Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19509.000200/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001
DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA GFIP E AS QUANTIAS RECOLHIDAS. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
Ainda que se saiba que a declaração dos fatos geradores em GFIP constitui o crédito tributário, os lançamentos de ofício das contribuições informadas em GFIP não devem obrigatoriamente ser anulados.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo "CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS.
É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sócios-gerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001 DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA GFIP E AS QUANTIAS RECOLHIDAS. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Ainda que se saiba que a declaração dos fatos geradores em GFIP constitui o crédito tributário, os lançamentos de ofício das contribuições informadas em GFIP não devem obrigatoriamente ser anulados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo "CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sócios-gerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19509.000200/2008-35
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442463
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.907
nome_arquivo_s : Decisao_19509000200200835.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19509000200200835_5442463.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5863860
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703347265536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 583 1 582 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19509.000200/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.907 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FRIGONOSTRO IND. COM. DE CARNES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001 DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA GFIP E AS QUANTIAS RECOLHIDAS. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Ainda que se saiba que a declaração dos fatos geradores em GFIP constitui o crédito tributário, os lançamentos de ofício das contribuições informadas em GFIP não devem obrigatoriamente ser anulados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo "CORESP RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sóciosgerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 50 9. 00 02 00 /2 00 8- 35 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 584 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação DN n.º 06421.4/062/2003 de lavra da Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em Dourados (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.201.2137. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos (terceiros), cujos fatos geradores foram os pagamentos de remuneração aos segurados a serviço da empresa, os quais foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. De acordo com o relatório fiscal, fls. 29/31, os senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci foram incluídos como coresponsáveis pelo débito devido à constatação de que eram sócios de fato da empresa. Afirmase que a configuração societária aparecia disfarçada em procurações, que designavam as referidas pessoas como mandatários, todavia, estas eram os proprietários da autuada. Para fazer valer esta imputação o fisco acostou o documento denominado "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal" (fls. 59/80), cujo conteúdo foi sintetizado na decisão de primeira instância da seguinte forma: "6.1. A paralisação da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda teria sido repentina, em agosto de 1999, segundo teria informado um de seus sócios, Luiz Carlos Rodrigues Palloni. Inúmeras dívidas trabalhistas teriam sido deixadas, além de dívidas com os fornecedores (pecuaristas) e dívidas bancárias. Também segundo informações do sócio em comento, constantes do relatório, os "irmãos Capuci" teriam firmado acordo com o Sr. Dory Grando, um dos sócios do Friporã, assumindo as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. As dívidas com os pecuaristas teriam sido quitadas pelos Capuci, as trabalhistas assumidas pelo Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, na condição de sucessor do Friporã, e as dívidas bancárias continuariam pendentes. Várias ações trabalhistas movidas por exfuncionários da Friporã, de fato foram assumidas pelo Frigonostro, conforme demonstram cópias de partes de processos trabalhistas, mandados de notificação de audiências, certidões de notificação e contestações, anexadas aos autos pela fiscalização (fls.181/204). 6.2. Foram lavradas duas "Escrituras Públicas de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento" (fls. 145/152), datadas de 16/08/1999 e 25/08/1999, firmadas pelos sócios da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda, confessando serem devedores e saldando a dívida com os Srs. Antônio Carlos Capuci e João Martins Casavechia, entregando como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e um imóvel, ambos localizados na Rodovia Alcides Saovesso Km 08, nos valores de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), respectivamente. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 6.3. Em 20/09/1999, foi lavrado o contrato de arrendamento do complexo industrial frigorífico (fls. 162/168), firmado pelos Srs. Antônio Carlos Capuci e João Martins Casavechia, ao Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, cujos sócios são Ademar Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto. Destaquese que a pessoa jurídica Frigonostro somente foi constituída em 22/09/1999, dois dias, portanto, após a data do arrendamento. Os sócios do empreendimento, na data de assinatura do arrendamento, eram empregados de Frigocap Comércio de Carnes Ltda e de Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda, com salários médios de R$ 349,06 e R$ 396,51, respectivamente (fls. 81/116). O sócio Antônio Lourenço de Lima Neto rompeu seu vínculo de trabalhador empregado com o Prudenfrigo em 22/11/1999, dois meses, portanto, após a constituição do Frigonostro. Não obstante as baixas remunerações, cada um concorreu com R$ 75.000,00 para a integralização do capital do Frigonostro. O prazo de arrendamento foi avençado em 15 anos, com valor total de R$ 1.080.000,00, o que equivale a R$ 6.000,00 mensais, quantia muito abaixo da realidade, segundo a fiscalização, haja vista que o complexo industrial tem capacidade para abater e processar mais de 20 mil cabeças de gado por mês. 6.4. Em 15/10/1999, menos de um mês após a constituição da empresa, a Frigonostro, representada pelos sócios Ademir Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto, outorgou procuração aos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci (fls. 169/170), conferindo a estes amplos e gerais poderes para gerir todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante. Salientese a ocorrência de situação peculiar, qual seja, o endereço residencial e domicílio constantes respectivamente do instrumento de procuração e do contrato social da Frigonostro (fls. 117/131) dos Srs. Antônio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci são os mesmos, Rua Emílio Trevisan, 626, apartamento 83, Presidente Prudente. Entretanto, os bairros são diferentes, constando para o primeiro "Vila Bela Daria" e para o segundo, "Vila Cristina". 6.5. Em 05/06/2000, o sócio Antônio Lourenço de Lima Neto retirouse da sociedade comercial, transferindo suas cotas para a empresa "Deraplus Sociedad Anonima", que tem como sócias Marta Otero Bergonzoni e Judith Vieira Garola, e como procurador, o Sr. Roberto Cláudio Capuci (fls. 121, 133/144). O sócio Ademir Filaz também transferiu 74 cotas a essa sociedade. Assim, a Deraplus passou a deter 149 cotas da Frigonostro e o sócio Ademir Filaz 1 cota. Ressaltese que, inobstante deter apenas 1 cota da sociedade, Ademir Filaz manteve a condição de único sócio gerente do empreendimento. 6.6. O Frigonostro possui uma filial localizada na Rodovia Assis Chateaubriand, Km 476, sala 03 Zona Rural, Pirapozinho SP. Neste endereço, sala 03, funciona a empresa Lovitha Transportes Ltda, cujos sócios são Alberto Sérgio Capuci, Malvina Regina Capuci Gasparim e Francisco Claudinei Capuci, tendo como empregado o Sr. Antônio Lourenço de Lima Neto, exsócio da Frigonostro, desde 01/02/2000 (fl.98). 6.7. Em 28/08/2001 e 26/10/2001, respectivamente, João Martins Casavechia vendeu 16,5% do imóvel onde funciona o Frigonostro para Fábio Pablo Capuci e 16,5% para Carlinho Grando (fls. 153/160). Estes, junto, com Antônio Carlos Capuci, constituíram a Comanche Assessoria de Bens Ltda (fls. 257/263), integralizando o capital desta com o imóvel onde funciona o Frigonostro e funcionava o Friporã. 6.8. Assevera a fiscalização que os Srs. Alberto Capuci, Luiz Paulo Capuci, José Clarindo Capuci, Osmar Capuci e Mauro Martos eram sóciosgerentes (proprietários) da empresa Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda até 12/03/1993, data em que se retiraram da sociedade. Em 14/02/1993, assumiram a empresa na condição de sóciosgerentes os Srs. José Filaz (mesmo sobrenome de Ademir Filaz, sócioproprietário do Frigonostro) e Luiz Carlos dos Santos. Informa que o Sr. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 585 5 Ademir Filaz manteve vínculos empregatícios com o Prudenfrigo no período de 06/09/1988 a 20/05/1998. (fls. 82) 6.9. Também conforme o relatório "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal", o Sr. Deusdete Filaz, irmão de José Filaz (sócio do Prudenfrigo), mantém vínculo empregatício com o Frigonostro, desempenhando a função de motorista, com salário de R$ 412,00 (fl. 176). Assim, os Filaz ora aparecem como proprietários de indústrias frigoríficas que movimentam milhões de reais, ora como meros empregados com baixas remunerações. 6.10. Foi constatado também que, além do Sr. Francisco Claudinei Capuci, mandatário da Frigonostro, que ocupa o cargo de gerente administrativo e financeiro de tal empresa, também atuam no frigorífico o Sr. Ademar Capuci, no cargo de gerente administrativo e financeiro, o Sr. Fabrizzio Capuci, no cargo de auxiliar administrativo de vendas e a Sra. Aparecida Capuci Ribeiro, no cargo de encarregada financeira. (fls. 172/175) 6.11. Quanto às transações comerciais efetuadas pela Frigonostro, não obstante o montante de seu capital social (R$ 150.000,00), já no primeiro mês de funcionamento, foi registrado alto volume de compras, basicamente aquisição de gado para abate, em valor total de R$ 3.870.211,17. 6.12. Destaquemse alguns pontos levantados pela fiscalização ao pretender demonstrar que os mandatários do Frigonostro seriam os verdadeiros proprietários do empreendimento: 6.12.1. O Sr. Francisco Claudinei Capuci ofereceu bens integrantes da unidade industrial locada à penhora, no valor de R$ 30.000,00, como garantia de débitos em ação trabalhista (fls.181/204). Não obstante, conforme a cláusula décimaprimeira do contrato de arrendamento (fls. 166), a unidade industrial locada não pode ser objeto de penhor ou onerada de qualquer outra forma. 6.12.2. No local onde funciona a sede da Comanche, funciona um escritório denominado "Irmãos Capuci". Segundo diligência efetuada pelos auditoresfiscais notificantes, os proprietários do negócio seriam António Carlos Capuci (sócio da Comanche e arrendante/locador do terreno e da unidade industrial onde funciona o Frigonostro) e Roberto Cláudio Capuci (procurador com amplos poderes da "Deraplus", sócia do Frigonostro com 149 cotas (99,33% do total). De acordo com as informações fiscais, consta no cartão comercial do escritório a denominação "Irmãos Capuci" e o nome de fantasia e o logotipo comercial do Frigonostro. 6.12.3. A Fazenda Paquetá Ltda figura dentre os maiores fornecedores de gado bovino do Frigonostro. Segundo seu diretor, as vendas para o Frigonostro eram negociadas com o Sr. Ademar Capuci, e as notas promissórias rurais pelos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, assim como os cheques utilizados para pagamento do gado. (fls. 264/332). 