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Numero do processo: 13603.722749/2011-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.168
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 580/615 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (fls. 558/573), que apresentou a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 22 74 9/ 20 11 -2 5 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 620 2 AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. No caso de ação judicial, somente não é cabível a multa de ofício quando o sujeito passivo tenha obtido medida liminar ou tutela antecipada, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. Mediante ordem da autoridade judicial, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. DIVIDENDOS. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O mesmo procedimento adotado no lançamento principal estendese à CSLL. Dos fatos da Autuação Fiscal. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 337/350, como resultado da ação fiscal empreendida na contribuinte, optante pelo lucro presumido, foram tipificadas as seguintes infrações tributárias, referentes aos anoscalendário de 2006 (3º e 4º Trimestres), 2007 e 2008: 1) Identificação incorreta do coeficiente aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido. A contribuinte, por entender que os serviços de construção civil, na modalidade de construção por empreitada, envolveram emprego de materiais, adotou o coeficiente de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06, de 1997 e arts. 88 e 89 da IN SRF nº 390, de 30/01/2004. Por sua vez, a autoridade autuante, ao analisar os documentos apresentados pela fiscalizada, entendeu que a contribuinte não comprovou a utilização de materiais incorporados às obras e serviços prestados, razão pela qual alterou o coeficiente aplicado sobre a receita bruta, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, para o percentual de 32%. 2) Receitas Não Declaradas. Constatou a autoridade fiscal que os valores das contas contábeis “Receita de Aplicações Financeiras”, “Juros de Mora”, “Dividendos” e “Juros” não foram informadas nas DIPJ relativas ao período analisado. Assim, nos termos do art. 512, caput e inciso II, do RIR/99, e do art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996, as receitas foram adicionadas à base de cálculo do lucro presumido. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 621 3 Ainda, relata a autoridade autuante que, para os anoscalendário de 2006 e 2007, o regime utilizado pela contribuinte na apuração do lucro presumido foi o de competência, e para o anocalendário de 2008 foi o de caixa. Contudo, ao analisar os livros contábeis, constatou a Fiscalização que não foram seguidas as orientações da IN SRF nº 247, de 2002, que no art. 85, § 1º, dispõe que a empresa que adotar o regime de caixa deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, para cada lançamento, deverá ser indicada a correspondente nota fiscal. Por isso, a autoridade autuante tomou, como referência, os lançamentos do livro Razão, e adotou como critério o regime de competência. Na apuração do IRPJ e CSLL devidos, apurados nos lançamentos de ofício, foram deduzidos os valores confessados em DCTF e retidos na fonte. Foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL de fls. 304/336, cuja ciência à contribuinte deuse em 01/08/2011. II. Da Fase Contenciosa. Em 31/08/2011, foram apresentadas as impugnações de fls. 353/389 (IRPJ) e 391/423 (CSLL), que foram apreciadas pela 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, em sessão realizada no dia 09/07/2013, que julgou a impugnação procedente em parte, no Acórdão nº 02 45.947, de fls. 558/573, no sentido de: 1) tornar definitiva na esfera administrativa a matéria referente ao coeficiente de determinação da base de cálculo do lucro presumido, vez que foi objeto de ação judicial pela contribuinte; 2) excluir da base de cálculo a receita de dividendos; 3) manter as demais exigências. Dada em ciência em 08/08/2013 (“AR” de fl. 579), foi interposto o recurso voluntário de fls. 580/615 em 05/09/2013, no qual a recorrente discorre sobre os seguintes pontos: em 21/10/2010, ajuizou Ação Declaratória em face à União Federal, nos autos do processo n° 7653854.2010.4.01.3800, e formalizou, precedentemente à lavratura do auto de infração, o depósito judicial do montante dos valores em litígio, nos termos do inciso II, art. 151 do CTN, consumandose a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em discussão; foram acrescidos os depósitos da multa de mora e dos juros de mora, conforme art. 61, §§ 1º, 2º e 3º da Lei n° 9.430, de 1996; apesar das providências da recorrente, a autoridade fiscal efetuou lançamento de ofício, imputando a multa de 75% e os juros de mora; a imputação de multa moratóriapunitiva justificase apenas na ocorrência de ilícito tributário, ou seja, de infração à disposição ou normatização tributária; o procedimento da Fiscalização também afronta o art. 63, da Lei n° 9.430, de 1996; Fl. 621DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 622 4 assim resta caracterizada a inexigibilidade da multa de ofício imposta face à Recorrente, seja (a) pelo fato de que ausente na espécie o pressuposto basilar a autorizar referida pretensão, qual seja, o que se define como sendo mora ou ilícito tributário administrativo, consoante definição estabelecida no art. 134 e seguintes do CTN; e (b) por ser contrária ao entendimento dos tribunais pátrios, inclusive desse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que "se os depósitos precedem ao auto de infração, a suspensão da exigibilidade deve ser considerada em relação a cada fato gerador em que o crédito tributário foi depositado integralmente. Conseqüentemente, sobre esta parte excluise a multa de oficio” (processo nº 16327.001865/200644); no que concerne aos juros de mora, há entendimento pacífico no CARF, no sentido da não incidência sobre os valores objeto de lançamento de ofício, caso os referidos valores tenham sido integralmente depositados pelo sujeito passivo, inclusive matéria sumulada no Tribunal; portanto, cabem ser afastados a multa de ofício de 75% e os juros de mora exigidos no lançamento fiscal; no que concerne às receitas de aplicações financeiras, não levou em consideração a autoridade autuante as retenções já realizadas pelas fontes pagadoras, como, por exemplo, no relatório "Sistema DIRF Fontes Pagadoras Informações apresentadas em DIRF do anocalendário", informação constante da página 9, afeita à retenção realizada pelo Banespa S.A., referente ao período de 13/02/2007 (código 6800); quanto aos “juros de mora duplicadas” e “juros”, ocorreu erro da recorrente no preenchimento das DIPJ, ao incluir tais receitas no cômputo da receita bruta e submetêlas ao coeficiente de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, sendo necessário, portanto, fazer nova apuração, no sentido de considerar as receitas no seu montante integral, e efetuar a dedução do montante já oferecido á tributação apurada aplicandose o coeficiente de determinação do lucro presumido; restou caracterizada a ilegalidade e a inadequação da conduta adotada pela autoridade tributária, ao resolver afastar, para o anocalendário de 2008, o regime de caixa adotado pela recorrente, com base em entendimento presuntivo, e adotar o regime de competência; necessidade de diligência, deferindose a produção de prova pericial contábil, para nova apuração dos valores relativos ao anocalendário de 2008, em razão da mudança do regime de caixa para o de competência, sob pena de incorrer em duplicidade de recolhimentos, isso porque os impostos referentes às receitas auferidas no anocalendário de 2008 já foram objetos de recolhimento nos anoscalendário subseqüentes, quando do seu efetivo recebimento, em razão da adoção do regime de caixa. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Fl. 622DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 623 5 O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. As infrações tributárias tipificadas pela autoridade autuante podem ser separadas em duas categorias: 1º) coeficiente aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do lucro presumido; 2º) receitas não declaradas, relativas a aplicações financeiras, juros de mora e juros. No que concerne à infração referente ao coeficiente aplicável sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, tratase de matéria que vem sendo discutida em Ação Declaratória proposta pela contribuinte, nos autos do processo judicial nº 76538 54.2010.01.3800, ajuizado junto ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal, constatase que o feito encontrase em andamento, aguardando julgamento de agravo de instrumento. Portanto, tratase de matéria não devolvida ao CARF, assunto inclusive sumulado: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De maneira acertada, julgou a DRJ/Belo Horizonte definitivo, na seara administrativa, o lançamento de ofício decorrente a alteração do coeficiente aplicável à receita bruta para apuração do lucro presumido, de 8% para 32% para o IRPJ, e de 12% para 32% para a CSLL. Por sua vez, no recurso voluntário, demonstra irresignação a contribuinte quanto ao fato de o lançamento de oficio ter sido imputado com multa proporcional de 75% e juros de mora, sob alegação de que teria formalizado, antes da lavratura do auto de infração, o depósito judicial do montante dos valores em litígio, nos termos do inciso II, art. 151 do CTN, inclusive com a multa de mora e os juros de mora previstos no art. 61, §§ 1º, 2º e 3º da Lei n° 9.430, de 1996, e por isso restaria consumada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em discussão, e não caberia a imputação da multa de ofício, justificada apenas na ocorrência de ilícito tributário. Sobre a multa proporcional de 75%, cabe observar o que predica o art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 623DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 624 6 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei) Como se pode observar, são duas as condições a serem atendidas para que o lançamento de ofício seja efetuado sem a multa proporcional de 75%: (1) a exigibilidade do crédito ocorrer na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, e (2) a suspensão da exigibilidade ocorrer antes do início de qualquer procedimento de ofício. Portanto, verifica se que o depósito do montante integral, previsto no inciso II do art. 151 do CTN, não autoriza, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a constituição do crédito tributário sem a multa de ofício. E, no caso em análise, constatase que nenhuma das hipóteses previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN se concretizou (concessão de medida liminar em mandado de segurança ou concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial). Pelo contrário, consta às fls. 164/168 decisão da Justiça Federal no sentido de indeferir o pedido de tutela antecipada. E, ainda que restasse superada a primeira condição (o que não ocorreu no presente caso), vale observar que a interposição da ação judicial deuse em 21/10/2010, data posterior ao início de ação fiscal, que ocorreu em 27/07/2010 (data da ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 01). Dessa maneira, cabe ser mantida a multa proporcional de 75% imputada pela Fiscalização. No que concerne aos juros moratórios, vale observar a Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Há que se observar, portanto, no caso concreto, se ocorreu o depósito do montante integral, resultado do somatório do principal, multa proporcional e juros de mora, para cada um dos fatos geradores dos lançamentos de ofício. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fls. 104/105), a contribuinte apresentou, dentre outros documentos, comprovante de depósitos (via TED Judicial) dos valores atinentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, correspondentes aos créditos tributários constituídos nos lançamentos de ofício (fls. 138/163), e demonstrativo de fl. 464, no qual é detalhado o valor de cada depósito efetuado. No demonstrativo de fl. 464, consta, para o IRPJ e a CSLL, para cada fato gerador, o valor do principal, de multa de mora, dos juros de mora, e a somatória, que corresponde ao montante do depósito judicial efetuado. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 625 7 Ocorre que ao efetuar o cálculo do depósito integral, a recorrente, em vez de levar em consideração a imputação da multa proporcional de 75%, aplicou na sua apuração para efetuar os depósitos judiciais da multa de mora, incidente até o limite de 20%. Como se pode observar, tratase de procedimento sem respaldo legal. Isso porque, como os depósitos foram efetuados após o início do procedimento fiscal (27/07/2010), a contribuinte perdeu a espontaneidade, conforme dicção do já transcrito art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996. Após o início da ação fiscal, o crédito tributário a ser constituído por meio do lançamento de ofício vem acompanhado da multa proporcional, sendo, no caso em tela, de 75%, conforme art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, deveria a contribuinte levar em consideração a aplicação da multa proporcional de 75%, vez que só efetuou o depósito do crédito tributário objeto da fiscalização após o início da ação fiscal. De qualquer forma, há que se verificar, não obstante o fato de a recorrente ter realizado a apuração tomando como base a multa de mora no percentual de 20%, em vez da multa de ofício de 75%, se o valor total dos depósitos judiciais foram em montante igual ou superior aos apurados nos lançamentos de ofício. E, precisamente nessa comparação, poderia residir um problema. Os valores apurados pela contribuinte para os depósitos judiciais encontramse atualizados, para fins de incidência de juros de mora, até o dia 30/11/2010. Por outro lado, os créditos tributários lançados de oficio encontramse com juros de mora atualizados até 30/06/2011. Nesse sentido, para viabilizar um cotejo entre a apuração da fiscalização e da contribuinte, com o objetivo de averiguar se o montante dos depósitos judiciais seriam em valor igual ou maior aos lançados de ofício (caso em que não caberia a incidência dos juros de mora a partir da data das transferências bancárias, conforme súmula do CARF), as apurações devem estar alinhadas, dentro de um mesmo parâmetro temporal. Assim, uma medida viável seria efetuar uma nova apuração dos valores lançados de ofício pela Fiscalização, atualizandose os juros de mora até a data 30/11/2010 (data utilizada pela contribuinte para apuração dos valores dos depósitos judiciais). Contudo, tal medida se mostra prescindível para todos os fatos geradores, com exceção aos relativos ao IRPJ e à CSLL de 31/03/2008. Isso porque, em todos os outros casos, ainda que os valores lançados de ofício não fossem atualizados com juros de mora, estariam em valor superior aos depósitos judiciais efetuados pela recorrente, como se pode observar nos quadros a seguir. Auto de Infração IRPJ F.G. Principal Multa Juros (sem atualização) Total Valores Depositados Judicialmente pelo Recorrente em 30/11/2010 31/09/2006 185.714,29 139.285,71 0,00 325.000,00 219.357,85 31/12/2006 175.866,55 131.899,91 0,00 307.766,46 259.780,50 31/03/2007 148.203,23 111.152,42 0,00 259.355,65 250.228,69 30/06/2007 185.590,47 139.192,85 0,00 324.783,32 258.606,01 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 626 8 Auto de Infração IRPJ F.G. Principal Multa Juros (sem atualização) Total Valores Depositados Judicialmente pelo Recorrente em 30/11/2010 30/09/2007 226.485,85 169.864,38 0,00 396.350,23 304.198,33 31/12/2007 281.632,40 211.224,30 0,00 492.856,70 349.570,34 31/03/2008 200.325,70 150.244,27 0,00 350.569,97 411.215,44 30/06/2008 257.595,75 193.196,81 0,00 450.792,56 331.946,95 30/09/2008 466.165,62 349.624,21 0,00 815.789,83 371.581,21 31/12/2008 381.107,66 285.830,74 0,00 666.938,40 509.676,76 TOTAIS 2.508.687,52 1.881.515,61 0,00 4.390.203,13 3.266.162,08 Auto de Infração CSLL F.G. Principal Multa Juros (sem atualização) Total Valores Depositados Judicialmente pelo Recorrente em 30/11/2010 31/09/2006 58.802,05 44.101,53 0,00 102.903,58 65.822,11 31/12/2006 53.224,47 39.918,34 0,00 93.142,81 80.792,91 31/03/2007 43.810,14 32.857,60 0,00 76.667,74 75.074,98 30/06/2007 56.812,04 42.609,02 0,00 99.421,06 77.662,36 30/09/2007 69.504,40 52.128,30 0,00 121.632,70 91.269,54 31/12/2007 87.318,33 65.488,74 0,00 152.807,07 104.879,23 31/03/2008 55.274,81 41.456,10 0,00 96.730,91 123.366,73 30/06/2008 81.260,07 60.945,05 0,00 142.205,12 99.601,95 30/09/2008 151.931,30 113.948,46 0,00 265.879,76 111.482,68 31/12/2008 114.897,74 86.173,30 0,00 201.071,04 152.913,38 TOTAIS 772.835,35 579.626,44 0,00 1.352.461,79 982.865,87 Assim, com exceção do F.G. 31/03/2008 do IRPJ e CSLL, para todos os demais fatos geradores, não há que se falar em depósito de montante integral (somatório do principal, multa proporcional e juros de mora), vez que os valores depositados judicialmente foram inferiores aos apurados nos lançamentos de ofício. Cabe, portanto, a incidência dos juros moratórios. Por outro lado, para o F.G. 31/03/2008 do IRPJ, o valor principal somado com a multa de ofício resultou no total de R$350.569,97, enquanto que o depósito judicial foi no montante de R$411.215,44. Para o F.G. 31/03/2008 da CSLL, o valor principal somado com a multa de ofício resultou no total de R$96.730,91, enquanto que o depósito judicial foi no montante de R$123.366,73. Nesse contexto, cabe verificar se, após a atualização dos valores dos lançamentos de ofício (F.G. 31/03/2008 IRPJ e CSLL) até 30/11/2010 (data dos depósitos judiciais), os depósitos da contribuinte persistirão em valor superior ou igual aos lançados pela autoridade autuante. Caso afirmativo, a incidência dos juros moratórios para esses fatos geradores (31/03/2008) deverá ser afastada. Enfim, em relação às receitas de aplicações financeiras, protesta a recorrente que não foi levado em consideração pela autoridade autuante retenções já realizadas pelas fontes Fl. 626DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.722749/201125 Resolução nº 1103000.168 S1C1T3 Fl. 627 9 pagadoras, citando como exemplo, retenção realizada pelo Banespa S.A., referente ao período de 13/02/2007 (código 6800), que consta à fl. 447 dos autos, no relatório "Sistema DIRF Fontes Pagadoras Informações apresentadas em DIRF do anocalendário". Analisando cada uma das retenções relacionadas no extrato de fls. 444/462 apresentado pela contribuinte, verificase que, com exceção da retenção citada no recurso voluntário (P.A 13/02/2007, Código de Receita 6800), todas as demais não se aplicam ao caso em debate, pelas razões já expostas na decisão de primeira instância: No caso, a defesa apresentou demonstrativo (fls. 444/462), no qual especifica as retenções sofridas, por código, data e valores do rendimento e da correspondente retenção. Quanto aos rendimentos de aplicações financeiras e rendimentos de capital (Códigos 6800 e 3426), as respectivas retenções ocorreram em datas compreendidas nos períodos de 10/11/2009 até 10/08/2011, fora, pois, dos períodos tributados: do 3º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008. Portanto, não é cabível nenhuma dedução. De qualquer forma, cabe consulta ao sistema DIRF, para averiguar a efetividade da retenção. Assim, diante do exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, para as seguintes providências: 1º) averiguar a autenticidade dos depósitos judiciais de fls. 138/163 (numeração digital); 2º) efetuar a atualização do valor lançado de ofício para o F.G. 31/03/2008 do IRPJ e da CSLL, aplicandose os juros de mora até a data 30/11/2010; 3º) confirmar a retenção de imposto de renda na fonte, Código de Receita 6800, P.A. 13/02/2007, Fonte Pagadora Banespa (CNPJ 61.192.373/000104), conforme fl. 447 (numeração digital). A contribuinte deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário, dispondo estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 627DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10880.685136/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-002.167
Decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
Recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Compensação no curso do ano-calendário. Possibilidade. Súmula CARF nº 84.
