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5065391 #
Numero do processo: 10640.902903/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.     Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Juiz  de  Fora  –  RJ  (DRJ­JFA),  que  julgou  improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente.  Para  descrever  os  fatos,  e  também  por  economia  processual,  transcrevo  o  relatório constante do Acórdão citado, verbis:     Trata  o  presente  processo  da  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  —  Dcomp  n°  33945.81062.310106.1.3.04­0635  (fls.  26 a 28), transmitida em 31/01/2006, de débito de IRRF, código  1708, período de apuração 1º Sem./julho/2004, no valor original  de  R$26,10,  com  crédito  relativo  a  pagamento  indevido  ou  a  maior de IRPJ (estimativa), efetuado por meio do DARF abaixo  discriminado:    Código  da  Receita Data de  Arrecadação Período  de  Apuração Principal Multa Juros  Valor  Total de  DARF 5993 27.02.2004 31.01.2004 800,00      ­           ­           800,00          O valor do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$27,01.  A  DRF/JFA/MG,  em  09/04/2009,  emitiu  Despacho  Decisório  Eletrônico de não homologação da compensação, em virtude de  o  pagamento  efetuado  por meio  do DARF  indicado  na Dcomp  estar  totalmente  alocado  ao  débito  de  IRPJ,  código  5993,  período  de  apuração  31/01/2004,  não  restando  crédito  disponível para compensação ora declarada (fl. 29).  A empresa contribuinte  foi cientificada, em 30/04/2009, da não  homologação  da  declaração  de  compensação  (fl.  33),  e  apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual  alega que  juntou cópia do correto  lançamento, demonstrando o  valor  real devido para o mês de  janeiro de 2004, que  cotejado  com  o  pagamento,  efetuado  em  27/02/2004,  comprova  cabalmente o pagamento indevido ou a maior.  É o relatório.    Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/2009­91  Acórdão n.º 1802­001.741  S1­TE02  Fl. 81          3 Em  sua  decisão,  a  DRJ­JFA  houve  por  bem  não  reconhecer  o  direito  creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 9 ­ 36.533, Sessão de 25 de agosto  de 2011, conforme ementa transcrita abaixo:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 27/02/2004  ESTIMATIVA  MENSAL.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR  A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar  pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo  de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na  dedução  do  IRPJ  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo  de IRPJ do período.  DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO.  Comprovada a  improcedência do  direito  creditório,  deixa­se  de homologar a compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Inconformado  com  a  decisão,  o  Recorrente  apresentou,  em  23/12/2011,  Recurso Voluntário (fls. 44/74) no qual aduziu, em síntese, que a existência do recolhimento a  maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação.  É o relatório, passo a decidir.    Voto             Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho    Admissibilidade do Recurso Voluntário  A  recorrente  foi  cientificada  da  decisão  da DRJ,  em  25.11.2011,  conforme  aviso de recebimento às fls. 43 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias,  em  23.12.2011,  atendendo  aos  demais  pressupostos  para  sua  admissibilidade.  Portanto,  dele  conheço.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO     4 Mérito   Durante  a  construção  da  sua  tese  de  defesa  o  Recorrente  alega  que  restou  comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz  de  Fora  a  existência  do  crédito  tributário,  decorrente  do  pagamento  a  maior  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  (código  5993)  referente  ao  período  de  janeiro  de  2004,  sendo  assim,  não  haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 33945.81062.310106.1.3.04­0635.  A  DRJ  manteve  a  não  homologação  da  compensação  efetuada,  sob  o  argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de  compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição  do saldo negativo respectivo.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  alega  que  a  existência  do  recolhimento  a maior  da  estimativa  mensal  de  IRPJ,  seria  suficiente  para  embasar  o  pedido  de  compensação.  Assim,  a  decisão  da DRJ  concluiu  que,  somente  o  saldo  negativo  do  IRPJ  apurado  no  encerramento  do  ano  calendário  constitui  valor  passível  de  restituição/compensação,  não  sendo  cabível,  portanto,  a  solicitação  decorrente  de  eventuais  valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário.   À  época  em  que  a  compensação  foi  processada  encontrava­se  em  vigor  a  Instrução  Normativa  nº  460/2004,  que  em  seu  artigo  10  previa  a  impossibilidade  de  compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do  julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10,  reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando  a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa.  Sobre  os  mencionados  atos  normativos  deve  ser  admitida,  nos  termos  do  artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução  Normativa  SRF  n°  600/05,  pelo  artigo  100  da  Instrução  Normativa  RFB  n°  900/08  que,  inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL  por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11.  De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN  SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores.  Portanto,  ressalvadas  as  situações  do  parágrafo  3º  (créditos  não  compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação  no  âmbito  federal,  o  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  relativo  a  tributo  e/ou  contribuição  administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento,  poderá utilizá­lo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte,  relativos  a  quaisquer  tributos  ou  contribuições  sob  administração  do  mencionado  órgão  administrativo, vejamos:  Artigo  74  ­  0  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de  ressarcimento, poderá  utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele órgão.  ...  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/2009­91  Acórdão n.º 1802­001.741  S1­TE02  Fl. 82          5 §  3o  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação  mediante  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  da  declaração  referida  no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)   I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.637, de 2002)   II  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  devidos  no  registro  da  Declaração  de  Importação.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.637, de 2002)   III  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham  sido encaminhados à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional  para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº  10.833, de 2003)   IV  ­  os  créditos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito  consolidado  no  âmbito  do  Programa  de  Recuperação  Fiscal  ­  Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei  nº 10.833, de 2003)    IV  ­  o  débito  consolidado  em  qualquer  modalidade  de  parcelamento  concedido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)   V  ­  os débitos que  já  tenham sido objeto de  compensação não  homologada pela Secretaria da Receita Federal.  (Incluído pela  Lei nº 10.833, de 2003)   V  ­  o  débito  que  já  tenha  sido  objeto  de  compensação  não  homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de  decisão  definitiva  na  esfera  administrativa;  e  (Redação  dada  pela Lei nº 11.051, de 2004).   VI ­ o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento  já  indeferido  pela  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita Federal ­ SRF, ainda que o pedido se encontre pendente  de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei  nº 11.051, de 2004)   VII­os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  de  valores  originais  inferiores  a  R$  500,00  (quinhentos  reais);  (Incluído  pela Medida Provisória nº 449, de 2008)   VIII­os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da  pessoa  física apurados na  forma do art.  8o  da Lei no  7.713, de  1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)   IX­os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica­IRPJ  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido­CSLL  apurados  na  forma  do  art.  2o.  (Incluído  pela Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO     6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor:    Súmula  84:  Pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.    Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só,  tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria.  A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de  estimativa,  comprovado  mediante  escrituração  contábil  e  fiscal,  para  que  se  possa  aferir  a  certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código  Tributário Nacional­CTN).  Nesse  sentido,  ante  a  documentação  acostada  dos  autos,  não  fora  possível  aferir  qual  valor  das  estimativas  levado  para  compor  o  ajuste  final.  Desta  forma,  torna­se  inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação  pleiteada.  Porém,  a  motivação  para  o  indeferimento  do  pleito  tanto  pela  autoridade  administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringe­se ao teor da  IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº  9430/96.  Assim,  não  havendo  análise  quanto  ao  aspecto  quantificativo  do  direito  creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da  IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não  homologação  da  compensação  pleiteada,  deve  ser  analisado  o  pedido  de  restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório  alegado.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para  análise  do  PERDCOMP  no.  33945.81062.310106.1.3.04­0635  e,  proferido  outro  despacho  decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso.      (assinado digitalmente)  Marco Antonio Nunes Castilho – Relator                 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/2009­91  Acórdão n.º 1802­001.741  S1­TE02  Fl. 83          7                   Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO

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Numero do processo: 11040.720725/2012-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Numero da decisão: 2403-002.232
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11040.720725/2012­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.232  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  GARCIA E GONÇALVES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008  RELATÓRIO DE VÍNCULOS.   O relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  ARTIGO  32,  IV,  §  5º,  LEI  Nº  8.212/91  ­  APLICAÇÃO DO ART. 32,  IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32­A, LEI Nº  8.212/91 ­ PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ­ ATO NÃO  DEFINITIVAMENTE JULGADO ­ ART. 106, II, C, CTN  Conforme  determinação  do  art.  106,  II,  c  do Código  Tributário Nacional  ­ CTN  a  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado, quando  lhe comine penalidade menos severa que a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  Desta  forma,  há  que  se  observar  qual  das  seguintes  situações  resulta  mais  favorável  ao  contribuinte,  conforme  o  art.  106,  II,  c,  CTN:  (a)  a  norma  anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art.  32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso  IV,  Lei  nº  8.212/1991  c/c  o  art.  32­A,  Lei  nº  8.212/1991,  na  redação  dada  pela Lei 11.941/2009.      Recurso Voluntário Provido em Parte    Crédito Tributário Mantido em Parte       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 25 /2 01 2- 18 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  determinar  o  recálculo  do  valor  da multa,  se  mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na  redação dada pela Lei nº 11.941/2009.      Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma  Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/2012­18  Acórdão n.º 2403­002.232  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 10­41.878 da  7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão  recorrido:    A  empresa  Garcia  e  Gonçalves  Ltda.,  nova  razão  social  de  Gandini  e  Gonçalves  Ltda.,  CNPJ  nº  02.475.818/0001­96,  foi  autuada,  Auto  de  Infração  –  AI  DEBCAD  nº  37.351.445­0  (Código  de Fundamento Legal  68),  no  valor  de  R$  58.216,32  (cinquenta  e oito mil,  duzentos  e dezesseis  reais  e  trinta  e dois  centavos), consolidado em 21/06/2012, lavrado conforme dispõe  o parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, por infração ao  disposto no artigo 32, inciso IV, da mesma Lei nº 8.212/91, por  deixar  de  informar,  em  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, o valor  das  contribuições  previdenciárias  patronais  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  transportadores  rodoviários  autônomos  que  lhe  prestaram  serviço,  nas  competências  01/2008  a  03/2008  e  05/2008  a  10/2008.  O Relatório Fiscal do Auto de Infração informa que os valores  não  declarados  em  GFIP  dizem  respeito  a  contribuições  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  transportadores  autônomos informados pela autuada e a pagamentos efetuados  a transportadores que a empresa, embora intimada – Termo de  Intimação  01  –,  não  comprovou  serem  pessoas  jurídicas.  Assim, foram considerados transportadores pessoas físicas pela  Auditoria Fiscal.  A empresa autuada teve ciência do lançamento em 28/06/2012 e  apresentou,  em  26/07/2012,  impugnação  tempestiva,  alegando  que “Consabido é que, pela exegese do artigo 135, inciso III, do  CTN,  que  embasa  a  inclusão  dos  sócios  na  categoria  de  co­ responsáveis  pelo  adimplemento  das  obrigações  exigidas  na  presente Autuação,  tal  responsabilidade deverá ser apurada no  plano  da  subjetividade.  Significa  dizer  que  haverá  o  fisco  de  apurar  e  comprovar  que  materialmente  o  inadimplemento  da  obrigação  do  sujeito  passivo  teve  a  concorrência  dos  sócios;  vale  dizer:  A  RESPONSABILIDADE  DOS  SÓCIOS  É  SUBJETIVA!”  Entende  que “inexiste  razão  para  que os  sócios  configurem no  relatório de vínculos, uma vez que, em nenhum momento houve  qualquer  tipo de apuração e comprovação de que concorreram  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 subjetivamente para o cometimento dos supostos  ilícitos  fiscais,  vale dizer: entrega de documentos fiscais.”  Pugna  pela  “nulidade  material  e  formal  da  Autuação,  porque  não  há  elementos  que  impliquem  os  sócios  na  condição  de  coresponsáveis,  devidamente  apurados  e  comprovados  pela  ilustre  Auditora  Fiscal  Previdenciária,  bem  como  não  se  permitiu  formalmente  a  defesa  dos  sócios  da  Impugnante,  envolvidos no contencioso fiscal, sem a devida oportunidade de  defesa.”  Alega, ainda, a nulidade da autuação por falta de motivação, já  que  a  empresa  foi  autuada  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  entendendo  a  fiscalização  que  houve  divergência  entre os documentos e as informações por ela prestadas, mas em  verdade apresentou todas as declarações, referentes ao período  fiscalizado,  de  forma  correta,  e  considera  “que  no  Relatório  Fiscal,  que  dá  ensejo  à  cobrança  ora  impugnada,  constam  informações equivocadas, eis que a Contribuinte jamais incorreu  nas hipóteses que ensejariam a aplicação da multa isolada.”  Invoca  o  artigo  142,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional  –CTN,  e  o  artigo  50  da  Lei  nº  9.784/1999,  alegando  restar  claro  que  a  motivação  do  ato  administrativo  está  equivocada, situação que torna nulo o Auto de Infração.  Requer “sejam conhecidas as presentes razões de impugnação, e  às mesmas seja dado provimento para o fim de decretar a total  improcedência da DEBCAD n.° 37.351.445­0, em    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde alega/questiona, em síntese:  · Relatório de vínculos.  · Apresentou todas as GFIP. Falta de motivação.    É o relatório  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/2012­18  Acórdão n.º 2403­002.232  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.  Observo que este processo trata de obrigação acessória vinculada à obrigação  principal contida no processo 11040.720418/2012­29, cujo recurso foi julgado por esta Turma,  e que resultou na manutenção do crédito tributário.    RELATÓRIO DE VÍNCULOS    A  relação  de  co­responsáveis  é  apenas  indicativa  dos  que  possuem  ou  possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores  Quanto  à  solicitada  exclusão  de  pessoas  do  rol  de  co­responsáveis  cabe  esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir  pessoas  físicas  e  jurídicas  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária,  mas  sim  listar  todas  as  pessoas  representantes  legais  do  sujeito  passivo  que,  eventualmente,  poderão  ser  responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa,  pois  o  chamamento  dos  responsáveis  só  ocorre  em  fase  de  execução  fiscal,  em  consonância  com  a  legislação,  e  após  se  verificarem  infrutíferas  as  tentativas  de  localização  de  bens  da  própria empresa.  A  responsabilização  somente  ocorrerá  por  ordem  judicial,  nas  hipóteses  previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa  jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta  discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial,  na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito.  Portanto, não há razão para a exclusão do Relatório de Vínculos dos autos.      CÁLCULO DA MULTA    No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações,  face  à  edição  da  recente Medida  Provisória  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009. A  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por  infrações relacionadas à  GFIP.  Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.32­A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  art.  32  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes multas:  I­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração  ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o  disposto no §3o; e   II­ de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações  incorretas ou omitidas  §1º  Para  efeito  de  aplicação  da  multa  prevista  no  inciso  I  do  caput,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  fixado  para  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento  §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas:   I­ à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou  II­  a  setenta  e  cinco  por  cento,  se  houver  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação  §3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I­  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária;   II­ R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”.   Considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código  Tributário  Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais  favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  Art.106 ­ A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32,  inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/2012­18  Acórdão n.º 2403­002.232  S2­C4T3  Fl. 5          7 administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição  não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991.  Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual  das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN:  (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32,  §  5º,  Lei  nº  8.212/1991  ou  (b)  a  norma  atual,  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV,  Lei  nº  8.212/1991 c/c o art. 32­A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.  Nesse  sentido,  entendo  que  na  execução  do  julgado,  a  autoridade  fiscal  deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte.      CONCLUSÃO  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  NO  MÉRITO,  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO,  para  que  se  recalcule  o  valor  da  multa  de  acordo com o disciplinado no art. 32­A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009  e manutenção da mais benéfica ao contribuinte.      Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10805.901002/2008-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação. LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno.
Numero da decisão: 3803-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 125          1 124  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.901002/2008­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.183  –  3ª Turma Especial   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  PIS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  PLANETA TRANSPORTE E TURISMO LIDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003  PROVA.  FATOS  CONSTITUTIVOS  DO  DIREITO.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.  Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao  crédito  decorrente  do  pagamento  a  maior  indicado  na  declaração  de  compensação.  LIDE.  LIMITE  OBJETIVO.  CRÉDITO  INDICADO  NA  DECLARAÇÃO  DE COMPENSAÇÃO.  A  natureza  e  especificidade  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação  não  reconhecido  no  despacho  decisório  estabelece  o  limite  objetivo  da  lide,  não  outro  crédito  que  venha  a  ser  alegado  na  defesa,  não  devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  do  despacho decisório,  e,  por maioria  de  votos,  em não  conhecer  do  recurso,  por  inépcia.  Vencido  o  Conselheiro  Corintho  Oliveira  Machado,  que  negava  provimento.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 02 /2 00 8- 71 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Participaram,  ainda, da  sessão de  julgamento os  conselheiros Hélcio Lafetá  Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Esta  Contribuinte  transmitiu  a  Declaração  de  Compensação  ­  DComp  nº  15068.90063.140604.1.3.04­8044, fls. 2/6, em que utilizou como crédito pagamento a maior de  PIS cumulativo relativo ao período de apuração dezembro de 2003, no valor de R$ 6.866,26.  Despacho Decisório Eletrônico da DRF/Santo André, fl. 9, de 20 de maio de  2008, não homologou a DComp por estar o pagamento integralmente utilizado para a quitação  de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível para dita compensação.  Em manifestação  de  inconformidade  apresentada,  fls.  14/17,  a Contribuinte  alegou,  inicialmente,  que  o  indeferimento  da  compensação  não  ocorreu  com  base  em  fundamentos legais, pois se pautou na suposta inexistência de crédito.  Afirmou  que  o  crédito  decorrente  do  DARF  indicado  encontra­se  sob  a  análise  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Santo  André,  no  processo  administrativo  n°  10805.001618/2004­17,  portanto,  enquanto  não  apreciado  o  processo  o  presente  feito  deve  estar sob efeito suspensivo.  Ponderou que a decisão que não reconhece a existência de crédito vinculado  a processo administrativo que está pendente de julgamento é precipitada, para dizer o mínimo,  e ilegal, para ser exato.  Em  julgamento  da  lide,  fls.  48/51,  a  DRJ/Campinas  verificou  que  a  solicitação  contida  no  referido  processo  administrativo,  n°  10805.001618/2004­17,  trata  do  reconhecimento  do  direito  creditório  referente  aos  saldos  negativos  de  IRPJ  e  CSLL,  ano­  calendário 2002, processo apreciado em 06 de fevereiro de 2007. Concluiu, portanto, que nem  o  tributo  nem  o  período  de  apuração  guardam  conexão  com  o  crédito  objeto  do  presente  processo: PIS cumulativo, período dezembro de 2003.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA  Não  havendo  provas  da  existência  do  crédito  utilizado,  deve­se negar homologação à compensação declarada.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  Permanecerá  suspensa  a  exigibilidade  dos  débitos  declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer  das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário  Nacional ­ CTN.  Cientificada  da  decisão  em  27  de  julho  de  2012,  irresignada,  apresentou  recurso voluntário, fls. 77/122, em 27 de agosto de 2012, em que, preliminarmente, levantou o  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901002/2008­71  Acórdão n.º 3803­004.183  S3­TE03  Fl. 126          3 argumento  de  falta  de  fundamentação  adequada  do  despacho  decisório  ao  apontar  para  a  violação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, sem especificar qual das materialidades normatizadas  nos parágrafos desse artigo, a  impossibilitar, por via direta,  a  sua defesa,  ferindo de morte o  direito da Recorrente ao contraditório e à ampla defesa.  No mérito,  voltou  a  insistir  na existência de  crédito  suficiente,  no processo  administrativo  n°  10805.001618/2004­17,  para  abarcar  o  débito  compensado na DComp  sob  análise.  É o relatório.  Voto             Conselheiro  Belchior Melo Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo,  porém  não  atende  a  requisito  para  sua  admissibilidade, como se verá.  Nulidade – despacho decisório  Não obstante o recurso voluntário deva reportar­se à razão de decidir contida  na decisão de primeira  instância,  não  sendo válido  e  eficaz  arrazoar  sobre os  fundamentos  e  afirmações da decisão da Autoridade Administrativa, porquanto o processo não anda para trás,  cito a afirmação contida no despacho decisório de fl. 8, para ressaltar a clareza na descrição do  fato  analisado, hábil  a dar o norte da defesa da Contribuinte,  sobretudo estando de posse do  documento analisado, a DComp:  Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP: 6.866,26.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou  mais pagamentos, abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  ...  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  A DComp da Contribuinte apresenta crédito de pagamento a maior de PIS. O  despacho  decisório  indica  o  valor  parcial  do  DARF  utilizado  na  DComp,  como  Limite  do  crédito  analisado.  A  Contribuinte  defende­se  sustentando  a  existência  de  crédito  de  IRPJ  e  CSLL, decorrentes de saldo negativo no processo administrativo n° 10805.001618/2004­17.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Desse modo, reputo infundada a alegação de obscuridade por não informar o  despacho  decisório  qual  o  dispositivo  infringido  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  pois  a  materialidade  está  nitidamente  exposta.  Além  de  desarrazoada  a  alegação,  o  argumento  e  o  pedido de nulidade estão sendo  inaugurados no  recurso voluntário. Este é um pedido  inepto,  por  não  ser  repetição  de  um  pedido  antecedente  (prequestionamento)  e  por  atacar  a  decisão  singular, não a do órgão colegiado.  Rejeito a preliminar.  Mérito  A  recorrente  reintroduz  o  mesmo  argumento  da  manifestação  de  inconformidade,  de  existência  de  crédito  de  IRPJ  e  CSLL  no  processo  administrativo  n°  10805.001618/2004­17, apesar da clareza da Julgadora a quo em apontar o equívoco da defesa,  bem assim para o fato jurídico sob análise neste processo e para o erro de foco da Defesa. Isso  pode ser visto no excerto do voto abaixo transcrito:  O ato combatido aponta como causa da não homologação  o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na  DCOMP como origem do  crédito,  o  valor  correspondente  fora  utilizado  para  a  extinção  anterior  de  outros  débitos.  De  fato,  tal constatação decorre diretamente do exame de  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —  DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte  e  na  qual  o  pagamento  apontado  na DCOMP  é  utilizado  integralmente  para  a  quitação  do  débito  ali  também  declarado.  Assim,  o  exame  das  declarações  prestadas  pela  própria  interessada  a  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito utilizado na compensação declarada não existia.  Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar  uma  nova  extinção,  desta  vez  por  meio  de  compensação.  Decorre  disso  que  o  Despacho  Decisório  foi  emitido  corretamente,  já que baseado nas  informações disponíveis  para a Administração Tributária.  Isso porque as informações em que se baseou a autoridade  para não homologar a compensação declarada, como já se  disse,  são  oriundas  das  próprias  declarações  prestadas  pelo  sujeito  passivo,  dispensando,  a  priori,  o  aprofundamento das investigações.  Colocada  a  resolução  do  litígio  na  forma  como  exposta  pela  decisão  de  primeira instância, cumpria à Recorrente atacar possível ilegalidade dela ­ o que não fez ­ para,  ao menos, poder insistir (com pertinência) no seu argumento de existência de crédito. Reitere­ se, uma vez mais, que o crédito que alega possuir não tem qualquer conexão com o indicado na  DComp sob análise e que fixou, desde a origem, o contorno da presente lide.   Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso.  Sala das sessões, 21 de maio de 2013  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901002/2008­71  Acórdão n.º 3803­004.183  S3­TE03  Fl. 127          5 (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10380.006847/2003-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo havido decisão definitiva do Poder Judiciário determinando a conversão em renda da União do depósito judicial em montante integral efetuado pelo contribuinte, tem-se por extinto o crédito tributário controlado nos autos, com o consequente cancelamento do auto de infração, em observância dos princípios da vedação ao bis in idem e ao enriquecimento ilícito, assim como o da capacidade contributiva.