7. Conclui a fiscalização asseverando que há evidências cristalinas que indicam uma simulação, engendrandose uma aparência artificiosa dos negócios com o intuito de se esquivar do pagamento das contribuições previdenciárias. Elenca, a final, alguns motivos que levaram a tal conclusão: a pessoa jurídica não possui quaisquer bens, pois suas instalações comerciais são arrendadas; os sócios gerentes não possuem capacidade financeira ou quaisquer bens; deixouse de recolher sistematicamente as contribuições previdenciárias relativas à cota patronal incidente sobre a folha de salários e aquelas devidas por subrogação na aquisição de produção rural (gado para abate), prática adotada desde o início de suas atividades; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 outra empresa já ocupa o complexo industrial frigorífico, uma vez que o mesmo foi novamente arrendado. Segundo o Relatório Fiscal, a prevalecer tal simulacro ardiloso, a Previdência Social jamais logrará êxito no efetivo recebimento dos créditos previdenciários apurados." Cientificada do lançamento em 22/07/2002, a notificada ofertou duas peças de impugnação de fls. 355/366 e 375/378, onde questionou a inclusão de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci na condição de coresponsáveis pelo crédito lançado. Depois aponta erro na descrição da base de cálculo, afirmando que no relatório fiscal consta que a base de cálculo foi obtida unicamente com base na GFIP, todavia no Discriminativo Analítico do Débito consta a expressão "Valores declarados GFIP/GRFP". Alega que ao confrontar os dados do lançamento e os valores declarados na GFIP detectou diferenças a maior na base de cálculo lançada. Advogou que na espécie não há o que se falar em sonegação fiscal ou mesmo máfé do sujeito passivo, na verdade, a falta de pagamento dos tributos ocorreu em razão de dificuldades financeiras. Também impugnaram a NFLD os coresponsáveis Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, afirmando que não há base legal para sua inclusão na condição de responsáveis pelos valores lançados, posto que não houve comprovação de que detinham a capacidade econômica do empreendimento, além de não figurarem no quadro social da empresa. Esclareceram ainda que sempre agiram na condição de mandatários, cumprindo fielmente os poderes que lhes foram outorgados, sem cometerem excesso que os enquadre no artigo 135 do CTN, bem como nunca foram sequer mandatários da empresa Friporã. Alegaram que inexistiu sonegação e que devem ser excluídos em definitivo do rol de coresponsáveis. Todos os argumentos foram rejeitados pelo órgão de julgamento de primeira instância (ver fls. 392/411), motivo pelo qual foram apresentados recursos voluntários de fls. 417/422 (empresa), 425/432 (José Clarindo Capuci) e Francisco Claudinei Capuci 439/446. Além desses, recorreu também o sócio de direito Ademir Filaz, fls. 453/460. No recurso da empresa sustentase que a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios e aos mandatários representa ato arbitrário da fiscalização, o qual foi chancelado pela decisão de primeira instância. O julgamento de segunda instância deve rever a decisão do INSS, posto que esta feriu os princípios constitucionais da legalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Os coresponsáveis apresentaram recursos de igual teor, nos quais alegam que os mandatários nunca foram gestores de negócios da empresa, mas apenas assinavam documentos condizentes a direitos e obrigações adquiridos e assumidos pela direção da empresa. Assim não há base legal para responsabilização dessas pessoas. Advogaram que a empresa notificada não foi constituída com o propósito de sonegar contribuições previdenciárias; pois, a sua constituição foi como a de qualquer outra Fl. 588DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 586 7 empresa, ou seja, um risco de capital, onde o objetivo principal é o resultado positivo; porém, também, correse o risco de obter resultado negativo. Afirmaram que os débitos levantados pelos Auditores da Previdência são originados de inevitável inadimplência, em razão de dificuldades por que passa todo o setor de frigoríficos. Não há razão para se atribuir a ocorrência de crime tributário. Asseguraram que também inexistiu a apropriação indébita, posto que as contribuições dos segurados apurada na NFLD n.º 35.201.0908 foram integralmente quitadas. A falta de declaração das compras de gado ocorreu por desinformação do setor responsável pela preparação da GFIP, jamais por intuito de sonegar as contribuições, até porque as operações foram documentadas em notas fiscais e nos livros de entrada de mercadorias. Alegaram que foi nítida a intenção da empresa de colaborar com a fiscalização, tanto que há o registro de que durante a ação fiscal não houve circunstâncias agravantes. Ao final pedem que seja reformada a decisão a quo e que os mandatários sejam excluídos da relação de coresponsáveis. O INSS apresentou contrarazões, fls. 469/472. A 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS não conheceu do recurso em razão da não instrução do mesmo com o depósito no valor de 30% da exigência fiscal (fls. 473/475). A empresa foi beneficiada com decisão judicial garantindo o processamento dos recursos independentemente de depósito prévio, por isso, os autos foram encaminhados ao CARF. As fls. 577/578 consta petição apresentada pela empresa requerendo a declaração de nulidade da NFLD, haja vista que o crédito já se encontrava constituído mediante declaração na GFIP. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Lançamento de ofício de débitos declarados na GFIP Alega a empresa que o lançamento deve ser cancelado, posto que representa inadmissível bis in idem, haja vista que as contribuições já teriam sido objeto de declaração na GFIP. Para iniciar essa análise é curial que se assinale que as contribuições em questão foram declaradas em GFIP, tendo o fisco apenas apurado as divergências entre os valores declarados e aqueles efetivamente recolhidos. Não é mais novidade que a declaração na GFIP é ato constitutivo do crédito tributário, assim, quando o sujeito passivo declara que deve determinada contribuição, o fisco já pode, independentemente de lançar o tributo de ofício, inscrever o crédito em dívida ativa, caso não haja a sua quitação após esgotados os recursos de cobrança administrativa amigável. Os tribunais pátrios já pacificaram esse entendimento.Sobre o tema a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 436, que carrega a seguinte redação: “A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco.” Todavia, tempos passados, a Administração Tributária, por deficiências do sistema de gestão dos dados da GFIP, preferia lançar, mediante NFLD, as contribuições já declaradas. Meu entendimento é de que para essas situações não estamos diante de um novo lançamento, o que se passa, na verdade, é o acertamento de um crédito já constituído, tendose em conta a fragilidade do banco de dados referente às declarações prestadas pelo contribuinte. Tal permissão é dada pelo inciso IV do art 149 do CTN1. Se é certo que não se 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 587 9 podia falar categoricamente na existência de erro nas declarações prestadas na GFIP, é certo também que a falta de confiabilidade do sistema, seria motivo para se aferir a justeza das informações prestadas, recaindose na hipótese de revisão de lançamento acima mencionada. Observo que toda a jurisprudência colacionada fala na desnecessidade de lançar as contribuições declaradas em GFIP, todavia, e nenhum momento afirma que o lançamento de ofício dessas divergências devam ser declarados nulos. Mesmo porque há mecanismos no sistema informatizado da Fazenda que impedem que haja a dúplice cobrança das mesmas contribuições, não se justiçando o receio de cobrança em excesso. De se concluir que o simples fato de se lançar de ofício contribuições que tenham sido declaradas em GFIP não é causa de nulidade da lavratura. Ainda que com pouca frequência, têm chegado ao CARF processos de débito relativos à divergências GFIPXGPS sem que tenha havido a declaração de nulidade dos lançamentos. Vale a pena apresentar precedentes nesse sentido: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO RAZOÁVEL PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Considerando que a parte teve um prazo razoável para apresentar os documentos solicitados em ação fiscal, não há o que se falar em cerceamento de defesa. GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n. 2403001.447, de 21/06/2012) .................................................................................................. ....... Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Fl. 591DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. SEGURADOS EMPREGADOS– DIVERGÊNCIA GPS X GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91. (Acórdão n. 2301002.182, de 28/07/2011) .................................................................................................. ....... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/07/2005 BATIMENTO GFIP X GPS DIVERGÊNCIAS. DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUPERADA. UFIR. INCONSTITUCIONALIDADE. ÍNDICE INEXISTENTE NO CRÉDITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI BENÉFICA. INAPLICÁVEL À MATÉRIA. LEI PRÓPRIA. NOVA CONTRIBUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA CF/88 REDAÇÃO ORIGINAL. SELIC. APLICABILIDADE. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n. 280300.483, de 09/02/2011) Diante dessas considerações, afasto esta preliminar. Exclusão da lista de coresponsáveis do sócio Ademir Filaz O pedido para exclusão do sócio de direito Ademir Filaz do passivo da relação tributária não merece acolhida. Ele figura na relação de coresponsáveis como sócio gerente, mas nem por isso há a sua vinculação na condição de devedor. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da entidade autuada. Os sócios, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada à NFLD apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo. O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, o recorrente carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos Fl. 592DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 588 11 representantes legais da lista de coresponsáveis, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Esse entendimento inclusive consta de Súmula do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Coresponsabilidade dos senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci Para estas pessoas cabenos apreciar se foi correta a inclusão de seus nomes no Relatório "CORESP". É que estas formalmente atuavam apenas como mandatários da empresa, não figurando no seu quadro societário. O fisco porém detectou que o verdadeiro comando da notificada estava nas mãos destas duas pessoas, sendo os sócios de direito meros "laranjas", utilizados para encobrir os reais proprietários do empreendimento. É de se ressaltar, todavia, que mesmo com essa imputação não estão estas pessoas sendo responsabilizadas pelo débito. Todos ali listados poderão numa futura execução judicial serem chamados a responder pelas contribuições não recolhidas, caso o juízo da execução entenda estarem presentes os requisitos do art. 135 do Código Tributário Nacional. E por falar nesse dispositivo, é de se salientar que ele permite a responsabilização dos mandatários, como se pode ver da redação do seu inciso II: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, ainda que o fisco não tivesse identificado que a gerência da empresa era de fato dessas pessoas, mesmo assim seria justificável a sua inclusão no Relatório "Coresp", haja vista que os mandatários podem ser responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário em caso de ocorrência atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Mas não me furtarei de apreciar as alegações acerca da impossibilidade de arrolar os mandatários como potenciais responsáveis pelas contribuições lançadas, na condição de gerentes. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Para mim são muito robustas as evidências apresentadas pelo fisco de que Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci detinham de fato o controle da empresa autuada. Um primeiro aspecto que deixa transparecer claramente a operação montada no intuito de esconder os verdadeiros proprietários da empresa é a capacidade econômica dos sócios constantes no contrato social. A empresa Frigonostro, constituída em 22/09/1999, tinha inicialmente em seu quadro societário Ademir Filaz e Antonio Lourenço de Lima Neto, como sócios gerentes, com 75 cotas cada um, representando R$ 75.000,00. Consta dos autos que as pessoas referidas sempre laboraram como empregados em empresas frigoríficas, como demonstrado no quadro de fls. 77/80, com remuneração de pouca monta e ocupando cargos auxiliares. Não há na defesa, tampouco no recurso, qualquer fato que pudesse justificar como essas pessoas amealharam recursos suficientes para se tornarem proprietários de uma empresa com grande movimentação financeira. Observese que esses sócios de fachada, em 15/10/1999, outorgaram procuração (fls. 169/170) a José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, conferindo lhes amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante, representandoa em todos os atos, contratos, negócios e transações que por sua natureza dependa da presença, assistência, manifestação e assinatura. Com os poderes conferidos, os mandatários passaram verdadeiramente a exercer a gerência da empresa notificada. Outro fato curioso envolvendo um dos sócios de direito da empresa é que no cotejo entre o contrato social e o instrumento de procuração, notase a coincidência de endereço de Antonio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci, ambos residentes na rua Emilio Trevisan, 626, ap. 83, em Presidente Prudente. Destaquese ainda que membros da família Capuci laboravam na empresa Frigonostro em cargos de relevância como foi relatado pela autoridade lançadora. Francisco Claudinei Capuci — Gerente administrativo e financeiro, Ademar Capuci Gerente administrativo e financeiro, Fabrizzio Capucci Auxiliar administrativo de vendas e Aparecida Capuci Ribeiro Encarregada Financeira. (fls. 172/175). Por outro lado, a estrutura física para criação da empresa Frigonostro teve origem em transações financeiras realizadas por membros da família Capuci, como se pode ver de excerto da decisão recorrida, citando passagens do relatório fiscal: "21.3. A empresa Friporã, através de Escritura Pública de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento, confessa ser devedora de Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia na quantia de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), entregandolhes como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e o imóvel onde está instalada. (16/08/99 e 25/08/99) (fls. 145/152) Desta feita, Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia em 20/09/199 arrendam à empresa Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, constituída somente dois dias após, ou seja, em 22/09/99, o complexo industrial, visando, como já Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 589 13 analisado no tocante à sucessão, à continuidade das atividades da Friporã, desta vez, livre de qualquer dívida que pudesse restringir sua ampla atuação mercantil." Chama atenção também o fato de que integrantes do clã dos Capuci viabilizaram também a continuidade das operações do Frigonostro assumindo dívidas