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Numero do processo: 15940.000063/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento.
In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999
Numero da decisão: 2401-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõese o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 63 /2 00 6- 17 Fl. 312DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 15940.000063/200617 Acórdão n.º 2401004.980 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 16.263/2008, às efls. 211/216, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2002, conforme Termo de Verificação Fiscal, efl. 165 e Auto de Infração, às efls. 156/157, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 19/09/2006 (AR. fl. 166), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR . FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 227/245, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Buritis, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em mãos da Recorrente, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Insurgese quanto ao entendimento adotado pela DRJ da exigência de apresentação do ADA para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Argumenta que os documentos acostados aos autos demonstram de forma cabal tratarse de área de preservação permanente, não estando apenas referida área descrita no Fl. 314DF CARF MF 4 ADA, o que a toda evidência não necessita de averbação tendo em vista que a determinação é legal e em relação a todas as propriedades. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15940.000063/200617 Acórdão n.º 2401004.980 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, primeiramente esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Santo Antonio, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face do Programa de Reassentamento instituído pela autuada, com o fito de atender objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta. De um lado, a contribuinte aduz que após a implantação do loteamento, procedeu a entrega dos lotes aos ribeirinhos, por meio da Declaração recebimento de Casa Definitiva, e, desde então, os possuidores passaram a gozar e usufruir economicamente da respectiva área, como se proprietários fossem; portanto a responsabilidade por qualquer ônus tributário cabe exclusivamente aos possuidores, por serem detentores do poder econômico da propriedade. Em outra via, a ilustre autoridade lançadora entendeu que os documentos apresentados pela contribuinte não comprovou suas alegações, sendo responsável pelo recolhimento do tributo. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que enquanto não transferida a propriedade de partes do imóvel para cada um dos assentados, a situação do imóvel total não se enquadra nas definições de imunidade ou isenção. Após as breves considerações retro, passando à análise meritória, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Fl. 316DF CARF MF 6 Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. A CESP em cumprimento ao estabelecido no EIA RIMA, adquiriu em 23/07/1988 uma área de terra com 1.926,1417 hectares, denominada Fazenda Santo Antonio do Rio do Peixe, visando a implantação do Projeto de Reassentamento Populacional Rural da Fazenda Santo Antonio, com a consequente relocação das famílias classificadas como Beneficiárias do citado Projeto. Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, especialmente do Termo de Esclarecimento a Intimação Fiscal, dos diversas Declarações Recebimento de Casa Definitiva e a Licença de operação junto ao Ibama, que a recorrente, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, à toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser à época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer título, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastandose dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando a Fazenda Santo Antonio vinculada, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, em razão da Construção da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), a recorrente assumiu a responsabilidade, de minimizar impactos causados à população ribeirinha, cujas terras foram alagadas pelo Reservatório da UHE supracitada, conforme.se comprova, na Licença de Operação, expedida em 01 de dezembro de 2000 pelo Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro relator do Acórdão nº 30334.793, exarado nos autos do processo nº 10935.001999/200530, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15940.000063/200617 Acórdão n.º 2401004.980 S2C4T1 Fl. 5 7 excerto de suas alegações abaixo transcritas, as quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Terminal Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. ILEGALIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LIASI. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto. [...] VOTO [...] No caso em estudo, há de ser analisada a responsabilidade da empresa Recorrente pelo débito tributário, relativa ao ITR/2002, que lhe é exigido no Auto de Infração de fls. 5665, uma vez que afastada, as demais questões travadas nos autos acabam por prejudicadas. Com efeito, dispõe a Lei nº 9.393/96 que rege a matéria: “Art. 1º O imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o possuidor a qualquer título”. Ainda, o art. 31 do CTN é taxativo e expresso ao considerar quem é o contribuinte do ITR: a) o proprietário do imóvel; ou. b) o titular do seu domínio; ou. c) o possuidor do imóvel a qualquer título. Assim sendo, da leitura dos artigos supra transcritos, concluise que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Logo, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Contudo, noticia a empresa Recorrente que a área em questão foi destinada para cumprimento do interesse social, para fins de desapropriação, com a finalidade de reassentamento, a área da Fazenda em questão. O art. 3º do referido decreto afirma que: “Fica reconhecida a necessidade de Fl. 318DF CARF MF 8 desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais semterra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Santo Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia – COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante autorga das competentes escrituras públicas.” Alega ainda que com a autorga da concessão pelo Poder concedente – União Federal, para estudos, implantação e exploração do potencial energético denominado Salto Caxias, no rio Iguaçu, contratou, por força da Lei 6.938/81, a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, culminando com o Projeto Básico Ambiental – PBA, o qual previu a implantação de diversos programas ambientais, entre os quais o Programa de Reassentamento, tudo devidamente aprovado pelo órgão licenciador estadual conforme Licença de Instalação nº 044/94IAP. Juntou aos autos três Escrituras Públicas de Desapropriação (fls. 1021), matrículas dos imóveis (fls.2240), Laudos Pericial (fls. 4754), cópia dos Decretos nº 1.658/96 e nº 2005/96 (fls.8893), Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fls. 94171) e cópia da Resolução nº 19 do INCRA (fls. 230231), que demonstram o assentamento de 26 famílias no terreno objeto do auto de infração. Desta feita, pela impossibilidade de se imputar animus domini à empresa autuada, já que o imóvel rural se encontrava afetado, desde sua aquisição, ao cumprimento do Programa de Reassentamento da Usina Hidrelétrica da Salto Caxias, em conformidade com o Decreto nº 1.658/96, não se pode enquadrar a Recorrente no pólo passivo da obrigação tributária de que trata o Auto de Fração em discussão. No mesmo sentido, envolvendo o mesmo Contribuinte, colaciono dentre outros dois julgados deste Terceiro conselho de Contribuintes: 30334.068 e 30334.083. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, afastando a exigência tributária em tela. [...] Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10935.001992/200518, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 30334.781, com sua ementa e parte do voto abaixo transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL: ITR Exercício: 2001 ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA CENTENÁRIO. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 466 de 24.02.1995), o que torna o imóvel Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15940.000063/200617 Acórdão n.º 2401004.980 S2C4T1 Fl. 6 9 inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para única finalidade prevista no referido Decreto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. [...] VOTO [...] Não se trata de haver ou não programa oficial de reassentamento, mas antes de haver ou não a possibilidade de ser a Recorrente incluída no pólo passivo da relação tributária ou não, nos termos do artigo 4º da Lei 9393/96 e do artigo 31 do CTN. Conforme constam dos autos, as terras eram afetadas ao reassentamento de famílias, que viviam em áreas desapropriadas para a construção de usina de energia, amparada no Decreto 466/95. As terras não forma expropriadas para uso da concessionária de serviço público, nem para sua exploração ou uso sob qualquer aspecto, tendo a mesma atuado no esteio do Decreto acima referido. Não houve, portanto, animus domini em relação a essa área. Corrobora essa afirmação o fato de que a Recorrente repassou prontamente os lotes a posses das famílias reassentadas, tendo gradativamente transferido sua propriedade, como comprovam as certidões de escrituras públicas anexadas aos autos. Em outras palavras, a área objeto do auto de infração em tela jamais foi de uso, fruição ou disponibilidade da Recorrente, estando sua propriedade muito próxima da União. Ora, somente a posse plena, sem subordinação, i.e., posse qualificada pelo animus domini, é que pode ensejar a incidência de ITR. Esse entendimento encontrase literalmente transcrito em publicações da SRF, dentre os quais o “Manual de Perguntas e Respostas do ITR” (vide pág. 21, pergunta 37, da edição de 2002). Restando claro que nunca houve animus domini por parte da Recorrente em relação a área ora discutida, não pode a mesma ser sujeito passivo da obrigação tributária aventada, de forma que VOTO no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, cancelando, por conseguinte, o lançamento fiscal em questão.[...] A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, os Acórdãos nºs 30239.416, 30239.413, 30239.726, 30334.884, 30334.781, 30334.782, 30334.783, 303 34.793, 30334.794, 30334.795, 30334.796, 30333.394, 30333.395, 30333.396, 303 34.275 e 30334.070, contemplando matéria análoga. Não bastasse isso, o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, porquanto comprova que desde 1999 os reassentados já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, Fl. 320DF CARF MF 10 consoante se infere do Declaração Recebimento de Casa Definitiva, formalizados em julho daquele ano. Na esteira desse raciocínio, além de prosperarem as argumentações da contribuinte quanto a ilegitimidade passiva, notadamente quando inexistente o animus domini do imóvel rural, não faria sentido que para um mesmo contribuinte, mesma matéria fática e provas, fosse adotado entendimento antagônico ao anteriormente proferido, impondo seja reformado o Acórdão recorrido, para excluir a empresa do pólo passivo da presente obrigação tributária, como restou devidamente demonstrado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724067/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º; RIR/1999, art. 80, § 5º).
Deduções que não observem essas regras são irregulares.
