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Numero do processo: 10166.730381/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente.
Existindo ação judicial que ampare o direito do recorrente deveria o mesmo ater-se aos limites da referida decisão, que determinava inclusive o respeito ao art. 170-A do CTN, que descreve: É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996
Numero da decisão: 2401-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que mantinha integralmente a multa e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que somente excluía com relação às parcelas contempladas na decisão judicial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. Existindo ação judicial que ampare o direito do recorrente deveria o mesmo aterse aos limites da referida decisão, que determinava inclusive o respeito ao art. 170A do CTN, que descreve: “É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 03 81 /2 01 2- 68 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 2 sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS APRECIAÇÃO INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que mantinha integralmente a multa e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que somente excluía com relação às parcelas contempladas na decisão judicial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Relatório Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, referentes aos períodos de 08/2009 a 11/2011, encontramse assim, distribuídos: a) AI DEBCAD Nº 51.012.1531, no valor de R$ 19.974.288,76 (dezenove milhões, novecentos e setenta e quatro mil, duzentos e oitenta e oito reais e setenta e seis centavos), referente a apuração de valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensações indevidamente declaradas em GFIP, o que resultou no não recolhimento, à Seguridade Social, da totalidade dos valores devidos nas competências compreendidas entre 08/2009 e 11/2011 (levantamento GL– Glosa de Compensação Indevida). b) AI DEBCAD Nº 51.012.1551, no valor de R$ 20.785.385,42 (vinte milhões setecentos e oitenta e cinco mil trezentos e oitenta e cinco reais e quarenta e dois centavos) referente a lançamento de Multa isolada aplicada no percentual de 150% sobre o valor indevidamente compensado no período de 08/2009 a 11/2011 (Levantamento MI – MULTA ISOLADA). Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 18 e seguintes, o contribuinte procedeu à compensação de débitos previdenciários com valores anteriormente por ele recolhidos a título de contribuições previdenciárias, as quais eram contestadas em ação judicial por ele proposta (Processo nº 2009.34.00.0240630) sem que houvesse decisão judicial transitada que lhe fosse favorável. Como o sujeito passivo não possui crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a compensação por ele efetuada é indevida, não restando outra alternativa a fiscalização a não ser efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescidos de juros e multa de mora, nos termos do § 9º do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/09. O crédito apurado neste Auto de Infração foi lançado no levantamento GL– Glosa de Compensação Indevida e foi apurado de acordo com os valores declarados em GFIP no campo “Valor Compensado”. Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Aplicouse ainda a multa isolada, nos termos do art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, em face de a empresa ter apresentado GFIP contendo informação sabidamente falsa, originada de crédito inexistente, no montante de 150% dos valores indevidamente compensados. Esta multa foi aplicável apenas em relação a GFIP entregue a partir de 04/12/2008, independentemente da competência a que se referir, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da entrega da GFIP. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 4 5 No presente caso, o sujeito passivo apresentou declarações (GFIP relativas às competências 08/2009 a 11/2011) com informação de valores a compensar. Tais valores correspondiam às contribuições previdenciárias por ele recolhidas anteriormente, mas que estão sendo contestadas em ação judicial por ele proposta, sem que ainda houvesse qualquer decisão judicial transitada em julgado que lhe fosse favorável. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/11/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/11/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 175 a 218. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 336 a 347 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011 DEBCAD Nº 51.012.1535 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DEBCAD Nº 51.012.1551 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, com falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sujeita o contribuinte à multa no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic, em virtude de previsão legal expressa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatoria a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 6 o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, fls. 351 a a 398, onde colaciona os mesmos argumentos da impugnação, que transcrevemos abaixo: 1. DA INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA Apesar do relatório fiscal indicar que os créditos apontados pela impugnante nas declarações de compensação serem decorrentes da Medida Judicial nº 2009.34.00.0240630, ainda pendente de análise no Judiciário, os valores apontados no AI são absolutamente estéreis e sua exigência é desprovida de qualquer fundamento legal, sobretudo em razão da imunidade conferida pela Constituição Federal à recorrente. Discorre sobre a isenção que entende ter o SESI direito por ser uma entidade beneficente de assistência social, de caráter educacional, cultural, de lazer, desporto e saúde, sem fins lucrativos. Cita jurisprudência que entende corroborar seu entendimento, inclusive acórdão do CARF – Acórdão 2401002.594. 2. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO QUE AMPARA A COMPENSAÇÃO A sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.34.00.0240630 não só acolheu em parte a segurança pleiteada pelo recorrente, no sentido de reconhecer a inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, mas reconheceu, ainda, o direito à compensação de todo o montante que havia sido indevidamente recolhido até então. Notase, destarte, que o Magistrado de primeiro grau (decisão confirmada ampliada pelo TRF) houve por bem aplicar o entendimento sedimentado no STJ, segundo o qual não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos pela empresa a título de afastamento por auxílio/acidente nos 15 primeiros dias. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 5 7 3. Não há razão para que o contribuinte, que recolheu valores com base em uma lei eivada de vício e cuja matéria encontrase pacificada, seja pela Doutrina ou pela Jurisprudência, seja impedido de realizar as compensações devidas, independentemente de trânsito em julgado da sentença. Se a matéria é pacífica no STJ, não seria razoável que a demanda proposta pela impugnante tivesse que se submeter ao trânsito em julgado para que fossem validadas as compensações realizadas. Os valores compensados são apenas dos recolhimentos efetuados com base em norma declarada ilegal, não havendo qualquer provimento jurisdicional capaz de modificar tal circunstância, motivo pelo qual a controvérsia, ora debatida, não poderia juridicamente, submeterse à sistemática prevista no art. 170A do Código Tributário Nacional. Cita ainda decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento. 4. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC A recorrente contesta ainda a utilização da taxa SELIC na consolidação do presente crédito, alegando que é de natureza remuneratória de títulos, que ofende o conceito jurídico e econômico de juros moratórios e fere os preceitos contidos no parágrafo 1º do art.161 do CTN, e no parágrafo 3º do art. 192 da CF. 5. DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA Mesmo que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de falsidade, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizadas pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. 6. Não poderá haver presunção de fraude para fins de aplicação da multa isolada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário. Diante do demonstrado, não há que se falar em máfé ou em indícios de falsidade, devendo ser afastada não só a absurda, desproporcional, desarrazoada e confiscatória multa isolada de 150%, julgando o AI totalmente improcedente. 7. Afirma que as multas foram excessivas e suas exigências encerram em si flagrante inconstitucionalidade, por violar os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da isonomia, da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade. Alega que, no presente caso, não houve a concretização de fato jurídico gerador de obrigação tributária principal, sendo os atos de lançamentos de multas desconexos com a situação fática da impugnante. Cita doutrina e jurisprudência que entende corroborar seu entendimento. 8. REPRESENTAÇÃO FISCAL Alega ainda que a Representação Fiscal para Fins Penais não poderá ser encaminhada ao Ministério Público Federal antes de decisão administrativa definitiva. A impugnação, implica nos termos do art. 151, inc. III do CTN, inequívoca suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Portanto devese a Representação Fiscal para Fins Penais ser mantida no âmbito desta Secretaria da RFB até final esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. 9. Por fim, requer o conhecimento do recurso, sendolhe dado provimento para anular o lançamento confrontado. Outrossim, requer :que a Representação Fiscal para Fins Penais seja mantida no âmbito da Secretaria da RFB até final esgotamento da via administrativa, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 8 eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 399. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar de nulidade do AI DEBCAD 51.012.1551 tendo em vista que a multa isolada foi consubstanciada apenas em indícios, entendo que a pretendida nulidade confundese com o mérito do próprio AI, razão pela qual deixo de apreciar a questão, para manifestarme a seguir propriamente no mérito . DO MÉRITO _ 51.012.1531– DA CONDIÇÃO DE IMUNE Primeiramente, convém esclarecer, assim como já destacou o julgador de primeira instância, que o lançamento em questão denota de compensações sem que a empresa tivesse direito líquido e certo para realizálas. Dessa forma, a alegação de que não existe relação jurídica tributária que obrigue a recorrente ao recolhimento da parcela patronal, face enquadrarse como imune, por preenchimento dos mesmos requisitos da entidades beneficentes de assistência social, entendo que não assiste razão ao recorrente. O lançamento em questão não é pela ausência de contribuições patronais, pela utilização de codificação de entidade isenta, mas sim, pelas compensações realizadas pela empresa, por entender que efetivou o recolhimento de contribuições sobre as rubricas: 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença, 1/3 de férias e férias gozadas, de forma indevida. Assim, não merecem guarida os argumentos do recorrente, já que a alegada compensação em GFIP, foi pautada não na imunidade (que entende ter), mas em ações judiciais onde discuti a exigência de contribuições sobre as rubricas mencionadas acima. Assim, entendo que não deve ser apreciado nos presentes autos dita imunidade, mas necessário se faz prestar esclarecimentos sobre um acórdão desta Câmara mencionado pelo recorrente tanto em seu recurso como na impugnação. No acórdão 2401002.594, não foi apreciada a imunidade do SESI, nem tampouco a exigência de contribuições previdenciárias patronais, mas tão somente a exigência de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, os chamados “terceiros”. Mas, especificamente no mencionado acórdão, encontravase sob julgamento a contribuição para o salário educação, essa sim, afastada pelo autor. Assim, entendo que esse argumento não merece prosperar para fins de determinar qualquer direito a compensação realizada pelo recorrente. GLOSA DA COMPENSAÇÃO Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo sem estar amparado pelo recolhimento indevido ou mesmo por ação judicial transitada em julgado. Notese que não colacionou o recorrente qualquer ação judicial definitiva que amparasse suas compensações, baseando seu direito em decisões não definitivas e na jurisprudência do STJ em relação a determinadas verbas e pareceres e doutrina esparsa em relação a verbas que compõem o conceito de remuneração. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu o teor da própria decisão judicial, posto que realizou compensações sem ter direito a mesma, caracterizando seu intuito doloso, verdadeira falsidade das declarações. Senão vejamos trecho do relatório fiscal: 9.5. Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28da lei 8212/91. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.no âmbito previdenciário. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 7 11 § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação.. Não há que se falar em aplicação do art. 66 da lei 8383, considerando que a norma que rege as compensações e restituições no âmbito previdenciário é é a lei 8212/91 , contudo, conforme observado ao optar por ingressar em juízo, o recorrente passou ao judiciária a solução da contenda, devendo aguardar a decisão final para só então reivindique o seu direito. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 12 Conforme previsto no art. 170A do CTN (descrito pelo próprio magistrado) , corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes (ou seja onde existem recursos pendentes de julgamento), não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Dessa forma, não é cabível a homologação da compensação, posto que não deve se considerar que a interpretação dado pelo recorrente acerca da definição do salário de contribuição, ou mesmo por decisões esparsas lhe atribua direito de promover a redução do tributo devido, por meio de compensações muitas vezes questionáveis, como no presente caso. NÃO EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS VERBAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Quanto ao argumento de que as verbas que embasaram a compensação não constituírem salário de contribuição de acordo com a jurisprudência, entendo que não cabe aqui sua discussão, já que não foi a natureza da verba que ensejou a lavratura da NFLD, mas a sua compensação em GFIP, sem o devido cumprimento do rito necessário que enseja o lançamento. Ademais, o mérito da incidência de contribuições não pode ser aqui discutida, considerando que levou o recorrente ao judiciário a decisão a respeito do tema. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante Confundese o recorrente com o objeto da autuação. Observase que em momento algum ingressou o auditor no mérito efetivo sobre a incidência de contribuições sobre as verbas, para as quais entende o recorrente, a exigibilidade encontrase suspensa, sejam elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, , adicional de 1/3 das férias e férias. Tal fato, é facilmente identificado no item 8 do relatório fiscal, fls. 19. Apenas com a leitura desse ponto já é possível identificar que o mérito da incidência das contribuições encontrase sob júdice, mas, para a legislação previdenciária, não pode simplesmente o recorrente por ter ingressado em juízo, e entender não constituir a verba salário de contribuição, realizar a compensação a seu “bel prazer”. Conforme dito, o presente lançamento tem por base simplesmente os valores declarados em GFIP como compensação, sem o direito do recorrente a realização da mesma, encontrarse liquido e certo. MULTA E JUROS APLICADOS Questiona o recorrente além da multa isolada a aplicação da multa de mora e da taxa SELIC. Entendo que, não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 8 13 em época própria, ou havendo compensação indevida (sem o efetivo direito líquido e certo, que é o trânsito em julgado), como é o caso, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Aos valores originários (de acordo com a legislação descrita) foram acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, e, juros de mora obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –SELIC. Os valores resultantes apurados na forma do previsto no Art 89 § 9º da Lei 8.212/91 de 24/07/91 c/c Art. 35 da mesma Lei e Art.61 da Lei Nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996 constam do relatório integrante do Auto de Infração denominado DD – Discriminativo do Débito. Transcrevo a legislação para verificar sua adequação: Lei 8.212, de 24 de Julho de 1991. Art. 89 As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Redação alterada pela MP nº 449 de, de 03/12/2008, DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Lei Nº 9.430, de 27 DE Dezembro de 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 14 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de multa e juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Da mesma forma, aplicou a autoridade fiscal a multa de acordo com o disposto na legislação aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, face ser a atividade vinculada a estrita observância da lei. Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 8.6 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada, qual seja, e §9 do art. 89 da lei 8212/91. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. Os juros de mora defluem de comando legal (art. 34 da Lei nº 8.212/91 e, a partir da MP 449/2008, art. 35 da referida lei). A multa de mora é a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, observado o período de vigência. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentando que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o questionamento dar rubricas em juízo por não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Por outro lado também correto o lançamento com a aplicação dos juros SELIC, conforme previsto na legislação acima transcrita.Quanto à cobrança de juros, claro é a aplicação da taxa SELIC pela não recolhimento na época oportuna, inclusive no presente caso, onde constatado a diminuição do recolhimento por meio de compensações indevida. Dessa forma, entendo correto o tratamento dado pelo auditor, tendo promovido o lançamento não apenas como a multa de mora, como com a aplicação de juros SELIC. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 9 15 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Ademais, no tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA MULTA ISOLADA – DEBCAD 51.012.1551 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 16 Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial definitiva, ou medida liminar, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de decisão preliminar parcial, o recorrente extrapolou os limites da referida, assim, não há como afastar o fato que a empresa realizou as compensações contrariando até mesmo a decisão que ampararia o seu direito. Vejamos trecho do relatório: Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Devese, analisando pontualmente, cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, mas a indicação de informação falsa na GFIP, o que no presente caso, entendo comprovado ao inserir em GFIP o direito a compensação quando na verdade não possuía tal direito. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, conforme transcrito abaixo: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão, em processo que tratava da mesma matéria: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 18 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430, Assim, analisando a limitação proposta pelo teor da decisão judicial e os termos utilizados pela legislação aplicável a matéria, entendo que NÃO POSSUÍA O RECORRENTE DIREITO LÍQUIDO E CERTO A COMPENSAÇÃO, POSTO QUE ATÉ A DATA DO LANÇAMENTO, NÃO HAVIA decisão que amparasse seus fundamentos. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 11 19 e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Ao apreciarmos o mérito, muito destacamos a inexistência de direito líquido de certo. Da atitude do recorrente de descrever valores em GFIP, diminuindo o valor do montante da contribuição previdenciaria devida, correto o procedimento da autoridade Fiscal que aplicou a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa flagrantemente violou os termos da decisão judicial que dera ensejo ao seu direito. Em seu recurso o sujeito passivo alega que a multa isolada é improcedente, posto que não atuou com dolo, nem tentou ludibriar o fisco, haja vista que declarou as compensações na GFIP, contudo verificase que a condição legal para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. Diante da situação descrita no presente processo justificase a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. O que buscou o legislador, no meu entender, foi criar norma capaz de impedir que o contribuinte Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 20 lance mão de interpretações totalmente elásticas de decisões dos tribunais, para valer de forma indevida de entendimento no intuito de reduzir o montante da contribuição devida. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Por último, quanto a representação Fiscal para fins penais, a mesma acompanha o presente processo, até sua constituição definitiva, considerando, inclusive que o crédito objeto deste lançamento também encontrarse com a exigibilidade suspensa até a decisão definitiva. Lembramos apenas, que o mérito da representação encontrase fora da alçada deste Conselho, considerando inclusive a existência de súmula a qual abaixo transcrevo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Novamente, a posição e esclarecimentos trazidos pelo julgador foram correto, não tendo o contribuinte apresentado qualquer novo elemento que altere a decisão ali proferida com relação a este item. Transcrevo trecho da citada decisão, no ponto pertinente. No caso presente, a fiscalização apenas informa que “formalizou Representação Fiscal para Fins Penais que será encaminhada à autoridade competente, por ter verificado que o contribuinte praticou atos que, EM TESE, caracterizam crime contra a ordem tributária previsto no artigo 1º, incisos I e II da Lei 8.137/90” (fls.23). A formalização de RFFP está, pois, de acordo com o artigo 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008, publicada no DOU de 28/04/2008, vigente à época: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no exercício de suas atribuições identificarem situações que, em tese, configurem crime relacionado com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A esse respeito, cabe esclarecer que não compete a este órgão julgador apreciar razões pertinentes a essas representações e nem se manifestar quanto ao seu encaminhamento ou não ao Ministério Público pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. Vale transcrever a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, nos termos da Portaria nº 383, de 12/07/2010, do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 28: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 12 21 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Dessa forma, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara. Nos termos do artigo 151, III do CTN, o crédito tributário objeto deste processo está, neste momento, com sua exigibilidade suspensa, em razão da interposição da impugnação tempestiva pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO em relação aos DEBCADS Nº 51.012.1531 e 51.012.1551. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 22 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os sempre bem lançados votos da Em. Relatora, ouso dela divergir no presente caso no que se refere ao lançamento da multa isolada pela compensação indevida, esta no patamar de 150% dos valores glosados. Conforme constou no relatório fiscal da infração, o único motivo considerado pela fiscalização para aplicação da multa de forma agravada, com fundamento no art. 89, §10o da Lei .8.212/91, foi o de que a recorrente pleiteou a compensação de valores que discutia judicialmente em ação não transitada em julgado, sem possuir ordem que lhe permitisse efetuar a compensação na forma em que realizada. E para tanto fora lavrado o Auto de Infração n. 51.012.1551, especificadamente para a cobrança de referida multa. Inicialmente, ressalto que tenho entendimento no sentido de que várias verbas objeto de compensação a título de crédito por parte da recorrente devem ser consideradas como verbas sobre as quais de fato não incidem as contribuições previdenciárias, em razão de sua evidente natureza indenizatória e não remuneratória. São elas o (i) 1/3 constitucional de férias, a (ii) remuneração de segurados em auxíliodoença e complemento do auxílioacidente nos 15 primeiros dias de afastamento e o (iii) saláriomaternidade. No entanto, em virtude da ação judicial impetrada, tal discussão não será o objeto de análise no presente caso, em respeito ao teor da Súmula n. 01 do CARF. Sobre o assunto, o que se faz necessário pontuar é que se tratam de verbas cuja incidência da contribuição previdenciária é amplamente discutida e debatida nas esferas administrativa e judicial, existindo, precedentes favoráveis ao pleito da recorrente junto ao Poder Judiciário, sobretudo neste próprio Conselho de Contribuintes. Apenas a título ilustrativo, cito alguns deles, relativamente a cada uma das verbas em análise. · Afastamento nos 15 primeiros Dias e 1/3 de férias. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não incide contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias do pagamento de auxíliodoença e sobre o aviso prévio, ainda que indenizado, por configurarem verbas indenizatórias. Precedentes do STJ. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 231.361/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 04/02/2013) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 13 23 · Da mesma forma, no que se refere ao auxílioacidente, confirase: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AUXÍLIODOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 2. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 3. Os valores pagos a título de auxíliodoença e de auxílio acidente, nos primeiros quinze dias de afastamento, não têm natureza remuneratória e sim indenizatória, não sendo considerados contraprestação pelo serviço realizado pelo segurado. Não se enquadram, portanto, na hipótese de incidência prevista para a contribuição previdenciária. Precedentes. 4. Não incide contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 relativo às férias (terço constitucional). Precedentes. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1217686/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011) Quanto a incidência sobre os valores do adicional de 1/3 de férias: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 24 1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdênciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1123792/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) · Salário Maternidade RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considerase ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2. O saláriomaternidade é um pagamento realizado no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91. 3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória, uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora mulher. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 14 25 4. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recém nascido; assim, no caso, a relevância do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, § 9o., a da Lei 8.212/91. 5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no AI 727.958/MG, de relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe 27.02.2009, firmou o entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Assim, não se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. Tanto no saláriomaternidade quanto nas férias usufruídas, independentemente do título que lhes é conferido legalmente, não há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como entender que o pagamento de tais parcelas possuem caráter retributivo. Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADIMC 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO); dest'arte, não há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 8. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade. 9. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade e as férias usufruídas. (REsp 1322945/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 08/03/2013) E em havendo o reconhecimento, sobretudo da justiça, no sentido de que sobre tais verbas não incide a contribuição previdenciária, já se vislumbra a possibilidade de que sobre tais pagamentos virão os contribuintes a se insurgir, questionando a sua natureza jurídica e se realmente são ou não verbas sobre as quais deve incidir a contribuição previdenciária. Pessoalmente, somente por este motivo, diante da ampla discussão jurídica, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 26 entendo que sobre tais valores não deva incidir a multa pela compensação indevida, pelo simples fato do contribuinte insurgirse quanto ao seu pagamento em decorrência de sua natureza. Em continuidade, ressalto que tais considerações se fazem necessárias em decorrência da imputação ao caso da multa de 150% pela compensação tida por indevida, consoante preceito do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, adotado como fundamento de sua aplicação. Vejamos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O dispositivo aponta para o termo “falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo”, sobre o qual passo a tecer os seguintes comentários. Sobre o assunto, consoante definição contida no Dicionário Aurélio, vejamos o que há de se entender por falsidade: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Ou seja, para que se considere a falsidade na declaração apresentada, esta deve conter uma informação apresentada pelo contribuinte que de forma consciente procura esconder ou alterar a verdade dos fatos. Ou seja, da leitura de referido conceito, verificase a necessidade de estar presente no caso uma ação dolosa por parte do agente do falso, no sentido de ludibriar o destinatário da informação. Assim, a meu ver, o que caracteriza a fraude no ponto de vista tributário e a falsidade na declaração em casos como o presente é presença da efetiva existência na ação/omissão do contribuinte da figura do dolo ou má fé na prática do ato junto à administração tributária. O dolo não se configura pela simples vontade de obter um resultado ou atingir uma finalidade. A vontade de fraudar é indispensável para associar a consciência de realizar à conduta descrita no tipo. Para Cezar Roberto Bitencourt: "Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal (Teoria do Delito, 2° edição revista, RT, São Paulo, 2000, p. 127). Álvaro Villaça Azevedo esclarece que o dolo é comportamento voluntário, intencional e específico de induzir alguém ao erro. A fraude “é o dolo em sentido mais estrito, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 15 27 é comportamento malicioso para causar dano a outrem, ou a particular qualificação do engano, constituindo a mais específica e extrema aplicação do conceito de engano, contrapondose ao estado genérico de má fé”. (Negócio Jurídico. Atos Jurídicos Lícitos. Atos Ilícitos, p. 203.) Ainda quando se fala em fraude, há que se relembrar que tal atitude importa na existência de atos jurídicos distintos, um aparente e outro encoberto. Aquele aparente, apesar de conformarse com a letra da lei traz em si um vício de vontade caracterizado pela divergência entre a vontade interna e a declarada, sendo esta intencionalmente não verdadeira. O ato encoberto consiste no fato gerador propriamente dito, “alinhado” portanto com a vontade interna. Pois bem, diante das breves explanações, aponto, desde já, que não é o simples indeferimento do pedido de compensação formulado que justifica a aplicação da multa por compensação indevida em razão da existência de falsidade na declaração apresentada, ainda mais num caso em que o motivo ao seu indeferimento foi tão somente o de que a recorrente não possuía ação própria transitada em julgado ou mesmo qualquer autorização de compensação das verbas que questiona em sua ação. Não houve, por exemplo, qualquer apontamento do fiscal sobre pedido de compensação de créditos inexistentes, não acompanhados de comprovação de pagamentos, em valores totalmente divergentes aos declarados, etc, ou seja, não houve o apontamento no presente caso de qualquer atitude da parte interessada que pudesse caracterizar que sua declaração de compensação contivesse qualquer informação falsa. Ademais, há de se considerar que o pedido de compensação efetuado é tido seja pela administração tributária, como pelo Poder Judiciário, como instrumento de efetiva confissão de dívida, de modo que, ao fazer uso do instituto, o contribuinte irá declarar valores ao fisco que efetivamente entende por devidos, todavia, defendendo que não existe a obrigação de seu pagamento, em virtude da existência de direito de crédito em face do próprio ente arrecadador. Logo, ao fazer uso do seu direito de compensação, a parte interessada obrigatoriamente deverá informar o seu débito junto ao fisco, juntamente com os valores de crédito que entende possuir. Fato é que o valor de crédito obrigatoriamente só existe se da mesma existir um pagamento efetuado a maior e tido por qualquer das partes como indevido. Pois bem, no caso dos autos, verificase que o contribuinte declarou o débito devido ao fisco, apontando possuir créditos decorrentes do anterior pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores creditados a funcionários a título de: a) adicional (1/3) sobre férias gozadas; b) remuneração de segurados em auxíliodoença e complemento do auxílioacidente; auxíliodoença e licença gestante previstos em Convenção Coletiva de Trabalho; c) horas extraordinárias; e) adicional noturno; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 28 f) adicionais de periculosidade e insalubridade; g) abonos; h) parcela do descanso semanal remunerado decorrente de horas extraordinárias e adicional noturno; i) indenizações 50% na rescisão do contrato de experiência e por morte; j) saláriomaternidade; k) auxíliofuneral; l) verbas decorrentes de acordo coletivo. Logo, justificou o seu pedido de compensação no fato de que tais verbas não poderiam ser consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, adotando, para tanto, fundamentos de natureza jurídica sobre o seu caráter indenizatório. O indeferimento do pedido de compensação deuse simplesmente pela divergência do fisco na interpretação jurídica dada aos casos de não incidência e ausência de autorização de compensação de tais verbas, de modo que, tenho que tal situação, por si só, não justifica a existência de falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte, apta a justificar a imposição da multa de 150% pela compensação indevida, sobretudo em razão do contribuinte possuir a garantia constitucional de peticionar ao poder público elaborando pedido, informação, reclamação sobre fato, ou direito decorrente de interesse próprio. É por meio deste direito que é dado ao particular a faculdade de reivindicar e exigir soluções. E o Poder Público, em contrapartida, não pode se furtar ao recebimento e ao conhecimento o pedido e muito menos impor sanções por unicamente não aprovar o requerimento realizado. Tanto é assim, que por anos a fio várias são as teses discutidas e por vezes os entendimentos vem sendo modificados em favor do contribuinte, sobretudo no que se refere as verbas sobre as quais a recorrente alegou possuir direito de crédito. Dessa forma, em se tratando de mera discussão jurídica, donde não se depreende que tenha o recorrente agido com fraude ou mesmo de modo a inserir em sua declaração de compensação qualquer informação falsa ou divergente da realidade, não vislumbro que existe uma situação na qual pretendeu a parte encobrir qualquer fato mediante o uso do dolo na declaração do falso. Ante todo o exposto, pedindo vênias a Eminente Relatora, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para excluir, em sua totalidade, a multa objeto do AI 51.012.1551. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000355/2002-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. CABIMENTO.
