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Numero do processo: 16682.721203/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DEDUTIBILIDADE. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
O tributo e a contribuição cuja exigibilidade esteja suspensa não são dedutíveis segundo o regime de competência, a teor do que preconiza o §1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Frizzo, Pollastri e Cristiane Costa.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 DEDUTIBILIDADE. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O tributo e a contribuição cuja exigibilidade esteja suspensa não são dedutíveis segundo o regime de competência, a teor do que preconiza o §1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DEDUTIBILIDADE. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O tributo e a contribuição cuja exigibilidade esteja suspensa não são dedutíveis segundo o regime de competência, a teor do que preconiza o §1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do anocalendário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Frizzo, Pollastri e Cristiane Costa. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 03 /2 01 1- 11 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 977 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por maioria de votos, os membros desta Turma, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado, DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação para: I considerar devida a contribuição social sobre o lucro líquido, no valor de R$ 7.998.909,81, acrescida de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios; e II – exonerar o interessado da multa isolada de R$ 3.999.454,90. Restou vencida a relatora original com relação à multa isolada, e foi designado para redigir o voto vencedor o julgador Bruno Vajgel. O acórdão seguiu assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 NULIDADE Afastase a nulidade, comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e não se apresenta nos autos nenhum dos motivos apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitandose à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e a de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado no âmbito da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro DEMAC/RJ, relativo ao anocalendário de 2007, por meio do qual é exigida do interessado acima identificado a contribuição social sobre o lucro líquidoCSLL no valor de R$ 7.998.909,81 (fls.102/110), acrescida de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios, e também a multa isolada de R$ 3.999.454,90. 2. De acordo com o Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 94/101, o interessado discute judicialmente a exigência da contribuição para o programa de integração socialPIS e da contribuição para o financiamento da seguridade socialCOFINS, nos moldes da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei nº 10.684, de 2003. 3. As despesas deduzidas a título de tributos com exigibilidade suspensa na apuração do lucro contábil do anocalendário de 2007 foram adicionadas na apuração do lucro real, conforme registros efetuados no Livro de Apuração do Lucro RealLALUR e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa JurídicaDIPJ. 4. O mesmo procedimento não foi adotado na apuração da base de cálculo da CSLL, pois o interessado entende que não existe previsão legal para referida adição. 5. No entendimento da fiscalização, os lançamentos contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões não dedutíveis, impondose, portanto, a adição dos respectivos valores na determinação da base de cálculo da CSLL, por força do art.2º, § 1º, “c”, da Lei nº 7.689, de 1988, na redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990; art. 13, I. da Lei nº 9.249, de 1995; art. 41, § 1º, e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 28 da Lei nº 9.430,de 1996. 6. Foilhe também exigida a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL incidente sobre base de cálculo estimada, com fundamento nos arts. 222 e 843 do RIR/1999 c/c art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 196 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. 7. Optante pelo lucro real anual, o interessado apurou estimativas com base no balanço de suspensão/redução sem adicionar os valores referentes aos tributos com exigibilidade suspensa, ensejando assim a multa isolada de 50% sobre o valor da estimativa mensal. Demonstrativo de apuração da multa à fl.99. 8. Cientificado da autuação em 27/12/2011 (fl. 103), o interessado apresentou em 25/01/2012 a impugnação de fls. 187/292, acompanhada dos documentos de fls. 293/719, alegando, em síntese, que; Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 978 5 em 2005, em conjunto com BTG PACTUAL ASSET MANAGEMENT S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS E PACTUAL SERVIÇOS FINANCEIROS S/A DTVM, sociedade do mesmo grupo econômico, impetrou dois mandados de segurança perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com a finalidade de discutir as bases de cálculo de PIS e da COFINS; em 20/10/2005, foi proferida medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário da COFINS nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0113704; em 01/12/2008, foi proferido acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinando o recolhimento da COFINS sobre o faturamento, incluídos aí as receitas financeiras; diante desta decisão, em 29/12/2008, passou a realizar depósitos judiciais retroativos à data da propositura da ação. Foram depositados R$ 182.234.790,02, que correspondem ao total de COFINS em discussão judicial desde a impetração do mandado de segurança até dezembro de 2008, abarcando, portanto, o período objeto da presente autuação, encontramse pendentes de julgamento os recursos especial e extraordinário por ele interpostos; o Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0113900 possui o mesmo objeto do Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0113704, contudo referese à base de cálculo do PIS; em 14/11/2006, foi proferida sentença concedendo a segurança para declarar a exigibilidade do PIS nos moldes da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores e reconhecer os direito das impetrantes de compensarem os valores recolhidos a maior, no período de fevereiro a abril de 1999; em 14/11/2007, quando da interposição de recursos de apelação, foi concedida a antecipação de tutela, posteriormente revogada; a partir de 18/03/2008, efetuou o integral recolhimento dos valores discutidos a título de PIS. Os documentos juntados os autos comprovam que, para o anocalendário de 2007, os valores efetivamente recolhidos perfazem o total de R$ 13.144.317,76, sendo exatamente iguais aos incluídos no auto de infração como valores em suspensão; resta claro que os valores de PIS considerados indedutíveis na base de cálculo da CSLL foram integralmente recolhidos pelo interessado, fato este que implica na imediata redução dos créditos ora discutidos; dúvida não há de que as provisões, com exceção daquelas reconhecidas expressamente em lei, são indedutíveis da base de cálculo da CSLL e do IRPJ, devendo ser adicionadas na apuração dos tributos; a dedução é de qualquer provisão, e não de qualquer despesa incorrida em função de obrigação de pagar; o autuante tomou por provisão lançamento a débito que era, em verdade, uma despesa incorrida em função de uma obrigação de pagar, imputando uma adição à base de cálculo da CSLL não decorrente de lei; Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 não cabe à fiscalização definir o que seja provisão ou despesa incorrida e, menos ainda, descaracterizar um fato definido e classificado como tal pelo contribuinte, de acordo com as regras contábeis aplicáveis; a provisão se refere apenas às reservas feitas para se atender eventos em que não há certeza quanto ao prazo e valor, sobre as quais não há definitividade; já as despesas decorrentes de um contas a pagar são os fatos contábeis cuja obrigação correspondente tenha grau maior de definitividade; ou melhor, são registros contábeis de obrigações que não dependem mais de qualquer fato que possa afetar a certeza do valor ou do prazo daquele título; os tributos a pagar, ainda que questionados judicialmente, são despesas dedutíveis e apropriáveis no momento de seu registro, de acordo com o princípio contábil de competência; o fato de questionar administrativamente ou judicialmente a legitimidade da cobrança não lhe retira os atributos de certeza e liquidez; a suspensão da exigibilidade do débito, por qualquer das causas descritas no art. 151 do CTN, não descaracteriza, de nenhuma forma, a obrigação constituída, mas apenas posterga o prazo para pagamento; a própria Receita Federal, em sua página eletrônica, já se manifestou afirmando que, pela aplicação do regime de competência, as despesas devem ser reconhecidas no seu período de apuração independentemente de seu efetivo pagamento; como reforço, a Comissão de Valores MobiliáriosCVM editou a Deliberação nº 489, válida à época dos fatos aqui tratados, aprovando e tornando obrigatório o Pronunciamento NPC nº 22 emitido pelo Instituto Brasileiro de ContabilidadeIBRACON que, em seu Anexo II traz um exemplo que só corroborava este entendimento; assim, considerando as Normas e Procedimentos Contábeis aplicáveis às empresas em geral, o registro contábil de um tributo é sempre uma obrigação legal, um contas a pagar, ainda que questionado judicialmente, e nunca uma provisão como intenta sustentar o lançamento; não há nenhum dispositivo legal que preveja expressamente a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL; o Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF também já se manifestou favorável à dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL; o autuante determinou no termo de verificação fiscal que o interessado retificasse os registros de controle, ajustando seus saldos de bases negativas de CSLL; ocorre que na DIPJ do anocalendário de 2007 não apurou base negativa de CSLL; a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é aplicável quando verificada a falta de recolhimento das estimativas mensais antes do encerramento do anocalendário. Nesse sentido, são as decisões do CARF; Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 979 7 ainda que se considerem insuficientes os recolhimentos feitos pelo interessado a título de CSLL ao longo do anocalendário de 2007, a única multa que poderia ser cogitada, como forma de penalidade, seria a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, jamais a multa isolada, o posicionamento pacífico do CARF é no sentido de que, nos casos de insuficiência no recolhimento de CSLL, é incabível a aplicação de multa de ofício e de multa isolada, sob pena de cumulação de penalidades para o mesmo fato gerador; nulidade do auto de infração por falta de enquadramento legal, pois a capitulação correta para a exigência de multa isolada somente foi mencionada no termo de verificação fiscal que acompanha o auto de infração; deve ser reconhecida a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre as multas aplicadas; protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos adicionais que possam comprovar o alegado e também pela sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal; que todas as intimações relativas ao presente processo sejam feitas aos cuidados de seu procurador Dr. Celso de Paula Ferreira da Costa. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, há duplicidade de punição, devendo ser aplicado o princípio da consunção. Além disso, há jurisprudência consolidada na CSRF no mesmo sentido. O votocondutor se baseou exclusivamente nas razões expendidas no acórdão 910100.500, da lavra do ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, cujos fundamentos foram adotados para decisão do caso. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou alegações expendidas na Impugnação. É o relatório. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Recurso de Ofício O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. Independência entre multa isolada por não recolhimento de estimativas e multa de ofício pelo não pagamento de CSLL A multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas não consistem numa dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos as situações: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 980 9 Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas como obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3º e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Daí ser inócuo reputálas como meras antecipações, sugerindo seu saneamento com base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Notese, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2º não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao órgão julgador administrativo deixar de observar os efeitos legais daí decorrentes pelo sugerido efeito confiscatório promovido pela dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26A do Decreto nº 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Voto, assim, para restabelecer a exigência relativa à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. Preliminar de Nulidade Requer a recorrente a nulidade do auto de infração por ter a autoridade equivocadamente colacionado dispositivo legal já revogado, qual seja, o art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, revogado pela Lei nº 11.488/2007, sendo que a correta capitulação se dá no art. 44, inciso II da supradita Lei nº 9.430/96. Vejase, abaixo, a redação em vigor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 981 11 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Por oportuno, vejase a redação anterior: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Vêse, que, para este caso específico, a revogação procedeu a mero reposicionamento dos dispositivos dentro do artigo, sem qualquer relevância de conteúdo sobre a prescritividade. Não se verificou prejuízo à defesa, que soube com efetividade se defender da multa isolada sobre falta de estimativas da CSLL, logrando, inclusive, convencer o colegiado a quo quanto a seu cancelamento calcado no princípio da consunção. Não havendo prejuízo à defesa, nem mesmo preterição de direito de defesa, não se aplica ao caso o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, e por esta razão rejeito a preliminar. Dedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa (CSLL) A recorrente postula pela caracterização como despesa e não como provisão, quanto aos recolhimentos feitos a título de PIS e Cofins que deduziu da apuração do lucro real. Desta posição não compartilho. Entendo que o tributo ou a contribuição que esteja com exigibilidade suspensa (nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN), por não ser exigível, não ostenta a característica fundamental da despesa dedutível, a certeza, quanto à sua exigibilidade, possuindo, então, a natureza de provisão, essencial para o conservadorismo que deve reger a apuração do lucro líquido, mas que não se apresenta como dedutível, exceto em casos específicos (arts.335 a 339 do RIR/99). Vejase que os pagamentos feitos por liberalidade não são dedutíveis. Este é o outro extremo, em que é certa a inexigibilidade da despesa. A legislação do IRPJ e da CSLL prescreve a condição de que a dedutibilidade esteja alicerçada na exigência da despesa e na sua estrita necessidade para a atividade da empresa e manutenção da fonte produtora. A provisão está ao meio disto, e ocorre quando há probabilidade. É possível ou é provável que a obrigação de pagar nasça. Sua contabilização decorre do conservadorismo. É salutar que a pessoa jurídica provisione pois, ao nascer a obrigação, estará preparada para a contingência. O tributo ou a contribuição questionados em juízo, especialmente quando expedida decisão que determine à autoridade fiscal que se abstenha de cobrálo (garantindolhe a suspensão da exigibilidade) não pode continuar a ser considerado como exigível, visto que Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 não mais o é. A exigibilidade de uma despesa deriva do direito. Os tributos e as contribuições são, em geral, dedutíveis, posto que há uma exigibilidade inerente à despesa com eles garantida por Lei. Mas é também o direito que determina o cumprimento da decisão judicial à autoridade fiscal, garantindo a não exigibilidade desta despesa. E é também o direito que determina que esta exigibilidade somente será decidida quando do trânsito em julgado. Aí sim, neste último momento, terseá, se for o caso, exigibilidade, e despesa. Ou, em caso de decisão final em contrário, a exoneração do tributo ou contribuição. Assim, não entendo que tenha inovado a autoridade lançadora, a qual se pautou pela correta aplicação da lei e do regulamento. Não