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Numero do processo: 13897.000624/2002-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PRODUTOS NT. Matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula CARF n° 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 06 24 /2 00 2- 00 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à fl. 3, no montante de R$117.300,63, relativamente ao 1º trimestre de 2002, formalizado em 15/04/2002, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Vinculadas ao ressarcimento, foram apresentadas Declarações de Compensação, conforme quadro a seguir, totalizando as compensações R$117.300,63: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Papel (P) Data Apres./Trans. Tributo Valor Período de Apuração Vencimento 8109 6.583,38 03/2002 15/04/2002 P (fl. 5) 15/04/2002 2172 30.384,82 03/2002 15/04/2002 8109 7.014,20 04/2002 15/05/2002 P (fl. 35) 15/05/2002 2172 32.373,23 04/2002 15/05/2002 8109 8.045,10 05/2002 14/06/2002 P (fl. 38) 14/06/2002 2172 32.899,90 05/2002 14/06/2002 A análise da petição se deu mediante o Despacho Decisório de fls. 95/102, de que resultou o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações declaradas. Segundo o ato decisório, o contribuinte cometera as seguintes irregularidades: 1) Aproveitamento do crédito de IPI anteriormente a sua compensação com o devido na saída de produtos no trimestrecalendário. No que tange ao direito do crédito do imposto, o contribuinte em questão não aguardou até o término do períodocalendário para verificar se haveria saldo credor de IPI, após compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos industrializados do estabelecimento, para então compensálo com os débitos informados neste processo. O contribuinte realizou repetidos estornos no decorrer do período restando por fim saldo devedor de IPI; 2) Creditamento referente a operações fiscais não passíveis de crédito de IPI O contribuinte informou créditos de IPI nas operações de "compras para comercialização", "compras materiais para uso ou consumo" e "outras entradas não especificadas", no valor total de R$26.413,93. Quanto às operações de "compras para comercialização" e "compras materiais para uso e consumo" verificamos que foi requerido crédito em cada mês do trimestrecalendário. Além disso, a TabelaIV do Despacho Decisório, que mostra os créditos informados nos 2° e 3° trimestres do ano de 2002, Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.000624/200200 Acórdão n.º 3802004.019 S3TE02 Fl. 225 3 retirados dos processos 13897.001264/200255 e 13897.001540/200285, demonstra a contumácia deste procedimento; 3) Não atendimento às formalidades na escrita fiscal do Livro de Registro de Apuração do IPI No tocante às formalidades inerentes ao Livro de Registro de Apuração do IPI, constatase que a contribuinte utilizou indevidamente período de apuração mensal em sua escrita fiscal quando o correto seria o decendial. Também deixou de apresentar algumas das exigências imprescindíveis para o reconhecimento do conteúdo do RAIPI, quais sejam, o visto da repartição competente do Fisco Estadual ou, caso este o dispensasse, o registro na Junta Comercial ou a apresentação de outro controle previsto na legislação estadual; 4) Utilização de créditos originários de aquisição de MP, PI e ME destinados à fabricação de produtos não tributados (NT), operações fiscais não passíveis de crédito de IPI. No processo em questão, constatouse que para o produto cuja classificação fiscal é 2501.00.20 foi considerada alíquota 0% pela contribuinte quando o correto seria NT. Dai concluímos que não houve o devido estorno da parte do crédito referente a aquisição de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME) destinados a fabricação deste produto. Diante dos fundamentos acima, concluiuse, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/1999, e do art. 2° da IN SRF 33/1999 e do art 349 do RIPI98, pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação do Pedido de Compensação. Ciente do Despacho Decisório, em 10/04/2007, conforme ARAviso de Recebimento, à fl. 106, o contribuinte, representado por meio de procurador (fls. 6 e 71), apresentou, em 10/05/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 107/118, para alegar e solicitar que: 1) o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento da Recorrente, utilizado para compensação no presente processo administrativo, tem origem no saldo credor acumulado por ocasião da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, que não podem ser compensados com o IPI devido na saída de outros bens produzidos pela Recorrente, eis que estes são tributados alíquota zero ou são isentos dessa exação. Com o advento da Lei n° 9.779/99, conversão da Medida Provisória n° 1.788/98, foi reconhecido o direito à compensação de tais saldos credores, advinda do principio da nãocumulatividade. A partir de tal data, passou a ser detentora do direito subjetivo de compensar tais créditos de IPI com outros tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. O direito ao crédito de IPI, no caso em tela, já foi inclusive reconhecido pela própria Receita Federal, conforme se extrai da Solução de Consulta n° 014/99 (O saldo credor do IPI, apurado nos termos da legislação em vigor,decorrente do imposto pago na aquisição de insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de modo geral, ainda que Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, pode ser objeto de ressarcimento ou utilizado na compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF); 2) a precariedade do trabalho fiscal. Em razão do exíguo lapso temporal para análise da documentação apresentada (menos de um mês) que, repitase, ocorreu pela tardia emissão de intimação fiscal para apresentação de documentos (14/02/07, apenas dois meses antes do transcurso de cinco anos para se operar o instituto da homologação tácita), a Autoridade Fiscalizadora proferiu a decisão ora refutada. O ressarcimento foi indeferido e as compensações solicitadas não homologadas, sob a alegação de que a documentação apresentada não cumprira as formalidades necessárias e em razão dos estornos não terem sido feitos de forma correta, pois um dos bens produzidos (sal de mesa nãotributado), por se tratar de produto NT, não ensejaria o direito de ressarcimento de todo o montante recolhido a titulo de IPI. Por essa razão e pela inércia quanto à análise da totalidade dos documentos então acostados, bem como de solicitação de juntada de outros documentos que viessem a dirimir eventuais dúvidas quanto ao crédito em questão, é de rigor a reforma da r. decisão proferida, uma vez que a Recorrente demonstrou, por meio de juntada de documentos, o direito ao ressarcimento dos créditos de IPI, bem como às compensações pretendidas; 3) atendeu às disposições legais quanto à utilização do crédito de IPI advindo da aquisição de MP, PI e ME, ou seja, o pedido de ressarcimento após a compensação com o IPI eventualmente devido na saída de seus produtos no trimestrecalendário. Consoante atestam o Pedido de Ressarcimento e os Pedidos de Compensação constantes nos autos, foi exatamente o que a Recorrente realizou, ou seja, apurou o saldo credor do 1º trimestre de 2002, sendo que, somente em abril de 2002, ou seja, após o término do 1° trimestrecalendário (janeiro até março de 2002), protocolizou os Pedidos supra mencionados; 4) o reconhecimento da idoneidade das informações constantes no Livro de Apuração de IPI, pois o fundamento de que o citado livro careceria de controle do Fisco Estadual não merece prevalecer. Atestam as anexas cópias do livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências da Recorrente, com a devida aposição de visto pelo Posto Fiscal Estadual de CotiaSP e Delegacia Regional Tributária de Osasco — SP, em 03/04/2000, que é possível afirmar que o Fisco Estadual teve acesso aos livros fiscais da Recorrente, inclusive ao de Apuração de IPI, haja vista que analisou as notas fiscais de saída/emitidas pela Recorrente, nas quais constam as incidências de ICMS (imposto estadual) e IPI (imposto federal). A suposta ausência de assinatura é mera irregularidade formal que, de modo algum, afasta o direito de crédito da Recorrente, eis que carece de previsão legal para tanto; 5) não tem respaldo a alegação da decisão combatida ao indeferir o montante pleiteado a titulo de Ressarcimento de IPI, R$117.300,63, em razão de o recorrente considerar um produto (sal de mesa), não tributado pelo IPI, como tributado à alíquota zero. O indeferimento do montante do Pedido de Ressarcimento não pode se basear apenas na classificação dada a um dos produtos comercializados pela Recorrente, pois, em sua maioria, conforme atestam as notas fiscais ora anexadas, a titulo exemplificativo e de modo aleatório, relativas a fevereiro de 2002, os produtos que comercializa são classificados na TIPI com alíquota zero ou não tributados pelo IPI, o que de fato lhe dá direito ao crédito, nos termos estabelecidos pela Lei n° 9.779/99. Aclamando mais uma vez ao primado da verdade material em processo administrativo, a Recorrente protesta pela juntada, também a titulo exemplificativo, das notas fiscais de entrada, que deram origem ao crédito, as quais foram emitidas pelos principais fornecedores, consoante relação acostada aos autos nas fls. 75. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.000624/200200 Acórdão n.º 3802004.019 S3TE02 Fl. 226 5 É O RELATÓRIO O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0944.595, de 17/06/2013, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 SALDO CREDOR. INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. ESTORNO. Tendo em vista que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, devem ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Alternativamente, tais créditos poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, se o montante das entradas de MP, PI e ME, for empregada indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. SALDO CREDOR DE IPI. VALORES PASSÍVEIS DE CREDITAMENTO. Geram direito ao crédito de IPI, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Nesse contexto, as COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO, COMPRAS MATERIAIS PARA USO OU CONSUMO e OUTRAS ENTRADAS NÃO ESPECIFICADAS, embora sofram a incidência do IPI, não se constituem em insumos passíveis de gerar creditamento e, por conseguinte, passíveis de compor o saldo credor trimestral de IPI (art. 147, inc. I, do RIPI/1998 e Parecer Normativo CST nº 65, de 1979) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do saldo credor pretendido, bem como a não homologação das compensações. Ressaltese que foi emitido o Termo de Perempção, mas há advertência à fl. 214 (pdf), de acordo com o despacho abaixo: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Embora tenha sido lavrado o termo de perempção e emitida a Carta cobrança, que já foi recebida pelo sujeito passivo,impende consignar que o presente Recurso Voluntário foi apresentado,tempestivamente, em outro domicílio fiscal e a demora no envio a esta ARF acarretou a constatação indevida da perempção. Diante do acima exposto, encaminhe se o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fiscais, conforme faculta o art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 1993. Assim sendo, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão, daí ter sido encaminhado a este CARF. Portanto, regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumentando que seja dado provimento ao recurso voluntário, reformando se a decisão que negou provimento à manifestação de inconformidade para reconhecer o crédito pleiteado e homologação das compensações efetuadas. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativamente ao 1º trimestre de 2002, formalizado em 15/04/2002, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Preliminar Antes de adentrar no mérito, insiste a recorrente que o trabalho fiscal teve muito pouco tempo para conclusão, em razão do exíguo tempo que teve para realizálo, ameaçado que estavam os créditos tributários em face da iminente homologação tácita das compensações declaradas. Observase que todo o trabalho fiscal atendeu todo o rito de procedimento administrativo fiscal (Decreto de n° 70.235/72 e atualizações), não lhe cerceando seu direito de defesa, permitindo sim, o amplo exercício de defesa. Ou seja, o procedimento foi iniciado, após ser intimada a recorrente, bem como apresentasse resposta à demanda solicitada. Como bem esclarece a decisão DRJ, nos termos abaixo: Nesse ínterim, mencionese que o contribuinte apresentou Pedidos de Compensação vinculados ao ressarcimento de IPI. Por força do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/19961, tais pedidos foram convertidos em Declarações 1 Lei nº 9.430, de 1996, art. 74: § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.000624/200200 Acórdão n.º 3802004.019 S3TE02 Fl. 227 7 de Compensação, lhes atingindo, então, o instituto da homologação tácita. Daí a razão para o contribuinte alegar o açodamento do trabalho fiscal. De fato. Estava a auditora fiscal diante de tempo exíguo para a realização da tarefa de averiguar a legitimidade do pleito do contribuinte. No entanto, o procedimento fiscal foi realizado com lisura e respeito ao contribuinte. Nesse sentido, o despacho decisório só foi emitido depois de intimado o contribuinte e de ele apresentar as respectivas respostas aos termos de intimação. Ou seja, apesar de realizado em data próxima a ocorrência de homologação tácita, esse fato não impediu que a autoridade fiscal se esmerasse na condução de seu mister. O trabalho inquisitório foi realizado com a concessão ao contribuinte de prazo adequado para apresentação de respostas, pois que atendidas na totalidades as intimações recebidas da fiscalização. Do mesmo modo, a análise da documentação apresentada pelo contribuinte foi realizada com precisão, inclusive analisada a classificação fiscal dos produtos fabricados pelo requerente. O Despacho Decisório foi emitido em prazo confortável para a administração tributária, sem que ela corresse o risco de ver o crédito tributário irremediavelmente perdido. Do ato decisório, o contribuinte foi devidamente cientificado. Não bastasse a justeza do trabalho fiscal, foi concedido ao contribuinte o direito de oposição ao resultado obtido, expresso no ato decisório em obediência aos atos regulamentadores do processo administrativo fiscal. Portanto, nada houve que pudesse justificar o ataque do contribuinte ao trabalho fiscal, inclusive, impingirlhe a pecha de açodamento. Dessa forma, rejeitase a preliminar. Mérito Foram apresentadas Declarações de Compensação atreladas ao pedido de ressarcimento. Através do Despacho Decisório foram apontadas as seguintes irregularidades: 1) Aproveitamento do crédito de IPI anteriormente a sua compensação com o devido na saída de produtos no trimestrecalendário. 2) Creditamento referente a operações fiscais não passíveis de crédito de IPI 3) Não atendimento às formalidades na escrita fiscal do Livro de Registro de Apuração do IPI 4) Utilização de créditos originários de aquisição de MP, PI e ME destinados à fabricação de produtos não tributados (NT), operações fiscais não passíveis de crédito de IPI. O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998, dispõe: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei) Por sua vez, o regramento foi introduzido pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, in verbis: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, dar seá de conformidade com esta Instrução Normativa.(g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente;II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT).(grifei) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Foram diagnosticados erros, como: a apuração mensal do IPI e escrituração realizada à revelia da legislação aplicável ao ressarcimento de saldo credor trimestral, podendo chegar à conclusão pela imprestabilidade do livro fiscal (RAIPI) para provar a legitimidade do saldo credor no pedido de ressarcimento. Porém, ficou provado nos autos que não houve antecipação de utilização do saldo credor e que os débitos lançados não foram contestados pela fiscalização, a não ser em razão de apuração mensal, mas não pela quantificação dos débitos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.000624/200200 Acórdão n.º 3802004.019 S3TE02 Fl. 228 9 O equívoco, não obstante a apuração mensal no RAIPI, deuse pela falta de segregação dos insumos (MP, PI e ME) aplicados na elaboração de produtos não tributados dos insumos empregados na elaboração de produtos tributados, tenham eles alíquota positiva, nula ou isentos, por conta do disposto da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, enfim, produto NT não gera crédito de IPI. Assim sendo, para que haja saldo credor passível ressarcimento, o mesmo deve ter certeza e liquidez. Ressaltese que a empresa solicitou pela juntada das notas fiscais de entrada geradoras dos créditos que escriturou, em período posterior ao da apresentação da manifestação de inconformidade e a DRJ entendeu que as notas fiscais já deveriam constar dos autos, quando houve a demanda, bem como demonstrasse que os cálculos e demonstrativos apropriados para segregar os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados nos produtos tributados daqueles empregados nos insumos não tributados, nos termos da IN SRF nº 33, de 1999. Observese trecho do voto: Mas não é sem razão que o contribuinte restringe a entrega de documentos às notas fiscais de entrada que teriam gerado o crédito pretendido. Na manifestação de inconformidade faz a provocação de que a própria Receita Federal, após o advento da Lei nº 9.779, de 1999, teria reconhecido, mediante a solução de Consulta nº 14/1999, que “O saldo credor do IPI, apurado nos termos da legislação em vigor, decorrente do imposto pago na aquisição de insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de modo geral, ainda que imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, pode ser objeto de ressarcimento ou utilizado na compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF. Pois bem, esclarecese que a Solução de Consulta mencionada foi afastada pela Receita Federal com a expedição do Ato Declaratório Interpretativo nº 05, de 17/04/2002, que dispôs sobre a aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art. 5º do DL nº 491, de 05/03/1969, e o art. 4º da IN nº 33, de 04/03/1999, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo nº 10168.000853/200696, declara: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002 ; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Assim sendo, o saldo credor apurado pelo recorrente, pela falta de demonstração e quantificação, não prova a certeza e a liquidez do suposto crédito. Além do mais, foi constatado no RAIPI, que a recorrente escriturou indevidamente créditos a título de “COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO", "COMPRAS MATERIAIS PARA USO OU CONSUMO" e "OUTRAS ENTRADAS NÃO ESPECIFICADAS" e os computava no saldo credor. Essas aquisições não estão inseridas ao conceito de matériasprimas, produtos intermediários e matérias de embalagem, nos termos da legislação do IPI. Pois bem, o inc. I do art. 147 do RIPI/1998, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25/06/1998, vigente à época dos fatos, dispõe: Art. 147. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O art. 147, inc. i, do RIPI/1998 e o parecer normativo CST nº 65, de 1979, não restam dúvidas quanto à ilegitimidade de parte dos créditos utilizados pela recorrente para computar o saldo credor. “compras para comercialização", "compras materiais para uso ou consumo" e "outras entradas não especificadas” não atendem às condições para serem considerados matériasprimas ou produtos intermediários, estes, insumos indispensáveis e ligados estreitamente ao processo de industrialização e nele consumidos. Por todo o exposto, o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e a IN SRF nº 33, de1999, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso. Concluindo, pois, é indiscutível que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do Princípio da nãocumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito, há limitação e regulamentação para a sua utilização. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.000624/200200 Acórdão n.º 3802004.019 S3TE02 Fl. 229 11 Destarte, a matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF pela edição de Súmula nº 20, a seguir: SÚMULA CARF N° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como as decisões reiteradas e uniformes do Carf, consubstanciadas em súmula, são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, logo, deve incidir ao caso a súmula referida. Conclusão Por todo o exposto, rejeito a preliminar e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10280.001741/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 01/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos e providos os Embargos de Declaração quando demonstrada contradição entre os fundamentos do voto e a decisão tomada.