Numero da decisão: 3803-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/2003­85  Acórdão n.º 3803­004.302  S3­TE03  Fl. 97          2 Relatório  Trata­se  de  retorno  dos  autos  da  repartição  de  origem  após  a  inclusão  dos  resultados da diligência requerida por esta 3ª Turma Especial por meio da Resolução nº 3803­ 00.087, de 2 de fevereiro de2011.  O presente processo originara­se da lavratura do auto de infração eletrônico (fls.  2 a 12), cujo fundamento fora a  falta de recolhimento da contribuição para o PIS no período  sob apreço, lançamento esse impugnado pelo interessado, com o requerimento de declaração de  improcedência da autuação, em razão do fato alegado de que os pagamentos não  localizados  pelos sistemas da Receita Federal haviam sido efetuados nas datas de vencimento por meio de  depósitos judiciais, no âmbito da ação judicial em que se discutia a inconstitucionalidade dos  Decretos­lei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988.  A DRJ Fortaleza/CE julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 95 a 99),  nos seguintes termos:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARÁ O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1998  VERIFICAÇÃO  DO  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO  OU  CONTRIBUIÇÃO.  Efetua­se o Lançamento de oficio quando o Sujeito Passivo não realiza  ou realiza com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto ou  da contribuição devida.  MULTA DE OFICIO NÃO ISOLADA, ART. 90 DA MP 2.158­35/2001.  Nos Autos de Infração lavrados com fulcro no art. 90 da MP 2.158­35,  de 2001, cujo tributo devido  foi regularmente informado, embora não  tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no  art.  18  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  descabe  a  exigência  da multa  de  oficio não isolada.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 1998  LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.  A  existência  de  Medida  Judicial,  suspendendo  a  exigibilidade  do  crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração que  visa  prevenir  a  decadência,  sendo  neste  caso  inaplicável  a  multa  de  lançamento de oficio.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Não se conformando com a decisão, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls.  61 a 65), reiterou seu pedido de declaração de nulidade do auto de infração e alegou que a ação  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/2003­85  Acórdão n.º 3803­004.302  S3­TE03  Fl. 98          3 judicial  já  havia  sido  julgada  improcedente  e  que  os  depósitos  judiciais  haviam  sido  convertidos em renda da União.  Em 2 de fevereiro de 2011, esta 3ª Turma Especial, por meio da Resolução nº  3803­00.087, decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que  se obtivessem informações acerca da situação atual dos processos  judiciais  referenciados nos  autos,  confirmando­se  ou  não  a  conversão  em  renda  da  União  dos  valores  depositados  judicialmente, colhendo­se outros eventuais dados que pudessem contribuir para a elucidação  da questão controvertida (fls. 69 a 71).  Em atendimento à diligência  (fl. 95),  a  repartição de origem  informa que o  contribuinte  efetuou  depósitos  judiciais  correspondentes  ao  montante  integral  dos  créditos  tributários controlados no presente processo,  conforme demonstrativos de  fls. 91  a 94,  tendo  sido  convertidos  em pagamento definitivo para a União os depósitos  efetuados  até o mês de  novembro  de  1998,  nos  termos  da  informação  prestada  pela  Caixa  Econômica  Federal,  devidamente confirmada no sistema da Receita Federal (fls. 79 a 86).  Ainda segundo a autoridade administrativa de origem, os depósitos efetuados  a  partir  do mês  de dezembro  de  1998  ainda  permanecem à  disposição  da  Justiça,  consoante  informação de  fls. 87  a 88, encontrando­se no site da Justiça Federal  a  informação de que o  MM.  Juiz  da  5ª  Vara  já  havia  encaminhado  oficio  à  Caixa  Econômica  Federal  solicitando  esclarecimentos quanto ao não cumprimento de sua determinação, no sentido de transformar os  referidos depósitos em pagamento definitivo para a União (fls. 89 a 90).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  Conforme  acima  relatado,  cumprida  a  diligência  determinada  por  esta  3ª  Turma Especial, obteve­se a confirmação de que o Recorrente efetivamente efetuara depósitos  judiciais no montante integral dos créditos tributários controlados neste processo (fl. 95).  De acordo com informação prestada pela Gerente Geral da Caixa Econômica  Federal em Fortaleza/CE em atendimento à solicitação da autoridade administrativa de origem  (fl.  78),  em 26/11/2009, o  saldo da  conta nº 1562.05.49726­6  foi  transferido para  a  conta nº  1562.635.944­0,  por  força  das  Leis  nº  12.058  e  12.099,  ambas  de  2009,  com  a  posterior  transformação  em  pagamento  definitivo  em  favor  da  União  Federal,  em  atendimento  à  solicitação do Ofício nº 0005.0035­0/2011, da 5ª Vara Federal do Estado do Ceará.  Contudo, segundo a autoridade administrativa de origem, somente os valores  depositados  relativos  aos  períodos  de  apuração  de  maio  a  outubro  de  1998  já  haviam  sido  convertidos em renda da União, encontrando­se pendente de conversão a parcela referente aos  depósitos dos períodos de apuração de novembro a dezembro de 1998, cujos procedimentos de  conversão encontravam­se dependentes tão somente do cumprimento da determinação judicial  por parte da Caixa Econômica Federal.  Nesse  contexto,  não  obstante  a  pendência  operacional  por  parte  da  Caixa  Econômica Federal, tem­se por comprovada a extinção do crédito tributário controvertido nos  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/2003­85  Acórdão n.º 3803­004.302  S3­TE03  Fl. 99          4 autos, considerando­se definitiva a determinação judicial de conversão em renda da União de  todos os depósitos judiciais efetuados pelo ora Recorrente.  Além  disso,não  de  pode  ignorar  que,  nos  termos  do  art.  151,  inciso  II,  do  Código Tributário Nacional (CTN), o depósito do montante integral suspende a exigibilidade  do crédito tributário, não se requerendo, nos casos da espécie, o lançamento de ofício para fins  de  prevenção  da  decadência,  pois,  de  acordo  com  o  art.  63  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  tal  lançamento somente é requerido nos casos de medida liminar ou tutela antecipada (incisos IV e  V do art. 151 do CTN).  Diante do exposto, em respeito aos princípios da vedação ao bis in idem e ao  enriquecimento  ilícito,  assim  como  o  da  capacidade  contributiva,  voto  por  DAR  PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 15504.016435/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. ERRO MATERIAL RETIFICADO. RELEVAÇÃO DA MULTA. As condições impostas pelo art. 291 do RPS foram cumpridas, possibilitando a relevação da multa. INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade das normas tributárias, assim como pretende a Recorrente. Aplicação da Súmula 02 do CARF. Recurso de Ofício Imrovido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho - Relatora Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Numero da decisão: 2302-002.621
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 214          1 213  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.016435/2009­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­002.621  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2013  Matéria  Auto de Infração: obrigações acessórias  Recorrente  CONSERVO SERVIÇOS GERAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GFIPS.  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES.   Constitui  infração  a  empresa  deixar  de  apresentar  ou  apresentar  incorretamente  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  ao  Conselho  Curador  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  ­  FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos,  dados  relacionados  a  fatos  geradores,  base  de  cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art.  32, inciso IV da Lei nº 8.212/91.  ERRO  MATERIAL  RETIFICADO.  RELEVAÇÃO  DA  MULTA.  As  condições  impostas  pelo  art.  291  do  RPS  foram  cumpridas,  possibilitando a relevação da multa.  INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. APLICAÇÃO DA  SÚMULA 02 DO CARF:  O Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  não  tem  competência  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  das  normas tributárias, assim como pretende a Recorrente. Aplicação da  Súmula 02 do CARF.  Recurso de Ofício Imrovido.  Crédito Tributário Exonerado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  Segunda  Turma  da  Terceira  Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 64 35 /2 00 9- 19 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ     2 de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  acompanham o presente julgado.  Juliana Campos de Carvalho ­ Relatora  Liege Lacroix Thomasi ­ Presidente         Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége  Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico  Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho  Cruz.  Fl. 779DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/2009­19  Acórdão n.º 2302­002.621  S2­C3T2  Fl. 215          3 Relatório  Refere­se  o  Auto  de  Infração  a  penalidade  aplicada  em  face  do  contribuinte  em  decorrência da inobservância, no período de 01/2005 a 12/2005, à norma disposta no art. 32, inciso IV,  da  Lei  nº  8.212/91  a  qual  impõe  a  obrigatoriedade  da  empresa  informar  corretamente  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do Brasil  e  ao Conselho Curador  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  dados  relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras  informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.  De acordo com o relatório fiscal (fls. 05), a empresa não declarou em GFIP parte dos  valores  de  remuneração  paga ou  creditada  aos  segurados  empregados,  nas  competências  de  01/2005  a  12/2005. Desse modo, foi aplicada a penalidade prevista na Portaria Interministerial MPS/MF nº 77/08,  conforme  art.  92  da  Lei  nº  8.212/91,  a  saber,  o  percentual  de  100%  do  valor  da  contribuição  não  declarada, limitada por competência, aos valores previstos no art. 32, §4º, da Lei nº 8.212/91. Não restou  caracterizada circunstância agravante.  Cientificada  da  autuação,  a  empresa  apresentou  impugnação  (fls.  30/47),  tempestivamente (fl. 41), alegando, em síntese:  a) Que a despeito de ter retificado as GFIP's, afirmou que agente fiscal não especificou,  por competência, quais foram os segurados em relação aos quais estavam incorretas as  informações prestadas em GFIP, bem como, não indicou quais foram as faltas;  b) Que a multa aplicada deveria ser revelada, posto que a conduta da autuada preencheu  todos os requisitos do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99;  c)  Que  em  decorrência  da  nova  legislação  (MP  449/08),  caberia  a  retroatividade  benigna para o fim de aplicar a multa estabelecida no art. 32­A da Lei nº 8.212/91;  d) Que a multa aplicada teria caráter confiscatório;  e) Ao  final,  pleiteou  a  relevação  da multa,  o  sobrestamento  do  presente  processo  até  decisão  final  das  impugnações  apresentadas  nos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  e,  subsidiariamente,  a  aplicação  da  retroatividade  benigna  introduzida  pela  Lei nº 11.941/09.    A DRJ/BHE converteu o julgamento em diligência para que fosse revisada a multa (fls.  59). Na informação fiscal de fls. 61, foi dito que a multa aplicada foi a mais benéfica ao contribuinte e  que o valor do AI 77 e AI 78 será desprezado, ou seja, não comporá o valor total do documento.    O contribuinte foi devidamente intimado (fls. 73). Às fls. 74/88 manifestou­se sobre a  diligência.  Na decisão de 1º grau (fls. 190/199), foi julgada parcialmente procedente a impugnação  para o fim de corrigir o procedimento fiscal para se adequar à penalidade mais benéfica (alínea "c" do inciso  II  do  art.  106  do CTN)  por  exclusivo  descumprimento  da  obrigação  acessória  em  documento  declaratório  GFIP, ficando a multa prevista no artigo 32­A da Lei n° 8.212/91.  Fl. 780DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ     4  Intimada  do  julgado,  interpôs,  em  tempo  hábil,  recurso  voluntário  pleiteando  a  relevação da multa conforme art. 291 do RPS art. 291 do RPS c/c art. 656 da IN SRP nº 03/2005.  Eis o relatório.  Fl. 781DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/2009­19  Acórdão n.º 2302­002.621  S2­C3T2  Fl. 216          5 Voto             Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora.  Protocolada  a  petição  dentro  do  prazo  conferido  pela  legislação,  passo  à  análise  das  questões suscitadas.  Alegou o contribuinte que a multa aplicada deveria ser revelada, posto que sua conduta  preencheu os pressupostos exigidos pelo art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99;  O art. 291 do Regulamento da Previdência Social dispõe que para haver a revelação da  multa faz­se necessário a observação de alguns requisitos, quais sejam: correção da falta até o termo final  do prazo para impugnação, pedido expresso dentro do prazo de defesa, ser o infrator primário e não ter  ocorrido nenhuma circunstância agravante, in litteris:    "Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo  para  impugnação.     1º A multa  será  relevada  se o  infrator  formular pedido  e  corrigir a  falta,  dentro  do  prazo  de  impugnação,  ainda  que  não  contestada  a  infração,  desde  que  seja  o  infrator  primário  e  não  tenha  ocorrido  nenhuma circunstância agravante.      § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista  no  art.  286  e  nos  casos  em  que  a  multa  decorrer  de  falta  ou  insuficiência de  recolhimento  tempestivo de  contribuições ou outras  importâncias devidas nos termos deste Regulamento.      § 3º Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício,  de acordo com o disposto no art. 366."      Na mesma linha segue a IN SRP nº 03/2005:    "IN SRP nº 03/2005:    Art. 656  . Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo  para  impugnação do Auto­de­Infração. (Redação dada pela IN SRP nº 23,  de 30/04/2007)  ( Revogado pela  Instrução Normativa nº 971, de 13  de novembro de 2009 )    § 1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o  infrator:    Fl. 782DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ     6  I  ­  formular  pedido  dentro  do  prazo  de  defesa  e  comprovar  a  correção da falta no prazo referido no caput; (Redação dada pela IN  SRP Nº 6, DE 11/08/2005)    II ­ for primário; e    III ­ não tiver incorrido em circunstância agravante.    § 2º A multa será atenuada em cinqüenta por cento, se o infrator tiver  corrigido a falta no prazo referido no caput.    §  3º  O  disposto  nos  §§  1º  e  2º  deste  artigo  não  se  aplica  à  multa  prevista no art. 286 do RPS e nos casos em que a multa decorrer de  falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou  outras importâncias devidas nos termos do RPS.    § 3º O disposto no § 1º deste artigo não se aplica à multa prevista no  art.  286  do  RPS  e  nos  casos  em  que  a  multa  decorrer  de  falta  ou  insuficiência de  recolhimento  tempestivo de  contribuições ou outras  importâncias  devidas  nos  termos  do  RPS.  (Redação  dada  pela  IN  SRP nº 20, de 11/01/2007)    ...    § 4º Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária,  considera­se cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648,  uma falta.    § 5º A  relevação ou a atenuação de que  tratam os § § 1º  e 2º  será  aplicada  sobre  o  valor  da multa  correspondente  a  cada ocorrência  para a qual houve correção da falta."    A partir de 2009, com a  instituição do Decreto nº 6.727, de 12 de  janeiro de 2009, a  norma foi revogada.   Todavia, de acordo com o art. 144 do CTN, o  lançamento deve reportar­se à data da  ocorrência do fato gerador da obrigação, no caso ao período de 2005, e  rege­se pela  lei então vigente,  ainda que posteriormente modificada ou revogada.     "Art.  144.  O  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente modificada ou revogada."    Como na hipótese os fatos geradores referem­se às competências de 01/2005 a 12/2005  (anterior a  janeiro/2009), nos  termos do art. 144, caput, do CTN,  reportando­se à  lei da data dos  fatos  geradores (2005), certa a aplicação do art. 291 do RPS. Este entendimento já foi abordado pela 2ª Seção,  3ª Câmara,  1ª  TO,  cujo Relator Mauro  José Silva,  no PAF nº  10920.001127/2010­06  (Acórdão  2301­ 003.197), assim afirmou:     "Obrigações  Acessórias  Período  de  apuração:  01/08/2006  a  30/11/2007 RELEVAÇÃO DAS MULTAS.  INFRAÇÃO REFERENTE  Fl. 783DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/2009­19  Acórdão n.º 2302­002.621  S2­C3T2  Fl. 217          7 A FATOS GERADORES ATÉ  01/2009.  APLICAÇÃO DO ART.  144  DO CTN. Até janeiro de 2009, o Decreto 3.048/99 ­ Regulamento da  Previdência Social (RPS) previa em seu art. 291, §1º a relevação das  multas  se  o  infrator  corrigir  as  faltas,  for  primário  e  não  houver  circunstância  agravante.  Apesar  da  revogação  de  tais  dispositivos  pelo Decreto 6.727/2009, o contribuinte tem direito ao benefício se os  fatos  geradores  apontados  tiverem  ocorrido  até  a  edição  da  novel  legislação, por conta da aplicação do art. 144 do CTN."    Pois bem! Às fls. 61, em resposta à solicitação de fls 59, informou o agente fiscal que  ao  examinar  as  GFIP's  retificadoras  elaborou  planilha  intitulada  "PLANILHA  GFIP  RETIFICADA"  onde foram apresentados os valores novamente declarados e ainda discrepantes das folhas de pagamento  apresentadas durante a fiscalização.    No  recurso  voluntário,  o  sujeito  passivo  defendeu  a  tempestividade  das  correções  perante a Secretaria da Receita Federal.    Analisando  o  PAF  nº  15504.016438/2009­52  (AI  nº  37.222.205­6)  cujo  lançamento  está  a  exigir  o  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  destinadas  à  Seguridade  Social,  conexo  à  presente  ação  fiscal  (AIOA  37.222.204­8),  a  impugnação  apresentada  pela  empresa  foi  julgada  procedente em parte. Na oportunidade, constatou o Relator que os créditos de retenção  indicados nas  GFIP's  corrigidas  ensejariam  a  satisfação  da  obrigação  principal,  impondo  a  improcedência  do  levantamento "DC" ­ Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005. Assim restou a  ementa do julgado:    "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS    Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005    ERRO  MATERIAL  EM  GFIP.  CRÉDITOS  DE  RETENÇÃO.  GUIAS RECOLHIDAS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.  Sendo comprovado erro material em documento declaratório GFIP,  têm­se  corno  inexistente  causa  jurídica  a  se  exigir  contribuições  previdenciárias  já  satisfeitas,  antecipadamente,  em  relação  à  empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão­de­obra.    No  processo  administrativo  fiscal,  não  é  dado  afastar  norma  por  alegação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade".    De  acordo  com  o  relatório  da  DRJ  no  PAF  nº  15504.016438/2009­52  (AIOP  nº  37.222.205­6),  salientou  o  contribuinte  que  no  ano  de  2005,  por  simples  erro,  deixou  de  indicar  a  totalidade dos  tomadores de  serviço  e os valores por ele  retido, vindo a  retificar  as GFIP's quando do  início  do  procedimento  fiscal  (em  30/10/2009  ­  anexo  03  da  impugnação  protocolada  no  AIOP  nº  37.222.205­6). Sendo constatado apenas um mero erro material, já corrigido, as retificações das GFIP's  foram  levadas a efeito de modo a confirmar a existência de créditos, oriundos das  retenções efetuadas  pelos tomadores de serviço, suficientes a ensejar a satisfação da obrigação principal por completo.    Desse modo, sendo primário o contribuinte, havendo pedido expresso de relevação na  defesa, restando comprovada a correção da falta no prazo de impugnação (a retificação ocorreu como do  início do procedimento fiscal no AIOI nº 37.222.205­6, em 30/10/2009, conforme dito pela DRJ) e, por  Fl. 784DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ     8  fim, inexistindo circunstância agravante, observo que as condições impostas pelo art. 291 do RPS foram  cumpridas, possibilitando­lhe a relevação da multa.    Por fim, em relação ao reconhecimento de inconstitucionalidade defendido pelo sujeito  passivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não tem competência para apreciar a  matéria. Eis a Súmula nº 2 do CARF:  “Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”    Por todo o exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  dar­lhe  provimento,  relevando  a  multa  aplicada nos termos do art. 291 do RPS c/c art. 144 do CTN.  É como voto.    Juliana Campos de Carvalho Cruz ­ Relatora                              Fl. 785DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ

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Numero do processo: 10183.005163/2008-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. TÉCNICOS RESIDENTES NO BRASIL. VÍNCULO CONTRATUAL. SÚMULA CARF Nº 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. TÉCNICOS RESIDENTES NO BRASIL. VÍNCULO CONTRATUAL. SÚMULA CARF Nº 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  que  indeferiu  a  impugnação  mediante  a  qual  o  contribuinte  buscava  cancelar  o  lançamento  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  do  exercício  2006,  ano­calendário  2005,  tendo  por  argumentação a isenção dos rendimentos recebidos como contratada da Unesco Brasil.  A recorrente sustenta que(a) a decisão recorrida ao se basear na pergunta 137  do  IRPF 2007 desconsiderou a previsão do art. 5º da Lei 4.506/1964 c/c decretos 27.784/50,  59.308/66 e 52.288/64, bem como farta documentação apresentada; (b) a recorrente não pode  ser  prejudicada  se  a  Unesco  não  apresentou  relação  de  funcionários  à  Receita  Federal;  (c)  precedentes deste Conselho e judiciais reconhecem o direito a isenção; e (d) subsidiariamente,  o lançamento é nulo por desconsiderar as despesas que foram paulatinamente demonstradas e  objeto da declaração de IRPF.  A recorrente apresentou contrato de trabalho e Termo de Referência firmados  com a Unesco referentes aos rendimentos objetos da autuação.  Ciência em 09/05/2011. Peça recursal protocolada em 11/05/2011.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  Discute­se  se  são  tributáveis  ou  não  os  rendimentos  recebidos  por  técnico  residente no Brasil contratado pela Unesco.  Não  obstante  a  existência  dos  precedentes  mencionados  pela  recorrente,  a  matéria é objeto da Súmula CARF nº 39, que de acordo com o disposto no §4º do art. 72 do  Regimento Interno do CARF c/c art. 37 do Decreto nº 70.235/1972 (com a redação dada pela  Lei nº 11.941, de 2009), é de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho,  Súmula CARF nº 39:   Os  valores  recebidos  pelos  técnicos  residentes  no  Brasil  a  serviço  da  ONU  e  suas  Agências  Especializadas,  com  vínculo  contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa  Física.  Em  homenagem  ao  entendimento  daqueles  que  consideram  obrigatória  a  reprodução do entendimento manifestado pelo STJ no RESP 1.306.393/DF, por  força do art.  62­A do Regimento Interno do CARF, registro que (a) esse precedente trata especificamente de  rendimentos  recebidos do PNUD, o que não  ficou demonstrado  ser o  caso dos  autos;  (b) de  todo  modo,  a  Súmula  representa  o  entendimento  Institucional  acerca  da  matéria  e  sua  revogação exige procedimento próprio previsto no Regimento.  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005163/2008­05  Acórdão n.º 2802­002.491  S2­TE02  Fl. 79          3 Quanto  à  alegação  de  que  o  lançamento  não  levou  em  conta  as  deduções  declaradas,  a  análise  do  item 3  do  demonstrativo  de  fls.  30  indica que  a  recorrente não  tem  razão, pois as deduções declaradas foram computadas para reduzir a base de cálculo.  Portanto, deve­se NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 14485.000509/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Tendo a contribuinte comprovado sua condição de entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, sobretudo em vista do direito adquirido estabelecido no § 1°, do artigo 55, da Lei 8.212/91, a exigência de referidas contribuições somente poderá ser levada a efeito na hipótese de emissão prévia de Ato Cancelatório da isenção que a contribuinte faz jus. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior

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ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2006  PREVIDENCIÁRIO.  ISENÇÃO  COTA  PATRONAL.  ENTIDADES  DE  ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91.  APLICABILIDADE.  De  acordo  com  a  jurisprudência  firmada  neste  Colegiado,  amparada  pelas  normas  legais  que  tratam  da  matéria,  as  instituições  de  ensino  podem  se  caracterizar  como  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  de  modo  a  fazer  jus  à  isenção/imunidade  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para  tanto,  prescritos  no  artigo  55  da  Lei  n°  8.212/91,  vigente  à  época  do  lançamento.  ENTIDADE  ISENTA.  OBSERVÂNCIA  AOS  REQUISITOS  LEGAIS.  LANÇAMENTO.  NECESSIDADE  DE  PRÉVIO  ATO  CANCELATÓRIO  DO BENEFÍCIO FISCAL.  Tendo  a  contribuinte  comprovado  sua  condição  de  entidade  isenta  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  sobretudo  em  vista  do  direito  adquirido estabelecido no § 1°, do artigo 55, da Lei 8.212/91, a exigência de  referidas  contribuições  somente  poderá  ser  levada  a  efeito  na  hipótese  de  emissão prévia de Ato Cancelatório da isenção que a contribuinte faz jus.  Recurso especial provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   2   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior – Relator  EDITADO EM: 02/12/2011  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian  Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias  Sampaio Freire.  Relatório  Trata­se de Recurso Especial (fls. 549/582) interposto pelo sujeito passivo em  face do Acórdão nº 205­01.333 (fls. 520/538) proferido pela então 5ª Câmara do 2º Conselho  de Contribuintes, com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de  Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25 de junho de 2007.  Como  consignado  abaixo,  a  então  5ª  Câmara  julgou,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2004 a 28/02/2006  Ementa:  DECADÊNCIA.  0  Supremo  Tribunal  Federal,  através  da  Súmula  Vinculante  n°  08,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91.  Tratando­se  de  tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das  contribuições  previdencidrias,  devem  ser  observadas  as  regras  do Código Tributário Nacional  ­ CTN. Assim,  comprovado nos  autos  o  pagamento  parcial,  aplica­se  o  artigo  150,  §4°;  caso  contrário, aplica­se o disposto no artigo 173, I. No caso em tela,  não  se  observa  a  decadência,  pois  o  crédito  foi  lançado  em  período aquém ao prazo qu inqu enal.   NÃO CONFIGURA BIS IN IDEM NOTIFICAÇÕES FISCAIS DE  LANÇAMENTO DE DÉBITO COM PERÍODOS DISTINTOS  Não  ocorrência  de  bis  in  idem  quando  se  trata  de  créditos  distintos.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 2          3 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIARIA  A  isenção,  conforme  atesta  o  texto  constitucional,  só  pode  ser  concedida  mediante  lei  especifica,  no  caso  a  vigente  Lei  n.°  8.212/91,  que  no  seu  artigo  55  estabelece  as  exigências  necessárias  a  serem  cumpridas,  cumulativamente,  para  que  a  entidade obtenha a isenção das contribuições previdencárias de  que . tratam os artigos 22 e 23, da mesma lei. Nos incisos I e II,  do citado artigo 55, constam os requisitos formais, quais sejam:  que  a  entidade  seja  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal e que seja  portadora do Certificado e do Registro de Entidade Beneficente  de  Assistência  Social,  fornecidos  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos.  A  entidade  deverá  requerer  a  isenção do  Instituto Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  de  acordo  com  o  preceito  contido  no  parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei n. 8.212/91.  A  falta  de  titularidade  e  da  solicitação  inviabiliza  o  gozo  do  benefício.  PARCELAS  SALARIAIS  INTEGRANTES  DA  BASE  DE  CÁLCULO,  RECONHECIMENTO  PELO  CONTRIBUINTE  ATRAVÉS  DE  FOLHAS  DE  PAGAMENTO  E  OUTROS  DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.  O reconhecimento através de documentos da própria empresa da  natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos  segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da  base de cálculo.  Recurso Voluntário Negado.”  Ciente  do  acórdão,  em  19/03/2009  (fls.  544),  o  Recurso  Especial  foi  interposto  em  03/04/2009,  conforme  protocolo  as  fls.  549,  dentro,  portanto,  no  prazo  de  15  (quinze) dias estabelecido no §1° do artigo 15 do Regimento  Interno da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais. O  pedido  foi  devidamente  instruído  com  cópia  do  acórdão  indicado  como  paradigma e/ou reprodução integral de sua ementa no corpo do recurso.  Em síntese, a peça  recursal pretende a  reforma do  julgado sob os  seguintes  fundamentos:  i. o débito  em comento  seria  referente  à desconsideração da  imunidade  exercida  pela Organização Santamarense de Educação e Cultura (OSEC), nos termos  do que dispõe o art. 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal;  ii. desconsiderada  a  imunidade  a  qual  faz  jus  à  instituição,  foram  lançadas  contribuições previdenciárias sob cota patronal, no período 5/2005 a 2/2006;  iii. de acordo com o Relatório Fiscal e o próprio acórdão recorrido, a imunidade até  então  exercida  pela  instituição  foi  suprimida  pela  falta  de  titulação  e  do  próprio  requerimento  de  imunidade,  o  que  é  completamente  fora  de  propósito, notadamente em função da documentação acostada aos autos, e em  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   4 função  dos  fundamentos  eleitos  pelo  acórdão,  que  consideraram  para  tal  conclusão  a  hipótese  de  que  instituições  de  ensino  não  poderiam  deter  o  status  de  filantropia,  de  forma  diametralmente  oposta  à  jurisprudência  de  todas as Casas judiciais e administrativas de julgamento deste país;  iv. outro  ponto  de  divergência  é  a  necessidade  de  Lei  Complementar  para  a  regulamentação do art. 195, parágrafo 7º, da Constituição, cuja matéria já foi  amplamente  debatida  nos  Conselhos  de  Contribuintes  e,  tal  como  demonstrado a seguir, diverge do julgamento ora recorrido;  v. os paradigmas jurisprudenciais são:  Número do Recurso: 118622  Camara: PRIMEIRA CÂMARA  Número do Processo: 10730.004585/00­47  Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO  Matéria: COFINS  Recorrente: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE  Recorrida/Interessado: DRJ­RIO DE JANEIRO/RJ  Data da Sessão: 21/08/2002 14:00:00  Relator: Gilberto Cassuli  Decisão: ACÓRDÃO 201­76344  Resultado: DPM ­ DADO PROVIMENTO POR MAIORIA  Texto da Decisão: Por maioria de votos,  deu­se provimento ao  recurso, nos  termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira  Josefa Maria Coelho Marques.  Ementa:  COFINS.  AUTO DE  INFRAÇÃO.  IMUNIDADE.  ART  195, § 7°, DA  CF/88.  1NSTITUIÇÃO  DE  ENSINO.  UNIVERSIDADE  FEDERAL. A imunidade veiculada no art. 195, § 7°, da CF/88,  alcança  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  cumpram  os  requisitos  legais.  Entidades  de  ensino,  como  a  Universidade  Federal,  são  entidades  de  assistência  social,  fazendo jus à imunidade. Recurso provido.  Número do Recurso: 127839  Camara: QUARTA CÂMARA  Número do Processo: 10073.001621/99­88  Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO  Matéria: COF1NS  Recorrente:  SOBEU  ­  SOCIEDADE  BARRAMANSENSE  DE  ENSINO  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 3          5 SUPERIOR  Recorrida/Interessado: DRJ­RIO DE JANEIRO/RJ  Data da Sessão: 17/05/2005 14:00:00  Relator: Jorge Freire  Decisão: ACÓRDÃO 204­00117  Resultado: DPM ­ DADO PROVIMENTO POR MAIORIA  Texto da Decisão: Por maioria de votos,  deu­se provimento ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres  e  Nayra  Bastos Manatta  COFINS  —  ENTIDADE  EDUCACIONAL  —  IMUNIDADE  —  CF/1988,  ARTIGO  195,  §  7.  A  imunidade  do  parágrafo  7  do  arti2o 195 da Constituição Federal é norma de eficácia contida,  só  podendo  a  lei  complementar  veicular  suas  restrições.  Precedentes  STF  na  ADIN  2028­5.  Aplicação  do  Decreto  n°  2.346/97  e  do  artigo  14  do  CTN,  recepcionado  como  lei  complementar.  Inexistência  de  prova  nos  autos  de  que  as  condições do artigo 14 do CTN não estavam sendo cumpridas.  Também  não  restou  provado  que  a  entidade  educacional  não  atenda de modo significativo e gratuitamente a hipossuficientes.  Recurso voluntário provido.  D.O.U. de 07/11/2007, Seção 1, pág. 46  vi. a  OSEC  é  uma  instituição  imune  e,  além  de  todos  os  elementos,  que  as  contribuições  em  tese devidas por parte da  empresa no período de maio  de  2004 a abril de 2004 já foram lançadas em outra oportunidade, constituindo­ se bis in idem;  vii. a ilustre Relatora do Julgado recorrido afirma que as instituições de ensino não  compõem o sistema de assistência social do país, argumento este que está em  descompasso com a legislação existente e a  jurisprudência dos Tribunais do  país;  viii. a douta relatora esquece­se que não só a Constituição faz o destaque do alcance  da imunidade descrita no art. 195, parágrafo 7°, como toda a base legislativa,  sem se olvidar de todo o histórico da assistência social no Pais, em que mais  de  1.000  instituições  de  ensino  são  certificadas  pelo Conselho Nacional  de  Assistência  Social,  que  é  justamente  o  órgão  competente  para  tal  caracterização;  ix. mostra­se  contraditória  a  afirmação  da  relatora,  pois  embora  fundamente  o  cancelamento da imunidade sob a premissa de que instituições de ensino não  se podem ser inseridas dentre das entidades beneficentes de assistência social,  ressalta  que o pedido  de  ato  declaratório,  com o  cumprimento  de  todos  os  requisitos  legais,  seriam suficientes  ao  exercício dessa garantia por parte da  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   6 OSEC,  ora  recorrida  e  que  justamente,  uma  instituição  cuja  atividade  preponderante, é a de ensino superior;  x. a  Recorrente  demonstrou  perante  o  CNAS  que  cumpriu  todas  as  exigências  legais para ser entidade beneficente de assistência social e o esteve até maio  de 2010 – segundo informação constante do Especial ­, conforme Resolução  CNAS n. 7;  xi. o  STF  já  consignou  a  possibilidade  de  entidade  educacional  ser  considerada  beneficente de assistência  social  (ADIN n. 2085­5), oportunidade em que a  Suprema  Corte  definiu  entre  as  necessidades  básicas  atingidas  pela  assistência social àquelas relativas à educação;  xii. não  há  vedação  para  as  entidades  beneficentes  cobrarem  por  prestação  de  serviços a quem possa pagar;  xiii.  a  recorrente  sempre  teve  seu  objetivo  primário  a  estimulação  do  desenvolvimento da Educação e da Cultura;  xiv. o  estatuto  social  da  entidade  prevê  a  não  percepção  de  remuneração  pelos  Diretores pelo exercício da função estatutária;  xv. a  instituição  aplica  integralmente  seus  recursos  para  a  manutenção  de  seus  objetivos institucionais;  xvi. mantém escrituração de suas receitas e despesas;  xvii. a regra magna para observância de critérios limitadores ao poder de tributar deve  ser aquela disposta no CTN e não a descrita pela Lei n. 8.212/91; e  xviii. o legislador constituinte reservou às leis complementares a competência de dizer  sobre  determinadas  matérias,  que  demandariam  processo  legislativo  exaustivo  e  mais  complexo,  tal  como  o  caso  das  limitações  ao  poder  de  tributar do Estado.  Requer, ao final, a declaração da nulidade do lançamento em face da suposta  imunidade tributária que a instituição é detentora.  Por  meio  de  análise  preliminar,  o  i.  Presidente  da  Terceira  Câmara,  da  2ª  Seção  deu  seguimento  ao  recurso  interposto  por  entender  preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade – despacho n. 2300­005/2011 (fls. 598 e ss):  […] A recorrente afirma que, de forma diametralmente oposta a  jurisprudência de todas as Casas  judiciais e administrativas de  julgamento  do  Pais,  o  acórdão  recorrido  entendeu  que  a  imunidade até então exercida pela instituição foi suprimida pela  falta  de  titulação  e  do  próprio  requerimento  de  imunidade,  o  que, segundo entendimento da recorrente, é completamente fora  de propósito, notadamente em função da documentação acostada  aos autos e em função dos fundamentos eleitos pelo acórdão, que  consideraram para  tal  conclusão a hipótese de que  instituições  de ensino não poderiam deter o status de filantropia.   Outro  ponto  de  divergência  apontado  pela  recorrente  é  ao  necessidade  de  Lei  Complementar  para  a  regulamentação  do  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 4          7 art. 195, parágrafo 7°, da CF, cuja matéria entende a recorrente  que já foi amplamente debatida nos Conselhos de Contribuintes  e diverge do julgamento ora recorrido.  Devidamente intimada, a r. PGFN apresentou contrarrazões que, em resumo,  afirma:  i. da análise detida dos acórdãos apresentados como paradigma revela ausência de  similitude fática entre os casos, vez que as suas conclusões são pautadas em  contextos fáticos distintos;  ii. o cerne da controvérsia consiste em definir o que vem a ser entidade beneficente  de assistência social, antes mesmo da definição de qual dispositivo legal deve  ser  atendido  para  a  caracterização  da  imunidade  das  contribuições  para  seguridade – se o art. 55 da Lei n. 8.212/91 ou art. 14 do CTN;  iii. com  efeito,  ambos  os  acórdãos  concordam  no  sentido  de  que  uma  entidade  beneficente  de  assistência  social  deve  oferecer  prestações  gratuitas  aos  hipossuficientes. Ocorre que o acórdão'  recorrido não  identificou, com base  nas  provas  produzidas  pela  Fiscalização,  a  referida  gratuidade  em  favor  de  pessoas  carentes,  ao  contrário  do  contexto  em  que  se  fundou  acórdão  paradigma,  que  expressamente  afirmou  inexistir  comprovação  da  falta  de  gratuidade em beneficio dos hipossuficientes;  iv. a premissa empregada em ambos os acórdãos, para o reconhecimento do direito  A  imunidade,  e  a  mesma:  a  necessidade  da  entidade  beneficente  prestar  assistência  aos  carentes,  aos  hipossuficientes.  Não  obstante,  as  suas  conclusões  divergem  unicamente  em  razão  das  provas  produzidas.  Indubitavelmente, se o acórdão paradigma estivesse diante do contexto fático  aqui discutido, adotaria a mesma conclusão do acórdão recorrido;  v. o  recurso  do  contribuinte  tem  como  objetivo,  não  a  uniformização  da  jurisprudência,  mas  sim  revolver  os  fatos,  o  que  não  possui  cabimento,  conforme  a  previsão  regimental  que  autoriza  a  interposição  do  recurso  especial;  vi. a  Fiscalização  produziu  as  provas  suficientes  para  a  demonstração  de  que  a  recorrente não favorece alunos hipossuficientes, não tendo sido produzidas as  provas em sentido contrário;  vii. o  Relatório  da  NFLD  dá  conta  de  que  havia  apenas  “redução  de  anuidades  escolares  correspondentes  a  bolsas  de  estudos  parciais  globais,  que  conforme informações obtidas junto a empresa, são variáveis de 20 a 27%,  dependendo do curso frequentado” (fl. 129). Além disso, fez­se uma análise  sócio­econômica  dos  bolsistas,  sendo  comprovada  a  inexistência  da  hipossuficiência por parte deles (fls. 129/130);  viii. a  atuação  absolutamente  gratuita  em  benefício  dos  necessitados  é  requisito  fundamental  para  a  caracterização da  instituição  como entidade beneficente  de  assistência  social,  tal  como  definido  pelo  STF  no  julgamento  da  ADI  2.2028/DF;  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   8 ix. quanto à observância do art. 55, da Lei n. 8.212/91:   a.  imunidade  abarcada  pelo  art.  150,  VI,  “c”,  da  CF  é  aplicável  exclusivamente aos impostos;  b.  leitura  da  LOAS  não  deixa  dúvida  que  a  educação  remunerada  por  mensalidades não é assistência social;  c.  a  educação  remunerada  mediante  pagamento  de  mensalidades  não  é  assistência  social,  ainda  que  haja  a  concessão  de  descontos,  como  no  caso dos autos, descabe falar em direito à imunidade do art. 195, §7º da  CF;  x. pugna, ao final, pelo não conhecimento do recurso e, alternativamente, pelo não  provimento da peça recursal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator  1  CONHECIMENTO  O recurso  é  tempestivo, na conformidade do prazo  estabelecido pelo  artigo  15 do Regimento  Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº  147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está  devidamente fundamentado, devendo, porém, ser analisada a divergência alegada, para efeito  do cumprimento do disposto no artigo 7°, inciso II, daquele Regimento.  Com  efeito,  em  suas  contrarrazões  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  suscita  que  a  contribuinte  não  logrou  comprovar  a  divergência  argüida,  de  maneira  a  determinar o conhecimento de seu recurso especial.  Assim, diante de aludidas alegações e em observância aos preceitos do então  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  impõe­se  verificar  se  outra  Câmara  ou  a  própria  CSRF  proferiu  decisão  com  interpretação  divergente  da  emitida  pelo  Colegiado recorrido, na forma que pretende a contribuinte.  Para  escorar  seu  requerimento,  a  recorrente  apresentou  os  seguintes  paradigmas:  A) “Processo nº : 10730.004585/00­47  Recurso nº : 118.622  Acórdão nº : 201­76.344  Recorrente : UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE  Recorrida : DRJ no Rio de janeiro ­ RJ  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 5          9 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 195, §  7°,  DA  CF/88.  INSTITUIÇÃO  DE  ENSINO.  UNIVERSIDADE FEDERAL. A  imunidade  veiculada  no  art.  195,  §  7°,  da  CF/88,  alcança  as  entidades  beneficentes  de  assistência social que cumpram os requisitos  legais. Entidades  de  ensino,  como  a  Universidade  Federal,  são  entidades  de  assistência social, fazendo jus à imunidade.  Recurso provido.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos  de  recurso  interposto por:  UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE.  ACORDAM  os  Membros  da  Primeira  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida  a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.”  