Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.722415/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS.
Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, a efetiva receita de suas vendas, bem como a sua devida tributação, não há o que se exigir de omissão.A diligência confirmou as alegações do contribuinte.
A Eventual contabilização equivocada não constitui fato gerador de tributo, e não tem o condão, por si só, de caracterizar omissão de receitas, especialmente quando o contribuinte respalda a sua contabilização com os documentos fiscais correspondentes.
Numero da decisão: 1401-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS. Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, a efetiva receita de suas vendas, bem como a sua devida tributação, não há o que se exigir de omissão.A diligência confirmou as alegações do contribuinte. A Eventual contabilização equivocada não constitui fato gerador de tributo, e não tem o condão, por si só, de caracterizar omissão de receitas, especialmente quando o contribuinte respalda a sua contabilização com os documentos fiscais correspondentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.722415/2012-16
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946110
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.049
nome_arquivo_s : Decisao_19515722415201216.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515722415201216_5946110.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7562026
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417068961792
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-23T16:19:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-23T16:19:23Z; Last-Modified: 2018-12-23T16:19:23Z; dcterms:modified: 2018-12-23T16:19:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:10171ffb-d014-42be-be6b-60a65f556ed6; Last-Save-Date: 2018-12-23T16:19:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-23T16:19:23Z; meta:save-date: 2018-12-23T16:19:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-23T16:19:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-23T16:19:23Z; created: 2018-12-23T16:19:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2018-12-23T16:19:23Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-23T16:19:23Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.063 1 6.062 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722415/201216 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401003.049 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ e REFLEXOS Recorrentes ELANCO SAUDE ANIMAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS. Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, a efetiva receita de suas vendas, bem como a sua devida tributação, não há o que se exigir de omissão.A diligência confirmou as alegações do contribuinte. A Eventual contabilização equivocada não constitui fato gerador de tributo, e não tem o condão, por si só, de caracterizar omissão de receitas, especialmente quando o contribuinte respalda a sua contabilização com os documentos fiscais correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 15 /2 01 2- 16 Fl. 6063DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e a Contribuição para o PIS, além de multa, lavrados para formalização e exigência de crédito tributário conforme tabela abaixo indicada: TRIBUTO: VALOR: IRPJ R$ 19.445.712,86 CSLL R$ 7.009.096,63 PIS R$ 1.285.001,04 COFINS R$ 5.918.792,71 A decisão da DRJ promoveu alterações no lançamento, conforme tabela abaixo: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou omissão de receitas – (“a partir da análise da Contabilidade e a DIPJ/2008, ano calendário 2007, foi constatado que havia um grande disparate entre os valores das Receitas informadas pelo contribuinte, em 31/12/07, na Demonstração do Resultado do Exercício/ Receitas/Receitas Brutas de Vendas e Serviços (conta 3.30101_3.01.01, com lançamentos a Débito de R$ 18.589.509,61, a Crédito Fl. 6064DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.064 3 R$ 167.538.404,89 e Saldo Credor de R$ 148.948.895,28) e os valores das Receitas declaradas na sua DIPJ”). Segundo informações nos autos, declarou o contribuinte “que as diferenças de Descontos s/ Vendas desse item foram contabilizados erroneamente e que fez um acerto contábil de R$ 16.034.702,46 em 21/12/07”. Segundo a autoridade fiscal, os abatimentos Contábeis, “de que tratam as subcontas Contábeis DESCONTOS sem VENDAS DE MERCADORIAS 4 500086 3.01.02.08, com lançamento a debito, em 31/12/2007, de R$ 80.012.792,46, segundo a empresa aplicados sobre as VENDAS BRUTAS A TERCEIROS 4 500001_3.01.01.01", com lançamento a crédito, em 31/12/2007, de R$ 162.016.113,93, não tem qualquer base legal, uma vez que as Notas Fiscais emitidas não continham deduções a titulo de descontos incondicionais”. Tais valores foram abatidos/descontados indevidamente das VENDAS BRUTAS A TERCEIROS, quais sejam: i. “os Abatimentos/Descontos indevidos de R$ 16.034.702,46, que somado ao descontos legais e aceitos de R$ 1.836.623,46, somaram R$ 17.871.325,92, lançado a débito das Vendas Brutas a Terceiros”; ii. “os Abatimentos/Descontos Indevidos de R$ 61.844.149,03, contabilizados até novembro/07, ambos no total de R$ 77.878.851,49, conforme "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS e REDUÇOES ANEXO ao TVCF", de fls. 01de02 e 02 de 02, caracterizamse como Omissão de Receita”. Ciente da autuação em 26/11/2012, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 21/12/2012 (fl. 657/693), na qual alegou em síntese: 1. Alega que “possui políticas comerciais, as quais estabelecem condições especiais de preços. No decorrer do procedimento fiscalizatório foram apresentadas as políticas de descontos (por exemplo, a Instrução Normativa 80.00 2 Doc. 02 e também campanhas de vendas)”; 2. Afirma que “adota políticas comerciais diferenciadas para grandes clientes. São oferecidos descontos agressivos para produtos cujos prazos de vencimento fossem inferiores a 6(seis) meses. A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preços”; 3. Diz que “os descontos eram negociados antes da emissão das notas fiscais de modo que o preço já era líquido dos abatimentos. As notas fiscais apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos. Por exemplo, um produto de R$ 100,00, vendido por R$ 90,00, a nota fiscal apresentava o valor de R$ 90,00, mas em virtude dos sistemas contábil da impugnante (SAP) foram escriturados os seguintes Fl. 6065DF CARF MF 4 valores: débito de R$ 90,00 na conta clientes e débito de R$ 10,00 na conta de desconto (conta redutora da receita bruta). A contrapartida foi um lançamento a crédito em conta de receita de venda no montante de R$ 100,00”; 4. DA NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA NORMA INFRINGIDA E A DISCREPÂNCIA DOS FUNDAMENTOS COM A CONCLUSÃO: “A Fiscalização aponta que a impugnante apontou o artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 e os artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Ela apenas alega que as regras contábeis teriam sido inobservadas pela impugnante, entretanto, em momento algum menciona o dispositivo contábil infringido, tampouco fundamenta a alegação”; 5. Diz que “o artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 que, verificada a omissão de receita, a autoridade deverá lançar o imposto. No caso analisado a Fiscalização não demonstrou a ocorrência da omissão de receita. Portanto, inaplicável este dispositivo”; 6. Afirma que “o artigo 251 e parágrafo único estabelece que a pessoa jurídica deve manter a escrituração com a observância da legislação comercial e fiscal. A escrituração da Impugnante ocorreu em conformidade com a legislação comercial e fiscal, bem como contemplou todas as operações”; 7. Diz que “não identificou a norma que teria infringido em virtude da citação genérica dos dispositivos legais, completamente dissociados dos fatos descritos”; 8. Aduz que “no artigo 50, parágrafo 1°, da Lei n° 9.784/1999, o AI deve descrever, detalhadamente, os motivos de fato e de direito que embasam a autuação. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, incluindo a citação das normas legais infringidas”. 9. DA DECADÊNCIA. Diz que “o PIS e a COFINS são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário desses tributos é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional ("CTN)". 10. Afirma que “embora os Autos de Infração considerem que os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorreram em dezembro de 2007, no "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS E REDUÇÕES_ANEXO" ao TVF, a Fiscalização apresenta os valores das receitas supostamente omitidas nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007”. 11. Da Inocorrência de omissão de receita. Aduz que “a divergência entre os valores de Receita de Vendas e o montante declarado em DIPJ referiase a descontos/abatimentos concedidos aos clientes da impugnante, antes da emissão das notas fiscais, suportados em Políticas Internas de Concessão de Descontos, bem como em Campanhas de Vendas”; Fl. 6066DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.065 5 12. Diz que “tais descontos são decorrentes de políticas que objetivam aumentar as vendas. A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preço agressiva para a venda de tais produtos. Os descontos/abatimentos oferecidos em face do valor de lista eram negociados antes da emissão das notas fiscais, de modo que o preço acordado entre as partes já era líquido dos descontos oferecidos, isto é, as notas fiscais de venda, em todos os casos, apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos em face do preço de lista”; 13. Afirma que “o valor efetivamente praticado na venda era o preço de lista dos produtos, sendo realizados lançamentos contábeis em conta de desconto, correspondente à redução de preço concedida ao cliente, de modo que, ao efetuar um encontro de contas, o valor efetivamente recebido pela impugnante, e registrado em sua contabilidade, a título de receita de venda de seus produtos, corresponde ao valor da transação comercial após a concessão do desconto/abatimento”; 14. Diz que “o valor de R$ 77.878.851,49, base de cálculo da exigência, está vinculado a 12.000 notas fiscais de vendas de produtos diversos, produzidos e comercializados pela impugnante. A impugnante selecionou uma amostra representativa das 12.000 notas fiscais envolvidas na autuação, cujo tamanho entende ser suficiente para inferir, com segurança, a inexistência de omissão de receita, no caso concreto”; 15. Esclarece que “o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (item (ii) desta impugnação e mencionado no item a, fl. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. O sistema, equivocadamente, considerava como receita bruta de vendas valores superiores aos efetivamente praticados”; 16. DA INEXISTÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL QUE AUTORIZA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Afirma que observou as normas contábeis. “O fato de o sistema contábil ter sido parametrizado para escriturar os valores de lista dos produtos e não os efetivamente realizados nas operações de venda, sendo o ajuste realizado mediante escrituração contábil do desconto é prática reiterada adotada pelas empresas”; 17. Diz que “própria Receita Federal já se pronunciou no sentido de que a "forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte (...) e a repartição só a impugnará se a mesma omitir detalhes indispensáveis à determinação do verdadeiro lucro", conforme exposto no Parecer Normativo n° 347/97”; 18. Afirma que “Fiscalização não observou que o Lucro Operacional e o Lucro Bruto escriturados nos balanços apresentados à JUCESP, constantes do doc. 04 do TVF e os declarados na DIPJ são consistentes”. Fl. 6067DF CARF MF 6 19. Diz que “em relação à diferença percentual de 0,09 entre o Lucro Operacional declarado na DIPJ e o constante no Balancete, a impugnante esclarece que decorre da estruturação de seu plano de contas, destacando que o Lucro Líquido apurado é o mesmo. O conceito de Lucro Operacional e de Lucro Bruto adotado para a contabilidade foi o mesmo daquele declarado na DIPJ”; 20. Aduz que “a Fiscalização analisou os extratos bancários de todas as contas de bancos e identificou a origem de todas as entradas. Não há um indício que permita desconfiar da prática de omissão de receita”; 21. Afirma que “o artigo 283 dispõe sobre a falta de emissão de nota fiscal ou a emissão em valor inferior ao da operação. Mencionado artigo visa a exigência de tributos nos casos em que as empresas emitem notas fiscais (ou sequer emitem) com valores inferiores aos recebidos pelas vendas dos produtos ou serviços. Pela análise do artigo 283, a autuação fiscal é descabida”; 22. Argumenta que “em virtude da falta de adequada fundamentação dos AI, e na hipótese de a Fiscalização ter entendido pela ocorrência de subfaturamento, pelo fato de as vendas não terem ocorrido pelo valor de lista, tal acusação seria completamente descabida. Isso porque, a Impugnante tem políticas comerciais que possibilitam a redução do preço de venda dos produtos. O valor efetivo da operação é o constante da nota fiscal, que corresponde ao recebido pela impugnante. Logo, não há que se falar em omissão de receita, subfaturamento ou qualquer outra hipótese que possa caracterizar a ocorrência de tal prática”; 23. Diz que “a desconsideração das despesas dedutíveis a serem abatidas na formação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mais especificamente as despesas com o PIS e a COFINS lançados. A Fiscalização não efetuou o recalculo do valor do lucro líquido marco inicial para a apuração do IRPJ e da CSLL considerando as despesas com o PIS e a COFINS e com os juros de mora apurados na mesma ação fiscal. Ao lavrar os AI com base na suposta omissão de receitas, a Fiscalização lançou valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sendo que, estes últimos, somam um valor de R$ 10.652.249,81 (valor do principal e juros de mora dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL)”; 24. Afirma que “a falta do abatimento da despesa com o PIS e a COFINS, bem como dos respectivos juros de mora, implica em violação ao artigo 37 da Constituição Federal. O art. 2o , parágrafo único, inciso IV, da Lei n° 9.784/99, que estabelece a atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, é atribuído à Administração Pública, em atendimento ao princípio da moralidade”; 25. DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE NEGATIVA DA CSLL: Diz que a Fiscalização considerou outros elementos essenciais, tais como: (i) “a desconsideração do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL apurados no anocalendário de 2007 (Doc. 9 Fichas 12 e 17 da DIPJ)”; (ii) “falta de compensação do Lucro Real e da base de cálculo da Fl. 6068DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.066 7 CSLL, em até 30% (trinta por cento), com o saldo de Prejuízo Fiscal ("PF") e de base negativa de CSLL ("BNCSLL") escriturados em 31 de dezembro de 2006 (Doc. Parte B do LALUR e Ficha 61 da DIPJ)”; (iii) “a existência de saldo negativo de IRPJ (Doc. 9 Ficha 12 da DIPJ).” 