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Numero do processo: 10865.908850/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada.
Numero da decisão: 3803-004.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 50 /2 00 9- 88 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 25/04/2008, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS/Pasep, período de apuração agosto de 2005, com débitos IRPJ de apuração novembro de 2007, no valor total de R$ 20.715,26. Através de despacho decisório eletrônico, a DRF em Limeira/SP não homologou a compensação, sob o argumento de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Abaixo reproduziremos a boa síntese feita pela DRJ de origem acerca do recurso administrativo interposto: Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitou se a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 11 3 Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP não conheceu a manifestação de inconformidade apresentada. Considerou que a matéria do processo não foi expressamente contestada, e, portanto, definitiva a exigência a ela relativa. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário a esta turma, onde preliminarmente defende a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também do principio do devido processo legal. No mérito volta a argumentar sobre o prazo decadencial, defendendo o prazo de 10 anos para lançamentos por homologação. Ao final traz os seguintes pedidos: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 “Por fim, o Poder Público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos (art. 37, "caput", CF), sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado até em órbita normativoadministrativa, de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela. Por outro lado, é de se reconhecer que a iminencia dc dano de difícil ou impossível reparação repousa na necessidade do contribuinte de exercer suas atividades, gesto inerentes à livre iniciativa, assegurada desde o plano constitucional, "ex vi" dos artigos 1 0, inciso IV, 5°, "caput", inciso XXII e 170, inciso II da CF, in exemplis. Assim, requerse que fique sobrestada a cobrança das compensações realizadas com os supostos créditos oriundos deste processo e que se encontram juntadas/apensadas a estes autos até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo, vedada a inserção de qualquer restrição ou qualquer ato tendente à cobrança, até que definitivamente julgadas as discussões. Destarte, reiterase todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição, razão pela qual o contribuinte inconformado requer o regular processamento, ulterior apreciação e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO. Requerse, preliminarmente, seja anulada a r. decisão monocrática de primeiro grau, nos termos da preliminar acima suscitada, pela violação aos princípios acima invocados. E caso este Conselho dos Contribuintes entenda por bem não anular, de plano, a r. decisão recorrida, e entenda que deve ser apreciado o mérito recursal, requerse que seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso para que seja integralmente reformada a r. decisão monocritica, determinandose a definitiva e integral HOMOLOGACAO das compensações pleiteadas, nos exatos termos explanados na prefacial, por ser medida da mais lídima e cristalina justiça! positis, com base no farto conteúdo jurídico já citado, assim como reiterando todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição e na impugnação administrativa anteriormente manifestada, o contribuinterecorrente requer o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e provimento total ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar a r. decisão a quo, julgandose procedente (deferindose) o pedido de Restituição/Compensação formulado pelo contribuinte, culminando com o reconhecimento total do crédito pleiteado, comunicandose o que de necessário, por ser medida da mais lídima justiça!” Diante do acórdão da 4ª Turma da DRJ/RPO, que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerar não impugnada a matéria, a SEORT em Limeira às fls. 73 a 75, negou seguimento ao Recurso Voluntário com fundamento no artigo 17 do Decreto 70.235/72, entendendo como definitiva a decisão na esfera administrativa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 12 5 Ciente de tal decisão, o contribuinte ajuizou Mandado de Segurança que foi distribuído para a 4a Vara Federal de Piracicaba – Seção de São Paulo, sob o nº 0002361 88.2011.403.6109, no qual obteve decisão favorável, em dispositivo conclusivo nos seguintes termos: “Face ao exposto, . concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada dê seguimento aos recursos administrativos interpostos 'pela re nos processos identificados As fls. 04 e 05 'dos autos, remetendoos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise; e declarar a suspensão dos créditos tributários declarados em virtude da pendência de recurso administrativo.” Grifamos. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, especialmente em obediência à segurança obtida através do provimento judicial no Mandado de Segurança nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de PiracicabaSP, destacado ao final do relatório. O sujeito passivo argui, preliminarmente, em manifestação de inconformidade a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também ao principio do devido processo legal. Passemos à leitura de trechos da impugnação mencionada: “...em seu apertadíssimo tópico que verte sobre a fundamentação e razões que ensejaram a não homologação da compensação colimada, a DRF de Limeira/SP simplesmente limitase a aduzir,de forma vaga e genérica, que não reconheceu como declaradas, ou transmitidas, as PERDCOMp' S acima especificadas. Ora, ao contrário do que lhe incumbia, a r. decisão recorrenda sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar, minuciosamente, o porque o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos, que se analisados, lhe permitia inferir de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar suas razões de decidir e darlhes minima sustentabilidade. Temse, pois, in concreto, que ao não adentrar no mérito propriamente dito das suas razões de decidir, conseqüentemente, a r. decisão combatida não possibilita ao contribuinte ora manifestante, condições ideais para combatêla, visto que não há como contra argumentar uma Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 decisão que se apresenta lacônica, e que beira as mias da inépcia(...) A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar a r. decisão ora recorrida, implicam na anulação da mesma pois ao não garantir o amplo direito de defesa A recorrente, a r. decisão que objeta a presente manifestação de inconformidade avilta também, conseqüentemente, o principio do devido processo legal.” Entendemos que a preliminar de nulidade antecede à análise do mérito, mesmo porque aquela pode ser prejudicial a esta, neste sentido, mostrase indispensável a superação da preliminar de nulidade para então o julgador adentrar no mérito da questão, a não ser que possa decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem interessaria a declaração de nulidade nos termos do artigo 59 § 3º do Decreto 70.235/72, o que não é o caso do presente processo. A DRJ/RPO se furtou a enfrentar a preliminar de nulidade em sua decisão, tanto que não dedicou uma linha sequer ao pedido do contribuinte (veja acórdão de fls. 36 a 40), partindo diretamente para o mérito da questão como se preliminar não houvesse, entendemos que ao agir desta forma a DRJ/RPO preteriu o direito de defesa do contribuinte não lhe permitindo uma defesa efetiva das razões de fato e de direito que se fundamentaram a sua decisão, ferindo assim o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Negritamos Portanto, por mais cuidadosa e bem fundamentada que tenha sido a decisão recorrida, sob pena de supressão de instância e de cerceamento do direito de defesa, deve a mesma pronunciarse acerca da preliminar aludida, para que sob tal entendimento, ao ser proferida nova decisão, possa o interessado apresentar o recurso pertinente. Ressaltamos que a defesa do contribuinte deve aterse à matéria efetivamente controvertida nos autos, sob pena de não ser conhecida sua peça recursal. É sabido que a não homologação manifestada em Despacho Decisório Eletrônico se deu em razão do valor recolhido em DARF do PIS referente ao mês de janeiro de 2005 ter sido declarado em DCTF no exato valor que foi recolhido, daí a informação de que o valor recolhido fora integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e o DARF recolhido a liquidação do valor confessado, não é possível ao sistema de cruzamento eletrônico identificar crédito a favor do contribuinte quando o valor recolhido é exatamente igual ao valor confessado. Se a origem do crédito deuse em razão das inconstitucionalidades alegadas em defesa, cabe ao contribuinte carrear aos autos toda a documentação que comprove a apuração da nova base de cálculo e a consequente redução do quanto devido, isto deve ser feito através de planilhas demonstrativas, escrita fiscal, escrita contábil, documentos que suportaram a sua escrituração e que tenham pertinência com a pretensa redução da base de cálculo. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 13 7 Observase ainda que em momento alguma, o despacho decisório mencionou prescrição e decadência, não entendemos como ou porque a requerente chegou a tal conclusão fazendo extensa explanação sobre a matéria, porém, completamente estranha ao objeto da decisão recorrida. Pelo exposto voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, qual seja, o acórdão 1430109 da 4ª Turma da DRJ/RPO, para que outra seja proferida em seu lugar, desta feita analisando o pedido preliminar do contribuinte e assim dê seguimento ao presente processo nos termos do Decreto 70.235/72, respeitando o provimento judicial obtido no Mandado de Segurança o nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de Piracicaba SP. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004603/99-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
Embargos de Declaração. Obscuridade comprovada - procedência- Verificada a obscurida apontada nos embargos, deve o Colegiado acolher os declaratórios, para rerratificar esse decisum, no sentido de aclarar o acórdão, tornando-o escorreito, sem margem à dúvida ou à interpretação equivocada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 Embargos de Declaração. Obscuridade comprovada - procedência- Verificada a obscurida apontada nos embargos, deve o Colegiado acolher os declaratórios, para rerratificar esse decisum, no sentido de aclarar o acórdão, tornando-o escorreito, sem margem à dúvida ou à interpretação equivocada. Embargos Acolhidos.
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Obscuridade comprovada procedência Verificada a obscurida apontada nos embargos, deve o Colegiado acolher os declaratórios, para rerratificar esse decisum, no sentido de aclarar o acórdão, tornandoo escorreito, sem margem à dúvida ou à interpretação equivocada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 46 03 /9 9- 37 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos, tempestivamente, pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do 9303.01.747— 3 a Turma, sob a justificativa de ocorrência de contradição entre contradição entre o dispositivo constante do voto do Relator e aquele constante da certidão de julgamento. Segundo a embargante, O r. acórdão proferido por esta C. Câmara Superior apresenta contradição entre o dispositivo constante do voto do Eminente Relator e aquele constante da certidão de julgamento. Com efeito, enquanto o primeiro informa que deu provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores correram a partir de abril de 1989, o segundo afirma que dá provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Esta contradição pode implicar dúvida na execução do julgado, na medida em que há fatos geradores no presente processo anteriores a abril de 1989. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Despacho 9303031 3ª Turma, deu seguimento aos embargos e determinou sua inclusão em pauta. É o relatório Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Relator Os embargos de declaração constituem um instrumento concedido às partes para requerer ao julgador que esclareça obscuridade, contradição ou omissão da decisão proferida. Seu objetivo é tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver sido o objeto do litígio enfrentado em sua inteireza. No caso dos autos, como relatado, consignouse na parte dispositiva do acórdão que o provimento era parcial para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989, já na folha de rosto do acórdão informouse que se dava provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Tais equívocos, entendo. resultaram em obscuridade do acórdão. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.004603/9937 Acórdão n.º 9303002.276 CSRFT3 Fl. 601 3 Para sanar esse erro no procedimento, o Regimento Interno do CARF, a exemplo do Código do Processo Civil, prevê o remédio processual dos embargos, por meio dos quais, o Colegiado pode emitir decisão retificadora que integrará o acórdão embargado. Em outro giro, toda fundamentação do acórdão foi no sentido de que ao caso sob exame aplicavase o prazo decenal de prescrição (tese dos 5+5). Com isso, devese reconhecer a prescrição do direito aos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1989, visto que o pedido de restituição fora protocolado em 13 de abril de 1999. Como o fato gerador da contribuição é mensal, ocorre no último dia do mês de competência, no caso sob exame, a contribuição do mês de abril de 1989, por ter o fato gerador ocorrido em 30 desse mês, tem como termo final de prescrição, em 30 de abril de 1999. Como o pedido fora efetuado no dia 13 desse mês, na data do pedido de restituição, ainda não se encontrava prescrito. Daí o acerto da parte dispositivo do acórdão que consignou o provimento parcial para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989. O erro, portanto ocorreu na folha de rosto do acórdão, onde foi consignado que o provimento era parcial para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Desta feita, devese prover os embargos para corrigir o acórdão, de modo que passe a refletir o resultado correto do julgado. Assim, na folha de rosto, Onde se lê: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Passese a ler: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos acima proposto, suprimindolhe a obscuridade aponta nos declaratórios da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012120/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS.
A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício.