B) “Processo nº : 10073.001621/99­88  Recurso nº : 127.839  Acórdão nº : 204­00117  Recorrente  :  SOBEU  SOCIEDADE  BARRAMANSENSE  DE  ENSINO SUPERIOR  Recorrida : DRJ no Rio de janeiro – RJ  COFINS  –  ENTIDADE  EDUCACIONAL  –  IMUNIDADE  –  CF/1988,  ARTIGO  195,  §  7.  A  imunidade  do  parágrafo  7  do  artigo 195 da Constituição Federal é norma de eficácia contida,  só  podendo  a  lei  complementar  veicular  suas  restrições.  Precedentes  STF  na  ADIN  2028­5.  Aplicação  do  Decreto  nº  2.346/97  e  do  artigo  14  do  CTN,  recepcionado  como  lei  complementar.  Inexistência  de  prova  nos  autos  de  que  as  condições do artigo 14 do CTN não estavam sendo cumpridas.  Também não  restou  provado  que  a  entidade  educacional  não  atenda  de  modo  significativo  e  gratuitamente  a  hipossuficientes. Recurso voluntário provido.”  Para melhor  compreensão,  examinaremos  em  primeiro  lugar,  o Acórdão  nº  201­76.344, como segue:  Em  suma,  extrai­se  do  referido  Acórdão  paradigma  que  as  entidades  de  ensino são, igualmente, consideradas como de assistência social, fazendo jus à imunidade em  comento.  É  o  que  se  infere do  bojo  do  voto  condutor do Acórdão  paradigma,  às  fls.  587, in verbis:  “[...]  Também  estreme  de  dúvidas  que  a  educação  é  espécie do gênero assistência social. E este é o entendimento do  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   10 próprio  Poder  Executivo,  uma  vez  que  o  Decreto  n°  2.536,  de  06/04/1998, que regula a matéria, assim dispôs:  Art.  2°.  Considera­se  entidade  beneficiente  de  assistência  social,  para  os  fins  deste  Decreto,  a  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  sem  fins  lucrativos, que atue no sentido de:  IV  —promover,  gratuitamente,  assistência  educacional ou de saúde.  A  doutrina  também  perfilha  tal  entendimento  como  depreende­se  do  texto  de  James  Marins'  em  que  o  autor  paranaense  averba  que  "Dentro  da  moldura  constitucional  e  infraconstitucional complementar (CF, arts. 6°, 150, 195, 203 e  204 e CT1V, arts. 90 e 14) é que se afigura possível o desenho  seguro  e  completo  do  conteúdo  dos  núcleos  "educação"  e  "assistência  social"  como  aquele  correspondente  ea  atividades  sem fins  lucrativos voltadas para a educação ,s aúde,  trabalho,  lazer, e segurança.... Tais atividades, sempre, que realizadas sem  o  intuito  de  lucro,  estão,  sem  resquício  de  dúvida,  abrangidas  pela  imunidade concernente a  impostos e contribuições  sociais.  [...]”  Não  bastasse  isso,  mister  destacar,  ainda,  que  o  nobre  relator  do  Acórdão  paradigma foi por demais enfático ao afirmar que o artigo 14 do Código Tributário Nacional  deve ser  respeitado para efeito de caracterização da entidade como beneficente de assistência  social (fls. 587/588):  “ [...]  Assim,  as  condições  limitadoras  para  que  determinada  entidade  seja  considerada  como  beneficiente  de  assistência  social  é  que  atendam  os  requisitos  da  lei  complementar,  atualmente  veiculadas  no artigo  14  do CTN,  e  que  comprovem  sua atuação gratuita relevante aos chamados hipossuficientes. t  nesse  sentido  que  o  fisco  deve  dirigir  sua  atuação,  produzindo  provas de que tais requisitos não restam atendidos.   [...]  Por  derradeiro  e  oportuno,  devo  gizar  o  que  já  aduzi  em  outros  julgados'  na Primeira Camara do Segundo Conselho  de  Contribuintes  e  na  própria  Camara  Superior  de  Recursos  Fiscaisg. A aplicação da imunidade das entidades de assistência  social  devem ser analisadas  casuisticamente. E nesse  sentido a  ação  fiscal  é  fundamental,  pois  somente  ela pode proporcionar  ao  julgador  administrativo  os  meios  e  provas  para  que  o  instituto,  que  tem  os  fins  públicos  mais  relevantes,  não  seja  utilizado  indevidamente  ou  de  forma  fraudulenta.  Para  tanto,  deve  o  fisco  provar  que  os  fins  sociais  do  estatuto da  entidade  estão  em  desacordo  com  a  realidade,  e  que  se  contrapõem  a  alguma  das  condições  para  fruição  da  imunidade  apostas  no  artigo  14  do  CTN.  Até  lá,  há  uma  presunção  em  favor  da  entidade com base no que dispõe seus objetivos institucionais, e  não  o  contrário,  numa  generalização  sem  qualquer  conteúdo  jurídico. [...]”  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 6          11 Conclui­se  que  o Acórdão  paradigma  chegou  ao  seu  resultado  (provimento  do  recurso)  devido  a  duas  conclusões:  o  fim  social  da  entidade  (educação)  deve  ser  considerado como assistência social e é obrigatório que os requisitos presentes no Art. 14  do CTN sejam cumpridos para a fruição da imunidade.  Antes  de  verificarmos  se  essas  duas  questões  foram  objeto  da  decisão  do  Acórdão  recorrido,  devemos,  para  chegar  à  conclusão,  informar  e  analisar  se  possível  a  admissibilidade,  já  que  o Acórdão  paradigma  trata  de COFINS  e  o Recorrido  contempla  as  contribuições previdenciárias.  Para esclarecermos a questão, ressalta­se que a imunidade de que trata os dois  Acórdãos (recorrido e paradigma) possui sua origem em dispositivo constitucional, qual seja, o  § 7o, Art. 195, da CF, que assim preceitua:  “Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   [...]  §  7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei.  Portanto,  Contribuição  para  a  Seguridade  Social  é  gênero,  onde  estão  as  espécie  COFINS,  Contribuição  Previdenciária,  CSLL,  entre  outros,  mas  é  claro  que  as  definições das atividades que podem ser consideradas como beneficentes de assistência social e  qual  lei  estabelece  as  exigências  deve  ser  uma  só,  tanto  para  COFINS,  Contribuição  Previdenciária, CSLL etc.  Quanto à possibilidade de entidades educacionais  serem conceituadas como  de  educação,  verifica­se  que o  próprio  relator  do Acórdão  paradigma utilizou  de  dispositivo  constante no Decreto 2.536, de 06 de abril de 1998, que define quais são as áreas de atuação  das entidades beneficentes de assistência social:  “Art.  2°  Considera­se  entidade  beneficiente  de  assistência  social,  para  os  fins  deste Decreto,  a  pessoa  jurídica  de  direito  privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de:  IV —promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde.”(grifamos)  Saliente­se,  que  o  Decreto  acima  mencionado  dispõe  sobre  concessão  do  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos,  documento  necessário  para  a  isenção  de  contribuição para a Seguridade Social.  No que tange à “lei” citada no art. 195 da Constituição Federal, há muito já é  posição  pacífica  em  Câmaras  do  CARF  que  tratam  de  COFINS  que  essa  lei  deve  ser  a  8.212/91:  “Processo nº : 10735.003697/2001­29  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   12 Recurso nº : 122.717  Acórdão nº : 203­10664  Recorrente : FESO FUNDACAO EDUCACIONAL SERRA DOS  ORGAOS  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SUSPENSÃO  DA  IMUNIDADE. A submissão ao rito do art. 32 da Lei nº 9.430, de  27  de  dezembro  de  1996,  não  atinge  a  Cofins,  por  envolver  apenas  a  imunidade  tributária  relativa  a  impostos,  prevista  na  alínea “c”, do inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal.  Preliminar  rejeitada.  COFINS.  DECADÊNCIA  .  PRAZO.  O  prazo para a Fazenda exercer o direito de fiscalizar e constituir  pelo  lançamento  a  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins,  é  o  fixado  por  lei  regularmente  editada,  à  qual  não  compete  ao  julgador  administrativo  negar  vigência. Portanto, consoante permissivo do § 4º do art. 150 do  CTN, nos  termos do art.  45 da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de  1991, tal direito extingue­se com o decurso do prazo de 10 (dez)  anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  crédito  poderia  ter  sido  constituído.  IMUNIDADE.  As  entidades  educacionais  sem  fins  lucrativos  que  se  intitulem  beneficentes  de  assistência  social,  não  podem  usufruir  da  imunidade perante a Cofins se descumpridos os requisitos do art.  55  da  Lei  nº  8.212/91.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  A  cobrança  de  débitos  para  com  a  Fazenda  Nacional  após  o  vencimento, acrescidos de juros de mora calculados com base na  Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia  (Selic),  além  de  amparar­se  em  legislação  ordinária,  não  contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário  Nacional Recurso negado.”  Dessa  forma,  como  as  duas  motivações  para  a  conclusão  do  Acórdão  paradigma tratam de questões válidas para COFINS e Contribuição Previdenciária, por origem  em  texto  constitucional,  deve  ser  analisado  se  essas motivações  foram  determinantes  para  a  conclusão do Acórdão recorrido.  No Acórdão  recorrido,  encontramos,  sobre  as  duas motivações  do  acórdão  paradigma, razões de decidir, senão vejamos.  Quanto  à  possibilidade  de  instituições  educacionais  estarem  inseridas  na  definição de entidade beneficente de assistência social, in verbis:  “[...]  Quanto  as  alegações  acerca  de  seu  direito  a  imunidade entendo que não assiste razão à recorrente, pelo que  passo  a  mencionar  a  partir  de  estudo  elaborado  pela  Procuradoria da república, do qual me valho para ilustrar meu  tema.       A imunidade é exclusão constitucional, do campo de  incidência  tributário,  de  certo  fato,comportamento,  situação,  pessoa  ou  bem;enquanto  isenção  constitui  dispensa  de  pagamento do tributo incidente, concedida por lei em atenção a  certo fato, comportamento, situação ou pessoa ou bem da vida.       A Constituição Federal de 1988, além da imunidade  de impostos para instituições de educação na forma do art. 150,  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 7          13 VI, “c”, estabeleceu no seu art. 195, SS 7° , imunidade quanto a  contribuições  previdenciárias  apenas  e  tão  somente  para  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  as  exigências estabelecidas em lei.       Ressalte­se,  portanto:  imunidade  quanto  a  contribuições previdenciárias não foi deferida a instituições de  educação pela CF/88 e nem pela CF/67/69.       Para  as  instituições  de  educação,  foi  deferida  imunidade  de  impostos,  no  art.150,  VI,  “c”, CF/88,  da mesma  forma  como  estabelecida  a  CF/67/69  no  seu  art.19,  “c”.  De  impostos não se trata aqui.       Quanto a  imunidade de  impostos,  exigiu o Código  Tributário  Nacional  –  cumprindo  o  papel  que  lhe  impôs  a  Constituição de veicular as normas gerais em matéria tributária­  em  seu  artigo  14,  observância  de  requisitos  mínimos  pelas  entidades destinatárias do benefício, como a não distribuição de  parcela  do  patrimônio  ou  renda,  a  título  de  lucro  ou  participação no  resultado; aplicação da  integralidade dos  seus  recursos  na  manutenção  dos  seus  objetivos  institucionais  no  Pais;  e manutenção  de  escrituração  de  receitas  e  despesas  em  livros  revistos  de  formalidades  capazes  de  assegurar  sua  exatidão.       Nesse ponto,  já  ressaltado que a Constituição não  estabeleceu como serviços públicos os pertinentes à educação,  cumpre destacar também a sua especificidade e interesse social  foi  contemplada  pela  Constituição  Federal,  quando  deferiu  a  imunidade  de  impostos  a  entidades  educacionais,  sem  que  se  possa  exigir  que  igual  tratamento  fosse  dado  quanto  a  contribuições previdenciárias.” (grifos nossos)  Demonstrada  está,  de  forma  cristalina,  posições  antagônicas  contidas  nos  Acórdãos recorrido e paradigma. Destarte, para o decisório atacado, conforme texto acima, as  entidades que atuam na área de educação não podem usufruir da isenção de contribuição para  a seguridade social, conforme o § 7°, art 195 da Constituição Federal.  Por  outro  lado,  na  esteira  do  Acórdão  paradigma,  estas  entidades  podem  fazer  jus  a  isenção  de  Contribuição  para  a  Seguridade  Social,  conforme  o  §  7°,  art  195  da  Constituição Federal.  Provada,  portanto,  a  primeira  divergência  entre  os  Acórdãos  confrontados.  No  que  tange  a  obrigatoriedade  de  observância  aos  requisitos  presentes  no  art. 14 do CTN, para a fruição da imunidade, igualmente, se constata posição divergente entre  os dois Acórdãos.  Como  já  demonstramos,  o  Acórdão  paradigma  escora  sua  decisão  na  afirmação de que o art. 14 do CTN deve ser obedecido.  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   14 “Assim, as condições limitadoras para que determinada entidade  seja  considerada  como  beneficente  de  assistência  social  é  que  atendam  os  requisitos  da  lei  complementar,  atualmente  veiculadas no artigo 14 do CTN, e que comprovem sua atuação  gratuita  relevante  aos  chamados  hipossuficientes.  É  nesse  sentido que o fisco deve dirigir sua atuação, produzindo provas  de que tais requisitos não restam atendidos.”  Da análise do Acórdão  recorrido, encontramos manifestação a propósito do  mesmo tema.  Em longo voto a relatora do Acórdão recorrido tece vários comentários para  que não se adote o art. 14 do CTN para a verificação dos requisitos a que estão submetidas as  entidades  beneficentes  de  assistência  social.  Para  deixarmos  claro  o  posicionamento  do  Acórdão, citaremos apenas um trecho, que não deixa dúvidas:  “Os  art.  9°  e  14°,  CTN,  ademais,  referem­se  a  imunidade  de  impostos,  sem  sombra  de  dúvida,  eis  que  assim  dispõem  literalmente,  e  não  à  imunidade  de  contribuições  previdenciárias.  Concorre  para  certeza  disso  o  fato  de  que  o  CTN precedeu a Constituição de 1988 e só esta veio estabelecer  a  imunidade  de  contribuições:  o  CTN  não  podia  regulamentar  imunidade  não  concedida.  Sua  utilização  somente poderia  dar­ se,  eventualmente por analogia. Ocorre que analogia  é método  de  integração  do  ordenamento  jurídico  somente  passível  de  utilização na ausência de  lei. Existindo  lei,  específica ademais,  nem se pode colocar a questão.”  Neste  sentido,  da  mesma  forma,  encontra­se  cabalmente  comprovada  a  ocorrência de posições antagônicas contidas nos Acórdãos recorrido e paradigma.  Repita­se, para o Acórdão recorrido, conforme texto acima, as entidades que  atuam na área de educação não estão sujeitas a seguir aos requisitos do art. 14 do CTN.   Já  para  o  acórdão  paradigma,  estas  entidades  estão  sujeitas  a  seguir  os  requisitos do art.14 do CTN.  Demonstrada,  assim,  a  segunda  divergência  entre  os  Acórdãos  confrontados.  Conseqüentemente,  pelo primeiro paradigma apresentado encontramos duas  divergências em comparação ao Acórdão recorrido.  No  segundo  paradigma  apresentado  há  decisão  pela  possibilidade  de  instituições  educacionais  serem  entidades  de  assistência  social,  matéria  já  analisada  acima,  onde  ficou  comprovado  que  o Acórdão  recorrido  possui  posição  divergente  sobre  o mesmo  tema.  Comprovado, por conseguinte, que o decisório recorrido, em suas razões de  decidir, possui interpretações divergentes do que foi dada pela Câmara emitente dos Acórdãos  paradigmas, impondo seja conhecido o recurso especial da contribuinte.  Acolhido  o  recurso,  cabe  a  ponderação  sobre  as  razões  de  mérito,  assim  delineadas:  2  APLICABILIDADE DO ARTIGO 14, CTN VS ART. 55, DA LEI N. 8.212/91  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 8          15 Como  bem  destacado  pelo  i.  Presidente  da  Terceira  Câmara,  da  2ª  Seção,  quando  da  prolação  do  Despacho  que  deu  seguimento  ao  recurso  interposto  por  entender  preenchidos os pressupostos de admissibilidade – despacho n. 2300­005/2011 (fls. 598 e ss), o  objeto do recurso compreende as seguintes questões:  […] A recorrente afirma que, de forma diametralmente oposta a  jurisprudência de todas as Casas  judiciais e administrativas de  julgamento  do  Pais,  o  acórdão  recorrido  entendeu  que  a  imunidade até então exercida pela instituição foi suprimida pela  falta  de  titulação  e  do  próprio  requerimento  de  imunidade,  o  que, segundo entendimento da recorrente, é completamente fora  de propósito, notadamente em função da documentação acostada  aos autos e em função dos fundamentos eleitos pelo acórdão, que  consideraram para  tal  conclusão a hipótese de que  instituições  de ensino não poderiam deter o status de filantropia.   Outro  ponto  de  divergência  apontado  pela  recorrente  é  ao  necessidade  de  Lei  Complementar  para  a  regulamentação  do  art. 195, parágrafo 7°, da CF, cuja matéria entende a recorrente  que já foi amplamente debatida nos Conselhos de Contribuintes  e diverge do julgamento ora recorrido.  Necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do  CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91.  Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no  contexto  do  Código  Tributário  Nacional,  não  sendo  regidas  pelas  regras  dele  emanadas,  mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção.  Prova  disso  está  no  texto  de  Decreto­Lei  n°  27,  editado  posteriormente  à  aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis:   Decreto­Lei n°27, de 14 de Novembro de 1966  Acrescenta  à  Lei  5172,  de  25  de  outubro  de  1966,  artigo  referente às contribuições para fins sociais.  O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe  confere  o  parágrafo  único  do  art.  31  do  Ato  Institucional  n°2,  tendo  em  vista  o  Ato Complementar  n°31 CONSIDERANDO  a  necessidade  de  deixar  estreme  de  dúvidas  a  continuação  da  incidência  e  exigibilidade  das  contribuições  para  fins  sociais  paralelamente  ao  Sistema  Tributário  Nacional,  a  que  se  refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966;  É  certo  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  afirmou  a  natureza  tributária  das  contribuições  sociais  instituídas  pela  Constituição  Federal  de  1988.  Entretanto,  o  mesmo  Tribunal  também  reconhece  que  tais  exações  não  se  vinculam  integralmente  ao  texto  do  referido Código.  Assim, o art. 14 do CTN destina­se, exclusivamente, a delimitar os requisitos  necessários à fruição da imunidade de impostos.  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   16 A  norma  do  art.  150,  VI,  "c",  da  CF/88,  disciplinou  a  imunidade  aos  impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis:  "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive  suas  fundações,  das  entidades  sindicais  dos  trabalhadores  das  instituições  de  educação  e  de  assistência  social,  sem  fins  lucrativos, atendidos os requisitos da lei;   Já  as  contribuições  para  a  seguridade  social,  a  seu  turno,  têm  a  imunidade  prevista no § 7º do art. 195 da Constituição da República, nos seguintes termos:  "§  7º  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei."  Como  já  declarado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  —  STF,  em  diversas  oportunidades, dentre elas a AD1N n. 2.028­5, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção,  está, na realidade, tratando de imunidade.  Assim, contata­se na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos  que  os  destinatários  da  imunidade  de  impostos  não  coincidem  com  os  destinatários  da  imunidade das contribuições sociais.  De plano fica patente que o legislador constituinte não inseriu as instituições  de educação dentre aquelas que gozam da imunidade do § 7º do art. 195 da CF.  Entretanto, em interpretação conforme a Constituição, efetuada pelo Supremo  Tribunal Federal, órgão competente para decidir definitivamente a correta exegese da questão,  consignou no voto proferido pelo Ministro Moreira Alves na concessão de liminar na ADIn n.  2.028­5  que  a  expressão  "entidade  beneficente  de  assistência  social  abarca  a  entidade  beneficente de assistência educacional".  Nos dois comandos constitucionais acima transcritos tanto as instituições de  educação e de assistência social quanto as entidades beneficentes de assistência social, dentre  as quais o STF incluiu as entidades beneficentes de assistência educacional, estão sujeitas ao  cumprimento  de  requisitos  legais  para  gozo  de  imunidade  dos  impostos  e  das  contribuições  sociais.  O  legislador  ordinário  cumprindo  o  comando  constitucional  quanto  às  contribuições  sociais  delineou  os  requisitos  de  fruição  do  beneficio  no  art.  55  da  Lei  n.  8.212/91, como segue:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:  I ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual  ou do Distrito Federal ou municipal;  II ­ seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos;  III  ­  promova  a  assistência  social  beneficente,  inclusive  educacional  ou  de  saúde,  a  menores,  idosos,  excepcionais  ou  pessoas carentes;  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 9          17 IV  ­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou beneficias a qualquer titulo;  V­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório circunstanciado de suas atividades.  §1° Ressalvados  os  direitos  adquiridos,  a  isenção de  que  trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar  o pedido.  §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção.  A  redação  acima  transcrita  encontra­se  isenta  da  alteração  introduzida  pela  Lei  n.  9.732/98,  suspensa  por  liminar  do  STF  na  Ação  Direita  de  Inconstitucionalidade  n.  2.028­5.  