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Numero do processo: 13502.000131/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente.
Numero da decisão: 2402-006.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos os seguintes excertos do Acórdão nº 1524.383, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Salvador/BA, fls. 525 a 528: Tratase de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório DRF/CCI nº 203, As fls. 163/171, de 22 de junho de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 01 31 /2 00 7- 62 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13502.000131/200762 Acórdão n.º 2402006.876 S2C4T2 Fl. 580 2 2007, que não homologou a compensação declarada, às fls. 02/06. O direito creditório vinculado na compensação declarada se referia a IRRF incidente sobre valores remetidos ao exterior a titulo de prêmio de seguro vinculado a contrato de empréstimo realizado junto a entidade financeira vinculada ao governo Japonês. A retenção e o recolhimento deste imposto teria sido indevida em razão de isenção prevista no art. 10, item 3, da Convenção entre os Estados Unidos do Brasil e o Japão destinada a evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre rendimentos promulgada pelo Decreto n° 61.899, de 14 de dezembro de 1967. O não reconhecimento do referido direito creditório e a consequente não homologação da declaração teve como fundamento o texto legal que estabeleceu a isenção relativa à remessa de juros de empréstimos realizado junto a entidade financeira vinculada ao governo Japonês. A decisão administrativa foi no sentido de que não havia previsão legal que estendesse tal isenção às remessas de valores pagos a titulo de prêmios de seguro vinculados a estes empréstimos, que na realidade estariam sujeitas à retenção do imposto a uma alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Foi apontado, também, que os contratos de empréstimos apresentados não se referiam á operação que resultou na retenção do imposto. Tendo sido cientificado do despacho decisório e carta cobrança, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, As fls. 180/195, alegando, em síntese, que: a) firmou um contrato de abertura de crédito com os bancos com os bancos Citibank N. A. (Tokyo Branch) e The Bank o Tokyo — Mitsubishi, Ltd., no montante de US$ 50,000,000. Conjuntamente, os referidos bancos celebraram contratos de seguro de empréstimo com a agencia governamental japonesa Nippon Export and Investment Insurance — NEXI; b) em 17/03/2005, efetuou remessa para o exterior, a titulo de prêmio de seguro, em beneficio da NEXI, no montante de R$ 9.309.544,42, sobre o qual incidiu IRRF A alíquota de 12,5 %, no valor de R$ 1.329.934,92, recolhido em 17/03/2005; c) apresentou equivocadamente A fiscalização contratos de empréstimo celebrados com os bancos Citibank N. A. (Tokyo Branch) e The Bank o Tokyo — Mitsubishi, Ltd., relativos a outra operação idêntica a que incidiu o IRRF, divergindo apenas nas datas e valores. Entretanto, já acostou os contratos corretos aos autos; d) o recolhimento do IRRF foi indevido em razão o item 3 do art. 10 da Convenção BrasilJapão que afasta a incidência do IRRF sobre os juros sobre empréstimos ou financiamentos remetidos a entidade financeira governamental no exterior. Assim, é cabível a homologação da compensação declarada vinculada ao direito creditório correspondente aorecolhimento indevido; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13502.000131/200762 Acórdão n.º 2402006.876 S2C4T2 Fl. 581 3 e) a autoridade fiscal não homologou a compensação sob o argumento de que a remessa foi realizada a titulo de prêmio de seguro e não a titulo de juros. Entretanto, nos termos do item 4 do art. 10 da referida Convenção, o termo "juros" tem um sentido amplo, compreendendo todas as despesas financeiras e demais encargos decorrentes de um contrato de empréstimo ou de financiamento; f) o Protocolo da Convenção BrasilJapão não esclarece quais seriam os outros rendimentos que a legislação tributária considera como assemelhados aos rendimentos de importâncias emprestadas. Entretanto, o Brasil já firmou tratados semelhantes com outros paises, nos quais se faz alusão a comissões e aos prêmios como outros rendimentos vinculados aos empréstimos que gozam do referido beneficio fiscal, como, por exemplo, os protocolos anexos aos tratados com Luxemburgo, Canadá e Noruega. Os referidos dispositivos teriam caráter meramente declaratório e interpretativo, não podendo o conceito de juros variar para uma mesma relação jurídica; g) foi a requerente que suportou o ônus do recolhimento do IRRF incidente sobre a remessa, pois o Contrato de Empréstimo firmado prevê que todos os pagamentos sejam realizados no exato montante do valor contratado, livre de quaisquer deduções, retenções, mesmo que decorrentes de lei, como sucede com os tributos, por exemplo. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência sob o argumento de que os prêmios de seguros não constariam do rol de rendimentos especificados no item 4 da Convenção celebrada entre o Brasil e o Japão; que tal entendimento não representa quebra do princípio da isonomia; e que a interpretação da legislação que disponha sobre isenção de tributos deve ser literal. Cientificada da decisão de primeira instância, em 16/8/10, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 534, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 562 a 564), interpôs o recurso voluntário de fls. 535 a 561, em 14/9/10, no qual repete, basicamente, os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: os prêmios de seguro estão incluídos no conceito de juros estabelecido na Convenção, sobretudo quando se considera o seguro como essencial à assinatura do próprio contrato de empréstimo, a ser remunerado pelo pagamento dos juros; a não aceitação da isenção para o prêmio de seguro faz com que a tributação incidente na remessa de valores para o exterior seja superior àquela adotada em outros contratos de empréstimo, o que importaria em quebra do princípio da isonomia; não se deve falar em interpretação extensiva da isenção dos juros para isentar as remessas de prêmio de seguro; na verdade, o prêmio de seguro está dentro do conceito de juros. É o relatório. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13502.000131/200762 Acórdão n.º 2402006.876 S2C4T2 Fl. 582 4 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Em seu recurso voluntário, a Recorrente busca demonstrar, inicialmente, que a NEXI (Nippon Export and Investiment Insuarence) se constitui numa agência governamental, fazendo, na sequência, uma longa explanação quanto aos valores pagos à NEXI e se esses valores “configuram ou não juros para os fins do item 3 do artigo 10 da Convenção entre Brasil e Japão”. A Recorrente aduz, ainda, que, nos termos do “item 4 do art. 11 da referida Convenção, o termo ‘juros’ tem um sentido amplo, compreendendo "os rendimentos de fundos públicos, de títulos ou debêntures, acompanhados ou não de garantia hipotecária ou de cláusula de participação nos lucros, e de créditos de qualquer natureza, bem como outros rendimentos que, pela legislação tributária do Estado de que provenham, sejam assemelhados aos rendimentos de importâncias emprestadas", e mais o seguinte: [...] ao contrário do alegado pela autoridade fazendária, não se trata de um mero contrato de seguro, mas sim de uma operação conjugada, típica para contratos de financiamento de tal monta. Com efeito, para uma maior segurança do cumprimento regular do contrato de empréstimo, é necessária a contratação de um seguro, no presente caso, fornecido pela NEXT, para cobertura dos riscos financeiros, políticos e comerciais a que estão sujeitas as instituições financeiras que concedem o empréstimo. Assim, o pagamento do prêmio de seguro nada mais é do que uma condição para execução do contrato de empréstimo, ou seja, um elemento inerente ao contrato de empréstimo, conforme disposto em suas cláusulas 4.01 e 4.02, que tratam das condições precedentes à execução do contrato: Por fim, a Recorrente alega que o prêmio de seguro estaria “dentro do conceito de juros”, sem necessidade de interpretação extensiva, e que sua exclusão do art. 10 da Convenção importaria em violação ao princípio da isonomia, previsto no art. 150, inciso II, da Constituição Federal. Pois bem, tendo em vista que a Recorrente traz, basicamente, os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, reproduziremos no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, a decisão de primeira instância, com a qual concordamos e mantemos: Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13502.000131/200762 Acórdão n.º 2402006.876 S2C4T2 Fl. 583 5 A requerente alega que a remessa ao exterior do valor relativo ao prêmio de seguro vinculado ao empréstimo contratado goza de isenção relativa ao IRRF por se enquadrar no conceito amplo de juros nos termos dos itens 3 e 4 do art. 10 da Convenção entre os Estados Unidos do Brasil e o Japão destinada a evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre rendimentos, conforme abaixo transcrito: 3) Não obstante o disposto no parágrafo (2), os juros provenientes de um Estado Contratante e pagos ao Govêrno do outro Estado Contratante, a uma sua subdivisão política ou govêrno municipal ou a qualquer agência ou instituição (incluindoos as instituições financeiras) de propriedade exclusiva daquele Govêrno, de uma sua subdivisão política ou govêrno municipal, ficarão isentos de imposto no primeiro Estado Contratante. (sic) 4) O termo "juros" usado no presente artigo designa os rendimentos de fundos públicos, de títulos ou debentures, acompanhados ou não de garantia hipotecária ou de cláusula de participação nos lucros, e de créditos de qualquer natureza, bem como outros rendimentos que, pela legislação tributária do Estado de que provenham, sejam assemelhados aos rendimentos de importâncias em prestadas. Entretanto, prêmios de seguros não constam no rol dos rendimentos especificados no item 4 acima transcrito, nem se assemelha a rendimentos de importância emprestada. Os rendimentos decorrentes de prêmio de seguro remuneram o segurador em razão do risco que este assume de, em caso de sinistro, indenizar o segurado dos prejuízos por ele experimentados. Já os juros e comissões visam remunerar o capital emprestado em função do tempo. O requerente alega que seria quebra de isonomia não incluir o conceito de prêmio de seguro no conceito de juros na medida em que o Brasil firmou acordos com outros países que prevêem expressamente a isenção de IRRF na remessa de comissões e prêmios vinculados a empréstimos junto a instituições governamentais. Entretanto, nos acordos relacionados na manifestação de inconformidade não há expressa previsão de isenção para remessas a título de "prêmios de seguro", e as variações nos diversos acordos decorrem da reciprocidade de tratamento que cada pais signatário dá, ou até mesmo em razão dos interesses nacionais, portanto, não há qualquer quebra ao princípio da isonomia. Resta salientar, também, que a legislação que estabelece isenção de tributo deve ser interpretada literalmente. E, conforme já visto, não há expressa previsão legal de que a isenção relativa à remessa dos juros deva ser estendida à remessa dos prêmios de seguro, mesmo que vinculadas ao mesmo empréstimo. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13502.000131/200762 Acórdão n.º 2402006.876 S2C4T2 Fl. 584 6 Ademais, tratandose de isenção tributária, entendemos que a interpretação deve estar limitada à expressão literal da norma, sendo nessa linha, inclusive, a seguinte lição de Hugo de Brito Machado1: Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a ampliação do alcance, como sua restrição. Dessa forma, uma vez que que a convenção celebrada ente o Brasil e o Japão não afasta, expressamente, os prêmios de seguros da incidência tributária, se incluíssemos tais prêmios na isenção, estaríamos indo além do que diz o texto legal e afrontando o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 1 MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 32ª edição, Malheiros, São Paulo, 2011, p. 114. Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.908015/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 15 /2 00 9- 67 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.422, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10855.908015/200967 Acórdão n.º 3201004.860 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009171/2010-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 91 71 /2 01 0- 45 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 08/13) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2007 (efls. 38/43), onde se apurou: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 261.694,53 referente à fonte pagadora Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/06), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 55): a) como houve retenção de imposto na fonte, “não haveria que se falar tanto em pagamento adicional quanto em restituição de imposto de renda”, entretanto, como houve pagamento de honorários advocatícios e periciais, para o recebimento dos valores da ação judicial, haveria direito a restituição de imposto de renda; b) que não saberia de onde a fiscalização extraiu o valor que a contribuinte teria declarado a título de rendimentos da ação judicial, uma vez que o mesmo não constaria da DIRPF; c) que o demonstrativo de cálculos conteria códigos de difícil compreensão; d) que constaria imposto sobre ganho de capital, fato ausente no anocalendário em exame; e) que os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração do valor tributável, imposto retido na fonte e honorários advocatícios e periciais; f) afirma que o imposto retido sobre a parcela alvo de cessão deveria ser compensada na DIRPF, uma vez que o valor teria sido efetivamente retido na fonte; g) pede que o lançamento seja retificado de acordo com demonstrativo que apresenta ao final da peça impugnatória. A impugnação foi julgada improcedente pela 17ª Turma da DRJ/SP1 (efls. 54/61), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, à interessada, foi franqueado pleno acesso às provas que embasaram a autuação e que as infrações e circunstâncias da Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.009171/201045 Acórdão n.º 2002000.699 S2C0T2 Fl. 86 3 autuação encontramse detalhadas nos autos. Preliminar rejeitada. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. É de se manter a glosa da dedução do imposto de renda retido na fonte, objeto do lançamento, uma vez ficar evidenciado, pelos elementos constantes dos autos, que o valor do imposto retido na fonte glosado no lançamento referese à cessão parcial de precatórios. Cientificado do acórdão de primeira instância em 04/02/2014 (efls. 67), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/02/2014 (efls. 69/80) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que no ano de 1999 celebrou acordo judicial em Reclamação Trabalhista n° 162/86, Precatório n° 449/94, onde foram compensados valores cedidos a terceiros, com pagamento de um sinal em 2006 e 12 parcelas trimestrais em 2007, 2008 e 2009, conforme se depreende da Certidão lavrada pela Justiça do Trabalho da 10ª Região. Alega, contudo, que a Receita está ignorando que houve retenção na fonte da alíquota de 27,5% sobre as cessões, glosando tal parcela na declaração de IR. Insurgese, ainda, contra a glosa de despesas judiciais com advogado e perito contábil. Defende que uma simples análise dos documentos oficiais permite concluir que houve retenção na fonte a título de IR sobre as cessões, de forma que a recusa da Receita em reconhecer tal fato é feita ao arrepio do que consta da Certidão emitida pelo TRT da 10ª Região e da Declaração de Rendimentos do autor emitida pelo Distrito Federal. Assevera que a glosa em questão corresponde a apropriação indébita por parte da Administração. Suscita a ausência de justa causa para a autuação, uma vez que a cessão dos precatórios não altera a natureza jurídica da relação que lhe deu origem, conforme art. 157, I, da Constituição Federal. Relata que a Administração entendeu que o montante de honorários advocatícios e periciais passíveis de dedução tem que ser calculado sobre percentual do total pago, uma vez que teria havido a divisão dos rendimentos totais em (i) rendimentos sujeito ao ajuste anual; (ii) rendimentos isentos não tributáveis; e (iii) créditos sujeitos a ganho de capital (cessões). Defende, contudo, que não há autorização legal para a glosa proporcional de honorários. Entende que, pelo fato de a cessão não alterar a natureza jurídica dos valores cedidos, esses não perderam o caráter de verba trabalhista, ou seja, continuaram sendo tributos da mesma forma que o seriam se quem recebesse fosse o contribuinte. Alega, ainda, que, conforme faz prova a Certidão emitida pela Justiça do Trabalho, mesmo os valores cedidos foram pagos com o desconto do imposto de renda à alíquota de 27,5%. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora Fl. 87DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe esclarecer ao recorrente que as operações que importem cessão de direitos estão sujeitas à apuração de ganho de capital, conforme disposto no art. 117 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Os ganhos devem ser apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado dos demais rendimentos, não integrando a base de cálculo na Declaração de Ajuste. Da mesma forma, o imposto pago a esse título não é compensável no Ajuste Anual. Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). Os art. 3º e 27 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 corroboram esse entendimento. Art. 3º Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: I alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; Art. 27. O ganho de capital sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, à alíquota de quinze por cento. § 1º O cálculo e o pagamento do imposto devido sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos devem ser efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, quaisquer que sejam. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.009171/201045 Acórdão n.º 2002000.699 S2C0T2 Fl. 87 5 § 2º O imposto incidente sobre ganhos de capital não é compensável na Declaração de Ajuste Anual. Vale mencionar que a última publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, divulgada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o exercício 2018, traz orientação específica para a cessão de precatório nesse sentido: CESSÃO DE PRECATÓRIO 562 — Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório? Quanto ao cedente: A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital, pelo cedente. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cedente, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, mediante aplicação de uma das alíquotas progressivas estabelecidas pela Lei nº 13.259, de 16 de março de 2016, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O custo de aquisição na cessão original, ou seja, naquela em que ocorre a primeira cessão de direitos, é igual a zero, porquanto não existe valor pago pelo direito ao crédito. Nas subsequentes, o custo de aquisição será o valor pago pela aquisição do direito na cessão anterior. Considerase como valor de alienação o valor recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório. Quanto ao cessionário: O cessionário subrogase no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito. Por ocasião do recebimento do precatório, o cessionário apurará o ganho de capital considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções legais. Considerase como custo de aquisição o valor pago ao cedente, quando da aquisição da cessão de direitos do precatório. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cessionária, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, mediante aplicação de uma das alíquotas progressivas estabelecidas pela Lei nº 13.259, de 16 de março de 2016, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de Fl. 89DF CARF MF 6 rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Atenção: O crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em for quitado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal ou pelos municípios. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto sobre a renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal quando ocorrer a homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário para com a União, os estados, o Distrito Federal ou os municípios. Em virtude da transação efetuada, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cessionário nem do cedente, não integrando a base de cálculo do ganho de capital e não sendo passível de compensação ou dedução. (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), art. 123; Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 1º, 2º, 3º, caput e §§ 2º a 4º, 16, caput e § 4º; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 21, caput e §§ 1º e 2º; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil (CC), arts. 286, 287, 347 e 348; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/1999, arts. 117 e 129; Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, arts. 2º, 3º, 18 e 27; Parecer Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000). Dessa forma, considero correta a compensação indevida de IRRF apurada no lançamento, uma vez que o imposto se refere à cessão do precatório nº 449/1994 indicada na Certidão emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (efls. 18), como confirma o próprio recorrente. Já o entendimento do auditor de que os honorários devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos na ação judicial encontra respaldo nas orientações divulgadas pela Receita Federal para o exercício 2007, as quais devem ser seguidas pelo contribuinte. 408 — Honorários advocatícios e despesas judiciais podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial? Os honorários advocatícios e as despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma. Da mesma maneira, os gastos efetuados anteriormente ao recebimento dos rendimentos podem ser diminuídos quando do recebimento dos rendimentos. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.009171/201045 Acórdão n.º 2002000.699 S2C0T2 Fl. 88 7 Os honorários advocatícios e as despesas judiciais pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e nãotributáveis. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido, já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo de formulário utilizado. Caso utilize a Declaração de Ajuste Anual no modelo completo, deve preencher a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no CPF e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado). Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909051/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 51 /2 00 9- 31 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 296 2 de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, nos termos do relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: "O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 821113075, emitido eletronicamente em 18/02/2009, referente ao PER/DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500. O pedido de compensação, gerado pelo programa PER/DCOMP, foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a(o) COFINS (Código de Receita 2172) no valor original na data de transmissão de R$ 15.302,64, representado por Darf recolhido em 14/06/2002, no montante total de R$ 6.154.433,30. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Assim, a compensação declarada no PER/DCOMP não foi homologada pela autoridade jurisdicionante. Como enquadramento legal foram citados: arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Cientificado do Despacho Decisório em 03/03/2009 (fl.10) o interessado apresenta, em 31/03/2009, manifestação de inconformidade alegando o que se segue: Inicialmente aduz a tempestividade e o cabimento da manifestação de inconformidade apresentada. Preliminarmente requer a nulidade do Despacho Decisório que indeferiu a compensação, sob os seguintes argumentos: " o despacho decisório ora recorrido é absolutamente NULO por (i) cercear o direito de defesa do contribuinte, na medida em que não descreve adequadamente as irregularidades supostamente apuradas e busca conveniente inversão do ônus da comprovação (o que via de regra é um em dever do fisco e não do contribuinte), e (ii) não conter uma descrição adequada dos valores que poderiam ser devidos pela Requerente, em prejuízo Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 297 3 do disposto nos incisos III e IV do artigo lº do Decreto n° 70.235/72, e nos artigos 113, § 10 , e 142 do Código Tributário Nacional ("CTN")". No mérito afirma que, em razão das atividades que pratica, realiza diversas operações estaduais que envolvem o pagamento do ICMS, pelo regime de substituição tributária. O art. 7º da Portaria CAT nº 17/99, bem como os artigos 269 e 270 do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo (Decreto 45.900/2000) autorizam ao contribuinte se restituir do montante indevidamente pago do tributo. Nos anos de 2001 a 2003 a empresa procedeu ao creditamento do ICMSST, retido a maior pelo fornecedor, na compra de mercadorias, tendo em vista o diferencial de margem por ela efetivamente praticada e aquela utilizada pelo fornecedor para fins de cálculo do ICMSST, conforme atestam as anexas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA's). Com base no creditamento dos montantes de ICMSST (principal pago indevidamente, acrescido de juros), a Requerente ofereceu tais valores à tributação pelo(a) COFINS. Contudo, o ICMSST restituído pelo Fisco Estadual à Requerente não pode integrar a base de cálculo da COFINS: a um porque não configura receita do comerciante (mas sim do Estado) e, a dois, porque, não sendo o ICMS parte do faturamento próprio da empresa, não representa acréscimo patrimonial positivo, para fins de incidência do(a) COFINS. De acordo com o entendimento preponderante da doutrina, o termo receita corresponde a um fato que venha a modificar positivamente o patrimônio da pessoa jurídica. Em linhas gerais, o acréscimo patrimonial de uma pessoa jurídica ocorre com a incorporação de um novo direito, definido como tal pela norma jurídica, ao seu patrimônio. Em sendo assim, a princípio, poderseia dizer que a restituição de tributos configura receita para a pessoa jurídica que recebe tais valores. Contudo, por mais que seja caracterizado como um direito novo, a restituição de tributo pago indevidamente guarda intrínseca relação com um direito existente anteriormente no patrimônio da pessoa jurídica, qual seja, o caixa utilizado para efetuar o pagamento do tributo. Logo, em última análise, o direito à restituição nada mais é do que o próprio direito ao caixa utilizado para o pagamento do tributo, que já se encontrava incorporado ao patrimônio da sociedade. Poderseia equiparar a restituição de tributos pagos indevidamente a uma operação de mútuo, sendo o mutuário o Governo, enquanto o mutuante é a pessoa jurídica que tenha Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 298 4 recolhido o tributo indevidamente. Como se sabe, em uma operação de mútuo, a devolução do valor do principal configura uma mera recomposição patrimonial. Assim, não há que se falar que a restituição de tributos recolhidos indevidamente é receita, já que lhe falta um dos elementos característicos do conceito de receita, qual seja, acréscimo patrimonial. O próprio legislador tributário já admite, ainda que não expressamente, que o ingresso de direito novo, vinculado a direito previamente existente com caráter de mera recomposição patrimonial, não configura receita. Tal entendimento estaria implicitamente previsto no artigo 30, §2°, II, da Lei 9.718/98 e no artigo 10, § 30, inciso V, alínea "b" da Lei n° 10.833/03. A Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/9a. Regido Fiscal, nos autos do Processo de Consulta nº 222/02 já se manifestou no sentido de que a mera restituição de tributos não é receita e, portanto, não está sujeita à incidência do PIS/COFINS. Também o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 23/12/2003 manifestouse no sentido de que não há incidência de PIS e de COFINS sobre valores de tributos pagos indevidamente. Consequentemente, os pagamentos efetuados a esse título configuram crédito da Requerente, passível de compensação. Os valores relativos ao ICMSST restituídos à Requerente, cuja incidência tem por fundamento o disposto no artigo 155 caput, inciso II, e § 2° da CF/88, foram incluídos na composição da base de cálculo da aludida contribuição, como faz prova as GIA's anexadas a estes autos. O C. STF, recentemente, por entender que a matéria tem cunho constitucional, iniciou o julgamento da constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (Recurso Extraordinário n° 240785). O julgamento foi paralisado com 6 (seis) votos favoráveis aos contribuintes, nos quais se reconheceu que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. Não sendo faturamento e nem receita, o valor do ICMS pago pelo contribuinte não representa medida de riqueza para fins de incidência de contribuição social instituída com fundamento no artigo 195, inciso I, alínea "b", da CF/88, antes ou depois da EC 20/98. Por esse motivo, a sua inclusão é indevida, uma vez que se está tributando algo que não carrega um signo presuntivo Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 299 5 de riqueza para o contribuinte, mas representa uma receita apenas para o Estado. Assim, caso não seja reconhecido que a restituição de tributo indevidamente pago deva ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Requerente entende que, nos termos em que já reconhecido pela jurisprudência é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições. Além disso, a não homologação das compensações pretendida pela Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto dos referidos processos administrativos. Para que haja a exigência de multa e juros de mora, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento do crédito tributário. No caso, a empresa só estaria em mora se houvesse transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. Diante da Manifestação de Inconformidade, que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, mesmo depois de findo o referido prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse em curso. Uma vez que a Requerente, ao proceder a compensação, observou todas as normas e atos normativos expedidos pelas Autoridades Fiscais, de acordo com o artigo 100, parágrafo único do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo "a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário". Por todo o exposto, requer se o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, a homologação integral procedimento e o consequente cancelamento da exigência, seguido do arquivamento do processo administrativo. Requer também, enquanto não houver julgamento final do Processo Administrativo, que os débitos compensados não obstem a expedição de CND conjunta da Receita Federal do Brasil/Procuradoria da Fazenda Nacional. Protesta provar, por todos os meios de prova admitidos, a total improcedência da decisão recorrida, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos" (seleção e grifos nossos). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 300 6 2. Em 12/01/2015, a Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0263.088, situado às fls. 216 a 227, de relatoria da AuditoraFiscal Marly Custodio de Souza, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. RECUPERAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA. A recuperação de tributo pago indevidamente não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, por se tratar de mera reversão de valores. No entanto, o valor dos juros decorrentes do indébito tributário recuperado, por se tratar de receita nova, compõe a base de cálculo dessas contribuições, a partir da vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. LEI 9.718/98, ART. 3º, PARÁGRAFO 1º. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da utilização total do pagamento na liquidação de débitos confessados pelo próprio contribuinte, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AMPLA DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todas as informações da não homologação do pleito creditício, dada ciência e oportunizada a manifestação do insurgente, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 301 7 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COBRANÇA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO. De acordo com a legislação de regência, às Delegacias de Julgamento não compete apreciação de argumentos relacionados à cobrança de créditos tributários e seus consectários legais, mas apenas argumentos dirigidos contra o indeferimento, pelas Delegacias, Alfândegas e Inspetorias da SRF, dos pedidos de restituição e compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. A contribuinte, intimada em 16/02/2016, abertura dos documentos disponibilizados em sua caixa postal eletrônica, em conformidade com o termo de ciência situado a fl. 231, interpôs, em 02/03/2014, em conformidade com carimbo aposto pela unidade local e situado à fl. 233, recurso voluntário, situado às fls. 233 a 292, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: I Preliminares I.1 Nulidade do Despacho Decisório Em sede de preliminares a Manifestante aduz a nulidade do despacho decisório combatido, por falta de descrição clara e precisa dos elementos que redundaram na não homologação da compensação efetuada, fato que lhe teria prejudicado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, além de macular o princípio da legalidade. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 302 8 O argumento não merece guarida. De início, importa destacar que o tratamento da DCOMP sob exame se deu de forma eletrônica. A partir da redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação eletrônica (DCOMP), na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato dessa declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de ulterior homologação. Nesses termos, ao contribuinte cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos informados em DCOMP e, à autoridade fazendária, compete a verificação e a validação dessas informações. Estando em conformidade, sobrevém a homologação do procedimento compensatório, confirmando a extinção dos débitos compensados; do contrário, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, a Contribuinte transmitiu a DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500 para compensar suposto crédito de COFINS (Código 2172) decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação (DARF), recolhido em 14/06/2002, no valor de R$ 6.154.433,30, como origem desse crédito. Como se cuida de tratamento eletrônico, a verificação dos dados informados pela Contribuinte em DCOMP realizase de forma eletrônica, em cotejo com as demais informações por ela prestadas à RFB em outras declarações (DCTF, DACON, DIPJ, por exemplo), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc),e resulta num despacho decisório de homologação/não homologação/homologação parcial da compensação declarada. Do cotejo dessas informações, o despacho decisório resultou na não homologação da DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.04 1500, tendo em vista que, embora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do direito creditório, este se encontra integralmente utilizado na quitação de outros débitos da contribuinte, de forma que não existe saldo de crédito disponível para a compensação declarada na citada DCOMP. Equivale a dizer que, do exame das declarações apresentadas pela própria Interessada à Administração Tributária, é possível concluir pela inexistência de crédito passível de utilização na Dcomp ora analisada. Via de consequência, é de se reconhecer que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, vez que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 303 9 Portanto, clara está a motivação do ato administrativo guerreado, que reside nas próprias declarações e documentos produzidos pela Contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não havendo que se falar em intimação prévia, nem violação ao contraditório, ou cerceamento de defesa. A empresa foi devidamente cientificada do despacho decisório, lavrado por autoridade competente, com observância de todas as prescrições legais; tendolhe sido oportunizada a apresentação de defesa e a produção de provas, no prazo legal. Ademais, as razões suscitadas na peça de defesa demonstram amplo conhecimento dos motivos que levaram à não homologação do procedimento compensatório. (...) II Mérito II.1 Da não incidência do Pis e da Cofins sobre a Restituição de Tributos Pagos Indevidamente O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24/12/2003, que dispõe sobre a tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica, por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, prescreve: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep. (...)Do acima transcrito, verificase que o citado Ato Declaratório Interpretativo explicita claramente que não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Todavia, por configurarem receita nova, os juros incidentes sobre o indébito devem compor a base de cálculo das contribuições para o Pis/PASEP e da Cofins, bem como do IRPJ e da CSLL. Além disso, há que se observar o período de apuração sobre o qual a Requerente argúi a existência do direito creditório (Maio/2002). Nesse período de apuração, a exigência da Cofins era regida pela Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do art. 3º foi tido por inconstitucional, em decisão plenária do STF que reconheceu, Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 304 10 inclusive, a repercussão geral da matéria (RE nº 585.235, Relator: Min. Cezar Peluso, Data de julgamento: 10/09/2008). Em função dos efeitos das decisões emanadas do STF foram editados, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por meio de listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, encontra se aquele objeto do RE nº 585.235, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98. Portanto, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26A do Decreto 70.235/72, que trata da não aplicação, pelo julgador administrativo, de dispositivo legal declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, resguardando a Fazenda Nacional de futuros prejuízos quando da fase de execução fiscal do crédito tributário. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Não obstante o reconhecimento, em tese, do direito vindicado pela Interessada, é preciso examinar a certeza e a liquidez do crédito pretendido, à vista do que dispõe o art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (g.n) Os documentos trazidos à colação não são suficientes à comprovação do alegado. As Guias de Informação e Apuração do ICMS acostadas não se prestam a comprovar que, no período requerido, os valores escriturados a título de ressarcimento do ICMSST (Cód. 007.19) compuseram, inequivocamente, a base de cálculo do(a) COFINS, como receitas. Tais documentos demonstram, somente, o quantum recuperado a título de ICMS ST. Com efeito, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 305 11 assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja, o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Nos termos do art. 333 do CPC, o ônus da prova cabe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Adaptandose essa regra ao Processo Administrativo Fiscal, constróise o seguinte raciocínio: por autor, deve ser identificado como a parte, na relação fiscocontribuinte, titular de determinado direito, que toma a iniciativa de postulálo, mediante a adoção de algum procedimento; e por réu, a parte oposta, que apresenta resistência ao direito do autor. Nos casos de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, incumbe ao sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do crédito, posto que é dele a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp. De forma que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, caberá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. demonstrar seu direito. Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao contribuinte, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do indébito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o direito creditório, visto que, sem tal evidenciação, o pedido fica inarredavelmente prejudicado. No caso, não tendo sido apresentadas pelo contribuinte provas inequívocas quanto à certeza e liquidez do direito creditório não se pode acatar o pedido. (...) A Reclamante insurgese, também, contra a cobrança de acréscimos legais (multa e juros moratórios) aos débitos compensados, aduzindo não estar em mora, eis que a Manifestação de inconformidade apresentada teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos alvo da compensação. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 306 12 Neste ponto, releva esclarecer que o objeto do presente litígio é a não homologação das compensações declaradas na DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, através do Despacho Decisório nº 821113075, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Não se trata de apreciação quanto à exigência de penalidades (ou mesmo quanto à cobrança dos débitos indevidamente compensados), mas apenas quanto ao não reconhecimento do direito creditório e à não homologação das compensações. (...) Nada obstante, merece esclarecer que os acréscimos moratórios decorrem da falta de recolhimento tempestivo do tributo devido, evidenciada a partir da nãohomologação das compensações efetuadas e têm por fundamento legal o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Quanto aos juros de mora, estes são devidos mesmo que a manifestação de inconformidade tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários compensados, conforme disposto no artigo 161 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. (destaque acrescido). Ademais, no caso específico de compensação, assim estabelece a IN 1.300/2012: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Sobre o requerimento para a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, cumpre ressaltar que o diploma processual tributário (Decreto nº 70.235/1972) dispõe, em seu art. 16, §4º, que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, sendo estipulado, no §5º, ainda, que a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do §4º (alíneas essas que apresentam as exceções à regra de preclusão). Não havendo as exceções (fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 307 13 aos autos), ocorre a preclusão temporal e o contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Assim, caso queira o contribuinte apresentar provas em período posterior, poderá fazêlo desde que demonstre a ocorrência de uma das razões acima indicadas, sob pena de em assim não o fazendo, ter seu pleito de juntada indeferido. De qualquer forma, esta é questão a ser apreciada, concretamente, apenas quando do eventual encaminhamento ou produção de prova nova. À evidência, não é matéria a ser apreciada em tese" (seleção e grifos nossos). 6. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 7. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 8. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente, que não logrou êxito em demonstrar a liquidez e a certeza do crédito vindicado. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.909051/200931 Acórdão n.º 3401005.548 S3C4T1 Fl. 308 14 Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001445/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008
INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF.
As previsões legais não podem ser afastadas pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. art. 26-A do Decreo 70.235/72. Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008
COFINS-IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL POR PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR:
A Cofins incide na prestação de serviços, no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Expressa previsão legal, art. 1º, §1º da Lei 10.865/2004.
COFINS-IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO
O ISS e as próprias contribuições compõem a base de cálculo da Cofins-importação incidente sobre serviços, por expressa previsão legal, art. 7º, II, da Lei 10.865/2004.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008
PIS-IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL POR PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR:
O Pis incide na prestação de serviços, no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Expressa previsão legal, art. 1º, §1º da Lei 10.865/2004.