da falida empresa Friporã. Vejam o que disso sobre a questão o Auditor Fiscal, conforme consta da decisão recorrida: "21.2. Importante ainda ressaltar a afirmação contida no Relatório Fiscal do débito de que o sóciogerente da empresa Friporã, Luis Carlos Rodrigues Palloni, informou que os irmãos Capuci negociaram e firmaram acordo com o Sr. Dory Grando (sócio da Friporã) onde assumiram as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. Informa ainda que as dívidas com os pecuaristas foram de fato quitadas pelos Capuci, as dívidas trabalhistas foram assumidas pelo Frigonostro e que as dívidas bancárias continuam pendentes. Evidentemente, para que o empreendimento pudesse continuar, os créditos dos fornecedores de bovinos deveriam ser quitados e para que os empregados continuassem em suas atividades, embora em nova empresa, com novo nome, a quitação dos créditos trabalhistas também se fazia imprescindível. O que transparece é que os irmãos Capuci asssumem as dívidas trabalhistas, mas quem as quita é a empresa Frigonostro (fls. 1811204). Tal fato não foge à normalidade, já que, como mencionado pelos auditoresfiscais, os empreendimentos Friporã e Frigonostro eram de propriedade de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, sendo por eles administrados. A pessoa jurídica (Friporã/Frigonostro) era o que menos importava; o que, realmente, levavase em consideração era a capacidade de se operar a exploração econômica, gerando os lucros esperados." Outra evidência de que os Capuci eram de fato quem geriam a empresa é que todas as negociações com o principal fornecedor Fazenda Paquetá eram efetuadas por Ademar Capuci, sendo todos os documentos relativos às operações assinados por José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci (fls. 264/332). A partir de 05/06/2000 a empresa Deraplus Sociedad Anonima passou a condição de maior participante do empreendimento Frigonostro possuindo 149 das 150 cotas do capital social. A empresa Deraplus é gerida por Roberto Cláudio Capuci, que detém procuração com amplos poderes de administração. Esse fato também demonstra que o comando da notificada de fato estava nas mãos da família Capuci Essas evidências para mim já são suficientes para concluir que de fato Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci eram os administradores da empresa Frigonostro, não tendo os argumentos lançados no recurso a força necessária para afastar essa imputação do fisco. Nessa toada devem ser mantidos no Relatório "CORESP" o nome dessas pessoas na condição de sócios gerentes. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 Afronta da decisão recorrida a princípios constitucionais Não vislumbrei na decisão do INSS qualquer atropelo a princípios consagrados na Constituição Federal. Observo que o julgador monocrático apreciou satisfatoriamente todos os pontos trazidos na peça de defesa. As conclusões do órgão de primeira instância foram obtidas a partir do confronto entre os elementos constantes dos autos e o direito aplicável, onde se observa que todas as questões tratadas foram apreciadas a contento, não tendo o julgador deixado um só aspecto da impugnação sem a devida análise. O fato do sujeito passivo não concordar com o entendimento expresso na decisão recorrida não a autoriza a conclusão de que esta foi exarada em afronta à Carta Magna. Vejamos: a) Princípio da Legalidade: toda a fundamentação legal que embasou a apreciação das questões preliminares e de mérito foram mencionadas na decisão; b) Princípio da Motivação: as conclusões do órgão recorrido foram claramente explicitadas, fundandose nos fatos narrados, nos argumentos da defesa, nas provas colacionadas e no direito aplicável; c) Princípio da Razoabilidade: ao contrário do que afirmou a recorrente, o julgador de primeira instância aprofundouse na apreciação da lide, não tendo ficado preso apenas a aspectos formais da lavratura; d) Princípio da Verdade Real: a decisão está em consonância com os elementos constantes nos autos, não tendo em nenhum momento deixado de lado a apreciação das provas, além de que os dados presentes no processo são suficientes para que se chegue a uma conclusão segura sobre a contenda; e) Princípio da Ampla Defesa: o decisório do INSS foi redigido de forma a possibilitar à notificada plena compreensão das razões de decidir, além de que o prazo para impugnar foi aquele prevista na legislação: f) Princípio da Segurança Jurídica: inexistiu qualquer prejuízo à segurança jurídica, posto que ao administrado foram ofertadas todas as prerrogativas previstas na legislação e a decisão pautouse nos fatos e no direito aplicável; g) Princípio do Interesse Público: esse princípio foi respeitado na medida que o órgão de julgamento do INSS apreciou os motivos de inconformismo do sujeito passivo e ofereceu uma decisão voltada o para controle da legalidade do ato administrativo do lançamento. Assim, afasto a tese da afronta da decisão do INSS aos princípios apontados no recurso. Da inexistência de crimes Quanto a alegação da inocorrência de crimes, feita no intuito de cancelar a Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 590 15 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727034/2011-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972.
No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.191
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.727034/2011-77
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441807
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.191
nome_arquivo_s : Decisao_10166727034201177.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10166727034201177_5441807.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5862257
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703356702720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727034/201177 Recurso nº 10.166.727034201177 Voluntário Acórdão nº 2803004.191 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 34 /2 01 1- 77 Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, conforme determinam os artigos 11 e 33 da Lei nº 8.212, de 1991 e os artigos 2º e 3º da lei nº 11.457, de 2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 02 de outubro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua pela de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA Nº 60 DA AGU. NÃO INCIDÊNCIA. Em decorrência do entendimento da AGU, manifestado pela Súmula nº 60, de 08 de dezembro de 2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 4 3 Com a publicação do Ato Declaratório nº 03/2011, que aprovou o parecer da PGFN nº 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu devida a aplicação da jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores, sem inscrição no PAT, a seus empregados. FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP; PREMIAÇÃO. OBJETIVIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SUJEITO PASSIVO. Sendo objetiva a constituição obrigação tributária constituída, prescinde de intenção ou culpa do agente e até mesmo de terceiros, excetuado somente o permissivo legal. Meras justificativas escusatórias não constituem motivos suficientes para eximir o contribuinte do pagamento do imposto de renda suplementar, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, constituído via ação fiscal. DISSÍDIO E OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS RETROATIVAS. CONVENÇÕES E ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO. Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho possuem a natureza de convenção particular, cujos termos têm eficácia restrita às partes aderentes, não podendo se contrapor às disposições da Lei nº 8.212/91, nem ampliar o rol de isenções legalmente previstas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: É certo que a fundamentação apresentada pelos julgadores não analisou a matéria de fundo, se abstendo de destacar que os autos de infração foram lavrados de maneira correta e as penalidades impostas são legais. O acórdão ora impugnado não tratou da matéria de fundo, como por exemplo, da defesa relativa ao vale transporte, FOPG, premiação, dissidio e férias, alimentação sem PAT. Não restam dúvidas que o acórdão impugnado se mostra omisso. Às fls. 775 os il. julgadores informaram que não houve defesa relativa aos Autos de Infração nºs 51.008.1835, 51.008.1851, 51.008.1860 e 51.008.1878, no entanto, conforme se observa na cópia da impugnação em anexo a recorrente refutou todos os argumentos lançados. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 5 4 No caso em exame, comprovada a impugnação dos autos de infração, necessário que a matéria fosse objeto de análise, no entanto, tal inércia gera a nulidade dos autos de infração em virtude da violação do contraditório e ampla defesa. Compulsando os autos dos processos não há como verificar com toda certeza como se deu o fato que culminou nos autos de infração, pelo contrário, os documentos apenas citam que a auditoria entendeu ser a infração, sem demonstrála e nem descrevêla explicitamente. Diferente do que consta no v. acórdão recorrido, os autos de infração não foram confeccionados dentro dos preceitos legais exigidos, razão pela qual deve ser reconhecida sua nulidade. O recorrente cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo, em determinados casos e excepcionalmente por algum lapso deixado de declarar na GFIP, conforme consignou o próprio auditor fiscal. Na remota hipótese de não serem acatadas as teses acima alinhavadas, o que se admite apenas por amor ao debate, devese levar em consideração, no julgamento, o dispositivo contido na Lei 11.941/2009, o qual determina que deve ser aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias, portanto, deve ser revisado o auto de Infração na busca do maior benefício ao ora impugnante. Diante do que foi exposto, mais ao certo o que Vossas Senhorias acrescentaram, requer seja recebido o presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão impugnado, conforme fundamentação apresentada. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada em 02 de outubro de 2013, momento em que foram excluídas as despesas com alimentação, por ausência de inscrição no PAT (levantamentos AL1 e AL2), bem como o valetransporte pago em pecúnia (levantamento VT2). No que se referem aos demais levantamentos, igual sorte não teve o contribuinte. No ponto, percebese, a exemplo do que já foi identificado no acórdão recorrido, que o contribuinte continua se defendendo de forma genérica deixando de combater os pontos relevantes do lançamento, in verbis: Em sua impugnação, a interessada alega que “cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo, em determinados casos e excepcionalmente por algum lapso deixado de declarar no GFIP; a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha em não por dolo, porém, o que era devido foi pago; nestes casos, em que não existe dolo e o pagamento foi realizado, não há débito principal, portanto, a multa, que é acessória, deve seguir o principal e deixar de existir, conforme já determinado pelo Poder Judiciário em incontáveis oportunidades”. (grifouse e destacouse) Como se pode observar das partes em destaque (acima), o próprio contribuinte admite suas falhas. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Enquadramse na regra do artigo acima descrito, os Levantamentos FP1, FP2, CS1, CS2, PE1, PE2, FE1, FE2 e DI. Assim sendo, conheço do recurso, mas negolhe provimento, tendo em vista que o procedimento fiscalizatório se deu em perfeita harmonia com a legislação que rege a matéria, nomeadamente o art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908249/2011-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2001
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2001 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10850.908249/2011-79
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429148
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.918
nome_arquivo_s : Decisao_10850908249201179.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10850908249201179_5429148.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5823236
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703358799872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 3 1 2 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.908249/201179 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.918 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente GREEN STAR PECAS E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 49 /2 01 1- 79 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração março de 2001, no valor de R$ 279,50. O pedido foi transmitido através do PER nº 22176.18002.271205.1.2.049507, fls. 2/4, em 27/12/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 6 4 Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 200/202 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Março de 2001 no valor de R$.1.792,31 e, observado que o valor recolhido foi de R$.1.112,41 (fls.199), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 200/202 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Março de 2001 no valor de R$.1.792,31 e, observado que o valor recolhido foi de R$.1.112,41 (fls.199), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição do PIS do mês de Março de 2001, recolhido em 12/04/2001, no código 8109, no valor original de R$.279,50 (Duzentos e Setenta e Nove Reais e Cinquenta Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 22176.18002.271205.1.2.049507, transmitida em 27/12/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 10 8 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 11 9 c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o PIS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 12 10 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001185/98-82
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal.
Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização.
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator.
EDITADO EM: 16/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13839.001185/98-82
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437761
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.896
nome_arquivo_s : Decisao_138390011859882.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 138390011859882_5437761.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5844994
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703362994176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 184 1 183 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.001185/9882 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.896 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES FINSOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO GUTIERREZ LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 11 85 /9 8- 82 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 2 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (efls. 157/169), em face do Acórdão n° 0306.196 (efls. 149/154), proferido pela 3a. Turma da CSRF, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. RECURSO ESPECIAL NEGADO” (efl. 149). A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão 0202.088, proferido pela 2a. Turma da CSRF, que restou assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso especial negado.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 178/179, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13839.001185/9882 Acórdão n.º 9900000.896 CSRFPL Fl. 185 3 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 178/179. De fato, o acórdão recorrido aplicou a tese do prazo dos “5 mais 5”, nos termos da jurisprudência do STJ, enquanto o acórdão paradigma afastou a aplicação da referida tese, reconhecendo o caráter interpretativo da Lei Complementar n. 118/2005, bem como afastando a prescrição com base na aplicação da jurisprudência então dominante no CARF, segundo a qual o prazo para restituição deveria ser contado a partir da Resolução do Senado que suspendia a eficácia dos Decretosleis 2445 e 2449, negando provimento a recurso especial do sujeito passivo. Conheço, portanto, do recurso extraordinário. No mérito, devese salientar que a questão acerca da constitucionalidade da aplicação retroativa prevista no art. 4º da LC n.º 118/05 que trata do termo “a quo” para contagem do prazo de restituição/repetição do indébito já restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 4 necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF, Tribunal Pleno, RE 566.621, Relatora Min. ELLEN GRACIE, julgado em 04/08/2011, DJe195, DIVULG 10102011, PUBLIC 11102011, EMENT VOL0260502, PP00273). Em síntese, restou decidido que a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento antecipado, só se aplica às ações ajuizadas após o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, respeitado, ainda, o decurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Assim, para as ações ou pedidos propostos anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é o de 10 (dez) anos, contado da data do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5). Pois bem, referido julgado se deu pela sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, nos termos do dispositivo supra, deve ser aplicado o referido julgado do STF ao caso concreto, nos termos, aliás, da jurisprudência deste Pleno da CSRF: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13839.001185/9882 Acórdão n.º 9900000.896 CSRFPL Fl. 186 5 homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (Resp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, Dje 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado.” (CARF, Pleno, Processo 13882.000035/0059, Acórdão 9900000.850, Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. 09.12.2013). No presente caso, o pedido de restituição foi formulado em 04 de dezembro de 1998, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de setembro de 1989 (efl. 09). Assim, nos termos da jurisprudência do STF, o pedido de restituição deve abranger os 10 (dez) anos anteriores a dezembro de 1998, ou seja, todos os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 1988. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909657/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.909657/2009-13
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446686
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.533
nome_arquivo_s : Decisao_10283909657200913.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283909657200913_5446686.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5878146
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703382917120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 365 1 364 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.909657/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.533 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 57 /2 00 9- 13 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909657/200913 Acórdão n.º 3202001.533 S3C2T2 Fl. 366 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900004/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.900004/2010-02
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446670
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.494
nome_arquivo_s : Decisao_10283900004201002.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283900004201002_5446670.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5878037
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703398645760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 354 1 353 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900004/201002 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.494 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 04 /2 01 0- 02 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900004/201002 Acórdão n.º 3202001.494 S3C2T2 Fl. 355 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720393/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) origem dos documentos de transferência bancária identificados pela fiscalização, (b) afastamento do sigilo bancário e (c) lançamentos contábeis referidos no termo de verificação fiscal..
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18088.720393/2013-47
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429080
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-000.193
nome_arquivo_s : Decisao_18088720393201347.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18088720393201347_5429080.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) origem dos documentos de transferência bancária identificados pela fiscalização, (b) afastamento do sigilo bancário e (c) lançamentos contábeis referidos no termo de verificação fiscal.. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Ewan Teles Aguiar.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5823046
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703416471552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 531 1 530 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720393/201347 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 2101000.193 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de janeiro de 2015 Assunto Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Recorrente FAZENDA NACIONAL, IESA PROJETOS, EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A E MARCO BERNARDI. Recorrida IESA PROJETOS, EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A, MARCO BERNARDI E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) origem dos documentos de transferência bancária identificados pela fiscalização, (b) afastamento do sigilo bancário e (c) lançamentos contábeis referidos no termo de verificação fiscal.. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Ewan Teles Aguiar. Relatório Considerandose a excelência do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância até a fase de impugnação, o adoto também no presente. As folhas ali mencionadas referemse ao processo digitalizado, tratadas no âmbito do presente sob a menção de “efls”. Reza o relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .7 20 39 3/ 20 13 -4 7 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 532 2 “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19/11/2013 (fl. 128), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008. Nesta mesma data o responsável tributário solidário Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, conforme Relatório Fiscal (itens 41 a 42.4 – fls. 121 e 122), também foi cientificado do lançamento e da respectiva sujeição passiva solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 477 2013 fls. 109 e 110). 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Relatório Fiscal (fls. 111 a 122) e planilhas de cálculo de fls. 13 a 16 e 46 a 49, a contribuinte efetuou pagamentos, por meio de débitos em suas contas correntes bancárias registrados em sua contabilidade (créditos contábeis nas contas bancos), cuja operação e respectiva causa não foram comprovadas pela contribuinte intimada (Termo de Diligência Fiscal nº 02/330/2013 – fls. 44 a 50) e reintimada (Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013 – fls. 59 a 61). 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o Auto de Infração de IRRF (ato e anexos às fls. 02 a 12). A multa de ofício aplicada foi qualificada (itens 32 a 39 do Relatório Fiscal – fls. 120 e 121) com fulcro nos artigos 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação) e majorada por falta de resposta ao Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013, conforme artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, totalizando 225%. Os juros de mora estão calculados com base na taxa Selic. 4. Irresignada, a autuada e o responsável solidário, representados por mandatário (fls. 29, 30, 41 e 159 a 175), apresentaram, em 19/12/2013 (fls. 447 e 453), conjuntamente a impugnação de fls. 131 a 159, instruída com documentos de fls. 160 a 446, na qual alegam em síntese: 4.1. a Receita Federal do Brasil (RFB) pretende validar informações e documentos (escutas telefônicas e informações bancárias) colhidas em operação promovida em conjunto com a Polícia Federal em Fortaleza, Ceará (Operação Podium – documentos de fls. 176 a 206), cuja lacração dos documentos apreendidos foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (fls. 207 a 209) e ilegalidade do procedimento foi decidida pelo mesmo STJ no HC nº 198.224/CE (fls. 210 a 290), o que burla as exigências legais para constranger o cidadão e mitiga os direitos e garantias individuais; 4.2. apesar de não constar no processo como teria sido obtida a informação de que parte dos pagamentos realizados retornou para as contas dos impugnantes, resta claro que o auto de infração é ilegal pela quebra do sigilo bancário do responsável solidário Marco Antonio Bernardi, conforme se pode observar no item 21 do Relatório Fiscal que indica que foram quebrados também os sigilos bancários do Sr. Hybernon e da Sra. Karla Cysne, pois não houve autorização judicial, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 533 3 o que viola o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, conforme jurisprudência judicial reproduzida; 4.3. há probabilidade latente de estender aos impugnantes os efeitos da decisão exarada no HC 198.224CE, que determinou a impossibilidade de utilização, por serem ilícitas, das provas colhidas na Operação Podium, que, segundo o item 1 do Relatório Fiscal, é a origem do auto de infração ora impugnado, por meio de expediente enviado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, pois são ilegais as provas obtidas por derivação de provas nulas; 4.4. apesar de a fiscalização afirmar que os atos dos impugnantes geraram grande fraude à Fazenda Nacional, é certo que o narrado nos itens 07 a 24 do Relatório Fiscal apenas informa que a contabilidade provisionava os pagamentos, o que ocorre em toda empresa de grande porte, e na data indicada estes eram efetuados, o que não configura nenhuma fraude, pois ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 4.5. conforme doutrina reproduzida e artigo 924 do Regulamento do Imposto de Renda, que diz que cabe ao Fisco a prova de fatos inverídicos, para aclarar a descrição da fraude fiscal, a auditoria fiscal deveria indicar em que momento foi perpetrada a fraude e indicar que ocorreu o retardamento, diminuição ou supressão no pagamento do tributo de forma ardilosa; 4.6. do total de pagamentos efetuados, presumiuse sem provas que o impugnante Marco Bernardi recebeu em devoluções aproximadamente R$250.000,00, o que não chega nem aos pés das grandes fraudes contra a Fazenda Nacional do passado e do presente; 4.7. “por mais questionável que tenham sido os pagamentos feitos em favor do Impugnante, tais pagamentos não constituem fraude, pois não foram com o objetivo de suprimir o pagamento de tributo”; 4.8. no momento do lançamento (19 de novembro de 2013) encontrava se decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram até 19 de novembro de 2013, pois, conforme o § 2º do artigo 674 do RIR/1999 (norma que fundamenta o lançamento) considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento e o prazo decadencial é de cinco anos a partir do fato gerador de acordo com o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e orientação jurisprudencial citada da própria Receita Federal; 4.9. na hipótese de ser inadmitida ilegalidade da quebra do sigilo, bem como inadmitida a desconstituição da fraude, somente pode ser mantida a caracterização de fraude em relação ao montante de R$256.635,00, que é o valor que foi creditado em favor do responsável tributário Marco Bernardi