26. DA DEDUÇÃO DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR ("PAT"). Afirma que “a Fiscalização deixou de deduzir do IRPJ supostamente devido os valores decorrentes do PAT. De acordo com o artigo 581 do RIR/99 as despesas com o PAT são dedutíveis do IRPJ”; 27. DO artigo 142 do CTN. Aduz que “a Fiscalização cometeu evidentes equívocos na composição dos valores de IRPJ e CSLL. Tal conduta infringe o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Como a matéria tributável para fins do IRPJ e da CSLL foi apurada em desacordo com a legislação, constatase que os supostos créditos tributários constituídos não são líquidos, ou seja, não tiveram os seus valores devidamente apurados”; 28. Da multa qualificada. Afirma que “a multa de 150% só pode ser aplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, ou seja, condutas dotadas da intenção de lesar o Fisco”; 29. Da impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Aduz que “pela análise do art.13 da Lei n° 9.065/95 e do artigo 84, da Lei n° 8.981/95:, verificase a aplicação de juros apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal, inexistindo qualquer previsão legal para o cômputo dos referidos juros sobre a multa de ofício lançada”; 30. Afirma que “a incidência de juros deve ser sobre o valor do tributo e não sobre a incidência de juros sobre a multa de lançamento”; 31. Da Diligência. “Com respaldo no disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 a impugnante requer a realização de diligência, para que se comprove o equívoco na determinação da suposta exigência materializada nos AI ora impugnados”. 32. Requereu o recebimento da impugnação para reconhecer a nulidade dos AIs, declarar a improcedência parcial dos autos de infração do PIS e COFINS, no mérito (reconhecer a inocorrência de omissão de receita, declarar a iliquidez dos créditos de IRPJ, CSLL, e o cancelamento da multa qualificada). 33. Subsidiariamente, na hipótese de manutenção da autuação, requereu o afastamento da aplicação de juros sobre a multa. O Acórdão ora Recorrido (1257.683 15ª Turma da DRJ/RJ) recebeu a seguinte ementa: Fl. 6069DF CARF MF 8 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange às garantias do contraditório e da ampla defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser inferido o pedido de diligência, quando esta se revela prescindível para a instrução do processo e solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS. Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, parte dos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, cumpre exoneralo desta parcela da autuação. APROVEITAMENTO DO PREJUÍZO FISCAL DO PERÍODO. Não tendo o fiscal autuante computado o prejuízo fiscal do período, no cálculo dos tributos devidos, cumpre ao julgador fazêlo na fase contenciosa, retificando, assim, a base tributável. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 PIS. COFINS. ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO O período de apuração relativo ao PIS e à COFINS é mensal. Cancelase A autuação que tomou por base a apuração anual destes tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Afastase o agravamento da multa de ofício para 150%, quando não restam nos autos provas caracterizadoras do evidente intuito de fraude. Neste caso, a multa deve ser reduzida para 75%. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que esta se inclui no conceito de débito para com a União (art. 161 do CTN c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 6070DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.067 9 Isto porque, conforme entendimento da Turma julgadora, “não tem sentido a afirmação de que os elementos de fato citados pela Fiscalização não constam da legislação como presunção de omissão de receita e não indicam sequer a existência de um único indicio de omissão de receita. O lançamento da omissão de receitas não se baseou em nenhuma presunção, mas o fato de que os valores de receita que constam da contabilidade serem superiores aos valores declarados na DIPJ/2008, não sendo aceitos os abatimentos/descontos apresentados pelo contribuinte na sua escrituração. Além disso, se houve ou não omissão de receita é assunto de mérito, ou seja, que pode resultar na procedência ou na improcedência do auto e não de nulidade”. Diz que “o contribuinte apresenta uma série de notas fiscais onde pretendo comprovar que os descontos constam das notas fiscais e são incondicionais. A interessada alega que apresentou apenas uma amostra dos documento. Porém, há que se esclarecer que a amostragem é uma técnica válida para selecionar documentos no âmbito da fiscalização, contudo tal técnica não é válida no âmbito do julgamento, onde o contribuinte deve apresentar todas as provas relativas àquilo que ele pretende comprovar. Na verdade, todas as defesas devem ser apresentadas na defesa, sob pena de preclusão, conforme dispõe o art.300 do CPC (Princípio da eventualidade). Do conceito de amostragem resulta que o método leva a um juízo de possibilidade e não ao juízo de certeza que é imperativo da verdade material”. Com relação à multa qualificada aplicada no percentual de 150%, afirma que “o art. 44 da Lei nº 9430/96, com nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007, dispõe sobre as multas nos lançamentos de ofício. O inciso I prevê que a multa será de 75% para os casos de lançamento de ofício. Porém, nos casos de evidente intuito de fraude definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a multa é duplicada, perfazendo o total de 150% , conforme previsão do § 1º deste dispositivo”. Nesse sentido, concluiu a Turma julgadora em dar provimento parcial à Impugnação, para com relação ao IRPJ e à CSLL, exonerar na base de cálculo, o valor dos descontos comprovado no montante de R$ 1.255.213,00. O valor remanescente para o IRPJ foi de R$ 18.603.978,82. O valor remanescente para a CSLL foi de R$ 6.706.072,37, e exoneração de todo PIS e de toda COFINS. Ciente da decisão do Acórdão em 15/10/2013 (fls. 1954) o interessado interpõe Recurso Voluntário (fls. 1956/1988), trazendo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às fls. 657/693 dos autos, modificandose apenas nos seguintes argumentos: 1. 3.2.1 Da Inocorrência de omissão de receita: Afirma que “sobre o valor de R$ 61.982.128,71, a divergência entre os valores contabilizados em conta de Receita de Vendas e o montante declarado em DIPJ referese a descontos/abatimentos concedidos aos seus clientes antes da emissão das notas fiscais, suportados em Políticas Internas de Concessão de Descontos, bem como em Campanhas de Vendas. Tais descontos são decorrentes da adoção de políticas comerciais diferenciadas para grandes clientes3, em virtude do volume das vendas. Nas campanhas de vendas, os descontos objetivam aumentar as vendas em períodos favoráveis ao consumo dos produtos”. Fl. 6071DF CARF MF 10 2. “Tendo em vista a fundamentação da r. decisão recorrida, quanto à ausência de omissão de receita no caso concreto, bem como em decorrência da aplicação do Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta, com o presente recurso, a totalidade da documentação comprobatória, relacionada aos R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos, tomados como base para a autuação que originou o presente processo administrativo”. 3. “O registro contábil em conta de Receita (conta n° 500001) foi no valor de R$ 123.007,09 (cento e vinte e três mil, sete reais e nove centavos)6. Como em momento que antecedeu a concretização da venda, em virtude das políticas comerciais, descontos/abatimentos foram concedidos, tais descontos/abatimentos tiveram (como foram) que ser escriturados. Neste cenário, a escrituração contábil da venda teve como partida lançamentos a débito, um na conta de Ativo n° 210000 (Devedores por Duplicatas Clientes), no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais e trinta e seis centavos), correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), correspondente ao desconto/abatimento concedido à Avipal”. 4. “O recebimento dos valores relacionados a nota, no valor de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Recorrente com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor”. 5. Colacionamse ao recurso, tabelas (planos de contas) para demonstrar a dinâmica dos lançamentos contábeis. 6. Anexa os livros de Registro de Saída e extratos bancários, para comprovar a contabilização dos montantes vinculados à totalidade das notas fiscais objeto de autuação. 7. Deste modo, a Recorrente “entende ter demonstrado o critério contábil utilizado para o registro de suas operações e comprovado a inocorrência de omissão de receita no presente caso, no valor de R$ 61.982.128,71”. 8. Ainda, em relação ao registro de suas vendas, “a Recorrente esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal”. Fl. 6072DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.068 11 9. Às fls. 1974 do seu recurso, apresenta tabelas de composição do valor de registrado na contabilidade. Desta forma, afirma que “o erro do sistema que levou a distorções no registro da receita bruta da Recorrente, objeto de autuação, foi justamente duplicar o valor da nota fiscal de venda. Logo, entende a Recorrente que restou demonstrada a inexistência de omissão de receita, pois, em verdade, o desconto registrado decorreu do computo em duplicidade do valor da nota fiscal na sua contabilidade”. 10. “A Recorrente complementou seu recurso voluntário (fls. 3412) com razões adicionais que visariam ratificar o cancelamento de parte da autuação pela DRJ, bem assim tecer considerações adicionais a respeito da desqualificação da multa de ofício”. 11. Requereu o recebimento do presente Recurso Voluntário, para seu total provimento a fim de que: (i) seja reconhecida a nulidade dos AI’s; (ii) seja reconhecida a inocorrência de omissão de receita; (iii) seja reconhecida a inexistência de base legal para infração de omissão de receitas; (iv) na remota hipótese de manutenção da autuação, seja afastada a aplicação de juros sobre a multa. Às fls. 3448 resolução de nº 1401000.317 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, em virtude do grande volume de provas acostados aos autos no Recurso Voluntário, para: 1. “Por amostragem, validar a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais”; 2. “Intimar novamente a recorrente, levando em consideração as provas trazidas na fase impugnatória e recursal, bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade a uma investigação mais aprofundada em relação a real existência aos descontos incondicionais constante em notas fiscais”; 3. “Considerar os descontos como ocorrido, quando constar na nota fiscal original em campo de observação, como foram os casos acolhidos pela DRJ na amostragem feita pelo contribuinte na fase impugnatória”; 4. “Por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Tentar produzir, se for possível, alguma documentação vinda de terceiros não relacionados que dê veracidade à tese do contribuinte (emails, correspondências etc)”; Fl. 6073DF CARF MF 12 5. “Dentro desse mesmo contexto, esclarecer melhor a duplicidade produzida pelo sistema de informática que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando em consideração as novas provas trazidas em sede recursal”; 6. “Tecer considerações adicionais que reputar necessárias para o perfeito deslinde do caso”; 7. “Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ/Reflexos”. Às fls. 3485/3495 dos autos – RELATÓRIO FISCAL. onde o diligente concluiu de forma desfavorável ao Recorrente que: E segue quanto aos demais pontos: Fl. 6074DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.069 13 Às fls. 3499/3522 dos autos – PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE – ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS. Às fls. 5285 dos autos – PETIÇÃO DE MENIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE reiterando os documentos relacionados à totalidade das notas fiscais componentes da autuação, nos termos da impugnação administrativa e do recurso voluntário. Aduz ainda que o diligente não cumpriu a diligência nos seus exatos termos, e conduziu suas razões em conclusões equivocadas. Outrossim, conclui pedindo que: Fl. 6075DF CARF MF 14 Às fls. 5342 dos autos consta nova– CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA (RESOLUÇÃO DE Nº 1401000.463 – da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), para: 1. Por amostragem, validar a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais, tal qual a DRJ fez, sem precisar que o desconto esteja expresso na nota fiscal. Ou seja, em tese a prova contábil e fiscal seria no caso aceita para provar o desconto. Caso a amostra esteja 100% correta, parar a investigação. Caso haja Fl. 6076DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.070 15 discrepâncias significativas, haverá necessidade de cobrir todo o universo objeto da autuação. 