Havendo erro material nos fundamentos, na ementa e/ou na parte dispositiva do julgado, há que se conhecer dos embargos de declaração que objetivem retificá-lo.
Numero da decisão: 1401-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER os embargos para retificar os fundamentos da decisão sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que não conheciam dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. CABIMENTO. Havendo erro material nos fundamentos, na ementa e/ou na parte dispositiva do julgado, há que se conhecer dos embargos de declaração que objetivem retificálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER os embargos para retificar os fundamentos da decisão sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que não conheciam dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 55 /2 00 2- 25 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração por meio do qual a Fazenda Nacional questiona o fundamento de fato adotado por esta Turma Julgadora quanto à aplicação da decadência reconhecida por meio do acórdão 140100.354, de 11 de novembro de 2010. Os fundamentos adotados pela DRJ, e que foram contrapostos por este Conselho, referese ao prazo decadencial para lançamento de contribuições para a seguridade social, se seria de cinco anos (conforme previsto no CTN) ou de dez anos (conforme previsto na lei nº 8.212). Vejase o teor do voto por mim proferido na ocasião daquele julgamento: Alega a Recorrente a decadência do direito de lançar, uma vez que, quando da constituição do crédito tributário, já havia decorrido o prazo decadencial de cinco anos a contar do fato gerador. Lado outro, argumenta a DRJ que o prazo decadencial para as Contribuições para a Seguridade Social encontrase definido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece o prazo decadencial de dez anos para a fiscalização efetuar o lançamento. Ocorre que, com a vigência da Súmula Vinculante nº. 8 do STF, não se deve mais aplicar os prazos decadenciais previstos na Lei nº. 8.212/91 às contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, uma vez que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Considerando a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal e estando a CSLL sujeita ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável à referida contribuição é o estabelecido no art. 150, §4º do CTN, mormente quando, como no caso em apreço, houve pagamento parcial pelo contribuinte. Analisandose o presente caso em que os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1996 e o lançamento de ofício se deu em 19/02/2002, de outra forma não se pode concluir senão pela decadência do crédito tributário. Em sede de Embargos de Declaração, aduziu a Fazenda Nacional que os valores lançados haviam sido, na verdade, depositados em Juízo pelo Contribuinte, pelo que não haveria a decadência do crédito tributário, conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Quando do julgamento do processo por esta Turma Julgadora, olvidouse que o crédito tributário objeto de lançamento havia sido depositado em Juízo pelo Contribuinte, o que altera completamente o contexto de análise da decadência. No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o depósito judicial do contribuinte substitui e dispensa o lançamento. Isso porque, em caso de êxito da Fazenda Nacional, os valores depositados convertemse em renda, sem que haja necessidade de formalização do crédito tributário pela Fazenda Pública. Segundo o posicionamento daquela Colenda Corte, “com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas” (Resp 898.992). Diante disso, tem razão a Fazenda Nacional quando aponta erro de fato na apreciação do caso. Isso porque, realizado o depósito judicial, formalizouse verdadeiro lançamento tributário, não havendo que se falar em decadência. Todavia, como efeito reflexo desse mesmo fundamento, não há como se manter o presente lançamento por uma questão de coerência sistêmica. Isso porque, se “com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação”, não há como se manter um segundo lançamento sobre o mesmo crédito. De fato, ao se promover o lançamento de crédito tributário já formalizado, promoveuse um duplo lançamento, o que não é possível. Diante do exposto, acolho os presentes Embargos de Declaração para, re ratificando a decisão embargada: a) afastar a decadência como fundamento de cancelar o auto de infração, uma vez que, realizado o depósito judicial, formalizase o crédito tributário; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 5 4 b) manter o cancelamento do lançamento objeto deste processo, uma vez que o depósito judicial (cronologicamente anterior) é o lançamento que regerá o crédito em questão. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720418/2012-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
1.0 = *:*
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NÃO CABIMENTO. Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 04 18 /2 01 2- 70 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração, oposto em face de supostas deficiências em v. acórdão, em julgamento de recurso voluntário: a) omissões: a embargante teria apresentado, em sua impugnação, prova contábil e fiscal, relativo ao anocalendário de 2009, auditada PricewaterhouseCoopers, demonstrando prejuízo fiscal; a embargante teria apresentado DIPJ do anocalendário de 2009, que prova que havia experimentado prejuízo fiscal no período, o que impossibilitaria a aplicação de arbitramento, nos termos da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10709.018 e nº 107.09071; direito à dedução de despesa com juros, na incorporação da empresa Demeter, tendo em vista da necessidade da despesa e que, na incorporação, a sucessora possuir direito assumir os direitos e obrigações da sucedida. Requer, por fim, sejam atribuídos efeitos infrigentes ao julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. Do juízo de admissibilidade: Nos termos do Regimento Interno deste Conselho, o recurso de Embargos de Declaração tem cabimento nas seguintes hipóteses: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} I por conselheiro do colegiado; {2} II pelo contribuinte, responsável ou preposto; {2} III pelo Procurador da Fazenda Nacional; {2} Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 4 3 IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; {2} V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. {2} § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. {2} § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário.” § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução.” Os embargos são tempestivos, razão pela qual se deve seguir na verificação da presença dos demais requisitos de admissibilidade, isto é, da omissão, contradição ou obscuridade. A embargante não aponta qualquer dos possíveis vícios previstos no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, condição à admissibilidade do recurso. Deixa clara a sua intenção de rediscutir a matéria já decidida pela decisão embargada, o que escapa ao âmbito dos embargos de declaração. Diante do exposto, deixo de receber os embargos opostos, por falta de preenchimento dos requisitos impostos pelo art. 65, do Regimento Interno do CARF. (alterar dispositivo igual Alemanha) Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 5 4 Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005873/2001-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 58 73 /2 00 1- 36 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 144 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o “Relatório” da Resolução nº 210200.030 (fls. 126/130 deste processo digital), que converteu o julgamento do presente processo em diligência, reproduzido a seguir: RELATÓRIO Cuidase de recurso voluntário de fls. 108 a 111, interposto contra decisão da DRJ em Santa Maria/RS, de fls. 86 a 100, que julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05 a 09, relativo ao anocalendário 1998, lavrado em 04/10/2001. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de RS 24.916,77, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75% (fl. 05). O lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos, decorrentes do processo nº 2374/91 da 35ª junta de conciliação e julgamento de São Paulo/SP, contra a empresa Viação Urbana Zona Sul (CNPJ n° 57.009.490/000104), em que foi homologado acordo no valor de RS 75.000,00, menos honorário advocatícios de R$ 15.000,00 e retenção do imposto de renda na fonte no valor de RS 2.220,00 (fl. 08). Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de RS 0,00 para R$ 60.000,00; e (ii) deduções com a contribuição à previdência oficial de R$ 0,00 para R$ 3.807,44. Assim, a autoridade fiscal apurou o valor de imposto suplementar de RS 11.496,16 em lugar à quantia de imposto a restituir de RS 2.220,00 inicialmente declarada pela RECORRENTE (fl. 06). DA IMPUGNAÇÃO Em 22/11/2001, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 01 a 04, atestada como tempestiva uma vez que não foi possível localizar o AR referente à notificação do auto de infração (fl. 23). Em sede de preliminar, a RECORRENTE requereu a nulidade do auto de infração em razão do desconhecimento de seus termos e disposições. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 145 3 No mérito, a RECORRENTE, em principio, alegou que a multa de ofício não deveria ser aplicada, uma vez que os valores recebidos foram informados em DIRPF. Afirmou que, em decorrência de acordo homologado nos autos da ação trabalhista n° 2.374/91, recebeu a verba de RS 75.000,00, determinando, na ocasião, que 84% do mencionado valor referiase a verbas indenizatórias e, consequentemente, 16% a verbas de natureza salariais. Em razão do exposto, pagou 3 parcelas de R$ 740,00 a título de imposto de renda retido na fonte. Afirmou, que houve erro da autoridade fiscal, uma vez que esta apurou o valor de RS 70.800,00 como rendimento tributável enquanto, na análise da RECORRENTE, o valor correto seria de RS 12,000,00. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 86 a 100 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento. Nas razões do voto, a autoridade julgadora, primeiramente, afasta a preliminar de nulidade do auto de infração, visto que não ocorreu nenhuma das duas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, apontou que a RECORRENTE conhecia perfeitamente a matéria em litígio, pois fez referência ao acordo homologado no processo trabalhista nº 2.374/91, não podendo, assim, requerer a nulidade por suposto "desconhecimento de seus termos e disposições". No mérito, a DRJ deu provimento parcial ao pedido da RECORRENTE para afastar da tributação do imposto de renda a parcela correspondente ao Fundo de Garantia por Tempo dc Serviço FGTS. Em suma, a autoridade julgadora afirmou que os artigos de liquidação apontados pelo advogado da RECORRENTE na ação trabalhista seriam todos verbas tributáveis (exceto o valor do FGTS), visto que não há lei que determine a isenção de tais parcelas, sendo certo de que a isenção é sempre decorrente de lei (art. 176 do Código Tributário Nacional CTN). Para determinar o valor dos rendimentos tributáveis recebidos pela RECORRENTE quando da homologação do acordo em ação trabalhista, a autoridade julgadora efetuou um preciso cálculo com base nas planilhas de liquidação de sentença apresentadas pelo advogado da RECORRENTE, constante nos autos do processo judicial (fls. 65 a 75). Em princípio, foi feita uma planilha (fls. 95 a 98) para o cálculo do valor proporcional que cada artigo de liquidação representava no valor do acordo homologado entre as partes em confronto com o valor original devido à RECORRENTE. Desta forma, foi possível encontrar o valor correto do FGTS correspondente a cada parcela de liquidação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 146 4 Como os valores discriminado na planilha de fls. 95 a 98 serviam para o valor total a receber de RS 53.287,77, e como o valor efetivamente recebido pela RECORRENTE foi de RS 75.000,00, a autoridade julgadora elaborou o cálculo de fl. 99 para calcular o índice de proporcionalidade que cada parcela representava no total recebido, podendo, assim, calcular o valor que cada artigo de liquidação representava da quantia efetivamente recebida. Ainda na planilha de fl. 99, foi determinada a soma total dos rendimentos tributáveis recebido pela RECORRENTE quando do acordo judicial, que resultou na quantia de RS 70.711,75, e o valor dos rendimentos isentos (FGTS), calculados em R$ 4.288,25. Assim, foi possível determinar o percentual que os rendimentos tributáveis representavam do total recebido (94,2823%). Com isso, foi calculada a parcela dos honorários advocatícios passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis (94,2823% de R$ 15.000,00 = RS 14.142,35), para, posteriormente, encontrar os rendimentos líquidos tributáveis recebidos pela RECORRENTE no processo n° 2.374/91, ou seja, RS 56.569,40 (RS 70.711,75 R$ 14.142,35 = RS 56.569,40). Sobre a multa de oficio de 75%, a DRJ entendeu que a mesma foi corretamente aplicada, pois prevista pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Assim, conforme cálculos de fl. 100, a autoridade julgadora apurou o total dos rendimentos tributáveis da RECORRENTE, referente ao anocalendário 1998, em RS 67.369,40 (R$ 56.569,40 referentes ao acordo trabalhista e R$ 10.800,00 originalmente declarados pela RECORRENTE em sua declaração de ajuste referente aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas). Deste modo, após o julgamento de 1ª instância, foi apurado o valor de imposto suplementar de RS 10.552,75, que deve ser acrescido de multa de 75% e dos juros de mora cabíveis. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 09/06/2008, conforme AR de fl. 102v dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 108 a 111, tempestivamente, em 21/11/2006. Em suas razões recursais, a RECORRENTE nada mais alega do que a sua inconformidade com o julgamento da DRJ, não aceitando o fato de a Receita Federal pretender tributar parte do valor por ela recebido quando do acordo trabalhista. Afirmou que a autoridade julgadora não havia analisado a sentença prolatada em audiência referente ao processo trabalhista, que seria uma prova incontestável do valor dos rendimentos tributáveis. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 147 5 Por intermédio da Resolução nº 210200.030, de 24 de setembro de 2010 (fls. 126/130), a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção converteu o julgamento em diligência a fim de que a Autoridade preparadora tomasse as providências necessárias para refazer o cálculo do imposto devido pelo Recorrente de acordo com as disposições do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009 (aplicação do regime de competência na apuração da base de cálculo). A Informação Fiscal de fl. 134 dá conta de que as medidas solicitadas não foram adotadas, uma vez que os efeitos do aludido parecer foram suspensos pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010. Em 10/07/2012 a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção sobrestou o julgamento do presente processo, com base nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF. Com a revogação dos mencionados parágrafos e tendo em vista o Relator anteriormente designado não mais pertencer aos quadros do CARF, os autos foram distribuídos, por sorteio, a este Conselheiro, em 05/11/2014. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de processo judicial trabalhista. Observo, inicialmente, que a base de cálculo do imposto de renda devido foi calculada, tanto pela Autoridade lançadora, quanto pela Autoridade julgadora de 1ª instância, com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (apuração pelo denominado “regime de caixa”), embora aquela tenha utilizado no cálculo o valor global do acordo, ao passo que esta utilizou os “Artigos de Liquidação” elaborados pela Reclamante após a prolação da sentença trabalhista de 1ª instância. Pois bem. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 148 6 previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis, assim como realizado pelos julgadores na decisão de 1ª instância administrativa. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 149 7 auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 150 8 exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 151 9 Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Nesse cenário, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10293.720109/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
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Numero do processo: 10675.003298/2006-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/02/2006
NULIDADE DO AUTO DE LANÇAMENTO. ART. 10 E ART. 59 DO DECRETO n°70.235/72 C/C ART.142 DO CTN. ERRO MATERIAL. DECADÊNCIA.
