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Numero do processo: 10120.004948/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. SERVIÇOS DE CONTROLE DE PRAGAS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E ZELADORIA. EQUIPARAÇÃO.
As atividades de controle de pragas ou dedetização estão associadas a serviços de natureza rural, para fins de aplicação da retenção por cessão de mão-de-obra.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SERVIÇOS DE CONTROLE DE PRAGAS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E ZELADORIA. EQUIPARAÇÃO. As atividades de controle de pragas ou dedetização estão associadas a serviços de natureza rural, para fins de aplicação da retenção por cessão de mãodeobra. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 48 /2 00 9- 78 Fl. 442DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, referente às contribuições sociais relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 72 a 75, foi constatada a ocorrência de contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra ou empreitada, sem a retenção e o respectivo recolhimento da parcela de 11% sobre os valores de mão de obra contidos nas Notas Fiscais ou faturas emitidas. Em sessão plenária de 02/12/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403000.928 (fls. 287 a 298), assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO INCIDÊNCIA DE 11% PARA OS SERVIÇOS PRESTADOS EM DISCORDÂNCIA COM OS PRECEITOS LEGAIS E POR PROFISSIONAIS CUJA PROFISSÃO É REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. INCIDÊNCIA DE 11% QUANDO O SERVIÇO CONTRATADO ESTIVER EM CONSONÂNCIA COM A LEGISLAÇÃO. MULTA DE MORA. A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária. Não incide Contribuição Previdenciária de 11% em relação à cessão de mãodeobra, quando a empresa contratada realize serviços por profissionais cuja profissão esteja regulamentada por lei federal, nos termos do art. 148, III, § 3º da IN 03/05, vigente há época. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim registrada: Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10120.004948/200978 Acórdão n.º 9202005.310 CSRFT2 Fl. 524 3 "ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência de 11% a título de Contribuição Previdenciária, em relação aos serviços prestados pelas seguintes empresas: (i) Detemix Controle de Pragas Ltda.; (ii) Marie Claire Prom. e Eventos Ltda.; (iii) Toledo do Brasil Ind. de Balanças Ltda.; (iv) Decoração e Org. de Eventos Ltda.; (v) Pastarosa Serviços Ltda.; (vi) Transpev Proces. e Serv. Ltda. e (vii) Gennesys Consulting SS Ltda. No mérito, por maioria de votos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/03/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 299). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 22/04/2012, o que foi feito em 09/04/2012 (fls. 300 a 420), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 421. O apelo visava rediscutir todas as questões relativas à cessão de mãodeobra, bem como a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme despacho de 1º/11/2013 (fls. 423 a 431), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 432, admitindose a rediscussão das seguintes matérias: cessão de mãodeobra das empresas Detemix Controle de Pragas Ltda. e Pastarosa Serviços Ltda.; e retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, relativamente à primeira matéria: com relação aos serviços prestados pelas empresas Detemix Controle de Pragas Ltda. e Pastarosa Serviços Ltda., temse que os serviços prestados enquadramse no conceito de serviços de limpeza, conservação e zeladoria, que envolvem os serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de edificações, instalações, dependências e outros; tais serviços estão sujeitos à retenção, conforme disposto no § 4º, do artigo 31, da Lei nº 8.212, de 1991; nesse sentido, também, o § 3º, do art. 219, do Decreto nº 3.048, de 1999, de sorte que, no presente caso, por força dos dispositivos legais citados, a retenção prescinde de comprovação da cessão de mãodeobra, já que ela é obrigatória, mesmo quando os serviços são prestados mediante empreitada. Fl. 444DF CARF MF 4 No que tange à segunda matéria, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa do art. 35, II, da norma revogada, ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da MP nº 449, de 2008. Intimada, a Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 440). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, na parte que obteve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, referente às contribuições sociais relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 72 a 75, foi constatada a ocorrência de contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra ou empreitada, sem a retenção e o respectivo recolhimento da parcela de 11% sobre os valores de mão de obra contidos nas Notas Fiscais ou faturas emitidas. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: cessão de mãodeobra das empresas Detemix Controle de Pragas Ltda. e Pastarosa Serviços Ltda.; e retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Quanto à primeira matéria, observase que a autuação envolvia a prestação de diversos serviços por várias empresas, sendo que o acórdão recorrido fixou as seguintes premissas: "Logo, diante do exposto, extraise que para haver a cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11% de Contribuição Previdenciária, mister se faz que haja, concomitantemente: (i) a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados; (ii) a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa e (iii) previsão do serviço na lista constante no art. 219, § 2º do Decreto n. 3.048/99. Em paralelo, o § 3º do art. 219 do Decreto n. 3.048/99, estabelece que estão sujeitos à retenção de 11%, quando contratados mediante empreitada de mãodeobra, os seguintes serviços: limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; digitação e preparação de dados para processamento." Com estas considerações, verificase que os valores relativos a algumas prestadoras de serviços foram excluídos da autuação, o que foi objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Entretanto, somente foi alçada à Instância Especial a rediscussão acerca da prestação de serviços pelas empresas Detemix Controle de Pragas Ltda. e Pastarosa Serviços Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10120.004948/200978 Acórdão n.º 9202005.310 CSRFT2 Fl. 525 5 Ltda. Em relação a essas empresas, com base nas premissas adotadas e acima expostas, o acórdão recorrido assim se pronunciou: "Detemix Controle de Pragas Ltda. e Pastarosa Serviços Ltda. – Conforme destacado pela fiscalização na fl. 232, tratase de serviço de controle de pragas e/ou detetização. Logo, por não constar na lista supracitada, não incide Contribuição Previdenciária;" A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que os serviços prestados por estas empresas controle de pragas e/ou detetização equiparamse a serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de edificações, instalações, dependências e outros. Nesse passo, entende que estão sujeitos à retenção, conforme disposto no § 4º, do artigo 31, da Lei nº 8.212, de 1991, bem como o § 3º, do art. 219, do Decreto nº 3.048, de 1999. A seu ver a retenção prescindiria de comprovação da cessão de mãodeobra, já que ela é obrigatória mesmo quando os serviços são prestados mediante empreitada. Entretanto, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, assim estabeleceu: Art. 117. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 149, os serviços de: I limpeza, conservação ou zeladoria, que se constituam em varrição, lavagem, enceramento ou em outros serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de praias, jardins, rodovias, monumentos, edificações, instalações, dependências, logradouros, vias públicas, pátios ou de áreas de uso comum; II vigilância ou segurança, que tenham por finalidade a garantia da integridade física de pessoas ou a preservação de bens patrimoniais; III construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou de passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; IV natureza rural, que se constituam em desmatamento, lenhamento, aração ou gradeamento, capina, colocação ou reparação de cercas, irrigação, adubação, controle de pragas ou de ervas daninhas, plantio, colheita, lavagem, limpeza, manejo de animais, tosquia, inseminação, castração, marcação, ordenhamento e embalagem ou extração de produtos de origem animal ou vegetal; V digitação, que compreendam a inserção de dados em meio informatizado por operação de teclados ou de similares; Fl. 446DF CARF MF 6 VI preparação de dados para processamento, executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, tais como o escaneamento manual ou a leitura ótica. Parágrafo único. Os serviços de vigilância ou segurança prestados por meio de monitoramento eletrônico não estão sujeitos à retenção." Como se pode constatar, a única referência à atividade de "controle de pragas" está associada a natureza rural, o que não é o caso dos autos, de sorte que não há como estenderse o alcance da norma a atividades não contempladas, conforme quer a Recorrente, razão pela qual nego provimento ao recurso, nesta parte. Relativamente à segunda matéria suscitada aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10120.004948/200978 Acórdão n.º 9202005.310 CSRFT2 Fl. 526 7 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 448DF CARF MF 8 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10120.004948/200978 Acórdão n.º 9202005.310 CSRFT2 Fl. 527 9 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 450DF CARF MF 10 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10120.004948/200978 Acórdão n.º 9202005.310 CSRFT2 Fl. 528 11 os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 452DF CARF MF 12 Art. 4ºO valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, seguindo a jurisprudência do CARF, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional no que tange à segunda matéria, para rever a aplicação da retroatividade da multa, conforme a seguir. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002482/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 24 82 /2 00 7- 84 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 927DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 929DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 931DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 18108.002482/200784 Acórdão n.º 9202005.012 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 933DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.720091/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA NO JULGADO. CABIMENTO.
A existência de equívoco na decisão consubstanciado na indicação errônea da titularidade do recurso julgado justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF.
Numero da decisão: 9202-005.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, rerratificando o Acórdão nº 9202-004.627, de 24/11/2016, sem efeitos infringentes, para fazer constar como texto da decisão recorrida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
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RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI (RELATORA) Interessado MARAU ECORESORT LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA NO JULGADO. CABIMENTO. A existência de equívoco na decisão consubstanciado na indicação errônea da titularidade do recurso julgado justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, rerratificando o Acórdão nº 9202004.627, de 24/11/2016, sem efeitos infringentes, para fazer constar como texto da decisão recorrida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 00 91 /2 00 7- 23 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13558.720091/200723 Acórdão n.º 9202005.354 CSRFT2 Fl. 509 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Em sessão plenária de 24 de novembro de 2016, foi julgado o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, proferindose decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202004.627, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ocorre que, no momento da formalização do acórdão em questão, identifiquei erro manifesto na decisão registrada, pois embora o recurso tenha sido interposto pelo Contribuinte, constou nos registros que o Colegiado havia conhecido e dado provimento ao "Recurso Especial da Fazenda Nacional". Analisando os autos e constato o erro, apresentei os embargos nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, os quais foram recebidos pelo Presidente deste Conselho. É o relatório. Voto Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13558.720091/200723 Acórdão n.º 9202005.354 CSRFT2 Fl. 510 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Tratase de embargos inominados interpostos por esta Conselheira nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, o qual determina que o vício material caracterizado por lapso manifesto deve ser sanado mediante a prolação de novo acórdão: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Conforme se observa da petição de fls. 464/479, o Contribuinte inconformado com a decisão da turma ordinária interpôs recurso especial de divergência requerendo a reforma do julgado para ver reconhecido seu direito à isenção do ITR sobre área de reserva legal devidamente averbada no registro do respectivo imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador. Cotejando os autos é possível perceber que ao longo do acórdão, especialmente em sua parte dispositiva, decidiuse pelo provimento do recurso do contribuinte, reconhecendolhe o direito pleiteado. Observamos assim a ocorrência de mero lapso manifesto no registro da decisão pelo Colegiado que equivocadamente mencionou que o recurso seria da Fazenda Nacional. Diante do exposto, acolho os embargos, para rerratificando o Acórdão no 9202004.627, fazer constar como texto do decisum: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. É como voto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13558.720091/200723 Acórdão n.º 9202005.354 CSRFT2 Fl. 511 4 Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910966/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.911
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 6/ 20 11 -2 2 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13896.910966/201122 Resolução nº 3402000.911 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.105, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910966/201122 Resolução nº 3402000.911 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910966/201122 Resolução nº 3402000.911 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.020295/99-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VERIFICAÇÃO NA CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA REPARTIDO.
Somente a partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02), impondo-se a compensação de crédito com débitos tributários mediante a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo mais efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade. Para períodos anteriores à instituição da declaração de compensação, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a exibir a contabilidade e checar a veracidade dos registros contábeis antes de efetuar glosa de valores que compõem os saldos negativos de tributos (estimativas e tributos retidos pelas fontes pagadoras).
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO.
A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos-calendário anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado.
LEGALIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MEDIDA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Há que se considerar válida a interposição de pedido de compensação e restituição, ainda que não finda ação judicial que visava declarar o tributo (objeto da compensação), inconstitucional. No caso em tela, antes de protocolizar o pleito de compensação, o Plenário do STF declarou legítima a cobrança da COFINS. Portanto, valida é o pedido de compensação protocolizado quando o tributo considerava-se com a exigibilidade suspensa. Fato este que não confronta com os requisitos do art. 170 do CTN.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Nos termos dos §§4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação, pela autoridade administrativa, deverão ser considerados declaração de compensação, desde a data de seu protocolo. Assim, passados mais de cinco anos sem que a Administração manifeste-se sobre o pleito da contribuinte, o pleito deverá ser considerado tacitamente homologado.
Numero da decisão: 1302-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1 - Por unanimidade de votos, em RECONHECER a homologação tácita do pedido de compensação formalizado por meio do PA. 10768.020295/99-35 (Pedidos de compensação em papel); 2 - Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência com relação ao direito do Fisco de revisar a base de cálculo da CSLL, com relação à glosa de Juros sobre Capital Próprio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. 3 - Por maioria de votos, para RECONHECER o direito creditório relativo às estimativas compensadas de acordo com solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, após sucessivas votações, tendo em vista que foram apresentadas três soluções distintas: a) pela Conselheira relatora que RECONHECIA a ocorrência de homologação tácita; b) pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que reconhecia o direito creditório relativo a compensação de estimativas por não terem sido exigidas as devidas comprovações pelo Fisco; e, c) pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , que NEGAVA o reconhecimento do direito creditório por falta de comprovação destas compensações. Tendo cada solução proposta recebido dois votos na primeira votação; restou afastada, em segunda votação, a tese da conselheira relatora; e na terceira votação acolhida a solução da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, DANDO provimento ao recurso, nesta parte; vencidos os conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. 4 - Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, com relação ao reconhecimento da CSLL, retida na fonte, acolhendo-se a solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich de que não foi exigida a devida comprovação do contribuinte, que divergiu do voto da Conselheira relatora, que reconhecia a decadência. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pelas conclusões, quanto a proposta da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Em síntese: foi DADO provimento ao recurso voluntário para: RECONHECER a homologação tácita das compensações formuladas por meio por meio do PA. 10768.020295/99-35 (Pedido de compensação em papel); e RECONHECER o direito creditório pleiteado e homologar as demais compensações formuladas por meio das DCOMPs discutida no PA 15374.002055/2008-49 (apenso), até o limite do direito creditório reconhecido. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich para redigir o voto vencedor na parte que restou vencida a Cons. relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Talita Pimenta Félix - Relatora
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Machado Matosinho (Presidente).
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VERIFICAÇÃO NA CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA REPARTIDO. Somente a partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02), impondo-se a compensação de crédito com débitos tributários mediante a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo mais efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade. Para períodos anteriores à instituição da declaração de compensação, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a exibir a contabilidade e checar a veracidade dos registros contábeis antes de efetuar glosa de valores que compõem os saldos negativos de tributos (estimativas e tributos retidos pelas fontes pagadoras). RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos-calendário anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. LEGALIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MEDIDA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Há que se considerar válida a interposição de pedido de compensação e restituição, ainda que não finda ação judicial que visava declarar o tributo (objeto da compensação), inconstitucional. No caso em tela, antes de protocolizar o pleito de compensação, o Plenário do STF declarou legítima a cobrança da COFINS. Portanto, valida é o pedido de compensação protocolizado quando o tributo considerava-se com a exigibilidade suspensa. Fato este que não confronta com os requisitos do art. 170 do CTN. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Nos termos dos §§4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação, pela autoridade administrativa, deverão ser considerados declaração de compensação, desde a data de seu protocolo. Assim, passados mais de cinco anos sem que a Administração manifeste-se sobre o pleito da contribuinte, o pleito deverá ser considerado tacitamente homologado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1 - Por unanimidade de votos, em RECONHECER a homologação tácita do pedido de compensação formalizado por meio do PA. 10768.020295/99-35 (Pedidos de compensação em papel); 2 - Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência com relação ao direito do Fisco de revisar a base de cálculo da CSLL, com relação à glosa de Juros sobre Capital Próprio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. 3 - Por maioria de votos, para RECONHECER o direito creditório relativo às estimativas compensadas de acordo com solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, após sucessivas votações, tendo em vista que foram apresentadas três soluções distintas: a) pela Conselheira relatora que RECONHECIA a ocorrência de homologação tácita; b) pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que reconhecia o direito creditório relativo a compensação de estimativas por não terem sido exigidas as devidas comprovações pelo Fisco; e, c) pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , que NEGAVA o reconhecimento do direito creditório por falta de comprovação destas compensações. Tendo cada solução proposta recebido dois votos na primeira votação; restou afastada, em segunda votação, a tese da conselheira relatora; e na terceira votação acolhida a solução da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, DANDO provimento ao recurso, nesta parte; vencidos os conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. 4 - Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, com relação ao reconhecimento da CSLL, retida na fonte, acolhendo-se a solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich de que não foi exigida a devida comprovação do contribuinte, que divergiu do voto da Conselheira relatora, que reconhecia a decadência. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pelas conclusões, quanto a proposta da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Em síntese: foi DADO provimento ao recurso voluntário para: RECONHECER a homologação tácita das compensações formuladas por meio por meio do PA. 10768.020295/99-35 (Pedido de compensação em papel); e RECONHECER o direito creditório pleiteado e homologar as demais compensações formuladas por meio das DCOMPs discutida no PA 15374.002055/2008-49 (apenso), até o limite do direito creditório reconhecido. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich para redigir o voto vencedor na parte que restou vencida a Cons. relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix - Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Redatora designada Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Machado Matosinho (Presidente).
