.134.6533: "A empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A empresa adotou na sua contabilidade a utilização de contas com títulos genéricos, como: DESPESAS DIVERSAS (código da conta: 04.04.03.099 00001) utilizada nos exercícios de 2002, 2003 e 2004; OUTROS CRÉDITOS (código da conta : 12103052221) utilizada no exercício de 2006; USO PRÓPRIO (código da conta :31502084213) utilizada no exercício de 2005. A empresa reuniu em uma única conta verbas indenizadas e trabalhadas, quando devia ter dividido. em duas contas: RESCISÕES (código da conta: 31401083172) utilizada no exercício de 2005." Uma primeira constatação é que em nenhum momento o fisco mencionou neste AI que teria desconsiderado a contabilidade do sujeito passivo. O que consta do relatório é que foram detectadas despesas correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias que não foram registrados na contabilidade em conformidade com as normas de regência, esta conduta deu ensejo à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. De outra banda, o fato do fisco haver analisado a contabilidade, em absoluto comprova que foram disponibilizados os arquivos digitais. Estes, de fato, facilitam e agilizam o trabalho fiscal, todavia, a verificação pode ser levada a efeito nos livros físicos, como ocorre nas empresas que não registram o seu movimento mediante processamento eletrônico. Bis in idem Acusa a empresa que o fisco teria lavrado outro AI pela mesma conduta, sendo que a presente lavratura em face da autuação pela falhas contábeis representaria inadmissível bis in idem. Conforme já ponderei o AI n.º 37.134.6533, do qual o sujeito passivo também foi cientificado em 23/11/2007, teve como motivo a conduta do recorrente de deixar de contabilizar em títulos próprios da contabilidade as parcelas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição. Assim não se deve falar em duplicidade de autuação pela mesma conduta na espécie, haja vista que as infrações têm fundamentações distintas. O AI que ora se julga teve como infração a falta de exibição de elementos não diretamente relacionados às contribuições ou em meio não previsto na Lei n.º 8.212/1991. A falta de apresentação destes fere a norma prevista no inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 e no art. 8.º da Lei n.º 10.666/2003, este último referente aos arquivos em meio magnético. O AI n.º 37.134.6533, por seu turno, teve por fim punir o sujeito passivo pela falta de observância da legislação previdenciária quando da confecção de sua escrita contábil. Esta conduta fere a norma prevista no inciso II do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Por isso, não há de falar em duplicidade de pena por uma mesma conduta, posto que as duas lavraturas tem fundamentações jurídicas distintas e as sanções foram aplicadas por fatos diversos, embora apurados na mesma ação fiscal. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 115 9 Ressaltese ainda que existe a possibilidade de autuação em ação fiscal posterior com base na mesma fundamentação legal que outro AI anteriormente lavrado, desde que persista a conduta antijurídica da empresa. Não fosse assim, o sujeito passivo, depois de sofrer uma primeira autuação, ficaria isento de ser compelido pelo fisco a cumprir a legislação tributária. Tentativa de regularização da situação cadastral Embora a empresa assevere que buscou junto à RFB a atualização de seus dados cadastrais e não o fez em razão de excesso de burocracia da Administração Tributária, não devo lhe dar razão. Vejo que a recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre as providências para atualizar o seu cadastro junto à RFB, devo afastar essa alegação. Relevação da multa A relevação da multa é pedido que também não pode ser acatado. A legislação previdenciária prescrevia requisitos objetivos para que esse favor fosse concedido. Eis o que dispunha o revogado art. 291, § 1.º do RPS: §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Vêse que as exigências regulamentares para a dispensa da multa são cumulativas, ou seja, o favor somente é concedido se estiverem presentes todas as condições normativas. Na espécie, não ocorreu a correção da falta, sendo essa constatação impeditiva de deferimento de pedido de relevação. Incompetência territorial Improcedentes os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6.º, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional e constitui requisito para o exercício de sua atividade que o mesmo esteja devidamente amparado por ordem específica, representada na data da presente lavratura pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Assim dispõe o artigo 2o do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. E no presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6.