e não em relação ao total dos pagamentos realizados (R$7.547.378,24); 4.10. é indevida a aplicação da multa de ofício duplicada (qualificada), já que a conduta do contribuinte é de inadimplemento e não de sonegador, cujo ônus da prova é da auditoria fiscal segundo jurisprudência transcrita, pois em momento algum restou Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 534 4 caracterizado o retardamento ou a criação de empecilhos, já que os fatos foram devidamente documentados na contabilidade; 4.11. a qualificação da multa também é indevida por ser confiscatória, e não atender os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade aos atos praticados; 4.12. também é indevido o aumento da multa pela metade, pois as requisições foram atendidas na medida do possível, visto que sempre esclareceu que os documentos solicitados não estavam em posse dos impugnantes, por serem objeto de outro procedimento, não podendo o Estado se utilizar da própria torpeza para agravar a situação da contribuinte; 4.13. era impossível apresentar a documentação em face dos princípios constitucionais do sigilo, do direito em não produzir provas contra si e do trancamento do procedimento criminal por decisão judicial; 4.14. não pode permanecer a solidariedade atribuída a Marco Bernardi sobre todo o crédito tributário constituído, pois menos de 5% do valor dos pagamentos retornaram para sua conta e a responsabilidade do diretor se limita aos atos que efetivamente deu causa, além do que, como já dito, esta informação foi obtida por ato inconstitucional; e 4.15. como não restou comprovada a fraude por parte do contribuinte, é impossível a responsabilização de seu diretor.” Analisando a impugnação, a 1a. Turma da Delegacia da Brasil de Julgamento em São Paulo I, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação para reduzir o percentual da multa aplicável a 150%, rejeitando o aumento de 50% (a 225%) levado a cabo pela autoridade autuante, por entender esta última no auto caracterizada a hipótese prevista no art. 44, §2o., inciso I da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no 11.488. de 15 de junho de 2007. No mesmo Acórdão, uma vez superado o limite de alçada de exoneração estabelecido pela Portaria MF no 3, de 03 de janeiro de 2008, formalizase Recurso de Ofício a este Conselho, quanto ao crédito tributário não mantido em sede de 1a. instância. Cientificados do mencionado Acórdão em 17 de fevereiro de 2014 (efls. 480 a 487), em 18/03/2014 a contribuinte e o sujeito passivo solidário ingressam com o Recurso Voluntário de efls. 495 a 519, onde, resumidamente: a) Iniciam o pleito recursal alegando que a investigação criminal denominada “OPERAÇÃO PODIUM” foi considerada ilegal para dois dos investigados, se encontrando suspensa em face do Sr. Marco Antônio Bernardi. Citase que a quebra de sigilo bancário e telefônico não obedeceram aos princípios de ampla defesa e devido processo legal, violando o contraditório. Mencionam decisão de lacração de documentos apreendidos, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (efls. 207 a 209), acreditando, ainda, na extensão do entendimento emanado em outro HC (198.224/CE) em favor dos pacientes vinculados à Recorrente IESA. Entendem que, a partir da decisão ali proferida, ficaram a Receita Federal e a Polícia Federal impedidos de dar seguimento ao procedimento inquisitorial, citando como evidência a inexistência de ação penal proposta, bem como a falta de andamento do inquérito Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 535 5 há mais de um ano. Retomam, a seguir, assim, a argumentação de que a Receita Federal do Brasil (RFB) intimou o contribuinte com o intuito de arrecadar documentos e validálos, por via oblíqua, para fins de constituição dos crimes imputados aos autuados, através de posterior compartilhamento com a Polícia Federal em Fortaleza. b) Após breve síntese da autuação, passam a fundamentar seu recurso, divindoo nos seguintes itens: b.1) Quanto ao sigilo bancário: Entendem que todas as peças acostadas aos autos se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, refutando a documentação citada pelo Acórdão recorrido em seu item 7, da seguinte forma: efl. 179: Tratase de ofício da RFB informando ao Juiz Federal de Fortaleza que um dos investigados iria dizer toda a verdade. efls. 187 a 189: Tratase de decisão judicial que defere a quebra de sigilo de pessoas jurídicas outras – Federação Cearense de Automobilismo, Capitalize Fomento Comercial e Construtora Marquize. efls. 190/191: Tratase de documentação arrecadada pela Polícia Federal e Receita Federal nos mandados de busca e arrecadação, os quais, por decisão do STJ, devem permanecer lacrados até decisão final, decisão esta que beneficia diretamente os documentos arrecadados na sede da residência da recorrente IESA, do recorrente Marco Bernardi e na Residência de Jauvenal OMS. Quanto ao item 10 do recorrido, transcreve excerto do Acórdão prolatado nos autos do HC 198.224CE que se refere a interceptação telefônica dos pacientes. Encerra o item ressaltando inexistir prova, nos autos, da quebra de sigilo dos recorrentes, alegando a insubsistência do auto por se basear na quebra de sigilo bancário de terceiros. b.2) Quanto à inexistência de fraude: Além de repisar os itens 4.4 e 4.5 constantes do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância, o contribuinte alega que os fatos descritos não indicam a existência de ação ou omissão dolosa a impedir, retardar a incidência do IRRF. Entende que haveria necessidade da autoridade fiscal demonstrar objetivamente a tentativa dos contribuintes omitirem ardilosamente a necessidade de retenção a título de IRRF, tendo, porém, se limitado a demonstrar, em tese, que os pagamentos a título de adiantamento teriam retornado aos recorrentes, sendo utilizados com a intenção de fraudar o Imposto de Renda da Pessoa Física ou prejudicar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, temas que fogem completamente ao escopo da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Propugna que não restou comprovado o comportamento de fraude dos recorrentes, mas apenas o seu inadimplemento, a ausência de retenção do IR, requerendo que o auto de infração e a imposição de multa sejam anulados, principalmente, com relação à fraude. c) Quanto à decadência : Defende a aplicabilidade, no caso de acolhimento da fundamentação da ausência de fraude, do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), ressaltando que, nesta hipótese, restaria extinto o direito de exigir o crédito tributário dos fatos geradores ocorridos até 19 de novembro de 2008. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 536 6 d) Quanto aos pagamentos efetivados: São repisados in totum os argumentos constantes do item 4.9 do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância. e) Quanto à multa de ofício duplicada e a sua majoração em 50% : Entende não caber a duplicação da multa efetuada, uma vez que o presente processo cuida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, não havendo prova de que os recorrentes ludibriaram o Fisco para não pagar o IRRF. Ressalta que em momento algum restou caracterizado o retardamento, a criação de empecilhos, ou por ventura se logrou esconder o inadimplemento por parte dos recorrentes, com todos os fatos tendo sido documentados em sua escrita contábil. Volta a mencionar a falta de andamento da ação penal, afirmando que não há sonegação, não há fraude, mas tão somente o inadimplemento dos autuados. Finalmente, quanto aos argumentos referentes à majoração da multa em 50%, ainda que tal matéria não esteja mais em litígio no âmbito do Recurso Voluntário, permanece a mesma em litígio no âmbito do Recurso de Ofício e, assim, achouse por bem reproduzir as alegações dos contribuintes em sede do presente Relatório. Alegam, aqui, os recorrentes, que as requisições foram atendidas, na medida de sua possibilidade jurídica, havendo documentos que não estavam em posse dos recorrentes, bem como eram objeto de outro procedimento. Alega que a documentação requisitada sempre esteve em poder do Fisco, com as justificativas, esclarecimentos e requisições não passando de ardil para agravar a pena dos Recorrentes, entende assim incabível a majoração da multa em 50% Do exposto, requerem os recorrentes que se: a) Se declare a insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal, uma vez que: a.1) A ação fiscal foi movida em flagrante inconstitucionalidade, baseada em quebra do sigilo bancário dos Recorrentes, sem a prova da autorização judicial; a.2) A ação fiscal resta ilegal por ser decorrência direta de procedimento criminal suspenso, tendo já sido declarado, para outros envolvidos no procedimento criminal, a ilegalidade das provas obtidas; b) Não sendo acolhida nenhuma das preliminares ao mérito, requerse que seja acolhida a desconstituição da fraude, pois, conforme exaustivamente o que ocorreu foi o inadimplemento; c) Após a desconstituição da fraude no Imposto de Renda Retido na Fonte, requer o reconhecimento da decadência de grande parte dos lançamentos. d) Se ainda assim, mantiver o auto, requer que a multa seja reduzida proporcionalmente aos atos praticados; e) Outrossim, requer que a solidariedade seja anulada. No entanto, não entendendo desta forma, espera que ela seja mitigada para os atos, eventualmente, cometidos pelo impugnante Marco Bernardi; (Pedido sem fundamentação); f) Caso não seja acolhido nenhum pedido para cancelamento e desconstituição do crédito tributário total, que seja reduzido o crédito tributário às ações em que forem comprovadas à fraude. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 537 7 Remetemse os autos à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente: 1. Quanto à insubsistência e improcedência da ação fiscal por sua decorrência direta de procedimento criminal suspenso e à ilegalidade de provas obtidas. Inicialmente, quanto aos argumentos tecidos pelos recorrentes acerca da Receita Federal “intimar o contribuinte a produzir prova contra si mesmo”, com o intuito de posterior compartilhamento com a Polícia Federal para fins de instrução da ação penal, noto que todas as intimações realizadas pela Receita Federal do Brasil obedeceram, de forma estrita, a autorização legal contida nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99), não havendo que se cogitar de qualquer tipo de ilegalidade no que tange às intimações efetuadas, inclusive no que diz respeito a prazos concedidos, bem como a sua prorrogação. Uma vez perfeitamente suportadas legalmente todas as informações solicitadas pelo Auditor, incabíveis a propósito, aqui, ilações outras que não digam respeito à obediência às prerrogativas supra, repitase, legalmente estabelecidas, tudo em pleno respeito ao princípio da legalidade. Ainda, é de se notar que o andamento do feito criminal mencionado, em meu entendimento, em nada afeta a análise de legalidade do presente auto de infração, a menos que houvesse determinação judicial expressa, existisse decisão judicial definitiva acerca da ilicitude de provas aqui utilizadas ou ao menos decisão judicial de caráter precário que inviabilizasse sua utilização até que tal decisão final fosse proferida. A propósito, compulsando, junto ao site do Superior Tribunal de Justiça, as decisões proferidas no âmbito do HC 198.224CE, verifico que as decisões ali proferidas se circunscrevem às provas obtidas quando da busca e apreensão realizadas nos domicílios residenciais e comerciais dos pacientes originais que tiveram a ordem concedida e, posteriormente, dos demais pacientes que tiveram os pedidos de extensão deferidos (nos quais apesar de se incluir o Sr. José Hybernon Cysne Neto, não se inclui o impugnante Marco Antonio Bernardi). Notese, também, não atingir o mencionado HC, assim, eventuais decisões judiciais anteriores acerca da possibilidade de interceptação telefônica e obtenção de informações bancárias, uma vez que se esteve, no âmbito deste mandamus, a se decidir, sempre, acerca da ilicitude das provas obtidas a partir de autos de busca e apreensão. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 538 8 Ainda, não é suficiente, para fins de extensão do âmbito da decisão exarada no mandamus, o excerto de efl. 502 trazido pelos recorrentes, uma vez que, notese, independentemente do que consta nos autos a título de razão de decidir ou de obiter dictum, não se estava ali a decidir acerca da legalidade dos prévios interceptação e afastamento de sigilo, mas sim sobre a busca e apreensão. Escorreito, assim, o posicionamento emanado do recorrido em seus itens 9 a 11, os quais reproduzo novamente abaixo, utilizandoos como ratio decidendi, verbis: “ (...) 9. Em relação ao argumento de que as provas que provocaram o início da ação fiscal foram consideradas ilícitas e inutilizáveis pelo STJ no HC nº 198.224CE (fls. 210 a 290), é necessário esclarecer que esta decisão do STJ, que teve dois votos favoráveis e dois votos contrários aos impetrantes (prevaleceu a decisão mais favorável aos réus), teve como pedido o reconhecimento da ilicitude da prova obtida a partir de busca e apreensão realizada em 25 de novembro de 2010 nos endereços residenciais e comerciais dos pacientes (segundo parágrafo de fl. 215), que não são a autuada e o responsável tributário, não tendo como atingir, desta forma as informações bancárias e telefônicas, obtidas anteriormente a esta data e em relação a todos os investigados, inclusive quanto aos impugnantes. 10. O voto do relator que foi favorável aos réus aponta falta de fundamentação idônea apenas da decisão do juiz de primeiro grau que determinou a referida busca e apreensão (fls. 225 e 226), nada falando sobre as decisões deste mesmo magistrado que autorizaram a quebra dos sigilos bancário e telefônico. Para o relator (fls. 230 e 231), os documentos viciados são os Autos Circunstanciados de Busca e Arrecadação realizados na sede de outra empresa investigada (não a autuada) e na residência do acusado J. E. A (não o responsável). 