2. Se houver dúvidas quanto ao item um, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. 3. Dentro desse mesmo contexto, revisar a duplicidade alegada pelo contribuinte que teria sido produzida pelo sistema de informática e que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando dessa feita em consideração a premissa aqui aceita (desconto não precisar estar expresso na nota) e as razões expostas na manifestação de inconformidade quanto ao retorno de diligência. Na oportunidade o relator aduziu em sua diligência que: Sem querer fazer um juízo de valor definitivo, adianto desde já que, a partir do conjunto probatório que se apresenta, tenho essa mesma convicção da DRJ, porém o fiscal foi induzido a fazer uma avaliação diferente da que pretendia, quando foi colocado no tópico 3: 3) Considerasse os descontos como ocorrido, quando constar na nota fiscal original em campo de observação, como foram os casos acolhidos pela DRJ na amostragem feita pelo contribuinte na fase impugnatória; A investigação, obviamente tomou outro rumo. Ao invés de dar continuidade ao que a DRJ fez, correlacionar o contábil/fiscal com a nota fiscal e averiguar a coerência da existência do desconto na forma apregoada, a investigação caminhou mais no sentido de saber se existia efetivamente consigado na NF o desconto. Daí porque o autuante não cumpriu o primeiro tópico comandado, que seria investigar a amostra maior trazida no recurso voluntário (200 notas), bem assim o item 4: 1) Por amostragem, validasse a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais; 4) Por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Tentar produzir, se for possível, alguma documentação vinda de terceiros não relacionados que dê veracidade à tese do contribuinte (emails, correspondências etc); Fl. 6077DF CARF MF 16 Às fls. 5378 dos autos – TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL, concluindo que: Às fls. 6055/ 6062 dos autos – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE, afirmando em síntese que: Fl. 6078DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.071 17 Fl. 6079DF CARF MF 18 Outrossim, concluiu que: Fl. 6080DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.072 19 1. “Foi demonstrado e confirmado em diligência que a autuação fiscal decorreu da falta de entendimento dos procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente e não de omissão de receita”; 2. “Tributou pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS as receitas auferidas, conforme comprovado pela robusta documentação apresentada”; 3. E que “evidentemente que a Fiscalização ao confirmar a existência de documentos originais, verificou que os fatos alegados, demonstrados e documentados foram refletidos pela Recorrente de forma consistente na contabilidade”. 4. “Restou comprovada a inocorrência de omissão de receita, de modo que deve ser dado provimento integral ao Recurso Voluntário”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Passo à análise do Recurso Voluntário. Conforme relatado, a autuação foi baseada em dois itens de omissão de receitas: 1) As Deduções de Receitas lançadas pelo contribuinte em 31/12/2007, na Conta 3.01.02.3.01.02 DEDUÇÕES DE RECEITAS, tendo Saldo Devedor de R$ 75.022.984,76. Na subconta contábil Descontos s/Vendas de Mercadorias (4.50.00.86 3.01.02.08) tem Saldo Devedor de R$ 61.844.149,03 (Débito de R$ 80.012.792,46 e Crédito de R$ 18.168.643,43),conforme Balancete de Contas Anual da empresa (fl. 619). Tal valor foi lançado; 2) Além deste valor foi lançado um acerto contábil efetuado em 21/12/2007 o valor de R$ 16.034.702,46. Tal valor se refere a parte do débito de vendas brutas a terceiros de R$ 17.871.325,92, que segundo a fiscalização valor corresponde a descontos/abatimentos de receitas. este sobre vendas não comprovados; Fl. 6081DF CARF MF 20 A infração relativa à omissão de receitas (item 1) foi cancelada parcialmente pela DRJ e submetida a Recurso de Ofício. E a motivação da primeira diligência passou justamente pelo fato de a DRJ ter acatado parcialmente essa infração em função das provas trazidas aos autos pelo contribuinte. O contribuinte trouxe a prova, dado o grande volume, através de uma amostragem e a DRJ entendeu que o momento de trazer toda a prova seria na fase impugnatória, não cabendo trazêla por parte. Cumpre ressaltar que entendo ter sido a DRJ contraditória na medida em que, ao indeferir a diligência requerida pela parte por entender restarem nos autos todas as provas necessárias ao julgamento, acatou apenas em parte a amostragem produzida, por entender que toda a prova já deveria ter sido produzida na impugnação. Ora, não se trata o presente caso de contribuinte que se negou a fazer a prova, pelo contrário, afirmou possuir toda a prova que confirmava na totalidade o que demonstrou por amostragem, tanto que o fez posteriormente. Entretanto, pelo grande volume apresentou prova amostral contundente, e condizente com suas alegações. Desta feita, entendo que, se a DRJ aproveitou a prova por ele produzida, acatando suas razões parcialmente, deveria ter convertido o feito em diligência para confirmar, na totalidade, o que alegou o contribuinte. Tanto assim, que duas diligências foram feitas em sede recursal e, em que pese a primeira diligência tenha enveredado para fundamento diverso do lançamento, a segunda diligência, a meu ver, confirmou o alegado pelo contribuinte. Entretanto, entendo que tal fato restou superado após a realização das diligências em segunda instância. Assim, não vislumbro cerceamento do direito de defesa, e nenhuma causa que inquine o lançamento de nulidade, nos termos do que dispõe o RPAF. Por isso, não acolho as preliminares de nulidade arguídas. No mérito, defende a Recorrente quanto ao primeiro item que a divergência entre os valores contabilizados em conta de Receita de Vendas e o montante declarado em DIPJ referese a descontos/abatimentos concedidos aos seus clientes antes da emissão das notas fiscais, suportados em Políticas Internas de Concessão de Descontos, bem como em Campanhas de Vendas. Que em todos os casos, os descontos/abatimentos oferecidos em face do valor de lista, invariavelmente, eram negociados antes da emissão das notas fiscais, de modo que o preço acordado entre as partes já era líquido de tais descontos, isto é, as notas fiscais de venda, em todos os casos, apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos em face do preço de lista, quando da negociação da transação. Que o sistema contábil da Recorrente é parametrizado para registrar a receita com base no valor de lista dos produtos. Assim, para fins de escrituração da receita no momento da venda, o sistema contábil não considerava, e não considera o valor efetivamente Fl. 6082DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.073 21 praticado na operação com o cliente, mas sim o valor de lista, superior ao montante realmente praticado na operação. Notase, portanto, que o valor contabilizado na conta de Receita de Vendas corresponde ao valor de lista dos produtos e não aos efetivamente praticados na operação e constantes das notas fiscais de venda. Para ajustar, na contabilidade, o valor efetivamente praticado na venda ao valor escriturado em conta de receita, qual seja, o preço de lista dos produtos, foram realizados lançamentos contábeis em conta de desconto, correspondente à redução de preço concedida ao cliente, de modo que, ao efetuar um encontro de contas, o valor efetivamente recebido pela Recorrente, registrado em sua contabilidade a título de receita de venda de seus produtos, corresponde ao valor da transação comercial após a concessão do desconto/abatimento. Frise se, uma vez mais, que tal valor corresponde, inclusive, ao valor das notas fiscais. Para comprovar tal fato, como já relatado, a Recorrente apresentou, junto à impugnação, provas por meio de amostragens, requerendo a realização de diligência para confirmar a totalidade, se necessário. A DRJ negou a diligência mas acatou os documentos apresentados, desonerando parcialmente o item 1. Em sede de recurso a contribuinte apresentou a totalidade dos documentos, requerendo o cancelamento integral do lançamento. Para dirimir a questão o então Relator Cons. Antônio Bezerra converteu o feito em diligência por duas vezes, e na segunda oportunidade requereu: · Por amostragem, validar a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais, tal qual a DRJ fez, sem precisar que o desconto esteja expresso na nota fiscal. Ou seja, em tese a prova contábil e fiscal seria no caso aceita para provar o desconto. Caso a amostra esteja 100% correta, parar a investigação. Caso haja discrepâncias significativas, haverá necessidade de cobrir todo o universo objeto da autuação. · Se houver dúvidas quanto ao item um, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. O diligente, quanto a esse item concluiu que: Fl. 6083DF CARF MF 22 Assim é que concluo que a diligência realizada logrou êxito em confirmar a veracidade e validade das provas apresentadas, razão pela qual entendo que assiste razão ao Recorrente. Em verdade, entendo que a própria amostragem apresentada pelo Recorrente em sede de impugnação seria suficiente ao deslinde do feito. A amostragem é técnica de auditoria absolutamente válida, seja ela produzida pela parte ou pelo fisco, até diante da presunção de boa fé que assiste ao contribuinte. Caso o julgador não se sinta confortável para tomar como absoluta a amostragem, deve ele aprofundar a análise da prova, e determinar a adoção de medidas complementares como a diligência, especialmente quando o contribuinte informa estar de posse da documentação, e toda ela foi apresentada ao fisco. Cumpre ressaltar que tal lançamento decorreu de um trabalho de fiscalização de mais de 02 anos de duração, onde todas as provas foram apresentadas ao agente fiscal, que não concordou o procedimento contábil por ele indicado. Eventual interpretação equivocada da legislação contábil, em que pese a Recorrente defenda a validade dos procedimentos adotados pela empresa, não constituem fato gerador de tributo, não podendo acarretar na exigência de crédito tributário inexistente. Outrossim, a documentação apresentada e as diligências confirmaram serem verídicas as alegações do Recorrente, e todos os valores faturados pela empresa foram efetivamente tributados. Desta feita, acato o resultado da diligência e dou provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, julgando insubsistente o item 01 do lançamento. No que se refere ao segundo item, o Recorrente aduz que, em relação ao registro de suas vendas, que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Fl. 6084DF CARF MF Processo nº 19515.722415/201216 Acórdão n.º 1401003.049 S1C4T1 Fl. 6.074 23 Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal. Tal item também foi objeto de diligência, onde o Relator solicitou que: · Dentro desse mesmo contexto, revisar a duplicidade alegada pelo contribuinte que teria sido produzida pelo sistema de informática e que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando dessa feita em consideração a premissa aqui aceita (desconto não precisar estar expresso na nota) e as razões expostas na manifestação de inconformidade quanto ao retorno de diligência. Em conclusão de diligência, o agente fiscal diz que: Da análise da diligência verifico que, novamente a sua conclusão foi favorável ao Recorrente. O agente diligente não só confirmou que os lançamentos ocorreram em duplicidade, como também confirmou que o ajuste contábil realizado não afetou o valor do lucro líquido. Mais uma vez ressalto que a contabilização entendida como equivocada pelo agente fiscal, por si só, não constitui fato gerador de tributo, especialmente quando a documentação que lhe dá suporte comprova que a Recorrente levou efetivamente à tributação a sua efetiva receita. Fl. 6085DF CARF MF 24 Entendo que também assiste razão à Recorrente, razão pela qual dou provimento ao Recurso para julgar insubsistente tal item. Em resumo, dou total provimento ao Recurso Voluntário, restando prejudicadas as demais razões de mérito e o Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 6086DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003933/2003-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 24/11/1997
DRAWBACK SUSPENSÃO. INSUMOS IMPORTADOS VINCULADOS AO REGIME. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SUA UTILIZAÇÃO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS QUE DEVERIAM HAVER SIDO EXPORTADAS.