Embargos Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3102-002.354
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos e providos os Embargos de Declaração quando demonstrada contradição entre os fundamentos do voto e a decisão tomada. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 310201.228, de 07 de outubro de 2011, que recebeu a seguinte ementa. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 01/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. VALOR. ADIÇÃO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 17 41 /2 00 5- 85 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001741/200585 Acórdão n.º 3102002.354 S3C1T2 Fl. 186 2 Deve ser reconhecido o direito creditório correspondente ao valor adicional constado no curso do procedimento fiscal e não informado originalmente no pedido de ressarcimento/compensação, desde que o mesmo seja pleiteado pelo contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Incidem juros sobre o valor do crédito presumido do IPI desde caracterizada a recusa da Administração ao reconhecimento. Reprodução obrigatória das decisões definitivas de mérito tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73. Artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 697.665,44, juntamente com declaração de compensação (fls. 11/12). 2. Inicialmente foi solicitado ao Sefis da DRF Belém diligência no sentido de apurar a procedência do pedido com base na Portaria MF n° 38, de 1997, sendo que o pleito original requeria o ressarcimento do crédito calculado na forma alternativa, instituída pela Lei n° 10.276 de 29 de novembro de 2001, motivo pelo qual houve a necessidade de retorno do processo ao Sefis, para nova análise. 3. Na análise inicial, o Sefis reconheceu parcialmente o direito ao crédito, glosando os seguintes insumos: a) gás e oxigênio, por servirem basicamente para a movimentação de matériaprima, não se intregrando ao produto final; b) energia elétrica e combustíveis, pois o cálculo do crédito presumido na forma original não admite tais itens; c) frete, por não se intregrar ao produto final por intermédio de qualquer processo de industrialização, em se tratando de serviço. 4. Já na segunda apreciação foram glosados o gás e o oxigênio, além das despesas de frete referente às aquisições de matériaprima, restando um crédito reconhecido de R$ 305.565,90, sendo homologada a Dcomp até o limite deste valor. 5. Cientificada em 19.09.2007 (AR fl. 130v.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.10.2007, manifestação de inconformidade na qual alega haver a Fiscalização equivocadose no cálculo do fator “F” de apuração do crédito, deixando de observar as disposições da Lei n° 10.276, de 2001, quando aplicou os custos referentes ao trimestre, em vez de utilizar os custos acumulados até o mês anterior ao da apuração, assim como fez com as receitas, implicando em redução do fator, já que comparou receitas acumuladas com custo não acumulado. A empresa expôs a forma que entende ser correta para o cálculo. 6. Posteriormente, contesta a glosa efetuada sobre os fretes correspondentes às aquisições de matériasprimas, por entender que isso distorce o conceito de custo da matériaprima e, portanto, o custo de produção dos bens exportados, não havendo como sustentar que tal frete, pago pelo exportador a empresas transportadoras e cuja receita está sujeita ao PIS/Pasep e à Cofins, não faça parte do custo do produto exportado. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001741/200585 Acórdão n.º 3102002.354 S3C1T2 Fl. 187 3 7. Afirma, anexando cópias de conhecimentos de transporte com indicação das notas fiscais de matériasprimas a que se referem, haver contratado os serviços de transporte das referidas matériasprimas, ressaltando que, segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, o aproveitamento somente deixa de ser possível quando a empresa não conseguir demonstrar e vincular cada conhecimento a uma ou mais notas fiscais de entrada de MP, não sendo esse o seu caso. 8. Alerta que não está questionando o frete entre o fornecedor e o porto, o qual ficou por conta do primeiro, mas sim o frete entre o porto até seu parque industrial, que ficou por sua conta, reforçando ainda a idéia de que o frete integra o custo da matériaprima, sendo componente integrante e indissociável da cadeia de produção. 9. Cita orientações contidas no sítio da receita na internet (Perguntas e Respostas DIPJ/2005 – n° 785 e DCP 2003) as quais admitem a hipótese de inclusão do valor do frete no custo das matériasprimas. 10. Com referência à glosa do gás e do oxigênio, argumenta que há erro por serem tais produtos utilizados como combustíveis na sua linha de produção. 11. Por fim, defende o direito à atualização do valor ressarcido pela taxa Selic, citando decisões judiciais e acórdãos do Conselho de Contribuintes e requer que seja revista a decisão nos termos acima defendidos e o direito à produção e anexação de novas provas. 12. Em primeira análise, entendeuse ser necessária a realização de diligência para as seguintes providências (fls. 349/354): a.1) rever a glosa sobre frete nas compras de matériasprimas, quando pago a terceiros, nos casos em que o transporte seja efetuado por pessoa jurídica contribuinte de PIS/Pasep e da Cofins, com o conhecimento de transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição; a.2) apontar os motivos utilizados para a glosa do gás e do oxigênio na forma alternativa de cálculo ou, caso essa glosa seja revista, inserir tais valores no cálculo do crédito presumido; a.3) refazer o cálculo do crédito presumido, na forma alternativa estabelecida na Lei n° 10.276, de 2001, e na Instrução Normativa SRF n° 315, de 2003 (utilização dos custos e receitas acumulados desde o início do ano inciso II do art. 10), com os ajustes indicados nas alíneas acima; a.4) consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a.5) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;” 13. Em resposta, a DRF/Belém elaborou o Termo de fls. 375/377, no qual reviu as glosas sobre frete, combustíveis e refez os cálculos do crédito presumido, resultando no valor de R$ 717.245,16. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 554DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001741/200585 Acórdão n.º 3102002.354 S3C1T2 Fl. 188 4 Exercício: 2003 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Requer o reconhecimento da totalidade do crédito apurado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, já que superior ao pleiteado à inicial. A correção monetária dos valores. Comparece, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Segundo entende, não teria ocorrido qualquer ato de oposição estatal à utilização do crédito pleiteado pelo contribuinte, sequer mesmo de natureza legislativa. E acrescenta, Nessa esteira, o acórdão embargado é omisso, pois não aponta os fundamentos (fáticos) que assemelham o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo para aqui proclamar o mesmo entendimento. Noutros termos o acórdão carece de fundamentação (vicio da omissão) quando deixa de apontar o ato de oposição estatal. (...) Resta evidente que o Fisco apenas seguiu os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido de ressarcimento, excluindo o que não se enquadrava no conceito de insumo. E, ao não se insurgir quanto a essa matéria (o que fica claro na manifestação de inconformidade e na decisão de primeira instância), o contribuinte deu razão à auditoria. Nessa esteira, quanto ao crédito efetivamente reconhecido, que é em relação ao qual se pleiteia a correção monetária, não se pode dizer que houve qualquer oposição estatal. (...) Aqui, cabe socorrerse da correta teleologia do julgado proferido pelo STJ: somente no caso oposição constante de ato estatal, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do principio da nãocumulatividade, teria o condão de descaracterizar a natureza do referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Somente esse fato teria o condão de afastar o óbice de que não incide correção monetária sobre os créditos de IPI por ausência de previsão legal. Como o acórdão embargado, em nenhum momento deixou claro no que restou caracterizada a oposição estatal, uma vez que os créditos sobre os quais o interessado deseja fazer incidir a Taxa Selic foram concedidos pelo Fisco, tãologo efetuados os ritos procedimentais próprios referentes ao pedido de ressarcimento/declaração de compensação, fica claro o vicio da omissão. E finaliza, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001741/200585 Acórdão n.º 3102002.354 S3C1T2 Fl. 189 5 Ante o exposto, requer sejam conhecidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, a fim de sanar/retificar os vícios acima apontados e prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Revendo os esclarecimentos prestados em sede de embargos de declaração nos autos do Processo nº 10280.001736/200572, Acórdão 3102001.607, de 23 de agosto de 2012, chego a conclusão de que alguns equívocos foram cometidos e que, ao contrário do entendimento que firmei naquela ocasião, havia melhores e mais fundamentadas razões do que aquelas que vislumbrei para interposição do Recurso apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, uma vez que patente a contradição entre os fundamentos apresentados no Voto e a decisão que foi tomada. De fato, somente se cogita falar em oposição estatal ao direito pleiteado, se o crédito foi glosado na data da primeira manifestação a respeito no âmbito da Secretaria da Receita Federal. Disso decorre que, para o crédito reconhecido desde a origem, entendase, desde o Despacho Decisório, não há que se falar em oposição estatal. E, com muito mais razão, nenhuma possibilidade há que se avente correção para o crédito que sequer havia sido requerido pela parte. É esse o fundamento da decisão, expresso na transcrição do RESP 993164, decidido em Regime de Recursos Repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, contida no Voto. Observese. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. Conforme Despacho Decisório, à folha 157 (eProc), do crédito pleiteado pelo contribuinte, no montante de R$ 697.665,44, foi reconhecido o valor de R$ 172.040,37. Mais tarde, revendo as glosas sobre frete, combustíveis e refazendo os cálculos do crédito presumido, o valor do direito chegou à expressão de R$ 717.245,16. Com base nisso, necessário que o dispositivo do Acórdão embargado seja modificado, para que seja deferida a correção monetária apenas para a diferença entre o requerido, R$ 697.665,44, e o reconhecido, R$ 172.040,37, quantum que expressa a fração do crédito sobre a qual houve de fato oposição estatal ao reconhecimento do direito. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001741/200585 Acórdão n.º 3102002.354 S3C1T2 Fl. 190 6 O dispositivo passa a ter o seguinte teor: Pelas razões expostas, VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 717.245,16 e o direito à correção monetária pleiteada pela Recorrente, desde o protocolo do pedido, exclusivamente para o valor de R$ 525.625,07. Sala das Sessões, 29 de janeiro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10925.002252/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
UNICIDADE EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.
AUSÊNCIA DE PROVAS. Cancela-se o ato de exclusão do Simples Nacional se a acusação fiscal não está suportada por provas suficientes para caracterizar a simulação na constituição de pessoa jurídica para segregação de faturamento e obtenção das vantagens conferidas pelo sistema simplificado de recolhimentos, e também não se presta a demonstrar a interposição de pessoas no quadro social ou a prática de atividades de locação de mão-de-obra.