11. Assim, como as provas que fundamentam a presente autuação não decorrem das obtidas nas invalidadas Buscas e Apreensões, as mesmas provas são lícitas e podem ser utilizadas nos lançamentos ora discutidos, aplicandose ao caso o entendimento expresso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RHC 90.376, relator o Ministro Celso de Mello, Dje de 17/05/2007, citado no voto do relator do HC nº 198.224CE (fl. 235): “Se, no entanto, o órgão da persecução penal demonstrar que obteve, legitimamente, novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova – que não guarde qualquer relação de dependência nem decorra da prova originariamente ilícita, com esta não mantendo vinculação causal – tais dados probatórios revelarseão plenamente admissíveis, porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária.” (...)”. Assim, entendo que não há nenhum reparo a fazer ao recorrido nesta seara, a menos do pleno esclarecimento/comprovação de não terem sido as provas aqui utilizadas Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 539 9 objeto dos referidos mandados de busca e apreensão, assunto que será tratado com a devida propriedade conjuntamente com o item 2 abaixo. 2. Quanto à inexistência de autorização judicial para afastamento do sigilo bancário Adentrando agora a questão do sigilo bancário, confrontamse duas argumentações: a) O Acórdão recorrido, no âmbito dos seus itens 6 a 8 de efls. 460 a 462, afasta a hipótese de ocorrência de quebra de sigilo sem autorização judicial da seguinte forma: (...) 6. Quanto à obtenção das informações bancárias que permitiram a verificação que parte dos valores pagos pela empresa autuada a terceiros retornou à conta bancária de seu presidente/diretor financeiro, o Relatório Fiscal elaborado pela Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPAC) da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, documento que provocou a ação fiscal cujos lançamentos estão formalizados no presente processo, assim afirma (fls. 20 e 21): A quebra regular do sigilo bancário de todos os envolvidos foi autorizada pelo Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal Seção do Ceará. Com isso, o Banco Itaú S/A disponibilizou a relação de DOC´s/TED´s que as empresas do Grupo Iesa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A e IESA ÓLEO & GÁS S/A) se utilizaram para remeter numerário diretamente para a conta corrente do Sr. José Hybernon Cysne Neto, durante o anocalendário de 2008. Um total de 09 (nove) DOC´s foram assim movimentados, totalizando R$964.935,00. Um fato peculiar deve ser destacado quando da remessa do DOC pela IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A de R$273.135,00 em 21.11.2008. Ao receber o numerário, o Sr. Hybernon emite em 24.11.2008, um cheque no valor de R$114.900,00, nominativo ao Sr. Vanderlei Costa de Lima (que é empregado da firma individual Karla Lusitano Cysne). Este, por sua vez, liquida o cheque por depósito direto na conta corrente do Sr. MARCO ANTONIO BERNARDI, Presidente da empresa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A), remetente originária do DOC para o Sr. Hybernon em 21.11.2008. Em outro momento, agora em 03.05.2010, segundo escuta telefônica descrita no corpo do Relatório do ESPEI 3ª RF (cujo teor parcial anexamos a esta Representação), vêse uma provável manipulação sobre a movimentação de uma quantia de R$500.000,00, envolvendo as pessoas ligadas ao Grupo IESA (Sr. Marco Antonio Bernardi e o Sr. Juvenal de Oms, conhecido como “Peteco”), o Sr. Hybernon e a firma individual Karla Lusitano Cysne. 7. Os documentos apresentados pelos impugnantes referentes à Operação Podium e às ações judiciais relacionadas, em diversos trechos, confirmam que os sigilos bancário e telefônico das pessoas e Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 540 10 empresas investigadas foram afastados por autorização judicial devidamente concedida. Entre estes documentos encontramse os seguintes: 7.1. o Ofício RFB/Espei03 nº CE20100018 encaminhado ao juiz federal da 11ª Vara no Ceará (fl. 179 – referência à autorização judicial para compartilhamento de informações com a Receita Federal); 7.2. a Decisão deste mesmo juízo autorizando a quebra de sigilo bancário e fiscal da entidade e de empresas envolvidas na investigação (fls. 187 a 189); 7.3. o Despacho da Superintendência Regional da Polícia Federal no Ceará que expressamente se refere, entre outros documentos, a guias de depósito de numerário em favor da autuada e do responsável tributário, além de outras pessoas (fls. 190 e 191); 7.4. a Decisão do mesmo juízo da 11ª Vara Federal no Ceará que autoriza a quebra do sigilo bancário da empresa individual Karla Lusitano Cysne (CNPJ 72.403.678/000126), uma das pessoas beneficiárias dos pagamentos feitos pela autuada (31 de um total de 46 pagamentos – fls. 13 a 16), cuja parte dos valores recebidos foi devolvida ao responsável tributário, conforme demonstra a fiscalização nos itens 21.2 e 21.3 do Relatório Fiscal (fl. 115); 7.5. o Voto do ministro relator proferido no HC nº 198.224/CE julgado pelo STJ que fala textualmente em “reiteradas concessões de interceptações telefônicas e telemáticas, bem como de quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados” (fl. 217); e 7.6. o Votovista proferido no mesmo HC nº 198.224/CE no qual se encontra escrito que “(...) foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento nas ditas operações, a partir do que se produziram laudos de exame financeiro pelo Setor TécnicoCientífico da Polícia Federal” (fl. 242). 8. Enfim, não há nos autos nenhum indício de que a quebra do sigilo bancário da autuada e do responsável tributário e/ou das pessoas que receberam dos e/ou transferiram numerários para os impugnantes tenha ocorrido sem autorização judicial. Pelo contrário, há diversos documentos afirmando e comprovando que estas investigações bancárias se deram com autorização e sob a supervisão do Poder Judiciário. Assim ficam sem sentido as afirmações da impugnante em sentido contrário, bem como a jurisprudência que trata de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e que acompanha a impugnação (fls. 298 a 403). (...) b) O recorrente, por sua vez, em seu pleito recursal, propugna que “(...) em momento algum, seja pela documentação acostada pelos recorrentes e/ou informações ou documentos da auditoria é evidenciada a quebra de sigilo bancário dos recorrentes”, refutando, ainda, as alegações constantes do item 07 do Acórdão impugnado (efl. 461). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 541 11 Assim, inicio a análise pelos indícios documentais de existência de afastamento do sigilo bancário que suportaria os elementos utilizados na instrução probatória, consoante apontados pela autoridade julgadora de 1a. instância (item 7 do Acórdão vergastado): a) Quanto ao expediente de efl. 179, entendo assistir razão aos recorrentes, em relação à sua pouca utilidade de forma a se validar a documentação bancária carreada aos autos, uma vez que, ainda que se mencione ali decisão judicial prolatada no âmbito do Processo 2009.81.00.0039653, é de se entender, pelo teor da mesma, que se tratava tal decisão tão somente do compartilhamento de informações com a RFB, não se podendo comprovar a anterior efetiva quebra de sigilo que deu origem à documentação bancária carreada aos autos, a partir deste elemento. b) Quanto à decisão de efls. 187 a 189, tratase de decisão relacionada a quebra de sigilo bancário de terceiros que não se revestem da qualidade de autuados, não guardando estes terceiros, ainda, qualquer relação com os documentos bancários de efls. 82 a 87 e 89 a 94, utilizados na autuação. Julgase tal decisão assim imprestável para fins de efetiva comprovação da efetiva quebra de sigilo, de forma a suportar os elementos probatórios. c) Quanto ao despacho de efls. 190 e 191, tratase de mera anexação, aos autos do IPL, de elementos diversos, não se podendo concluir decisivamente, exclusivamente a partir do mesmo, acerca da existência de prévio afastamento de sigilo para fins de obtenção dos elementos bancários anexados, nem mesmo se os mesmos teriam sido obtidos em etapas distintas ou em etapa única (requisição de informações bancárias e/ou autos de busca e apreensão), sendo, também, assim, de pouca utilidade para fins de comprovação da regular quebra de sigilo que deu origem aos elementos utilizados para fins de instrução do lançamento. d) A decisão judicial mencionada de efls. 192 a 199 é suficiente para concluir pela regular quebra de sigilo da empresa individual de Karla Lusitano Cysne (CNPJ 72.403.678/000126), respaldando a documentação bancária utilizada na autuação de fls. 83 a 85, não sendo porém suficiente para respaldar a documentação de fls. 82, 86, 87, 89 e 90 a 94, abrangendo estas últimas os documentos onde surge o nome do recorrente Marco Antônio Bernardi, sujeito passivo solidário. e) e f) Para as menções feitas à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados e das pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento, sempre no âmbito do HC 198.224/CE, tais menções não são precisas o suficiente para que se possa concluir pelo legal prévio afastamento do sigilo bancário que deu origem aos elementos bancários anexados aos autos. Assim, para fins da efetiva comprovação da existência de autorização judicial para fins de obtenção da documentação bancária anexada aos autos, passam a se confrontar, exclusivamente, a expressa negativa dos impugnantes quanto à existência de regular quebra de sigilo dos recorrentes e o teor do relatório de fls. 20/21 da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPAC) da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, onde se afirma categoricamente que: “ A quebra regular do sigilo bancário de todos os envolvidos foi autorizada pelo Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal Seção do Ceará. Com isso, o Banco Itaú S/A disponibilizou a relação de DOC´s/TED´s que as empresas do Grupo Iesa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A e IESA ÓLEO & GÁS S/A) se utilizaram para Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 542 12 remeter numerário diretamente para a conta corrente do Sr. José Hybernon Cysne Neto, durante o anocalendário de 2008. Um total de 09 (nove) DOC´s foram assim movimentados, totalizando R$964.935,00. Um fato peculiar deve ser destacado quando da remessa do DOC pela IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A de R$273.135,00 em 21.11.2008. Ao receber o numerário, o Sr. Hybernon emite em 24.11.2008, um cheque no valor de R$114.900,00, nominativo ao Sr. Vanderlei Costa de Lima (que é empregado da firma individual Karla Lusitano Cysne). Este, por sua vez, liquida o cheque por depósito direto na conta corrente do Sr. MARCO ANTONIO BERNARDI, Presidente da empresa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A), remetente originária do DOC para o Sr. Hybernon em 21.11.2008” A de se ressaltar, ainda, a falta de indicação, nos autos, acerca da origem da documentação utilizada, se oriunda de prévias interceptações telefônicas e intimação/ofício às instituições financeiras (esta última alegação conforme vergastado e relatório supra) ou se oriunda de autos de busca e apreensão. Adicionalmente, entendo que é de se considerar, ainda: a) A temeridade de se concluir acerca da existência de afastamento judicial do sigilo bancário com base em provas indiretas ou indiciárias e b) a especial importância da caracterização da regular quebra de sigilo bancário para a documentação bancária carreada aos autos no caso sob análise, haja vista ter sido a documentação bancária carreada aos autos utilizada, inclusive, para fins da construção da argumentação de ocorrência de fraude pela autoridade autuante. Diante de todo o exposto, entendo se estar diante de situação que requer adicional esclarecimento fático, através de diligência a ser realizada pela autoridade preparadora. Entendo que, no caso em questão, somente a partir de tal esclarecimento acerca da efetiva origem e regularidade de obtenção da documentação bancária anexada (repitase, utilizada diretamente para a construção da hipótese de caracterização da fraude) se deva prosseguir tanto nos demais itens do Recurso Voluntário (que envolvem os itens de decadência e a qualificação da multa, dependentes da caracterização da fraude), devendo ainda que se postergue, no caso, o julgamento do Recurso de Ofício para fins de prolação de decisão única, consoante rito amparado pelo Decreto no. 70.235, de 1972. Finalmente, entendo como recomendável que se junte aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma a que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de se esclarecer os seguintes pontos: a) Como se deu, em detalhes (mencionando números de Ofícios e/ou outros expedientes) a obtenção pela autoridade autuante da documentação carreada aos autos (inclusa, aqui, a documentação bancária de efls. 82 a 87 e 89 a 94) ? Teria sido a mesma obtida pela Policia Federal no âmbito do IPL 1311/08 e posteriormente transferida à Receita Federal ? Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 543 13 b) Quanto à documentação bancária utilizada, teria se originado a mesma de envio pelas instituições financeiras, na forma relatada pelo relatório de fls. 20 a 21, com prévio afastamento de sigilo bancário autorizado judicialmente, ou de RMF, ou através de autos de busca e apreensão ? c) Houve, em algum momento, o afastamento dos sigilos bancário e telefônico, por força de decisão judicial, dos impugnantes IESA Projetos, Equipamentos e Montagens S/A e Marco Antonio Bernardi, bem como a autorização judicial do compartilhamento, com a Receita Federal do Brasil, das informações assim obtidas pela Polícia Federal relacionadas aos recorrentes e utilizadas no presente lançamento? d) Juntar aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. O resultado da diligência deverá ser encaminhado através de relatório circunstanciado, com a devida ciência à autuada, abrindose prazo de 30 dias para sua manifestação. No referido relatório deverão ser juntadas cópias de todas as decisões judiciais que assim decidiram pelo afastamento do sigilo bancário, pela possibilidade de interceptação telefônica e pela autorização de compartilhamento das referidas informações com a Receita Federal, bem como quaisquer outros elementos comprobatórios que a autoridade preparadora julgar pertinente. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16048.000008/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16048.000008/2008-25