A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de erro na base de cálculo da multa isolada e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência dessa multa. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Provido
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A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 21 20 /2 01 0- 36 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de erro na base de cálculo da multa isolada e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência dessa multa. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório LOTEMOC DISTRIBUIDORA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 828.102,23, cumulado com multa de ofício, no percentual de 75%, e de multa exigida isoladamente no percentual de 50%, e juros de mora pertinentes calculados até 30/06/2010. Foi também formalizado o Auto de Infração de fls. 12/15, exigindo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 66.361,13, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e de multa exigida isoladamente no percentual de 50% , e juros de mora pertinentes calculados até 30/06/2010. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: Lançamento. IRPJ. Descrição dos Fatos. “001 – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 3 O contribuinte não declarou em DCTF nem efetuou o recolhimento da Apuração Anual do Imposto de Renda, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente. (...) 002 – MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – IRPJ ESTIMATIVA Falta de declaração em DCTF e de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente”. Lançamento. CSLL. Descrição dos Fatos. “001 – CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO O contribuinte não declarou em DCTF nem efetuou o recolhimento da Apuração Anual da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente. (...) 002 – MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – CSLL ESTIMATIVA Falta de declaração em DCTF e de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente”. Às fls. 21/33, encontrase o Termo de Verificação Fiscal – TVF e demonstrativos fiscais anexos, nos quais foram relatados os pontos da autuação e indicadas as bases de cálculo e respectivos imposto e contribuição da apuração anual do IRPJ e da CSLL, para o anocalendário de 2009, bem como as diferenças apuradas nos recolhimentos das estimativas mensais desses tributos, para períodos compreendidos entre outubro de 2007 a dezembro de 2009. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 13/07/2010, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 12/08/2010, mediante o instrumento de fls. 210/222. Adiante compendiamse suas razões. I – Dos Fatos: Inicialmente, a Impugnante resume os fatos da autuação. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 4 I I– Do Direito: II.1 – DA INCORRETA APURAÇÃO DO IRPJ APURADO COMO DEVIDO NO EXERCÍCIO FISCAL DE 2009. DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES DESPENDIDOS COM PROMOÇÃO DO “PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR” – PAT. Alega que o Fisco incorreu em erro a ensejar a reformulação da apuração anual do IRPJ, uma vez que deixou de considerar com dedutível os valores despendido pela Impugnante com a manutenção do Programa de Amparo ao Trabalhador – PAT, disponibilizado aos seus funcionários, conforme autoriza a Lei nº 6.321/76, bem como o RIR/1999, arts. 581 a 586. Diz, pois bem, no anocalendário de 2009, conforme devidamente declarado na DIPJ/2010 (doc. 04), a Impugnante, adotando os critérios legais pertinentes, apurou despesa a ser deduzida do produto final do imposto de renda, no importe de R$ 13.711,90. Assim, solicita a reformulação do crédito que cuida o item “001”, do Auto de Infração do IRPJ. II.2 – DA ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DA MULTA ISOLADA APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO FISCAL. Sustenta, a imposição da sobredita multa, cujo fundamento legal é o art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, não tem amparo na melhor interpretação da norma e nos pronunciamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Alega que tratandose de tributação do IRPJ e da CSLL, sujeita ao lucro real, toda a apuração de estimativas desses tributos fica compreendida dentro da apuração anual. Destarte, havendo diferença a pagar, após o encerramento do período, é sobre esta que deve incidir a penalidade. Conclui que diante do fechamento da apuração dos anos de 2007, 2008 e 2009, apenas poderia incidir penalidade sobre eventual diferença do IRPJ e da CSLL, e não em relação à suposta falta de pagamento de antecipações. Nesse sentido, cita julgados proferidos pelo CARF. II.3 – DA INCORRETA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS COMINADAS. Salienta que referidas multas isoladas foram calculadas com base na diferença entre os valores pagos, a título de estimativa dos tributos, e aqueles tidos como devidos, conforme relatório fiscal de fls. 22/33. Nos períodos de apuração em questão, pra determinação das estimativas, a Impugnante optou pelo levantamento de balancetes de suspensão ou redução. Entretanto, no relatório fiscal, foram desconsiderados elementos essenciais a essa espécie de apuração, como a apropriação de prejuízos fiscais acumulados e bases negativas da CSLL. A título de ilustração, a Impugnante refaz o cálculo para o mês de outubro de 2007, evidenciando que aproveitou o prejuízo fiscal e base negativa acumulados até 2006, no montante, R$ 445.679,06. II.3.1 – DA PROVA PERICIAL. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 5 A Impugnante, citando quesitos e indicando perito, requer prova pericial para deslinde do caso em tela, qual seja, dos valores despendidos com o PAT e quanto à exata determinação das bases de cálculo das multas isoladas, correspondente aos itens 002 dos Autos de Infração. III.3 – DO PEDIDO. Diante do exposto, a Impugnante requer seja conhecida e provida a presente defesa, a fim de que seja reformulado o crédito tributário, nos termos dos argumentos já expendidos. A decisão recorrida está assim ementada: Matéria nãolitigiosa. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Pedido de perícia. Há de ser indeferido o pedido de perícia, quando presente nos autos todos elementos indispensáveis à solução da lide. Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. A dedução a este título não pode exceder, isoladamente, a 4% do imposto de renda devido. Multas Isoladas. Por expressa previsão legal, é cabível a aplicação de multas isoladas incidente sobre o IRPJ e a CSLL, devidos mensalmente em função das bases estimadas, quando o contribuinte seja optante pelo lucro real anual, ainda que no final do período apure prejuízo fiscal ou base negativa da contribuição. Para a determinação mensal do imposto ou contribuição devidos por estimativa, na modalidade de determinação anual do lucro real, o contribuinte pode reduzir ou suspender o pagamento dessas estimativas com base em balanços mensais acumulados levantados a partir de janeiro até o mês de referência, do anobase em curso, não cabendo nessa apuração a compensação do prejuízo fiscal ou da base negativa acumulados nos anos anteriores, que somente podem ser utilizados, respeitado o limite legal de 30%, na apuração definitiva do imposto ou da contribuição, o que é feito no encerramento do período, em 31 de dezembro, do ano em questão. No voto condutor da aludida decisão destacamse os seguintes fundamentos de mérito: “ (...) na defesa, o contribuinte, em relação à apuração anual de 2009, do IRPJ e da CSLL, objeto de lançamento nos itens 001 do correspondentes Auto de Infração, respectivamente, de fls. 03/05 e 12/16, questionou apenas a dedução a título de PAT, no montante de R$ 13.711,90, devidamente indicada por ele na DIPJ/2010, que não foi considerada pela Fiscalização. No entanto, não houve nenhuma manifestação contrária ao lançamento da CSLL, apurada no encerramento do anocalendário de 2009, no valor de R$ 5.075,06. Já as multas isoladas lançadas foram totalmente questionadas. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 6 (...) Verificase, assim, que o contribuinte contabilizou e informou na DIPJ/2010, ano calendário de 2009, despesas com alimentação do trabalhador, no montante total de R$ 476.130,22; e apurou, como incentivo fiscal, uma dedução a título de PAT, no valor de R$ 13.711,90, devidamente registradas na DIPJ/2010. Por sua vez, o “Doc. 03”, anexado aos autos às fls. 239/242, exarado pela “Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador – COPAT: Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT” (Órgão vinculado ao MTE Ministério do Trabalho e Emprego), comprova que a Lotemoc Distribuidora Ltda, ora Impugnante, é pessoa jurídica inscrita como beneficiária do referido programa, na “Modalidade de RefeiçãoConvênio”. Por outro lado, a Fiscalização, no demonstrativo fiscal de fls. 29, onde determina a imposto devido no ano de 2009, não considerou a aludida dedução. Todavia, não foi dada no lançamento nenhuma explicação do por quê desse procedimento. Ou seja, não há nenhuma fundamentação da Fiscalização para não considerar o referido benefício fiscal. No entanto, a Impugnante comprovou nos autos que: contabilizou despesas com alimentação do trabalhador; registrou na DIPJ essas despesas; e apurou também na DIPJ a dedução a título de PAT. Diante disso, considerando as provas feitas pela defesa e que o valor de R$ 13.711,90, pleiteado como dedução de PAT, é inferior ao limite de 4% do imposto devido (levantado, DIPJ, fls. 16, do Anexo II, antes das deduções, no valor de R$ 517.868,11), acatase a procedência dessa dedução, devendo o montante litigioso do de IRPJ, de R$ 13.711,90, lançado para o ano de 2009, ser exonerado. Das Multas Isoladas. IRPJ. CSLL. A penalidade, aqui exigida, é cabível para a pessoa jurídica optante pela apuração do lucro real anual que deixar de efetuar ou efetuar de forma insuficiente o recolhimento mensal devido por estimativa e tem assento no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, atualmente, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a saber: (...)” Cientificada da aludida decisão em 14/12/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/11/2011, às fls. 1064 a 1072, no qual contesta apenas a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e, ao final, requer: “III DO PEDIDO: 17. Diante do exposto, requer a Recorrente seja reformado a r. decisão, a fim de que possa ser declarada a ilegitimidade das multas isoladas após o encerramento do período fiscal, ou, sucessivamente, que seja reconhecida a incorreção de sua base de cálculo utilizada, devendo ser baixado os autos em diligência, para produção de prova pericial contábil, que determine qual a base de cálculo correta.” É o relatório. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado a fiscalização apurou que o contribuinte deixou de confessar em DCTF, bem como recolher o IRPJ e CSLL devido no ajuste anual do ano de 2009, alem de não ter realizado os recolhimentos mensais por estimativa nos anos de 2007 a 2009. O contribuinte apresentou impugnação parcial que foi julgada improcedente. No recurso voluntário contesta apenas as multas de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas, anos de 2007 a 2009, sendo que foi lançada em concomitância com o tributo apurado no ajuste anual do ano de 2009(vide demonstrativo de fls. 56). Aprecio então a exigência dessa penalidade. De inicio registro que não há qualquer erro de cálculo na apuração fiscal da multa, que aliás foi alegado pelo contribuinte mas sem qualquer demonstração objetiva. Logo, afasto a necessidade de diligência ou perícia para esse fim. Quanto ao mérito da exigência da penalidade, sabese que, por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física, os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Ocorrida a hipótese prevista na segunda parte do parágrafo anterior, para a pessoa física restituise os valores e em relação à pessoa jurídica conferese a esta o direito de usar tais recursos para compensar tributos devidos em períodos subsequentes. Se no mês de março contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 8 Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%1. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN.2 Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo os oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. 1 Se o carnêleão e as estimativas têm como razão de ser o aporte de recursos, no decorrer do anocalendário, para que a Administração possa cumprir com suas obrigações, transcorrido o período de apuração não há mais o que se falar em exigência de carnêleão e nem de estimativas, mas sim do efetivo imposto devido. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 9 Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, cujo exemplo citado por nós, em outras ocasiões, é o disposto na súmula 17 do STJ. Ainda em relação à multa isolada, na interpretação do artigo 44, II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Pelo que se depreende da exposição de motivos, ao usar as expressões “multa de ofício, lançada isoladamente”, se está a falar de uma única multa, pois se assim não fosse não teria usado as expressões “lançada isoladamente”, mas sim, “lançada em concomitância com a multa de ofício. Logo, a multa de oficio isolada deve ser cancelada. Conclusão Voto no sentido de dar provimento ao recurso tão somente para cancelar as multas de oficio isoladas. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 12267.000187/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.393