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VERIFICAÇÃO NA CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA REPARTIDO. Somente a partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02), impondose a compensação de crédito com débitos tributários mediante a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo mais efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade. Para períodos anteriores à instituição da declaração de compensação, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a exibir a contabilidade e checar a veracidade dos registros contábeis antes de efetuar glosa de valores que compõem os saldos negativos de tributos (estimativas e tributos retidos pelas fontes pagadoras). RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos calendário anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. LEGALIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MEDIDA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Há que se considerar válida a interposição de pedido de compensação e restituição, ainda que não finda ação judicial que visava declarar o tributo (objeto da compensação), inconstitucional. No caso em tela, antes de protocolizar o pleito de compensação, o Plenário do STF declarou legítima a cobrança da COFINS. Portanto, valida é o pedido de compensação protocolizado quando o tributo consideravase com a exigibilidade suspensa. Fato este que não confronta com os requisitos do art. 170 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 02 02 95 /9 9- 35 Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.244 2 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Nos termos dos §§4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação, pela autoridade administrativa, deverão ser considerados declaração de compensação, desde a data de seu protocolo. Assim, passados mais de cinco anos sem que a Administração manifestese sobre o pleito da contribuinte, o pleito deverá ser considerado tacitamente homologado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1 Por unanimidade de votos, em RECONHECER a homologação tácita do pedido de compensação formalizado por meio do PA. 10768.020295/9935 (Pedidos de compensação em papel); 2 Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência com relação ao direito do Fisco de revisar a base de cálculo da CSLL, com relação à glosa de Juros sobre Capital Próprio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. 3 Por maioria de votos, para RECONHECER o direito creditório relativo às estimativas compensadas de acordo com solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, após sucessivas votações, tendo em vista que foram apresentadas três soluções distintas: a) pela Conselheira relatora que RECONHECIA a ocorrência de homologação tácita; b) pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que reconhecia o direito creditório relativo a compensação de estimativas por não terem sido exigidas as devidas comprovações pelo Fisco; e, c) pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , que NEGAVA o reconhecimento do direito creditório por falta de comprovação destas compensações. Tendo cada solução proposta recebido dois votos na primeira votação; restou afastada, em segunda votação, a tese da conselheira relatora; e na terceira votação acolhida a solução da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, DANDO provimento ao recurso, nesta parte; vencidos os conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. 4 Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, com relação ao reconhecimento da CSLL, retida na fonte, acolhendose a solução proposta pela Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich de que não foi exigida a devida comprovação do contribuinte, que divergiu do voto da Conselheira relatora, que reconhecia a decadência. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pelas conclusões, quanto a proposta da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Em síntese: foi DADO provimento ao recurso voluntário para: RECONHECER a homologação tácita das compensações formuladas por meio por meio do PA. 10768.020295/9935 (Pedido de compensação em papel); e RECONHECER o direito creditório pleiteado e homologar as demais compensações formuladas por meio das DCOMPs discutida no PA 15374.002055/200849 (apenso), até o limite do direito creditório reconhecido. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich para redigir o voto vencedor na parte que restou vencida a Cons. relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix Relatora Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.245 3 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Redatora designada Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Machado Matosinho (Presidente). Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.246 4 Relatório Por bem retratar os fatos do processo, transcrevo o relatório da 7a Turma da DRJ/RJ1, segue: Trata o processo de Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação, apresentado em 25/08/1999, onde a interessada pretende compensar os débitos de COFINS, dos meses de setembro a novembro de 1998, discriminados no formulário de fl. 02, com crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, relativo ao ano calendário de 1998, no valor original de R$ 15.693.196,89. Também é objeto de apreciação a DCOMP nº 39332.61273.260906.1.7.033460, que utiliza este mesmo crédito para compensar débito de COFINS do mês de novembro/2003, no valor de R$ 9.734.564,99. Esta DCOMP está sendo tratado no processo administrativo nº 15374.002055/200849, em apenso ao presente. Após análise, foi emitido Despacho Decisório, exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT – RJ, com base no Parecer Seort nº 490/2008, fls. 115/127, reconhecendo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 9.166.750,59, e deferindo parcialmente o pedido de compensação de fls. 02, para considerar compensado integralmente o débito da COFINS do mês de setembro/1998, no valor de R$ 4.496.581,99, e compensar parcialmente o débito da COFINS do mês de outubro/1998, no valor de 3.084.243,77. Além disso, a DCOMP nº 39332.61273.260906.1.7.033460, tratada no processo nº 15374.002055/2008 49, não foi homologada. Assim, foi proposto a cobrança imediata do débito de COFINS do mês de outubro/1998, no valor de R$ 1.342.798,64, e do mês de novembro/1998, no valor de R$ 1.338.575,88. Quanto ao débito de COFINS do mês de novembro/2003, cuja compensação não foi homologada, deverseia observar o procedimento previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Com base no citado Parecer Conclusivo, o deferimento parcial tem fundamento nas seguintes constatações: § Foi concedida liminar nos autos da Medida Cautelar n.° 96.00085382, ocasionando a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS, objeto de compensação no presente, comunicada a então Secretaria da Receita Federal por meio do Ofício n.° 508/9621V, de 12/06/1996, recebido em 25/06/1996 (fls. 180/181 do processo 15374.002055/200849). § Quando da apresentação das DCTF correspondentes aos respectivos períodos de apuração, a 21a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, por meio de sentença proferida em 12/01/1998, já havia decretado a extinção do referido processo n.° 96.00085382, com fulcro no art. 267, VI do Código de Processo Civil (fls. 182/186 do processo 15374.002055/200849). § Contudo, em julgamento realizado em 04/11/1998, decidiu a 4a Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, em julgamento de apelação, anular a sentença da 21a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro que extinguira o processo n.° 96.00085382. A Ação Cautelar foi extinta em 19/03/2001 (fls. 187/194 do processo 15374.002055/200849)), por perda de objeto. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.247 5 § Em 30/03/1999, antes da extinção da medida cautelar, foi atribuído efeito suspensivo ativo ao Agravo de Instrumento n.° 037315 (processo n.° 99.02139000 / Ação Ordinária n.° 96.00632804) e declarada a inexistência de relação jurídico tributária que obrigasse a interessada ao pagamento da COFINS, bem assim determinado o levantamento em seu favor dos depósitos que efetuara no âmbito da Ação Cautelar n.° 96.00085382. O alvará de levantamento dos depósitos judiciais foi expedido em 08/04/1999 (fls. 195/199 do processo 15374.002055/200849). § Em 01/03/2000, o pedido de desistência do Agravo de Instrumento (processo nº 99.02139000) foi homologado pela 4a Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região (fls. 220/222 do processo 15374.002055/200849). § Já a Ação Ordinária n.° 96.00632804, foi extinta pela 21a Vara Federal com fundamento na perda do seu objeto, conforme sentença prolatada em 02/06/2000 (fls. 243). § O Pedido de Compensação foi apresentado antes de a interessada solicitar a extinção dos feitos em que almejava, em síntese, obter o provimento que a desobrigasse de efetuar os recolhimentos relativos à COFINS. § Noticia a DICAT/DERAT/RJO no despacho com cópia às fls. 92/96, que a perda de objeto dos processos judiciais foi requerida com fundamento na liquidação dos créditos tributários neles questionados, incluindo a daqueles de que trata o Pedido de Compensação às fls. 02 do processo principal, procedida com os benefícios previstos no art. 17 da Lei n.° 9.779/1999, com as alterações introduzidas pela MP n.° 1.858/1999. § Esclarece, ainda, que com o objetivo de disciplinar os pagamentos efetuados na forma prevista na Lei n.° 9.779/1999, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF n.° 26, de 25/02/1999, com o seguinte comando: "Art. 5º Não será admitido o pagamento de débitos na forma do art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999 mediante a compensação com créditos do contribuinte relativos a tributos ou contribuições, ainda que de competência da União, " § O Pedido de Compensação às fls. 02 vai de encontro aos limites impostos pelo art. 170 do CTN, eis que contraria frontalmente o disposto no art. 5° da IN SRF n.° 26/1999 transcrito acima, ainda considerando que o sujeito passivo pode contrapor seu crédito (desde que líquido e certo) ao crédito tributário tãosomente no caso de existir norma legal autorizadora. § Logo, o Pedido de Compensação de fls. 02, já que não atende às condições e requisitos previstos no ordenamento jurídico, não foi convertido em DCOMP, conforme previsto no parágrafo 4° do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. § Quanto ao pedido de Restituição do saldo negativo de CSLL, concernente ao anocalendário de 1998, foi indeferido pelos motivos a seguir: § A estimativa de dezembro, Ficha 29, calculada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, deveria ser coincidente com a determinação da contribuição na apuração anual, na Ficha 30. No entanto, não é o que se verifica, na qual a base de cálculo determinada na Ficha 30 (R$ 4.600.685,48) é amplamente excedida pela que foi declarada na Ficha 29 de dezembro (R$ 49.160.016,69), evidenciando divergência na DIPJ/1999. § A título de contribuição social retida na fonte por órgãos públicos, foi apurado o montante de R$ 108.229,17, inferior ao total utilizado conforme DIPJ/99, no valor de R$ 649.660,05 (R$ 255.068,75 na Ficha 29 e R$ 394.591,30 na Ficha 30). § Não foram informadas nas DCTF as compensações das estimativas da CSLL de janeiro a maio com o saldo negativo dos anos anteriores, no montante de R$ 1.004.055,88, em desacordo com as instruções de preenchimento. § Foi deduzido indevidamente do Lucro Líquido, a título de Juros sobre o Capital Próprio distribuído, o valor de R$ 66.862.682,28, superior ao limite estabelecido no artigo 29 da IN SRF nº 93/1997, razão pela qual deveria este valor ser adicionado na Linha 11 da Ficha 30 (Cálculo da CSLL – Outras adições). Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.248 6 § Assim, a Base de Cálculo da CSLL correta seria de R$ 62.261.996,80. § Com base nos valores acima apontados, foi recalculada apuração do final do período (Ficha 30), resultando em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 9.166.720,59. § Na compensação dos débitos, foram aproveitados créditos de R$ 984,26 e R$ 19.685,35, reconhecidos no processo nº 10711.005882/0038. § Assim, houve a compensação integral do débito de COFINS do mês de 09/1998, e a parcela de R$ 3.084.243,77 da COFINS do mês de 10/1998. § Como houve a utilização total do crédito reconhecido, a DCOMP nº 39332.61273.260906.1.7.033460 não foi homologada. § Foi determinada a cobrança imediada dos saldos devedores no valor de R$ 1.342.798,64, do débito de COFINS do mês de novembro/1998, e do débito no valor de R$ 9.734.564,99 da COFINS de novembro/2003, sendo que neste caso, por se tratar de DCOMP, devese observar o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Acerca dos débitos compensados, constam as seguintes observações no citado Parecer: · No processo 10711.005882/0038, em apenso ao presente, consta o reconhecimento do direito creditório de R$ 19.685,35 (Imposto de Importação ) e de R$ 984,26 (Imposto sobre Produtos Industrializados), que foram compensados com o débito de COFINS do mês de setembro de 1998. Após os procedimentos de compensação, restou débito de COFINS deste período no valor de R$ 4.483.349,21 (fls. 256/258 do processo 15374.002055/200849). · Com relação ao débito de COFINS do mês de novembro1998, consta que parte do valor informado na DCTF foi compensado com crédito de FINSOCIAL, por força da ação judicial nº 94.00148500 (processo administrativo nº 10768.022729/9912), no montante de R$ 3.299.046,71 (fls. 241/253 do processo nº 15374.002055/200849). Para melhor compreensão quanto à compensação dos débitos, elaborei tabela abaixo discriminando os valores envolvidos: Valor DCTF Valor Compensado Processo Saldo devedor Obs. set/98 4.511.976,11 15.394,22 10768.020294/9972 Compensação com saldo negativo de IRPJ Débito controlado naquele processo 13.232,78 10711.005882/0038 Compensação com crédito de II e IPI 4.483.349,21 10768.020295/9935 Compensação total do débito out/98 4.427.042,01 3.084.243,77 10768.020295/9935 1.342.798,24 Compensação parcial nov/98 4.637.622,59 3.299.046,71 ação nº 94.00148500 0,00 Compensação com crédito de FINSOCIAL 1.338.575,88 10768.020295/9935 1.338.575,88 nov/03 9.734.564,99 9.734.564,99 15374.002055/2008 49 9.734.564,99 Não homologação da DCOMP nº 39332.61273.260906.1.7.03 3460 Inconformada com a decisão, que tomou ciência em 30/09/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 27/10/2009, fls. 159/181, no qual alega: Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.249 7 I DA LEGALIDADE DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVOLAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. · Afirma que não utilizou o benefício fiscal do art. 17 da Lei n° 9.779/1999 para calcular o valor dos débitos de COFINS constantes do pedido de compensação em causa. · De acordo com o referido artigo, e alterações produzidas pelas MP nº 1.807, de 25/02/1999, e 1.8586, de 29.06.1999, o contribuinte que estivesse em débito com a Fazenda Nacional, relativamente a tributo administrado pela SRF, poderia quitá lo até o último dia útil do mês de julho de 1999, devendo ser acrescido ao valor do débito juros e multa de mora calculados a partir do mês de fevereiro daquele ano. · Em 28.08.1999, veio a ser publicada a MP 1.8588, que prorrogou o prazo para pagamento até o último dia do mês de setembro de 1999. · Ou seja, na data em que a interessada apresentou o pedido de compensação (25.08.1999): (a) ainda não havia sido publicada a MP n° 1.8588/1999; e (b) conseqüentemente, já teria transcorrido o prazo para o pagamento beneficiado de débitos de tributos administrados pela SRF, uma vez que a legislação anterior à referida MP 1.8588/1999 determinava que o benefício somente poderia ser aplicado aos pagamentos efetuados até o último dia do mês de julho de 1999. · Tanto que os débitos de COFINS foram calculados com a aplicação de juros SELIC a partir da data dos respectivos fatos geradores, e não a partir de fevereiro de 1999 (conforme permitido pelo art. 17 Lei n° 9.779/1999, com a redação dada pelas MPs n°s 1.807/1999 e 1.8586/1999). · Na apuração dos valores de COFINS constantes do pedido de compensação, apenas não considerou a incidência de multa de mora porque até aquele momento os débitos estavam com sua exigibilidade suspensa por força da tutela antecipada concedida, em sede de agravo de instrumento, na Ação Ordinária n° 96.00632804. · Pelo exposto, não há fundamento para que o referido pedido de compensação deixe de ser convolado em declaração de compensação, na forma do §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 10.637/2002. II DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA · O pedido de compensação apresentado pela interessada deveria ter sido convolado em declaração de compensação por força do que dispõe o § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 10.637/2002. · Assim, tendo sido o pedido de compensação protocolado em 25.08.1999, ele (convolado que foi em declaração de compensação) já teria sido homologado tacitamente em 25.08.2004, com base no artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96. · Ainda que, somente por argumentação, se entenda que o prazo para homologação tácita do pedido de compensação só teria se iniciado na data da sua efetiva convolação em declaração de compensação, ou seja, em 30.12.2002 (data em que publicada a Lei n° 10.637/2002), ele já teria sido homologado tacitamente em 30.12.2007. III DA IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DO DÉBITO DE COFINS CONSTANTE DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO · A título de argumentação, mesmo que estivesse correto o entendimento da DERAT/RJ, a Fazenda Nacional não poderia exigir os débitos de COFINS, já que o pedido de compensação não configura confissão de dívida ou documento hábil à constituição do crédito tributário, já que tal efeito somente veio a ser atribuído às declarações de compensação após a introdução do § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996 pela Lei n° 10.833/03. · Os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação foram informados em DCTF, mas declarados com a sua exigibilidade suspensa por força Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.250 8 das medidas judiciais adotadas pela interessada na Medida Cautelar n° 96.00085382 e na Ação Ordinária n° 96.00632804. · Ou seja: (a) o pedido de compensação, não constitui confissão de dívida; e (b) a DCTF apresentada pela interessada não declarou nenhum débito que possa ser imediatamente exigido. Em outras palavras, a interessada jamais confessou a existência de débito. · Assim, a Fazenda Nacional deve promover a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, não sendo possível a imediata inscrição do débito em dívida ativa para posterior execução. Entretanto, o direito ao lançamento já decaiu nos termos do artigo 150 §4º do CTN. · Caso se entenda que os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação teriam sido confessados pela interessada em DCTF , já teria decorrido o prazo prescricional constante do art. 174 do CTN para a cobrança dos mesmos, observando que o pedido de compensação não se encontra entre as hipóteses de interrupção do prazo prescricional previstas no parágrafo único do art. 174 do CTN nem tampouco entre as causas de suspensão de exigibilidade constantes do art. 151, também do CTN. · Assim, considerando que a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS somente perdurou até 02.06.2000 (data em que foi proferida a sentença que julgou extinta a Ação Ordinária n° 96.00632804), as autoridades administrativas somente poderiam adotar as medidas judiciais cabíveis para a cobrança do respectivo crédito tributário até 02.06.2005. IV DO CRÉDITO PLEITEADO. DEDUTIBILIDADE INTEGRAL DOS PAGAMENTOS A TÍTULO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO EFETUADOS PELA INTERESSADA NO EXERCÍCIO DE 1998 · No anocalendário de 1998, a interessada pagou JCP a seus acionistas no montante total de R$ 212.000.000,00 e considerou tal despesa integralmente dedutível para fins de apuração do lucro real. · De acordo com a DERAT/RJ, em razão das limitações constantes do art. 9° da Lei n° 9.249/95, a interessada somente poderia ter deduzido o montante de R$ 145.137.317,72. · Assim, a base de cálculo da CSLL apurada no anocalendário de 1988 deveria ser aumentada em R$ 66.862.682,28, com conseqüente alteração do valor da CSLL do período de R$ 0,00 para R$ 4.980.959,74, o que resultaria na diminuição do saldo negativo. · A DERAT considerou em seus cálculos a apuração de prejuízo no ano calendário de 1997 no valor de R$ 295.000.000,00. Entretanto, este valor não condiz com a realidade dos fatos, tratandose de mero equívoco de preenchimento da DIPJ/1999. · Traz os seguintes comprovantes: (i) Balanço Patrimonial publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, em 26.02.1999; (ii) Balanço Patrimonial disponibilizado no site da Comissão de Valores Mobiliários CVM; (iii) cópia do Livro Razão da interessada, referente a 31.12.1997. · Ressaltese que a própria informação constante da DIPJ/1999 de que a interessada teria reserva de lucros no montante de R$ 585.274.635,44 e prejuízos acumulados no valor de R$ 295.000.000,000 já seria suficiente para demonstrar o equívoco cometido. · De acordo com o parágrafo único do art. 189 da Lei n° 6.404, de 15.12.1976 (Lei das Sociedades por Ações), se a interessada tivesse apurado prejuízos em exercícios anteriores a 1998, tais prejuízos teriam sido necessariamente absorvidos pela reserva de lucros então existente. · Em outras palavras, a interessada jamais poderia ter tido, ao mesmo tempo, reserva de lucros de R$ 585.274.635,44 e prejuízos acumulados de R$ 295.000.000,00, já que nesta hipótese apenas deveria existir uma reserva de lucros Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.251 9 de R$ 290.274.635,44 (R$ 585.274.635,44 R$ 295.000.000,00), permanecendo zerada a conta de prejuízos acumulados. · De acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ/1999, na Ficha 27, linha 06, deveria ser declarado o valor do saldo final da conta de lucros acumulados do anocalendário anterior (1997), se este fosse negativo. Ocorre que, diferentemente da informação constante da Ficha 26, linha 33, a interessada não declarou nenhum prejuízo acumulado ao final do anocalendário de 1997. · Em resumo: o limite de dedução de despesas de JCP a ser observado pela interessada no anocalendário de 1998 não é de R$ 145.137.317,72, mas de R$ 292.637.317,72 (50% da Reserva de lucros R$ 585.274.635,44 adicionados aos lucros acumulados R$ 0,00). Logo, a despesa de R$ 212.000.000,00 lançada pela interessada no anocalendário de 1998 é integralmente dedutível, em conformidade com o art. 9° da Lei n° 9.249/95 e o art. 29 da IN SRF n° 93/1997. · Mesmo que superados os argumentos acima, o que se admite somente a título de argumentação, não poderia a DERAT/RJ glosar parte das despesas de JCP apropriadas pela interessada no anocalendário de 1998, aumentando o valor da CSLL devida, com conseqüente diminuição do saldo negativo do período · O questionamento do valor da CSLL apurado configura lançamento de ofício, que já teria decaído o direito, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). V DO CRÉDITO PLEITEADO. DA IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO DA DERAT/RJ DE REDUZIR EM R$ 1.004.005,88 O MONTANTE TOTAL DE CSLL PAGA POR ESTIMATIVA COMPUTADO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DA INTERESSADA NO ANOCALENDÁRIO DE 1998 · Conforme relatado, nos meses de janeiro a maio de 1998, foi compensado a título de estimativa de CSLL o montante de R$ 1.004.005,88, com crédito de saldo negativo de CSLL de anos anteriores. A DERAT/RJ não aceitou as compensações pois não estariam informadas em DCTF. · Com base no art. 66 da Lei 8.383/91 e a IN SRF n° 21, de 10.03.1997, a interessada não precisava apresentar nenhum requerimento específico para efetuar a compensação de tributos de mesma espécie; bastaria que a operação fosse registrada em seus livros contábeis e fiscais, que estariam à disposição do Fisco em eventual fiscalização. · As compensações foram levadas ao conhecimento da Fazenda Nacional em sua DIPJ de 1999. · Ou seja, não existindo nenhuma previsão legal em contrário, não há razão para que a DERAT desconsidere as compensações efetuadas, já que declaradas em DIPJ. VI DO CRÉDITO PLEITEADO. RETENÇÃO DE CSLL POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. · A DERAT só reconheceu o montante de R$ 108.229,77 (R$ 48.227,11 referentes a CSLL utilizada na compensação das estimativas mensais e R$ 60.002,66 relativos às retenções adicionais). · O valor das retenções de CSLL realizadas por órgãos públicos no ano calendário de 1998 é de R$ 644.723,82, quase idêntico ao informado na DIPJ/99, de R$ 649.660,05. · A inexistência ou a incorreção dos documentos que deveriam ter sido elaborados e apresentados pelas fontes pagadoras jamais poderão prejudicar o direito de a interessada de utilizar, para fins de crédito passível de compensação ou restituição, a CSLL que foi efetivamente retido, desde que essa retenção possa ser demonstrada por quaisquer outros meios de prova. · Anexa os seguintes documentos: (i) planilha contendo os lançamentos contábeis relativos à CSLL retida no anocalendário de 1998, totalizando R$ 644.723,82; (ii) relatório do sistema de arrecadação da interessada em que Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.252 10 constam, por CNPJ de órgão público, os valores cobrados, os montantes pagos e as retenções de CSLL no total de R$ 644.723,82; (iii) relatório do sistema de arrecadação da interessada com o resumo anual e mensal da CSLL retida por órgãos públicos; (iv) doze relatórios do sistema de arrecadação da interessada, sendo um para cada mês do anocalendário de 1998, em que constam as seguintes informações: órgão público, CNPJ, valor cobrado e pago, data do pagamento e montante da retenção de CSLL; e (v) CD contendo doze planilhas retiradas dos sistemas de faturamento da interessada, sendo uma para cada mês do ano calendário de 1998, contendo os seguintes dados: órgão público, CNPJ, número da nota fiscal, valor faturado e recebido, data do recebimento e CSLL retida. · Apenas recebeu os Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte já analisados pela DERAT; as demais retenções somente podem ser comprovadas por meio de documentos próprios, como é o caso das notas fiscais e dos registros contábeis acima referidos. · Não obstante e na forma do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, caso venha a ser considerada necessária a produção de novas provas, requer a baixa do processo em diligência para que se verifiquem os valores efetivamente pagos e retidos por órgãos públicos no ano calendário de 1998, o que poderá ser feito, dentre outras formas, por meio de acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAF) ou requerimento de informações àqueles órgãos públicos referidos nos relatórios. Em pesquisa ao site do Tribunal Regional Federal, da 2ª Região, constatouse a decisão em ação de Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0255000, deferindo a liminar para “determinar que a autoridade coatora atribua efeito suspensivo à impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 10768.020295/9935,suspendendo a exigibilidade dos tributos ali discutidos, enquanto pendente seu julgamento.” A DRJ/Rio de Janeiro proferiu acórdão (efls. 865/886) indeferindo os pleitos formulados, “deixando de reconhecer o direito creditório relativo à parcela em litígio, no valor de R$ 6.526.446,30 relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998.” Não obstante, haver declaração de voto (efls. 886/890) que não divergiu da conclusão adotada, mas apenas considerou que “por não estar comprovada sua certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, ônus que compete à interessada, entendo não caber a restituição pleiteada no valor de R$ 6.526.446,30”. Inferese deste acórdão que: a. Em relação à legalidade do pedido de compensação e sua convolação em declaração de compensação, bem como em relação à homologação tácita, não discorda do parecer conclusivo, pois – mesmo que na data do protocolo do pedido (25/08/1999) ainda não houvesse a prorrogação do prazo (MP n° 1.8588/99) – a empresa não poderia ter protocolado o pedido por desatender aos pressupostos legais. Argumenta que, em virtude do provimento judicial, os débitos estariam com a exigibilidade suspensa, impedindo que se protocolasse o pedido de compensação (art. 170 do CTN). Veja: Uma vez que a interessada estava discutindo judicialmente sua obrigação de recolher a COF1NS, e tendo obtido provimento judicial no sentido de declarar a inexistência desta relação jurídico tributária, não há que se falar em créditos tributário vencidos ou vincendos. Não havia, na data do protocolo, débitos a serem compensados por força da sentença judicial. Todos estavam com exigibilidade suspensa (efl. 878). Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.253 11 Para tanto, invoca dispositivos do CPC consubstanciadas nas condições da ação, uma vez que ao pedido faltava o “interesse de agir”, pois ajuizou ação judicial visando declarar inexistência de relação apta a gerar o recolhimento da COFINS, mas requereu compensação com débitos deste tributo. Portanto, concluiu que não houve convolação do pedido de compensação em declaração de compensação, não se podendo falar em homologação tácita. b. em relação à impossibilidade da cobrança do débito de COFINS constante do pedido de compensação, afirma que os débitos de COFINS estão constituídos pela DCTF apresentada (art. 5°, §1° do DecretoLei n° 2.124/84). Bem como, que o prazo prescricional estaria suspenso em virtude da suspensão da exigibilidade dos débitos. c. quanto ao crédito pleiteado, entende que: c.1) sobre a dedutibilidade integral dos pagamentos a título de juros sobre o capital próprio, afirma a necessidade de se cumprir, cumulativamente, os requisitos previstos em lei, tais como: cumprir os procedimentos contábeis no caso de juros creditados, devendo ser demonstrado que na escrituração é possível a identificação, de forma individualizada, do direito de cada sócio ou acionista; respeito aos limites de 50% do lucro líquido do período base ou de 50% do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros; e, no caso de utilização do valor creditado para integralização do capital, deverá ser feito no valor líquido do imposto incidente na fonte. Concluiu que não estão demonstrados os lançamentos individualizados para cada sócio, nos registros contábeis, a título de crédito de juros sobre o capital próprio. Outrossim, verificou que a DIPJ/99 contraria o disposto no artigo 1º, parágrafo único da IN SRF n° 41/98. Por fim, afirma que DIRF/1998 informa que houve a retenção de imposto de renda, incidente sobre os juros sobre o capital próprio no valor de R$ 13.923.040,17, fls. 831. Destaco que a interessada informa que este valor incidiu sobre rendimentos no montante de R$ 102.019.213,58, valor inferior ao que alega que creditou/pagou aos acionistas, de R$ 212.000.000,00. Deste modo, aduz que: Pelo exposto, constato que não foram comprovados os requisitos necessários para que o valor a título de juros sobre o capital, no valor de R$ 212.000.000,00, pudesse ser deduzido na apuração do lucro líquido. Logo, caberia a total glosa da dedução, apurandose Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em valor superior ao verificado pela autoridade administrativa a quo. Como não é possível agravar a decisão, no sentido de reduzir a restituição, voto por manter a conclusão do combatido Parecer, não havendo qualquer parcela a mais a ser restituída a título de saldo negativo de CSLL (efls. 885). c.2) quanto à improcedência da pretensão da DERAT/RJ de reduzir em R$ 1.004.005,88 o montante total de CSLL pago por estimativa computado na apuração do saldo negativo da empresa no anocalendário de 1998, afirma que a empresa defende que a compensação das estimativas com o saldo negativo de CSLL/1997, foi efetuada com base no art. 66 da Lei n° 8.383/91, bastando que a operação fosse registrada nos livros contábeis e fiscais. Ainda, que tais compensações foram informadas na DIPJ/99. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.254 12 Lembra que aproveitamento das estimativas compensadas com o saldo negativo do CSLL do ano anterior depende da comprovação do procedimento. Todavia, consignou a inexistência de tal comprovação, mas tão somente a DIPJ/1999. Deste modo, desconsiderou, para a apuração do crédito, as parcelas da CSLL compensadas com o saldo negativo de CSLL dos anos anteriores. c.3) sobre a retenção de IRF por órgãos públicos, afirma que as argumentações da empresa não servem para comprovar a CSLL retida na fonte, devendo ter “cobrado da fonte pagadora os comprovantes de rendimentos para atendimento ao disposto no art. 55 da Lei n° 7.450/85, e do § 2° do art. 979 do Regulamento do Imposto de Renda/1994” (efl. 886) Outrossim, afirma ter faltado comprovar que os rendimentos decorrentes de prestação de serviços aos órgãos públicos foram oferecidos à tributação, com documentação hábil e idônea, e os devidos lançamentos nos livros contábeis e fiscais. Portanto, não considerou, para a determinação do saldo negativo, a CSLL retida na fonte por órgãos públicos. A empresa foi cientificada deste acórdão, em 09/06/2010, e interpôs Recurso Voluntário, em 08/07/2010 (efls. 893/932), onde alega: a) a impossibilidade de a decisão recorrida alterar os fundamentos legais contidos no despacho decisório para a nãohomologação do pedido de compensação. É que o acórdão teria indeferido o pedido de compensação com base em novos fundamentos, não adotados no despacho decisório proferido pela DERAT, como: a) o pedido de compensação formulado pela RECORRENTE seria inválido porque na data do seu protocolo a COFINS nele informada estava com sua exigibilidade suspensa, o que retiraria da RECORRENTE o interesse de agir para formular o pedido de compensação; b) seria indevida a despesa com JCP lançada pela RECORRENTE porque (i) ela não teria demonstrado que os lançamentos de JCP foram feitos de forma individualizada para cada sócio, como determina a legislação; (ii) ela teria capitalizado a totalidade do JCP creditado aos seus acionistas, contrariando o art. 1º, § único, da IN SRF n° 41/98, que estabelece que a capitalização deve ser feita pelo valor líquido do IRF; e (iii) a DIRF por ela apresentada indicaria que ela apenas recolheu IRF incidente sobre JCP no montante de R$ 102.019.213,58, valor inferior ao que alega que creditou aos acionistas em 1998 (R$ 212.000.000,00); c) a RECORRENTE não teria comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos sobre os quais incidiu a CSLL retida por órgãos públicos; d) a RECORRENTE não teria demonstrado a contabilização da compensação de parcela das estimativas correspondente a R$ 1.004.005,88, nem comprovado a origem do crédito que a lastreou. (Efl. 902) Argumenta, com base nos §§4°e 5° do art. 74 da Lei 9.430/96 que a DRJ, na análise do pedido de compensação formulado pelo sujeito passivo, não pode aduzir novos argumentos para a sua nãohomologação, considerandose o transcurso do prazo para homologação tácita. Inclusive, cita diversos julgados. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.255 13 Conclui afirmando que, se o pedido de compensação foi apresentado em 25/08/1999 e convolado em declaração de compensação em 30/12/2002, não pode o acórdão recorrido, em 2010, alterar os fundamentos para o indeferimento do referido pedido. b) defende a legalidade do pedido de compensação. Afirma que a decisão recorrida reconheceu que a empresa não compensou os débitos de COFINS com os benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/99. Todavia, considerou a invalidade do pedido, já que, na data do seu protocolo, a COFINS nele informada estava com a sua exigibilidade suspensa, e, portanto, não teria a natureza de despesa, retirando da empresa o interesse de agir para formular tal pedido. Discorda totalmente do posicionamento adotado, pois “o fato de a COFINS quitada por compensação estar com a sua exigibilidade suspensa não impede que ela seja objeto de pedido de compensação.” (efl. 905). É que entende que “nos termos da IN SRF n° 21/97, para que o contribuinte pudesse utilizar seu crédito tributário na compensação de débitos da mesma natureza, bastaria o surgimento da obrigação tributária, pela ocorrência do fato gerador, não sendo necessário nem a constituição do débito por lançamento nem que o mesmo estivesse plenamente exigível.” (efl. 905). Argumenta, ainda, que a suspensão da exigibilidade apenas impede que a Fazenda Nacional proceda a sua cobrança, mas não o extingue. Outrossim, citou o RE n° 227.832, julgado em 01/07/1999 pelo Plenário do STF, que entendeu ser devido o tributo em discussão na Ação Ordinária. Por isto, tendo em vista a inevitável reversão da tutela antecipada anteriormente obtida, a empresa efetuou a quitação dos débitos de COFINS que estavam com exigibilidade suspensa. Lado outro, lembra que o efeito atribuído à liminares ou antecipações de tutela é ex tunc. Então, ainda que se entendesse que a suspensão da exigibilidade da COFINS impediria o deferimento do pedido de compensação, afirma que a partir de 02/06/2000 (extinção da ação ordinária), tal impedimento teria desaparecido. Assim, Tanto na data da convolação, como na data do despacho decisório, o pedido de compensação era válido. c) Defende a convolação do pedido de compensação em declaração de compensação e sua homologação tácita, com base nos §§4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Inclusive, repisa os argumentos expostos em sua Manifestação de Inconformidade, afirmando que para fins de contagem do prazo de homologação da compensação, devem ser considerado declaração de compensação desde o seu protocolo. Inclusive, cita jurisprudência administrativa. Todavia, mesmo que se entenda que o termo a quo do referido prazo é a data da publicação da Lei n° 10.637/2002 (30/12/2002), a homologação tácita teria se dado em 30/12/2007. d) Pleiteia a impossibilidade da cobrança do débito de COFINS constante do pedido de compensação, em virtude de decadência e prescrição, nos mesmos termos expostos na Manifestação de Inconformidade. Entende que a decisão recorrida concordou que o pedido de compensação não configura confissão de dívida. Todavia, aduz que os débitos não poderiam ter sido constituídos por DCTF porque estavam com a exigibilidade suspensa. Neste ponto, em relação ao art. 5º, § 1° do Decretolei n° 2.124/84, aduz que “embora a norma acima transcrita disponha, de forma genérica, que o documento que comunicar a existência de crédito tributário constitui confissão Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.256 14 de dívida, tal efeito somente se verifica em relação aos saldos a pagar informados nas DCTFs, e não aos débitos nela informados com suspensão de exigibilidade ou dos débitos informados nas DIPJs.” (efl. 910) E mais, cita a IN 45/98, vigente no período em que apresentada a DCTF na qual foi informada a COFINS compensada, que determinava que, diferentemente do que ocorria com os saldos a pagar informados em DCTF, os demais valores (como são aqueles informados com suspensão de exigibilidade) deveriam ser objeto de auditoria interna e, se fosse o caso, constituídos por meio de lançamento de ofício. Em relação à prescrição, argumenta que “considerando que a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS somente perdurou até 02.06.2000 (data em que foi proferida a sentença que julgou extinta a Ação Ordinária n° 96.00632804), as autoridades administrativas somente poderiam adotar as medidas judiciais cabíveis para a cobrança do respectivo crédito tributário até 02.06.2005.” (efl. 913) e) Afirma a impossibilidade de alteração, por meio de despacho decisório proferido em 09/12/2009, do resultado do exercício encerrado em 31/12/1998. Entende que o questionamento do valor da CSLL apurada pelo próprio contribuinte, por configurar novo lançamento (de ofício), somente pode ser efetuado no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°do CTN. Deste modo, a administração tributária não poderia, a título de apuração da certeza e liquidez do crédito apontado no pedido, após o decurso de tal prazo, glosar despesas de JCP e alterar o valor apurado pela empresa, com vistas a diminuir o valor do saldo negativo. Inclusive, cita jurisprudência administrativa. Conclui, então, pela improcedência da glosa de R$ 4.980.959,74 do saldo negativo apurado, decorrente da alteração do montante da CSLL/1998, em virtude de glosa de parte das despesas com JCP. f) Em relação ao crédito pleiteado, defende: f.1) A dedutibilidade integral dos pagamentos a título de juros sobre o capital próprio efetuados pela recorrente no exercício de 1998. Em primeiro lugar, nos termos do item anterior, defende que “independentemente de a dedução efetuada pela RECORRENTE ser ou não admitida pela legislação tributária, não poderia mais as autoridades fiscais alterar o resultado do ano calendário de 1998, com o cálculo de novo valor de CSLL a pagar, já que decorridos mais de cinco anos desde a ocorrência do respectivo fato gerador.” (efl. 919). Todavia, afirma que – ao contrário do que entendeu a decisão recorrida os JCP foram efetivamente pagos aos seus acionistas e não incorporado ao seu capital social, o que se comprova “a partir do razão contábil da conta relativa ao capital social da RECORRENTE, que demonstra que não houve alteração no seu montante entre 31.12.1997 e 31.12.1998 (DOC. 01). A mesma informação pode ser obtida a partir dos balanços patrimoniais da RECORRENTE relativos a 31.12.1997 e 31.12.1998, anexados à sua manifestação de inconformidade” (efl. 920). Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.257 15 Assim, traz diversos outros argumentos em contraposição às conclusões da decisão recorrida, a exemplo: Nota 11 ao balanço de 31.12.1998 apenas indica que o valor do lucro líquido nele refletido é o valor antes do cômputo da despesa com o pagamento de JCP. Ou seja, o resultado da RECORRENTE antes do cômputo da despesa com JCP foi um lucro de aproximadamente R$ 193 milhões, embora tenha passado, após a dedução da referida despesa, a corresponder a um prejuízo de aproximadamente R$ 19 milhões (= R$ 193 milhões R$ 212 milhões). (Efl. 921) As informações contidas na FICHA 27, Linha 04 da DIPJ/99 apresentada pela RECORRENTE se coadunam com o critério de demonstração do seu lucro adotado no balanço de 31.12.1998 e esclarecido na Nota 11, já que informam que o valor da despesa financeira com JCP foi adicionado para fins de demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. (Efl. 921) Junta diversos documentos para demonstrar a individualização do JCP pago aos acionistas. f.2) A validade das compensações relativas à CSLL paga por estimativa, no montante de R$ 1.004.005,88. Informa que a DERAT/RJ apenas não considerou tais compensações porque a empresa não as teria informado em DCTF. Todavia, o acórdão recorrido teria concluído pela licitude de tal procedimento, porquanto tais compensações foram efetuadas sob a Lei n° 8.383/91, mas que a empresa não teria demonstrado a origem de tal crédito. Quanto a isto, afirma não ter encontrado as DIPJs dos anoscalendários 1993 e seguintes em virtude do tempo decorrido. Todavia, tais compensações não teriam sido questionadas pelas autoridades competentes, razão pela qual foram homologadas tacitamente. f.3) A improcedência da glosa da parcela de R$ 541.430,28 (R$ 206.841,64 + R$ 334.588,64) da CSLL retida por órgãos públicos. Em relação a este tópico, considerando que a empresa juntou à sua Manifestação de Inconformidade diversos documentos, lembra que solicitou a realização de diligência, caso fosse necessário produzir mais provas, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Todavia, afirma que o acórdão recorrido, apesar de ter refutados os documentos juntados, não determinou a realização da diligência, tendo consignado que “a referida CSLL também não poderia ser admitida na formação do salgo negativo em razão de a RECORRENTE não ter comprovado que ofereceu à tributação os rendimentos sobre os quais a referida contribuição incidiu.” (efl. 927). Desenvolve raciocínio demonstrando que ofereceu à tributação valor suficiente para lastrear o total da CSLL deduzido, incidente sobre rendimentos dessa natureza (R$ 644.723,82). Outrossim, defende os documentos juntados na Manifestação de Inconformidade, os quais não poderiam ter sido refutados, pois “comprovada a retenção da CSLL, por qualquer meio idôneo, deve ser reconhecido o direito creditório do contribuinte.” (efl. 929). Inclusive, cita julgados administrativos. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.258 16 Por fim, conclui que “logrou comprovar R$ 644.723,82 a título de retenções de CSLL ocorridas no períodobase de 1998, valor quase idêntico ao montante declarado pela INTERESSADA na DIPJ/1999 R$ 649.660,05” (efl. 930). f.4) A não utilização do saldo negativo apurado em 31/12/1998 na compensação de débitos de CSLL de períodosbase subsequentes. É que, em declaração de voto, o julgador Ricardo Araújo Oliveira teria reconhecido a existência de saldo negativo em 1998 no montante de R$ 14.147.710,33. Todavia, indeferiu a restituição por entender que a empresa não teria comprovado que o referido saldo negativo não teria sido utilizado em outras compensações com débitos da própria CSLL. Deste modo, a empresa anexou suas DCTFs dos 1°, 2° e 3° trimestres de 1999, alegando que comprovam que o IRPJ devido por estimativa entre janeiro e agosto de 1999 foi integralmente pago por meio de DARFS e não de compensação. Por todo o exposto, requereu: a) que seja reconhecido que o pedido de compensação apresentado pela RECORRENTE, em 25.08.1999, por haver sido convolado em declaração de compensação, na forma do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 10.637/2002; b) por consequência, seja reconhecida a homologação tácita da compensação efetuada pela RECORRENTE; c) que, acaso não sendo aceita a convolação do pedido de compensação em declaração de compensação, seja reconhecido que as autoridades administrativas, para fins de exigência dos débitos de COFINS constantes do pedido de compensação, deveriam constituir o respectivo crédito tributário por meio de lançamento de ofício, o que, no entanto, já não mais poderia ser feito, em razão da decadência; d) ainda que se entenda que os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação tenham sido confessados pela RECORRENTE, já teria transcorrido o prazo prescricional para a sua exigência; e) seja reconhecido o direito creditório pleiteado pela RECORRENTE, com consequente deferimento do pedido de restituição apresentado em 25.08.1999. É como relato. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.259 17 Voto Vencido Conselheira Talita Pimenta Félix PRELIMINARMENTE 1. Da Tempestividade dos Recurso Voluntário Conforme arts. 5o e 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário formalizado por escrito e instruído com os documentos em que se fundamentar, será apresentado no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência do crédito tributário. Considerando que a Recorrente foi intimada do Acórdão n. 1230.348, proferido em 05/05/2010, pela 7a Turma da DRJ/RJ1, a apresentação do Recurso Voluntário (fls. 893/932), nesta data, satisfaz o requisito primordial da tempestividade, devendo, por esse motivo, ser devidamente conhecida e processada. NO MÉRITO Seguindo a estrutura defensória apresentada pela Recorrente, passo a decidir. a) Sobre a impossibilidade de a decisão recorrida alterar os fundamentos legais contidos no despacho decisório para não homologar o pedido de compensação A Recorrente afirma que a decisão recorrida acolheu a maioria do fundamentos que alegou em sua Manifestação de Inconformidade, porém, aduz que seu pedido de compensação foi indeferido com base em novos fundamentos, os quais não foram adotados no despacho decisório proferido pela DERAT, como: a) o pedido de compensação formulado pela RECORRENTE seria inválido porque na data do seu protocolo a COFINS nele informada estava com sua exigibilidade suspensa, o que retiraria da RECORRENTE o interesse de agir para formular o pedido de compensação; b) seria indevida a despesa com JCP lançada pela RECORRENTE porque (i) ela não teria demonstrado que os lançamentos de JCP foram feitos de forma individualizada para cada sócio, como determina a legislação; (ii) ela teria capitalizado a totalidade do JCP creditado aos seus acionistas, contrariando o art. 1º, § único, da IN SRF n° 41/98, que estabelece que a capitalização deve ser feita pelo valor líquido do IRF; e (iii) a DIRF por ela apresentada indicaria que ela apenas recolheu IRF incidente sobre JCP no montante de R$ 102.019.213,58, valor inferior ao que alega que creditou aos acionistas em 1998 (R$ 212.000.000,00); c) a RECORRENTE não teria comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos sobre os quais incidiu a CSLL retida por órgãos públicos; Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.260 18 d) a RECORRENTE não teria demonstrado a contabilização da compensação de parcela das estimativas correspondente a R$ 1.004.005,88, nem comprovado a origem do crédito que a lastreou (efl. 902). Com base nos §§4° e 5° do art. 74 da Lei 9.430/96, a Recorrente argumenta que a 7a Turma da DRJ/RJ1, quanda da análise do pedido de compensação formulado, não poderia aduzir novos argumentos para a sua nãohomologação, considerandose o transcurso do prazo para homologação tácita. Conclui afirmando que, se o pedido de compensação foi apresentado em 25/08/1999 e convolado em declaração de compensação em 30/12/2002, não poderia o acórdão recorrido, em 2010, alterar os fundamentos para o indeferimento do referido pedido. Pois bem, ante o exposto, entendo de mesmo modo, ou seja, à DRJ é vedado trazer argumentos inexistentes nos autos para, mais de 10 anos após a formulação do pleito da contribuinte, inovar o Despacho Decisório, negando a homologação do pedido de compensação. Tal fato, inclusive, gera o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte e, afronta o princípio da segurança jurídica. b) Sobre a legalidade do pedido de compensação de débito com exigibilidade suspensa por medida judicial A Recorrente revela que, em razão da inovação trazida no bojo do despacho decisório, a 7a Turma da DRJ/RJ1, negou o pedido de compensação por entender que o mesmo seria inválido, uma vez que na data de seu protocolo a COFINS nele informada estava com sua exigibilidade suspensa, o que retiraria da contribuinte seu interesse de agir. Assim, nos termos do acórdão recorrido (fls. 875): Segundo o Parecer Conclusivo n. 490/2008, o pedido de restituição e compensação, apresentado em 25/08/1999, não foi convertido em Declaração de Compensação já que, na data do pedido, o requerimento ia de encontro aos limites impostos pelo art. 170 do CTN, eis que contraria frontalmente o disposto no art. 5o da IN n. 26/1999, considerando que o sujeito passivo poderia contrapor seu crédito (desde que liquido e certo) ao crédito tributário tãosomente no caso de existir norma legal autorizadora. Com base neste artigo, o pagamento com o benefício previsto no artigo 17 da Lei n. 9.779/1999 não poderia ser feito por meio de compensação. Em outros termos, e complementando com outros argumentos trazidos na manifestação proferida pelo Acórdão n. 1230.348, a turma julgadora entendeu que o pedido de compensação e restituição, protocolizado em 25/08/1999, não poderia ser convertido em declaração de compensação por três motivos, os quais seguem: a) primeiro, por “desatender aos pressupostos previstos em lei que regem processos desta natureza”, tendo em vista que na data do protocolo ainda vigia a sentença “declarando a inexistência de relação jurídico tributária que obrigasse a interessada ao pagamento da COFINS. Assim, os débitos estariam com a exigibilidade suspensa”. Neste sentido, de acordo com o art. 170 do CTN, os créditos tributários vencidos ou vincendos, não se adequariam aos requisitos que permitem a compensação tributária. Em trecho da decisão, afirma: Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.261 19 Um tributo devido caracteriza uma despesa que pode ser deduzida na apuraçãoo do lucro real, respeitando o regime de competência. No entanto, considerando a natureza de provisão e a incerteza quanto ao seu efetivo dispêndio, os tributos com exigibilidade suspensa, por força de discussão judicial, são exceções ao regime de competência. Sequer podem ser deduzidos na apuração do lucro real, conforme determina o artigo 41, §1o, da Lei n. 8.981/95. (...) Assim, como poderia a Administração proceder a compensação de débito que sequer seria uma despesa para a interessada e, por outro lado, não representaria um ingresso de recursos a título de COFINS. b) segundo, que a contribuinte não poderia se valer do benefício da dispensa dos acréscimos legais, em razão de que na data do seu protocolo ainda não haveria sido publicada a norma legal que concederia tal benefício. E para esclarecer esse momento, segue breve síntese dessas alterações legislativas: 1. MP n. 1.788 de 29/19/1998, convertida na Lei n. 9.779 de 19/01/1999 que, em seu art. 17, concedeu prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para pagamento de contribuição exonerada via decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, isenta de multa e juros de mora; Nota de rodapé: art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade, ou inconstitucionalidade, o prazo até o ultimo dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. 2. MP n. 1.807 de 25/02/1999: prorrogou o prazo, anterior, até o último dia útil do mês de fevereiro de 1999; 3. MP n. 1.8586 de 1999: alterou, novamente, o prazo para pagamento, agora para o último dia útil do mês de julho de 1999. E, neste caso, passou a exigir a Taxa Selic a partir de fevereiro/99; 4. MP n. 1.8588 de 28/08/1999: prorrogou, mais uma vez, o prazo para pagamento do tributo para o último dia útil do mês de setembro de 1999. E desta vez acrescentou que “a dispensa dos acréscimos legais” não envolveria multa moratória ou punitiva, bem como, os juros de mora devidos a partir de fevereiro/99. c) terceiro, e último argumento da 7a Turma da DRJ/RJ1, que não haveria interesse de agir da contribuinte, pois, “ao mesmo tempo que demandava da Administração a análise do pedido, a própria interessada promovia o seu obstáculo, já que a ação judicial declarou não existir relação jurídico tributária quanto ao débito de COFINS. Assim, não havia como proceder à compensação se não havia débitos a compensar, já que a exigibilidade estava suspensa. Portanto, é cabível o entendimento de que a demanda do dia 25/08/1999 trata de pedido de restituição tão somente. (...) Por um caminho ou outro, o resultado é o mesmo: a Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.262 20 demanda do dia 25/08/1999 não se converteu em Declaração de Compensação. Como consequ6encia lógica, não há que se falar em homologação tácita, pois o §5o do artigo 74 só se aplica para as Declarações de Compensação, o que não é o caso”. Pois bem, expostos os argumentos aduzidos pela 7a Turma da DRJ/RJ1 para rejeitar o pleito de homologação tácida do pedido de compensação, passo a expor os motivos da Recorrente. Em peça defensória a contribuinte sustenta que a suspensão da exigibilidade do crédito, em razão de concessão de tutela antecipada, impede sua cobrança pela Fazenda Nacional, mas não faz com que o débito “desapareça”, bem como, não impede que seja objeto de pedido de compensação. Isso porque, em suas palavras: (...) nos termos da IN SRF n 21/97, vigente à época da apresentação do pedido de compensação, para que o contribuinte pudesse utilizar seu crédito tributário na compensação de débitos da mesma natureza, bastaria o surgimento da obrigação tributária, pelo ocorrência do fato gerador, não sendo necessário nem a constituição do débito por lançamento bem que o mesmo fosse plenamente exigível. Bem como, esclarece que: (...) apesar de ter obtido, em março de 1999, tutela antecipada declarando inexistir (...), relação jurídica com a União Federal no que se refere à obrigatoriedade de recolhimento da COFINS supostamente incidente sobre as receitas decorrentes do fornecimento de energia elétrica, em 01.07.1999, o Plenário do STF entendeu ser legítima a cobrança da referida contribuição (RE n. 227.832). Assim, diante da inevitabilidade da reversão da antecipação de tutela, a RECORRENTE apresentou, em 25.08.1999, o pedido de compensação sob análise e, em 06.12.1999, requereu a extinção da Ação Ordinária em que discutia a cobrança da COFINS, tendo sido proferida em 02.06.2000 a sentença que julgou extinto o feito, em razão da perda do seu objeto, já que a RECORRENTE já havia quitado a COFINS nela discutida e, com isso, reconhecido a improcedência do pedido nela formulado. Não obstante, a Recorrente afirma que a decisão recorrida reconheceu que a empresa não compensou os débitos de COFINS com os benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/99. Todavia, considerou a invalidade do pedido, já que na data do seu protocolo a COFINS nele informada estava com a sua exigibilidade suspensa, e, portanto, não teria a natureza de despesa, retirando da empresa o interesse de agir para formular tal pedido. Justifica tal posicionamento por entender que “nos termos da IN SRF n° 21/97, para que o contribuinte pudesse utilizar seu crédito tributário na compensação de débitos da mesma natureza, bastaria o surgimento da obrigação tributária, pela ocorrência do fato gerador, não sendo necessário nem a constituição do débito por lançamento nem que o mesmo estivesse plenamente exigível”. Lado outro, lembra que o efeito atribuído às liminares ou antecipações de tutela é ex tunc. Então, ainda que se entendesse que a suspensão da exigibilidade da COFINS impediria o deferimento do pedido de compensação, afirma que a partir de 02/06/2000 (extinção da ação ordinária), tal impedimento teria desaparecido. Assim, tanto na data da convolação, como na data do despacho decisório, o pedido de compensação já seria considerado válido. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.263 21 Nestes termos, entendo ser plenamente legal o pedido de compensação realizado pela Recorrente, ainda que ainda que a ação judicial não houvesse se encerrado. E o motivo é simples: já havia no sistema jurídico uma norma individual e concreta proferida pela Suprema Corte (RE n. 227.832) que criou uma ineficácia técnicojurídica à validação da tutela antecipada, que lhe foi anteriormente concedida. Momento a partir do qual a contribuinte obteve certeza que lhe seria constituída uma norma individual e concreta que lhe impediria de se valer da tutela então concedida. Não vislumbro descumprimento do disposto no art. 170 do CTN, uma vez que adoto como fundamento o reconhecimento de que o pedido de compensação, assim como a DCTF, constitui o crédito tributário, nos termos do disposto no parágrafo 4o, do art. 150, do CTN. Ou seja, a declaração ao Fisco, de um crédito ou débito, tem o condão de “constituilo” formalmente. Nestes termos, voto no sentido de reconhecer a legalidade do pedido de compensação. c) Sobre a conversão do pedido de compensação em declaração de compensação e sua homologação tácita, com base nos §§4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96. O acórdão recorrido, em relação à legalidade do pedido de compensação e sua conversão em declaração de compensação, bem como em relação à homologação tácita, não discorda do parecer conclusivo, pois – mesmo que na data do protocolo do pedido (25/08/1999) ainda não houvesse a prorrogação do prazo (MP n° 1.8588/99) – para estes, a empresa não poderia ter protocolado o pedido por desatender aos pressupostos legais do art. 170 do CTN. Argumenta ainda que em virtude do provimento judicial, os débitos estariam com a exigibilidade suspensa, impedindo que se protocolasse o pedido de compensação (art. 170 do CTN). Portanto, concluiu que não houve convolação do pedido de compensação em declaração de compensação, não se podendo falar em homologação tácita. A Recorrente afirma que, para fins de contagem do prazo de homologação da compensação, deve ser considerada declaração de compensação desde o seu protocolo. Informa ainda que, mesmo que se entenda que o termo a quo do referido prazo é a data da publicação da Lei n° 10.637/2002 (30/12/2002), a homologação tácita teria se dado em 30/12/2007. Segue julgado administrativo, respaldando o entendimento da Recorrente, e desta Relatora: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DCOMP. DECLARAÇÃO JUDICIAL DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA, VIGENTE NA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO. IRRELEVÂNCIA. O fato de vigorar, à época da transmissão do Pedido de Compensação, decisão judicial não passada em julgado, responsável por declarar a impossibilidade da cobrança dos débitos objeto do ajuste de contas, não retira, do contribuinte, o interesse de agir. A suspensão da exigibilidade dos débitos, mormente quando determinada por provimento judicial recorrível, não configura Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.264 22 óbice à compensação, eis não representar prévia extinção definitiva dos passivos. Não há que se falar, pois, em impedimento à convolação do Pedido de Compensação em DCOMP, por conta de eventual inobservância legal. Passados mais de cinco anos da transmissão do encontro de contas, é de se reconhecer sua homologação tácita, a teor do artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. (Número do Processo 10768.020294/9972. Contribuinte LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE SA. Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTARIO. Data da Sessão: 19/10/2011. Relator(a): BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR. Nº Acórdão 110100.604). (Sem grifo no original) Nos termos do §§4° e 5o do art. 74 da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação, pela autoridade administrativa, deverão ser considerados declaração de compensação, desde a data de seu protocolo. Assim, passados mais de cinco anos sem que a Administração manifestese sobre o pleito da contribuinte, o pleito deverá ser considerado tacitamente homologado. Face o exposto, julgo PROCEDENTE o Recurso Voluntário para alterar o pedido de compensação em declaração de compensação e, consequentemente, reconhecer sua homologação tácita. d) Sobre a impossibilidade da cobrança do débito de COFINS constante do pedido de compensação, em virtude de decadência e prescrição, nos mesmos termos expostos na Manifestação de Inconformidade. Entende a contribuinte que a decisão recorrida acordou que o pedido de compensação não configura confissão de dívida. Todavia, aduz que os débitos não poderiam ter sido constituídos por DCTF porque estavam com a exigibilidade suspensa. Neste ponto, em relação ao art. 5º, § 1° do Decretolei n° 2.124/84, aduz que “embora a norma acima transcrita disponha, de forma genérica, que o documento que comunicar a existência de crédito tributário constitui confissão de dívida, tal efeito somente se verifica em relação aos saldos a pagar informados nas DCTFs, e não aos débitos nela informados com suspensão de exigibilidade ou dos débitos informados nas DIPJs” (efl. 910). E mais, cita a IN 45/98, vigente no período em que apresentada a DCTF na qual foi informada a COFINS compensada, que determinava que, diferentemente do que ocorria com os saldos a pagar informados em DCTF, os demais valores (como são aqueles informados com suspensão de exigibilidade) deveriam ser objeto de auditoria interna e, se fosse o caso, constituídos por meio de lançamento de ofício. Em relação à prescrição, argumenta que “considerando que a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS somente perdurou até 02.06.2000 (data em que foi proferida a sentença que julgou extinta a Ação Ordinária n° 96.00632804), as autoridades administrativas somente poderiam adotar as medidas judiciais cabíveis para a cobrança do respectivo crédito tributário até 02.06.2005” (efl. 913). Neste ponto, para que não restem dúvidas, esclareço que entendo tais apontamentos jurídicos de modo um tanto distinto, seja da fiscalização e da DRJ, bem como, da Recorrente. Por entender que o pedido de compensação constitui o crédito tributário, ou Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.265 23 seja, configura confissão de dívida, e também cito, para tanto, o parágrafo 1o, do art. 5o do DecretoLei n. 2.12484. Porém, de modo diverso do apontado em linhas pretéritas, não vejo a limitação de que somente os saldos informados em DCTF tenham esse condão. Muito pelo contrário, tal limitação, entendo, afronta o disposto nesta norma, cujo teor prescreve que: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Assim, percebo nesta norma a possibilidade de o documento que formalizar o crédito tributário, perante o Fisco, além de constituir confissão de dívida, será instrumento válido para exigir tal crédito. Noutra tônica, interpreto que formalizado o comunicado, se via pedido ou declaração de compensação, tal fato não teria o condão de invalidar a efetiva informação da contribuinte em face do Fisco. Em trecho de sua defesa a contribuinte argumenta no sentido de que, “ainda que se entenda que os débitos de COFINS constantes dos pedidos de compensação foram confessados pela RECORRENTE em DCTF, a eles deve ser aplicado o prazo prescricional constante do art. 174 do CTN, uma vez que o pedido de compensação (ainda mais quando tem sua validade questionada pela DERAT) não se encontra entre as hipóteses de interrupção do prazo prescricional previstas no parágrafo único do art. 174 do CTN, nem tampouco entre as causas de suspensão da exigibilidade constantes do art. 151”. Nestes termos, finaliza: Considerando que a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS somente perdurou até 02.06.2000 (data em que foi proferida a sentença que julgou extinta a ação ordinária proposta pela RECORRENTE), o prazo para as autoridades administrativas adotarem medidas para a cobrança do respetico crédito tributário expirou em 02.06.2005. Entendendo que os débitos da contribuinte já foram constituídos, não haveria que se falar em lançamento, logo, em prazo decadencial, mas sim, prazo prescricional, o qual também estaria decaído, motivo pelo qual, julgo PROCEDENTE o pedido formulado em Recurso Voluntário. e) Sobre a impossibilidade de alteração, por meio de despacho decisório proferido em 09/12/2009, do resultado do exercício encerrado em 31/12/1998, a título de juros sobre o capital próprio (JCP) Entende a Recorrente que o questionamento quanto ao valor da CSLL apurada, por configurar novo lançamento (de ofício), somente pode ser efetuado no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°do CTN. Deste modo, a administração tributária não poderia, a título de apuração da certeza e liquidez do crédito apontado no pedido, após o decurso de tal prazo, glosar despesas de JCP e alterar o valor apurado pela empresa, com vistas a diminuir o valor do saldo negativo. Com isto, aduz ser indevida a glosa de R$ 4.980.959,74 do saldo negativo apurado, decorrente da alteração do montante da CSLL/1998, em virtude de glosa de parte das despesas com JCP. Em contrapartida, a 7a Turma da DRJ/RJ1 posicionouse no sentido de que: Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.266 24 i. em razão da ausência de respeito ao limite imposto à dedutibilidade no lucro líquido a título de juros sobre o capital próprio, segundo a DIPJ/99, o saldo negativo de CSLL sofreria uma redução de R$ 15.693.196,89 para R$ 9.166.750, 59. Ainda em relação ao JCS, aborda uma série de elementos aptos a invalidar a formação desse saldo negativo, tais como: (a) o erro cometido pela contribuinte quando da escrituração do montante devido; por não ser possível haver concomitância de prejuízos acumulados e reserva de lucros; (b) a inexistência de correta verificação da apuração da CSLL no final do período, uma vez que dos documentos anexados aos autos não haver lançamento individualizado para cada sócio, a título de JCP; que, contrariando o parágrafo único, do art. 1o, da IN 41/98, o valor total de JCP foi destinado para aumento de capital; desencontro de informações na DIRF apresentada pela contribuinte, referente ao anocalendário de 1998, informando a incidência em montante inferior ao que alega que creditou. Em face a todos estes argumentos, por compreender não provados os requisitos necessários à dedução do JCP, caberia glosa total da dedução. Porém, não sendo possível agravar a autuação, manifestase pela manutenção do decidido no Parecer, afastando qualquer parcela a ser restituída a título de saldo negativo de CSLL; ii. bem como, que não cabe a alegação quanto à apuração da CSLL, tendo em vista que o art. 170 do CTN determina que, “para o deferimento do direito creditório, devem estar comprovadas a certeza e liquidez do crédito”. E, neste caso, entende que tal comprovação passa, necessariamente, pela verificação das informações prestadas na DIPJ/1999 e pela apuração da CSLL. “Não se tratando de lançamento, mas de verificação dos requisitos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório, em atendimento aos ditames da legislação, considerando que a atividade da autoridade administrativa, tanto no âmbito da Delegacia jurisdicionante da interessada quanto do julgador nesta Delegacia de Julgamento, é vinculada ao ordenamento jurídico. Rebatendo os argumentos do acórdão recorrido, transcrevo trecho do relatório atinente a este tópico, donde a Recorrente alega que: (...) ao contrário do que entendeu a decisão recorrida os JCP foram efetivamente pagos aos seus acionistas e não incorporado ao seu capital social, o que se comprova “a partir do razão contábil da conta relativa ao capital social da RECORRENTE, que demonstra que não houve alteração no seu montante entre 31.12.1997 e 31.12.1998 (DOC. 01). A mesma informação pode ser obtida a partir dos balanços patrimoniais da RECORRENTE relativos a 31.12.1997 e 31.12.1998, anexados à sua manifestação de inconformidade” (efl. 920). Assim, cita diversos outros argumentos em contraposição às conclusões da decisão recorrida, a exemplo: Nota 11 ao balanço de 31.12.1998 apenas indica que o valor do lucro líquido nele refletido é o valor antes do cômputo da despesa com o pagamento de JCP. Ou seja, o resultado da RECORRENTE antes do cômputo da despesa com JCP foi um lucro de aproximadamente R$ 193 milhões, embora tenha passado, após a dedução da referida despesa, a corresponder a um prejuízo de aproximadamente R$ 19 milhões (= R$ 193 milhões R$ 212 milhões). (Efl. 921) Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.267 25 As informações contidas na FICHA 27, Linha 04 da DIPJ/99 apresentada pela RECORRENTE se coadunam com o critério de demonstração do seu lucro adotado no balanço de 31.12.1998 e esclarecido na Nota 11, já que informam que o valor da despesa financeira com JCP foi adicionado para fins de demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. (Efl. 921) Junta diversos documentos para demonstrar a individualização do JCP pago aos acionistas. No entanto, conforme venho me posicionando neste julgamento, e por entender que há uma questão preliminar que fulmina a possibilidade de enfrentamento do mérito, voto por acolher a decadência do direito do Fisco de questionar a legitimidade, ou não, em 09/12/2009, quanto à suposto crédito tributário originário de 31/12/1998. f) Sobre o crédito pleiteado, defende: Reiterando meu posicionamento, na mesma tônica do item anterior, rejeito a desconsideração, na apuração do crédito, das parcelas da CSLL, compensadas com o saldo negativo da mesma contribuição, com anos anteriores, relativas aos seguintes itens, por compreender ter havido a decadência do direito do Fisco de lançar. f.1) A validade das compensações relativas à CSLL paga por estimativa, no montante de R$ 1.004.005,88. O acórdão recorrido, acerca da improcedência da pretensão da DERAT/RJ de reduzir em R$ 1.004.005,88 o montante total de CSLL paga por estimativa computado na apuração do saldo negativo da empresa no anocalendário de 1998, afirma que a empresa defende que a compensação das estimativas com o saldo negativo de CSLL/1997, neste montante, foi efetuada com base no art. 66 da Lei n° 8.383/91, bastando que a operação fosse registrada nos livros contábeis e fiscais. Ainda, alega que tais compensações foram informadas na DIPJ/99. Lembra que aproveitamento das estimativas compensadas com o saldo negativo do CSLL do ano anterior depende da comprovação do procedimento. Todavia, consignou a inexistência de tal comprovação, mas tão somente a DIPJ/1999. Deste modo, desconsiderou, para a apuração do crédito, as parcelas da CSLL compensadas com o saldo negativo de CSLL dos anos anteriores. A recorrente, por sua vez, informa que a DERAT/RJ apenas não considerou tais compensações porque a empresa não as teria informado em DCTF. Como também, teria o acórdão recorrido concluído pela licitude de tal procedimento, porquanto tais compensações foram efetuadas sob a Lei n° 8.383/91, mas, que a empresa não teria demonstrado a origem de tal crédito. Quanto a isto, afirma não ter encontrado as DIPJs dos anoscalendários 1993 e seguintes em virtude do tempo decorrido. Todavia, tais compensações não teriam sido questionadas pelas autoridades competentes, razão pela qual foram homologadas tacitamente. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.268 26 Deste modo, preliminarmente, posicionome de modo contrário à decisão da DRJ/RJ1, em virtude de reconhecer a decadência do Fisco. f.2) A improcedência da glosa da parcela de R$ 541.430,28 (R$ 206.841,64 + R$ 334.588,64) da CSLL retida por órgãos públicos. O acórdão recorrido afirma que as argumentações da empresa não servem para comprovar a CSLL retida na fonte, devendo ter sido “cobrado da fonte pagadora os comprovantes de rendimentos para atendimento ao disposto no art. 55 da Lei n° 7.450/85, e do § 2° do art. 979 do Regulamento do Imposto de Renda/1994” (efl. 886). Noutro giro, não restou demonstrado que os rendimentos decorrentes de prestação de serviços aos órgãos públicos foram oferecidos à tributação, com documentação hábil e idônea, e os devidos lançamentos nos livros contábeis e fiscais. Portanto, não considerou, para a determinação do saldo negativo, a CSLL retida na fonte por órgãos públicos. A Recorrente, por sua vez, lembra que a empresa juntou à sua Manifestação de Inconformidade diversos documentos, inclusive solicitou a realização de diligência, caso fosse necessário produzir mais provas, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Todavia, afirma que o acórdão recorrido, apesar de ter refutados os documentos juntados, não determinou a realização da diligência, tendo consignado que “a referida CSLL também não poderia ser admitida na formação do salgo negativo em razão de a Recorrente não ter comprovado que ofereceu à tributação os rendimentos sobre os quais a referida contribuição incidiu.” (efl. 927). Desenvolve raciocínio demonstrando que ofereceu à tributação valor suficiente para lastrear o total da CSLL deduzido, incidente sobre rendimentos dessa natureza (R$ 644.723,82). Outrossim, defende os documentos juntados na Manifestação de Inconformidade, os quais não poderiam ter sido refutados, pois “comprovada a retenção da CSLL, por qualquer meio idôneo, deve ser reconhecido o direito creditório do contribuinte” (e fl. 929). Inclusive, cita julgados administrativos. Por fim, conclui que “logrou comprovar R$ 644.723,82 a título de retenções de CSLL ocorridas no períodobase de 1998, valor quase idêntico ao montante declarado pela interessada na DIPJ/1999 R$ 649.660,05” (efl. 930). Mais uma vez, a 7a Turma da DRJ/RJ1 aduz a ausência de comprovação destes elementos necessários e, em contraface, voto pelo reconhecimento da decadência, considerando na determinação do saldo negativo, a CSLL retida na fonte por órgãos públicos. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo à parcela em litígio, pertinente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998. É como voto. Talita Pimenta Félix Relatora Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.269 27 Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Redatora Designada Em que pese as considerações expostas pela Conselheira Relatora nos presentes autos, relativas ao item "f" acima mencionado, mais especificamente itens "f.1" e "f.2"1, divirjo da conclusão esposada, pois não há que se considerar o direito do fisco decaído em averiguar as parcelas de estimativas e/ou contribuição retida na fonte que compõem o Saldo Negativo da CSLL. A recorrente pretende o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito pleiteado, Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 1998, composto por estimativas e saldos negativos de anos anteriores e, ainda, retenções de CSLL, sem a averiguação da autoridade fiscal de suas efetivas existências. Argumenta que os valores não podem ser mais checados e que haveria ocorrido a homologação tácita destes valores, enquanto a Conselheira Relatora reconhece a decadência do direito de fisco de averiguálos. Mas esta tese não merece acolhida. O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. A qualquer tempo os pagamentos/quitações de tributos podem ser verificados pela Administração Tributária para que repita efetivamente indébitos tributários e não valores que nunca foram recolhidos à Fazenda Nacional. A tese de homologação tácita da recorrente para o pedido de restituição é inadmissível, pois está pedindo, na verdade, restituição de valores de CSLL retidas pelos órgãos públicos e estimativas que, segundo alega, compuseram o saldo negativo de CSLL apurado em 1998 e informado na DIPJ pertinente. Todavia, a quitação das referidas estimativas foram efetuadas pela compensação de saldos negativos advindos de anoscalendários anteriores. 1 f.1) A validade das compensações relativas à CSLL paga por estimativa, no montante de R$ 1.004.005,88. f.2) A improcedência da glosa da parcela de R$ 541.430,28 (R$ 206.841,64 + R$ 334.588,64) da CSLL retida por órgãos públicos. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.270 28 A composição do crédito pleiteado é que determina quantos anos a checagem fiscal deverá retroagir. Se a recorrente requer valores de 1993, indiretamente, não pode alegar que está decaído o direito da Fazenda de checar estes valores ou de comprovar a sua efetiva liquidez. Esclarecendo, ainda, sobre o instituto da decadência, o que a legislação tributária invocada pela recorrente, relativa aos lançamentos por homologação, veda é a constituição e exigência de crédito tributário (lançamento de ofício) e este procedimento não foi feito pela autoridade fiscal. Nos presentes autos não se está a exigir tributo vencido fora do prazo qüinqüenal, ou seja, decaído. A homologação tácita é instituto tributário previsto para os pedido de compensação, recepcionados como Declaração de Compensação, por força de lei, formalizados à Administração Tributária e não apreciados no prazo de 05 anos pelas autoridades competentes. No presente caso, não se aplica o raciocínio para estimativas, saldos negativos anteriores e valores de tributos retidos que compõem, direta ou indiretamente, o saldo negativo de CSLL pleiteado. Todavia, em se analisando o presente litígio e em se tratando de períodos em que a compensação se realizava na contabilidade, verificase, do relatório explanado, que em nenhum momento a Administração Tributária, em face das arguições da recorrente ou das fundadas dúvidas sobre a existência das estimativas efetivamente compensadas, bem como retenções de CSLL decorrentes das prestações de serviços a órgãos públicos que não forneceram informes de rendimentos à empresa, intimoua a apresentar a contabilidade para examinarse os registros contábeis nos quais tais elementos poderiam estar em conformidade com os valores declarados e, juntamente com outros documentos hábeis e idôneos (notas fiscais e extratos bancários com valores líquidos das retenções, por exemplo), poderia ser comprovado o direito aos valores informados nas DIPJ entregues pela recorrente. Entendo que a ausência de uma investigação mais profunda por parte da Administração Tributária nestes pontos, e ainda a intimação específica para a empresa ter a oportunidade de fazer a prova de que as receitas correspondentes às retenções de CSLL foram efetivamente oferecidas à tributação, dadas as provas iniciais apresentadas pela recorrente, impede as glosas de valores efetuadas, não cabendo a este órgão julgador, neste ponto do julgamento, buscar elementos que a autoridade a quo teve oportunidade para investigar. Destarte, neste tópico em que esta posição se faz vencedora, voto para que se considere na composição do Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 1998, a título de estimativas, o valor de R$ 1.004.005,88, bem como a título de CSLL retida pelas fontes, o valor de R$ 541.430,28. Voto em dar provimento ao recurso voluntário2. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich 2 itens 3 e 4 da parte dispositiva do acórdão. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10768.020295/9935 Acórdão n.º 1302001.912 S1C3T2 Fl. 1.271 29 Fl. 1271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729890/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 90 /2 01 3- 31 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.935, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729890/201331 Acórdão n.º 3201000.469 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907651/2009-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.919
