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Numero do processo: 10580.725537/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 71 1 70 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725537/200901 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.345 – 1ª Turma Especial Data 10 de março de 2015 Assunto IRPF Recorrente JOSÉ ASSIS MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2007 exercício de 2008, que reduziu o saldo de imposto a restituir em virtude de alterações realizadas pela fiscalização nos valores dos rendimentos tributáveis declarados e do imposto de renda retido na fonte compensado. Inconformado com a exigência, o Contribuinte defendeu o cancelamento do lançamento efetuado, por inexistência da infração tipificada e pela comprovação da retenção do IRRF. Após o exame da lide, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BACE julgou improcedente impugnação em decisão que restou assim ementada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 53 7/ 20 09 -0 1 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725537/200901 Resolução nº 2801000.345 S2TE01 Fl. 72 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO NA FONTE. PERÍODO DIVERSO. Não pode ser compensado o imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos em anocalendário diverso. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/09/2010 (AR, fl. 41), o interessado, representado por seu advogado, interpôs recurso voluntário de fls. 42/65, em 18/10/2010. Em sua defesa, discorre sobre falta de enquadramento legal da suposta infração fiscal, cerceamento de defesa, nulidade do lançamento fiscal e responsabilidade da fonte pagadora. Alega que o Fisco não levou em conta os cálculos do MM.Juízo, de fls.942/943, bem como desqualificou a DIRF relativa a 2007, apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, considerandoa incorreta, por supostamente se referir a retenção sobre rendimentos pagos em 2006. Argumenta, ainda, que a jurisprudência pátria tem afastado a incidência do imposto de renda sobre o montante recebido de forma acumulada. Dessa forma, impede que o Contribuinte seja penalizado com uma tributação originariamente indevida ou excessivamente mais gravosa, mormente quando não deu causa ao pagamento realizado com atraso. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento foi assim fundamentado (fl. 15): De acordo com documentos apresentados pelo contribuinte referentes a ação judicial trabalhista nº02350.1992.005002RT, tendo como executada Petróleo Brasileiro S/a, constatamos:. Valor Bruto, R$4.667,39 (fl 941 e fl.95l)*; IRRF, R$233,56(fl.941)*;. INSS, R$0,00, Rendimento Tributável, R$3.492,61. O Rendimento Tributável representa 74,83%(f1.941)* do Valor Bruto. Foi pago R$795,89 de honorários advocatícios. O valor bruto deduzido os honorários é R$3.871,50. Deste valor 74,83% são tributáveis, ou seja R$2.897,04.Embora na folha 941* seja apontado um valor bruto de R$5.551,70, verificase que a composição do valor bruto é o valor efetivamente liberado R$4.433,83(f1.951)* + o valor do imposto retido na fonte R$233,56, perfazendo um total bruto de . R$4.667,39.Esclarecemos que o valor da DIRF apresentada pela fonte pagadora no anocalendário de 2007 se refere, na verdade, a uma Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725537/200901 Resolução nº 2801000.345 S2TE01 Fl. 73 3 liberação efetuado no anocalendário de 2006 (fl.942)*. *folha do processo trabalhista. O Recorrente alega que o Fisco não levou em conta os cálculos do MM.Juízo, de fls.942/943 (fls. 23/24 deste processo digital, bem como desqualificou a DIRF relativa a 2007, apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, considerandoa incorreta. Compulsando os autos, não se encontra a DIRF apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, referente ao anocalendário de 2007. Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS seja intimada a informar o valor dos rendimentos pagos ao Contribuinte no anocalendário de 2007, e o correspondente valor do imposto de renda retido na fonte, em decorrência de determinação judicial constante do Processo nº 02350.1992005 05002RT. Após tais providências e ciência ao Contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000113/2006-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO.
A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto.
JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
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MULTA DE OFÍCIO. A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 13 /2 00 6- 66 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/01/2006, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre maio de 2001 e março de 2002. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 24/30, em sede de agravo de instrumento no mandado de segurança 1999.61.00.0229656 o TRF da 3ª Região concedeu liminar que autorizou o contribuinte a efetuar a compensação dos valores recolhidos a maior durante os anos de 1993 a 1997 da Contribuição Social sobre o Lucro, com a alíquota majorada para instituições financeiras, com parcelas vincendas da própria CSL e da COFINS, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. A liminar foi cassada e o contribuinte efetuou um depósito em juízo no valor de R$ 2.097.482.17 no dia 01/04/2004 para suspender a exigibilidade em relação aos períodos de apuração de julho de 1999 a março de 2002. Entretanto esse depósito só foi suficiente para suspender a exigibilidade da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 e abril de 2001. A fiscalização lavrou dois autos de infração. O primeiro relativo ao período de maio de 2001 a março de 2002, sem exigibilidade suspensa, objeto do presente processo administrativo. E o segundo, relativo ao período de julho de 1999 a abril de 2001, com exigibilidade suspensa, objeto do processo 16327.000114/200619. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que a fiscalização imputou o valor total do depósito efetuado a períodos de apuração já alcançados pela decadência. A fiscalização deveria ter desconsiderado o período decaído, o que faria o período de maio de 2001 a março de 2002 se deslocar para setembro de 2001 a março de 2002, conforme planilha anexa. Solicitou o julgamento em conjunto com o processo 16327.000114/200619. Por meio do Acórdão 19.651, de 26 de novembro de 2008, a DRJ São Paulo atendeu ao pleito do contribuinte quanto ao julgamento em conjunto. No processo 16327.000114/200619 a DRJ reconheceu em parte a decadência, mas não reconheceu o direito de utilização da parcela dos depósitos imputada ao período decaído para suspender a exigibilidade dos períodos não decaídos. Segundo a DRJ: "(...) Naquela decisão foi observado que o interesse do autuado de aproveitar depósito judicial de período decaído para lastrear fatos geradores posteriores, — que, de outra forma, não estariam garantidos , implicaria alterar, por arbítrio próprio, fato sub judice. A vinculação dos depósitos judiciais aos respectivos fatos geradores dos créditos tributários discutidos em juizo, embora realizada pelo próprio autor da ação, no caso, o autuado, fora acolhida pelo Juizo, passando a estar sob a tutela judicial. Desta forma, a eventual desvinculação do valor depositado, do fato gerador inicialmente indicado, e sua aplicação em outro fato gerador somente poderia ser efetuada no âmbito do processo judicial e por determinação do Juizo. Nem o Fisco, nem o autuado teria legitimidade para proceder a alterações em valores sob tutela judicial. Assim, o argumento de que depósitos efetuados para fatos geradores decaídos podem ser Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000113/200666 Acórdão n.º 3403003.542 S3C4T3 Fl. 5 3 aproveitados, ao talante do autuado, em outros fatos geradores não garantidos, carecia de validade.(...)" A DRJ também rejeitou a possibilidade de cancelar o auto de infração, em função de depósito complementar efetuado pelo contribuinte: "(...) Impende notar, por fim, que o fato de o autuado ter efetuado depósito judicial complementar (fls. 82, 112 a 114), após ser cientificado do presente Auto de Infração, em nada altera a legitimidade do lançamento, que está fundado no artigo 142, do CTN, e no Decreto 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. 16. Desta forma, o pedido de cancelamento do presente lançamento por conta do pretendido aproveitamento de depósito judicial somado com o depósito complementar que alega ter efetuado, não pode ser acolhido, por carência de fundamento, quer na lei, quer no direito.(...)" Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 26/12/2008 (fls. 270), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 274 e ss. em 26/01/2009. Teceu um breve resumo do processo judicial, alegando que encontrase pendente de julgamento no STF o RE 587.987. Disse que embora a DRJ tenha julgado o lançamento procedente, não há razão para enviar o processo para cobrança executiva, pois em 02/03/2006 foi depositado o valor de R$ 1.089.155,77 para cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002, incluindo multa e juros. Requereu a exclusão da multa e dos juros e a suspensão da cobrança até que sobrevenha a decisão definitiva a ser proferida no processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o auto de infração se originou da insuficiência do depósito judicial efetuado em 01/04/2004 no valor de R$ 2.097.482,17 para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo aos períodos de apuração de julho de 1999 a março de 2002. Em cálculo de imputação elaborado pelo fisco, o valor depositado foi imputado ao crédito tributário cuja exigibilidade a instituição financeira desejou suspender, tendo sido constatado que o depósito efetuado em 01/04/2004 (fl. 144) só foi suficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário do período de julho de 1999 a abril de 2001. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Permaneceu não coberto por depósito o crédito tributário do período de maio de 2001 a março de 2002, que foi lançado no auto de infração albergado neste processo. O valor do crédito tributário sem exigibilidade suspensa é justamente aquele que consta do presente auto de infração: COFINS: R$ 827.199,04 JUROS DE MORA: R$ 612.536,42 MULTA DE OFÍCIO: R$ 620.399,24 O pleito do contribuinte no sentido de que a parcela do depósito judicial efetuado em 01/04/2004, alocada a períodos alcançados pela decadência no processo 16327.000114/200619, fosse utilizada para cobrir débito de períodos não decaídos foi negado pela decisão de primeira instância. Contra essa negativa, a defesa não se insurgiu no recurso voluntário, fato que tornou a decisão da DRJ definitiva na esfera administrativa quanto a esta questão, a teor do disposto no art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72. Em sede de recurso, a defesa limitouse a invocar o depósito complementar efetuado no dia 02/03/2006, no valor de R$ 1.089.155,77 (fl. 314), que segundo a ilustre advogada se destina a cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002. Com base em tal depósito a defesa solicita exclusão da multa e dos juros. É evidente que o valor depositado no dia 02/03/2006 continua a ser insuficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário. A uma porque a própria recorrente alegou que o depósito complementar foi feito para cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002, quando o período em aberto verificado pela fiscalização alcança maio de 2001 a março de 2002. Assim, ficaram de fora do depósito complementar os meses de maio a agosto de 2001. Acrescentese que o mês de abril de 2002 não foi lançado no presente auto de infração. Ao efetuar esse depósito, a defesa insiste na tese da desalocação dos depósitos que suspenderam a exigibilidade do crédito tributário de períodos decaídos no processo nº 16327.000114/200619, fato que não está mais em discussão neste processo, da falta de contestação expressa do acórdão da DRJ quanto a esta matéria. A duas, porque o valor a ser depositado já estava calculado no auto de infração. A diferença a menor dos depósitos é o valor da própria contribuição lançada no auto de infração (R$ 827.199,04). O valor dos juros devidos é o lançado no auto de infração (R$ 612.536,42) e o valor da multa a ser depositado no dia 02/03/2006, data de vencimento do auto de infração, era de 50% do valor lançado, ou seja, R$ 310.199,62. Desse modo, no dia 02/03/2006 a recorrente deveria ter depositado em juízo R$ 1.749.935,08, mas depositou apenas R$ 1.089.155,77 porque ignorou o indeferimento de seu pleito decidida no acórdão recorrido. Considerando que ainda não existe depósito do montante integral do crédito tributário, é evidente que o caso concreto não se enquadra na Súmula CARF nº 5, in verbis: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000113/200666 Acórdão n.º 3403003.542 S3C4T3 Fl. 6 5 exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com esses fundamentos, os juros de mora devem ser mantidos no auto de infração, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que somente o depósito do montante integral do crédito tributário é passível de purgar a mora. Relativamente à multa de ofício, o art. 63 da Lei nº 9.430/96 estabelece o seguinte: Art. 63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Considerando que no caso concreto a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa quando do início da ação fiscal (em 02/12/2004, fl. 02) porque o depósito efetuado em 01/04/2004 (fl. 144) foi insuficiente, não há amparo legal para a exclusão da multa de ofício. Quanto à suspensão da cobrança, a decisão de inscrever ou não os débitos ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. À luz desses dispositivos legais, não cabe a este colegiado decidir por aquela suspensão em sede de recurso voluntário. A uma por falta de competência legal. A duas porque a exigibilidade do crédito tributário já está suspensa em virtude do efeito suspensivo dos recursos administrativos no âmbito do PAF. A três, porque em face da presente decisão ainda existem recursos que podem ser manejados pelo contribuinte. E a quatro, porque este colegiado não pode se manifestar sobre hipótese futura que pode, inclusive, nem se concretizar, uma vez que pende o julgamento do RE 587.987, cujo resultado é prejudicial a este processo administrativo. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13984.721598/2012-31
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
GRAU DE UTILIZAÇÃO DA ÁREA APROVEITÁVEL.
Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA
Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas.
ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL - PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE
Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos CONHECER integralmente o recurso voluntário e NEGAR-LHE, PROVIMENTO, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos, em preliminar os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que votaram por não conhecer do recurso voluntário na parte referente à discussão sobre áreas de preservação permanente e de reserva legal, por preclusão, e negar provimento ao recurso voluntário. Ambos os Conselheiros vencidos em preliminar, votaram o mérito do recurso integralmente conhecido, negando-lhe provimento. No mérito, foram vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e JULIANNA BANDEIRA TOSCANO que votaram por realização de diligência quanto à averbação da reserva legal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 GRAU DE UTILIZAÇÃO DA ÁREA APROVEITÁVEL. Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL - PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte. Recurso voluntário negado.
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Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos CONHECER integralmente o recurso voluntário e NEGARLHE, PROVIMENTO, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos, em preliminar os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que votaram por não conhecer do recurso voluntário na parte referente à discussão sobre áreas de preservação permanente e de reserva legal, por preclusão, e negar provimento ao recurso voluntário. Ambos os Conselheiros vencidos em preliminar, votaram o mérito do recurso integralmente conhecido, negandolhe provimento. No mérito, foram vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 15 98 /2 01 2- 31 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 MARTÍN FERNÁNDEZ e JULIANNA BANDEIRA TOSCANO que votaram por realização de diligência quanto à averbação da reserva legal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do anocalendário de 2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 44.424,47 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Coxilha Rica", com área de 203,4 ha, NIRF 1.381.301 3, localizado no município de Lages/SC. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a informação de que, após intimado, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Alegou, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal que não possui laudo porque a legislação proíbe aplicar reavaliação do imóvel para fins de ganho de capitais. Dada a ausência de comprovação do VTN declarado, demandou que este fosse substituído tendo por base as informações constantes do Sistema de Preços de Terras – SIPT, previsto para o município de localização do imóvel em 2008. O interessado impugnou o lançamento, sustentando que preencheu a DITR (Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) do exercício 2008 com erro, pois deixou de informar corretamente a distribuição da área do imóvel, equívoco que buscou sanar com as devidos dados de forma a adequar o Grau de Utilização do imóvel à realidade fática. Concordou com o VTN tributado, e afirmou que as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal se encontram averbadas na matrícula do imóvel. Aduziu não ser obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para excluir essas áreas da base de cálculo do ITR, citando decisões administrativas e do Superior Tribunal de Justiça. Ao final, pleiteou fosse reformada a Notificação de Lançamento, com alíquota apropriada para o Grau de Utilização apurado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13984.721598/201231 Acórdão n.º 2802002.998 S2TE02 Fl. 92 3 A instância de primeiro grau julgou a impugnação improcedente, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: Retificação dos Dados Cadastrais Área Utilizada. Incabível a alteração da distribuição das áreas do imóvel informada no DIAT/2008 quando não restar comprovado, mediante prova documental hábil, o erro de fato no preenchimento da declaração. Áreas de Preservação Permanente/Reserva Legal. Tributação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. Para de reserva legal, é importante que a área esteja averbada na matrícula do imóvel na data de ocorrência do fato gerador do ITR, conforme dispõe a legislação tributária. Matéria não Impugnada Valor da Terra Nua. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Irresignado, o autuado interpôs recurso voluntário em 16/10/2013, no qual defende a análise das provas sob a égide dos princípios da verdade e da informalidade, de modo a ser reconhecido o justo valor do ITR a ser pago depois de utilizadas as informações quanto ao uso da terra ("GU/GUT"). Destaca que possui no imóvel em tela plantio de floresta exótica de pinus, requerendo a juntada de laudos técnicos realizados por engenheiros agrônomos dando conta do respectivo potencial madeireiro, e que, por outro lado, solicitou aos órgãos municipais e estaduais cópias de suas fichas de vacina e movimentação de gado, mas que até o momento não recebeu essas informações. Requer a juntada dos citados documentos, e a reforma do acórdão vergastado com "o reconhecimento do Grau de Utilização da Terra, com as devidas deduções legais aplicáveis na espécie, apurandose novo e justo valor a ser pago". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Como visto, a matéria objeto do recurso cingese ao Grau de Utilização da Terra, restando as questões atinentes à APP, à Reserva Legal e ao VTN preclusas, por não terem sido impugnadas. O Grau de Utilização da Terra é apurado como razão entre a área utilizada pela atividade rural e a área aproveitável do imóvel, servindo de referência para a definição da alíquota aplicável sobre o VTN tributável, para fins de cálculo do ITR devido. Na DITR 2008, os campos referentes à distribuição da áreas utilizadas na atividade rural constaram preenchidos zerados. Segundo o alegado na impugnação, ocorreu erro nessa informação, sendo os valores corretos os seguintes, com base em uma área aproveitável de 97,8 ha: Área de Produtos Vegetais – 34,0 ha; Área de Reflorestamento 23,3 ha; Área de Pastagens – 15,4 ha. Nenhum documento foi apresentado, que tivesse o condão de corroborar os números supra referidos. A comprovação da área utilizada nessas atividades requer a apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada no CREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, acompanhadas de notas fiscais de produtor rural, notas fiscais de compras de insumos, notas fiscais de comercialização de produtos, certificado de depósito, contratos ou cédulas de crédito rural. De outra parte, em se tratando da atividade pecuária, no laudo deverão estar discriminadas as áreas utilizadas com pastagem nativa, plantada e com forrageira de corte destinada à alimentação dos animais na propriedade, a quantidade de animais de grande e médio portes existente no imóvel, acompanhado das fichas de vacinação expedidas pelos órgãos competentes, demonstrativo de movimentação de gado (DMG/DMR) emitidos pelos Estados, notas fiscais de aquisição de vacinas, notas fiscais de produtor referente a venda/compra de gado. Pois bem, no que diz respeito à área de produtos vegetais, quedou silente o contribuinte. Quanto à área de pastagens, arrazoou ele que solicitou junto à Prefeitura e à Secretaria do Estado de Santa Catarina cópia de suas fichas de vacina e de movimentação, não havendo ainda obtido essas informações, porém não juntou qualquer protocolo ou documento do gênero que confirmasse ter, efetivamente, diligenciado nesse sentido. Acerca da área de reflorestamento, juntou laudos técnicos, o primeiro datado de 1/12/2006 e o segundo datado de 5/1/2007, bem como comprovantes dos respectivos pagamento de guias ART, no intento de lograr amparo para seus argumentos (fls. 76/87). Em nada lhe socorrem, entretanto, tais documentos. O imóvel ora sob exame, consoante narrado, é a Fazenda "Coxilha Rica", com área de 203,4 ha, NIRF 1.381.3013, localizada no Município de Lages/SC. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13984.721598/201231 Acórdão n.º 2802002.998 S2TE02 Fl. 93 5 Já os laudos em foco referemse à Gleba 01, localizada no Município de Otacílio Costa/SC, com área de 20,05 ha, e à Gleba 04, situada no Município de São José do Cerrito (Município Rio das Corredeiras, conforme o primeiro laudo), no local denominado Fazenda das Corredeiras, com área de 476,25 ha. Tratamse de laudos atinentes a imóveis distintos, portanto. Assim sendo, escorreita a Notificação de Lançamento, bem como a decisão a quo. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor De início deve ser esclarecido que a motivação deste voto divergente nada tem que ver com o mérito do judicioso voto do I. Conselheiro Ronnie Soares Anderson, com o qual concordo integralmente. Em verdade não há divergência, mas acréscimo de fundamentos de mérito, pois o D. Relator entendeu por não conhecer a insurgência do Recorrente quanto à discussão sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que para este Redator fica bastante evidente às fls. 67. Assim, tendo a maioria do colegiado decidido por conhecer da irresignação do Recorrente quanto à exclusão da tributação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, passase ao enfrentamento delas: Áreas de preservação permanente A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. No caso presente, a não apresentação do ADA relativo ao exercício em tela, devidamente protocolado no prazo legal, fato admitido pelo contribuinte, é por si só razão suficiente para afastar a pretensão de ver restabelecida a dedução da área de preservação permanente de que trata os autos. Áreas de reserva legal O Recorrente apenas afirma que a área de reserva legal está averbada junto à matrícula do imóvel, e até afirma no recurso (fls. 68) que apresentou cópia de tal escritura à autoridade fiscal, mas na verdade desde sua impugnação, em 2011, nunca apresentou tal documento. Em que pese a sugestão dos I. Conselheiros German Alejandro San Martín Fernandez e Julianna Bandeira Toscano de diligenciar a busca da existência do referido documento, entendo que o processo é um andar para frente, e que o contribuinte não poderia ter se desincumbido do ônus de produzir prova de seu único e exclusivo interesse. Portanto, inexistindo prova de tal averbação, é de se manter a glosa de tal dedução. Por todo o exposto, e pelas razões de mérito suscitadas pelo I. Conselheiro Ronnie Soares Anderson, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello – Redator designado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 14479.000769/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade.
AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA.
É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada.
AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
Numero da decisão: 2401-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) conhecer em parte do recurso, face concomitância de ação judicial; b) rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a ilegitimidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir a multa aplicada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que mantinham a multa; e a conselheira Carolina Wanderley Landim que também excluía os juros dos valores eventualmente depositados parcialmente.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL. SUBROGAÇÃO Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LEGITIMIDADE PASSIVA DESTE. A legitimidade para figurar no polo passivo do lançamento para prevenir a decadência é da empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, quando esta detém, no momento do lançamento, provimento judicial provisório para se livrar da obrigação de reter e recolher a contribuição dos seus fornecedores. EMPRESA EXPORTADORA. IMUNIDADE. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS EM RAZÃO DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS DE PESSOAS FÍSICAS. Mesmo as empresa exportadoras, imunes do recolhimento de tributos sobre as receitas decorrentes de exportação, têm a obrigação de recolher as contribuições retidas dos seus fornecedores pessoas físicas, decorrentes da aquisição de produto rural. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS/CORRESPONSÁVEIS. INEXISTÊNCIA. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos ou “Relatório de Corresponsáveis” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 69 /2 00 7- 09 Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.576 3 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) conhecer em parte do recurso, face concomitância de ação judicial; b) rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a ilegitimidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir a multa aplicada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que mantinham a multa; e a conselheira Carolina Wanderley Landim que também excluía os juros dos valores eventualmente depositados parcialmente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recursos interpostos pelo sujeito passivo e por pessoas elencadas no “Relatório de Vínculos” contra a DecisãoNotificação n. 21.421.0/108/2006 de lavra da Delegacia da Receita Previdenciária DRP em Araçatuba (SP), que julgou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.865.8586. Observese que a razão social da empresa autuada, vinculada ao CNPJ 02.916.265/001131, era FRIBOI LTDA, a qual posteriormente foi alterada para JBS S/A. O lançamento em questão trata da exigência das contribuições previdenciárias, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. Os fatos geradores contemplados na NFLD foram as aquisições de produtos rurais (gado para abate) de produtores rurais pessoas físicas pela empresa autuada, a qual estava obrigada ao recolhimento das contribuições decorrentes por força da subrogação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Os valores que serviram como base de cálculo da apuração foram extraídos do discriminativo de notas fiscais de entrada fornecida em meio magnético pela empresa, .denominado “COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL (BOVINOS) – PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA”. Informa a fiscalização, que em razão da empresa não ter apresentado as Notas Fiscais de Entrada (em meio papel), e nem os Livros Diário e Razão, não teve como comprovar se houve ou não o desconto das contribuições dos produtores rurais. Foi caracterizado grupo econômico de fato formado pela notificada e pela empresa Agropecuária Friboi Ltda, afirmando o fisco que ambas pertencem a grupo empresarial, comandado pela “Família Mendonça Batista”. Noticiase ainda que a fiscalizada impetrou o Mandado de Segurança – MS n. 2001.61.00.0000509 na 18.ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da obrigação prevista nos incisos II e IV do art. 30 da n.º 8.212/1991 e art. 25, § 4. , da Lei n. 8.870/1994. Continuando, informase que em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor e, em 16/12/2004, foi exarada sentença na qual se determinou à impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que viesse a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. Adiante o fisco transcreveu os termos da sentença exarada no bojo do referido MS: "Posto isto, CONCEDO A SEGURANÇA, para declarar que a impetrante não está sujeita à retenção e ao recolhimento da Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.577 5 contribuição denominada NOVO FUNRURAL, de que trata a Lei 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei 8212/91, em relação às aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea "a" do inciso V da Lei 8212191, devendo a autoridade impetrada absterse de exigir esta retenção e os respectivos recolhimentos, exceto em relação às aquisições efetuadas junto a produtores rurais pessoa física considerados como segurados especiais, especificados no inciso VII, também do artigo 12 da Lei 8212/91, não objeto de discussão neste autos:”. Diante desses fatos, o fisco ressaltou que a constituição do crédito estaria se dando para prevenir a decadência, ficando a cobrança com a exigibilidade suspensa até decisão final no referido MS, quando então seriam lavradas as cabíveis representações fiscais para fins penais. Cientificada do lançamento em 14/12/2006, a notificada ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRP, que declarou procedente o lançamento (ver fls. 2.316 e segs.). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso (fls. 2.343 e segs.), no qual, em síntese, alegou que: a) o feito administrativo deve ficar sobrestado em virtude de decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do tributo, devendo ser intimado a apresentar novo recurso ou a pagar o débito somente em caso de reforma da sentença judicial que lhe beneficia; b) impetrou mandado de segurança contra a exigência do depósito recursal prévio, previsto no art. 126 da Lei n. 8.213/1991; c) a escrituração da empresa é transparente e idônea, não se justificando o arbitramento do tributo, observandose no lançamento, ainda, que o fisco sequer excluiu da apuração as receitas de exportação; d) toda exação relativa ao “Novo Funrural” foi objeto da decisão judicial mencionada, assim, os efeitos da lei em que se fundamenta o lançamento estão suspensos para o contribuinte, além de que há uma série de decisões liminares favoráveis aos seus fornecedores de gado e seus sindicatos, determinando a impossibilidade da exigência das contribuições lançadas; e) o fisco não observou a norma do art. 37 da Lei n.º 8.212/1991, pois os fatos geradores das contribuições não foram discriminados de forma clara e precisa, dificultandose o exercício do direito da recorrente à ampla defesa; f) o agente fiscal responsável pela lavratura não possui competência, haja vista que a empresa possui domicílio tributário na cidade de São Paulo e a ação fiscal ocorreu na cidade de Andradina; g) também não foi apresentado pelo auditor fiscal a comprovação de que possuía habilitação no Conselho Regional de Contabilidade – CRC, por esse motivo houve mais um vício de competência; Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 h) alega que a contribuição lançada é ilegal e inconstitucional, conforme demonstra mediante vários argumentos; i) mesmo que seja procedente a contribuição para o Funrural, improcede a presente NFLD, posto que a empresa notificada é uma exportadora, não incidindo contribuições sobre as receitas de exportação, conforme o inciso I do § 2. do art. 149 da Carta Magna; j) requesta pela declaração de nulidade da decisão recorrida, posto que o julgador teria quebrado o princípio da impessoalidade ao tachar o argumento acerca da imunidade de “ridículo”; k) deveria o fisco ter primeiramente intimado os contribuintes para, somente depois, exigir as contribuições do responsável, mesmo porque os descontos muitas vezes não ocorreram em razão de medidas liminares concedidas aos seus fornecedores de gado; l) inexiste na situação a solidariedade apontada pelo fisco, uma vez que a empresa Agropecuária Friboi Ltda não tem qualquer vinculação com os fatos geradores do tributo; m) não cabe a responsabilização dos sócios e administradores da recorrente, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência das causas previstas no art. 135 do CTN; n) é descabida a imposição de juros e multa, uma vez que a recorrente vinha efetuando os depósitos judiciais na data de vencimento do tributo; o) a taxa Selic não se presta para fins tributários, sendo ilegal a sua cobrança; p) a multa aplicada possui feição confiscatória, sendo flagrantemente inconstitucional. Ao final, em síntese, pediu: a) o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito em razão da decisão judicial que lhe favorece; b) a declaração de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; c) a declaração de improcedência do lançamento; d) a exclusão da Agropecuária Friboi Ltda do polo passivo da NFLD; e) a declaração de que a recorrente não possui legitimidade passiva para figurar no feito; f) que a multa seja reduzida ao mínimo exigível; g) que seja intimada na pessoa de seus advogados. Consta as fls. 2.382 e segs. recurso apresentado pelos sócios da recorrente José Batista Sobrinho e Flora Mendonça Batista, no qual alegam que, tendo sido identificados no relatório fiscal como corresponsáveis, têm legitimidade para recorrer e não se submetem à exigência do depósito recursal prévio. A seguir apresentam as mesmas alegações constantes no recurso da autuada. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.578 7 A recorrente atravessou petição ao Gerente Executivo do INSS em Araçatuba requerendo a imediata suspensão do trâmite do presente processo administrativo fiscal até o trânsito em julgado da ação judicial proposta, conforme determinou o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região ao julgar o Agravo de Instrumento n. 2006.03.000577376. Repetindo os argumentos constantes no recurso dos sócios acima, também recorreram os sócios Wesley Mendonça Batista e Vanessa Mendonça Batista, fls 2.453 e segs. Os recorrentes obtiveram decisão judicial para que seus recursos tivessem segmento independentemente da efetivação do depósito para garantia de instância. À fl. 2.556, consta despacho da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, informando que a causa determinante do sobrestamento do processo administrativo já não mais subsistia desde 26/06/2012, data da publicação do Acórdão do TRF 3.ª Região que, ao julgar apelação interposta pela União no bojo do MS n° 2001.61.00.0000509, acolheu a preliminar de ilegitimidade da empresa impetrante e reformou a sentença de primeiro grau extinguindo o feito sem resolução de mérito. O Tribunal entendeu que apenas os produtores rurais teriam legitimidade para postular em juízo a inexigibilidade da contribuição prevista nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que são estes quem sofrem a repercussão jurídica do tributo, sendo o adquirente mero responsável pela retenção e recolhimento das contribuições aos cofres públicos. Acerca dos depósitos judiciais, o despacho esclarece o que se segue: “Por outro lado, foram localizados depósitos judiciais vinculados ao mandado de segurança em questão. Tais depósitos se referem aos períodos de 11/2004 a 10/2008. Considerando que os períodos objeto de lançamento pela presente NFLD vão de 01/2002 a 07/2005, apenas os períodos de 11/2004 a 07/2005 possuem depósitos compatíveis. Entretanto, os valores depositados são claramente insuficientes para garantia do valor total de Funrural apurado nos períodos. Vale ressaltar que o Funrural total lançado corresponde aos valores das NFLD n.ºs 35.865.8586, 35.865.8640 e 35.865.8659.” É o relatório. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da suscitada ilegitimidade passiva Os autos revelam que o sujeito passivo impetrou o MS n° 2001.61.00.0000509, suscitando a inconstitucionalidade das contribuições previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, ou seja, as contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor, provimento este que foi confirmado na sentença de mérito proferida em 15/08/2005. Essa decisão, todavia, foi reformada, em 21/12/2012, pelo TRF 3.ª Região, que extinguiu o processo sem julgamento de mérito. Desta decisão houve recursos ao STJ e STF. Das peças processuais, depreendese que a discussão judicial recaiu apenas sobre inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias, haja vista que a contribuição destinada ao SENAR, à alíquota de 0,2%, não foi incluída no pedido do impetrante, tampouco foi questionada no recurso administrativo. Na data da lavratura o sujeito passivo detinha decisão que lhe desobrigava da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias dos produtores rurais de quem adquiriu bovinos para abate, todavia, embora alegue no recurso, não logrou comprovar que os próprios produtores também estivessem acobertados por determinação judicial impedindo a retenção. Há no recurso, item 4.4 menção a ações judiciais supostamente obtidas por seus fornecedores, mas não cuidou a recorrente de indicar expressamente quais dos seus fornecedores estariam albergados pelas referidas sentenças. Assim, para a apreciação da questão da alegada ilegitimidade passiva da recorrente, partirei do pressuposto que apenas esta estava amparada por provimento judicial afastando a subrogação da obrigação de recolher às contribuições em destaque. Tenho na lembrança do entendimento firmado por todos desta Turma, quando foi julgado o processo n. 19515.004410/201028, no qual, diante de situação idêntica, demos razão ao sujeito passivo, conforme expresso na ementa do Acórdão n. 2401003.121, que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.579 9 FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LAVRATURA EM NOME DA PESSOA FÍSICA PRODUTORA. Se na data do lançamento o adquirente de produto rural de pessoa física possuía decisão judicial afastando a sua obrigação de reter e recolher por subrogação as contribuições previdenciárias decorrentes, o crédito deve ser lançado em nome da pessoa físicas produtora. Recurso Voluntário Provido Para a Turma, a existência, no momento da lavratura, de decisão judicial isentando a empresa adquirente de efetuar a retenção dos seus fornecedores, tornaria sem efeito a substituição tributária, devolvendo, portanto, a responsabilidade tributária integralmente aos produtores rurais, os contribuintes. Diante deste novo caso que nos foi posto, retornei a apreciar a questão, mormente quanto à aplicabilidade da Solução de Consulta Interna n. 01 da RFB, de 15/01/2013, cuja conclusão foi a seguinte: “Conclusão 19. Concluise que: a) Existindo medida liminar que impeça a empresa adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida, a RFB deve proceder ao lançamento do débito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial; b) Cassada a medida liminar, e sendo favorável ao fisco a decisão: b.1) na hipótese do item a, deverá ser feita a cobrança do crédito tributário lançado, observada, com relação à multa de mora o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996; b.2) não tendo sido efetuado o lançamento para prevenir a decadência, o produtor rural pessoa física ou o segurado especial ficam obrigados ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da sua produção rural, considerandose a data de vencimento originária para o recolhimento da contribuição subrogada, observado o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, no que se refere à multa de mora; b.3) não havendo pagamento no prazo previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser efetuado o lançamento de ofício nos termos do art. 33, §7º, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da lei nº 9.430, de 1996.” Observase que esta Solução de Consulta carrega como pressuposto o fato da empresa adquirente (substituta) estar impedida de efetuar a retenção em razão de provimento Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 judicial em favor dos substituídos. É o que se infere da própria análise da situação fática posta pela consulente: “Trata a presente consulta interna formulada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal (Disit/SRRF/8ªRF) sobre a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sujeitas à subrogação, nos casos de reversão de medida liminar/tutela antecipada concedida ao subrogado (produtor rural e segurado especial).”(grifei) Todavia, enxergo que o caso sob nossa apreciação apresenta diferença substancial. É que, neste caso, a retenção deixou de ser efetuada por uma ação proposta pela própria substituta, portanto, não há de se aplicar o entendimento firmado na Solução de Consulta mencionada. Sobre essa questão, vale ainda mencionar que a própria sentença que beneficiou a autuada determinava que os valores já retidos deveriam ser depositados judicialmente, deixandonos a certeza de que a empresa notificada nunca esteve impedida de efetuar a retenção. Assim, considerandose que a própria empresa foi a autora da demanda judicial que a dispensou da retenção das contribuições, não há como se aplicar à espécie a tese esposada na jurisprudência acima e também na Solução de Consulta mencionada. Por isso, há de se exigir da adquirente os tributos devidos, mesmo porque os substituídos não participaram da relação processual e não poderiam ser sofrer as consequências de uma situação que não deram causa. Reformulo, então, o entendimento anterior e considero procedente o lançamento para prevenir a decadência efetuado contra a empresa adquirente dos produtos rurais das pessoas físicas. Da concomitância com a ação judicial Conforme já frisei, a ação judicial proposta trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, abstenhome de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nessa toada, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Acrescentese, no entanto, que não há permissivo legal para que se tranque o curso do processo administrativo fiscal ante a existência de discussão judicial da matéria. Inexiste no ordenamento pátrio norma prevendo tal restrição. Observese que em relação ao Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.580 11 presente feito havia determinação do Judiciário nesse sentido, todavia, esse efeito foi revogado, conforme mencionado no relatório deste voto. Cerceamento do direito de defesa nulidade As recorrentes apontam em suas razões preliminares a ocorrência de nulidade por vício no relatório fiscal decorrente da falta de exposição clara dos fatos geradores, situação que teria prejudicado o direito de defesa da notificada. Vejamos. Conforme o relato do fisco, para identificar as aquisições de gado de pessoas físicas foram analisados arquivos digitais fornecidos pela empresa. Os produtores rurais e as operações envolvidas foram claramente identificados em planilha acostada à NFLD, inexistindo dificuldade para que o sujeito passivo pudesse impugnar especificamente quaisquer dos dados demonstrados pelo fisco. Vejo, então, que o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário. Vejamos o que diz o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão de que houve a aquisição de gado de pessoas físicas, sendo este o fato gerador da contribuição lançada, o qual ficou muito bem caracterizado no relatório da NFLD. Nesse sentido, vejo que a notificação e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. O caminho trilhado para fixação da base de cálculo também foi suficientemente esclarecido no relatório fiscal e os valores envolvidos encontramse discriminados no Relatórios de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura dos Discriminativos Analíticos do Débitos – DAD. Vejase que se o Fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição dos créditos previdenciários. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Nesse sentido, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, afasto essa preliminar. Outra questão que o sujeito passivo levantou, mas que não merece melhor sorte é a suposta confecção do lançamento mediante aferição indireta da base de cálculo. É que em nenhum momento se mencionou esse procedimento, eis que os valores utilizados para mensuração da matéria tributável foram obtidos das notas fiscais de entrada de gado. Imunidade Não tem plausibilidade a alegação de que, sendo a autuada empresa exportadora, estaria a recorrente imune ao recolhimento dos tributos lançados. As contribuições discutidas não são contribuições da empresa, mas de seus fornecedores, pessoas físicas, atuando a notificada como mera repassadora das contribuições retidas. Assim, de fato, foge à razoabilidade o argumento recursal que invoca uma situação pessoal da empresa fiscalizada para afastar a cobrança de tributos, cujo ônus financeiro não é por ela suportada. Essa tese, totalmente descabida, assemelhase aquela em que a empresa alega a imunidade para não recolher a contribuição dos seus empregados. Nulidade da decisão de primeira instância – afronta ao princípio da impessoalidade Afirmam as recorrentes que o julgador de primeira instância, ao reputar sua tese de improcedência do lançamento em razão da sua imunidade como “ridícula”, agiu com falta de urbanidade e feriu um dos princípios mais caros ao Direito Administrativo, qual seja o da Impessoalidade. De fato, o termo utilizado pelo julgador da SRP não me parece o mais adequado. A palavra “ridícula”, que no vernáculo significa “digna de riso”, não se mostra a mais apropriada para emprego em uma decisão administrativa, mas, em absoluto, pode ser tomada como causa de nulidade do ato. A lei n. 9.874/1999 que regula o processo no âmbito da Administração Pública Federal, prevê como um dos direitos do administrado ser tratado com respeito pelos servidores (inciso I do art. 3. ), mas não chega a impor a sanção de nulidade aos atos administrativos que contenham expressões inadequadas. Também não enxergo o fato como atropelo ao Princípio da Impessoalidade, a que deve guardar respeito os integrantes da Administração Pública. O referido princípio é um dos principais pilares em que se funda o Direito Administrativo. Para o Mestre Hely Lopes Meirelles1 este princípio, que mereceu referência na Constituição de 1988, nada mais é que o tão propalado princípio da finalidade, o qual impõe que o administrador somente pratique o ato para o seu fim legal, o qual se caracteriza como aquele indicado pela lei como objetivo do ato, de forma impessoal. Vale a pena transcrever as palavras do Administrativista: 1 Meirelles, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 26 ed.,São Paulo: Malheiros Editores, 1974, p. 85. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.581 13 “O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração, visando unicamente a satisfazer interesses privados, por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais, sob a forma de desvio de finalidade. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder...” Os fatos narrados pelo sujeito passivo, a meu ver, não comprovam que a Autoridade Julgadora se desviou da sua finalidade de verificar a compatibilidade do lançamento com a legislação de regência. Inexiste nos autos qualquer evidência de que a decisão da SRP tenha sido perpetrada para satisfazer um capricho pessoal do servidor julgador ou mesmo no intuito de perseguir o administrado. Observo que o julgador a quo teve o mesmo sentimento de perplexidade que experimentamos agora, ao ver o contribuinte alegar a sua imunidade para deixar de recolher as contribuições de contribuinte outro, em cuja relação jurídica a autuada aparece na condição de responsável. O deslize do julgador monocrático da SRP foi lançar mão de um termo que não se coaduna com o dever de urbanidade a que deve respeito os servidores públicos, mas longe desse proceder determinar a nulidade da decisão de primeira instância. Fica, então, aqui registrada a censura do CARF à utilização de expressões inadequadas nos atos administrativos que compõe o processo fiscal. Incompetência do Auditor Fiscal Improcedentes os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6o, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional, constituía requisito para o exercício de sua atividade que o Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 agente esteja devidamente amparado por ordem específica, representado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Assim dispunha o artigo 2. do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6. (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Ainda a fundamentar a possibilidade de lavratura do auto de infração em localidade distinta do domicílio fiscal do sujeito passivo, pode ser mencionada à disposição contida no artigo 9. do Decreto nº 70.235/72: Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. A regra contida no §3. acima transcrito demonstra de forma clara a possibilidade de formalização de exigência em unidade descentralizada diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo ao determinar a prevenção da jurisdição e prorrogação da competência da autoridade que dela primeiro conhecer. No que diz respeito à competência da Auditoria Fiscal para proceder à análise dos lançamentos contábeis, é matéria já pacificada por esse Tribunal Administrativo, sendo inclusive objeto da seguinte súmula: Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.582 15 Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nesse sentido, tendo autorização para verificar os lançamentos contábeis, o Fisco também tem o poder para identificar nos mesmos a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e lançar o crédito tributário correspondente, sendo descabida a alegação da recorrente quanto a essa questão. Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da incompetência da autoridade administrativa. Corresponsáveis O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da empresa autuada e da empresa coobrigada em razão da solidariedade. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada à NFLD apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Esse entendimento está retratado inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Grupo econômico – responsabilidade solidária As recorrentes invocam o art. 128 do CTN para buscar afastar a solidariedade pela satisfação do crédito imputada à empresa Agropecuária Friboi Ltda, sob o argumento de que não havendo vinculação desta ao fato gerador das contribuições, não se poderia falar em solidariedade nos termos do art. 128 do CTN. Não é cabível esta tese, haja vista que o dispositivo citado não trata de responsabilidade solidária, mas se refere à substituição tributária. Vale a pena reproduzilo: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 16 contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". A norma do CTN que possibilita a aplicação da responsabilidade solidária é o art. 124, assim reproduzido: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Pois bem, o fisco está atribuindo a responsabilidade solidária à Agropecuária Friboi Ltda com base no inciso II acima, haja vista que restou demonstrada no item 10 do relatório fiscal a existência de grupo econômico da qual fazem parte as duas empresa colocadas no polo passivo da NFLD e, conforme a Lei n.º 8.212/1991, as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações para com a Seguridade Social, como se pode ver: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Há, portanto, respaldo jurídico para atribuição da referida solidariedade. Quanto à jurisprudência colaciona, entendo que não pode ser aplicada ao caso sob apreciação. É que o fisco demonstrou que a interligação entre as empresas vai além da existência de mero grupo econômico, posto que inexiste na espécie comando distinto e autonomia de gestão entre as empresas arroladas na condição de devedoras solidárias. Foram apresentadas provas de similitude do quadro social; atividades complementares, confusão patrimonial; identidade na marca, que inclusive é de propriedade da Agropecuária Friboi; transferências de ativos, mediante contratos de mútuo e comando único. Para mim estes elementos são mais do que suficiente para demonstrar a ocorrência de grupo econômico e justificar a atribuição da responsabilidade solidária. Exclusão da Multa Todavia, tendose em conta a superveniência da Lei n.º 11.941/2009, que, dentre outras alterações, dispôs que aos lançamentos relativos às contribuições sociais seria aplicado o disposto no art. 44 da Lei n.º 9.430/19962, devese, em respeito ao disposto na alínea “c” do inciso II do art 106 do CTN3, lançar mão da legislação mais benéfica ao sujeito passivo. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.583 17 Nesse diapasão, a aplicação retroativa da norma superveniente conduznos a declarar improcedente a aplicação da multa sobre as contribuições previdenciárias, posto que, passandose a aplicar a multa da Lei n. º 9.430/1996, também deverseá observar o comando do seu art. 63, que veda a aplicação da multa de ofício aos créditos lançados para prevenir a decadência. Esse entendimento inclusive é objeto de Súmula do CARF: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Registre que em relação à contribuição ao SENAR a multa é exigível, posto que esta exação não constou da ação judicial ajuizada pela empresa. Quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão dos mesmos na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. É esse o entendimento reinante neste órgão de julgamento, como se pode atestar pelo Acórdão, cuja ementa passo a transcrever: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ano calendário: 1996 NULIDADE Não é nula a exigência formalizada em auto de infração, ainda que sem imposição de penalidade, por se tratar de lançamento para prevenir a decadência, em razão de o contribuinte se encontrar acobertado por medida liminar em mandado de segurança. JUROS DE MORA EXIGÊNCIA O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. JUROS DE MORA SELIC A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negarlhe aplicação. Recurso Voluntário (...) 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 18 Negado.(Acórdão n.º 10196910, 1.º Conselho de Contribuintes, 1.ª Câmara, Rel. Conselheira Sandra Maria Faroni). Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.584 19 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias lançadas, mantendose, todavia, a sua incidência em relação à contribuição destinada ao SENAR. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10803.000080/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação.
PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa.
IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
IRPF. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 27.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de atividade empresarial, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITORFISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 27. “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 80 /2 01 0- 91 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 32. “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de atividade empresarial, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração (Termo de Verificação Fiscal fls. 239/255), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.324.177,25. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 3 3 A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Invalidade do procedimento fiscal Questiona as razões de ter sido fiscalizado e que o procedimento não seria válido pelo fato de que não teria sido observada a portaria PT 500/95 e 3007/02 da Receita Federal. Cerceamento de defesa Alega cerceamento de defesa aduzindo que não teria sido encaminhada relação de créditos, o impugnante não possuía extratos e nenhuma prova foi fornecida para verificar a base de cálculo. Incompetência para o lançamento Ainda em preliminar, alega que os Auditores Fiscais seriam incompetentes para efetuar o lançamento sob argumento de que a repartição competente seria a domicilio tributário do contribuinte. Nesse contexto, em meio a comparações com atos do poder judiciário, afirma que os Auditores Fiscais que fizeram o lançamento tem exercício na Superintendência da Receita Federal em São Paulo, sem competência para fiscalizar e lançar o tributo. Ilegalidade da tributação anual Afirma que o lançamento foi feito em desacordo com o artigo 42 da Lei 9.430/96, pois, o fato gerador teria incidência mensal, entretanto, a fiscalização teria considerado ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 2004. Decadência Prosseguindo seu arrazoado, sustenta que o tributo tem seu lançamento por homologação, nesse contexto, sob o fundamento do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, alega que teria ocorrido decadência em 31 de dezembro de 2009. Erro na identificação do sujeito passivo Alega ainda que teria havido erro na identificação do sujeito passivo pelo fato de que os rendimentos seriam da pessoa jurídica Stand By Agência de Viagens que não teria conta bancária no período e se utilizou a conta de pessoa física do contribuinte. Nesse sentido a omissão deveria ser imputada à pessoa jurídica em questão. Sustenta que o ônus da prova de falsidade dos esclarecimentos prestados cabe ao fisco que em ano calendário anterior teria atestado a efetividade das atividades comercias do contribuinte. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Sigilo bancário Prossegue ainda o impugnante, alegando que teria havido quebra de sigilo sem autorização judicial, induzindo prova ilegal passível de nulidade do procedimento sob argumento de que a apuração dos valores decorreu de informações sobre movimentação financeira ilicitamente obtidas e indevidamente fornecidas pelas instituições financeiras. Mérito No que tratou como mérito da exigência, alega ser impossível contestar os valores lançados pelo fato de que teria havido incompreensível redução de texto, e que os valores de transferência entre contas não poderiam ser considerados omitidos. Nesse cenário, faz alusão à prática de excesso de exação. Da multa qualificada Sustenta que para aplicação da multa qualificada há necessidade de comprovação de fraude e que tal fato não se presume e que cabe ao fisco o ônus da comprovação. Finalizando suas alegações, requer cancelamento do Auto de Infração pelas razões expostas inclusive a aplicação indevida da multa qualificada. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. AÇÃO FISCAL. SELEÇÃO. Os critérios de seleção de contribuintes para ação fiscal tem suas diretrizes traçadas mediante mecanismos internos e são inerentes à finalidade institucional da Receita Federal que pode através da Superintendência Regional determinar a realização de trabalhos específicos de fiscalização, inclusive sob requisição de órgãos externos, conforme conveniência e oportunidade da execução desses trabalhos. Sendo ato discricionário e não integram o rol de direitos subjetivos do sujeito passivo. Portaria RFB nº11.371/07. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa durante a verificação dos fatos, visto ser incabível tal alegação ante a ausência de litígio, na fase inquisitória, ou seja, antes da formalização da exigência fiscal cujo procedimento transcorreu com a regular e exaustiva intimação do contribuinte de todos os Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 4 5 atos e ao final forneceu ao contribuinte todos os elementos para impugnação. CF/88 art.5º, LV. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO. A competência para a fiscalização decorre de Lei e cabe ao Auditor Fiscal que a exerce mediante Mandado de Procedimento Fiscal. O gerenciamento das ações fiscais, não exclui da Superintendência da Região Fiscal a competência para a condução de atividades específicas de fiscalização emitindo Mandados atividade inserida no contexto da função institucional da Receita Federal. A repartição do domicílio tributário do sujeito passivo é competente para o Artigo 142, CTN, Lei 11.457/07, art. 6º, I, Decreto 70.235/72, art. 9º, 10 e 11. DO CRITÉRIO TEMPORAL DA INCIDÊNCIA DO IRPF. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Art. 42, da Lei 9.430, IN 246/02. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. O objeto da homologação é o pagamento, ante a ausência do mesmo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I, do CTN). IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RELAÇÃO PESSOAL COM O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. O contribuinte, detentor dos recursos financeiros de origem não comprovada em conta bancária de sua titularidade, ainda que compartilhada, é sujeito passivo da obrigação tributária emergente, portanto, passível de autuação pelo descumprimento da referida obrigação na forma da legislação em vigor aplicável conforme as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. Art. 121, caput e parágrafo único, I do C T N. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula 25 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte (grifei) O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 17/06/2011 (fl. 355) e, em 12/07/2011, interpôs o recurso de fls. 356/430, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 12 de março de 2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220200.167, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2004. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as inúmeras preliminares suscitadas pelo recorrente. Em relação à alegação de decadência mensal, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como não houve antecipação do imposto de renda da pessoa física, conforme se extrai da DIRPF, fl. 03, a contagem do prazo iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 5 7 art. 173 do CTN (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF): Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, não tem passagem o argumento da defesa de que ocorreu a decadência em razão da entrega da DIRPF/2005 em 30/04/2005, já que o fato gerador do IRPF, referente ao anocalendário de 2004, perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01/01/2005 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31/12/2010. Assim, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 15/12/2010, por via postal, conforme AR de fl. 278, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Sobre a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, verifico, pois que o acórdão exarado pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios. Na verdade, o inconformismo do recorrente referese ao entendimento equivocado de que ocorrendo a apresentação da Declaração de Ajuste Anual o prazo de decadência é antecipado para o dia seguinte ao da entrega da declaração, todavia, como abordado neste voto, esse entendimento foi superado com o julgamento pelo STJ do Recurso Especial nº 973.733/SC na sistemática do art. 543C do CPC (62A do RICARF). Além do mais, a arguição de nulidade da decisão recorrida, por suposta análise equivocada do critério de seleção do contribuinte, não merece acolhimento, já que a autoridade julgadora a quo fundamentou o motivo da rejeição da citada preliminar. Da análise dos argumentos postos em seu Recurso Voluntário, fica evidente que o descontentamento do recorrente tem a ver com o conjunto probatório carreado aos autos que, na visão da fiscalização e/ou da autoridade recorrida, não foi suficiente para comprovar determinada situação. Se os fatos estão provados ou não, ou se efetivamente se ajustam ao modelo hipotético instituído pelo legislador, aí se verifica uma questão de mérito, o que ultrapassaria a preliminar suscitada. Com efeito, o lançamento pautouse nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, bem como naqueles acostados pelo contribuinte por ocasião da apresentação de seus argumentos. Pelos fundamentos expostos, entendo que a preliminar suscitada não merece acolhimento. No que tange à alegação de que a seleção do contribuinte para fiscalização foi efetuada em desconformidade com o art. 1º e § 4º da Portaria nº 3007/2002, já que não foi autorizado pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, cumpre deixar assentado que a Portaria 11.371/2007, autoriza o Superintendente da Receita Federal do Brasil emitir o Mandado de Procedimento Fiscal. Vejase: Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Coordenador Especial de Vigilância e Repressão; IV Superintendente da Receita Federal do Brasil; V Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI InspetorChefe das unidades constantes do Anexo IV. (grifei) Ademais, é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, consoante se depreende da leitura da Súmula CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Portanto, não há como acolher a alegação de incompetência da autoridade autuante que realizou a auditoria fiscal. No que toca a seleção de contribuintes, impende esclarecer que a auditoria fiscal é um critério da autoridade autuante e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede à alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar “mero capricho, perseguições, animosidade ou interesse político” pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria. Isso posto, não há qualquer irregularidade na seleção e auditoria fiscal. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter recebido a relação contendo os depósitos de origem não comprovada, entendo que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o “Termo de Intimação – 03/07/2009”, fl. 46/47, verificase que o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória da origem dos depósitos constantes na relação de fls. 49/57, conforme AR de fl. 57. Portanto, não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. No que tange à quebra de sigilo bancário, cumpre registrar que a Lei Complementar nº 105/2001 permite o afastamento do sigilo bancário por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, independentemente de autorização judicial. Citase, outrossim, o inciso II do art. 198 da Lei nº 5.172/1.966 (CTN): Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 6 9 § 1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifei) Portanto, não identifico no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário do recorrente. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Quanto à alegação de que o fato gerador da omissão de depósitos bancários ocorre mensalmente, cabe relembrar que a questão já foi abordada neste voto, inclusive com a menção da Súmula CARF nº 27. No que diz respeito à alegação de ilegitimidade passiva, já que na visão do contribuinte os depósitos são oriundos da pessoa jurídica, constatase que o suplicante não carreou aos autos qualquer documentação para comprovar sua alegação. Com efeito, a comprovação, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, a entrada do recurso em seu movimento bancário. Não se pode perder de vista que a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, consoante se infere da Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessarte, sem a vinculação dos depósitos, presumese que os valores não transitaram pela conta bancária do contribuinte. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 451DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10865.908709/2009-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 87 09 /2 00 9- 85 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Com base nos permissivos do art. 64, do art. 67, e parágrafos, e do art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO 1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.” O caso foi assim relatado pelo E. Colegiado a quo, verbis: “Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1435.124, às fls. 94 a 104: ´Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 11790.90184.030907.1.7.043102, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 4 3 final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a Contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/11, acompanhada dos documentos de fls. 12/43, na qual alega, em síntese, que: a) no mês de agosto/2006, apurou base de cálculo negativa do IRPJ, no valor de R$ 237.167,82, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2007; b) no dia 17/11/2006, efetuou pagamento indevido no valor de R$ 79.914,75; c) no mês de novembro/2006, a manifestante apurou base de cálculo positiva no valor de R$ 443.909,33, o que gerou IRPJ a pagar, em 28/12/2006, no valor de R$ 38.540,46; d) do referido valor devido, R$ 38.540,46 foram compensados na data de 03/09/2007; e) a compensação levada a efeito pela Manifestante revestiuse de caráter inteiramente satisfativo do crédito tributário da Receita Federal; f) sob o aspecto legal carece de fundamento a glosa da compensação levada a efeito pela Manifestante; g) o órgão julgador da RFB buscou fundamento para impugnar a compensação no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal, contudo, entendendo ser imperioso e justo que as empresas tenham efetuado pagamento indevido ou a maior em meses anteriores, houve por bem alterar o artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, a teor do artigo 11 da IN RFB n° 900/2008, para excluir do texto do artigo 10 as disposições: “bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa, mensal.”; i) tratandose de pagamento indevido e não de retenção indevida, a Manifestante não está limitada a somente utilizar o indébito no final do período de apuração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ‘ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 17/11/2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do ano calendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/11/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.’ Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/04/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 5 4 Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e as DCTF dos períodos envolvidos.” O acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário sob os fundamentos de que (a) as estimativas pagas a maior são indébito passível de restituição e compensação, nos termos da Súmula nº 84 do CARF; e (b) os valores pagos a maior pela Contribuinte não foram por ela computados no ajuste anual para fins de apuração de eventual saldo negativo apurado ao fim do anocalendário. Citese trecho do voto condutor do acórdão, verbis: “No ajuste anual não foi computado qualquer valor de dedução como estimativa de agosto/2006. E o PER/DCOMP apresentado serviu tão somente para deslocar uma parte do recolhimento feito indevidamente referente ao mês de agosto/2006 (R$ 41.907,41) para a quitação de parcela da estimativa do mês de outubro (com a rubrica principal de R$ 38.540,47,mais acréscimos). Os documentos apresentados são suficientes para a homologação da compensação. Desde o início, a negativa ao pleito da Contribuinte busca fundamento no argumento de que os recolhimentos de estimativa não podem ser objeto de restituição ou compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado, inclusive com súmula editada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas a questão deste processo envolve aspectos que vão além desse debate sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa. Cabe registrar que de fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos. Contudo, esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas sempre mereceu ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.” Em recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 1801001.473, o qual assenta o entendimento de que “a homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte”. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente da 4a Câmara da Primeira Seção do CARF (Despacho nº 120000.276 – fls. 205 a 207), ante a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 6 5 A Contribuinte não apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para divergir do r. Despacho de fls. 205/207 no que se refere à admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a similitude fática entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo a, verificada a discrepância entre eles, firmarse a jurisprudência desta Corte a respeito da específica questão de direito posta a desate. Sobre o conceito de divergência para fins recursais, vejase iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fática e jurídica entre os arestos confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Em tema de divergência jurisprudencial, mostrase imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases fáticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Os embargos de divergência têm por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto à interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade fática e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (...)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 03.12.2007 – grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – LEILÃO – AVALIAÇÃO DO BEM – IMPUGNAÇÃO – DECISÃO NÃO AGRAVADA PRECLUSÃO – INTIMAÇÃO DO EXEQÜENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS DESNECESSIDADE PREÇO VIL ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO NÃOOCORRÊNCIA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SEMELHANÇA FÁTICA INEXISTÊNCIA. 1. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqüente ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia à arrematação, reputase válida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por mais da metade do valor da avaliação não é considerado preço vil para a Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 7 6 jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acórdão paradigma não possui semelhança fática com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta parte, não provido. (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min. Eliana Calmon, DJE – 26/11/2008 – grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido depreendese que o contexto fático verificado é distinto daquele constante do aresto paradigma. Neste (paradigma), embora a razão para o indeferimento do pedido de restituição/compensação também tenha sido o fato de o crédito nele utilizado representar estimativas, entendeu aquele Colegiado que os elementos daqueles autos não seriam suficientes para a verificação do direito creditório da Contribuinte. No caso, diferentemente da situação fática anterior, o acórdão recorrido entendeu estarem presentes todos os elementos necessários para a identificação do direito creditório, o que, se diga, era objeto do contencioso conforme decisão de primeira instância contraditada pelos documentos juntados pela Contribuinte em recurso voluntário. Em suma, no caso paradigma, havia incerteza quando à existência do direito de crédito em si, razão do retorno dos autos à Delegacia de Jurisdição do contribuinte, enquanto que, no segundo, no entender do Colegiado a quo, a liquidez do crédito era certa diante dos elementos de prova constantes dos autos. A par da falta de divergência jurisprudencial, o recurso especial da Fazenda Nacional não atende à forma regimental, a teor do art. 67, § 6o do RI/CARF vigente, ante a falta de demonstração analítica da divergência, na peça recursal, “com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Por fim, a tese defendida pela Fazenda Nacional em seu recurso especial afronta ao princípios da economia processual e eficiência administrativa, porquanto não se pode admitir como razoável que, em todo e qualquer caso de restituição/compensação em que se discuta questão preliminar, haja necessidade de reinício do processo administrativo para aferir a existência de direito creditório que, no entendimento do CARF ou da DRJ, é líquido e certo por força dos elementos constantes dos respectivos autos. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721733/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1102-001.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros Jackson Mitsui e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento em maior extensão para também reduzir o percentual da multa aplicada sobre o imposto de renda na fonte devido sobre o pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado para 75%. Declararam-se impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros Jackson Mitsui e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento em maior extensão para também reduzir o percentual da multa aplicada sobre o imposto de renda na fonte devido sobre o pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado para 75%. Declararam-se impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.721733/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.330 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ. Recorrente VIEIRA MAGALHÃES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. BASE DE CÁLCULO. ISSQN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os impostos que não integram a receita bruta são somente os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. IRRF. DEDUÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. O imposto de renda comprovadamente retido na fonte, incidente sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto devido, pode ser deduzido na apuração do imposto a pagar. É do contribuinte o ônus da prova de que tenha sofrido a retenção do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 17 33 /2 01 1- 11 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 3 2 Sujeitase à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como o pagamento efetuado ao sócio ou a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Não havendo evidências de que o contribuinte utilizasse sistemas de processamento eletrônico de dados para registro de suas atividades ou para escrituração de livros, improcede a aplicação de multa em face da não apresentação ao fisco dos arquivos magnéticos solicitados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros Jackson Mitsui e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento em maior extensão para também reduzir o percentual da multa aplicada sobre o imposto de renda na fonte devido sobre o pagamento sem causa e/ou a beneficiário não Fl. 910DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 4 3 identificado para 75%. Declararamse impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório A empresa acima qualificada teve contra si lavrados os autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e de multa regulamentar, perfazendo um crédito tributário total, incluindo juros de mora e multa de ofício, de R$ 2.262.528,28. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, e a Descrição dos Fatos constante dos autos de infração lavrados, o contribuinte teve o seu lucro arbitrado no ano calendário de 2008, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração. A empresa não foi localizada no seu endereço informado à administração tributária, tendo sido localizado o sócio AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, que declarou estar a empresa inativa desde o final de 2008. A empresa não apresentou DIPJ para o anocalendário 2008 e as DCTFs foram apresentadas sem quaisquer débitos declarados. O lucro foi arbitrado tomando como base as notas fiscais apresentadas pela Prefeitura Municipal de Montes Claros e pela ESURB – Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização. A fiscalização concluiu ainda que o atual sócio JOÃO NEVES GONÇALVES DOS SANTOS não é e nunca foi sócio de fato/administrador da fiscalizada, e que o administrador de fato, em 2008, foi o Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, contra quem lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 751754. Além do arbitramento do lucro com base na receita, do qual decorreram os lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, foi também lançado o imposto de renda na fonte, à alíquota de 35%, sobre pagamentos efetuados (identificados a partir da análise dos extratos bancários), com relação aos quais a fiscalizada não identificou o beneficiário nem comprovou a causa ou operação a que se referiam. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 5 4 Todos os lançamentos acima referidos foram apenados com a multa de ofício de 150%. Por fim, foi ainda lançada a multa regulamentar no valor de R$ 14.825,34 (1% sobre o valor da receita bruta da pessoa jurídica no período) pela falta de apresentação dos arquivos contábeis digitais. A fiscalizada e o responsável tributário apresentaram impugnações aos lançamentos, argumentando o seguinte, consoante sintetizou o relatório da decisão recorrida, na parte que ora transcrevo: “Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte. que a presunção de que os débitos bancários se tratavam de pagamentos realizados a terceiros, sujeitos à retenção do IRRF não levou em consideração a natureza das operações do impugnante, a qual tratase de empresa prestadora de serviços de locação de máquinas e veículos pesados, sendo sempre incluídos nos respectivos contratos os ônus com abastecimento e manutenção dos veículos; que restou relatado no TVF à fl. 23 (item 4) a apresentação por parte do impugnante de documentos que comprovam as despesas por ele realizadas; que se faz necessária a indicação pormenorizadas dos motivos pelo quais o agente fiscal concluiu pela incidência do IRRF sobre os valores lançados a débito na contacorrente; Quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. que, conforme consta dos contratos firmados coma a Prefeitura de Montes Claros e a ESURB, encontrase a obrigatoriedade de retenção do Imposto de Renda na Fonte por parte dos contratantes. Dessa forma, ao contrário do que foi assentado, o impugnante não restou omisso no recolhimento do IRPJ, na medida em que todos os pagamentos a ele realizados já o foram com a retenção respectiva do tributo, nada mais devendo a título de IRPJ; que as notas fiscais emitidas pelo impugnante possuem o valor bruto dos serviços prestados e não o valor líquido recebido; Quanto ao arbitramento do lucro – CSLL, PIS e COFINS. que as diligências realizadas pela fiscalização foram deficitárias e insuficientes para apurar a real situação do impugnante, uma vez que baseou a atuação unicamente na contabilidade das receitas auferidas; que segundo o § único do artigo 224 do Decreto nº 3.000/99 exclui o valor do IRRF dos valores a serem considerados para arbitramento do lucro; Quanto às multas aplicadas. que a multa de 150% é confiscatória; que falhas na escrituração contábil por parte do impugnante não pressupõe o dolo que é a vontade dirigida conscientemente à obtenção de um fim ilícito; que é indevida a multa regulamentar pela falta de apresentação de arquivos digitais, vez que não se enquadra nas categorias previstas na Lei nº 8.218/91; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 6 5 Quanto à responsabilidade solidária. que em momento algum o sócio administrador João Neves foi ouvido pela fiscalização para confirmar ou negar a hipótese levantada pela fiscalização que concluiu tratarse de “laranja”; que o sócio administrador é conhecido da família do ora impugnante de modo a outorgarlhe instrumento de procuração hábil a representar a empresa na celebração de negócios jurídicos; que a fiscalização em momento algum apontou qualquer evolução patrimonial de um ou de ambos os envolvidos, que pudesse sugerir ao menos um leve sintoma da suposta operação “laranja”; que o lucro no ano calendário foi zero e que não houve fraude, apenas descontrole administrativo;” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG afastou a preliminar de nulidade, e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação tão somente para deduzir, do valor do IRPJ lançado, os valores do imposto de renda comprovadamente retido na fonte, de acordo com a DIRF apresentada pela Prefeitura de Montes Claros. De resto, confirmou a correção do lançamento efetuado e da multa aplicada, bem como da imputação de responsabilidade tributária solidária ao Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES. O Acórdão no 0939.620, fls. 823 a 842, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DE LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO IRRF. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma do lucro arbitrado o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e a responsabilizada, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de “laranja”, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento no artigo 124 e 135 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 7 6 Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA REGULAMENTAR. Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2008 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço.” Contra esta decisão, da qual foram cientificados em 17.05.2012, foi interposto em 18.06.2012, em nome do contribuinte e do responsável tributário, o recurso voluntário de fls. 872 a 894, no qual são reprisados argumentos expostos na inicial. Tornam os recorrentes a argumentar o caráter de excepcionalidade do arbitramento como forma de apuração, e salientam que não é verdade que a empresa não tenha apresentado escrituração nem documentação, sendo que a própria decisão recorrida reconhece que foram apresentados, ainda que parcialmente, comprovantes de despesas inerentes e essenciais à sua atividade. Acrescentam argumentação de nulidade do lançamento por terem sido utilizados percentuais incorretos para a determinação do lucro, posto que, em vez de 8%, 16%, e 32%, que seriam os percentuais corretos para as suas atividades, foram utilizados os percentuais de 9,6%, 19,2%, e 38,4%. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 8 7 Aduzem que o lançamento, para ser considerado válido, também deveria ter especificado quais os pagamentos recebidos em que houve retenção na fonte e quais aqueles em que não houve, se é que existem pagamentos nessas condições. Ademais, não somente o imposto de renda foi retido na fonte, mas também as contribuições previdenciárias e o imposto sobre serviços de qualquer natureza foram objeto de retenção, conforme destacados nas notas fiscais, e, uma vez que esses valores não ingressaram no patrimônio da recorrente, não podem ser considerados receita bruta nos termos do artigo 224 do RIR/99. Protestam ainda que, a prevalecer a tese fiscal, a empresa estaria sofrendo dupla penalidade: uma pela tributação dos ingressos na conta bancária, a título de lucro arbitrado, e outra pela tributação na saída dos recursos da conta bancária, sob a alegação de pagamentos sem causa. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidades Aduzem os recorrentes que o lançamento encontrarseia acoimado de nulidade, seja porque as verificações fiscais incompletas levaram em consideração apenas as entradas de recursos, ignorando as despesas, seja porque os cálculos estariam indevidamente elevados, em face da adoção de percentuais incorretos para a apuração do lucro. Cediço que, no âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações estas inocorrentes no caso. Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou no enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, como será feito a seguir. Arbitramento do lucro Não há dúvidas de que o arbitramento dos lucros constitui medida excepcional. Tampouco há dúvidas de que o procedimento não constitui penalidade, mas sim mera técnica de apuração do lucro, e que possui específica previsão legal, consolidada no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Portanto, estando presentes os elementos que autorizam a sua aplicação, nada tem de abusivo o procedimento. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 9 8 Os recorrentes contestam o arbitramento alegando não ser verdade que não tenham apresentado nada, posto que a própria decisão recorrida reconhece que foram apresentados, ainda que parcialmente, comprovantes de despesas inerentes e essenciais à sua atividade. Ora, a apresentação (ademais apenas parcial) de documentos relativos a supostas despesas incorridas por óbvio não ilide o recurso ao arbitramento. No caso, o contribuinte simplesmente não apresentou à fiscalização qualquer livro contábil ou fiscal, tendo ainda expressamente declarado não ter escriturado as receitas e despesas ocorridas. Transcrevese abaixo trecho do voto da decisão recorrida sintetizando o caso: “Em 10/03/2011 o contribuinte foi reintimado a apresentar os livros fiscais e contábeis e os extratos bancários das contas mantidas na Coop. de Crédito dos Pequenos Empres., Microempresários e Microempreendedores do N. de Minas Ltda (SICOOB CREDINOSSO). Em atendimento, o contribuinte apresentou apenas notas fiscais de serviços referentes ao período de fev/2008 a set/2008. Novamente intimado, em 05/05/2011, a apresentar documentos/esclarecimentos e o restante das notas fiscais do anocalendário 2008, foi apresentada uma planilha denominada “Demonstrativo Mensal de Receitas e Despesas”, alguns documentos e esclarecimentos, dentre eles que não mantém em seus arquivos comprovantes de alvará e funcionamento, nem possuiu despesas com água, energia elétrica, telefone, que não teve empregados em 2008, que não possui documentos comprobatórios de despesas de IPVA, manutenções preventivas e corretivas, bem como lubrificantes. Por fim, declarou que não escriturou as receitas e despesas ocorridas e que não tem condições de apresentar comprovantes idôneos de despesas realizadas. Neste contexto, resta somente o arbitramento como forma de apuração do lucro, exatamente como procedeu o fisco, com base no art. 530, inciso III, do RIR/99. Portanto, sem qualquer fundamento o argumento de que os percentuais aplicados estariam errados, ou seja, de que, em vez de 9,6%, 19,2%, e 38,4%, deveriam ter sido utilizados os percentuais de 8%, 16%, e 32%. Os percentuais utilizados são aqueles previstos em lei para o arbitramento, enquanto que os citados pelos recorrentes aplicarseiam somente no caso de ser possível a opção pelo lucro presumido, que, no caso, conforme visto acima, não é. A alegação de que a atuação seria improcedente por levar em consideração unicamente as receitas auferidas, ignorando as despesas, carece de sentido, ante a forma de apuração adotada. No arbitramento, ao ser presumido um percentual de lucro, por óbvio e por consequência, presumese também um percentual de custos e despesas em que a empresa incorreu. Assim, se o percentual de arbitramento do lucro é de 9,6% sobre a receita, significa que o próprio legislador atribuiu um percentual de 90,4% da receita aos custos e despesas incorridas. Aduzem ainda os recorrentes que a autuação é improcedente porque foram considerados os valores brutos dos serviços prestados, e não os valores líquidos recebidos. Que deveriam ser descontados os valores do imposto de renda retido na fonte, bem como das contribuições previdenciárias e do imposto sobre serviços que está destacado nos documentos Fl. 916DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 10 9 fiscais emitidos, nos termos do parágrafo único do artigo 224 do RIR/99, que possui a seguinte redação: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Não assiste razão ao contribuinte quando pleiteia que seja considerada na autuação somente a receita líquida. Conforme transcrição acima, fica claro que na receita bruta só não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes, e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Tal condição alcança, por exemplo, na legislação federal, o IPI, e na legislação estadual, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Não alcança, contudo, o imposto sobre serviços (ISSQN), da legislação municipal. Na verdade, o ISSQN, assim como também o ICMS incidente sobre as vendas, são tributos que, ao serem subtraídos da receita bruta, dão origem à receita líquida, consoante conceito consagrado na legislação tributária desde há muito tempo, a teor do disposto no art. 12 do Decreto Lei no 1.598/77: “Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” Digno de registro que a legislação de todos os tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), no caso de pessoas jurídicas submetidas ao lucro arbitrado, faz referência expressa à receita bruta como ponto de partida para a apuração do montante devido. Neste sentido são: a Lei nº 8.981/95, antes mencionada (para o IRPJ), o art. 20 da Lei nº 9.249/95 (CSLL), e os arts. 2o e 3o da Lei nº 9.718/98 (PIS e COFINS). Portanto, nenhuma base legal há para a reclamada exclusão do imposto sobre serviços da receita bruta. Da mesma forma, inexiste base legal para a exclusão das contribuições previdenciárias, cujo pleito é ainda mais extravagante, pois sequer se trata de imposto sobre vendas, sendo tais contribuições dedutíveis como custo ou despesa operacional apenas para fins de apuração do lucro operacional da pessoa jurídica. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 11 10 Com relação ao IRRF, tampouco é o caso de exclusão do seu valor da receita bruta, posto que também não se enquadra nas exclusões legais da receita bruta acima mencionadas. O tratamento correto a ser conferido, no caso, é de dedução, na apuração do imposto a pagar, do imposto de renda comprovadamente retido na fonte, que tenha incidido sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto devido. E, neste sentido, a DRJ já reconheceu o direito à dedução do imposto retido na fonte sobre as receitas decorrentes das notas fiscais emitidas contra a Prefeitura de Montes Claros. Isto porque, em proveito do contribuinte, conseguiu identificar, em pesquisa aos sistemas internos da Receita Federal (DIRF), a efetiva retenção do imposto em questão. Contudo, destacou a DRJ não ser possível reconhecer o direito à dedução do imposto que teria sido alegadamente retido pela ESURB – Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização, porque não havia DIRF apresentada por aquela autarquia municipal que confirmasse ter havido a retenção. Entendo que está correta a autoridade julgadora a quo. Por certo que a DIRF não é a única forma de se provar que houve a retenção do tributo. Contudo, o ônus da prova, no caso, é do contribuinte, e, neste aspecto, simplesmente nada produziu em seu favor o contribuinte. Conforme visto, o contribuinte não mantinha qualquer espécie de escrituração, nem de suas receitas, nem de seus recebimentos. Ademais, analisandose as notas fiscais emitidas contra a ESURB que constam dos autos, sequer se verifica haver qualquer espécie de destaque do IRRF que seria devido (vide, por exemplo, notas fiscais de fls, 185, 186, e 187). Sem procedência, portanto, a reclamação. Em conclusão, correto o arbitramento levado a efeito pela fiscalização. Imposto de Renda Retido na Fonte Aduzem os recorrentes que a presunção fiscal de que se trataria de pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa (o fisco enquadrou nas duas circunstâncias) não levou em consideração a natureza das operações do contribuinte, nem a apresentação de documentos que comprovariam as despesas por ele realizadas. Ocorre que, conforme bem observou a decisão recorrida, não é possível reconhecer a efetividade da comprovação de nenhum dos pagamentos que foram objeto da autuação, tendo em vista que não foi feita nenhuma vinculação entre os documentos apresentados (tais como contratos de locação de máquinas e veículos pesados, e cupons fiscais avulsos referentes a compras de combustíveis) e os valores dos desembolsos apurados pela fiscalização. Ressaltese que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi especificamente intimado a apresentar documentos e esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados por meio dos débitos bancários identificados pela autoridade fiscal (fls. 705710), ao que assim respondeu, verbis: Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 12 11 “1.A – Como já consta de documento encaminhado anteriormente à Receita Federal quando da explicação da receitas auferidas no ano de 2008, a empresa não mantém documentos "idôneos", ou seja contábeis que sejam possíveis para lastrear a movimentação bancária ocorrida na conta referida; 1.B – Em razão de não manter registro das despesas efetuadas, também tornase impossível a apresentação de documentos capazes de demonstrar a movimentação de forma individualizada por beneficiário; 1.C – Os valores dos saques foram efetuados na conta corrente de maneira aleatória de acordo com a necessidade de liquidação de algum compromisso da empresa com os seus fornecedores ou prestadores de serviços; 1.D – Por fim em relação as possíveis inconsistências existentes na planilha apresentada pela fiscalização não temos qualquer observação, pois em razão de não dispormos de documentos que comprovem a movimentação bancária da empresa acatamos o que nos foi apresentado.” Portanto, não há dúvidas de que se está diante de situação expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99). Não apenas não houve a comprovação da operação de a que título se deu, ou qual foi a causa, dos pagamentos, como também não foram identificados seus beneficiários. A alegação de que estaria sofrendo uma dupla penalização (uma pela tributação dos ingressos na conta bancária, a título de lucro arbitrado, e outra pela tributação na saída dos recursos da conta bancária, sob a alegação de pagamentos sem causa) também não merece guarida. A tributação em questão constitui clara hipótese de presunção legal, no sentido de que estarseia diante de um rendimento tributável de terceiro, o qual, contudo, justamente em face das circunstâncias do caso (falta de identificação do beneficiário ou da causa do pagamento), não teria sido submetido à regular tributação, o que justifica a incidência, exclusivamente na fonte (na qualidade de responsável por substituição), do imposto de renda à alíquota diferenciada nele prevista. Tratase de exigência expressamente prevista em lei, portanto, e que de forma alguma se confunde com a receita omitida, pelo que não há que se falar em bitributação. Ademais, registro ainda que não se trata sequer, no caso concreto, de tributação “tanto dos créditos quanto dos débitos” bancários de uma mesma conta. Isto porque a receita omitida não foi apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim com base nas notas fiscais apresentadas por terceiros diligenciados pelo fisco. Apenas os pagamentos sem causa é que foram identificados a partir dos extratos bancários da fiscalizada. Portanto, correta a autuação fiscal relativa ao imposto de renda retido na fonte. Multa qualificada Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 13 12 Aduzem os recorrentes que a multa de 150% é confiscatória, e que meras falhas na escrituração contábil por parte do contribuinte não permitem pressupor o dolo, que é a vontade dirigida conscientemente à obtenção de um fim ilícito. Não lhe assiste razão. A multa qualificada encontrase plenamente justificada pelo relato fiscal. Não apenas não houve a apresentação de DIPJ relativa ao período autuado, como também as DCTF apresentadas não indicavam a existência de qualquer tributo devido. Ademais, quando intimada para apresentação dos extratos bancários, apresentou à fiscalização tão somente os extratos da conta bancária na qual não havia qualquer crédito proveniente de receitas auferidas. A fiscalização, contudo, obteve, via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente da instituição financeira, extratos contendo uma movimentação financeira da ordem de R$ 1.325.969,09 (créditos no ano de 2008). E, quando intimada para apresentação da notas fiscais de sua emissão, apresentou notas fiscais que totalizavam apenas R$ 616.815,91, contudo, a fiscalização obteve, junto a apenas dois clientes diligenciados (Prefeitura Municipal de Montes Claros e ESURB) notas fiscais que totalizaram R$ 1.482.534,51. A fiscalização também demonstrou que os serviços prestados pela fiscalizada em 2008 passaram a ser executados pela LOCTRANS TRANSPORTES LTDA a partir de 2009, tendo a fiscalizada (cujo nome fantasia também era “LOCTRANS”) encerrado a sua atividade operacional em 2008 (dissolução irregular, posto que simplesmente deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, conforme diligência efetuada, sem qualquer comunicação aos órgãos competentes), deixando atrás de si justamente o significativo passivo tributário em questão. A fiscalização demonstrou, ainda, que houve a interposição de pessoas no quadro societário (vulgo “laranja”) com a finalidade de dificultar ou impedir a execução dos créditos, conforme será detalhado no tópico atinente à responsabilidade tributária. Tudo isto compõe um cenário que, sem sombra de dúvidas, joga por terra todas as alegações no sentido de que teria havido mero descontrole administrativo, bem como afasta qualquer possibilidade de tratarse de simples erro. Plenamente demonstrado, portanto, o intuito doloso do contribuinte, e a configuração do evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, e justificada, portanto, a imposição da multa qualificada. Por fim, a multa aplicada possui expressa previsão legal, e não pode ser afastada pelo julgadora administrativo sob o argumento de violação a princípios constitucionais. Neste sentido, a seguinte súmula do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Multa regulamentar Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 14 13 Aduzem os recorrentes ser indevida a multa regulamentar pela falta de apresentação de arquivos digitais, uma vez que não se enquadra nas categorias previstas na Lei nº 8.218/91, ou seja, não é obrigada à escrituração digital, nem utiliza sistema de processamento eletrônico de dados. Neste caso, assiste razão aos recorrentes. A Lei nº 8.218/91 possuía à época a seguinte redação: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...)” No caso, não trouxe a fiscalização nenhum elemento de prova de que a pessoa jurídica utilizasse sistema de processamento eletrônico de dados para quaisquer das finalidades mencionadas no dispositivo. Aliás, pelo quanto sucintamente contido no presente relatório e voto, as evidências são todas justamente em sentido contrário. Assim, não há que se falar em obrigatoriedade de manter à disposição da Receita Federal arquivos digitais e sistemas cuja existência em nenhum momento foi comprovada, nem tampouco admitida, e, portanto, não há que se falar em penalidade em face de sua não apresentação ao fisco. Responsabilidade solidária Aduzem os recorrentes, em síntese, que: (i) o sócio administrador João Neves Gonçalves Santos sequer foi ouvido pela fiscalização para confirmar ou negar a hipótese levantada pela fiscalização que concluiu tratarse de “laranja”; (ii) que o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães é mero mandatário do sócio administrador João Neves Gonçalves Santos, que é conhecido de sua família, o que justifica a confiança depositada; (iii) que o lucro no ano calendário foi zero, e que a fiscalização não apontou qualquer evolução patrimonial de um ou de outro. O fisco, entretanto, reuniu um sólido conjunto de evidências no sentido de que o Sr. João Neves Gonçalves Santos não é e nunca foi sócio de fato da fiscalizada. Tratase, na verdade, de pessoa que foi empregado contratado por diversas vezes como “Outros trabalhadores braçais nãoclassificados sob outras epigrafes” (Classificação Brasileira de Ocupações código 49.090) por JAQUELINE VIEIRA RABELO, Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 15 14 empresa de nome fantasia CARBONORTE. Jaqueline Vieira Rabelo é esposa de Afonso Jorge Vieira Magalhães. O Sr. João Neves Gonçalves Santos não foi “ouvido” pela fiscalização porque sequer foi por ela localizado. De acordo com os cadastros desta pessoa física na Receita Federal (sistema CPF), bem como em alteração contratual de outra empresa (COMERCIAL UNIDOS LTDA), seu endereço residencial seria o mesmo da empresa CARBONORTE. Contudo, por meio de diligência ao local, que era tipicamente residencial e estava fechado, e informações obtidas, foi possível constatar que João Neves Gonçalves Santos não era lá conhecido nem jamais residira naquele local. Em diligência ao local que seria o endereço da COMERCIAL UNIDOS LTDA, outra empresa em que membros da família Vieira Magalhães (irmãs de Afonso Jorge Vieira Magalhães) transferiram quotas para João Neves Gonçalves Santos. constatouse que o imóvel, um cômodo fechado, com a inscrição COMERCIAL UNIDOS, fora alugado como “depósito” para Afonso Jorge Vieira Magalhães. Enfim, para não ter de reproduzir aqui todo o conteúdo do quanto exposto no minucioso relato fiscal a respeito, o qual se encontra entre as fls. 69 e 83 dos autos, no “item II – QUADRO SOCIETÁRIO E UTILIZAÇÃO DE INTERPORTA [sic] PESSOA NO QUADRO SOCIETÁRIO DA EMPRESA ("LARANJA")”, e que adoto como razões de decidir, reafirmo que o fisco reuniu um vasto conjunto probatório no sentido de demonstrar que, por trás da administração da contribuinte, sempre esteve o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães. Basta registrar, por exemplo, que, nada obstante tenha o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães formalmente transferido 95% das quotas do capital social para o “laranja” João Neves Gonçalves Santos, mantendo para si apenas 5%, e formalmente tenha sido o “laranja” constituído único e exclusivo administrador da sociedade (conforme a Primeira Alteração Contratual Registrada na JUCEMG em 07/dez/2007), o fato é que tanto antes quanto após a referida alteração contratual, foi sempre o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães quem representou a empresa, assinando todos os contratos celebrados com a Prefeitura Municipal de Montes Claros e a ESURB. Correta, portanto, a imputação de responsabilidade tributária ao Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães, sendo de se destacar que a fiscalização, no caso, enquadrou a referida responsabilidade tanto no artigo 124, inciso I, quanto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. No que toca ao art. 135, inciso III, tal dispositivo prevê a responsabilidade de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo que não é qualquer infração à lei que ensejará a coresponsabilidade dos administradores, sendo necessário provar que estes agiram dolosamente, praticando ato ilícito com fraude ou excesso de poderes, situação esta que, conforme visto, restou plenamente configurada no caso concreto. Neste sentido é também a jurisprudência do STJ: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 16 15 “PROCESSUAL. CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NATUREZA SUBJETIVA. É dominante no STJ a tese de que o nãorecolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos dolosamente, com fraude ou excesso de poderes.” (Resp 898168, Rel. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 05.03.08) Como já em diversos outros precedentes tenhome manifestado, entendo que tal responsabilidade (art. 135) é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Adoto, neste sentido, o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” Em vista do exposto, correta a imputação de responsabilidade tributária solidária com base no art. 135 do CTN. No que toca ao art. 124, inciso I, conforme também já manifestei em diversos outros precedentes, entendo que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. E que, em casos como o dos autos, em que restou demonstrado que a empresa AM INFORMÁTICA LTDA encontravase constituída em nome de interpostas pessoas, e que dela se utilizava o seu verdadeiro sócio e administrador de fato, o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães, para a prática de operações à margem da tributação, não há dúvidas do seu interesse comum nas situações que constituam o fato gerador da obrigação tributária. Na mesma linha do presente voto, destaco os seguintes julgados desta Corte, em situações envolvendo a administração de pessoas jurídicas por sócios gerentes de fato, em que o CARF entendeu restar demonstrado, nesses casos, o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN: Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 17 16 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 20311.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102001.034, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) Portanto, também por este motivo deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado. Conclusão Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 18 17 Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005787/98-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Inexistindo omissão no julgado embargado, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3403-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausentes ocasionalmente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inexistindo omissão no julgado embargado, rejeitamse os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausentes ocasionalmente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 57 87 /9 8- 11 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil por AKZO NOBEL LTDA ao Acórdão nº 3403001.724, por meio do qual, por unanimidade de votos, negouse provimento aos recursos de ofício e voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/1995, 30/09/1995 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITOS DE SUCEDIDA POR INCORPORAÇÃO. Não merece reparo o v. acórdão recorrido, no que reconheceu à recorrente o aproveitamento de créditos de Finsocial apurados por pessoa jurídica de que é sucessora por incorporação. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Não se conhece do segundo recurso voluntário interposto, em razão de preclusão consumativa. INTIMAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O vício de procedimento, para acarretar a nulidade do processo administrativo fiscal, deve caracterizar uma das hipóteses contempladas pelo artigo 59, do Decreto no 70.235/72. FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. COMPENSAÇÃO. COFINS. Não se insurgindo especificamente o contribuinte contra os critérios de atualização monetária utilizados pela auditoria fiscal e garantidos por meio de decisão judicial, permanece incólume o montante do direito creditório calculado. RO negado e RV negado. Em sede de embargos de declaração o contribuinte explicou que foram interpostos dois recursos voluntários. Um em nome de INTERVET DO BRASIL VETERINÁRIA LTDA. e outro em nome da ora embargante, posto que esta última recebeu intimação para ratificar os termos do recurso voluntário apresentado pela primeira empresa. Naquela oportunidade a ora embargante apresentou requerimento para que fosse intimada regularmente da decisão de primeira instância para apresentação de novo recurso voluntário. Regularmente notificada, a ora embargante interpôs recurso voluntário arguindo em preliminar a responsabilidade tributária com fundamento nos artigos 132 e 133 do CTN, e nas razões de causa para alegar questões sobre o critério de correção monetária. Entretanto, o colegiado negou por unanimidade o recurso de ofício, negou o recurso interposto por INTERVET DO BRASIL e não conheceu do recurso voluntário da ora embargante, em razão da preclusão consumativa nos termos do art. 473 do CPC. Informa que o objetivo desses embargos de Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.005787/9811 Acórdão n.º 3403003.583 S3C4T3 Fl. 3 3 declaração é o saneamento da omissão havida no julgamento sobre qual ponto teria havido a citada preclusão consumativa nos termos do art. 473 do CPC. Informa que: "(...) Em linhas gerais, no bojo do direito processual civil a preclusão consumativa se conceitua na perda do direito de realização de um determinado ato processual. Ou seja, ultrapassado o prazo determinado o processo e a parte não se manifestou, ocorre a preclusão consumativa. (...)" Entende que o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo de 30 dias da intimação recebida e que não há motivo para que não seja conhecido. Ademais, entende que o fato de existirem dois recursos interpostos não impede o conhecimento de ambos, na medida em que se tratam de pessoas jurídicas distintas. Invocou o princípio da verdade material e requereu o acolhimento dos embargos para que o colegiado se manifeste sobre o ponto omitido, levandose em consideração as razões postas a debate de forma que seja julgado o recurso voluntário interposto pela embargante. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator ad hoc. Tendo em vista que o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, relator originário deste processo, deixou o CARF em março de 2014, passo a relatar os embargos de declaração na condição de relator ad hoc. No voto condutor do acórdão recorrido está consignado o seguinte: "(...) 2. Recursos Voluntários. Dois recursos voluntários foram sucessivamente interpostos do v. acórdão de fls. 670/676, o primeiro por “Invervet do Brasil Veterinária Ltda.” e, o segundo, por “Akzo Nobel Ltda.”. Satisfazendo os pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto ao prazo para interposição, o primeiro deles deve ser conhecido. O segundo – no qual se alega, em resumo, matéria fática e jurídica idêntica ao anterior – incorre em preclusão consumativa e, nos termos do artigo 473, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, não será conhecido. (...)" O acórdão embargado foi bem explícito: o colegiado não tomou conhecimento do recurso voluntário interposto por AKZO NOBEL LTDA porque o ato processual já havia sido validamente praticado pelo contribuinte INTERVET DO BRASIL VETERINÁRIA LTDA. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O embargante está confundindo os conceitos de preclusão consumativa e de preclusão temporal. O que a embargante chamou de preclusão consumativa nos embargos, na verdade corresponde ao conceito de preclusão temporal. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.000102/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Numero da decisão: 2202-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhiam a preliminar de decadência para o ano-calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhiam a preliminar de decadência para o anocalendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 01 02 /2 00 6- 11 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi lavrado auto de infração contra WILSON BENEDITO RACHIONI, com a exigência de crédito tributário no montante de R$ 4.676.452,13, sendo R$ 1.874.291,18 de imposto; R$ 1.405.718,38 de multa de ofício, e R$ 1.396.442,57 de juros de mora calculados até 30/12/2005 (fls. 03 a 08), em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com aplicação de multa de ofício de 75%. A fiscalização, baseada em indícios de omissão de rendimentos por cruzamento de dados bancários, intimou o contribuinte para apresentar extratos bancários dos anoscalendário 2000 e 2001 no prazo de vinte dias, não tendo o contribuinte atendido à intimação. Foram então emitidas Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira para as instituições financeiras Banco do Estado de São Paulo S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Itaú S/A, tendo essas instituições atendido ao requisitado. Assim, foram obtidos os documentos bancários de fls. 50 a 219. A fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 46 a 47), intimando o contribuinte a comprovar com documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas correntes n° 27.8327, no Banco Bradesco S/A, n° 6.7967, no Banespa S/A e n° 3.9333, no Banco Itaú S/A, não tendo o contribuinte respondido até a data da lavratura do Auto de Infração. Cientificado do Auto de Infração em 27 de janeiro de 2006 (sextafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 227/v, o contribuinte apresentou impugnação em 3 de março de 2006 (fls. 231 a 247), por meio de procurador legalmente habilitado, na qual alega, em resumo: sem a prévia, formal e correta intimação do contribuinte, a autoridade fiscal não pode ter acesso às informações financeiras do contribuinte, nos termos do art.6° da Lei Complementar n° 105/01 e do art. 2º , § 1º , do Decreto n° 3.724/01, pois as intimações foram feitas por via postal sem atender aos ditames do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, por indicarem como destino a Avenida Carlos Alberto Catapani, n° 193, Portal das Rosas, Limeira/SP, domicílio do impugnante, e serem entregues na portaria do condomínio, que tem endereço distinto, não sendo recebidas pelo impugnante; como as intimações não foram recebidas pelo contribuinte em seu domicílio fiscal, mas sim por Francisco B. da Silva (fls. 30), José Carlos do Nascimento (fls. 220/221 e 224) e Antônio Aparecido Braga (fls. 228), todos vigias e funcionários da Associação dos Moradores do Portal das Rosas, esse ato não alcançou sua finalidade de comunicar ao ora impugnante a existência de um processo administrativo ou procedimento fiscal, destinado a lhe imputar uma obrigação tributária, violando os artigos 2ºo e 26, § 3º, ambos da Lei n° 9.784/99, além de violar os princípios constitucionais da estrita legalidade, da publicidade e o da finalidade, restando, portanto, nulos de pleno direito; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 387 3 em relação ao ano de 2000, houve a decadência do lançamento, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois o fato gerador do IRPJ(sic) ocorreu em 31 de dezembro de 2000, o primeiro dia do exercício seguinte é 01 de janeiro de 2001, e com o transcurso de cinco anos, temos 01 de janeiro de 2006 como prazo final, mas o lançamento só foi efetuado em 27 de janeiro de 2006, operandose, assim, a decadência; o procedimento fiscal iniciado pelo AuditorFiscal em face da impugnante é desmotivado, porque a simples movimentação financeira, por si só, não é motivo aceitável para tanto, sem se basear em outros elementos, como, por exemplo, patrimônio incompatível com seus rendimentos e sinais externos de riqueza, o que não ocorreu, sendo nulo de pleno direito o presente processo administrativo fiscal; foram desconsiderados os lucros acumulados relativos à pessoa jurídica integrada pelo impugnante, que já foram tributados e não podem sofrer nova tributação; incabível o agravamento da multa, por não ter havido intimação válida e por ter a fiscalização se baseado nos extratos bancários fornecidos pelas próprias instituições financeiras. Ao final, requer: o recebimento da impugnação como tempestiva, uma vez que o impugnante não foi intimado, nem em seu domicílio fiscal, nem na data apontada no documento de fls. 227, que foi recebido por funcionário do condomínio na portaria do mesmo, citando jurisprudência administrativa no sentido de que, não havendo prova do recebimento da intimação por via postal no domicílio tributário do sujeito passivo, considerase que ela ocorreu quinze dias após a data de sua expedição; seja reconhecida a inexistência de intimação válida ou reconhecida a inexistência de motivação para a fiscalização, anulando o procedimento fiscal e tornando ilegal o acesso às informações fiscais do impugnante, sendo considerado o auto de infração totalmente improcedente. seja reconhecida a decadência do lançamento relativo ao ano de 2000; provar o alegado por todas as provas admitidas, em especial por: a) diligências efetuadas por agentes do Poder Público, visando comprovar que as intimações não foram recebidas no domicílio fiscal do contribuinte, mas sim em local distinto e formula quesitos; b) prova pericial efetuada por agente do Poder Público, visando comprovar que o somatório de recursos constantes no presente auto de infração não são, em verdade, rendimentos omitidos, mas mera movimentação de receita financeira e indica perito; c) prova documental através de posterior juntada de novos documentos, como escrituras públicas de declarações, cópias autenticadas de carteira de trabalho, etc; d) requer que todas as intimações sejam feitas em nome do Dr. Vitor Meirelles, advogado e bastante procurador do impugnante, conforme instrumento procuratório já juntado aos autos. Em 31/03/2006, foi exarado pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em Limeira o Despacho Decisório de fls. 251/258, não conhecendo da impugnação, por intempestiva, e dando caráter terminativo ao processo na esfera administrativa. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cientificado da decisão em 06/04/2006, fls. 259/v, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao 1º Conselho de Contribuintes, em 05/05/2006 (fls. 260/267), no qual se insurge contra o Despacho Decisório de fls. 251/258, requerendo a sua total reforma e reconhecida a instauração do litígio quanto à tempestividade da impugnação apresentada. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Limeira reconheceu que houvera a suscitação da tempestividade da impugnação na peça de fls 232/238 e tornou sem efeito o despacho anteriormente exarado e encaminhou os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPII), para apreciação da preliminar de tempestividade e eventual mérito da impugnação. A DRJ/SP2 não conheceu da impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Considerase recebida a intimação fiscal na data de sua entrega no domicílio fiscal do contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio contribuinte ou seu representante legal e seja o porteiro do condomínio fechado em que mora o contribuinte. Assim, expirado o prazo de trinta dias da ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva a impugnação interposta. DECADÊNCIA. O prazo para o Fisco efetuar o lançamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do PAF a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa e domicílio profissional do procurador. Impugnação não Conhecida Conforme despacho de fl. 342 e extrato do processo à fl. 341, o contribuinte foi cientificado da decisão em 15 de janeiro de 2009 e interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 319 a 339), alegando, em síntese: A intimação deuse por via postal, porém o contribuinte tem residência numa Associação de Moradores, num conjunto de habitações não consideradas como condomínios (verticais ou horizontais), que nem é registrada junto ao órgão da classe; tratandose então, de uma associação de moradores, cada qual tem seu endereço individualizado, diferentemente de um condomínio ou edifício, em que tem um ponto comum para entrega de correspondências, um endereço comum. como exemplo prático, determinado edifício tem para todos os apartamentos, um único endereço, alterandose somente, a numeração dos apartamentos que compõem tal condomínio; em informações obtidas junto a portaria da associação em que reside o recorrente, foi questionado sobre o procedimento na entrega de correspondências, tendose a informação de que os moradores tem "caixas de correspondências", exceto no caso de Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 388 5 notificações jurídicas, casos em que são encaminhadas para a residência de cada moradores, o que não ocorreu no presente caso, por se tratar de entrega realizada por correio; quanto à distinção entre a natureza jurídica entre condomínios e associação de moradores temse que quanto aos condomínios, ele regemse pelos artigos 1.331 e seguintes do Código Civil, onde uma vez que se adquire um imóvel fica obrigado aos termos da Lei e convenções, ainda que não se concorde com elas, desobrigandose somente quando da venda do imóvel, enquanto as associações regemse pelos artigos 53 e seguinte do Código Civil, onde se caracterizam por sociedades civis (sem fins lucrativos) integradas somente por aqueles que aderem a elas, assinando respectivo documento; desta forma, uma vez que a citação postal somente é aceita no endereço do sujeito passivo, e o local onde reside o recorrente não se trata de um condomínio (vertical ou horizontal), ele foi citado em endereço diverso do seu, e assim, o procedimento não ocorreu nos moldes que são definidos por lei; a distinção do endereço citado pela RFB e o endereço fiscal do sujeito passivo, ora recorrente, é evidente: RFB citação com AR: Rodovia SP 147, KM 03, Limeira/SP; RFB domicílio fiscal: Rua Carlos Alberto Catapani, n° 193 Portal das Rosas, Limeira/SP; assim, temse presente a situação em que o contribuinte não foi citado em seu domicílio tributário, não teve oportunidade de manifestarse em relação aos procedimentos fiscais, tampouco o acompanhamento de valores e intimações que lhe eram feitas; constatase a decadência de parte do período, pelo fato de ter transcorrido 05 (cinco) anos do fato gerador, levando em conta que referidos lançamentos se deram por homologação, modalidade esta que tem tratamento específico, de acordo com o art. 150, IV do CTN, combinado com o art. 42, § 4º, da Lei 9430/96; sendo a decadência matéria de ordem pública e fazendose a mesmo presente neste processo administrativo, deveria esta ter sido a mesma declarada de oficio pelo fisco, sem qualquer discussão quanto ao mérito em questão; o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício. A movimentação financeira, embora constitua fato gerador da CPMF, não indica que esteja ocorrendo a hipótese de incidência do imposto de renda, seja na pessoa física ou na jurídica; o antigo Tribunal Federal de Recursos, tamanha a pacificidade envolvendo a ilegalidade do lançamento baseado em presunção ou apenas em movimentação financeira, chegou até a editar a Súmula 182: É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; a Fiscalização deveria ter realizado diligências e circularizações nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do recorrente, em respeito ao princípio da verdade real; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Ao final, solicita que as citações e intimações sejam remetidas ao escritório dos patronos, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a perícia contábil, diligências e a sustentação oral, além de requerer que seja dado provimento ao recurso para cancelar o Auto de Infração. Posteriormente ao recurso voluntário, em 4 de março de 2010, o contribuinte peticionou solicitando o seguinte (fls. 343 e 344): “1) O recorrente desiste dos seguintes direitos que se fundam a ação: a) Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9430/1996). 2) Por outro lado, o processo administrativo em questão deverá ter seu prosseguimento, com as seguintes questões: a) Decadência para o exercício de 2000, b) Parte probatória a que se refere as planilhas e documentos já constantes dos autos, bem como, os que serão juntados comprovando justificativas quanto aos depósitos ou créditos mantidos nas contas bancárias em questão, e c) Tudo o que mais constar no processo, excetuado o item 1.” O contribuinte apresentou nova petição em 14 de dezembro de 2010 (fl. 350), solicitando prioridade na tramitação do processo, com base no artigo 71 da Lei nº 10.71/2003 (Estatuto do Idoso). Em 27 de maio de 2011, entrou com novo pedido (fls. 552 a 554) reiterando o seu pedido anterior de desistência parcial do recurso, em relação ao valor principal de R$ 36.868,00, em virtude de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Conforme despacho de fls. 560, o montante relativo à desistência do recurso foi transferido para outro processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação por esta ser intempestiva. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 389 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Nesse caso, a ciência do Auto de Infração deuse em 27 de janeiro de 2006 (sextafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 227/v. Assim, ao apresentar a sua impugnação somente no dia 3 de março de 2006 (fls. 231 a 247), estava exaurido o prazo legal. O prazo teria esgotado em 28 de fevereiro de 2006, terçafeira de carnaval, feriado nacional. Como não houve expediente normal na quartafeira de cinzas, o prazo esgotouse em 2 de março de 2006 (quintafeira). O recorrente alega que a citação postal somente é aceita no endereço do sujeito passivo e o local onde reside não se trata de um condomínio (vertical ou horizontal), mas sim uma associação de moradores, onde cada qual tem seu endereço individualizado, diferentemente de um condomínio ou edifício, em que tem um ponto comum para entrega de correspondências, um endereço comum. Argúi que as intimações foram recebidas pelos porteiros, os quais não tinham autorização para recebêlas. Portanto, ele foi citado em endereço diverso do seu, e assim, o procedimento não ocorreu nos moldes que são definidos por lei. Compulsando os autos, mais especificamente a foto acostada à fl. 290, constatase que se trata de um condomínio fechado na sua acepção mais ampla. Embora não esteja comprovado que é um condomínio horizontal de direito em conformidade com a legislação pertinente, ele o é de fato. Conforme exposto no voto da decisão da DRJ, observase que o domicílio tributário do contribuinte, Rua Carlos Alberto Catapani n° 193, é uma rua interna ao condomínio fechado Portal das Rosas, situado no KM 03 da Rodovia SP 147, Limeira/SP, local onde o sistema viário interno do condomínio alcança a via pública e onde existe uma guarita ou Fl. 393DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 portaria, que limita e controla o acesso às dependências internas, caracterizandose como condomínio fechado. Restando comprovado que as intimações foram recebidas pelos funcionários do condomínio (ou Associação de Moradores) Francisco B. da Silva, José Carlos Nascimento e Antonio Aparecido Braga (fls. 30, 220, 221, 224 e 227), no exercício de suas atribuições na portaria, reputoas como válidas. Notese também que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 27 de janeiro de 2006 (fl. 227/v) e, logo em seguida, no dia 1º de fevereiro de 2006, compareceu à DRF para solicitar cópia dos autos do presente processo (fl. 228). Quanto à ciência da decisão realizada por outra pessoa, assim dispõe a Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Portanto, é de se manter a decisão de primeira instância no sentido de que a impugnação apresentada pelo contribuinte é intempestiva. Em sendo intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Dessa forma, não há que se analisar os demais argumentos do contribuinte em relação ao mérito da autuação. Quanto à solicitação de que as citações e intimações sejam remetidas ao escritório dos patronos, não há como acolher por falta de previsão legal. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720473/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA
Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO.