é preciso que uma lei defina que o tributo ou a contribuição com exigibilidade suspensa são provisões; esta natureza deriva do poder garantido à decisão judicial e à segurança jurídica que ostenta o processo judicial. Deriva, enfim, do próprio sistema jurídico pátrio. Por fim, descabe qualquer alusão à eventual não espelhamento quanto às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL quanto à dedutibilidade dos tributos ou contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, tendose em vista o disposto no inciso I, do art. 13 da Lei nº 9.249/95, que expressamente proíbe a dedução de qualquer provisão não expressamente elencada nos seus incisos, verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) (grifos meus) A indedutibilidade, no caso vertente, relativamente à base de cálculo da CSLL não decorre de interpretação extensiva, posto que a norma que proíbe a dedução é expressa neste sentido. Com relação ao pedido para exonerar a glosa de despesa com PIS recolhido em 2008, nas competências mensais de 2007, entendo não prosperar. Afirma a recorrente que: em 14/11/2006 foi proferida sentença, concedendo a segurança para declarar a exigibilidade do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7/70 e alterações posteriores e o direito dos impetrantes de compensarem os valores recolhidos a maior, no período de fevereiro/99 a abril/99; em 14/11/2007 foi concedida antecipação de tutela para, mantendo o entendimento externado na sentença, suspender a exigibilidade da contribuição ao PIS conforme sistemática imposta pela Lei nº 9.718/98, no período de maio/2005 e subseqüentes, garantindo seu recolhimento nos termos da Lei Complementar nº 7/70; em 12/02/2008 foi proferida decisão, em sede de agravo de instrumento, atribuindose efeito suspensivo e revogando a antecipação de tutela concedida; Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 982 13 em 18/03/2008, a recorrente efetuou o integral recolhimento dos valores discutidos a título de PIS. Vêse, da cronologia exposta, que o tributo relativo a 01/2007 até 10/2007 não foi recolhido tempestivamente até a obtenção antecipação de tutela (em 14/11/2007), posto que restou recolhido em 18/03/2008 (fls.771). Pendia sobre a contribuição uma decisão judicial que afastava sua incidência, nos moldes pretendidos pela Fazenda Nacional. Assim, não poderia ter sido deduzido. Por outro lado, as competências de 11/2007 e 12/2007 que também restaram não recolhidas no anocalendário de 2007 não poderiam, também, ter sido deduzidas, vez que além de não recolhida a contribuição e além da sentença concessiva de mérito, havia suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS ao tempo de apuração da CSLL. Ao efetuar o recolhimento, em 18/03/2008, a recorrente não poderia ter deduzido o valor correspondente na apuração de 2007, sobre a qual pendeu suspensão de exigibilidade da contribuição. Não lhe era mais possível retroagir a 2007 e, nem mesmo garantir a dedutibilidade do recolhimento relativo ao período anterior à concessão da tutela antecipada (14/11/2007), posto que a decisão judicial obtida já havia sido introduzida como norma vinculante entre as partes, e, em sendo retroativa, fez seus efeitos atingirem a competência de maio/2005 e seguintes, e, portanto, todo o anocalendário de 2007, e disso sabia a recorrente, já de posse da decisão obtida. Correto, portanto, o lançamento. Juros Selic cobrados sobre multa de ofício Dispõe expressamente o art. 61 da Lei nº 9.430/96 (abaixo descrito) que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos, serão acrescidos de multa de mora. Prescreve, ademais, o §3º que sobre tais débitos (a que se refere o artigo) incidirão juros de mora calculados à taxa Selic (nos moldes do §3º do art5º), exceto no mês do pagamento (em que é cobrado o percentual de 1%). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ora, a expressão débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições no caso de crédito tributário constituído por auto de infração há de incluir necessariamente os tributos e contribuições lançados, mas também a multa de ofício lançada. Em primeiro lugar, porque a multa de ofício efetivamente decorre de tributo ou contribuição, ou mais especificamente, do inadimplemento relativo a seu recolhimento, que pode estar cumulado ou não com alguma situação que agrave este mero fato, como a existência de dolo, fraude ou simulação, ou mesmo de desatendimento de requisição formulada pela autoridade fiscal para prestação de esclarecimentos. Em segundo lugar, porque o débito para com a União decorrente de tributo e contribuição é débito tributário, ou seja, consigna o dever do sujeito passivo com a União equivalente, em termos patrimoniais, ao direito da União para com ele, denominado crédito tributário. E o crédito tributário, consoante nossa legislação, além de incluir a penalidade pecuniária, deve ser corrigido por juros de mora calculados à taxa Selic, consoante prescreve a nossa legislação. Vejamos. O conceito de débito ligase invariavelmente ao âmbito obrigacional, sendo este um dos elementos constitutivos da obrigação. Washington de Barros Monteiro1 assenta que o vínculo jurídico, como elemento constitutivo da obrigação, se divide em vínculo espiritual, constituído pelo comportamento de satisfazer pontualmente a obrigação, e material, constituído pelo poder que a lei dá ao credor que não foi satisfeito, de acionar o devedor, promovendo a execução forçada de seus bens. Tais conceitos equivalem ao que os juristas alemães denominaram Schuld (dever de prestar) e Haftung (responsabilidade). No caso da obrigação tributária, a doutrina não divergiu de tais escólios. Paulo de Barros Carvalho2 consignou que a obrigação tributária é relação jurídica de cunho patrimonial, envolvendo sujeito ativo, titular do direito subjetivo de exigir a prestação, sujeito passivo, cometido do dever de cumprila, instalada a contar de um enunciado factual, situado no conseqüente de uma norma individual e concreta, juntamente com a constituição do fato jurídico tributário. Diz, ainda, o eminente jusfilósofo que o direito subjetivo de que está investido o sujeito ativo de exigir a prestação (crédito) pode ser representado por um vetor com a mesma direção, mas de sentido contrário àquele que representa o dever subjetivo (dever jurídico) de cumprir a prestação (débito). Assim, resulta disso que o débito para com a União (tributário) corresponde em valor patrimonial ao crédito tributário a que faz jus aquela. E este crédito é relativo ao direito da União contra o sujeito passivo, mas está umbilicalmente vinculado ao débito do sujeito passivo contra a União, que é seu dever de adimplir o crédito tributário (representados por vetores de mesma direção e sentido contrário) Pois bem. Com tais conclusões, devemos passar à leitura do direito tributário entre nós positivado para ver que o legislador efetivamente incluiu em tal conceito a noção de penalidade pecuniária. 1 Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, p.25, 37ªed. 2 Paulo de Barros Carvalho, in Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência, 1998, Saraiva, p.180/182. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721203/201111 Acórdão n.º 1302001.168 S1C3T2 Fl. 983 15 A primeira demonstração disto é encontrada no art. 113 do CTN, em que é dito que a obrigação tributária principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade tributária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, de tal preceito duas assertivas devem ficar firmadas: a) a penalidade pecuniária está inserida no conceito de obrigação tributária principal; b) a extinção do crédito faz extinguir também a obrigação tributária principal que a constituiu; c) por derivação lógica, se a extinção do crédito promove, também, a extinção da obrigação, então o crédito (tributário) inclui, também, os valores devidos a título de penalidade pecuniária. No art. 139 o Código, ao abrir exceções para o destino siamês de obrigação e crédito (circunstâncias que modificam o crédito, sua extensão ou efeitos ou excluem sua exigibilidade) reafirma que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Assim, de posse de tais enunciados, e dada uma primeira confirmação no próprio texto legal complementar, vêse despida de sentido a afirmação no sentido de que o crédito tributário não inclui a multa de ofício. Tal linha de pensamento é mantida no art. 142, quando, ao falar da constituição do crédito tributário, o legislador condiciona sua criação pelo lançamento, determinando à autoridade que consigne no ato administrativo a proposição da penalidade cabível. Tal penalidade cabível, como sabemos, não é simplesmente proposta mas também imposta pela autoridade lançadora no documento que constitui o lançamento, vez que não há repartição de competência entre as autoridades fiscais na hierarquia funcional quanto a este ponto. E porque mandaria o legislador incluir a penalidade incluída no lançamento – instrumento por excelência destinado à constituição do crédito tributário, se não pertencesse ao crédito tributário? A questão doutrinária relativa à inclusão da penalidade pecuniária no conceito de crédito tributário é relevante sob o ponto de vista científico. Porém, o direito positivo prescreve em sentido oposto. E não apenas pontualmente, mas em diversos pontos, todos em uníssono, conforme vimos acima. Mas há mais prescrições seguindo esta mesma linha (e, portanto, confirmações disso). O art. 201 do CTN afirma que a dívida ativa tributária é constituída pelo crédito tributário (crédito dessa natureza), depois de esgotado o prazo para cobrança administrativa. E o art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, à semelhança do que já dispunha o art. 202 do CTN, manda incluir no termo de inscrição da Dívida ativa o valor originário da dívida tributária (o qual, portanto, contém todos os valores já consignados no crédito tributário, conforme o art. 201), bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato. Ou seja, permite o cálculo de juros de mora sobre os valores que já constavam do crédito tributário e foram transformados em dívida ativa tributária (os quais, por óbvio, incluem a multa de ofício). Por tudo o que se disse acima, não há como insistir na alegação que a inclusão da penalidade pecuniária não foi quista pelo legislador, já que em diversos pontos tal linha prescritiva é tomada e retomada, sempre no mesmo sentido, com a efetiva inclusão da rubrica no gênero crédito tributário. A discussão científica, como disse, é relevante, mas no Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Estado de Direito impera a Lei, sendo a doutrina, no dizer de Paulo de Barros Carvalho3, uma sobrelinguagem em relação ao direito positivo, com função descritiva, e não prescritiva. No que tange à autorização em lei complementar para a cobrança devese lembrar que a taxa de 1% prescrita no §1º do art. 161 do CTN admite exceções, desde que veiculadas por Lei, que é a condição presente, em que o estabelecimento do cálculo à taxa Selic se dá por meio do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. No que tange à extensão da base de incidência dos juros, estabelece o caput do art. 161 que incidirão eles sobre o crédito (naturalmente, o tributário). Diz o preceito legal que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora... E como já dito e repisado acima, a expressão crédito necessariamente inclui as penalidades pecuniárias (e, portanto, a multa de ofício lançada). Por estes motivos, manifestome pela manutenção da cobrança dos juros, calculados à taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada. Assim, voto para dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a multa isolada por falta de pagamento de estimativas, e para negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 11 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator 3 Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 13ªed, Saraiva, p.3 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906356/2012-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 56 /2 01 2- 72 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao DARF recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da COFINS e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da COFINS “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da COFINS sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo da COFINS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917244/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 44 /2 01 1- 06 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 52 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 53 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 54 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 55 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917244/201106 Acórdão n.º 3801003.980 S3TE01 Fl. 56 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900642/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 42 /2 00 9- 46 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900642/200946 Acórdão n.º 3801004.219 S3TE01 Fl. 189 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900642/200946 Acórdão n.º 3801004.219 S3TE01 Fl. 190 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.678150/2009-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 50 /2 00 9- 65 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678150/200965 Acórdão n.º 3801004.083 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16561.720079/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010
Ementa:
REVISÃO ADUANEIRA - VALOR ADUANEIRO - AJUSTES - INCLUSÃO - ROYALTIES - USO DE MARCA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA - CONDIÇÃO DE VENDA - PRESSUPOSTOS.
A expressão condição de venda utilizada no art. 8.1.c. do AVA, se refere a condição que só pode ser (direta ou indiretamente) imposta pelo vendedor-exportador das mercadorias importadas quando este também seja o titular dos royalties e direitos de licença, hipótese em que o valor dos royalties e direitos de licença, por se relacionar com as mercadorias objeto da compra e venda internacional, pode em tese consubstanciar condição de venda, eis que se adiciona ao valor total devido pelo o comprador-importador ao vendedor-exportador, e à final se reverte direta ou indiretamente ao vendedor-exportador, ainda que pago a terceiro. Assim, é indevida a pretensão fiscal de inclusão dos royalties na base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação, quando o titular-beneficiário dos royalties não for o vendedor-exportador da transação internacional ou quando o valor dos royalties não compuser o valor devido pelo comprador-importador ao vendedor-exportador.
Numero da decisão: 3402-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Fenelon Moscoso de Almeida