A  respeito  do  tema,  peço  vênia  para  me  reportar  aos  substanciosos  fundamentos  insertos  no  Acórdão  nº  16­13.990,  exarado  pela  14a  Turma  da  DRJ  em  São  Paulo/SP,  nos  autos  do  processo  administrativo  n°  36624.002167/2007­08,  tendo  em  vista  rechaçarem  de  uma  vez  por  todas  a  pretensão  da  recorrente  a  propósito  da  matéria,  como  segue:  “ […]    4.20. O Contribuinte  alega  que  sendo a  imunidade do  art.  195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos  para  o  seu  gozo  somente  podem  ser  instituído  por  lei  complementar,  em  face  do  disposto  no  art.  146,  II,  razão  pela  qual  o  art.  55  da  Lei  nº  8.212/81,  por  ser  dispositivo  de  legislação  ordinária,  seria  inconstitucional.  Entretanto,  entendemos  que  tal  posicionamento  não  está  de  acordo  com  o  Sistema  Constitucional  Brasileiro  e,  tampouco,  com  o  entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal.  4.21.  Vários  argumentos  há  para  evidenciar  que  o  dispositivo  constitucional não  exige  lei  complementar  para  sua  regulamentação.  A  interpretação  sistemática  do  disposto  no  artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta ­ que  exige  lei  complementar  para  regular  as  limitações  constitucionais  ao  poder  de  tributar  ­  também  não  prospera.  Senão vejamos:  a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade  de  impostos  sobre  o  patrimônio,  a  renda  e  os  serviços  das  entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos,  a  despeito  de  ser  regulamentado  pelo  artigo  14  do  CTN,  igualmente  foi  regulamentado  por  uma  lei  ordinária,  a  Lei  nº  9.532/98,  que  teve  sua  constitucionalidade  formal  questionada  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   18 na  ADIn  1.802,  tendo  o  STF  admitido  que  lei  ordinária  possa  regulamentar a imunidade de impostos:    b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II.  São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites  fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria  e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  à  pessoa  com  idade  superior  a  65  (sessenta  e  cinco)  anos,  cuja  renda  total  seja  constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153,  §  2º,  II  da  CF,  posteriormente  revogado  pela  EC  20);  ii)  imunidade  do  Imposto Territorial  Rural  sobre  pequenas  glebas  rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família,  o  proprietário  que  não  possua  outro  imóvel  (art.  153,  §  4º  da  CF,  alterado  pela  EC  42);  iii)  imunidade  do  ouro,  quando  definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no  qual  somente  incidirá  somente  o  imposto  sobre  operações  de  crédito,  câmbio  e  seguro  (art.  153,  §  da  CF).  Tais  leis,  que  regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A  imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94.    c)  a  Constituição  Federal  deve  ser  interpretada  de  forma  ampla,  de  modo  que  desapareçam  as  aparentes  contradições  entre  seus  dispositivos  quando  considerados  de  forma  isolada.  Assim,  para  se  fazer  esta  interpretação  sistemática  não  cabe  interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos  os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições  sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições  econômicas,  como  instrumento  de  sua  atuação  nas  respectivas  áreas,  observado  o  disposto  nos  arts.  146,  III  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto  no  art.  195,  §  6º,  relativamente  às  contribuições  a  que  alude  o  dispositivo”.  De  ver­se  que  às  contribuições  sociais,  só  tem aplicabilidade  o  inciso  III  do  art.  146 da Carta Magna, excluindo­se, portanto, os incisos I e II do  dispositivo em foco.    d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o  artigo 195, § 7º da Carta não  teria mencionado expressamente  “que  atenda  requisitos  de  lei”,  visto  que,  por  se  tratar  de  imunidade,  teria  incidência  a  regra  geral  do  art.146,  II.  È  evidente  que  o  caso  em  questão  é  uma  das  exceções  à  regra  geral que exige lei complementar em tais hipóteses.    e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por  lei  complementar  de  dispositivo  constitucional  é  estimular  na  legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade  e  coerência.  No  caso  da  imunidade  das  contribuições  da  Seguridade  Social  isso  não  seria  sequer  necessário,  porquanto  somente a União pode  instituir contribuições para o custeio da  seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades  beneficentes.  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios,  segundo  o  artigo  146,  §  2º  da  Carta,  somente  pedem  instituir  cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes,  do  regime  previdenciário  de  seus  servidores. Diverso  é  o  caso  dos  impostos,  e  que  é  prevista  competência  concorrente  da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo  Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 10          19 necessário  que  lei  complementar  regule  as  limitações  constitucionais ao poder de tributar.  4.22.  Por  outro  lado,  em  conformidade  com  a  jurisprudência do Supremo Tribunal Federal  só é exigível a  lei  complementar  quando  a  Constituição  expressamente  a  ela  faz  alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a  Carta  Magna  alude  genericamente  a  “lei”  para  estabelecer  princípio  de  reserva  legal,  essa  expressão  compreende  toda  a  legislação ordinária.  4.23.  Assim,  de  acordo  com  a  orientação  consolidada  pelo  STF,  quando  a  Constituição  afirma  que  “são  isentas  de  contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes  de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em  lei  (art.  195,  §  7º),  ela  está  exigindo  que  a  isenção  somente  ocorrerá  se  houver  efetivamente  o  cumprimento  de  requisitos  estabelecidos  em  lei  ordinária.  Não  há  que  se  falar  em  inconstitucionalidade  do  art.  55,  da  Lei  nº  8.212/91,  tendo  em  vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares  somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas  no  próprio  texto  constitucional,  como  sabidamente  tem  decido,  há muito, o Pretório Excelso.  4.24. No Mandado de Injunção 616­SP, o STF discutiu o  tema,  figurando  na  relatoria  o  Ministro  Nelson  Jobim.  Na  oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia  sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91:  “EMENTA: CONSTITUCIONAL.  ENTIDADE CIVIL,  SEM  FINS  LUCRATIVOS.  PRETENDE  QUE  LEI  COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A  IMUNIDADE À  TRIBUTAÇÃO DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÃO  PARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL,  COMO  REGULAMENTAÇÃO  DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO.  A MATÉRIA  JÁ  FOI  REGULAMENTADA  PELO  ART.  55  DA  LEI Nº  8.212/91,  COM AS  ALTERAÇÕES DA  LEI Nº  9.732/98.  PRECEDENTE.  IMPETRANTE  JULGADA  CARECEDORA DA AÇÃO”.  4.25. Recentemente,  o STF manteve  tal  posicionamento,  conforme  pode  ser  constatado  na  decisão  proferida  pelo  Ministro  Sepúlveda  Pertence  (AG.  REG  no  Recurso  Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte:  “DECISÃO:  Agravo  regimental  de  decisão  pela  qual,  por  entender  não  pré­questionada  a  questão  referente  à  ausência  de  regulamentação  do  artigo  195,  §  7º,  da  Constituição  Federal,  neguei  provimento  ao  recurso  extraordinário.  Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a  existência  de  regulamentação  do  referido  dispositivo  constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do  artigo  14  do  CTN  como  norma  regulamentadora,  quando  deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91.  Fl. 19DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   20 Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e  passo à análise do recurso extraordinário.  Decido.  RE, a,  contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª  Região  que,  em  razão  do  disposto  no  art.  195,  §  7º  da  Constituição,  reconheceu  à  inexigibilidade  de  contribuição  previdenciária  a  entidade  de  natureza  beneficente  e  assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do  CTN.  Alega  o  RE  que,  para  a  concessão  de  isenção  de  contribuição social, as entidades beneficentes de assistência  social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº  8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que  o  acórdão  recorrido,  ao  afastar  a  aplicação  dos  referidos  dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º,  da Constituição Federal.  Tem  razão  o  recorrente.  O  acórdão  recorrido  dissente  da  orientação  estabelecida  pelo  Plenário  deste  Tribunal  no  julgamento  do  MI  616,  17.06.2002,  Nelson  Jobim,  assim  ementado:  ‘CONSTITUCIONAL.  ENTIDADE  CIVIL,  SEM  FINS  LUCRATIVOS.  PRETENDE  QUE  LEI  COMPLEMENTAR  DISPONHA  SOBRE A  IMUNIDADE À  TRIBUTAÇÃO DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÃOPARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º  DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI  REGULAMENTADA  PELO  ART.  55  DA  LEI  Nº  8.212/91,  COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98.  PRECEDENTE.  IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA  DA AÇÃO.”  Na  linha  do  precedente,  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário (art. 557, § 1­A, do C. Pr. Civil).  Brasília, 02 de outubro de 2006.  “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.”  4.26.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  no  agravo  de  instrumento  nº  647933,  publicado  em  15  de  março  de  2007,  relatado  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  novamente  consolidou  esse entendimento:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  MATÉRIA  FÁTICA  –  INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO.  O  Tribunal  Regional  Federal  da  5ª  Região,  por  unanimidade,  negou  provimento  ao  recurso  de  apelação,  mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido:  TRIBUTÁRIO  E  CONSTITUCIONAL.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ENTIDADE  BENEFICENTE.  IMUNIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Fl. 20DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 11          21 O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  aos  requisitos  previstos  em  lei,  parâmetros  estes  que  estão  dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91.  É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de  limitação  constitucional  ao  poder  de  tributar,  o  que,  nos  termos  do  art.  146,  II, CF,  exigiria  lei  complementar  para  tratar do tema.  Ocorre que,  in casu, há regra específica a requerer  tão­só  lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a  Constituição  faz  alusão  genérica  à  “lei”,  não  há  necessidade  de  que  a  matéria  seja  disciplinada  por  lei  complementar.  Hipótese  em  que  a  associação  autora  não  comprovou  o  cumprimento  das  exigências  insculpidas  na  cidade  lei  ordinária,  pelo  que  não merece  as  benesse  constitucional,  ainda  que  se  entendesse  aplicável  ao  caso  a  lei  complementar (Código Tributário Nacional, art. 14).  Apelação improvida.  A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada  por  simples  revisão do que decidido, na maioria das  vezes  procedida mediante o recurso por excelência ­ a apelação.  Atua­se  em  sede  excepcional  à  luz  da  moldura  fática  delineada  soberanamente  pela  Corte  de  origem,  considerando­se  as  premissas  constantes  do  acórdão  impugnado.  A  jurisprudência  sedimentada  é  pacífica  a  respeito,  devendo­se  ter  presente  o  Verbete  nº  279  da  Súmula deste Tribunal:  Para  simples  reexame  de  prova  não  cabe  recurso  extraordinário.  As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos  estranhos  à  decisão  atacada,  buscando­se,  em  última  análise,  conduzir  esta  Corte  ao  reexame  dos  elementos  probatórios  para,  com  fundamento  em  quadro  diverso,  assentar  a  viabilidade  do  recurso.  A  Corte  de  origem  assentou que não houve a comprovação do enquadramento  das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se  entendesse  aplicável  ao  caso  o  artigo  14  do  Código  Tributário Nacional (folhas 49).  Conheço do agravo e o desprovejo.  Publiquem.  Brasília, 15 de março de 2007.  4.27.  Deve  ser  enfatizado  que  o  art.  14  do  CTN  regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o  patrimônio,  a  renda  ou  serviços  dos  partidos  políticos,  das  Fl. 21DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   22 entidades  sindicais  dos  trabalhadores,  das  instituições  de  educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no  art.  150,  VI,  c,  da  Constituição  Federal.  Não  é  aplicável  às  contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos,  muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A  imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art.  195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a  lei  complementar,  conforme  determinação  do  próprio  legislador  constituinte.  4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à  aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista  que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal  Federal,  os  requisitos  a  serem  cumpridos  para  o  exercício  do  direito  ao  benefício  fiscal  previsto  no  §  7º,  do  art.  195,  da  Constituição  Federal,  estão  previstos  no  art.  55  da  Lei  nº  8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98.  4.29.  Desta  forma,  para  terem  direito  à  isenção  das  contribuições  devidas  à  seguridade  social,  às  entidades  beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos  requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário  o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no  art.  55,  da  Lei  nº  8.212/91,  conforme  determina  a  própria  Constituição Federal.  […]”  O  legislador  infraconstitucional  acresceu  aos  requisitos  que  considerou  necessários  à  imunidade  das  contribuições  sociais  as mesmas  regras  previstas  no  art.  14  do  CTN para os impostos.  Tal  entendimento  está  em  consonância  com  aquele  já manifestado  por  esta  Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007:  Acórdão n° CSRF/02­02.808  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997  Ementa: IMUNIDADE.  Somente  fazem  jus à  imunidade do art.  195, § 7  º  da CF/88 as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  preencham  os  requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.  3  ENTIDADES  DE  ENSINO  BENEFICENTE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL  –  POSSIBILIDADE  –  ISENÇÃO  –  DIREITO  ADQUIRIDO  –  LANÇAMENTO  –  NECESSIDADE ATO CANCELATÓRIO  Superada  a  questão  atinente  ao  conhecimento  do  recurso  e  quanto  à  aplicabilidade  do  artigo  55  da  Lei  n°  8.212/91,  passa  a  ser  importante  considerar  toda  a  construção dos autos, que caminharam no sentido de consolidar o lançamento em questão.  Fl. 22DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 12          23 De início,  se mostra  totalmente  incabível a  razão de decidir do Acórdão no  sentido de que as  instituições de ensino não podem ser entidades beneficentes de assistência  social.  Essa  posição  já  é  consolidada  em  julgamentos  desse  Conselho,  conforme  citado acima, em julgamentos do STF (ADIN 2085­5, 2028 e 2036), e na Legislação, conforme  art. 11 da Lei 11.096, de 2005, nos seguintes termos:  “Art.11  As  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atuem  no  ensino  superior  poderão,  mediante  assinatura  de  termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do  Prouni,  contidas  nesta  Lei,  para  seleção  dos  estudantes  beneficiados  com  bolsas  integrais  e  bolsas  parciais  de  50%  (cinquenta  por  cento)  ou de  25%  (vinte  e  cinco  por  cento),  em  especial as regras previstas no art. 3° e no inciso II do caput e §  7° 1° e 2° do art. 7° desta Lei, comprometendo­se, pelo prazo de  vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável  por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei,  ao atendimento das seguintes condições: [...]”  Assim,  como  não  cabe  a  este  Colegiado  ir  de  encontro  à  legislação,  nos  termos  do  seu  próprio  Regimento  Interno,  não  se mostra  necessário  grandes  argumentações  para conferir razão ao pleito da recorrente, corroborada pelas substanciosas razões do Acórdão  adotado como paradigma, de onde pedimos vênia para transcrever o elucidativo trecho:  “[...]  Também  estreme  de  dúvidas  que  a  educação  é  espécie do gênero assistência social. E este é o entendimento do  próprio  Poder  Executivo,  uma  vez  que  o  Decreto  n°  2.536,  de  06/04/1998, que regula a matéria, assim dispôs:  Art.  2°.  Considera­se  entidade  beneficiente  de  assistência  social,  para  os  fins  deste  Decreto,  a  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  sem  fins  lucrativos, que atue no sentido de:  1V  —promover,  gratuitamente,  assistência  educacional ou de saúde.       A doutrina também perfilha  tal entendimento como  depreende­se  do  texto  de  James  Marins'  em  que  o  autor  paranaense  averba  que  "Dentro  da  moldura  constitucional  e  infraconstitucional complementar (CF, arts. 6°, 150, 195, 203 e  204 e CT1V, arts. 90 e 14) é que se afigura possível o desenho  seguro  e  completo  do  conteúdo  dos  núcleos  "educação"  e  "assistência  social"  como  aquele  correspondente  ea  atividades  sem fins  lucrativos voltadas para a educação ,s aúde,  trabalho,  lazer, e segurança.... Tais atividades, sempre, que realizadas sem  o  intuito  de  lucro,  estão,  sem  resquício  de  dúvida,  abrangidas  pela  imunidade concernente a  impostos e contribuições  sociais.  [...]”  Diante  das  considerações  acima,  resta  demonstrado  que  as  instituições  de  ensino  podem  se  enquadrar  como  entidade  beneficente  de  assistência  social,  gozando,  por  conseguinte,  da  isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  conquanto  que  Fl. 23DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   24 observados os requisitos legais do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época do  lançamento.  Na  esteira  desse  raciocínio,  afastada  à  condição  imposta  pelo  Acórdão  recorrido, no sentido de que a recorrente não poderia fazer jus à isenção/imunidade em  comento por ser instituição de ensino, nos restaria analisar se a entidade, ora recorrente,  observou os pressupostos do favor constitucional que cuidamos nesta assentada, não fosse  a existência de questão prejudicial, tendente a rechaçar o lançamento.  Como  se  verifica  dos  autos,  especialmente  do  Relatório  Fiscal  de  fls.  122/134,  a  presente  notificação  encontra­se  arrimada  na  desconsideração  do  autoenquadramento  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  realizada  pela  notificada,  ensejando  a  constituição  do  crédito  previdenciário  decorrente  da  diferença  de  contribuições  apurada, relativamente à cota patronal, a qual não vinha a contribuinte recolhendo por entender  imune/isenta.  Ou seja, por se considerar entidade isenta, a recorrente não vinha recolhendo  a  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  o  que  não  fora  admitido  pela  fiscalização,  lançando, por conseguinte, referidos tributos.  Para corroborar  seu  entendimento, a  fiscalização, no Relatório Fiscal,  lança  extenso  arrazoado,  esclarecendo  os  motivos  em  que  a  recorrente  não  pode  ser  considerada  como entidade beneficente de assistência social, seja em razão das supostas remunerações dos  diretores,  da  ausência  do  título  de  utilidade  pública  federal,  inaplicabilidade  do  direito  adquirido, dos pagamentos a empresa de turismo, indeferimento do CEAS, dentre outros, o que  demonstraria a inobservância dos requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91.  Deixou de  considerar,  porém, o  fiscal notificante, que a  constatação da  pretensa  inobservância  dos  pressupostos  da  isenção  da  cota  patronal,  conquanto  que  a  entidade esteja sob o manto de tal benefício, somente pode ser levado a efeito a partir da  emissão de Ato Cancelatório da Isenção, condição, inclusive, para o próprio lançamento,  como demonstraremos adiante.  Por  sua  vez,  a  contribuinte,  desde  a  sua  impugnação,  defende  que  detém  imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o,  da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu  os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal  apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação.  Aduz,  também,  que  a  declaração  do  fato  jurídico  tributário,  aqui  retratado  pela  desconsideração  da  imunidade,  atinente  ao  preenchimento  de  requisitos  voltados  à  exclusão da incidência do tributo, constitui requisito essencial ao ato de lançamento e/ou ao de  aplicação da multa, em virtude do que estipula o art. 142 do CTN.  Afirma,  que  a  presente  notificação  foi  lavrada  em  contrariedade  ao  devido  processo legal, por inexistir qualquer procedimento cancelatório da isenção da contribuinte, de  maneira a justificar a exigência do crédito tributário em questão, mesmo porque encontra apoio  na indevida desconsideração dessa isenção.  