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448440
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.250
nome_arquivo_s : Decisao_16048000008200825.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 16048000008200825_5448440.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5883586
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703443734528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16048.000008/200825 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.250 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de fevereiro de 2015 Assunto DCOMP Recorrente Pilkington Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 48 .0 00 00 8/ 20 08 -2 5 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Em 31/03/2004, a contribuinte transmitiu o PER/DCOMP 27687.30547.310304.1.3.048165, para fins de extinção de débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração fevereiro de 2004, no valor de R$ 242.533,24, indicando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ que teria sido arrecadado em 31/03/2004, no valor original de R$ 1.266.197,85, e valor atualizado na data da transmissão de R$ 1.308.615,48 (valor original a ser utilizado na compensação: R$ 242.533,24). Como o DARF com os dados informados não foi localizado nos Sistemas da Receita Federal, a contribuinte cientificado desse fato, e alertando que se houver qualquer divergência, deveria ser transmitido o PER/DCOMP retificador e, caso contrário, deveria a contribuinte comparecer à Receita com o DARF original. A ciência dessa intimação ocorreu em 04 de setembro de 2006. Em 23 de janeiro de 2008 foi emitido Despacho Decisório não homologando a compensação, por falta de comprovação do crédito, nos termos da seguinte ementa: Ementa: Pagamento indevido Não comprovado o indébito fiscal, não se homologa a compensação, nos exatos termos do art. 165 do CTN e da IN SRF n° 600/2005. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade, alegando ter se equivocado no preenchimento da DCOMP, ao indicar que o crédito era decorrente de pagamento a maior ou indevido, uma vez que, de fato, era representado por saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, apurado no valor de R$ 1.538.214,06. Informou que esse valor, devidamente atualizado pela SELIC foi utilizado para compensação a partir de janeiro de 2004, conforme planilha abaixo: Mês comp. Histórico Nºprocesso Receita Federal Crédito Original R$ Crédito original utilizado Juros selic Débito compensado Saldo crédito original 2003 Saldo negativo DIPJ 2004/2003 1.538.214,46 1.538.214,46 Jan/04 PerDecomp 16283.28959.310304.1.7.04.9803 16048.000009/2008 70 1.538.214,46 576.243,88 13.080,74 589.324,62 961.970,58 Fev/04 PerDecomp 27687.30547.310304.1.3.04.1653 16048.000009/2008 25 961.970,58 234.671,74 7.861,50 242.533,24 727.298,84 Mar/04 PerDecomp 13843.26979.300404.1.3.04.8328 101648.000009/2008 02 727,298,84 193.381,83 9.146,96 202.528,79 533.917,01 Mai/04 PerDecomp 40162.14498.300604.1.3.04.3931 101648.000007/2008 81 533.917,01 533.917,01 38.121,67 577.964,90 (5.926,21) Saldo original do crédito (5.926,21) (5.926,21) Ponderou que, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, não há razão para dar continuidade à cobrança.. Menciona decisões da e DRJs nesse sentido. Ressaltou que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 4 3 A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Assentou o voto condutor que a empresa, mesmo após ser intimada para corrigir a DECOMP, não providenciou a retificação, como determina o art. 55 da IN 460/2004. Registrou que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação, que inexiste previsão legal quanto a procedimentos para retificação de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, no âmbito da DRJ. Enfatizou que a apresentação de PER/DCOMP não é mero pedido, mas sim veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e consequente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Ademais, destacou que não há como confirmar a alegação de erro, trazida pela contribuinte, pois o exame da DCOMP deixa entrever que o equívoco cometido não foi apenas na forma, mas também no conteúdo, porque o valor do crédito indicado não existe. Esclarece o voto condutor: Ora, como se verifica das informações por ela apresentadas à RFB, o valor apontado como crédito original em sede de DCOMP (R$ 1.266.197,85) não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2003 (R$ 1.538.214,46). Além disso, o período de apuração informado na ficha crédito da DCOMP em litígio (29/02/2004) não guarda relação com o saldo negativo do ano calendário 2003 (31/12/2003). Não há, portanto, qualquer indício que permita supor a ocorrência do equívoco apontado pela Manifestante. Ciente da decisão em 20 de agosto de 2012, a interessada ingressou com recurso em 27 do mesmo mês, no qual reitera as razões articuladas na manifestação de inconformidade. Contesta a decisão, alegando que, diferentemente do indicado na decisão recorrida, há sim, como identificar a alegação de erro no preenchimento, diante da existência de saldo negativo do IRPJ, e que, em qualquer caso, não houve prejuízo ao erário. Cita jurisprudência, invoca o princípio da verdade material, e destaca que os casos de erros de fato cometidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados de ofício pela autoridade a quem competir o seu exame, a teor do art. 147, § 2º, do CTN. Conclui dizendo que, segundo a decisão recorrida, não existe o direito creditório decorrente do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, em que pese ter a ora recorrente demonstrado nos autos a existência desse direito, e requer perícia para confirmálo. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo, dele conheço. Inicialmente, registro ser impertinente a menção feita pela Recorrente ao art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional. Referido artigo trata das normas referentes a lançamento na modalidade “por declaração” (hoje inexistente no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Em tal modalidade de lançamento, o sujeito passivo prestava informações acerca dos fatos que relacionados à matéria tributável e, com base na declaração prestada, a autoridade administrativa efetuava o lançamento. Nesse caso, o CTN previa as possibilidades de retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante (§ 1º do art. 147) e as retificações de ofício a serem procedidas pela autoridade administrativa (§ 2º). Além de a DCOMP não representar instrumento preparatório ao lançamento por declaração, era impossível, à autoridade administrativa que o examinou, proceder à sua retificação de ofício, sem que o sujeito passivo prestasse esclarecimentos. De fato, é obvia a ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, pois é realmente muito estranho que em 31/03/2004 a contribuinte transmitisse DCOMP informando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ no valor original de R$ 1.266.197,85 arrecadado nessa mesma data (31/03/2004), e cujo valor original já seria passível de atualização de 3,35%, para compensar débito vencido nessa mesma data. Ainda que se aventasse a praticamente inexistente a possibilidade de a contribuinte ter recolhido mediante DARF em 31/03/2004, o IRPJ referente a fevereiro de 2004 no valor de R$ 1.266.197,85, e na mesma data, tendo constatado que o valor devido era de R$ 242.533,24, tivesse transmitido a DCOMP para regularizar o suposto pagamento indevido, jamais poderia ser objeto de atualização, eis que efetuado naquela mesma data. Contudo, a autoridade administrativa não tinha como, apenas à vista da declaração, retificála de ofício. Por isso, transmitiu intimação de fls. 08 comunicando ao sujeito passivo que o DARF que ele indicou como crédito não existia nos sistemas da Receita Federal e intimandoo a sanar a irregularidade no prazo de 20 dias. Esclarece o termo de intimação que, se houvesse qualquer divergência (ou seja, qualquer equívoco quanto ao crédito indicado), solicitavase que fosse transmitido o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, isso é, se realmente o sujeito passivo confirmasse a existência daquele pagamento indevido, que ele apresentasse o DARF original. A intimação advertia que a não regularização implicaria na não homologação da compensação. A intimação foi lavrada em 31/08/2006 e a ciência ocorreu em 04 de setembro seguinte. Não tendo a contribuinte tomada nenhuma das providências indicadas, em 23 de janeiro de 2008 (portanto mais de um ano depois), foi lavrado o despacho decisório não homologando a compensação por não comprovação do alegado pagamento indevido ou a maior indicado na PER; DCOMP. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 6 5 Na manifestação de inconformidade a contribuinte alegou erro de fato no preenchimento da DCOMP, e que o crédito a ser utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. Porém, como bem apontou o julgador a quo, não se trata de simples inexatidão material na indicação do crédito, eis que o valor indicado não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003. A manifestação de inconformidade representa, de fato, um pedido de retificação do PER/DCOMP. Constatando que o crédito indicado não existia, mas que ele possuía, na data da transmissão da DCOMP, direito creditório suficiente para a compensação, requereu a substituição. O órgão julgador da Receita Federal (4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas) declarouse incompetente para apreciar pedido de retificação Assentou o voto condutor que “(...) não se pode admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, na medida que todos os pedidos devem ser apreciados, em primeira vez, pela autoridade competente da DRF jurisdicionante da contribuinte. A análise primária acerca da existência ou não do crédito pleiteado deve se dar pelo órgão competente, ou seja, a DRF Taubaté.” É induvidoso que a contribuinte não cumpriu com o seu dever de formalizar a retificação do PER/DCOMP, de maneira a substituir um crédito erroneamente indicado (inexistente) por outro efetivamente existente à data da transmissão da DCOMP. Contudo, não me parece razoável negar um direito a contribuinte por descumprimento de formalidade. Reportome, aqui, às lúcidas considerações do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão 1301001.495, sessão de 13/02/2014: “Em que pese as considerações da autoridade julgadora de primeiro grau acerca da impossibilidade, em sede de contraditório, de retificação de débitos apontados para compensação, penso que a solução das controvérsias instauradas nos processos acima referenciados deve ser encontrada a partir da desconsideração do erro cometido pela Recorrente. Isto porque não se pode, com fundamento em mero erro no preenchimento de instrumento declaratório, negar ao contribuinte o direito de reaver aquilo que ele pagou indevidamente ou em montante maior que o devido. Tratase, no caso, de se comparar as grandezas dos direitos envolvidos na lide: de um lado, o da Fazenda Nacional de não devolver o que lhe foi pago acima do devido, em virtude de erro de forma no pedido apresentado pelo contribuinte; do outro, o legítimo direito do contribuinte de utilizar o montante pago a maior (ou indevidamente) para fins de compensação tributária. A meu ver, em tais circunstâncias, devese relevar o erro formal cometido e, em homenagem ao princípio da verdade material, promover a utilização do direito creditório efetivamente reconhecido na extinção (ainda que parcial), por compensação, dos débitos de titularidade do requerente.” No entanto, diferentemente da situação que foi objeto do acórdão relatado pelo Conselheiro Wilson, na qual o erro do contribuinte se deu quanto ao valor dos débitos indicados na DCOMPs, no presente caso o erro está na origem do crédito. Como a legitimidade do crédito não foi objeto de análise pela autoridade administrativa, não pode este Colegiado Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 7 6 decidir a respeito, sem o prévio exame da autoridade jurisdicionante (Delegacia da Receita Federal de Taubaté). Ressalto que as normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tratam da retificação de DCOMP não vedam a retificação para alteração do crédito, sendo que a vedação específica existe apenas para inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, vejamos. IN SRF 1.300, de 2012900/2008 Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. (mesma redação das instruções normativas anteriores, inclusive do art. 58 da 460/2004, vigente quando da transmissão da DCOMP objeto deste processo) Por todas essas considerações, voto no sentido de baixar o processo em diligência, para que a autoridade competente (DRF Taubaté), recepcionando o pedido do contribuinte como saldo negativo, verifique a certeza e liquidez do direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 03 de fevereiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911271/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.869