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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A expressão “condição de venda” utilizada no art. 8.1.c. do AVA, se refere a “condição” que só pode ser (direta ou indiretamente) imposta pelo vendedor exportador das mercadorias importadas quando este também seja o titular dos royalties e direitos de licença, hipótese em que o valor dos royalties e direitos de licença, por se relacionar com as mercadorias objeto da compra e venda internacional, pode em tese consubstanciar “condição de venda”, eis que se adiciona ao valor total devido pelo o compradorimportador ao vendedor exportador, e à final se reverte direta ou indiretamente ao vendedor exportador, ainda que pago a terceiro. Assim, é indevida a pretensão fiscal de inclusão dos royalties na base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação, quando o titularbeneficiário dos royalties não for o vendedor exportador da transação internacional ou quando o valor dos royalties não compuser o valor devido pelo compradorimportador ao vendedor exportador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 79 /2 01 2- 15 Fl. 5945DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Fenelon Moscoso de Almeida Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Em 06/10/2011 foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 06/08, MPF 08.1.85.002011002416, fls. 04/05, dando início a procedimento de fiscalização sobre valores relativos a contrato de royalties. Após várias intimações e com base nas informações fornecidas pela impugnante, a fiscalização concluiu que a interessada não incluiu no valor aduaneiro valores pagos a título de royalties. De acordo com o Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a Pirelli Pneus Ltda apurou trimestralmente royalties devidos a empresa do grupo PIRELLI. TYRE S.P.A, por meio de contrato firmado relativo a transferência de tecnologia, nos períodos e montantes declarados (em anexo). Através do auto de infração de fls. 250/1805, cobraramse as diferenças de II, IPI, PIS, COFINS, juros de mora e multas de ofício, bem como a multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, c/c art. 69 da Lei 10.833/2008; art. 4º,e Anexo Único itens 30, 44, 44.2 e 44.4 da Instrução Normativa SRF 680/2006; art. 9º, 12, incisos II e III, 22 da I.N. SRF nº 327/2003, perfazendo o crédito tributário no total de R$ 15.011.345,60 (quinze milhões, onze mil trezentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos). Intimada do Auto de Infração em 30/07/2012 (fls. 1793, 1795, 1797, 1799 e 1800), a interessada apresentou impugnação e documentos em 29/08/2012, juntados às folhas 5679 e seguintes, alegando: . em virtude da sua atividade de fabricação e comercialização de produtos pneumáticos, a Impugnante possui contrato de transferência de tecnologia firmado com a empresa PIRELLI TYRE S.P.A (doc. 04); . O Contrato de transferência de tecnologia firmado entre a Impugnante e a empresa PIRELLI TYRE S.P.A, especifica que, como contrapartida pela transferência de conhecimentos e tecnologia, a Impugnante deve remeter, à empresa PIRELLI TYRE S.P.A, a título de royalties, 4% sobre o preço líquido de venda de cada produto comercializado; . para produção e comercialização dos vários produtos vendidos pela Impugnante é necessária a aquisição de insumos, sendo Fl. 5946DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 126 3 uma parcela adquirida no mercado internacional, tais como, cordas metálicas, arames, e, principalmente, borrachas; . em relação aos produtos importados, a autoridade fiscal instaurou Procedimento de verificação das importações realizadas no período de 2007 a 2010 e, ao concluílo, . entendeu que, no momento do desembaraço dos produtos, para valoração aduaneira, deveriam ter sido incluídos, no preço dos produtos importados, os montantes remetidos a título de royalties ao exterior, pela Impugnante à PIRELLI TYRE S.P.A.; . de acordo com os fundamentos expendidos pela Autoridade Fiscal, haveria a necessidade de inclusão dos valores pagos a título de royalties pela transferência da tecnologia, no valor aduaneiro dos produtos importados, uma vez que tais royalties estariam intrinsecamente relacionados a eles; . alega a Fiscalização que os royalties estariam diretamente relacionados aos insumos importados das vinculadas, os quais só poderiam integrar o processo produtivo nas condições estabelecidas, graças ao fornecimento de conhecimentos técnicos e especificações das matériasprimas. A comercialização destes produtos não poderia ocorrer sem o pagamento daqueles direitos; . nesta linha de raciocínio, o pagamento dos royalties configuraria uma condição de venda dos produtos importados; . o Auto de Infração não merece prosperar, pois, conforme restará demonstrado, os produtos importados não têm qualquer relação com o contrato de transferência de tecnologia, ou seja, não está, por meio de subvalorização do preço pago pelo importado; . segundo o citado Acordo de Valoração Aduaneira ("AVA"), há seis diferentes métodos de valoração, aplicáveis em ordem de preferência. Sendo assim, somente é possível aplicar um método caso o método anterior não seja aplicável; . o valor de transação é documentado nas faturas comerciais dos exportadores, e demais documentos aduaneiros; . nesse sentido, caso as autoridades fiscais identifiquem que o valor aduaneiro das importações das mercadorias está sendo praticado por um valor muito abaixo daquele geralmente praticado entre outros contribuintes para aquelas mercadorias, poderá ser iniciado um procedimento fiscal para apurar o real valor que deverá compor a base de cálculo dos tributos aduaneiros; . em caso de questionamento por parte das autoridades fiscais, poderão ser cobrados os tributos aduaneiros incidentes sobre a diferença apurada na valorização aduaneira, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Nesse caso, o importador brasileiro deve ser capaz de provar às autoridades fiscais que o Fl. 5947DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 preço adotado na operação internacional principalmente nas operações entre partes relacionadas está de acordo com os demais valores praticados no mercado; . caso a empresa não consiga comprovar por documentos e informações que o preço declarado em sua transação não foi subvalorizado, o Fisco poderá desconsiderar o Valor da Transação como base dos tributos alfandegários, e utilizar os outros métodos, obrigatoriamente, na seguinte sequência: (i) Comparação com transações de produtos idênticos; (ii) Comparação com produtos similares; (iii) Comparação com o preço de revenda do produto; (iv) Análise pelo valor agregado no Brasil no processo produtivo ou (v) Arbitragem de preço pelo Fisco; . entretanto, desde já frisamos que, no presente caso, a Fiscalização utilizou o Valor da Transação como método de apuração do valor aduaneiro, razão pela qual nos ateremos a ele ao longo de toda a presente Impugnação; . conforme vimos acima, no Valor Aduaneiro deve ser incluído o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente da mercadoria importada, que seja direta ou indiretamente revertido ao vendedor (exportador). Com foco nessa premissa, será abordado no presente tópico a aplicabilidade deste conceito aos chamados "Royalties" e "Direitos de Licença"; . preliminarmente, devemos citar que não há definição exaustiva de "Royalties" na legislação brasileira, sendo que sua conceituação normalmente é conexa a determinada legislação fiscal específica, como a do Imposto de Renda. O termo é geralmente compreendido como a remuneração pelo licenciamento de direitos, obras abrangidas por marcas, patentes, knowhow e direitos autorais; . nesse prisma, a Lei Federal n°. 4.506/64, artigo 22, alínea "c", define os royalties como os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos, tais como de os direitos colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais, de pesquisar e extrair recursos minerais, de uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação, de marcas de indústria e comércio e de exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra; . a inclusão dos royalties no cálculo do valor aduaneiro, na hipótese estabelecida pela legislação de regência, fazse necessária a fim de evitar que o importador divida o preço pago pela mercadoria em várias parcelas e crie denominações diferentes para cada uma delas, a fim de diminuir o valor tributável; . o primeiro instrumento auxiliar para compreensão do AVA são as "Notas Explicativas", contidas em seu Anexo I. Acerca do item "c" do parágrafo 1 do artigo 8. Podese depreender do referido texto que para verificar se o Royalty é uma condição de venda, devese constatar uma relação de plena dependência entre as duas transações: a aquisição da mercadoria importada e o Fl. 5948DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 127 5 pagamento dos royalties. De outro lado, se as transações puderem ser separadas e individualizadas sob a óptica contratual e negocial, não se pode imputar os royalties ao valor aduaneiro; . de acordo com os mencionados dispositivos legais, para que seja necessária a inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias é imprescindível que a importação destas esteja condicionada à existência de negócio jurídico de transferência de tecnologia ou de direito de marcas; . a mera circunstância de o vendedor da mercadoria ser também o beneficiário dos royalties não é, per si, suficiente para caracterizar a condição de venda. Para tanto é necessário que, [adicionalmente, seja imposta à compradora uma vinculação entre a aquisição e os royalties; . na apuração do valor aduaneiro, devem ser observadas as decisões emitidas pelo Comitê de Valoração Aduaneira da OMC, que vinculam os seus membros, bem como os atos emanados pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (OMA); . constatase, na presente autuação, que as Autoridades Fiscais acabaram por inverter a lógica dos dispositivos legais. No seu entendimento, o termo "condição de venda", previsto nos mencionados dispositivos legais, referese à venda dos produtos finais, vendidos em território nacional pela Impugnante e não à importação das mercadorias realizada pela Impugnante; . na lógica da Autoridade Fiscal, a Impugnante só pode realizar a venda dos seus produtos em território nacional porque paga royalties à PIRELLI TYRE S.P.A, pela transferência da tecnologia. Nesta medida, o pagamento dos royalties seria uma condição de venda dos produtos pela Impugnante em território nacional; . tal interpretação não encontra respaldo nos mencionados dispositivos legais. Conforme visto, o pagamento dos royalties deve ser uma condição da venda na importação e não na venda interna dos produtos importados. Os dispositivos legais tratam de vínculo condicional entre o pagamento dos royalties e a importação das mercadorias; . não há qualquer relação direta entre os insumos adquiridos de sua vinculada, que sequer são identificáveis depois de incorporados ao estoque em conjunto com os insumos adquiridos de terceiros, e os royalties pagos em razão da assistência no processo produtivo do produto final; . no presente caso, os contratos de compra de insumos e de transferência de tecnologia são perfeita e completamente independentes, tendo em vista que ambos carregam sua própria materialidade; . a Impugnante agiu com total respeito à legislação de regência, mesmo naqueles casos em que houve a solicitação de regime Fl. 5949DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 especial de Drawback, visto que não seria necessária a inclusão dos royalties no valor aduaneiro da mercadoria indicada na Declaração de Importação, não merecendo subsistir as alegações fiscais constantes no item H do Relatório de Verificação Fiscal; . outrossim, é essencial reiterarmos neste ponto a efetiva materialidade do contrato de transferência de tecnologia, ainda que este fato reste inconteste até mesmo pela análise efetuada pela fiscalização; . podemos verificar que o contrato de transferência de tecnologia encontrase devidamente registrado no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) sob a Certidão de Averbação n°. 060628/02, bem como que prevê uma série de direitos e deveres da Impugnante com relação ao seu objeto, que em nenhum momento menciona qualquer dever de aquisição de matéria prima de empresas do grupo; . reiteramos que os produtos importados pela Impugnante são essencialmente borrachas naturais, ou seja, produtos primários obtidos da coagulação do látex da seringueira, de constituição simples, a ponto de serem considerados Commodities. Dada tal simplicidade, como seria possível que em seu preço houvesse uma parcela "intangível", que necessitasse de remuneração por meio de royalties? . a Autoridade Fiscal elabora diversos cálculos matemáticos para encontrar o percentual de representatividade do insumo importado no valor de venda do produto final (sujeito aos royalties). Após isso, calcula, sobre o percentual do insumo, o valor que seria devido a título de royalties e inclui o resultado no valor aduaneiro da mercadoria importada; . tais cálculos, apesar de conterem alguma lógica, são feitos apenas de acordo com as convicções da Fiscalização, sem qualquer amparo legal ou mesmo regulamentar. São fórmulas baseadas em meras presunções, pois, como a Impugnante adquire a borracha de diversos fornecedores, em diferentes quantidades e momentos distintos, não há como aferir a real participação do produto importado da vinculada no preço de venda, que é a base de cálculo dos royalties. É dizer, não há, nos dispositivos invocados para o lançamento, a descrição da fórmula matemática que deveria ser utilizada para se chegar ao valor cobrado; . ainda que sustente a fiscalização ter apurado os ajustes "nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira AVA", uma análise do item 3 do Artigo 8º conjuntamente com o parágrafo 3º de sua Nota Interpretativa demonstra claramente que o fiscal agiu de fato em sentido oposto ao que dispõe o AVA. No mesmo sentido, dispõe o artigo 20 da IN SRF n.° 327/2003, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada:"Art. 20. A inexistência de dados objetivos e quantificáveis, relativos aos acréscimos de que tratam os arts. 12 e 13, impossibilitará a aplicação do método do valor de transação na valoração das mercadorias importadas." Fl. 5950DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 128 7 . é inequívoca a instrução contida nos dispositivos legais acima, segundo os quais não havendo dados objetivos e quantificáveis, é vedada a criação de ajustes para calcular o valor da transação. Por consequência, é vedada a utilização do Método do Valor de Transação. Esta regra funciona tanto para o Fisco quanto para o contribuinte, que, caso não possua controles próprios aptos nos termos acima, também não poderá aplicar o método do Valor da Transação; . podemos observar que o exemplo trazido pela Nota Explicativa é, se não idêntico, ao menos muito semelhante ao presente caso. Os insumos importados da PIRELLI TYRE S.P.A são mensurados por quantidade, misturados durante o processo produtivo com insumos nacionais e importados de outros fornecedores, e posteriormente vendidos como pneus prontos. Sobre o valor dessa venda são calculados os royalties a pagar, como remuneração pela tecnologia transferida pela matriz; . resta claro, portanto, que não há como relacionar com precisão qual a representatividade apenas dos insumos importados da vinculada no produto final, deixando de ser identificáveis separadamente. A própria Autoridade Fiscal confessa no trecho citado acima a impossibilidade de se identificar com precisão os dados relativos ao acréscimo, ao mencionar que "esta fiscalização adotou os percentuais tidos como quantidades médias de insumos que compõem os produtos negociados, bem como as importações em seus percentuais ponderados"; . ora, "quantidade média de insumos" não representa de forma alguma uma forma válida, objetiva e precisa de mensurar a participação dos bens importados no produto final; . esse ponto do AVA foi analisado pela Aduana dos Estados Unidos em alguns casos. Em uma das oportunidades, uma empresa americana importava roupas de uma fábrica localizada na Ásia, por meio do sistema CMTQ. A fatura de importação era enviada pelo fabricante estrangeiro contendo a cobrança pelo CMTQ, além de um valor pelo tecido e pela montagem. Os valores do tecido e da montagem eram estabelecidos previamente pela empresa americana, de forma a possibilitar o "encontro" dos custos; . todavia, a empresa não possuía contabilidade de perdas de insumos durante o processo produtivo (que deveriam compor o valor aduaneiro dos produtos importados), pois realizava tal cálculo por meio de programas de computação gráfica, baseados na "eficiência média" do processo produtivo; . ao julgar o caso, a Aduana entendeu que "eficiência média" não seria considerada informação "objetiva e quantificável" para todas as 859.321 peças de roupas produzidas durante aquele ano. Por este motivo, estaria impedida a empresa americana de utilizar o método do valor da transação para determinar o valor aduaneiro dos produtos importados; Fl. 5951DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 . dessa forma, não conseguindo o fiscal quantificar objetiva e perfeitamente por documentos e informações o real valor do ajuste relativo aos royalties e demais adições previstas no artigo 8º , deverá desconsiderar o Valor da Transação como método primário, e utilizar os outros métodos, obedecendo obrigatoriamente a seqüência; . sendo assim, ainda que fosse devida a inclusão dos royalties pagos pela Impugnante no valor aduaneiro, seria impossível mensurar com as informações existentes o valor de tal acréscimo. Logo, o cálculo do valor aduaneiro não mais deveria ocorrer por meio do valor da transação, mas sim pelo método previsto no artigo 2º do AVA, qual seja, o valor de transação de mercadorias idênticas; . portanto, caso rejeitadas as alegações da Impugnante de que não é devida a inclusão dos royalties no valor aduaneiro dos insumos importados da PIRELLI TYRE S.P.A, deve ser desconsiderado o Valor da Transação como método de valoração aduaneira a ser adotado no caso concreto, com prevalência do método do "Valor de Transação de Mercadorias Idênticas"; . neste sentido, tendo sido aplicado método equivocado de valoração aduaneira, deve ser o Auto de Infração integralmente cancelado ou então; . caso assim não se entenda, que seja convertido o feito em diligência para que as autoridades fiscais utilizem o método correto de "comparação com transações de produtos idênticos". Formulou quesitos; . o pagamento dos royalties à PIRELLI TYRES S.P.A sofreu carga tributária superior às importações dos insumos; . partindo do pressuposto de que o fato gerador destes tributos ocorre