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 67 .0 00 18 7/ 20 07 -8 4 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela dos segurados e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2004 a 03/2007. Estão lançadas ainda diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados com atraso. O Relatório Fiscal (fls. 92/98) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, apuradas nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Os valores totais mensais estão indicados no Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e no Relatório de Lançamentos (RL), integrantes desta notificação. Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. FLP – Folha de Pagamento à remuneração consignada em folhas de pagamento, sendo considerado como fato gerador as parcelas integrantes do salário de contribuição identificadas por meio de seus correspondentes eventos (rubricas) e conferidas pela fiscalização; 2. RCT – Reclamatória Trabalhista à são as contribuições destinadas a Terceiros, obtidas por meio da base de cálculo utilizada para o recolhimento das contribuições previdenciárias executadas na Reclamatória Trabalhista, para as competências 01/2004 a 03/2007; 3. DAL – Diferença de Acréscimos legais à recolhimentos em atraso GPS, competências 06/2004 a 02/2007. Informa ainda o Relatório Fiscal que os valores da base de cálculo foram obtidos em consultas realizadas nos sistemas informatizados do INSS, em que se encontram registradas as informações declaradas pelo sujeito passivo na GFIP’s, bem como os valores recolhidos ao INSS por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e nas folhas de pagamento apresentadas durante a ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/08/2007 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 133/142) – acompanhada de anexos de fls. 143/158 –, alegando, em síntese, que: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 4 3 1. a autuação baseouse na suposta não inclusão de declarações no sistema, face à inclusão de novos segurados empregados, sem a conseqüente geração de todo movimento. Entretanto, o fisco deixou de especificar quais as alterações da base de dados foram acarretadas pelo procedimento descrito. Dessa forma, não havendo como se precisar a falta cometida pela impugnante, não há como se averiguar a origem do suposto saldo devedor; 2. no que tange às reclamatórias trabalhistas, a Fiscalização deixou de indicar as ações em que foram pagas as verbas sujeitas às contribuições destinadas a outras entidades. A imprecisão da atuação fiscal acarretou, dessa forma, impossibilidade do contribuinte realizar sua defesa de forma adequada, uma vez que restou totalmente prejudicada a necessária verificação dos valores apontados. A autoridade fiscal deixou de explicitar adequadamente os motivos que ensejaram a cobrança das referidas importâncias, faltando a indicação clara do modo como teria sido aferida pela fiscalização quais contribuições seriam supostamente devidas, ou seja, qual a efetiva base do objeto do presente lançamento. Frisese que a falta de tal motivação, ou, noutras palavras, a prática de ato administrativo imotivado, como cediço, acarreta a nulidade insanável do ato; 3. encontrase o lançamento viciado, sendo ilegítima a atuação fiscal de forma genérica ou imprecisa, sem a necessária fundamentação, por meio de relatório fiscal, acarretando evidente prejuízo da ampla defesa pela impugnante, no que concerne aos valores ali lançados; 4. requer a nulidade do crédito consubstanciado na presente NFLD, tendo em vista a nulidade formal do lançamento, e preterição do direito de defesa, por ser medida de Direito e Justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1218.185 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 165/169) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. Assim sendo, o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal foram integralmente preservados. A Notificada apresentou recurso (fls. 180/189), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária no Rio de Janeiro/RJ encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento (fls. 209/210). Posteriormente, esta Corte Administrativa (CARF) converteu o julgamento em diligência para que o Fisco emitisse parecer sobre os documentos juntados aos autos, incluindo a análise da fidedignidade dos recolhimentos efetuados nas competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007. Em resposta, o Fisco informa que a empresa não foi localizada no endereço consignado no sistema da Receita. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Após a decisão de primeira instância, a autuada (Recorrente) apresentou cópias de documentos, como também fez alegações no recurso, que levaram à conversão do julgamento em diligência para manifestação do Fisco. Entretanto, da leitura da Informação Fiscal elaborada não é possível dizer que esta seja suficiente para esclarecer os pontos trazidos pela Recorrente. A auditoria fiscal (Fisco) limitouse a afirmar que “(...) não foi possível cumprir a determinação solicitada pelo CARF tendo em vista que, comparecendo ao endereço constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil como sendo sede da empresa, ficou constatado que esta não se encontra mais no local. Foram remetidas intimações para o endereço dos sócios e estas retornaram sem recebimento.Assim sendo, proponho o encaminhamento do presente processo ao CARF, para prosseguimento”. Por outro lado, em seu recurso a autuada traz questões que merecem ser melhor esclarecidas. A autuada (Recorrente) alega o seguinte: “[...] V – Da desconsideração de valores recolhidos pela Empresa que impõe a redução do débito objeto da NFLD Ainda que não sejam acolhidas as razões que conduzem à nulidade do lançamento, o que se admite apenas para argumentar, imperioso reconhecer que o procedimento fiscal que originou a NFLD n.° 37.108.5250 desconsiderou diversas guias de recolhimento de contribuições previdenciárias (GPS anexas), o que acarretou lançamento de débito maior que o supostamente devido. Assim, caso não acolhida a alegação de nulidade da autuação, o valor do suposto débito apurado na NFLD n.° 37.108.5250 deverá ser reduzido, computandose os valores recolhidos por meio das guias anexas. De fato, não foram consideradas na apuração do suposto débito diversas GPS's, que comprovam recolhimento de valores lançados na NFLD, as quais não constam do RDA – Relatório de Documentos Apresentados. As referidas guias correspondem a contribuições previdenciárias ao INSS, SAT/RAT e Terceiros, recolhidas sob o código 2100, e referemse às competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007 (guias anexas). Efetuandose a redução dos valores correspondentes às referidas guias do valor total do suposto débito, observase considerável diminuição do montante do lançamento, conforme planilha de cálculos anexa, na qual foram recalculados os valores de cada uma das competências discriminadas. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 6 5 Dessa forma, impõese a retificação do valor lançado por meio da NFLD n° 37.108.5250, com a redução dos valores comprovadamente recolhidos pela Empresa, apurandose o efetivo valor do débito. Cumpre registrar, porém, que as guias relativas às competências 11/2004 e 05/2005 foram erroneamente preenchidas pela Empresa, motivo pelo qual pugnase pela conversão do julgamento em diligência, concedendose prazo para que a Recorrente providencie o ajuste junto à Receita Federal do Brasil, na unidade de sua circunscrição, viabilizando a correta apuração dos valores recolhidos, com a sua redução do valor total do débito lançado. [...]”Os elementos probatórios juntados aos autos pela Recorrente (fls. 193/203) – que noticiam os recolhimento efetuados por meio de guias de GPS, anexo denominado de “CÓPIAS DAS GPS’S NÃO APURADAS PELO FISCAL” – são cópias de documentos que deverão ser analisados pela AuditoriaFiscal (Fisco). Cumpre esclarecer que o mero fato de não localizar a empresa no endereço consignado no sistema do Fisco não inviabiliza o exame da matéria fática postulada na peça recursal, pois o Fisco poderá utilizar outros meios legais para a intimação do contribuinte, tal como a intimação por meio de edital ou localizar o endereço dos sóciosgerentes no sistema de Imposto de Renda Pessoa Física. Nesse caminhar, os recolhimentos constantes das cópias das GPS’s poderão ser analisados diretamente no sistema informatizados do Fisco, constatando ou não a fidedignidade de tais recolhimentos, e, após isso, deverá ser verificado se esses recolhimentos foram devidamente apropriados ou não no presente lançamento fiscal. Assim, é necessário que o Fisco examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos nas fls. 192/203. Com isso, decido converter o presente julgamento novamente em diligência, a fim de que a Receita Federal do Brasil emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal (fls. 180/189) – inclusive deverá analisar a fidedignidade dos recolhimentos efetuados pela Recorrente, que foram demonstrados por meio das cópias de guias de fls. 193/203 (GPS) –, para as competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007. Após essa providência, o Fisco deverá elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários – inclusive poderá utilizarse da intimação por meio de edital, desde que obedeça às normas do processo administrativo tributário –, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que as questões mencionadas sejam esclarecidas pelo Fisco. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11080.724718/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO.
Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e homologar a desistência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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HOMOLOGAÇÃO Recorrente MACHADO, MEYER, SENDACZ, OPICE E KRUEL ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e homologar a desistência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 18 /2 01 1- 20 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório 1 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AI Debcad nº 37.297.6077 Contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (incidentes sobre pagamentos efetuados a título de “QuebradeCaixa) e pagas ou creditadas a contribuintes individuais (pagamentos efetuados aos sócios a título de previdência privada e a advogados correspondentes contratados como contribuintes individuais); Contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. AI Debcad nº 37. 297.6085 Contribuição dos segurados calculada sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e pagas ou creditadas a contribuintes individuais, mediante a aplicação da correspondente alíquota, observado o limite máximo do salário de contribuição. As referidas contribuições não foram descontadas dos segurados. As contribuições referemse às rubricas pagas a título de “Quebradecaixa” aos segurados empregados, a título de previdência privada complementar aos sócios, e a pagamentos efetuados a advogados correspondentes, contribuintes individuais. AI Debcad 37. 297.6093 Contribuição a Outras Entidades e Fundos calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (advogados associados, considerados segurados empregados do escritório e sobre a rubrica “quebradecaixa) e destinada aos Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). 1.1. Das Bases de Cálculo dos Autos de Infração de Obrigação Principal As bases de cálculo e as contribuições foram lançadas conforme os seguintes levantamentos: 1. A1 CARACTERIZ SEGURADO, competências 06/2006 a 06/2008; 2. C1 CONTRIB INDIVIDUAL, competências 06/2006 a 08/2008; 3. P1e P2 PREVID PRIVADA, competências 07/2006 a 11/2008 e 12/2008; 4. Q1 e Q2 QUEBRADECAIXA, competências 06/2006 a 12/2008. 1.1.1) Levantamento A1 – CARACTERIZ SEGURADO. Referese à caracterização como segurado empregado dos advogados contratados pelo sujeito passivo como associados no período de 06/2006 a 06/2008. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 3 3 De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo contratou advogados para, individualmente, lhe prestarem serviços na condição de associados, enquadrandoos, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais. Da análise dos respectivos contratos, a fiscalização verificou que as condições contratuais estipuladas demonstraram que não se tratavam de atividades autônomas e sim de uma relação de emprego. Destaca as seguintes condições: 1. os “associados” iriam utilizar todas as instalações, matérias, equipamentos e a infraestrutura do sujeito passivo; 2. a captação dos clientes, a contratação e cobrança de honorários, mesmo para as indicações dos contratados caberia ao sujeito passivo; 3. os trabalhos realizados seriam determinados pelo sujeito passivo; as procurações dos clientes não poderiam ser outorgadas para os contratados e quando a eles substabelecidos, eram somente com reserva de poderes; 4. os contratados receberiam um salário fixo mensal em todo o período; pela indicação de clientes poderiam perceber uma remuneração determinada pelo sujeito passivo; 5. os contratados poderiam receber valores adicionais dependendo de seu desempenho; todos os documentos elaborados pelos contratados seriam de propriedade do sujeito passivo. No relatório consta, ainda, que no dia seguinte ao término do contrato de prestação de serviços autônomos, o sujeito passivo veio a admitir tais advogados como empregados a partir de 03/03/2008, 01/04/2008, 02/05/2008, 02/06/2008 e 01/07/2008, conforme demonstrado na tabela “Caracterização de Empregado”, fls.138. 1.1.2) Levantamento C1 – CONTRIB INDIVIDUAL. Referese ao pagamento a segurado contribuinte individual não declarado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência, cujos valores estão contabilizados, conforme planilha de fls. 181/188, “Lançamentos Contábeis” e cópias anexas dos documentos de caixa apresentados em cumprimento ao Termo de Intimação nº 08. 1.1.3) Levantamentos P1 e P2 – PREVID PRIVADA. Referese à despesa com benefício de Previdência Privada concedido pelo sujeito passivo apenas para seus sócios. Segundo o relato fiscal, o sujeito passivo contabiliza na conta de despesa “3.1.1.06.006 Previdência Privada” as parcelas a seu encargo do Plano de Previdência estipulado aos seus sócios. Este dispêndio, não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, está em desacordo com o § 9º, “p” do art. 28 da Lei 8.212, de 24/07/1991, integrando o saláriodecontribuição previsto no inciso III, do mesmo art. 28 da referida Lei 8.212/91. 1.1.4) Levantamentos Q1 e Q2 – QUEBRADECAIXA. Rubrica da folha de pagamento a título de “quebradecaixa” em que o sujeito passivo não considerou como Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 incidente para a apuração da base de cálculo previdenciária, conforme planilha “Quebrade Caixa” fls. 191. 1.2. Da Aplicação da Multa mais Benéfica Tendo em vista a nova previsão legal de multa para a espécie, introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em obediência ao disposto na alínea “c” do inciso II, do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, foi elaborado o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos e pela atual, a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte. Foram comparadas as multas de mora de 24% (não recolher) da legislação da época dos fatos, somado ao Auto de Infração CFL 68 (pelo descumprimento de obrigação acessória – declarar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) com a multa de ofício de 75% (não recolher e declarar em GFIP, com incorreções ou omissões em campos relacionados com as contribuições previdenciárias) estipulada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. 