Não demonstrada a utilização de insumos importados sob drawback suspensão na industrialização de mercadoria que deveria ter sido exportada sob os auspícios do regime, cabível a exigência integral dos tributos incidentes na importação dos mesmos.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Julgado dia 24/01/2019, no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 24/11/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO. INSUMOS IMPORTADOS VINCULADOS AO REGIME. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SUA UTILIZAÇÃO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS QUE DEVERIAM HAVER SIDO EXPORTADAS. Não demonstrada a utilização de insumos importados sob drawback suspensão na industrialização de mercadoria que deveria ter sido exportada sob os auspícios do regime, cabível a exigência integral dos tributos incidentes na importação dos mesmos. Recurso especial do Procurador provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10384.003933/2003-04
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961599
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.933
nome_arquivo_s : Decisao_10384003933200304.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10384003933200304_5961599.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Julgado dia 24/01/2019, no período da tarde. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7607492
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417078398976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10384.003933/200304 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.933 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DRAWBACK Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CURTUME EUROPA LTDA. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 24/11/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO. INSUMOS IMPORTADOS VINCULADOS AO REGIME. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SUA UTILIZAÇÃO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS QUE DEVERIAM HAVER SIDO EXPORTADAS. Não demonstrada a utilização de insumos importados sob drawback suspensão na industrialização de mercadoria que deveria ter sido exportada sob os auspícios do regime, cabível a exigência integral dos tributos incidentes na importação dos mesmos. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Julgado dia 24/01/2019, no período da tarde. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 39 33 /2 00 3- 04 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10384.003933/200304 Acórdão n.º 9303007.933 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 146/154), admitido pelo despacho de fls. 159/162. Insurgese contra o Acórdão 3201000.616 (fls. 1/8), de 02/02/2011, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 24/11/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO. BASE DE CÁLCULO OBTIDA A PARTIR DE INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO ADIMPLEMENTO. Constatado erro na formação da base de cálculo, em virtude de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário “Pedido de Drawback”, impossibilitada fica a análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento. Em suma, o especial entende que o aresto a quo deve ser reformado, pois restou provado nos autos que houve inadimplemento do drawback, ensejando, em consequência, a cobrança dos tributos e acréscimos legais. Cientificado, o contribuinte não se manifestou acerca do especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. Informa o auto de infração (fl. 13) o seguinte: O importador, por meio da adição n° 3 da DI de n 0 97/10985302, registrada em 24/11/1997, submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão de 1.120 kg de Aduvax ASA, 1.120 kg de Aduvax ROL e 1.120 kg de Aduvax PHS, classificada na Tarifa Externa Comum no código 3403.91.20, por meio do Ato Concessório 004497/0000822, sendo que foi concedido o prazo até 11 de setembro de 1998 para a utilização destes bens no processo produtivo de 17.000 kg Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10384.003933/200304 Acórdão n.º 9303007.933 CSRFT3 Fl. 4 3 de couros bovinos curtidos ao cromo semiacabados "crust", sendo que ao seu término, deveria ocorrer a exportação. Ocorre que findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no art. 342 do RA, resolvese a suspensão, exigindo os tributos devidos conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. O drawback suspensão, modalidade objeto do litígio, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nessa hipótese, o prazo para efetuar a exportação é de um ano, prorrogável por mais um ano, exceção apenas quanto à importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de produção, que gozam do prazo máximo de suspensão de cinco anos. O cerne da questão em comento, como se constata da leitura do relatório transcrito, está centrado na verificação se houve, de fato, descumprimento dos requisitos necessários ao gozo do drawback suspensão. Observase nos laudos técnicos correspondentes à utilização dos insumos Aduvax ASA, Aduvax POL e Arfavas PH (fls. 36/38), que referidos produtos foram importados a fim de serem utilizados na industrialização de couros bovinos tipo crust, cuja exportação havia sido compromissada no ato concessório de drawback objeto da lide. Contudo, as exportações realizadas pela empresa demonstraram que referido regime foi observado apenas de forma parcial, posto que a beneficiária apenas adimpliu com o compromisso de exportar couros bovinos curtidos ao cromo wetblue, não tendo realizado nenhuma exportação de couros bovinos tipo crust. A conclusão decorrente desses fatos é a de que são devidos os tributos incidentes sobre a totalidade das importações dos insumos Aduvax ASA, Aduvax POL e Aduvax PHS, uma vez que os mesmos são específicos para a produção de couros tipo crust, mercadoria esta que, como demonstrado, não chegou a ser minimamente exportada pelo sujeito passivo. Assim, o cálculo dos impostos, demonstrado pela autoridade lançadora às fls. 14/15, limitouse a aplicar a alíquota do II e do IPI sobre o valor tributável dos três insumos (objeto da adição n° 003 da Dl n° 97/10985302 — fls. 29), não tendo sido necessária a realização de qualquer procedimento para levantamento da eventual proporção passível de lançamento, uma vez que o valor tributável é, exatamente, aquele inerente à integralidade de cada insumo adquirido no mercado exterior. Portanto, correta a exação, com as correções materiais (erros de digitação) efetuadas pela decisão da DRJ (fl.129). CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando os termos da decisão da DRJ/FOR (fls. 108/129), de 31/03/2009. É como voto. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10384.003933/200304 Acórdão n.º 9303007.933 CSRFT3 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10384.003933/200304 Acórdão n.º 9303007.933 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000951/2001-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Plano de saúde - prestações pagas com cheque, trazidos aos autos e outras pagas em dinheiro.
Numero da decisão: 2002-000.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Plano de saúde - prestações pagas com cheque, trazidos aos autos e outras pagas em dinheiro.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13770.000951/2001-07
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967434
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.759
nome_arquivo_s : Decisao_13770000951200107.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13770000951200107_5967434.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7629292
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417088884736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000951/200107 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.759 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CARLOS COUTINHO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Plano de saúde prestações pagas com cheque, trazidos aos autos e outras pagas em dinheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 09 51 /2 00 1- 07 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13770.000951/200107 Acórdão n.º 2002000.759 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 157/159) contra decisão de primeira instância (fls. 146/151), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 1999, exercício de 2000, consubstanciado no Auto de infração às fls. 03, 45 e 46, em que o resultado do ajuste anual foi alterado de Imposto a restituir de R$ 8.368,35 (fl. 19) para R$ 1.747,72. 2 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no demonstrativo à fl. 46, versando exclusivamente sobre as seguintes infrações: · “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. O VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE RESCISÃO É TRIBUTÁVEL,EXCETO AVISO PRÉVIO INDENIZADO E 13} (SIC) SALÁRIO, QUE É TRIBUTÁVEL EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. CONSIDERADO O VALOR INFORMADO PELA FONTE PAGADORA.” · “DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA DO VALOR R$568,34 – PELA NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA DO VALOR R$5.472,00 – POR SE TRATAR DE DESPESA COM NÃO DEPENDENTE E E/OU PAGA POR ELE.” DA IMPUGNAÇÃO 3 Cientificado do Auto de Infração em 12/11/2001 (fl. 17), o contribuinte protocolizou impugnação em 23/11/2001 (fls. 01 e 02), em que apresenta as seguintes razões. 4 Em momento algum pretendeu omitir rendimentos ou causar qualquer outro prejuízo ao Fisco Federal. Apenas, por relativa ignorância e por falta de um pouco mais de prática no preenchimento da declaração, cometeu alguns equívocos. 5 Afirma que, na verdade, declarou como rendimentos isentos e não tributáveis os valores constantes de uma Rescisão de Contrato de Trabalho, referentes a saldo de salários, férias vencidas, férias proporcionais e 1/3 de férias, conforme discrimina à fl. 01. Nesse aspecto, reclama que não foi Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13770.000951/200107 Acórdão n.º 2002000.759 S2C0T2 Fl. 4 3 excluído dos rendimentos lançados o aviso prévio indenizado no valor de R$ 5.317,23. Assim sendo, entende que os rendimentos tributáveis totais seriam de R$ 68.965,93, conforme item 4 à fl. 01. 6 No que se refere à glosa do valor de R$ 564,38, anexa recibo em nome de Claudia Curbani Storch, que comprovaria a sua veracidade. 7 Quanto à glosa de R$ 5.472,00, afirma que as referidas despesas sempre foram por ele pagas. Todavia, tratando de plano de saúde de titularidade de terceiro, alega que o contrato do plano foi feito em nome de Helena Maria de Souza Dias, sua cunhada, tendo como beneficiários exclusivos Carlos Guilherme Dias Filho e Adjair Coutinho Dias, seus pais, apenas por facilidades conseguidas por sua cunhada, tais como isenção de carências, redução de preços, etc. nesse ponto, salienta que seu pai sofre do mal de Alzheimer, conforme declaração médica, há mais de cinco anos, ficando totalmente dependente de cuidados de outros, e que devido à situação financeira do contribuinte, desempregado, não tem mais cobertura de plano algum, nem ele nem a família dele. Em virtude do extravio de um dos comprovantes de pagamento, a valor correto das despesas devidamente comprovadas seria de R$ 4.738,12. 8 Ao final, apresenta demonstrativos dos valores que considera corretos, solicitando que lhe seja restituída a quantia de R$ 4.668,14, ali demonstrada, mais atualização legal. DA DILIGÊNCIA 9 A fim de se esclarecerem algumas dúvidas foi proposta diligência com os seguintes encaminhamentos: 9.1.à DEFIC/RJO para que a SAINT MICHEL DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA, CNPJ n.º 64.052.897/000180 (fls. 04, 25 e 55): · informasse quais foram os rendimentos tributáveis efetivamente pagos mensalmente ao impugnante no anocalendário de 1999, inclusive aqueles referentes a rescisão de contrato de trabalho, com as respectivas retenções de imposto de renda na fonte e descontos destinados ao pagamento de previdência oficial. 9.2. após, à DRF/VTA, para que o AUTUADO: · fosse cientificado do resultado da diligência do item 10.1, com abertura de prazo para seu pronunciamento; · providências junto à emitente do recibo à fl. 05 documentação informando quem foi o paciente da consulta médica, juntandose ao processo cópias autenticadas da frente e do verso dos referidos documentos (basta a autenticação por funcionário da Receita Federal); · juntasse documentos adicionais que comprovasse efetivamente que todos os pagamentos as despesas às fls. 08 a 11 correram por sua conta, visto que simples “canhotos” de cheques, que não identificam sequer o nome do banco, nº da conta, agência e o titular, não são suficientes para comprovar os pagamentos alegados pelo contribuinte. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13770.000951/200107 Acórdão n.º 2002000.759 S2C0T2 Fl. 5 4 10 Realizada a diligência, a SAINT MICHEL DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA, CNPJ n.º 64.052.897/00018, informou que pagou salários mensais de R$32.995,56, férias de R$9.1550,08, 13º de R$3.544,82, rescisão de R$11.692,85, previdência de R$1.098,33 e retenção na fonte de R$10.120,81. (fl. 65). À fl. 82, esclareceu que os rendimentos totais sujeitos ao ajuste anual eram de R$53.838,49, com retenção na fonte de R$9.667,71. 11 O contribuinte apresentou esclarecimentos à f. 108 a 110, anexando declaração da cirurgiã dentista à fl. 112 e cópias microfilmadas de cheques às fls. 113 a 123. O contribuinte não se manifestou quando ao resultado da diligência efetuada junto à SAINT MICHEL DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Conforme estabelecido no art. 39, inc. XX do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), o aviso prévio pago por despedida ou rescisão do contrato de trabalho é isento do imposto de renda. DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES. VALORES PAGOS PELO CONTRIBUINTE. PLANO DE SAÚDE E DENTISTA. A dedução de despesas médicas de dependentes com plano de saúde e dentistas, pagas pelo contribuinte, está prevista no art. 8.º , II, “a”, da Lei n.º 9.250/95. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a r. decisão, requerendo a restituição de R$ 4.668,14 mais a atualização legal deduzindo o valor já recebido em 21/11/2011. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 06/01/2012 (fl. 156); Recurso Voluntário protocolado em 17/01/2012 (fl. 157), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica ou Física Decorrentes do Trabalho com Vínculo Empregatício; c) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13770.000951/200107 Acórdão n.º 2002000.759 S2C0T2 Fl. 6 5 A r. decisão revisanda, julgou o pleito procedente em parte. Da autuação sob o título “Omissão de Rendimentos”, a impugnação do autor foi provida. Da dedução de despesas médicas, do valor glosado de RS 564,38, o contribuinte juntou documento e o valor foi restabelecido. Relativamente ao plano de saúde, diz a r. decisão, embora os boletos bancários de pagamento das mensalidades não estejam em nome do contribuinte ou de seus dependentes, entendo que os documentos juntados ao processo são suficientes para pagamento exclusivo de gastos médicos de seus dependentes. Segue adiante a r. decisão, “A cópia autenticada da proposta contratual para adesão ao plano de saúde (fl. 37) demonstra que os únicos usuários são Adejair e Carlos Guilhermes, ambos dependentes do contribuinte, restando claro que a titular Helena Maria de Souza Dias não é usuária do plano. Nesse aspecto, entendo que a declaração de Helena Maria de Souza Dias, de que não pagava o plano de saúde, em conjunto com as cópias microfilmadas dos cheques, é suficiente para comprovar que as seguintes despesas foram pagas pelo impugnante, não havendo provas de que os demais valores foram suportados por Luiz Carlos Coutinho Dias.”. Pois bem, a r. decisão revisanda entendeu que cinco parcelas de pagamento do plano de saúde foram feitas pelo recorrente, são duas pessoas envolvidas nesta relação, ou seja, Helena Maria de Souza Dias (que não é usuária do plano, bem como também não arcava com os pagamentos, embora o plano estivesse em seu nome) e o recorrente que tinha seus pais como usuários do plano. Se o recorrente provou com documentos que pagou cinco prestações e sua cunhada declarou não haver pago nenhuma, concluise que o mesmo tenha pago as outras prestações. O recorrente afirma que as outras prestações pagas, foram em dinheiro. Assim nesta quadra, assiste razão ao recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902604/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.902604/2015-29
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948143
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.528
nome_arquivo_s : Decisao_10680902604201529.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680902604201529_5948143.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7570653
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417136070656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.902604/201529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.528 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 04 /2 01 5- 29 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902604/201529 Acórdão n.º 1301003.528 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902604/201529 Acórdão n.º 1301003.528 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902521/2016-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ
O despacho decisório que não aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório deve-se ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa devendo haver retorno dos autos a DRJ a fim de não haver supressão de instância.