O auto de lançamento é nulo por haver falha na descrição dos fatos, ausência de motivação explícita, clara e congruente e por essa razão aplicação de penalidade à conduta atípica. Uma vez ocorrendo vicio material do lançamento, sobre este não se aplica a regra do art.173 do CTN, recaindo os efeitos da decadência sobre este.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ART. 10 E ART. 59 DO DECRETO n°70.235/72 C/C ART.142 DO CTN. ERRO MATERIAL. DECADÊNCIA. O auto de lançamento é nulo por haver falha na descrição dos fatos, ausência de motivação “explícita, clara e congruente e por essa razão aplicação de penalidade à conduta atípica. Uma vez ocorrendo vicio material do lançamento, sobre este não se aplica a regra do art.173 do CTN, recaindo os efeitos da decadência sobre este. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 32 98 /2 00 6- 24 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10675.003298/200624, contra o acórdão nº 0823.196, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), na sessão de julgamento de 10 de abril de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Cuida o presente processo de multa no importe de R$ 1.000,00 aplicada pela fiscalização aduaneira face à importação de mercadoria atentatória à moral, aos bons costumes, saúde ou ordem pública, com fulcro no artigo 107, inciso VII, alínea “b” do Decreto Lei nº37/1966, com a redação data pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. A fiscalização tece os seguintes argumentos para fundamentar a autuação: Importação de mercadoria atentatória à moral / bons costumes/ saúde /ordem pública, conforme apurado. Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918,2ª VF/UBERLANDIA/MG, Foram apreendidas pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 03 (três) placas para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial localizado na Rua Sideral, 1741–Bairro Ipanema Uberlândia MG, de propriedade do Sr. GENIVAL DAMÁSIO MARTINS, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO T/190, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia MG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA nº 60/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000876/200671. O autuado foi cientificado da autuação em 01/12/2006, conforme “AR” de fl. 16. Não conformado, apresentou, através de advogado devidamente habilitado (procuração de fl. 31), em 15/12/2006, impugnação(fls. 20/21), com os seguintes termos: 1. O requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde/publica” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para máquina “caçaníquel”, conforme descrito no Auto de Infração, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00(..), com base no art. 107, inc. VII, “b”, do Dec. Lei n.37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 29/12/2003. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 5 4 2. O requerente não é “importador” e também “não importou” as mercadorias (placa de máquina caçaníquel), bem como não é, e nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de “placa(s) estrangeira(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s), porque nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão. Assim, mesmo que olhasse, não saberia se seria placa estrangeira ou não, e muito menos se era de importação proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica, em anexo, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda., e destinatário Game Line Ltda. 6. A multa pecuniária de R$ 1.000,00(..) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior 17/09/99, conf. Nota Fiscal, portanto ao fato não pode ser aplicada a multa pecuniária. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa pecuniária porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei n. 10.833 de 29/12/2003 que deu nova redação ao art. 107; inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, ou seja, se a importação da(s) placa(s) ocorreu em data anterior é inaplicável a multa. 7. O requerente/autuado pede a improcedência da autuação, determinando o arquivamento do processo administrativo na forma da lei. 8. Requer produção de provas: documental e testemunhal, com rol oportuno. 9. Requer sejam as intimações dirigidas, doravante, ao endereço do advogado do requerente, cf. consta no cabeçalho desta petição. Atendidas as cautelas de praxe, vieram os autos para julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza. A DRJ de Fortaleza (DRJ/FOR) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/02/2006 ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 6 5 precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses indicadas na legislação regente, cuja aplicabilidade independe de prévio protesto INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. A intimação dos atos processuais por via postal deve sempre ser dirigida para o domicílio tributário eleito pelo contribuinte, eis que no processo administrativo federal não há dispositivo que autorize o uso do endereço do patrono da causa para esse fim. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador:22/02/2006 MÁQUINA CAÇANÍQUEL. IMPORTAÇÃO. MULTA. A partir da publicação da Lei nº 10.833/2003, a importação de máquina do tipo “caçaníquel”, considerada como mercadoria atentatória à moral e aos bons costumes, passou a ser punível, também, com multa pecuniária no valor de R$ 1.000,00. MÁQUINA CAÇANÍQUEL. IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva e extensiva a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 60/69, expondo que: 1 Alega que o requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para máquina “caçaníquel”; 2 Afirma não ser importador das mercadorias, e nem proprietário das mesmas; 3 Assegura não ter conhecimento da existência de “placa(s) estrangeiras(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s) e por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão; 4 Justifica que apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, situação que é de conhecimento geral dos agentes públicos, por se tratar de um praxe nas cidades; 5 Entende que o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo, nos termos do art. 333, inc. I, CPC, e assim, considera vício material; 6 Embasado no art. 112 do CTN, afirma que não foram preenchidos todos os requisitos legais para o lançamento do fato gerador correspondente, sendo assim, estaria configurado vício material. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 7 6 7 Afirma que o art. 142 do CTN combinado com o art. 10 do Decreto 70.235/72, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. É o sucinto relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Das Preliminares Do Protesto por Provas Posteriores Não obstante, entenda pela possibilidade de apresentação de documentos essenciais ao bom julgamento do processo, mesmo que em momento posterior a apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, verifico que não seria este o caso dos autos. O Recorrente pleiteia, genericamente, direito a carrear provas posteriormente, sem qualquer menção ao que pretende juntar ou necessita que seja juntado, bem como a utilidade deste. No ponto, entendo que pelo não provimento. Do lançamento Nulo e Decaído O art. 142, caput, da Lei nº 5.172, de 25/10/66, Código Tributário Nacional CTN, define o lançamento como “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Nestes termos, deve ser observado que o contribuinte não se enquadra na literalidade do tipo infracional a que foi determinado. Verificase que foi encontrado no estabelecimento comercial do Recorrente 3 (três) placas de “caçaníquel”, no que foi aplicada a pena de perdimento, e restou de forma presumida que o proprietário do estabelecimento comercial seria o dono, o importador de fato das peças, impondolhe a multa de R$ 1.000,00, pela importação de mercadoria atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, conforme DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. (...) Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: VII de R$ 1.000,00 (mil reais): b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 9 8 Ocorre que o recorrente não está enquadrado na qualidade de descrita pelo artigo, ou melhor esclarecendo, não houve prova cabal de que o recorrente de fato teria importado as referidas placas para que incorresse corretamente no tipo estabelecido pelo art. 107 do referido DecretoLei. O simples fato de o recorrente ser proprietário do estabelecimento em que fora encontrada as placas, por si só não produz a cognição para que seja aplicada a penalidade. Ademais, o recorrente afirma que as placas foram importadas pela empresa Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e destinatário Game Line Ltda, carreando aos autos documentação que comprova o alegado, conforme fl. fl. 23 a 28. Entendo que não foi bem fundamentada a autuação, não há qualquer prova concreta que leve a conclusão de que recorrente tenha promovido a entrada das placas em Território Nacional, sendo ônus que incumbia ao fisco, pela inteligência do art. 333, I do CPC. Dessa maneira o direito a defesa do recorrente restou preterido e por essa razão auto de lançamento seria nulo, na forma do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade, são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; [...] Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10675.003298/200624 Acórdão n.º 3801004.942 S3TE01 Fl. 10 9 II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Em adição, é necessário evidenciar que, mesmo que fosse compreendida pela ocorrência de importação e fosse estabelecida a correção ou a confecção de auto complementar, para que fosse sanados os vícios materiais que permeiam o auto, o período que o fisco teria para fazer a correta autuação já teria se extinguido, posto que já teria decaído seu direito, observandose a data do fato gerador, face a inaplicabilidade do art. 173, II do CTN. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Nestes termos, voto pelo provimento do recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13609.000195/2010-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CERTIFICADO DE ENTIDADES BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL - CEBAS. RETROATIVIDADE.