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/05), transmitido em 23/08/2007, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de julho/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de julho de 2006 (recolhimento em agosto/2006), no valor de R$ 44.442,50, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na impugnação apresentada (fls. 08/10) a interessada alegou, entre outros aspectos: A empresa recolheu o IRPJ e a Contribuição Social estimado durante o ano de 2006, quando da elaboração do Balanço patrimonial encerrado em 31.12.2006, apurouse Contribuição Social e IRPJ a recolher, a Contribuição Social a pagar, foi totalmente compensada restando ainda valor pago a maior a compensar, o IRPJ foi compensado parcialmente, restando o valor a recolher de R$296.888,97 até 31.03.2007, valor este que foi compensado conforme PER/DCOMP apresentado em 23/08/2007 no valor de R$44. 442,50, alterando o pagamento por estimativa no exercício de 2006. Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado (fls. 35/37). Cientificada, em 13/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 13/10/2011, o recurso voluntário de fls., no qual, após tecer considerações a respeito da legislação que rege o assunto, observa que a não homologação da compensação com Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 69 3 fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, por ser ato infralegal, fere o princípio da legalidade. No mérito alega que houve erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do tipo de crédito. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar, de modo que haveria crédito suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 1801000.486, de relatoria desta mesma Conselheira: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 70 5 [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 71 7 dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 72 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 73 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2006. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar. De fato, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ do exercício 2007 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – foi deduzida, da CSLL apurada como devida, de R$ 182.260,87, estimativas mensais totais recolhidas no mesmo valor de R$ 182.260,87, o que não teria gerado qualquer valor a pagar ou a restituir de CSLL no ano calendário de 2006 (fls. 33/34). Contudo, à fl. 31, encontrase extrato do sistema de pagamentos SINAL 06, que demonstra que houve recolhimentos de estimativa de CSLL (código 2484), no decorrer do anocalendário 2006, que totalizam R$ 302.371,12. Também na cópia do Livro Razão n º 05, apresentado pela interessada, e anexada à fl. 19, encontramse registrados recolhimentos de estimativas mensais de CSLL de janeiro a dezembro de 2006 e na cópia da DCTF à fl. 32, débitos de CSLL declarados e valores vinculados, como se verifica do quadro resumo a seguir: Mês Sinal DCTF Razão Débitos Créditos janeiro 20.471,12 20.471,12 fevereiro 31.152,44 31.152,44 março 23.403,63 23.403,63 abril 25.061,07 25.061,07 maio 37.115,50 37.115,50 junho 16.545,94 16.545,94 julho 44.442,50 44.442,50 44.442,50 44.442,50 agosto 52.970,42 52.970,42 52.970,42 52.970,42 setembro 51.208,50 51.208,50 51.208,50 51.208,50 outubro 41.315,30 41.315,30 41.315,30 novembro 44.628,68 44.628,68 44.628,68 dezembro 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Totais 302.371,12 236.565,40 236.565,40 390.315,10 Verificase, pois, que existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro, na apuração e pagamento das estimativas de CSLL do ano de 2006. Entretanto, a autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 do crédito. E isto porque, em verdade, o único fundamento da decisão foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. Tal fundamento porém, não permite concluir pela integridade da formação do crédito.. Superada, neste voto, a questão da possibilidade jurídica do pedido, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente quanto aos demais requisitos para homologação da compensação, ainda que o indébito deva ser tratado como saldo negativo de CSLL. Isto porque, dada a grande quantidade de processos formados a partir de PERDCOMP apresentados pela interessada com a indicação de indébitos de estimativas de CSLL de todo o anocalendário 2006 conforme relação ao final do voto todos julgados da mesma forma pela autoridade julgadora de 1a. instância – DRJ – é necessária uma análise conjunta de todos e, se for o caso, da reunião dos processos em único, para melhor controle da administração tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pleiteada por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, bem quanto à homologação ou não das compensações, observandose, se for o caso, a necessidade de reunião dos processos. Relação de Processos PERDCOM CSLL – anocalendário 2006: 10675.907651/200990 10675.907652/200934 10675.907653/200989 10675.907654/200923 10675.907655/200978 10675.907656/200912 10675.907657/200967 10675.907658/200910 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 180100.919 S1TE01 Fl. 74 13 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905793/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.591
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BELÉM DIESEL S.A. (Suscedida por Rodobens Veículos Comerciais Cirasa S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhecese o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de restituição (PER) relativo a recolhimento indevido ou a maior do PIS, no valor de R$ 552,56. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 57 93 /2 01 1- 71 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10280.905793/201171 Acórdão n.º 3302003.591 S3C3T2 Fl. 3 2 A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio de despacho decisório, indeferiu o pedido em função de o pagamento informado no PER ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. A Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão 14041.314, sob o fundamento de que a Contribuinte não comprovara a certeza e liquidez do crédito solicitado em restituição. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A necessidade de reunião por conexão de diversos pedidos de restituição de recolhimentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins, para julgamento em conjunto em um único processo, por se referirem à mesma causa de pedir, ou seja, recolhimento indevido com base na declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998; 2. A falta de aprofundamento dos fatos pela autoridade fiscal que elaborou o despacho decisório e a necessidade de busca da verdade material; 3. A efetiva comprovação do indébito, pois que decorrente de recolhimento sobre receitas financeiras incluídas no alargamento declarado inconstitucional, comprovado pela juntada do Livro Razão; 4. A necessidade de conversão em diligência, se os documentos acostados aos autos se revelarem insuficientes para a comprovação do direito creditório. Na sessão de 17/09/2014, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento acolheu o pleito da recorrente de reunião dos processos para que pudessem ser apreciados simultaneamente e converteu o julgamento em diligência para que "possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data." Em cumprimento da resolução requerida (Resolução 3803000.539), a autoridade fiscal elaborou relatório reconhecendo o recolhimento indevido no montante de R$682,77, retornado os autos a este conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.525, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.904435/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10280.905793/201171 Acórdão n.º 3302003.591 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.525): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Verificase que o pedido de restituição foi no montante de R$ 1.947,78, ao passo que a informação fiscal em cumprimento da diligencia requerida por este Conselho reconheceu o direito creditório no montante de R$ 1.947,69, decorrentes de recolhimento indevido sobre receitas que compuseram o alargamento de base de cálculo previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, declarado inconstitucional pelo STF. Destarte, voto para dar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que no caso do paradigma, o presente processo foi objeto de diligência requerida pelo CARF (Resolução 3803000.539), sendo que a informação fiscal elaborada em atendimento à resolução também atestou recolhimento indevido da contribuição em montante suficiente para o deferimento do valor total do pleito de restituição da Contribuinte, ou seja, R$ 552,56 (valor original). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006616/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/09/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-003.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/09/2008 REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 16 /2 01 0- 54 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, lavrado em 01/10/2010 e cientificado em 25/11/2010 (AR), para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração. No quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, restou consignado que: (a) o Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805165721464, incluído em 30/08/2008, as 16h04, a destempo, em 11/09/2008, a partir das 17h00, segundo o prazo, estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB, em relação ao registro da atracação da embarcação no Porto de Santos, em 08/09/2008, as 10h36, para seus conhecimentos eletrônicos agregados (HBL) CEs 150805172579457 e 150805172622808; (b) a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; (c) no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; (d) o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A empresa apresenta a Impugnação em 13/12/2010, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (11/09/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. A decisão de primeira instância, proferida em 09/04/2015 foi pela improcedência da impugnação. Acorda a DRJ que: (a) o art. 50, da IN RFB nº 800/2007, fixou um período para que as empresas por ela alcançadas se adaptassem às regras nela estabelecidas, todavia, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações sobre veículos e cargas transportadas nesse período, apenas admitiu que, durante essa fase, os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino; (b) o parágrafo único, do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, aplicase ao agente de cargas, classificado como transportador, nos termos da sua alínea 'e', inciso IV, §1º, do art. 2º; (c) a obrigação do agente de carga de prestar as informações a seu encargo, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal, advém do art. 37, § 1º, do DecretoLei nº 37/1966, Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.006616/201054 Acórdão n.º 3401003.381 S3C4T1 Fl. 100 3 base legal da IN RFB nº 800/2007. (d) tipo infracional em que se enquadra a conduta da autuada dispõe expressamente que ele se aplica ao agente de carga, como se pode notar da leitura do art. 107, inc. IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03; (e) nos termos do art. 18, da IN RFB nº 800/2007. era de responsabilidade da autuada informar os dados referentes aos CEs indicados pela fiscalização, dentro do prazo estabelecido no art. 50, parágrafo único, inc. II, da mesma norma; (f) a utilização do termo transportador em sentido genérico não configura nenhuma ofensa ao art. 110 do CTN. Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO) em 11/05/2015, apresentase o recurso voluntário, em 27/05/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Fl. 101DF CARF MF 4 O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11128.006616/201054 Acórdão n.º 3401003.381 S3C4T1 Fl. 101 5 (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720099/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.694, de 26 de fevereiro de 2014.
O referido processo trata de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente de compensação de base de cálculo negativa de CSLL efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009.
A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou base de cálculo negativa de CSLL constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009.
Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1:
(Início da transcrição do Relatório da DRJ)
Trata o presente processo de Auto de Infração de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no valor principal de R$ 1.003.414,43, multa proporcional de 75% no valor de R$ 752.560,82 e juros de mora no valor de R$ 339.254,42 calculados até setembro de 2013.
A descrição dos fatos menciona que houve compensação indevida de base negativa de CSLL de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente no valor de R$ 11.149.049,22 no ano calendário de 2009 e remete para demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e inidissociáveis (sic) do auto de infração.
O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1148 a 1151) menciona, em síntese, que:
1. Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL.
2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos:
16561.000.025/2007-72 (IRPJ-CSLL)
16561.000.026/2007-17 (IRPJ-CSLL)
16561.000.027/2007-61 (IRPJ-CSLL-PIS-Cofins)
16561.000.028/2007-14 (CSLL)
16561.000.029/2007-51 (CSLL)
3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR.
4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.
5 Concluímos que são indevidas as compensações integrais, 30% do valor apurado de prejuízos fiscais e/ou bases de cálculo negativas de CSLL informadas pelo contribuinte na DIPJ a título de compensações de períodos anteriores, que serão objeto de glosa com conseqüente apuração de novas bases de cálculo para determinação dos valores devidos de IRPJ, adicional dese imposto e da CSLL para o ano-calendário de 2009 6 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 11.149.049,22 referentes à glosa parcial de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL.. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ ano-calendário 2009, como compensação da base negativa de CSLL de período anterior (linha 59), equivalente a 30% de R$ 108.410.296,76 base de cálculo antes da compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores (linha 58).
7 A diferença de cálculo de IRPJ será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator)
As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1157/1162. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 11.149.049,22 sobre o qual foi lançado a CSLL IRPJ de ofício:
Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A
CNPJ :60.659.463/0001-91
MPF/RPF : 08.l.11.00-2012-00023-5
Demonstrativo Utilização de Bases Negativas CSLL após Acórdãos - CARF
Proeesso n° 16561.000025/2007-72 -
Pendente de Acórdão - CARF, Mantido Acórdão - DRJ
Comp Periodo e
Saldo Periodo e
Período
DIPJ - Comp
Vr CSLL Apurada
Vr Exonerado
Vr CSLL Corrig
Periodos Ant
Periodos Ant
-78.969.942,73
()3/2002
7.749.048,80
9.817.697,59
9.257.458,12
560.239,47
168.071,84
-71.052.822,09
06/2002
0,00
20.504.955,26
0,00
20.504.955,26
0,00
-75.803.244,57
09/2002
0,00
40.990.309,21
0.00
40.990.309,21
40.252.838,32
-75.487.185,62
4°Trim/2002
10.558.580,11
0,00
0,00
0,00
10.558.580,11
-64.928.605,51
04/2003
0,00
54.690.236,86
7.338.536,86
47.351.700,00
21.052.654,21
-53.657.585,89
Proeesso n° 16561.000029/2007-51 -
Acórdão n° 1301-00.059 (Provimento Parcial ao Recurso)
Comp Periodo e
Saldo Período e
Período
DIPJ - Comp
Vr CSLL Apurada Vr Exonerado
Vr CSLL Corrig
Periodos Ant
Periodos Ant
-71.897.075.34
2001
-7.072.867,39
9.715.756,44
9.715.756.44
0,00
0,00
-78.969.942,74
03/2002
25.830.162,67
1.335.612,91
0,00
1.335.612,91
400.683,87
-70.652.138,23
06/2002
-25.255.377,74
1.890.898.40
1.890.898,40
0,00
0,00
-75.402.560,71
09/2002
-39.936.779.37
1.826.401.25
1.826.401,25
0,00
0.00
-75.086.501,76
4°Trim/2002
35.195.267.02
0,00
0,00
0,00
0,0! 1
-64.527.921,65
04/2003
-9.781.634,59
363.399,02
363.399,02
0,00
0,00
-53.256.902.03
Processo n° 16561.000026/2007-17 -
Acórdão nº 1301-00.057 (Negado Provimento ao Recurso)
Período
Vr - DIPJ
Vr CSLL Apurada
Vr Exonerado
VrCSLL Corrig
Comp Per/Per Ant
Saldo Per Anterior
08/2003
-25.003.988,18
9.145.759,70
9.145.759,70
0,00
0,00
-53.256.902,03
Proeesso n°
16561.000028/2007-14 - Acórdão n° 1103-00.284 (Provimento ao Recurso)
Período
Vr - DIPJ
Vr CSLL Apurada
Vr Exonerado
VrCSLL Corrig
Comp Per/Per Ant
Saldo Per Anterior
08/2003
-25.003.9S8,18
2.811.288,17
2.811.288,17
0,00
0,00
-53.256.902,03
Processo 16561.000027/2007-61 -
Acórdãonº 1301-00.058 (Provimento Parda! a» Recorro)
Período
DIPJ - Comp
VrCSI.L Apurada | Vr Exonerado
Vr CSLL Corrig
Comp Per/Per Ant
Saldo Per Anterior
-78.260.890,21
12/2003
0,00
20.179.231,61
1.063.082,61
19.116,149,00
8.224.336,92
-70.036,553,29
12/2004
0,00
122.416,205,50
46.250,00
122.369.955,50
36.710.080,65
-33.325.566,64
Períodos Posteriores ao Procedimento Fiscal
Base Negativa CSLL
Saldo de Base Negativa
Utilizada pelo Contribuinte
CSLL
Período
Valor - DIPJ
Período
Períodos Anteriores
Período
Períodos Anteriores
-33.325,566,64
2005
-2.100.606,93
0,00
0,00
-2.100.606,93
-35.426.173.57
2006
8.464.158,45
0,00
2.530.247,54
0,00
-32.886.926,03
2007
-145.636,45
0,00
0,00
-145.636,45
-33.032.562,48
2008
38.861.742,21
0,00
11.658.522,66
0,00
-21.374.039,82
2009
108.410.296,76
0,00
32.523.089,03
0,00
11.149.049,21
Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1158 e seguintes que demonstra a compensação de base negativa de CSLL que resulta na apuração de R$ 11.149.049,21 compensados indevidamente.
Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A
CNPJ : 60.659.463/0001-91
MPF/RPF: 08.1.11.00-2012-00023-5
Histórico da Compensação da Base Negativa CSLL
Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 1º Trimestre - Período Base: 2002
Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
25.830.162,67
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
(*) 27.726.015.05
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
7.749.048.80
03. Compensação
(*) 8.317.804,51
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
0,00
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-78.969.942,73
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-78.969.942,73
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-71.220.893.93
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-70.652.138,22
(*) Vide Obs.
Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 2º Trimestre - Período Base: 2002
Dados DIPJs Apresentadas pela Fm presa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-25.255.377,74
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-4.750.422,48
03. Compensação
03. Compensação
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-25.255.377,74
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
-4.750.422.48
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-71.220.893,93
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-70.652.138,22
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-96.476.271,67
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-75.402.560,70
Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 3º Trimestre - Período Base: 2002
Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Proeedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discrimina^'1
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
1.053.529.84
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-39.936.779,37
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
03. Compensação
316.058.95
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-39.936.779,37
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-96.476.271,67
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-75.402.560,70
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-136.413.051,04
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-75.086.501,75
Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 4º Trimestre - Período Base: 2002|
Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Apus Procedimento Fiscal |
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
35.195.267,02
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
35.195.267,02
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
10.558.580.11
03. Compensação
10.558.580,11
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
0,00
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-136.413.051,04
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-75.086.501.75
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-125.854.470,93
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-64.527.921,64
Nº da Declaração: 12801-40/ Anual - Período Base: 01/01/2003 a 01/04/2003
Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal |
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
37.570.065.45
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-9.781.634,59
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
03. Compensação
11.271.019,62
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-9.781.634,59
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-125.854.470,93
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-64.527,921,64
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-135.636.105.52
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-53.256.902,02
Nº da Declaração: 11515-67 / Anual - Período Base: 02/04/2003 a 30/08/2003
Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal |
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-25.003.988,18
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-25.003.988,18
03. Compensação
03. Compensação
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-25.003.988,18
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
-25.003.988,18
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-135.636.105,52
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-53.256.902,02
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-160.640.093,70
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-78.260.890,20
Nº da Declaração: 06021-38 / Anual - Periodo Base: 01/09/2003 a 31/12/2003
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
19.116.149,00
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-730.472.49
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
03. Compensação
8.224.336,92
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-730.472,49
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-160.640.093,70
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-78.260.890,20
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-161.370.566,19
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-70.036.553,28
Nº da Declaração: 09114-68 / Anual - Período Base: 2004
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procediinento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminacüo
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
122.369.955,50
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-3-556.417,46
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
03. Compensação
36.710.986,65
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-3.556.417,46
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0.00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-161.370.566,19
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-70.036.553.28
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-164.926.983,65
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-33.325.566,63
Nº da Declaração: 08267-86 / Anual - Periodo Base: 2005
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dadov Alterados Após Pi oeediniculo hiscai
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-2.100.606,93
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-2.100.606,93
03. Compensação
03. Compensação
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-2.100.606,93
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
-2.100.606,93
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-164.926.983,65
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-33.325.566,63
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-167.027,590,58
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-35.426.173,56
Nº da Declaração: 14779-52 / Anual - Período Base: 2006
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
8.464.158,45
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
8.464.158,45
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
2.539.247,54
03. Compensação
2.539.247,54
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
0,00
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0.00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-167.027.590,58
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-35.426.173,56
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-164.488.343,04
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-32.886.926,02
Nº da Declaração: 14297-57 / Anual - Período Base: 2007
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-145.636,45
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
-145.636,45
03. Compensação
03. Compensação
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
-145.636,45
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
-145.636,45
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-164.488.343,04
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-32.886.926,02
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-164.633.979,49
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-33.031562,47
Nº da Declaração: 17215-64 / Anual - Período Base: 2008
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
38.861.742,21
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
38.861.742.21
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
11.658.522,66
03. Compensação
ll.65S.522.66
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
0,00
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-164.633.979,49
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-33.032.562,47
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-152.975.456,83
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-21.374.039,81
Nº da Declaração: 09842-35 / Anual - Período Base: 2009
Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa
Dados Alterados Após Procedimento Fiscal
Discriminação
Valor
Discriminação
Valor
01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação
108.410.296,76
01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação
108.410.296,76
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada
03. Compensação
32.523.089.03
03. Compensação
32.523.089,03
04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base
0,00
04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base
0,00
05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior
-152.975.456,83
05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior
-21.374.039,81
06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
-120.452.367,80 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03)
11.149.049,22
O enquadramento legal indicado no auto de infração é: artigo 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/90 e 17 da lei nº 11.727/08.
A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1170, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1203/1258).
A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações:
a) Os processos administrativos 16561.000.026/2017-17 e 16561.000.028/2007-14 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF e não poderiam fundamentar a lavratura do auto de infração.
b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/2007-14 e 16561.000.026/2017-17 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF.
c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal (sic) foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/2007-72 e 16561.000.027/2007-61 e 16561.000.029/2007-51 passa-se a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos).
d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento).
(Término da transcrição do Relatório da DRJ)
A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.694, de 26 de fevereiro de 2014, julgou a impugnação procedente em parte, com destaque para a seguinte Ementa:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
APRECIAÇÃO DE PROCESSOS EM EXAME POR OUTRA UNIDADE JUDICANTE.
A apreciação de processos distribuídos a outras unidades judicantes impede reexame de mérito. Cabe apenas verificar se as decisões proferidas influenciam na base tributável que serviu de esteio à autuação que está sendo impugnada e, se for o caso, fazer os ajustes necessários para amoldá-la.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2009
GLOSA DE BASE NEGATIVA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO INDEVIDAMENTE COMPENSADA.
As alterações oriundas dos julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do saldo de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido indevidamente compensada enseja que a tributação levada a efeito sobre valores anteriores àqueles julgamentos sejam revistos e adequados aos reparos sofridos.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
A empresa apresentou Recurso Voluntário alegando os mesmos pontos trazidos na impugnação, incluindo as razões constantes nos Recurso Voluntários dos processos administrativos fiscais 16561.000.025/2007-72, 16561.000.026/2017-17, 16561.000.027/2007-61, 16561.000.028/2007-14 e 16561.000.029/2007-51, já citados como originários deste processo aqui discutido.
É o Relatório.
Voto
Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator
O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido.
Como já tratado no Relatório deste Acórdão, o referido processo trata de glosa de compensações de base de cálculo negativa de CSLL efetuadas a maior, por reflexo de recomposição da referida base de cálculo negativa de CSLL decorrente de lançamentos tributários em outros processos administrativos fiscais, que reproduzo novamente abaixo para melhor elucidação:
16561.000.025/2007-72 (IRPJ-CSLL)
16561.000.026/2007-17 (IRPJ-CSLL)
16561.000.027/2007-61 (IRPJ-CSLL-PIS-Cofins)
16561.000.028/2007-14 (CSLL)
16561.000.029/2007-51 (CSLL)
Em sendo assim, foi preciso verificar se tais processos principais, por assim dizer, já foram julgados administrativamente de forma definitiva.
Em análise, posso constatar que o processo nº 16561.000025/2007-72 ainda está pendente de apreciação por este Egrégio Carf, o que me leva a concluir que este processo de nº nº 16095.720099/2013-11 ainda não reúne condições de ser votado.
Isto porque o processo de origem (16561.000025/2007-72) contempla matérias que podem alterar a base de lançamento do auto de infração que faz parte deste processo administrativo fiscal.
Veja, conforme tela extraída do e-processo, que foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional, que, diga-se, foi admitido pelo Carf, assim como foi interposto Recurso Especial pela empresa ora autuada, que ainda pende de análise de sua admissibilidade.
Nesse sentido, proponho o SOBRESTAMENTO deste processo administrativo fiscal até que seja julgado em definitivo o processo nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.694, de 26 de fevereiro de 2014. O referido processo trata de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente de compensação de base de cálculo negativa de CSLL efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009. A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou base de cálculo negativa de CSLL constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009. Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1: (Início da transcrição do Relatório da DRJ) Trata o presente processo de Auto de Infração de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no valor principal de R$ 1.003.414,43, multa proporcional de 75% no valor de R$ 752.560,82 e juros de mora no valor de R$ 339.254,42 calculados até setembro de 2013. A descrição dos fatos menciona que houve compensação indevida de base negativa de CSLL de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente no valor de R$ 11.149.049,22 no ano calendário de 2009 e remete para demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e inidissociáveis (sic) do auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1148 a 1151) menciona, em síntese, que: 1. Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL. 2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos: 16561.000.025/2007-72 (IRPJ-CSLL) 16561.000.026/2007-17 (IRPJ-CSLL) 16561.000.027/2007-61 (IRPJ-CSLL-PIS-Cofins) 16561.000.028/2007-14 (CSLL) 16561.000.029/2007-51 (CSLL) 3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR. 4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados. 5 Concluímos que são indevidas as compensações integrais, 30% do valor apurado de prejuízos fiscais e/ou bases de cálculo negativas de CSLL informadas pelo contribuinte na DIPJ a título de compensações de períodos anteriores, que serão objeto de glosa com conseqüente apuração de novas bases de cálculo para determinação dos valores devidos de IRPJ, adicional dese imposto e da CSLL para o ano-calendário de 2009 6 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 11.149.049,22 referentes à glosa parcial de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL.. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ ano-calendário 2009, como compensação da base negativa de CSLL de período anterior (linha 59), equivalente a 30% de R$ 108.410.296,76 base de cálculo antes da compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores (linha 58). 7 A diferença de cálculo de IRPJ será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator) As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1157/1162. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 11.149.049,22 sobre o qual foi lançado a CSLL IRPJ de ofício: Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A CNPJ :60.659.463/0001-91 MPF/RPF : 08.l.11.00-2012-00023-5 Demonstrativo Utilização de Bases Negativas CSLL após Acórdãos - CARF Proeesso n° 16561.000025/2007-72 - Pendente de Acórdão - CARF, Mantido Acórdão - DRJ Comp Periodo e Saldo Periodo e Período DIPJ - Comp Vr CSLL Apurada Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Periodos Ant Periodos Ant -78.969.942,73 ()3/2002 7.749.048,80 9.817.697,59 9.257.458,12 560.239,47 168.071,84 -71.052.822,09 06/2002 0,00 20.504.955,26 0,00 20.504.955,26 0,00 -75.803.244,57 09/2002 0,00 40.990.309,21 0.00 40.990.309,21 40.252.838,32 -75.487.185,62 4°Trim/2002 10.558.580,11 0,00 0,00 0,00 10.558.580,11 -64.928.605,51 04/2003 0,00 54.690.236,86 7.338.536,86 47.351.700,00 21.052.654,21 -53.657.585,89 Proeesso n° 16561.000029/2007-51 - Acórdão n° 1301-00.059 (Provimento Parcial ao Recurso) Comp Periodo e Saldo Período e Período DIPJ - Comp Vr CSLL Apurada Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Periodos Ant Periodos Ant -71.897.075.34 2001 -7.072.867,39 9.715.756,44 9.715.756.44 0,00 0,00 -78.969.942,74 03/2002 25.830.162,67 1.335.612,91 0,00 1.335.612,91 400.683,87 -70.652.138,23 06/2002 -25.255.377,74 1.890.898.40 1.890.898,40 0,00 0,00 -75.402.560,71 09/2002 -39.936.779.37 1.826.401.25 1.826.401,25 0,00 0.00 -75.086.501,76 4°Trim/2002 35.195.267.02 0,00 0,00 0,00 0,0! 1 -64.527.921,65 04/2003 -9.781.634,59 363.399,02 363.399,02 0,00 0,00 -53.256.902.03 Processo n° 16561.000026/2007-17 - Acórdão nº 1301-00.057 (Negado Provimento ao Recurso) Período Vr - DIPJ Vr CSLL Apurada Vr Exonerado VrCSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior 08/2003 -25.003.988,18 9.145.759,70 9.145.759,70 0,00 0,00 -53.256.902,03 Proeesso n° 16561.000028/2007-14 - Acórdão n° 1103-00.284 (Provimento ao Recurso) Período Vr - DIPJ Vr CSLL Apurada Vr Exonerado VrCSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior 08/2003 -25.003.9S8,18 2.811.288,17 2.811.288,17 0,00 0,00 -53.256.902,03 Processo 16561.000027/2007-61 - Acórdãonº 1301-00.058 (Provimento Parda! a» Recorro) Período DIPJ - Comp VrCSI.L Apurada | Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior -78.260.890,21 12/2003 0,00 20.179.231,61 1.063.082,61 19.116,149,00 8.224.336,92 -70.036,553,29 12/2004 0,00 122.416,205,50 46.250,00 122.369.955,50 36.710.080,65 -33.325.566,64 Períodos Posteriores ao Procedimento Fiscal Base Negativa CSLL Saldo de Base Negativa Utilizada pelo Contribuinte CSLL Período Valor - DIPJ Período Períodos Anteriores Período Períodos Anteriores -33.325,566,64 2005 -2.100.606,93 0,00 0,00 -2.100.606,93 -35.426.173.57 2006 8.464.158,45 0,00 2.530.247,54 0,00 -32.886.926,03 2007 -145.636,45 0,00 0,00 -145.636,45 -33.032.562,48 2008 38.861.742,21 0,00 11.658.522,66 0,00 -21.374.039,82 2009 108.410.296,76 0,00 32.523.089,03 0,00 11.149.049,21 Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1158 e seguintes que demonstra a compensação de base negativa de CSLL que resulta na apuração de R$ 11.149.049,21 compensados indevidamente. Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A CNPJ : 60.659.463/0001-91 MPF/RPF: 08.1.11.00-2012-00023-5 Histórico da Compensação da Base Negativa CSLL Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 1º Trimestre - Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 25.830.162,67 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação (*) 27.726.015.05 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 7.749.048.80 03. Compensação (*) 8.317.804,51 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -78.969.942,73 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -78.969.942,73 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -71.220.893.93 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -70.652.138,22 (*) Vide Obs. Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 2º Trimestre - Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Fm presa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -25.255.377,74 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -4.750.422,48 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -25.255.377,74 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base -4.750.422.48 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -71.220.893,93 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -70.652.138,22 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -96.476.271,67 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -75.402.560,70 Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 3º Trimestre - Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Proeedimento Fiscal Discriminação Valor Discrimina^'1 Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 1.053.529.84 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -39.936.779,37 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 316.058.95 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -39.936.779,37 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -96.476.271,67 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -75.402.560,70 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -136.413.051,04 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -75.086.501,75 Nº da Declaração: 00527-12/Trimestral - 4º Trimestre - Período Base: 2002| Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Apus Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 35.195.267,02 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 35.195.267,02 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 10.558.580.11 03. Compensação 10.558.580,11 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -136.413.051,04 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -75.086.501.75 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -125.854.470,93 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -64.527.921,64 Nº da Declaração: 12801-40/ Anual - Período Base: 01/01/2003 a 01/04/2003 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 37.570.065.45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -9.781.634,59 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 11.271.019,62 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -9.781.634,59 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -125.854.470,93 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -64.527,921,64 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -135.636.105.52 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -53.256.902,02 Nº da Declaração: 11515-67 / Anual - Período Base: 02/04/2003 a 30/08/2003 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -25.003.988,18 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -25.003.988,18 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -25.003.988,18 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base -25.003.988,18 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -135.636.105,52 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -53.256.902,02 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -160.640.093,70 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -78.260.890,20 Nº da Declaração: 06021-38 / Anual - Periodo Base: 01/09/2003 a 31/12/2003 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 19.116.149,00 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -730.472.49 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 8.224.336,92 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -730.472,49 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -160.640.093,70 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -78.260.890,20 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -161.370.566,19 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -70.036.553,28 Nº da Declaração: 09114-68 / Anual - Período Base: 2004 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procediinento Fiscal Discriminação Valor Discriminacüo Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 122.369.955,50 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -3-556.417,46 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 36.710.986,65 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -3.556.417,46 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0.00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -161.370.566,19 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -70.036.553.28 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -164.926.983,65 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -33.325.566,63 Nº da Declaração: 08267-86 / Anual - Periodo Base: 2005 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dadov Alterados Após Pi oeediniculo hiscai Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -2.100.606,93 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -2.100.606,93 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -2.100.606,93 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base -2.100.606,93 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -164.926.983,65 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -33.325.566,63 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -167.027,590,58 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -35.426.173,56 Nº da Declaração: 14779-52 / Anual - Período Base: 2006 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 