Numero da decisão: 2202-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º; RIR/1999, art. 80, § 5º). Deduções que não observem essas regras são irregulares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 40 67 /2 01 4- 39 Fl. 93DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 37/44), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos da Cooperforte Cooperativa de Econ e Cred. Mútuo dos Func. de Instit. e glosados valores indevidamente deduzidos a título despesas médicas relativas a plano de saúde cuja beneficiária era Suely Bastos, no valor de R$ 11.344,18 e também pagamentos à Odontoprev S/A, por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva e parcial, reconhecendo a omissão de rendimentos e que houve engano ao declarar a despesa da Odontoprev, pois o plano já havia sido cancelado. Juntou documentos para provar a despesa com o plano de saúde cuja beneficiária seria a alimentanda Suely Bastos. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Ro de Janeiro (RJ), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 50/53, uma vez que o interessado não trouxe aos autos o inteiro teor da decisão judicial que instituiu a obrigação do pagamento de pensão e/ou de plano de saúde, contendo os prazos e limites que deveriam ser observados. Também não apresentou documento do plano de saúde com identificação dos beneficiários. Cientificado dessa decisão por via postal em 18/03/2015 (A.R. de fls. 57), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/04/2015 (fls. 59/60), dizendo apresentar documentos que comprovam seu direito à dedução dos valores pagos pelo plano de saúde da exesposa. Anexa Certidão fornecida pela Segunda Vara de Família da Comarca de Curitiba/PR (fls. 64), já apresentada quando da impugnação; inteiro teor do acordo de separação judicial consensual, homologado em 18/02/1983 (fls. 65/71); conversão da separação judicial consensual em Divórcio, homologada em 25/06/1986 (fls. 72/76); demonstrativo anual da Cassi Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil referente a despesas com plano de saúde (fls. 77), já apresentado na impugnação; e recibos dos pagamentos à CASSI no ano de 2011 (fls. 78/83). É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pelo declarante no valor de R$ 11.344,18 destinado a plano de saúde de Suely Maria da Silveira Bastos, que o contribuinte declarou ser sua alimentanda, por falta de comprovação da legitimidade de tal pagamento. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19985.724067/201439 Acórdão n.º 2202003.923 S2C2T2 Fl. 94 3 A dedução de despesas médicas de alimentanda, na DIRPF é permitida, desde que realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, conforme determina a Lei nº 9.250/1995 e o RIR (Regulamento do Imposto sobre a Renda) Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão Fl. 95DF CARF MF 4 ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (sem grifos no original) RIR/1999 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19985.724067/201439 Acórdão n.º 2202003.923 S2C2T2 Fl. 95 5 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (sem grifos no original) Em sede de recurso, o interessado trouxe aos autos documentos a fim de comprovar a condição de alimentanda da Sra. Suely Maria da Silveira Bastos. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que buscam comprovar os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para elucidar o litígio destes autos. O Acordo de separação consensual (fls. 65/69), trazido aos autos prevê nos itens: 12) à cônjuge mulher, o cônjuge varão pagará uma pensão alimentícia no valor de 1/3 (um terço) do seu salário líquido junto ao Banco do Brasil S/A, entendendose como líquido os vencimentos brutos menos as seguintes deduções: previ contribuição p/ Capec; Cassicontribuição; Previcontribuição mensal; Previcontribuição semestral; Iapascontr. func. ativos; Iapascontr. func. ativosAC.10VR; Imp. de Renda na Fonte; (...) 15) fica ainda assegurado à mulher e filhos o direito de usufruir os benefícios e assistência da Caixa de Assistência do Banco do Brasil S/A.; (...) E.T.: o desconto mencionado no item 12, será feito em folha de pagamento com os reajustes normais; O Acordo foi homologado por sentença em 18/02/1983 (fls. 70) e convertido em Divórcio em 23/06/1986 (fls. 75). Compulsando a DIRPF do contribuinte (fls. 28/33) verificase que a pensão declarada como paga à alimentanda Suely Maria da Silveira Bastos no ano de 2011 foi de R$ 9.259,91, o que se confirma pelos descontos dos contra cheques juntados às fls. 18/19. Ocorre que se a pensão ainda estivesse sendo paga nos termos do acordo apresentado pelo interessado, totalizaria no mínimo R$ 31.000,00 em 2011. Fl. 97DF CARF MF 6 Assim, concluise que houve modificação no acordo com relação à pensão e o interessado não trouxe aos autos o novo acordo, vigente no ano de 2011 para comprovar os pagamentos então realizados. Não foi anexado aos autos nenhum documento judicial que determinasse os termos da pensão então vigente e que, além do pagamento da pensão, o contribuinte deveria arcar com as despesas de plano de saúde da exesposa. Portanto, não restou comprovado que o pagamento do plano de saúde para a alimentanda no ano de 2011, era uma obrigação paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente em face das normas do Direito de Família para que pudesse ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda do declarante, como determina o § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995 . Assim, não tendo sido comprovadas pelo interessado, as deduções relativas a plano de saúde pago em benefício da exesposa, mantémse a glosa de tais valores. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901038/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T13:03:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T13:03:15Z; Last-Modified: 2017-07-26T13:03:15Z; dcterms:modified: 2017-07-26T13:03:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:2d748981-a268-4ff9-968f-3c4ec1e42574; Last-Save-Date: 2017-07-26T13:03:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T13:03:15Z; meta:save-date: 2017-07-26T13:03:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T13:03:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T13:03:15Z; created: 2017-07-26T13:03:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T13:03:15Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T13:03:15Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901038/201301 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.192 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 38 /2 01 3- 01 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901038/201301 Acórdão n.º 1302002.192 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901038/201301 Acórdão n.º 1302002.192 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901038/201301 Acórdão n.º 1302002.192 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.723244/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal.
Numero da decisão: 2202-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), que restou vencida juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), que restou vencida juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 32 44 /2 01 1- 34 Fl. 56DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA): Trata o presente processo sobre impugnação de Lançamento, relativo a Imposto de Renda – Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2009, anocalendário de 2008, conforme Notificação de Lançamento nº 2009/179831277550907, lavrada na data de 27/06/2011, no valor originário de R$ 664,77, que somados aos acréscimos legais resultou na quantia de R$ 1.300,28, fls nºs 4 a 8, onde foi descrita a seguinte infringência, com ciência via postal, na data de 05/07/2011 (terçafeira), conforme comprovante do SEDEX, fl nº 14: Dedução Indevida de Previdência Oficial no valor de R$ 18.169,54, por falta de comprovação. 2. Com a glosa acima o resultado apurado pelo sujeito passivo foi alterado de Imposto a Restituir de R$ 4.331,85 para Imposto a Pagar de R$ 664,77, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fl nº 07. 3. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação datada de 05/08/2011 (sexta feira), na qual argumentou que o valor deduzido foi recolhido referente ao processo nº 00959 200002201005RTORDALVARÁ JUDICIAL Nº 3938/2008, em que figurou como réu a empresa BANER SEGUROS – CNPJ 60.701.190/000104, fl nº 2. 4. O sujeito passivo juntou à impugnação cópia de uma correspondência encaminhada ao Banco do Brasil S/A, datada de 01/08/2011, na qual solicitou o Informe de Rendimentos,referente ao processo mencionado no parágrafo anterior, fl nº 9. 5. Para instruir o processo a Delegacia de Origem juntou cópia da DIRPF apresentada, obtida dos Sistemas desta Secretaria, fls 16 a 21. 6. O processo foi analisado na Delegacia de Origem, que emitiu Termo Circuntanciado com DESPACHO DECISÓRIO DRF/NIT/Sefis/EFI06 nº 364/2014, que manteve a glosa, por considerar que o sujeito passivo não comprovou o pagamento da despesa considerada como dedução, fls 22 a 24. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10730.723244/201134 Acórdão n.º 2202003.999 S2C2T2 Fl. 57 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 EMENTA ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Em suas razões de decidir, a turma julgadora concluiu que: Analisando os documentos constantes no processo de fls 2, 4 a 8, 16 a 21, 22 a 24, verificouse que o sujeito passivo efetivamente não fez prova de que tenha sofrido desconto em favor da Previdência Oficial no valor de R$ 18.169,54, até mesmo por ser incompatível com o valor do rendimento tributável declarado que foi de R$ 50.028,00, quero dizer que o desconto em favor da Previdência Oficial, contribuição do segurado, é limitado a 11% (onze por cento).Assim, não há reparos a fazer no Despacho Decisório emitido pela Delegacia de Origem. Cientificada da decisão acima transcrita, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 45, no qual menciona que está providenciando "a obtenção da comprovação do recolhimento das retenções efetuadas pelo BANCO DO BRASIL" e, ao final, menciona que está "aguardando resposta da solicitação acima e solicito prazo de mais 30 dias para cumprimento da exigência." O processo foi encaminhado para SECAT EAC05 (fls 50) "para análise do pedido de prorrogação de prazo para apresentar documentos comprobatórios, formulada pela interessada em seu Recurso Voluntário às fls. 45/49" Em resposta a SECAT EAC05 (fls. 51) determinou que: Retornese ao Analista Luis Fernando, para registrar no SIEF a apresentação do recurso voluntário, com encaminhamento ao CARF.A contribuinte poderá solicitar juntada dos documentos ao processo digital, cuja validade será avaliada pelo órgão competente, ou seja, o CARF. É o relatório Voto Vencido Fl. 58DF CARF MF 4 Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme visto no relatório o presente recurso destinase exclusivamente à juntada, em fase recursal, do documento emitido pelo Banco do Brasil que comprove a retenção dos valores glosados à título de previdência oficial. A recorrente juntou ao seu recurso a solicitação de envio dos comprovantes junto ao Banco do Brasil (fls. 46). A referida solicitação foi recebida pelo banco em 07 de janeiro de 2016. Todavia, até o momento não foi juntado qualquer comprovante por parte da Recorrente. No entanto, entendo que, preliminarmente, o que se discute é a possibilidade de ser aceita a juntada de documentos em fase recursal. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, têm admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10730.723244/201134 Acórdão n.º 2202003.999 S2C2T2 Fl. 58 5 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Em face do exposto e para que não restem dúvidas sobre o respeito aos princípios do contraditório e devido processo legal, voto por converter o processo em diligência para que a Recorrente seja intimada a juntar, no prazo máximo de 30 dias, os comprovantes solicitados ao Banco do Brasil às fls. 46. 2) MÉRITO Restando vencida no tocante à diligência, no mérito deve ser improvido o recurso voluntário. Isso porque, como dito acima, a solução da lide depende da comprovação dos valores deduzidos. Todavia, embora tenha juntado o requerimento efetuado ao Banco do Brasil (efetuado a mais de um ano) a Recorrente não promoveu sua juntada aos autos. Como bem observou a decisão recorrida, o ônus da comprovação das despesas dedutíveis é do contribuinte, sendo assim deve ser improvido o Recurso. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto da Relatora, peço vênia para divergir quanto à necessidade de diligência. A ilustre Relatora entendeu que seria necessária uma diligência para a que a Recorrente seja intimada a juntar, no prazo máximo de 30 dias, os comprovantes solicitados ao Banco do Brasil à fls. 46. Fl. 60DF CARF MF 6 No entanto, no meu entendimento, não cabe a realização de diligência no caso em comento. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Não se pode deixar de considerar que a responsabilidade pela apresentação das provas compete à Contribuinte, não cabendo a determinação de diligencias e perícias para a busca de provas. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Ademais, no presente caso, a Recorrente juntou ao seu recurso a solicitação de envio dos comprovantes junto ao Banco do Brasil, cujo recebimento pelo banco ocorreu em 07/01/2016. Entretanto, decorrido todo esse tempo, não foi juntado até o momento qualquer comprovante ou até mesmo uma reiteração do pedido por parte da Recorrente, o que demonstra claramente sua inércia. Dessa forma, rejeito a preliminar de diligência suscitada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 14363.000149/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. OCORRÊNCIA.
O prazo para que o Fisco cumpra o seu poder/dever de constituição do crédito tributário é de cinco anos contados, conforme o caso, na forma determinada pelos artigos 173 ou 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. APURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
Não tendo sido apresentado, durante o procedimento inquisitório de fiscalização, ou em fase de impugnação do lançamento, documentos hábeis e idôneos aptos a permitir o cálculo do salário de contribuição relativo à mão-de-obra empregada em obra de construção civil, é permitido à Autoridade Fiscal, nos termos do parágrafo 4º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, a aferição indireta das contribuições sociais previdenciárias devidas.