PIS-IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO
O ISS e as próprias contribuições compõem a base de cálculo do Pis-importação incidente sobre serviços, por expressa previsão legal, art. 7º, II, da Lei 10.865/2004.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayes de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayes de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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COMPETÊNCIA DO CARF. As previsões legais não podem ser afastadas pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. art. 26A do Decreo 70.235/72. Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008 COFINSIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL POR PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR: A Cofins incide na prestação de serviços, no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Expressa previsão legal, art. 1º, §1º da Lei 10.865/2004. COFINSIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO O ISS e as próprias contribuições compõem a base de cálculo da Cofins importação incidente sobre serviços, por expressa previsão legal, art. 7º, II, da Lei 10.865/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008 PISIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL POR PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR: O Pis incide na prestação de serviços, no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Expressa previsão legal, art. 1º, §1º da Lei 10.865/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 45 /2 00 8- 91 Fl. 3315DF CARF MF 2 PISIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO O ISS e as próprias contribuições compõem a base de cálculo do Pis importação incidente sobre serviços, por expressa previsão legal, art. 7º, II, da Lei 10.865/2004. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayes de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 933/957, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo a fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 31/05/2004 a 31/05/2008, incluindo juros de mora e multa proporcional de 75%: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins 547.067,73 Contribuição para o Programa de Integração Social PIS 118.771,00 De acordo com a descrição dos fatos, que remete ao Termo de Verificação e Constatação Fiscal integrante dos autos (fls. 22 e seguintes), a fiscalização aponta que a contribuinte deixou de efetuar o recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre pagamentos efetuados pelos serviços prestados por residentes/domiciliados no exterior, nos moldes da Lei nº. 10.865, de 2004, devidas pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior. Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 18471.001445/200891 Acórdão n.º 3201004.506 S3C2T1 Fl. 3 3 Os valores tributáveis foram extraídos do Livro Razão da fiscalizada e dos boletos/contratos de câmbio relativos às remessas efetuadas. Cientificada das exigências pessoalmente em 08/07/2008 (fls 934 e outras), a autuada apresentou em 07/08/2008 a petição impugnativa acostada às fls. 972 e seguintes, em cujo texto se contrapõe ao procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados. A irresignação do sujeito passivo ataca as exigências fiscais por dois flancos: (a) na maior parte dos casos, os serviços contratados foram executados no exterior e com resultado no exterior, e, nesta circunstância, não há causa para a incidência de PIS/Cofins – Importação, na forma do art. 1°, §1°, II, da Lei n° 10.865, de 2004; e (b) não há fundamento constitucional que permita a incidência dessas contribuições sobre serviços contratados, diante do conceito de valor aduaneiro constante no artigo 149, §2°, III, "a”, da Constituição Federal, e, ainda que a base estivesse legitimada, não poderia incluir o valor do próprio tributo e o ISS eventualmente devido na operação. Esclarece que é a única fabricante latinoamericana de próteses de silicone destinadas a cirurgias plásticas, e, objetivando o ingresso no mercado externo (USA e UE), buscou profissionais da área científica para analisar a qualidade de seus produtos e emitir laudo técnico, de modo a obter a autorização dos governos dos países destinatários de seus produtos, para o que celebrou alguns contratos com empresas especializadas (doc. 3), e, uma vez acertada a contratação dos serviços, passou mensalmente a remeter valores ao exterior, destinados aos profissionais contratados. Apresenta um demonstrativo dos destinatários dessas remessas, com especificação do serviço prestado, valor remetido e IRRF retido, ressalvando que, com exceção das empresas DMB APPARATEBAU, HS SYSTEM, MDC GMBH e RAH/RAH, cujos serviços foram executados no Brasil, os demais foram prestados no exterior e destinados a viabilizar a atuação da impugnante no mercado externo (resultado no exterior), não sendo alcançados pela hipótese de incidência definida no dispositivo legal que sustenta a autuação, destacando que, em diversos processos de consulta sobre o tema (dos quais reproduz trechos na petição), a própria RFB, em diversas Regiões externou esse entendimento sobre a matéria. De outra parte, a impugnante defende a tese de que a incidência das contribuições em foco, mesmo sobre os serviços executados no exterior e cujos resultados foram produzidos no país, padece de vício de inconstitucionalidade, por ofensa ao art. 149, § 3º., da Constituição Federal, por entender que esse dispositivo da Lei Maior, ao estipular a hipótese de incidência das contribuições sociais na importação, elegeu como base de cálculo das exações em questão o valor aduaneiro, o qual, nos termos do Acordo Internacional sobre Tarifas e Comércio – Fl. 3317DF CARF MF 4 GATT, cujo conceito é adotado pela legislação interna, não abrange o valor da operação de prestação de serviços, haja vista fazer menção expressa ao valor de mercadorias. Adicionalmente, acentua que ainda que o valor do serviço pudesse ser entendido como valor aduaneiro, para efeito da incidência de PIS/Cofins – Importação, o art. 7º. da Lei nº. 10.865, de 2004, incluiu na base de cálculo das contribuições valores outros, não autorizados pelo texto constitucional, que constituem um verdadeiro alargamento do valor tributável (o ISS e as próprias contribuições). A DRJ/Brasília/DF – 2ª Turma, por meio do Acórdão 0364.031, de 10/10/2014, decidiu pelo provimento parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008 SERVIÇOS EXECUTADOS NO EXTERIOR. EFEITOS FORA DO PAÍS. NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição não incide sobre os pagamentos por serviços prestados no exterior, quando seus efeitos se verificam fora do País, de forma que serviços prestados a empresa nacional para que esta possa habilitarse perante órgãos de governos estrangeiros, visando a exportação de seu produto, não se enquadram na hipótese de incidência. SERVIÇOS EXECUTADOS NO PAÍS POR PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS PAGAMENTOS. A contribuição incide sobre os pagamentos efetuados por empresa nacional a pessoas domiciliadas no exterior, quando executados no País, independentemente de seus efeitos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciação de argüições de inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/2004 a 31/05/2008 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 18471.001445/200891 Acórdão n.º 3201004.506 S3C2T1 Fl. 4 5 A DRJ afastou da incidência tributária os serviços de análises da qualidade dos produtos da recorrente, para os quais a decisão recorrida considerou que tiveram resultados no exterior. Foi mantido o lançamento para os serviços prestados no território nacional, e mantidos na base de cálculo o ISS e as próprias contribuições. Não houve Recurso de Ofício. A empresa então apresentou Recurso Voluntário, concentrandose na defesa da inconstitucionalidade da incidência da PisImportação e CofinsImportação sobre serviços, mesmo que prestados no Brasil, por considerações acerca do GATT e art. 149, §1º do Constituição Federal, brandindo para tanto a hierarquia das leis. Questiona a respeito da composição do ICMS, ISS e das próprias contribuições na base de cálculo, também por argumentos de inconstitucionalidade e hierarquia de leis. Noticia o julgamento do RE 559.937, que afastou a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições incidentes na importação de mercadorias. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta Turma, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. A decisão recorrida já concedeu o pedido quanto aos serviços prestados no exterior, mantendo apenas o lançamento sobre serviços executados no Brasil. Nos seus recursos, a empresa sustenta a inconstitucionalidade da tributação de serviços pagos a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, mesmo que o serviço seja executado no Brasil, conforme relatado. Tal pretensão encontra obstáculo em previsão expressa de Lei, o §1º do art. 1º da Lei 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: Fl. 3319DF CARF MF 6 I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. A inclusão do ISS e das próprias contribuições na base de cálculo também está prevista na mesma Lei: Art. 3o O fato gerador será: (...) II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. (...) Art. 7o A base de cálculo será: (...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei. Os Conselheiros do Carf não podem afastar expressa previsão legal por argumento de inconstitucionalidade, conforme comandam o art. 26A do Decreto 70.235/72 e a Súmula Carf nº 2. Observo que o precedente do STF, RE 559.937/RS, trata de importação de mercadorias, inciso I do art. 7º da Lei 10.865/2004, e não de serviços, inciso II do mesmo artigo, e portanto, não aplicável ao presente caso. Quanto ao ICMS, por previsão legal, não compõe a base de cálculo do Pis Importação e CofinsImportação sobre serviços, conforme dispositivo já transcrito. No presente lançamento, o ICMS não compôs a base de cálculo. A Instrução Normativa RFB 436/2005 previa o cálculo sem considerar o ICMS, cf. art. 1º, II. Portanto, a recorrente não tem interesse de agir nesta matéria. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 18471.001445/200891 Acórdão n.º 3201004.506 S3C2T1 Fl. 5 7 Fl. 3321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721735/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 73 5/ 20 15 -7 3 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721735/201573 Resolução nº 3302000.786 S3C3T2 Fl. 301 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.721735/201573 Resolução nº 3302000.786 S3C3T2 Fl. 302 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16682.721735/201573 Resolução nº 3302000.786 S3C3T2 Fl. 303 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16682.721735/201573 Resolução nº 3302000.786 S3C3T2 Fl. 304 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001475/2005-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PROVAS APRESENTADAS INTEMPESTIVAMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Não há cerceamento do direito de defesa e, por conseguinte, causa à nulidade, quando o contribuinte não apresenta provas de que ocorreu um dos eventos previstos no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que justificariam a apresentação intempestiva de provas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. RETIFICAÇÃO DA PER/DCOMP.
A partir de 01/01/97, a compensação de créditos passíveis de restituição ou compensação passou a ter como fundamento legal o art. 74 da Lei n° 9.430/96, que, em seu §14, dispôs que a RFB disciplinaria a questão.
E o § 2° do art. 29 c/c o art. 60 da IN SRF n° 600/05 dispõe que a contagem do prazo para homologação tácita dar-se-á a partir da data da protocolização da DCOMP retificadora, uma vez que esta substitui a original, para todos os fins legais.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
AJUSTE DE PREÇO. DIREITO AO CRÉDITO
O "ajuste do preço" foi pago e contabilizado como parte integrante do custo dos estoques de soja, sob a sistemática da não cumulatividade. E integrou o preço de venda, sobre o qual incidiu a COFINS não cumulativa. Há o direito ao crédito, porque o pressuposto é o de que tal custo formou o preço da venda futura, também sob regime não cumulativo. Negar o direito ao crédito sobre os valores dos "ajustes dos preços da soja" seria afrontar o princípio da não cumulatividade sob o qual se funda a Lei n° 10.833/03.
FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. DIREITO AO CRÉDITO
O frete integra o custo de aquisição do produto. E se o frete sofreu tributação pela COFINS, há direito ao crédito, a despeito do fato de o produto transportado não sofrer tributação.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DIREITO AO CRÉDITO
O frete incorrido no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa integra o custo de aquisição (inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/03) e, portanto, gera direito ao crédito. Outrossim, também o incorrido no transporte de produtos acabados, pois está inserido no custo total do frete para a entrega do produto ao cliente, cujo direito está previsto no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03.
INCLUSÃO DO ICMS NO VALOR DO ESTOQUE DE ABERTURA. CRÉDITOS PRESUMIDOS
O § 3° do art. 8° da IN SRF n° 404/04 dispõe, expressamente, que o ICMS integra o valor dos estoques, para fins de cálculo dos créditos básicos. Como este ato normativo também disciplina o cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura em 01/02/14 (art. 26), para determinar sua base de cálculo, há que se adotar o critério aplicável ao crédito básico, isto é, com a inclusão do ICMS no valor dos estoques.