2 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AI Debcad nº 37.335.3480 (CFL 78) O sujeito passivo apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, com informações incorretas ou omissas relativas aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 05/2006, conforme planilhas "Caracterização Segurado Empregado", "Previdência Privada", "Contribuintes Individuais" e "Quebra de Caixa". Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 78. O valor da multa encontrase demonstrado na Planilha “Cálculo da Multa AI CFL 78” e corresponde ao valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), estabelecido pela Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009. Concluído o procedimento de comparação das multas, foi definido para o período de 01/2006 a 05/2006, como sendo mais benéfica, para o contribuinte a multa conforme a legislação atual. AI Debcad nº 37.335.3499 (CFL 52) A fiscalização verificou que o sujeito passivo lançou nas contas 2.4.6.01.035 e 2.4.6.01.036, sintetizados na conta 2.4.6.01 Lucros Pagos ou Creditados, pagamento a título de lucros a seus sócios, no mês de dezembro de 2008, no valor de R$102.080,00 (cento e dois mil e oitenta reais), estando em débito não garantido com a União. Dispositivo legal infringido: art. 52 da Lei 8.212, de 24/07/1991, com redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, art. 32, alínea “b” da Lei 4.357, de 16/07/1964, além dos fundamentos legais citados no Auto de Infração. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 52. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/07/2011 (fl.01). Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 4 5 A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Dos Autos de Infração de Obrigação Principal 1 AIs Debcads nº 37.297.6077, 37.297.6085 e 37.297.6093: no que diz respeito às contribuições incidentes sobre a rubrica “Quebra de Caixa” (levantamentos Q1 e Q2), informa que efetuou o pagamento dos valores lançados. 2 AIs Debcads nº 37.297.6077 e 37.297.6093: com relação ao “Levantamento A1 Caracterização de Segurados”, alega que o relatório e seus anexos não forneceram elementos lógicos suficientes para a demonstração da presença do vínculo empregatício, não trazendo qualquer motivação acerca do fato gerador e não lhe possibilitando o direito ao contraditório e ampla defesa. Cita decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em que foi declarada a nulidade do Auto de Infração por não apresentar motivação para a acusação. 3 AIs Debcads nºs 37.297.6077 e 37.297.6085: Quanto aos “Levantamentos P1 e P2”, relativos às verbas pagas a título de previdência complementar privada, argumenta que, após a publicação da EC nº 20/98 e LC 109/2001, a alínea “p” do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, perdeu suporte de validade constitucional, no que diz respeito à exclusão destas verbas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, somente na hipótese do programa de previdência privada ser destinado a todos os segurados da empresa. Por este motivo, requer o cancelamento do Auto de Infração nessa parte. 4 AIs Debcads nºs 37.297.6077; 37.297.6085 e 37.297.6093: Ilegalidade da aplicação da multa de 75% Defende que à época dos fatos geradores , 06/2006 a 12/2008, a multa a ser aplicada era aquela prevista no artigo 35 da lei 8.212/1991 com redação dada pela Lei 9.876/1999, portanto 24% sobre o valor da contribuição, e que o artigo 106, II, do CTN somente deve ser aplicado quando há norma posterior mais benéfica, o que não é o caso. Em vista de todo o exposto, requer sejam julgados improcedentes os lançamentos, cancelandose as contribuições previdenciárias e de terceiros ora exigidas. Dos Autos de Infração de Obrigação Acessória 1 AI Debcad nº 37.335.3480 Descreve que a autuação traz como objeto a acusação de eventual descumprimento de obrigação acessória, de não declaração em GFIP de informações à Previdência Social decorrentes das acusações objeto dos Autos de Infração nºs 37.297.6077, 37.297.6085 e 37.297.6093, mais precisamente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre honorários pagos aos advogados associados e aos advogados correspondentes, e, ainda, sobre as verbas pagas a título de previdência privada complementar aos sócios e quebra de caixa. Requer seja julgado improcedente este Auto de Infração, cancelandose a multa aplicada. 2 AI Debcad nº 37.335.3499 Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No que se refere à aplicação da penalidade prevista no art. 52 da Lei 8.212/91 observa que esta somente é possível quando o contribuinte possui débito já lançado com discussão encerrada na esfera administrativa. Aduz que no presente caso não há que se falar em débito definitivamente constituído, uma vez que ainda pende de julgamento o débito objeto do processo administrativo nº 11080916.293/200888, conforme demonstra o extrato que anexa aos autos. Informa que em 04/12/2008 foi intimado do Despacho Decisório que não homologou a compensação solicitada no PER/DCOMP nº 15736.424446.040507.1.7.020194 e do lançamento do crédito tributário no valor consolidado de R$ 30.561,71, referente ao IRPJ objeto da compensação, e que, em 05/01/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 0540.132 da 6a Turma da DRJ/POA – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, com relação aos AI Debcad nº 37.297.6077 e AI Debcad nº 37.297.6085, foram excluídos, em parte, os valores lançados nos seguintes termos: “Conclusão Nestes termos, voto por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário: a) remanescente, em relação ao AI Debcad nº 37.297.6077, cujo valor consolidado passou a ser de R$ 62.408,31(sessenta e dois mil, quatrocentos e oito reais e trinta e um centavos) e ao AI Debcad nº 37.297.6085, cujo valor consolidado passou a ser de R$ 18.489,75 (dezoito mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e setenta e cinco centavos) conforme demonstrado nos DADR, os quais deverão ser encaminhados ao contribuinte em conjunto com esta decisão. b) integral, em relação ao AI Debcad nº 37.297.6093, ao AI Debcad 37.335.3480 e ao AI Debcad nº 37.335.3499.” A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No caso vertente, houve requerimento formal expresso de desistência do recurso pela Recorrente, tendo ocorrido, então, aceitação do decisum do órgão julgador de primeira instância, e conseqüente renúncia às alegações de direito que embasavam o recurso. A manifestação da Recorrente, postulada na peça de desistência, traz dois institutos processuais distintos, ou seja, a desistência da ação administrativa (quanto ao recurso) e a renúncia ao direito sobre que se funda a ação. Com isso, da análise da situação apresentada, entendese que o procedimento dos autos deverá seguir a regra estampada no art. 78, §§ 1° e 3º, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (g.n.) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (g.n.) O interesse recursal somente estará configurado quando o exercício do direito de recorrer estiver subordinado à existência de um interesse direto na reforma, invalidação ou modificação da decisão de primeira instância, fato não evidenciado nos autos em decorrência do pedido de desistência recursal. Isso ensejará o não conhecimento do recurso voluntário, eis Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 que não houve o preenchimento de todos os seus pressupostos de admissibilidade, manifestado na falta de interesse recursal. Portanto, sendo a desistência/renúncia um ato voluntário e unilateral pelo qual alguém abdica de um direito, coloco o processo em pauta para julgamento para HOMOLOGAR a desistência, dando por extinta a pendenga. CONCLUSÃO: Com isso, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e homologar a desistência requerida, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.100691/2010-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Ficando comprovado nos autos, após diligência fiscal, que a contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, cancela-se o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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INEXISTÊNCIA. Ficando comprovado nos autos, após diligência fiscal, que a contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, cancelase o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 06 91 /2 01 0- 92 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05 a 06, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente ao exercício de 2009, anocalendário de 2008. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05verso, informa que, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da RFB, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, sujeito à tabela progressiva no valor de R$ 4.415,32. O lançamento identificou como fonte pagadora a empresa APM Global Logistics Brasil Ltda. Na apuração do imposto devido foi compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 665,39. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, acompanhada cópia de demonstrativo de valores contendo a identificação da empresa Virgínia Costa Imóveis Ltda CNPJ 03.598.524/000114, fls. 03, sustentando em sua defesa que: o contribuinte notificado por omissão de rendimento do trabalho sem vinculo APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA,CNPJ 03.598.524/000114, segundo informações prestadas na Dirf pela empresa informou à RFB os rendimentos auferidos no ano 2008 (R$ 27.514,75), do qual deduziu a taxa de administração cobrada pela imobiliária no valor de R$ 2.751,46; concluindo suas razões, requereu o acolhimento da presente impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegra(RS)– DRJ/POA julgou improcedente a impugnação, fls. 18 a 19, cujas razões de decidir constam assim resumidas na ementa do Acórdão nº:1033.942 – 8ª Turma da DRJ/POA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada por meio de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora.Impugnação Improcedente Cientificado em 29/09/2011, fls. 23, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011, fls. 49, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: jamais prestou serviços à empresa que informou o rendimento declarado em DIRF; .em nenhum momento desempenhou qualquer atividade remunerada com ou sem vínculo empregatício junto a fonte pagadora; a relação existente com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, CNPJ 03.598.524/000114, é de locador/locatário; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.100691/201092 Acórdão n.º 2802002.471 S2TE02 Fl. 91 3 estão corretas as informações em sua DIRPF. As incorreções estão na DIRF entregue pela empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, que atribuiu um rendimento que não lhe pertence, cabendo a tal empresa explicar a razão dessa incorreção; foi solicitado à empresa que apresentasse retificação da DIRF, conforme cópia de email juntado às fls. 50 a 56. Também acompanharam o seu recurso os documentos juntados às fls. 57 a 67 (cópia da carteira de trabalho, comprovantes de rendimentos pagos pelo INSS e Auxiliadora Predial, contrato de locação firmado com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda). Às fls. 70 a 73, foram juntados aos autos os seguintes documentos: a) Memorando nº 213/2011/SECAT/DRFNHO/SRRF10/RFB/MFRS, datado de 03/11/2011 (encaminhando documentos a este CARF); b) tela do sistema COMPROT da RFB, relativamente ao presente processo; c) recibo de entrega da DIRF retificadora, transmitida em 27/10/2011, em nome da empresa DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/000114, e; informação de rendimentos de aluguel recebidos da empresa Maersk Logisics Brasil Ltda, CNPJ nº 03.598.524/000114. Em sessão realizada em 15/08/2012, esta 2ª Turma Especial da 2ª Seção, converteu o julgamento do processo em diligência, conforme Resolução nº 2802000.088, fls. 74 a 76, para que fosse realizada diligência pela Unidade da Receita Federal de origem, com o objetivo informar e detalhar se a Recorrente, MARIANGELA BOHRER HABIGZANG ainda figura como beneficiária de rendimentos na DIRF retificadora transmitida pela declarante DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, conforme recibo de entrega juntado às fls. 72. Realizada a diligência requerida, a autoridade administrativa elaborou o Relatório de fls. 85/86, do qual o contribuinte foi devidamente cientificado, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 87. Não se manifestando o contribuinte em relação à diligência em referência, os autos retornam para este Colegiado para fins de prosseguimento ao julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, uma vez que a recorrente nega haver recebido rendimento no valor de R$4.415,32, declarado em DIRF apresentada pela empresa APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA (cadastrada na RFB como DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA), o presente processo foi baixado em diligência para fosse confirmado, diante do recibo de entrega de DIRF retificadora, fls. 72, se a contribuinte figuraria ou não como beneficiária do rendimento considerado omitido pelo lançamento fiscal. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em observância aos termos da diligência fiscal requerida por este Colegiado, a autoridade administrativa lavrou o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA, fls. 85/86, no qual ficou registrado que: “À luz dos elementos reunidos concluiuse que, no exercício 2009 ano calendário 2008, a recorrente não foi beneficiária do valor objeto da Notificação de Lançamento recorrida. Ou seja, de acordo com a informação prestada em Dirf retificadora pela fonte pagadora DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/000114, entregue em 27/10/2011 a recorrente de fato não recebeu R$ 4.415,32 de rendimentos tributáveis.” Uma vez comprovado, após diligência fiscal, que, de fato, o contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, esta deverá ser cancelado. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.008116/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO. NULIDADE.