Numero da decisão: 1101-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 UNICIDADE EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cancelase o ato de exclusão do Simples Nacional se a acusação fiscal não está suportada por provas suficientes para caracterizar a simulação na constituição de pessoa jurídica para segregação de faturamento e obtenção das vantagens conferidas pelo sistema simplificado de recolhimentos, e também não se presta a demonstrar a interposição de pessoas no quadro social ou a prática de atividades de locação de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 22 52 /2 00 8- 61 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 021/2008, que a excluiu do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 em razão de haver sido verificada sua constituição por interpostas pessoas, restando caracterizado o emprego de artifício (simulação de atividade empresarial autônoma) objetivando reduzir o pagamento de tributos apuráveis segundo aquele regime especial, e em virtude da constatação de que o principal propósito de sua existência jurídica tomouse a contratação de mãodeobra em seu nome para cessão a outra pessoa jurídica. A exclusão está fundamentada nas apurações expostas na representação fiscal de fls. 03/08 e no Parecer SACAT nº 341/2008 (fls. 119/131). A autoridade fiscal reportouse a registros contábeis reunidos a partir de 01/01/2003, hábeis a demonstrar que: · José Schazmann era originalmente sócio da interessada, juntamente com sua mãe Elita Schazmann, mas em 1997 retirouse do quadro social para ingressar, juntamente com sua esposa, Silvana Marques Schazmann, com sócios de Idugel Industrial Ltda, mantendo no quadro social da interessada, além de Elita Schazmann, Claudia Schazmann Perottoni, irmã de José Schazmann. Além disso, os filhos de José Schazmann (Fellipe Marques Schazmann e Karinne Marques Schazmann) são sócios de KF Industrial Ltda ME, e esta, assim como JF Máquinas Ltda, são administradas, mediante procuração, por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann; · Em 1997, a interessada também deixou de ter sede própria e a indicar como endereço o mesmo local de funcionamento de Idugel Industrial Ltda, e atualmente ambas ocupam o mesmo imóvel situado em outro endereço, diferenciandose apenas pela indicação de blocos (A e B), muito embora tal segregação seja apenas formal; · A semelhança entre os objetos sociais de JS Máquinas e Idugel Industrial Ltda permite afirmar que elas operam no mesmo ramo de atividades (fabricação e comércio de máquinas e equipamentos), e apesar disso a relação de custos/despesas para Idugel é de 34 a 57% de 2003 a 2006, enquanto para a interessada é de 1 a 7%, com acentuada discrepância na folha de pagamento, na medida em que Idugel Industrial Ltda, com apenas dois ou três empregados, alcançou faturamento de R$ 3 a 5 milhões, ao passo que a interessada, com 19 a 24 empregados, no mesmo período de 2004 a 2007, obteve faturamento de R$ 305 a 638 mil; e · As pessoas jurídicas estão sob a mesma administração, seus empregados trabalham com o mesmo uniforme com a inscrição Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 5 4 “Grupo Idugel”, os setores administrativos atendem indistintamente às duas empresas, há diversos pagamentos cruzados de despesas, ferindo o princípio contábil da entidade; Concluiu, assim, que: No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa J.S. Máquinas Ltda, e os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda, bem como aos interesses da própria Idugel, concluise que a empresa J.S. Máquinas Ltda, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda, ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a J.S. Máquinas Ltda, como pessoa jurídica formalmente constituída, existe somente para que a Idugel Industrial Ltda, através da J.S., possa beneficiarse de regimes de tributação diferenciados e favorecidos, não se constituindo de fato como empresa, o que exigiria administração e recursos voltados a um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da J.S. Máquinas, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, não exercendo, portanto, atividade empresarial de fato, caracterizandose, dessa forma, que a J.S. Máquinas Ltda se encontra constituída por interpostas pessoas, que não são seus verdadeiros sócios. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Subsidiariamente consignou que, mesmo se a interessada exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, segundo se infere de seus próprios registros, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda, visto que, os gastos da J.S. Máquinas atribuídos à aquisição de insumos não justificam por serem irrisórios comparados aos da Idugel o faturamento consignado em sua contabilidade (excerto para o ano de 2007), mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda (fls. 07 a 08), conforme já abordado. Assim, mesmo abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, ficaria caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fulcro no art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em razão da exclusão assim fundamentada, a autoridade fiscal formalizou exigências, dentre as quais foram distribuídas para relatoria desta Conselheira: IRPJ devido do 3o ao 4o trimestre/2007 (processo administrativo nº 10925.000015/200946); CSLL devida do 3o ao 4o trimestre/2007 (processo administrativo nº 10925.000018/200935); COFINS devida de julho a dezembro/2007 (processo administrativo nº 10925.000012/200911); Contribuição ao PIS devida de julho a dezembro/2007 (processo administrativo nº 10925.000014/200900. A contribuinte apresentou defesa em todos os processos administrativos. Nestes autos, manifestando sua inconformidade contra a exclusão do Simples Federal, a interessada alegou que o grupo familiar de Elita Schazmann explora ramos comercial e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e, com a evolução Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 6 5 dos negócios, optaram por fracionar a cadeia produtiva entre as três pessoas jurídicas antes citadas. Afirmou válidos os atos praticados, porque dentro do campo da elisão fiscal, e resultantes de práticas formalmente válidas. Observou que não foi delimitado o termo final da exclusão, e que ela não poderia exceder a 31/12/2008. Alegou incompatíveis as hipóteses de exclusão apontadas pela Fiscalização, argüiu a decadência para anulação da constituição da pessoa jurídica, discordou da retroatividade dos efeitos de situações fáticas apuradas apenas em 2008, afirmou confiscatórias as exigências daí decorrentes, opôsse à sanção administrativa de atos que não vislumbrava ilícitos, discordou dos fatos apurados e do enquadramento legal do ato, apresentou justificativas para suas atividades e afirmou regular sua contabilidade. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS. A prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios para fins Segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra é causa de exclusão do simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. O exercício de atividade de locação de mãodeobra é causa de exclusão do simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do simples pela constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos, impedindo a opção pelo regime pelos próximos l0 (dez) anoscalendário seguintes, caso seja constatada a utilização de artifÍcio, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o se direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 7 6 Cientificada da decisão de primeira instância em 18/05/2010 (fl. 250), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 251/289), veiculando os mesmos argumentos opostos à exclusão do Simples Federal formalizada nos autos do processo administrativo nº 10925.002073/200823, sem qualquer ajuste em razão da legislação que fundamenta o ato de exclusão aqui em debate, ou dos períodos de apuração envolvidos. Principia sua defesa com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 8 7 Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 9 8 simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 10 9 elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 11 10 requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 12 11 Às fls. 294/312, 325/332 e 335/342 constam cópias de decisão judicial que conferiu à contribuinte, no âmbito do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, o que segue: 1) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito liquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925 .002252/200 861 e 10925002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos temos do art. 269, 1, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES. principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 14 13 EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 15 14 COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 13), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários pagos pelas pessoas jurídicas do grupo, à fl. 83. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 16 15 Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 17 16 · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãode obra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 77/83, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 18 17 · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 84/89); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 90/94 e 100/101); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 90 e 95/99); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 103/108); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 109/111); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 112/113); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 114/116). Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 19 18 · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mão deobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 117. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado concedido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Nacional. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 341/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: · O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 20 19 sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. · J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato; · As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; · Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e · A exclusão deveria operar efeitos desde o início da opção, dado que as vedações tratadas no art. 5o, inciso V da Resolução CGSN nº 15/2007 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 5o, inciso XI da mesma Resolução (locação ou cessão de mãode obra) estariam demonstradas nos autos a partir de janeiro/2003, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as atividades da fiscalizada pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificandose idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 21 20 · Como a constituição por interpostas pessoas seria a principal e mais grave motivação para a exclusão do Simples Nacional, e em se tratando de claro artifício para induzir e manter a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Nacional, o impedimento de nova opção pelo Simples Nacional se verifica por 10 (dez) anos calendários. Restou demonstrado, entretanto, que a interposição de pessoas no quadro social não foi provada pela Fiscalização. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 22 21 disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiuse à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: · O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; · A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (know how), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 23 22 · A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; · A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; · Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; · As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; · ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 24 23 · A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãode obra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e · Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinados empreendimentos, e a prova da simulação em tais circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Nacional. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002252/200861 Acórdão n.º 1101001.244 S1C1T1 Fl. 25 24 administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Nacional. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000518/2005-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção.
Numero da decisão: 3803-006.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente sujeito à alíquota zero. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mottes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente sujeito à alíquota zero. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 05 18 /2 00 5- 66 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 208 2 Belchior Melo de Sousa – Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mottes de Moraes. Relatório Trata o presente de Embargos de Declaração interpostos pela Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda., no acórdão nº 3803001.444, proferido por esta Turma, em que se negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos. A embargante declara que o referido acórdão contém erros materiais, consubstanciados, primeiro, nas premissas equivocadas: a) de que os documentos de nºs 06 a 12 não teriam sido anexados à impugnação; b) quanto à classificação fiscal do jornal que edita como Não tributável (NT), em virtude da imunidade objetiva prevista no art. 150, VI, "d", olvidando ser esta uma questão superada com a manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba no Parecer SAORT 10820/52/2009, que admitira tratarse de produto sujeito à alíquota zero. Indica, ainda, a Embargante omissão quanto: a) ao não conhecimento do argumento de tributação com alíquota zero; b) à questão mudança de critério jurídico já não enfrentada na decisão que desprovera a manifestação de inconformidade. A Interessada obtivera decisão anterior favorável, em similar pleito, por meio do Despacho Decisório da DRF/Araçatuba que respaldouse no Parecer SAORT 10820/52/2009, de fevereiro de 2009, em que fora reconhecido estar o jornal submetido à alíquota zero. A mudança de critério jurídico, estaria configurada com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que, ao restringir o significado do vocábulo imunes, constante do art. 4º da IN SRF nº 33/99, aos produtos exportados, teria modificado o entendimento do órgão, deixando de abarcar a imunidade objetiva prevista no art. 150, VI, "d", que salvaguarda os jornais da Embargante. Se assim não se entendesse, a mudança de critério jurídico também estaria configurada na decisão denegatória do presente pedido de ressarcimento, ocorrida em dezembro de 2009, contrária à decisão que se fundou no dito Parecer SAORT 10820/52/2009, de fevereiro de 2009 O acórdão embargado restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 209 3 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20. Os embargos foram submetidos a exame de admissibilidade e foram admitidos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Pressupostos para julgamento Cabe destacar o processo nº 10820.000723/200611, desta pessoa jurídica, constante desta pauta de julgamento. Ele trata de matéria idêntica à aqui presente, tinha a ausência das cópias dos jornais que neste processo também se verifica, e transitou por esta Turma, tempo atrás, com embargos de declaração contra o acórdão do recurso voluntário com mesmo conteúdo dos presentes embargos. Aqueles embargos foram admitidos e convertidos em diligência, em voto vencedor, para suprir a lacuna da instrução com a juntada de cópias dos jornais, visando a demonstrar a sua periodicidade e a forma como a publicidade era neles veiculada. A diligência foi atendida, em resultado da segunda conversão do julgamento, tendo o órgão de origem feito anexar cópias digitalizadas de alguns jornais diários do período de uma semana, que demonstram que a publicidade é estampada no próprio corpo das edições. Assim, relativamente ao dito processo, a considerar que: i) ele compõe, juntamente com este, a presente pauta de julgamento; (ii) a conversão em diligência do julgamento dos presentes embargos irá resultar, exatamente, na mesma providência a ser executada pelo órgão de origem, e ao mesmo resultado a que chegou a análise naquele processo; (iii) o presente julgamento fundase nas mesmas razões de fato e de direito manejadas naquele, e que esta assertiva goza da fé de ofício; (iv) não há dificuldade de conferir a prova da alegação da Interessada coligida no dito processo, quando e se necessário; (v) que, em vista das constatações retro, não há prejuízo processual para este processo o seu julgamento sem o suprimento das mencionadas provas; (vi) a considerar, enfim, que a celeridade e o seu corolário a economia processual são princípios que compõem a legenda da missão deste Conselho, e que, portanto, devem orientar o julgamento de