Numero da decisão: 1402-003.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa que não anulavam a decisão e prosseguiam na análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo Conselheiro Sérgio Abelson.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ O despacho decisório que não aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório deve-se ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa devendo haver retorno dos autos a DRJ a fim de não haver supressão de instância.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.902521/2016-87
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967963
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.698
nome_arquivo_s : Decisao_16682902521201687.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16682902521201687_5967963.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa que não anulavam a decisão e prosseguiam na análise do mérito. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo Conselheiro Sérgio Abelson.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7629479
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417161236480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.902521/201687 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.698 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria Compensação Recorrente FURNASCENTRAIS ELETRICAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ O despacho decisório que não aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório devese ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa devendo haver retorno dos autos a DRJ a fim de não haver supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa que não anulavam a decisão e prosseguiam na análise do mérito. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 25 21 /2 01 6- 87 Fl. 323DF CARF MF 2 Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo Conselheiro Sérgio Abelson. Relatório Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16682.902521/201687 Acórdão n.º 1402003.698 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos decidiu afastar a preliminar de nulidade, reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade e, no mérito, não reconhecer o direito creditório pleiteado. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: O contribuinte apresentou o PER/DCOMP nº 32062.62942.310512.1.3.049545 (fls. 98/102), visando a utilização de crédito original, no valor de R$ 20.290.152,05, decorrente de pagamento indevido da estimativa do imposto de renda do mês de março de 2012, código de arrecadação 2362, efetuado no dia 30/04/2012, no valor original de R$ 20.493.053,57. O débito indicado para compensação foi exatamente aquele decorrente do pagamento tido como indevido, ou seja, a estimativa do IRPJ do mês de março de 2012, no valor de R$ 20.493.053,57. Posteriormente, apresentou mais três PER/DCOMP. O de nº 01589.78878.121113.1.7.040760 (fls. 83/87), informando novamente como crédito o pagamento indevido da estimativa do IRPJ do mês de março de 2012, código de arrecadação 2362, efetuado no dia 30/04/2012, no valor original de R$ 20.493.053,57. O débito indicado para compensação foi PIS/Pasep não cumulativo do mês de setembro de 2013, no valor original de R$ 2.737.686,36. O PER/DCOMP nº 03765.12460.141113.1.3.042481 (fls. 88/92), informa também como crédito o pagamento indevido da estimativa do IRPJ do mês de março de 2012, código de arrecadação 2362, efetuado no dia 30/04/2012, no valor original de R$ 20.493.053,57. O débito indicado para a compensação referese a Cofins de outubro de 2013, no valor de R$ 1.376.838,41. O PER/DCOMP nº 03653.72979.250613.1.3.040310 (fls. 93/07), repetindo as mesmas informações sobre o crédito e indicando para compensação débitos das estimativas de IRPJ dos meses de junho e julho de 2012. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico (fls. 103), não foi reconhecido o direito creditório, pois o pagamento encontrase alocado ao débito correspondente. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em 23/03/2017 (fls. 02/06), alegando a tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, pois teria recebido o despacho decisório no dia 21/02/2017. Alega nulidade do lançamento porque o fisco considerou que houve o creditamento por duas vezes, primeiro no PER/DCOMP nº 32062.62942.310512.1.3.049545 e depois nos PERD/COMP nºs 01589.78878.121112.1.7.040760; 03765.12460.141113.1.3.042481 e 03653.72979.250613.1.3.040310, causando a duplicidade de exigência injustificável perante a legislação tributária, não sendo possível a exigência dos valores constantes da r. decisão, vez que foram tributados duas vezes, para o mesmo mês de competência, em desrespeito a expressa disposição legal em contrário. Alega violação ao devido processo legal, com cerceamento de defesa, pois, pela descrição dos fatos, a autoridade julgadora entende ter ocorrido o cometimento de infração, mas não é possível verificar a correlação entre tais fatos e os dispositivos legais que teriam deixado de serem cumpridos. No mérito, alega que na análise da DIPJ verificase que não há IRPJ a pagar relativo ao mês de março de 2012. Entretanto, foi transmitida o PER/DCOMP nº 32062.62942.310512.1.3.049545, na qual se compensa um débito inexistente de Fl. 325DF CARF MF 4 março de 2012. Assim, o crédito do período de apuração de 30/04/2012, foi compensado com o débito inexistente do mesmo período. Em razão disso, transmitiu as outras PER/DCOMPs para compensar o crédito decorrente do pagamento indevido. Por fim, requer que sejam canceladas as DCOMP em referência e que seja declarado nulo o lançamento de ofício. Conforme despacho de folha 111, a autoridade preparadora informa que no sistema SUCOP há registro de que a ciência foi efetivada em 20/02/2017, entretanto não foi possível localizar o registro da imagem do aviso de recebimento (AR) e que o sistema Sief processos foi atualizado com a informação de apresentação da manifestação de inconformidade intempestiva com preliminar de tempestividade. A r. DRJ de Porto Alegre proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Na ausência do Aviso de Recebimento (AR) nos autos, considerase efetivada a ciência da intimação quinze dias após a data da sua expedição, quando, então, inicia se a contagem do prazo de trinta para a apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. O despacho decisório que aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório devese ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF não enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. A utilização do pagamento para a redução da penalidade pelo não recolhimento da estimativa devida e na composição do saldo negativo do anocalendário, não caracteriza o indébito tributário passível de restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta a nulidade do despacho decisório proferido. Segunda a recorrente, não há no despacho decisório as bases legais explícitas que levaram a decisão, e que sua defesa se baseou no que acreditava ser o cerne da questão, ante o risco existente na não apresentação da defesa. Sustenta que a apresentação de manifestação de inconformidade não é suficiente para afastar a ausência de motivação do despacho decisório. No mérito, alega que: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16682.902521/201687 Acórdão n.º 1402003.698 S1C4T2 Fl. 1.113 5 1. Em 30.04.2012, em razão da estimativa mensal pagou o montante de R$20.493.053,57; 2. Verificou que este pagamento foi indevido, em razão da existência de base negativa de IRPJ no montante de R$ 24.572.543,67; 3. Em 31.05.2012, por equívoco, transmitiu a PER/DCOMP Nº 32062.62942.310512.1.3.049545, visado compensar o débito inexistente de março de 2013 com o montante pago indevidamente naquele mesmo mês; 4. Requereu o cancelamento desta PER/DCOMP através do processo nº 166829000.656/201365; 5. Na DCTF referente março de 2012, por equívoco, não foi alocado o crédito de Furnas; 6. Em 2013, resolveu utilizar o crédito de R$ 20.493.053,57, atualizado para R$ 22.306.688,81, da seguinte forma: a. Em 25.06.2013 transmitiu a DCOMP nº 03653.72979.250613.1.3.040310 para compensar débito de R$ 18.303.229,12 de IRPJ, referente a junho e julho de 2012; b. Em 12.11.2013 transmitiu DCOMP retificadora nº 01589.78878.12.11.13.1.7.040760 para compensar PASEP relativo a setembro de 2013 contra crédito verificado na primeira PER/DCOMP; c. Em 14.11.2013, transmitiu a DCOMP nº 03765.12.460.141113.1.3.042481, para compensação da Cofins de outubro de 2013; 7. Quando da apresentação da Manifestação de inconformidade, tentou esclarecer os fatos, reiterando o pedido de cancelamento da primeira DCOMP e a homologação das demais. 8. Houve mero equívoco na transmissão da primeira DCOMP, devendo ser desconsiderada, sendo as demais devidamente processadas; 9. As soluções de consulta internas nº 19/11 e 233/12 resguardariam o procedimento adotado; 10. O Princípio da verdade material demanda que as autoridades fiscais examinem os fatos em sua inteireza; É o relatório. Voto Fl. 327DF CARF MF 6 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINAR Entendo não assistir razão à Recorrente, em relação a nulidade suscitada. A par do quanto sustentado pela Recorrente, consta do r. Despacho Decisório e seu conjunto instrutório todas as informações necessárias para a verificação das razões e motivos da não homologação da compensação pretendida. No presente caso foi proferido um r. Despacho Decisório eletrônico (fls. 103), com toda a instrução e detalhamento de praxe, não se verificando nenhuma anormalidade, falha ou ausência de componente de tal modalidade de decisão que compõe a atual realidade do processo administrativo fiscal federal. Assim decidido por essa turma nos autos do Processo Administrativo n 13603.901353/201061, acórdão nº 1402003.592, relatoria do Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella: DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS UTILIZADOS. NORMA ESPECÍFICA. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 traz norma especial e específica, que confere o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data da entrega da declaração de compensação, para a Autoridade Fiscal apurar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos indicados. Não se aplicam às manobras de compensação, operadas por meio de PER/DCOMP, as regras de caducidade contra a Fazenda Pública previstas nos arts. 150, § 4º, e 173 do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresentase revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurandolhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa. ESTIMATIVA CSLL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OBJETO DE OUTRO FEITO. CONEXÃO. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO MERITÓRIO EM MESMA INSTÂNCIA. Os autos em que se debate o mérito da procedência Auto de Infração referente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa guardam relação de conexão, nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, com o feito em que o contribuinte pleiteia Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16682.902521/201687 Acórdão n.º 1402003.698 S1C4T2 Fl. 1.114 7 crédito formado pelas mesmas estimativas, cujo inadimplemento fora anteriormente constatado pelo Fisco. Sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional, o julgamento da matéria coincidente dos processos conexos deverá ter mesmo desfecho, na mesma instância de jurisdição, sendo medida de higidez e racionalidade processual. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do seu crédito, devendo refutar todas as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação do direito creditório. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. MULTA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A compensação indevida de débitos com crédito não comprovado configura legítimo inadimplemento fiscal e a mora do contribuinte, sendo devida a aplicação de sanção e os acréscimos moratórios Isto posto, afasto a preliminar suscitada. 3. MÉRITO Entendo que o r. acórdão proferido pela DRJ é eivado de vício de motivação. Decidiuse ali com base na premissa de que a multa referente a março de 2012 teria sido mantida na integra nos autos do processo administrativo nº 16682.720878/201304: O processo administrativo nº 16682.720878/201304 trata da exigência do IRPJ e da CSLL em função da dedução irregular de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL relativamente aos anoscalendário 2011 e 2012. No âmbito do referido processo, também houve a exigência da multa isolada decorrente do recolhimento a menor das estimativas do IRPJ e da CSLL. Referido processo encontrase em fase de recurso (embargos de declaração) perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal recurso foi interposto após ter sido proferido acórdão que manteve a exigência da multa isolada em razão do recolhimento a menor das estimativas de IRPJ e CSLL. A exigência da multa isolada decorrente do recolhimento a menor da estimativa de IRPJ relativamente ao mês de março de 2012 restou mantida na íntegra. No âmbito do referido processo, o contribuinte alegou a efetividade do pagamento visando a redução da penalidade pelo não recolhimento da estimativa devida. Além disso, o referido pagamento integrou as parcelas de composição do saldo negativo apurado ao final do anocalendário, utilizado pelo contribuinte no PER/DCOMP nº 40372.860083.050913.1.7.02.9254 para fins de compensação com débitos nele declarados. Ocorre que, ao analisar o voto vencedor proferido nos autos daquele processo, o que se extrai é o cancelamento da referida multa, vejamos a tabela utilizada pela Ilma. Conselheira Eva Maria Los para embasar seu voto: Fl. 329DF CARF MF 8 Isto posto, sob o risco de supressão de instância encaminho voto no sentido da nulidade da decisão proferida pela r. DRJ, determinando o retorno dos autos para que sejam analisados com fundamento no quanto decidido nos autos do Processo Administrativo nº 16682.720878/201304. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.913732/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/01/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.913732/2011-36
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953653
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.514
nome_arquivo_s : Decisao_13888913732201136.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13888913732201136_5953653.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7582755
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417182208000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.913732/201136 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.514 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Recorrente TETRA PAK LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 37 32 /2 01 1- 36 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.913732/201136 Acórdão n.º 3301005.514 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), ante à constatação de que o indébito não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo a nulidade do despacho decisório por não oferecer detalhamento e fundamentação da análise do crédito informado, dificultando sobremaneira o exercício pleno do direito de defesa. Arguiu o então Manifestante que o pedido de restituição decorria de crédito fiscal oriundo de multa de mora paga indevidamente, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea, dado o recolhimento do tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora, anteriormente à entrega da respectiva DCTF e de qualquer procedimento fiscalizatório, nos exatos termos do art. 138 do CTN e de decisões judiciais. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14040.420, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo a caracterização da denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.913732/201136 Acórdão n.º 3301005.514 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.510, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.913719/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.510): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão proferida entendeuse que não caracteriza a denúncia espontânea, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o Contribuinte declarar e recolher o tributo fora do prazo de vencimento, mesmo que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Assim explicitou o entendimento: No caso dos autos, o débito em questão venceu no dia 15/12/1999 e o pagamento intempestivo se deu no dia 16/12/1999, ou seja, antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, que ocorreu exatamente no dia 15/02/2000, dentro do prazo fixado no § 2º, do art. 2º da IN SRF nº 126/98. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontânea de débito pago após o vencimento, mas antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, pois não houve inovação da atividade do contribuinte passível de denúncia espontânea. (...) Portanto, do que restou examinado até agora e partindose do fato in concreto de que o contribuinte recolheu o tributo a destempo e, posteriormente, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.913732/201136 Acórdão n.º 3301005.514 S3C3T1 Fl. 5 4 declarou, dentro do prazo regulamentar da DCTForiginal, o seu débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, a conclusão é da incidência da multa de mora. Diante de todo o exposto, Voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. No presente processo o Contribuinte efetuou o pagamento em 16/12/1999 de DARF no valor de R$ 1.364.824,54 referente à COFINS, apurada em 30/11/1999 e que tinha vencimento em 15/12/1999. O referido débito foi declarado em DCTF e transmitida em 15/02/2000. O Valor recolhido de R$ 1.364.824,54 compõese de valor principal no montante de R$ 1.360.335,44 e de multa de mora no valor de R$ 4.489,10. O Contribuinte, por entender que ocorreu a denúncia espontânea por estes atos praticados, requereu por intermédio de PER/DCOMP, ora em análise, a restituição do valor da multa de mora, ou seja, o valor de R$ 4.489,10. Este é o objeto da presente lide. O instituto da denúncia espontânea está previsto no Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Salientase também a Nota Técnica 01 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, que reconhece o benefício da denúncia espontânea e assim prevê: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Entendo que assiste razão ao Contribuinte pela caracterização da denúncia espontânea, portanto, com direito ao crédito pleiteado. Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.913732/201136 Acórdão n.º 3301005.514 S3C3T1 Fl. 6 5 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, em razão da caracterização da denúncia espontânea. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720411/2011-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13876.720411/2011-29
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5947082
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-000.896
nome_arquivo_s : Decisao_13876720411201129.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 13876720411201129_5947082.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7569625
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417190596608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13876.720411/201129 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.896 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente HERMELINO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 11 /2 01 1- 29 Fl. 82DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$6.720,00. Recibos apresentados sem o endereço do prestador do serviço e beneficiário do tratamento. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Foi quem pagou as despesas médicas aos profissionais. Os recibos foram emitidos conforme a legislação. Todos os pagamentos foram feitos em cheque e em dinheiro. No caso da Dra. Karina, equivocouse ao preencher o recibo em seu próprio nome. No caso do Dr. Celso, este deixou de preencher o nome do paciente nos recibos. Está aguardando os profissionais enviarem a ficha dentária e os prontuários médicos sobre o tratamento. Fica indignado por ter que apresentar mais provas, além das que já apresentou. Não há proibição para pagamento em dinheiro. O lançamento dos recibos, na sua DIRPF, foi feito como manda a legislação. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o pagamento em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e guardar cópias. Requer o cancelamento da glosa. O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13876.720411/201129 Acórdão n.º 2001000.896 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, por falta de endereço no recibo, ou indicação do beneficiário. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação mais clara do profissional foi alegada pelo acórdão de impugnação, mas o próprio Despacho Decisório ao descrever a prática recorrente de dedução desse profissional o aponta como dentista. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Fl. 84DF CARF MF 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13876.720411/201129 Acórdão n.º 2001000.896 S2C0T1 Fl. 4 5 II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) Fl. 86DF CARF MF 6 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36204.000964/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
RESTITUIÇÃO, DOCUMENTAÇÃO INSUFICIENTE. FALTA DE FOLHAS DE PAGAMENTO POR TOMADOR, INCONSISTÊNCIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO, INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO.