º (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da incompetência da autoridade administrativa. Redução da multa Não devemos também acatar o pedido do recorrente para redução da multa ao patamar de R$ 636,17. Esse valor referese ao mínimo previsto originalmente no Regulamento Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 116 11 da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 para as infrações previstas no inciso I do seu art. 283. A infração em tela tem como valor mínimo aquele previsto no inciso II do art. 283 do RPS, verbis: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Ia partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) A multa aplicada no patamar de R$ 11.951,21 corresponde ao valor do inciso II acima, reajustado conforme determina o 373 do RPS, portanto, a multa já foi imposta no seu valor mínimo, conforme se pode ver também do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 28: "A multa foi aplicada de acordo com o valor mínimo previsto para este tipo de infração que é a de R$ 11.951,21. 0 valor mínimo foi adotado porque a empresa não possui antecedentes de autos de infração, e não ocorreram circunstâncias agravantes. As faltas, no entanto, não foram corrigidas até encerramento da ação fiscal." Deve, assim, ser indeferido o pedido para redução do valor da multa imposta. Intimação no endereço do advogado constituído Indeferese, finalmente, o requerimento formulado pela impugnante para que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao procurador subscritor da impugnação. Da análise da legislação que rege o processo administrativo fiscal, observase a ausência de disposição legal a autorizar a ciência do procurador, devendo a intimação via Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 postal ser encaminhada diretamente ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos moldes do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 4.º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (grifo não original) Conclusão Voto por indeferir o pedido para intimação no endereço do advogado e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 19515.001598/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assim, tratando-se, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial, à evidência, é o dia 1º de janeiro de 2000, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 1999, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte torna-se inaplicável.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA.
Nos termos do art. 229 do RIR/9, provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.
Numero da decisão: 1301-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assim, tratandose, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial, à evidência, é o dia 1º de janeiro de 2000, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 1999, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte tornase inaplicável. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Nos termos do art. 229 do RIR/9, provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 98 /2 00 4- 14 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 464 2 (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 465 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas contidas nos presentes autos, adoto o relatório apresentado pela decisão de primeira instância, donde destaco: Em ação fiscal desencadeada por representação do Banco Central do Brasil BACEN (ofício DECIF/GABIN n 9 0544/2003), a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização em São Paulo — DEFIC/SP intimou (folha 75) COMPANHIA DE EMPREENDIMENTOS SÃO PAULO, acima qualificada, a comprovar, com documentação hábil e idônea, as operações de alienações de ações em tesouraria a Velbert Global Company Inc. (R$ 80.000,00), Wexford Mercantile Corporation (R$ 55.500,00) e Lurton International Corporation (R$ 1.298.000,00), todas ocorridas no anocalendário de 1998. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal das folhas 103 a 105, tais operações de alienação de ações a sociedades de capital estrangeiro não foram registradas no BACEN, inexistindo tampouco qualquer contrato de câmbio de internação de divisas relativamente a essas operações. 