processos, sempre que não cause prejuízo para uma das partes; entendo que estes embargos estão aptos a ser julgados. Mérito Erro material acerca dos anexos ausentes, de folhas 06 a 12 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 210 4 Quanto ao erro material de que as folhas 06 a 12, do processo correspondentes a imagens do jornal demonstrando sua periodicidade e publicidade, tendente a comprovar sua sujeição à alíquota zero , não haviam sido anexadas, de fato foi assim afirmado, ao tempo em que referiu que o recurso voluntário não mais fez referência a elas como argumento de sua defesa. Suprida de forma plena esta lacuna da instrução, com a anexação de folhas do jornal, fls. 221/270, fica sem efeito este questionamento, cabendo apreciarse o juízo que podem produzir. Erro material quanto à classificação fiscal do jornal como “NT” Mesmo à luz das imagens dos jornais anexadas, comprovando a veiculação de publicidade em seu corpo e sua periodicidade de seis dias por semana, sustento o entendimento de que estas características não desnaturam a sua identidade básica de ser um produto “NT”, e não o remetem, por isso só, para a classificação correspondente à alíquota “zero” na TIPI. 49.02 JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS, IMPRESSOS, MESMO ILUSTRADOS OU CONTENDO PUBLICIDADE 4902.10.00 Que se publiquem pelo menos 4 vezes por semana NT Ex 01 Com publicidade 0 Ancoro este entendimento no que foi assentado no julgamento do RE nº 213.094, cujo relator foi Min. Ilmar Galvão, e em seu voto cita Aliomar Baleeiro, em que o grande mestre destaca a importância de assegurar a imunidade ao papel e aos órgãos de imprensa, tendo em vista inviabilizar a ação de governos tendentes a obstruir a divulgação de novas idéias, de abafar a voz da imprensa, por meio da tributação. Vejase a menção: "Na verdade, foi o controle exercido pelo Governo, durante o Estado Novo, por meio da tributação, do consumo de papel de imprensa e, por esse meio, da divulgação de novas idéias, que levou o constituinte de 1946 a, cautelosamente, assegurar a imunidade desse insumo, inviabilizando medidas da espécie, de parte dos governantes. "Estava muito recente a manobra ditatorial de subjugar o jornalismo por meio de contingentamento do papel importado. E em pais da vizinhança, a imitação do mau exemplo procurava abafar a voz independente de um dos mais reputados órgãos da imprensa sul americana",, observa Baleeiro (Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, Rio,1960; p.192)." No corpo do seu voto, defende o detrimento do erário para patrocinar o estímulo e amparo à educação, à cultura e à livre manifestação da crítica. Vejo que a estes papéis prestase a edição da Folha de Araçatuba, nada obstante venha, ao fim, obter lucro, enquanto empresa, evento que não se incompatibiliza com o desenvolvimento destes fins precípuos do seu produto: Presentemente, com a consolidação do regime democrático e a superação da fase de absoluta dependência externa do Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 211 5 abastecimento do papel de imprensa, a franquia já não pode ser vista como um meio de evitar restrições impostas pelos governantes à livre manifestação da critica, por meio da utilização do imposto para objetivos extrafiscais. Na aplicação da norma, por isso mesmo, não se pode perder de vista o caráter, que tem, de instrumento de amparo e estimulo à educação e à cultura, evitandose, por essa forma, interpretações suscetíveis de desvirtuar essa finalidade, em detrimento do erário. De verse, por isso, que não há de ser estendida a imunidade a veículos de comunicação escrita voltados a interesses propagandísticos, de exclusiva índole comercial, ainda que distribuídos em forma de encarnes em jornais e periódicos, como o de que tratam estes autos. Entendo que a classificação por que luta a Embargante, a alíquota zero, deve ser aplicada os produtos impressos provenientes dos veículos de comunicação marcados pelo preponderante interesse publicitário, de exclusiva índole comercial, e, relativamente aos jornais, distribuídos em forma de encartes. Sob este prisma, a classificação genérica da notação “NT” é que corresponde ao jornal "Folha de Araçatuba". Assim, não considero ter havido erro material no acórdão do recurso voluntário em ter feito todo o seu juízo em torno do produto como sendo imune. O que se deu na decisão foi a valoração jurídica dos fatos. Mudança de critério jurídico Ao fazer a valoração acima referida, o acórdão do recurso voluntário confirmou a decisão de piso, aplicando de forma sumária a Súmula nº 20 do CARF, e, de fato, deixou de se debruçar na questão posta de mudança no entendimento da Administração. Ao visualizar o produto como imune, entendeuse, de fato, ser dispensável arrazoar sobre a hipótese de ele não estar enquadrado na alíquota zero. Do que, não se pode, razoavelmente, dizer que a matéria não foi atacada. Tenho que o ADI nº 5/2006 não modificou o entendimento da RFB manifesto na regulamentação do crédito básico de IPI e do direito ao ressarcimento do saldo credor, pela IN SRF nº 33/99. Isso porque se o termo "imunes" utilizado na instrução normativa pretendesse abarcar todo o espectro de não incidência constitucional, estaria criando um direito sem fundamento de validade no art. 11 da Lei nº 9.779/99, que não fizera tal inclusão, e por ela veio a ser regulamentado. E o que se pode dizer do despacho decisório resultante do Parecer SAORT 10820/52/2009 Ali, o que se tem é que a Autoridade Administrativa subsumiu a produção dos jornais Folha de Araçatuba à norma de incidência que os classificava na alíquota zero. Isso deuse em fevereiro de 2009. Na decisão neste processo, ocorrida em dezembro de 2009, a Autoridade valorou o fato jurídico daquela produção não mais pela norma anterior, e subsumiuo, então, à norma de imunidade. Erro na aplicação da lei para a construção do ato administrativo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 212 6 Isto não se confunde com o disposto no art. 146 do CTN[1]. Com Alberto Xavier concebo que "[...] a mudança de critério jurídico ocorre em duas situações distintas: uma primeira, consiste na substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta; uma segunda, consiste na substituição de um critério por outro que, alternativamente, a lei faculta ao órgão do Fisco, como sucede no caso de arbitramento do lucro das pessoas jurídicas”. Aqui, nas decisões antecedentes não houve mudança de interpretação da norma de incidência Por outro giro, ainda que se entendesse tratarse de mudança de critério jurídico, a decisão neste processo poderia ser tocada na forma como produzida, porquanto: a) não estaria reformando a decisão anterior, subvertendo direito adquirido e ato jurídico perfeito; b) o pedido de ressarcimento, mercê da apreciação e decisão da Administração Tributária configurava apenas expectativa de direito, não se conformando ao tempo da decisão, dezembro de 2009, em situação jurídica plenamente constituída, hipótese que impede a aplicação retroativa de novo critério jurídico. 2 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente). Belchior Melo de Sousa. 1 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário, Forense: São Paulo, p. 254. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 213 7 Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da Turma para redigir o voto vencedor do presente acórdão, passo a expor os fundamentos que embasaram o entendimento adotado. Compulsando os autos, é possível constatar que as premissas do acórdão embargado não se sustentam em face dos elementos fáticos amplamente destacados. Consta da Informação Fiscal (fls. 54 a 57) que a Fiscalização apurara que “o sujeito passivo produz unicamente jornais impressos com publicidade classificados no capítulo 49 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, posição 4902.10.00” (fl. 61 – grifei). Essa informação, conforme aponta o Embargante, também pode ser extraída do Parecer Saort nº 10820/52/2009 (Doc. 13 da Manifestação de Inconformidade). De acordo com a TIPI3, os jornais e os periódicos se classificam na posição 49.02, sendo identificados como não tributáveis (NT) as publicações com expedição igual ou superior a quatro vezes por semana (4902.10.00), assim como outras da mesma espécie (4902.90.00), excetuandose aquelas com veiculação de publicidade (Ex 01), às quais se aplica a alíquota zero. Como o Embargante produz jornal com publicidade, produto esse que se sujeita à alíquota zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a ele é permitido a utilização de saldo credor do IPI, nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifei) Destaquese que, diferentemente do alegado no voto vencido, os veículos de comunicação marcados pelo preponderante interesse publicitário não se classificam no Ex 01 da posição 49.02.10.00, pois, de acordo com a Nota 5 do Capítulo 49 da TIPI, as publicações consagradas essencialmente à publicidade, como brochuras, prospectos, catálogos comerciais, propagandas etc., se classificam na posição 49.11 da TIPI, sujeitandose, também, à alíquota zero. Nesse sentido, o Ex 01 da posição 49.02.10.00 da TIPI se refere aos jornais publicados ao menos quatro vezes por semana que contenham publicidade em seu corpo, sendo essa, portanto, a classificação a ser aplicada ao jornal editado pelo Embargante. 3 Decreto nº 4.542/2002, Decreto nº 6.006/2006 e Decreto nº 7.660/2011. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 214 8 Como se trata de produto sujeito à alíquota zero, o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, autoriza o pedido de ressarcimento do IPI incidente nas aquisições de insumos aplicados em sua produção. Por fim, resta perquirir acerca da possibilidade de manejo dos Embargos de Declaração com efeitos modificativos ou infringentes. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) 4, bem como o Supremo Tribunal Federal (STF) 5, admitem efeitos modificativos dos embargos de declaração em casos excepcionais, “para correção de premissa equivocada”, dada a ocorrência de error in judicando, “decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito”. Eis o teor de parte da ementa do acórdão decorrente do julgamento do REsp nº 891.268: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGOS 535 E 536, DO CPC. ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. ACÓRDÃO REGIONAL QUE ATESTOU A OCORRÊNCIA DE ERRO NO JULGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. Os efeitos modificativos dos embargos de declaração são admitidos, em casos excepcionais, para correção de premissa equivocada, sobre a qual se tenha baseado o decisum embargado, como ocorreu, in casu, conforme reconhecido pelo próprio Tribunal de origem que, em sede de aclaratórios, observada a prévia intimação da parte embargada, procedeu à reforma do julgado (proferido em 08.06.2004), que apreciara a causa (intentada em 11.02.1994) à luz do artigo 38, § 5º, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), olvidandose do disposto nos artigos 6º e 8º, da Lei 8.021/90, incorrendo em manifesto error in judicando, decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito (Grifei) Se no Poder Judiciário, em que o princípio dispositivo é a regra, se aceita o manejo dos embargos de declaração com efeitos modificativos, muito mais se deve acatálos no processo administrativo, este regido, dentre outros, pelo princípio da verdade material. Uma vez que o acórdão embargado foi prolatado com base em premissas inconsistentes, todo o seu conteúdo se mostrou sem base firme ou razão sólida que o sustente, evidenciandose o erro material e/ou a omissão apontados pelo Embargante, uma vez que a Turma Especial equivocouse em relação à materialidade do objeto sobre o qual se controverte no processo. 4 REsp 891268, 1ª Turma, julgamento 06/08/2009, relator Ministro Luiz Fux; EDcl no AgRg no AI 852.914, 3ª Turma, julgamento 07/10/2008, relator Ministro Sidnei Beneti etc. 5 ED RE 478.410, julgamento 15/12/2011, relator Ministro Luiz Fux; AgRED RE 650.148, julgamento 06/12/2011, relator Ministro Ricardo Lewandowski etc. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.000518/200566 Acórdão n.º 3803006.596 S3TE03 Fl. 215 9 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL aos embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente sujeito à alíquota zero. Esclareçase que o provimento apenas parcial se deve ao fato de que, nesta decisão, está sendo reconhecido apenas o direito creditório na perspectiva do direito material, encontrandose pendente a apuração dos valores dos créditos que serão objeto de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 01/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002444/2002-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 24 44 /2 00 2- 64 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 132): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a aplicação de multa de ofício. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. Subsiste sem comprovação a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se não há decisão judicial eficaz amparado a compensação pretendida pelo contribuinte entre tributos de espécies diferentes. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na descrição dos fatos, parte integrante do auto de infração, o AuditorFiscal informou que este se originou de auditoria interna nas DCTFs apresentadas pelo contribuinte, quando foram constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados. O presente auto de infração, assim, foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da Cofins nos períodos de apuração do terceiro e quarto trimestres de 1997. O sujeito passivo recorrente alegou, inicialmente, que os créditos tributários de PIS/Pasep, decorrentes de decisão judicial na ação ordinária n° 97.00403203, poderiam ser compensados com as contribuições vincendas de Cofins, em decorrência da autorização inserta na Lei n° 9.430/1996, alterada pela Medida Provisória n° 66/2002. Alude que a compensação foi realizada em Dctf, entre 1997 e 1998, razão pela qual era incabível o lançamento. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13896.002444/200264 Acórdão n.º 3802004.108 S3TE02 Fl. 190 3 A DRJ, por sua vez, entendeu que o lançamento para prevenção de decadência não viola direito subjetivo do contribuinte, aduzindo que, de toda forma, o crédito tributário estaria com exigibilidade suspensa, sujeito à execução após o desfecho do processo judicial. Por fim, excluiu a multa de ofício, por entender que a mesma é incabível nos casos em que há lançamento apenas para a prevenção de decadência. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 147 e ss., repisa os argumentos elencados na Impugnação, requerendo o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 06/07/2010 (fls. 140), ao passo que o recurso foi protocolizado em 29/07/2010 (fls. 147), dentro do prazo legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Inicialmente, em relação à alegada impossibilidade de constituição do crédito tributário, deve ser mantida a decisão recorrido. Isso porque, como se sabe, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, é perfeitamente lícita a lavratura de auto de infração visando à prevenção de decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Tratase de entendimento pacificado no CARF (Súmula nº 17) e no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199). Votase, portanto, pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.903359/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 03 35 9/ 20 09 -4 8 Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.394 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 4373/4379) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 4365/4368) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente em parte, reconhecendo, em parte, o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: consta dos autos que a contribuinte transmitiu, à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, compensações tributárias (declararações), mediante programa gerador PER/DCOMP, utilizando o saldo negativo do IRPJ do 1o trimestre de 2006 de R$ 228.789,19 (valor original) para a compensação dos débitos da CSLL do 2° trimestre de 2006 e da COFINS dos PA junho/2006, abril/2006 e julho/2006, conforme demonstrativo abaixo: DATA TRANSM. N° PER/DCOMP DÉBITO COMPENSADO CRÉDITO UTILIZADO (original) 14/07/2006 40820.28420.140706.1.3.021531 COFINS junho de 2006 R$ 96.655,71 (efls. 39/43) 31/07/2006 12822.92013.310706.1.3.024201 CSLL 2o trimestre/2006 R$ 33.594,27 (efls. 44/48) 15/08/2006 23907.34927.150806.1.3.025451 COFINS julho/2006 R$ 68.836,22 (efls. 49/ 53) 30/03/2007 07922.15483.300307.1.7.026870 COFINS abril/2006 R$ 29.702.97 (efls. 33/38) SALDO NEGATIVO 1o TRIMESTRE/2006 R$ 228.789,17 Obs: Na DIPJ 2007, anocalendário 2006 (Ficha 12A), a contribuinte apurou saldo negativo do IRPJ do 1º trimestre/2006, o valor de ( R$ 179.190,70) (efl. 100). Em 18/02/2009, a DRF/Brasília expediu Despacho Decisório eletrônico decisão monocrática (efl. 29) não homologando as DCOMP identificadas acima, nos seguintes termos: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi passível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurldica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 228,789,18 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: RS 179.190,70 (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: (...). Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.395 3 Enquadramento legal: Parágrafo I ° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 dezembro de 1 998. (...) Ciente dessa decisão em 05/03/2009– quintafeira Aviso de Recebimento – AR (efls. 30/31), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 06/04/2009 – segundafeira (efls. 02/05), juntando ainda documentos (efls. 06/100), cujas razões, em resumo, são as seguintes: que se faz necessário a retificação da DIPJ 2007, anocalendário 2006, tendo em vista que o valor de ( R$ 179.190,70) constante na Ficha 12A item 12 para 1º trimestre foi preenchido incorretamente, pois o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi de R$ 228.789,18, conforme demonstrativo: 1o TRIMESTRE/2006 8045 Aplicação Financeira Cartão CPA Hotéis/ Demais Dep Judicial/ Caucionados Jan a Dez 05 4.424.42 8.565,39 Janeiro 56.804,58 5.472,63 6.052,14 Fevereiro 53.209,98 Março 53.622,70 35.312,32 5.076,88 248,14 TOTAL Parcial 168.061,68 40.784,95 11.129,02 8.565,39 248,14 TOTAL GERAL (IRRF) 228.789,18 que os dados da Ficha 12A da DIPJ 2007, AC 2006, deve ser ajustada para: 1o TRIMESTRE DE 2006 IMPOSTO SOBRE LUCRO REAL 01. A alíquota de 15% 0,00 02. Adicional 0,00 DEDUÇÕES 04. () Programa de alimentação do trabalhador 0,00 12. () Imposto de Renda Retido na Fonte 228.789,18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 228.789,18 Em face da alegação da contribuinte, os autos foram baixados para diligência à unidade local da RFB, conforme determinado pelo Despacho da DRJ/Brasília, de 11/04/2012 (efls. 103/104). Realizada a diligência pela DRF local, restou aprurado, conforme Informação Fiscal – Diligência, o seguinte resultado (efls. 4358/4360): a) direito creditório do IRRF no valor total de R$ 224.782,61 (valor original) quanto ao PA 1º trimestre/2006 b) ainda, para verificar a suficiência do crédito para compensação dos débitos declarados na DCOMP nº 07922.15483.300307.1.7.026870 e DCOMP relacionadas nº(s) 40820.28420.140706.1.3.021531, 12822.92013.310706.1.3.024201 e 23907.34927.150806.1.3.025451, as informações foram inseridas no Sistema de Apoio Operacional para a simulação da compensação. De acordo com o Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 4.304 a 4.306), o crédito reconhecido é insuficiente para compensar integralmente os débitos informados em todas as DCOMP, Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.396 4 c) restou saldo de débito a pagar da COFINS de R$ 1.737,26 relativo à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006 – conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa em 20/02/2013 (fls. 4.304 a 4.306). A contribuinte foi notificada para se manifestar, apresenar razões, quanto ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias, conforme intimação e Aviso de recebimento – AR, ciência 13/03/2013 (efls. 4361/4362). Trascorrido o prazo in albis, os autos do processo foram devolvidos à DRJ/Brasília para julgamento, conforme despacho de 24/04/2013 (efls. 4364). A DRJ/Brasília (4ª Turma), adotando o resultado da Informação Fiscal Diligência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente em parte, reconhecendo, em parte, o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 29/05/2013 (efls.4365/4368), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA PARCIAL DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, deve ser revista a decisão dada pela autoridade administrativa. No caso, o direito creditório reconhecido é insuficiente para compensar integralmente a compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) Ciente desse decisum em 05/09/2013 por AR (efl. 4372), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/10/2013 (efls.4373/4379), aduzindo em suas razões, em síntese: que a decisão a quo reconheceu parcialmente direito creditório, ou seja, R$ 224.782, 61 (valor original), a título de saldo negativo do IRPJ do 1º trimestre/2006; que, em face desse crédito deferido, restou saldo de débito a pagar apenas da da COFINS, relativo à DCOMP DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006; que, quando da ciência do Acórdão recorrido, a contribuinte recebeu cobrança de saldo de débito a pagar da COFINS de R$ 20.089,64 em 05/09/2013, relativo à DCOMP DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006; Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.397 5 que, entretanto, esse valor é diverso do saldo do débito a pagar da COFINS de R$ 1.737,26 de que trata o Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa em 20/02/2013 (fls. 4.304 a 4.306); que, no caso, o débito da COFINS, saldo remanescente a pagar R$ 1.737,26, extrapolou o crédito deferido e que para pagamento até 30/09/2013 (por exemplo, a título de argumentação seria R$ 3.321,63 (principal R$ 1.737,26 + multa R$ 347,45 + juros R$ 1.236,92); que, entretanto, esse saldo remanescente de débito a pagar poderia ser extinto (inexistente/anulado o seu valor remanescente), caso fossem corrigidos dois erros ou equívocos cometidos pelo fisco nos cálculos – Demonstrativo Analítico de Compensação, ou seja: a) quanto ao débito da DCOMP 07922.15483.300307.1.7.026870, a qual foi transmitida em 30/03/2007 para retificar a DCOMP 11040.88757.150506.1.3.024402: que no demonstrativo analítico da RFB observase que foi desconsiderada a data da DComp original, sendo indevidamente considerada a data de transmissão da retificadora. Tal situação gerou cobrança de juros e multa, conforme consta do demonstrativo analítico transcrito nas razões do recurso (efl. 4376); que a multa e os juros seriam indevidos; b) que se observa outro equívoco no que concerne à atualização do direito creditório do saldo negativo, pois a RFB utilizou a taxa Selic acumulada a partir de janeiro de 2007, quando o correto é considerar a atualização a partir de abril de 2006, posto que a recorrente apurou o IRPJ pelo regime trimestral – 1º trimestre/2006.. Por fim, a recorrente entende ter demostrado a existência de crédito suficiente para extinção do débito remanescente, mediante homologação da compensação; pediu, então, provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.398 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca de divergência quanto ao cálculo – Demonstrativo Analítico de Compensação, ou seja: a) que há discordância relacionada à aplicação da Taxa SELIC, quanto ao termo de início da contagem do prazo para efeito de atualização do direito creditório reconhecido pela decisão a quo; b) que há discordância atinente à aplicação da Taxa SELIC e multa de mora em relação ao débito da Cofins confessado na DCOMP. Senão vejamos: A decisão recorrida reconheceu direito créditório de R$ 224.782,61 (valor original) quanto ao PA 1º trimestre/2006 a título de saldo negativo do IRPJ, acatando resultado do Relatório de Diligência da DRF/Brasília, ou seja, resultado constante da Informação Fiscal – Diligência que transcrevo, a seguir (efls. 4358/4360): (...) 7.Dessa forma, e tendo em vista o que já foi exposto, validase as retenções de IRPJ na fonte informadas no PER/DCOMP, no valor de R$ 224.782,61, conforme quadro abaixo: 1° TRIMESTRE CLASSIFICAÇÃO CÓDIG O BASE DE CÁLCULO IRRF VALOR CONFIRMADO AUTO RETENÇÃO 8045 10.936.887,33 164.053,31 164.053,31 APLICAÇÃO FINANCEIRA EM FUNDOS DE RENDA FIXA 6800 63.751,69 17.326,55 17.326,55 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 6190 410.264,21 38.769,97 19.692,68 TITULO DE RENDA FIXA, POUPANÇA, LETRA HIPOTECÁRIA 3426 105.460,18 23.710,07 23.710,07 TOTAL 243.859,90 224.782,61 8.Considerando a DIPJ retificada (fls 111 a 147) e as retenções na fonte confirmadas, concluise conforme o quadro abaixo que foi apurado o saldo negativo no período no valor de R$ 224.782,61. Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.399 7 Apuração do saldo negativo –1º trimestre AC 2006 Total do IRPJ devido R$ 0,00 ()IR Retido na Fonte R$ 224.782,61 IRPJ a pagar R$ 224.782,61 (...) Consta, ainda, anexo à relatório de Informação Fiscal – Diligência que o crédito deferido não foi suficiente para quitação das 4 (quatro) DCOMP objeto dos autos, restando 01 (uma) com débito remanescente. Ou seja: que o crédito foi insuficiente para quitar o saldo remanescente de débito a pagar da COFINS de R$ 1.737,26 relativo à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006 – conforme Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa de 20/02/2013 (fls. 4.304 a 4.306), ou seja: Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes Contribuinte: 32.918.377/000110 BBTUR Trabalho: 001/13 DILIGENCIA 10166.903.359/200948 Cálculos para compensação deferida ANTES de: 17/03/2008 Débitos não parcelados Contribuinte DComp. Ordem Tributo P.A. Vencim. Moeda Valor Multa Perc. Processo. Saldo 32.918.377/0001 10 15/05/20 06 0001 2172 COFINS 04/2006 15/05/200 6 R$ 30.000,00 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 14/07/20 06 0002 2172 COFINS 06/2006 14/07/200 6 R$ 100.000,00 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 31/07/20 06 0003 6012 CSLL 22006 31/07/200 6 R$ 34.756,63 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 15/08/20 06 0004 2172 COFINS 07/2006 15/08/200 6 R$ 72.023,34 10166.903359/200948 1.737,26 (...) Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes Contribuinte: 32.918.377/000110 BBTUR Trabalho: 001/13 DILIGENCIA 10166.903.359/200948 Cálculos para compensação deferida ANTES de: 17/03/2008 Origem Ordem Tributo Data Moeda Valor Processo Saldo Recolhimento 0001 2362 IRPJ 31/03/2006 R$ 224.782,61 10166.903359/200948 0,00 Entretanto, quando da ciência do Acórdão recorrido em 05/09/20013, alega a recorrente que o saldo remanescente da Cofins a pagar, valor exigido, foi diverso, ou seja, R$ 20.089,64, quanto à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006, por insuficiciência de direito creditório, conforme Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes que se encontra transcrita nas razões do recurso: Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.400 8 Contribuinte DComp. Ordem Tributo P.A. Vencim Moeda Valor Multa Perc. Processo. Saldo 32.918.377/0001 10 15/05/20 06 0001 2172 COFINS 04/2006 15/05/200 6 R$ 30.000,00 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 14/07/20 06 0002 2172 COFINS 06/2006 14/07/200 6 R$ 100.000,00 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 31/07/20 06 0003 6012 CSLL 22006 31/07/200 6 R$ 34.756,63 10166.903359/200948 0,00 32.918.377/0001 10 15/08/20 06 0004 2172 COFINS 07/2006 15/08/200 6 R$ 72.023,34 10166.903359/200948 20.089,64 A recorrente alega que esse saldo remanescente a pagar da COFINS de R$ 20.089,64 – DCOMP nº 23907.34927.150806.1.3.025451 não merece prosperar, pois haveria 02 (dois) erros ou equívocs do fisco no Demonstrativo Analítico da Compensação/Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, ou seja: que, em relação à DCOMP nº 07922.15483.300307.1.7.026870, a qual foi transmitida em 30/03/2007, para retificar a DCOMP nº 11040.88757.150506.1.3.024402, foi desconsiderada a data da DCOMP original, sendo indevidamente considerada a data da DCOMP retificadora; que tal situação gerou a cobrança indevida de multa e juros de mora, conforme consta do Demonstrativo Analítico de Compensação, transcrito nas razões do recurso (efl. 4376); que outro equívoco diz respeito à atualização do direito creditório – saldo negativo do IRPJ do 1º trimestre/2006, pois a RFB utilizou a taxa SELIC acumulada a partir de janeiro/2007, quando o correto é considerar a atualização a partir de abril/2006, posto que a Recorrente apurou o IRPJ trimestralmente. que – por conseguinte – há divergências quanto ao saldo de débito remanescente da DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451 por insuficiência de crédito, pois: a) o Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa de 20/02/2013, aponta saldo a pagar R$ 1.737,26, nessa data (fls. 4.304 a 4.306), b) já o Demonstrativo Analítico de Compensação, emitido após prolação da decisão a quo, aponta saldo de débito remanescente de R$ 20.089,64 (que as datas, respectivas, para cada demonstrativo são muito próximas e não justificam essa gritante disparidade de valor do saldo a pagar). Em face disso, a recorrente questiona o saldo a pagar remanescente, pleiteando sua revisão, para a) que seja considerada a data de transmissão da Dcomp Original 11040.88757.150506.1.3.024402 (15.05.2006) como a data de efetiva liquidação do débito de Cofins (código 2172), período de apuração 04/2006, no valor de R$ 30.000,00, como efetivamente ocorreu , desconsiderando aplicação de multa e juros cobrados indevidamente; b) que seja feita a atualização monetária do saldo negativo do IRPJ do 1º Trimestre/2006 a partir de abril/2006, observando que a Empresa apurou o tributo pelo regime trimestral; Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.401 9 c) que seja considerado o saldo pagar (valor do principal da Cofins) do Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa de 20/02/2013 (fls. 4.304 a 4.306). Compulsando os autos, observase que o Demonstrativo Analítico de Compensação que aponta saldo remanescente de débito de R$ 20.089,64, quanto à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006, por insuficiciência de direito creditório, bem como respectiva Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, a que alude a recorrente nas razões do recurso, não constam dos autos, não foram juntados aos autos (cópia deles deveriam estar nos autos, como anexos à intimação do resultado do julgamento da DRJ/Brasília, porém, não foram juntados). Logo, há falha na instrução do processo que não permite ao julgador firmar convicção quanto ao mérito do cálculo Demonstrativo Analítico de Compensação que aponta débito remanescente de R$ 20.089,64 quanto à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006, Há, por conseguinte, necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Brasília a fim de que essa unidade do fisco: a) junte aos autos a tela do cálculo – Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, que apontaria débito remanescente de R$ 20.089,64 quanto à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006; b) verifique, se no referido Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como na Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, há, ou não, os alegados 2 (dois) erros ou equívocos suscitados pela recorrente, pois pediu revisão dos cálculos do débito remanescente da Cofins: que, diversamente do que consta do Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como na Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (que recebeu anexo à intimação da decisão recorrida), seja considerada a data de transmissão da Dcomp Original 11040.88757.150506.1.3.024402 (15.05.2006) como a data de efetiva liquidação do débito de Cofins (código 2172), período de apuração 04/2006, no valor de R$ 30.000,00, como efetivamente ocorreu, desconsiderando aplicação de multa e juros cobrados indevidamente; que, diversamente do que consta do Demonstrativo Analítico de Compensação, bem como na Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (que recebeu anexos à intimação da decisão recorrida), seja feita a atualização monetária do saldo negativo do IRPJ do 1º Trimestre/2006 a partir de abril/2006, observando que a Empresa apurou o tributo pelo regime trimestral; Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10166.903359/200948 Resolução nº 1802000.623 S1TE02 Fl. 4.402 10 c) justifique pelo qual o saldo remanescente a pagar quanto à DCOMP 23907.34927.150806.1.3.025451, transmitida em 15/08/2006, não é aquele constante do Demonstrativo Analítico de Compensação, tela impressa de 20/02/2013, que aponta saldo a pagar R$ 1.737,26, nessa data (fls. 4.304 a 4.306). c) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, de forma objetiva, tratando, de forma cabal, em relação a cada um dos questionamentos formulados pela recorrente e apresentados acima e no relatório; d) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000068/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 4o trimestre de 2002. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se trata de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 06 8/ 20 05 -0 1 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000068/200501 Resolução nº 3401000.848 S3C4T1 Fl. 3 2 O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência (fls.1075/1077), consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise dos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro que ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, dentre eles, as folhas do livrorazão anexadas ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000068/200501 Resolução nº 3401000.848 S3C4T1 Fl. 4 3 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000068/200501 Resolução nº 3401000.848 S3C4T1 Fl. 5 4 Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000780/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DESPESA. DEDUTIBILIDADE.
Procede a glosa de despesa quando a mesma não pertence à contribuinte, mas a terceiros e quando o valor.