As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade.
CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO.
É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente.
CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO.
Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO.
Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.605
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator e do redator designado, que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, quanto ao aproveitamento extemporâneo de créditos e quanto ao frete de produtos acabados, Alexandre Kern e Aparecida Martins de Paula, quanto ao aproveitamento de créditos sobre gastos com combustíveis. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior para redigir o voto vencedor quanto aos créditos sobre combustíveis.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Júnior Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência ou perícia não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 73 /2 01 1- 43 Fl. 7336DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO. Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Fl. 7337DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.337 3 Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator e do redator designado, que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, quanto ao aproveitamento extemporâneo de créditos e quanto ao frete de produtos acabados, Alexandre Kern e Aparecida Martins de Paula, quanto ao aproveitamento de créditos sobre gastos com combustíveis. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior para redigir o voto vencedor quanto aos créditos sobre combustíveis. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório FIBRIA CELULOSE S/A transmitiu, em 04/11/2011 o PER nº 18827.32332.270511.1.1.088105 (fls. 5 a 9, retificado em 27/05/2011 PER nº 24964.27565.041111.1.5.086062), por meio do qual pretendeu ressarcimento de saldo credor de PIS não cumulativa, vinculado à receita de exportação, acumulado no 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 7.220.729,59. Não constou apresentação de DCOMPs. O Despacho Decisório, fls. 6.042 a 6.072, deferiu o ressarcimento em R$ 2.379.548,99. O deferimento apenas parcial decorreu dos seguintes ajustes: a) na data de apropriação dos créditos, glosando as notas que não foram emitidas no mês da apropriação; b) glosa dos créditos tomados sobre as aquisições de insumos adquiridos a pessoas físicas; c) glosa dos créditos tomados sobre aquisições de itens que escapam do conceito de insumos adotado na legislação do IPI, entre eles, ferramentas de Fl. 7338DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; d) glosa dos créditos tomados sobre os gastos com todos os bens e serviços utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente, entre eles, com corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere); e) glosa dos créditos tomados sobre despesas de exaustão de reservas florestais; f) glosa dos créditos tomados sobre despesas de fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado; g) glosa dos créditos tomados sobre despesas com materiais de transporte (correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, palete e caixas de papelão); h) glosa de créditos tomados sobre despesas de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores; i) glosa dos créditos tomados sobre partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado (reparos em veículos e de carga e peças de reposição de transpaleteiras); j) glosa dos créditos tomados sobre itens incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, k) glosa de créditos tomados sobre despesas de logística, armazenagem e frete de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos; l) glosa dos créditos tomados sobre gastos com combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos; m) glosa dos créditos extemporâneos tomados sem observância do critério temporal (sem retificação do Dacon do mesmo período dos créditos), ou não comprovados; Em reclamação, fls. 6.082 a 6.123, o interessado controverteu: (i) o índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno adotado pelo Fisco, que colidiria com o disposto no § 3º do Fl. 7339DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.338 5 art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação; (ii) o momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos, que pretende que seja no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários; (iii) a desnecessidade de retificação de DACON e DCTF para o aproveitamento do crédito em meses subseqüentes; (iv) o conceito de insumo usado como critério para a sua apropriação, rechaçando as instruções normativas da SRF; (v) a glosa dos dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, considerando que a madeira é seu principal insumo; (vi) as glosas dos créditos tomados sobre gastos com ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita, que são parte essencial no processo produtivo, e para os quais requer a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação; (vii) as glosas dos créditos tomados sobre as despesas de formação de florestas, inclusive sobre a exaustão, já que seu processo produtivo iniciase com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensifica na formação das florestas e, se encerra após a transformação da madeira em celulose, de forma que todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de Fl. 7340DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 insumo na elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda; (viii) as glosas sobre gastos com serviços de clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita, contratados a terceiros; conforme atestariam as próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização; (ix) as glosas dos créditos sobre fretes não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes armazenagem/transporte de papel e logística, já que todos esses gastos são tidos como custo de produção, constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis de regência; Requereu expressamente a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1050.032, de 19 de maio de 2014, fls. 6.434 a 6.464, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. RAZÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO ADMINISTRATIVO. PERTINÊNCIA COM A MATÉRIA. Fl. 7341DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.339 7 Em sede de contestação de primeiro grau contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, descabem discussões acerca de matéria estranha ao objeto da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumlatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito Fl. 7342DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 6.893 a 6.958, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma os argumentos da Manifestação de Inconformidade, controvertendo: I) o equivocado critério utilizado para aplicação do índice de rateio proporcional dos créditos; II) a inaplicabilidade das instruções normativas da SRF para a definição do conceito de insumo, pugnando por que se adote o conceito equivalente aos custos de produção; III) o equivocado entendimento de que o processo produtivo iniciase somente no momento do tratamento físicoquímico da madeira; IV) a ilegalidade das glosas dos créditos tomados sobre: a. gastos com equipamentos de proteção individual, com itens consumidos em laboratórios químicos, com a utilização de rádios de comunicação; com partes e peças de reposição empregados na manutenção de máquinas e equipamentos florestais; b. encargos de exaustão; c. serviços de clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita, contratados a terceiros; d. todos os fretes contratados, tanto na aquisição de insumos, quanto na transferência de produtos em elaboração ou acabados (para colocação no estabelecimento vendedor), e ainda nas aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado; e. gastos com GLP utilizados em empilhadeiras; gasolina utilizada nos veículos que transportam pessoal; óleo diesel, óleo biodiesel e GLP a granel; f. materiais de transporte de celulose; g. despesas de veículos e materiais de construção. V) O momento correto para a apuração do crédito; VI) A possibilidade de aproveitamento extemporâneo de créditos e a desnecessidade de prévia retificação do Dacon e da DCTF, e; Fl. 7343DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.340 9 VII) O direito aos créditos vinculados à receita de exportação. Renova o pedido de perícia, formulando quesitos e indicando peritos. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 6.893 a 6.958 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1050.032, de 19 de maio de 2014. Pedido de diligência/perícia O laudo técnico oferecido pelo recorrente e constante dos autos responde todos os quesitos formulados e revela a desnecessidade da providência requerida. Nada obstante, são recorrentes em processos de iniciativa do contribuinte a conversão de julgamentos em diligência a fim de ser suprida suas deficiências probatórias. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do art; 9°do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras Fl. 7344DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 do lançamento. Já nos casos de ressarcimento, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré requisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Fl. 7345DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.341 11 Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Fl. 7346DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 7347DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.342 13 b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 7348DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a Fl. 7349DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.343 15 totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretendem o recorrente, parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 7350DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 16 f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O CARF, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus Fl. 7351DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.344 17 estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Fl. 7352DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 18 Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. O contribuinte tem como objeto social: “a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros.” Assim como rechaçamos o conceito de insumos restritivo, vinculado ao IPI, por considerálo desamparado de autorização legal, pelo mesmo motivo rejeitamos a secção da atividade do contribuinte, procedida no Despacho Decisório em duas etapas, a primeira, da produção da matériaprima (madeira) até seu tratamento, e a segunda, a extração da pasta de celulose propriamente dita. O viés introduzido nos critérios da Fiscalização pela adoção do conceito de insumo da legislação do IPI, dissociado do aspecto material das contribuições sociais não cumulativas, acabou por considerar como produção apenas a etapa industrial do processo produtivo, o que vai de encontro à redação dos arts. 3º, incs. II, das Leis de Regência, que empregam as locuções produção e fabricação. A propósito, ao tratar do tema, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, percucientemente assentou no voto condutor do Acórdão nº 3403002.824, de 27 de fevereiro de 2014: Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação "de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar" ,"dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota" transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima Fl. 7353DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.345 19 (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art.1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária,"agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. Glosas revertidas Assim, relativamente à fase agrícola do processo produtivo, consistente na criação de mudas, plantio, manejo e colheita dos eucaliptos, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa expurgue dos cálculos os custos incorridos com insumos na floresta, sob o argumento de que amadeira lá produzida não se destina à venda, mas sim a consumo próprio. Isto porque, conforme já ficou assentado antes, a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, seja pela interpretação literal do art. 3° da Lei de Regência, ou pela aplicação da definição legal de "agroindústria". Bens e serviços caracterizáveis como insumo, segundo o conceito adotado neste voto, aplicados na fase agrícola do processo produtivo Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuam classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem. Fl. 7354DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 20 Da mesma forma, revertase a glosa dos créditos tomados sobre os aluguéis de guindaste, que, enquanto máquina/equipamento utilizado na atividade da empresa, está expressamente autorizada pela Lei de Regência no inc. IV do art. 3°.. Gastos com serviços de transporte Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Assim, muito embora a Fiscalização não tenha especificado as glosas do frete na etapa agrícola do processo produtivo – condensandoas sob a rubrica frete pago na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado, devem ser revertidas todas as glosas referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica. Lubrificantes A possibilidade de desconto de créditos calculados em relação aos gastos lubrificantes consumidos nos equipamentos utilizados na produção de pasta de celulose está expressamente prevista no inc. II do art. 3° das Leis de Regência. Materiais para transporte dos produtos acabados O acondicionamento para transporte do produto acabado deve ser considerado como etapa integrante do processo produtivo da recorrente. Assim o valor dos gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados, ensejam a tomada de créditos. Essas são as glosas que devem ser revertidas. Glosas mantidas Na continuação, abordamse os ajustes que devem ser mantidos. Método de rateio proporcional A Fiscalização apurou novos índices de rateio segundo a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, detalhados em memoriais de cálculo constantes do relatório da auditoria. A partir deles, parte do crédito pretendido foi indeferido por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. A recorrente alega que é equivocado considerar a data do embarque das mercadorias como o momento para o reconhecimento da receita de operações com o mercado externo. Segundo seu entendimento, o ADI SRF nº 22, de Fl. 7355DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.346 21 2002, no qual teria se baseado o procedimento fiscal, regularia especificamente a exportação de produtos nacionais sem saída do território nacional, para o gozo da isenção, o que não seria o presente caso. A matéria tem regramento na Portaria MF nº 356, de 1988, que fixou o momento em que deve ser reconhecida a receita de exportação (sublinhado na transcrição): I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I...1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. A doutrina1 chancela: Na hipótese de exportações de produtos manufaturados nacionais, a receita bruta de vendas será determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, entendida esta como o data averbada pela autoridade aduaneira, na Guia de exportação ou documento de efeito equivalente. As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias ativas ou passivas/ Momento de Apuração de Créditos na Aquisição de Insumos A recorrente defende que o momento correto para a contabilização do crédito, não é a data da aquisição do bem ou da contratação do serviço, mas sim a data da entrega do bem ou da conclusão da prestação do serviço, momento em que se operariam os efeitos patrimoniais relevantes. O momento correto para apuração de eventuais créditos da Contribuição decorrente da aquisição de insumos está determinado no art. 3º, inciso II, das Leis de Regência. E, novamente, como assentado pelo Conselheiro Atulim, no já referido Acórdão nº 3403 002.824 (grifo na transcrição): 1 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Iudícibus, Sérgio de, e outros. São Paulo: Atlas, 2009, 7 ed., p. 363): Fl. 7356DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 22 Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Aproveitamento de Créditos Extemporâneos Não é possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. O recorrente, por sua vez, remete a discussão às Leis de Regência, para argumentar que o 4 do art. 3° é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior. A matéria no entanto já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons.Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto,que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova caba de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. Glosas dos créditos tomados sobre itens que não se subsumem no conceito de insumo adotado neste voto Há que se atentar para o fato de que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, inc. II, das Leis de Regência, ele deve ser pertinente e essencial ao processo produtivo, integrando o seu custo de produção, e, ao mesmo tempo, não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99; Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Seja por não guardarem a necessária relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo, considerado na sua indivisível unicidade, ainda que sejam contabilizados como custo de produção; ou por serem passíveis de ativação, devem ser mantidas as glosas dos créditos tomados sobre os seguintes itens: Fl. 7357DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.347 23 a) ferramentas de trabalho para manutenção, b) calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, c) pistola de ar comprimido, d) serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências; e) serviços logísticos, f) serviços de movimentação de materiais, g) despesas com equipamento de proteção individual, óculos de segurança Bandido, h) etiquetas adesivas de escritório, i) rolos de pintura, j) lonas de plástico para efetuar manutenções, k) insumos utilizados em análises químicas em laboratório, l) baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, m) manutenção de PABX e de nobreaks, n) encadernação de NFs, o) copos para água mineral, p) almofada para carimbo, q) binóculos, r) borrachas para lápis, s) brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, t) tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita; u) peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere); v) correntes de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos. Fl. 7358DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 24 Especificamente em relação às despesas com manutenção de bens, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, inc. II, das Leis de Regência (i. é, como insumo) ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. A esse respeito, ver, por exemplo, Acórdão nº 3403002.648, de 27 de novembro de 2013, Rel. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, unânime quanto a essa matéria. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização (inc. III do § 1° do art. 3°), conforme normas específicas. A defesa limitouse a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas de manutenção de máquinas e equipamentos florestais na qualidade de insumo, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um desses bens se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no seu custo de aquisição. O exame das alegações recursais e da parca documentação acostada junto com a Manifestação de Inconformidade revela que os equipamentos de que se trata – da marca John Deere e Komatsu são notoriamente passíveis de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, § 2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, 1º, do RIR/99).. Não sendo esse o caso, tocaria ao contribuinte demonstrálo, consoante o sistema de distribuição da carga probatória adotado em processos de iniciativa do contribuinte, o que não ocorreu. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. GLP utilizados em empilhadeiras, GLP a granel, óleo diesel, biodiesel e GLP granel A possibilidade de desconto de créditos calculados em relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes está expressamente prevista no inc. II do art. 3° das Leis de Regência. Por outro lado, as diversas “formas” de desoneração da tributação (imunidade, nãoincidência, isenção e tributação à alíquota zero) não dão, em princípio, direito ao creditamento. Nesse ponto, convém lembrar o entendimento no STF de que a aplicação do princípio da nãocumulatividade, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Não foi por outra razão, a Lei de Regência vedou expressamente o direito a crédito sobre o valor da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição (não gravados), em qualquer hipótese, nos termos do inc. II do § 2° do art. 3°: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2° Não dará direito a crédito o valor: Fl. 7359DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.348 25 ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A Lei de Regência, ao mesmo tempo, excluiu da base de cálculo as receitas tributadas à alíquota zero, em dispositivo que engloba, indistintamente, também a isenção e a nãoincidência: Art. 1º A Contribuição para o ..., com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (grifei) A redação original do art. 4° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, instituiu sistema de tributação pelas contribuições sociais cumulativas por substituição tributária (ST) para a cadeia dos combustíveis e derivados de petróleo: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. A técnica de tributação por ST, no que diz respeito aos combustíveis, teve vida breve. O art. 3º da Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000, alterou o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, instituindo a tributação concentrada na refinaria: Art. 3º Os arts. 4º, 5º e 6º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Fl. 7360DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 26 I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP;’ IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, reduziu a zero as alíquotas incidentes nas etapas subseqüentes das cadeias (distribuidores e varejistas): Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Como se vê, a tributação monofásica dos combustíveis foi erigida dentro da moldura normativa da incidência cumulativa. Toca agora verificar se a nãocumulatividade é compatível com a tributação concentrada nas etapas desoneradas, isso é, das distribuidoras em diante. A propósito do tema, o Ministro Marco Aurélio, no voto condutor do RE nº 460.785/RS, esmiuçou definitivamente o conteúdo do princípio constitucional da não cumulatividade e cristalizou o entendimento, agora predominante na Suprema Corte, de que a aplicação do princípio, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Esclareceu também que não importa se há ou não a incidência na venda dos produtos, mas sim se a operação é ou não onerada pela tributação e só será onerada, por óbvio, se a alíquota for positiva e não haja a isenção. Ilustro com os seguintes excertos os seguintes trechos do voto: No mais, atentem para a razão de ser do creditamento. Visa a evitar a sobreposição de cobrança de tributo consideradas sucessivas operações. Então, ante o princípio da não cumulatividade, o valor do tributo apurado em certa operação sofre a diminuição do que satisfeito anteriormente. Utilizase o crédito com o objetivo único de não haver a sobreposição, a cobrança do tributo em cascata, transgredindo o princípio vedador da duplicidade. (...) Pois bem, de início, ante a sucessividade de operações versadas neste processo, percebese o nãoenvolvimento do princípio da nãocumulatividade. A conclusão decorre da circunstância de o Fl. 7361DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.349 27 inciso II do § 3º do artigo 153 da Carta da República, não bastasse o alcance vernacular da expressão – não cumulatividade – , surgir pedagógico ao revelar que a compensação a ser feita levará em conta o que for devido e recolhido em operações anteriores com o montante cobrado na subseqüente. Considerando apenas o princípio da não cumulatividade, se o ingresso da matériaprima ocorreu com incidência do tributo, logicamente houve a obrigatoriedade de recolhimento. Mas, se na operação final verificouse a isenção, não existirá compensação do que recolhido anteriormente ante a ausência de objeto. Compensar o que? [...] Em síntese, presente o princípio da nãocumulatividade – e deste somente é possível falar quando há dupla incidência, sobreposição , o direito do contribuinte ao crédito considerado o que recolhido em operação anterior, tendose a isenção ou alíquota zero na operação final surgiu – e mesmo assim implicitamente, se é que isso é possível – com a edição da Lei nº 9.779/99. Não implicou ela mera explicitação de um direito. Entenderse, como fez a Corte de origem, que no caso pouco importa o período alusivo às operações, se anterior à lei comentada ou posterior, implica fugir a ordem natural das coisas, olvidandose o princípio da nãocumulatividade no que sem o envolvimento de dupla incidência, caminhouse, sem previsão em lei, no sentido de creditamento. Ratificando o decidido no RE nº 460.785/RS e dando consistência à doutrina do STF sobre o princípio da não cumulatividade, extraio excerto do voto condutor do julgamento proferido pelo STF no RE nº 475.551/PR, proferido pelo Ministro Menezes Direito: A alíquota zero, portanto, significa ser o crédito inexigível, sendo uma modalidade de desoneração do tributo. De todo os modos, a conseqüência final não é alterada, porque em todos os casos de isenção ou de alíquota zero o que existe é a desoneração do tributo e daí, penso, respeito embora aqueles que entendem em sentido oposto, não há falar na distinção para efeito de se estabelecer o sistema da não cumulatividade. Portanto, para que se cogite em não cumulatividade deve haver necessariamente incidência plurifásica, sob pena de ofensa à lógica do princípio. A está respaldada também na jurisprudência do STJ: REsp nº 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 22/09/2010. TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS – INCIDÊNCIA MONOFÁSICA – CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – LEGALIDADE – INTERPRETAÇÃO LITERAL – ISONOMIA – PRESTAÇÃO JURISDICIONAL SUFICIENTE – NULIDADE – INEXISTÊNCIA. [..] Fl. 7362DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 28 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. AgRg no REsp n 1.226.371/RD, Rel. Min. Humberto Martins, Dje 10/05/2011 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. ART. 14 DA LEI N. 11.727/2008. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. [...] 2. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.... A Ministra Eliana Calmon, no voto condutor do REsp nº 1.140.723/RS, enfatizou que a técnica de tributação concentrada é incompatível com o creditamento porque não há cumulatividade a compensar: Como bem explanado no aresto recorrido, a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal. Na mesma direção caminha a jurisprudência dos tribunais regionais, como ilustra decisão do TRF da 5º Região (AC nº 490.763/SE, TRF da 5º Região, Rel. Des. Geraldo Apoliano, Dje 10/02/2011): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. DIREITO AO CREDITAMENTO. LEIS 10.637/02, 10.833/03 E 10.865/04. IMPOSSIBILIDADE. 1. Mandado de Segurança impetrado por PETROX DISTRIBUIDORA LTDA. firma distribuidora de combustíveis que pretende, com base nas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e Fl. 7363DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.350 29 10.865/04, ver assegurado o direito de escriturar os créditos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), calculados sobre o valor da nota fiscal dos combustíveis adquiridos para revenda. [...] 3. Segundo o regime da Lei nº 9.718/98, a sistemática do recolhimento do PIS e da COFINS para as operações relativas a combustíveis, concretizavase pela via da substituição tributária, uma vez que o primeiro integrante da cadeia produtiva (as refinarias) recolhia as exações através da antecipação do fato gerador. 4. Com o advento da Lei nº 9.900/00, a tributação permaneceu sobre o primeiro integrante da cadeia produtiva; entretanto, na sistemática do 'regime monofásico', no qual as contribuições são pagas com uma alíquota elevada, logo na primeira fase da cadeia produtiva; para as demais pessoas que participam das etapas seguintes (v.g. distribuidores e revendedores) incide a alíquota zero. 5. O regime monofásico permaneceu em vigor, inclusive, após o advento das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que implantaram a sistemática da nãocumulatividade para as contribuições 'PIS/COFINS'. 6. Com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004, o alcance da sistemática da nãocumulatividade foi ampliado, passando a abranger as receitas provenientes da comercialização de combustíveis. No entanto, tal alteração alcançou apenas as empresas produtoras e importadoras, tendo em vista que foi mantida a alíquota zero para os demais comerciantes (revendedores e distribuidores). 7. Impetrante/Apelante que não faz jus ao creditamento das contribuições em questão, pois, se assim fosse permitido, estaria, de forma indevida, auferindo um crédito relativo a um tributo que não foi por ela suportado, mas sim, pelo fabricante, o que importaria em enriquecimento ilícito. A configuração estrutural do sistema de incidência monofásica, por si só, inviabiliza a concessão do crédito às distribuidoras de combustíveis. 8. Precedentes deste Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Apelação improvida. Reporto, por fim, a percuciente análise do tema desenvolvida pelo AFRFB Cláudio Losse, por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade interposta nos autos do processo nº 10469.720452/201048 (grifos do original): 24.4 Assim sendo, da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em nãocumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na nãocumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. Fl. 7364DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 30 25. A etapa concentrada bem poderia ainda ser cumulativa – como o foi, por algum tempo, a produção da gasolina e do óleo diesel – mas optou o legislador, por questões de política tributária, permitir, com a edição da Lei nº 10.865/2004, o creditamento nas refinarias. 26. A referida lei, resultado da conversão da MP nº 164/2004, na realidade, tratou de matéria bem mais ampla, que foi a introdução da COFINS Importação e da Contribuição para o PISImportação, que têm por fundamento constitucional o inciso IV do art. 195, introduzido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, tanto é que o “mote” principal da Exposição de Motivos (nº 00008/2004) da referida medida provisória foi o “tratamento isonômico entre a tributação dos bens produzidos e serviços prestados no País, que sofrem a incidência da Contribuição para o PISPASEP e da ... COFINS, e os bens e serviços importados de residentes ou domiciliados no exterior, que passam a ser tributados às mesmas alíquotas dessas contribuições”. 26.1. Enfocando o caso específico em discussão, cumpre transcrever ainda outras justificativas trazidas na citada Exposição de Motivos (grifei): 3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS – cumulativa e nãocumulativa – no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência não cumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória. ................... 10. Objetivando evitar evasão fiscal e regular o mercado de combustível, a proposta altera a alíquota ad valorem da Contribuição do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda de gasolina e óleo diesel, bem como estabelece a incidência mediante alíquotas específicas, por opção do contribuinte. 26.2. Aí se vêem três aspectos que interessam à causa em discussão: a) Por mais que o senso comum seja refratário à tese – por parecer, em primeira análise, “injusta”, em alguns casos – a adoção do regime nãocumulativo não necessariamente implica na aceitação de todo e qualquer creditamento, pois, já na exposição de motivos, ele é restrito a bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços e, ainda, nos casos que especifica, ou seja, fica patente que não há determinação constitucional que obrigue que toda e qualquer aquisição necessária à atividade empresarial gere direito a crédito, mas apenas aquelas que o legislador eleger (ainda mais, aí já de acordo com o senso comum, quando toda a tributação já ocorreu em etapa anterior); Fl. 7365DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.351 31 b) Tanto é assim, que as hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta medida provisória; c) O aumento das alíquotas (que já era mais que esperado, pois senão seria brutal a queda na arrecadação, mas, mesmo assim assombrou a reclamante) não foi só resultante da adoção o regime não cumulativo nas refinarias, mas também foi decorrente de política tributária/econômica. 26.3. Às escancaras, então, o que quis o Poder Executivo foi alterar tãosomente a tributação dos combustíveis derivados de petróleo na importação e na produção (que passou a ser nãocumulativa, com direito a crédito, mas com alíquotas bem superiores na saída), em nada modificando a situação do distribuidores e varejistas. Não foram inseridos estes comerciantes no regime não cumulativo e, como não poderia deixar de ser, não se permitiu a eles qualquer creditamento. Assim sendo, homenageando o AFRFB Cláudio Losse, endosso suas conclusões: da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em não cumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na não cumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. Não há portanto direito a crédito nas aquisições desses combustíveis. Glosas dos créditos tomados sobre despesas de exaustão A possibilidade de tomada de créditos sobres os encargos de exaustão de florestas não foi contemplada nas Leis de Regência, que referemse, exclusivamente, às despesas de depreciação e amortização. Glosa de créditos tomados sobre os serviços de transporte de produtos acabados até o estabelecimento vendedor O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403 001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. Fl. 7366DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 32 De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3° das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Não se configurando ainda uma operação de venda e tratandose de transporte de produto acabado, isso é, quando já se encerrou o processo produtivo, não há Fl. 7367DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.352 33 hipótese legal que autorize a tomada de crédito sobre fretes para transporte de produtos acabados até o estabelecimento vendedor. Glosa de créditos tomados sobre gasolina utilizada no transporte de pessoal O transporte de pessoal não guarda a relação de pertinência e essencialidade requerida pelo conceito de insumo adotado neste voto. Por essa razão, as glosas respectivas deverão ser mantidas. Ademais, valem as considerações já feitas para o creditamento sobre gastos com combustíveis. CONCLUSÕES Pelo exposto, voto por que se dê provimento parcial ao recurso, para o efeito de reversão das seguintes glosas: a) dos créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; b) sobre os aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; c) referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; d) sobre os lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; e) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 Fl. 7368DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 34 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior Com todas as vênias de direito pelo entendimento esposado pelo Ilustre Relator, Conselheiro Alexandre Kern, no aspecto relativo ao direito a tomada de créditos sobre combustíveis que são empregados pela Recorrente no processo de produção, não pude acompanhálo em suas conclusões, cabendome a honrosa e desafiadora tarefa de expressar o entendimento que acabou sendo agasalhado pela maioria da Turma, nesse aspecto. Analisando as razões que levaram o voto vencido a concluir pela inexistência ao direito de crédito sobre a aquisição de combustíveis, a conclusão a que chegamos é que entendeu o Ilustre Conselheiro Relator que o fato dos combustíveis serem tributados, para fins de PIS e COFINS, pelo método de incidência concentrada ou monofásica, tributandose uma única vez na indústria ou no importador, por toda a cadeia de circulação até o consumidor final, referida aquisição não estaria sujeita ao pagamento das contribuições, e, assim, nos termos do inciso II, do §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, não se concederia o direito ao desconto do respectivo crédito. Tenho, porém, que o dispositivo que veda o direito a tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não possui a abrangência que lhe fora dada no referido entendimento. Revisitemos, para melhor compreensão dos fundamentos, o referido inciso II, do §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2° Não dará direito a crédito o valor: ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Com efeito, a vedação a tomada de créditos referese a casos em que não haja pagamento da contribuição. Porém, na aquisição de combustíveis houve o pagamento da contribuição, na etapa do fabricante ou importador. Logo, não se aplica o referido preceito, pois que houve a sujeição do combustível ao pagamento da contribuição, de maneira concentrada no fabricante ou importador. Em sendo a aquisição feita junto a distribuidores atacadistas ou varejistas, o eu mais comum pelo sistema de redes de distribuição que prepondera no Brasil, a incidência darseá a alíquota zero, já que a tributação por toda a cadeia de circulação dos combustíveis restou concentrada numa única fase, repercutindo financeiramente o valor dos tributos até se chegar ao consumidor final. Desta forma, fosse para uso final, próprio ou para revenda, efetivamente essas aquisições não concederiam o direito ao crédito. Porém, a realidade é que referidos Fl. 7369DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.353 35 combustíveis foram reintroduzidos no processo de produção, participando da etapa de fabricação de um novo produto a ser revendido, esse agora com nova incidência das contribuições ao PIS e a COFINS, sendo nítido que as contribuições que gravaram referidos combustíveis, compõem o custo do produto em fabricação, inclusive onerando seu custo em caso de exportação. Desta forma, ao ser reintroduzido no processo fabril, os combustíveis interromperam aquela cadeia de circulação que era esperada pela metodologia de incidência concentrada havida na fábrica ou importador e que antecipa a tributação dos distribuidores atacadistas e varejistas, aumentando a alíquota e concentrandoa em uma só fase (incidência monofásica). Ao participarem do processo produtivo de outro bem ou serviço, os combustíveis assumem a natureza jurídica de insumo, e como tal, voltam a conceder o direito ao desconto de crédito pelo fabricante ou industrial, pois que o novo produto em fabricação trará embutido em seu custo de produção o valor das contribuições que foram pagos pela fabrica (refinaria) ou importador. Daí o porquê da razão do legislador que regulou a não cumulatividade das contribuições, expressamente tratar dos combustíveis como concessores do direito ao desconto de créditos, nos seguintes termos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por certo que o legislador do inciso II, acima, era pleno conhecedor que os combustíveis estavam sujeitos a incidência monofásica, e ainda assim, fez questão de deixar expresso que os combustíveis que fossem utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação d bens ou produtos destinados a venda, garantem o direito ao credito. Talvez ate antevia a possível antinomia que se poderia suscitar com o inciso II, do §2º, do mesmo preceito, e desejou deixar extreme de dúvida a vontade da lei quanto ao direito de crédito sobre referido insumo. Assim sendo, apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para também conceder o direito ao desconto de créditos sobre os combustíveis empregados no processo produtivo (lato sensu) da Recorrente. Fl. 7370DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 36 Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior, redator designado. Fl. 7371DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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