1.1 Em atendimento à referida intimação, a Companhia produziu os documentos das folhas 76 a 97. Entre eles, não constava qualquer prova da entrada dos recursos. Diante dessa constatação, a Fiscalização intimou (folha 98) a Companhia a comprovar a origem dos recursos relacionados às operações de vendas de ações, conforme contabilizado na conta livro Razão "241086 — Ações em tesouraria". Em atendimento, a Companhia apresentou: a) Cópia do cheque no 700954, do Banco Real, nominal à Velbert Global Company, no valor de R$ 80.000,00, referente à compra de salas comerciais em Brasília — DF, juntamente com cópia da ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, neste mesmo valor (fl. 99); b) Cópia do cheque no KQ122303 do Banco Itaú, no montante de R$ 37.000,00, cópia do cheque no 012604 do Banco real, no valor de R$ 13.000,00, e cópia da ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, no valor de R$ 50.000,00 (fl. 100), e; c) Cópia do cheque no 665653 do Banco Sudameris, nominal à Companhia, no valor de R$ 600.000,00, juntamente com ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, no mesmo valor (fl. 101). 1.2 A Fiscalização considerou que a documentação produzida não comprovava cabalmente a origem dos recursos recebidos pela Companhia em contrapartida à venda das ações para as mencionadas sociedades estrangeiras, tendo em vista que "...os pagamentos que consubstanciaram tais operações foram realizados por terceiros dentro do País, não havendo relação com aquisições de ações da fiscalizada com as empresas estrangeiras VELBERT GLOBAL COMPANY INC, WEXFORD MERCANTILE CORP. e LURTON INTERNATIONAL CORPORATION" (folha 104). A Fiscalização constatou também que a Companhia não apresentou qualquer documentação Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 466 4 relativamente à alienação de ações a Lurton International Corporation, no montante de R$ 600.000,00. 1.3 Com apoio no artigo 229 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 2 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94, a Fiscalização concluiu que a falta de comprovação da origem dos recursos contabilizados na conta "241086 — Ações em tesouraria" representava um suprimento de caixa, sendo, em realidade, proveniente de receitas omitidas. Ato contínuo, procedeu ao lançamento de oficio do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos. Em face da inexistência de qualquer pagamento a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF relativamente aos fatos geradores apurados na ação fiscal, a reclamar homologação por parte da Autoridade Tributária, a Fiscalização considerou que o prazo decadencial regiase pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966) CTN. 1.4 A exação montou a R$ 1.365.779,35. Foram infracionados os seguintes dispositivos da legislação tributária federal: a) Do IRPJ: arts. 195, inciso II; 197 e parágrafo único, 226 e 229 do RIR/94; art. 24 da Lei n 9.249, de 26 de dezembro de 1995; b) Da Contribuição para o PIS: arts. 1° e 3° da Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970; art. 24, § 2°, da Lei no 9.249, de 1995; e; arts. 2°, inc. I; 3°; 8°, inc. I, e; 9°, todos da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998; c) Da Cofins: arts, 1° e 2° da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, § 2°, da Lei no 9.249, de 1995; d) Da CSLL: art. 2 e §§ da Lei n2 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 19 e 24 da Lei no 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n2 9.316, de 22 de novembro de 1996, e; art. 28 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Regularmente intimado da exação, em 30/09/2004, (A.R. na fl. 123) e inconformado, o autuado interpôs, em 29/10/2004, as reclamações das folhas 132 a 143 (IRPJ), 206 a 217 (PIS), 273 a 284 (COFINS) e 341 a 352 (CSLL), subscritas por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento público de mandato nas folhas 128 e 129, 150 a 160, 222 a 232, 290 a 300 e 358 a 368 e instruída com os documentos das folhas 161 a 205, 234 a 272, 302 a 340 e 370 a 408, por meio dos quais se controvertem os lançamentos nos termos abaixo relatados. 2.1 Após síntese dos fatos, protesta pela tempestividade de sua reclamação. Em preliminar, argúi decadência do direito do Fisco de lançar o crédito tributário referente a períodos anteriores a 30/09/1999, em face da regra insculpida no § 4° do art. 150 do CTN, que entende reger a matéria. Cita e transcreve jurisprudência. Argumenta que a incidência desse dispositivo não está condicionada ao prévio pagamento, mas à determinação da lei do respectivo tributo, que atribui ao sujeito passivo a obrigação de pagálo antecipadamente a qualquer atividade do fisco. 