Nos pedidos de restituição de valores retidos em nota fiscal de serviços é essencial a apresentação das folhas de pagamento específicas por tomador.
A falta da documentação essencial para a comprovação do direito creditório e a inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigidas para a restituição.
Numero da decisão: 2301-005.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO, DOCUMENTAÇÃO INSUFICIENTE. FALTA DE FOLHAS DE PAGAMENTO POR TOMADOR, INCONSISTÊNCIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO, INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. Nos pedidos de restituição de valores retidos em nota fiscal de serviços é essencial a apresentação das folhas de pagamento específicas por tomador. A falta da documentação essencial para a comprovação do direito creditório e a inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigidas para a restituição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 36204.000964/2007-93
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946732
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.730
nome_arquivo_s : Decisao_36204000964200793.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANTONIO SAVIO NASTURELES
nome_arquivo_pdf_s : 36204000964200793_5946732.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7568753
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417239879680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.234 1 2.233 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36204.000964/200793 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.730 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente VIGSERV SERVICOS DE VIGILANCIA E SEGURANCA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO, DOCUMENTAÇÃO INSUFICIENTE. FALTA DE FOLHAS DE PAGAMENTO POR TOMADOR, INCONSISTÊNCIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO, INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. Nos pedidos de restituição de valores retidos em nota fiscal de serviços é essencial a apresentação das folhas de pagamento específicas por tomador. A falta da documentação essencial para a comprovação do direito creditório e a inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigidas para a restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 4. 00 09 64 /2 00 7- 93 Fl. 2234DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 598/604) interposto em face do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1228.906, (efls 585/590) prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), em sessão de julgamento realizada em 26/02/2010. 2. Para a compreensão do litígio, fazse a transcrição do Relatório1 contido na decisão de primeira instância: Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos em GPS que não foram deduzidos dos débitos 35.776.46.33, 35,776.4641, 35.776.4668 e .35.776.4650, conforme Requerimento de Restituição de Valores Indevidos às fls. 01. 2. De acordo com o despacho de fls. 4852, não foram observados os documentos obrigatórios à formalização do pedido de restituição, tendo em vista que as competências objeto do pedido de restituição fazem parte do período fiscalizado. 3. Conforme informação constante do Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, às fls. 4883, a fiscalização consignou que, a fim de subsidiar futuras averiguações, foi emitida informação fiscal com saldos não utilizados (retenção e GPS). 4. Às fls. 4894 dos autos, o pedido de restituição foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização, para distribuição ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. 5. Consta às fls. 4915 a Informação Fiscal, datada de 27/04/2005, segundo a qual, em ação fiscal seletiva procedida na empresa VIGSERV Serviços de Vigilância e Segurança LTDA, CNPJ n° 36.040.947/000173, abrangendo o período de 08/2000 a 01/2005, foi constatado que parte das retenções sofridas pela empresa na prestação de serviços não foram aproveitadas nas contribuições devidas nem foram objeto de restituição. A fim de subsidiar futuras averiguações, segue planilha com saldo não utilizado (retenção e GPS) no período acima mencionado. Observese que a planilha anexa não inclui a parte de terceiros. Os valores compensáveis/a restituir estão discriminados no VNA anexo6, resultantes da diferença entre contribuição devidas e somatório de GPS, LDC e Retenções. 6. Segundo despacho de fls. 4977, datado de 03/09/2007, foram observados créditos relativos a contribuições não aproveitadas pela empresa, o qual foi objeto de informação fiscal, na qual foi inserida planilha com créditos devidos, em que se reitera o fato de que a empresa faz jus tão somente aos valores apurados e nas competências nela registradas. 7. O julgamento do requerimento foi prolatado em primeira instância através do Parecer SEORT/DRF/VIT n° 1.521, de 24 de outubro de 2007, às fls. 500 a 5018 1 Efls 587/588. 2 Efls 489. 3 Efls 492. 4 Efls 493. 5 Efls 495. 6 Efls 496/500. 7 Efls 501. 8 Efls 504/505 Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 36204.000964/200793 Acórdão n.º 2301005.730 S2C3T1 Fl. 2.235 3 segundo o qual todos os elementos apresentados foram cuidadosamente examinados e considerados à época do levantamento, principalmente os recolhimentos de contribuições, desde que confirmados no sistema. 8. A empresa interpôs recurso, às fls. 505 a 5079, no qual alega, em síntese, o seguinte: 8.1. O presente recurso trata do pedido de restituição relativo ao período de 08/2004 a 12/2004 e que foi considerado pelo parecer SEORT/DRF/VIT como solicitação improcedente. 8.2. De acordo com o mesmo parecer a ação fiscal na empresa, com cobertura do período de 08/2000 a 01/2005, foi procedida com base na documentação apresentada à época e subsidiariamente pelos dados contidos nos sistemas da previdência. 8.3, Que ao término da fiscalização, além dos levantamentos de diferenças devidas, foram observados créditos relativos a contribuições não aproveitadas pela empresa, o que foi objeto de informação fiscal, com a qual a empresa não concorda, pois, de acordo com os dados planilhados pela peticionária, foi verificado que os valores recolhidos pela empresa, mesmo considerando os abatimentos feitos, os saldos credores a favor da empresa são maiores e, portanto, alvo de pedido de restituição. 8.4. Ressaltese que no levantamento dos débitos sequer foram mencionados tais créditos. 8.5. As guias descontadas e que constam nos levantamentos são GPS com código 2100 e 2119, porém os valores das guias recolhidas pela empresa com o código 2631 e 2402, provenientes de retenção de 11%, ultrapassam os valores deduzidos, logo, existe saldo credor a favor da empresa e que não está sendo considerado na análise feita pelo SEORT/DRF/VIT. 8,6, Cabe ainda dizer que dos débitos levantados de n" .35.776.4648 e 35.776,4650, nenhum desconto foi considerado ou abatido, logo, não há que se falar que os créditos da empresa foram considerados. 8.7. A IN SRP n° 03, de 14/07/2005, quando trata de contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, no art. 197, está previsto: Restituição é o procedimento administrativo mediante o qual o sujeito passivo é ressarcido pela SRP, de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social, ou outras entidades e , fundos, observado o disposto no art. 202. 8,8. A fiscalização deixou de abater guias recolhidas pela empresa, conforme poderá ser verificado nos documentos anexados ao recurso. ((ffiimm ddaa ttrraannssccrriiççããoo ddoo rreellaattóórriioo ccoonnttiiddoo nnoo AAccóórrddããoo nnºº 11222288..990066)) 2.1. Seguese o teor da ementa prolatada no acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 9 Efls 509/511. Fl. 2236DF CARF MF 4 RESTITUIÇÃO, DOCUMENTAÇÃO INSUFICIENTE. FALTA DE FOLHAS DE PAGAMENTO POR TOMADOR, INCONSISTÊNCIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO, INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. Nos pedidos de restituição de valores retidos em nota fiscal de serviços é essencial a apresentação das folhas de pagamento específicas por tomador. A falta da documentação essencial para a comprovação do direito creditório e a inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigidas para a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, interpõe recurso voluntário (efls 598/604) deduzindo as mesmas alegações formuladas em sede de manifestação de inconformidade, ressaltando que não foram respeitados princípios basilares do Processo Administrativo Fiscal, e pugnando pelo direito de produção de provas. 3.1. No caso dos autos, junta no recurso, um vasto conjunto de elementos comprobatórios do direito creditório, que se pode sintetizar no quadro a seguir: efls Descrição 607/809 Volume V4 609 Instrumento particular de procuração 610/611 Relação de Cálculo 612/621 Relatório de 10 páginas Faturamento ordenado por notas fiscais 622/808 Notas fiscais de agosto/2004 810/1010 Volume V5 até 936 Notas fiscais de agosto/2004 937/938 Relação de Cálculo setembro/2004 939/948 Relatório de 10 páginas Faturamento ordenado por notas fiscais setembro/2004 949/1009 Notas fiscais de setembro/2004 1011/1213 Volume V6 Notas fiscais de setembro/2004 1214/1414 Volume V7 Notas fiscais de outubro/2004 1262/1263 Relação de Cálculo outubro/2004 1264/1273 Relatório de 10 páginas Faturamento ordenado por notas fiscais outubro/2004 1274 Notas fiscais de outubro/2004 1415/1614 Volume V8 Notas fiscais de outubro/2004 1577/1579 Relação de Cálculo novembro/2004 1580/1589 Relatório de 10 páginas Faturamento ordenado por notas fiscais novembro/2004 1590/1614 Notas fiscais 1615/1826 Volume V9 Notas fiscais 1827/2028 Volume V10 Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 36204.000964/200793 Acórdão n.º 2301005.730 S2C3T1 Fl. 2.236 5 Notas fiscais 1905/1906 Relação de Cálculo DEZEMBRO/2004 1907/1916 Relatório de 10 páginas Faturamento ordenado por notas fiscais DEZEMBRO/2004 até 2027 Notas fiscais (agora, um pouco mais legíveis) a partir das efl 1930 passam a ficar não legíveis 2029/2206 Volume V11 Notas fiscais (muitas não legíveis) 2207/2231 Volume V11 Notas fiscais É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. 5. A questão central para se dirimir o litígio devolvido ao Colegiado se relaciona com o momento e de produção de provas. 6. No caso concreto, o Despacho Decisório (efls 505) aprovara a proposição contida no Parecer SEORT/DRF/VIT n° 1.521, de 24 de outubro de 2007 (efls 504/505) decidindo pela improcedência do direito creditório. 7. Por seu turno, a decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade suscitada, considerando a falta da documentação essencial para a comprovação do direito creditório pleiteado, assim como para se estabelecer a necessária liquidez e certeza para conceder a restituição. 8. O exame acurado dos autos demonstra a higidez da decisão de primeira instância, motivo pelo qual passase a transcrever o inteiro teor do voto nela contido, que se adota como fundamento de decidir: 11. Verificase que a empresa não instruiu o processo com os documentos elencados na própria Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, que a impugnante cita em sua manifestação de inconformidade, a fim de comprovar a certeza e liquidez de seu requerimento, senão vejamos: Art. 201. Os documentos necessários à instrução do processo são os seguintes. (...) IV outros de caráter específico, previstos nos § § 1"a 6" deste artigo. §. 1º Documentos específicos para a empresa ou para o equiparado a empresa: (...) Fl. 2238DF CARF MF 6 VI folha de pagamento e respectivo resumo, relativa a cada competência em que é pleiteada a restituição; 12. Além disso, a empresa alega que as GPS 2631 e 2402, referentes à retenção de 11%, não foram consideradas. Sobre a instrução do pedido referente à restituição de valores retidos, a IN SRP n° 03 exigia a apresentação dos seguintes documentos: Art. 207. Os documentos necessários à instrução do processo de restituição da retenção são os seguintes I Requerimento de Restituição da Retenção RRR, conforme formulário constante do Anexo VIII, disponível na Internet no endereço www.previdencia.gov.br; (...) III original e cópia das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços emitidos pela empresa prestadora de serviços na competência objeto do pedido de restituição, que serão conferidos com os dados registrados no demonstrativo citado no inciso VII; IV original e cópia das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços emitidas por subcontratada; V original e cópia dos resumos das folhas de pagamento especificas, referentes a cada contratante dos serviços e ao setor administrativo da requerente; VI original e cópia do resumo geral consolidada de todas as folhas de pagamento, com o respectivo demonstrativa de cálculo das contribuições sociais e da base de cálculo utilizada; VII demonstrativo das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, elaborado pela empresa requerente, totalizado por contratante e assinado pelo representante legal da empresa, conforme. formulário constante do Anexo IX; VIII original e cópia da GFIP relativa às duas últimas competências anteriores à data do protocolo da restituição, caso as mesmas estejam incluídas no requerimento; IX contrato de prestação de serviço, observado o disposto no § 3º deste artigo; (Nova redação dada pela IN MPS SRP o" 20, de 11/01/2007) X para cumprimento do disposto no inciso lido § 1" do art. 216, a requerente deverá apresentar cópia do último balanço patrimonial e declaração, sob as penas da lei, firmada pelo representante legal e pelo contador responsável com identificação de seu registro no Conselho Regional de Contabilidade CRC, de que a empresa possui escrituração contábil regular. (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) 13. Portanto, como a requerente juntou aos autos somente as cópias das GPS, cópias das NFLD e LDC, segundo as quais não foram apropriados os recolhimentos; "Demonstrativo da Apuração Fiscal x Guias Recolhidas"; e a listagem das guias recolhidas, não dispõe esta autoridade julgadora dos elementos suficientes para avaliar o direito ou não à restituição por parte da requerente. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 36204.000964/200793 Acórdão n.º 2301005.730 S2C3T1 Fl. 2.237 7 14. A referida imposição normativa, antes de ser uma mera formalidade — até porque o caráter instrumental é ínsito às obrigações acessórias, nos termos do art, 113 do CTN — na verdade, tem por escopo, dentre outras coisas, facilitar a análise dos pedidos de restituição das empresas cedentes de mãodeobra, sujeitas à retenção, na medida em que, ao exigir o agrupamento dos segurados em folhas de pagamento por estabelecimento do tomador, possibilita que se examine, em relação àquele contratante, os fatos geradores efetivamente ocorridos em seu estabelecimento; as remunerações percebidas pelos segurados da contratada; e, por via de conseqüência, o total da contribuição devida, o qual será confrontado com o montante da retenção sofrida pela empresa cedente. 15. Desse modo, obtémse, com facilidade, o valor a ser restituído, conferindo, outrossim, maior celeridade ao processo decisório, sem a necessidade de se investigar todos os fatos geradores ocorridos na empresa em relação a todos os seus tomadores de serviço, o que demandaria que se procedesse a uma verdadeira ação fiscal para tal, prolongando, ainda mais, o processamento e julgamento dos pedidos de restituição em andamento. 16. Afinal de contas, nos termos do art. 170 do CTN, o direito à compensação do crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (extensivo, por analogia, aos créditos objeto de restituição) pressupõe a sua certeza e liquidez. A certeza diz respeito à existência do direito creditório, enquanto a liquidez corresponde ao quantum do indébito. Logo, não há como se acolher a pretensão da recorrente "às escuras", sem o razoável grau de convicção exigido pelo ordenamento jurídico, com base, tão somente, nas notas fiscais e nos valores das retenções sofridas, sem se ter qualquer conhecimento acerca dos fatos geradores ocorridos e do valor da contribuição devida em função da prestação dos aludidos serviços. 17. Isto posto, diante da inexistência de elementos comprobatórios, nego provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. 9. Evidenciado que ao tempo do ingresso da manifestação de inconformidade não havia sido feita a anexação aos autos de documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado, não há nenhum reparo a fazer na decisão de primeira instância. 10. Salientese, ainda, que, em relação à prerrogativa de apresentar provas, incide o disposto nos §§ 4º e 5º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não se mostrando cabível a juntada de provas em momento posterior ao ingresso da manifestação de inconformidade, exceto nas situações excepcionais descritas no § 4ª do mesmo dispositivo. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO:: 11. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 2240DF CARF MF 8 Fl. 2241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000153/00-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO SUPERIOR AO SALDO EXISTENTE.
Incabível a compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao dos saldos existentes.
Numero da decisão: 1402-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO SUPERIOR AO SALDO EXISTENTE. Incabível a compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao dos saldos existentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.000153/00-10
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946560
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.588
nome_arquivo_s : Decisao_109200001530010.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 109200001530010_5946560.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7566586
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417249316864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 307 1 306 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000153/0010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.588 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente RPS FOTOGRAFIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO SUPERIOR AO SALDO EXISTENTE. Incabível a compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao dos saldos existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 53 /0 0- 10 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 308 2 Relatório Trata o presente de julgamento de Recurso Voluntário interpostos face v. acórdão que decidiu manter integralmente a exigência descrita no Autos de Infração relativa a compensação a maior de saldo de prejuízo fiscal. O Termo de Verificação Fiscal motivou a autuação da seguinte forma: 1 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — IRPJ. Na DIRPJ/96, ano base 1995, com período de apuração anual, foi informado na ficha 7, linha 30 — R$ 32.056,32 de compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Porém, conforme apurado à luz das • informações contidas nas DIRPJ dos anos calendário 1992_a 1995, o saldo remanescente de prejuízos a compensar totalizava R$ 22.083,90, conforme memória de cálculo no demonstrativo às fls. 05 a 08. A diferença se deve, em parte, à aplicação de índices de correção maiores que os oficiais. O contribuinte corrigiu os saldos existentes em outubro, novembro e dezembro de 1994 a maior, conforme comparativo à fl. 09 e cópias do LALUR, fls. 13 a 15 Feita a devida correção e recalculada a base de cálculo e Imposto de Renda devido, resultou um valor de R$ 21.193,63 de Imposto de Renda devido, que compensado com as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos/balanço de suspensão/redução, apurase o valor de R$ 2.493,10 de Imposto de Renda a pagar. Encerradas as verificações, devolvo neste ato os livros de Apuração do Lucro Real dos anos de 01/01/1992 a 31/1211995. A Recorrente oferece impugnação clamando pelo cancelamento do Auto de Infração. Em seguida a DRJ proferiu v. acórdão negando provimento a impugnação da Recorrente nos seguintes termos: O lançamento decorreu da compensação de prejuízos fiscais em valor superior ao saldo de prejuízos acumulados, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 43/44. Na impugnação apresentada, a contribuinte alega que as informações constantes do termo de verificação fiscal, o saldo remanescente de prejuízos a compensar não confere com o valor apurado no LALUR, sendo correta sua observação, entretanto, se os valores fossem iguais não haveria infração e não existira razão de ser do lançamento. O que a interessada não justifica, são as razões apontadas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal que "A diferença se deve, em parte, à aplicação de índices de correção maiores que os oficiais. O Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 309 3 contribuinte corrigiu os saldos existentes em outubro, novembro e dezembro de 1994 a maior, conforme comparativo à J1. 09 e cópias do LALUR, fls. 13 a 15.". Consta das cópias do LALUR, fls. 13, 173 e 174, que os coeficientes de correção utilizados para os períodos de outubro, novembro e dezembro de 1994 era de 0,0356, 0,0491 e 0,0527, respectivamente, quando os índices oficiais para os períodos seriam de 0,0190, 0,0296 e 0,0225, o que ocasionou a compensação a maior de prejuízos fiscais. Ajustando os saldos pelos índices oficiais de correção e utilizando os mesmos valores de compensação apontados nas declarações de rendimentos e que constam dos controles internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, resultaria na situação a seguir demonstrada, conforme sistema SAPLI: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 310 4 Analisando citado demonstrativo, constatase que no mês de dezembro de 1994, para um prejuízo acumulado no ano calendário de 1993, no valor de R$ 25 232 foi efetuada uma compensação no montante de R$ 30.747, ou seja, foi efetuada unia compensação a maior no valor de R$ 5.515. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 311 5 Para anocalendário de 1995, de um montante de prejuízos acumulados dos anoscalendário de 1991/1994, de R$ 28.816,06 foi compensado o valor de R$ 32056,32, sendo que a diferença de RS 3.240,24 não mais existia. Reclama a interessada, que o prejuízo acumulado dos anos base de 1992 e 1993 não foi somado no saldo remanescente, o que não corresponde a realidade, pois, parte deles foram considerados na compensação a maior no mês de dezembro de 1994, tanto é que não houve lançamento de crédito tributário para esse período, mas tão somente a recomposição dos prejuízos. Assim, levando em consideração o anteriormente exposto, apuramse os dados que deram origem ao lançamento, como se demonstra a seguir: Notase, que efetuadas as correções nas compensações de prejuízos, no anocalendário de 1995, de um montante de R$ 22.062,39 de prejuízos acumulados nos períodos de 1991 a 1994, foi efetuada uma compensação de R$ 32.056,32, ou seja, R$ 9.993,93 a maior, e levando em considerações as diferenças apuradas de arredondamento em razão das metodologias usadas para cálculos, concluise pela correção do lançamento que apurou a compensação a maior de R$ 9.972,42. Isto posto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter a exigência de R$ 2.493,10 de IRPJ, além da multa de oficio e dos juros de mora. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 312 6 Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando que o lançamento decaiu nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10920.000153/0010 Acórdão n.º 1402003.588 S1C4T2 Fl. 313 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, não contraria súmula deste E. Tribunal e preenche os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser admitido e totalmente conhecido. Inicialmente, cumpre ressaltar que a Recorrente não recorreu de nenhum dos fundamentos utilizados no v. acórdão recorrido para manter o Auto de Infração, cingindose apenas em alegar a decadência do direito de a fiscalização lançar de ofício, nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Sendo assim, deixo de analisar a matéria relativa a aplicação incorreta dos índices de correção e passo a verificar a alegação de decadência. A Recorrente apresentou em 1996 a DIRPJ/96 relativa ao ano base de 1995, com período de apuração anual, onde foi feita a compensação do saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores com as antecipações devidas com base na receita bruta de 1995, conforme informado na ficha 7, linha 30 da DIRPJ/96. Desta forma, como o Auto de Infração foi lavrado em 18/02/00 (fl.50) e o fato gerador da compensação só ocorreu no ano de 1995, entendo que não ocorreu a decadência do direito da Receita Federal lançar de ofício o valor do Imposto de Renda a pagar, apurado pela fiscalização, nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Sendo assim, pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço integralmente do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo o Auto de Infração em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726713/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE APURAÇÃO E/OU PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado.
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS NO RECURSO. MEMORIAIS.
Excepcionalmente, conhece-se de arguição apresentada em memoriais quando se trata de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado.
NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. ISENÇÃO FISCAL. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA.