Numero da decisão: 1401-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
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DEDUTIBILIDADE. Procede a glosa de despesa quando a mesma não pertence à contribuinte, mas a terceiros e quando o valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 80 /2 00 7- 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL em decorrência de glosa pelo registro, no ano calendário 2003, de provisões não autorizadas pela legislação de regência. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: DA FINALIDADE DO PRESENTE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO 0 presente procedimento administrativo de fiscalização foi instaurado pelo Delegado da Receita Federal em Sao Bernardo do Campo com a finalidade de apurar se os valores lançados pelo contribuinte na sua Declaração de Informações Econômico Fiscais do exercício 2004 a titulo de Outras Despesas Operacionais são necessários para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa ou a manutenção da respectiva fonte. Tal verificação acontece, uma vez que a base de cálculo do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, na modalidade lucro real, consiste na diferença algébrica entre as receitas tributáveis auferidas pelo contribuinte no ano, deduzidas das despesas exigidas pela atividade da empresa e admitidas pela legislação desta exação. INFORMACOES SOBRE A PESSOA JURÍDICA FISCALIZADA. A fiscalizada é uma pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta do município de Diadema, que teve sua criação autorizada na forma de sociedade de economia mista por força da lei número 1.254 de 09 (nove) de junho de 1993 e realizada por meio de lavratura de Escritura Pública de Constituição de Sociedade Anônima registrada no 1 ° Tabelionato de Notas da Comarca de Diadema SP. TERMO DE VERIFICACAO FISCAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PRATICADOS E SUAS CONCLUSÕES 1° 0 contribuinte foi intimado por meio de aviso de recebimento (AR) da ECT em 13 de setembro de 2007 a detalhar os valores que compõem a rubrica Outras Despesas Operacionais, que monta em R$ 11.823.900,44 e corresponde a 39,31% do valor total de R$ 30.077.583,60 lançados na Declaração de Informações EconômicoFiscais do exercício 2004 como Despesas Operacionais. Em resposta à intimação, o fiscalizado detalhou o montante de R$ 11.823.900,44, conforme descrito na tabela abaixo: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 4 3 2° Este servidor decidiu analisar as contas de despesa "Materiais, Provisão para Devedores Duvidosos e Arrendamento Prefeitura" que juntas totalizam 90,20% do montante de R$ 11.823.900,44 da rubrica Outras Despesas Operacionais, conforme disposto nos itens seguintes. 3° 0 balancete analítico apontou que a conta contábil "Material", número 4.4, registrou no ano 2003 o valor de R$ 1.147.326,86, o qual tem a seguinte composição: 4° Este servidor decidiu analisar os maiores valores que compõem a conta de despesa número 4.4.1.08 (Material Direto) que registrou no ano de 2003 o montante de R$ 615.014,36, intimando, assim, o fiscalizado a apresentar os documentos que comprovem os valores lançados nas subcontas contábeis descritas na tabela abaixo: Em resposta à intimação, o fiscalizado informou que os valores lançados nas contas selecionadas para análise são resultantes das requisições de matérias dos setores descritos na tabela à conta contábil Estoque de Materiais. À vista desta informação, este servidor validou os valores lançados a débito na referida conta Estoque de Materiais, mediante análise das notas fiscais dos fornecedores que Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 5 4 contêm materiais de manutenção destinados à atividade da empresa e a baixa a crédito por força das requisições de materiais, não apurando quaisquer infrações à legislação. 5° Do valor de R$ 4.470.805,53 contabilizado como despesa de Provisão para Devedores Duvidosos no ano de 2003, o contribuinte adicionou na apuração do lucro real do ano de 2003 o valor de R$ 2.467.928,00. Intimado por meio de aviso de recebimento (AR) da ECT, o fiscalizado comprovou a existência dos créditos lançados como despesa contábil de Provisão para Devedores Duvidosos no ano de 2003, bem como a discriminação individualizada dos valores vencidos há mais de 12 meses e que se encontravam em processo de cobrança que montam em R$ 2.002.877,53 (diferença entre o valor da despesa R$ 4.470.805,53 deduzido do valor adicionado ao LALUR R$ 2.467.928,00), preenchendo assim as condições objetivas para sua dedução como despesa do período. 6° Promovi o confronto entre os valores contabilizados e os lançados nas DCTF's do período compreendido entre os meses de junho de 2002 a abril de 2007 dos tributos IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COF1NS, não apurando divergências. 7° Este servidor analisou a relação jurídica que estabeleceu/criou a despesa "Arrendamento Prefeitura" no valor de R$ 5.051.678,40 e concluiu pela sua indedutibilidade para fins de IR, conforme exposto no tópico "Infrações Apuradas". INFRACOES APURADAS PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS O contribuinte no ano de 2003 contabilizou a despesa operacional intitulada "Arrendamento Prefeitura" no montante de R$ 5.051.678,40, que reflete os efeitos do negócio jurídico de arrendamento oneroso dos bens públicos do município de Diadema para a SANED e que foi oficializado por meio do contrato de Arrendamento e Prestação Mútua de Serviços. Este servidor considera incompatível a dedução desta despesa pelas razões de direito a seguir descritas: a) A prefeitura do município de Diadema celebrou com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) um contrato de concessão para que esta explorasse a execução e exploração de saneamento básico pelo prazo de 30 (trinta) anos a contar do dia 05 de março de 1975. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 6 5 Por ocasião da concessão, a prefeitura do município de Diadema transferiu à SABESP os bens patrimoniais de uso comum destinados a execução e exploração de saneamento básico, conforme descrito no artigo 8 ° da lei número 497/74 e na cláusula 4°, §1° do contrato de concessão; A prefeitura do município de Diadema amparada na lei número 1.254/93 extinguiu por ato unilateral a concessão dos serviços concedidos A SABESP antes do prazo estabelecido para a concessão, ficando, assim, sujeita ao pagamento de indenização nos termos dos artigos 36 e 37 da lei federal número 8.987 de 13 de fevereiro de 1995; Amparada na autorização legislativa prevista na lei número 1.254/93, a SANED foi criada através de Escritura Pública de Constituição de Sociedade Anônima com o fim de "explorar os serviços públicos de abastecimento de água e os esgotos sanitários do município de Diadema"; A Prefeitura do município de Diadema detém o controle acionário da fiscalizada (70%) e valendose dessa relação de supremacia celebrou com a mesma um contrato de Arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos bens públicos municipais vinculados exclusivamente aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário; 0 contrato de arrendamento celebrado entre a Prefeitura do Município de Diadema e SANED estipula o seguinte: Cláusula 2a Do valor do Arrendamento dos Bens — "o valor base de cálculo do arrendamento será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura do Município de Diadema e a SABESP, com a interveniência da SANED, para indenização dos bens objeto da reversão da rescisão da concessão firmada entre as mesmas"; § 1° Até que seja concluído o processo de apuração do valor da indenização entre a PMD e a SABESP fica definido o valor provisório de R$ 35.000.000,00; § 3 0 0 custo do arrendamento será de 1% ao mês, calculados sobre os valores base de cálculo definidos nos parágrafos anteriores; 0 artigo 3° da lei número 1.254/93 que autorizou a constituição da SANED determina que "0 município de Diadema providenciará no sentido de apurar créditos ou débitos da Concessionária (SABESP), observado o disposto no parágrafo único do artigo 293, das Disposições Constitucionais Gerais da Constituição do Estado de Sao Paulo. Em vista do exposto e considerando que: Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 7 6 1° A fiscalizada tem personalidade jurídica distinta da Prefeitura do Município de Diadema que a criou; 2° 0 valor base de cálculo do arrendamento celebrado entre a Fiscalizada e a Prefeitura de Diadema será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Municipalidade e a SABESP, a titulo de "indenização" 3° Que o artigo 3° da lei número 1.254/93, que autorizou a criação da fiscalizada determina que cabe à Prefeitura do Município de Diadema apurar créditos ou débitos da Concessionária (SABESP) e não à SANED; 4° Que o sujeito passivo da indenização (Obrigação de indenizar) a ser paga à SABESP é a Prefeitura do Município de Diadema e não a SANED; 5° Que uma despesa para ser considerada incorrida ou consumida deve ser necessária para à manutenção da atividade da empresa, mantendo uma conexão direta de causa e efeito sob o regime de competência de exercício. 6° Em sentido contrário ao que prescreve o artigo 47 da lei número 4.506/64 e o artigo 299 do "RIR/99", promulgado pelo Decreto número 3.000 de 26/03/1999, serão tratados como desnecessários aqueles que não possuem uma relação vinculada à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtiva para a realização das transações ou operações exigidas por lei. 7° No caso em tela, o desembolso foi apropriado mensalmente sem uma conexão de causa e efeito com a atividade da fonte produtiva. 8° Ao se estabelecer para a SANED, por contrato (De arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos Bens Públicos), uma remuneração atribuída Prefeitura de Diadema cujo fato gerador seria uma indenização ajustada (inclusive judicialmente) entre a Municipalidade e a Sabesp por quebra unilateral de vontade, constatase, fiscal e contabilmente a realização de uma provisão para perdas, no regime de competência, cuja dedução está vedada expressamente em lei. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutivel e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 8 7 INFORMAÇÕES FINAIS. Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional proceder a novas verificações, mesmo em relação ao período ora verificado, em decorrência de novos fatos ou novas circunstâncias que possam advir. 0 presente procedimento administrativo somente analisou os valores lançados pelo contribuinte em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais do exercício 2004 como Outras Despesas Operacionais. E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente termo em três vias de igual teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal cuja ciência ao contribuinte se dará por meio de Aviso de Recebimento (AR) da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Em sede de impugnação, a Recorrente aduziu a improcedência do auto de infração, assim resumido no âmbito da DRJ, a saber: Registra, de inicio, ter personalidade jurídica própria e responder por suas obrigações tributárias como pessoa jurídica de direito privado, cujo capital social é formado por ações das quais 70% são detidas pela Prefeitura Municipal de Diadema, não se confundindo com órgãos da administração pública direta. Aborda o Contrato de Arrendamento Mercantil pelo qual arrendou, da Prefeitura Municipal de Diadema, bens públicos (móveis ou imóveis) a ela pertencentes, especialmente rede de tubulação de água e esgoto, reservatórios e estações de tratamento existentes no Município, os quais facilitariam a execução do serviço/interesse público. O arrendamento se deu mediante a contraprestação estabelecida na cláusula 7' do contrato e que vem sendo paga ano a ano mediante depósitos ou encontro de contas (doc. 36). Defende a existência de relação de causa/efeito para a despesa questionada, alegando que: dado o objetivofim da Impugnante a utilização dos bens (rede de abastecimento de água, rede de coleta de esgotamento sanitário, reservatórios) deve ser paga A Municipalidade (arrendadora); Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 9 8 ainda que o dispêndio com o arrendamento tenha por base o valor a ser pago a titulo de indenização pela Prefeitura de Diadema à SABESP por força da encampação do serviço e reversão dos bens (doc. 31/35), é fato que as obrigações contraídas entre PMD e SANED decorrem da utilização dos bens, não podendo serem tidas como indedutiveis; ao contrário do alegado pelo Sr. Auditor, o valor pago para a PMD tem como BASE DE CÁLCULO, o valor final a ser ajustado entre PMD e SABESP, e este valor, motivo de disputa judicial (doc. 79), não impede o pagamento pela Impugnante do valor provisório firmado no aditamento ao arrendamento de R$ 35.000.000,00 (trinta e cinco milhões) por 10 anos (doc. 46); o pagamento da obrigação pelo arrendamento é, dessa forma, independente do valor que vier a ser atribuído ex indenização pelos bens, entre PMD e SABESP, devendo a impugnante pagar pela utilização dos bens que já foram revertidos e incorporados à Municipalidade; o fato de a Municipalidade ainda não ter pago pelos bens que arrendou ora impugnante, não pode impedir o pagamento do arrendamento pela Impugnante, pois obrigação com sujeitos ativos e passivos distintos; irrelevante o fato da Impugnante ter mais de 70% de suas ações em poder da Prefeitura Municipal, uma vez que, como já salientado, são personalidades jurídicas DISTINTAS, com obrigações civis, tributárias e comerciais distintas, não tendo qualquer vinculo hierárquico entre os dois órgãos. Considera inaplicáveis ao caso os dispositivos legais apontados na autuação, porque não descumpridos perante o Fisco, argumentando: quanto ao art. 299 do RIR/99: que todos os bens públicos arrendados (tubulações de água e esgoto, reservatórios, galpões, estações de tratamento, etc), SÃO diariamente utilizados pela Impugnante, sendo ESSENCIAL para sua atividade de prestadora de serviço público; que a falta de pagamento pelos bens arrendados poderia ensejar a rescisão do contrato pelo inadimplemento, causando SÉRIOS E GRAVES prejuízos aos usuários, além de ensejar verdadeiro enriquecimento sem causa da Impugnante, utilizando bens SEM a contraprestação necessária; quanto aos art. 294, I, e 251, § único, do RIR199: incabível sua aplicação, por se tratar de despesas Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 10 9 operacionais, cujos valores são tidos como dedutiveis do lucro real e estão corretamente escrituradas; quanto ao art. 13, I, da Lei 9.249/98: Inaplicável, uma vez que o RIR permite a dedução de despesas operacionais, nos termos do art. 299 do mesmo regulamento; quanto aos dispositivos que fundamentam o lançamento de CSLL: por serem corolários da equivocada autuação quanto ao IRPJ, não her insuficiência na determinação da base de cálculo da CSLL, uma vez que os valores declarados correspondem ao lucro real da empresa. Assevera que, tratandose de contrato de arrendamento de bens públicos móveis e imóveis, a jurisprudência administrativa é pacifica no sentido da possibilidade de tal pagamento classificarse como despesa dedutivel. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese, destacando: serem dedutiveis as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil, desde que comprovado estarem os bens arrendados intrinsecamente relacionados com a produção e comercialização dos bens e serviços, bem como as despesas relacionadas com os referidos bens; insubsistência da cobrança de IRPJ sobre parcelas pagas em contrato de arrendamento mercantil, reputado compra e venda simulada. Opõese ao entendimento fiscal de que não poderia a fiscalizada pagar a indenização devida pela PMD à SABESP, pois tal despesa não seria de sua titularidade, argumentando tratarse de despesa existente para pagamento por utilização de bens públicos de propriedade da Prefeitura, de modo que nada haveria de ilegal na contraprestação em dinheiro ou encontro de contas. Reportase à ementa de decisão judicial em que o TRF da 3a Regido teria considerado plenamente possível uma empresa controlada pagar à controladora, valores computados como despesa operacional (pagamento de prestação de serviços administrativos, contábeis, financeiros, comerciais, jurídicos), sendo considerados dedutiveis e não compondo a renda ou lucro real ou liquido para fins de tributação do art. 299 do RIR/99 e 47 da lei 4.506/94. Conclui ser perfeitamente possível EXISTIR contrato entre empresa controladora e controlada, deduzindose como despesas operacionais o pagamento de uma Trpara outra, Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 11 10 e, mutatis mutandis, outorga para a Impugnante a legalidade da provisão de perdas no regime de competência, com deduções (despesas operacionais) permitidas pela lei. Discorda da base de cálculo utilizada na autuação alegando que o valor que efetivamente deixou de integrar a renda/ativo no período contabilizado de 2003, foi de la 2.562.390,10 (doc. 47), valor este que foi pago a titulo de arrendamento, e não R$ 5.051.678,40. Finaliza resumindo seus argumentos nos seguintes tópicos: 0 contrato de arrendamento tem valor certo (aditamento, doc. 46), sendo despesa operacional revestida de normalidade, necessidade, efetividade e usualidade devida da Impugnante; Não há a necessidade de glosar as despesas, uma vez que é dever legal e contratual da arrendatária (SANED) pagar os bens arrendados à Prefeitura de Diadema; Se o valor do arrendamento tiver mas não tem como base de cálculo o futuro valor da indenização a ser pago pela Prefeitura ei SABESP, isto não impede o imediato pagamento (do arrendamento), uma vez que os bens esteio sendo utilizados nas atividades diárias da Impugnante, devendo haver a devida contrapresta cão, sob pena de enriquecimento sem causa; A responsável pelo pagamento da indenização dos bens revertidos é da Municipalidade de Diadema, pessoa jurídica distinta da Impugnante e com obrigações tributárias, comerciais e civis próprias. A responsabilidade pelo pagamento do arrendamento (locação para o direito privado) é da Impugnante. Cada Ente responde pelas suas obrigações; Caracterizado como despesa operacional, aplicase o art. 299 do RIR/99 c.c 47 da lei 4.506/94, revestindose de legalidade o ato da dedução contábil para "outras despesas" que não entram no fato gerador do IRPJ e no corolário tributo CSLL. Em julgamento perante a Delegacia Regional de Julgamento de Campinas, a Turma Julgadora entendeu por manter o auto de infração, tendo a decisão sido assim ementada: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 12 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPESA. DEDUTIBILIDADE. CONTRATO DE ARRENDAMENTO. Indedutível a despesa decorrente de contrato de arrendamento de bens mensurada em função de valor de obrigação da arrendadora para com terceiros. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. A contabilização de despesa mensurada por parâmetro que denota liberalidade em favor de empresa controladora implica inobservância do principio contábil da entidade, ensejando a glosa da despesa na apuração do lucro liquido da empresa base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. A questão referese à glosa de valores registrados pela Contribuinte como “Arrendamento Prefeitura”, relativos a valores que deveriam ter sido recebidos junto à Prefeitura de Diadema, em montante equivalente ao que a SABESP deverá indenizar a municipalidade. Não vejo como referida dedução seja possível. Do voto da DRJ, temse o seguinte: Ao se estabelecer para a SANED, por contrato (De arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos Bens Públicos), uma remuneração atribuída Prefeitura de Diadema cujo fato gerador seria uma indenização ajustada (inclusive judicialmente) entre a Municipalidade e a Sabesp por quebra unilateral de vontade, constatase, fiscal e contabilmente a realização de uma provisão para perdas, no regime de competência, cuja dedução está vedada expressamente em lei. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutível e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutivel e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 14 13 (...) Nestas circunstâncias, não há como admitir que as despesas de arrendamento sejam normais e usuais. O valor despendido para concretização dos serviços, além da necessidade, deve refletir a normalidade e usualidade no despenho da atividade. Argumenta, ainda, a impugnante que o pagamento da obrigação pelo arrendamento independe do valor que vier a ser atribuído à indenização devida pela Prefeitura Municipal à SABESP. Todavia não é isso que reflete a cláusula 2 a do contrato de arrendamento entre a Prefeitura e a SANED, que expressamente fixa a base de cálculo do arrendamento em função do valor final da indenização a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura e a SABESP. Para maior clareza transcrevese novamente o caput da cláusula 2a: "o valor base de cálculo do arrendamento será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura do Município de Diadema e a SABESP, com a interveniencia da SANED, para indenização dos bens objeto da reversão da rescisão da concessão firmada entre as mesmas." (Destaque acrescido). Em verdade, não só o valor devido pela SABESP cabe, em um primeiro momento, à Prefeitura de Diadema como referido valor é incerto. Não pode, assim, a Contribuinte, lançar como despesa o valor equivalente a essa inadimplência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 15 14 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13896.910153/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 15 3/ 20 12 -1 3 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13839.000516/2002-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/05/2000
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADA INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA APURADA E NÃO PAGA OU CONFESSADA. POSSIBILIDADE.
Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento de ofício decorrente de procedimento de revisão aduaneira, em que apurada insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na operação de importação, por aplicação incorreta de alíquota do tributo devido.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/05/2000 REDUÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDICAÇÃO CORRETA DE “EX” TARIFÁRIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a exigência da diferença de crédito tributário apurada, uma vez comprovado, por meio de laudo técnico, que a descrição do equipamento importado se enquadra no texto do “ex” tarifário indicado na Declaração de Importação (DI). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/05/2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. INDEVIDA A COBRANÇA DA DIFERENÇA DO II. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Se incabível a cobrança diferença do II, de forma reflexa e automática, torna se indevida a recomposição da base de cálculo do IPI vinculado à respectiva operação de importação e, em decorrência, a cobrança do IPI lançado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/05/2000 MULTA DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO DO EQUIPAMENTO COM TODOS OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À SUA IDENTIFICAÇÃO E AO ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO PLEITEADO. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. INAPLICABILIDADE. Não constitui infração punível com a multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a indicação indevida de destaque “ex”, nos casos em que o produto apresenta todos os elementos necessários à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 05 16 /2 00 2- 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO (LI). INEXIBILIDADE DE NOVO LICENCIAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Se inexigível novo licenciamento, automático ou não, inocorre a infração ao controle administrativo por falta de LI, em consequência, inaplicável a multa correspondente. A manutenção da classificação fiscal declarada pelo importador, obviamente, dispensa a realização de novo licenciamento da mercadoria importada. MULTA POR FALTA DE LI. DESCRIÇÃO DO EQUIPAMENTO COM TODOS OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À SUA IDENTIFICAÇÃO E AO ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO PLEITEADO. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁ FÉ. INAPLICABILIDADE. Se exigível novo licenciamento, automático ou não, não constitui infração administrativa ao controle das importações, punível com a multa por falta de LI, a indicação indevida de destaque “ex”, nos casos em que a descrição do equipamento apresenta todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/05/2000 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADA INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA APURADA E NÃO PAGA OU CONFESSADA. POSSIBILIDADE. Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento de ofício decorrente de procedimento de revisão aduaneira, em que apurada insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na operação de importação, por aplicação incorreta de alíquota do tributo devido. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 101 3 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 4/13), em que formalizada a exigência de Imposto sobre a Importação (II) e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de multa de ofíco, multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação (LI) e de juros de mora, calculados até 21/1/2002, no total de R$ 1.903.127,03. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 14/23, a fiscalização informou que, em ato de revisão aduaneira da adição 001 da Declaração de Importação (DI) de nº 00/04728364, registrada em 26/5/2000, parametrizada para o canal vermelho de conferência, apurou que a autuada beneficiarase indevidamente de “ex” tarifário previsto para mercadoria diferente da que fora importada, razão pela qual era devido o recolhimento dos referidos gravames. A fiscalização ainda esclareceu que: a) mercadora submetida a despacho fora descrita na DI como sendo “Unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso, com separação de ar, com grau de pureza igual ou superior a 90% de oxigênio, vasos de processo e de estocagem, bomba de vácuo, compressores de ar e de oxigênio e silenciadores, com respectivos painéis de controle e peças de instalação integrantes do sistema, desmontado para transporte”, classificada no código NCM 8479.89.99 e no “ex” tarifário nº 154, com redução do II de 18% para 5%. b) com base na conclusão apresentada no Laudo Técnico oficial de fls. 114/118, no sentido de que a mercadoria importada era compatível com a descrita no texto do referido “ex”, a fiscalização aduaneira procedeu o desembaraço aduaneiro sem qualquer exigência de crédito tributário; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 c) posteriormente, em procedimento de revisão aduaneira, solicitara novo Laudo Técnico oficial (fls. 56/72), que fora elaborado por outro perito e, nesta nova inspeção, baseandose na verificação física do equipamento em funcionamento no estabelecimento industrial do importador, o perito concluíra que o produto importado não se enquadrava no texto do “ex” pleiteado; e d) a divergência básica entre os dois laudos referiase ao estado (gasoso ou líquido) do oxigênio produzido pela máquina, isto é, o texto do “ex” pleiteado referiase à obtenção de oxigênio em estado gasoso e o segundo perito concluíra que o equipamento prestavase à obtenção de oxigênio em estado líquido. Em sede de impugnação, a autuada alegou que: a) o equipamento importado enquadravase no texto do “ex” pleiteado, conforme reconhecido pelo primeiro laudo (base para o desembaraço) e solicitou a realização de nova perícia para dirimir controvérsia entre as conclusões dos laudos; b) questiona o instituto da revisão aduaneira, alegando que, nos termos do art. 145 e 149, IV e VII, do CTN, a revisão aduaneira de ofício só poderia ocorrer quando se comprovasse falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória, o que não ocorrera o caso em tela; c) a revisão lançamento por erro de direito não detectado pelo fisco, que a aceitou integralmente as informações do importador, constituíase em alteração de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN; d) não tinha relevância os detalhes apresentados no laudo pericial que embasou o desenquadramento do “ex”, pois, a unidade importada produzia tanto oxigênio gasoso como líquido, com pureza acima de 90%; e) a perfomance do equipamento descrito no catálogo do fabricante (fls. 56/72), pelo qual a planta produz apenas oxigênio líquido e nada de oxigênio gasoso, referese apenas a uma das configurações, havendo outras configurações alternativas; e f) era indevida a aplicação da multa de ofício, por falta de recolhimento dos tributos, e a multa do controle administrativo, por importação ao desamparo de LI. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 209/234), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 26/05/2000 INDICAÇÃO INDEVIDA DE DESTAQUE “EX”. Constatandose que as características da mercadoria importada não se enquadram literalmente no texto do destaque “EX” tarifário, cabe a descaracterização do mesmo por parte da fiscalização, bem como a exigência dos tributos devidos, com os respectivos acréscimos legais, inclusive os reflexos sobre o IPI vinculado à importação. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 102 5 Constatado que classificação fiscal e a descrição da mercadoria indicadas na Licença de Importação divergem em relação ao produto submetido a despacho aduaneiro, fica configurada a importação ao desamparo do citado documento, fato punível com a multa de trinta por cento do valor da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO: A declaração inexata da mercadoria que implique em desenquadramento de EXtarifário, enseja a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, em conformidade com o que expressamente dispõe a legislação em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/05/2000 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO PELO CTN O desembaraço aduaneiro da mercadoria não implica homologação dos atos praticados pelo importador. Configurada a importação de mercadorias ao desamparo de benefício fiscal (EX tarifário), é cabível a revisão aduaneira, desde que não haja decaído, à Fazenda Nacional , o direito de constituir o crédito tributário. (art. nº 455 do Decreto nº 91.030, de 05/03/1985 Regulamento Aduaneiro) REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço da mercadoria não configura homologação do recolhimento realizado pelo contribuinte. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico (o qual é vedado pelo art. 146 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/05/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. De acordo com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, indeferese o pedido de perícia quando a solicitante apresenta apenas razões vagas e genéricas para justificar a sua realização, e não indica qualquer quesito que pretenda seja respondido. Ademais, considerase a perícia prescindível para o deslinde da matéria em discussão, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para o julgador firmar seu convencimento. Em 22/12/2008, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 318). Inconformada, em 19/1/2008, protocolou o recurso voluntário de fls. 264/304, em que Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou a existência de prescrição intercorrente. Na Sessão de 18 de março de 2008, por intermédio da Resolução nº 3102 00.110 (fls. 320/323), os membros deste Colegiado, converteram o julgamento em diligência, para que fosse a unidade da Receita Federal de origem informasse se mercadoria desembaraçada, tal como classificada na posição indicada pela autoridade fiscalizadora, no auto de infração, estava sujeita ao licenciamento nãoautomático à época do fato gerador. Além disso, a fim de melhor analisar a lide, fosse complementado o laudo pericial e respondido pelo perito oficial os seguintes questionamentos, in verbis: 1) A mercadoria desembaraçada produz apenas oxigênio em estado líquido ou produz oxigênio em estado gasoso e líquido? 2) Caso produza oxigênio em estado gasoso e líquido, procede o argumento do contribuinte de que o oxigênio é produzido em estado líquido apenas para conservação e/ou transporte, não possuindo aplicação em estado líquido? Em atendimento às solicitações contidas na citada Resolução, foram colacionados aos autos (i) cópia da legislação sobre o tratamento administrativo dos produtos classificados no código NCM 8479.8999 (fls. 340/344), vigente na época da importação, (ii) novo Laudo Técnico elaborado pela perita Soelly Magalhães do Valle (fls. 310/413), com as resposta aos quesitos formulados no citado pedido de diligência, e (iii) manifestação da recorrente a respeito das conclusões apresentadas no Laudo Técnico (fls. 416/420). Na referida manifestação, a recorrente alegou que, das afirmações apresentadas no novo Laudo, em resposta ao primeiro quesito, depreendiase que a mercadoria desembaraçada tanto produzia oxigênio em estado gasoso quanto em estado líquido, conforme asseverou primeiro assistente técnico. Outrossim, esclareceu que, no estudo realizado na planta instalada, verificavase que o fabricante do equipamento criara um desvio de oxigênio líquido que faz com que este retornasse à quarta etapa e fosse transformado em oxigênio gasoso. Logo, devia ser reconhecida como correto o enquadramento no “ex” tarifário pleiteado pela recorrete. Ainda segundo a recorrente, a perita afirmara que o oxigênio na forma líquida ocupava menos espaço e facilitava a armazenagem e o transporte, logo a planta industrial permitia a obtenção tanto do oxigênio líquido quanto do gasoso, sendo certo que a forma líquida era utilizada única e tão somente para facilitar o armazenamento e/ou transporte do produto. Ademais, a aplicação final do oxigênio davase somente sob a forma gasosa, sendo esta a única destinação dada pela recorrente ao oxigênio na forma líquida. Também discordou dos exemplos de aplicação do oxigênio líquido, apresentados no referido Laudo. Em 18/10/2011, os autos retornaram a este Conselho. Na Sessão de 24/7/2014, foram redistribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 103 7 A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito. I Da Análise das Questões preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou: a) nulidade das autuações por impossibilidade de revisão do lançamento por mudança de critério jurídico; e b) a existência de prescrição intercorrente. Da nulidade das autuações. A recorrente alegou nulidade das autuações com base no argumento de que o presente procedimento o lançamento não poderia ser revisto, em face da mudança de critério jurídico, prevista no art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) No âmbito do lançamento tributário, de acordo com o referido preceito legal, para a configuração da mudança do critério jurídico nele prevista, três condições cumulativas são necessárias, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico (condição necessária); b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. No caso em tela, nenhuma das condições foram atendidas, pois se não houve prévio lançamento de ofício (condição necessária), consequentemente, não houve a alegada mudança do critério jurídico. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de natureza mista, realizado com o objetivo de liberar a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Ele processase e tem como documento base a Declaração de Importação (DI), elaborada e registrada pelo importador no Siscomex, e se desenvolve em duas etapas sequenciais: a fase conferência aduaneira e a fase de revisão aduaneira. A fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), proferido pela autoridade fiscal, e tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade de conferência é a liberação da mercadoria. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, e tem por finalidade apurar a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade de revisão é a constituição de eventual diferença de crédito tributário apurada. O procedimento de revisão aduaneira, encontrase previsto no art. art. 541 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, que remete ao regulamento o estabelecimento dos requisitos para o citado procedimento. No Regulamento de Aduaneiro de 2002 (Decreto 4.543/2002), o procedimento encontravase disciplinado no art. 570, a seguir transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Os referidos preceitos legal e regulamentar estão em perfeita consonância com o disposto no art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) 1 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 104 9 Assim, os lançamentos em questão estão respaldados no art. 149, I, do CTN, combinado com o disposto no art. 54 do Decretolei 37/1966, em consequência, não lhe sendo aplicável o disposto no art. 149, IV e VII, do CTN, conforme alegado pela recorrente. Com base nessas considerações, fica demonstrado que os presentes lançamentos tratam de alteração no procedimento de apuração do crédito tributário apurado pela própria recorrente na adição 001 da Declaração de Importação (DI) de nº 00/04728364, registrada em 26/5/2000. Em outros termos, tratase de procedimento de revisão do lançamento por homologação, ou seja, procedimento de apuração de crédito tributário realizado pela própria recorrente no âmbito do respectivo despacho aduaneiro de importação. Dessa forma, não se aplica ao caso em tela, a restrição prevista no art. 146 do CTN, em decorrência, não existe a alegada nulidade dos lançamentos por mudança de critério jurídico suscitada pela recorrente, pois, além de não ter havido lançamento de ofício anterior, a realização do novo lançamento decorreu de fato novo não conhecido anteriormente pela autoridade fiscal, qual seja, a unidade fabril em destaque não se destinava a produção oxigênio gasoso, como informado na DI e descrito no texto do mencionado “ex” tarifário, mas a produção de oxigênio líquido, conforme concluíra o segundo Laudo Técnico, com base no qual foi realizada autuação. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar nulidade das autuações suscitada pela recorrente. Da prescrição intercorrente. A recorrente alegou a perda do direito de cobrança da Fazenda Nacional, caracterizada pela inércia no julgamento da lide, que ficou pendente por mais de 5 (cinco) anos, haja vista que as autuações foram impugnadas em 19/3/2002 e a decisão de 1ª instância somente fora proferida em 22/12/2008. Não assistente razão a recorrente. A prescrição intercorrente, prevista no § 1º do art. 1º2 da Lei nº 9.873, de 1.999, aplicase exclusivamente à ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, concernente ao exercício do poder de polícia. Com efeito, o disposto no referido preceito legal, não se aplica ao processo administrativo fiscal, conforme expressamente ressalvado no art. 5º da referida Lei, a seguir a transcrito: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. 2 "Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2º Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição regerseá pelo prazo previsto na lei penal. Art. 1ºA. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)". Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 No âmbito processo administrativo fiscal, por falta de previsão legal, o instituto da prescrição intercorrente não tem aplicação. Na seara processual tributária, esse instituto somente se aplica ao processo de execução fiscal, nos termos do art. 40, § 4º, da Lei nº 6.830, de 1980, com redação dada pelo Lei 11.051/2004. Esse entendimento está em consonância com a jurisprudência deste Conselho, sedimentado por meio da Súmula CARF nº 11, que tem o seguinte teor: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Além disso, por força do disposto no art. 46, VI, do Anexo II do Portaria MF 256/2009 (RICARF), os membros deste Conselho estão obrigados a observar o teor das referidas súmulas. Com base nas razões expostas, não há como acolher a tese da recorrente em defesa da aplicação ao caso em tela da alegada prescrição intercorrente. Do pedido de realização de diligência. Em face do Princípio da Verdade Material que rege o processo administrativo fiscal, a recorrente pleiteou à baixa do processo em diligências, a fim de que fosse submetida ao parecer do “Instituto Nacional de Tecnologia – INT”, para opinar sobre o presente caso, visando à elucidação das questões que controvertidas, em especial quanto a real produção do oxigênio, cuja precisão se mostra absolutamente necessária in casu. Tratase de matéria superada, haja vista que a realização da referida diligência já foi deferida pelos membros deste Colegiado, inclusive, tendo sido realizada por assistente técnico credenciado perante a unidade da Receita Federal de origem. II Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, o cerne da controvérsia gira em torno da utilização da redução da alíquota do Imposto sobre a Importação de 18% (alíquota cheia) para 5% (alíquota beneficiada), prevista para o “ex” tarifário nº 154, instituído pela Portaria MF 202/1998, pertinente ao código 8479.89.99 da Tarifa Externa Comum (TEC), para a unidade fabril assim descrita: Unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso, com separação de ar, com grau de pureza igual ou superior a 90% de oxigênio, vasos de processo e de estocagem, bomba de vácuo, compressores de ar e de oxigênio e silenciadores, com respectivos painéis de controle e peças de instalação integrantes do sistema, desmontado para transporte. Com base nas respostas apresentadas no segundo Laudo Técnico (fls. 56/59), concluiu a fiscalização que a unidade fabril importada pela recorrente não tinha as características exatas e essenciais da unidade integrada descrita no citado “ex” tarifário, porque não se tratava de uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso”, mas uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio líquido com grau de pureza de 99,6%”. Por sua vez, no recurso em apreço, a recorrente reafirmou a alegação de que unidade fabril por ela importada era uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso”, conforme descrito no primeiro Laudo Técnico (fls. 115/118), elaborado com base na unidade fabril desmontada e nos desenhos e dados técnicos extraídos do manual do fabricante de fls. 119/141 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 105 11 Com base no exposto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia cingese apenas ao tipo de oxigênio produzido pela referido unidade fabril (se líquido ou gasoso). Ademais, a forma de armazenagem e o modo de transporte tratamse de informações complementares sobre o manuseio e transporte do citado produto, sem relevância para o deslinde controvérsia. Em relação ao ponto fulcral da controvérsia, o primeiro Laudo Técnico (fls. 115/118) afirmou que o unidade fabril importada correspondia à descrição consignada no citado “ex” tarifário, conforme resposta ao primeiro quesito, mas não afirmou que a dita unidade fabril produzia apenas oxigênio gasoso como afirmara a recorrente. De fato, a conclusão exposta no citado Laudo era que se tratava “de equipamento utilizado pela indústria de extração de oxigênio, entre outros gases, à partir do ar, para diversos usos industriais, comerciais, hospitalares, etc.” Por sua vez, o segundo Laudo Técnico (fls. 56/59), que serviu de base para as autuações em questão, esclareceu que a produção de oxigênio podia ser separado do ar, por dois processos distintos: a) o criogênico (ar no estado liquido) ou liquefação criogênica e destilação (cryogenic liquefacion and destilation); e b) não criogênico (ar no estado gasoso) ou separação por adsorção à vácuo (vacuum swing adsorption (VSA) separation). E especificamente em relação ao equipamento importado concluiu que: A mercadoria verificada utiliza o processo criogênico, ou seja, o ar é comprimido a alta pressão e resfriado. Numa peneira molecular, a umidade e dióxido de carbono são retirados. O ar é então resfriado e liqüefeito em um trocaclor de calor. Na coluna de destilação, o ar liqüefeito se expande. Devido a diferenças entre os pontos de ebulição do oxigênio e nitrogênio, o vapor que sobe pela coluna tornase rico em nitrogênio, e o que desce tomase rico em oxigênio onde é condensado na forma líquida. Finalizando, o gás nitrogênio puro sai do topo da coluna e vai para uma seção de liquefação, onde é comercializado como produto liqüido, e o oxigênio líquido é retirado e passado diretamente para a armazenagem. Diante da falta de clareza e contradição explicitadas no primeiro Laudo Técnico em relação às informações técnicas e conclusões precisas apresentadas no segundo Laudo Técnico, o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse prestado os seguintes esclarecimentos: 1) A mercadoria desembaraçada produz apenas oxigênio em estado líquido ou produz oxigênio em estado gasoso e líquido? 2) Caso produza oxigênio em estado gasoso e líquido, procede o argumento do contribuinte de que o oxigênio é produzido em estado líquido apenas para conservação e/ou transporte, não possuindo aplicação em estado líquido? Em atendimento à referida solicitação, foi elaborado o terceiro Laudo Técnico (fls. 346/376), de onde se extrai as seguintes repostas em relação à primeira questão, in verbis: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 A Unidade importada tem as seguintes opções e, portanto pode produzir as seguintes opções: a) Oxigênio gasoso ou liquido em quantidades variadas, b) Somente oxigênio gasoso, c) Somente oxigênio liquido, d) Argônio, em baixíssimas quantidades e) NOTA: O oxigênio liquido é obtido na planta de fabricação de nitrogênio. NO ESTUDO DA PLANTA INSTALADA NA INDÚSTRIA IBG (importada e atualmente desativada), VERIFICAMOS QUE O FABRICANTE, CRIOU UM DESVIO DO OXIGÊNIO LIQUIDO, ONDE O MESMO RETORNA A 4ª. ETAPA, E É TRANSFORMADO EM OXIGÊNIO GASOSO. E em relação à segunda questão, foi apresentada a seguinte resposta, in verbis: A planta industrial tem a possibilidade de obter oxigênio gasoso e líquido. A forma líquida de oxigênio ocupa menos espaço o que facilita a armazenagem e transporte, portanto é correto a afirmativa para transporte. É provável que comercialmente para o contribuinte a aplicação final seja só na forma gasosa, na época de compra e trabalho com a usina importada, atualmente a mesma esta inativa. Para a área médica, oxigênio pode ser transportado na forma gasosa (mais barato, ocupa grande espaço) e na forma liquida (mais caro, ocupa baixíssimo espaço). UM LITRO DE OXIGÊNIO LIQUIDO = 860 LITROS DE OXIGÊNIO GASOSO. Na forma liquida, oxigênio liquido, se transforma em gasoso, automaticamente ao contato com o ar. No corpo deste laudo verifique algumas aplicações para oxigênio no estado liquido. Com base nas conclusões apresentadas no terceiro Laudo Técnico e nas informações extraídas do manual do fabricante de fls. 119/141, verificase que a unidade fabril importada pela recorrente produz tanto oxigênio líquido quanto oxigênio gasoso, portanto, em face dessa característica técnica, ela atende adequadamente os requisitos para fruição da redução tributária em questão. Por essas razões, deve ser cancelada a cobrança do II lançado, que foi legitimamente reduzido. Da aplicaçção das multas de ofício. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 106 13 Em relação às diferenças de crédito tributário apurado foam aplicadas as multas de ofício previstas no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 e no art. 80, I, da Lei 4.502/1964. Por sua vez, a recorrente alegou que era cabível a exclusão das referidas multas, pois era perfeitamente cabível a aplicação do Ato Declaratório Cosit 10/1997, pois em momento algum fora comprovado qualquer ato de máfé e a mercadoria encontravase corretamente classificada. O citado Ato Declaratório dispõe que: [...] não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Duas condições cumulativas são necessárias para que a diferença de crédito tributária, apurada em decorrência da indicação indevida “ex” tarifário, não seja passível de aplicação das referidas multas, são elas: a) o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e b) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso, as duas condições foram atendidas, uma vez que a fiscalização manteve o enquadramento tarifário do equipamento informado pela recorrente na referida DI, ou seja, o enquadramento no código TEC/TIPI 8479.89.99, conforme declarado pela recorrente, o que confirma que foram fornecidos todos elementos necessários à correta classificação do produto no citado código tafiráfio. Ademais, o fato de a recorrente ter fornecido o manual do fabricante, com todos os dados e informações técnicas necessárias a correta identificação da unidade fabril, confirma que não houve intuito doloso ou má fé por parte da recorrente. Além disso, se houve equívoco por parte de técnico credenciado de que a unidade fabril atendia a descrição do referenciado “ex” tarifário, conforme consignado no primeiro Laudo Técnico, temse por escusável o erro de enquadramento cometido pela recorrente no citado destaque tarifário. Com base nessas considerações, deve ser excluída a cobrança das referidas multas. Da aplicação da multa por falta de Licença de Importação (LI). A multa por falta de LI foi enquadrada no art. 169, I, “b”, do Decretolei 37/1966, regulamentada pelo art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto 91.030/1985), a seguir transcrito: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2º): [...] Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; [...] (grifos não originais) A recorrente alegou que era incabível aplicação da referida multa, pois era perfeitamente cabível a aplicação do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit 12/1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). Por se tratar de infração e multa relativa ao controle administrativo das importações, a descrição do produto com todos os elementos necessários à sua identificação e ao seu correto enquadramento tarifário, certamente, está relacionado, exclusivamente, com o descumprimento de exigências atinentes ao licenciamento da importação e não com o descumprimento de exigências de natureza tributária. Em outras palavras, a multa em questão diz respeito ao descumprimento de exigência relacionadas ao controle administrativo das importações determinado na legislação do País, que libera do licenciamento ou não determinados produtos, em consonância com os interesses de ordem econômico, ambiental, cultural, de sáude pública etc. Dessa forma, se uma mercadoria foi corretamente classificada na NCM e devidamente licenciada, obviamente, ela não está sujeita a multa do controle administrativo por falta de licenciamento, uma vez que não houve descumprimento dos requisitos exigidos pela legislação que trata do assunto. Ademais, o fato de haver erro na descrição do produto, em relação ao “ex” tarifário, não implica infração ao controle administrativo, se não houve descumprimento de requisitos previstos na legislação pertinente. Sabidamente, a aplicação da penalidade em comento somente é admitida se exigível novo licenciamento, o que não ocorreu no caso em tela, haja vista que foi mantido o enquadramento tarifário do equipamento no mesmo código da TEC/TIPI informado na DI, ou seja, o código 8479.89.99 da TEC/TIPI. Além disso, não ficou caracterizado o intuito doloso ou má fé por parte da recorrente, pelas razões anteriormente aduzidas. Por todas essas razões, deve ser excluída a cobrança da multa por falta de LI em questão. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO do recurso, devendo ser cancelada, integralmente, a cobrança do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 107 15 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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