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Numero do processo: 10320.002689/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA SOCIEDADE. ALEGAÇÕES DE MÉRITO CONTRA O LANÇAMENTO.
Não havendo nos autos provas de benefício financeiro direto, nem tampouco da prática de atos ilícitos por parte de pessoa identificada pelo fisco como sendo sócio de fato da fiscalizada, não há que se falar em responsabilidade pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade não decorre da mera condição de sócio, seja de fato ou de direito. Não se conhece das alegações de mérito contra o lançamento por parte de pessoa que não se identifica como sócio da fiscalizada, não possui poderes para representá-la, e teve sua responsabilidade tributária afastada pelo julgado.
Numero da decisão: 1102-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negar-lhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; e (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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INÉPCIA. É inepto o recurso voluntário que não ataca o fundamento adotado pelo acórdão recorrido para não conhecer da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. A discussão relativa ao mérito dos lançamentos pressupõe a instauração do contencioso administrativo, o que se dá mediante impugnação válida que atenda aos pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA SOCIEDADE. ALEGAÇÕES DE MÉRITO CONTRA O LANÇAMENTO. Não havendo nos autos provas de benefício financeiro direto, nem tampouco da prática de atos ilícitos por parte de pessoa identificada pelo fisco como sendo sócio de fato da fiscalizada, não há que se falar em responsabilidade pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade não decorre da mera condição de sócio, seja de fato ou de direito. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 26 89 /2 00 6- 41 Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 3 2 responsabilidade pelo crédito tributário lançado; e (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos voluntários contra o lançamento de ofício e contra a imputação de responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a empresa BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA relativos aos anoscalendário de 2001 a 2004. O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Segundo a descrição dos fatos contida na peça vestibular e o detalhamento das circunstâncias que motivaram a presente autuação, constante do Termo de Constatação Fiscal (TCF) de fls. 75/84 que leio em Sessão para um perfeito conhecimento do litígio por parte do Colegiado a exigência decorreu do arbitramento dos lucros da Contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004, motivado pela falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial, para o que a Fiscalizada foi regularmente intimada em diversas oportunidades, nas pessoas de seus representantes legais. Foi adotado como parâmetro para o arbitramento, a receita omitida caracterizada pelos depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, efetuados em contascorrentes mantidas pela Fiscalizada em diversas instituições financeiras, com fundamento no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, considerando a inexistência de receita escriturada e/ou declarada no período. Não obstante a constatação dessa movimentação financeira, a empresa apresentou as DIPJ para os períodos de apuração relativos aos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004 na condição de inativa, não tendo entregue nenhuma DCTF para o período coberto pelo procedimento fiscal. A exigência foi fundamentada nos artigos 27, inciso I, e 42, da Lei nº 9.430, de 1996, combinados com os artigos 530, inciso I, 532 e 537, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); e no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 1966. De acordo com os Autos de Infração de fls. 29/43, 44/58 e 59/74, foram também exigidas, como lançamentos reflexos, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 4 3 o crédito tributário nos valores totais de R$ 452.025,14, R$ 2.086.273,55 e R$ 747.165,79, respectivamente. Por entender que o fato descrito se caracteriza como infração qualificada, o Fisco impôs a multa de lançamento de ofício prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre as correspondentes bases tributáveis, tendo sido formalizado o competente processo de Representação Fiscal para Fins Penais (de nº 10320.002690/200676), o qual foi apensado aos presentes autos. Em função das irregularidades apontadas na peça vestibular, relacionadas à composição societária da Contribuinte (inclusive, restando demonstrada a falsificação de assinaturas em alteração contratual da sociedade e em instrumentos de procuração), a Fiscalização nomeou como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora constituído, as pessoas físicas a seguir relacionadas, as quais foram cientificadas pelos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária constantes das fls. 85 a 117, conforme AR de fls. 818 a 820: Marco Aurélio Pires Costa, CPF nº 940.215.54815; Marco Antônio Pires Costa, CPF nº 787.025.77887; Neuton Barjona Lobão Filho, CPF nº 002.057.61100. (Os contribuintes listados eram responsáveis pela movimentação financeira da empresa, já que constam como seus mandatários, com poderes para movimentar as contas bancárias arroladas na autuação, emitindo cheques e contraindo empréstimos e financiamentos em nome de Autuada, conforme vasta documentação acostada aos autos). Foram juntadas aos autos as petições* de fls. 823 a 886, nas quais o Advogado Antônio César de Araújo Freitas, inscrito na OAB/MA sob o nº 4.695, contesta as exigências em nome da Autuada e se insurge contra a nomeação das pessoas físicas acima listadas como responsáveis solidários pelo crédito tributário, afirmando, ao final, que já consta do processo procuração a ele outorgada e que, “(…) independentemente disto requer prazo de 15 (quinze) dias para juntada de novos instrumento (sic) de procuração.” *[nota deste relator: foram apresentadas distintas impugnações para os tributos lançados] Não tendo localizado qualquer instrumento que conferisse poderes para que aquele profissional pudesse representar a Autuada, e/ou os responsáveis tributários nomeados pelas autoridades fiscais autuantes, que tivesse sido apresentado anteriormente à formalização das exigências nem, muito menos, as procurações que o alegado patrono se comprometeu a juntar posteriormente, dentro do prazo requerido, propus o retorno dos autos à repartição de origem, para que a empresa, na pessoa da sócia Maria Luíza Thiago de Almeida (responsável pela pessoa jurídica perante o Ministério da Fazenda), assim como, os responsáveis nomeados pela Fiscalização, fossem intimados a apresentar os respectivos mandatos, conferindo poderes àquele causídico para representálos no presente processo, sob pena de não restar caracterizada a impugnação das exigências por parte da Autuada, bem como, a inconformidade das pessoas físicas listadas com a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário formalizado, conforme Despacho de fls. 889/890. A referida medida foi implementada, conforme noticiam os documentos de fls. 891 a 905, tendo a sócia Maria Luíza Thiago de Almeida negado haver conferido poderes ao aludido advogado, conforme correspondência de fls. 902. Já o Sr. Édison Lobão Filho também considerado pelo Fisco como sócio da Autuada, pelos motivos descritos no TCF apresentou o instrumento de procuração de fls. 904, datado de 13/02/2007, no qual nomeia aquele profissional como seu mandatário, Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 5 4 com a finalidade de atuar nos processos de que se cuida. As demais pessoas nomeadas como responsáveis solidários pelo crédito tributário não atenderam às intimações recebidas. Nas aludidas petições, falando em nome da Autuada e dos responsáveis solidários pelo crédito aqui tratado, argúi o Advogado que: As pessoas notificadas, consoante Termos de Sujeição Passiva, ou não mais integravam a sociedade autuada, ou exerciam apenas cargos de confiança de função executiva. O notificado Édison Lobão Filho já não faz parte do quadro societário da BEMAR desde 30/10/1998, quando transferiu as suas quotas de capital, não tendo qualquer conhecimento e/ou participação das operações comerciais, financeiras e fiscais por ela praticadas a partir daí; em conseqüência, a sua responsabilidade para com os atos da empresa cessou a partir daquela data. Ressaltese que, mesmo quando ocupava os quadros societários da BEMAR, o Sr. Édison Lobão Filho não exercia a sua administração nem figurava como responsável pela empresa perante os órgãos fazendários. Já os senhores Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa e Neuton Barjona Lobão Filho nunca fizeram parte da composição societária da Autuada, tendo apenas exercido funções executivas em alguns casos. Por essas razões, os notificados não concordam com o procedimento realizado pela ação (fiscal), nem com a conclusão por ela apontada de que o ato de alteração contratual não produziu os efeitos jurídicos a ele inerentes. Ademais, embora o legislador preveja o rol de sujeitos submetidos ao adimplemento da obrigação tributária, não há, dentre as hipóteses de responsabilidades subjetivas, situações em que pessoas sem vinculo pessoal e direto com a hipótese de incidência tributária possam ser demandadas a responder em nome da empresa pelo recolhimento do tributo. Assim, não cabe ao Fisco alargar a responsabilidade de sócios, quando esses não mais integram efetivamente a pessoa jurídica autuada, sem que ocorra qualquer prática de atos violadores do contrato social ou da lei, “(…) especificamente por parte do notificado, da comprovação, por exemplo de que tenha agido com dolo ou culpa”. Quanto ao mérito da autuação, o argumento de sua improcedência é a de que entre os valores arrolados no AI, uma parte não corresponde a operações financeiras que caracterizam depósitos ou investimentos, consoante prevê o artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, por se referirem a transferências bancárias entre contas e agências, liquidação de cobrança com débito em conta e pagamentos mediante autorização de débitos automáticos. Referidas parcelas não constituem ingressos de recursos a caracterizarem depósitos, posto que já foram computados anteriormente para efeito de arbitramento, restando arrolados, na autuação, valores em duplicidade. Assim, por não configurarem receita omitida ou rendimentos de valores creditados em contacorrente, tais parcelas devem ser excluídas da base de cálculo, o que por certo reduzirá o valor ora exigido. Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 6 5 A multa de lançamento de ofício no percentual de 150% mostrase excessiva, sendo indevida em razão de não haver sido apresentada motivação justificadora para a sua imposição nesse patamar. (...) Por fim, contesta a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora exigidos no procedimento fiscal, por se tratar aquele índice de taxa remuneratória, não podendo ser utilizada em matéria tributária, além de não se conformar com o disposto no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ilustra a sua tese com a reprodução de excertos de julgados da lavra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tratando do tema. Aduz, ainda, que o Agente Fiscal aplicou juros cumulativos, conforme descrição contida no AI. No pedido final, requer: 1. a nulidade da notificação imposta à Autuada em nome de Édison Lobão Filho, encaminhandose outra ao seu atual sócio; 2. a improcedência da autuação, por contemplar termo de sujeição passiva e levantamentos de valor tributário, multa e juros de mora indevidos.” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, de início, ressaltou que, por falta de apresentação de instrumento de mandato que conferisse poderes ao advogado subscritor das impugnações apresentadas, não se instaurou o litígio quanto à responsabilidade pelo crédito tributário com relação aos sócios da autuada que compunham o seu quadro societário em data anterior a 30/10/1998, à exceção do Sr. Édison Lobão Filho, e nem tampouco com relação aos responsáveis apontados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 85 a 117 (Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho). Especificamente com relação à responsabilidade pelo crédito tributário do Sr. Édison Lobão Filho, observou a DRJ que, em que pese a procuração apresentada seja da sua pessoa física nomeando o citado profissional como seu mandatário para atuar neste processo, devem também ser reconhecidos pela autoridade julgadora os poderes para representar a pessoa jurídica autuada nos presentes autos, e isto porque a sua condição de sócio na composição do quadro societário da empresa, após a alteração contratual de 30/10/1998, pela qual formalmente dela alega terse desligado, é decorrente da própria acusação fiscal, e tal condição foi por ele negada desde a fase procedimental. Conclui a DRJ, portanto, que não seria lógico exigir, nessa oportunidade, que o mandato fosse por ele outorgado em nome da sociedade à qual alega não mais pertencer. Ao analisar os fatos e as alegações feitas, concluiu a DRJ pela manutenção da responsabilidade atribuída às pessoas físicas notificadas do crédito tributário constituído, a saber: o Sr. Édison Lobão Filho e a Sra. Maria Luíza Thiago de Almeida, na qualidade de sócios da pessoa jurídica autuada constantes das alterações contratuais anteriores à alteração datada de 30/10/1998, por meio da qual ambos supostamente teriamse retirado da sociedade, e os Srs. Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho, contra os quais foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária constantes das fls. 85 a 117. Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 7 6 No mérito, observou que no procedimento fiscal já haviam sido expurgados os valores que não configuravam efetivo ingresso de novos recursos nas contas bancárias, afastou as arguições de inconstitucionalidade, e manteve integralmente o crédito tributário lançado e a multa qualificada. O Acórdão no 0810.876, fls. 906918, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE DE SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. ALTERAÇÃO CONTRATUAL VICIADA. NULIDADE. EFEITOS. ARBITRAMENTO DOS LUCROS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. É nula de pleno direito a alteração contratual de sociedade efetuada com base em documento eivado de vícios de falsidade. Anulado o negócio jurídico, restituir seão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Desconsiderada a alteração no quadro societário da pessoa jurídica, restabelecese a responsabilidade tributária dos sócios que a compunham antes da operação viciada. Não restando comprovados os alegados erros na quantificação da matéria tributável, é de se manter a exigência como formalizada no procedimento fiscal. Aplicase, no lançamento de ofício, a multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, sobre os fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele preconizada. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Tributação Reflexa. Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” Contra esta decisão, foram inicialmente interpostos os recursos voluntários de fls. 11971205 e 12101233, o primeiro em nome de Neuton Barjona Lobão Filho, para requerer sua exclusão da condição de devedor solidário dos créditos lançados, por ser ele simples mandatário de poderes outorgados por instrumento para movimentar as contas correntes da autuada, e o segundo em nome de “BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (Edson Lobão Filho)”, visando à reforma da decisão recorrida, para julgar improcedentes os lançamentos efetuados, pelos mesmos fundamentos já discorridos na defesa inicial, ou ao menos para, alternativamente, excluir da condição de devedor solidário dos créditos lançados o Sr. Édison Lobão Filho. Argúi ainda (o segundo recurso) a nulidade da decisão recorrida, em face da ofensa ao principio da proibição da reformatio in pejus, que restou caracterizada quando a referida decisão agravou a situação imposta ao Sr. Édison Lobão Filho, ao considerálo responsável solidário pelo crédito tributário constituído em desfavor da BEMAR, sendo que a Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 8 7 autuação lavrada não lhe atribuíra tal condição de coresponsável pela apontada divida. Contesta também o entendimento esposado pela DRJ, destacando a necessidade de prévia decisão judicial para que se tome por nulo o ato existente, e reitera que o Sr. Édison Lobão Filho agiu com a mais absoluta boafé, transferindo suas quotas de participação na referida sociedade para as pessoas indicadas pelos Srs. Marco Aurélio Pires Costa e Marco Antônio Pires Costa, os sócios de fato. E, por amor ao debate, prosseguindo “na defesa dos interesses da autuada, nos limites de suas possibilidades”, reprisa os mesmos argumentos de mérito aduzidos na defesa inicial. Posteriormente, trouxe o segundo recorrente aos autos o documento de fls. 12421244, citado na peça recursal, e intitulado “Termo de Declaração e Confissão”, por meio do qual os Srs. Marco Aurélio Pires Costa e Marco Antônio Pires Costa assumem total responsabilidade pela administração e gerência da empresa BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA desde a sua constituição, e declaram e confessam que o Sr. Édison Lobão Filho, embora tenha figurado como sócio, jamais esteve à frente dos negócios e, assim, não tem como prestar quaisquer esclarecimentos em relação à ação fiscal em comento, bem como ainda isentam o Sr. Édison Lobão Filho de qualquer responsabilidade com relação aos resultados do procedimento de fiscalização bem como com relação às conclusões do laudo pericial da Polícia Federal que atestou a falsidade das assinaturas de Ana Maria dos Santos e Ana Lúcia Martins, apostas no instrumento de alteração contratual de 30/10/1998. Na sessão de 7 de maio de 2013, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução 1102000.151, ante a constatação de que inexistia nos autos a comprovação da ciência da decisão recorrida, quer por parte da própria pessoa jurídica autuada, quer por parte das pessoas físicas afetadas pela decisão recorrida, na parte em que esta decisão manteve a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário lançado (a saber: Édison Lobão Filho, Maria Luíza Thiago de Almeida, Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho). Determinouse, portanto, a conversão em diligência “para que a autoridade administrativa junte aos autos os documentos de intimação e ciência do resultado do julgamento de primeira instância, relativos a todas as pessoas físicas e jurídica acima mencionadas, se houver, ou então que providencie a ciência e intimação dessas mesmas pessoas para que se lhes oportunize o prazo legal para a interposição de recurso voluntário.” A unidade de origem, então, intimou todas as pessoas físicas e jurídica acima mencionadas, dandolhes ciência do acórdão recorrido (comunicações e avisos de recebimento às fls. 1257 e seguintes), após o que vieram, então, aos autos, os seguintes elementos: (i) Recurso em nome da pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, assinado por Marco Antônio Pires Costa (fls. 12711287); (ii) Recurso em nome de Neuton Barjona Lobão Filho, assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas (fls. 13491357); (iii) Recurso em nome de Édison Lobão Filho, assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas (fls. 13601384); (iv) diversas peças processuais relativas ao processo n.° 011316/2009, ajuizado perante o Poder Judiciário do Estado do Maranhão (Ação Ordinária Declaratória, com pedido de antecipação de tutela, ajuizada por Edison Lobão Filho em desfavor de Marco Antônio Pires Costa), Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 9 8 trazidas tanto pela recorrente BEMAR, representada por Marco Antônio Pires Costa, quanto pelo recorrente Edison Lobão Filho. Sintetizamse abaixo as principais razões aduzidas na peça de defesa apresentada em nome da pessoa jurídica BEMAR (fls. 12711287): a citação dos envolvidos quanto ao Acórdão no 0810.876, proferido em 31 de maio de 2007, veio a acontecer somente em 10 de outubro de 2013, ou seja, após um período de silêncio, promovido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, de mais de 06 (seis) anos; neste período de silencio, ocorreram inúmeros fatos novos e de grande relevância, a seguir referidos; “é claro e nítido que Delegacia da Receita Federal do Brasil, claramente feriu e quebrou completamente os Princípios e Fundamento do DEVIDO PROCESSO LEGAL, quando abusivamente retirou do Contribuinte, a oportunidade legal, ainda dentro da Esfera Administrativa, de se defender, antes de exigir e efetuar as Cobrança dos referidos Autos de Infração, postergando tal oportunidade para a Litigante, de forma ilegal, oportunizado somente agora após a citação dos envolvidos, depois que parte destes débitos já terem sido pagos, motivada pelas Efetivas Cobranças irregulares, e com a citação posterior a 06 (seis) anos, após o julgado, causando assim muitos Danos para Autuada (...)” “Em 2009, o Excelentíssimo Juiz de Direito, Dr. Luiz Gonzaga Almeida Filho, da 8a. Vara Cível da Comarca de São Luis, foi Julgado uma ação na justiça Comum processo de n. 1131642.2009.8.10.0001(113162009), com despacho, em matéria de mérito, no qual ficou determinado para quem caberia, a responsabilidade Social e Fiscal da Empresa BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, (...) ficando decidido pelo Exmo Dr. Juiz de Direito em sentença julgada com a responsabilidade fiscal e administrativa, para a única pessoa do Sr. Marco Antonio Pires Costa, CPF n. 787.025.77887, pelo qual foi julgado e determinado ainda, que fosse procedida e feita, a alteração contratual na Junta Comercial do Estado do Maranhão, da empresa BEMAR, e consequentemente aos demais órgão federais, estaduais e municipais, colocando como pessoa única e responsável na empresa acima mencionada, a pessoa física já acima também identificada, e que assim foi feita e cumprido, conforme determinação judicial, aqui demonstrado nos doc.(02 Anexo)” “Desta forma, após preencher todos os requisitos legais, o Contribuinte procedeu de forma espontânea, requerendo o parcelamento de todos os seus débitos apropriados na época do pedido de parcelamento, que contemplavam em sua Conta Corrente, mesmo sendo conhecedor da forma arbitraria procedida pela DRFB, conforme já contestado neste Recurso Voluntário, (...) o que veio a ser concordado e aceito também, pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, ao conceder o parcelamento, (...) conforme apresentamos para comprovação neste Recurso Voluntário, o espelho do parcelamento chancelado pelo órgão fazendário da união, e com o seu devido representante legal.” num tópico intitulado “prescrição e decadência”, aduz que “somente em 24 de janeiro de 2013, efetivouse a Inscrição na Divida Ativa com processo de N. 10320.003461/200598, de agrupamento para ajuizamento conforme sua inscrição n. 310013901258, gerando um único processo judicial de n. 00023014420134013703 datado de 07 de Junho de 2013, como devedor solidário o representante Sr. Marco Antonio Pires Costa (...) É nítida a Prescrição e Decadência para tal cobrança, uma vez que houve um lapso Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 10 9 temporal de mais de 06 (seis) anos entre o Julgado, e a devida inscrição do debito em Divida Ativa (..)” pugna pela observância dos princípios da tipicidade, proporcionalidade e razoabilidade, e do direito de equidade, tendo em conta que a Autuada “não mantém receita ou atividades nos dias atuais, sendo uma empresa que não possui qualquer poder econômico e financeiro, sendo mantida apenas para cumprir as obrigações imposta pela DRFB”. ao final, “requer, a Empresa Recorrente, que este dignese em admitir o recebimento da presente impugnação "RECURSO VOLUNTÁRIO", com a acolhida dos argumentos ora apresentados e mediante do que proposto, no sentido de que as referidas cobranças seja suspensas, até apreciação dos elementos apresentados, para que no mérito lhe seja dado provimento (...)” O recurso apresentado em nome de Neuton Barjona Lobão Filho é a reprodução do mesmo recurso por ele anteriormente apresentado, por meio do qual requer a sua exclusão da condição de devedor solidário dos créditos lançados, por ser simples mandatário de poderes outorgados por instrumento para movimentar as contas correntes da autuada. O recurso apresentado em nome de Édison Lobão Filho igualmente reproduz, em síntese, as mesmas razões aduzidas no recurso por ele anteriormente apresentado, a saber, em síntese: (i) necessidade de prévia decisão judicial que declarasse nula a alteração contratual por meio da qual retirouse da sociedade; (ii) ausência de responsabilidade tributária do Recorrente; (iii) ilegalidade do critério de arbitramento utilizado para fixação da base de cálculo; (iv) indevida aplicação da multa de 150%, por inexistência de fraude; (v) impossibilidade de utilização da taxa Selic como taxa de juros. De novidade, traz aos autos cópias das peças processuais da já referida Ação Declaratória por ele ajuizada contra Marco Antônio Pires Costa, por meio da qual, enfatiza, o próprio judiciário já reconheceu a ausência de responsabilidade do Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os recursos apresentados são tempestivos. Contudo, à vista dos diversos incidentes que a seguir se exporá em detalhes, há que se examinar os limites do conhecimento das respectivas razões, em cada caso. Antes, apenas uma breve reprise de algumas circunstâncias para melhor compreender o que a seguir se exporá. Antes da questionada alteração contratual de 30/10/1998, os sócios da pessoa jurídica, de acordo com o contrato social, eram: Édison Lobão Filho, Maria Luiza Thiago de Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 11 10 Almeida (esposa de Marco Antônio Pires Costa), e Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa). Na alteração contratual de 30/10/1998, registrouse a saída da sociedade de Édison Lobão Filho, sendo suas quotas transferidas metade para Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa) e a outra metade para Maria Lúcia Martins (“secretária doméstica” da senhora Maria Luiza Thiago de Almeida, esposa de Marco Antônio Pires Costa). Na mesma alteração contratual, a senhora Maria Luiza Thiago de Almeida transferiu as suas quotas para a sua “secretária doméstica” Maria Lúcia Martins, de sorte que, a partir desta data, para os efeitos legais, os sócios da pessoa jurídica seriam Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurelio Pires Costa) e Maria Lúcia Martins (“secretária doméstica” da esposa de Marco Antônio Pires Costa). À vista das diversas evidências de falsidade naquela alteração contratual (a suposta sócia Maria Lúcia Martins sequer conhecia a outra suposta sócia Ana Maria dos Santos, bem como sequer sabia de sua condição de sócia da Bemar; perícia grafotécnica da Polícia Federal concluiu serem falsas as assinaturas das duas sócias, bem como das duas testemunhas, na referida alteração contratual, contudo, concluiu serem verdadeiras as assinaturas, no mesmo documento, de Édison Lobão Filho e de Maria Luiza Thiago de Almeida), concluiu afinal a fiscalização (e a decisão recorrida) que essas pessoas seriam ainda os verdadeiros sócios de fato da pessoa jurídica. E, em vista da existência de procurações conferidas pelos sócios de direito da fiscalizada para movimentação de contas bancárias nas instituições financeiras, bem como do fato de constarem como beneficiários em diversos dos cheques por ela emitidos, concluiu a fiscalização (e a decisão recorrida) pela responsabilização solidária das pessoas físicas Marco Aurélio Pires Costa, Marco Antônio Pires Costa, e Neuton Barjona Lobão Filho, pelo crédito tributário lançado. Todas as pessoas físicas citadas, além da própria pessoa jurídica, foram cientificados dos autos de infração lavrados, bem como, após a providência tomada por este colegiado na Resolução 1102000.151, da decisão da autoridade julgadora a quo. Conforme relatado ao norte, somente um conjunto de impugnações (impugnações individualizadas por tributo) foi recebido, aquele que foi apresentado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas, no qual consta, em seu preâmbulo, que a impugnação estaria sendo apresentada em nome da pessoa jurídica BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Nestas, contestavase o mérito da autuação contra a pessoa jurídica, bem como a responsabilidade fiscal “das pessoas notificadas”, muito embora, neste aspecto, a contestação centrasse os seus argumentos especialmente na ausência de responsabilidade do Sr. Édison Lobão Filho. Como nos autos havia apenas uma procuração outorgada pela pessoa física Édison Lobão Filho conferindo poderes ao referido advogado para representálo, baixou a DRJ os autos em diligência para regularização da representação processual relativa à pessoa jurídica e demais pessoas físicas. Contudo, a despeito de pessoalmente intimados a respeito desta ausência de representação processual e da necessidade de sua regularização, sob pena de revelia, bem como Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 12 11 da afirmativa feita pelo referido advogado, contida nas impugnações apresentadas, de que juntaria novos instrumentos de procuração, o fato é que nenhuma nova procuração foi trazida aos autos. Antes pelo contrário, no caso da Sra. Maria Luiza Thiago de Almeida, esta expressamente declarou que em nenhum momento teria conferido quaisquer poderes ao referido advogado. Foi por conta das circunstâncias acima relatadas que concluiu a DRJ não ter se instaurado o litígio com relação a todas as pessoas físicas apontadas, à exceção do Sr. Édison Lobão Filho. E, a despeito da inexistência de procuração outorgada pela pessoa jurídica ao advogado subscritor das petições apresentadas, superou este vício processual, admitindoas como se impugnações dela fossem, uma vez que a condição do Sr. Édison Lobão Filho como sócio de fato da pessoa jurídica era decorrente da própria acusação fiscal. Isto posto, passase a analisar os recursos apresentados. Recurso de BEMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA O recurso apresentado em nome da pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA foi assinado por Marco Antônio Pires Costa. Conforme se verifica das peças acostadas aos autos, relativas ao processo judicial 001131642.2009.8.10.0001, trazidas tanto pelo Sr. Marco Antônio Pires Costa, quanto pelo Sr. Édison Lobão Filho, foi confirmado pelo Poder Judiciário do Estado do Maranhão, que os verdadeiros sócios de fato da empresa, com efeitos retroativos à data de 30 de outubro de 1998, eram o Sr. Marco Antônio Pires Costa, com 75% de participação, e a Sra. Ana Maria dos Santos (sogra de Marco Aurélio Pires Costa), com 25% de participação. Esta decisão transitou em julgado. De se destacar que, na citada ação, movida pelo Sr. Édison Lobão Filho contra a sua pessoa, manifestouse o Sr. Marco Antônio Pires Costa pela procedência da ação, concordando em declararse sócio da empresa BEMAR desde 30 de outubro de 1998, e assumindo a responsabilidade por todas as obrigações decorrentes do seu ingresso no quadro societário desde aquela data, muito embora seu nome não constasse de nenhuma alteração contratual daquela empresa, nem antes e nem após aquela data. Na contestação judicial apresentada, lamenta ainda o Sr. Marco Antônio Pires Costa pelos transtornos causados pelos problemas gerados ao Sr. Édison Lobão Filho. A argumentação apresentada na contestação judicial acima referida vai aproximadamente na mesma linha do Termo de Declaração e Confissão assinado por Marco Antônio Pires Costa e Marco Aurélio Pires Costa (fls. 12421244), no qual estes assumem total responsabilidade pela administração e gerência da empresa BEMAR desde a sua constituição. Digo aproximadamente, porque, enquanto na ação judicial a responsabilidade assumida foi somente a partir da citada alteração contratual de 30 de outubro de 1998, na referida confissão a responsabilidade é assumida desde a constituição da empresa, em 21/06/1996. Além disto, na ação judicial reconheceuse que a sociedade pertenceria a Marco Antônio Pires Costa e Ana Maria dos Santos, no entanto, na referida confissão, eram os irmãos que declaravam estar à frente dos negócios. Pois bem. Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 13 12 A despeito de todas as contradições acima apontadas, não há como escapar ao fato de que, de acordo com a decisão transitada em julgado, o signatário do recurso Marco Antônio Pires Costa detém legitimidade para interpor recurso em nome da autuada. Ademais, consideradas todas as peculiaridades do processo em questão, e especialmente levandose em conta o fato de a autoridade recorrida ter admitido a existência de uma impugnação em nome da autuada, superando os vícios de representação existentes naquela oportunidade, concluo não haver óbices, neste momento, a que o recurso seja conhecido. Contudo, a bem da verdade, verifico que praticamente não há argumentos de mérito contra a autuação na peça recursal apresentada, a despeito de um pedido genérico de aplicação de razoabilidade, proporcionalidade e equidade no julgamento. Do quanto foi possível extrair da defesa apresentada, alega a recorrente a existência da alguma suposta irregularidade, conducente à ocorrência de prescrição, decadência, ou nulidade do feito ou da cobrança efetuada, por afronta aos princípios e fundamentos do devido processo legal, ou alguma espécie de cerceamento ao seu direito de defesa. Assim, na medida em as questões suscitadas poderiam ser até mesmo conhecidas de ofício, acaso entendido que de fato ocorrentes no caso concreto, passase a analisálas. Ocorre que todas estas alegações giram em torno do fato de que a citação dos envolvidos a respeito do teor do Acórdão no 0810.876 somente se deu depois de transcorridos mais de seis anos da prolação daquela decisão. Sendo este o caso, refutase tais alegações pela aplicação da Súmula CARF nº 11, cujo teor é o seguinte: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Ademais, resta evidente, pelo relato efetuado, que nenhum cerceamento de direito de defesa ocorreu no presente caso. Antes ao contrário, todas as oportunidades possíveis de defesa aos acusados foram oferecidas, o que ocorreu foi apenas e tão somente que alguns deles sequer demonstraram interesse em exercer o seu direito. Por fim, e embora confusa a peça recursal neste aspecto, constam alegações de que a empresa teria requerido e obtido o parcelamento “de todos os seus débitos apropriados na época do pedido de parcelamento, que contemplavam em sua Conta Corrente”, sem que se saiba ao certo se tal pedido incluiria os débitos relativos ao presente processo, mesmo porque sequer citado este processo na defesa, nem tampouco trazido aos autos quaisquer provas do pedido ou mesmo do deferimento do parcelamento em questão. Ora, se acaso de fato tivesse sido requerido tal parcelamento, então nesta hipótese seria mesmo o caso de não se conhecer do eventual recurso apresentado, pois o parcelamento caracteriza confissão de dívida, e necessariamente implica renúncia ao direito de recorrer. Pelo exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 14 13 Recurso de Édison Lobão Filho O recurso apresentado por Édison Lobão Filho traz razões de defesa tanto contra a condição de responsável tributário que lhe foi imputada, quanto contra aspectos do lançamento efetuado (ilegalidade do critério de arbitramento, multa de 150%, utilização da taxa Selic). Deve ser afastada, no caso, a responsabilidade tributária do recorrente pelo crédito lançado. Revendo todas as peças processuais, verificase que, de fato, assiste razão ao recorrente quando afirma que foi a DRJ quem atribuiu a ele tal condição de responsável solidário pelo crédito tributário lançado, uma vez que a autuação lavrada em nenhum momento lhe atribuíra tal condição. De fato, devese registrar que, a rigor, não há, nos autos, qualquer prova da atuação do Sr. Édison Lobão Filho na prática de qualquer ato da empresa fiscalizada após a data de 30 de outubro de 1998, seja na condição de diretor, gerente, representante, mandatário, preposto ou empregado daquela, e nem tampouco há qualquer prova do seu benefício financeiro a partir de qualquer operação da empresa que tenha sido praticada após aquela data. Ademais, não consta no Termo de Verificação Fiscal uma única referência ao Sr. Édison Lobão Filho na qualidade de responsável pelo crédito tributário, tampouco há qualquer Termos de Sujeição Passiva Solidária contra ele lavrado. Em sentido completamente oposto, o fisco deixou claro, no parágrafo a seguir transcrito do Termo de Constatação Fiscal, quem seriam os verdadeiros responsáveis pelos atos praticados em nome da empresa, bem como beneficiários dos seus negócios (fls. 84): “Devido a todos os fatos relatados, há de se convir que os principais responsáveis pelos atos praticados em nome de BEMAR — Distribuidora de Bebidas Ltda, como também os principais beneficiários dos negócios praticados em seu nome são os senhores NEUTON BARJONA LOBAO FILHO, MARCO ANTONIO PIRES COSTA e MARCO AURÉLIO PIRES COSTA.” E, de fato, foi apenas contra as três pessoas acima citadas que o fisco lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária. O que se conclui, portanto, é que o único motivo pelo qual o fisco deu ciência dos autos de infração ao Sr. Édison Lobão Filho decorre do fato de ele ter sido identificado como sócio (de fato) da fiscalizada, em face da falsidade da alteração contratual datada de 30 de outubro de 1998. Contudo, é assente o entendimento nesta casa que a mera condição de sócio não enseja a responsabilização deste pelo crédito tributário lançado, sendo necessário demonstrar a prática de atos ilícitos por parte da pessoa a ser responsabilizada. Neste sentido é inclusive o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 15 14 “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. Portanto, de fato temse que foi somente a DRJ quem buscou atribuir ao recorrente a responsabilidade tributária solidária. Tendo realmente sido apenas a autoridade julgadora a quo quem buscou atribuir ao recorrente a responsabilidade tributária solidária (e não sendo competente para tal mister), este fato poderia ensejar até mesmo a nulidade do acórdão recorrido, contudo, à vista do quanto exposto nos parágrafos acima, devese buscar a solução no § 3º do art. 59 do PAF, verbis: “Art. 59. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Resta insubsistente, portanto, a tentativa de atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. Édison Lobão Filho. No tocante às questões de mérito argüidas contra o lançamento em si, com a devida vênia, entendo que sequer podem ser conhecidas. Isto porque: (i) o Sr. Édison Lobão Filho não é mais sócio da fiscalizada desde a data de 30 de outubro de 1998 (esta afirmativa decorre tanto de sua própria defesa, bem como da própria ação judicial transitada em julgado já referida) e não possui, portanto, poderes para agir em nome da fiscalizada; (ii) o Sr. Édison Lobão Filho não é responsável tributário, portanto não possui sequer interesse pessoal para recorrer de um crédito que não lhe diz respeito. Portanto, nestes termos, conheço parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, dar provimento ao recurso para excluílo do pólo passivo. Recurso de Neuton Barjona Lobão Filho O recurso apresentado em nome de Neuton Barjona Lobão Filho foi assinado pelo advogado Antônio César de Araújo Freitas, ora devidamente constituído por procuração acostada aos autos. Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 16 15 Neste, aduz o recorrente que, “não sendo sócioproprietário e muito menos administrador da autuada, não pode, por ter apenas sido municiado com instrumento de mandato de outorga de poderes para fins de representação, ser compelido a suportar o ônus tributário, na condição de coobrigado.” Apesar de apresentado tempestivamente e por representante legal regularmente constituído, seu recurso, contudo, não pode ser conhecido pelo colegiado. A conversão do julgamento em diligência pelo colegiado, na sessão de maio de 2013, para a regularização da intimação de todos os envolvidos (pessoa jurídica e pessoas físicas) acerca da decisão de piso, foi providência cujo propósito foi assegurar a todos os acusados o exercício do legítimo direito de defesa, na medida em que não se sabia se eles haviam ou não sido intimados daquela decisão. Entretanto, é princípio basilar que o recurso deve atacar os fundamentos adotados na decisão que se pretende ver reformada. No caso, o fundamento da decisão recorrida, com relação ao Sr. Neuton Barjona Lobão Filho, é um só: o acusado simplesmente não contestou o feito, e o litígio não se iniciou com relação a ele. Isto consta de modo claro e expresso no voto proferido pela autoridade julgadora a quo, tanto é que não há uma linha sequer tratando de qualquer questão fática ou de mérito tratando da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. O acórdão, neste ponto, limitase a considerar a matéria como não impugnada, e, assim, ao final do voto, proclama a manutenção da sua responsabilidade por aquela instância. E nem se alegue ter havido qualquer excesso de rigor por parte do órgão julgador a quo. Pelo contrário, foi dada ao recorrente a oportunidade de regularizar sua representação processual naquela oportunidade, e ele não o fez. Não tendo o recorrente apresentado qualquer alegação ou prova no sentido de desconstituir o fundamento central da decisão recorrida que determinou a manutenção da sua condição de devedor solidário do crédito tributário, ou seja, de que não teria apresentado impugnação, não há como se conhecer de recurso em que apresenta tão somente diversas razões de mérito pelas quais entende não ser cabível a sua responsabilização, razões estas que em nenhum momento foram levadas à autoridade julgadora a quo, a despeito das sucessivas oportunidades que teve para isto. Neste sentido é o teor do art. 13, inciso II, do Código de Processo Civil (CPC), subsidiariamente aplicável ao processo administrativo tributário: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II ao réu, reputarseá revel;” Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10320.002689/200641 Acórdão n.º 1102001.333 S1C1T2 Fl. 17 16 Neste sentido, também, os seguintes precedentes do CARF: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — IMPUGNAÇÃO — CAPACIDADE POSTULATÓRIA — PROCURAÇÃO — Não se toma conhecimento de recurso voluntário quando a impugnação ao lançamento, firmada por pessoa sem capacidade postulatória, apesar de reiteradas intimações para a apresentação da necessária procuração, deixa de ser atendida pela interessada. (Acórdão 10194.528, relator Paulo Roberto Cortez, sessão de 18 de março de 2004) FALTA DE QUESTIONAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não se conhece de recurso que não contesta diretamente os fundamentos da decisão recorrida. Hipótese em que a decisão de 1a instância não conheceu da impugnação por sua intempestividade, e, no voluntário, o contribuinte não defende a tempestividade do apelo, mas apenas o mérito. (Acórdão 1102000.886, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 9 de julho de 2013) Pelo exposto, não conheço do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. Conclusão Pelo exposto, oriento este voto no sentido de: (i) conhecer do recurso apresentado pela pessoa jurídica BEMAR – DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente das razões de recurso apresentadas pelo Sr. Édison Lobão Filho, para, na parte conhecida, afastar a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; (iii) não conhecer do recurso apresentado pelo Sr. Neuton Barjona Lobão Filho. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10880.984592/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE.
Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
Numero da decisão: 1802-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 92 /2 00 9- 48 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 9/4/2008, a Per/Dcomp nº 37321.30584.090408.1.7.049894, corrigindo DCOMP anterior, por meio do qual solicita compensação de parte do débito de estimativa do IRPJ do mês de janeiro/2005, com o crédito, no valor de R$ 416.099,42, referente a pagamento a maior de estimativa do IRPJ de junho de 2005. A DERAT, através do Despacho Decisório exarado em 21/09/2009, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que não é passível de ser compensado o crédito de estimativa. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 28/10/2009, alegando, em suma que: Em janeiro de 2005, um de seus clientes rescindiu um contrato em que a Impugnante fornecia energia e, em razão disso, ela tornouse credora da multa contratual devida pelo cliente "Solvay". De início, entendeu que os valores recebidos da multa, um doze avos, deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa. Depois, percebeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, ou seja, deveria ser incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, em janeiro de 2005. Com isso, foram realizados os devidos ajustes em sua contabilidade e procedido nova apuração dos tributos nesse período. De outro lado, os valores dos tributos que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. 0 despacho decisório indeferiu a compensação realizada pela contribuinte por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Não se justifica exigir determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, por violação ao principio constitucional da estrita legalidade. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 4 3 Não se aplica a vedação constante do artigo 10 da IN no 600/2005 ao caso concreto. As estimativas recolhidas são meros adiantamentos dos valores devidos ao final do ano Calendário e poderão não retratar a realidade subjacente. No presente caso, o direito a compensação do valor indevidamente recolhido é imediato, pois o erro de fato cometido pela contribuinte não trouxe qualquer prejuízo ao Erário. Ainda que os valores ora cobrados fossem exigíveis, eles não poderiam ser lançados, pois, a doutrina e jurisprudência são unânimes ao proclamarem a impossibilidade de lançamento de crédito tributário apurado por estimativa após o encerramento do períodobase. Constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, as autoridades fazendárias apenas poderiam apurar o tributo devido após o encerramento do períodobase e constituir eventual diferença do crédito tributário. Por fim, ainda que se entendesse pela manutenção da exigência em tela, a aplicação da multa deveria ser afastada porque procedeu a quitação do tributo em relação ao fato gerador de janeiro de 2005 de forma espontânea. Em 20 de dezembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1628.701, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "Voto (...) 6.Conforme acima relatado, o despacho decisório não homologou a compensação, pois o crédito pleiteado se referia a pagamento a maior de estimativa de fevereiro de 2005 e somente poderia ser compensado na apuração do valor devido do IRPJ, no final do anocalendário de 2005. 7. A não aceitação da compensação foi decidida com base no que vem estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (publicada no DOU de 30/12/2005), em seus artigos 10 e 77, que repete o que já era previsto na Instrução Normativa SRF n°460, de 18/10/2004. "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MAI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 5 4 pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRRI ou de CSLL do período. Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. 8. Logo, está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa — como no presente caso , este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. 9. Deste modo, não era possível à Impugnante à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior que o devido. 10. Nesse ponto, é de se notar que os AFRFB, inclusive julgadores, devem aterse aos limites impostos pelas normas legais. 11. Nesse sentido, vejase a lição de Luiz Henrique de Barros Arruda, em "Processo Administrativo Fiscal”, 2a ed., Ed. Atlas, 1994, pág. 85: "Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a quo com as normas legais vigentes." 12. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: "LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampoirtco, ao juizo de primeira instancia, o exame da legalidade das leis e normas administrativas." (Ac. 106 07 .303/1996). LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/4.nstitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2° Cam. Acórdão n° 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) 13. Norma especifica a este respeito foi estabelecida no art. 70 da Portaria MF n° 58/2006, a ser respeitada no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, transcrito abaixo: "Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112 ' de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 14. Assim dispõe, o art. 116, III, da Lei n°8.112/1990, retrocitado: "Art.116. Sao deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares;" 15. Com referencia ao argumento da Impugnante da impossibilidade da cobrança da estimativa, ern que a compensação não foi homologada, por ter se encerrado o períodobase, cabe analisar o previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), assim dispõe, em seus §§ 1° e 6°: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 6 5 "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível d restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (..) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dosdébitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" (g.m). 16. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados) e com a aplicação da multa de mora, pois, ao contrário da afirmação da Impugnante, não houve a quitação do débito. 17. Em face do exposto, não comprovado direito creditório, VOTO no sentido de INDEFERIR a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão recorrida.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/02/2011, ressaltando, primeiramente, a tempestividade do recurso sub examine. Após, reiterou os argumentos invocados na manifestação de inconformidade, bem como atacou o acórdão proferido pela autoridade fiscal, requerendo a sua reforma, destacando, em suma, a inaplicabilidade do art. 10 da IN nº 600/2005 para o presente caso, bem como requerendo a compensação dos valores declarados na Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 27/01/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A ora recorrente alega que um de seus cliente rescindiu contrato de fornecimento de energia, e em razão disso, a mesma tornouse credora da multa contratual estipulada em contrato, no caso de rescisão por uma das partes. Alega ainda que erroneamente achou que os valores recebidos a título de multa deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa, porém, depois em melhor análise entendeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, ou seja, em janeiro de 2005. Para acerto dos valores, foram realizados ajustes em sua contabilidade e procedida nova apuração dos tributos, entretanto, os valores que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. A autoridade julgadora indeferiu a compensação por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984592/200948 Acórdão n.º 1802002.517 S1TE02 Fl. 8 7 Entretanto, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, voto pelo parcial provimento do recurso para afastar o óbice de não se considerar crédito à antecipação, anulo a decisão anterior e devolvo os autos a Delegacia de origem para nova decisão. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 12571.720004/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITO.
Não há se falar em nulidade do auto de infração quando os elementos de prova que embasaram o lançamento não foram obtidos por meio ilícito, e respeitaram o devido processo legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA.
No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontra-se em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantem-se o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho.
MULTA QUALIFICADA. DEVIDA
Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei.
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considera-se como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I.
Numero da decisão: 1401-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrente AUTO POSTO GAGO LTDA. Interessados: VAIPETRO COMÉRCIO E REVENDA DE COMBUSTÍVEIS LTDA. e GUSTAVO MAURO HESSEL LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITO. Não há se falar em nulidade do auto de infração quando os elementos de prova que embasaram o lançamento não foram obtidos por meio ilícito, e respeitaram o devido processo legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantemse o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considerase como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 04 /2 01 3- 45 Fl. 7607DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 7608DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo AUTO POSTO GAGO LTDA contra o Acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em CuritibaPR – DRJ/CTA, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas pela contribuinte e responsáveis tributários. Por bem descrever os fatos, adotase parcialmente o Relatório que integra o Acórdão recorrido: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 7.3387.348) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 7.3497.359) mediante os quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 2.336.727,67, incluindo juros moratórios calculados até o mês de janeiro de 2013, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fls. 02. As circunstâncias e fatos relevantes para o lançamento se encontram registrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.3617.407, cuja síntese, no essencial, é a seguinte: Que a autuada foi selecionada para fiscalização em face de robustos indicativos de omissão de receita no ano calendário 2008, evidenciados pela análise de farta documentação comprobatória apreendida pela Polícia Federal no curso da denominada Operação Hidra, deflagrada em 21/03/2012, e que foi motivada por investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Guarapuava(PR); Que aludida operação foi autorizada judicialmente, tendo os documentos sido apreendidos na sede da autuada e na sede da empresa Auto Posto Frete Ltda e foram formalmente repassados mediante ofício; Que os documentos comprobatórios da omissão de receitas são: a) planilhas gerenciais diárias, documentos comprobatórios da efetiva entrada diária de recursos no caixa da empresa, decorrentes de vendas; b) comprovantes de efetivo recebimento de vendas por meio de cartões de crédito e débitos; e c) livros de movimentação de combustíveis relativos ao 2º semestre do anocalendário 2008; Que o cotejo dos valores registrados nesses elementos com os valores declarados na DIPJ da autuada apontou discrepância reveladora de possível omissão de receitas, nos montantes apurados na tabela reproduzida às fls. 7.365; Fl. 7609DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 4 Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; Que administrador da autuada apresentou declaração informando que deixou de apresentar livros de movimentação de combustíveis relativos ao período de 01/01/2008 a 31/07/2008 porque nesse lapso não teria havido comercialização de combustíveis em nome da autuada, devido à falta de seu registro na Agência Nacional de Petróleo, mas que tal informação discrepa de evidências colhidas pela Polícia Federal, conforme reproduções estampadas no próprio TVF; que, por força da 3ª Alteração do Contrato Social, de 16/11/2007, o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes ingressou no quadro social da autuada, na condição de detentor de 80% de suas quotas; que a autuada somente apresentou extratos bancários relativos à sua conta no Banco do Brasil S/A, omitindo os extratos das contas mantidas na Caixa Econômica Federal, HSBC Bank Brasil S/A, Unibanco e Bradesco, mas que as informações repassadas pelas instituições financeiras, em sede de Declarações sobre Informações de Movimentação Financeira (DIMOF), evidenciaram que a autuada teve lançamentos a débito e a crédito em diversos bancos, no período fiscalizado, conforme tabela estampada às fls. 7.377; que restou apurado que a autuada não contabilizou qualquer valor referente a receita de vendas relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008 e havia contabilizado receita de vendas a menor no 2º semestre daquele ano calendário, razão pela qual apurou prejuízos nos quatro trimestres, nos quais também não apurou IRPJ ou CSLL a pagar; que foi concedida à autuada a oportunidade de elaborar novas planilhas especificativas trimestrais, acompanhadas dos respectivos documentos probatórios, alusivas ao efetivo custo das mercadorias vendidas e das despesas do período. Também foi solicitada a apresentação de novos demonstrativos do resultado dos quatro trimestres do AC 2008, e da planilha especificativa de eventuais ajustes ao lucro líquido contábil. Em resposta, foi protocolada solicitação de prazo adicional, que foi deferida; que foram apresentados os documentos relacionados às fls. 7.3827.383; que, analisando a volumosa documentação apresentada, foi constatado que a fiscalizada não se manifestou a respeito da omissão de receitas, e informou os mesmos valores que já constavam de sua contabilidade, e que, por meio da declaração de fls. 5.990, o administrador da autuada Fl. 7610DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 4 5 persiste na tese de que as operações do 1º semestre do AC 2008 seria de responsabilidade de outra empresa; que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; que restou comprovado que a empresa Auto Posto Gago Ltda, conduzida pelo seu sócioadministrador, foi quem, de fato, realizou e pagou pelas compras de combustíveis e demais itens comercializados durante todo o anocalendário 2008; que o crédito tributário lançado se encontra demonstrado nas tabelas estampadas às fls. 7.3977.400; que a empresa VAIPETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda teve interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores da obrigações tributária principal, razão pela qual lhe foi atribuída responsabilidade solidária, conforme Termo de fls. 7.4087.409, juntamente com o administrador Gustavo Mauro Hessel Lopes, conforme Termo de fls. 7.4107.411; que o lançamento já leva em consideração o valor do custo das mercadorias vendidas, das despesas operacionais, não operacionais e demais despesas, conforme demonstrativo de fls. 7.398; que foi elaborada representação fiscal para fins penais; Os fundamentos legais do lançamento se encontram consignados no campo próprio de cada auto de infração. Os interessados foram cientificados do lançamento em 25/01/2013, conforme Avisos de Recebimento acostados às fls. 7.4147.418. No dia 26/02/2013, a autuada apresentou a impugnação de fls. 7.4237.456, e o responsável solidário Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou a impugnação de fls. 7.4737.508, instruídas com os documentos de fls. 7.4577.472 e 7.509. As alegações comuns às duas impugnações, no essencial, são as seguintes: 1. PRELIMINARES 1.1. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO 1.1.1 LOCAL DA LAVRATURA Fl. 7611DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 6 Argumenta que a lavratura em lugar diverso do local onde se constatou a suposta infração gera a nulidade do auto de infração. Acrescenta que, tendo o auto de infração sido lavrado fora de seu domicílio, é nulo, pois não cumpre requisito obrigatório para sua validade; 1.1.2 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL Discorre sobre o princípio da verdade real e diz que o mesmo deve ser aplicado, pois restou comprovada a troca do contador, o que gerou o extravio dos documentos referentes às despesas médicas e com relação às de instrução, ficou evidente o equívoco cometido pelo auditor fiscal, diante da existência dos comprovantes de pagamento de todos os meses do ano de 2002(?) 1.1.3 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Discorre sobre o princípio do contraditório e da ampla defesa e argumenta que o auto de infração engloba diversas situações e números que somente o autuante será capaz de compreender e decifrar. Aduz que, da forma como elaborado, não possibilita que qualquer pessoa consiga entender e elaborar sua defesa. Acrescenta que não recebeu todos os documentos referentes ao auto de infração, o que violaria o princípio do contraditório e ampla defesa. 2. MÉRITO 2.1. IMPROPRIEDADE DA INFRAÇÃO CAPITULADA Argumenta que outro requisito formal indispensável no auto de infração trata da adequação da norma ao fato concreto através da perfeita capitulação do dispositivo legal infringido. 2.2 A OMISSÃO DE RECEITAS E RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS UTILIZADAS PARA APURAR A BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Argumenta que as supostas infrações apuradas não estão previstas nos dispositivos legais que fundamentam o lançamento. 2.3 A OMISSÃO DE RECEITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Aduz que a alegada relação entre empresas estabelecida pelo autuante está equivocada, na medida em que se trata de empresas distintas, ligadas apenas no plano comercial, visando os quesitos de marca e mercado, o que não descaracteriza sua constituição regular, muito menos eventuais operações que tenham realizado no varejo. Afirma que a autuação norteiase no posicionamento de que a autuada teria sonegado informações acerca de seus rendimentos, uma vez que comprou e vendeu produtos em seu nome no período descrito, sem demonstrar toda sua Fl. 7612DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 5 7 movimentação econômica e financeira do período. Argumenta que, ao contrário do aduzido, não cabe falar em omissão de receita, na medida em que toda a sua evolução está consignada nos livros e documentos franqueados ao Fisco. Adiciona que omissão de receita somente ocorrerá quando não houver emissão de nota fiscal de saída de mercadoria, ou ainda, se não houver faturado a saída, sugerindo a permanência do produto em estoque, a ponto de dar a entender que não houve sua alienação. Afirma que, como se verifica da documentação fornecida, toda a movimentação realizada no anocalendário objeto da fiscalização foi devidamente acompanhada da respectiva nota fiscal de venda ao consumidor, sendo a circulação da mercadoria devidamente anotada nos respectivos livros. Afirma que, no caso presente, resta descaracterizada a omissão da receita, porque as informações de entrada e de saída estavam devidamente escrituradas nos livros contábeis da empresa, tanto que o autuante lançou o imposto com base nos dados por ela fornecidos, tendo aberto mão do arbitramento para a aferição da obrigação tributária. Argumenta que, não tendo havido saída sem notas ou compra desprovida de origem ou qualquer outra movimentação desacompanhada dos documentos necessários, não restam caracterizados os elementos caracterizadores da omissão sugerida; 2.4 O LANÇAMENTO PROPRIAMENTE DITO. O ARCABOUÇO LEGAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DO IRPJ E DA CSLL Argumenta que a caracterização da omissão de receitas ou rendimentos não constitui, por si só, o fato gerador do imposto de renda, o qual é descrito no art. 43 do CTN. Afirma que, no caso das disposições contidas na Lei nº 9.430, de 1996, combinadas com os artigos do RIR/99, a presunção que se aperfeiçoa diz respeito à percepção da receita ou renda, e que se o contribuinte não comprovou a origem dos recursos, ou que efetivamente saíram do seu caixa, presumese que recebeu os respectivos valores e que tem disponibilidade jurídica e econômica sobre eles. Adiciona que, não obstante, a presunção não caracteriza as receitas como provenientes do capital ou do trabalho, nem tampouco como próprias, além de não evidenciar que tais rendas sejam novas, e não mera circulação de receita. Diz que, para que se concretize a hipótese de incidência do IRPJ, é necessário que o Fisco verifique a existência de acréscimo patrimonial, de modo a demonstrar que as receitas supostamente omitidas e que transitaram pelo caixa da empresa são rendimentos novos e pertencentes ao sujeito passivo. Propondose a apontar erros no levantamento fiscal, afirma que o autuante não considerou em seus cálculos os valores relativos ao aumento de custo das mercadorias vendidas, Fl. 7613DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 8 que é o preço pago pela aquisição das mercadorias adquiridas. Pondera que, se aumentou os valores de receita, certamente aumentará o CMV. Afirma que em nenhum trimestre o autuante considerou o respectivo aumento de custo. 2.5 ARBITRAMENTO. PRESUNÇÕES. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Afirma que quando o autuante se baseou na presunção de existência de receitas, não respeitou o princípio da verdade real. 2.6 PRESUNÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Argumenta que a autuação por omissão de receita via arbitramento de valores extrapola os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. Afirma não existir dúvidas de que o autuante pautou seu trabalho no seu exclusivo senso imaginativo, não tendo mergulhado com afinco na busca por fatos concretos suficientes a aparelhar o lançamento. 2.7 DA PRESUNÇÃO DO AGENTE Afirma que o autuante, ao descrever a suposta infração, confessa ter agido por presunção. 2.8 PRESUNÇÕES. CONCEITO E MODALIDADE E SUA APLICAÇÃO; e 2.9 A PRESUNÇÃO E OS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA CERTEZA DO DIREITO Discorre sobre presunções 2.10 DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. DO FATO GERADOR. DA SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA; e 2.11 CONCEITO DE RENDA. DO VERDADEIRO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL PASSÍVEL DE TRIBUTAÇÃO. Discorre a respeito dos dois temas, grafados como título do tópico respectivo. 2.12 SIGILO DE INFORMAÇÕES. NULIDADE. AUTUAÇÃO Relata que o autuante anota em linhas grandes o fato de que, sem qualquer ordem judicial específica e direta para si, se valeu de informações bancárias para a consecução de seu ofício, que resultou no lançamento tributário. Aponta que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o acesso direto do Fisco às informações sobre movimentação bancária, sem prévia autorização judicial, para fins de apuração fiscal. Requer a anulação do lançamento. 2.13. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO DE MULTAS PUNITIVAS INDEVIDAMENTE Fl. 7614DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 6 9 Afirma que foram aplicadas cumulativamente multas punitivas sobre supostas diferenças de recolhimento do tributo, não obstante a multa punitiva não possa ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. Argumenta que devem ser excluídas as multas punitivas cumuladas (multa punitiva + multa punitiva isolada), por serem descabidas e por constituírem dupla penalidade sobre o mesmo fato gerador. 2.14 O CARÁTER DE CONFISCO DA MULTA Afirma que o percentual utilizado na multa extrapola em muito os parâmetros razoáveis admitidos pelo ordenamento jurídico brasileiro. Atribui à multa feição confiscatória e também por esse fundamento requer o reconhecimento da nulidade do lançamento. 2.15. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DA MULTA Afirma não ser admissível a incidência de multa no caso em tela, pela inexistência de intenção de burlar o Fisco. Assegura que, de boafé, entregou toda a documentação constando as receitas e as despesas que teve no ano de 2008 e, passado um longo período, a fiscalização solicita documentos daquela época. 2.16 DA TAXA SELIC e 2.17 DA CUMULAÇÃO DE CORREÇÃO MONETÁRIA COM JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC Afirma que a utilização da taxa SELIC contraria ditames constitucionais e legais. Verte copiosa argumentação tendente a desqualificar seu emprego no cálculo dos juros moratórios. Afirma que a taxa SELIC, além de ter embutida em seu corpo os juros, incorpora também a correção monetária do período e por essa razão não deve ser utilizada no cômputo dos juros. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A impugnação apresentada por Gustavo Mauro Hessel Lopes veicula apenas uma alegação não reproduzida integralmente na impugnação da autuada. Nela, sob o título “Sujeição Passiva. Inocorrência”, afirma que a análise dos autos, conjugada com a melhor doutrina e jurisprudência, demonstra que sua inclusão no polo passivo da exigência não encontra razão de ser. Afirma que a responsabilidade solidária nasce juntamente com a própria obrigação tributária, fazendo com que os sujeitos passivos, desde o início, sejam responsáveis pelo seu adimplemento total, sem a necessidade nem influência do surgimento de qualquer situação nova, como a impossibilidade de um deles adimplir o crédito tributário. Aponta que, após estabelecidas as premissas básicas da solidariedade, a locução inicial dos artigos 134 e 135 do Fl. 7615DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 10 CTN estabelece que os terceiros citados em seus incisos responderão pela obrigação principal exigível do contribuinte originário ‘nos casos de impossibilidade’ de que tal exigência seja feita diretamente a este, ou seja, apenas quando e se for impossível que o contribuinte originário cumpra com a obrigação principal que lhe diz respeito é que os terceiros serão chamados para responder pelo respectivo crédito tributário e, ainda, quando demonstrado cabalmente o excesso ou abuso de poderes no comando da pessoa jurídica. Afirma que a sistemática prevista em tais artigos diferem substancialmente daquela relativa à solidariedade, enquadrandose de forma mais juridicamente adequada ao instituto da subsidiariedade, pelo qual uma pessoa de alguma forma ligada a uma relação obrigacional responde pela obrigação, no caso de a mesma não ser oponível ao devedor originário, consoante entendimentos de doutrinadores transcritos às fls. 7.843. Conclui afirmando não se poder falar em solidariedade com base no art. 124 que não poderia ser interpretado de forma isolada, devendo o agente comprovar, por meios robustos, a ocorrência dos elementos previstos nos incisos constantes dos art. 134 e 135 do CTN. É o relatório. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em CuritibaPR – DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações apresentadas sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO. IRRELEVÂNCIA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O Processo Administrativo Fiscal é regido pelo princípio da verdade real, devendo a exação corresponder exatamente aos verdadeiros montantes das operações praticadas inclusive aquelas escamoteadas e a responsabilidade deve ser atribuída não apenas à pessoa jurídica em cujo estabelecimento as operações foram praticadas, como também ao sócio administrador responsável pela prática das omissões de receitas e seu beneficiário. OBTENÇÃO, PELO FISCO, DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LEGALIDADE. Cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, é legítima a obtenção e Fl. 7616DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 7 11 exame de informações bancárias pelo Fisco, descabendo ao julgador administrativo apreciar alegações voltadas contra a legislação de regência. ALEGAÇÕES CONTRA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Estando os consectários lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, falece ao julgador administrativo competência para analisar alegações que questionam esses dispositivos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 7539 a 7558, no qual arguiu i) a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, ii) a nulidade das provas analisadas; iii) inexistência de Omissão de Receitas; iv) Cerceamento de Defesa devido à não oportunidade de refazimento da escrita contábil durante o Procedimento Fiscal; v) a impossibilidade de Arbitramento; e, por fim, o vi) Caráter Confiscatório da Multa Nestes termos, a contribuinte requereu a reforma do acórdão recorrido, e o cancelamento da autuação em sua totalidade. É o relatório. Fl. 7617DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 12 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende aos pressupostos de admissibilidade. Em que pese a decadência se trate de matéria prejudicial ao mérito, deixo para apreciála ao final, em virtude de a verificação do termo a quo de sua ocorrência estar atrelada à verificação de infração à lei na omissão de receitas, bem como da aplicação, ou não, de multa qualificada. 1) Nulidade – Prova Ilícita No que tange à alegada nulidade das provas nas quais se baseou o lançamento, porquanto teriam sido obtidas de modo ilícito. No entanto, não é próspera tal argumentação, visto que os elementos probatórios utilizados pelo Fisco para realização do lançamento foram legítimos e em consonância com a ordem jurídica vigente. Com efeito, os documentos fiscais apreendidos da Recorrente, nos quais o lançamento se baseia, foram objetos de mandados judiciais de busca e apreensão (fl. 56/57), no curso da “Operação Hidra” da Polícia Federal, e outros fornecidos espontaneamente pelo responsável legal da Recorrente, e assim listados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.351 a 7.407: a) documentos comprobatórios da efetiva entrada diária de recursos no caixa da empresa AUTO POSTO GAGO LTDA de 01/01/2008 até 31/12/2008 oriundos do recebimento de vendas, especificamente, planilhas gerenciais diárias, nas quais constam os registros dos valores vendidos por tipo de combustíveis, lubrificantes e demais itens comercializados, assim como, o volume, em litros de combustíveis, do estoque de abertura e do fechamento diário de cada bomba, complementadas por controles de aferição das bombas realizados pelos funcionários do posto e por controles administrativos analíticos das vendas realizadas (fls. 73/4028); b) comprovantes do efetivo recebimento de vendas por meio de cartões de crédito/débito diversos no período que se estendeu de 01/01/2008 até 31/12/2008, todos em nome do AUTO POSTO GAGO LTDA (nome fantasia POSTO PARANÁ), confirmando os valores diários de recebimentos de vendas estampados nas planilhas gerenciais citadas na alínea anterior, fls. 4029/4297; e c) Livros de Movimentação de Combustíveis em nome do AUTO POSTO GAGO LTDA, referentes ao 2° semestre do AC 20 08, que confirmaram os valores os valores diários de recebimentos de vendas de combustíveis estampados nas Fl. 7618DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 8 13 planilhas gerenciais citadas na alínea ‘a’ supra, fls. 4298/4637. (...) No último dia do prazo concedido, o Sr. GUSTAVO MAURO HESSEL LOPES compareceu a sede da RFB em Ponta Grossa/PR e apresentou os seguintes documentos: a) Termo de entrega de documentos (fls. 5045); b) Cópia do Contrato Social e alterações (fls. 5046/5056); c) Cópia do RG e CPF dos sócios (fls. 5057/5058); d) Livros Diário e Razão (AC 2008); e) Balancetes de verificação, balanços patrimoniais, demonstração do resultado do exercício (referentes aos quatro trimestres do AC 2008. fls. 5059/5081); f) Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (AC 2008, fls. 5082/5087); g) Livro Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e Apuração do ICMS (AC 2008); h) Extratos bancários do Banco do Brasil (de 01/01/2008 até 31/12/2008, fls. 5088/5173); e i) Comprovante de endereço do sócioadministrador (fls. 5174). Na sequência, no dia 23/08/2012, o Livro Registro de Inventário referente ao AC 2008 foi entregue a fiscalização (termo de entrega, fls. 5175). Por fim, os extratos bancários obtidos por meio de requisição às instituições financeiras se deram de maneira regular, após inércia da Recorrente, e precedidas do devido processo legal. Tal é o que se extrai da interpretação do Art. 1°, §3º, inciso VI da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, senão vejase: “Art. 1º ... (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 7619DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 14 III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar.” Com efeito, as informações obtidas pelo Fisco encontram amparo no interesse público de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias do sujeito passivo, razão pela qual a autuação em análise não resultou em violação a direito do contribuinte. Demais disso, não há se falar em afronta ao devido processo legal no que tange à requisição de informações de movimentações bancárias da Recorrente, visto que tal requisição foi promovida no curso de procedimento fiscal, e somente após a inércia da Recorrente em apresentar a devida documentação requisitada pela autoridade fiscal, e possibilitada a este a ampla defesa e o contraditório. Ademais, o devido processo legal e a defesa dos Recorrentes foram amplamente conferidos, tanto pela intimação da Recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários, quanto após a lavratura do auto de infração, com direito à impugnação. Desta feita, a formalização do lançamento decorreu de ação fiscal regular, nos termos do art. 142 do CTN. Não fosse isso o bastante, nos termos do Art. 6º da Lei Complementar 105/2001, resta claro que é possível o exame de documentos e registros de instituições financeiras pelo Fisco, quando a autoridade fiscal considere indispensável sua análise no curso de procedimento fiscal: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Deveras, no caso em comento não houve outra alternativa ao Fisco senão a requisição de informações às instituições financeiras mantenedoras de contas bancárias da Recorrente, visto que esta, intimada em duas ocasiões, não apresentou extratos bancários requeridos pela autoridade fiscal, tampouco Livro de Caixa devidamente escriturado, ou o Livro de Registro de Saídas e Resumo do ICMS, cujo procedimento fiscal encontra embasamento na Lei Complementar 105/2001, na Lei n° 9.430/1996, e Decreto n° 3.724/2001. Fl. 7620DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 9 15 Aliás, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, e também o Supremo Tribunal Federal também assim se posicionou quando do julgamento do RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011. Assim, não há qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 2) Omissão de Receitas Afirma a Recorrente que não houve no período fiscalizado omissão de receitas, visto que, no primeiro semestre do anocalendário de 2008, a empresa funcionou como mera recebedora “formal” de receitas de vendas de produtos realizados pela pessoa jurídica VAIPetro Comércio e Revenda de Combustíveis LTDA. Além disso, aduz que todos os livros e documentos comprobatórios da não omissão de receitas foram franqueados ao Fisco, que toda a movimentação financeira do ano calendário de 2008 foi acompanhada de documento fiscal respectivo. In casu, aplicase especificamente a hipótese de presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Com a edição da referida lei, a existência de depósitos bancários não identificados, e cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, adquiriu status de presunção legal juris tantum de omissão de receita, e, por tal razão, transferiuse ao contribuinte o ônus da prova da inexistência de correspondência entre os depósitos bancários e a receita alegadamente omitida. No caso concreto, após procedimento fiscal instaurado, e cumprido o devido procedimento fiscal, a autoridade fiscal requereu a apresentação de extratos bancários às instituições financeiras às quais a Recorrente estava vinculada (fls. 5177/5405). Aliás, verifiquese que tanto o Poder Judiciário, quanto este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), admitem a possibilidade de lançamento no caso de ausentes elementos probatórios que afastem a presunção legal de omissão de receitas, com base em extratos bancários, senão vejase: Fl. 7621DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 16 CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AGRAVO DE INSTRUMENTO TUTELA ANTECIPADA INDEFERIDA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS PROVENIENTES DE VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, E DE NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS ACESSO DE DADOS BANCÁRIOS DOS CONTRIBUINTES PELO FISCO CONTROVÉRSIA JURISPRUDENCIAL REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA AUSENTES. 1. Na hipótese vertente, a autoridade administrativa deflagrou procedimento administrativo fiscal n 10580722.273/200844 para apuração de atos atribuídos à parte autora (omissão de receitas provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, e de notas fiscais não escrituradas, relativamente ao anocalendário de 2005, assim como por ter ultrapassado o limite de receita bruta previsto para empresas de pequeno porte neste mesmo ano) e concluiu pela prática das infrações capituladas no art. 24, da Lei n. 9.249/95, no art. 2, § 22, art. 3, § l, "a", art. 52, art. 42, da Lei n. 9.430/96, dispositivos da Lei n. 9.317/96, art. 3, da Lei n. 9.732/98, arts. 186, 188 e 199, do RIR/99, tendolhe aplicado multa punível com sanção pecuniária prevista em lei. 2. Os atos administrativos praticados por autoridade competente gozam de presunção de validade e somente se justifica a intervenção do Poder Judiciário para afastarlhes os efeitos quando constatados vícios capazes de deflagrar o reconhecimento de sua nulidade. Ao menos neste primeiro exame de vista, não há nada que desautorize a atuação administrativa, eis que não se fazem presentes elementos de prova contundentes que conduzam ao convencimento acerca da verossimilhança da nulidade alegada. Precedentes. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, sem necessidade de prévia autorização judicial e com aplicação imediata, ainda que recaiam sobre fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência das referidas normas. Assim, sendo constatado que a requisição de informações à instituição bancária foi devidamente precedida do respectivo procedimento fiscal exigido pelo art. 6º, da LC n.º 105/01, não há que se falar, em princípio, em qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 4. Ainda que existam precedentes dando pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo pelo Fisco, sem autorização judicial (RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011, a matéria ainda não se encontra pacificada no Judiciário e o RE nº 601314 /SP (repercussão geral) ainda está pendente de julgamento, circunstâncias que não autorizam a liminar na linha do bom senso. Precedentes deste Tribunal. 5. O exame das condições concretas da manutenção da empresa no Simples é matéria que exige dilação probatória. 6. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. Fl. 7622DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 10 17 (TRF1. AGA 002332497.2013.4.01.0000 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.550 de 04/10/2013) Neste sentido, no tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. 3) Cerceamento de Defesa – Refazimento da Escrita Contábil durante o Procedimento Fiscal Não há se falar em alegado cerceamento de defesa em face da não concessão de oportunidade para a Recorrente confeccionar nova escrita contábil. Isto porque, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 7.361 e seguintes), foi oportunizado o refazimento da escrita contábil à Recorrente, a qual não logrou Através da Intimação em tela, tendo como base o valor da efetiva receita de vendas detectada pela fiscalização, o contribuinte foi demandado a confeccionar novas planilhas especificativas trimestrais, acompanhadas de todos os documentos comprobatórios, referentes ao efetivo custo das mercadorias vendidas, ao efetivo valor das despesas operacionais, não operacionais e das demais despesas incorridas no período em tela. Também tendo como base o valor da efetiva receita de vendas foi solicitada a apresentação de novos demonstrativos do resultado do exercício relativos aos quatro trimestres do AC 2008, assim como, planilha especificativa dos eventuais ajustes ao lucro líquido contábil. Ou seja, foi concedida oportunidade formal para a empresa apresentar os comprovantes dos custos e das despesas realmente incorridas e que foram necessárias para gerar a receita de vendas efetiva detectada pela fiscalização; (...) Analisandose detidamente a volumosa documentação apresentada, constatouse que a fiscalizada não se manifestou a respeito da relevante omissão de receita detectada pelo Fisco e informou os mesmos valores já constantes em sua contabilidade a título de custo das mercadorias vendidas, de despesas operacionais, não operacionais e demais despesas incorridas no período em tela. Além disso, novamente informou não ter efetuado qualquer ajuste ao resultado contábil do interregno sob análise, restando prevalentes os valores abaixo. Fl. 7623DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 18 Por fim, as alegações da Recorrente não infirmam o procedimento levado a efeito pelo Fisco, porquanto sejam genéricas no sentido de avaliar o cerceamento de defesa decorrente da suposta falha procedimental da autoridade fiscal. 4) Impossibilidade de Arbitramento Preclusão Aduz a Recorrente a impossibilidade de arbitramento do valor devido do tributo com base em meras planilhas, e sem analisar a tributação retida na fonte e os custos da pessoa jurídica, a qual não deve ser esta conhecida, em virtude de ser objeto de preclusão, tendose em vista a ausência de alegação anterior. Assim, na esteira das decisões reiteradas deste Conselho, “NÃO SE TOMA CONHECIMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO FORAM SUBMETIDAS À AUTORIDADE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, VEZ QUE SE TRATA DE MATÉRIA PRECLUSA. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária.Acórdão nº 140100282 do Processo 18471000272200622. 09/07/2010). 5) Caráter Confiscatório da Multa Defende a Recorrente ser inaplicável ao caso concreto a multa aplicada porquanto esta tenha caráter supostamente confiscatório. No entanto, não há razão em suas alegações. Isto porque, ao fundamentar a aplicação da multa de ofício, na sua modalidade qualificada (150%), a fiscalização ponderou que a contribuinte teve a intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, mediante a utilização de pessoa jurídica interposta, o que caracterizou a sonegação, e justificou a exigência da penalidade mais gravosa, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Portanto, os valores omitidos, a confissão quanto à utilização de pessoa jurídica diversa da Recorrente para a ocultação de receitas, e a quantidade de operações financeiras não refletidas na escrituração deixam claro que a Recorrente ocultou dolosamente tais informações com intenção de não pagar tributo. Assim, configurado está o animus, isto é, a vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo. Tal conduta justifica a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996. No meu entendimento, a multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é Fl. 7624DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 11 19 estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). De fato, tenho que a Recorrente incorreu em prática dolosa ao omitir da base da tributação quase a totalidade de suas receitas; ao deixar de declarar à Receita Federal do Brasil receitas auferidas durante um trimestre para fins de apuração de IRPJ – lucro real trimestral e CSLL; deixar de proceder à escrituração de suas receitas e de emitir notas fiscais relativas às operações tributadas, e fazêlo por meio da utilização de pessoa jurídica interposta, como Relatado pela DRJ: Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; (...) que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; (...) Assim, configurada a conduta proativa da Recorrente, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita. 6) Decadência No que tange à alegação de decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento ora impugnado pelo Recurso Voluntário em análise, em que pese à ausência de Fl. 7625DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 20 alegação anterior, conheço de ofício do pedido, para apreciar a existência, ou não, na hipótese, de decadência. Alega o Recorrente que o débito exigido pelo Fisco é objeto de decadência. Porém, não há razão no argumento do contribuinte, visto o que se passará a discorrer. Devemse identificar, de início, os termos ad quem e a quo para fins de análise da decadência do crédito tributário, bem como verificar a disciplina legal dada ao instituto da decadência na sistemática do SIMPLES Nacional. Com efeito, segundo o disposto no Art. 142 do CTN, considerase efetuado o lançamento quando se dão, cumulativamente: i) a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; ii) a determinação da matéria tributável; iii) o cálculo do montante do tributo devido; e iv) a identificação – e intimação – do sujeito passivo. No presente caso, o lançamento do crédito tributário devido ocorreu quando do término da ação fiscal levada a efeito em face do Recorrente, na qual se constatou a omissão de receitas dolosa, cujo fim se formalizou por meio do Termo de Encerramento Fiscal (Fls. 7.412 7.413) em 21/01/2013, do qual o Recorrente foi devidamente notificado, sendo este o termo ad quem da decadência do direito de lançar. Via de regra, no caso do SIMPLES Nacional, adotase o lançamento que é efetuado com base em declaração mensal do sujeito passivo, por meio da qual o contribuinte presta à autoridade administrativa informações sobre os fatos imponíveis ocorridos no período, e, feito isto, gera a guia de pagamento e recolhe o crédito tributário devido (lançamento por homologação). A Lei Complementar n° 123, a qual instituiu o regime de tributação do SIMPLES, previu como dever do contribuinte a declaração de todas as receitas apuradas em determinado mês, a qual serve de base para o cálculo do tributo devido. O Art. 149 do CTN, por sua vez, descreve que é cabível o lançamento de ofício quando: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Diante do que prevê o dispositivo legal supracitado, é evidente que o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal, quanto ao montante não declarado pelo Recorrente, em virtude de omissão de receitas em declarações do SIMPLES, possui natureza de lançamento de ofício. Demais disso, Como bem relatou a DRJ, em sede de Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.3617.407, restou demonstrado que o representante legal da Recorrente, de Fl. 7626DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 12 21 maneira deliberada e confessada, utilizouse de pessoa jurídica interposta para omitir receitas da Recorrente, senão verifiquemse trechos do Relatório que fazem referência àquele Termo: Que o mesmo endereço da autuada também figura nas bases de dados da RFB como domicílio tributário de outras duas empresas declaradas como ativas, a VAI PETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda e PETROPONTA Comércio de Combustíveis Ltda; (...) que, em decorrência do entendimento resultante da robusta documentação existente, a autuada foi novamente intimada a elaborar declaração identificando quem foi o responsável pelo pagamento das compras das mercadorias e a maneira como os pagamentos foram efetuados, ocasião em que o Sr. Gustavo Mauro Hessel Lopes apresentou documentos e assinou a declaração de fls. 7.097, reconhecendo que foi ele, representando a autuada, quem realizou as compras relativas ao 1º semestre do anocalendário 2008, em nome da empresa VAIPETRO, e apresentando as planilhas especificativas dos pagamentos das compras; (...) que a empresa VAIPETRO Comércio e Revenda de Combustíveis Ltda teve interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores da obrigações tributária principal, razão pela qual lhe foi atribuída responsabilidade solidária, conforme Termo de fls. 7.4087.409, juntamente com o administrador Gustavo Mauro Hessel Lopes, conforme Termo de fls. 7.4107.411; Verificase que a conduta deliberada e confessada da contribuinte, no sentido de omitir receitas utilizandose de pessoa jurídica interposta, configura infração à lei suficiente ao lançamento de ofício das receitas omitidas, ainda que tenha havido recolhimento parcial no SIMPLES. Assim, não tendo havido o prévio pagamento de tributos sobre a receita omitida, contase o prazo decadencial de lançamento a partir do primeiro dia do exercício seguinte. Tal é o entendimento esposado pelo STJ no que tange ao reconhecimento do prazo decadencial em casos similares ao presente, em sede de Recurso Especial sujeito ao rito do Art. 543C do CPC: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 7627DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 22 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 Fl. 7628DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 12571.720004/201345 Acórdão n.º 1401001.384 S1C4T1 Fl. 13 23 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) Também este Conselho firmou jurisprudência no sentido de que nos lançamentos por homologação – caso do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação, senão vejase: Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10709311 do Processo 15586000464200572. 05/03/2008) Deveras, conforme redação do Art.173, I do CTN, adotado no caso em comento, considerase extinto o direito de o Fisco lançar o crédito tributário em cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter lançado. No caso, a omissão de receitas do Recorrente ocorreu no anocalendário de 2008, razão pela qual se inicia a contagem do prazo decadencial a partir de 01/01/2009 (termo a quo). Considerandose, ainda, a data do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em que foi formalizado o lançamento (21/01/2013), temse que decorreram 4 (quatro) anos e 20 (vinte) dias entre os termos a quo e ad quem da decadência. Assim, não há se falar em decadência no direito de lançar, razão pela qual deve ser mantido o lançamento de ofício realizado. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 7629DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 24 Fl. 7630DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13896.911266/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.865
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 26 6/ 20 09 -3 1 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 79.629,51 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, A época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO . A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de fevereiro de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911266/200931 Resolução nº 3801000.865 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de fevereiro/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11624.720210/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS PLANOS AFASTAM O RISCO.
Na concepção conceitual, a opção para compra de ações (stock options) é mera expectativa de direito do trabalhador, consistindo em um regime de compra de ações por preço pré-fixado, concedida pela empresa aos segurados contribuintes individuais ou empregados, garantindo-lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento - na medida que o sucesso da empresa implica também valorização das ações no mercado -, não tendo inicialmente caráter salarial e possuindo natureza de contrato mercantil, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré-determinado ao longo do curso do contrato de trabalho.
Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção de mero contrato mercantil, seja pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos no quadro funcional, seja pela intenção de afastar (ou minimizar) os riscos atribuídos ao próprio negócio, ficará configurada uma remuneração indireta na forma de salário-utilidade.
Está em conformidade com a legislação tributária e previdenciária o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, obtido pela diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra das ações.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
No momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários, ocorreu a transferência da titularidade das ações e o fato gerador da contribuição previdenciária, ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício com o valor inferior ao preço de mercado, representando um ganho direto para os segurados empregados e contribuintes individuais.
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada e os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial também para redução da base de cálculo. O conselheiro Thiago Taborda Simões apresentará declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES Recorrente GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA (GVT LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS PLANOS AFASTAM O RISCO. Na concepção conceitual, a opção para compra de ações (“stock options”) é mera expectativa de direito do trabalhador, consistindo em um regime de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos segurados contribuintes individuais ou empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento na medida que o sucesso da empresa implica também valorização das ações no mercado , não tendo inicialmente caráter salarial e possuindo natureza de contrato mercantil, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Ocorrendo o desvirtuamento do “stock options” em sua concepção de mero contrato mercantil, seja pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos no quadro funcional, seja pela intenção de afastar (ou minimizar) os riscos atribuídos ao próprio negócio, ficará configurada uma remuneração indireta na forma de salárioutilidade. Está em conformidade com a legislação tributária e previdenciária o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, obtido pela diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra das ações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 02 10 /2 01 2- 49 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS PLAN). PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. No momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários, ocorreu a transferência da titularidade das ações e o fato gerador da contribuição previdenciária, ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício com o valor inferior ao preço de mercado, representando um ganho direto para os segurados empregados e contribuintes individuais. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada e os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial também para redução da base de cálculo. O conselheiro Thiago Taborda Simões apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2007 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 83/106) informa os seguintes fatos acerca do lançamento: “[...] FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 8. A presente exação referese às contribuições sociais decorrentes das remunerações pagas a empregados, conforme fundamentação legal anexa ao auto de infração. 10. O auto de infração foi composto pelo levantamento denominado Stock Options, abreviado como "SO”. STOCK OPTIONS PLAN. NATUREZA JURÍDICA 11. Stock Options Plan (ou Plano de Opções de Ações) é uma expressão que designa o benefício concedido pelas empresas a seus empregados, administradores e colaboradores, pelo qual estes trabalhadores obtêm direito a adquirir certa quantidade de ações da empresa ou do grupo em que trabalham, mediante preço preestabelecido (por vezes muito abaixo de seu valor de mercado), desde que cumpridos certos requisitos ou condições como, por exemplo, ter vencido um determinado período de tempo após a sua concessão (carência ou tempo de maturação das opções). As condições para a concessão (vesting conditions) e o tempo de maturação variam bastante conforme disposto nos contratos de Opções de Ações de cada empresa cedente, podendo também vir atreladas a metas globais, individuais, e até mesmo a desempenho proporcional em relação aos principais concorrentes do segmento em que a empresa atua. (...) 20. No Brasil as legislações trabalhista e previdenciária não são explícitas a respeito das Stock Options, face à incipiência do assunto. No direito positivo brasileiro, apenas a Lei n° 6.404/1976 (Lei das S/A), no art. 168, §3o, trata da autorização para a outorga das opções de ações: (...) 21. Sob o aspecto contábil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu recentemente o pronunciamento Técnico "CPC 10 Pagamento Baseado em Ação”, visando convergência às Normas Internacionais de Contabilidade IFRS 2 (IASB BV 2010) que estabelecem procedimentos para reconhecimento e divulgação, nas demonstrações contábeis, das transações com pagamentos baseados em ações. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 4 5 22. Esta regulamentação, aprovada pela Deliberação n° 562/08 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Resolução n° 1.149/09 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por ter foco nas demonstrações destinadas a acionistas e investidores e refletir normas internacionais de contabilidade, somente tangencia os aspectos legais trabalhistas e tributários. Contudo, das diretrizes estabelecidas, notadamente nos itens 10 a 15 do referido pronunciamento (cópia no anexo II), é possível inferir o caráter sinalagmático de contraprestação pelos serviços prestados que constitui a essência deste pagamento. (...) PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES NO GRUPO GVT 33. O “Contrato de Concessão de Opções de Compra de Ações da GVT (Holding) S/A” traz, dentre outras, as seguintes informações relevantes: 33.1. Estabelece condições de preço e formas de pagamento, bem como declara que o Plano é uma forma de investimento oneroso, sujeito aos riscos do mercado de capitais e que as opções somente podem ser exercidas mediante pagamento ou compensação do Preço de Exercício. 33.2. Acrescenta que o Plano é de natureza exclusivamente societária e não cria qualquer obrigação trabalhista ou previdenciária entre a companhia, suas subsidiárias e seus participantes. 33.3. Restringe o público participante aos empregados, administradores e diretores admitidos antes de 31 de dezembro de 2003, bem como aqueles admitidos após esta data, que ocupem posições chave na companhia. 33.4. Determina o período de maturação de 4 anos para que o participante possa exercer as opções, sendo que a cada data de aniversário da concessão, 25% das opções estarão disponíveis, condicionadas também ao anúncio de encerramento de Oferta Pública Inicial na Bovespa ou de um evento extraordinário (havendo Oferta Pública Inicial, o exercício fica suspenso por 180 dias da data do anúncio de seu encerramento). 33.5. A cláusula 6.5 prevê duas formas para o Exercício das Opções. O participante deverá: “a) autorizar a compensação do Preço de Exercício com o preço de venda da ação; ou b) efetuar o Pagamento do Preço do Exercício.” 33.6. A cláusula 7 versa sobre os efeitos do desligamento do participante, estabelecendo prazos para o exercício das opções disponíveis e tornando extintas as opções ainda indisponíveis. Em caso de licença do participante, a maturação das ações fica suspensa. 36. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 24/10/2012, as Notas Explicativas dos anos de 2007 e 2008 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 (cópias no anexo V). Elas informam, no item 23 de ambas, o número de opções concedidas, os preços de exercício máximo e mínimo das opções e confirmam as demais condições já apresentadas no contrato do Plano de Opções de Ações, além de indicarem o método de aferição utilizado para o reconhecimento contábil das despesas decorrentes da disponibilização das opções. 37. O registro contábil das despesas de 2008 com o plano de opções de ações foi feito na GVT HOLDING S/A mediante lançamento único de R$ 21.956.658,56, em 31/12/2008, a débito da conta 31310017 Stock Options e a crédito da conta de Patrimônio Líquido, 25210102 Stock Options. Segundo a GVT HOLDING S/A, sua avaliação foi efetuada pelo método de Black & Scholes para as opções concedidas na vigência da norma IFRS 2 e segundo seus valores intrínsecos na data da oferta pública, para aquelas opções concedidas anteriormente à norma contábil internacional. A despesa referente aos exercícios anteriores também foi lançada no dia 31/12/2008, nas mesmas contas, no valor de R$ 59.245.892,47. AFERIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 39. Tendo em vista a característica especial da remuneração utilidade ora analisada é necessário que se faça a aferição do valor da base de cálculo do tributo por meio de arbitramento previsto no art. 148 do CTN e §6o do art. 33 da Lei 8.212/91 (a fundamentação legal da aferição indireta encontrase discriminada no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito). A base de cálculo do tributo deve corresponder ao valor real da utilidade fornecida ao trabalhador. 40. O Relatório dos Peritos da Comissão Européia (anexo I) constatou que "(...) na maioria dos países, os planos de opções de ações para empregados são tributados quando a opção é exercida, ou seja, quando o preço de exercício é pago e se obtêm as ações. Habitualmente, não há qualquer problema de avaliação, pelo menos para as ações cotadas. O montante tributado é igual à diferença entre o valor de mercado, mais alto, das ações obtidas e o custo da sua obtenção (...)” (grifou se) 41. Nesta ação fiscal foi utilizado um critério de aferição semelhante, contudo mais benéfico ao contribuinte, ou seja, considerouse a remuneração como a diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício da opção pelo trabalhador e o valor pago pela opção. 42. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 09/04/2012, planilha demonstrativa (anexo VI) das opções disponibilizadas e também exercidas pelos funcionários do GRUPO GVT no período fiscalizado, identificando os vínculos destes trabalhadores com a holding, suas controladas, preço de exercício da opção, tendo informado, ainda, o preço médio de mercado no respectivo dia do exercício. De acordo com a planilha fornecida, na GVT LTDA cerca de 600 trabalhadores exerceram suas opções. Efetuouse a tabela do anexo X, que indica os nomes, CPF, PIS/NIT dos trabalhadores, datas de Fl. 761DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 5 7 exercício, quantidades de opções exercidas, valores de mercado e de exercício das opções, bem como o cálculo da remuneração individual de cada trabalhador. Conforme demonstrado na referida tabela, o valor da remuneração aferido (D) correspondeu à quantidade de opções exercidas (A), multiplicada pela diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício e o valor de exercício da opção (BC). 43. As somas mensais das remunerações obtidas estão discriminadas no Relatório de Lançamentos (RL), parte integrante deste Processo. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR 45. Alinhase o presente lançamento a esta última corrente, sendo considerado o momento da ocorrência do fato gerador aquele em que a propriedade do bem (ação) passa à esfera patrimonial do trabalhador, ou seja, as competências em que foram efetivamente exercidas as opções. Esta forma de aferição é mais benéfica ao contribuinte, na medida em que considera o fato gerador ocorrido apenas no momento do pagamento e não na concessão do plano ou no implemento gradual da condição de serviço, resultando em menores acréscimos moratórios ao valor original do crédito. DOCUMENTO DE DECLARAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 46 A Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) é o documento de declaração ao Fisco Federal das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em cada competência (mês). Nas competências lançadas, a GVT LTDA entregou as seguintes GFIP que se encontravam válidas ao tempo do início desta ação fiscal: 47. Estas GFIP não incluem as remunerações concedidas aos funcionários por meio do benefício do Plano de Opções de Ações, motivo pelo qual é efetuado o presente lançamento fiscal. SOLIDARIEDADE PASSIVA 49.1. A GVT HOLDING S/A e a GVT LTDA possuem interesse comum na situação que constitui os fatos geradores de contribuições previdenciárias lançadas no presente auto de infração, pois há prestação de serviços dos trabalhadores à GVT LTDA e sua contraprestação custeada pela controladora do grupo. São assim, solidariamente obrigadas à satisfação do presente crédito tributário. 49.2. A Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no inciso IX do art. 30, dispõe: "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. Sendo assim, também pelo fato de a GVT LTDA ser empresa controlada da GVT HOLDING S/A e pertencerem a um grupo econômico, situação prevista na Fl. 762DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 8 Lei 8.212/91, tornamse solidariamente responsáveis pela satisfação de seus créditos tributários. 50. Por este motivo, é enviada cópia deste Processo Administrativo Fiscal (PAF) à solidária GVT HOLDING S/A, acompanhada do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS). Não há solidariedade em relação às contribuições parafiscais destinadas às outras entidades e fundos, denominados "terceiros”, sendo portanto lançadas apartadas, por meio do PAF n° 11624.720.211/201293. [...]” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/11/2012 (fls. 02 e 421). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 427/457), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração epigrafado, ante: (i) a inexistência de legislação brasileira que autorize a tributação dos valores referentes ao plano de “Stock Options”; (ii) a ilegalidade do método de apuração da base de cálculo pela fiscalização, sem fundamentação legal, redundando na impossibilidade de arbitramento, haja vista a inexistência de omissões ou de recusa de atendimento à fiscalização ou de apresentação de informações que não mereçam fé; (iii) a carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador criado pela fiscalização; (iv) o descabimento de representação para fins penais, a demandar a existência de omissão de informação e declaração falsa pelo contribuinte, o que não houve no caso; 2. No mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração epigrafado, com a extinção do crédito tributário lançado e o arquivamento do processo fiscal instaurado, pois: (i) o conceito e o objeto da opção de ações (“Stock Options’) não se confunde com salário de contribuição, amoldandose ao disposto no artigo 28, §9°, item 7 da Lei n° 8.212/91 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário); (ii) o TST, os TRTs, bem como a doutrina já se posicionaram no sentido de que os valores referentes às “Stock Options” não configuram salário; (iii) o plano de “Stock Plans” não é contraprestação por serviços prestados ou pagamento pelo trabalho, pois não há relação de causalidade ou sinalagmacidade com o trabalho; (iv) o “Stock Options Plans” tem como característica inequívoca a álea/risco; (v) os ganhos decorrentes do plano de “Stock Options” são inequivocamente eventuais e não habituais; (vi) o Plano de “Stock Options” é concedido por mera liberalidade da empresa; 3. Sucessivamente, ainda que se entenda devido algum valor pelas Impugnantes, a multa aplicada pela RFB deve ser afastada, em observância ao artigo 100 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS – por meio do Acórdão n° 0433.784 da 3a Turma da DRJ/CGE (fls. 551/578) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido Fl. 763DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 6 9 das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, registrando os seguintes termos: 1. Preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração que deu origem ao presente processo, ante (1) a inexistência de legislação brasileira que autorize a tributação dos valores referentes ao plano de "Stock Options"; (2) a ilegalidade do método de apuração da base de cálculo pela fiscalização, sem fundamentação legal, redundando na impossibilidade de arbitramento, haja vista a inexistência de omissões ou de recusa de atendimento à fiscalização ou de apresentação de informações que não mereçam fé; (3) a carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador criado pela fiscalização; 2. No mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração, com a extinção do crédito tributário lançado e o arquivamento do processo fiscal instaurado, pois (1) o conceito e o objeto da opção de ações ("Stock Options') não se confunde com salário de contribuição, amoldandose ao disposto no artigo 28, §9°, item 7 da Lei n° 8.212/91 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário); (2) o TST, os TRTs, bem como a doutrina já se posicionaram no sentido de que os valores referentes às "Stock Options" não configuram salário; (3) o plano de "Stock Options" não é contraprestação por serviços prestados ou pagamento pelo trabalho, pois não há relação de causalidade ou sinalagmacidade com o trabalho; (4) o "Stock Options Plan" tem como característica inequívoca a álea/risco; (5) os ganhos decorrentes do plano de "Stock Options" são inequivocamente eventuais e não habituais; (6) o Plano de "Stock Options" é concedido por mera liberalidade da empresa; 3. Sucessivamente, ainda que se entenda devido algum valor pelas Recorrentes in casu, ad argumentandum tantum, a multa aplicada pela RFB deve ser afastada, em observância ao artigo 100 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 10 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO: A Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal em decorrência da ausência de previsão legal do fato gerador e da carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador, essa alegação não será catada pelas razões a seguir delineadas. O lançamento fiscal considerou como base de cálculo as remunerações concedidas aos funcionários por meio do benefício do Plano de Opções de Ações (“stock options Plan”), plano de compra de ações, caracterizandoo como um ganho habitual em forma de utilidades (salárioutilidade). De acordo com o art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991, em conformidade com os dispositivos constitucionais (artigo 201, §11), o salário de contribuição deverá incluir no ganho do trabalhador, para efeito de incidência da contribuição previdenciária, não só a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês, mas também os ganhos habituais em forma de utilidades. Assim, a remuneração do trabalhador também abarca a concessão de benefícios ou ganhos habituais em forma de utilidades, ganhos indiretos, que suportaram a incidência da contribuição previdenciária, desde que tenham natureza de rendimento do trabalho. Impende destacar que não é o nomen iuris conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, mas é relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei para neutralizar o efeito remuneratório. Na espécie, ao analisar o Relatório Fiscal, observase que este descreve não apenas o que entendeu ser o “ganho” ou “pagamento” feito pela Recorrente aos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupavam posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias, como detalha a constituição do plano de opção por ações, e, em que momento, passou a constituir salário de contribuição (base de cálculo da contribuição social previdenciária). Nesse caminhar, cumpre esclarecer que a controvérsia da Recorrente, quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o “stock options”, não implica, de forma automática, considerar a nulidade do lançamento pela ausência de configuração do fato gerador ou do salário de contribuição. Em outras palavras, neste momento, não vislumbramos qualquer nulidade do lançamento fiscal, capitaneada pela Recorrente, em decorrência de uma suposta ausência de previsão legal do fato gerador ou de uma suposta carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 7 11 O Relatório Fiscal delineou o fato gerador das contribuições sociais lançadas, registrou a legislação aplicada, estabeleceu tanto a regra matriz do plano de opções de ações no grupo GVT (Global Village Telecom) como o momento da ocorrência do fato gerador. Além disso, foram delineados os seguintes fatos: 1. o que entendeu ser o “pagamento” ou benefício concedido aos segurados, sendo que o mesmo configuraria um salário utilidade e não se encontraria no rol de exclusão do salário de contribuição; 2. quando o pagamento ocorreu por meio dos ganhos habituais, descrevendo as competências e os beneficiários (Anexos VI e X); 3. qual o dispositivo legal que fundamenta o lançamento fiscal, bem como os motivos que o levaram a inclusão do “stock options” no conceito de salário de contribuição. Destacase que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ausência de fundamentação, nem tampouco existe qualquer nulidade na decisão de primeira instância. A Recorrente foi devidamente intimada a apresentar os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, tendo o débito sido lavrado, com base nesses próprios documentos, por entender o Fisco possuir caráter remuneratório a opção pela compra de ações quando verificada a intenção de remunerar indiretamente o trabalhador, cognominada de salário utilidade. Com outras palavras, verificase que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/457) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 12 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Da definição do stock options e sua natureza de contrato mercantil ou de remuneração (salárioutilidade) O Plano de Opção de Compra de Ações (Stock Option Plan) é definido como um programa de longo prazo que faculta aos trabalhadores adquirirem ações da empresa, tornandose, assim, acionistas da própria empresa na qual eles exercem suas atividades laborais. Essa opção por ações irá proporcionar ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa), e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro, assim como, se a empresa efetivamente obtiver resultados financeiros positivos, poderão ser atribuídos os dividendos (lucros) ao beneficiário. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei 6.404/1976, in verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. (...) § 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Na toada da controvérsia instaurada, o ponto principal a ser definido cingese a natureza jurídica do plano de opções de compra de ações e seus reflexos na remuneração dos trabalhadores beneficiados pela sua concessão. E, para elucidar a definição do plano de opção de compra de ações, citaremos o texto da lavra de CALVO, Adriana Carrera1, que assim aborda a matéria: “[...] 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o 1 A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF: 25 ago. 2007. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 8 13 Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o Fl. 768DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 14 exercício da opção de compra da ação (“expiration date”). O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. (g.n.) Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (g.n.) Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. [...] (este texto foi extraído e capitaneado no voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; Acórdão 2401003.044 da 4a Câmara da 1a Turma da 2a Seção deste Conselho; julgado em 2013; processo 10980.724030/201133) Diante desse texto de ADRIANA CARREIRA CALVO e baseado exclusivamente no aspecto doutrinário do termo “stock options” (análise conceitual do termo), percebese que a mera opção de subscrição de ações da empresa (“stock options”) para o qual o titular trabalha, no meu entender, configuraria uma venda de ações, guardando características de um contrato mercantil (natureza mercantil) e não tendo caráter salarial, desde que a compra de ações seja acompanhada tanto do seu efetivo custo como da assunção dos seus riscos operacionais, estes evidenciados pelo risco de mercado2, pelo risco de liquidez3. Além desses riscos tipicamente operacionais, a compra de ações nos moldes de um contrato mercantil também deverá suportar o risco envolvendo operações em derivativos dos contratos futuros4, este risco é constatado com frequência nos planos de opções de compra de ações, e o risco envolvendo operações a termo5. 