A lei não condicionou às entidades do sistema S ao cumprimento de determinados requisitos para o gozo da ampla isenção fiscal. É irrelevante as entidades do Sistema S serem classificadas ou não como beneficentes de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes (REsp 1430257 / CE, AgRg no REsp 1417601 / SE; REsp 1704826 / RS).
Numero da decisão: 1401-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as argüições de nulidade e decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga E Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE APURAÇÃO E/OU PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS NO RECURSO. MEMORIAIS. Excepcionalmente, conhece-se de arguição apresentada em memoriais quando se trata de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. ISENÇÃO FISCAL. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA. A lei não condicionou às entidades do sistema S ao cumprimento de determinados requisitos para o gozo da ampla isenção fiscal. É irrelevante as entidades do Sistema S serem classificadas ou não como beneficentes de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes (REsp 1430257 / CE, AgRg no REsp 1417601 / SE; REsp 1704826 / RS).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.726713/2016-01
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954482
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.039
nome_arquivo_s : Decisao_12448726713201601.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 12448726713201601_5954482.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as argüições de nulidade e decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga E Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7584056
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417253511168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 12.563 1 12.562 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.726713/201601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.039 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE APURAÇÃO E/OU PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS NO RECURSO. MEMORIAIS. Excepcionalmente, conhecese de arguição apresentada em memoriais quando se trata de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 67 13 /2 01 6- 01 Fl. 12563DF CARF MF 2 SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. ISENÇÃO FISCAL. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA. A lei não condicionou às entidades do sistema ‘S’ ao cumprimento de determinados requisitos para o gozo da ampla isenção fiscal. É irrelevante as entidades do Sistema S serem classificadas ou não como beneficentes de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes (REsp 1430257 / CE, AgRg no REsp 1417601 / SE; REsp 1704826 / RS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as argüições de nulidade e decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga E Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 12564DF CARF MF Processo nº 12448.726713/201601 Acórdão n.º 1401003.039 S1C4T1 Fl. 12.564 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 14066.295 15ª Turma da DRJ/RPO, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade oferecida e improcedente a impugnação interposta, mantendo a suspensão da imunidade e da isenção do IRPJ e da CSLL para o ano calendário de 2011 e mantendo o crédito tributário em litígio. O Recorrente/Sesc, através da publicação do Ato Declaratório Executivo DRF RJ I nº. 872, de 29/11/2016, teve declarada a suspensão “do gozo da imunidade tributária, assim como da isenção tributária do IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2011 para o SERVICO SOCIAL DO COMERCIO SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO DE JANEIRO, CNPJ Nº 03.621.867/000152”, por ter (segundo o fiscal) deixado de prestar de contas, terceirizado suas atividades fins, contratado empresas para realização de projetos fora da sua atividade fim e mantido escrituração irregular. (fls. 9830) Em decorrência do ato de suspensão, foram lavrados os autos de infração em 20/12/2016, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPL e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescidos ainda da multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, e dos juros de mora estipulados no art. 61, §3º, da Lei nº. 9.530/96. Dentro do prazo legal, o Recorrente objetivando manter o seu status de imune/isento apresentou impugnação, alegando em apertada síntese, dentre outros, que: 1) havia operado a decadência do direito em constituir os créditos tributários; 2) há nulidade no Ato Declaratório Executivo e nos lançamentos, visto que a fiscalização ao ser realizada por amostragem não indica com precisão as infrações cometidas (amostras adotadas), bem como ausente Mandado de Procedimento Fiscal vigente à época dos mesmos; 3) há nulidade na constituição dos créditos tributários por omissão na análise das provas e, por fim que; 4) não ocorreram as infrações apontadas pela fiscalização ao art. 14, do CTN. Apreciada a impugnação, a decisão de piso entendeu por manter integralmente o ato de suspensão e a integralidade dos lançamentos tributários, ao afastar a arguição de decadência, ao considerar para o item 1, que o prazo decadencial é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o prazo fatal para constituição dos créditos tributários ocorreu em 01/01/2017, e o contribuinte tomou ciência antes de expirado tal prazo em 22/12/2016; Em referência ao item 2, os julgadores consideraram legal o fato do lançamento ter sido realizado por amostragem, ignorando que no caso concreto paira absoluta imprecisão contra os fatos que sustentam a autuação (quais contratos e períodos) e, consignaram, que o CARF entende, através da sua jurisprudência, que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento; Sobre o item 3, o acórdão apontou que não caberia aos julgadores analisar cada um dos documentos apresentados pelo Recorrente já que ao serem juntados não foram apresentados os argumentos que demonstrassem a sua relevância; Em relação ao item 4, o acórdão apontou supostas irregularidades que afastariam o preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 14, do CTN. Fl. 12565DF CARF MF 4 Inconformada, apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, repisando em suma os argumentos da impugnação, no qual alegou: i) A ocorrência da decadência do direito em constituir os créditos tributários, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; ii) A nulidade da fiscalização e, por conseguinte, do Ato Declaratório Executivo e dos lançamentos, visto que a fiscalização ao ser realizada por amostragem não indica com precisão as infrações cometidas o que obsta o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, bem como ausente Mandado de Procedimento Fiscal vigente à época dos mesmos; iii) A nulidade na constituição dos créditos tributários por omissão na análise das provas; iv) Por fim, ante a não ocorreram das infrações apontadas pela fiscalização ao art. 14, do CTN, visto que comprovado pelo Recorrente a regularidade das contratações já que envolvem os objetivos institucionais da entidade, a regularidade das prestações de contas, bem como a regularidade da escrituração contábil, reiterandose quanto a este último o pedido de diligência in loco para conhecimento e identificação do sistema contábil adotado pelo Recorrente. É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo não tem identificação do seu singnatário, embora no preâmbulo conste que a contribuinte está representada "por seus advogdos infra assinados", ao final da peça recursal constam apenas os dizeres: "Xxxxx", OAB/RJ no. XXXX" Tal situação a princípio poderia dar ensejo ao não conhecimento da peça recursal, por descumprimento ao art. 6o., inciso V, da Lei 9.784/99, contudo, observo que o parágrafo único, deste mesmo dispositivo dá conta de que é vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de documentos, devendo o servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas. Desta maneira, em tendo sido o Recurso Voluntário apresentado sem identificação ou assinatura de seu signatário, cabia a autoridade que o recepcionou, ainda que de maneira eletrônica, orientar o contribuinte quanto esta situação antes de rejeitar o documento. No entanto, observase que tal orientação não aconteceu, tendo a autoridade simplesmente anexado o documento aos autos sem qualquer ressalva, conforme se depreende do Termo de Análise e Solicitação de Juntada de fls. , no qual constou como interessada a Contribuinte, através de seu CNPJ. Neste contexto, entendo como suprida a falta, já que a juntada propriamente dita foi efetuada tendo como interessada a contribuinte através de seu CNPJ. Feitas essas considerações, conheço do Recurso e passo a analisálo. Decadência. Defende a Recorrente que há ocorrência da decadência: os Autos de Infração se referem a fatos geradores ocorridos em 01/01/2011, 01/04/2011, 01/07/2011 e 01/10/2011, e tendo o lançamento sido lavrado somente em 19/12/2016, com a ciência do Recorrente em 22/12/2016, ultrapassado estava o prazo de 5 anos e, portanto, decaído o crédito tributário. Fl. 12566DF CARF MF Processo nº 12448.726713/201601 Acórdão n.º 1401003.039 S1C4T1 Fl. 12.565 5 Conforme ela aponta, ambos os impostos são declarados pelo SESC, seja através da apresentação das DCTFs, seja através da DIRPJ, tratandose, portanto, de tributos sujeitos à homologação, restando sujeitos à regra do art. 150, parágrafo 4o. do CTN O acórdão que rejeitou a impugnação do Recorrente concluiu que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário segue o regramento do art. 173, inciso I do CTN. Anoto que o entendimento adotado pela decisão recorrida, não merece reparos, até porque em recente julgamento representado pelo Acórdão nº 9101003.844, da 1ª Turma da CSRF em sessão de 3 de outubro de 2018, foi decido à unanimidade que para a aplicabilidade da regra pretendida pelo Contribuinte era necessário que ele enquanto sujeito passivo tivesse,de fato, efetuado apuração e pagamento antecipado de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, ainda que esse pagamento tenha sido feito de forma parcial, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido e nos casos em que apesar de apurar, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configura se imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Referido Acórdão 9101003.844, restou assim ementado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE APURAÇÃO E/OU PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. No ano calendário 2011 o sujeito passivo apresentou DCTF e DIPJ, contudo sem apurar tributo a pagar, tendo em vista acreditar estar amparado pela norma isentiva, porém, como entendido no julgado acima transcrito, não é possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido. Assim, deve ser aplicada a regra geral prevista no art. 173, I, que determina que o prazo comece a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para fatos geradores ocorridos em 01/01/2011, 01/04/2011, 01/07/2011 e 01/10/2011, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano de 2011. Assim, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 1/1/2012, exaurindose o prazo 5 anos depois, no dia 31/12/2016. Como o lançamento foi formalizado em 22/12/2016, não se operou a decadência. Feitas estas considerações, afastase a preliminar de decadência. Fl. 12567DF CARF MF 6 Preliminar Nulidade do MPF. Inicialmente, cabe afastar a alegação de nulidade por eventuais vícios na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, pela 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. A consequência da falta da lavratura do instrumento de prorrogação do processo de fiscalização ou ciente ensejaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm, CARF 75, uma vez exercida a denúncia espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos, conforme será esclarecido adiante. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 MPF NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Fl. 12568DF CARF MF Processo nº 12448.726713/201601 Acórdão n.º 1401003.039 S1C4T1 Fl. 12.566 7 Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Ante o exposto, afasto a preliminar de nulidade por suposta irregularidade do MPF. No que diz respeito às demais questões preliminares, onde o Recorrente sustenta a nulidade da fiscalização e, por conseguinte, do Ato Declaratório Executivo e dos lançamentos, visto que a fiscalização ao ser realizada por amostragem não indica com precisão as infrações cometidas o que obsta o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, e a nulidade na constituição dos créditos tributários por omissão na análise das provas, entendo que está presente nos autos uma questão maior que vicia toda a autuação, no que diz respeito ao próprio fundamento legal que a subsidia. Razão peal qual, nos termos do que dispõe o §3o. do art. 12 do RPAF, supero as preliminares para analisar o mérito por entender que é possível prover o recurso do Recorrente. Erro de direito Possibilidade de reconhecimento da isenção ampla do art. 12 da Lei nº. 2.613/55, independentemente de preenchimento de quaisquer requisitos. Em sede de memoriais e realização de sustentação oral, a Recorrente chama a atenção para a necessidade de se enfrentar questão que vicia toda a autuação, no que diz respeito a necessidade de se reconhecer a isenção ampla à autuada independentemente do preechimento de quaisquer requisitos. Isto porque, aponta que o SESC é um serviço social autônomo vinculado à promoção de atividades de interesse público, sendo o mesmo custeado pela arrecadação tributária através da contribuição social instituída no art. 3, §1º do DL nº. 9.853/1946, possuindo inúmeros privilégios próprios das pessoas jurídicas de direito público. Por tal razão, o patrimônio do SESC é equiparado por lei – plenamente vigente – ao patrimônio da própria União Federal art. 12 e 13 da Lei nº. 2.613/55, e contemplado com ampla isenção fiscal: Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) Desta forma, verificase que a lei não condicionou às entidades do sistema ‘S’ ao cumprimento de determinados requisitos para o gozo da ampla isenção fiscal. O argumento da Recorrente encontra amparo em diversos julgados do STJ, que entendem pela irrelevância das entidades do Sistema S serem classificadas ou não como beneficentes de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes (REsp 1430257 / CE, AgRg no REsp 1417601 / SE; REsp 1704826 / RS). Fl. 12569DF CARF MF 8 Desta forma, descabe a atuação feita à Recorrente tendo por fundamento a exigência quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009). Neste seguir, por claro e objetivo, acolho o argumento quando à existência de erro de direito na acusação fiscal e julgoa improcedente, dando provimento ao recurso voluntário. Neste caso, cabia à autoridade fiscal primeiro ter descaracterizado a Recorrente como entidade do sistema "S", em razão de eventual desvio de finalidade, caso constatadas provas suficientes neste sentido, análise que sequer foi realizada de forma exaustiva, sem leitura acurada dos documentos carreados na impugnação, como apontado pela Recorrente em seu Voluntário, de modo que em não tendo sido promovida esta descaracterização, não há como afastar a isenção estabelecida em lei específica. Ante o exposto, oriento meu voto para superar a alegação de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 12570DF CARF MF
score : 1.0