Arremata,  alegando que  se para o  exercício da  imunidade é necessário um  ato  de  concessão  pelo  INSS  (ato  constitutivo  positivo),  para  o  cancelamento  também  deve  haver o mesmo procedimento (ato constitutivo negativo).  Fl. 24DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 13          25 Assim,  uma  vez  transposta  a  condição  eleita  pelo  Acórdão  recorrido  para  fruição  da  isenção  pela  recorrente,  qual  seja,  a  possibilidade  de  instituições  de  ensino fazerem jus a referido benefício fiscal, o deslinde da controvérsia passou a se fixar  em verificar se a notificada, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da  cota patronal das contribuições previdenciárias, como vem sustentando desde o início do  procedimento.  Neste ponto, aliás, convém esclarecer que inexiste qualquer efeito prático  em analisar o cumprimento por parte da recorrente dos requisitos da isenção, tendo em  vista não se tratar de Ato Cancelatório, único procedimento que poderia afastar a isenção  da entidade, e foro próprio para tal discussão.  Nos  presentes  autos,  o  que  se  mostra  relevante  é  constatar  se  a  contribuinte,  à  época  do  lançamento,  fazia  jus  à  isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  eis  que  se  assim  o  for,  a  presente  notificação  somente  poderia ser efetivada na hipótese de emissão de Ato Cancelatório específico, objetivando  afastar a imunidade sob análise.  Por  outro  lado,  verificando­se  que  a  contribuinte  não  usufruia  de  referida  isenção,  não  se  pode  cogitar  na  vinculação  do  lançamento  a  qualquer  outro  procedimento  especial,  sendo  perfeitamente  viável  a  exigência  tributária  desconsiderando  o  autoenquadramento da autuada.  Observa­se  que  a  recorrente,  desde  o  início  do  procedimento  fiscal,  em  momento  algum  se  insurge  contra  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  em  questão,  se  limitando a defender que possui  imunidade da cota patronal e,  em razão disso, o  lançamento somente seria viável após a emissão de Ato Cancelatório.  Portanto,  cabe  verificar  ­  em  respeito  a  forma  processual  adequada,  a  segurança  jurídica,  a  certeza  na  decisão  –  se  a  recorrente  foi,  um  dia,  imune  quanto  às  contribuições para a seguridade social e, caso fosse, se ocorreu o que determina a legislação, a  expedição do devido Ato Cancelatório.  Cabe salientar que esse foi um dos motivos de decidir presentes no Acórdão  recorrido,  em  longa  e  atalhada  exposição  por  parte  da Relatora,  fls.  0527  a  0529,  onde  fica  claro que o motivo foi a ausência de certificação sobre a utilidade pública federal.  Já em sentido oposto, há jurisprudência firmada nas Câmaras da Segunda Seção do  CARF  sobre  o  tema,  como  se  constata  da  ementa  e  parte  do  voto  exarado  nos  autos  do  processo  administrativo n° 14485.000538/2007­16, de interesse da mesma contribuinte, da lavra do Conselheiro  Kleber Ferreira de Araújo, que assim decidiu:   nos seguintes termos:  “EMENTA:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003  PREVIDENCIÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  CONTAGEM  A  PARTIR  DO  Fl. 25DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   26 PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE  AO  QUE  O  LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO.  Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições,  aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério  previsto no inciso I do art. 173 do CTN.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003  SALÁRIO  MATERNIDADE.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES.  Por  expressa  determinação  legal  o  salário  maternidade  é  considerado saláriodecontribuição.  AUDITORIA  FISCAL.  COMPETÊNCIA  PARA  VERIFICAÇÃO  DOS  REQUISITOS  NECESSÁRIOS  A  ISENÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Os  então  Auditores  Fiscais  da  Previdência  Social  detinham  competência  para  verificação  do  cumprimento  por  parte  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social  dos  requisitos  necessários  à  fruição  da  isenção  da  cota  patronal  previdenciária.  ISENÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DIREITO ADQUIRIDO.  As  entidades  que  gozavam  da  isenção  da  cota  patronal  previdenciária  na  vigência  da  Lei  n.  3.577/1959,  estavam  desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos  do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991.  Recurso Voluntário Provido.  [...]  VOTO  “Direito adquirido à isenção  O  fundamento  de  validade  da  imunidade/isenção  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social  quanto  ao  recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7. do  art. 195 da Constituição Federal, nesses termos:  § 7º São  isentas de contribuição para a seguridade social  as entidades beneficentes de assistência social que atendam  às exigências estabelecidas em lei.  Para  dar  eficácia  ao  comando  constitucional  chegou  ao  ordenamento  pátrio  a  Lei  n.  8.212/1991  que,  em  seu  art.  55,  prescrevia:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts.  22  e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:  Fl. 26DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 14          27 I  seja  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal  e  estadual ou do Distrito Federal ou municipal;  II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade  de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de  Assistência Social, renovado a cada três anos;  III  promova  a  assistência  social  beneficente,  inclusive  educacional  ou  de  saúde,  a  menores,  idosos,  excepcionais  ou pessoas carentes;  IV  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  V aplique integralmente o eventual resultado operacional na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão do  INSS  competente, relatório circunstanciado de suas atividades.  §  1º  Ressalvados  os  direitos  adquiridos,  a  isenção  de  que  trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS,  que  terá  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para despachar o pedido.  [...]  O  texto  legal  transcrito  nos  indica  que  as  entidades,  ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao  INSS  a  isenção  das  contribuições  patronais  previdenciárias.  Assim,  é  necessário  que  se  investigue  a  princípio  a  recorrente  poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo  que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo.  Inicialmente  chamemos  atenção  que  a  interpretação  que  tem  prevalecido  é  a  de  que  inexiste  direito  adquirido  à  manutenção  da  isenção  para  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  ou  seja,  seria  garantido  o  benefício  apenas  para  aquelas  que  continuassem  a  preencher  os  requisitos  normativos  estabelecidos. É  nesse  sentido  que  se  pronunciou  a  Consultoria  Jurídica  do  Ministério  da  Previdência  Social,  no  Parecer  n.  CJ/MPS  n  °  3.133/2003,  do  qual  vale  a  pena  transcrever o excerto:  30.  Ora,  revelase  absurda  a  tese  de  direito  adquirido  à  isenção, com fundamento no § 1º do art. 1º do Decreto­lei nº  1.572/77, uma vez que este mesmo diploma legal estabelece,  no art. 2º, hipóteses em que a isenção será automaticamente  revogada.  31.  A  regra  contida  no  art.  2º  do  Decreto­lei  nº  1.572/77  exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do  art.  1º,  do  referido Decreto­lei,  mantenham  a  condição  de  entidades  filantrópicas,  bem  como  o  reconhecimento  de  utilidade  pública  federal,  caso  contrário,  perdem  automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do  Fl. 27DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   28 direito à isenção fica sujeita a não ocorrência da condição  resolutiva.  32.  Ao  prever  a  possibilidade  da  perda  da  qualidade  de  entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decreto­lei  nº  1.572/77  manteve,  consequentemente,  no  ordenamento  jurídico, a exigência dos requisitos para caracterização da  entidade  como  filantrópica,  bem  como  o  meio  e  a  competência para esta certificação.  33. O instituto do direito adquirido protege um determinado  direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu  titular,  contra  alterações  posteriores  da  legislação.  Para  tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado  momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido  a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem  como tenha determinado a intangibilidade deste direito.  34.  Conclui­se,  portanto,  que  o  direito  à  isenção  não  foi  resguardado  pela  cláusula  da  intangibilidade,  muito  pelo  contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos  em  que  seria  revogado.  Nunca,  em  nenhum  momento,  o  direito à isenção tornou­se um direito intocável, de forma a  configurar  direito  adquirido  das  entidades  beneficiárias,  como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente.  Em 1959, com o advento da Lei n. 3.577, surgiu no direito  pátrio  a  isenção  das  contribuições  previdenciárias  para  as  entidades  reconhecidas  como  de  utilidade  pública,  cujos  diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo  foi revogado pelo Decreto­Lei n. 1.572/1977, que dispôs em seu  art. 1. :  "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959,  que  isenta  da  contribuição  de  previdência  devida  aos  Institutos  e Caixas  de Aposentadoria  e  Pensões  unificados  no.  Instituto  nacional  de  Previdência  Social  IAPAS,  as  entidades  de  fins  filantrópicos  reconhecidas  de  utilidade  pública,  cujos  diretores  não  percebam  remuneração.  (grifamos)  Todavia,  as  entidades  que  já  gozavam  do  benefício  e  aquelas  que  estavam  em  vias  de  adquiri­lo  foram  ressalvadas  nos parágrafos do art. 1. do mesmo diploma legal:  § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará  a  instituição que  tenha sido reconhecida como de utilidade  pública  pelo  Governo  Federal  até  a  data  da  publicação  deste Decreto­Lei, seja portadora de certificado de entidade  de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado  e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos)  §  2.  A  instituição  portadora  de  certificado  provisório  de  entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção  referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha  a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da  vigência deste Decreto­Lei,  o  seu  reconhecimento  como de  utilidade  pública  federal  continuará  gozando  de  aludida  Fl. 28DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 15          29 isenção  até  que  o  Poder  Executivo  delibere  sobre  aquele  requerimento.  A  exegese  dos  dispositivos  acima  permite  concluir  que,  a  partir da edição do Decreto Lei n. 1.572/1977 foram fechadas as  portas  para  concessão  de  novas  isenções,  ficando,  todavia,  garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já  frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários a fruição  do benefício nos termos da legislação revogada.  Verifiquemos,  então,  se  observa  no  caso  sob  análise  a  recorrente  era  isenta  do  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias sob a égide da Lei n. 3.577/1959. Os requisitos  estabelecidos  por  essa  Lei  restringiam­se  a  posse  do  título  de  entidade  emitido  pelo  Governo  Federal  e  do  certificado  de  entidade  de  fins  filantrópicos  por  prazo  indeterminado  e  a  constatação  de  que  os  diretores  da  entidade  não  recebessem  remuneração.  De acordo com o documento de fls. 268, a empresa detinha  o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1974, o  qual foi substituído pelo emitido em 04/08/1992.  Quanto ao título de Utilidade Pública Federal, comprova o  documento  de  fl.  167,  que  a  entidade  obteve  pelo Decreto  de  25/05/1992  (DOU  26/05/1992).  Analisando­se  o  referido  Decreto,conclui­se que a empresa havia formulado o pedido em  1974. Veja­se os termos do ato presidencial:  ‘O  Presidente  da  República,  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere o art. 84, inciso IV, da Constituição:  DECRETA:  (...)  Art.  1.  São  declaradas  de  utilidade  pública  federal,  nos  termos  do  art.  1.  da  Lei  n.  91,  de  28  de  agosto  de  1935,  combinado  com  o  art.  1.  do  regulamento  aprovado  pelo  Decreto  n.  50.517,  de  02  de  maio  de  1961,  as  seguintes  instituições:  (...)  ORGANIZAÇÃO  SANTAMARENSE  DE  EDUCAÇÃO  E  CULTURA, com sede na cidade de Santo Amaro, Estado de  São  Paulo,  portadora  do  CGC  n.  62.277.207/000165  (Processo MJ n. 10.813/74.)’  Verifica­se, nesse sentido, que a OSEC, a época da edição  do  Decreto  n.  1.572/1977  era  portadora  do  Certificado  de  Entidades  de Fins Filantrópicos  e havia  requerido o  título  de  utilidade pública federal.  Diante  desses  fatos,  forçoso  reconhecer  que  a  recorrente  era possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1. do art.  55 da Lei n. 8.212/1991.  Fl. 29DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   30 Nesse  sentido  para  que  a  entidade pudesse  ser notificada  pelo  inadimplemento das contribuições de responsabilidade da  empresa,  obrigatoriamente  o  Fisco  teria  que  emitir  ato  cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor.  Assim, a presente lavratura, por não ter observado o prévio  cancelamento da  isenção, não deve subsistir. É o que  se pode  ver do disposto na Instrução Normativa – IN n. 03/2005:  Art.  305.  A  SRP  verificará  se  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  continua  atendendo  aos  requisitos  necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299.  § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos  no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na  qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram  e  os  fundamentos  legais  descumpridos,  juntando as provas  ou indicando onde essas possam ser obtidas.  § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá  o  prazo  de  quinze  dias,  a  contar  da  data  da  ciência,  para  apresentação de defesa, com a produção de provas ou não,  que  deverá  ser  protocolizada  em  qualquer UARP  da DRP  circunscricionante do seu estabelecimento centralizador.  §  3º Decorrido  o  prazo  previsto  no  §  2º  deste  artigo,  sem  manifestação  da  parte  interessada,  caberá  à  chefia  do  Serviço/Seção  de  Arrecadação  da  DRP  decidir  acerca  da  emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC.  §  4º  Caso  a  defesa  seja  apresentada,  o  Serviço/Seção  de  Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato  Cancelatório de Isenção AC.  § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP  favorável  à  emissão  do  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  a  chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o  documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão  que lhe deu origem, à entidade interessada.  § 6º A  entidade perderá o direito de gozar da  isenção das  contribuições  sociais  a  partir  da  data  em  que  deixar  de  cumprir  os  requisitos  contidos  no  art.  299,  devendo  essa  data constar do Ato Cancelatório de Isenção.  § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta  dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório  da  Isenção para  interpor recurso com efeito  suspensivo ao  CRPS.  Do § 6. acima não resta dúvida de que a perda do direito  de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do Ato  Cancelatório,  que  deverá  indicar  inclusive  em  que  data  a  empresa  deixou  de  cumprir  os  requisitos  legais  para  manutenção da condição de entidade isenta.  Diante  do  exposto,  voto  por  afastar  a  preliminar  de  incompetência da Auditoria Fiscal, por reconhecer a decadência  Fl. 30DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 16          31 do crédito no período de 05/2000 a 12/2001, e, no mérito, pelo  provimento do recurso.  Kleber Ferreira de Araújo [...]” (grifos nossos)  Da  leitura  do  voto  acima,  verifica­se  que,  para  fruição  da  imunidade,  as  entidades, ressalvados os  casos de direito adquirido, deveriam requerer ao  INSS a  isenção  das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se verifique, em princípio,  se  a  recorrente  poderia  ser  enquadrada  nos  casos  de  direito  adquirido,  de modo  que  ficasse  desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo.  Segundo  consta  dos  autos,  a  Recorrente  era  isenta  do  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  sob  a  égide  da  Lei  n.  3.577/1959.  Os  requisitos  estabelecidos  nessa  regra  restringiam­se  a  posse  do  título  de  entidade  emitido  pelo Governo  Federal  e  do  certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os  diretores da entidade não recebessem remuneração.  No  presente  processo,  os  documentos  de  fls.  134  e  seguintes,  demonstram  que a Recorrente detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1974, o qual foi  substituído pelo emitido em 04/08/1992.  Relativamente  ao  título  de  Utilidade  Pública  Federal,  a  documentação  acostada aos autos, especialmente e fl. 137,  igualmente, comprova ter sido conferido aludido  título  à  entidade  pelo  Decreto  de  25/05/1992  (DOU  26/05/1992),  constando,  ainda,  que  a  Recorrente formulou o pedido em 1974.  Demonstra­se,  assim,  que  a  OSEC,  a  época  da  edição  do  Decreto  nº  1.572/1977, era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido  o título de utilidade pública federal.  Nesse  sentido,  para  que  a  entidade  pudesse  ser  notificada  pelo  inadimplemento  das  contribuições  de  responsabilidade  da  empresa,  obrigatoriamente  o  Fisco  teria  que  emitir  Ato  Cancelatório  em  processo  administrativo  próprio,  oportunizando o direito de defesa da empresa.  A rigor, a própria Instrução Normativa SRP n° 03/2005, oferece proteção ao  entendimento acima, senão vejamos:  “Art.  305.  A  SRP  verificará  se  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  continua  atendendo  aos  requisitos  necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299.  § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos  no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na  qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram  e  os  fundamentos  legais  descumpridos,  juntando as provas  ou indicando onde essas possam ser obtidas.  § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá  o  prazo  de  quinze  dias,  a  contar  da  data  da  ciência,  para  apresentação de defesa, com a produção de provas ou não,  que  deverá  ser  protocolizada  em  qualquer UARP  da DRP  circunscricionante do seu estabelecimento centralizador.  Fl. 31DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   32 §  3º Decorrido  o  prazo  previsto  no  §  2º  deste  artigo,  sem  manifestação  da  parte  interessada,  caberá  à  chefia  do  Serviço/Seção  de  Arrecadação  da  DRP  decidir  acerca  da  emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC.  §  4º  Caso  a  defesa  seja  apresentada,  o  Serviço/Seção  de  Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato  Cancelatório de Isenção AC.  § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP  favorável  à  emissão  do  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  a  chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o  documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão  que lhe deu origem, à entidade interessada.  § 6º A  entidade perderá o direito de gozar da  isenção das  contribuições  sociais  a  partir  da  data  em  que  deixar  de  cumprir  os  requisitos  contidos  no  art.  299,  devendo  essa  data constar do Ato Cancelatório de Isenção.  § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta  dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório  da  Isenção para  interpor recurso com efeito  suspensivo ao  CRPS.”  Partindo  dessas  premissas,  verifica­se  que  o  fiscal  notificante  inobservou  a  necessidade  de  prévio  cancelamento  da  isenção  da  entidade,  com  a  emissão  de  Ato  Cancelatório,  nos  termos  da  norma  retro,  como  condição  à  constituição  do  crédito  previdenciário sob análise, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude.  Pelos  fundamentos  acima  voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial do Contribuinte, determinando a aplicabilidade do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, bem  como reconhecendo à imunidade da contribuinte em relação a cota patronal das contribuições  previdenciárias,  que  somente  poderia  ser  afastada  mediante  emissão  prévia  de  Ato  Cancelatório, razão pela qual se apresenta improcedente o lançamento fiscal em comento.  É o voto.    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior                                Fl. 32DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/2007­46  Acórdão n.º 9202­01.878  CSRF­T2  Fl. 17          33   Fl. 33DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 18088.720392/2011-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Para qualificação da multa aplicada, é necessário que a autoridade fiscal demonstre o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizar-se de presunções, sobretudo porque as características do negócio podem ter resultado em mero equívoco do seu enquadramento como produtor rural. PRODUTOR RURAL. DEFINIÇÃO Para a tributação previdenciária define-se como produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos.