Recurso Voluntário provido em parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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decisao_txt : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: Recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Compensação no curso do ano-calendário. Possibilidade. Súmula CARF nº 84. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Compensação no curso do anocalendário. Possibilidade. Súmula CARF nº 84. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 85 13 6/ 20 09 -1 8 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 123 ___________ Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP1 que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP, deixando de homologar a compensação. O PER/DCOMP (fls. 01/02) foi transmitido pela Recorrente com o objetivo de compensar débito de IRPJ, relativo ao período de apuração julho/2007, com crédito decorrente do pagamento a maior ou indevido de IRPJ em DARF, no período de apuração agosto/2006, no valor original de R$ 251.041,97. Consta na fundamentação legal do despacho decisório eletrônico nº 849824234 (fl. 03) que a compensação não foi homologada porque o crédito decorrente de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente poder ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL desse mesmo período. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 06/10), a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório, com a consequente homologação da compensação, sob o fundamento de que o crédito era suficiente para quitar o débito, não havendo óbice quanto à utilização de estimativa paga indevidamente ou a maior que o devido para compensar débito do mesmo anocalendário. A Turma Julgadora de 1a instância conheceu da manifestação de inconformidade, mas a ela negou provimento (fl. 47/50), sob o entendimento de que o despacho decisório eletrônico nº 849824234 foi corretamente fundamentado no art. 10 da IN SRF nº 600/05, que impossibilita a utilização da estimativa recolhida indevidamente antes do encerramento do anocalendário a que se refere. Notificada da decisão, em 20/01/2011, pela via postal (fl. 51), a Recorrente apresentou recurso voluntário (fl. 52/56). Nas razões do recurso, reitera os fatos contidos na manifestação de inconformidade, principalmente que, conforme DIPJ e DCTF do período, o crédito utilizado efetivamente existia, sendo que não há qualquer ilegalidade na sua utilização para compensar débito no mesmo exercício. Requer, por fim, o provimento do recurso voluntário para reformar o acórdão nº 1628.211 e homologar a compensação declarada. É o relatório. Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Percebese que a decisão recorrida não negou a existência do pagamento realizado pela Recorrente, mas, considerandoo como estimativa mensal de IRPJ, indeferiu a sua utilização para compensação de débitos dentro do mesmo anocalendário, ao argumento de que o contribuinte deve aguardar o ajuste do IRPJ para que o montante pago a maior componha eventual saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10880.685136/200918 Resolução nº 1801002.167 S1TE01 Fl. 124 3 Assim, a controvérsia deduzida nos presentes autos diz respeito à natureza jurídica do pagamento realizado, uma vez que, ao contrário do entendimento constante do despacho decisório, mantido pela DRJ/SP1, a Recorrente entende que o pagamento realizado configura indébito, apto a ser compensado de imediato. Razão assiste à Recorrente. Conforme a Lei nº 9.430/96 dispõe, na sistemática da apuração do IR pelo lucro real anual, o contribuinte possui duas opções: a) realizar antecipações através de estimativas calculadas com base na sua receita bruta mensal; b) realizar antecipações apuradas com base em balancetes de suspensão e redução. A Recorrente adotou a segunda opção, isto é, apurou e pagou o imposto através de antecipações mensais, calculadas com base em balancetes de suspensão e redução. Através desta sistemática o contribuinte realiza, em cada mês, o cálculo do imposto com a adoção de metodologia equivalente a do ajuste anual, de forma que o montante calculado será sempre o efetivamente devido até aquele momento. Ou seja, os valores das receitas e das despesas são acumulados mês a mês, de forma a obterse uma apuração consolidada. Assim, por exemplo, os valores apurados em março refletirão tanto os resultados do próprio mês de março quanto os de janeiro e fevereiro, de forma consolidada. Ao final do exercício, é elaborada a declaração de ajuste anual, apurandose de forma consolidada o resultado até 31 de dezembro do anocalendário, com a indicação de lucro ou prejuízo (IRPJ) e base de cálculo positiva ou negativa (CSLL). A questão está em saber se eventuais antecipações superiores ao devido podem ser compensadas de imediato ou se o montante total deve compor o ajuste para fins de determinação do saldo negativo do período. O art. 10, da IN/SRF nº 600/2005 dispõe que: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Nesses termos, as retenções em valor superior ao débito apurado e eventual recolhimento a maior a título de estimativa, somente poderiam ser utilizados para dedução de imposto a pagar (i) ao final do período de apuração, ou (ii) para compor o saldo negativo (também calculado ao final do período de apuração). Da leitura atenta da IN/SRF nº 600/2005 é possível concluir que o objetivo da norma era vedar a compensação de estimativa no mesmo anocalendário em que recolhida e não a compensação do crédito decorrente de pagamentos indevidos, realizados a título de estimativa, como no caso dos autos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10880.685136/200918 Resolução nº 1801002.167 S1TE01 Fl. 125 4 Isto porque, as estimativas somente são consideradas pagamentos a maior (aptas a serem compensadas) ao final do anocalendário, caso seja apurado saldo negativo em favor do contribuinte. Já os pagamentos indevidos, como no presente caso, são imediatamente passíveis de compensação, pois se tratam de recolhimento indevido. Essa interpretação do art. 10 da IN/SRF nº 600/2005 foi reforçada pela publicação da IN/RFB nº 900/2008, que aboliu do seu texto a suposta vedação ao aproveitamento de crédito decorrente do pagamento indevido, realizado a título de estimativa. É ver: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Assim, a IN/RFB nº 900/2008 manteve a restrição para a compensação ou restituição dos valores antes do final do período de apuração apenas para o aproveitamento das retenções, o que leva a crer que as instruções normativas anteriores não pretendiam vedar a compensação de valor indevidamente pago a título de estimativa. Tratandose de norma interpretativa, a IN/RFB nº 900/2008 deve ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, II, do CTN, conforme reconhecido pelo COSIT, através da Solução de Consulta Interna nº 19/2011: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Considerando a edição de norma de caráter interpretativo, bem como a Solução de Consulta nº 19/2011, concluise que a própria Receita Federal entendia não haver qualquer Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10880.685136/200918 Resolução nº 1801002.167 S1TE01 Fl. 126 5 vedação à compensação de pagamentos indevido, feito a título de estimativa mensal, antes do encerramento do anocalendário. A jurisprudência deste Conselho também se firmou neste sentido: “ESTIMATIVA APURADA POR MEIO DE BALANÇO OU BALANCETE SUSPENSÃO REDUÇÃO. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A apuração do montante a ser pago a cada mês a título de estimativa não se faz pela mera composição do percentual de estimativa com a receita bruta; mas sim pela composição do percentual de estimativa com a receita bruta, deduzido o montante pago no mês anterior apurado segundo o balancete de suspensão/redução. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à título de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose, pois, de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. IN SRF nº 460/04. IN nº 600/05. A vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a título de estimativa e que não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução quando do ajuste anual, torna referidas instruções normativas ilegais. Recurso voluntário provido. (1ª Seção, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, AC nº 140100.421, Rel. Alexandre Alkmim, 26.01.2011) “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. (...)” (1ª Seção, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, AC nº 120200.469, Rel. Nelson Lósso Filho, 25.01.2011) Nesse mesmo sentido, o CARF editou a Súmula nº. 84, que dispõe: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Vejase que a questão da impossibilidade de compensação de antecipação paga indevidamente ou a maior no curso do anocalendário está superada. No entanto, considerando que os requisitos da liquidez e da certeza do crédito tributário ainda não foram verificados no presente caso, devem os autos retornar à jurisdição de origem para que a autoridade administrativa o faça. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à jurisdição de origem para que esta avalie a existência de liquidez e certeza do crédito tributário aqui pretendido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10880.685136/200918 Resolução nº 1801002.167 S1TE01 Fl. 127 6 (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 27/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909799/2012-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
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DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 97 99 /2 01 2- 32 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Nova Injeção Sob Pressão e Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 1144046, prolatado pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 08038.79377.121112.1.3.041047 (fls. 3640), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl. 87, deixou de homologar a compensação, alegando que o valor recolhido através do DARF (R$56.409,68) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 31/12/2007, declarado na DCTF da Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0312), a Recorrente alegou nulidade do despacho decisório, que a seu ver teria cerceado o seu direito de defesa ao não fundamentar a contento a não homologação da compensação. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, através do acórdão ora recorrido (fls. 9194), manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “O texto constante do Despacho Decisório em lide, é claro ao expor que a não homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem do crédito estar totalmente vinculado a débito declarado como devido em DCTF. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 9293) Sustentou ainda a DRJ que a Receita Federal não poderia ter reconhecido crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento que supostamente geraria o crédito estava integralmente alocado ao pagamento de débito regularmente declarado pela empresa. Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 100106), sustentando que o ato administrativo que analisa a compensação tem natureza vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram a não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que a Receita Federal, ao deixar de homologar a compensação pretendida, não fundamentou a contento sua decisão, deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É ver as palavras da Recorrente: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909799/201232 Acórdão n.º 1801002.295 S1TE01 Fl. 121 3 “08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos.” (fl. 67) Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da premissa equivocada de que o despacho decisório não teria sido fundamentado suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl. 87) é possível depreender claramente as razões que levaram a Receita Federal a negar a homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a redação do despacho, que é clara nesse sentido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.” Ou seja, a despeito do que sustenta o recurso voluntário ora analisado, a Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o pressuposto de fato da não homologação: inexistência de recolhimento a maior, pois o recolhimento no valor de R$56.409,68 foi integralmente consumido pelo débito de IRPJ declarado pela própria contribuinte. E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos pagos quando eles forem indevidos ou tiverem sido pagos a maior. Portanto, apenas nessas duas hipóteses podese falar em créditos passíveis de compensação. E, no presente caso, a Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor. A partir do momento em que o despacho decisório consignou nestes autos que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito é do contribuinte. Como isso não foi feito nestes autos, a conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a presença de uma das hipóteses Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 autorizadoras da restituição/compensação de tributos (art. 165, I, do CTN). E sem essa comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos. Por estas razões, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho incólume a decisão ora recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004654/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PESSOA JURÍDICA EXTINTA - SUJEIÇÃO PASSIVA - NÃO CONFIGURAÇÃO
Necessidade de comprovação de conduta ilícita por parte da pessoa que será responsabilizada pelo crédito tributário. Ausência de provas de que houve destinação irregular do patrimônio da empresa.
Numero da decisão: 1101-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [Por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Ricardo Marozzi Gregório, Gilberto Baptista e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, bem como a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista
WALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator.
