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Numero do processo: 10410.722323/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/05/2007, 30/06/2007
CESSÃO DE PRECATÓRIOS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL.
A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente.
Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte.
ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA. EXCLUSÃO.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente. Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte. ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA. EXCLUSÃO. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 23 23 /2 01 1- 41 Fl. 104DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 81/83) apresentado em face do Acórdão nº 0955.414 (fls. 67/76), da 6ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à impugnação (fls. 36/38) apresentada pelo sujeito passivo a auto de infração (fls. 3/11) pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF tendo por base de cálculo ganho de capital apurado na cessão de precatórios. De acordo com o auto de infração, a contribuinte teria omitido ganho de capital na alienação de precatórios de ação judicial com trânsito em julgado. As operações de alienação que deram origem ao lançamento foram assim descritas pela autoridade fiscal: 1) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 325.000,00, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 35.750,00, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 79.018,56, Termo de Quitação de 10/05/2007, da quantia líquida de R$ 210.231,44 (valor de alienação); 2) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 484.390,16, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 53.282,92, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 118.029,30, Termo de Quitação de 12/06/2007, da quantia líquida de R$ 313.077,94 (valor de alienação) A fiscalização considerou apenas o valor líquido recebido pela cedente e atribuiu ao custo de aquisição valor zero, em razão do que foi considerado como ganho de capital sujeito à tributação o valor efetivamente recebido por ela. O lançamento foi impugnado (fls. 36/38), o que deu origem ao Acórdão nº 09.55.414 (fls. 67/76), da 6ª Turma da DRJ/JFA, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 105 3 Data do fato gerador: 31/05/2007, 30/06/2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se configurando nem uma circunstância nem outra, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO. A diferença positiva entre o valor de alienação (valor líquido recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório) e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (igual a zero na cessão original) não integra a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do cedente (contribuinte), devendo ser tributada em separado, à alíquota de 15%. CESSÃO DE DIREITOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativos ao precatório no momento em que for quitado pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Não obstante, por não constituir ônus do cessionário nem do cedente, o imposto sobre a renda retido na fonte não integra a base de cálculo do ganho de capital e não é passível de compensação ou dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O documento de fl. 79 contém carimbo da agência dos Correios com data de 24/11/2014, o que autoriza presumir a tempestividade do recurso voluntário protocolado em 24/12/2014 (fls. 81/83). Em suas razões de recorrer, a contribuinte alega, em síntese, que: 1. O auto de infração não é claro quanto à infração que foi cometida pela recorrente, pois reconheceu que o IRPF foi pago; 2. A recorrente está discutindo judicialmente o imposto que foi pago, já que houve retenção de 27,5% quando o correto seria de 15%; 3. Para a presente discussão administrativa, o que importa efetivamente é o fato de que o imposto de renda foi pago, o que foi reconhecido pela auditora fiscal que Fl. 106DF CARF MF 4 reconhece o pagamento, uma vez que a contribuinte apresentou os DAR de recolhimento do IRPF aos cofres estaduais; 4. Na hipótese em questão, estaria havendo bis in idem em prejuízo da contribuinte. Com base no exposto, e reafirmando a existência de IRPF pago a maior no exercício de 2008, pede a nulidade do lançamento fiscal. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O processo em análise decorre de lançamento que teria por base de cálculo ganho de capital na cessão de direitos representados por precatórios judiciais. A repercussão tributária de operações dessa natureza tem gerado diversas controvérsias e constitui matéria que, certamente, não se encontra pacificada. A despeito disso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, a questão tem sido tratada a luz do que determina o Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000, de onde se transcreve o que segue: Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000 … 9. A essência da discussão consiste em se definir qual o tratamento tributário a ser dado na cessão de direitos sobre precatórios recebidos da Fazenda pública decorrentes de ações judiciais que discutiam questões laborais. … 12. O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, sendo que, em relação às pessoas físicas, no regime de retenção na fonte, essa disponibilidade ocorre quando do pagamento do rendimento. 13. O Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) estabelece em seu art. 123 que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública no que se refere à responsabilidade tributária, ou seja, os particulares podem pactuar o que desejarem desde que não deixem de pagar os tributos decorrentes. 14. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do título configurará ganho de capital e estará sujeita ao imposto de renda, como dispõem os arts. 1º a 3º e 16 da Lei nº Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 106 5 7.713, de dezembro de 1988, com as alterações dadas pelos arts. 2º e 18 da Lei nº 8.134, 27 de dezembro de 1990, 52 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro 1991, e 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, in verbis : (...) 15. Dirimida a forma de tributação, restanos esclarecer pontos específicos relativos à obrigação de cada um dos envolvidos no negócio jurídico da cessão de direitos sobre o precatório, quais sejam o cedente, o cessionário e a fonte pagadora (Fazenda Pública). 16. Quanto à pessoa do cedente, os ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos, representados no caso pelos precatórios decorrentes de ações judiciais, estão sujeitos ao imposto de renda. 16.1. O valor de alienação será o valor recebido do cessionário, e o custo de aquisição será igual a zero, já que não há valor pago pelo precatório e nem há a possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de aquisição de que tratam os incisos I a V do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, art. 16, § 4º). 16.2. O ganho de capital será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). 16.3. O demonstrativo de apuração do ganho de capital deverá ser juntado à declaração do cedente, e o valor do ganho de capital, menos o imposto pago, será informado na declaração, no campo de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. 17. Quanto à pessoa do cessionário, este subrogase no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito (Código Civil Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, arts. 986, 987, 1065 e 1066). 17.1. No momento da homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário, este apurará igualmente o ganho de capital decorrente desta operação, considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções previstas em lei e o custo de aquisição será o montante pago ao cedente quando da cessão de direitos. (...) 18. Quanto à fonte pagadora (Fazenda Pública), o crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, Fl. 108DF CARF MF 6 assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pela Fazenda Pública. 18.1. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto de renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal a homologação da compensação do precatório com débitos do cessionário para com a Fazenda Pública. De acordo com esse ato, o cessionário (aquele que adquire o crédito) subrogase no crédito do cedente e para ele são transferidos todos os direitos, inclusive os acessórios. A partir do que é imposto pelo art. 123 do Código Tributário Nacional, de que convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública, o cálculo do imposto de renda é efetuado como se o pagamento fosse realizado para o cedente credor originário , contudo, tendo este transferido ao cessionário todos os direitos ligados ao crédito cedido, não poderá mais utilizar esse imposto de renda retido na fonte em sua declaração. O cedente deverá tributar o valor recebido do cessionário como ganho de capital. Pois bem! Em uma análise superficial dos fatos poderseia pensar que o que está a se discutir neste processo é se o imposto de renda retido pela fazenda pública ao quitar o precatório poderia ser utilizado pelo cedente para abater o valor devido a título de imposto de renda em função do ganho de capital apurado. Esta possibilidade é afastada totalmente pelo Parecer Normativo acima transcrito, com o qual concordo plenamente, já que os direitos que decorreriam do precatório foram totalmente transferidos pelo cedente, cabendo a este considerar esse fator ao avaliar a conveniência do negócio realizado. A despeito disso, pareceme que não é disso que trata esse processo. Com efeito, esse equívoco em relação aos fatos decorre da documentação que foi apresentada e que se encontra juntada ao processo a fl. 26. Esse documento constitui comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte do anocalendário 2007 em valor equivalente ao valor bruto cobrado pelos precatórios cedidos (R$ 325.000,00 + 484.390,16 = R$ 809.390,16), e apresenta como fonte pagadora a Secretaria de Estado da Fazenda. Ocorre que este documento está mal formulado e induz a erro, já que não foi a Secretaria de Estado da Fazenda quem comprou os precatórios e sim a empresa Telemar Norte Leste S/A, quem, presumese, pagou por eles e seria a fonte pagadora da importância relativa ao preço negociado. Além do equívoco na identificação da fonte pagadora, há um erro mais grave: esta suposta retenção de imposto de renda na fonte não tem amparo na legislação tributária federal. Na verdade, ela decorre da Instrução Normativa SF nº 3, de 16 de agosto de 2004, do Secretário Executivo da Fazenda de Alagoas que determina, em seu artigo primeiro: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 107 7 Art. 1º O imposto de Renda Retido na Fonte incidente nos rendimentos decorrentes de créditos representados por precatórios pendentes, e créditos oriundos de sentenças judiciais transitadas em julgado, em conformidade com a Lei nº 6.410 de 24 de outubro de 2003 e o Decreto nº 1.738, de 19 de dezembro e 2003, deverá ser recolhido diretamente na Conta Única do Estado de Alagoas, através de Documento de Arrecadação DAR , com o Código de Receita 87718. Assim, a retenção efetuada é decorrência de normas da legislação estadual que determinam a incorporação dos valores ao caixa do Estado através de documentos de arrecadação próprio. Quanto à possibilidade de os Estados legislarem sobre imposto de renda, destaco a ementa do Parecer Normativo SRF nº 2, de 18 de maio de 2012: Ementa: Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. imposto sobre a renda retido na fonte. Competência legislativa. A competência atribuída à União para instituir o Imposto sobre a Renda, nos termos do inciso III do art. 153 da Constituição Federal, confere a essa pessoa política, em caráter exclusivo, o poder de legislar sobre o referido imposto. Embora a Constituição Federal, no inciso I do art. 157 e no inciso I do art. 158, destine aos estados, Distrito Federal e municípios o produto da arrecadação do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre rendimentos pagos a qualquer título, estes não têm competência para legislar sobre hipóteses de incidência, restringindose sua atividade à aplicação da legislação federal que disciplina o referido imposto. A sistemática criada pelo Estado de Alagoas destoa totalmente do regime de tributação que seria aplicável à espécie e do qual foi dada ampla publicidade através do Parecer SRF/Cosit nº 26, de 2000, que foi parcialmente transcrito no início deste voto. Portanto, a retenção sofrida pela recorrente, embora tenha sido designada como "retenção de imposto de renda", de imposto de renda não se trata. A uma porque não há previsão na legislação tributária federal estabelecendo essa retenção. A duas porque o valor não foi recolhido aos cofres da União como seria de se esperar. A conclusão é que esse ônus imputado à recorrente pelo Estado de Alagoas e que somente a este beneficiou, não pode ser oposto à União, quando legitimamente exige o tributo que lhe é devido a partir da aplicação da legislação tributária que institui no exercício de sua competência exclusiva. Estabelecidas essas premissas, passo à análise das razões recursais, na ordem em que foram sumariadas no relatório. Nulidade Inicialmente, alega a apelante que o auto de infração não é claro quanto à infração que foi cometida por ela, pois reconheceu que o IRPF foi pago. Fl. 110DF CARF MF 8 Quanto a esse aspecto, transcrevo do "Termo de Encerramento" do auto de infração, a seguinte a descrição dos fatos que deram origem ao lançamento: Omissão de ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos creditórios, decorrentes de precatórios de ações judiciais, com trânsito em julgado, conforme documentos apresentados pelo contribuinte em atendimento à Notificação de Lançamento nº 2008/004172377983822, a seguir relacionados: 1) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 325.000,00, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 35.750,00, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 79.018,56, Termo de Quitação de 10/05/2007, da quantia líquida de R$ 210.231,44 (valor de alienação); 2) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 484.390,16, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 53.282,92, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 118.029,30, Termo de Quitação de 12/06/2007, da quantia líquida de R$ 313.077,94 (valor de alienação) Saliento que o custo de aquisição é zero, por força do art. 16, § 4º da Lei nº 7.713/1998. A meu ver, o fato gerador tributário foi adequadamente identificado pela autoridade fiscal, pois este decorre da obtenção de ganho de capital na alienação de bens e direitos. A alegada retenção de imposto de renda na fonte seria um fato modificativo ou extintivo do crédito tributário decorrente do lançamento. Quanto a esse aspecto, extraise do auto de infração: Também em atendimento à Notificação de Lançamento nº 2008/004172377983822 a contribuinte esclarece que elaborou a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008 com base nos comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecidos pelas fontes pagadoras Encargos Gerais do Estado e Secretaria de Estado da Fazenda, rendimentos estes informados nas DIRF's dessas fontes, uma vez que em relação à fonte pagadora Encargos Gerais do Estado os valores informados não são provenientes do pagamento de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício (o Estado de Alagoas nada pagou ao contribuinte) e sim, cessão de direitos, cujo ganho de capital está sujeito à tributação exclusiva na fonte. Neste texto, a autoridade fiscal procura esclarecer que a fonte pagadora Encargos Gerais do Estado nada pagou à contribuinte, o que tornaria injustificável a alegada retenção na fonte e a utilização do comprovante apresentado. É necessário reconhecer que essa redação não é caracterizada pela excelência, mas é compreensível e não pode afetar a higidez do crédito tributário porque se relaciona a um fato que lhe seria modificativo ou extintivo. O fato gerador tributário, de modo contrário, encontrase suficientemente descrito no auto de infração, conforme revela o primeiro trecho que foi transcrito. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 108 9 Rejeito, portanto, a alegação de nulidade do lançamento. Mérito A recorrente informa que está discutindo judicialmente o imposto que foi pago, já que houve retenção de 27,5% quando o correto seria de 15%. Quanto a esse aspecto, transcrevo a legislação que regula a tributação dos fatos em análise: Lei nº 7.713, de 1988 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; Fl. 112DF CARF MF 10 V seu valor corrente, na data da aquisição. (...) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O Manual de Perguntas e Respostas que é publicado anualmente pela RFB na rede mundial de computadores fornece esclarecimentos quanto à forma de tributação dos ganhos decorrentes da cessão de precatórios. Do manual publicado em 2017, transcrevese parcialmente a seguinte pergunta e resposta: 562 — Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório? Quanto ao cedente: A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital, pelo cedente. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cedente, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O custo de aquisição na cessão original, ou seja, naquela em que ocorre a primeira cessão de direitos, é igual a zero, porquanto não existe valor pago pelo direito ao crédito. Nas subsequentes, o custo de aquisição será o valor pago pela aquisição do direito na cessão anterior. Considerase como valor de alienação o valor recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório. (...) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 109 11 Esta orientação está de acordo tanto com a legislação como com o Parecer SRF/Cosit nº 26, de 2000, que foram parcialmente transcritos. Todos esses atos revelam que não há previsão de que o cessionário efetue retenção de imposto de renda na fonte. Na verdade, quando estes atos fazem menção à retenção, ela diz respeito àquela realizada pela fazenda pública ao quitar o precatório. É o que decorre, sem embargo, da nota feita na mesma pergunta: Atenção: O crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em for quitado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal ou pelos municípios. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto sobre a renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal quando ocorrer a homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário para com a União, os estados, o Distrito Federal ou os municípios. Em virtude da transação efetuada, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cessionário nem do cedente, não integrando a base de cálculo do ganho de capital e não sendo passível de compensação ou dedução. Portanto, conforme já se afirmou anteriormente, a retenção sofrida pela recorrente não corresponde à forma de tributação prevista pela legislação tributária federal e também não houve recolhimento aos cofres da União a título de IRRF, como seria de se esperar caso houvesse retenção nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Se houvesse previsão para esta retenção, a fonte pagadora seria aquela que, tendo adquirido o título, efetivamente suportou o pagamento (cessionária). A esta caberia também o cumprimento das obrigações tributárias acessórias relativas a essa operação e o recolhimento do imposto de renda deveria ocorrer através de documento de arrecadação federal. Embora a Secretaria de Fazenda do Estado de Alagoas tenha nomeado a exação sofrida pela recorrente como imposto de renda, imposto de renda não é, porque não cabe ao Estado legislar sobre esse tributo, criando hipóteses de incidência e regimes de tributação, e também porque não houve seu recolhimento aos cofres da União. Por isso, labora em erro a recorrente quando alega que o imposto de renda foi pago, uma vez que a contribuinte apresentou os DAR de recolhimento do IRPF aos cofres estaduais. Fl. 114DF CARF MF 12 De fato, tendo sido realizado um recolhimento aos cofres estaduais, equivocadamente denominado imposto de renda, é com o efetivo beneficiário desse recolhimento que a recorrente deve buscar se ressarcir dos prejuízos sofridos. Não tendo havido recolhimento de imposto de renda aos cofres da União, não há também que se falar em bis in idem quando esta busca a satisfação do crédito tributário que lhe cabe em razão da legislação legitimamente criada por ela. Por essas razões, entendo que não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente, já que o crédito tributário alegado não pode ser oposto à Fazenda Pública Federal. Enunciado nº 73 da Súmula CARF A despeito do que foi acima afirmado, de que não ocorreu efetiva retenção de imposto de renda na fonte a ser aproveitado pela contribuinte, bem como de que os valores não foram corretamente oferecidos à tributação, entendo que a situação se amolda ao que prescreve o Enunciado nº 73 da Súmula de jurisprudência deste Colegiado, que determina: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Por outro lado, o art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Neste caso, para melhor compreensão do raciocínio jurídico que embasou a edição do enunciado nº 73, transcrevo abaixo trecho do Acórdão CSRF nº 0105.049, citado como um dos seus paradigmas: Como se colhe do relatório, a única questão submetida à apreciação do Colegiado consiste na pretensão do recorrente em ver afastada a multa de ofício da exigência sobre rendimentos declarados como "não tributáveis". Sou pela exclusão da penalidade, vez que o contribuinte, espontaneamente, declarou os rendimentos não os ocultando da Receita Federal, como pode ser comprovado pelas declarações de rendimentos apresentadas. Portanto, os referidos rendimentos, inobstante declarados indevidamente com não tributáveis, constituíam elementos cadastrais da repartição e não foram apurados através de procedimentos fiscais e sim confessados pelo beneficiário. Não bastasse, a fonte pagadora através do formulário "informe de rendimentos" (fls. 52/53), alocava os valores como isentos e não tributáveis e, com isto, induzia o contribuinte a praticar o erro, perfeitamente escusável, no preenchimento de sua declaração, não se vislumbrando nenhum tipo de fraude ou sonegação. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 110 13 Na hipótese em questão, não há dúvida de que a contribuinte foi induzida a erro pelo comprovante fornecido pelo Estado de Alagoas que, embora não seja a verdadeira fonte pagadora do rendimento, comportouse como tal. Sendo o documento fornecido por autoridade pública, é razoável que a contribuinte lhe tenha conferido fé e, embora não seja possível dispensála do pagamento do tributo devido, não pode ser punida por isso pela aplicação da multa de ofício. Em vista destas razões, dou provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte apenas no que se refere à exclusão da multa de ofício. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de nulidade, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a exclusão da multa de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001413/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL.
Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 3302-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL. Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 13 /2 00 3- 10 Fl. 1236DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, opostos pela contribuinte, que afirma haver contradição no acórdão embargado com fundamento na existência de erro material. Do despacho de admissibilidade, fls. 1234, extraise síntese que aclara os fatos sobre a existência de erro material: 2 Erro de fato Erro material quanto aos períodos decaídos, pois consta do Acórdão Embargado o interregno de janeiro a março de 1998, quando o correto seria janeiro a abril de 1998, conforme decidido no Acórdão nº 20178.210, de 22/02/2005, por meio do voto do Conselheiro Relator Antônio Mario de Abreu Pinto, que foi vencedor nesta matéria, Com efeito, o voto condutor do Acórdão nº 3302003.714, prolatado justamente para corrigir o equívoco existente no voto da Conselheira Josefa Maria Coelho Marques e, no que chama de “proclamação do resultado” (referindose ao acórdão da decisão), repetiu o erro, limitando a decadência à março de 1998, quando o redator do voto vencedor para a matéria no Acórdão embargado, estendeua até abril de 1998 (fls. 1.176, grifo meu): É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 1194, pelo Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Contradição Erro material A contribuinte aponta erro material, o que deve ser corrigido pela via dos embargos. Ao analisar o referido acórdão, assiste razão a Embargante. Da fundamentação do voto, temse que, fls. 1174: Quanto à decadência suscitada, merece guarida a insurgência da recorrente. Ao tempo em que foi cientificado o recorrente, 06 de maio de 2003 (fl. 180), já havia transcorrido o qüinqüênio legal previsto pelo § 4º art. 150 do CTN, aplicável à espécie, Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16327.001413/200310 Acórdão n.º 3302004.727 S3C3T2 Fl. 3 3 para o lançamento do crédito tributário de PIS, atinente aos meses de janeiro, fevereiro, março abril de 1998. (...) Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar: a) a exclusão do credito tributário relativo aos meses de apuração de janeiro a abril de 1998, ante a decadência operada; e O acórdão de embargos nº 3302003.714 de minha relatoria corrigiu o erro material nos seguintes termos quanto ao dispositivo do acórdão 20178.210. Nesse sentido, onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1998. Contudo, continuou a existir o erro material quanto ao mês de abril de 1998, pois, conforme exposto anteriormente, o provimento foi para reconhecer a decadência de janeiro a abril de 1998. Assim, no dispositivo do acórdão, fls. 1170: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação as fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, Antonio Carlos Atulim e Jose Antonio Francisco, que não reconheciam a decadência; e II) em negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto (Relator), Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluíam os juros de mora. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte. Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente, Dra. Gabriela Waltson. Onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a abril de 1998. Fl. 1238DF CARF MF 4 3. Conclusão Por todo o exposto, acolhemse os presentes embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. 3 Fl. 1239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008349/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DILIGÊNCIA. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS POR DECORRÊNCIA
Pode-se dispensar a conversão do julgamento em diligência, para vinculação de processos por decorrência, se o processo formalizado em razão de procedimento fiscal anterior, contiver as informações necessárias para conhecer sobre fatos apurados naquele procedimento, e as decisões exaradas nos processos administrativos fiscais dele decorrentes não produzem efeitos entre si.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL.
"É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." (Súmula CARF nº 9)
NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa.
NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO.
Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendo-se o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO.
Deve ser mantida a qualificação da multa quando restar comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Não é suficiente para desqualificar a multa de ofício alegações genéricas de inocorrência de dolo, nem alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade da Lei.
JUROS. TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04)
Numero da decisão: 2202-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Foi designado a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DILIGÊNCIA. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS POR DECORRÊNCIA Pode-se dispensar a conversão do julgamento em diligência, para vinculação de processos por decorrência, se o processo formalizado em razão de procedimento fiscal anterior, contiver as informações necessárias para conhecer sobre fatos apurados naquele procedimento, e as decisões exaradas nos processos administrativos fiscais dele decorrentes não produzem efeitos entre si. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." (Súmula CARF nº 9) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO. Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendo-se o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Deve ser mantida a qualificação da multa quando restar comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Não é suficiente para desqualificar a multa de ofício alegações genéricas de inocorrência de dolo, nem alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade da Lei. JUROS. TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Foi designado a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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VINCULAÇÃO DE PROCESSOS POR DECORRÊNCIA Podese dispensar a conversão do julgamento em diligência, para vinculação de processos por decorrência, se o processo formalizado em razão de procedimento fiscal anterior, contiver as informações necessárias para conhecer sobre fatos apurados naquele procedimento, e as decisões exaradas nos processos administrativos fiscais dele decorrentes não produzem efeitos entre si. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." (Súmula CARF nº 9) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO. Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendose o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Deve ser mantida a qualificação da multa quando restar comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Não é suficiente para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 83 49 /2 00 8- 05 Fl. 861DF CARF MF 2 desqualificar a multa de ofício alegações genéricas de inocorrência de dolo, nem alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade da Lei. JUROS. TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Foi designado a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito fazendário de IRPF em decorrência da constatação de omissão de rendimentos. Intimado, o Contribuinte... Em 04/08/2008 foi lavrado Auto de Infração (fls. 4/11), para constituir IRPF referente ao anocalendário 2003, indicando como infração a percepção de vantagens Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 862 3 econômicas não declaradas da empresa "Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda.", tanto na forma de empréstimo simulado, tanto na forma de espécie quanto de imóveis, quanto ainda na forma de apropriação de depósito judicial feito pela empresa em favor de terceiro. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/41 e docs. anexos fls. 42/45), · "11. Embora o contribuinte não tenha apresentado os contratos de mútuo dos supostos empréstimos junto à empresa 'SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ (...)', esta empresa encontravase sob fiscalização em cumprimento ao MPF 08.1.09.002007005903; 12. Registrese que o procedimento fiscal levado a efeito sobre o contribuinte em tela está intrinsecamente ligado à fiscalização da pessoa jurídica Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda. Portanto, somente no decorrer dos trabalhos fiscais sobre a Shareconsult foi possível tomar conhecimento de fatos que implicam em responsabilidade tributária dos sócios daquela empresa." fl. 16 (grifo no original); (...) · "14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): a) A empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA" não foi localizada no endereço constante do Cadastro do CNPJ, nem no Cadastro Público. A empresa deixou de funcionar, não tendo sido . encontrada em seus dois conhecidos e eventuais endereços; b) As ciências do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Fiscalização da Shareconsult foram dadas por via postal aos seus sócios; c) Seus sócios não efetivaram a baixa da empresa, liquidação ou encerramento regular da pessoa jurídica, porém seus sócios se apropriaram da maior parte de seus ativos (Disponibilidade em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de empréstimos de mútuos; d) indicando a inatividade da Shareconsult, as Declarações de Informações Econômico Fiscais dos exercicios de 2004, 2005, 2006 e 2007 foram apresentadas em branco e sem movimentação, com base de cálculo nula para os tributos e contribuições sociais. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em Fl. 863DF CARF MF 4 relação ao tributo e contribuições em DCTF. Conforme DlPJ's dos anoscalendário de 2003 a 2006 de fls.; e) Destarte, a empresa está desativada ou inativa de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular, permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos, no entanto, as Disponibilidades Financeiras e os Bens imóveis correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução. 15. (...) Portanto, os supostos empréstimos contraídos da empresa Shareconsult pelos sócios jamais serão pagos ou restituídos à empresa, visto que deixou de existir no mundo real. (...)" fl. 17 · Descrevendo uma série de alterações contratuais, conclui que: "19. Com efeito, pelos termos transcritos acima, não é necessário muito esforço par concluir que o documento paralelo, de interesse da sociedade, datado de 15/12/1999 e registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 20/07/2001 (...) não pode respaldar qualquer negócio efetuado entre a empresa Shareconsult e os Srs. Carlos Eduardo de Almeida Gomes, Eugênio Zalandauskas e Sebastião Luiz Lagos, principalmente, para elidir da tributação os rendimentos, vantagens ou acréscimos patrimoniais recebidos da empresa 'SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA', denominados impropriamente de 'empréstimos de mútuo'. Por conseguinte, os supostos empréstimos de mútuos recebidos pelos Srs. Carlos Eduardo de Almeida Gomes, Eugênio Zalandauskas e Sebastião Luiz Lagos, durante o anocalendário de 2003, são na verdade vantagens (rendimentos) tributáveis recebidas de pessoa jurídica;" fl. 22; · Ato contínuo, a autoridade lançadora registrou que a empresa vendeu seu único empreendimento imobiliário em fevereiro de 2003, antes da última alteração contratual (de dezembro de 2003, registrada em março de 2004). Nesse negócio, a empresa recebeu parte em espécie e parte em bens imóveis e veículos. Utilizou parte dos recursos e bens recebidos para quitar dívidas com uma terceira empresa em discussão judicial. Enfim, que em outubro de 2003, a empresa registrou em sua contabilidade distribuição de lucros em outubro de 2003 no valor de R$ 1.200.000,00 para o sócio Sebastião Luiz Lagos e para os Srs. Eugênio Zalandauskas e Carlos Eduardo de Almeida Gomes, os quais não figuravam, nesse momento, como sócios. Igualmente, a empresa registrou nesse mesmo período apropriação, pelo sócio Sebastião Luiz e pelos nãosócios Eugênio e Carlos Eduardo, de resgate de depósito judicial realizado em favor de um Sr. Joaquim Francico. Nesse contexto, conclui que: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 863 5 "38. Portanto, os supostos empréstimos de mútuo e a apropriação de resgate do depósito judicial para Joaqum Francisco no montante de R$ 660.714, 05 pelos então nãosócios Sebastião Luiz Lagos, são na realidade vantagens econômicafinanceiras recebidas da empresa Shereconsult (sic) Empreendimentos Imobiliários Ltda. Em decorrência, sujeita à tributação do imposot de renda da pessoa física;" fl. 28 · Ainda, que os negócios de "mútuo de imóveis" eram meios indiretos de transferir de forma escamoteada para o sócio Sebastião Luiz e para os nãosócios Eugênio e Carlos Eduardo os imóveis recebidos em pagamento pela alienação do seu empreendimento. Passa então a discorrer sobre o negócio de mútuo, concluindo ter havido ofensa aos princípios da probidade e da boafé posto que "os supostos empréstimos de mútuos jamais serão restituídos à empresa" (fl. 30). · Analisando a forma como foram transferidos os imóveis, percebeu que Contribuinte recebeu o imóvel a título de dação em pagamento, diretamente da Shareconsult para uma empresa (Falgo Empreendimentos e Participações S.A.) da qual era sócio em conjunto com um filho. Esta empresa que recebeu o imóvel não teve movimentação em 2002 (declarações zeradas) e, no anocalendário de 2003, declarou receita de apenas R$ 31.344,07 no 4º trimestre, decorrentes de aplicação financeira. Concluiu que: "55. Com efeito, com base nas informações prestadas ao fisco pela empresa Falgo Empreendimentos e Participações podemos afirmar, à toda evidência, que a Escritura Pública de Dação em Pagamento tendo como outorgante Dadora (sic) a a Shareconsult e como outorgada recebedora a empresa Falgo, lavrada em 07/11/2003, não espelha a realidade dos fatos, visto que a empresa Falgo não detinha crédito para com a empresa Shareconsult, como também não tinha capacidade econôimica/financeira para conceder empréstimos financeiros da ordem de R$ 1.222.992,0 7para Shareconsult e receber o pseudoempréstimo como dação em pagamento; 56. Por conseguinte, a lavratura em 07/11/2003 da Escritura Pública de Dação em Pagamento da forma como foi lavrada teve a intenção notória do sócio da Falgo Empreendimentos Carlos Eduardo de Almeida Gomes (pessoa física que realmente apropriouse dos imo´veis da Shareconsult) em não pagar o imposto de renda devido, em decorrência das vantagens econômicas recebidas da empresa Shareconsult, qual seja, recebimento de imo´veis do ativo circulante da Shareconsult quando o mesmo não participava do quadro societário da mesma; 57. É de se registrar que, tudo foi bem planejado estrategicamente, isto é, inicialmente a empresa Fl. 865DF CARF MF 6 Shareconsult transfere os imóveis para a pessoa física do nãosócio Carlos Eduardo, que sempre esteve à sombra, à margem da Shareconsult. Depois, a escritura pública é lavrada como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Carlos Eduardo sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente;" fl. 33 (grifos no original) · "58. Mencionese, ademais, que o mesmo ocorreu em relação ao nãosócio Eugênio Zalandauskas e sócio Sebastião Luiz, isto é, as escrituras pública dos imóveis do ativo circulante da Shareconsult apropriados por eles, conforme lançamentos dos livros Diário e Razão, foram lavrados como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Eugênio Zalandauskas e de Sebastião Luiz também sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente. Entretanto, como estes dois contribuintes estão sendo concomitantemente fiscalizados pelo mesmo auditor fiscal, os mesmos atos praticados serão circunstanciados em Termos de Verificação Fiscal distintos, haja vista tratarse Mandados de Procedimentos Fiscal MPF próprios." fl. 34; · "59. Os atos praticados pelos nãosócios Carlos Eduardo e Eugênio Zalandauskas, como também pelo sócio Sebastião Luiz são caracterizadores de simulação, visto que houve a tentativa de se camuflar/escamotear fatos que ensejaria o lançamento tributário pelo recebimento de vantagens econômicofinanceiras da empresa Shareconsult;" fl. 34; · "62. A previsão legal para tributação das vantagens percebidas pelo contribuinte, encontrase assentadas nos arts. 38, 43, 55, inciso IV, do Decreto 3.0000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), arts. 3º, §4º da Lei nº 7.713/88 e arts. 4º, 43, 44, 45, 118 e 123 do Código Tributário Nacional" fl. 34; · "68. Ressaltamos que a principal questão analisada é a intenção de se fraudar o fisco. Simulouse ser o sujeito das relações jurídicas não o contribuinte Carlos Eduardo de Almeida Gomes, mas a pessoa jurídica de sua empresa Falgo Empreendimentos e Participações. O fito de tal simulação, no que tange ao interesse da Fazenda Nacional, foi escamotear o ônus fiscal, haja vista que não foi pago o imposto de renda devido. Em consequência procedeuse à tributação pertinente no real sujeito da relação jurídica (Pessoa Física), descracterizando a relação jurídica simulada (Pessoa Jurídica);" fl. 38; · Qualificou a multa nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964; Intimado em 01/09/2008 (fl. 223/224), o Contribuinte Protocolou Impugnação em 01/10/2008 (fls. 228/333), que foi julgada improcedente pela DRJ, no acórdão nº 0220.289, de 05/12/2008 (fls. 341/362), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Exercício: 2004 Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 864 7 NULIDADE. Os casos de nulidade são os descritos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. DIREITO A DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. Demonstrada a simulação, desconstituemse para fins tributários os negócios simulados e procedese ao lançamento do crédito tributário nos termos do art. 149, inc. VII do CTN, com base nos atos reais encobertados, que constituem fato gerador do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe às autoridades administrativas julgar a matéria do ponto de vista constitucional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que,a instituiu. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, a teor do disposto no art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Lançamento Procedente Intimado em 06/02/2009 (fl. 365), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/03/2009 (fls. 368/476), argumentando, em síntese, Preliminares: · Que a intimação do Termo de Verificação Fiscal se deu por via postal, e não pessoal, gerando nulidade do lançamento; · Que lhe foi cerceado o acesso aos autos no curso do prazo da impugnação, impedindoo de ter acesso à documentação juntada aos autos e, portanto, cerceando o seu direito de defesa; Fl. 867DF CARF MF 8 · Que o lançamento é nulo, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a infração e a sua capitulação legal não foram descritas de forma clara, mormente quando citou inúmeros artigos de regulamento que não se coadunam com a descrição dada no relatório; · Que não foi respeitada a norma do art. 41 da Lei nº 9.784/1999, que exige a intimação prévia do interessado para acompanhar a realização das provas ou diligências, especificamente no tocante à tomada de testemunho durante a fiscalização, prova essa que lastreou o lançamento; · Que, se o presente lançamento é resultado de fiscalização que decorreu, por sua vez, de outra fiscalização, esta sobre a empresa de que era sócio, então o lançamento deveria ter sido realizado em um único processo, compilando todas as provas e infrações, e intimando todas as partes para se defenderem, nos termos dos arts. 121 e 142 do CTN e art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972; · Que o lançamento é nulo por ter, a autoridade fiscalizadora, requerido apresentação de documentação, especificamente extratos bancários do Sr. Sebastião Luiz Lagos, o que está além de sua competência e, portanto, decorre do abuso de autoridade, maculando o procedimento de fiscalização e o lançamento decorrente; · Que o lançamento é nulo por não ter sido formalizado o litisconsórcio passivo necessário entre o Recorrente, a Sra. Edna Felix de Almeida Gomes, o Sr. Sebastião Luiz Lagos, e o Sr. Eugênio Zalandauskas, todos sujeito passivos de autos de infração decorrentes da mesma fiscalização; · Que ocorreu bis in idem nos lançamentos referentes ao Recorrente e ao indivíduos supramencionados; Mérito: · Que é ilegal o lançamento realizado com base em extratos bancários, vez que não representam, automaticamente, rendimentos; · Que o contribuinte recebeu créditos e depósitos em sua conta bancárias referentes a adiantamentos para aquisição de objetos para suas empresas, não configurando, portanto, rendimento seu e sim recursos de terceiros; · Que a apuração da base de cálculo foi equivocada, utilizando a variação mensal quando o IRPF é um tributo anual; · Que o lançamento desconsiderou, indevidamente, a comprovação de valores, tal como ocorreu com a desconsideração de mútuos, legando à inclusão indevida deles na base de cálculo; · Que o lançamento não excluiu os valores dos cheques devolvidos; Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 865 9 · Que houve desconsideração dos negócios de mútuo, com base em intuição de que a empresa não existiria no mundo real, mas apenas no papel, que os valores não teriam sido restituídos à empresa, o que levou, também, a autoridade lançadora a desrespeitar as regras do art. 464 do RIR/1999, que enumera exaustivamente as hipóteses em que se considera distribuição disfarçada de lucro, desrespeitando também o art. 110 do CTN e o art. 586 e seguintes do CC/2002 e que, considerando que a empresa encontrase endividada, os sócios deverão aportar novamente os recursos para quitar as dívidas sociais; · Que houve desconsideração dos negócios de dação em pagamento, com base em intuição de que a empresa não existiria no mundo real, mas apenas no papel, que os valores não teriam sido restituídos à empresa, o que levou, também, a autoridade lançadora a desrespeitar as regras do art. 464 do RIR/1999, que enumera exaustivamente as hipóteses em que se considera distribuição disfarçada de lucro, desrespeitando também o art. 110 do CTN e o art. 356 e seguintes do CC/2002 e que, considerando que a empresa encontrase endividada, os sócios deverão aportar novamente os recursos para quitar as dívidas sociais; · Que é inaplicável a taxa Selic como índice de juros sobre o débito de tributos e contribuições sociais federais; · Que deve ser desqualificada a multa de ofício, vez que não se configurou evidente intuito de fraude; · Que a multa de 150% é confiscatória, atentando contra o art. 150, IV, bem como contra os arts. 5º, XXII e 170, II, todos da CF/1988; · Que não é possível cumular a multa de ofício com a multa "regular" de 20%; e · Que requer "a produção de prova documental, constituída por novos e outros documentos, bem como a produção de prova pericial para estabelecer os reais e efetivos limites de eventual crédito tributário" (fl. 476). Consta dos autos, ainda, três volumes anexos (fls. 475/859), composto pelo Livro Diário, Relatório de Plano de Contas, Razão Analítico e DIPJ da empresa Shareconsult Empreend. Imobiliários Ltda., bem como DIPJ da empresa Falgo Empreendimentos e Participações S.A. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Fl. 869DF CARF MF 10 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminares: Decorrência: Argumenta o Contribuinte que o presente processo administrativo fiscal decorre da fiscalização instaurada em desfavor da empresa Shareconsult, entendendo que deve ser anulado e refeito o lançamento em um único processo reunindo ambas as autuações. Tal pleito não pode prevalecer, uma vez que a infração imputada ao Recorrente é de que tenha omitido rendimentos seus, de sorte que ainda que a Shareconsult pudesse vir a figurar como responsável solidária não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo. Por outro lado, observando as regras insculpidas no RICARF, chama atenção o quanto estabelece o art. 6º, do Anexo II: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 866 11 convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. (...) Pois bem. A própria autoridade lançadora afirmou, no TVF, que 12. Registrese que o procedimento fiscal levado a efeito sobre o contribuinte em tela está intrinsecamente ligado à fiscalização da pessoa jurídica Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda. Portanto, somente no decorrer dos trabalhos fiscais sobre a Shareconsult foi possível tomar conhecimento de fatos que implicam em responsabilidade tributária dos sócios daquela empresa." fl. 16 (grifo no original); O que é mais, o presente lançamento se lastreia na tese de que a Shareconsult era uma empresa apenas no papel, o que fundamentou a desconfiguração dos negócios firmados como simulados. Não consta do TVF, entretanto, que tenha efetivamente sido formalizado auto de infração em desfavor da empresa, em decorrência dessa fiscalização, nem qual o número do processo, se efetivado. Observase, por outro lado, que consta no site deste e.CARF o processo de nº 10680.020458/200710, no qual figura como sujeito passivo a empresa "Shareconsult". Trata se de processo formalizado no ano anterior (2007), o que é plausível, vez que a fiscalização recaiu sobre o presente Recorrente como consequência da fiscalização instaurada na empresa. Percebese, ainda, que esse processo de nº 10680.020458/200710 ainda não foi julgado. Portanto, a toda aparência, tratase da hipótese descrita no art. 6º, §1º, II, do Anexo II ao RICARF, supratranscrito, i.e., de decorrência. Efetivamente, o presente processo administrativo foi formalizado em razão de procedimento fiscal anterior (aquele sobre a empresa Shareconsult) e que, ainda que veiculem matérias autônomas tributos diversos a conclusão alcançada no processo da empresa poderá ter efeitos sobre o presente processo administrativo. Por exemplo, se ficar consignado ali que a empresa atuava, ou que os negócios eram efetivamente válidos, então tal conclusão impactará na resolução do presente processo. Em suma, com base no art. 6º, §§4º e 5º, do Anexo II ao RICARF, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária traga informações aos autos sobre a formalização ou não de auto de infração, em desfavor da empresa, em decorrência da fiscalização anterior, que recaia sobre os mesmos negócios jurídicos. Em caso positivo, indicar qual o número do processo administrativo principal e determinar a vinculação deste processo a aquele. Da intimação: Tendo sido vencido em relação à diligência proposta, continuo o julgamento das preliminares. Fl. 871DF CARF MF 12 Argumenta o Recorrente pela nulidade da notificação, afirmando que a ciência do lançamento se deu por via postal, e não pessoal, retardando a sua tomada de conhecimento acerca da constituição do crédito e diminuindo o seu prazo de defesa. A verdade é que o CARF já consolidou seu entendimento sobre o tema: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, essas Súmulas são de observância obrigatória por parte dos conselheiros, razão pela qual não é possível dar provimento ao pleito recursal. Cerceamento do direito de defesa: impedimento de acesso aos autos: Argumenta o Contribuinte que o seu direito de defesa foi cerceado quando, cientificado da lavratura do auto de infração, se dirigiu ao posto da Receita Federal mas ali foi informado de que não poderia ter acesso aos autos enquanto não fosse apresentada a defesa. Tal fato, por certo, atrairia a aplicabilidade do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que se configuraria cerceamento do seu direito de defesa. Contudo, tratase de mera alegação por parte do Contribuinte, sem a juntada de qualquer prova ou mesmo indício. Portanto, uma vez que não restou comprovado o quanto alega, não é possível dar provimento ao seu pleito. Da identificação da infração e da capitulação legal: Argumenta ainda o Recorrente, em sede de preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa uma vez que a descrição dos fatos e a sua capitulação legal não teriam sido claras. A verdade é que tal argumento tampouco pode prevalecer. O auto de infração identificou exatamente qual a base de cálculo, indicando a infração ocorrida e os comandos legais infringidos. Mais, o Recorrente foi capaz de elaborar defesa, indicando ter compreendido as infrações imputadas. Ainda, não indicou nenhum exemplo especifico de comando legal ou falha na descrição que justifiquem a ocorrência do cerceamento do direito de defesa, antes apresentou alegações genéricas e abstratas. Da produção de provas durante o procedimento de fiscalização: Argumenta ainda o Recorrente pela nulidade da prova testemunhal porquanto não teria sido aplicada a norma do art. 41 da Lei nº 9.784/1999. A verdade é que tal argumento não pode prevalecer porquanto a referida prova testemunhal foi elaborada ao longo do procedimento de fiscalização, antes, portanto, da instauração do processo administrativo fiscal. Este CARF já tem jurisprudência consolidada no sentido de que o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial, i.e., não está adstrito ao contraditório. Entre outros: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 867 13 O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. (acórdão CARF nº 2401004.165, de 18/02/2016) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. Os pedidos de esclarecimento mediante termo, no curso do procedimento de fiscalização, não decorrem da observância de um dever correspectivo a um direito individual de acesso aos fatos apurados pelo Fisco e de se manifestar sobre eles; decorrem, sim, da necessidade de reunir evidências que possibilitem aferir a legalidade dos atos praticados pelo fiscalizado ou terceiros. (acórdão CARF nº 1301002.018, de 04/05/2016) Destarte, no caso concreto o contraditório foi instaurado com o protocolo da Impugnação, quando o Contribuinte teve plena oportunidade de se opor à prova testemunhal bem como a todas as outras provas elaboradas ao longo da fiscalização. Enfim, não é possível dar provimento ao pleito do COntribuinte, porquanto a atuação da autoridade fiscalizadora não extrapolou nem deixou de atender a quaisquer comandos legais. Do procedimento de fiscalização: No mesmo sentido, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem muito menos em abuso de autoridade quando a autoridade fiscalizadora requer a apresentação de documentação comprobatória. Efetivamente, a Legislação obriga que o Sujeito Passivo mantenha em seu poder todos os documentos comprobatórios dos rendimentos e das despesas incorridas, de sorte que tal obrigação só pode encontrar sentido lógico se for para apresentálos em caso de solicitação de comprovação. Especificamente no tocante aos extratos bancários, o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: Fl. 873DF CARF MF 14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 868 15 O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Da identificação do sujeito passivo, do litisconsórcio passivo e da conexão: Argumenta o Contribuinte, ainda, que o lançamento é nulo porquanto decorreu de fiscalização sobre a empresa Shareconsult, e que recaiu também sobre a Sra. Edna Felix de Almeida Gomes, o Sr. Sebastião Luiz Lagos e o Sr. Eugênio Zalandauskas, de sorte que deveria ter sido consolidado em um único processo administrativo, consolidando todas as provas e infrações, intimando todas as partes e instaurando um litisconsórcio passivo necessário. Tal argumento tampouco pode prevalecer. A verdade é que o Contribuinte é o único sujeito passivo dos tributos lançados contra si, porquanto foi o único que em tese auferiu a renda. Se é verdade que a fiscalização foi realizada simultaneamente, e que uma tenha decorrido de outra, e ainda que a constatação da infração decorra da observação de um fato coincidente para mais de um contribuinte, nem por isso faz com que um seja contribuinte do tributo incidente sobre o rendimento auferido por outro. Portanto, não há que se falar em litisconsórcio passivo necessário in casu. Constatase, isso sim, hipótese de conexão, nos termos do art. 6º, §1º, I, do Anexo II ao RICARF, entre este processo e aqueles formalizados em desfavor das demais pessoas físicas. Acontece que, em pesquisa perante o site deste e.CARF, percebese que o processo referente ao sr. Eugênio Zalandauskas (nº 10680.008346/200863) foi recentemente julgado no acórdão nº 2401004.533, de 18/01/2017. Em pesquisa no site deste Conselho não foram encontrados processos em nome dos demais indivíduos citados (Edna Gomes e Sr. Sebastião Luiz). Portanto, nos termos do §2º do mesmo art. 6º, nada há que se fazer quando o processo conexo já houver sido julgado. Da produção de prova pericial: O Recorrente pede, ao final de sua peça, "a produção de prova documental, constituída por novos e outros documentos, bem como a produção de prova pericial para estabelecer os reais e efetivos limites de eventual crédito tributário" (fl. 476). Relembrando o quanto estabelece o art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/1972, deve ser considerado como não formulado o pedido de perícia quando não indique os quesitos ou não qualifique o profissional perito, como é o caso. Mais, não é possível a concessão genérica e abstrata de produção de prova documental em qualquer momento, devendo ser respeitadas as regras processuais do tempo de cada ato, ou, subsidiariamente, do princípio da verdade material, desde que haja efetiva apresentação de provas e que estas sejam relevantes para o deslinde do processo. Fl. 875DF CARF MF 16 No caso concreto, não se identificou quais as provas que se pretende constituir, nem a sua relevância para o julgamento, razão pela qual não é possível dar provimento a esse pleito. Mérito: Da inexistência de extratos bancários: Argumenta o Recorrente pela ilegalidade do lançamento com base exclusiva em extratos bancários. Acontece que, como bem apontou o acórdão recorrido, não se observa nos autos a hipótese de lançamento de IRPF baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. In litteris, "Ao longo da impugnação, o contribuinte contesta o lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apresentando razões de discordância. Ocorre que, conforme auto de infração às fls. 3 a 12, não houve lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, desnecessárias considerações sobre as questões aduzidas." fl. 354; Efetivamente, o lançamento decorre, isso sim, de omissão de rendimentos provenientes de pessoa jurídica, especificamente da empresa da qual era sócio de fato. Registrase, outrossim, que mesmo diante da constatação pela DRJ de que inexiste tal infração no processo, o Contribuinte insistiu na tese em sede de Recurso Voluntário sem demonstrar especificamente onde estaria o erro da autoridade julgadora de primeiro grau. Portanto, desnecessário despender maiores esforços no julgamento em tese de matéria inexistente nos autos. Da desconsideração dos negócios jurídicos: Argumenta o Recorrente, ainda, pela impossibilidade de desconsideração dos negócios firmados entre si e a empresa Shareconsult. Segundo explica, foram sim formalizados os negócios de mútuo e que, se ainda não restituiu os recursos, o fará no tempo devido, uma vez que a empresa passa por dificuldades econômicas e será necessário dispor de tais recursos para fazer frente às suas dívidas. Igualmente, que não se pode desconfigurar o negócio de dação em pagamento quando formalizado validamente. A verdade é que o Contribuinte trouxe alegações abstratas e genéricas, desprovidas de qualquer documentação ou mesmo indício comprobatório. Efetivamente, ao longo da fiscalização a autoridade lançadora intimou e reintimou o Contribuinte a apresentar os contratos de mútuo, o que não foi feito em sede de fiscalização, nem de impugnação ou mesmo de recurso. Mais, diante da acusação de inexistência de dívida da Shareconsult perante a Falgo, que justificasse a dação em pagamento, o Recorrente tampouco foi capaz de produzir qualquer prova ou justificativa plausível. De outro lado, a autoridade lançadora trouxe inúmeros indícios de que os negócios não se realizaram tal como declarados pelo Contribuinte. Por todos, transcrevemos: Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 869 17 "14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): a) A empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA" não foi localizada no endereço constante do Cadastro do CNPJ, nem no Cadastro Público. A empresa deixou de funcionar, não tendo sido encontrada em seus dois conhecidos e eventuais endereços; b) As ciências do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Fiscalização da Shareconsult foram dadas por via postal aos seus sócios; c) Seus sócios não efetivaram a baixa da empresa, liquidação ou encerramento regular da pessoa jurídica, porém seus sócios se apropriaram da maior parte de seus ativos (Disponibilidade em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de empréstimos de mútuos; d) indicando a inatividade da Shareconsult, as Declarações de Informações Econômico Fiscais dos exercicios de 2004, 2005, 2006 e 2007 foram apresentadas em branco e sem movimentação, com base de cálculo nula para os tributos e contribuições sociais. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao tributo e contribuições em DCTF. Conforme DlPJ's dos anoscalendário de 2003 a 2006 de fls.; e) Destarte, a empresa está desativada ou inativa de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular, permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos, no entanto, as Disponibilidades Financeiras e os Bens imóveis correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução." fl. 17 (grifo nosso); e "54. Por outro lado, analisando as Declarações de Informações Econômico Fiscais da empresa “FALGO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES" (Anexo Ill, fls. 891173), relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, constatamos o seguinte: a) No anocalendário de 2002, a forma de tributação optada pela empresa foi pelo Lucro Real. A Declaração de Informações Econômico'Fiscais do anocalendário de 2002 foi apresentada com receitas, custos e despesas zeradas, bem assim sem movimentação econômica ou financeira. Conseqüentemente, como a empresa não obteve receitas nem incorreu em custos ou despesas, por via direta não obteve lucro de qualquer espécie (lucro bruto ou lucro real). Desse modo, a base de cálculo para Fl. 877DF CARF MF 18 os tributos e contribuições sociais são nulas, assim nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao tributo e contribuições em DCTF. O Balanço Patrimonial (transcrito na Declaração de lnformaçoes Econômico Fiscais) encontrase com as contas zeradas. Destaquese que as contas do Ativo Circulante tais como “Caixa, Bancos, Valores Mobiliários, Estoques, Clientes, Imóveis Destinados a Venda" encontrase com saldo zero, o Ativo Realizável a Longo Prazo e Ativo Permanente (Investimento, lmobilizado e Diferido) também encontrase com os saldos zerados. b) No anocalendário de 2003, a forma de tributação optada pela empresa foi pelo Lucro Presumido. Pela Declaração de Informações EconômicoFiscais do anocalendário de 2003, a empresa obteve apenas e tão somente Rendimentos e Ganhos Líquidos de Aplicações de Renda Fixa no 4° Trimestre no valor de R$ 31.344,07, decorrente aplicação financeira junto ao Bankboston (R$ 13.250,09 em Novembro/2003 e R$18.093,98 em Dezembro/2003). Como a empresa não obteve lucro da atividade no 1°, 2° e 3° trimestres e no mês de Outubro, nada pagou de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos meses de janeiro a outubro de 2003. 