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13896.911271/2009-43
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450412
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-000.869
nome_arquivo_s : Decisao_13896911271200943.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 13896911271200943_5450412.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5886465
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703448977408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.911271/200943 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.869 – 1ª Turma Especial Data 27 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente WAL MART BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 27 1/ 20 09 -4 3 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 95.822,29 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, à época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de julho de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de julho/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000795/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.000795/2008-40
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442417
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.909
nome_arquivo_s : Decisao_19515000795200840.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000795200840_5442417.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5863814
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703470997504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 406 1 405 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000795/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.909 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente NEWTON JOSE DE OLIVEIRA NEVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 95 /2 00 8- 40 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 407 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em sua DIRPF no anocalendário 2002 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional iniciou procedimento de verificação em relação ao IRPF do recorrente nesse anocalendário, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários, considerando que existiam evidências de omissão de rendimentos (fl. 0204 do eprocesso). O recorrente, em 27/07/07, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 10 do eprocesso), no qual foi intimado a apresentar os extratos de suas contas correntes, bem como a esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários. Em 06/07/07, manifestouse alegando que não poderia apresentar, de forma imediata, os documentos solicitados, pois, foram objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, no âmbito do processo nº 2005.51.01.5039300. Salientou que não poderia juntar aos autos os mandados de busca e apreensão, pois o processo judicial corria sob a égide do segredo de justiça, devendo ser requisitados por ofício (fls. 1112 do eprocesso). Na data de 14/08/07, a Fiscalização reintimou o recorrente para o atendimento da solicitação, destacando que a não apresentação dos documentos solicitados, no prazo determinado, caracterizaria Embaraço a Fiscalização nos termos do art. 33, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 13 do eprocesso). Em resposta, o contribuinte reafirmou a impossibilidade de atendimento da solicitação e salientou que enveredou todos os seus esforços para cumprir as intimações recebidas, requisitando acesso aos documentos no Juízo da 5ª Vara Criminal Federal, conforme os documentos juntados (fls. 1522 do eprocesso). Em 11/09/07, a Autoridade Administrativa lavrou Termo de Constatação e de Embaraço à Fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira quando intimado, nos termos art. 33, I, da Lei nº 9.430/96, frisando que os motivos alegados pelo contribuinte não o impossibilitariam de apresentar os extratos bancários objeto da intimação, bastando, para tanto, solicitálos junto aos bancos (fl. 30 do eprocesso). Em virtude do não atendimento da intimação, a Fazenda Nacional expediu Requisição de Movimentação Financeira RMF para as instituições financeiras Banco Itaú (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do eprocesso), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), as quais foram devidamente atendidas. Após, a Fiscalização intimou o contribuinte para comprovar de forma individualizada com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem e dos recursos creditados, em 2002, nas contas bancárias: BCN C/C nº 1.913.687.6, C/C nº 765.193, Itaú C/C nº 165943, Itaú C/C nº 166305, Sudameris nº 009544200, Sudameris C/C nº Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 009549301, Sudameris C/C nº 009549302, Sudameris C/C n. ° 009549328, Unibanco C/C nº 1113499 e Safra C/C nº 0174380, cujos valores constavam do "Anexo ao Termo de Intimação" contendo 03 (três) folhas (fls. 217220 do eprocesso). O recorrente apresentou manifestação, em 07/01/08, afirmando que os valores correspondem à distribuição de lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, CNPJ nº 68.314.624/000117. Reiterou, contudo, que a documentação comprobatória havia sido objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Em 28/01/08, a Fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal, encerrando o procedimento de fiscalização, pois não comprovada a origem dos depósitos (fls. 224227 do eprocesso). 2 Notificação de lançamento Em 28/01/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 230231eprocesso), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados – depósitos bancários – em conta corrente, os quais, o recorrente, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, mediante documentação hábil e idônea. O total do crédito tributário constituído foi em R$ 499.583,82, incluídos o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 28/01/08. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 252291 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade do auto de infração, em razão do Fisco não ter utilizado meios lícitos para a quebra do sigilo bancário; b) os valores autuados correspondem a distribuição dos lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, sendo todos os valores escriturados no Livro Diário da empresa; c) o lançamento fiscal não pode ser embasado em depósitos bancários, pois eles não caracterizam disponibilidade econômica de renda, conforme Súmula 182 do TFR; d) a inconstitucionalidade do §2º, do art. 11 da Lei nº 9.311/96, devendo ser considerada nula as informações das movimentações financeiras do recorrente que se encontram em posse do Fisco; e) a aplicação de multa em patamares não razoáveis pode levar o contribuinte à subsistência, devendo a mesma ser reduzida para patamares justos e dentro da legalidade; f) a impossibilidade da legislação ordinária estabelecer taxa de juros superiores a 1% ao mês, contrariando o disposto no art. 161, §1º do CTN; g) a inconstitucionalidade da Taxa Selic; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 408 5 h) natureza remuneratória de títulos, não podendo ser exigida no inadimplemento de tributos, sendo o correto a incidência de juros moratórios; i) a cobrança da multa de ofício, em valor exorbitante, possui caráter confiscatório, infringindo o art. 150, IV, da Constituição; j) a ilegalidade na expedição da RMF, pois o simples fato de efetuar depósitos em um banco não é, por si só, comprobatório do aferimento de rendimentos tributários, sendo necessário o nexo da evidência do recebimento dos rendimentos. Na oportunidade, juntou cópia da DIRPF 2003 (fls. 297300). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade, mantido o crédito tributário pelas seguintes razões: a) sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por utilização da RMF; b) a LC nº 105/01 garante a legitimidade da prestação de informações solicitadas pela RFB às instituições financeiras, não constituindo quebra de sigilo bancário; c) com a entrada em vigor da Lei nº 9.430/96, consideramse rendimentos omitidos, os depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não logre êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece a presunção de omissão de rendimentos no lançamento com base em depósitos ou créditos bancários, tratandose de presunção legal. Tal presunção autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; e) a alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar a origem dos depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a efetiva transferência do valor, por meio de provas inequívocas; f) não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação de inconstitucionalidade de lei; g) inexistência de ilegalidade da Taxa Selic; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 O recorrente tomou ciência em 16/07/09. 5 Recurso Voluntário Em 27/05/11, o recorrente opôs recurso voluntário (fls. 339380) repisando os argumentos de sua impugnação. Juntou cópia do Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C (fls. 381402 do eprocesso). 6 Sobrestamento Em 18/11/13, este processo foi sobrestado, tendo em vista que, para alcançar o seu desiderato, a fiscalização utilizou RMF, e a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF (fls. 243245 do eprocesso). 7 Despacho de Diligência Através do Despacho, em 14/08/14, os presentes autos foram convertidos em diligência, para que fossem encaminhados à Secretaria da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento da 2ª Turma Ordinária deste Conselho, para verificação: a) verificar se houve a intimação do contribuinte quanto à lavratura do Auto de Infração; b) em havendo a intimação, verificar se foi interposto Recurso Voluntário; c) em havendo interposição, digitalizar todos os documentos que não estavam nos autos. Em atendimento à diligência, a Fiscalização constatou a ciência do Auto de Infração por via postal, com aviso de recebimento nos autos (fl. 234 do eprocesso), e que os autos físicos não haviam sido integralmente anexados ao eprocesso durante o processo de digitalização, constando apenas o volume 01. O processo foi devolvido depois de tomadas às providências cabíveis (fls. 249 do eprocesso). É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 409 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do e processo), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 410 9 tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 411 11 Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário (referente à conta corrente mantida junto ao Banco Alvorada), tendo como base o art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração no que se refere ao crédito tributário apurado, por existência de vício. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. 1 Da Omissão de Rendimentos O recorrente aduz que todos os depósitos bancários decorrem da distribuição dos lucros líquidos da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados S/C, da qual era sócio (empresa posteriormente sucedida por Inter Rise Assessoria Empresarial LTDA). Ressaltou que a documentação comprobatória foi objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Para comprovar suas alegações trouxe aos autos a) Petição à 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro requerendo a disponibilização dos documentos para cópia, em 27/08/07 (fls. 2122 do eprocesso) b) DIRPF anocalendário 2002 (fl. 297299 do eprocesso); c) 65ª Alteração de Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C: Transformação de Sociedade de Advogados em Sociedade Mercantil (fls. 381402); Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 Não merece prosperar a irresignação do recorrente. Com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/96, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pág. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualmente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 412 13 O contribuinte alega que todos os valores seriam de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, resumindose a apontar todos os valores como de titularidade da empresa, não especificando individualizadamente quais valores seriam de titularidade da pessoa jurídica. Quanto à forma de comprovação individualizada, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Nesse sentido é o entendimento desse Conselho: “(...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. (...) ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202002.726. Rel. Conselheiro Rafael Pandolfo. Julg. 12/08/14). É necessário, portanto, que o contribuinte comprove individualizadamente a origem de todos os depósitos glosados pelo Fisco, identificandoos como decorrentes de renda Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, e, o mesmo ocorre quanto aos valores imputados como de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, o que não ocorreu nos autos. Conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Dessa forma, entendo que as declarações prestadas pelo contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos feitos na conta corrente do recorrente, devendo ser mantido o crédito tributário em sua totalidade. 2.2 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional, e que a aplicação da multa consiste em medida confiscatória. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 413 15 Sendo assim, o caráter confiscatório da multa e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 414 17 IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 18 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