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora ad hoc designada para formalização de acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar da Fonseca de Menezes (presidente), José Sérgio Gomes (substituto convocado), José Ricardo da Silva (Vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior e Gilberto Baptista (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PESSOA JURÍDICA EXTINTA - SUJEIÇÃO PASSIVA - NÃO CONFIGURAÇÃO Necessidade de comprovação de conduta ilícita por parte da pessoa que será responsabilizada pelo crédito tributário. Ausência de provas de que houve destinação irregular do patrimônio da empresa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.004654/200739 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.896 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2013 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente Edilson Ferreira de Souza Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PESSOA JURÍDICA EXTINTA SUJEIÇÃO PASSIVA NÃO CONFIGURAÇÃO Necessidade de comprovação de conduta ilícita por parte da pessoa que será responsabilizada pelo crédito tributário. Ausência de provas de que houve destinação irregular do patrimônio da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Ricardo Marozzi Gregório, Gilberto Baptista e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, bem como a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista WALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente designado para formalização de acórdão JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 46 54 /2 00 7- 39 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 3 2 JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora ‘ad hoc’ designada para formalização de acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar da Fonseca de Menezes (presidente), José Sérgio Gomes (substituto convocado), José Ricardo da Silva (Vice presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior e Gilberto Baptista (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela EDILSON FERREIRA DE SOUZA, (fls. 152/180, v. 2), contra decisão da 4ª Turma da DRJ/BHE, consubstanciada no Acórdão nº 0222.672, de 18 de junho de 2009 (fl. 121/140, v. 2), que julgou procedente, em parte, o lançamento tributário. Consta dos autos que contra Recorrente foi lavrado, em 18/04/2007, autos de infração (fls. 18/56, v. 1), para constituir créditos tributários referentes ao IRPJ – SIMPLES, Contribuição para o PIS – SIMPLES, CSLL – SIMPLES, Contribuição para o Financiamento para a Seguridade Social – SIMPLES e de Contribuição para a Seguridade Social – INSS – SIMPLES, todos relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002 e com aplicação de multa de ofício, em virtude de terem sido constatado depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimento. A presente ação fiscal é relativa às atividades da empresa Compare Comércio de Materiais Ltda, da qual o recorrente foi sócio. Na oportunidade, por estar a empresa em situação de baixa no cadastro da Receita Federal, a autoridade fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 57/58, v. 1), em desfavor do Sr. Edvaldo Ferreira de Souza, CPF 466.837.126/20 Ao elaborar Termo de Verificação Fiscal, a autoridade tributária consignou que: · o contribuinte, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, apresentou a última alteração contratual, o Distrato Social da empresa, datado em 31/12/2005, a Certidão de Baixa de Inscrição no CNPJ, datada em 06/04/2006, os livros Diário e Razão, referentes ao anocalendário de 2002, além dos extratos bancários do mesmo anocalendário; · que o total dos depósitos realizados nas contas correntes da Recorrente soma R$ 3.640.228,74, enquanto que a receita declarada pela Compare em sua DIPJ 2003, referente ao anocalendário de 2002, é de R$ 317.804,60; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 4 3 · tendose por base o art. 42, da Lei 9.430/96, ficou verificado a omissão de receitas, o que ensejo a intimação da Recorrente, por intermédio de Termo de Intimação 01, para justificar a razão das diferenças constatadas; · a Recorrente se limitou a elaborar novas planilhas, onde justificava parte dos depósitos bancários e apurava novas receitas a descoberto; · foram apresentadas três fontes de justificativas, quais sejam: saldo inicial de caixa, empréstimos obtidos no Banco Real e empréstimos obtidos no Banco Rural; · os empréstimos foram aceitos pela fiscalização como justificativa para os depósitos realizados em suas contas bancárias, contudo, o saldo inicial mensal de caixa não pode ser aceito, porque se o numerário foi entregue à empresa, constitui sua receita, não importando se foi entregue em dinheiro ou em cheque; · tomando o mês de janeiro como exemplo, informa que para aceitar o saldo de R$ 8.647,21 como parte da justificativa dos depósitos bancários, seria necessário considerar que todo o saldo inicial foi depositado durante o mês em suas contas correntes, contudo, necessário se faria considerar que o saldo inicial de fevereiro, de R$ 11.159,02, foi obtido em janeiro, e assim, imprescindível seria considerar este último valor como parte da receita de janeiro, para somalo ao total dos depósitos bancários efetuados em janeiro para obter a receita bruta total deste mês; · verificando o demonstrativo elaborado pela Recorrente, o saldo inicial de caixa é quase sempre crescente desta forma; · se fosse proceder da maneira descrita, a receita omitida pela empresa seria ainda maior; · se for considerada a escrita da Recorrente, verificase que tal argumento não procede, pois focandose no mês de janeiro de 2002 como exemplo, informa que na conta de receita só existem três lançamentos e eles constituem exatamente a receita declarada para aquele mês, qual seja, R$ 11.539,25; · a contrapartida dos três é caixa (conta 1.11.01.0001). Por isto, se for retirado os valores da conta caixa, estaríamos retirandoos em duplicidade, porque os mesmos já estão sendo retirados quando excluímos a receita declarada; · observando a conta caixa do mês de janeiro, as contas banco, e o plano de contas da empresa, verificase que os lançamentos feitos nas contas banco não tem como contrapartida a conta de receita e por isto estão sendo tributados através do extrato bancários , apenas alguns lançamentos da conta caixa tiveram receita como contrapartida que estão sendo retirado; · não há fundamento em se excluir o saldo inicial da conta caixa da receita omitida, que foi obtida através da soma dos créditos constantes dos extratos bancários; Fl. 454DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 5 4 · por intermédio do demonstrativo constante do Anexo II do Termo, pode se verificar, com maior clareza, o total mensal das receitas advindas de depósitos bancários, o valor declarado pela empresa como receita em sua DIPJ, o total dos empréstimos obtidos junto aos Bancos Real e Rural, além da receita omitida pela Recorrente (fls. 65, v. 1); · por considerar a dissolução irregular da pessoa jurídica, lavrouse o auto de infração em nome do sócio Edílson Ferreira de Souza, e o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de modo a responsabilizar, também, o sócio Edvaldo Ferreira de Souza; · desta forma, conclui que a Compare Comércio de Materiais Recicláveis Ltda., omitiu, no anocalendário de 2002, receitas que estão sendo tributadas por meio de auto de infração; · a Recorrente também omitiu receitas durante o anocalendário de 2003, contudo, apresentou sua DIPJ pelo sistema de pagamento de impostos denominado Simples e, como a receita omitida, somada àquela já declarada supera o limite do SIMPLES para aquele ano, foi feita representação ao Delegado da Receita Federal de Belo Horizonte, para que este a exclua, de ofício; · posterior a exclusão, a Compare será intimada a apresentar seus livros diário e razão, bem como sua DIPJ 2004, anocalendário 2003, pelo lucro real, para que seja procedida a tributação da receita omitida em 2003. Inconformada, apresentou impugnação, onde, em apertada síntese, argumentou que: a) em preliminar, alega a nulidade do auto de infração, pois a inclusão e responsabilização pessoal dos sócios somente se dá quando da dissolução irregular da sociedade, ou quando do abuso dos poderes de gerencia que lhes são conferidos, contudo, no presente caso, não houve registro de nenhuma das referidas hipóteses; b) a sociedade foi regularmente dissolvida, tendo sido seu cadastro baixado na junta comercial e todo o rito para dissolução fielmente seguido pela Recorrente; c) o fiscal presumiu a máfé da Recorrente quando do encerramento da empresa ao detectar possível débito tributário remanescente; d) no entanto, quando requereu seu encerramento, não tinha idéia da existência paralela de movimentação financeira em nome da mesma; e) a suposta omissão de receita apontada jamais ter sido verificada pela Recorrente, posto que desconhecia a existência das contas bancárias apresentadas, pois as mesmas foram abertas e movimentadas por terceiro sócio que integrava o quadro da empresa – este o único com poder de gerência durante o período verificado; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 6 5 f) a segunda hipótese que permitiria a responsabilização pessoal dos sócios consiste no abuso dos poderes de gerência que lhe foram concedidos; g) a autuação referese ao anocalendário de 2002, contudo, a Recorrente ingressou como sócio da empresa Compare em 29 de julho de 2002, conforme se pode verificar da segunda alteração contratual da empresa; h) como a autuação se refere ao anocalendário de 2002, é um contrasenso atribuir solidariedade a Recorrente por suposto débito relativo a todo o anocalendário de 2002; i) de acordo com o art. 135 do CTN, somente cabe a responsabilização dos sócios pelos débitos da empresa quando este agir com excesso de poderes ou de maneira fraudulenta; j) o único sócio administrador da empresa no período autuado era o sr. Ricardo Antunes Pinto, que se retirou da sociedade em 01 de setembro de 2003, nos termos da terceira alteração contratual; k) nesse período o sr. Ricardo atuou como sóciogerente, praticando atos de comércio, representando a sociedade em juízo e fora dele, nomeando e constituindo procuradores, assinando cheques, notas promissórias, letras de câmbio, efetuando depósitos bancários, assinando qualquer título ou documento necessário à administração social e que importem em responsabilidade para com terceiros; l) como o Recorrente atuava como sócio minoritário, sem possuir qualquer poder de gerência junto à mesma, não pode ser responsabilizado pelos débitos; m) não há que se falar em responsabilidade pessoal do Recorrente sem o devido processo legal tendente a provar o dolo necessário para caracterização da situação prevista no art. 135, do CTN; n) todas as contas apuradas em nome da empresa Compare e utilizadas como subsídios para a presente autuação foram abertas e movimentadas, exclusivamente, pelo Sr. Ricardo Antunes, sem o conhecimento da Recorrente; o) solicitou cópia dos cheques emitidos, com vistas a demonstrar que o sócio gerente assinava sozinho pela empresa, movimentando as contas bancárias para atender objetivos pessoais; p) prova disto é que o sóciogerente, antes de se retirar da sociedade e sem conhecimento de seus sócios, estabeleceu nova empresa, em seu nome e no mesmo ramo da Recorrente, conforme documento que juntado aos autos, obtido na junta comercial; q) nos termos do CTN, o abuso na representação da pessoa jurídica é apto a configurar a responsabilidade do sóciogerente, e ante os argumentos expendidos, bem como documentação que está sendo levantada junto às Fl. 456DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 7 6 instituições bancárias, o único sócio responsável pela representação da empresa e que abusou dos poderes que lhe foram concedidos foi o sócio gerente; r) cita o entendimento proferido pelo STJ nos AGA 487.076 e AGRESP 384.860 pelo STJ, que corrobora com os argumentos lançados; s) cita decisão proferida pela Terceira Câmara do antigo Conselho de Contribuintes no processo 11618.003525/0048, onde o entendimento se assimila ao que ora se defende; t) desta forma, alega ser nulo o processo, em razão da ilegitimidade passiva da Recorrente, art. 142, do CTN, já que o erro na identificação do sujeito passivo torna imprestável o lançamento, conforme as notas explicativas do art. 59, §3º, do Decreto 70.235/02, e a decisão consolidada do Conselho de Contribuintes, que diz que “o equívoco quanto