Tendo a entidade filantrópica protocolado requerimento para a renovação do CEBAS, este, quando concedido, tem efeitos retroativos.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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RETROATIVIDADE. Tendo a entidade filantrópica protocolado requerimento para a renovação do CEBAS, este, quando concedido, tem efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 01 95 /2 01 0- 71 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13609.000195/201071 Acórdão n.º 2803004.119 S2TE03 Fl. 596 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Casa de Caridade Santa Tereza em face acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação previdenciária. ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO. É ilegítima a exigência de ato declaratório de isenção/imunidade, para fins da fruição do aludido beneficio fiscal nos exercícios 2006 e 2007, quando se trate de entidade enquadrada na ressalva legal de "direito adquirido". CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS VALIDO Na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, um dos requisitos indispensáveis para o gozo da imunidade de contribuições previdenciárias, é a formalidade de possuir a entidade Certificado de Entidade de Beneficente de Assistência Social CEBAS válido por três anos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o processo em epígrafe de lançamento de crédito tributário relativo à aplicação de multa por descumprimento do artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91. Segundo a Fiscalização, a contribuinte apresentou GFIP, nas competências 04/2007 e 06/2007 a 09/2007, com o código FPAS 639, que inibe o cálculo das contribuições previdenciárias patronais, em razão de entender que goza do direito a imunidade, apesar de não ter formalizado pedido de isenção exigido pelo § 1° do art. 55 da Lei 8.212/91 e não ter obtido a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). A Casa de Caridade apresentou impugnação na qual argumenta que: a) não procede o argumento da autoridade lançadora, de que a entidade não cumpre o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, uma vez que sempre foi instituição beneficente que atende a população carente do Município do Serro e demais cidades, sem visar lucro. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 b) entregou ao CNAS e ao Ministério da Fazenda documentos e relatórios referentes à renovação de seu CEBAS; c) cumpriu com todas as exigências legais para manutenção de sua condição de instituição beneficente, não se justificando a autuação; e d) realiza a contratação dos serviços oferecidos ao SUS, nos termos da Lei 12.101/2009. Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ de origem rejeitou integralmente as ponderações apresentadas, mantendo incólume o crédito tributário lançado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando as alegações trazidas em sua peça de impugnação. Sem apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, os autos foram encaminhado a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13609.000195/201071 Acórdão n.º 2803004.119 S2TE03 Fl. 597 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Filantropia CEBAS Como bem pontuado no relatório fiscal a autuação ora combatida se deu em razão de a entidade ter lançado o código FPAS 639 (ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, com isenção requerida e concedida pela Previdência Social, inclusive aquela transformada em entidade de fins econômicos na forma do artigo 7° da Lei 9131/95, no período de pagamento parcial das contribuições patronais, nos termos do art. 13 da Lei n° 11.096, de 13 de janeiro de 2005) quando deveria ter lançado o código FPAS 515 (COMÉRCIO ATACADISTA – COMÉRCIO VAREJISTA – AGENTE AUTÔNOMO DO COMÉRCIO COMÉRCIO ARMAZENADOR – TURISMO E HOSPITALIDADE (inclusive salão de barbeiro, instituto de beleza, empresa de compra, venda, locação e administração de imóvel, engraxate, empresa de asseio e conservação, sociedade beneficente e religiosa etc.) – ESTABELECIMENTO DE SERVIÇO DE SAÚDE (hospital, clínica, casa de saúde, laboratório de pesquisas e análises clínicas, cooperativa de serviço médico, banco de sangue, estabelecimento de ducha, massagem e fisioterapia e empresa de prótese) – COMÉRCIO TRANSPORTADOR, REVENDEDOR, RETALHISTA DE ÓLEO DIESEL, ÓLEO COMBUSTÍVEL E QUEROSENE (exceto quanto aos empregados envolvidos diretamente na atividade de transporte Dec. 1.092/94 FPAS 612) – EMPRESA E SERVIÇOS DE PROCESSAMENTO DE DADOS – ESCRITÓRIO, CONSULTÓRIO OU LABORATÓRIO DE PROFISSIONAIS LIBERAIS (pessoa jurídica) – CONSÓRCIO – AUTOESCOLA – CURSO LIVRE – LOCAÇÕES DIVERSAS – PARTIDO POLÍTICO – EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO (contribuição sobre a folha de salário de seus empregados) – SOCIEDADE COOPERATIVA (estabelecimento no qual explora atividade econômica relacionada neste código) TOMADOR DE SERVIÇO DE TRABALHADOR AVULSO – contribuição sobre a remuneração de trabalhador avulso vinculado ao comércio – EMPRESAS DE FACTORING) por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente para o período do lançamento fiscal, tendo o referido documento não ter sido renovado. A entidade, por sua vez, defende que sempre gozou das prerrogativas de instituição filantrópica, fazendo jus ao Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). E no meu sentir tem razão a recorrente. É bem verdade que houve alteração no critério de uso do beneficio com a edição da Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009, que assevera em seu artigo 31 que “o direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo”. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Ora, a entidade protocolou no órgão público, devidamente instruído, o pedido de certificação na época que ainda estava vigente a sistemática de concessão do CEBAS com data retroativa ao protocolo. No período considerado pelo fisco a legislação foi alterada diversas vezes no que diz respeito à exigência do certificado: Lei 8.212/91 “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;” (...) A Medida Provisória 446, de 7 de novembro de 2008, revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91 e estipulou as condições necessárias para o benefício, contudo manteve a exigência do Certificado. Estabeleceu, ainda, que os pedidos de concessão originária de Certificado que não tenham sido objeto de julgamento pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, até a data de publicação da Medida Provisória, seriam remetidos ao Ministério responsável, “de acordo com a área de atuação da entidade, que os julgará, nos termos da legislação em vigor à época do requerimento”. MP 446/98 “Art. 3º A certificação será concedida à entidade beneficente que demonstre, nos doze meses que antecederam ao do requerimento, o cumprimento do disposto nas Seções I, II e III deste Capítulo, de acordo com a respectiva área de atuação. § 1º Nas situações previstas em regulamento, a demonstração do cumprimento do disposto no caput poderá ter como base os primeiros doze meses contidos nos dezesseis meses que antecederem ao do requerimento. § 2º O período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços conveniados com o Sistema Único de Saúde SUS ou com o Sistema Único de Assistência Social SUAS, em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.” (...) “Art. 36. Os pedidos de concessão originária de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que não tenham sido objeto de julgamento pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória serão remetidos ao Ministério responsável, de acordo com a área de atuação da entidade, que os julgará, nos termos da legislação em vigor à época do requerimento.” Fl. 600DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13609.000195/201071 Acórdão n.º 2803004.119 S2TE03 Fl. 598 7 Posteriormente, a Medida Provisória n.º 446 foi rejeitada pelo Congresso Nacional, conforme Ato do Presidente da Câmara dos Deputados, retornando a vigorar o artigo 55 da Lei n.º 8212/91. Ei o teor do ato que comunicou a rejeição da MP 446: “O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS faz saber que, em sessão realizada no dia 10 de fevereiro de 2009, o Plenário da Casa rejeitou a Medida Provisória nº 446, de 10 de novembro de 2008, que "Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, e dá outras providências". Não houve a publicação de Decreto Legislativo para regular os efeitos advindos da Medida Provisória rejeitada pelo Congresso. Em 30 de novembro de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a Lei n.º 12.101 que dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulou os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social e alterou outras leis que tratavam do tema. Pelo que dispôs o artigo 31 “o direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo”. Ocorre que a entidade protocolou pedido junto ao órgão competente e, após longo prazo de espera, teve a publicação do ato de concessão de sua certificação com prazo de vigência desde a publicação oficial. Medida que contraria, inclusive, o disposto na parte final do art. 36 da MP n.º 446, que assegurava ao contribuinte ter seu pedido julgado nos termos da legislação vigente à época do requerimento. E a legislação vigente á época assegurava a retroatividade: “Art. 208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). (...) § 2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo.” Vale destacar, ainda, o Ato Declaratório nº 05/2011, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, dispensando a interposição de recurso “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte”. A ProcuradoriaGeral da Fazenda se manifestou em seu parecer, nos seguintes termos: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 “4. Primeiramente, vale ressaltar que este Parecer não trata das demandas em que se pleiteia a declaração da existência de direito adquirido ao reconhecimento da natureza de filantrópica, nas quais se pleiteia a manutenção do direito ao CEBAS não obstante a desobediência aos requisitos de legislação superveniente. Neste ponto, a jurisprudência é pacífica a favor do pleito fazendário de que não há direito adquirido. 5. Neste parecer, temse em foco a controvérsia sobre os efeitos da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, se meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc, ou se constitutivo, de modo que possui efeitos ex nunc. 6. O Poder Judiciário entendeu, conforme se observa da jurisprudência pacífica do STJ, no sentido de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc. De acordo com o Ministro Castro Meira, no julgamento do Resp 478239/RS, Segunda Turma.” A Jurisprudência nos Tribunais foi pacificada e definiu que a certificação é ato declaratório administrativo ex tunc, retroagindo portanto no tempo. É bem verdade que o posicionamento doutrinário e jurisprudencial é contrário aos dispositivos da legislação revogada (art. 55, II, da Lei nº 8.212/91, do Decreto nº 2.536/98 e do Decreto nº 3.048/99), mas a construção consolidada com base na legislação revogada não se alterou com as novas disposições da Lei nº 12.101/2009 (art. 31). EDcl no AgRg no REsp 737907/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Julgado em 16/04/2009, DJe 29/04/2009. E no me sentir o relatório fiscal não traz outra acusação de descumprimento da norma previdenciária. Faz menção aleatória ao disposto no art. 55, §5º, da Lei 8.212/91 (“Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento”). Contudo, não há fundamentação alguma no sentido de que a entidade teria desobedecido tal dispositivo. Os Estatutos Sociais da entidade demonstram tratarse de entidade beneficente de assistência social. Aplica, ainda, todos os recursos nos seus objetivos sociais e não distribui lucros aos seus associados, diretores ou empregados. Nesse sentido, dou provimento ao recurso voluntário manejado pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 602DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13609.000195/201071 Acórdão n.º 2803004.119 S2TE03 Fl. 599 9 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 16366.720080/2011-75
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DOLO CARACTERIZADO.
Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, no percentual de 150%, a compensação não declarada, na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal (de terceiros e não administrado pela Receita Federal), em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
Numero da decisão: 1801-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva e Costa e Alexandre Fernandes Limiro, que votaram pela redução da multa para 75%. A Conselheira Cristiane Silva e Costa, que faria declaração de voto, deixou de apresentá-lo.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DOLO CARACTERIZADO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, no percentual de 150%, a compensação não declarada, na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal (de terceiros e não administrado pela Receita Federal), em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva e Costa e Alexandre Fernandes Limiro, que votaram pela redução da multa para 75%. A Conselheira Cristiane Silva e Costa, que faria declaração de voto, deixou de apresentálo. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 80 /2 01 1- 75 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Discutese, nos presentes autos, a multa de oficio aplicada isoladamente, no percentual de 150%, como decorrência de compensação caracterizada como não declarada, e que teria sido pleiteada com dolo, com a intenção de fraudar a tributação federal. Eis os termos do relato adotado na r. decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 82/87, que exige o recolhimento de R$ 287.829,63 a título de multa isolada, em decorrência de declarações de compensação consideradas não declaradas. Conforme anexo de fl. 91, o crédito tributário lançado foi assim demonstrado: ... Segundo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, a autuação ocorreu devido à compensação dos débitos acima listados com crédito de titularidade de terceiros. Por isso, a Recorrente teve considerados como “não formulados” os Pedidos de Restituição apresentados (em formulário e eletrônico) e como “não declaradas” as Declarações de Compensação vinculadas aos pedidos de restituição. Segundo o Auto de Infração combatido, a simples utilização de créditos de terceiros, ainda que estes fossem líquidos, certos e tributários, já ensejaria considerar como não declaradas as compensações, bem como, seria suficiente para lavrar o auto de infração. Porém, segundo aponta, as circunstâncias relacionadas ao caso indicam haver a intenção em se dissimular a real situação dos fatos, visando a lesão ao Fisco. Relata a autoridade fiscal que na data de 07/12/2010, na cidade de Alexânia (GO), foi lavrada escritura pública de cessão de créditos da empresa Apollo Comércio de Peças e Parafusos Ltda., situada em Benevides – PA, com base na Dcomp 04765.46036.160608.1.3.020009, referente ao processo administrativo nº 10280.002561/200863, para o autuado, localizado em Londrina – PR. O Auditor Fiscal anexou cópia do referido processo, a fim de demonstrar que o crédito informado originase de Pedido de Restituição fundado em créditos de “obrigações da Eletrobrás”, no valor de R$ 51.250.962,87, apresentado pela cedente. Descreve a autoridade fiscal que a cedente transmitiu várias Dcomp vinculadas a este processo, dentre as quais a acima informada. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16366.720080/201175 Acórdão n.