2.2 No mérito, esclarece que, no anocalendário de 1998, alienou um total de 1.433.500 quotas do capital social, das quais 80.000 foram adquiridas por Velbert, em 03/08/1998; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 467 5 55.000 pela Wexford, também em 03/08/1998, e; 1.298.000, pela Lurton International, em 04/09/1998 e 06/11/1998. Com relação a essas alienações, esclarece que: a) As 80.000 quotas adquiridas por Velbert em 03/08/1998 foram pagas por meio do cheque administrativo no 700954, no valor de R$ 80.000,00 (doc. 04, fl. 164), que, não obstante ser nominal à sociedade adquirente das quotas, consigna, em seu dorso, a ordem "Paguese à 101 Brasil Petróleo S/A", corroborado pelo depósito em conta corrente da alienante das quotas, mantida junto ao Banco Santos, na mesma data e no mesmo valor e pela alteração estatutária das fls. 168 a 175 (art. 5°), registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, em 21/08/1998, que inclui a sociedade adquirente das quotas no quadro societário da Companhia; b) As 55.000 quotas adquiridas por Wexford foram saldadas em duas parcelas de R$ 50.000,00 e de R$ 5.500,00, ambas em data de 03/08/1998, sendo que os cheques de no KQ122303 e 012604, nos valores de R$ 37.000,00 e R$ 13.000,00 (fl. 180), respectivamente, dizem respeito ao pagamento da parcela de R$ 50.000,00, com débito na conta corrente mantida pela Companhia no Banco Santos, na mesma data, comprovado pelo recibo de depósito da fl. 182, ao passo que a segunda parcela, no valor de R$ 5.500,00, foi quitada mediante a transferência à Companhia de imóvel nesse mesmo valor, conforme certidão cuja cópia se encontra nas fls. 184 e 185, tudo corroborado pela alteração estatutária das fls.168 a175 (art. 5°) registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, em 21/08/1998, que inclui a sociedade adquirente das quotas no quadro societário da Companhia; c) As 1.298.000 quotas adquiridas por Lurton foram saldadas pelo crédito de R$ 698.000,00 na conta corrente da Companhia, em setembro de 1998 (cópia do extrato da conta na fl. 194), e pelo cheque administrativo no 665653, no valor de R$ 600.000,00, nominal à alienante das quotas, (fl. 199), depositado na sua conta corrente do Banco Santos, em 03/12/1998 (fls. 203 e 205), tudo corroborado por instrumentos particulares de compra e venda de ações das fls. 187 a 189, 196 e 197. 2.3 Considera esse conjunto probatório hábil para afastar a presunção de omissão de receitas, devendose reconhecer a improcedência do lançamento. Conclui, requerendo que se declarem tacitamente homologados os períodos objeto do auto de infração e se reconheça a decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário respectivo. Adicionalmente, requer o acolhimento de suas razões de mérito, para o efeito de cancelarse o lançamento. As reclamações contra os lançamentos referentes à Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL são vazadas nos mesmos termos. A partir dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada pela contribuinte, entendeu a douta 1a Turma da DRJ/STM pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 468 6 A não comprovação da efetiva entrega e da origem dos recursos supridos permite a presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo desconstituir a acusação mediante prova cabal não só de que os recursos ingressaram na sociedade, mas também de que os mesmos foram percebidos pelos supridores de forma estranha à sociedade ou, se da empresa, que foram submetidos à regular contabilização. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – OMISSÃO DE RECEITA NÃO CARACTERIZADA Para que se corporifique a presunção de omissão de receita, além da inexistência de prova da efetiva entrega e da origem dos recursos envolvidos, a sociedade supridora, em relação à suprida, deverá preencher a condições de acionista controladora, sendo defeso ao intérprete, sob pena de criar novas hipóteses de incidência, adotar entendimento que estenda o alcance da norma além dos limites por ela fixados. Operações de aquisição de quotas sociais por terceiros, sociedades de capital estrangeiro, que não se subsumem aos requisitos do aspecto subjetivo da hipótese de incidência da norma de regência, não permitem a caracterização da omissão de receitas, ainda que inexista comprovação da origem dos recursos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL A solução dada ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica se aplica integralmente aos lançamentos da Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL, quando dele decorrentes. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão exarada, por ela foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, aduzindo, em suas razões, o seguinte: Preliminarmente Da decadência do suposto débito A recorrente argui a ocorrência da decadência do direito de lançar, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 150, parágrafo 4o do CTN, e não o Art. 173, inciso I da forma como efetivado pela fiscalização e pela r. decisão de primeira instância. Tratandose, no presente lançamento, de créditos tributários apurados em relação ao mês de Dezembro/98, e, tendo a contribuinte sido intimada do lançamento no dia 30/09/2004, necessário se faz o reconhecimento da decadência na espécie. Do mérito Das operações de compra e venda de participações societárias – Inexistência de omissão de receitas No ano de 1998, além da já sócia estrangeira Lurton International, foram admitidas mais duas empresas sediadas no exterior nos quadros societários da Impugnante, a saber, a Velbert e a Wexford. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 469 7 Analisando a questão, a r. decisão de primeira instância reconheceu a impossibilidade de desconsideração das operações relativas ao ingresso nos quadros societários da contribuinte das empresas Velbert e Wexford, mantendo, entretanto, o lançamento em relação à empresa Lurton, supostamente aplicando as disposições do art. 299 do RIR/94. Tal entendimento, entretanto, não pode prevalecer, pois a compra das 1.298.000 quotas pela Lurton International reputase válida em função de dois Instrumentos Particulares de Compra e Venda de Ações: um datado de 04/09/1998, representativo da transferência de 698.600 quotas, e outro de 06/11/1998, referente à transferência das 600.000 quotas restantes. Para sustentar a validade da operação, a recorrente faz referência aos documentos juntados quando da apresentação das impugnações contidas nos autos, indicando, assim, a completa regularidade de todas as operações efetivamente realizadas. Em face dessas considerações, requer a reforma da decisão de primeira instância, e, com isso, a efetiva e completa desconstituição do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 470 8 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele tomo conhecimento. Da análise quanto à decadência A primeira questão aduzida nos presentes autos referese à pretensão da recorrente de ver reconhecida a ocorrência da decadência em relação à efetivação do lançamento pelos agentes da fazenda pública, tendo em vista que, tratandose, no lançamento, de fatos tributáveis possivelmente ocorridos em Dezembro/98, e, tendo a contribuinte sido intimada dos termos da autuação no dia 30/09/2004, terseia operado, então, a extinção do direito da fazenda pública, tendo em vista a necessária aplicação das disposições do Art. 150, parágrafo 4o do CTN, especificamente, tendo em vista a natureza dos tributos lançados. A matéria, é bem verdade, por muito tempo foi debatida pela doutrina e pela jurisprudência, havendo, recentemente, o estabelecimento de entendimento específico pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, que, nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), assim definiu a querela: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 471 9 DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Pelo que aqui assentado, a aplicação ou não das disposições do Art. 150, §4o do CTN, passam, agora, a depender da verificação da existência de “pagamento” pelo contribuinte no período respectivo, não importando ser ele suficiente ou não para o adimplemento do crédito tributário no exercício, sendo certo que, inexistente qualquer pagamento, aplicamse, então, as disposições do mencionado Art. 173, I do CTN. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 472 10 Nessas circunstâncias, essencial, aqui, é a verificação de qual regra decadencial deve ser aplicada, o que, a partir dos mandamentos contidos na decisão proferida pelo Colendo STJ, e aqui antes referenciada, necessária se faz a verificação, ou não, de pagamento de tributo no exercício respectivo, sendo destacável que, havendo pagamento no exercício, aplicamse as disposições do Art. 150, §4o do CTN, ao passo que, sendo este inexistente, aplicamse, então, as disposições do Art. 173, I. A aplicação desse entendimento, com toda a certeza, ainda hoje tem sido objeto de relevantes debates no CARF, sobretudo porque, de fato, a discussão a respeito dos elementos para a aplicação do mencionado Art. 173, I do CTN ainda geram relevantes discordâncias, sobretudo em relação a o que, objetivamente, deve (ou não) ser considerado como sendo “o exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível” apontado na referida decisão. Observese que, a esse respeito, ao contrário do que muito se tem falado de que tenha havido possível “equívoco” naquela decisão, da leitura do inteiro teor do acórdão referenciado o que se verifica é que, de fato, esse era o entendimento daquele julgador, e, bem ou mal, foi o que restou pacificado como entendimento da Corte naquela oportunidade. Vejamos o que expressamente consta do voto condutor do Acórdão em referência: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier , "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). De fato, este relator não desconhece o expresso texto legal contido nas disposições do Art. 173, inciso I do CTN, e, nem tampouco, a doutrina abalizada historicamente construída a seu respeito. No caso, estáse diante, exclusivamente, da