Numero da decisão: 2403-001.849
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Carolina Vanderley Landim Relatora designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     2 ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  qualificação  da  multa.  Vencido  o  conselheiro  Carlos Alberto Mees Stringari. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina  Wanderley Landim.    Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator       Carolina Vanderley Landim  Relatora designada    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari  (Presidente),  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 259          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto , Acórdão 14­37.271  da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido:    Trata­se o presente de Autos de Infração de Obrigação Principal  ­ AIOP,  Debcad  n.º  37.306.157­6,  no  valor  de  R$  446.336,93  (quatrocentos  e  quarenta  e  seis mil,  trezentos  e  sessenta  e  seis  reais  e  noventa  e  três  centavos),  relativo  às  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  (parte  patronal)  e  para  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho–  SAT/RAT  e Debcad  n.º  37.354.470­7,  no valor de R$ 52.308,86 (cinquenta e dois mil, trezentos e oito  reais  e  oitenta  e  seis  centavos),  referente  a  contribuições  a  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  quais  sejam,  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  –  FNDE,  Instituto  Nacional de Colonização e Reforma Agrária –  INCRA, Serviço  Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, Serviço Social  do Comércio – SESC e Serviço de Apoio às Micro  e Pequenas  Empresas – SEBRAE.  As  contribuições  sociais  exigidas  através  dos  AIOP,  ambos  lavrados  em  29/11/2011  e  com  ciência  ao  contribuinte  em  30/11/2011,  são  oriundas  das  folhas  de  pagamento  dos  segurados  empregados  para  o  período  de  01/2008  a  12/2008,  incluindo o 13.º salário (competência 13/2008), declaradas em  Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à  Previdência Social – GFIP.  Esclarece o Relatório Fiscal – RF (fls. 27/33) que, nos sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  constam  GFIP  nas  quais  foi  informado  o  código  de  FPAS  604,  com  atividade  preponderante  “cultivo  de  cana­de­ açúcar”,  para  o  qual  são  devidas  as  contribuições  dos  segurados empregados, devidamente retidas, e as contribuições  a terceiros à alíquota de 2,7%, sendo 2,5% relativos ao FNDE e  0,2% ao INCRA.  As  contribuições  patronais  sobre  a  remuneração  da  mão­de­ obra  empregada  no  setor  rural  seriam  substituídas  por  contribuição  incidente  sobre a receita  total do empreendimento  rural,  com  alíquotas  de  2,5%  (Previdência  Social),  0,1%  (SAT/RAT) e 0,25% (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural ­  SENAR), que seriam declaradas no FPAS 744.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     4 Ocorre  que  a  autuada  não  apresentou  produção  rural  no  período de 2008 a 2009, uma vez que arrendou suas terras para  pessoas físicas, conforme contratos de arrendamento anexados,  sendo  essa  sua  única  atividade  econômica  constatada  para  o  período.  Em  resposta  à  intimação  para  apresentar  as  notas  fiscais  de  produtor,  foi  entregue  planilha  listando  notas  emitidas  até  12/2007,  não  tendo  sido  apresentada  qualquer  nota  fiscal  emitida a partir de 01/2008.  Além  disso,  em  21/07/2010,  promoveu  alteração  em  seu  Contrato Social, passando o objeto social, antes “exploração de  atividades agrícolas, pastoris,  indústria vegetal e animal” para  “realização  de  parcerias  agrícolas,  arrendamento  de  terras  e  locação”.  Com informações obtidas na folha de pagamento da autuada, o  RF  traz  planilha  listando os  trabalhadores,  lotações  e  cargos,  demonstrando  a  inexistência  de  operários  agrícolas  em  atividade no período em tela e, dado que não houve produção  rural,  concluiu  a  fiscalização  pela  inocorrência  de  atividade  rural no período de 01/2008 a 12/2009.  Para  a  apuração  do  crédito  tributário  foram  apropriados  os  valores  regularmente  recolhidos  através  de  Guias  da  Previdência  Social  –  GPS,  conforme  pode  ser  verificado  nos  anexos “DD – Discriminativo do Débito”, coluna “Créditos”.  Aplicação da multa. Retroatividade benigna.  Na determinação do valor da multa,  para o AIOP Debcad n.º  37.306.157­6  (empresa + RAT/SAT),  no  período  de 01/2008 a  11/2008, foi considerado o princípio da retroatividade benigna  previsto  no  art.  106,  II,  “c”  do  CTN,  comparando­se,  mês  a  mês,  as  multas  previstas  na  Medida  Provisória  n.º  449,  de  04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009 com as  multas  anteriores,  aplicando­se  a  menos  onerosa  ao  sujeito  passivo, conforme demonstrativo de fls. 176/177.  Para as infrações com fato gerador posterior a 04/12/2008 não  há que se  falar  em comparação de multas  para a apuração da  penalidade menos severa, pois, neste caso, será aplicada a multa  de ofício estabelecida pelo art. 44,  I da Lei 9.430/96,  instituído  pela Lei 11.941/09.  Aplicação de multa qualificada.  Ainda  com  relação  à  multa,  para  as  competências  12/2008  e  13/2008 (13.º salário), foi aplicada a multa qualificada prevista  no  art.  44,  I  e  §  1.º  da  Lei  9.430/96  por  ter  a  fiscalização  considerado  a  ocorrência  de  evidente  intuito  de  fraude  pelas  seguintes situações fáticas:  ·  foram  informados  com  falsidade,  em  GFIP,  fatos  geradores  ocorridos,  uma  vez  que  o  contribuinte  tem  clareza  de  que  não  tem  produção  rural,  por  não  ter  emitido  notas  fiscais  de  produtor,  não  declarado  comercialização  de  produção  rural,  não  ter  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 260          5 trabalhadores  rurais em  sua  folha de pagamento  e não  deter a posse de terras agricultáveis;  ·  tais  fatos  somente puderam ser  constatados através de  procedimento de auditoria fiscal;  ·  a  prática  da  conduta  de  falsidade  na  declaração  em  GFIP  no  período  de  01/2008  a  12/2009,  portanto,  de  forma reiterada;  ·  teria sido possível ao contribuinte declarar em GFIP o  real  montante  dos  fatos  geradores  e  a  totalidade  das  contribuições  devidas,  uma  vez  que  era  detentor  das  referidas informações. Contudo, além de não efetuar os  recolhimentos,  sua  omissão  impediu  que  a  administração  tributária  tomasse  conhecimento  dos  elementos  necessários  à  cobrança  das  contribuições  devidas,  assumindo  o  risco  de  declarar  e  recolher  apenas parte diminuta da dívida.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde alega, em síntese, que:  · É produtora rural.  · Apresenta definição do inciso XV, alínea “b”, artigo 165, da IN RFB  971  · Possui  em  seu  quadro  de  funcionários  trabalhadores  rurais  que  exercem  atividade  exclusivamente  rural,  tais  como:fiscal  geral(balança cana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc.  · No período ocorreu o preparo do solo, calagem e adubação, que são  atividades agrícolas.  · Questiona a multa qualificada e afirma que inexiste dolo.    É o relatório  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     6   Voto Vencido  Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente e Relator,   O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    MÉRITO    A recorrente afirma ser produtora rural e que se enquadra na definição  estabelecida pelo inciso XV, alínea “b”, artigo 165, da IN RFB 971 e assim transcreve o  trecho da IN.    “Considera­se:  ...  b) produtor rural pessoa jurídica:  ...  XV  ­  arrendamento  rural,  o  contrato  pelo  qual  uma  pessoa  se  obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e o  gozo  de  imóvel  rural,  de  parte  ou  de  partes  de  imóvel  rural,  incluindo  ou  não  outros  bens  e  outras  benfeitorias,  ou  embarcação,  com  o  objetivo  de  nele  exercer  atividade  de  exploração agropecuária ou pesqueira mediante certa retribuição  ou aluguel.”    Entendo que não cabe razão à recorrente pelo abaixo exposto.  A  apresentação  do  texto  e  sua  interpretação  por  parte  da  recorrente  incide em grosseiro erro.  Na leitura do artigo, verifica­se que a definição dos incisos referem­se ao  caput e que a citada alínea “b”, está contida no inciso I.    Art. 165. Considera­se:  I  ­  produtor  rural,  a  pessoa  física  ou  jurídica,  proprietária  ou  não,  que  desenvolve,  em  área  urbana  ou  rural,  a  atividade  agropecuária,  pesqueira  ou  silvicultural,  bem  como a  extração  de  produtos  primários,  vegetais  ou  animais,  em  caráter  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 261          7 permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos, sendo:  a) produtor rural pessoa física:  1.  o  segurado  especial  que,  na  condição  de  proprietário,  parceiro,  meeiro,  comodatário  ou  arrendatário,  pescador  artesanal  ou  a  ele  assemelhado,  exerce  a  atividade  individualmente ou em regime de economia  familiar, ainda que  com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos  cônjuges  ou  companheiros  e  filhos  maiores  de  16  (dezesseis)  anos  ou  a  eles  equiparados,  desde  que  trabalhem  comprovadamente  com  o  grupo  familiar,  conforme  definido  no  art. 10;  2.  a  pessoa  física,  proprietária  ou  não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua;  b) produtor rural pessoa jurídica:   1.  o  empregador  rural  que,  constituído  sob  a  forma  de  firma  individual ou de empresário  individual, assim considerado pelo  art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade  empresária, tem como fim apenas a atividade de produção rural,  observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 175;   2.  a  agroindústria  que  desenvolve  as  atividades  de  produção  rural  e  de  industrialização  da  produção  rural  própria  ou  da  produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o  disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo;  II  ­  produção  rural,  os  produtos  de origem animal ou  vegetal,  em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento  ou de  industrialização rudimentar,  bem como os  subprodutos  e  os resíduos obtidos por esses processos;  III ­ beneficiamento, a primeira modificação ou o preparo dos  produtos  de  origem  animal  ou  vegetal,  realizado  diretamente  pelo próprio produtor rural pessoa física e desde que não esteja  sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados  (IPI),  por  processos  simples  ou  sofisticados,  para  posterior  venda  ou  industrialização,  sem  lhes  retirar  a  característica  original,  assim  compreendidos,  dentre  outros,  os  processos  de  lavagem,  limpeza,  descaroçamento,  pilagem,  descascamento,  debulhação, secagem, socagem e lenhamento;  ...  XV  ­ arrendamento  rural,  o  contrato pelo qual uma pessoa  se  obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e o  gozo  de  imóvel  rural,  de  parte  ou  de  partes  de  imóvel  rural,  incluindo  ou  não  outros  bens  e  outras  benfeitorias,  ou  embarcação,  com  o  objetivo  de  nele  exercer  atividade  de  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     8 exploração  agropecuária  ou  pesqueira  mediante  certa  retribuição ou aluguel; (grifei)    Outras alegações apresentadas pela recorrente são que possui em seu quadro  de  funcionários  trabalhadores  rurais  que  exercem  atividade  exclusivamente  rural,  tais  como:fiscal geral(balança cana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc e que no período  ocorreu o preparo do solo, calagem e adubação, que são atividades agrícolas.  Por  concordar  e  por  conter  informações  não  contestadas,  abaixo  transcrevo  trecho do voto condutor da decisão recorrida.     Também  aduz  a  impugnação  que,  além  dos  arrendamentos  rurais,  a  autuada  exerce  atividade  agrícola,  tendo  inclusive  funcionários  registrados  com  atividades  rurais  e  que  o  fato  de  não ter apresentado notas fiscais emitidas não a descaracteriza  como  produtor  rural,  já  que  no  período  ocorreu  o  preparo  do  solo, calagem e adubação, atividades estritamente agrícolas.  Analisando  as  informações  prestadas  pela  autuada  através  de  Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia  e  Informações à  Previdência  Social  –  GFIP  informadas  constata­se  que,  no  período  de  01/2008  a  08/2008,  constavam  em  torno  de  13  funcionários  em  diversas  funções,  tais  como  profissional  de  recursos  humanos,  contadores  e  afins,  diretores,  contabilista,  auxiliar  de  contabilidade,  comprador,  técnicos  agrícolas  e  de  planejamento  e  controle  de  produção,  etc.  Destes,  poderíamos  considerar  como  atuantes  em  atividades  rurais  apenas  os  técnicos agrícolas (código CBO 03211), em número de 2 (dois) e  uma  trabalhadora  agrícola  na  cultura  de  gramíneas  (código  CBO 03211), sendo que desses, a trabalhadora agrícola constou,  na  GFIP,  em  todas  as  competências,  com  código  de  movimentação  “O1  ­  Afastamento  temporário  por  motivo  de  acidente do trabalho, por período superior a 15 dias”, com data  da  ocorrência  06/05/2002.  Os  técnicos  agrícolas  foram,  em  09/2008,  transferidos,  constando,  na  GFIP  daquele  mês  com  código  de  movimentação  “N2  ­  Transferência  de  empregado  para  outra  empresa  que  tenha  assumido  os  encargos  trabalhistas,  sem  que  tenha  havido  rescisão  de  contrato  de  trabalho”. Os demais funcionários tiveram o mesmo destino, de  tal  forma  que,  em  12/2008,  constavam  na  GFIP  apenas  os  diretores,  um  contador  e  a  funcionária  que  se  encontrava  afastada por motivo de acidente do trabalho.  O  fato  de  constarem  na  folha  de  pagamento,  por  determinado  período,  dois  técnicos  agrícolas  não  é  indicativo  suficiente  de  que tenham sido por eles realizadas as atividades alegadas pela  impugnante, quer sejam, preparo do solo, calagem e adubação.  Por outro lado, o impugnante, além da informação incorreta que  mantinha  em  seus  quadros  mais  de  doze  trabalhadores  agrícolas,  nada  traz  aos  autos  que  comprove  sua  alegada  condição de produtor rural, ao passo que a fiscalização afirmou  que não houve produção rural no período de 2008 a 2009, uma  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 262          9 vez que as  terras  foram arrendadas para pessoas físicas, sendo  essa sua única atividade econômica constatada para o período.    Note­se que, por definição, para  ser  considerada produtora rural, deve  desenvolver atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de  produtos  primários,  vegetais  ou  animais,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente ou por intermédio de prepostos.  Conforme  demonstrado  no  processo,  as  terras  foram  arrendadas  no  início de 2008, por um prazo de 212 anos. Por não  ficar demonstrado que a recorrente  desenvolveu  atividade  rural,  se  conclui  correto  o  procedimento  fiscal  de  considerar  equivocado o auto enquadramento como produtora rural.      MULTA QUALIFICADA    Afirmando a inexistência de dolo, a recorrente questiona a multa qualificada  aplicada nas competências 12 e 13/2008.  Discordo da recorrente.  A qualificação da multa está prevista no § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96 e  depende  da ocorrência  dos  casos  previstos  nos  artigos.  71,  72  e 73  da Lei  no4.502/64  e  tais  casos estão vinculados a atitude dolosa.    Lei 9.430/96  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)   a)  na  forma  do  art.  8oda  Lei  no7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     10  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  §  1o  O  percentual  de multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  no4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)    Lei 4.502/64  Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.    O  voto  condutor  da  decisão  recorrida  bem  descreve  as  condições  que  motivaram o entendimento da condição dolosa do proceder da recorrente:    Ainda  com  relação  à  multa,  para  as  competências  12/2008  e  13/2008 (13.º salário), foi aplicada a multa qualificada prevista  no  art.  44,  I  e  §  1.º  da  Lei  9.430/96  por  ter  a  fiscalização  considerado  a  ocorrência  de  evidente  intuito  de  fraude  pelas  seguintes situações fáticas:  ·  foram  informados  com  falsidade,  em  GFIP,  fatos  geradores  ocorridos,  uma  vez  que  o  contribuinte  tem  clareza  de  que  não  tem  produção  rural,  por  não  ter  emitido  notas  fiscais  de  produtor,  não  declarado  comercialização  de  produção  rural,  não  ter  trabalhadores  rurais em  sua  folha de pagamento  e não  deter a posse de terras agricultáveis;  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 263          11 ·  tais  fatos  somente puderam ser  constatados através de  procedimento de auditoria fiscal;  ·  a  prática  da  conduta  de  falsidade  na  declaração  em  GFIP  no  período  de  01/2008  a  12/2009,  portanto,  de  forma reiterada;  ·  teria sido possível ao contribuinte declarar em GFIP o  real  montante  dos  fatos  geradores  e  a  totalidade  das  contribuições  devidas,  uma  vez  que  era  detentor  das  referidas informações. Contudo, além de não efetuar os  recolhimentos,  sua  omissão  impediu  que  a  administração  tributária  tomasse  conhecimento  dos  elementos  necessários  à  cobrança  das  contribuições  devidas,  assumindo  o  risco  de  declarar  e  recolher  apenas parte diminuta da dívida.    Considerando  que  está  bem  comprovado  que  as  terras  estavam  arrendadas,  que  a  recorrente  não  era  produtora  rural,  que  tendo  se  declarado  produtora  rural  criou  condições  pessoais  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária,  entendo  correta  a  qualificação da multa.      CONCLUSÃO    Voto por negar provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari   Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     12   Voto Vencedor  Conselheira  Carolina  Wanderley  Landim,  designada  para  redigir  o  voto  vencedor em relação à qualificação da multa aplicada nas competências de 12/2008 e 13/2008.   De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  27/33,  foram  constatadas  as  seguintes circunstâncias fáticas para aplicação da multa qualificada:  · O  contribuinte  informou  em  GFIP  fatos  geradores  ocorridos,  com  falsidade,  uma  vez  que  ele  tem  clareza  de  que  não  tem  produção  rural,  não  emitindo  nota  fiscal  de  produtor,  não  declarando  comercialização de  produção  rural,  não  tendo  trabalhadores  rurais  em  sua  folha  de  pagamento,  não  detendo  posse  de  terras  agricultáveis;  · Tais  fatos  somente  puderam  ser  constatados  pela  autoridade  tributária  através  do  procedimento  de  autoridade  fiscal  previdenciária;  · A prática da  conduta de  falsidade na declaração em GFIP ocorreu  nas  competências  01/2008  a  13/2009  (13º  salário),  portanto,  de  forma reiterada;  · Teria  sido  perfeitamente  possível  ao  contribuinte  declarar  o  real  montante  dos  fatos  geradores  e  a  totalidade  das  contribuições  devidas em GFIP, uma vez que o mesmo era o detentor das referidas  informações, constituindo­se, assim, em mero inadimplente. Contudo,  além  de  não  efetuar  os  recolhimentos,  sua  omissão  impediu  que  a  autoridade  tributária  tomasse  conhecimento  dos  elementos  necessários para efetuar a cobrança das contribuições devidas.  É sabido que a qualificação da penalidade está prevista no §1º do artigo 44 da  Lei 9.430/96 e sua imposição tem lugar quando concretizadas as hipóteses previstas nos arts.  71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64.   Assim,  imperioso verificar  se as condutas  imputadas ao Recorrente na peça  acusatória podem se subsumir aos  tipos abstratos da qualificação previstos nos artigos acima  apontados.  Diante do caso concreto, constata­se que, ao contrário do quando assinalado  pelo colegiado a quo e referendado pelo Il. Relator do presente recurso, a intenção dolosa da  Recorrente não foi comprovadamente demonstrada pela autoridade lançadora.  Isto porque, a partir da análise dos documentos colacionados aos autos, bem  como  as  alegações  recursais,  infere­se  que  o  contribuinte  entende  ser  produtor  rural,  aparentemente  enquadrado no art. 165, alínea b,  inciso XV da  Instrução RFB 971/MPS/SRP  04/2005.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/2011­31  Acórdão n.º 2403­001.849  S2­C4T3  Fl. 264          13 Complementa  ainda  que,  além  dos  arrendamentos  rurais,  possui  também  trabalhadores  rurais  registrados  em  seu  quadro  de  funcionários  que  exercem  atividade  rural,  tais como fiscal geral (balança­cana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc.   Assim,  diante  das  características  do  seu  empreendimento,  a  Recorrente  acreditou  realmente exercer  a  atividade  rural,  razão pela qual o  reenquadramento promovido  pelo Fisco, por si só, não justificaria a aplicação da multa qualificada, ante a complexidade do  caso concreto face às disposições normativas.   Em outras palavras, para o cabimento da qualificação da multa aplicada, seria  necessário  que  a  autoridade  fiscal  demonstrasse,  de  forma  cabal,  o  evidente  intuito  do  contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizar­se de presunções,  sobretudo porque as características do seu negócio podem ter resultado em mero equívoco do  seu enquadramento como produtor rural.  A  qualificação  da multa  é  uma medida  excepcional,  que  deve  ser  aplicada  apenas  nos  casos  em  que  se  constate  sonegação,  fraude  e  conluio,  o  que,  à  evidência,  não  ocorreu no caso em apreço.   