no momento do desembaraço aduaneiro, sendo a Impugnante intimada da presente autuação em 30.07.2012, é evidente que a decadência extinguiu crédito tributário, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01.07.2007 a 29.07.2007, eis que extrapolado o prazo qüinqüenal; . conforme será visto adiante, esta parte da autuação, multa regulamentar aplicada, a exemplo das demais, já aqui tratadas, não merece, de forma alguma, prosperar. A leitura atenta do mencionado dispositivo deixa claro que a penalidade somente é aplicável nos casos em que o importador informa, na Dl, a classificação fiscal NCM incorreta ou informa uma quantidade da mercadoria que não corresponde à unidade utilizada pela Receita Federal; . de fato, em se tratando de norma com características penais, o artigo 84 da MP 215835 deve ser, sempre, interpretado restritivamente literalmente a fim de garantir a segurança jurídica. Não é outro o entendimento da jurisprudência; . desta feita, também por esse ângulo, deve a multa regulamentar ora exigida da Impugnante ser totalmente cancelada, a exemplo Fl. 5952DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 129 9 dos tributos aduaneiros exigidos: IPI; PIS Importação; COFINS Importação e II; . a doutrina e a jurisprudência, há muito, repelem a instituição e cobrança de multas confiscatórias, como a que ora se apresenta, conforme se pode depreender do excerto abaixo transcrito, dentre inúmeros outros; . por todo o exposto, requer a Impugnante sejam acolhidas as suas razões e, consequentemente, julgando IMPROCEDENTE o presente Auto de Infração, cancelandose integralmente o crédito tributário nele lançado, a título de PIS Importação; COFINSImportação;Imposto sobre Produtos Industrializados; Imposto de Importação, bem como seus consectários Legais; . requer que, em todos os casos, as intimações desse processo sejam feitas por via postal no endereço da Impugnante. A 11ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 16046999, de 27 de maio de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010 VALOR ADUANEIRO. CONDIÇÃO DE VENDA. ROYALTIES. Método do valor de transação. Ao preço efetivamente pago ou a pagar deve ser acrescentado o valor dos royalties relacionados às mercadorias, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO O importador que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, relativamente à mercadoria importada, incorre na multa 1% sobre o seu valor aduaneiro, de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.158, de 2001, c/c artigo 69, §§ 1º e 2º, inciso III, e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Há dois tipos de operações distintas e independentes realizadas com a sociedade Pirelli Tyre S.P.A: a) o pagamento dos royalties que se referem à transferência de tecnologia e Knowhow necessários à fabricação dos pneumáticos que serão produzidos e comercializados pela recorrente no mercado nacional; e b) o pagamento pelos insumos utilizados para fabricação dos produtos da Fl. 5953DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 recorrente. Assim sendo, não existe relação de interdependência entre a importação das mercadorias (insumos) e os royalties pagos; b) O pagamento de royalties deve ser uma condição de venda na importação e não na venda interna dos produtos importados. Os dispositivos legais que tratam da valoração aduaneira dizem respeito ao vínculo condicional entre o pagamento dos royalties e a importação da mercadorias. Quanto a esse ponto, a Decisão combatida não se pronunciou, não foi apontada a cláusula do contrato que impõe o pagamento dos royalties como condição para importação das mercadorias. Ou seja, não houve um enfrentamento acerca do entendimento da Fiscalização de que o termo “condição de venda” deveria ser verificado em relação à venda interna e não em relação à importação. No caso presente o vendedor dos insumos importados não coloca como condição de venda a aquisição do intangível, até porque boa parte dos insumos é adquirida de terceiras empresas não vinculadas. É importante frisar que não há qualquer disposição contratual que vincule a aquisição dos insumos ao pagamento dos royalties, tampouco que permita à matriz rescindir o contrato de venda no caso de não pagamento dos royalties; c) Os royalties são relacionados ao produto final e seu processo de fabricação, e não a produtos importados utilizados como matériaprima na fabricação de pneus, que dada sua condição de commodity, sequer poderiam possuir um valor intangível a ser remunerado por meio de royalties. Por fim, a recorrente tem a prerrogativa de adquirir a matériaprima de qualquer fornecedor do mercado. Tanto é que os insumos efetivamente adquiridos da vinculada variaram entre 14% e 23% do total, contra 77% e 86% de insumos adquiridos de demais fornecedores no mercado interno e externo; d) A borracha importada pelo recorrente não pode ser obtida no mercado interno em virtude da produção nacional insuficiente para atender a demanda o que torna imperativa a importação do insumo por ordem econômica e não por imposição contratual. O preço praticado nas operações de compra da borracha natural não destoou do preço regular do mercado. Desse modo, fica evidente que não ocorreu subvaloração que acarretasse um recolhimento menor de tributos; e) A Delegacia de Julgamento afirma que os produtos importados pela recorrente não seriam meros produtos comuns (borrachas naturais), mas, formulações dos compostos de borracha, que só poderiam ser importados da Pirelli Tyre S.P.A. Contudo, não é o que ocorre, na Fl. 5954DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 130 11 realidade é importação de borracha natural, que é uma commodity, cotada em bolsa que pode ser comprada de qualquer fornecedor. A mera circunstância de a fórmula de fabricação dos pneumáticos prever a utilização de borracha (dentre outros componentes), eventualmente adquirida pela empresa do mesmo grupo econômico, não é suficiente para instaurar uma relação direta entre o produto importado (matériaprima) e o produto final, base de cálculo dos royalties; f) Há um contrato de transferência de tecnologia registrado no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) sob certidão de averbação nº 060628/02. Não há cláusula que determina a aquisição de matériasprimas de empresas do mesmo grupo econômico; g) Os cálculos utilizados pela fiscalização, apesar de conterem alguma lógica, foram elaborados de acordo com as convicções da fiscalização, sem qualquer amparo legal ou mesmo regulamentar. São fórmulas baseadas em meras presunções, pois, como a recorrente adquire a borracha de diversos fornecedores, em diferentes quantidades e em momentos distintos, não há como aferir a real participação do produto importado da vinculada no preço de venda, que é a base de cálculo dos royalties. Nos termos da legislação vigente, não havendo dados objetivos e quantificáveis é vedada a utilização do método do valor da transação. Sendo assim, ainda que fosse devida a inclusão dos royalties pagos pela recorrente no valor aduaneiro, o cálculo seria de acordo com o método 2º do AVA, qual seja, o valor de transação de mercadorias idênticas. Nesta esteira, caso rejeitadas as alegações quanto a indevida inclusão dos royalties no valor aduaneiro, deve ser considerado o método “valor da transação de mercadoria idêntica”. Quanto a esse assunto, mais uma vez a Delegacia de Julgamento não se pronunciou, limitandose a afirmar que “os valores foram apurados a partir do exame da documentação inserida nos autos, obtida em resposta à intimações, em procedimentos adotados em estrita obediência às determinações constantes do Acordo de Valoração Aduaneira”. Contudo, afirma a instância a quo que a investigação do valor aduaneiro foi feita de forma correta; h) Descabe a aplicação da multa regulamentar prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os artigos 69 e 81, IV da Lei nº 10.833/2003, calculada em 1% sobre o valor aduaneiro de cada produto, uma vez que a recorrente não omitiu Fl. 5955DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 informações sobre o pagamento dos royalties, nem forneceu informações de forma inexata ou incompleta sobre as importações. O que ocorreu foi interpretações divergentes da legislação. A fiscalização entendeu que o pagamento dos royalties foi feito pela recorrente como condição de venda e a recorrente tratou as operações de forma separada o que resultou na não inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias importadas. Para o recorrente reinava a crença de que o montante que remunera a vinculada Italiana não deve compor o preço de importação dos insumos, em razão da total independência entre os royalties em o valor pago na importação. Neste norte, devese cancelar a multa regulamentar por falta de subsunção dos fatos jurídicos aos fundamentos legais. Termina sua petição recursal pedindo a procedência do recurso voluntário para fins de cancelar integralmente o auto de infração. Alternativamente, requer que o julgamento seja convertido em diligência para que seja adotado o método de valoração aduaneira de “comparação com transação de produtos idênticos”. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da lide é definir o cabimento dos ajustes realizados nas bases de cálculo das importações para fins de inclusão dos valores relativos aos royalties. Nos termos da ação fiscal o recorrente não aduziu os valores relativos à transferência de tecnologia ao valor das importações efetuadas entre agosto de 2007 e dezembro de 2010. Esse tema foi objeto de estudo do nobre conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que resultou no brilhante e didático Acórdão nº 3402002417, de 23 de julho de 2014, o qual fui signatário. Peço vênia ao relator para utilizar parte do voto para ilustrar minha opinião sobre o assunto, verbis: Como é curial o controle aduaneiro das importações e exportações, é uma decorrência lógica e direta do acúmulo de competências constitucionais privativamente deferidas à União, para legislar sobre comércio exterior e câmbio (art. 22, VII e VIII da CF/88), para fiscalizar as operações de câmbio (art. 21, VIII da CF/88), portos, aeroportos e fronteiras (art. 21, XXII da CF/88), bem como para tributar a importação, exportação e Fl. 5956DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 131 13 câmbio (art. 155, I, II e V da CF/88). A complexidade dos diversos fatores que envolvem o comércio internacional (econômicos interno e externo, tributário, fitossanitário, ambiental, industrial e etc.) e a conseqüente diversidade de órgãos estatais (Banco Central, diversos Ministérios, Secretarias, e etc.) atuando nas várias áreas específicas de competência envolvidas nas transações internacionais, obviamente dificulta a coerência interna do sistema e de coordenação entre os diversos órgãos de atuação, o que impõe não só a uniformização das regras, critérios e procedimentos de controle aduaneiro das importações e exportações, como a especificação da competência dos órgãos de regulamentação, controle, fiscalização da execução das referidas normas. Dessa complexidade deriva a importância dos tratados internacionais, como fonte normativa em matéria aduaneira, que se evidencia pelo fato de que uma vez firmados pelo Presidente da República (art. 84, VIII da CF/88) e aprovados no âmbito interno pelo Congresso Nacional através de Decreto legislativo (arts. 49, I e 59, VI da CF/88), os tratados internacionais adquirem o status de legislação interna para efeitos das relações a eles pertinentes (art. 96 do CTN), revogando ou modificando a legislação tributária interna na matéria de que tratam, e devendo ser observados pela que lhes sobrevenha (art. 98 do CTN). Embora a Doutrina atual entenda que não se trata propriamente uma revogação “strictu sensu” do ordenamento interno pelo tratado, mas sim uma limitação da eficácia normativa da norma interna que se torna inaplicável, relativamente aos tributos, pessoas, coisas ou situações fáticas referidas no tratado de tributação (cf. Heleno Taveira TORRES, in “Pluritributação Internacional sobre as Rendas de Empresas” Ed. RT, 2001, São Paulo, pág. 580), a própria Administração tributária já reconheceu expressamente (PN CST nº 3/79) que os atos do direito interno que ratificam os tratados internacionais celebrados pelo Brasil, geram efeitos “ex tunc” com relação às datas dos nos textos originais para vigência do acordo, ou seja, quando a promulgação do ato ocorrer em data posterior à prevista no acordo, os seus efeitos retroagem à data do tratado. Desde logo ressaltese que o controle do valor aduaneiro das mercadorias importadas (art. 76 do RA/09), se insere no procedimento administrativo de despacho aduaneiro (arts. 542 a 549 do RA/09) e se restringe essencialmente à verificação da realidade dos valores aduaneiros declarados por importadores e exportadores (art, 542 do RA/09), e de sua conformidade com as regras de valoração aduaneira estabelecidas pela legislação aduaneira e por Tratados Internacionais para fins de incidência de direitos aduaneiros (AVAGATT, art. 15; art. 543 do RA/09), não se confundindo com o procedimento destinado a combater o “dumping” (Preâmbulo do AVAGATT) destinado a estabelecer direitos antidumping e os direitos compensatórios direitos antidumping e os direitos compensatórios da indústria nacional, estabelecidos pela SECEX e CAMEX (cf. arts. 5º e 6º da Lei nº 9.019/95 na redação dada pela MP nº 2.15835), que também são cobrados na forma e procedimento previstos no Fl. 5957DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 Decreto nº 70.235/72 (cf. art. 7º, § 5º da Lei nº 9.019/95 na redação dada pela Lei nº 10.833/03) , nem com o procedimento de controle dos preços de transferência praticados entre partes vinculadas, que gerem transferências indiretas de lucros através de operações de importação, exportação e financiamentos externos, ou nos casos em que uma das partes esteja sediada em país considerado paraíso fiscal, que se acha integrado no procedimento de lançamento tributário do Imposto de Renda e da CSLL (arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 e arts. 240 a 245 do RIR/99). Estritamente vinculado às normas (externas e internas) de valoração aduaneira exclusivamente para fins de incidência de direitos aduaneiros (AVAGATT, art. 15; art. 543 do RA/09), o procedimento de controle do valor aduaneiro, obviamente não pode ser utilizado para fins diversos, como o controle indireto de preços ou como artifício para aumentar a base de cálculo do imposto de importação, pois ao contrário do que ocorria no regime da Constituição anterior (CF/69, art. 21, I), na atual Constituição, o Poder Executivo da União não detém mais competência para alterar livremente a base de cálculo do imposto de importação, só podendo alterar as alíquotas do referido imposto (CF/88, art. 153, I, § 1º). No caso específico da importação o controle aduaneiro se exerce fundamentalmente sobre a pessoa do importador, previamente habilitado pela Secretaria da Receita Federal para exercer as atividades de importação (arts. 542 e 549 do RA/09), e incide sobre “valor aduaneiro” da transação internacional (art. 76 do RA/09) declarado pelo importador, que constitui a base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação declarados na DI (documento base do despacho de importação – art. 551 do RA/09), até a sua incorporação definitiva ao comércio ou ao consumo nacionais, que à final se dá com o “desembaraço aduaneiro” da mercadoria (art. 571 do RA/09), através do qual se efetua a entrega da mercadoria ao importador, expedindose Comprovante de Importação – CI, que é o documento comprobatório da regularidade da importação (art. 571, § 2º do RA/09; art. 76 da IN/SRF nº 206 de 25/09/02; art. 28 da IN/SRF nº 357 de 02/09/03; art. 66 da IN/SRFB nº 680/06), e habilita a mercadoria para a venda no mercado interno. Mesmo após o desembaraço aduaneiro, legalmente admitese a revisão aduaneira, para a aferição “da exatidão das informações prestadas pelo importador” na Declaração de Importação” e da “regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos à Fazenda Nacional” (cf. art. 54 do Decretolei nº 37/66 na redação dada pelo Decretolei nº 2.471/88; art. 638 do RA/09), da qual pode resultar na revisão de ofício dos autolançamentos, em razão de comprovada falsidade, erro ou omissão eventualmente cometidos na DI, quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN), desde que a referida revisão se dê dentro do prazo decadencial de cinco anos contado da data do registro da DI (arts. 150, § 4º do CTN; arts. 138, § único e art. 139 do Decretolei nº 37/66 na redação dada pelo Decretolei nº 2.471/88; arts. 638, §§ 1º e 2º, arts.752 e 753 do RA/09), até a data da ciência ao interessado da Fl. 5958DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 132 15 exigência do crédito tributário apurado, quando se considera concluída a revisão aduaneira (art. 638 do RA/09). Nessa ordem de idéias, já de início rejeitase a preliminar de nulidade dos lançamentos de Ofício excogitados, bem repelida pela r. decisão recorrida, pois ao contrário do que pretende a ora Recorrida, não se trata de revisão dos autolançamentos declarados nas DIs, por mudança de critério jurídico ou erro de direito que não autoriza a revisão do lançamento (cf. arts. 145 e 146 do CTN; cf. tb. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908; Súmula 227 do TFR) , mas sim de revisão de lançamentos, em razão de omissão e erro de fato supostamente cometidos nas DIs, quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória, valor dos “royalties e direitos de licença”, excluído do valor aduaneiro declarado – cuja hipótese se encontra expressamente autorizada pela legislação de regência (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN; art. 54 do Decretolei nº 37/66 na redação dada pelo Decretolei nº 2.471/88; art. 638 do RA/09), eis que, no caso, comprovadamente efetivada dentro do prazo decadencial (arts. 150, § 4º do CTN; arts. 138, § único e art. 139 do Decretolei nº 37/66 na redação dada pelo Decretolei nº 2.471/88; arts. 638, §§ 1º e 2º, arts.752 e 753 do RA/09). Superada a preliminar, passo ao exame do mérito que versa sobre a revisão de auto lançamentos aduaneiros consubstanciada nos Autos de Infração de II, IPI, COFINS e de PIS/PASEP notificados em 19/12/12, em razão de supostos erros cometidos em DIs registradas pela Recorrida no período de 2008 a 2010, que teriam omitido “do valor aduaneiro” declarado “o valor dos “royalties e direitos de licença”, e que, no entender da d. Fiscalização, deveria ter sido incluído no valor aduaneiro declarado, por força do disposto no arts. 1 e 8.1[c] do Acordo de Valoração Aduaneira, constante do anexo ao Decreto nº 1.355/1994. Inicialmente ressaltese que o atual Acordo de Valoração Aduaneira AVA firmado na “Rodada do Uruguai” do GATT de 1994 (aprovado pelo Congresso Nacional através do Decreto Legislativo nº 30 de 15/12/94 e promulgado pelo Decreto nº 1.355/94), alterou substancialmente os critérios de controle de valoração aduaneira até então vigentes, procurando eliminar os inconvenientes do sistema anterior, que decorriam das distorções geradas pela adoção de valores de referência fictícios e discricionariamente adotados pelas autoridades alfandegárias, sem correspondência com o valor real ou as variáveis mercadológicas das transações internacionais. Realmente, através dos novos métodos de valoração instituídos pelo referido Acordo, partindo do conceito de “valor da transação”, determinado através de ajustes (exclusões e inclusões) no preço efetivamente pago ou a pagar pelo importador, que consideram as condições efetivas de negociação reveladas pelos “INCOTERMS”, pretendeuse assegurar maior justiça, neutralidade e uniformidade ao sistema de controle do Fl. 5959DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 valor aduaneiro, de um lado, reduzindose a possibilidade de discricionariedade fiscal na atribuição dos valores das importações e, de outro, impedindo a manipulação da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação declarados na DI, de modo que a carga tributária incida de acordo com a realidade dos valores e das condições negociais específicas da importação submetida a despacho. Como é curial, na terminologia jurídica e comercial, o termo “importação” é empregado para significar a introdução de mercadorias, trazidas por mar, terra ou ar, de um país estrangeiro para o território nacional, visando sua incorporação ao comércio ou consumo internos do país que as importa e, portanto não se pode jamais perder de vista o fato de que toda importação tem origem e baseiase num negócio jurídico que lhe é subjacente. Nessa linha Waldirio Bulgarelli lembra que, “a compra e venda internacional é a base de todos os contratos ditos internacionais, pois que dela provêm os contratos de transportes, de seguros, de financiamentos, de crédito documentário etc.”, e cujas condições são estabelecidas pelos chamados “INCOTERMS”, que “constituem uma espécie de súmula dos costumes internacionais em matéria de compra e venda” (cf. Waldirio BULGARELLI in “Contratos Mercantis” 4ª Ed. Atlas, 1987, págs. 208, 210 e 212/213). Tal como ocorre nas operações internas, nas operações internacionais de compra e venda a transmissão da propriedade dos bens móveis se dá pela tradição que, nestas geralmente é simbólica, ocorrendo através da remessa e aceitação da Fatura e por Clausula lançada no Conhecimento de Transporte (art. 1.267 CC/02), que por sua vez constitui a prova da propriedade da mercadoria importada, tanto pela legislação comercial como pela legislação aduaneira (art. 554 do RA/09 aprovado pelo Decreto nº 6.759/09; art. 46 do Decretolei nº 37/66, na redação dada pelo art. 2º do Decretolei nº 2.472/88). Por essas razões, o Regulamento Aduaneiro expressamente determina (art. 553 do RA/09) que a Declaração de Importação seja instruída com os originais do Conhecimento de Carga e da Fatura Comercial, esta contendo necessariamente as indicações (art. 557 e art. 77 do RA/09) das partes contratantes (vendedor exportador e compradorimportador), das especificações do produto objeto da compra e venda internacional (espécie, quantidade, peso, preço unitário, etc.), das condições e termos da venda (Incoterms), das condições e moeda de pagamento, dos custos de seguro e frete até o local de descarga, bem como as indicações relativas ao país de origem da mercadoria importada (onde foi produzida ou tiver ocorrido a última transformação substancial), ao pais de sua aquisição (onde foi adquirida para ser exportada para o Brasil) e ao pais de sua procedência (onde se encontrava a no momento de sua aquisição). No caso concreto, os lançamentos acusam suposta violação pela ora Recorrida aos arts. 1 e 8.1[c] do Acordo de Valoração Aduaneira, constantes do anexo ao Decreto nº 1.355/1994, cujo teor é o seguinte: Fl. 5960DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 133 17 “Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (...) Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou apagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam, incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (...) 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto neste Artigo.” Por seu turno, a nota interpretativa do artigo 8.1(c) do Acordo de Valoração Aduaneira, esclarece que: “Nota do Artigo 8 Parágrafo 1(c) 1. Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo 1(c) do Artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas." 2. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação, das mercadorias importadas." Fl. 5961DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 Finalmente, ao estabelecer o procedimento de valoração aduaneira a Instrução Normativa nº 327/03 (DOU de 14/05/03) esclarece que: “Art. 9º O valor de transação é o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições desta Instrução Normativa. Art. 10 O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. (...) Art. 12. Na determinação do valor aduaneiro com base no método do valor de transação deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada: (...) II os royalties e os direitos de licença relacionados com a mercadoria objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessa mercadoria, na medida que tais valores não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; III o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente da mercadoria importada, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. (...)” Dos dispositivos do Acordo de Valoração Aduaneira AVA retro transcritos, desde logo verificase que o que se pretende com a vinculação do preço efetivamente pago ou a pagar pelo compradorimportador ao vendedor em razão de uma venda para exportação para o país de importação, com o valor dos royalties e direitos de licença pagos ao vendedor exportador como “condição de venda”, foi impedir a manipulação do valor aduaneiro declarado pelas partes da transação internacional, com a finalidade de reduzir artificialmente a base de cálculo dos Fl. 5962DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 134 19 tributos incidentes, seja no pais de procedência, seja no pais de destino das mercadorias objeto da compra e venda internacional. Como é elementar, os Royalties são importâncias recebidas como remuneração pelos direitos de uso ou comercialização pelo titular de propriedade intelectual, em suas diversas modalidades, tais como direitos autorais (“copyright”), patentes de invenção, processos e formulas de fabricação, usos de marcas registradas de indústria e comércio (“trade marks”), desenho ou modelo ou projeto, etc. . No cumprimento do mister constitucional de proteção às marcas, nomes de empresas e criações industriais (art. 5º inc. XXIX da CF/88), a legislação de regência confere ao titular de patente, não só o direito de impedir terceiro, sem seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos, o produto objeto de patente, o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado (cf. art. 42 da Lei nº 9.279/96), como o direito de obter indenização pela exploração indevida do objeto de patente (cf. art. 44 da Lei nº 9.279/96). Assim, quando se refere a “royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, (...), como condição de venda dessas mercadorias”, o Acordo de Valoração obviamente está se referindo a uma “condição” que só pode ser (direta ou indiretamente) imposta pelo vendedor exportador das mercadorias importadas quando também seja o titular dos royalties e direitos de licença, pois nos termos da legislação de regência citada, só este pode impedir a venda ou a importação das mercadorias objeto de valoração, hipótese em que o valor dos royalties e direitos de licença, por se relacionar com as mercadorias objeto da compra e venda internacional, pode em tese consubstanciar “condição de venda”, eis que se adiciona ao valor total devido pelo o compradorimportador ao vendedorexportador, e à final se reverte direta ou indiretamente ao vendedorexportador, ainda que pago a terceiro. Nesse sentido, ao interpretar o referido dispositivo Roosevelt Baldomir Sosa esclarece que: “... à luz do Acordo, devemos ter em mente que o preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria diz respeito ao pagamento total da mercadoria adquirida, o que inclui, por exemplo, dispêndios pelo direito de uso de marcas, ou royalties, direitos de licença, e outros relacionados no artigo 8 do Acordo sobre o Valor. Em tais casos, esses gastos são inclusões ao valor de transação, estejam ou não sendo liquidados pela via cambial. Poderá ocorrer, inclusive, do pagamento, não se efetuar diretamente, mas a terceiro. A condição suficiente e necessária é de que tal pagamento se relacione com a aquisição e que se dê em benefício do exportador, mesmo quando tal pagamento não signifique saída de divisas do país. Assim, poderá ocorrer do exportador/vendedor ter um débito a solver com uma pessoa domiciliada no país de importação, e, mediante avença, determine que o pagamento do importador se dê, não a ele, mas ao terceiro com o qual mantem o débito. Nesse caso, não haverá Fl. 5963DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 20 azo a remessa cambial.” (cf. Roosevelt Baldomir SOSA in Valor Aduaneiro Comentários às novas normas de valoração aduaneira no âmbito do MERCOSUL Acordo sobre implementação do artigo VII do GATT, Ed. Aduaneiras, 1999, pág. 38) Na mesma linha Heleno Taveira Torres nos lembra que “... coincidem todos os autores por nós consultados num ponto: a expressão ‘condição de venda’ faz referencia a uma ‘condição imposta pelo vendedor para venda das mercadorias importadas’”, de tal forma que “quando os royalties e direitos de licença são pagos a um terceiro e tal pagamento não se constitui numa imposição do exportador, por não se qualificar como condição de venda da mercadoria, não podem ser reclamados para adição ao valor aduaneiro.” (cf. Heleno Taveira TORRES in Direito Tributário Internacional Aplicado, Ed. Quartier Latin do Brasil, 2004, Vol. II, págs. 222 e 224) Conforme se extrai do texto acima, o valor dos royalties e direitos de licença royalties somente deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelo comprador importador, na presença cumulativa dos seguintes requisitos: a) quando estiverem diretamente relacionados com as mercadorias objeto de valoração; b) quando consubstanciarem “condição de venda” imposta pelo vendedorexportador que, para tanto, deve ser o titular dos royalties e direitos de licença; e c) quando forem devidos direta ou indiretamente pelo comprador importador ao vendedorexportador, ainda que pagos a terceiro. Cravada essas premissas, retornando à lide, devemos verificar se há nos autos prova de que o insumo importado, no caso a borracha, tinha como condição de venda pelo exportador o pagamento de royalties e direito de licença. Primeiro ponto é identificar a quem cabe essa prova. A regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Como esse processo tem como objeto um auto de infração, o ônus da prova cabe à Autoridade Fiscal. Fl. 5964DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16561.720079/201215 Acórdão n.º 3402002.444 S3C4T2 Fl. 135 21 Compulsando exaustivamente os autos, não identifico provas mínimas de que os royalties estavam diretamente relacionados a importação da borracha, fato que configuraria uma condição de venda. Noutro giro, o contrato de royalties celebrado entre as sociedades prevê a exclusão dos valores das matériasprimas da base de cálculo do royalties, senão vejamos: (...) 7. – Remuneração Em contraprestação à revelação dos conhecimentos técnicos e dos aperfeiçoamentos e os direitos ora concedidos, a RECEPTORA pagará a CONCEDENTE uma remuneração correspondente a 4% do preço liquido de venda dos produtos vendidos ou de outra forma alienado pela RECEPTORA. 1.4 – “Preço Líquido de Venda” significa o preço bruto faturado pela venda dos produtos pela RECEPTORA, menos (i) deduções correspondentes ao preço pago à CONCEDENTE pela compra de matériasprimas e componentes da CONCEDENTE incluídos nos produtos, (ii) deduções por devoluções de produtos e vendas canceladas, (iii) eventuais descontos incidentes sobre a venda e (iv) impostos incidentes sobre a venda dos produtos fabricados e/ou comercializados que estão incluídos no preço faturado. (...) Assim sendo, não vejo motivos para incluir os valores a título royalties na base de cálculo das importações. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas e legais para cancelar os autos de infração de II, IPI, PIS e Cofins resultantes da inclusão dos royalties na base de cálculo das importações. Quanto à multa regulamentar prevista no artigo 84, inciso I, da MP n° 2.158, de 2001, c/c artigo 69, §§ 1° e 2°, inciso III, e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003, entendo que deve ter o mesmo destino, pois o fundamento jurídico utilizado para aplicação da multa foi a omissão dos valores dos royalties na importação da borracha. Como entendo que os referidos valores não devem fazer parte da base de cálculo das importações, não há motivos jurídicos e legais para manutenção da multa. Nesta linha, afasto a multa imposta ao recorrente de 1% sobre o valor aduaneiro. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 19/08/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 5965DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 22 Fl. 5966DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10700.000050/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2006
NFLD sob n°37.030.649-0
Consolidados em 20/12/2006
ISENÇÃO. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 3.577/59.
A entidade detinha o direito à isenção desde a Lei 3.577/59, uma vez que deve ser reconhecido o efeito declaratório de ambos os requerimentos, isto é, tanto de utilidade pública federal, como de entidade de fins filantrópicos, na esteira da jurisprudência do Augusto Supremo Tribunal Federal.
REQUERIMENTO DE ISENÇÃO PERANTE O INSS.
Tratando-se de direito adquirido preservado pelo § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91 e, na esteira do Parecer/CJ nº 2901/2002, estava dispensada a entidade de pleitear o reconhecimento da isenção.
AUTUAÇÃO. LEI 12.101/09. ATO CANCELATÓRIO.
A presente autuação foi lavrada na vigência da Lei 12.101/09, que alterou o procedimento de fiscalização dispensando do procedimento prévio de Ato Cancelatório. Aplicação do artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional.
NECESSIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ARROLAR O DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 12.101/09.