Numero da decisão: 2201-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos valores relativos às contribuições devidas nas competências anteriores a dezembro de 1999.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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J. HARJANI CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. OCORRÊNCIA. O prazo para que o Fisco cumpra o seu poder/dever de constituição do crédito tributário é de cinco anos contados, conforme o caso, na forma determinada pelos artigos 173 ou 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. APURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. Não tendo sido apresentado, durante o procedimento inquisitório de fiscalização, ou em fase de impugnação do lançamento, documentos hábeis e idôneos aptos a permitir o cálculo do salário de contribuição relativo à mão deobra empregada em obra de construção civil, é permitido à Autoridade Fiscal, nos termos do parágrafo 4º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, a aferição indireta das contribuições sociais previdenciárias devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos valores relativos às contribuições devidas nas competências anteriores a dezembro de 1999. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 3. 00 01 49 /2 01 0- 64 Fl. 369DF CARF MF 2 EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve o lançamento tributário referente às contribuições previdenciárias devidas por aferição indireta de remuneração paga em obras de construção civil. Por sua precisão e clareza, utilizo, com o devido pedido de licença, o relatório fiscal constante da Resolução 2302000.138 de 07 de fevereiro de 2012, prolatada pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, constante de folhas 220 do processo digital: "Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2002. Data da lavratura da NFLD: 17/05/2005. Data da Ciência do NFLD: 09/06/2005. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada com a finalidade de substituir a NFLD DEBCAD nº 35.732.9775, anulada em virtude de terem sido apresentados novos documentos relativos às duas reformas incluídas naquela notificação (Certidões de Habitese, Registro de Imóveis e CND relativa ao prédio do TAJ MAHAL CONTINENTAL HOTEL), conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 15/19. Informa a Autoridade Lançadora que no decorrer da ação fiscal, não foram apresentados os documentos relativos às reformas executadas em dois estabelecimentos da empresa (Taj Mahal Continental Hotel e Plaza Hotel), cujas despesas foram verificadas em diversas contas do livro Razão , a saber : • conta 2112 Reformas em Andamento, conta 2002 Edificações e Construções e conta. 4224 Gastos com Instalações, referentes a 1996/1997; • conta 2035 Reformas em Andamento Filial/ TAJ, referente a 1998 e 1999; • conta 116 Reformas em Andamento – Filial/TAJ, relativa a 1999/2000; • contas 1453, 1454 e 1457, referentes a 2000/2002. Informa que na lavratura da NFLD substituída (NFLD N. 35.732.9775), tendo em vista a completa ausência de documentos acerca da mãodeobra utilizada, utilizouse o método da aferição indireta, conforme dispõe o artigo 72 da Instrução Normativa INSS/DC nº 69/2002, à época vigente. Aduz que, no caso em tela, tratase de edificações prediais e não foi disponibilizado à fiscalização qualquer documento que Fl. 370DF CARF MF Processo nº 14363.000149/201064 Acórdão n.º 2201003.671 S2C2T1 Fl. 369 3 pudesse suportar a aferição com base na área construída (Art. 72, I, da IN 69/2002), como Alvarás de Construção, Habitese, matrículas CEI, Projetos, etc. Por tal razão, ante a inexistência de registros de despesas com a mãodeobra utilizada nas reformas efetuadas (seja mãodeobra própria, construtoras ou empreiteiras contratadas), utilizouse como parâmetro para o lançamento os próprios registros contábeis do livro Razão, na forma dos artigos 74 e 75 da IN 69/2002. Informa, todavia, que durante os trabalhos de Diligência Fiscal, visando a verificar a procedência de alegações do contribuinte em sede de impugnação à NFLD 35.732.9775, foram disponibilizadas cópias das Certidões de Habitese de ambos os imóveis, do Registro de Imóveis e de Certidão Negativa de Débito obtida junto ao INSS, referente ao prédio onde funciona o TAJ MAHAL CONTINENTAL HOTEL. Pondera que tais documentos, muito embora não afastem a aferição indireta, possibilitam a aplicação do disposto nos artigos 440; 447 a 456 e 472, todos da Instrução Normativa IN INSS/DC nº 100/2003, procedendose ao cálculo do valor da mãodeobra empregada com base na área construída (CUB), conforme Aviso de Regularização de Obra – ARO a fls. 20/21. Assim, cancelouse o lançamento aviado na NFLD nº 35.732.9775, consolidado pela DecisãoNotificação DN n° 03.401.4/0027/2006, e lavrouse o presente, em substituição, sobre a mesma situação fática, agora embasado em fato/documento não conhecido por ocasião do lançamento anterior. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 46/51. A Delegacia da Receita Previdenciária no Amazonas lavrou DecisãoNotificação a fls. 80/86 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/06/2006, conforme Aviso de Recebimento a fl. 89. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 92/102, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Cerceamento de defesa, em razão de lhe estarem sendo cobrados valores sem a correspondente informação do índice de juros e multa praticado; • Que o Princípio da Celeridade nos autos processuais foi violado, uma vez que a auditoria se arrastou por mais de dois anos; Fl. 371DF CARF MF 4 • Que os pagamentos de pro labore dos sócios da empresa são recolhidos em conta própria, não tendo jamais a empresa adotado a prática de pagar pro labore sem declarálos; • Que a cobrança de juros e multa é excessiva, trespassando os limites da lei, uma vez que triplicaram o valor do principal; • Que os lançamentos contábeis pesquisados referemse a materiais que foram utilizados na manutenção preventiva e corretiva das instalações da empresa, realizada por empregados de seu departamento de manutenção e serviços gerais, sem contratação de mãodeobra, com apenas pequena reforma no ano de 1996 e a utilização esporádica de empreiteiros mediante Notas Fiscais Avulsas; • Que se justificam os valores significativos por se tratar de companhia hoteleira de alto nível, com dois hotéis dispondo de 250 apartamentos, dos quais 170 são classificados como 5 estrelas, de altíssima rotatividade, daí requerer materiais de excelente qualidade e alto preço; • Que foram incluídos indevidamente no levantamento diversos valores, tais como Correção Monetária de Balanço Anual; pagamentos efetuados à empresa franqueadora Holiday Inn, lançados em conta incorreta, e taxas pagas à URBAM por reforma da piscina; • Que o Auditor Fiscal laborou em equívoco ao relatar empregados admitidos "quando já houvera sido encerrada as obras objeto da autuação", conforme passa a relacionar às fls. 047, subitem 2.1, e acrescenta que as atividades de manutenção, "entre outras menos expressiva", também se incluem nas atividades de construção. Ao fim, requer que seja tornado sem efeito o procedimento fiscal." Em resposta à diligência determinada, com base nas informações prestadas pelo Contribuinte, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Manaus/AM, produziu em 15 de setembro de 2016, o Relatório de Diligência Fiscal acostado às folhas 320. Foi dada ciência ao Recorrente em 21 de setembro de 2016 (AR fls. 330) do conteúdo do relatório fiscal de diligência, sendo aberto prazo para manifestação. Em 20 de outubro seguinte foi anexado, nas folhas 334, as contrarrazões do Contribuinte, nas quais se manifesta somente sobre a exclusão do lançamento posto que não ocorreram obras no Hotel Plaza que se encontrava alugado no período do lançamento. O presente processo administrativo foi distribuído, por meio de sorteio eletrônico para este Conselheiro em razão da extinção da turma que determinou a diligência e do término do mandato do Conselheiro Relator originário. É o relatório do necessário. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 14363.000149/201064 Acórdão n.º 2201003.671 S2C2T1 Fl. 370 5 Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira O presente recurso voluntário é tempestivo e portanto passo a apreciálo. De plano, ressalto minha total aquiescência com os fundamentos e argumentos do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, relator da Resolução 2302 000.138, que determinou a diligência devidamente cumprida pela Autoridade Lançadora que agora retorna para apreciação deste Colegiado e julgamento do lançamento realizado. De tal afirmação, e considerando que os fundamentos a motivação da mencionada Resolução de folhas 220 passa integrar o presente voto, passo por economia processual a analisar a questão a partir do resultado de diligência determinada, abaixo reproduzida: "Por tais razões, pautamos pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização faça coligir aos autos os elementos de convicção que fundamentaram a conclusão da Autoridade Lançadora de que a reforma se houve por realizada em toda a área predial do Taj Mahal Continental Hotel e do Plaza Hotel, conforme consignado no ARO, bem como o período em que foram tais reformas realizadas, tendo em vista a caducidade parcial abordada no item 2.1. supra." (negritei) Após intimar o Contribuinte para que apresentasse os documentos necessário para o cumprimento da determinação do Julgador de 2º instância a Autoridade Lançadora produziu relatório que explicita (fls 322): "3) DA ANALISE 3.1) Compulsandose os Autos verificase que a auditoria ao lavrar o presente Auto de Infração considerou o período como início da obra de Reforma em 01/07/1996 e Termino da Obra em 30/11/2002, com data de lavratura do Auto de Infração em 17 de maio de 2005; 3.2) O lançamento foi feito por aferição indireta e considerou que as citadas Reformas foram executadas em todo o empreendimento construído (metragem do empreendimento), ou seja, 12.296,00 m2 no empreendimento matriz denominado TAJ MAHAL CONTINENTAL e 4.361,26 m2 no empreendimento filial denominado PLAZA HOTEL, cujo arbitramento foi feito pelo valor do CUB da Construção Civil da época do lançamento (fls. 20 e 21) 3.3) Consoante os documentos e as respostas apresentadas pela Empresa em atenção as intimações contidas nos Termos de Diligência lavrados, temos a informar o que segue: a) Período da Obra referente às Reformas Fl. 373DF CARF MF 6 A Empresa, ao ser intimada com relação a esse item, respondeu, in verbis: "A reforma iniciouse em junho de 1996, logo após a assinatura do Contrato com a Holiday que foi dia 16/05/1996 o qual exigiu as mudanças de modernização do Hotel. Como consta nos autos do Processo acima citado, e finalizou em 09/2000, pois se tratava de uma pequena reforma que foram executados por funcionários da Manutenção da Empresa. Outrossim informo que o Hotel Plaza não pode estar incluído nesse processo, pois nesse período estava alugado como comprovamos com o contrato de aluguel." Dessa forma, constatase que a data de início da obra informada pela diligenciada está condizente com o aferido pela auditoria e constante dos autos, qual seja, 01/07/1996, corroborado pela cópia do Contrato para uso da marca "Holiday inn", anexada pela diligenciada, que segundo a Empresa, deu origem à Reforma, cuja data é "may 16, 1996". No entanto, a data fim das reformas, informada pela diligenciada, qual seja, 09/2000 não condiz com os documentos apresentados, notadamente, a escrita contábil, senão vejamos: No Livro Diário n°. 