º 1801001.958 S1TE01 Fl. 206 3 Nestas declarações, informa o Auditor Fiscal que a cedente indicou o tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ” como origem de seu direito creditório. Alerta, entretanto, que a cedente não é empresa optante do lucro real, não tendo, inclusive, declarado quaisquer rendimentos à Receita Federal desde o ano calendário de 1999, quando era empresa optante pelo Simples. Relata que a empresa se declara inativa há mais de 10 anos, mas, por outro lado, considerase credora de mais de cinqüenta milhões de reais. Relata ainda a autoridade fiscal que as Dcomp apresentadas pela cedente, com base no referido crédito, foram consideradas não declaradas e que, intimada, a empresa não foi localizada, restando, então, cientificada por edital. Em seguida, informa o Auditor Fiscal que a empresa autuada – Sanderson Material para Construção Ltda. – apresentou Pedido de Restituição na DRF Brasília em 08/12/2010, formalizado no processo n° 10166.010866/201070. Relata que a partir deste processo, a autuada entregou o PER eletrônico n° 21838.99002.141210.1.2.045203. O crédito informado neste PER, segundo narra a autoridade fiscal, fundado em crédito de terceiros oriundo do processo n° 10166.010866/201070 transformouse em crédito próprio decorrente de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente, informa o Auditor Fiscal que foram transmitidas as Dcomp n°s 08917.27053.141210.1.3.042248 e 10201.84277.180111.1.3.048590, conforme quadro demonstrativo acima reproduzido. Alerta a autoridade fiscal que esses pleitos foram analisados no processo 10166.010866/201070, no qual foram considerados não formulados (PER) e não declarados (Dcomp). Em seguida, descreve a Autoridade Fiscal que, em conformidade com a Lei n° 10.833/2003, art. 18, § 4o, efetuou o lançamento da multa isolado de 75%, para o caso de compensação não declarada, agravandose a multa lançada, de acordo como o §1o do inc. I, do art. 44, da Lei 9.430/1996, pelo fato de a Impugnante ter adotado procedimentos vedados pela legislação que rege o instituto da compensação. Alega que a Contribuinte extinguiu créditos tributários, utilizandose de Dcomp fundadas em pagamentos indevidos, quando, na verdade, o crédito informado é oriundo de “supostos créditos não tributários”. Afirma que “o procedimento utilizado pelo autuado evidencia a tentativa de ocultação da real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando se tratam de ‘obrigações da Eletrobrás’, desprovidas de qualquer certeza e liquidez”, o que ensejou a qualificação da multa (150%). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 4 Cientificada em 09/06/2011 (fl. 94), a Interessada, em 15/06/2011, apresentou Impugnação de fls. 95/100, alegando, em síntese, o seguinte. Primeiramente, após transcrição de artigo jurídico, questiona os percentuais de multa de ofício que são impostos “pelo fisco do Distrito Federal”. Diz que no código tributário do Distrito Federal há previsão de multa de 200% do valor do imposto e que tal percentual configura evidente excesso. Na sequência, afirma que a Recorrente não está alheia à tese defendida pelo Fisco de que este “cumpre o seu mister vinculado ao princípio da legalidade”. Entretanto, preconiza que, mesmo assim, não pode deixar de argüir a ilegalidade das multas impostas, apesar de decorrentes das leis vigentes, posto que caracterizam violação à Constituição Federal e aos princípios jurídicos que devem reger tais procedimentos. Prossegue, ressaltando que a “ilegalidade e o caráter confiscatório das multas de 200% impostas aos contribuintes decorrem da violação frontal aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como ao disposto no artigo 150, inciso IV, da nossa Constituição Federal, que determina ser vedado ao Estado utilizar tributo com efeito de confisco.” Aludidas multas, continua, são excessivas mesmo quando “oriundas de princípios como os da vinculação e legalidade.” Cita doutrina e jurisprudência versando sobre a proibição constitucional de confisco em matéria tributária e, por derradeiro, pede que o lançamento “seja melhor ponderado”, reduzindose a multa imposta. Embora a impugnação tenha questionado, textualmente, multa de 200% exigida pelo Distrito Federal, a d. DRJ realizou exercício cognitivo no sentido de admitir ali impugnações teóricas com relação ao caráter confiscatório e desproporcional da multa de 150% imposta no presente caso. Passando pela explanação das normas que fundamentaram o lançamento da multa e pelos aspectos fáticos que legitimariam a majoração para 150%, a decisão de 1ª Instância julgou improcedente a impugnação. Intimada por AR, a contribuinte interpôs recurso voluntário arguindo a validade dos créditos, discorrendo sobre o instituto da cessão de direitos, transcrevendo longa doutrina acerca da inexigibilidade de conduta diversa, sustentando a ausência de dolo e a inaplicabilidade da multa de 150% (passando por alegações de inconstitucionalidade), para ao final requerer o cancelamento da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16366.720080/201175 Acórdão n.º 1801001.958 S1TE01 Fl. 207 5 O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. Um primeiro aspecto, cabível de ser apreciado de ofício, é da eventual superveniência de norma que tenha reduzido ou afastado a aplicabilidade da multa em comento, quando a retroatividade benigna viria à tona. São vários os precedentes desta Corte Administrativa que realizaram o cotejo das alterações veiculadas pela Lei nº. 11.051/04, por sobre o texto da Lei nº. 10.833/03, concluindo pela subsunção à regra do artigo 106, II, do CTN. No entanto, considerando a data do pleito pela compensação punido nestes autos, qual seja, 08 de dezembro de 2010, a redação vigente à época foi aquela instituída pela Lei nº. 11.488/2007: Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. Notase que o § 4º acima transcrito tratou especificamente da compensação “não declarada”, disposta no inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei no 9.430/96, dentre os quais está a compensação com créditos de terceiros e relativos a origens estranhas aos tributos administrados pela Receita Federal. O dispositivo contempla a possibilidade de aplicação da multa do inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430 (75%), ou do percentual duplicado na forma do § 1º (150%), conforme o caso. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 6 Portanto, há suporte jurídico para a aplicação da multa isolada, restando analisar o contexto fático para o crivo adequado da subsistência da sanção. A aplicação da multa qualificada, com imputação de índole penal, nos casos de compensações de créditos de terceiros, deve ser realizada de forma bastante ponderada. É que a experiência recente descortina um mercado atuante, profícuo e engenhoso na elaboração de estruturas com aparência de legalidade, mas que por vezes encobrem esquemas para enganar não só o fisco, mas também os empresários. O suposto crédito adquirido pela recorrente tinha origem em obrigações da Eletrobrás, que não são tributos administrados pela Receita Federal. No entanto, a inviabilidade de oposição de “créditos da Eletrobrás” aos débitos tributários, não foi assim tão clara e uníssona na dicção do Superior Tribunal de Justiça. Alternando entre casos de debêntures da Eletrobrás, ou de empréstimo compulsório cobrado com a energia elétrica, houve julgados admitindo o oferecimento de tais “papéis” em execução fiscal federal. O fato é que a confusão e a inconstância da legislação e da jurisprudência relativas ao tema, atreladas à deficiente atuação do fisco no que tange à orientação e esclarecimento ao contribuinte (editando cartilhas e facilitando o diálogo preventivo), contribuem, por vezes, para situações de efetivo engano do contribuinte de boafé. Resta analisar se no presente caso a presunção de boafé, constitucionalmente prevista, foi infirmada pelo conjunto de provas dos autos. Tenho que a conduta da Recorrente demonstrada nos autos revestese dos caracteres típicos da conduta dolosa. A escritura de cessão dos supostos créditos, à fl. 5 da numeração digital, traz consignada a informação de que a aquisição dos mesmos, no montante de R$ 500.000,00, teria sido quitada em moeda corrente. A par das implicações oriundas da declaração de que teria ocorrido pagamento de meio milhão de reais em dinheiro, não faz sentido em operação de tal natureza, que o cessionário pague o valor de face do crédito, de poder liberatório ainda incerto. Também consta na escritura de cessão: “Pela Outorgada Cessionária, me foi dito que tem pleno e inteiro conhecimento de todos os termos e condições dos direitos creditórios, objeto desta escritura, assumindo a posição processual da Outorgante Cedente, por sua conta e risco. Os “termos e condições dos direitos creditórios” eram absolutamente precários, quando da confecção da escritura, já que os processos de restituição e de compensação formalizados pela “Apollo Assessoria Empresarial” (cedente) já tinham sido indeferidos pela Receita Federal. Diante dos termos da escritura, acima transcritos, não merecem acolhida as alegações da recorrente de que teria sido enganada porque apenas o fisco e seus servidores teriam acesso aos dados do processo protegido por sigilo fiscal. Por óbvio que, além da declaração de “inteiro conhecimento” feita ao tabelião, a aquisição de créditos em valores como os ora versados demanda checagens e análises por sobre documentos a serem fornecidos pela parte que oferece o negócio. E, no mínimo, os andamentos revelando o status de cobrança dos processos da “Apollo”, poderiam ser acessados e verificados na rede pública do Ministério da Fazenda (comprot). Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16366.720080/201175 Acórdão n.º 1801001.958 S1TE01 Fl. 208 7 Ademais, todos os elementos dos processos que originariam os créditos indicam fraude, como referido pelas d. autoridades recorridas (trecho do relatório da DRJ): “O Auditor Fiscal anexou cópia do referido processo, a fim de demonstrar que o crédito informado originase de Pedido de Restituição fundado em créditos de “obrigações da Eletrobrás”, no valor de R$ 51.250.962,87, apresentado pela cedente. Descreve a autoridade fiscal que a cedente transmitiu várias Dcomp vinculadas a este processo, dentre as quais a acima informada. Nestas declarações, informa o Auditor Fiscal que a cedente indicou o tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ” como origem de seu direito creditório. Alerta, entretanto, que a cedente não é empresa optante do lucro real, não tendo, inclusive, declarado quaisquer rendimentos à Receita Federal desde o anocalendário de 1999, quando era empresa optante pelo Simples. Relata que a empresa se declara inativa há mais de 10 anos, mas, por outro lado, considerase credora de mais de cinqüenta milhões de reais. Relata ainda a autoridade fiscal que as Dcomp apresentadas pela cedente, com base no referido crédito, foram consideradas não declaradas e que, intimada, a empresa não foi localizada, restando, então, cientificada por edital. (nossos destaques) Em pesquisa breve no TRF da 1ª Região, detectase julgado em processo da “Apollo” (Apelação Cível n. 002027856.2011.4.01.3400/DF, Relator Des. Reynaldo Fonseca), em que o creditamento pretendia se lastrear em Títulos da Dívida Pública do século XX: 2. Tomando em consideração o entendimento convergente desta Corte e o STJ, temse inexigíveis os Títulos da Dívida Pública (representados por apólices) emitidos no início do Século XX não resgatados oportunamente (até o decurso do prazo previsto no art.3ºdo Dl nº263/67, prorrogado pelo art.1ºdo Dl nº396/68), não havendo falar em imprescritibilidade em caso tal (instituto que o ordenamento jurídico nacional reserva para situações excepcionalíssimas outras), tampouco se pode alegar inconstitucionalidade pelo fato de o prazo prescricional vir disposto em decretolei (pois o art.55daCF/67então abonava aludido proceder) ou necessidade de distinção especial na relação jurídica havida entre a emitente e o proprietário do título que se ensejasse mitigar os efeitos do tempo sobre ela. São dados que não apenas denotam os vícios de conduta da empresa cedente (que não é parte nestes autos), mas que demonstram a evidência com que sua atuação encaminhava de forma ilícita a suposta resolução de passivos tributários. Também são graves as constatações de que o procedimento tendente a burlar a verificação fiscal foi repetido pela recorrente, nos moldes antes adotados pela cessionária: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 8 informação nos pedidos de restituição da origem do crédito como saldo negativo de IRPJ, e sobreposição de pedidos de restituição (pedido manual, e pedido eletrônico). Com isso, buscavase obscurecer a real origem do crédito, ante a noção da inadmissibilidade manifesta do pleito segundo as leis em vigor, na seara dos tributos federais. Por todos esses elementos, não vislumbro fundamentos para a reforma da decisão recorrida, pois a conduta dolosa foi comprovada nos autos, legitimando a majoração da multa de ofício isolada. Quanto às diversas citações doutrinárias e impugnações à multa de 150%, tudo a questionar os parâmetros postos em lei para a multa constituída nestes autos, nada há manifestar que caiba na competência deste E. Tribunal Administrativo, nos termos do Regimento e da Súmula CARF nº 2, que enuncia: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” As assertivas relativas ao instituto da cessão, da forma como estão inscritas no Direito Civil, ou Comercial, também não tendem a modificar a solução adotada na presente lide. Sendo certo que o Código Tributário Nacional preserva os conceitos do direito privado, naquilo em que forem “importados” pelo Direito Tributário, o fato é que o CTN traz contornos específicos para a compensação e a restituição, que são integrados pelas leis tributárias de perfil ordinário. E a lei ordinária não permite a utilização de créditos de terceiros em compensações. Qualquer insurgência contra tal vedação legal deve ser conduzida ao Judiciário, na esteira do que referido no parágrafo anterior. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000038/2004-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 38 /2 00 4- 70 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 480 2 Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 340300.716, proferido pela Terceira Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere (i) aos gastos com os serviços de decapeamento, (ii) lavra, (iii) locação de máquinas e equipamentos e (iv) com a aquisição de óleo combustível tipo ABPF, “utilizado na evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”. Por outro lado, a Terceira Turma Ordinária negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, sob entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Adicionalmente, também negou provimento ao recurso voluntário para afastar o direito creditório sobre os gastos com (xi) combustíveis, nestes compreendidos a gasolina comum e o óleo diesel, consumidos nos veículos que transportam matériaprima, materiais intermediários e produtos finais entre os diversos setores produtivos, desde a extração, produção até a distribuição, tendo, para tanto, alegado que os mesmos não são utilizados na produção, mas sim na área produtiva. Para tanto, foi considerado que a atividade realizada pelo contribuinte dividi se na extração do caulim das minas e o seu beneficiamento no parque fabril do próprio contribuinte, tendo sido aduzido que “nem todo bem ou serviço necessário ao processo, tomado em sua integralidade, pode ser caracterizado como insumo, mas tão somente aqueles Fl. 480DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 481 3 que, além de imprescindíveis, são consumidos ou aplicados diretamente na produção, ainda que não tenham contato direto com o produto final”. Quanto às alegações de inconstitucionalidade relacionadas ao conceito de insumos, foi entendido que as mesmas, além de serem infundadas (“eis que a CF/88 não impôs ela própria um conceito de insumo ou mesmo o alcance da não cumulatividade para estas contribuições), também não poderiam ser suscitadas no âmbito do CARF, com base, para tanto, na Súmula nº 2 do CARF. O acórdão recorrido restou assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ACEPÇÃO. Consoante dicção das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, consideramse insumos os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se dar de forma direta sobre o processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte do acórdão que reconheceu o direito creditório sobre serviços de decapeamento, lavra e locação, bem como sobre a aquisição de óleo tipo ABPF, tendo aduzido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser o mesmo daquele considerado na legislação do IPI. Para tanto, utilizou, para embasar a divergência de entendimentos, o acórdão de nº 20312.448, a seguir ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto Fl. 481DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 482 4 sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matéria prima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” Suscitou a Fazenda Nacional que tal acórdão seria aplicado devido ao fato de ter sido entendido, naquela ocasião suscitada como paradigma, que “a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumos” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte também interpôs recurso especial contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o conceito de insumos a ser aplicado para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deveria ser aquele considerado na legislação do IRPJ para custos e despesas. Para tanto, embasou a divergência nos acórdãos utilizados como paradigmas de nºs 20181.139 e 3202 00.226. Abaixo alguns trechos dos acórdãos utilizados como paradigmas que foram selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados por esta Conselheira: Acórdão nº 20181.139 “(...) Mas ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 483 5 No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)” Acórdão nº 320200.226 “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 484 6 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Os recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte são tempestivos e após refletir com meus pares sobre a configuração do requisito da divergência, conforme justificada pelos Recorrentes (Fazenda Nacional e contribuinte), passei a entender que há divergência a sustentar o cabimento dos mesmos. Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vejase que o mesmo pretende afastar o direito de crédito do contribuinte, oriundo da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, no que respeita (i) ao serviço de decapeamento; (ii) ao serviço de lavra; (iii) à locação de máquinas e equipamentos e (iv) aos gastos com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza; (iii) transporte; (iv) vigilância patrimonial; (v) melhoria de estradas; (vi) fornecimento de refeições e, ainda, sobre os gastos com (vii) combustíveis (gasolina comum e óleo diesel). Inicialmente, entendo relevante apontar as despesas pleiteadas no processo como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de sua participação do desenvolvimento do objeto social do contribuinte, conforme por ele identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. 2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. 3. SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. 4. FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários, em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas, sendo necessário fornecer aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. 0 fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratarse de condição intrínseca a manutenção do fator mãode obra da atividade. 5. SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. Tratase do primeiro passo necessário a atividade extrativa mineral. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de funcionários. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 485 7 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial dada a localização geográfica e as características da planta produtiva, de forma de garantir a integridade e o funcionamento da referida planta. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso, adequadas ao acesso de homens e máquinas as fontes de minério. 10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina. 11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem como para o transporte de matériaprima, produtos intermediários entre os diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP ABPF: utilizado na fase da “evaporação” (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A decisão recorrida, como informado no relatório, negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, e (xi) e combustíveis sob o entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Despesas estas objeto de recurso do contribuinte. Por conseguinte, entendeu como insumos, as despesas com (i) serviço locação de equipamentos; ii) serviço de decapeamento, iii) serviço de lavra e iv) óleo combustível TP ABPF. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a decisão que reconheceu o direito de creditamento em relação aos serviços de decapeamento, de lavra, de locação, bem como o referente ao óleo tipo ABPF sob a alegação de que “a Câmara recorrida, que reconheceu como insumos determinados bens e serviços que neste conceito não se enquadram para fins de geração de créditos de COFINS nãocumulativo, conforme determina o art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 (e Lei n° 10.637/2002, para o PIS) em concomitância com o entendimento exposto na IN n° 404/2004.” Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 485DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 486 8 E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS e COFINS ditos não cumulativos? Como já me manifestei em outros acórdãos de minha relatoria, entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: “(...) créditos calculados em relação a ‘bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda’.”. O dispêndio para se consubstanciar em insumo, suscetível de abatimento, deve ser indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela Cofins. E nesta linha de raciocínio é que entendo que a Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, andou mal ao limitar a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 487 9 Essas ponderações sobre a limitação ao termo insumo perpetrado pela Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido, a meu ver, acertadamente. Por conseguinte, entendo que não assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no tocante às despesas com decapeamento, lavra, locação de máquinas e equipamentos e com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Por outro lado, ressalto também, que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos à produção, geradores de receita tributável pelas referidas contribuições, não entendo correto adotar, como sustentado pelo contribuinte em se recurso, o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não são indispensáveis para a sua produção, strictu senso. Todavia, apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão recorrido ao identificar as despesas consideradas insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendo que, pela características e afetação à produção do contribuinte, compreendem também no conceito de insumos os gastos com “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Com efeito, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar. E ao assim me posicionar não nego a necessidade da empresa de ter que suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da localização da mina, de sua posição geográfica. Todavia, não reconheço as mesmas como insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim. Repito, a meu ver, insumos não são todas as despesas incorridas no processo produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido estrito. De forma a ilustrar a minha opinião, caso a mina de caulim fosse situada próxima a determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de funcionários e a vigilância patrimonial, seriam despesas desnecessárias à extração e o beneficiamento do caulim. E neste sentido que, a meu ver, nem toda despesa necessária é indispensável à produção, em si considerada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos aos serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Nanci Gama Fl. 487DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 488 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Já foi corretamente delineado pela i. relatora que a divergência que se estabeleceu em relação a seu brilhante voto se restringiu tãosomente ao recurso do contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o transporte, dentro da área de produção, dos insumos aí consumidos. Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em meu entender, muito bem expostas pela n. relatora. De fato, não prevalece mais no âmbito deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas normas expedidas acerca do IPI, tanto que ao recurso fazendário foi negado provimento por unanimidade. Além das razões já muito bem apontadas pela dra. Teresa, e das quais em nada divirjo, vale sempre o registro de que a legislação específica das contribuições expressamente admitiu o cômputo como insumos dos serviços consumidos no processo produtivo. Ora, sabendose que não contêm eles, de regra, o atributo da materialidade imprescindível à aplicação do critério da legislação do IPI para definir matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isto é, o contato físico com o produto em elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele? Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance que se deve dar ao conceito de insumos uma vez afastadas as restrições acima. De que há a necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a abrangência da expressão “consumido no processo”. Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de Fl. 488DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000038/200470 Acórdão n.º 9303002.652 CSRFT3 Fl. 489 11 depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. Aplicandose tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o óleo cumpre todos os requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois, e consomese em um único ciclo produtivo. De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção de estradas são gastos que devem ser ativados, uma vez que os seus resultados ocorrem ao longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final e os serviços de vigilância, eles não ocorrem no processo produtivo, ainda que sejam absolutamente relevantes ao desiderato empresarial. Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Foi com essas considerações que o colegiado restringiu o provimento do recurso do contribuinte ao óleo consumido nos caminhões que movimentam a matériaprima na área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000697/2009-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/12/2009
TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA.
Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início.
Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.814
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 23/12/2009 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 97 /2 00 9- 93 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0335.813 da 5ª Turma, que não conheceu da impugnação por intempestividade. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de AutodeInfração de Obrigação Acessória — AIOA DEBCAD n° 37.264.8010, lavrado contra a empresa em epígrafe em 23/12/2009 (data da cientificação do contribuinte), por infringência ao inciso I, alínea "a", do artigo 30, da Lei n.° 8.212/91, e na Lei n° 10.666/2003, por ter sido constatado que a empresa, no período entre março/2004 a dezembro/2007, deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados que lhe prestaram serviços. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 08), da análise da documentação apresentada pelo sujeito passivo, durante a ação fiscal, verificouse que houve pagamento "por fora"de remunerações a empregados, sem os respectivos descontos das contribuições por eles devidas à Seguridade Social. Acrescenta o autuante que os relatórios fiscais integrantes dos AI n° 37.264.7944 e 37.264.7952 descrevem, de forma pormenorizada, os levantamentos relativos às referidas remunerações pagas. DA PENALIDADE Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, inciso II, alínea "g", do RPS, no valor de R$3.987,54 (três mil novecentos e oitenta e sete reais e cinquenta e quatro centavos), partindose do valor mínimo de R$1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), atualizado pela Portaria MPS/MF — n° 48, de 12/02/2009, que foi agravado em três vezes em virtude da ocorrência das circunstâncias agravantes previstas nos incisos II e IV do artigo 290 do RPS (ter a empresa agido com dolo e fraude e, ainda, ter obstado a ação da fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO Em 27/01/2010, a autuada apresentou a impugnação de fls. 20/55, com as seguintes alegações, em síntese: DAS PRELIMINARES Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 que formalizou a impugnação dentro do prazo legal, tendo em vista que foi cientificada do autodeinfração em 23 de dezembro de 2009; assim, o prazo passou a fluir no dia 28 de dezembro de 2009, uma vez que, no dia 24 de dezembro, não houve expediente normal, situação que foi, inclusive, reconhecida pela autoridade lançadora; a nulidade das diligências realizadas por meio dos Termos de Intimação Fiscal n's 05, 06 e 07, porquanto foram utilizados instrumentos inadequados — MPFFiscalização— para a finalidade de instrução do procedimento fiscal pela coleta de informações e documentos, como também pela inusitada "reunião" com funcionários e diretores da empresa; que houve, por parte da fiscalização, verdadeira petição de princípio, em que a conclusão está presente na própria premissa adotada, quando pretende que a contribuinte informe pagamentos "por fora", que, na verdade, não ocorreram, visto que todos os pagamentos da empresa foram registrados em contabilidade disponibilizada à fiscalização; que as solicitações da autoridade fiscal eram efetuadas na tentativa de obrigar uma "confissão" por parte da ora impugnante, no sentido de reconhecer a conclusão a que já havia chegado; que não houve desatendimento às intimações fiscais; que o dever do contribuinte é entregar a documentação para a autoridade fiscal, que, por sua vez, deve examinar os livros e documentos da empresa, identificando eventual crédito tributário, não podendo, portanto, repassar sua atribuição ao contribuinte, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN; que as informações cadastrais, financeiras (extratos bancários) e livros contábeis foram entregues à fiscalização; quanto aos documentos apontados como sonegados, temse que não se entregou o que efetivamente não existia na empresa; registra que cópias de ações judiciais ou mesmo contratos de trabalho não se encontram no rol de documentos de guarda obrigatória, nem se trata de documentação prevista como de fornecimento obrigatório ao Fisco; que contratos celebrados com prestadores de serviços (pessoas jurídicas) não têm pertinência com o objeto da ação fiscalizadora, assim como o inusitado pedido de 1 esclarecimentos em reunião; que todos os termos de intimação foram devidamente respondidos e 1 dadas as motivações das respectivas insurgências; que as nulidades apontadas (inadequação do MPF e extrapolamento dos poderes instrutórios) viciaram todo o procedimento, de modo a nulificar, por conseguinte, o lançamento \. tributário em comento, bem assim de qualquer desatendimento a obrigação acessória. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 4 5 DO MÉRITO alega a ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica, por ausência de competência da autoridade fiscal; que a regra da desconsideração prevista no §2° do artigo 229 do Decreto 3.048/99 é hipótese de obrigação não prevista na Lei n° 8.212/91, bem como nas legislações esparsas, restando caracterizado, portanto, o excesso na regulamentação; que, portanto, o dispositivo regulamentar supracitado é inconstitucional e ilegal; que a competência para se configurar materialmente a relação de emprego é exclusiva do Poder Judiciário; assim, a atuação da autoridade fiscal efetivamente contraria o ordenamento jurídico pátrio; que, no caso da ora impugnante, optouse por modelo de contratação mais econômico, não se tratando de qualquer manobra de evasão fiscal, mas sim, de verdadeiro planejamento tributário; que as empresas dos prestadores de serviços, ora desconsideradas para . efeitos previdenciários, foram devidamente constituídas, obedecendo todos os trâmites legais; que os questionários respondidos pelos exempregados, em alguns casos com verdadeiro espírito de vingança, constituem mera declaração particular que, segundo o Art. 368 do Código de Processo Civil — CPC, somente vinculam o seu signatário, não possuindo nenhum valor probante em relação à ora impugnante; que eventuais decisões . judiciais em casos concretos não podem determinar a natureza da relação contratual havida entre a ora impugnante e todos os seus prestadores de serviços; que, na maioria das reclamações trabalhistas anexadas ao auto, foram feitos acordos segundo os quais restou reconhecida a natureza indenizatória das verbas, por conseguinte, reconhecida judicialmente a ausência de incidência da contribuição previdenciária; que há também decisões na Justiça do Trabalho que infirmam a tese da fiscalização quanto à existência de relação de emprego; que eventuais falhas na contabilidade das empresas que tenham na composição societária empregados da impugnante não podem servir sequer de indício contra a CAST; contudo, na intenção de manter a regularidade de sua situação fiscal, a impugnante contratou serviços de contabilidade da Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 empresa BELMONDO para, eventualmente, prestar consultoria às empresas por ela contratadas; quanto à empresa ROCHA E DUARTE, cujos sócios são os mesmos da ora impugnante, temse que a presunção lançada pela fiscalização sequer se sustenta pelos seus próprios termos, pois, se são as mesmas atividades, a contratação da empresa dos sócios da CAST importou, na verdade, em aumento (e não redução) da carga tributária; que o fato de ser empregado da impugnante não impede o trabalhador de prestar serviço por meio de uma pessoa jurídica, especialmente quando os serviços têm natureza eminentemente intelectual; quanto à diferença salarial observada, temse que a atividade de TI (Tecnologia da Informação) pode comportar funcionários (de igual cargo) com variações salariais, dadas as especificidades de currículos e certificações necessárias ao desempenho das atividades; quanto ao arbitramento do crédito tributário, é cediço que tal procedimento é medida extrema, somente devendo ocorrer diante do esgotamento dos meios disponíveis para alcançar as reais bases imponíveis, o que não ocorreu no caso, pois não houve a desclassificação da escrita contábil, não ocorreu o fato gerador nem qualquer embaraço à fiscalização, sendo descabido, portanto, o arbitramento efetuado; que, não subsistindo a obrigação principal, pelos motivos aduzidos, também não procede a obrigação acessória. Requer, por fim, seja acolhida a impugnação e que se julgue insubsistente e improcedente o autodeinfração, cancelandose o débito fiscal. À fl. 101, consta despacho da DICAT/DRFB/DF, encaminhando o processo para julgamento nesta DRJ, após notificar que o prazo para impugnação venceu no dia 26/01/2010, sendo, portanto, intempestiva a defesa apresentada em 27/01/2010. Conclui o Setor que, tendo havido contestação da intempestividade, foi proposto o encaminhamento a este Órgão julgador. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Tempestividade da impugnação O ato de intimação da empresa se encerrou após o horário do expediente normal externo da Delegacia da Receita em Brasília “Em 23/12/2009 o representante da recorrente, Sr. Kleuber Pereira Batista, e o advogado da empresa, Dr. Maurício Maranhão de Oliveira, se dirigiram à Delegacia da Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 5 7 Receita Federal em Brasília atendendo solicitação do Sr. Auditor Fiscal André Lima de Castro para que fossem intimados da lavratura do Auto de Infração. O ingresso dos representantes da empresa na sede da Delegacia da Receita Federal em Brasília se deu após às 15h00, o que pode ser confirmado pelos registros da segurança do órgão. Com a presença dos representantes da empresa para que fosse feita a intimação, o Sr. Auditor Fiscal passou à leitura dos Autos de Infração e às explicações que julgou pertinentes; dado a complexidade e o volume de informações, essa audiência de somente se encerrou após o término do horário normal de expediente externo do órgão. Assim, o ato de intimação que em princípio deveria ter sido concluído no dia 23/12/2009, tendo se encerrado após o horário do expediente externo normal do órgão, somente se reputou aperfeiçoado no primeiro dia útil subseqüente no caso, dia 28/12/2009.” Cita email enviado pelo auditor fiscal para a epresa informando que dia 24 “só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira. 28/12/2009.” Por força da literalidade do o artigo 5º do Decreto 70.234/72, deve ser excluído o dia do começo qual seja a segunda feira 28/12/2009, de sorte que o trintídio efetivamente se concluiu na quartafeira 27/01 /2010. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A primeira instância não conheceu do recurso por entendêlo intempestivo. O recurso discute especificamente a questão da tempestividade. Abaixo analisarei a questão. É incontroverso que a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2009 e que a impugnação ocorreu em 27/01/2010. Conforme consta do relatório Instruções para o Contribuinte IPC, o prazo para impugnação é de 30 dias, sendo que a contagem inicia no 1º dia útil após a ciência. 3.3.Prazo para a apresentação da impugnação Recebido o Auto de Infração, o contribuinte terá o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação da impugnação. O prazo inicial fluirá a partir do 1° dia útil após a data da ciência, observando: a)na contagem dos prazos será excluído o dia da ciência e incluído o dia do vencimento; b)o dia do início e do vencimento da contagem dos prazos serão prorrogados para o 1º (primeiro) dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaiam em dia em que não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil; c)os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, será admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes. Tal orientação está em harmonia com o estabelecido no Decreto 70.235/72. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início (dia da intimação) e incluindose o do vencimento. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação,. formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A regra adotada no PAF é a mesma do Processo Civil, expressa no artigo 184: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). O citado email do auditor fiscal trazido ao processo, informa que no dia 24/12/2009 não teria expediente normal e que o prazo para impugnação começaria a ser contado a partir da segunda feira, dia 28/12/2009. —Mensagem original—De: Andre Lima de Castro [mailto:andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br] Enviada em: quarta feira, 23 de dezembro de 2009 18:31 Para: Kleuber Pereira Batista Cc: Christiano Viñuales de Moraes Assunto: Prazos Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira, 28/12/2009. Atenciosamente, André Castro. Entendo correto o informado no email. No presente caso, é incontroverso que a recorrente foi cientificada pessoalmente do lançamento, no dia 23/12/2009, quartafeira, conforme comprova a assinatura no auto de infração (fl. 1), que no dia 24 de dezembro, quintafeira, não houve expediente normal, que dia 25, sextafeira, também não pode ser computado, em razão do feriado (Natal). Igualmente ocorre nos dias 26 e 27, por se tratar de fim de semana (sábado e domingo). Entendo que, feita a notificação dia 23/12, o prazo teve início no dia 28 de dezembro de 2009, segundafeira, encerrando 30 dias após, em 26 de janeiro de 2010. A impugnação foi apresentada intempestivamente dia 27/01/2010. Correta, portanto, a decisão da DRJ, pois a defesa intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Uma vez que me foi incumbida a tarefa de elaborar voto vencedor do presente processo, passo a análise do mérito da tempestividade do presente recurso voluntário em análise, aproveitando para destacar a clareza do voto do conselheiro relator mas que, ao meu ver, data venia, não condiz com a melhor forma de decidir a presente lide. Analisando o processo 14041.000690/200971, conforme Auto de Infração às fls. 11, notase que o contribuinte foi intimado da lavratura do auto de infração no dia 23/12/2009 (quartafeira). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 7 11 A impugnação (fls. 100/134), pelo que se pode observar às fls. 100, foi protocolada no dia 27/01/2010 e conforme documento de fl. 197, a impugnação foi considerada intempestiva, pois foi considerado que o prazo venceu dia 26/01/2010. A recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 214/222, em que juntou documento de fls. 223/224, em que está transcrito email do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil André Lima de Castro (andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br) sob o qual fundamenta sua tempestividade. Afirma que o auto de infração foi lido na quartafeira, ao término do expediente da repartição e o referido auditor informou que iria corrigir a questão para fixação do início do prazo para defesa do contribuinte. O referido email foi encaminhado com a seguinte redação: Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos prazos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. O recorrente afirma que o teor do email acima levouo à conclusão de que o início da contagem se daria a partir da segundafeira, e, pelas regras processuais aplicáveis, excluise o dia do início (que seria a segundafeira), passando a correr o prazo a partir da terça feira, dia 29/12/2009. Assim sendo, contandose 30 dias a partir do dia 28 de dezembro de 2009, incluindose o dia do início, o prazo expiraria em 26/01/2010, mas foi protocolada apenas no dia 27/01/2010. A ProcuradoriaGeral da Fazenda apresentou ContraRazões ao Recurso Voluntário às fls. 228/237, afirmando, igualmente, que a Impugnação foi intempestiva. Ressalta o recorrente o trecho do email que informa que só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. Dessa forma, pela literalidade do art. 5º do Decreto 70.235/72, deveria ser excluído o dia do começo, segundafeira 28/12/2009, e incluindo o dia do fim, o termo final se daria em 27/01/2010, quartafeira, data do protocolo da impugnação. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Diante desse quadro, entendo como plausível o entendimento do contribuinte, havendo respaldo para a caracterização da tempestividade por ele alegada. O texto trazido no email, data vênia ao entendimento do relator, é, no mínimo, carregado de dúvida, evento este que não pode ser interpretado em desfavor do sujeito passivo da exação, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica e da proteção da confiança, positivado, dentre outros, no art. 2º da Lei 9.784/99, in verbis: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... IV – atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; ... VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; ... XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Não é à toa que o professor José Joaquim Gomes Canotilho afirma que o homem necessita de segurança para conduzir, planificar e conformar autônoma e responsavelmente sua vida. Por isso, desde cedo, se consideraram os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança como elementos constitutivos do Estado de Direito. (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7º Ed. Coimbra Portugal: Almerida, 2000, p. 257). No âmbito do Código Tributário Nacional, percebese também que o legislador buscou respeitar o princípio da proteção à confiança, a exemplo do que ocorre com o art. 100 e art. 146, ambos do CTN. Para tanto, trago dois trechos doutrinários que podem ser retirados da obra Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14ª Ed., Leandro Paulsen, Livraria do Advogado, 14ª Ed: A proteção à confiança parte da perspectiva do cidadão. Ela exige a proteção da confiança do cidadão que contou, e dispôs em conformidade com isso, com a existência de determinadas regulações estatais e outras medidas estatais. [...] O princípio da proteção à confiança situase em uma relação de tensão entre estabilidade e flexibilidade. [...] A Lei Fundamental concede aos direitos e interesses do cidadão uma alta hierarquia e põe as Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000697/200993 Acórdão n.º 2403002.814 S2C4T3 Fl. 8 13 pessoas no centro da ordenação jurídica estatal. Disso resulta por si a proteção do cidadão confiante na existência do direito estatal. Os direitos fundamentais e o princípio do estado de direito respaldam isso.” (MAURER. Hartmut. Elementos de Direito Administrativo Alemão. Tradução de Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Fabris, 2001, p. 68) *** Tenho para mim que o art. 146 do CTN há de ser entendido em consonância com o art. 100 do CTN, sempre à luz do princípio da irretroatividade constitucional. O art. 100 do CTN nitidamente é voltado à orientação contra a lei, em que o contribuinte não pode ser apenado por seguir interpretação incorreta. Mesmo assim, entendem os tributaristas que não há decisão geral aplicável a um ou mais contribuinte que não implique obrigação de ser seguida, razão pela qual, mesmo no que concerne a lei, aplicarseia o princípio da irretroatividade, visto que os contribuintes são sempre obrigados a seguir a orientação fiscal, a não ser que o Poder Judiciário as estanque.” (MARTINS, Ives Gandra da Silva. O Princípio da Não Cumulatividade no IPI – Inteligência da Lei n. 9.799/1999 em Face do Princípio – Direito ao Aproveitamento do Crédito de Tributos em Operações Finais Imunes, Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero – Parecer. RET 56/17, julago/07) Da leitura acima, depreendese que a proteção à confiança deve ser interpretada em favor do contribuinte, principalmente nos casos de dúvida gerada pelo modo pelo qual as declarações do poder público foram redigidas e informadas, gerando uma confusão na comunicação. À respeito da confusão entre os prazos para apresentação de defesa, colaciono precedente da turma especial desta 2ª Seção de Julgamento, in verbis: PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. DARF COM VENCIMENTO POSTERIOR A TRINTA DIAS. No caso de lançamento eletrônico com notificação acompanhada de DARF, com data de vencimento nela fixada, se o contribuinte impugnar o lançamento até o dia nela estipulado para vencimento do crédito, a impugnação deve ser considerada tempestiva, mesmo que supere o prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO, Processo n. 10820.001756/200670, Acórdão n. 2801003.222, Relator: Conselheira Tânia Mara Paschoalin) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Outrossim, destaco que o email encaminhado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem natureza de nova intimação e não mero arremate de intimação anterior. Dessa forma, entendo, data máxima venia ao entendimento do relator, que o julgamento pela intempestividade fere o princípio da segurança jurídica, devendo a impugnação ofertada em face do auto de infração ser analisado pela DRJ e seguir o rito do Decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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