Reconhecendo-se que a entidade estava acobertada pelo direito adquirido do § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91, deveria o Fisco, no presente lançamento, ter enumerado as razões pelas quais teriam sido descumpridos os requisitos previstos no 29 da Lei 12.101/09.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 3.577/59. A entidade detinha o direito à isenção desde a Lei 3.577/59, uma vez que deve ser reconhecido o efeito declaratório de ambos os requerimentos, isto é, tanto de utilidade pública federal, como de entidade de fins filantrópicos, na esteira da jurisprudência do Augusto Supremo Tribunal Federal. REQUERIMENTO DE ISENÇÃO PERANTE O INSS. Tratandose de direito adquirido preservado pelo § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91 e, na esteira do Parecer/CJ nº 2901/2002, estava dispensada a entidade de pleitear o reconhecimento da isenção. AUTUAÇÃO. LEI 12.101/09. ATO CANCELATÓRIO. A presente autuação foi lavrada na vigência da Lei 12.101/09, que alterou o procedimento de fiscalização dispensando do procedimento prévio de Ato Cancelatório. Aplicação do artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional. NECESSIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ARROLAR O DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 12.101/09. Reconhecendose que a entidade estava acobertada pelo direito adquirido do § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91, deveria o Fisco, no presente lançamento, ter enumerado as razões pelas quais teriam sido descumpridos os requisitos previstos no 29 da Lei 12.101/09. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 0. 00 00 50 /2 00 7- 38 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10700.000050/200738 Acórdão n.º 2301004.112 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário aviado contra DecisãoNotificação sob n° 17.402.4 que julgou procedente o lançamento de crédito previdenciário contra a entidade, por considerar que ela não reunia as condições estabelecidas na legislação previdenciária para o usufruto do benefício de isenção da cota patronal das contribuições sociais da Seguridade Social. Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a Recorrente, sendo fato gerador as seguintes contribuições: i) da empresa incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, prevista no art. 22 da Lei 8.212/91; ii) da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, de que trata o art. 22, inc. III. da Lei 8.212/91; iii) da empresa para financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, art. 22, inc. II, da Lei 8.212/91; e iv) de Terceiros (Outras Entidades e Fundos), art. 94 da Lei 8.212/91, (FNDE, INCRA SESC e SEBRAE). Em resolução anterior esta Turma converteu em diligência para que a autoridade responsável pronunciasse quanto aos fatos trazidos na decisão de primeira instância, fls. 343, que teriam sido os fundamentos para o indeferimento ao pedido de renovação do CEFF de 1992, informando se esses fatos também persistiram durante o período a que se refere o lançamento e, oportunamente, outros requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 que também teriam sido violados. Bem como se pronuncie sobre o direito adquirido material alegado pelo Recorrente sobre a existência do direito adquirido de isenção. Em resposta a autoridade assim manifestou: 1. Que para ter direito à isenção das contribuições previdenciárias (parte patronal), o contribuinte deve: i) ter direito adquirido à isenção (Art. 55, § 1 o da Lei 8.212/91) ou ii) obter a isenção mediante requerimento junto à Previdência Social (Art. 55, I a V da Lei 8.212/91); 2. Quanto ao direito adquirido foi assegurado pelo Decretolei n° 1.572 de 1977 à entidade que na data de sua publicação (1o de setembro de 1977) detivesse Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF com validade por prazo indeterminado, fosse reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal, cujos diretores não percebessem remuneração e que se encontrassem em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. 3. Ainda, o DecretoLei n° 1.572/1977 garantia a isenção também à entidade portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que tivesse requerido, ou viesse a requerer dentro de 90 dias a partir de sua publicação, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 4. Nesta seara a Recorrente não acode as exigências e por isto não faz jus à isenção prevista no DecretoLei 1.572/77, eis que não tinha o CEFF e não era reconhecida como entidade de utilidade pública federal. 5. Diz que a Recorrente não se amolda ao § 2° do artigo 1° do Decreto – Lei em comento, porque, em que pese ter requerido o reconhecimento de utilidade pública federal antes da publicação do referido, ou seja, em 10.06.1976, ela não era portadora do CEFF na data da publicação. 6. O CEFF só foi conquistado em 14.03.1980. 7. Que não há previsão no Decreto em caso como este, ou seja, de formalizar o pedido antes da publicação dele, razão pela qual não há de se conhecer o direito adquirido. 8. Que outra forma de fazer jus à isenção das contribuições previdenciárias é obtendo esta isenção mediante requerimento feito pela interessada. Que o referido requerimento foi feito pelo contribuinte em duas ocasiões, 1992 e 1994, tendo sido indeferido o pedido ambas as vezes. 9. E, quanto os fatos trazidos da decisão de primeira instância, que teriam sido os fundamentos para o indeferimento ao pedido feito em 1992 e informando s e esses fatos persistem durante o período a que s e refere o lançamento, diz que a isenção das contribuições previdenciárias (cota patronal) da qual podem se beneficiar as entidades de fins filantrópicos é um direito potestativo. Assim, a verificação por parte da fiscalização em relação ao cumprimento ou não dos requisitos para a concessão deste benefício depende da provocação do contribuinte mediante requerimento. Se ele não requereu a isenção das contribuições previdenciárias para o período do lançamento do crédito tributário, não cabe analisar s e as condições que levaram o indeferimento dos pedidos feitos em 1992 e 1994 persistiram no período de janeiro de 2001 a janeiro de 2006 (período a que s e refere a NFLD n° 37.030.6490). Devidamente intimada a Recorrente diz que: 1. Com a diligência o processo administrativo está devidamente instruído e pronto para reconhecer que ela é detentora do direito adquirido da imunidade tributária no que tange às contribuições sociais, nos termos da Lei n.o 3.577, de 1959, ressalvado no parágrafo 1°, do artigo 55, da Lei n.o 8.212, de 1991, atualmente abrangido pela Lei n.o 12.101, de 2009, bem como garantido constitucionalmente, nos termos do artigo 195, § 7°, da Constituição da República; 2. Que a prova maior é o Registro da entidade junto ao CNSS, originado em 31/8/1976, processo classificado sob o número 250.285/1976, deferido em 8/6/1977; e o próprio Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) expedido pelo Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), originado em 11/7/1977, classificado sob o número 234.371/1977; Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10700.000050/200738 Acórdão n.º 2301004.112 S2C3T1 Fl. 4 5 3. Diz que ambos sob a vigência da Lei n.0 3.577, de 1959; 4. Juntou documento corroborando o alegado; 5. Destacou certidão exarada pelo CNAS onde demonstra tempo hábil para ser possuidor do CEFF; 6. Chamou a atenção para observação de que a norma revogadora da isenção – DecretoLei n.0 1.572, de 1977 ter ressalvado expressamente o gozo do direito isencional para as entidades enquadradas na Lei n.0 3.577, de 1959, como se dá no caso da dela; 7. Diante disto se encontra no direito da ressalvado no § 1° do artigo 55 da Lei n.0 8.212, de 1991, dispensada do requerimento administrativo de isenção quando do advento da norma previdenciária, contudo, mantido o seu dever, devidamente comprovado a partir dos documentos existentes nos autos, quanto ao atendimento dos requisitos legais estatuídos pelo novo ordenamento, não havendo que se falar em validade dos lançamentos fiscais relativos à quota patronal, em vista da inexistência de ato cancelatório de isenção, conforme determinava a norma específica ao regular o processo administrativofiscal em matéria de isenção previdenciária; 8. Alega que seu direito está reforçado pela existência de coisa julgada material acerca do reconhecimento do direito isencional sob a ótica da Lei de 1959, consoante decisão proferida no mandado de segurança – processo n.o 114.742RJ – transitado em julgado em 28/8/1987, no âmbito do então Tribunal Federal Regional; 9. Finaliza com a declaração proferida pela própria autoridade fiscal, ou seja, o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS), órgão que conferia o benefício nos termos da Lei de 1959, em consulta realizada por ela, à época, atestando o benefício fiscal conferido à entidade, uma vez que atendidas as exigências contidas no DecretoLei n° 1.572, de 1977, ou seja, que ressalvou o direito das entidades abrangidas pelo manto isencional da Lei de 1959; 10. Requereu a improcedência do lançamento. Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. O presente lançamento tem quase os mesmos fatos geradores, quase as mesmas exações e os mesmos fatos que circunscreveram os autos do processo sob nº 16682.720013/201178, que já esteve nesta Turma e foi julgado em outubro último, com voto condutor do r. ConselheiroRelator Adriano Gonzáles Silvério, que deu provimento ao Recurso Voluntário, por maioria, sendo que aquele compreendia o período de 2006/2007. Por concordar com o entendimento lá exarado, ‘in totum’, faço do voto do nobre Conselheiro Adriano, o meu, e peço ‘venia’ para transcrevêlo, inclusive a conclusão: O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicialmente, importante registrar que são objetos do presente recurso os Autos de Infração referentes às contribuições previdenciárias da parte da empresa, terceiros e GFIP. Sustenta a recorrente que detinha o título de utilidade pública, bem como o registro do Conselho Nacional de Assistência Social ambos na vigência da Lei nº 3.577/59, o que lhe garantiria a imunidade das contribuições previdenciárias. A Lei nº 3.577/59, a qual tratava da “isenção” “da taxa de contribuição de previdência dos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões”, assim regulava a matéria: “Art. 1º Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebam remuneração. Art. 2º As entidades beneficiadas pela isenção instituída pela presente lei ficam obrigadas a recolher aos Institutos, apenas, a parte devida pelos seus empregados, sem prejuizo dos direitos aos mesmos conferidos pela legislação previdenciária.” Segundo a citada Lei bastava que a entidade fosse reconhecida como de utilidade pública e os membros de suas diretorias não percebessem remuneração para que fosse desobrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, eis que permanecia a obrigação de recolher as contribuições da parte dos empregados. O DecretoLei nº 1.572/77 de 1º de setembro de 1977, ao revogar a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, assim dispôs: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10700.000050/200738 Acórdão n.º 2301004.112 S2C3T1 Fl. 5 7 “Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 2º A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do início da vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3º O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento.” Extraise desse diploma legal que as novas disposições acerca da obtenção da imunidade das contribuições previdenciárias (parte da empresa) não prejudicariam aquelas entidades que até a data da sua publicação reunissem os seguintes requisitos: i) fossem reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal; e ii) portadoras de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Segundo o relatório fiscal a 2ª CAJ analisando recurso da entidade em relação a indeferimento de pedidos de isenção feitos em 1992 e 1994, entendeu que não gozava da isenção. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 A decisão recorrida transcreveu a íntegra da citada decisão, a qual entendeu que a entidade não gozava do direito adquirido ao reconhecimento da isenção. Transcrevo trecho do acórdão: Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: · As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; · As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: de declaração de utilidade pública de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Como se percebe, após 01/09/1977 não foram possíveis novas concessões. A recorrente obteve o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos em 14/3/1980, fl. 59, e somente foi reconhecida como de utilidade pública federal em 2 de julho de 1981, fl. 60. Contudo, em sede de recurso voluntário traz ementa do Tribunal Federal de Recursos em sede de Apelação em Mandado de Segurança nº 114.742RJ, no qual reconhece que a recorrente teria direito ao citado benefício. Com a diligência fiscal trouxe aos autos cópia integral do acórdão. Segundo o citado decisum foi considerado, a meu ver, que a entidade havia cumprido os requisitos da Lei 3.577/59, anteriores, portanto, ao DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, o qual determinava que fossem reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal, bem como portadoras de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado até 30/11/1977. Em que pese a decisão recorrida ter defendido a tese de que o reconhecimento como entidade de fins filantrópicos só ocorreu em 1981, relativa a processo instaurado em 1980 1025.804/80, verifico que o despacho proferido naqueles autos, afirma que a entidade atendeu os requisitos do DecretoLei 1.572/77. Às fl. 456 desses autos consta atestado de registro emitido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, o qual reconhece que a entidade achavase registrada no órgão, em decorrência do processo nº 250.285/76, deferido em 08/06/1977. No que diz respeito ao reconhecimento da entidade como sendo de utilidade pública federal, foi anexado aos autos cópia do Diário Oficial de 03 de julho de 1981 às fl. 473 a 474 desses Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10700.000050/200738 Acórdão n.º 2301004.112 S2C3T1 Fl. 6 9 autos, no qual veicula o Decreto nº 86.174, de 02 de julho de 1981, em que arrola o sujeito passivo, fazendo referência ao Processo MJ 29.767/76 O Ofício 177/2003, expedido pela Secretaria Nacional de Justiça às fls. 478 confirma que o processo acima, qual seja, de reconhecimento da entidade como de utilidade pública federal, foi instaurado em 10/06/1976 e deferido pelo Decreto supra. O que se verifica é que a entidade detinha o direito à isenção desde a Lei 3.577/59, uma vez que deve ser reconhecido o efeito declaratório de ambos os requerimentos, isto é, tanto de utilidade pública federal, como de entidade de fins filantrópicos, na esteira da jurisprudência do Augusto Supremo Tribunal Federal: CERTIFICADO DE FILANTROPIA. ISENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL A PREVIDENCIA PATRONAL. A EXPEDIÇÃO DO CERTIFICADO DE FILANTROPIA TEM CARÁTER DECLARATORIO E COMO TAL GERA EFEITOS EXTUNC. SE A ENTIDADE REQUEREU O CERTIFICADO ANTES DA DETERMINAÇÃO ADMINISTRATIVA QUE ARQUIVOU OS PROCESSOS RESPECTIVOS, MAS VEIO TELO DEFERIDO ANOS DEPOIS, QUANDO REVOGADA A MEDIDA, O SEU DIREITO AS VANTAGENS CONFERIDAS PELA LEI RETROTRAEM A DATA DO REQUERIMENTO, INCLUSIVE O DA ISENÇÃO DA QUOTA PATRONAL DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.(RE 115510, Relator(a): Min. CARLOS MADEIRA, Segunda Turma, julgado em 18/10/1988, DJ 11111988 PP29311 EMENT VOL0152303 PP00634) Logo, tratandose de direito adquirido preservado pelo § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91 e, na esteira do Parecer/CJ nº 2901/2002, estava dispensada a entidade de pleitear o reconhecimento da isenção. Segundo a informação fiscal produzida por ocasião da solicitação de diligência fica claro que nos cadastros da RFB de que a recorrente está caracterizada como “sem isenção”, razão pela qual, nesse momento não foi lavrado Ato Cancelatório. Não tem razão a recorrente, a meu ver, quando alega improcedência do lançamento uma vez que não teria havido processo prévio de cancelamento da isenção. Isto, porque a presente autuação foi lavrada na vigência da Lei 12.101/09, que alterou o procedimento de fiscalização dispensando do procedimento prévio de Ato Cancelatório. Ainda que o lançamento possa fazer referência a fatos geradores anteriores, o artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional que Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 “Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas”. Não obstante, ainda que não haja processo prévio de cancelamento da isenção, o artigo 32 da Lei nº 12.101/09 obriga o Fisco a trazer no lançamento “os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção”, os quais não foram trazidos no caso concreto, já que o Fisco entendia que a entidade não gozava da isenção. Assim, reconhecendose que a entidade estava acobertada pelo direito adquirido do § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91, deveria o Fisco, no presente lançamento, ter enumerado as razões pelas quais teriam sido descumpridos os requisitos previstos no 29 da Lei 12.101/09. A demonstração da configuração da materialidade do tributo é fator decisivo e questão elementar para a efetiva constituição do crédito tributário, como prevê o artigo 142 do CTN. A ausência dessa atividade, sobretudo quanto à certeza da hipótese de incidência tributária, torna temerária a motivação do lançamento. Consoante dispõe o art. 10, III, do Decreto nº 70.235 de 1972, a motivação constitui requisito de validade do auto de infração, sem o qual torna a autuação improcedente, diante da ausência da observância de requisito de validade. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Logo, não tendo o Auto de Infração demonstrado o descumprimento os requisitos previstos no artigo 29 da Lei 12.101/09, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério – Relator CONCLUSÃO. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO, por não ter demonstrado o AI o descumprimento dos requisitos do artigo 29 da Lei 12.101/09. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10700.000050/200738 Acórdão n.º 2301004.112 S2C3T1 Fl. 7 11 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10845.720007/2008-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR - ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Declaração de voto