Numero da decisão: 3301-005.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento, para acatar os créditos relativos às notas fiscais de compra de bens para revenda n° 12960, 12961 e 8228; os créditos relativos aos conhecimentos de transporte n° 25451 e 25453; às notas fiscais de serviços de transporte n° 218896, 226108, 228677, 128908, 13.078 e 13.933; os créditos relativos às notas fiscais de compras para industrialização n° 18938, 993, 929, 928, 934, 397, 19056, 077 e 047; os créditos relativos aos ajustes nos preços da soja; os créditos relativos a compras de produtos com fim específico de exportação; os créditos relativos aos fretes em compras de pessoas físicas para revenda; os créditos relativos ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos da recorrente; e os créditos relativos ao ICMS computado no custo de aquisição dos produtos integrantes do estoque de abertura de 01/02/04. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini e Marco Antônio Marinho Nunes que negaram provimento para a despesa de fretes referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Não há cerceamento do direito de defesa e, por conseguinte, causa à nulidade, quando o contribuinte não apresenta provas de que ocorreu um dos eventos previstos no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que justificariam a apresentação intempestiva de provas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. RETIFICAÇÃO DA PER/DCOMP. A partir de 01/01/97, a compensação de créditos passíveis de restituição ou compensação passou a ter como fundamento legal o art. 74 da Lei n° 9.430/96, que, em seu §14, dispôs que a RFB disciplinaria a questão. E o § 2° do art. 29 c/c o art. 60 da IN SRF n° 600/05 dispõe que a contagem do prazo para homologação tácita darseá a partir da data da protocolização da DCOMP retificadora, uma vez que esta substitui a original, para todos os fins legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 AJUSTE DE PREÇO. DIREITO AO CRÉDITO O "ajuste do preço" foi pago e contabilizado como parte integrante do custo dos estoques de soja, sob a sistemática da não cumulatividade. E integrou o preço de venda, sobre o qual incidiu a COFINS não cumulativa. Há o direito ao crédito, porque o pressuposto é o de que tal custo formou o preço da venda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 75 /2 00 5- 09 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 705 2 futura, também sob regime não cumulativo. Negar o direito ao crédito sobre os valores dos "ajustes dos preços da soja" seria afrontar o princípio da não cumulatividade sob o qual se funda a Lei n° 10.833/03. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. DIREITO AO CRÉDITO O frete integra o custo de aquisição do produto. E se o frete sofreu tributação pela COFINS, há direito ao crédito, a despeito do fato de o produto transportado não sofrer tributação. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DIREITO AO CRÉDITO O frete incorrido no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa integra o custo de aquisição (inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/03) e, portanto, gera direito ao crédito. Outrossim, também o incorrido no transporte de produtos acabados, pois está inserido no custo total do frete para a entrega do produto ao cliente, cujo direito está previsto no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03. INCLUSÃO DO ICMS NO VALOR DO ESTOQUE DE ABERTURA. CRÉDITOS PRESUMIDOS O § 3° do art. 8° da IN SRF n° 404/04 dispõe, expressamente, que o ICMS integra o valor dos estoques, para fins de cálculo dos créditos básicos. Como este ato normativo também disciplina o cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura em 01/02/14 (art. 26), para determinar sua base de cálculo, há que se adotar o critério aplicável ao crédito básico, isto é, com a inclusão do ICMS no valor dos estoques. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento, para acatar os créditos relativos às notas fiscais de compra de bens para revenda n° 12960, 12961 e 8228; os créditos relativos aos conhecimentos de transporte n° 25451 e 25453; às notas fiscais de serviços de transporte n° 218896, 226108, 228677, 128908, 13.078 e 13.933; os créditos relativos às notas fiscais de compras para industrialização n° 18938, 993, 929, 928, 934, 397, 19056, 077 e 047; os créditos relativos aos ajustes nos preços da soja; os créditos relativos a compras de produtos com fim específico de exportação; os créditos relativos aos fretes em compras de pessoas físicas para revenda; os créditos relativos ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos da recorrente; e os créditos relativos ao ICMS computado no custo de aquisição dos produtos integrantes do estoque de abertura de 01/02/04. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini e Marco Antônio Marinho Nunes que negaram provimento para a despesa de fretes referente ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 706 3 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Transcrevo da Resolução n° 3301000.363, de 24 de maio de 2017, o relatório e o voto que converteu o julgamento em diligência: "Os processos de números 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 (vinculados), referemse à análise de Declarações de Compensação – DCOMP do sujeito passivo, no período de janeiro a junho de 2005 (1º e 2º trimestres de 2005), feita a partir dos arquivos digitais, demonstrativos e documentos fiscais entregues pelo sujeito passivo no âmbito daqueles processos de análise do direito creditório de Cofins/PIS/Pasep. O Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 14/43) identifica as glosas dos créditos dos dois primeiros trimestres, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon. A insuficiência de contribuições de dezembro foi verificada após a apuração dos créditos e sua utilização em desconto constante do Dacon do 4º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009, gerando a lavratura do Auto de Infração n. 13971.003406/201099, também vinculado. O contribuinte alegou em sua defesa administrativa, resumidamente: (i) a não observância do prazo decadencial de 5 anos a partir do fato gerador, uma vez que teria recebido o despacho decisório com a glosa dos créditos em 18/08/2010, quando a exigência da COFINS seria referente a fatos geradores de maio de 2005; (ii) o direito ao crédito que teria sido indevidamente glosado pela fiscalização. A DRJ, então, ao analisar o caso, entendeu por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada. Insatisfeito com o teor desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, através do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação. Ocorre que os processos de compensação 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 findaram sendo apensados ao Proc. 13971.003406/201099, deixando, portanto, de possuir andamento próprio. Em sessão realizada em 26/04/2016 nos autos do Auto de Infração n. 13971.003406/201099, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para fins de determinar: (i) que os processos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 fossem saneados, no sentido de retirar dos mesmos a qualidade de apensados, determinandose a distribuição dos mesmos perante este Conselho, para que tenham andamento e julgamento próprios; (ii) determinar a vinculação de tais processos ao Auto de Infração n. 13971.003406/201099, para que sejam julgados em conjunto; (iii) determinar também a vinculação do Processo nº 13971.001474/200556, para que também fosse julgado em conjunto. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 707 4 Ocorre que o Processo nº 13971.001474/200556, antes do cumprimento da diligência em questão, foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamento em sessão realizada no dia 19 de maio de 2016 (Acórdão nº 3302003.218), o que tornou prejudicado o cumprimento da diligência no que tange ao item (iii) acima. Atendida a diligência em questão quanto aos demais processos, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Conforme acima narrado, verificase que a presente demanda deverá ser julgada em conjunto com os processos n. 13971.001475/200509 e 13971.003406/201099. Logo, o andamento de um processo influenciará diretamente no outro. Trazse a seguir, portanto, o conteúdo da decisão proferida nos autos do auto de infração (Proc. 13971.003406/201099), cuja conclusão deverá, diante do contexto acima narrado, ser a mesma para a presente demanda. 'Do Recurso Voluntário Preliminar de nulidade apresentada nos processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 Conforme acima relatado, o presente auto de infração deverá ser julgado em conjunto com os processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, pois a cobrança aqui realizada só se sustenta na medida em que os referidos processos de compensação sejam julgados. Da análise de ditos processos de compensação, verificase que consta dos Recursos Voluntários ali apresentados um pedido preliminar no sentido de que seja reconhecida a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que aquele DRJ teria, através de resolução da DRJ (vide fl. 825 do Proc. 13971.001036/200598), se recusado, sem razões legais, a analisar novos documentos e determinar diligências quando houvesse dúvida quanto aos documentos acostados. Alegou, ainda, que a negativa constante da Resolução iria de encontro com o entendimento do CARF sobre o tema. Assim, requereu a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que novo seja proferido, oportunizando a diligência e esclarecimentos necessários aos pontos de dúvida elencados, o que se requer. Em sessão de julgamento realizada em 24/10/2013, este Conselho entendeu por decretar a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 30/06/2005 DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A apensação de processos e a falta de uma decisão única, levandose em conta os processos apensados, o total dos créditos financeiros, as glosas dos valores, os débitos cuja compensação foram homologadas, em parte, os débitos remanescentes da compensação e o ressarcimento deferido, bem como a não apreciação das provas apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade implicam Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 708 5 cerceamento do direito de defesa do contribuinte e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Processo Anulado Verificase, contudo, que o Relator entendeu, naquela oportunidade, que configuraria cerceamento do direito de defesa do contribuinte a não apreciação da documentação acostada junto com a impugnação. Sendo assim, na nova decisão proferida, a Julgadora fez questão de consignar que toda a documentação juntada com a impugnação fora apreciada, não tendo sido considerada a documentação intempestivamente apresentada, por deliberação unânime da DRJ. Neste ponto, entendo que o não acatamento da documentação apresentada intempestivamente pelo contribuinte não leva à nulidade da decisão outrora proferida. Isso porque tal negativa não se deu "sem razões legais". Ao contrário, constatase da leitura da referida resolução que o não acatamento da juntada posterior de documentos deuse em razão da falta de comprovação de uma das causas indicadas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior, necessidade de atestar fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos). Ou seja, a fiscalização possuía respaldo normativo para assim proceder. Não vislumbro, portanto, causa de nulidade do acórdão recorrido. De outro norte, é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, o contribuinte anexou aos autos, antes mesmo do julgamento de primeira instância administrativa, uma série de notas fiscais relativas à comprovação atinente à Linha 1 (Glosa 1), Linha 2 (Glosa 2), Linha 3 (Glosa 1), Linha 7 (Glosa 1) e Linha 18 (Glosa 2). Acontece que ditos documentos, de fato, não chegaram a ser considerados pela fiscalização, exclusivamente em razão do entendimento acerca da extemporaneidade da sua apresentação. E o reconhecimento da nulidade determinada no Acórdão proferido por este Conselho em 24/10/2013 não supriu tal omissão, pois determinou que fossem apreciados os documentos juntados juntamente com a impugnação. Ou seja, até o momento, não foram apreciados os documentos apresentados pelo contribuinte após a impugnação. Ademais, de uma análise superficial de tais documentos, verificase que estes são relevantes à solução desta lide, podendo configurar provas suficientes à comprovação de parte do direito creditório pleiteado. Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte e não admitidos pela decisão recorrida conforme Resolução de fls. 825 dos autos, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar parte do direito creditório objeto da presente demanda, bem como indicando os valores a serem admitidos. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 709 6 Após, o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar quanto ao conteúdo dessa diligência, para que possa se manifestar sobre a mesma no prazo legal. Tendo em vista a conexão da presente demanda com os processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, destaquese que estes também deverão ser baixados em diligência, até porque, a conclusão obtida em um caso está intrinsecamente ligada à solução dos demais'. Diante do acima exposto, entendo que a presente demanda também deve ser baixada em diligência, nos termos do voto acima proferido. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora" A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" encontrase nos autos (fls. 678 a 691), em relação à qual a recorrente apresentou manifestação (fls 698 e 699). Com efeito, contestou apenas o fato de a nota fiscal n° 8228, de R$ 257.757,72 ter sido desconsiderada, por não estar legível, e chamou a atenção para o fato de ter carreado nova cópia, juntamente com o recurso voluntário. Todos os documentos juntados após a manifestação de inconformidade foram analisados. Diversos foram admitidos como prova da legitimidade de créditos, o que motivou o refazimento do cálculo dos créditos de COFINS a compensar. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi emitido o "Relatório de Auditoria Fiscal" (fls. 349 a 412), cujo objeto foi a auditoria dos créditos de COFINS apurados nos primeiro e segundo trimestres de 2005. Como resultado do trabalho, foram promovidas glosas nos créditos dos meses de janeiro a maio de 2005 (fl. 405), que impactaram os cálculos dos valores a recolher, gerando a lavratura do auto de infração objeto do processo n° 13971.003406/201099, e as compensações, objetos do presente e do processo n° 13971.001036/200598. Com efeito, este voto foi desenvolvido para solucionar ambos os processos de compensação. Passo ao exame dos argumentos de defesa e do resultado da diligência ("Informação Fiscal", fls. 986 a 999). Adotei como títulos os tópicos da defesa, os quais fazem referências a linhas do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). PRELIMINARES Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 710 7 "NULIDADE DO ACÓRDÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA" A recorrente alegou que houve cerceamento do direito de defesa, em razão de a DRJ ter se recusado a apreciar os documentos juntados aos autos, após o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade. Não alegou, todavia, ter ocorrido um dos eventos que justificariam a juntada intempestiva de provas, previstos no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, quais sejam, impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior, necessidade de atestar fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assim, a DRJ aplicou, literalmente, o art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Portanto, não há nulidade e o argumento deve ser afastado. Não obstante, em prestígio ao Princípio da Verdade Material, esta turma determinou a realização de diligência, para que a unidade de origem analisasse os citados documentos e também os carreados por ocasião da apresentação do recurso voluntário, os quais serão objetos de exame, quando da análise do mérito. "DA DECADÊNCIA" As Declarações de Compensação (DCOMP) originais e retificadoras foram transmitidas, respectivamente, em 30/05/05 e 22/09/06 (processo n° 13971.001036/200598) e 29/05/05 e 22/09/06 (processo n° 13971.001475/200509). E as ciências dos Despachos Decisórios datam de 18/08/10. Aduz a recorrente que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco lançar os créditos objetos das compensações. E que o art. 60 da IN SRF n° 600/05, invocado pela DRJ, não se prestaria para regular tal matéria. Reproduzo alguns trechos do recurso voluntário: (. . .) Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 711 8 Equivocase a recorrente, ao invocar o § 4° do art. 150 do CTN, haja vista que este trata de decadência do direito de o Fisco lançar tributo, o que obviamente não é o caso dos processos de compensação em tela, por meio dos quais não foi lançado qualquer tributo. Teria de ter recorrido ao § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que dispõe que a homologação tácita da compensação darseá após terem se passado cinco anos da data da entrega da declaração de compensação. Contudo, este dispositivo legal também não a socorre. A partir de 01/01/97, a compensação de créditos passíveis de restituição ou compensação passou a ter como fundamento legal o art. 74 da Lei n° 9.430/96, que, em seu §14, dispôs que a RFB disciplinaria a questão. Nas datas das entregas das DCOMP retificadoras, vigia a IN SRF n° 600/05, de cujos artigos 56 a 61 inferese que a DCOMP retificadora, uma vez admitida, substitui a retificada, para todos os fins legais. E o § 2° do art. 29 c/c o art. 60 da IN SRF n° 600/05 dispõe que a contagem do prazo para homologação tácita darseá a partir da data da protocolização da DCOMP retificadora. Assim, no caso em tela, o termo inicial é 22/09/06 (data da retificação), donde se conclui que não houve homologação tácita, posto que a ciência do despacho decisório ocorreu em 18/08/10. E não há que se falar que a IN SRF n° 600/05 teria extrapolado sua função, que é exclusivamente regulamentadora, tal qual alegou a recorrente. A meu ver, a IN SRF n° 600/05 fez tão somente a necessária leitura e aplicação do instituto da homologação tácita, previsto § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em caso de retificação de DCOMP. Uma vez que a retificadora substitui a original, para todos os fins legais, nada mais lógico do que reiniciar a contagem do prazo para homologação tácita, a partir da data da retificação. Isto posto, nego provimento aos argumentos. MÉRITO "LINHA 01 BENS PARA REVENDA LEI N° 10.833/2003, ART. 30, I" "Glosa 1: falta de comprovação" Houve glosas, por falta de apresentação das notas fiscais de aquisição dos bens para revenda. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 712 9 Na diligência, foram inspecionadas e consideradas aptas para comprovação da legitimidade dos correspondentes créditos da COFINS as notas fiscais 12960 (R$ 188.017,87) e 12961 (R$ 162.666,67), o que ratifico. Adicionalmente, também acato a nota fiscal n° 8228 (R$ 257.757,72), descartada pela DRJ e pela diligência, por supostamente ser ilegível. A cópia (fl. 886) que se encontra no anexo do recurso voluntário é absolutamente nítida e espelha compra de soja em grãos, a qual, segundo o "Relatório de Auditoria Fiscal" (fl. 354), era utilizada em processo industrial ou para revenda. "LINHA 02 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS LEI N° 10.833/2003, ART. 3°, II Glosa 1: complementos de valor remessas sem crédito Glosa 2: falta de comprovação" De acordo com o "Relatório Fiscal" (fls. 358 a 364), foram glosados créditos relativos a ajustes nos preços de compra de soja, efetuados após a efetiva entrada da mercadoria no estoque, pelos seguintes motivos (fl. 360): "a) Por se tratarem de remessas havidas no período da cumulatividade, ou seja, com data de entrada até 31/01/2004; b) Por se tratarem de remessas com fim específico de exportação (CFOP 1.501/2.501), conforme o exemplo a seguir, em que se demonstra a obtenção do percentual de glosa para o contrato: (. . .)" Adicionalmente, houve glosas de compras classificadas na citada linha do DACON, por falta de comprovação. A recorrente discorreu longamente sobre os regimes de caixa e competência, aplicados para reconhecimento contábil de custos e receitas, e a sistemática de ajuste futuro de preço que ocorre no mercado da soja. O objetivo era o de sustentar o cômputo de créditos sobre ajustes pagos, quando se encontrava sob o regime não cumulativo, apesar de a mercadoria ter sido entregue em período em que estava sob o cumulativo. A recorrente não se defendeu da glosa das "remessas" (compras) com o fim específico de exportação. Por fim, destacou que as notas fiscais n° 6090 (R$ 135.690,01) e 941890 (R$ 1.380.000,00) não teriam sido analisadas pela DRJ, por sua apresentação ter sido intempestiva. De pronto, tal qual a diligência, descarto as cópias das citadas notas fiscais, porque a primeira (n°6090, fl. 722) está ilegível e a segunda (n° 941890, fl. 740) não foi objeto de glosa. Com relação aos "ajustes de preços", assiste razão à recorrente. Reproduzo os incisos I e II do caput e o § 1° do art. 3° da Lei n° 10.833/03: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 713 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (. . .)" (g.n.) Restou incontroverso que a mercadoria ingressou no estabelecimento, ao tempo em que a recorrente estava sob o regime cumulativo. E, em linha com a legislação aplicável, não calculou créditos sobre o valor daquela operação. Contudo, posteriormente, já sob a sistemática não cumulativa, pagou diferença de preço, momento em que registrou o correspondente crédito da COFINS. A interpretação já absolutamente consolidada da Lei n° 10.833/03 é a de que há que se recuperar a COFINS inclusa no preço pago pela compra de bens (incisos I e II), para que o valor correspondente não seja computado no preço de venda juntamente com a contribuição devida sobre a saída e, assim, evitar a "tributação em cascata. No caso em discussão, a segunda parte do custo de aquisição ("ajuste do preço") foi paga e contabilizada como parte integrante do custo dos estoques de soja, sob a sistemática da não cumulatividade. E integrou o preço de venda, sobre o qual incidiu a COFINS não cumulativa. E, como vimos, o pressuposto da lei para a tomada de créditos é a de que tal custo formará o preço da venda futura, também sob regime não cumulativo. Assim, negar o direito ao crédito sobre os valores dos "ajustes dos preços da soja" seria afrontar o princípio da não cumulatividade sob o qual se funda a Lei n° 10.833/03. Portanto, dou provimento parcial aos argumentos contidos no presente tópico, negando o direito aos créditos calculados sobre as notas fiscais n° 6090 (R$ 135.690,01) e 941890 (R$ 1.380.000,00) e os admitindo sobre os ajustes de preço da soja, demonstrados no item 76 (letra "a") do "Relatório Fiscal" (fl. 363). Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 714 11 "LINHA 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS LEI N° 10.833/2003, ART. 30, II" "Glosa 1: falta de comprovação" Dentre os documentos não apresentados no curso da fiscalização, os seguintes foram juntados aos autos, por ocasião da juntada da impugnação, porém não aceitos pela DRJ, exclusivamente porque a data de emissão era 28/12/04, isto é, anterior aos primeiro e segundo trimestres de 2005: Os conhecimentos de transporte encontramse nos autos (fls. 494 e 498) e indicam transporte de trigo, que, segundo o "Relatório Fiscal", era adquirido para aplicação em processo industrial ou revenda. Portanto, compõem o custo de aquisição dos produtos cujas aquisições geram direito a crédito, de acordo com os incisos I e II do art. 3° da Lei n° 10.833/03. E não há óbice ao seu aproveitamento extemporâneo, conforme o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 10.833/03: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes." Adicionalmente, os seguintes documentos foram inspecionados na diligência ("Informação Fiscal", fl. 993): "Janeiro/2005: NF 218896 (fls. 743): documento avaliado; porém como a data de emissão é de 31/10/2004, é incompatível com a data contida no demonstrativo SVFr, analisado durante a ação fiscal. Por isso, a glosa será mantida. Março/2005: NF 226108 (fls. 742): documento considerado; glosa será cancelada (base de cálculo de R$ 143.018,97) Maio/2005: NF 228677 (fls. 724): documento considerado; glosa será cancelada (base de cálculo de R$ 219.459,81) NF 128908 (fls. 748): documento considerado; glosa será cancelada (base de cálculo de R$ 112.959,86)" Vêse que todos os documentos foram examinados e considerados como aptos para comprovação de créditos, exceto quanto à nota fiscal 218896, computada em janeiro de 2005. Entretanto, o motivo para a recusa extemporaneidade do desconto já foi acima examinado e afastado. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 715 12 Portanto, voto pela reversão das glosas relativas a todos os custos com os fretes acima examinados. "Glosa 2: frete correspondente a grãos exportados" A fiscalização glosou créditos de COFINS relativos a despesas com fretes para transporte de soja adquirida de pessoa física inicialmente para aplicação na produção, porém redestinada para revenda (exportação). A vedação legal ao registro de crédito neste tipo de compra de soja se estenderia ao frete, uma vez que compõe o custo de aquisição do produto. Entendo que a recorrente tem direito ao crédito. O frete integra o custo de aquisição de bens para revenda ou aplicação no processo industrial (art. 289 do RIR/99). O direito ao crédito sobre o frete tem como fundamento os mesmos dispositivos que respaldam os créditos sobre o produto, quais sejam, os incisos I e II do art. 3° da Lei n° 10.833/03. E, em última análise, para atendimento ao princípio da não cumulatividade, que rege a Lei n° 10.833/03. A compra da soja de pessoa física não dá direito a crédito, por força do inciso I do § 2° do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Inferese que a vedação decorre do fato de a operação não ser tributada pela COFINS. O frete, contudo, é tributável. E, por isto, confere direito a crédito. Portanto, acato os créditos de COFINS sobre fretes em compras de soja de pessoas físicas. "Glosa 3: frete na transferência de produto acabado" Foram glosados os créditos sobre fretes incorridos no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos os fretes incorridos nas aquisições de insumos e produtos para revenda, vendas e transferências de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 716 13 Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) Voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes de nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. "Glosa 4: frete na aquisição de pf para revenda" Tratase de questão idêntica à tratada no tópico "GLOSA 2: FRETE CORRESPONDENTE A GRÃOS EXPORTADOS". E, pelos motivos lá expostos, voto por reconhecer os créditos da COFINS. "Glosa 5: fretes na aquisição com fex " Consta no "Relatório de Auditoria Fiscal" (fl. 354) que a recorrente também atuava como comercial exportadora. E os produtos que adquiria com o fim específico de exportação não estavam sujeitos à incidência da COFINS, por força do inciso II do art. 6° da Lei n° 10.833/03. Assim sendo, a fiscalização entendeu que também não podia registrar créditos sobre os fretes incorridos na aquisição dos produtos. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 717 14 Também neste caso, aplicase o conteúdo do tópico "GLOSA 2: FRETE CORRESPONDENTE A GRÃOS EXPORTADOS", pelo que voto pela admissão dos créditos sobre os fretes nas compras de produtos com o fim específico de exportação. "Glosa 6: frete em devoluções" Foram glosados créditos relativos a fretes em devoluções de compras e vendas, por falta de previsão legal. A recorrente defende tão somente os relativos aos fretes em devoluções de vendas. Sustenta que são admitidos créditos sobre o valor do produto devolvido (inciso VIII do art. 3° da Lei n° 10.833/03) e, por analogia, também devem ser aceitos sobre o frete correspondente. O frete incorrido na devolução de vendas integra o custo do produto devolvido. Se este for novamente colocado à venda, o frete da devolução de venda passa a integrar o custo de aquisição de produto para revenda, cujo crédito poderia ser admitido, com base no inciso I do art. 3° da lei n° 10.833/03. Caso contrário, se o produto for descartado (ex; defeito de fabricação), não há direito a crédito. Assim, votaria pela admissão dos créditos, caso houvesse informação nos autos acerca do seu reaproveitamento. Contudo, como não há, nego provimento. "Glosa 7: frete em operações com depósito fechado ou armazém geral" Em razão de suposta ausência de previsão legal, foram glosadas as despesas com fretes para transferência de produtos para depósito fechado ou armazém geral. Aplicase o conteúdo do tópico GLOSA 3: FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO, pelo que voto pela admissão dos créditos sobre fretes na transferência de produtos para depósito fechado ou armazém geral. "LINHA 05 — DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS LEI N° 10.833/2003, ART. 30, IV" "Glosa 1 adiantamento a fornecedor" Foram glosados os créditos calculados sobre adiantamentos efetuados por conta de contratos de aluguel, sob a alegação de que o crédito incide sobre a despesa efetivamente incorrida. Alega a recorrente que o direito ao crédito nasce com o pagamento do aluguel, a despeito de a despesa já ter ou não sido incorrida. Podem ser calculados créditos sobre os aluguéis de prédios (inciso IV do art. 3° da lei n° 10.833/03) incorridos no mês (inciso II do §1° do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Como a expressão "incorrido" não é conceituada pela Lei n° 10.833/03, recorrese às legislações societária e do IRPJ. Estas consideram incorrido o custo ou despesa efetivamente realizado, ou seja, no caso de aluguel, a partir do início da vigência do contrato, quando o imóvel está livre e desimpedido e à disposição do locatário para utilização. Antes Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 718 15 disto, qualquer desembolso configurase como adiantamento de uma despesa que materializar seá será tida como incorrida tão somente com o início do período da locação. Isto posto, correta a glosa. "Glosa 2: Falta de Comprovação" Houve glosas de créditos sobre aluguéis, por falta de comprovação. Na manifestação de inconformidade, a recorrente colacionou contrato e "ordem de pagamento" de aluguel à Matosul Ind. de Óleos Vegetais Ltda.. E contrato de aluguel com o Moinho Jauense Ind. e Com. de Alimentos Ltda. e cópia do que supostamente seria o razão da conta de despesa. A DRJ não aceitou os créditos, pois não foram apresentados os comprovantes da despesa (recibo) e do pagamento (depósitos bancários). Como nenhum outro documento foi apresentado juntamente com o recurso, voto pela manutenção da glosa. "LINHA 06— DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS LEI N° 10.833/2003, ART. 30,1V" "Glosa 1 adiantamentos a postos" As glosas foram efetuadas, porque tratavase de adiantamentos a fornecedores e não despesas efetivas. A recorrente defendese, fazendo referência aos argumentos apresentados no tópico "LINHA 05 — DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS LEI N° 10.833/2003, ART. 30, IV" / "Glosa 1 adiantamento a fornecedor". E, de minha parte, não acato os créditos, pelas mesmas razões apresentadas no tópico citado no parágrafo anterior. "LINHA 07— DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA LEI N° 10.833/2003, ART. 30, IX" "Glosa 1: Falta de Comprovação" Na diligência, foram examinadas as notas fiscais 13.078 (fl. 750) de R$ 352.666,50, e 13.933 (fl. 751), de R$ 103.996,39, e proposta a reversão das glosas. Sigo a conclusão da diligência e acato os créditos. "LINHA 09 — ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO LEI N° 10.833/2003, ART. 30, VI" "Glosa 1: Falta de informação do fornecedor do bem" Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 719 16 "LINHA 10 — BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS A DESCONTAR RELATIVOS A BENS DO ATIVO IMOBILIZADO LEI N° 10.833/2003, ART. 30, § 14" "Glosa 1: Falta de informação do fornecedor do bem" Foram glosadas despesas com depreciação de bens do imobilizado desgaste normal (linha 9) e opção pela recuperação acelerada (linha 10) , porque a recorrente não forneceu informações acerca do fornecedor. A recorrente alega que informou o CFOP, pelo qual a fiscalização já poderia concluir que comprara o respectivo bem no mercado interno ou externo. O contribuinte tem o dever de prover à fiscalização todos os dados concernentes ao fornecedor (razão social, CNPJ etc.), sem o que sequer é possível verificar que foi classificado no CFOP correto. Assim, deve ser mantida a glosa da despesa com depreciação. "LINHA 18 CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS LEI N° 10.925/2004, ART. 8°" "Glosa 1: Complementos de Valor Remessas sem crédito" As glosas foram realizadas pelos seguintes motivos (fls. 390 e 391, "Relatório de Auditoria Fiscal"): "a) Por se tratarem de remessas havidas no período da cumulatividade, ou seja, com data de entrada até 31/01/2004; b) Por se tratarem de remessas para comercialização (CFOP 1.102), conforme o exemplo a seguir, em que se demonstra a obtenção do percentual de glosa para o contrato: (. . .)" A recorrente não contestou a glosa citada na letra "b". Com relação à letra "a", os argumentos de defesa, da DRJ e deste relator encontramse no tópico "LINHA 02 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS LEI N° 10.833/2003, ART. 3°, II / Glosa 1: complementos de valor remessas sem crédito / Glosa 2: falta de comprovação", cuja conclusão foi no sentido de acatar os créditos. Portanto, dou provimento parcial, admitindo os créditos presumidos relativos aos complementos de preço das compras de grãos para industrialização. "Glosa 2: Falta de Comprovação" Os seguintes documentos foram apresentados após a protocolização da manifestação de inconformidade e, por isto, não admitidos pela DRJ (recurso voluntário, fl. 877): Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 720 17 Contudo, foram inspecionados na diligência e considerados aptos para suportar os créditos. Ratifico a conclusão da diligência e dou provimento. "Glosa 3: Frete correspondente a grãos exportados" "Glosa 4: Frete na Transferência de Produto Acabado" "Glosa 5: Frete em devoluções" "Glosa 6: Frete em operações com Depósito Fechado ou Armazém Geral" Os créditos presumidos foram glosados pelos mesmo motivos que os créditos integrais citados nos tópicos abaixo indicados: "LINHA 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS LEI N° 10.833/2003, ART. 30, II" / "Glosa 2: frete correspondente a grãos exportados" / "Glosa 3: frete na transferência de produto acabado" / "Glosa 6: frete em devoluções" / "Glosa 7: frete em operações com depósito fechado ou armazém geral" A DRJ e a recorrente remetemse aos argumentos adotados para os tópicos acima. E também este relator. Assim, voto pela reversão das glosas dos tópicos "Glosa 3: Frete correspondente a grãos exportados", "Glosa 4: Frete na Transferência de Produto Acabado" e "Glosa 6: Frete em operações com Depósito Fechado ou Armazém Geral" e mantenho as glosas do tópico "Glosa 5: Frete em devoluções". "LINHA 19— CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO A ESTOQUE DE ABERTURA LEI N° 10.833/2003, ART. 12" "Glosa 1: ICMS" A fiscalização glosou a parcela do crédito presumido da COFINS calculada sobre o ICMS computado no preço de aquisição do "estoque de abertura existente em 01/02/04". Alegou que o ICMS não integra o "valor do estoque", nos termos do art. 289 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): "Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 721 18 permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei n°1.598, de 1977, art. 14). que, no seu sç 30 estabelece: (. . .) § 3° Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal." E fundamentou a glosa na Solução de Divergência COSIT n° 13/08, a saber: "MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N°13 de 24 de Abril de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA O valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido previsto no art. 12 da Lei n°10.833, de 2003." A recorrente contesta com os seguintes argumentos: o "Ajuda" do DACON 1.1 dispõe que o ICMS integra o custo de aquisição, base cálculo do crédito; e o conceito de "custo de das mercadorias" revendidas, para fins de IRPJ (art. 289 do RIR/99), difere do conceito de "valor do estoque" (§1° do art. 11 da lei n° 10.637/02), sendo que ,este último, é o valor pago. Assiste razão à recorrente. Adotase a interpretação sistemática no âmbito tributário, entre outras circunstâncias, quando a legislação de um tributo menciona determinado instituto, porém sem conceituálo. Entretanto, isto não se verifica nesta controvérsia. A IN SRF n° 404/04, que contém as instruções para aplicação da Lei n° 10.833/03, no § 3° do art. 8°, dispõe, expressamente, que o ICMS integra o valor dos estoques, para fins de cálculo dos créditos básicos. Como a IN SRF n° 404/04 também disciplina o cálculo do crédito presumido (art. 26), por certo há que se determinar sua base de cálculo, adotando o critério aplicável ao crédito básico, isto é, com a inclusão do ICMS no valor dos estoques. Colaciono os dispositivos legais acima mencionados: Lei n° 10.833/03 Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 722 19 O art. 12 da Lei n° 10.833/03 dispõe sobre o crédito presumido em tela: "Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. (. . .)" (g.n.) IN SRF n° 404/04 "Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (. . .) § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) INTEGRA O VALOR DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. (. . .) Art. 26. A pessoa jurídica sujeita a incidência da Cofins não cumulativa, tem direito aos créditos previstos no art. 8º, referentes ao estoque de bens de que trata o seu inciso I, existentes em 1º de fevereiro de 2004, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. (. . .)" (g.n.) Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 723 20 Isto posto, dou provimento, admitindo a inclusão do ICMS no valor dos estoques de abertura de 01/02/04, para cálculo do crédito presumido de COFINS. "LINHA 31 — AJUSTES NEGATIVOS DE CRÉDITOS" "Glosa 1: Estorno de bens sinistrados" Esta linha do DACON é destinada aos bens adquiridos para revenda ou utilização como insumos e sobre os quais tenham sido calculados créditos, porém que tenham sido roubados ou furtados ou baixados por quebra ou obsolescência. A fiscalização solicitou que o contribuinte apresentasse demonstrativo contendo os estornos dos insumos adquiridos para industrialização, porém não obteve resposta. Diante disto, perscrutou os livros contábeis e identificou as contas n° 1700 "Sinistros de MatériaPrima" e n° 1701 "Sinistros de Produtos". E sobre os saldos, calculou valores que adicionou aos totais dos estornos originalmente calculados pelo contribuinte. A recorrente sustenta que foram lançados naquelas contas valores que não correspondem a sinistros de insumos. E apresenta cálculo alternativo, por meio do qual também encontra valores inicialmente não estornados. Não há retoques a fazer no trabalho fiscal. Identificou contas contábeis, cujos títulos indicavam que abrigavam baixas de insumos. Foi aos razões das contas e verificou que os históricos dos lançamentos confirmavam o que se inferia a partir dos títulos (fl. 401). E calculou as glosas. Em suas peças de defesa, a recorrente confirmou que aquelas contas registravam baixas de estoque e que deveriam dar azo a estornos de créditos. Admitiu que não as considerou no cálculo inicial dos estornos. E, ao fim, discorda apenas de alguns valores computados pelo Fisco, alegando não se tratarem de sinistros de mercadorias. Todavia, não trouxe prova de que não correspondiam a perdas com insumos e que, por conseguinte, os lançamentos nas contas citadas contábeis estavam errados. Assim, nego provimento. CONCLUSÃO Dou provimento parcial, nos seguintes termos: I) preliminares: nego provimento; II) mérito: LINHA 01: admito créditos integrais sobre as notas fiscais n° 12960, 12961 e 8228. LINHA 02: nego o direito aos créditos integrais calculados sobre as notas fiscais n° 6090 e 941890 e os admito sobre os ajustes no preço da soja (item 76, letra "a", do relatório Fiscal, fl.363). Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13971.001475/200509 Acórdão n.º 3301005.614 S3C3T1 Fl. 724 21 LINHA 03: admito os créditos integrais sobre os fretes relativos aos CT 25451 e 25453 e às notas fiscais 218896, 226108, 228677 e 128908 (GLOSA 1); em compras de soja de pessoas físicas para revenda (GLOSAS 2 e 4); em transferência de produtos acabados entre estabelecimentos (GLOSAS 3 e 7); e em compras de produtos com o fim específico de exportação (GLOSA 5). LINHA 03: nego o direito a créditos sobre fretes em devoluções de compras e vendas (GLOSA 6). LINHA 05: nego o direito a créditos sobre adiantamentos por conta de aluguéis de prédios; e sobre aluguéis, sem comprovação. LINHA 06: nego o direito a créditos sobre adiantamentos a postos. LINHA 07: acato os créditos integrais sobre as notas fiscais de transporte n° 13.078 e 13.933. LINHAS 09 e 10: nego o direito aos créditos sobre despesas com depreciação normal e acelerada. LINHA 18: acato os créditos presumidos sobre os complementos de preço de soja (GLOSA 1); relativos às notas fiscais 18938/993/929/928/934, 397, 19056/077 e 047 (GLOSA 2); e sobre fretes em compras de soja de pessoas físicas para revenda (GLOSA 3) e em transferência de produtos acabados entre estabelecimentos (GLOSAS 4 e 6). LINHA 18: nego o direito a créditos presumidos sobre fretes em devoluções de compras e vendas (GLOSA 5). LINHA 19: admito créditos presumidos sobre o ICMS computado no valor dos estoques de abertura de 01/02/04; e LINHA 31: nego provimento aos argumentos que contestavam os valores lançados pela fiscalização a título de estorno de créditos. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 724DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901641/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/04/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.629
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901641/201361 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.629 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente BELEM DIESEL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/04/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 41 /2 01 3- 61 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.286. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.901641/201361 Acórdão n.º 3401005.629 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.008707/00-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia à esfera administrativa.