2 Risco de Mercado é associado à flutuação dos preços de um ativo (título público ou ação, por exemplo), devido às alterações políticas, econômicas, internacionais, entre outras. É a possibilidade de ocorrerem mudanças no valor do seu investimento associadas à notícia ou acontecimento que diz respeito direta ou indiretamente à aplicação que você escolheu. O risco de mercado é associado às oscilações dos preços dos ativos e esta oscilação é conhecida no mercado financeiro como volatilidade, ou seja, a oscilação de preço de um ativo em relação à sua média. 3 O risco de liquidez surge da dificuldade em se conseguir encontrar compradores potenciais de um determinado ativo no momento e no preço desejado. Ocorre quando um ativo está com baixo volume de negócios e apresenta grandes diferenças entre o preço que o comprador está disposto a pagar (oferta de compra) e aquele pelo qual o vendedor gostaria de vender (oferta de venda). Quando é necessário vender algum ativo num mercado ilíquido, tende a ser difícil conseguir realizar a venda sem sacrificar o preço do ativo transacionado. 4 Para os contratos futuros, de opções sobre disponível e de opções sobre futuro, destacamse os seguintes riscos atrelados aos respectivos negócios: (i) valor das posições em aberto é atualizado diariamente, de acordo com os preços de ajuste do dia estabelecidos conforme as regras da BM&F e atuando como comprador no mercado futuro, o cliente corre o risco de, se houver uma queda de preços, ter alterado negativamente o valor atualizado da sua posição; (ii) a manutenção de posições travadas ou opostas numa mesma corretora, tanto no mercado de opções como no mercado futuro, sob certas circunstâncias, não elimina os riscos de mercado de seu carregamento e atuando como titular no mercado de opções, o cliente corre de riscos de como titular de uma opção de compra: perder o valor do prêmio pago ou parte dele, caso o preço de mercado do ativo objeto da opção não supere seu preço de exercício durante a vigência do contrato, em como titular de uma opção de venda: perder o valor do prêmio pago, ou parte dele, caso o preço de mercado do ativo objeto da opção supere seu preço de exercício durante a vigência do contrato. 5 Por se tratar de uma operação financeira de alavancagem, os clientes que efetuam operações a termo estão sujeitos a perdas superiores às garantias depositadas para a operação, ficando o cliente responsável por novos aportes de capital para o cumprimento das obrigações. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 9 15 Esse entendimento também foi capitaneado no voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Acórdão 2401003.044 da 4a Câmara da 1a Turma da 2a Seção deste Conselho; julgado em 2013; processo 10980.724030/201133), nos seguintes termos: “[..] Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, a stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo). [...]” No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. (g.n.) É no mesmo sentido, que discordo de um dos argumentos trazidos pelo auditor, citando uma reclamatória trabalhista, a qual encaminhou o magistrado o julgamento no sentido de que toda a forma de stock options, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, a concessão da opção por ações tenha decorrido da prestação de serviços, tratase, em regra, de típico contrato mercantil, envolvendo riscos, podendo o trabalhador, auferir lucros ou não com a outorga de ações, tudo a depender da situação do mercado. (g.n.) Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza Fl. 770DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 16 salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” [...]” Ocorre que, na espécie constante dos autos, a forma de concessão de opção de subscrição de ações da Recorrente, cognominada de “stock options”, não se encontra em perfeita consonância com a concepção conceitual ou doutrinária descrita acima, pelas seguintes razões fáticas: 1. na busca de manter os “ditos empregados talentosos” em seu quadro funcional, a opção de compra somente era concedida para os segurados que prestavam serviços à Recorrente, sendo que tal opção impossibilitava a sua transferência a terceiros (cláusula 8 do contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A). Assim, essa opção de compra de ações somente era concedida aos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupavam posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias (alínea “E” do contrato). Isso permitiu que a empresa somente ofertasse o plano aos que entende ter interesse em manter no seu quadro funcional, bem como isso viabilizou a contraprestação por serviços prestados à Recorrente no momento que se estabeleceu uma relação de causalidade entre a concessão de opções de compra de ações e a permanência do trabalhador no seu corpo funcional; 2. no plano ofertado pela Recorrente havia elementos de fidelização do prestador do serviços com as suas atividades desenvolvidas, já que fora estabelecido a indicação de prazo para o exercício do direito à compra, ou seja, era necessário estar com um vínculo em determinada data, para poder exercer o direito de compra, relacionando diretamente a opção como contrapartida pela prestação de serviços. Isso também configura a relação de causalidade (sinalagmacidade) com o trabalho; 3. no plano de opção de compra da ações, havia condições e limitações estabelecidas de forma unilateral pela Recorrente, sem a participação dos segurados, nos seguintes termos: “3.1. Sujeitos aos termos e às limitações do Plano, e ao exclusivo critério de Companhia, novas Opções poderão ser outorgadas mediante a emissão de um termo de Oferta de Opções ao Participante, no qual constará o número de Opções, Período de Maturação e Preço de Exercício das Opções”; “4.2. Ao aderir ao Plano e ao assinar este Contrato os Participante declara estar ciente e concordar com todas as condições de preço e as formas de pagamento disponíveis para exercício das Opções (...)”; “8.1. As Opções concedidas ao PARTICIPANTE, não poderão ser vendidas, trocadas, transferidas ou cedidas ou de qualquer outra maneira alienadas a qualquer tempo pelo PARTICIPANTE, que não nas hipóteses específicas previstas no Plano por força de sucessão hereditária. 8.2. Da mesma forma, fica vedada a constituição de quaisquer gravames sobre as Opções Concedidas ao PARTICIPANTE, não podendo ser penhoradas, empenhadas, hipotecadas ou oneradas de qualquer forma”. Essas cláusulas Fl. 771DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 10 17 descaracterizam a suposta liberalidade, alegada na peça recursal, da compra e venda das ações concedidas pela Recorrente; 4. a ausência de risco para o trabalhador, o que afasta a concepção conceitual de contrato mercantil, eis que a Recorrente (empresa) estabeleceu a opção de compra das ações por valores abaixo do valor de mercado. Isso permitiu a compra de quase a totalidade das ações por R$6,15 e o restante por R$18,00 tendo o valor de mercado na data da compra oscilado entre R$23,51 a R$40,50; conforme tabela abaixo. Competência Valor mercado na data compra (R$) Valor de compra (R$) 08/2007 32,85 6,15 09/2007 39,00 6,15 10/2007 37,60 6,15 11/2007 37,70 6,15 12/2007 35,75 6,15 01/2008 36,80 6,15 02/2008 36,99 6,15 03/2008 33,10 6,15 04/2008 40,50 6,15 05/2008 38,83 6,15 06/2008 39,00 6,15 07/2008 39,50 6,15 08/2008 37,30 6,15 09/2008 28,79 6,15 e 18,00 10/2008 23,51 6,15 e 18,00 (3 segurados) 11/2008 26,63 6,15 e 18,00 (1 segurado) 12/2008 25,37 6,15 e 18,00 (1 segurado) Informações extraídas do Anexo X GVT Ltda Planilha Remuneração Esse quadro fático, delineado nos itens 1 a 4 acima, acompanhado da sua tabela, permite identificar a ausência de riscos inerentes ao negócio mobiliário na compra de ações – consubstanciado pelo risco de mercado, pelo risco de liquidez e pelo risco envolvendo operações em derivativos dos contratos futuros –, já que a opção pela compra sempre beneficiará o trabalhador pelo exercício de suas atividades laborais na empresa, e, por Fl. 772DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 18 consectário lógico, isso irá constituir uma simples forma de remunerar indiretamente os empregados na forma de salárioutilidade. De mais a mais, entendese que a definição do termo “stock options” (opção de compra de ações), configurado pelo contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A, não pode ser confundida com os seus efeitos ocorridos na relação laboral estabelecida entre a Recorrente e os seus trabalhadores, até porque o conceito é o que está dentro e efeito é aquilo que se projeta para fora desse contrato, de maneira que é impossível confundir um com o outro. Sendo o salário de contribuição, na espécie, uma questão de fato gerada pelos ganhos habituais destinados a retribuir o trabalho – ganhos estes ocorridos no momento da subscrição das ações –, não guarda maior interesse, na configuração do fato gerador da contribuição social previdenciária, apenas o conceito doutrinário de “stock options”, sendo muito mais relevante o estudo de seus efeitos na concessão de opção de compra de ações pela Recorrente para os trabalhadores. Como já afirmado, é plenamente possível a existência de um plano de opção de compra de ações (“stock option plan”) que não gere nenhum efeito direto dentro da relação laboral, mas isso irá acontecer quando a subscrição e a transferência de titularidade das ações possuem natureza exclusivamente de contrato mercantil nos moldes do § 3º do artigo 168 da Lei 6.404/1976, fato este não evidenciado nos autos. Esse entendimento ganha relevo no fato de que as relações estabelecidas pela Companhia (Recorrente) na alienação de suas ações, sobretudo em sociedade aberta, deverão possuir natureza de sociedade de capital, em que o importante é tão somente o capital investido pelos sócios na empresa. No caso dos autos, não se está presumindo o ganho habitual concedido pela Recorrente aos seus trabalhadores, haja vista que somente ocorreu o lançamento no momento da efetiva subscrição e transferência de titularidade das ações da empresa para os seus trabalhadores, sendo que isso ocasionou um ganho oriundo da aquisição de um bem por valor simbólico, este determinado exclusivamente pela Recorrente e não pelo valor de mercado mobiliário nem pelo valor de custo. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos benefícios concedidos por meio da opção de compra de ações (“stock options”) alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que a concessão à compra de ações era desvinculada da prestação de serviço e da remuneração dos segurados. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade (não eventualidade) não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente disponibilizou a opção de compra das ações com um período completo de maturação de 4 (quatro) anos, sendo que 25% das opções estarão disponíveis a cada aniversário da data de concessão (cláusula 5.2 do Contrato de Concessão de Opções de Compra de Ações). E, após o término do respectivo período de maturação indicado na oferta de opções, essas opções de compra de ações (“stock options”) estariam disponíveis e poderiam ser exercidas, total ou parcialmente, pelos segurados empregados, diretores e administradores admitidos antes de 31/12/2003, bem como àqueles admitidos após esta data que ocupem posiçõeschave na Companhia e nas subsidiárias, e a outras pessoas físicas ou jurídicas expressamente indicadas pelo Conselho de Administração (cláusula 5.3). Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da própria política de concessão e do período de maturação engendrado pela Recorrente, materializandose na disponibilidade da compra de ações pelos segurados por valor inferior ao valor de mercado, e, Fl. 773DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 11 19 por consectário lógico, gerando um ganho no momento do exercício da opção de compra, viabilizado pelo ato de subscrição e integralização das ações. Dessa forma, a opção de compra de ações (“stock options”), da forma como foi concedida pela Recorrente, é instrumento de incentivo para a permanência dos segurados nos quadros funcionais da Recorrente, bem como afastou (ou minimizou) os riscos atribuídos ao próprio negócio mobiliário, e, por consectário lógico, isso gerou um ganho habitual sob a forma de utilidade, o que flagrantemente constitui uma remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). A remuneração paga ou creditada por meio de folha de pagamento, ou qualquer outro documento contábil, é apenas uma das formas de salário de contribuição (base de cálculo) para incidência da contribuição social previdenciária, mas não é única maneira de se constatar a totalidade dos rendimentos auferidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme se infere da redação do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991, o salário de contribuição estabelecido no bojo desse artigo prevê outras formas de configurar os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, abarcando inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salárioutilidade). Esse raciocínio tem aplicação à hipótese em que se apura os ganhos habituais destinados a retribuir os trabalhadores, oriundos do desvirtuamento da mera opção de compra de ações, pois onde houver o mesmo fundamento fático haverá a incidência da mesma regra jurídica, conforme a máxima: onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito (ubi eadem ratio, ibi idem jus). O entendimento delineado acima está em conformidade ao art. 201, § 11, da CF/1988, já que os ganhos habituais dos empregados, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de incidência da contribuição social previdenciária. Com isso – no que diz respeito ao argumento de que a subscrição das ações concedidas aos trabalhadores não seria salário de contribuição e deveria enquadrarse como ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário –, essa alegação da Fl. 774DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 20 Recorrente não será acatada, eis que o Fisco configurou o fato gerador da contribuição previdenciária, a teor do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 201, §116, da Constituição Federal de 1988. É importante esclarecer que as cláusulas firmadas no contrato de concessão de opções de compra de ações da GVT – HOLDING S/A não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois pouco importa que neste contrato esteja previsto expressamente que o plano é de natureza exclusivamente societária e não cria qualquer obrigação trabalhista ou previdenciária entre a Companhia, suas subsidiárias e os Participantes, se o contrário resulta da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Do momento da ocorrência do Fato Gerador A Recorrente argumenta que não houve pagamento ou mesmo ganho, e, portanto, a opção de compra de ações (“stock options”) não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevido o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, eis que o tipo tributário delineado pelo legislador para a configuração do salário de contribuição, base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária, comporta uma remuneração com tipo misto cumulativo7 – bastando a presença de uma forma de rendimentos para que se legitime a incidência da contribuição previdenciária –, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salárioutilidade) destinados a retribuir o trabalho, a teor do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 201, §11, da Constituição Federal de 1988. Nesse caminhar, no momento em que houve o direito de opção (com a efetiva outorga) pela ações, materializandose pelo ato de subscrição e de integralização das ações, ocorreu, sim, o fato gerador – ainda que não tenha havido a efetiva venda a terceiros –, pois, naquela oportunidade, os segurados empregados e contribuintes individuais integralizaram a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício – com o valor inferior ao preço de mercado da compra das ações –, e, por consequência, isso representou um ganho direto ao trabalhador na forma de salárioutilidade. Esse ato de subscrição e de integralização das ações delineia uma situação jurídica nos moldes do art. 116, inciso II, combinado com o art. 117, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; 6 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. 7 Tipo misto cumulativo: o legislador descreve mais de uma forma de se averiguar a base de cálculo do tributo, no caso em tela o salário de contribuição. Se o sujeito passivo incorrer em mais de uma forma de rendimentos, dentro do mesmo contexto fático, irá incidir a tributação para cada fato ou núcleo praticado. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 12 21 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Conforme demonstrado no item anterior – consubstanciado pela diferença entre o contrato mercantil e a remuneração –, houve o desvirtuamento do “stock options” em sua natureza inicial (conceitual), qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual o Fisco procedeu ao lançamento do rendimento real dos trabalhadores (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra das ações). Se não tivesse ocorrido o desvirtuamento da concepção conceitual da “stock options”, não se poderia materializar a ocorrência do fato gerador em todos os seus aspectos (material, temporal, espacial, pessoal e quantitativo), posto que não restaria configurada a remuneração indireta (salárioutilidade). Cumpre esclarecer, novamente, que o simples ganho conceitual pela outorga de ações não constitui salário de contribuição, vez tratarse de operação mercantil. Contudo, na forma como foi materializada pela Recorrente, afastando os riscos inerentes ao negócio jurídico, comuns nas compras de ações, isso representou, na realidade, um ganho na forma de salárioutilidade (remuneração indireta). Ademais, também afasto o argumento de que o fato gerador (se existisse) só se daria no momento da venda a terceiros. O momento da ocorrência do fato gerador deuse com a concretização da opção, transferência da titularidade da ação (aspecto temporal e material do fato gerador), auferindo um ganho indireto (o direito de compra). Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Mas, possua o “bem” (direito à ação), direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços. A Recorrente alega revisão ou cancelamento do lançamento fiscal, pois apresentou todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “33, 34, 37 e 39 a 43” (fls. 83/106) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, ou seja ela deixou de realizar a escrituração contábil de uma parte da remuneração dos segurados, esta concedida por meio de benefícios oriundos do Plano de Opções de Ações (“stock options plan”) que ocasionou uma diferença entre o valor pago pelos segurados e o valor do bem concedido pela Recorrente. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 22 Essa demonstração de que não houve o registro contábil do movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 83/106): “[...] 34. Passase à análise do Contrato: 34.1. Conforme alínea “a” da cláusula 6.5, o participante autorizaria a venda da ação e receberia diretamente a diferença entre o preço de venda e o preço de exercício da ação. Segundo a GVT, somente a forma de exercício prevista em “b” foi utilizada, tendo em vista a nãoonerosidade da forma prevista na alínea “a” (o trabalhador não precisaria dispender numerário para a compra da ação), o que caracterizaria a remuneração. 34.2. É necessário fazer considerações sobre esta interpretação incorreta. Como já analisado no item 29.2.3 deste relatório, a onerosidade por si não é fator impeditivo para a configuração salarial. Tratase de onerosidade parcial, pois não é pago pelo trabalhador o valor integral do bem, mas apenas parte dele. A outra parte, que se configura salário, é subsidiada pela empresa. No exemplo citado anteriormente, uma ação vale R$ 36 e o trabalhador paga apenas R$ 6. Onde está a onerosidade? Apenas nos R$ 6. Os restantes R$ 30 são arcados pela empresa, pelo seu custo de oportunidade. Consequentemente, não há diferença ontológica entre as duas formas de exercício, apenas procedimental. Tanto o Exercício da Opção procedido na forma da alínea “a” como da “b” configuramse remuneração, pela diferença entre o valor pago e o valor do bem. (g.n.) (...) AFERIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 39. Tendo em vista a característica especial da remuneração utilidade ora analisada é necessário que se faça a aferição do valor da base de cálculo do tributo por meio de arbitramento previsto no art. 148 do CTN e §6o, art. 33, da Lei 8.212/91 (a fundamentação legal da aferição indireta encontrase discriminada no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito). A base de cálculo do tributo deve corresponder ao valor real da utilidade fornecida ao trabalhador. (g.n.) (...) 40. O Relatório dos Peritos da Comissão Européia 8 (anexo I) constatou que “(...) na maioria dos países, os planos de opções de ações para empregados são tributados quando a opção é exercida, ou seja, quando o preço de exercício é pago e se obtêm as ações. Habitualmente, não há qualquer problema de avaliação, pelo menos para as ações cotadas. O montante tributado é igual à diferença entre o valor de mercado, mais alto, das ações obtidas e o custo da sua obtenção (...)” (grifou se) 41. Nesta ação fiscal foi utilizado um critério de aferição semelhante, contudo mais benéfico ao contribuinte, ou seja, considerouse a remuneração como a diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício da opção pelo trabalhador e o valor pago pela opção. (g.n.) Fl. 777DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 13 23 42. A GVT HOLDING S/A apresentou à fiscalização, em 09/04/2012, planilha demonstrativa (anexo VI) das opções disponibilizadas e também exercidas pelos funcionários do GRUPO GVT no período fiscalizado, identificando os vínculos destes trabalhadores com a holding, suas controladas, preço de exercício da opção, tendo informado, ainda, o preço médio de mercado no respectivo dia do exercício. De acordo com a planilha fornecida, na GVT LTDA cerca de 600 trabalhadores exerceram suas opções. Efetuouse a tabela do anexo X, que indica os nomes, CPF, PIS/NIT dos trabalhadores, datas de exercício, quantidades de opções exercidas, valores de mercado e de exercício das opções, bem como o cálculo da remuneração individual de cada trabalhador. Conforme demonstrado na referida tabela, o valor da remuneração aferido (D) correspondeu à quantidade de opções exercidas (A), multiplicada pela diferença entre o valor médio de mercado no dia do exercício e o valor de exercício da opção (BC). 43. As somas mensais das remunerações obtidas estão discriminadas no Relatório de Lançamentos (RL), parte integrante deste Processo. [...]” (Relatório Fiscal) Nesses itens “33, 34, 37 e 39 a 43”, constatase que é incontroverso que a contabilidade da Recorrente não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como a totalidade de suas despesas, já que o Fisco demonstrou que ocorreu a escrituração contábil em conta de despesa (conta 31310017 – Stock Options) e não ocorreu a devida escrituração em conta de remuneração, nos seguintes termos: “[...] 37. O registro contábil das despesas de 2008 com o plano de opções de ações foi feito na GVT HOLDING S/A mediante lançamento único de R$ 21.956.658,56, em 31/12/2008, a débito da conta 31310017 – Stock Options e a crédito da conta de Patrimônio Líquido, 25210102 – Stock Options. Segundo a GVT HOLDING S/A, sua avaliação foi efetuada pelo método de Black & Scholes para as opções concedidas na vigência da norma IFRS 2 e segundo seus valores intrínsecos na data da oferta pública, para aquelas opções concedidas anteriormente à norma contábil internacional. A despesa referente aos exercícios anteriores também foi lançada no dia 31/12/2008, nas mesmas contas, no valor de R$ 59.245.892,47. [...]” Com efeito, vêse que a eficácia probatória dos livros e documentos contábeis, analisados pela auditoria fiscal, operase contra a Recorrente, eis que esses documentos cotejados entre a folha de pagamento e as declarações prestadas pela própria empresa evidenciaram que a sua contabilidade não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e, por consectário lógico, isso permitiu a utilização do procedimento de aferição indireta, a teor das regras previstas nos §§ 1°, 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991 combinadas com a regra do art. 148 do CTN. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 24 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Sobre as alíquotas aplicadas pelo Fisco, foram feitas dentro dos liames legais e estão devidamente discriminadas no item 07 do Relatório fiscal e a base de cálculo das contribuições previdenciárias foi apurada por meio da técnica de aferição indireta Fl. 779DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 14 25 (arbitramento), o qual não previu a incidência de contribuições sociais sobre verbas de natureza indenizatória, mas tão somente sobre a diferença entre o valor pago pelos segurados e o valor do bem concedido pela Recorrente, conforme o Discriminativo do Débito (DD) e o Relatório de Lançamento (RL). Assim, não cabe razão à Recorrente, quando afirma que as contribuições incidiram sobre rubricas de natureza indenizatórias e eventuais (não habituais). Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19918). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, 8 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 780DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 26 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 15 27 Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e Fl. 782DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 28 consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 16 29 Declaração de Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicio com meus cumprimentos ao relator pelo forte e consistente voto, como é habitual de sua lavra. Peço vênia para dele divergir em parte, com a certeza de contribuirmos juntos para a convicção da Turma em tão relevante matéria. Para tanto, entendo necessário revisitar o conjunto normativo que positiva a sistemática de incidência das contribuições sociais previdenciárias, delimitando sua hipótese. Em seguida analisaremos a natureza jurídica do plano de opção de compra de ações (ou no inglês SOP – stock options plan)9. Ao final, serão avaliadas as particularidades do caso concreto, buscando a verificação da subsunção e consequente avaliação da sustentabilidade do crédito lançado. DOS LIMITES CONSTITUCIONAIS PARA A REGRAMATRIZ DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Na forma prescrita pelos artigos 14910 e 195, I, “a” da Constituição Federal11 a União é a pessoa jurídica competente para instituir as contribuições sociais, concedendolhe a faculdade de tributar o empregador, a empresa ou a entidade a ela equiparada. Para tanto, o legislador constituinte, firmou como limite constitucional para a base de cálculo a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estas são normas de estrutura, autorizadoras para que a União tribute dentro de tais limites. Sua finalidade é a garantia dos direitos fundamentais do contribuinte. Não cabe confundilas com a regramatriz de incidência tributária mesma. Nesse sentido ensina Roque Antonio Carrazza: 9 Pedimos licença para adotar determinadas nomenclaturas na língua inglesa, vez que a origem e grande parte dos conceitos vinculados ao tema derivam do direito norteamericano, introdutor do instituto. 10 “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.” 11 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Fl. 784DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 30 “Noutro falar, a competência tributária é a habilitação ou, se preferirmos, a faculdade potencial que a Constituição confere a determinadas pessoas (as pessoas jurídicas de direito público interno) para que, por meio de lei, tributem12.” ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL X RMIT Por arquétipo constitucional entendese a regramatriz de incidência possível dos tributos, contida de moda expressa ou indireta na Carta Política. Tratase, portanto, da delegação de competência tributária aos entes tributantes para instituição dos tipos, de forma geral e abstrata. A sobreposição do arquétipo constitucional da contribuição patronal com sua regramatriz de incidência legal aponta materialidades residuais, presentes na primeira, mas não exercida na segunda. Nada obsta essa prática, pois como exposto a facultatividade é característica inerente à competência. Assim no exercício dessa competência delegada, o legislador ordinário houve por bem não esgotar todo o campo da materialidade tributária possível para instituição da contribuição social sobre a folha salarial. As materialidades deixadas de lado são aquelas referentes às remunerações pagas aos empregados que não em contraprestação pelo trabalho (art. 22, I, Lei nº 8.212/1991), bem como aquelas pagas de maneira eventual (art. 28, § 9º, “e”, “7”, Lei nº 8.212/1991). Podemos dizer que o arquétipo constitucional alberga as materialidades potenciais colocadas pelo constituinte à disposição do legislador ordinário para instituição dos tributos. Essas materialidades potenciais podem ser ou não exercidas, no todo ou em parte. No caso em análise, este exercício restringiuse à tributação das remunerações pagas em contraprestação pelo trabalho dos empregados da pessoa jurídica, de maneia habitual. Configurase neste ponto a competência tributária exercida. No confronto da competência potencial com a competência exercida, identificamos as materialidades residuais, correspondentes ao comportamento do contribuinte de pagar remuneração, que não constitui fato gerador da contribuição social patronal. Pela necessária relação de inerência existente entre a materialidade normativa e seu critério quantitativo, identificamos os valores pagos aos empregados do contribuinte que não se incluem na base de cálculo do tipo em análise: ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL 12Curso de direito constitucional tributário. 22ª Ed, Malheiros, São Paulo, 2006. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 17 31 REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA LEGAL VISUALIZAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O exercício de tal faculdade potencial se deu com a vigência na norma insculpida no artigo 22, I, da Lei nº 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Antecedente Conseqüente Critériomaterial Pagar dinheiro a empregado Critério quantitativo Base de cálculo Valor pago Alíquota 20% Critério espacial Território nacional Critério pessoal Sujeito ativo União Critério temporal Momento do pagamento Sujeito passivo Empregador Antecedente Conseqüente Critériomaterial Pagar remuneração a segurado em contra‐ prestação pelo trabalho, de maneira habitual Critério quantitativo Base de cálculo Remuneração paga Alíquota 20% Critério espacial Território nacional Critério pessoal Sujeito ativo União Critério temporal Momento do pagamento Sujeito passivo Empregador Contra‐prestação pelo trabalho habitual 70% Paga a não segurado 10% Eventual 10%Sem contra‐prestação 10% Remuneração Fl. 786DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 32 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” É dizer que a União, apesar de ter competência para instituir contribuições sociais sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, optou por discriminar algumas parcelas dessa base de cálculo potencial. Vejamos: § Não se refere a todos os trabalhadores, mas sim aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. § Não se refere a todos os rendimentos, mas sim aos rendimentos destinados a retribuir o trabalho. § E, por fim, não se refere a todos os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, mas sim àqueles que são percebidos de forma habitual. Sobre os pontos, importante se faz melhor análise do critério habitualidade. DO CONTEÚDO DO ART. 28, § 9º, DA LEI Nº 8.212/91 Demonstrada a hipótese de incidência das contribuições sociais sobre a folha de salários, a análise do caso concreto também demanda estudo das hipóteses de isenção previstas pela Lei nº 8.212/91. O art. 22, § 2º, da Lei nº 8.212/9113 exclui da basedecálculo da contribuição previdenciária patronal as importâncias arroladas no § 9º do artigo 28 dessa lei. O item 7 da alínea “e” desse parágrafo isenta de tributação previdenciária as importâncias recebidas como ganhos eventuais: “§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...)7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” O enunciado não especifica a natureza jurídica da importância; identifica a isenção tãosomente pela eventualidade. Todas as importâncias pagas de forma eventual são isentas de contribuição previdenciária, independentemente da sua natureza jurídica. Não 13 “§ 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” Fl. 787DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 18 33 interessa, pois, à verificação da isenção a natureza da importância paga, mas, tão somente, se fora paga sem periodicidade e expectativa de reiteração. A isenção não age sobre as importâncias nãoremuneratórias. Esses valores são desonerados pela nãoincidência, na medida em que a obrigação tributária pressupõe o pagamento ou crédito de remuneração. A isenção se interessa pelas importâncias que impõe a incidência, mas que, por escolha legislativa, são excluídas da basedecálculo do tributo. O ato de pagar ou creditar remuneração enseja a incidência, mas nem todas as remunerações pagas ou creditadas, contudo, integram a basedecálculo da contribuição. Essa condição, observadas as outras hipóteses de isenção previstas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, é reservada apenas às remunerações habituais, ou seja, periódicas e expectadas. Outra interpretação esvaziaria o sentido e eficácia do item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque é impossível a aplicação de regra de isenção sobre importância nãoincidente. As importâncias isentas são, em dado momento, incidentes; a desoneração atua sobre a basedecálculo destruindo parcialmente a regramatriz de incidência tributárias: “Por esse motivo, a título exemplificativo e levando em conta que a contribuição ao PIS e à COFINS apresentam como critério material da hipótese normativa o fato de auferir receitas”, tendo como base de cálculo exatamente o montante destas, qualquer supressão acaba por mutilar a regramatriz de incidência tributária. É o que fazem, por exemplo, o art. 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.637/02, e o art. 1º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/03: atacam o critério quantitativo da norma que determina a tributação, atingindo, mais especificamente, a base de cálculo. Essas mesmas leis, entretanto, prescrevem que as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda do ativo imobilizado e permanente, não integram a base de cálculo dos gravames examinados (art. 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.637/02, e o art. 1º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/03, respectivamente). Ao relacionar as espécies de receitas que são excluídas da base de cálculo tributária, referidas leis acabaram por instituir verdadeira isenção, mediante mutilação parcial do critério quantitativo da regra matriz de incidência.” 14 Igual sentido, outrossim, são as lições de José Souto Maior Borges15 e Alfredo Augusto Becker16, que, utilizandose de outros métodos, descrevem a isenção como a exclusão de parcela incidente da basedecálculo do tributo constituído. Dessa investigação, podemos extrair algumas conclusões que serão úteis na definição do caso concreto: 14 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Ed. São Paulo: Noeses. 2009, p. 594. 15 BORGES, José Souto Maior. Isenções Tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias. 1969, p. 190. 16 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. 1972, p. 277. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 34 § O item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é norma de isenção; § A isenção enunciada atinge todas as importâncias pagas ou creditadas de forma eventual, incluindose as remunerações. Não obstante se utilizar da eventualidade para identificar a importância isenta, o legislador se omitiu na definição do seu sentido, transferindo à doutrina e à jurisprudência essa tarefa. Para Mannrich17, o fato é eventual quando não é expectado (previsível), e/ou quando expectado não se reitera de forma periódica. Enquanto o hábito pressupõe a previsibilidade e a periodicidade, o evento (eventual) exige a imprevisibilidade e/ou a aleatoriedade do fato. A importância paga sem expectativa (previsibilidade) ou sem reiteração determinada (periodicidade) se caracteriza, portanto, como eventual, não integrando a basedecálculo da contribuição previdenciária, inobstante a natureza jurídica remuneratória. Exigese para a aplicação do item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, portanto, que a remuneração não seja expectada pelo remunerado (segurado), e/ou que não seja paga ou creditada com periodicidade. O Tribunal Superior do Trabalho – TST modelou esses critérios através da Súmula nº 291, que julgou habitual a remuneração recebida ininterruptamente pelo período mínimo de um ano. Para o TST, portanto, a habitualidade se caracteriza pela periodicidade mínima de doze vezes ao ano: “A supressão, pelo empregador, do serviço suplementar prestado com habitualidade, durante pelo menos um ano, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor de um mês das horas suprimidas para cada ano ou fração igual ou superior a 6 (seis) meses de prestação de serviço acima da jornada normal. O cálculo observará a média das horas suplementares efetivamente trabalhadas nos últimos 12 (doze) meses, multiplicada pelo valor da hora extra do dia da supressão.” Ou seja, para aquele Tribunal, as remunerações pagas ou creditadas sem previsibilidade e/ou reiteração, ou seja, em periodicidade inferior a doze vezes ao ano (Súmula nº 291 do TST) são isentas de contribuição previdenciária, porque, na condição de eventuais, se amoldam à desoneração prevista no item 07 da alínea e do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, posição que acompanho. Stock Options – natureza jurídica 17 MANNRICH, Nelson. Marketing de Incentivo: A questão da natureza jurídica do prêmio. In: SCHOUERI, Luís Eduardo. (Org.). Direito Tributário Homenagem a Paulo Barros de Carvalho. São Paulo: QuarterLatin, 2008, p. 519. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 19 35 O Stock Options Plan SOP é instituto jurídico inicialmente criado nos Estados Unidos na década de 6018. No Brasil, a utilização do instrumento adquire relevância na última década, sobretudo pela ação de companhias multinacionais. No mercado de capitais, as opções de compra de ações apresentamse de duas maneiras: a) opções de venda (put options); ou b) opções de compra (call options). A essas se identificam as employee stock options ESO, ou opções de compra de ações para empregados, objeto ora analisado19. O objetivo do SOP é entregar ao colaborador da companhia, empregado ou não, um direito, consistente na faculdade de adquirir, a título oneroso, ações da mesma sob um valor préfixado (preço de exercício – strike price), ao fim de determinado lapso temporal (lockup ou vesting). Essa curta definição contém inúmeros elementos de relevância. Analisemos: § Entregar algo: notase que empregamos o verbo entregar ao invés de dar ou vender. O discrímem entre as duas categorias é naturalmente a onerosidade, que só está presente na segunda. As opções de compra por ações são negociadas de maneira onerosa no ambiente de bolsa. Nada obsta, entretanto, que o empregador opte por concedêlas a título gratuito, com as consequentes implicações jurídicas dessa opção. § Um direito: As opções de compra de ações são um direito, do qual o beneficiário passa a ser titular. A contraparte dessa relação jurídica é o próprio empregador, que se obriga a vender o bem pelo valor contratualmente préfixado. Esse direito é mensurável conforme padrões praticados pelo mercado a que se refere. § Facultatividade: o beneficiário, colaborador titular do direito de opção de compra de ações, detém a faculdade de exercela. Em não desejando, quedase inerte, e transcorrido o prazo contratual de exercício, o direito morre. Evidenciase aspecto relevante: o direito subjetivo objeto do contrato pode nunca materializarse em seu conteúdo econômico, permanecendo latente até sua extinção. Por essa razão, entendemos imperativo condicionar o fato gerador em concreto da obrigação tributária ao substrato econômico do contexto, qual seja, o ganho de capital auferido pelo beneficiário. Entender o contrário é admitir a incidência sobre um ganho potencial, o que vai de encontro ao princípio da Equidade na participação do Custeio, informador da espécie tributária em análise. 18 TAKATA, Marcos Shigueo. A Nova Contabilidade Relativa às Stock Options – Sua Relação e Reflexo ou não no Direito Tributário. In Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos). 2º Volume. São Paulo: Dialética, 2011. p. 153. 19 A doutrina não é uniforme em relação à categorização das ESP como call options, vez que seus contornos não são taxativamente standarizados, havendo maior margem para flexibilização dos preços, prazos e condições. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 36 § Onerosidade: é característica da SOP a onerosidade, elemento essencial para configuração da natureza mercantil do negócio jurídico. Alertamos para o seguinte ponto: não se confunde a onerosidade referente ao preço pago pela opção (se existente, que é facultativa à discricionariedade do empregador), com a onerosidade do conteúdo da opção, que é o próprio direito à participação acionária. Esta última é vinculada ao arquétipo do SOP, sem a qual deixa de ser um contrato mercantil para transformase em remuneração decorrente da relação laboral. § Preço de exercício (strike price): é o valor a ser pago pelo colaborador pela aquisição das ações, após o período de lockup. Tem como referência a cotação oficial da ação no dia da outorga da opção. Regra geral, o preço de exercício é menor que a cotação oficial. Por exemplo, ações negociadas na bolsa de valores a R$10,00 que são optadas por R$8,00 no SOP. Nada obsta que o valor fosse idêntico, ou até superior, o que não é impossível, porém improvável em função da inutilidade dessa hipótese para os fins pretendidos pelas partes. Essa diferença monetária é juridicamente relevante, pois que pode representar uma vantagem concedida pela empresa ao colaborador. Em nosso entender essa vantagem, uma vez materializada financeiramente, não se conforma com o arquétipo do contrato mercantil, vez que não haveria propósito negocial para o desconto que não decorrente do contrato de trabalho20. Ao lado da PLR, o instituto da SOP é provavelmente o mais eficaz meio de integração capital/trabalho de que dispõem as companhias. Representa, de parte do acionista, a disposição voluntária de parcela do seu patrimônio para entregála aos colaboradores; e nestes, o cultivo do sentimento de participação, de persecução conjunta do objetivo empresarial final, o lucro e a valorização da companhia. O reflexo imediato da implementação bem sucedida do programa é o alinhamento dos interesses e expectativas no meio ambiente de trabalho. De fato, se antes o simples exercício individual da função era suficiente para o percebimento da remuneração, a introdução de uma nova perspectiva de ganho (decorrente da valorização do valor da companhia) promove a gênese de dois elementos de enorme potencial produtivo: o engajamento e a cooperação. Nesse sentido tivemos a oportunidade de pontuar: Isso permite o nascimento no ambiente laboral do que os franceses chamam de morale. Morale (ou esprit de corps) é o sentimento comum de companheirismo, entusiasmo e devoção de um grupo a uma causa comum, independente das adversidades opostas: An American general defined morale as "when a soldier thinks his army is the best in the world, his regiment the best in the army, his company the best in the regiment, his squad the best in the company, and that he himself is the best blanketyblank soldier man in the outfit.21 20 CARF, PAF 15889.000245/201046, Acórdão 2301003.597, 3ª Câmara/1ªTO, Declaração de Voto do Conselheiro Mauro José Silva. 21 Knickerbocker, H.R. (1941). Is Tomorrow Hitler's? 200 Questions On the Battle of Mankind. Reynal & Hitchcock. p. 96. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 20 37 Morale is the capacity of a group of people to pull together persistently and consistently in pursuit of a common purpose".22 Tratase de rompimento do paradigma anterior, minando a bipolarização orgânica capital/trabalho, e tornando a atitude individualista inconveniente não só para o todo, mas para o próprio indivíduo. Não nos enganemos também em pensar que o acionista entrega parcela do fruto do capital por altruísmo. Pelo contrário, essa disposição voluntária do patrimônio visa unicamente aumentar o tamanho da sua parcela, gerada pelo esforço extra dos colaboradores que dela participam. Tratase de um gesto altruísta, tendo por trás uma vontade egoísta, e como consequência prática um resultado duplamente positivo. Constróise assim com a PLR o que GIBBONS chamou de ganhaganha (winwin game)23 relação na qual todas as partes envolvidas saem satisfeitas, e onde a adesão emocional (satisfação) garante o comprometimento. O resultado é o fomento do sprit de corps e o ganho financeiro recíproco. São evidentes no contexto da PLR as notas que colorem o capitalismo humanista24, teoria analítica do modelo capitalista conjugado com os direitos sociais. Sua proposta é a compreensão das forças e relações produtivas considerando, além da mera expectativa de lucro, a fraternidade entre os homens. O direito, como sistema normativo direcionador de conduta, assume a função de introduzir mecanismos capazes de facilitar esse processo25. A citação comparativa revela pertinência. Tanto a PLR quanto o SOP baseiamse nos mesmos princípios, visando promover o alinhamento e o engajamento dos atores laborais por meio de um sistema meritocrático, além de ser um instrumento de retenção de talentos pelo prazo de lockup. A opção por essa técnica de gestão foi tão largamente utilizada nos Estados Unidos que hoje o pagamento de stock options representa a maior parte do pacote de “remuneração” dos executivos no mercado americano. Sistemática A lógica do SOP é simples. Parte do “pacote de remuneração”26 do colaborador é composta por SO, que então passa a deter, além dos vencimentos regulares, um potencial ganho variável. O pacote financeiro do colaborador passa a ser vinculado ao desempenho da companhia no mercado de capitais, criando motivação para que todos persigam o melhor resultado. Desse modo, os efeitos da celebração desse negócio jurídico são: 22Alexander H. Leighton, Human Relations in a Changing World: Observations on the Uses of the Social Sciences (1949). 23 GIBBONS, R. Game theory for applied economists. Princeton University Press. 1992. 24 BALERA, Wagner e SAYEG, Ricardo. O capitalismo humanista. Editora KBR. 25 BALERA, Wagner. SIMÕES, Thiago Taborda. Participação nos Lucros e nos Resultados – Natureza Jurídica e incidência previdenciária. Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2014, p. 85. 26 O jargão “pacote de remuneração” é impróprio para definir o conteúdo semântico do enunciado, já que nem tudo que se paga aos colaboradores é remuneração, nos termos da legislação brasileira, tais como as ajudas de custo, os prêmios por liberaridade e outras verbas de natureza não contraprestatória. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 38 i. aumento de produtividade em função da expectativa de ganho. ii. retenção dos empregados em função da desvantagem financeira motivada pela perda do direito às opções. Vemos que o pagamento é vinculado a uma condição suspensiva de ocorrência aleatória. Não existe segurança quanto à materialização financeira do conteúdo do ativo, que é, até o momento do exercício e da apuração do ganho de capital, apenas potencial. Assim é forçoso concluir que: i. é ganho absolutamente incerto. ii. é ganho absolutamente latente, até o momento da alienação das opções compradas. Risco É evidente que a relação jurídica instaurada entre as partes apresenta risco aos colaboradores. A resultante da equação entabulada depende de variáveis externas que não apenas o desempenho individual ou coletivo, ou da condução eficiente do negócio. Essas variáveis são diversas, tais como: a flutuação do mercado de capitais, a especulação, o câmbio, a balança comercial, a gestão do poder executivo, a concorrência, a política fiscal do governo, entre inúmeras. Essas incontroláveis forças externas evidenciam a álea como elemento informador da relação, conferindolhe a natureza de relação não linear27. “Aplicase a esse cenário o que Edward Lorenz chamou de Teoria do Caos28. O caos instaurase quando as operações de um sistema são não lineares. Diferente das operações lineares, que admitem um e apenas um resultado (2+2=4), nas operações não lineares as possibilidades de resultado das operações são inúmeras.” Qualquer colaborador que opte firmar esse negócio jurídico deve considerar esse fator antes da decisão. Mas qual é a efetiva contingência em jogo? O que de fato está em risco? A resposta é: pode existir RISCO DE PERDA ou RISCO DE NÃO GANHAR: § O RISCO DE PERDA ocorre quando o colaborador efetivamente perde, desembolsa dinheiro, que se esvai do seu patrimônio, em decorrência do contrato mercantil celebrado. Essa hipótese não levanta maiores discussões quanto à presença da álea. § O RISCO DE NÃO GANHAR é aquele na hipótese de não haver desembolso financeiro por parte do colaborador. Neste contexto, a pior hipótese possível é não haver ganho. A variável diferencial entre as hipóteses depende do modelo de formatação do plano, relativamente ao que de fato gera a onerosidade do contrato. Nesse contexto, RISCO 27 SIMÕES, Thiago Taborda. Contribuições Sociais – Aspectos Tributários e Previdenciários. São Paulo: Noeses, 2013. p. 76. 28 LORENZ, Edward N. A Essência do Caos. Tradução de Cláudia Bentes David. Brasília: Editora UNB, 1996. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 21 39 e ONEROSIDADE estão geneticamente ligados, pois a segunda é justamente a causa do primeiro. Existem dois momentos de onerosidade potencial em um SOP: i. o primeiro é no momento da outorga das opções. ii. o segundo é momento do exercício, transcorrido o lockup. Ocorre que nos processos até então julgados neste Conselho, nas duas Câmaras especializadas em contribuições previdenciárias, todos os processos referiamse a planos que não optaram pela primeira hipótese de onerosidade. Isso porque, no contexto dos SOP, não é prática do mercado VENDER a opção, mas sim DOÁLA. Opções de compra de ações são figuras jurídicas regularmente comercializadas no mercado de capitais. Como qualquer ativo, elas tem preço. Em uma situação regular de mercado, o negócio jurídico de option trading é uma relação sinalagmática, que envolve direitos e prestações recíprocas. Ao comprador, o direito de exercer a opção e comprar as ações nas condições préfixadas. Ao vendedor, a obrigação de honrar o direito facultativo de exercício e entregar as ações pelo preço préfixado. Obviamente nessa relação a companhia não suporta o encargo por benevolência ou solidariedade, mas mediante o pagamento de um preço. As opções de ações são ativos que passam a ser incorporados ao patrimônio do comprador, que deve por elas pagar dinheiro à companhia concedente. Quero com isso dizer que mesmo as employee stock options são ou deveriam ser valoradas no momento da outorga, de modo que a concessão a título gratuito pela companhia enquadrase na categoria de concessão de utilidade, com os consequentes reflexos tributários. Nesse sentido, ensina a melhor doutrina: “O salárioutilidade é uma prestação fornecida gratuitamente ao empregado. A utilidade não deixa de ter um aspecto de compensação econômica pelo trabalho prestado, ainda que seja fornecida gratuitamente. [...]29 "[...] nem toda utilidade é salário. Utilidade é todo bem do qual o empregado possa servirse; [...]"30 Contextualizando essas proposições no tema do risco, a onerosidade no momento “i” está sempre presente, seja pecuniária, seja por via de concessão de utilidade. Assim, se o market price no momento do exercício for menor que o strike price, o preço de exercício, obviamente a opção não será exercida, e nenhum ganho será 29 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 28° Edição. São Paulo: Atlas, 2012. 30 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas. 24ª Edição Ver. e Ampl. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 1063. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 40 realizado. Nesse caso, o colaborador sofreu uma indireta PERDA, seja do preço pago pela opção, seja da utilidade concedida. Com isso quero dizer que mesmo na hipótese do RISCO DE NAO GANHAR, existe risco indireto de perda para o colaborador. Com relação ao segundo momento de onerosidade pontecial, o momento do exercício, findo o prazo de lockup, a situação é mais simples. Se o market price for maior que o strike price, a opção é exercida, configurando a onerosidade, de modo que o colaborador auferirá ganho de capital com a venda das ações no mercado de capitais. Caso o market price seja menor que o strike price, logicamente a opção não será exercida, e o prejuízo fica mensurado pelo preço pago pela opção, ou, na sua ausência, o valor da utilidade concedida. Atualmente o mercado dá várias demonstrações que o risco de perda das SO é uma realidade: Exemplo 131 Exemplo 232: Petrobrás S/A 31 Fictício. 32 Dados da empresa Petrobrás S/A. Valores de mercado extraídos da página da “Exame.com”: Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Outorga Exercício Venda Préfixação do valor a ser pago no momento do exercício com base no valor atual, sendo possível a concessão de desconto sobre tal valor Momento da opção. Aquisição (ou não) pelo empregado no valor préfixado no momento da outorga, sem levar em conta o valor de mercado, que pode ser maior ou menor em comparação ao valor da opção Realização. Momento em que o empregado que optou pelo exercício vende a ação adquirida. Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Venda Valor de mercado: R$ 10,00 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 1,00 Valor de mercado: R$ 20,00 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: + R$ 11,00 (lockup) (lockup) Fl. 795DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 22 41 Exemplo 333: OGX S/A Risco relativo ao custo de oportunidade Existe um outro risco a que o colaborador se expõe quando participa de um SOP. Referese ao que se deixa de ganhar em função da escolha realizada, que representa o custo de oportunidade. O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa. O custo de oportunidade foi definido como uma expressão "da relação básica entre escassez e escolha". São custos implícitos, relativos aos insumos que pertencem à empresa e que não envolvem desembolso monetário. Esses custos são estimados a partir do que poderia ser ganho no melhor uso alternativo (por isso são também chamados custos alternativos ou custos implícitos). Os custos econômicos incluem, para além do custo monetário http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoesbovespa/acoes/PETR4/historico?start_date=201501 02&end_date=20150106 Consultado em 06/01/2014. 33 Dados da empresa OGX S/A. Valores de mercado extraídos da página da “Exame.com”: http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoesbovespa/acoes/OGXP3/historico?start_date=201201 05&end_date=20120106 Consultado em 06/01/2014. Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Venda Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Valor de mercado: R$ 21,11 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 12,11 Valor de mercado: R$ 8,61 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: R$ 0,39 (Vesting) Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica Venda Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Valor de mercado: R$ 13,60 Valor de opção fixado: R$ 9,00 Diferença verificada: R$ 4,60 Valor de mercado: R$ 0,08 Valor de opção exercido: R$ 9,00 Diferença: R$ 8,92 (Vesting) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 42 explicito, os custos de oportunidade que ocorrem pelo facto dos recursos poderem ser usados de formas alternativas. Em outras palavras: O custo de oportunidade representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se tomar determinada escolha, deixase de lado as demais possibilidades, pois são excludentes, (escolher uma é recusar outras). À alternativa escolhida, associase como "custo de oportunidade" o maior benefício NÃO obtido das possibilidades NÃO escolhidas, isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar". O mais alto valor associado aos benefícios não escolhidos, pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo chamado "de oportunidade"34. A opção do executivo (a maior parte dos SOP são destinados a eles) por fazer parte de uma companhia importa a renúncia a outras oportunidades disponíveis no mercado. Regra geral o principal fator considerado na escolha é o “pacote de remuneração”. No caso das companhias que adotam o modelo de “remuneração” por SO, esse ganho potencial é obviamente considerado35. Com efeito o pacote de remuneração de um CEO de uma multinacional no Brasil pode apresentar até 60% de remuneração variável. Se isso não é for considerado risco, desconheço o que é. É necessário entender que o núcleo de todo o conceito de SO é dividir com o colaborador o risco empresarial, oferecendolhe uma abnegação financeira direta em troca de um potencial ganho extraordinário condicionado ao resultado positivo da companhia. Fato gerador e base de cálculo Compreendido o conceito e alcance do SOP, passo a delimitar o espectro de incidência das contribuições sociais sobre os valores pagos aos colaboradores. Resumindo meu entendimento sobre a hipótese de incidência das contribuições sociais prevista no art. 22, a subsunção pressupõe a presença das seguintes notas no fato imponível: § pagamento de remuneração pelo empregador; § em contraprestação pelo trabalho (e não para o trabalho); § com habitualidade (regra de isenção). A omissão de um de qualquer dos três requisitos indigitados importa na não incidência. 34 http://pt.wikipedia.org/wiki/Custo_de_oportunidade 35 Desde 2006, um grupo de 200 gerentes e diretores ganhou a chance de trocar parte de seus bônus anuais por opções de ações a um preço prefixado. Para cada real investido por eles, a AmBev colocou outros 2. Aos executivos, cabia apenas a escolha: receber uma pequena fortuna anual ou esperar cinco anos para receber um montante muito maior — caso os papéis se valorizassem, é claro. A espera termina no início de 2011 e as chances de ganho parecem promissoras — as ações da companhia passaram de 80 reais, em abril de 2006, para 180 reais, em agosto deste ano, numa valorização de 120%. Quem preferir poderá aguardar até 2016 e, quem sabe, ganhar ainda mais. "Nosso histórico mostra que vale a pena esperar", diz Carolina Guerra, gerente de remuneração da AmBev. http://exame.abril.com.br/revistaexame/edicoes/975/noticias/obonusestalanafrente Fl. 797DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 23 43 Para aplicar essas premissas no contexto do SOP, é necessário visualizar as diversas naturezas valorativas que a dinâmica do plano oferece: R$20 33420 R$10 11110 R$ 8 R$ 5 R$ 2 MP2 MP1 SP (MP1) – (SP) Legenda: MP1 Market Price – Momento da Compra pelo Empregado MP2 Market Price – Momento da Venda pelo Empregado ao Mercado SP Strike Price – Valor pago pelo Empregado com desconto Base de Cálculo da contribuição patronal Valor da opção (R$) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 44 § MP1: tratase do valor de mercado da ação no momento da concessão da opção. Não é fato gerador da contribuição social, pois dentro dele estão valores que não são pagos ao colaborador, mas comprados por ele. § SP: é o preço de exercício, o valor que é pago pelo colaborador na compra da ação. Não é fato gerador de contribuição social. Não representa remuneração, nem qualquer outro tipo de entrada de valores no seu patrimônio, mas saída. § MP2: valor de mercado da ação no momento do exercício. Não é fato gerador de contribuição social, pois a) parte do seu valor é paga pelo colaborador; e b) parte do valor é paga pelo mercado. § [(MP1) – (SP)]: diferença entre o valor mercado da ação no momento da concessão e o preço de exercício. É fato gerador de contribuição social. Nenhuma companhia distribui gratuitamente descontos aos compradores das ações. Trata‐se de uma UTILIDADE recebida PELO TRABALHO, que pode ser facilmente valorada por operação aritmética. Esse fato gerador, é, entretanto, diferido até o momento da realização do ganho de capital, momento até quando é apenas EXPECTATIVA DE DIREITO. § Valor da opção: é o valor de mercado da opção, no momento da concessão. Se não for cobrada, é fato gerador de contribuição social. Também é um ganho na forma de UTILIDADE recebida PELO TRABALHO, pois é um ativo entregue pelo empregador no contexto de um contrato de trabalho. Deve ser valorada pela metodologia da aferição indireta com base em parâmetros de valoração utilizados pelo mercado36. 36 Valuation models Main article: Valuation of options The value of an option can be estimated using a variety of quantitative techniques based on the concept of risk neutral pricing and using stochastic calculus. The most basic model is the Black–Scholes model. More sophisticated models are used to model the volatility smile. These models are implemented using a variety of numerical techniques. In general, standard option valuation models depend on the following factors: · The current market price of the underlying security, · the strike price of the option, particularly in relation to the current market price of the underlying (in the money vs. out of the money), · the cost of holding a position in the underlying security, including interest and dividends, · the time to expiration together with any restrictions on when exercise may occur, and · an estimate of the future volatility of the underlying security's price over the life of the option. More advanced models can require additional factors, such as an estimate of how volatility changes over time and for various underlying price levels, or the dynamics of stochastic interest rates. The following are some of the principal valuation techniques used in practice to evaluate option contracts. Black–Scholes Main article: Black–Scholes Following early work by Louis Bachelier and later work by Robert C. Merton, Fischer Black and Myron Scholes made a major breakthrough by deriving a differential equation that must be satisfied by the price of any derivative dependent on a nondividendpaying stock. By employing the technique of constructing a risk neutral portfolio that replicates the returns of holding an option, Black and Scholes produced a closedform solution for a European option's theoretical price. At the same time, the model generates hedge parametersnecessary for Fl. 799DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 24 45 Momento do fato gerador Inobstante a evidência dos inúmeros momentos economicamente relevantes existentes na dinâmica do SOP, apenas um importa à incidência. É imperativo para fins de coerência com os pressupostos de direito colocados neste voto a determinação exata desse momento, pois o conteúdo econômico da relação jurídica é condicionado pelo tempo. O regime tributário impõe obediência ao princípio da legalidade estrita, tipicidade cerrada ou numerus clausus37, de modo que a subsunção ocorre apenas quando o fato imponível reflete todas as notas previstas na hipótese. A teoria da regramatriz de incidência38 determina a instauração da relação jurídica tributária apenas quando demonstrado o preenchimento dos critérios previstos no antecedente e consequente normativo (material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo). O critério quantitativo, composto pela base de cálculo e alíquota, é o que se impõe com maior força. A base de cálculo afirma, confirma ou infirma a materialidade do suposto39. Confirma quando concorda; afirma quando o elucida; e infirma quando com ele concorre e contra ele prevalece. A base de cálculo é o núcleo do tipo tributário. Analisando novamente o esquema trazido acima, concluo que o momento da ocorrência do fato imponível é o da apuração do ganho de capital decorrente da venda das ações adquiridas pelo exercício da opção. effective risk management of option holdings. While the ideas behind the Black–Scholes model were ground breaking and eventually led to Scholes and Mertonreceiving the Swedish Central Bank's associated Prize for Achievement in Economics (a.k.a., the Nobel Prize in Economics), the application of the model in actual options trading is clumsy because of the assumptions of continuous trading, constant volatility, and a constant interest rate. Nevertheless, the Black–Scholes model is still one of the most important methods and foundations for the existing financial market in which the result is within the reasonable range. Stochastic volatility models Main article: Heston model Since the market crash of 1987, it has been observed that market implied volatility for options of lower strike prices are typically higher than for higher strike prices, suggesting that volatility is stochastic, varying both for time and for the price level of the underlying security. Stochastic volatility models have been developed including one developed by S.L. Heston. One principal advantage of the Heston model is that it can be solved in closed form, while other stochastic volatility models require complex numerical methods. https://en.wikipedia.org/wiki/Option_(finance)#Valuation_models 37 Citação Roque 38 referencia ao livro do PBC. Nao é necessário citar trecho. 39 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 22. ed. São Paulo: Saraiva. 2010. p. 395: “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo”. BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 3. ed. 2.ª tiragem. São Paulo: Lejus, 2002. p. 330: “Núcleo – Na composição da hipótese de incidência o elemento mais importante é o núcleo. É a natureza do núcleo que permite distinguir as distintas naturezas jurídicas dos negócios jurídicos. Também é o núcleo que confere gênero jurídico ao tributo. Nas regras jurídicas de tributação, o núcleo da hipótese de incidência é sempre a base de cálculo”. Outorga 05/01/2012 Exercício 05/01/2015 Venda Fl. 800DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES 46 Essa conclusão baseia nas seguintes premissas: i. No período de lockup, ladeado pela outorga e exercício, tratase de mera expectativa de direito. ii. Após o exercício da opção e antes da venda das ações, existe apenas a disponibilidade jurídica do recurso, que é intributável por via de contribuições sociais. Assim, apenas com a venda ocorre a disponibilidade econômica do ativo ao contribuinte, momento em que está materializada a base de cálculo. Entender o contrário é admitir um fato gerador potencial, o que não encontra amparo no ordenamento. Caso concreto No caso em julgamento, detalhadamente exposto pelo Ilustre Relator, verifico presentes pressupostos de incidência e de não incidência, parte na qual, com toda a vênia, divirjo. Diferente dos precedentes julgados por este Conselho, o plano questionado não se apresenta “poluído” com excessivas interferências por parte do empregador suficientes para descaracterizar sua natureza jurídica, considerando que: i. Não houve vinculação a metas ou desempenho do colaborador; ii. O valor das ações objeto da outorga não foi insignificante; iii. Não ocorreram alterações dos contratos firmados para diluir o risco do colaborador; iv. Não houve empréstimos aos colaboradores para viabilizar a aquisição das ações. Não me estenderei repisando desnecessárias questões factuais já muito bem colocadas pelo voto do Relator, pelo que, em linha com as premissas ora colocadas, concluo: i. O fato imponível gerador de contribuições sociais ocorreu no momento da venda, no mercado de capitais, das ações adquiridas por meio do exercício das opções; Expectativa de direito Disponibilidade Jurídica Disponibilidade Econômica (lockup) Fl. 801DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 11624.720210/201249 Acórdão n.º 2402004.480 S2C4T2 Fl. 25 47 ii. A base de cálculo não é o valor de mercado no dia do exercício, mas a diferença entre o valor de mercado no dia da outorga das opções e o preço de exercício40. Conclusão Isto posto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e a ele dar PARCIAL PROVIMENTO para cancelar o crédito tributário aferido em função do valor de mercado das ações na data do exercício das opções, mantendo o crédito tributário referente à diferença entre o valor de mercado no dia da outorga das opções e o preço de exercício. É como voto. Thiago Taborda Simões. 40 Comporia também a base de cálculo o valor das opções concedidas, a ser aferido pelo agente fiscal pelos métodos valorativos de mercado. Isso não ocorreu. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001504/2005-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA
DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA
DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA
DE REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60).
A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional.
Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal.
Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1103-000.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade.
Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal. Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. 1 Aloysi ri o JiiséPercin,i Da St Iva- Presidente. I ‘/: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 3 Hug. - -11-e?ator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro, Marcos Shigueo Takata e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Benefícios Fiscais (PERC) formalizado pela Recorrente em face da não recepção do extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais do exercício 2003, ano-calendário 2002. Por meio do Despacho Decisório de fls. 146 a 149, proferido em abril/2006, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consulta ao sistema da Receita Federal, apontando a existência de débitos tributários imputados Recorrente no Cadastro da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), na situação "ATIVA - AJUIZADA", estando motivado o indeferimento com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. Em face da decisão apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP 1), que, com base nas informações contidas no Processo Administrativo, rechaçou as razões de inconformidade apresentadas e manteve o indeferimento do pedido. A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento tem a seguinte ementa: "PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal flea condicionada ã comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 229-233, reproduzindo as alegações expendidas na manifestação de inconformidade, que são: (a) sua situação cadastral varia de regular a irregular constantemente, devido à necessidade de comprovação de pagamentos e restrições quanto a compensações realizadas, o por deficiência do sistema da Receita Federal; (b) impropriedade dos critérios utilizados para análise do pedido, visto que "se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral 1 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 11. 4 regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiu-o". Finaliza afirmando que sua regularidade fiscal em relação ao período analisado é comprovada pela certidão de regularidade (positiva com efeitos de negativa) que acosta - documento de fl. 255. o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Como se depreende do teor da decisão impugnada, a questão submetida à apreciação deste Conselho se resume à possibilidade de concessão de Revisão de Incentivos Fiscais na hipótese de ter o contribuinte débitos em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional com exigibilidade plena, questão tratada pela decisão nos seguintes termos: "7. No âmbito da PGFN constam 4 inscrições em cobrança — ativas ajuizadas - processos administrativos de números 10680- 270.022/98-09 (inscrição 6069800357728); 16327-10680- 270.023/98-63 (inscrição 6069800357809); 16327.000452/2004- 81 (inscrição 8060605170000); e 10875-504.054/2006-16 (inscrição 802060105176)- fls. 132 e 135. Sendo que nos dois primeiros processos está informada a situação "ATIVA AJUIZADA — GARANTIA ", não estando especificacla a garantia apresentada e nem se tal garantia estaria a suspender a exigibilidade do crédito nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional." Assim dispõe o art. 60 da Lei n°. 9.069/95, verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". A outorga de benefícios e incentivos fiscais pressupõe, nos termos do citado preceito normativo, a regularidade do contribuinte no que tange ao pagamento de tributos e contribuições federais. Ao contrário do que afirma a Delegacia da Receita Federal de São Paulo, não se exige a inexistência de 'pendências' do contribuinte no sistema de controle de débitos da 3 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C I T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 5 Secretaria da Receita Federal - critério assaz fluido, mormente diante da acentuada burocracia e das incorreções normais na administração do sistema. A prova de regularidade de pagamento de tributos e contribuições é feita pela apresentação de certidões de regularidade fiscal emitidas pelos órgãos arrecadadores das exações, na esteira do que dispõe o art. 205 do Código Tributário Nacional, nestes termos: "Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido." Como é cediço, a prova de regularidade deverá ser expedida ainda que existam em nome do contribuinte débitos impagos, desde que configuradas as hipóteses descritas no art. 206 do CTN - penhora em ação de execução e suspensão de exigibilidade. A regularidade fiscal - requisito estabelecido pelo art. 60 da Lei n°. 9.069/95 - foi devidamente comprovada pela Recorrente mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa expedida pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Prescreve o art. 206 do CTN que esse tipo de certidão tem os mesmos efeitos da certidão negativa, comprovando a regularidade fiscal do contribuinte. Este Conselho, analisando a questão da prova da regularidade fiscal para fins de deferimento de pedidos de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais editou o Enunciado n°. 37 da sua Súmula, nestes termos: "Súmula CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. SUMULAS VINCULANTES Portaria AIF n.° 383 DOU de 14/07/2010". A aplicação do entendimento sumulado impõe o provimento do recurso voluntário, face à apresentação de certidão de regularidade fiscal pela Recorrente quando da interposição do recurso. Com estas considerações, conheço do recurso para dar-lhe provimento. 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000013/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.
PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 1101-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000013/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.247 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuição ao PIS Exclusão do SIMPLES Federal Recorrente J. S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 13 /2 00 9- 57 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/01/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 26.267,30. Consoante relatório fiscal de fls. 21/36, em razão de procedimento do qual resultou a exigência de débitos de contribuições previdenciárias formalizados no processo administrativo nº 10925.000023/200992, constatouse que o contribuinte compõe um grupo de empresas, denominado "GRUPO IDUGEL", integrado também pelas empresas "KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA" e "IDUGEL INDUSTRIAL LTDA.". Embora as empresas possuam aparentemente sócios distintos, todas são administradas diretamente pelo Sr. José Schazmann e Sra. Silvana Marques Schazmann, conforme cópia das procurações e documentos anexos (fls. 91 a 112 do AI DEBCAD 37.129.2280/COMPROT 10925.0000231200992). As demais pessoas, que contratualmente participam da gerência, são familiares próximos (mãe, irmã, filhos). Depois de discorrer sobre a composição societária de cada empresa do grupo, a autoridade lançadora registra que no mesmo imóvel situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA e J.S. MAQUINAS LTDA ME. Embora a empresa KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, tratase na verdade do endereço residencial das Sras Elita Schimidtz Schazmann e Claúdia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S. As empresas IDUGEL, J.S. e KF, funcionam na verdade, no mesmo endereço e estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a cada uma delas, mas com uniforme contendo a descrição "GRUPO IDUGEL", trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A supremacia dos fatos revelase tratar de uma só empresa. O exame da contabilidade das pessoas jurídicas mencionadas revelou que a empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA é responsável por praticamente toda a atividade industrial, compreendendo a aquisição de insumos, matériaprima, materiais de embalagem, energia, etc. As empresas J.S. MAQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, são meras fornecedoras de mãodeobra. Da mesma forma, praticamente todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação das máquinas a cargo da empresa KF. Os auditores fiscais também relatam a existência de diversos “pagamentos cruzados” entre as empresas pertencentes ao “GRUPO”, de pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, de pagamentos “extrafolha” aos seus empregados, de pagamentos registrados a vista, embora realizados a prazo. Conclui, assim, que o "GRUPO" é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação comercial em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 4 3 A partir da receita bruta mensal informada no âmbito do Simples, a autoridade fiscal calculou a contribuição devida ao PIS de novembro/2003 a junho/2007 mediante a aplicação da alíquota de 0,65%. Da contribuição apurada foram deduzidos os recolhimentos promovidos. Sobre o valor remanescente foi aplicada multa qualificada de 150%, dado que o relato dos fatos deixa caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, especialmente tendo em conta o que consignado no item 15 do relatório: A fiscalização, conclui que de fato, ocorreu simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. A exigência fiscal foi precedida da edição do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 018/2008, que excluiu a contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2003 em razão da constatação da prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio de interpostas pessoas, para segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra, para obtenção de benefícios do Simples. A matéria é objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou as intimações que lhe foram dirigidas para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, apesar da discussão administrativa acerca da exclusão, e deduziu os mesmos argumentos de defesa opostos contra a exclusão do Simples Federal. Juntou à defesa cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261, impetrado com vistas a obstar qualquer lançamento ou aplicação de penalidade por falta de atendimento a intimação até o julgamento final das defesas apresentadas contra as exclusões do Simples Federal e Nacional, bem como restabelecer sua condição de optante nos sistemas de controle da Receita Federal e vedar impedimento a nova opção em períodos subseqüentes, impedindo a exigência de qualquer recolhimento em outro regime que não o simplificado. A Turma Julgadora rejeitou aqueles argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 5 4 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (fl. 120), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 121/162), no qual inicialmente reproduz a defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal. Principia com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 6 5 IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 7 6 Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 8 7 qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Complementa sua defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal opondose à acusa de registro de pagamentos cruzados em sua contabilidade, reafirmando a existência de empréstimos entre IDUGEL e JS, e a regularidade de sua escrituração, bem como frisando que a Fiscalização somente se reportou a 6 (seis) lançamentos no período fiscalizado, motivo pelo qual invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade. Ademais, a idoneidade de sua escrituração permitiu que a Fiscalização identificasse valores esporadicamente pagos a empregados, apesar de não lançados em GFIP, o que, inclusive, afasta a aferição indireta, limitando a aplicação da verba previdenciária às parcelas pagas (maio/2006 e setembro/2007), sem estendêlas a outras competências. Questiona, também, exigências correspondentes a prolabore, sem qualquer fundamentação, para além da irregularidade de sua escrituração. Diz que houve apenas cinco pagamentos no período fiscalizado em favor do sócio José Schazmann, o que impede a aferição indireta. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 10 9 Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Em acréscimo à defesa apresentada no âmbito do Simples Federal, também consigna que não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. O recurso voluntário foi distribuído, inicialmente, para relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, integrante da 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção deste Conselho, que por meio da Resolução nº 3301000.182 declinou competência em favor desta 1a Seção de Julgamento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, o lançamento aqui formalizado decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal, objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Naqueles autos, há notícia de que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, questionando os atos praticados em razão daquela exclusão. Em consulta ao sítio da Justiça Federal da 4a Região na Internet, constatase que o mandado de segurança foi impetrado em 09/12/2008, e a sentença posteriormente proferida traz o seguinte relato do pedido de liminar: Pleiteou, ademais, a concessão de liminar no sentido de: "(a) obstar qualquer exigência à impetrante para optar pelo regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES) no período impugnado, e, consequentemente, vedação à exigência de documentos relativos a regime tributário divergente do SIMPLES até julgamento final dos processos administrativos n.s. 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (b) ordenar o restabelecimento da impetrante no regime simplificado perante todo o sistema da Receita Federal do Brasil, inclusive no sítio da internet até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (c) ordenar a vedação de qualquer impedimento a nova opção pelo regime simplificado de tributação até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (d) obstar qualquer penalidade decorrente do não atendimento aos termos de intimações n.s. 001, 002 e 003, por se tratarem de documentos relativos ao regime tributário "lucro real"; (e) afastar a possibilidade de aplicação, pela autoridade coatora, de qualquer ato tendente a exigir o recolhimento dos tributos por outro regime com penalidades administrativas, assim como o fornecimento de certidões negativas, até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". A liminar foi indeferida em decisão publicada em 06/02/2009, nos seguintes termos: A impetrante pretende, inclusive em provimento liminar, seja assegurada sua reinclusão junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão até decisão administrativa definitiva. O impetrante apresentou manifestação. Vieram os autos conclusos. Decido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 12 11 Considerando a informação e documentos apresentados pela impetrada, noticiando a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/208, até decisão administrativa definitiva, com a consequente reinclusão da impetrante no Simples Nacional, ausente o periculum in mora, o que impede o deferimento do provimento liminar requerido. Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de liminar. Em 28/01/2009 foi formalizada a presente exigência, consta da sentença proferida no mandado de segurança que a contribuinte peticionou nos autos para informar que em razão do não atendimento das intimações encaminhadas pelo Fisco e, sobretudo, pela desconsideração do efeito suspensivo dos recursos administrativos protocolizados, a autoridade fiscal emitiu diversos autos de infração em seu desfavor, todos no sentido de exigir a tributação pelo lucro real. Acrescentouse que naquela peça a contribuinte pugnou pelo reconhecimento de nulidade daqueles expedientes. Na seqüência, verificase nos autos da ação judicial a designação de diligência nos seguintes termos: Converto o julgamento em diligência. A impetrante pretende seja assegurada a sua permanência junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e nº 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva. Muito embora a Impetrada tenha apresentado informações (fls. 19/22), nas quais noticiou a suspensão dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, com a consequente reinclusão da Impetrante no Simples Nacional, a documentação acostada pela empresa às fls. 42/43 indica ter havido a lavratura de diversos autos de infração em desfavor daquela pessoa jurídica, cujo Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF foi datado em 23.01.2009, momento posterior às informações apresentadas. Dessarte, reputo necessária nova notificação da Impetrada para que apresente, no prazo de 10 (dez) dias, informações complementares, a fim de esclarecer as razões que justificaram a autuação da Impetrante nos autos do MPF n. 0920300.2008.00200, já que a suspensão noticiada pela Autoridade Impetrada decorreu das disposições contidas no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CÓPIA DA PRESENTE DECISÃO SERVIRÁ COMO OFÍCIO Nº 3277427, a ser encaminhado com cópias da petição e documentos das fls. 41/43. Apresentadas as informações, retornem conclusos. Também da sentença extraise que a autoridade prestou informações complementares (fls. 68/72) no sentido de que "os créditos tributários lançados em nome da impetrante encontramse com a exigibilidade suspensa em virtude da impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional apresentada (conforme documentos anexos), e que os lançamentos dos débitos tiveram como objetivo prevenir possível decadência do direito de fazêlo". Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 13 12 Frente a tais circunstâncias, o MM. Juiz Federal Substituto Ivan Arantes Junqueira Dantas Filho assim decidiu: II FUNDAMENTAÇÃO Mérito 1. Reconhecimento parcial do pedido A fls. 19/22 a autoridade impetrada apresentou informações dando conta de que "a DRF efetivou a suspensão das exclusões feitas, suspendendo assim os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva". Na mesma ocasião, coligiu aos autos comprovantes da reinclusão da impetrante no Simples Nacional e no Simples Federal (a partir de 01/01/2003) e de que a impetrante encontrase, atualmente, e a partir de 01/07/2007, na situação de optante pelo Simples Nacional (fls. 23/26). Destarte, a autoridade impetrada reconheceu a procedência do pedido formulado pela impetrante nos itens "b" e "c" de fls. 07 de sua exordial, bem como daquele descrito a fls. 08, consistente em "assegurar o direito líquido e certo da impetrante em permanecer no regime tributário instituído pela Lei Complementar n. 123/2006 (SIMPLES), para recolhimento dos tributos na forma do artigo 18, § 5º, VII da referida Lei Complementar (...) até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". Assim, restam controversos apenas os pedidos arrolados nos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial. 2. Pedidos constantes dos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial Verificase dos autos que ato contínuo à exclusão do SIMPLES, a Receita Federal intimou e reintimou a contribuinte impetrante para que apresentasse escrituração fiscal ordinária, visando a apurar lucro real, IPI etc (fls. 30/32). Porque não apresentada tal documentação, autuou a contribuinte e promoveu lançamentos de ofício (fls. 71). A autoridade fiscal ignorou, assim, a eficácia suspensiva de que dotado o recurso interposto contra o ato de exclusão. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. Reconhecer que a decisão que excluiu a impetrante do SIMPLES teve sua eficácia suspensa é dizer que todas as suas obrigações, principais ou acessórias, permanecem sendo aquelas impostas por tal regime especial. Não há qualquer amparo jurídico em reconhecer a permanência ainda que provisória do contribuinte em certo regime de tributação e ao mesmo tempo exigirlhe escrituração fiscal de outro. Configurase, nesta exigência, burla à regra legal que castra de eficácia o ato administrativo recorrido. Se para a lei, interposta a impugnação, o contribuinte permanece no SIMPLES, não pode o Fisco imporlhe deveres e ônus que não sejam aqueles próprios deste mesmo SIMPLES. Vejase que a alegação da Fazenda de que efetuou os lançamentos para prevenir decadência (fls. 68) não se sustenta. Esta figura jurídica (lançamento para prevenir decadência), prevista no art. 63 da Lei 9.430/96, visa a compatibilizar as funções jurisdicional e administrativa, quando exercidas em sobreposição temporal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a decisão judicial impede qualquer investida fiscal contra o patrimônio do contribuinte, possibilitase à Administração cumprir seu dever legal de verificar a ocorrência de fatos geradores e constituir os respectivos créditos tributários. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 14 13 Esta situação não se verifica no caso em tela, em que não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato. O que se verifica na hipótese dos autos é a existência de um processo administrativo em fase recursal, sendo que a eficácia suspensiva da exclusão decorre de ato da própria Administração, que recebeu e processou a impugnação apresentada pelo contribuinte. Desta forma, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência. O contexto concreto é diverso da fattispecie legal. Ademais, percebase que não se está a discutir a ocorrência de um fato gerador ou a incidência de determinado tributo, mas a exclusão de um regime tributário simplificado. Se a exclusão não produz efeito, fica prejudicado todo e qualquer ato constitutivo de crédito que guarde como fundamento remoto esta exclusão, já que não haverá incidência das normas ordinárias de tributação. Assim, se a Fazenda exige prestação, principal ou acessória, com base em norma cuja incidência está obstada pela interposição de recurso, pratica ato destituído de base legal, e portanto nulo. Devo observar, por outro lado, que se o Fisco não se vê munido de poder legal para constituir o crédito, contra ele não fluirá prazo decadencial. Somente a partir do momento em que estivesse juridicamente dotado de condições legais para lançar (o que, no caso, darseia com eventual decisão final confirmadora da exclusão do SIMPLES) é que teria o ônus de fazêlo. Portanto, não existe decadência a ser prevenida, pois sequer há fluência de prazo decadencial. Feita essa observação, o que se conclui da situação concreta é que, enquanto não julgada a impugnação da impetrante contra sua exclusão do SIMPLES, não lhe poderão ser exigidas obrigações de regime diverso, e tampouco efetuadas autuações e lançamentos com base em normas estranhas ao regime simplificado, sendo nulas as que desta maneira já realizadas. III DISPOSITIVO Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, com resolução do mérito, para: i) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito líquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos termos do art. 269, I, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. [...] Referida decisão foi submetida a reexame necessário e mantida por seus próprios fundamentos, consoante ementa do acórdão datado de 28/08/2012: TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. EFICÁCIA SUSPENSIVA. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 15 14 1. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. 2. No caso, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, pois não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato, mas apenas a existência de um processo administrativo em fase recursal, com eficácia suspensiva decorrente de ato da própria Administração. A União Federal interpôs recurso especial, que foi admitido em 13/02/2014, mas não foi identificado o processo correspondente no Superior Tribunal de Justiça. Há neste relato manifestações judiciais acerca da (in)validade das intimações das quais resultaram a presente exigência, bem como do próprio lançamento, se destinado a prevenir a decadência. Além disso, foi dirigida ao Delegado da Receita Federal em Joaçaba a ordem para que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823, mas isto depois de formalizado o lançamento aqui sob análise. De outro lado, este Conselho já pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Observase, porém, que o objeto deste processo administrativo é mais amplo que o submetido à apreciação judicial. Isto porque, antes de questionar as exigências feitas no sentido da adequação de sua escrituração em razão de sua exclusão do Simples, a contribuinte repete, aqui, os argumentos veiculados em sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, os quais, apreciados nos autos do processo administrativo nº 10925.002073/200823, ensejaram o cancelamento do ato de exclusão por ausência de provas, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.243, a seguir reproduzido: Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 16 15 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 17 16 da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 11), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários dos empregados de pessoas jurídicas do grupo à fl. 81. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 18 17 Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 19 18 e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãodeobra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 75/81, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 20 19 e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/87); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/92 e 98/99); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 82 e 93/97); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 101/106); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 107/109); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 110/111); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 112/114). · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 21 20 conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mãodeobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 115. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado conferido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Federal. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 316/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: o O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 22 21 faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. o J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato ou, nas palavras do mencionado Parecer, seus sócios verdadeiros; o As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; o Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e o A exclusão deveria operar efeitos desde janeiro/2003, dado que as vedações tratadas no art. 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/96 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 9o, inciso XII, alínea “f”, da mesma lei (locação ou cessão de mãodeobra) estariam demonstradas nos autos, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 23 22 Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as atividades da fiscalizada pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificandose idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 24 23 Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiu se à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: o O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; o A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; o A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; o A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; o Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 25 24 perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; o As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantê las: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; o ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; o A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãodeobra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e o Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinadas atividades, e a prova da simulação em tais Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 26 25 circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Federal. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Federal. Assim, sem adentrar aos aspectos submetidos ao Poder Judiciário, é possível solucionar o presente litígio já em preliminar, e cancelar a presente exigência, na medida em que a contribuinte subsiste optante pelo Simples Federal no período autuado, o que a dispensa da apuração individualizada do tributo aqui lançado. Ademais, em virtude da presente decisão não será exigido do Delegado da Receita Federal a prática de ato vedado na ordem judicial expedida na sentença do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 27 26 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13308.000086/00-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
Não é passível de conhecimento o recurso especial quando a instância a quo não se manifestou a respeito da matéria veiculada no recurso, nem mesmo através de embargos de declaração, não tendo ocorrido o necessário prequestionamento.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Não é passível de conhecimento o recurso especial quando a instância a quo não se manifestou a respeito da matéria veiculada no recurso, nem mesmo através de embargos de declaração, não tendo ocorrido o necessário prequestionamento. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 00 86 /0 0- 96 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1117 a 1126) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1077 a 1092) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, sendo que esse v. acórdão foi posteriormente integrado, após a oposição de embargos de declaração (fls. 1096 a 1103), através do v. acórdão de fls. 1110 a 1112. A ementa do v. acórdão original é a seguinte: Assunto. Imposto sobre Produtos Industrializados — Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DEMATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOSINTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DEEMBALAGEM REMETIDOS PARA COMPLETAINDUSTRIALIZAÇÃO EMESTABELECIMENTOS DE TERCEIROS.CABIMENTO. CONCEITO DEESTABELECIMENTO PRODUTOR. Oestabelecimento exportador, equiparado a produtornos termos do art. 40 da Lei n° 4.502/64 faz jus aocrédito presumido do IPI instituído pela Lei n°9.363/96, seja por se enquadrar no conceito deexportador, seja porque este conceito não pode alteraro objetivo da norma, de garantir o ressarcimento dasexações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo deprodução de produtos exportados na forma deprecedente jurisprudencial deste e. Conselho deContribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte Em seguida, após a oposição dos embargos de declaração, foi acrescida à ementa acima a seguinte parte, referente à SELIC: APLICAÇÃO TAXA SELIC Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deveser aplicada aos valores a serem ressarcidos a título de incentivofiscal, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do beneficio,se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outroturno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valorde compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimentoilícito da outra parte. Aplicase a taxa Selic desde o protocolo dopedido até seu efetivo pagamento. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que o v. acórdão recorrido Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.048 3 Na presente hipótese cuidase, em síntese, de auto de infração (fls. 26 a 34) em que se exigiu a COFINS referente ao período de apuração de 01/04/1994 a 30/06/1994 e de 01/11/1995 a 29/02/1996. Os valores exigidos decorrem de suposta insuficiência de créditos decorrentes de indébitos de PIS e FINSOCIAL, reconhecidos judicialmente, para compensação com débitos de COFINS que, de acordo com a d. autoridade fiscal (informações fiscais constantes às fls. 18 e 24), decorreu da adoção de critérios equivocados para atualização monetária. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do auto de infração, a d. autoridade fiscal apontou com bastante objetividade a fundamentação que ensejou o lançamento, verbis: 1 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL A empresa obteve duas liminares judiciais autorizando a compensação de débitos de PIS e COFINS. Numa, obtida no processo No. 96.000786, o crédito é proveniente da diferença entre os valores de PIS recolhidos conforme os DecretosLei 2445 e2449/88 e o apurado pela Lei Complementar 7/70. Noutra, obtida no processo No. 96.0006853, os créditos são decorrentes da diferença na alíquota do FINSOCIAL. Em ambos os casos, a empresa apurou créditos superiores aos que teria direito. Os valores ora lançados referemse as compensações de COFINS que ultrapassaram o valor do crédito compensável. Os fatos geradores de 04, 05 e 06/94 são decorrentes da compensação indevida da ação do FINSOCIAL. Os demais valores lançados decorrem da ação do PIS. Para o fato gerador 04/94, como pagamento foi considerada a parte do saldo credor compensável cuja liminar dá amparo. O processo administrativo de acompanhamento da ação judicia1 do PIS é o de No. 10880.027070/952 e o do FINSOCIAL, 10880.019101/9414. Fazem parte integrante do presente auto os documentos anexos e relacionados a seguir: 1. demonstrativo de créditos do PIS apresentado pela empresa; 2. demonstrativo de débitos e pagamentos do PIS apurado pelos DL2445 e 2449/88; 3. demonstrativo de débitos e pagamentos do PIS apurado pela LC7/70; 4. relação dos saldos credores DL2445 () LC7/70 = valor do indébito; 5. demonstrativo da utilização dos créditos; 6. Informação Fiscal referente ao processo 10880.027070/9562; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 7. demonstrativo de créditos do FINSOCIAL apresentado pelo contribuinte; 8. relação do indébito de FINSOCIAL atualizado em UFIR; 9. Informação Fiscal referente ao processo 10880.015101/9414. Antes do julgamento de primeira instância, o Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP, face à informação de fls. 95 a 97, que bem resumiu o conteúdo de todos autos de infração decorrentes das compensações efetuadas e dispôs sobre a legislação a respeito do procedimento de compensação e atualização monetária, destacando a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR nº 08/97, determinou a devolução dos autos à DRF para que fossem refeitos os cálculos das compensações em questão, destacando as alterações nos lançamentos constantes nos autos. O resultado dessa revisão está resumida no demonstrativo de fls. 159 a 160, sendo que a conclusão da fiscalização encontrase às fls. 174. Nesta asseverouse, em suma, a existência de créditos de FINSOCIAL suficientes para cobrir os valores compensados, mas, por outro lado, a inexistência de créditos de PIS para efetuar as respectivas compensações apresentadas pelo contribuinte. Apontouse, ainda, que os créditos foram atualizados com a utilização da Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97 (de acordo com o proposto pela DRJ). Após a manutenção do auto de infração pela DRJ de Campinas – SP (fls. 183 a 195), em que se adotou a conclusão acima exposta quanto à insuficiência de créditos de PIS para compensação com os débitos de COFINS, foram interpostos recurso de ofício e recurso voluntário. A Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao seu turno, ressaltou, inicialmente (fls. 241 a 243), que na informação fiscal que deu lastro à r. decisão de primeira instância constou que os créditos foram atualizados com base na Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97, mas, verbis, o comando sentencial determina que a correção monetária dos valores a compensar seja efetivada conforme norma prevista expressamente no art. 66, § 3º, da Lei nº 8.383/91 e será feita pelos índices oficiais fixados pelo Governo e adotado pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos – OTN – BTN – BTNF – Ufir, conforme as Lei nºs 7.730/89, 7.801/89, 8.177/91, 8.383/91 e 9.069/95, e o termo inicial será a data do recolhimento indevido, conforme Súmula nº 46 do Extinto Tribunal Federal de Recursos. Com isso, determinouse a conversão do julgamento em diligência para determinar a juntada da sentença, certidão de objeto e pé e demonstrativos de apuração da base de cálculo dos processos judiciais em questão (fls. 241 a 242). Outrossim, a Colenda Câmara a quo apontou, nos termos do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, verbis, que caso positivo a apuração deverá observar o que restou decidido no comando sentencial, caso contrário, apurar o PIS devido na vigência da LC n° 7/70 com observância da sistemática da semestralidade, sem correção da base de cálculo, conforme Súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuinte, corrigindo o indébito porventura apurado conforme a decisão judicial. Determinouse, por último, que os débitos apurados e consignados no auto de infração devem ser compensados através dos créditos nas das (sic) datas de seus vencimentos, sem atualização, juros e multa. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.049 5 O resultado dessa diligência consta do Termos de Verificação de fls. 310, onde se afirmou que, verbis, foram refeitos os cálculos de apuração dos débitos do PIS de 05/1990 a 02/1996, adotandose a semestralidade sem correção monetária, fls. 253/255. Confrontados os débitos com os créditos de recolhimento, atualizados de acordo com os índices de correção da sentença judicial, verificouse que foram suficientes para amortizar integralmente os débitos do PIS/Faturamento do período de 05/1990 a 02/1996, fls. 256/264. Apurouse também um saldo do crédito excedente do recolhimento de R$ 5.303.486,21, atualizado até 01/09/1996, fls. 265/267. Em face do resultado acima exposto, foi prolatado o v. acórdão ora recorrido, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: Programa de Integração Social PIS e COFINS. Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/1994, 01/11/1995 a 29/02/1996 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Constatado que o montante do indébito é suficiente para compensar os débitos apurados, impões anular o Auto de Infração por ausência de justa causa. Recurso provido. O voto condutor do julgado, proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, além de ressaltar que a discussão neste processo se deu tão somente sobre a sistemática de apuração do indébito e atualização, apontou o seguinte, verbis: Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários a sua admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. O resultado da diligência demonstrou que o indébito se revelou suficiente a quitação do débito apurado e apontado no Auto de Infração. Sendo assim, a rigor o crédito tributário constituído se revela inexistente, conseqüentemente, não há que se falar em acréscimos moratórios, vez que, os créditos foram vinculados na data do vencimento dos débitos apurados. Em relação ao Recurso de Oficio, constatado em diligência que o valor do indébito é suficiente para compensar os débitos, impõe em reconhecer que não procede ao débito apurado por meio da ação fiscal. Em sendo assim, o acolhimento parcial da impugnação pela decisão objeto do Recurso de Oficio, vislumbro prejudicado em razão da inexistência do crédito tributário decorrente da exoneração. Assim, diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para declarar nulo o auto de infração e Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 negar provimento ao recurso de oficio em razão da exoneração do o principal, restou prejudicado. É como voto. (grifos nossos) Contra esse v. acórdão foi interposto o já mencionado recurso especial pela Fazenda Nacional, com esteio em divergência jurisprudencial, onde se aduziu, em síntese, o seguinte: (i) que o v. acórdão recorrido configurou decisão extrapetita, porquanto o contribuinte, em seu recurso voluntário, pediu tão somente a exclusão da multa de ofício e juros de mora do lançamento; (ii) que foi anulado auto de infração cujo objeto, compensação, está sob discussão na esfera judicial; (iii) que a r. decisão recorrida, ao aceitar a compensação realizada com débitos de COFINS lançados na presente autuação, deixou de observar decisão judicial que somente autorizou a compensação de crédito de PIS com débitos do próprio PIS. O recurso foi admitido parcialmente através do r. despacho de fls. 354 a 355 apenas quanto aos itens (ii) e (iii) acima, tendo sido confirmado através da r. decisão de fls. 356 da Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contrarrazões às fls. 369 a 372. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, apesar da longa análise e do extenso relatório, que se fez necessário para se visualizar os exatos limites da presente controvérsia, entendo que o recurso especial interposto não reúne condições de admissibilidade. Com efeito, a matéria referente à apontada concomitância com os processos judiciais, notadamente quanto à compensação, não foi debatida em nenhum momento no presente processo, muito menos pela Colenda Câmara a quo, que tampouco foi instada a fazê lo mediante a oposição dos cabíveis embargos de declaração. Como visto e apontado pelo Ilustre relator no voto condutor do v. acórdão recorrido, a discussão neste processo se deu tão somente sobre a sistemática de apuração do indébito e atualização. Patente a ausência, assim, do requisito do prequestionamento a possibilitar a admissibilidade do recurso especial. Da mesma forma, nada se cuidou a respeito da impossibilidade de compensação de débitos de COFINS com créditos de PIS, e tampouco que alguma decisão Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.050 7 judicial somente teria autorizado a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS. Portanto, também quanto a esse ponto não restou satisfeito o requisito do prequestionamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10166.722952/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Nos termos do acórdão recorrido, apreciaram-se as alegações de defesa relativamente a cada uma das infrações detectadas pela fiscalização, que justificariam a suspensão da isenção. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu.
TERMO DE ADESÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADES. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
Na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão firmado entre a instituição de ensino e o Ministério da Educação, a apuração administrativa da responsabilidade cabe àquele órgão, nos termos do Decreto nº 5.493/05, que não pode ser afastado pelos julgadores ainda que o considere ilegal ou inconstitucional (art.26-A do Decreto nº 70.235/72). Na Lei nº 11.096/05 inexiste previsão de imediata suspensão da isenção pelo Fisco, sem a apuração prévia, no âmbito do MEC, da responsabilidade decorrente do descumprimento de obrigação assumida pela instituição de ensino.
Numero da decisão: 1103-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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REQUISITOS/CONDIÇÕES. RESERVA DE LEI. Nos termos da Constituição Federal (art.150, §6º) e do Código Tributário Nacional (arts. 97, VI, 176 e 179), cabe à lei a definição do regime jurídico da isenção, inclusive quanto à especificação de suas condições e requisitos, sendo vedado ao Fisco estabelecêlos de maneira inovadora em atos infralegais, sob pena de exorbitar a competência afeta ao legislador. TERMO DE ADESÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADES. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão firmado entre a instituição de ensino e o Ministério da Educação, a apuração administrativa da responsabilidade cabe àquele órgão, nos termos do Decreto nº 5.493/05, que não pode ser afastado pelos julgadores ainda que o considere ilegal ou inconstitucional (art.26A do Decreto nº 70.235/72). Na Lei nº 11.096/05 inexiste previsão de imediata suspensão da isenção pelo Fisco, sem a apuração prévia, no âmbito do MEC, da responsabilidade decorrente do descumprimento de obrigação assumida pela instituição de ensino. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Nos termos do acórdão recorrido, apreciaramse as alegações de defesa relativamente a cada uma das infrações detectadas pela fiscalização, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 29 52 /2 01 1- 18 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.251 2 justificariam a suspensão da isenção. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.252 3 Relatório Tratase de suspensão de isenção tributária, conforme Ato Declaratório Executivo nº 54, de 23/8/11, publicado no Diário Oficial da União (nº 163, de 24/8/11, Seção 1), nos seguintes termos (fl.1.089): “O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BRASÍLIADF, no uso da competência que lhe confere o artigo 295 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, declara: Art. 1º A suspensão da isenção da contribuinte ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO CONTINUADA AIEC, CNPJ 03.476.821/000197, conforme o processo administrativo nº 10166.722952/201118, em face da prática reiterada de infração à legislação tributária no anocalendário de 2008, nos termos do §10 do artigo 32 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e instrução Normativa SRF n° 456/2004, baixada por força do §2° da Lei n° 11.096/2005 (MP 213/2004), caracterizada pela não observação das condições de gozo de isenção prevista no art. 8° da Lei n° 11.096, mormente porque (a) deixou de aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo; (b) deixou de adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócio econômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo; (c) o número de bolsas ativas do ProUni, concedidas até o segundo semestre de 2008, está aquém do previsto no art. 5° da Lei n° 11.096, de 2005, e do quanto constante dos Termos de Adesão; (d) deixou de informar na DIPJ/2009 o Lucro da Exploração relativa à atividade beneficiária da isenção e; (e) deixou de escriturar em sua contabilidade do ano de 2008, de forma segregada e com clareza e exatidão, os elementos de custos e despesas relativas à atividade isenta. Art. 2º A suspensão surtirá efeito a partir de 01/01/2008, conforme informação constante da Notificação Fiscal objeto do processo administrativo mencionado no art.1º deste Ato e o disposto no artigo 32, §5º da Lei nº 9.430 de 27/12/1996. Art. 3º A fim de assegurar o contraditório e a ampla defesa, é facultado à pessoa jurídica, por meio de seu representante legal ou procurador, dentro do prazo de trinta dias contados da data da publicação deste Ato no Diário Oficial da União, manifestar por escrito sua inconformidade com relação à suspensão, nos termos do artigo 32, §6º, inciso I e §10 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996.” Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.253 4 Parágrafo único. Não havendo a manifestação de inconformidade no prazo mencionado no caput deste artigo a suspensão tornarseá definitiva. Do Despacho Decisório constam os fundamentos adotados pela autoridade fazendária para suspender o benefício, em síntese (fls.1.061/1.086): a pessoa jurídica é uma instituição de ensino superior, com fins lucrativos, participante do Programa Universidade para Todos (Prouni), nos termos da Lei nº 11.096/05; as obrigações da instituição de ensino constam do Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado com o Ministério da Educação; a Instrução Normativa SRF nº 456/01 prevê a obrigatoriedade de apuração do lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, bem como a manutenção de contabilidade com registros segregados das receitas, custos, despesas e resultados; foram concedidas bolsas integrais do Prouni a alunos com renda familiar mensal per capita superior a 11/2 salário mínimo, conforme cotejo dos dados extraídos das fichas dos alunos com as declarações apresentadas à Receita Federal; constatouse a completa ausência de providências relativas à atualização dos cadastros dos bolsistas ingressos em períodos letivos anteriores; a quantidade de bolsas concedidas até o segundo semestre de 2008 está aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05 e nos Termos de Adesão, conforme Ofício nº 558/2011 da Secretaria de Educação Superior do MEC; a DIPJ/09 não contemplou a apuração do lucro da exploração da atividade isenta, tendo o lucro real sido indevidamente reduzido a título de outras exclusões; o contribuinte deixou de escriturar, de forma segregada, com exatidão e clareza, os custos e despesas relativas à atividade incentivada. A Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF) considerou procedente a suspensão da isenção, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.1.135/1.142): ISENÇÃO SUSPENSÃO. Entidade educacional com ou sem fim lucrativo que não cumprir requisito para fruição do benefício da isenção tributária, condicionada e temporária, sujeitase à tributação e à cobrança dos impostos e contribuições dispensados no período de vigência da isenção. Devidamente cientificado em 2/10/13 (fl.1.174), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/10/13 (fls.1.178/1.242), em que alega: a decisão recorrida seria nula, pois: (a) não teriam sido analisados todos os argumentos de fato e de direito produzidos pela defesa, sendo que, quanto ao pedido de perícia, limitouse a considerálo irrelevante; (b) não obstante a menção, pela autoridade fiscal e pelo Relator do acórdão a quo, da ausência do §10 do art.32 da Lei nº 9.430/96 como fundamento da suspensão da isenção, tais pronunciamentos foram equivocados e desprovidos de motivação; (c) a transcrição incorreta do dispositivo legal teria mitigado o seu direito de defesa e representado negativa de vigência de parte da Lei nº 9.430/96; a legislação regente de isenções condicionais (art.12, §1º, “f”, §2º, e arts. 13 e 14 da Lei nº 9.532/97, e art.32 da Lei nº 9.430/96) estaria suspensa liminarmente, desde 27/8/98, pelo Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.254 5 Supremo Tribunal Federal (ADI nº 1.8023), o que acarretaria a suspensão do procedimento fiscal e a nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 54/2011; quanto ao preenchimento das vagas disponibilizadas pelo Prouni, a Lei nº 11.096/05 não condicionaria a isenção a determinado percentual de preenchimento efetivo das bolsas, sendo que a Lei nº 12.431/11 apenas passou a vigorar em 2012. Além de não estabelecer qualquer sanção à instituição que não preencha as vagas disponibilizadas, a lei menciona que o cálculo levará em consideração os estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados. O art.5º, §5º, apenas se aplicaria às instituições imunes; o número de bolsas ativas do Prouni estaria aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05 e no Termo de Adesão, pois: (a) o candidato inscreverseia na AIEC sem saber que o ensino seria realizado à distância, razão pela qual posteriormente desistia do curso, sendo fato notório, conforme reportagens a respeito; (b) o candidato perderia o prazo final para encaminhar a documentação; (c) no caso das bolsas parciais, a matrícula não se concretizaria em razão da obrigação de pagar parte da mensalidade; (d) o candidato não possuiria computador com acesso à internet; (e) o candidato residiria distante do polo de encontro presencial, inviabilizando a participação em função dos custos de deslocamento, fato que levava à desistência; e (f) o candidato não estaria suficientemente preparado para acompanhar o curso. A Secretaria de Educação Superior apenas requerera da instituição que justificasse as razões do número inferior de bolsas concedidas, não tendo testemunhado nada, tanto é que as justificativas apresentadas foram aceitas, inexistindo procedimento instaurado; o fato de não constar da DIPJ/09 o cálculo do lucro da exploração de atividade isenta não poderia servir de fundamento à suspensão da isenção, pois a própria Receita Federal calculou o quantum pretensamente devido. A IN SRF nº 458/2004 não obrigaria o contribuinte a apurar o lucro da exploração unicamente na DIPJ, que poderia, inclusive, ser quantificado com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total, como no caso concreto, devidamente registrado no LALUR (art.3º, parágrafo único). A relevância das receitas com a atividade incentivada atingiria apenas 0,29% do total das receitas totais; acerca da ausência de escrituração segregada, fazse necessária a realização de perícia contábil para verificar também a clareza e exatidão. Os números lançados na DRE e nos balancetes não apresentariam erros ou rasuras. A contabilidade teria sido elaborada de maneira separada, por grupos contábeis e por contas, e a ausência de utilização da nomenclatura “atividade isenta” e “demais atividades” não impediu o Fisco de apurar os tributos que entendeu devidos. A IN SRF nº 456/04 não abordaria a execução da contabilidade de forma segregada; a legislação de regência e o Termo Aditivo 1º Semestre 2008 não estabeleceriam a obrigatoriedade de a instituição de ensino “...aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos [...] de forma a assegurar [...] o cumprimento das condições para o recebimento do benefício”. Os requisitos para o gozo da isenção apenas poderiam constar de lei tributária específica, que não existiria. Ainda que a Lei nº 11.096/05 pudesse dispor sobre isenção, não estabelecera quaisquer requisitos. As conclusões da fiscalização apenas se viabilizaram através do ilegal acesso às declarações de imposto de renda de 11 (onze) alunos e/ou de seus respectivos pais. A lei apenas exigiria das instituições verificar os aspectos formais do próprio instrumento de contrato do Prouni: se as assinaturas estariam postas nos locais adequados; a documentação relativa ao término do curso médio e/ou equivalente; RG, CPF, comprovante de residência, e documentação exigida na forma da lei. O Ministério da Educação, por meio de sua Coordenação Geral de Projetos Especiais para Graduação, por email datado de 27/5/11, informara que seria dispensada a exigência de apresentação de documentos para comprovar situação socioeconômica dos alunos. Não poderia Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.255 6 aferir a veracidade das informações socioeconômicas prestadas pelos candidatos, pois estariam resguardadas sob o manto do sigilo constitucional dos contribuintes. Além disso, os familiares dos candidatos não estariam obrigados a declarar suas respectivas rendas, inexistindo lei em tal sentido. Seria inconstitucional o Fisco pretender que as instituições de ensino violassem sigilo econômico financeiro dos alunos do Prouni, ou de seus familiares; sobre a necessidade de adotar providências relativas à atualização do cadastro socioeconômico dos estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, igualmente a instituição não poderia exigir a comprovação da renda do aluno ou de seu representante legal. O próprio Manual de Bolsista Prouni (item 13.5), disponível na internet, fixaria não ser obrigatório tal requisito. O Recorrente ainda requereu a juntada de cópia autenticada de parte do LALUR e do Razão, bem como a realização de perícia contábil em seus livros, para provar que efetivamente informou na DIPJ/2009 o lucro da exploração relativa à atividade isenta e que procedeu à escrituração de maneira clara, exata e segregada. Por fim, requereu o encaminhamento de ofício ao Ministério da Educação “...para comprovar a inexistência de procedimento visando apurar porque não foram preenchidas todas as vagas ofertadas nos processos seletivos”. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. PRELIMINARES DE NULIDADE Quanto à alegação de ausência de fundamentação do acórdão recorrido, a leitura do respectivo voto condutor é suficiente para afastar tal tese defensiva. Inicialmente, a Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF) concluiu que a transcrição, no Despacho Decisório e no Ato Declaratório Executivo nº 54/2011, dos dispositivos legais que fundamentaram o procedimento fiscal, em especial do art.32 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, não acarretaram qualquer prejuízo ao direito de defesa, até mesmo porque foram devidamente citados. Posteriormente, apreciou as alegações postas na manifestação de inconformidade relativamente a cada uma das infrações que justificaram a suspensão da isenção. Prosseguindo, ainda concluiu que questões constitucionais não poderiam ser enfrentadas naquela instância, entendimento que se conforma à jurisprudência do CARF (Súmula nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Por fim, entendeu ser desnecessária a realização de perícia, diante da não indicação do perito, da omissão quanto à formulação dos necessários quesitos e, principalmente, da prescindibilidade de sua realização: “Quanto ao pedido de perícia contábil para demonstrar a escrituração do Lucro de Exploração no LALUR, primeiro, não cumprira os requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº70.235/1972, pois, faltara os quesitos, perito com endereço etc, Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.256 7 segundo, este item por si só não reverteria a situação da suspensão da isenção da impugnante.” De acordo com o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, a realização de perícia justificase somente quando necessária, a juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, não há se falar em cerceamento a direito de defesa ou violação ao contraditório, decorrentes do fato de a DRJ ter entendido que a perícia era considerada desnecessária à luz das provas coligidas. Como visto, o indeferimento do pleito foi sim fundamentado. A respeito da suposta não apreciação da documentação acostada à impugnação, vêse que o colegiado de primeira instância valorou os elementos que entendeu pertinentes, não sendo possível, agora em segunda instância, concluir que tenha se omitido na análise das provas. No julgamento, não é necessário mencionar, um a um, os documentos anexados pela defesa, mas firmar um juízo de convicção fundamentado a partir dos elementos considerados relevantes ao deslinde da controvérsia. De tal mister não se furtou a Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF). Quanto à nulidade do ADE nº 54/2011, em razão de suposta suspensão dos dispositivos legais que fundamentaram sua emissão, igualmente não pode ser acolhida. Não é verdade que tal providência tenha sido determinada liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal. Na apreciação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1.8023/DF, o Plenário do STF deferiu, “...em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação direta, a vigência do §1º e a alínea f do §2º, ambos do art.12, do art.13, caput, e do art.14, todos da Lei nº 9.532, de 10.12.1997”, dispositivos abaixo grifados: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. §1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. §2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.257 8 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) §4o A exigência a que se refere a alínea “a” do § 2o não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) §5o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 4o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.258 9 estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) §6o O disposto nos §§ 4o e 5o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996.” Por sua vez, dispõe o art.32 da Lei nº 9.430/96: “Art.32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts.9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.259 10 §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. §11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Ao contrário do que entende o Recorrente, a suspensão cautelar pelo Plenário do STF do art.14 da Lei nº 9.532/97 não impossibilita a incidência do rito estabelecido no art.32 da Lei nº 9.430/96 aos procedimentos para a suspensão da isenção de que trata a Lei nº 11.096, de 13/1/05, relacionada ao Programa Universidade para Todos (Prouni), que dispõe: “Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: ..... II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.260 11 desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber.” O Relator da ADI nº 1.8023/DF, Min. Sepúlveda Pertence, quanto ao art.14 da Lei nº 9.532/97, esclareceu que a suspensão da imunidade (no caso concreto, a prevista no art.150, VI, “c”, da CF/88), não poderia ser usada como sanção. Vejamos: “[...] Creio mesmo que, tratandose de imunidade constitucional, não há falar propriamente em suspensão. Ou estão reunidos, em determinado momento, os seus pressupostos objetivos e subjetivos, ou não se aplica a regra da imunidade. Mas, até onde a regra de imunidade alcançar, a sua suspensão não pode ser usada como sanção de coisa alguma. Na mesma linha, parece extravasar da esfera de competência da lei questionada os arts.13, caput, e 14, verbis – f.5 e 6: ..... Essa L. 9.430/96 prevê a ‘suspensão’ da imunidade tributária por falta de observância dos requisitos do art.9º, §1º, e 14 do CTN, claramente enquadráveis no campo que vimos considerando facultado até à lei ordinária. A norma agora impugnada, contudo, uma vez mais, instrumentaliza a suspensão da imunidade tributária como sanção dos ilícitos fiscais que não dizem com os pressupostos do benefício constitucional. Já o parág. único do art.13 parece escapar ileso da impugnação – f.6: ..... Cuidase aí sim de coibir desvios fraudulentos da renda da instituição coberta pela imunidade e a sua definição como infração tributária, embora ociosa, não se pode tachar de inconstitucional.” Assim, é descabida a afirmação de que “...Por força da liminar que suspendeu a vigência do artigo 14 da Lei nº 9.532/97, todo o normativo de PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO previsto no artigo 32 da Lei nº 9.430/96, com vistas à suspensão da isenção condicionante está, também, com a sua respectiva vigência suspensa”, não se podendo em falar em violação ao princípio da legalidade. Como visto, o art.32 da Lei nº 9.430/96, mencionado expressamente no art.9º, §2º, da Lei nº 11.096, de 13/1/05, não teve sua vigência suspensa pelo STF, razão pela qual a decisão na ADI nº 1.8023/DF não o alcançou. Ademais, o procedimento fiscal que culminou na publicação do ADE nº 54/2011 também estava previsto no art.5º da Instrução Normativa SRF nº 456, de 5/10/04, vigente à época da fiscalização, por meio do qual se garantiu a ampla defesa e o contraditório ainda no curso da auditoria, antes de proferido o Despacho Decisório. Vejamos: Art.5o Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.261 12 trata o art.1º darseá a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições. §1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo da isenção, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da instituição. §5º Efetivada a suspensão da isenção: I a instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso, com a exigência do crédito tributário desde a data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , e de juros de mora. §6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §9º O disposto no caput deste artigo aplicase, também, na hipótese de desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão. Acrescentese que, da análise da Notificação Fiscal, Despacho Decisório e ADE nº 54/2011, não se vislumbra mínimo prejuízo ao direito de defesa. Por tais razões, não se acolhem as preliminares de nulidade. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.262 13 MÉRITO Como relatado, o Fisco federal suspendeu a isenção com base nos seguintes fundamentos arrolados no ADE nº 54/2011 e no Despacho Decisório: “(a) deixou de aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo; (b) deixou de adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócioeconômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo; (c) o número de bolsas ativas do ProUni, concedidas até o segundo semestre de 2008, está aquém do previsto no art. 5° da Lei n° 11.096, de 2005, e do quanto constante dos Termos de Adesão; (d) deixou de informar na DIPJ/2009 o Lucro da Exploração relativa à atividade beneficiária da isenção e; (e) deixou de escriturar em sua contabilidade do ano de 2008, de forma segregada e com clareza e exatidão, os elementos de custos e despesas relativas à atividade isenta”. Passase à análise individualizada dos fundamentos. 1. Da não informação, na DIPJ/09, do lucro da exploração Nos termos da Notificação Fiscal e do Despacho Decisório, a suspensão da isenção justificarseia pelo fato de na DIPJ/09 o contribuinte não ter apurado o lucro da exploração da atividade isenta. Na DIPJ/09, a Demonstração do Lucro da Exploração era objeto da Ficha 08, que iniciava com a informação sobre a “Receita Líquida da Atividade Isenta, inclusive do Prouni”. Apesar de tal Ficha não constar da cópia da DIPJ anexa aos autos (fls.22/44), presumese, à vista das informações do contribuinte prestadas no curso do procedimento fiscal e na fase litigiosa, que aquela demonstração realmente deixou de ser elaborada. Entretanto, o preenchimento de tal Ficha não foi previsto como requisito legal essencial ao gozo da isenção. De igual forma, o preenchimento da Demonstração do Lucro da Exploração não foi contemplado na IN SRF nº 456/04, que apenas dispõe sobre a forma de apurálo: “Art. 2º Considerase lucro da exploração de que trata o §2º do art.1º o lucro líquido do período de apuração, antes de deduzida a provisão para a CSLL e a provisão para o imposto de renda, ajustado pela exclusão dos seguintes valores: I da parte das receitas financeiras que exceder às despesas financeiras; II dos rendimentos e prejuízos das participações societárias; III dos resultados nãooperacionais; e IV do valor baixado de reserva de reavaliação, nos casos em que o valor realizado dos bens objeto da reavaliação tenha sido registrado como custo ou despesa operacional e a baixa da reserva tenha sido efetuada em contrapartida à conta de: a) receita nãooperacional; ou Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.263 14 b) patrimônio líquido, não computada no resultado do mesmo período de apuração. Parágrafo único. As variações monetárias serão consideradas, para efeito de cálculo do lucro da exploração, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Por tal razão, à míngua de dispositivo legal, ou mesmo infralegal, no sentido de condicionar o gozo da isenção ao preenchimento, na DIPJ, da Demonstração do Lucro da Exploração, a omissão apontada pela fiscalização não leva à suspensão do benefício. 2. Da não escrituração segregada A isenção também foi suspensa sob o fundamento de que o beneficiário deixou de escriturar em 2008, de forma segregada, com clareza e exatidão, os custos e despesas relativos à atividade isenta, o que contrariaria o disposto no art.3º da IN SRF nº 456/04: “Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total.” Na Notificação Fiscal constou a seguinte fundamentação: “[...] Como se verifica das anexas cópias do Balancete levantado em 31.12.2008, não consta da escrituração contábil realizada de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008, a segregação das rubricas de custos e despesas relativos à atividade incentivada. Tais custos e despesas foram escriturados em conjunto, sem separação daqueles inerentes somente à atividade incentivada”. Por sua vez, no Despacho Decisório, após descrever a estrutura do Plano de Contas, em especial das contas de resultado, a autoridade fiscal assim detalhou: “[...] Destarte, não se verifica da estrutura do Elenco do Plano de Contas, e por consequência da escrituração contábil de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008, a segregação das rubricas de custos, despesas, receitas e resultados relativos à atividade incentivada. As despesas e receitas foram escrituradas em sub contas das contas de quarto grau, sem segregação daquelas inerentes somente à atividade incentivada. O fato do Elenco do Plano de Contas possuir algumas rubricas contábeis (sub contas) relativas a receitas incentivadas, não significa que haja segregação, tampouco que exista clareza e exatidão, haja vista que a segregação se operaria, no caso da impugnante, por meio das contas de quarto grau. Comprovando essa assertiva, podese Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.264 15 observar que o Elenco do Plano, em nível de quarto grau, só possui as rubricas ‘5.1.11.11 – (Conta de apuração do Resultado e 6.1.11.11 – (Apuração Resultado) Trimestral’. Não existe Grupo para as contas Resultado da Atividade Incentivada, nem no Grupo 5, nem no 6. 49. Tanto é procedente a conclusão dando pela não segregação e pela falta de clareza e exatidão da escrituração, que a autoridade fiscal notificante, para chegar ao Lucro da Exploração da atividade incentivada, utilizou a regra permitida pelo parágrafo único do art.3º da IN SRF 456/2004. E disso fez registro a impugnante em sua peça de defesa. Frente a tão contundente prova, concluise que não é verdadeira a alegação da defesa de que efetuou a escrituração de forma segregada.” Sustenta o Recorrente que na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e nos balancetes contábeis, os registros seriam claros e exatos. Ao contrário do que entendeu o Recorrente, a segregação, além de estar prevista na parte final do art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04, não se refere à separação da contabilidade por grupos e contas, mas à distinção, isolamento, das receitas, custos e despesas referentes às atividades sobre as quais recai a isenção, daqueles valores concernentes às demais atividades. O Recorrente afirma que os grupos de contas abaixo representariam os custos e despesas da atividade isenta, enquanto o grupo 3.2.11.11 (Cursos Pós/MBA e Seqüencial) representariam os custos e despesas das demais atividades: 3.2.12.11 – Pessoal e Encargos 3.2.12.12 – Material de Consumo 3.2.12.13 – Serviços Prestados por Terceiros 3.2.12.14 – Impostos e Taxas 3.2.12.15 – Despesas financeiras 3.2.12.17 – Depreciação 3.2.12.18 – Amortização 3.2.12.19 – Provisões 3.5.12.11 – Contribuições 3.5.12.12 – Impostos Também afirma que o Grupo de Contas 4.1.11.12 (Mensalidades) representaria as receitas isentas, enquanto os seguintes grupos, as receitas das demais atividades: 4.1.11.11 – Inscrição em Vestibular 4.1.11.16 – Curso de Extensão 4.1.11.17 – PósGraduação e MBA 4.3.11.11 – Receitas Financeiras 4.4.11.11 – Ganhos na Alienação de Bens Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.265 16 Apesar de tais alegações, o Recorrente não produziu mínima prova para lastreálas, postura que está em desacordo com o estabelecido nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Em suma, à luz dos autos, realmente se verifica que o contribuinte não “...demonstrou em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades”, como previsto no art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04. Resta saber se tal falta pode levar à suspensão da isenção. Dispõe a Constituição Federal em seu art.150, §6º: “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (destaquei) Por sua vez, estatui o Código Tributário Nacional (CTN) sobre a concessão de isenção: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ..... VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. ..... Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Art.176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art.177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.266 17 Art.178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975) Art.179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. §1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.” (destaquei) Como afirma Luciano Amaro (in Direito tributário brasileiro. 3ªed. São Paulo: Saraiva, 1999, p.268), “...Desnecessário é frisar que a isenção, por atuar, como norma de exceção, no plano da incidência do tributo, é matéria de lei, a que cabe a definição do seu regime jurídico (CTN, art.176).”. Tratase a isenção de uma exceção feita por lei à regra jurídica de tributação, estando incluída na área da denominada reserva legal e, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão (in Machado, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 13ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998. pp. 154155). Em igual sentido, a doutrina de Rubens Gomes de Sousa (in Compêndio de legislação tributária; coordenação IBET; obra póstuma. São Paulo: Resenha Tributária, 1975, p.97.), para quem a isenção “...depende de lei expressa, justamente por ser um favor, isto é, uma exceção à regra de que, verificado o fato gerador, é devido o tributo”. Assim, nos termos do CTN, não apenas a isenção deve ser instituída por lei, como dispõe a CF/88, mas os requisitos que autorizam o seu gozo também devem ter assento legal, não podendo o Fisco, por atos infralegais, estabelecêlos de maneira inovadora, sob pena de exorbitar a competência afeta ao legislador e frustrar o gozo do benefício, ainda que, como na hipótese, determinada providência facilite a fiscalização do incentivo concedido. Em suma, para o gozo da isenção, basta que o contribuinte preencha os requisitos definidos na lei. O art.8º, §2º, da Lei nº 11.096/05, ao dispor que a Receita Federal disciplinará a isenção em tela, não autorizou tal órgão a estabelecer requisitos não previstos em lei, que, frisese, silenciou quanto à necessidade de a instituição “...demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades”. Podese argumentar que tal procedimento contábil fazse Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.267 18 necessário para a implementação da isenção na prática, mormente para possibilitar a apuração do lucro da exploração. De tal raciocínio não se discorda. Porém, além de não se poder olvidar da lei, como acentuado anteriormente, na isenção em tela, o parágrafo único do mesmo art.3º da IN 456/04 autoriza o cálculo do lucro da exploração alternativamente “...com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total”. Observese que, valendose desta segunda opção, o contribuinte apurou na Parte A do LALUR o lucro da exploração relativo ao 1º trimestre de 2008 (fl.64). O curioso é que a própria RFB confirmou tal informação no Despacho Decisório. Vejamos: “49. Tanto é procedente a conclusão dando pela não segregação e pela falta de clareza e exatidão da escrituração, que a autoridade fiscal notificante, para chegar ao Lucro da Exploração da atividade incentivada, utilizou a regra permitida pelo parágrafo único do art.3º da IN SRF 456/2004. E disso fez registro a impugnante em sua peça de defesa. Frente a tão contundente prova, concluise que não é verdadeira a alegação da defesa de que efetuou a escrituração de forma segregada.” (destaquei) O mencionado excerto da Notificação Fiscal é o seguinte: “Segundo consta da DIPJ/2009 – “Declaração de Informações Econômicos Fiscais”, 1º Trimestre de 2008, e constante da Ficha 09 A, linha 68, anexa, a Instituição promoveu uma redução do Lucro Real (Lucro Tributável), na data de 31/12/2008, no valor de R$1.761.929,68, reduzindo referido Lucro Real de R$1.829.761,34 para o valor de R$67.831,66. Pelo Ofício anexo, informou a entidade a esta fiscalização, bem como apresentou o Livro de Apuração do Lucro Real, contendo a apuração do valor do Lucro da Exploração da Atividade isenta em valor que supera a exclusão do lucro líquido lançado na DIPJ/2009. O procedimento de efetuar a apuração do Lucro da Exploração da Atividade isenta, não constou, portanto, da DIPJ/2009.” Com mais clareza, a fiscalização, ao lavrar o auto de infração de IRPJ (processo nº 14041.720013/201198), decorrente da suspensão da isenção, consignou expressamente no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, que aquele valor declarado na DIPJ/09 a título de exclusão referese realmente ao lucro da exploração. Senão, vejamos: “Glosa da redução indevida do Lucro Real do 1º trimestre de 2008, lançada na Ficha 09A da DIPJ, Linha 68, como ‘outras exclusões’ do Lucro Líquido do Exercício. Tal exclusão no valor de R$ 1.761.929,68 efetuada pela contribuinte, segundo registra o Livro de Apuração do Lucro Real referese a Lucro da Exploração da Atividade do Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.268 19 PROUNI, de que trata a Medida Provisória nº 213/2004, convertida na Lei nº 11.096/2005. Contudo, examinado os livros, documentos e justificativas da contribuinte, do anocalendário de 2008, constatei que não observou as condições de gozo de isenção prevista no artigo 8º da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Nesse compasso, dei ciência da NOTIFICAÇÃO FISCAL à contribuinte sobre os fatos que determinavam a suspensão da isenção no anocalendário de 2008, ao tempo que lhe propiciei a apresentação de razões que pudessem elidir a suspensão. A contribuinte apresentou sua impugnação aos termos da Notificação Fiscal, do que resultou o Despacho Decisório e respectivo Ato Declaratório constantes dos autos do procedimento administrativo nº 10166.722952/201118, anexo, e parte integrante do presente, que determinou, ao fim e ao cabo, a suspensão da isenção no anocalendário de 2008.” (destaquei) Quanto ao §10º do art.32 da Lei nº 9.430/96 (“Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência”), limitase a fazer referência ao emprego do procedimento relativo à suspensão da imunidade de que trata o art.150, VI, “c”, da CF/88, com nítido caráter processual, não podendo ser dissociado do caput, que, em consonância com o CTN e a CF/88, tratou da suspensão em virtude de falta de observância de requisitos legais: Art.32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.269 20 I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. §11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Cabe ainda observar que a parte inicial do parágrafo primeiro supracitado, relativamente ao não cumprimento dos requisitos previstos nos “arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional”, está relacionado especificamente à “imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal”. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, tal norma não se relaciona ao procedimento, ao rito, ao qual se limitou o art.32, §10, da Lei nº 9.430/96. Para um melhor entendimento, vejamos tais dispositivos legais: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ..... IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.270 21 d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. ..... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” É importante destacar que aqui não se discute sobre a existência de previsão, no art.14, III, do CTN, do requisito relacionado à escrituração de receitas e despesas, mencionado no parágrafo primeiro do art.32 da Lei nº 9.430/96, mas a sua incidência no caso da isenção Prouni. Diferentemente da situação tratada nos autos, cujo requisito para o gozo da isenção assentase em norma infralegal, aquela imunidade subordinase, por exemplo, à manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, requisito este de estatura legal, de igual forma que o efeito da suspensão do benefício pela autoridade competente (§1º), decorrente do descumprimento das condições. Não obstante o art.32, §10, da Lei nº 9.430/96 empregar a expressão “condições ou requisitos impostos pela legislação de regência”, que permitiria a imposição pela autoridade fiscal de condições/requisitos não previstos em lei stricto sensu, tendo em vista que, conforme art.96 do CTN, a expressão “legislação tributária” compreende as normas complementares, dentre as quais se incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes (art.100, I), a CF/88 e o mesmo codex, diplomas de estatura normativa superior, estabelecem que o regime jurídico relacionado a isenções decorre de lei que especifique as condições e requisitos exigidos. Aqui não se faz um juízo de (in)constitucionalidade do art.32, §10, da Lei nº 9.430/96, para afastálo, o que, como cediço, é vedado aos julgadores administrativos, matéria inclusive já sumulada pelo CARF (Enunciado nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), mas uma interpretação, à luz da CF/88 e do CTN, de que o vocábulo “legislação”, vazado naquele parágrafo, restringese, quanto às condições/requisitos para fins de gozo da isenção, à lei, não compreendendo normas infralegais, a exemplo de Instruções Normativas, até mesmo sob pena de se incorrer em contradição com o disposto no próprio caput do art.32 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.271 22 “A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais”. Pelo exposto, tendo o contribuinte, conforme confirmação da própria fiscalização, apurado o lucro da exploração com base na “relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total”, autorizado pela Receita Federal no art.3º, parágrafo único, da IN SRF nº 456/04, o que indica a prescindibilidade, no caso concreto, da não segregação dos elementos que compõem as receitas, custos e despesas (art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04); e que o regime jurídico das isenções deve estar definido em lei, inclusive quanto às condições/requisitos para o gozo, não subsiste a justificativa da autoridade fazendária para suspender o benefício. 3. Da checagem das informações socioeconômicas dos candidatos e da atualização do cadastro dos estudantes ingressos em períodos anteriores Segundo a fiscalização, a obrigatoriedade de aferir a veracidade das informações prestadas pelos candidatos e assegurar o cumprimento das condições para a concessão das bolsas caberia à instituição de ensino, conforme Termo de Adesão ao Prouni. Dispõe a Lei nº 11.096/05, que a adesão ao Prouni dáse mediante assinatura de Termo de Adesão, em que constarão as obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino: “Art.5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados. ..... Art.7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: I proporção de bolsas de estudo oferecidas por curso, turno e unidade, respeitados os parâmetros estabelecidos no art. 5o desta Lei; II percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de deficiência ou de autodeclarados indígenas e negros.” (destaquei) A AIEC celebrou em 7/11/07 e 16/5/08, o “Termo Aditivo 1º Semestre de 2008” (fls.1.051/1.055) e o “Termo Aditivo 2º Semestre de 2008” (fls.1.056/1.060), relativos ao curso de Administração, na modalidade à distância (EAD), em que se previu na Cláusula 9 (“Condições Essenciais”): Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.272 23 “I – A instituição de ensino superior, mantida pelo proponente, por meio deste Termo Aditivo ao Termo de Adesão inicialmente firmado com o Programa Universidade para Todos – ProUni, assume os encargos legais previstos na Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e respectiva regulamentação, comprometendo se, diretamente ou, no que couber, por intermédio do Coordenador do PROUNI, a: a) cumprir fielmente o disposto nas portarias que regulamentam este programa; ..... d) selecionar os candidatos, aferindo a veracidade das informações por eles prestadas, de forma a assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício; ..... i) adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes já beneficiados, as providências necessárias à sua atualização; ..... k) manter arquivada toda a documentação relativa aos benefícios concedidos a estudantes matriculados em suas unidades, pelo período de cinco anos após o encerramento da bolsa;” A instituição de ensino, então, comprometeuse perante o MEC a aferir a veracidade das informações prestadas pelos alunos, com vistas a assegurar o cumprimento por parte destes das condições para o recebimento/manutenção das bolsas, e a arquivar a respectiva documentação pelo período de cinco anos após o seu encerramento. No Despacho Decisório que lastreou a publicação do ADE nº 54/2011, a autoridade fiscal, após consignar que verificou a renda familiar a partir de declarações de renda constantes do banco de dados da Receita Federal, afirmou que cabia à instituição de ensino investigar as condições socioeconômicas informadas pelo candidato: “[...] Quanto às análises efetuadas pela autoridade fiscal, e expostas às fls.06 a 16, para comprovar de forma irrefutável que a impugnante concedeu bolsas do ProUni integrais a quem tinha renda familiar per capta superior a 11/2 salário mínimo, verifica se que foram feitas por meio de cotejamento entre os dados constantes dos dossiês dos alunos fornecidos pela instituição (fls.96 a 339) com as declarações de rendas constantes dos arquivos da Receita Federal (fls.340 a 506), de forma jurídica, por profissional do Fisco no exercício regular do direito e no estrito cumprimento do dever legal. Tratase de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que exerceu suas funções e executou seu poderdever legitimado em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização, caracterizando assim o acesso motivado aos dados dos referidos alunos. Tratouse, pois, não de quebra de sigilo fiscal, mas sim de transferência de sigilo de uma base de dados para outra nos autos do processo administrativo, de forma que permitiu a ampla defesa da impugnante, devendo tais dados (dossiês dos alunos e Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.273 24 declarações) permanecer nesta nova base com as mesmas garantias de sigilo, por óbvio. 25. A investigação das condições sócio econômicas informadas pelo candidato é conduta comezinha que deveria ter sido efetuada pela própria impugnante na época própria, por si ou por qualquer empresa especializada em CADASTROS, que por certo não dispõe de arquivos de Declarações de Rendas, tal como procedem as instituições bancárias ou as empresas imobiliárias quando homologam o cadastro de um correntista ou inquilino, respectivamente. Isso a lei permite e, portanto, a impugnante estava e está autorizada, além de obrigada legalmente. Aduzir que lhe compete somente conferir assinaturas, aspecto formal de documentação e exigir cópias de documentos não é jurídico e é o mesmo que alegar que eventual conluio entre as partes estaria fora do alcance de punição.” Vêse que a fiscalização não afirmou que a instituição obrigavase a exigir dos candidatos e estudantes ingressos em períodos anteriores a apresentação de suas declarações de rendimento ou as dos integrantes de sua família, como entendeu o Recorrente, mas que informações extraídas do banco de dados da RFB serviriam para checar a renda familiar mensal. A questão resolvese em outros termos. Em um primeiro momento, interessa saber se a AIEC adotou as providências para, repitase, como dispõem os Aditivos ao Termo de Adesão, aferir a veracidade das informações que lhe foram prestadas pelos estudantes. Fazse necessário, portanto, analisar a documentação constante das pastas dos alunos disponibilizadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. A isenção, como visto, é voltada à instituição que aderir ao Prouni, programa que, nos termos do art.1º da Lei nº 11.096/05, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais concedidas a brasileiros não portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de até 1 (um) salário mínimo e 1/2 (meio), no caso de bolsa integral, ou o valor de 3 (três) saláriosmínimos, na hipótese de bolsas parciais de 50% (cinquenta por cento) ou 25% (vinte e cinco por cento). Conforme sítio eletrônico do Prouni na internet, “...A renda é calculada somandose a renda bruta mensal dos componentes do grupo familiar e dividindose pelo número de pessoas que formam este grupo” e entendese como grupo familiar “...a unidade nuclear composta por uma ou mais pessoas, eventualmente ampliada por outras pessoas que contribuam para o rendimento ou tenham suas despesas atendidas por aquela unidade familiar, todas moradoras em um mesmo domicílio” 1 (item 4.2). Conforme atos normativos editados pelo Ministério da Educação, que dispõem sobre o processo seletivo do Prouni em cada semestre (v.g., Portaria nº 4.264, de 8/12/05; nº 4, de 18/5/06; nº 1.853, de 28/11/06; nº 24, de 22/5/07; nº 1.109, de 22/10/07; e nº 599, de 19/5/08), na formação do grupo familiar admitemse os seguintes graus de parentesco, 1 Disponível em http://siteprouni.mec.gov.br/tire_suas_duvidas.php#inscricoes Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.274 25 que devem usufruir da renda bruta mensal familiar: pai, padrasto, mãe, madrasta, cônjuge, companheiro(a), filho(a), enteado(a), irmão(ã) e avô(ó). Tais Portarias ainda dispõem que, para os membros do grupo familiar que não possuam renda própria, a relação de dependência comprovase por meio de documentos emitidos ou reconhecidos por órgãos oficiais ou pela fonte pagadora dos rendimentos de qualquer um dos componentes do grupo familiar. Também relacionam quais documentos os candidatos devem apresentar para fins de comprovação do grau de parentesco e da renda, podendo o coordenador ou representante do Prouni exigir inclusive contas de energia, água, telefone fixa ou móvel, gás, condomínio, comprovantes de pagamento de aluguel ou prestação de imóvel próprio, faturas de cartão de crédito, extratos bancários, extrato do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Declaração Anual de Isento (DAI), Declaração de Imposto de Renda Pessoas Física (DIRPF) e respectiva notificação de restituição. No caso concreto, a fiscalização selecionou aleatoriamente 11 (onze) alunos, em um universo de 324 (trezentos e vinte e quatro). Quanto àqueles, afirmou, conforme Notificação Fiscal (fls.2/18), ter a AIEC atestado que a comprovação dos requisitos deuse pela apresentação de “cópias de documentos”. Além do mais, os Termos de Atualização do Usufruto da Bolsa Prouni, firmados semestralmente, não estariam acompanhados de qualquer comprovação de renda e/ou de modificação do grupo familiar. Abaixo seguem as análises, à luz da acusação fiscal, dos documentos que compõem as fichas dos alunos acostadas aos autos: 1. Alexandre Nunes Loyola Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando o grupo familiar de 3 pessoas (aluno, esposa e filha), pois sua irmã não constou como dependente na DIRPF e reside em cidade distinta. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.97/99), firmado em 6/2/07, o grupo familiar seria também constituído pela esposa, filho e irmã, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.600,00. Para comprovála, foram arquivadas as cópias do contracheque, em que se confirma a renda bruta mensal de R$ 2.416,12 em dezembro de 2006, das certidões de casamento, de nascimento da filha do aluno e da carteira de identidade de sua irmã (fls.111/116). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2007 e 2008, o aluno obteve rendimentos de R$26.896,58 e R$29.803,11. Relativamente à esposa e à irmã, declaradas no Termo de Concessão de Bolsa como componentes do grupo familiar, não identificou que auferiram rendimentos no período analisado. Quanto à irmã residir em município distinto do bolsista, tal informação foi obtida a partir do cadastro CPF (fls.353/354), que pode não retratar a situação nos anos sob análise. Como exemplo da possibilidade de tal defasagem, os endereços dos cônjuges também são diferentes (fls.352/353). Por sua vez, a relação de dependência da irmã deixou de ser Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.275 26 comprovada documentalmente, de forma que o grupo familiar limitavase a 3 (três) componentes. Sendo assim, quanto a tal aluno, considerando o contracheque apresentado à instituição de ensino, notase que, quando da aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição, a AIEC, considerando a ausência de comprovação da relação de dependência da irmã do aluno, poderia ter constatado que a renda per capita familiar mensal era superior a 11/2 salário mínimo. 2. Daniel Vizelli Wege Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.117/119), firmado em 17/1/07, o grupo familiar seria também constituído pela companheira, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.000,00. Para comprovála, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação, das Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do aluno com a confirmação da remuneração de R$800,00 e de sua companheira, e de contrato de prestação de serviços celebrado em 15/1/06 com remuneração mensal de R$ 200,00 (fls.134/139). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2009 e 2010 o aluno obteve rendimentos superiores a R$ 22.000,00 e R$ 26.000,00, respectivamente, e sua companheira, R$ 3.000,00 mensais em 2009. Além disso, seria proprietário da Esupercorp.com Serviços de Provedor Via Internet Ltda – ME, desde 10/9/10. Sendo assim, quanto a tal aluno, considerando a documentação apresentada à instituição de ensino e o fato de sua companheira ter auferido rendimentos somente a partir de setembro de 2009 (fl.364), concluise que, para a concessão da bolsa, a instituição de ensino confirmou a renda per capita familiar mensal inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. 3. Ataanderson Gomes Silva Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.140/142), firmado em 26/12/06, o grupo familiar seria também constituído pela mãe, um irmão, uma irmã, um filho e um sobrinho, Lucas Vaz da Silva Gomes, identificado indevidamente como filho, sendo que apenas a mãe auferia renda mensal de R$ 1.311,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação e das CTPS do aluno, mãe, irmão e irmã; de contracheques de sua mãe relativos a junho/06 (remuneração de R$1.836,14), julho/06 (remuneração de R$1.311,52), agosto/06 (remuneração de R$1.394,84), setembro/2006 (remuneração de R$1.311,62), outubro/2006 Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.276 27 (remuneração de R$1.311,62) e novembro/2006 (remuneração de R$2.554,32); das certidões de nascimento do filho e do sobrinho; e da certidão de óbito de seu pai (fls.154/171). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2006, o aluno recebeu uma renda líquida de R$16.813,12, e nos anos 2008 e 2009 rendimentos superiores a R$26.000,00 e R$72.000,00, respectivamente, e que na DIRPF/07 não havia sido declarado qualquer dependente. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Levandose em conta a remuneração mensal da mãe em 2006, e mesmo considerando, à míngua de outras relações de dependência, que o grupo familiar era formado por três componentes (aluno, mãe e filho), a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, não poderia ter constatado que a renda per capita familiar mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Observese que, apesar de a instituição de ensino não ter exigido a documentação no momento das atualizações semestrais, que poderia ter indicado o aumento da renda familiar, encerrou em 15/12/10 o usufruto da bolsa por ter constatado que o bolsista era proprietário de veículos automotores incompatíveis com o perfil socioeconômico do Prouni (fl.153). Tal fato demonstra, em certa medida, que a AIEC não se manteve inerte quanto à checagem dos requisitos legais no decorrer do curso. 4. Thiago de Paula Hass Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07, sendo que o candidato adquiriu um imóvel no valor de R$ 150.000,00 em 13/12/10, conforme registro no 6º Ofício de Registro de Imóveis em Ceilândia(DF). Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.172/174), firmado em dezembro de 2006, o grupo familiar seria também constituído pelo pai, mãe e irmão, sendo que apenas o aluno e seu pai auferiam renda mensal total de R$2.004,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de recibos de pagamentos de salários do aluno, de setembro a novembro/2006 (R$604,00); de declaração comprobatória de percepção de rendimentos do pai em novembro/06 (R$1.100,00), DIRPF/06 e extrato bancário do pai com a informação do recebimento de proventos de R$1.500,00 em agosto, setembro e outubro/06; e do comprovante de entrega de declaração anual de isento da mãe (fls.186/197). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, o aluno recebeu rendimentos no valor de R$ 15.957,08; R$ 23.196,60 e R$ 30.812,21. Além do mais, não há informação sobre dependentes nas declarações de renda. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.277 28 Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial do irmão, nos termos do art.6º, II, b, da Portaria MEC nº 1.853, de 28/11/06, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2007 Considerando o grupo familiar composto pelo aluno, pai e mãe, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Apesar de a instituição de ensino não ter exigido a documentação no momento das atualizações semestrais, providência que poderia ter indicado o aumento da renda familiar, encerrou em 15/12/10 o usufruto da bolsa por ter constatado que o aluno era proprietário de veículo automotor, situação incompatível com o perfil socioeconômico do Prouni (fl.185). Além disso, verificou que o aluno casouse em 20/6/09 e que o seu grupo familiar era constituído apenas pelo casal, de forma que a renda mensal per capita era incompatível com a bolsa integral. Tais fatos demonstram, em certa medida, que a AIEC não se manteve inerte quanto à checagem dos requisitos legais no decorrer do curso. 