8.464.158,45 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 8.464.158,45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 2.539.247,54 03. Compensação 2.539.247,54 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0.00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -167.027.590,58 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -35.426.173,56 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -164.488.343,04 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -32.886.926,02 Nº da Declaração: 14297-57 / Anual - Período Base: 2007 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -145.636,45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada -145.636,45 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base -145.636,45 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base -145.636,45 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -164.488.343,04 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -32.886.926,02 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -164.633.979,49 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -33.031562,47 Nº da Declaração: 17215-64 / Anual - Período Base: 2008 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 38.861.742,21 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 38.861.742.21 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 11.658.522,66 03. Compensação ll.65S.522.66 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -164.633.979,49 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -33.032.562,47 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -152.975.456,83 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -21.374.039,81 Nº da Declaração: 09842-35 / Anual - Período Base: 2009 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 108.410.296,76 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 108.410.296,76 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 32.523.089.03 03. Compensação 32.523.089,03 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar Período-Base 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar Período-Base 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar Período-Base Anterior -152.975.456,83 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar Pcríodu-Base Anterior -21.374.039,81 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) -120.452.367,80 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+05-03) 11.149.049,22 O enquadramento legal indicado no auto de infração é: artigo 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/90 e 17 da lei nº 11.727/08. A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1170, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1203/1258). A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações: a) Os processos administrativos 16561.000.026/2017-17 e 16561.000.028/2007-14 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF e não poderiam fundamentar a lavratura do auto de infração. b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/2007-14 e 16561.000.026/2017-17 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF. c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal (sic) foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/2007-72 e 16561.000.027/2007-61 e 16561.000.029/2007-51 passa-se a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos). d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento). (Término da transcrição do Relatório da DRJ) A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.694, de 26 de fevereiro de 2014, julgou a impugnação procedente em parte, com destaque para a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 APRECIAÇÃO DE PROCESSOS EM EXAME POR OUTRA UNIDADE JUDICANTE. A apreciação de processos distribuídos a outras unidades judicantes impede reexame de mérito. Cabe apenas verificar se as decisões proferidas influenciam na base tributável que serviu de esteio à autuação que está sendo impugnada e, se for o caso, fazer os ajustes necessários para amoldá-la. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2009 GLOSA DE BASE NEGATIVA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO INDEVIDAMENTE COMPENSADA. As alterações oriundas dos julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do saldo de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido indevidamente compensada enseja que a tributação levada a efeito sobre valores anteriores àqueles julgamentos sejam revistos e adequados aos reparos sofridos. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A empresa apresentou Recurso Voluntário alegando os mesmos pontos trazidos na impugnação, incluindo as razões constantes nos Recurso Voluntários dos processos administrativos fiscais 16561.000.025/2007-72, 16561.000.026/2017-17, 16561.000.027/2007-61, 16561.000.028/2007-14 e 16561.000.029/2007-51, já citados como originários deste processo aqui discutido. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido. Como já tratado no Relatório deste Acórdão, o referido processo trata de glosa de compensações de base de cálculo negativa de CSLL efetuadas a maior, por reflexo de recomposição da referida base de cálculo negativa de CSLL decorrente de lançamentos tributários em outros processos administrativos fiscais, que reproduzo novamente abaixo para melhor elucidação: 16561.000.025/2007-72 (IRPJ-CSLL) 16561.000.026/2007-17 (IRPJ-CSLL) 16561.000.027/2007-61 (IRPJ-CSLL-PIS-Cofins) 16561.000.028/2007-14 (CSLL) 16561.000.029/2007-51 (CSLL) Em sendo assim, foi preciso verificar se tais processos principais, por assim dizer, já foram julgados administrativamente de forma definitiva. Em análise, posso constatar que o processo nº 16561.000025/2007-72 ainda está pendente de apreciação por este Egrégio Carf, o que me leva a concluir que este processo de nº nº 16095.720099/2013-11 ainda não reúne condições de ser votado. Isto porque o processo de origem (16561.000025/2007-72) contempla matérias que podem alterar a base de lançamento do auto de infração que faz parte deste processo administrativo fiscal. Veja, conforme tela extraída do e-processo, que foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional, que, diga-se, foi admitido pelo Carf, assim como foi interposto Recurso Especial pela empresa ora autuada, que ainda pende de análise de sua admissibilidade. Nesse sentido, proponho o SOBRESTAMENTO deste processo administrativo fiscal até que seja julgado em definitivo o processo nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.694, de 26 de fevereiro de 2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 09 9/ 20 13 -1 1 Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.962 2 O referido processo trata de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente de compensação de base de cálculo negativa de CSLL efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009. A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou base de cálculo negativa de CSLL constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009. Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1: (Início da transcrição do Relatório da DRJ) Trata o presente processo de Auto de Infração de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no valor principal de R$ 1.003.414,43, multa proporcional de 75% no valor de R$ 752.560,82 e juros de mora no valor de R$ 339.254,42 calculados até setembro de 2013. A descrição dos fatos menciona que houve compensação indevida de base negativa de CSLL de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente no valor de R$ 11.149.049,22 no ano calendário de 2009 e remete para demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e inidissociáveis (sic) do auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1148 a 1151) menciona, em síntese, que: 1. “Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal – MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL. 2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) • 16561.000.028/200714 – (CSLL) • 16561.000.029/200751 – (CSLL) 3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR. Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.963 3 4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha “Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão – DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.” 5 Concluímos que são indevidas as compensações integrais, 30% do valor apurado de prejuízos fiscais e/ou bases de cálculo negativas de CSLL informadas pelo contribuinte na DIPJ a título de compensações de períodos anteriores, que serão objeto de glosa com conseqüente apuração de novas bases de cálculo para determinação dos valores devidos de IRPJ, adicional dese imposto e da CSLL para o ano calendário de 2009 6 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 11.149.049,22 referentes à glosa parcial de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL.. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ anocalendário 2009, como compensação da base negativa de CSLL de período anterior (linha 59), equivalente a 30% de R$ 108.410.296,76 – base de cálculo antes da compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores (linha 58). 7 A diferença de cálculo de IRPJ será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator) As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1157/1162. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 11.149.049,22 sobre o qual foi lançado a CSLL IRPJ de ofício: Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A CNPJ :60.659.463/000191 MPF/RPF : 08.l.11.002012000235 Demonstrativo Utilização de Bases Negativas CSLL após Acórdãos CARF Proeesso n° 16561.000025/200772 Pendente de Acórdão CARF, Mantido Acórdão DRJ Comp Periodo e Saldo Periodo e Período DIPJ Comp Vr CSLL Apurada Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Periodos Ant Periodos Ant 78.969.942,73 ()3/2002 7.749.048,80 9.817.697,59 9.257.458,12 560.239,47 168.071,84 71.052.822,09 06/2002 0,00 20.504.955,26 0,00 20.504.955,26 0,00 75.803.244,57 09/2002 0,00 40.990.309,21 0.00 40.990.309,21 40.252.838,32 75.487.185,62 4°Trim/2002 10.558.580,11 0,00 0,00 0,00 10.558.580,11 64.928.605,51 04/2003 0,00 54.690.236,86 7.338.536,86 47.351.700,00 21.052.654,21 53.657.585,89 Proeesso n° 16561.000029/200751 Acórdão n° 130100.059 (Provimento Parcial ao Recurso) Comp Periodo e Saldo Período e Período DIPJ Comp Vr CSLL Apurada Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Periodos Ant Periodos Ant 71.897.075.34 2001 7.072.867,39 9.715.756,44 9.715.756.44 0,00 0,00 78.969.942,74 03/2002 25.830.162,67 1.335.612,91 0,00 1.335.612,91 400.683,87 70.652.138,23 06/2002 25.255.377,74 1.890.898.40 1.890.898,40 0,00 0,00 75.402.560,71 09/2002 39.936.779.37 1.826.401.25 1.826.401,25 0,00 0.00 75.086.501,76 4°Trim/2002 35.195.267.02 0,00 0,00 0,00 0,0! 1 64.527.921,65 04/2003 9.781.634,59 363.399,02 363.399,02 0,00 0,00 53.256.902.03 Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.964 4 Processo n° 16561.000026/200717 Acórdão nº 130100.057 (Negado Provimento ao Recurso) Período Vr DIPJ Vr CSLL Apurada Vr Exonerado VrCSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior 08/2003 25.003.988,18 9.145.759,70 9.145.759,70 0,00 0,00 53.256.902,03 Proeesso n° 16561.000028/200714 Acórdão n° 110300.284 (Provimento ao Recurso) Período Vr DIPJ Vr CSLL Apurada Vr Exonerado VrCSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior 08/2003 25.003.9S8,18 2.811.288,17 2.811.288,17 0,00 0,00 53.256.902,03 Processo 16561.000027/200761 Acórdãonº 130100.058 (Provimento Parda! a» Recorro) Período DIPJ Comp VrCSI.L Apurada | Vr Exonerado Vr CSLL Corrig Comp Per/Per Ant Saldo Per Anterior 78.260.890,21 12/2003 0,00 20.179.231,61 1.063.082,61 19.116,149,00 8.224.336,92 70.036,553,29 12/2004 0,00 122.416,205,50 46.250,00 122.369.955,50 36.710.080,65 33.325.566,64 Períodos Posteriores ao Procedimento Fiscal Base Negativa CSLL Saldo de Base Negativa Utilizada pelo Contribuinte CSLL Período Valor DIPJ Período Períodos Anteriores Período Períodos Anteriores 33.325,566,64 2005 2.100.606,93 0,00 0,00 2.100.606,93 35.426.173.57 2006 8.464.158,45 0,00 2.530.247,54 0,00 32.886.926,03 2007 145.636,45 0,00 0,00 145.636,45 33.032.562,48 2008 38.861.742,21 0,00 11.658.522,66 0,00 21.374.039,82 2009 108.410.296,76 0,00 32.523.089,03 0,00 11.149.049,21 Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1158 e seguintes que demonstra a compensação de base negativa de CSLL que resulta na apuração de R$ 11.149.049,21 compensados indevidamente. Empresa : ACHE LABORATORIOS FARMACÊUTICOS S/A CNPJ : 60.659.463/000191 MPF/RPF: 08.1.11.002012000235 Histórico da Compensação da Base Negativa CSLL Nº da Declaração: 0052712/Trimestral 1º Trimestre Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 25.830.162,67 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação (*) 27.726.015.05 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 7.749.048.80 03. Compensação (*) 8.317.804,51 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 78.969.942,73 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 78.969.942,73 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 71.220.893.93 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 70.652.138,22 (*) Vide Obs. Nº da Declaração: 0052712/Trimestral 2º Trimestre Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Fm presa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 25.255.377,74 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 4.750.422,48 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 25.255.377,74 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 4.750.422.48 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 71.220.893,93 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 70.652.138,22 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 96.476.271,67 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 75.402.560,70 Nº da Declaração: 0052712/Trimestral 3º Trimestre Período Base: 2002 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Proeedimento Fiscal Discriminação Valor Discrimina^'1 Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 1.053.529.84 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 39.936.779,37 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 316.058.95 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 39.936.779,37 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 96.476.271,67 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 75.402.560,70 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 136.413.051,04 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 75.086.501,75 Nº da Declaração: 0052712/Trimestral 4º Trimestre Período Base: 2002| Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Apus Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 35.195.267,02 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 35.195.267,02 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 10.558.580.11 03. Compensação 10.558.580,11 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.965 5 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 136.413.051,04 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 75.086.501.75 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 125.854.470,93 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 64.527.921,64 Nº da Declaração: 1280140/ Anual Período Base: 01/01/2003 a 01/04/2003 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 37.570.065.45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 9.781.634,59 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 11.271.019,62 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 9.781.634,59 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 125.854.470,93 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 64.527,921,64 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 135.636.105.52 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 53.256.902,02 Nº da Declaração: 1151567 / Anual Período Base: 02/04/2003 a 30/08/2003 Dados DIPJs Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal | Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 25.003.988,18 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 25.003.988,18 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 25.003.988,18 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 25.003.988,18 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 135.636.105,52 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 53.256.902,02 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 160.640.093,70 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 78.260.890,20 Nº da Declaração: 0602138 / Anual Periodo Base: 01/09/2003 a 31/12/2003 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 19.116.149,00 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 730.472.49 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 8.224.336,92 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 730.472,49 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 160.640.093,70 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 78.260.890,20 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 161.370.566,19 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 70.036.553,28 Nº da Declaração: 0911468 / Anual Período Base: 2004 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procediinento Fiscal Discriminação Valor Discriminacüo Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 122.369.955,50 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 3556.417,46 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 03. Compensação 36.710.986,65 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 3.556.417,46 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0.00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 161.370.566,19 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 70.036.553.28 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 164.926.983,65 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 33.325.566,63 Nº da Declaração: 0826786 / Anual Periodo Base: 2005 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dadov Alterados Após Pi oeediniculo hiscai Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 2.100.606,93 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 2.100.606,93 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 2.100.606,93 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 2.100.606,93 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 164.926.983,65 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 33.325.566,63 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 167.027,590,58 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 35.426.173,56 Nº da Declaração: 1477952 / Anual Período Base: 2006 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 8.464.158,45 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 8.464.158,45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 2.539.247,54 03. Compensação 2.539.247,54 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0.00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 167.027.590,58 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 35.426.173,56 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 164.488.343,04 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 32.886.926,02 Nº da Declaração: 1429757 / Anual Período Base: 2007 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 145.636,45 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 145.636,45 03. Compensação 03. Compensação 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 145.636,45 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 145.636,45 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 164.488.343,04 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 32.886.926,02 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 164.633.979,49 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 33.031562,47 Nº da Declaração: 1721564 / Anual Período Base: 2008 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 38.861.742,21 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 38.861.742.21 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 11.658.522,66 03. Compensação ll.65S.522.66 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 164.633.979,49 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 33.032.562,47 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 152.975.456,83 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 21.374.039,81 Nº da Declaração: 0984235 / Anual Período Base: 2009 Dados DIPJ's Apresentadas pela Empresa Dados Alterados Após Procedimento Fiscal Discriminação Valor Discriminação Valor 01. Base de Calculo da CSLL antes da Compensação 108.410.296,76 01. Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação 108.410.296,76 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 02. Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada 03. Compensação 32.523.089.03 03. Compensação 32.523.089,03 04. Saldo de B. Calculo Ncg. a Compensar PeríodoBase 0,00 04. Saldo de B. Cálculo Neg. a Compensar PeríodoBase 0,00 05. Saldo dc B.C. Neg, a Compensar PeríodoBase Anterior 152.975.456,83 05. Saldo dc B.C. Neg. a Compensar PcríoduBase Anterior 21.374.039,81 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 120.452.367,80 06. Saldo de B.C. Neg. a Compensar Acumulado (04+0503) 11.149.049,22 Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.966 6 O enquadramento legal indicado no auto de infração é: artigo 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/90 e 17 da lei nº 11.727/08. A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1170, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1203/1258). A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações: a) Os processos administrativos 16561.000.026/201717 e 16561.000.028/200714 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF e não poderiam fundamentar a lavratura do auto de infração. b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/200714 e 16561.000.026/201717 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF. c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal (sic) foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/200772 e 16561.000.027/200761 e 16561.000.029/200751 passase a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos). d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento). (Término da transcrição do Relatório da DRJ) A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.694, de 26 de fevereiro de 2014, julgou a impugnação procedente em parte, com destaque para a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 APRECIAÇÃO DE PROCESSOS EM EXAME POR OUTRA UNIDADE JUDICANTE. A apreciação de processos distribuídos a outras unidades judicantes impede reexame de mérito. Cabe apenas verificar se as decisões proferidas influenciam na base tributável que serviu de esteio à autuação que está sendo impugnada e, se for o caso, fazer os ajustes necessários para amoldála. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.967 7 Anocalendário: 2009 GLOSA DE BASE NEGATIVA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO INDEVIDAMENTE COMPENSADA. As alterações oriundas dos julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do saldo de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido indevidamente compensada enseja que a tributação levada a efeito sobre valores anteriores àqueles julgamentos sejam revistos e adequados aos reparos sofridos. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A empresa apresentou Recurso Voluntário alegando os mesmos pontos trazidos na impugnação, incluindo as razões constantes nos Recurso Voluntários dos processos administrativos fiscais 16561.000.025/200772, 16561.000.026/201717, 16561.000.027/2007 61, 16561.000.028/200714 e 16561.000.029/200751, já citados como originários deste processo aqui discutido. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido. Como já tratado no Relatório deste Acórdão, o referido processo trata de glosa de compensações de base de cálculo negativa de CSLL efetuadas a maior, por reflexo de recomposição da referida base de cálculo negativa de CSLL decorrente de lançamentos tributários em outros processos administrativos fiscais, que reproduzo novamente abaixo para melhor elucidação: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.968 8 • 16561.000.028/200714 – (CSLL) • 16561.000.029/200751 – (CSLL) Em sendo assim, foi preciso verificar se tais processos principais, por assim dizer, já foram julgados administrativamente de forma definitiva. Em análise, posso constatar que o processo nº 16561.000025/200772 ainda está pendente de apreciação por este Egrégio Carf, o que me leva a concluir que este processo de nº nº 16095.720099/201311 ainda não reúne condições de ser votado. Isto porque o processo de origem (16561.000025/200772) contempla matérias que podem alterar a base de lançamento do auto de infração que faz parte deste processo administrativo fiscal. Veja, conforme tela extraída do eprocesso, que foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional, que, digase, foi admitido pelo Carf, assim como foi interposto Recurso Especial pela empresa ora autuada, que ainda pende de análise de sua admissibilidade. Nesse sentido, proponho o SOBRESTAMENTO deste processo administrativo fiscal até que seja julgado em definitivo o processo nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 16095.720099/201311 Resolução nº 1401000.447 S1C4T1 Fl. 1.969 9 Fl. 1970DF CARF MF
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