55. Com efeito, com base nas informações prestadas ao fisco pela empresa Falgo Empreendimentos e Participações podemos afirmar, à toda evidência, que a Escritura Pública de Dação em Pagamento tendo como outorgante Dadora (sic) a a Shareconsult e como outorgada recebedora a empresa Falgo, lavrada em 07/11/2003, não espelha a realidade dos fatos, visto que a empresa Falgo não detinha crédito para com a empresa Shareconsult, como também não tinha capacidade econôimica/financeira para conceder empréstimos financeiros da ordem de R$ 1.222.992,0 7para Shareconsult e receber o pseudoempréstimo como dação em pagamento; 56. Por conseguinte, a lavratura em 07/11/2003 da Escritura Pública de Dação em Pagamento da forma como foi lavrada teve a intenção notória do sócio da Falgo Empreendimentos Carlos Eduardo de Almeida Gomes (pessoa física que realmente apropriouse dos imóveis da Shareconsult) em não pagar o imposto de renda devido, em decorrência das vantagens econômicas recebidas da empresa Shareconsult, qual seja, recebimento de imóveis do ativo circulante da Shareconsult quando o mesmo não participava do quadro societário da mesma; 57. É de se registrar que, tudo foi bem planejado estrategicamente, isto é, inicialmente a empresa Shareconsult transfere os imóveis para a pessoa física do nãosócio Carlos Eduardo, que sempre esteve à sombra, à margem da Shareconsult. Depois, a escritura pública é lavrada como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Carlos Eduardo sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente;" fl. 32/33 (grifos nosso) Em suma, os indícios de negócios simulados são realmente fortes e se acumulam: (1) não havendo dívida (seja ela de qualquer natureza), não há como se falar em dação em pagamento; e (2) não havendo qualquer justificativa ou comprovação do mútuo, ou Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 870 19 mesmo da restituição passada, presente ou futura dos recursos mutuados, não há como se acreditar que o negócio não tenha se configurado uma simulação de um pagamento sem causa. De outro lado, sem qualquer justificativa ou documentação comprobatória em sentido oposto que justifique a reforma da decisão recorrida e do próprio lançamento. Da qualificação da multa de ofício: Subsidiariamente, o Recorrente reclama pela desqualificação da multa de ofício, argumentando que não restou comprovado o evidente intuito de fraude. Argumenta ainda pela inconstitucionalidade da multa. Este segundo argumento não pode ser objeto de julgamento em sede de processo administrativo, porquanto extrapola a competência deste e.CARF, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, do art. 62 do Anexo II ao RICARF, e da Súmula CARF nº 02. Pois bem. O lançamento justificou a qualificação da multa, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, cumulado com os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, na ocorrência de simulação. Levando em consideração o quanto já foi concluído antes que houve efetiva simulação dos negócios jurídicos é possível concluir igualmente que houve efetiva sonegação, fraude e conluio. · Ora, a sonegação é observada no fato de que o Contribuinte, bem como a empresa Shareconsult e a empresa Falgo jamais declararam essas operações à Receita Federal, impendindo o conhecimento da ocorrência do fato gerador. · A fraude está configurada na própria natureza do negócio simulado, que buscou dissimular a ocorrência do fato gerador. · Enfim, o conluio se observa na cumulação de pessoas tanto o Contribuinte, quanto seus sócios de fato, a empresa Shareconsult e a empresa Falgo com o intuito de permitir a realização da referida simulação. De outro lado, as alegações do Recorrente são genéricas, lastreandose não na tentativa de desconfigurar as acusações da autoridade lançadora e sim no esforço de conceituação de fraude, simulação etc., bem como na ilegalidade e na inconstitucionalidade da multa de 150%. Nesse caminho, entendo que deve ser mantida, também, a multa qualificada. Da taxa SELIC: Argumenta o Contribuinte, longamente, acerca da natureza dos juros e da impossibilidade de se aplicar a taxa Selic como índice de juros para a correção dos débitos tributários. Fl. 879DF CARF MF 20 Acontece que este e.CARF já consolidou seu posicionamento acerca da matéria: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, essas Súmulas são de observância obrigatória por parte dos conselheiros, razão pela qual não é possível dar provimento ao pleito recursal. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada. Peço vênia ao nobre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, para divergir de sua proposta de conversão do julgamento em diligência. Colho do voto do Relator: O que é mais, o presente lançamento se lastreia na tese de que a Shareconsult era uma empresa apenas no papel, o que fundamentou a desconfiguração dos negócios firmados como simulados. Não consta do TVF, entretanto, que tenha efetivamente sido formalizado auto de infração em desfavor da empresa, em decorrência dessa fiscalização, nem qual o número do processo, se efetivado. Observase, por outro lado, que consta no site deste e.CARF o processo de nº 10680.020458/200710, no qual figura como sujeito passivo a empresa "Shareconsult". Tratase de processo formalizado no ano anterior (2007), o que é plausível, vez que a fiscalização recaiu sobre o presente Recorrente como consequência da fiscalização instaurada na empresa. Percebe se, ainda, que esse processo de nº 10680.020458/200710 ainda não foi julgado. Portanto, a toda aparência, tratase da hipótese descrita no art. 6º, §1º, II, do Anexo II ao RICARF, supratranscrito, i.e., de decorrência. Efetivamente, o presente processo administrativo foi formalizado em razão de procedimento fiscal anterior (aquele sobre a empresa Shareconsult) e que, ainda que veiculem matérias autônomas tributos diversos a conclusão alcançada no processo da empresa poderá ter efeitos sobre o presente processo administrativo. Por exemplo, se ficar consignado ali Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 871 21 que a empresa atuava, ou que os negócios eram efetivamente válidos, então tal conclusão impactará na resolução do presente processo. Em suma, com base no art. 6º, §§4º e 5º, do Anexo II ao RICARF, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária traga informações aos autos sobre a formalização ou não de auto de infração, em desfavor da empresa, em decorrência da fiscalização anterior, que recaia sobre os mesmos negócios jurídicos. Em caso positivo, indicar qual o número do processo administrativo principal e determinar a vinculação deste processo a aquele. O lançamento, objeto deste processo, foi feito com base na omissão de rendimentos, decorrentes de vantagens recebidas de pessoa jurídica, vantagens recebidas de pessoa jurídica na forma de bens imóveis, e omissão de vantagem/resgate de depósito judicial, conforme descrito pelo Auditor Fiscal, às fls. 6/9: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS/VANTAGENS RECEBIDAS DE PESSOA JURÍDICA [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130",. Sr.Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de recursos financeiros da Shareconsult a titulo de empréstimos de mútuo desde 05/02/2003, quando nesta época o Sr.Carlos Eduardo não figurava no quadro societário da Shareconsult, [...]. No curso do procedimento fiscal ficou caracterizado que os pseudoempréstimos são na realidade vantagens financeiras recebidas da empresa Shareconsult. As vantagens financeiras recebidas não foram oferecidas à tributação na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2004, anocalendário de 2003 [...]. Portanto, a omissão de tais vantagens efetivamente recebidas de pessoa jurídca (sic), mas camufladas na forma de pseudo empréstimos serão tributadas consoante legislação tributária regente. [...] 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS/VANTAGENS RECEBIDAS DE PESSSOA (sic) JURÍDICA NA FORMA DE BENS IMÓVEIS [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130", Sr.Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de bens imóveis do Ativo Circulante Fl. 881DF CARF MF 22 daquela empresa (lotes e apartamentos) a título de empréstimos, quando nesta época o Sr. Carlos Eduardo não figurava no quadro societário da Shareconsult, [...]. No curso do procedimento fiscal ficou caracterizado que os imóveis recebidos a título de pseudoempréstimos de mútuo são na realidade rendimentos recebidos na forma de bens imóveis, avaliados em dinheiro. Os rendimentos recebidos na forma de bens imóveis não foram oferecidas à tributação na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2004,anocalendário de 2003, [...] Portanto, a omissão de tais vantagens efetivamente recebidas de pessoa juridca (sic), mas camufladas na forma de pseudo empréstimos ou dação em pagamento serão tributadas consoante legislação tributária regente. 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE VANTAGEM/RESGATE DE DEPÓSITO JUDICIAL [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130", Sr. Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de parte do resgate do depósito judicial no montante de R$ 660.713,05, que Shareconsult havia efetuado para Joaquim Francisco. [...]. Em decorrência, tal vantagem foi tributada como omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica. Oportuno mencionar que o Auditor Fiscal transcreveu no Termo de Verificação Fiscal (TVF) desde processo (fls. 17) trechos do TVF do Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 10680.020458/200710, que tem como sujeito passivo a empresa Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda (Shareconsult), de onde se extrai o seguinte: 14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680.020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): (grifei). Do TVF do PAF nº 10680.020458/200710, ao qual o Auditor Fiscal faz referência, e acosta cópia às fls. 63/72 do presente processo, podese extrair o seguinte trecho: Como se verá a seguir, o Contribuinte não declarou nem pagou os tributos e Contribuições devidas sobre Receitas auferidas em 2003; sendo que nesta mesma época seus Sócios se apropriaram da maior, parte de seus Ativos (Disponibilidades Em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de Empréstimos ou Mútuos, conforme Contas do Razão fls. 55 a 62 e Balanço Patrimonial de fls. 63 a 64. Concomitante a estas omissões quanto às obrigações tributárias e à cessão de seus ativos para os Sócios, o Contribuinte deixou Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 872 23 de funcionar; não tendo sido encontrado em seus dois conhecidos e eventuais endereços, como dito inicialmente. [...] Desse modo, a desativação irregular e as infrações à legislação tributária ora apuradas se revestiram do caráter de atos pessoais dos Sócios do Contribuinte. Caracterizase assim a "Responsabilidade Pessoal Dos Sócios Pelos Créditos Tributários Devidos" aqui constituídos; [...] 3DAS RECEITAS NÃO TRIBUTADAS 3.1 Tendo como atividade a incorporação, compra e venda de imóveis, em 2003, o Contribuinte optou pela tributação pelo regime do Lucro Presumido, mas nada informou como Base de Cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com a DIPJ/04 de fls. 66 a 96. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao Tributo e Contribuições citados, [...]. 3.2 No entanto, de acordo com a "Escritura Pública" de fls. 99 a 110, de 10/02/03, Livro 0373, Protocolo 005252, Cartório do Segundo Serviço Notarial de BetimMG e o "Registro" de fls. 111 a 114, de 26/03/03, Livro 2 , Matrícula 82.691, Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de ContagemMG", o Contribuinte alienou em Fevereiro de 2003 o Imóvel constituído pela "Fração Ideal de aproximadamente 0,927868 do Terreno com área total de 36.446,49 metros quadrados, identificado como Lote A3, da quadra 83, do Bairro Cidade Industrial, Contagem, MG; as Benfeitorias e Edificações que estão sendo construídas no Lote A3; os Direitos e Ações sobre as Marcas do Itaú Power Shopping e Itaú Plaza Shopping e Outros", pelo Preço de R$19.867.000,00, para a "MK Empreendimentos Ltda CNPJ 03.827.603/000150 e Outros Compradores". A Receita auferida nesta operação foi escriturada pelo regime de competência na Conta "00589Resultado das Vendas de Fração Ideal/ 00836Vendas do Itaú Power Shopping", conforme a Página do Razão de fls. 115; com sua contrapartida a débito da Conta "00015Clientes/00779Condomínio Itaú Power Shopping". Como descrito na Escritura citada, esta Receita seria recebida sob a forma de Disponibilidades Em Moeda e de Imóveis; sendo algumas Parcelas da mesma transferidas para Terceiros Intervenientes. Estas Transferências e os Recebimentos foram contabilizados no Razão a crédito da mesma Conta "Clientes". 3.3Ainda como Receitas auferidas em 2003 pelo Contribuinte, têmse os valores discriminados abaixo, apurados nas Páginas do Razão de fls. 115a 120, nas Contas "00289Recuperação de Despesas/00553Rec. de Despesas Diversas" e "00291 Receitas Financeiras/00292Juros Ativos; 00467Receita C/ Tit. De Fl. 883DF CARF MF 24 Capitalização; 00295Variação Monetária Ativa; 00293 Receitas S/ Aplicações Financeiras". Dos trechos transcritos acima, percebese que o lançamento efetuado na Shareconsult, decorreu da alienação de Imóvel; Benfeitorias e Edificações, os Direitos e Ações sobre as Marcas do Itaú Power Shopping e Itaú Plaza Shopping e Outros, e de outras receitas auferidas pela empresa, que não foram oferecidas à tributação. Além disso, o Auditor Fiscal referese a Carlos Eduardo de Almeida Gomes (Carlos Eduardo), para relacionálo ao fato de a empresa estar inativa, sem que seus sócios tivessem dado baixa nela, conforme determina a legislação, fato esse que torna os sócios responsáveis solidários pelos créditos tributários apurados naquele processo. De outro lado, o lançamento efetuado no presente processo, contra o recorrente se desenvolveu de forma autônoma, com objeto diferente (omissão de rendimento/vantagem, por empréstimos obtidos da Shareconsult, e resgate de depósito judicial). Assim, não se confirma a afirmação do nobre relator, de que seria necessário aguardar o julgamento do processo da pessoa jurídica, porque se fosse consignado que a empresa atuava, ou que os negócios não eram simulados, haveria impacto sobre a presente decisão. Senão, vejamos: se for decidido, naquele processo, que o crédito tributário lançado era improcedente, nada mudará o fato de Carlos Eduardo ter recebido rendimentos/vantagens da empresa Shareconsult, sem apresentálas ao Fisco, mesmo que se consigne que a empresa funcionava, ou que os sócios não são responsáveis solidários. E mais, naquele processo não se tratou de simulação de empréstimos ou mútuos; os sócios foram levados à situação de responsáveis solidários porque a empresa não foi desativada da forma legal, e eles estavam de posse das disponibilidades e bens dela, conforme cópia do TVF do PAF nº 10680.020458/200710 (fls. 64): Assim, o mesmo está desativado ou inativo de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular; permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos; sendo que as Disponibilidades e Bens correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos Sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução. Desse modo, a desativação irregular e as infrações à legislação tributária ora apuradas se revestiram do caráter de atos pessoais dos Sócios do Contribuinte. Portanto, entendo ser desnecessário converter o julgamento em diligência para a vinculação deste processo ao PAF nº 10680.020458/200710, em nome da Pessoa Jurídica Shareconsult, pois, apesar de decorrer de procedimento fiscal anteriormente desenvolvido nessa empresa, este processo contém todos os dados para dirimir as dúvidas e questões levantadas pelo nobre relator, visto que o Auditor Fiscal colacionou cópia do Termo de Verificação Fiscal do PAF na Pessoa Jurídica Shareconsult, onde relata a formalização de Auto de Infração em desfavor dessa empresa, que decorreu de omissão de receita auferida na alienação de imóvel, benfeitorias e edificações, direitos e ações sobre marcas, além de outras receitas auferidas, cujo resultado não terá efeitos sobre a decisão no presente processo. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 873 25 Ante o exposto, VOTO no sentido de rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720230/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 06/01/2010
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO
Não há nos autos qualquer comprovação de que o custo de aquisição corresponderia à metade do bem, quando, em declarações anteriores apresentadas pelo contribuinte antes do início da ação fiscal, restava consignado o montante integral da propriedade, devendo ser mantido o lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.076
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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CUSTO DE AQUISIÇÃO Não há nos autos qualquer comprovação de que o custo de aquisição corresponderia à metade do bem, quando, em declarações anteriores apresentadas pelo contribuinte antes do início da ação fiscal, restava consignado o montante integral da propriedade, devendo ser mantido o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 30 /2 01 3- 99 Fl. 293DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu considerar improcedente a impugnação naquilo em que foi contestado o lançamento, para manter a exigência do imposto equivalente a R$ 10.051,09 (dez mil e cinquenta e um reais e nove centavos), acrescido de multa proporcional de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem recalculados na data do efetivo pagamento, conforme ementa do Acórdão nº 0954.668 (fls. 268/272): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 06/01/2010 GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DOS GANHOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição adotado pelo sujeito passivo para a apuração de ganho de capital corresponde ao dobro do que efetivamente consignava nas declarações de bens e direitos, não demonstrando por elementos válidos que essas continham erro de registro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011, 2012 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Consideramse não impugnadas as matérias que não foram contestadas pelo sujeito passivo, na espécie as correspondentes à omissão de resultado da atividade rural e a maior parte da omissão dos ganhos de capital, bem como as respectivas multas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 162/171), lavrado contra o Recorrente em 25/11/2013, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 61.318,42, Juros de Mora, calculados até novembro de 2013, no valor de R$ 21.056,56 e Multa no valor de R$ 91.943,49, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 174.318,47 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). Conforme consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA (fl. 163) foram constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de resultado tributável da atividade rural, na monta de R$ 23.246,40, no anocalendário 2010, ensejando sobre o imposto apurado de R$ 45,54, a multa de ofício de 75%; Fl. 295DF CARF MF 4 2. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens, tomandose por referência os fatos geradores ocorridos em 01/2010, 11/2010 e 10/2011, respectivamente nos valores de R$ 399.582,19, R$ 233,47 e R$ 8.670,18, os quais acarretaram a exigência de impostos nas montas de R$ 59.937,33, R$ 35,02 e R$ 1.300,53, acompanhados da multa de ofício de 150%. O Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 146/153), em síntese, diz que: 1. Após o início do procedimento fiscal o Contribuinte apresentou as Declarações de Ajuste Anual (DAA), referentes aos anoscalendário 2010 e 2011, transmitidas em 29/10/2013, acompanhadas de quatro demonstrativos de apuração dos ganhos de capital, sendo que essas DAA foram retificadas, em 03/11/2013; 2. O Contribuinte optou por tributar o ganho de capital à razão de 50%, uma vez que os outros 50% pertenceria ao cônjuge e por este seria declarado, procedendo a Fiscalização também dessa forma, conforme demonstrativos de fls. 154/161; 3. Em virtude das irregularidades relativas à omissão de ganhos de capital constatadas, foi aplicada multa qualificada de 150%, previsto no art. 1º, I, da lei nº 8.137/1990, já que o sujeito passivo suprimiu o tributo incidente sobre esses ganhos; 4. No processo nº 15868.720231/201333 foi apresentada representação fiscal para fins penais. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via correio, em 29/11/2013 (AR fl. 172) e, em 24/12/2013, tempestivamente, interpôs sua impugnação (fls. 176/179). Na sua Impugnação o Contribuinte contesta o custo de aquisição que o Auditor considerou para lançamento do Imposto de Renda devido relativo ao Ganho de capital. Segundo o Contribuinte, o custo de aquisição correto seria o valor de R$ 684.506,26 (seiscentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e seis reais e vinte e seis centavos), correspondente ao somatório do custo de aquisição da meação de cada um dos cônjuges adquirentes do imóvel rural alienado com área de 534,0156 ha localizada no município de Paranaíba, conforme consta na Declarações de Bens do Imposto de Renda – Pessoa Física AnoCalendário 2010 seu e de seu Cônjuge (fls. 210/255). Finaliza sua Impugnação requerendo que a mesma seja acolhida a fim de declarar válido o novo cálculo de apuração de imposto de renda a título de ganho de capital do imóvel com a área de 534,0156 ha localizada no município de Paranaíba – MS, apresentado nas fls. 256/257. Na Impugnação apresentada o Contribuinte não contestou as infrações referentes à omissão do resultado tributável da atividade rural e aos ganhos de capital dos fatos geradores 11/2010 e 10/2011, com impostos correspondentes nos valores de R$ 45,54 (multa de 75%), R$ 35,02 e R$ 1.300,53 (multa de 150%), que foram transferidos em conjunto com as pertinentes multas para o processo nº 15865.720002/201420, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 263). Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 4 5 Com relação aos ganhos de capital do fato gerador 01/2010, o autuado contraditou parcialmente o imposto apurado, já que do total de R$ 59.937,33 admite dever o correspondente a 50% do valor apurado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital apresentados por ele nas fls. 256/257, correspondente à R$ 49.886,24. Esse valor devido, admitido pelo Contribuinte, acompanhado da multa de 150%, também foi transferido para o processo nº 15865.720002/201420, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 263). O processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0954.668, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a exigência do imposto equivalente a R$ 10.051,09 (dez mil e cinquenta e um reais e nove centavos), acrescido de multa proporcional de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem recalculados na data do efetivo pagamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via correio (AR – fl. 273), em 21/10/2014 e, inconformado com a decisão prolatada, em 19/11/2014, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 276/280, onde, repete os mesmos argumentos aduzidos na impugnação para ao final requerer o seu provimento a fim de declarar válido o novo cálculo de apuração de imposto de renda a título de ganho de capital do imóvel com área de 534,0156 ha localizado no município de Parnaíba MS, apresentado pelo Contribuinte nas fls. 256/257. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia em questão se limita à apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital do imóvel com área de 534,0156 hectares, localizada no município de ParanaíbaMS, com a seguinte descrição na Declaração de Ajuste Anual: UMA GLEBA DE TERRAS COM ÁREA DE 534,01 HAS., LOCALIZADA EM PARANAÍBA CONF. CRI 9.10089, FL. 11, LIVRO 1D, ADQ. EM 07/88 BRASIL Segundo o Recorrente, ocorreu erro na apuração pela fiscalização, ao indicar como custo de aquisição total do imóvel o valor de R$ 342.253,13 (trezentos e quarenta e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e treze centavos), quando o correto seria o valor de R$ 684.506,26 (seiscentos e oitenta e quatro mil quinhentos e seis reais e vinte e seis centavos). Conforme bem esclareceu a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 150), o sujeito passivo declarou no quadro “declaração de bens e direitos” o mesmo valor de R$ R$ 342.253,13, porém, discriminou como parte ideal de 50% do bem declarado, quando, na realidade, referido valor corresponde ao custo de aquisição da totalidade do imóvel, conforme declarado nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Destaca que o sujeito passivo, ao preencher o demonstrativo da apuração dos ganhos de capital considerou como valor da alienação a importância correspondente a 50% do valor recebido pela venda, razão porque também deveria ter considerado 50% (cinquenta por cento) do custo de aquisição que corresponde a R$ 171.126,57. Da análise dos documentos adunados aos autos, constatase que antes do início do procedimento fiscal ocorrido em 10/09/2013 (fl. 72), com ciência em 18/09/2013 (fl. 75), o contribuinte vinha declarando a totalidade do imóvel em questão, em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2008 (fl. 6), 2009 (fl. 14) e 2010 (fl. 22), pelo valor de aquisição de R$ 342.253,13 (trezentos e quarenta e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e treze centavos). A partir da Declaração do exercício de 2011, entregue em 29/10/2013 (original à fl. 29) e em 3/11/2013 (retificadora à fls. 40), o contribuinte alterou a sua Declaração de Ajuste Anual e passou a informar 50% (cinquenta por cento) do bem, no entanto, manteve o valor de aquisição. A outra metade, o Recorrente indicou como sendo da sua mulher, em virtude do regime de comunhão universal de bens da sociedade conjugal. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, não há nos autos qualquer outro documento para a comprovação de que o custo de aquisição indicado pelo contribuinte corresponderia à metade do bem, porquanto, em declarações apresentadas, restava consignado o montante integral da propriedade, razão pela qual não assiste razão ao Recorrente devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 299DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.007849/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.453
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 49 /2 00 9- 31 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.260da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 16/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.900420/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DILIGÊNCIA INDEFERIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Ocorrendo cerceamento do direito de defesa em face de indeferimento de diligência, deve ser anulada a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1201-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DILIGÊNCIA INDEFERIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ocorrendo cerceamento do direito de defesa em face de indeferimento de diligência, deve ser anulada a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 04 20 /2 01 1- 63 Fl. 399DF CARF MF 2 Relatório Os fatos iniciais do processo estão sintetizados no relatório da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (fl. 15) emitido eletronicamente pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em Barueri/SP (DRF/Barueri), em 01/03/2011, referente às Declarações de Compensação (Dcomp) nº 20083.36264.100407.1.7.035503 e 27109.82188.200606.1.3.036045, transmitidas com o objetivo de compensar os débitos discriminados nas referidas declarações com crédito de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005 no valor original na data de transmissão de R$ 377.968,32.Por meio do Despacho Decisório, a autoridade não homologou as citadas Dcomp, conforme demonstrado abaixo: Como enquadramento legal citouse: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 6°, § 1º, inciso II e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e art. 4° da IN SRF n° 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão, em 10/03/2011 (fl. 20), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 166 a 171), em 06/04/2011, alegando que: [...] II DA ORIGEM E COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO 7. Será demonstrado, a seguir, que o despacho decisório não deve prosperar. A. DAS RETENÇÕES EFETUADAS POR CLIENTES DA REQUERENTE 8. Parte do saldo negativo utilizado para compensação teve origem em retenções efetuadas por clientes da Requerente. 9. Conforme tabela anexa ao despacho decisório, parte do crédito decorrente das retenções efetuadas por fontes tomadoras não foi reconhecido pela SRFB. Confirase: 10. Do total de retenções informadas (R$222.907,24), R$13.885,00 deixaram de ser confirmados pela SRFB. Este total Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 3 3 se refere a retenções efetuadas pela PETRÓLEO BRASILEIRO S A (“PETROBRAS”) (CNPJ n. 33.000.167/000101). 11. A fim de afastar as alegações de que o crédito seria insuficiente para a compensação efetuada, a Requerente anexa à presente os respectivos Informes de Rendimentos enviados pela aludida fonte pagadora (doc. 3). 12. O conjunto probatório produzido pela Requerente é mais que suficiente para comprovar tanto a efetiva prestação do serviço quanto os valores recebidos por cada um deles e, inclusive, o efetivo desconto dos tributos pela fonte pagadora. 13. Dessa forma, tendo a Requerente apresentado os competentes documentos para comprovar a exatidão do crédito apurado no anocalendário de 2005, devese reconhecer o crédito e homologar as compensações efetuadas. B. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELA REQUERENTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO 14. Parte do saldo negativo utilizado para compensação teve origem em pagamentos efetuados pela Requerente a título de antecipação do montante devido no encerramento do exercício. 15. Conforme tabela anexa ao despacho decisório, parte do crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela Requerente não foi reconhecido pela SRFB. Confirase: 16. Do total de estimativas pagas informadas pela Requerente, não foram confirmados R$1.905.575,20. 17. A fim de comprovar os pagamentos informados, a Requerente junta à presente cópia dos DARF devidamente quitados (doc. 4). É de se notar, ainda, que os pagamentos efetuados estão de acordo com as informações declaradas em DCTF (doc. 5). 18. Por essas razões, o Despacho Decisório deverá ser revisto. Fl. 401DF CARF MF 4 III DILIGÊNCIA 20. Caso haja qualquer dúvida quanto às afirmações da Requerente, seja quanto ao montante das retenções ocorridas e pagamentos efetuados, seja quanto ao montante do crédito compensado, devese determinar a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 16, IV e 18, do Decreto 70.235/72, a fim de que se apure a verdade material. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que não preencher os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO NÃO COMPROVADO. O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. A ausência desses requisitos impede a homologação da compensação declarada. Em recurso voluntário a contribuinte alega: a) nulidade da decisão: a.1) que reconheceu a possibilidade de haver direito creditório, mas indeferiu a diligência requerida; a.2) "... porque reconheceu a procedência dos argumentos do Recorrente e a sua correspondência com as informações das declarações fiscais e pagamentos realizados, mas, ainda assim, sustentou supostas "discrepâncias entre informações" e ausência de elementos fiscais e contábeis para indeferir a manifestação de inconformidade; a.3) se, dentro do princípio da livre convicção, entendeu a autoridade julgadora que deveriam ter sido produzidas outras provas, não usuais nesse tipo de processo, deveria ter intimado a recorrente a apresentálas; a.4) "... a Recorrente juntou aos autos todas as provas possíveis que lhe cabiam para a comprovação do direito ao crédito e que são exigidas nesse tipo de discussão. Se a autoridade administrativa, de outra forma, entendeu haver fato controverso ou obscuro que demandaria prova adicional, deveria ter convertido o julgamento em diligência a fim de possibilitar ao contribuinte a produção dessa prova"; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 4 5 b) houve inversão do ônus da prova ao se exigir da contribuinte a comprovação de que as informações contidas em suas DIPJs e DCTFs seriam verídicas, já que tais informações se consubstanciam em confissão de dívida, inclusive para fins de execução fiscal, não tendo havido nenhuma manifestação da Receita Federal (retenção para análise ou não homologação) quanto a essas declarações; c) "... o contribuinte tem o direito subjetivo de efetuar a retificação das declarações já entregues à autoridade fiscal, não tendo obrigação de comprovar erro no seu preenchimento, salvo quando demandado pela autoridade fiscal a fazêlo ou nas hipóteses expressamente tratadas pelo art. 9º, da IN 1.599/15"; d) tendo ocorrido a retificação das DCTFs para a adequação à DIPJ, prevalece a declaração retificadora, não sendo cabível falarse em divergências entre a declaração retificada e a retificadora para fundamentar o não provimento da manifestação de inconformidade; e) há a comprovação das retenções efetuadas pelos seus clientes, que foi feita por meio do documento hábil: Informe de Rendimentos; f) os DARFs devidamente quitados estão de acordo com a DCTF retificadora, não havendo motivos para não considerálos para fins de composição do saldo negativo; i) se ainda restar dúvida quanto às retenções e pagamentos, os autos devem baixar em diligência para a comprovação. Ao final, requer a recorrente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida, ou o reconhecimento do crédito, com a reforma total da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade. A recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância sob os argumentos de que nela houve o reconhecimento de que havia algum direito creditório, sendo indeferida a diligência requerida e, ao final, negado o direito ao crédito. Argumenta, ainda, que juntou aos autos todas as provas possíveis que lhe cabiam para a comprovação do direito ao crédito e que são exigidas nesse tipo de discussão e, Fl. 403DF CARF MF 6 se a autoridade administrativa entendeu haver fato controverso ou obscuro que demandaria prova adicional, deveria ter convertido o julgamento em diligência a fim de possibilitar ao contribuinte a produção dessa prova. Alega ter havido ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Consta do voto condutor da decisão de piso: Da diligência Segundo o pedido apresentado pela interessada, a diligência estaria condicionada à hipótese de que as provas contidas no presente processo fossem consideradas insuficientes quando do julgamento de sua manifestação de inconformidade. No entanto, a interessada não elencou os motivos que ensejassem a diligência e os quesitos a serem apurados, requisitos necessários para o atendimento da solicitação, conforme determina o art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972 (com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993), haja vista que o § 1º desse artigo reza que considerarseá não formulado o pedido de diligência que deixar de atender a estes requisitos. Sendo assim, deve ser indeferida a realização de diligência, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 (com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993). Dispõem os dispositivos legais citados: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De um ponto de vista estritamente formal, o indeferimento da diligência está correto, uma vez que não foram expostos, de forma explícita, os motivos que a justificasse, nem formulados os quesitos referentes aos exames desejados. Contudo, o que a recorrente questiona é: havendo o relator observado que procediam os argumentos da recorrente e a correspondência destes com as informações das declarações fiscais e pagamentos realizados, poderia ser indeferida a diligência e considerada Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 5 7 improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que haviam "discrepâncias entre informações" e ausência de elementos fiscais e contábeis para indeferir a manifestação de inconformidade? Consta na decisão de piso (fls. 202 e 203): Quanto aos valores registrados em DCTF, em consulta às declarações originais (fls. 307 a 314), posteriormente retificadas, verificase que os valores relativos aos meses de fevereiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro são idênticos aos valores recolhidos pela interessada. Portanto, aparentemente, a interessada retificou suas DCTF para que essas estivessem em consonância com o registrado na DIPJ. Conforme verificado acima, embora haja indícios de que a interessada possua algum direito creditório passível de compensação, as divergências encontradas impedem, sem um exame de documentos contábeis e/ou fiscais, que se possa afirmar sobre a liquidez e certeza desse crédito. Isso porque, conforme já visto, a DIPJ, que é a declaração que efetivamente reflete a apuração contábilfiscal do montante devido dos tributos a cada período, e a DCTF, a qual é o instrumento utilizado pelo contribuinte para informar os débitos para com a Fazenda Pública, resultando em confissão de dívida, estão em desacordo com os pagamentos realizados pela interessada a título de adiantamentos mensais de CSLL. (grifos acrescidos) Com a devida vênia do relator do voto condutor da decisão de piso, pelo quanto explanado a diligência era providência que se impunha, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/1972. Demais disso, apesar de os fatos indicarem na direção de que, se direito creditório houvesse, esse seria decorrente de pagamentos indevidos ou a maior que o devido e não de saldo negativo, após uma análise à luz da legislação vigente à época, as Dcomps estariam corretas. Por primeiro, pelo que consta no despacho decisório e nos documentos de fls. 293 e 294, não há nenhuma dúvida quanto aos pagamentos efetuados. Como pode ser visto nos quadros constantes às fls. 324 e 325, transparecem alguns erros cometidos na DIPJ, como foi salientado na decisão de piso. Tomandose como exemplo os meses de junho e julho (sem levar em consideração os meses anteriores, conforme quadro ao final da fl. 323), temse o seguinte. No mês de junho, o valor devido de estimativa (segundo a apuração com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução) foi de R$ 1.278.413,33. Foi utilizado como dedução (estimativas pagas em meses anteriores) o valor de R$ 1.442.420,35, apurandose assim um saldo negativo de estimativa (suspensão) de R$ 164.007,02. Fl. 405DF CARF MF 8 No mês de julho, a apuração foi a seguinte: R$ 1.555.539,71, menos R$ 1.585.000,57 (estimativas pagas em meses anteriores), resultando em saldo negativo de estimativa de R$ 29.460,86. Ocorre que, se no mês anterior já havia sido suspenso o pagamento da estimativa, o valor lançado como estimativas de meses anteriores deveria ser o mesmo do mês de junho, R$ 1.442.420,35, resultando em saldo a pagar de estimativa de R$ 113.119,36. No entanto, esses erros podem ser explicados, a princípio, pelas DCTFs originais que indicavam débitos de estimativa em quase todos os meses do anocalendário em questão (exceto em maio e dezembro), assim como pela legislação relativa à Dcomp vigente à época dos fatos: as IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Por essas instruções normativas, as estimativas pagas indevidamente e a maior que o devido só seriam restituíveis/compensáveis se compusessem o saldo negativo do anocalendário correspondente. Podese perquirir se os valores pagos deveriam ser utilizados para o cálculo das estimativas mensais ou só para dedução ao final do anocalendário. Muito embora respeitáveis opiniões em contrário, seria mais correto o aproveitamento a cada mês, como aparentemente procedeu a recorrente. Essa correção, no caso, ocorreu em tese, tendose de se verificar, por óbvio, se os valores deduzidos são os efetivamente pagos para cada período. Vêse, portanto, que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2005 carece de apuração para fins de crédito nas Dcomps que compõem o presente processo. E, relativamente à DIPJ e às DCTFs, a ocorrência de algum erro de fato no preenchimento de uma dessas declarações não deve ser motivo de indeferimento do pleito do contribuinte, devendo ser sanado pela própria autoridade de origem mediante uma análise das informações constantes das bases de dados da própria RFB, ou ainda, por meio de diligência. Ainda, quanto à afirmação de que "aparentemente, a interessada retificou suas DCTF para que essas estivessem em consonância com o registrado na DIPJ" e à necessidade de diligência para a averiguação da correção desse procedimento, elas têm respaldo inclusive em ato de Receita Federal do Brasil, conforme conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 6 9 homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Dessa forma, deve ser acolhida a alegação de nulidade da decisão prolatada pela DRJ/RJO, devendo outra ser proferida pela mesma instância. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para DARLHE provimento, anulando a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728293/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 82 93 /2 01 4- 17 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 934 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10314.728293/201417, em face do acórdão nº 0265.407, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: "Tratase de Auto de Infração – AI lavrado contra o contribuinte em epígrafe, AI Debcad nº 51.039.5007, no valor de R$ 24.730.213,12, consolidado em 19/11/2014, referente às competências de 01/2010 a 13/2010. Conforme relatório fiscal de fls. 549/573, os valores lançados se referem a contribuições devidas à previdência social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), cujos recolhimentos não foram comprovados nem declarados por meio de GFIP. Consta, ainda, no relatório fiscal, as informações que seguem. CONTRIBUIÇÃO REFERENTE AO GILRAT O contribuinte tem por objeto social, conforme contrato social, “[...] a prestação de serviços de vigilância e segurança patrimonial privada, segurança pessoal, armada. e/ou desarmada, escolta armada, inclusive a prestação de serviços de monitoramento eletrônico de segurança [...]”. Pela leitura do Anexo V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009, constatouse que a alíquota RAT aplicável ao contribuinte (sem considerarse o coeficiente FAP) é de 3%. O contribuinte, intimado a apresentar consulta relativa ao coeficiente do Fator Acidentário de Prevenção – FAP com validade para todo o ano de 2010 (divulgado em setembro de 2009 pelo Ministério da Previdência Social – MPS), atendeu a essa e intimação e por meio dela foi possível constatar que o Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 935 3 coeficiente FAP aplicável em 2010 era de 1,4562 (conforme anexo I). Durante a realização do procedimento fiscal constatouse que as bases de cálculo (remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos) declaradas por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social – GFIP e as remunerações contidas nas folhas de pagamento são semelhantes (por essa razão, tais bases de cálculo foram utilizadas para apuração das diferenças de contribuição relacionadas ao FAP). Constatouse, contudo, que o contribuinte adotou, declarando por meio de GFIP, o coeficiente FAP como sendo 0,50, para algumas competências, e 1,00, para outras, desconsiderando o coeficiente FAP aplicável ao seu caso de 1,4562. Ao proceder dessa forma, o autuado omitiu parte das contribuições previdenciárias devidas e referentes ao RAT/SAT, relativamente às competências de 01/2010 a 13/2010, que foram objeto do presente lançamento. A fiscalização incluiu no corpo do relatório fiscal, a Tabela I, na qual discriminou, por estabelecimento e competências, os valores de remuneração declarados por meio de GFIP de 01/2010 a 13/2010. Também consta no relatório fiscal a tabela II (item 2.1.13) que contém a apuração, por estabelecimento e competência, da diferença entre as contribuições relativas ao GILRAT considerandose o FAP correto e as contribuições relativas ao GILRAT declaradas por meio de GFIP. Em conformidade com o relatório fiscal, temse como segue. Constatouse, ainda, por meio da comparação entre os valores de base de cálculo declarados por meio de GFIP e os valores de base de cálculo identificados nas folhas de pagamento, que para o estabelecimento com CNPJ 50.844.182/001208, relativamente à competência 12/2010, haviam contribuições não declaradas. Especificamente, o contribuinte transmitiu uma GFIP em 12/8/2011 contendo apenas um segurado, substituindo todas as informações da GFIP que havia sido anteriormente entregues. Na folha de pagamento o total da remuneração paga/creditada em dezembro de 2010 foi de R$ 2.347.195,39, tendo sido declarada por meio da última GFIP válida por ocasião do procedimento fiscal, um total de remuneração de R$ 771,54. Por essa razão a diferença entre a base de cálculo contida na folha de pagamento e a declarada por meio de GFIP também foi considerada como base de cálculo da contribuição referente ao GILRAT, conforme demonstrado na tabela III do relatório fiscal. O contribuinte declarou por meio de GFIP compensações que seriam relativas a valores pagos a maior em períodos anteriores. Os valores que o autuado entende como passíveis de compensação estão baseados em um processo nº 35464.008831/200521 que tramitou no âmbito do Ministério da Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 936 4 Previdência Social – MPS, por meio do qual solicitou a compensação de valores supostamente recolhidos indevidamente. Nesse processo, o contribuinte declarou que incluiu na base de cálculo das contribuições as seguintes verbas: férias indenizadas, indenizações pagas pela interrupção do contrato de trabalho, abono de férias dos artigos 143 e 144 da CLT, ajuda de custo recebida em decorrência de mudança de local de trabalho, diárias de viagens, adicionais noturno, de hora extra, feriados trabalhados, e adicional de assiduidade, pagos de forma eventual. Requereu, por meio desse processo que fosse autorizada a devolução das contribuições sociais pagas nos últimos dez anos com valor atualizado pela Selic e que não se observasse o limite de 30% para compensação previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 89, § 3º. Constatouse, contudo, que esses pedidos foram indeferidos, conforme ofício 026/21.404.1, exarado pelo Serviço de Orientação da Arrecadação, em 18/5/2005. Dessa feita, procedeuse à glosa das compensações declaradas pelo contribuinte em GFIP cujos valores estão discriminados na tabela IV do relatório fiscal. OUTRAS INFORMAÇÕES A fiscalização indicou na Tabela V do relatório fiscal, por estabelecimento e competência, os valores lançados relativos a diferenças a recolher de RAT e de compensação indevida que foi glosada. Os valores lançados foram identificados nos autos com os seguintes códigos de levantamento: FA – RAT com aplicação FAT correto; FN – RAT com remuneração não declarada em GFIP; GC – Glosa de compensação indevida. O contribuinte foi cientificado da autuação no dia 21/11/2014 conforme assinatura à fl. 574 e apresentou impugnação em 19/12/2014 (fls. 626/644), por meio da qual essencialmente: Diz que a autuação é desmedida porque não há contribuição a pagar visto que possuía decisão judicial (doc. 03) que lhe permitia excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consequentemente do SAT/RAT e terceiros, as seguintes verbas: auxílio pago nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por doença ou acidente, terço constitucional incidente sobre as férias, aviso prévio indenizado e 13º salario referente ao mês de aviso prévio indenizado. Aduz que por meio de tal sentença foi autorizado a repetir ou a compensar, com a devida correção pela Selic, toda a contribuição que recolheu indevidamente nos últimos dez anos. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 937 5 Cita ementa de Acórdão do TRF da 1ª Região – Ac. Nº 0032261 23.2009.401.3400, na qual constam as seguintes conclusões: não haveria incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, sobre os valores percebidos nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, inclusive sobre o respectivo 13º salário, e que a compensação das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados deve ser feita com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, sendo aplicável, ainda, as diretrizes do CTN, artigo 170A. Diz que houve flagrante erro da fiscalização ao glosar as compensações. Aponta, ainda, que a decisão judicial atinge de forma direta o lançamento relativo ao FAP/RAT, na medida em que no cálculo da contribuição respectiva foram consideradas verbas que a decisão judicial afastou da incidência das contribuições previdenciárias (terço de férias, 15 dias de afastamento do trabalho por acidente, aviso prévio indenizado e o respectivo 13º salário). Assevera que a contribuição denominada “FAP e RAT” é ilegal e não pode ser exigida. Tece considerações acerca das contribuições para o financiamento da Seguridade Social. Alega que por meio do inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991 também foi criada uma contribuição social complementar usando a mesma base de cálculo da contribuição social geral sobre a folha de salário, sem qualquer autorização constitucional. Disserta sobre essa contribuição e acerca da sua inconstitucionalidade, inclusive, referindose que tal contribuição (SAT/RAT) não foi instituída por lei complementar. Cita jurisprudência. Conclui que o auto de infração é totalmente nulo, pois exige contribuição indevida e porque glosou créditos que, corrigidos, serviriam para liquidar a contribuição devida. PEDIDO Requer seja julgada procedente a impugnação, anulandose a glosa praticada e seja declarado insubsistente o auto de infração lavrado. Alternativamente, pede seja determinada diligência para que seja observado o acórdão citado. Protesta pela produção de provas, em especial, a juntada de novos documentos e perícia técnica. O impugnante juntou cópias de documentos (fls. 645/805), dentre as quais: Cópia de decisão judicial da Juíza Federal Ivani Silva da Luz, no âmbito do processo judicial MS 2009.34.00.0328587, impetrado pela autuada, na 6ª Vara – SJDF (fls.750/764), por meio da qual foi deferido parcialmente o pedido de liminar, para suspender a Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 938 6 exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição social previdenciária incidente sobre as quantias percebidas pelos empregados doentes ou acidentados nos 15 primeiros dias de afastamento que antecedem a concessão de auxíliodoença ou acidente, bem como, sobre aquelas pagas a título de terço constitucional e horas extras Cópia de sentença da Juíza Federal Ivani Silva da Luz, prolatada no dia 30/6/2010, no âmbito do processo judicial MS 2009.34.00.0328587, impetrado pela autuada, na 6ª Vara – SJDF (fls.765/785). Cópia do Acórdão exarado em 1/7/2011, relativo à apelação/reexame necessário da sentença prolatada nos autos do processo nº MS 2009.34.00.0328587 (fls. 786/805)." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 839/855, onde a contribuinte reitera os argumentos apresentados em impugnação. O processo foi incluído em pauta de julgamento, sendo julgado o recurso voluntário interposto pela contribuinte em sessão realizada em 14 de junho de 2016, possuindo o acórdão (de nº 2202003.443), de fls. 874/878, a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo. ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte e o respectivo grau de risco. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. A partir da competência 01/2010, para apuração e recolhimento da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GILRAT), deve ser verificado o Fator Acidentário de Prevenção FAP aplicável à empresa, que afere seu desempenho, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período e possibilita a redução ou majoração da alíquota de contribuição relativa ao GILRAT. COMPENSAÇÃO GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo." Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 939 7 A contribuinte foi cientificada da decisão em 17/10/2016 (fl. 890), tendo oposto embargos de declaração 21/10/2016 (fls. 893/903), alegando omissões no acórdão ora embargado. Aduz a embargante que o acórdão recorrido não se manifestou sobre as seguintes alegações: (1) questão de ordem suscitada pela contribuinte às fls. 865/872; (2) contradição no que se refere a base de cálculo utilizada para aferir, de fato, as verbas que deveriam compor as contribuições previdenciárias. O despacho de admissibilidade dos embargos, de fls. 905/907, foi no sentido de que cabe razão à embargante em suas alegações, considerandose que o acórdão embargado possui, de fato, as omissões suscitadas, conforme verificase pela decisão abaixo transcrita: A questão de ordem arguida pela contribuinte às fls. 865/872, após portanto a interposição de recurso voluntário, não foi apreciada pela Turma julgadora. Nesta petição a contribuinte sustenta que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento por vício de legalidade, na medida em que a fiscalização lançou o tributo por auto de infração, quando deveria têlo exigido por notificação de lançamento. Assim, havendo omissão no julgado, necessário o acolhimento dos embargos quanto a esta alegação. Quanto ao item dos embargos "contradição da base de cálculo das contribuições previdenciárias", igualmente não foi apreciado. Sustenta a embargante que o cerne da questão não foi bem compreendido pela Turma julgadora, que "simplesmente afirma pela impossibilidade de compensar as verbas obtidas em decisão judicial", vejamos: "De fato, Nobres Julgadores, a embargante não desconhece o que entabulado no artigo 170A do CTN, que veda a compensação tributária antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Porém, o que se discute no presente feito não é tão somente a compensação, mas, sim, a base de cálculo utilizada pelo Sr. Fiscal para aferir a incidência da contribuição previdenciária. Antes de se chegar o quantum temse a compensar (o que será feito pela embargante ao final da decisão judicial), há de se verificar se a base de cálculo utilizada para calcular." De fato, o acórdão não tratou se a base de cálculo utilizada estava correta. Há, portanto, omissão no julgado também quanto a esta questão. Ante o exposto, proponho pelo acolhimento dos embargos, para que sejam sanados os vícios revelados. É o relatório. Voto Vencido Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 940 8 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Os valores lançados se referem a contribuições devidas à previdência social, relativas à glosa de compensação efetuada indevidamente e a contribuições relativas ao GILRAT, apuradas com aplicação do disposto da Lei nº 8.212/1991, artigo 22, inciso II e Lei nº 10.666/2003, artigo 10. Quanto a glosa das compensações efetuadas, a recorrente alega, essencialmente, que possuía decisão judicial que lhe permitiria excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consequentemente do SAT/RAT e terceiros, as seguintes exações: auxílio pago nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por doença ou acidente, terço constitucional incidente sobre as férias, aviso prévio indenizado e 13º salario referente ao mês de aviso prévio indenizado. Aduziu que, por meio de tal sentença, foi autorizado a repetir ou a compensar, com a devida correção pela Selic, toda a contribuição que recolheu indevidamente nos últimos dez anos. Contudo essas alegações não prosperaram, consoante decisão do acórdão ora embargado. Ocorre que a compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) Deste modo, prevaleceu o entendimento de que as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. No entanto, entende também a contribuinte haver contradição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cujo argumento não foi apreciado. Sustenta a embargante que o cerne da questão não foi bem compreendido pela Turma julgadora, que "simplesmente afirma pela impossibilidade de compensar as verbas obtidas em decisão judicial". Assim, pretende a embargante que seja analisado o recurso voluntário no que tange a base de cálculo utilizada pelo Sr. Fiscal para aferir a incidência da contribuição previdenciária. Argumenta que antes de se chegar o quantum temse a compensar, haveria de ser verificada a base de cálculo utilizada para apurado o valor devido. De fato, o acórdão não tratou se a base de cálculo utilizada estava correta. Deste modo, verifico que houve omissão no julgado quanto a esta questão, devendo esta ser sanada. Pois bem. No presente caso, temse que houve glosa de compensação indevida, resultando uma diferença de tributo a pagar. Entendo que para analisar o argumento Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 941 9 de que a base de cálculo utilizada estaria abrangendo verbas de caráter indenizatório, o que iria de encontro a decisão judicial que a contribuinte tem a seu favor. Ocorre que o processo nº 003226123.2009.401.3400, que não tem trânsito em julgado até a data deste julgamento, em razão de sobrestamento determinado em razão de dois temas do STF, teve a seguinte decisão em sendo de apelação: não haveria incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, sobre os valores percebidos nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, inclusive sobre o respectivo 13º salário, e que a compensação das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados deve ser feita com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, sendo aplicável, ainda, as diretrizes do CTN, artigo 170A. Portanto, considerando que a contribuinte possui decisão liminar deferida para afastar as verbas de natureza indenizatória (desde out/2009), sentença de concessão parcial da segurança (de 30/06/2010) e posterior acórdão confirmandolhe parcialmente o direito alegado, entendo que seria necessário que estivessem nos autos as GFIPs do período. Por regra, entendo que o ônus probatório incumbe a parte que alega. Ou seja, deveria a contribuinte ter trazido aos autos os documentos necessários para tal apreciação. No entanto, verificase que estando o lançamento base em contribuição previdenciária incidente sobre verbas de caráter indenizatórios, albergadas por decisão judicial não definitiva que afasta sua incidência, seria o caso de aplicação de Súmula nº 1 do CARF, diante da concomitância de processo administrativo e judicial, devendo a execução do crédito tributária ficar suspensa após o fim deste processo administrativo fiscal, aguardandose o resultado final do processo nº 003226123.2009.401.3400. Ou ainda, é possível, com a análise das GFIPs, que não existam as rubricas indenizatórias sofrido a incidência de contribuição previdenciária, o que acarretaria a improcedência do pedido por outro fundamento. Por fim, caso verificado nas GFIPs que existiam verbas de caráter indenizatória com incidência de contribuição previdenciária sobre elas e, já havendo na ocasião da apreciação deste julgamento, decisão definitiva favorável a contribuinte no processo nº 003226123.2009.401.3400, seria o caso de acolher a argumentação da contribuinte, de retificar a base de cálculo, de modo a atender a decisão judicial. Assim, para adequadamente apreciar a alegação da contribuinte de que a base de cálculo estava incorreta, evitandose que o aqui decidido esteja em hipótese em confronto com a decisão judicial exarada no processo nº 003226123.2009.401.3400, entendo que o processo não encontrase pronto para julgamento, razão pela qual proponho que seja convertido o julgamento em diligência, de modo que: seja realizada pela autoridade preparadora a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal, devendo ela esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 003226123.2009.401.3400; seja informado pela autoridade preparadora se há decisão definitiva do processo nº 003226123.2009.401.3400; após, seja cientificado o contribuinte do resultado da diligência, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 942 10 Registro que não se trata de inverter o ônus probatório, pois, por regra, deveria o próprio contribuinte trazer os documentos necessários para verificação do seu direito, mas sim de prudente análise de documentos, que não estão nos autos, mas que estão no sistema da Receita Federal do Brasil, que podem esclarecer o processo, de modo a evitar uma decisão deste Conselho em contradição ao decidido no processo nº 003226123.2009.401.3400. Assim, por cautela, propõese a diligência nos termos acima. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devendo a autoridade preparadora da RFB: i) realizar a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal; ii) esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 003226123.2009.401.3400; iii) informar se há decisão definitiva do processo nº 0032261 23.2009.401.3400; Após, necessário que seja cientificado o contribuinte do resultado da diligência, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Por fim, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Sendo vencido quanto a conversão do julgamento em diligência, entendo que pela documentação e informações que constam nos autos, não seria possível aferir se incorreta a base de cálculo da contribuição previdenciária aplicada ao caso, pois não foram apresentadas pelo contribuinte documentação contábil que ratificasse a sua tese. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 943 11 Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse)" Em relação ao item 1, que trata da questão de ordem suscitada pela contribuinte às fls. 865/872, entendo ser matéria abrangida pela preclusão e portanto, não conheço da matéria. Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, peço vênia para divergir quanto à necessidade de diligência. O ilustre Relator entendeu que seria necessária uma diligência para a autoridade fiscal: i) realizar a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal; ii) esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 0032261 23.2009.401.3400; iii) informar se há decisão definitiva do processo nº 0032261 23.2009.401.3400. No entanto, no meu entendimento, não cabe a realização de diligência no caso em comento. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 944 12 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Embora o ilustre Relator entenda que seria uma questão de prudência na análise dos documentos, não podemos deixar de considerar que a responsabilidade pela apresentação das provas compete à Contribuinte, não cabendo a determinação de diligencias e perícias para a busca de provas. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Consoante se depreende da leitura do dispositivo acima, a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de diligência, quando considerála prescindível ou impraticável. As diligências e/ou perícias não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, pois se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador. Dessa forma, rejeito a preliminar de diligência suscitada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Fl. 944DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.003350/2005-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004
CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO. ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. ICMS. ISS. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS.
Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15.
Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03.
Numero da decisão: 9303-005.581
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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UNIÃO. ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. ICMS. ISS. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 33 50 /2 00 5- 09 Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 3 2 convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340300.905, de 08/04/2011, efls. 3046, assim ementado, com destaque para a parte objeto do recurso: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA A fazenda dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário, decorrido este lapso temporal impõese a perda do direito de constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo 4° do art. 150 do CTN. IMPRESSÃO GRÁFICA PERSONALIZADA SOB ENCOMENDA. INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA DE IPI E ISS. POSSIBILIDADE. Os trabalhos de impressão gráfica personalizada realizados por encomenda do adquirente, ainda que para uso exclusivo, Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 4 3 atraem a incidência do IN sobre tais operações, por subsumirem à hipótese de incidência 'deste tributo, caracterizandose como industrialização, não prejudicando este raciocínio a incidência concomitante do ISS, por força de inclusão destas operações na lista de serviços anexa A. LC 116/03, ressalvado o período sob a égide do DL 406/68, quando havia norma impeditiva para tal (art. 8°, § 1°). Recurso Voluntário Provido em Parte. A Turma julgadora deu provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, deu provimento para reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro 2000; 2) por unanimidade de votos, deu provimento para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até o advento da Lei Complementar nº 116/2003, devendo a fiscalização, na parte remanescente, recalcular o auto de infração levandose em conta os créditos de IPI alegados pela recorrente; 3) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso quanto à não incidência do IPI sobre a atividade de artes gráficas. A decisão foi integrada pelo Acórdão nº 3403001.922, proferido para acolher Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com o fito de que fosse apreciado ponto omitido, sem, contudo alterar o resultado do julgamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. SANADO PONTO OMISSO. Existindo registro da fiscalização de que a contribuinte possuía saldo credor e vinha sistematicamente utilizandoo em extinção aos débitos apurados mensalmente. Prova cabal da existência de saldo credor é ausência de multa não lançada, indicativo de extinção em todo o período alcançado pela decadência. A utilização de saldo credor, de correntes de créditos legítimos, com fins de extinção de débito perante a legislação especifica do Imposto sobre Produtos Industrializados é considerado pagamento para todos os efeitos. Entendimento que se extraí das disposições nos Decretos n° 2.637/98, art. 111, parágrafo único, Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 5 4 Inciso III, que deu nova redação ao Decreto n° 4.544, art. 124, parágrafo III. Embargos Acolhidos. Em apertada síntese, a decisão recorrida manteve parcialmente a autuação fiscal no sentido de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 116/03, incide o IPI sobre as operações de impressão gráfica em bobinas personalizadas destinadas a cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral, por entender que tais operações se caracterizam como industrialização. A divergência suscitada pela Recorrente, portanto, referese especificamente sobre a possibilidade de o IPI incidir sobre produtos de impressão gráfica personalizados, quais sejam bobinas impressas produzidas com especificidades indicadas pelos clientes. No entender da Recorrente sobre a atividade de elaboração de produtos gráficos personalizados, ora em debate, devem incidir exclusivamente o ISS, uma vez que na hipótese dos autos não haveria uma operação típica de industrialização, conforme argumentos expostos em seu Recurso Especial, assim sintetizados (fls. 3136/3170): i. A atividade da ora Recorrente não configura uma obrigação de dar, e sim, de fazer, portanto, insuscetível de exigência de IPI; ii. A hipótese de incidência do tributo incidente sobre a operação consiste em “prestar serviço”, e não “industrializar produtos”; iii. A produção de bobinas personalizadas de acordo com as especificidades indicadas pelo cliente é a atividade fim da Recorrente, ao passo que o processo produtivo é apenas uma atividade meio; iv. Os produtos personalizados se destinam exclusivamente ao consumo dos encomendantes, não sendo passíveis de serem revendidos indistintamente no mercado; v. A atividade de personalização das bobinas desempenhadas pela Recorrente não compõe uma cadeia produtiva industrial, não havendo saída posterior do produzido para industrialização ou comercialização dos produtos. Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 6 5 O Recurso Especial foi admitido, conforme Despacho s/n, de 11/09/2015 (fls. 3223/ss). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 3230/ss) sustentando que deve haver a incidência do IPI sobre a operação praticada pela Recorrente por enquadrarse como industrialização. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, a questão a ser analisada referese à incidência do IPI sobre os produtos originados da prestação de serviços gráficos, mais especificamente à atividade de de corte e impressão de bobinas personalizadas destinadas a cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral. A Recorrente alega que tem por objeto social “fabricação de produtos de papel, cartolina, papel cartão e papelão ondulado para uso comercial e de escritório, exceto formulário contínuo”, os quais são fabricados de forma personalizada por meio do emprego de trabalhos gráficos. Para atender às necessidades de seus clientes efetua a transformação das bobinas brancas, cortandoas na largura e comprimentos desejados e empregando sobre estas bobinas os denominados “cliches”. Assim, fabrica bobinas impressas com os dados dos clientes, de modo personalizado, para atender às suas finalidades. Aduz que pela simples análise das características de suas atividades na produção de bobinas personalizadas é possível concluir que não se trata de hipótese de incidência do IPI, pelo fato de não realizar a materialidade do imposto, qual seja, industrializar produtos. Não há como concordar com este entendimento, senão vejamos. O art. 153, inciso IV, da CF/88 outorgou competência à União para instituir o imposto sobre produtos industrializados – IPI. O art. 46, § único, do CTN, por sua vez, prescreveu que o imposto incide sobre produtos industrializados, assim considerados aquele Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 7 6 que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo, verbis: Art. 153/CF Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; Art. 46/CTN O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...) II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; (...) Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (...) Deste modo, podese extrair o critério material da norma de incidência tributária do tributo: executar uma operação de industrialização. Para que ocorra a incidência do IPI é condição necessária e suficiente a execução, pelo contribuinte, de qualquer operação de industrialização, ou, em outras palavras, a existência de um produto resultante de uma operação de industrialização e que este produto, em determinado momento, saia, a qualquer título, do estabelecimento que o produziu. No caso em litígio, a Recorrente adquiriu insumos (bobinas de papel branco), modificou sua natureza (cortandoos na largura e comprimento) e aperfeiçou sua aparência para consumo, transformandoos em novos produtos industrializados, quais sejam bobinas de papel menores, personalizadas, de uso exclusivo do encomendante (com o logotipo e razão social/marca do encomentante, textos explicativos, etc...), a serem utilizadas em várias finalidades (cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral, etc). Posteriormente, a empresa deu saída a esses produtos de seu estabelecimento. Portanto, a meu ver, restou plenamente configurada uma operação de industrialização, conforme dispõem os artigos 3º e 4º do Decreto nº 2.637/1998 (RIPI/98) e do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), a seguir transcritos: Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como visto o artigo 3º do RIPI/1998 e do RIPI/2002, vigentes à época dos fatos, prescrevem que produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização. O artigo 4º, por sua vez, preceitua que se caracteriza como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeçoe para o consumo, tal como a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova – transformação (inciso I, art. 4º.), bem como a que importe em modificar ou aperfeiçoar a utilização, o acabamento ou a aparência do produto – beneficiamento (inciso II, art. 4º). Houve, portanto, o perfeito enquadramento dos fatos narrados pela fiscalização à norma de incidência do IPI (artigo 153, IV/ CF; art. 46/CTN c/c artigos 2º, 3º e 4º do Decreto nº 2.637/98 e Decreto nº 4.544/2002). Deste modo, entendo que a alegada prestação de serviços gráficos (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, caracterizada pela atividade de produção das bobinas personalizadas, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 9 8 Na realidade, ao prestar os serviços, a Recorrente incorre na prática de fatos geradores de dois impostos distintos, ambos com competência prevista na Constituição Federal: IPI (União) e ISS (Município), incidentes sobre o mesmo evento. Destaquese, ainda, para atender às três esferas de poder, provendoas dos recursos necessários ao cumprimento dos respectivos desígnios constitucionais, o Constituinte houve por bem repartir a tributação sobre o consumo (diferentemente do que ocorre nos países onde existe o IVA – Imposto sobre o Valor Agregado). Para tanto, elegeu como hipóteses de incidência tributária três fatos originados no mesmo conteúdo econômico: a produção de bens, a circulação destes bens e a prestação de serviços, atribuindoos, sob a forma de competência impositiva à União, aos Estados e ao Distrito Federal e aos Municípios, respectivamente. Uma tributação sobre o consumo assentada em tais bases, fatalmente levaria a impasses, pois em certos casos limites, como no dos autos, é inevitável a dupla ou até a tríplice incidência tributária. Assim, no caso dos autos, os clientes do Recorrente, ao encomendarem as bobinas, estão encomendando uma prestação de serviço, nos termos do art. 8° do DL n° 406/68 (incidência do ISS). Para que a encomenda possa ser executada, a empresa é obrigada a adquirir insumos no mercado e a transformálos em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4º, I e 34, II do RIPI/98 e RIPI/2002). No tocante à Súmula 156 do STJ, citada pelo Recorrente, a meu ver referese ao conflito de competência no âmbito do ISS e ICMS, como pode ser verificado nos precedentes utilizados na formulação da Súmula (Recursos Especiais nº 61.9149/RS, 5.808 0/SP, 18.9920/SP e 1.235/SP), todos tratando da incidência do ISS e do ICMS. Ademais, a súmula citada não é vinculante. A questão do conflito de incidência entre o ISS e ICMS, portanto, não interessa na solução deste litígio, por isso, deixamos de abordála. Quanto à alegação de que tais produtos teriam sido produzidos sob encomenda, registrese que não restou comprovado nos autos a denominada “industrialização por encomenda”, prevista no artigo 42 do Decreto nº 4.544/2002, o que permitiria operações com suspensão do IPI, uma vez que as encomendandes não enviaram qualquer tipo de insumo ao estabelecimento da Recorrente. Muito pelo contrário, a Recorrente adquiriu os insumos (bobinas de papel, tubos rígidos de plástico ou papelão e caixas de papelão para embalagem) e Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 10 9 os transformou em um novo produto (bobinas menores com as logomarcas) e os vendeu aos seus clientes. Registrese, por oportuno, como bem argumentou a PFN, no caso do IPI não existe a vedação expressa que existe para o ICMS na LC nº 116/03, notadamente quando se compara o artigo 8º do DecretoLei nº 406/68 com seu equivalente da Lei Complementar nº 116/03, o artigo 1º: DecretoLei nº 406/68 Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. § 2º Os serviços não especificados na lista e cuja prestação envolva o fornecimento de mercadorias ficam sujeitos ao impôsto de circulação de mercadorias. § 2º O fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao impôsto sôbre circulação de mercadorias. (Redação dada pelo decreto Lei nº 834, de 8.9.1969) (Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 31.7.2003). LC nº 116/03 Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1º O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. Por fim, anotese que este colegiado já apreciou a matéria tratada nos autos, decidindo no mesmo sentido deste voto. Transcrevese abaixo a ementa dos Acórdãos nº 9303 003.245, de 04/02/2015, e nº 9303002.265, de 09/05/2013: Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 11 10 Acórdão nº 9303003.245 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1999 IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS. A operação de cortar bobinas de papel adequandoas aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento). IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO. Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Recurso Especial Negado Acórdão nº 9303002.265 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 12 11 (Assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Em relação à discussão trazida nos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para expor o entendimento que prevaleceu nesse Colegiado. Cabe, então, trazer, a priori, que o sujeito passivo tem por objeto a prestação de serviços gráficos “personalizados” “sob encomenda” dos seus clientes, com destaque para as atividades de impressão personalizadas – serviço de composição gráfica sujeito à incidência de ISS. Considerando se tratar de prestação de serviço gráfico customizado e personalizado, para fins de atendimento da demanda de clientes específicos, para melhor elucidar os pontos aqui desenvolvidos, cabe trazer que que tais serviços, em síntese, são assim considerados por serem, quando de sua prestação, definidas estratégias para o desenvolvimento do produto demandado pelo cliente. Tais serviços são vistos pelos clientes como diferencial nas empresas de serviços, vez que podem proporcionar para o funcionamento de seu negócio a personalização de que necessitam. Ademais, cabe trazer que os serviços prestados pelo sujeito passivo não se confundem com a mera circulação de mercadorias/produtos, vez que tais serviços possuem como características a intangibilidade, perecibilidade, heterogeneidade e simultaneidade. Ora: · Perecibilidade, pois tais serviços não podem ser “armazenados/estocados” para a venda; · Intangibilidade, pois não podem ser vistos, provados ou sentidos; Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 13 12 · Heterogeneidade, pois tais serviços sofrem variação para cada cliente, considerando a customização dedicada; · Simultaneidade, pois envolve a dinamicidade entre a produção e o consumo. O serviço customizado prestado pelo sujeito passivo abrange essas características, vez que: · Reflete um planejamento anterior para a busca do objeto alcançado, em observância a demanda específica exposta em contrato firmado entre o cliente e o prestador; · Não se trata de venda de produtos de prateleira padronizáveis; · Se diferenciam, de acordo com a demanda de cada cliente – considerados efetivamente, de per si, como pontuais e especiais. É de se considerar, ainda, que os serviços customizados envolve interação direta com o cliente uma vez que a personalização do produto é alcançada de forma colaborativa entre a parte contratante e o contratado. Vêse ainda que o serviço de impressão gráfica personalizada desenvolvido pelo sujeito passivo não integra um processo de industrialização. Ora, as impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. O que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. A especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ou equivalente da própria encomendante. Não há uso indiscriminado. E não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve elucidação e antes de se adentrar na discussão acerca da incidência do IPI, discorrendo sobre eventual conflito de competência. O que se torna impossível se ignorar esse tema, cabe trazer ainda que a atividade personalizada, que envolve sua customização para atendimento da necessidade de eventual cliente, inquestionável, que tal serviço seria passível de tributação pelo ISS. Por conseguinte, por se tratar de bem oriundo de serviço personalizado/customizado, inegável que tal bem não seria considerado como sendo de prateleira, disponível em sua padronização aos clientes potenciais. O que confere o entendimento dos tribunais de se afastar a tributação pelo ICMS. Não se coaduna, assim, tais serviços com o conceito de mercadoria. Tanto é assim, que os Tribunais empregam tais conceitos – produtos feitos por encomenda, personalizados e customizados – para afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolvam o fornecimento de bens oriundos desses serviços especializados e personalizados. Tanto é assim, que, no que tange às essas discussões envolvendo o ISS e o ICMS, é de se recordar que os Tribunais têm manifestado, em síntese, em relação aos serviços gráficos, que: · Se a atividade gráfica fosse exercida com certas limitações – acrescentando apenas utilidades a esse meio, com o intuito de se disponibilizar o produto indiscriminadamente a todos os clientes potenciais, sem viabilidade de personalização por cliente, configurar seia como produção em série – sendo evidente, nesse caso, que se trata de disponibilização de mercadorias, motivando assim a incidência de ICMS e de IPI, vez, que, em relação à esse último tributo, caracterizada estaria a industrialização dessa mercadoria (produzida padronizadamente em série); · Por sua vez, se fosse desenvolvida por encomenda de cliente, para atender suas necessidades específicas, visando o atendimento de sua demanda em particular estarseia diante de serviço alcançável pelo Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 15 14 ISS. É de se expor que as mercadorias oriundas desses serviços não são disponibilizadas a terceiros. Para tal entendimento, é de se recordar o art. 1º, § 2º, da LC 116/03, in verbis (Grifos meus): “Art. 1º. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderantemente do prestador. [...] § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. [...]” Com tal dispositivo, resta claro que os serviços constantes da lista de serviço da LC 116/03 não ficam sujeitos ao ICMS, apenas ao ISS. Continuando, no que concerne à discussão acerca da incidência cumulativa envolvendo o ISS e o IPI, importante mencionar que o TRF já editou Súmula 143/83 (Grifos meus): “Súmula 143 – Os serviços de composição gráfica e impressão gráficas personalizadas previstos no artigo 8º, § 1º, do Decretolei n. 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decretolei n. 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI.” No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, editou a Súmula 156: “Súmula 156 do STJ – A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS.” Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 16 15 Frisese tal entendimento o disposto no 9º do DecretoLei 2471/88 que, por sua vez, estabelece que ficam cancelados os processos administrativos que trate da cobrança do IPI no fornecimento de produtos personalizados de serviços de composição gráfica e impressão gráfica: “Art. 9º. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VI – do Imposto sobre Produtos Industrializados relativamente ao fornecimento de produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráficas; e [...]” Sendo assim, resta claro que os serviços gráficos personalizados e customizados com o intuito de atender determinada necessidade de cliente não seriam passíveis de tributação pelo IPI. Quanto à discussão sobre a impossibilidade da incidência concomitante do ISS e IPI sobre a mesma atividade, a instituição de tributos é extensivamente definida na Constituição, mediante a atribuição de competência – o que ressurjo o art. 146, inciso I, da CF/88: “Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; [...]” Com tal enunciado, verificase que a Lei Complementar deve dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 17 16 O que, por conseguinte, expresse, temse que se a LC 116/03 dispôs que as atividades gráficas discutidas no presente processo são fatos geradores do ISS, inconteste não haver que se falar em tributação pelo ICMS e IPI sobre tais serviços. Tanto é assim que, nesse sentido, notase que fluíram várias decisões favoráveis, afastando a tributação pelo IPI. Em pesquisa jurisprudencial, cabe trazer o julgamento do RESP 437.324 – RS envolvendo a American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda, onde o STJ, através do ilustre Ministro Franciulli Netto, emitiu acórdão concedendo integramente a segurança pleiteada declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviço ao ISS, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a dispositivos de lei federal, nos termos da letra "a" do permissivo constitucional, ou, pela letra "c", sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de ofício a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora prequestionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 18 17 de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI.” Cabe trazer que essa decisão transitou em julgado em 3.11.03. Outro precedente igualmente importante é o veiculado no julgamento do REsp 966.184RJ decorrente de ação ordinária ajuizada pela American Bqank Note Company Gráfica e Serviços Ltda também com o objetivo de que fosse declarada a não incidência do IPI sobre os cartões de crédito com tarja magnética confeccionados no período de junho/88 a junho/89, por se tratar de prestação de serviços personalizados sob encomenda. Tal REsp, após apreciação pelo STJ – relator Ministro Herman Benjamin, foi emitido acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃOINCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 19 18 Cabe trazer que essa decisão também transitou em julgado. Em outro julgamento no STJ, especificamente quando da apreciação do Resp 103409/RS, ficou decidido que não é devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica, tal qual a impressão de cartões magnéticos personalizados e sob encomenda, conforme consignado em ementa: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO STF NA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4389. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. No julgamento da medida cautelar na ADI 4389, o STF reconheceu a não incidência do ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria. 3. A incidência do ICMS só ocorrerá nos casos em que a produção de embalagens, etiquetas sob encomenda (personalizada) seja destinada a subsequente utilização em processo de industrialização ou posterior circulação de mercadoria, o que não é o caso dos autos. 4. In casu, tratase de produção de cartões magnéticos sob encomenda para uso próprio da empresa. No caso, a embargada atua como consumidora final, ou seja, tais cartões não irão fazer parte de futuro processo de industrialização ou comercialização. Incide, portanto, o ISS nos termos do que restou determinado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 20 19 5. Não cabe ao STJ analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, mesmo a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do STF. Embargos de declaração rejeitados.” Proveitoso trazer ainda outros julgados do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA, APENAS, DO ISS. SÚMULA Nº 156/STJ. ANÁLISE DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. [...] 3. Decisão atacada que tomo com base a Súmula nº 156/STJ: “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”[...] (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min., José Delgado, EAREP 510940/SP, DJ de 17/11/2003) “AGRAVO REGIMENTAL – TRIBUTÁRIO – SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA – ICMS – NÃO INCIDÊNCIA – ENTENDIMENTO CONSAGRADO – SÚMULA 156 DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Não incide ICMS sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 deste Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. 2. Agravo Regimental improvido. ” (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min. Luiz Fux, AGRESP 331201/SP, DJU de 14.10.2002) “Tributário – ICMS e ISS – Incidência – DecretoLei nº 406/68 (art. 8º, § 2º). 1. Os serviços de composição gráfica, não distinguindo a lei entre os personalizados encomendados e os genéricos destinados ao público, sujeitamse à incidência do ISS. 2. Multifários precedentes jurisprudenciais. Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 21 20 3. Recurso sem provimento. ” (Superior Tribunal de Justiça re. Min. Luiz Pereira, RESP 142339/SP, DJU de 26/03/2001) Frisese esse entendimento a decisão dada pelo STF: “ISS. Serviço gráfico por encomenda e personalizado. Utilização em produtos vendidos a terceiros. A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, é atividade da empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos, o cliente e encomendante, na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido. ” (Supremo Tribunal Federal, RE 109.0697/SP, Rel. Min. Rafael Mayer) Em vista de todo o exposto, vêse acertado o entendimento de que nessa atividade não há que se falar em tributação pelo IPI – eis que para o deslinde do conflito de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipóteses híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, devese verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. O que, por conseguinte, as disposições da LC 116/2003 – art. 1º, § 2°, traz que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à Lei Complementar dispor sobre conflitos de competência. Ademais, não há como se ignorar os precedentes favoráveis dos Tribunais, inclusive aqueles emanados de Recursos interpostos por empresas que foram adquiridas pelo sujeito passivo. Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 22 21 Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz explicitamente o respeito à “Eficácia Vinculante dos Precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 23 22 § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Dizse Princípio, pois deve ser considerado, assim como os outros balizadores primordiais trazidos pelo nosso ordenamento, para se nortear/direcionar o julgador/juiz quando da apreciação da matéria em debate à solução jurídica mais consonante com as diretrizes emanadas pela Carta Magna e pela legislação vigente, garantindo o conforto e a segurança jurídica de que tanto busca a Administração Fazendária e o sujeito passivo. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC, in verbis: “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e o sujeitos passivo. Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 24 23 Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que torna a jurisprudência na Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação quando as decisões possuem potencial para tanto. O que é o caso. As decisões emanadas pelos Tribunais consideraram a mesma atividade do sujeito passivo, não restando dúvida quanto à necessidade da aplicação dos fundamentos determinantes do precedente ao caso concreto. Sendo assim, até mesmo em respeito a celeridade do processo no judiciário que invoca o Novo Código de Processo Civil, eis que a jurisprudência nos Tribunais se encontra PACIFICADA, inclusive com Súmulas do TRF e STJ, é de se manter o decidido no acórdão recorrido. Ademais, é de se recordar que em recente julgamento ficou consignando em acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03" Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 25 24 Em vista de todo o exposto, conhecemos o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900742/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 42 /2 01 3- 58 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.981, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720185/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS.
Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015.
VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGP-M. PARECER TÉCNICO.
O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.
O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGP-M foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO.
O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização.
Embargos Acolhidos para sanar a omissão.
Numero da decisão: 3402-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram dos embargos. Sustentou, pela recorrente, o Dr. Ramon Santos, OAB/SP nº 254.199. (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS. Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015. VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGP-M. PARECER TÉCNICO. O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGP-M foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO. O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização. Embargos Acolhidos para sanar a omissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720185/201242 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.324 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS Embargante GUASCOR DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS. Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015. VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGPM. PARECER TÉCNICO. O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGPM foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO. O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização. Embargos Acolhidos para sanar a omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do relatório e do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 85 /2 01 2- 42 Fl. 2039DF CARF MF 2 voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram dos embargos. Sustentou, pela recorrente, o Dr. Ramon Santos, OAB/SP nº 254.199. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratam os presentes autos, em seu atual estado, de Embargos de Declaração opostos pela GUASCOR DO BRASIL LTDA contra o Acórdão CARF nº 3402003.302, sob fundamento de omissão quando da análise dos seguintes pontos: I) O acórdão embargado apontou a inocorrência da implementação do IGPM nos contratos celebrados com a ELETRONORTE e a CELPA, mas deixou de se manifestar acerca da CERON, cujo reajuste do preço teria ocorrido apenas após o período autuado, no aditivo de 18/02/2011. II) Ausência de manifestação acerca da variação dos custos de produção em relação ao IGPM, visto que aventa em seu Recurso Voluntário da possibilidade de ocorrência de ajuste sem que se descaracterize o preço predeterminado, como previsto no art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, verbis: § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Também junta em seus Embargos de Declaração Parecer elaborado pela PriceWaterhouseCoopers que compara o índice que reflete a variação dos custos de produção e a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em relação ao IGPM vigente no período autuado, para apontar que este possuía índice menor que aquele. É o relatório Voto Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19515.720185/201242 Acórdão n.º 3402004.324 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Quanto ao primeiro ponto embargado, a Embargante aponta que no acórdão afirmouse que a implementação dos reajustes conforme o IGPM não ocorreu em relação às empresas ELETRONORTE e CELPA, como se vê no seguinte trecho: Em primeiro lugar, há que se pontuar que não há, nos autos, qualquer prova ou indício de que tenha sido implementada em relação aos contratos celebrados com a ELETRONORTE e a CELPA, nos termos do art.3º, §2º da IN 658/2006, o que por si só seria elemento fático suficiente para derrocar a autuação quanto a estes contratos, visto tal implementação ser condição de aplicação do referido dispositivo. Mas vamos além. [grifo nosso] Em seguida complementa afirmando que tampouco em relação à CERON tal reajuste ocorreu, dentro do período fiscalizado. A afirmação é apenas parcialmente correta. Compulsando os autos, especialmente o aditivo de fls. 1671 e seguintes, se verifica que o reajuste do preço de acordo com o IGPM somente ocorreu a partir de 29/07/2010, conforme cláusula 04: Portanto, apenas durante os últimos 5 meses do período autuado é que o reajuste foi efetivamente implementado, o que se torna juridicamente relevante em face da dicção da IN 658/2006, utilizada pela Fiscalização para fundamentar a autuação: “Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no § 3º, caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: Diante disso, cabenos reconhecer que o reajuste dos preços relativos ao contrato da empresa CERON somente foi realizado efetivamente à partir de 29/07/2010. Fl. 2041DF CARF MF 4 Apesar do provimento do Recurso Voluntário ter se dado por outras razões, cabe a este Colegiado se manifestar sobre este argumento, com fundamento no art. 489, §1º, IV do CPC/2015, verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; É dever do julgador enfrentar todos os argumentos que autonomamente sejam suficientes à determinar o desfecho do processo, isto é, que por si só sejam hábeis a fundamentar a tomada de decisão em um determinado sentido. No caso em tela, em razão do momento da implementação ser relevante para a IN 658/2006, cabe afirmar aqui que, em relação à empresa CERON, ela se deu apenas a partir de 29/07/2010. Quanto ao segundo ponto, relativo à ausência de manifestação acerca da variação dos custos de produção em relação ao IGPM, visto que aventa em seu Recurso Voluntário da possibilidade de ocorrência de ajuste sem que se descaracterize o preço predeterminado, como previsto no art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, a Embargante apresenta laudo técnico. Na análise das razões da autuação, se verifica que o fiscal autuou as receitas oriundas dos contratos com a CERON, ELETRONORTE e CELPA pelo simples motivo de haver previsão do reajustamento, sem sequer analisar a diferença entre o IGPM e a variação de custos, esta também causa autônoma de decidir, visto que o art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, assim preceitua: § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Por se tratarem tais índices de dados públicos e notórios, ainda que setoriais, não vislumbro na apresentação deste "Parecer" (que em rigor figura como mera informação técnica acerca de tais índices, na forma de uma planilha comparativa) qualquer óbice à regra preclusiva acerca da juntada de provas, visto que, nos termos do art. 374, I do Código de Processo Civil, não dependem de prova fatos notórios, vindo tal documento apenas poupar trabalho de pesquisa ao relator dos presentes Embargos. Além disso, em seu Recurso Voluntário a Embargante já fizera referência a este ponto, mas que deixou de ser apreciado em razão do provimento ter sido dado sob outro fundamento. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19515.720185/201242 Acórdão n.º 3402004.324 S3C4T2 Fl. 4 5 A omissão resta caracterizada em razão de se tratar, novamente, de argumento autônomo, com força suficiente para fundamentar a decisão em determinado sentido, nos termos do já citado art. 489, §1º, IV do CPC/2015. Assim, reconheço que a variação de preço através do IGPM foi inferior à variação dos custos de insumos utilizados, conforme planilhas de fls. 1970 e 19731974. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração para sanar as omissões apontadas, sem atribuição de efeitos infringentes. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2043DF CARF MF
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