Merece destaque o fato que, quando a fiscalização não logra comprovar todos  os elementos para a aplicação de tal qualificadora, a duplicação da multa de ofício não deve ser  aplicada, vez que, em caso de dúvidas sobre a conduta fraudulenta, deve­se interpretar a norma  punitiva da maneira mais favorável ao acusado.  Tal  entendimento  encontra  respaldo  no  Código  Tributário  Nacional,  conforme disposto no art. 112, a seguir transcrito:  Art.  112  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado, em caso de dúvida quanto:  I ­ à capitulação legal do fato;  II  ­  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza ou extensão dos seus efeitos;  III ­ à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;  IV ­ à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.  Logo, constata­se que, na hipótese dos autos, não restou comprovado que a  Recorrente  agiu  com  dolo  ao  se  enquadrar  como  produtora  rural,  ocorrendo  apenas  um  equívoco  de  interpretação  de  legislação,  em  virtude  das  características  sui  generis  de  sua  atividade.  Vale registrar ainda que todos os atos praticados pela Recorrente levam a crer  que  a  mesma  não  cometeu  nenhum  ato  que  pudesse  se  amoldar  nas  figuras  de  sonegação,  fraude ou conluio, razão pela qual não merece prosperar a aplicação de tal qualificadora.  Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se  manifestou. Vejamos:  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM     14 MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  AUSÊNCIA  DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA  EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa  qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação  original,  quando  o  contribuinte  tenha  procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  nos  casos  definidos  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64. O  evidente  intuito  de  fraude  deverá  ser  minuciosamente  justificado  e  comprovado  nos  autos.  Nos  termos  do  enunciado  n°  14  da  Súmula  deste  Primeiro Conselho, não há que se  falar  em qualificação da multa de oficio  nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do  evidente  intuito de fraude. Nessa  linha,  incabível o exasperamento da multa  de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção  legal,  sem qualquer  conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso  provido.  (grifos  meus)  (Processo  nº  18471.000150/2008­06,  Acórdão nº  2102­002.480  –  1ª Câmara / 2ª Turma  Ordinária,  Sessão de  12 de março de 2013) (grifos nossos).  Desse  modo,  resta  claro  que  a  recorrente  entendia  estar  enquadrada  como  produtora rural e a fiscalização não alcançou demonstrar nos autos qualquer prova da alegada  fraude  ou  sonegação,  razão  pela  qual  não  é  razoável  a  aplicação  da  multa  qualificada  no  presente caso.  Em  face  exposto,  dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  desqualificar  a  penalidade  em  sua  forma  agravada,  lançada  nas  competências  12  e  13/2008,  para reduzi­la para 75%, nos termos do art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96.      Carolina Wanderley Landim                  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM

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Numero do processo: 15374.000013/98-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1995 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Numero da decisão: 9303-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1995 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 5          1 4  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15374.000013/98­59  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.348  –  3ª Turma   Sessão de  13 de agosto de 2013  Matéria  DECADÊNCIA  Recorrente  SENGE SERVIÇOS DE ENGENHARIA S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1995  NORMAS  REGIMENTAIS.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO  DO  CONTEÚDO DE  DECISÃO  PROFERIDA  PELO  STJ  NO RITO DO  ART. 543­C DO CPC.  Consoante art. 62­A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas  de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos recursos no âmbito do CARF”.   NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À  MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO  PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543­C. Decisão do e. STJ no  julgamento do Resp 973.733:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 00 13 /9 8- 59 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS     2 mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 15374.000013/98­59  Acórdão n.º 9303­002.348  CSRF­T3  Fl. 6          3 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.     LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente.     JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator.    EDITADO EM: 02/09/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki  e  as  Conselheiras  Nanci  Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente,  o Conselheiro Rodrigo  Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.    Relatório  Insurge­se  a  sociedade  empresária  contra  acórdão que  afastou  a decadência  do direito de o fisco proceder ao lançamento de diferenças de COFINS verificadas nos meses  de janeiro de 1993, março de 1993, setembro de 1993, outubro de 1993 e novembro de 1993  mesmo a ciência do lançamento somente tendo ocorrido em 18 de dezembro de 1998. Ao fazê­ lo, aplicou o art. 45 da Lei 8.212/91,  já declarado inconstitucional pelo STF, declaração essa  objeto da Súmula Vinculante nº 08.  O recorrente junta como paradigmas de divergência acórdãos que aplicaram o  disposto no § 4º do art. 150 do CTN à hipótese, embora procure fundamentar seu direito na Lei  Complementar nº 118 e requeira o cancelamento integral da autuação.  Há  nos  autos  prova  do  recolhimento  de  parte  do  valor  que  a  fiscalização  entendeu devido em todos os meses indicados.  Tempestivas contra­razões pugnam pela mantença do julgado.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  O recurso foi bem admitido.  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS     4 A questão posta a deslinde do Colegiado não comporta maiores delongas face  à literalidade do art. 62­A do Regimento Interno do CARF:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF   Em seu estrito cumprimento, reproduzo a decisão proferida pelo e. Superior  Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux:  “A insurgência especial cinge­se à decadência do direito de o Fisco constituir  o crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis  ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994.  Deveras,  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra­se regulada por  cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência  do direito de  lançar nos casos de  tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos  casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte  não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs.  163/210).   O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege­se pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis :   "Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados :  I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado ;  II  ­  da data  em que se  tornar definitiva a decisão que houver anulado, por  vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo  único.  O  direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento."   Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo declaração prévia do débito”      Face  ao  exposto,  forçoso  o  reconhecimento  de  que  o  fisco  já  não  mais  poderia  efetuar  o  lançamento  com  respeito  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  18  de  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 15374.000013/98­59  Acórdão n.º 9303­002.348  CSRF­T3  Fl. 7          5 dezembro  de  1993.  Aí  se  incluem  os meses  de  janeiro, março,  agosto,  setembro,  outubro  e  novembro daquele ano, somente ficando de fora o mês de dezembro.  Voto,  pois,  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  do  contribuinte  dado  que  os  demais  períodos  não  estão  alcançados  pela  decadência mesmo  contada  esta  na  forma prevista no § 4º do art. 150 do CTN.  É como voto.  JÚLIO  CÉSAR  ALVES  RAMOS  ­  Relator                                Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS

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5120232 #
Numero do processo: 10825.001544/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA Constatada que a atividade exercida pela contribuinte é vedada no âmbito do Simples, deve ser mantida a negativa de sua inscrição no regime diferenciado de tributação.
Numero da decisão: 1401-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10825.001544/2006­42  Recurso nº  000.001   Voluntário  Acórdão nº  1401­000.990  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de junho de 2013  Matéria  Simples   Recorrente  NT COMÉRCIO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006  SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA  Constatada que a atividade exercida pela contribuinte é vedada no âmbito do  Simples, deve ser mantida a negativa de sua inscrição no regime diferenciado  de tributação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva  (Presidente),  Mauricio  Pereira  Faro,  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Karem  Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 15 44 /2 00 6- 42 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata  o  presente  feito  de  recurso  voluntário  contra  rejeição  do  pedido  de  inclusão  retroativa  da  Recorrente  no  Simples  por  exercício  de  suposta  atividade  vedada.  Segundo  se  extrai  do  relatório  proferido  por  ocasião  do  julgamento  da  DRJ,  que  adoto  por  razões de celeridade processual, in verbis:    A DRF/BAURU, mediante  o Despacho Decisório  de  fls.  34­35,  indeferiu  o  pleito,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  tem  por  objeto social o "Comércio e Prestação de Serviços de Instalação  Elétricas  Diversas"  e  que  houve  retenções  de  IRRF  sobre  remunerações por serviços prestados por ele nos anos de 2001,  2002  e  2003.  Assim,  concluiu  a  autoridade  que  o  contribuinte  presta  serviços  profissionais  de  engenheiro  ou  assemelhado,  atividade esta que obsta a opção pelo SIMPLES, de acordo com  o art. 90, XIII, da Lei n° 9.317/1996. Mais que isso, foi expedido  o Ato Declaratório Executivo DRF/BAURU n° 10/2007  (fl. 36),  excluindo o contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 1°  de  janeiro de 2002, pelo exercício de atividade prevista no art.  9°, XIII, da Lei n° 9.317/1996.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fl.  40,  na  qual  alega  que  a  execução  dos  serviços é feita pelo próprio proprietário da empresa e que não  exerce atividade própria de engenheiro elétrico, mas medição de  serviços,  função  simplesmente  rotineira,  que  não  caracteriza  supervisão  ou  execução de  instalações.  Afirma  que  a  atividade  efetivamente  exercida  não  é  contemplada  no  contrato  social,  razão  pela  qual  estaria  solicitando  a  respectiva  alteração.  Assevera  que  as  retenções  de  IRRF  nos  anos  de  2001,  2002  e  2003 foram efetuadas por empresas estrangeiras que não tinham  pleno conhecimento do regulamento.  Por  meio  da  Resolução  n°  1.100/2009  (fls.  46­47),  esta  l  a  Turma da DRJ/RPO encaminhou os autos A. DRF/BAURU a fim  de que o contribuinte fosse intimado a apresentar todas as notas  fiscais de vendas e de prestação de serviços relativas ao período  de abril de 2001 a agosto de 2006. Além disso, solicitou­se que  fosse discriminado o tipo de prestação de serviço ocorrida e que  fosse juntada cópia da alteração do contrato social.  Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou as cópias  das  notas  fiscais  solicitadas,  com  o  argumento  de  que  foram  extraviadas,  e  apresentou  cópia  de  Boletim  de  Ocorrência  registrando  tal  fato  junto  A  Policia  Civil  do  Estado  de  São  Paulo.  Quanto  à  descrição  da  prestação  de  serviços  ocorrida,  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 4          3 afirmou que houve medição de serviços (quantidades, metragens  etc) no período de junho de 2001 a fevereiro de 2005 e que, no  período de  junho de 2005 a agosto de 2005, houve negociação  com  proprietários  de  faixas  de  áreas  a  titulo  de  servidão  de  passagem para implantação de linha de transmissão, para efeito  de liberação de obras. Por fim, apresentou, As fls. 56­59, cópia  da alteração do contrato social.    Em  julgamento,  entendeu  a  DRJ  pela  manutenção  do  indeferimento  de  inclusão no Simples, sob os seguintes argumentos:  a)  o  contrato  social  reza,  como  objeto  social,  a  atividade  de  “comércio  e  prestação de serviços de instalações elétricas diversas”;  b)  às  fls.  31/33  existe cópias de DIRF’s demonstrando a  retenção de  IRRF  por empresas de engenharia;  c) a Recorrente não apresentou as notas fiscais de prestação de serviços por  ela executadas perante terceiros;  d)  que  o  conjunto  probatório  permite  afirmar  que  a  Recorrente  exercia  atividade de engenharia vedada no âmbito do Simples.    Inconformada,  a  Recorrente  apresentou  petição  a  este  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com o objetivo de revisão da decisão.    É o relatório.      Voto             Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator    O recurso é tempestivo e dele conheço.    O cerne da questão posta em julgamento é saber se a atividade exercida pela  Recorrente é de engenharia elétrica ou não. Se a resposta for positiva, ela deverá ser excluída  do  Simples,  ao  passo  que,  se  se  tratar  de  atividade  de  “eletricista”,  que  não  demande  conhecimentos  técnicos  específicos  de  engenheiro,  será  dada  a  possibilidade  de  inclusão  no  regime do Simples.   Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 5          4 A simples leitura do objeto descrito no contrato social não é suficiente para  afirmar  que  a  atividade  por  ela  exercida  é  de  engenharia,  mas  também  não  trouxe,  a  Recorrente, as notas fiscais referentes aos serviços por ela prestados.   Assim,  entendo  deva­se  promover  a  verificação  junto  às  empresas  que  promoveram a  retenção do  IRRF pelo  serviços prestados pela Recorrente,  como forma de se  encontrar a verdade.   Diante  do  exposto,  este  Conselho  decidiu  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  fossem  intimadas  as  empresas Main  Engenharia  Consultoria  S/C  Ltda.,  CNPJ  nº  02.102.368/0001­96,  BECHTEL  do  Brasil  Construções  Ltda,  CNPJ  nº  34.149.328/0001­96 e Ense do Brasil Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ nº 04.768.250/0001­ 27, para que prestem os seguintes esclarecimentos:    1) quais  foram os  serviços prestados pela Recorrente  a estas  empresas,  que  ocasionaram a retenção do IRRF;  2)  apresentar  nota  fiscal  emitida  pela  Recorrente  e  contrato  por  escrito,  se  houver, relativo aos serviços prestados pela Recorrente;  3)  informar  se  houve  a  participação  de  profissionais  registrados  no  CREA  pára o exercício da atividade objeto da contratação.   4) demandar outras explicações que entender necessário par o esclarecimento  do presente feito.  Cumprida a diligência, o relatório final consignou as seguintes informações:     O interessado pleiteia neste processo sua inclusão retroativa no  Simples Federal alegando que houve falha no preenchimento da  FCPJ, mas  que  sua  intenção de  optar  ficou  caracterizada pela  entrega  de  declarações  e  tributos pagos  de acordo  com aquele  regime.  2. Indeferido o pedido através do Despacho Decisório 394/2007  da  DRF  Bauru,  o  interessado  apresentou  impugnação  que  foi  considerada  improcedente  pela  DRJ  Ribeirão  Preto;  inconformado, o interessado recorreu ao CARF, que por sua vez  converteu  o  julgamento  em  diligência  e  solicitou  parecer  conclusivo sobre o assunto.  3.  A  empresa  CTMAIN  ENGENHEIROS  S/S  LTDA,  CNPJ  02.102.368/0001­96, encaminhou cópias de notas fiscais e carta  na qual informa que o interessado prestou­lhe, no ano de 2001,  serviços de consultoria técnica no ramo de engenharia, para as  instalações  da  Usina  Termoelétrica  Eletrobolt,  os  quais  foram  executados por engenheiro.  4.  A  empresa  BECHTEL DO  BRASIL  CONSTRUÇÕES  LTDA,  CNPJ  34.149.328/0001­96,  enviou  cópia  do  contrato  de  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 6          5 prestação de serviços e carta onde afirma que, no ano de 2002, o  interessado  prestou­lhe  serviços  de  engenharia,  que  conforme  contrato,  seriam  gerenciamento  de  área  turn  over,  verificação  detalhada  de  serviços  concluídos  da  área  de  construção,  elaboração  de  informações  e  cronogramas,  relativos  à  construção e montagem da Termoelétrica UEG Araucária.  5.  A  empresa  EDF  CONSULTORIA  EM  PROJETOS  DE  GERAÇÃO  DE  ENERGIA  LTDA  (ENSE  DO  BRASIL  ENGENHARIA  LTDA),  CNPJ  04.768.250/0001­27,  apresentou  cópias  de  notas  fiscais  e  contrato  de  prestação  de  serviços,  informando em carta que no ano de 2003 os serviços prestados  pelo interessado foram de consultoria em serviços de instalações  elétricas na UTE Norte Fluminense, e que houve a participação  do  Sr.  Nilson  Rodrigues  de  Amorim,  sócio  do  interessado,  registrado no CREA sob nº 0600531462.  6. De acordo com os arts. 1º e 8º da Resolução nº 218, de 29 de  junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura  e  Agronomia,  são  atribuídas  as  seguintes  atividades  ao  engenheiro eletricista:  Art.  1º  ­  Para  efeito  de  fiscalização  do  exercício  profissional  correspondente  às  diferentes  modalidades  da  Engenharia,  Arquitetura  e  Agronomia  em  nível  superior  e  em  nível  médio,  ficam designadas as seguintes atividades:  Atividade 01 ­ Supervisão, coordenação e orientação técnica;  Atividade 02 ­ Estudo, planejamento, projeto e especificação;  Atividade 03 ­ Estudo de viabilidade técnico­econômica;  Atividade 04 ­ Assistência, assessoria e consultoria;  Atividade 05 ­ Direção de obra e serviço técnico;  Atividade 06 ­ Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e  parecer técnico;  Atividade 07 ­ Desempenho de cargo e função técnica;  Atividade 08 ­ Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio  e divulgação técnica; extensão;  Atividade 09 ­ Elaboração de orçamento;  Atividade  10  ­  Padronização,  mensuração  e  controle  de  qualidade;  Atividade 11 ­ Execução de obra e serviço técnico;  Atividade 12 ­ Fiscalização de obra e serviço técnico;  Atividade 13 ­ Produção técnica e especializada;  Atividade 14 ­ Condução de trabalho técnico;  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 7          6 Atividade  15  ­  Condução  de  equipe  de  instalação,  montagem,  operação, reparo ou manutenção;  Atividade 16 ­ Execução de instalação, montagem e reparo;  Atividade  17  ­  Operação  e  manutenção  de  equipamento  e  instalação;  Atividade 18 ­ Execução de desenho técnico.    Art.  8º  ­  Compete  ao  ENGENHEIRO  ELETRICISTA  ou  ao  ENGENHEIRO  ELETRICISTA, MODALIDADE ELETROTÉCNICA:  I  ­  o  desempenho  das  atividades  01  a  18  do  artigo  1º  desta  Resolução,  referentes  à  geração,  transmissão,  distribuição  e  utilização  da  energia  elétrica;  equipamentos,  materiais  e  máquinas  elétricas;  sistemas  de  medição  e  controle  elétricos;  seus serviços afins e correlatos.    7.  Os  serviços  prestados  pelo  interessado  nos  anos  de  2001,  2002  e  2003,  foram  todos  realizados  no  âmbito  de  usinas  termoelétricas,  e  o  exame  dos  documentos  (notas  fiscais,  contratos e informações das tomadoras) demonstra, a nosso ver,  que  os  serviços  prestados  às  tomadoras,  pelo  seu  porte  e  complexidade,  podem  ser  enquadrados  como  atividades  atribuíveis  a  profissionais  da  área  de  engenharia  elétrica  nos  termos da Resolução nº 218 do CONFEA.  8. Portanto, em nosso entendimento, o pedido do interessado não  se mostra cabível, visto que as atividades por ele prestadas nos  anos de 2001 a 2003 enquadram­se na vedação prevista no inc.  XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996:  Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:  [...]  XIII  ­  que  preste  serviços  profissionais  de  corretor,  representante comercial, despachante, ator,  empresário, diretor  ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico,  dentista,  enfermeiro,  veterinário,  engenheiro,  arquiteto,  físico,  químico,  economista,  contador,  auditor,  consultor,  estatístico,  administrador,  programador,  analista  de  sistema,  advogado,  psicólogo,  professor,  jornalista,  publicitário,  fisicultor,  ou  assemelhados,  e  de  qualquer  outra  profissão  cujo  exercício  dependa  de  habilitação  profissional  legalmente  exigida;  (Vide  Lei 10.034, de 24.10.2000) (destaques meus)    Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/2006­42  Acórdão n.º 1401­000.990  S1­C4T1  Fl. 8          7 Diante  do  relatório  de  diligência,  ficou  evidenciado  que  as  atividades  exercidas pela Recorrente está expressamente vedada à opção pelo  regime do simples,  razão  pela qual devem ser afastadas as razões de recurso, com a sua negativa de provimento.    É como voto.     (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira                                Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA

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