estrita ocbservância dos mandamentos procedimentais estabelecidos na seara própria deste Processo Administrativo Fiscal, de onde se destaca, então, a específica e própria dicção das disposições do Art. 62A do RICARF que, a respeito da obrigatoriedade de observância da jurisprudência pacificada pelos Conselheiros do CARF, assim então especificamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Grifo nosso) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 473 11 A partir da leitura dessas disposições, com a mais respeitosa vênia, penso que aos Conselheiros não cabe a avaliação de “conveniência e/ou oportunidade”, e nem muito menos a constituição de qualquer juízo de valor a respeito da eventual (in)correção do entendimento exarado pelas Colendas Cortes Jurisdicionais (STJ e STF), devendo aqui, então, simplesmente “reproduzir” e aplicar o comando ali então determinado. Destaco esse pessoal entendimento nesta oportunidade, sobretudo, em face da respeitosa divergência já levantada em julgamentos anteriores que sustentam que teria “havido equívoco” na manifestação contida no Acórdão do REsp 973.733SC, que, em pronunciamentos posteriores, já teria inclusive ajustado seu entendimento. Ocorre que, como tenho sustentado, aqui se trata de específica regra processual e, com a todas as vênias, para que possa o entendimento expresso em qualquer julgado eventualmente proferido por aquela Colenda Corte se sobrepor ao entendimento antes expressado, deverá então fazêlo nos termos e limites próprios do Art. 543C do CPC, sem o que, absolutamente, o que verifico não é nada mais nada menos que o cabal descumprimento das normas regulamentares. Diante dessas considerações, mesmo reconhecendo a pertinência das críticas traçadas por nobres membros deste Conselho em relação ao entendimento manifestado pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, especificamente em relação ao mandamento próprio a respeito da adequada aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN (sob a sistemática própria do Art,. 543C do CPC), entendo, pessoalmente, pela existência do específico dever regulamentar que impõe a este Conselheiro s obrigatoriedade de “reprodução” do que especificamente manifestado naquele julgamento, aplicandoo, então, ao presente caso. Com essas considerações, tendo em vista que conforme expressamente determinado pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob o específico mandamento do Art. 543C do CPC, e, no caso, a determinação regulamentar expressa nas disposições do Art. 62A do RICARF, entendo que, até que substituído aquele entendimento, devese entender que, para fins de aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN, "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Em face dessas considerações, aplicandose o Art. 173, inciso I do CTN ao presente caso, verifico que, tratandose de fatos tributáveis apurados no mês de Dezembro/1998, entendendo o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, verifico então o início da contagem do prazo decadencial a partir do dia 01/01/1999, e, com isso, a definição da data final como sendo o dia 01/01/2004. Tendo a contribuinte sido intimada dos termos do auto de infração apenas no dia 30/09/2004, tenho para mim, então, como efetivamente ocorrida a decadência e, com isso, efetivamente extinto o crédito tributário respectivo, nos termos aqui então especificamente apresentados. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a decadência ao direito de lançar pela Fazenda Pública, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN nos termos determinados pela exegese estabelecida pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob a sistemática do Art. 543C do CPC, aqui reproduzido em específica obediência às disposições do Art. 62A do RICARF. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 474 12 DO MÉRITO Da omissão de receita Em que pese as considerações apresentadas no tópico anterior, restando vencido em meu entendimento pela ilustrada maioria, cumpre ainda aqui, então, apreciar as questões de mérito levantadas pela recorrente. A questão tratada nos autos, conforme aqui já se tem verificado, referese, no caso, à oposição apresentada pelos agentes da fiscalização em relação às supostas alterações societárias engendradas pela contribuinte, e, no caso, a desconsiderações das referidas operações, entendendo como efetivado, no caso, o efetivo “Suprimento de caixa” e, com isso, o descortinamento da odiosa prática da “omissão de receitas”, nos termos então especificamente expressos no Art. 229 do RIR/94, que, sobre o assunto, assim então objetivamente apontava: Art. 229. Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretosLei n°s 1.598/77, art. 12, § 3°, e 1.648/78, art. 1°, II). Nas atuais disposições do RIR/99 (Decreto 3.000/99), esse dispositivo apresentase nas disposições do Art. 282, apresentandose hoje com idêntica redação. Pois bem. Nos presentes autos, a fiscalização apontou, originariamente, a invalidade dos procedimentos adotadas pelo contribuinte em relação a (supostas) alterações societárias, essas indicadas como relativas à alienação de quotas às empresas Lurton International (que já era sócia da empresa), e, também, às empresas Velbert e a Wexford, sobretudo por indicar a ausência de registro das referidas operações junto ao BACEN, e, ainda, por não identificar, nas análises realizadas, a origem e a natureza dos recursos recebidos. Analisando as circunstâncias apresentadas nos autos, a r. decisão de primeira instância especificamente se debruçou sobre a questão apontada, destacando que, em que pese reconhecer a existência de dúvidas quanto à efetividade das operações, no caso específico das operações realizadas com as empresas Velbert e a Wexford não se teria como válida a aplicação da presunção apontada, sobretudo porque, não possuindo elas, antes, qualquer relação societária com a contribuinte, não se teria, no caso, efetivamente materializado a hipótese autorizadora da aplicação da presunção legal apontada, não sendo lícito, assim, de forma alguma, a criação de nova hipótese pelos agentes da fiscalização. Vejamos o específico teor da decisão exarada em primeira instância: 3.2.5 O art. 229, antes transcrito, por outro lado, apenas admite a presunção quando os recursos supridos forem provenientes dos administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. 3.2.6 No caso concreto, verificase, liminarmente, que as sociedades Velbert Global Company Inc. e Wexford Mercantile Corp. não pertenciam ao quadro societário da Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 475 13 autuada, já que só foram introduzidas na sociedade na AGE, realizada em 13/08/1998 (ata nas fls. 76 a 90). Como já mencionado anteriormente, o referido dispositivo admite a presunção de omissão de receitas apenas quando os recursos forem provenientes dos administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. Não há no processo qualquer documento que comprove que as referidas sociedades se enquadravam na categoria de acionista controladora da companhia (obviamente, jamais poderiam enquadrarse nas demais), razão pela qual se deve afastar a incidência do art. 229 do RIR/94, e o lançamento, neste tocante, deve ser cancelado. Vejase, a propósito, o entendimento do Conselho de Contribuintes: (...) 3.2.7 Caso completamente distinto é o das operações em que Lurton International Corporation figurou como adquirente das ações. De imediato, constato que a mesma já participava da sociedade (fl. 82) e era detentora da maior parcela do capital social da Companhia, satisfazendo assim o aspecto subjetivo acionista controladora mencionado pelo art. 229 do RIR/94. 3.2.8 No que tange a comprovação da origem dos recursos supridos, a prova produzida não foi hábil para tal fim. Desconsiderese, de plano, os dois instrumentos particulares brandidos pela Defesa. Eles nada provam, no que diz respeito à efetividade do pagamento pela Lurton e do recebimento pela Companhia do valor envolvido na pretensa transação. O extrato da conta corrente da Companhia (fl. 194) prova apenas que houve um crédito no valor de R$ 698.600,00, mas nada atesta quanto a origem desse valor. O cheque administrativo do Banco Sudameris tampouco comprova que os R$ 698.600,00 originaramse da adquirente Lurton. 3.2.9 Assim, à mingua de prova da origem dos recursos, e tratandose de sociedade controladora da companhia, há a incidência da norma do art. 229 do RIR194, habilitando a presunção omissão de receitas montantes a R$ 1.298.000,00. Mantenhamse, portanto, os lançamentos referentes a essa parcela. A partir dessas considerações, verificase que, após a exoneração determinada pela decisão de primeira instância (não submetida a Recurso de Ofício, digase de passagem), a questão mantida nos autos referese, especifica e exclusivamente, em relação às operações realizadas com a empresa Lurton International Corporation, que, sendo antes já sócia da empresacontribuinte, satisfazia o critério pessoal necessário para a aplicação das disposições do apontado art. 229 do RIR/94, sendo relevante destacar que, conforme apontado, não teria a contribuinte efetivamente conseguido comprovar a titularidade e a legitimidade dos créditos por ela então recebidos. Em seu recurso voluntário, cumpre destacar, a recorrente simplesmente reproduz as mesmas considerações apresentadas em sua anterior impugnação, não desconstituindo, em momento algum, quaisquer das considerações apresentadas pela r. decisão de primeira instância. No