02 que contém a escrituração contábil do ano de 2002, observamse as contas: 1453 — Construções e Edifícios — Matriz e 1454— Construções e Edifícios — Filial, cuias copias carreamos aos Autos os meses: fevereiro, março, abril, Julho e Novembro/2002. Aliás, esses documentos estão condizentes com a data final das Obras aferido pela fiscalização e constante dos Autos, que é 30/11/2002. Também não procede a alegação de que o "Hotel Plaza não poderia está incluído nesse processo, pois nesse período estava alugado como comprovamos com o contrato de aluguel", senão vejamos: Como já citado no item precedente com relação à escrituração contábil do ano calendário de 2002, estão escriturados no citado Livro Diário as contas 1453 — Construções e Edifícios — Matriz e 1454 — Construções e Edifícios —Filial, Verificouse que essa nomenclatura "filial", referese ao Hotel Plaza, comprovado na reunião com o empresário, Sr. Kishin Jetaanand Harjani, a procuradora da Empresa Sra. Lavina Harjani e a Contadora, Sra. Elaine, pois se referiam dessa forma ao Hotel Plaza. A fim de reforçar a convicção de que o empreendimento denominado Hotel Plaza também sofreu reforma no período, observase no Livro Diário de 1999 a conta 203 que se refere a Reformas Filial/Taj. Portanto, os documentos carreados aos Autos comprovam que as obras de construção civil foram efetuadas nas datas constantes do Auto de Infração: Data do Início: 01/07/1996 e DataFim: 30/11/2002. b) Fundamentos para Conclusão de que a Reforma foi realizada em toda a area predial do DO TAJ MAHAL Fl. 374DF CARF MF Processo nº 14363.000149/201064 Acórdão n.º 2201003.671 S2C2T1 Fl. 371 7 CONTINENTAL HOTEL E DO PLAZA HOTEL, conforme consignado no ARO Com relação a esse item, a Empresa foi intimada a: Apresentar: Certidões, Contratos, Auto de Regularização, Auto de Conclusão, ou quaisquer documentos oficiais que identifique a área referente especificamente às Reformas, objeto do Auto de Infração em referência, que em decorrência da ausência de documentação, as reformas foram consideradas conforme metragem a seguir: TAJ MAHAL CONTINENTAL (reforma) tabela residencial metragem: 12.296,00 m2; PLAZA HOTEL (reforma) tabela residencial metragem: 4.361,26 m2 Em resposta a essa intimação, a Empresa respondeu de forma simplista: "não podemos apresentar essas Certidões e esses Autos, pois não tem, pelo fato de não ser uma obra". Com isso, fica evidenciada que a Empresa não disponibilizou a documentação necessária para que a auditoria procedesse a fiscalização nos documentos e livros apresentados." (...)" (destaques não constam do original) Por fim, a Autoridade Fiscal recalcula o tributo devido considerando a decadência verifica na Resolução que convertem o julgamento em diligência. Em sua manifestação sobre o Relatório de Diligência, a Recorrente argui (fls 334): 1 — Em circunstanciado parecer a honrada Auditora Fiscal, exarou às fls. 3/7, do retro citado Termo de Encerramento de Diligencia, o seguinte: "Também não procede a alegação de que o Hotel Plaza não poderia está incluído nesse processo, pois nesse período estava alugado como comprovamos com o contrato de aluguel, senão vejamos: "Como já citado no item precedente com relação à construção contábil do ano calendário de 2002, estão escriturados no citado Livro Diário as contas 1453 Construções e Edifícios Matriz e 1454 Construções e Edifícios Filial, Verificouse que essa nomenclatura "filial", referese ao Hotel Plaza, comprovado na reunião com o empresário, Sr. Kishin Jetaanand Harjani, a procuradora da Empresa Sra. Lavina Harjani e a Contadora, Sr. Elaine, pois se referiam dessa forma ao Hotel Plaza (•••)" 2 — Tudo muitíssimo ponderado! Todavia, abstraise do termo em questão (fls.3/7), que a própria Auditora junta o contrato em que a Matriz (Hotel TAJ MAHAL CONTINENTAL), passaria a ser uma franquia da marca 'HOLIDAY INN", da a razão da REFORMA, apenas deste, em função da transformação que lhe Fl. 375DF CARF MF 8 foi implementada, a fim de preencher os requisitos impostos pela aludida marca. 3 — No que se refere ao Hotel Plaza, este conforme exaustivamente demonstrado se encontrava ALUGADO, o que esta materializado no CONTRTATO DE LOCAÇÃO COMERCIAL, ora juntado a esta manifestação, tendo o mesmo, inclusive, sido objeto de Ação de Despejo (Processo n°01.2.10419880, conforme demonstra o r. Mandado de Citação anexo, donde emerge de forma lógica e clara que não tinha qualquer razão e ou motivação, para realizar reformas no referido imóvel, naquela ocasião. 4 — É fato que a empresa JK HARJANI & CIA LTDA é proprietária dos dois Hotéis (TAJ MAHAM CONTINENTAL (MATRIZ) E PLAZA filial), o que pode ter ensejado a referencia aos dois, o que se deu por erro material, uma vez que a realidade dos fatos apontam no sentido de que apenas o primeiro foi objeto de reformas, pelas razoes já apontadas, residindo neste equivoco, as razões da presente manifestação, no sentido de que seja afastado do presente procedimento Fiscal, a realização de obras no Hotel Plaza, por absoluta ausência de materialidade deste fato, já que o mesmo não sofreu qualquer obra e/ou reformas." Vejo hígido o lançamento. Explico. Como cediço, o procedimento de arbitramento deve ser aplicado em todos os procedimentos fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias principais, nos quais o sujeito passivo não apresentar os documentos necessários para a que o Fisco possa cumprir seu mister. Ao adotar o arbitramento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga na execução de obra de construção civil, consoante a previsão do artigo 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, o Auditor Fiscal tendo verificado a ocorrência do fato gerador tributário, no caso o emprego de mãodeobra assalariada em obra de construção civil, e não tendo os elementos suficientes para quantificálo por falta de documentos aptos a comprovar a base de cálculo do tributo, transfere para o contribuinte o ônus da prova de tal grandeza tributária. No caso em apreço, o sujeito passivo não logrou êxito em afastar a presunção legal da ocorrência do fato gerador, ou modificála substancialmente, ao longo de todo o procedimento de fiscalização e do processo administrativo tributário. Não de maneira completa. É certo que, ainda durante o julgamento de primeira instância, em resposta a diligência determinada pelo julgador a quo, houve a apresentação de documentos que permitiram a mudança de critério de aferição, com evidente redução do valor apurado, e em resposta a diligência determinada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, existiu a apresentação de documentos que corroboraram o período de execução da obra. Tais comprovações produziram seus efeitos perante o Fisco. Dos documentos acostados, podemos verificar, em consonância com as conclusões da Auditora Fiscal encarregada do Relatório de Diligência, que o período de execução da obra se deu entre 01/07/1996 e 30/11/2002. Tal verificação decorre da Fl. 376DF CARF MF Processo nº 14363.000149/201064 Acórdão n.º 2201003.671 S2C2T1 Fl. 372 9 constatação, feita pela própria Recorrente, que o início da obra se dá após a pactuação da permissão de uso da marca "Holiday Inn". Quando ao término, pelo documentos contábeis juntados aos autos, se comprova a realização de despesas até novembro de 2002, firmando a data constante do lançamento por aferição. Logo, como asseverado na Resolução da extinta 2ª TO da 3ª Câmara, operou se a decadência do direito de crédito da União relativo ao período anterior a dezembro de 1999, inclusive. Por fim, forçoso reconhecer que não cabe razão ao Recorrente quando postula pela exclusão do lançamento dos valores relativos às obras realizadas no Hotel Plaza, em razão do mesmo se encontrar alugado. Em que pese não se duvidar de tal contrato de locação, não pode, ou não soube, o Recorrente comprovar que tal obra não se realizou, posto que tal existência foi verificada em sua própria contabilidade, conforme comprovado pelos documentos juntados aos autos. A força probante da escrituração contábil é reconhecida pelo próprio Código Civil Brasileiro, Lei 10.406/02, que textualmente assevera em seu artigo 226: "Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifos não constam do texto legal) Ora, tendo o própria Recorrente escriturado tais despesas em sua contabilidade como sendo relativas ao seu estabelecimento conhecido como Hotel Plaza, durante todo o período do lançamento, e ainda, ao reconhecer textualmente ser esse hotel de sua propriedade (fls. 335 da sua Manifestação sobre o Relatório de Diligência), não há respaldo em provas para as alegações de que não foram realizadas tais obras às expensas do contribuinte. Por todo o exposto, entendo correto o lançamento tributário por aferição indireta das contribuições previdenciárias incidentes sobre as obras de construção civil em comento, em face da ausência de comprovação por documentos hábeis e idôneos do cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais previdenciárias e as devidas aos terceiros incidentes sobre a realização de tais obras. Por amor a clareza, reitero a ocorrência da decadência dos valores relativos aos fatos geradores até a competência novembro de 1999, inclusive. Os cálculos de tal exclusão encontramse demonstrados às páginas 327 e 328, do Relatório Fiscal de Diligência. CONCLUSÃO Com base nos fatos e fundamentos mencionados, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a decadência dos valores relativos às contribuições devidas nas competências anteriores a dezembro de 1999. Fl. 377DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001833/2004-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N. 8.
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977e os artigos45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.
DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS AO COLEGIADO DE ORIGEM.