à indicação do sujeito passivo acarreta a extinção do processo em qualquer instancia em que venha a ser argüida”, Acórdão 1º CC, nº 10171.342/80; u) tendo em vista que a empresa Impugnante somente foi intimada do lançamento em questão em 23 de abril de 2007, encontramse decaídos os tributos e demais consectários legais cujos fatos geradores ocorreram antes de 23 de abril de 2002, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; v) argüiu, também, a decadência das contribuições sociais, vez que o STF já pacificou entendimento, no sentido de que é inconstitucional a lei ordinária que modifica o prazo decadencial previsto em lei complementar; w) que o montante exigido decorre de arbitramento do lucro da Recorrente, procedido pela fiscalização em razão da suposta omissão de receitas; x) contudo, toda a documentação solicitada pelo fisco durante o procedimento de verificação fiscal foi pontualmente e integralmente apresentada, o que demonstra ser injustificável o arbitramento procedido, exclusivamente, com base em movimentações de contas bancárias abertas em nome da empresa que os sócios na tiveram ciência; y) cita os acórdãos 10173.147, 103.04.073 e decisão proferida nos autos do processo 10980/0048678, todas pertencentes a jurisprudência administrativa, onde se sustenta inviável o fisco se basear apenas na avaliação de extratos bancários para imputar omissão de receita; z) cita doutrina de Aliomar Baleeiro e Rubens Gomes de Souza sobre o tema; aa) o arbitramento foi realizado pela fiscalização ao arrepio das regras impostas pelo legislador, art. 148, do CTN; bb) isto porque, o arbitramento levou em conta, pura e simplesmente, os totais mensais de depósitos bancários realizados nas contas da empresa e os créditos nestas encontrados; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 8 7 cc) a soma da movimentação registrada nas contas bancárias da empresa Recorrente foi considerada receita omitida, tendo sido utilizada, para a incidência das alíquotas respectivas, as exações em comento; dd) os depósitos bancários não podem ser considerados como base de cálculo apta ao lançamento por arbitramento no caso de omissão de receitas, nos termos do art. 535, do RIR, art. 27, da Lei 9.430/96 e art. 15 e 16, da Lei 9.249/95; ee) assim, a base de cálculo utilizada pela fiscalização – o somatório dos depósitos em contascorrentes da empresa – não está prevista na legislação como apta ao arbitramento do lucro; ff) cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes que corroboraria com sua argumentação, conforme decisão proferida nos Recursos 110.156 e 120.888, pela Terceira Câmara; gg) ante a ausência de previsão legal para utilização dos depósitos bancários como base de cálculo para arbitramento do lucro da empresa autuada, impõese a declaração de nulidade do auto de infração; hh) tanto a legislação anterior — arts. 541 a 543 do RIR/94 — como a atual — Lei 8.981/95, arts. 47 a 52— dispõem que o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação de percentual incidente sobre a receita bruta, quando conhecida, ou, quando não conhecida, com base no valor do ativo, do capital social, do patrimônio líquido, da folha de pagamento de empregados, das compras, do aluguel das instalações ou do lucro líquido auferido pelo contribuinte em períodos anteriores; ii) assim na procedeu o Sr. Fiscal ao arbitrar lucro, porquanto, apenas e tão somente, limitouse à apuração, conforme valores constantes nas contas bancárias dos Recorrentes; jj) cita doutrina de Aurélio Pitanga Seixas Filhos e Mizabel Abreu Machado Derzi sobre o tema; kk) se o IRPJ é cobrado sobre a renda, e renda não há, não pode haver obrigação de pagar esse imposto. Ou ainda, se há renda em montante inferior àquele arbitrado pelo Fisco no momento da autuação, patente o direito da empresa autuada de demonstrar tal realidade, sob pena de tributarse o que não é renda, em manifesta ofensa aos artigos 153. III da CF188 e 43 do CTN, bem como ao princípio da capacidade econômica do contribuinte, de que cuida o art. 146, §1° da CF/88; ll) assim, apresentada a escrituração contábil da empresa, e deixando o fisco de apreciar inúmeros fatores que alteram a suposta base de cálculo de que se valeu para autuação, qual seja, as movimentações bancárias em nome da empresa, não pode prosperar a presente autuação; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 9 8 mm) alega a abusividade da multa de ofício aplicada, por entender que desrespeita o princípio da razoabilidade e proporcionalidade no âmbito tributário; nn) defende a inaplicabilidade da taxa selic. A 4ª Turma da DRJ/BHE, ao apreciar o mérito, julgou o lançamento procedente em parte, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano calendário: 2002 Ementa: RESPONSABILIDADE. A obrigação da pessoa jurídica contribuinte independe da obrigação do sócioadministrador resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Respondem pelo imposto devido pela pessoa jurídica extinta os sócios com poderes de administração que procederem à dissolução irregular daquela. DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do 4° do art. 150 do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência considerado prescindível. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 10 9 Tratandose de lançamento de oficio, aplicase multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. JUROS DE MORA. Sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidem juros de moras calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da decisão de primeira instância (fls. 151, v. 2), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho, com os seguintes fundamentos: oo) repisa em sua ilegitimidade passiva, pois os sócios somente poderiam ser responsabilizados pelos débitos da empresa, pessoalmente, nos termos do art. 135, do CTN, ou seja, somente quando agir com excesso de poderes ou de maneira fraudulenta, o que não ocorreu; pp) isto porque, o sócioadministrador da empresa, na maior parte do período autuado, era o Sr. Ricardo Antunes Pinto, que se retirou da sociedade em 1º de setembro de 2003, conforme a terceira alteração contratual; qq) todas as contas apuradas em nome da empresa Compare e utilizadas como subsídios para a presente autuação foram abertas e movimentadas, exclusivamente, pelo Sr. Ricardo Antunes Pinto, tendo sido a maioria aberta sem o conhecimento da Recorrente; rr) antes do sóciogerente se retirar da sociedade, cuidou de estabelecer uma empresa em seu nome, no mesmo ramo da autuada, conforme documentado anexado juntamente com a impugnação, obtido na Junta Comercial; ss) o arbitramento não pode ser baseado, apenas, na avaliação de extratos bancários, pois a mesma tinha a posse de toda a documentação contábil da empresa, o que não justifica o apuramento feito apenas com base na movimentação bancária da mesma; tt) alega a nulidade do arbitramento efetuado por desrespeito do estatuído no art. 148, do CTN, trazendo a baila os argumentos já expedidos em sua peça impugnatória, ipse liter; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 11 10 uu) informa ser abusiva a multa de ofício aplicada, pois possui efeito confiscatório; vv) que é impossível estender a responsabilidade da multa aos demais coobrigados em respeito ao princípio da pessoalidade, e do estatuído no art. 5º, XLV, segundo o qual “a pena não passará da pessoa do condenado”; ww) ao final, pede o provimento de seu recurso para declarar a ilegitimidade passiva do sócio Recorrente, a ilegalidade é o arbitramento efetuado na medida em que a fiscalização utilizou base de cálculo não prevista em lei – movimentações bancárias , afaste a multa aplicada por considera la confiscatória, bem como seja deferida a produção de prova perícia, cujos quesitos foram formulados às fls. 180, v. 2. É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Ricardo da Silva Como visto do relato, tratase de exigência fiscal constituída contra a pessoa física do exsócio da empresa Compare Comércio de Materiais Recicláveis Ltda., CNPJ 03.686.582/000108, conforme o Termo de Verificação Fiscal lavrado em 18/04/2007 (fls. 59/63), tendo em vista a apuração de omissão de receitas ano anocalendário de 2002 e a posterior baixa da pessoa jurídica , nos termos do Distrato Social datado de 31/12/2005. O recorrente suscita preliminar de nulidade do auto de infração por ilegitimidade passiva. Contudo, também, impugna o lançamento quanto ao lançamento do tributo propriamente dito. Depreendese dos autos que a autuação se refere ao anocalendário de 2002 e aponta omissão de receita apurada com base em depósitos bancários não justificados. Ainda consta a informação de que o único sócioadministrador da empresa na integralidade do período autuado era o exsócio Sr. Ricardo Antunes Pinto, que se retirou da sociedade em setembro de 2003, e que Edílson Ferreira de Souza e Edvaldo Ferreira de Souza entraram para a sociedade em julho de 2002. Também consta que o distrato social foi feito em dezembro de 2005 e a baixa no CNPJ em abril de 2006. O auto de infração foi lavrado em abril de 2007, em nome do sócio Edílson Ferreira de Souza, e se refere a créditos não comprovados no montante de R$ 3.640.228,74, sendo lavrado termo de sujeição passiva solidária para Edvaldo Ferreira de Souza. O fundamento para a colocação dos sócios no pólo passivo foi o art. 135 do CTN e a alegação de que houve dissolução irregular. A multa aplicada foi de 75%. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 12 11 O contribuinte impugna o lançamento questionando a aplicação do art. 135 do CTN ao caso. Dessarte, para análise do litígio, cabe verificar se o dispositivo é ou não aplicável ao caso. O texto é o seguinte: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1º) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2º) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece razoável que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, necessariamente, um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Isso torna subsidiária a responsabilidade do agente. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a conduta considerada deva ter a ver com o prejuízo que o Fisco teria por não poder buscar a satisfação de seus créditos na empresa. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estaria alcançada pelo dispositivo seria a atuação para que a empresa sonegasse tributos. Assim, a responsabilização ocorreria quando o débito tributário decorresse de sonegação, com participação do agente, e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a sonegação, ele responde pela sonegação com a qual esteve envolvido e no montante da sonegação. Outra conduta alcançada pelo artigo seria a destinação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 13 12 sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Assim, a responsabilidade ocorreria quando houvesse destinação irregular, com participação do agente, sendo a empresa devedora do Fisco (de débitos conhecidos ou não), e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a destinação irregular, ele responde pela destinação e no montante do que destinou irregularmente. Conhecido o conteúdo normativo, resta voltar ao caso concreto e verificar se a acusação foi correta. Obviamente, a acusação fiscal de que houve uma “dissolução irregular” deve querer significar que houve uma “destinação irregular dos bens da empresa no encerramento das atividades”. Afinal, se não for assim, o fato não se subsume à norma e o recurso voluntario seria procedente. Porém, se o Fisco entende que houve uma “destinação irregular dos bens da empresa no encerramento das atividades” ele precisa apresentar as provas da destinação irregular. Caso contrário, ele estará presumindo a destinação irregular apenas porque a empresa encerrou suas atividades e tem dívidas fiscais. Para provar a destinação irregular, o Fisco precisa demonstrar alguns pontos: 1º) que a empresa tinha recursos suficientes para quitar a dívida tributária no momento da extinção; 2º) que a ordem dos credores foi violada; 3º) que os agentes conheciam a dívida tributária. Mas, no presente caso, apenas parte dos elementos configuradores da destinação irregular estão demonstrados. Conforme relatório, não é apresentada qualquer prova de que a empresa tinha recursos no montante do débito tributário, no encerramento de suas atividades. Assim, não é possível aplicar a responsabilização, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. De fato, se a empresa não tinha os recursos quando encerrou suas atividades, buscar no patrimônio do sócio mais do que sua ação poderia prejudicar ao Fisco corresponde a enriquecimento ilícito. A única informação material sobre valores existentes no encerramento é que os dois responsabilizados receberam R$ 10.000,00 de devolução de capital. Isso permite admitir que houve violação da ordem dos credores, neste montante. No entanto, a empresa é acusada de uma omissão da ordem de R$ 3.640.228,74, o que mostra a desproporção entre a eventual culpa dos sócios e a imputação feita pelo Fisco. Porém, para admitir que houve destinação irregular, ainda é preciso demonstrar que os agentes conheciam a existência da dívida. Mas, se constata que a dívida foi apurada apenas em 2007, por procedimento de ofício, e que ela decorre de depósitos não comprovados, não tendo sido aplicada a multa qualificada. Assim, não se trata de dívida declarada e não se trata de sonegação. Portanto, não se pode afirmar que os responsabilizados conhecessem tal dívida. Apenas se pode supor que, pela condição de sóciosgerentes, eles a conhecessem. Porém, a dívida é de 2002 e os responsabilizados só ingressaram na empresa em junho de 2002, enquanto o antigo sóciogerente administrou a firma durante 2002, só se retirou da sociedade em 2003. Nessa situação, o mais provável é que os valores apurados Fl. 463DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.004654/200739 Acórdão n.