Valores contabilizados em conta de Passivo e Custo/Despesas não configuram receita, portanto, nãos e prestar para apurar crédito a favor do Fisco. Lançamento anulado.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO. NULIDADE. Valores contabilizados em conta de Passivo e Custo/Despesas não configuram receita, portanto, nãos e prestar para apurar crédito a favor do Fisco. Lançamento anulado. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 16 /2 00 8- 81 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão da DRJSP que manteve o lançamento do crédito para o PIS/Pasep e COFINS relativamente dos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007. Rechaçou alegação de nulidade e descabimento do auto de infração, cerceamento de defesa, da inexistência de diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados consubstanciados em argumento de que a mera alegação não prospera, e, que o lançamento não funda em simples subjetividade, mas sim de base econômica concretas. Rebateu pedido de perícia em razão de ausência de quesitos ao argumento de que resoluções da Aneel não são normas de natureza tributária em relação ao PIS e da COFINS, e, por derradeiro, também, afastou o pedido de juros calculados com base em Taxa Selic. Tratase de lançamento decorrente de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados decorrente de procedimento fiscalizatório com fundamento em documentos contábeis, lançamentos, saldos de contas e plano de contas, assim como, DCTFs e DARFs relativos ao período. A contribuinte se debate contra a lavratura do auto de infração, sustentando, para tanto, que a fiscalização deixou de esclarecer o método utilizado para a identificação do suposto recolhimento a menor e qual a composição (base de cálculo) realizada para identificação dos valores contábeis a dar azo ao cálculo menor do que o valor devido informado em DCTFs. Salienta que não mantinha uma conta resumo ou uma conta exclusiva para indicação do PIS e COFINS a recolher, mas mantém de modo detalhado a permitir saber a origem. Em síntese entende que a fiscalização tinha obrigação de pormenorizar o método utilizado. Aduz, também, por exercer atividade em setor regulamentado, in casu, energia elétrica, o tratamento contábil de certos ativos, despesas e receitas deve ser efetivados em consonância com as determinações da Agência Reguladora, no caso Aneel, e cita também a Resolução ANEEL nº 484, de 29 de agosto de 2002, destaca o caso das receitas de recomposição tarifária extraordinária que após homologação do valor pela ANEEL e a sua respectiva realização efetivada em 65 meses, conforme Solução de Consulta n° 198/2003, que normatiza a incidência das contribuições na medida da realização e não de sua contabilização. Nesse mesmo sentido diz que a Resolução traz à luz o que encontra previsto pelo § 1º do art. 4º da Medida Provisória nº 14, de 2001. Demonstra sua irresignação referente ao mês de fevereiro de 2004 (doc. 04) que a fiscalização teria utilizado para a identificação do suposto valor a recolher das contribuições as contas contábeis 211.31.4.0.00.004 e 211.31.4.0.00.005, títulos: “COFINS – IN 01 09.97 – ORG. FEDERAL” e “PIS – IN 01 09.01.97 – ORG. FEDERAL”, “COFINS S/RECEITA FINANCEIRA” e “PIS S/RECEITA FINANCEIRA”, alega que foram utilizadas, sendo que, a fiscalização não apresentou qualquer justificativa ou esclarecimento para a utilização ou não desta ou daquela conta contábil. Aponta o equivoco no levantamento fiscal relativa às contas contábeis 211.31.04.0.00.004 e 211.31.4.0.00.005, cujas descrições são: PIS/PASEP e COFINS, a fiscalização utilizouse dos valores indicados no campo “Movimento Crédito”, ignorando, o “Saldo Anterior”, “Movimento Débito” e “Saldo Atual”, extraíramse da sustentação a Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 6 3 possibilidade de não ter sido apurado com base nos lançamentos a débito no período, daí a razão dos valores confrontados com a DCTF divergirem. Em relação apuração de janeiro de 2007, argumenta que nesse mês apurou receitas sujeitas tanto à cumulatividade como a não cumulatividade. Entretanto, a fiscalização apurou o suposto débito somando os valores das contas contábeis de receitas sujeita alíquota 7,6%, 1,65%, 3% e 0,65%, deixando de segregar as receitas do regime cumulativo e não cumulativo. Após apurar o débito reduziu o valor compensando os créditos passíveis de compensação na apuração equivocadamente, pois os saldos das contas contábeis do Ativo não se relacionam aos créditos passíveis de compensação na apuração do valor devido a titulo de PIS e COFINS por tratarse de valores recolhidos a maior ou indevidamente em períodos anteriores. De modo que, a fiscalização desconsiderou o regime nãocumulativo e por conseqüência, o montante relacionados aos créditos apurados e passíveis de compensação. No que tange aos meses de: fevereiro, março, agosto e setembro de 2007. Argui que, em relação ao crédito tributário apurado nos meses acima anotados novamente a fiscalização se equivocou. No caso mudou a metodologia adotada para apurar os créditos de outros períodos, passou a deduzir do valor a pagar das contribuições os montantes lançados a crédito nas contas contábeis nºs 112.41.2.0.00.023 e 112.41.2.0.00.024 ao invés dos montantes lançados a débitos. Teria desse modo a fiscalização ignorado o desconto de créditos permitidos por Lei. Por derradeiro, manifesta sobre o crédito apurado relativamente a novembro e dezembro de 2007. Diz que foram desconsiderados erroneamente valores recolhidos para os períodos de apuração. Nesse caso, sustenta que além da falta de esclarecimento e informações quanto ao método adotado pela fiscalização, incoerentemente apenas teria considerado as contas de “Movimentação Crédito” para composição dos valores a pagar de PIS e COFINS e equívocos crassos no cotejo das informações da DCTF. Concluiu pedindo nulidade do auto de infração e perícia. O Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS encontramse às fls. 76/98, impugnação às fls.112/122 e o Acórdão recorrido às fls. 323/335. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o conhecimento. O debate neste caderno gira em torno do critério adotado pela Fiscalização quanto à apuração do crédito tributário com base em cotejo dos dados consignados na contabilidade e o valor do crédito declarado em DCTF. O fisco fez juntar com o Auto de Infração demonstrativo denominado de Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS, documento de fls. 76/98. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Em razão da alegação de nulidade do lançamento por ausência de esclarecimento da metodologia aplicada, impõe conhecer inicialmente essa preliminar. Como é de conhecimento geral compete ao titular do procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito. No caso vertente, o indício trazido à baila é o “Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS”, fls. 76/78 de onde se extraí os elementos utilizados para o convencimento da douta Fiscalização de que a Recorrente teria declarado valor inferior ao realmente devido, motivo pelo qual a levou proceder ao lançamento a título de crédito suplementar. Consta do Termo de Verificação fiscal a informação de que: “Utilizando as informações constantes dos arquivos digitais (LANÇAMENTOS CONTÁBEIS, SALDOS DE CONTAS e PLANO DE CONTAS) fornecidos pela fiscalizada, procedemos ao confronto entre as informações contábeis e os valores informados nas declarações e documentos enviados/entregues pela fiscalizada à RFB, elaborando as ' planilhas, constantes do arquivo 61116265000144. xls (código de validação: a8ca29c2d0e6fe8dfa4a9a38bfa2cc07) e do arquivo— 61116265000144. xls (código de validação: 20723c8f 32cb6587f3bb7560ba074c1a), sendo os códigosde Validação gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) — disponíveis também no sitio da RFB, para conferência da fiscalizada, onde foram apontadas divergências (planilha COTEJO) entre os valores constantes de sua escrita contábil (planilha CONTÁBILAPROPRIAÇÕES) com aqueles informados à RFB (planilha DCTF_DÉBITOS e SINAL_PAGAMENTOS), o qual foi submetido à fiscalizada, através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (Termo 06), lavrado em 01/09/2008 e recebido em 10/09/2008, e do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (Termo 07), lavrado em 08/10/2008 e recebido em 13/10/2008, respectivamente, para que seu representante legal apresentasse as devidas justificativas no prazo de 20 (vinte) dias, contados da data da ciência desses termos, juntamente com documentos/elementos que lhe dessem suporte.” O termo apregoa que o lançamento decorre do confronto dos lançamentos contábeis (saldos das contas) com o débito informado pela Recorrente em DCTF. Ao examinar os elementos dispostos no Termo de Verificação, vez que, a descrição constante do Auto de Infração é lacônico, se refere apenas diferenças sem declinar detalhes, temse assim o relato como fonte da motivação do lançamento. O relatório de fls. 76/78, constatase que o mesmo traz 05(cinco) colunas, Período de Apuração, o Valor Contábil, Retif. Contábil, Valor da DCTF e Diferença Apurada. De uma leitura prefecuntória verificase que inexiste demonstração da base de cálculo, confirma tratarse de apuração simples de diferença entre o valor contabilizado e o da DCTF, digase não é referência para apurar tributo e tampouco permitir afirmar que o valor contabilizado é o devido e contrapor o valor declarado a Receita Federal do Brasil. Sobreleva anotar a ausência de informação quanto aos valores contabilizados, se são em conta de Passivo ou Custo/Despesa. Análise fria do demonstrativo fiscal não permite averiguar a afinidade desses elementos com a receita. Tenho que a fiscalização, em que pese, receber por exigência demonstrativos elaborados pela empresa fiscalizada, que cuidou também Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 7 5 de subsidiar com Resoluções da Aneel que determina o modo pelo qual deveria contabilizar as receitas efetivamente recebidas e as decorrentes de “Recomposição Tarifárias” (receita gerada pela aplicação da sobretarifa de que trata o §1º do art. 4º da MP nº 14/2001), bem como, “Solução de Consultas”, mesmo assim deixou de demonstrar o fato gerador, preocupouse, simplesmente, de adotar como certo e inquestionável um dado contábil e cotejar com os valores declarados em DCTF. Por essas razões penso que as provas carreadas aos autos produzidas pela Autoridade Fiscal não demonstram com precisão o “quantum” teria sido considerado como matéria tributável, compromete a certeza e liquidez do crédito tributário. É inaceitável, no meu entender, que se tenha como certo o valor contabilizado como devido sem que demonstre à base de cálculo para estabelecer com fidúcia que há diferença desfavorável ao fisco na apuração do crédito tributário. Dizem os estudiosos que cabe observar o atributo da incerteza, presente com grande freqüência nas situações concretas que demandam a observância do Princípio da Prudência. Portanto, a contabilização do reconhecimento de obrigação nem sempre pode ser considerada decisiva, pois o que se busca pelo Princípio da Prudência é adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do Passivo, todas as vezes que se apresentem alternativas igualmente válidas para quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio Líquido. A contabilização de determinados dados não é o suficiente para ter como verdadeiramente devido naquele momento, o saldo pode representar em determinado momento obrigação, entretanto, para afirmar que são devidas em determinado mês de apuração há necessidade de que seja demonstrado à base de cálculo desse tributo. Como é de conhecimento geral os requisitos da lavratura do auto de infração encontram inscubidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/71, que determina descrição do fato, verificado a necessidade de esclarecimento mais extenso empregase o relatório fiscal enriquecendo a descrição assinalada no corpo do auto de infração no sentido de suprir a necessidade de clareza na identificação do fato gerador e no cálculo do tributo tendo como fundamento a base de cálculo. No caso concreto a planilha elaborada pela fiscalização só serve e identifica diferença, sem, contudo esclarecer quais as receitas teria sido incluído à base de cálculo, até porque não há demonstração da base de cálculo. O contribuinte necessita para elaborar defesa de modo pleno o conhecimento quais as receitas incluídas no somatório utilizado para apuração do crédito tributário. A simples menção em relatório fiscal de que apuração decorre entre o valor informado em DCTF e a contabilidade é insuficiente para afastar a obrigação da Autoridade Fiscal de demonstrar de modo claro qual foram os critérios adotados para identificar as receitas que compõe a base de cálculo. A Ausência de elemento essencial de clareza na identificação do fato gerador constitui vício insanável. È obrigação da autoridade administrativa, ao proceder ao lançamento identificar todos os elementos que constituem o direito de crédito, possibilitando ao contribuinte elaborar de modo pleno e irrestrito a defesa da imputação de irregularidade lhe atribuída. A doutrina rejeita lançamento genérico, sem especificação dos elementos – receita que consubstancia o fato gerador. Segundo os juristas, no direito tributário vige a regra Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 da tipicidade fechada quanto à identificação do fato imponível. Motivo pelo qual se exige como elemento do lançamento a identificação, se ao lançar o agente deixa de identificar quais as receitas que passaram a fazer parte da base de cálculo, distinta daquelas informadas pela empresa autuada, impõe, sob pena nulidade, que seja minuciosamente identificada uma a uma. Portanto, há de se concluir que a identificação do fato gerador de forma lacônica como é o caso concreto, dificulta, sim, o exercício de defesa do contribuinte, que fere de morte o princípio do devido processo legal, consequentemente, o contraditório e ampla defesa. Em sendo assim, compete ao titular do procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário e exigir por meio do lançamento a reparação da lesão causada ao erário. Tenho que a Administração Tributária não pode transferir ao Sujeito Passivo o ônus da prova, portanto, no caso em exame deveria ter sido elaborado demonstrativo especificando cada receita submetida à incidência e observando a sua peculiaridade, deixado de assim proceder macula o ato administrativo que necessidade de motivação. Portanto, há a meu ver, existe inconsistência na constituição do crédito tributário das contribuições para o PIS e da COFINS em decorrência da demonstração da base de cálculo, configura descumprimento dos requisitos essenciais inscritos no art. 142 do CTN, o que dificulta sobremaneira identificar as razões que levaram apuração das hipotéticas diferenças em desfavor da Recorrente. Assim acolho a preliminar para declarar nulo o lançamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 8 7 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O contribuinte argui a nulidade do lançamento por ausência de motivação válida, alegando não haver descrição dos fatos que serviriam de suporte fático ao lançamento. Entendo que o contribuinte tem razão. Promover o lançamento de PIS/Cofins pelo regime nãocumulativo consiste em, primeiramente, identificar as receitas que se submetem a este regime específico (retirando se as receitas porventura incidentes sob o regime cumulativo ou monofásico), promovendose a composição da base de cálculo para sobre ela fazer incidir a alíquota aplicável para, então, abater do valor devido os créditos gerados de acordo com as hipóteses previstas no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, atentandose para o momento em que foram gerados e cuidando, também, de verificar a transposição dos saldos de créditos dos períodos anteriores, além de, sendo o caso, segregar os créditos pertinentes à receita de exportação e os créditos presumidos. Neste caso concreto não existe, nem no corpo do auto de infração, nem no termo de verificação fiscal, qualquer motivação fática, nem a respeito das composição das receitas, nem a respeito das hipóteses de creditamento, nem uma fundamentação racional detalhando o procedimento adotado. Apenas foi transportado para o auto de infração os valores de contribuição obtidos de uma planilha denominada “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS DIFERENÇAS” (fls. 253/254), cuja imagem é copiada no final deste voto. Esta planilha, como visto, é composta pelas colunas: “PA”, “Contábil”, “Retif. Contabil.”, “DCTF” e “Diferença”. É possível inferir, a partir disso, que em relação a cada período de apuração (PA) partiuse do valor da coluna “Contabil”, abatendose deste o valor da coluna “Retif. Contabil” e o valor da coluna “DCTF”, chegandose ao valor da coluna “Diferença”, que é o valor adotado pelo auto de infração como tributo devido. Mas não há explicação quanto ao procedimento adotado, sobre o que significariam as referidas colunas, nem como se chegou aos referidos valores, ou o que exatamente significam. Aliás, as colunas “Contabil” e “Retif. Contabil” não se referem a valores de receita ou faturamento, mas a valores do próprio tributo, ou seja, são valores de contribuição. Os valores cotejados – “Contab.” e “Retif. Contab.” – não demonstram a base de cálculo – pois não são valores extraídos de uma rubrica de receita, por meio da qual se buscasse identificar a base de cálculo – nem se referem a um rubrica de despesa – por meio da qual se buscasse identificar a natureza das aquisições e, assim, permitir que se identifique se configuram ou não hipótese de creditamento. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Ao invés do trabalho racional de construção da base de cálculo e verificação das hipóteses de crédito, a Fiscalização aplicou um filtro de pesquisa nos dados informatizados, do qual resultou um agrupamento dos mais variados lançamentos da contabilidade que teriam algum tipo de reflexo em uma conta de controle contábil das contribuições ao PIS/Cofins. Conforme se percebe, o referido filtro é aplicado de maneira automatizada, sem nenhum tratamento racional dos dados. O fato é que o valor devido da contribuição não se encontra por meio de cotejo dos dados de uma conta da contábilidade que a contribuinte porventura utilize para controlar obrigações, provisões, reversões, créditos e estornos de valores devidos PIS/Cofins. Primeiro porque não há nenhuma sinalização de que tal conta discrimine entre a apuração cumulativa e nãocumulativa de PIS/Cofins. Ou seja, a aplicação deste filtro na contabilidade obteve resultado que se refere de maneira indistinta à apuração cumulativa e nãocumulativa, do que resulta a falta de liquidez e certeza da exigência fiscal. Se a Fiscalização pretendia lançar PIS/Cofins nãocumulativo, quando menos teria de manter segregadas as receitas e os recolhimentos correspondentes ao regime cumulativo e nãocumulativo, bem como conferir se o crédito foi apurado na proporção das receitas nãocumulativas, o que não correu. A Fiscalização fez um somatório de valores sem se importar com o que significam objetivamente, apenas listando rubricas de partidas dobradas, fazendo uma verdadeira conta corrente de registros contábeis lançados dentro do mesmo mês calendário. Isto também não é adequado pelo fato de que não se conferiu como o contribuinte procedeu concretamente o aproveitamento dos créditos, nem o momento nem a forma como o promoveu. A Lei prevê que o contribuinte “pode” abater os créditos, de modo que tanto pode sobrar saldo para aplicação em período posterior, como pode haver, em período posterior, a apropriação de um crédito que se tenha deixado de apropriar em momento anterior. Com efeito, não se obriga o contribuinte a aproveitar o crédito no mesmo período de competência em que tenha sido gerado. E para isso é necessário verificar como o contribuinte promoveu concretamente o controle dos seus créditos. Tal procedimento da Fiscalização também atropela qualquer detalhamento a respeito da tranposição e do controle do saldo de créditos em relação a períodos anteriores. Ao ver deste Conselheiro, promover o lançamento de PIS/Cofins ignorando os DACONs equivale a pretender o lançamento de IPI ignorando o Livro Registro de Apuração do IPI. Por estas razões, entendo que é insustentável a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 9 9 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10675.902592/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 92 /2 00 9- 63 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 107 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11090.04575.250406.1.3.049136 em 24.04.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$1.771,97 do valor total R$4.746,62 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em novembro de 2005, código nº 2362, efetuado em 29.12.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ determinado a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de IRPJ no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de IRPJ. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 108 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.326, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.108, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de IRPJ, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 04.12.2012, fl. 102, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 109 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 110 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 111 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. , a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 180100101/2012 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 180100102/2012 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 180100103/2012 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 180100108/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de IRPJ, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de IRPJ (código 2362), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$ 7.161,57, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de IRPJ do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD. DATA PGTO PA 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2.414,95 IRPJ 2362 29/11/2005 31/10/2005 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2.038,42 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 936,23 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 1.771,97 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO IRPJ 7.161,57 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 12 A o Imposto de Renda sobre o Lucro Real devido de R$35.040,18, que deduzido das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$42.201,75) resultou no saldo negativo anual de IRPJ no valor de R$7.161,57. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 112 7 conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$7.161,57. Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701818 2362 28/02/2005 2.636,88 0208825456 2362 28/03/2005 3.562,13 0209761906 2362 29/04/2005 3.328,67 5072607948 2362 31/05/2005 4.762,16 5116279058 2362 28/06/2005 3.286,40 5167127548 2362 26/07/2005 2.903,37 1892652971 2362 26/08/2005 3.641,93 1987429031 2362 28/09/2005 4.014,45 2076652641 2362 28/10/2005 4.017,65 2133582461 2362 14/11/2005 140,34 2133582641 2362 14/11/2005 310,39 2155698471 2362 29/11/2005 4.850,76 2.414,95 2246085411 2362 29/12/2005 4.746,62 4.746,62 [TOTAL DO CRÉDITO IRPJ] 42.201,75 7.161,57 Dessa forma, confirmada a existência do crédito de saldo negativo de IRPJ para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$7.161,57 (sete mil cento e sessenta e um reais e cinqüenta e sete centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$7.161,57 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. VALOR SITUAÇÃO DCOMP 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2362 01/2006 24/02/2006 2.301,27 Homologada Total 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2362 01/2006 24/02/2006 1.915,28 Homologada Total 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 2362 02/2006 31/03/2006 969,75 Homologada Total 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 Homologada Parcial Concluindo, remanesceria com saldo devedor o débito abaixo discriminado, a ser exigido do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 113 8 Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensação (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 1.824,56 36,01 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.771,97 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.771,97 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.005529/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
MULTA. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Constatada inexistência de conduta capaz de configurar ofensa a norma do art. 107, inciso IV, letra a do Decreto nº 37, visto que, em momento algum a contribuinte deixou de atender qualquer solicitação ou intimação da Fiscalização, motivo pelo qual impõe em cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 MULTA. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constatada inexistência de conduta capaz de configurar ofensa a norma do art. 107, inciso IV, letra “a” do Decreto nº 37, visto que, em momento algum a contribuinte deixou de atender qualquer solicitação ou intimação da Fiscalização, motivo pelo qual impõe em cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 29 /2 00 7- 84 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida de Recurso Voluntário interposto pela empresa REFERCON ENGENHARIA DE CONTAINERS LTDA. com o objetivo de modificar a decisão que manteve a multa aplicada por embaraço a fiscalização. Acusação é de embaraço a fiscalização em razão de que um de seus empregados teria ingressado em área portuária transportando peça de reposição para conserto contenêre desacompada de nota fiscal, oportunidade que teria sido retida pela “Guarda do Porto” liberada no mesmo dia da retenção mediante apresentação do documento fiscal. A Recorrente repudia incriminação alegando que seu empregado não ingressou no návio e que apenas transitou pela área do porto. O auto de infração por embaraço a fiscalização foi lavrado mediante a notícia da ocorrência comunicada pela Guarda Portuária a Fiscalização Aduaneira do fato. Tomado conhecimento do acontecido a fiscalização aduaneira lavrou o auto de infração para aplicar a multa com espeque no inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10883/2003. Inconformado com aplicação da penalidade, a Recorrente alega que exibiu imediatamente a Guarda Portuária a documentação fiscal referente às peças de reposição que seriam usadas no conserto de conteineres antes do conhecimento da Autoridade Aduaneira, motivo pelo quais as peças teriam sido liberadas pela Guarda Portuária, assegura que esse fato configura denúncia espontânea, e, acosta decisões administrativas para corroborar com os argumentos tecidos. A decisão guerreada encontra assentada nos termos a seguir transcrito: “Tratasse de Ocorrência nº” 00163/2007 da Guarda Portuária, de 05/02/2007, e Termo de Retenção nº 009/07 do Plantão Fiscal, de 05/02/2007, por ingresso de peças de reposição para contêineres sem nota fiscal que amparasse a entrega ao navio MAERSK NAGOYA, cujo serviço seria feito pela empresa Refercon Antecipandose à Intimação para prestação de informações a Refercon apresentou documentação comprovando a procedência das peças ora retidas, seja por importação direta ou venda de mercadoria importada, bem como cópia de nota fiscal 2809 amparando a entrega das mesmas, o que acabou por não acontecer em virtude de sua retenção. Entendese que a nota fiscal 2809 estava sendo autorizada paralelamente à entrega das peças e prestação do serviço a fim de ganhar tempo devido à urgência dos serviços no container que geralmente transportam cargas perecíveis, como, aliás, já ocorreu nesse tipo de serviço com a mesma empresa. Todavia, esse procedimento configura uma infração e um embaraço à fiscalização, uma vez que as mercadorias encontravamse ao desamparo de documento fiscal obrigatório, razão pela qual PROPONHO lavratura de Auto de Infração por embaraço a Fiscalização prevista no artigo 107, inciso IV do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, para a empresa envolvida na ocorrência, ou seja, REFERCON ENGENHARIA DE CONTAINERS LTDA. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.005529/200784 Acórdão n.º 3403002.432 S3C4T3 Fl. 5 3 Em virtude da comprovação da procedência e titularidade das peças retidas e da comprovação da emissão da nota fiscal 2809 no mesmo dia da ocorrência, PROPONHO a liberação das mercadorias retidas ao interessado.”. A autoridade fiscal demonstrou que, de fato, mercadorias foram introduzidas na área do Porto de Santos ao desamparo de nota fiscal, situação que configura “embaraço à fiscalização”, posto que apenas posteriormente foram apresentados os documentos pertinentes. Portanto, o auto de infração não é nulo. Houve infração, que independe do fato de o funcionário do impugnante ter entrado, ou não, em algum navio”. Em síntese a multa foi mantida sob o manto do embaraço fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Consta que o empregado da empresa recorrente teria ingressado na área portuária com peças de reposição para contêineres sem o documentado fiscal, tendo sido retidas pela Guarda Portuária, cujas notas fiscais foram logo apresentadas motivando a liberação do material retido. Aqui cabe perquiri e decidir se o fato de transportar peça de reposição a ser utilizadas em reparo de contêineres em área portuária sem o documento fiscal correspondente configura embaraço à fiscalização, motivação do lançamento. A decisão recorrida resume a ilicitude ao fato de não portar o documento fiscal. O entendimento da Recorrente é de que o seu funcionário não ingressou no navio que iria ocorrer o reparo, e, assim não infringiu a legislação. A informação é de que os materiais foram retidos pela aguarda portuária quando do ingresso na área portuária. Parece que a retenção aconteceu no momento em que o preposto da empresa tentou ingressar no porto para prestar serviço de concerto de contêineres. Embaraço à fiscalização, no caso concreto, parece inicialmente revelar uma conjuntura de que a Fiscalizada criou obstáculo no sentido de atravancar o andamento do ofício dos auditores aduaneiros. Entretanto, do exame desse caderno processual não é o que se extraí dos relatos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Consta que a notícia da retenção das peças chegou ao conhecimento da fiscalização pela ocorrência relatada pela Guarda Portuária, portanto, não se vislumbra em que momento teria sido criado dificuldade ao trabalho da aduana. A penalidade aplicada encontra fulcrada no art. 107, inciso IV, letra “c”, do DecretoLei nª 37. Ao buscar na capitulação a conduta tida como ilícita, constatase uma dificuldade impar, não se logra êxito em concluir especificamente a subsunção da conduta à norma. “c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal”; Em sendo assim, no caso deste caderno processual administrativo a conduta da Recorrente, a meu sentir, não revela embaraço a fiscalização, visto que, em momento algum representou impedimento atividade fiscal, até porque do que consta inexistiu qualquer solicitação não atendida ou outro meio que pudesse ser considerado impedimento. Entre outras palavras não houve efetivamente ação fiscal, essa tomou conhecimento por ocorrência quando a circunstância que pudesse ser considerada omissão já estava solucionada. Com essas considerações, voto no sentido de conhecer o recurso e dar provimento para afastar aplicação da multa por ausência da situação prevista na capitulação descrita no Auto de Infração. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10630.000057/94-27
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu-se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALIQUOTA - NC (21-1) DA TIPI/88 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista mi artigo 364, inciso II do RIPI/82 deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106. II, "c"). TRD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991.