Numero da decisão: 1401-003.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia à esfera administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão nº 1134.104, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, em 16/06/2011, ocasião em que assim se decidiu: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 87 07 /0 0- 08 Fl. 1054DF CARF MF 2 Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da manifestação de inconformidade, por concomitância de matéria na esfera judicial. Na apreciação do Recurso Voluntário, o julgamento do processo foi convertido em diligências por esta 1ª Turma (mas com outra composição), por meio da Resolução nº 1401000.298, de 12 de março de 2014, a qual, por bem sintetizar o litígio posto, ora se reproduz. Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 968/971) interposto em face do acórdão de n° 1134.104, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de 16 de junho de 2011. Originalmente, o processo versa sobre pedido de restituição e de compensação (fls. 01/02), protocolizado em 24 de agosto de 2000, referente a créditos fiscais gerados na retificação das DIPJs dos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, em que o contribuinte requereu: a restituição de Imposto de Renda recolhido a maior nos exercícios de 1995, 1996, 1997 e 1998, em razão da obtenção do incentivo fiscal de isenção de IRPJ, concedido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, através da Portaria DAI/ITE n. 0175/1997; a compensação de tais valores com os débitos de COFINS, PIS e CSLL de julho de 2000. A Receita Federal SEORT, por sua vez, entendeu que o contribuinte não fazia jus ao crédito de IRPJ referente ao incentivo fiscal de isenção, razão pela qual indeferiu a restituição e, consequentemente, a compensação. Assim fundamentou em seu despacho decisório de fls. 204/205, proferido em 30 de setembro de 2003: “No uso da competência que me foi delegada pelo art. 126, III, do Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n. 259/2001, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório Fiscal contido no Despacho de fl. 190, que passa a fazer parte integrante deste ato, conforme o art. 50, §1º da Lei n. 9.784/99, a) INDEFIRO o pedido de restituição pleiteado, tendo em vista que o contribuinte não faz jus ao crédito de Imposto Sobre a renda relativo ao incentivo fiscal de isenção daquele mesmo Imposto. b) DETERMINO a cobrança dos débitos relacionados à fl. 02”. Devidamente notificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 230/249), pugnando pela reforma do Despacho Decisório com fundamento nos seguintes argumentos: · Duplicidade de cobrança; · Incentivo fiscal da isenção de IRPJ concedido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, através da Portaria DAI/ITE n. 0175/1997; Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10480.008707/0008 Acórdão n.º 1401003.054 S1C4T1 Fl. 1.055 3 · Reconhecimento da isenção pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, nos autos da apelação cível n. 365003PE e à manutenção das compensações efetuadas; · Incompetência da Secretaria da Receita Federal para rever atos administrativos editados pela SUDENE; · Reunião dos processos administrativos que versem sobre o benefício fiscal da SUDENE. Nesse contexto, em 16 de junho de 2011 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE), ao apreciar a questão, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme se observa do Acórdão de n° 1134.104 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 1995,1996,1997 NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia à esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, afirmando não haver concomitância, vez que não busca o reconhecimento da existência de crédito tributário. Também reiterou a alegação de cobrança em duplicidade de valores já exigidos anteriormente em outros processos. Delimitando a lide, a questão versa sobre a concomitância ou não de processos judiciais e administrativos, vez que é o fundamento do acórdão guerreado, bem como sobre eventual duplicidade alegada pelo contribuinte. Conforme menciona a DRJ, o Ato Declaratório Normativo Cosit n. 3, de 14 de fevereiro de 1996 prescreve que a “propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto”. Também o artigo 26 da Portaria MF n. 58, de 17 de março de 2006 estabelece que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. No mesmo sentido é a Súmula CARF n.1. Sendo assim, é cediço que para se afirmar a existência de concomitância de processo judicial e administrativo é Fl. 1056DF CARF MF 4 indispensável que haja a identidade da parte, do pedido e do objeto das demandas. No caso em análise, o contribuinte, utilizando as vias administrativas, realiza pedido de restituição e de compensação. O pedido de restituição parte da premissa da existência de saldo credor decorrente do recolhimento a maior de IRPJ. Com fundamento, na Portaria DAI/ITE – 0175/1997 emitida pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste que reconheceu a isenção de IRPJ, referente aos exercícios de 1995 a 1998. Portanto, concluise que o objeto do Processo Administrativo é a restituição e posterior compensação. O pedido de compensação, por sua vez, tem como pressuposto a existência de débitos fiscais referentes ao PIS, à COFINS e à CSLL. Sendo a compensação uma modalidade de extinção do crédito tributário, o pedido realizado às fls. 02 dos autos tem como objeto a extinção do crédito tributário. Assim, no Processo Administrativo o objeto é a repetição de indébitos e a quitação de débitos. Contudo, a autoridade fiscal houve por bem não conceder a restituição, alegando não fazer jus o contribuinte ao incentivo fiscal. Tal fato ocasionou, por vias reflexas, a discussão da isenção. Já o processo judicial, conforme se extrai da documentação de fls. 286/299 (petição inicial do processo 002520664.2003.4.05.8300, em trâmite perante a 1ª Vara Federal de Pernambuco), tem como objeto o reconhecimento da isenção concedida pela SUDENE e a anulação dos autos de infração lavrados em decorrência da exigência de IRPJ durante o período de vigência do incentivo fiscal. Em verdade, o escopo primordial foi compelir, mediante decisão judicial, a Receita Federal do Brasil a reconhecer uma isenção e, por decorrência, poder combater lançamentos, repetir indébitos e compensar valores. Sobre a decisão judicial, vale relatar primeiramente que se trata de resposta a Ação Ordinária interposta pelo contribuinte contra a União Federal (fls. 286/301). De acordo com os fatos lá narrados, a contribuinte requereu na SUDENE o reconhecimento da isenção do imposto sobre a renda de que trata o art. 1º do Decretolei 1564/77, sendolhe expedida portaria reconhecendo tal direito. Ato contínuo, a COPERGAS pediu ressarcimento de parte do que havia pago, indevidamente, desde o início de sua atividades, reclamando a compensação desses valores. Relata ainda a mesma ação que houve indeferimento desse pedido com posterior interposição de recurso administrativo, o qual foi julgado intempestivo. Assim, além dos demais fatos narrados, o que importa é que o citado pedido de ressarcimento é identificado na ação judicial como aquele constate do processo administrativo 10480.004488/0016. Muito bem, após dizer sobre o direito, conclui a ação com o pedido para que sejam anulados os autos de infração anexos à ação, “a título exemplificativo, assim como quaisquer outros autos que venham a ser lavrados pelos mesmos motivos, ou seja, suposta compensação indevida de IRPJ, bem como pelo não Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10480.008707/0008 Acórdão n.º 1401003.054 S1C4T1 Fl. 1.056 5 recolhimento de IRPJ durante o pedido de vigência da isenção discutida.” (alínea a do pedido). Ainda, Em referida ação, pede se que seja condenada a União à “acatar, cumprir e reconhecer, para todos os fins de direito, a isenção de imposto de renda reconhecida pela SUDENE em favor da autora, inclusive para fins de ressarcimento, compensação, ou devolução em espécie, do IRPJ indevidamente recolhido pela Autora, durante o período de vigência de sua isenção aqui sustentada, ressalvado o direito da Receita Federal de calcular o cálculo aritmético dos valores envolvidos” (alínea b do pedido). A sentença, por seu turno, julgou improcedente o pleito da Autora em sua petição inicial (fls. 309). Posteriormente, já em sede de recurso ao Tribunal Regional da 5ªRegião, este deu provimento à Apelação, para o fim de julgar procedentes os pedidos das alíneas a e b (fls. 973/982). De acordo com a parte dispositiva do referido acórdão, foi então reconhecido o direito à isenção, asseverando que compete aos agentes da Apelada, no concerne ao pleito de compensação, ressarcimento, ou devolução, fiscalizar a autenticidade dos quantitativos apresentados, bem como que deve ser observado o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional. Julgo oportuno colacionar o andamento do processo extraído do sítio do Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSO Nº 002520664.2003.4.05.8300 (2003.83.00.0252063) Fl. 1058DF CARF MF 6 Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10480.008707/0008 Acórdão n.º 1401003.054 S1C4T1 Fl. 1.057 7 Observase, portanto, que o acórdão da Apelação Cível n. 365003 – PE foi objeto de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, que, após admitido, foi julgado pelo E. Superior Tribunal de Justiça. Na sequência, os autos foram baixados para o TRF 5ª Região em 19/05/2009. Posteriormente, o tribunal procedeu a baixa definitiva em 26/05/2009 para Seção Judiciária de Pernambuco. Entretanto, a despeito do andamento extraído do sítio, não se tem o inteiro teor da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça. Muito bem, apesar de a Ação Ordinária se remeter ao processo administrativo n.10480.004488/0016, e não a este processo n. 10480.08707/0008, importante verificar que o cerne da questão (pedido/negativa de restituição) está na isenção do IRPJ, o que é justamente o objeto da alínea b do pedido inicial do processo judicial, vez que a fundamentação da d.autoridade fiscal para não homologar o pedido de restituição/compensação se consubstancia na questão do direito ao benefício, in verbis: “No uso da competência que me foi delegada pelo art. 126, III, do Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n. 259/2001, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório Fiscal contido no Despacho de fl. 190, que passa a fazer parte integrante deste ato, conforme o art. 50, §1º da Lei n. 9.784/99, a) INDEFIRO o pedido de restituição pleiteado, tendo em vista que o contribuinte não faz jus ao crédito de Imposto Sobre a renda relativo ao incentivo fiscal de isenção daquele mesmo Imposto. b) DETERMINO a cobrança dos débitos relacionados à fl. 02”. Todavia, compulsando os autos, não verifiquei qualquer documento que fosse hábil o suficiente para se concluir o exato teor do trânsito em julgado desse objeto no poder judiciário. Apesar dos extratos processuais extraídos dos sítios da Justiça Federal de Pernambuco e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região indicarem para um possível reconhecimento em definitivo do direito à isenção de IRPJ, não se tem, como dito, o inteiro teor da decisão proferida pelo STJ ou uma Certidão de Objeto e Pé. Indispensável, portanto, para dar prosseguimento ao feito, documentos que comprovem se tal pedido transitou em julgado, para que se possa atingir a cognição plena quanto ao reconhecimento em definitivo pelo judiciário ao direito ao incentivo e, por consequência, à restituição, cabendo a análise quantitativa e a observância do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Fl. 1060DF CARF MF 8 Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a remessa destes autos à delegacia de origem, a fim de que o contribuinte seja intimado a juntar ao presente processo certidão de objeto e pé e de trânsito em julgado, e/ou resultado do julgamento no âmbito do STJ e demais documentos possíveis que auxiliem este Tribunal a verificar a matéria transitada em julgado. Após, intimese a Fazenda para se manifestar, retornando os autos para julgamento. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Da Intimação da Resolução CARF Consta nos autos os seguintes despachos: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 12/11/2014 13:08h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Intimação de Resultado de Julgamento Resolução Contribuinte: 41.025.313/000181 COMPANHIA PERNAMBUCANA DE GAS COPERGAS (ou seu Representante Legal) TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 12/11/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 27/11/2014 Intimação de Resultado de Julgamento Resolução Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10480.008707/0008 Acórdão n.º 1401003.054 S1C4T1 Fl. 1.058 9 Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço Tendo em vista que (i) a Recorrente não se pronunciou acerca das diligências demandadas, (ii) considerando que na própria Resolução do CARF já se reconhece que o cerne da questão seria a isenção de IRPJ, questão idêntica à vista nestes autos e (iii) que a alegada cobrança em duplicidade de valores já exigidos anteriormente em outros processos já foi definitivamente superada na decisão recorrida, de se ratificar seus termos, ou seja, por não conhecer do pedido de restituição, por concomitância de matéria na esfera judicial. Assim, proposta ação judicial com o mesmo objeto ora visto nos autos deste processo administrativo fiscal (isenção de IRPJ) deve ser declarada a definitividade da exigência ora contestada nos autos. À época do decidido pela instância de piso, vigia o Ato Declaratório Normativo nº 3, de 14/02/1996, agora, no âmbito da Receita Federal o ato que disciplina a questão encontrase no Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22/08/2014, assim ementado: [...] Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia as instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto; [...] A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. [...] Em seu texto conclusivo, do PN 7/2014: 21. [...] a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior; implica renúncia as instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Fl. 1062DF CARF MF 10 b) [...] c) a renúncia as instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira. [...] m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Conclusão É o Voto, por negar provimento ao recurso voluntário em face de discussão de mesmo teor em processo judicial. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 1063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909870/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.374
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 87 0/ 20 11 -6 4 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.909870/201164 Resolução nº 3201001.374 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.909870/201164 Resolução nº 3201001.374 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.909870/201164 Resolução nº 3201001.374 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 182DF CARF MF
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