º 1101000.896 S1C1T1 Fl. 14 13 correspondessem a sonegação feita pelo antigo sócio gerente ou mesmo que os novos sócios tenham sido colocados para proteger a retirada do antigo sócio. De qualquer modo, a presunção de que os responsabilizados conheceriam a existência de tal dívida fica bastante fraca, no caso em concreto. Assim, com base em tão fraca presunção, é pouco razoável pretender responsabilizar os sócios que extinguiram a empresa em 2005/2006. Além disso, no caso, a empresa foi encerrada regularmente e o Fisco foi informado disto. O que aponta para a boa fé desses sócios. Por estas razões, não há como aplicar a responsabilização prevista no art. 135 aos sócios Edílson Ferreira de Souza e Edvaldo Ferreira de Souza. Deste modo, como a empresa estava baixada, não há pólo passivo. Portanto, o lançamento não poderia ter sido efetuado. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento, e por declarar a nulidade do termo de sujeição passiva. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10380.725625/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/10/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário.
COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO GFIP
A necessidade de retificação da GFIP para excluir os valores de compensação informada indevidamente vem disposta na Instrução Normativa n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que obriga a administração ao seu cumprimento.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.610
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à compensação de contribuições previdenciárias, porque ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado.
Liege Lacroix Thomasi - Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/10/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO GFIP A necessidade de retificação da GFIP para excluir os valores de compensação informada indevidamente vem disposta na Instrução Normativa n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que obriga a administração ao seu cumprimento. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO GFIP A necessidade de retificação da GFIP para excluir os valores de compensação informada indevidamente vem disposta na Instrução Normativa n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que obriga a administração ao seu cumprimento. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à compensação de contribuições previdenciárias, porque ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 56 25 /2 01 0- 94 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.725625/201094 Acórdão n.º 2302003.610 S2C3T2 Fl. 233 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 30/11/2011, referese à glosa de compensação indevida efetuada nas competências de 11/2008 a 01/2010. O relatório fiscal de fls. 13/16, diz que a autuada informou compensações de contribuições previdenciárias em GFIP, mas quando formalmente solicitada a esclarecer o motivo das compensações efetuadas, não apresentou qualquer documento relativo aos supostos recolhimentos indevidos, que poderiam dar azo à compensação, apresentando apenas um processo judicial n.º 0000510701989.4.05.8100, dizendo que o mesmo justificava o ato. Entretanto, o Fisco analisou o processo e além do período postulado na ação não corresponder ao período lançado, consta do mesmo (fls. 438), uma declaração da autuada informando não ter procedido a compensações complementares posteriores a 2004, relativamente aos créditos oriundos de tal processo. Aduz ainda o relatório, que embora a autuada alegue que parcelou todos os seus débitos, o exame dos LDC's acostados às fls. 79/120, demonstrou que as competências e o valor parcelado não correspondiam ao período objeto da ação fiscal. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG de fls. 202/210, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a compensação não ocorreu de fato, o que poderia ser facilmente comprovado através da realização de perícia, mas que foi negada pela decisão recorrida; b) que seus livros contábeis foram ignorados baseandose a autuação apenas nas informações constantes da GFIP e do sistema web; c) que o Acórdão recorrido feriu o princípio da verdade material ao indeferir o pedido de produção de provas e por isso é nulo por cerceamento de defesa; d) que de acordo com vasta jurisprudência s provas podem ser apresentadas em qualquer fase do processo; e) que é inaplicável a Representação Fiscal para Fins Penais, porque não houve ilícito penal, não houve compensação e foram feitos os ajustes necessários para reconhecer o débito junto ao INSS, não havendo também fraude ou omissão. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) Por fim, requer o provimento do recurso para que seja julgada improcedente a autuação e determinado o arquivamento do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.725625/201094 Acórdão n.º 2302003.610 S2C3T2 Fl. 234 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares Cerceamento de Defesa Produção de Provas Perícia A recorrente alega cerceamento de defesa porque a decisão recorrida indeferiu o pedido de perícia contábil e a produção de prova. Não confiro razão à recorrente, eis que não ocorreu o cerceamento defesa, como alegado, posto que o Auto de Infração, seus anexos e o Relatório Fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, enquanto o procedimento fiscal foi desenvolvido com o conhecimento da sociedade empresária, com base na sua documentação e todos os esclarecimentos lhe foram prestados, tanto que foi possível contestar o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.13/16, expressa claramente que o presente auto de infração referese à glosa decorrente da compensação indevida informada pela própria recorrente em GFIP, mas sem qualquer demonstração da existência do indébito. A recorrente, por seu turno, embora alegue que não procedeu às compensações informadas em GFIP, não trouxe qualquer prova nas fases de impugnação e recurso, para comprovar suas alegações. Ademais é de se ver que a autuada não cabe protestar por provar, mas sim, deve efetivamente produzir a prova, trazer a prova aos autos, a fim de comprovar os fatos que está alegando. E, no presente processo não houve qualquer prova de que as compensações não foram efetuadas, ou seja, ainda permanecem nas GFIP's as informações acerca da compensação realizada. O contribuinte não procedeu a retificação das GFIP's tampouco recolheu os valores compensados indevidamente, de forma que se torna totalmente inócua a alegação de cerceamento de defesa pela negativa de produção de prova. Da mesma forma, entendo que quanto ao pedido de perícia, está correta a negativa pelo julgador de primeira instância, porque em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, a recorrente poderia durante todo o trâmite da ação fiscal e do procedimento administrativo, ter buscado comprovar suas alegações quanto a não ter procedido a compensações e tratar de apresentar as GFIP's retificadoras para excluir a informação de compensações já que indevidas. Entretanto, nada fez. É, ou deveria ser, do interesse da recorrente comprovar suas alegações, já que insiste em dizer que não compensou valores indevidamente, mas não trouxe qualquer prova do Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 alegado. Portanto, não há qualquer indício de que possa ter havido excesso na exação lançada e o pedido de perícia se mostra com caráter protelatório, uma vez que não houve intenção de corrigir ou apresentar documentos o que torna desnecessária a perícia requerida. Consequentemente, é prescindível a perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB N.º10875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. Portanto, correto o indeferimento do pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria RFB N.º10875, de 16 de agosto de 2007, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e a prova quanto à retificação das GFIP's, quanto à não existência de compensação ou do eventual recolhimento das contribuições informadas como compensadas independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida aos autos pela recorrente, o que não ocorreu. Do Mérito Analisando o instituto da compensação de tributos federais, é de se ver que foi regulamentado pela Lei 8.383/91, no seu artigo 66: LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.725625/201094 Acórdão n.º 2302003.610 S2C3T2 Fl. 235 7 E, quanto as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação foi regulamentado pelo art. 89 da Lei Nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no §3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso em tela, o Fisco relata que o recorrente informou em GFIP valores compensáveis nas competências de 11/2008 a 01/2010, relativos a recolhimentos supostamente efetuados a maior, no período de 01/2006 a 01/2010, mas não apresentou qualquer elemento que pudesse ter motivado a realização das compensações efetuadas. A recorrente não demonstrou, durante todo o período da auditoria realizada e no decorrer de todo o procedimento administrativo a existência de recolhimentos indevidos. A despeito da documentação juntada aos autos e das alegações despendidas nas peças de defesa e recurso, não há qualquer prova que evidencie o montante recolhido Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 indevidamente para a Seguridade Social. Durante a ação fiscal, foi solicitado à recorrente por escrito, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 165/166 e Termos de Intimação Fiscal n.ºs 01 e 02, fls. 168/173, que apresentasse demonstrativo dos recolhimentos efetuados indevidamente, mas nada foi apresentado que permitisse visualizar os valores supostamente recolhidos de forma indevida. Ou seja, não há concretamente nos autos elementos capazes de sustentar as compensações efetuadas. O contribuinte é quem deveria demonstrar o quanto recolheu de maneira indevida, mas não o fez., não trouxe qualquer demonstrativo que evidenciasse de forma clara a existência de valores recolhidos a maior que ensejassem a sua compensação, apenas informou a compensação em GFIP e deixou assim de recolher as contribuições previdenciárias a que está obrigado. Ademais, ainda que afirme que não procedeu às compensações, deveria provar suas alegações demonstrando os eventuais recolhimentos, relativos aos valores informados como compensados e proceder à retificação das GFIP's, mas nada foi feito. A retificação das GFIP's, no caso de compensação indevida, é exigida por força da Instrução Normativa RFB n.º 900/2008, que assim expressa no seu artigo 45: Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora Destarte, o relatório fiscal e todos os documentos que embasaram a auditoria fiscal demonstram que a ação fiscalizatória se deu para comprovar a licitude da compensação efetuada, e por isso foram solicitados, através de termos próprios, os documentos comprobatórios do real direito à compensação de valores relativos às contribuições sociais, mas a recorrente não atendeu às solicitações, não apresentou as GFIP's retificadoras e não demonstrou que os valores informados como compensados estão recolhidos, estando correta a glosa efetuada. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa das compensações efetuadas e informadas em GFIP, frente à falta de demonstração dos valores recolhidos indevidamente para motivar o indébito. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.725625/201094 Acórdão n.º 2302003.610 S2C3T2 Fl. 236 9 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10850.908560/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 60 /2 01 1- 18 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908560/201118 Acórdão n.º 3301002.581 S3C3T1 Fl. 179 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 513,00. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2000 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908560/201118 Acórdão n.º 3301002.581 S3C3T1 Fl. 180 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. A 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência que a Delegacia de origem: a) Examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. Tomadas as providências requeridas o processo retornou a esse Conselho para decidirmos. É o que importa relatar. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908560/201118 Acórdão n.º 3301002.581 S3C3T1 Fl. 181 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Após a devida análise o relatório da diligência chegou à seguinte conclusão: Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 09858.40200.031105.1.2.045062, transmitido em 03/11/2005, no valor de R$513,00 (fls. 02/04). Esse é exatamente o montante pleiteado pela Recorrente. Reconhecido o pedido em diligência nada mais há a fazer senão homologálo. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003272/2007-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Sat Feb 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 03/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 32 72 /2 00 7- 55 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 03/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n° 37.125.2881, tendo em vista que a empresa deixou de informar em GFIP, nas competências 04/2000 a 12/2006, os valores pagos a segurados a título de prêmios referentes a campanha de incentivo, o que configuraria infração ao disposto no art. 32, inciso IV, §§3° e 5º, da Lei n° 8.212/91, acrescentados pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Às fls. 356/357 consta pedido do Relator, no sentido da conexão do presente processo com o processo nº 14485.003271/200719, o que foi atendido pelos Presidentes da Câmara e da Seção (fls. 358). Em sessão plenária de 12/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402002.954 (fls. 359 a 376), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 14485.003272/200755 Acórdão n.º 9202003.538 CSRFT2 Fl. 431 3 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.” O processo foi encaminhado à PGFN em 30/08/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 377). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 29/09/2012; portanto o Recurso Especial (fls. 378 a 387) teria como termo final 14/10/2012, tendo sido interposto em 1º/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 418). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 700/2012, de 23/10/2012 (fls. 420 a 422). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 14485.003272/200755 Acórdão n.º 9202003.538 CSRFT2 Fl. 432 5 a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devesse privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no ponto impugnado, adotandose a tese esposada no acórdão paradigma, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Intimado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas ContraRazões. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a não informação de fatos geradores de Contribuições Previdenciárias em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, no período de 04/2000 a 12/2006, relativos a valores pagos a segurados a título de prêmios referentes a campanha de incentivo. Este Auto de Infração está associado à NFLD tratada no processo nº 14485.003271/200719, o que motivou pedido de conexão por parte do Relator. Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 14485.003272/200755 Acórdão n.º 9202003.538 CSRFT2 Fl. 433 7 b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal, por meio do processo nº 14485.003271/200719, conexo ao presente), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente ao processo nº 14485.003271/200719, conexo ao presente; ou Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 14485.003272/200755 Acórdão n.º 9202003.538 CSRFT2 Fl. 434 9 a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000095/2004-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO.
As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais.
CONFISCO.
Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. CONFISCO. Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
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GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. CONFISCO. Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 00 95 /2 00 4- 95 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, Debcad nº 35.561.7765/2003, relativo às contribuições devidas à seguridade social e Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais correspondentes à parte patronal e de segurados. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais (sócios) a titulo de prólabore, discriminadas nas folhas de pagamento, relativas ao período de 01/99 a 12/02, cujos valores encontramse discriminados no relatório de fatos geradores, no levantamento "NG Folha/Férias/Rescisões"; b) a divergência entre a remuneração declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e a folha de pagamento apresentada pela empresa. Tais contribuições foram discriminadas no Relatório de Fatos Geradores, no levantamento "DIF — Diferença a maior GFIP/Folha". DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. Os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre a impugnação do contribuinte. Em resposta, a autoridade fiscal informa que não há duplicidade no lançamento fiscal e: a) o levantamento NG, contém apenas as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais (sócios), a titulo de prólabore, discriminadas em folhas de pagamentos, relativas ao período de 01/99 a 12/02. No levantamento DIF consta somente a divergência entre a remuneração declarada na GFIP, a maior, em cotejo com as folhas de pagamentos apresentadas pela empresa; b) o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD foram oportunamente enviados ao contribuinte; c) não houve refiscalização. Esclarece que simplesmente adotou procedimento de rotina. A contabilidade do contribuinte somente havia sido analisada até 12/1994, o que ensejou a necessidade de vistoria da ação a partir do primeiro mês seguinte ao que foi objeto de verificação pelo fisco. O parecer fiscal resultante da conversão do julgamento em diligência foi cientificado ao contribuinte. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 172 3 A DECISÃO NOTIFICAÇÃO n.° 12.401.4/0143/2005 (fls. 133/150) julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância administrativa fiscal o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: o lançamento fiscal tem falhas, não atende os requisitos da legislação que rege o contraditório e a ampla defesa, não discriminando de maneira clara e precisa fatos imprescindíveis para a constituição do crédito tributário, prejudicando parcialmente a defesa do contribuinte. Isso implica em vício formal; o julgamento de 1a Instancia permaneceu silente ante às alegações da impugnação da empresa, bem como aos erros manifestamente visíveis na formalização do lançamento das notificações NFLD’s s e AI’s, e quanto ao descumprimento as normas que regem o contencioso administrativo; a fiscalização não apresentou documento que cientificasse a empresa de que estaria sofrendo uma refiscalização, haja vista, este procedimento fiscal só ser possível mediante ordem expressa e motivada, conforme dispõe o parágrafo Único do art. 227 da I.N. DC/ INSS n° 70/2002. A decisão recorrida se omitiu da questão refiscalização; faltou razoabilidade ao lançamento fiscal que deveria levar em conta: a) qual o tipo de tributo que a base de cálculo estava sendo arbitrada? b) qual o contexto envolvendo o contribuinte e a atividade econômica por ele exercida? c) que dados a serem utilizados pela fiscalização devem ser obtidos preferencialmente a partir dos documentos do próprio contribuinte e não da Receita Federal, haja vista, a divergência entre os fatos geradores; d) em caso de não encontrar os números e/ou informações na empresa, deve efetuar o arbitramento comparativamente com empresas do mesmo setor e região, segundo valores médios alcançados no mercado local; e) após a estimativa na apuração da base de cálculo arbitrada da apuração a ser exigida do contribuinte, deverá ser abatido todo o imposto já recolhido, inclusive os débitos em constituição anterior à fiscalização; f) em se tratando de empresa tomadora de serviços, a busca da verdade material deve alcançar os prestadores, objetivando o cruzamento de informações; g) o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, a Relação Anual de Informações Sociais RAIS e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS, costumam identificar o número de funcionários empregados pelo contribuinte e a respectiva massa salarial, pelo que mais razoáveis que a declaração de imposto de renda da empresa; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 em nenhum momento a fiscalização apresentou à empresa cálculos prévios, o que possibilitariam ao sujeito passivo a correção dos desvios ou ate mesmo possibilidades de apresentação de provas durante a própria fiscalização; sem que sejam discriminados, separados, detalhados, de forma clara e precisa, os fatos geradores, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, o contribuinte não terá como reconhecer conscientemente a exigência fiscal, ou dela se defender com que o art. 37 da Lei 8.212/91. O lançamento deve ser nulo. É um verdadeiro confisco; por fim, demonstrada a falta de amparo constitucional e legal da decisão de primeira instancia administrativa requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 173 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Tratase de crédito tributário, Debcad nº 35.561.7765/2003, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social e Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (prólabore dos sócios), discriminadas nas folhas de pagamento, período de 01/99 a 12/02, cujos valores encontramse descritos no relatório de fatos geradores, levantamento "NG Folha/Férias/Rescisões", e de divergência entre a remuneração declarada na GFIP e a folha de pagamento apresentada pela empresa, constante no levantamento "DIF Diferença a maior GFIP/Folha", conforme relatório fiscal (fls. 77/82). O contribuinte apresenta recurso voluntário de maneira genéricas para todas as autuações sofridas durante o período auditado, tendo como base os argumentos apresentados na impugnação. Todavia, a análise do recurso se restringirá apenas ao lançamento fiscal de numeração Debcad nº 35.561.7765/2003, ora em discussão. Consta dos autos o relatório fiscal detalhado dos fatos geradores e da fundamentação legal (fls. 77/82). Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 6/25) contendo os levantamentos DIF e NG, por competência, rubrica, alíquotas, valores apurados. Relatório de Guias de Recolhimento Registradas – GRR (fls. 38/41) por competência, data do pagamento e totais recolhidos que foram considerados e deduzidos do lançamento fiscal. Relatório de Apropriação de guias GPS (fls. 42/48). Relatório de Fatos Geradores Geral (fls. 49/59), contendo competência, rubrica, valor e a discriminação do fato gerador, como divergência apurada entre a folha de pagamento, férias, rescisão, GFIP. Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 60/65). Relatório de Instrução para o Contribuinte (fls. 4/5). Destarte, está comprovado no lançamento fiscal o tipo de tributo, a base de cálculo e a fundamentação legal. Não se trata de arbitramento como mencionado pelo contribuinte. No caso em epígrafe, irrelevante a necessidade de saber qual o contexto envolvendo o contribuinte e a atividade econômica por ele exercida. Os dados foram obtidos dos documentos apresentados pelo contribuinte (folha de pagamento, rescisão, GFIP, GPS, outros). Efetuado o lançamento fiscal com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, não há necessidade de arbitramento, nem de comparativo com empresas do mesmo setor e região, nem de valores médios alcançados no mercado local, tampouco, de empresa tomadora de serviços e prestadores, cadastro de CNIS, RAIS, FGTS, para identificar o número de funcionários empregados e a massa salarial, pois já constam da folha de pagamento, das GFIP’s e dos documentos examinados pela fiscalização. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Os valores das contribuições sociais devidas estão demonstradas no lançamento fiscal. Não há que se falar que não foram discriminados, separados, detalhados, de forma clara e precisa, os fatos geradores, as contribuições devidas e os períodos a que se referem. O lançamento fiscal atendeu os requisitos do art. 37 da Lei 8.212/91. O contribuinte tem conhecimento da exigência fiscal, pois o lançamento fiscal tem por base os documentos apresentados pelo contribuinte. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização e teve o direito de contestação. Efetuado o lançamento fiscal na forma da lei não pode ser considerado confiscatório, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como demonstrado nos autos, os valores recolhidos pelo contribuinte foram considerados no lançamento fiscal. Encontrase anexa das autos (fls. 71/76), também, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, Termo de Início de Auditoria Fiscal – TIAF, Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, todos com termo de ciência do representante/responsável da empresa, e Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF encaminhado pelos Correios. Registrese que no MPF consta o período da fiscalização (janeiro/1995 a março/2003) e as verificações a serem efetuadas (verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pelo INSS, conforme determina o art. 33, da Lei 8.212, de 24107/91, e àquelas relativas a terceiros conveniados.). E não faz menção a refiscalização. Desse modo, não se trata de refiscalização com quer o contribuinte, mas sim de procedimento fiscal com análise da contabilidade e de todos os documentos relativos ao objetivo da fiscalização para o período auditado. Assim sendo, não houve omissão da decisão recorrida quanto a questão refiscalização, pois não se trata de refiscalização como demonstrado nos autos. Da análise dos autos, não se sustenta a argumentação do contribuinte de que o lançamento fiscal tem falhas, não atende os requisitos da legislação que rege o contraditório e a ampla defesa, não discriminando de maneira clara e precisa fatos imprescindíveis para a constituição do crédito tributário e prejudicando parcialmente a defesa do contribuinte. Constituído na forma da legislação vigente à época do lançamento fiscal, não há que se falar em vício formal. O contribuinte apresenta recurso genérico sem precisar seus argumentos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 174 7 A decisão recorrida rebateu todos os argumentos da impugnação. O recurso alega erros manifestamente visíveis na formalização do lançamento da notificação fiscal e o descumprimento as normas do contencioso administrativo no lançamento em epígrafe, todavia não os especifica. A fiscalização foi recepcionada pelo Sr. Amadeu (item 9 do relatório fiscal, fl. 82) a quem foram prestados os esclarecimentos do procedimento fiscal. Assim, sem argumento plausível o contribuinte quando menciona que em nenhum momento a fiscalização apresentou à empresa cálculos prévios, ou que não teve orientação para a correção dos desvios ou a possibilidades de apresentação de provas durante à fiscalização. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e artigos 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal, com Discriminativo Analítico do Débito – DAD, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. Não há necessidade de reforma do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000756/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 75 6/ 20 06 -5 9 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 94 2 Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 455.699,50 (quatrocentos e cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e nove reais e cinquenta centavos). Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou que o interessado por meio das Declarações de Importação (DI) nº 06/09202728,06/11004792e 06/10336708, registradas, respectivamente, em 04/08/2006, 14/08/2006 e 29/08/2006, submeteu a despacho o produto Cefadroxil monoidratado em pó, classificandoo no código 2941.90.34 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e requerendo a redução a zero das alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1° do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. No entanto, no entender do autuante, apenas o produto Cefadroxila, sinônimo de Cefadroxil, na forma anidra é citado na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I do citado decreto, assim, o produto monoidratado que foi importado não se enquadraria entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal. Ainda segundo o fiscal, “a hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa à especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero” e “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefadroxil há o registro das duas hidratações do produto: Cefadroxil anidro, CAS 50370122 e Cefadroxil monohidrato, CAS 66592878. Portanto, observase que existem dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821/2006 tem direito à redução de alíquota”. O interessado, por meio da despachante aduaneira Wang Huei Ju, foi regularmente cientificado dos autos de infração em 20/10/06, conforme fls. 02 e 57. Em 27/10/06, aquela mesma representante apresentou a peça de fls. 46/47, por ela intitulada de “impugnação inicial”, onde aduziu em síntese que o produto cefadroxila é sempre apresentado na forma monoidratada e foi submetido a despacho de importação na forma regulamentar e solicitou a indicação de técnico habilitado e Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 95 3 credenciado junto à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília “para, em laudo circunstancial esclarecer o assunto”, e, ainda, a prorrogação do prazo para apresentação da impugnação, de conformidade com o inc. II do art. 6° do Decreto nº 70.235/721. Em 01/11/06, a unidade de origem consignou que “o interessado, impugnou tempestivamente, o crédito tributário” e encaminhou à DRJSPO II o processo para prosseguimento (fl. 58). Em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007 (DOU de 14/02/2007), que alterou o Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, este processo foi encaminhado pela então DRJ/SPOII para esta DRJ/FOR. Em 21/05/07, o interessado apresentou o documento de fls. 86/105 onde inicia afirmando que: (...) inconformada com o Auto de Infração supra mencionado, vem mui respeitosamente perante V. Sas.,tendo em vista o princípio da informalidade do processo administrativo, e tendo o pedido de perícia admitido como impugnação, vem mui respeitosamente emendar a mesma, pelos motivos de fato a seguir mencionados: E, naquela peça, solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, porém sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, passando em seguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o cefadroxil é considerado gênero, que comporta as espécies cefadroxil anidro (CAS 50370122), cefadroxil hemidrato (CÃS 119922859) e cefadroxil monoidrato (CAS 66592878) ; que a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística especificou o cefadroxil com o CAS nº 66592878, que corresponde ao cefadroxil monoidrato, conforme literatura técnica, corroborando o entendimento da empresa quando da aplicação da redução de alíquotas. O impugnante assevera que o Decreto nº 5.821/06 em seu anexo I, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição n° 339 a cefadroxila, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, defende, ao contemplar o gênero, o legislador reduziu a zero a alíquota do Pis/Pasep Importação e da Cofins Importação para todas as espécies e, assim “não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, daautoridade fiscalizadora) [dar] entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 107/108, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 109/145), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFADROXIL referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. Em 23/05/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 96 4 Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente (fls. 150/163). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/08/2006, 14/08/2006, 29/08/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 04/08/2006, 14/08/2006, 29/08/2006 CEFADROXILA MONOIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. A cefadroxila monoidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/Pasep Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 97 5 [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 98 6 que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº657, de 26/06/067, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419034 Cefadroxil e seus sais Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações:0001 066592878/ Cefadroxila 9999 Outros [...]Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 066592878, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefadroxila. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratada e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 066592878 à cefadroxila monoidratada A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. Às efls. 185 e ss, consta petição da Recorrente solicitando o translado do laudo produzido no MPF 08177002009001503 ao presente processo, por conter laudo técnico para o produto em questão. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou novo laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 99 7 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto CEFADROXILA MONOIDRATADA, identificandoo como “CEFADROXILA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 340 CEFADROXILA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefadroxila, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13502.001090/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
Embargo acolhido.
Numero da decisão: 2202-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202-002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Embargo acolhido.
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CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Embargo acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 10 90 /2 00 9- 93 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13502.001090/200993 Acórdão n.º 2202002.975 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase aqui de Embargos do contribuinte, assentado no argumento da existência de omissão no acórdão questionado, buscando amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. Embargo de Declaração apresentado pelo contribuinte, relativo ao Acórdão nº 2202002.071, de 16/04/2013 que por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Aduz o Embargante, que ocorreu omissão do acórdão consubstanciada na falta de exame dos seguintes fundamentos veiculados em seu recurso voluntário: (i) Imprestabilidade da Base de Cálculo, e (ii) Não incidência do Imposto de Renda sobre Juros de Mora. Às fls, 226 e 227, e feita a análise da admissibilidade dos embargos,nos quais se conclui a admissão parcial dos presente embargos, para que a Turma se manifeste sobre a alegação de imprestabilidade da base de cálculo utilizada pelo lançamento de ofício e da não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora da verba paga a destempo. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os embargos devem ser acolhidos. Assiste razão parcial ao contribuinte. Vale relembrar que o lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Registrese que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que referente a alegação de uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 25 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13502.001090/200993 Acórdão n.º 2202002.975 S2C2T2 Fl. 4 5 No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Nestes termos, voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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