Recurso provido, em parte.
Numero da decisão: 202-09.805
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Cabral Garafano e Helvio Escovedo Barcellos.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES De b5- / C&-- / 195i 411•211•1•••■■••• [2.0 l'UEILIL:AUU NO D. O. U. ,,31 .......... Rubrica Processo 10630.000057/94-27 Acórdão 202-09.805 Sessão 29 de janeiro de 1998 Recurso 99.175 Recorrente : REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu-se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALIQUOTA - NC (21-1) DA TIPI188 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage à. data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista mi artigo 364, inciso II do RIPI/82 deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106. II, "c"). TRD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Recurso provido, em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Cabral Garafano e Helvio Escovedo Barcellos. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 1998 Marco i cius Neder de Lima . Pres ente Tarasio Campelo Borges Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho e Antonio Sinhiti Myasava . 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo - . 10630.000057/94-27 Acórdão • . 202-09.805 Fclb/mas Recurso : 99.175 Recorrente : REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. RELATÓRIO Ao final de auditoria de produção realizada na empresa, fabricante de refrigerantes das marcas Brahma e Skol, a fiscalização, tomando como elemento subsidiário as rolhas metálicas utilizadas no fechamento das garrafas, com um percentual de perdas de 5% para rolhas Brahma e de 8% para as da marca Skol, apurou, pelo confronto das quantidades de rolhas metálicas consumidas com as quantidades necessárias para vedar a produção registrada, as seguintes infrações, caracterizadoras de omissão de receitas: 1- omissão de produção de 146.400 dúzias de refrigerantes; e 2 — omissão de compara de 125.204 unidades de rolhas metálicas, decorrente da conclusão de que houve vendas não registradas de 9.936 dúzias de refrigerantes. Além da omissão de receita acima descrita, a fiscalização constatou a utilização indevida de redução de aliquota do IPI, nas saídas dos refrigerantes feitos a. base de sucos naturais, posto que a empresa não possuía Ato declaratório da Secretaria da Receita Federal concedendo-lhe tal beneficio. Informa o fiscal autuante, na Descrição dos Fatos, que a empresa protocolizou os pedidos de concessão do beneficio de redução de ahquota em 28.09.93, já sob procedimento fiscal. Na peça impugnatória, a autuada discorda dos indices de perdas utilizados e informa que não possuía contabilidade de custos coordenada e integrada com o restante da escrituração, à época da fiscalização, mas, mesmo assim, forneceu a Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 164), que indica a relação de consumo insumo/produto. Reclama Também do fato de o autuante não ter examinado o consumo dos outros componentes do seu produto, fixando-se apenas no controle das rolhas metálicas. Defende-se ainda da cobrança do LPI que deixou de recolher por se utilizar da redução de 50% na aliquota, sem ter os correspondentes Atos Declaratórios da SRF, fundando sua argumentação na Lei n° 7.798/89 e Decreto n° 97.976/89, afirmando que, para usufruir do beneficio, necessário se faz, em primeiro lugar, obter o Certificado de Registro do 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão • 202-09.805 Produto no Ministério da Agricultura, para depois encaminhar o pedido ao Ministério da Fazenda. Cita o Acórdão n° 201-66.632/90, da Primeira Camara deste Segundo Conselho de Contribuintes, no qual foi exarado o entendimento de que, baixado o Ato Declaratório pela Receita Federal, o beneficio da redução retroage ao momento do registro no Ministério da Agricultura. Em apoio à sua tese, junta cópia dos citados registros. Voltando a tratar da questão dos percentuais de perda, observa que em sua Tabela de Coeficientes, os indices possuem uma amplitude de variação, de —3,0% a +2,0%, no caso das rolhas metálicas Brahma, e de —0,6% a +2,0%, no caso da marca Skol, de forma que o autuante não poderia ter-se utilizado de índice único, por marca de produto. Conclui sua reclamação com pedido de perícia, fundamentando-se no artigo 344 do REPI/82, a qual viria provar, a seu ver, a total improcedência do arbitramento efetuado pelo fisco. Por observância dos ditames legais, apresenta os quesitos que deseja ver respondidos e nomeia o seu assistente técnico, 0 fiscal autuante, chamado a manifestar-se sobre pedido de perícia, informa que baseou-se na escrituração da contribuinte, nas notas fiscais de seu fornecedor, nos livros fiscais, e em informações por ela prestadas, o que resultou no confronto da produção "rear com a produção registrada (quadro 05 e 06 — fls. 150 e 151), descabendo, assim, a alegação de arbitramento. Informa que obteve os percentuais de 5% e 8%, pela simples soma dos limites da faixa de variação constante da Tabela de Coeficientes Técnicos [(-3 a +2 = 3 + 2), para a marca Brahma, e (-6 a +2 = 6 + 2 = 8), para a marca Skol]. Justifica que, nos termos do artigo 343 do RIPI182, é facultado ao fisco a escolha de qualquer elementos subsidiário (matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou outros) que concorra no processo industrial, para estimar a produção do estabelecimento, sendo pois, irrelevante o fato alegado pela autuada, de que em relação a outros insumos, a mesma diferença de produção não seria verificada. Pelas suas razões, propõe o indeferimento do pedido de perícia. Com base no artigo 18 do decreto n° 70.235/72, e tendo em vista a informação do fiscal autuante, o Delegado da Receita Federal indeferiu o pedido de perícia, conforme despacho de fls. 248. A DRJ em Juiz de Fora observando as razões de defesa apresentadas pela autuada, antes de julgar o feito, determinou a realização de diligência, com o fim de esclarecer possíveis diferenças de interpretação da Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 164), no tocante aos indices de consumo padrão. No seu despacho de fls. 252/255, desenvolveu extenso arrazoado sobre como entendeu que deveriam ser calculados os indices de perda, que opôs contribuinte, para que a mesma concordasse ou discordasse, juntando os elementos que 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão • 202-09.805 julgasse necessários, podendo retificar eventuais falhas, inclusive se contidas na tabela relativa ao consumo e perdas de rolhas metálicas do ano de 1989, bem como solicitou a apresentação dos Atos Declaratórios da SRF, por ela requeridos em 28.09.93. A DRJ determinou, ainda, que o fiscal autuante reavaliasse alguns aspectos que deram sustentação A exigência fiscal, em face das questões apresentadas A contribuinte e suas respostas. A empresa, em documento juntado As fls. 259/261, concorda com a forma de cálculo das perdas apresentado pela DRJ, que culminou com os percentuais máximos de perdas de 4,894% e 7,585%, para os produtos Brahma e Skol, respectivamente, tendo por base a Tabela de Coeficientes Técnicos de fls. 164, porém alega que referida tabela foi fornecida ao fisco sob coação, porque só teve 5 (cinco) dias para elaborá-la. Além disso, afirma que os dados daquela Tabela foram montados em agosto de 1993, quando a empresa renovara seu parque industrial, passando a ter máquinas mais modernas do que em 1989, com percentuais de perdas menores. Ainda reclama da não utilização de outro insumo para batimento dos valores obtidos pela fiscalização, e alega que o fisco, ao levantar o quantitativo de rolhas metálicas a partir das notas fiscais do seu fornecedor deveria ter ouvido tal fornecedor, acerca do método utilizado por ele para determinar a quantidade de unidades por caixa. Informa que no documento que junta As fls. 262, fica patenteado uma perda de 3,9%, considerando-se o padrão de peso, que é a forma de controle do fornecedor. Com relação aos Atos Declaratórios, informa que a SRF não os expedira até aquele momento. A autoridade lançadora, em novo pronunciamento, endossa a forma de cálculo dos percentuais de perdas demonstrados pela DRJ, mas mantém a autuação com os indices de 5% e 8%, para as marcas Brahma e Skol, respectivamente, por serem mais benéficos para o contribuinte. Em virtude do erro apontado pela DRJ, alguns cálculos foram refeitos, ratificando-se a omissão de produção de refrigerantes para 140.554 dúzias e a omissão de compras de rolhas metálicas para 128.527 unidades. A autoridade de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento, não reconhecendo, entretanto, a utilização de aliquota reduzida, porque a empresa só preencheu a primeira das duas condições exigidas para a sua fruição, ou seja, o registro do produto no Ministério da Agricultura, faltando-lhe obter o Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Acórdão 10630.000057/94-27 202-09.805 Quanto á Auditoria de Produção, após detalhar os procedimentos adotados pelo fisco, a autoridade a quo concluiu que: - não houve arbitramento de valores ou parâmetros; - é perfeitamente válida a utilização do parâmetro escolhido, para a auditoria de produção, como prevista no artigo 343 do RIPI/82; - o pedido de perícia deve ser negado, por desnecessário e mal fundamentado pela impugnante no artigo 344 do RIPI182, que trata de indices de perda alegadas pelos contribuinte e não aceitos pelo fisco, o que não foi o caso dos autos; os coeficientes de perdas utilizados são válidos, porque expressam a condição de perda máxima, ou de produção minima, foram declarados pela empresa na Tabela de Coeficientes Técnicos, a qual não content falhas como alegado, posto que a empresa não a corrigiu, apesar de ter tido várias oportunidades; - a alegação de que o fabricante das rolhas metálicas deveria ter sido ouvido não merece acolhida, já que a manifestação dele As fls. 262, trazida aos autos pela impugnante, em nada a socorre, uma vez que o índice de 3.9% que a contribuinte alega representar perdas na quantidade de rolhas metálicas fornecidas, nada mais é do que a variação máxima possível no peso da caixa contendo 10.000 rolhas metálicas, devido a pequenas diferenças de espessura que ocorrem no processo de fabricação das chapas; não se pode levar em consideração a reclamação de que a Tabela de Coeficientes Técnicos, elaborada em 1993, prejudica a empresa, se esta, mesmo tendo tido várias oportunidades, não apresentou as correções e as provas de suas argumentações; todas as saídas de refrigerantes informadas pela empresa foram contempladas, inclusive o consumo dos funcionários, sob o titulo de outras saídas; e a omissão de compra tributada decorre de interpretação errônea do autuante, devendo ser excluída da tributação, posto que a empresa não atua sempre no limite máximo de ineficiência. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6.4t) Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Por estas conclusões a autoridade monocrática manteve a tributação apenas da omissão de vendas, na quantidade de 140.554 dúzias de refrigerantes. Não satisfeita com aquela decisão, a empresa recorre a este Conselho, alegando, com relação à utilização de aliquota reduzida, que os seus franqueadores, a Cia, Cervejaria Brahma e a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S.A. possuem os Atos Declaratórios da SRF, sendo que no seu caso, os mesmos encontram-se em tramitação. Informa que seus produtos encontram-se registrados no Ministério da Agricultura e que, quando a SRF baixar os Atos Declamatórios que pleiteou, estes deverão retroagir à data dos citados registros, como tem se pronunciado o Segundo Conselho de Contribuintes em diversos acórdãos, Acrescenta que o Ato Declaratório da Receita Federal é uma simples formalidade, que não lhe pode negar o direito A. fruição do beneficio, cujo direito adquiriu quando obteve o registro no Ministério da Agricultura. Ademais, alega que o atraso no deferimento do seu pedido junto a SRF fundamenta-se em diversas correspondências que recebeu, todas impondo como condição a solução de dividas fiscais, algumas delas inclusive impugnadas. No tocante d. Auditoria de Produção, volta a clamar pelo pedido de perícia, apresentando, desta feita, as fls. 367, a Tabela 'Movimento de Estoques 1.989", na qual estariam amparadas todas as saídas, bem como as perdas de produto cheio e o consumo interno, elaborada dentro dos padrões constantes da atual contabilidade de custos à disposição da fiscalização. Prossegue argumentando, que o total recebido como devolução de vendas (nas entradas) foi considerado integralmente como perdas, pois se o cliente devolveu é porque o produto estava vencido ou estragado. As saídas para consumo próprio e de perdas de produção não foram informadas na resposta A. intimação de 14/09/93, que serviu de base para o levantamento fiscal. Cita o Acórdão n° 202-06.157, de 19.04.94, da Segunda Camara deste Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcreve, no qual, ao apreciar a auditoria de produção, o recurso foi provido, tendo em vista que a diferença encontrada foi desprezível, segundo laudo técnico do LNT; também cita o Acórdão n° 101.86.788, de 06.07.94, cuja ementa também transcreve, no qual a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manifesta-se no sentido de que: "excepcianados aqueles fundados em presunções legais, qualquer outro lançamento tributário que considere ocorrida omissão de receitas, deve repousar em elementos concretos, objetivos, sólidos na sua estruturação. 0 arbitramento da produção, fundado apenas no consumo de determinada matéria-prima, não se reveste dos elementos essenciais para respaldar o lançamento ". Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 A Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Seccional localizada em Governador Valadares, manifesta-se pela improcedência do recurso, entendendo que as alegações apresentadas já foram amplamente rebatidas pela autoridade a quo. Quando o processo já se encontrava neste Conselho, a empresa retorna aos autos, desta feita para apresentar cópia dos Atos Declaratórios nos 05, 06 e 07, de 08.04.96, que reconhecem o seu direito A. utilização da redução de aliquota do IPI prevista no artigo 53 do RI1PI182, retroativamente a 03 de fevereiro de 1982, no tocante aos seguintes produtos: LIMÃO ou SODA LIMONADA, refrigerante de laranja SUQUITA e GUARANÁ, todos da marca BRAHMA. É o relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARASIO CAMPELO BORGES 0 recurso é tempestivo e dele conheço. DAS PRELIMINARES 0 pedido de perícia, manifestado na impugnação e agora reiterado, como questão preliminar, deve ser analisado em primeiro lugar. O que deseja a recorrente 6. que suas máquinas sejam periciadas, com o fim de reavaliar se as perdas são aquelas por ela informadas, bem como que outros insumos integrantes e seus produtos sejam auditados, para checagem do resultado obtido pela fiscalização. A auditoria de produção é realizada com base nos registros contábeis, fiscais, informações técnicas fornecidas pelo sujeito passivo e através de visitação do representante do Fisco As dependências do estabelecimento industrial, tendo por fim dotar o processo fiscal do maior número de elementos objetivos que possam constituir provas, tanto a favor da Fazenda como do contribuinte. Sobre a necessidade ou não de perícia técnica destinada a esclarecer qualquer ponto obscuro e importante para o deslinde da questão, assim se pronunciou Luiz Henrique Barros de Arruda, em seu Livro Processo Administrativo Fiscal l : 'Embora não explicitado no Decreto em apreco2 , deve-se concluir somente ser justificcivel a formulação de pedidos de diligência ou pendas, pelo Reclamante, quanto à matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar as elementos examináveis. [..] 0 artigo 17 confere à autoridade preparadora o poder discricionário para deferir ou não o pedido de perícia. Essa liberdade de escolha, no caso, por força dos dizeres do próprio dispositivo que a regula, está condicionada ao exame da prescindibilidade e da possibilidade da medida. I BARROS DE ARRUDA, Luiz Henrique — Processo Administrativo Fiscal/Manual — Resenha Tributária/jan.93 — págs. 56 e 59 2 Decreto n° 70.235/72. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••• Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Em outras palavras, o poder discricionário para indeferir pedidos dessa espécie não foi concedido ao agente público para que dele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Assim é indispensável à validade do ato denegatório da diligencia ou da perícia, a declaração formal das circunstâncias que o motivaram, ou seja, das causas que determinaram a conclusão da prescindi bilidade ou da impossibilidade da medida. Caso contrário, configurar-se-á a hipótese prevista no artigo 59, inciso H. " (os destaques são do original). 0 Delegado da Receita Federal, ao indeferir o pedido de perícia, louvou-se em parecer do fiscal autuante, e a autoridade de primeira instância ao manter a negação, embasou-se no procedimento levado a efeito pela fiscalização, que descreveu pormenorizadamente, o qual contemplou, a seu ver, todos os requisitos necessários, de vez que se fundamentou unicamente em dados fornecidos pela autuada, inclusive nos percentuais de perdas por ela declarados e não contestados. Não é outra a minha conclusão, após análise detalhada dos documentos que compõem os autos, onde restou claro que a recorrente teve diversas oportunidades para contestar os dados por ela fornecidos em momentos anteriores, o que não fez. A própria Tabela "Movimento Estoques 1989" juntada ao recurso deveria ter sido apresentada na fase impugnatória ou por ocasião da diligência determinada pela DRJ, quando a empresa foi questionada sob a validade dos dados constantes da Tabela de Coeficientes Técnicos, da qual foram retirados os percentuais de perdas utilizados na auditoria de produção. Saliente-se ainda que o indeferimento da perícia técnica não afronta o direito de ampla defesa, como quer fazer crer a apelante, uma vez que a sua realização so tem sentido quando visa esclarecer qualquer ponto obscuro e importante ao deslinde da questão. No caso em tela, como ficou bem demonstrado, os documentos e demonstrativos constantes no processo são suficientes para que o julgador firme sua convicção. Quanto a menção do atraso na expedição dos Atos Declaratórios que solicitara já em 1993, não creio que este seja o foro propicio para apreciação do lato, de vez que refoge a competência deste Colegiado. Acho oportuno esclarecer, entretanto, que os Atos anexados ao processo durante a fase de julgamento em segunda instancia seat) considerados no julgamento do mérito. Rejeito as preliminares levantadas. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 DO MÉRITO DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A norma legal que autoriza a redução, no caso a NC (22- 1) da TIPI/88, dispõe que: "Ficam reduzidas à 50% as aliquotas do IPI incidentes sobre as mercadorias classificadas nos códigos 2202.90.0101, 2202.90.0102, 2202.90.0201, 2202.90.0202 e 2202.90.9900, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estejam registradas no órgão competente desse Ministério. " 0 que se depreende é que, para gozo da redução em foco, os produtos fabricados pela recorrente deverão atender aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estar registrados no órgão competente desse Ministério. Por outro lado, o artigo 53 do RIPI/82 determina que a redução em questão será declarada, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal. Essa declaração boi baixada pelos Atos Declaratórios juntados aos autos após a apresentação do recurso, expedidos que foram somente em 08.04.96, os quais indicam em seu texto retificado 11.06.96, efeitos retroativos a 03.02.82, para os produtos da marca Brahma (Sukita, Limão Brahma ou Soda Limonada e Guaraná). Nestas condições, a recorrente, em relação aos produtos acima, já era detentora do direito ao gozo da redução indicada desde 03.02.82, embora sob condição de futuro reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal. Feito este reconhecimento, a redução, que remanescia no campo do direito, implementou-se de fato. Para fruição do beneficio da redução da aliquota do IPI, prevista na NC (22-1) da TEPI188, conforme jurisprudência deste Colegiado, faz-se necessário que o produto seja dotado de Certificado de Registro no Ministério da Agricultura e de Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal. Neste sentido cito os Acórdãos ifs 201-66.629, de 17.10.90 e 201-67.456, de 23.10.91, sendo também esta a interpretação que verte do Acórdão n° 201-66.632, que integra o processo, às fls. 322./327, da lavra do ilustre Conselheiro Lino de Azevedo Mesquita. Deixo de considerar os demais argumentos apresentados a respeito do atraso na expedição dos Atos Declaratórios, porque, alem deles estarem desacompanhados das competentes provas, não têm o condão de modificar o que aqui se decide. 1 0 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Pelo exposto, devem ser excluída da exigência fiscal as parcelas do lançamento que correspondem as glosas das reduções de aliquotas utilizadas, pela empresa, nas saídas dos seguintes produtos da marca BRAHMA: LIMÃO OU SODA LIMONADA, SUQUITA E GUARANÁ. DA AUDITORIA DE PRODUÇÃO Os argumentos expendidos no recurso, no tocante à auditoria de produção, pouco inovam se comparados àqueles apostos na impugnação. Por entender que os mesmos foram exaustivamente examinados pelo julgador de primeira instância, adoto suas razões de decidir, da forma como foram resumidas no relatório deste julgado. Alguns pontos do recurso merecem detida análise, o que passo a fazer. A Tabela 'Movimento Estoque 1989" apresentada somente em grau de recurso, veio acompanhada dos seguintes argumentos: a) as entradas e saídas consideradas pelo fisco foram buscadas somente nas notas fiscais; b) o contribuinte não emite notas de consumo interno e nem tampouco de quebras de produtos cheios: c) por outro lado, estes dados não são lançados em nenhuma linha do Livro de Controle de Produção e Estoque; d) que na diligência não ficou claro que poderia modificar a Tabela de Coeficientes anteriormente fornecida, se quisesse; e) que em nenhum momento o fisco verificou se o montante das saídas informadas pelo contribuinte é a mesma em valores daqueles números constantes do item vendas na contabilidade e na declaração do MN; f) que a prova dita não produzida pela decisão a quo é a tabela que juntou ao recurso, elaborada dentro dos padrões constantes da atual contabilidade de custos; g) que na referida tabela as colunas PNendas e O. Saídas contemplam somente as saídas com notas fiscais. As outras colunas indicam as quantidades de produtos saídos do estabelecimento sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido dos clientes, que não constaram nos demonstrativos apresentados ao fisco em 14.09.93. Quando analisei a questão da perícia nas preliminares, a rejeitei devido A. clareza do procedimento fiscal, transparente nos autos, baseado sempre em elementos 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Acórdão : 10630.000057/94-27 : 202-09.805 fornecidos pela reclamante ou retirados de sua contabilidade. Lá também questionei a oportunidade da apresentação da Tabela 'Movimento Estoque 1989" somente na fase recursal, sem justificativa plausível para ter sido negada em todas as oportunidades de defesa anteriores, de modo que a mesma fosse apreciada e considerada pela fiscalização e pela autoridade monocratica. A alegação de que as saídas consideradas pelo fisco são só aquelas obtidas de notas fiscais (alínea g) depõe contra a contribuinte em todos os sentidos que ela pretende dar, posto que nenhuma saída externa pode dar-se sem a competente emissão da nota fiscal. Está claro, que neste item incluem-se todas as saídas sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido de clientes. No tocante ao que se alega nas alíneas "a", "h" e "c", entendo que as quebras de produto cheio, e o consumo interno foram considerados nos percentuais de 5% e 8%, utilizados pela autuação, não importando o fato de não terem sido incluídos no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Quanto as alegações de que não sabia que poderia retificar seus dados nas fases processuais anteriores, de que a prova que não fez perante à autoridade a quo é a tabela que ora apresenta e que o fisco não comparou os dados apurados com sua declaração do imposto de renda, entendo tratar-se de argumentos protelatórios, pelo que os considero desnecessários neste passo, em que todos elementos motivadores da exigência tributaria foram amplamente debatidos. No tocante as ementas de acórdãos transcritos pela apelante, não se prestam ao fim colimado, o primeiro por se tratar de caso diverso, em que a auditoria de produção culminou com valores irrisórios, que se confundiam com os valores das perdas admissíveis, e o segundo, por se referir a lançamento de 1RPJ. No caso do IPI, a presunção legal da omissão de receitas apurada em auditoria de produção está amparada na norma contida no artigo 343, §1° do RIP1182. Por tudo que se depreendeu dos dados analisados, o critério adotado pela fiscalização, com as devidas informações técnicas fornecidas pela contribuinte na determinação das quantidades obtidas, fundam-se em elementos que servem, por eles mesmos, para descrever com propriedade as reais quantidades produzidas, nos exatos termos em que foram consideradas. Neste particular, entendo que a decisão recorrida é irreparável. DA MULTA DE OFÍCIO - RETROATIVIDADE BENIGNA Tendo em vista a superveniência da Lei no 9.430, de 27.12.96, cujo artigo 45 deu nova redação ao inciso I do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 (matriz legal do inciso II do 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 artigo 364 do RLPI./82), reduzindo a multa de o ficio nele prevista para 75%, entendo que referida redução deve ser aplicada ao caso presente, por força do disposto no artigo 106, inciso II, Alínea "c" do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA - TRD Por fim, quanto A exigência da TRD, entendo que a mesma é indevida no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, conforme farta jurisprudência firmada neste Conselho, tendo em vista que a Lei n° 8,383/91. pelos seus artigos 80 a 87, ao autorizar a compensação ou a restituição dos valores pagos a titulo de encargos da TRD, instituidos pela Lei n° 8.177/91 (artigo 9°), considerou indevidos tais encargos, e ainda, pelo fato da não aplicação retroativa do disposto no artigo 30 da Lei n° 8.218/91, devendo ser mantida a sua cobrança a partir de 30.07.91, quando foram instituidos os juros de mora equivalentes A TRD pela Medida Provisória n° 298/91, em 29.08.91, convertida, com emendas, na Lei n° 8.218. Ademais, a própria Secretaria da Receita Federal já reconheceu a improcedência da exigência da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 (Instrução Normativa SU n° 032/97). Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso, para: excluir da exigência as parcelas correspondentes às glosas das reduções de aliquotas nas saídas dos produtos Limão ou Soda Limonada, Sukita e Guaraná, todos da marca Brahma; reduzir a multa de oficio de 100% para 75%; e excluir da exigência a parcela da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 . Sala 1as Sessões, em 29 de janeiro de 1998 TARASIO CA1VIPELO BORGES 13
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