Em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como para evitar supressão de instância, necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem para a verificação dos pressupostos fáticos que, conforme normas vinculantes enunciadas inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conduzem à aplicação do art. 150 ou 173 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento apenas em relação à decadência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que entenderam ser aplicável a teoria da causa madura.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ILSON ROBERTO SCHMITZ – ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N. 8. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977e os artigos45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS AO COLEGIADO DE ORIGEM. Em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como para evitar supressão de instância, necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem para a verificação dos pressupostos fáticos que, conforme normas vinculantes enunciadas inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conduzem à aplicação do art. 150 ou 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento apenas em relação à decadência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que entenderam ser aplicável a teoria da causa madura. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 33 /2 00 4- 50 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 9101002.822 CSRFT1 Fl. 492 2 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Tratase de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN” ou “Recorrente”) sob o fundamento de contrariedade à lei (art. 5o, I, do então RICSRF), em que é parte ILSON ROBERTO SCHMITZ – ME (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), contra a decisão não unânime do acórdão nº 10808.940 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (doravante “Câmara a quo”), o qual acolheu a preliminar de decadência quanto ao 1º e 2º trimestres de 1999, O caso envolve auto de infração do qual o contribuinte foi cientificado em 26.07.2004 (efls. 391 e seg.) para a exigência de Contribuinte Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) decorrente da diferença entre o valor escriturado e o declarado pelo contribuinte no período de apuração compreendido entre 01/01/1999 a 30/06/2002, bem como multa de 75% e juros de mora. Após a sua impugnação administrativa ter sido julgada improcedente pela DRJ (efls. 441 e seg.), o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 455 e seg.), em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 470 e seg.): PAF — CERCEAMENTO DE DEFESA — Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é possibilitado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. DECADÊNCIA CSLL — Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. DADOS DA CPMF INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL – O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. E mais, ainda que a fiscalização tenha iniciado por incompatibilidade entre a receita declarada e a receita movimentada, o lançamento se baseou única e exclusivamente na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, não havendo que se falar em ilegalidade no procedimento de fiscalização. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 9101002.822 CSRFT1 Fl. 493 3 LANÇAMENTO LASTREADO EM DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA EFETIVA RECEITA TRIBUTADA Não há que se falar em lançamento baseado em meros indícios, quando a autoridade fiscal faz prova dos elementos que deram margem à tributação, mormente quando se trata de documentação fornecida pelo próprio contribuinte. MULTA DE OFICIO — Correta a aplicação de multa de ofício à razão de 75%, nas situações previstas no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. JUROS DE MORA — O não pagamento de débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições, sujeita a empresa à incidência de juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic. Preliminar de cerceamento de defesa Rejeitada. Preliminar de decadência suscitada acolhida. Recurso negado. Na parte que interessa ao presente recurso especial, compreendeu a decisão recorrida que a contagem do prazo decadencial para a lançamento da CSLL não seria regido pelo art. 45 da Lei Ordinária n. 8.212/91, mas sim pelo art. 150 do CTN. A PFN interpôs recurso especial, no qual requer seja declarado nulo o acórdão recorrido ou, alternativamente, seja reconhecida a ausência de decadência no caso (e fls. 486 e seg.). O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 499 e seg.). Em suas razões recursais, em apertada síntese, suscita a recorrente: O art. 45, I, da Lei nº 8.212/91 teria instituído o prazo decadencial da CSLL como sendo de 10 anos, contados a partir “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído”; Não competiria ao CARF julgar dispositivos legais inconstitucionais, devendo o recurso ser provido para anular o acórdão a quo nesta parte ou, ainda, julgar válida a adoção do prazo previsto no art. 45, I, da Lei nº 8.212/91; O art. 150, § 4º, do CTN conteria a possibilidade de lei ordinária fixar prazo de homologação diverso. O CTN trataria de normas gerais, não havendo vedação pela Constituição de regulações específicas sobre a mesma matéria. O contribuinte foi intimado (efls. 501), mas não interpôs recurso especial e nem apresentou contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 502). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Tratase de recurso especial interposto sob o fundamento de contrariedade à lei, razão pela qual não cabe verificar a existência de divergência de interpretação entre Turmas deste Tribunal. Ademais, o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para o conhecimento do recurso, razão pela qual compreendo não merecer reparos Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 9101002.822 CSRFT1 Fl. 494 4 Adentrando ao mérito, verificase que, quando da prolação da decisão recorrida (2006), ainda não havia sido editada nem a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal (2008) e nem o acórdão do Recurso Repetitivo n. 973.733 (2010), do Superior Tribunal de Justiça. Assim, inserida no contexto histórico anterior às referidas decisões hoje vinculantes, a Turma a quo adotou o entendimento, bastante difundido à época, de que tributos sujeitos a lançamento por homologação, ausente o dolo para a evasão, deveriam necessariamente ser regidos pelo art. 150 do CTN. Após a prolação da decisão recorrida, o Supremo Tribunal Federal enunciou a Súmula Vinculante n. 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.” Portanto, deve ser aplicado o prazo decadencial estabelecido pelo CTN e não aquele previsto o art. 45, inciso I, da Lei n. 8.212/91. Tratase de matéria reservada à lei complementar, com a inconstitucionalidade do referido dispositivo de lei ordinária já declarada pelo STF (Súmula Vinculante n. 8). Contudo, compreendeu o Colegiado desta i. CSRF que, com a aplicação da Súmula Vinculante ao caso, é preciso também verificar os pressupostos fáticos para aplicação do Recurso Repetitivo do STJ n. 973733 ou outras normas vinculantes aplicáveis. Com o objetivo de evitar supressão de instância e garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa, então, fazse a necessário o retorno dos autos à Turma a quo, a fim de que seja proferido novo julgamento apenas em relação à decadência. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento apenas em relação à decadência. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722593/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 59 3/ 20 09 -1 1 Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.271 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal Auto de Infração, (AI) DEBCAD nº 37.057.2416, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 2.530.582,30 (dois milhões e quinhentos e trinta mil e quinhentos e oitenta e dois reais e trinta centavos).consolidado em 28/12/2009, relativo às contribuições sociais devidas pela empresa (20%) e GILRAT (1%) à Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e contribuinte individuais, no período de 01/2004 a 12/2006, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores apurados, através dos seguintes levantamentos: • CI CONTRIBUINTE INDIVIDUAL DIRF remuneração paga aos prestadores de serviço, segurados contribuintes individuais, conforme declarado na DIRF, nas competências 10/2004, 03/2005, 04/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 12/2005 e 01/2006, com aplicada multa anterior (24%). • CI1 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL DIRF remuneração paga aos prestadores de serviço, segurados contribuintes individuais, conforme declarado na DIRF, nas competências 01/2004, 06/2004, 08/2004, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 08/2006 e 10/2006, com aplicada multa de oficio (75%). • PS PRESTADOR DE SERVIÇO PF relacionado às remunerações pagas aos demais contribuintes individuais por serviços prestados sem vinculo empregatício, nos meses de 10/2004, 02/2005, 03/2005, 05/2005, 07/2005, 08/2005, 12/2005, 01/2006 e 03/2006, verificados na contabilidade e na Relação de Pagamento a Autônomos, com aplicação de multa anterior (24%). • PS1 PRESTADOR DE SERVIÇO PF relacionado às remunerações pagas aos demais contribuintes individuais por serviços prestados sem vínculo empregatício, nos meses de 01/2004, 02/2004, 06/2004, 08/2004 09/2004 04/2006, 08/2006, 09/2006, verificada na contabilidade e na Relação de Pagamento a Autônomos, com aplicada multa de ofício (75%). • FP DIVERGÊNCIA DIARIO X GFIP relativo às diferenças de remuneração verificada entre GFIP e os lançamentos contábeis registrados nas contas4010101, 4010102, 4010103, 4010109, 4010121, 2010701 4010129 4010130, 4010131, 2010712, 2010713, 4010137, 4010138, 4010139, 4010140, 2010405, 4010122, 2010702 e 2010408, relativos às competências: 10/2004, 02/2005 a 05/2005, 08/2005 a 10/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006, com aplicação de multa anterior (24%). Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.272 3 • FP1 DIVERGÊNCIA DIARIO X GFIP relativo às diferenças de remuneração verificada entre GFIP e os lançamentos contábeis registrados nas contas4010101, 4010102, 4010103, 4010109, 4010121, 2010701 4010129 4010130, 4010131, 2010712, 2010713, 4010137, 4010138' 4010139' 4010140, 2010405, 4010122, 2010702 e 2010408, relativos às competências: 08/2004, 04/2006, 09/2006, 10/2006 e 13/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • IH INCENTIVE HOUSE FLEXCARD referentes a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de incentivo à produtividade prêmio realizados mediante a utilização de cartões personalizados denominados "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" por intermédio da empresa Incentive House S/A (CNPJ 00.416.126/000141) identificado na contabilidade através dos lançamentos efetuados nas contas: 401050505 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 4010112 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 2010201 (Fornecedores), 2010703 (Provisões Diversas), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010608 (Credores Diversos), 4010143 (Benefícios), relativo aos meses de 10/2004, 02/2005, 04/2005, 01/2006 e 03/2006, com aplicação de multa anterior (24%). • IH1 INCENTIVE HOUSE FLEXCARD referentes a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de incentivo à produtividade prêmio realizados mediante a utilização de cartões personalizados denominados "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" por intermédio da empresa Incentive House S/A (CNPJ 00.416.126/000141) identificado na contabilidade através dos lançamentos efetuados nas contas: 401050505 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 4010112 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 2010201 (Fornecedores), 2010703, (Provisões/Diversas), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010608 (Credores Diversos), 4010143 (Benefícios), relativo aos meses de 06/2004 a 08/2004, 11/2004, 04/2006 e 06/2006 a 09/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • PP PREVIDÊNCIA PRIVADA relativo a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de previdência privada, benefício não estendido a todos os segurados, constituindo salário indireto, verificado na escrituração contábil através dos lançamentos efetuados nas contas: 4010133 (Previdência Privada), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP) 2010201 (Fornecedores), 4010146 (RH Indireto Previdência Privada)' 2010616 (Previdência) referente ao período de 10/2004, 12/2004 02/2005 a 12/2005, 01/2006 e 03/2006. Valores não declarados nas GFIP, com aplicação de multa anterior (24%). • PP1 PREVIDÊNCIA PRIVADA relativo a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de previdência privada, benefício não estendido a todos os segurados, constituindo salário indireto, verificado na escrituração Privada), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010201 (Fornecedores), 4010146 (RH Indireto Previdência Privada), 2010616 (Previdência) referente ao período de 05/2004 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 02/2006 e 04/2006 a 12/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • GF DECLARADO EM GFIP relativo às remunerações e contribuição dos segurados declarados em GFIP. Levantamento criado para apropriar os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para a correta confrontação dos valores das contribuições devidas apurados durante a auditoria. • DAL Diferenças de acréscimos legais. Correspondente a cobrança de diferença de juros/multa recolhidos a menor quando do pagamento de GPS, 05/2005. Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.273 4 A multa de ofício aplicada sobre as contribuições lançadas no presente auto de infração, relativas às competências 01/2004 e 02/2004, 05/2004 a 09/2004. 11/2004, 01/2005, 02/2006, 04/2006 a 11/2006 e 13/2006 foi aumentada da metade, passando a ser de 112,5% (cento e doze vírgula cinco por cento), na forma que dispõe o art. 44, § 2º, incisos I e II, combinado com o art. 44, inciso I, todos da Lei n° 9.430/96, com a redação trazida pela Lei n° 11.488/2007. Tal agravamento decorreu da conduta da empresa em: a) não fornecer a relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência relativos às notas fiscais emitidas pela Incentive House, referentes aos valores pagos em 25/04/2006, no valor de R$ 8.526,00 lançado na conta 4010143 e em 31/07/2006, no valor de R$ 6.330,00 escriturado na conta 401050505, impossibilitando a correta identificação dos segurados abrangidos por esses pagamentos; b) não fornecer a relação dos beneficiários de plano de previdência privada por nota fiscal indicando os valores dos prêmios e descontos, relativo às empresas Icatu Hartford e Vera Cruz Seguradora; e c) apresentação tardia (em 06/07/2009) das informações em meio digital no leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD da Secretaria da Receita Previdenciária SRP, cujo prazo para apresentação expirou em 28/02/2008. Cientificada em 04/01/2010, a autuada apresentou impugnação de efls. 3027/3043, com juntada de documentos de efls. 3044/3091, onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: Preliminarmente: • INEXISTÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA PELO SUJEITO PASSIVO: 7.1. De acordo com os fatos expostos no Relatório Fiscal, não houve evidente intuito de fraude pela impugnante a justificar a acusação de que pelo fato das contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração não terem sido recolhidas nem declaradas em GFIP, configurouse, em tese, o ilícito descrito no artigo 337A, do Decreto Lei n° 2.848/40 (Código Penal Brasileiro), tendo sido emitida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), e encaminhada ao Ministério Público Federal. 7.2. Entende a defesa, que a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar a existência da fraude, razão pela qual devem ser anulados os efeitos jurídicos de tal declaração, em especial no que diz respeito à contagem do prazo decadencial, a qual deveria aplicar o §4º do artigo 150 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. • DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ANO DE 2004): 7.3. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do Recurso Especial n° 973733, publicado em 18.09.2009, decidiu que, nos casos em que não há qualquer pagamento antecipado, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial previsto no artigo 173 inciso I, do CTN, e não aquele previsto no artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Referida decisão está submetida ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil, que dispõe sobre os recursos repetitivos, de modo que a referida decisão é aplicável aos demais recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.274 5 7.4. No caso sob exame, o lançamento decorre da insuficiência do recolhimento do tributo, em razão da homologação parcial das GFIP's transmitidas, tendo sido reconhecido o recolhimento, ainda que insuficiente, de contribuições previdenciárias no período objeto da Fiscalização (janeiro de 2004 a dezembro de 2006), consoante reconhecido pela própria Autoridade Fiscal em seu relatório. 7.5. A impugnante, portanto, recolheu a totalidade da contribuição previdenciária apurada e declarada segundo os critérios de apuração por ela adotados, devendo ser aplicado o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. Havendo pagamento, ainda que parcial, o termo inicial para contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser a data da ocorrência do fato gerador, conforme entendimento adotado pelo CARF o qual cita acórdão. 7.6. De acordo com o artigo 30 da Lei n° 8.212/1991, o período de apuração das Contribuições Previdenciárias das empresas e dos segurados (empregado e contribuinte individual) é mensal, devendo ser este o termo início da contagem do prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários. 7.7. Assim, tendo em vista que a impugnante foi cientificada do lançamento no dia 04.01.2010. à época, já estavam atingidos pela decadência os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2004. Quanto ao mérito: • DO ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO: IMPROCEDÊNCIA DOS VALORES LANÇADOS. 7.8. No caso em questão, conforme previsto no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a base de cálculo da contribuição em referência é o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços à empresa. 7.9. No período fiscalizado, a IMPUGNANTE realizou pagamentos à ICATU HARTFORD (CNPJ n° 42.283.770/000139) e à VERA CRUZ SEGURADORA S/A (CNPJ 54.484.753/000149), a título de previdência privada, os quais foram considerados como salários indiretos. 7.10. Contudo, em sua análise, em relação à rubrica Previdência Privada, a Fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,03, sendo à R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD; e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 7.11. O erro na apuração da base de calculo decorre da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.275 6 pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 7.12. Como decorrência, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à Impugnante, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição. 7.13. Para comprovar o alegado, a defesa apresenta Declaração da empresa VERA CRUZ SEGURADORA S/A, e da ICATU HARTFORD, com a indicação dos valores recebidos da IMPUGNANTE, a título de previdência complementar, no período fiscalizado. 7.14. Por todo exposto, ao considerar meros ajustes contábeis como base de cálculo da contribuição previdenciária, houve erro na construção do lançamento, eivandoo de vício material insanável, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração. De acordo com o artigo 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a determinação da matéria tributável são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento, conforme entendimento do CARF, o qual cita ementa. 7.15. Portanto, apesar de a Fiscalização ter considerado documentos de caráter gerencial, a autoridade fiscal não compreendeu a existência de dois lançamentos para um mesmo fato contábil um após o outro (mas, o mesmo fato) sendo o segundo lançamento realizado unicamente para obedecer ao critério de rateio por centro de custos (divisão gerencial, apenas). Assim, na composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, em relação aos pagamentos de previdência privada, foram computados valores que não correspondem aos efetivamente incorridos pela IMPUGNANTE, posto que decorriam de uma mesma obrigação (e não de duas, como interpretou a Fiscalização). • DA IMPROCEDÊNCIA DA PENALIDADE AGRAVADA: 7.16. A autoridade fiscal aplicou, ao presente caso, a penalidade de ofício agravada, no percentual de 112,5%, sob o fundamento de que a Impugnante apresentou, fora do prazo, as informações relativas à folha de pagamento em meio digital; e deixou de apresentar a relação dos valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas previdência privada, por nota fiscal, indicando os valores dos prêmios e descontos, relativos às empresas ICATU HARTFORD E VERA CRUZ SEGURADORA. 7.17. Com relação ao atraso na entrega de informações em meio digital este decorreu do exíguo prazo 3 dias estipulado pela Fiscalização. Tão logo dispôs dos referidos documentos, estes foram apresentados à fiscalização. Quanto aos relatórios citados, não foi possível atender à solicitação, por não dispor a IMPUGNANTE dos documentos solicitados. Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.276 7 7.18. Frisese que não restou configurado qualquer propósito protelatório da IMPUGNANTE, com a intenção de dificultar a fiscalização. A falta de apresentação de documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. A jurisprudência do CARF afasta o agravamento da multa de ofício "quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento" (Recurso n° 159003, de 05 de fevereiro de 2009). Como exemplo, vejamos a decisão a seguir: 7.19. Desse modo, inexistindo qualquer embaraço à Fiscalização, tendo o lançamento, inclusive, se baseado na documentação fornecida pela RECORRENTE, a penalidade de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75%. • DO PEDIDO 7.20. Ante o exposto, a impugnante requer seja dado provimento a presente impugnação, para que seja reconhecida: (i) a decadência parcial do crédito tributário, relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2004, em conformidade com o artigo 150, § 4º, do CTN; (ii) no mérito, a improcedência do presente lançamento, em razão do erro na construção do lançamento, em afronta ao artigo 142 do CTN; e (iii) caso seja mantida a exigência tributária, a improcedência da penalidade agravada, devendo o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA, em sessão de 20/09/2013, julgou procedente em parte a impugnação, excluindo as competências de 01/2004 a 11/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 1.317.301,58,para R$ 1.243.055,60, nos termos do Acórdão nº 0643.861, assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO (AI).SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequadas motivações jurídicas e fáticas, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art.142, parágrafo único do CTN). DECADÊNCIA. FATOS GERADORES LANÇAMENTO DE OFICIO Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, contabilidade, etc), caso em que se aplica o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo173, inciso I, do CTN. Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.277 8 SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DE OFÍCIO. É dever dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, sob pena de responsabilidade funcional, formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que no exercício de suas atribuições verificarem, em tese, a ocorrência de conduta típica definida em lei como crime contra a Seguridade Social. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar tempestivamente os arquivos digitais . ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. PRECLUSÃO TEMPORAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, MANTENDO EM PARTE O CREDITO TRIBUTÁRIO, com exclusão das competências de 01/2004 a 11/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 1.317.301,58,para R$ 1.243.055,60, devendo ser adicionado a este os acréscimos legais. Cientificada da decisão em 15/10/2013 (efls. 3142/3143), apresentou Recurso Voluntário em 13/11/2013 (efls. 3152/3173), repisando as alegações da impugnação. Em 04/11/2014, resolveram os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.340 (efls. 3216/3220), para que a Fiscalização se manifestasse acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. Em 10/05/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 3224/3227 na qual ratifica as bases de cálculo utilizada no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito: Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.278 9 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 232 a 270) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. 7.6.Verificamos que a recorrente, por sua vez, apresenta as mesmas alegações quando da impugnação dos AIOP DEBCAD 37.183.5739, 37.183.5747 e AIOA 37.200.3095, quanto ao erro na apuração da base de cálculo do lançamento relativo aos pagamentos efetuados aos seus empregados a título de previdência privada. Nesse aspecto, importante destacar que os Acórdãos n° 0643.862, n° 0643.860 e n° 0643.863, respectivamente, proferidos pela 5a Turma de Julgamento em Curitiba (PR) afastaram estas mesmas argumentações, ora questionadas neste auto, de modo que não restam dúvidas à procedência do lançamento do crédito tributário. Assim sendo, as alegações apresentadas na peça recursal não são suficientes para afastar o procedimento adotado que teve como base a escrituração contábil da recorrente. ... 