EDITADO EM: 07/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 00 07 /2 00 8- 29 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Declaração de voto EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face S A AGRO INDUSTRIAL ELDORADO foi lavrado o auto de infração de fls. 01/07, objetivando a exigência de Imposto Territorial Rural do exercício de 2004 em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Interesse Ecológico/ Área de Proteção Ambiental. A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 220201.311, que se encontra às fls. 277/287 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, ' devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 19 3 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABN.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O v. acórdão recorrido adotou como razões para negar provimento ao recurso voluntário os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Regularmente intimada do acórdão, a Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 298/335, que foram rejeitados conforme despacho de fls. 485/488. Intimada do acórdão dos embargos de declaração em 14/08/2012 (fls. 491), a contribuinte interpôs em 24/08/2012 o recurso especial de fls. 492/533, por meio do qual sustenta divergência entre o acórdão recorrido e outras decisões deste E. Colegiado em relação Fl. 613DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 à incidência do ITR sobre a área reconhecida como de interesse ecológico (acórdãos nºs 302 38.180 e 30237.799). Ao recurso especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho de 25/02/2013 (fls. 535/538). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 586/594. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela contribuinte. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nºs 30237.799 e 30238.180. O v. acórdão recorrido adotou como razões para negar provimento ao recurso voluntário os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Para fins de clareza transcrevo, abaixo, trecho do referido acórdão que analisa a certidão emitida pelo Ibama: “Fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico, para efeito de exclusão do ITR, carece, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. A contribuinte no intuito de embasar seu argumento, anexou à fl. 53, Certidão do Ibama, com emissão em 27/11/2007, porém essa documentação não determina a situação do imóvel com relação ao exercício do ITR de 2004. É necessário salientar que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da Fl. 614DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 20 5 tributação pelo ITR com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo Io, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996. Portanto, nesse exercício que está sendo analisado, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica se enquadravam como área isenta de ITR, somente por essa condição, antes da alteração no artigo citado. Os acórdãos colacionados pela Recorrente como paradigma, encontramse assim ementados: Acórdão n.º 30237.799 “GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (ÁREA DE RESERVA LEGAL, ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL E ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO). LANÇAMENTO DECORRENTE DE DIFERENÇAS CONSTATADAS ENTRE DADOS INFORMADOS NA DITR E NO ADA. A rigor não há nenhuma superioridade em termos de credibilidade entre a declaração de ITR (DITR) apresentada pelo contribuinte à SRF e as informações fornecidas pelo mesmo ao IBAMA por ocasião do protocolo do pedido de Ato Declaratório Ambiental. Tendo trazido aos Autos documentos que comprovam serem as utilizações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Acórdão 30238.180 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA DISTRIBUIÇÃO DAS AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA — NÃO) SE TORNA OBRIGATÓRIO A APRESENTAÇÃO DO ADA, QUANDO RESTOU COMPROVADO HABILMENTE MEDIANTE DECLARAÇÕES IDÔNEAS DO IBAMA E DA SEDAM DO GOVERNO DO ESTADO DE RONDÔNIA A EXISTÊNCIA DESSAS ÁREAS DA PROPRIEDADE, NA ÉPOCA DO FATO GERADOR. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, inclusive revestidos das formalidades legais, além do registro averbado no Cartório de Registro de Imóveis, que comprovam serem as uti1izações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização.” Verifico constar do relatório e voto do Acórdão n.º 30237.799 (ambos os paradigmas utilizam como fundamentação em seu voto o voto proferido pela Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro no Recurso 129.453): Fl. 615DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Relatório “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 32/37, através do qual se exige, da interessada, o Imposto Territorial Rural – ITR no valor original de R$ 259.772,54, acrescido de juros moratórias e multa de oficio, decorrentes de glosa de parte da área de utilização limitada, informada em sua Declaração do Imposto sabre a Propriedade Territorial DITR (DIAC/DIAT), do Exercicio de 1999, por não ter sido incluída no Ato Declaratório Ambiental ADA, 872,6 ha de Area de utilização limitada, do imóvel rural denominado "Serra Negra dos Caetanos", com área total de 4.255,9 ha, Número do Imóvel na Receita Federal NIRF 3.856.3690, localizado no municipio de Tapirai / SP. (...) conforme o oficio juntado pela interessada, o IBAMA declarou, em 8 de janeiro de 2004, que a Área objeto da autuação é considerada de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. No mesmo ato, o IBAMA declara que a Área é revestida com vegetação típica de Mata Atlântica (Floresta Ombrofila Densa), em seus estágios de regeneração Media e Avançado e que não é objeto de exploração seletiva, não existindo nenhuma atividade de manejo florestal, conforme previsto no Decreto Federal 750/93, em seu art. 1°.” Voto (...) Com efeito, no presente caso, entendo que pela documentação acostada, restou comprovado que toda a área glosada se constitui em área de preservação permanente prevista na Lei nº 4.771/65. Ademais, e especificamente neste caso em que a referida área se inclui no esforço de proteger espécies da flora e da fauna da Mata Atlântica ameaçadas de extinção, se faz também, nos termos da Resolução nº 10/93, área de interesse ecológico. Com efeito, a documentação apresentada, notadamente: (i) o laudo técnico; (ii) o relatório das Vistorias do Projeto Piloto INCRA/IBAMA; (iii) a Declaração do Ibama (pela qual se evidencia que o imóvel objeto do lançamento fiscal ‘não é objeto de exploração seletiva, pois não há nenhuma atividade de manejo florestal’, sendo considerado ‘de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, conforme artigo 7º da Resolução CONAMA nº 10, de 1 de outubro de 1993’), acrescida das previsões legais estabelecidas nos Decretos Estaduais nºs 22.717/84 e 28.347/88, são, no meu entendimento, suficientes para identificar a efetiva situação do imóvel e para atestar, conforme a definição legal, sua caracterização como área de preservação permanente e de interesse ecológico (a qual, por determinação legal, está isenta das incidência do ITR). Da documentação acostada (assim como da teor do disposto no art. 70, do Decreto IV 750/93 c/c art.7°, da Resolução n° 10/93) resulta a minha convicção de que a Área denominada Serra Negra dos Caetanos apresenta características de Floresta Fl. 616DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 21 7 Ombrófila Densa Atlântica, a qual é considerada de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Ante o exposto, dou provimento ao presente recurso” Examinando o paradigma acima se verifica que ele entendeu como válida, para fins de comprovação da existência de área de interesse ecológico, determinada certidão emitida pelo Ibama em 8/1/2004, sendo que o fato gerador do ITR no caso analisado era de 1999. A conclusão do acórdão paradigma, conforme transcrito acima, foi a de que tal documento (a certidão do Ibama) comprovou que a área em questão era de interesse ecológico e, portanto, isenta do ITR. Destaquese que, ainda que não tenha se pronunciado sobre a validade de certidão emitida posteriormente ao fato gerador para fins de comprovação da área como sendo de interesse ecológico, é inegável que tal documento foi considerado pelo voto constante do acórdão apresentado como paradigma. Dessa forma, no caso do paradigma, a certidão “intempestiva” foi considerada válida para fins de comprovar que o imóvel em questão estava localizado em área de interesse ecológico e, portanto, para excluir tal área na apuração do ITR. A meu ver, nos termos como constou no v. acórdão recorrido, caso tivesse sido aceita a certidão de fls. 53 (como se verificou no acórdão paradigma), é possível que o I. Relator chegasse a conclusão diversa na medida em que haveria nos autos a comprovação do ato declaratório específico exigido por lei. Além disso, o paradigma conduziuse no sentido de entender que a inclusão em área de preservação ambiental é suficiente para a caracterização de área de interesse ecológico para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, no que também divergiu do acórdão recorrido. Logo, entendo que restou demonstrada a existência da divergência que autoriza o conhecimento do recurso especial. Passo, assim, ao exame do mérito. Em suas razões de recurso especial o Recorrente pretende que seja afastada a incidência do ITR sobre o imóvel de sua propriedade tendo em vista a existência de mata atlântica na referida propriedade levando à caracterização da área como de interesse ecológico e de preservação permanente. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). Fl. 617DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). No tocante às áreas de interesse ecológico, o artigo 10º, §1º, inciso II, “b” da Lei nº 9.363/96 (letra “b” do parágrafo anterior), expressamente determina que sua exclusão da área tributável requer a existência de ato prolatado por órgão federal ou estadual competente, que amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. Assim, com base no exposto acima, duas são as exigência legais para que determinada área seja considerada de interesse ecológico e, consequentemente, excluída da área tributável para fins de ITR, quais sejam: (i) a existência de ato específico emitido por órgão federal ou estadual e (ii) que o referido ato amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. As Áreas de Preservação Permanente, como o próprio nome já diz, são áreas reconhecidas como de utilidade pública, de interesse comum a todos e localizadas em áreas específicas delimitadas por lei – margens de rios, encostas de morros, etc. em que se restringe Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 22 9 qualquer tipo de ação, no sentido de supressão total ou parcial da vegetação existente, para que se preservem as plantas em geral, nativas e próprias, que cobrem a região. A reserva legal, por sua vez, é a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, sendo necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de falta e flora nativas. No presente caso, verifico que a certidão emitida pelo Ibama em 27/11/2007 (fls. 53) confirma que o imóvel em questão está inserido dentro da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, atestando que a área do imóvel é “recoberta por Floreta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930 ha”, declarando a área como de interesse ecológico. Transcrevo a seguir a referida certidão, in verbis: “Declaramos para o fim de comprovação de isenção do Imposto Territorial Rural, conforme determina a legislação vigente Lei 9.393/96, que a Fazenda Colônia Nova Trieste, cadastrada na Receita Federal sob o número 3.206.1943, localizada no Município de Eldorado SP, que, após análise da documentação apresentada, este órgão constatou tratarse de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930,00 hectares. O imóvel também está inserido integralmente nos limites da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar APA o que conferimos e reconhecemos como ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO e UTILIZAÇÃO LIMITADA.” Com exceção da declaração explícita do interesse ecológico, a certidão em questão confirma os termos da declaração de fls. 51, expedida pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DEPRN em 22/3/1990. Referida declaração do DEPRN, por sua vez, trata especificamente da utilização admitida para o imóvel da contribuinte, conforme transcrição abaixo: “Nos termos da legislação e regulamentação em vigor (Lei 4771/65, Portaria IBAMA 218/89 e Portaria DEPRN 3/90) a exploração de florestas e de formações florestais sucessora nativas em estágios médios e avançados de regeneração natural em área de ocorrência de mata Atlântica só poderá ser feita através de plano de manejo de rendimento sustentado, excluídas as áreas definidas como de preservação permanente pelo Código Florestal (Lei 4771/65, artigos 2º e 3º) e observada Reserva Legal correspondente a 50% (cinquenta) da área total da propriedade. Tais restrições aplicamse à propriedade em questão” Do texto da declaração acima inferese que o imóvel em questão não está gravado com restrições mais gravosas que aquelas previstas para as APPs e áreas de reserva Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 legal. De fato, a declaração trazida aos autos pela própria Recorrente confirma a possibilidade de aproveitamento econômico, por meio de plano de manejo a ser aprovado, das áreas de floresta. Logo, não tendo sido efetivamente comprovada a ampliação das restrições à utilização do imóvel, não foram cumpridos os requisitos para que a área em questão fosse excluída da área tributável do imóvel como área de interesse ecológico. Registrese que em se tratando de área de interesse ecológico cuja exclusão de tributação se dá em decorrência do artigo 10º, §1º, inciso II, “b” da Lei nº 9.363/96, a jurisprudência desta Câmara Superior é no sentido de que não basta a existência de ato declarando a área como de interesse ecológico sendo necessária, ainda, a demonstração da limitação de seu uso, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica das ementas abaixo transcritas: “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. REGIÃO APA SUL. AUSÊNCIA RESTRIÇÃO DE USO. NECESSIDADE DE ATO/DECLARAÇÃO ESPECÍFICA EM RELAÇÃO AO IMÓVEL. A área declarada como de interesse ecológico, ainda que incluída em APA, depende de declaração específica em relação ao imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, sobretudo quando a legislação que criou a região, in casu, APA SUL, não estabelece restrições absolutas, não limitando, portanto, o seu uso.” (Acórdão 9202002.723, proferido pela CSRF em sessão de 11/06/2013. Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ITR ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. (Acórdão 2201002.079, proferido pela CSRF em sessão de 22/05/213. Rel. Gustavo Lian Haddad) Afastada a possibilidade de exclusão da área por conta de sua caracterização como área de interesse ecológico, foi objeto de discussão durante o presente o julgamento a possibilidade de reconhecimento da presente propriedade como Área de Proteção Permanente, nos termos do artigo 3º do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965). Transcrevo, para fins de clareza, o referido dispositivo: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 23 11 “Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Ocorre que o reconhecimento da APP nos termos dos dispositivos acima requer o enquadramento das florestas e demais formas de vegetação existente no imóvel em uma das alíneas do artigo 3º do código florestal, bem como ato do Poder Público reconhecendo tal enquadramento. No presente caso, no entanto, não há prova desse enquadramento, razão pela qual não é possível reconhecer que as florestas e demais formas de vegetação existentes no imóvel constituem área de preservação permanente passível de exclusão da tributação pelo ITR. Debateuse, ainda, a possibilidade de exclusão da área coberta por florestas de mata atlântica da incidência do ITR tendo em vista o disposto no Decreto Federal nº 750/1993 que expressamente proibiu o corte, a supressão e exploração de vegetação primária ou em estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica. Ressalto, inicialmente, que a existência dessa vedação não implica em uma APP para áreas de mata atlântica. De fato, o decreto em questão teve como escopo regulamentar o artigo 14º do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965) que veicula autorização para que o Poder Executivo crie restrições administrativas à exploração de florestas, complementares às restrições previstas originariamente no Código Florestal. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Examinando o referido decreto verifico que de fato seu artigo 1º veda o corte, supressão e exploração das florestas de mata atlântica. No entanto, tal decreto admite a exploração das áreas de mata atlântica, respeitadas determinadas condições, como se verifica de seu artigo 2º, abaixo transcrito: “Art. 2° A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada desde que observados os seguintes requisitos: I não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de práticas de roçadas, bosqueamento e similares; II elaboração de projetos, fundamentados, entre outros aspectos, em estudos prévios técnicocientíficos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção da espécie; III estabelecimento de área e de retiradas máximas anuais; IV prévia autorização do órgão estadual competente, de acordo com as diretrizes e critérios técnicos por ele estabelecidos. Parágrafo único. Os requisitos deste artigo não se aplicam à explotação eventual de espécies da flora, utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais, mas ficará sujeita à autorização pelo órgão estadual competente.” Devese registrar que o Decreto nº 750/1993 foi editado para revogar o Decreto nº 99.547/1990 de forma a admitir a exploração das áreas de mata atlântica por meio do artigo 2º acima transcrito. O Decreto nº 99.547/1990 em seu artigo 1º vedava o corte, a supressão e exploração de vegetação primária ou em estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica e determinava, em seu artigo 2º, que competia ao IBAMA fiscalizar tal vedação, conforme se verifica da transcrição abaixo: “Art. 1° Ficam proibidos, por prazo indeterminado, o corte e a respectiva exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica. Art. 2° O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no exercício de sua competência e de modo imediato e prioritário, deve promover rigorosa fiscalização dos projetos existentes em áreas da Mata Atlântica, na forma da lei. Parágrafo único. Verificadas, pela fiscalização a que alude este artigo, irregularidades ou ilicitudes, incumbe ao Ibama, prontamente: a) diligenciar as providências e as sanções cabíveis; b) oficiar ao Ministério Público Federal, se for o caso, visando aos pertinentes inquérito civil e ação civil pública; e c) representar, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CREA em que inscrito o responsável técnico pelo Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 24 13 projeto, para apuração de sua responsabilidade, consoante a legislação específica. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogamse as disposições em contrário.” Adicionalmente, devese aqui afastar o mito por vezes adotado de que o ITR é tributo que tem, no contorno constitucional de sua regra matriz, o pressuposto de utilização da propriedade. A regra matriz do ITR tem como elemento material a propriedade da terra. Se tal área é ou não utilizada é elemento que pode afetar o valor venal da propriedade, que conforma a base de cálculo do tributo, ou até ser utilizado pelo legislador para estabelecer, caso a caso, isenções específicas, cujos requisitos devem ser observados. Por outro lado, a exclusão pretendida pela Recorrente seria possível com base na alínea “e” do inciso II, parágrafo 1º, do artigo 10 da Lei n. 9.363, segundo o qual são isentas de tributação pelo ITR as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, comprovadamente o caso dos autos conforme a farta documentação comprobatória trazida pela Recorrente. Ocorre que tal exclusão, que tecnicamente veicula norma de isenção por seccionar aspecto da regra matriz de incidência, foi introduzida no ordenamento com a edição da Lei nº 11.428, de 22.12.2006, posteriormente ao exercício envolvido na presente autuação. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Declaração de Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro relator, ouso divergir do seu entendimento, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa do nobre julgador, relativamente à área de interesse ecológico, como passaremos a demonstrar. Mais a mais, mister registrar nosso posicionamento pertinente à matéria, conjugada com os fatos que envolvem o presente processo, de maneira a melhor aclarar as especificidades determinantes à conclusão deste Conselheiro, mormente em face da citação de precedente de nossa relatoria no voto encimado. Destarte, conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, no Auto de Infração sob análise exigese crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Colônia Nova Trieste”, localizado no município de Eldorado/SP, cadastrado na RFB sob o nº 3.206.1943, conforme peça inaugural dos feito. Com mais especificidade, a autoridade lançadora entendeu por bem proceder à glosa da área declarada como de interesse ecológico pela contribuinte, em face da pretensa ausência de ato específico do Poder Público a reconhecendo como tal, estabelecendo, ainda, restrições de uso de aludida área, entendimento que veio a ser corroborado pelas decisões pretéritas e, bem assim, no voto do ilustre Relator, adotando os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Por sua vez, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, em síntese, que o imóvel rural objeto do lançamento encontrase encravado em Área de Preservação Permanente – APA de Mata Atlântica, caracterizandose como área de interesse ecológico e de preservação permanente, fundamento rechaçado pelo ilustre Conselheiro Relator. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 25 15 Em suma, o fundamento basilar do voto do nobre Relator repousa no fato de inexistir no caso dos autos restrições no uso da área em comento, de maneira a atrair a hipótese de isenção pretendida pela contribuinte. Com efeito, da análise dos autos, constatase que a materialidade da área de interesse ecológico é incontroversa, sendo reconhecida pelo próprio Conselheiro relator, com fundamento nas Certidões emitidas pelo Ibama, em 27/11/2007, e pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN, em 22/03/1990, consoante se extrai do excerto do voto nos seguintes termos: “[...] No presente caso, verifico que a certidão emitida pelo Ibama em 27/11/2007 (fls. 53) confirma que o imóvel em questão está inserido dentro da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, atestando que a área do imóvel é “recoberta por Floreta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930 ha”, declarando a área como de interesse ecológico. Transcrevo a seguir a referida certidão, in verbis: “Declaramos para o fim de comprovação de isenção do Imposto Territorial Rural, conforme determina a legislação vigente Lei 9.393/96, que a Fazenda Colônia Nova Trieste, cadastrada na Receita Federal sob o número 3.206.1943, localizada no Município de Eldorado SP, que, após análise da documentação apresentada, este órgão constatou tratarse de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930,00 hectares. O imóvel também está inserido integralmente nos limites da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar APA o que conferimos e reconhecemos como ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO e UTILIZAÇÃO LIMITADA.” Com exceção da declaração explícita do interesse ecológico, a certidão em questão confirma os termos da declaração de fls. 51, expedida pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DEPRN em 22/3/1990. Referida declaração do DEPRN, por sua vez, trata especificamente da utilização admitida para o imóvel da contribuinte, conforme transcrição abaixo: “Nos termos da legislação e regulamentação em vigor (Lei 4771/65, Portaria IBAMA 218/89 e Portaria DEPRN 3/90) a exploração de florestas e de formações florestais sucessora nativas em estágios médios e avançados de regeneração natural em área de ocorrência de mata Atlântica só poderá ser feita através de plano de manejo de rendimento sustentado, excluídas as áreas definidas como de preservação permanente pelo Código Florestal (Lei Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 4771/65, artigos 2º e 3º) e observada Reserva Legal correspondente a 50% (cinquenta) da área total da propriedade. Tais restrições aplicamse à propriedade em questão” Do texto da declaração acima inferese que o imóvel em questão não está gravado com restrições mais gravosas que aquelas previstas para as APPs e áreas de reserva legal. De fato, a declaração trazida aos autos pela própria Recorrente confirma a possibilidade de aproveitamento econômico, por meio de plano de manejo a ser aprovado, das áreas de floresta.[...]” Em conclusão, o ilustre Conselheiro relator manifestase nos seguintes termos: “[...] Logo, não tendo sido efetivamente comprovada a ampliação das restrições à utilização do imóvel, não foram cumpridos os requisitos para que a área em questão fosse excluída da área tributável do imóvel como área de interesse ecológico. [...]” Extraise de aludida conclusão nossa divergência, muito embora já tenha votado neste sentido analisando outro caso concreto, com outras peculiaridades, adotando como fundamento os seguintes fatos. De um lado, o artigo 10º, § 1º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.393/96, lastro do entendimento no Relator, de fato, exige a ampliação das restrições de uso da área declarada de interesse ecológico, como segue: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. […] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...]” De outro, a alínea “c” do mesmo Diploma Legal contempla situação em que as áreas imprestáveis para qualquer uso, declaradas de interesse ecológico por ato do Poder Público, estão fora do campo de incidência do ITR, in verbis: “[...] c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; [...]” Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 26 17 In casu, restando incontroversa a materialidade da área de interesse ecológico, reconhecida por órgão competente do Poder Público, somente o aspecto das restrições de uso poderiam determinar a manutenção do feito, na linha do voto do Relator. Entrementes, não podemos compartilhar com esse entendimento, em face dos motivos abaixo delineados. A uma, em nosso entender, está mais do que comprovado nos autos que a área objeto da autuação encontrase absolutamente encoberta por mata atlântica, o que por si só inviabiliza a sua utilização por parte da contribuinte. A duas, porque, igualmente, restou devidamente demonstrado que o próprio relevo da área, por demais irregular, ondulado e bastante montanhoso (Serra do Mar e Serra da Mantiqueira), além da mata absolutamente fechada, restringe por sua própria “natureza” (condição) a sua utilização. Em outras palavras, a restrição de uso de referida área é inerente à própria condição geológica, impedindo o sua utilização por parte da contribuinte. Aliás, na própria “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, peça vestibular do feito, a autoridade lançadora sustenta que as condições particulares do relevo da propriedade devem ser levadas em consideração, objetivando verificar a restrição que lhe impõe, senão vejamos: “[...] Cabe ressaltar ainda que, a não ser que o imóvel rural tenha propriedades de relevo muito particulares (declividade acentuada, altitude elevada), as restrições impostas pelo Código Florestal limitam a utilização econômica de uma parte do imóvel e não do todo, permitindo a utilização privada do restante de acordo com os interesses do proprietário (dentro dos limites da lei) . A vegetação de preservação permanente deve ser deixada intocada e a de Reserva Legal pode ser manejada de forma sustentável. [...]” É exatamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a declividade e/ou irregularidade do relevo do imóvel objeto da exigência fiscal, encravado na Mata Atlântica, não permite, por si só, a sua utilização, ou seja, lhe atribui restrição absoluta, rechaçando de uma vez por todas a pretensão fiscal. A jurisprudência deste Colegiado, que se ocupou do tema, analisando imóvel rural, igualmente, inserido na Mata Atlântica, sob as mesmas condições e fatos, acolheu o pleito da contribuinte, mesmo não estando delimitada a restrição de uso, consoante se positiva do julgado com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO. REQUISITO LEGAL. EXIGÊNCIA CUMPRIDA. No caso, o contribuinte protocolou junto ao IBAMA, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador deste lançamento, pleito para reconhecimento de que seu imóvel rural é área de interesse ecológico. Na resposta, emitida quase cinco anos após o pedido inicial, que foi reiterado por duas vezes, o órgão ambiental declara que toda a propriedade representa área de interesse ecológico. Está cumprida, pois, a exigência do artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, de modo que tal área deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF – Processo n. 11020.001822/200517, Acórdão n. 9202001.629, Unânime) Partindo dessas premissas, impõese reconhecer aludida área de interesse ecológico, para fins de não incidência de ITR, decretando, por conseguinte, a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER E DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE, pelos fundamentos de fato e de direito acima esposados. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15983.000406/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006
SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN).
BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.158-35/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9º-A, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.158-35/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9º-A, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9ºA, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 04 06 /2 00 7- 28 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 814 2 Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ/SPOI, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente os autos de infração de PIS e Cofins, do período de apuração de 01/04/2002 a 31/12/2006, em 05 de setembro de 2007 (fls.594), conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para caistituição do crédito tributário relativo às contribuições" sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Tais deduções específicas não incluem os custos referentes aos atendimentos dos eventos ocorridos, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento e não sobre o resultado. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 815 3 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Tais deduções específicas não incluem os custos referentes aos atendimentos dos eventos ocorridos, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento e não sobre o resultado. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Lançamento Procedente A decisão recorrida analisou os assuntos discutidos no presente processo da seguinte forma: Das Preliminares de Decadência A decisão recorrida afastou a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte, relativo ao período de 04/2002 a 08/2002, por entender que os fundamentos legais aduzidos nos autos respaldam amplamente o prazo de dez anos, como contemplado no processo aqui discutido. Do Mérito Fl. 815DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 816 4 Em relação ao mérito, diz que o contribuinte pretende deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores pagos aos estabelecimentos médicos de sua rede credenciada, utilizando como base legal o inciso III do parágrafo 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A autoridade fiscal entende que essa dedução não está albergada pelo referido texto legal, tendo em vista que as despesas autorizadas a serem utilizadas em uma eventual dedução devem ter sido desembolsadas para pagar os conveniados em decorrência do atendimento médico prestado ao associado de outra operadora, cuja responsabilidade lhe foi transferida. Desta forma, fica claro que a questão central da presente lide se cinge a definir o alcance da expressão "eventos ocorridos", constante na parte inicial do inciso III do parágrafo 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Assim, a partir de 01/02/1999, a COFINS passou a ser calculada sobre o valor de todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua origem ou classificação fiscal, abrangendo até mesmo as receitas financeiras e aos resultantes de variações monetárias. No caso do PIS, a legislação previu que a exação é devida pelas pessoas jurídicas, inclusive se a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. As deduções inerentes às OPS estão dispostas na MP n.° 2.15835/2001, em seus artigos 2° e 92, que alterou o art. 3° da Lei n.° 9.718/98, acrescentando o § 9° e determinando a sua vigência, nos seguintes termos: "Art. 2° O art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Afirma que a pedra angular desta lide reside em determinar a inequívoca interpretação da expressão "eventos ocorridos". A Solução de Consulta SRRF/ 3ª RF/DISIT n° 20, de 23 de outubro de 2003, discorre de maneira direta, clara, didática e conclusiva sobre o assunto, de forma que recorrerei às suas definições como modo de elucidar o tema controverso. Ademais, diz que o contribuinte aplicou a definição de "evento" de forma isolada no dispositivo, sem interagir com o restante da regra. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 817 5 Em virtude dessas considerações, concluiu a decisão recorrida que o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar que os pagamentos feitos aos seus associados poderiam ser deduzidos das bases de cálculo do PIS e da COFINS, com base no inciso III do § 9° do art. 3º da Lei n.° 9.718/98, vez que “se aceitássemos a dedução dos custos e despesas relativos a consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias, etc, de seus próprios associados, como quer a contribuinte, estaríamos desrespeitando o princípio da legalidade”. Cientificada da decisão recorrida, em 16/01/2008, conforme informação constante de fls. 782, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 748 a 780, em face do v. Acórdão, onde em síntese, tratarse de empresa operadora de planos privados de assistência à saúde, regularmente registrada perante o Conselho Regional de Medicina sob n.° 24.071/96 e subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar — ANS, onde se encontra registrada sob o n.° 360244. No exercício de suas atividades, a recorrente está submetida ao recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS, instituídas pela Lei n.° 9.718/98. Em contrapartida, a legislação concedeu, regularmente, benefícios legais para a apuração do montante tributável da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do § 9° do Art. 3° da Lei n.° 9.718/98, alterado pelo Art. 2° da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os quais, como explicitado na própria exposição de motivos, servem para estabelecer, sob o ponto de vista tributário, tratamento isonômico entre aquelas operadoras (i.e., operadoras de planos de saúde) e as entidades de seguro (fls.), uma vez que estas empresas também são contempladas com exclusões da base de cálculo tributável pela Contribuição ao PIS e COFINS. Assim, existindo para o caso concreto expressa autorização legal para efetuar não só a dedução em disputa como outras deduções elencadas pelo dispositivo legal, autorização legislativa essa que instituiu tratamento diferenciado para a cobrança de PIS/COFINS sobre atividades do setor de saúde suplementar dado o caráter social das atividades desenvolvidas, tratamento diferenciado, aliás, que já foi autorizado para outros setores econômicos (instituições financeiras e seguradoras), a recorrente efetuou o recolhimento das contribuições em tela em perfeita consonância com a legislação em vigor, razão pela qual não merece prosperar a decisão recorrida. Da Decadência Afirma ser pacifica a jurisprudência deste colendo CARF e dos Conselhos de Contribuintes o entendimento que o PIS e a COFINS são tributos sujeitos ao lançamento na modalidade por homologação, razão pela qual o prazo de que dispunha o Fisco para a revisão e cobrança de eventuais diferenças regese pelas disposições do § 4º do Artigo 150 do CTN, logo, quando foi lavrado o auto de infração, em 05 de setembro de 2007 (fls.), já havia decorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador para a cobrança da contribuição ao PIS e da COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 30 de abril de 2002 e 30 de agosto de 2002, tendo decaído o direito da Fazenda de lançar tais tributos em disputa. É o relatório. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 818 6 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Acolho a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência de agosto de 2002, inclusive, tendo em vista que a mesma teve ciência dos autos de infração de PIS/Pasep e Cofins, em 05/09/2007 (fls. 594), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j.12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.CármenLúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente (DOU nº 117, de 20/06/2008,Seção I, pág. 1) Desta forma, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos da data do fato gerador previsto no art. 150, § 4º do CTN, sobretudo porque estão sendo exigidas apenas as diferenças apuradas, em virtude da divergência existente sobre as deduções das bases de cálculo encontradas pela Recorrente. A Lei nº 12.873, publicada em 25/10/2013, ao alterar dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, incluiu o § 9ºA, ao art. 3º, da mencionada lei, atribuiu interpretação mais extensiva às deduções da base de cálculo das contribuições PIS/PASEP e COFINS, devidas pelas empresas operadoras de planos de saúde, como é o caso da Recorrente, da seguinte forma: Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: Fl. 818DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 819 7 “Art. 3o. .........………………….................................... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) “Art. 8oA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9o do art. 3o desta Lei, observada a norma de interpretação do § 9oA, produzindo efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória no 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota.” A Lei nº 9.718/1998, em seu art. 3º, §9º, elenca as deduções passíveis de serem feitas, em específico, pelas operadoras de plano de assistência à saúde, quais sejam; “as corresponsabilidades cedidas; a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e o valor, referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, senão vejamos: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de Fl. 819DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 820 8 responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Com a alteração legislativa, o referido art. 3º ganhou o §9ºA, acima reproduzido, culminou por atribuir a interpretação à última hipótese de dedução prevista, como sendo o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. Assim, tais valores devem ser entendidos como o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Portanto, de acordo com a novel interpretação legislativa as operadoras de planos de saúde estão autorizadas a deduzirem da base de cálculo das contribuições os custos assistenciais efetuados com os próprios clientes e com outros, de operadoras distintas, mas atendidos em razão da transferência de responsabilidade, conforme defendido pela Recorrente. Em razão dessa nova interpretação mais favorável aos planos de saúde, a Lei nº 12.873/2013, indica como fonte de custeio (como determina o art. 195, § 5º da CF), a elevação da alíquota da COFINS aplicável às referidas entidades, para 4% (quatro por cento), com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2014. Por fim, em razão do § 9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, introduzido pela Lei nº 12.873/2013, ter natureza interpretativa, conforme expressamente constou desse dispositivo, o mesmo deve ser aplicado retroativamente, nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, retroagindo à época dos fatos discutidos no presente processo. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para acolher a decadência para excluir a exigência em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/04/2002 a 31/08/2002, e em relação ao período subsequente (01/09/2002 a 31/12/2006), também por razões de mérito, cancelar a exigência em face da nova interpretação dada pela Lei nº 12.873/2013 Sala das Sessões, em 27 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 820DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 821 9 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907933/2012-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 33 /2 01 2- 36 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 92 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/08/2010. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2010 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 93 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 95 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 96 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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