5. Angélica Souza Nunes Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.198/200), firmado em 31/1/06, o grupo familiar também seria constituído pelo pai, mãe e duas irmãs, sendo que apenas a aluna, sua mãe e uma das irmãs auferiam renda total mensal de R$850,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de termo de rescisão de contrato de trabalho da aluna em 11/1/06 com a confirmação da remuneração de R$345,00; e de contracheque da irmã com remuneração de R$310,50 em novembro/05(fls.211/215). A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, a aluna recebeu rendimentos no valor de R$18.055,24; R$25.145,59 e R$43.003,34. Verificase, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do Prouni (fl.210), que a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Considerando o grupo familiar formado apenas pelos membros que possuam renda própria (aluna, mãe e irmã), como dispunha o art.6º, II, a, da Portaria MEC nº 4.264, de 8/12/05, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2006, a renda familiar per capita mensal seria inferior a 11/2 salário mínimo no momento da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.278 29 6. Célio Vieira Lopes Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a não confirmação da condição de enteado da pessoa informada no Termo de Concessão de Bolsa. O aluno adquiriu 4 (quatro) imóveis em 1/9/09 e recebe salários da Cia de Saneamento de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.216/218), firmado em 8/3/06, o grupo familiar também seria constituído pela companheira, filha e enteado, sendo que apenas o aluno teria auferido renda mensal de R$1.294,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de contracheques do aluno referentes a novembro/05 (R$2.3109,08) e janeiro/06 (R$1.592,84); da CTPS da companheira; e das certidões de nascimento da filha e do enteado (fls.229/235). A fiscalização constatou que em 2006, 2008, 2009 e 2010, o aluno auferiu renda de R$33.631,27; R$47.604,84; R$92.485,14 e R$61.092,94, respectivamente. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial do enteado. Considerando o rendimento do aluno em janeiro de 2006 e tendo em vista que a fiscalização afastou apenas a relação de dependência econômica do enteado, o que limita o grupo familiar a três componentes, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Também deixou de exigir a documentação quando das atualizações semestrais, providência que poderia ter atestado o descumprimento do requisito, mesmo considerando o grupo familiar formado por quatro integrantes. Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.228), o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. 7. Paulo Sérgio Alves de Souza Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, sendo que a DIRPF não confirma a existência de grupo familiar. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.255/257), firmado em 10/2/06, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe, padrasto, irmã e irmão, sendo que apenas o padrasto e sua mãe auferiam renda mensal total de R$947,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; da CTPS do aluno, do irmão, da irmã e do padrasto; de recibo de benefício previdenciário da mãe; e de recibo de concessão de aposentadoria do padrasto (fls.268/278). A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, o aluno auferiu renda de R$15.507,95; R$18.375,36 e R$31.875,67, respectivamente. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.279 30 Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial da irmã e do irmão. Considerando o grupo familiar formado apenas pelos membros que possuam renda própria (aluno, mãe e padrasto), como dispunha o art.6º, II, a, da Portaria MEC nº 4.264, de 8/12/05, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2006, a renda familiar per capita mensal seria inferior a 11/2 salário mínimo no momento da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição. Verificase, ainda, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.267), que o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Sequer o fato de ter recebido rendimentos em 2008 e 2009 revela o descumprimento do requisito legal relativo à renda familiar per capita mensal, considerando: (a) o grupo familiar composto por três pessoas; (b) a hipótese de que o padrasto e a mãe continuaram recebendo os mesmos rendimentos de 2006; e (c) que a fiscalização não apontou que tenham auferido renda naqueles anos. Vejamos: Ano Renda Anual Familiar Grupo Familiar Renda Mensal Per Capita 11/2 Salário Mínimo 2008 16.454,95 3 457,08 622,50 2009 19.322,36 3 536,73 697,50 8. Diana Andrade de Jesus Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, sendo que a pessoa informada como sendo do grupo familiar não consta das DIRPF. A aluna possui duas fontes de renda de trabalho, carro próprio, três contas poupança e dois imóveis. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.236/238), firmado em 10/3/06, o grupo familiar também seria constituído por sua irmã, sendo que apenas a aluna auferia renda mensal de R$ 400,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de recibo de pagamento de salário da aluna confirmando o valor bruto de R$400,00 em fevereiro de 2006; de comprovante de entrega de declaração anual de isento da irmã; de certidão de óbito do pai; e de escritura de doação de imóvel a seu pai no valor de R$5.000,00 (fls.247/254) A fiscalização constatou que em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, a aluna auferiu renda de R$6.971,29; R$18.627,12; R$21.651,51 e R$32.366,80 e R$55.278,54, respectivamente. Na pasta da aluna inexiste comprovação da relação de dependência informada. Sendo assim, considerando apenas tal aluna, verificase à vista da documentação apresentada à instituição de ensino quando da adesão, que sua renda mensal era inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.280 31 Verificase, ainda, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.246), que a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Para os demais anos, mesmo se considerado o grupo familiar constituído por 2(duas) pessoas, a renda familiar mensal per capita seria superior a 11/2 salário mínimo. 9. Kelly de Moraes Bernal Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, e não declaração pelo pai dos rendimentos e dependentes na DIRPF. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.279/281), firmado em 31/1/06, o grupo familiar também seria constituído por seu pai, mãe, quatro irmãos e uma irmã, sendo que apenas o pai auferia renda mensal de R$1.200,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação e de demonstrativo de recebimento de salário do pai em janeiro de 2006, confirmando a renda (fls.291/298). A fiscalização constatou que em 2007, 2008, 2009 e 2010, a aluna, sua mãe e três irmãos teriam auferido rendas mensais que somadas ultrapassariam 11/2 salário mínimo per capita. A aluna recebera rendimentos brutos de R$13.098,48 em 2009 e R$27.950,00 em 2010 (fls.463/464); o pai, R$36.161,70 em 2007, R$38.717,63 em 2008, R$44.345,36 em 2009, e R$45.052,02 em 2010 (fl.467/470); os irmãos e a mãe, em conjunto, R$ 1.778,83 em 2007, R$3.103,10 em 2008, e R$2.872,26 em 2009 (fls.471/474). Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.290), a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos familiares percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Na pasta da aluna inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Verificase, ainda, que a instituição de ensino deixou de exigir comprovação da renda familiar mensal quando das atualizações semestrais, o que poderia ter revelado o descumprimento do requisito legal. 10. Fabrício Hochmuller Marotti Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.299/301), firmado em 14/7/06, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe e duas irmãs, sendo que apenas o aluno e uma de suas irmãs auferiam renda mensal total de R$2.000,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; dos contracheques do aluno com a remuneração de R$ 1.193,43 em abril/06 e R$1.165,72 em maio/06; da certidão de nascimento da irmã; dos contracheques da irmã com a remuneração de R$1.155,00 em abril e maio/2006; e de ata de audiência de separação consensual de seus pais (fls.310/316). Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.281 32 A fiscalização verificou que em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, o aluno teria auferido rendimentos de R$32.581,84; R$47.428,78; R$52.262,25; R$57.177,59 e R$64.097,50, respectivamente. Também sua mãe recebera R$6.604,90 em 2007 e R$7.856,76 em 2008 (fls.482/483), e sua irmã, R$33.332,72 em 2006 e R$48.482,77 em 2007 (fls.484/485). Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, porém a fiscalização não as questionou. Considerando o grupo familiar de quatro componentes e os rendimentos recebidos pelo aluno e por uma de suas irmãs, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Também deixou de exigir a documentação quando das atualizações semestrais, providência que poderia ter atestado o descumprimento do requisito. Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.309), o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. 11. Raimundo Alves Portela Filho Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.317/319), firmado em 3/7/07, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe, dois irmãos e sua companheira, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.000,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; cópia da CTPS com a confirmação de remuneração mensal, a partir de 6/10/06, no valor de R$1.133,00; do contracheque em que consta a remuneração de R$1.230,34 em abril/07, R$1.241,43 em maio/07 e R$1.420,81 em junho/07 (fls.330/339). A fiscalização verificou que em 2007, 2008, 2009 e 2010, o aluno teria auferido rendimentos de R$20.634,50; R$28.363,44; R$50.778,59; R$57.408,25, respectivamente. Também um dos irmãos teria recebido rendimentos em 2008 no valor de R$1.891,20, e de R$6.919,90 em 2010 (fls.492/493). Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, porém a fiscalização não as questionou. Considerando o grupo familiar de cinco componentes e os rendimentos recebidos pelo aluno em junho de 2007, um mês antes da assinatura do termo, a documentação apresentada à instituição de ensino quando da adesão atesta que a renda familiar per capita mensal era inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Logo, os documentos que compõem as fichas dos bolsistas confirmam a acusação da fiscalização de que a instituição de ensino não foi diligente quanto à verificação da Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.282 33 renda familiar per capita mensal antes e durante o período de concessão das bolsas de estudos, não obstante em alguns casos ter efetuado o cancelamento exatamente por constatar perfis socioeconômicos inadequados. No Despacho Decisório, a autoridade fiscal afirmou que poderia a instituição ter consultado empresa especializada em cadastros para conferir a renda familiar, porém sequer apontou, ao menos exemplificativamente, quais seriam. Vale lembrar que tal exigência não consta da legislação que rege a matéria. Agora, resta saber se tais faltas levam à suspensão da isenção, à luz da legislação de regência. Dispõe a Lei nº 11.096/05: “Art.3o O estudante a ser beneficiado pelo Prouni será pré selecionado pelos resultados e pelo perfil socioeconômico do Exame Nacional do Ensino Médio ENEM ou outros critérios a serem definidos pelo Ministério da Educação, e, na etapa final, selecionado pela instituição de ensino superior, segundo seus próprios critérios, à qual competirá, também, aferir as informações prestadas pelo candidato. Parágrafo único. O beneficiário do Prouni responde legalmente pela veracidade e autenticidade das informações socioeconômicas por ele prestadas. ..... Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados.” (destaquei) É inegável, portanto, que há previsão legal de obrigatoriedade de a instituição de ensino verificar o perfil socioeconômico dos candidatos. Como visto, de acordo com art.7º, caput, da Lei nº 11.096/05, as obrigações devem constar do Termo de Adesão ao Prouni. A autoridade fiscal, nos termos do Despacho Decisório, apontou que a verificação da renda familiar consistia em obrigação constante dos Aditivos ao Termo de Adesão da instituição ao Prouni. Vejamos: “[...] Os parágrafos primeiro e segundo do art.1º e os arts.3º, 5º e 7º da referida Lei, por seu turno, disciplinam as condições iniciais que os candidatos devem preencher e os termos da concessão da bolsa por parte da instituição, bem como estabelece que a instituição privada de ensino superior, com fins Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.283 34 lucrativos, aderirá ao ProUni mediante compromisso firmado em documento denominado Termo de Adesão, onde serão fixados os critérios a serem seguidos pela entidade pleiteante do benefício de isenção. ..... 9. As obrigações da instituição, para o anocalendário de 2008, constam do Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado em 07/11/2008 (fls.1051 a 1055), dentre as quais destacase o encargo legal previsto na legislação (Lei 11.096/2005, art.3º, acima transcrito), de selecionar os candidatos, aferir a veracidade das informações, e assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, inclusive atualizações: Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado em 7 de novembro de 2007 [...] 9 – CONDIÇÕES ESSENCIAIS I – A instituição de ensino superior, mantida pelo proponente, por meio deste Termo Aditivo ao Termo de Adesão inicialmente firmado com o Programa Universidade para Todos – ProUni, assume os encargos legais previstos na Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e respectiva regulamentação, comprometendose, diretamente ou, no que couber, por intermédio do Coordenador do PROUNI, a: [...] d) selecionar os candidatos, aferindo a veracidade das informações por eles prestadas, de forma a assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício; ..... i) adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes já beneficiados, as providências necessárias à sua atualização; [...] (grifos nossos) ..... 24. A obrigação das instituições de selecionar, aferir e assegurar, está amparada nos art.3º, 5º e 7º da Lei nº 11.096/2005. Tais dispositivos exigem que as instituições que pretendam aderir ao Programa Universidade para Todos, antes, assinem termo de adesão, por onde serão fixadas as obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior. Ato consumado pela entidade impugnante com a assinatura do termo inicial (fls.59 e 60) e do ‘Termo Aditivo 1º Semestre 2008’, de 07/11/07 (fls.1.051 a 1.057). ..... Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.284 35 29. Sem procedência, também, a afirmação da instituição, para rebater os argumentos do item ‘b’ da Notificação Fiscal, de que email do Ministério da Educação estaria confirmando que, nos casos de atualização e manutenção da bolsa ProUni, não seria exigida a apresentação de documentos para comprovar situação socioeconômica do aluno. A uma porque tal email não consta junto, não sendo possível sua análise. A duas, porque, mesmo que existente e nele esteja grafado o que a impugnante diz estar, não é de lhe ser dado prevalência, exatamente devido ao que consta positivado e compromissado pela impugnante, via os arts.3º, 5º e 7º da Lei 11.096/2005 c/c o capítulo 9 do Termo Aditivo de Adesão, item i: ‘adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes beneficiados, as providências necessárias à sua atualização’. Nada mais claro. ..... 50. Do exposto, constatase que a instituição em tela praticou ou, por qualquer foram, contribuiu para a prática de atos que constituem infrações à legislação tributária, primeira e principalmente porque aderiu ao Programa Universidade para todos – ProUni e não observou as condições determinadas nos arts. 3º, 5º e 7º da Lei nº 11.096/2005, c/c a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, e no capítulo 9 do Termo Aditivo firmado.” Dentre as penalidades a que se sujeitam as instituições de ensino que descumprem as obrigações assumidas no Termo de Adesão consta a desvinculação do Prouni em caso de reincidência de falta grave, conforme dispõe o art.9º da Lei nº 11.096/05: “Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: I restabelecimento do número de bolsas a serem oferecidas gratuitamente, que será determinado, a cada processo seletivo, sempre que a instituição descumprir o percentual estabelecido no art. 5o desta Lei e que deverá ser suficiente para manter o percentual nele estabelecido, com acréscimo de 1/5 (um quinto); II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber. §3o As penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas quando o descumprimento das obrigações assumidas se der em face de razões a que a instituição não deu causa.” Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.285 36 Por sua vez, o Decreto nº 5.493, de 18/7/05, que regulamenta o disposto na Lei nº 11.096/05, considera falta grave cometida pela instituição de ensino (art.12, §2º): “I o descumprimento reincidente da infração prevista no inciso I do art. 9o da Lei no 11.096, de 2005, apurado em prévio processo administrativo; II instituir tratamento discriminatório entre alunos pagantes e bolsistas beneficiários do PROUNI; III falsear as informações prestadas no termo de adesão, de modo a reduzir indevidamente o número de bolsas integrais e parciais a serem oferecidas; e IV falsear as informações prestadas no termo de adesão, de modo a ampliar indevidamente o escopo dos benefícios fiscais previstos no PROUNI.” (destaquei) Notese que a ampliação indevida do escopo dos benefícios fiscais previstos no Prouni, decorrente do falseamento das informações prestadas no termo de adesão, é considerada falta grave. O mesmo art.12 do Decreto nº 5.493/05, em compasso com o art.9º, §§1º e 3º, da Lei nº 11.096/05, dispõe que na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão (quaisquer delas, sem distinção do seu grau), deve se instaurar procedimento administrativo para que se possa aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior, sendo cabível, inclusive, a interposição de recurso ao Sr. Ministro de Estado da Educação contra a decisão que concluir pela imposição de penalidade: Art.12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. §1º Aplicase ao processo administrativo previsto no caput, no que couber, o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, observandose o contraditório e a ampla defesa. ..... §3º Da decisão que concluir pela imposição de penalidade caberá recurso ao Ministro de Estado da Educação. Assim, quando verificado que existem indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão, fazse necessário que se apure a responsabilidade da instituição de ensino por meio de processo administrativo em que se garanta o contraditório e a ampla defesa, ao fim do qual, se confirmada, resultará na aplicação de penalidade, resultando até na desvinculação do Prouni, nos termos do art.9º, II, da Lei nº 11.096/05. Considerando que a implementação do Prouni perfazse por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e que o Termo de Adesão firmase junto a tal órgão, concluise que a este cabe aferir a responsabilidade da instituição de ensino pelo descumprimento das obrigações assumidas, conforme previsto no art.9º, §1º, da Lei nº 11.096/05. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.286 37 Com a devida vênia a entendimento dissonante, a Lei nº 11.096/05 não impõe a imediata suspensão da isenção, pelo Fisco, como decorrência do descumprimento de obrigação assumida perante o MEC, constante do Termo de Adesão e aditivos. Fazse necessário procederse à apuração inicial, no âmbito do Ministério da Educação, da responsabilidade da instituição superior pela suposta falta, como estabelece o Decreto nº 5.493/05. No caso de desvinculação do Prouni em caso de reincidência pelo cometimento de falta grave, o art.9º, §2º, da Lei nº 11.096/05 apenas define que a suspensão da isenção tributária tem como termo inicial a data de sua ocorrência. Senão, vejamos: Art.9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: ..... II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber. Mesmo se considerarmos que o art.9, §2º, da Lei nº 11.096/05 (suspensão da isenção em decorrência da desvinculação do Prouni), restringese à hipótese de falta grave, o art.12 do Decreto nº 5.493/05 dispõe, sem limitação quanto à graduação da falta, que na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão a apuração de responsabilidade da instituição de ensino superior igualmente deve ser apurada em procedimento administrativo. Como se definiu anteriormente, a cargo do MEC. A propósito, cabe lembrar, conforme art.26A do Decreto nº 70.235/72, que os órgãos de julgamento não podem afastar a aplicação de Decreto, ainda que os considere inconstitucionais: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Da leitura do Despacho Decisório e da Notificação Fiscal, verificase que foi a autoridade fiscal quem concluiu, principalmente à vista de informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, protegidas por sigilo fiscal e, por óbvio, não acessíveis ao público em geral, pela responsabilidade da AIEC pelo suposto descumprimento de obrigações assumidas nos aditivos aos Termos de Adesão ao Prouni. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.287 38 No caso concreto, é importante ainda ressaltar que em resposta ao Ofício nº 008/2011 – RFB/DRF/BSB/Difis, de 25/4/11, por meio do qual o Chefe da Difis/DRF – Brasília (DF) solicitou ao Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação “...Cópias integrais de eventuais Procedimentos Administrativos, abertos no âmbito desse Ministério, visando a verificação das obrigações assumidas no Termo de Adesão, ou de desvinculação do PROUNI por solicitação da entidade de ensino” (fl.507), a Coordenadora Geral de Relações Acadêmicas de Graduação, da Diretoria de Políticas e Programas de Graduação da Secretaria de Educação Superior do MEC, informou que até 27/5/11 não havia “Procedimentos Administrativos abertos no âmbito desta Diretoria, referente ao descumprimento de regras do ProUni por parte da Associação Internacional de Educação Continuada – AEIC ou desvinculação da mesma ao Programa” (fl.509). Acrescentese que de acordo com as Portarias que disciplinaram os processos seletivos do Prouni ao longo dos semestres, a responsabilidade da instituição de ensino pela aferição das informações prestadas pelos candidatos, especificamente sobre a renda familiar per capita mensal, foi relativizada, quando dispuseram que a análise dos coordenadores do Prouni limitarseia à renda informada pelos alunos e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas, mesmo se alterada supervenientemente à inscrição. Vejamos, exemplificativamente: Portaria nº 1.853, de 28/11/06 (1º semestre de 2007) “Art.11. Os candidatos préselecionados nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino superior, no período de 26 de dezembro de 2006 a 2 de fevereiro de 2007, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino superior, quando for o caso. ..... Art.16. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria Normativa nº 24, de 22/5/07 (2º semestre de 2007) “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino superior, no período de 18 de junho de 2007 a 6 de julho de 2007, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino superior, quando for o caso. ..... Art.16. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria nº 1.109, de 22/10/07 (1º semestre de 2008) Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.288 39 “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino, no período de 2 de janeiro de 2008 a 1º de fevereiro de 2008, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino, quando for o caso. ..... Art.17. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria nº 599, de 19/5/08 (2º semestre de 2008) “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino, no período de 16 a 27 de junho de 2008, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino, quando for o caso. ..... Art.17. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador do ProUni considerará a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) A fiscalização mencionou a IN SRF nº 456/04, que dispunha sobre a isenção do imposto de renda e de contribuições quanto às instituições que aderiram ao Prouni, editada por força do art.8º, §2º, da Lei nº 11.096/05, para fundamentar a suspensão do benefício. No seu entender, o art.5º daquela Instrução Normativa estabelecia a obrigatoriedade de a instituição obedecer aos requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, sob pena de suspensão do benefício. Vejamos: “Art.5o Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que trata o art.1º darseá a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições. §1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.289 40 suspensivo da isenção, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da instituição. §5º Efetivada a suspensão da isenção: I a instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso, com a exigência do crédito tributário desde a data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , e de juros de mora. §6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §9º O disposto no caput deste artigo aplicase, também, na hipótese de desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão.” (destaquei) O supracitado §9º, que trata da hipótese de desvinculação do Prouni, decorrente do fato de a entidade de ensino descumprir obrigações assumidas no Termo de Adesão, pressupõe, como visto, providência pelo Ministério da Educação. Quando analisados os textos legais, notase que, em regra, as normas extraídas dos parágrafos de um determinado artigo não se dissociam daquela veiculada pelo seu caput. Como disposto na Lei Complementar nº 95, de 26/2/98, que trata da elaboração, redação, alteração e consolidação das leis, “as disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica”, sendo que para a obtenção de ordem lógica deve “expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida” (art.11, III, “c”). Pois bem. O parágrafo primeiro do art.5º da IN SRF nº 456/04, que trata da expedição de notificação fiscal com o relato dos fatos que determinaram a suspensão da isenção em razão de a instituição não observar os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, dizia respeito, em princípio, à hipótese de a instituição ter sido desvinculada do Prouni, pois esta é a hipótese contemplada no caput, o que, como se sabe, não ocorreu no caso concreto. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.290 41 Ainda que se entenda que o art.5º da IN SRF nº 456/04 tenha sido redigido sem o rigor técnico necessário, o que, admitase, não é incomum, de forma que a não observância, pela instituição beneficiária, dos requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, poderia diretamente desencadear o procedimento administrativo de suspensão da isenção, nos moldes exercidos pela fiscalização, não se pode olvidar que a acusação fiscal foi de descumprimento de obrigações assumidas nos aditivos aos Termos de Adesão relativos ao ano 2008 (itens 9, I, “d” e “i”), e, como tal, inevitavelmente, como exposto anteriormente, a apuração da responsabilidade cabia inicialmente ao MEC, nos termos do art.12 do Decreto nº 5.493/05. Com tal conclusão não se afasta a competência do Fisco para apreciar o cumprimento dos requisitos legais ao gozo da isenção, mas apenas se afirma que se a hipótese for de descumprimento das obrigações assumidas em Termo de Adesão, que pode, inclusive, consistir em falta grave e levar à desvinculação do Prouni, deve necessariamente ser instaurado um procedimento administrativo no âmbito do MEC com vistas à apuração da responsabilidade da instituição de ensino superior (art.9º da Lei nº 11.096/05 c/c art.12 do Decreto nº 5.493/05). Da maneira como procedeu, o Fisco federal definiu, à míngua de qualquer procedimento administrativo no MEC e em dissonância com a legislação de regência, a responsabilidade da AIEC pelo descumprimento das obrigações assumidas nos aditivos ao Termo de Adesão. Acrescentese que a acusação de a instituição ter deixado de “...aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo” e de “...adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócioeconômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo”, derivou da análise da documentação relativa a 11 (onze) bolsistas, escolhidos, segundo a fiscalização, aleatoriamente. Salvo prova em contrário, a eleição da amostra não decorreu de rigor estatístico, não havendo a mínima garantia de que seja representativa do universo composto por 323 pastas, o que fragiliza sobremaneira a acusação fiscal, lembrando que relativamente a alguns alunos a instituição de ensino cancelou as bolsas de estudo exatamente por constatar inadequados perfis socioeconômicos. Por todas as razões acima expostas, também não subsiste tal fundamentação da suspensão da isenção. 4. Da quantidade de bolsas ofertadas Afirmou a autoridade fiscal que a quantidade de bolsas ativas do Prouni, concedidas até o segundo semestre de 2008 estaria aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05: “Art.5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.291 42 correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados. §1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. ..... §4o A instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente poderá, alternativamente, em substituição ao requisito previsto no caput deste artigo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 22 (vinte e dois) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 8,5% (oito inteiros e cinco décimos por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. §5o Para o ano de 2005, a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá: I aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para cada 9 (nove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados; II alternativamente, em substituição ao requisito previsto no inciso I deste parágrafo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 19 (dezenove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 10% (dez por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. §6o Aplicase o disposto no § 5o deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do 1o (primeiro) processo seletivo posterior à publicação desta Lei, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.292 43 estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição, e o disposto no caput e no § 4o deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do exercício de 2006, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição.” O suposto descumprimento de tal requisito foi apontado, conforme Notificação Fiscal confirmada pelo Despacho Decisório, nos seguintes termos: “[...] Segundo a informação prestada pela Instituição, ofícios anexos, o número de alunos regularmente matriculados em 31/12/2007 era de 4.250 alunos, sendo as bolsas concedidas (Prouni) de 326. Nos Termos de Adesão do 1º e do Segundo Semestre de 2008, estipulouse 113 e 478 bolsas, respectivamente, no primeiro e no segundo semestre. Sobre o tema pronunciouse a Secretaria de Educação Superior pelo Ofício nº 558/2011, de 02 de junho de 2011, que atendeu o Ofício nº 0018/2011, de 25 de abril de 2011, todos juntos, que noticia a notificação feita a essa Associação por meio do Ofício nº 348/2011, de 26 de maio de 2011, dando conta de que ‘o número de bolsas ativas do Prouni concedidas até o segundo semestre de 2010 pela instituição está incompatível com a legislação em vigor’.” (destaquei) Conforme Termo Aditivo 1º Semestre de 2008 (fls.1.051/1.055), a instituição de ensino utilizou para cálculo a regra de 1(uma) bolsa para cada 10,7 alunos matriculados pagantes (item 2.1.11); e de acordo com o Termo Aditivo 2º Semestre de 2008 (fls.1.056/1.060), 1 (uma) bolsa para cada 22 alunos matriculados pagantes (item 2.1.11). À vista de tais Termos, sem adicional detalhamento que deixou de ser realizado pela fiscalização, não é possível concluir que a oferta limitouse a 113 e 478 bolsas nos 1º e 2º semestres de 2008, respectivamente, que estaria abaixo do mínimo estipulado legalmente. Quanto à informação prestada pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, de 26/5/11, encaminhada ao DiretorPresidente da AIEC (fls.510/511), referiuse a período de análise (até o segundo semestre de 2010) distinto daqueles considerados pela autoridade fazendária (1º e 2º semestres de 2008). Vêse que a conclusão constante do Ofício nº 348/2011/CGRAG/DIPES/SESu/MEC, de 26/5/11, decorreu do “...cruzamento de informações do Sistema Informatizado do Prouni – SISPROUNI, relativo ao número de bolsas ativas, com o Censo da Educação Superior do ano de 2009, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira – INEP”. Acontece que para a realização do Censo de Educação Superior do ano de 2009 coletaramse informações sobre tal ano, como definido no Resumo Técnico2 divulgado em 2010, que “...esboça um panorama da educação superior brasileira no ano de 2009, por meio da análise descritiva dos dados levantados”, não se podendo necessariamente concluir que a requisição de justificativas pela CoordenaçãoGeral de Relações Acadêmicas de Graduação do MEC tenha se referido a inconsistências relativas aos 1º e 2º semestres de 2008. 2 Disponível em http://www.ufrgs.br/sai/dadosresultados/avaliacaodasiesemgeral/arquivosavaliacaoies geral/CES2009ResumoTecnico.pdf, consulta em 19/9/14. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.293 44 Curiosamente, apesar da deficiente fundamentação da suspensão da isenção quanto ao ponto, o contribuinte admitiu expressamente que descumprira o requisito mencionado pela fiscalização. Entretanto, a verificação da responsabilidade pelo eventual descumprimento de obrigação firmada nos Termos de Adesão cabe de maneira precípua ao Ministério da Educação, conforme exposição no item anterior. Por tais razões, tal requisito não pode ser considerado descumprido, ao menos à vista dos fundamentos postos pela fiscalização. Diante da análise precedente, não se pode encerrar este voto sem o alerta de que o quadro legislativo relacionado ao Prouni necessita de urgentes ajustes, mormente em duas frentes. A primeira, para fazer constar em dispositivo legal todos os requisitos necessários ao gozo da isenção, a exemplo da escrituração segregada de receitas, custos e despesas; a segunda, de se estabelecer, de preferência também em norma legal, a possibilidade de o Fisco diretamente verificar, sem depender de apuração pelo MEC da responsabilidade da instituição de ensino, o cumprimento das obrigações firmadas nos Termos de Adesão. Mormente quando se trata de renúncia fiscal, que demanda um necessário rigor quanto ao cumprimento dos requisitos legais, mostrase despropositada, ou, porque não dizer, equivocada, a limitação imposta por Decreto às atribuições da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Reiterese que nos termos do art.26A do Decreto nº 70.235/72, os órgãos de julgamento não podem afastar a aplicação de Decreto, ainda que os considere inconstitucionais. Por fim, quanto aos requerimentos de perícia e diligência, restam prejudicados em razão da manutenção da isenção reconhecida neste voto. Pelo exposto, VOTO no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.294 45 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao exame das condições estipuladas para o gozo da isenção tributária. A princípio, entendo que as condições para a fruição da isenção devem estar dispostas em lei, no sentido estrito (art. 111, inciso II c/c art. 176 do CTN). Contudo, tais condições ou requisitos podem ser de natureza diversas, a depender da natureza da atividade desenvolvida pelo contribuinte que vier a usufruir da hipótese de exclusão do crédito tributário disposta no art. 175 do CTN. Naturalmente, sendo a isenção um instituto tributário, é de se deduzir que determinadas condições para seu gozo estejam relacionadas ao cumprimento de obrigações tributárias. Em paralelo, outras condições podem ser estipuladas, dentro do contexto das atividades operacionais da pessoa jurídica beneficiária. Portanto, as condições de isenção podem ser de duas espécies: (1) de natureza tributária, e (2) de ordem administrativa/operacional relacionada às atividades desenvolvidas pela contribuinte, ambas, repito, dispostas em lei interpretada no sentido estrito. Nesse contexto, vale apresentar, inicialmente, as condições de natureza tributária, aplicáveis em todas e quaisquer hipóteses de isenção. Vale transcrever o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (grifei) Ora, é a lei que dispõe que se aplica a suspensão de isenções condicionadas quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.295 46 legislação de regência, sendo que, dentre as condições ou requisitos da legislação de regência, emergem aqueles dispostos no § 1º do art. 32 da própria Lei nº 9.430, de 1996, qual seja, os previstos nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a seguir transcritos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (grifei) Tratamse de condições de ordem material aquelas dispostas nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN, dentre as quais, a que se mostra relevante para apreciação do caso concreto, qual seja, exigir a manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Não poderia ser diferente. Se uma pessoa jurídica submetida à tributação regular deve manter sua contabilidade empresarial e fiscal em consonância com a legislação, tal exigência mostrase ainda mais crítica e rigorosa Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.296 47 para uma entidade que se beneficia de uma hipótese de exclusão de crédito tributário. É condição de natureza tributária disposta em lei, e independente de qualquer outro requisito que possa ser estabelecido em razão do ramo de atividade da entidade beneficiária. Sua apreciação não se encontra condicionada a nenhuma outra restrição. Ressalto tal aspecto porque, no caso em debate, foi editada lei específica direcionada para as entidades de educação, de nº 11.096, de 2005, que instituiu o Prouni, que veio dispor sobre condições para fruição de isenção de natureza administrativa/operacional relacionada às atividades desenvolvidas pela contribuinte, sob gestão do Ministério da Educação (MEC). Assim, a Lei nº 11.096, de 2005, apesar de ter disposto sobre condições atinentes às atividades operacionais da entidade beneficiária (como, por exemplo, percentual de número de bolsas mínimo para número de estudantes matriculados, levantamento e aferição de informações prestados por candidato), em nenhum momento afastou, ou condicionou, a verificação pelo Fisco das condições de natureza tributária dispostas na legislação tributária. Cada ente em sua área de atuação. Ao Fisco, a auditoria das condições de isenção de natureza tributária. Ao Ministério da Educação, a verificação das condições de isenção de natureza administrativa/operacional. Certamente, no caso em tela, não caberia à Receita Federal verificar, por si só, o atendimento das condições dispostas na Lei nº 11.096, de 2005, relacionadas às atividades operacionais das entidades de educação. Isso porque o diploma legal expressamente prevê a abertura de processo específico por parte do MEC, com procedimento administrativo no qual é assegurado o contraditório e direito de defesa, para se consumar a suspensão da isenção, por não atendimento de condições relativas às atividades operacionais da pessoa jurídica. Por outro lado, não cabe ao MEC legislar e auditar o cumprimento de condições de natureza tributária. Nesse caso, é competência plena do Fisco verificar se os requisitos ou condições de natureza tributária estão sendo atendidos para o gozo da isenção. Portanto, entendo que para o caso em debate poderseia consumar a suspensão da isenção por duas vias independentes: (1) descumprimento de condições de natureza tributária, sob gestão da Receita Federal, e (2) descumprimento de condições de natureza administrativa/operacional, sob gestão do MEC. E, demonstrado nos autos do processo que a recorrente não atendeu à condição relativa à manutenção em sua escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, restou concretizada a hipótese de suspensão da isenção, por descumprimento de condição de natureza tributária, sob competência do Fisco. Assim, pelas razões expostas, apresento minha divergência em relação ao recurso voluntário, para negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10980.723623/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 23 /2 01 1- 82 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, fls. 49 a 56, referente ao exercício de 2009, exigindo R$ 145,04 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, e R$ 10.111,89 de imposto, com multa e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos em reclamatória trabalhista, no valor de R$ 636,25, e compensação indevida de R$ 12.198,35 de IRRF sobre o montante auferido judicialmente. Às fls. 51 a 53, consta demonstrativo dosvalores considerados no lançamento. Cientificada do lançamento em 07/06/2011 por via postal, conforme “AR” de fl. 117, a contribuinte apresentou, em 07/07/2011, por intermédio de procurador fl. 44, a impugnação de fls. 02 a 27, acompanhada dos documentos de fls. 28 a 95, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 121. Suscita nulidade do lançamento em razão de suposta ausência de assinatura da autoridade autuante, prevista no art. 11, IV, do Decreto nº 70.235 de 1972, porque considera que a notificação contestada não foi expedida eletronicamente, pois seria “fruto de revisão entabulada sobre documentos ofertados à fiscalização”. Pleiteia a apuração mensal do IR sobre os rendimentos recebido acumuladamente ou a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Assevera que, após a edição da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o IR deveria “incidir sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês” e não “no mês do recebimento ou crédito dos valores pagos de forma acumulada”. Aduz que a sistemática alegada teria sido mantida na Lei nº 8.848, de 28 de janeiro de 1994, e na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Cita o art. 101 do Código Tributário Nacional – CTN e o art. 2º, § 1º, da “Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro”, para argüir que as disposições contidas no art. 3º da Lei nº 9.250 de 1995 derrogariam, por incompatíveis, as existentes no art. 12 da Lei nº 7.713 de 1988. Com isso a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente teria passado do regime de caixa para o regime de competência. Suscita a ocorrência de nulidade em razão de erro de direito, por ter sido o lançamento efetuado com base no art. 12 da Lei nº 7.713 de 1988, que considera revogado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 120 3 Admite a possibilidade alternativa de manutenção do regime de caixa, porém, com a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713 de 1988, afirmando que deveria ser aplicado sobre autuações não definitivamente julgadas, aludindo ao art. 106, II, do CTN. Alega que existe processo judicial com sentença favorável à isenção de IR sobre os juros moratórios recebidos na RT 14632/2003, fls. 91 a 95, requerendo o sobrestamento da ação fiscal até o encerramento do processo judicial. Insurgese contra a aplicação da multa de 75%, considerandoa confiscatória e contrária aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da eficiência, corroborado por doutrina e jurisprudência. Sustenta que, com a emissão de comprovantes de rendimentos e de retenção de IR na fonte, a Receita Federal teve conhecimento “das quantias lançadas no procedimento fisco revisional” e, em consequencia, seria “inconveniente, inoportuna e inadequada a pecha de omisso que se pretendeu atribuir ao impugnante”, suscitando a ocorrência de simples equívoco na elaboração da declaração de ajuste e que a aplicação da multa tenha “como fito único de evitar que se perfectibilize a decadência”. Elabora cálculo separando as verbas recebidas na reclamatória trabalhista segundo a sua natureza tributária, chegando ao valor de R$ 102.638,38 de rendimentos recebidos acumuladamente tributáveis no ajuste anual, com R$ 40.370,48 de IRRF. Menciona o direito à restituição de IR de R$ 2.116,38, sem calculála. A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou procedente a ação fiscal com fundamento na correta aplicação do regime de caixa no recebimento de rendimentos acumulados. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (102/108) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa o litígio sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. É de se ver que a tributação dos valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de repetitivo, deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no REsp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 121 5 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 122 7 Ante ao exposto, voto por voto dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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