7.13.Ante o acima exposto, improcede a argumentação da recorrente de erro na base de cálculo. Portanto, não havendo retificação a ser feita na base de cálculo o crédito tributário lançado no Auto de infração DEBCAD n° 37.057.2416 deve ser mantido integralmente. A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 3231/3238) alegando que a informação fiscal juntada "não atende ao solicitado na decisão do CARF, não informa a correta base de cálculo das contribuições previdenciárias ou a forma como foi realizada a sua apuração". Também que "a diligência não aprofundou a análise da contabilidade da CONTRIBUINTE, mesmo com a apresentação de documentos que esclarecem os lançamentos efetuados e tampouco explicou como foi realizada a apuração da base de cálculo, a ponto de demonstrar que os valores contabilizados como "reversão" não foram considerados nos cálculos." É o relatório. Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.279 10 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a sua análise. Preliminares Decadência Alega a recorrente que, por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, estaria decaída também a competência 12/2004, além das já reconhecidas pela DRJ/Curitiba. Da análise dos autos, podese verificar a existência de pagamentos parciais para o período em questão (efl. 22), portanto aplicável a Súmula CARF nº 99. Súmula CARF nº 99:Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerandose a ciência do lançamento em 04/01/2010, estão decaídos todas as competências até 12/2004, inclusive. Isto porque o termo inicial da contagem do prazo decadencial da competência 12/2004 é 31/12/2004, portanto, referido prazo encerrou em 31/12/2009. Portanto, acolho a preliminar de decadência para considerar decaída também a competência 12/2004, além das já declaradas pela decisão de piso. Inexistência conduta dolosa ou fraudulenta pelo Sujeito Passivo Alega a recorrente que a mera inadimplência não caracteriza a ocorrência, em tese, da prática de sonegação fiscal, "uma vez que o mero inadimplemento do tributo não importa em infração legal ou em fraude por parte do sujeito passivo". Que para a tipificação da fraude caberia à autoridade fiscal demonstrar a conduta dolosa impetrada pela recorrente, de modo a configurar o tipo penal de sonegação fiscal, a justificar a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, bem como o agravamento da multa. Conforme item 11.3 do Relatório Fiscal (efl. 82), " Considerando que as contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração não foram recolhidas e nem declaradas em GFIP, configurase, em tese, o ilícito descrito no art. 337A do DecretoLei nº 2.848/40 (Código Penal Brasileiro), tendo sido emitida a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), e encaminhada ao Ministério Público Federal." Por seu turno o art. 337A do Código Penal assim dispõe: Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.280 11 Sonegação de contribuição previdenciária(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias:(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Portanto, tratandose "em tese" do ilícito previsto no art. 337A, do Código Penal, correto o entendimento da DRJ acerca do dever do AuditorFiscal em formalizar a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Ademais, por força da Súmula CARF nº 28 (Vinculante), este Conselho não é competente para se manifestar acerca de controvérsia referente a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Acerca do agravamento da multa, a questão será analisada em tópico posterior. Nulidade da autuação por erro na construção do lançamento Improcedência de valores lançados. A recorrente sustenta que o auto de infração encontrase eivado de nulidade por vício material, uma vez que a base de cálculo das contribuições previdenciárias referente à Previdência Privada estaria incorreta porque foram considerados "valores decorrentes de mero ajuste contábil, que não compõem a remuneração efetivamente paga/devida aos empregados e prestadores de serviços". Apresenta a seguinte tabela: Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.281 12 Traz ainda as seguintes considerações: 32.1. Em sua análise, em relação à rubrica "previdência privada", a fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor total de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,02, sendo R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD, e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S.A. 32.2.O erro na apuração da base de cálculo decorreu da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 32.3.Assim, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à RECORRENTE, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 33.Para comprovar o alegado, a RECORRENTE apresentou, juntamente à sua impugnação, planilhas esclarecendo os lançamentos efetuados em sua contabilidade e declarações das próprias empresas VERA CRUZ SEGURADORA S/A e ICATU HARTFORD (fls. 3085 a 3091 dos autos), com a indicação dos valores recebidos da RECORRENTE, a título de previdência privada, no período fiscalizado. 34.Dessa feita, restando demonstrado o erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta identificação da matéria tributável, é de se decretar a nulidade do auto de infração lavrado em face da RECORRENTE por vício insanável, em consonância com o art. 142 do CTN e com o entendimento adotado por este Conselho, que se extrai dos seguintes julgados: (...) Por sua vez, a autoridade fiscal instada a se manifestar sobre a base de cálculo do lançamento por meio da Resolução nº 2302000.340 (efls. 3216/3220), ratifica os valores lançados, e esclarece que: 7.2.As bases de cálculo das contribuições das contribuições lançadas, objeto do presente questionamento, estão demonstradas nos seguintes anexos: Anexo PP2004 Previdência Privada Contabilização 2004 (fls. 232 a 234); Anexo PP2005 Contabilização: Previdência Privada (2005) Icatu Hartford (fls. 235 a 253); Anexo II Contabilização Previdência Privada 2005 (Resumo fls. 254); Anexo PP2006 Previdência Privada 2006 Icatu Hartford/Vera Cruz (fls. 255 a 269); Anexo PP2006 Contabilidade Previdência Privada (2006) Icatu Hartford / Vera Cruz (fls. 270); 7.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número, data e histórico do lançamento; código e descrição da conta contábil; valor lançado Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.282 13 (débito / crédito); número do boleto; número da nota fiscal, bem como quadro resumo, detalhado, por conta e por mês, os valores dos pagamentos a título de previdência privada não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 232 a 270) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. (grifo nosso) Analisando as planilhas apresentadas pela recorrente (efls. 3085/3091) verifica se que constam apenas os totais das contas contábeis utilizadas no lançamento, sem a demonstração da composição dos alegados lançamentos de reversão ( Ano 2005 R$ 735.311,46; Ano 2006 R$ 536.370,00). De outra banda, a autoridade fiscal, nos demonstrativos PP2004, PP2005, PP2006 e anexos (efls. 232/270), registra todos os lançamentos contábeis que foram considerados na base de cálculo para fins de constituição do crédito tributário e não há nenhum lançamento que possa ser identificado como de reversão que possa justificar o alegado pela recorrente. Nesse ponto, importante salientar que o ônus da prova incumbe a quem alega. Assim, a autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscal tem o dever de instruir corretamente o processo trazendo aos autos todas as provas que possui para conferir robustez ao lançamento fiscal; por outro lado, após a emissão do auto de infração, o ônus da prova invertese. Agora quem tem que provar a inveracidade do documento público constituído é o sujeito passivo, no caso, a recorrente. Entretanto simples alegações não se sustentam se não houver uma prova trazida aos autos da incorreção apontada. E aqui, peca a recorrente, pois alega sem fazer prova de suas alegações. Ademais, tanto na peça impugnatória quanto na recursal, a alegação é apenas refutando o lançamento por incorreção na apuração da base de cálculo, sem adentrar no mérito. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que esta não se desincumbiu do ônus de demonstrar quais os lançamentos que teriam integrado incorretamente a base de cálculo do levantamento Previdência Privada no auto de infração em análise. Agravamento da Multa Com relação ao agravamento da multa, alega que, apesar do atraso na prestação as informações/documentos solicitados pelo fisco, não restou configurado qualquer efeito Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.283 14 protelatório, com intenção de dificultar a fiscalização. Também que a falta de apresentação de alguns documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. Conforme item 9 do Relatório Fiscal (Do Agravamento), a aplicação da multa agravada não decorreu da falta de pagamento, mas sim da prática de condutas que, no entender do Auditorfiscal, enquadramse no que dispõe o art. 44, § 2º, incisos I e II, combinado com o art. 44, inciso I, todos da Lei n° 9.430/96, com a redação trazida pela Lei n° 11.488/2007 (dificultar a ação fiscal). Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam osarts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Tais condutas, no caso sob exame, seriam: a) não fornecer a relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência relativos às notas fiscais emitidas pela Incentive House, referentes aos valores pagos em 25/04/2006, no valor de R$ 8.526,00 lançado na conta 4010143 e em 31/07/2006, no valor de R$ 6.330,00 escriturado na conta 401050505, impossibilitando a correta identificação dos segurados abrangidos por esses pagamentos; b) não fornecer a relação dos beneficiários de plano de previdência privada por nota fiscal indicando os valores dos prêmios e descontos, relativo às empresas Icatu Hartford e Vera Cruz Seguradora; e c) apresentação tardia (em 06/07/2009) das informações em meio digital no leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD da Secretaria da Receita Previdenciária SRP, cujo prazo para apresentação expirou em 28/02/2008. Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.284 15 Verificase que as multas foram agravadas com base no disposto nos incisos I e II do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que trazem condutas exatamente idênticas às praticadas pela recorrente. Salientese que não se trata da multa qualificada, fundamento do § 1º do mesmo artigo 44, na qual há a vinculação expressa à necessidade de comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Portanto, não assiste razão à recorrente. Mérito O recurso interposto não apresenta alegações quanto ao mérito do lançamento, limitandose às questões preliminares antes analisadas, portanto considerase que a matéria não foi contestada de forma adequada, tornandose incontroversa na esfera administrativa. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência da competência 12/2004. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10480.722593/200911 Resolução nº 2301000.648 S2C3T1 Fl. 3.285 16 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Redator A divergência cingese à possibilidade de conhecimento dos documentos juntados pelo recorrente já na fase de julgamento pelo CARF. Quanto a preclusão temporal, a matéria tem disciplina no Decreto nº 7.574/2011: Art.57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): ... §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, os documentos levados ao conhecimento do colegiado têm relação direta com o fato gerador da obrigação principal e, de fato, vêm complementar as demais provas já juntadas aos autos quando da impugnação. Tendo a decisão recorrida rejeitado todas as alegações na impugnação com vasta fundamentação, o recorrente buscou elucidar os pontos mais relevantes e, naturalmente, trouxe aos autos documentos que entende melhor ajudam na compreensão. Entendo escusável a juntadas de provas após a impugnação desde que pelos fundamentos da decisão recorrida sejam mais oportunas à época do recurso voluntário e pela sua relevância sejam hábeis para a solução do caso. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as provas juntadas sejam examinadas pela fiscalização e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3301DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903526/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 26 /2 01 0- 81 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903526/201081 Acórdão n.º 1301002.352 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000183/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
LIMITES DA LIDE.
Considera-se não questionada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada no recurso, a teor do artigo 17 do PAF.
A lide limita-se, por um lado, pela exigência do Fisco, formalizada na Notificação de Lançamento, e de outro pela resistência do contribuinte, em relação àquela exigência. Pretender incluir na apuração, em sede de recurso administrativo, outras despesas médicas que não foram declaradas em DIRPF e propor uma revisão de ofício de sua declaração, transborda a lide a cargo deste Conselho.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. DESPESAS MÉDICAS COM ENFERMAGEM EM RESIDÊNCIA.
Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição
CO-PROPRIEDADE DE IMÓVEL. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A solidariedade não comporta benefício de ordem. O pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de R$ 3.785,63.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Considerase não questionada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada no recurso, a teor do artigo 17 do PAF. A lide limitase, por um lado, pela exigência do Fisco, formalizada na Notificação de Lançamento, e de outro pela resistência do contribuinte, em relação àquela exigência. Pretender incluir na apuração, em sede de recurso administrativo, outras despesas médicas que não foram declaradas em DIRPF e propor uma revisão de ofício de sua declaração, transborda a lide a cargo deste Conselho. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. DESPESAS MÉDICAS COM ENFERMAGEM EM RESIDÊNCIA. Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição COPROPRIEDADE DE IMÓVEL. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A solidariedade não comporta benefício de ordem. O pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 83 /2 01 0- 78 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 293 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de R$ 3.785,63. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.716 (fl. 260), desta Turma Ordinária, em Sessão de 17 de agosto de 2016, complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 05/11), no qual está sendo alterado o imposto de renda a restituir declarado pelo contribuinte no valor de R$ 1.849,44, para imposto de renda suplementar de R$ 10.392,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano calendário 2007. O lançamento fiscal é decorrente de glosa de despesas médicas, no valor de R$ 39.388,70, por não atendimento a intimação para prestar esclarecimento e consequente falta de comprovação. Consta também da exigência fiscal omissão de rendimentos, no valor de R$ 16.067,20, das seguintes fontes pagadoras: a) Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/0001 18, sendo que na Dirf apresentada pela fonte pagadora o rendimento foi de R$ 30.285,00, e a contribuinte informou em sua declaração o valor de R$ 15.142,50, o que resultou na omissão de R$ 15.142,50. b) Banco ABN AMRO REAL SA, CNPJ 33.066.408/000115, sendo que a fonte pagadora informou em Dirf o valor de R$ 28.093,72 e consta da declaração do contribuinte o valor de R$ 27.169,02, o que ensejou a omissão de R$ 924,70. (...) A DRJ ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o determinado pela revisão de ofício procedida pela Delegacia da Receita Federal, em resumo, nos seguintes termos: Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 294 3 1 Verificase, portanto, que deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de despesas médicas, por ausência de previsão legal para a dedutibilidade, relativos à prestação de serviço de enfermagem domiciliar, ainda que seja um gasto necessário à pessoa idosa e/ou enferma. 2 Compulsando os autos, se constata que não foram apresentados para exame os citados contratos de aluguel. Não consta também qualquer elemento de comprovação de que Aurena Maria Krieck, e Enaura Maria Krieck de Iasi, sejam proprietárias do imóvel alugado para a locatária Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118. Por definitivo, se constata que a fonte pagadora não procedeu qualquer retificação com relação aos valores informados em sua Dirf. Assim, considerando as discrepâncias de informações apresentadas pela impugnante, bem como a precariedade de suas alegações, as quais se mostram desacompanhadas de elementos de provas documentais, considero que deve ser mantida a exigência com relação a este fato gerador. Cientificada dessa decisão em 20/05/2013 (AR na folha 240), a contribuinte, através de inventariante (fl. 16), apresentou recurso voluntário em 18/06/2013. Em sede de recurso, alega, em suma, que a contribuinte encontravase enferma e evidente que seu estado requeria cuidados médicos; que as despesas com enfermagem, no valor de R$ 19.248,00 devem ser acatadas; requer ainda que seja aumentado o valor das despesas medicas dedutíveis, apresentadas na DIRPF, em face dos comprovantes em valor superior apresentados no curso desta lide. Com relação aos rendimentos de aluguel, diz que "as declarações de imposto de renda do exercício de 2008 das proprietárias e beneficiárias" Enaura Terezinha Krieck de Biaggi e Aurena Maria Krieck de Iasi, tratam do rendimento considerado "não declarado" na notificação de lançamento aqui em discussão. Diz ser desnecessária sua juntada, uma vez que tais declarações estão "em poder do Fisco". No voto condutor do Acórdão anterior, temos que: Neste momento, antes de proferir qualquer juízo de valor sobre a questão das despesas médicas, inclusive aquelas que a recorrente pretende aditar à sua declaração, na fase litigiosa do procedimento, entendo necessário ser tratada a "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica" (rendimentos de aluguéis), descrita na Notificação de Lançamento, na folha42. Como já assentou a DRJ, em relação à fonte ABN AMRO REAL S/A, não houve questionamento expresso e a questão está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em relação à fonte Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, a contribuinte declarou um rendimento de R$ 15.142,50, quando a locatária informou em DIRF (fl. 191) um pagamento de R$ 30.285,00. Como se pode observar, a relação é de exatos 50%. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 295 4 Desde a impugnação, como registrado pela DRJ, a alegação da recorrente é de que o imóvel alugado não lhe pertencia integralmente e que declarou apenas a parcela que lhe coube dos rendimentos de aluguel. A alegação não foi aceita porque, primeiro, em fase preliminar a contribuinte havia alegado "erro de fato" e na impugnação estava alterando seu argumento; segundo porque não apresentava qualquer documentação que pudesse subsidiar suas alegações, sobre a existência de terceiros interessados e beneficiários da relação locatícia. A recorrente aponta, no recurso, que os outros 50% dos rendimentos de aluguel foram recebidos e declarados por Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e por Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868. Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: ... diligência para que a DRF de origem providencie o seguinte: a) anexe a DIRPF/2008 da contribuinte recorrente, Helga Ana Cordeiro Krieck, que não localizei nestes autos; b) verifique nas DIRPF/2008 de Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868 se consta a informação de rendimentos recebidos da fonte DROGARIA E FARMACIA GEMBALLA LTDA, CNPJ: 85.778.611/000118 (fl. 42), e em que valores, elaborando relatório circunstanciado sobre as informações; c) verifique a existência de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, para a contribuinte Helga Ana Krieck, relativa ao ano calendário de 2007, anexandoa a estes autos; d) dê ciência à recorrente (através da inventariante) sobre o resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, inclusive com a apresentação do contrato de aluguel ou registro da propriedade do imóvel locado, a fim de subsidiar suas alegações. Cumprida a diligência, a Unidade preparadora fez anexar aos autos os documentos de fls. 269, 274 e 275, e providenciou o Relatório de fls. 276. O contribuinte manifestouse na fl. 279 e trouxe o Registro Imobiliário de fls. 281 e seguintes. Assim, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 296 5 O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiramente, analisando o recurso, importante delimitar a lide que chega a esta instância recursal, à luz dos artigos 14, 15 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e 147 e 149, do CTN. I – DESPESAS MÉDICAS Em relação às despesas médicas, conforme Notificação de Lançamento, foi glosado o total de R$ 39.388,70. No Termo Circunstanciado que consta das folhas 192 e seguintes, a DRF em Blumenau/SC decidiu proceder a alteração do lançamento e entendeu ser indevido apenas o valor de R$ 19.248,00, considerando admitidas as despesas no total de R$ 20.140,70. Portanto, com base no que foi pleiteado a título de despesas médicas na DIRPF e o que está em exigência pela Receita Federal, entendo que a lide limitase a esse valor, de R$ 19.248,00, não sendo cabível, no curso deste processo, pleitear a inclusão de outras despesas, não declaradas. A lide limitase, de um lado, pela exigência fiscal e por outro, pela resistência do contribuinte sobre aquela exigência. Incluir outras despesas médicas seria realizar revisão de ofício na DIRPF, o que é de competência da Delegacia da Receita Federal. O valor acima especificado referese à despesas com enfermagem em residência. Disse a Autoridade Fiscal, na fl. 192/3 que “os serviços de enfermagem prestados em residência do contribuinte não são dedutíveis do imposto de renda pois não há previsão legal para isso.” A DRJ, a seu turno, assentou que “deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de despesas médicas, por ausência de previsão legal para a dedutibilidade, relativos à prestação de serviço de enfermagem domiciliar, ainda que seja um gasto necessário à pessoa idosa e/ou enferma”. Mencionou ainda que “as despesas efetuadas com esses profissionais são dedutíveis desde que por motivo de internação do contribuinte ou de seus dependentes e integrem a fatura emitida pelo estabelecimento hospitalar.” O Julgador de 1ª instância procurou deixar claro que não estava questionando a necessidade do acompanhamento profissional em domicílio, mas que estava ausente um requisito formal para admitir a despesa como dedutível. Nesse sentido, já se pronunciou a Câmara Superior deste CARF: Acórdão 9202003.021, Sessão de 11 de fevereiro de 2014. Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. INTERNAÇÃO HOSPITALAR EM RESIDÊNCIA. Despesas médicas com enfermagem em residência. Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 297 6 qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição.(sublinhei) Recurso especial provido. A questão repousa então nos recibos anexados aos autos, fornecidos pela enfermeiras acompanhantes, que não são Nota Fiscal/fatura emitida por estabelecimento qualificado como hospital. Portanto, mantémse a glosa do valor, conforme decidido em 1ª instância. II – RENDIMENTOS DE ALUGUEL Em relação aos rendimentos de aluguel, recebidos de Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118, discutese uma omissão de R$ 15.142,50. Destaca se que a omissão dos redimentos recebidos de Banco ABN AMRO REAL SA, CNPJ 33.066.408/000115, não foi expressamente questionada e está, portanto, fora do litígio. A contribuinte alega que o valor acima sublinhado referirseia a “50% da receita de aluguel” e o restante já fora declarado por outros proprietários, Enaura de Biaggi e Aurena de Iasi. A diligência anterior buscou verificar exatamente a declaração de parte do valor dos rendimentos de aluguel pelas pessoas apontadas no recurso. Verificados os documentos, a Autoridade Fiscal competente manifestouse na fl. 276: Verificando as DIRPFs das contribuintes Enaura Terezinha Krieck de Biaggi, CPF 625.625.76853 (fls. 274) e Aurena Maria Krieck de Iasi, CPF 277.324.44868 (fls.275) constatamos que no caso da contribuinte Enaura Terezinha Krieck de Biaggi foi declarado um valor de R$ 3.785,63 como recebido da fonte DROGARIA E FARMÁCIA GEMBALLA LTDA, CNPJ 85.778.611/000118. Já com relação a contribuinte Aurena Maria Krieck de Iasi, não foi constatado nenhum valor declarado como recebido da fonte em tela; A contribuinte ao se manifestar sobre o resultado da diligência diz apenas que as Senhoras Helga, Enaura e Aurena “eram proprietárias desde 1988” e anexa cópia de registro público (fls. 279282). Segundo o Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13975.000183/201078 Acórdão n.º 2202003.880 S2C2T2 Fl. 298 7 Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; Entendo que como coproprietárias do imóvel, as três pessoas eram solidariamente obrigadas, pois tinham interesse comum no rendimento do aluguel. O rendimento foi informado pela fonte pagadora em DIRF integralmente para a Senhora Helga, que em sua defesa alegou que as outras duas haveriam declarado o restante, o que se verificou não estar correto, nas respectivas Declarações de Ajuste Anual. Entretanto, a declaração de R$ 3.785,63 efetuada pela Senhora Enaura e atestada pelo Auditor Fiscal deve ser computada para reduzir a apuração da omissão de rendimentos da Senhora Helga. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de 3.785,63. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000029/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 29 /2 01 1- 16 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12585.000029/201116 Acórdão n.º 3302003.966 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.466. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12585.000029/201116 Acórdão n.º 3302003.966 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12585.000029/201116 Acórdão n.º 3302003.966 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 121DF CARF MF Processo nº 12585.000029/201116 Acórdão n.º 3302003.966 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12585.000029/201116 Acórdão n.º 3302003.966 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 123DF CARF MF
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