caso presente, analisando os autos, verificase que, em que pese a existência dos instrumentos contratuais apontados, relativos ao suposto aumento da Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 476 14 participação societária na contribuinte pela empresa Lurton, não se verifica qualquer informação ou elemento que possibilite a vinculação daquela pretendida operação aos montantes apontados, ou ainda, no caso, sequer a específica titularidade daqueles montantes, não restando assim, portanto, outra alternativa, senão, a de efetivamente manter a presunção aplicada pelos agentes da fiscalização, nos termos então aqui efetivamente considerados. Em face dessas razões, tendo sido superada a questão do reconhecimento da decadência inicialmente apontada, encaminho o meu voto, então, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, mantendo, assim, o lançamento com os específicos ajustes determinados pela r. decisão de primeira instância. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 477 15 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Não obstante a densa e fundamentada argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, pelo voto de qualidade, decidiu de forma diversa em relação à caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do pronunciamento do Ilustre Relator, sintetizam o entendimento por ele esposado. [...] Em face dessas considerações, aplicandose o Art. 173, inciso I do CTN ao presente caso, verifico que, tratandose de fatos tributáveis apurados no mês de Dezembro/1998, entendendo o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, verifico então o início da contagem do prazo decadencial a partir do dia 01/01/1999, e, com isso, a definição da data final como sendo o dia 01/01/2004. Tendo a contribuinte sido intimada dos termos do auto de infração apenas no dia 30/09/2004, tenho para mim, então, como efetivamente ocorrida a decadência e, com isso, efetivamente extinto o crédito tributário respectivo, nos termos aqui então especificamente apresentados. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a decadência ao direito de lançar pela Fazenda Pública, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN nos termos determinados pela exegese estabelecida pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob a sistemática do Art. 543C do CPC, aqui reproduzido em específica obediência às disposições do Art. 62A do RICARF. Constatase, assim, que o Relator, para fins de aplicação da regra de caducidade estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, empresta interpretação literal ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça na apreciação do RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940), que, por ter sido processado nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), deve necessariamente ser observado por esta Corte Administrativa, ex vi do disposto no art. 62A do Regimento Interno. Contudo, o Colegiado entendeu de forma diversa, pois, a adoção da definição pretendida pelo Relator, em que pese o fato de ser ela a expressada literalmente pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito das disposições do art. 543C do CPC, implica necessariamente na própria eliminação do termo inicial estampado no inciso I do art. 173 do CTN, norma que serviu de suporte para o pronunciamento judicial Diante de tal circunstância, resta evidente o equívoco da conceituação trazida pelo pronunciamento da Corte Judicial. Equívoco esse devidamente reparado pelo próprio Superior Tribunal de Justiça por ocasião da apreciação dos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 478 16 A questão posta em discussão foi brilhantemente apreciada pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha em inúmeros julgados, motivo pelo qual peço licença para reproduzir fragmentos do pronunciamento correspondente. [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 479 17 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 480 18 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. No presente caso, conforme assinala o pronunciamento nesta parte vencido, a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 30 de setembro de 2004, logo, relativamente aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, a Fiscalização poderia promover os lançamentos tributários até 31 de dezembro de 2004, motivo pelo qual descabe falar em caducidade. Diante do exposto, rejeitada a preliminar de caducidade do direito de lançar, pronunciouse o Colegiado por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Numero do processo: 13896.910135/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 13 5/ 20 12 -3 1 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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